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LITERATURA

PRÉ-VESTIBULAR
LIVRO DO PROFESSOR

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detentor dos direitos autorais.

I229 IESDE Brasil S.A. / Pré-vestibular / IESDE Brasil S.A. —


Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2008. [Livro do Professor]
360 p.

ISBN: 978-85-387-0573-4

1. Pré-vestibular. 2. Educação. 3. Estudo e Ensino. I. Título.

CDD 370.71

Disciplinas Autores
Língua Portuguesa Francis Madeira da S. Sales
Márcio F. Santiago Calixto
Rita de Fátima Bezerra
Literatura Fábio D’Ávila
Danton Pedro dos Santos
Matemática Feres Fares
Haroldo Costa Silva Filho
Jayme Andrade Neto
Renato Caldas Madeira
Rodrigo Piracicaba Costa
Física Cleber Ribeiro
Marco Antonio Noronha
Vitor M. Saquette
Química Edson Costa P. da Cruz
Fernanda Barbosa
Biologia Fernando Pimentel
Hélio Apostolo
Rogério Fernandes
História Jefferson dos Santos da Silva
Marcelo Piccinini
Rafael F. de Menezes
Rogério de Sousa Gonçalves
Vanessa Silva
Geografia Duarte A. R. Vieira
Enilson F. Venâncio
Felipe Silveira de Souza
Fernando Mousquer

Projeto e
Produção
Desenvolvimento Pedagógico

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Barroco
o tráfico, que se estenderia por séculos como um
negócio extremamente lucrativo.
Os centros econômicos do Brasil naquela época
eram as cidades de Olinda e Salvador. Em 1580, a
Espanha apodera-se de nosso país, devido à União
O Barroco surge com a crise do Renascimento, Ibérica, que irá perdurar até 1640. Entretanto, alguns
buscando solucionar o drama instaurado pela arte lugares, durante esse período, tornaram-se terras
maneirista. O Maneirismo foi uma estética muito da Holanda. É o caso da Bahia, entre 1624 e 1625, e
semelhante ao Barroco, estabelecia o conflito entre o Pernambuco, entre 1630 e 1654. A invasão holandesa
pensamento medieval, relacionado a Deus e ao huma- que mais modificou as características da colônia foi
nismo renascentista, de valores antropocêntricos. a do Recife. Sob o comando de Maurício de Nassau,
A arte barroca, seguindo os preceitos filosóficos enviado da Companhia das Índias Ocidentais, a partir
da Contra-Reforma, tentou conciliar ambas as linhas de 1630, fez melhorias urbanas na cidade.
de pensamento, medieval e barroca, teocentrismo e No ano de 1654, Portugal retoma o controle da
antropocentrismo. Tudo inútil, o Barroco simplesmen- colônia. Porém, nada depois disso foi melhor, pois o
te continuaria revelando este conflito inconciliável, só preço do açúcar caiu vertiginosamente, em conse-
que a partir de uma perspectiva voltada à religião. quência da concorrência com o açúcar antilhano; e
Dessa forma, o Barroco – que significa pérola as fuga de escravos dos engenhos eram frequentes.
irregular ou desarmonia – define-se como a arte das Esses escravos fugidos formavam os Quilombos,
dialéticas. dos quais o mais conhecido se tornou o Quilombo
dos Palmares.

Contexto histórico A sociedade colonial encontrava-se num clima


de pessimismo.
Como já mencionado, a Europa encontra-se em
plena crise do Renascimento. Os valores terrenos não
são mais o suficiente para se entender o mundo, não
Características
há mais a confiança plena na capacidade humana.
Isso se deve ao medo incrustado no homem europeu
pela Contra-Reforma, nascida com o Concílio de
Dialéticas
Trento, em 1545. O poder de Deus, por intermédio
O Barroco é a arte das dialéticas. Tal traço
da Igreja Católica, é reconsiderado.
revela-se pelo conflito entre os valores divinos e os
A harmonia da arte e da filosofia clássica cede valores humanos. Por ser a arte da Contra-Reforma
lugar à desarmonia causada pelo sentimento de (baseada em valores teocêntricos), a estética barroca
culpa, pelo medo do pecado, causadores do conflito buscava, por meio de tudo aquilo que simbolizasse
existencial que afetará o pensamento e a produção o divino, estabelecer uma solução para o conflito
artística dos anos seguintes. maneirista entre corpo e alma, entre os valores me-
No Brasil, colônia portuguesa, em meados do dievais e os valores renascentistas. Entretanto, tal
século XVI, tem-se, na região Nordeste, o cultivo da conflito era um beco sem saída; por vezes os valores
cana-de-açúcar, produto extremamente valorizado da alma falavam mais alto, outras, os valores do corpo
na época. O trabalho braçal era, cada vez mais, ditavam as regras. Instaura-se, portanto, o paradoxo,
realizado por escravos importados da África. Tal a contradição insolúvel no ser humano.
fenômeno deve-se à fraqueza dos escravos índios Corpo versus alma, prazer versus pecado, de-
em relação às doenças trazidas pelos europeus. sejo versus culpa, vida versus morte. Estão estabe-
Não apresentando resistência a tais enfermidades lecidas as dialéticas barrocas.
e não estando acostumados às lidas no campo. Os
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senhores-de-engenho tiveram de recorrer à impor-


tação de escravos, fomentando um novo mercado,
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Pessimismo Aspectos formais
O caráter pessimista do Barroco deve-se à A hipérbole, o hipérbato (inversão frasal), o pa-
descrença nos valores humanos. Dessa maneira, o radoxo na construção da literatura barroca revelam a
homem joga-se nos braços de Deus, pois não pode confusão interna em que o homem se encontra.
contar com mais ninguém. Os indivíduos são seres Na poesia a forma mais usada foi o soneto.
ínfimos, fracos e o mundo é hostil. Somente o reino
dos Céus é confiável.
Rebuscamento
Passagem do tempo Com uma linguagem elevada, com a utilização
de palavras difíceis, as obras barrocas apresentam
A passagem do tempo é um dos temas mais um estilo ornamental de literatura. Existiram duas
abordados no Barroco. Isso se deve pelo fato de formas estilísticas de construção da literatura bar-
essa temática identificar-se com o drama do homem roca: o conceptismo e o cultismo. O primeiro tem
daquele tempo. Gregório de Matos compara a fuga- como modelo o estilo da literatura produzida pelo
cidade existencial com a eternidade do rio. escritor Quevedo, o segundo, por Gôngora, ambos
poetas barrocos espanhóis.
Vás-te, mas tornas a vir, Conceptismo
eu vou, e não torno mais. O conceptismo consiste no jogo sofisticado de
Vazas, e tornas a encher: conceitos, de ideias. Dá-se da seguinte maneira:
em mim tudo é fenecer,
TESE
tudo em mim é acabar. X
ANTÍTESE (“ANTI-TESE”)
A vida humana é efêmera, deve-se aproveitar =
o dia (carpe diem), a vida e os prazeres que ela pro- SÍNTESE
porciona, pois o tempo é breve e, quando percebe-
mos, ele já passou. Entretanto, viver intensamente Cultismo
os prazeres do corpo é esquecer-se dos deveres da
alma. O prazer leva ao pecado, o desejo à culpa; o O cultismo consiste no jogo de palavras, em cons-
conflito está fixado. truções frasais que por vezes chegam à incompreensão.
Veja este exemplo de Gregório de Matos Guerra.

A glória de Deus O todo sem a parte não é o todo;


A parte sem o todo não é parte;
O Barroco, por ser a arte da Contra-Reforma,
busca simultaneamente, por meio de manifesta- Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
ções artísticas suntuosas, reveladoras da glória, da Não se diga que é parte, sendo o todo.
superioridade infinita de Deus, provocar o medo e a Em todo o Sacramento está Deus todo,
admiração dos homens. E todo assiste inteiro em qualquer parte,
Por isso, a arte barroca é exageradamente re- E feito em partes todo em toda a parte,
buscada.
Em qualquer parte sempre fica todo.
Domínio público.

