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FORMAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL DE FORMADORES

ÍNDICE PÁG.| 1

1. OBJECTIVOS DO MÓDULO.............................................................................................2
2. SÍNTESE DOS CONTEÚDOS A ABORDAR...................................................................................2

3. Introdução.......................................................................................................2
4. O que é a Formação Profissional..............................................................................2
4.1. Certificação Profissional.................................................................................4
5. Níveis de Formação ou Qualificação Profissional...........................................................4
6. Domínios da Formação Profissional...........................................................................5
6.1. Formação inserida no Sistema Educativo...............................................................5
6.2. Formação inserida no Mercado de Emprego............................................................6
7. Modalidades de Formação Profissional inserida no Mercado de Emprego..............................7
7.1 Formação Inicial.............................................................................................7
7.1.1 Qualificação Inicial.....................................................................................8
7.1.2 Aprendizagem...........................................................................................8
7.1.3 Educação e Formação.................................................................................8
7.1.4 Educação e Formação de Adultos (EFA).............................................................8
7.2 Formação Contínua.........................................................................................9
8. As vantagens da formação profissional ....................................................................11
9. O Papel do Formador no Contexto da Formação Profissional...........................................12
9.1 Competências Pedagógicas...............................................................................13
9.2 Competências Psicossociais..............................................................................14
9.3 Competências Técnicas...................................................................................15
10. O Exercício da Actividade de Formador..................................................................16
10.1. Certificado de Aptidão Profissional de Formador (CAP)...........................................16
10.2. Condições de Renovação do CAP......................................................................17
10.3. Bolsa Nacional de Formadores.........................................................................18
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1. OBJECTIVOS DO MÓDULO
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Pretende-se que no final do módulo o formando seja capaz de:

ü Caracterizar os Sistemas de Formação, com base nas finalidades, no público-alvo e nas


tecnologias utilizadas;
ü Identificar a legislação, nacional e comunitária, que Regulamenta a Formação
Profissional;

ü Enunciar as competências e capacidades necessárias à actividade de Formador – Perfil


do Formador – nos diferentes Sistemas de Formação.

2. SÍNTESE DOS CONTEÚDOS A ABORDAR


ü Caracterização dos Sistemas de Formação;

ü Formação Profissional inserida no Sistema Educativo;

ü Formação Profissional inserida no Mercado de Emprego;

ü Legislação de enquadramento da Formação Profissional;

ü Perfil do Formador: competências e capacidades.

3. INTRODUÇÃO
O Módulo 1 – O Formador e o Contexto em que se desenvolve a Formação, constitui o primeiro
dos módulos que compõem o Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores e a posição que
ocupa como módulo “anfitrião” não é por acaso.
Como se sabe, este Curso visa essencialmente promover a aquisição e o desenvolvimento de
competências no domínio pedagógico-didáctico em quem pretende exercer a actividade de formador.
Para que isto se torne possível e para que o formador se constitua como um agente activo e
potenciador dos referenciais formativos e dos seus sistemas, é importante que desenvolva uma visão
crítica e seja capaz de reflectir (ao nível técnico-pedagógico) sobre o contexto em que esta surge e
sobre o seu papel como formador.
Constitui, assim, objectivo deste módulo, bem como de toda a formação de formadores,
potenciar este pensamento crítico e facilitar a compreensão global dos processos de formação,
abordando os diferentes Domínios de Formação, as Modalidades de formação existentes e as
Competências que um Formador deve desenvolver para o exercício da sua actividade.
Pretendemos com este Manual, criar uma base de estudo sintética e eficaz que constitua um
apoio ao alcançar dos objectivos propostos para o Curso de Formação Pedagógica Inicial de
Formadores, nomeadamente no que diz respeito ao Módulo I – O Formador e o Contexto em que se
desenvolve a Formação.

4. O QUE É A FORMAÇÃO PROFISSIONAL?


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Entende-se por Formação Profissional o conjunto de actividades que visam proporcionar a


aquisição de conhecimentos, capacidades práticas, atitudes e formas de comportamento, exigidas
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ao bom desempenho de uma determinada profissão ou grupo de profissões num determinado contexto
de organização produtiva económica e social.
Desde o curso de menos de uma dezena de horas realizado numa empresa, ao curso de pós-
graduação em gestão realizado numa Universidade, quase tudo, hoje em dia, pode ser designado de
«Formação Profissional».
Não há, efectivamente, um modelo generalizado que permita uma caracterização absoluta das
intervenções que nela se enquadram.

