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TÉCNICAS AVANÇADAS
DE MANUTENÇÃO
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3 UNIDADE 1 - Introdução
4 UNIDADE 2 - Análise Vibracional
4 2.1 Do surgimento aos dias atuais

6 2.2 Conceito e aplicações

10 2.2.1 O uso da bancada RLAM

13 UNIDADE 3 - Tribologia e Ferrografia


13 3.1 A tribologia

16 3.2 A ferrografia

SUMÁRIO
17 3.3 O processo e tipos de análise da ferrografia

17 3.3.1 Exame Analítico (AN)

18 3.3.2 Exame Quantitativo (DR)

20 UNIDADE 4 - Termografia
21 4.1 Aplicações elétricas

22 4.2 Aplicações mecânicas


24 UNIDADE 5 - Ultrassom
24 5.1 Fundamentos e princípios do ultrassom

26 5.2 Aplicações do ultrassom

28 5.3 Componentes e funcionamento de um ultrassom

32 UNIDADE 6 - Espectrografia
34 UNIDADE 7 - Hidráulica e Análise de Pressões
34 7.1 Hidráulica

34 7.2 Bombas hidráulicas

36 7.3 Bombas de engrenagens

36 7.4 Caldeiras a vapor


37 7.5 Vasos de pressão

39 UNIDADE 8 - Lubrificação
39 8.1 Tipos de lubrificantes

40 8.2 Características e propriedades dos óleos lubrificantes

43 8.3 Programa de lubrificação

46 UNIDADE 9 - Pneumática
48 REFERÊNCIAS
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UNIDADE 1 - Introdução

Ao conjunto de cuidados técnicos in- Ressaltamos em primeiro lugar que em-


dispensáveis para que as máquinas de um bora a escrita acadêmica tenha como pre-
parque industrial, bem como outros ins- missa ser científica, baseada em normas e
trumentos, instalações e ferramentas fun- padrões da academia, fugiremos um pouco
cionem de maneira regular e permanente, às regras para nos aproximarmos de vocês
pertencem ações como a conservação, a e para que os temas abordados cheguem
adequação, restauração, substituição e de maneira clara e objetiva, mas não me-
prevenção. São exemplos básicos de con- nos científicos. Em segundo lugar, deixa-
servação, a lubrificação de uma engrena- mos claro que este módulo é uma compila-
gem; de restauração, a retificação de uma ção das ideias de vários autores, incluindo
mesa de desempeno; de substituição, a aqueles que consideramos clássicos, não
troca do plugue de um cabo elétrico. se tratando, portanto, de uma redação ori-
ginal e tendo em vista o caráter didático da
Se pensarmos no campo de atuação da
obra, não serão expressas opiniões pesso-
manutenção preditiva, ele é bastante am-
ais.
plo. Em cada equipamento ou instalação é
possível encaixar pelo menos um tipo de Ao final do módulo, além da lista de re-
aplicação, dentre as quais, por mais conhe- ferências básicas, encontram-se outras
cidas e usuais, podem-se destacar: Análise que foram ora utilizadas, ora somente con-
Vibracional, Ferrografia, Termografia, Ul- sultadas, mas que, de todo modo, podem
trasonografia e Análise de Pressões. servir para sanar lacunas que por ventura
venham a surgir ao longo dos estudos
Pode-se destacar, ainda, a manutenção
preditiva como importante ferramenta
de apoio em modernos programas de ma-
nutenção, como na TPM (Total Productive
Maintenance), onde é de fundamental im-
portância no Pilar de Manutenção Planeja-
da (LIMA; SALLES, 2006).

Outra importante contribuição da ma-


nutenção preditiva refere-se às caracte-
rísticas de produto e processos que podem
ser monitorados através de parâmetros
específicos de equipamentos ou instala-
ções, os quais podem ser vinculados à fre-
quência da manutenção preditiva.

São essas técnicas e sua aplicabilidade


prática que veremos ao longo desta apos-
tila.
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UNIDADE 2 - Análise Vibracional

2.1 Do surgimento aos des empresas, interessadas em identifi-


car o tipo de falha e o período estimado
dias atuais para ela ocorrer. Com ela, surgiram os
O conceito básico de análise vibracio- primeiros analisadores FFT (Fast Fourier
nal consiste em análise de sistemas ro- Transform) de campo, operados à bateria
tacionais (como motores, etc.), medindo e comunicados com os embrionários PC
sua vibração e comparando com gráficos (Personal Computer), e a evolução para os
de valores preestabelecidos, nos quais é coletores de espectros de vibração. Com
possível avaliar rolamentos e os compo- o desenvolvimento da eletrônica, apare-
nentes periféricos aos rolamentos. ceram os coletores portáteis de vibração.

A medição e análise vibracional teve De 1994 a 2003, ocorreu um inves-


início efetivo na década de 1970, com o timento vertiginoso das empresas em
desenvolvimento da indústria petroquí- sistemas de manutenção preditiva, mui-
mica que gerou a necessidade de implan- tas vezes sem o correspondente investi-
tação de sistemas de proteção de turbo mento em desenvolvimento de recursos
máquinas. humanos necessários para a obtenção de
resultados consistentes.
As vibrações eram medidas através de
analisadores com filtro sintonizável, gra- Desde 2003, o diagnóstico é conside-
vadores de fita magnética e analisadores rado uma ferramenta do processo, e o
de espectro. Houve o surgimento da tec- foco foi alterado para o gerenciamento
nologia de minicomputadores, que era de ativos, o aumento da disponibilidade
frágil e difícil de ser mantida em ambien- e a disponibilização da informação para
te industrial. outras áreas da empresa.

Numa breve retrospectiva pro- A manutenção pró-ativa para confia-


bilidade (PRM) é o passo seguinte a um
posta por Santos (2010) temos que:
bom programa de manutenção prediti-
Nas décadas de 1970 e 1980 eram uti- va. Algumas empresas de classe mundial
lizados medidores analógicos nacionais e de diferentes segmentos descobriram
e importados operados à bateria, e os que este sistema, bem implantado, é o
modelos com filtro, que permitiam o ba- mais efetivo método de gerenciamento
lanceamento de campo com uso de luz de risco, aumentando a confiabilidade e
estroboscópica. Também havia os anali- ajudando a obter o melhor retorno para
sadores espectrais que exigiam o uso de os ativos.
gravação em fita magnética em campo e
A tendência das indústrias de classe
posterior reprodução em laboratório.
mundial é procurar obter altos níveis de
De 1985 a 1994 ocorreu a implanta- eficiência da planta, através da análise
ção da manutenção preditiva em gran- das informações e processos de controle
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de seus ativos. costando o ouvido no cabo da chave, ou-


ve-se o ruído) ao estetoscópio que veio
Nessa caminhada tivemos da chave
substituí-la até medidores, analisadores,
de fenda (coloca-se a ponta da chave no
monitores e transmissores de vibração.
ponto que se deseja checar [ouvir] e, en-

Abaixo tem-se um modelo simplificado


para registro de vibrações
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Os pontos A, B, C, são os locais deter- diada por uma análise teórica bem feita
minados para a medição. Os sensores dos (AMORIM, 2006).
aparelhos devem ser encostados nestes
Diversos métodos são utilizados no
pontos.
controle das fontes de vibrações, são
Além deste controle, deve existir eles: Controle das frequências naturais
uma pasta com toda documentação per- do sistema, inserção de mecanismos de
tinente à máquina (cópia da nota fiscal, amortecimento, tais como os neutraliza-
catálogo, desenhos e outros). dores e absorvedores de vibrações; con-
trole de folgas e eliminação de roçamen-
Não havendo catálogos, solicite ao
tos. (JESUS; CAVALCANTE, 2011).
fabricante (caso a máquina seja antiga, é
provável que não exista catálogo, então, O diagnóstico de problemas em máqui-
deve ser programada uma abertura para nas rotativas consiste em um processo
efetuar os desenhos) (SANTOS, 2010). de identificação das causas da origem da
vibração mediante a análise das mesmas,
2.2 Conceito e aplicações fazendo-se assim necessário conhecer
Segundo Rao (2009), qualquer movi- as características dos equipamentos e as
mento que se repete após um intervalo principais peculiares associadas a poten-
de tempo pode ser denominado vibra- ciais falhas.
ção. Silva (2009) concorda com Rao ao Eisenmann (1997 apud JESUS; CAVAL-
afirmar que um movimento periódico, tal CANTE, 2011) afirma que desbalance-
como uma oscilação de uma partícula, de amento é uma das fontes mais comum
um sistema de partículas ou de um corpo de vibração em máquinas e equipamen-
rígido, em torno de uma posição de equi- tos, enquanto Inman (2004 apud JESUS;
líbrio é definida como vibração. CAVALCANTE, 2011) cita que vibrações
O conhecimento das características causadas por desbalanceamento normal-
das respostas em vibração associadas a mente dominam o espectro e ocorrem na
defeitos comuns possibilita a identifica- frequência de rotação (1 x RPM). O des-
ção prévia dos mesmos nas mais diferen- balanceamento acontece devido a uma
tes máquinas, sem, no entanto, se fazer alteração no equilíbrio das forças radiais
necessária uma desmontagem investiga- que atuam sobre o eixo da máquina. A
tiva. causa mais comum é o acúmulo de ma-
terial sobre volantes de inércia, hélices
Há numerosas fontes de vibração em de ventiladores, hélices de ventoinhas
um ambiente industrial que tornam ne- de motores, etc., mas pode ser causado
cessárias manutenções frequentes e também por perda de massa como a que-
dispendiosas. O controle da vibração é bra de uma hélice, por exemplo. Se um
facilitado quando o agente motivador é componente específico (como ventila-
identificado pela análise da resposta do dor, motor, rotor, por exemplo), é afetado
sistema e, muitas vezes, as altas ampli- individualmente por desbalanceamento,
tudes de vibração podem ser eliminadas esse componente vibrará mais que os ou-
por uma atuação prática simples, subsi- tros, mas se a fonte for um acoplamento,
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ocorre de todo conjunto da máquina vi- as forças dinâmicas interagem entre si,
brar. excitando vibrações no sistema. Mesmo
com as máquinas bem alinhadas inicial-
O desalinhamento, ilustrado abaixo, é
mente, à frio, vários fatores podem afe-
um problema tão comum como o desba-
tar esse estado, tais como a dilatação
lanceamento. Em uma montagem me-
térmica dos metais (quando da máquina
cânica existem vários eixos, mancais e
em funcionamento), os assentamentos
acoplamentos com características dinâ-
de fundação e a deterioração de ancora-
micas diferentes. Quando o conjunto gira
gens (MELO, 2008).

Tipos de desalinhamento

As características de vibração ocasio- rias e rotativas de uma máquina pode


nadas por desalinhamento dependem do causar aumento dos níveis de vibração
tipo de desalinho e da extensão ou grau nas frequências de 1x e 2x RPM. Se o
de desalinhamento. As características atrito for contínuo poderão aparecer vi-
gerais são: brações numa faixa larga em altas frequ-
ências. Quando o roçamento for parcial,
aparecimento de vibrações nas duas
aparecem no espectro picos correspon-
direções, na radial e na axial;
dentes às frequências naturais do siste-
o desalinhamento ocorre em uma ma.
certa direção, logo as forças radiais não
Esse tipo de vibração é muito comum
serão uniformemente distribuídas e a vi-
em selos de máquinas rotativas ou quan-
bração é direcional;
do há eixos empenados, partes quebra-
normalmente, a frequência de vibra- das ou danificadas que levam ao atrito
ção é a de rotação do eixo (1 x RPM); con- entre metal, situação que pode ocorrer
tudo, quando o desalinhamento é seve- por conta de babbit’s danificados nos
ro, a frequência é de segunda ordem (2 x mancais. O roçamento produz espectros
RPM) e muitas vezes também de terceira semelhantes aos das folgas mecânicas,
ordem (3 x RPM). O desalinhamento an- e gera uma série de frequências excitan-
gular geralmente causa vibração em 1 x do uma ou mais ressonâncias (ANDRADE,
RPM; o paralelo causa vibração predomi- 2004) (JESUS; CAVALCANTE, 2011).
nante em 2 x RPM (JESUS; CAVALCANTE,
Abaixo temos três espectros carac-
2011).
terísticos de desbalanceamento, desali-
O roçamento entre partes estacioná- nhamento e roçamento.
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Espectro de desbalanceamento

Espectro de desalinhamento
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Espectro de roçamento

Fonte: RLAM (2008 apud JESUS; CAVALCANTE, 2011, p.23-5)

