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Diaconia

RESUMO

SOUZA, Alexandre Lopes de. Diaconia – Fundamentada Nos Ensinamentos E Práticas De Jesus
Cristo: Sua Relevância Para A Igreja De Hoje. TCC. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso –
Monografia. (Bacharel em Teologia) Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do
Brasil – FACETEN, Blumenau, 2011.

A diaconia representa a responsabilidade da igreja em desempenhar o ministério de acordo com os


pobres e com os que não pertencem a qualquer comunidade, em serviço espontâneo e adequado a
cada situação.

Como igreja é necessário estar comprometido, aproximar-se de fato, tocar o necessitado, voltar-se
para a integralidade e o bem estar do semelhante. O desafio requer coragem e crescente entusiasmo,
principalmente porque a problemática em questão relaciona-se com aspectos sociais, religiosos,
éticos e legais. Vivenciar, refletir, descobrir, praticar e integrar são os requisitos básicos para o
fortalecimento dos grupos e sucesso das iniciativas caminhando-se segundo os passos de Cristo,
bem como, estimular a entrada de novos grupos na corrente de fé, amor, ação, solidariedade e
acolhimento cristão das pessoas discriminadas pela cultura vigente. Jesus não apenas ensinava, Ele
vivia até as últimas consequências a lógica da diaconia.

Seguir as práticas e ensinamentos de Jesus Cristo no que se refere à diaconia é a base fundamental
proposta neste trabalho.

ABSTRACT

SOUZA, Alexandre Lopes. Deaconry – Grounded In The Teachings AndPractices Of Jesus Christ:
Its Relevance To The Church Today. TCC. 2011. the completion of Course Work – monograph.
(Bachelor of Theology) Science, Education and Theology College in Northern Brazil – FACETEN,
Blumenau, 2011.
The Deaconry represents the responsibility of the Church in play the Ministry in accordance with
the poor and those who do not belong to any community in spontaneous service and appropriate to
each situation. As a church it is necessary to be compromised, closer to actually play the needed,
turn to the completeness and the well being of similar. The challenge requires courage and growing
enthusiasm, mainly because the problems in question relates to social , religious, ethical and legal
aspects. Experience, reflect, learn, practice and integrate are the basic requirements for the
strengthening of the groups and success of the initiatives walking according to the steps of Christ.
As well as to stimulate the entry of new groups in the current of faith, love, action, solidarity and
Christian reception of persons discriminated against by the current culture. Jesus not only taught, he
lived up to the last consequences the logic of the Deaconry. Follow the practices and teachings of
Jesus Christ regarding the Deaconry is the fundamental basis proposed in this work.

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

O presente trabalho se dá ao fato de que existe a necessidade de resgatar a essência da diaconia.


Este é um tema relevante napós-modernidade. Assim precisa estar latente, objetivando-se conduzir
a uma reflexão sobre o papel exercido pela Igreja. Este não pode ser limitado apenas ao discurso,
todavia se faz necessário resgatar e evidenciar a importância da “diaconia” dentro do contexto
neotestamentário, tomando-se Jesus Cristo como parâmetro a ser seguido. O modelo de diaconia
ensinado e praticado por Jesus Cristo é pautado em várias passagens bíblicas. Ele ensinava e servia
segundo a vontade de Deus, reintegrando os excluídos à sociedade, restaurando-lhes a integridade.

O trabalho é elaborado partindo da conceituação bíblica do que vem a ser diaconia e suas raízes
terminológicas. Busca-se uma reflexão sobre o tema além da esfera pessoal, como também,
observar o papel social da diaconia, aderindo a caminhos amplos e objetivos para uma vivência
cristã, praticando-se ações concretas sem esperar algo em troca e não atendendo a interesses
próprios. Outro ponto a ser explanado versa sobre o papel da igreja, analisando-se a parcela de
contribuição que se deve dar para que a sociedade seja mais igualitária e justa, objetivando-se a
plenitude da vida humana, nos níveis individual e coletivo, nas relações harmoniosas com Deus,
com o próximo e com toda a natureza criada.
O interesse em escrever sobre este assunto se deu ao fato de perceber que, como igreja, se esquece a
dimensão diaconal numa sociedade onde a miséria e o abandono é visível. A preocupação com o
bem estar próprio e material está em primeiro plano e o próximo é deixado à margem de uma
sociedade fria, indiferente e acomodada.

1.1 Metodologia

Revisão sistemática da literatura disponível, ou seja, fontes primárias de informação como livros,
artigos, teses, dissertações, monografias, entre outros referentes ao assunto serão utilizados na
pesquisa bibliográfica desta monografia.

1.1.1 Apresentação do problema de pesquisa

Como sabemos se pertencemos a Deus? Sendo verdadeiros cristãos? E como sei se sou um
verdadeiro cristão? Porque amo e creio em um Deus vivo? Será que somente o falar que creio faz de
mim um Cristão? As minhas atitudes diárias não teriam que refletir o meu conhecimento dos
ensinamentos de Jesus?

Por isto pergunto se é possível ser verdadeiramente cristão sem a prática da Diaconia?

1.1.2 Objetivos da pesquisa

Conscientizar que um verdadeiro cristão tem que exercer o que lhe é falado constantemente dentro
de uma igreja, que a diaconia tem que fazer parte do nosso dia a dia.

1.1.2.1 Objetivo geral

Fundamentar a relação existente entre Igreja, Diaconia e Sociedade.

1.1.2.2 Objetivos específicos

• Buscar a importância do termo “diaconia”.

• Destacar os ensinamentos e práticas de Jesus em relação à diaconia.

• Identificar a responsabilidade da Igreja em desempenhar as práticas e ensinamentos de Jesus


Cristo no que se refere a diaconia.

1.1.3. Justificativa e importância do estudo


O presente trabalho se dá aofato de que existe a necessidade de resgatar a prática da diaconia. Este é
um tema relevante na atualidade. Assim precisa estar latente, objetivando-se conduzir a uma
reflexão sobre o papel exercido pela igreja.

O modelo ensinado e praticado por Jesus é pautado em várias passagens bíblicas. Ele ensinava e
servia segundo a vontade de Deus, reintegrando os excluídos à sociedade, restaurando-lhes a
dignidade e integridade.

A dimensão diaconal é esquecida por uma sociedade onde a miséria e o abandono é visível. A
preocupação com o bem estar próprio e material está em

primeiro plano e o próximo e deixado a margem da sociedade fria, indiferente e acomodada!

1.1.4 Natureza da pesquisa

Ao afirmar que “o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc
10.45), Jesus está assumindo o “servir” como marca de sua missão neste mundo.

1.1.5 Caracterização da pesquisa

O objetivo desta tese caracteriza-se nas investigações Bibliográficas, nos oferecendo os


conhecimentos teóricos, ajudando a compreender, decifrar, interpretar e analisar o significado de
Diaconia.

1.1.6 Limitações e delimitações do trabalho

A presente tese apresenta limitações nos campos teóricos, analisando e consultando bibliografias
previamente selecionadas.

1.1.7 Abrangência da pesquisa e os atores sociais

Esta pesquisa busca esclarecer o nosso verdadeiro papel de cristão perante uma sociedade
desacreditada do amor de Deus.

1.2Métodos de Pesquisa

1.2.1 Descrição dos capítulos

O objetivo, no primeiro capítulo é buscar a importância o termo “diaconia” dentro do contexto


neotestamentário, seus conceitos e significados dentro dos evangelhos. Também o uso de
“diáconos” e “diaconéo”, respectivamente substantivo e verbo são analisados, bem como, seus
paralelos hebraicos e suas dimensões.

O segundo tópico do mesmo capítulo destaca os ensinamentos e prática de Jesus em relação à


diaconia. Estes são ilustrados a partir de passagens bíblicas que retratam o mover interior de Jesus a
favor daqueles que sofrem. Este acontece porque Ele vê o ser humano na integralidade, pois o seu
todo precisa ser resgatado. É possível observar sua postura diante das mulheres: a samaritana e a
adúltera, bem como, no destaque dado à viúva que oferta bem mais do que poderia. A mesma
prática acontece com cegos, coxos, enfermos e outros marginalizados. Na encarnação de Jesus sua
postura como servo está em evidência e esta deve ser padrão para Igreja da época e para a hodierna.

No terceiro item, se contextualiza a Igreja de hoje, o que é relevante, desafiando para uma óptica
direcionada a se aplicar e vivenciar a diaconia conforme os parâmetros bíblicos. Procura–se mostrar
qual o seu papel para com o próximo, o que se tem feito e de que maneira se pode aperfeiçoar o
contato com o semelhante. Também se apresenta um breve conceito de Igreja. Relata-se um fato
histórico/mundial, local/coletivo eindividual da prática diaconal seguindo as práticas e
ensinamentos de Jesus Cristo.

CAPÍTULO 2

2 REVISÃO TEÓRICA

2.1 Visão bíblica de diaconia

Com base no Novo Testamento (NT), a diaconia, não provém do ser humano, é um mandamento de
Deus, sendo Ele próprio exemplo a ser seguido. É Deus quem ama primeiro, busca, serve, salva e
perdoa através de seu Filho Unigênito Jesus Cristo. Neste sentido o apóstolo João (João 3.6) cita:
"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer
não pereça, mas tenha a vida eterna” e, no capítulo 4 de 1 João comenta: "[...] Deus nos amou
primeiro. Deus é amor, quem permanece em Deus permanece no amor, e o seu amor vai sendo em
nós aperfeiçoado". É de fundamental importância que se conheça o significado bíblico,
especialmente no Novo Testamento, da palavra “diaconia” ().
(Gaedo, 2001 p 13 e 14) aponta que:

[...] Há necessidade de que se busque uma conceituação de diaconia a partir do contexto específico
da América latina, processo já iniciado pelas pessoas que nos últimos anos vêm apostando na
potencialidade dessa disciplina emergente. A diaconia é, em nosso contexto latino-americano, ainda
uma disciplina emergente. Na Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo, por exemplo, a
cadeira foi criada oficialmente em 1998.

A diaconia caracteriza-se por duas raízes: uma na fé cristã, onde se segue o exemplo de Jesus Cristo
e outra na realidadehumana, onde a vida é ameaçada de várias formas, entre as quais se destacam as
injustiças, indiferenças, violências, discriminações, dor e morte.

2.2 Conceitos teológicos de diaconia no grego

Segundo estudos, os manuscritos bíblicos primitivos foram escritos em três idiomas: hebraico,
grego e aramaico. O grego, língua utilizada para redigir praticamente todos os livros do NT, apesar
das diferenças de estilos existentes entre eles, corresponde ao chamado grego koinê (isto é, o grego
"comum" ou "vulgar", por oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império
Romano. O Antigo Testamento (AT) foi totalmente escrito em hebraico. Já o NT, foi escrito a
maior parte em grego e uma pequena parte em aramaico (que vem a ser um dialeto do hebraico).
(Boyer, 1996 p.79) relata passagens encontradas em: Esdras 4.8; 6.18; 7.12-26; Daniel 2.4; 7.28 e
Jeremias 10.11 escritas em aramaico, além de algumas palavras e frases do NT (Weeks, 1992)
menciona que o grego era a língua oficial falada nas cidades (províncias romanas orientais), porém
isso não se estendia às áreas rurais (campos e aldeias). Fora dos muros das cidades usavam-se
dialetos diferentes.

