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Filosofia Espírita da Educação

um projecto educativo para o Homem

Francisco Xavier de Almeida Marques*

Revista de Espiritismo nr. 26, 1995

O sentido da filosofia espírita da educação encontramo-lo no homem. Este é o seu objecto, a sua única
finalidade. Considerá-la a filosofia primeira do corpo doutrinário do espiritismo é o primeiro passo para
compreender a sua missão no mundo: formar homens de bem.

1. Algumas notas etimológicas

Etimologicamente, o vocábulo filosofia significa “amor da sabedoria”, o seu objecto de estudo é a procura
da verdade; educação designa o acto ou efeito de educar, este, por sua vez, significa “aperfeiçoamento
(desenvolvimento) das faculdades (físicas e morais) do homem”; um segundo sentido vai buscar-se ao
vocábulo etimologicamente aparentado com ele, do latim educere (Edução), significa “extrair” e decorre
das mais recentes reflexões sobre a educação (recuperação dos princípios platónicos da educação) e da
recusa em significar “educação” como adução (introduzir), mas antes como um despertar livre e
consciente do ser para o mundo, para os valores e para a necessidade da sua autoformação (para
Sócrates e Platão a virtude não pode ser ensinada).

No fundo, duas ordens de razões implicam na procura evidente de delimitar o sentido da educação, a
saber, se ela é tão somente instrução - adução sem mais de matérias e conhecimentos exteriores
(erudição) - ou se, pelas suas implicações globais, de natureza moral e psicossocial, a educação é mais do
que instrução e visa antes a apropriação de um saber autêntico feito de experiência, numa livre adesão da
consciência individual empenhada no seu autodesenvolvimento na procura de um sentido e de uma
definição do seu lugar no mundo em todos os domínios da sua existência.

Reflectindo na etimologia apresentada encontramos imediatamente palavras cujo significado conceptual


está no centro da reflexão espírita: “aperfeiçoamento”, “desenvolvimento” e “extrair” podem, com efeito,
ser abundantemente significadas na teoria espírita do conhecimento. Sendo o espiritismo um defensor
intransigente da pluralidade das existências, da perfectibilidade moral e intelectual do ser, a partir do
postulado de que o homem é hoje o somatório das suas vidas pretéritas em caminho para a perfeição,
num perpétuo e contínuo desenvolvimento das suas faculdades integrais, compreende-se o porquê de
fazer seus, e, sobretudo, da sua filosofia da educação, tais conceitos.

Mas a identificação fica completa se considerarmos mais explicitamente que o objecto desta filosofia é o
homem, e que é o homem considerado na sua unidade tridimensional existencial, isto é, como espírito,
perispírito e corpo.

Até aqui temos definido o objecto da filosofia espírita da educação - o homem integral - e uma finalidade:
a realização da sua máxima perfectibilidade possível em todos os domínios da sua existência intelectual e
moral.

Mas, se considerarmos que o conceito de perfeição está numa relação de identidade com o conceito de
felicidade, então o quadro completa-se sendo possível reflectir num estatuto geral desta filosofia da
educação, cuja originalidade está na profundidade e oportunidade das suas questões, na sua visão
holística do homem e do universo e na pertinência das suas propostas de revisibilidade dos princípios
orientadores das filosofias, metodologias e ciências da educação actuais.

Filosofia espírita da educação será, assim, o amor pelo saber que procura a verdade do ser
multidimensional que é o homem, amor pela procura das condições ideais da sua perfectibilidade possível,
realizável nos mais diversos domínios da sua vida como homem encarnado e na sua existência como
espírito eterno e imortal.

2. Kardec pedagogo: «O Livro dos Espíritos» - um tratado de filosofia da educação


A finalidade educativa do espiritismo começa logo na escolha de Hippolyte Léon Denizard Rivail, de
pseudónimo Allan Kardec, para ser o codificador do espiritismo. Pedagogo de nomeada em França,
apresentou trabalhos diversos no domínio da educação, incluindo reformas do sistema de ensino em
França, a institutos e universidades (entre as quais a Sorbonne) do seu país. Hippolyte Léon foi discípulo
de Pestalozzi, leccionando em Yverdum um dos centros de educação mais avançados em todo o mundo no
século XIX, precursor das pedagogias activas (pedagogias que põem a tónica na educação dinâmica do
indivíduo, privilegiando a sua auto-educação (educação como edução), corrente tão em voga nos nossos
dias.

Kardec procurou sempre imprimir uma forma didáctica à exposição dos assuntos abordados nas obras da
codificação espírita, assuntos cuja complexidade invoca as mais altas questões de filosofia, de ciência e de
moral; é, porém, em «O Livro dos Espíritos» que essa didáctica pode melhor ser encontrada e
compreendida.

O resultado foi espantoso. Na didáctica apresentada salientam-se a forma de diálogo em que as obras,
sobretudo «O Livro dos Espíritos», são apresentadas, método tradicional em filosofia, originariamente
adoptado por Platão para descrever os diálogos socráticos e platónicos. O método dialéctico, com
modificações apropriadas à natureza da obra que consiste na colocação de questões aos espíritos,
questões que utilizam ora o método dedutivo (do geral para o particular) ora o método indutivo (do
particular para o geral), procura substituir as perguntas que os mais diversos leitores, de extractos
intelectuais diversos, fariam em idêntica situação, levando-os a reflectir em problemas, por exemplo, de
metafísica, de ontologia, de psicologia ou de biologia, com relativa facilidade, apelando somente ao
exercício da razão natural e à lógica mais elementar e, maieuticamente (maiêutica: método usado por
Sócrates para levar os opositores num diálogo a atingir a solução do problema em análise a partir de si
mesmos), extrair dos arquivos extrafísicos da mente os elementos indispensáveis à valorização do
conhecimento da vida imortal, da justiça divina e da suprema sabedoria das leis que regem o Universo e
todos os seres que nele habitam.