As máquinas são elementos mecânicos presentes em quaisquer componentes da


complexos, articulados. As peças que so- máquina, determinando-se eventuais anor-
frem excitação podem oscilar e as oscila- malidades de funcionamento. Em geral, a
ções transmitem-se pelas articulações aos medida de vibrações deve ser efetuada nos
demais elementos acoplados. O resultado é mancais, por ser um dos pontos válidos pe-
um complexo de frequências que caracteri- las normas em uso empregadas para avaliar
za o sistema. o funcionamento de máquinas (YA’CUB-
SOHN, 1983 apud MARÇAL; SUSIN, 2005).
Marçal e Susin (2005) explicam que cada
vez que uma peça altera suas característi- A premissa fundamental sobre a qual se
cas mecânicas por desgaste ou trinca, uma baseia a análise de vibração como técnica
componente de frequência do sistema será aplicada à manutenção industrial é:
alterada. Havendo alteração no acoplamen-
to entre as peças, altera o coeficiente de Cada componente ou cada tipo de
transmissão do sinal entre as peças e, em deficiência mecânica de uma máquina
consequência, a forma de frequência global em operação produz uma vibração de
do sistema. frequência específica que em condi-
ções normais de funcionamento, alcan-
Folgas, defeitos ou desalinhamentos de ça uma amplitude máxima determinada
rolamentos ou mancais de máquinas rotati- (YA’CUBSOHN, 1983 apud MARÇAL; SU-
vas refletem-se na alteração de frequências SIN, 2005).
ou no surgimento de novas frequências. O
desbalanceamento do rotor é transmitido Desta feita, é possível medindo-se e
pelo rolamento. analisando-se a vibração, estabelecer sua
origem, identificar cada componente da
As forças centrífugas, alternativas e de máquina e o tipo de falha que a está geran-
fricção atuantes nos distintos elementos do, além, de avaliar o estado mecânico do
de uma máquina em operação, dão origem componente que a produz ou a gravidade
a vibrações mecânicas proporcionais, que da deficiência detectada.
se manifestam nos mancais. Devido a este
fato, medindo-se vibrações nos mancais A metodologia básica recomenda
pode-se detectar e determinar os esforços o seguinte:
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1) Medição de frequência para forças dinâmicas do tipo impulso geram


identificar a origem da vibração – o vibrações de frequência muito alta, na
conhecimento da frequência permite faixa de ressonância estrutural das pis-
identificar o componente da máquina ou tas do rolamento. A amplitude da vibra-
a natureza da falha que produz a vibra- ção dependerá da extensão da falha no
ção. rolamento.

2) Medição da amplitude para ava- A Manutenção Industrial da RLAM dis-


liar a vibração e consequentemente põe de um setor denominado Preditiva,
o funcionamento normal ou anormal que se dedica ao acompanhamento con-
do sistema – a medição da amplitude tínuo dos parâmetros de funcionamento
permite avaliar por comparação com va- dos equipamentos dinâmicos que com-
lores limites, previamente estabelecido, põe a planta da Refinaria. A Manutenção
se a vibração corresponde a um funcio- Preditiva da RLAM faz uso das técnicas
namento normal ou anormal e o grau de de análise de óleo, medição de tempera-
importância da falha detectada (MARÇAL tura e monitoramento dos níveis de vi-
E SUSIN, 2005). bração como ferramentas de identifica-
ção e acompanhamento de defeitos em
diversos equipamentos.
2.2.1 O uso da bancada
A análise de vibração desponta como
RLAM
uma técnica de fundamental importân-
Os rolamentos geram quatro frequên-
cia ao passo que disponibiliza os resul-
cias características relacionadas a defei-
tados das investigações de forma rápida
tos. Eles são relativos a falhas na pista
e criteriosa, possibilitando tomadas de
externa, na pista interna, nas gaiolas e
decisões de maneira consciente. Com o
corpos rolantes. Essas frequências são
objetivo de difundir os conhecimentos
várias vezes a velocidade de rotação do
relativos às técnicas de monitoramento
eixo, porém não são necessariamente
de equipamentos rotativos, a RLAM pos-
múltiplos inteiros dessa rotação (LAMIN;
sui uma bancada de testes que simula
ABREU; BRITO, 2006).
um conjunto rotor-mancal. Essa bancada
Mancais de rolamento com defeito é composta por uma base metálica, mo-
sobre as pistas, esferas ou rolos, usual- tor e acoplamento, eixo e disco de inér-
mente causam vibrações em altas frequ- cia, mancais de deslizamento e suportes
ências. Isso se explica devido à natureza para sensores, conforme mostra a figura
das forças dinâmicas que excitam o ro- abaixo:
lamento defeituoso gerando vibrações.
Por exemplo, uma falha na esfera passa
pelas pistas interna e externa em uma
sucessão de impactos com o dobro da
frequência de rotação da esfera. A frequ-
ência fundamental da vibração será bem
mais alta do que a do eixo. Além disso,
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Fonte: JESUS; CAVALCANTE (2011, p. 11)

Na bancada da RLAM os transdutores funcionamento de equipamentos dinâ-


(dispositivos que recebem um sinal e o micos. São projetados para terem opera-
retransmite, através de transformações ção simplificada, incorporando funções
de energia, fazendo uso, para isso, de pré-programadas de armazenamento de
elementos sensores) utilizam o princí- rotas (que são caminhos, sequências de
pio do contato, no qual é medido o mo- medição) e coleta rápida de dados.
vimento absoluto da máquina. Esses são
O coletor de sinais utilizado na banca-
os mesmos que os técnicos da Preditiva
da é um analisador portátil CSI 2130, que
aplicam no cotidiano das medições e se
apresenta processamento contínuo, dis-
caracterizam pela facilidade de trans-
play colorido, bateria com autonomia de
porte e montagem. No caso específico da
oito horas e cabo de comunicação com
RLAM, os transdutores são sensores de
entrada USB (EMERSONPROCESS, 2010).
aceleração (acelerômetros) (ASH210-A)
constituídos basicamente por uma mas- Tendo em vista a condição que se
sa sísmica e um cristal piezelétrico, utili- deseja investigar, é preciso buscar um
zados na condição de nível global dos si- ponto externo acessível durante o fun-
nais coletados, com sensibilidade de 100 cionamento do equipamento, que seja
mV/g ± 5%, banda passante de 0,5 Hz - portador das informações desejadas. A
15 kHz e base magnética. trajetória da vibração, desde a fonte até
o ponto de medida deve ser a mais sólida
Os analisadores portáteis, frequente-
e curta possível, garantido máxima fide-
mente chamados de coletores de dados,
lidade na transmissão. Por esse motivo,
são aparelhos desenvolvidos objetivan-
os pontos de medição devem ser sempre
do acompanhar e verificar o estado de
nos locais mais próximos da sustentação
12

do equipamento. No caso dos equipa- nas posições vertical, horizontal e axial


mentos rotativos isso se dá nos mancais de cada mancal, e é medida a vibração
(DIAS; RODRIGUES; RAMALHO, 2009). nessas direções também no motor (figu-
ra abaixo).
Na bancada são executadas medições

Pontos de aquisição de dados na bancada

É fato que as máquinas rotativas são triais, é ponto de partida para investigar
equipamentos utilizados nos diversos não só estes como outros fenômenos de
ambientes do cotidiano, tornando-se maneira contínua, contribuindo para so-
elementos indispensáveis nas atividades lucionar vários problemas em máquinas
humanas e devido ao alto nível de exi- industriais.
gência em tais especialidades, conhecer
o comportamento dinâmico dessas má-
quinas é fundamental.

No estudo realizado por Jesus e Caval-


canti (2011), ao analisar experimental-
mente um conjunto suportado por dois
mancais de deslizamento, localizado na
RLAM e suas respectivas respostas para
os fenômenos de desbalanceamento, de-
salinhamento e roçamento, concluíram
que a obtenção de conhecimento relati-
vo aos principais fenômenos que afetam
os equipamentos rotativos, através da
aquisição de dados e análise da resposta
do sistema simulando condições específi-
cas de operação de equipamentos indus-
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UNIDADE 3 - Tribologia e Ferrografia

3.1 A tribologia O desgaste é a principal causa da deterio-


ração dos componentes de máquinas devido
O termo tribologia, que vem do grego
à fadiga superficial do material (BARWELL,
Τριβο (Tribo – esfregar) e Λογοσ (Logos – es-
1979 apud SUSKI, 2004). Ele raramente é
tudo) foi utilizado, oficialmente, pela primei-
catastrófico, porém reduz a eficiência da
ra vez, em 1966, em um relatório feito por
operação, podendo resultar em mudanças
H. Peter Jost para o comitê do departamen-
dimensionais dos componentes ou danos
to inglês de educação e ciência. Neste rela-
na superfície, que podem gerar problemas
tório, o termo foi definido como a “ciência e
secundários como vibrações e desalinha-
tecnologia de superfícies interativas em mo-
mentos. Entretanto, em casos extremos o
vimento relativo e dos assuntos e práticas
desgaste causa a formação e propagação de
relacionados”. Tal relatório continua estudos
trincas na superfície do componente ou pró-
sobre os impactos econômicos do desgaste
xima à mesma, podendo levar a sua fratura e
de peças, principalmente automotivas. As
a formação de fragmentos.
maiores perdas no motor de um automóvel
(por exemplo), transitando em uma cidade, Resistência ao atrito e desgaste não são
são devidas ao resfriamento e à exaustão. propriedades intrínsecas do material, mas
são características do sistema de engenha-
Apenas 12% da potência do motor são
ria (Tribosistema), podendo causar perdas de
transmitidas às rodas, o que é menor do que
energia e material, respectivamente. Atrito é
as perdas por atrito (cerca de 15%). Conside-
a resistência ao movimento e aumenta com a
rando melhorias de 20% a economia seria
interação da área de contato real dos sólidos.
de 300 milhões de reais por ano e uma re-
dução de 37.500 toneladas de CO2 emitidos As perdas devido ao desgaste podem
para atmosfera, apenas na cidade de São ser reduzidas por otimização e organização,
Paulo, segundo dados obtidos por Anderson além de um design apropriado, produção,
em 1991(Anderson, 1991 apud RADI et al., montagem, acessórios (veja figura abaixo) e
2007). microestrutura do componente.
A tribologia reúne os conhecimentos ad-
quiridos na física, na química, na mecânica e
na ciência dos materiais para explicar e pre-
ver o comportamento de sistemas físicos
que são utilizados em sistemas mecânicos, é
a ciência que estuda o desgaste e o atrito, ou
seja, a interação de superfícies em movimen-
to e de técnicas relacionadas às mesmas.

Segundo Radi et al. (2007), o que unifica


a tribologia não são os conhecimentos bási-
Fonte: Zum-Gahr (1987 apud SUSKI, 2004, p. 18)
cos, mas sim a área de aplicação.
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O controle das perdas por desgaste deve ser projetadas para uma fácil substituição.
iniciar com o correto processo de fabricação O grau de exatidão da forma, tamanho, per-
do produto, incluindo a escolha do equipa- fil da superfície, rugosidade e folga entre
mento e lugar para instalação. Para estoca- as superfícies durante o funcionamento in-
gem deve-se considerar as partes a serem fluenciam o atrito e desgaste. A vida útil em
protegidas do desgaste. serviço depende muito da exatidão da mon-
tagem, por exemplo, alinhamento exato e
O design do produto pode reduzir efetiva-
limpeza de quaisquer superfícies sujeitas à
mente o desgaste de componentes, otimi-
falha do componente (SUSKI, 2004).
zando a transferência de força e movimento,
o uso apropriado de materiais e lubrificantes Tradicionalmente são aceitos quatro
em função da força, temperatura e ambien- modos de desgaste que estão represen-
te. Partes submetidas ao desgaste devem tados na Figura abaixo:

Modo de desgaste

Fonte: RUDI et al. (2007, p. 3)

O desgaste adesivo ocorre quando a Quando o desgaste é ocasionado pelo


ligação adesiva entre as superfícies é sufi- alto número de repetições do movimento
cientemente forte para resistir ao desliza- ele é chamado de desgaste por fadiga.
mento. Como resultado dessa adesão, uma
O desgaste corrosivo ocorre em meios
deformação plástica é causada na região
corrosivos, líquidos ou gasosos. Neste tipo
de contato gerando uma trinca que pode
de desgaste são formados produtos de re-
se propagar levando à geração de um ter-
ação devido às interações químicas e ele-
ceiro corpo e a uma transferência comple-
troquímicas. Essas reações são conhecidas
ta de material.
como reações triboquímicas e produzem
No desgaste abrasivo ocorre remoção uma intercamada na superfície que depois
de material da superfície. Esse desgaste é removida.
ocorre em função do formato e da dureza
Os modos de desgaste podem ocorrer
dos dois materiais em contato.
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através de diversos mecanismos. Os me- mecanismo de desgaste em cada modo se


canismos de desgaste são descritos pela torna importante. O diagrama abaixo mos-
consideração de mudanças complexas na tra um breve resumo destes mecanismos
superfície durante o movimento. Em geral, (Kato, 2001 apud RUDI et al., 2007; SUSKI,
o desgaste ocorre através de mais de um 2004).
modo, portanto, a compreensão de cada

