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MANUAL

DO CONSELHO SUMÁRIO DE DISCIPLINA

DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

(MAPAD/PM)

PRIMEIRA EDIÇÃO
2001
BELO HORIZONTE

- 55 -
POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

COMANDO-GERAL

RESOLUÇÃO Nr , DE DE MARÇO DE 2.001.

Aprova o Manual de Procedimentos Administrativo-


Disciplinares e do Conselho Sumário de Disciplina da
Polícia Militar de Minas Gerais (MAPAD/PM), para
primeira edição.

O COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO


ESTADO DE MINAS GERAIS, no uso de suas atribuições previstas nos incisos VI e XI do
artigo 6º do R-100, aprovado pelo Decreto Nr 18.445, de 15Abr77, RESOLVE:

Art. 1º - Fica aprovado o Manual de Procedimentos Administrativo-


Disciplinares e do Conselho Sumário de Disciplina da Polícia Militar de Minas Gerais
(MAPAD/PM), de autoria do Tenente Coronel PM Fernando Muniz (APM), Majores PM Valter
Braga do Carmo (DP) e Ney de Castro Brito (EMPM1); Capitães PM Saulo Ferreira de Abreu
(8º CRPM) e Senilton Fernandes Garcia (APM).

Art. 2º - Fica considerado trabalho técnico-profissional nos termos da


Resolução Nr 3.425, de 08Jun98, o Manual referido no artigo anterior.

Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a


Resolução Nr 1.102, de 23Dez82, que aprova as “Normas de Elaboração de Sindicância na
Polícia Militar e Formulários, a Resolução Nr 3.235, de 29Nov95 que aprova as modificações
para o Manual de Sindicância–MASIN/PM, MTP-1–2–PM, para segunda edição e a Resolução
Nr 3056, de 18Abr94, que regula os procedimentos a serem seguidos por ocasião das exclusões
com baixa do serviço “ex-ofício”, nos termos do Art. 146, inciso V, alínea a) e exclusão
disciplinar, nos termos do Art. 146, inciso IV, ambas do Estatuto de Pessoal da Polícia Militar.
ÁLVARO ANTÔNIO NICOLAU, CORONEL PM
COMANDANTE-GERAL

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EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

Exmº. Sr. Comandante-Geral,

A Comissão Nr 026/00-EMPM, designada por ato publicado no BGPM Nr


02, de 05Jan01, sente-se altamente honrada em submeter à especial apreciação de V. Exª, o
Projeto de Manual de Procedimentos Administrativo-disciplinares e do Conselho Sumário de
Disciplina da Polícia Militar – MAPAD/PM.

Ao iniciarmos os trabalhos deparamo-nos com duas linhas de ação: apenas


rever e atualizar o Manual de Sindicância (MASIN/PM) ou elaborar um novo manual, que fosse
além, que tratasse dos principais procedimentos administrativo-disciplinares existentes na
Instituição, que não possuem tramitação específica. A primeira tinha a vantagem de ser uma
solução simplista, em que se emendaria o que fosse necessário, preenchendo lacunas e
suprimindo o supérfluo. A segunda se revestia de abrangência e importância, haja vista conferir
aos integrantes da Polícia Militar um instrumento de trabalho nas lides apuratórias, que fosse
um verdadeiro vade-mecum procedimental.

Após profícuas reflexões sobre ambas as linhas de ação, a Comissão decidiu


pelo caminho mais trabalhoso, porém, mais gratificante, que era a elaboração de um novo
manual, o qual teria um forte embasamento na lei, na doutrina e na jurisprudência atuais.
Propondo um novo Manual, pode parecer que queremos derrubar todos os procedimentos
apuratórios existentes até então, substituindo-os por outros inteiramente novos, entretanto, tal
não ocorre. Foram introduzidas modificações substanciais, a fim de facilitar os procedimentos,
colacioná-los em documento único e torná-los instrumentos escorreitos, hábeis a serem
utilizados sem a pecha da injustiça ou ilegalidade, face ao Estado Democrático de Direito.

O ponto fundamental do trabalho foi evitar vícios que estão sendo


questionados via Poder Judiciário e que estão gerando freqüentes reintegrações na Polícia
Militar, por força de inobservância dos princípios constitucionais no Processo Administrativo
Disciplinar, em especial o contraditório e a ampla defesa.

Assim, foram inseridas a oportunidade do contraditório e da ampla defesa


nos procedimentos administrativo-disciplinares, visto que não se estava assegurando aos
acusados, em sua plenitude, o direito de a exercerem por meio de advogado, o que feria o texto
constitucional.

Estabelecemos prazos para as razões escritas de defesa e modelos de vistas,


nomeação de defensores, dentre outros.

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A Comissão procurou apresentar um trabalho mais avançado, alterando as
normas do Processo Sumário de Audiência – PSA, que se transformou em Conselho Sumário de
Disciplina – CSD, por força de exigência de comissão processante, para efetivar demissões de
servidores públicos, conforme decisões do Egrégio Supremo Tribunal Federal.

Foram estabelecidos capítulos referentes às Sindicâncias Regulares,


Regulares Reservadas, Regulares sobre acidentes com viatura e Sumárias.

Ficaram normatizados os novos procedimentos durante as audições de


militares em parte disciplinar e ainda todos os formulários e modelos necessários aos
procedimentos administrativo-disciplinares.

Foram expressos os conceitos e as definições técnicas, cuja importância


reside na necessidade de diminuirmos o trabalho dos encarregados, haja vista que, apesar de não
se esgotar o assunto, dificilmente será preciso que se recorra a dicionários de termos técnico-
jurídicos.

Finalizando o conteúdo de textos do Manual, a Comissão coletou as


irregularidades mais freqüentes, visando servir de alerta aos encarregados ao encerrar seus
trabalhos, para uma conferência final.

As normas e modelos inseridos neste Manual pretendem conferir um


equilíbrio entre estes dois aspectos fundamentais, quais sejam, o forte embasamento teórico e a
praticidade, buscando padronizar os procedimentos dentro destas variáveis.

Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 2.001.

(a) Fernando Muniz, Ten-Cel PM ____________________________;


- Valter Braga do Carmo, Maj PM __________________________;
- Ney de Castro Brito, Maj PM _____________________________;
- Saulo Ferreira de Abreu, Cap PM _________________________;
- Senilton Fernandes Garcia, Cap PM _______________________.

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CAPÍTULO I

CONCEITOS E DEFINIÇÕES TÉCNICAS

Art. 1.o Termos usuais no processo e nos procedimentos administrativo-


disciplinares:

I - ABERTURA - termo que se usa no início do procedimento administrativo-


disciplinar.
II - ABRIR VISTAS – consiste em passar a documentação que compõe as provas
da acusação feita contra o militar, para que este possa conhecê-la, manuseá-la e produzir provas
em seu favor, permitindo-lhe o exercício do contraditório. Esses documentos componentes da
acusação, em nada podem ser alterados pelo militar acusado, o que consistiria crime.
III - ACAREAÇÃO - confronto de duas pessoas cujas declarações ou depoimentos
apresentem divergências a serem esclarecidas.
IV - AMPLA DEFESA – É garantia constitucional de todo acusado em processo
judicial ou administrativo e compreende a ciência da acusação, a vista dos autos na repartição, a
oportunidade para oferecimento de contestação e provas, a inquirição e reperguntas de
testemunhas e a observância do devido processo legal.
- Considerações:
a) Caráter prévio da defesa – consiste na defesa ser anterior relativamente ao ato
decisório. Não há que se falar em decisão sem que antes tenha sido garantida a defesa. A
garantia constitucional proíbe a imposição de penas, sem a intermediação de processo.
b) Direito de interpor recurso administrativo – na seara administrativa, o direito de
recorrer está alicerçado na garantia de ampla defesa, como uma de suas decorrências.
c) Defesa técnica – é defesa patrocinada por representante legal do acusado, ou
seja, por um defensor legalmente habilitado, que é o advogado. A presença do advogado na
defesa, contribui para a tomada de decisão respaldada na legalidade e justiça, além de evitar que
o militar acusado se deixe guiar por emoções momentâneas.
d) Direito de notificação – consiste no direito do militar ser comunicado no início
da lide administrativa, devendo nela constar a indicação dos fatos e bases da acusação. Além
disto, o acusado tem o direito de ser cientificado, com antecedência, das medidas ou atos
referentes à produção de provas, e o direito, ainda, ao acesso a documentos, cópias e certidões
em poder da administração pública, para a utilização em sua defesa.
e) Produção de provas – integra também o direito de solicitar a produção de
provas, e de vê-las produzidas e consideradas.

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f) oportunidade para prestar esclarecimentos sobre a imputação e os respectivos
fatos geradores;
g) possibilidade de argüir suspeições e impedimentos;
h) apresentação de razões de defesa por escrito;
i) franquia aos locais de trabalho da comissão, a fim de poder o acusado inquirir,
reinquirir e contraditar testemunhas, devendo para tanto, ser devidamente notificado a respeito
da realização dessas audiências, com a especificação do local, dia e horário;
j) oportunidade para requerer todas as provas em direito admitidas e arrolar
testemunhas;
l) possibilidade de ter o acusado vista sobre os pedidos de exames periciais
formalizados pelo encarregado ou conselho, podendo, no interesse de sua defesa, acrescentar
quesitos;
m) ensejo para argüir prescrição/suspeição.
V - AOS COSTUMES - expressão usada na assentada de inquirição de
testemunhas na qual se revela o grau de parentesco, afinidade ou interesse no caso, entre o
depoente, o indiciado e/ou a vítima.
VI - A ROGO - assinatura de terceiro que substitui a do declarante, quando este
não sabe ou não pode assinar seu depoimento.
VII - ASSENTADA - termo lavrado no início, interrupção e encerramento dos
trabalhos de audição de pessoas no procedimento administrativo-disciplinar.
VIII – ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA – constitui-se no exercício sistemático
de ações especializadas, orientadas para a produção e salvaguarda de conhecimentos, nas
diversas expressões do Poder Nacional, com o objetivo de assessorar as autoridades
governamentais, nos respectivos níveis e áreas de atribuição, para o planejamento, execução e
acompanhamento de suas políticas.
IX - AUTO - peça escrita, de natureza judicial, constitutiva do processo que
registra a narração minuciosa, formal e autêntica de determinações ordenadas pela autoridade
competente.
X - AUTORIZAÇÃO DE DESCONTOS – consiste no ato voluntário do servidor
em ressarcir dano causado em viatura ou outro bem público, formalizado em impresso próprio.
XI - AUTOS - conjunto de peças que formam o procedimento administrativo-
disciplinar.
XII - AUTUAÇÃO - termo lavrado pelo Sindicante/Escrivão para reunião da
portaria e demais peças que a acompanham e que deram origem à Sindicância Regular e/ou
Conselho Sumário de Disciplina (capa da SR/CSD).
XIII - CAPACIDADE TÉCNICA – é a qualificação obtida em cursos e
treinamentos específicos por militar ou outrem contratado, que o(s) torne(m) habilitado(s) para

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manusear, usar, reparar, vistoriar, fornecer laudo ou parecer, etc., em utensílio, objeto,
equipamento, peça, etc., utilizado(s) pela Polícia Militar.
XIV - CARTA PRECATÓRIA - Assim se diz do documento requisitando
diligência que deva ser cumprida em localidade diferente daquela em que foi instaurado o
procedimento administrativo-disciplinar.
Diz-se simplesmente precatória. E hoje tanto pode ser solicitada por carta como
por telegrama, telefone, e-mail e outros.
A carta precatória deve conter todos os elementos que são indicados em lei para
sua formação:
a) a indicação da autoridade deprecada e da deprecante;
b) a designação dos lugares, de onde e para onde é expedida;
c) o inteiro teor da documentação de origem e do respectivo despacho;
d) os quesitos a serem respondidos;
e) observar a forma dos termos deste Manual.
A carta precatória é o instrumento que serve para indicar o ato, cuja prática se
requisita de outra autoridade. E, assim, serve a vários fins: audição de pessoas, citação, penhora,
apreensão ou qualquer outra medida processual, que não possa ser executada na localidade em
que corre o processo/procedimento.
XV - CONTRADITÓRIO – Consiste na faculdade de manifestar o próprio ponto
de vista ou argumentos próprios, diante de fatos, documentos ou pontos de vista apresentados
por outrem. A cada ato acusatório cabe a contraposição pelo acusado, com os meios e recursos
necessários.
Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral,
são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
- Considerações:
a) Informação geral – implica no direito de obter conhecimento dos fatos baseados
na formação do procedimento e de todos os demais documentos, provas e dados que surgirem
em seu curso. Em decorrência desse direito, não se pode invocar elementos que não constem do
expediente formal, porque deles não tiveram ciência prévia os sujeitos, tornando-se impossível a
reação;
b) Audiência das partes – consubstancia na possibilidade de manifestar o próprio
ponto de vista sobre fatos, documentos, interpretações e argumentos apresentados pela
Administração e por outros sujeitos. Insere-se aí, o direito de propor provas, vê-las realizadas,
apreciadas e o direito a um prazo suficiente para o preparo de observações a serem contrapostas;
c) Motivação – percebe-se a influência de determinado fato ou documento na
decisão final; além disso, propicia reforço da transparência administrativa e do respeito à
legalidade, facilitando, também, o controle sobre as decisões tomadas; é importante que a

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decisão da autoridade seja motivada nas manifestações do militar acusado e nas provas juntadas
aos autos.
XVI – CSD – Conselho sumário de Disciplina. Consiste no processo
administrativo-disciplinar em que se verifica capacidade de permanência nas fileiras da
Instituição, da praça com menos de 05 (cinco) anos de serviço;
XVII - DANO MATERIAL – prejuízo material causado em bem público, pela
deterioração ou inutilização, mormente em virtude de negligência, imprudência ou imperícia.
XVIII - DEGRAVAÇÃO – consiste em redigir, textualmente, gravação da fala de
uma ou mais pessoas.
XIX - DELEGAÇÃO - atribuição de poderes para instauração de procedimento
administrativo-disciplinar, que poderá ser retomada, tornando-se insubsistente o ato que a
outorgou, por razões legais ou administrativas.
XX - DILIGÊNCIAS - ações levadas a efeito para apuração do fato que motivou o
procedimento administrativo-disciplinar; são os atos praticados visando a elucidação das
circunstâncias, autoria e materialidade da falta cometida.
XXI - ENCARREGADO - nome que se atribui ao militar a quem se destinou a
Portaria para instauração do procedimento administrativo-disciplinar.
XXII - ESCREVENTE – Pessoa designada para os trabalhos de digitação/
datilografia, pela autoridade delegante, quando o encarregado/escrivão do processo
administrativo não possuir essa habilidade.
Trata-se de situação excepcional.
XXIII - ESCRIVÃO – militar designado para executar os trabalhos de
datilografia/digitação e demais providências. É o responsável pela estética, formalização e
guarda dos autos. Ao Escrivão também pode ser dada missão de levantar subsídios, realizar
diligências complementares e esclarecedoras.
XXIV - EXAME - estudo, pesquisa, averiguação de um estado de coisa.
XXV - GRAU DE SIGILO – gradação atribuída à classificação de um documento
sigiloso, de acordo com a natureza de seu conteúdo e tendo em vista a conveniência de limitar
sua divulgação às pessoas que têm necessidade de conhecê-lo.
XXVI - HORÁRIO DIURNO - tempo estabelecido por lei, compreendido entre as
07:00 e 18:00 horas para audição de pessoas.
XXVII - IDONEIDADE - bom conceito social (moral e profissional), que torna
uma pessoa digna de credibilidade.
XXVIII - IMPEDIMENTO - situação existente que obsta a participação de
determinada pessoa no procedimento administrativo-disciplinar.
XXIX - INFORMANTE - testemunha da qual a lei não exige compromisso de
dizer a verdade em seu depoimento.

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XXX - INQUIRIÇÃO - tomada de depoimento de testemunhas.
XXXI - INTERROGATÓRIO - audição do militar acusado no procedimento
administrativo-disciplinar.
XXXII - JUNTADA - ato através do qual o encarregado faz a anexação, ao
processo, de documentos vindos às suas mãos e que interessam ao procedimento administrativo-
disciplinar.
XXXIII - MEMÓRIA – documento com grau de sigilo reservado, no qual são
registrados fatos, em ordem cronológica, sobre determinado assunto, sem identificação de sua
fonte.
XXXIV - NOTIFICAÇÃO – é o ato emanado do encarregado, pelo qual se dá
conhecimento ao acusado da prática de ato, ou de algum fato, objeto de apuração, que também é
de seu interesse, a fim de que possa usar das medidas legais ou das prerrogativas que lhe sejam
asseguradas por lei, geralmente para comparecimento em local, data e horários determinados.
XXXV - PERÍCIA - exame técnico procedido por perito, retratado através de laudo
pericial.
XXXVI - PERITO - técnico designado para examinar e dar parecer sobre assunto
de sua especialidade.
XXXVII - PODER DISCIPLINAR - o Poder Disciplinar tem origem e razão de ser
no interesse e na necessidade de aperfeiçoamento progressivo do serviço público e pode ser
conceituado como a força inerente à Administração Pública de apurar irregularidades e infligir
sanções a pessoas adstritas ao regime disciplinar dos órgãos e serviços públicos.
XXXVIII - PORTARIA - documento através do qual a autoridade designa e delega
competência a um ou mais militares para elaborar procedimentos administrativo-disciplinares.
XXXIX - PRAZO - período de tempo estipulado para determinado ato ou
realização de um trabalho.
XL – PRESCRIÇÃO - Prescrição é a perda do direito de ação pela inércia do
titular diante de violação por outrem.
É instituto presente em praticamente todos os ramos do direito como princípio de
ordem pública que não pode ser relevado pela Administração.
XLI - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - Deve ser a busca incessante do
encarregado que siga a moralidade como conduta.
O encarregado deve conhecer de novas provas que caracterizem a licitude, ilicitude
ou inexistência do ato gravoso em qualquer tempo do procedimento.
XLII - PROCEDIMENTO - equivale a rito, ou seja, como o processo se realiza em
cada caso concreto. É de se ressaltar, que existe procedimento sem processo, mas não existe
processo sem procedimento.