Em consequência disso, é em «O Livro dos Espíritos» que podemos não só encontrar o exemplo de uma
obra didáctica como também encontrar todos os princípos que fazem dele um tratado de filosofia da
educação. Por ele acedemos a uma viagem inesquecível à Ciência do Infinito partindo da existência de
Deus para a definição e caracterização da sua obra nos domínios da existência do espírito e da matéria,
caracterizando as leis morais e físicas que regem respectivamente todas as coisas. A explicação da origem
do sofrimento, do sentido autêntico da felicidade, o destino do homem, a sua origem e razão de ser, eis
em traços largos a paisagem que se divisa ao percorrê-lo. Mas em que sentido dizemos que é um tratado
de filosofia da educação? Apenas no sentido em que ao mergulhar nele depara-se com todas as respostas
às grandes interrogações do homem, constituindo essas um guia prático que além de fazer o leitor divisar
mais longe a sua própria essência enquanto ser eterno e imortal, reconduz a sua visão superficial das
coisas para uma visão holística e integral do Universo e de si próprio, demonstrando-lhe quais os
princípios fundamentais de uma conduta moral ideal que o conduzam à felicidade real.

A espaços são integrados os conhecimentos teóricos, mesmo os de maior alcance, com os elementos
práticos que permitem a sua compreensão e a montagem livre e consciente de estratégias que favoreçam
uma reorganização da existência no sentido de melhorar a personalidade, dominar as más inclinações e
tudo fazer para ser útil e agradável ao próximo. Tudo isto devidamente organizado, disposto de tal
maneira que ao fazer-se a experiência de ler e meditar «O Livro dos Espíritos» e, de um modo mais
abrangente, as restantes obras da codificação, sem nunca ser constrangido a nada, é-se levado pela sua
lógica e sólida argumentação a rever os fundamentos da vida, encontrando aí a oportunidade de se
questionar se é de facto essa, a conduta actual, a mais adequada às necessidades integrais do espírito.

Responsabilização, consciencialização, desenvolvimento para um aperfeiçoamento das faculdades do ser


eis o que visa «O Livro dos Espíritos» e faz dele um tratado de filosofia da educação, alicerçado num
método que assenta inteiramente na edução dos elementos arquivados na mnemónica extrafísica do ser
onde este vai buscar as energias, a necessidade e a decisão para a reorientação, sempre que for caso
disso, da existência. Neste sentido a filosofia espírita da educação compreende uma teoria e um método
prático, duas exigências fundamentais para que se constitua como uma pedagogia.

Já em 1828 Rivail tinha defendido no seu “Plan proposé pour l’amelioration de l’education publique” de
França a educação como “uma ciência bem caracterizada”, num século onde a educação estava longe de
ser considerada como tal. Para isso, e considerando que a diferença entre pedagogia e educação está no
âmbito mais científico e restrito da primeira sobre a segunda, mais ampla e abrangente, «O Livro dos
Espíritos» considera fundamental a observação e o estudo do homem, o conhecimento de si mesmo, para
encontrar as condições adequadas a uma prática pedagógica que faça jus aos dois preceitos fundamentais
da pedagogia e filosofia da educação espíritas - “Amai-vos e instruí-vos”.

A possibilidade de uma ciência da educação está na forma como se chegar a conhecer as leis internas da
vida moral e intelectual do seu objecto de estudo - o homem. A tarefa da pedagogia espírita será a de
“combater as más tendências, e ela o fará de maneira eficiente quando se basear no estudo aprofundado
da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral chegar-se-á a
modificá-la, como se modificam a inteligência pela instrução e as condições físicas pela higiene”(Cf. 872),
acrescenta Kardec.

Kershensteiner e o princípio de “uma educação axiológica”, Dewey e a educação tendo em vista “um
princípio de acção útil”, Carl Rogers e o princípio do “ser pessoa”, cada um a seu modo reconhece o valor
desta introprospecção individual, da intuição e dos princípios da autonomia e da liberdade, do respeito
pelo ser seja qual for o seu estado de adiantamento moral, da responsabilidade com que este deve
escolher em liberdade a modalidade da sua existência, princípios estes já defendidos há 150 anos pela
pedagogia espírita e que estes expoentes da psicologia social, da educação e da filosofia reclamam para o
nosso século em matéria de objectivos gerais da educação.

3. A filosofia primeira

Partindo da ideia várias vezes referida por Allan Kardec na sua obra, de que a finalidade primeira do
espiritismo é "formar homens de bem", tomamos como princípio fundamental desta a sua significabilidade
ética e educativa. Pelo facto de se invocar para a filosofia espírita a finalidade formativa, não se deve
ignorar que ela é antes de mais performativa, justamente porque a sua ética não se impõe como uma
ética da salvação, ao contrário das éticas salvíficas herdadas do fundo religioso do período medieval, mas
como uma ética do desenvolvimento progressivo e natural do ser, num despertar contínuo até atingir a
plenitude da consciência no processo evolutivo. Por isso ela não é impositiva no sentido de impor
condições a partir das quais exclusivamente o homem possa "salvar a sua alma".

A concepção positiva de homem que o espiritismo preconiza não admite que o actor principal da
educação, o educando eterno e imortal que é o espírito, seja moldado a uma imagem paradigmática que
preexista inicialmente. Não existe um Adão originário que os homens tenham de copiar antes da queda
original. Não se trata de um retorno a, mas de um desenvolver progressivo das forças da alma no
trabalho das vidas sucessivas até atingir a compreensão plena da sua situação como existente. A criação
do espírito simples e ignorante até à perfeição diz-nos que ele e só ele deve ser o actor da sua formação,
extraindo das suas conquistas e derrotas a experiência necessária para vencer os obstáculos da evolução
até se tornar realmente livre, perfeito e feliz.

Justamente por isso deve considerar-se a filosofia espírita da educação como uma filosofia primeira no
corpo doutrinário do espiritismo. Nenhuma outra finalidade resolve tão bem o sentido do espiritismo para
o homem do que a educação. Em vez de formar homens de bem diríamos mais coerentemente "educar
homens para o bem", ajudá-los a compenetrar-se da sua imortalidade, da responsabilidade que implica
cada vida na Terra, da importância do agir em conformidade com a justiça, com o amor e com a caridade.

