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C U R S O PA R A A P ROVA O B J E T I VA

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RODADA 3

COMENTÁRIOS
CURSO PA R A A
PROVA O BJE T I VA

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DIREITO PENAL
PROF. CARLOS JÚNIOR

01 - QUESTÃO:

Com relação à lei penal no espaço, assinale a alternativa correta:

a) A legislação penal brasileira adota o princípio da territorialidade absoluta.


b) Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes praticados
contra a Administração Pública, embora o agente não esteja a serviço da Administração
Pública no momento da prática delituosa, ainda que absolvido ou condenado o agente no
estrangeiro.
c) será aplicada a lei brasileira se as embarcações estiverem em porto brasileiro, mas não se
aplica a lei brasileira se as aeronaves brasileiras estiverem em espaço aéreo correspondente.
d) Embaixadas não são extensões de territórios estrangeiros no Brasil. Dessa forma, se
alguém que não goza de imunidade praticar algum crime em seu âmbito, inevitavelmente
será processado nos termos da legislação penal brasileira.
e) A sentença estrangeira depende de homologação judicial para produzir o efeito da
reincidência.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 1. Introdução ao direito penal. 1.1. Conceito, caracteres e função do direito
penal. 1.2. Princípios básicos do direito penal. 1.3. Relações com outros ramos do direito. 1.4.
Direito penal e política criminal. 2.0. A lei penal. 2.1. Características, fontes, interpretação,
vigência e aplicação. 2.2. Lei penal no tempo e no espaço. 2.3. Imunidade. 2.4. Condições de
punibilidade. 2.5. Concurso aparente de normas.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas Delegados!

Tratamos aqui de um assunto bastante cobrado em concursos e de extrema relevân-


cia para os estudos voltados aos concursos de Delegados: a lei penal no espaço.

Existem dois tipos de territorialidade:

Na teoria da territorialidade absoluta, a lei penal brasileira somente pode ser aplica-
da aos crimes cometidos no território brasileiro. Jamais crimes praticados no estrangeiro.

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No que concerne à teoria da territorialidade temperada, a lei penal brasileira deve


ser aplicada aos crimes cometidos no território brasileiro, mas em alguns casos, ela pode ser
aplicada em relação a pessoas que cometeram infrações fora do território brasileiro.

O Brasil adotou a territorialidade temperada. A lei penal brasileira, em regra, aplica-


se ao crime cometido no território nacional. Todavia, excepcionalmente, em determinadas
hipóteses (especialmente elencadas no artigo 7º do CP), a lei brasileira pode vir a ser aplicada
ao crime cometido fora do território brasileiro. Dessa forma, item INCORRETO.

Alternativa B: O candidato deve ter muito cuidado da redação da assertiva, pois está,
em partes, correta. No entanto, o erro consiste em afirmar que “embora o agente não esteja a
serviço da Administração Pública no momento da prática delituosa”. A redação do artigo 7º do
CP aduz a necessidade do agente está a serviço da Administração Pública ao cometer o delito
em seu desfavor no estrangeiro para que seja aplicada a lei brasileiro de forma incondicional.

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:       


I - os crimes: (...)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço.      

Destarte, item INCORRETO.

Alternativa C: Para os efeitos penais (artigo 5º, inciso I, do CP), consideram-se como
extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública
ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente,
no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e


regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.                      
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública
ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar.            

O erro da assertiva consiste em afirmar que não se aplica a lei nacional às aeronaves
brasileiras que estiverem em espaço aéreo correspondente, o que contraria o dispositivo penal
anteriormente aludido. Item INCORRETO.

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Alternativa D: As embaixadas são consideradas território do país em que  estejam


localizadas. As embaixadas de outros países que estejam sediadas no Brasil são consideradas
como território brasileiro. O que ocorre é que alguns delitos praticados nestes locais podem
não estar sujeitos à aplicação da lei brasileira, em razão de tratados internacionais, como ocorre
em relação aos crimes praticados por agentes diplomáticos.

Dessa forma, pode-se afirmar que as sedes das embaixadas não são extensões de
territórios estrangeiros no Brasil. Assim, se algum agente cometer um ato delituoso no interior de
uma embaixada estrangeira será responsabilizado de acordo com a legislação penal brasileiro,
exceto se acobertado por imunidade diplomática. Item CORRETO.

Alternativa E: O artigo 9º do Código Penal prevê hipóteses em que uma sentença


estrangeira precisa ser homologada no Brasil para produzir efeitos jurídicos. No caso específico,
para que a sentença caracterize reincidência no Brasil, ela não precisa ser homologada. Como o
art. 9º não fala em reincidência, chega-se a essa conclusão

É de ver que a reincidência, nos termos do artigo 63 do CP, configura-se quando o


agente pratica novo crime, depois de condenado, com trânsito em julgado, no Brasil ou no
estrangeiro, por crime anterior. Esta condenação, quando proferida fora do Brasil, não requer
qualquer tipo de homologação para gerar reincidência pelos fatos cometidos. Exige-se, porém,
prova idônea de que tenha havido condenação.
Dessa forma, dispensável a homologação da sentença estrangeira para fins de
caracterização da reincidência. Item INCORRETO.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

02 - QUESTÃO:

Com relação institutos da desistência voluntária, arrependimento eficaz, arrependimento


posterior e crime impossível, marque a alternativa incorreta:

a) Reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de diminuição


prevista no art. 16 do Código Penal estende-se aos demais coautores.
b) Somente poderá ocorrer o arrependimento eficaz em crimes materiais, isto é, naqueles
que exigem a produção de resultado naturalístico. 
c) Na tentativa perfeita ou crime falho, o agente esgota os atos executórios que tinha a sua
disposição e, ainda assim, o crime não se consuma por circunstâncias alheias a sua vontade.
d) É considerado crime impossível a hipótese de «flagrante esperado», também denominado
“crime de ensaio”.
e) A desistência voluntária, em regra, exclui a figura da tentativa perfeita. Responde o agente
pelos atos já praticados, isto é, pelos atos que, de por si só, constituem tipos penais.

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- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 4. Teoria do tipo. 4.9. Consumação e tentativa. 4.10. Desistência voluntária
e arrependimento eficaz. 4.11. Arrependimento posterior. 4.12. Crime impossível.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Vamos ao estudo de importantes estudos da Parte Geral do Código


Penal, os quais são bastante cobrados com frequência em concursos policiais.

O artigo 16 do CP, que disciplina o instituto do arrependimento posterior, estabelece


que “nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, quando reparado o dano
ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente”,
caberá redução da pena. Vejamos:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a
dois terços.  

A causa de diminuição de pena prevista no artigo 16 do Código Penal (arrependimento


posterior), exige a reparação integral, voluntária e tempestiva do dano, nos crimes cometidos
sem violência ou grave ameaça à pessoa.

Rogério Sanches Cunha aduz que “A reparação do dano é circunstância objetiva que
se estende aos corréus da prática delitiva (art. 30 do CP). Assim, concorrendo mais de uma pessoa
para o crime, o arrependimento posterior de um deles fera a casa de redução de pena para todos
os demais”. Dessa forma, item CORRETO.

Alternativa B: O art. 15 do Código Penal prevê os institutos da desistência voluntária


e do arrependimento eficaz, este último, alvo do questionamento, encontrado na segunda parte
do mencionado artigo: “O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução
ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados”.

É imprescindível, para a caracterização do  arrependimento  eficaz, que o agente


impeça a consumação do crime. Ocorrendo o resultado, independentemente do que tenha
feito, responde pelos atos já praticados.

Nesses termos, o agente, depois de esgotar todos os meios de que disponha para
chegar à consumação da infração penal (o processo de execução foi encerrado), de forma
voluntária, ou seja, com uma conduta respaldada em sua liberdade, mesmo que a ideia não

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tenha partido dele (espontânea), arrepende-se e atua para evitar a produção do resultado
inicialmente por ele pretendido (evita a consumação da infração). Por conta da necessidade de
uma previsão de resultado naturalístico, o arrependimento eficaz só subsiste diante de crimes
materiais. Item CORRETO.

Alternativa C: Podemos distinguir  a tentativa em perfeita e imperfeita. Fala-se


em  tentativa perfeita,  acabada, ou crime falho, quando o agente esgota, segundo o seu
entendimento, todos os meios que tinha ao seu alcance a fim de alcançar a consumação da
infração penal, que somente não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade. 

Já a tentativa imperfeita ou inacabada, ocorre quando o agente é interrompido du-


rante a prática dos atos de execução, não chegando, assim, a fazer tudo aquilo que intenciona-
va, visando consumar o delito.
 
A tentativa perfeita somente é compatível com os crimes materiais porque no crime
formal e no crime de mera conduta esgotando-se os atos executórios, não há crime tentado, já
há crime consumado. 

Destarte, item CORRETO.

Alternativa D: Primeiramente, temos de diferenciar o que flagrante preparado e


flagrante esperado.

Flagrante preparado é aquela prisão em flagrante que ocorre indução ou instigação


para que alguém pratique o crime, tudo com o objetivo de efetuar a prisão. O Supremo Tribunal
Federal, entendendo pelo caráter ilícito desse tipo de flagrante, editou Súmula acerca do tema:

Súmula 145 - Não há crime, quando a preparação do flagrante pela


polícia torna impossível a sua consumação.
 
Já o flagrante esperado, que é o caso mencionado na assertiva, é aquele em que,
por exemplo, a polícia tem notícias de que uma infração penal será cometida e aguarda o
momento de sua consumação para executar a prisão. O flagrante esperado é de caráter legal,
não caracterizando crime impossível. O item está INCORRETO.
 
Alternativa E: Colegas, na desistência voluntária, o agente não esgotou o processo
executório do crime. Em regra, se caracteriza por uma conduta negativa. A desistência voluntária
é incabível nos crimes unissubsistentes.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na


execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos
já praticados. 

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A vontade do agente é imprescindível para caracterizar a desistência voluntária,


pois se não há voluntariedade, o resultado não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade
do agente, sendo, portanto, tentativa. O agente somente responde pelos atos praticados. Para
que se caracterize o instituto descrito no art. 15 do Código Penal, é necessário que o agente
espontaneamente cesse os atos executórios da infração. Portanto, alternativa CORRETA.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

03 - QUESTÃO:

De acordo com os dispositivos da parte geral do Código Penal em relação à ilicitude, é correto
afirmar:

a) De acordo com a maioria da doutrina, o Brasil adotou a teoria da ratio essendi ou da


absoluta dependência, isto é, excluída a ilicitude no caso concreto, exclui-se o fato típico.
b) Estrito cumprimento de dever legal ou o exercício regular de direito são causas dirimentes
de responsabilidade criminal.
c) o agente responderá pelo excesso doloso ou culposo, aplicando-se a mesma regra prevista
para o excesso na legítima defesa.
d) A maioria da doutrina entende que não cabe legítima defesa  real  em face de legítima
defesa putativa.
e) Policial que, no cumprimento de mandado de prisão, é recebido a tiros pelo suspeito e,
após intenso tiroteio, vem a matá-lo. A tese defensiva a ser alegada pela defesa do policial
deverá ser estrito cumprimento do dever legal.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 5. Ilicitude. 5.1. Causas de exclusão da ilicitude: estado de necessidade,


legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Para explicar a relação entre a tipicidade e ilicitude, a doutrina aponta


algumas teorias. A teoria da autonomia ou absoluta independência aduz que a tipicidade não
tem qualquer relação com a ilicitude, ou seja, excluída a ilicitude o fato permanece típico.

Já a teoria da absoluta independência ou ratio essendi defende uma absoluta relação


de dependência entre a tipicidade e a ilicitude. Excluída a ilicitude, necessariamente será
excluída a tipicidade. Já a teoria da indiciariedade ou ratio cognoscendi defende que a existência
de fato típico gera presunção de ilicitude. Assim, excluída a ilicitude, o fato permanece típico,
haja vista que há apenas uma relativa dependência entre eles.

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Maior parte da doutrina entende que o Brasil adotou a teoria da indiciariedade, isto
é, provada a tipicidade presume-se relativamente a ilicitude, provocando a inversão do ônus da
prova quanto à existência da descriminante. Em razão disso, item INCORRETO.

Alternativa B: Colegas, cuidado com os termos utilizados.

Estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito são causas excludentes
de ilicitudes, também denominadas de causas justificantes ou causas descriminantes, todas
previstas no artigo 23 do CP.

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 


I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.

Já as causas de exclusão de culpabilidade, também chamadas de causas exculpantes


ou causas dirimentes ou eximentes em nada tem a ver com a ilicitude. Por conta disso, item
INCORRETO.

Alternativa C: Alternativa está perfeita, colegas.

O excesso está relacionado com a reação moderada e a utilização dos meios


necessários. O excesso, antes da reforma de 1984, somente havia previsão no que concerne à
legítima defesa. No entanto passou a ser padronizado para todas as excludentes de ilicitude,
conforme o parágrafo único do artigo 23 do CP.

Art. 23 - (...)
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

Dessa forma, é perfeitamente possível a punição do agente pelo excesso doloso ou


culposo no âmbito da legítima defesa e estado de necessidade. Item CORRETO.

Alternativa D: é aquela que o agente, por erro, acredita existir uma agressão injusta,
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. A maior da doutrina entender não ser possível falar
em legítima defesa real contra legítima defesa real, pois um dos requisitos para a configuração
da legítima defesa é a agressão injusta. Assim, se o primeiro agente age em legítima defesa real,
sua agressão não é injusta, o que impossibilita reação em legítima defesa. 

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Na legítima defesa putativa o agente pensa que está defendendo-se, mas, na ver-
dade, acaba praticando um ataque injusto. Se é certo que ele não sabe estar cometendo uma
agressão injusta contra um inocente, é mais certo ainda que este não tem nada que ver com
isso, podendo repelir o ataque objetivamente injustificável.

Exemplo clássico é o caso de alguém que vê o outro pôr a mão no bolso e pensa
que ele irá sacar uma arma. Imaginando que será atacado, atira em legítima defesa imaginária.
Quem recebe a agressão gratuita pode revidar em legítima defesa real.

Desse modo, a alternativa está CORRETA.

Alternativa E: Na situação narrada na assertiva, o policial agiu em conformidade com


o instituto da legítima defesa, haja vista ter cumprido os requisitos previstos no artigo 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente


dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a
direito seu ou de outrem.

Destarte, Item INCORRETO.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

04 - QUESTÃO:

A respeito de crimes contra a pessoa e o entendimento jurisprudencial acerca do tema, é


incorreto afirmar que:

a) Segundo o STJ, a perda de dentes configura lesão gravíssima na modalidade deformidade


permanente.
b) O agente que matar sua treinadora de ginástica por não estar satisfeito com seu desempenho
físico responderá por feminicídio, haja vista a vítima ser mulher.
c) Para o STJ, não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe
e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência
doméstica e familiar.
d) A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal é descaracterizada
por posterior cirurgia estética reparadora que elimine a deformidade na vítima, conforme
entendimento consolidado do STJ.
e) No crime de homicídio, caberá a concessão do chamado perdão judicial se o agente praticou
o delito impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta
emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima.

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- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 10.1. Crimes contra a pessoa.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O artigo 129 do Código Penal prevê o crime de lesão corporal. No


parágrafo 2º estão previstas as hipóteses chamadas pela doutrina de lesão corporal gravíssima:

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:


§ 2º Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incuravel;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto.

Havia grande discussão acerca da tipificação legal da lesão corporal geradora da


perda de dentes. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento, aduzindo
ser lesão corporal grave por debilidade permanente:

A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem


natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º,
IV, do CP). STJ. 6ª Turma. REsp 1.620.158-RJ).

Dessa forma, item INCORRETO.

Alternativa B: Muita Atenção! Não se deve confundir feminicídio com femicídio. Só há


a incidência do feminicídio, que é forma qualificada do homicídio, quando o delito for praticado
“por razões da condição de sexo feminino”, o que envolve violência doméstica e familiar ou,
ainda, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Art. 121. Matar alguém: (...)


§ 2º Se o homicídio é cometido:
Feminicídio
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. (...)

Dessa forma, o feminicídio deve se enquadrar nas circunstâncias do artigo 121,


§2º-A do Código Penal, não sendo suficiente apenas o fato de a vítima ser mulher. Assim, item
INCORRETO.

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Alternativa C: Mais uma assertiva com um importante entendimento jurisprudencial


do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, a qualificadora do feminicídio é de natureza objetiva.
A justificativa apresentada para isso está no fato de que tal qualificadora incide nos crimes
praticados contra a mulher por razão do seu gênero feminino e/ou sempre que o crime estiver
atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, assim o  o elemento volitivo  do
agente não seria objeto de análise. Vejamos a julgado do STJ:

Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de


motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio praticado contra
mulher em situação de violência doméstica e familiar. (STJ. 6ª Turma.
HC 433.898-RS)

Dessa forma, o item está CORRETO.

Alternativa D: Colegas!

A assertiva contradiz o que fora decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em um


importante julgado. Dessa forma, para fins didáticos, colaciono o julgamento que é de fácil
entendimento:

A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal


(art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética
reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso
porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação,
não o afetando providências posteriores, notadamente quando não
usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos
prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a
critério exclusivo da vítima. (STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ).

Assim, de acordo com a fundamentação exposta, item INCORRETO, haja vista que
a cirurgia estética reparadora não é capaz de descaracterizar a qualificadora da deformidade
permanente.

Alternativa E: Na verdade, colegas, a assertiva menciona os termos do homicídio


privilegiado, previsto no artigo 121, parágrafo 1º do CP:

Art. 121. Matar alguém:


§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida
a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a
um terço.

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O perdão judicial previsto no parágrafo 5º do artigo 121 do CP só tem previsão nos


homicídios culposos. Vejamos:

Art. 121 - (...)


§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar
a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de
forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

Dessa forma, o item está ERRADO.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

05 - QUESTÃO:

Cláudio, prestador de serviços de limpeza na Delegacia da Cidade de Guarapari, solicita a


Armando, conhecido traficante de drogas local, R$ 10.000,00 (dez mil reais) com a justificativa
mentirosa de que convenceria os policiais civis daquela cidade a não realizar operações
policiais na área em que este mantinha o comércio ilícito de entorpecentes.

De acordo com a situação hipotética, Cláudio praticou:

a) Crime de concussão.
b) Crime de prevaricação.
c) Crime de favorecimento pessoal.
d) Crime de exploração de prestígio.
e) Crime de tráfico de influência.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 10. Crimes. 10.12. Crimes contra a Administração Pública.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas! A assertiva trata do crime de concussão, o qual não representa


a conduta descrita na situação hipotética. Com efeito, o delito de concussão consiste em exigir
vantagem indevida, direta ou indiretamente, no exercício de função pública e em razão dela,
consumando-se no momento em que é feita a exigência.

Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida.

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Conforme leciona Cezar Roberto Bitencourt,  são elementos da  concussão: a) a


exigência da vantagem indevida; b) que essa vantagem seja para o próprio concussionário ou
para outrem; c) que haja abuso de função ou do poder a ela inerente. A alternativa A, nesse
sentido, encontra-se equivocada.

Alternativa B: o crime de prevaricação, previsto no art. 319, do CP, ocorre quando o


funcionário público retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo
contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício,


ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse
ou sentimento pessoal.

Dessa forma, fácil vislumbrar que a conduta praticada por Cláudio não se enquadra
no tipo penal de prevaricação.

Alternativa C: O crime favorecimento pessoal, previsto no artigo 348 do CP, ocorre


quando o agente auxilia outrem, o qual comete ato delituoso apenado com pena de reclusão, a
subtrair-se à ação de autoridade pública.

Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de


crime a que é cominada pena de reclusão.

Ademais, é necessário que aquele que presta auxilio não tenha participado da conduta
criminosa. Ainda, o auxílio deve ser prestado após a prática do delito. É necessário, também,
que não exista previamente um acordo entre o favorecido e o favorecedor, caso contrário o
favorecedor será considerado partícipe do delito praticado. Diante disso, a atitude delituosa do
agente não se enquadra na tipificação legal do crime de favorecimento pessoal.

Alternativa D: Assertiva INCORRETA. O delito de exploração de prestígio, previsto


no artigo 357 do Código Penal, está no capítulo destinado aos crimes contra a Administração
da Justiça. A conduta consiste em solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade
a pretexto de influir em juiz, jurado, funcionário da justiça, perito, tradutor, intérprete ou
testemunha.

Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade,


a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público,
funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha.

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Sendo crime comum, qualquer pessoa pode praticar delito, não exigindo do agente
qualificação especial. A pena eleva-se 1/3 se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade
também se destina a qualquer das pessoas referidas no tipo penal (juiz, jurado, membro do
Ministério Público, funcionário da justiça, interprete, perito, tradutor, testemunha).

Dessa forma, diante do erro na tipificação da conduta de Cláudio, está incorreta a


assertiva.

Alternativa E: Assertiva está CORRETA. O delito tipificado no artigo 332 do CP ocorre


quando o sujeito solicita, exige, cobra ou obtém, para si ou para outrem, vantagem ou promessa
de vantagem, a pretexto de influir no comportamento do funcionário público. Ele não influi
realmente no ato funcional, mesmo porque não tem como fazê-lo.

Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem,


vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato
praticado por funcionário público no exercício da função:  
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou
insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário.

Consoante Cleber Masson:

O crime realmente é um estelionato, pois o agente ilude e frauda


o  pretendente ao ato ou providência governamental, alegando um
prestígio  que não possui e assegurando-lhe um êxito que não está a seu
alcance.

Veja que Cláudio age como verdadeiro estelionatário, utilizando de meio ardiloso
para enganar a vítima, alegando uma capacidade falaciosa de influenciar nas decisões dos
policiais civis da Delegacia de Polícia Civil de Guarapari. Dessa forma, resta caracterizado o
delito de tráfico de influência.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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06 - QUESTÃO:

Em relação aos crimes e procedimentos constantes na Legislação Penal Extravagante, analise


as afirmativas abaixo, classificando-as em verdadeiras (V) ou falsas (F). Ao final, assinale a
opção que contenha a sequência correta:

I - O STF entende que é possível a manutenção provisória de condenado em regime prisional


mais gravoso até o surgimento de vagas em estabelecimento penal adequado à progressão
de regime.
II - A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.
III - A homologação da transação penal faz coisa julgada material e, descumpridas suas con-
dições, somente pode ser retomada a situação anterior mediante instauração de inquérito
policial para apurar novos fatos, podendo, até mesmo, caracterizar o crime de desobediên-
cia.
IV - De acordo com a Lei n.º 8.666/1993, qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Mi-
nistério Público no que se refere à ocorrência da prática de crimes naquele diploma legis-
lativo definidos, haja vista todos os tipos penais nela previstos são de ação penal pública
incondicionada.

a) V, F, F, V.
b) F, F, V, F.
c) V, V, F, F.
d) V, F, V, F.
e) F, V, F, V.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 10 - Crimes. 10.12 Crimes contra a Administração Pública.

- COMENTÁRIOS:

Item I: Colegas!

Abordamos agora procedimentos e tipos penais previstos na Legislação Penal


Especial.

Ao analisar o item I, vislumbramos o total desacordo com a Súmula Vinculante 56 do


Supremo Tribunal Federal. Vejamos:

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Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado


não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais
gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados
no RE 641.320/RS.

A manutenção do condenado em regime mais gravoso do que é devido caracteriza-


se como constrangimento ilegal ao preso, havendo, no caso, violação aos direitos básicos do
apenado. A proteção à integridade da pessoa e ao seu patrimônio contra agressões injustas está
na raiz da própria ideia de Estado Constitucional. A execução de penas corporais em nome da
segurança pública só se justifica se for feita com observância da estrita legalidade.

Diante disso,  o STF, em julgamento do RE 641320, fixou tese nos seguintes termos: a) a
falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime
prisional mais gravoso;  b)  os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos
destinados aos regimes semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes.
São aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial”
(regime semiaberto) ou “casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto)
(art. 33, parágrafo 1º, alíneas b e c);  c)  havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a
saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente
monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta
de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que
progride ao regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas,
poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. Dessa forma, item INCORRETO.

Item II: PERFEITA a assertiva.

Previsão literal da Súmula Vinculante 46 do Supremo Tribunal Federal, haja vista o STF
entender que o Estado-membro não pode dispor sobre crime de responsabilidade, ainda que
seja na Constituição estadual, pois a competência para legislar sobre crime de responsabilidade
é privativa da União.

Súmula vinculante 46 STF: A definição dos crimes de responsabilidade


e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento
são da competência legislativa privativa da União.

O Supremo Tribunal Federal entende que definir o que vem a ser crime de
responsabilidade e prever as regras de processo e julgamento dessas infrações significa legislar
sobre Direito Penal e Processual Penal, matérias que são de competência privativa da União,
nos termos do artigo 22, inciso I, da Constituição Federal. Dessa forma, item CORRETO.

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Item III: A assertiva contradiz a previsão literal da Súmula Vinculante 35 do Supremo


Tribunal Federal, que tipifica o crime de Desabamento.

Súmula vinculante 35-STF:  A homologação da transação penal


prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material
e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução
penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito
policial.

O instituto da transação penal é previsto na Lei dos Juizados Especiais (Lei n°


9.099/95), em seu artigo 76: “Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal
pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a
aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta”.

Caso haja o descumprimento injustificado da transação penal, o magistrado deverá


determinar a abertura de vista dos autos ao Ministério Público, tendo este a opção de denunciar
o agente ou, caso necessário, solicitar novas diligências investigatórias. Dessa forma, diante
do descumprimento das cláusulas estabelecidas na transação penal, o titular da ação criminal
pode dar continuidade à persecução penal.

Item IV: Os crimes contra a licitação dispostos na Lei nº 8.666/1993 são crimes de
ação penal pública incondicionada, conforme redação do artigo 100 e 101 da referida lei.

Art.  100.    Os crimes definidos nesta Lei são de  ação penal pública
incondicionada, cabendo ao Ministério Público promovê-la.

Art. 101.  Qualquer pessoa poderá provocar, para os efeitos desta Lei, a


iniciativa do Ministério Público, fornecendo-lhe, por escrito, informações
sobre o fato e sua autoria, bem como as circunstâncias em que se deu a
ocorrência.

Dessa forma, por serem crimes de ação penal pública incondicionada,  cabe ao
Ministério Público promover a referida ação por meio de denúncia. No entanto, qualquer pessoa
pode provocar a iniciativa do Ministério Público, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre
o fato e sua autoria, bem como as circunstâncias em que se deu a ocorrência. 

Dessa forma, já que a assertiva aduz corretamente o texto legal, devemos assinalar
como VERDADEIRO o item.

Desse modo, a sequência a ser marcada é F-V-F-V.

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- GABARITO DA QUESTÃO: E.

07 - QUESTÃO:

Com base na Lei 9.613/1998 (Lei de Lavagem de Dinheiro) e o entendimento jurisprudencial


acerca do tema, analise as assertivas que se seguem e assinale a opção incorreta:

a) O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica


de “ocultar”, é permanente, protraindo-se sua execução até que os objetos materiais do
branqueamento se tornem conhecidos.
b) Para a configuração da lavagem de capitais, como sujeito ativo, é prescindível a participação
na infração antecedente. É suficiente que o agente tenha conhecimento da origem ilícita dos
valores.
c) o direito penal brasileiro não admite o crime de autolavagem, quando o autor do crime
antecedente pratica também a lavagem de capitais.
d) Em regra, subsiste a punibilidade do crime de lavagem mesmo que o crime antecedente
esteja prescrito.
e) Se o acusado citado não comparecer nem constituir advogado, será citado por edital,
prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de um defensor dativo.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 10.18. Lei nº 9.613/1998 e suas alterações (Lavagem de dinheiro).

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas!

O crime de lavagem de dinheiro, previsto no artigo 1º da Lei nº 9.613/1998, é tipo


penal misto alternativo, que pode ser cometido nas modalidades ocultar (esconder a origem da
coisa) e dissimular (ocultação mediante fraude). O Supremo Tribunal Federal tem entendimento
que, na modalidade ocultar, o delito de lavagem de capitais é permamente. Vejamos o julgado:

O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”),


previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98, quando praticado na modalidade
de ocultação, tem natureza de crime permanente. A característica básica
dos delitos permanentes está na circunstância de que a execução desses
crimes não se dá em um momento definido e específico, mas em um
alongar temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação
até que o fato se torne conhecido. Assim, o prazo prescricional somente
tem início quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do
agente. (STF. 1ª Turma. AP 863/SP).

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Dessa forma, fica evidente que a assertiva está perfeita, no entanto, o enunciado
pede para ser assinalada a alternativa incorreta.

Alternativa B: Para a tipificação da lavagem de dinheiro, como sujeito ativo, é


dispensável a participação na infração antecedente. Basta que o agente tenha conhecimento
da origem ilícita dos valores.

Art. 2º (...)
II -  independem do processo e julgamento das infrações penais
antecedentes, ainda que praticados em outro  país, cabendo ao juiz
competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade
de processo e julgamento.

A prática da lavagem de dinheiro depende, portanto, de o sujeito ativo saber da


origem ilícita dos bens, para concretizar-se o tipo doloso. Isto quer dizer, agente precisa ter
ciência do delito prévio e querer realizar a ocultação ou a dissimulação da origem ilícita.

Dessa forma, está correta a assertiva.


 
Alternativa C: Alternativa perfeita. A Lei n.º 9.613/98 admite a figura da autolavagem
ou do autobranqueamento, podendo o autor da infração penal antecedente ser punido também
pela prática de lavagem de dinheiro.

Não há nenhum óbice a que o próprio agente que cometeu a infração penal
antecedente atue para ocultar ou dissimular a origem ilícita do produto daquela infração, o que
é conhecido como “autolavagem”.

Isso foi debatido no Supremo Tribunal Federal, onde ficou decidido que a autolavagem
é passível de punição, não constituindo bis in idem ou qualquer ofensa a princípios do Direito
Penal. Ademais, está aí a principal distinção entre os crimes de lavagem de dinheiro e os de
receptação e favorecimento real. Nestes tipos há a ressalva expressa de que o sujeito ativo não
pode ter participado do crime antecedente.

Dessa forma, como o item está incorreto, deve ser o item a ser assinalado.

Alternativa D: Alternativa que, mais uma vez, retrata um entendimento dos tribunais
superiores pátrios. Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não impede o
prosseguimento da apuração de cometimento do crime de lavagem de dinheiro a extinção da
punibilidade dos delitos antecedentes.

Veja:

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Art. 41 - Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar


contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a
Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995.

Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resul-


tante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.

Desse modo, qualquer lesão corporal, mesmo que leve ou culposa, praticada contra
mulher no âmbito das relações domésticas é crime de ação penal incondicionada, ou seja, o
titular da ação penal pública, no caso o Ministério Público, pode dar início à ação penal sem
necessidade de representação da vítima.

Em que pese o artigo 88 da Lei nº 9.099/95 preveja que “Além das hipóteses do Código
Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes
de lesões corporais leves e lesões culposas”, esse entendimento não prevalece para as lesões
corporais praticadas contra a mulher no âmbito de violência doméstica. Dessa forma, assertiva
INCORRETA.

Alternativa E: Como já exploramos o crime previsto no artigo 24-A da Lei nº


11.340/2006 nos comentários do item A, devemos prestar bem atenção ao que diz a assertiva.
Vislumbramos que a assertiva restringe a análise do arbitramento de fiança aos crimes inseridos
na Lei 11.340/2006.

Destarte, como a Lei Maria da Penha só prevê um tipo penal incriminador, qual seja, o
artigo 24-A, a análise deve se restringir a esse crime. Ocorre que o próprio legislador fez questão
de vedar o arbitramento de fiança por parte da autoridade policial. É a previsão do parágrafo 2º
do artigo 24-A.

Art. 24-A.  Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de


urgência previstas nesta Lei: 
(...)
§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial
poderá conceder fiança.

Dessa forma, clara a redação do dispositivo legal, não deixando dúvidas acerca do
equívoco do item. Desse modo, item INCORRETO.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

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08 - QUESTÃO:

De acordo com a Legislação Penal Extravagante e o entendimento dos tribunais superiores,


indique a opção incorreta:

a) Nos termos da Lei nº 4.737/1965 (Código Eleitoral), quando a referida lei não indicar o grau
mínimo para sanção, entende-se que será ele de trinta dias para a pena de detenção e de um
ano para a de reclusão.
b) Nos termos da Lei n. 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), todos os crimes nela previstos são de
ação penal pública incondicionada.
c) Em relação à Lei nº 11.101/2005 (Crimes falimentares), a condição objetiva de punibilidade
das infrações penais é a sentença que decreta a falência, concede a recuperação judicial ou
concede a recuperação extrajudicial.
d) Nos termos da Lei nº 8.078/1990 (Código de proteção e defesa do consumidor), todos os
crimes nela previsto são de menor potencial ofensivo, aplicando-se os institutos previstos na
Lei 9.099/1999.
e) No que concerne à Lei nº 12.037/2009, as informações genéticas contidas nos bancos de
dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das
pessoas, exceto determinação genética de gênero.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 10 - Crimes. 10.25 Lei nº 11.101/2005 e suas alterações (Crimes falimentares).
14 - Lei nº 8.078/1990 e suas alterações (Código de proteção e defesa do consumidor). 18- Lei nº
12.037/2009 e suas alterações. 19 - Lei nº 4.737/1965 e suas alterações (Código Eleitoral). 23 - Lei
nº 13.146/2015 e suas alterações (Crimes previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência) 24 -
Lei 10.741/2003 e suas alterações (Crimes cometidos contra idosos).

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas!

Previsão literal do artigo 284 da Lei nº 4.737/2003 (Estatuto do Idoso), no qual prevê,
no silêncio da aludida lei, 15 (quinze) dias para pena de detenção, e 01 (um) ano para a de
reclusão.
Art. 284. Sempre que êste Código não indicar o grau mínimo, entende-se
que será ele de quinze dias para a pena de detenção e de um ano para a
de reclusão.

Dessa forma, erroneamente a assertiva estabeleceu 30 (trinta) dias em caso de pena


de detenção. Item INCORRETO. Como a questão pede para assinalar o item incorreto, este é o
item a ser marcado.

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Alternativa B: Previsão literal do parágrafo quinto do artigo 6º da Lei 4.898/1965,


que prevê um prazo afastamento bem mais largo que o exposto pela assertiva (“de um a cinco
anos”):
Art. 95.  Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública
incondicionada, não se lhes aplicando os arts. 181 e 182 do CP.

Bastante atenção nos prazos inseridos nessa lei. Outro prazo que é bastante cobrado
é referente à denúncia ofertada pelo Ministério Público, o qual tem 48 (quarenta e oito) horas
para apresentar a peça processual acusadora. Dessa forma, item INCORRETO.

Alternativa C: Alternativa CORRETA.

Grande parte das provas de concursos que abordam Legislação Penal Extravagante
exploram bastante a literalidade do texto legal e suas nuances. Dessa forma, é bastante
interessante para o candidato a leitura atenta dos dispositivos legais mais cobrados. A Lei nº
9.296/96 é de extrema relevância nos estudos voltados ao cargo de Delegado de Polícia.

Em relação ao que aduz a assertiva, vislumbramos a perfeita consonância entre a


leitura do parágrafo 1º do artigo 4º da referida lei e o texto apresentado pelo item.  

Art. 4º O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá


a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de
infração penal, com indicação dos meios a serem empregados.
§ 1º Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado
verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que
autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada
à sua redução a termo.

Devemos vislumbrar a excepcionalidade da medida, bem como a condição imposta


pelo legislador para que o pedido seja deferido, ou seja, somente após a redução a termo do
pleito é que o juiz pode conceder o pedido, desde que presentes as fundamentações legais.
Diante disso, trata-se da alternativa CORRETA.

Alternativa D: Após intensas discussões no cenário legislativo nacional, a Lei nº


13.260/2016 (Lei do Terrorismo) foi aprovada e tipificou algumas condutas criminosas, bem
como as classificou como de natureza hedionda. Entre os crimes delineados no referido
dispositivo legal, o artigo 5º gerou bastante discussão entre os juristas, haja vista criminalizar
atos preparatórios. Vejamos: Por expressa previsão legal, o Delegado de Polícia pode realizar
o acordo de colaboração premiada, nos autos do Inquérito Policial, com a manifestação do
Ministério Público (artigo 4º, §2 da Lei de Organização Criminosa).

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Art. 5º -    Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito


inequívoco de consumar tal delito:
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto
até a metade.

O iter criminis,  ou “caminho do crime”, corresponde às etapas percorridas pelo


agente para a prática de um fato previsto em lei como infração penal. Compreende duas fases:
uma interna e outra externa. A fase interna é representada pela cogitação. Por sua vez, a fase
externa  se divide em outras três: preparação, execução e consumação. O exaurimento não
integra o iter criminis.

Os atos preparatórios (ou fase de preparação), geralmente, não são puníveis, nem na
forma tentada, uma vez que não se iniciou a realização do núcleo do tipo penal. De fato, o artigo
14, inciso II, do Código Penal vinculou a tentativa à prática de atos executórios.

Excepcionalmente, é possível a punição de atos preparatórios nas hipóteses em que


a lei optou por incriminá-los de forma autônoma. São os chamados crimes obstáculos. É o que
se dá com os crimes de fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou
gás tóxico, ou asfixiante (CP, art. 253), incitação ao crime (CP, art. 286), associação criminosa
(CP, art. 288) e petrechos para a falsificação de moeda (CP, art. 291), o crime tipificado no artigo
5º da Lei nº 13.260/2016, entre outros.

Dessa forma, o item está INCORRETO, haja vista que há a previsão de punição, porém
a pena deve ser diminuída de um quarto até a metade do que era previsto para o crime em sua
forma consumada.

Alternativa E: O artigo 27 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais) prevê a


perfeita viabilidade de aplicação do instituto da transação penal, condicionando a sua concessão
à prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade.

Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta


de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista
no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá
ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de
comprovada impossibilidade.

O artigo 28 da Lei nº 9.605/1998 autoriza a aplicação do instituto da suspensão


condicional do processo, com algumas especificidades. A suspensão condicional do processo,
prevista no  artigo 89 da Lei nº 9.099/1995  pode durar até 04 (quatro) anos. Entre as regras
específicas da Lei nº 9.605/1998, encontra-se a prorrogação do prazo de suspensão condicional
do processo, por mais 01 (um) ano (artigo 28, inciso II, da Lei nº 9.605/1998). 

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Do mesmo modo, existem regras específicas sobre a declaração de extinção de


punibilidade. A declaração de extinção da punibilidade dependerá de laudo de constatação
de reparação do dano ambiental (artigo 28, inciso I, da Lei nº 9.605/1998) ou ainda de laudo
de constatação que comprove ter o acusado adotado todas as providências necessárias à
reparação integral do dano (artigo 28, inciso V, da Lei nº 9.605/1998).

Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de


1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos
nesta Lei, com as seguintes modificações:
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo
referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do
dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1°
do mesmo artigo;
II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido
completa a reparação, o  prazo de suspensão do processo será
prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no
caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição;
III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos
II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput;
IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo
de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme
seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o
máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso
III;
V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção
de punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter
o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do
dano.

Dessa forma, os 02 (dois) institutos são admitidos pela Lei nº 9.605/1998, respeitados
os requisitos legais. Portanto, alternativa INCORRETA.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL


PROF. ANDRÉ BATISTA

09 - QUESTÃO:

Cicinho e Massaranduba, maiores e capazes, foram presos em flagrante fazendo uso de


cannabis sativa, droga vulgarmente conhecida como maconha. Conduzidos a Delegacia
de Polícia, Cicinho informou que foi usuário de maconha durante a adolescência, porém
atualmente não mais consume drogas. Informou também que somente fez uso de maconha na
data de hoje pois encontrou seu antigo amigo Massaranduba e este depois de longa conversa
lhe convenceu a fumar uma “ponta” em homenagem aos velhos tempos. Questionado quanto
a origem da droga Cicinho informou que depois de convencido por Massaranduba ambos
adquiriram a droga de Chiquinho Scarpa, conhecido traficante da região. Já Massaranduba
em suas declarações informou que é usuário de maconha e hoje ao encontrar seu antigo
amigo Cicinho lhe convenceu a fumar uma “ponta” de maconha para juntos consumirem.
Por fim informou que a referida droga foi comprada em conjunto com Cicinho de Chiquinho
Scarpa. Analisando o caso em tela qual a tipificação da conduta de Massaranduba:

a) Art. 33, caput, Lei 11.343/06.


b) Art. 28, Lei 11.343/06.
c) Art. 33, § 2º, Lei 11.343/06 (auxílio ao uso indevido de drogas).
d) Art. 33, § 4º, Lei 11.343/06 (tráfico privilegiado).
e) Art. 33, § 3º, Lei 11.343/06 (Cessão gratuita para consumo).

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 10.1. Lei nº11.343/2006 e suas alterações (Tráfico ilícito e uso indevido de
substâncias entorpecentes).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão abordou os diversos crimes tipificados na Lei 11.343/06 cujo


objetivo é a repressão das Drogas. O candidato, em sua preparação, deve tomar um cuidado
especial aos tipos “menos famosos” da lei, como é o caso do previsto no artigo 33, §2°, da
referida lei, evitando assim um errôneo pensamento da simples dicotomia entre o artigo 33,
caput, e artigo 28, caput.

No caso em tela, Massaranduba induziu Cicinho a fazer uso de entorpecentes, conduta


prevista no artigo 33, § 2°, da Lei 11.343/06:

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Art. 33, § 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:


Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300
(trezentos) dias-multa.

Devemos chamar a atenção do candidato para a relevante informação prevista no


enunciado: Massaranduba não forneceu a droga que foi consumida por Cicinho, essa informação
é relevante para distinguir sua conduta da prevista no artigo 33, § 3°, da Lei 11.343/06:

Art. 33, §3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a


pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700
(setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das
penas previstas no art. 28.

Por fim, no que tange ao artigo 33, § 2° da Lei 11.343/06 também devemos nos atentar
para a ADIN 4274:

O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator,


julgou procedente a ação direta para dar ao § 2º do artigo 33 da Lei
nº 11.343/2006 interpretação conforme à Constituição, para dele
excluir qualquer significado que enseje a proibição de manifestações
e debates públicos acerca da descriminalização ou legalização do uso
de drogas ou de qualquer substância que leve o ser humano ao
entorpecimento episódico, ou então viciado, das suas faculdades
psico-físicas. (STF, Acórdão, DJ 02.05.2012).

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

10 - QUESTÃO:

Tendo como referência a Lei 11.343/06 e a jurisprudência dos tribunais superiores, assinale o
item incorreto que se segue.

a) O chamado “tráfico privilegiado”, previsto no §4° do art. 33 da Lei n° 11.343/2006, não deve
ser considerado crime equiparado a hediondo.
b) Por força da Súmula 512 do STJ a aplicação da causa de diminuição de pena, prevista no
art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas.
c) É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação
da convicção de que o réu se dedica a atividade criminosa, afastando a aplicação da causa de
diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, sem violar o princípio da presunção
de inocência.

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d) A grande quantidade de droga apreendida constitui, por si só, fundamento para negar o
benefício da redução de pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006.
e) Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06 (tráfico interesta-
dual), é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, bastando a demonstração inequí-
voca da intenção de realizar o tráfico interestadual.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 10.1. Lei nº11.343/2006 e suas alterações (Tráfico ilícito e uso indevido de
substâncias entorpecentes).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão exigiu do candidato o conhecimento da jurisprudência dominante


dos Tribunais Superiores. Assim no intuito de ajudar na sua preparação iremos transcrever a
ementa dos julgados cobrados.

HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL, PENAL E PROCESSUAL PENAL.


TRÁFICO DE ENTORPECENTES. APLICAÇÃO DA LEI N. 8.072/90 AO TRÁFICO
DE ENTORPECENTES PRIVILEGIADO: INVIABILIDADE. HEDIONDEZ NÃO
CARACTERIZADA. ORDEM CONCEDIDA. 1. O tráfico de entorpecentes
privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei n. 11.313/2006) não se harmoniza com
a hediondez do tráfico de entorpecentes definido no caput e § 1º do art.
33 da Lei de Tóxicos. 2. O tratamento penal dirigido ao delito cometido
sob o manto do privilégio apresenta contornos mais benignos, menos
gravosos, notadamente porque são relevados o envolvimento ocasional
do agente com o delito, a não reincidência, a ausência de maus
antecedentes e a inexistência de vínculo com organização criminosa.
3. Há evidente constrangimento ilegal ao se estipular ao tráfico de
entorpecentes privilegiado os rigores da Lei n. 8.072/90. 4. Ordem
concedida. (HC 118533 / MS - MATO GROSSO DO SUL, Relator(a): Min.
CÁRMEN LÚCIA, Julgamento: 23/06/2016, Órgão Julgador: Tribunal
Pleno)

O tráfico ilícito de drogas na forma privilegiada (art. 33, §4°, da Lei


11.343/06) não é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte,
deve ser cancelado o Enunciado 512 da súmula do Superior Tribunal de
Justiça. (STJ, 3ª Seção. Pet 11.796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 23.11.2016, Info 595)

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SÚMULA 512, STJ: A aplicação da causa de diminuição de pena prevista


no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de
tráfico de drogas.

É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em


curso para a formação da convicção de que o réu se dedica a atividade
criminosa, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4°,
da Lei 11.343/06. (STJ, 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Min. Felix Fischer,
julgado em 14.12.2016, Info 596)

A quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente,


fundamento idôneo para negar o benefício da redução da pena prevista
no art. 33, § 4°, da Lei 11.343/06. (STF, 2ª Turma, RHC 138715/MS, Rel.
Ricardo Lewandowski, julgado em 23.05.2017, Info 866)

SÚMULA 587 STJ: Para incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da


Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre
estados da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da
intenção de realizar o tráfico interestadual.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

11 - QUESTÃO:

Nos termos da Lei 11.43/06, em especial ao concernente a apreensão e destruição de


entorpecente, assinale a opção incorreta:

a) Encontrada uma plantação ilícita de drogas ou matéria-prima destinada à sua preparação,


o Delegado de Polícia deverá determinar sua imediata destruição, não havendo necessidade
de prévia autorização judicial.
b) Caso o Delegado de Polícia opte pela queimada para destruir as plantações ilícitas deverá
requerer a autorização prévia do órgão próprio do Sistema Nacional do Meio Ambiente 0
SISNAMA.
c) Havendo apreensão de drogas e a prisão em flagrante do traficante a destruição das drogas
será executada pelo Delegado de Polícia competente no prazo de 15 dias. Este prazo é contado
a partir da decisão do juiz que certificou a regularidade formal do laudo de constatação.
d) Havendo apreensão de drogas, mas não ocorrendo a captura do responsável pelas drogas,
a destruição será realizada, por incineração, no prazo máximo de 30 dias, contados da data
da apreensão.
e) A destruição de drogas apreendidas deve ocorrer na presença do Ministério Público e da
autoridade sanitária.

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- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 10.1. Lei nº11.343/2006 e suas alterações (Tráfico ilícito e uso indevido de
substâncias entorpecentes).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão aborda a sistemática da Lei 11.343/06 concernente a apreensão e


destruição de entorpecentes. Tal atividade é uma constante na atividade policial, tendo em vista
as grandes apreensões de drogas ilícitas realizadas diariamente. São basicamente 2 situações:

1) DESTRUIÇÃO IMEDIATA DE PLANTAÇÕES ILÍCITAS:

Encontrada uma plantação ilícita de drogas ou matéria-prima destinada à sua


preparação, a Lei ordena em seu artigo 32, caput, que essa plantação deverá ser imediatamente
destruída pelo Delegado de Polícia.

Antes de fazer a destruição, o Delegado deverá recolher parte da plantação para ser
submetida à perícia, que irá atestar, ou não, que se trata de plantio ilícito.

Vale frisar que, para fazer a destruição das plantações ilícitas, o Delegado de Polícia
NÃO precisa de prévia autorização judicial. Além disso, NÃO é necessário que a destruição seja
executada na presença do membro do Ministério Público.

No que concerne a utilização de queimada para destruir plantações o parágrafo


terceiro do artigo 32 exige tão somente as cautelas à proteção ao meio ambiente dispostas no
Decreto 2.661, de 8 de julho de 1998, no que couber, DISPENSADA a autorização prévia do órgão
próprio do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA.

2) PROCEDIMENTO DE DESTRUIÇÃO DAS DROGAS APREENDIDAS:

No caso em que a polícia encontrar drogas ilícitas (exs: cocaína, êxtase etc.), é possível
imaginar dois panoramas:

A) Foram identificados, no local, os responsáveis pela droga: apreensão COM prisão


em flagrante.

Nesse caso, haverá a apreensão da droga e também a prisão em flagrante da pessoa


responsável.

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A substância encontrada, que aparenta ser entorpecente, deverá ser submetida à


perícia para que se confirme se realmente é droga. Essa confirmação é feita por meio de um
laudo de constatação provisório da natureza e quantidade da droga, realizado por perito oficial
ou, na falta deste, por pessoa idônea, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei.

De posse do laudo e dos depoimentos do condutor, das testemunhas e do flagranteado,


a autoridade policial comunicará a prisão ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto
lavrado.

Após receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá, no prazo de 10 dias, verificar
se o laudo de constatação provisório está formalmente regular e, em caso positivo, determinará
a destruição das drogas apreendidas, guardando-se amostra necessária à realização do laudo
definitivo, nos termos do § 3º do art. 50 da Lei:

§ 3º Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de


10 (dez) dias, certificará a regularidade formal do laudo de constatação
e determinará a destruição das drogas apreendidas, guardando-se
amostra necessária à realização do laudo definitivo.

A destruição das drogas será executada pelo Delegado de Polícia competente no


prazo de 15 dias na presença do REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO e da AUTORIDADE
SANITÁRIA (§ 4º do art. 50).

O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição das drogas, sendo
lavrado auto circunstanciado pelo Delegado de Polícia, certificando-se neste a destruição total
delas, nos termos do § 5º do art. 50 da Lei.

B) Não foram identificados, no local, os responsáveis pela droga: apreensão SEM


prisão em flagrante.

Na hipótese da a autoridade encontrar a droga, mas não capturar, no local, pessoas


que possam ser responsabilizadas por ela, que é a hipótese do 3° alvo da operação do delegado
de polícia Adenor.

A substância encontrada também deverá ser submetida à perícia, elaborando-se


laudo de constatação provisório.

A Lei afirma, então, que a droga deverá ser destruída, por incineração, no prazo
máximo de 30 dias, CONTADOS DA DATA DA APREENSÃO, guardando-se amostra necessária à
realização do laudo definitivo, nos termos do art. 50-A da Lei.

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- GABARITO DA QUESTÃO: B.

12 - QUESTÃO:

À luz das causas de aumento previstas no artigo 40 aplicáveis aos crimes tipificados nos
artigos 33 a 37, todos da Lei 11.343/06, NÃO constitui causa especial de aumento de pena, a
prática de crime do tráfico de drogas, se o:

a) O crime ser cometido entre municípios de um mesmo estado.


b) O agente praticar o crime prevalecendo-se de missão de educação.
c) O crime ter sido praticado com emprego de arma de fogo.
d) O crime sem praticado nas imediações de Delegacia de Polícia.
e) O agente maior praticar o crime em concurso com menor de idade.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 10.1. Lei nº11.343/2006 e suas alterações (Tráfico ilícito e uso indevido de
substâncias entorpecentes).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão exigiu do candidato o conhecimento da letra fria da lei, em especial


os artigos 40 da Lei 11.343/06. No intuito de contribuir para a sua fixação iremos transcrever
o referido artigo destacando as partes que geralmente são objeto de questão nos concursos
públicos.

Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de
UM SEXTO a DOIS TERÇOS, se:
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido
e as circunstâncias do fato evidenciarem a TRANSNACIONALIDADE do
delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de FUNÇÃO PÚBLICA ou no
DESEMPENHO DE MISSÃO DE EDUCAÇÃO, PODER FAMILIAR, GUARDA OU
VIGILÂNCIA;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações
de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes
de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas,
ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se
realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços
de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de
UNIDADES MILITARES ou POLICIAIS ou em transportes públicos;

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IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, EMPREGO


DE ARMA DE FOGO, ou qualquer processo de intimidação difusa ou
coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o
Distrito Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir CRIANÇA ou ADOLESCENTE
ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a
capacidade de entendimento e determinação;
VII - o agente FINANCIAR ou CUSTEAR a prática do crime.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

13 - QUESTÃO:

Considerando a situação hipotética abaixo descrita e o disposto na Lei n.º 9.455/1997, assi-
nale a opção correta:

A autoridade policial ao passar por uma das salas da Delegacia de Polícia escutou gritos de
um conduzido pedindo socorro. Ao escutar por trás da porta o delegado escutou um dos seus
agentes dizendo “eu vou te bater até você confessar que foi você quem roubou o carro e caso
você conte das agressões mato você e toda sua família”. Por receio de ser envolvido no referido
crime a autoridade mais que depressa foi para seu gabinete e lá ficou. Instantes depois o
conduzido foi apresentado ao delegado para ter suas declarações reduzidas e confessou o
crime. O conduzido nada disse a autoridade policial em relação as agressões, porém estava
visivelmente lesionado.

a) O agente e o delegado de polícia praticaram em concurso de pessoas o crime de tortura


previsto no artigo 1°, I, “a”, da Lei 9.455/97.
b) O agente praticou o crime de tortura previsto no artigo 1°, I, “a”, da Lei 9.455/97, já a
conduta do delegado de polícia é atípica.
c) Havendo condenação pelo crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego
público e a interdição para seu exercício pelo prazo da pena aplicada.
d) O agente praticou o crime de tortura previsto no artigo 1°, I, “a”, da Lei 9.455/97, já o
delegado de polícia o crime de tortura, previsto no artigo 1°, §2°, da Lei 9.455/97, que possui
pena mais branda.
e) O crime de tortura é inafiançável, porém suscetível de graça ou anistia.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 10.8. Lei nº 9.455/1997 e suas alterações (Crimes de tortura).

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- COMENTÁRIOS:

De fato, tanto o agente quanto o delegado praticaram o crime de tortura. Todavia, o


delegado e o agente serão punidos com penas distintas.

A pena do delegado é a do Artigo 1°, § 2, da lei, qual seja, detenção, de um a quatro


anos. Enquanto a pena do agente é a do Artigo 1°, caput: reclusão, de dois a oito anos.

Art. 1º Constitui crime de tortura:


I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou
de terceira pessoa;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

Artigo 1°, § 2º: Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever
de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

Há quem defenda que a pena de detenção de um a quatro anos fere o princípio da
proporcionalidade e trata-se de proteção deficiente, mas esse não é o entendimento do STJ que
já se pronunciou pela validade do parágrafo: STJ, no RESP 1.163.756.

PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. TORTURA. ART. 1º,


§ 2º DA LEI Nº 9.455/97. CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO. DOSIMETRIA DA
PENA. FLAGRANTE ILEGALIDADE. UTILIZAÇÃO PELO MAGISTRADO DO
PRECEITO SECUNDÁRIO REFERENTE AO TIPO QUE PREVÊ MODALIDADE
MAIS GRAVOSA DO CRIME. RETIFICAÇÃO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
PUNITIVA. RECURSO PREJUDICADO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE
OFÍCIO. I - Configura erro grosseiro a utilização, na fixação da pena,
de preceito secundário previsto em tipo penal diverso do qual foi
condenado o réu, notadamente se nele está prevista sanção mais grave.
Desse modo, tratando-se de flagrante ilegalidade, deve ser concedida
ordem de habeas corpus para retificar a pena aplicada. II - Refeita a
dosimetria da pena, constata-se a ausência de interesse no exame da
pretensão veiculada no apelo raro - consistente em restabelecer a r.
sentença condenatória - uma vez verificado que a pretensão punitiva já
fora alcançada pela prescrição. Recurso especial julgado prejudicado.
Ordem de habeas corpus concedida de ofício para reparar a dosimetria
da pena e, em seguida, declarar extinta a punibilidade da recorrida. (STJ -
REsp: 1163756 PR 2009/0208789-5, Relator: Ministro FELIX FISCHER, Data
de Julgamento: 02/09/2010, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 04/10/2010)

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No que tange as outras assertivas foi exigido do candidato o conhecimento da letra


fria da Lei de Tortura, no intuito de ajudar a fixação do conteúdo iremos colacionar os incisos
exigidos destacando as partes que costumam ser objeto de questão nas provas de concurso
público.

Artigo 1º.
(...)
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego
público e a interdição para seu exercício pelo DOBRO do prazo da pena
aplicada.
§ 6º O crime de tortura é INAFIANÇÁVEL e insuscetível de graça ou anistia.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, SALVO a hipótese do § 2º,
iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.

ATENÇÃO: A hipótese do parágrafo segundo trata-se da tortura por omissão! No caso


apresentado será a conduta do delegado de polícia, logo caso condenado, este não iniciará o
cumprimento de pena no regime fechado.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

14 - QUESTÃO:

Chiquinho Scarpa após se envolver em uma briga com seu vizinho adquiriu uma pistola,
calibre .380, com numeração suprimida, na feira do rolo que acontece nas imediações do
Porto de Vitória. Chiquinho Scarpa tinha ciência que a referida arma era produto de roubo de
um carregamento vindo da Áustria. Depois de 3 meses da aquisição da pistola Chiquinho foi
parado em uma blitz, momento que este portava a arma de fogo. Qual a capitulação do (s)
crime (s) cometidos por Chiquinho?

a) Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no artigo 16 da Lei 10.826/03.
b) Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, previsto no artigo 14 da Lei 10.826/03.
c) Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no artigo 16 da Lei 10.826/03 E
receptação, previsto no artigo 180, caput, do Código Penal.
d) Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, previsto no artigo 14 da Lei 10.826/03 E
receptação, previsto no artigo 180, caput, do Código Penal.
e) Receptação, previsto no artigo 180, caput, do Código Penal.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 12. Lei nº 10.826/2003 e suas alterações (Estatuto do desarmamento).

