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Nome:Sandro Oliveira Santos

RESENHA CRÍTICA

KURUVILLA, Abraham.; traduzido por Sandra Salum Marra e Vagner Barbosa. O


Texto Primeiro. São Paulo: Cultura Cristã, 2017

1 CREDENCIAIS DO AUTOR

Dr. Kuruvilla é professor sênior de pesquisa dos ministérios de pregação e pastoral


do Seminário Teológico de Dallas. Ele é indiano por etnia, mas nasceu no Kuwait,
onde seu pai estava trabalhando. Ele é formado em medicina pela Universidade de
Kerala, na Índia, é PhD em imunologia pela Baylor College of Medicine em Houston,
e fez residência em dermatologia na Boston University School of Medicine.
Atualmente, Kuruvilla concentra seu ministério em torno da arte e da ciência da
pregação: explorando a pregação por meio de pesquisas e bolsas de estudos,
explicando a pregação treinando a próxima geração de líderes da igreja e
exemplificando a pregação em compromissos regulares no púlpito nos EUA e em
outros lugares. Ele atuou como Presidente da Sociedade Evangélica de Homilética
e, em seu tempo livre, escreve comentários de pregação e outros livros relacionados
à pregação, todos com foco na hermenêutica da homilética. Ele também atuou como
pregador interino de várias igrejas no Texas e em Massachusetts. Dr. Kuruvilla é um
diplomata do Conselho Americano de Dermatologia, e mantém um cronograma
clínico ativo, atendendo pacientes e cuidando de sua pele, cabelos e unhas!
2 RESUMO DA OBRA

O livro é constituído de uma introdução, quatro capítulos e uma conclusão onde o


autor, traz uma intrigante proposta sobre como relacionara hermenêutica bíblica e a
homilética. Logo na introdução o autor Kuruvilla, aguça o interesse do leitor ao
introduzir o assunto discorrendo sobre dois problemas que existem entre alguns
pregadores, que recorrerem nas suas pregações a teologia sistemática procurando
no texto sempre um tema que se encaixe nas doutrinas sistematizadas pela teologia
sistemática, ou que apelam para atomização que na opinião do autor é a exegese
estilo espingarda que caça a cada toca um coelho, uma espécie de interpretação
onde o pregador tentar encontrar em cada parte do texto bíblico um principio para
ser aplicado no sermão. Kuruvilla busca em seu livro mostrar um método que corrija
estes erros oferecendo ao leitor uma dissertação sobre uma hermenêutica teológica
com finalidade a pregação.

No capitulo inicial há uma visão geral da hermenêutica geral e hermenêutica


especial, o autor deixa claro o tema do livro que é como o pregador pode passar das
sagradas escrituras para o sermão, de um texto antigo para a pratica na vida
cotidiana da igreja. Com este propósito bem definido no inicio do livro o autor
discorre sobre a tríade que caracteriza uma interpretação bíblica que é: buscar a
intenção do autor original, compreender o assunto do texto, que ele chama de
referente e aplicar a interpretação bíblica. Neste capitulo o assunto que chama a
atenção é os quadros que o autor explica sobre as facetas de sentido de um texto,
que é oriunda do sentido original do texto, da intenção tran-histórica e as
exemplicações. Há de se destacar também neste capitulo a ênfase que o autor dar
as regras de leitura que segundo ele são relevantes para compreensão do texto
sagrado. O capitulo 1 o autor brilhantemente deixa claro a importância de uma
hermenêutica especial para o correto entendimento que os autores bíblicos fazem
com o que dizem, que na opinião do autor é fator importante para correta
interpretação do texto bíblico.

O segundo capítulo o autor trata do texto bíblico com a finalidade do sermão.


O autor traz o conceito de perícope como uma porção do texto bíblico para uso
homilético e litúrgico em um ambiente eclesiástico. O capitulo 2 pesquisa este
assunto apontando a importância do entendimento da porção bíblica que ele define
como a teologia da perícope. Ele ressalta que a teologia da perícope funciona como
ponte entre o texto e a pratica e a vida da comunidade leitora. Na opinião acertada
do autor o interprete bíblico deve privilegiar o texto, para redundar em uma aplicação
correta. O autor pontua que o entendimento da teologia da perícope facilita a
interpretação bíblica, que leva a um sermão e conseqüentemente a uma aplicação.

