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JESUS NÃO PECOU. MAS PODERIA PECAR???

Os cristãos concordam que Jesus não pecou. Somente Ele podia dizer “qual de vocês pode me
acusar de algum pecado?” (Jo 8:46) e calar a audiência. Mas a questão que permanece é “Jesus
poderia ter pecado?”. Em outras palavras, Jesus era incapaz de pecar ou apenas capaz de não
pecar? E no centro dessa discussão está a passagem em apreço.

O ponto em disputa depende da expressão “sem pecado”. Se pecado é visto como o resultado,
então é possível supor a possibilidade de sucumbir à tentação. Porém, se pecado é entendido
como natureza pecaminosa, então Jesus não possuía uma natureza pecaminosa, e, portanto,
não era propenso a pecar.

Os que defendem a pecabilidade (não o fato, mas a possibilidade de ter pecado) alegam que se
Jesus não poderia pecar, não poderia ser verdadeiramente humano, que se Ele não podia
pecar então sua tentação não foi real e, finalmente, que se Ele não podia pecar, logo não
possuía livre-arbítrio. Examinemos esses argumentos.

É verdade que desde Adão todos os homens pecam. Porém, o pecado não faz parte da
constituição original do homem, sendo assim, não é essencial que se tenha uma natureza
pecaminosa para que se seja humano de fato. A natureza humana de Jesus era a mesma de
Adão antes da Queda, portando, não corrompida pelo pecado. Jesus veio “à semelhança do
homem pecador, como oferta pelo pecado” (Rm 8:3), mas essa semelhança não significou que
Ele tivesse pecado, pois “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que
nele nos tornássemos justiça de Deus” (1Co 5:21).

Devemos considerar também que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, que milagrosamente
impediu que a natureza caída de Maria fosse comunicada a Ele. O anjo diz como seria a
concepção do Filho de Deus: "O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá
com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc
1:35) e de fato, pouco depois, Maria “achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1:18).
Finalmente, ao argumento de que a pecabilidade é inerente à natureza humana deve ser
respondido com o fato de que a impecabilidade é inerente à natureza divina. Como Deus não
pode pecar, sendo Deus Jesus tampouco poderia.

Mesmo incapaz de pecar, Jesus podia e o foi tentado de uma forma real. Tentabilidade não
implica susceptibilidade ao pecado. Um exército invencível pode ser atacado. Uma fortaleza
inexpugnável pode receber investida de conquistadores. O fato de Jesus não ser capaz de
pecar não diz nada sobre a disposição do Diabo de tentá-lo. Se no céu ele ousou se rebelar
contra o Altíssimo, quanto mais ele o faria contra o Filho do Homem na terra, muito embora
nem lá, nem aqui, tivesse chance de lograr êxito. Mas, há que se destacar um ponto. Nem tudo
o que se aplica a nós, em termos de tentação, se aplica a Jesus. Somos tentados a partir de
dentro, “pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades
sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios” (Mc 7:21). Como Jesus não tinha um “coração
perverso e incrédulo” (Hb 3:12), portanto, todas as suas tentações tinham origem externa e
não em desejos maus e proibidos.
Finalmente, argumenta-se que se Jesus não podia pecar, então Ele não tinha livre-arbítrio. Não
vamos aqui refutar a bobagem que chamam de livre-arbítrio do homem, apenas presumamos
que Jesus tinha livre-arbítrio e vejamos se este fato seria incompatível com a doutrina da
impecabilidade. O livre-arbítrio corretamente entendido é a faculdade de decidir livremente,
de acordo com a própria natureza. Em Jesus, havia duas naturezas, a humana e a divina. Pela
natureza humana, Jesus podia não pecar, pois Sua natureza não estava corrompida pelo
pecado e em tese, poderia pecar. Porém, através da natureza divina, Ele não podia pecar, pois
isso iria contra a própria natureza. Sendo assim, podemos dizer que o Senhor tinha um livre-
arbítrio perfeito, que o capacitava a livremente fazer sempre e unicamente a vontade de Deus.

Soli Deo Gloria!