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ANÁLISE DE

INVESTIMENTO
Análise de
investimentos

Leuter Duarte Cardoso Jr


Regis Garcia
Regiane Alice B. Moraes
Regina Lucia Sanches Malassise
© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Cardoso Júnior, Leuter Duarte


C268a Análise de investimento / Leuter Duarte Cardoso
Júnior, Regis Garcia, Regiane Alice Brignoli Moraes,
Regina Lúcia Sanches Malassise – Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S. A., 2015.
192 p.

ISBN 978-85-8482-110-5

1. Financeiro. 2. Engenharia Econômica. I. Garcia,


Regis. II. Moraes, Regiane Alice Brignoli. III. Malassise,
Regina Lúcia Sanches. IV. Título.

CDD 332
Sumário

Unidade 1 | Metodologia de cálculo financeiro 9


Seção 1 - Taxa de juros simples e compostos 13

1.1 Juros 13
1.2 Taxa de juros 13
1.3 Juros simples 14
1.3.1 Modificações algébricas na fórmula juros simples 16
1.4 Juros compostos 17
1.4.1 Modificações algébricas da fórmula juros compostos 19
1.5 Taxas equivalentes e efetivas 22
1.5.1 Taxas equivalentes 22
1.5.2 Taxas efetivas 24
1.5.3 Taxa over 25

Seção 2 - Números índices e taxas nominais e reais 27

2.1 Números índices 27


2.2 Índice de laspeyres 27
2.3 Índice de paasche 28
2.4 Índice de fischer 29
2.5 Índices de inflação 30
2.5.1 Determinação das taxas de inflação 32
2.6 Taxas nominais e reais 35

Unidade 2 | Interpretação e análise das 42


demonstrações financeiras

Seção 1 - Estrutura das demonstrações financeiras 53


1.1 Demonstrações obrigatórias 53
1.2 Balanço patrimonial 55
1.3 Demonstração do resultado do exercício 60
1.4 Demonstração do resultado abrangente – DRA 63
1.5 Demonstração das mutações do patrimônio líquido 64
Seção 2 - Análise dos indicadores econômicos e financeiros 67

2.1 Indicadores econômicos 67


2.2 Margem operacional 69
2.3 Margem EBTIDA 70
2.4 Margem líquida 71
2.5 Margem sobre o patrimônio líquido 71
2.6 Indicadores financeiros 71
2.7 Liquidez geral 73
2.8 Liquidez corrente 74
2.9 Liquidez seca 74
2.10 Endividamento do capital próprio
75
2.11 Indicadores de atividade 76
2.12 Prazo médio de recebimento
76
2.13 Prazo médio de pagamento
77
2.14 Giro dos estoques 77

Seção 3 - Avaliação do desempenho e geração de valor 79

3.1 Avaliação de desempenho 80


3.2 Alavancagem financeira e gestão baseada no valor 85

Unidade 3 | Administração financeira a curto prazo 94


Seção 1 | Capital de giro 99
1.1 Conceito de capital de giro 99
1.2 Definições sobre o capital de giro 100
1.2.1 Ativo circulante 101
1.2.2 Capital circulante líquido 102
1.2.3 Capital de giro próprio (CGP) 104
1.2.4 Capital imobilizado líquido 104
1.3 Administrando o capital de giro 106
1.4 Ciclo operacional 108
1.5 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro 111

Seção 2 | Demonstração do fluxo de caixa 115

2.1 Fluxo de caixa 115


2.2.1 Equivalente de caixa 117
2.2.2 Evidenciação do equivalente de caixa nas NE 117
2.2.3 Atividades operacionais 118
2.2.4 Atividades de investimento 119
2.2.5 Atividades de financiamento 120
2.2 Caixa e equivalente de caixa 115
2.3 Métodos de elaboração 121
2.4 Método direto 122
2.5 Método indireto 126
2.6 Valor presente líquido de um fluxo de caixa 128
2.7 Método de avaliação payback 129
2.8 Taxa interna de retorno modificada 130
2.9 Payback simples 131
2.9.1 Payback descontado 132

Seção 3 | Gestão de contas a receber 135

3.1 Gestão de crédito a receber 135


3.2 Gestão de crédito 136
3.3 Instrumentos de créditos 139

Unidade 4 | Fundamentos da engenharia econômica 147


Seção 1 - Engenharia econômica e desenvolvimento 151
1.1 A busca pelo desenvolvimento econômico 151

Seção 2 - Métodos utilizados em engenharia econômica 157


2.1 Método do valor presente líquido 158
2.2 O método do valor futuro líquido (vfl) 164
2.3 Método do valor uniforme líquido– vul 166
2.4 Método da taxa interna de retorno (TIR) 167
2.5 Método do benefício custo 170
2.5.1 Descrição do método 170

Seção 3 - Revisando a análise de balanço 177


3.1 Demonstração do resultado do exercício 178
3.2 Índices 178
3.3 Índices de solvência 179
3.3.1 Índice de liquidez corrente 179
3.3.2 Índice de liquidez seca (LS) 180
3.4 Capacidade de pagamento a longo prazo 181
3.4.1 Índice de liquidez geral (LG) 181
3.4.2 Índice de liquidez imediata 182
3.4.3 Endividamento geral 183
3.4.4 Composição Do Endividamento – CE 184
3.4.5 Garantia dos capitais de terceiros – GT 184
3.4.6 Imobilização do capital próprio – ICP 185
3.5 Indicadores de rentabilidade 186
3.5.1 Margem de lucratividade das vendas 186
Apresentação
As ciências empresariais são um conjunto de conhecimentos e estudos
organizados, que permitem a gestão eficiente dos negócios. Desta forma, a
Análise de Investimentos é uma área que compõe o leque de estudos das ciências
empresariais.

Na Análise de Investimentos busca-se compreender e analisar as demonstrações


financeiras através dos métodos de avaliação da viabilidade de investimentos e
gestão de projetos. Neste contexto procede-se à análise financeira de curto e
longo prazo, busca-se compreender as demonstrações financeiras para poder
indicar como estas podem ser utilizadas no processo de tomada de decisão.

Neste sentido, nesta obra, você terá a oportunidade de conhecer as diferentes


metodologias de apuração dos indicadores financeiros e formas de análise
de projetos. São contemplados temas como: análise financeira a curto prazo,
interpretação e análise das demonstrações financeiras, fundamentos da engenharia
econômica e metodologias de cálculo dos indicadores financeiros. Para uma maior
compreensão destes temas o livro está organizado em quatro unidades.

Na Unidade 1 estuda-se a composição e cálculos financeiros inerentes às


atividades produtivas e financeiras e, além disso, serão estudados números índices
e taxas nominais e reais. Logo, a proposta será compreender a dinâmica de cálculo
financeiro dos juros simples e compostos, a determinação das taxas de inflação,
números índices e cálculos de taxas reais e nominais.

Na Unidade 2 estudam-se as demonstrações financeiras, reforçando a


análise destas informações como instrumentos de apoio à tomada de decisões
empresariais. Desta forma verifica-se como as análises econômicas e financeiras
aplicadas sobre estas poderão melhorar a capacidade decisória dos usuários das
demonstrações.

Na Unidade 3 estudam-se, a partir da seleção das demonstrações financeiras, as


técnicas de análise ou métricas que contribuem para um acompanhamento eficaz
das operações e ajustes para ações futuras. Destacam-se também as questões
de geração de valor que devem permear as decisões organizacionais, uma vez
que a partir de uma escolha, é possível colocar a organização em um caminho
promissor ou, de outra forma, comprometer sua continuidade gerando atividades
que desagregam valor.
Na Unidade 3, você será levado a aprofundar seus conhecimentos sobre análise
de investimento a curto prazo, abordando o conceito de capital de giro que
influencia o ativo circulante de uma empresa. Obterá conhecimento em análise de
investimento usando a Demonstração do Fluxo de Caixa e também compreenderá
alguns aspectos de uma gestão de contas a receber e política de crédito.

E na Unidade 4 estudam-se as noções básicas de Engenharia Econômica


entendida como uma área que recorre a elementos de matemática financeira
e contábil como complemento à análise econômica de projetos e opções
de investimentos.
Unidade 1

METODOLOGIA DE
CÁLCULO FINANCEIRO
Leuter Duarte Cardoso Jr

Objetivos de aprendizagem:

Estudar sistemas de capitalização simples e compostos.

Conhecer os sistemas de cálculos que podem derivar da


capitalização composta.

Estudar por meio de exemplos práticos os sistemas de capitalização.

Estudar os principais números índices.

Determinar taxas de inflação.

Compreender como se calculam taxas nominais e reais.

Aplicar os conhecimentos desta seção a casos práticos.

Seção 1 | Taxa de juros simples e compostos

Esta é uma seção para estudar a forma pela qual se calculam as taxas
de juros simples e compostos. Os conteúdos desta seção servirão de
base para algumas análises na seção 2, uma vez que as convenções de
cálculo para juros compostos podem ser empregadas em outros cálculos
financeiros.

Seção 2 | Números índices e taxas nominais e reais


A Seção 2 terá como objetivo central determinar as taxas de inflação
por meio dos números índices e, posteriormente, calcular as taxas reais e
nominais e, também os valores monetários nominais e reais.
U1

12 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Introdução à unidade

Nesta unidade serão estudados conteúdos ligados a cálculos financeiros inerentes


às atividades produtivas e financeiras e, além disso, serão estudados números índices
e taxas nominais e reais. Logo, a proposta será compreender como é a dinâmica de
cálculo financeiro.

Com a ideia do que será estudado nesta unidade, podemos apresentar inicialmente
as propostas de estudos, que são: verificar como podemos calcular juros simples e
compostos em operações no mercado financeiros; determinar taxas de inflação por
meio dos números índices para determinar as taxas nominais e reais existentes do
mercado financeiro.

Desta forma, leitor e estudante, aproveite esta unidade de estudo para compreender
os fundamentos elementares de cálculo financeiro e, com isso empregar estes
conhecimentos em suas atividades acadêmicos e/ou profissionais, uma vez que é
de extrema relevância ter estes conhecimentos para as suas atividades presentes ou
futuras na área da gestão de negócio.

Metodologia de cálculo financeiro 13


U1

14 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Seção 1

Taxa de juros simples e compostos


Nesta seção, a ideia será compreender como se pode capitalizar valores a partir
de juros simples e compostos e por meio destes sistemas de capitalização conhecer
outros métodos que podem derivar deles.

Conhecer o funcionamento do sistema de capitalização simples e composta é


importante para se compreender o rendimento dos capitais no mercado financeiro.
Todavia, é relevante destacar inicialmente que o mercado financeiro utiliza apenas a
capitalização composta para a maioria das suas operações, porém serão apresentados
os juros simples como fase introdutória para conhecer os juros compostos.

1.1 Juros
Podemos entender juros como a remuneração de um capital empregado em
uma atividade produtiva ou financeira. Deste modo, quando um investidor aplica
uma determinada quantidade de capital em banco e recebe no futuro a quantidade
inicial aplicada mais uma remuneração, podemos entender que esta remuneração
foi o juro sobre o capital que o investidor recebeu.

1.2 Taxa de juros


A taxa de juros nada mais é do que a taxa que irá incidir sobre um capital inicial
para gerar um monte de capital no futuro. Por exemplo, um investidor aplicou
$ 1.000 em um título bancário por 12 meses e no final deste período recebeu $
100,00 na forma de juros, ou seja, a taxa de juros foi de 10% sobre o capital. Deste
modo, o montante final de capital é $ 1.100.

Para encontrar a taxa de juros no exemplo mencionado acima utilize o


seguinte método: Taxa de juros = (Juros/ capital inicial) * 100.
A taxa de juros sempre é em percentual, por isso sempre se multiplica
um resultado absoluto por 100.

Metodologia de cálculo financeiro 15


U1

1.3 Juros simples


Os juros simples sempre são calculados sobre o capital inicial. Logo o valor de
referência para encontrar o valor dos juros simples será o capital inicial investido
ou aplicado em uma atividade produtiva ou financeira.

Em um regime de juros simples o valor dos juros estará em função do capital


inicial investido (ou ainda o chamado valor presente) e também do período de
tempo em que o capital é aplicado sob o regime de juros simples. Deste modo, o
crescimento dos juros é linear.

Considerando a ideia de crescimento linear dos juros, podemos exemplificar


alguns casos para aprofundar o entendimento do regime de juros simples.

Exemplos:

A) Taxa de juros simples em função do período de tempo:


2% ao mês = 24% ao ano
1% ao mês = 6% ao semestre
3% ao dia = 90% ao mês

B) Suponha uma situação em que um investidor aplicou $ 2.000 em certificado


de depósito bancário (CDB) por um período de 2 anos a uma taxa de juros de
5% a.a. (ao ano). Assim, qual será o valor dos juros no vencimento de 2 anos,
considerando que esta aplicação foi sob um regime de juros simples?

Fórmula: J = Pv . i. n

Onde:

J = juros
Pv = valor presente
i = taxa de juros
n = período de tempo
J = (2.000).(0,05).(2) = $ 200,00

Ou

1º Ano:
J = (2.000).(0,05) = $ 100,00
2º Ano:
J = (2.000).(0,05) = $ 100,00

2º Ano:

J = (2.000).(0,05) = $ 100,00
Montante de Juros (2 anos) = Juros 1º Ano + Juro 2º Ano = $ 100,00 + $
100,00 = $200

16 Metodologia de cálculo financeiro


U1

O montante final de juros é igual a $ 200,00 para aplicação financeira do


investidor. Além disso, note que o valor dos juros do primeiro ano é igual ao do
segundo ano, uma vez que o regime de juros simples é linear, logo o valor dos
juros é igual para todos os períodos.

Quando a taxa de juros é aplicada na fórmula de juros simples ou em


qualquer outra fórmula, ela deverá ser sempre dividida por 100, uma
vez na fórmula, só se utilizam valores absolutos.

Cabe ressaltar que o período de tempo para um investimento deverá ser igual
ao período de tempo da taxa de juros para efeitos de cálculo dos juros simples
e também para juros compostos (os fundamentos de juros compostos iremos
estudar com a sequência dos estudos).

Exemplos:

calcule o valor dos juros para um capital de $ 1.000 aplicado por 2 meses a
uma taxa de juros de 6% ao semestre.

Solução:

1º Devemos igualar os períodos entre o tempo do investimento e da taxa de juros.

Período = 2/6 = 0,3333. Assim sendo 2 meses equivale a 0,3333 de um


semestre.

J = (1.000).(0,6).(0,3333) = $ 200,00.

2º podemos ainda transformar a taxa de juros para deixar os períodos da


aplicação igual ao período da taxa de juros. Desta forma, podemos fazer a razão
entre taxa juros e o período de tempo da aplicação.

Como nesta aplicação estamos considerando uma aplicação mensal e um


semestre é composto por seis meses, teremos:

Taxa juros = 6 (taxa ao semestre) / 6 (meses em semestre) = 1% ao mês

J = (1.000).(0,1).(2) = $ 200,00

Metodologia de cálculo financeiro 17


U1

1.3.1 Modificações algébricas na fórmula juros simples

Para um regime de juros simples temos a seguinte forma para o cálculo:

J = Pv.i.n

Com esta fórmula ainda podemos realizar transformações algébricas a fim de


encontrar outros valores.

Pv = J/ i.n neste caso, o objetivo é encontrar o valor presente, isto é, o capital


inicial aplicado.

i = J/ Pv.n com esta fórmula será possível encontrar o valor da taxa de juros.

n = J/ Pv.io objetivo desta fórmula é encontrar período de tempo que


corresponde à aplicação para um regime de juros simples.

1. Um investidor recebeu $ 10.000 sob forma de juros para


uma aplicação de quatro anos com taxa de juros de 5% ao ano.
Assim sendo, qual foi o capital inicial nesta aplicação?
2. Caso um investidor tenha investido $ 200.000 por um período
de seis anos e no vencimento do período tenha recebido $
60.000 em juros, qual foi a taxa de juros desta aplicação?

3. Determine qual é o período de tempo de investimento que


entregou a um investidor $ 2.000 em juros a uma taxa de juros
2% ao mês, sendo que este investidor aplicou inicialmente $
10.000?

Portanto, os juros simples são calculados a partir do capital inicial ou valor presente,
além disso, sabe-se que o crescimento dos juros é linear. São raros os casos em que se
aplica o regime de juros simples no mercado financeiro ou para qualquer outro tipo de
aplicação que empregue a ideia de juros como forma de remuneração, uma vez que
este regime sempre considera o valor do capital inicial como base de cálculo.

Normalmente utiliza-se como base de cálculo o monte de capital acumulado ao


longo de um período de tempo (capital principal mais juros recebidos a cada período),
ou seja, a ideia de juros compostos.

O próximo passo de nosso estudo é compreender o regime de juros compostos.

18 Metodologia de cálculo financeiro


U1

1.4 Juros compostos


Os juros compostos, diferentemente dos juros simples, são calculados a
partir de um monte de capital futuro, normalmente, a partir do segundo período
financeiro de uma aplicação. Logo, podemos entender que no regime de juros
compostos calculam-se os juros a partir de montante de capital a cada período
(valor do principal mais os juros do período anterior).

No regime de juros compostos, podemos verificar que o crescimento dos juros


não é de forma linear como ocorre nos juros simples. O crescimento dos juros no
regime composto ocorre de forma exponencial. Portanto, é possível entender que
há um crescimento maior dos juros compostos em relação aos juros simples para
um mesmo período de tempo.

Como o juro composto é exponencial, podemos encontrar a seguinte fórmula


para o montante de capital aplicado a juros compostos:

Fv = Pv (1+i)n

Onde:

Fv = Valor Futuro (montante de capital aplicado a juros compostos)


Pv = valor presente
i = taxa de juros
n = período de tempo

Para compreender a diferença entre juros simples e compostos, vamos


considerar o seguinte exemplo:

Suponha que uma empresa tenha investido parte dos seus lucros em títulos de
banco. Assim sendo, consideramos as seguintes informações:

Valor Aplicado (Pv) = $ 500.000


Taxa de juros = 4%
Período = 5 anos

Pede-se:

A. Valor dos juros simples


B. Valor dos juros compostos
A. Cálculo Juros simples:

J = (500.000).(0,04).(5) = $ 100.000,00
|B. Cálculo Juros Compostos:

Para calcular somente o valor dos juros compostos é necessário considerar a


seguinte fórmula:

Metodologia de cálculo financeiro 19


U1

J = Pv[(1+i)n - 1] s Esta transformação é necessária, visto que nesta situação


precisamos apenas encontrar o valor dos juros.

J = 500.000 [(1,04)⁵ - 1] =

J = 500.000 [(1,2166) – 1] = $ 108.326,45

Com os resultados é possível verificar as diferenças entre o volume total para


juros simples e compostos, uma vez que os juros simples somaram $ 100.000 e os
juros compostos $ 108.326,45.

Valor futuro = Valor presente + montante de juros = 500.000 + 108.326,45


= 608.326,45

Veja de forma mais detalhada a decomposição do crescimento dos juros


compostos:

Ano 1: Fv = Pv (1+i) = 500.000 (1,04) = 520.000,00


Ano 2: Fv = Pv (1+i) = 520.000 (1,04) = 540.800,00
Ano 3: Fv = Pv (1+i) = 540.800 (1,04) = 562.432,00
Ano 4: Fv = Pv (1+i) = 562.432 (1,04) = 584.929,28
Ano 5: Fv = Pv (1+i) = 584.929,28 (1,04) = 608.323,45

Veja que o crescimento dos juros compostos cresce de forma exponencial


diferentemente dos juros simples. Pode-se verificar esta diferença com a análise
do crescimento dos juros simples.

Calculando com a calculadora financeira HP12C:

Imagine hipoteticamente que um investidor tenha por objetivo aplicar $


650.000 na poupança por um período de 18 meses. Considere que a taxa de
juros seja 1% ao mês, assim, qual será o valor total que este investidor irá resgatar
no final do período?

Solução:

1º passo: inserir o valor do investimento inicial: 650.000, logo após inserir este
valor tecle CHS, com isso valor ficará negativo. Esta operação é necessária, pois
a calculadora irá interpretar como um desembolso para uma aplicação a uma
determinada taxa de juros.

650.000  CHS

2º passo: tecle PV: ao tomar esta ação a calculadora estará interpretando este
valor como um valor presente (presente value).

- 650.000  PV

20 Metodologia de cálculo financeiro


U1

3º passo: inserir o valor da taxa de juros: 1, posteriormente tecle i. Esta tecla é


referente à taxa de juros para a calculadora.

1 i

4º passo: inserir o período de tempo: 18, logo após teclar n. Esta tecla é
compreendida como o período de tempo.

18  n

5º passo: o objetivo principal é encontrar o valor futuro, assim tecle FV (future


value), pois esta tecla se refere ao valor futuro ou ao montante final aplicado a
uma taxa de juros.

 FV

Seguindo ainda o mesmo exemplo, suponha que este investidor aplique todos
os meses $ 5.000 durante o período de 18 meses. Assim sendo, qual será o valor
futuro?

É possível fazer este cálculo utilizando a fórmula que foi apresentada. Porém,
iremos utilizar a calculadora HP12C, uma vez que esta operação é mais ágil
e segura.

1º passo: 650.000  CHS


2º passo: - 650.000 Pv
3º passo: 1 i
4º passo: 18  n

5º passo: agora é necessário inserir o valor parcelas aplicadas ao longo de


cada mês durante o período da aplicação: 18, logo após tecle PMT (Periodic
Payment Amount). Esta tecla trata das parcelas investidas ou recebidas
durante o período do investimento.

5.000  PMT
6º passo: Tecle FV

Resultado = Fv = $ 876.550,33

1.4.1 Modificações algébricas da fórmula juros compostos

É possível realizar modificações na fórmula para encontrar outros resultados. O


nosso objetivo será fazer uma transformação para encontrar o valor presente de um
valor, uma vez que é possível encontrar este resultado por meio do resultado de um
valor futuro.

Fórmula: Fv = Pv(1+i)n
Transformação: Pv = Fv/(1+i)n (valor presente)

Metodologia de cálculo financeiro 21


U1

Cálculo do valor presente

Suponha que uma aplicação de 12 meses gerou um montante final de (valor


futuro) de $322.500,00 para uma taxa de juros mensal de 3%. Deste modo, qual
foi o valor inicial (valor presente) aplicado?

Pv = 322.500/ (1,03)¹²
Pv = 322.500/ 1,4257 = $ 226. 204,67

Verificação:

É possível verificar se o resultado está correto aplicando na fórmula


montante.

Fv = Pv.(1+i)n
Fv = 226.204,67 (1,04)¹²
Fv = 226.204,67 (1,4257) = $ 322.500,00

Calculando com a calculadora HP12C:

1º passo: 322.500  FV
2º passo: 3  i
3º passo: 12  n
4º passo: tecle PV, pois o objetivo é encontrar o valor presente.

Note que a calculadora HP12c é uma ferramenta que facilita o trabalho


para cálculos de juros compostos. Todavia, é fundamental compreender
todos os tratamentos matemáticos para compreender como realizar
operações em regime de juro composto.

Nota:

É possível encontrar o valor dos juros por meio da diferença entre o valor
futuro e o valor presente:

J = Fv – Pv

Exemplo: um investidor realizou uma simulação de investimentos em CDB e


verificou que se tivesse investido $ 200.000 por um período de 10 anos iria receber
$ 208.400 no vencimento do prazo. Desta forma, qual é o montante de juros?

J = 208.400 – 200.000 = $ 8.400,00

22 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Caso esse investidor tenha interesse em encontrar o valor da taxa de


crescimento para este período, como podemos realizar este cálculo?

Informações para o cálculo:

Período inicial (to) = $ 200.000


Período final (t1) = $ 208.400
Intervalo de períodos = 10 anos

1º passo: calcular a taxa de crescimento do capital entre período toe t1 (10


anos), ou seja, será calculada uma taxa para o período de 10 anos, que foi o
período da aplicação.

Taxa de Crescimento = [(valor t1/valor t0) – 1] X 100


Taxa de Crescimento = [(208.400/200.000) – 1] X 100
Taxa de Crescimento = [(1,042) – 1] X 100
Taxa de Crescimento = [0,042] x 100 = 4,2%

Cálculo pela HP12C

1º passo: 200.000  ENTER

2º passo: 208.400 ENTER

3º passo: a proposta é encontrar o crescimento em termos percentuais.


Assim, tecle ∆% (refere-se à variação percentual). Deste modo, você poderá
verificar a taxa de percentual de variação entre os dois períodos. No caso deste
exemplo, o crescimento refere-se à taxa de juros do mercado.

 ∆%

Resultado: 4,2 ou 4,2%


A taxa de juros de 4,2% é para o
período de 10 anos. Porém se nosso
objetivo for encontrar o valor dos
juros para o primeiro ano da aplicação É possível realizar modificações
devemos usar a seguinte fórmula: no expoente da fórmula para
Fv = Pv (1+i)¹⁄n acumular ou desacumular período
de tempo. Por exemplo, imagine
Como o objetivo é encontrar o que temos uma taxa de juros de 5%
valor anual e temos uma taxa de anos ao ano, porém você tem interesse
é preciso fazer uma mudança no em saber qual será seu rendimento
expoente, ou seja, deverá ser feita a
no primeiro mês. Para encontrar o
razão de um (1) por dez (10), uma vez
valor dos juros basta dividir 1 por 12
que iremos encontrar um fator para
cada ano no período de 10. no expoente. Fv = Pv (1+i)¹⁄¹²

Fv = 200.000 (1,042) ¹⁄¹⁰


Fv = 200.000 (1,0041) = 200.824,53

Metodologia de cálculo financeiro 23


U1

Com esta ideia podemos inserir conteúdo de taxas equivalentes e efetivas, ou


seja, mudanças na taxa de juros para fazer adequações aos períodos de tempo.

1.5 Taxas equivalentes e efetivas

1.5.1 Taxas equivalentes


Conforme Assaf e Lima (2009) as taxas equivalentes são as taxas de juros que
geram montantes iguais (equivalentes) quando capitalizados sobre o mesmo capital
e prazo. Deste modo, a taxa equivalente corresponde à fração de uma taxa de juros
para um determinado período de tempo.

A fórmula para encontrar taxas equivalentes pode ser determinada da


seguinte forma:

ie = [(1+i)nl⁄nk - 1] x 100

Onde:

ie = taxa equivalente
i = taxa de juros
ni = período que pretendo encontrar
nk = período que está taxa de juros

Exemplo: Suponha que um CDI tenha como taxa de juros 32% ao ano, assim,
qual será a taxa de juros do CDI semestral e bimestral?

Inicialmente devemos encontrar os períodos correspondentes

1 ano = 12 meses = 2 semestres = 6 bimestres

Taxa de juro semestral

O objetivo é encontrar a taxa de juros para 1 semestre e sabemos que em 1 ano


temos 2 semestres, assim sendo:

ie= [(1,32)¹⁄² - 1] x 100 = 14,89%

Taxa de juro bimestral

Neste caso, o objetivo é encontrar a taxa de juros para cada bimestre e sabe-se
que cada ano tem seis bimestres, logo:

ie = [(1,32)¹⁄⁶ - 1] x 100 = 4,73%

24 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Cálculo com a calculadora financeira (HP12C):

1º passo: limpe os dados armazenados na calculadora, tecle f, e, posteriormente,


REG. Toda vez que você tecla f, estará acionando os comandos que estão escritos
em laranja na calculadora.

2º passo: 0,32  ENTER. Lembre-se de que para efeito de cálculo as taxas de


juros sempre devem ser divididas por 100.

3º passo: é preciso dividir 1 por 6. Deste modo, você deverá adotar os


seguintes comandos:

1 ENTER
6 ÷

Seria possível ainda adotar o seguinte comando: 1/x 6. Nesta situação


você já estaria indicando que o valor será dividido por outro valor
qualquer (x).

Resultado: 0,16667

Com isso, você irá encontrar o resultado desta divisão. Qualquer outra
operação matemática (+; - e X) pode ser feita adotando estes comandos.

4º passo: precisamos armazenar o resultado da operação do passo 3 para


posteriormente realizar outras operações. Para armazenar valor na calculadora
financeira, adote os seguintes comandos:

STO  1 (você pode selecionar qualquer valor, pois é o código do seu armazenado.
Para encontrar o valor armazenado basta teclar RCL e o valor de referência da
armazenagem).

5º passo:
0,32  ENTER
1  + (ficará o resultado de 1,32). Logo após este resultado: Tecle ENTER
RCL  1 (irá voltar ao resultado armazenado 0,16667)
Tecle Y^X o resultado será da operação (1,32)¹⁄⁶ = 1,0473

6º passo:
1,0473 ENTER
1-
100  x
Resultado: 4,73% ao bimestre

Metodologia de cálculo financeiro 25


U1

Vejamos outro exemplo:

A taxa básica de juros da economia ABC é 10% ao ano. Qual é a taxa equivalente
para cada mês?

ie = [(1,10)¹⁄¹² - 1] x 100 =
ie = [(1,0079) – 1] x 100 = 0,7974% ao mês

Podemos concluir que para o cálculo das taxas equivalentes precisamos apenas
adequar os prazos no expoente e, com isso determinar qualquer tipo de taxa
de equivalente.

1.5.2 Taxas efetivas


A taxa de efetiva pode ser entendida como a capitalização da taxa de juros para “n”
períodos, ou seja, é a acumulação da taxa em um período de tempo. A formulação
para a determinação da taxa de juros efetiva será:

if = [(1+i)n -1] x 100

Exemplo: suponha que taxa de um investimento qualquer seja de 2% ao mês.


Assim, qual é a taxa de juros ao ano para este investimento.

if = [(1,02)¹² - 1] x 100 =
if = [(1,2682) – 1] x 100 = 26,82%

Veja que uma taxa de juros 2% ao mês é igual a 26,82% ao ano. Portanto, em
todos os casos em que se têm juros iguais em todos os períodos pode-se utilizar esta
fórmula para acumulação de taxas, porém quando a taxa é diferente é necessário
realizar uma modificação na fórmula para encontrar a taxa acumulada.

A fórmula para taxas diferentes em cada período é:

if = [(1+i1).(1+i2).(1+i3).(1+in) – 1] x 100

Onde:

i1,2,3 = é taxa para cada período

in = refere-se à taxa do último período de referência.

CASOS PRÁTICOS:

CASO 1: No primeiro semestre de 2014, segundo informações do Banco Central


do Brasil, a caderneta de poupança apresentou as seguintes taxas de juros mensais,
conforme pode ser visualizado na Tabela 1.1:

26 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Tabela 1.1: Caderneta de Poupança

Caderneta de Poupança: para depósito a partir de 04/05/2014


Mês Variação %
Janeiro 0,6132
Fevereiro 0,5540
Março 0,5267
Abril 0,5461
Maio 0,5607
Junho 0,5467
Fonte: Banco Central do Brasil (2014)

CASO 1: Suponha que o custo total de um determinado financiamento para


o período de 1 ano seja a taxa de juros do próprio financiamento, mais correção
cambial do período de um ano. Considere os seguintes dados para calcular o
encargo efetivo (taxa efetiva) deste financiamento:

A variação cambial do dólar foi de 10% ao ano.


A taxa de juros do financiamento é de 6,7% ao ano.
Calculando o custo efetivo:

if = [(1,1).(1,067)-1] x 100 = 17,37

Logo o custo efetivo da dívida é 17,37% no período de 1 ano, visto a taxa juros do
financiamento e da correção monetária.

1.5.3 Taxa over


A taxa SELIC (taxa de juros básica na economia) normalmente é anunciada em
termos efetivos considerando que o Banco Central considera apenas 252 dias úteis.
Logo, temos uma taxa de juros over, isto é, uma taxa SELIC que incide apenas nos
dias úteis. Além disso, podemos entender que a taxa over do (SELIC), é a taxa média
ponderada pelo montante das negociações de financiamento por um dia, com
lastro em títulos públicos federais e executadas no SELIC, na forma de operações
compromissadas.

A fórmula pode ser determinada da seguinte maneira:

iq = [(1+i)n⁄t - 1] x 100

Onde:

iq = taxa over
n= período desejado (um dia)
t = período efetivo da taxa de juros

Metodologia de cálculo financeiro 27


U1

Exemplo:

Suponha que o Comitê de Política Monetária tenha definido que taxa Selic seja
14% a.a. Assim sendo, qual será a taxa over?

iq = [(1,14)¹⁄ ²⁵² - 1] x 100 = 0,052% ao dia

Algumas conclusões podem ser apontadas dentro desta seção de estudo, tais como:

∞∞ A capitalização dos juros simples tem crescimento linear, uma vez


que sempre se considera o capital inicial como forma para calcular
o montante de juros e montante final de capital.

∞∞ Os juros não são empregados na maior parte dos casos do mercado


financeiro.

∞∞ O crescimento dos juros é de forma exponencial no sistema de


juro composto, visto que se utiliza o capital acumulado do período
anterior para calcular os juros e capital total.

∞∞ O primeiro período de capitalização de um capital é igual tanto para


juros simples quanto para juros compostos.

∞∞ Os períodos de tempo e juros sempre deverão ser iguais para


calcular o valor dos juros e/ou do capital final para os sistemas
de capitalização.

∞∞ Com a fórmula dos juros compostos pode-se encontrar tanto o


valor futuro quanto valor presente de um capital financeiro.

28 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Seção 2

Números índices e taxas nominais e reais


Esta seção dedica-se a estudar como calcular os números índices e por meio
deles encontrar índices de inflação na economia e, com isso determinar taxas
nominais e reais. Em economia em que há altas taxas de inflação é de sua relevância
determinar taxas nominais e reais.

As taxas nominais e reais são importantes, uma vez que esta última mostra
o poder de compra de um capital qualquer, visto que a inflação pode corroer o
poder de compra de capital financeiro. Deste modo, conhecer o quanto se ganhou
em uma aplicação financeira, atividade produtiva, atividade profissional etc. em
termos nominais e reais é importante para saber se o ganho auferido foi superior
ao crescimento da inflação.

2.1 Números índices

Segundo Keer (2011, p. 67) “[...] os índices de preços, também chamados de


indexadores, são números índices. A estatística define número-índice como um
instrumento para sintetizar modificações em variáveis econômicas durante um
período de tempo”.