Ela abrange:

ü Todos os níveis de profissionais;


ü Diversas modalidades;
ü Todos os sectores de actividade;
ü Todo o público-alvo.

Uma das principais características da formação profissional é que, para além de complementar
a preparação para a vida activa iniciada no sistema básico, visa uma integração dinâmica no mundo
do trabalho pela aquisição de conhecimentos e de competências profissionais, de forma a responder
às necessidades nacionais de desenvolvimento e à inovação tecnológica.
Cada vez mais, as transformações técnicas, económicas e organizativas têm conduzido a uma
constante alteração do conteúdo de trabalho e das respectivas competências a que aquele apela,
gerando desactualizações e desadaptações que acentuam a necessidade de aprendizagem ao longo da
vida.

A formação profissional pode adoptar como objectivo:

A PREPARAÇÃO INICIAL do pessoal para os estratos intermédios da «pirâmide das qualificações»

mas, e também,

A FORMAÇÃO CONTÍNUA do pessoal, incluindo os técnicos superiores já activos, através de cursos de


aperfeiçoamento realizados durante a sua vida profissional.

Então, a Formação Profissional pode:


ü Integrar jovens activos e não activos;

ü Integrar adultos activos e não activos,

ou seja, engloba:
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ü Actividades de aprendizagem completa de uma profissão OU


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ü O ensino de segmentos para aperfeiçoamento de profissionais já activos.

4.1. CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL


Certificar é Garantir que uma pessoa tem as competências necessárias para desempenhar uma
determinada profissão. Esta garantia concretiza-se através da emissão de um Certificado de Aptidão
Profissional – CAP – por uma Entidade Certificadora competente. (As exigências relativas à Certificação
Profissional encontram-se descritas no Decreto-Lei n.º 95/92 de 23 de Maio, no Decreto Regulamentar
n.º 68/94, de 26 de Novembro e na Portaria n.º 1119/97, de 5 de Novembro).

Para obter um CAP é necessário ter:

ü Formação Profissional adequada OU

ü Experiência profissional OU

ü Título profissional emitido noutro país.

A Certificação Profissional:
ü Facilita a livre circulação de trabalhadores na União Europeia;
ü Promove a transparência das qualificações;
ü Permite uma mais ajustada empregabilidade;
ü Orienta a oferta formativa para as qualificações necessárias.

A formação profissional constitui um meio privilegiado para a integração sócio-profissional dos


indivíduos, preparando-os para o desempenho de funções ao nível profissional – desenvolvendo
competências técnicas e características psicossociais para o exercer um determinado posto de trabalho
– e mobilizando e/ou desenvolvendo recursos para o desempenho de diferentes papéis sociais nos
diferentes contextos da sua vida.
Constitui, no seu essencial, uma forma de promover o desenvolvimento da produtividade, da
economia, da competitividade e consequentemente da sociedade, através do fomento da criatividade,
de um espírito inovador e de iniciativa aos diferentes níveis: pessoal, profissional e social (o
enquadramento legal da Formação Profissional encontra-se estabelecido nos Decretos-Lei n.º 401/91 e
405/91, ambos de 16 de Outubro; o Despacho Normativo n.º 42-B-2000, de 20 de Setembro, veio
revogar o Despacho Normativo n.º53-A/96, estabelecendo a natureza e limites máximos de custos
elegíveis relativos a formadores e formandos).

5. NÍVEIS DE FORMAÇÃO OU QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL


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Em Portugal, a qualificação profissional encontra-se estratificada em diferentes níveis de


formação que correspondem a diferentes graduações (consultar Despacho Normativo N.º 42-B/2000, de
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20 de Setembro):

Nível 1
- Formandos com escolaridade básica;
- Iniciação profissional adquirida num estabelecimento de ensino ou em formação
extra-escolar, ou mesmo no contexto da empresa;
- Formação básica em que a quantidade de conhecimentos técnicos e as capacidades
práticas desenvolvidas são muito limitadas, permitindo apenas a execução de tarefas relativamente
simples.