[...] Não foi acidental o fato de que todos os documentos do Novo Testamento e virtualmente todos
os outros escritos provenientes dos dois primeiros séculos do cristianismo tenham sido escritos em
grego. No entanto, nas aldeias da Galiléia, o aramaico presumivelmente ainda era a
línguadominante. Quando o cristianismo, em suas novas formas urbanas, eventualmente penetrava
nas culturas das aldeias, os documentos gregos precisavam ser traduzidos para uma língua
autóctone, ironicamente, o aramaico. (WEEKS, 1992. p. 31)

Ao se referir aos escritos bíblicos, busca-se o original de acordo com a língua grega devido a
fundamental importância da mesma. Motivo pelo qual se pesquisa os conceitos de diaconia no
grego e seus significados paralelos hebraicos.

O substantivo derivado diaconia tem por finalidade expressar as ocupações subtendidas pelo verbo
e significa: “serviço, ofício, auxílio, apoio, distribuição, ministério, contribuição generosa’’
(GINGRICH, 2007 p. 53); (Taylor, 1986 p 55) também define como: “distribuição de comida,
socorro; serviço; ministério; administração, ministração”. O segundo substantivo derivado:
“diáconos” (), significa: servo, especialmente garçom, agente,
auxiliar, prestador de serviço cristão (GINGRICH, 2007 p. 53). Denota a pessoa que leva a efeito a
tarefa. O significado primário deste termo no grego secular era “garçom’’, mais tarde usado com
referência às refeições rituais.

Ainda que no Antigo Testamento AT tenha o conceito do serviço e contenha o mandamento do


amor ao próximo “Que está perto, no tempo ou no espaço, intimo, muito ligado, o nosso
semelhante”. (XIMENES, 2000. p. 766), e que se Israel conhecesse atos de caridade, assim como
no Oriente Próximo antigo de modo geral, “diaconéo”() (Servir à
mesa, auxiliar, cuidar, ajudar, apoiar, servir como diácono.

Usava-se a nomenclatura “diáconos” exclusivamente para “servos” da corte e “verdugos”. No


contexto religioso, ao invés desta palavra, encontra - se os grupos de palavras:
“ (“doulóo” - escravizar, sujeitar),ï€ ï°ï´ï•ï£ï¯ï€¬ïª
(“ptochós” - pobre, pedinte, oprimido), ï•¬ï¥ï©ï´ï¯ïµï²ï§ï¥ï€¬ï•ï€ (“leitourgéo” -
executar um serviço religioso), ï¬ï¡ï´ï²ï¥ïµï€¬ï•ï€ (“latréuo” - executar deveres
religiosos, nos contextos rituais)”, GINGRICH, 2007, p. 59, 125 e 182).

Quanto ao Novo Testamento (NT), tanto nos sinóticos quanto em Paulo, diaconéo encontra-se com
relativa frequência. Diaconia não aparece nos evangelhos, embora não seja incomum no livro de
Atos. “Diáconos” também é um conceito predominantemente paulino. Nordstokke (1995) define
diaconia como um termo originado de “diaconein” () e
designa o serviço/ministério GINGRICH, 2007, p. 53). Significa simplesmente "servir à mesa",
ou de maneira mais abrangente cuidar da subsistência, da alimentação, do sustento das pessoas.
Tarefa esta, naquele tempo, destinada aos escravos, aos empregados, às mulheres. Para a cultura
grega, diaconia tem um sentido negativo e depreciativo, caberia aos escravos e mulheres a tarefa de
servir, e aos homens a tarefa de dominar, (NORDSTOKKE, 2003).

O significado neotestamentário de “diaconéo” deriva da pessoa de Jesus e de seu evangelho


conforme Mateus: “o Filho do Homem não veio para ser servido, maspara servir e para dar a sua
vida em resgate de muitos” (Mateus 20.28 BIBLÍA AP, 1995. p. 1260). Diaconia ocorre 34 vezes
no NT significando serviço à mesa. É usado em um sentido geral para serviço de amor ao próximo.
“Diáconos” é achado 29 vezes no NT, seu significado primário é aquele que serve à mesa, significa
“um servo” em um sentido mais amplo, um ajudante. A comunhão da refeição conjunta, que
envolvia o servir à mesa, conforme se vê em Atos 6.1, é básica para a compreensão da diaconia no
NT no “partir do pão”, nas igrejas e nos lares (BROWN, 1983).
Especialmente em Paulo na carta aos 2 Corintios 3.6, a palavra “diáconos” possui uma conotação e
sentido cristão, ministro da nova aliança. Nomenclatura destinada a um homem que detém o cargo
de diácono na igreja; o mesmo título aplica-se à uma mulher, Febe, em Romanos 16.1. Às vezes
“diáconos” é substituído por “hyperetês” (ïµï ï°ï¨ï²ï¥ï€¬ï´ï¨ïª), ministro da palavra
(GINGTICH, 2007, p 59).

Originalmente significava um remador, portanto, um “servo”, um “ajudante”, um “criador”, um


“oficial do tribunal da justiça”. A diaconia espiritual e física de “dar” e “receber” vêm de encontro
ao reconhecimento do sacrifício de Cristo conforme se entende em 2 Coríntios 8.9. Logo, o
vocábulo faculta o uso como termo técnico para a obra de proclamar o Evangelho, como observado
em Romanos 11.13, mais do que isto, a igreja inteira torna-se um só corpo para o serviço no mundo,
trabalhando com os preparativos para avolta do Senhor.

Existe uma diferença entre diáconos e escravo/servil (). “Doulós”


significa exclusivamente a sujeição completa do cristão ao Senhor (GINGRICH, 2007. p. 59).
“Diáconos” refere-se ao serviço em prol da igreja e seus irmãos: do próximo, da comunidade, quer
o serviço se realize ao servir à mesa, com a palavra ou de alguma outra maneira. Denomina-se
assim aquele que serve em nome de Cristo e que se mantém no seu serviço para o homem exterior e
interior e que se preocupa com a salvação destes.

2.3 Significado de diaconia - paralelos hebraicos

No Antigo Testamento, o verbo hebraico “abad” (), “trabalhar”, (KIRST,


1988. p. 171) é usado em Gênesis 2.5 e 2.15 para designar a tarefa destinada ao primeiro casal, de
“lavrar” ou “cultivar” o solo do jardim do Éden, provém de uma miscelânea de raízes semíticas: a
antiga raiz aramaica “fazer”, uma raiz árabe que tem o sentido de “adorar”, “obedecer (a Deus)”, e o
seu grau intensivo, com o sentido de “escravizar”, “reduzir à escravidão”. Esse serviço pode ser
dirigido a coisas, a pessoas ou a Deus, o termo aparece 290 vezes. (KAISER, 1998).

São observadas várias passagens bíblicas referindo-se ao trabalho que os levitas deveriam prestar no
tabernáculo de Deus. Como afirma o Dr. Alan (Curry, 2003, p. 6) estudioso bíblico:

[...] O verbo refere-se à atuação honrosa na adoração, motivada por sentimentos religiosos puros,
além do compartilhamento e manutenção de coisasmateriais. A meta do Êxodo era a adoração do
Senhor no Sinai (Êx 3.12; cf. 1Cr 28.9; Ml 3.18). A expressão “para que me sirva” é encontrada 56
vezes [no Velho Testamento] (por exemplo, Êx 4.23; Dt 6.13; 1Sm 7.3; Sl 100.2; Jr 2.20), sempre
se referindo à adoração, ao serviço do culto ou manutenção fiel da aliança.
Tais conceitos estão ligados ainda à outra palavra “ebed” (), escravo, servo,
empregado, criado, (KIRST, 1988. p. 171) ela é usada 799 vezes no AT, referindo-se aos súditos de
um rei, “[...] os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força” ( Gênesis 21.25 - BIBLÍA NVI,
2004. p. 19).; seus reis-vassalos “[...] fizeram a paz com os israelitas e sujeitaram-se a eles” (2
Samuel 10.19 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 322); as nações que lhe pagam tributos “[...] que ficaram
sujeitos a ele, pagando-lhe impostos” (1 Crônicas 18.2 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 429); os indivíduos
que lhe prestam serviços “[...] Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos
padeiros” (Gênesis 40.20 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 43); seus servos “[...] e a todos os seus servos
para que matassem Davi” (1 Samuel 19.01 - BIBLÍA API, 1995. p. 396) e embaixadores “[...]
respondeu aos conselheiros de Balaque” (Números 22.18 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 163.) A palavra é
usada para expressar humildade pessoal Gênesis 33.5; 2 Reis 8.13, especialmente, para se dirigir a
Deus, em oração Êxodo 4.10; Salmos 19.11. Em outro sentido, “‘ebed” refere-se ao Messias
prometido e também àtotalidade do povo de Israel, principalmente no livro de Isaías (KAISER apud
HARRIS, 1998).

(Cunha 2003, p. 38) relata que a bíblia refere-se, no Antigo Testamento, ao pobre como “Ani”
(ï¹ï®ï©ï›ï½ï€ pobre, indigente, necessitado, desvalido) (SCHOKEL, 1994. p. 509),
palavra hebraica, encontrada 80 vezes como: pobreza causada por aflição e opressão; deprimido em
mente, circunstâncias; “Rash” (ï¶ï¡ï²ï€§ï€ pobre, mendigo, necessitado, indigente)
(SCHOKEL, 1994. p. 618) palavra hebraica, que significa: estar sem nada, os empobrecidos por
espoliação (SCHOKEL, 1994. p. 41);” Ebyon“ (ï€¡ïï¹ï¢ï€®ï¡ï€¬ï€ pobre, necessitado,
carente – Isaias 23.11; 29.19) (SCHOKEL, 1994. p. 22) palavra hebraica, e dependente, passando
necessidade (CUNHA, 2003. P39); “Ra ï• eb” (ï¢ï›ï¥ï²ï€§ï€ faminto, extenuado,
consumido – Jó 18.12, Isaias. 32.6) (SCHOKEL, 1994. p. 624) palavra hebraica; passar fome”
(CUNHA, 2003 p 44); ”Mahsor” (ï²ïï³ï¸ï€®ï¬ï€»ï€ necessidade,
indigência, pobreza, penúria, carência, escassez, aperto – na maioria das vezes é usado junto com
um dos termos acima) (SCHOKEL, 1994. p. 268) deficiente (Raiz: ter falta) e “Dal” (
pobre, faminto, indigente, mendigo, necessitado, desvalido, mísero – Levítico 14.21, Isaias 25.4,
Jeremias. 5.4, Amós. 5.11, Sofonias. 3.12, Salmos. 41.2, Jó 5.16, Provérbios. 21.13, Rute. 3.10)
(SCHOKEL, 1994. p. 155.) palavra hebraica: frágil, fraco.( SCHOKEL, 1994. p. 43).

Observa-se que, de modo geral, tais expressões não implicam em desvalorização, mas sim,
emserviço realizado com a devida noção de quem é o soberano, no caso, o próprio Deus de Israel, e
também quem é o ser humano: criatura, filho da aliança, aquele que trabalha para a glória deste
Deus, motivo pelo qual se deu a criação do homem, exclusivamente para adoração ao único e
verdadeiro Senhor, criador dos Céus e terra.