(...)

Gregório de Matos é considerado por alguns


críticos como o primeiro escritor da literatura bra-
sileira. Poeta barroco, Gregório encarnou o drama
do homem do século XVII, revelando em sua poesia
os conflitos existenciais que o dilaceravam. Outras
vezes provocou, com suas poesias satíricas, o riso
debochado em relação à sociedade de sua época –
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fortemente ridicularizada.
Cristo Carregando a Cruz,
1600-1605. De El Greco.
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Antônio Vieira é o grande nome da prosa bar- Poesia amorosa
roca. Detentor de um extremo talento no uso da pa-
São traços característicos desse tema a fuga-
lavra, esse jesuíta escreveu sermões sobre os mais
cidade da vida e o consequente desejo de vivê-la
variados assuntos: religião, cotidiano, escravidão,
intensamente – o carpe diem – pois o tempo acaba
utopias, Portugal, Brasil. As contradições do homem
com os sonhos e com o corpo, transformando tudo
do século XVII, assim como em Gregório de Matos,
em pó. O tema do amor é visto, na obra de Gregório,
também se encontram nesse grande orador, indivíduo
a partir de duas perspectivas.
de ideias extremas.
A primeira é a da idealização amorosa em uma
linguagem de tom elevado, sublime. Sempre se
Autores e obras mantendo a tensão barroca, os conflitos não conse-
guem ser abandonados. O exemplo a seguir mostra
A primeira obra considerada barroca produzida a oposição entre o divino e o diabólico, por meio de
no Brasil é Prosopopeia (1601), de Bento Teixeira. uma figura feminina.
Entretanto, há muitas controvérsias quanto a ser ou
não uma obra genuinamente barroca. Portanto, cita- Anjo no nome, Angélica na cara.
se tal obra meramente como marco cronológico, sem Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
apresentar grandes valores estéticos.
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Os dois grandes nomes, que verdadeiramente
em quem, senão em vós se uniformara?
contribuíram para as letras brasileiras na estética
barroca e que merecem estudo detalhado, foram
Gregório de Matos Guerra, na poesia e Pe. Antônio Quem veria uma flor, que a não cortara
Viera, na prosa. De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Gregório de Matos Guerra Que por seu Deus, o não idolatrara?
Domínio público.

Se como Anjo sois dos meus altares,


Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,


Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Gregório de Matos Guerra nasceu no ano de
1633, no estado da Bahia. Proveniente de uma rica `` Vocabulário
família, fez seus primeiros estudos no Colégio Jesuí-
ta. Formou-se em Direto na Universidade de Coimbra. Florente: florido.
Trabalhou como juiz em uma cidade do interior de Custódio: aquele que guarda, o anjo da guarda.
Portugal e, depois, em Lisboa. Somente com quarenta
e seis anos retorna ao Brasil, trabalhando com os Galharda: elegante, gentil.
jesuítas. Acaba sendo afastado deles por não levar
uma vida cristã. Aos sessenta e um anos, em 1694, Leiamos um trecho que exemplifica claramente
já em seu segundo casamento (viúvo do primeiro), a idealização amorosa.
Gregório é condenado ao desterro em Angola por
suas agressivas sátiras. Um ano mais tarde retorna Quem a primeira vez chegou a ver-vos,
ao Brasil sob duas condições: não mais pisar na Bahia
Nise, e logo se pôs a contemplar-vos,
e não escrever mais suas sátiras. Fortemente afetado
pela malária contraída na África, morre em 1695. Bem merece morrer por conversar-vos
E não poder viver sem merecer-vos.
Características e temas [...]
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A poesia de Gregório de Matos divide-se em:


amorosa, religiosa e satírica.
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Por vezes, o poeta assume a postura de amante Poesia religiosa
tímido diante da amada.
Na temática religiosa o poeta apresenta-se como
o homem arrependido diante de Deus, implorando
Largo em sentir, em respirar sucinto, perdão. A dialética entre os valores teocêntricos e
Peno, e calo, tão fino, e tão atento, os antropocêntricos estabelecem o conflito interno
Que fazendo disfarce do tormento, do poeta. Ao mesmo tempo que alimenta os desejos
do corpo tendo consciência de seu erro (segundo a
Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.
filosofia da Contra-Reforma, repressora dos desejos
[...] humanos), busca a salvação.
Observa-se aqui a ânsia pela pureza, pela remis-
Já a segunda dá-se a partir de uma visão obsce- são dos pecados. O poeta é a ovelha desgarrada, Nosso
na do amor, de uma admiração mais crua do prazer. Senhor é o pastor, que deve reintegrá-la ao rebanho.
Constitui-se nesse tema a impressão sobre o amor
físico, abordado em um tom agressivo, desafiador da Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
concepção cristã desse sentimento. De vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido,
[...]
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
O amor é finalmente
Se basta a vos irar tanto um pecado,
um embaraço de pernas,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
uma união de barrigas,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
um breve tremor de artérias.
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Uma confusão de bocas,
Se uma orelha perdida e já cobrada,
uma batalha de veias,
Glória tal e prazer tão repentino
um reboliço de ancas,
Vos deu, como afirmais na sacra história,
quem diz outra coisa, é besta.
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Neste soneto, A sua futura esposa, encontramos Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
o tema do carpe diem. Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Vejamos mais uma de suas poesias
Discreta, e formosíssima Maria, religiosas, onde se vê a imagem de um
Enquanto estamos vendo a qualquer hora homem arrependido.
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia: A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Enquanto com gentil descortesia Que, para receber-me, estais abertos,
O ar, que fresco Adônis te namora, E, por não castigar-me, estais cravados.
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria: A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Goza, goza da flor da mocidade, Pois, para perdoar-me, estais despertos,
Que o tempo trota a toda ligeireza, E, por não condenar-me, estais fechados.
E imprime em toda a flor sua pisada.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
Oh, não aguardes, que a madura idade A vós, sangue vertido, para ungir-me,
Te converta em flor, essa beleza A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em
A vós, lado patente, quero unir-me,
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nada.
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
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Poesia satírica O que El-Rei nos dá de graça.
Aqui, Gregório de Matos faz críticas severas a Que anda a Justiça na praça
todos os setores da sociedade baiana. Por meio do Bastarda, vendida, injusta.
humor corrosivo, do sarcasmo agressivo, da ofensa
muitas vezes direta e principalmente através da Que vai pela clerezia?... Simonia.
ridicularização, o poeta revela sua decepção com o E pelos membros da Igreja?... Inveja.
contexto em que vive. O desengano e a decepção Cuidei que mais se lhe punha?... Unha
são os combustíveis para sua sátira. Sazonada caramunha,
Leia o poema Epílogos, em que o Boca do Infer- Enfim, que na Santa Sé
no, como ficou conhecido na sua produção satírica,
O que mais se pratica é
critica veementemente representantes de todas as
camadas sociais. Simonia, inveja e unha.
E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Não se ocupam em disputas?... Putas.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.
Com palavras dissolutas
O demo a viver se exponha,
Me concluo na verdade,
Por mais que a fama a exalta,
Que as lidas todas de um frade
Numa cidade onde falta
São freiras, sermões e putas.
Verdade, honra, vergonha.
O açúcar já acabou?... Baixou.
Quem a pôs neste socrócio?... Negócio.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
Logo já convalesceu?... Morreu.
E no meio desta loucura?... Usura.
À Bahia aconteceu
Notável desaventura
O que a um doente acontece:
De um povo néscio e sandeu,
Cai na cama, e o mal cresce,
Que não sabe que perdeu
Baixou, subiu, morreu.
Negócio, ambição, usura.
A Câmara não acode?... Não pode.
Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
É que o Governo a convence?... Não vence.
Quais destes lhe são mais gratos?...
Quem haverá que tal pense,
Mulatos.
Que uma câmara tão nobre,
Dou ao Demo os insensatos,
Por ver-se mísera e pobre,
Dou ao Demo o povo asnal,
Não pode, não quer, não vence.
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.
Neste soneto o poeta lamenta a condição em
Quem faz os círios mesquinhos?... que a Bahia se encontrava, explorada por países
Meirinhos. estrangeiros.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as têm nos aposentos?... Sargentos. Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Os círios lá vêm aos centos, Estás e estou do nosso antigo estado!
E a terra fica esfaimando, Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Porque os vão atravessando Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
Meirinhos, guardas, sargentos.
E que justiça a resguarda?... Bastarda. A ti trocou-te a máquina mercante,
É grátis distribuída?... Vendida. Que em tua larga barra tem entrado,
Que tem, que a todos assusta?... Injusta. A mim foi-me trocando, e tem trocado,
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Valha-nos Deus, o que custa Tanto negócio e tanto negociante.

