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G2 – Regras Procedimentais

O procedimento arbitral não está sujeito às disposições do CPC, sendo, portanto, um


processo mais flexível e privado no qual os agentes devem escolher quais as regras que
irão ser aplicadas ao caso concreto. Embora exista essa liberdade, há alguns limites a
serem seguidos. 

A Lei 9.307/96, que trata da arbitragem, expõe o que foi dito no seu art.21:

 “A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na convenção de


arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou
entidade especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao
tribunal arbitral, regular o procedimento”.

Princípios 

O §2º do art.21 da lei trata de alguns dos princípios do procedimento arbitral:

“Serão, sempre, respeitados no procedimento arbitral os princípios do contraditório, da


igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu livre convencimento”.

Princípio do contraditório - ambas as partes devem ser informadas de todos os atos do


processo e devem ter a possibilidade de se manifestar em relação a esses atos, devem ser
dadas as mesmas oportunidades de exercer esse contraditório, não só formalmente,
como materialmente, para que seja possível que a parte contrária tenha a possibilidade
de realizar as provas para que se manifeste nas mesmas condições dadas a outra parte.

Princípio da igualdade das partes - não deve existir tratamento especial para as partes,
elas devem ter as mesmas oportunidades de indicar árbitros, de produzir provas, de
expor e fazer valer suas próprias razões, sem privilégios, algo que é comum no
Judiciário, por exemplo, quando se trata de demanda envolvendo o Estado.

Princípio da imparcialidade do árbitro - o árbitro que conduz o processo deve ser


imparcial, sem dar tratamento especial para as partes, caso tenha alguma relação pessoal
com alguma das partes inclusive tem o dever de revelar levando em conta as
recomendações do sistema de listas do International Bar Association (IBA).
Princípio do livre convencimento do árbitro - a decisão do árbitro deve ser baseada
no seu livre convencimento, não estando ele vinculado a nenhuma prova em específico,
pode avaliar da maneira que melhor entender, não deixando, porém, a sua decisão de ser
motivada.

Além dos princípios que a  própria lei da arbitragem traz em seu artigo, é necessário
também respeitar outros princípios presentes na Constituição, dentre eles:

Princípio da garantia processual - além dos princípios expressamente trazidos pela lei
não se pode deixar de levar em conta as demais garantias processuais que estão
disciplinadas na Constituição Federal, que não podem ser ignoradas.

Princípio da autonomia da vontade - como procedimento é privado, encontra-se


presente a autonomia da vontade. Sendo assim, é permitido aos agentes escolher quais
as regras materiais e processuais aplicáveis no caso concreto, podendo até mesmo
escolher uma legislação existente ou criar suas próprias regras. Essa autonomia não é,
no entanto, absoluta, tendo como limite as garantias processuais constitucionais e
também a ordem pública, que não pode ser ferida.

Princípio da máxima eficácia - na aplicação da lei arbitral sempre se busca aquele


dispositivo que for mais benéfico para a arbitragem, não há hierarquia na aplicação da
lei nacional e a Convenção de Nova York.

Princípio do KOMPETENZ KOMPETENZ - o árbitro tem a competência mínima de


se dizer competente ou não para julgar certo conflito. Cabe, assim, ao árbitro, analisar a
validade do contrato e da cláusula compromissória nele inserida. Contudo, em momento
posterior, a matéria pode ser submetida à apreciação do juízo estatal, caso uma das
partes ajuíze ação visando a anulação da sentença arbitral por invalidade da convenção.
Dessa forma, o Judiciário também tem a competência de examinar a existência, a
validade e a eficácia da clausula arbitral, todavia, isso só pode ser feito após a sentença
arbitral. O princípio encontra-se previsto no parágrafo único do art.8º da Lei de
Arbitragem, que diz:
“Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da
existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a
cláusula compromissória”.

Confidencialidade

A Lei 9.307/1996, que disciplina a arbitragem, não faz referência expressa à


confidencialidade, mas seu art. 13, § 6º, prescreve que: “No desempenho de sua função,
o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência, competência, diligência e
discrição”. Por se tratar de procedimento privado é imposto aos árbitros o dever de
confidencialidade. Em relação à arbitragem que envolva entes públicos a regra passa a
ser a publicidade, por conta do princípio constitucional que rege a administração
pública.

Fase postulatória

Em primeiro lugar, a parte que quer o procedimento arbitral deve realizar um


requerimento, que traz a sua vontade de iniciar o procedimento e também as suas
razões, como uma petição inicial. Após o requerimento da parte, as demais partes
devem ser citadas para que apresentem as suas respostas em relação ao requerimento do
autor, para que, assim, seja cumprido o princípio do contraditório.

Há um prazo então para a apresentação das respostas, que têm o condão até mesmo de
serem redigidas em forma de reconvenção, apresentando pedidos contrapostos ao do
requerimento inicial, podendo até se opor a própria instituição do tribunal arbitral.

Instituição da arbitragem 

A arbitragem se considera efetivamente instituída após a nomeação e aceitação dos


árbitros pelas partes litigantes e posterior lavratura do termo de arbitragem. O termo de
arbitragem também tem a finalidade de delimitar a controvérsia, esclarecer sobre o local
sede da arbitragem, a lei aplicável, a autorização para os árbitros decidirem por
equidade, qualificar os árbitros, etc.
Encontra-se previsto na Lei 9.307/96 em seu art.19 e parágrafos:

“Art. 19 - Considera-se instituída a arbitragem quando aceita a nomeação pelo árbitro,


se for único, ou por todos, se forem vários”.

“§ 1o Instituída a arbitragem e entendendo o árbitro ou o tribunal arbitral que há


necessidade de explicitar questão disposta na convenção de arbitragem, será elaborado,
juntamente com as partes, adendo firmado por todos, que passará a fazer parte
integrante da convenção de arbitragem”.
“§ 2o A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à data do
requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência de
jurisdição”.

Bibliografia
https://guisambareando.jusbrasil.com.br/artigos/254469363/os-principios-aplicaveis-na-
arbitragem-e-suas-definicoes

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm

https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/53/212/ril_v53_n212_p139.pdf

 Carlos Alberto CARMONA, Arbitragem e Processo – Um Comentário à Lei nº


9.307/96, São Paulo, Atlas, 2º ed., p. 89, 2004. 11 

Curso Básico de Direito Arbitral: Teoria e Prática - Joaquim de Paiva Muniz