Os números índices têm a capacidade de revelar variações relativas em preços,


quantidade ou valores em determinados períodos de tempo. Deste modo, há
distintos métodos para ponderar um número índice. Os mais comuns são:

a) Índice de Laspeyres

b) Índice Paasche

c) Índice de Fischer

2.2 Índice de laspeyres

Este índice não considera apenas as variações de preços como também vem
considerar as variações de quantidades para obter a média ponderada entre um
período e outro. Logo se tem a seguinte fórmula para este índice:

Metodologia de cálculo financeiro 29


U1


n

i= 1 Pti qti
x 100


IL=
n

i= 1 Poi qti
Onde:

IL = índice de laspeyres
Pti= preço dos insumos (i) do período atual (t)
qti = quantidade dos insumos (i) no período atual (t)
P0i = preço dos insumos (i) no período anterior (0)

2.3 Índice de paasche

O índice de Paasche tem por finalidade ponderar os preços dos insumos pelas
quantidades do período atual (t). A fórmula é:


n

i= 1 Pti qti
x 100


IP=
n

i= 1 Poi qti

Onde:

IP = índice de Paasche
Pti= preço dos insumos (i) do período atual (t)
qti = quantidade dos insumos (i) no período atual (t)
P0i = preço dos insumos (i) no período anterior (0)
Exemplo:

Imagine o preço dos seguintes produtos e suas respectivas quantidades em


uma economia hipotética para compreender como é o cálculo para o índice de
Laspeyres e Paasche:

Tabela 1.2: Preços e quantidades (dados hipotéticos)

Preços e Quantidades
Preço do mês de Abril (R$) Quantidade do Mês de Abril
Produto
2008 2009 2008 2009

30 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Produto A 12,82 13,1 101.000 104.000


Produto B 11,80 12,50 182.400 184.200
Produto C 16,20 18,50 184.300 168.400

Fonte: O autor (2014)

Na Tabela 1.2 é possível verificar os dados para preços e quantidades de três


produtos em uma economia. Deste modo, iremos calcular o índice de “Laspeyres e
Paasche” para os dados desta tabela.
Tabela 1.3: Cálculo dos índices (dados hipotéticos)

Preços e Quantidades
Laspeyres Paasche
Produto
Pit x qt0 Pi0 x Pi0 Pti x qti P0i x qti
Produto A 1323100 1294820 1362400 1333280
Produto B 2280000 2152320 2302500 2173560
Produto C 3409550 2985660 3115400 2728080
TOTAIS 7012650 6432800 6780300 6234920
Fonte: O autor (2014)

Com os resultados da Tabela 1.3 podemos determinar os resultados do índice de


Paasche e Laspeyres para ano de 2009:

Índice de Laspeyres:

IL = (7012650/ 6432800) x 100= 109,01

Índice de Paasche:

IP = (6780300/ 6234920) x 100 = 108,74

2.4 Índice de fischer

Conforme Keer (2011, p. 68) “[...] o índice de Laspeyres pode superestimar a


variação de preços e que o Índice de Paasche pode subestimá-la, vários autores
sugeriram fórmulas para corrigir este problema, que resultam em valores
intermediários”.

Em busca de solucionar os problemas que os outros índices apresentavam, o


autor Fischer, adotou uma nova metodologia de cálculo considerando os índices
anteriores, isto é, adotou uma média geométrica entre os índices de Laspeyres e
Paasche. Logo, a fórmula é:

IF =√(IL .IP)

Metodologia de cálculo financeiro 31


U1

Onde:
IF = Índice de Fischer
IL = Índice de Laspeyres
IP = Índice de Paasche

Considerando o exemplo que foi apresentado nas tabelas 1.2 e 1.3 iremos
calcular o índice de Fischer a fim de compreender.

Índice de Fischer = √(109,01 x 108,74) = 108,87

Suponha que para cálculo da inflação no ano X1 por meio


do índice de Fischer considerou-se um índice de Paasche
de 104,02 e o Índice de Laspeyres 101,1. Assim sendo, qual
será o valor do índice de Fischer?

2.5 Índices de inflação


O primeiro conceito que deverá ser apresentado é sobre a inflação para compreender
como funcionam os seus respectivos índices. Conceitualmente, a inflação pode ser
entendida como um aumento generalizado e contínuo dos índices de preços. Portanto,
toda vez que o assunto é inflação estaremos tratando do aumento dos preços.

A política econômica brasileira tem como um dos seus objetivos a estabilidade dos
preços, ou seja, controle da inflação. As autoridades econômicas no Brasil adotaram
um sistema de metas de inflação a partir do ano de 1999. Este é um sistema, pelo qual
o governo tem por princípio manter a taxa da inflação na meta de 4,5% ao ano, porém
tolera-se que uma taxa de inflação até 6,5% ao ano ou em 2,5% ao ano.

O índice oficial neste sistema de metas de inflação é o IPCA (Índice de Preços


ao Consumidor Amplo). Este índice é calculado pelo Sistema Nacional de Preços ao
Consumidor (SNIPC) que foi criado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). As características de cálculo do IPCA são:

a) Adota-se como período de tempo para o cálculo o primeiro dia do


mês até seu último dia.

b) Considera-se apenas a população urbana.

c) A base para o cálculo são as famílias com 1 a 40 salários mínimos por mês.

d) Metodologia de cálculo é índice Laspeyres.


No Gráfico 1.1 é possível observar as taxas de inflação a cada ano no período de 2003 a
2013. Deste modo, você pode verificar como foi o comportamento da inflação no Brasil nesta
década, considerando o IPCA como índice oficial para o Banco Central.

32 Metodologia de cálculo financeiro


U1
Gráfico 1.1: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) Acumulado
IPCA Acumulado 12 Meses

IPCA IPCA
IPCA
Acumulado Acumulado IPCA IPCA
Acumulado
12 Meses ; 12 Meses; 12 Meses
Acumulado Acumulado IPCA
2004; 6,08 2013; 6,14
2003; 5,92 12 Meses 12 Meses Acumulado
IPCA
2010; 5,61 2011; 5,53 12 Meses
IPCA IPCA IPCA Acumulado IPCA 2012; 5,36
Acumulado Acumulado Acumulado 12 Meses Acumulado
12 Meses 12 Meses 12 Meses 2008; 4,93 12 Meses
2005; 4,46 2006; 4,08 2007; 4,45 2009; 4,4

Fonte: IBGE (2014)

Ainda existem outros índices que podem medir a inflação no Brasil, tais como:

Índice de Preços do Atacado (IPA): este é um índice que calcula o aumento dos
preços para o produtor por meio das variações de preços no atacado para produtos agrícolas
e industriais. Este índice é medido pela fundação Getúlio Vargas (FGV).

Índice de preços ao consumidor (IPC): este índice é calculado pela FGV nas
sete principais capitais do país (Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Salvador e Recife). Este índice é calculado para famílias com rendimentos
mensais entre 1 e 33 salários mínimos.

Índice Nacional da Construção Civil (INCC): este índice mede o crescimento dos
custos para a construção civil para as seguintes metrópoles: Salvador, São Paulo, Recife,
Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília. Este é um índice calculado pela
FGV.

Índice Geral de Preços (IGP): o cálculo deste índice ocorre a partir de uma média
aritmética ponderada dos seguintes índices:

IPA peso 60%


IPC peso 30%
INCC peso 10%

Este índice, em muitas situações, é utilizado como um fator para deflacionar valores
monetários, ou ainda, pode servir como um índice de correção monetária. O IGP pode
ser calculado em três versões:

1) IGP – 10: o período para efeitos de cálculo é do dia 10 do mês subsequente até o
dia 10 do mês vigente.
2) IGP-M: o período para o cálculo é do dia 20 do mês subsequente até o mês 21 do
mês vigente.
3) IGP – DI: a contabilização ocorre entre o dia 1 a 30 do mês.

Metodologia de cálculo financeiro 33


U1

2.5.1 Determinação das taxas de inflação


Já estudamos o que é inflação e como calcular seus índices. Neste momento,
nossa proposta será estudar como calcular as taxas de inflação, ou seja, a variação
dos preços e índices de um período para outro. Quando ouvimos falar de inflação
no mercado financeiro ou nos noticiários, normalmente, apresenta-se apenas a taxa
da inflação, isto é, a variação de preços entre o período atual e o anterior.

Como podemos calcular as taxas de inflação? A fórmula a seguir é a forma pela


qual se pode calcular a taxa de inflação entre os períodos de tempo:
π = Indicen - 1
Indicen0
Onde:

π = taxa de inflação

Índice n = índice do período atual

Índice n0 = índice do período anterior

Exemplo:

Considerando os dados para o IPCA entre os meses de janeiro e junho do ano


de 2014, vamos determinar a taxa de inflação para cada mês:

Tabela 1.4: Índice Preço ao Consumidor Amplo

IPCA*
Ano/Mês Índice (Dez/93 =100)
JAN 3.836,38
FEV 3.862,84
MAR 3.898,38
2014
ABR 3.924,50
MAI 3.942,55
JUN 3.958,32
Fone: IBGE (2014)

Π = 3.862,84 - 10,0069 ou 0,69% (inflação mês de Fevereiro)


3.836,38

Para os demais meses a metodologia de cálculo é a mesma, assim sendo,


podemos verificar na Tabela 1.5 as taxas de inflação para os meses de janeiro
a junho.

34 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Tabela 1.5: Taxa de Inflação IPCA


IPCA*
Ano/Mês Índice (Dez/93 =100) Mês
JAN 3.836,38 0,55
FEV 3.862,84 0,69
MAR 3.898,38 0,92
2014
ABR 3.924,50 0,67
MAI 3.942,55 0,46
JUN 3.958,32 0,40
Fone: IBGE (2014)

Na tabela 1.5 verificaram-se as variações de preços para cada mês no primeiro


semestre de 2014.

Calculo com a HP12c:

É possível utilizar a calculadora financeira para o cálculo da taxa de inflação,


uma vez que estamos tratando de variações percentuais entre um período e outro.
Logo, podemos entender que esta variação percentual é a taxa de inflação de cada
período.

Cálculo:

1º passo: 3.836,38  ENTER

2º passo: 3.862,84 ∆%

Resultado: 0,6897 ou 0,69% para o mês de fevereiro

Para todos os demais meses podem-se realizar os mesmos procedimentos


para cálculo das taxas de inflação. É importante notar que não é possível calcular
a taxa de inflação para o mês de janeiro com os dados apresentados, uma vez que
é necessário o valor do índice de inflação para o mês de dezembro, por esta razão
a taxa já foi dada no exemplo.

É possível ainda determinar a taxa da inflação acumulada para o primeiro


semestre, uma vez que podemos utilizar a mesma metodologia das taxas efetivas
para encontrar a inflação acumulada para o primeiro semestre de 2014.

If = [(1,005).(1,0069).(1,0092).(1,0067).(1,0046).(1,004) – 1] x 100 = 3,75%

Para o primeiro semestre de 2014 a inflação foi 3,75%, considerando o IPCA,


que é o índice de inflação oficial para o sistema de metas de inflação no Brasil.

No Gráfico 1.2 é possível observar o acumulado para as taxas de inflação a


cada 12 meses. Deste modo, você pode verificar acumulado para o intervalo de 12
meses em cada mês. Por exemplo, do mês de janeiro de 2012 até janeiro de 2013.

Metodologia de cálculo financeiro 35


U1

Gráfico 1.2 – IPCA Acumulado IPCA 2013 IPCA


IPCA 2013;
IPCA IPCA
2013; 2013.10 6,25
IPCA 2013; 2013;
2013.09; 6,16
2013; 2013.11 6,14 2013.12 6,11
2013.08; 6,06
2013.01
2013.02

IPCA IPCA 2013.03


2013; 2013; 2013.04
2013.01; 5,7 IPCA 2013.06; 5,74 IPCA
IPCA 2013; 2013; 2013.05
IPCA 2013; 2013.05; 5,56 2013.07; 5,66
2013.06
IPCA 2013; 2013.04; 5,53
2013; 2013.03; 5,53 2013.07
2013.02; 5,5 2013.08
2013.09
2013.10
2013.11
2013.12

Fonte: IBGE (2014)

Por meio do Gráfico 1.2 notam-se as variações acumuladas a cada mês dentro
do ano de 2013. Cabe apenas ressaltar como curiosidade que a inflação neste ano
teve alguns momentos de aceleração em função dos preços da alimentação, visto a
demanda por estes gêneros neste ano.

Determine as taxas de inflação do IPCA – 15 no ano de 2013, considerando


os dados da Tabela 1.6:
Tabela 1.6: IPCA-15
IPCA-E* - Especial ou IPCA - 15

Ano/Mês Índice (Dez/93 =100) Mês Ano


JAN 3.556,11
FEV 3.580,29
MAR 3.597,83
ABR 3.616,18
MAI 3.632,81
JUN 3.646,61
2013
JUL 3.649,16
AGO 3.655,00
SET 3.664,87
OUT 3.682,46
NOV 3.703,45
DEZ 3.731,23
Fone: IBGE (2014)

36 Metodologia de cálculo financeiro


U1

2.6 Taxas nominais e reais


As taxas nominais ou brutas (não foram deflacionadas) são taxas que não consideram
o desconto da inflação. Por outro lado, as taxas reais são iguais às taxas nominais,
porém têm o desconto da inflação.

O objetivo é compreender qual é o valor real da taxa, uma vez que as taxas de
inflação diminuem o poder de compra; por exemplo, da remuneração das taxas de
juros de remuneração de um capital, ou ainda podemos entender também que uma
taxa de lucro real é aquela que já está deflacionada.

A ideia de taxas nominais e reais é importante para compreender qual é o real poder
de compra de uma taxa juros/lucro quando estamos tratando de remunerações de
capitais, visto que o aumento da inflação diminui o poder de compra da remuneração
de um capital.

O economista de Irving Fischer foi o primeiro autor na área de finanças a diferenciar


taxa de juros real e nominal por meio de tratamento matemático. A equação pela qual
podemos distinguir uma taxa de juros nominal de uma taxa de juros real é a seguinte:

Equação de Fischer: (1+i) = (1+π).(1+r)

Onde:

i = taxa de juro bruto (nominal)


π = taxa de inflação
r = taxa real de juros

Cabe relembrar que as taxas deverão estar sempre no mesmo, por


exemplo, com taxa de juros ano a taxa de inflação deverá estar no
mesmo período. Lembre-se desta convenção na matemática financeira.

Com a equação de Fischer podemos encontrar taxas reais para remuneração de


capital. Deste modo, é possível modificar esta equação a fim de encontrar diretamente
uma taxa real.

Como distinguir taxa de juro real de taxa de juro nominal?

Metodologia de cálculo financeiro 37


U1

Equação de Fischer: (1+i) = (1+π).(1+r)

Se isolar o “r” será possível encontrar a taxa real diretamente, assim:


(r) = (1+i) -1
(1+π)

Com esta modificação pode-se encontrar diretamente o resultado do “r”. Todavia,


lembre-sede que é necessário multiplicar o valor do r por 100%, uma vez que estamos
tratando de taxas.

Exemplo:

Suponha que um investidor aplicou em um CDB e recebeu 12% de rentabilidade


pelo período de ano. Considerando que a inflação foi de 3,2% neste período, calcule a
taxa de juros real para este investimento.

Taxas de juros real = (1,12) - 1=0,0873 ou 8,73%


(1,03)

A Empresa XXZ Ltda. faturou $ 4.000.000 e no primeiro e no ano seguinte faturou


$ 5.100.000. A inflação entre um ano e outro foi de 8,6%. Deste modo, qual foi a taxa
bruta e real de crescimento do faturamento?

1º Passo: Taxa Bruta = = 5.100 - 1 = 0,275 ou 27,5%


4.000

Esta é a taxa bruta de crescimento do faturamento da empresa entre um ano


e outro, porém é preciso ainda encontrar o crescimento real, por isso vamos ao
próximo passo.

2º Passo: r = = (1,275) - 1= 0,1704 ou 17,04%


(1,086)

Podemos compreender que o crescimento nominal ou bruto do faturamento foi de


27,5% e o crescimento real foi de 17,04%.

CASOS PRÁTICOS:

CASO 1: Taxa Juro Real da Caderneta de Poupança

Considerando o índice oficial de inflação do país, o IPCA, nos primeiros seis meses
do ano de 2014. Qual é a taxa de juros real da caderneta de poupança para o acumulado
dos seis primeiros meses do ano de 2014.

38 Metodologia de cálculo financeiro


U1

IPCA*
Ano/Mês Índice (Dez/93 =100) Mês
JAN 3.836,38 0,55
FEV 3.862,84 0,69
MAR 3.898,38 0,92
2014
ABR 3.924,50 0,67
MAI 3.942,55 0,46
JUN 3.958,32 0,40

Ano/Mês Índice de Poupança Mês


JAN 1,006132 0,6132
FEV 1,005540 0,5540
MAR 1,005267 0,5267
2014
ABR 1,005461 0,5461
MAI 1,005607 0,5607
JUN 1,005467 0,5467
1º Passo: Calcular o valor da taxa acumulado para os seis primeiros meses do ano.
Para a realização deste cálculo iremos utilizar o princípio da taxa efetiva.

Taxa Acumulada Inflação =


[(1,005).(1,0069).(1,0092).(1,0067).(1,0046).(1,004) – 1] x 100 = 3,75%

Taxa Acumulada Poupança =


[(1,0061).(1,0055).(1,0052).(1,0054).(1,0056).(1,0054) – 1] x100 = 3,37%

Podemos concluir que a taxa de juros da poupança para o primeiro semestre é


3,37% e a inflação para o mesmo período, 3,75%. Com as taxas acumuladas de inflação
e juros da poupança podemos prosseguir para o próximo passo para encontrar a taxa
de juros real da poupança.

2º Passo: r = = (1,0337) - 1 = -0,0036 ou-0,36%


(1,0375)
Com resultado deste passo é possível concluir que a taxa de juros real da poupança
é negativa, uma vez que o resultado foi de -0,36% no semestre. A taxa de juros ficou
negativa, pois a inflação obteve um crescimento superior ao crescimento dos juros
da poupança.

A poupança poderá sempre ser uma alternativa de proteger


um capital dos efeitos da inflação?

Metodologia de cálculo financeiro 39


U1

CASO 2: Taxa Selic Real

Outro caso que é passível de análise é a taxa básica de juros (SELIC) na economia
brasileira. Assim, podemos determinar a taxa Selic real para os últimos anos conforme
os dados dos gráficos 1.3 e 1.4:
Gráfico 1.3: IPCA acumulado de 12 meses
IPCA

IPCA
IPCA
Acumulado
Acumulado
12 Meses;
12 Meses;
2004; 6,08 IPCA
2008; 4,93
Acumulado
12 Meses;
IPCA IPCA 2013; 6,14
IPCA
Acumulado Acumulado IPCA Acumulado
12 Meses; 12 Meses; Acumulado 12 Meses;
2003; 5,92 IPCA 2010; 5,61 12 Meses; 2012; 5,36
Acumulado IPCA IPCA 2011; 5,53
12 Meses; IPCA Acumulado Acumulado
2005; 4,46 Acumulado 12 Meses; 12 Meses;
12 Meses; 2007; 4,45 2009; 4,4
2006; 4,08

Fone: IBGE (2014)

Gráfico 1.4: Taxa Selic

Série 1; 2005;
Série 1; 2004; 18,00%
17,75%
Série 1; 2003;
16,50%

Série 1; 2008;
Série 1; 2006; 13,75%
13,25%
Série 1; 2011;
Série 1; 2007; 11,00%
11,25% Série 1; 2010;
10,75% Série 1; 2013;
10,00%
Série 1; 2009;
8,75%
Série 1; 2012;
7,25%

Fone: IBGE (2014)

Podemos notar no Gráfico 1.3 que há um crescimento da inflação nos últimos anos
e este fato pode levar a uma redução na taxa SELIC real. No Gráfico 1.4 observou-se
que a taxa de juros reduziu em comparação ao ano de 2003, porém sofreu altas e
baixas entre o período de 2003 e 2013.

40 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Estas variações ocorrem em função da inflação, uma vez o Bacen se utiliza da


taxa de juros para conter a inflação. Deste modo vamos verificar a taxa SELIC real na
economia durante este período. Na tabela 1.7 estão os dados para IPCA e taxa de SELIC.
Tabela 1.7: Dados IPCA e SELIC
ANO IPCA SELIC Calculando a Taxa SELIC Real:
2003 5,92% 16,50% O nosso objetivo será calcular a taxas
2004 6,08% 17,75% SELIC real para cada ano no intervalo entre
2005 4,46% 18,00% 2003 e 2013, visto que esta é a taxa de
maior interesse para o mercado, uma vez
2006 4,08% 13,25%
que ela representa o real rendimento ou
2007 4,45% 11,25% despesas financeiras para capitais indexados
2008 4,93% 13,75% pela SELIC.
2009 4,40% 8,75%
Taxa juros real (2003) =
2010 5,61% 10,75%
2011 5,53% 11,00% r = (1,1650) - 1 = 0,099 ou 9,99%
2012 5,36% 7,25% (1,0592)
2013 6,14% 10,00%

Fone: IBGE (2014)

Para os demais anos utiliza-se a mesma metodologia de cálculo para encontrar


a taxa de juros real. Na Tabela 1.8 encontram-se os valores da taxa de juros real para
todos os anos entre 2003 e 2013.

Tabela 1.8: Taxa SELIC Real


ANO SELIC Real
2003 9,99%
2004 11,00%
2005 12,96%
2006 8,81%
2007 6,51%
2008 8,41%
2009 4,17% Podemos afirmar que quanto
2010 4,87% maior for a taxa de inflação
menor será a taxa de juros real?
2011 5,18%
Por quê?
2012 1,79%
2013 3,64%
Fone: IBGE (2014)

Metodologia de cálculo financeiro 41


U1

Gráfico 1.5: Evolução da Taxa SELIC Real

Série 1;
2005;
12,96%

Série 1;
2008;
Série 1; 8,41%
2004;
Série 1; 11,00%
2003;
9,99%
Série 1;
2006;
8,81% Série 1;
Série 1; 2013;
Série 1; 2011; 3,64%
2007; 5,18%
6,51%
Série 1;
2010;
Série 1; 4,87%
2009;
4,71%

Série 1;
2012;
1,79%
Fone: IBGE (2014)

No Gráfico 1.5 e na Tabela 1.8 notaram-se a queda da taxa Selic ao longo dos anos
na economia brasileira. No ano de 2012 teve-se a menor taxa de juros real durante esta
década e no ano de 2005 foi a maior taxa real. Deste modo, a taxa de juros real irá
depender das variações da inflação na economia.

A taxa SELIC nestes casos apresentados é a “Selic Meta”, ou seja, a taxa de


juros definida pelo comitê de política de monetária. Ainda há taxa “Selic Over”
que é determinada pelas forças do mercado financeiro.

CASO 3: Valor Real no Salário Mínimo

Da mesma forma que temos taxas nominais e reais, também há valores monetários
nominais e reais. Para calcular um valor monetário real utiliza-se a seguinte fórmula:

Note que esta é a fórmula para cálculo


VP= VF/ dos juros compostos, porém ela é modificada
(1+i)ⁿ para encontrar valores reais. Deste modo, para
muitas situações que precisam deflacionar
um dado monetário para encontrar o seu
valor real, pode-se utilizar esta fórmula.

42 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Na Tabela 1.9 há o valor do salário mínimo na economia brasileira para cada ano
entre 2003 e 2013. Cabe ressaltar que os valores do salário mínimo são nominais/bruta
e nosso objetivo será encontrar os valores reais.
Tabela 1.9: Salário Mínimo
Calculando o salário mínimo real
ANO Sálario Mín.
2003 R$ 240,00 Com os dados da Tabela 1.9 vamos calcular o
2004 R$ 260,00 salário mínimo real para este intervalo de tempo.
Será considerado o IPCA como índice de inflação
2005 R$ 300,00
para deflacionar os valores do salário mínimo, este
2006 R$ 350,00 índice está sendo considerado apenas como forma
2007 R$ 380,00 de didática para compreender melhor o assunto que
2008 R$ 415,00 estamos estudando e, além disso, o IPCA, é o índice
de inflação para o Bacen, porém o salário mínimo
2009 R$ 465,00
não é corrigido por este índice.
2010 R$ 510,00
2011 R$ 545,00 Salário mínimo real (2003):
2012 R$ 622,00 240 = 226,59
2013 R$ 678,00 (1,0592)
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (2014)

Para os demais anos pode-se utilizar a mesma metodologia empregada para o


cálculo do salário mínimo no ano de 2003. Na Tabela 1.10 podem-se observar os
valores do salário mínimo real para cada ano.

Tabela 1.10: Salário Mínimo Real Podemos notar na Tabela 1.10 a valor do salário
real de cada ano, ou seja, real poder de compra do
ANO Sálario Mín.
salário na economia brasileira após o desconto da
2003 R$ 226,59 inflação. Estes valores representam de forma teórica
2004 R$ 245,10 o poder de compra da renda dos assalariados por
2005 R$ 287,19 estes valores.
2006 R$ 336,28
2007 R$ 363,81
2008 R$ 395,50
2009 R$ 445,40
2010 R$ 482,91
2011 R$ 516,44
2012 R$ 590,36
2013 R$ 638,78
Fonte: O autor (2014)

Metodologia de cálculo financeiro 43


U1

Com o fim desta seção podemos chegar a algumas conclusões:

∞∞ Os números de índices servem de base para o cálculo da inflação.

∞∞ As taxas de inflação são calculadas considerando a variação percentual


do índice de um período para outro.

∞∞ No Brasil, o índice oficial de inflação para o Banco Central é o IPCA (índice


de preços ao consumidor amplo).

∞∞ O IPCA é calculado pela metodologia de cálculo do Laspeyres.

∞∞ As taxas nominais se diferenciam das taxas reais a partir do desconto da


inflação, uma vez que a taxa real é igual à taxa nominal menos a inflação.

∞∞ Os valores monetários reais podem ser calculados a partir da fórmula do


montante para juros compostos.

Nesta unidade foram estudados os seguintes assuntos:


No princípio da unidade estudamos, na Seção 1, o sistema de
capitalização por meio de juros simples e compostos.
Além disso, estudaram-se as taxas equivalentes para igualar
períodos para taxa e tempos na capitalização de capitais
Na Seção 2 foram abordados os cálculos de números de
índices e a partir deles os índices de inflação na economia.
Também, nesta mesma seção, podemos compreender como
calcular taxas nominais e reais.

Nesta unidade chegamos à conclusão que a inflação é calculada por


meio de números índices. Além disso, a inflação é um fator que
pode diminuir o poder de compra da moeda ao longo do tempo.
Ainda podemos destacar que as taxas de juros também podem ser
diferenciadas a partir do impacto que a inflação tem sobre elas.

44 Metodologia de cálculo financeiro


U1

1. Suponha que um investidor aplicou $ 800 em janeiro e no mês


de dezembro o montante total de capital (capital investido mais
juros) foi de $ 1230. Este investimento está sob juros simples.
Qual foi a taxa de juros mensal?

a) 3,77% a.m.
b) 4,03% a.m.
c) 4,47% a.m.
d) 6,03% a.m.

2. Imagine que um jovem tenha interesse de se tornar milionário


daqui a 20 anos. Deste modo, para que ele possa ter um $
1.000.000,00 em 20 anos, quanto ele deverá investir hoje
considerando uma taxa de juros 1% a.m.?

a) $ 92.060,83
b) $ 91.200,83
c) $ 91.805,83
d) $ 92.610,83

3. A variação cambial do dólar em determinado ano foi de 10%, e a


taxa de inflação da economia foi de 6,7% no mesmo intervalo. Os
encargos de uma dívida em dólar são de 5,2% a.a., mais variação
cambial. Determine o custo real (taxa efetiva) dessa operação em
dólar em relação à inflação da economia.

a) 18,37%
b) 17,37%
c) 14,37%
d) 16,80%

Metodologia de cálculo financeiro 45


U1

4. O INPC é um indicador de inflação no país. Este índice utiliza-


se de uma cesta de produtos e serviços para efeitos de cálculo, e
por esta razão é largamente utilizado por diversos empresários.
Suponha que este índice no início de um determinado ano é
185,827. Considere que a taxa de inflação de cada um dos meses
seguintes atinge a 0,70% (fevereiro), 0,80% (março), 0,71% (abril).
Calcule o valor do INPC no final do terceiro mês.

a) 189.964
b) 178.432
c) 189.120
d)168.964

5.Um investidor adquiriu um imóvel no início do ano por $


600.000 e a vendeu no final do ano por $ 650.000. Sabe-se
que os valores do IPCA foram 201,872 e 211,764 para o mesmo
período. Calcule o ganho nominal da venda da casa, a taxa de
inflação do período e o ganho real com a venda do imóvel.

a) $ 619.637,75
b) $ 602.637,75
c) $ 719.637,75
d) $ 809.437,75

46 Metodologia de cálculo financeiro


U1

Referências

ASSAF, Alexander; LIMA, Fabiano Guasti. Curso de administração financeira. São


Paulo: Atlas, 2009.

BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/


pt-br/paginas/default.aspx>. Acesso em: 22 out. 2014.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://


www.ibge.gov.br/home/>. Acesso em: 15 out. 2014.

KEER, Borges. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo:


Pearson Prentice, 2011.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Disponível em: <http://portal.


mte.gov.br/portal-mte/>. Acesso em: 15 out. 2014.

SUGESTÃO DE LEITURA

GIMENES, Cristiano Marchi. Matemática financeira com HP 12c e Excel: uma


abordagem descomplicada. São Paulo: Pearson, 2008.

Metodologia de cálculo financeiro 47


Unidade 2

INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE
DAS DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS
Regis Garcia

Objetivos de aprendizagem:
Nessa unidade esperamos que você reconheça a importância das análises
aplicadas sobre as demonstrações financeiras das empresas. As demonstrações
financeiras serão aqui apresentadas como instrumentos de apoio à tomada
de decisões empresariais, portanto, objetivamos demonstrar que as análises
econômicas e financeiras aplicadas sobre elas poderão melhorar a capacidade
decisória dos usuários das demonstrações.
Apresentaremos também o conjunto de indicadores que permitem o melhor
conhecimento da situação econômica e financeira das empresas.
Além do conhecimento dos principais indicadores demonstraremos a
importância da interpretação desses, ou seja, é fundamental que o analista tenha a
capacidade de calcular, mas, sobretudo, de avaliar as informações que podem ser
obtidas a partir desses indicadores.
Ao final da leitura dessa unidade, você deverá ter a capacidade de calcular,
avaliar e interpretar os indicadores de análise das demonstrações financeiras com
o objetivo de conhecer a situação econômica e financeira da organização.
Além do conhecimento da situação econômica e financeira da organização,
objetivamos lhe demonstrar os mecanismos estratégicos voltados à alavancagem
financeira como instrumentos de alavancagem dos resultados por meio da
utilização de capital de terceiros.
Demonstraremos também que a gestão empresarial vem se adaptando às
demandas do mercado no que se refere à ideia de valor como balizador das
análises envolvendo rentabilidade do negócio.
Queremos que a avaliação do desempenho seja vista como algo que permite
à empresa saber se aquilo que estão fazendo apresenta ou não os resultados
esperados, permitindo, dessa forma, a correção de rumo.
A motivação dos profissionais das áreas relacionadas à gestão empresarial em
implantar os mecanismos de análise em sua rotina de trabalho também é nosso
objetivo. Nosso objetivo maior, ao destacar todos esses instrumentos de análise, é
o de evidenciar que a gestão empresarial tem na avaliação de suas ações um dos
principais instrumentos.
U2

Seção 1 | Estrutura das demonstrações financeiras


Nessa seção serão apresentadas as principais demonstrações exigidas
das empresas pela legislação societária.

Apresentaremos a definição e o objetivo do Balanço Patrimonial,


da Demonstração do Resultado do Exercício, da Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido como demonstrativos principais.

No mesmo sentido estaremos apresentando a Demonstração do


Resultado Abrangente em termos conceituais como um exemplo de
adequação do Brasil às normas internacionais de contabilidade.

Procuraremos apresentar os principais demonstrativos e sua


estrutura a partir de um exemplo didático simples que possibilite ao
aluno compreender o reflexo dos fatos contábeis na elaboração das
demonstrações financeiras.

Seção 2 | Análise dos indicadores econômicos e financeiros

Nessa seção apresentaremos os principais indicadores que são


utilizados para a análise da situação econômica e financeira das
organizações.

Apresentaremos o conceito e o objetivo desses indicadores bem


como a definição de análise e sua aplicação prática.

Além dos indicadores demonstraremos que outros aspectos


envolvendo a análise ambiental são fundamentais para o melhor
conhecimento sobre a situação econômica e financeira organizacionais.

A seção evidenciará que muitas vezes a análise quantitativa das


demonstrações precisam ser complementadas por outras informações
advindas do mercado em que a organização atua. São informações
macroeconômicas, governamentais e mercadológicas que podem
influenciar o desempenho organizacional e que, portanto, necessitam
ser consideradas.

50 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Seção 3 | Avaliação do desempenho e geração de valor

Quando uma empresa estabelece metas para suas operações,


certamente, precisa saber se estas metas estão atingindo os objetivos
esperados.Para que adiantaria o estabelecimento de metas se não
pudermos saber o quanto estamos próximos ou distantes dessas metas.

Nessa seção vamos discutir justamente esses dois aspectos: o


estabelecimento de metas e a avaliação sobre o desempenho da empresa
ao buscar atingir essas metas por meio do exercício de suas atividades.

Teremos a oportunidade também de compreender a utilização


do mecanismo de alavancagem financeira no processo de geração
de resultados, ou seja, a utilização de capital de terceiros em prol da
alavancagem de suas operações.

Teremos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a geração


de valor sobre as atividades empresariais.

O conceito de geração de valor está intrinsecamente relacionado ao


exercício de atribuição de margens sobre os produtos, mercadorias e
serviços que remunerem os investidores ao mesmo tempo que estejam
alinhados ao valor percebido pelo público consumidor.

Apresentaremos o conceito de gestão baseada em valor como algo


capaz de garantir um melhor alinhamento entre a empresa e seu mercado,
principalmente no que se refere às políticas de custeamento e de preços.

A gestão de valor será apresentada como a busca de identificação de


itens que geram valor para o investidor acionista de uma organização.
Por outro lado destacaremos a possibilidade de atividades que diminuem
valor, como, por exemplo, a transformação de produtos que geram valor
em commodities ocasionado por decisões equivocadas da liderança
empresarial.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 51


U2

52 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Introdução à unidade

Em um mercado no qual a cada dia fatores de competitividade se impõem


como desafios para as organizações, aumenta a importância de profissionalização
da gestão e da busca por inovação.

Um dos aspectos mais importantes tratados nesse livro diz respeito ao


investimento necessário para a manutenção da competitividade das organizações
e do conjunto de técnicas e métodos para se tomar a decisão de investir mais
eficaz.

Quando uma organização está diante de um processo de decisão envolvendo


a inversão de recursos em determinados projetos, ela certamente busca a maior
quantidade de informações possível de forma a subsidiar seu processo de escolha
e minimizar as chances de erro.