4. Um projecto educativo para o homem

O "mal-estar na civilização", tema que deu título a uma obra importante de Sigmund Freud (criador da
psicanálise), tem a sua origem, segundo «O Livro dos Espíritos», na predominância de uma paixão
exacerbada da alma humana: o egoísmo. Diz o «O L. E.» (917) que "o egoísmo é a imperfeição mais difícil
de desenraizar, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem, ainda muito próximo da sua
origem, não consegue libertar-se"; ele é incompatível com a justiça, o amor e a caridade, neutralizando
estas qualidades indispensáveis a um carácter bem formado.

No estado actual da civilização os efeitos do egoísmo são bem visíveis, como aliás sempre o foram no
passado: miséria, má distribuição das riquezas, injustiça, lei da força ao invés da força da lei,
desesperação e infelicidade. Violência, crueldade e perversão são os fenómenos dominantes no carácter
humano. Não significa que o senso moral não exista nos homens, todavia não está suficientemente
desenvolvido; Kardec acrescenta (comentário à questão 754): "a superexcitação dos instintos materiais
asfixia, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento deste arrefece pouco a pouco as
faculdades puramente animais".
O espiritismo reconhece que as civilizações, como todas as coisas, têm os seu graus de adiantamento. Por
isso a civilização que ora vivemos, embora mais complexa e moralmente mais adiantada do que outras no
passado, ainda corresponde a um estado de transição e, por conseguinte, como civilização transitória,
incompleta, engendra males especiais, cuja solução só o progresso moral da humanidade poderá
encontrar.

Em todo o caso, as civilizações, reflexo das organizações sociais que as compõem, adquirem uma
autonomia perigosa como macro-estruturas que limitam a capacidade transformadora dos homens. Todos
os seres nascem já inseridos numa estrutura, uma estrutura de hábitos, costumes, preconceitos, normas.
São poucos os que nelas educados conseguem libertar-se e corrigir o que não é compatível com o seu
progresso moral, com o progresso moral da sociedade e da civilização. Por isso dizia Rosseau (filósofo e
pensador político francês) que "o homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe". Não
queremos recuperar aqui o mito do "bom selvagem", mas, na verdade, as estruturas espartilhantes das
sociedades humanas, com o seu convencionalismo exterior constitui um problema ao normal
devenvolvimento do ser. Esse princípio estruturante, o qual não se adquire sem sofrimento, frustração e
dor, chamou-lhe Freud o "princípio da realidade", a partir do qual o ser é arrancado ao idílio do conforto
materno, da sua autonomia e independência para sentir a força constringente da macro-estrutura social.
Kardec acentua este problema, circunscrevendo-o com actual oportunidade: "... a educação moral
deficiente do homem, as suas leis, a organização social, tudo concorre para o seu egoísmo".

As leis humanas, a sua severidade penal que pune o mal praticado mas não atinge a raiz, são bem o
sintoma das deficiências naturais de uma civilização que não soube ainda encontrar os meios eficazes para
combater as suas chagas morais. Para Kardec, e na sua linha, para todos os que reflectem e procuram
solução para o mal-estar na civilização, só a "educação pode reformar os homens que assim não terão
mais necessidade de leis tão rigorosas". O ideal kantiano (Imannuel Kant, filósofo alemão) da lei moral na
consciência como tribunal supremo e imperativo regulador da acção humana faz aqui todo o sentido. Mas
qual é o tipo de educação que o Espiritismo preconiza? "... a educação não livresca, mas a educação moral
que consiste em formar carácteres (685a)". O carácter do homem, o mesmo a quem Kant concedia
importância extrema, é o centro da reflexão da filosofia espírita da educação. Como Kant, Kardec procurou
demonstrar que uma moral que não disciplina o carácter, corrigindo as más inclinações e cultivando a
solicitude, a bondade e o espírito de justiça, assente em princípios persuasivos de uma coerência e
racionalidade a toda a prova, não é uma moral adequada mas impositiva e destinada ao fracasso.

Para Kant, toda a ação moral praticada não espontaneamente, com a intenção de provocar alguma
satisfação no espírito de quem a pratica, ainda não é uma acção moral genuína, porém os espíritos
superiores, em resposta a Kardec (897) esclarecem: "não é sinal de inferioridade (...) emendar-se, vencer
as paixões, corrigir o carácter, visando aproximar-se dos bons espíritos". O ideal de uma moral autêntica,
que não se sabe como tal, é um ideal que Kant deveria reservar aos espíritos puros, não ao homem.

Até aqui, algo que Kardec já fazia sentir no seu tempo (Cf. comentário à questão 685a), a ciência
económica quis equilibrar as deficiências da civilização actual apenas por factores exteriores de ordem
económica, procurando estabelecer uma relação de equilíbrio entre o produto e o consumo; entretanto, as
filosofias economicistas não fizeram mais do que acentuar as carências sociais da civilização actual; a
euforia do "produto" gerou as economias de consumo, a estas seguiu-se a procura desenfreada do "lucro"
com os sucessivos atropelos aos direitos fundamentais da pessoa humana. O tecnocentrismo modificou o
conceito de educação, procurando apenas formar os "especialistas" para tarefas concretas na grande
engrenagem produtiva - o resultado está à vista: o homem mais infeliz, menos moralizado, menos capaz
de encontrar espaço para a sua criatividade vê-se subordinado a objectivos vivenciais que não são
escolhidos por si e, quando tem essa possibilidade, é arrastado para o que lhe pode proporcionar lucro
fácil, uma vida confortável, todavia, vazia... Desejar mais do que se pode ou deve ter (Cf. L.E. 862),
inaptidão para carreiras abraçadas (Cf. «O L. E.» 928.a) são alguns dos reveses acompanhados de
frustração e suicídio que uma educação correcta podia evitar.

Se queremos de facto dar alguma credibilidade aos esforços que cada um pode fazer para dominar as
suas más inclinações, modifiquemos o nosso comportamento, reformemos as nossas instituições. É
preciso lembrar que "É o contacto que o homem experimenta do egoísmo dos outros que o torna
geralmente egoísta, porque sente a necessidade de se pôr na defensiva. Vendo que os outros pensam em
si mesmos e não nele, é levado a ocupar-se de si mesmo mais que dos outros. (Cf. 917)".