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- COMENTÁRIOS:

Ponto diuturnamente explorado nas provas de concurso público concerne as figuras


equiparadas a arma de fogo de uso restrito, previstas no parágrafo único da Lei 10.826/03:

Art. 16.
(...)
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I - suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de
identificação de arma de fogo ou artefato;
II - modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la
equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de
dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito
ou juiz;
III - possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou
incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar;
IV - portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado,
suprimido ou adulterado;
V - vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,
acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar,
de qualquer forma, munição ou explosivo.

Devemos tomar especial cuidado com as armas de uso permitido (revólver calibre 38
e pistola calibre .380) com numeração suprimida!

Quanto ao princípio da consunção, este restará configurado quando a prática de uma


infração penal serve como meio ou fase necessária para a execução de outra. A aplicação do
princípio da consunção requer a existência de um nexo de dependência das condutas ilícitas
para se verificar a possibilidade de absorção da infração penal menos grave pela mais grave.

Todavia, no presente caso não ocorrerá absorção do crime de receptação e Chiquinho


Scarpa responderá em concurso material pelo crime de receptação previsto no artigo 180 do
Código Penal e pelo crime do artigo 14 do Estatuto do Desarmamento, uma vez que os crimes
se consumam em momentos diferentes e protegem bens jurídicos diversos.

Nesse sentido, segue esclarecedor informativo de jurisprudência do STJ:

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Aquele que adquire arma de fogo cuja origem sabe ser ilícita responde
por delito contra o patrimônio, no momento em que se apodera da res.
Se depois mantiver consigo a arma, circulando com ela ou mantendo-a
guardada, e vier a ser flagrado, responderá pelo crime de porte ilegal
de arma tipificado no art. 14 do Estatuto do Desarmamento (Lei n.
10.826/2003). Assim, como os dois delitos praticados pelo ora recorrido
possuem objetividade jurídica diversa e momentos de consumação
diferentes, não há que se falar em consunção. Aqueles crimes são
autônomos, devendo o recorrido responder a ambos em concurso
material. Daí, a Turma conheceu do recurso e deu provimento a ele
para condenar o réu quanto ao delito previsto no art. 180, caput, do CP,
em concurso material com o delito tipificado no art. 14 do Estatuto do
Desarmamento, determinando o retorno dos autos para a prolação de
nova sentença. Precedente citado: HC 55.469-RJ, DJe 8/9/2008. REsp
1.133.986-RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 4/5/2010.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

15 - QUESTÃO:

De acordo com a jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores assinale a opção


incorreta:

a) A arguição de suspeição da autoridade policial é motivo idôneo para nulidade do processo


criminal.
b) Somente as investigações envolvendo autoridades com foro privativo no STF exigem
autorização formal para serem iniciadas.
c) Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada pelo
Delegado de Polícia. Existindo apenas duas exceções: Magistrados e membros do Ministério
Público.
d) Se o crime consistente em disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo
criança ou adolescente for praticado por meio da rede mundial de computadores (internet) a
competência para julgamento será da Justiça Federal.
e) Se o crime consistente em disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo
criança ou adolescente for praticado em ambiente cibernético, por meio de troca de
informações privadas (via whatsapp ou chato) a competência para julgamento será da Justiça
Estadual.

- RESPOSTA: Alternativa A.

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- PONTO DO EDITAL: 2. Inquérito policial; 3. Jurisdição; competência; conexão e continência;


prevenção; questões e procedimentos incidentes; 13. Lei nº8.069/1990 e suas alterações
(Estatuto da Criança e do Adolescente).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão exigiu do candidato o conhecimento da jurisprudência dominante


dos Tribunais Superiores. Assim no intuito de ajudar na sua preparação iremos transcrever a
ementa dos julgados cobrados.

É incabível a anulação de processo penal em razão de suposta


irregularidade verificada em inquérito policial.
A suspeição de autoridade policial não é motivo de nulidade do
processo, pois o inquérito é mera peça informativa, de que se serve
o Ministério Público para o início da ação penal. Assim, é inviável a
anulação do processo penal por alegada irregularidade no inquérito,
pois, segundo jurisprudência firmada no STF, as nulidades processuais
estão relacionadas apenas a defeitos de ordem jurídica pelos quais são
afetados os atos praticados ao longo da ação penal condenatória. STF.
2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016
(Info 824).

Investigação criminal envolvendo autoridades com foro privativo no


STF.
As investigações envolvendo autoridades com foro privativo no STF
somente podem ser iniciadas após autorização formal do STF. De igual
modo, as diligências investigatórias envolvendo autoridades com foro
privativo no STF precisam ser previamente requeridas e autorizadas pelo
STF. Diante disso, indaga-se: depois de o PGR requerer alguma diligência
investigatória, antes de o Ministro Relator decidir, é necessário que a
defesa do investigado seja ouvida e se manifeste sobre o pedido? NÃO.
As diligências requeridas pelo Ministério Público Federal e deferidas
pelo Ministro-Relator são meramente informativas, não suscetíveis ao
princípio do contraditório. Desse modo, não cabe à defesa controlar, “ex
ante”, a investigação, o que acabaria por restringir os poderes instrutórios
do Relator. Assim, o Ministro poderá deferir, mesmo sem ouvir a defesa,
as diligências requeridas pelo MP que entender pertinentes e relevantes
para o esclarecimento dos fatos. STF. 2ª Turma. Inq 3387 AgR/CE, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2015 (Info 812).

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É necessário que o Ministério Público requeira ao TJ autorização para


investigar a autoridade com foro privativo naquele Tribunal?
NÃO. Não há necessidade de prévia autorização do Judiciário para
a instauração de inquérito ou procedimento investigatório criminal
contra investigado com foro por prerrogativa de função. Isso porque não
existe norma exigindo essa autorização, seja na Constituição Federal,
seja na legislação infraconstitucional. Logo, não há razão jurídica para
condicionar a investigação de autoridade com foro por prerrogativa de
função a prévia autorização judicial. STJ. 5ª Turma. REsp 1563962/RN,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/11/2016.

• Investigação envolvendo autoridades com foro privativo no STF: é


necessária prévia autorização judicial (STF Inq 2411 QO).
• Investigação envolvendo autoridades com foro privativo em outros
tribunais: não é necessária prévia autorização judicial (REsp 1563962/
RN).

Indiciamento envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de


função.
Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser
indiciada. Existem duas exceções previstas em lei de autoridades que
não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da
LC 35/79); b) Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único,
da LC 75/93 e art. 41, parágrafo único, da Lei nº 8.625/93). Excetuadas
as hipóteses legais, é plenamente possível o indiciamento de
autoridades com foro por prerrogativa de função. No entanto, para isso,
é indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização do
Tribunal competente para julgar esta autoridade. Ex: em um inquérito
criminal que tramita no STJ para apurar crime praticado por Governador
de Estado, o Delegado de Polícia constata que já existem elementos
suficientes para realizar o indiciamento do investigado. Diante disso,
a autoridade policial deverá requerer ao Ministro Relator do inquérito
no STJ autorização para realizar o indiciamento do referido Governador.
Chamo atenção para o fato de que não é o Ministro Relator quem irá fazer
o indiciamento. Este ato é privativo da autoridade policial. O Ministro
Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento. STF.
Decisão monocrática. HC 133835 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado
em 18/04/2016 (Info 825)

Disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou


adolescente.

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Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em


disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou
adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando praticados por
meio da rede mundial de computadores (internet). STF. Plenário. RE
628624/MG, Rel. Orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Edson
Fachin, julgado em 28 e 29/10/2015 (repercussão geral) (Info 805).

• Se ficar constatada a internacionalidade da conduta: Justiça FEDERAL. Ex: publicação


do material feita em sites que possam ser acessados por qualquer sujeito, em qualquer parte do
planeta, desde que esteja conectado à internet.

• Nos casos em que o crime é praticado por meio de troca de informações privadas,
como nas conversas via Whatsapp ou por meio de chat na rede social Facebook: Justiça
ESTADUAL. Isso porque tanto no aplicativo WhatsApp quanto nos diálogos (chat) estabelecido
na rede social Facebook, a comunicação se dá entre destinatários escolhidos pelo emissor da
mensagem. Trata-se de troca de informação privada que não está acessível a qualquer pessoa.
Desse modo, como em tais situações o conteúdo pornográfico não foi disponibilizado em um
ambiente de livre acesso, não se faz presente a competência da Justiça Federal. STJ. 3ª Seção.
CC 150.564-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/4/2017 (Info 603).

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

16 - QUESTÃO:

De acordo com a jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores assinale a opção


incorreta:

a) A decisão que, na audiência de custódia, determina o relaxamento da prisão em flagrante


sob o argumento de que a conduta praticada é atípica não faz coisa julgada.
b) A recusa, mesmo que injustificada, do apenado não constitui falta grave, pois nos termos
do 5º, XLVII, “c”, da CF/88 o trabalho forçado é vedado no nosso ordenamento jurídico pátrio.
c) É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do início da execução da pena,
desde que em data posterior à prática do delito.
d) A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira
eletrônica configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a aplicação
de sanção disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta grave.
e) A prática de falta grave interrompe o prazo para fins de comutação de pena ou indulto.

- RESPOSTA: Alternativa B.

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- PONTO DO EDITAL: 1.1. Princípios gerais, conceito, finalidade, características; 15. Lei nº
7.210/1984 e suas alterações (Execução Penal).

- COMENTÁRIOS:

A presente questão exigiu do candidato o conhecimento da jurisprudência dominante


dos Tribunais Superiores. Assim no intuito de ajudar na sua preparação iremos transcrever a
ementa dos julgados cobrados.

Decisão proferida em audiência de custódia reconhecendo a atipicidade


do fato não faz coisa julgada.
A decisão que, na audiência de custódia, determina o relaxamento da
prisão em flagrante sob o argumento de que a conduta praticada é
atípica não faz coisa julgada. Assim, esta decisão não vincula o titular da
ação penal, que poderá oferecer acusação contra o indivíduo narrando
os mesmos fatos e o juiz poderá receber essa denúncia. STF. 1ª Turma.
HC 157.306/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/9/2018 (Info 917).

Recusa injustificada do apenado ao trabalho constitui falta grave.


A Lei de Execuções Penais (Lei nº 7.210/84) prevê que o condenado à pena
privativa de liberdade é obrigado a trabalhar (art. 31 e art. 39, V). Caso
o preso se recuse, injustificadamente, a realizar o trabalho obrigatório,
ele comete falta grave (art. 50, VI), podendo ser punido. Obs: o dever de
trabalho imposto pela LEP ao apenado não é considerado como pena
de trabalho forçado, não sendo incompatível com o art. 5º, XLVII, “c”, da
CF/88. STJ. 6ª Turma. HC 264.989-SP, Rel. Min. Ericson Maranho, julgado
em 4/8/2015 (Info 567).

Remição pelo trabalho antes do início da execução da pena.


É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do início da
execução da pena, desde que em data posterior à prática do delito. STJ.
6ª Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2018
(Info 625).

Inobservância do perímetro rastreado pelo monitoramento eletrônico


não configura falta grave.
A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de
tornozeleira eletrônica configura mero descumprimento de condição
obrigatória que autoriza a aplicação de sanção disciplinar, mas não
configura, mesmo em tese, a prática de falta grave. Não confundir:
• Apenado que rompe a tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem
carga suficiente: falta grave.

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• Apenado que descumpre o perímetro estabelecido para tornozeleira


eletrônica: não configura a prática de falta grave. STJ. 6ª Turma. REsp
1.519.802-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
10/11/2016 (Info 595).

Falta grave e interrupção do prazo para a progressão de regime.


Súmula 534-STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo
para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia
a partir do cometimento dessa infração.

Falta grave e comutação de pena ou indulto.


Súmula 535-STJ: A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim
de comutação de pena ou indulto.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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DIREITO ADMINISTRATIVO
PROFA. RENATA PEREIRA

17 - QUESTÃO:

Acerca do tema responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa CORRETA.

a) A responsabilidade civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37,
§ 6º, subsume-se à teoria do risco integral administrativo, tanto para as condutas estatais
comissivas quanto para as omissivas.
b) Inexiste na legislação brasileira previsão de responsabilidade civil do Estado, pelas
condutas comissivas ou omissivas de seus agentes, com base na teoria do risco integral.
c) Segundo a jurisprudência do STF, em caso de inobservância do seu dever específico de
proteção previsto no artigo 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal, o Estado é responsável
pela morte do detento.
d) A responsabilidade civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37,
§ 6º, subsume-se à teoria do risco administrativo, de modo que não pode ser afastada mesmo
diante da presença de eventual excludente de ilicitude.
e) Quanto aos atos jurisdicionais, ainda que diante de erro do Poder Judiciário, não há que
se falar em dever de indenizar por parte do Estado, mesmo nas hipóteses em que se verifique
excesso de permanência da restrição de liberdade do preso por período superior ao fixado
na sentença.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: Responsabilidade Civil do Estado.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Incorreta.

A responsabilidade civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em seu arti-


go 37, § 6º, subsume-se à TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO (e não a teoria do risco INTEGRAL
administrativo), tanto para as condutas estatais comissivas quanto para as omissivas.

Alternativa B: Está Incorreta.

Em verdade, a legislação brasileira prevê expressamente a responsabilidade civil do


Estado com base na TEORIA DO RISCO INTEGRAL, pela qual inexiste possibilidade de afasta-
mento da responsabilidade estatal com base na invocação de excludente de responsabilidade.

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A hipótese é aquela do art. 225, § 3º da Constituição Federal c/c art. 14, § 1º da Lei
6.938/81: DANO AMBIENTAL.

Vale ainda mencionar que parte da doutrina sustenta que nos casos de ACIDENTE
NUCLEAR também haveria responsabilidade civil do Estado, com base na teoria do risco integral,
por força do art. 21, XXIII, alínea “d” da Constituição Federal c/c art. 4º da Lei 6.451/77.

Alternativa C: Está Correta.

Trata-se de precedente fixado pelo Plenário do STF:

Recurso extraordinário representativo da controvérsia. Repercussão


Geral. Constitucional. Responsabilidade civil do Estado. Art. 37, § 6º.
2. Violação a direitos fundamentais causadora de danos pessoais a
detentos em estabelecimentos carcerários. Indenização. Cabimento.
O dever de ressarcir danos, inclusive morais, efetivamente causados
por ato de agentes estatais ou pela inadequação dos serviços públicos
decorre diretamente do art. 37, § 6º, da Constituição, disposição
normativa autoaplicável. Ocorrendo o dano e estabelecido o nexo
causal com a atuação da Administração ou de seus agentes, nasce a
responsabilidade civil do Estado. 3. “Princípio da reserva do possível”.
Inaplicabilidade. O Estado é responsável pela guarda e segurança das
pessoas submetidas a encarceramento, enquanto permanecerem
detidas. É seu dever mantê-las em condições carcerárias com mínimos
padrões de humanidade estabelecidos em lei, bem como, se for o caso,
ressarcir danos que daí decorrerem. 4. A violação a direitos fundamentais
causadora de danos pessoais a detentos em estabelecimentos
carcerários não pode ser simplesmente relevada ao argumento de que
a indenização não tem alcance para eliminar o grave problema prisional
globalmente considerado, que depende da definição e da implantação
de políticas públicas específicas, providências de atribuição legislativa
e administrativa, não de provimentos judiciais. Esse argumento, se
admitido, acabaria por justificar a perpetuação da desumana situação
que se constata em presídios como o de que trata a presente demanda.
5. A garantia mínima de segurança pessoal, física e psíquica, dos
detentos, constitui dever estatal que possui amplo lastro não apenas no
ordenamento nacional (Constituição Federal, art. 5º, XLVII, “e”; XLVIII;
XLIX; Lei 7.210/84 (LEP), arts. 10; 11; 12; 40; 85; 87; 88; Lei 9.455/97 - crime
de tortura; Lei 12.874/13 – Sistema Nacional de Prevenção e Combate à
Tortura), como, também, em fontes normativas internacionais adotadas
pelo Brasil (Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos das Nações

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Unidas, de 1966, arts. 2; 7; 10; e 14; Convenção Americana de Direitos


Humanos, de 1969, arts. 5º; 11; 25; Princípios e Boas Práticas para a
Proteção de Pessoas Privadas de Liberdade nas Américas – Resolução
01/08, aprovada em 13 de março de 2008, pela Comissão Interamericana
de Direitos Humanos; Convenção da ONU contra Tortura e Outros
Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, de 1984;
e Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros – adotadas no 1º
Congresso das Nações Unidas para a Prevenção ao Crime e Tratamento
de Delinquentes, de 1955). 6. Aplicação analógica do art. 126 da Lei de
Execuções Penais. Remição da pena como indenização. Impossibilidade.
A reparação dos danos deve ocorrer em pecúnia, não em redução da
pena. Maioria. 7. Fixada a tese: “Considerando que é dever do Estado,
imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões
mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de
sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a
obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente
causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das
condições legais de encarceramento”. 8. Recurso extraordinário provido
para restabelecer a condenação do Estado ao pagamento de R$ 2.000,00
(dois mil reais) ao autor, para reparação de danos extrapatrimoniais, nos
termos do acórdão proferido no julgamento da apelação. (RE 580252,
Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR
MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 16/02/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-204 DIVULG 08-09-2017 PUBLIC 11-
09-2017)

Alternativa D: Está Incorreta.

De fato, a responsabilidade civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em


seu artigo 37, § 6º, subsume-se à teoria do risco administrativo. No entanto, o erro da assertiva
está em estabelecer que pela referida teoria a responsabilidade estatal não pode ser afastada
mesmo diante da presença de eventual excludente de ilicitude.

Na verdade, a teoria do risco administrativo pressupõe a demonstração de conduta,


dano e nexo causal, havendo possibilidade de afastamento deste último requisito diante da
comprovação da presença de excludente de ilicitude.

Alternativa E: Está Incorreta.

A assertiva é contrária ao art. 5º, inciso LXXV da Constituição Federal:

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LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como


o que ficar preso além do tempo fixado na sentença.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

18 - QUESTÃO:

A Constituição Federal traz norma expressa a respeito da vedação da cumulação de cargo


públicos. Quanto ao tema assinale a alternativa CORRETA.

a) A previsão constitucional a respeito da vedação da cumulação de cargos públicos não


admite exceção.
b) A previsão constitucional a respeito da vedação da cumulação de cargos públicos pode ser
excepcionada no caso de dois cargos de professor, independentemente da compatibilidade
de horários.
c) A previsão constitucional a respeito da vedação da cumulação de cargos públicos pode
ser excepcionada no caso de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
independentemente de se tratar de profissões regulamentadas.
d) A previsão constitucional a respeito da vedação da cumulação de cargos públicos pode ser
excepcionada no caso de um cargo de professor com outro técnico ou científico, impondo-se
sempre a compatibilidade de horários e observância do teto remuneratório.
e) A proibição de acumular não se estende a empregos e funções, de modo que não abrange
autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: Agentes Públicos e Servidores Públicos. Preceitos Constitucionais.

- COMENTÁRIOS:

O adequado exame da questão proposta exige do candidato o conhecimento dos


dispositivos constitucionais relativos às regras de cumulação de cargos públicos. Neste sentido:

Art. 37.
(...)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,
quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer
caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
com profissões regulamentadas.

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Alternativa A: Está Incorreta.

A leitura do art. 37, inciso XVI da CF permite concluir que embora a regra, de fato, seja
a impossibilidade de cumulação de cargos públicos, trata-se de vedação relativa, na medida em
que o próprio dispositivo constitucional estabelece as exceções.

Alternativa B: Está Incorreta.

Em todos os casos excepcionais de admissibilidade da cumulação de cargos públicos,


consoante previsão do art. 37, inciso XVI da CF, impõe-se a observância da compatibilidade de
horários.