A análise de investimento pode contribuir nesse sentido, todavia, a aplicação de


metodologias adequadas deverá representar um objetivo constante da equipe de
gestão responsável pelas decisões organizacionais.

Nesse sentido, a análise das demonstrações financeiras representa uma


das possíveis metodologias que permitirão ao decisor amparar-se na situação
econômica e financeira da organização ao fazer suas escolhas.

Para que a decisão de investimento seja tomada de forma profissional e com


menor probabilidade de erros, podemos selecionar as demonstrações principais
da organização em questão e analisá-las sob a luz das técnicas de análise.

Não são apenas os aspectos quantitativos que garantirão a eficácia da decisão,


porém as métricas contribuem sobremaneira para um acompanhamento eficaz
das operações e ajustes para ações futuras.

Além das métricas, questões de geração de valor devem permear as decisões


organizacionais uma vez que a partir de uma escolha é possível colocar a
organização em um caminho promissor ou, de outra forma, comprometer sua
continuidade gerando atividades que desagregam valor.

O cuidado em se escolher operações que geram valor para a organização deve


ser constante, sendo que é a partir das escolhas feitas pelos gestores que essas
operações são viabilizadas.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 53


U2

Esperamos nas seções que serão apresentadas nessa unidade destacar os


principais elementos que compõem a análise das demonstrações financeiras bem
como da gestão baseada em valor. Esses elementos serão sempre analisados sob
a luz da decisão de investimentos.

Por outro lado não deixaremos de considerar a avaliação de desempenho que


ocorre depois que um projeto é implantado.

Acreditamos que existe um forte elo entre a decisão de investimentos, as


análises que a subsidia e o desenvolvimento de práticas que busquem o aumento
da eficácia organizacional. Não basta se implantar um projeto, é necessário que
haja o acompanhamento de seu ciclo de operação de tal forma que seja possível
a correção de possíveis falhas antes mesmo que elas se tornem uma ameaça para
o sucesso do projeto em questão.

54 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Seção 1

Estrutura das demonstrações financeiras

1.1 Demonstrações obrigatórias

Podemos considerar como demonstrações obrigatórias aquelas derivadas do


processo de internacionalização da contabilidade brasileira que tem sua base legal
nas leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09.

[...] neste sentido, acompanhando a evolução do sistema contábil brasileiro o


Conselho Federal de Contabilidade editou inúmeras normativas técnicas que
tratam de assuntos eminentemente contábeis. Com relação às demonstrações
contábeis que obrigatoriamente deverão ser incluídas no livro diário.
(CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE, 2013, p. 1).

O Conselho Federal de Contabilidade – CFC atendendo às demandas do


processo de internacionalização da contabilidade brasileira, ela tem emitido normas
técnicas que servem como instrumentos orientadores da atividade profissional
do contador, sendo as voltadas às demonstrações financeiras as que foram
regulamentadas pela Resolução nº 1.185/09, que traz as diretrizes estabelecidas
na NBC TG 26.

Você considera que é importante para o Brasil adequar-se às normas


internacionais de contabilidade? Por quê?

Nesse sentido são consideradas demonstrações contábeis obrigatórias as


listadas a seguir:
• Balanço Patrimonial – BP.

• Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.

• Demonstração do Resultado Abrangente – DRA.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 55


U2

• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL.

• Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC.

• Demonstração do Valor Adicionado – DVA. Está somente nos casos em que


houver a exigência por algum órgão regulador para a qual a entidade deva
atender por força legal.

• Notas Explicativas.

• Balanço retroativo do período em questão quando a contabilidade apresentar


uma determinada política contábil retroativa (para fins de comparação).
Também quando houver a necessidade de reapresentação de algum elemento
de períodos anteriores e ainda quando houver necessidade de reclassificação
de algum item de períodos anteriores.

Como podemos observar a partir da listagem acima, as demonstrações


financeiras que a legislação societária exige das empresas estão relacionadas
aos tipos de informações que a empresa necessita fornecer a seus stakeholders,
principalmente no que se refere à área financeira.

A obrigatoriedade das demonstrações varia de acordo com o tipo de empresa


podendo uma demonstração ser exigida de um grupo de empresas e não exigido
de outro. Geralmente, o fator determinante da obrigatoriedade é a questão do
porte e também do tipo societário.

No quadro a seguir vemos uma síntese das demonstrações financeiras


obrigatórias para cada tipo de empresa.
Quadro 2.1: Resumo das demonstrações financeiras e sua obrigatoriedade
Micro S/A de
Demonstração PME (s) CBC
empresa e EPP Regra Geral capital
Contábil TG 1000
(ITG 1000) aberto
Balanço Patri-
Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório
monial –BP
Demonstração
do Resultado
Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório
do Exercício –
DRE
Demonstração
Pode ser
do Resultado
Facultativa substituída Obrigatório Obrigatório
Abrangente –
pela DLPA
DRA
Demonstração Obrigatório
dos Lucros somente se
ou Prejuízos Facultativa substituir a Facultativa Facultativa
Acumulados – DLPA ou a
DLPA DMPL

56 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Demonstração
das Mutações
do Patrimônio Facultativa Obrigatório Obrigatório
Líquido –
DMPL
Demonstração
do Fluxo de Facultativa Obrigatório Obrigatório Obrigatório
Caixa – DFC
Notas Explica-
Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório
tivas – NE
Demonstração
do Valor Adi- Facultativa Facultativa Facultativa Obrigatório
cionado – DVA

Fonte: Adaptado de Conselho Regional de Contabilidade (2013, p. 1)

Para cada área de interesse podemos eleger uma demonstração financeira


específica, sempre com vista a satisfazer as necessidades informacionais dos
stakeholders e geralmente com o objetivo de apoio à decisão.

A expressão “stakeholder”, no sentido empresarial, significa todos os que de


alguma forma possuem interesse na organização. Podemos citar como principais:
os internos, que são representados pelos funcionários, pelos gestores e pelos
proprietários; e os externos que são representados pelos fornecedores, pela
sociedade, pelo governo, investidores, credores etc.

Não vamos aqui tratar de todas as demonstrações contábeis, visto que iremos
nos concentrar naquelas mais utilizadas para fins de análise.

1.2 Balanço patrimonial


Traz as informações financeiras relacionadas ao patrimônio e ao patrimônio
líquido das organizações. Ele representa uma posição estática do patrimônio e
geralmente é levantado ao final de cada exercício social. Na maioria das vezes, em
31 de dezembro de cada ano.

O patrimônio é evidenciado a partir das aplicações financeiras classificadas


em um grupo denominado Ativo. Também são evidenciadas as origens desses
recursos aplicados no Ativo sendo essas classificadas em um grupo denominado

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 57


U2

Passivo, ou seja, podemos por maio do balanço analisar de onde vieram os recursos
aplicados nos bens e direitos classificados no Ativo.

Além do Ativo e Passivo, o balanço patrimonial também evidencia o patrimônio


líquido das organizações, ou seja, o quanto de patrimônio de fato pertence à
organização e seus investidores.

O patrimônio líquido é encontrado a partir da diferença entre o Ativo e o Passivo


que em síntese representa a equação patrimonial.

EQUAÇÃO PATRIMONIAL
Ativo – Passivo = Patrimônio Líquido

Como é possível observar o patrimônio líquido de uma organização representa


a parte do patrimônio líquido das dívidas perante terceiros.

1. Suponhamos que uma determinada empresa possua os


seguintes itens em seu patrimônio:

CAIXA/BANCOS R$ 50.000,00
ESTOQUES R$ 100.000,00
VEÍCULOS R$ 150.000,00
FORNECEDORES R$ 50.000,00
FINANCIAMENTOS R$ 100.000,00

Com base nesses valores apresentados, qual seria o patrimônio líquido


dessa empresa aplicando o conceito da equação patrimonial?

O balanço patrimonial possui, portanto, uma estrutura organizada em ATIVO,


PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO.

Temos no ativo a evidenciação dos BENS e DIREITOS, enquanto que no passivo


evidenciamos as OBRIGAÇÕES.

Se escrevermos nossa equação patrimonial de uma forma diferente, podemos


dizer que o patrimônio líquido deriva da seguinte formulação:

58 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

EQUAÇÃO PATRIMONIAL
Bens + Direitos – Obrigações = Patrimônio Líquido

De forma bem “coloquial” podemos dizer que nossa estrutura patrimonial está
organizada a partir da evidenciação dos valores correspondentes à aquilo que
a empresa tem em contrapartida à aquilo que a empresa deve para terceiros,
sobrando, dessa forma, os elementos que correspondem àquilo que a empresa
possui em termos líquidos.

O patrimônio que a empresa possui em termos líquidos – Patrimônio Líquido –


pertence em última análise aos investidores: sócios ou acionistas. Podemos dizer
que se a empresa fosse fechada em algum momento o que sobraria seria apenas
o volume de recursos evidenciados no Patrimônio Líquido.

Você concorda que quanto maior for o Patrimônio Líquido da


empresa, melhor é sua condição econômico-financeiro-patrimonial,
ou seja, mais patrimônio líquido de dívidas ela possui?

Para exemplificar essa nova forma de visualizar a equação patrimonial vamos


imaginar que uma empresa seja constituída e que tenha efetuado mais algumas
operações como as que se seguem:
Quadro 2.2: Fatos contábeis exemplo 1

DATA DESCRIÇÃO DO FATO CONTÁBIL VALOR


01/02/X1 Integralização do capital social feita
em dinheiro por meio de depósito
R$ 100.000,00
bancário na conta corrente da em-
presa nesta data.
02/02/X1 Aquisição de mercadorias para reven-
da sendo 50% pagos à vista por meio
de cheque emitido da conta da em- R$ 40.000,00
presa e os outros 50% a prazo de 30
dias junto ao fornecedor nesta data.
03/02/X1 Venda de todo o estoque comprado
sendo 50% à vista e os outros 50% a
R$ 80.000,00
prazo de 30 dias para o cliente Nono
nesta data.
03/02/X1 Pagamento de despesas administrati-
R$ 10.000,00
vas em cheque nesta data.
Fonte: O autor (2014)

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 59


U2

Diante dos fatos acima podemos apurar o montante de recursos de cada conta
contábil, ou seja, o montante que a empresa possui em termos de bens, direitos e
obrigações além de seu patrimônio líquido conforme segue.
Quadro 2.3: Movimentação das contas do exemplo 1

BANCOS CONTA MOVIMENTO DUPLICATAS A RECEBER

DESCRIÇÃO VALOR DESCRIÇÃO VALOR

Saldo
anterior
R$ - Saldo anterior R$ -

Integral-
Venda de
ização do R$ 100.000,00
mercadorias
R$ 40.000,00
capital

Compra de
-R$ 20.000,00
mercadorias

Venda de
R$ 40.000,00
mercadorias

Pagamento
-R$ 10.000,00
de despesa

Saldo
R$ 110.000,00 Saldo atual R$ 40.000,00
atual

ESTOQUE FORNECEDORES

DESCRIÇÃO VALOR DESCRIÇÃO VALOR

Saldo
R$ - Saldo anterior R$ -
anterior

60 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Compra de Compra de
R$ 40.000,00 R$ 20.000,00
mercadorias mercadorias

Venda de
-R$ 40.000,00
mercadorias

Saldo atual R$ - Saldo atual R$ 20.000,00

CAPITAL SOCIAL RESULTADO DO EXERCÍCIO

DESCRIÇÃO VALOR DESCRIÇÃO VALOR


Saldo
R$ - Saldo anterior R$ -
anterior
Integral-
Venda de
ização de R$ 100.000,00 R$ 80.000,00
mercadorias
capital
Baixa do custo
-R$ 40.000,00
(estoque)
Despesas
-R$ 10.000,00
administrativas

Saldo atual R$ 100.000,00 Saldo atual R$ 30.000,00


Fonte: O autor (2014)

É possível observar no Quadro 2.3 que as contas contábeis que servirão para a
elaboração dos demonstrativos financeiros recebem débitos e créditos de acordo
com os fatos descritos no exemplo.

Cada conta tem seu saldo apurado a partir das entradas e saídas de recursos
derivadas dos fatos contábeis. São essas contas que darão origem ao balanço
patrimonial e demais demonstrações contábeis.

O balanço patrimonial a partir dessas informações ficaria, portanto, com a


seguinte estrutura demonstrada a seguir.

É possível observar que a soma do ativo e do passivo são equivalentes,


demonstrando que a equação patrimonial deve sempre prevalecer, representando
o equilíbrio entre as origens e as aplicações de recursos.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 61


U2

Quadro 2.4: Balanço patrimonial referente ao exercício 1


BALANÇO PATRIMONIAL LEVANTADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 20X1

ATIVO PASSIVO

CIRCULANTE
150.000,00
CIRCULANTE 20.000,00

BANCOS
CONTA 110.000,00 FORNECEDORES 20.000,00
MOVIMENTO
DUPLICATAS A
40.000,00
RECEBER

PATRIMONIO
ESTOQUES - 130.000,00
LÍQUIDO

CAPITAL SOCIAL

CAPITAL
100.000,00
INTEGRALIZADO

RESULTADOS
CORRENTES

RESULTADO DO
30.000,00
EXERCÍCIO

TOTAL TOTAL DO
150.000,00 150.000,00
DO ATIVO PASSIVO

Fonte: O autor (2014)

A seguir veremos a demonstração do resultado derivada desse exemplo, na


qual será possível se entender como chegamos ao resultado apresentado no
balanço patrimonial.

1.3 Demonstração do resultado do exercício


A Demonstração do Resultado do Exercício serve ao objetivo de demonstrar
os volumes de recursos derivados das receitas obtidas pela empresa durante seu

62 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

exercício social. No mesmo sentido, a Demonstração do Resultado do Exercício


evidencia a aplicação de recursos no mesmo período em custos das receitas e em
despesas.

Como o nome sugere, a Demonstração do Resultado do Exercício apresenta


qual foi o resultado derivado dessas receitas deduzidos os custos e despesas
no período.

Você considera importante a evidenciação do resultado obtido pela


empresa em determinado período? Que informações podemos
obter a partir desse resultado apresentado na Demonstração do
Resultado do Exercício?

Alguns elementos merecem destaque quando falamos da Demonstração do


Resultado do Exercício, pois representam grupos importantes para a análise da
rentabilidade e estrutura do resultado obtido pela organização a partir de suas operações.

Podemos destacar os seguintes grupos, entre outros:

Receita operacional bruta – que demonstra quanto a empresa obteve de vendas de


mercadorias, produtos ou serviços dependendo de seu ramo.

Receita operacional líquida – que evidencia quanto a empresa obteve de receitas


descontados os impostos sobre ela incidentes, bem como possíveis descontos
incondicionais, devoluções ou cancelamentos de vendas.

Lucro bruto – que evidencia o primeiro resultado obtido pela empresa a partir da
dedução dos custos das receitas da receita operacional líquida. Esse lucro é denominado
de bruto tendo-se em vista o fato de que ainda precisamos considerar as despesas
operacionais que serão deduzidas, assim como os impostos sobre o lucro: imposto de
renda e contribuição social sobre o lucro líquido.

Lucro líquido – que representa o resultado líquido obtido a partir da dedução das
despesas operacionais, bem como dos impostos sobre o lucro: imposto de renda
e contribuição social sobre o lucro líquido. Esse é o lucro que será destinado pela
organização para que sejam constituídas as reservas de lucro e distribuído o resultado
para os sócios e acionistas.

A atual legislação societária não autoriza às empresas que mantenham lucros


acumulados em seus balanços sem a devida destinação para a constituição de
reservas ou distribuição de dividendos.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 63


U2

De modo geral podemos considerar a Demonstração do Resultado do Exercício


como uma demonstração de natureza econômica uma vez que evidencia os resultados
das operações empresariais.

Diferentemente do balanço patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício


não é estática, ou seja, não diz respeito à situação econômico financeira em uma
determinada data, mas sim evidencia o comportamento das contas de resultados
durante o período.

Agora que entendemos os conceitos sobre a demonstração do resultado do


exercício, vejamos a seguir a demonstração referente ao exemplo que estamos
trabalhando desde a seção anterior.

Quadro 2.5: Demonstração do Resultado do Exercício exemplo 1

DESCRIÇÃO VALORES
RECEITA BRUTA DE VENDAS 80.000,00
Vendas de Produtos 80.000,00
(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA -
Impostos -
RECEITA LÍQUIDA 80.000,00
(-) CUSTO DAS VENDAS 40.000,00
Custo dos Produtos Vendidos 40.000,00
LUCRO BRUTO 40.000,00
(-) DESPESAS OPERACIONAIS 10.000,00
Despesas com Pessoal -
Despesas Administrativas 10.000,00
Depreciação e Amortização -
LUCRO OPERACIONAL 30.000,00
LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA -
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
(-) Provisão para o Imposto de Renda da Pessoa -
Jurídica
(-) Provisão para a Contribuição Social -
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 30.000,00

Fonte: O autor (2014)

Como se pode observar na Demonstração do Resultado do Exercício do exemplo


1, obtemos o lucro líquido de R$ 30.000,00 a partir da receita bruta com as vendas,
deduzida dos custos e despesas do período.

64 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Vamos apresentar a Demonstração das Variações do Patrimônio Líquido a seguir


que evidencia desde o saldo anterior do Patrimônio Líquido, suas variações no período
e o saldo atual constante do balanço patrimonial.

2) Vamos reforçar nossa compreensão sobre a DRE? Analise os


dados a seguir e responda qual é o valor de nosso resultado:

Venda de mercadorias R$ 500.000,00.


Custo das vendas R$ 300.000,00.
Despesas operacionais R$ 100.000,00.
Impostos s/ vendas R$ 50.000,00.

De acordo com os dados acima podemos afirmar que nosso


resultado líquido será de exatamente:

a) R$ 150.000,00.
b) R$ 250.000,00.
c) R$ 50.000,00.
d) R$ 500.000,00.

1.4 Demonstração do resultado abrangente – DRA


A Demonstração do Resultado Abrangente evidencia todas as alterações
ocorridas no patrimônio líquido da organização (receitas, despesas, ganhos e
perdas) – não vinculadas a atividades oriundas dos sócios ou acionistas – e que
pelo regime de competência não foram computadas como resultado.

Essa demonstração possui caráter gerencial uma vez que procura evidenciar
o patrimônio líquido atualizado considerando receitas e despesas cujas
movimentações financeiras são de certa forma incertas, mas que na verdade
irão ocorrer em algum momento futuro. São expurgadas receitas e despesas que
derivem de investimentos de longo prazo sem a certeza dos resultados em termos
financeiros.

Essa demonstração evidencia as alterações no patrimônio líquido da entidade


expurgadas os aumentos de capital bem como a distribuição de dividendos que
envolvem os sócios e acionistas.

Os ajustes no patrimônio e no resultado envolvendo situações não constantes


no resultado corrente são denominados de abrangentes.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 65


U2

Na prática o resultado abrangente visa apresentar os ajustes efetuados


no Patrimônio Líquido como se fosse um lucro da empresa, por exemplo,
a conta ajuste da avaliação patrimonial, registra as modificações de
ativos e passivos a valor justo, que pelo princípio da competência não
entram na DRE, no entanto, no lucro abrangente estas variações serão
computadas, a fim de apresentar o lucro o mais próximo da realidade
econômica da empresa. (LUNELLI, 2014, p. 1).

Como se pode observar o objetivo maior da Demonstração do Resultado Abrangente


é evidenciar o lucro de forma mais precisa em relação à real situação da organização
em termos econômicos.

1.5 Demonstração das mutações do patrimônio líquido


Como o próprio nome sugere essa demonstração procura evidenciar as
modificações ocorridas no patrimônio líquido da organização.

Ela se inicia com o saldo das contas do patrimônio líquido referentes ao


exercício social imediatamente anterior ao qual a demonstração se refere.

A partir das movimentações ocorridas nas contas do patrimônio líquido:


capital social, reservas de capital, reservas de lucros e ações em tesouraria, além
do resultado do período e suas destinações, a Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido evidencia os saldos dessas contas ao final do exercício atual.

A intenção da legislação em proibir a cumulação de lucros no balanço


patrimonial sem a devida destinação é a proteção do acionista que dessa
forma tem a distribuição de dividendos mais garantida

Essa demonstração procura evidenciar, portanto qual é o patrimônio líquido


ao final do exercício, bem como os motivos pelos quais esses valores integrantes
desse patrimônio foram obtidos.

No caso de nosso exemplo, os saldos anteriores do patrimônio líquido são


todos zero em função da empresa estar sendo constituída.

As únicas variações até aqui que envolvem o patrimônio líquido são relativas à
integralização do capital social e o ingresso do resultado corrente.

66 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2
Quadro 2.6: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

Reser- Total do
Descrição Capital Reservas Lucros
vas de Patrimônio
da Conta Social de Capital Prejuízos
Lucro Líquido
Saldo Inicial - - - - -
Ajustes de
Exercícios - - - - -
Anteriores
Aumento/
Redução do - - -
100.000,00 100.000,00
Capital Social
Realização de
- - - - -
Reservas
Ações em
- - - - -
Tesouraria
Lucro/Prejuízo
- - - 30.000,00 30.000,00
do Exercício
Destinações - - - - -
Reserva Legal - - - - -
Dividendos
- - - - -
Distribuídos
Outros - - - - -
Subvenções p/
investimentos - - - - -
ICMS
Subvenções p/
investimentos - - - - -
Imp. Renda

Saldo Final 100.000,00 - - 30.000,00 130.000,00

Fonte: O autor (2014)

Como se pode observar, o patrimônio líquido da empresa, conforme nosso


exemplo, inicia-se com saldo nulo recebendo durante o período o ingresso de
capital social e o resultado do período em curso.

Vale se destacar que a legislação atual exige que todo o lucro gerado pela
organização necessita ser destinado, seja para a constituição de reservas, seja para
ser distribuído aos acionistas.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 67


U2

68 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Seção 2
Análise dos indicadores econômicos e financeiros
Como podemos facilmente verificar, nossas empresas estão geralmente atuando
em mercados competitivos que impõem uma constante vigilância em relação ao seu
desempenho frente aos concorrentes.

Estamos destacando essa questão concorrencial porque o assunto que vamos


apresentar a seguir envolve a utilização de vários parâmetros de análise econômica e
financeira que necessitam ser analisados sempre tendo em vista que o desempenho
empresarial – para ser considerado bom ou ruim – precisa ter como parâmetro outras
empresas do mesmo setor e porte.

É comum nos depararmos com empresas que apresentaram queda em determinados


indicadores, mas que devem essa queda justamente à situação do mercado no qual ela atua.

Vale então o destaque de que os indicadores que vamos apresentar servem como
parâmetros de avaliação organizacional e devem ser levados em consideração durante
os processos de decisão empresarial. Por outro lado é importante reconhecer que a
organização está em um contexto e dessa forma não deve ignorar o desempenho de
seus demais competidores em sua análise.

2.1 Indicadores econômicos


Consideramos indicadores econômicos aqueles que envolvem aspectos
relacionados ao resultado empresarial bem como as variações ocorridas nas contas que
estão relacionadas com o mesmo.

Nesse tipo de indicador temos a oportunidade de verificar se as operações da


organização estão gerando resultado, ou no mesmo sentido, quanto de resultado se
está atingindo em termos percentuais.

O volume de indicadores que podemos ter para avaliar o resultado da


organização é bastante amplo, porém cada empresa deve avaliar quais lhe são
mais importantes de acordo com seus objetivos de análise. Para saber quais
são os principais indicadores acesse:
<http://www.infomoney.com.br/educacao/guias/noticia/568514/analise-
financeira-conheca-indicadores-mais-usados-pelos-analistas>.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 69


U2

Segundo (ANÁLISE..., 2014, p. 1) “[...] analisar os demonstrativos financeiros é


uma forma importante para medir seu desempenho. No entanto a maior parte
dos analistas não considera apenas os números que constam nos principais
demonstrativos”. Isso evidencia a importância de que os indicadores econômicos
bem como os financeiros, que veremos na próxima seção, sejam complementados
por informações contextuais a respeito da concorrência e do mercado de
forma geral.

Para exemplificar nossos indicadores vamos apresentar uma Demonstração do


Resultado do Exercício contemplando os valores e contas de um determinado
período de operação conforme a seguir.

Sempre que apresentarmos os cálculos os valores estarão sendo retirados desse


demonstrativo, bem como do balanço patrimonial que também será apresentado
oportunamente.
Quadro 2.7: Demonstração do resultado do exercício – exemplo indicadores

DESCRIÇÃO REALIZADO
RECEITA BRUTA DE VENDAS 200.000,00
Vendas de Produtos 200.000,00
(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA 40.000,00
Impostos 40.000,00
RECEITA LÍQUIDA 160.000,00
(-) CUSTO DAS VENDAS 80.000,00
Custo dos Produtos Vendidos 80.000,00
LUCRO BRUTO 80.000,00
(-) DESPESAS OPERACIONAIS 47.100,00
Despesas com Pessoal 24.200,00
Despesas Administrativas 16.400,00
Depreciação e Amortização 5.200,00
Despesas financeiras 2.500,00
(-) Receitas financeiras - 1.200,00
LUCRO OPERACIONAL 32.900,00
LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA 32.900,00
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
(-) Provisão para o Imposto de Renda da Pessoa 4.935,00
Jurídica
(-) Provisão para a Contribuição Social 2.961,00
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 25.004,00
Fonte: O autor (2014)

70 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

A partir da DRE apresentada vamos calcular alguns indicadores importantes


de análise do resultado a partir dos volumes de vendas apurados no período de
operação simulada.

Você concorda que os indicadores econômicos devam ser


complementados por informações sobre o ambiente empresarial
para fins de análise e tomada de decisões? Por quê?

2.2 Margem operacional


Esse indicador representa o percentual que a empresa obteve de resultado
operacional sobre suas vendas líquidas. Ele é expresso geralmente em percentual, mas
pode também ser apresentado por meio de um quociente.

Sua apuração envolve a divisão do lucro operacional pela receita liquida da empresa
no mesmo período. Ele representa quanto a organização obteve de resultado operacional
por cada real gerado de receita líquida.

Segundo nosso exemplo temos:

MARGEM OPERACIONAL

LUCRO OPERACIONAL / RECEITA LÍQUIDA X 100% 25%

Conforme podemos analisar, nossa empresa do exemplo obteve 25% de margem


operacional, ou seja, a cada R$ 100,00 que ela gerou de vendas líquidas ela obteve R$
25,00 de margem operacional.

Análise: é preciso saber a média que as demais empresas do mesmo setor e porte
da organização têm em termos de margem operacional. Esse indicador é importante
isoladamente, pois apresenta uma margem de lucro que pode servir de parâmetro
para a empresa saber se é compensadora determinada operação, porém somente
comparando-a com as demais empresas ela terá de forma mais consistente condições
de analisar esse indicador.

1) Analisando o conceito e forma de cálculo da margem


operacional, calcule-a com base nos dados a seguir:

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 71


U2

Receita operacional líquida R$ 100.000,00.


Lucro operacional R$ 20.000,00.

Qual é o percentual de margem operacional


nesse caso?____________________

2.3 Margem EBITDA

Essa margem procura demonstrar de forma mais específica o resultado


obtido pela organização desconsiderando algumas despesas que não impactam
diretamente no caixa (depreciação, amortização, exaustão) e as despesas
financeiras que geralmente derivam de operações de crédito da empresa.

Esse indicador é reconhecido como uma aproximação da margem de lucro


em termos de geração efetiva de caixa e livre das consequências derivadas de
operações de crédito geradoras de despesas financeiras.

MARGEM EBITDA

(LUCRO OPERACIONAL + DESPESAS FINANCEIRAS + DEPRECIAÇÃO/


AMORTIZAÇÃO) / RECEITA LÍQUIDA X 100% 34%

Notem na DRE que temos, além das despesas financeiras, as receitas financeiras
que nesse caso devem ser compensadas com as despesas para apuração das
despesas financeiras líquidas que serão adicionadas ao lucro para fins de apuração
do EBITDA.

Conforme podemos observar, a margem EBITDA é maior do que a margem


operacional justamente porque exclui as contas já mencionadas em seu cálculo,
ou seja, apresenta um lucro mais alto.

Análise: assim como a margem operacional é preciso que a empresa esteja


atenta às margens de EBITDA apresentadas por seus concorrentes. Sua análise
é similar à feita em relação à margem de contribuição, porém, neste caso,
considerando resultados que se aproximam mais da geração de caixa operacional.

2.4 Margem líquida

A margem líquida representa o resultado que a empresa obteve a partir de


suas vendas líquidas quando deduzidas de todos os custos, impostos e despesas
inerentes ao período em questão.

Sua apuração é feita a partir do lucro líquido gerado pela empresa dividido pela
receita líquida conforme apresentado a seguir.

72 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

MARGEM LÍQUIDA

LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO / RECEITA LÍQUIDA X 100% 19%

O lucro líquido do exercício representa quanto sobre em termos líquidos


daquilo que a organização vendeu no período. Conforme dissemos, ele é apurado
deduzindo das receitas todos os custos, impostos e despesas.

Análise: assim como nas demais margens é importante que a organização


tenha sempre às mãos a margem que seus concorrentes de mesmo porte e setor
vêm obtendo para servir de elemento comparativo.

Todavia é sempre bom que haja uma análise desse indicador em relação às
expectativas dos investidores.

2.5 Margem sobre o patrimônio líquido

Como o próprio nome sugere, trata-se de uma margem calculada sobre o


patrimônio líquido da organização.

Para que possamos calcular esse indicador dividimos o resultado líquido do


período pelo valor do patrimônio líquido. O valor desse último grupo pode ser
encontrado no Quadro 2.8.

MARGEM SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO

LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO / PATRIMÔNIO LÍQUIDO 24%

Esse indicador demonstra qual o percentual de lucro líquido que se obteve


considerando o total de capital próprio investido.

Análise: quanto maior esse indicador, melhor para a organização representar


que a empresa está conseguindo retornar adequadamente o capital investido
pelos sócios ou acionistas.

2.6 Indicadores financeiros

Podemos considerar os indicadores financeiros aqueles que derivam da


estrutura do balanço patrimonial e que se relacionam com aspectos financeiros de
capacidade de pagamento, endividamento etc.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 73


U2

Os indicadores financeiros são importantes porque evidenciam a saúde financeira


da organização. Quando o conjunto de indicadores financeiros evidencia falta de
capacidade de pagamento da empresa, traz um indicativo de que provavelmente a
empresa não conseguirá honrar as suas obrigações.

Vocês sabiam que a maioria dos bancos se utiliza de indicadores para


avaliação de crédito? É importante que a empresa tenha uma boa estrutura
de endividamento para que ela possa contar com as instituições financeiras
quando precisarem alavancar suas operações.

Assim como no caso dos indicadores econômicos que vimos anteriormente,


vamos nos basear no demonstrativo exemplo a seguir.

Alguns cálculos necessitarão de valores que constam na demonstração do


resultado do exercício apresentada no Quadro 2.7.

Quadro 2.4: Balanço patrimonial referente ao exercício 1

ATIVO PASSIVO

CIRCULANTE 560.004,00 CIRCULANTE 440.000,00

BANCOS
CONTA 80.004,00 FORNECEDORES 240.000,00
MOVIMENTO
DUPLICATAS A
320.000,00 FINANCIAMENTOS 200.000,00
RECEBER

ESTOQUES 160.000,00

NÃO CIRCULANTE 110.000,00

EXIGÍVEL A
110.000,00
LONGO PRAZO

PATRIMÔNIO
825.004,00
LÍQUIDO

74 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

NÃO RESULTADO DO
815.000,00 30.000,00
CIRCULANTE EXERCÍCIO

REALIZÁVEL A CAPITAL
80.000,00 800.000,00
LONGO PRAZO |INTEGRALIZADO
RESULTADOS
IMOBILIZAÇÕES 735.000,00
CORRENTES
RESULTADO DO
25.004,00
EXERCÍCIO

TOTAL TOTAL DO
1.375.004,00 1.375.004,00
DO ATIVO PASSIVO
Fonte: O autor (2014)

A partir do demonstrativo acima podemos,então, calcular os principais


indicadores financeiros de análise conforme segue.

2.7 Liquidez geral

A liquidez geral representa a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, o


quanto ela dispõe de recursos para pagar suas obrigações, tanto de curto como de
longo prazo (circulante e não circulante).

A liquidez geral aponta o quanto a empresa dispõe de recursos para pagar cada
real de suas dívidas.

Seu cálculo é feito a partir da divisão do ativo pelo passivo, desconsiderando o


Patrimônio Líquido que pertence à empresa.

Conforme nosso exemplo, a liquidez geral ficaria da seguinte forma:

LIQUIDEZ GERAL

ATIVO TOTAL / (PASSIVO CIRCULANTE + PASSIVO NÃO CIRCULANTE) 2,51

Para a avaliação desse índice podemos considerar que quanto maior for o
quociente acima, melhor para a empresa, uma vez que mais recursos sobrariam
depois de pagarmos nossas dívidas.

Análise: conforme é possível observar, temos R$ 2,51 em bens e direitos de


curto e de longo prazo para pagar R$ 1,00 de dívida. Isso significa que pagaríamos
nossas dívidas de curto e de longo prazo e ainda nos sobraria R$ 1,51.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 75


U2

Para a avaliação desse índice podemos considerar que quanto maior for o
quociente acima, melhor para a empresa, uma vez que mais recursos sobrariam
depois de pagarmos nossas dívidas.

Análise: conforme é possível observar, temos R$ 2,51 em bens e direitos de


curto e de longo prazo para pagar R$ 1,00 de dívida. Isso significa que pagaríamos
nossas dívidas de curto e de longo prazo e ainda nos sobraria R$ 1,51.

2.8 Liquidez corrente

O índice de liquidez corrente representa, similarmente ao índice de liquidez


geral, a capacidade de pagamento das dívidas da empresa.

Temos como diferencial o fato de que a liquidez corrente utiliza como


parâmetros para seu cálculo apenas os recursos e dívidas de curto prazo, ou seja,
as contas do ativo circulante versus as do passivo circulante, conforme podemos
observar no cálculo de nosso exemplo a seguir:

LIQUIDEZ CORRENTE

ATIVO CURCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE 1,27

O índice de liquidez corrente deve ser avaliado de forma similar à da liquidez


geral, ou seja, quanto maior for esse indicador melhor, uma vez que representará
que a empresa possui mais recursos para pagar suas dívidas.

Análise: no caso do indicador apresentado acima, podemos observar que


a empresa possui R$ 1,27 para pagar cada R$ 1,00 em dívidas de curto prazo
(circulante). Isso significa que ao pagar suas dívidas a empresa terá uma sobra de
R$ 0,27 por cada R$ 1,00 pago.

