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Escola de Engenharia, Arquitetura e Tecnologia

APS – Atividade Pratica Supervisionada

Questão Prática:

O dimensionamento de redes coletoras de água e esgoto é um ponto


importante para a engenharia civil na área de saneamento básico.

Grandes cientistas estudaram arduamente os processos de escoamento


de fluido em condutos livres.

Os condutos livres são as construções em concreto armado que


possibilitam o escoamento em regime uniforme.

Contudo, entre os grandes nomes da hidro-sanitária, pode-se citar


Henry Philibert Gaspard Darcy.

Trata-se de um dos maiores engenheiros hidráulicos da nossa história.


Francês de nascimento, embora tenha morrido prematuramente aos 54 anos
vitima de pneumonia, sem dúvida deixou grandes contribuições na área de
construção civil e hidráulica.

Como ponto importante em seus estudos, através de ensaios


laboratoriais Darcy determinou em seus estudos a relação da rugosidade
relativa em condutos livres.

Com base no descrito acima, tendo os estudos de Darcy e sua famosa


lei de escoamento de fluido visco-elástico. Descreva a metodologia adotada
para a determinação empírica do valor da rugosidade para um dado material
concretado para uso em condutos livres.

OBSERVAÇÃO: A RESPOSTA DEVE SER ANEXADA E ENVIADA A


PLATAFORMA BLACKBOARD POR CADA ALUNO INSCRITO NA
DISCIPLINA.
Escola de Engenharia, Arquitetura e Tecnologia
APS – Atividade Pratica Supervisionada

RESOLUÇÃO:

Para seus estudos, Darcy utilizou os conceitos empíricos da mecânica clássica


e dados experimentais. Desse modo, utilizando uma plataforma de ferro
fundido com óleos, obteve uma superfície com coeficiente de atrito em torno de
zero.

Como passo seguinte, testou vários tipos de materiais concretados para então
utilizar as dosagens distintas dos aglomerantes: cimento, areia, brita e água de
modo a obter um corpo de prova cilíndrico, de volume 1 cm 3, de superfície de
rugosidade variável.

Abaixo o esquema mostra um detalhe do material na superfície e as forças


atuantes, segundo a mecânica clássica:

Com o plano em repouso, o passo seguinte foi acionar a inclinação da rampa


de acesso de modo há gerar o instante inicial em que o corpo de prova
ganhasse velocidade, saindo da situação de repouso.

Nesse instante, obteve-se uma força de acionamento para o deslocamento do


corpo de prova.

Essa força foi à compensação da força peso em relação ao plano cartesiano de


ação mecânica. Mostrada abaixo:
Dessa forma, o passo seguinte foi o ajuste das componentes vetoriais de
aplicação em cada eixo de ação.

Assim, tendo:

Eixo Y Eixo X
Σforça = 0 Σforça ≠ 0
N = Pcosɵ (eq. 1) Psenɵ - fatrit = m . a (eq. 2)

Onde: P = m . g (eq. 3) Onde: fatrit = N . µ (eq. 4)


g = aceleração gravitacional m = massa do corpo de prova
a = aceleração do sistema

Ao substituir as variáveis em relação ao eixo X de ação, obteve-se:

g.(senɵ - µ.cosɵ) = a (eq. 5)

Utilizando o conceito Newtoniano que a aceleração gravitacional vale


aproximadamente 10 m.s-2, e que o ângulo ɵ de ação do deslocamento do
corpo de prova é medido.

Então se obtém uma relação em que a aceleração, a, do sistema depende do


coeficiente de atrito, µ.

O passo seguinte foi utilizar as equações de movimento clássico da mecânica


para situação de corpo em aceleração, assim:

S = So + vo . t + (a / 2) . t2 (eq. 6)

A partir da equação acima, obteve-se a relação a seguir, sabendo-se que a


velocidade inicial vale zero:

ΔS = (a / 2) . t2 (eq. 7)

Novamente, conhecido os valores ΔS e t pelo fato que a rampa foi possível


medir sua distância, ΔS, e o tempo, t, pelo relógio primitivo utilizado na época
do experimento.
Pode-se concluir, voltando à equação 5, obteve uma relação de dependência
entre o coeficiente de atrito, µ.

Como conclusão, Darcy analisou que o coeficiente de atrito, µ, gerado seria do


corpo de prova, já que o plano da rampa teria um coeficiente de atrito tendendo
à zero.

Dessa forma, pode analisar que o coeficiente de atrito da superfície do corpo


de prova seria relacionado às ranhuras na superfície de tal corpo.

O que gera essas ranhuras seria a própria constituição granulométrica do corpo


de prova confeccionado e para tanto, haveria a possibilidade de obter vários
tipos de ranhuras distintas, ou melhor, informando, vários tipos de rugosidade
relativa, η, para cada tipo de dosagem de corpo de prova.

Assim, hoje em dia é possível ao utilizar a rugosidade relativa para um dado


tipo de concreto em condutos livres, determinar a relação de seu valor
específico, η.

Abaixo, tem-se uma tabela preliminar de alguns tipos distintos de rugosidade


relativa, obtidos pelo processo experimental.