Para Kardec a educação é a "arte que permitirá ultrapassar a desordem e a imprevidência (...) o ponto de
partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança para todos (Cf. comentário à questão
685a)". A Educação Espírita, educação fundada na compreensão das leis que regem todas as coisas no
Universo, dá-nos a imagem real do estado futuro do homem e é o garante da erradicação do egoísmo da
face da Terra, se bem vivida, bem entendido, compreendida e praticada.

Francisco Xavier de Almeida Marques

*Licenciado em Filosofia

História da Pedagogia Espírita

Os princípios da pedagogia espírita se encontram presentes na tradição filosófico-pedagógica ocidental,


desde Sócrates, com a sua prática da maiêutica, de extrair a luz espiritual de dentro do educando,
convocando-o a construir por si mesmo a sua perfeição moral e seu conhecimento do mundo e de si.
Liberdade, emancipação do homem e da criança, relação amorosa entre educador e educando,
engajamento do educador na transformação do indivíduo e da sociedade – são alguns aspectos dessa
linha que vem se constituindo no decorrer dos séculos no Ocidente – e que teve como representante
máximo a figura de Jesus.

Mais diretamente, porém, a pedagogia espírita remonta a três grandes precursores, Jan Amos Comenius
(1592-1670), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827). Rivail,
depois conhecido como Kardec, era discípulo de Pestalozzi, que recebeu influências de Rousseau e
Comenius. Esta descendência histórica nos faz encontrar o fio condutor que desemboca no espiritismo e,
portanto, na pedagogia espírita.

Kardec foi o herdeiro desta tradição pedagógica, transfundindo-a para o espiritismo, ao dar-lhe um caráter
eminentemente educativo. Segundo a filosofia espírita, a existência humana é um projeto educacional,
para a eternidade, pois a nossa meta é a perfeição. Caminhamos, nesta trilha evolutiva, construindo a nós
mesmos, experimentando ações, em liberdade, cooperando com a obra divina em nós e fora de nós.

Com um novo conceito de ser humano (como projeto inacabado, que deve ele mesmo aperfeiçoar) e um
novo conceito de criança (como ser reencarnado, herdeiro de si e dono de potencialidades únicas), Kardec
abre um novo rumo à educação do ser.
Entretanto, ele mesmo não teve tempo de adentrar mais claramente por uma proposta pedagógica
espírita – ele não conseguiu fazer o link entre os seus 30 anos de educador (e suas heranças
pestalozzianas) e a nova filosofia que estava fundando, a partir da ciência espírita. Apesar dos trechos,
clarões, em suas obras, em que aparece o educador fazendo afirmações eminentemente pedagógicas e
apesar do próprio espiritismo ter um caráter completamente educativo, Kardec não chegou a formular
uma pedagogia espírita.

Essa formulação caberia aos espíritas brasileiros. Podemos considerar dois marcos históricos da
constituição da pedagogia espírita no Brasil. O primeiro é a fundação do Colégio Allan Kardec, de
Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento (MG), em 1907. A proposta de uma escola de vanguarda, com um
educador afetivo, com uma educação livre e ativa, participativa e ética, com desenvolvimento do espírito
critico, científico e de uma profunda espiritualidade – tudo isso mostra claramente a pedagogia espírita no
seu primeiro e no seu melhor momento até agora. Contemporânea de Eurípedes, foi a educadora Anália
Franco, que fundou várias escolas no estado de São Paulo, apresentando alguns elementos que
apareceriam na proposta pedagógica espírita.

O segundo marco é a formulação teórica da pedagogia espírita – com a criação do termo – feita por José
Herculano Pires. O jornalista, filósofo e escritor paulista lança no início da década de 70, a revista
Educação Espírita, onde escreve vários artigos de grande alcance teórico e prático sobre uma nova
educação – a pedagogia espírita. Mais tarde, postumamente, seria publicado o seu livro Pedagogia
Espírita, (1985), reunindo todos os seus escritos sobre o assunto.

Contemporâneos de Herculano, cada qual desenvolvendo uma experiência à mesma época da revista
Educação Espírita, eram então o médico mineiro radicado em Franca (SP), Tomás Novelino, com seu
Educandário Pestalozzi e o militar espírita Ney Lobo, que inaugurou a cidade-mirim no Instituto Lins de
Vasconcellos (Curitiba).

Entretanto, esses pioneiros da prática e da teoria da pedagogia espírita fizeram seus trabalhos sem
maiores repercussões em suas respectivas épocas, permanecendo como focos de luz isolados da grande
massa do movimento espírita brasileiro, muito mais voltado ao assistencialismo do que à educação.

A partir de 1997, porém, reiniciou-se um novo período da pedagogia espírita, com o lançamento do livro A
Educação segundo o Espiritismo, de Dora Incontri, seguindo-se depois a defesa de sua tese de doutorado
na Faculdade de Educação da USP: A Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes historico-
filosóficas. (Depois editado pela Comenius). A partir de então, a história da pedagogia espírita se identifica
com a história da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, com seus cursos, projetos, congressos.

Pedagogia espírita

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A pedagogia espírita tem origem na tradição ocidental, que vem desde Sócrates e Platão, passando por
Comenius, Rousseau, Pestalozzi, antecessores diretos de seu sistematizador, o pedagogo francês Allan
Kardec, que solidificou esses princípios, evidenciando a existência do espírito e as suas múltiplas vidas.

Entretanto, foi no Brasil que a pedagogia espírita nasceu com este nome, com suas práticas e propostas.
A primeira escola espírita foi o Colégio Allan Kardec, em Sacramento (MG), fundada e dirigida pelo
educador Eurípedes Barsanulfo. Esta escola pode até hoje ser fonte de inspiração, dada a originalidade e a
vanguarda de suas práticas. A Pedagogia Espírita tem como principais teóricos e defensores o filósofo José
Herculano Pires e Dora Incontri, Pós Doutora em Filosofia da Educação.

Índice
[esconder]

• 1 Fundamentos
• 2 Princípios
o 2.1 O que a Pedagogia Espírita não é
• 3 Bibliografia

• 4 Ligações externas

[editar] Fundamentos

• Somos seres interexistenciais - temos uma dimensão espiritual;


• A criança é um ser reencarnado;
• A vida é um aprendizado permanente, rumo à perfeição;
• O objetivo da existência é o desabrochar dos germens divinos da alma;
• O processo de educação é sempre um processo de auto-educação;
• A função do Educador é despertar o impulso de auto-educação do educando. Essa relação
pedagógica, de ajudar o progresso do outro, sem imposição pode se dar em qualquer relação,
entre dois seres humanos.