2.9 Liquidez seca

O índice de liquidez seca representa a mais exigente forma de cálculo da


liquidez do demonstrativo financeiro da empresa.

Nesse caso, o índice de liquidez é apurado a partir da divisão do ativo circulante


pelo passivo circulante, porém retirando do ativo circulante o valor dos estoques.
Isso se dá pelo fato de que os estoques não representariam recursos com boa
disponibilidade para se saldar as dívidas, visto que ele precisaria ser vendido.

Geralmente, ao calcularmos esse índice, obtemos um quociente menor do que


1, porque – como já dissemos – trata-se de um índice bastante exigente quanto
aos recursos disponíveis para se saldar as obrigações de curto prazo.

76 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

LIQUIDEZ CORRENTE

(ATIVO CURCULANTE – ESTOQUES) / PASSIVO CIRCULANTE 0,91

Podemos observar que o índice diminuiu bastante se comparado com os


demais indicadores de liquidez (geral e corrente).

Isso se dá pelo fato de que estamos considerando apenas as disponibilidades e


nossas contas a receber para seu cálculo.

Análise: Nossa análise desse indicador segue a mesma linha que já descrevemos
nos demais indicadores de liquidez, ou seja, quanto maior for o indicador, melhor
para a empresa, pois mais próxima de pagamento com superávit ela estará em
relação às suas dívidas de curto prazo.

Nosso exemplo evidencia que a empresa possui R$ 0,91 para pagamento


de cada R$ 1,00 de suas dívidas. Se a empresa dependesse apenas de suas
disponibilidades e créditos de curto prazo para pagar suas dívidas de curto prazo
ela não conseguiria efetuar todo o pagamento uma vez que lhe faltaria R$ 0,09 por
cada R$ 1,00 de suas dívidas.

2.10 Endividamento do capital próprio

Esse indicador representa a relação entre as dívidas da empresa e seu patrimônio


líquido servindo de parâmetro para análises de crédito.

Seu cálculo é feito a partir da divisão entre o total das dívidas que a empresa
possui (curto e longo prazo) dispostas no passivo e o patrimônio líquido.

ENDIVIDAMENTO DO PL

(PASSIVO CIRCULANTE + PASSIVO NÃO CIRCULANTE) / PATRIMÔNIO LÍQUIDO 0,66

Sempre que esse indicador for menor do que 1 significa que temos menos
dívidas do que contamos de recursos no patrimônio líquido. Sempre que ele
indicar um quociente maior do que R$ 1,00 significa que nosso patrimônio líquido
é menor do que nossas dívidas.

Esse indicador é apenas um parâmetro para análise da saúde financeira da


empresa em termos estruturais, mas não significa que a empresa não dispõe de
recursos para saldar seus compromissos uma vez que seu patrimônio líquido é
positivo, mesmo que inferior ao total de suas dívidas.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 77


U2

Precisamos considerar sempre que o objetivo do investidor é a obtenção


de rentabilidade sobre o capital investido. Um dos problemas que a
empresa pode ter é justamente comprometer em termos de dívida seu
capital gerando prejuízos financeiros ao contrário de resultados.

Análise: como podemos observar no resultado do cálculo do endividamento


do patrimônio líquido de nosso exemplo apresentado acima, para cada R$ 1,00
que a empresa dispõe de patrimônio líquido ela deve R$ 0,66.

Devemos analisar esse indicador sempre em conjunto com os demais


indicadores apresentados referentes à liquidez da empresa.

2.11 Indicadores de atividade

Esses indicadores evidenciam os movimentos de algumas das principais contas


que a empresa opera no período.Eles demonstram basicamente quanto cada uma
das principais contas que representam sua atividade se movimentaram no período.
A essa movimentação denominamos de giro ou de prazo médio em alguns casos.

2.12 Prazo médio de recebimento

Esse indicador nos evidencia qual é o prazo em termos de dias que a empresa
demora para receber suas duplicatas derivadas de suas vendas.

Para obtermos esse indicador dividimos o valor das duplicatas a receber pela
receita operacional bruta. O quociente dessa conta é então multiplicado por 360
dias que representa o número de dias de um ano.

PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO

DUPLICATAS A RECEBER / RECEITA OPERACIONAL BRUTA X 360 96

Análise: como podemos observar pelo resultado de nosso cálculo exemplo,


nosso prazo médio de recebimento de duplicatas é de 96 dias.

Vale destacar que é importante considerarmos sempre o valor do saldo das


duplicatas médio, ou seja, quando dispomos de dois anos de balanço patrimonial
somamos o saldo do início do período (final do balanço do ano anterior) com o
saldo final do balanço e dividirmos por dois.

78 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Nesse nosso exemplo utilizamos apenas o saldo final por não dispormos do
saldo anterior.

2.13 Prazo médio de pagamento

O prazo médio de pagamentos representa quantos dias em média demoramos


para pagar nossas compras relacionadas à nossa operação.

Para calcularmos o prazo médio dos pagamentos precisamos saber o montante


de compras do período (no nosso exemplo vamos utilizar R$ 720.000,00).

De posse do valor das compras do período podemos calcular o prazo médio


de pagamento dividindo o valor das duplicatas a pagar (fornecedores) pelo valor
das compras. Vale destacar que quando dispomos de balanço anterior utilizamos
o valor médio das duplicatas a pagar, assim como foi explicado no caso do cálculo
do prazo médio dos recebimentos.

PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTOS

DUPLICATAS A PAGAR COMPRAS DO PERÍODO X 360 120

Análise: conforme podemos observar, nosso prazo médio de pagamentos é de


120 dias, ou seja, aproximadamente quatro meses.

Esse índice deve ser avaliado de acordo com a realidade da empresa e


comparando-o com o prazo de recebimento das vendas. É sempre aconselhável
que tenhamos prazos de recebimento menores do que nossos prazos
de pagamento.

Você concorda que uma empresa necessita equilibrar seus


prazos de pagamento com seus prazos de recebimento?
Por quê?

2.14 Giro dos estoques

Esse índice é muito importante, pois nos evidencia quantas vezes nosso estoque
girou durante o período.

É sabido que é saldável que a empresa consiga girar muitas vezes seus estoques
durante o período. Quanto maior o giro de estoques melhor, pois, mais vezes, ela
fechará seu ciclo operacional e financeiro.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 79


U2

GIRO DOS ESTOQUES

CUSTO DAS MERCADORIAS / ESTOQUES 3

Análise: Considerando os valores de nosso exemplo disponíveis no balanço


e na DRE, nosso estoque girou 3 vezes durante o período, o que equivale a
aproximadamente um giro a cada 120 dias.

Vale destacar que quando dispomos de dois balanços devemos calcular o


estoque médio utilizando o saldo anterior e o saldo final, conforme já foi explicado
no cálculo do prazo médio de recebimento no caso das duplicatas a receber.

2. Vamos fixar nosso conhecimento sobre o cálculo do giro dos


estoques? Considerando os valores a seguir, calcule o giro dos
estoques indicando quantas vezes ele girou no período.

CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS R$ 900.000,00.


ESTOQUE NO INÍCIO DO PERÍODO R$ 400.000,00.
ESTOQUE NO FINAL DO PERÍODO R$ 200.000,00.

Nosso estoque girou quanta vezes no


período?__________________________.

Temos outros índices que poderiam ser apresentados, porém os que foram
discutidos nessa seção representam os principais e oferecem uma boa visão sobre
a situação econômica e financeira da organização.

É sempre importante que tenhamos em mente que a análise isolada de um


indicador pode comprometer a qualidade da análise. É sempre importante que a
empresa tenha o conjunto dos indicadores para fazer suas avaliações de forma
mais completa e abrangente.

80 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Seção 3

Avaliação do desempenho e geração de valor


Existe uma máxima que diz: aquilo que não controlamos e medimos não temos
como avaliar. Isso significa que é preciso estabelecer critérios para avaliarmos o
andamento de nossos projetos.

Falamos sempre de projetos e de investimentos como algo necessário para que as


empresas garantam sua continuidade e crescimento.

O tema avaliação de desempenho é bastante amplo, pois envolve questões de


várias áreas da empresa. Desde o próprio planejamento estratégico e operacional até
às áreas que executam as tarefas que servirão à execução dos objetivos traçados no
planejamento.

Outra área fundamental que merece destaque é a de recursos humanos, pois


a maioria dos mecanismos de avaliação envolve o estabelecimento de metas e de
indicadores de desempenho de pessoas.

Ao envolver as pessoas, o processo de avalição torna-se algo dinâmico e complexo


na mesma proporção da complexidade e dinamismo do próprio ser humano que se
comporta a partir de suas próprias características, mais aquelas herdadas ou impostas
por seu ambiente de trabalho.

O processo de avaliação de desempenho deve sempre primar pela clareza de forma


que os envolvidos saibam exatamente sob que aspectos eles estão sendo avaliados e o
que devem fazer para melhorar sua avaliação.

Um dos aspectos que merecem atenção no processo de condução dos negócios é


o fato das empresas estarem constantemente recorrendo a recursos de terceiros para
alavancar suas operações.

A medida certa na utilização desses recursos é aquela que permite que o custo
do capital captado seja compensado pelo retorno da operação em que o mesmo foi
investido e que merece um acompanhamento em termos de desempenho de forma
bastante constante e rigorosa.

Como é possível perceber, tanto as pessoas como os processos necessitam ser


acompanhados de perto por meio de medidas que permitam indicar o quanto se está
próximo ou distante do objetivo.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 81


U2

3.1 Avaliação de desempenho

Toda empresa que esteja operando em mercados concorrenciais está sujeita a


ser avaliada por seus pares e principalmente por seu público consumidor.

Nesse sentido torna-se um imperativo a elaboração de projetos bem como


a definição de metas e objetivos que possam culminar no atendimento ao
planejamento estratégico elaborado pela empresa.

Como já destacamos na introdução dessa seção, o maior desafio da avaliação


de desempenho é compreender e medir a eficácia da atividade humana.Muitas
empresas vinculam a avaliação de desempenho ao pagamento de salários,
bonificações, premiações etc.

Você concorda que tendo consciência de que estamos sendo


avaliados acabamos nos sentindo pressionados? Vocês acham
que isso pode comprometer seu desempenho no trabalho ou
compreende que a avaliação é fundamental e que ao contrário
melhora seu desempenho?

A avaliação de desempenho organizacional permite que tenhamos um feedback


de nossos funcionários em relação aos trabalhos executados.

Vale o destaque porém de que não somente as pessoas que trabalham na


organização que são avaliadas, os processos e atividades também são avaliados
tendo, no entanto, os executores igualmente avaliados.

É fato que por trás de qualquer processo operacional temos a presença de


pessoas, portanto, acabamos avaliando as pessoas executoras da atividade, mesmo
quando o que estamos avaliando seja o resultado dessa atividade.

Podemos exemplificar a avaliação de desempenho de nossas ações de


marketing em tocar adequadamente a percepção de nossos clientes.

Quando lançamos por exemplo uma campanha de marketing e propaganda


voltada para o lançamento de um determinado produto, estaremos avaliando
quanto nossos clientes entenderam e responderam positivamente a essas ações,
portanto,é a atividade de marketing.

Ocorre que as pessoas inseridas no planejamento e execução desses processos


acabam sendo avaliadas em função do sucesso ou fracasso deles.

A avalição de desempenho, geralmente, é feita por meio de sistemas e de

82 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

indicadores sendo que o Balanced Score Card – BSC – é um dos exemplos mais
conhecidos quando tratamos do tema.

Quadro 2.9: Exemplo de aplicação de avaliação sob a perspectiva do BSC

MISSÃO

A Sociedade Canadense do Câncer é uma


organização nacional, com base na comunidade de
voluntários, cuja missão é a erradicação do câncer e
a melhoria da qualidade de vida das pessoas vivendo
com câncer.

VISÃO

Qualidade – nosso foco está sobre as pessoas que servimos


(pacientes com câncer, seus familiares, doadores, e o
público) e vamos buscar a excelência através da avaliação
e melhoria contínua.

Cuidado – estamos empenhados em servir com


empatia e compaixão.

ESTRATÉGIA
AUMENTO DAS ARRECADAÇÕES EM 10 %
REDUÇÃO DOS CUSTOS EM 20%
INVESTIMENTO NOVA SEDE R$ 1.200.000,00
MAPA ESTRATÉGICO
EXEMPLOS DE CONTAS DO ORÇAMENTO
PERSPECTIVAS DO BSC
1) FINANCEIRA
Financiamentos
Arrecadações
2) DO CLIENTE
Assessoria de imprensa
Imobilizações e instalações
3) DOS PROCESSOS INTERNOS
Custos dos serviços
Automações
4) APRENDIZADO E DO CRESCIMENTO
Cursos e treinamentos
Comunicação técnica

Fonte: O autor (2014)

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 83


U2

É possível observarmos, no quadro acima, as perspectivas do BSC sob as quais


as organizações são avaliadas.

A avaliação de desempenho sob o sistema BSC atende às seguintes perspectivas


que merecem ter a atenção da organização.

• Financeira – que representa a perspectiva que toma como objeto de


planejamento, desenvolvimento e avaliação de desempenho as questões
econômica e financeira que envolvem o fluxo de recursos e o resultado obtido
pela organização a partir de suas variadas atividades.

1) Em relação às perspectivas sob as quais uma organização deve


submeter suas avaliações está a financeira, conforme nosso texto
explica. Entre as alternativas a seguir qual delas pode ser considerada
uma afirmação correta?

a) A perspectiva financeira não é importante, o mais importante é


termos informações qualitativas sobre nossas atividades.

b) A perspectiva financeira não pode ser ignorada mesmo diante


do reconhecimento de que é importante termos outras formas de
avaliação além daquela relacionada aos resultados econômico e
financeiro da atividade.

c) A avaliação de desempenho só diz respeito às questões quantitativas.

d) A avaliação de desempenho só diz respeito à avaliação dos


processos.

• Do cliente – que diz respeito às questões voltadas para os aspectos de


relacionamento entre a organização e seu público consumidor. Prioriza questões
relacionadas ao nível de satisfação dos clientes com os produtos e serviços
oferecidos pela organização.

• Dos processos internos – essa perspectiva está voltada para as operações


internas que devem estar alinhadas com os objetivos máximos da empresa
sendo os principais atender adequadamente seus clientes, satisfazê-los em suas
necessidades e conquistá-lo levando-o à fidelização.

• Aprendizagem e do conhecimento – essa perspectiva diz respeito a um dos


aspectos mais importantes relativos a pelo menos duas frentes que as empresas
precisam manter bem cuidadas. A primeira diz respeito à formação continuada de

84 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

seus colaboradores que precisam ser capacitados a fim de serem mais eficazes.
A outra diz respeito aos processos de pesquisa e desenvolvimento que são tão
necessários para manter a empresa à frente de seus concorrentes. Geralmente
temos a inovação como o maior objetivo dessa segunda frente relacionada aos
processos de aprendizagem e obtenção de conhecimento.

Os criadores do Balanced Score Card são os professores Kaplan e


Norton que procuraram atender à demanda de novos indicadores
de avaliação de desempenho das empresas que estavam até então
muito focadas em indicadores numéricos voltados para a avaliação
financeira da empresa.

Podemos considerar que o BSC oferece uma ótima possibilidade de abrangência


geral da realidade empresarial permitindo que se tenha uma visão ampla e que
contemple as principais perspectivas envolvidas com sua operação.

De forma sintética podemos dizer que o BSC revisa a missão e visão da empresa
alinhando a elas os indicadores de desempenho relacionados aos objetivos e
metas necessários para se atender ao planejamento estratégico.

Vale destacarmos que não existe um padrão único para a organização do BSC
e que cada empresa com suas necessidades individuais deve procurar adequar seu
BSC à sua realidade e principalmente ao seu planejamento estratégico.

Podemos visualizar o processo estrutural do BSC a partir da figura a seguir,


lembrando que a aplicação do BSC nas organizações passa por um processo de
reeducação do corpo funcional partindo inclusive da alta direção.

Você concorda que cada empresa possui necessidades específicas


de acordo com suas próprias características? É importante que as
empresas tenham consciências dessas características para executa
seu planejamento?

Em termos estruturais gerais podemos seguir ao menos alguns parâmetros de


orientação para os gestores da empresa.

Nesse sentido, Kallás (2003) resgata uma ilustração de BSCOL (2000) que ilustra
bem o BSC em seu viés estratégico conforme segue.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 85


U2

Figura 2.1: Componentes e terminologia do BSC


Mapa Estratégico:
Descreve a estratégia da empresa
através de objetivos relacionados
entre si edistribuídos
Objetivo Estratégico: Indicador: Meta: Plano de Ação:
nas quatro dimensões
O que deve Como será O nível de Programas de
ser alcançado medido e desempenho ação-chave
Mapa Estratégico: e o que é acompanhado ou a taxa de necessários
crítico para o sucesso melhoria para se
Financeira
Rentabilidade o sucesso do alcance necessários alcançar os
da organização do objetivo objetivos
Menos Menos
aviões clientes

Mercado
Vôo Preços
pontual mais baixos Objetivos Indicadores Meta Iniciativa

Rápida Tempo de pouso 30 minutos Programa de


Preparação Partida pontual 90% otimização
Processos em solo da duração
Internos Rápida do ciclo
preparação
em solo

Aprendizado &
Inovação Alinhamento
do pessoal
de terra

Fonte: BSCOL (2000 apud KALLÁS, 2003, p. 27)

Como podemos observar na figura de Kallás (2003), o principal mecanismo de


planejamento do BSC é o mapa estratégico.

Nele são apresentados os principais objetivos em cada perspectiva dentre aquelas


que estudamos anteriormente: financeira; do cliente; dos processos internos; e a da
aprendizagem e conhecimento.

O processo do BSC basicamente se divide em objetivos; indicadores; metas e iniciativas


que a empresa necessita cumprir para atender à sua missão e visão estabelecidas no seu
planejamento estratégico.

Essas considerações que fizemos sobre avaliação de desempenho e o BSC são


apenas introdutórios e servem como base para o aprofundamento de seu estudo em
relação ao assunto, porém acreditamos que as principais informações estão disponíveis
nessa seção. O mais importante é que você busque leituras complementares sobre o
assunto de forma a obter mais conhecimento sobre essa importante ferramenta de
gestão empresarial.

Para você saber mais sobre esse assunto, sugiro a consulta do capítulo 1 do
e-Book “Guia Balanced Scorecard” disponível no link:
<http://www.secth.com.br/imagens/editor/e-book/GUIA_Balance_
Scorecard.pdf>.

86 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

3.2 Alavancagem financeira e gestão baseada no valor

As estratégias financeiras das empresas passam necessariamente pela busca de


captação de recursos que ao serem aplicados em determinados projetos possam
render resultados positivos para os investidores.

Toda empresa possui um objetivo principal que, geralmente, passa pela


obtenção de resultado em seus empreendimentos, porém é a área financeira que
representa um dos grandes desafios para sua gestão.

A gestão baseada em valor, derivada de Value Based Management – VBM –


procura ampliar a capacidade da empresa em obter resultados.

Na verdade trata-se de uma concentração de ações derivadas de decisões


que possuem como linha de raciocínio a possibilidade que determinado
projeto, determinada meta e atividade tem de gerar valor para a organização e
consequentemente para o investidor acionista.

Segundo Cunha, Araujo e Lima (2014, p.3):

é uma abordagem que envolve a gestão da empresa como


um todo, e que leva os gestores a repensar os processos de
gerenciamento, o que vai desde o desenvolvimento de estratégias
até a definição de indicadores de desempenho. A VBM considera
a maximização do valor como meta financeira da empresa.

Vejam que no mesmo sentido do BSC o objetivo do VBM ou Gestão Baseada


em Valor – VBV – possui como objetivo principal a avaliação de desempenho
empresarial por meio de indicadores.

No caso do VBV, os indicadores possuem como premissa medirem o quanto


cada atividade está ou não gerando valor ao acionista.Esse valor possui caráter
financeiro uma vez que o acionista investe no negócio com o objetivo de
lucro. Lembremos que sempre temos um custo de oportunidade envolvido no
investimento.

A proteção do investidor (acionista) é algo que o mercado de valores mobiliários


vem buscando a cada dia como forma de fomentar a atividade de investimentos
em bolsas por parte de pequenos investidores.

Você sabia que a legislação e normas para a comercialização de ações têm se voltado
para a preocupação com os acionistas minoritários? Ações como a exigência de
destinação dos resultados obtidos, a governança corporativa e a exigência de auditoria
independente procuram proteger esse investidor de gestões fraudulentas ou ineficazes.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 87


U2

A gestão baseada em valor possui como ponto central a utilização de indicadores


(drivers) que servirão ao propósito de avaliação de desempenho.

Porém não adianta termos uma mudança ou alinhamento da cultura empresarial


no sentido de busca de geração de valor para o investidor se isso não for devidamente
acompanhado por ações que caminhem no mesmo sentido.

Podemos sintetizar o processo de GBV a partir da descrição das seguintes etapas


necessárias para sua implantação.

∞∞ Definir a ampliação do valor gerado pela empresa como um objetivo da


área financeira.

∞∞ Identificar e selecionar os principais drivers de valor.

∞∞ Elaborar as estratégias voltadas para os driversde valor.

∞∞ Definir as metas necessárias para o cumprimento das estratégias definidas


com base nos drivers.

∞∞ Estabelecer um plano de ação voltado para o cumprimento das metas


vinculadas à estratégia.

∞∞ Avaliar o desempenho com base nos drivers que estão sendo alimentados
pelas operações em prol da geração de valor.

De uma forma simplificada podemos considerar que os drivers seriam para a GBV o
que os indicadores são para o BSC.

Segundo podemos retirar de Cunha, Araujo e Lima (2014, p.4):

Consistem numa ferramenta utilizada para atingir a meta da


empresa. A análise desses indicadores deve permitir que se estude
toda a cadeia de resultados que agregam valor para a empresa,
assim como as áreas responsáveis pelas várias decisões.

A estrutura simplificada da GBV pode ser vista na figura a seguir:

88 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2
Figura 2.2: Direcionadores de valor
MICRO DRIVERS MACRO DRIVERS DETERMINANTES
DE VALOR
TAMANHO DO MERCADO
MARKET SHARE RECEITAS
MIX DE VENDAS

PREÇOS DO VAREJO MARGEM GERAÇÃO


ESTRUTURA E CUSTOS OPERACIONAL DE CAIXA
MATERIAIS

TAXA DE IMPOSTO IMPOSTOS


ESTRUTURA
F. DE CAIXA VALOR DA
OPERAÇÕES UNIDADE
GIRO DE ESTOQUE
GIRO DE C.A RECEBER
CAPITAL
PRAZOS DE PAGAMENTO
DE GIRO
PRAZOS CONTRATUAIS
INVESTIMENTO
NECESSÁRIO
VIDA ÚTIL DA PLANTA
REPOSIÇÃO DE EQUIP. GASTOS
MANUTENÇÃO DE CAPITAL
ESCALA DE OPERAÇÕES

CUSTO DO CAP. P PRÓPRIO


CUSTO DO CAP. 30S. CUSTO DE TAXA DE
CAPITAL DESCONTO
ALAVANCAGEM

Fonte: Rappaport (2001, p. 196 apud CUNHA; ARAUJO; LIMA, 2014, p. 4)

Como vimos, a avaliação de desempenho é fundamental para a gestão eficaz


das organizações no sentido de atingirem seus resultados.

Outro aspecto que também está alinhado à gestão eficaz da organização e que
igualmente procura a maximização dos resultados do acionista é a utilização da
alavancagem financeira.

De forma sintética podemos considerar que qualquer ação que a empresa


execute no sentido de buscar captar recursos para aplicá-los em operações que
busquem a obtenção de lucro é uma alavancagem financeira.

Ocorre que a implementação desmedida de endividamento também pode


ao contrário gerar prejuízos significativos para a organização podendo levá-la até
mesmo a uma situação de insolvência.

Uma das táticas que as empresas se utilizam, por exemplo, é a busca de


geração de resultados por meio do endividamento com terceiros, fazendo com
que o patrimônio líquido aumente em função dos lucros gerados pelos projetos
alavancados, porém com o mesmo capital investido pelos acionistas.

O resultado prático dessa ação é uma melhor rentabilidade do capital investido


em função de que o lucro se ampliou enquanto o capital próprio investido se
manteve com o mesmo valor.

A aquisição de imobilizado por meio de alavancagem é um outro exemplo de


ação que gera aumento das receitas operacionais, bem como aumento relativo
dos custos fixos sobre os custos variáveis.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 89


U2

De forma simplificada podemos dizer que a alavancagem financeira objetiva


uma maximização do Lucro Antes dos Juros e Imposto e Renda – LAJIR sobre o
lucro por ação que é o lucro que será distribuído ao acionista.

Podemos considerar que a aplicação de recursos no passivo não circulante,


ou seja, dívidas de longo prazo podem gerar uma alavancagem positiva para a
empresa ao aumentarem o patrimônio líquido.

Uma forma de medirmos o risco sob o qual a empresa está sujeita por estar
alavancada é o Grau de Alavancagem Financeira – GAF.

Sua formulação é bastante simples:

Precisamos dos seguintes indicadores

RPL (Retorno s/ Patrimônio Líquido) = Lucro líquido / PL


RAT (Retorno s/ Ativo Total) = LAJIR / Ativo

De posse desses resultados podemos calcular o GAF.

GAF = RPL / RAT

Podemos obter três resultados em termos de tendência:

GAF = 1 – Alavancagem nula (baixo risco)


GAF > 1 – Alavancagem positiva (capital de terceiros causando efeito positivo
em termos de remuneração do Ativo).
GAF < 1 – Alavancagem negativa (alto risco).

2.) A partir dos dados a seguir, defina o GAF e informe qual é


sua avaliação a partir do resultado obtido.
ATIVO TOTAL R$ 800.000,00
LAJIR R$ 80.000,00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 400.000,00
LL R$ 40.000,00

Com base nos dados o GAF será de:


a) =1
b) <1
c) >1
d) =0

90 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Em suma podemos dizer que a alavancagem financeira visa ao aumento da


rentabilidade do acionista, mas pode expor a empresa a riscos devido ao nível de
endividamento elevado.

Torna-se importante uma gestão eficiente dos recursos, bem como das
operações de forma a se atingir esse objetivo.

Nessa unidade tivemos a oportunidade de conhecer alguns


conceitos relacionados à análise das demonstrações financeiras
como instrumento de apoio à tomada de decisões. A análise das
demonstrações financeiras torna-se fundamental para que se
conheça a situação econômica e financeira da organização.

O foco da análise das demonstrações financeiras está voltado para


os usuários da informação que se apoiam nessas análises para
subsidiar seu processo de decisão, principalmente, envolvendo
questões financeiras.

No tocante à análise dos processos organizacionais vimos que


a avaliação de desempenho é fundamental para que se saiba o
quanto perto ou longe dos objetivos a organização está.

Destacou-se que a avaliação de desempenho recai sobre o corpo


funcional da organização e por isso envolve muitas questões
complexas relacionadas ao comportamento das pessoas diante
dos processos avaliativos.

Embora a avalição de desempenho seja um desafio é importante


que seja levada a sério para que se tenha a empresa “nas mãos”.

Vimos que os indicadores de desempenho são importantes e


que a gestão baseada em valor, assim como no caso do BSC, está
preocupada em medir a eficácia das operações em busca dos
objetivos traçados no planejamento estratégico.

O BSC foi apresentado como instrumento de avaliação de


desempenho que compreende as principais perspectivas
empresariais que sejam elas: a financeira, a do cliente, a
dos processos internos e a do aprendizado e conhecimento
representando uma visão ampla da organização.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 91


U2

A gestão baseada em valor foca principalmente a identificação


e utilização dos drivers de valor que representam indicativos de
como a empresa está executando operações que gerem valor a
seus investidores.

A alavancagem financeira foi então apresentada como uma forma


de ampliação do resultado organizacional por meio da captação
de recursos de terceiros.

Agora que vimos os principais aspectos relacionados à análise das


Demonstrações Financeiras, principalmente aqueles relacionados
ao apoio do processo de decisão. Que vimos a importância de
avaliarmos nossos processos e pessoas com ele envolvidas por
meio de metodologias como o BSC e a GBV. Precisamos ampliar
nossos conhecimentos por meio da pesquisa.

Nesse sentido, a alavancagem financeira é uma forma de ampliação


do resultado organizacional em prol dos acionistas e investidores.
Que tal fazermos uma pesquisa sobre a forma de identificação e
mensuração da alavancagem financeira?

Vamos até nossa biblioteca digital ou utilizemos um buscador


na internet para chegarmos até textos que contemplem esse
importante tema. Depois de efetuada sua pesquisa vá até o fórum
da disciplina e promova a discussão sobre o que você obteve de
conhecimento em sua leitura. Bom trabalho!

1. Os indicadores financeiros são importantes porque


evidenciam a saúde financeira da organização. Quando o
conjunto de indicadores financeiros evidencia falta de

92 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

capacidade de pagamento, a empresa traz um indicativo


de que provavelmente não conseguirá honrar as suas
obrigações. Nesse sentido, o indicador que visa evidenciar
a relação das dívidas da empresa versus seu patrimônio
líquido é denominado mais especificamente:
a) Indicadores econômicos.
b) Indicadores de desempenho.
c) Endividamento do patrimônio líquido.
d) Nível de insolvência.

2. O lucro líquido do exercício representa quanto em


termos líquidos a organização vendeu no período.
Conforme dissemos, ele é apurado deduzindo das receitas
todos os custos, impostos e despesas. Nesse sentido, a
margem calculada com base no resultado final obtido
pela organização do período, depois de descontados
todos os impostos, custos e despesas, é denominada mais
especificamente.
a) Margem bruta operacional.
b) Margem líquida.
c) Margem de contribuição.
d) Retorno sobre o Ativo.

3. A avalição de desempenho geralmente é feita por meio


de sistemas e de indicadores sendo que o Balanced Score
Card – BSC – é um dos exemplos mais conhecidos quando
tratamos do tema. Nesse sentido, o principal instrumento
que compõe a estrutura de planejamento do BSC é:
a) O mapa estratégico.
b) O orçamento operacional.
c) O orçamento estratégico.
d) O plano de negócios.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 93


U2

4. Não adianta termos uma mudança ou alinhamento da


cultura empresarial no sentido de busca de geração de valor
para o investidor se isso não for devidamente acompanhado
por ações que caminhem no mesmo sentido. Nesse
sentido, a Gestão Baseada em Valor – GBV – tem como
foco principal:
a) O aumento do lucro financeiro.
b) O aumento dos custos fixos.
c) A ampliação dos clientes.
d) A maximização do valor para o acionista.

5. Além do conhecimento da situação econômica e


financeira da organização, objetivamos lhe demonstrar os
mecanismos estratégicos voltados à alavancagem financeira
como instrumentos de alavancagem dos resultados por
meio da utilização de capital de terceiros. Assim podemos
considerar como uma afirmativa correta:

a) A alavancagem financeira significa que a empresa deve


sempre buscar capital de terceiros em detrimento do
capital próprio.
b) A alavancagem financeira significa que a empresa deve
sempre buscar capital próprio em detrimento do capital
de terceiros.
c) A alavancagem financeira significa que a empresa deve
sempre buscar obter mais resultados com o capital próprio
do que com o capital de terceiros.
d) A alavancagem financeira significa que a empresa deve
sempre buscar o equilíbrio entre a utilização do capital
próprio e de terceiros avaliando se o nível atual de utilização
do capital de terceiros não a expõe demasiadamente ao
risco e se este está trazendo resultados satisfatórios.

94 Interpretação e análise das demonstrações financeiras


U2

Referências

ANÁLISE financeira: conheça os indicadores mais usados pelos analistas.


InfoMoney. Disponível em: <http://www.infomoney.com.br/educacao/guias/
noticia/568514/analise-financeira-conheca-indicadores-mais-usados-pelos-
analistas>. Acesso em: 20 out. 2014.

CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. Demonstrações contábeis


obrigatórias. Informativo de Fiscalização, n. 2, 2013. Disponível em: <http://
www.crcpr.org.br/new/content/publicacao/mailing/html/2013_06_17_
informativoFiscalizacao.html>. Acesso em: 22 set. 14.

CUNHA, Darliane Ribeiro; ARAUJO, Oneide Oliveira; LIMA, Gerlando Augusto


Sampaio Franco. Value drivers e estratégias para o setor hoteleiro. Disponível
em: <eco.unne.edu.ar/contabilidad/costos/VIIIcongreso/161.doc>.
Acesso em: 20 out. 2014.

KALLÁS, David. Balanced Score Card: aplicação e impactos. Um estudo com


jogos de empresas. Dissertação apresentada no programa de mestrado em
Administração da FEA-USP. São Paulo, 2003.

LUNELLI, Reinaldo Luiz. Demonstração do resultado abrangente. Portal de


Contabilidade. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/
tematicas/demonstracaoresultadoabrangente.htm>. Acesso em: 30 set. 2014.

Interpretação e análise das demonstrações financeiras 95


Unidade 3

ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
A CURTO PRAZO
Regiane Alice B. Moraes

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, você será levado a aprender


sobre análise de investimento a curto prazo, abordando o conceito de
capital de giro que influencia o ativo circulante de uma empresa. Obterá
conhecimento em análise de investimento usando a Demonstração do
Fluxo de Caixa e explicar os aspectos de uma gestão de contas a receber e
política de crédito.

Seção 1 | Conceito de capital de giro


O estudo do capital de giro identifica as possibilidades de pagamentos
a curto prazo em uma organização. A moeda corrente precisa estar
convertida em caixa para suprir os custos e gastos operacionais em uma
empresa, toda entidade é movimentada por entradas e saídas de capitais,
e para que se mantenha em movimento é preciso ter em seu circulante
o capital necessário para sua sobrevivência.

Seção 2 | Demonstração do fluxo de caixa


Nesta seção estaremos estudando uma das principais demonstrações
financeiras usada em uma empresa. Apresentaremos seus aspectos
e resultados da Demonstração de Fluxo de caixa. Esta importante
ferramenta tem como objetivo principal fornecer informações de grande
relevância sobre a movimentação do caixa, ou seja, entrada e saída de
capital de uma empresa em um determinado período de tempo.
U3

Seção 3 | Gestão de contas a receber


A gestão de contas a receber é um trabalho rotineiro da administração.
Ela irá envolver basicamente: títulos e valores a receber, proveniente de
vendas a prazo de bens e serviços efetuados pela empresa. O interessante
neste assunto é aplicar esta ação rotineira em visão estratégica
representado em concessões de crédito, ou seja, um prazo para quitação
dos produtos ou serviços concedidos ao cliente.