2.4 Diaconia na ação de servir (verbo)

“Diaconéin” () verbo no infinitivo e “Diaconéo”


() verbo 3ª pessoa singular presente indicativo ativo. Significa:
ser servo, ser assistente, servir, apoiar, esperar em, ministrar, prestar qualquer tipo de serviço,
ajudar, servir como diácono (GINGRICH, 2007. p 53). No judaísmo do tempo de Jesus, “o serviço
humilde, e servir à mesa, era abaixo da dignidade de um homem livre” (BROWN, 1983).
“Diaconéo” significa: “ser servo, ser assistente, servir, esperar em, ministrar, prestar qualquer tipo
de serviço. Na forma do verbo servir é usado no NT de diferentes maneiras” (BORNSCHEIN,
2005. p. 05). Jesus Cristo, no entanto, alterou esta noção ao declarar-se, no Evangelho de Lucas, a si
mesmo como aquele que “serve”, “porém, entre vós, sou como aquele que serve” (LUCAS 22.27 –
BIBLIA, AP, 1995 p 1398). No Evangelho de João capítulo 13 está claro o exemplo de Jesus, pois
Ele demonstrou sua atitude de servil a seus discípulos. Lavar os pés dos convidados era um serviço
que o criado da casa deveria realizar, quando os convidados chegassem. Mas Jesus cingiu-se com
uma toalha,como os escravos mais humildes deveriam fazer, e lavou e enxugou os pés de seus
discípulos. Se Ele (o Deus encarnado) se dispôs a servir, a humanidade como seguidora de Cristo
deve se dispor a trabalhar de maneira que o glorifique.

Em relação à ação da diaconia e exemplos citados em Mateus 20.28 e Marcos 10.45, o verbo recebe
seu sentido neotestamentário da pessoa de Jesus e do seu Evangelho. Jesus é aquele que nos serviu
de maneira mais profunda e intensa possível, não procurando os seus interesses, mas se entregando
por completo, doando-se pela salvação das pessoas. Assim, Jesus desafia a servir, pois esta é a
tarefa do cristão. Em 1 Timóteo encontra-se a passagem que diz: ”Porque os que servirem bem
como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus”
(1Timóteo 3.13 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1704).

Servir é o amor em ação, é ver as necessidades do próximo e dar de sua vida, de seu tempo, de seus
bens, para ajudar a suprir estas necessidades. Servir é pôr em prática as boas obras preparadas por
Deus para que se realizem de fato. Conforme escrito em Efésios: “Porque somos criação de Deus
realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as
praticarmos. A nova humanidade em Cristo” (Efésios 2.10 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1196 - 7). Deus
na sua infinita graça e misericórdia abençoa seus filhos, transforma e capacita-os para que a
diaconia seja promovida. Diaconia eMissão, palavras que dificilmente se separa, o desafio está em
entendê-las melhor, oportunizando a comunidade a colocá-las em prática cada vez mais.

2.5 Diaconia como serviço (substantivo)

“Diaconia refere-se ao ‘cargo e trabalho de diáconos’”, este substantivo é usado 34 vezes no Novo
Testamento. Usa-se também, de diferentes maneiras, contextos e sentidos ( BORNSCHEIN, 2005).
Nordstokke (2003, p. 38) classifica a diaconia em três níveis:

[...] 1 - No nível mais amplo, diaconia significa a vocação de toda Igreja para servir, sacerdócio
geral de todos os crentes, onde se é motivado e mobilizado pela fé cristã para agir no mundo.

2 - No nível mais específico, diaconia significa o serviço organizado pela comunidade cristã para
realizar a sua solidariedade com os necessitados e oprimidos.

3 - Ministério diaconal, motivar e mobilizar a comunidade para a obra diaconal.

Este substantivo é usado em várias passagens bíblicas no NT, como serviço de amor. Num sentido
genérico é encontrado em 1 Corintios: “Agora, vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é
as primícias da Acaia e que se tem dedicado ao ministério dos santos” (1 Coríntios 16.15 - BIBLÍA
AP, 1995. p. 1608) e também como serviço em prol dos irmãos necessitados, citado em Atos: ”Os
discípulos, cada um segundo as suas possibilidades, decidiram providenciar ajuda para os irmãos
que viviam na Judéia” (Atos 11.29 BIBLÍA NVI, 2004. p. 1126.). A visão dediaconia, conforme a
Bíblia, foi característica singular das primeiras comunidades cristãs, é o testemunho de sua fé por
meio da vivência solidária. Observava-se em 1 Coríntios: "Quando um membro sofre, todos os
outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1
Coríntios 12.26 1988.. p. 1175) O fundamento dessa prática solidária reside no ensinamento e na
prática de Jesus Cristo. Diaconia é o amor incondicional ao próximo. O apóstolo Paulo escreve na
primeira carta aos coríntios, capitulo 13:

[...] 1. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, seria como o metal
que soa ou como sino que tine.

2. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda
que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.
(1 Coríntios 13: 1-2 - BÍBLIA AP, 1995. p. 1602.)
Ele ensinou que só é possível o amor a Deus se este se estende ao próximo: ‘’Se alguém afirmar: eu
amo a Deus, mas odiar o seu irmão é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode
amar a Deus a quem não vê’’(1 João 4.20 – BÍBLIA NVI, 2004. p. 1249.). Ensinou também, pela
sua prática, que amar o próximo consiste numa ação que propicia dignidade humana e reintegração
na sociedade. Nordstokke (1995. p. 16) manifesta-se no sentido de que:

[...] Como pessoas pertencentes à sociedade, ninguém pode viver isolado de outros. Fazemosparte
de muitas redes sociais, desde a infância e a vizinhança, até realidades mais amplas, como a
sociedade brasileira. Cremos que Deus nos criou como cidadãos participantes e co-responsáveis
pelo bem de todos. A fé cristã não rejeita a sociedade como um espaço marcado pelo pecado; ao
contrário, vê nela uma chance para formar relações boas e justas entre as pessoas.

Diaconia é serviço que se faz para a outra pessoa, baseado na fé em Jesus Cristo: é a ação da fé. Ela
é ampla e específica. Quando se fala em diaconia ampla, fala-se da comunidade eclesial, do
sacerdócio geral de todos os crentes conforme encontra se registrado em 2 Pedro: ”Assim, sabe o
Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem
castigados” (2 Pedro 2.9 - BÍBLIA AP, 1995. p. 1776). Isso quer dizer, todas as pessoas que
participam da igreja. Colocar-se a serviço é tarefa de toda comunidade cristã, pois é na prática/ação
que são exercitados a fé e os dons. Para isso, é necessário conhecer o lugar onde se está inserido,
quais as necessidades e os sofrimentos pelos quais as pessoas passam. Jesus Cristo diz que: “Quem
me serve precisa seguir-me; e, onde estou o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu
Pai o honrará” (João 12.26, – BÍBLIA NVI, 2004. p. 1099).

2.6 “Diáconos” como substantivo

O termo “diáconos” (Servo, especificamente garçom, auxiliar, agente, pessoa que presta serviço
como cristão. (GINGRICH, 2007. p 53)é usado por Paulo para se referir ao ministério de modo
geral, inclusive o ministério da palavra. Segundo o apóstolo em 2 coríntios, fomos feitos “[...] para
sermos ministros de uma nova aliança” (2 Coríntios 3.6 - BÍBLIA NVI, 2004. p. 1182). Em
Colossenses, afirma ser um ministro em: “[...] feito ministro segundo a dispensação de Deus”
(Colossenses 1.25 - BÍBLIA AP, 1995. p. 1676). Assim como no AT preserva-se a ligação entre
“diáconos” e “doulós” (escravo, servil) (GINGRICH, 2007 p 59), observando-se que, enquanto
“doulós” ressalta quase exclusivamente a sujeição completa do cristão ao Senhor; “diáconos” diz
respeito ao serviço em prol da igreja, da comunhão, dos seus irmãos e do próximo, quer o serviço se
realize ao servir à mesa, com a palavra, ou de alguma outra maneira. Todos os crentes devem ser
“diáconos” de Cristo.
A diaconia, antes de ser considerada como oficialato, precisa ser vista como parte integrante do
caráter e da ação do cristão genuíno. Não há vida cristã autêntica, nem ministério da igreja
autêntico, sem o exercício da diaconia.

Ser diácono, ou servo de Deus não é algo opcional, mas faz parte da natureza da igreja. Jesus Cristo
não calculou o que era conveniente em seu serviço. “[...] os diáconos surgiram para ajudar os pobres
a resolver seus problemas, amando-os como Deus os ama" (FIGUEIREDO, 1997. p. 25). O desafio
requer coragem e crescente entusiasmo, principalmente porque a problemática em questão
relaciona-se comaspectos sociais, religiosos, éticos e legais. Vivenciar, refletir, descobrir, praticar e
integrar são os requisitos básicos para o fortalecimento dos grupos e sucesso das iniciativas de
replicar a caminhada. Bem como estimular a entrada de novos grupos na corrente de fé, amor, ação,
solidariedade e acolhimento cristão das pessoas discriminadas pela cultura vigente. Jesus não
apenas ensina, Ele vive até as últimas conseqüências à lógica da diaconia. Jesus, o Mestre, da
diaconia nos ensina no Evangelho de Marcos:

"[...] quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva: e quem quiser ser o primeiro
entre vós será servo de todos. Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para
servir e dar a sua vida em resgate por muitos”( Marcos 10.43-45 – BÍBLIA TLH, 1988. p. 1032).

A ordem fundamental para a comunidade de seus discípulos e discípulas está centrada no conceito
servir, diaconal. No original do texto grego fica mais explícito este fundamento, ou seja, quem
quiser tornar-se grande ( - “mégas”) (Significa: grande, largo, ampla, intenso,
brilhante, alto. (GINGRICH, 2007. p. 131)) entre vós, será este quem vos sirva “diáconos’ e quem
quiser ser o primeiro ( - “protós”) (GINGRICH, 2007. p 180) entre vós,
será o escravo/servil de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido
( - “diakonétenai”), mas para servir
( - “diakonésai”) e dar a sua vida em resgate pormuitos.

2.7 Diaconia Geral

Quando se fala em diaconia geral, fala-se da comunidade eclesial, do sacerdócio num todo, de todos
os crentes. Isso quer dizer, todas as pessoas que participam da igreja.

Colocar-se a serviço é tarefa de toda a comunidade cristã, pois é na prática/ação que se exercita a fé
e os dons. Para isso, é necessário conhecer o lugar onde se está inserido, quais as necessidades e
sofrimentos que as pessoas passam. A partir disso, ver o que é possível fazer (planejamento das
ações), como as ações serão exercitadas e quais as redes de parcerias que é possível estabelecer no
lugar onde se vive. Oftestad (2006. p. 72) reflete diaconiaï€ geral da seguinte maneira:

[...] Diaconia geral é o serviço dos membros de uma congregação, tendo uma tarefa definida dada
pela igreja e um propósito claramente definido: ajudar as pessoas a se reconciliarem mutuamente,
com seu próximo e com Deus, no contexto da comunhão cristã – na santa ceia. É responsabilidade
de cada um vivenciar o amor fraternal de uns para com os outros, num ambiente de comunhão, cada
um apoiando o outro numa forma institucionalizada e espontânea de cuidado.