[editar] Princípios

Pode-se reunir numa tríade os princípios da Pedagogia Espírita:

• A pedagogia da liberdade: em qualquer processo pedagógico, estamos lidando com um ser livre,
que deve aderir voluntariamente ao convite de evolução que lhe propomos.
• A pedagogia da ação: o indivíduo só aprende, agindo, experimentando, ensaiando (inclusive
errando). É na ação que o ser desenvolve suas potencialidades.
• A pedagogia do amor: o que deflagra o processo evolutivo é a lei do amor, presente em todas as
criaturas. A relação pedagógica deve ser de amor, pois só o amor toca as fibras divinas da alma e
desperta a vontade de evolução.

[editar] O que a Pedagogia Espírita não é

A Pedagogia Espírita não é catecismo espírita. Não se trata de fazer proselitismo, pois deve ser uma
pedagogia aplicável a qualquer ser humano, de qualquer tendência filosófica e religiosa. Kardec sempre
alertou para a necessidade de respeito à liberdade de consciência. Pode-se usar os princípios da
Pedagogia Espírita para ensinar o conteúdo espírita para aqueles que o desejarem, mas não
indistintamente, a qualquer um. Nesse sentido, a Pedagogia Espírita deve trabalhar com o ensino inter-
religioso, contextualizando o educando em todas as religiões e doutrinas filosóficas existentes.

Não é prática de educação tradicional, com uma aula de espiritismo por semana. É uma nova abordagem
de educação humana.

A Pedagogia Espírita não é um movimento sectário, autoritário e centralizado numa pessoa ou instituição.
Todos podem se embeber de seus princípios e praticá-los livremente. Ninguém tem o monopólio da idéia.

Pedagogia Espírita
Publicado por Voluntario em 02/8/2008 (276 leituras)
Gilmar Alves Barbosa

No início deste texto para embasamento do tema, buscamos no Dicionário Houraiss e Aurélio, para deixar
bem claro o que é Pedagogia, cuja definição é a seguinte:

Houraiss - Conjunto de métodos que asseguram a adaptação recíproca do conteúdo informativo aos
indivíduos que se deseja formar, utilizando método pedagógico especifico na reeducação, educação
especializada e na educação de crianças, jovens, adultos e da terceira idade.

Aurélio – Teoria da educação, conjunto de doutrinas e princípios que visam a um programa de ação,
estudo dos ideais de educação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios (processos e
técnicas) mais eficientes para realizá-los.

Preliminarmente as razões e fundamentos de uma pedagogia espírita, à primeira vista há quem julgue
estranho e até absurdo falar-se em Pedagogia Espírita, como se a Doutrina Espírita não fosse, no plano
filosófico, uma concepção de vida que se fundamenta num conceito superior de visão de mundo.

Na proposição da Pedagogia Espírita, como é analisada a controvérsia que se observa em algumas


correntes pedagógicas, isto é, enquanto algumas atribuem à pedagogia um sentido descritivo, limitando-a
ao estudo do caráter da educação, da realidade educacional, outras há que defendem o seu valor
normativo, qual seja, de expor não o que é a educação, mas o que deve ser educação?

A educação se define como estudo da Educação, análise do processo educativo, com a finalidade não só
de conhecê-lo, mas também de orientá-lo, graças à descoberta das leis que o regem. Sua definição mais
precisa, segundo nos parece, é a de teoria geral da educação. Distingue-se da Filosofia da Educação por
abranger todos os aspectos do processo educacional e penetrar no campo da prática. A pedagogia
aplicada implica os métodos pedagógicos, que são sistemas formulados artificialmente, com base nas
observações e investigações dos vários campos da atividade educacional. Implica ainda a utilização dos
dados da biologia, da sociologia, da psicologia, da ética e assim por diante, que fornecem à pedagogia as
informações necessárias sobre o educando. Atualmente a utilização de recursos tecnológicos enriquece o
campo das aplicações pedagógicas.

Como o Espiritismo se posiciona, conceitualmente, em face da afirmativa de que não existe senão uma
Pedagogia, cujo objeto é o estudo da educação, esclarecendo que o surgimento das diferentes
interpretações da pedagogia surgem do condicionamento da educação por fatores diversos: situação
histórica, concepções filosóficas, visão da vida e do mundo, progressos científicos e atitudes sociais e
políticas?

A Pedagogia Espírita – que surge de um imperativo da cultura espírita, que por sua vez faz com que
surjam escolas espíritas de todos os graus – distingue-se das várias Pedagogias religiosas e da chamada
pedagogia geral por incorporar os dados da ciência espírita. Esses dados são revolucionários por darem
uma visão inteiramente nova do homem e portando do educando.

O Espiritismo é a doutrina da educação por excelência. Essa doutrina não se contenta com a formação do
cidadão, do gentil homem, do erudito. Ela nos abre as perspectivas do infinito e pretende, como queria
Pestalozzi, fazer de cada criatura um espírito universal, preparando para a eternidade.

Só uma pedagogia espírita pode alcançar esses fins da educação, pois só ela pode fundar-se numa
filosofia geral que representa de maneira completa a realidade do mundo, da vida e do Ser.

Poderíamos, no campo sociológico, conhecer alguns dados importantes para a elaboração de uma
pedagogia espírita?

A educação espírita é um fato novo, uma nova forma de educação que surge na era tecnológica. Apesar
de originar-se de uma doutrina moderna, de bases cientificas e desenvolvimento filosófico, essa educação,
como todas as formas educacionais, em todos os tempos, surgiu numa determinada sociedade, por
exigências da vida prática. A propagação do Espiritismo em nosso país e na América, mas com maior
acentuação em nossa terra, propiciou a formação natural de uma nova subestrutura na sociedade
brasileira. Nenhuma sociedade se apresenta recheada, pois todas se estruturam em camada diversas da
população, em castas, estamentos e classe. Mas também as correntes religiosas fazem parte da estrutura
social e participam ativamente da sua dinâmica. Cada subestrutura constitui um espécie de mosaico na
formação da estrutura geral da sociedade. A educação espírita é um produto natural e espontâneo da
sociedade espírita. Figura, em nosso contexto, ao lado da educação Católica, Protestante, Judaica e
outras.

