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TRABALHO Nº 5

GRAU DE
APRENDIZ MAÇOM

O SIGNIFICADO DA
AMPULHETA NA
CÂMARA DAS
REFLEXÕES

ERNESTO TOMBOLY JÚNIOR

FEVEREIRO DE 2011

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AMPULHETA – SUA ORIGEM

Um dos diversos instrumentos que o homem concebeu para medir o tempo foi a
ampulheta. Também conhecido por relógio de areia, a sua invenção é atribuída a um
monge de Charters, de nome Luitprand que viveu no século VIII. No entanto as
primeiras referências deste tipo de objeto aparecem apenas no século XIV. È formada
por dois cones ocos de vidro, unidos pelo gargalo, de modo a deixar passar a areia de
um para outro num determinado intervalo de tempo, através de um orifício. Para
proteger o conjunto era usada uma armação de madeira ou latão. Mais tarde as
ampulhetas foram feitas de uma só peça de vidro com um orifício para passagem da
areia.
O acerto era necessário e fazia-se com o astrolábio ao meio-dia, através do sol, quando
o tempo o permitia. No século XVI, os relógios mecânicos iniciavam a sua história.
Esses relógios não tinham ponteiros e não mediam minutos ou segundos, pois para esse
fim, usavam-se as ampulhetas. Apenas no final do século XVI, quando Galileu Galilei
associou o princípio do pêndulo ao relógio, os minutos e segundos começaram a ser
marcados mecanicamente. A partir do fim do século XV, foram feitos os primeiros
relógios portáteis, que, ao menos em teoria, poderiam solucionar o problema de
medição do tempo em alto mar.
Desde a Antigüidade os navegadores sabiam que, para determinar a latitude durante o
dia, bastava observar a posição do sol e sua altitude em relação ao horizonte. E desde o
século XIII, sabiam que, durante a noite, era necessário observar a posição de certas
estrelas, como a Estrela Polar. Por isso os navegantes dos séculos XV e XVI, que
viajaram mais longe do que qualquer outro, até então, desenvolveram ao máximo a
observação dos céus e os conhecimentos astronômicos, revelando neste período grandes
nomes ligados a esta área e ao desenvolvimento tecnológico das observações, como
Nicolau Copérnico, Leonardo da Vinci, Johannes Kepler.
A areia usada nas ampulhetas podia ser branca ou vermelha, desde que fosse fina, seca e
homogênea. Além de areia podia-se também utilizar cascas de ovo moídas, pó de
mármore, pó de prata, e pó de estanho misturado com um pouco de chumbo. Este
último, aconselhado para as ampulhetas de 24 horas. A vida a bordo era regulada por
este instrumento. Existiam ampulhetas para tempos de uma, duas ou mais horas, mas as
mais usadas eram as de meia hora, também conhecidas por relógio. Ao virar a
ampulheta, o marinheiro tocava o sino: uma badalada às meias horas e pares de
badalada correspondentes a cada quatro horas. Um par à primeira, dois à segunda, etc.
A precariedade da medição do tempo foi a principal dificuldade na delimitação da
longitude que era obtida por estimativa, a partir da distância/rumo percorrida pelo barco.
A velocidade necessária para o cálculo era obtida com uma barquinha (aparelho
destinado a medir a velocidade de um barco). Um pedaço de madeira, de forma
triangular preso por um cabo marcado com nós espaçadamente, que se deixava correr
por um determinado período de tempo. Daí o nome de "nó" atribuído à unidade de
velocidade de uma embarcação. A delimitação da latitude era um problema encontrado
pelos navegadores.