Os membros de uma congregação precisam envolver-se com a diaconia, para tanto, se faz
necessário que conheçam a sua definição e como empregá-la. Os serviços da diaconia geral
consistem em atitudes, práticas e estrutura do povo de Deus na Igreja e nas instituições diaconais.
Uma prática diferente da realizada nasociedade comum. Nordstokke (1995. p. 277) afirma que:
"toda missão, seja a pregação, seja a diaconia, parte daquilo que a comunidade vive e celebra. Não
se pode imaginar uma prática diaconal que não esteja enraizada na vivência comunitária”.

A diaconia representa a responsabilidade da igreja de desempenhar o ministério de acordo com os


pobres e com os que não pertencem a qualquer comunidade, em serviço espontâneo e adequado a
cada situação. Oftestad alerta para o seguinte:

[...] Conforme o tempo vai passando, os problemas teológicos fundamentais parecem ser mais
urgentes em nossa tarefa diaconal. Não se trabalha mais apenas no nível prático. Procura-se também
encontrar a base e o caminho teologicamente, independente de tradição ou ponto de vista. [...] de
maneira geral podemos dizer que existem três diferentes perspectivas ou tradições que se
evidenciam no desenvolvimento do serviço diaconal. A primeira se tornou comum desde meados do
século dezenove. Seu contexto teológico encontra-se no reavivamento pietista na Alemanha e nos
países nórdicos. Atualmente, notamos que alguns pontos de vista pietistas estão presentes na forma
moderna do personalismo e individualismo que dominam tanto o serviço diaconal como as atitudes
do conceito de diaconia. Nesta concepção, a idéia central é a personalidade cristã individual. A
segunda perspectiva está ligada a sim chamada teologia moderna dos anos sessenta, ou, poderíamos
dizer, a teologia da secularizaçãoe, hoje em dia, a Teologia da Libertação, que é extremamente
popular no EUA, na América do Sul e nos países nórdicos. Nesta concepção, a idéia central é a
sociedade. A terceira perspectiva remonta aos pais da igreja (a era da patrística) dos séculos dois e
três, bem como a outros que enfatizam a igreja e suas diferentes formas de servir. Pode ser chamada
de “perspectiva clássica”. Sua idéia central é a igreja, ou a congregação. (2006. p. 13 – 14)
O conhecimento científico se faz necessário na vida de cada pessoa, porém, a necessidade da fé é
fundamental. Precisa-se de uma consagração constante a Deus, porque em parte o cristão está
preparado e em parte não, conforme citado em Mateus: “Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26.41 – BÍBLIA AP,
1995. p. 1275).

Atualmente, vive-se em uma sociedade individualista, onde o foco é direcionado aos objetivos
individuais quase sem limites e valores:

[...] Diante de situações de miséria, sofrimento e injustiças, a diaconia é desafiada a amar e servir
através da organização coletiva. O amor e o serviço comunitário (...) somam forças para transformar
situações de morte em realidades de vida [...]. É o próprio Deus, através do Espírito Santo, que age,
fala, convoca e compromete pessoas a trabalharem comunitariamente.( NORDSTOKKE, 1995. p.
29.)

A respeito desse assunto Rieth (2002), expressa que o que Deus oferece é completoe abrange um
todo, incluindo o pão e o perdão. Não se deve ir à busca de pessoas, trabalhando apenas a parte
física, espiritual ou social, classificando-as por níveis sociais, partidárias, religião, cor e raça, etc.
Todavia é essencial enxergá-las com a ótica cristã, vendo-as como seres integrais. Assim, a
comunidade que realiza a diaconia de Cristo, na ação, nunca terá dificuldade em servir como
testemunha ou como “diáconos”.

Leonardo Boff, em seu livro “Do Lugar dos Pobres”, faz uma leitura contextualizada da parábola do
bom samaritano em Lucas 10.25-37 e constata que essa parábola coloca em termos extremamente
concretos qual deve ser a missão da Igreja. “A missão da Igreja significa sempre um serviço aos
homens, especialmente como aquele da parábola, homens caídos e semimortos” (cf. Lc 10.30)”.
Mostra à igreja de onde deve olhar pensar e viver a missão: a partir do outro, do mais distante, do
caído, despojado, ferido, desprezado (BOOF, 1984 p45). Nordstokke aponta que:

[...] O desafio consiste em dar sinais concretos e visíveis de uma compreensão diferente do ser
humano e da sociedade civil. Neste sentido, diaconia é denuncia e anuncio de um projeto mais
humano e cristão de se relacionar com o outro, com a natureza e a sociedade. Ela tem a sua
identidade e motivação na fé cristã, pois Jesus Cristo, o Diácono de Deus, enviado ao mundo, é o
conteúdo mais profundo deste projeto (1995. p. 9).

Que se caminhe através de uma ótica cristã e umsó objetivo, não só em busca do significado e
abrangência de diaconia na teologia oral e escrita. Contudo, que se saia das quatro paredes da
Igreja, a fim de que sua aplicação seja concreta. Que este servir seja verdadeiro e de entrega
absoluta em prol do próximo.

3. Exemplos de ensinamentos e práticas de jesus no que se refere à diaconia

Deus revelou–se ao homem na forma humana, em Cristo Jesus, sendo Ele mesmo exemplo a ser
seguido. Em sua vida terrena, deixou por meio de ações e palavras, uma grande mensagem de amor
mútuo, motivo pelo qual é necessário interessar-se pela pessoa, independente da religião, posição
social, cor e raça. A linguagem do amor é ilimitada, ela independe das circunstâncias culturais, nem
sequer necessita de palavras; ela é universalmente compreensível. Para sua contemplação basta um
gesto, um toque, um olhar.

Quanto mais se toca o necessitado, mais próximo de Deus se vive. Deus utiliza-se de uma
linguagem infinita, assim Ele se revela. Infelizmente procura-se afirmar dogmas e espiritualidades e
se esquece do amor ao próximo. Os valores de Cristo precisam manifestar-se. No momento do
contato Jesus doava-se por completo, intensamente. Jesus ama as pessoas não porque são
merecedoras, mas sim, pela sua infinita graça. Deus se fez humano, pequeno e humilde, a fim de
livrá-las de todos os pecados, a ponto de carregar sobre si todas as culpas e morrer em seu lugar,
garantindo-lhes a vida eterna através de seuprecioso sangue:

É importante enfatizar que Jesus é o nosso modelo para o nosso ministério em todos os sentidos.
Ele, em quem “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl. 2.3) é o nosso
padrão no serviço aos pobres, e dEle provém a nossa força e direção para o trabalho. Não
poderemos ministrar ao povo aquilo que não temos ou recebemos. .Não podemos levar a esperança
se não a carregamos conosco. Não podemos lutar contra a miséria em nossas comunidades se
carregamos dentro de nós uma mentalidade de miséria e avareza. Não poderemos ministrar
reconciliação e paz, se relutamos em perdoar aqueles que nos ofenderam. Somente em Deus e por
meio de uma caminhada de maturidade espiritual teremos vida para transmitir (CUNHA, 2003. p.
94).

Na trajetória da vida de Jesus é nítida a metodologia na sua atuação, a forma que Ele agia, foi
determinante para a compreensão do compromisso com o Reino de Deus aqui na terra. Diante de
cada situação, Jesus conseguia ensinar, servir e anunciar a vontade de Deus. Seus discursos foram
transparentes e trouxeram consigo a idéia da valorização de todas as pessoas.

Os ensinamentos e práticas de Jesus deixam claro que o cristianismo, em sua essência, não é uma
instituição, mas sim, uma convicção interior, é a verdadeira fé, a conduta de seus seguidores rumo à
salvação do homem, à meta final que é o Reino de Deus, deixando um rastro de boas obras ao longo
do caminho trilhado. Jesus chamou as pessoaspara segui-lo e através dele obterem a vida eterna,
motivo pelo qual se procura andar nos passos do Senhor conforme cita no Evangelho de Marcos:
“[..] Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” ( Marcos
8.34 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1310). Ele deixou exemplo perfeito para ser imitado: “[...] deixando-
lhes exemplo, para que sigam seus passos. Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi
encontrado em sua boca” (1 Pedro 2.21-22 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1240 -1241). Ele enfrentou as
mesmas tentações que o cristão enfrenta no dia-a-dia, mas nunca caiu em pecado: “[...] passou por
todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hebreus 4.15 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1225). O
exemplo de Jesus torna-se imprescindível na luta diária com as tentações e provações:

[...] A maneira como Jesus reage a situações de sofrimentos das vitimas do poder vale ser
destacada: ele não espiritualiza os problemas, não os transfere para o nível abstrato e estéril do
discurso religioso, mas mesmo em se tratando de ensinamentos, demonstra e aponta para soluções
práticas, ou seja, acolher as crianças, defender os direitos da mulher, reclamar os direitos dos pobres
explorados, suspender as barreiras do exclusivismo (GAEDO NETO, 2001. p. 83).

A sua diaconia dá-se a partir do seu olhar para as pessoas, da forma como as vê no seu todo: suas
necessidades físicas, emocionais e espirituais. Envolve-se de fato, relaciona, vincula com as pessoas
com asquais convive. Não faz distinção nem olha a classe social, não faz juízo de valores materiais
em relação a cada um, mas pergunta qual é a sua necessidade. O amor de Jesus para com os
doentes, crianças, mulheres, pobres, pecadores, oprimidos socialmente/espiritualmente e
marginalizados daquele tempo está evidente em vários textos dos evangelhos. Seu alvo é
transformação: a vida abundante para todos, Jesus disse: “[...] Eu vim para que tenham vida, e a
tenham plenamente” (João: 10: 10 – BÍBLIA, NVI, 2002. p. 1096). É o exemplo de que, para
concretizar o Reino de Deus, é preciso ter os olhos voltados à realidade das pessoas e no seu
cotidiano, pois só assim se contribui de fato para a expansão do Evangelho e se pratica a diaconia
seguindo os ensinamentos de Jesus. “[...] Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos
ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e
não como os mestres da lei” (Marcos 1.21-22 - BIBLÍA NVI, 2004. p.1019).