Os que estranham de falarmos em educação espírita e chegam às vezes ao cúmulo de censurar-nos, nada
mais fazem do que confessar de público a sua ignorância nesse campo básico da Cultura.

Gilmar Alves Barbosa: Natural de Divinopólis-MG, advogado, palestrante . Ex-presidente da Aliança


Municipal Espírita - AME, ex-presidente do Centro Espírita Estudantes do Evangelho, integrante e
coordenador do GEEC - Grupo Educação, Ética e Cidadania. E-mail : gilmaralves@adv.oabmg.org.br

Frases e Pensamentos de Santo Agostinho:

- "Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois você irá perder
um amigo. Porém, se dois estranhos pedirem a mesma coisa, aceite, pois você irá ganhar
um amigo."
- "Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos sobre
a natureza."
- "Certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz
respeito a buscar o prazer e evitar a dor."
- "Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos
evangelhos que você crê, mas em você."
- "Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em
que você acredita."
- "A pessoa que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar."
- "A confissão das más ações é o passo inicial para a prática de boas ações."
- "A verdadeira medida do amor é não ter medida."
- "Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é
sadio."

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão

Paulo Freire

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A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tam pouco a sociedade muda.
Paulo Freire

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Mudar é dificil mas é possivel

Paulo Freire

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Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque
amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.

Paulo Freire

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A humildade exprime, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a
ninguém.

Paulo Freire

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É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado
momento, a tua fala seja a tua prática.

Paulo Freire

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A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e
aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.

Paulo Freire

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Verdades da Profissão de Professor


Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem
bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos
mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que
esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio
social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu
trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas
atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores,
fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios,
nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação
sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.

Paulo Freire

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O ANJO SEM ASAS


Autor: Vaumirtes Freire – O Poeta do Silêncio
( 23/04/2007 )

Deus enviou à terra, assim como muito outros, um de seus anjos mais amados, porém a este não
entregou suas asas. Ele teria que consegui-las sozinhas durante sua missão terrena, depois
voltaria ao céu.
Na terra o anjo cresceu n uma família feliz e desde pequeno já sorria quando olhava o vôo dos pássaros
no infinito. Aos poucos foi construindo um mundo de paz e de sonhos e foi assim que começou a
confeccionar as suas asas para voar. Eram asas de metais e sempre que queria conversar com seu Pai
Celestial saía voando com suas asas mecânicas sobre os rios, cidades, serras e oceanos.
Era tão grande o seu amor pelo vôo que Deus resolveu colocar em seus olhos dois pedaços azuis do céu.
Ele vivia no seu dia a dia a fazer amigos, distribuindo bondade e sorriso por onde passava e aos poucos se
tornava bastante querido por todos que o conheciam, mas o que mais gostava era de voar, voar bem alto
todos os dias...e por enquanto voava com suas asas de metal.
Ao cumprir sua missão aqui na terra, ele não sabia que a cada bondade sua Deus colocava uma pena a
mais na confecção de seu par de asas. E como não sabia deste critério, ele mesmo fabricava suas asas
mecânica cada vez mais modernas a ponto de um dia, quem sabe levá-la de volta ao céu- pensava.
Durante seus vôos ele fazia favores para amigos, parentes e até simplesmente para pessoas que apenas
conhecia pelo caminho. Tinha o dom de fazer amigos e era isso que, sem que ele soubesse, acelerava
mais ainda a fabricação de suas próprias asas.
O tempo passou e numa manhã, quando faltava somente uma pena para que Deus terminasse de
confeccionar as asas e colocá-las em seu anjo, este voava debaixo de um temporal que caiu de repente
sobre a bela cidade que ele tanto amou e tanto admirou em seus passeios alados.
A chuva tornava difícil o vôo, mesmo assim ele estava seguro, pois sabia que era anjo, no entanto, levava
consigo sua alma gêmea, aquela a quem mais amou e que escolheu para ser a mãe de seus três maiores
tesouros, então, esquecendo de si mesmo, fez de tudo para salvá-la e não abandonou um só momento
sua outra metade.
Esta grande prova de amor por parte do anjo foi suficiente para que Deus terminasse de confeccionar
suas asas, que de imediato surgiram nas suas costas segundos antes da ultraleve chocar-se contra a
parede de um edifício.
Ninguém viu, mas ainda deu tempo do anjo abandonar seu corpo já sem vida e proteger com suas asas
aquela a quem mais amou e continuará amando na eternidade.
Assustado ele a viu desmaiada em seus braços, quando policiais chegavam para socorrê-la, mas Deus o
conformou: Calma, ela apenas dorme. Veja você conseguiu suas asas ao doar sua própria vida para salvá-
la. Cumpriu pois sua missão e já pode voltar. Mas sei do seu pensamento e vou lhe conceder um pedido,
completou Deus sorrindo.
- Deixe-me continuar ao lado de minha família, falou.
E Deus concedeu o seu pedido, porém, o tornou invisível como todos os outros anjos da guarda.
Hoje, Maurocélio, não voa mais no seu ultraleve, pois agora tem suas próprias asas. Não o vemos mais,
mas com certeza está voando em silêncio por aí, protegendo a todos aqueles
a quem continuará amando eternamente.
_____________________________________________________________________________
Crônica escrita por Vaumirtes Freire, o poeta do silêncio, In memória de Maurocélio, um anjo sem asas
que voava entre nós, e que numa manhã chuvosa tornou-se invisível para continuar sua missão de anjo
da guarda. Durante sua vida terrena nunca quis os holofotes dos palcos, nem os aplausos dos amigos a
quem tanto serviu, viveu sempre nos bastidores, invisível como um anjo, a plantar sementes de bondade
e conquistar amigos, que se fizeram presentes às centenas no instante em que ele finalmente recebeu
suas asas para voar como sonhou um dia...
* Maurocélio partiu para a vida eterna em abril de 2007 após uma queda de ultraleve quando passeava
sobre os céus de Sobral,ce numa tarde chuvosa com sua esposa, que sobreviveu a queda, graças a
atitude do seu anjo sem asas.