Diagrama dos processos de desgaste em função do ele-


mento interfacial e do tipo de movimento das interfaces

O desgaste ocorre em função da cine- exemplo, poeira em lubrificantes ou mine-


mática do sistema. Pode variar entre, des- rais em rochas sob pressão, caracterizando
lizamento, rolamento, oscilação, impacto e um desgaste de 3-corpos (Peterson, 1980
erosão, dependendo do tipo de interação apud SUSKI, 2004; RUDI et al., 2007). O
e do movimento das interfaces. A erosão pesquisador tem que ter sempre em men-
pode ainda ser classificada pelo estado fí- te o tipo de aplicação do material que ele
sico do contracorpo, sólido ou líquido, ou deseja testar para que possa simular as
pelo ângulo de ação, alto ou baixo. Os pro- mesmas condições de velocidade, de movi-
cessos de desgaste também poderão ser mento e de carga.
classificados quanto ao elemento inter-
Existem diferentes técnicas que podem
facial, podendo ser de desgaste de 2-cor-
ser utilizadas para testes de desgaste. Em
pos ou estar sob ação de partículas sólidas
contraste com outros testes mecânicos,
pressionadas entre duas superfícies, por
16

não há especificação única de padroniza- (ultravioletas e líquidos penetrantes, ul-


ção, mas um número razoável de técnicas trassons ou raios-X, por exemplo).
aceita em todo o mundo. Em função da falta
Segundo Schio (2011), a ferrografia é
de padronização existem, quase sempre,
uma técnica laboratorial de manutenção
diferenças nos procedimentos dos testes,
preditiva para o monitoramento e diagno-
como tamanho e geometria dos corpos de
se de condições dos componentes das má-
prova, ambiente, etc. Portanto, é muito im-
quinas (embora existam inúmeras outras
portante o conhecimento das condições de
aplicações, como desenvolvimento de ma-
teste para a correta comparação dos resul-
teriais e lubrificantes). A partir da quantifi-
tados obtidos.
cação e análise da formação das partículas
Outro fator que contribui para o eleva- de desgaste (limalhas), encontradas em
do número de testes é a grande variedade amostras de lubrificantes, determinam-se:
de sistemas de desgaste que ocorrem na tipos de desgaste, contaminantes, desem-
prática. Oportunamente, quando técnicas penho do lubrificante, etc.
similares são utilizadas, os resultados ob-
Há dois níveis de análise ferrográfica.
tidos podem ser comparados, ao menos
Uma quantitativa que consiste numa téc-
qualitativamente.
nica de avaliação das condições de desgas-
Obter-se-á sucesso na comparação de te dos componentes de uma máquina por
resultados obtidos em laboratório com a meio da quantificação das partículas em
indústria somente se os mecanismos do suspensão no lubrificante, e uma analítica
sistema no laboratório e prática forem bas- que utiliza a observação das partículas em
tante similares (SUSKI, 2004). suspensão no lubrificante (CUNHA, 2005).

O conceito básico consiste na análise


3.2 A ferrografia de particulados e propriedade de fluídos e
A ferrografia foi descoberta em 1971 óleos hidráulicos, visando a determinação
por Vernon C. Westcott, um tribologista de sua qualidade para atendimento das es-
de Massachusetts, Estados Unidos, e de- pecificações do seu meio ambiente funcio-
senvolvida durante os anos subsequentes nal (equipamento).
com a colaboração do Roderic Bowen e pa-
trocínio do Centro de Engenharia Aerona- São princípios básicos da ferrogra-
val Americano e outras entidades, (www. fia:
bibvirt.futuro.usp.br). Em 1982, a ferrogra-
toda máquina se desgasta;
fia foi liberada para uso civil e trazida para
o Brasil em 1988. (BARONI; GOMES, 1995). o desgaste gera partículas;

A ferrometria é uma técnica que conta o o tamanho e a quantidade das partícu-


número de micropartículas metálicas num las indicam a severidade do desgaste;
dado volume de lubrificante (mede o des-
a morfologia e o acabamento super-
gaste que envolve a perda de massa), mas
ficial das partículas indicam o tipo de des-
são necessárias técnicas mais complicadas
gaste (ALMEIDA, 2006).
para detectar microfissuras de fadiga e
transformações estruturais dos materiais
17

3.3 O processo e tipos de dos anteriormente.

análise da ferrografia 3.3.1 Exame Analítico (AN)


A amostragem é feita com a máquina Permite a observação visual das partí-
em funcionamento ou momentos após a culas para que sejam identificados os tipos
sua parada, de forma a ser evitada a pre- de desgaste presentes (ALMEIDA, 2006).
cipitação das partículas (ALMEIDA, 2006). Sobre uma lâmina de vidro (ferrograma)
O ponto de coleta deve estar localizado bombeia-se lentamente a amostra. As par-
o mais próximo possível da fonte de ge- tículas são depositadas e, posteriormente,
ração de partículas. No caso de sistemas examinadas com o auxílio de um microscó-
circulatórios, uma válvula na tubulação de pio ótico especial (ferroscópio).
retorno do óleo é o ponto ideal. Quando O ferrograma possui 25 x 60 x 0,7 mm.
inacessível, drenos em reservatórios ou Montado no ferrógrafo analítico (abaixo)
amostragem por meio de bombas de cole- sofre a ação de um campo magnético cuja
ta são alternativas válidas. O maior cuida- distribuição das linhas de força não é uni-
do está em se evitar pontos após filtros ou forme, mas de intensidade menor na en-
regiões onde não ocorra homogeneização. trada do fluxo e, num gradiente crescente,
Enviadas ao laboratório, as amostras serão tem sua intensidade máxima na saída.
analisadas pelo dois tipos de exames fala-

Fonte: Almeida (2006, p. 140).


18

Dessa forma, à medida que a amostra flui viscosidade do óleo, diminuição da velocida-
por sobre a lâmina, as partículas ferromag- de da máquina, etc.
néticas de maior tamanho são depositadas
Outro desgaste bastante comum é a Abra-
logo na entrada. Avançando-se no ferrogra-
são. Gera partículas assemelhadas a cavacos
ma, encontramos as partículas de tamanhos
de torno com dimensões de 2 a centenas
menores. Na saída, observamos as partícu-
de mícron. A principal causa para esse tipo
las de até 0,1 μm. Essas partículas são iden-
de desgaste é a contaminação por areia. Os
tificadas pela forma com que se alinham,
pequenos grãos de areia ingeridos pela má-
seguindo a direção das linhas de força do
quina se incrustam, por exemplo, num man-
campo magnético.
cal de metal patente e o canto vivo exposto
As partículas paramagnéticas ou não “usina” o eixo que está girando, tal qual um
magnéticas (ligas de cobre, alumínio, prata, torno mecânico.
chumbo, etc. e contaminantes como areia,
De forma geral, considera-se como indí-
borracha, fibras de pano, papel etc.) deposi-
cio de problema partículas maiores que 15
tam-se de forma aleatória. São encontradas
μm. Os vários tipos de partículas observadas
ao longo de todo ferrograma.
pela ferrografia recebem nomes que repre-
Ao final do bombeamento da amostra, sentam ora o tipo do desgaste (Esfoliação,
circula-se um solvente especial, isento de Abrasão, Corrosão, etc.), ora sua forma (La-
partículas, que “lava” o ferrograma, levando minares, Esferas, etc.) ou ainda a natureza
consigo o lubrificante. Até 98% das partícu- (Óxidos, Polímeros, Contaminantes Orgâni-
las presentes na amostra permanecem reti- cos, etc.).
das na lâmina. Após a secagem, o ferrograma
Existem regras bem definidas para a re-
está pronto para ser examinado no ferroscó-
presentação da taxa de incidência de cada
pio.
tipo de partícula num ferrograma. A repre-
Todo material utilizado na ferrografia é sentação da análise é feita de forma gráfica,
descartável. Um ferrograma, com cuidados onde barras horizontais indicam a incidência.
especiais, pode ser armazenado por até 4
anos. Cada tipo de desgaste pode ser identi- 3.3.2 Exame Quantitativo
ficado pelas diferentes formas que as partí-
culas adquirem ao serem geradas.
(DR)
Segundo Almeida (2006), a Ferrografia
O desgaste mais comum é a Esfoliação. Quantitativa, ou ferrografia de leitura dire-
São partículas geralmente de 5 μm, poden- ta (Direct Reading = DR) utiliza os mesmos
do atingir 15 μm. Sua forma lembra flocos de princípios da ferrografia analítica. A diferen-
aveia. A Esfoliação é gerada sem a necessi- ça está no formato do corpo de prova e no
dade de contato metálico, mas apenas pela método de leitura.
transmissão de força tangencial entre uma
peça e outra por meio do filme lubrificante. O corpo de prova (conjunto tubo precipita-
A quantidade e o tamanho dessas partículas dor) é formado por uma mangueira de PTFE,
aumentarão caso a espessura do filme seja um tubo de vidro e uma mangueira de dre-
reduzida devido à sobrecarga, diminuição da nagem. O tubo de vidro é instalado sobre o
campo magnético especial, da mesma forma
19

que o ferrograma. Duas regiões deste tubo Assim como no ferrograma, as partículas
são iluminadas de baixo para cima por uma se precipitam de forma ordenada por tama-
fonte de luz controlada. A sombra formada nho. O tubo precipitador é divido em duas
pelas partículas que se depositam no tubo é regiões onde se encontram as partículas
observada por fotocélulas ligadas ao circuito maiores que 5 μm, chamadas Grandes (Large
micro processado. = L) e menores ou iguais a 5 μm, chamadas
Pequenas (Small = S).

Fonte: Almeida (2006, p. 142).

A unidade utilizada na ferrografia quanti- Para cada tipo de máquina estabelecem-


tativa é exclusiva e arbitrada. Para 50% da -se diferentes periodicidades nos exames
área do tubo coberta por partículas foi arbi- quantitativos (DR) e analíticos (AN). A título
trado o número 100, adimensional. A leitura de exemplo, temos:
fornecida pelo instrumento é diretamente
a) DR a cada 30 dias.
proporcional à concentração de partículas da
amostra. b) AN a cada 90 dias ou quando algo anor-
mal é apontado pelo DR.
O manuseio dos valores de L e S per-
mite várias interpretações, tais como: c) Nas duas primeiras amostras efetuam-
-se DR + AN para determinação da base-line
L+S = concentração total de partículas
(ALMEIDA, 2006).
PLP = (L-S)/(L+S)*100 = modo de desgas-
Vale guardar...
te
A Ferrografia consiste na determinação
IS = (L2 - S2)/diluição2 = índice de severi-
da severidade, modo e tipos de desgaste
dade
em máquinas, por meio da identificação da
Assim como em outras técnicas de Manu- morfologia, acabamento superficial, colora-
tenção Preditiva, os primeiros exames são ção, natureza e tamanho das partículas en-
utilizados na determinação da referência da contradas em amostras de óleos ou graxas
máquina (base-line). lubrificantes, de qualquer viscosidade, con-
sistência e opacidade.
20

UNIDADE 4 - Termografia

A técnica que possibilita a medição de al., 2011).


temperaturas ou observação de padrões
O conceito básico consiste na análise
diferenciais de distribuição de calor, por
pela visão humana do expectro infra-
meio da medição da radiação infraverme-
vermelho, chamadas de termogramas.
lha, naturalmente emitida pelos corpos,
O Infravermelho é uma frequência ele-
apresentando imagens térmicas (termo-
tromagnética, naturalmente emitida por
gramas) dos componentes, equipamen-
qualquer corpo com intensidade propor-
tos ou processos denomina-se Termo-
cional a sua temperatura.
grafia.