Nível 2
- Escolaridade obrigatória;
- Formação profissional completa para o exercício de uma determinada actividade com
a capacidade de utilizar os instrumentos e técnicas adequadas à profissão.

Nível 3
- Escolaridade mínima obrigatória;
- Formação profissional;
- Formação técnica complementar ou ensino secundário completo;
- Implica um trabalho técnico que poderá ser executado de forma autónoma e
eventualmente incluir responsabilidades de coordenação.

Nível 4
- Formação técnica pós-secundária;
- Inclui conhecimentos e capacidades que pertencem a um nível superior;
- Nível intermédio e execução de uma actividade;
- Não exige, geralmente, fundamentos científicos das diferentes áreas em causa;
- Actuação autónoma, independente e com responsabilidades de concepção.

Nível 5
- Formação Superior completa;
- Autonomia no exercício da actividade profissional (assalariada ou independente) o que
implica o conhecimento dos fundamentos científicos da profissão.

6. DOMÍNIOS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

A formação profissional constitui uma realidade na resposta às necessidades prementes de uma


sociedade inserida numa Comunidade Europeia em constante desenvolvimento. Podemos, então,
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enquadrá-la em diferentes domínios tendo por referência a base institucional em que assenta: a Escola
ou a Empresa.
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6.1. FORMAÇÃO INSERIDA NO SISTEMA EDUCATIVO


A formação profissional inserida no Sistema Educativo tem como base institucional dominante
a Escola e destina-se à população escolar, incluindo ensino recorrente de adultos e educação extra-
escolar.
Este tipo de ensino baseia-se na relação didáctica professor (ensina) – aluno (aprende). Assim,
sofre algumas condicionantes relativamente à formação inserida no Mercado de Trabalho,
nomeadamente no que diz respeito aos seus objectivos gerais, sendo que se centra, essencialmente, na
procura da transmissão de conteúdos, o “Saber-Saber” e na transmissão do “Saber-Ser-Estar” na vida,
socializar.
Os objectivos da avaliação neste domínio prendem-se apenas com a avaliação do aluno,
descurando a avaliação dos processos e métodos de ensino.

6.2. FORMAÇÃO INSERIDA NO MERCADO DE EMPREGO

A formação inserida no Mercado de Emprego tem como base de referência a Empresa e tem
como destinatários a população activa empregada ou desempregada, incluindo candidatos ao primeiro
emprego (o Decreto-Lei n.º 401/91, de 16 de Outubro e o Decreto-Lei n.º 405/91, de 16 de Outubro
estabelecem e regulamentam o quadro legal da formação profissional inserida quer no sistema
educativo quer no mercado de emprego).
Apesar de esta ser a principal diferença, podemos enunciar outras igualmente importantes e
que o transformam cada vez mais num domínio de sucesso.
Ao contrário da formação inserida no Sistema Educativo, esta baseia-se na relação pedagógica
Formador – Formando (já a nomenclatura é diferente) e as competências a desenvolver são mais
abrangentes e vocacionadas para o exercício de uma profissão:
ü Preparar para...
ü Integrar para...
ü Aperfeiçoar o desempenho para...

A disposição nas salas transforma-se (torna-se mais acolhedora, menos ameaçadora e mais
propícia à participação e aprendizagem), bem como a formação é “transportada” para os locais de
emprego, o posto de trabalho ou empresas especializadas em formação.

Podemos salientar algumas diferenças de nomenclatura entre ambas:

2 Realidades = 2 Terminologias
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Formação inserida no Formação inserida no


Sistema Escolar Mercado de Emprego PÁG.| 7
Empresa
Escola
Local (ou posto) de Trabalho
Universidade
Centro de Formação
Preparar para...
Ensinar Integrar para...
Socializar Aperfeiçoar o desempenho para...
Reconverter/reciclar para...
Visa:
Visa: - O “saber – saber”, para aplicar.
- O “saber – saber”, para saber... - O “saber – fazer”, para produzir.
- O “saber – ser – estar”, na vida... - O “saber – agir”, no trabalho e na
vida.
Sala de Formação
Sala de Aula
Local (ou posto) de trabalho
Formador
Professor
Monitor
Docente
Animador
Formando
Aluno
Participante
Turma Grupo
Trabalho Individual
Exercício Trabalho de Grupo
Trabalho Prático
Teste
Trabalho
Prova
Trabalho de Aferição
Exame
Aferição do Sistema de Formação
Avaliação do Aluno
Aferição dos Resultados