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Deste em dar tanto açúcar excelente Características e temas
Pelas drogas inúteis, que abelhuda*
Com uma variada gama de assuntos, os ser-
Simples aceitas do sagaz Brichote * mões de Antônio Vieira possuem como caracterís-
tica comum o estilo conceptista de construção. Por
Oh se quisera Deus, que de repente intermédio do raciocínio sutil que leva ao silogismo,
Vieira busca convencer o ouvinte.
Um dia amanheceras tão sisuda*
Para dar credibilidade aos seus sermões, o ora-
Que fora de algodão o teu capote*.
dor jesuíta utiliza-se da bíblia como embasamento
argumentativo. Dessa forma, toda e qualquer ideia
`` Vocabulário: Antônio Vieira transforma em argumento teológico
Abelhuda: termo irônico para curiosidade vaidosa. por meio da analogia com o texto sagrado. Para isso
descontextualiza o assunto, o tema a ser tratado, e
Brichote: termo depreciativo para estrangeiro, cor- o recontextualiza de acordo com suas necessidades
ruptela de british. e intenções.
Sisuda: no sentido de austera, modesta. Um dos seus sermões mais conhecidos é justa-
mente aquele que ensina a arte de pregar, é o Sermão
Capote de algodão: indicando a renúncia ao luxo.
da Sexagésima, pregado na Capela Real no ano de
1655. Vamos ler um trecho.
Antônio Vieira Já que falo contra os estilos modernos, quero
alegar por mim o estilo do mais antigo pregador
Domínio público.

que houve no Mundo. E qual foi ele? – O mais


antigo pregador que houve no Mundo foi o céu.
Coeli enarrant gloriam Dei et opera manuum ejus
annuntiat Firmamentum – diz David. Suposto que
o céu é pregador, deve de ter sermões e deve de
ter palavras. Sim, tem, diz o mesmo David; tem
palavras e tem sermões; e mais, muito bem ouvi-
dos. Non sunt loquellae, nec sermones, quorum non
audiantur voces eorum. E quais são estes sermões
e estas palavras do céu? – As palavras são as es-
trelas, os sermões são a composição, a ordem, a
Antônio Vieira é o maior nome da prosa Barroca harmonia e o curso delas. Vede como diz o estilo
de língua portuguesa. Sua obra está mais relacionada de pregar do céu, com o estilo que Cristo ensinou
às questões portuguesas do que propriamente do na terra. Um e outro é semear; a terra semeada de
Brasil, devido à sua formação cultural ter-se dado trigo, o céu semeado de estrelas. O pregar há-de
na terra lusa. Porém, escreveu obras diretamente ser como quem semeia, e não como quem ladrilha
relacionadas ao nosso país, sendo desse modo ne- ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas: Stellae
cessário estudá-lo em literatura brasileira para se ter manentes in ordine suo. Todas as estrelas estão
uma noção completa de suas origens. por sua ordem; mas é ordem que faz influência,
Nasceu em 1608, na cidade de Lisboa. Aos não é ordem que faça lavor. Não fez Deus o céu
seis anos veio com sua família para o Brasil, onde em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem
estudou no colégio dos jesuítas, surgindo daí sua o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte
vocação para o sacerdócio. Ordenando-se aos vinte há-de estar branco, da outra há-de estar negro;
e seis anos, retorna para Portugal, país em que, com se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer
sua oratória, ganhara uma série de admiradores nos sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra
quais se inclui o rei D. João IV. hão-de dizer subiu. Basta que não havemos de
ver num sermão duas palavras em paz? Todas
Suas ideias avançadas, como o apoio aos judeus hão-de estar sempre em fronteira com o seu con-
convertidos – os cristãos novos – custaram-lhe a con- trário? Aprendamos do céu o estilo da disposição,
denação do tribunal da Inquisição. No ano de 1669, e também o das palavras. As estrelas são muito
viajou para Roma, onde conquistou a absolvição do distintas e muito claras. Assim há-de ser o estilo da
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Papa. Em 1681, fixa-se definitivamente no Brasil, com pregação; muito distinto e muito claro. E nem por
casa na Bahia, local onde falece em 1697. isso temais que pareça o estilo baixo; as estrelas
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são muito distintas e muito claras, e altíssimas. O Ora senhores, já que somos cristãos, já que
estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro sabemos que havemos de morrer e que somos
que o entendam os que não sabem e tão alto que imortais, saibamos usar da morte e da imortalida-
tenham muito que entender os que sabem. O rústi- de. Tratemos desta vida como mortais, e da outra
co acha documentos nas estrelas para sua lavoura como imortais. Pode haver loucura mais rematada,
e o mareante para sua navegação, e o matemático pode haver cegueira mais cega do que empregar-
para as suas observações e para os seus juízos. -me todo na vida que há de acabar, e não tratar
De maneira que o rústico e o mareante, que não da vida que há de durar para sempre? Cansar-me,
sabem ler nem escrever entendem as estrelas; e afligir-me, matar-me pelo que forçosamente hei
o matemático, que tem lido quantos escreveram, de deixar, e do que hei de lograr ou perder para
não alcança a entender quanto nelas há. Tal pode sempre, não fazer nenhum caso? Tantas diligên-
ser o sermão: – estrelas que todos vêem, e muito cias para esta vida, nenhuma diligência para a
poucos as medem. outra vida? Tanto medo, tanto receio da morte
temporal, e da eterna nenhum temor? Mortos,
mortos, desenganai estes vivos. Dizei-nos que
Vieira discutia muito os acontecimentos coti- pensamentos e que sentimentos foram os vossos,
dianos em seus sermões, como os vícios e paixões quando entrastes e saístes pelas portas da morte.
humanas e também as virtudes, a honestidade, por A morte tem duas portas. Uma porta de vidro por
exemplo. Para atrair mais a atenção daqueles que o onde se sai da vida; outra porta de diamante, por
estavam assistindo, empregava em seus sermões um onde se entra à eternidade.
estilo que misturava o dramático, o lírico, o irônico
e o indignado, causando as mais diversas reações
da plateia. A escravidão também foi discutida por Antô-
No Sermão de Santo Antônio (pregado em S. nio Vieira em seus sermões. A princípio Vieira era
Luís do Maranhão, três dias antes de se embarcar contra a escravidão dos índios e não manifestava
ocultamente para o Reino), conseguiu provocar a ira opinião acerca da escravidão de africanos. Entre-
de quem o estava ouvindo. De forma irônica dirigia- tanto, quando testemunhou os sofrimentos pelos
-se aos peixes do mar, porém, na verdade, falava aos quais estes passavam, comparou com os martírios
homens, mostrando-lhes os próprios vícios. que Cristo sofreu.
Leiamos um trecho de extrema beleza poética.
Em um engenho sois imitadores de Cristo
Quis Cristo que o preço da sepultura dos crucificado: Imitatoribus Christi crucifixi – porque
peregrinos fosse o esmalte das armas dos portu- padeceis em um modo muito semelhante o que
gueses, para que entendêssemos que o brasão o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda
de nascer portugueses era a obrigação de morrer a sua paixão. A Sua cruz foi composta de dois
peregrinos: com as armas nos obrigou Cristo a madeiros, e a vossa em um engenho é de três.
peregrinar, e com a sepultura nos empenhou a Também ali não faltaram as canas, porque duas
morrer. Mas se nos deu o brasão que nos havia de vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para
levar da pátria, também nos deu a terra que nos o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em
havia de cobrir fora dela. Nascer pequeno e morrer que Lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de
grande é chegar a ser homem. Por isso nos deu noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar,
Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo
para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós
morrer, toda a terra; para nascer, Portugal; para famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltra-
morrer, o mundo. tados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites,
as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se
compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada
Vieira também escreveu muitos assuntos rela- de paciência, também terá merecimento de mar-
cionados à religião. Um deles intimamente relacio- tírio. Só lhe faltava a cruz para a inteira e perfeita
nado ao Barroco (a arte da Contra-Reforma), que é a semelhança o nome de engenho: mas este mesmo
preocupação com a vida eterna. lhe deu Cristo, não com outro, senão com o próprio
Vamos ler um trecho do Sermão de Quarta-feira vocábulo. Torcular se chama o vosso engenho, ou a
de Cinzas, pregado na cidade de Roma, em 1672. vossa cruz, e a de Cristo, por boca do mesmo Cris-
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to, se chamou também torcular: Torcular calcavi