É amplamente utilizada na mecânica e


Dentre as utilidades da termogra-
elétrica, pois apresenta diversas vanta- fia, elencam-se:
gens, como: baixo custo; alto rendimen- análise de quaisquer circuitos ele-
to, com a medição de grandes áreas em troeletrônicos;
pouco tempo; segurança, pois não há ne-
cessidade de contato físico com os equi- quadros de energias, estações, su-
pamentos. bestações;

A utilização da termografia, um ensaio cabines de entradas de energia;


não destrutivo que tem seu princípio na instalações elétricas;
leitura térmica, através da radiação in-
fravermelha emitida pelos objetos, está no breaks;
fundamentado no método preditivo de pontes rolantes, escadas rolantes,
manutenção, com propósito de aumen- elevadores, etc.
tar a confiabilidade dos equipamentos,
ou seja, o equipamento estar disponível Santos (2006, p.19) faz um breve co-
para executar determinado trabalho, mentário sobre a evolução, principal-
mantendo suas funções continuamente mente dos equipamentos termovisores,
quando este for solicitado. Considerando salientando a importância dos estudos
que toda quebra em equipamentos pro- realizados nesta área:
vocada por disfunção em componentes, A Termografia infravermelha, tal como
apresenta anteriormente um sintoma de é conhecida hoje, com Termovisores por-
falha, detectar a alteração da temperatu- táteis capazes de detectar e converter,
ra normal de operação dos componentes em tempo real, a radiação infraverme-
elétricos, tem sido uma prática bastante lha em imagens visíveis e com a possi-
utilizada pelas indústrias, e a aplicação bilidade de medição de temperatura, só
da termografia é utilizada como método foi possível devido a diversos estudos e
para monitorar a temperatura dos com- descobertas, das quais alguns dos mais
ponentes, evitando aquecimento exces- importantes, a partir da descoberta da
sivo e possíveis falhas (PALUCHOWSKI et radiação infravermelha.
21

A termografia, ou a geração de ima- termografia em Furnas Centrais Elétri-


gens térmicas, pode ser utilizada em cas, uma distribuidora de energia, onde
aplicações, tais como a inspeção de equi- a manutenção preditiva em todas as su-
pamentos elétricos, de processos e no bestações da empresa, tem como foco
diagnóstico de construções. Os equi- principal a prática termográfica, apre-
pamentos elétricos incluem motores, sentando ótimos resultados, dentre eles
equipamentos de distribuição, quadros uma maior confiabilidade do sistema de
de comando, subestações, entre outros. distribuição de energia, detectando pro-
Equipamentos de processo incluem equi- blemas em seu estágio inicial, evitando
pamentos de montagem e manufatura desta forma paradas indesejadas e, con-
automatizados. Os diagnósticos de cons- sequentemente, maior produtividade e
trução incluem a verificação de umidade operacionalidade de seus sistemas de
em telhados e inspeções de vazamento distribuição de energia (ARAÚJO; BARBO-
de ar e detecção de umidade no isola- SA; SINISCALCHI, 2008).
mento de prédios. Dentre essas aplica-
O trabalho de Brice apud Santos (2006,
ções, são mais comumente utilizados
p.23), traz um exemplo prático de aplica-
para inspecionar a integridade de siste-
ção em subestação de energia elétrica,
mas elétricos (FLUKE, 2009).
no qual cita que

4.1 Aplicações elétricas um lado importante da operação de


Dentro da prática termográfica, os subestações de alta tensão é a manu-
componentes que envolvam eletricidade tenção preventiva de equipamentos
tem a maior aplicação, nos quais se ins- elétricos energizados. Os problemas
peciona aquecimento em acionamentos, nesses equipamentos geralmente
aquecimento em bornes, aquecimento aparecem como pontos quentes de-
em componentes elétricos, quadros de vido a sobrecargas térmicas locais ou
comando até subestações de energia. mau contato.
Em eletricidade e eletrônica, a monito-
Em trabalho de Brito, Alves e Filho
rização constante e a detecção precoce
(2011), é abordado um programa de ma-
de alterações na temperatura de um de-
nutenção preditiva em aproximadamente
terminado componente permitem a pre-
500 painéis elétricos, utilizando a prática
venção de falhas de maquinaria e conse-
da análise termográfica, com o objetivo
quentes perdas de produtividade, além
de introduzir uma variável que indique
de resultar em redução significativa nos
a importância da falha no contexto do
custos com manutenção corretiva por fa-
sistema. Citam que torna-se necessário
lhas indesejadas de máquinas, por conta
incluir na classificação do aquecimento
de defeitos em componentes elétricos
o parâmetro de “Criticidade” dos compo-
que as integram (AFONSO, 2010; FLUKE,
nentes dos painéis elétricos, que segun-
2009).
do eles se classifica em três classes:
Seguindo esse mesmo pensamen-
to, em 1972, foi implantado a prática da
Classe 1: quando sua falha afeta o
fornecimento de energia de toda a uni-
22

dade e paradas de custo muito elevado. com poeira, que tenha falta de fase, que
esteja desalinhado ou desbalanceado,
Classe 2: quando sua falha causa pa-
ou até mesmo se seus rolamentos estão
radas à produção, porém restritas a uma
danificados, evitando com essas análi-
parte da unidade.
ses a queima desse motor ou a parada de
Classe 3: quando sua falha pode ser algum processo por conta disso (FLUKE,
facilmente contornada através de mano- 2009).
bras ou redundâncias, sem interromper a
Além de inspeções termográficas em
produção.
equipamentos mecânicos e elétricos,
Ainda, esses mesmos autores de- também existe uma ampla utilização
monstraram a importância e a eficiência em demais processos. Um exemplo é no
da análise termográfica, na qual, com a diagnóstico de construções que pode-se
implantação deste programa, torna-se utilizar o termovisor para inspeção de
possível minimizar os custos de manu- umidade em telhados, no qual, através
tenção elétrica e maximizar a disponibili- da diferença de temperatura se compa-
dade dos painéis de comando elétrico as- rada a outros pontos do telhado, pode-se
sistidos, evitando-se falhas prematuras verificar vazamentos de água e demais
e paradas indesejáveis da produção por danos nas estruturas causados por infil-
falhas em componentes que integram os trações (FLUKE, 2009).
painéis elétricos (BRITO; ALVES; FILHO,
São vantagens de uma inspeção
2011).
termográfica:
4.2 Aplicações mecânicas excelente custo/ benefício – o cus-
As inspeções eletromecânicas e me- to de uma inspeção termográfica em re-
cânicas abrangem uma grande variedade lação à economia que ela proporciona é
de equipamentos. A geração de imagens imensurável, pois um bom programa pre-
térmicas provou ser inestimável para a ventivo de inspeções periódicas e inter-
inspeção de equipamentos, tais como venções adequadas elimina a ocorrência
motores e equipamentos giratórios. A de falhas imprevistas e paradas não pro-
maior parte dessas aplicações é qualita- gramadas. Além de minimizar a ocorrên-
tiva, a imagem térmica atual é normal- cia de prejuízos materiais e até humanos;
mente comparada com a anterior e, con-
sem interrupção do processo pro-
sequentemente, feito comparações para
dutivo – para apresentação de melhores
se detectar quais as partes do motor que
resultados, as inspeções devem ser reali-
estão gerando um aumento da tempera-
zadas nos períodos de plena atividade ou
tura, e as possíveis causas de isso estar
carga;
acontecendo. Motores são inspecionados
termicamente porque são muito suscetí- segurança – as inspeções são reali-
veis a falhas relacionadas ao calor. Captar zadas a distâncias seguras, sem necessi-
imagens térmicas de um motor ao longo dade de contato físico entre a instalação
do tempo pode ser de grande valor, pois e o inspetor, e permite maior segurança
pode revelar, se um motor está entupido na estocagem de produtos;
23

rapidez – a inspeção termográfica


é realizada com equipamentos portáteis,
tornando-se um processo rápido e de
alto rendimento. Em função de resulta-
dos instantâneos, possibilita a interven-
ção imediata, caso necessário;

aumento da confiabilidade – há
uma maior confiança no sistema de tra-
balho, reduzindo-se, assim, os itens em
almoxarifado (SOUZA; PIRES; ALVES,
2010).

Vale guardar...
A análise termográfica, sendo um pro-
cesso não destrutivo e que é realizado
com o funcionamento da máquina com
carga total, pode identificar o defeito
logo em seu início, com a antecedência
necessária que possibilite o planejamen-
to da parada do sistema e um reparo sim-
ples e de baixo custo (SANTOS, 2009).
24

UNIDADE 5 - Ultrassom

Souza (2011) explica didaticamente que das principais ferramentas do controle da


ultrassom corresponde a um som com fre- qualidade de materiais e produtos, contri-
quência de onda superior aos 20 KHz, e tem buindo para garantir a qualidade, reduzir os
algumas aplicações, como a ultrassonogra- custos e aumentar a confiabilidade da inspe-
fia, o ultrassom terapêutico e focando nosso ção.
curso, funciona como um Ensaio Não Des-
São largamente utilizadas nos setores pe-
trutivo (END) (uma das técnicas utilizadas na
tróleo/petroquímico, químico, aeronáutico,
inspeção de materiais e equipamentos sem
aeroespacial, siderúrgico, naval, eletrome-
danificá-los, sendo executados nas etapas
cânico, papel e celulose, entre outros. Con-
de fabricação, construção, montagem e ma-
tribuem para a qualidade dos bens e servi-
nutenção).
ços, redução de custo, preservação da vida
No meio científico, utiliza-se a palavra e do meio ambiente, sendo fator de compe-
frequência para especificar uma grandeza titividade para as empresas que os utilizam
física. Assim como no cotidiano, a frequên- (ABENDE)
cia simboliza a quantidade de determinados
Os END incluem métodos capazes de pro-
eventos que ocorrem em um intervalo de
porcionar informações a respeito do teor de
tempo. No caso particular das ondas, a pala-
defeitos de um determinado produto, das
vra frequência caracteriza o número de osci-
características tecnológicas de um material,
lações de uma onda por um período de tem-
ou ainda, da monitoração da degradação em
po. Ela é medida em Hertz, ou seja, número
serviço de componentes, equipamentos e
de eventos por segundo, em homenagem ao
estruturas.
físico alemão Heinrich Hertz.
Dentre os métodos mais usuais de END,
Há três tipos de ondas: mecânicas, eletro-
além do ultrassom, podemos citar o ensaio
magnéticas e de matéria. As ondas mecâni-
visual, líquido penetrante, partículas magné-
cas dependem de um meio para se propagar,
ticas, radiografia (Raios X e Gama), correntes
enquanto as eletromagnéticas não. Já as
parasitas, análise de vibrações, termografia,
ondas de matéria representam o compor-
emissão acústica, estanqueidade e análise
tamento de pequenas partículas, como elé-
de deformações.
trons e prótons.

Um exemplo de onda mecânica é o som 5.1 Fundamentos e princí-


(vibrações que tem como meio o ar). O som
ouvido pelos seres humanos varia entre as
pios do ultrassom
faixas de frequência 20 Hz à 20 KHz, portan- Os sons produzidos em um ambiente
to, os sons que ultrapassam ou são inferiores qualquer refletem-se ou reverberam nas pa-
a tais faixas, não conseguem ser percebidos redes que constituem o ambiente, podendo
pelo homem. Dentre tais sons, há o chamado ainda ser transmitidos a outros ambientes.
ultrassom (SOUZA, 2011). Este fenômeno constitui o fundamento do
ensaio por ultrassom de materiais.
Voltando aos END, eles constituem uma
25

Assim como uma onda sonora reflete ao Normalmente, as frequências ultrassônicas


incidir num anteparo qualquer, a vibração ou situam-se na faixa de 0,5 a 25 MHz.
onda ultrassônica também reflete quando
Geralmente, as dimensões reais de um
percorre um meio elástico; do mesmo modo,
defeito interno podem ser estimadas com
a vibração ou onda ultrassônica refletirá ao
uma razoável precisão, fornecendo meios
incidir numa descontinuidade ou falha in-
para que a peça ou componente em questão
terna de um meio considerado. Através de
possa ser aceito, ou rejeitado, baseando-se
aparelhos especiais, é possível detectar as
em critérios de aceitação da certa norma
reflexões provenientes do interior da peça
aplicável. Utiliza-se ultrassom também para
examinada, localizando e interpretando as
medir espessura e determinar corrosão com
descontinuidades.
extrema facilidade e precisão (INSPECON,
O teste ultrassônico de materiais é feito 2010).
com o uso de ondas mecânicas ou acústicas
colocadas no meio em inspeção, ao contrá-
Aparelho de ultrassom
rio da técnica radiográfica, que usa ondas
industrial
eletromagnéticas. O ensaio por ultrassom
caracteriza-se por ser um método não des-
trutivo com o objetivo de detectar desconti-
nuidades internas, presentes nos mais varia-
dos tipos ou formas de materiais ferrosos ou
não ferrosos.

As descontinuidades são caracterizadas


pelo próprio processo de fabricação da peça
ou por componentes, como por exemplo,
bolhas de gás em fundidos, dupla laminação
em laminados, microtrincas em forjados, es-
córias em uniões soldadas e muitos outros.
Portanto, o exame ultrassônico, assim como
todo exame não destrutivo, visa a diminuir o
grau de incerteza na utilização de materiais
ou peças de responsabilidade.