Jesus disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João
13.15 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1446). Jesus preocupa-se com as pessoas excluídas, procurando
incluí-las outra vez no convívio da comunidade. Suas curas e feitos não são para ostentar seu poder
nem tão pouco para engrandecê-lo, mas sim, para restituir a dignidade humana às pessoas que antes
se encontravam fora do convívio social. Seres portadores de: lepra - “E Jesus movido degrande
compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse: Quero, sê limpo! E, tendo ele dito isso, logo a lepra
desapareceu, e ficou limpo” (Marcos 1.41-42 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1290); hemorragia -
“Chegando por detrás, tocou na orla da sua veste, e logo estancou o fluxo do seu sangue” (Lucas
8.44 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1366); possessão de demônios - “E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-
te e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele, sem lhe fazer mal”
(Lucas 4.35 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1354); prostitutas - “[...] Nem eu também te condeno; vai-te e
não peques mais” (João 8.11 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1433); cegos - “[...] Seja-vos feito segundo a
vossa fé. E os olhos se abriram.” (Mateus 9.29-30 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1236); coxos - “[...]
Levanta-te e anda” (Mateus 9.5 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1234), mulheres - “Filha a tua fé te salvou;
vai em paz e, sê curada deste teu mal” (Marcos 5.34 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1301); crianças -
“Levante-te menina” (Lucas 8.54 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1366). Ele demonstrava profunda
misericórdia por todos os marginalizados, isto é verificado pelo uso do verbo:
 (“splanchnízomai” - ter piedade, mostrar
simpatia, compaixão) (GINGRICH, 2007 p. 191). Seu uso demonstra a intensidade da Sua
identificação com estes grupos. Seu  (“splanchnón” - partes
interiores, entranhas, seu coração) (GINGRICH, 2007 p. 191) movia-se a favor destas pessoas. Nas
parábolas: “credor incompassivo” (Mateus18.27 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1002), “bom samaritano”
(Lucas 10.33 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1060) e “filho pródigo” (Lucas 15.20 - BIBLÍA NVI, 2004.
p. 1067) este verbo é usado para destacar a grande misericórdia de Deus. A dimensão da integração
é um elemento forte na práxis libertadora de Jesus. Ele ensinou que viver a diaconia na perspectiva
da cruz é dispor-se a ser o último e o servo de todos:

[...] E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos seus braços, disse-lhes:
“Qualquer que receber uma destas crianças em meu nome a mim me recebe; e qualquer que a mim
me recebe não a mim, mas ao que me enviou” (Marcos 9.36-37 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1312).

Jesus afirmou a dignidade das crianças, das mulheres e outros grupos marginalizados daquele
tempo; Ele seguiu ensinando e praticando a diaconia. Ao contar a parábola da “grande ceia” (Lucas
14.15s - BIBLÍA AP, 1995. p. 1312) Jesus refere-se a certo homem que quis dar uma festa e
convidou a muitos de seus conhecidos. Estes, porém, não puderam vir porque colocaram seus
próprios compromissos acima do convite recebido. O festeiro ficou irado com a falta de interesse e
mandou seu servo ir aos lugares onde viviam os excluídos e os trazer para a festa. Fazer diaconia é
justamente isto. É possibilitar acesso ao Reino àqueles que vivem a Sua margem. É o ”amor-ação”
que se move na direção do próximo.
Jesus vai além, afirma que toda a ação feita aos menos favorecidos é praticada afavor Dele mesmo,
conforme escrito em Mateus 25.31s. Estas palavras chocam os judeus piedosos, ensimesmados na
sua cultura e relações pessoais.

O Apóstolo Paulo diz: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11.1-
BIBLÍA NVI, 2004. p. 1174), e, também: "Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores”
(1 Coríntios 4.16 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1168). Paulo fala ainda: "Irmãos, sede imitadores meus e
observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Filipenses 3.17 - BIBLÍA NVI,
2004. p. 1203). Diante destes textos, pode-se entender que o apóstolo Paulo classificava-se como
um imitador de Cristo. O convite é para que seu exemplo seja imitado, pois, desta forma, passa se a
imitar também a Jesus. Como se pode observar, o ser humano foi criado para andar de forma
parecida com o criador. Deus se fez homem, na pessoa de Jesus Cristo, para deixar o exemplo de
vida que se deve viver. Se não consegue praticar as coisas que Jesus praticou, executar as coisas que
Ele fez andar como Ele andou, por certo, não se está sendo seu imitador:

[...] Conforme testemunho bíblico, o ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis
1.26). Por Deus tê-lo feito à sua imagem e semelhança, ele é único. Esta relação única com Deus faz
o ser humano ser o que realmente é: se afastando de Deus, ele perde o seu significado. É a partir de
Deus que o ser humano adquire dignidade. Por isso o alvo primordial da ação diaconal deve sero ser
humano. A conseqüência disso é que Jesus orientou toda a sua ação diaconal não em si, mas no
próximo.

Qualquer ação que não se oriente no próximo é uma inversão do servir e tem conotação de
autopromoção. Autopromoção tem sempre a ver com poder, com dominação, pois possibilita que
pessoas se sobreponham a outras (NORDSTOKKE, 1995, p. 43).

O Apóstolo Pedro em sua I carta (1.16) registra o que está escrito em Levítico: "[...] sede santos
porque eu sou santo” (Levítico 11. 44 -45 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 113). O Senhor está dando o
motivo para santificação: Porque Ele é santo. Ao ser criado à sua imagem, semelhança, parecido
com Ele, separado para servi-Lo, deve se ser santo. Caso contrário, não pode servi-lo. Portanto,
imagem de Deus e santificação estão em íntima relação e são pré-requisitos para o serviço.

Em suas atitudes, ações diaconais, em seus relacionamentos, Jesus testemunhava o serviço a Deus,
o Pai, e o serviço às pessoas, de maneira especial aos mais sofridos. O grande desafio é fazer com
que o mundo de hoje, da pós-modernidade, venha a compreender o Jesus que se humanizou, se fez
homem:
[...] Se meu irmão tem uma necessidade e eu tenho um recurso que pode ajudá-lo, eu devo abrir
meu coração em amor, e agir a seu favor. Pode ser em coisas pequenas, como um abraço carinhoso,
um sorriso, um telefonema numa hora oportuna ou podem ser coisas maiores como investir uma
noite ao seu lado de sua cama de enfermo. Não importa, o amorde Jesus que deu a sua vida por mim
me levará a dar de minha vida para os meus irmãos (BORNSCHEIN, 2005 p. 24).

Acima de tudo Cristo deu a sua vida por amor a humanidade. João afirmou: “Nisto reconhecemos o
que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos” (1
João 3.16 - BIBLÍA NVI, 2004. p. 1248).

É preciso enxergar a relevância, a importância dos atos praticados e ensinados por Cristo, como
mencionado na casa de Cornélio quando Pedro pregava, disse: “(Jesus) qual andou por toda parte,
fazendo o bem e curando a todos” (Atos 10.38 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1502).

3.1 Jesus ensina diaconia através da história do Bom Samaritano

Com Jesus aprende-se muito sobre e como alcançar as pessoas com o evangelho. Ele transpôs
barreiras para ensinar, usou métodos didáticos claros e de fácil compreensão, envolveu as pessoas e
as deixou enxergar por si só seus erros. Exemplo amplo é narrado no evangelho de Lucas, 10: 25 -
37, onde Jesus Cristo, certa vez, ao ser procurado por um doutor da lei, foi perguntado: “Mestre,
que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10.25 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1374) Jesus perguntou-
lhe: “O que está escrito na lei? Como lês?” (Lucas 10.26 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1374) A réplica do
escriba não tardou: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de
todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo” (Lucas 10.27 -
BIBLÍA AP,1995. p. 1374). Face ao acerto da resposta, o Senhor disse-lhe: “Respondeste bem; faze
isso e desfrutarás da vida eterna” (Lucas 10.28 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1374). O inquiridor,
entretanto, não ficou satisfeito e para justificar-se, aventurou nova pergunta: "Ele, porém, querendo
justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?” (Lucas 10.29 - BIBLÍA AP,
1995. p. 1374) Jesus, então, passou a contar a história do homem que descia de Jerusalém para
Jericó. Este veio a ser assaltado, agredido, roubado e abandonado, semimorto à beira do caminho.
Então passou por aquele caminho um sacerdote, vendo-o, desviou-se dele. Também um levita
percorrendo o mesmo caminho, passou de largo. Dois homens que estavam profundamente
integrados na vida religiosa, no templo, no sistema religioso, no conhecimento da lei de Deus,
provavelmente faziam-se presentes nos cultos semanais e eram praticantes da lei mosaica. Aqueles
dois passaram de longe, indiferentes a dor, o abandono, o sofrimento e a miséria daquele homem
excluído, jogado à margem do caminho, quase sem vida. Mas, ao passar, certo samaritano,
aproximando-se e o vendo, compadeceu-se dele, teve misericórdia daquele desconhecido.
Achegando-se, cuidou-lhe os ferimentos, colocou-o sobre seu animal, levou-o para uma hospedaria
e o tratou. Aquele Samaritano, ao dispor-se a ir ao encontro do homem sofrido, colocou sua vida
também em perigo. Imagine se os assaltantes ainda estivessem por perto, ou se ohomem caído à
beira do caminho estivesse fingindo para surpreendê-lo com uma emboscada! Foi uma ação
arriscada, mesmo assim o samaritano dispôs-se a enfrentar todos os riscos e estender a mão ao
necessitado. Tocou-o, preocupou-se com as necessidades daquele homem ali desfalecido,
demonstrando assim que não se faz diaconia sem sujeição a riscos: tocar, expor-se, aproximar-se, ir
ao encontro das necessidades do próximo:

[...] Na parábola do bom samaritano, Jesus nos mostra a partir de onde devemos articular a diaconia:
a partir da outra pessoa, daquela pessoa que mais necessita de ajuda para viver, que está mais
distante da vida plena, duradoura, perene. Jesus inverte a preocupação inicial do intérprete da lei:
muda a pergunta “que devo fazer para herdar a vida?” em “que devo fazer para que a outra pessoa
(cuja vida está ameaçada) tenha vida?” (GAEDO NETO, 2001 p 97).

Jesus encarna o “bom samaritano” sendo açoitado, cuspido, ridicularizado e morto por amor. O
amor ao próximo, independentemente de quem ele é, faz se necessário.

3. 2 Jesus e as Mulheres

Os evangelhos citam que as mulheres eram um dos grupos fortemente marginalizados na cultura
judaica, também na época de Jesus. Como Ele quebrou diversos paradigmas, com relação a elas não
foi deferente. Destacam-se alguns encontros com mulheres excluídas entre as quais: a samaritana e
a mulher adúltera no evangelho de João, 4, 8 e a viúva no capítulo 21 de Lucas:

[...] Jesus exalta aspessoas humilhadas. Concede espaço a quem o perdeu. Convida para ocupar os
primeiros lugares aquelas pessoas que foram empurradas para os últimos. São os traços básicos do
conceito de diaconia na ordem fundamental da comunidade.

Também na forma der agir de Jesus em relação às mulheres não faltam os elementos que enfatizam
a dimensão prática (curas, defesa, apoio) e as dimensões proféticas e comunitárias (denúncia de
uma realidade injusta para as criaturas de Deus que representam a metade da população e anúncio
de uma comunidade em que as mulheres participam em nível de igualdade) (GAEDO NETO, 2001.
p. 180).
3.2.1 A Mulher Samaritana e a Adúltera

A mulher samaritana era mal vista por ter vivido diversos relacionamentos afetivos, alguns
legalmente reconhecidos, outros, como o atual, apenas em união de concubinato. Ao ouvir de Jesus:
“vai, chama seu marido e volte” (João 4.16 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1422), ela respondeu: “não
tenho marido”. A estas palavras Jesus redargüiu: “você falou corretamente, dizendo que não tem
marido. O fato é que você teve cinco; e o homem com quem vive agora não é seu marido” (João
4.17-18 - BIBLÍA AP, 1995. p. 1423). À ciência da situação da mulher não o fez afastar-se, mas
sim, oferecer-lhe a água viva. Sua atitude chocou a sociedade elitista da época, inclusive aos
próprios discípulos, mas ninguém ousou questioná-lo.