solus 35. – Em todas as invenções e instrumentos
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de trabalho parece que não achou o Senhor outro
que mais parecido fosse com o Seu que o vosso. Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,
A propriedade e energia desta comparação é Se esta cousa não é, que encarecer-me
porque no instrumento da cruz, e na oficina de Sabia o mundo, e tanto exagerar-me!
toda a Paixão, assim como nas outras em que se
espreme o sumo dos frutos, assim foi espremido
todo o sangue da humanidade sagrada: Eo quod Olhos meus, disse então por defender-me,
sanguis ejus ibi fuit expressus, sicut sanguis uvae Se a beleza heis de ver para matar-me,
in torculari – diz Lirano – et hoc in spineae coronae Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.”
impositione, in flagellatione, in pedum, et manuum
confiscione, et in lateris apertione. – E se então se
queixava o Senhor de padecer só: Torcular calcovi O soneto é representativo da estética:
solus – e de não haver nenhum dos gentios que o a) barroca.
acompanhasse em suas penas: Et de gentibus non b) simbolista.
est vir mecum36 – vede vós quanto estimará agora
que os que ontem foram gentios, conformando-se c) romântica.
com a vontade de Deus na sua sorte, Lhe façam d) parnasiana.
por imitação tão boa companhia!
e) árcade.

Aspectos formais `` Solução: A

A estrutura dos sermões se dá basicamente da A resposta torna-se mais evidente se repararmos no jogo
seguinte forma: de oposição entre a beleza e a morte, e o tom desespe-
rado do eu lírico.
INTROITO ou EXÓRDIO
2. (Elite) Uma das grandes questões debatidas sobre
(apresentação)
as manifestações culturais durante o período colonial
brasileiro é a seguinte: teríamos uma cultura própria ou
seríamos o resultado de uma cultura transplantada da
ARGUMENTO ou DESENVOLVIMENTO metrópole (Portugal) para a colônia (Brasil)?
(defesa da ideia) Muito se debateu sobre isso. Hoje, acredita-se que
houve a interação de ambos os fatores. É inegável
a influência europeia — e, mais especificamente,
portuguesa — sobre o Brasil. Mas não podemos
PERORAÇÃO desconsiderar a influência indígena e negra: se essas
(fechamento, conclusão) não deixaram registros escritos nos momentos iniciais
Percebemos que a estrutura dos textos de An- da colônia, não significa que não tenham contribuído na
tônio Vieira segue a forma tradicional de um texto formação cultural do Brasil.
argumentativo. A respeito disso, responda:
a) No campo da literatura, havia condições favoráveis
em sua produção durante o período colonial?
b) O saber jesuítico foi uma contribuição à cultura bra-
sileira? Exemplifique.
1. (Mackenzie)
“Não vira em minha vida a formosura, `` Solução:
Ouvia falar nela cada dia, a) Não havia condições de produção da obra literária
E ouvida me incitava, e me movia e de sua distribuição como acontece nos dias de
A querer ver tão bela arquitetura: hoje. As razões disso estavam no isolamento vivi-
do na colônia (eram difíceis as vias de comunicação
interna), na alta taxa de analfabetismo, na escassez
Ontem a vi por minha desventura de centros de ensino, entre outros fatores. Por outro
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Na cara, no bom ar, na galhardia lado, isso não significa que tais barreiras impediram
De uma mulher, que em anjo se mentia; a produção de obras que hoje são consideradas li-
terárias (como a “Prosopopeia”, de Bento Teixeira,
De um sol, que se trajava em criatura:
8 escrita em 1601).
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b) Sim, o grande exemplo foi a arte barroca. Um gran- Todo o lenho mortal, baixel humano,
de expoente dessa estética no Brasil foi o Padre An- Se busca a salvação, tome hoje terra,
tônio Vieira.
Que a terra de hoje é porto soberano.
3. (FEI) “Em tristes sombras morre a formosura,
em contínuas tristezas a alegria”. (MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1997. p.
309.)
Nos versos citados acima, Gregório de Matos empregou
uma figura de linguagem que consiste em aproximar Gregório de Matos expressou em sua obra toda a tensão
termos de significados opostos, como “tristezas” e do século XVII, ao abordar os temas predominantes do
“alegria”. O nome desta figura de linguagem é: Barroco. Identifique no poema elementos que atestam o
a) metáfora. comprometimento do poeta com o respectivo momento
b) aliteração. literário.

c) eufemismo. `` Solução:
d) antítese. O poeta tem consciência de que o mundo terreno é
efêmero e vão; o sentimento de nulidade diante do
e) sinédoque. poder divino.
`` Solução: D 6. (Elite) Desfaça o hipérbato construído por Gregório de
Matos nestes versos. Ou seja, coloque-os em uma frase
Antítese é o traço mais característico das poesias bar-
na ordem direta.
rocas. No excerto destaca-se a oposição entre tristeza
e alegria. Se uma ovelha perdida e já cobrada
4. (UFFRJ) O texto de Gregório de Matos possui muitas Glória tal e prazer tão repentino
antíteses, que são usadas nos textos barrocos para: Vos deu, como afirmais na sacra história,
a) traduzir o conflito humano.
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
b) rejeitar o vocabulário popular.
(...)
c) personificar seres inanimados.
`` Solução:
d) marcar a presença do onírico.
Senhor, eu sou a ovelha desgarrada, se uma ovelha per-
e) detalhar a arte poética.
dida e já cobrada vos deu glória tal e prazer tão repentino
como afirmais na sacra história.
`` Solução: A
Os dramas existenciais, as confusões íntimas são reve-
lados, na forma, por meio das antíteses e também dos
paradoxos.
5. (UFV) Leia atentamente o texto: 1. (UFV-MG) Leia atentamente o fragmento do sermão do
Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Padre Antônio Vieira:
Te lembra hoje Deus por sua Igreja; A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é
De pó te faz espelho, em que se veja que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este,
mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos
A vil matéria, de que quis formar-te.
comeis uns aos outros, senão que os grandes comem
Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te, os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se
E como o teu baixel sempre fraqueja os pequenos comeram os grandes, bastara um grande
Nos mares da vaidade, onde peleja, para muitos pequenos; mas como os grandes comem
os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil,
Te põe à vista a terra, onde salvar-te.
para um só grande […]. Os homens, com suas más e
perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se
Alerta, alerta, pois, que o vento berra. comem uns aos outros. Tão alheia cousa é não só da
Se assopra a vaidade e incha o pano, razão, mas da mesma natureza, que, sendo criados no
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Na proa a terra tens, amaina e ferra.

