Você está na página 1de 21

02/11/2016

MÓDULO 4
Deformação por Flexão (Linha Elástica)

Prof.Dr. José Luiz P. Melges


Departamento de Engenharia Civil
FEIS - UNESP

1.
Novembro / 2016

Este material foi desenvolvido a partir de notas de aula elaboradas


para os alunos da disciplina “Resistência dos Materiais 1”.

Foram utilizadas Notas de Aula compartilhadas pelos professores


Walter Libardi e José Sérgio Komatsu, da UFSCar.

Foram utilizadas Notas de Aula compartilhadas pelos professores


Rogério de Oliveira Rodrigues e Haroldo de Mayo Bernardes, da UNESP.

Algumas figuras foram retiradas da página de busca “Google” e da


página do Facebook “Civil Engineering Discoveries”.

Algumas figuras foram retiradas de emails pessoais, não sendo


possível definir as suas origens. Agradeço se alguém puder colaborar na
sua identificação.
2.

1
02/11/2016

1. DEFINIÇÃO

 Carregamento

 Curvatura

 Linha Elástica

Após o carregamento, a viga tomará uma forma curva e


todos os seus pontos se deslocarão. A curva que
representa a nova posição dos pontos que formavam o
eixo da viga é chamada de Linha Elástica. 3.

A Linha Elástica pode ser determinada pelo raio de


curvatura 

4.

2
02/11/2016

2. HIPÓTESES DE CÁLCULO

 eixo da viga inicialmente reto;


 material homogêneo, isotrópico, elástico linear
(Hooke);
 seção plana permanece plana (Bernoulli);
 efeito do esforço cortante na deformação da viga é
desprezível;
 deformação exclusiva por flexão;
 pequenos deslocamentos (v << L e v << altura da
seção). 5.

3. DEDUÇÃO DAS
RELAÇÕES DE INTERESSE

Analisando um elemento
diferencial dx desta viga:
 em sua forma inicial
 e em sua forma
deformada.

6.

3
02/11/2016

 AB (posição y em
relação à L.N.)

 Com mom. fletor,


sofre alongamento

 A´B´

Observamos que o segmento AB, localizado a uma distância y


da linha neutra (linha que passa pelo C.G. da seção transversal
da viga) sofre um alongamento devido ao momento fletor.
7.
Com isso, o novo comprimento do segmento passa a ser A’B’ .

Sabemos que:

M
 y
Iz
e que

 E
“a forma muda mas a
essência é a mesma”

M
Portanto:
y  E (Eq. 1)
Iz 8.

4
02/11/2016

 Antes: Trecho CD = Trecho AB = dx

 Após: Trecho CD não se altera (está na L.N.)


Trecho AB alonga para Trecho A´B´

9.

 Pela Teoria de pequenos ângulos (arco = raio x ângulo):

CD   d

A' B'     y  d

10.

5
02/11/2016

“Pulo do gato”: lembrar que antes do carregamento


Trecho CD = Trecho AB)

AB  CD   d 11.

Podemos definir a deformação como sendo igual a:

A' B'AB
 (Eq. 2)
AB


   y  d   d 
y
 d 

y
 

O próximo passo será substituir o valor de  na Eq. 1.


12 .

6
02/11/2016

M y
Portanto :
y  E
Iz 

1 M 1
 y.
 Iz Ey

Portanto :

1 M
 (Eq. 2)
 E Iz 13 .

O que precisamos
agora é relacionar o raio
de curvatura  com a
flecha vertical v(x).

Geom.
Para isso, vamos nos Dif.
deixar conduzir pela
geometria diferencial.

Eu

14.

7
02/11/2016

(Eq. 3)

15 .

Para relacionar com a curvatura, vamos ter que analisar a


variação da inclinação da tangente à Linha Elástica entre os
pontos A e B ( d(x) ).

16.

8
02/11/2016

Relações Trigonométricas:

Do triângulo EDC, temos que:

d (x)    90  180

Portanto:

  90  d (x)

17.

Do triângulo AOD temos que:

    90  180

  (90  d (x) )  90  180

Portanto:

  d (x)

18.

9
02/11/2016

Para finalizar, podemos dizer que:

ds   .   d (x) . 

Portanto:

1
d ( x)  . ds

Ou melhor ainda:

1 d ( x)

 ds
19 .

“O gato tem que pular de novo!!!!”

Para pequenas deformações:

ds  dx
Portanto:

1 d ( x) d ( x)
 
 ds dx

(Eq. 4) 20 .

10
02/11/2016

Substituindo-se a Eq. 3 na Eq. 4, temos que:

2
1 d v( x )

 dx 2

Substituindo na Eq. 2, chegamos a :

d 2 v( x )M

dx 2 E Iz
Mas ainda falta analisar o sinal !!!!
21 .

Como a concavidade está contrária ao sentido positivo


do eixo v, então a derivada segunda tem que ser um
número negativo !!!!

Portanto:
d 2 v( x ) M
 
dx 2 E Iz
22 .

11
02/11/2016

Portanto, integrando esta expressão, tem-se a equação dos


deslocamentos v(x) em função da equação do momento
fletor que atua na viga.

d 2v M
2

dx E Iz

23.
Facebook: “Civil Engineering Discoveries”

4. CONVENÇÃO DE SINAIS
Mom. fletor: positivo se traciona as fibras inferiores

Eixo v: sempre aponta para baixo.

24.