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XLIII – PROCESSO ADMINISTRATIVO - é o conjunto de iniciativas da
administração, que envolvam o servidor, ou funcionário público, possibilitando-se a ampla
defesa, incluindo o contraditório, antes da edição do ato final, absolutório ou condenatório,
depois de analisar-lhe a conduta que, por ação ou omissão, teria configurado ilícito penal,
administrativo, funcional ou disciplinar.
XLIV - PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR - configura, como é de
se observar, uma categoria especial do gênero Processo, sendo o meio de apuração e punição de
faltas graves dos servidores públicos e demais pessoas sujeitas ao regime funcional de
determinados estabelecimentos da Administração.
XLV - PRORROGAÇÃO - Do latim prorogatio, de prorogare (alongar, dilatar,
adiar, ampliar), exprime, originariamente, o aumento de tempo, a ampliação do prazo, o
espaçamento do tempo, prestes a extinguir, para que certas coisas possam continuar, em
seguimento, sem solução de continuidade.
Pressupõe prazo ou espaço de tempo, que não se extinguiu nem se findou, e que é
ampliado, dilatado, aumentado, antes que se finde ou se acabe.
Não se prorroga o que já se mostra terminado ou acabado, isto é, fora da vigência
ou do exercício de um prazo, que não mais existe. Aí, ocorreria coisa nova, iniciar-se-ia um
novo espaço de tempo, pela solução da continuidade entre o prazo antigo e o novo prazo,
revelando-se, portanto, renovação, não prorrogação.
A rigor, pois, a prorrogação é a dilatação do espaço de tempo, cujo fim não
ocorreu, para que se continue a fazer o que dentro dele se permitia. E, portanto, deve ser
promovida antes que termine o prazo ou aquilo que se quer prorrogar, para que o tempo prefixo
se dilate ou se amplie.
Na prorrogação, o antes e o depois ligam-se numa continuidade para se mostrarem
como uma única e só coisa, isto é, para que se apresente como um prazo ou um espaço de
tempo, em que não se registrou nem ocorreu a menor descontinuidade, o que não se registra na
renovação, onde se anota a interrupção entre o passado e o novo ou presente.
A prorrogação, portanto, tem por objeto precípuo não admitir interrupção nem
promover uma solução de continuidade entre o espaço de tempo, que foi insignificante para
cumprimento de certo fato, e o outro, que se concedeu ou veio aumentar o passado.
XLVI - PROVAS - conjunto de elementos que promovem o convencimento da
certeza da existência do fato e sua autoria.
XLVII - QUALIFICAÇÃO - dados que individualizam uma pessoa, utilizado no
inicio de cada tomada de declarações. Deve conter nome completo, nacionalidade, naturalidade,
idade, filiação, estado civil, profissão, residência, posto ou graduação e Unidade em que serve,
se militar.

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XLVIII - QUESITOS - perguntas previstas em legislação para cada caso específico
além de outras julgadas convenientes pelo encarregado do procedimento administrativo-
disciplinar a serem feitas aos peritos.
XLIX - RAZÕES ESCRITAS DE DEFESA – é o documento que possui as provas
que contradizem a(s) acusação(ões) imposta(s) a um militar. Nele o militar produz a sua defesa,
sendo-lhe propiciado o Exercício do Contraditório.
L - RECONHECIMENTO - termo através do qual se procede a confirmação ou
não da identificação de uma pessoa ou coisa.
LI - RECONSTITUIÇÃO - reprodução simulada da transgressão disciplinar. Deve
ser realizada de forma cautelosa, a fim de evitar constrangimentos.
LII - RECORRIBILIDADE - a recorribilidade no Processo Disciplinar está
garantida na órbita administrativa.
Ao Judiciário não cabe alterar a punição aplicada pela Administração Pública para
uma mais grave ou mais leve, pois ao Judiciário só cabe analisar a legalidade ou não do ato,
senão haveria invasão, não permitida, na discricionariedade administrativa.
LIII - REINQUIRIÇÃO - ato de reperguntar a uma pessoa inquirida anteriormente,
sobre fato que não ficou esclarecido.
LIV - RELATÓRIO - documento final do procedimento administrativo-disciplinar,
no qual seu encarregado descreve minuciosamente o fato apurado e emite seu parecer final.
LV - REMESSA - ato de entrega do procedimento administrativo-disciplinar, após
o seu término, à autoridade delegante.
LVI - REQUISIÇÃO - pedido formulado pelo encarregado do procedimento
administrativo-disciplinar, solicitando a uma autoridade o comparecimento de pessoas,
fornecimento de documentos, materiais, ou ainda, outras providências necessárias ao
procedimento.
LVII – RESIDUAL– 1) Residual. Aquilo que resta de qualquer substância; resto; 1
Que remanesce; restante, remanente. 2. Aquilo que sobeja ou resta.
LVIII - RESPONSABILIDADE PECUNIÁRIA – obrigação de satisfazer,
responder por uma pecúnia (dívida, dinheiro).
LIX - SINDICÂNCIA - é o procedimento utilizado pela Administração para
apurar, de maneira rápida e padronizada, atos e fatos que envolvam servidores da Corporação,
antecedendo a outras providências cíveis, criminais ou administrativas.
LX - SISTEMA DE INTELIGÊNCIA DA PMMG – é constituído pelo conjunto de
órgãos, que tem como objetivos, a coordenação, a orientação, a supervisão técnica, a
fiscalização e a execução da Atividade de Inteligência na Polícia Militar.
LXI - SINDICÂNCIA INVESTIGATÓRIA E/OU ACUSATÓRIA - no primeiro
caso, o fato é conhecido, mas o autor do ilícito administrativo é desconhecido. No segundo caso,

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tanto o autor como o fato, são conhecidos e a autoridade administrativa busca colher elementos
para comprovar os indícios dos fatos que são atribuídos ao militar, que poderá ser punido ou
submetido a um processo administrativo específico, para avaliar sua permanência na Instituição.
LXII - SINDICANTE - é o militar encarregado de realizar uma Sindicância.
LXIII - SINDICADO - é a pessoa ou fato submetido a apuração através de
Submetido a apuração através de S – não prosseguimento ou interrupção do andamento e da
contagem de prazo de um processo ou procedimento administrativo, que aguarda a chegada de
laudo ou documento relativo a diligência realizada, imprescindível aos trabalhos, cuja remessa
independe da agilidade do encarregado, em conseguir abreviá-la.
LXV - SOLUÇÃO – decisão da autoridade delegante/convocante, à vista da
conclusão das apurações.
LXVI – SUBJACENTE – 1) que jaz ou está por baixo; 2) que não se manifesta,
mas está oculto ou subentendido.
LXVII - SUSPEIÇÃO - situação existente que compromete a imparcialidade do
encarregado do procedimento administrativo-disciplinar perante os trabalhos. Deve ser
declarada pelo próprio encarregado, ou outra pessoa que tenha legítimo interesse no feito.
LXVIII - TERMO - documento que formaliza os atos praticados no curso do
procedimento administrativo-disciplinar.
LXIX - TERMO DE ABERTURA DE VISTAS – documento formal, através do
qual se abre oportunidade de defesa ao(s) acusado(s), com prazo definido, para apresentação de
suas razões escritas de defesa.
LXX - TESTEMUNHA - pessoa chamada a depor no procedimento
administrativo-disciplinar, por ser conhecedora do fato de uma forma qualquer.
LXXI - VALORES DE REFERÊNCIA – valores monetários instituídos pelo
Poder Público, como referência, para fins de pagamentos, descontos, base de preços, etc.,
buscando impedir ou reduzir a desvalorização de pecúnia.
LXXII - VERDADE SABIDA - é o conhecimento direto da infração pela
autoridade competente para aplicar a punição. Em que pesem as opiniões em contrário, este
dispositivo, presente em alguns estatutos estaduais, não mais prevalece, pois a Carta Magna,
impôs a obrigatoriedade do contraditório.
LXXIII - VISTORIA FINAL – última avaliação (inspeção) feita por profissional
com capacidade técnica comprovada, em bem público, a fim de aprovar ou não a sua condição
de uso.

CAPÍTULO II

DA SINDICÂNCIA REGULAR

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Seção I

Da Definição

Art. 2.º A palavra Sindicância deriva de síndico, em grego syndikos, antigo


procurador de uma comunidade helênica, sendo que, doutrinariamente, Sindicância é o
procedimento administrativo adotado pela autoridade competente, utilizado para apurar, de
maneira rápida e padronizada, atos e fatos indicativos de irregularidades, que envolvam
servidores da Corporação, antecedendo a outras providências cíveis, criminais ou
administrativas.

Comentários: Trata-se de um meio rápido de investigação, sendo de largo uso na


Polícia Militar, e que se revelou instrumento valioso na repressão eficaz a ato ou fato, de certa
gravidade, que possa causar desequilíbrio ou prejuízo ao normal funcionamento de qualquer
setor do serviço, seja ele administrativo ou operacional.

Enquanto o processo disciplinar é um instrumento formal para a apuração de


infrações disciplinares e aplicação das correspondentes penalidades, a sindicância disciplinar é
um instrumento de investigação promovida nos diversos órgãos que compõem a Administração
Pública, objetivando elucidar a ocorrência de atos ou fatos contrários às normas prescritas nos
regulamentos específicos. Na sindicância, reúnem-se todos os elementos informativos para
determinar a verdade em torno das irregularidades suscitadas.

Em que pese originariamente, a sindicância ser inquisitorial, há casos em que dela


decorre a aplicação de punição, transformando sua natureza de apuratória em punitiva. Desta
forma, em sendo ela de natureza punitiva ou acusatória, ou seja, se dela for aplicada qualquer
tipo de sanção, deverá ser regida, desde o seu nascedouro, pelo contraditório, assegurando, em
todos os seus momentos, a ampla defesa, para que seja válida a sanção aplicada.

Com exceção da modalidade exclusivamente apuratória, a sindicância possui as


mesmas fases do processo administrativo, quais sejam: instauração (ou abertura), instrução,
defesa, relatório e julgamento. Estas fases deverão observar os mesmos princípios, normas e
cuidados que norteiam o processo disciplinar.

Na instauração a portaria, além de constituir a autoridade sindicante, deverá


delimitar os fatos a serem apurados, individualizar o acusado, identificar o denunciante, se for o

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caso. O fato imputado deverá constituir, em tese, infração disciplinar. Nesta fase, ocorre ainda a
notificação do acusado, que constituir-se-á no libelo acusatório, devendo o Sindicado ser
orientado quanto a constituir advogado ou defensor para acompanhar os trabalhos desde o
início. Sem estes requisitos poderá a autoridade delegante, quando muito, instaurar uma
sindicância apuratória.

A Portaria que contiver acusação alusiva à falta de natureza disciplinar deverá,


sempre que possível, ser redigida de maneira semelhante à redação da falta específica descrita
no Regulamento Disciplinar da Polícia Militar, de forma a não gerar dúvida da acusação que
está sendo imputada ao sindicado.

Na fase instrutória será promovida a notificação do sindicado, tomada de


depoimentos, as acareações, as investigações, a coleta de provas, a juntada de documentos, o
interrogatório do acusado, devendo este se fazer presente a todos os atos, caso seja de natureza
punitiva, em obediência ao princípio da garantia de defesa.

Na fase de defesa, que antecede ao relatório, a autoridade sindicante abrirá vistas


dos autos para o sindicado ou a seu defensor constituído, pelo prazo estipulado na norma
correspondente, findo o qual devolverá os autos, apresentando defesa escrita do militar.

Na fase seguinte, denominada relatório, a autoridade sindicante fará um minucioso


exame de todo o apurado fazendo, imparcialmente, o cotejo dos argumentos e das razões de
defesa, com as provas colhidas nos autos, apresentando relatório final conclusivo, com proposta
consubstanciada no bojo do processo. Se na conclusão, além da falta disciplinar, se configurar
também um ilícito penal, deverá a autoridade sindicante propor a remessa dos autos ao
Ministério Público, para as providências penais cabíveis.

A fase final é a do julgamento, onde a autoridade administrativa competente,


proferirá a decisão condenatória ou absolutória, concordando total ou parcialmente com os
argumentos contidos no relatório ou discordando do parecer do sindicante.

Extrai-se assim que tanto no processo disciplinar, quanto na sindicância de caráter


punitivo, o acusado deverá exercer o contraditório e a ampla defesa, com todos os meios e
recursos a ela inerentes, a fim de que o ato administrativo punitivo seja perfeito, justo, em
consonância com o preceituado na Constituição Federal.

Art. 3.o A instauração de sindicância não pode ser dispensada:

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I - quando se verificar dificuldades na rápida coleta de provas que definam a
responsabilidade ou a autoria de práticas irregulares;
II - quando se pretender avaliar a correta intensidade ou conseqüências de uma
infração;
III - quando a complexidade dos fatos impedirem uma tomada de decisão rápida e
segura;

Art. 4.o São requisitos fundamentais da sindicância para obtenção de equilíbrio


entre seu conteúdo e forma:

I - Clareza - é dela que decorrem informações mais precisas para composição do


relatório final, bem como a disposição coerente e lógica das provas obtidas;
II - Brevidade – realização da apuração de forma rápida, a fim de que a autoridade
delegante possa determinar, incontinente, providências cabíveis, impedindo a continuidade de
um mal nocivo à disciplina, à ordem ou à boa marcha dos serviços administrativos ou
operacionais;
III - Objetividade - as investigações devem ater-se à irregularidade questionada,
sem adentrar em questões paralelas, a menos que também constituam fatos conexos com o
objeto da apuração em curso.

Art. 5.o Quanto ao ritual a ser observado, a Sindicância apresenta quatro fases
distintas:

I - Instauração - portaria da autoridade competente que é o ato oficial constitutivo


da sindicância e o impulsionador da investigação, anexos aos documentos de origem e capa
onde é feita a autuação;
II - Instrução - é todo o conjunto de provas, manifestações, inquirições, razões
escritas de defesa e perícias, tendentes à pesquisa e esclarecimento da autoria e materialidade
dos fatos havidos como irregulares;
III - Relatório - é a síntese descritiva dos fatos, dos trabalhos, da natureza, das
provas e conclusões sobre a existência ou não de irregularidades, com o parecer do Sindicante.
IV – Solução - A autoridade delegante, ao receber os autos da Sindicância, dar-lhe-
á solução, determinando as providências administrativas pertinentes. É a decisão da autoridade
competente, de posse das provas e relatório sucinto do encarregado pela Sindicância,
determinando as medidas administrativas decorrentes, de forma a corrigir a irregularidade que
deu origem ao processo.

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Seção II

Da competência para Instauração

Art. 6.º São autoridades competentes para determinar a instauração de sindicância:

I - o Comandante-Geral;
II - o Chefe do Estado-Maior;
III - o Chefe do Gabinete Militar;
IV - os Comandantes de Comandos Intermediários e Diretores;
V - os Comandantes de Unidades autônomas, os Chefes de Centros, de Seções do
EMPM e o Ajudante-Geral.

§ 1º Obedecidas as normas regulamentares de jurisdição, hierarquia e comando, a


atribuição para proceder a apuração poderá ser delegada a militar da ativa.

§ 2º A sindicância será iniciada de ofício ou por determinação de autoridade


superior, através de portaria ou despacho.

§ 3º O sindicante deverá ser sempre oficial ou Sub Ten/Sgt de maior posto ou


graduação mais antigo que o sindicado.

§ 4º Se no decorrer da sindicância, o encarregado verificar a existência de indícios


contra militar de posto ou graduação superior ao seu, ou então mais antigo, deverá encerrar a
apuração, com relatório do que tiver apurado e suscitar seu impedimento à autoridade
delegante, a fim de que outro seja designado para prosseguí-la.
§ 5o Na situação do parágrafo anterior, a autoridade delegante ao receber a
Sindicância com o relatório dará a ela uma solução preliminar, acolhendo (ou não) o parecer do
Sindicante e determinando, via de conseqüência, o prosseguimento das apurações por outro
militar sem necessidade de nova portaria.

§ 6º - A autoridade competente deverá tornar insubsistente a portaria de


sindicância que versar sobre fato já apurado e solucionado, fazendo publicar sua decisão em
boletim.

Seção III

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Dos procedimentos

Subseção I

Da Instauração

Art. 7.º Quanto ao sigilo do ato ou fato objeto da apuração, a sindicância


classifica-se em pública ou reservada.

Art. 8.º O militar encarregado, tão logo receba a portaria ou determinação para
instaurar a sindicância, deverá adotar sempre que cabível, em ordem de prioridade, as seguintes
providências:

I - fazer a autuação dos documentos de origem;


II – expedir o libelo acusatório ao acusado;
III - ouvir preferencialmente, na seqüência, o sindicado, o ofendido, a(s)
testemunha(s) e informantes.
IV - proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas;
V - fazer acareações;
VI - determinar que se proceda a exame de corpo de delito e a outros exames e
perícias;
VII - determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída,
danificada ou da qual houve apropriação indébita;
VIII - proceder às buscas e apreensões em dependências do quartel;
IX – abrir vistas ao acusado ou defensor, para apresentação de suas razões escritas
de defesa;
X - analisar os fatos apurados e fazer seu relatório conclusivo;
XI - remeter os autos da sindicância à autoridade delegante para solucioná-la,
através de ofício;

§ 1º Quando o sindicante não for datilógrafo ou digitador, poderá solicitar à


autoridade delegante um escrevente para elaboração dos trabalhos datilográficos ou de
digitação, como encargo.