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mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e 3. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo:
todos finalmente irmãos, vivais de vos comer.
I. Barroco literário, no Brasil, correspondeu a um pe-
(VIEIRA, Antônio. Obras Completas do Padre Antônio Vieira: ser- ríodo em que o incremento da atividade mineradora
mões. Prefaciados e revistos pelo Pe. Gonçalo Alves. Porto: Lello e Irmão
proporcionou o desenvolvimento urbano e o surgi-
mento de uma incipiente classe média formada por
— Editores, 1993. v. III, p. 264-265.)
funcionários, comerciantes e profissionais liberais.
O texto de Vieira contém algumas características do II. Uma das feições da poesia barroca era o chamado
Barroco. Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela conceptismo — exploração de conceitos e ideias
em que não se confirmam essas tendências estéticas. abstratas através de evoluções engenhosas do
a) O culto do contraste, sugerindo a oposição bem / pensamento.
mal, em linguagem simples, concisa, direta e ex- III. A ornamentação da linguagem, que caracterizou o
pressiva da intenção barroca de resgatar os valores Barroco brasileiro, pode ser identificada pelo uso
greco-latinos. repetido de jogos de palavras, pela construção fra-
b) A tentativa de convencer o homem do século XVII, sal e pelo emprego da antítese.
imbuído de práticas e sentimentos comuns ao se- Quais estão corretas?
mipaganismo renascentista, a retomar o caminho
a) Apenas I.
do espiritualismo medieval, privilegiando os valores
cristãos. b) Apenas II.
c) A presença do discurso dramático, recorrendo ao c) Apenas III.
princípio horaciano de “ensinar deleitando” — ten-
d) Apenas II e III.
dência didática e moralizante, comum à Contra-
Reforma. e) I, II e III.
d) O tratamento do tema principal — a denúncia à co- 4. (Santa Casa) A preocupação com a brevidade da vida
biça humana — através do conceptismo, ou jogo induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
de ideias. a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores
e) A utilização da alegoria, da comparação, como re- da religião.
cursos oratórios, visando à persuasão do ouvinte. b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a
2. (Unopar) Considere as seguintes afirmações: mocidade e a beleza.
I. A temática e a linguagem barroca expressam os c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos
conflitos experimentados pelo homem do século céticos.
XVII. d) se revolta contra os insondáveis desígnios de
II. A linguagem barroca caracteriza-se pelo emprego Deus.
de figuras, como a comparação e a alegoria, entre e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mo-
outras. cidade dura.
III. A antítese e o paradoxo são as figuras que a lin- 5. (UFV - adap. - Elite) Leia o texto:
guagem barroca emprega para expressar a divisão
entre mundo material e mundo espiritual. “Goza, goza da flor da mocidade,
IV. A estética barroca privilegia a visão racional do que o tempo trota a toda ligeireza,
mundo e das relações humanas, buscando na lin- e imprime em toda flor sua pisada.
guagem a fuga às constrições do dia-a-dia.
Dentre elas, apenas: Ó não aguardes que a madura idade
a) I e III estão corretas. te converta essa flor, essa beleza,
b) II e IV estão corretas. em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.”
Os tercetos acima ilustram:
c) III está correta.
a) caráter de jogo verbal próprio da poesia lírica do
d) I, II e IV estão corretas. séc. XVI, sustentando uma crítica à preocupação
feminina com a beleza.
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e) I, II e III estão corretas.

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b) jogo metafórico do Barroco, a respeito da fugacida- e) intenção de exprimir intensamente o sentido da
de da vida, exaltando gozo do momento. existência, expressa no abuso da hipérbole.
c) estilo pedagógico da poesia neoclássica, ratificando 9. (PUC)
as reflexões do poeta sobre as mulheres maduras.
“Anjo no nome, Angélica na cara!
d) as características de um romântico, porque fala de Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
flores, terra, sombras.
Ser Angélica flor e Anjo florente,
e) uma poesia que fala de uma existência mais mate- Em quem, senão em vós, se uniformara?”
rialista do que espiritual, própria da visão de mundo
Na estrofe acima, o jogo de palavras:
nostálgico-cultista.
a) é recurso do qual serve o poeta para satirizar os
6. (UEL) desmandos dos governantes de seu tempo.
“Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, b) retrata o conflito vivido pelo homem barroco, dividi-
Te lembra hoje Deus por sua Igreja; do entre o senso do pecado e o desejo de perdão.
De pó te fez espelho, em que se veja c) expressa a consciência que o poeta tem do efême-
A vil matéria, de que quis formar-te.” ro da existência e o horror pela morte.
A estrofe acima enquadra-se no estilo: d) revela a busca da unidade, por um espírito dividido
a) arcádico, pela simplicidade da expressão coerente entre o idealismo e o apelo dos sentidos.
com a idealização da natureza.
e) permite a manifestação do erotismo do homem,
b) simbolista, pela utilização de elementos do mundo ex- provocado pela crença na efemeridade dos predi-
terior para representação de um estado de espírito. cados físicos da natureza humana.
c) romântico, pela frouxidão do verso e o desencanto 10. (UMCP-SP) O culto do contraste, pessimismo, acumu-
em relação à condição humana. lação de elementos, niilismo temático, tendência para a
descrição e preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos,
d) parnasiano, pela construção apurada do verso.
sangrentos e repugnantes, são características do:
e) barroco, pelo jogo de conceitos tradutores de an-
a) Barroco.
gústia metafísica e religiosa.
b) Realismo.
7. (UEL) Assinale a alternativa em que se considera a
produção literária no Brasil do século XVI: c) Rococó.
a) uma literatura religiosa de cunho estritamente in- d) Naturalismo.
dianista.
e) Romantismo.
b) uma literatura brasileira, feita segundo padrões do
11. (UFLA-MG) A opção que não apresenta características
classicismo português.
do Barroco é:
c) uma importante produção de poesia lírica e épica, a
a) sentimento trágico da existência, desengano, de-
partir de temas brasileiros.
sespero.
d) uma literatura de viagem de grande valor estético
b) gosto pela grandiosidade, pela pompa, pela exube-
e cultural.
rância e pelo luxo.
e) uma literatura religiosa e informativa de fraco valor
c) gosto de cenas e descrições horripilantes, mons-
estético.
truosas, cruéis; arte da morte e dos túmulos.
8. (Centec-BA) Não é característica do Barroco a:
d) tentativa de conciliar polos opostos: o ideal cristão
a) preferência pelos aspectos científicos da vida. medieval e os valores pagãos do renascimento.
b) tentativa de reunir, num todo, realidades contradi- e) a natureza é a fonte perene de alegria, de beleza e
tórias. de perfeição; retorno aos modelos greco-latinos.
c) angústia diante da transitoriedade da vida. 12. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre o
Barroco brasileiro:
d) preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos e san-
grentos do mundo, numa tentativa de mostrar ao I. A arte barroca caracteriza-se por apresentar duali-
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homem a sua miséria. dades, conflitos, paradoxos e contrastes, que con-