Em relação à mulher adúltera, observa-se outro fato importante onde ocorre o ensinamento e prática
deJesus. Quando alguns fariseus e escribas repletos de ódio e despeito acusaram a mulher adúltera
exigindo seu apedrejamento até a morte, Jesus interpõe-se a eles, posicionando-se em defesa dela:

[...] Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério,
fazendo-a ficar de pé no meio de todos e disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em
flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que
dizes? Mas Jesus, inclinando-se escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus
se levantou e lhes disse: aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire
pedra. E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e
acusados pela própria consciência, foram se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até
os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo
ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: mulher, onde estão teus acusadores? Ninguém te
condenou? Respondeu ela, ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus, nem Eu tampouco te condeno;
vá e não peques mais (João 8.3 -11 – BÍBLIA, AP, 1995. p. 1433).

Quando Jesus passa a defender a mulher adúltera, faz entender as pessoas que todos são iguais a ela,
que não há diferença. Ele mesmo também se inclui, apresenta-se pecador diante de uma mulher,
faz-se prostituto, mostrando realmente a igualdade.Infelizmente em certos momentos da vida, os
seres humanos querem mostrar que são melhores e/ou superiores aos demais. No entanto Jesus,
sendo santo, em momento algum se mostra superior, muito pelo contrário. Todavia é importante
destacar que muitos cristãos têm o costume de julgar seus irmãos na fé, esta prática também não é
apoiaa pelas Escrituras, pois o julgamento pertence a Deus. À comunidade cabe admoestar.
Jesus refere-se aos pobres, se faz um deles. Paulo cita o seguinte: "Pois vocês conhecem a graça de
nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de
sua pobreza vocês se tornassem ricos” (2 Coríntios 8.9 – BÍBLIA, NVI, 2004. p. 1185 – 6). Neste
episódio, bastante conhecido, no ministério terreno de Jesus, encontra-se um quadro que evidencia a
diferença entre a "religião" dos homens e o verdadeiro ensinamento do Mestre. Aqui se percebe a
pseudo-religião dos escribas e fariseus, mais vinculados aos aspectos formais da lei mosaica do que
ao verdadeiro sentido do cristianismo, na sua pureza de origem. Nos rigores e seguimentos da lei
mosaica, aquela mulher, apanhada em adultério, não encontraria nenhuma porta de escape. Ela
deveria mesmo ser apedrejada até a morte, pagando com a vida o pecado cometido e a
desobediência a lei em vigor. Vê-se, assim, que perante a dura e inflexível lei, o interesse pelas
regras e parâmetros, por certo, estava acima de todos os valores, até mesmo do valor da vida
humana.Esta passagem bíblica oferece outra hermenêutica: os escribas e fariseus usaram aquela
mulher, expondo-a perante a multidão, simplesmente para a consecução de seus maquiavélicos
propósitos, os quais eram conseguir apanhar Jesus em qualquer contradição dos seus legítimos
ensinamentos.

Percebe-se, nesse ponto, que a "religião" dos escribas e fariseus, no seu formalismo primitivo, era
levar o homem a exercer o "juízo" e não a misericórdia. Ignoravam que a verdadeira religião tem
como base as suas raízes estreitamente ligadas ao amor e ao perdão.

Não é atirando pedras que se ajuda a sair de dentro do buraco, mas dando as mãos, ajudando para
que alcance a saída. O Mestre ensinou o exemplo através do amor e perdão, recomendando àquela
mulher: "Vá e não peques mais". Assim, deu-lhe a oportunidade de retomar o curso da vida, sob um
novo prisma, procurando não mais pecar, não cometer aqueles mesmos deslizes morais.

Como é grande a misericórdia divina! Através do amor, Deus sempre dá oportunidades para que se
possa recomeçar os trabalhos e retomar o sentido da vida, reparando os males perpetrados e
modelando o caráter para melhor, transformando-o. Isto é graça, é presente imerecido; Este é Deus!

3.2.2 Jesus aponta uma viúva como exemplo de ensinamento

Jesus estava no templo observando a multidão. Viu os ricos ofertando. De repente chama-lhe
atenção uma viúva e a aponta como exemplo de generosidade no Evangelho de Lucas:

[...] Viutambém uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: “Afirmo-lhes
que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros. Todos esses deram do que lhes sobrava;
mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver (Lucas 21. 2-4 – BÍLBIA, NVI, 2004. p.
1075).

Esta mulher não se preocupou consigo mesma, com a sua carência, porém priorizou a urgência do
Reino de Deus e a Sua necessidade. Na sua pobreza compreendeu o que deveria fazer. “E,
levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque
vosso é o reino de Deus” (Lucas 6.20 – BÍBLIA, NVI, 2004. p. 1051). Pobreza material não é limite
para servir, mas pobreza de caráter e de compreensão do evangelho, sim. É preciso fazer-se pobre
se quiser fazer parte do Reino Celestial. Há necessidade de declarar a dependência de Deus. Não há
como comprometer-se com o Reino de Deus sem envolver-se em questões de justiça social: pessoas
desamparadas, crueldades, violência, prostituição, miséria, fome, abandono, saúde, etc. O Reino de
Deus está fundamentado na compaixão que emerge da essência do próprio caráter de Deus! De
acordo com Cunha:

[...] Nossa intimidade com Deus sempre nos levará a ações de compaixão e, como numa via de mão
dupla, nossos relacionamentos com os necessitados sempre aprofundarão nossa intimidade com Ele.
[...] Deus escolhe os pobres hoje para servir de exemplo para os ricos. Com eles, aprendemos sobre
os valores do reino deDeus, generosidade, dependência de Deus, interdependência dos nossos
vizinhos, submissão, humildade e tantas outras lições sem preço que nos permitem um crescimento
em todas as direções [...] Além disso, por meios dos pobres, nossos medos e fraquezas são
evidenciados, promovendo nossa dependência de Deus [...] esse caminho leva à vida, à
transparência, ao crescimento e à libertação (CUNHA, 2003. p. 36-37).

Como verdadeiro cristão pode-se agir com o coração. Seu papel é ajudar os excluídos a viver entre
os irmãos, trazendo-os ao convívio social. Jesus é o maior exemplo disso, Ele abraça os
necessitados, pobres, doentes, pecadores, excluídos, e precisados de qualquer natureza. Jesus
ensinou pela sua prática que amar o próximo consiste numa ação que propicie dignidade humana e
reintegração na sociedade ‘’[...] ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando
toda sorte de doença e enfermidade’’ (Mateus 9.35 – BÍBLIA, AP, 1995. p. 1237). Por sua morte na
cruz, Cristo assume toda a morte deste mundo e sofre em prol da humanidade, assumindo toda a
culpa para livrar os seus, purificando e libertado a todos de qualquer pecado. Após superar a morte,
garantiu uma vida eterna a todos quantos se fizerem seus filhos e andarem segundo seus
mandamentos. Moracho (1994. p. 57).menciona que:

[...] Os evangelhos nos mostram que uma “salvação” que não se manifeste já, também aqui e agora,
em favor de pessoas concretas, discriminados,marginalizadas social e religiosamente etc., não é a
Boa Notícia de Jesus (MORACHO, 1994. p. 55). Uma comunidade cristã que não reconhece seus
doentes, que não está a serviço deles, que não lhes dá lugar na comunidade [...] que não conta com
os doentes, se empobrece e deixa de ser cristã.

Jesus cura não só o físico, mas também a alma. É preciso alcançar as virtudes espirituais para se
aproximar de Cristo. Não é possível ficar inerte ao grande desafio de ir ao encontro dos
necessitados e se fazer servo, usando todas as capacidades que Deus tem agraciado seu povo.

Cada cristão deve empenhar-se em favor da vida, daquela vida abundante propagada por Jesus. O
condicionamento social da época de Jesus não era melhor do que se vive hoje. A história ensina que
tudo era muito mais escasso e a tecnologia não existia. A questão da discriminação, saúde e doença
no seu tempo eram assombrosas. A perspectiva de vida era muito pequena, não havia planos de
saúde, saneamento básico, entre outros. Os recursos que se possuem na atualidade auxiliam em
muito. A sociedade hodierna tem tudo a seu favor e pouco faz em prol do próximo. Procura desviar-
se ao deparar com problemas e situações às quais acha que não lhe dizem respeito. Jesus, além de
curar o físico, curava a alma, trazia vigor e esperança, inserindo as pessoas no seu projeto. Ele se
fez abundante em misericórdia, calor humano, solidariedade, foi ao encontro das pessoas
independente da sua classe social.

[...] Oimportante é não esquecer que o ser humano é composto de três dimensões (física psíquica e
espiritual). Precisamos de água para o corpo, mas também precisamos de Água Viva, que é Jesus
Cristo, para saciar a nossa sede espiritual (SAVIOLI, 2008, p.14).

Na realização da missão cristã, ao longo da caminhada, seu povo vai sendo transformado e
capacitado por Deus. Evangelizando, está sendo evangelizado. É o “dar e ser-vos a dado” (Lucas
6.38 – BÍBLIA, AP, 1995. p. 1359), acontecendo também o processo de transformação individual
de cada cristão. Na “oficina da vida” o cristão transforma-se no homem novo à semelhança do
Cristo Ressuscitado!

O primordial é que o próximo seja visto sob a óptica cristã, com isso, que se veja a imagem de
Cristo resplandecer em cada ser humano. Não apenas se deve agir por obrigação social ou religiosa,
pelo medo de se perder a salvação; todavia agir realmente com amor.

Jesus apresenta-se como diácono, veio para servir com sua encarnação, através de seu ministério,
com sua vida e com sua morte na cruz. Ele veio para servir com sua ressurreição e ascensão. Agora
está servindo, intercedendo por cada um à direita de Deus, Pai, Todo-poderoso. Este é o exemplo a
ser seguido, do Cristo, o diácono; desafio real para o ser humano contemporâneo:
[...] O projeto de VIDA de Jesus é a vivência do amor na forma de um servo humilde. Esse amor
supera o ódio, possibilita perdoar e amar o diferente, o inimigo, dá forças e coragem para
seempenhar pela paz e justiça. Esse amor também é doação. Cristo doou a própria vida para nos
reconciliar com Deus. È ele quem nos convida: “Assim como eu vos fiz, façais vós também“ (João
13.15). Esse amor transforma morte em vida, escuridão em luz. O crucificado ressuscita e reina
como Senhor e Salvador para todo o sempre! (NORDSTOKKE, 1995, p. 22).

Jesus manifesta o verdadeiro amor de Deus e concretiza esse amor com seus atos no cotidiano, isto
é fato e é visível. Em todos os momentos o amor de Deus é manifesto nas práticas de Jesus: quando
ele cura, se faz humilde, perdoa, ajuda, conversa, questiona e coloca em funcionamento seu amor
incondicional. Ele facilita a vida com palavras e ações:

[...] O Espírito Santo liberta de culpa, pecado, leis amarras. Ele liberta para sermos agentes
transformadores em nosso contexto, para nos comprometermos com a vida e a dignidade humana.