§ 2º A autoridade competente para decidir, fará publicar a solução da sindicância


em boletim, determinando:
a) arquivamento, se não constatar irregularidade;

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b) punição disciplinar, se ficar apurado que algum servidor da Corporação cometeu
transgressão disciplinar;
c) ressarcimento ou registro patrimonial no órgão competente, se houver dano
praticado por servidor, desde que este concorde em indenizar, extrajudicialmente, o montante
pecuniário relativo aos danos;
d) encaminhamento de cópia dos autos às outras autoridades civis ou militares,
para conhecimento ou adoção de medidas administrativas, cíveis e/ou criminais;
e) remessa da Sindicância Regular à Justiça Militar Estadual nos termos da alínea
a) do Art. 28, do Código de Processo Penal Militar (CPPM) se a Sindicância estiver completa e
bem elaborada, devendo seu encarregado no relatório, tipificar o delito militar, em tese,
cometido pelo(s) sindicado(s). Caso contrário, ou em se tratando de Sindicância Sumária,
havendo indícios de infração penal militar, o procedimento subsidiará a Portaria de Inquérito
Policial Militar (IPM), que deverá ser instaurada, com base na alínea “f”, do artigo 10, do
CPPM.

§ 3º A autoridade poderá retornar os autos ao sindicante para proceder correções,


complementações ou outras medidas que julgar necessárias.

Art. 9.º O sindicante deverá, na apuração, adotar o seguinte procedimento:

I - citar, na metade superior da capa frontal dos autos, os nomes e postos ou


graduações do encarregado e do(s) sindicado(s), assim como objeto da sindicância;
II - na metade inferior, fazer o termo de autuação da respectiva portaria e outros
documentos de origem.

§ 1º Autuados os documentos, será feito o Termo de Abertura, que é sempre


utilizado para iniciar a sindicância.

§ 2º Antes da tomada de declarações do(s) ofendido(s), sindicado(s) ou


testemunha(s), será feito um Termo de Assentada.

§ 3º Quando o registro de uma oitiva, declaração ou depoimento constituir a


primeira atividade investigatória da sindicância, o Termo de Abertura, no qual se explicitará tal
providência, substituirá o de Assentada.

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§ 4o Para abertura de inquirição de várias testemunhas, tantas quantas forem
ouvidas num mesmo dia e local, o sindicante lavrará apenas um Termo de Assentada.

§ 5o Se qualquer pessoa, após a audição, não puder ou não quiser assinar o


respectivo termo, o Sindicante deverá providenciar uma pessoa idônea, para ouvir “a rogo” do
interessado, devendo tal circunstância ser narrada no fecho do mencionado termo, com ela
assinando duas testemunhas dessa circunstância, que deverá ser descrita no final da oitiva.

§ 6º Os termos de declarações ou depoimentos deverão ser redigidos de maneira


mais semelhante possível à forma verbalizada pelo auscultado.

§ 7º Na inquirição de testemunhas ou tomada de termos de declarações onde


houver coleta de informação que comprometa gravemente o sindicado, deverá, ao final, ser o
termo lido na presença de duas testemunhas, que, também, o assinarão.

§ 8º A sindicância deverá ser datilografada ou digitada em espaço dois e suas


folhas numeradas, no alto e à direita de cada página, em ordem crescente e rubricadas pelo
sindicante a partir da capa frontal, inclusive no verso, se utilizado.

§ 9o No caso de militar ou funcionário público em geral, a requisição e/ou


solicitação para depor deverá ser dirigida, através de ofício, ao Comandante ou Chefe do
depoente.

§ 10 Toda e qualquer pessoa que prestar depoimento ou declaração nos autos,


deverá rubricar todas as folhas do termo, por medida de segurança, além de assiná-lo ao final,
sendo que tal medida deverá ser também tomada pelo sindicante, no relatório.

§ 11 Nos termos de declarações e inquirição de testemunhas deverão ser


registradas apenas as respostas dadas pelas pessoas ouvidas. Nos casos em que houver evasiva à
pergunta formulada verbalmente, deverá haver, também, registro formal da respectiva pergunta.

§ 12 Durante a inquirição, se o Sindicante/Escrevente cometer alguma omissão ou


erro de datilografia/digitação, deverá escrever a palavra “digo” e reiniciar a narrativa a partir da
última palavra correta, anterior à incorreta.

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§ 13 Após a leitura do termo, se for verificado algum engano, far-se-á, antes de seu
encerramento, a retificação necessária, escrevendo-se a expressão “em tempo” e procede-se as
retificações pertinentes.

§ 14 Para maior segurança, o Sindicante pode exigir, além da assinatura final, que
as pessoas ouvidas rubriquem todas as folhas de seu termo, atentando para não deixar
assinaturas soltas em páginas isoladas.

§ 15 Ao final dos trabalhos de apuração, verificando-se que a testemunha militar


cometeu algum ato que caracterize transgressão disciplinar, deverá ter suas declarações
reduzidas a termo, abrindo-se vistas para que apresente suas razões escritas de defesa. Tal
medida poderá ser tomada por ocasião da abertura de vistas ao acusado.

§ 16 Durante os trabalhos de apuração, surgindo falta disciplinar que não seja


objeto da sindicância, o encarregado deverá confeccionar a respectiva comunicação disciplinar,
que será objeto de processo ou procedimento à parte, a cargo da administração.

Comentários:
1) Pela importância, a elaboração de sindicância deverá ser confiada a pessoa
portadora de qualidades técnicas e morais que a capacitem para o exercício da missão.
2) Na designação do encarregado, a autoridade competente deverá levar em conta
os seus valores intrínsecos de caráter, sua inteligência, absoluta discrição, discernimento e
apurado senso de justiça.
3) Tanto a autoridade que determina a abertura de sindicância como aquela que a
preside, ante à presunção da existência de ilícito penal ou transgressão disciplinar, evitarão
situações de falso alarme, juízos infundados ou preestabelecidos, críticas ou censuras mordazes,
imputações irrefletidas ou intempestivas, que possam vir a prejudicar a solução dos trabalhos.
4) O militar encarregado da Sindicância, tão logo receba determinação para apurar
os fatos, deverá agir com celeridade tomando, em regra, as seguintes medidas práticas:
a) preparar um roteiro de trabalho que possibilite adequar o seu tempo destinado à
apuração dos fatos conciliando-o com as demais atividades profissionais que lhe forem
atribuídas. Este roteiro não será peça do processo, servirá apenas para organizar a pauta de
desenvolvimento dos trabalhos apuratórios, estabelecendo-se as necessárias prioridades. As
datas e atividades previstas no roteiro de trabalho variarão de acordo com cada tipo específico
de Sindicância;
b) dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e a situação
das coisas, enquanto necessário;

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c) marcar local e data da tomada de declarações e depoimentos;
d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias.
5) A rapidez com que o Sindicante se põe a campo para desincumbir-se de suas
tarefas confere à Sindicância um de seus mais importantes princípios: a oportunidade.
6) Ao receber a ordem (portaria ou despacho), o militar encarregado da
Sindicância deve lavrar sua Autuação em capa própria.
7) Para início dos trabalhos da Sindicância, o encarregado fará um Termo de
Abertura, relatando as providências tomadas, tais como:
a) juntada de documentos;
b) intimações;
c) ofícios (cópias);
8) O Termo de Abertura deverá ter a mesma data da Autuação.
9) Quando for ouvir uma única testemunha, a Assentada deverá ser inserida no
próprio termo de depoimento.
10) Após a lavratura da Autuação e Termo de Abertura, passa-se à segunda fase da
Sindicância: a Instrução.
11) Para a testemunha lavrar-se-á “Termo de Inquirição”, seguido da ordem
numérica do referido depoente. Ex.: “Termo de Inquirição da Primeira Testemunha” ou
simplesmente “Primeira Testemunha”.
12) Para o sindicado, acusador e vítima, exceto as testemunhas, lavrar-se-á “Termo
de Declarações”.
13) A Sindicância, reunidas todas as suas peças, terá as páginas numeradas e
rubricadas pelo Sindicante, devendo seu verso ser bloqueado com linhas verticais ou com a
expressão “em branco”, neste último caso, sempre que ali nada houver sido escrito. Será
rubricada e numerada com o mesmo número do anverso acompanhado da letra “v”, no verso
que tiver sido utilizado.
14) Convém lembrar que a Sindicância é um processo simplificado que dispensa a
figura do escrivão e os termos de data, despacho, recebimento, certidão e conclusão, comuns e
necessários num Inquérito Policial, que está sempre mudando de mãos entre encarregado e
escrivão.

Subseção II

Da Instrução

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Art. 10. Instrução é o trabalho de investigação propriamente dito, onde o
Sindicante colherá os elementos necessários à comprovação da autoria e cabal elucidação das
circunstâncias em que se deu o ato ou fato irregular.

Parágrafo único. A Instrução pode constituir-se de:

I – Libelo Acusatório e notificação do acusado;


II – Audição do Acusador e/ou vítima;
III – Audição do Sindicado;
IV - Inquirição de testemunhas;
V - Acareação e Reinquirição;
VI - Reconhecimento de pessoa ou coisa;
VII - Documentos;
VIII - Perícias e exames;
IX – Degravações.

Comentários:

I - Libelo Acusatório:
1) Ao receber o encargo, o sindicante providenciará o libelo acusatório ao
sindicado, tirando-se fotocópia da Portaria ou despacho e demais peças acusatórias, que deverão
ser entregues contra-recibo ao acusado, orientando-o a providenciar advogado ou defensor para
acompanhar os trabalhos, caso deseje. O Sindicante deverá, ainda, dar ciência ao Sindicado, que
ele terá ao final da apuração, um prazo de 05 (cinco) dias para apresentar suas razões escritas de
defesa.
2) Tal medida permitirá ao acusado o exercício da ampla defesa e do contraditório,
desde o início dos trabalhos.

II – Audição do Acusador e/ou vítima:


A primeira pessoa a ser formalmente ouvida numa Sindicância, quando houver,
será o acusador e/ou vítima, por questão de lógica processual, pois, em tese, não haverá
procedimento apuratório a ser desencadeado, sem que haja um fato de natureza acusatória que o
origine.
É fundamental que o Sindicante explore bem o termo de declarações do acusador
e/ou vítima, colhendo-se detalhes a respeito dos fatos, para que possa subsidiar os demais
procedimentos subseqüentes. Deve, ainda, alertar o acusador sobre a necessidade de dizer

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apenas a verdade do que souber, sob pena de ser responsabilizado das acusações inverídicas que
vier a fazer.

III – Audição do sindicado:


O Sindicado deverá ser ouvido após a audição do acusador e/ou vítima e coletadas
outras provas preliminares alusivas ao fato, objetivando-se dar maior conhecimento e poder de
argumentação ao Sindicante, por ocasião da oitiva do sindicado.
As orientações alusivas à oitiva de testemunhas devem ser observadas por ocasião
das audições das demais pessoas, no que couber.

IV - Inquirição de testemunhas:
1) As testemunhas, assim como o Sindicado, deverão ser ouvidos em período
compreendido entre 07:00 e 18:00 horas, salvo caso de urgência inadiável, que será mencionado
na assentada.
2) Não poderão ser ouvidas por mais de 04 (quatro) horas consecutivas, sendo-lhes
facultado descanso de meia hora, sempre que tiverem de prestar declarações além daquele
tempo, devendo tal circunstância ser constada no seu termo de inquirição.
3) Se o depoimento não ficar concluído até às 18:00 horas, será encerrado, para
prosseguimento no dia seguinte, em hora determinada pelo sindicante; não sendo útil o dia
seguinte, a inquirição poderá ser adiada para o primeiro dia que o for, salvo caso de urgência.
4) Qualquer pessoa poderá ser testemunha.
5) À autoridade competente, caberá apreciar os depoimentos, levando em
consideração os antecedentes morais e penais das testemunhas, sua idade e interesse no fato,
suas relações com o acusado e ofendido, à verossimilhança dos eventos relatados e às
contradições de suas narrativas.
6) A testemunha deve declarar seu nome completo, nacionalidade, naturalidade,
idade, filiação, estado civil, profissão, residência, posto ou graduação, número de polícia e
Unidade em que serve, se militar, se é parente e em que grau de parentesco em relação ao
acusado ou ofendido, quais suas relações com quaisquer deles, e relatar o que sabe ou tem razão
de saber a respeito do fato e circunstâncias que com ele tenham pertinência.
7) O sindicante deverá, sempre que possível, solicitar um documento de
identificação da pessoa a ser ouvida, procurando confirmar a veracidade da qualificação que
está fazendo.
8) As testemunhas serão inquiridas, separadamente, de modo que uma não ouça o
depoimento da outra.
9) A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor, salvo se for
ascendente, descendente, afim em linha reta, cônjuge, separado judicialmente, divorciado, ou

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irmão do sindicado, bem como pessoa que com ele tenha vínculo de adoção, salvo quando não
for possível, por outro modo, obter ou integrar-se à prova do fato e de suas circunstâncias,
situação em que deverá ser ouvida como informante.
10) As pessoas que devam guardar segredo em razão de função, ministério, ofício
ou profissão ficam proibidas de depor, salvo se forem desobrigadas pela parte interessada ou
quiserem prestar depoimento.
11) A testemunha prestará o compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe
for perguntado. Este compromisso não será, entretanto, deferido aos doentes e deficientes
mentais, aos menores de quatorze anos, nem às pessoas que não tenham obrigação de depor.
12) Não será permitida à testemunha a manifestação de suas apreciações pessoais,
salvo quando inseparáveis da narrativa do fato.
13) No curso da Sindicância, seu encarregado poderá expedir carta precatória à
autoridade militar superior do local onde a testemunha estiver servindo ou residindo, a fim de
notificá-la ou inquiri-la, ou designar militar que a inquira, obedecendo às normas de hierarquia,
se a testemunha for também militar. Juntamente com a precatória, o encarregado enviará cópias
da parte que deu origem à Sindicância e da portaria que lhe determinou a abertura, e os quesitos
formulados, além de outros dados que julgar necessários ao esclarecimento do fato.
14) As testemunhas ouvidas numa Sindicância serão enumeradas pela ordem de
oitiva, recebendo cada uma o ordinal correspondente.
15) O Sindicante deverá colocar em prática todas as técnicas de investigação,
procurando, antes do interrogatório, formar um quadro amplo, relacionando as perguntas mais
convenientes a serem feitas às testemunhas, evitando simplesmente transcrever um relato.
16) O Sindicante deve mostrar à testemunha os pontos em que ela se contradiz e
convidá-la a desfazer tais conflitos, caso ocorram.
17) Um interrogatório bem conduzido poderá levar ao esclarecimento total de um
fato delituoso.
18) A expressão “aos costumes disse nada”, constante da qualificação da
testemunha, significa que esta é idônea e não tem parentesco, amizade profunda, intimidade,
inimizade, nem qualquer outro impedimento que possa tornar seu depoimento suspeito,
inverídico ou incorreto. Caso contrário escreve-se: “aos costumes disse ser irmão do sindicado
(ou da vítima, etc.), ou simplesmente: “declarou ser compadre do sindicado”, ou outra situação
específica qualquer.
19) Em tais casos ou mesmo em se tratando de menores de 14 (quatorze) anos ou
deficientes mentais, a testemunha será ouvida como informante, sem a obrigação de prestar o
compromisso; “Prometeu dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado” ou “Testemunha
não compromissada na forma da lei, prometeu informar o que souber e lhe for perguntado” e ao

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seu depoimento se dará valor restrito, de acordo com o interesse (ou capacidade) que possa ter
no caso.
20) Se a testemunha for superior hierárquico do Sindicante, este deverá ouvi-la, se
ela assim o desejar, ou dela simplesmente solicitará esclarecimentos mediante ofício.
21) Neste último caso, seu depoimento será considerado peça de informação e será
juntado aos autos, com a lavratura do respectivo Termo de Juntada.
22) Se a testemunha, vítima, sindicado, acusador ou qualquer outra pessoa ouvida
nos autos, no decorrer de seu depoimento ou declaração, disser alguma coisa que, de alguma
forma, o comprometa penal ou disciplinarmente, deverá o Sindicante chamar duas testemunhas
que ouvirão a leitura do texto e assinarão logo abaixo, no Termo de Declarações ou no Temo de
Inquirição de Testemunha. Medida semelhante deverá ser adotada quando ocorrer declaração de
crime ou grave acusação disciplinar em relação ao Sindicado.
23) Toda pessoa que for ouvida nos autos, deverá ser previamente qualificada.
24) A testemunha menor de idade, deverá ser ouvida acompanhada do responsável
legal (pai, tutor, curador ou outro), que também assinará o termo.

V - Acareação e Reinquirição:
1) Em caso de divergências entre as testemunhas, ou entre estas e o ofendido ou o
acusador, o Sindicante providenciará a devida “acareação”, para esclarecimentos dos pontos
divergentes.
2) Se nenhum resultado positivo advier dessa acareação, restará ao Sindicante, pelo
menos, a oportunidade de concluir sobre qual dos depoimentos ou qual das testemunhas merece
fé e consideração, ou qual lhe parece mais verdadeiro, o que poderá ser constatado pela maneira
delas se expressarem, pelo nervosismo ou insegurança, pelas atitudes de cada testemunha,
quando confrontadas; que não servirá de prova, mas pode ajudar a firmar convicção na busca da
verdade material.
3) A acareação deverá ser redigida em termo próprio (Termo de Acareação)
acompanhada e assinada por duas testemunhas idôneas.