Um pulso ultrassônico é gerado e transmi-


tido através de um transdutor especial, en- Os princípios físicos que regem o ensaio
costado ou acoplado ao material. Os pulsos por ultrassom são a dispersão, a absorção,
ultrassônicos refletidos por uma desconti- a atenuação sônica e a divergência do feixe
nuidade, ou pela superfície oposta da peça, sônico.
são captados pelo transdutor, convertidos
a) Dispersão – a dispersão do feixe sô-
em sinais eletrônicos e mostrados na tela
nico deve-se ao fato de a matéria não ser
LCD ou em um tubo de raios catódicos (TRC)
totalmente homogênea e conter interfaces
do aparelho. Os ultrassons são ondas acústi-
naturais de sua própria estrutura ou que são
cas com frequências acima do limite audível.
provocadas pelo processo de fabricação.
26

Como exemplo citam-se os fundidos, que sável pela perda de parte da intensidade
apresentam grãos de grafite e ferrita com ou energia da onda sônica; a divergência se
propriedades elásticas distintas. A mudança pronuncia à medida que a fonte emissora é
das características elásticas de ponto num afastada das vibrações acústicas. Tal fenô-
mesmo material é chamada anisotropia, que meno pode ser observado ao detectar um
é mais significativa quando o tamanho do defeito pequeno com o feixe ultrassônico
grão é de 1/10 do comprimento de onda. central do transdutor; nesta condição, a am-
plitude do eco na tela do aparelho é máxima.
b) Absorção – absorção é a energia ce-
No entanto, quando o transdutor é afastado
dida pela onda para que cada partícula do
lateralmente ao defeito, a amplitude dimi-
meio execute um movimento de oscilação,
nui, indicando uma queda na sensibilidade
transmitindo vibração às outras partículas
de detecção do mesmo defeito. A diferença
do próprio meio; esse fenômeno ocorre sem-
de sensibilidade ou altura do eco de reflexão
pre que uma vibração acústica percorre um
entre a detecção do defeito com o feixe ul-
meio elástico.
trassônico central e a detecção do mesmo
c) Atenuação sônica – a onda sônica, defeito com a borda do feixe ultrassônico é
ao percorrer um material qualquer, sofre em considerável.
sua trajetória efeitos de dispersão e absor-
ção que resultam na redução da sua energia. 5.2 Aplicações do ultrassom
Os resultados dos efeitos de dispersão e ab- É largo o campo de aplicação do utrassom
sorção, quando somados, resultam na ate- ou área de abrangência, indo de transfor-
nuação sônica. madores, passando por painéis, motores,
Na prática, esse fenômeno pode ser vi- geradores, cabos e terminações; isoladores;
sualizado na tela do aparelho de ultrassom, barramentos; barramentos blindados; relés;
quando se observam vários ecos de reflexão disjuntores; muflas/ terminações; caixas de
de fundo provenientes de uma peça com su- passagem; outros equipamentos elétricos.
perfícies paralelas. As alturas dos ecos dimi- As aplicações deste ensaio não destrutivo
nuem com a distância percorrida pela onda. são inúmeras: soldas, laminados, forjados,
A atenuação sônica é importante quan- fundidos, ferrosos e não ferrosos, ligas me-
do se inspecionam peças em que este fator tálicas, vidro, borracha, materiais compos-
pode inviabilizar o ensaio. Soldas em aços tos, tudo permite ser analisado por ultras-
inoxidáveis austeníticos e peças forjadas em som. Indústria de base (usinas siderúrgicas)
aços inoxidáveis são exemplos clássicos des- e de transformação (mecânicas pesadas),
ta dificuldade. O controle e avaliação da ate- indústria automobilística, transporte maríti-
nuação nestes casos é razão para justificar mo, ferroviário, rodoviário, aéreo e aeroes-
procedimentos de ensaio especiais. Alguns pacial: todos utilizam ultrassom. Mesmo em
valores de atenuação podem ser encontra- hospitais, a primeira imagem de um feto hu-
dos num quadro extraído do livro de Krau- mano é obtida por ultrassom. Modernamen-
tkramer “Ultrasonic Testing of Materials”. te, o ultrassom é utilizado na manutenção
industrial, na detecção preventiva de vaza-
d) Divergência do feixe sônico – a mentos de líquidos ou gases, falhas opera-
divergência é um fenômeno físico respon- cionais em sistemas elétricos (efeito corona),
27

vibrações em mancais e rolamentos, etc. O – descargas parciais) – conhecidas como


ensaio ultrassônico é, sem sombra de dúvi- “baby arcing” (arco embrionário), ocorre
das, o método não destrutivo mais utilizado quando há perda de isolação e esta perda de
e o que apresenta o maior crescimento para isolação estabelece um caminho para cor-
a detecção de descontinuidades internas rentes (descargas) elétricas de baixa inten-
nos materiais (INSPECON, 2010). sidade que não podem ser identificadas por
dispositivos de proteção convencionais (EN-
Três problemas básicos que podem
GEPOWER, 2009).
ser detectados pelo equipamento de ul-
trassom seriam: Ferramenta indispensável para garantia
da qualidade de peças de grandes espessu-
o arco elétrico – que ocorre toda vez
ras, com geometria complexa de juntas sol-
que existe uma disrupção do ar, seguido de
dadas e chapas, essa técnica é aplicada na
passagem de corrente. A maior parte das fal-
indústria moderna, principalmente nas áre-
tas em sistemas elétricos industriais ocorre
as de caldeiraria e estruturas marítimas. Na
por falha de isolação, ou seja, através de arco;
maioria dos casos, os ensaios são aplicados
corona – ocorre quando a tensão em em aços carbono e em menor porcentagem
um condutor elétrico excede o gradiente de nos aços inoxidáveis, bem como materiais
potencial do ar que circunda este condutor e não ferrosos podem ser examinados por
começa a ionizá-lo e formar uma nuvem azul ultrassom, mas requerem procedimentos
ou púrpura ao redor; especiais, existindo vantagens e desvanta-
gens, a saber:
descargas Elétricas (embrionárias

Vantagens

- Alta sensibilidade na detectabilidade de pequenas descontinuidades internas,


como trincas devido a tratamento térmico, fissuras e outros de difícil detecção por
ensaio de radiações penetrantes (radiografia ou gamagrafia).

- Para interpretação das indicações, o ensaio por ultrassom dispensa processos


intermediários, agilizando a inspeção. No caso de radiografia ou gamagrafia, existe
a necessidade do processo de revelação do filme, que, via de regra, demanda tempo
para o informe de resultados.

- Ao contrário dos ensaios por radiações penetrantes, o ensaio por ultrassom não
requer planos especiais de segurança ou quaisquer acessórios para sua aplicação.

- A localização, a avaliação do tamanho e a interpretação das descontinuidades


encontradas são fatores intrínsecos ao exame ultrassônico, enquanto que outros
exames não definem tais fatores. Por exemplo, um defeito mostrado num filme
radiográfico define o tamanho do defeito mas não sua profundidade e em muitos
casos este é um fator importante para proceder a um reparo.
28

Desvantagens

- Apresenta algumas desvantagens, como a exigência de grande conhecimento


teórico e experiência por parte do inspetor, além do preparo da superfície; o re-
gistro permanente do teste não é facilmente obtido; faixas de espessuras muito
finas constituem uma dificuldade para aplicação do método; em alguns casos de
inspeção de solda existe a necessidade da remoção total do reforço da solda, o que
demanda tempo de fábrica.

- O ensaio por ultrassom de materiais com ondas superficiais é aplicado com seve-
ras restrições, pois somente são observados defeitos de superfície; para detectar
este tipo de descontinuidade, existem ensaios não destrutivos mais simples, como
os ensaios por líquidos penetrantes e por partículas magnéticas, que em geral são
de custo e complexidade inferiores aos do ensaio por ultrassom.

rentes a escolha da função, potência de


emissão, ganho, escala e velocidade de
5.3 Componentes e funcio- propagação.

namento de um ultrassom Todo aparelho possui entradas de co-


Basicamente, o aparelho de ultrassom nectores dos tipos BNC (aparelhos de
contém circuitos eletrônicos especiais, procedência norte-americana) ou Lemo
que permitem transmitir ao cristal pie- (aparelhos de procedência alemã), para
zelétrico, através do cabo coaxial, uma permitir transdutores dos tipos mono-
série de pulsos elétricos controlados, cristal e duplo-cristal.
que são transformados pelo cristal em A potência de emissão está diretamen-
ondas ultrassônicas. Da mesma forma, te relacionada à amplitude de oscilação
sinais captados no cristal são mostra- do cristal ou tamanho do sinal transmi-
dos na tela do tubo de raios catódicos em tido. Em geral, os aparelhos apresentam
forma de pulsos luminosos denominados níveis de potência controláveis por uma
ecos, que podem ser regulados tanto na chave seletora com posições em número
amplitude quanto na posição na tela gra- de 2 até 5.
duada. Os ecos constituem o registro das
descontinuidades encontradas no inte- O ganho está relacionado com a ampli-
rior do material. tude do sinal na tela ou amplificação do
sinal recebido pelo cristal. Os aparelhos
Em geral, os fabricantes oferecem vá- apresentam um ajuste fino e um grossei-
rios modelos de aparelhos com maiores ro, calibrados em decibéis, num mesmo
ou menores recursos técnicos; entre- botão de controle ou separadamente.
tanto, alguns controles e funções bási-
cas devem existir para que sua utilização As graduações na tela do aparelho po-
seja possível. Esses controles são refe- dem ser modificadas, conforme a neces-
29

sidade, por meio do controle de escala los eletrodos e pela carcaça externa. Um
calibrada em faixas fixas com variações transdutor emite um impulso ultrassôni-
de 10, 50, 250 e 1.000mm. co que atravessa o material e reflete nas
interfaces, originando o eco. O eco retor-
Quando a velocidade de propagação é
na ao transdutor e gera o sinal elétrico
alterada no aparelho, nota-se claramen-
correspondente.
te que o eco de reflexão produzido por
uma interface muda de posição na tela O transdutor pode ser classifica-
do osciloscópio, permanecendo o eco do em três tipos: normal ou reto,
original em sua posição inicial. O apare- angular e duplo-cristal:
lho de ultrassom é basicamente ajustado
para medir o tempo de percurso do som a) O transdutor normal ou reto é o
na peça ensaiada por meio da relação S = chamado cabeçote monocristal gerador
v x t, onde o espaço percorrido S é pro- de ondas longitudinais perpendiculares
porcional ao tempo t e à velocidade de à superfície de acoplamento. É construí-
propagação v. do a partir de um cristal piezelétrico com
uma das faces colada num bloco rígido
A unidade de medida do material tam- denominado amortecedor e outra face
bém pode ser ajustada em centímetros, protegida por uma membrana de borra-
metros, etc. Dependendo do modelo e do cha ou por uma resina especial. O bloco
fabricante do aparelho, pode existir um amortecedor serve de apoio para o cris-
controle específico da velocidade ou, na tal e absorve as ondas emitidas pela face
maioria dos casos, um controle que tra- colada a ele. A face de contato do trans-
balha junto com o da escala do aparelho. dutor com a peça deve ser protegida con-
Nesse caso, existe uma graduação de ve- tra desgaste mecânico por meio de mem-
locidade em metros por segundo em re- branas de borracha finas e resistentes ou
lação aos diferentes materiais de ensaio camadas fixas de epóxi enriquecido com
por ultrassom. óxido de alumínio. Em geral, os transdu-
tores normais são circulares, com diâme-
Os componentes principais do equipa-
tro de 5 a 24 mm, com frequência de 0,5,
mento de ultrassom são os cristais e os
1, 2, 2,5, 4,5 e 6 MHz. Outros diâmetros e
transdutores.
frequências existem, porém para aplica-
Cristais são materiais que apresen- ções especiais.
tam o efeito piezelétrico responsável por
transformar a energia elétrica alternada
b) O transdutor angular é assim
chamado em razão de o cristal formar
em oscilação mecânica e a energia mecâ-
um determinado ângulo em relação à su-
nica em elétrica. Os cristais são monta-
perfície do material. O ângulo é obtido
dos sobre uma base que funciona como
pela inserção de uma cunha de plástico
suporte ou bloco amortecedor. Tipos de
entre o cristal piezelétrico e a superfí-
cristais são quartzo, sulfato de lítio, tita-
cie. A cunha pode ser fixa, sendo então
nato de bário e metaniobato de chumbo.
englobada pela carcaça, ou intercambi-
O transdutor, também chamado de ável; neste último caso, um transdutor
cabeçote, é formado pelos cristais, pe- normal é preso com parafusos que fixam
30

a cunha à carcaça. Uma vez que a práti- cristais são conectados ao aparelho de
ca é trabalhar com diversos ângulos (35, ultrassom por um cabo duplo; o aparelho
45, 60, 70 e 80 graus), a solução de um deve ser ajustado para trabalhar com dois
único transdutor com várias cunhas é cristais. Os cristais são montados sobre
mais econômica; no entanto, é necessá- blocos feitos de plástico especial de bai-
rio maior cuidado no manuseio. O ângulo xa atenuação. Devido a essa inclinação,
nominal, sob o qual o feixe ultrassônico os transdutores duplos não podem ser
penetra no material, vale somente para usados para qualquer profundidade, pois
inspeção de peças de aço; se o material fora da zona de inclinação a sensibilidade
for outro, determina-se o ângulo real de se reduz. Possuem sempre uma faixa de
penetração por meio de blocos de cali- inspeção ótima, que deve ser observada.
bração feitos desse mesmo material. A Em certos casos, os transdutores duplos
mudança do ângulo deve-se à mudança são utilizados com focalização, isto é, o
de velocidade no meio. O cristal piezelé- feixe é concentrado em uma determina-
trico somente recebe ondas ou impulsos da zona do material para a qual se deseja
ultrassônicos que penetram na cunha na máxima sensibilidade.
direção paralela à de emissão, em senti-
Existem problemas de inspeção que
do contrário. A cunha de plástico funcio-
não podem ser resolvidos nem com trans-
na como amortecedor para o cristal pie-
dutores retos nem com angulares. Quan-
zelétrico após a emissão dos impulsos. O
do se trata de inspecionar ou medir ma-
transdutor angular apresenta sapatas de
teriais de reduzida espessura, ou quando
acrílico feitas para proporcionar ângulos
se deseja detectar descontinuidades
de transmissão bem definidos. Entretan-
logo abaixo da superfície do material, a
to, o uso contínuo e o consequente des-
zona morta existente na tela do apare-
gaste das sapatas poderão alterar o de-
lho impede uma resposta clara. O cristal
sempenho do transdutor. Esse problema
piezelétrico recebe uma resposta num
pode ser agravado quando a pressão do
espaço de tempo curto após a emissão, e
dedo do operador incidir sobre as bordas
suas vibrações não são amortecidas su-
do transdutor, fazendo com que o des-
ficientemente. Neste caso, somente um
gaste ocorra de modo irregular e alteran-
transdutor duplo-cristal, capaz de sepa-
do significativamente o ângulo nominal.
rar a emissão da recepção pode ajudar.
c) O transdutor duplo-cristal é o
De todo modo, para realizar a inspe-
mais indicado e largamente utilizado nos
ção, o transdutor deve ser acoplado à
procedimentos de medição de espessu-
peça; quando isso é feito, estabelece-
ra por ultrassom. Apresenta dois cristais
-se uma camada de ar entre a sapata do
incorporados na mesma carcaça, leve-
transdutor e a superfície da peça. Esta
mente inclinados em relação à superfície
camada ar impede que as vibrações me-
de contato e separados por um material
cânicas produzidas pelo transdutor se
acústico isolante. Cada um deles funcio-
propaguem para a peça em razão das ca-
na somente como emissor ou somente
racterísticas acústicas (impedância acús-
como receptor, sendo indiferente qual
tica) muito diferentes das do material a
deles exerce cada uma das funções. Os
31

inspecionar. Por esta razão, deve-se usar


um líquido que estabeleça uma redução
desta diferença e permita a passagem
das vibrações para a peça. Esse líquido,
denominado líquido acoplante, é escolhi-
do em função do acabamento superficial
da peça, de condições técnicas e tipo da
peça (INFOSOLDA, 2013; SENAI, 1997).