vivem tensamente na unidade da obra.
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II. O conceptismo e o cultismo, expressões da poesia De pó te fez espelho, em que se veja
barroca, apresentam um imaginário bucólico, sem- A vil matéria, de que quis formar-te”.
pre povoado de pastoras e ninfas.
Conforme sugere o excerto acima, o poeta barroco não
III. A oposição entre Reforma e Contra-Reforma ex- raro expressa:
pressa, no plano religioso, os mesmos dilemas de a) medo de ser infeliz; uma imensa angústia em face da
que o Barroco se ocupa. vida, a que não consegue dar sentido; a desilusão
Quais estão corretas? diante da falência de valores terrenos e divinos.
a) Apenas I. b) a consciência de que o mundo terreno é efêmero
e vão; o sentimento de nulidade diante do poder
b) Apenas II.
divino.
c) Apenas III.
c) a percepção de que não há saídas para o homem; a
d) Apenas I e III. certeza de que o aguardam o inferno e a desgraça
espiritual.
e) I, II e III.
d) a necessidade de ser piedoso e caritativo, paralela
13. (Mackenzie - Elite) Ao Barroco brasileiro pertencem:
à vontade de fruir até as últimas consequências o
a) Camões e Gil Vicente. lado material da vida.
b) Antônio Vieira e Gregório de Matos. e) a revolta contra os aspectos fatais que os deuses
c) Sóror Mariana Alcoforado e Gregório de Matos. imprimem a seu destino e à vida na terra.

d) Gandavo e Camões. 16. (Fuvest) O bifrontismo do homem, santo e pecador; o


impulso pessoal prevalecendo sobre normas ditadas por
e) Gil Vicente e Manoel B. Oliveira. modelos; o culto do contraste; a riqueza de pormenores
14. (Objetivo-SP) Sobre cultismo e conceptismo, os dois — são traços constantes da:
aspectos construtivos do Barroco, assinale a única a) composição poética parnasiana.
alternativa incorreta.
b) poesia simbolista.
a) O cultismo opera através de analogias sensoriais,
valorizando a identificação dos seres por metáfo- c) produção poética arcádica de inspiração bucólica.
ras. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, a d) poesia barroca.
argumentação.
e) poesia condoreirista.
b) O cultismo e conceptismo são partes construtivas
17. (Fuvest)
do Barroco que não se excluem. É possível locali-
zar no mesmo autor e até no mesmo texto os dois “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia.
elementos. Depois da luz, se segue a noite escura,
c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da lin- Em tristes sombras morre a formosura,
guagem, pelo abuso no emprego de figuras semân- Em contínuas tristezas a alegria.”
ticas, sintáticas e sonoras. O conceptismo valoriza a
Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos
atitude intelectual, o que se concretiza no discurso
Guerra, a principal característica do Barroco é:
pelo emprego de sofismas, silogismos, paradoxos.
a) o culto da natureza.
d) O cultismo na Espanha, Portugal e Brasil é também
conhecido como Gongorismo e seu mais ardente b) a utilização de rimas alternadas.
defensor, entre nós, foi o Pe. Antônio Vieira, que, c) a forte presença de antíteses.
no Sermão da sexagésima, propõe a primazia da
palavra sobre a ideia. d) o culto do amor cortês.

e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos e) o uso de aliterações.


poetas foram os de Gôngora e Marini, e o concep- 18. “...milhões de palavras ditas com esforço de pensa-
tismo de Quevedo foi o que maiores influências dei- mento.”
xou em Gregório de Matos.
Essa passagem do texto faz referência a um traço da
15. (USF-SP) linguagem barroca presente na obra de Vieira; trata-se do:
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“Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, a) gongorismo, caracterizado pelo jogo de ideias.
Te lembra hoje Deus por sua Igreja;
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b) cultismo, caracterizado pela exploração da sonori- Instrução: O texto abaixo refere-se à questão 3.
dade das palavras. AS COUSAS DO MUNDO
c) cultismo, caracterizado pelo conflito entre fé e razão. Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
d) conceptismo, caracterizado pelo vocabulário pre- Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
ciosista e pela exploração de aliterações. Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
e) conceptismo, caracterizado pela exploração das re- O velhaco maior sempre tem capa.
lações lógicas, da argumentação. Mostra o patife da nobreza o mapa:
19. (Elite) Desfaça o hipérbato construído por Gregório de Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Matos nestes versos. Ou seja, coloque-os em uma frase Quem menos falar pode, mais increpa;
na ordem direta. Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
“Se uma ovelha perdida e já cobrada A flor baixa se inculca por tulipa;
Glória tal e prazer tão repentino Bengala hoje na mão, ontem garlopa.
Vos deu, como afirmais na sacra história, Mais isento se mostra o que mais chupa.
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada Para a tropa do trapo vazo a tripa
(...)” E mais não igo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

(Gregório de Matos Guerra, Seleção de Obras Poéticas.)

1. (UFSM) A respeito da poesia de Gregório de Matos, 3. (Fatec) Fica claro, no poema acima, que a principal
assinale a alternativa incorreta. crítica do autor à sociedade de sua época é feita por
meio da:
a) Tematiza motivos de Minas Gerais, onde o poeta
viveu. a) denúncia da proteção que o mundo de então dava
àqueles que agiam de modo condenável, embora
b) A lírica religiosa apresenta culpa pelo pecado co- sob a capa das leis da Igreja.
metido.
b) enumeração de certos tipos que, por seus compor-
c) As composições satíricas atacam governantes da tamentos, revelam um roteiro que identifica e reco-
colônia. menda a ascensão social.
d) O lirismo amoroso é marcado por sensível carga c) elaboração de uma lista de atitudes que deviam ser
erótica. evitadas, por não condizerem com as práticas mo-
e) Apresenta uma divisão entre prazeres terrenos e rais encontradas na alta sociedade.
salvação eterna. d) comparação de valores e comportamentos da faixa
2. (UFRGS) Assinale a alternativa que preenche adequa- mais humilde daquela sociedade com os da faixa
damente as lacunas do texto abaixo, na ordem em que mais nobre e aristocrática.
aparecem. e) caracterização de comportamentos que, embora
Padre Antônio Vieira é um dos principais autores do sejam moralmente condenáveis, são dissimulados
............., movimento em que o homem é conduzido pela em seus opostos.
......... e que tem, entre suas características, o ........., com 4. (Febasp)
seu jogo de palavras, de imagens e de construção,
e o ............, o uso de silogismo, processo racional de “Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca,
demonstrar uma asserção. sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois
imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar
a) Gongorismo – exaltação vital – cultismo - precio-
muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os
sismo
piratas, o roubar com muito, os Alexandres... O ladrão
b) Conceptismo – fé – preciosismo – gongorismo que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os
que não só vão, mas que levam, de que eu trato, são os
c) Barroco – depressão vital – conceptismo – cultismo
outros — ladrões de maior calibre e de mais alta esfera...
d) Conceptismo – depressão vital – gongorismo – Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam
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preciosismo cidades e reinos; os outros furtam debaixo de seu risco,