Vaumirtes Freire O Poeta do Silêncio


SONHOS E DÚVIDAS

Imaginação é mais importante que conhecimento. Albert Einstein

A distância entre imaginação e realidade não é muito grande. A sua


imaginação - preciosa dádiva de Deus - tem uma grande capacidade e poder
de dirigir e influenciar as coisas que estão presentes em sua vida.
Portanto, se isto é verdade, então por que é que tantas coisas que você
deseja e imagina obter nesta vida ainda não aconteceu?

Isso ocorre porque ao lado das coisas positivas que você imagina, você
também imagina medo e dúvida na quase total proporção. Os seus sonhos,
menos suas dúvidas, igual sua realidade. Para fazer um real progresso na
sua vida, ou você faz com que as suas dúvidas diminuam ou faça com que
os seus sonhos sejam bem maiores.

À medida que você prossegue vivendo, a tendência é de sempre a sua


imaginação assumir a liderança da sua vida. Pergunta: a sua imaginação
tem sido dominada pelo medo e dúvida ou pela coragem, confiança e
determinação? Tome a decisão de trazer à sua imaginação as coisas boas e
valiosas e com tal paixão a ponto de superar os medos e duvidas que você
porventura possa ter. Como resultado você se verá em muito breve vivendo
a realidade dos seus mais acalentados tesouros.

Medite:

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Lamentações 3:21

"Nada está fora do poder da oração, exceto o que está fora da vontade de Deus."

ue aqui se dispuserem a adentrar e freqüentar.

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

O dom de ensinar

Não há quem não mude seu modo de ser e pensar, ao olhar o bom exemplo de um estimado
instrutor, seja pai, professor.

Um mestre é todo aquele que se dedica e prontifica-se ao engrandecimento de almas.


Mostra através de exemplos fortuitos colhidos na sua vida e em tudo que aprendeu na existência como
poderá ser feito diferença a torrente de idéias velhas e ineficazes. Traz consigo no íntimo a vontade de
entregar um mundo melhor a quem o suceder. Ao educarmos um filho, o título de pai, mãe, é dado a
todos, mas, no entanto, as qualidades de amigo, mestre e exemplo irretocável é somente buscada e
adquirida por alguns. Temos durante esse período de vida a oportunidade de escolher o grau de ligação
existente entre ambas.

“Outra coisa não faço senão andar por aí persuadindo-vos, moços e velhos, a não
cuidar tão aferradamente do corpo e das riquezas, como de melhorar o mais possível a
alma, dizendo-vos que dos haveres não vem a virtude para os homens, mas da virtude
vêm os haveres e todos os outros bens particulares e públicos.” Sócrates.

O professor não pode só pensar em ser um modelo durante o período escolar da vida de seus alunos. Ele
é e será o parâmetro do aprendiz por todo o tempo. Sempre estará na memória do principiante cidadão
como a retidão de caráter necessária, o exemplo nato dos bons conselhos.
Devido ao fato de que será através do que ele absorve e estuda que se completará sua missão. Viver
interiormente as lições e com a autoridade recebida pela incumbência da vivência, se mostrará ainda mais
afeito ao seu mister de elevado grau na vida do pupilo.
Um pai, ao receber em seus braços a dádiva de transformar a matéria, dar luz ao ser, não pode imaginar
que só isso, além dos cuidados básicos, estará completando a sua missão.
A amizade, o ensinamento de conduta e moral são fatores indispensáveis ao novo homem que surge. Será
através dele que o mundo futuro se modificará. Com exemplos retos e moral elevada observaremos o
início da retomada para um mundo melhor.
Não há quem não mude seu modo de ser e pensar, ao olhar o bom exemplo de um estimado instrutor,
seja pai, professor.
É através da erudição, primeiro de si e do mundo que o homem consegue ir além, do contrário, apenas
sobrevive o tempo necessário e devido. Não consegue nem trabalhar as suas menores formas de pensar,
é a cegueira do conhecimento.
“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant
Há uma visão totalmente errônea na hora de ensinar que determina padrões fixos e acaba relegando o
indivíduo ao múltiplo. Se assim fosse, todos teríamos íntimos iguais, sem restrições e distinções. Isso não
ocorre, então é notório que cada um deve receber uma educação diferenciada, com aferições constantes
as mudanças de cada um.

PERFEIÇÃO MORAL
Escreve: Elio Mollo

Diz a Espiritualidade em «O LIVRO DOS ESPÍRITOS», no capítulo que trata da Perfeição Moral, Virtudes
e Vícios, que muitas vezes as qualidades morais são como a douração feita num objeto de cobre, que não
resiste a pedras de toque. Pode um homem possuir reais qualidades que o apontam ao mundo como um
homem de bem? Mas, posto seja um progresso, nem sempre essas qualidades resistem a certas
provas, e por vezes, basta tocar a corda do interesse pessoal para o pôr a descoberto.

Emendar-se, vencer as paixões, corrigir o caráter, visando crescer espiritualmente e com a intenção de
colaborar com Deus e a Humanidade desinteressadamente: Eis, um procedimento sensato, pois não há
nenhum egoísmo em melhorar-se tendo em vista aproximar-se de Deus, pois esta é a meta para a qual
todos nós tendemos..

Sempre que nos dedicarmos a um estudo sistemático, estaremos seguindo o caminho do bem já que, a
par de nos instruirmos – e por conseguinte trabalharmos por nosso progresso individual -, estaremos
indiretamente contribuindo para o progresso dos que nos cercam e, em última análise, de toda a
humanidade – e isto está conforme à lei natural do progresso que nos direciona para a perfeição.

Neste caminho da perfeição censurar defeitos alheios não é uma boa atitude, pois nenhum de nós
dispõe de faculdades completas; e é pela união social que nos completamos, asseguramos
nosso próprio bem-estar e progredimos. Antes de qualquer censura a alguém, devemos refletir de
como agiríamos se estivéssemos no lugar daquele que desejamos censurar. Este proceder nos levará a
compreender melhor a psicologia humana, buscando formas de nos educarmos mutuamente, inclusive
analisar o nosso proceder e corrigir possíveis defeitos que ainda existem em nós. Este procedimento
também é um meio de crescermos espiritualmente.