Guarde...
As aplicações deste ensaio – ultras-
som – são inúmeras: soldas, laminados,
forjados, fundidos, ferrosos e não ferro-
sos, ligas metálicas, vidro, borracha, ma-
teriais compostos, tudo permite ser ana-
lisado por ultrassom. Na manutenção, é
aplicado na detecção de vazamentos de
líquidos ou gases, falhas operacionais em
sistemas elétricos, vibrações em mancais
e rolamentos.
32

UNIDADE 6 - Espectrografia

Também conhecida como Análise Espec- investiga a natureza química de uma subs-
trográfica, essa técnica, embora preditiva, tância pelo exame do seu espectro, deno-
é aplicada ao seguimento veicular, isto é, minado “Espectro de Fraunhofer”, mas há
quando se deseja monitorar veículos de pas- indícios que ela não possui a precisão exigida
seio, tratores, caminhos, empilhadeiras, etc. quando aplicada a partículas maiores da or-
dem de 10 micra (0,010 mm), o que também
O princípio básico partilhado por todas as
é dito por Medeiros (2010) em estudo que
técnicas espectroscópicas se resume basica-
utilizou a espectroscopia Raman para moni-
mente em um feixe de radiação eletromag-
torar a cura de tinta epóxi aplicadas em tan-
nética direcionado para uma determinada
ques de armazenamento de petróleo.
amostra e, na sequência, observa-se como a
amostra se comporta a um determinado es- Conforme Medeiros (2010, p. 2), é impor-
tímulo. A resposta obtida normalmente é re- tante ressaltar que os artigos que utilizam a
gistrada como uma função do comprimento espectroscopia Raman ao invés de DSC para
de onda da radiação, em função do compri- estudar a cura de resinas termofixas, são
mento de onda, sendo conhecido como um muito recentes e sua metodologia de análise
espectro (GUIMARÃES, 2013). ainda se encontra em desenvolvimento.

De uma maneira geral, as técnicas espec- Fitch (2004) é outro autor que colabora
troscópicas fornecem informações detalha- com as apreciações acima ao ressaltar que a
das sobre os níveis de energia das espécies análise espectrográfica tem sido usada des-
em estudo, particularmente no caso da es- de a Segunda Guerra Mundial para estabe-
pectroscopia vibracional, na qual os espec- lecer e quantificar a presença de metais de
tros representam a “impressão digital” das desgaste a aditivos nos óleos lubrificantes e
moléculas devido à maior riqueza de deta- fluidos hidráulicos, mas com ressalvas.
lhes proporcionada pelos níveis de energia
Tem havido muitos estudos conflitantes
vibracionais (FARIA, 1997).
em relação à utilidade e precisão da análise
A espectroscopia Raman estuda a inte- espectrográfica. Os que duvidam dizem que
ração da radiação eletromagnética com a a técnica não pode detectar partículas maio-
matéria, sendo um dos seus principais obje- res do que 10 micra e que não determina
tivos a determinação dos níveis de energia dados quantitativos referentes a tamanho
vibracional de átomos ou moléculas. Tam- e contagem de partículas. Um estudo publi-
bém é possível obter informações sobre a cado na revista Lubrication Engineering
estrutura molecular e as ligações químicas envolvendo mais de 150 amostras de óleo
presentes. Nas moléculas, a região espectral usado coletadas de caixas de engrenagens
onde as transições são observadas depende industriais, compressores, transmissões e
do tipo de níveis envolvidos, eles podem ser sistemas hidráulicos, concluiu que:
eletrônicos, vibracionais ou rotacionais (SIL-
1) Altos níveis de contaminação nesses
VA, 2005).
sistemas contribui para níveis maiores de
Segundo Pereira (2010), a espectrografia desgaste, aceleram o processo de desgaste
33

e resultam em falha prematura.

2) Quando a análise de metais sozinha


(confrontada com monitoramento de con-
taminante) indica aumento de desgaste, o
processo abrasivo pode ser irreversível e o
sistema pode, de fato, estar no ponto de fa-
lha total.

3) É interessante notar que os resulta-


dos da análise espectroscópica do desgaste
de metais não mudaram significativamente
(apesar da filtragem altamente melhorada),
entretanto, foi obtida uma redução geral no
desgaste total depois de vários meses de
monitoramento do sistema.

Outro estudo ainda mostrou que “a análi-


se espectográfica não previu a falha de com-
ponentes banhados a óleo da aeronave”.
Surpreendentemente, depois de analisar
uma amostra de óleo de um gerador elétrico
em outro relatório, os resultados especto-
gráficos indicaram “sem maiores problemas”.
De fato, a amostra foi colhida depois da falha
total, um ponto em que níveis exorbitantes
de metal de desgaste deveriam ter sido de-
tectados (FITCH, 2004).
34
UNIDADE 7 - Hidráulica e Análise
de Pressões
7.1 Hidráulica potência – a unidade para medir “potên-
cia” é o Nm/s. James Watt, o inventor da má-
O termo hidráulica derivou-se da raiz
quina a vapor, quis comparar a quantidade de
grega hidro, que tem o significado de água,
potência que a sua máquina poderia produzir
por essa razão entendem-se por hidráulica
com a potência produzida por um cavalo. Por
todas as leis e comportamentos relativos à
métodos experimentais, Watt descobriu que
água ou outro fluido, ou seja, hidráulica é o
um cavalo poderia erguer 250kgf à altura de
estudo das características e uso dos fluidos
30,5cm em um segundo;
sob pressão (SANTOS, 2010).

Experiências têm mostrado que a hidráu-


fluido hidráulico – é o elemento vital
de um sistema hidráulico industrial. Ele é um
lica vem se destacando e ganhando espaço
meio de transmissão de energia, um lubrifi-
como um meio de transmissão de energia
cante, um vedador e um veículo de transfe-
nos mais variados segmentos do mercado.
rência de calor (SANTOS, 2010).
Algumas definições importantes:
força – é qualquer influência capaz de 7.2 Bombas hidráulicas
produzir uma alteração no movimento de um São máquinas de fluxo, cuja função é for-
corpo. Temos como unidade de medida de necer energia para a água, a fim de recalcá-la
força o Newton (N); (elevá-la), através da conversão de energia
mecânica de seu rotor proveniente de um
resistência – é a força que pode parar motor a combustão ou de um motor elétrico.
ou retardar o movimento de um corpo. Exem-
plos de resistência são: o atrito e a inércia; A característica básica da bomba centrí-
fuga ou radial é trabalhar com pequenas va-
energia – é uma força que pode causar zões a grandes alturas, com predominância
o movimento de um corpo; de força centrífuga; são as mais utilizadas
lei da conservação de energia – diz atualmente.
que a energia não pode ser criada nem des- A Altura manométrica da instalação é de-
truída, embora ela possa passar de uma for- finida como sendo a altura geométrica (soma
ma à outra. Por exemplo: quando desejamos das alturas de sucção e recalque) da instala-
realizar uma multiplicação de forças, signifi- ção mais as perdas de carga ao longo da tra-
ca que teremos o pistão maior, movido pelo jetória do fluxo. Fisicamente, é a quantidade
fluido deslocado pelo pistão menor, sendo de energia hidráulica que a bomba deverá
que a distância de cada pistão é inversa- fornecer à água, para que esta seja recalca-
mente proporcional às suas áreas. O que se da a uma certa altura, vencendo, inclusive,
ganha em relação à força tem que ser sacrifi- as perdas de carga, que referem-se à energia
cado em distância ou velocidade; perdida pelo fluido no seu deslocamento por
trabalho – é o movimento de um obje- alguma tubulação. Essa perda de energia é
to através de uma determinada distância; provocada por atritos entre o fluido e as pa-
redes da tubulação, devido a sua rugosidade.
35

Portanto, ao projetar uma estação de bom- ponível refere-se à “carga energética líqui-
beamento, deve-se considerar essa perda da e disponível na instalação” para permitir
de energia. a sucção do fluido, ou seja, diz respeito às
grandezas físicas associadas à instalação e
Cavitação, por sua vez, é um fenômeno
ao fluido.
semelhante à ebulição, que pode ocorrer na
água durante um processo de bombeamen- O ideal seria a bomba afogada, pois está
to, provocando estragos, principalmente no sempre cheia com produto a bombear, evi-
rotor e palhetas, e é identificado por ruídos tando aeração ou cavitação. Para as bombas
e vibrações. Para evitar tal fenômeno, de- não afogadas é recomendável afogá-la, por
vem-se analisar o NPSH requerido e o NPSH meio de sistemas de enchimento e retenção
disponível. do produto no interior da bomba e da tubula-
ção, evitando assim problemas de funciona-
O NPSH (Net Positive Succion Head) dis-
mento, conforme ilustrado abaixo:

Dentre os problemas que pode surgir “borrachas ou grades” danificadas;


em relação às bombas, Santos (2010)
rotor folgado no eixo;
cita os seguintes:
chavetas desgastadas;
gaxeta danificada, causando vazamen-
to ou entrada de ar; bucha da gaxeta desgastada;

selos mecânicos com vazamento; eixo torto ou quebrado;

rotor entupido (recomenda-se a instala- rotor em atrito com a tampa, causando


ção de filtros na entrada da bomba); barulho e desgaste;

junta da tampa danificada, provocando bomba girando ao contrário quando


a entrada de ar; desliga (recomenda-se a instalação de vál-
vula de retenção no recalque da bomba);
sando ineficiência;
rolamento e retentores danificados;
acoplamento folgado no eixo ou com
36

tampa ou carcaça furada. excetuando-se os refervedores e equipa-


mentos similares utilizados em unidades de
7.3 Bombas de engrenagens processo.
Bombas de engrenagens são bombas de É um recipiente com a função de produzir
deslocamento positivo, especificadas para vapor através do aquecimento da água. As
a movimentação de fluidos viscosos que caldeiras em geral são empregadas para ali-
não contenham em si partículas sólidas em mentar máquinas térmicas, autoclaves, tro-
suspensão. Não são adequadas para o bom- cadores de calor, tanques de cozimento, etc.
beamento de água. Também não são apro- (SANTOS, 2010).
priadas para a movimentação de líquidos
contaminados por sólidos (exemplos: óleos O vapor pode ser usado em diversas con-
residuais, ceras industriais com aditivos me- dições tais como: baixa pressão, alta pres-
tálicos, pastas contendo talco ou carga mi- são, saturado, superaqueci¬do, etc. Ele pode
neral). Para isso, emprega-se outras famílias ser produzido também por diferentes ti¬pos
de bombas: pneumática, de palhetas, heli- de equipamentos, nos quais estão incluídas
coidais, lóbulos, etc. as caldeiras com diversas fontes de energia.