VI - Reconhecimento de Pessoa ou Coisa:


1) Quando houver necessidade de fazer o reconhecimento de pessoa ou coisa,
adotar-se-á o seguinte procedimento:
a) a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever as
características daquele que será reconhecido;
b) a pessoa a ser reconhecida será colocada, se possível, ao lado de outras que com
ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se a apontá-la, quem houver de fazer o
reconhecimento;

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c) se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por
efeito de intimidação ou por outra influência, não diga a verdade em face da pessoa a ser
reconhecida, o Sindicante providenciará para que a primeira não seja vista pela Segunda.
2) Do ato será lavrado termo pormenorizado, subscrito pelo Sindicante, pela
pessoa chamada para fazer o reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.
3) No reconhecimento de coisa, proceder-se-á de acordo com as instruções acima,
no que for aplicável.
4) Se várias forem as pessoas chamadas a efetuar o reconhecimento de pessoa ou
coisa, cada uma deverá fazê-lo em separado, evitando-se qualquer comunicação entre elas. Se
forem várias as pessoas que tiverem de ser reconhecidas, cada uma o será por sua vez.

VII – Documentos:
1) Consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos
ou particulares. As fotocópias de documentos devem ser autenticadas pelo titular da seção de
origem do documento ou pelo próprio sindicante, à vista do documento original.
2) Se o Sindicante tiver notícia da existência de documento relativo a ponto
relevante da Sindicância, providenciará sua juntada aos autos, se possível.
3) Poderá, igualmente, requisitar às repartições ou estabelecimentos públicos as
certidões ou cópias autênticas necessárias à prova do fato. Se, dentro do prazo fixado, não for
atendido, representará à autoridade competente contra o funcionário responsável, narrando tal
circunstância no relatório da Sindicância.

VIII - Perícias e Exames:


1) A perícia pode ter por objetivo examinar tecnicamente e emitir laudo sobre os
vestígios materiais deixados pelo fato irregular ou as pessoas ou coisas que, por sua ligação
com o objeto da apuração, possam servir-lhe de prova. Pode ser determinada pela autoridade ou
requerida por qualquer das partes, mas, salvo no caso de exame de corpo de delito, pode ser
negada, se reputada desnecessária ao esclarecimento da verdade, devendo o sindicante justificar
e fundamentar seu ato.
2) O Sindicante formulará os quesitos que entender necessários, podendo fazê-lo
também o Sindicado ou seu defensor. Os quesitos devem ser específicos, simples e de sentido
inequívoco, mas não podem ser sugestivos nem conter implícita a resposta.
3) As perícias serão, sempre que possível, feitas por 02 (dois) peritos
especializados no assunto ou com habilitação técnica.
4) Os peritos descreverão minuciosamente o que examinarem e responderão com
clareza aos quesitos formulados, que serão transcritos no laudo. As respostas poderão ser
fundamentadas, em seqüência a cada quesito.

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5) Os peritos poderão solicitar da autoridade competente a apresentação de
pessoas, instrumentos ou objetos que tenham relação com o fato, assim como os
esclarecimentos que se tornem necessários à orientação da perícia.
6) A autoridade militar poderá solicitar, através da Diretoria de Pessoal, as perícias
e exames realizados pelos institutos médico-legais, dos laboratórios oficiais e de quaisquer
repartições técnicas, militares ou civis, necessários à Sindicância, bem como para o mesmo fim,
homologar os que neles tenham sido regularmente realizados, exceção feita às perícias de
trânsito, que podem ser solicitadas pelo sindicante diretamente à repartição competente.
7) Se houver divergências entre os peritos, serão consignadas no auto de exame as
declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente seu laudo, e a
autoridade nomeará um terceiro, por solicitação do sindicante. Se este divergir dos autos, a
autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos.
8) No caso de inobservância de formalidade ou no caso de omissão, obscuridade
ou contradição, a autoridade militar mandará suprir o procedimento ou complementar ou
esclarecer o laudo. Poderá, igualmente, sempre que entender necessário, ouvir os peritos, para
quaisquer esclarecimentos.
9) Sempre que conveniente e possível, os laudos de perícias ou exames serão
ilustrados com fotografias, microfotografias, desenhos ou esquemas, devidamente rubricados
pelos peritos.
10) Em atenção à natureza do exame, a autoridade militar marcará prazo razoável,
que poderá ser prorrogado, para a apresentação do laudo, por perito “ad hoc”.
11) As perícias, exames e outras diligências que, para fins probatórios, tenham de
ser feitos em quartéis, estabelecimentos ou repartições militares ou civis, devem ser precedidas
de comunicação aos respectivos comandantes, diretores ou chefes, além de se observar as
exigências legais pertinentes.
12) O Sindicante poderá ainda juntar aos autos fotos, plantas, croquis recortes de
jornais e outros documentos, de acordo com o caso, desde que sejam úteis à apuração.
13) Os laudos periciais e documentos externos deverão ser solicitados pelo
Sindicante no início dos trabalhos, salvo se não houver previsão legal de sua juntada.

IX – Degravações:
1) Degravação é o ato de passar para a forma escrita, a gravação de conversa entre
duas ou mais pessoas ou mesmo a gravação de uma fala individual.
2) Pode ser oriunda de uma conversa entre o Sindicante e outra(s) pessoa(s) ou
sem o seu envolvimento na conversa, sobre fato que interesse à apuração. É conveniente que
a(s) parte(s), seja(m) cientificada(s) que a conversa será gravada, o que não ocorre com
conversas públicas, a exemplo, notícia ou entrevista concedida através de rádio ou televisão.

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3) As gravações de “escutas telefônicas” somente poderão ser procedidas mediante
Mandado Judicial, conforme legislação federal.
4) Um documento de degravação deve conter a identificação do autor da fala e, no
caso de diálogo, à medida em que houver mudança de locutor, muda-se o nome do autor no
texto, individualizando cada fala. Deve ser constado, também, no documento de degravação, a
data-hora em que houve a transmissão, ou que a conversa foi gravada e o órgão e/ou agente
responsável pela degravação (fonte).
5) O texto deve conter exatamente o inteiro teor da(s) fala(s), sem comentários,
acréscimos ou redução por parte do encarregado pela degravação. Caso haja partes da fala que
não sejam compreendidas claramente, o encarregado deixará esta parte em branco, constando
essa impossibilidade, podendo destacar as partes do texto que mais interessem ao fim que se
destina.
6) A degravação de assuntos sigilosos fica vinculada às normas próprias do
Sistema de Inteligência da PMMG.

Art. 11. Terminada a fase de Instrução, com juntada de todas as provas ao


procedimento administrativo-disciplinar, o encarregado observará os seguintes aspectos:
I - Antes do relatório final, o Sindicante abrirá vistas ao Sindicado por 05 (cinco)
dias, para que apresente suas razões escritas de defesa.
II - O prazo para as razões de defesa será comum, de 05 (cinco) dias para todos os
acusados na apuração.
III - Se um mesmo defensor for encarregado da defesa de mais de um acusado, terá
estendido o prazo para apresentação das razões escritas, proporcional ao número de acusados.
Caso haja mais de um acusado, com defensores individuais, os prazos destes não serão somados
pois receberão cópia dos autos com abertura de vistas na mesma data, iniciando-se a contagem
de 05 (cinco) dias para cada um de seus constituintes.
IV - Somente após tomadas todas essas providências é que o encarregado
confeccionará o relatório final, encerrando seus trabalhos, não deixando quaisquer pendências
“a posteriori”.

Parágrafo único. As razões escritas de defesa poderão ser apresentadas pelo


próprio interessado ou seu representante legal, legitimamente constituído.

Comentário: Defesa mal feita é defesa inexistente. Ocorrendo tal fato, deve
sindicante orientar ao sindicado providenciar novas razões escritas de defesa, através do mesmo
defensor ou outro.

- 31 -
Subseção III

Do Relatório

Art. 12. A Sindicância será encerrada com um minucioso relatório, em que o


Sindicante mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas, análise das razões escritas de
defesa e os resultados obtidos, com a indicação do dia, hora e lugar em que ocorreu ou teria
ocorrido o ato ou fato objeto da apuração.

§ 1o O relatório constitui-se, portanto, de uma síntese descritiva dos fatos,


trabalhos, sua natureza, provas e conclusões sobre a existência ou não de transgressão
disciplinar.

§ 2o O Sindicante deverá considerar, formalmente, todos os pontos abordados pela


defesa, concordando ou discordando, fundamentadamente, de cada um deles.

§ 3o É encerrado com uma conclusão, em que o Sindicante indicará:

a) a existência de crime, propondo remessa da Sindicância Regular à Justiça


Militar Estadual (JME), nos termos da alínea a) do artigo 28, do Código de Processo Penal
Militar (CPPM) ou sua transformação em Inquérito Policial Militar, nos termos da alínea “f”,
do Art. 10, do CPPM, conforme o caso;
b) a existência de transgressão disciplinar, propondo o enquadramento do(s)
sindicado(s) ou outras medidas administrativas;
c) a existência de crime e de transgressão disciplinar, propondo as medidas
preconizadas nos itens anteriores;
d) a inexistência de crime ou transgressão disciplinar, propondo neste caso, o
arquivamento dos autos.

§ 4o O relatório deve ser feito em tantas vias quantos forem os sindicados. A


primeira via fará parte dos autos e as demais serão arquivadas nas pastas dos militares
sindicados.

§ 5o O relatório passa a ser “parecer”, quando contiver opiniões pessoais do


Sindicante, em forma de sugestão.

- 32 -
§ 6o O sindicante deve procurar adequar, no relatório, a redação da(s) falta(s)
aflorada(s) nos autos ao respectivo enquadramento específico do Regulamento Disciplinar da
Polícia Militar.

§ 7º Nos casos em que aflorar cometimento de crime militar, o Encarregado deverá


tipificá-lo no relatório, de acordo com o Código Penal Militar, nos moldes que é exigido na
elaboração do Inquérito Policial Militar.

Subseção IV

Da Remessa dos Autos Conclusos

Art. 13. Após a elaboração do relatório, a Sindicância será encerrada com um


ofício de Remessa dos autos à autoridade que determinou instaurá-la.

Subseção V

Da Solução

Art. 14. A autoridade delegante, ao receber os autos da Sindicância, dar-lhe-á


solução, determinando:

I - remessa da Sindicância Regular à JME ou instauração de IPM, em caso de


existência de indícios de crime de natureza militar, conforme o caso;
II - enquadramento disciplinar do sindicado, quando for o caso;
III - adoção de outras medidas administrativas: transferência de Unidade,
recolhimento à sede, submissão do faltoso a Conselho de Disciplina ou a Conselho Sumário de
Disciplina, dependendo das circunstâncias e do que tiver sido apurado;
IV – arquivamento dos autos.

Subseção VI

Do Arquivamento

Art. 15. A não ser nos casos de ocorrência de indícios de crime, em que a
Sindicância será transformada em IPM (Letra “f”, do Art. 10, do CPPM) ou, estando completa e

- 33 -
bem elaborada, remetida diretamente à JME, nos termos do Art. 28, alínea a), do CPPM, a
autoridade delegante determinará seu arquivamento.

Art. 16. A sindicância será arquivada na pasta do militar de maior precedência


hierárquica e cópia do relatório nas pastas dos demais militares envolvidos.

Parágrafo único. No caso de remessa a outros órgãos, cópia dos autos deverá ser
arquivada na pasta funcional do PM acusado mais antigo.

Art. 17. Quando, com base na Sindicância, for nomeado e convocado um


Conselho de Disciplina ou Conselho Sumário de Disciplina para julgamento do acusado, a
Sindicância deverá ser juntada à respectiva portaria de instauração, não podendo o sindicado ser
punido, de imediato, pelas faltas que tiver cometido.

Subseção VII

Das Considerações Gerais

Art. 18. Em se tratando de falta residual ou subjacente à apuração de delito,


através de IPM, o seu encarregado deverá adotar as seguintes providências:

I – tirar cópia da Portaria, do Termo de Declarações ou depoimento e outras peças


alusivas à transgressão residual, ou subjacente, autenticá-las, entregando-as, contra-recibo, à
parte interessada;
II - abrir vistas ao acusado do cometimento da transgressão disciplinar, para que
tenha direito à ampla defesa e ao contraditório, apresentando suas razões escritas de defesa,
num prazo de 05 (cinco) dias;
III – relatar a transgressão específica e apresentar seu parecer à autoridade
delegante do IPM, que deverá solucionar o expediente no prazo de 05 (cinco) dias;

Comentário: A medida preconizada no presente artigo não obsta o imediato


encerramento do IPM, pois deverão ser extraídas do Inquérito, fotocópias das peças que se
fizerem necessárias para subsidiar o novo procedimento administrativo-disciplinar que será
elaborado, tais como: Portaria do IPM, termo de audição da pessoa que for acusada do
cometimento de transgressão disciplinar, relatório e outras peças, conforme o caso.

- 34 -
Art. 19. Nos casos envolvendo armamentos e equipamentos policiais militares,
além do número de série, deve ser constado também o número do patrimônio. Tal medida visa
resguardar interesses do Estado e dos militares, além de ser importante para o oferecimento da
denúncia pelo Ministério Público.

Art. 20. A Sindicância sobre militar acusado de embriaguez ou ato que afete, por
sua natureza, a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe, deverá
obrigatoriamente, ser instruída com o extrato da Fé-de-ofício ou Nota de Prêmios e Castigos
(NPC) do Sindicado. Nos demais casos, tal providência é facultativa.

Art. 21. O encarregado, caso não seja datilógrafo ou digitador, deverá solicitar da
autoridade delegante um Escrevente para os trabalhos de datilografia ou digitação.

§ 1º Nos casos mais complexos ou nos casos em que for conveniente, a juízo da
autoridade delegante, recomenda-se que o escrevente designado seja Tenente, se o sindicado for
Oficial, ou Sargento, se o sindicado for praça.

§ 2o A designação de escrevente, bem como o compromisso que presta de manter o


sigilo dos trabalhos, são verbais, podendo seu nome, se for o caso, figurar na capa da
Sindicância.

§ 3o Todos os termos ou outras peças dos autos, quando houver escrevente,


terminarão da seguinte forma: “para constar, mandei lavrar este termo que assino”.

Art. 22. Quando, após o início da Sindicância, for constatado que seu objeto é fato
resolvido noutra apuração, a portaria que a determinou deve tornar-se insubsistente, com
publicação em boletim.

Parágrafo único. Nos casos onde legalmente não for mais necessário apurar os
fatos, a Portaria deverá ser cancelada, devendo o ato ser justificado formalmente pela
autoridade delegante, à vista do relatado pelo encarregado.

Subseção VIII

Dos prazos da Sindicância Regular

- 35 -
Art. 23. O prazo para conclusão da Sindicância Regular será de 20 (vinte) dias, a
partir do recebimento dos documentos de origem pelo sindicante, sendo que 05 (cinco) desses
dias, são destinados ao acusado, para apresentação de suas razões escritas de defesa.

§ 1º Esse prazo poderá ser prorrogado por 10 (dez) dias pela autoridade delegante,
nos casos em que for necessário, mediante pedido justificado do Sindicante.

§ 2o A autoridade competente para decidir a Sindicância deverá solucioná-la no


prazo máximo de 10 (dez) dias, contados a partir de sua entrega pelo Sindicante.

§ 3o Quando for imprescindível juntar à Sindicância, laudo pericial ou peça técnica


de demorado preparo, a conclusão dos autos poderá, justificadamente, ser sobrestada pelo prazo
que se fizer necessário devendo, entretanto, o encarregado diligenciar para que a juntada do
laudo ou peça não ultrapasse 60 (sessenta) dias. Neste caso, o sindicante deverá comprovar que
efetuou diligências no sentido de abreviar o tempo para a entrega dos documentos probatórios.

§ 4o O prazo começa a ser computado a partir do recebimento da documentação de


origem pelo sindicante.

§ 5o A contagem do prazo inicia-se no primeiro dia posterior ao recebimento da


Portaria ou despacho e encerra computando-se o dia do prazo final.

§ 6o Terminando-se o prazo em sábado, domingo ou feriados, a Sindicância


Regular poderá ser entregue no primeiro dia útil subseqüente.

§ 7o Os procedimentos dos parágrafos anteriores deverão ser observados com


relação à entrega das razoes escritas de defesa.

CAPÍTULO III

ROTEIRO DE UMA SINDICÂNCIA REGULAR – SR

Seção I

Peças que devem compor a Sindicância Regular

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Art. 24. Uma Sindicância Regular dificilmente será idêntica à outra em virtude das
peculiaridades de cada caso. Assim, peças que aparecem em uma podem não existir em outra e
a ordem delas nem sempre será a mesma.

Art. 25. São peças normalmente comuns a todas as Sindicâncias Regulares,


consideradas essenciais, na seguinte ordem:

1) AUTUAÇÃO;
2) PORTARIA;
3) ANEXOS À PORTARIA;
4) PEÇA ACUSATÓRIA E/OU BOLETIM DE OCORRÊNCIA;
5) TERMO DE ABERTURA;
6) TERMO(S) DE DECLARAÇÕES DA VÍTIMA;
7) TERMO(S) DE DECLARAÇÕES DO(S) SINDICADO(S);
8) TERMO(S) DE DECLARAÇÕES DO(S) ENVOLVIDO(S);
9) ASSENTADA(S);
10) TERMO(S) DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA(S);
11) TERMO DE JUNTADA DAS PROVAS PRODUZIDAS E/OU RECEBIDAS;
12) TERMO DE ABERTURA DE VISTAS;
13) PROCURAÇÃO AO ADVOGADO (se houver);
14) RAZÕES ESCRITAS DE DEFESA;
15) RELATÓRIO;
16) OFÍCIO DE REMESSA;

Parágrafo único. A Sindicância Regular será encaminhada através de ofício de


remessa para solução pela autoridade delegante.