7. MODALIDADES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL INSERIDA NO MERCADO DE EMPREGO


O processo de formação pode ser considerado inicial ou contínuo, sendo que cada uma das
modalidades se reveste de formas diferentes e é representada por diferentes cursos de formação
(consultar Decreto-Lei n.º 401/91, de 16 de Outubro e Decreto-Lei n.º 405/91, de 16 de Outubro, que
regulamentam e estabelecem o quadro legal da formação profissional inserida no mercado de
emprego):
A formação inicial destina-se a conferir uma qualificação profissional inicial e uma
preparação para a vida adulta e profissional.
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A formação contínua insere-se na vida profissional do indivíduo e destina-se a


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potenciar a adaptação às inovações tecnológicas e às constantes mutações de uma organização, bem
como favorecer a progressão profissional e o desenvolvimento pessoal dos indivíduos.

7.1. FORMAÇÃO INICIAL


Relativamente à primeira modalidade de formação (inicial) podemos aqui encontrar vários tipos
de curso que essencialmente assumem por objectivo atribuir aos formandos uma qualificação inicial,
geralmente prévia ao exercício de uma profissão e à qual lhes permita aceder, favorecendo a entrada
dos jovens na vida adulta e activa. Comum a todos os cursos que se enquadram nesta modalidade
podemos encontrar a certificação profissional associados a uma certificação escolar superior ao nível
de entrada no curso.
Podemos, então, considerar 4 tipos de cursos (denominados frequentemente de modalidades de
formação):

7.1.1. QUALIFICAÇÃO INICIAL


Os cursos de qualificação têm como objectivo preparar jovens ou adultos, candidatos ao 1º
emprego, com competências requeridas para acesso a uma profissão. Têm acesso a estes cursos jovens
ou adultos com a escolaridade obrigatória, não qualificados ou sem qualificação adequada ao mercado
de trabalho.

7.1.2. APRENDIZAGEM
Estes cursos, têm como principal objectivo a formação de jovens entre os 16 e os 25 anos,
candidatos ao 1º emprego com o 4º, 6º, 9º ou 12º anos concluídos. Preparando-os com uma qualificação
inicial indispensável ao desempenho de uma profissão qualificada.
Esta aprendizagem é feita em alternância entre o Centro de Formação, onde se realiza a
formação teórico-prática (sócio-cultural e científico-tecnológica) e uma empresa, na qual os formandos
têm formação prática em contexto real de trabalho (daí ser considerada aprendizagem em
alternância).
Esta última característica constitui um dos factores de sucesso desta modalidade no que diz
respeito à integração dos formandos no mercado de trabalho.

7.1.3. EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Estes cursos têm como objectivo certificar jovens em risco de abandono escolar ou que
entraram de forma precoce no mercado de trabalho com uma qualificação profissional inicial,
permitindo, para além da qualificação profissional, uma progressão ao nível da escolaridade.
Tal como no anterior, também este curso integra uma componente de formação em contexto
real de trabalho, visando consolidar as competências adquiridas ao longo da formação teórico-prática.

7.1.4. EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS (EFA)


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Estes últimos cursos destinam-se a jovens e adultos com idade igual ou superior a 18 anos,
empregados ou desempregados, que não possuam qualquer qualificação ou uma qualificação adequada,
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dando equivalência ao 4º, 6º ou 9º ano de escolaridade.
Ao contrário dos cursos anteriores, este inicia-se por um processo de reconhecimento e
validação de competências, desenvolvido antes da formação, que permitirão adequar o percurso
formativo de cada formando, em função das suas habilitações e competências profissionais.
O percurso formativo inclui uma formação de base e uma componente de formação
profissionalizante (que inclui prática no contexto real).
Em comum todos estes cursos, para além de partilharem a formação em contexto real de
trabalho, partilham as componentes de formação sócio-cultural que visa a aquisição de competências e
atitudes que permitam o desenvolvimento pessoal, profissional e social, e científico-tecnológica que
visa a aquisição de competências técnicas essenciais ao desenvolvimento de uma nova actividade
profissional (apesar de ambos existirem com outra nomenclatura nos cursos de Educação e Formação
de Adultos).