Alternativa C: Está Incorreta.

Nos termos do art. 37, inciso XVI, alínea “c” da CF somente diante de PROFISSÕES
REGULAMENTADAS admite-se a cumulação de dois cargos ou empregos privativos de
profissionais de saúde.

Alternativa D: Está Correta.

A assertiva está em perfeita consonância com o art. 37, inciso XVI, alínea “b” da
Constituição Federal.

Alternativa E: Está Incorreta.

A assertiva é contrária ao disposto no art. 37, inciso XVII da CF:

XVII - a proibição de acumular ESTENDE-SE a empregos e funções e


ABRANGE autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de
economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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19 - QUESTÃO:

O concurso público é o processo administrativo por meio do qual a Administração Pública


seleciona o melhor candidato para integrar os cargos e os empregos públicos. Quanto ao
tema, assinale a alternativa INCORRETA.

a) A regra do concurso público abrange os cargos e empregos da Administração direta e


indireta.
b) Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira.
c) A inobservância da regra do concurso público acarreta nulidade da nomeação, ressalvadas
as hipóteses excepcionais em que se admite a contratação direta, como ocorre em relação
aos servidores temporários.
d) A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a existência de inquérito, ação penal, ou
registro em cadastro de serviço de proteção ao crédito são capazes de, em regra, provocar a
eliminação de candidato na fase de investigação social do concurso.
e) Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso
público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de
que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas
oferecidas no concurso.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: Exigência constitucional de concurso público para investidura em cargo


ou emprego Público.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Correta.

Trata-se de premissa extraída do art. 37, caput e inciso II da Constituição Federal:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes


da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo
com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista

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em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em


lei de livre nomeação e exoneração;
(...)

Alternativa B: Está Correta.

Trata-se de reprodução do inciso IV do art. 37 da CF:

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação,


aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos
será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir
cargo ou emprego, na carreira.

Alternativa C: Está Correta.

Na forma do art. 37, § 2 da CF, observa-se que a inobservância da regra do concurso


público conduz à nulidade da nomeação:

§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade


do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei.

Por outro lado, nos termos do art. 37, inciso IX da CF, tem-se que a regra do concurso
público admite exceção no tocante aos servidores temporários:

IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado


para atender a necessidade temporária de excepcional interesse públi-
co.

Alternativa D: Está Incorreta.

A assertiva é contrária a jurisprudência do STJ:

ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO


EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. AGENTE
PENITENCIÁRIO. INVESTIGAÇÃO SOCIAL. EXISTÊNCIA DE TRANSAÇÃO
PENAL E DE DUAS OCORRÊNCIAS POLICIAIS SEM DESDOBRAMENTOS.
ELIMINAÇÃO. ILEGALIDADE. 1. É firme a jurisprudência do STF, bem como
desta Corte, no sentido de que, como regra, em respeito ao princípio
da presunção de inocência, “a existência de inquérito, ação penal, ou
registro em cadastro de serviço de proteção ao crédito não são capazes
de provocar a eliminação de candidato na fase de investigação social do

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CURSO PA R A A
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concurso. Respeito ao princípio da presunção de inocência” (AgRg no


RMS 24.283/RO, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 8/6/2012).
2. No caso, o candidato possui três registros de ocorrências policiais,
dentre elas de lesão corporal, calúnia, injúria e ameaça, sendo que há
relato de uma transação penal e, nos dois procedimentos restantes, não
houve desdobramentos relevantes. 3. Nesse diapasão, conclui-se que
os fatos apurados pela Comissão Processante, por si só, não ensejam
gravidade suficiente para afastar o entendimento desta Corte de que
a mera existência de inquéritos policiais ou, ainda, a realização de
transação penal, não justificariam a eliminação do candidato. 4. Agravo
interno não provido. (AgInt no RMS 54.076/DF, Rel. Ministro BENEDITO
GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2019, DJe 04/04/2019)

Alternativa E: Está Correta.

Trata-se de reprodução do art. 5º, § 2º da Lei 8.112/90.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

20 - QUESTÃO:

Tendo em vista a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, assinale a alternativa


INCORRETA a respeito dos atos de improbidade administrativa cometidos pelos agentes
públicos.

a) Não se admite o manejo da ação civil de improbidade exclusivamente e apenas contra o


particular, sem a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda.
b) A tortura perpetrada por policiais contra presos mantidos sob a sua custódia caracteriza
ato de improbidade administrativa.
c) A medida de indisponibilidade de bens implementada no bojo de Ação Civil de Improbidade
Administrativa somente pode abranger os bens adquiridos depois dos fatos descritos na
inicial.
d) A jurisprudência do STJ pacificou orientação no sentido de que a decretação de
indisponibilidade prevista no art. 7º, parágrafo único, da LIA pode recair sobre bens de família.
e) Por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65, as sentenças de
improcedência proferidas no bojo de ação de improbidade administrativa sujeitam-se ao
reexame necessário.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: Improbidade Administrativa.

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- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Correta.

Trata-se de jurisprudência dos Tribunais Superiores, a exemplo do precedente a


seguir:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL


PÚBLICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LITISCONSÓRCIO PASSIVO.
AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE AGENTE PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO.
IMPOSSIBILIDADE DE APENAS O PARTICULAR RESPONDER PELO ATO
ÍMPROBO. PRECEDENTES. 1. Os particulares que induzam, concorram, ou
se beneficiem de improbidade administrativa estão sujeitos aos ditames
da Lei nº 8.429/1992, não sendo, portanto, o conceito de sujeito ativo do
ato de improbidade restrito aos agentes públicos (inteligência do art.
3º da LIA). 2. Inviável, contudo, o manejo da ação civil de improbidade
exclusivamente e apenas contra o particular, sem a concomitante
presença de agente público no polo passivo da demanda. 3. Recursos
especiais improvidos. (REsp 1171017/PA, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/02/2014, DJe 06/03/2014)

Alternativa B: Está Correta.

Trata-se de precedente oriundo do STJ:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.


POLICIAIS CIVIS. TORTURA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS.
PRECEDENTE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (...) 12. A tortura perpetrada
por policiais contra presos mantidos sob a sua custódia tem ainda outro
reflexo jurídico imediato, que é o de gerar obrigação indenizatória ao
Estado, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. Há aí, como
consequência, interesse direto da Administração Pública. Uso ilegal de
Bens e Prédios Públicos 13. Na hipótese dos autos, o ato ímprobo se
caracteriza quando se constata que as vítimas foram torturadas, em
instalações públicas, ou melhor, na Delegacia de Polícia. O V. Acórdão
recorrido afirma: ...”terem submetido alguns presos que se encontravam
custodiados na delegacia local a “espancamentos, asfixia e graves
ameaças, para confessaram a prática de crimes”. (fls. 122-123, grifo
acrescentado). Conclusão: violência policial arbitrária é ato que viola
frontalmente os mais elementares princípios da Administração Pública
14. A violência policial arbitrária não é ato apenas contra o particular-

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vítima, mas sim contra a própria Administração Pública, ferindo


suas bases de legitimidade e respeitabilidade. Tanto assim que essas
condutas são tipificadas, entre outros estatutos, no art. 322, do Código
Penal, que integra o Capítulo I (“Dos Crimes Praticados por Funcionário
Público contra a Administração Pública, grifo acrescentado”), que por
sua vez está inserido no Título XI (“Dos Crimes contra a Administração
Pública”), e também nos artigos 3º e 4º da Lei 4.898/65, que trata do
abuso de autoridade. (...) (REsp 1177910/SE, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/08/2015, DJe 17/02/2016)

Alternativa C: Está Incorreta.

A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a indisponibilidade pode recair


sobre os bens adquiridos ANTES OU DEPOIS (inexiste a limitação estabelecida na assertiva) dos
fatos descritos na petição inicial. Neste sentido:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.


ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. IMPROBIDADE.
INDISPONIBILIDADE DE BENS. MEDIDA QUE PODE RECAIR SOBRE BENS
ADQUIRIDOS ANTES OU DEPOIS DOS FATOS DESCRITOS NA INICIAL.
PRECEDENTES DO STJ. 1. Esta Corte Superior possui entendimento
consolidado segundo o qual a medida de indisponibilidade de bens
abrange os bens adquiridos antes ou depois dos fatos descritos na
inicial. Precedentes do STJ. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no
REsp 1609492/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA
TURMA, julgado em 16/03/2017, DJe 22/03/2017)

Alternativa D: Está Correta.

Trata-se de jurisprudência do STJ:

PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


NO AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. INDISPONIBILIDADE DE BENS. OMISSÃO
CARACTERIZADA. SUPRIMENTO. NECESSIDADE. ACOLHIMENTO SEM
EFEITOS INFRINGENTES. 1. A jurisprudência do STJ pacificou orientação
no sentido de que a decretação de indisponibilidade prevista no art.
7º, parágrafo único, da LIA não depende da individualização dos bens
pelo Parquet, podendo recair sobre aqueles adquiridos antes ou depois
dos fatos descritos na inicial, bem como sobre bens de família. 2. A
responsabilidade dos réus na ação de improbidade é solidária, pelo

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menos até o final da instrução probatória, momento em que seria


possível especificar e mensurar a quota de responsabilidade atribuída
a cada pessoa envolvida nos atos que causaram prejuízo ao erário. (...)
4. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes. (EDcl
no AgRg no REsp 1351825/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA
TURMA, julgado em 22/09/2015, DJe 14/10/2015)

Alternativa E: Está Correta.

Trata-se de jurisprudência do STJ:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AÇÃO DE


IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. REEXAME NECESSÁRIO. CABIMENTO.
APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DO ART. 19 DA LEI 4.717/1965. É FIRME O
ENTENDIMENTO NO STJ DE QUE O CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DEVE SER
APLICADO SUBSIDIARIAMENTE À LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
PRECEDENTES. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. Verifica-se
que, no acórdão embargado, a Primeira Turma decidiu que não há falar
em aplicação subsidiária do art. 19 da Lei 4.717/65, mormente por ser
o reexame necessário instrumento de exceção no sistema processual.
2. Já o v. acórdão paradigma da Segunda Turma decidiu admitir o
reexame necessário na Ação de Improbidade. 3. A jurisprudência do STJ
se firmou no sentido de que o Código de Processo Civil deve ser aplicado
subsidiariamente à Lei de Improbidade Administrativa. Nesse sentido:
REsp 1.217.554/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe
22/8/2013, e REsp 1.098.669/GO, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima,
Primeira Turma, DJe 12/11/2010. 4. Portanto, é cabível o reexame
necessário na Ação de Improbidade Administrativa, nos termos do artigo
475 do CPC/1973. Nessa linha: REsp 1556576/PE, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, DJe 31/5/2016. 5. Ademais, por “aplicação
analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65, as sentenças
de improcedência de ação civil pública sujeitam-se indistintamente ao
reexame necessário” (REsp 1.108.542/SC, Rel. Ministro Castro Meira, j.
19.5.2009, DJe 29.5.2009). Nesse sentido: AgRg no REsp 1219033/RJ, Rel.
Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25/04/2011. 6. Ressalta-
se, que não se desconhece que há decisões em sentido contrário. A
propósito: REsp 1115586/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira
Turma, DJe 22/08/2016, e REsp 1220667/MG, Rel. Ministro Napoleão
Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 20/10/2014. 7. Diante do exposto,
dou provimento aos Embargos de Divergência para que prevaleça a tese
do v. acórdão paradigma de que é cabível o reexame necessário na Ação

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de Improbidade Administrativa, nos termos do artigo 475 do CPC/1973,


e determino o retorno dos autos para o Tribunal de origem a fim de
prosseguir no julgamento. (EREsp 1220667/MG, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/05/2017, DJe 30/06/2017)

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

21 - QUESTÃO:

Modalidade branda de intervenção, por meio da qual o Estado ocupa, por prazo determinado
e em situação de normalidade, a propriedade privada, para execução de obra pública ou
prestação de serviços públicos. Em qualquer caso, a indenização depende necessariamente
da comprovação do dano pelo proprietário do bem.

Assinale a alternativa CORRETA, tendo em vista a que modalidade de intervenção do Estado


na propriedade privada o conceito acima se refere.

a) Servidão Administrativa.
b) Requisição.
c) Limitação administrativa.
d) Desapropriação indireta.
e) Ocupação temporária.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: Intervenção do Estado na propriedade privada.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Incorreta.

A servidão administrativa apresenta natureza jurídica de direito real público e permite


a utilização da propriedade alheia pelo Estado com o objetivo de atender ao interesse público.
Na hipótese, somente haverá indenização por parte do Estado se houver comprovação do dano
pelo titular da propriedade objeto da intervenção.

Alternativa B: Está Incorreta.

A requisição encerra modalidade de intervenção do Estado na propriedade, por


meio da qual utiliza-se bens imóveis, móveis e serviços particulares no caso de iminente perigo
público.

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A principal fonte normativa da requisição é o art. 5º, inciso XXV da CF:

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente


poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário
indenização ulterior, se houver dano.

Na hipótese, a indenização será ulterior e demandará comprovação de dano efetivo.

Alternativa C: Está Incorreta.

As limitações administrativas são restrições estatais, implementadas por meio de ato


normativo, que acarretam obrigações positivas e negativas aos proprietários do bem objeto da
intervenção, com o fim de atender à função social da propriedade.

Em regra, as limitações administrativas não geram o dever de indenizar, pois as


restrições a propriedade são fixadas de maneira genérica e abstrata.

Alternativa D: Está Incorreta.

A desapropriação indireta caracteriza modalidade de intervenção drástica do Estado


na propriedade alheia. Trata-se da “desapropriação” que não observa o devido processo legal.

Quanto ao tema o art. 35 do Decreto-lei 3.665/40:

Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública,


não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade
do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente,
resolver-se-á em perdas e danos.

Assim, nos casos em que o particular se vê privado de seu bem em decorrência


da intervenção estatal, operacionalizada sem a observância do devido processo legal, estará
legitimado à propositura de ação de desapropriação indireta, com vistas ao reconhecimento de
seu direito à indenização.

Alternativa E: Está Correta.

Com efeito, a assertiva traz o conceito de OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA.

A principal fonte normativa que prevê a ocupação temporária é o art. 36 do Decreto-


lei 3.665/41:

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Art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada,


afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e
necessários à sua realização.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

22 - QUESTÃO:

Quanto às espécies de ato administrativo, assinale a alternativa INCORRETA.

a) Os atos normativos são aqueles que contêm um comando geral e abstrato, cujo objetivo é
a fiel execução da lei, a exemplo dos regulamentos.
b) Atos ordinatórios são disciplinadores da conduta interna da Administração Pública, sendo
endereçados aos seus agentes e editados no exercício do Poder hierárquico. São exemplos de
atos ordinatórios: permissões e autorizações.
c) Os atos enunciativos são aqueles que apenas atestam, certificam ou declaram uma situação
de interesse do particular ou da própria Administração. São exemplos de atos enunciativos:
certidões e atestados.
d) São negociais os atos editados a pedido do particular, viabilizando o exercício de
determinada atividade e a utilização de bens públicos, a exemplo das licenças.
e) Atos punitivos são os que contêm uma sanção imposta ao particular ou agente público.
Demandam observância do contraditório e ampla defesa.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: Atos Administrativos. Espécies.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Correta.

A assertiva apresenta a definição correta dos atos normativos. Outros exemplos de


atos normativos: decreto e regimento.

Alternativa B: Está Incorreta.

A assertiva apresenta a definição correta dos atos ordinatórios. Contudo, há erro na


indicação dos exemplos, tendo em vista que permissões e autorizações são exemplos de atos
negociais.

Exemplos de atos ordinatórios: instruções, circulares e avisos.

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Alternativa C: Está Correta.

A assertiva apresenta a definição correta dos atos enunciativos.

Alternativa D: Está Correta.

A assertiva apresenta a definição correta dos atos negociais. Outros exemplos de atos
negociais: autorização e permissão.

Alternativa E: Está Correta.

A assertiva apresenta a definição correta dos atos punitivos. Exemplos de atos


punitivos: advertência e suspensão.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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CRIMINOLOGIA
PROF. IGOR HENRIQUE VIALLI

23 - QUESTÃO:

O Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), adotado pela Polícia Militar em


escolas públicas especialmente, tem por visão construir um mundo no qual os jovens de
todos os lugares estejam capacitados para respeitar os outros e para escolherem conduzir
suas vidas livre do abuso de drogas, da violência e de outros comportamentos perigosos.
Pode-se considerá-lo um modelo de prevenção ao crime:

a) Primário.
b) Secundário.
c) Terciário.
d) Primário-secundário.
e) Evolutiva.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 3.2. Prevenção da infração penal no Estado democrático de Direito. 3.3.
Prevenção Primária. 3.4. Prevenção Secundária. 3.5. Prevenção Terciária.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas!

Reforçamos, aqui, os importantes conceitos de prevenção estabelecidos pela


doutrina criminalista, até porque tais temas ocupam boa parte do conteúdo programático do
Edital e, pela quantidade de questões de Criminologia, trata-se de questão certa na nossa prova!

Com efeito, a prevenção primária é justamente aquela que ocorre nas CAUSAS do
delito, evitando a grosso modo “neutralizá-lo” antes que ele ocorra. Trata-se da prevenção
genuína na raiz.

É justamente exemplo de prevenção primária a atuação em escolas, áreas de


risco, na família, atuando na base da educação e formando conceitos e valores que podem,
eventualmente, impedir a prática criminosa ou condutas agressivas/desviadas!

Alternativa B: A prevenção secundária é aquela “repressiva”, pois ocorre quando o


crime já ocorreu e é determinada a específicos “grupos de risco”. Como define EDUARDO VIANA,
“a intervenção nesse nível tem uma relação mais visível com o reforço do sentimento de segurança
cidadã por meio das políticas legislativas e ações policiais”.

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Alternativa C: A prevenção terciária, por fim, novamente valendo-nos das lições de


EDUARDO VIANA, “é aplicada após o fenômeno criminal, orientando os criminosos já punidos
com o intuito de reduzir sua reincidência. Trata-se, portanto, de uma prevenção orientada à
ressocialização e, portanto, à população carcerária”.

Alternativa D: Tal denominação não existe na doutrina, portanto, alternativa


incorreta.

Alternativa E: Trata-se da prevenção evolutiva uma subdivisão da “dimensão


pluridimensional da prevenção” de crimes, conforme ensina MEDINA ARIZA.

Segundo EDUARDO VIANA, tal definição traz “todas aquelas intervenções estruturadas
para prevenir o desenvolvimento do comportamento delitivo individual por meio de intervenções
que se centram na redução de fatores de risco e ampliação de fatores de proteção descobertos em
estudos de desenvolvimento humano”.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

24 - QUESTÃO:

O controle social é altamente seletivo e discriminatório. Ou seja, a chance de ser criminoso


não depende tanto da conduta em si, mas sim do fato de pertencer a determinado extrato
social. Estamos falando:

a) De modelos de reação ao crime, especialmente a teoria do etiquetamento.


b) De modelos de reação ao crime, ressaltando, no entanto, a importância da pena no combate
ao crime.
c) Da teoria da anomia.
d) De política criminal.
e) De modelos de reação ao crime, ressaltando, no entanto, que não há uma definição precisa
do delito.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 3.6. Modelos de reação ao crime.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Já vimos, na rodada 1, que juntamente de EDWIN LEMERT e ERVING


GOFFMAN, BECKER é um grande nome da Teoria do Etiquetamento, surgida no contexto da
Escola de Chicago, em meados do Século XX nos Estados Unidos.