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Seção II

Peças que podem surgir na Sindicância Regular

Art. 26. Além daquelas peças comuns a toda Sindicância Regular, existem outras
que se relacionam diretamente com cada tipo de transgressão disciplinar a ser apurada e
diligências a serem efetuadas.

Art. 27. São peças eventuais da Sindicância Regular:

1) TERMO DE DEGRAVAÇÃO;
2) TERMO DE ACAREAÇÃO;
3) CARTA PRECATÓRIA;
4) AUTO DE RECONSTITUIÇÃO;
5) TERMO DE RECONHECIMENTO DE PESSOA OU COISA;
6) AUTO DE EXAME DE SANIDADE;
7) AUTO DE EXAME DE CORPO DE DELITO (Direto e/ou Indireto);
8) AUTO DE EXAME DATILOSCÓPICO;
9) AUTO DE EXAME DE EMBRIAGUEZ;
10) AUTO DE EXAME PERICIAL (Outras perícias);
11) TERMO DE COMPROMISSO DE PERITO “AD HOC”;
12) PROCURAÇÃO;
13) AUTO DE AVALIAÇÃO;
14) AUTO DE BUSCA E APREENSÃO (precedido de Mandado Judicial);
15) TERMO DE RESTITUIÇÃO;
16) OUTROS.

CAPÍTULO IV

DA SINDICÂNCIA REGULAR RESERVADA

Art. 28. A Sindicância Regular Reservada seguirá as mesmas formalidades da


Sindicância Regular, ressalvadas as seguintes peculiaridades:

§ 1o Se a Sindicância Reservada for instaurada através de Portaria, deverá ser


publicada, obrigatoriamente, em um mesmo Boletim Reservado, juntamente com a Solução e os
demais atos decorrentes, evitando-se dessa forma, a ocorrência de situações constrangedoras,

- 38 -
tanto para o Sindicante quanto para o Sindicado, além de prejuízos ao bom andamento da
disciplina e das apurações.

§ 2o Os documentos formais de inteligência, tais como Informe, Pedido de Busca,


Ordem de Busca e Relatório de Agente, não poderão ser juntados aos autos. Havendo
necessidade de se inserir informações desses documentos na sindicância, o procedimento
adequado será transformar o documento de inteligência em uma memória, que possuirá caráter
reservado, passando a sindicância a ser também reservada, caso a Portaria já não defina esse
grau de sigilo.

§ 3o A inserção de um documento com grau de sigilo, na sindicância, impõe o


mesmo grau de sigilo a todo o processo.

§ 4o Todas as folhas da sindicância reservada devem ser carimbadas acima e


abaixo, demonstrando o grau de sigilo do documento.

Art. 29. Haverá casos em que, comprovando-se determinada transgressão


disciplinar ou verificando-se a existência de indício de crime, torna-se necessária a
transformação da Sindicância em um outro procedimento de caráter público. Nestes casos,
deverá ser feita a desclassificação do grau de sigilo, sendo esta a atividade pela qual a
autoridade responsável pela classificação torna-o ostensivo e acessível à consulta pública.

Art. 30. A classificação, desclassificação ou reclassificação do grau de sigilo de


uma sindicância requer a publicação de ato administrativo para essa finalidade. A mesma
Portaria (mesmo número), com a nova classificação sigilosa será novamente publicada em
boletim adequado ao seu novo grau de sigilo, ou seja, portaria reservada no boletim reservado e
portaria pública no boletim ostensivo geral, alterando-se também o livro de controle de
processos administrativos da Unidade.

Parágrafo único. O lançamento da Portaria será também alterado no Sistema


Informatizado passando-a de pública para reservada e vice-versa.

Comentário: A alteração do grau de sigilo dos documentos é prevista no Decreto


Nr 2.134, de 24Jan97, com o seguinte teor:

“Art. 22 Poderá a autoridade responsável pela classificação dos


documentos, ou a autoridade mais elevada, findo o motivo de sua

- 39 -
classificação ou alteração de sua natureza, e considerando o interesse para
a pesquisa e para a administração, alterá-la ou cancelá-la, tornando-os
ostensivos.”

Art. 31. Os prazos a serem seguidos em uma Sindicância Regular Reservada serão
os mesmos previstos para a Sindicância Regular.

CAPÍTULO V

DA SINDICÂNCIA REGULAR SOBRE ACIDENTES QUE ENVOLVAM VIATURAS


DA POLÍCIA MILITAR

Art. 32. Alguns procedimentos adicionais devem ser observados, no caso de


sindicâncias instauradas para apurar acidentes que danifiquem viaturas da Polícia Militar, além
daqueles já previstos numa Sindicância Regular.

Art. 33. A Sindicância deverá conter:

I - declarações dos motoristas envolvidos no acidente;


II - declarações das vítimas ou prejudicados;
III – depoimentos de testemunhas, se houver;
IV - laudo pericial, preferencialmente realizado pela Polícia Técnico-Científica da
Secretaria de Estado da Segurança Pública;
V - orçamento das despesas necessárias à recuperação dos veículos ou coisas
danificadas, do Estado e do particular (três orçamentos);
VI - cópia do documento de habilitação dos motoristas envolvidos e do certificado
de propriedade dos veículos;
VII - credenciamento do militar;
VIII – Termo de Compromisso, se houver;
XI - Razões Escritas de Defesa;
X - parecer do encarregado.

Art. 34. O objeto principal da Sindicância é a apuração de responsabilidade


(definição da culpa) pelo acidente e a conseqüente indenização. Todo o cuidado, tanto no
aspecto formal quanto no de conteúdo, deve ser dispensado à sindicância desta natureza, pois
suas peças são fundamentais à instrução de ações e contestações do Estado, em lides originárias
de danos advindos do acidente.

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Art. 35. O Comandante ou Chefe da Unidade a que estiver distribuída a viatura
deverá instaurar a Sindicância dentro de quarenta e oito horas após a ocorrência.

Parágrafo único. Havendo envolvimento de militares da ativa, como autor e


vítima num mesmo acidente, o fato deverá ser apurado através de IPM.

Comentário: Súmula Nr 6, do STJ, de 15/06/90: “Compete à justiça comum ou


estadual processar e julgar delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura de
Polícia Militar, salvo se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade.”

Art. 36. Ocorrendo apenas danos materiais no acidente e houver acordo


formalizado entre as partes, conforme modelo anexo a este manual, a sindicância poderá ser
dispensada, a critério do Comandante da Unidade.

Art. 37. Somente poderá haver acordo quando o(s) motorista(s), patrão(ões) ou
outro(s) interessado(s) se dispuser(em) a ressarcir os danos havidos na Viatura Policial Militar.

Art. 38. O acordo poderá, ainda, ser formalizado a qualquer tempo, mesmo após a
conclusão da Sindicância, desde que os autos não tenham sido encaminhados à Procuradoria
Geral do Estado, para acionamento judicial da parte culpada.

Art. 39. Comprovando-se que a culpa pelo acidente, do qual resultou dano à
viatura da Polícia Militar, recaiu sobre a outra parte ou, se houver acordo formalizado
admitindo esta culpabilidade, o Comandante da unidade envidará os esforços necessários para a
indenização dos prejuízos ao Estado.

Art. 40. A indenização de danos causados em viatura da Polícia Militar por motivo
de acidente será por uma das seguintes formas:

I - com reparo da viatura, feito em oficina particular de capacidade técnica


reconhecida, sob a supervisão do Chefe da Seção de Manutenção e Transportes ou por quem
suas vezes fizer, observando-se o seguinte:
a) terminados os reparos, a viatura sofrerá vistoria final pela Seção de Manutenção
e Transportes da Unidade ou pelo CA/MB e Int que atestará a regularidade e satisfatoriedade do
serviço executado, para os fins de aceitação da recuperação como indenização;

- 41 -
b) atestando-se que os reparos foram executados de forma satisfatória, e caso tenha
sido instaurado algum processo para a apuração do acidente, serão juntados aos autos os
documentos que demonstram a completa indenização dos danos.
II - Mediante o recolhimento aos cofres do Estado, necessariamente demonstrado
através de comprovante de depósito bancário em conta própria da Polícia Militar;
III - Pelo recolhimento das peças necessárias à realização do reparo junto à
Unidade a que pertencer a viatura danificada. Neste caso, também é obrigatório o recolhimento,
aos cofres públicos, do valor correspondente à mão-de-obra, mediante procedimento idêntico ao
previsto no inciso anterior e os reparos serão feitos na oficina da Polícia Militar;
IV - Se o reparo for executado em oficina da Polícia Militar, o valor da hora
trabalhada será igual à média desse valor praticado pelas oficinas autorizadas da localidade;
V - Se o responsável pela indenização for militar ou funcionário da Polícia Militar,
poderá autorizar o desconto em seus vencimentos em valor e percentual definido em norma
própria.

§ 1o Nos casos dos itens I e III do presente artigo, para aquisição de peça, a
negociação com o fornecedor do serviço ou material será feita diretamente pela parte
responsabilizada, ficando a Polícia Militar apenas como beneficiária e fiscalizadora do serviço e
material, não se envolvendo com garantias, cobranças ou qualquer outro expediente.

§ 2o Nos casos dos itens II e III serão juntados aos autos o comprovante de
depósito bancário, a Nota Fiscal ou correspondente e o documento de entrega das peças na
Unidade.

Art. 41. A manifestação do desejo de realizar a indenização, através de qualquer


uma das formas mencionadas anteriormente será formalizada através de termo de compromisso,
conforme modelo anexo a este manual.

Art. 42. Não havendo acordo entre as partes e esgotadas as negociações para a
indenização do dano, os autos de Sindicância serão encaminhados à Diretoria de Apoio
Logístico (DAL), para análise e remessa à Procuradoria Geral do Estado, se for o caso de
providências judiciais.

Art. 43. No relatório de Sindicância e na solução deverão estar expressos o nome


de quem deve ser responsabilizado pelos danos causados à viatura e o valor a ser indenizado,
objetivando instruir ações e contestações do Estado em demandas civis provenientes do
acidente, bem como, deve ser esclarecido se a viatura será recuperada ou não, ou se será objeto

- 42 -
de descarga por inservibilidade, conforme previsão no Manual de Gerenciamento da Frota da
PMMG.

Art. 44. Deverá ser mantido arquivo no Almoxarifado, de cópia das Sindicâncias e
as respectivas soluções, relativas a acidente que se enquadre nas seguintes situações:

I - resultem danos em viaturas imputados ao condutor ou a terceiros e que não


tenham sido assumidos;
II - envolvam veículos com seguros totais ou parciais;
III - resultem danos no veículo particular, com possibilidade de acionamento
judicial do Estado para indenizá-lo.

Art. 45. No caso de danos em viatura, imputados ao condutor ou a terceiros que


não os tenham assumido e cujo reparo venha a ser feito às custas do Estado, serão remetidos à
Diretoria de Apoio Logístico (DAL), quando não puderem ser juntados aos respectivos autos e
tão logo estejam disponíveis, todos os documentos comprobatórios dos gastos realizados, a
exemplo de Nota Fiscal, Fatura, Nota de Empenho, Recibo e outros, bem como, suas cópias
autênticas serão arquivadas em pasta própria.

Art. 46. No caso de danos em viatura que resultem perda total do bem, uma via do
Termo de Exame e Avaliação da Viatura será, necessariamente, juntada aos autos de apuração
do acidente e outra via arquivada no Almoxarifado da respectiva Unidade.

Art. 47. Quando o militar ou funcionário civil servidor da Polícia Militar for
considerado responsável, culposa ou dolosamente, por danos causados em viatura, sua
responsabilidade civil será objeto de ação na forma da lei, não podendo ser isento da
indenização na esfera administrativa.

Parágrafo único. O Comandante determinará, em boletim interno, o desconto do


valor total dos danos em seus vencimentos, desde que o militar autorize formalmente.

Art. 48. Apurado o valor dos danos a serem ressarcidos pelo servidor, o
Comandante da Unidade fará publicar em Boletim Interno o montante pecuniário que lhe foi
imputado e procederá da seguinte forma:
a) encerrada a apuração, o sindicante providenciará declaração do militar ou
funcionário civil, conforme modelo constante do presente manual, para que se manifeste
formalmente sobre a sua disposição de fazer o ressarcimento na esfera administrativa e defina a

- 43 -
forma através da qual fará este ressarcimento, devendo o Sindicante entregar o processo com
este termo juntado;
b) caso o militar ou funcionário civil concorde com o desconto em seus
vencimentos, o valor mensal e a quantidade de parcelas serão calculados, para constarem na
declaração autorizativa do desconto, que será assinada pelo referido, juntamente com duas
testemunhas, sendo uma via juntada aos autos da apuração, uma entregue ao servidor e outra
arquivada em pasta própria da Seção de Orçamento e Finanças (SOFI);
c) caso o militar ou funcionário civil não concorde em fazer a indenização na
esfera administrativa, a declaração será, também, produzida e assinada pelo referido,
juntamente com duas testemunhas, tendo-se uma via juntada aos autos da apuração, uma
entregue ao mesmo e outra arquivada em pasta própria da Unidade;
d) a determinação de desconto nos vencimentos do militar ou funcionário civil
somente poderá ser efetivada se este concordar; caso contrário, os autos serão encaminhados à
DAL, que provocará, via Procuradoria-Geral do Estado, a ação judicial própria para
ressarcimento ao Estado.

§ 1o As importâncias descontadas nos termos da alínea “b” do presente artigo,


serão consideradas como receita e recolhidas à conta bancária da Polícia Militar, sob a
responsabilidade da unidade que operacionalizar o desconto.

§ 2o O limite máximo de responsabilidade pecuniária do militar ou funcionário


civil será estabelecido em norma própria.

Art. 49. Na solução da Sindicância, a autoridade deverá ter em mente que, se o


dano na viatura sinistrada for de tal monta que inviabilize sua recuperação, o valor da
indenização será determinado pelo preço de cotação do veículo no mercado, deduzindo-se o
valor com a alienação.

Parágrafo único. Neste caso, havendo interesse do militar ou funcionário civil em


fazer o ressarcimento em espécie, a juízo de acordo firmado com o Comandante da Unidade,
poderá ser decidida forma de parcelamento que assegure a restituição ao Estado e facilite o
pagamento pelo mesmo, inclusive podendo-se definir valor diferente daquele recomendado
anteriormente, para a única finalidade de deduzir quantidades excessivas de parcelas.

Art. 50. Concluída a Sindicância, no caso de acordo amigável, os autos serão


arquivados na Pasta Funcional do militar, remetendo-se cópia do relatório e solução à DAL,
bem como, arquivando-se cópia do relatório e da solução na pasta da viatura.

- 44 -
Parágrafo único. Não havendo acordo, o Comandante da Unidade remeterá os
autos originais e a Solução à Diretoria de Apoio Logístico, para análise e remessa à
Procuradoria-Geral do Estado, arquivando-se cópia do procedimento e da solução na pasta do
militar ou funcionário civil e cópia do relatório e da solução na pasta da viatura.

Art. 51. Os prazos a serem seguidos em uma Sindicância Regular sobre Acidentes
que envolvam Viaturas da Polícia Militar serão os mesmos previstos para a Sindicância
Regular.

CAPÍTULO VI

DA SINDICÂNCIA SUMÁRIA

Art. 52. A Sindicância Sumária é o procedimento administrativo que tem como


objetivo apurar, em exame rápido e sem formalidades, qualquer ato ou fato aparentemente
irregular.

§ 1o É iniciada por despacho ou ordem verbal de qualquer autoridade a oficial ou


praça sob seu comando direto ou chefia.

§ 2o É uma apuração mais simples, podendo, inclusive, ser feita sem obediência às
formalidades exigidas para a Sindicância Regular.

§ 3o Visa apontar, igualmente, o(s) responsável(is) pelo evento considerado


irregular e não exige a lavratura de termos de declarações. Seu encarregado pode limitar-se a
entrevistar as partes, relatando ou oferecendo seu parecer à autoridade competente, com suas
conclusões.

§ 4o No caso do encarregado verificar a comprovada existência de transgressão


disciplinar durante os levantamentos, que não requeira a instauração de um processo
administrativo-disciplinar mais formal, colherá a assinatura das pessoas ouvidas e concederá ao
acusado a oportunidade de defesa.

§ 5o No caso do parágrafo anterior, o militar deverá ser notificado da acusação que


lhe é imputada,abrindo-se vistas da documentação, para apresentação das razões escritas de
defesa, por intermédio de defensor constituído, caso queira.

- 45 -
Art. 53. Remetida a sindicância, com o fato objeto da apuração esclarecido, com a
acusação sobre a prática de transgressão disciplinar inserida no relatório, estando presente nos
autos, também cópia da notificação e das razões escritas de defesa, o sindicante remeterá os
autos ao SCmt, que analisará as informações e dará parecer ao Comandante, que decidirá sobre
a punição, arquivamento ou outra medida que se fizer necessária.

Art. 54. A opção pela Sindicância Sumária dependerá da gravidade da ocorrência


e da necessidade de obtenção de provas para uma rápida decisão sobre fato corriqueiro ou cuja
repercussão não prejudique o prestígio da Polícia Militar.

Art. 55. Em virtude destas características, o encarregado poderá adotar o modelo


de relatório anexo ao presente manual.