7.2. FORMAÇÃO CONTÍNUA


Relativamente à formação contínua, podemos encontrar uma extensa variedade de cursos,
desde a Especialização, à Reciclagem, passando pela Promoção. Todos estes cursos se referem a
formação específica após uma qualificação inicial (condição básica de acesso), isto é, constituem uma
forma de aperfeiçoamento após a obtenção de uma qualificação que lhe permitiu previamente o acesso
ao mercado de trabalho.

Em forma de apresentação esquemática e mesmo síntese dos cursos de ambas as modalidades,


podemos considerar o seguinte quadro – síntese:

Competências
Modalidade Curso Tempos Destinatários
visadas
Formação Jovens e adultos
Inicial candidatos ao 1º
Competências Previa ao início de emprego, com a
Qualificação requeridas para desempenho da escolaridade obrigatória,
acesso à profissão profissão não qualificados ou sem
qualificação adequada ao
mercado de trabalho
Aprendizagem Competências Previa ao início de Jovens entre os 16 e 25
requeridas para desempenho da anos, candidatos ao 1º
acesso à profissão profissão emprego com:
1º ciclo do ensino básico
(4º ano)
2ºciclo do ensino básico
(6ºano)
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Ensino básico (9ºano)


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Ensino secundário (12º


ano)

Jovens em risco de
abandono escolar ou que
Competências Previa ao início de
Educação e entram precocemente no
requeridas para desempenho da
Formação mercado de trabalho,
acesso à profissão profissão
sem ou com insuficiente
qualificação profissional
Cidadãos com idade igual
ou superior a 18 anos,
não qualificados ou sem
Educação e Competências Prévia ao início de
qualificação adequada,
Formação de requeridas para desempenho da
sem escolaridade básica
Adultos acesso à profissão profissão
de 4, 6 ou 9 anos;
empregados ou
desempregados
Formação Desempregados, activos
Melhoria
Contínua qualificados empregados
competências
ou em risco de
anteriores Ao longo do exercício
Aperfeiçoamento desemprego, que
Adequação da profissão
careçam de
exigências das
aperfeiçoamento das
organizações
suas competências
Reaquisição de Desempregados, activos
competências qualificados empregados
anteriores Ao longo do exercício ou em risco de
Reciclagem
Adequação da profissão desemprego, que
exigências das careçam de reciclagem
organizações das suas competências
Actualização Aquisição novas Ao longo do exercício Desempregados, activos
competências / da profissão qualificados empregados
evolução ou em risco de
Adequação desemprego, que
exigências das careçam de actualização
organizações das suas competências
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Consolidação
capacidades,
Activos qualificados PÁG.| 11
conhecimentos e
Ao longo do exercício empregados que
Especialização competências em
da profissão pretendam desenvolver
áreas específicas
competências específicas
Suporte à inovação
organizacional
Activos qualificados
Progressão Ao longo do exercício empregados que
Promoção
profissional da profissão pretendam progredir na
carreira
Desempregados e activos
Nova profissão empregados ou em risco
Competências de desemprego
técnicas, sociais e Semi-qualificados ou sem
Reconversão relacionais, Mudança de profissão qualificação adequada
completando para inserção no
qualificação nível II mercado de trabalho
ou III Com ou sem escolaridade
obrigatória

Estas diferentes modalidades constituem, essencialmente, novas formas de responder às


emergentes necessidades do mercado de trabalho e principalmente às necessidades de cada
jovem/adulto que, cada vez mais, se vê necessitado de uma formação específica em função dos seus
interesses, valores, desejos e possibilidades.