Nessa liberdade podemos viver, nos comunicar e engajar em mudanças que possibilitem uma vida
digna e justa para todos. Lá reina o amor fraternal. Essa liberdade nos dá forças, sabedoria, coragem
para enfrentar e procurar mudar estruturas que oprimem e dificultam a vida. O Espírito Santo nos
sustenta em sofrimento, dor e perseguição. Ele nos reanima, fortalece e dá alegria, dá vida. Ele
rompe o poder da sombra da morte e dá a vida eterna. Ali a fé se assemelha ao fermento. Tem uma
aparência insignificante, mas uma força incalculável (NORDSTOKKE, 1995, p. 25).

JesusCristo sendo a “luz do mundo” revelou-se a humanidade e assumiu a condição de servo.


Quando Deus relaciona-se com a humanidade, sendo Ele um “Ser Supremo”, iguala-se ao homem
(ser totalmente dependente de Deus) e doa-se em prol do homem, livrando-o de todo pecado,
morrendo em seu lugar. O VERBO se fez carne (encarnação) revelando quem é Deus. Fez-se um
autêntico representante da humanidade na pessoa de Jesus Cristo e assumindo sobre Si todo o
pecado do homem, morrendo na cruz e com Sua ressurreição tudo é transformado.

O cristão é agraciado com o amor incondicional de Deus através da Sua infinita misericórdia. O que
se é e se julga ser, antes de conhecer a Deus, pouco importa. O que tem relevância é a maneira de
viver e ser após conhecê-lo de fato e aí sim, todas as barreiras e obstáculos são superados, pois em
Cristo e com Cristo somos mais do que vencedores!

4. A relevância e o desafio da diaconia para igreja de hoje


A relevância e o desafio da Igreja em relação à diaconia são fundamentados nos dois maiores
mandamentos que são: amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.

[...] “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu
entendimento”. Este primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: “Ame ao seu
próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mateus
22.37- 40 – BÍBLIA, NVI, 2004. p. 1008).

Como igreja de Cristo oculto/adoração a Deus é o ponto primordial, motivo pelo qual se é criado,
não se pode amar a Deus e desprezar o próximo. Muitos esquecem a dimensão diaconal e sua
prática. Numa sociedade onde existem miséria e marginalidade de milhões de brasileiros, a igreja
não pode se limitar apenas ao discurso. É necessário atentar-se para uma reflexão da diaconia,
buscando a importância do termo dentro do contexto neotestamentário, apontando para Jesus Cristo,
pois Ele é o Senhor, Mestre e Modelo a ser seguido. Bonhoeffer aponta que:

[...] A Igreja deve participar das tarefas da vida na coletividade humana, não como quem governa,
mas como quem ajuda e serve. Ela deve dizer aos homens de todas as profissões o que representa
uma vida em Cristo, o que significa existir para os outros (1980. p. 186).

É preciso praticar a diaconia não somente como função da igreja, mas como o modo de ser/viver o
cristianismo. Na ética e na teologia esta ação deve ser vista com relevância na vida e no testemunho
diário do cristão. Este legado precisa estar latente na pós-modernidade, época esta em que, muitas
igrejas evangélicas e reformadas têm se esquecido de suas responsabilidades nesta área. Qual está
sendo o papel dos cristãos como igreja de Cristo para com os necessitados e até que ponto os
mandamentos de Deus estão sendo seguidos?

[...] Diaconia é função distintiva da igreja. Embora a teologia da secularização não possua uma
definição exata do que é diaconia, a teologia emsua totalidade assume a forma de diaconia. No
início, a teologia da secularização definitivamente afirmava que diaconia é tarefa mais importante
da igreja. Obviamente, esta teologia tem prestado um grande auxilio ao destacar o significado do
serviço diaconal na e para a igreja. A igreja atua no sentido de melhorar o mundo – exatamente o
mesmo mundo destinado a ser o lugar em que o amor de Deus deve ser visto e experimentado. A
igreja deve engajar-se ativamente em toda iniciativa verdadeiramente humana e real para
transformar a sociedade. Além disso, a igreja também tem a obrigação de atuar construtiva e
criticamente a favor da dignidade humana – e da genuína humanidade. O Objetivo é estabelecer
uma vida que seja humana, a salvação ou libertação da pobreza, do sofrimento, da guerra, da fome,
da doença, da escravidão e de todos os sofrimentos injustos e, principalmente, físicos. A isso se
chama salvação total, que é de fato um processo (OFTESTAD, 2006, p. 26-27).

Seguindo o que foi praticado e ensinado por Jesus Cristo é preciso trazer este aprendizado e pratica
à atualidade, procurando mostrar para igreja qual o seu papel para com o próximo. O que se tem
feito e de que maneira se pode fazer ou aperfeiçoar o seu contato com o semelhante. Como igreja de
Cristo se faz necessário estar atento ao próximo dando-lhe assistência em todos os sentidos. O
desafio consiste em sair das quatro paredes e não ficar apenas na pratica oral. Urge que se
tomematitudes de fato e real em favor do próximo e isso tem que começar por mim como igreja.
Hunter menciona:

[...] Há quem opte por superar as dificuldades, enquanto outros preferem não fazê-lo. O que somos,
a pessoa que nos tornamos, é em grande parte resultado de nossas opções que fizermos hoje e
amanhã. A boa noticia é que podemos optar por ser alguma coisa diferente a partir de hoje (2006. p
83).

O Reino de Deus está fundamentado na compaixão, que emerge da essência do próprio caráter de
Deus! A missão da Igreja vai além de evangelizar. É impossível determinar o potencial de vida e
transformações que está latente nas Igrejas. Deus as capacita de várias maneiras (talentos, fé, amor,
e outros infinitos dons), o que se precisa é colocar em prática essas dádivas divinas lhes ofertadas
em prol do Reino de Deus. O que a Igreja está fazendo com seus talentos? Como Igreja de Jesus, se
é chamado a proclamar, viver e cumprir as intenções de Deus para com a humanidade. Jesus lhe
transmite este conhecimento, "Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu
senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito
conhecer" (Jo 15.15 – BÍBLIA; AP, 1995. p.1450). Moltmann esclarece que:

[...] Diaconia representa a responsabilidade da igreja de desempenhar um ministério de contato com


os pobres e com os que não pertencem a qualquer comunidade, em serviço espontâneo e adequado a
cada situação. O reino de Deusneste mundo inicia com os pobres e rejeitados e lhes pertence [...] é o
reino de Deus que vem até eles. Ele se identifica com aqueles que se encontram nas sobras, com os
que nos nem enxergamos. Pelo fato de os pobres e rejeitados conhecerem o sofrimento e a
degradação, são os únicos capazes de ter a solução da liberdade para a humanidade – liberdade da
repressão e da pobreza. O próprio Jesus Cristo identifica-se com os pobres e rejeitados (Mt 25).
Onde Cristo se encontra também a igreja tem que estar presente com seu auxílio e seu apoio.
Exatamente nesse caso igreja e diaconia são uma e mesma coisa (1970. p. 46-48).
Urge a necessidade por uma vida mais santa, mais responsável diante de Deus, o Pai, e também uma
aproximação de fato com o semelhante. Que o amado Espírito Santo ajude sua Igreja a caminhar,
capacitando-a e transformando-a conforme a vontade de Deus. Soares propõe: “É missão própria da
Igreja oferecer à sociedade sempre novos sinais concretos – corporais - da presença e do carinho de
Deus. Exatamente como fez Jesus em sua atuação em favor dos enfermos, dos marginalizados, dos
empobrecidos e dos abatidos” (SOARES, 1996. p. 53).

4.1 Definição de Igreja

A palavra igreja do grego “ekklesia” admite, em primeira análise, a tradução para “assembléia”,
“reunião”, “congregação” (GINGRICH, 2007. p. 67). Deriva-se do vocábulo “ek-kaleo”, que se
empregava para a convocação do exército para se reunir; “Kaleo” - chamar. No Novo Testamento
apalavra “ekklesia” surge como “o evento através do qual Deus cumpre sua eleição através da
chamada pessoal, [...] por esta razão, pode-se falar dos ‘kletoi’, ‘os chamados’, ao se referir à
comunidade cristã primitiva” (BROWN, 2000, p 984, ).

Traduzida, em segunda análise, por “igreja”, significa “chamados”. Sendo usada para indicar um
grupo que foi chamado de dentro de um ajuntamento maior e geral, em virtude de uma vocação
divina. Escolhidos para serem santos e incumbidos dos deveres de cidadania no Reino de Cristo
(MEKENZIE, 1983. p. 35). Por esse motivo, entendemos como “igreja cristã”, um grupo de pessoas
divinamente chamadas e separadas, pessoas comprometidas com a preservação dos valores e
proposta de vida ensinada por Jesus. Pessoas batizadas sobre profissão de sua fé em Cristo, unidas
sob pacto para o culto e a “diaconia”:

[...] A palavra que traduzimos por “igreja” procede da linguagem judaica do Antigo Testamento e
refere-se ao povo de Deus do tempo final, os eleitos, os santos de Deus. Esse sentido, sem dúvida
está na base do conceito de ekklesía em Mt 18.17” (BORNKAMM, 2005. p. 305)

O fundamento e essência da natureza da igreja de Cristo consistem no ajuntamento de pessoas numa


mesma comunhão de fé, ordem, esperança, amor, paz e justiça. Elas refletem a imagem e
semelhança de Deus em Cristo Jesus, sendo o sal da terra e a luz do mundo, para a Sua honra e
glória. Jesus disse no evangelho de João “Eu sou a videira, vós, as varas;quem está em mim, e eu
nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer” (João 15.5 – BIBLÍA, AP , 1995. p.
1450).

Cristo manda que dêem frutos, que trabalhem em prol do próximo. Em momento algum Jesus prega
sobre dogmas, mas sim ensina e pratica um amor voltado ao próximo de forma diaconal. O tema
diaconia, muitas vezes, é interpretado e realizado pela igreja de forma superficial. Precisa-se de
pessoas que vivam coerentemente a sua vocação como filhos de Deus. Que se saiba o que de fato
significa a diaconia, qual a sua relevância, como praticá-la, os passos a seguir e a sua contribuição
para o alicerce do Reino de Deus aqui na terra. Deixam de olhar o próximo sob a óptica cristã
esquecendo-se os dois principais mandamentos de Deu.

Deus criou o ser humano de acordo com sua imagem e semelhança, sustenta-o e mantém, conforme
encontramos no livro de Gênesis e, além disso, viu Deus que tudo que havia criado era bom: “Deus
criou, pois, homem a sua imagem, a imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis
1.27– BÍBLIA, TLH, 1988. p. 03). Delegou ao homem responsabilidade e autoridade, esperando-se
que este exercesse a função com dignidade e não com negligência, pois ao criar o mundo Deus foi
muito cuidadoso e, no entanto o homem ignora e devasta tudo aquilo que lhe foi dado. Como igreja
de Cristo é necessário que se tomem atitudes segundo a vontade do criador e não conforme a
vontade e ignorância própria do homem. Na bíblia oprincípio da dignidade da vida está presente.
Cada criatura deve ser tratada como imagem de Deus.