98 Administração financeira a curto prazo


U3

Introdução à unidade

A empresa é uma atividade econômica, que é vista através de um sistema


aberto, é ter um modelo de gestão eficiente que venha permitir uma estrutura
organizacional, acompanhada de um processo de planejamento e controle e
sistema de informações, que todos os métodos da gestão venham inter-relacionar,
buscando atingir a eficácia.

Compreendemos que modelo de gestão parte dos princípios da administração


e influenciam todo processo decisório.

A Gestão Financeira parte da gestão dos fluxos monetários, vinculado a uma


atividade operacional, com reflexos em análise de investimento. Esta gestão
é a mais desafiadora e estimulante. Em contexto geral, aborda informações do
mercado atual bem como o mercado financeiro. Nesta unidade foi apresentada a
administração financeira de curto prazo dentro de uma organização. Propusemos,
então, um mecanismo de conceitos para avaliação de realizações de possíveis
mensurações a serem aplicadas em áreas específicas da organização. Aqui
trouxemos a composição do capital de giro, informamos que em todo investimento
é necessária a correta utilização deste capital e conhecer em qual aplicabilidade
está refletindo.

Abordamos uma das principais ferramentas em análises de investimento a longo


e a curto prazo, a Demonstração de Fluxo de Caixa. As informações apresentadas
nos fluxos de caixa de uma entidade são úteis para proporcionar aos usuários uma
base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa,
bem como suas necessidades de liquidez.

E para uma boa aplicação de uma gestão eficiente, apresentamos em contexto


a correta política de crédito a ser aplicada em uma empresa.

Todas as informações aqui apresentadas levarão a compreender como em uma


gestão empresarial a administração em curto prazo deve ser aplicada de modo
com que a empresa se mantenha competitiva neste mercado tão complexo.
Bons Estudos!

Administração financeira a curto prazo 99


U3

100 Administração financeira a curto prazo


U3

Seção 1

Capital de giro
O estudo do capital de giro é fundamental para investimento de recursos, bem
como outras áreas operacionais da empresa, os conceitos apresentados nesta
seção facilitam o entendimento das estruturas básicas das análises de investimento
e fazem parte do dia adia do trabalho do analista, do investidor, economista entre
outros profissionais. O principal objetivo é a compreensão de análises em curto
prazo. O presente estudo irá levar você à compreensão das análises de liquidez.
Vários especialistas afirmam que as empresas encerram suas atividades exatamente
por problemas de liquidez. O entendimento sobre o assunto irá acontecer através
de uma boa leitura.

1.1 Conceito de capital de giro

As atividades econômicas são movimentadas através de capitais de curto prazo,


sendo este a somatória das disponibilidades, o mesmo consiste em ser os recursos
correntes (curto prazo) das entidades.

O capital de giro é normalmente identificado como o valor em moeda corrente


capaz de ser convertida em caixa no prazo máximo de um ano.

A constituição de uma empresa acontece por meio de recursos materiais e


moedas; em recursos materiais citamos como exemplo: imóveis, instalações,
máquinas, equipamentos, entre outros, todos estes são necessários para o
funcionamento da atividade. O termo na administração financeira usado para
classificar os equipamentos é capital fixo ou permanente e em recursos de rápida
renovação temos: dinheiro, créditos, estoques, que formam seu capital circulante
ou capital de giro, também chamado de ativo corrente.

Esta expressão pode ter vários significados, capital de giro podem ser as
disponibilidades da empresa como um produto ofertado em uma instituição
financeira.

Ressaltamos que o Capital de giro é o ativo circulante que sustenta as operações


do diaadia da organização, bem como representa a parcela dos investimentos
aplicados pelos gestores.

Administração financeira a curto prazo 101


U3

Capital de Giro = Ativo Circulante

O capital de giro é tão importante em uma entidade que ao administrá-


lo erroneamente a empresa sofrerá grandes problemas em seu fluxo de caixa.
Importante ressaltarmos que o uso deste capital dependente também do volume
de vendas, da política de crédito e o nível de estoques.

Lembremo-nos então de duas considerações importantes:

∞∞ Ciclos econômicos

∞∞ Sazonalidade

Ao avaliarmos a produção de uma indústria considerando seus ativos,


afirmamos que as indústrias possuem maior proporção de ativos permanentes em
comparação aos seus ativos totais, que refletem a necessidade de concentração de
caixa a longo prazo. As empresas comerciais configuram em maior concentração
do uso do capital de giro tendo como fluxo maior as principais contas, tais como:
contas a receber e nos estoques, neste caso, a busca por financiamentos é sempre
a curto prazo.

As empresas de serviço, por sua vez, não possuem ou possuem poucos ativos
permanentes e têm como enfoque as contas a receber.

Este estudo é fundamental para o administrador financeiro, bem como o


economista e gestores, o capital de giro significa investimentos ou investimento
de recursos para aplicação nas áreas operacionais, produção, compra e vendas
de uma empresa. Em uma gestão empresarial o administrador conceitua a boa
administração do capital de giro como facilitadores no entendimento das estruturas
básicas de análise.

1.2 Definições sobre o capital de giro

Assim, como afirmamos em nosso Tópico 1, o Capital de giro pode ter vários
significados, na própria área financeira, os analistas indicam capital de giro como
um produto a ser ofertado.

Segundo Silva (2005, p. 399), os conceitos de capital de giro são encontrados:

I- Ativo circulante
II- Capital circulante
III- Capital de giro próprio
IV- Capital imobilizado líquido
V- Ativo circulante líquido

102 Administração financeira a curto prazo


U3

Os conceitos apresentados pelo autor fazem parte do dia a dia da organização


e do trabalho dos analistas financeiros, de modo a compreender estes conceitos
vamos vê-los:
Figura 3.1: Modelo de balanço patrimonial empresa

1. Ativo
Imobilizado
tangível

2. Ativo
Imobilizado
intangível

Fonte: Ross (1998, p. 24)

Esta visão gráfica foi apresentada para auxiliar no entendimento sobre as


classificações dos grupos componentes do balanço patrimonial. Continuemos
nossa leitura apresentando agora os conceitos dos grupos citados.

1.2.1 Ativo circulante


O grupo ativo circulante tem como sinônimo o ativo circulante, ele é
compreendido como disponibilidades, duplicatas a receber e estoques.
Disponibilidades são os recursos financeiros que a empresa possui e podem ser
usados imediatamente sem restrições. Estes recursos são encontrados no caixa,
bancos conta corrente empresa, aplicações de liquidez imediata, duplicata a
receber e estoque.

O caixa compreende o valor em dinheiro existente na organização. As empresas


que possuem diversas filiais têm seus caixas localizados em suas unidades, neste

Administração financeira a curto prazo 103


U3

caso para encontrar o valor total da conta caixa é preciso somar seus valores e
compor esta informação de forma global. Alguns modelos de gestão adotam
usualmente a expressão fundo fixo de caixa que significa um valor permanente no
caixa usado para pagamento de pequenas despesas. O Caixa é o valor mais líquido
existente na empresa, representa o dinheiro em espécie e cheques recebidos.

Eles também são mantidos nas organizações para atender às suas transações
operacionais, pequenos imprevistos e para poder negociar condições de
pagamento com descontos junto aos fornecedores.

Banco conta Movimento compreende os saldos bancários da organização em


conta corrente disponíveis para saques ou aplicação financeira.

Aplicação de Liquidez Imediata compreende as aplicações financeiras de


liquidez aquelas que facilmente são convertidas em dinheiro e, desse modo, são
consideradas como disponibilidades. Importante ressaltarmos aqui que, excessivo
volume de aplicações financeiras pode representar perda de oportunidade de
investimento lucrativa na atividade econômica.

Duplicata a receber consiste em uma gestão de crédito, uma cobrança integrada


com as metas de negócios da organização e envolvente desta gestão termos de
crédito e negociação de descontos nos quais serão concedidos aos clientes.

O estoque são as mercadorias nas quais serão vendidas ou serão produzidas de


modo a ser suficiente para atender aos clientes. As duplicatas a receber e estoques
são itens representativos do ativo circulante.

A manutenção de elevados ativos circulantes possibilita maior capacidade de


pagamento da empresa, ou seja, maior liquidez.

1.2.2 Capital circulante líquido


Tem como base a diferença entre os ativos e passivos circulantes. Usamos a
seguinte expressão para encontrarmos o capital circulante líquido.

CCL= AC-PC

Diversos administradores financeiros afirmam que quanto maior for CCL


melhor será a condição de liquidez da empresa, há certa verdade neste contexto,
apenas destacamos que a qualidade da liquidez, tomando como base o CCL,
depende muito da atividade econômica em que a organização atua. Encontramos
empresas com o CCL negativo com boa liquidez. Neste caso citamos o exemplo
de supermercados que compram a prazo, vendem à vista e têm o prazo de
pagamento das compras superior ao prazo de rotação dos estoques, também

104 Administração financeira a curto prazo


U3

encontramos empresas com CCL positivo e apresentam dificuldade financeira. A


condição de análise no exemplo citado traz que: comparando as duas empresas
imaginando que as duas seguem o mesmo ramo de atividade uma com CCL
positivo e outra com CCL negativo, a empresa com maior liquidez é aquela que
apresentar o melhor resultado no seu capital de giro líquido.

Vejamos a seguir um balanço hipotético para exemplificar o cálculo do CCL.


Quadro 3.1: Modelo Balanço patrimonial

Ativo Passivo
Ativo Circulante Passivo Circulante
Caixa R$ 2.600,00 Fornecedores R$ 10.000,00
Duplicatas
R$ 21.800,00 Empréstimos R$ 15.000,00
a Receber
Estoques R$ 8.400,00 Salários e Encargos R$ 8.600,00
Aplicação R$ 1.100,00
Ativo Não Passivo não
Circulante Circulante
Realizável a Exigível a longo
R$ 100,00 R$ 1.300,00
longo prazo (RLP) prazo (ELP)
Imobilizado R$ 24.00,00

Patrimônio Líquido
Capital Social R$ 23.100,00

Ativo Total R$ 58.000,00 Passivo Total R$ 58.000,00

Fonte: A autora (2014)

Para encontrarmos o CCL usamos:

CCL= AC-PC CCL= 33.900-33.600 CCL=300

Considerando que o ativo circulante é representado por disponibilidades e o


passivo por obrigações, o valor de R$ 300,00 indica em quanto os ativos de curto
prazo superam os passivos a curto prazo.

O CCL (AC-PC) representa, quando positivo, um valor do ativo


circulante superior ao passivo circulante, o que é entendido por muitos,
é então uma folga financeira da empresa. Logo, toda empresa que
tem ativo circulante maior que o passivo circulante é uma empresa
financeiramente sólida e de boa liquidez?

Administração financeira a curto prazo 105


U3

1.2.3 Capital de giro próprio (CGP)


O capital de giro próprio é compreendido como a parcela do ativo circulante
financiada com recursos próprios, ou seja, a sobra do patrimônio líquido, após o
pagamento com os ativos imobilizados e realizável a longo prazo. Esta expressão
tem como representatividade:

CGP= PL- ANC

Utilizaremos para calcular o CGP o balanço apresentado no Quadro 3.1.

CGP= 23.100 - (24.000 + 100) CGP = -1.000

No exemplo apresentado tivemos um capital de giro negativo, isto é, menos R$


1.000,00. Isso quer dizer que os recursos próprios (patrimônio líquido) não foram
suficientes para cobrir as aplicações em ativos não circulantes. Ao analisarmos o
balanço é possível verificar que o próprio ativo imobilizado é maior que o patrimônio
líquido. Levemos em consideração o contexto operacional da empresa, não sendo
possível neste momento julgarmos se este resultado é ruim ou não.

1.2.4 Capital imobilizado líquido


Para Groppelli (1998, p. 382) “O capital circulante líquido é a quantia de dinheiro
que sobra após os passivos circulantes serem subtraídos dos ativos correntes”.

O conceito apresentado pelo autor nos leva a pensar que a aquisição dos ativos
circulantes, deve ser financiada através do exigível a longo prazo ou mesmo pelo
patrimônio líquido. A representatividade do CCL é:

Capital Circulante Líquido = Ativos Circulantes – Passivos Circulantes

Consideramos que o passivo de uma determinada empresa venha a permanecer


o mesmo, o CCL não terá alteração, entendamos que quando o ativo circulante
aumentar o CCL também aumentará.

Se tivermos duas indústrias com a mesma quantia de ativos, a empresa que


obtiver maior CCL é a mais líquida, exatamente porque a empresa obtendo mais
ativos líquidos, ela terá condições de cobrir seus passivos circulantes. Nesta linha
de raciocínio apresentada dizemos que o capital circulante líquido é sempre visto
como um indicador da liquidez na administração do capital de giro.

Vamos voltar a utilizar como exemplo o balanço apresentado acima, para reforçar
o conhecimento relembramos que do lado direito temos o ativo representando as
aplicações de recursos da organização, o lado do passivo representa as fontes que

106 Administração financeira a curto prazo


U3

estão financiando os ativos adquiridos. A própria atividade da organização gera


fontes operacionais de recursos, são elas: fornecedores, salários e encargos sociais
entre outras com natureza operacional. Para melhor explicarmos acompanhem o
quadro a seguir:
Quadro 3.2: Estrutura de capitais simplificada

Ativo (Aplicações) Passivo + Patrimônio (fontes)


Fontes de empréstimos a curto prazo
Aplicações no ativo circulante
ou desconto de duplicatas
(-) Fontes operacionais do passivo
circulante
(=) Ativo Circulante Líquido
Fontes de terceiros a longo prazo
Aplicações no ativo não circulante
Fontes próprias (PL)
Fonte: Adaptado de Silva (2005, p. 405)

No quadro acima trouxemos as composições do ativo e fontes do passivo. Ao


tratarmos de CCL percebemos que este vem a diferenciar-se dos demais conceitos
aqui apresentados (AC, CCL, CPL e CGP). Esta diferença está no uso das contas do
ativo e do passivo circulante, contas diretamente relacionada com a atividade da
empresa. Para calcular o CCL não usamos contas de empréstimos bancários de
curto prazo ou desconto de duplicatas. Este cálculo vem demonstrar efetivamente
a necessidade líquida de recursos que a entidade venha a ter em termos de seus
itens de natureza operacional.

Ressaltamos que há empresas que possuem as atividades sazonais, elas


concentram sua
produção e vendas
em determinadas
épocas do ano.
Fontes
Neste caso, o CCL Necessidade
a curto prazo
- Empréstimos CP
- Descontos DP
sofre oscilações com
tendências de valores
elevados na época de Fontes
Valores Ativo Imob - Patrimônio Líquido
maior atividade. circulantes
líquidos

Na figura a Necessidades
Permantes
seguir percebam as Ativo Imob
Recursos
- Exigível a Longo prazo

características das (+Realizável


a longo prazo)
necessidades sazonais.
Tempo

Fonte: Silva (2005, p. 406)

Administração financeira a curto prazo 107


U3

Conforme apresentamos na Figura 3.2, há uma parcela de recursos aplicada na


empresa em seu imobilizado e no realizável a longo prazo, o capital circulante líquido
corresponde aos investimentos que a empresa precisa realizar em duplicatas a receber,
estoques, adiantamentos a fornecedores, valores extraídos das fontes de recursos
operacionais. Esse CCL tem característica de aplicações permanentes de recursos
adicionados ao ativo não circulante, por outro lado, o indicador também tende a ter
parte deles com característica sazonal e que a organização necessite somente aplicar
tais recursos durante um período de tempos.

Para suprir esta necessidade sazonal a organização poderá recorrer a recursos de


curto prazo. O capital circulante líquido também é conhecido como ativo circulante
líquido. Para melhor compreender este contexto simplificamos o grupo ativo como
partes cíclicas e financeiras, ou seja, a parte financeira são as disponibilidades (AC), as
dívidas junto às instituições financeiras (PC). Qualquer outra nomenclatura de contas
componentes do ativo e passivo é cíclica, isto é, é decorrente do ciclo operacional da
empresa.

Silva (2005, p. 407) diz que:

O ativo circulante líquido é uma espécie de aplicação líquida de


recursos, de caráter operacional, que compreende tanto os itens
cíclicos quanto um caixa operacional, que compreende tanto os
itens cíclicos quanto um caixa operacional mínimo.

O capital circulante líquido é a diferença entre o ativo circulante e o


passivo circulante. Do desdobramento conceitual do CCL extraímos
dois outros conceitos: IOG e T.
• IOG significa Investimento Operacional em Giro.
• T Saldo de tesouraria.
O IOG é compreendido como: itens de caráter operacional que
normalmente estão classificados dentro do ativo e do passivo
circulantes, relacionados ao ciclo operacional das empresas. O T é
composto pelos itens de caráter financeiro, como disponibilidade,
aplicações financeiras e empréstimos a curto prazo.

1.3 Administrando o capital de giro

Segundo Brigham, Gapenski e Ehrhardt (2001, p. 662):

108 Administração financeira a curto prazo


U3

A expressão capital de giro originou-se com o velho mascate


ianque, que enchia sua carroça com produtos e saía em sua
viagem para comercializar seus bens. A mercadoria era chamada
de capital de giro, pois era o que de fato ele vendia, ou “girava”
para produzir lucro. A carroça e o cavalo eram seus ativos
fixos. Ele geralmente era o proprietário da carroça e do cavalo,
financiados, portanto com “capital próprio”, porém, ele tomava
emprestados os fundos para adquirir a mercadoria.

As organizações vivem hoje uma constante disputa pelo mercado, esta


necessidade de manter-se em atividade consiste em aumento de produtos
ou serviços, gerando as preocupações com as operações. Hoje o crescimento
empresarial deve ser voltado a somente uma situação, obter recursos necessários
para conseguir financiamento de seu crescimento físico e valores para suprimento
das necessidades para permanecer investindo no giro do negócio.

A administração do capital giro vem do conhecimento de aplicação dos ativos


circulantes, ativos correntes que no geral flutuam de mês a mês.

O entendimento sobre capital de giro nos remete a compreender o ponto


de vista financeiro, alguns autores defendem que a indicação positiva do valor
representado pela soma do valor a receber, incluindo o valor do estoque, sendo
o mesmo positivo. Outro entendimento sobre o capital de giro é um resultado
negativo sendo este então um indicador de problemas para empresa.

A definição baseada na conceituação tradicional do capital de giro se dá na


apresentação do balanço que definiu a diferença entre ativo circulante – passivo
circulante = capital de giro.

Esta definição tradicional pode ser representada de valores positivos ou


negativos. Veja no gráfico que representa o capital de giro positivo e negativo.
Gráfico 3.1: Representativo Capital de Giro Positivo

PASSIVOS CIRCULANTES
ATIVOS CIRCULANTES
Capital de Giro Positivo

PASSIVOS NÃO CIRCULANTES


ATIVOS NÃO CIRCULANTES
ATIVOS NÃO CIRCULANTES

Fonte Pereira (2013, p. 70)

Administração financeira a curto prazo 109


U3

Gráfico 3.2: Representativo Capital de Giro Negativo

PASSIVOS CIRCULANTES
ATIVOS CIRCULANTES
Capital de Giro Negativo

PASSIVOS NÃO CIRCULANTES


ATIVOS NÃO CIRCULANTES
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Fonte: Pereira (2013, p. 71)

Os gráficos representaram o capital de giro positivo e negativo, que vem a


indicar que:

A empresa estará favorável sempre que seu capital de giro for positivo.

A organização que tem seu capital de giro negativo, significa que o valor obtido no
ativo circulante não é suficiente para o pagamento das dívidas a curto prazo.

Ressaltamos dois importantes conceitos:

Empresa endividada junto a terceiros e/ou sócios.

Empresas para realizarem aplicações em ativos precisam captar fontes de recursos,


seja de terceiros e/ou sócios.

1.4 Ciclo operacional

Até o momento apresentamos os conceitos, bem como o procedimento


envolvente de um capital de giro. Vimos também que a administração deste
capital resulta em compreensão correta de ativo circulante e passivo circulante,
e que uma organização necessita ter um controle muito seguro de seu capital de
giro. Ocorre que este gerenciamento do capital de giro precisa ser eficaz e para
alcançá-lo é preciso avaliar toda a movimentação realizada no ciclo operacional.

Não é uma avaliação simples, ela consistirá na verificação de todos os setores,


buscar ter total conhecimento se os setores estão desempenhando normalmente
suas atividades, ou seja, se os prazos estão sendo cumpridos.

É através do ciclo operacional, que a entidade terá conhecimento sobre


quanto necessitará de capital de giro para realizar investimentos em elementos
patrimoniais. Assaf Neto e Silva (1997, p. 35) definem ciclo operacional:

110 Administração financeira a curto prazo


U3

[...] como todo processo repetitivo que se inicia na aquisição da


matéria-prima para a produção e finaliza no recebimento pela
venda do produto final. O ciclo operacional faz parte de todo o
processo empresarial de produção-venda-recebimento.

Figura 3.3: Ciclo Operacional

Fonte: Disponível em: <https://financasxxi.files.wordpress.com/2012/07/ciclo-operacional.png?w=710&h=478>.


Acesso em: 08 jan. 2014.

A figura apresentada representa as fases do ciclo operacional de uma indústria.


Para melhor compreensão, vejamos os significados das siglas representadas
na figura.

• PME = Prazo médio de estocagem de matérias-primas

Este prazo está vinculado ao setor de insumos, ele corresponde a uma ação do
setor de compras e do setor financeiro, os dois setores avaliaram a necessidade da
obtenção da estocagem de matéria-prima.

O ciclo financeiro da empresa neste momento refletiu na aquisição do produto


que negocia a prazo para o pagamento junto a seus fornecedores, a atitude da
aquisição é pertinente uma vez que as compras são necessárias para suprir o
estoque de uma empresa.

Administração financeira a curto prazo 111


U3

• PMF= Prazo médio de fabricação

É o prazo definido pela indústria para que o setor de produção fabrique produtos.
Este tempo tem como medida abastecer o estoque da empresa de modo a suprir
os pedidos do cliente.

• PMV = Prazo médio de vendas

Este prazo se caracteriza no estoque vinculado ao estoque da entidade. A parte


comercial (venda) deve estar comprometida com o prazo de entrega do produto.
A empresa precisará ter em seus estoques uma quantidade mínima de produtos de
modo a atender às solicitações dos clientes ou pedidos.

• PMC = Prazo médio de cobrança

É caracterizado pelas vendas a prazo, este prazo é estipulado entre o tempo de


recebimento de dinheiro proveniente das vendas a prazo.

Figura 3.4: Ciclo Operacional para revenda de mercadorias

CAIXA

VENDAS MATÉRIA PRIMA

PRODUTOS ACABADOS
Fonte: Berti (1999, p. 17)

Figura 3.5: Capital de Giro – Venda à vista

CAIXA

VENDAS MATÉRIA PRIMA

VENDAS A PRAZO PRODUTOS ACABADOS


Fonte: Berti (1999, p. 17)

112 Administração financeira a curto prazo


U3

As figuras vêm exemplificar que para a venda de mercadoria a prazo leva-se um


tempo maior para que o dinheiro entre no caixa.

O ciclo operacional pode ser aplicado às empresas


prestadoras de serviços?

1.5 Conflito risco-retorno na administração do capital de giro


O mercado é muito incerto e toda esta incerteza faz com que os empresários
tenham receio de realizar investimentos com o capital de giro, administrar o capital
de giro é investir em elementos patrimoniais, a dificuldade está na certeza do
retorno. Porém apesar do risco há possibilidade de minimizar os riscos, vejamos o
que os autores comentam sobre este contexto.

Segundo Silva (2005, p. 410):

As dificuldades financeiras encontradas em uma empresa podem


ser causadas pela redução de vendas e pelo mau gerenciamento
de recursos. Estas dificuldades ocasionam diminuição de receitas
que comprometem as atividades operacionais da empresa e
consequentemente a liquidez.

É por isto que as empresas têm receio de arriscar seus investimentos em


elementos que talvez não possam dar retorno financeiro.

A redução de vendas é um dos grandes motivos por uma entidade não


realizar investimento, as incertezas apresentadas pelo mercado refletem em não
realizações de investimentos.

Conforme Assaf Neto e Silva (1997), o conflito do risco-retorno na administração


do capital de giro realiza-se quando a empresa tende a investir valores de capital
em diversos ativos, ocasionando o risco desta aplicação que pode gerar a incerteza
do retorno.

De acordo com Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999), o risco do fracasso do


investimento poderá ocorrer. É este o risco que o dirigente da empresa deverá
reduzir, prevendo a evolução dos elementos determinantes da rentabilidade da
empresa.

Administração financeira a curto prazo 113


U3

O acompanhamento da rentabilidade da empresa é um fator que traz


informações sobre o risco do investimento aplicado, através de ações estratégicas,
a organização conseguirá por vezes reverter situações trazendo mais tranquilidade
nos investimentos realizados.

INCERTEZA RISCO CERTEZA

O risco é um fato a não dar certo em um investimento, para


que este novo projeto possa ser uma inovação de sucesso é
preciso remetê-lo a avaliações precisas. Conforme estudado,
a realização de um cálculo para obtenção do capital de giro
em um investimento passará em qual fase do administrativo
e como acontece este processo?

Um investimento deve partir de um bom planejamento. Há sempre dois tipos


de investimento a ser pensado. A organização pode realizar um investimento
em aquisições de máquinas, móveis, prédio, ferramentas, enfim, para investir em
itens do ativo imobilizado. Outro investimento pode ser através de aquisições
de títulos, ações em outra companhia. Qualquer investimento que necessita de
um capital a ser aplicado deve ser medido através de um planejamento, usando
como ferramenta de avaliação a demonstração de fluxo de caixa, conforme você
estudará nesta unidade.

Gestão de capital de giro: contribuição para as micro e pequenas empresas no


Brasil. A formação das micro e pequenas empresas não é um privilégio apenas
dos que possuem talento. O bom-senso, a criatividade, o esforço, a dedicação
e o amor ao trabalho têm mostrado ao homem sua capacidade variante em
muitas virtudes, incluindo-se a honestidade. É importante ressaltar que a
existência das micro e pequenas empresas é a base sustentável da economia
do país. Por esse motivo deve-se dar ênfase à sobrevivência desse segmento
para que ocorra um desenvolvimento econômico e social. Continue a ler este
assunto, acesse o link: Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
=S0034-76122011000300013>.

114 Administração financeira a curto prazo


U3

1. A condição de liquidez de uma empresa é medida pelo:

a) Ativo Circulante – Patrimônio Líquido.


b) Ativo Circulante – Capital Circulante Líquido.
c) Ativo Circulante – Passivo Circulante.
d) Passivo Circulante – Patrimônio Líquido.
e) Resultado Líquido – Patrimônio Líquido.

2. O capital de giro de uma empresa deve ser definido:

a) No momento de sua abertura.


b) Em avaliação de suas dívidas.
c) Nos investimentos dos elementos patrimoniais.
d) Em seu ciclo operacional.
e) Em sua produção.

Administração financeira a curto prazo 115


U3

116 Administração financeira a curto prazo


U3

Seção 2

Demonstração do fluxo de caixa


Estaremos abordando nesta seção sobre demonstração de fluxo de caixa. Hoje as
organizações utilizam-se desta ferramenta contábil para os projetos de investimentos.
Com a DFC é possível calcular o rendimento futuro de bem a ser adquirido. Esta
importante ferramenta, o Fluxo de caixa (cash flow), também é considerada por
muitos analistas um dos principais instrumentos de análises, propiciando-lhes
identificar o processo de circulação de dinheiro, através da variação de caixa
e equivalente. O objetivo nesta seção é apresentar a Demonstração de Fluxo de
Caixa de modo que você, aluno, visualize as principais ações deste demonstrativo,
vinculando suas informações em uma análise de investimento.

2.1 Fluxo de caixa


Um pouco de história...

A Demonstração do Fluxo de Caixa não era exigida no Brasil até a Lei nº


11.638/07, exceto para casos específicos como empresas de energia elétrica,
participantes do novo mercado, entre outros casos. Porém era recomendada sua
publicação pelo Ibracon e CVM.

O Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 3 foi emitido para estabelecer a


elaboração e divulgação da DFC, que é elaborada como base no IAS 7 – Statements
of Cash Flows e se assemelha ao FAZ 95 do mesmo nome.

Segundo Iudícibus et al. (2010, p. 565),

O objetivo primário da DFC é prover informações relevantes sobre


os pagamentos e recebimentos, em dinheiro, de uma empresa,
ocorridos durante um determinado período, e com isso ajudar os
usuários das demonstrações contábeis na análise da capacidade
da entidade de gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como
suas necessidades para utilizar esses fluxos de caixa.

A finalidade é analisar junto com as demais demonstrações fornecer informações


para avaliar:

Administração financeira a curto prazo 117


U3

– A capacidade da empresa de gerar futuros fluxos líquidos positivos de caixa.

– Capacidade de honrar seus compromissos, pagar dividendos e retornar


empréstimos obtidos.

– Liquidez, solvência e flexibilidade financeira.

– Performance operacional de diferentes empresas.

As informações dos fluxos de caixa de uma entidade, conhecidas por DFC, são
úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis uma base para
avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como
suas necessidades de liquidez. As decisões econômicas que são tomadas pelos
usuários exigem avaliação da capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes
de caixa, bem como da época e do grau de segurança de geração de tais recursos.

A NBC TG 03 e o CPC nº 3, fornecem as seguintes informações:

Históricas de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade


por meio de demonstração que classifique os fluxos de caixa
do período por atividades operacionais, de investimento e de
financiamento. A entidade deve elaborar demonstração dos
fluxos de caixa de acordo com os requisitos desta norma e
apresentá-la como parte integrante das suas demonstrações
contábeis divulgadas ao final de cada período.
Os usuários das demonstrações contábeis se interessam em
conhecer como a entidade gera e usa os recursos de caixa e
equivalentes de caixa, independentemente da natureza das suas
atividades, mesmo que o caixa seja considerado como produto
da entidade, como é o caso de instituição financeira. As entidades
necessitam de caixa essencialmente pelas mesmas razões, por
mais diferentes que sejam as suas principais atividades geradoras
de receita. Elas precisam dos recursos de caixa para efetuar suas
operações, pagar suas obrigações e prover um retorno para
seus investidores. Assim sendo, esta norma requer que todas as
entidades apresentem uma demonstração dos fluxos de caixa.
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2014, p. 2).

Para melhor entender o contexto teórico da DFC, convido você para acessar o
link que informará sobre o envolvimento legislativo da DFC.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=61hfhj8zyto>.

118 Administração financeira a curto prazo


U3

2.2 Caixa e equivalente de caixa


Para tratarmos de modo conceitual o Caixa, dizemos que este é uma moeda
ou uma compreensão de numerários em espécies ou mesmo valores de depósitos
bancários disponíveis.

Os Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, aplicações


essas que são disponibilizadas em valores disponíveis no caixa, ou seja, classifica-se
como equivalente de caixa, aplicações com resgates imediatos, outro equivalente
de caixa são os investimentos em projetos.

2.2.1 Equivalente de caixa


De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2014, p. 4):

Os fluxos de caixa excluem movimentos entre itens que


constituem caixa ou equivalentes de caixa porque esses
componentes são parte da gestão de caixa da entidade;
Saldos bancários a descoberto, decorrentes de empréstimos
obtidos por meio de instrumentos como cheques especiais que
são liquidados em curto lapso temporal compõem parte integral
da gestão de caixa da entidade. Nessas circunstâncias, saldos
bancários a descoberto são incluídos como componente de
caixa e equivalentes de caixa.

Iudicibus (et al., 2010, p. 566)

Um título do governo federal de 3 meses, ou de 2 anos, mas


comprado três meses antes de sua maturidade, é equivalente de
caixa.
Contudo, um título do governo comprado há 2 anos não se torna
equivalente de caixa quando faltarem 3
meses para ser vencimento.
– Um investimento não pode ser reclassificado como equivalente
de caixa quando faltarem 3 meses, porque sua reclassificação
sugere efetivo fluxo de caixa, o que não ocorre.

2.2.2 Evidenciação do equivalente de caixa nas NE


De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2014, p. 4):
∞∞ FASB: critérios considerados pela empresa na definição de aplicações em
equivalente de caixa.

Administração financeira a curto prazo 119


U3

∞∞ IASB: descrição dos próprios investimentos (não dos critérios).

∞∞ CPC: divulgar os componentes de caixa e equivalentes de caixa, assim


como a política adotada para sua determinação.

∞∞ Exemplos de Equivalentes de Caixa: caderneta de poupança, CDB/RDB


prefixados, títulos públicos de alta liquidez etc.

∞∞ Classificação das movimentações

∞∞ As movimentações são classificadas (levando em conta a natureza da


transação que deu origem e sua intenção subjacente) em:

– Atividades Operacionais
– Atividades de Investimento
– Atividades de Financiamento

2.2.3 Atividades operacionais


As atividades operacionais em uma DFC consistem no montante de caixa
decorrentes das atividades, que são um indicador-chave da extensão, que vem
caracterizar as operações da entidade. Esta entidade é uma geradora de suficientes
fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da
entidade, incluindo o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio e
realizar novos investimentos. Todas estas operações utilizam o recurso da própria
empresa, sem a necessidade de recorrer a recursos de terceiros.

Vejamos alguns exemplos de fluxos de caixa das atividades operacionais:

Envolvem todas as atividades relacionadas com a produção e entrega de bens e


serviços.

∞∞ Não estão relacionados com atividades de investimento e financiamento.

∞∞ Normalmente, relacionam-se com as transações que aparecem na DRE.

Conforme o CPC 03 R2, exemplo de entrada e saída sobre atividade operacional:

Recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela


prestação de serviços;
Recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários,
comissões e outras receitas;
Recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios
e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice;

120 Administração financeira a curto prazo


U3

Exemplos de saídas:
Pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços;
Pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados;
Pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda,
a menos que possam ser especificamente identificados com as
atividades de financiamento ou de investimento. (COMITÊ DE
PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2014, p. 5).

2.2.4 Atividades de investimento


Para o CPC 03 R2

A divulgação em separado dos fluxos de caixa decorrentes das


atividades de investimento é importante porque tais fluxos de
caixa representam a extensão em que os dispêndios de recursos
são feitos pela entidade com a finalidade de gerar resultados e
fluxos de caixa no futuro. (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS
CONTÁBEIS, 2014, p. 5-6).

Para o CPC 03 R2

Relacionam-se normalmente com o aumento e diminuição dos ativos de


longo prazo (não circulantes) que a empresa utiliza para produzir bens e
serviços.

∞∞ Exemplos de Entradas:

• Recebimentos resultantes da venda de imobilizado e de outros ativos não


circulantes utilizados na produção.

• Recebimento pela venda de participação em outras empresas.