AMPULHETA – SIGNIFICADO NA CÂMARA DAS REFLEXÕES

A Câmara de reflexões, como o seu nome o indica, representa, antes de tudo, aquele
estado de isolamento do mundo exterior que é necessário para a concentração ou
reflexão íntima, com a qual nasce o pensamento independente e é encontrada a Verdade.
Aquele mundo interior para o qual devem dirigir-se nossos esforços e nossas análises
para chegar, pela abstração, a conhecer o mundo transcendente da Realidade. É o

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"gnosthi seautón" ou o "conhece-te a ti mesmo" dos iniciados gregos, como único meio
direto e individual para poder chegar a conhecer o Grande Mistério que nos circunda e
envolve nosso próprio ser.
A Ampulheta, simboliza o escoamento inexorável do tempo que se conclui, no ciclo
humano, pela morte. A forma da ampulheta, com os seus dois compartimentos, mostra a
analogia entre o alto e o baixo, assim como a necessidade, para que o escoamento se dê
para cima, de virar a ampulheta. Assim, a atração se exerce para baixo, a menos que
mudemos a nossa maneira de ver e de agir. O vazio e o pleno devem suceder-se; há,
portanto, uma passagem do superior ao inferior, isto é, do celeste ao terrestre e, em
seguida, através da inversão, do terrestre ao celeste. O filete de areia, que corre de um
para outro compartimento, representa as trocas entre o Céu e a Terra: a manifestação
das possibilidades celestes e a reintegração da manifestação na Fonte divina. O
estrangulamento no meio é a porta estreita por onde se efetuam as trocas.
A ampulheta está presente na Câmara como que sugerindo, ao postulante, que não
relegue para o amanhã o abandono das paixões, nem a procura da virtude, pois talvez
não venha a ter mais tempo, já que o tempo é agora.
Simboliza o eterno trabalho do tempo que, relacionado ao ciclo humano, se interrompe
pela morte.
A forma da ampulheta nos mostra, por meio de seus dois compartimentos, a analogia
entre o acima e o abaixo. Desta forma, a atração exercida para baixo pode ser revertida a
partir de nossa forma de ver e de agir.
Existe uma passagem do superior ao inferior, ou do celeste ao terrestre, que pode ser
modificada pela inversão, do terrestre ao celeste, o que representa uma imagem
relacionada à possibilidade de escolha.
Os dois vasos ou recipientes da ampulheta podem também corresponder ao céu e a
Terra; o estrangulamento no meio é a porta estreita, no qual se manifesta a troca e o
término do escoamento, determinando o fim de um desenvolvimento cíclico.
Na Maçonaria, a ampulheta é colocada na Câmara de Reflexões, como um alerta ao
iniciado, para que não desperdice o tempo, pois este não retorna e, embora a ampulheta
possa ser virada, ela passa a representar um novo ciclo de tempo, pois não conseguimos
jamais recuperar o tempo perdido.
A Ampulheta simboliza ao mesmo tempo, a mortalidade e a passagem do tempo, ela
aparece com freqüência nas naturezas mortas devocionais para ilustrar a brevidade da
vida humana e é um atributo do Pai Tempo e as às vezes da morte. Pode também tomar
emprestado por sua forma, o simbolismo de dois triângulos, um deles invertido,
simbolizando os ciclos da criação e destruição (o formato do tambor de Shiva, na arte
indiana.
A ampulheta está associada a outros símbolos da Câmara das Reflexões. Enquanto o
galo nos induz a pensar que devemos estar vigilantes, a ampulheta mostra que o tempo
passa rápido e que devemos nos preparar para a morte, que é representada pela figura
com o alfanje e que está a nos esperar.
Como é um instrumento para medir o tempo, é considerado na Maçonaria, um símbolo
que mostra, pelo escoamento da areia, o rápido transcorrer do tempo, e recorda ao
profano a brevidade da existência humana, aonde têm um significado esotérico com
diversas interpretações.
O tempo passa e voa, e a vida sobre a terra é semelhante ao cair da areia. Por isso é
preciso saber aproveitá-la em coisas úteis e proveitosas para si próprio e também para a
humanidade. Pois uma vida dedicada ao acumulo de riquezas e ao gozo dos prazeres
sensuais não contribui para a felicidade de ninguém, é uma vida desperdiçada. O
iniciante deve lembrar que as pequenas porções do tempo juntam-se umas as outras e
terminam no seio da Eternidade.