Art. 56. Os prazos a serem seguidos em uma Sindicância Sumária obedecem às


mesmas regras estipuladas para Sindicância Regular, mas poderão ser alteradas pela autoridade
delegante, considerando cada caso específico, não podendo ultrapassar os prazos previstos para
a Sindicância Regular.

Comentários: Observações sobre a elaboração de Sindicância Sumária:


1) Visa apurar em exame rápido e sem formalidades ato/fato irregular;
2) Inicia-se por despacho ou ordem verbal;
3) Visa apontar responsáveis;
4) Não é obrigatório reduzir a termo os depoimentos das testemunhas, devendo ser
citado nas conclusões o nome dos entrevistados;
5) Os depoimentos do acusado, acusador e/ou vítima deverão ser reduzidos a
termos, observando-se as demais orientações previstas para sindicância regular;
6) Sua instauração e utilização depende da gravidade dos fatos (leves) e obtenção
de provas concretas;
7) As pessoas ouvidas/entrevistadas, sempre que viável, deverão assinar o relatório
da sindicância;
8) Não se publicam atos de instauração e solução de sindicância sumária;
9) Os atos de prorrogação e outros que carecerem de decisão da autoridade
delegante, deverão ser formalizados nos próprios atos da sindicância, através de despacho.

CAPÍTULO VII

- 46 -
DO CONSELHO SUMÁRIO DE DISCIPLINA – CSD

Seção I

Generalidades

Art. 57. O Conselho Sumário de Disciplina (CSD) é o procedimento


administrativo-disciplinar, destinado a examinar e dar parecer sobre a incapacidade da praça
com menos de cinco anos de efetivo serviço, para permanecer na Polícia Militar.

Art. 58. O CSD será nomeado pelo Comandante da Unidade em que serve o
militar, ou por autoridade superior, dentro da mesma cadeia de comando, e aplica-se a praça
que:

I – no mau comportamento, vier a cometer nova falta disciplinar, grave ou


gravíssima;
II – for condenado por sentença definitiva, no foro militar ou comum, a qualquer
pena e que, o crime sendo de natureza dolosa, afete a honra pessoal e a dignidade profissional, a
juízo da autoridade que submeter o militar ao CSD;
III – for acusada da prática de ato que afete a honra pessoal, o pundonor militar ou
o decoro da classe, qualquer que seja o seu comportamento;
IV – pertencer a partido político ou associação, suspenso(a) ou dissolvido(a) por
força de disposição legal ou decisão judicial, ou que exerça atividades prejudiciais ou perigosas
à segurança nacional;
V - demonstrar incapacidade profissional para o exercício de funções policiais-
militares a ele inerentes.

§ 1º No caso previsto no inciso I do artigo, o CSD verificará se o militar está


efetivamente no mau comportamento, e examinará sua incapacidade para permanecer na Polícia
Militar ou na situação de atividade.

§ 2º No caso do inciso III, a transgressão disciplinar deverá estar previamente


comprovada em IPM, APF ou Sindicância.

§ 3º Para os efeitos desta resolução, considere-se como pertencente a partido ou


associação, a que se refere o inciso IV deste artigo, o militar que, ostensiva ou
clandestinamente:

- 47 -
a) estiver inscrito como seu membro;
b) prestar serviços ou angariar valores em seu benefício;
c) realizar propaganda de suas doutrinas;
d) colaborar, por qualquer forma, mas sempre de modo inequívoco ou doloso, em
suas atividades.

Art. 59. O Conselho Sumário de Disciplina será composto de um Oficial, que será
seu presidente e de dois subtenentes/sargentos, sendo que o de maior graduação ou antigüidade
será o interrogante e relator e o de menor graduação ou mais moderno será o escrivão.

§ 1o Excepcionalmente, nos casos de transgressão disciplinar de natureza


gravíssima, poderá ser nomeado Conselho Sumário de Disciplina, composto apenas por oficiais,
cuja presidência caberá ao de maior posto; o de menor posto ou mais moderno será o escrivão e
o que o preceder será o interrogante/relator.

§ 2º No caso previsto no parágrafo anterior, não sendo o Escrivão


datilógrafo/digitador, poderá ser nomeado um subtenente/sargento para este fim.

§ 3º Não poderá fazer parte do Conselho o militar que tiver dado a parte
motivadora da nomeação.

§ 4º Não podem funcionar no mesmo Conselho os militares que:


a) tenham entre si, com o que deu a parte ou com o acusado, parentesco
consangüíneo ou afim em linha ascendente, descendente, ou colateral, até o 3º grau;
b) sejam inimigos ou amigos íntimos de quem deu a parte ou do acusado;
c) tenham particular interesse na decisão da causa.

§ 5º O fato de um militar atuar em um Conselho Sumário de Disciplina não o


impede de, ao mesmo tempo, ser designado para outros.

Art. 60. Havendo argüição de impedimento ou suspeição de membro do Conselho,


a situação será resolvida pela autoridade que nomeou o Conselho.

§ 1º A argüição de impedimento ou suspeição só poderá ser feita antes ou durante a


abertura dos trabalhos, sob pena de perda de oportunidade.

- 48 -
§ 2º Não constituirá causa de anulação ou nulidade do processo ou de qualquer de
suas peças, a participação de militar cujo impedimento ou suspeição, não tenha sido argüido no
prazo estipulado no parágrafo anterior, exceto se sua participação comprometer cabalmente a
lisura do processo, situação em que a autoridade competente deverá fazer saneá-lo antes de
proferir sua decisão.

Art. 61. A nulidade do processo só se verificará quando existir manifesto prejuízo


para o acusado, devidamente comprovado, decorrente de ato ou fato argüido, tempestivamente,
como viciado.

§ 1º O Conselho Sumário de Disciplina se manifestará, imediatamente, sobre


qualquer nulidade que possa ter ocorrido e não tenha conseguido sanar. À autoridade julgadora
compete, neste caso, sanar a irregularidade ou mandar renovar o processo.

§ 2º A nulidade de um ato acarreta a nulidade dos atos sucessivos dele


dependentes.
Seção II

Do Funcionamento

Art. 62. O Conselho Sumário de Disciplina obedecerá no seu funcionamento, o


seguinte:

I - funcionará no local que o Presidente do Conselho julgar melhor indicado para a


apuração do fato, examinará e emitirá parecer, no prazo máximo de 20 (vinte) dias e, somente
por motivos excepcionais, a autoridade poderá prorrogá-lo por mais 10 (dez) dias;
II - exercerá suas atribuições sempre com a totalidade de seus membros;
III - o Presidente do Conselho notificará o militar, com pelo menos 24 (vinte e
quatro) horas de antecedência, da acusação que lhe é feita, da data, hora e local do início dos
trabalhos e ser-lhe-á fornecida cópia da Portaria e dos documentos de origem;
IV - será nomeado pelo Presidente, advogado regularmente constituído pelo
acusado, com procuração juntada aos autos, para ser seu defensor;
V – esgotados os esforços para cumprir o disposto no inciso anterior ou não
desejando o acusado ser defendido por advogado, caso em que renunciará expressamente ao
direito, deverá ser designado um assessor jurídico da Polícia Militar para defendê-lo;
VI - nas reuniões, inicialmente o vogal/interrogante procederá à audição do
acusado e depois, sucessiva e separadamente, as testemunhas que o Conselho julgar necessárias

- 49 -
ao esclarecimento da verdade, e as apresentadas pelo acusado, estas, no máximo em número de
03 (três);
VII – o Conselho providenciará sobre quaisquer diligências que entender
necessárias à completa instrução do processo, inclusive acareação de testemunhas, exames
periciais e indeferirá qualquer pedido de diligência que vise a protelar a solução ou que julgar
desnecessário ao esclarecimento da verdade. Neste último caso, o ato deverá ser devidamente
justificado nos autos do conselho;
VIII – salvo as certidões da própria administração, caberá ao defensor apresentar
suas provas e não simplesmente requerê-las;
IX - tanto no interrogatório do acusado, como na inquirição de testemunhas podem
os membros do Conselho perguntar e reperguntar;
X - é permitido à defesa, em assunto pertinente à matéria, perguntar às
testemunhas, por intermédio do interrogante;
XI - efetuado o interrogatório, inquiridas as testemunhas e realizadas as diligências
deliberadas pelo Conselho, o Presidente concederá o prazo de 05 (cinco) dias ao defensor, para
apresentação das razões escritas de defesa, acompanhadas ou não de documentos, determinando
que se lhe abra vista dos autos, mediante recibo;
XII – no caso de dois ou mais militares serem submetidos ao mesmo processo e
sendo defendido por um mesmo defensor, em razão de transgressões disciplinares conexas, o
prazo para apresentação das razões escritas de defesa será contado em dobro;
XIII - findo o prazo para apresentação das razões escritas de defesa, à vista das
provas dos autos, o Conselho, em sessão reservada aos membros do Conselho e ao Defensor,
caso deseje, emitirá o seu parecer, redigido pelo vogal/interrogante, sobre a procedência total ou
parcial da acusação ou sua improcedência, propondo a medida cabível. O parecer do Conselho
será datilografado/digitado, assinado pelos membros e suas folhas rubricadas pelo Escrivão;
XIV - se a defesa não apresentar suas razões escritas no prazo estipulado, novo
defensor deverá ser apresentado, renovando-se-lhe o prazo;
XV – no caso do inciso IV, esgotado o prazo e não tendo o acusado ou advogado
apresentado as razões escritas de defesa, ser-lhe-á nomeado como defensor um assessor jurídico
da Polícia Militar;
XVI - todas as folhas do processo serão numeradas e rubricadas pelo Escrivão, a
partir da capa frontal;
XVII - os documentos serão juntados aos autos, através de termo próprio,
mediante despacho do Presidente;
XVIII - as resoluções e o parecer do Conselho serão tomados por maioria de votos.
O parecer será redigido e datilografado ou digitado em sessão reservada, devendo o membro
vencido do Conselho fundamentar seu voto, obrigatoriamente;

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XIX – Nas reuniões marcadas pelo Conselho, deverá seu Presidente fazer registrar
tudo em ata, inclusive a data, local e horário da reunião seguinte, dando ciência ao acusado e
seu defensor, que também a assinarão. Esta última providência dispensará a notificação formal
para a reunião subseqüente.

Parágrafo único. A ausência do acusado, não justificada previamente a qualquer


ato do Conselho, não impedirá sua realização, desde que o defensor esteja presente.

Art. 63. Quando forem dois ou mais os acusados de uma mesma Unidade, por
faltas disciplinares conexas, que justifiquem convocação do Conselho, adotar-se-á o princípio
da economia processual, com instalação de um só procedimento administrativo-disciplinar.

Parágrafo único. Quando ocorrer a solução descrita neste artigo, o processo


original ficará arquivado na pasta funcional da praça mais graduada ou mais antiga, arquivando-
se, também, cópia do parecer e da decisão nas pastas dos demais acusados.

Art. 64. Quando da primeira reunião do CSD, o Presidente encaminhará o militar


acusado, através de ofício, ao médico da SAS ou equivalente, para que este manifeste a respeito
da submissão à perícia psicopatológica.

§ 1o O médico, verificando fundadas dúvidas quanto à sanidade mental do acusado,


encaminhará o militar à Junta Central de Saúde (JCS) para realização de perícia psicopatológica
e, caso contrário, emitirá parecer técnico a respeito da desnecessidade de tal procedimento.

§ 2o Havendo necessidade da submissão do acusado à perícia psicopatológica, o


processo poderá ser sobrestado pela autoridade convocante, desde que se necessário, devendo o
sobrestamento ocorrer após a instrução.

§ 3º Feita a perícia psicopatológica e confirmada a insanidade mental, o processo


não poderá prosseguir e o Presidente do CSD encerrará seus trabalhos e promoverá os autos à
autoridade que o nomeou.

Art. 65. Encerrados os trabalhos, o Conselho, por intermédio do seu Presidente,


remeterá os autos do processo, no mesmo dia, à autoridade convocante, que proferirá, nos
limites de sua competência, no prazo de 05 (cinco) dias, a sua decisão fundamentada,
concordando ou não com o parecer do Conselho e fazendo publicá-la em boletim:

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I - mandando sanar irregularidades, renovar o processo ou realizar diligências
complementares;

II - determinando o arquivamento do processo, se considerar improcedente a


acusação, respeitado o previsto no parágrafo único deste artigo;

III - determinando a exclusão disciplinar.

Parágrafo único. No caso de discordância entre o parecer do Conselho e a decisão


do Comandante, este recorrerá, obrigatoriamente, da sua decisão, para o Comandante Regional
ou equivalente em nível hierárquico, que julgará em definitivo o processo.

Art. 66. Se, ao examinar os autos, verificar a autoridade julgadora a existência de


algum fato passível de repressão penal ou disciplinar, que atinja pessoa que não esteja sob sua
autoridade fará a remessa das respectivas peças, por cópia, à autoridade competente.

Art. 67. A autoridade que determinar a submissão de militar a Conselho Sumário


de Disciplina poderá, a qualquer tempo, dissolvê-lo, modificar sua composição e proferir a
decisão.

Art. 68. O Comandante-Geral poderá modificar ou anular as decisões da


autoridade julgadora, quando manifestamente injustas ou contrárias a dispositivos legais.

Art. 69. Subsidiariamente às normas do Conselho Sumário de Disciplina, aplicam-


se as do Conselho de Disciplina e as do Código de Processo Penal Militar ou Comum.

Seção III

Roteiro dos atos processuais do CSD.

Art. 70. São peças normalmente comuns a todos os Conselhos Sumários de


Disciplina, na seguinte ordem:

1) Portaria;
2) Notificação;
3) Termo de Declarações do acusado;
4) Ato de nomeação do Defensor;

- 52 -
5) Ofício à Junta Central de Saúde, solicitando perícia psicopatológica, em caso de
necessidade, após prévia avaliação pelo médico da SAS da Unidade;
6) Instrução, com oitivas de testemunhas e juntada de documentos;
7) Vista à defesa pelo prazo de cinco dias;
8) Relatório dos autos, com o Parecer do Conselho;
9) Remessa através de Ofício.

Comentário: Os membros do CSD deverão, antes de iniciar seus trabalhos,


conferir minuciosamente a redação da Portaria e fazer sanar toda e qualquer falha que houver,
além de preocuparem-se com aspectos alusivos a impedimentos e outros que possam tornar nulo
o processo.

Seção IV

Seqüência de funcionamento do CSD

Art. 71. O Conselho Sumário de Disciplina obedecerá no seu funcionamento, o


seguinte:

I – REUNIÃO DE INSTALAÇÃO
a) Instalação do Conselho;
b) Compromisso dos membros;
c) Leitura da base de acusação;
d) Notificação do acusado.

II - PRIMEIRA REUNIÃO:
a) Nomeação do defensor;
b) Interrogatório do acusado;
c) Encaminhamento ao médico da SAS da Unidade, para fins de avaliação quanto a
submissão do acusado a perícia psicopatológica, caso em que deverá emitir laudo médico a
respeito;
d) Inquirição das testemunhas de Acusação;
e) O Presidente marcará as novas diligências, dando ciência ao acusado e defensor.

III – SEGUNDA REUNIÃO


a) Inquirição das demais testemunhas de acusação;
b) O Escrivão fará juntada dos documentos e laudos periciais, caso hajam.

- 53 -
IV – TERCEIRA E DEMAIS REUNIÕES
a) Inquirição das testemunhas de defesa;
b) Outras providências decorrentes;
c) O Presidente determinará abertura de vistas dos autos, pelo prazo de 05 (cinco)
dias;
d) O Escrivão providenciará o “Termo de Vista”;
e) O Escrivão, assim que receber os autos do defensor, fará uma “juntada” das
razões escritas de defesa;
f) O Presidente marcará o dia e hora para o Parecer dos membros, em reunião
secreta;
g) Os membros, em reunião reservada, lavrarão o parecer;
h) O Presidente fará remessa dos autos à autoridade convocante, através de ofício;
i) O Comandante da Unidade proferirá nos autos, no prazo de 05 (cinco) dias úteis,
a sua decisão e mandará publicá-la em boletim.

CAPÍTULO VIII

DA PARTE DISCIPLINAR

Art. 72. A parte é a comunicação escrita, feita por policial-militar e dirigida à


autoridade competente, acerca de ato ou fato de natureza disciplinar.

§ 1o A parte deve ser clara, concisa e precisa, conter os dados capazes de identificar
as pessoas ou coisas envolvidas, o local, a data e a hora da ocorrência, além de caracterizar as
circunstâncias que a envolveram, sem tecer comentários ou opiniões pessoais.

§ 2o A parte deve ser a expressão da verdade, devendo a autoridade a quem for


dirigida ouvir ou fazer ouvir o acusado, ressalvado o caso de militar recolhido preso
disciplinarmente, quando o prazo deverá ser de 24 (vinte e quatro) horas.

Art. 73. A parte deverá ser apresentada no prazo de 03 (três) dias úteis, contados
da observação ou conhecimento do fato.

Art. 74. O policial-militar que tiver dado parte acerca de um fato contrário à
disciplina, terá cumprido o seu dever. A solução da autoridade superior é da sua inteira e
exclusiva responsabilidade. Deve ser dada dentro do prazo de 05 (cinco) dias úteis ou, então,

- 54 -
publicado em boletim o motivo de não ter sido resolvida no referido prazo, cuja prorrogação
total não poderá exceder de 10 (dez) dias úteis, contados a partir da entrada da parte na Unidade.

Parágrafo único. Quando a participação versar sobre ocorrência envolvendo


policiais-militares de Unidades diversas, o signatário da parte deverá ser, direta ou
indiretamente, notificado da solução dada.

Art. 75. A parte ou a comunicação no processo administrativo disciplinar é a


determinação formal para que o militar, sobre o qual pesam indícios de autoria de transgressão
disciplinar, apresente suas razões escritas de defesa, dentro do prazo de 05 (cinco) dias.