• Resgate do principal de aplicações financeiras não classificadas como


equivalente de caixa.

• Recebimento de caixa por amortização de empréstimo etc.

∞∞ Exemplos de Saídas:

• Pagamentos no momento da compra (ou próximo) de terrenos,


edificações, equipamentos e outros ativos fixos utilizados na produção

Administração financeira a curto prazo 121


U3

(imobilizado, intangível etc.).

• Aquisição de títulos patrimoniais de outras empresas ou instrumentos de


dívidas de outras entidades.

• Desembolso de empréstimo concedido pela empresa.

• Entre outros...

2.2.5 Atividades de financiamento


Para CPC 03 R2 a divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes
das atividades de financiamento é importante por serem úteis para prever as
exigências sobre futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade
(COMITÉ…, 2014).

Relacionam-se com os empréstimos de credores e investidores à entidade.

∞∞ Exemplos de entradas:

• Venda de ações emitidas;

• Empréstimos obtidos no mercado, emissão de debêntures etc.

∞∞ Exemplos de saídas:

• Pagamento de dividendos e JSCP ou outras distribuições aos donos


(incluindo resgate de ações da própria empresa).

• Pagamento dos empréstimos obtidos (exceto juros).

A demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa do


período classificados por atividades operacionais, de investimento e de
financiamento.
Continue este assunto, acesse o link: <http://www.dpc.com.br/pt-br/
artigos/21968>.

É possível calcular o rendimento de ação utilizando a DFC?

122 Administração financeira a curto prazo


U3

Figura 3.6: DFC E BALANÇO

Fonte: A autora (2014)

Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são


basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita
da entidade. Isso significa dizer que eles resultam das transações e de
outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo.
Acesse o seguinte link:
<http://gnetoconcurseiro.blogspot.com.br/2008_11_01_archive.html>.

Quando o investidor errar no desenvolvimento do fluxo de


caixa significa que o investimento pode ter sido um erro na
tomada de decisão?

2.3 Métodos de elaboração

Temos dois métodos para elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
– Podendo ser pelo método direto ou pelo método indireto.

Administração financeira a curto prazo 123


U3

Não seria exagero lembrar que, por força do art. 3º da Lei nº 11.638/2007, as
sociedades de grande porte, ainda que não constituídas sob a forma de sociedade
anônima, estão obrigadas à elaboração da DFC. Para esse fim, considera-se de
grande porte a sociedade ou o conjunto de sociedades sob controle comum que
tenha no exercício social anterior ativo total superior a R$ 240.000.000,00, ou
receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00.

2.4 Método direto

A DFC tem como base elaborativa ser classificada por suas atividades
operacionais, de investimento e de financiamento.

A avaliação da DFC pode ser realizada através de atividades, visando atender


cada atividade específica, pois vem a proporcionar informações que possibilitam
que usuários internos venham avaliar o impacto das atividades sobre a posição
financeira e o montante de caixa e os equivalentes de uma entidade.

A DFC, pelo método direto, evidencia as entradas e saídas de numerários.


Portanto, diante das informações anteriores, a DFC pelo método direto do ano de
20XX da Comercial SMART Ltda. seria assim apresentada:

Exemplo:

Quadro 3.3: Demonstração Fluxo de Caixa Método Direto


Demonstração do Fluxo de Caixa – Ano de 20XX
ATIVIDADES OPERACIONAIS 1.300.000,00
+ Recebimento de clientes (nota 1) (665.000,00)

- Pagamento a fornecedores (nota 2) (120.000,00)

- Pagamento de despesas (nota 3) (25.000,00)


- Pagamento de impostos (nota 4) 490.000,00
1 (=) Caixa líquido das atividades operacionais
ATIVIDADE DE INVESTIMENTO 460.000,00
+ Venda do imobilizado (nota 5)
2 (=) Caixa líquido consumido nas atividades de investimento 460.000,00
ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO
+ Integralização do capital pelos sócios 85.000,00
+ Recebimento de empréstimo 20.000,00
- Distribuição de dividendos (30.000,00)
3 (=) Caixa líquido gerado nas atividades de financiamento 75.000,00
4 Aumento líquido nas disponibilidades (1+2+3) 1.025.000,00

124 Administração financeira a curto prazo


U3

5 Saldo de caixa + equivalente de caixa em 20X1 150.000,00


6 Saldo de caixa + equivalente de caixa em 20X2 (4+5) 1.175.000,00
Fonte: A autora (2014)

Vamos explicar a composição da DFC pelo método direto, vejam:

(1) O recebimento de vendas no valor de R$ 600.000,00 + o recebimento de


clientes no valor de R$ 700.000,00.

(2) As compras no valor de R$ 100.000,00 + o pagamento a fornecedores no


valor de R$ 565.000,00.

(3) Pagamento das despesas operacionais no valor de R$ 120.000,00.

(4) Impostos pagos no valor de R$ 25.000,00.

(5) Venda do terreno no valor de R$ 460.000,00.

Acima vimos um exemplo sobre DFC no método direto, vejamos agora um


balanço patrimonial constituído por lançamentos operacionais mais a DRE, as
informações das demonstrações apresentadas refletindo na DFC.

Balanço Patrimonial:

Abertura da Empresa: Integralização de Capital de $700.000,00 em dinheiro

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 700.000

PL

Capital Social 700.000


Total 700.000 Total 700.000

Compra de Imobilizado (Máquinas e ferramentas) por $ 50.000,00 à vista.

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 650.000

NÃO CIRCULANTE

Imobilizado 50.000 PL
Capital Social 700.000
Total 700.000 Total 700.000

Administração financeira a curto prazo 125


U3

Compra de Estoque de peças: $400.000 ($100.000 a vista, restante 90 dias)

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 550.000 Fornecedores 300.000

Estoque 400.000

NÃO CIRCULANTE

Imobilizado 50.000 PL
Capital Social 700.000
Total 1.000.000 Total 1.000.000

Venda de $ 300.000 do estoque, por $ 500.000,00. Recebido à vista.


DRE
Receita Operacional Bruta 500.000
(-) Custo da Venda (300.00)

Lucro Bruto 200.000

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 1.050.000 Fornecedores 300.000

Estoque 100.000

NÃO CIRCULANTE

Imobilizado 50.000 PL

Capital Social 700.000

Lucros Acum. 200.000

Total 1.200.000 Total 1.200.000

Salários dos funcionários administrativos de $20.000,00 serão pagos no próximo mês.


DRE
Receita Operacional Bruta 500.000
(-) Custo da Venda (300.00)

Lucro Bruto 200.000

126 Administração financeira a curto prazo


U3

(- ) Desp. Adm. (20.000)

Lucro Bruto 180.000

BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 1.050.000 Fornecedores 300.000

Estoque 100.000 Salários a pagar 20.000

NÃO CIRCULANTE

Imobilizado 50.000 PL

Capital Social 700.000

Lucros Acum. 180.000

Total 1.200.000 Total 1.200.000

A Empresa Pagou dividendos de $ 100.000.


BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Disponível 950.000 Fornecedores 300.000

Estoque 100.000 Salários a pagar 20.000

NÃO CIRCULANTE

Imobilizado 50.000 PL

Capital Social 700.000

Lucros Acum. 180.000

Total 1.100.000 Total 1.100.000

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO


Capital Social Lucros Acumulados Total
Em 31 de janeiro de 20XX 0,00 0,00
Integralização de Capital 700.000 700.000

Administração financeira a curto prazo 127


U3

Lucro Líquido do exercício 180.000 180.000


Apropriação do Lucro
Distribuição de Dividendos (100.000) (100.000)

Em 32 de dezembro de 20XX 700.000 80.000 780.000

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – MÉTODO DIRETO


ATIVIDADE OPERACIONAL
- Recebimento de Clientes 500.000
- Pagamento de Fornecedores - 100.000
- Pagamento de Salários 0
Fluxo de Caixa Atividade Operacional 400.000
ATIVIDADE DE INVESTIMENTO
Compra de Imobilizado -50.000
Fluxo de Caixa Atividade Investimento -50.000
ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO
Integralização de Capital 700.000
Distribuição de Dividendos - 100.000
Fluxo de Caixa Atividade de Financeiro 600.000
Aumento de Caixa no Período 950.000
Caixa e Equiv. de Caixa no início 0
Caixa e Equiv. de Caixa no final 950.000

2.5 Método indireto


O método indireto caracteriza-se por fazer a ligação do lucro líquido do
exercício com o caixa gerado pelas operações da empresa.

Portanto, nesse modelo, a DFC parte, obrigatoriamente, do lucro líquido


apurado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Na elaboração da DFC pelo método indireto deverão ser seguidos os seguintes


passos básicos:
a) identificar a variação das contas "Caixa" e "Equivalentes de Caixa" entre
20XX e 20XXX;

b) transcrever o lucro líquido apurado na DRE;

c) adicionar ou subtrair, conforme o caso, os valores que afetaram o lucro,


mas não afetaram o caixa. Exemplo de adição: depreciação (afeta o lucro, mas não

128 Administração financeira a curto prazo


U3

afeta o caixa). Exemplo de subtração: resultado positivo da equivalência patrimonial


(afeta o lucro, mas não afeta o caixa);

d) identificar as variações no Ativo Circulante (exceto as contas Caixa e


Equivalentes), no Realizável a Longo Prazo (subgrupo do Ativo Não Circulante), no
Passivo Circulante e no Passivo Não Circulante.

As variações referidas na letra "d" serão adicionadas ou excluídas na demonstração,


conforme o caso. Na DFC pelo método indireto, o aumento do Ativo e a diminuição do
Passivo (Circulante e Não Circulante) devem ser excluídos. Já a diminuição do Ativo e o
aumento do Passivo (Circulante e Não Circulante) devem ser adicionados.

Resumidamente, a DFC (direta e indireta) deve apresentar os fluxos de caixa de


período classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

Quadro 3.4: Demonstração do Fluxo de Caixa – Modelo Indireto

Lucro obtido na DRE 300,


Ajustes por mudanças no Capital de Giro

Ativo Circulante
Duplicatas a Receber (aumento – adia (300)
Recebimento, piora o Caixa)
Estoque (aumento- mais dinheiro saindo do caixa) (150) (450)

Passivo Circulante
Fornecedores (aumento- melhora o caixa) 300

I.R a Pagar (aumento melhora o caixa) (200) (500)

Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais (350)


Financiamentos

Novos Empréstimos Bancários 200

(-) Amortizações de Financiamentos (400) (200)

Investimentos

Aquisição de novos Financiamentos (200)

Resultado do Fluxo de Caixa (50)


Fonte: Marion (2012, p. 317)

Administração financeira a curto prazo 129


U3

O fluxo de caixa pelo método indireto consiste em estender


análise e informativos, para aquisição dos ativos permanentes
podemos utilizar o método indireto?

Quer abrir um negócio! Ser um investidor!


Acesse o link indicado verá quantas dicas importantes para se tornar
um investidor seguro. Disponível em: <http://ecarvalho.typepad.com/
eduardo_a_de_carvalho/2008/08/como-montar-uma.html>. Acesso
em: 30 out 2014.

2.6 Valor presente líquido de um fluxo de caixa


Em conceito a este assunto citamos Pereira (2010, p. 315)

O valor presente de um fluxo de caixa é a soma aritmética de


todas as entradas e saídas de caixa projetadas e descontadas
(trazidas), cada uma delas pelo custo de capital da empresa
(também chamado de taxa mínima de atratividade), para uma
mesma data de origem (convencionada como sendo a data zero).

Um investimento precisa consistir em valores que compõem um fluxo de caixa,


sendo estas entradas e saídas de recursos. Ocorre que esta circulação de moeda
não se refere aos valores brutos conforme o autor apresentou para encontrar o
vlp, o fluxo de caixa consistira de uma taxa mínima. Esta taxa mínima é o custo de
capital e soma das entradas e saídas de recursos. Essas movimentações de capitais
são determinadas através de um período.

O método do valor presente líquido é a técnica mais robusta de análise de


investimento, em um gráfico compreendemos seu destaque:

130 Administração financeira a curto prazo


U3

Gráfico 3.3: VPL avaliada sobre a DFC

Significado das expressões:


I = investimento inicial
N= vida útil do projeto
E= entrada de caixa
tempo I= custo de capital
S= saídas de caixa

Fonte: A autora (2014)

O VLP pode ser definido como uma concentração de todos os valores esperados
de um fluxo de caixa na data zero, o VLP permite estabelecer comparativos entre
os valores investidos e o valor presente dos fluxos incertos que o projeto deverá
gerar no futuro. Quando representamos o vlp no fluxo de caixa de um projeto,
identificamos a correlação direta entre o VLP e a taxa de desconto utilizada, esta
taxa é o custo de capital de um projeto. A relação é apresentada em nosso gráfico.
Vejam o VLP é função da taxa de desconto (custo do capital da empresa), conforme
na medida em que a taxa de desconto cai (diminui) é possível ver esta queda em
no eixo horizontal do
gráfico, o VPL
aumenta eixo vertical,
e assim ocorre ao
contrário também.

Em um projeto
de investimento, é
importante que a
taxa de desconto seja
maior, e menor seja
o VPL projetado.

2.7 Método de avaliação payback


Os investimentos são analisados através do fluxo de caixa, o investidor no momento
de sua análise busca formas de maximinizar a rentabilidade dos recursos investidos.

As decisões de investimento são sempre pautadas em aumento de valores no


capital da empresa permitindo o uso do recurso em emprego no futuro produzindo
bens ou serviços.

Há alguns métodos de avaliação nas quais permite que o gestor tome sua decisão
de modo a atingir o objetivo, o mesmo precisa optar por aquele que utiliza o fluxo de
caixa e o resultado encontrado seja a melhor condição para os proprietários do capital.

Administração financeira a curto prazo 131


U3

Ao utilizar o método de avaliação o gestor, investidor não poderá deixar de levar em


consideração, o método do financiamento do projeto, o nível de risco e o resultado
no fluxo de caixa. Antes de decidir investir o gestor/investidor deve responder algumas
questões básicas:

a) De onde a empresa extraíra recursos necessários para os dispêndios de capital


relativos aos investimentos?

b) Qual é o custo deste financiamento (estimativa)?

c) Qual é a rentabilidade líquida que o projeto irá trazer?

Conforme já estudado, o cálculo de um retorno de um projeto de investimento


é utilizado o VPL (Valor Presente Líquido) e a TIR (taxa interna de retorno), apesar de
serem os mais conhecidos ressaltamos que não são os únicos, temos:

• taxa interna de retorno modificada;


• índice de lucratividade;
• taxa de lucratividade;
• payback simples;
• payback descontado.

2.8 Taxa interna de retorno modificada


Um novo indicador de lucratividade na qual possui relevância com a TIR é a TIR
modificada, ela pressupõe que o fluxo de caixa positivo seja reinvestido, sempre a
uma taxa de reaplicação (esta taxa equivale ao custo de capital da organização) com
percentuais determinados para a data do término do projeto sendo este o valor futuro.

Com obtenção de fluxo negativo, a TIR modificada é traduzida no valor presente


pelo custo de capital da empresa.

A fórmula da aplicação deste método é:

VF = VP (1 + TIRM)
As expressões significam
VF = valor futuro.
VP = valor presente.
VP = valor presente.
TIRM = taxa interna de
retorno modificada.

Exemplo:

A empresa Cantos Mil


possui uma taxa interna
de retorno modificada,
para o fluxo nos próximos
períodos considere uma
taxa de reaplicação de
12% ao ano. Realize a
comparação com resultado
da TIR.

132 Administração financeira a curto prazo


U3

No link informado você encontrado fórmula prática para encontrar


o valor da taxa interna de Retorno Modificado = <http://www.
profinanceira.com.br/Biblioteca/tir.aspx>.

Consulte novamente, acesse o link informado.

2.9 Payback simples


Este método refere-se à recuperação de um projeto, ou seja, número de período
necessário para recuperar o investimento inicial. Ocorre quando o investimento é mais
interessando do que suas entradas líquidas de caixa este método permite recuperar
mais rapidamente o capital investido.

Voltamos ao uso do fluxo de caixa, para calcular o payback para realiza o confronto
do fluxo de caixa estimado com o investimento inicial (desembolso). Este cálculo vai
acontecendo até o momento no qual os dois se igualam. Para critério de decisão
utilizar o projeto com prazo menor de retorno em comparação ao prazo máximo de
recuperação do investimento.

Portanto:
Se o payback é simples > prazo máximo tolerável, o projeto deve ser rejeitado.
Se o payback é simples < prazo máximo tolerável, o projeto deve ser aceito

Em exemplo, na utilização desde critério usamos um investimento de modernização


em um setor produtivo tento como objetivo o aumento de quantidade produzida,
levando a empresa a substituir sua máquina de produção. A máquina “A” é o equipamento
que será substituído, por isso o mesmo se encontra em uso. Neste caso, a organização
possui duas alternativas:

1) Substituir o equipamento por um novo disponível no mercado


que lhe custaria $ 25.000,00, permitindo à empresa obter uma
economia em seus custos no valor $ 7.000,00 durantes seis anos.
2) Substituir o equipamento pelo modelo “B” mais aperfeiçoado e moderno com um
custo de $ 33.000,00 obtendo uma economia de custo de produção anual de $ 8.000,00
em dez anos.

Tabela Comparativa 3.1


Entradas Tempo de Re-
Capital Inves- Custo
Alternativas Líquidas cuperação do
timento Inicial Operacional
Anuais Investimento
1 25.000,00 (7.000,00) 7.000,00 3 anos 1/2
2 33.000,00 (8000,00) 8.000,00 4 anos
Fonte: A autora (2014)

Administração financeira a curto prazo 133


U3

Após o comparativo entre as alternativas de investimento, o gestor/investidor irá


avaliar o tempo de recuperação do capital investido, a máquina 1 traz retorno de
investimento mais rápido e custo operacional mais baixo, ficando interessante para
empresa optar pela máquina A.

2.9.1 Payback descontado


O Payback Descontado segue a mesma lógica do Payback, mas leva em
consideração o valor do dinheiro no tempo. Portanto, desconta-se o fluxo projetado a
uma taxa de mercado.

Podendo ser determinado como o tempo necessário para que a organização possa
reaver o investimento inicial do projeto, a partir de entrada de caixa operacionais geradas,
convertendo-se ao valor presente e a uma taxa determinada, assim a consequência de
um Payback Descontado é mostrada em um período de tempo.

Qual é a diferença entre o payback simples e o


payback descontado?

Este método refere-se à recuperação de um projeto, ou seja, número de período


necessário para recuperar o investimento inicial. O payback descontado leva em
consideração o valor do dinheiro no tempo.

No site aqui sugerido você terá mais um exemplo de aplicações


de ferramentas em análise de investimento, acesse o link:<http://
engenhariaeconomica.blogspot.com.br/2011/05/aula-61-analise-de-
investimento-payback.html>.

1. Uma empresa que possui o Valor Presente Líquido igual a zero,


pode ser considerado um bom investimento?

134 Administração financeira a curto prazo


U3

a) Sim, condiz que este investimento é indiferente não há valor


presente das entradas igual ao valor presente das saídas de caixa.

b) Não, condiz que este investimento é indiferente por isso irrelevante


mantê-lo já que não há valor presente das entradas igual ao valor
presente das saídas de caixa.

c) Sim, o investimento ainda não foi considerado rentável porque ele


está iniciando o processo.

d) Não, este investimento é indiferente até o momento empata suas


saídas de caixa.

e) Sim, condiz que este investimento necessita de alterações.

2. Uma organização investi em um novo projeto um capital de


500.000,00, o retorno é registrado no fluxo de caixa. Calcule o VPL
para um custo de capital de 10%.

225.000
205.000
155.000
125.000

tempo
500.000,00

a) 52.833,00

b) 49.433,09

c) 59.632,00

d) 50.000,00

e) 22.500,00

Administração financeira a curto prazo 135


U3

136 Administração financeira a curto prazo


U3

Seção 3

Gestão de contas a receber


Gestão de contas a receber pode até em primeiro momento parecer uma gestão
fácil a ser aplicada dentro de uma empresa, através do nosso estudo perceberá que
também nesta gestão é preciso que o gestor tome conhecimento técnico para
aplicá-la, para melhor inteirá-lo do assunto. Imagine você sendo um gestor, qual
é a melhor forma de vender sua mercadoria à vista ou a prazo? Claro que você vai
responder à vista, porém, no atual mundo competitivo entre as empresas venda
somente à vista é possível? Nesta seção estará obtendo conhecimento do método
aplicado à gestão de contas a receber em uma organização.

3.1 Gestão de crédito a receber

A gestão de crédito a receber em uma empresa é composta por produtos ou


serviços por uma promessa de pagamento no futuro a mesma é representada por
uma duplicata a receber, uma nota promissória, um cheque pré-datado ou um
comprovante de venda via cartão de crédito, na prática a empresa concede prazo
para pagamento aos clientes, trocando pelos meios de pagamentos, conforme já
mencionado neste contexto.

A demonstração financeira Balanço Patrimonial vem demonstrar todas as


vendas a prazo da organização, não é somente a prazo, são também as recebidas
vencidas e a vencer. As mais comuns são Contas a Receber, Valores a Receber e
Títulos a Receber.

Gestão de contas a receber conceitua em: títulos e valores a receber,


proveniente de vendas a prazo de bens e serviços efetuados pela empresa. Estas
contas representam uma concessão de crédito, ou seja, um prazo para quitação
dos produtos ou serviços concedidos ao cliente.

A concessão para venda a prazo se dá através de vendas à vista e o período


médio de recebimento das vendas. Quanto maior for o prazo concedido nas
vendas a prazo, maior será o saldo existente nos valores a receber.

Sem dúvida, a preferência dos gestores são as vendas à vista do ponto financeiro
é bem melhor, o recebimento imediato paga o custo do produto mais a margem
de lucro que está refletida no preço de venda.

Ressaltamos que, o grau de competitividade existente nos mercados, para

Administração financeira a curto prazo 137


U3

quase todas as empresas, impõe em sua maioria a oferecer, como diferencial


competitivo, prazo para pagamento.

Nesta gestão é preciso lembrar também de outro dado importante que é o


custo existente no processo de manter um cliente. Conforme vários especialistas
na área de marketing, hoje é mais barato, ou seja, custo menor é conservar um
cliente satisfeito do que conquistar novos, por isso é de tamanha importância que
a organização venha sempre de modo satisfatório manter seus clientes.

Uma das estratégias usadas para o aumento do grau de satisfação do cliente é


o prazo de pagamento, e também segmentos voltados à oferta de produtos para
as classes populares tem ganhado muito este mercado.

Estas ações irão manter os atuais clientes satisfeitos, o prazo para pagamento
é atrativo, vários consumidores adquirem produtos exatamente por causa da
concessão de prazo, talvez em uma situação que a venda é determinada somente
à vista muitos consumidores deixam de comprar.

Em toda concessão de prazo tem uma contrapartida que é o custo, vendas a


prazo aumentam as vendas e trazem uma série de custos associados, especialmente
financeiros, custos esses que aumentam na medida em que aumenta o volume de
duplicatas a receber e o risco da inadimplência.

Ressaltamos que o risco e o custo, sendo estes fatores nos quais são associadas
as contas a receber, têm variação conforme o segmento da atividade econômica
da empresa, e também há variação conforme o mercado em que atuam.

Figura 3.7 Fluxo operacional de uma empresa

COMPRA DE
PRODUÇÃO FATURAMENTO RECEBIMENTO
MATÉRIA

PRESTAÇÃO DE
PROFISSIONAL FATURAMENTO RECEBIMENTO
SERVIÇO

Prazo Médio de Estoque Prazo Médio de Recebimento

Fonte: A autora (2014)

3.2 Gestão de crédito


Quando uma empresa vende bens e serviços e serviços ela pode receber
pagamento à vista ou a prazo. Quando vende a prazo, ela concede um crédito a
seus clientes.

A política de crédito com sucesso em uma empresa se consistiu em seu volume


existente nos valores a receber. Para o sucesso nesta gestão três variáveis são
muito importantes.

138 Administração financeira a curto prazo


U3

• Volume de vendas: sendo este o volume de vendas realizadas a prazo. Nesta


modalidade realiza-se o comparativo entre a venda total e o maior volume de
valores a receber.

• Prazo ofertado: esta é uma variável de oferta, consiste no tempo para o


recebimento da venda a prazo. A política de crédito, neste caso, acontece no
espaço de tempo que a organização tem a receber do cliente. Ilustre o fator para
melhor compreensão.

Exemplo 1

Venda Diária= R$ 3,00


Prazo médio de vendas = 30 dias

Dias 1 2 3 4 ... 29 30 31 32

Saldo Inicial 0 3 6 9 ... 84 87 90 90

Vendas a prazo 3 3 3 3 ... 3 3 3 3

Entrada de Caixa 0 0 0 0 ... 0 0 3 3

Saldo Final a Receber 3 6 9 12 87 90 90 90

Exemplo 2

Venda Diária= R$ 3,00


Prazo médio de vendas = 60 dias

Dias 1 2 3 4 ... 59 60 61 62

Saldo Inicial 0 3 6 9 ... 174 177 180 180

Vendas a prazo 3 3 3 3 ... 3 3 3 3

Entrada de Caixa 0 0 0 0 ... 0 0 3 3

Saldo Final a Receber 3 6 9 12 177 180 180 180

• Saldo de valores a receber:

Esta variável está relacionada aos atrasos e recebimentos, em uma


inadimplência, por exemplo, a cada dia em atraso no recebimento mantém o
valor não pago que sairia para o caixa, junto aos valores a receber.

Destacamos a seguir as principais informações para uma boa política de


crédito. Segundo Pereira (2013, p. 94),

Administração financeira a curto prazo 139


U3

Todo aumento nos valores a receber implica a necessidade de


financiamento adicional, significando aumento de custo.
O valor dos recebíveis é função do prazo concedido aos clientes
para pagamento das vendas e dos volumes de vendas.
A definição de prazos de concessão de créditos aos clientes
depende, dentre outros fatores dos seguintes elementos:
Política adotada pela concorrência;
Características do mercado consumidor;
Risco existente no mercado de atuação da empresa;
Natureza do produto vendido;
Desempenho da conjuntura econômica;
Atendimento de metas gerenciais definidas;
Prazo de pagamento a fornecedores; e
Capacidade da empresa financiar o investimento em valores
a receber.

Afirmamos que a administração das contas a receber inicia a partir da definição


e implantação de uma política de crédito, com o acompanhamento de um sistema
e controle para todas as vendas a prazo realizadas. Com a política de crédito, a
maximização dos lucros é determinada quando a receita marginal for igual ao custo
marginal da empresa.

Conceder crédito equivale a um investimento sendo este vinculado a venda de


um produto ou serviço, quando a empresa concede um crédito ela cria uma conta a
receber. Esta conta inclui um crédito concedido a outra empresa. Uma vez realizada
esta transação conceituamos o crédito mercantil, e como um crédito repassa a outro,
entendemos que um crédito concedido de empresa, a empresa é mercantil, crédito
concedido a consumidores é o crédito aos consumidores.

Neste tópico nós apresentamos as principais informações para uma boa política de
crédito, vejamos agora os componentes necessários para esta política:

1. Condições de Vendas: Uma organização necessita estabelecer condições de


vendas de seus bens ou serviços a prazo. Em exemplo: as condições de venda aqui
comentadas significam prazo, desconto por pagamento à vista.

2. Análise de Crédito: Quem são os bons pagadores e os maus pagadores: No


momento da venda, a empresa dever distinguir os clientes. O uso do mecanismo para
esta consulta é definido pela própria empresa.

3. Política de cobrança: Política de cobrança de pagamento quando do seu


vencimento.

As condições de venda dizem a respeito do prazo de concessão de crédito bem


como ao desconto por pagamento à vista.

140 Administração financeira a curto prazo


U3

Os prazos de créditos têm variações entre setores, em exemplo podemos citar


a venda de um diamante em uma joalheria, os prazos de pagamento são maiores,
um atacadista de alimentos não poderia utilizar o mesmo prazo de recebimento da
joalheria aqui citada.

Descontos de pagamentos à vista, geralmente fazem parte das condições


de vendas.

3.3 Instrumentos de créditos


Em grande parte concede-se crédito em conta corrente. Isso quer dizer que o
único instrumento de crédito formal é a fatura enviada com a remessa de mercadoria
a qual é assomada pelo cliente como confirmação de que as mercadorias foram
recebidas. A partir disto, a empresa e seus clientes registram a troca em suas
respectivas contabilidades. Há também a nota promissória, ocorre que a mesma é
usada eventualmente, ou seja, quando o pedido é grande e a empresa não possui
total segurança de pagamento com este cliente, o problema da nota promissória é
que a assinatura somente é colhida após a entrega da mercadoria.

Em alguns casos pode utilizar-se da letra de câmbio, a empresa vendedora


tipicamente emite uma letra de câmbio determinando que o cliente pague um
valor específico até a certa data. A letra a seguir é enviada ao banco do cliente
juntamente com as faturas.

Quais considerações poderemos fazer na determinação das


condições de venda?

Uma empresa precisa estabelecer certas condições ao vender seus bens e


serviços a prazo, especificar o prazo do crédito, o desconto por pagamento à vista
e o tipo de instrumento de crédito utilizado.

A empresa, vista como um sistema aberto, possui uma missão, um


modelo de gestão, uma estrutura organizacional, um processo de
planejamento e controle e um sistema de informações, que se inter-
relacionam buscando atingir a eficácia. Entendemos como modelo de
gestão os princípios de administração que influenciarão o processo
decisório, a estrutura organizacional e o sistema de informações. O
texto apresentado foi extraído do link:
Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
92511989000100002&script=sci_arttext>. Acesso em: 30 out. 2014.
Continue esta importante leitura!

Administração financeira a curto prazo 141


U3

1. São prazos de venda oferecidos aos clientes aos quais a


empresa concede crédito. Este conceito refere-se:

a) Prazo de crédito.
b) Prazo de desconto.
c) Prazo de recebimento.
d) Prazo de pagamento.
e) Prazo de antecipado.

2. O objetivo de administração de contas a receber consiste


em dispor de contas com maior rapidez possível. Uma boa
política de crédito consiste:

a) Condições de vendas, capacidade de pagamento, capital.


b) Condições de vendas, análise de crédito, política de
cobrança.
c) Padrões de créditos, análise de crédito, política de cobrança.
d) Volume de vendas, padrões de créditos, política de cobrança.
e) Condições de vendas, incapacidade de pagamento, moeda.

Nesta unidade estudamos sobre administração financeira a


curto prazo. Para a compreensão do assunto abordamos o
primeiro entendimento sobre capital de giro. Reforçamos que
capital de giro em geral é definido como a diferença entre ativos
circulantes e os passivos circulantes. A administração do capital
de giro vem do conhecimento de aplicação os ativos circulantes,
ativos correntes, que no geral flutuam de mês a mês. Contudo,
abordamos o ciclo operacional, que traz a organização sobre
o conhecimento do quanto a mesma necessitará de capital de
giro para realizar investimentos em elementos patrimoniais.
Como toda atividade econômica é um risco, foi abordado como
contexto, que risco são as incertezas, incerteza do mercado
que faz com que os empresários tenham receio de realizar

142 Administração financeira a curto prazo


U3

investimentos. Administrar o capital de giro é investir em


elementos patrimoniais, a dificuldade está na certeza do retorno.

A nossa abordagem nos levou a um breve estudo sobre


Demonstração do Fluxo de Caixa, uma vez que estudar
administração financeira e análise de investimento consiste
em mensurações de retorno, valores encontrados numa
correta aplicação da DFC. E para melhor compreensão sobre
administração financeira a curto prazo apresentamos a
importância da gestão de crédito.

O aprendizado em administração financeira passa pela


etapa da leitura intensiva e sua prática, a unidade apresentou
as principais ações de uma empresa em sua operação de
administrar de modo correto, constituir uma organização é
risco e mantê-la em atividade, são riscos assumidos todos os
dias. Os investimentos realizados por muitos empresários por
vezes são pequenos, compreender a linguagem do mercado
é tarefa difícil, o alto consumismo pede produtos inovadores.
Esta sede por produtos que facilitam o dia a dia tem um alto
custo no mercado econômico, as empresas disputam seus
espaços e melhores mercadorias ofertadas ganham cada vez
mais. Nenhuma empresa obtém sucesso sem passar pelo
aprendizado de uma boa gestão. Afirmamos que esta gestão
de sucesso acontece quando profissionais qualificados buscam
aprofundar seus conhecimentos nas enumeras ferramentas
administrativas seja a curto ou a longo prazo.

Esta pequena abordagem deve ser para você somente


o primeiro contato com as informações financeiras e de
investimento. Para agregar mais acesse o link informado:
<http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/108028/11/
adm_no_curto_prazo.pdf>.

Administração financeira a curto prazo 143


U3

1. A empresa Forks Compact vende $ 100.000 aparelhos de


som por ano, $ 300 por unidade. Todas as vendas são efetuadas
a prazo em condições de 20 dias e 60 dias. Suponhamos
que 80% dos clientes paguem no vigésimo dia os demais no
sexagésimo dia. Qual é o prazo médio de recebimento?

a) 30 dias.
b) 20 dias.
c) 28 dias.
d) 10 dias.
e) 25 dias.

2. A empresa Forks Compact vende $ 100.000 aparelhos de


som por ano, $ 300 por unidade. Calcule a venda diária média
desta empresa?

a) $ 300.000.
b) $ 82.192.
c) $ 32.145.
d) $ 365.
e) $ 31. 255.

3. Há alguns métodos de avaliação que permitem que o gestor


tome sua decisão de modo a atingir o objetivo. De acordo
com o estudado sobre Valor Presente Líquido – VPL qual é o
significado das siglas TIR E TMA?

a) TIR – taxa interna de resto / TMA – taxa mínima de


atuação.
b) TIR – taxa instiga de rotatividade / TMA – taxa máxima de
atratividade.
c) TIR – taxa instiga de rotatividade / TMA – taxa monetária
de atratividade.
d) TIR – taxa interna de retorno / TMA – taxa mínima de
atratividade.
e) TIR – taxa instiga renome/TMA – Taxa média aplicação.

144 Administração financeira a curto prazo


U3

4. A empresa Rio Bonito decide investir em seu novo projeto


um capital de 20.000,00 com retorno aproximado em 4 anos
nos seguintes valores:

5.500,00 6.000,00 6.500,00

5.000,00

$ 20.000

Calcule a Taxa Interna de Retorno de um projeto de


investimento:

a) 7.00%.
b) 6.58%.
c) 5.58%.
d) 4.00%.
e) 2.55%.