12
02/11/2016

5. CONDIÇÕES DE CONTORNO
Determinar a expressão da elástica para as duas situações:
Situação a) Situação b)

M=cte M=cte
x x

v M=cte v

Situação a) Situação b)

Diagrama de Momento fletor: M = cte


M=cte M=cte
x x 25 .

v M=cte v

Observação: para as duas estruturas, o diagrama de


momento fletor é o mesmo. Portanto:

Diagrama de Momento fletor: M = cte

d 2v( x) M
2
 (considerar E Iz como sendo constantes)
dx E Iz
dv( x) M
 x  C1
dx E Iz

M x2
v( x)    C1 x  C2
E Iz 2 26.

13
02/11/2016

Para distinguir a situação a) da situação b), é necessário


aplicar condições de contorno (condições que a estrutura tem
que obedecer).

M x2
v( x)    C1 x  C2
E Iz 2
Situação a) Situação b)

M=cte M=cte
x x

v M=cte v

27 .

Diagrama de Momento fletor: M = cte

Exemplo:

1) no ponto em que a estrutura está fixa a um apoio móvel


ou fixo, ela não pode se deslocar na direção vertical;

2) no ponto em que estrutura está engastada em uma


parede, além de não poder se deslocar na vertical, a rotação
neste ponto é nula.

28.

14
02/11/2016

Condições de contorno para a situação a):

v(x 0)  0 Situação a) Situaç

M=cte

dv(x  0) x x

0
dx v M=cte v

M x2
v(x)    C1 x  C2
E Iz 2
Diagrama de Momento flet

dv (x) M
 x  C1
dx E Iz

29.

M 02
p/ x 0 
 v(0)    C1 0  C2  0
E Iz 2
C2  0
dv( x  0) M
p/ x 0 
  0  C1  0
dx E Iz
C1  0
Situação a) Situação b)

Portanto, a expressão da
M=cte M=cte
linha elástica para a
x x
situação a) é:
v M=cte
M x2 v

v( x)  
E Iz 2 30.

Diagrama de Momento fletor: M = cte

15
02/11/2016

Condições de contorno para a situação b):

v(x 0)  0

v(x )  0

M x2
v(x)    C1 x  C2
E Iz 2

Situação a) Situação b)

M=cte M=cte
x

M=cte v

31.

Diagrama de Momento fletor: M = cte


M
p/x  0 
 v(0)   02  C1 0  C2  0
2 E Iz
C2  0
2
M 
p/ x  
 v()    C1   0
E Iz 2
M
 C1  
Situação a) Situação b)
2 E Iz

M=cte M=cte
Portanto, a expressão da
x
linha elástica para a
M=cte v situação b) é:

M M
v( x)   x2  x
2 E Iz 2 E Iz 32.
Diagrama de Momento fletor: M = cte

16
02/11/2016

6. EXEMPLO
Neste caso, existem duas equações de momentos fletores:
uma para o trecho AB e outra para o trecho BC. Portanto,
também existirão duas equações da linha elástica: uma é
válida para o trecho AB e outra, para o trecho BC.
P

A x B C
a) v trecho AB (x = 0) = 0
v /2
b) v trecho BC (x = ) = 0

c) vtrecho AB (x = /2) = vtrecho BC (x = /2)

   
dvtrecho AB  x   dvtrecho BC  x  
d)  2
  2
dx dx 33.

7. TABELAS
O cálculo dos deslocamentos também pode ser feito
mediante o uso de tabelas.

Fonte: Livro Introdução à Resistência dos Materiais, de Frederico Shiel

v = equação da elástica em função da posição (x)


34.
f = valor da flecha máxima (com a sua posição indicada)

17
02/11/2016

7. Tabelas – cont.

Fonte: Livro Introdução à Resistência dos Materiais, de Frederico Shiel

v = equação da elástica em função da posição (x)


f = valor da flecha máxima (com a sua posição indicada) 35.

7. Tabelas – cont .

Fonte: Livro Introdução à Resistência dos Materiais, de Frederico Shiel

v = equação da elástica em função da posição (x)


f = valor da flecha máxima (com a sua posição indicada)
36.

18
02/11/2016

8. PROBLEMAS HIPERESTÁTICOS
Exemplo: para a viga dada, determinar as reações de apoio.

Problema 1 x hiperestático ( 3 equações / 4 incógnitas)

 Fhorizontais  0  HA  0
 Fverticais  0  RA  RB  p l  0
p l2
 M pontoA 0 
 MA 
2
 RB . l  0 37 .

SOLUÇÃO: substituir um vínculo pela sua reação


correspondente e compatibilizar os deslocamentos

Passo 1) Substituindo o vínculo B pela Reação RB

38.

19
02/11/2016

Com relação aos deslocamentos, pode-se considerar o


deslocamento do problema original como sendo a
superposição de deslocamentos em que já se conhecem as
equações das linhas elásticas.

p l4 d2 
 RB l 3
Da tabela: d1 
8 E Iz 3 E Iz 39.

Sabe-se que o deslocamento vertical no ponto B é nulo


(compatibilidade de deslocamentos):

d1  d2  0

p l4 ( RB) l3
 0
8 E Iz 3 E Iz

p l4 RB l3

8 E Iz 3 E Iz

3pl
RB 
8
40.

20
02/11/2016

3pl
Voltando às equações de equilíbrio: RB 
8

 Fverticais  0 
 RA  p l  RB
5pl
RA 
8

p l2
 M ponto A  0 
 MA  RB . l 
2

p l2
MA 
8
41.

Outros Exemplos
Fim do Módulo

42. 2.

21