No capitulo 3 o autor utiliza a teologia da perícope para demonstrar como


isso funciona na prática. Ele diz que toda perícope faz uma exigência divina , uma
reivindicação, ao povo de Deus. A explicação dessa exigência e o modo como em
resposta a ela, a aplicação pode ser feita, é a tarefa do pregador. Neste capitulo a
questão mais relevante e a exigência divina, que segundo o autor estão claras no
entendimento da lei de Deus. Para o autor as exigências divinas estão implícitas na
teologia da perícope. Vários textos da bíblia (como Romanos) para mostrar que a lei,
a exigência divina, continua em vigor,nem a santidade de Deus e nem as suas
exigências mudaram. O autor ressalta que relacionamento com Deus requer
responsabilidade e obediência. Examinou-se neste capítulo o gênero da lei bíblica e
demonstrou-se que este gênero têm exigências divinas aplicáveis aos cristãos de
hoje. Cada perícope tem uma exigência divina elaborada para ser obedecida, não
como uma condição para a salvação, mas como um chamado à santificação,
comenta acertadamente o autor.

No capitulo 4 o autor analisou Gênesis 22 um texto segundo Kuruvilla


interpretado de modo cristocêntrico. O autor fez um analise dos argumentos que
levam a interpretação de Gn 22 como cristocêntrico e chegou a conclusão que os
argumentos eram deficientes. Neste capitulo o autor propõe um modelo para leitura
cristológica da Escritura, que ele chama de cristoicônica, que vê Cristo em cada
perícope da Escritura. Essa interpretação cristoicônica que respeita as
especificidades do texto na elucidação da sua teologia e da exigência divina, que
valoriza a obediência como dando prazer a Deus e resultando e benção, traz para o
interprete bíblico uma imagem completa de Cristo. Para o autor uma aplicação valida
o pregador precisa encontrar na perícope homilética uma operação trinitariana onde
o texto inspirado pelo Espírito Santo descreve Cristo , que leva o povo de Deus a ser
conformado com a imagem de Cristo, afim de que a vontade de Deus seja realizada.
portanto o pregador deve discernir a teologia da perícope e fazer com que ela
produza efeito na vida do povo com relevância.

3 CONCLUSÃO DO RESENHISTA

De um modo geral, o autor conseguiu discorrer sobre o assunto abordando um


conceito importante e muito estudado nos meios acadêmicos da teologia. É uma
leitura que exige conhecimentos prévios para ser entendida, além de diversas
releituras e pesquisas quanto a conceitos apresentados, uma vez que as conclusões
emergem a partir de esclarecimentos e posições de diversos estudos e suas
aplicações sobre o assunto em pauta.

.Os exemplos, os quadros explicativos citados amplamente nos auxiliam na


compreensão do texto e nos possibilitam analisar e confrontar várias posições, a fim
de chegarmos à nossa própria elucidação do assunto. O livro aguça o interesse do
leitor em um aprofundamento nos textos e assuntos inseridos no discorrer da
argumentação do autor. Mostrar-nos a imensa possibilidade de trabalhos que existe
no campo deste assunto, além de nos encaminhar para exposições mais detalhadas
a respeito de determinados tópicos abordados, relacionando autores e bibliografia
específicas. Entretanto o livro contém uma linguagem densa, que provavelmente
impossibilita a compreensão do leitor alheio ao assunto em pauta.

Finalmente, com o estudo dessa obra, os pastores e pregadores da Bíblia, podem


amadurecer mais, na exposição relevante das Sagradas Escrituras .Não se trata de
um simples manual, com passos a serem seguidos, mas um livro que apresenta os
fundamentos necessários à compreensão da natureza do método proposto pelo
autor para interpretar o texto da Bíblia com a finalidade de extrair um sermão
genuinamente bíblico e com uma aplicação relevante e correta.