5. Quem são os bons pagadores e os maus pagadores, no


momento da venda, a empresa deve distinguir os clientes. O
uso do mecanismo para esta consulta é definido pela própria
empresa. O conceito apresentado refere-se à(a):

A) Condições de vendas.
b) Análise de crédito.
c) Padrões de créditos.
d) Política decobrança.
e) Política governamental.

Administração financeira a curto prazo 145


U3

146 Administração financeira a curto prazo


U3

Referências
ASSAF NETO, Alexandre; SILVA; César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de
giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997.

BERTI, Anélio. Análise do capital de giro: teoria e prática. São Paulo: Ícone, 1999.

BRIGHAM, Eugene F.; GAPENSKI, Louis C.; EHRHARDT, Michael C. Administração


financeira: teoria e prática. Traduzido por Alexandre Loureiro Guimarães Alcântara e
José Nicolas Albuja Salazar. São Paulo: Atlas, 2001.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC


03 (R2): demonstração dos fluxos de caixa. Disponível em: <http://static.cpc.
mediagroup.com.br/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2004.pdf>. Acesso: 10 out.
2014.

GALESNE, Alain; FENSTERSEIFER, Jaime E.; LAMB, Roberto. Decisões de


investimentos da empresa. São Paulo: Atlas, 1999.

GROPPELLI, A. A. Administração financeira. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1998.

IUDÍCIBUS, Sergio de et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as


sociedades. São Paulo: Atlas, 2010.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

OLIVEIRA, Elisângela Leitão de. Administração do capital de giro: um estudo de caso


na Sociedade de Fogás Ltda. 2002. 165 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de
Produção)-Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. Disponível
em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/82685/191025.
pdf?sequence=1> Acesso em: 19 out. 2014.

PEREIRA, Agnaldo. Finanças coorporativas. 1. ed. Curitiba: IESDE BRASIL, 2013.

ROSS, Stephen A. Administração financeira. 2. ed. São Paulo: Editora Atlas, 1998.

SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

SUGESTÃO DE LEITURA
SANTOS, Joenice Leandro Diniz. Administração financeira. São Paulo: Pearson, 2010.

Administração financeira a curto prazo 147


Unidade 4

FUNDAMENTOS DA
ENGENHARIA ECONÔMICA
Regina Lucia Sanches Malassise

Objetivos de aprendizagem: Caro aluno! Nesta unidade, você será


levado a compreender o uso da Engenharia Econômica no processo de
seleção e tomada de decisão sobre os projetos de investimentos e negócios.
Neste sentido apresentaremos os principais conceitos relacionados
a projetos tais como: fluxo de caixa, métodos de análise, Valor Presente
Líquido, Valor Futuro Líquido, Taxa Interna de Retorno e Custo/Benefício
de projetos.
Ao fim da unidade, você conhecerá estes métodos utilizados pela
Engenharia Econômica, bem como saberá como utilizá-los como
ferramentas de tomada de decisão em projetos de investimento.

Seção 1 | Engenharia econômica e desenvolvimento


Nesta seção abordam-se o histórico de criação e os estudos iniciais que
deram origem à Engenharia Econômica.

Seção 2 | Métodos utilizados em engenharia econômica


Nesta seção descrevem-se os métodos mais comuns utilizados na Engenharia
Econômica para mensurar a rentabilidade dos diversos investimentos. Apresentam-
se também alguns exemplos com resolução pela calculadora HP 12C.

Seção 3 | Revisando a análise de balanço


Revisando análise de balanço: a análise de balanço tem como função aplicar
índices e percentuais que permitam o gestor de uma empresa verificar a situação da
empresa no momento tempestivo da informação.
U4

150 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Introdução à unidade

Caro aluno! Quando estudamos economia, uma atenção especial é dada ao


conceito da mesma, normalmente associada à alocação eficiente de recursos
escassos para a satisfação das necessidades humanas ilimitadas. Pois bem, deste
conceito emerge a necessidade urgente de se pensar na eficiência.

A eficiência nada mais é que buscar produzir mais com menos, ou ainda, ganhar
mais investindo menos obtendo desta forma o melhor retorno. Com certeza
existem outros significados, mas do ponto de vista econômico, este é o de maior
relevância.

Neste sentido podemos obter eficiência de maneira técnica, com a melhor


combinação de máquinas, equipamentos e pessoas no processo produtivo e ainda,
devemos nos ocupar de obter a eficiência econômica na qual a eficiência técnica
é complementada analisando-se as diversas possibilidades de custos incorridos no
processo.

É da necessidade de contemplar a eficiência técnica e econômica no processo


de tomada de decisão sobre investimentos, sejam eles produtivos ou financeiros,
que surge a importância da Engenharia Econômica para a economia. Porém deve-
se diferenciar a Engenharia Econômica da Análise Microeconômica, enquanto
na primeira recorre-se a elementos de matemática financeira e contábil como
complemento à análise, na segunda recorre-se mais à matemática de matrizes
diferenciais e integrais como instrumento auxiliar nas análises.

Assim, a Engenharia Econômica vem suprir a necessidade de concretizar


informações, trabalhando-as, utilizando-se de cálculos que visam identificar
a melhor opção de investimento comparativamente a outras possibilidades
existentes, expressando seus resultados numa linguagem mais apropriada ao
mundo dos negócios.

Para tornar conhecidas as noções básicas desta complexa área de estudos que
une a Economia e a Engenharia propomos a divisão desta unidade em três seções,
quais sejam:

Fundamentos da engenharia econômica 151


U4

152 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Seção 1

Engenharia econômica e desenvolvimento

A Engenharia Econômica é um termo traduzido do inglês engineering economy.


É uma área do conhecimento que busca estudar a analisar os investimentos
produtivos que priorizam o longo prazo. Analisa as ações das empresas em um
horizonte longo de tempo.

Neste sentido compreender como ela surgiu e como ganhou corpo estruturado
para poder ser utilizada no processo de tomada de decisão é importante. Assim, a
Engenharia Econômica liga duas importantes áreas de empresa, a de operações que
se ocupa daquele produto que será entregue e finanças que cuida da gestão dos
recursos da empresa.

Neste contexto, a Engenharia Econômica busca auxiliar na resposta de algumas


questões, por exemplo: a empresa precisa ou não de uma nova fábrica? Ela deve
ou não substituir um processo produtivo? A empresa deve ou não aumentar sua
capacidade produtiva? Deve lançar um novo produto no mercado ou não? Deve
descontinuar a produção de um produto? Em linhas gerais estas decisões são
decisões de mercado, mas que estão envolvidas com as operações. Desta forma, a
Engenharia Econômica é mais aplicada a operações fazendo o elo entre decisões
financeiras que interferem nas operações e vice-versa.

1.1 A busca pelo desenvolvimento econômico


Segundo Nakano (1967), a importância da Engenharia Econômica nasce junto
com a empresa moderna.

De fato somente com a origem da empresa moderna, onde o trabalho passa


a ser pago em termos de salários monetários e a atividade econômica visa à
obtenção do lucro como fim único e exclusivo, o custo de produção passa a
desempenhar papel fundamental, e surge a possibilidade e a necessidade de
medir o fim e os meios dessa atividade. Todos esses fatores convergem para
dar um caráter de atividade racional à empresa, no sentido weberiano. Dessa
forma, passa-se à consideração do fim e dos meios da atividade econômica
sob seu aspecto quantitativo, exprimindo-se em unidades de medida uniforme:
a unidade monetária. A Engenharia Econômica é uma expressão dessa
racionalidade que caracteriza a empresa moderna. (NAKANO, 1967, p. 94-95).

Fundamentos da engenharia econômica 153


U4

Numa economia na qual os custos de produção eram preocupação constante


das empresas e ditavam a busca por tecnologia, que integrasse as visões de lucro e
custos num único corpo, tendo em mente que aumentar o lucro é uma condição
indiscutível, levou a Engenharia Econômica a uma posição de destaque direcionando
o foco desta para a racionalização do uso dos recursos produtivos ou financeiros.

Neste contexto, a Engenharia Econômica passou a ser compreendida como a


aplicação da análise e síntese econômica, utilizando-se da matemática aplicada às
decisões de engenharia, formando um corpo de conhecimentos e técnicas cujo
objetivo é avaliar o valor de mercadorias e serviços em diferentes momentos do
tempo (presente, futuro ou período intermediário).

As obras a seguir relacionadas foram a primeiras publicações abordando a


Engenharia Econômica
GRANT, Eugene L.; IRESON, W. Grant; LEAVENWORTH, Richard S. Principles
of Engineering Economy. 8. ed. New York: John Wiley & Sons, 1990.
DEGARMO, E. Paul; SULLIVAN, William G.; BONTADELLI, James A.
Engineering Economy. 9. ed. New York: Macmillan, 1993.

É possível tecer uma análise paralela entre a evolução da economia e a engenharia


econômica. Segundo Nakano (1967), pela teoria econômica ortodoxa (clássicos),
na análise de maximização de lucro, sendo os agentes racionais e existindo plena
divisibilidade de fatores, as empresas maximizam o lucro observando o menor
custo marginal. Expandindo esta análise para a economia de um país, tal raciocínio
levaria ao surgimento do produto social marginal. Porém, devido ás imperfeições de
mercado, o pressuposto de que o nível ótimo de produção da firma se estabelece
no ponto em que a custo marginal iguala-se ao produto marginal seria interessante
para uma análise individualizada, mas pouco útil para a análise de desenvolvimento
econômico.

Em especial, o autor comenta que para as economias subdesenvolvidas os


mecanismos de mercado não são suficientes para garantir a melhoria do produto
social. Ele propõe que:

Nessas economias, devido às causas acima citadas, os


preços não refletem as informações necessárias, surgindo
então a necessidade de dispositivos indicadores adicionais.
Se os investimentos fossem realizados de acordo com uma
programação ampla, de modo a eliminar as impropriedades
do mercado como mecanismo regulador, deveria esperar-se
uma eficiência muito maior de todo o sistema econômico e o

154 Fundamentos da engenharia econômica


U4

desenvolvimento seria muito mais acelerado. Daí a concordância


geral quanto à necessidade da programação, mesmo que haja
profundas divergências quanto à sua natureza e amplitude. Se
pretendemos por meio da programação, dar maior racionalidade
à totalidade do sistema econômico, dois aspectos são sempre
fundamentais qualquer que seja o seu tipo e o seu alcance:
Estabelecer os objetivos; Estabelecer os meios para alcançar os
objetivos. (NAKANO, 1967, p. 98).

No caso da economia de um país o objetivo deve ser elevar melhorar o produto


social, tendo como ponto de partida a evolução da renda per capita. Neste caso
busca-se elevar a renda nacional e aumentar os investimentos seria o caminho mais
adequado para tal. Neste contexto, as possibilidades e amplitude dos investimentos
só são possíveis desde que se consiga obter maior produtividade o que vem a ter um
efeito positivo sobre a renda nacional.

Do ponto de vista do desenvolvimento econômico, a análise


de investimentos consiste numa apreciação comparativa das
alternativas possíveis a fim de determinar a que trará maiores
benefícios à coletividade em relação ao complexo de recursos
empregados. Basicamente, o problema consiste em definir e
especificar o que se entende por esses benefícios e complexo de
recursos, e escolher um método de cálculo. O resultado desse
cálculo é geralmente expresso por um coeficiente numérico,
que de modo genérico pode ser definido como um quociente
entre os "benefícios" que se obtêm da execução do projeto que
se procura maximizar, e o "complexo de recursos" empregados,
que se procura minimizar. (NAKANO, 1967, p. 99).

De outra parte não podemos deixar de considerar os efeitos do investimento


sobre o meio econômico, são muitos, pois existe o encadeamento que resulta de
efeitos diretos e indiretos de tal forma que:

Os efeitos do investimento podem, então, ser classificados em


dois grupos:
• Efeitos diretos: são os efeitos diretamente ligados ao estado
produtivo do investimento.
• Efeitos indiretos: são as repercussões sobre o meio econômico
provenientes da execução de um investimento. Essas
repercussões, tanto, podem ser para trás, criando demanda
adicional de bens ou serviços que consome, como para frente,

Fundamentos da engenharia econômica 155


U4

pelos bens ou serviços que passa a oferecer. Dessa maneira,


pode dar maiores rendimentos aos seus usuários e criar melhores
condições para que surjam novas empresas. Outra repercussão,
muitas vezes chamada de efeitos secundários, é aquela
proveniente da utilização da renda criada pelo investimento.
(NAKANO, 1967, p. 100).

Além disto, o investimento toma como referência o preço deste, estabelecido


pelas forças de mercado e, que pode entrar em choque com seu valor intrínseco,
de tal forma que:

A avaliação de um investimento implica em atribuir aos bens e


serviços a ele relacionados uma medida de valor, que se traduz
através do preço. Essa atribuição de preço tem importância
muitas vezes decisiva na avaliação porque nem sempre o preço
que vigora no mercado é representativo do valor intrínseco de um
bem. Esse valor intrínseco é o seu custo social de substituição, ou
seja, aquilo de que a sociedade deve privar-se para produzir esse
bem. (NAKANO, 1967, p. 101).

Assim, os custos sociais de substituição que devem ser considerados são:

a) O custo social da mão de obra: em alguns países o excesso de mão de obra


colocaria o salário num nível muito baixo. Porém, a existência de legislação, e
sindicatos colocam o salário em níveis mais elevados. Se uma parte da renda vai ser
utilizada em investimento e não em consumo, e este investimento gera emprego
para trabalhadores antes desempregados o custo social é nulo.

b) Custos dos diferenciais de juros.

c) Custos dos diferenciais de taxa de câmbio.

Após verificar estas importantes considerações sobre a relação da Engenharia


Econômica com o investimento, podemos concluir que:

De fato, em qualquer estudo de um projeto particular de


Engenharia, surge mais de uma alternativa tecnicamente viável.
Uma análise econômica tornar-se-á necessária para avaliar e
determinar qual dos métodos alternativos de execução é o mais
desejável. As funções da Engenharia Econômica resumem-se em:
- Determinar o objetivo;
- Determinar os fatores e meios estratégicos;

156 Fundamentos da engenharia econômica


U4

- Avaliar as alternativas de engenharia.


- Interpretar o significado econômico dos projetos de Engenharia;
- Assistir no processo decisório.
Todas essas funções podem ser resumidas como: o estudo
da rentabilidade comparada de alternativas. Realmente, o
tema central da Engenharia Econômica se resume em avaliar
quantitativamente as alternativas da Engenharia em termos de
rentabilidade e custo econômico. (NAKANO, 1967, p. 91).

Para cumprir tais funções a Engenharia Econômica trabalha com análises que
envolvem formas físicas, em períodos diversos e que por isto carecem de um fator
em comum que permita a análise econômica. Por isto utilizam-se os fluxos de renda
e custos envolvidos no projeto. Os projetos são avaliados de acordo com seu fluxo
monetário ou fluxo de caixa; trabalha-se com a noção de fluxo descontado tanto
de receitas quanto de despesas; a avaliação do projeto é feita em termos de melhor
alternativa e não em valores absolutos e para isto o projeto deve considerar todas as
alternativas promissoras e imagináveis para ter um bom termo para a comparação
custo-benefício do projeto.

Você consegue compreender a diferença e a semelhança


entre a engenharia e a economia?

Assim, de tais considerações podemos informar que, a Engenharia Econômica


trabalha com vários métodos, mas nesta unidade destacaremos apenas: o método
do valor presente líquido, o método do valor futuro líquido, o método do valor
uniforme líquido, o método da taxa de retorno e o método do benefício custo.

1. Quais são os dois efeitos do investimento que devem ser


considerados na Engenharia Econômica?

2. Quais são as funções da Engenharia Econômica?

Fundamentos da engenharia econômica 157


U4

158 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Seção 2

Métodos utilizados em engenharia econômica


Grande parte da compreensão dos métodos da Engenharia Econômica prescinde
de conhecimentos da matemática financeira, do fluxo de caixa e de economia.

Em especial conhecer as técnicas de apuração do Valor Presente (VP), Valor


Futuro (VF), bem como dominar as questões relativas ao valor do dinheiro no tempo,
que são importantes.

Também precisamos pontuar alguns termos que serão utilizados ao longo de


nosso estudo, tais como:

- Projeto: é utilizado como sinônimo de atividade econômica.

- Custo: é o valor dos recursos utilizados em um projeto.

- Benefício: é o valor dos bens que são produzidos pelo projeto e que atenda
alguma demanda.

- Benefícios tangíveis: que podem ser expressos em termos econômicos, que


possam ser mensurados ou quantificados através do raciocínio lógico.

- Benefícios intangíveis: são aqueles que não podem ser mensurados


quantitativamente.

- Fluxo de caixa: representação do fluxo de entradas e saídas de dinheiro


projetadas ao longo do tempo, e expresso através do diagrama do fluxo de caixa.
No exemplo abaixo, as setas para cima indicam dividendo, receitas ou economias
geradas pelo projeto e, e as setas
para baixo indicam aplicações,
custos de aplicações, parcelas ou 100
despesas. Este exemplo expressa
uma situação na qual foi realizada
uma aplicação de R$ 1.000,00
que resultaram em receitas de R$ 7
100,00 durante 7 períodos. Você
pode retomar os conceitos de fluxo
de caixa lendo a Unidade 3 do livro. 1000
Fonte: A autora (2014)

Fundamentos da engenharia econômica 159


U4

- Período de capitalização: refere-se ao período em que uma quantia rende juros


e incorpora estes juros como quantia acumulada até então. Na prática é como se
estivéssemos convertendo o juro em capital. Exemplo: se aplicarmos R $ 1000,00 a
10% a.a. durante 1 ano teríamos R$ 1.100,00 (que resultou de R$ 10.000,00 + 10%).
Você pode reforçar seus conhecimentos sobre capitalização e taxas de juros lendo
a Unidade 1 do livro.

- Regime de capitalização: é a forma assumida pelo crescimento do capital. O


regime pode ser de capitalização simples ou composta, conforme visto na Unidade 1.

- Capital (P): é a quantidade inicial de dinheiro utilizada numa transação financeira,


também chamada de valor atual.

- Montante (F) ou valor futuro (VF): é a quantidade monetária resultante de uma


transação financeira ao final da transação financeira, ou seja, o montante e o valor
que a pessoa tinha mais o juro.

- Taxa de juros do período de capitalização (i): taxa que vai remunerar o


investimento.

- Fator de capitalização: é o fator x(qualquer valor) multiplicador no valor que eu


já tenho para se obter o resultado final, ou seja, o seu novo preço.

- Número de períodos de capitalização (n): é o período pela qual o dinheiro


ficará aplicado.

Você consegue utilizar os cálculos do VPL em sua vida


cotidiana para tomar decisões financeiras?

Pois bem, depois de retomados de maneira resumida alguns conceitos já estudados


e vistos por você, aluno, nas unidades anteriores, poderemos prosseguir conhecendo
um pouco mais sobre os métodos mais comuns utilizados na Engenharia Econômica,
destacando que apresentaremos as fórmulas de cálculo dos métodos, porém
apresentaremos exemplos e resolução de exercícios, através dos passos da calculadora
financeira HP 12C. Isto será feito tendo em vista que no mundo corporativo dada à
complexidade de informações e dados, a utilização da calculadora financeira tornou
mais prática a operacionalização de tais métodos.

2.1 Método do valor presente líquido


O valor presente líquido (VPL) é utilizado para verificar quanto um valor futuro,
considerando os custos e uma taxa de juros, valeriam no presente. De outra forma, ele
permite comparar um investimento inicial com seu retorno no futuro. Normalmente,

160 Fundamentos da engenharia econômica


U4

este tipo de cálculo é útil como forma de indicar se vale a pena realizar um investimento
ou aplicar o dinheiro em uma opção que proporcione o rendimento mínimo, ou seja,
uma taxa mínima de atratividade (TMA), também utilizada como taxa de desconto.

ATMA é a taxa que representa o mínimo de retorno que um investidor espera obter
para aplicar seu dinheiro. Temos que ter em mente que o dinheiro não ficará parado
porque o investidor sempre tem a opção de aplicá-lo num investimento que remunere
a taxa de juros mínima representada pela TMA. Lembre-se que estamos interessados
em apurar o valor do dinheiro no tempo. Normalmente, no mercado observa-se a taxa
do investimento de menor risco, por isto muitas vezes adota-se como TMA a taxa de
juros da caderneta de poupança. Souza e Clemente (2008) informam que as taxas de
juros que também são utilizadas como TMA são: Taxa Básica Financeira (TBF), a Taxa
Referencial (TR), a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e a Taxa do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia (SELIC).

Para o cálculo do Valor Presente Líquido utiliza-se a seguinte fórmula padrão:

VPL=-CF0 +
∑ (1+i)
CF > 0
j

Sendo que:

-CF0 = Valor do investimento inicial;


CF = é o fluxo de caixa de cada período,
i =é a taxa de desconto escolhida ou TMA,

j = período ou tempo.

Nesta equação considera-se que a data ou período-foco com o qual todos os


demais períodos são equiparados é o tempo zero ou inicial para concentrar todos os
valores do fluxo de caixa e que a relação de equivalência é pelos juros compostos.
Como estratégia de tomada de decisão sobre um projeto de investimento considera-se
que ele será atrativo quando a somatória do fluxo esperado de rendimento
for superior ao valor do investimento
CF
(1+i)j (∑ (
inicial (CF0), isto é quando VPL >0.

Outra observação importante 50 90 100 110 130 130


é que quanto maior a TMA, menor
será o VPL, o que torna mais difícil
a viabilização do projeto. Por outro
lado, Souza e Clemente (2008)
9....12
argumentam que a aplicação de
recursos na opção de TMA não
agrega valor à empresa por ser a TMA
550

Fundamentos da engenharia econômica 161


U4

a remuneração de uma opção que já existia antes do projeto. Pois bem, vamos a alguns
exemplos de cálculo do VPL com utilização da calculadora HP 12C.

Exemplo 1 – Uso do VPL tradicional

Uma empresa tem uma TMA de 12% ao ano, e quer saber a viabilidade financeira de
um projeto cujo fluxo de caixa está representado da seguinte forma.

Figura 4.2: Resolução com HP 12 C

Existem muitos cursos


de Matemática Financeira
com HP 12 C, que você
pode realizar on-line, aqui
iremos apresentar somente
os passos necessários para
operacionalizaras atividades
propostas.

Fonte: A autora (2014)

a) Procedimentos iniciais para preparar sua HP.

- Com a calculadora desligada, segure a tecla ponto • e ligue a máquina ON e solte


o ponto simultaneamente. Assim, você muda para ponto ou vírgula. Nós precisamos
ter ponto (•) como separação das centenas e vírgula (,) como separação decimal ou
centavos.
Digitação Aparece no Visor
- Depois pressione f 2 para fixar em 2 f REG 0,00
dígitos os valores depois da vírgula. 550 CHS g CF0 -550,00
50 g CFj 50,00
- Depois aperte fCLx para limpar
cálculos anteriores. 70 g CFj 70,00
90 g CFj 90,00
b) Carregando as informações na
100 g CFj 100,00
HP 12C
110 g CFj 110,00
130 g CFj 130,00
6 g Nj 6,00
12 i 12,00
f NPV running
43,76

162 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Conclusão: Um projeto no qual a empresa invista R$ 550,00, permite à empresa


recuperar este investimento inicial e ainda permite um ganho acima da TMA de 12%
com um valor de R$ 43,76. A regra de decisão baseada no VPL informa que se o VPL >
0, o projeto gera ganho, ou seja, que o fluxo de benefício é maior que o investimento
inicial. Porém apenas isto, não é suficiente para saber se o projeto compensa, logo se
deve tomar outras referências ou outras possibilidades de investimento, considerando
o mesmo investimento inicial e TMA, mas com outro fluxo de rendimento esperado
(HIRSCHFELD, 2000).

Exemplo 2 – Uso do VPL com dispêndio ou cálculo do custo presente líquido.

Uma empresa investiu na compra de um equipamento R$ 80.000,00 e este ficou


encostado por 2 anos sem uso, gerando uma despesa de R$ 4.000,00 anuais, sendo
revendido ao final deste período por R$ 90.000,00. Considerando uma TMA de 15%
qual será o VPL deste investimento?
90.000,00
1

D = 4.000,00
i = 15% a.a

80.0000,00

a) Carregando as informações na HP 12C

Digitação Aparece no Visor


f REG 0,00
80.000,00 CHS g CF0 - 80.000,00
4.000,00 CHS g CFj - 4.000,00
4.000,00 CHS ENTER - 4.000,00
90.000,00 + 86.000,00
gCFj 86.000,00
15 i 15,00
f NPV running
- 18.449,91

c) Conclusão: Um equipamento que custou R$ 80.000,00 para a empresa ficou


armazenado por 2 anos e foi revendido por R$ 90.000,00 gerou um dispêndio de
–R$ 18.449,91, considerando que a empresa poderia ter utilizado este recurso num
investimento de menor risco com uma TMA de 15% a.a. Nestas condições pode-se
dizer que este investimento acarretou prejuízo.

Fundamentos da engenharia econômica 163


U4

Exemplo 3 – Uso VPL com alternativas de investimento duração igual

Um investidor foi procurado por dois agentes financeiros que lhe fizeram propostas
distintas de aplicações financeiras, conforme destacado a seguir.

Agente A: investindo R$ 23.000,00, receberia R$ 1.500,00 ao ano durante 10 anos,


após os quais resgataria R$ 182.000,00.

Agente B: investindo R$ 14.500,00, receberia R$ 950,00 ao ano durante 10 anos


após os quais resgataria R$ 102.000,00.

Considerando que a TMA fosse 15% a.a. qual das duas propostas é mais vantajosa
para o investidor?

Proposta Agente A Proposta Agente B


R = 1.500,00 182.000,00 R = 950,00 102.000,00

0 1 10 0 1 10

i = 15% a.a i = 15% a.a

23.0000 14.0000

a) Carregando as informações na HP 12C

Proposta do Agente A Proposta do Agente B


Digitação Aparece no Visor Digitação Aparece no Visor
f REG 0,00 f REG 0,00
23.000 CHS g CF0 - 23.000,00 14.500 CHS g CF0 - 14.500,00
1.500 CHS g CFj - 1.500,00 950 CHS g CFj - 950,00
10 g Nj 10,00 10 g Nj 10,00
1500 ENTER 1.500,00 950 ENTER 950,00
182.000 + 183.500,00 102.000 + 102.950,00
gCFj 183.500,00 g CFj 102.950,00
15 i 15,00 15 i 15,00
f NPV running f NPV running
8.913,93 2.806,57

b) Conclusão: Para o investidor o projeto mais vantajoso é aquele que apresenta


maior VPL (R$ 8.913,93) e neste caso é a proposta apresentada pelo Agente B. Mesmo
que você suponha que poderia promover alterações nas propostas de qualquer um
dos agentes para obter maior retorno, lembre-se de que no método do valor presente
analisam-se as alternativas existentes não cabendo alterações por parte do investidor.

164 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Um dos motivos para tal ressalva é que os agentes apresentam propostas para
captação de recursos para atender a uma necessidade deles e não do investidor, logo
sua proposta não fica sujeita a alterações por parte do investidor.
Exemplo 4: Uso VPL com alternativas de custo com duração igual

Uma empresa deve selecionar a melhor alternativa tendo as seguintes opções de


custo do projeto
Alternativa A Alternativa B
Custo inicial 230.000 320.000
Custo anual de manutenção 27.000 13.000
Duração em anos 15 15
i 6% 6%

Alternativa A

1 15

27.000
230.000 i = 6% a.a

Alternativa B

1 15

13.000
320.000 i = 6% a.a

Resolução:
a) Carregando as informações na HP 12C
Alternativa A Alterativa B

Digitação Aparece no Digitação Aparece no


Visor Visor
f REG 0,00 f REG - 320.000,00
230.000,00 CHS g CF0 - 230.000,00 320.000,00 CHS g CF0 - 230.000,00
27.000,00 CHS g CFj - 27.000,00 13.000,00 CHS g CFj - 13.000,00
6i 6,00 6i 6,00
15 g Nj 15,00 15 g Nj 15,00
f NPV running f NPV running
-492.230,72 -446.259,24

Fundamentos da engenharia econômica 165


U4

b) Conclusão: Para a empresa o projeto mais custoso é aquele representado


pela alternativa B (-R$ 446.259,24) sendo que isto confirma a ideia de que é mais
vantajoso o projeto que apresenta o maior VPL. Lembre-se de que estamos numa
escala de valores negativos e para o qual quanto mais próximo de zero maior o valor,
logo a alternativa B é maior que o VPL da alternativa A (-R$ 492.230,72). Neste caso o
menor curso do projeto B se justifica pelo fato de que o investimento inicial foi maior,
implicando custos adicionais menores. Em todo caso temos que considerar que os
projetos podem apresentar também diferentes tecnologias embutidas implicando em
custos de aquisição diferenciados.

2.2 O método do valor futuro líquido (VFL)

De forma parecida com o VPL, o método do VFL posiciona todos os fluxos


numa mesma data, obtendo o valor líquido do investimento inicial, porém ao
invés de trazer os fluxos para a data zero, como no VPL, o VFL carrega todos os
fluxos para uma data final. Teoricamente é como se apurássemos o VPL e depois
capitalizássemos para uma data final do projeto de investimento.

VFLj = ∑ P (n+1)
0
n

VFL = Valor Futuro Líquido de um fluxo de caixa


n = número de períodos envolvidos em cada um dos elementos de entradas e
saídas do fluxo de caixa;
P0 = cada um dos valores do fluxo de caixa no instante zero;
I = taxa mínima de atratividade– TMA
Pois bem, dando continuidade, agora vamos verificar a resolução de alguns
exercícios através dos dados apresentados por Hisrschfeld (2000).

Exemplo 1 – VFL com alternativa de duração igual

Uma empresa deve analisar a possibilidade de aquisição de equipamento


observando duas propostas distintas de custo conforme apresentado no quadro.
Considerando que a TMA seja 20%, qual das propostas deve ser escolhida pela
empresa?

Equipamento A Equipamento B
Custo 50.000 80.000
Custo anual de conservação 20.000 15.000
Valor residual para venda 4.000 4.000
Duração em anos 10 10
i 6% 6%

166 Fundamentos da engenharia econômica


U4

4.000
equipamento A
1
10
0

20.000

i = 20% a.a
50.000

8.000
equipamento B
1
10
0

15.000

i = 20% a.a
80.000

Resolução:
a) Carregando as informações na HP 12C

Equipamento A Equipamento A

Digitação Aparece no Visor Digitação Aparece no Visor


f REG 0,00 f REG 0,00
50.000 CHS g CF0 - 50.000,00 80.000 CHS g CF0 - 80.000,00
20.000,00 CHS g CFj - 20.000,00 15.000,00 CHS g CFj - 15.000,00
9 g Nj 9,00 9 g Nj 9,00
20.000 CHS ENTER -20.000 15.000 CHS ENTER -15.000
4.000 + -16.000,00 8.000 + -7.000,00
G CFj -16.000,00 G CFj -7.000,00
20 i 20.000,00 20 i 20.000,00
f NPV -133.203,42 f NPV -141.595,04
CHS PV 133.203,42 CHS PV 141.595,04
20 i 20,00 20 i 20,00
10 n 10,00 10 n 10,00
FV -824.760,46 FV -876.719,15

b) Conclusão: A empresa deve optar pelo equipamento de menor custo, logo


o equipamento A deve ser escolhido porque seu custo é de R$ 824.760,46, que é
menor que o custo do equipamento B (R$ 876.719,15).

Fundamentos da engenharia econômica 167


U4

2.3 Método do valor uniforme líquido– VUL

Existem casos em que para um mesmo volume de investimento obtém-se


uma série com valores diferentes. Neste caso torna-se necessário transformar
estes valores diferentes em uma série uniforme equivalente, pois através desta será
possível realizar análise de alternativas. Vamos compreender melhor este processo
de transformação estudando um exemplo utilizando dados de Hisrschfeld (2000).

Exemplo 1 – VUL com alternativa de duração igual

Supondo uma aplicação que renda dividendos de 20, 30, 10 e 40, correspondendo
ao período de 1, 2, 3 e 4. Considerando uma TMA de 20% pede-se identificar qual
é o valor uniforme líquido, ou o fluxo uniforme líquido deste fluxo de caixa.
U=?
20 30 10 40

0 1 2 3 4 0 1 2 3 4

i = 20% a.a

P P
Resolução:
a) Carregando as informações na HP 12C

- Determinando o Valor Presente Líquido - Determinando o Valor Uniforme


Equivalente PMT

Digitação Aparece no Visor Digitação Aparece no Visor


f REG 0,00 f REG 0,00
0 g CF0 0,00 62,58 CHS PV -62,58
20 g CFj 20,00 20 i 20,00
30 g CFj 30,00 4n 4,00
10 g CFj 10,00 PMT 24,17
40 g CFj 40,00
20 i 20,00
f NPV 62,58

168 Fundamentos da engenharia econômica


U4

2.4 Método da taxa de interna de retorno (TIR)

A taxa interna de retorno (TIR), ou taxa interna de juros é utilizada para tornar
o valor presente liquido de um fluxo de caixa igual a zero, também pode ser
comparada ao retorno de um investimento em um ativo.

Porque poderíamos fazer tal comparação? Podemos dizer que quando uma
pessoa física faz um investimento em uma aplicação financeira, ou mesmo constitui
um empreendimento, faz com expectativa de retorno, ganhar uma quantia maior
do que aplicou, o retorno desta aplicação ou empreendimento corresponde à
chamada taxa mínima de atratividade (TMA), e pode ser chamada também de taxa
de expectativa ou taxa de equivalência.

O retorno recebido do capital investido constitui-se em um percentual sendo


este a taxa de retorno. Ao receber o retorno do investimento é normal realizar
comparativos. Na prática observa-se o valor investido e o retorno obtido e
transformam-se todas as quantias analisadas em quantias equivalentes no instante
inicial para encontrar o VPL.

Para melhor compreender este termo acima apresentado, observem que


a taxa de juro que tornará o valor presente líquido nulo é a taxa de interna de
retorno (TIR). A taxa de retorno é composta pela somatória das receitas e
somatória dos dispêndios, o valor presente líquido é a soma algébrica da soma
inicial do projeto com os benefícios e os custos. Logo, A TIR é uma taxa que
o investidor obtém sobre o capital investido a
cada período enquanto consegue recuperar o
investimento inicial.

Ao avaliar a taxa de retorno do projeto


é preciso que a taxa mínima de atratividade
seja menor que a taxa do retorno. A taxa de
retorno deve ser sempre maior que a taxa
de desconto, para o investimento obter um Fonte: A autora (2014)

retorno de rentabilidade positivo.