§ 1° O militar deverá ser formalmente notificado a comparecer à Fração PM a qual


pertence, no prazo de 03 (três) dias, acompanhado de advogado, se desejar, para tomar
conhecimento da acusação que lhe é imputada.

§ 2o Para apresentação das razões escritas de defesa, será entregue cópia da parte
disciplinar e documentos anexos ao militar acusado ou a seu defensor, mediante recibo.

§ 3o As razões escritas de defesa poderão ser interpostas pelo próprio militar ou por
defensor por ele indicado.

§ 4o Apresentada a defesa e recebida toda a documentação, o chefe direto e o Sub


Cmt emitirão parecer sobre a medida administrativa a ser adotada.

§ 5o A autoridade, de posse de toda a documentação, proferirá a decisão através do


enquadramento disciplinar, caso entenda que o fato não foi justificado, ou arquivará o
expediente, com publicação em BI da decisão tomada no expediente administrativo.

CAPÍTULO IX

DA APURAÇÃO NAS FRAÇÕES DESTACADAS

Art. 76. Quando o objeto da apuração for reclamação do público externo contra
militares destacados, o sindicante deverá adotar sempre que viável, o seguinte procedimento:

I - chegar à localidade onde serão realizadas as apurações em trajes civis e manter-


se incógnito, na medida do possível, quanto a sua condição de militar;

- 55 -
II - procurar, inicialmente, auscultar pessoas da sociedade local, colhendo opiniões
sobre a atuação e conduta da fração, especialmente dos militares sindicados;
III - fazer contatos discretos com pessoas civis envolvidas, ouvindo-as em sua
residência ou fora do quartel;
IV - manter contato com a fração, ouvindo os sindicados e outros militares.

Art. 77. Durante a apuração, se for necessário ou conveniente o comparecimento


de civis ao quartel da fração, o sindicante deverá tomar as seguintes providências prévias,
conforme as circunstâncias:

I - recolher, com antecedência, os militares sindicados à sede do batalhão ou fração


mais próxima ou afastá-los do serviço, por intermédio de seu Cmt direto, fazendo-os
permanecer em sua residência, ou fração mais próxima, até a conclusão das apurações ou
solução da sindicância, considerando-se a gravidade da situação;
II - afastará do serviço, com antecedência, os militares envolvidos, para evitar
constrangimentos ou pressão contra testemunhas civis, fazendo-os permanecer, conforme inciso
anterior;
III - impedir que qualquer interferência prejudique a credibilidade das fontes de
informações e, principalmente, que civis envolvidos nas apurações sejam influenciados por
militares, que não poderão aproximar-se do local das oitivas, senão quando convocados por
autoridade competente.

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CAPÍTULO X

DAS IRREGULARIDADES MAIS FREQÜENTES

Art. 78. São irregularidades mais comuns na elaboração de Processos e


Procedimentos administrativo-disciplinares:

I - Deixar de numerar a capa (Fl. 01);


II - Não rubricar folhas ou fazê-lo em local incorreto (abaixo da numeração das
folhas, que é no alto e à direita de cada folha);
III - Deixar de constar o número do Sindicante e também do(s) sindicado(s);
IV - Deixar de assinar documentos ou mesmo de colher assinaturas;
V - Cometer erros grosseiros de Português (concordância, palavras escritas
erroneamente);
VI - Não anexar documentos de real importância tais como: Portaria, com BI de
publicação, laudo pericial, etc.;
VII - Termo de Abertura com data diferente da data de autuação;
VIII - Deixar de constar o compromisso nos depoimentos das testemunhas;
IX - Anexar documentos e depois o termo de juntada;
X - No Relatório, enunciar o fato e não citar folhas que comprovem;
XI - Não fazer o encerramento dos termos de declarações;
XII - Repetir o local e data em determinados termos, quando já constam no início
do documento;
XIII - Não constar os números, nomes, postos e/ou graduações completos dos
sindicados;
XIV - Não colher assinatura do declarante nas folhas anteriores, quando há mais de
uma folha para suas declarações;
XV - Fazer juntada antes da abertura;
XVI - Exceder o tempo ou solicitar prorrogação dos trabalhos após esgotado o
prazo regulamentar;
XVII - Fazer comentários comprometedores em torno de superiores hierárquicos;
XVIII - Inversão da ordem dos documentos;
XIX - Deixar de constar o início e o término, bem como, de fornecer um intervalo
de trinta minutos, nos termos de declarações e de depoimentos que ultrapassem 04 (quatro)
horas contínuas;
XX - Folhas em branco no verso, sem barras paralelas, sinuosas ou sem a
expressão “EM BRANCO”;

- 57 -
XXI - Inexistência do compromisso da testemunha: “Aos costumes disse nada”;
XXII - Termo assinado “A ROGO”, desacompanhado de 02 (duas) testemunhas;
XXIII - Emprego incorreto da palavra “DIGO”. Deve-se repetir a palavra anterior à
incorreta;
XXIV - Antes de encerrar o “Termo”, não constar as retificações “EM TEMPO”,
nos casos necessários;
XXV – Não distinguir Termo de Declarações (sindicado, acusador, vítima e
suspeitos) e Termo de Depoimento;
XXVI - A Assentada não registra dia e hora;
XXVII - Não utilização da Carta Precatória, quando viável;
XXVIII - Usar termos de data, despacho, recebimento e certidão em desuso e
burocráticos;
XXIX - Deixar de fazer a Acareação quando ocorrer divergência. Acareação deve
ser somente entre testemunhas, ou entre estas e o ofendido ou acusador;
XXX - Não observar procedimentos para reconhecimentos de pessoa ou coisa:
a) Descrever pessoas;
b) Ao lado de outras pessoas;
c) Não ser visto o acusador;
d) Lavrar termo próprio.
XXXI - Não autenticar fotocópias;
XXXII - Não formular quesitos para a perícia;
XXXIII - Solicitação de laudos periciais de forma incorreta;
XXXIV - Não fazer juntada quando anexar fotos, croquis, plantas, documentos;
XXXV - Não juntar Fé-de-ofício e/ou NPC, nos casos de embriaguez, ou ato que
afete a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe;
XXXVI - Inexistência de razões escritas de defesa;
XXXVII - Não encerrar o procedimento, quando verificar envolvimento de
superior;
XXXVIII - Deixar de fazer a qualificação de pessoas ouvidas no procedimento
administrativo-disciplinar;
XXXIX - Não justificar o pedido de prorrogação de prazo;
XL - Deixar de observar as normas subsidiárias do CPPM, do Manual de IPM, CD
e outros;
XLI - Falta de testemunhas nos Termos de Declarações que comprometam a pessoa
ouvida;
XLII - Deixar de carimbar com o “grau de sigilo” as folhas e documentos quando a
Sindicância é Reservada;

- 58 -
XLIII – Nas declarações e depoimentos em várias páginas, deixar de repetir a
última linha, da página anterior;
XLIV - Ausência dos seguintes documentos, nos casos de Sindicância para apurar
acidentes que envolvam viaturas da Polícia Militar:
a) Declarações dos motoristas;
b) Declarações das vítimas ou prejudicados;
c) Depoimento das testemunhas;
d) Laudo Pericial do DETRAN / Delegacia;
e) Três orçamentos das despesas com recuperação dos veículos;
f) Cópia da CNH, DUT, credenciamento do militar;
g) Cópia da apólice de seguro;
h) Parecer do Encarregado;
i) Estabelecer o valor do desconto em vencimentos, caso o militar concorde;
j) Encaminhamento pelo Cmt à DAL, após a solução.
XLV – Constar assinaturas em folhas em branco, separadas dos textos de
declarações e depoimentos;
XLVI – Deixar de usar os versos das folhas com declarações, depoimentos e atos
seguintes;
XLVII – Designar defensor que não seja advogado;
XLVIII – Deixar de abrir vistas para que testemunha/envolvido e outros exerçam o
direito ao contraditório e à ampla defesa, quando houver acusação de transgressão disciplinar
contra referidas pessoas no mesmo processo/procedimento;
XLIX – Deixar de constar no relatório a(s) transgressão(ões) disciplinar(es)
cometida(s) pelo(s) transgressor(es), dando redação semelhante ao inciso específico do
regulamento próprio, onde o militar será enquadrado;
L – Deixar de tipificar o crime, quando houver, na Sindicância Regular que será
remetida diretamente à Auditoria da Justiça Militar;
LI – Deixar de conferir, minuciosamente, a Portaria do processo ou procedimento,
antes de iniciar as atividades, com vistas a evitar nulidades ou anulação de todo o trabalho que
será desenvolvido;
LII – Deixar de elaborar novo procedimento administrativo disciplinar para faltas
residuais ou subjacentes ao IPM afloradas nos autos;
LIII – Deixar de usar carimbo quando assinar e rubricar documentos.

CAPÍTULO XI

DAS PRINCIPAIS JURISPRUDÊNCIAS

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Seção I

Jurisprudências Judiciais

Art. 79. São as seguintes as jurisprudências editadas vinculadas aos processos e


procedimentos administrativo-disciplinares:

I - AMPLA DEFESA. “É necessário processo administrativo, com ampla defesa,


para demissão de funcionários admitido por concurso (STF, Súmula n.º 20).”;
II - CERCEAMENTO DE DEFESA. “Se não foi assegurado ao indigitado infrator
o direito de defesa, anula-se o ato demissório, a fim de que seja citado o impetrante para
apresentar sua defesa, que não pode ser confundida com o simples depoimento que prestou, no
curso da instrução (TFR, MAS n.º 79.748, DJ de 12 dez. 1979, n.º 237, p. 9.377).”;
III - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. “A demissão de funcionário,
fundada em processo administrativo em que houve cerceamento de defesa, é nula (STF, RE n.º
77.261, RDA, 128:238).”;
IV – CITAÇÃO. “O teor do art. 250 do Estatuto dos funcionários Públicos Civis do
Estado de Santa Catarina, será assegurada ampla defesa ao acusado, que poderá acompanhar
todas as fases do processo e constituir procurador, de onde se conclui que a citação dele,
somente depois de ultimada a instrução, configura evidente supressão daquela garantia,
ensejando a decretação da nulidade do procedimento disciplinar administrativo (TJSC, ac. un.
da 1a Câm. Cív. De 2-4-1981. ap. n.º 16.154, ADCOAS, n.º 79.733).”;
V – DEMISSÃO. “Estabilidade - Inexistência de processo administrativo -
Inadmissibilidade - Decreta a anulação do ato exoneratório (TJMG) (RT 729/211)”;
VI - FUNCIONÁRIO PÚBLICO. “Processo administrativo - fato novo estranho ao
objeto do processo - Pena de demissão do serviço - Direito de defesa - inobservância -
Cerceamento configurado - Nulidade - Segurança concedida - Voto vencido (TJMS) (RT
596/227).”;
VII - INTERFERÊNCIA DO ACUSADO NO PROCESSO. “No processo deverá
ser dada oportunidade ao denunciado de ser ouvido, oferecer testemunhas, fazer acareações,
anexar documentos, sob pena de poder ele mais tarde, inclusive perante o Poder Judiciário,
promover a anulação do feito. A ampla defesa assegurada na Constituição só se pode
compreender como a oportunidade livre e desembaraçadamente concedida ao servidor de
acompanhar todas as fases do processo, pessoalmente ou por procurador devidamente habilitado
(Parecer do DASP, Proc. N.º 3.084/49, DO de 12 jul. 1949, p. 9.997).”;

- 60 -
VIII - MAIOR FLEXIBILIDADE DO PROCESSO DISCIPLINAR. “O processo
administrativo para apuração de faltas disciplinares, caracteriza-se por sua flexibilidade e menor
formalismo do que o processo judicial, em ordem a vedar caminho a alegação de nulidades,
salvo as decorrentes da supressão de termos essenciais ao exercício do direito de defesa, O
Judiciário tem competência para rever a prova da existência do fato em decorrência do qual a
demissão do servidor foi decretada. A prova dos fatos tipificados nos arts. 194, inciso IV, e 207,
inciso I, invocados como causa expulsória, não reside nos autos, seguindo-se pela insubsistência
do ato de demissão (TRF, DJ de 16 abr. 1980, p. 2.467).”;
IX - NULIDADE DE TERMOS ESSENCIAIS. “Demissão fundada em processo
administrativo nulo, por manifesta desatenção às exigências constitucionais e legais (STF, RE
n.º 87.248-5, DJ de 19 out. 1979, p. 7.828).”;
X - OBJETIVOS DO PROCESSO. “O processo administrativo não resguarda
apenas o funcionário, acobertando-o de julgamentos quiçá injustos, posto que bem
intencionados. Defende também, a própria Administração, pois, criando um clima de segurança
e de legalidade, prestigia as punições porventura necessárias (Parecer de 19-2-1947, do então
Consultor-Geral da República, RSP, mar./abr. 1948, p. 78).”;
XI - PORTARIA INSTAURADORA. “Omissão dos fatos. Processo disciplinar.
Nulidade. Provimento. 1. a portaria inaugural e o mandado de citação, no processo
administrativo disciplinar, devem explicitar os atos ilícitos atribuídos ao acusado. 2. Ninguém
pode defender-se eficazmente sem pleno conhecimento das acusações que lhe são imputadas. 3.
Apesar de informal, o processo administrativo deve obedecer às regras do devido processo
legal. 4. Recursos conhecido e provido. (Ac. um. Da 2a T. do STJ - RMS 1.074-ES - j. 02.12.91,
in DJU de 30.03.92, p. 3.968).”;
XII - PORTARIA INSTAURADORA. “Requisitos. Cuidando-se de demissão de
funcionário Público, a portaria instauradora do procedimento disciplinar administrativo deve,
necessariamente ao lado da qualificação do indiciado, especificar os atos e fatos a apurar, bem
como os dispositivos legais tidos por infringidos, a fim de que possa aquele exercitar o direito
de ampla defesa. Se da referida peça não constar uma sumária exposição do ilícito atribuído ao
funcionário, tal omissão torna imprestável o inquérito disciplinar (TJSC, Ac. 1 da 1 a Câm. Cív.,
de 2-4-1981, ap. n.º 16.154, ADCOAS, n.º 79.601).”;
XIII - PROCESSO ADMINISTRATIVO. "É necessário processo administrativo
com ampla defesa para a demissão de funcionário admitido por concurso (SÚMULA 20).”;
XIV - PROCESSO ADMINISTRATIVO. "Não se pode negar ao Poder Judiciário
o exame do processo administrativo, a fim de indagar se o ato dele resultante de acha ou não
calcado em provas (STF, em RDA, 101/149).”;
XV - PROCESSO ADMINISTRATIVO. “O processo administrativo é condição
essencial para a demissão (TJSP, em RDA, 58/123).”;

- 61 -
XVI - PROCESSO ADMINISTRATIVO: “Processo administrativo cujas
conclusões não apontam a falta do funcionário é imprestável para justificar a sua demissão
(TJSP, em RDA, 73/139).”;
XVII - PROCESSO ADMINISTRATIVO. “Nulo é o processo administrativo
quando a respectiva comissão de inquérito haja sido nomeada por autoridade incompetente. Não
há competência decorrente de poderes implícitos quando a lei taxativamente determina que seja
competente para a prática do ato (TJPE, em RF, 208/205).”;
XVIII - RETIRADA DOS AUTOS PELO ADVOGADO. “Princípio da ampla
defesa. Constitucional. Mandado de segurança. Processo administrativo. 1- Tem o advogado
direito, em razão do princípio da ampla defesa, de ter vista dos autos administrativos fora da
repartição, se o prazo de defesa lhe é exclusivo. 2 - Liminar satisfativa. Perda de objeto. (Ac.
um. Da 3a T. do TRF da 1a R. - REO n.º 90.01.14764-0-MT, in DJU II 30.05.94 p. 26.365).”;
XIX - SANÇÃO DISCIPLINAR. “Direito de defesa - Princípios da máxima
efetividade. Processo disciplinar. Ampla defesa. Presença obrigatória do advogado. 1. Corrente
majoritária da doutrina tem se posicionado no sentido de que a Constituição vigente em um
Estado Democrático de Direito pleno deve ser interpretada com base em princípios que
conduzam a dar o máximo de efetividade às suas normas. Destaca-se, pois, o princípio da
máxima efetividade, que ao ser aplicado na interpretação de uma norma constitucional, busca
extrair do texto legal a máxima eficiência no resguardo da garantia dos direitos fundamentais. 2.
O caso concreto refere-se à aplicação de pena disciplinar a um profissional por órgão
administrativo, cujo julgamento foi realizado sem a presença do advogado, além de terem
ocorrido situações no processo administrativo que afetam o direito amplo da defesa da acusada,
sendo a mais relevante o reconhecimento pelo Poder judiciário, em decisão transitada em
julgado proferida no juízo criminal, da inexistência de crime. Tal sanção disciplinar configurou-
se, assim, em afronta à ampla defesa da acusada. 3. Segurança concedida. (Ac. Do TRF da 5º R-
Pleno - mv - MS n.º 20.272-CD, in Repertório IOB Jurisprudência, 1993, 1/6.539).”;
XX - SERVIDOR PÚBLICO. “Demissão - Processo Administrativo -
Desobediência ao princípio do contraditório - Cerceamento de Defesa caracterizado - Nulidade
do ato demissionário - inteligência dos arts. 151,II, 153, 156, 159, 161 caput, §§ 1º e 3º da Lei
n.º 8.112/90 (STF) (RT 711/243).”;
XXI - SERVIDOR PÚBLICO. “Demissão - processo administrativo - Prova
testemunhal indeferida - inadmissibilidade - Ofensa à garantia constitucional da ampla defesa -
Nulidade reconhecida - inteligência do art. 5º, LIV e LV da CF. (TJSP) (RT 695/95).”;
XXII - SERVIDOR PÚBLICO. “Demissão - Processo administrativo disciplinar -
inobservância de regras ao direito de defesa - Nulidade que somente deve ser decretada quando
comprovado o prejuízo para a parte a quem a solenidade aproveita (TJRO) (RT. 710/191).”;

- 62 -
XXIII - SERVIDOR PÚBLICO. “Demissão - processo Administrativo disciplinar -
inobservância de regras fundamentais relativas ao direito de defesa - Nulidade que somente
deve ser declarada quando comprovado o prejuízo para a parte a quem a solenidade aproveita
(STF) (RT 670/164).”;
XXIV - SERVIDOR PÚBLICO. “Processo administrativo disciplinar ou
sindicância - Obrigatoriedade de início através de portaria da autoridade administrativa -
Formalidade cuja omissão importa nulidade dos atos praticados por afronta aos princípios do
contraditório e da ampla defesa - Aplicação do art. 5º LV e LXIX, da CF - Declaração de votos
vencedor e vencido (TJSP) (RT 674/97).”;
XXV - SERVIDOR PÚBLICO. “Estabilidade anômala - art. 19 das "Disposições
transitórias da CF"- Demissões - Necessidade de processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa - inteligência do art. 41, § 1º da Carta Magna (STF) (RT 717/295).”;
XXVI – SINDICÂNCIA. “Direito de defesa. A pena disciplinar de suspensão não
dispensa um procedimento administrativo, ainda que sumário, como se concebe a sindicância,
para apuração da prática de ilícito, de sorte a, essencialmente, permitir a ampla defesa do
servidor. Inexistindo, na espécie, a sindicância específica, assim como desprestigiado o
princípio maior do ‘direito de defesa’, é forçoso reconhecer a nulidade do ato punitivo (TRF,Ap.
Cível n.º 84.303, julg. 11.11.83).”;

CAPÍTULO XII

DAS PRESCRIÇÕES DIVERSAS

Art. 80. Na elaboração dos procedimentos administrativo-disciplinares deverão ser


observados os princípios básicos que norteiam o Processo Administrativo Disciplinar.