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Tal teoria surge a partir de um movimento de “reação social”, através do qual os


estudiosos passam a desviar o foco do estudo da prática delitiva do olhar do delinquente para
outros, como o próprio sistema penal e as formas de controle social por ele exercidas.

Essa troca de paradigma, então, passa a considerar que “criminoso” ou “crime”,


por exemplo, são rótulos impostos pelas instâncias formais de poder, e não características do
próprio indivíduo “delinquente”.

Segundo PABLOS-MOLINA,

Segundo esta perspectiva interacionista, não se pode compreender


o crime prescindindo da própria reação social, do processo social de
definição ou seleção de certas pessoas e condutas etiquetadas como
criminosas. Crime e reação social são conceitos interdependentes,
recíprocos, inseparáveis. A infração não é uma qualidade intrínseca
da conduta, senão uma qualidade atribuída à mesma através de
complexos processos de interação social, processos altamente seletivos
e discriminatórios. O labelling approach, consequentemente, supera o
paradigma etiológico tradicional, problematizando a própria definição
da criminalidade. Esta – se diz – não é como um pedaço de ferro, um
objeto físico, senão o resultado de um processo social de interação
(definição e seleção): existe somente nos pressuposto normativos e
valorativos, sempre circunstanciais, dos membros de uma sociedade.
Não lhe interessam as causas da desviação (primária), senão os
processos de criminalização e mantém que é o controle social o que cria a
criminalidade. Por ele, o interesse da investigação se desloca do infrator
e seu meio para aqueles que o definem como infrator, analisando-se
fundamentalmente os mecanismos e funcionamento do controle social
ou a gênesis da norma e não os déficits e carências do indivíduo. Este
não é senão a vítima dos processos de definição e seleção, de acordo
com os postulados do denominado paradigma do controle.

Portanto, alternativa correta!

Conforme ensina EDUARDO VIANA, a seletividade e discriminação, traduzido no fato


de o controle social ser altamente seletivo e discriminatório, de modo que a chance de ser
criminoso não depende tanto da conduta em si, mas sim do fato de pertencer a determinado
extrato social é justamente um dos principais postulados da teoria do etiquetamento.

Alternativa B: Errado!

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Prosseguindo quanto aos postulados ou características dos modelos de reação ao


crime, diz-se que a pena, antes de proporcionar qualquer efeito “preventivo” de crimes, apenas
reforça a seletividade e discriminação do sistema punitivo estatal.

Isto porque “o encarceramento, longe de prevenir e ressocializar, consolida a carreira


criminosa do indivíduo, bem por isto costumeiro falar que a prisão é a escola do crime. Ademais,
bem sabido ser a prisão definitivamente estigmatizante”, como aponta VIANA.

Alternativa C: Errado!

A teoria da anomia é preconiza por DURKHEIM e, em curtas palavras, prega que o


crime é um ente “normal” e até mesmo “útil” para a evolução da sociedade!

Pela importância do tema, a teoria da anomia será estudada em questão própria


futura!

Alternativa D: Errado!

Nas palavras de CLEBER MASSON, a política criminal “tem por objeto a apresentação
de críticas e propostas para a reforma do Direito Penal em vigor (…) visa a análise crítica e
metajurídica do direito positivo, no sentido de ajustá-lo aos ideais jurídico-penais e de justiça”.

É fato que a política criminal orienta a atuação do Estado na persecução penal e até
mesmo na orientação da edição de leis criminais.

A teoria do etiquetamento, com efeito, diz justamente que é essa atuação do Estado
que “rotula” os criminosos e as condutas ditas como “criminosas”.

Alternativa E: De fato, como já manifestado, trata-se o enunciado da questão de


modelo reativo ao crime.

No entanto, além das já apontadas características da seletividade e discriminação,


além da ausência de fins da pena em si, outra característica marcante da teoria do etiquetamento
como teoria reativa ao crime é dizer que “a conduta não é desviada em si. O caráter delitivo de
uma conduta depende de processos de definição e seleção. Como consequência, a criminalidade
é criada pelos sistemas formais de controle social”.

Portanto, há, sim, definição precisa de crime, e esta é amplamente manipulada pelo
Estado de acordo com suas convicções próprias para discriminar e orientar sua política criminal
para determinada camada da população!

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- GABARITO DA QUESTÃO: A.

25 - QUESTÃO:

Sobre a subcultura delinquente, marque a incorreta:

a) É uma espécie de teoria do consenso.


b) É da vertente sociológica da criminologia.
c) A delinquência juvenil é não utilitarista, maldosa e negativista.
d) A prática criminosa sempre foi vista como expressão de rebeldia e manifestação contra os
valores impostos pela sociedade e pela classe social a que pertence o indivíduo.
e) Um exemplo seria a manifestação criminosa por membros de facções criminosas e grupos
de pichadores.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 3. Modelos teóricos da criminologia. 3.1. Teorias sociológicas.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Correto!

Em contrapartida ao acima estudado, ressaltamos que as teorias sociológicas,


em curtas palavras, não trabalham com modelos de reação ao crime, isto é, não encaram a
perspectiva delitiva através da seletividade do Poder Punitivo Estatal, mas sim estudam as causas
do crime e atribuem majoritamente a sua ocorrência ao meio em que inserido o “delinquente”.

Segundo BARATTA, portanto, o foco não deveria ser mais o próprio deliquente, mas
sim os fatores sociais e a própria interação do indivíduo com a sociedade, daí surgindo as
vertentes sociológicas da criminologia.

Alternativa B: Em complemento, a teoria da subcultura delinquente é justamente


uma perspectiva sociológica da criminologia, tendo como principal expoente ALBERT K. COHEN
e seus estudos sobre a delinquencia juvenil.

COHEN é um dos expoentes da teoria subcultural e, em seus estudos, diz que a própria
formação e estrutura das classes sociais inferiores impedem seus componentes de atingir os
objetivos de seguir os parâmetros ditados pelas classes superiores, o que causaria, segundo
ele, um estado de “frustração” nos jovens. Daí, “o comportamento criminoso seria uma rebelião
contra normas e valores estabelecidos pela classe média”.

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Alternativa C: COHEN focou seus estudos na delinquência juvenil e, assim, concluiu


que ela é: (i) não utilitarista, na medida em que a prática criminosa não tem um objetivo útil
ou final, como a finalidade de “ficar rico” ou “ganhar dinheiro”, mas sim ganhar mero prestígio
ou relevância com a conduta praticada; (ii) maldosa, até em decorrência do primeiro, é uma
prática derivada do desprezo e expressão agressiva; (iii) negativista, porque “representa uma
subversão da cultura dominante”, segundo aponta VIANA.

A natureza da delinquência juvenil, até por tais premissas, é justamente FLEXÍVEL,


porque, ao contrário da criminalidade ADULTA, que é “especializada” em determinado tipo
de crime, a delinquência JUVENIL é variada e genérica, pois eles não se especializam em
determinados crimes, mas sim em qualquer crime.

Alternativa D: Incorreto!

O estudioso WALTER B. MILLER, dentro da perspectiva subcultural, focou seus


estudos também nas classes mais baixas, mas, diferentemente de COHEN, teve outra visão
sobre a manifestação criminosa.

A grosso modo, COHEN dizia que a prática criminosa seria uma manifestação de
rebeldia ou frustração das classes mais baixas contra os “padrões impostos” pelas demais
classes opressoras.

Lado outro, MILLER dizia que as classes mais baixas, assim como as mais altas,
também possuem seus valores, crenças e tradições, passados de geração em geração. Ainda que
em sentido totalmente oposto ao das demais classes, considerando então algumas tradições
criminosas, MILLER dizia que o comportamento criminoso, então, para tais classes sociais,
não era uma manifestação de rebeldia, mas sim uma prática conformista com a realidade já
imposta, afinal de contas, o delinquente estaria apenas cumprindo os padrões já determinados
pela sua própria classe.

Alternativa E: Exato!

Trata-se justamente de expressão do enfrentamento desviante de jovens contra os


valores tradicionais e impostos pela sociedade, de acordo com a perspectiva de COHEN.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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26 - QUESTÃO:

Segundo MENELSOHN, não é espécie de classificação da vítima:

a) Vítimas ideais ou inocentes.


b) Vítimas menos culpadas que o delinquente.
c) Vítima provocadora.
d) Vítima tão culpada quanto o delinquente.
e) Vítimas falsas.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 1.3. Objetos da criminologia: delito, delinquente, vítima e controle social.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Já recordamos na Rodada 1 que a vítima é parte importante do estudo


da criminologia! Aliás, para responder a questão, bastaria uma leitura atenta do próprio Edital
para verificar ter sido esse tópico esmiuçado!

O estudo da vítima é tão importante que alguns doutrinadores sustentam que a


“vitimologia” seria uma verdadeira ciência autônoma à criminologia. Tal corrente, no entanto,
não é a majoritária.

A vítima já teve vários papéis ao longo da história, desde a fase de ouro até a fase de
neutralização. Seu estudo será melhor realizado em questão própria futura.

BENJAMIN MENDELSOHN foi um estudioso importante da vitimologia e trouxe uma


classificação das vítimas bastante cobrada em provas de concurso.

As vítimas ideias, também chamadas de “vítimas completamente inocentes”, de fato


constituem classificação proposta pelo autor, consistindo aquelas que não “contribuem” de
qualquer forma para o delito.

Alternativa B: Correto!

O autor também propõe a classificação de “vítimas menos culpadas”, dizendo que


tal grupo agrega as vítimas “ignorantes”, por assim dizer as que atuam mediante “ignorância”
ou desconhecimento e acabam colaborando, ainda que minimamente, para a prática do crime.

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Seria o caso de uma vítima de estelionato, por exemplo, que desatente entrega seus
dados para o criminoso.

Alternativa C: Correto!

MENDELSOHN, de fato, também diz que existem vítimas “provocadoras”, assim


consideradas aquelas que colaboram também com o delito, porém em grau maior de
participação, como uma vítima que deixa o carro aberto com pertences dentro e expostos.

Alternativa D: Certo!

O autor também diz que existem vítimas tão culpadas como os delinquentes (autores
também), exemplificando os casos de consentimento para aborto, no qual a “vítima”, de certa
forma, também é tão culpada como quem realiza o aborto nela consentido.

Alternativa E: Errado!

A quinta classificação de vítima proposta pelo autor é a denominada “vítima como


única culpada”, não “vítima falsa”, traduzindo aquelas espécies de crimes nas quais há uma
falsa imputação ou uma acusação dissimulada de crime.

É um grande exemplo os casos de visualização da “Síndrome de Potifar”.

Tal síndrome se baseia na referência bíblica do caso da esposa de Potifar, militar


egípcio que prende José, filho de Jacó. A esposa de Potifar, apaixonada por José, tenta se
relacionar com este, mas José a recusa. Por tal motivo, irresignada com a negativa, ela inventa
que foi sexualmente abusada por José, o qual acaba sendo preso por estupro.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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DIREITO CONSTITUCIONAL
PROF. LEONARDO MIRANDA

27 - QUESTÃO:

Acerca do que dispõe o texto constitucional e nos informa a doutrina e a jurisprudência sobre
os direitos e deveres individuais e coletivos, marque a alternativa incorreta:

a) Os Tribunais Superiores possuem entendimento no sentido de que o ensino no Brasil,


conforme o ordenamento jurídico pátrio, não pode ter natureza confessional, já que feriria o
direito à liberdade religiosa.
b) Diante da garantia constitucional do direito de associação, o vínculo associativo somente
pode ser dissolvido compulsoriamente mediante sentença judicial.
c) A incitação ao ódio público, por líder religioso, contra quaisquer denominações religiosas
e seus seguidores, pode configurar o crime de racismo, não estando protegida pela liberdade
de expressão.
d) O Supremo Tribunal Federal tem admitido a reclamação como instrumento a ser interposto
contra decisão judicial que determina retirada de matéria jornalística de sítio na internet,
visando a proteção da liberdade de expressão.
e) Conforme prevê a Constituição Federal, a prática do racismo constitui-se em crime
inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão nos termos da lei.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: 9. Fundamentos constitucionais dos direitos e deveres fundamentais.


9.2. Direitos e deveres individuais e coletivos. 9.3. Direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos em


espécie, sendo que o candidato deve ter o conhecimento da previsão constitucional, bem como
das decisões jurisprudenciais sobre o tema.

A primeira alternativa é a incorreta e que deve ser marcada pelo candidato, já que
não traz uma afirmativa verdadeira.

De fato, o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre o tema e decidiu que


o ensino no Brasil pode sim ter natureza confessional, como podemos ver na decisão da ADI
4439/DF, noticiado no informativo 879.

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Alternativa B: Alternativa correta, conforme é possível se extrair da leitura do texto


constitucional.

De fato, as associações somente poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter


suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, para a dissolução, o trânsito em
julgado.

Alternativa C: Alternativa que se mostra correta e condizente com a jurisprudência


do Supremo sobre o tema. Com efeito, o STF já decidiu sobre esse caso, dizendo que a ação
poderá configurar o racismo.

Assim, conforme se vê no RHC 146303/RJ, a incitação ao ódio público feita por um


líder religioso contra outras religiões e seu seguidores, não se encontra protegida pela liberdade
de expressão, podendo configurar o crime de racismo.

Alternativa D: Aqui também temos uma alternativa correta, conforme os últimos


posicionamentos do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.

De fato, o Supremo tem sido mais flexível e admite a reclamação contra a decisão
judicial que manda retirar de sítio na internet matéria jornalística. Assim, visa uma proteção à
liberdade de expressão.

É o que se pode visualizar da Rcl 22328/RJ, noticiada no informativo 893.

Alternativa E: A alternativa E está correta, já que traz uma afirmativa verdadeira sobre
o crime de racismo.

Com efeito, como dispõe a Constituição Federal, a prática de racismo se constitui em


crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

Vejamos o que diz a literalidade do dispositivo:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, nos termos seguintes:
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível,
sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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28 - QUESTÃO:

Marque a alternativa incorreta, no que diz respeito aos Direitos Sociais:

a) É constitucional norma que obriga escolas privadas a oferecer atendimento adequado a


pessoas com deficiência, vedado o repasse do custo financeiro da adaptação nas mensalidades
escolares.
b) A ideia de limites do sacrifício se relaciona diretamente com a chamada “jurisprudência da
crise” e a proibição de retrocesso.
c) A garantia do mínimo existencial, que visa a proteção da dignidade da pessoa humana, atua
de forma a restringir a invocação da teoria da reserva do possível como limite à concretização
de direitos sociais.
d) A teoria do impacto desproporcional informa haver ofensa ao princípio da igualdade,
ainda que não haja intenção de discriminação, quando houver real impacto, de modo
desproporcional, de medidas que, em tese, são neutras, ao colocar grupos de pessoas em
situação desvantajosa em relação a outros segmentos.
e) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a transitoriedade das
ações afirmativas é ofensiva ao princípio constitucional da igualdade material, devendo
haver uma interpretação conforme a Constituição.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 9. Fundamentos constitucionais dos direitos e deveres fundamentais. 9.4.


Direitos sociais, nacionalidade, cidadania e direitos políticos.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que trata dos aspectos dos direitos sociais, em especial a
jurisprudência dos tribunais sobre o tema, devendo haver, também, o conhecimento do aluno
sobre os ensinamentos doutrinários.

A primeira questão está correta, já que traduz decisão proferida pelo Supremo
Tribunal Federal, no julgamento da ADI 5357, onde considerou constitucional Lei que inserção
das pessoas com deficiência no ensino regular e prover as adaptações necessárias, sem que
isso seja revertido nas mensalidades escolares.

Alternativa B: Aqui também temos uma afirmativa correta, conforme os ensinamen-


tos doutrinários sobre o tema.

De fato, os “limites do sacrifício” está relacionado diretamente com a “jurisprudência


da crise” onde se decide por uma ou outra prestação positiva pelo Estado. Tais hipóteses
também estão relacionadas com a proibição do retrocesso, dentro dos direitos sociais.

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Alternativa C: A alternativa C também está correta, já que apresenta a visão do


Supremo Tribunal Federal e da doutrina sobre o tema.

De fato, a cláusula da reserva do possível não pode ser invocada pelo Poder Público
com o propósito de frustrar e inviabilizar a concretização de políticas públicas definidas no
próprio texto constitucional, encontrando limite insuperável na garantia constitucional do
mínimo existencial.

Alternativa D: Alternativa que se traduz como correta, ao trazer a previsão da teoria


do impacto desproporcional, conforme os ensinamentos doutrinários.

Assim, quando uma prática empresarial, política governamental ou de cunho


legislativo ou administrativo, ainda que em tese neutra, sem intenção de discriminação,
cause um impacto desproporcional em determinados segmentos, colocando-os em situação
desvantajosa, deverá tal decisão ser condenada por ferir o princípio da igualdade material, ao
causar uma discriminação indireta.

Alternativa E: Alternativa que se mostra incorreta e que deve ser marcada pelo
candidato, já que não demonstra o entendimento do Supremo sobre as ações afirmativas.

Como podemos ver, no julgamento da ADPF 186, a Corte destacou o aspecto transitório
das ações afirmativas, já que se constituem em uma importante ferramenta para a superação
da igualdade meramente formal, de forma a representar a transição para a igualdade material
ou substancial.

Assim, vemos que o Supremo Tribunal Federal ratifica que as ações afirmativas
possuem caráter transitório.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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29 - QUESTÃO:

O Controle de Constitucionalidade permite a invalidação dos atos normativos que


contrariem a Constituição Federal, de forma a garantir sua supremacia. Diante do Controle
de Constitucionalidade exercido, marque a alternativa que não condiz com a verdade:

a) A existência de uma Constituição escrita e marcada pela rigidez, somada ao reconheci-


mento desta como norma superior e pressuposto de validade dos demais atos normativos,
funcionam como premissas para o controle de constitucionalidade.
b) O parâmetro, dentro do controle de constitucionalidade, consiste na norma ou no conjun-
to normativo que é observado para se constatar a constitucionalidade ou a inconstituciona-
lidade dos demais diplomas normativos.
c) Se ficar demonstrado que a nova norma repetiu o conteúdo do ato impugnado, em sua
essência, deverá, da mesma forma, ser feito o pedido de aditamento, para que não ocorra a
perda de objeto.
d) Diante da percepção pelo antagonismo e contrariedade de um ato normativo ou complexo
normativo inferior em relação às disposições constitucionais, estaremos diante de uma
inconstitucionalidade.
e) Caso ocorra a revogação, ou substancial alteração do complexo normativo, fica imposto
ao autor apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere permanecer o vício de
inconstitucionalidade pela nova norma.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 7. Controle de constitucionalidade. 7.1. Conceito e sistemas de controle de


constitucionalidade. 7.2. Inconstitucionalidade: por ação e por omissão. 7.3. Sistema brasileiro
de controle de constitucionalidade. 7.4. Controle de constitucionalidade estadual.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que aborda aspectos teóricos e jurisprudência do Supremo


acerca do controle de constitucionalidade.

Em um primeiro momento, temos uma alternativa correta, já que tais aspectos


funcionam como premissas para o controle de constitucionalidade, de forma que deve existir
uma Constituição escrita e rígida, ou seja, com um processo mais dificultoso de alteração. Além
disso, deve haver o reconhecimento da Constituição como norma superior e como pressuposto
de validade dos demais atos normativos.

Alternativa B: Alternativa que também se apresenta correta, já que conceitua


corretamente o parâmetro como a norma tida como paradigma para o controle de
constitucionalidade.

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Assim, o Parâmetro ou paradigma é a norma ou conjunto normativo que se mostra


como a referência na comparação para a realização do controle de constitucionalidade, ou seja,
para se determinar se os demais diplomas são ou não constitucionais.