8. AS VANTAGENS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL


A formação profissional encerra em si mesma um conjunto variado de vantagens, quer para o
indivíduo que a frequenta, quer para as próprias organizações que a promovem ou que possuem no seu
seio indivíduos que a frequentam. Em termos gerais, a formação profissional potencia a actualização
tecnológica, a melhoria da qualidade e produtividade, bem como a obtenção de melhores resultados na
aprendizagem.
Para os indivíduos, potencia um aumento da sua motivação, através da aquisição de
conhecimentos, competências técnicas e interpessoais que dela decorrem, podendo contribuir para
uma maior disponibilidade para a mudança. A formação profissional pode estar, igualmente, ligada à
promoção de uma maior auto-confiança e a uma superior capacidade para tomar decisões, assim como
a um maior sentimento de pertença em relação à organização, o que pode contribuir para a realização
pessoal do indivíduo.
Complementarmente, a organização beneficia também do advento e prossecução de acções de
formação profissional, através da melhoria de desempenho e do aumento da produtividade dos
indivíduos que a integram e do aumento dos seus níveis de motivação e participação. A construção de
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uma maior facilidade na comunicação e na gestão de conflitos e uma maior identificação entre
objectivos pessoais e organizacionais são, igualmente, benefícios expectáveis.
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9. O PAPEL DO FORMADOR NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

O trabalho de um formador está embebido de uma enorme complexidade e o seu papel no seio
da formação profissional, ainda que não seja o único elemento no processo nem nele se deva centrar
toda a formação, é crucial para o atingir dos objectivos e para o bom desenvolvimento de uma acção
de formação. Ao longo dos tempos o papel do formador profissional foi sofrendo alterações,
complexificando-se, tornando-se mais abrangente.

Qual, então, o papel que o formador deve desempenhar? Existem competências específicas que
deva possuir para desenvolver um bom trabalho como formador?

Antes de responder a estas questões devemos debruçar-nos sobre a noção de formador.


Segundo o Decreto-Lei 66/94 de 18 de Dezembro, o formador é «(...) o profissional que, na realização
de uma acção de formação, estabelece uma relação pedagógica com os formandos, favorecendo a
aquisição de conhecimentos e competências, bem como o desenvolvimento de atitudes e formas de
comportamento adequados ao desempenho profissional.»
A sua principal missão prende-se, assim, primeiramente, com o favorecer da aquisição de
conhecimentos e competências, procurar desenvolver nos formandos atitudes e comportamentos
essenciais ao seu desempenho na vida activa e no mercado de emprego.

O Formador é um Facilitador da Aprendizagem!


É sua obrigação, facilitar a aprendizagem, favorecer esta aquisição de competências,
assumindo uma postura de cooperação. Deixa de apenas “instruir” para passar a colaborar. É
fundamental que, ao longo do processo, sublinhe a importância do papel dos formandos, sobretudo do
seu empenhamento para o sucesso ou insucesso de uma formação, co-responsabilizando-os pelos seus
fracassos e pelos seus êxitos.

Contudo, o papel de facilitador só poderá ter lugar com o estabelecimento de uma relação
pedagógica, na qual irá assentar todo o processo de formação, mediante a criação de estreitos laços
com os formandos. É esta relação que sustenta o processo e que permite a prossecução da formação.

O Formador é um Animador da Formação!


Para além de se constituir como um facilitador, o formador é igualmente um Animador,
procurando suscitar nos formandos os comportamentos necessários à prossecução dos objectivos de
desenvolvimento e de polivalência cada vez mais exigidos. O seu trabalho envolve, entre outros
aspectos, promover a motivação e o envolvimento dos formandos, assegurando, desta forma, um dos
principais requisitos básicos à eficácia da formação.
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O Formador é um Moderador de Conflitos!


O Formador é igualmente um Moderador de Conflitos. Entre algumas das competências do
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formador conta-se a de ser um moderador de conflitos no interior dos grupos, e de saber aproveitá-los
em favor da formação. Esta gerência de conflitos está intimamente ligada à sua função de facilitador
da aprendizagem, canalizando a energia dos formandos para o que é fundamental no processo de
formação.

No entanto, para que o formador desempenhe a sua actividade com sucesso deve desenvolver
uma série de competências que lhe permitam cumprir com os objectivos da formação e proporcionar
aos seus formandos as perspectivas necessárias ao seu próprio desenvolvimento e realização, tanto a
nível profissional como pessoal ao longo do seu contínuo profissional.