Art. 81. O contraditório e a ampla defesa nos procedimentos administrativo-


disciplinares deverão ser observados e as Razões Escritas de Defesa poderão ser apresentadas
pelo militar infrator ou por seu advogado constituído.

Parágrafo único. O Defensor do acusado deverá assinar as declarações e os


depoimentos que presenciar.

Art. 82. Não poderá participar da decisão do processo ou procedimento


administrativo-disciplinar o assessor jurídico que tenha participado como defensor no referido
processo.

- 63 -
Art. 83. Ao Manual de Procedimentos administrativo-disciplinares e do Conselho
Sumário de Disciplina - MAPAD-PM aplicam-se, subsidiariamente, o Código de Processo
Penal Militar, o Manual do Inquérito Policial Militar e as normas do Conselho de Disciplina.

QCG em Belo Horizonte, de março de 2001.

a) ÁLVARO ANTÔNIO NICOLAU, CORONEL PM


COMANDANTE-GERAL

- 64 -
Modelos de Conselho Sumário de Disciplina

- 65 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 01

(CAPA)

ANO DE...........

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS


(Unidade)

CONSELHO SUMÁRIO DE DISCIPLINA

PRESIDENTE: ________________________________________________________
INTERROGANTE / RELATOR: __________________________________________
ESCRIVÃO: __________________________________________________________
ACUSADO: __________________________________________________________

AUTUAÇÃO

- 66 -
Aos.......................... dias do mês de .....................................do ano
de ............., nesta cidade de..................., no Quartel do................................, autuo a nomeação e
demais documentos que adiante se seguem. Do quê, para constar, lavro a presente, que
datilografei/digitei e assino.

....................................................
(nome e posto/graduação)
Escrivão

- 67 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 02

(PORTARIA DE INSTAURAÇÃO DE CSD)

PORTARIA DE CONVOCAÇÃO DE
CONSELHO SUMÁRIO DE DISCIPLINA

PORTARIA Nr............/.......... (Unidade)

O (autoridade convocante), no uso de suas atribuições regulamentares


(Art. ...., inciso ...., do R-100 c/c Art. 77, inciso I, RDPPM), considerando que o Nr .......,
(graduação) PM (nome), (Unidade/subunidade), servindo atualmente (local de serviço):
a) No dia ..../..../.... transgrediu normas disciplinares ao (descrever sucinta
mas precisamente a falta), conforme foi apurado em Sindicância, de Portaria Nr ...... ,
de ..../.../.... (ou IPM, de Portaria Nr...., caso se trate de faltas residuais e subjacentes);
b) Diante da gravidade da falta, encontra-se o militar em situação que o
incapacita para permanência nas fileiras da Instituição, motivo pelo qual (ou, por estar no mau
comportamento e advertido por ocasião do cometimento da falta, conforme advertência
publicada no BI Nr ...., de ..../..../....) deve responder , perante o processo disciplinar respectivo,
onde lhe seja dada oportunidade de defesa;
c) Em razão do descrito acima, o militar acima acha-se incurso no inciso .....,
do Art. 76, do RDPM;

Resolve:

Convocar o presente Conselho Sumário de Disciplina, para o qual ficam


nomeados o seguintes membros:
.........................................................................................
(nome e posto) – Presidente
.........................................................................................
(Nome e posto/graduação) – Interrogante/Relator
.........................................................................................

- 68 -
(Nome e posto/graduação) – Escrivão

Publique-se, Registre-se e Cumpra-se.

Quartel em ......, ....../...../......

.........................................................................................
(nome e posto da autoridade convocante
COMANDANTE

- 69 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 03

NOTIFICAÇÃO

Do (posto e nome)........................................ - Presidente do Conselho


Ao Nr. ................., (graduação e nome)............................... - Acusado

Notifico-lhe para às .......... horas do dia ......./......./........., comparecer à ......


desta Unidade, a fim de prestar declarações sobre os fatos constantes na Portaria ........../...., a
que responderá como incurso no Art. 31, inciso I, (ou II), do RDPM, por ter faltado o serviço
para o qual estava escalado em .../.../... ou ........... (outra acusação) devendo já comparecer com
seu defensor, ficando desde já concitado a apresentar suas provas, inclusive podendo indicar em
suas declarações, até 03 (três) testemunhas e, ao final, apresentar suas razões escritas de defesa.

Quartel em ............, ......... de .............. de.............. .

...............................................................................
(nome e posto)
Presidente do CSD

- 70 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 04

ATO DE NOMEAÇÃO DE DEFENSOR

Aos .................. dias do mês de ............... do ano de .............., nesta cidade


de ........................, Estado de Minas Gerais, no ............................... (local do procedimento),
onde eu ................ (nome/posto/graduação) me encontrava, compareceu o
Dr. ............................................., Advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do
Brasil, Seção ......................, sob o Nr. ...................., o qual fica nomeado Defensor do
Nr. .................., (graduação e nome do acusado) ........................................, no Conselho
Sumário de Disciplina, de Portaria Nr. ....... /..... .

.......................................................................
(nome e posto)
Presidente do CSD

- 71 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 05

INTERROGATÓRIO DO ACUSADO

Aos .... dias do mês de .... do ano de ....., neste Quartel do .... ( ou outro
lugar), presentes todos os membros do Conselho e o Defensor do acusado, (nome e OAB),
comigo .... (nome e posto/graduação), Escrivão, aí compareceu o acusado .... (nome e
graduação), o qual passou a ser interrogado, da seguinte forma:

Perguntado qual o seu nome, naturalidade, estado civil, filiação, idade,


graduação e lugar onde serve, respondeu que .... (seguem-se as respostas, na ordem das
perguntas).

Perguntado como se deram os fatos de que trata a acusação que lhe foi lida,
respondeu .......... (segue-se o que responder).

Perguntado se tem fatos a alegar ou provas que justifiquem o seu


procedimento e atestem a sua inocência, respondeu que .... (consignar a resposta dada com os
nomes das testemunhas indicadas, documentos mencionados ou apresentados e diligências
requeridas).

E, como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o Presidente por
encerrado este auto que, iniciado às .... horas e concluído às .... horas, depois de lido e achado
conforme, vai assinado pelos membros do Conselho, pelo acusado e pelo seu defensor (nome),
OAB (número). Eu, ...... (nome e posto/graduação), servindo de Escrivão, o datilografei/digitei.

.........................................................................................
(nome e posto)
Presidente do Conselho

.........................................................................................
(nome e posto/graduação)

- 72 -
Interrogante / Relator

.........................................................................................
(nome e graduação)
Acusado

.........................................................................................
Defensor – Nr OAB

.........................................................................................
(nome e posto/graduação)
Escrivão

- 73 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 06
INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA

Aos .... dias do mês de .... do ano de ...., neste Quartel do (local onde for),
onde se achavam presentes todos os membros do Conselho, Acusado e seu Defensor, comigo
(nome e posto/graduação), Escrivão, compareceram as testemunhas abaixo nomeadas, que
foram inquiridas sobre a matéria constante da acusação, de folhas ...., a qual lhe foi lida,
depondo o seguinte:

PRIMEIRA TESTEMUNHA

(nome por extenso, naturalidade, estado civil, profissão, posto/graduação e


nome (se militar), residência (onde serve, se militar), filiação, idade. Aos costumes disse nada.
Prometeu dizer a verdade do que souber e lhe for perguntada. E, sendo inquirida sobre a matéria
constante da acusação, disse que (escreve-se a resposta). Dada a palavra aos Membros do
Conselho, por eles foi declarado que nada tinham a lembrar (ou, pelo Sr Presidente ou
Interrogante....foi lembrado o seguinte: Perguntado .... respondeu (escrevem-se as perguntas e
respostas). Dada a palavra à defesa, pelo acusado (ou pelo Defensor), foi requerido o seguinte:
Perguntado .... respondeu (escrevem-se perguntas e respostas). Ou ainda: pelo Defensor foi dito
que contraditava a testemunha porque (escrevem-se as razões da contradita). Perguntado à
testemunha se mantinha, ou não, o seu depoimento, por ela foi declarado que sim, por ser a
expressão da verdade) ou que não, ou, ainda, que o retificava em tal ponto, etc.). E, como nada
mais disse nem lhe foi perguntado, deu o Sr Presidente do Conselho por findo este depoimento,
que, depois de lido e achado conforme, vai pelos membros rubricado e assinado pela
testemunhas, Acusado, seu Defensor e por mim, ............................................. (nome e
posto/graduação), Escrivão, que o subscrevi.

.........................................................................................
(nome e posto)
Presidente do Conselho

.........................................................................................
(nome e posto/graduação)

- 74 -
Interrogante / Relator

.........................................................................................
(nome e graduação)
Acusado

.........................................................................................
Defensor – Nr OAB

.........................................................................................
(nome e posto/graduação)
Escrivão

- 75 -
SEGUNDA TESTEMUNHA
Idem, idem.
TERCEIRA TESTEMUNHA
Idem, idem.

PRIMEIRA TESTEMUNHA DO ACUSADO


Idem, idem.
SEGUNDA TESTEMUNHA DO ACUSADO
Idem, idem.
TERCEIRA TESTEMUNHA DO ACUSADO
Idem, idem.

(**) As testemunhas de postos superiores ao Presidente do Conselho poderão ser ouvidas,


solicitando-se que designem dia e hora para tomada de seus depoimentos.
(**) A Assentada é lavrada por cada dia de trabalho.

Recebendo os documentos que foram requisitados, o Presidente do Conselho mandará juntá-los,


dando o seguinte despacho:

“Junte-se”.
Belo Horizonte,...... de......................... de ......

.........................................................................................
(nome e posto)
Presidente do CSD

- 76 -
Fl _____/_____
____________
Sindicante

MODELO 06

AUTO DE RECONSTITUIÇÃO

Aos ....... dias do mês de............. do ano de ............, no ................... (local


onde houve a transgressão disciplinar) ................…, presente o ............. (posto e
nome) ........................ Presidente do Conselho Sumário de Disciplina, comigo ......................
(posto/graduação e nome) ..............., Escrivão, o acusado ......................... (nome) e (nome de
outras pessoas que vão cooperar na reconstituição) ........................ e o ofendido
(nome) ..................... (caso esteja presente), procedeu-se à reconstituição dos fatos que estão
sendo apurados, segundo descrição do acusado ....................... e do ofendido ....................... e
(ou) das testemunhas .........................., tudo de acordo com ............................ fotografias e
respectivas legendas, rubricadas pelo Presidente, por mim, Escrivão, pelo acusado (se for o
caso, pela vítima). Do que, para constar lavrei o presente auto que vai assinado pelo Presidente
do Conselho Sumário de Disciplina, pela vítima (e pelo ofendido ou testemunhas) e por
mim, ..................................... (nome e posto/graduação), Escrivão, que o subscrevo.

.........................................................................................
(nome e posto)
Presidente do Conselho
.........................................................................................
(nome e graduação)
Acusado (ou correspondente)
.........................................................................................
1ª Testemunha
.........................................................................................
2ª Testemunha
.........................................................................................
(nome e posto/graduação)
Interrogante / Relator
.........................................................................................

- 77 -
(nome e posto/graduação)
Escrivão

- 78 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 07

CONSELHO SUMÁRIO DE DISCIPLINA

RAZÕES ESCRITAS DE DEFESA

1. INTRODUÇÃO.

2. DESENVOLVIMENTO – (o mérito da acusação).

3. CONCLUSÃO.

___________, ____ de ___________ de ______.

________________________
Defensor

- 79 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 08

RELATÓRIO/PARECER

1. EXPOSIÇÃO
a. Dados do acusado
b. Acusação
c. Defensor
d. Incidentes Processuais
e. Prazos

2. PROVAS COLHIDAS
a. Prova relativa às declarações do acusado (constar síntese das declarações do acusado)
b. Prova testemunhal (constar síntese dos depoimentos)
c. Prova pericial
d. Prova documental
e. Outras provas
f. Tese da defesa

3. ANÁLISE DAS PROVAS COLHIDAS


a. Dados sobre a personalidade do acusado
b. Análise das Provas
c. Verificação e Consideração da tese da defesa
d. Comentários finais

4. PARECER

Quartel em ......................., em......../........./.............

.........................................................................................
(nome e posto)

- 80 -
Presidente
.........................................................................................
(nome e posto/graduação)
Interrogante e Relator
.........................................................................................
(nome e posto/graduação)
Escrivão

- 81 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 09

OFÍCIO DE REMESSA

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS


(Unidade)

Ofício Nr. .........../............

(cidade), ........, de ......../....../............

Do (nome e posto) PM, Presidente do CSD


Ao Sr Maj PM Sub Cmt do ........................ BPM
Referência: Portaria ......../........
Assunto: Remessa de autos de CSD
Anexo: Autos de CSD contendo .... folhas.

Remeto-vos o Conselho Sumário de Disciplina, anexo, para análise e


providências subseqüentes.

.............................................................................
(Nome e posto)
Presidente do CSD

- 82 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 10

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

(Unidade)

SOLUÇÃO

O (posto da autoridade) PM Cmt do ............................. BPM, no uso das


atribuições previstas no Art..... do R. 100, aprovado pelo Decreto Nr. 18.445, de 15 Abr 77, bem
como o Art. 40, V, do RDPM, tendo em vista os autos do Conselho Sumário de Disciplina –
CSD - a que foi submetido o Nr. ....................( graduação e nome) ....................., como incurso
no inciso...., do Art. 31, do RDPM, conforme Portaria Nr. ...., de...../...../.....,

Considerando a exposição do Conselho, esclarecendo que .................;

Considerando que os membros do CSD opinaram pela procedência total da


acusação, à vista dos argumentos (citar, sinteticamente);

RESOLVE:

1. Concordar com (ou discordar do) parecer apresentado pelos membros do


Conselho, para julgar totalmente (ou parcialmente) procedente a acusação;

2. EXCLUIR DISCIPLINARMENTE da Polícia Militar, o


Nr ...................., ...... PM............................................................, da .... Cia PM; ou

3. ENQUADRAR DISCIPLINARMENTE o Nr.................., ......


PM ........................................................., da .... Cia PM pelos fatos apurados;

4. DISCORDAR do parecer apresentado pelos membros do Conselho, para


julgar improcedente a acusação;

- 83 -
5. Arquivar os autos.

Quartel em......................, ......./......./.........

.........................................................................................
(Nome e Posto)
Comandante

- 84 -
Fl _____/_____
____________
Escrivão
MODELO 11

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS


(Unidade)

ATO DE EXCLUSÃO DISCIPLINAR

O (posto da autoridade) PM Comandante do ............... Batalhão da Polícia


Militar de Minas Gerais, no uso de suas atribuições previstas na alínea “h”, do inciso XXXVII,
do Art. 173, do RGPM, aprovado pelo Decreto Nr 11.636, de 29Jan69, concomitante com o Art.
40, inciso V, do RDPM, aprovado pelo Decreto Nr 23.085, de 10Out83, e à vista da solução do
Conselho Sumário de Disciplina, de Portaria Nr........../.....

RESOLVE:

EXCLUIR DISCIPLINARMENTE da Corporação, a partir desta data, o


Nr.................., ...... PM..............................................................., incurso no Art. 146, inciso IV,
da Lei Nr 5.301, c/c Art. 30 e 32, do RDPM.

É filho de.......................... e .........................., declarou que irá residir


à .........................., Nr. ....., Bairro ..................., na cidade de .............., estado de...............

Quartel em ........., .... de ........ de ......

.........................................................................................

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