Alternativa C: Alternativa que se mostra incorreta e que deve, portanto, ser marcada
pelo candidato.

Com efeito, a hipótese afirmada se constitui em uma exceção onde não irá acontecer
a perda de objeto do ato impugnado. Assim, não haverá perda do objeto e a ADI deverá ser
conhecida e julgada, quando ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado foi repetido,
em sua essência, em outro diploma normativo, conforme decidiu o STF na ADI 2418/DF.

Alternativa D: Questão que também traz uma afirmativa verdadeira, conforme


ensinamentos doutrinários.

Trata-se de conhecimento básico acerca do controle de constitucionalidade, uma vez


que a percepção final seja pela contrariedade do ato normativo ou complexo normativo inferior
frente aos vetores constitucionais, estaremos diante de uma inconstitucionalidade.

Alternativa E: Alternativa que traz uma afirmativa verdadeira, conforme tem decidido
o Supremo acerca do tema.

Conforme STF (info. 890), o autor deverá aditar a petição inicial demonstrando que a
nova redação do dispositivo impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que
existia na redação original.

Assim, a revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo, impõe


ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a
inconstitucionalidade na norma que promoveu a alteração ou revogação. Se não o fizer, o STF
irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

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30 - QUESTÃO:

Acerca das Súmulas vinculantes e sua previsão constitucional e legal, marque a alternativa
incorreta:

a) No procedimento de edição, revisão ou cancelamento de enunciado da súmula vinculante,


o relator poderá admitir, por decisão irrecorrível, a manifestação de terceiros na questão, nos
termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
b) De acordo com a Constituição Federal, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula
poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
c) A súmula possui eficácia imediata, porém o STF, por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus
membros, poderá restringir os seus efeitos ou decidir que tenha eficácia futura, tendo em
vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público.
d) A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a
administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de
processos sobre questão idêntica.
e) Do ato administrativo ou judicial que contrariar súmula vinculante caberá interpor,
respectivamente, a reclamação e o recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 8. Súmula vinculante e a Lei nº 11.417/06.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão interessante que aborda, basicamente, a literalidade do que


se encontra disposto na Constituição Federal e na Lei 11.417/2006, que trata sobre a Súmula
Vinculante.

A primeira alternativa está correta, trazendo uma disposição literal da Lei 11.417, ao
prever a possibilidade de manifestação de terceiros. Conforme está disposto:

Art. 3º… §2º No procedimento de edição, revisão ou cancelamento de


enunciado da súmula vinculante, o relator poderá admitir, por decisão
irrecorrível, a manifestação de terceiros na questão, nos termos do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.

Alternativa B: A alternativa B também está correta, já que a Constituição Federal


traz que os responsáveis pelo pedido de aprovação, revisão ou cancelamento de súmula será
provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.

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Lembre-se que a Lei 11.417 especifica os responsáveis pela provocação para a


aprovação, revisão ou cancelamento de súmula.

De acordo com a Constituição Federal:

Art. 103-A… § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a


aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada
por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.

Já a Lei 11.417, traz que:

Art. 3o São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento


de enunciado de súmula vinculante:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV – o Procurador-Geral da República;
V - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VI - o Defensor Público-Geral da União;
VII – partido político com representação no Congresso Nacional;
VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional;
IX – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal;
X - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou
do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os
Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os
Tribunais Militares.
§ 1o O Município poderá propor, incidentalmente ao curso de processo
em que seja parte, a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado
de súmula vinculante, o que não autoriza a suspensão do processo.

Alternativa C: Mais uma alternativa correta, uma vez que traz a literalidade do artigo
4º da Lei 11.417.

Assim, a súmula vinculante possui efeito imediato, mas o Supremo, por decisão de
2/3 de seus membros, poderá restringi-los ou decidir que os efeitos serão futuros, diante de
razões de segurança jurídica ou excepcional interesse público. Conforme dispõe a Lei 11.417:

A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o Supremo


Tribunal Federal, por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus membros,

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poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia


a partir de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica
ou de excepcional interesse público.

Alternativa D: Alternativa que se mostra correta, trazendo disposição literal da


Constituição Federal.

De fato, a súmula vinculante visa trazer validade, interpretação e a eficácia de


normas determinadas, devendo haver controvérsia atual (lembre-se do atual) entre os
órgãos. Importante também saber os dois requisitos que são a grave insegurança jurídica e a
multiplicação de processos.

Vejamos o que dispõe a Constituição Federal, no §1º, do artigo 103-A:

A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de


normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre
órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete
grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
questão idêntica.

Alternativa E: Alternativa que se encontra incorreta e deve ser marcada pelo candidato.
Com efeito o recurso extraordinário não é viável para discutir ato judicial que contrarie súmula
vinculante.

Conforme dispõe a Constituição Federal e a Lei 11.417, tanto do ato administrativo


quanto da decisão judicial que contrariar súmula vinculante, caberá reclamação do STF.

Vejamos o que dispõe a Lei 11.417:

Art. 7o Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar


enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo
indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem
prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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31 - QUESTÃO:

Quanto à classificação da inconstitucionalidade, marque a alternativa incorreta:

a) A inconstitucionalidade por omissão parcial ocorre quando há uma atuação estatal, porém
esta se mostra deficiente ou insuficiente.
b) No direito pátrio, a inconstitucionalidade superveniente não é reconhecida, de forma
que a hipótese é tratada como problema de direito intertemporal, de forma a haver a não
recepção ou revogação.
c) A inconstitucionalidade consequencial ocorre quando o vício é decorrente do desrespeito
direto à uma norma infraconstitucional, sendo, portanto, primeiramente ilegal e,
consequentemente, inconstitucional.
d) O vício formal, via de regra, gera uma inconstitucionalidade total, no que diz respeito ao
seu alcance, não sendo possível aproveitar qualquer aspecto da norma.
e) Conforme expõe a doutrina, a inconstitucionalidade parcial poderá converter-se em total
quando o preceito constitucional fizer parte de uma regulamentação global, onde dava
sentido e justificação.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 7. Controle de constitucionalidade. 7.1. Conceito e sistemas de controle de


constitucionalidade.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que aborda a classificação das inconstitucionalidades,


também chamada de tipologia, matéria de extrema importância para a compreensão de tudo o
que circunda o estudo do controle de constitucionalidade.

A primeira alternativa está correta, trazendo a conceituação da inconstitucionalidade


por omissão parcial. Assim, a omissão pode ser total (absoluta), quando não há resquício de
regulamentação ou então parcial, quando a atuação é deficiente ou insuficiente.

Alternativa B: Alternativa que traz uma afirmativa verdadeira, já que a


inconstitucionalidade superveniente não é reconhecida no ordenamento jurídico pátrio.

No Brasil, ao contrário de outros países, não se reconhece a inconstitucionalidade


superveniente, sendo este um problema de direito intertemporal, concluindo que a
incompatibilidade gera o fenômeno da não recepção (ou revogação) do direito anterior.

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Alternativa C: Aqui temos a alternativa falsa e que deve ser marcada pelo candida-
to, já que foi confundido os conceitos de inconstitucionalidade reflexa e inconstitucionalidade
consequencial.

De fato, a inconstitucionalidade reflexa é aquela que o vício decorre do desrespeito


direto à uma norma infraconstitucional e não à própria Constituição, sendo que, diante desse
caso, teremos um documento primariamente ilegal e, reflexamente, inconstitucional.

Como exemplo, podemos citar uma lei constitucional e um decreto que desrespeita
esta lei, sendo este último primariamente ilegal e, reflexamente, inconstitucional.

A inconstitucionalidade consequencial (por arrastamento, por atração ou por


reverberação normativa), por sua vez, ocorre quando há entre duas normas uma relação
de dependência, sendo uma principal e a outra acessória, de forma que a declaração de
inconstitucionalidade da principal enseja a da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado
à norma principal.

Alternativa D: Alternativa que apresenta uma afirmação verdadeira, estando,


portanto, correta, uma vez que o vício formal gera uma inconstitucionalidade total.

A inconstitucionalidade total é uma classificação da inconstitucionalidade quanto


ao alcance ou extensão do vício e ocorre quando todo o diploma normativo é considerado
inconstitucional, de forma que não se pode aproveitar nenhum trecho normativo.

Assim, via de regra, a inconstitucionalidade formal, como atinge todo o diploma


normativo, gera uma inconstitucionalidade total.

Alternativa E: Aqui também temos uma alternativa correta, conforme nos explica a
doutrina, já que há a possibilidade de que uma inconstitucionalidade parcial se converta em
uma inconstitucionalidade total.

Isso se dá nos casos em que as normas restantes, ainda que conformes à Constituição,
deixem de ter qualquer significado autônomo, ou seja, não sobrevivam independentemente
(critério da independência), ou quando o preceito constitucional fizer parte de uma
regulamentação global à qual emprestava sentido e justificação (critério de interdependência).

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

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32 - QUESTÃO:

Acerca da Ordem Social e todas as suas disposições, marque a alternativa correta:

a) Os serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, que


constitui um sistema único, organizado de forma centralizada.
b) Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingresso em juízo
em defesa de seus direitos e interesses, competindo à justiça federal processar e julgar os
crimes relacionados aos direitos dos índios.
c) Em relação ao meio ambiente, a Constituição não dá ênfase às medidas preventivas, com
tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços.
d) São objetivos da Seguridade Social a universalidade, a uniformidade e equivalência, a
seletividade e distributividade e a redutibilidade.
e) A Serra do Caparaó e a Costa Azul, de acordo com o que dispõe a Constituição Federal,
constituem-se em patrimônio nacionais.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: 15. Ordem social. 15.1. Base e objetivos da ordem social. 15.2. Seguridade
Social. 15.3. Educação, cultura e desporto. 15.4. Ciência e tecnologia. 15.5. Comunicação social.
15.6. Meio ambiente. 15.7. Família, criança, adolescente e idoso. 15.8. Índios.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que aborda os aspectos gerais do que se encontra previsto na


Ordem Social, de forma a abranger todos os seus capítulos. Aqui, também, mostra a necessidade
de realizar a leitura constante da Constituição Federal, em todos os seus artigos.

Com efeito, a primeira alternativa se encontra incorreta, conforme dispõe a


Constituição Federal, pelo fato de que os serviços públicos de saúde são organizados de forma
descentralizada e não centralizada como está disposto.

Pela Constituição Federal:

Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede


regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado
de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo.

Alternativa B: Aqui temos a alternativa correta e que deve ser marcada pelo candidato,
de acordo com o que dispõe a Constituição Federal, tanto no artigo 232, como no artigo 109,
inciso IV.

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DELTA-ES

Com efeito, a Constituição dispõe que os índios, suas organizações e comunidades


são partes legítimas para a defesa de seus direitos e interesses, além de trazer a competência da
Justiça Federal para analisar os crimes relacionados aos direitos dos índios.

Vejamos a previsão Constitucional (lembre-se que os direitos indígenas são de


interesse da União):

Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes


legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses,
intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de
bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas
ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.

Alternativa C: Alternativa que também se mostra incorreta, já que a Constituição


Federal dá ênfase às medidas preventivas.

Com efeito, o meio ambiente ecologicamente equilibrado foi erigido como direito
fundamental pela Constituição de 1988, com a previsão de medidas preventivas, com tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental.

Vale a pena ler o que dispõe a Constituição:

Art. 170 (…)


VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e
de seus processos de elaboração e prestação.

Alternativa D: A alternativa também está incorreta, já que traz a redutibilidade como


sendo objetivo da Seguridade Social. O que se tem, em verdade, e a irredutibilidade do valor
dos benefícios.

Cabe aqui a leitura do que se encontra disposto no texto constitucional:

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de


ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas
a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência
social.

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DELTA-ES

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar


a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - eqüidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento;
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante
gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos
empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

Alternativa E: Alternativa que se mostra incorreta, já que os locais dispostos (Serra


do Caparaó e Costa Azul) não integram o rol previsto constitucionalmente acerca do que se
considera como patrimônio nacional.

Veja o que traz a Constituição Federal:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de
vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar,
o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional,
e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que
assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso
dos recursos naturais.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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DIREITOS HUMANOS
PROF. LEONARDO MIRANDA

33 - QUESTÃO:

Acerca do que dispõe o Pacto de San José da Costa Rica, marque a alternativa que não consta
do referido tratado.

a) À pessoa maior de setenta anos, no momento da perpetração do delito, não se deve impor
a pena de morte.
b) A aplicação da pena de morte deve permanecer suspensa enquanto o pedido de anistia,
indulto ou comutação da pena não tenha sido examinado pela autoridade competente.
c) Caso o Estado Parte tenha abolido a pena de morte em seu território, ela só poderá ser
restabelecida em situações excepcionais, previstas expressamente.
d) De acordo com o Pacto de San José da Costa Rica, há uma proibição de pena de morte a
crimes políticos e crimes conexos com estes.
e) Os Estados Partes possuem o compromisso de adotar medidas legislativas ou de outra
natureza de forma a tornar efetivo os direitos e liberdades previstos no Pacto.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: 12. Pacto de São José da Costa Rica.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Questão que trabalha com as disposições expressas constantes do


Pacto de San José da Costa Rica.

A primeira alternativa traz uma afirmação correta, já que há a previsão de não


aplicação de pena de morte para as pessoas maiores de setenta anos. Além disso, se prevê a
não aplicação da pena de morte no caso do menor de dezoito anos ou à mulher em estado de
gravidez.

Como está previsto:

Artigo 4º - Direito à vida.


5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da
perpetração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior de setenta,
nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez.

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PROVA O BJE T I VA

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Alternativa B: Trata-se de alternativa verdadeira, conforme está previsto


expressamente no Pacto de San José da Costa Rica.

De fato, há uma impossibilidade de aplicação da pena de morte enquanto pendente


solicitação de anistia, indulto ou comutação da pena.

Conforme está previsto:

Artigo 4º - Direito à vida.


6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia, indulto
ou comutação da pena, os quais podem ser concedidos em todos os
casos. Não se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver
pendente de decisão ante a autoridade competente.

Alternativa C: Aqui temos a afirmativa falsa, tornando a questão errada, como se vê


no Artigo 4. da Convenção.

Existe, no Pacto, o princípio da vedação do retrocesso quanto à abolição da pena


de morte, ou seja, caso o Estado tenha abolido a pena de morte em seu território, encontra-se
impedido de novamente a implementar, segundo o que está disposto.

Como podemos ver:

Artigo 4º - Direito à vida.


3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam
abolido.

Alternativa D: Aqui também temos uma alternativa verdadeira, trazendo disposição


literal da Convenção.

Como podemos ver, há uma proibição da pena de morte a crimes políticos e crimes
conexos com este. Assim:

Artigo 4º - Direito à vida.


4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos,
nem a delitos comuns conexos com delitos políticos.

Alternativa E: Temos aqui uma alternativa verdadeira, já que traz afirmação correta
acerca do que se encontra disposto no Pacto de San José da Costa Rica.

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DELTA-ES

De fato, o Artigo 2 traz o dever de adotar disposições de direito interno, de forma que
o Estado Parte tem a obrigação de legislar e agir para garantir os direitos e liberdades previstos
no Pacto.

Conforme está previsto:

Artigo 2º - Dever de adotar disposições de direito interno


Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda
não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza,
os Estados-partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas
normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, as
medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para
tornar efetivos tais direitos e liberdades.

- GABARITO DA QUESTÃO: C.

34 - QUESTÃO:

Acerca do que dispõe a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes, marque a alternativa correta:

a) A Convenção não traz a definição sobre o que se entende por tortura, deixando a cargo dos
Estados essa conceituação.
b) A mera negligência do agente público é apta para caracterizar a tortura, de acordo com o
que dispõe a Convenção.
c) A proibição do rechaço prevê a possibilidade de extradição de uma pessoa para outro
Estado, ainda que exista um perigo de ela ser submetida à tortura.
d) É possível invocar, como justificativa, circunstâncias excepcionais ou emergências públicas,
para cometer o ato de tortura.
e) Para os fins da Convenção, a tortura possui quatro elementos definidores, que são a
natureza do ato, o dolo do torturador, a finalidade e o envolvimento direto ou indireto do
agente público.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 8. Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,


Desumanos ou Degradantes (Decreto nº 40, de 15 de fevereiro de 1991).

- COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: Questão que aborda os dispositivos atinentes à Convenção contra a


Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

A primeira alternativa encontra-se correta, já que na Parte I, do artigo 1º, a Convenção


define o que se entende por “tortura” para seus fins.

Como se vê:

PARTE I.
Artigo 1 1. Para os fins desta Convenção, o termo “tortura” designa
qualquer ato pelo qual uma violenta dor ou sofrimento, físico ou mental,
é infligido intencionalmente a uma pessoa, com o fim de se obter dela
ou de uma terceira pessoa informações ou confissão; de puní-la por um
ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de
ter cometido; de intimidar ou coagir ela ou uma terceira pessoa; ou por
qualquer razão baseada em discriminação de qualquer espécie, quando
tal dor ou sofrimento é imposto por um funcionário público ou por outra
pessoa atuando no exercício de funções públicas, ou ainda por instigação
dele ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará
como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência, inerentes
ou decorrentes de sanções legítimas.

Alternativa B: Temos mais uma alternativa incorreta, conforme nos informa a


doutrina.

Nesse sentido, atos omissivos são capazes de caracterizar a tortura, como por
exemplo a privação de sono, alimento etc. Mas deve haver um dolo do torturador, de forma que
a mera negligência não é suficiente para caracterizar a tortura.

Conforme se vê dos elementos que integra o conceito de tortura, é exigido que o


agente queira o resultado ou assuma o risco de produzi-lo.

Alternativa C: Aqui também estamos diante de uma alternativa incorreta, já que a


proibição de rechaço diz exatamente o contrário.

Como explica a doutrina, o artigo 3º veda a expulsão, devolução ou extradição de uma


pessoa para outro Estado, quando houver razões substanciais para crer que ela corre perigo de
ali ser submetida a tortura. Isso é chamado de princípio do non-refoulement, ou proibição do
rechaço.

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CURSO PA R A A
PROVA O BJE T I VA

DELTA-ES

Alternativa D: A alternativa D também se encontra incorreta, já que, conforme é


explicitado, a proibição da prática da tortura é absoluta para a Convenção.

Nesse sentido, circunstâncias excepcionais, como ameaça ou estado de guerra ou


qualquer outra emergência pública, não pode ser invocada como justificativa para cometer
atos de tortura.

Alternativa E: Temos aqui a alternativa correta e que deve ser marcada pelo candidato,
já que a Convenção apresenta os elementos definidores do conceito de tortura.

Como nos informa André de Carvalho Ramos, para a Convenção, há quatro elementos
definidores do conceito de tortura. Assim, temos presente a natureza do ato, o dolo do torturador,
a finalidade e o envolvimento direto ou indireto de agente público.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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DIREITO CIVIL
PROFA. RENATA PEREIRA

35 - QUESTÃO:

Quanto à capacidade da pessoa natural, são relativamente incapazes:

a) Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais, os viciados em


tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; os excepcionais,
sem desenvolvimento mental completo; os pródigos.
b) Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais e os viciados em
tóxico; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos; aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade; os pródigos.
c) Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais e os viciados
em tóxico; aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade; os pródigos.
d) Os menores de dezesseis anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem
o necessário discernimento para a prática desses atos; os que, mesmo por causa transitória,
não puderem exprimir sua vontade.
e) Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais, os viciados
em tóxicos; aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; os pródigos.

