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Sobre “Eros e Civilização” de H. Marcuse. Cap. 9: A Dimensão Estética.

Profª. Imaculada Kangussu. UFOP-MG.


Aluno: Juliano Gustavo Ozga.
Filosofia UFSM-UFOP.

Na primeira inferência, H. Marcuse defende a abordagem da dimensão estética “tal


como a imaginação, que é a sua facauldade mental constitutiva, o reino da estética é
assencialmente “irrealista””. Aqui se evidencia o papel da estética no domínio da realidade,
onde para efeitos do princípio de desempenho, com base na razão teórica e prática, a
existência com base em valores estéticos está condenada.
Porém o objetivo é evidenciar que a noção de estética a ser criticada é resultado de
um repressão cultural de conteúdos e verdades, que são considerados inimigos do princípio
de desempenho, e por isso a conotação negativa dos valores estéticos.
Através da faculdade do julgamento, sendo essa mediadora entre o entendimento e
a vontade relacionado com o sentimento de dor e prazer, no qual, o julgamento é estético
ao ser combinado com o sentimento de prazer e seu campo de atuação é a arte.
No entanto, essa mediação torna a função estética simbólica, ao passo que o belo
simboliza o reino da liberdade ao demosntrar de forma intuitiva a realidade da liberdade,
onde a demosntração é indireta, simbólica, per analogiam.
Disso decorre o fato de ser possível pensar o conteúdo representativo das imagens
órficas e narcisistas sendo uma “reconciliação erótica do homem e da natureza na atitude
estética, onde a ordem é a beleza e o trabalho é a atividade lúdica”.
Em referência à percepção estética, que é essencialmenbte intuição, infere-se sua
qualidade de sensualidade e sua conotação subjetiva, também havendo o aspecto receptivo
e criador da imaginação estética, onde “a sensualidade gera princípios universalmente
válidos para um ordem objetiva”, onde as duas principais categorias dessa ordem são a
“intencionalidade sem intento”, definidora da estrutura do belo, e “legitimidade sem lei”,
definidora da estrutura da liberdade.
A elaboração de uma forma do objeto na representação estética é para Kant a
“intencionalidade sem intento”, no qual o objeto e o mundo da razão prática e teórica são
desconectados, onde o objeto torna-se o ser livre em função do livre jogo da imaginação,
sendo que “ a ordem da beleza resulta da ordem que governa o jogo da imaginação”, ao
passo que a dimensão estética, para Kant, “é o meio onde os sentidos e o intelecto se
encontram”, e a sua função mediadora é desempenhada pela faculdade estética.
Em outra perspectiva, Schiller apresenta o caráter impulsivo, instintivo da função
estética, sendo esse o conteúdo o fornecdor do material básico para a ciência da “cognição
sensitiva”, ou melhor, “uma lógica das faculdades cognitivas inferiores”, onde o termo
sensualidade, entendido como cognição sensitiva, é libertada através da sua reconciliação
com a razão, sendo essa a noção central da concepção estética idealista clássica.
Uma distinção deve ser feita em relção ao termo impulso sensual, sendo esse
passivo e receptivo, ao passo que o impulso formal é ativo e dominador, donde decorre a
conclusão de que “a cultura é um produto da combinação e intereção desses dois
impulsos”, onde Schiller apresenta um terceiro impulso mediador, i.e., o impulso lúdico,
caracterizado por objetivar a beleza e tendo por finalidade a liberdade, que posteriormente
será abordado como um problema político, onde o objetivo da solução desse problema é “a
libertação do homem das condições existenciais inumanas” e o veículo dessa libertação é o
impulso lúdico.
Assim a função estética ao ser concebida como universal, é considerada um
princípio que governa toda a existência humana, onde “a cultura estética pressupõe uma
“revolução total no modo de percepção e sentimento”, e tal revolução só se torna possível
se a civilização tiver atingido a mais alta maturidade física e intelectual”, sendo o impulso
lúdico um princípio da civilização que transformará literalmente a realidade.