A sua actividade exige, assim, 3 tipos de competências:

ü Competências PEDAGÓGICAS.
ü Competências ao nível humano, PSICO-SOCIAIS;
ü Competências PROFISSIONAIS / TÉCNICAS;

9.1. COMPETÊNCIAS PEDAGÓGICAS


Estas competências dizem respeito às capacidades de planeamento, preparação, animação e
avaliação de uma acção de formação e que envolvem uma série de parâmetros, essenciais ao
desenvolvimento a formação e à intervenção no sistema de formação:

ü Planeamento / Preparação da formação


- Análise / caracterização do projecto de acção de formação em que se irá
intervir: objectivos, perfis de entrada e de saída, programa, condições de realização;
- Constituição do dossier da formação;
- Concepção e planificação do desenvolvimento da formação: objectivos,
conteúdos, actividades, tempos, métodos, avaliação, recursos didácticos, documentação de apoio;
- Elaboração dos planos das sessões de formação.

ü Desenvolvimento / Animação da Formação


- Condução / mediação do processo de formação/aprendizagem, desenvolvendo
os conteúdos, estabelecendo e mantendo a comunicação e a motivação dos formandos, gerindo os
tempos e os meios materiais necessários, utilizando auxiliares didácticos;
- Gestão da progressão na aprendizagem realizada pelos formandos, utilizando
meios de avaliação formativa e implementando os ajustamentos necessários.

ü Avaliação da formação
- A avaliação final da aprendizagem realizada pelos formandos;
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- Avaliação do processo formativo;


- Reestruturação do plano de desenvolvimento da formação.
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9.2. COMPETÊNCIAS PSICOSSOCIAIS


Referem-se às capacidades de saber-ser e estar, isto é, as competências de relacionamento
com o próprio, com os outros e com o objecto de trabalho:

ü Saber–Estar em situação profissional no posto de trabalho, na


empresa/organização, nomeadamente tendo atenção à:
- Assiduidade;
- Pontualidade;
- Postura pessoal e profissional;
- Aplicação ao trabalho;
- Co-responsabilidade e autonomia;
- Boas relações de trabalho;
- Capacidade de negociação;
- Espírito de equipa;
- Auto-desenvolvimento pessoal e profissional.

ü Possuir capacidade de Relacionamento com os outros e consigo próprio,


implicando, nomeadamente, competências ao nível de:
- Comunicação interpessoal;
- Liderança;
- Estabilidade profissional;
- Tolerância;
- Resistência à frustração;
- Auto-confiança;
- Auto-crítica;
- Sentido ético pessoal e profissional.

ü Ter capacidade de relacionamento com o objecto de trabalho, tendo


implicações, nomeadamente:
- Capacidade de análise e de síntese;
- Capacidade de planificação e organização;
- Capacidade de resolução de problemas;
- Capacidade de tomada de decisão;
- Criatividade;
- Flexibilidade;
- Espírito de Iniciativa e abertura à mudança.
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9.3. COMPETÊNCIAS TÉCNICAS


As competências técnicas dizem respeito à capacidade do formador em se integrar e adaptar
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ao contexto técnico e organizacional da sua actividade:

ü Ser capaz de compreender e integrar-se no contexto técnico em que exerce a


sua actividade:
- A população activa, o mundo do trabalho e os sistemas de formação;
- O domínio técnico-científico e/ou tecnológico objecto da formação;
- O papel e perfil do formador;
- Os processos de aprendizagem e a relação pedagógica;
- A concepção e organização de cursos ou acções de formação.

ü Ser capaz de adaptar-se a diferentes contextos organizacionais e a diferentes


grupos de formandos.