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CONCLUSÃO

“Não há bem que sempre dure e nem mal que nunca se acabe...” Este dito popular nos
leva a refletir sobre como nas nossas vidas nada é definitivo. Na nossa “caminhada”
todos nós estamos sujeitos a altos e baixos, erros e acertos, vitórias e fracassos...
A ampulheta, ao marcar o tempo por intermédio da transferência de areia de um
compartimento para o outro nos permite associar este processo aos ciclos a que nossas
vidas estão sujeitas. Todos nós já deparamos com situações que acreditávamos
insolúveis e que acabaram se solucionando naturalmente. Todos nós já tivemos certeza
absoluta sobre um determinado assunto e mais tarde percebemos que estávamos
redondamente enganados.
Com o passar do tempo, em função das experiências vividas, adquirimos a certeza de
que, no que se refere à vida, somos eternos aprendizes e desta forma é imperativo que
estejamos permanentemente preparados para rever os nossos conceitos, pois somente
desta forma aproveitaremos a oportunidade que a vida nos oferece de podermos estar
em permanente processo de renovação. Assim, como podemos perceber, o tempo passa
e a areia da ampulheta, depois de iniciada sua trajetória, escoa tão rapidamente que por
vezes nem percebemos o andamento deste processo.
Em nossas trajetórias neste mundo, vivemos em busca da felicidade. Mas por vezes
nesta busca, perdemos até a alegria de viver quando não conseguimos alcançar os
objetivos almejados. E enquanto isso a areia vai escoando... Devemos procurar pela
felicidade com alegria, a despeito das agruras que encontremos pelo caminho, para que
possamos transpor os obstáculos com tranqüilidade cientes que a areia continua
escoando... Os obstáculos do cotidiano, mesmo os mais terríveis, o tempo nos ajudará a
transpor ou suportar, afinal estamos aqui para aprender, superar e crescer. Não se
esqueça que a areia continua escoando... A vida sem luta, sem batalhas, sem trabalho,
sem perdas e ganhos, seria por demais estéril e monótona, pois não há melhor prêmio do
que, com esforço e perseverança, atingir os nossos objetivos. E ainda assim, a areia
continua a escoar...
Como vemos, depois de iniciado o seu processo de transferência, a areia não pára, seja
nos maus ou nos bons momentos de nossas vidas e que, após a passagem de seu último
grão, possamos ir ao encontro do G.:A.:D.:U.: com a certeza de que, ao colocar em
prática suas designações, contribuímos para a obtenção de um mundo mais justo e
fraterno.
DEUS, pai zeloso que é, nos dá inteligência, sabedoria e discernimento, para que cada
um passe o período de sua ampulheta da melhor maneira possível e que mesmo nas
situações mais difíceis, tenhamos a certeza de que ELE está conosco nos municiando
com os meios necessários para o combate.
Vemos na Maçonaria, com seus ensinamentos altruístas, a espada que utilizaremos na
defesa própria e na daqueles que dela necessitem, procurando fazer desta forma com
que este mundo, um dia, seja melhor para todos e não somente para alguns.
Que a espada maçônica, sempre forjada no mais nobre metal, esteja sempre pronta para
defender os mais nobres ideais, sejam eles maçônicos ou não, e que no decorrer do
escoamento da nossa areia, possamos utilizá-la de forma implacável contra todas as
injustiças. Que assim seja.

Bibliografia:
Wikipédia, a enciclopédia livre
www.museutec.org.br/previewmuseologico/a_ampulheta.htm
www.cidademaconica.blogspot.com/2007/07/reflexes-sobre-cmara-de-reflexes.html

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www.pedroneves.recantodasletras.com.br
www.sophia60.org/index.php?option=com_content&task=view&id=81&Itemid=35
www.lojademolay.blogspot.com/2009/05/ampulheta-e-espada.html
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