São defeitos que podem surgir com Para efeito da NR-13, serão considerados,
as bombas de engrenagem: como “caldeiras” todos os equipamentos que
simultaneamente geram e acumulam vapor
eixo travado quando o mancal é com bu- de água ou outro fluido.
chas;
As caldeiras ditas flamotubulares são
rolamentos danificados; aquelas em que os gases provenientes da
bomba travada em função de produto combustão “fumos” (gases quentes e/ou
solidificado (existem bombas com camisa de gases de exaustão) atravessam a caldeira
vapor para diminuir este problema); no interior de tubos que se encontram cir-
cundados por água, cedendo calor a esta.
acoplamento danificado; Enquanto as caldeiras aquatubulares são
falta de pressão (as juntas devem ter a as mais comuns tratando-se de plantas ter-
menor espessura possível, diminuindo assim melétricas ou geração de energia elétrica em
este problema); geral, exceto em unidades de pequeno porte
(SANT0S, 2010).
muito ruído em função de engrenagens
danificadas; Dentre as falhas que podem ocorrer
com essas caldeiras, citam-se:
vazamento nas gaxetas;
superaquecimento – é ocasionado
chaveta desgastada. por incrustações ou camadas de vapor de-
positadas sobre as superfícies dos tubos das
7.4 Caldeiras a vapor caldeiras que podem reduzir a taxa de trans-
Segundo a NR 13, caldeiras a vapor são ferência de calor;
equipamentos destinados a produzir e acu-
fadiga térmica – esse tipo de corrosão
mular vapor sob pressão superior à atmos-
é resultante de esforços de tração cíclicos,
férica, utilizando qualquer fonte de energia,
37

que são acelerados quando operados em um são mais severa, a exem¬plo de quando não
ambiente corrosivo; exista atuação simultânea das pressões in-
terna e externa.
ocultamento – Hide-Out – é o decrés-
cimo de concentrações de sais minerais so- Vasos de pressão podem ser construídos
lúveis na água da caldeira, tais como fosfato, de mate¬riais e formatos geométricos va-
sulfato, cloreto e hidróxido de sódio. Aconte- riados em função do tipo de utilização a que
ce em zonas de elevada taxa de transferên- se destinam. Dessa forma, existem vasos de
cia de calor. As consequências são a falta de pressão esféricos, cilíndricos, cônicos, etc.,
refrigeração das paredes dos tubos onde ele construídos em aço carbono, alumínio, aço
se estabelece. inoxidável, fibra de vidro e outros materiais
(NR 13).
7.5 Vasos de pressão Testes hidrostáticos (TH’s) ou testes de
Vasos de pressão são equipamentos que pressão são aplicados em vasos de pressão e
armazenam fluidos pressurizados, objeti- outros equipamentos industriais pressuriza-
vando atender a finalidades diversas na in- dos como tanques ou tubulações, com o ob-
dústria de processamento contínuo, como a jetivo de aferir se haverá ocorrência de vaza-
indústria química, a petroquímica, de petró- mentos ou se haverá ruptura. São realizados
leo, ou ainda, na área nuclear, na indústria de com os equipamentos fora de serviço, atra-
alimentos, na geração de energia, etc. São vés de sua pressurização com água (teste
diversas as aplicações de vasos de pressão hidrostático), ar comprimido (teste pneumá-
que assumem formas e tamanhos bastante tico) ou outro fluido disponível, em pressões
variados em virtude da sua função precípua, superiores às pressões operacionais ou de
que é a de contenção de um fluido pressu- projeto, normalmente na ordem de 1,5 vezes
rizado, sem que apresente vazamento (PE- a PMTA (pressão máxima de trabalho admis-
REIRA FILHO, 2004). sível). Simula-se então uma condição opera-
Nas disposições gerais da Norma Re- cional mais rigorosa, objetivando a garantia
gulamentadora NR 13, encontramos de que em serviço normal (a pressões mais
que: baixas) não ocorrerão falhas ou vazamentos.

Vasos de pressão estão sempre submeti- No Brasil, a realização dos testes falados
dos simul¬taneamente à pressão interna e à acima deve seguir a Norma Regulamenta-
pressão externa. Mesmo vasos que operam dora – NR 13 – Manual Técnico de Caldeiras e
com vácuo estão submetidos a essas pres- Vasos de Pressão.
sões, pois não existe vácuo absoluto. O que A NR-13 exige a aplicação de TH’s perió-
usualmente denomina-se vácuo é qualquer dicos em todos os equipamentos classifica-
pressão inferior à atmosféri¬ca. O vaso é dos como vasos de pressão, sempre que o
dimensionado, considerando-se a pressão produto da pressão máxima operacional (em
di¬ferencial resultante que atua sobre as kPa) pelo seu volume (em m3) seja igual ou
paredes, que poderá ser maior interna ou superior a 8. Em função da classificação pelo
externamente. produto da pressão pelo volume, a frequên-
Há casos em que o vaso de pressão deve cia de TH’s é definida.
ser di¬mensionado pela condição de pres-
38

Entretanto, é permitida a não realização bilitado a determinação em fazê-lo ou não,


dos TH’s quando houver a possibilidade de baseada em seu conhecimento (PEREIRA FI-
propagação de defeitos (descontinuidades) LHO, 2004).
subcriticamente, ou seja, de maneira está-
O quadro abaixo apresenta vantagens e
vel.
desvantagens da aplicação de testes hidros-
Esta limitação não está bem definida na táticos em vasos de pressão:
NR-13, ficando a critério do Profissional Ha-

Vantagens Desvantagens

- Importante ferramenta para confir- - Possibilidade de crescimento crítico de


mar a ausência de vazamentos. descontinuidade e destruição do equi-
pamento, seja na fabricação ou após ter
- Confirmação do estado de integri-
sido colocado em serviço.
dade e capacidade de resistir às con-
dições operacionais normais, no mo- - Possibilidade de crescimento subcríti-
mento de sua realização. co de descontinuidades pela sujeição de
regiões danificadas por mecanismos de
- Alívio de tensões residuais de solda-
danos a solicitações mecânicas muito su-
gem de modo a que a estrutura testa-
periores às operacionais normais, e com
da funcione mais “relaxada”.
isso a redução das margens de segurança
do equipamento, sem que isto seja per-
cebido.

- Elevada relação custo/benefício da sua


aplicação, pois o TH apenas informa se
houve vazamento ou não, não sendo uma
ferramenta de inspeção.

Fonte: Pereira Filho (2004).


39

UNIDADE 8 - Lubrificação

A lubrificação é uma operação que consis- 8.1 Tipos de lubrificantes


te em introduzir uma substância apropriada
Os óleos animais e vegetais raramente
entre superfícies sólidas que estejam em
são usados isoladamente como lubrifican-
contato entre si e que executam movimen-
tes, por causa da sua baixa resistência à oxi-
tos relativos. Essa substância apropriada
dação, quando comparados a outros tipos de
normalmente é um óleo ou uma graxa que
lubrificantes. Em vista disso, eles geralmen-
impede o contato direto entre as superfícies
te são adicionados aos óleos minerais com a
sólidas.
função de atuar como agentes de oleosida-
Quando recobertos por um lubrificante, de. A mistura obtida apresenta caracterís-
os pontos de atrito das superfícies sólidas ticas eficientes para lubrificação, especial-
fazem com que o atrito sólido seja substitu- mente em regiões de difícil lubrificação.
ído pelo atrito fluido, ou seja, em atrito entre
Os óleos sintéticos são de aplicação mui-
uma superfície sólida e um fluido. Nessas
to rara, em razão de seu elevado custo, e
condições, o desgaste entre as superfícies
são utilizados nos casos que outros tipos de
será bastante reduzido.
substâncias não têm atuação eficiente, en-
Além dessa redução do atrito, outros quanto que os óleos minerais são os mais uti-
objetivos são alcançados com a lubrifi- lizados nos mecanismos industriais, sendo
cação, se a substância lubrificante for obtidos em larga escala a partir do petróleo.
selecionada corretamente: As graxas são compostos lubrificantes se-
menor dissipação de energia na forma missólidos constituídos por uma mistura de
de calor; óleo, aditivos e agentes engrossadores cha-
mados sabões metálicos, à base de alumínio,
redução da temperatura, pois o lubrifi- cálcio, sódio, lítio e outros.
cante também refrigera;
Algumas substâncias sólidas apresentam
redução da corrosão; características peculiares que permitem a
redução de vibrações e ruídos; sua utilização como lubrificantes, em con-
dições especiais de serviço. Entre as carac-
redução do desgaste. terísticas importantes dessas substâncias,
merecem ser mencionadas as seguintes:
Os lubrificantes podem ser gasosos como
o ar; líquidos como os óleos em geral; se- baixa resistência ao cisalhamento;
missólidos como as graxas e sólidos como a
grafita, o talco, a mica, etc. Contudo, os lubri- estabilidade a temperaturas elevadas;
ficantes mais práticos e de uso diário são os elevado limite de elasticidade;
líquidos e os semissólidos, isto é, os óleos e
as graxas (SANTOS, 2010). alto índice de transmissão de calor;

alto índice de adesividade;


40

ausência de impurezas abrasivas (SAN- peças do equipamento;


TOS, 2010).
antioxidantes – retarda a oxidação do
Embora tais características não sejam óleo e por longo tempo mantém o óleo com
sempre atendidas por todas as substâncias as características originais;
sólidas utilizadas como lubrificantes, elas
anticorrosivos – evita, mesmo com a
aparecem de maneira satisfatória nos carbo-
presença de umidade, o enferrujamento das
nos cristalinos, como a grafita, e no bissulfe-
peças;
to de molibdênio, que são, por isso mesmo,
aquelas mais comumente usadas para tal antiespumantes – impede, mesmo
finalidade. em casos extremos, a formação de espuma
assegurando assim a lubrificação normal e
A grafita, após tratamentos especiais, dá
constante;
origem à grafita coloidal, que pode ser utili-
zada na forma de pó finamente dividido ou extrema pressão – combina com o me-
em dispersões com água, óleos minerais e tal das partes em contato e forma uma capa
animais e alguns tipos de solventes (SAN- superficial que evita a soldagem;
TOS, 2010).
antidesgaste – forma película proteto-
A utilização de sólidos como lubrificantes ra sobre as superfícies metálicas;
é recomendada para serviços em condições
especiais, sobretudo aquelas em que as par-
rebaixadores do ponto de fluidez
tes a lubrificar estão submetidas a pressões
– permite que o ponto de fluidez dos óleos
alcance os valores necessários para as apli-
ou temperaturas elevadas ou se encontram
cações a que se destinam;
sob a ação de cargas intermitentes ou em
meios agressivos. Os meios agressivos são aumentadores do índice de viscosi-
comuns nas refinarias de petróleo, nas in- dade – provoca menor variação da viscosida-
dústrias químicas e petroquímicas (SANTOS, de a diferentes temperaturas (SILVA, 2008).
2010).

Os aditivos são substâncias que entram 8.2 Características e pro-


na formulação de óleos e graxas para con- priedades dos óleos lubrifi-
ferir-lhes certas propriedades. Sua presença
melhora as características de proteção con- cantes
tra o desgaste e de atuação em trabalhos sob Os óleos lubrificantes, antes de serem
condições de pressões severas; aumentam a colocados à venda pelo fabricante, são sub-
resistência à oxidação e corrosão, a ativida- metidos a ensaios físicos padronizados que,
de dispersante e detergente dos lubrifican- além de controlarem a qualidade do produto,
tes, a adesividade e o índice de viscosidade. servem como parâmetros para os usuários
(SILVA, 2008).
Os aditivos podem ser:
Os principais ensaios físicos padronizados
detergentes – mantém em suspensão para os óleos lubrificantes encontram-se re-
e, finalmente, dispersado na massa de óleo o sumidos na tabela a seguir.
carbono formado, não as deixando aderir as
41

Tipo de ensaio O que determina o ensaio

Resistência ao escoamento oferecida pelo óleo.


A viscosidade é inversamente proporcional à tempera-
Viscosidade tura. O ensaio é efetuado em aparelhos denominados
viscosímetros. Os viscosímetros mais utilizados são o
Saybolt, o Engler, o Redwood e o Ostwald.

Mostra como varia a viscosidade de um óleo conforme as


variações de temperatura. Os óleos minerais parafínicos
Índice de são os que apresentam menor variação da viscosidade
viscosidade
quando varia a temperatura e, por isso, possuem índices
de viscosidade mais elevados que os naftênicos.

Relação entre a densidade do óleo a 20º C e a densidade


Densidade relativa da água a 4º C ou a relação entre a densidade do óleo a
60º F e a densidade da água a 60º F.

Temperatura mínima à qual pode inflamar-se o vapor de


óleo, no mínimo, durante 5 segundos. O ponto de fulgor
Ponto de fulgor
é um dado importante quando se lida com óleos que tra-
balham em altas temperaturas.

Temperatura mínima em que se sustenta a queima do


Ponto de combustão
óleo.

Temperatura mínima em que ocorre o escoamento do


Ponto de mínima óleo por gravidade. O ponto de mínima fluidez é um dado
fluidez importante quando se lida com óleos que trabalham em
baixas temperaturas.

Resíduos sólidos que permanecem após a destilação


Resíduos de carvão
destrutiva do óleo

Fonte: SILVA (2008, p. 8).