4.2 Exemplo histórico/mundial da prática diaconal

No momento em que a figura de Oscar Schindler era aclamada em quase todo o mundo, graças a
Steven Spielberg, que nele se inspirou para fazer o filme “A Lista de Schindler”, o qual recebeu por
premiação sete Oscars em 1993. Este narra a vida do industrial que evitou a morte de 1.000 judeus
nos campos de concentração. Irena Sendler (Irena Sendler, em língua polaca Irena Sendlerowa, (15
de Fevereiro de 1910 - 12 de Maio de 2008), também conhecida como "o anjo do Gueto de
Varsóvia", foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo
contribuido para salvar mais de 2.500 vidas ao levar alimentos, roupa e medicamentos às pessoas
barricadas no gueto, com risco da própria vida) era uma heroína desconhecida fora da Polônia e
apenas reconhecida no seu país por alguns historiadores, já que os anos do comunismo haviam
apagado a sua façanha dos livros de histórias oficiais. Ela nunca contou a ninguém nada da sua vida
durante aqueles anos. Seu feito começou a ser conhecido mundialmente em 1999 graças a um grupo
de alunos de um Instituto de Kansas e ao seu trabalho de final de curso sobre os heróis do
Holocausto. Na investigação havia poucas referências sobre ela, só existia um dado surpreendente:
salvara a vida de 2.500 meninos. A maior surpresa chegou quando após buscar o lugar dotúmulo de
Irena, descobriram que não existia, pois ela ainda vivia. Uma anciã que residia em um asilo do
centro de Varsóvia, em seu quarto nunca faltava flores e cartões de agradecimento do mundo
inteiro.
Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de bem-estar-
social de Varsóvia, no qual cuidava das salas de jantar comunitárias da cidade. Em 1942 os nazistas
criaram um “ghetto” (nome que, em algumas cidades italianas se dava ao bairro em que os judeus
eram obrigados a morar; bairro de judeus em qualquer cidade) (FERNANDES, 1990. p 310) em
Varsóvia e ela, horrorizada pelas condições como se vivia naquele lugar, uniu-se ao Conselho para
Ajuda aos Judeus. Destacou-se nos serviços das oficinas sanitárias e com isso pôde identificar
pessoas que contribuíram com a sua luta contra as doenças contagiosas e mais tarde tornaram-se
aliadas em prol da salvação dos meninos. Como os alemães invasores tinham medo de que se
desencadeasse uma epidemia de tifus (uma doença contagiosa causada pela bactéria Salmonella
Typhi, transmitida através da ingestão de alimentos ou água contaminados, ou então pelo contacto
direto com os portadores A doença é exclusiva do ser humano), aceitaram que os poloneses
controlassem o lugar. Entrou em contato com famílias aos quais oferecia levar os filhos com ela
para fora do Gueto. Mas não podia dar garantias de sucesso. Era um momento horroroso, tinha de
convencer os pais de que lhe entregassemseus filhos e estes lhe perguntavam: “Pode prometer que
meu filho viverá?” O que poderia se prometer quando nem podia saber se sairiam do Gueto? A
única coisa certa era que os meninos morreriam se permanecessem ali.

As mães e as avós não queriam separar-se de filhos e netos. Irena as entendia perfeitamente. De
todo o processo que ela levava a cabo com os meninos, o mais duro era o momento da separação.
Algumas vezes, quando Irena ou suas companheiras tornavam a visitar as famílias para tentar fazê-
las mudar de opinião, ficava sabendo que todos tinham sido levados ao trem que os conduziria aos
campos de extermínio, de morte. Cada vez que isso acontecia, ela lutava com mais força para salvar
os meninos. Começou a tirá-los em ambulâncias como vítimas de tifo. Depois passou a se valer de
tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tirá-los dali: cestos de lixo, caixas de
ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, ataúdes, etc. Em suas mãos, qualquer
coisa se transformava numa via de escape. Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um
dos dez centros do Departamento de Bem-estar-Social. Com a ajuda dessas pessoas elaborou
documentos falsos, com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária aos meninos judeus.

Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Por isso não se cansava de manter
com vida esses meninos. Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua
identidade,suas histórias pessoais, suas famílias. Foi quando criou um arquivo que registrava os
nomes dos meninos e as suas novas identidades. Anotava os dados em pedaços pequenos de papel
que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma árvore de maçãs, no jardim do seu
vizinho. Assim, guardou sem que ninguém soubesse, o passado de 2.500 meninos.
Um dia os nazistas souberam das suas atividades. Em 20 de Outubro de 1943 foi detida pela
Gestapo (Polícia). Ela era a única que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que
albergaram aos meninos judeus; suportou a tortura e se recusou a trair seus colaboradores ou a
qualquer dos meninos ocultos. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de sofrer inúmeras torturas.
Mas ninguém conseguiu quebrar o seu silêncio. Foi sentenciada à morte, mas no ultimo minuto ela
escapou da prisão. A partir de então, continuou trabalhando, com uma identidade falsa. No final da
guerra desenterrou os vidros de conserva e fez uso das anotações para encontrar os 2.500 meninos
que colocara com famílias adotivas. Ajuntou-os aos seus parentes espalhados por toda Europa, mas
a maioria tinha perdido as suas famílias nos campos de concentração nazistas. Os meninos só a
conheciam pelo apelido: “Jolanta”.

Anos mais tarde, quando a sua história saiu num jornal junto com fotos suas, da época, diversas
pessoas começaram a chamá-la para dizer: “Lembro de seu rosto... sou um daqueles meninos, lhe
devo a minha vida, meu futuro, egostaria de vê-la!”. Seu pai, um médico que faleceu de tifus,
quando ela ainda era pequena, lhe fez memorizar o seguinte: “Ajude sempre a quem estiver se
afogando, sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia alguém tem que ser
uma necessidade que saia do coração”.

Nunca se considerara uma heroína nem reinvidicara nada em prol de suas ações. “Poderia ter feito
mais”, respondia sempre que se lhe perguntavam sobre o tema. “Este lamento me acompanhará até
o dia de minha morte!”.

Apenas em março de 2007 a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto
ao prêmio Nobel da Paz. O memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em
1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não-judeus que salvaram judeus. Morreu aos 98
anos, em 12 de maio de 2008. Irena Sendler foi uma desconhecida durante muitos anos para os
poloneses. O mesmo acontecera com Oscar Schindler, que morreu na pobreza na Alemanha, antes
de sua façanha de ter salvado os funcionários judeus de sua fábrica ser levada ao cinema por Steven
Spielberg.

Irena deixa um legado a ser seguido, demonstrando que a vida é fundamental, de todas as posses
humanas, é o bem primordial. Ela seguiu o exemplo ensinado e praticado por Jesus Cristo, pois Ele
é a plenitude da vida. Mesmo com o risco da própria vida, empenhou-se no desafio/luta de salvar
2.500 meninos e se manteve no anonimato por anos. Ajudar o próximo é uma graça para viver
oduro processo de transformação para chegar à semelhança de Jesus. Deus não espera a formação
completa dos homens para colocá-los no trabalho de ajuda ao seu semelhante, capacita-os e os usa
como instrumentos, conforme o empenho nos trabalhos do Seu Reino aqui na terra.

CAPÍTULO 5

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS E FUTUROS TRABLAHOS

5.1 Quanto ao objetivo e problema da pesquisa

O presente trabalho traz uma óptica ampla e objetiva do que vem a ser diaconia, pois Jesus Cristo é
a base de toda esta prática e legado. No cotidiano o individualismo e bens materiais quase sempre
são colocados em primeiro plano. Não se para a fim de olhar as necessidades do próximo e enxergar
nele a imagem de Cristo refletida. Esquece-se que todos devem ser tratados com respeito e
dignidade. Muitas vezes desvia-se o olhar dos necessitados porque se sente culpa, medo, rejeição,
fragilidade, isto ocorre porque as pessoas não se sentem à altura das expectativas que elas mesmas
se propõem. Evita-se o olhar, especialmente aqueles olhares de sofrimento, súplica, angústia,
desespero, solidão e dor porque se sabe que serão afetados por estes olhares pedintes. Eles
comovem. Então, é mais fácil olhar em outra direção e manter-se indiferente!

No cotidiano é comum ver pessoas a nossa volta sendo tratadas com desprezo, discriminação,
arrogância e prepotência. Não se dispensa cuidados, preocupações e tempo para saber se o próximo
precisa de algo que se tenha a oferecer. Nem mesmose quer saber o porquê dele ter chegado a tal
situação! É mencionado que o problema é dele e que nada se tem com isso! Quer-se distância de um
morador de rua, um excluído da sociedade! Ao saber que Jesus Cristo encarnou de fato em um
destes necessitados, qual seria a posição da Igreja?!

Preocupados com dogmas e doutrinas, muitos líderes religiosos não se atêm de fato em ensinar aos
membros das igrejas o fundamento e a relevância da diaconia. É assustador e vergonhoso saber que
existe um número enorme de cristãos que não sabem definir de fato o que vem a ser a prática
diaconal! Esta é desafiadora, porém, se faz necessária e os resultados alcançados são gratificantes.
A missão do cristão/cidadão, com os seus mais diversos dons, está em empenhar-se para diminuir o
sofrimento dos irmãos em situação menos favorecida, excluídos da sociedade e sem esperanças. É
preciso contribuir para um mundo melhor, menos violento, com menos desigualdades sociais.

Praticar a diaconia é uma missão muito importante, é seguir os ensinamentos e as práticas de Jesus
Cristo, não como ofício de alguns, mas sim, um legado deixado a todos que confessam Jesus Cristo
como Salvador e Senhor. Diaconia é ir ao encontro do semelhante, é aproximar-se de fato, verificar
a necessidade, estar pronto a servir. É ir além da ajuda com bens materiais ou alimentos. Precisa-se
mostrar ao próximo que ele também é filho de Deus e que Cristo veio para salvar a todos. Fazê-lo
enxergar o quão valoroso é para o Reino de Deus, a ponto dEle enviar seu Filho Unigênito a fim de
morrer em seu lugar para lhe dar vida e um lugar no Reino dos céus. E, assim, saindo deste lugar a
pessoa poderá viver a vida abundante conseguindo entender a graça de Deus

O modelo de diaconia instaurado por Jesus encontra-se pautado em Marcos, onde Ele afirma que,
contrariamente à maneira como se dá o poder e se tomam decisões no mundo, quem quiser ser
importante e primeiro, deve ser servo/escravo de todos. As pessoas só terão vida se estiverem em
Cristo e suas obras serão validadas se forem feitas baseadas na fé e amor a Deus, pois sem fé as
obras são mortas. Tiago menciona que “de que adianta meus irmãos, alguém dizer que tem fé se não
tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?”.

É impossível querer viver em comunhão com Deus, procurando agradá-lo em seus atos e deixar o
semelhante de lado, tendo a consciência de que ele precisa de sua ajuda. Paulo deixa claro que dos
mais diferentes dons que os cristãos possuem, o amor é essencial em todos. O grande desafio é fazer
com que o mundo de hoje, da pós-modernidade, venha a compreender o Jesus que se humanizou,
esvaziando-se de todas as prerrogativas divinas e se sujeitando a todas as conseqüências desta ação.
É preciso enxergar a relevância dos atos praticados e ensinados por Cristo. E, como Ele, encarnar o
evangelho através de uma prática diaconal verdadeira como Igreja, tanto como comunidade quanto
individualmente.