Resumindo, de forma geral:


Cabe ao formador:

ü Planear sessões de formação;


ü Conhecer o grupo nas suas diferenças;
ü Definir objectivos em termos de resultados (o que espera alcançar com
a formação);

ü Seleccionar conteúdos;
ü Escolher métodos e técnicas;
ü Conceber instrumentos de avaliação (inicial, formativa e sumativa);
ü Prever recursos didácticos necessários à realização da sessão de
formação;

ü Gerir tempos;
ü Animar;
ü Comunicar os objectivos;
ü Criar situações problema;
ü Diversificar métodos e actividades;
ü Favorecer a interacção/participação dos formandos;
ü Avaliar, comunicando os resultados obtidos;
ü Utilizar os diferentes tipos de avaliação;
ü Associar o ambiente à formação;
ü Transformar a formação em desenvolvimento pessoal;
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Assim, o formador “ideal” deve conseguir gerir todas estas variáveis, conseguindo estar atento
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aos formandos, à dinâmica de grupo, às próprias atitudes e posturas, à prossecução dos objectivos da
formação e a todas as condições externas ao processo formativo.

10. O EXERCÍCIO DA ACTIVIDADE DE FORMADOR

A preparação como formador implica, para além das características como a cooperação,
capacidade de relacionamento e comunicação, também a obtenção de uma qualificação (formação
científica, técnica e prática) de nível igual ou superior ao nível de saída dos formandos no domínio em
que se desenvolve a formação.
Reunidas estas condições resta apenas a obtenção obrigatória do Certificado de Aptidão
Profissional de Formador (CAP) devidamente actualizado.

10.1. CERTIFICADO DE APTIDÃO PROFISSIONAL DE FORMADOR (CAP)


Este documento pode ser obtido através da:
Frequência com aproveitamento de um Curso de Formação Pedagógica com a duração
mínima de 90 horas, homologado pelo IEFP;
Ou possuindo um título que habilite ao exercício de formador, emitido na União
Europeia ou noutro país, em caso de acordos de reciprocidade.

Em ambos os casos o formador tem a possibilidade de obter um CAP válido por 5 anos.

A Certificação como Formador é obrigatória desde 01 de Janeiro de 1998, sendo que apenas o
IEFP é responsável pelo processo (Consultar a Portaria n.º 1119/97 de 5 de Novembro, que estabelece
as normas específicas de certificação e o Decreto Regulamentar n.º66/94, de 18 de Novembro, revisto
pelo Decreto Regulamentar n.º26/97, de 18 de Junho, que define as condições para exercício da
actividade de formador no âmbito do mercado de emprego).

A obtenção do CAP é feita mediante o seu requerimento junto do Centro de Emprego da área
de residência do candidato a formador, mediante a apresentação da Ficha de Candidatura (ou de
renovação), do Certificado de Habilitações Literárias, do Bilhete de Identidade e do Certificado de
Formação Pedagógica de Formadores (onde constem os conteúdos, duração total do Curso e data de
realização).
FORMAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL DE FORMADORES

A certificação profissional implica o reconhecimento técnico-pedagógico para ministrar cursos


ou acções de formação ou, no caso de certificação individual, o reconhecimento de competências
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profissionais e garantia da existência de competências necessárias ao desempenho de uma dada
profissão.

Existe, no entanto, a possibilidade de aceder ao CAP (válido por 2 anos) para aqueles
formadores que se encontravam presentes no mercado de trabalho antes de 01 de Janeiro de 1998,
obrigatoriamente preenchendo os seguintes requisitos:

Ter frequentado um Curso de Formação Pedagógica de Formadores antes de 01 de


Janeiro de 1998, com a duração mínima de 60 horas e que inclua os conteúdos considerados adequados
pelo IEFP.
Possuir um mínimo de 180 horas de experiência em formação, entre 01 de Janeiro de
1990 e 01 de Janeiro de 1998.

10.2. CONDIÇÕES DE RENOVAÇÃO DE CAP


O CAP válido por 5 anos, pode ser renovado por mais 5 anos através de uma actualização
pedagógica:
60 horas de formação de actualização pedagógica ou outras experiências consideradas
significativas na área pedagógica pela entidade certificadora.
300 horas de experiência formativa.

O CAP válido por 2 anos, pode ser renovado através de:

60 horas de formação de actualização pedagógica;


120 horas de experiência formativa.
FORMAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL DE FORMADORES

10.3. BOLSA NACIONAL DE FORMADORES


Os formadores que pretenderem podem solicitar no Centro ou Agência de Emprego a sua
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integração na Bolsa Nacional de Formadores – uma bolsa que está organizada por regiões e áreas de
formação e que facilita o acesso à profissão de formador.