Entendamos que taxa i igual à taxa zero no VPL nos projetos de investimento e
de financiamento independente de tamanho.
Figura 4.4: Representação gráfica do fluxo de caixa do VPL

Significado das expressões:


I = investimento inicial
N = vida útil do projeto
E= entrada de caixa
S= saídas de caixa
i = taxa interna de retorno

Fonte: A autora (2014)

Fundamentos da engenharia econômica 169


U4

Diante ao gráfico analisado é possível encontrar a diferença entre o gráfico


apresentado no valor presente líquido de um fluxo de caixa? Acredito que sua resposta
foi não. Ao olharmos sem uma prévia análise do assunto comparamos os dois gráficos
e não vemos alterações, porém é importante lembrarmos que este vem demonstrar
a necessidade de encontrar a TIR e o gráfico do fluxo de caixa do VPL irá demonstrar
entradas e saídas do fluxo de caixa.

A seguir demonstraremos dois importantes gráficos de representatividade da função


VPL (i) da TIR e da TIJ (taxa interna de juros), em exemplo usaremos um projeto de
investimento simples e um projeto de financiamento simples:
Figura 4.5: Representação gráfica do VPL e TIR Figura 4.6 – Representação gráfica
do VPL e TIJ

Fonte: A autora (2014) Fonte: A autora (2014)

A TIR (taxa interna de retorno) significa calcular a taxa efetiva de rentabilidade do


projeto, e o valor encontrado tem que ser comparado com a taxa mínima de atratividade
(TMA), realizando este comparativo é possível chegar a três conclusões:

TIR > TMA

Quando a TIR for maior que TMA, significa que a rentabilidade do projeto é maior
do que mínimo determinado pela organização como referencial de ganho. O projeto
obterá ganho financeiro.

TIR < TMA

TIR menor que TMA, significa que o investimento possui característica de rentabilidade
menor do que o mínimo determinado pela empresa. O projeto inviabilizado resulta em
perda financeira.

TIR = TMA

TIR igual TMA significa que a rentabilidade é igual à rentabilidade mínima determinada
pela empresa, o projeto não gera nem perda e nem ganho financeiro.

2.4.1 Informações relevantes para calcular a TIR

Para calcular a TIR não é preciso conhecer a taxa de desconto, o investidor irá
apenas deixar claro o valor do investimento inicial e o fluxo de caixa do projeto.

170 Fundamentos da engenharia econômica


U4

A TIR é calculada para a sequência de entradas e saídas de caixa (mensal, trimestral,


semestral etc.).

O cálculo da TIR pode ser realizado por tentativas e erro, neste caso, não possui
auxílio de planilhas eletrônicas.

Quando realizar cálculo da TIR através de planilhas eletrônicas ou calculadora


financeira, o cálculo deve buscar um VPL igual a zero, continuando o cálculo até obter
a taxa.

Não existe TIR para projeto que não tenha investimento inicial.

Vamos calcular a TIR de um projeto:

Calcule a Taxa Interna de Retorno de um projeto de investimento a partir dos


dados abaixo:
Resolução pela HP 12C
Cf0 = - $ 20.000,00
Cf1= $8.000,00 Digitação Aparece no Visor
Cf2= $6.000,00 f REG 0,00
Cf3= $6.000,00 20.000 CHS g Cf0 20.000,00
Cf4= $6.000,00
8.000 g CFj 8.000,00
Cf5= $4.000,00
6.000 g CFj 6.000,00
Cf6= $4.000,00
3 g Nj 3,00
4.000 g CFj 4.000,00
2 g Nj 2,00
f IRR running
20,33

Interpretar o significado do resultado de 20,33% é criar duas alternativas de


investimentos. A primeira é a aplicação do investimento inicial pelo custo de capital,
TMA = 10%, a segunda é o projeto de investimento, com retorno de 20,33%.

Com um projeto obtendo um retorno de 20,33%, isto implica um adicional de


10,33 sobre a TMA que o projeto já possui (10-20,33=10,33). Com a aplicação da TMA
de 10%, a TIR dos recursos liberados pelo projeto neste caso são iguais a 10,33%.

A TIR representa para projeto de investimento (operações ativas) a taxa interna


do retorno do investimento. Por outro lado, a TIR para financiamento de projeto
(operações passivas) representa o custo interno do financiamento (empréstimo), no
caso de representatividade de financiamento, a denominação mais adequada da TIR
é taxa interna de juros (TIJ).

Fundamentos da engenharia econômica 171


U4

2.5 Método do benefício custo

O método do Custo Benefício é conhecido e amplamente aplicado nas análises


econômicas. Este método pode ser aplicado a empresas de qualquer porte, sendo
muito utilizado na análise de projetos públicos, devido ao fato de que estas obras
normalmente são realizadas a longo prazo, bem como os resultados que geram
podem se espraiar em várias direções ao longo do tempo.

Não é um método que se constitua de fórmulas puras e simplesmente


sequenciadas, pelo contrário, é um método no qual o planejamento das etapas
se destaca como ponto mais importante. Assim, estudar e comparar os benefícios
gerados por um projeto é o que permite optar pela conveniência ou não de
implementá-lo. A análise pode ser definida como:

CUSTO/BENEFÍCIO, Análise de processo usado para a


determinação da eficiência econômica global de investimentos
públicos em obras infraestruturais. Comparam-se os custos
com os benefícios sociais que provavelmente resultarão do
investimento. Segundo esse processo, deve-se escolher, entre
vários projetos, aquele que apresenta a maior diferença positiva
entre os benefícios globais (econômicos e sociais) e os custos
globais. As dificuldades apresentadas por esse processo de
análise são a quantificação dos benefícios e dos custos sociais e a
determinação de uma taxa de juros para os capitais empregados.
O método tem sido usado particularmente para a análise
dos benefícios advindos da construção de estradas e outros
empreendimentos públicos. (SANDRONI, 1999, p. 151).

Análise de custo benefício (ACB) pode ser aplicada às mais diversas atividades
e investimentos. Neste sentido precisamos ter em mente que benefícios é um
termo utilizado como sinônimo para receitas, faturamentos, dividendos e tudo
que possa beneficiar um empreendimento previsto. Também se deve atentar aos
benefícios sociais de um empreendimento, que embora difícil de avaliar, envolve
muitas interpretações divergentes, não pode ser menosprezada.

Quanto aos custos este pode ser um termo utilizado como sinônimo
para dispêndio, gasto, despesa, pagamentos e tudo mais que possa levar ao
endividamento do empreendimento previsto

2.5.1 Descrição do método

A ACB tem por objetivo determinar se um projeto é viável, o que pode ocorrer
em termos de bem-estar social e/ou em termos valores de monetários expressos

172 Fundamentos da engenharia econômica


U4

nos cálculos envolvidos no projeto. Neste sentido, a utilização do método pressupõe


alguns passos que podem ser resumidos em quatro etapas.

1) Realizar uma pesquisa na qual se busca prever os efeitos socioeconômicos de


um projeto.

2) Depois se pode quantificar os efeitos deste projeto em termos de benefícios


esperados.

3) Transforma-se, por meios previamente identificados e definidos, tais benefícios


em unidades monetárias (sempre que possível).

4) E por fim calcula-se e analisa-se a rentabilidade econômica do projeto. Isto deve


ser feito por meio do estabelecimento de indicadores definidos e precisos. Com estes
indicadores é possível analisar e emitir uma opinião concreta sobre o desempenho
esperado do projeto. Pode utilizar como método complementar de cálculo nesta
etapa o VPL, o VAL, a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o Índice de Custo Benefício. Mais
adiante teremos um exemplo que abordará estes quatro métodos aplicados a um
único projeto, então, você poderá ver um comparativo entre eles.

As partes ou itens de uma ACB são:

a) A identificação do projeto em que aparece a composição do item de


engenharia técnica no qual se identificam o contexto e as características técnicas do
projeto.

b) A composição da análise financeira que visa oferecer suporte, em especial


para o investidor privado.

c) E a composição da análise econômica, que toma por base a análise financeira,


mas não se resume a ela porque visa tomar como pontos de referência aspectos mais
amplos do que somente dados financeiros. Assim, neste item identificam-se além de
receitas e de despesa, os preços de mercado relativos e também se aplica uma série
de correções que possibilita passar de uma análise provada (mais centrada na análise
financeira) para uma análise pertinente ao investidor público em que aspectos de
impacto direto e indireto, bem como o horizonte de tempo de curto e longo prazo,
têm seu escopo ampliando.

Quanto à identificação do projeto é necessário contextualizar, isto é, informar


sobre o objeto do projeto (o que é; por que é importante; onde e como será feito).
Desta forma estaremos informando ao leitor do projeto a que esta ACB se aplica.

Definir os níveis de autonomia do planejamento, os objetivos socioeconômicos


que se deseja alcançar, apresentam-se as análises técnicas relacionados à engenharia
de gestão, localização e marketing.

Fundamentos da engenharia econômica 173


U4

Destaca-se que nesta fase já está presente a ideia de demonstrar porque


investir neste projeto é melhor entre as várias opções possíveis, portando,
deve-se também tecer um comparativo descritivo entre opções tais como
“manter tudo como está”, “realizar o mínimo” e implementar o projeto
completo.

Quanto à análise financeira, ela permite sintetizar e analisar o fluxo de entradas


e saídas e sua distribuição ao longo do tempo por meio da construção de tabelas
resultantes dos cálculos e valores previstos no projeto.

Logo, neste item apresentam-se o Fluxo de Caixa e a análise de viabilidade


financeira e aponta-se a rentabilidade financeira do projeto. Deve-se também
apontar para a necessidade de financiamento (público ou privado).

A análise deve considerar o fluxo de caixa descontado, sendo que a taxa de


desconto a ser utilizada deve ser aquela que permite igualar os benefícios no
futuro com os valores investidos no presente, por isto os benefícios considerados
devem ser mensurados em moeda, bem como as despesas. Devem-se mensurar
as despesas e receitas no momento em que ocorrem, por isto devem estar
distribuídas ao longo do tempo.

Exemplo comparativo dos métodos

Utilizando os dados de Souza e Clemente (2008) vamos apresentar um exemplo


de estudo comparativo de cálculo dos diversos métodos utilizados.

Uma empresa está analisando a possibilidade de realizar um investimento em


um projeto cujo fluxo de caixa se apresenta conforme a figura A. Considerando uma
TMA de 12% a.a., aponte para a empresa os resultados dos seguintes indicadores de
retorno: VPL, VPLa, IBC, ROIA e, também dos seguintes indicadores de risco: TIR.

Figura A

30 50 70 90 110 130 130 130 130

0 1 ....

380

174 Fundamentos da engenharia econômica


U4

a) Calculando o VPL

- Carregando as informações na HP 12C

Digitação Aparece no Visor


f REG 0,00
380 CHS g CF0 -380,00
30 g CFj 30,00
50 g CFj 50,00
70 g CFj 70,00
90 g CFj 90,00
110 g CFj 110,00
130 g CFj 130,00
4 g Nj 4,00
12 i 12,00
f IRR running
80,14

Conclusão: Um projeto no qual a empresa invista R$ 380,00, permite à empresa


recuperar este investimento inicial e remunera também aquilo que teria sido ganho
caso a empresa tivesse aplicado na TMA. Desta forma, o VPL é de R$ 80,14. A regra
informa que se o VPL > 0 o projeto merece continuar sendo avaliado.

b) Calculando o VPL Anualizado (VPLa)

O VPLa também é conhecido como Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE),


na prática ele transforma o VPL em uma série uniforme.

- Carregando as informações na HP

Digitação Aparece no Visor Conclusão: O VPL a indica que o


projeto tem retorno de R$ 15,04 anual
f REG 0,00
acima da TMA de 12%. Da mesma
80,14 CHS PV -80,14 forma que o VPL, um VPLa>0 indica
9n 9,00 que o projeto merece continuar
12 i 12,00 sendo investigado.
PMT running
15,04

Fundamentos da engenharia econômica 175


U4

c) Cálculo do índice de benefício/custo (IBC)

O IBC é uma medida que indica quanto se espera ganhar por unidade de capital
investido. O IBC considera que “os recursos liberados ao longo da vida útil do
projeto sejam reinvestidos à taxa mínima de atratividade”. (SOUZA; CLEMENTE,
2008, p. 79).

IBC = Valor presente do fluxo de benefícios / Valor presente do fluxo


de investimento

IBC = (380,14 + 80,14) / 380 = 1,21089

Conclusão: O IBC indica que neste projeto se espera que cada R$ 1,00 investido
permita retirar R$1,21, após expurgado a TMA. Pode-se dizer que haveria um ganho
de 21,08% real.

d) Cálculo do retorno adicional sobre o investimento (ROIA)

O ROIA represente em termos percentuais a riqueza gerada por um projeto


de investimento. “O ROIA deriva da taxa equivalente ao IBC para cada período do
projeto”. (SOUZA; CLEMENTE, 2008, p. 80).
Cálculo pela HP Conclusão: O projeto apresenta
uma rentabilidade de 2,15% a.a. acima
Digitação Aparece no Visor da TMA, esta rentabilidade pode
f REG 0,00 ser considerada baixa. Porém, para
1 CHS PV -1,00 qualquer análise é necessário se orientar
pelo comparativo de rentabilidade de
9n 9,00
outras opções no mercado. Para dar
1,21089 FV 1,21089 continuidade à análise deste projeto
i running pode-se também calcular o grau de risco
2,15 do projeto.

e) Calculando a Taxa Interna de Digitação Aparece no Visor


Retorno (TIR)
f REG 0,00
Conforme vimos anteriormente, a 380 CHS g CF0 -380,00
TIR transforma VPL=0. Então para nosso 30 g CFj 30,00
exemplo temos:
50 g CFj 50,00
- Carregando as informações 70 g CFj 70,00
na HP 12C 90 g CFj 90,00
110 g CFj 110,00
130 g CFj 130,00
4 g Nj 4,00
f IRR running
16, 1865

176 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Conclusão: Utilizando as informações disponibilizadas anteriormente podemos


informar que se TIR > TMA indica que há ganho investindo no projeto superior ao
proporcionado pela TMA. Lembrando que o ganho representado pela TIR somente
será obtido se os recursos liberados pelo projeto puderem ser reinvestidos a uma
taxa igual a TIR. Em termos de análise de risco, quanto mais próximo os valores da
TIR e da TMA, maior é o risco de se investir no projeto, considerando que a TMA
já é a taxa sem risco.

1. O que é o VPL?

2. Por que a TIR também pode ser comparada ao retorno de um


investimento em um ativo?

Para melhorar nossa compreensão do processo de análise de investimento


vamos revisar alguns indicadores financeiros que podem ser utilizados e que vêm
da análise do Balanço Patrimonial.

Fundamentos da engenharia econômica 177


U4

178 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Seção 3
Revisando a análise de balanço
A análise de balanço tem como função aplicar índices e percentuais que permitam
ao gestor verificar a situação da empresa no momento tempestivo da informação.

A análise de balanço permite que se possa buscar a identificação de fatores positivos


ou negativos dentro da movimentação da empresa em um determinado período.

Qual é o estado da saúde financeira e patrimonial da empresa, diagnosticando seu


estado através da análise das contas patrimoniais.

As empresas que buscam uma melhor qualidade na gestão organizacional divulgam


seu balanço trimestral, permitindo que especialistas em análise possam fazer um Raio-X,
da situação da empresa.

A metodologia desta análise permite a aplicação de índices de comparação em


relação aos valores apurados no mesmo período em exercício diferente.

Também se podem analisar valores importantes que representam dispêndios


e investimento, ou ainda mesmo aumento ou decréscimo por tópicos dentro da
demonstração contábil. Exemplificando é possível analisar o Patrimônio Liquido da
empresa com relação a sua exigibilidade, ou ainda, o passivo circulante com ativo
circulante e outros elementos do Balanço Patrimonial.

Também são chamados indicadores fundamentalistas, que têm por objetivo


identificar características não visíveis nos números puros do balanço.

Para melhor entender este assunto vamos iniciar nosso estudo. Vamos exemplificar
as demonstrações contábeis Balanço e DRE.
Quadro 4.1 – Exemplo – Balanço Patrimonial – Cia. Sonho Me

ATIVO PASSIVO
20X1 20X2 20X3 20X1 20X2 20X3

Circulante Circulante

Disponível 100 200 3100 Fornecedores 600 1.000 2.000

Dupl. a
700 1.000 1.500 Contas a Pagar 400 2.000 3.000
Receber
Estoque 1.200 1.800 2.200 1.000 3.000 5.000
2.000 3.000 4.000

Fundamentos da engenharia econômica 179


U4

Não
Não Circulante
Circulante
Realizável Financiamento
300 600 600 2.000 2.000 2.000
a LP (ELP)
Patrimônio
Investimentos 500 1.000 2.000
Líquido
Imobilizado 800 1.600 2.200 Capital 500 500 500
Reservas de
Intangível 400 600 1.200 400 1.000 1.500
Capital
Reservas de
2.000 4.000 6.000 100 500 1.000
Lucros
1.000 2.000 3.000
Total 4.000 7.000 10.000 Total 4.000 7.000 10.000

Fonte: Marion (2012, p. 189)

3.1 Demonstração do resultado do exercício


No mesmo passo do Balanço Patrimonial segue em concomitância a esta
demonstração. A Demonstração do Resultado do Exercício – DRE – tem como função
apresentar o resultado do exercício através do confronto das receitas menos as deduções
das receitas, menos os custos e menos as despesas acrescidas às receitas financeiras, ou
deduzidas as despesas financeiras para chegar ao resultado antes dos impostos. Caso o
resultado final seja saldo positivo deve se aplicar os impostos.
Quadro 4.2: Demonstrativo do resultado do exercício

Demonstração do Resultado do Exercício


Períodos 20X1 20X2 20X3
Receita 8.000 9.000 10.000
CPV (CMV) 4.000 5.000 6.000
Compras 1.000 2.000 3.000
Compras 100 400 500
Fonte: Marion (2012, p. 189)

3.2 Índices

Os índices de liquidez avaliam a capacidade de pagamento da empresa frente


a suas obrigações. Sendo de grande importância para a administração da
continuidade da empresa, as variações destes índices devem ser motivos de
estudos para os gestores.
As informações para o cálculo destes índices são retiradas unicamente
do Balanço patrimonial, demonstração contábil que evidência a posição
patrimonial da entidade, devendo ser atualizadas constantemente para uma
correta análise. (ZANLUCA, 2014).

180 Fundamentos da engenharia econômica


U4

3.3 Índices de solvência

3.3.1 Índice de liquidez corrente


Calculada a partir os direitos a curto prazo da empresa (Caixas, bancos, estoques,
clientes) e a as dívidas a curto prazo (Empréstimos, financiamentos, impostos,
fornecedores). No Balanço estas informações são evidenciadas respectivamente
como Ativo Circulante e Passivo Circulante. (ZANLUCA, 2014).

Ativo Circulante 20X1 Passivo Circulante 20X1


Disponível 100 Fornecedores 600
Duplicatas a Receber 700 Contas a pagar 400
Estoques 1.200
Total 2.000 Total 1.000

O índice de liquidez corrente calcula:

Ativo Circulante
Passivo Circulante

O índice de LC é de (2.000/1.000) = 2,00

Este índice revela a qualidade dos itens no Ativo Circulante e a capacidade de


pagamento da empresa a curto prazo. Quanto ao índice de Liquidez Corrente, uma
premissa deve ficar bem clara: nos casos em que ocorra queda no índice de liquidez
corrente nem sempre significa perda de capacidade de pagamento.

Vamos analisar os dados:

Consideremos os aspectos implícitos no índice, 2,00 não é um índice deficiente,


AC é constituído basicamente de estoque, que resulta em um retorno mais lento à
conversão de dinheiro do AC. Nesta situação podemos avaliar que uma empresa
com maiores valores compondo seu estoque poderá trazer problema de ordem
financeira a curto prazo.

Em exemplo vamos citar uma Liquidez Corrente menor que um.

Ativo Circulante 20X1 Passivo Circulante 20X1


Disponível 1.000 Fornecedores 2000
Duplicatas a Receber 6.000 Imp. a Recolher 6.000
Estoques 1.200 Empréstimos 7.000
Outras Dívidas 3.000
Total 9.000 Total 18.000

Fundamentos da engenharia econômica 181


U4

Ativo Circulante
Passivo Circulante

O índice de LC é de 0,50 (9.000/18.000). Este é um índice extremamente baixo,


para aumentar este índice a equipe gestora deverá aumentar suas compras com
fornecedores, aumentado seu estoque. As compras precisam ser trabalhadas a prazo e
as vendas à vista e a prazo para gerar aumenta no AC.

3.3.2 Índice de liquidez seca (LS)


Se a empresa sofresse uma total paralisação de suas vendas, ou se seu estoque
se tornasse obsoleto, quais seriam as chances de pagar suas dívidas com Disponível
ou Duplicatas a Receber?

O Índice de Liquidez Seca exclui o Estoque LS= AC – Estoque

Ativo Circulante – Estoque


Passivo Circulante

Cálculo:

Ativo Circulante 20X1 Passivo Circulante 20X1


Disponível 100 Fornecedores 600
Duplicatas a Receber 700 Contas a pagar 400
Estoques 1.200

Total 2.000 Total 1.000

2.000 – 1.200 = 0,80


1.000

Para cada $ 1,00 de dívida PC a empresa dispõe de $ 0,80 de Ativo Circulante


sem /Estoque.

Com esse índice observamos que caso a empresa parasse com suas vendas, ela
conseguiria pagar mais da metade de suas dívidas.

182 Fundamentos da engenharia econômica


U4

3.4 Capacidade de pagamento a longo prazo

3.4.1 Índice de liquidez geral (LG)

Mostra a capacidade de pagamento da empresa a Longo Prazo,


considerando tudo o que ela converterá em dinheiro (a Curto e
Longo Prazo), relacionando-se com tudo o que já assumiu com a
dívida (a Curto e Longo Prazo), ou seja:

Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo


Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo
SOARES (2010, p. 45)

2.000 +300 = 2.300 = 0,76


1.000 + 2.000=3.000

Para cada $ 1,00 de dívida a empresa tem 0,76 de valores e se encontra em


posição financeira negativa.

Vamos avaliar outro modelo de Balanço Patrimonial, realizando comparativos:

Caixa 40.000 10.000 Fornecedores 200.000 220.000


Dupl. a Receber 150.000 220.000 Salários a pagar 400 2.000
Estoque 390.000 420.000 Impostos a receber 1.000 3.000
Dividendos a pagar 340.000 280.000
580.000 650.000
Não circulante Não circulante
Realizável a LP 50.000 40.000 Financiamento 100.000 150.000
(ELP)
Investimentos 60.000 100.000 Patrimônio Líquido
Imobilizado 70.000 16.000 Capital 300.000 340.000
Intangível 30.000 24.000 Reservas de Lucro 50.000 60.000
210.000 180.000 350.000 400.000

Total 790.000 830.000 Total 790.000 830.000

Fundamentos da engenharia econômica 183


U4

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

Receita Líquida 800.000


(-) Custo Mercadoria Vendida -650.000
Lucro Bruto 150.000
(-) Despesas Operacionais
Vendas -30.000,00
Administrativas
(inclui depreciação 10.000) -70.000
Receita Financeira 30.000
(-) Despesas -20.000
Lucro Operacional -30.000
(-) Imposto de Renda e CS -6.000
Lucro Líquido 24000
Fonte: Marion (2012, p. 196)

3.4.2 Índice de liquidez imediata

Índice conservador, considera apenas caixa, saldos bancários


e aplicações financeiras de liquidez imediata para quitar as
obrigações. Excluindo-se além dos estoques as contas e valores
a receber. Um índice de grande importância para análise da
situação a curto-prazo da empresa. (ZANLUCA, 2014).

Liquidez Imediata =Disponível


Passivo Circulante

Calculando Ano X1:


580.000/340.000 = 1,70
Calculando Ano X2
650.000/280.000 = 2,32

Ano X1 = 1,70 Ano X2 = 2,32

184 Fundamentos da engenharia econômica


U4

O objetivo deste índice é demonstrar uma situação extrema na qual podemos


exemplificar como necessidade imediata de pagar as obrigações a curto prazo,
a empresa no a X1 obtinha um resultado positivo para cada $ 1,00 de dívida. Ela
possuiu $ 1,70 para quitar suas dívidas, no ano X2 conseguiu quase que dobrar seu
poder pagamento.

3.4.3 Endividamento geral

Mostra a dependência da empresa com recursos externos à sociedade.

Na empresa temos recursos próprios e de terceiros e a soma dessas duas origens


de recursos, que estão à disposição da administração para utilizar na atividade
da empresa, este índice mostra quanto os recursos de terceiros representam
percentualmente no total dos recursos aplicados nos ativos da empresa. Esse índice
mostra o percentual dos recursos de terceiros perante a totalidade dos recursos à
disposição do administrador que estão aplicados nos ativos da empresa e indicam a
quantidade da dívida.

A sua fórmula se dá:

EG =PC +PNC
AT

Calculando:

X1

EG = 340.000 + 100.000 =440.000 = 0,55

790.000 790.000

X2

EG =280.000 + 150.000= 430.000= 0,52

830.000 830.000

X1 = 0,55 X2= 0, 52

Fundamentos da engenharia econômica 185


U4

Estes percentuais podem ser explicados da seguinte forma: a dívida da empresa


com terceiros equivale aos percentuais demonstrados perante o total dos recursos
da empresa. Em uma primeira análise, a empresa deve buscar a diminuição destes
percentuais, pois isso significaria uma diminuição da dependência de capitais de
terceiros.

3.4.4 Composição Do Endividamento – CE


Esse índice mostra o perfil do endividamento, evidenciando qual é a parcela da
dívida que é de curto prazo. A empresa pode ter um endividamento alto, mas com
muitas exigibilidades a longo prazo, além do tempo para obtenção dos recursos para
quitação das dívidas com a lucratividade da atividade, isso pode significar utilização
de recursos de terceiros a custo baixo com linhas de crédito específicas.

CE=__ PC___ _* 100


PC + PNC

Calculando:

X1

CE=340.000__= 340.000= 77,27

340.000+ 100.000 440.000

X2

CE =280.000 = 280.000= 65,11

280.000 + 150.000 430.000

Vemos nestes percentuais que o perfil da dívida melhorou significativamente


neste período, muito embora tenhamos calculado no Endividamento Total que a
dívida não diminuiu, vemos agora que a dívida a curto prazo diminui muito, passando
de 77,27% para 65,11%.

X1= 77,27% X2= 65,11%

3.4.5 Garantia dos capitais de terceiros – GT


Refere-se ao endividamento, mas a comparação é com os recursos próprios
evidenciando a garantia que os terceiros terão numa eventual liquidação da empresa,
levando-se em conta a responsabilidade dos sócios apenas com o capital subscrito

186 Fundamentos da engenharia econômica


U4

na empresa, muito embora exista um hiato na fórmula formado pelo capital a


integralizar, reflete a garantia baseado no Patrimônio Líquido.

GT= PC + PNC x 100


PL

Calculando:

X1

CE =340.000 + 100.000__= 440.000= 125,71%

350.000 350.000

X2

CE =280.000 + 150.000 = 280.000= 70%

400.000 400.000

X1 = 125,71% X2 = 70%

Estes percentuais demonstram que o patrimônio líquido, recursos dos sócios na


empresa, podem pagar as dívidas totais com terceiros, pois estas dívidas representam
os percentuais calculados. Numa primeira análise, a empresa deve buscar a
diminuição destes percentuais, pois isso significaria uma diminuição da dependência
de capitais de terceiros.

3.4.6 Imobilização do capital próprio – ICP


A imobilização é necessária para a estrutura da empresa e os investimentos em
empresas estratégicas para a atividade. O termo imobilização aqui não se restringe
ao ativo imobilizado, mas se refere ao ativo permanente como um todo, pois
os recursos investidos em outras empresas também não têm alta liquidez e são
adquiridos com caráter permanente de aplicação. Um alto grau de imobilização dos
recursos próprios pode ser indício de baixa liquidez.

ICP = ANC – RLP x 100


PL

Fundamentos da engenharia econômica 187


U4

Calculando:

X1

ICP = 210.000 – 50.000= 160.000 = 45,71%

350.000 350.000

X2

ICP = 180.000 – 40.000= 140.000 = 35%

400.000 400.000

X1 = 45,71% X2 = 35%

Estes percentuais demonstram que a cada exercício social que passa os recursos
imobilizados, que são utilizados para adquirir imobilizado, intangível e ações de
outras companhias, estão aumentando. Isto ao mesmo tempo evidencia um maior
comprometimento do patrimônio líquido com recursos fora de giro, também
pode sinalizar que a empresa está modernizando suas máquinas e instalações ou
aumentando seus investimentos estratégicos.

3.5 Indicadores de rentabilidade


Pode-se analisar a rentabilidade de uma empresa em dois aspectos, a lucratividade
das vendas e as taxas de retorno, o primeiro é uma verificação de vários níveis
de resultado em relação às vendas líquidas, o segundo é a representatividade do
resultado em relação aos recursos utilizados para a gestão da empresa na busca dos
resultados.

3.5.1 Margem de lucratividade das vendas


As margens de lucratividade já são encontradas na análise vertical, medem as
proporções dos valores dos resultados parciais e final em relação à receita operacional
líquida, por ser esta a receita que realmente representa as vendas da empresa.

- Margem bruta – MB

Representa o percentual do remanescente da receita operacional líquida após a


dedução dos custos das vendas, ou seja, o lucro bruto.

É calculado pela razão entre o Lucro Bruto e a Receita Operacional Líquida:

188 Fundamentos da engenharia econômica


U4

MB= Lucro Bruto (Resultado Oper. Bruto)x 100


Receita Operacional Líquida

Calculando:

X1

MB = 150.000 x 100 = 18,75%

800.000

Margem operacional – MO

Representa o percentual do remanescente do lucro bruto após deduzidas as


despesas operacionais.É calculado pela razão entre o Lucro Operacional e a Receita
Operacional Líquida:

MO = Lucro Operacional (Resultado Operacional Líquido) x 100


Resultado Operacional Líquida

MO = 30.000 x 100 =12,50%


24.000

Margem líquida – ML

Representa o percentual do lucro final da empresa sobre as vendas líquidas. É


calculado pela razão entre o Lucro Líquido e a Receita Operacional Líquida:

ML = Lucro Líquido x 100


Receita Operacional Líquida

Calculando:

MO = 24.000 x 100 =3%

800.000

Fundamentos da engenharia econômica 189


U4

1. Esse quociente serve para detectar a saúde financeira a


curto e longo prazo da empresa. A afirmativa refere-se a qual
indicador financeiro?

a) Liquidez corrente.
b) Liquidez geral.
c) Liquidez seca.
d) Endividamento.

2. Tem como principal finalidade mostrar o nível de


comprometimentos do capital próprio de uma empresa,
com o capital de terceiros. Este é o principal objetivo de qual
indicador financeiro?
a) Liquidez corrente.
b) Liquidez geral.
c) Liquidez seca.
d) Endividamento.

Os indicadores de liquidez são usados para avaliar o índice de


imobilização do capital próprio?

O objetivo principal da análise econômico-financeira é medir o desempenho


da empresa, que pode ser positivo ou negativo. O desempenho, medido
através da comparação dos resultados obtidos com os planejados pela
empresa, diz respeito aos resultados alcançados apresentados por meio
de índices. Aprofunde-se mais no assunto, acesse o link: <http://www.
reficontunimep.com.br/ojs/index.php/Reficont/article/view/9/10>.

190 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Nesta unidade abordamos os conhecimentos básicos de


Engenharia Econômica. Você pôde verificar que a Engenharia
Econômica surgiu no campo da engenharia com o objetivo de
utilizar os instrumentais analíticos da engenharia aplicando-
os aos estudos econômicos, em especial para analisar a
viabilidade de investimentos. Neste sentido estudamos os
principais métodos da engenharia com resolução de exercícios
para que você conhecesse um pouco mais sobre estes
métodos. Você poderá aprofundar seus estudos pesquisando
e estudando o tema. Bons estudos!

Pois bem, caro aluno, chegamos ao fim desta unidade, na


qual pudemos conhecer o básico da Engenharia Econômica.
Futuramente, você pode optar por aprofundar seus estudos
nesta área e para tal recomendamos que busque cursos de
especialização na área e oferecidos no mercado. Lembramos
que estudar sempre amplia as fronteiras do conhecimento
e que você, aluno, sempre poderá estudar e conhecer mais
sobre os temas abordados nesta unidade e neste livro. Desejo
a você bons estudos!

1. Quais são as funções da Engenharia Econômica?

2. Qual é a importância da TMA para a análise do VPL e dos


demais métodos da Engenharia Econômica?

Fundamentos da engenharia econômica 191


U4

3. Uma empresa tem uma proposta de investimento, conforme


descrito na tabela. Considerando uma TMA de 10%, calcule o VPL
do projeto em análise.

Projeto A
Investimento inicial: R 15.000,00. E fluxos de recursos dados por:

Cf1= $3.000,00
Cf2= $5.000,00
Cf3= $5.000,00
Cf4= $3.000,00
Cf5= $2.000,00
Cf6= $4.000,00

4. Para os mesmos dados do exercício 3 encontre o VPLa.

5. Para o mesmo projeto do exercício 3 calcule a TIR.

192 Fundamentos da engenharia econômica


U4

Referências

HIRSCHFELD, Henrique. Engenharia econômica e análise de custo: aplicações


práticas para economistas, engenheiros, analistas de investimentos e
administradores. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

MARION, José Carlos. Analise das demonstrações contábeis: contabilidade


empresarial. 7 ed. São Paulo: Altas, 2012.

NAKANO, Y. Engenharia econômica e desenvolvimento. ERA – Revista de


Administração de Empresas, v. 7, n. 22, p. 89-112, jan./mar. 1967.

SANDRONI, Paulo. Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Best Seller,


1999. Disponível em: <http://introducaoaeconomia.files.wordpress.com/2010/03/
dicionario-de-economia-sandroni.pdf>. Acesso em: 24 out. 2012.

SOARES, Adivane Simonini. A demonstração dos fluxos de caixa e a


demonstração do valor adicionado como instrumentos complementares para
a gestão financeira - um estudo de caso. 2010. 64 f. Monografia (Graduação em
Ciências Contábeis). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.
Disponível em:<http://tcc.bu.ufsc.br/Contabeis294034>. Acesso em: 14 nov. 2014.

SOUZA, Alceu; CLEMENTE, Ademir. Decisões financeiras e análise de


investimentos: fundamentos técnicas e aplicações. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

ZANLUCA, Jonatan de Sousa. Cálculo e análise dos índices de liquidez.


Disponível em:<http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/indices-de-
liquidez.htm>. Acesso em: 14 nov. 2014.

Fundamentos da engenharia econômica 193