42

A escolha correta de lubrificantes deve Logo temos:


levar em consideração suas principais
propriedades: poder adesivo (aderência); Óleo Viscosidade Escoamento
viscosidade (coesão); ausência de ácidos;
Fino Baixa Rápido
pureza química; resistência ao envelheci-
Grosso Alta Lento
mento; pontos de inflamação e de congela-
mento aparente e pureza mecânica. Vamos
analisar cada uma dessas características:
ausência de ácidos – um bom lubrifi-
cante deve estar livre de ácidos orgânicos
aderência – para que possa ser arras- procedentes da mistura de graxas vege-
tado e comprimido no espaço intermediário tais e de graxas minerais, que são resíduos
entre as peças, o lubrificante deve aderir do refinamento;
às superfícies deslizantes. Um lubrificante
de pouca aderência não consegue entrar
pureza química – o lubrificante deve
estar livre de álcalis, asfaltos, resinas e pa-
no espaço interpeças devido à resistência
rafinas;
que as peças oferecem a sua entrada. Sem
aderência, o lubrificante se solta e ocorre resistência ao envelhecimento –
atrito entre as peças; um bom lubrificante não varia sua compo-
sição química mesmo depois de uso pro-
viscosidade – é a propriedade mais
longado. Além disso, um bom lubrificante
importante do lubrificante. A viscosidade
não se oxida, não fica resinoso nem espes-
do lubrificante é necessária para evitar o
so. Em contato com água, não deve formar
rompimento da camada aderida às super-
emulsão;
fícies deslizantes; senão, seria impossível
a formação de uma película contínua e re- ponto de inflamação – o ponto de in-
sistente de lubrificante. O nível de atrito flamação de um lubrificante corresponde à
fluido depende da viscosidade, ou seja, da temperatura em que os vapores de óleo se
resistência da camada lubrificante. A visco- desprendem numa tal quantidade que for-
sidade é, portanto, uma forma de resistên- ma uma mistura explosiva de ar e vapor de
cia ao atrito em um deslizamento fluido. O óleo. Por isso, o ponto de inflamação tem
lubrificante não deve ser excessivamente especial importância nos lubrificantes de
viscoso, para evitar perdas por atrito. Nem máquinas ou mecanismos que trabalham
muito pouco viscoso, porque a resistência com elevadas temperaturas, como cilin-
mecânica seria muito pouca. No caso de dros de vapor, motores de combustão e
grandes cargas, por exemplo, em vez de compressores;
atrito fluido, ocorre atrito misto. De qual-
quer forma, a viscosidade de um lubrifican- ponto de congelamento – o ponto
te não é constante; depende estritamente de congelamento aparente é a temperatu-
da temperatura. A uma temperatura eleva- ra abaixo da qual o lubrificante se torna tão
da, deve corresponder um lubrificante com rígido que é incapaz de fluir, por seu próprio
menos viscosidade. Assim, é muito impor- peso, através de um tubo de 40 mm de diâ-
tante conhecer a temperatura de trabalho metro. Esse fato deve ser levado em conta,
para a seleção adequada do lubrificante. quando se trabalha com máquinas em bai-
xa temperatura;
43

pureza mecânica – é necessária a dos, pontos lubrificados a graxas. E a cor de


ausência de impurezas sólidas que podem cada uma dessas figuras será determinada
danificar as superfícies móveis e provocar pelas características do produto a ser em-
o entupimento dos condutos de lubrifican- pregado.
te. Por isso, lubrificantes velhos devem ser
filtrados antes de serem usados novamen-
Abaixo temos aspectos da lubrifica-
te (SILVA, 2008). ção de alguns equipamentos.
a) Mancais de deslizamento:
8.3 Programa de lubrifica-
o traçado correto dos chanfros e ra-
ção nhuras de distribuição do lubrificante nos
A primeira providência para a elabora- mancais de deslizamento é o fator primor-
ção e instalação de um programa de lubrifi- dial para se assegurar a lubrificação ade-
cação refere-se a um levantamento cuida- quada;
doso das máquinas e equipamentos e das
eles podem ser lubrificados com óleo
suas reais condições de operação (SAN-
ou com graxa;
TOS, 2010).
no caso de óleo, a viscosidade é o prin-
Para maior facilidade, recomenda-se
cipal fator a ser levado em consideração;
que tal levantamento seja efetuado por
no caso de graxa, a sua consistência é o fa-
setores da empresa, especificando-se
tor relevante.
sempre todas as máquinas e equipamen-
tos instalados, de forma que eles possam A escolha de um óleo ou de uma
ser identificados de maneira inequívoca. graxa também depende dos seguintes
Deve-se verificar quais máquinas e equi- fatores:
pamentos cujos manuais do fabricante es- geometria do mancal – dimensões, di-
tão disponíveis e quais os tipos e marcas de âmetro, folga mancal/eixo;
lubrificantes para eles recomendados.
rotação do eixo;
De posse dos dados anteriores, deve-
-se elaborar um plano de lubrificação para carga no mancal;
cada máquina e equipamento, em que ele temperatura de operação do mancal;
deve ser identificado. E, ainda, mencionar
todos os pontos de lubrificação, métodos condições ambientais – temperatura,
a empregar, produtos recomendados e pe- umidade, poeira e contaminantes;
riodicidade da lubrificação. método de aplicação.
Para facilitar, sugere-se identificar, nas b) Mancais de rolamento
máquinas e equipamentos, todos os pon-
tos de lubrificação com um símbolo corres- Os rolamentos axiais autocompensa-
pondente ao do produto a ser neles aplica- dores de rolos são lubrificados, normal-
do (códigos, cores e figuras geométricas). mente, com óleo. Todos os demais tipos
Assim, círculos podem representar pontos de rolamentos podem ser lubrificados
lubrificados a óleo e triângulos ou quadra- com óleo ou com graxa.
44

Em mancais de fácil acesso, a caixa Ao selecionar o lubrificante de engre-


pode ser aberta para se renovar ou com- nagens abertas, é necessário levar em
pletar a graxa. Quando a caixa é bipar- consideração as seguintes condições:
tida, retira-se a parte superior; caixas temperatura, método de aplicação, con-
inteiriças dispõem de tampas laterais fa- dições ambientais e material da engrena-
cilmente removíveis. Como regra geral, a gem.
caixa deve ser cheia apenas até um terço
A escolha de um óleo para lubrificar
ou metade de seu espaço livre com uma
motorredutores deve ser feita conside-
graxa de boa qualidade, possivelmente à
rando-se os seguintes fatores: tipo de
base de lítio.
engrenagens; rotação do motor; tempe-
O nível de óleo dentro da caixa de ro- ratura de operação e carga. No geral, o
lamentos deve ser mantido baixo, não óleo deve ser quimicamente estável para
excedendo o centro do corpo rolante in- suportar oxidações e resistir à oxidação.
ferior. É muito conveniente o emprego de
um sistema circulatório para o óleo e, em
Vale guardar...
alguns casos, recomenda-se o uso de lu- Os objetivos da análise dos óleos são
brificação por neblina. dois: economizar lubrificantes e sanar os
defeitos.
No caso de engrenagens fechadas, a
completa separação das superfícies dos Os modernos equipamentos permi-
dentes das engrenagens durante o en- tem análises exatas e rápidas dos óleos
grenamento implica presença de uma utilizados em máquinas. É por meio das
película de óleo de espessura suficiente análises que o serviço de manutenção
para que as saliências microscópicas des- pode determinar o momento adequado
tas superfícies não se toquem. O óleo é para sua troca ou renovação, tanto em
aplicado às engrenagens fechadas por componentes mecânicos quanto hidráu-
meio de salpico ou de circulação. licos.
A seleção do óleo para engrenagens A economia é obtida regulando-se o
depende dos seguintes fatores: tipo de grau de degradação ou de contaminação
engrenagem, rotação do pinhão, grau de dos óleos. Essa regulagem permite a oti-
redução, temperatura de serviço, potên- mização dos intervalos das trocas.
cia, natureza da carga, tipo de aciona-
mento, método de aplicação e contami- A análise dos óleos permite, tam-
nação. bém, identificar os primeiros sintomas de
desgaste de um componente. A identifi-
As engrenagens abertas só podem cação é feita a partir do estudo das par-
ser lubrificadas intermitentemente e, tículas sólidas que ficam misturadas com
muitas vezes, só intervalos regulares, os óleos. Tais partículas sólidas são gera-
proporcionando películas lubrificantes das pelo atrito dinâmico entre peças em
de espessuras mínimas entre os dentes, contato.
prevalecendo as condições de lubrifica-
ção o limítrofe. Uma lubrificação só poderá ser con-
siderada correta quando o ponto de lu-
45

brificação recebe o lubrificante certo, no


volume adequado e no momento exato.
Qualquer falha de lubrificação provo-
ca, na maioria das vezes, desgastes com
consequências a médio e longo prazo,
afetando a vida útil dos elementos lu-
brificados. Pouquíssimas vezes em curto
prazo.

A análise das superfícies das pe-


ças, sujeitas aos desgastes provocados
pelo atrito, também é importante para
se controlar o grau de deteriorização das
máquinas e equipamentos. A análise su-
perficial abrange, além do simples exame
visual, com ou sem lupa, várias técnicas
analíticas.
46

UNIDADE 9 - Pneumática

O termo pneumática é derivado do grego facilidade de implantação – peque-


pneumos ou pneuma (respiração, sopro) e é nas modificações nas máquinas conven-
definido como a parte da Física que se ocupa cionais, aliadas à disponibilidade de ar com-
da dinâmica e dos fenômenos físicos relacio- primido, são os requisitos necessários para
nados com os gases ou vácuos. É também o implantação dos controles pneumáticos;
estudo da conservação da energia pneumá-
tica em energia mecânica, através dos res-
resistência a ambientes hostis –
poeira, atmosfera corrosiva, oscilações de
pectivos elementos de trabalho (SANTOS,
temperatura, umidade, submersão em líqui-
2010).
dos, raramente prejudicam os componentes
O impulsionamento de atuadores pneu- pneumáticos, quando projetados para essa
máticos é um dos responsáveis pelo aumen- finalidade;
to da produtividade nos últimos anos, uma
vez que estes elementos – motores e cilin-
simplicidade de manipulação – os
controles pneumáticos não necessitam de
dros – possuem grandes vantagens sobre os
operários superespecializados para sua ma-
acionadores mecânicos, no entanto, é uma
nipulação;
energia mais cara se comparada à eletricida-
de. segurança – como os equipamentos
pneumáticos envolvem sempre pressões
Santos (2010) cita inúmeras vantagens e
moderadas, tornam-se seguros contra pos-
outras desvantagens em relação à pneumá-
síveis acidentes, quer no pessoal, quer no
tica.
próprio equipamento, além de evitarem pro-
a) Vantagens: blemas de explosão;
incremento da produção com inves- redução do número de acidentes – a
timento relativamente pequeno; fadiga é um dos principais fatores que favo-
recem acidentes; a implantação de controles
redução dos custos operacionais – a
pneumáticos reduz sua incidência (liberação
rapidez nos movimentos pneumáticos e a li-
de operações repetitivas).
bertação do operário (homem) de operações
repetitivas possibilitam o aumento do ritmo b) Limitações ou desvantagens:
de trabalho, aumento de produtividade e,
portanto, um menor custo operacional; o ar comprimido necessita de uma boa
preparação para realizar o trabalho propos-
robustez dos componentes pneu- to – remoção de impurezas, eliminação de
máticos – a robustez inerente aos controles umidade para evitar corrosão nos equipa-
pneumáticos torna-os relativamente insen- mentos, engates ou travamentos e maiores
síveis a vibrações e golpes, permitindo que desgastes nas partes móveis do sistema;
ações mecânicas do próprio processo sirvam
de sinal para as diversas sequências de ope- os componentes pneumáticos são nor-
ração. São de fácil manutenção; malmente projetados e utilizados a uma
pressão máxima de 1723,6 kPa. Portanto, as
47

forças envolvidas são pequenas se compa-


radas a outros sistemas. Assim, não é conve-
niente o uso de controles pneumáticos em
operação de extrusão de metais. Provavel-
mente, o seu uso é vantajoso para recolher
ou transportar as barras extrudadas;

velocidades muito baixas são difíceis de


ser obtidas com o ar comprimido devido às
suas propriedades físicas. Neste caso, recor-
re-se a sistemas mistos (hidráulicos e pneu-
máticos);

o ar é um fluido altamente compressí-


vel, portanto, é impossível se obterem para-
das intermediárias e velocidades uniformes;

o ar comprimido é um poluidor sonoro


quando são efetuadas exaustões para a at-
mosfera. Esta poluição pode ser evitada com
o uso de silenciadores nos orifícios de esca-
pe.

Conhecendo as técnicas de manutenção


preditiva, utilizando aparelhos adequados,
torna-se possível indicar, com antecedência,
eventuais defeitos ou falhas nas máquinas
e nos equipamentos, assim, estabelecer um
diagnóstico e efetuar uma análise das ten-
dências são duas ações que corroboram com
as empresas reduzindo trabalhos de emer-
gência, impedindo aumento de danos, apro-
veitando a vida útil dos componentes dos
equipamentos, aumenta o grau de confiabi-
lidade no desempenho das máquinas, enfim,
a manutenção preditiva contribui para que a
empresa não interrompa seu processo, eli-
mine riscos, aumente sua produtividade que
se traduz no seu objetivo maior, rentabilida-
de.
48

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