estes, sem temor nem perigo; os outros se furtam, são
e) Barroco – fé – cultismo - conceptismo
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enforcados, estes furtam e enforcam.” (Sermão do bom c) a exaltação do heroico e do épico, por meio das
ladrão, Vieira) metáforas grandiloquentes da epopeia.
Em relação ao estilo empregado por Vieira neste trecho d) lirismo trovadoresco, caracterizado por figuras de
pode-se afirmar: estilo passionais e místicas.
a) o autor recorre ao cultismo da linguagem com o
e) conceptismo, caracterizado pela utilização constan-
intuito de convencer o ouvinte e por isso cria um
te dos recursos da dialética.
jogo de imagens.
7. (UEL) Ao lado dos versos críticos e contundentes, em
b) Vieira recorre ao preciosismo da linguagem, isto é,
geral dirigidos contra os poderosos e os oportunistas, há
através de fatos corriqueiros, cotidianos, procura
os versos líricos, tocados pelo sentimento amoroso ou
converter o ouvinte.
pela devoção cristã. Num e noutro casos, apuravam-se
c) Padre Vieira emprega, principalmente, o conceptis- o engenho verbal, as construções paralelísticas, o em-
mo, ou seja, o predomínio das ideias, da lógica, do prego de antíteses e hipérboles, por vezes inspirando-
raciocínio. se diretamente em versos ou fórmulas dos espanhóis
Gôngora e Quevedo – mestres desse estilo.
d) o pregador procura ensinar preceitos religiosos ao
ouvinte, o que era prática comum entre os escrito- O trecho anterior refere-se à obra poética de:
res gongóricos. a) Cláudio Manuel da Costa.
5. (UFSM) Leia a estrofe de Gregório de Matos: b) Gregório de Matos.
“Ardor em firme coração nascido; c) Tomás Antônio Gonzaga.
pranto por belos olhos derramado;
d) José de Anchieta.
incêndio em mares de água disfarçado;
8. (UFSM) Os holandeses no Brasil
rio de neve em fogo convertido.”
Assinale a alternativa em que os dois versos indicados A carta que João Fernandes Vieira, um dos heróis da
apresentam metáforas de lágrimas. Restauração Pernambucana, escreveu em 1654 ao rei
de Portugal Dom João IV relatando o fim do domínio
a) Versos 1 e 2.
holandês no Brasil foi entregue na segunda-feira 18 à
b) Versos 2 e 4. Universidade Federal de Pernambuco. O documento
pertencia ao professor inglês Charles Ralph, um
c) Versos 2 e 3.
dos principais estudiosos do período da expansão
d) Versos 3 e 4. portuguesa, falecido no ano passado. Pela primeira vez,
o documento ficará guardado no Brasil.
e) Versos 1 e 3.
6. (Fuvest) (IstoÉ, n.° 1656, 27 jun. de 2001.)

“Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem Quando, em 1640, os holandeses apertaram o cerco
a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que à cidade da Bahia, ameaçando invadi-la pela segunda
saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, vez, Padre Antônio Vieira, em seu “Sermão pelo bom
ao Japão; os que semeiam sem sair são os que se sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”,
contentam com pregar na pátria. Todos terão sua razão, bradava aos céus, suplicando a proteção de Deus para
mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, a cidade de Salvador.
pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara
tão longe, hão-lhes de medir a semeadura, e hão-lhes Assinale a alternativa que apresenta um fragmento
de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! desse Sermão.
Os de cá, achar-vos-ei com mais paço; os de lá, com a) Há de tomar o pregador uma só matéria, há de
mais passos...” defini-Ia para que se conheça, há de dividi-Ia para
Essa passagem é representativa de uma das tendências que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há
estéticas típicas da prosa seiscentista, a saber: de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o
exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os
a) sebastianismo, isto é, a celebração do mito da volta efeitos, com as circunstâncias, com as conveniên-
de D. Sebastião, rei de Portugal, morto na batalha cias que se hão de seguir, com os inconvenientes
de Alcácer-Quibir. que se devem evitar [...]
b) a busca do exotismo e da aventura ultramarina, pre-
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b) Este foi, Cristãos, o amor de Cristo, esta a ciência e


sentes nas crônicas e narrativas de viagem. as ciências com que nos amou, e esta a ignorância
e ignorâncias sobre que somos amados [...]. Sirva-
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nos a sua ciência de espertador, para nunca deixar e) a produção literária de Gregório de Matos dividiu-
de amar; sirva-nos a nossa ignorância de estímulo, se entre a temática lírico-religiosa e uma visão crí-
para sempre amar mais e mais a quem tanto nos tica das mazelas sociais oriundas do processo de
amou [...] colonização no Brasil.
c) Enquanto Páris, ignorante de si e da fortuna do seu 10. (UFRGS) Sobre a obra de Gregório de Matos é correto
nascimento, guardava as ovelhas do seu rebanho afirmar que:
nos campos do monte Ida, dizem as histórias hu-
a) os vícios da colônia são criticados e as autoridades
manas que era objeto dos seus cuidados Enone,
públicas são ridicularizadas.
uma formosura rústica daqueles vales. Mas quando
o encoberto príncipe se conheceu e soube que era b) sua infância e sua família são temas recorrentes em
filho de Príamo, rei de Troia, como deixou o cajado e seus poemas.
o surrão, trocou também de pensamento [...]
c) a escravidão é denunciada como instituição perver-
d) Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sa e desnecessária.
sermão há de ter uma só matéria, e não muitas ma-
d) o elogio da mulher amada está inserido em um qua-
térias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre
dro bucólico e pastoril.
trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara
milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara ce- e) o ideal de racionalidade resulta na sintaxe simples e
vada, que havia de nascer? - Uma mata brava, uma na ordem direta das frases.
confusão verde [...]
e) Que a larga mão com que nos destes tantos domí- O enunciado seguinte refere-se às questões 11 e 12.
nios e reinos não foram mercês de vossa liberalida- (Fuvest) A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-
de, senão cautela e dissimulação de vossa ira, para se em amorosa e religiosa.
aqui fora e longe de nossa Pátria nos matardes, nos
destruirdes, nos acabardes de todo. Se esta havia 11. Quais são os dois modos contrastantes de ver a mulher,
de ser a paga e o fruto de nossos trabalhos, para em sua lírica amorosa?
que foi o trabalhar, para que foi o servir, para que foi 12. Como aparece em sua lírica religiosa a ideia de Deus
o derramar tanto e tão ilustre sangue nestas con- e do pecado?
quistas? [...]
13. (UEL) Incêndio em mares d’água disfarçado,
9. (UFV-MG) Considere as afirmações que se seguem.
Rio de neve em fogo convertido.
Todas elas vinculam a poesia de Gregório de Matos aos
princípios estéticos e ideológicos do Barroco brasileiro, Nesses versos de Gregório de Matos ocorre um
exceto: procedimento comum ao estilo da poesia barroca, qual
seja:
a) a vertente lírica da poética de Gregório de Matos
a) a imitação direta dos elementos naturais.
cultuou o amor feito de pequenos afetos, da meiga
ternura e dos torneios gentis, tendo como cenário b) a submissão da sintaxe às regras da clareza.
o ambiente campestre e pastoril.
c) a interpenetração de elementos contrastantes.
b) o “Boca do Inferno” insurgiu-se não só contra os
d) a ordem casual e descontrolada das palavras.
desmandos administrativos e políticos da Bahia do
século XVII, mas contra o próprio ser humano, que, e) a exaltação da paisagem nativa.
na concepção do poeta, é por natureza corrupto
14. (UFRGS) Sobre a poesia de Gregório de Matos Guerra
e mau.
é correto afirmar que:
c) os poemas religiosos de Gregório de Matos fundi-
a) privilegia os cenários bucólicos percorridos por
ram a contemplação da divindade, o complexo de
pastores e ninfas examinados de uma perspectiva
culpa, o desejo de arrependimento e o horror de
satírica e irônica.
ser pó, sensações, enfim, frequentes no atormenta-
do espírito barroco. b) expõe em sintaxe simples o caráter sereno e amo-
roso de um pastor que corteja sua amada com pro-
d) o significado social do Barroco brasileiro foi mar-
messas de vida amena e burocrática.
cante, uma vez que a poesia de Gregório de Matos
revestiu-se de alto sentido crítico aos vícios e vio- c) expõe em sintaxe complexa e com metáforas anti-
lências da sociedade colonial. téticas os dilemas do amor e do espírito no quadro
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da Contra-Reforma.