- RESPOSTA: Alternativa C.

- PONTO DO EDITAL: Pessoa Natural. Da personalidade e da capacidade.

- COMENTÁRIOS:

A capacidade da pessoa natural é tratada no CC/02 nos arts. 3º e 4º.

O art. 3º elenca as pessoas consideradas absolutamente incapazes e o art. 4º as


pessoas relativamente incapazes.

Tais dispositivos foram alterados pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei
13.146/15) que tem como premissa a igualdade, inclusão com autonomia e vedação da
discriminação, reconhecendo, em nosso sistema jurídico, a capacidade a pessoa com deficiência.

É importante perceber a diferença da norma antes e após a mudança efetivada pelo


Estatuto da Pessoa com Deficiência.

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São essas as alterações providas pela Lei 13.146/15:

Art. 3º, CC antes da Lei 13.146/15 Art. 3º, CC após da Lei 13.146/15
Art. 3º. São absolutamente incapazes Art. 3º. São absolutamente incapazes
de exercer pessoalmente os atos da de exercer pessoalmente os atos da
vida civil: vida civil os menores de 16 (dezesseis)
I - os menores de dezesseis anos; anos.
II - os que, por enfermidade ou I - (Revogado).
deficiência mental, não tiverem o II - (Revogado).
necessário discernimento para a III - (Revogado).
prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa
transitória, não puderem exprimir
sua vontade.

Art. 4º, CC antes da Lei 13.146/15 Art. 4º, CC após da Lei 13.146/15
Art. 4º. São incapazes, relativamente Art. 4º. São incapazes, relativamente
a certos atos ou à maneira de os a certos atos ou à maneira de os
exercer: exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores I - os maiores de dezesseis e menores
de dezoito anos; de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados II - os ébrios habituais e os viciados
em tóxicos, e os que, por deficiência em tóxico;
mental, tenham o discernimento III - aqueles que, por causa transitória
reduzido; ou permanente, não puderem
III - os excepcionais, sem exprimir sua vontade;
desenvolvimento mental completo; IV - os pródigos.
IV - os pródigos.

Observa-se que absolutamente incapazes são unicamente os menores de 16 anos.

Ademais, as pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir
vontade, deixaram de ser consideradas absolutamente incapazes e passaram a ser consideras
relativamente incapazes.

As pessoas que por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário


discernimento para a prática do ato, deixaram de estar previstas entre as causas de incapacidade.

Por fim, as pessoas com discernimento reduzidos, por deficiência mental deixaram
de ser consideradas relativamente incapazes.

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Alternativa A: Está Incorreta.

A assertiva está incorreta porque menciona a redação do art.4º, CC, que trata dos
relativamente incapazes, porém com a redação antiga, anterior às alterações promovidas pelo
Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15).

Com a nova redação, foram retiradas da previsão de incapacidade relativa “os


que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido” e “os excepcionais, sem
desenvolvimento mental completo”.

Alternativa B: Está Incorreta.

A alternativa está incorreta porque menciona a antiga previsão de incapacidade


absoluta constante do art. 3º, II, CC: “os que, por enfermidade ou deficiência mental, não
tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos”, que foi revogado pelo Estatuto
da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15).

Alternativa C: Está Correta.

Apresenta a atual redação do art. 4º, CC/02 sobre os relativamente incapazes.

Art. 4º. São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os


exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade;
IV - os pródigos.

Alternativa D: Está Incorreta.

A assertiva está incorreta porque apresenta a antiga redação do art. 3º, CC que
elencava as pessoas consideradas absolutamente incapazes e que teve o inciso II (“os que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses
atos”) revogado e o inciso III transferido para o art. 4º, passando a considerar relativamente
incapazes “os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade”.

Alternativa E: Está Incorreta.

A assertiva menciona a antiga redação do art. 4º, III, CC (“os que, por enfermidade ou
deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos”) que foi
revogado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15).

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- GABARITO DA QUESTÃO: C.

36 - QUESTÃO:

Quanto às regras concernentes ao domicílio, assinale a alternativa CORRETA:

a) Considera-se domicílio da pessoa natural o lugar onde ela estabelece a sua residência com
ânimo definitivo e também, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é
exercida. Admitindo-se para a pluralidade de domicílios em ambos os casos.
b) Considera-se domicílio da pessoa jurídica com sede no estrangeiro o local em que eleger,
no Brasil, como domicílio especial.
c) Considera-se domicílio do servidor público o lugar em que exerce de forma permanente ou
transitória suas funções.
d) Considera-se domicílio do marítimo o lugar onde o navio estiver atracado.
e) Considera-se domicílio do preso o lugar em que a sentença condenatória foi proferida.

- RESPOSTA: Alternativa A.

- PONTO DO EDITAL: Do domicílio. Domicílio da pessoa natural. Domicílio da pessoa jurídica.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Está Correta.

A alternativa está em consonância com as normas sobre domicílio da pessoa natural


constantes do CC, que reconhece o domicílio residencial (art. 70) e o domicílio profissional (art.
72).

Há previsão expressa quanto à possibilidade da pluralidade de ambos (art. 71, CC e


parágrafo único do art. 72, CC).

Art. 70, CC. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a
sua residência com ânimo definitivo.

Art. 71, CC. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde,
alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.

Art. 72, CC. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações


concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada
um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.

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Alternativa B: Está Incorreta.

O domicílio das pessoas jurídicas com sede no estrangeiro está previsto no art. 75,
§2º, CC e não corresponde à afirmativa contida nesta alternativa.

Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:


§ 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro,
haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações
contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento,
sito no Brasil, a que ela corresponder.

Alternativa C: Está Incorreta.

O domicílio do servidor público está previsto no art. 76, parágrafo único e não inclui
o local em que exerce suas funções de forma transitória, apenas permanente.

Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar,


o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio (...) do servidor público, o lugar em que
exercer permanentemente suas funções; (...).

Alternativa D: Está Incorreta.

O domicílio do marítimo, previsto no art. 76, parágrafo único é o local onde o navio
encontra-se matriculado e não atracado, como a assertiva afirma.

Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar,


o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio (...) do marítimo, onde o navio estiver
matriculado; (...).

Alternativa E: Está Incorreta.

O domicílio do preso, previsto no art. 76, parágrafo único é o local de cumprimento


da sentença. Não é local em que foi proferida a sentença, como afirmado nesta alternativa.

Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar,


o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio (...) do preso, o lugar em que cumprir a
sentença.

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- GABARITO DA QUESTÃO: A.

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MEDICINA LEGAL
PROF. IGOR VIALLI

37 - QUESTÃO:

O espectro equimótico é:

a) Uma técnica utilizada para verificar se houve afogamento.


b) Utilizado para verificar se a lesão contundente é recente ou antiga.
c) Utilizado para verificar se a lesão perfurante é recente ou antiga.
d) Típica das lesões causadas por projéteis de arma de fogo.
e) Espécie de equimose.

- RESPOSTA: Alternativa B.

- PONTO DO EDITAL: Tanatologia médico-legal.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Dentro das lesões contusas, aquelas praticadas por instrumentos


contundentes (aqueles que atuam através de pressão no corpo, como as pancadas, etc), a lesão
conhecida por “equimose” é uma das mais conhecidas e mais populares, tendo em vista ser
comum esse tipo de lesão.

A equimose é um extravasamento de sangue, aquela mancha “roxa” que fica na pele


quando alguém é atingido por uma pancada, por exemplo.

O médico LEGRAND DU SAULLE foi o responsável por “quantificar” em dias a evolução


da lesão causada, de modo que, pela sua coloração, seria possível perceber se a lesão seria
recente ou mais antiga.

Segundo o Professor MALTHUS, entre o evento e o terceiro dia, a lesão adquire


coloração VERMELHO/VIOLETA.

Entre o terceiro e sexto dia, adquire uma coloração AZULADA.

Após, entre o sétimo e décimo, adquire uma coloração ESVERDEADA.

Após isso, adquire a coloração AMARELADA (décimo e décimo quinto dia), até o
desaparecimento por completo da equimose.

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Portanto, alternativa incorreta!

O cogumelo de espuma é, de fato, um sinal externo de asfixia, juntamente com a


cianose (coloração azul/roxo) da face, dentre outros sinais.

Alternativa B: Correto!

Trata-se da definição e utilização do espectro equimótico.

Alternativa C: Errado!

Lembre-se, inicialmente, da distinção entre os instrumentos e os tipos de lesão! Os


instrumentos PERFURANTES são os que produzem lesões PUNCTÓRIAS.

Seja como for, pela característica das lesões punctórias (perfurações), não há relação
com o espectro ora tratado.

Pela importância do tema, relembraremos os instrumentos e as lesões em questão


específica!

Alternativa D: Errado!

Os projéteis de arma de fogo são instrumentos pérfuro-contundentes. Apesar de a


ação também ser, por isso, contundente, as características de tais ferimentos são totalmente
distintas das equimoses, portanto, não há qualquer relação entre eles.

Alternativa E: Como já definido, a equimose é um extravasamento de sangue, aquela


mancha “roxa” que fica na pele quando alguém é atingido por uma pancada, por exemplo.

Segundo o Professor MALTHUS, são exemplos de equimoses:

Etéquias - cabeça de alfinete - desaparecem mais rápido que as demais.


Sugilação - confluência de numerosas lesões puntiformes em uma área
bem definida - grãos de areia.
Sufusão - formada por uma “hemorragia” mais extensa - mantém o
centro violáceo e as mudanças de cor ocorrem na periferia.

- GABARITO DA QUESTÃO: B.

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38 - QUESTÃO:

Sobre a tanatologia médico-legal:

a) É o ramo da Medicina Legal que trabalha com as lesões praticadas tanto em vivos quanto
em mortos.
b) Os fenômenos cadavéricos sempre são abióticos.
c) A saponificação é um exemplo de fenômeno cadavérico abiótico.
d) As lesões causadas em vida possuem as mesmas características das causadas após a morte.
e) O conteúdo do estômago do indivíduo pode ajudar a esclarecer o tempo de morte.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: Tanatologia médico-legal.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Errado!

Thánatos, em grego, significa “morte”.

A tanatologia é o estudo científico da morte. Atualmente, uma pessoa é considerada


“morte” somente a partir da MORTE ENCEFÁLICA, ou seja, a ausência irreversível de todas as
funções neurológicas (cessação da atividade cerebral), independentemente da persistência de
outras funções, como a respiratória.

O conceito é corroborado pela Lei n. 9.343/97, que trata da remoção de órgãos,


tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento, regulamentado
atualmente através da Resolução n. 2.173/17 do Conselho Federal de Medicina, que traz uma
série de requisitos para a realização do diagnóstico de morte cerebral.

Alternativa B: Incorreto!

Os fenômenos cadavéricos podem ser divididos em abióticos (imediatos) ou


transformativos (destrutivos).

Os abióticos, por sua vez, são divididos em imediatos ou consecutivos.

Os efeitos abióticos imediatos são aqueles perceptíveis de plano em um cadáver,


quais sejam, a cessação da respiração, circulação, do tônus muscular.

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Os efeitos abióticos consecutivos ou tardios são: (i) desidratação: evaporação e perda


da água do corpo; (ii) esfriamento: em decorrência da cessação da circulação; (iii) hipóstases:
migração do sangue para as regiões de declive, em razão da gravidade; (iv) rigidez cadavérica:
ocasionada pela contração muscular pela falta de oxigenação no sangue.

Diz-se que a rigidez muscular é perceptível após a primeira hora da morte e tem seu
ápice por volta de 6 a 8 horas após da morte, podendo perdurar por um dia ou mais. Pode
ocorrer, ainda, espasmo cadavérico, que nada mais é do que a rigidez abrupta, sem relaxamento
do músculo. A rigidez geralmente começa pela região do maxilar e mandíbula, após atinge a
nuca e o tronco, depois membros superiores e inferiores.

Alternativa C: Errado!

Em complemento a alternativa anterior, os efeitos transformativos também são


divididos em destrutivos e conservadores.

Os destrutivos são os seguintes: (i) autólise: ação das enzimas para destruição das
células, em razão da falta de oxigênio; (ii) maceração: aqui é exclusivo dos corpos encontrados
em ambientes líquidos, como a água, ocasiões em que ocorre uma deformação do corpo pela
flacidez das partes, aspecto amolecido; (iii) putrefação: decomposição através das bactérias,
dependendo de fatores intrínsecos (idade, causa mortis) e extrínsecos (ambiente, temperatura).
A putrefação é dividida em fase cromática (ocorre o aparecimento de uma mancha esverdeada,
geralmente iniciada pela região do abdômen), fase gasosa (formam-se bolhas de ar e gases no
corpo, dando aspecto de “inchado”, e fase esqueletização (partes moles vão sendo destruídas e
consumidas, até que só restem os ossos).

Os conservadores, por fim, podem ser a (i) saponificação, que consiste no processo
de transformação do cadáver em substância de consistência untosa, mole, quebradiça e
gordurosa, geralmente ocasionada a partir do terceiro mês de morte e a (ii) mumificação, que
é basicamente a desidratação do cadáver que acarreta na desaceleração da ação bacteriana,
“conservando-o” por mais tempo e atrapalhando a putrefação. Caso a mumificação seja
artificial, como no antigo Egito, há o chamado “embalsamento”.

Alternativa D: As lesões causadas em vida possuem características vitais,


especialmente sangramento, hemorragia, coagulação do sangue, retração dos tecidos
muscularese e inflamações. As bordas da ferida geralmente são mais grossas, com a visualização
do referido sangramento.

As lesões causadas após a morte, por sua vez, são despidas de tais características.
Não há coagulação, sangramento, certo que as bordas são irregulares ou “moles”.

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Alternativa E: Correto!

Um grande fator a ser levado em consideração no estudo do tempo da morte, além


da questão da rigidez cadavérica e dos outros efeitos post-mortem, é a verificação de eventuais
alimentos ou de conteúdo gástrico.

Nesse sentido, segundo os professores DELTON CROCE e CELTON CROCE JUNIOR:

O estômago com repleção alimentar e fenômenos digestivos, em fase


intermediária, poderia sugerir ao legisperito ter a morte ocorrido entre 1
a 2 horas após a última refeição; alimentos em fase terminal de digestão
de 4 a 7 horas, e, finalmente, havendo vacuidade gástrica, ter o óbito
acontecido decorridas mais de 7 horas da última refeição.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

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LEGISLAÇÃO POLICIAL
PROF. IGOR VIALLI

39 - QUESTÃO:

Sobre a responsabilidade dos servidores públicos civis prevista na LC n. 46/94, marque a


incorreta:

a) A exoneração, aposentadoria ou disponibilidade do servidor público não extingue a


responsabilidade civil, penal ou administrativa oriunda de atos ou omissões no desempenho
de suas atribuições.
b) A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que
importe prejuízo à Fazenda Pública estadual ou a terceiros.
c) A responsabilidade administrativa resulta de ato ou omissão, ocorrido no desempenho do
cargo ou função.
d) A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputados ao servidor
público, nessa qualidade.
e) As cominações civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes
entre si, bem assim as instâncias. A absolvição criminal só afasta a responsabilidade civil ou
administrativa do servidor público, se concluir pela inexistência do fato.

- RESPOSTA: Alternativa E.

- PONTO DO EDITAL: 1. Direitos, deveres e responsabilidade dos servidores públicos civis do


Estado do Espírito Santo na Lei Complementar n. 46/94.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Colegas!

Outro ponto importante do nosso conteúdo programático é a parte dos “direitos,


deveres e responsabilidades dos servidores públicos civis do Estado do Espírito Santo”, previsto
na LC n. 46/94.

O capítulo “Das Responsabilidades” é extremamente enxuto e conta com apenas 6


(seis) artigos, havendo praticamente reprodução daquilo já constante no Estatuto da PCES.

Seja como for, a alternativa A está correta!

O caput do artigo 225, com efeito, apenas ressalta que “o servidor público responde
civil, penal e administrativamente, pelo exercício irregular de suas atribuições”. O parágrafo

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único, então, traz justamente a ressalva de que a exoneração, aposentadoria ou disponibilidade


do servidor público não extingue a responsabilidade civil, penal ou administrativa oriunda de
atos ou omissões no desempenho de suas atribuições.

Alternativa B: Certo, tratando-se da previsão do artigo 226 da LC, na esteira do


constante no próprio Código Civil:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.

Ressalte-se a especificidade com que o artigo em comento da LC trata a questão: ato


doloso ou culposo, omissivo ou comissivo!

Alternativa C: Certo, nos termos do artigo 228 da LC.

Veja, portanto, que a responsabilidade administrativa também pode derivar de uma


conduta omissiva, como no caso do superior hierárquico que, diante de uma transgressão,
nenhuma atitude adota!

Alternativa D: Certo, nos termos do artigo 227 da LC.

Trata-se de dispositivo legal que praticamente traz o óbvio: a responsabilidade penal


decorre tanto da prática de crimes ou contravenções penais, abrangendo-se, pois, as duas
modalidades de “delito”.

Alternativa E: Errado!

Já tratado o ponto em questão anterior, reiteramos o conteúdo para solidificar esse


importante entendimento!

De fato, as cominações civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo


independentes entre si, bem assim as instâncias.

Todavia, não apenas a conclusão pela inexistência do fato, mas também a conclusão
pela negativa de autoria na esfera criminal também afasta a responsabilidade civil ou
administrativa do servidor público.

Nesse sentido, ainda, o artigo 935 do Código Civil:

Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se


podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem

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seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo


criminal.

- GABARITO DA QUESTÃO: E.

40 - QUESTÃO:

Marque aquela alternativa que não traduz um dever do servidor público civil, nos termos da
LC n. 46/94:

a) Ser assíduo e pontual ao serviço e guardar sigilo sobre assuntos da repartição.


b) Zelar pela economia do material e conservação do patrimônio público.
c) Providenciar para que esteja sempre em ordem no assentamento individual, a sua
declaração de família.
d) Atender com presteza e correção todas as ordens superiores.
e) Comunicar no prazo de quarenta e oito horas ao setor competente, a existência de qualquer
valor indevidamente creditado em sua conta bancária.

- RESPOSTA: Alternativa D.

- PONTO DO EDITAL: 1. Direitos, deveres e responsabilidade dos servidores públicos civis do


Estado do Espírito Santo na Lei Complementar n. 46/94.

- COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O capítulo dos Deveres do servidor, dentro do título do Regime


Disciplinar, também é bastante enxuto e, em seus incisos, traz repetições bastante óbvias e já
consagradas dentro de diplomas tais.

Ser assíduo e pontual ao serviço e guardar sigilo sobre assuntos da repartição são os
dois primeiros deveres previstos, respectivamente, nos incisos I e II do artigo 220.

Alternativa B: Certo, nos termos do inciso IX!

Consagra-se, assim, o Princípio da Eficiência, evitando-se gastos públicos


desnecessários.

Alternativa C: Uma exigência bastante burocrática, mas, de fato, constante


expressamente no inciso X do artigo 220.

Alternativa D: Atenção, nem todas!

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Nos termos do inciso VII, é dever do servidor obedecer às ordens superiores, exceto
quando manifestamente ilegais.

Ora, sabe-se que a hierarquia e subordinação são conceitos inerentes à atividade


policial. Todavia, ordens manifestamente ilegais, pela sua essência ilegal, por óbvio não devem
ser inseridas em regras de obediência, sob pena de responsabilidade do próprio servidor que
as cumpriu.

Alternativa E: Certo!

Mais um dever burocrático, mas de fato previsto no inciso XIV da LC.

- GABARITO DA QUESTÃO: D.

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