Se desejamos provar nossa capacidade, só existe uma maneira de fazê-lo, é através do exemplo.

Diz Alexandre Rangel, especialista em processos de qualidade empresarial, in Artigos/Qualidade da


Rádio Bandeirantes, que Napoleão Bonaparte sem dúvida foi um dos maiores líderes que este mundo já
conheceu. Certa vez, seu exército estava se preparando para uma das maiores batalhas.

As forças adversárias tinham um contingente três vezes maior que o seu, além de um equipamento muito
superior. Napoleão avisou seus generais de que ele estava indo para a frente de batalha e estes
procuraram convencê-lo a mudar de idéia:

- Comandante, o senhor é o império! Se morrer, o império deixará de existir. A batalha será muito difícil.
Deixe que nós cuidaremos de tudo. Por favor, fique. Confie em nós.

Tudo em vão, não houve nada que o fizesse mudar de idéia. No meio da noite, o general Junot, um de
seus brilhantes auxiliares e também amigo, procurou-o e, de novo, tentou mostrar o perigo de ir para a
frente de batalha.

Napoleão olhou-o com firmeza e disse:

- Não tem jeito, eu vou.


- Mas por quê, comandante?

E ele respondeu...

- É mais fácil puxar do que empurrar! Servir de exemplo não é a melhor forma de ensinar; é a única
forma de ensinar!

Não merece repreensão aquele que sabe, por suas ações, estar fazendo o bem, desde que seu intuito é o
de pesar suas ações na balança de Deus, e sobretudo na Sua lei de justiça, amor e caridade, para dizer a
si mesmo se suas ações estão no objetivo correto. O que não é racional é se envaidecer, pois significaria
que tudo o que fez cairia por terra, já que essa atitude seria uma demonstração que em si ainda há o
egoísmo.

Em L.E., q. 913, os Espíritos superiores dizem que o vício que podemos considerar como sendo o
mais pernicioso é o egoísmo, pois é dele que deriva todo o mal e, se estudarmos a fundo todos os
vícios que possuímos, em todos eles existe o egoísmo.

Podemos lutar de todas as formas para tentar tirar qualquer um de nossos vícios, mas só iremos
extirpar o egoísmo quando o atacarmos na sua raiz e destruirmos sua causa, pois quem nesta
vida desejar se aproximar da perfeição deve extirpar de si todo o sentimento de egoísmo,
porque ele é incompatível com a lei de Justiça, amor e caridade. Aliás, o egoísmo anula todas as
outras qualidades.

Muitos de nós podemos alegar que o nosso mundo é dominado pelo egoísmo, por isto a dificuldade em
extirpá-lo. A isto podemos dizer que, se cada um de nós trabalhar sua transformação íntima, procurando
uma forma de se melhorar, a intensidade desse vício tenderá a diminuir e o mundo melhorar. Caso
contrário será necessário que ele cresça mais ainda para que faça danos consideráveis para se
compreender a necessidade de sua extirpação, daí a escolha é de cada um de nós.

Realmente, podemos admitir que o egoísmo é muito difícil de se erradicar - pois está ligado à influência
da matéria - e que ainda estamos muito próximo de sua origem mas, com certeza, ele se enfraquecerá
com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo com a compreensão de
doutrinas como o Espiritismo, que nos fazem entender melhor nossa condição futura.

Conforme ensinamentos de Sócrates e Santo Agostinho, in LE 919a: O autoconhecimento é a chave do


melhoramento individual, pois permite que alinhemos nossas ações e pensamentos na direção das
correções que necessitamos realizar, e assim, ajustar nossos atos de acordo com os ensinamentos dos
grandes Mestres que estiveram na Terra, em especial o Mestre Jesus, tanto em relação a Deus, como em
relação ao nosso próximo.

Este processo é árduo; assim, necessitaremos de muita coragem e determinação para realizá-lo, mas
através do esforço próprio e de exercícios repetidos na direção das boas causas, iremos
sedimentar em nós o próprio bem. Deus sempre nos assiste e auxilia, mas devemos fazer a nossa
parte se desejamos verdadeiramente melhorar e assim colaborar com a construção de um mundo novo e
melhor.

Artigo com base no Livro terceiro, cap. XII de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obra codificada por Allan
Kardec

Colaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palhas

***

O homem de bem - Os bons espíritas


Allan Kardec in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, livro terceiro, cap. XII, q. 918 e
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, cap. XVII. itens 3 e 4

O homem de bem

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior
pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei,
se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser
útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão
nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as
aceita sem murmurar.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga
alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus
interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas
lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos
outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O
egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de
crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.

Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a
outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de
alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a
pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a demência do Senhor.

Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as
ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente
esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado."

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê


obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal...

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços


emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés,
todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.

Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado
pode ser-lhe tirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de
prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas
paixões.

Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque
são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar
com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se
encontram.

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los
conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9.)

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da
Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.

Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se
esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.

Os bons espíritas
Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo conduz forçosamente aos resultados
acima, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois um e outro são a mesma
coisa. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a
prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as conseqüências,
nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma
falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a
falsas interpretações. A clareza e da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir
direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer
segredo, oculto ao vulgo.

Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens
de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo,
apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes.
Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem,
enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do
senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao
desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encamado.

Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das
coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem
facilmente com os seus pendores nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do
que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem
pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz,
insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações.
Atêm-se mais aos fenômenos do que a moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos
que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de
penetrar Os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho
ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então
guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a
aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra
existência.

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de
adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma
percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se
conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual
músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o
verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas
inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma
coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.

***

Algumas sugestões de Benjamin Franklin em sua Autobiografia, tais como escreveu e na ordem que lhes
deu:

Temperança – Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.

Silêncio – Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.

Ordem – Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.

Resolução – Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.

Frugalidade – Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja, nada
desperdice.

Diligência – Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade
desnecessária.

Sinceridade – Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de
acordo.

Justiça – A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.
Moderação – Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o
merecem os injuriantes.

Asseio – Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.

Tranqüilidade – Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.

Castidade – Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o
enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.

Humildade – Imite Jesus e Sócrates.