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d) privilegia o cenário urbano para denunciar as ar- Quando cristal, em chamas derretido.
bitrariedades da Inquisição e o racismo dos portu- Se és fogo, como passas bradamente,
gueses instalados na colônia.
Se és neve, como queimas com porfia?
e) privilegia os cenários palacianos em que ocorrem Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
intrigas e conspirações envolvendo nobres buro-
Pois para temperar a tirania,
cratas, monges e prostitutas.
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
15. (Fatec) No colégio dos padres, Gregório de Matos
Permitiu parecesse a chama fria.
escreveu:
16. (PUC-SP) Considere atentamente as seguintes afirma-
Quando desembarcaste da fragata, ções sobre o poema de Gregório de Matos:
Meu Dom Braço de Prata,
I. O par fogo e água, que figura amor e contentação,
Cuidei, que a esta cidade tonta, e fátua* passa por variações contrastantes até evoluir para
Mandava a Inquisição alguma estátua o oxímoro.
Vendo tão espremida salvajola* II. O poema evidencia a “fórmula da ordem barroca”
Visão de palha sobre um mariola*. ditada por Gérard Genette: diferença transforma-se
(Liras) em oposição, oposição em simetria e simetria em
identidade.
(*fátua: tola; *salvajola: variante de “selvagem”;
*mariola: velhaco) III. O poema inscreve, no âmbito da linguagem, o con-
O trecho ilustra flito vivido pelo homem do século XVII.
a) a poesia erótica de Gregório de Matos, inspirada na De acordo com o poema, pode-se concluir que:
vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu a) são corretas todas as afirmações.
origem à alcunha do poeta, “Boca do Inferno”.
b) são corretas apenas as afirmações I e II.
b) a poesia lírica de Gregório de Matos, voltada para
a temática filosófica, em linguagem marcada pelos c) são corretas apenas as afirmações I e III.
recursos da estética barroca. d) é correta apenas a afirmação II.
c) a poesia satírica de Gregório de Matos, dedicada e) é correta apenas a afirmação III.
à descrição fiel da sociedade da época, utilizando
recursos expressivos característicos do barroco 17. (UEL) Assinale a alternativa cujos termos preenchem
português. corretamente as lacunas do texto inicial.

d) a poesia erótica de Gregório de Matos, caracteriza- Como bom barroco e oportunista que era, este poeta
da pela crítica aos comportamentos e às autorida- de um lado lisonjeia a vaidade dos fidalgos e poderosos,
des baianas da época colonial. de outro investe contra os governadores, os “falsos
fidalgos”. O fato é que seus poemas satíricos constituem
e) a poesia satírica de Gregório de Matos, que repre- um vasto painel ...................., que ................. compôs
senta, no conjunto de sua obra, uma fuga aos mol- com rancor e engenho ainda hoje admirados pela
des barrocos e ataca, no linguajar baiano da época, expressividade.
costumes e personalidades.
a) do Brasil do século XIX - Gregório de Matos
b) da sociedade mineira do século XVIII - Cláudio Ma-
Instrução: O texto abaixo refere-se à questão 16. nuel da Costa
SONETO
c) da Bahia do século XVII - Gregório de Matos
Aos afetos, e lágrimas, derramadas na ausência da
dama a d) do ciclo da cana-de-açúcar - Antônio Vieira
[quem queria bem e) da exploração do ouro em Minas - Cláudio Manuel
Ardor em firme coração nascido; da Costa.
Pranto por belos olhos derramado; 18. (UFLA) Leia com atenção os juízos estéticos transcritos
Incêndio em mares de águas disfarçado; abaixo e marque:
Rio de neve em fogo convertido: Juízo I. “Intérprete dos anseios do homem seiscentista
solicitado por ideais em conflito. O fusionismo é a
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Tu, que um peito abrasas escondido;


sua tendência dominante – tentativa de conciliar,
Tu, que em um rosto corres desatado;
incorporando contrários.”
Quando fogo, em cristais aprisionado;
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Juízo II. “Procurando libertar a língua de termos a) Passagem famosa do Sermão da Quarta-Feira de
espúrios, restituindo-lhe uma sobriedade castiça e o Cinza, celebrado em Roma, em 1670. O tema ca-
rigor de sentido, é a revitalização do pastoralismo e nônico desse sermão encontra-se no livro bíblico
bucolismo.” do Gênese 3: 13, nas palavras de Deus a Adão:
a) se o primeiro se referir ao BARROCO e o segundo, “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem re-
ao ARCADISMO. verteris” (“Lembra-te homem, de que és pó, e em
pó te hás de converter.”), que constitui seu conceito
b) se o primeiro se referir ao ARCADISMO e o segun- predicável.
do, ao BARROCO.
b) As metáforas das portas estabelecem uma relação
c) se ambos se referirem ao BARROCO. antitética: a imagem do vidro desperta a noção de
d) se ambos se referirem ao ARCADISMO. efemeridade das coisas da vida, que regressa ao pó
de onde veio, uma vez que o vidro é feito de areia; a
e) se ambos se referirem à LITERATURA DOS JESU- imagem do diamante se associa a noção de pereni-
ÍTAS no Brasil. dade, significando o início da vida eterna.
19. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a GREGÓ- c) A doutrina expressa por Vieira nessa passagem,
RIO DE MATOS. por ser fundamentada em Aristóteles, contrariava a
a) No seu esforço de criação da comédia brasileira, visão canônica da igreja católica contra-reformista,
realiza um trabalho de crítica que encontra segui- especialmente por dizer que a existência do inferno
dores no Romantismo e mesmo no restante do sé- era incerta.
culo XIX. d) Nota-se bem a influência da doutrina contra-refor-
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e mista, na visão ameaçadora e terrível que o texto
o presente: ainda tem os torneios verbais do qui- apresenta a propósito da vida eterna. A autoridade
nhentismo português, mas combina-os com a pai- da filosofia grega é invocada, embora declarando
xão das imagens pré-românticas. sua inferioridade perante o pensamento cristão.
c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o e) A imaginação serve de apoio à demonstração de
mais liberal, o que mais claramente manifestou as ideias, dispostas racionalmente e valorizadas por
ideias da ilustração francesa. um estilo que sabe valer-se das figuras de cons-
trução, como a anáfora, de pensamento, como a
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os antítese, e tropos, como a metáfora, para, com elo-
vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, quência, melhor persuadir. Essas marcas permitem
valendo-se para isso do engenho artificioso que enquadrar o fragmento acima no estilo conceptista
caracterizava o estilo da época. Barroco.
e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Mi-
nas do chamado ciclo do ouro é prova de que seu
talento não se restringia ao lirismo amoroso.
20. (UFRGS) Leia o texto e assinale a alternativa incorreta
a seu propósito.
“A morte tem duas portas. Uma porta de vidro, por
onde se sai da vida; outra porta de diamante, por onde
se entra à eternidade. Entre estas duas portas se acha
subitamente um homem no instante da morte, sem poder
tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão
entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh! que
transe tão apertado! Oh! que passo tão estreito! Oh! que
momento tão terrível! Aristóteles disse que entre todas
as coisas terríveis, a mais terrível é a morte. Disse bem
mas não entendeu o que disse. Não é terrível a morte
pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa.
Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta
por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que
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chega ao céu; se olhais para baixo, um precipício que


vai parar no inferno, e isto incerto”.

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16. D
17. C
18. E
1. A
19. Senhor, eu sou a ovelha desgarrada. Se uma ovelha
2. E
perdida e já cobrada vos deu glória tal e prazer tão
3. D repentino, como afirmais na sacra história...
4. E
5. B
6. E
7. D 1. A

8. A 2. E

9. D 3. E

10. A 4. C

11. E 5. D

12. D 6. E

13. B 7. B

14. D 8. E
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15. A 9. A
10. A
18
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11. A mulher divinizada e a mulher mais terrena e sensual.
12. Como homem, Gregório se reconhece pecador e Deus
representa a possibilidade de redenção dos pecados.
13. C
14. C
15. E
16. A
17. C
18. A
19. D
20. C
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