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REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

DIÁRIO DO SENADO FEDERAL


ANO LXIV - Nº 170 - SEXTA-FEIRA, 30 DE OUTUBRO DE 2009 - BRASÍLIA-DF
MESA DO SENADO FEDERAL
PRESIDENTE 3º SECRETÁRIO
José Sarney - (PMDB-AP) Mão Santa - (PSC-PI) 7
1º VICE-PRESIDENTE 4ª SECRETÁRIA
6
Marconi Perillo - (PSDB-GO) Patrícia Saboya - (PDT-CE)
2ª VICE-PRESIDENTE
Serys Slhessarenko - (PT-MT) SUPLENTES DE SECRETÁRIO
1º SECRETÁRIO 1º - César Borges - (PR-BA)
Heráclito Fortes - (DEM-PI) 2º - Adelmir Santana - (DEM-DF)
2º SECRETÁRIO 3º - Cícero Lucena - (PSDB-PB)
João Vicente Claudino - (PTB-PI) 4º - Gerson Camata - (PMDB-ES)

Maioria Bloco de Apoio ao Governo Bloco Parlamentar da Minoria


(PMDB/PP) - 18 (PT/PR/PSB/PRB/PC DO B) - 19 (PSDB/DEM) - 28
Líder Líder Líder
Renan Calheiros - PMDB Aloizio Mercadante - PT Raimundo Colombo - DEM (1)
Vice-Líderes Vice-Líderes Vice-Líderes
Valdir Raupp João Ribeiro Alvaro Dias
Paulo Duque Renato Casagrande Kátia Abreu
Lobão Filho Inácio Arruda Flexa Ribeiro
Francisco Dornelles Marcelo Crivella Gilberto Goellner
Gilvam Borges .................... João Tenório
Gerson Camata Rosalba Ciarlini
Geraldo Mesquita Júnior Líder do PT - 11 Lúcia Vânia
.................... Aloizio Mercadante Adelmir Santana
Vice-Líderes do PT ....................
Líder do PMDB - 17
Eduardo Suplicy
Renan Calheiros Líder do PSDB - 15
Fátima Cleide
Vice-Líderes do PMDB Flávio Arns (3) Arthur Virgílio
Wellington Salgado de Oliveira Vice-Líderes do PSDB
Líder do PR - 3
Almeida Lima Alvaro Dias
Valter Pereira João Ribeiro Lúcia Vânia
Gilvam Borges Vice-Líder do PR Cícero Lucena
Leomar Quintanilha (4) Expedito Júnior (5) Papaléo Paes
Neuto De Conto
Líder do PSB - 2 Líder do DEM - 13
Líder do PP - 1 José Agripino
Antonio Carlos Valadares
Francisco Dornelles Vice-Líderes do DEM
Líder do PRB - 2
Jayme Campos (2)
Marcelo Crivella Antonio Carlos Júnior
Líder do PC DO B - 1 Rosalba Ciarlini
Efraim Morais
Inácio Arruda
PTB - 8 PSOL - 1 Governo
Líder Líder Líder
Gim Argello - PTB José Nery - PSOL Romero Jucá - PMDB
Vice-Líderes PV - 1 Vice-Líderes
Sérgio Zambiasi Delcídio Amaral
Romeu Tuma Líder Antonio Carlos Valadares
Marina Silva - PV João Pedro
PDT - 5
PSC - 1 Gim Argello
Líder Romeu Tuma
Osmar Dias - PDT Líder
Mão Santa - PSC

Notas:
1. Senador Raimundo Colombo indicado Líder do Bloco Parlamentar da Minoria até o dia 6 de maio de 2010, conforme comunicação lida na sessão
deliberativa ordinária de 6 de maio de 2009.
2. Senador Jayme Campos licenciou-se nos termos do art. 43, inciso II, do Regimento Interno, por 130 dias, a partir de 26.08.09, conforme
Requerimento nº 1.041/2009, aprovado na sessão deliberativa ordinária de 25 de agosto de 2009.
3. Senador Flávio Arns desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores, conforme ofício lido na sessão deliberativa ordinária de 10 de setembro de 2009, e
filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira, conforme ofício lido na sessão deliberativa ordinária de 8 de outubro de 2009.
4. Senador Leomar Quintanilha afastou-se do exercício do mandato, conforme comunicação lida na sessão deliberativa ordinária 17 de setembro de
2009.
5. Senador Expedito Júnior desfiliou-se do Partido da República, conforme ofício lido na sessão deliberativa ordinária de 23 de setembro de 2009, e
filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira, conforme ofício lido na sessão deliberativa ordinária de 29 de setembro de 2009.
6. A Senadora Patrícia Saboya encontra-se licenciada, nos termos do art. 43, inciso I, do Regimento Interno, conforme o
Requerimento nº 878, de 2009, aprovado no dia 15/07/2009, na Sessão Deliberativa Extraordinária iniciada em
14/07/2009.
7. O Senador Mão Santa comunicou sua filiação ao Partido Social Cristão - PSC, conforme o OF. GSMS 098/2009, lido
na sessão de 01.10.2009.
EXPEDIENTE
Haroldo Feitosa Tajra Cláudia Lyra Nascimento
Diretor-Geral do Senado Federal Secretária-Geral da Mesa do Senado Federal
Florian Augusto Coutinho Madruga Maria Amália Figueiredo da Luz
Diretor da Secretaria Especial de Editoração e Publicações Diretora da Secretaria de Ata
José Farias Maranhão Denise Ortega de Baere
Diretor da Subsecretaria Industrial Diretora da Secretaria de Taquigrafia
ELABORADO PELA SECRETARIA DE ATA DO SENADO FEDERAL

SENADO FEDERAL
SUMÁRIO

1 – ATA DA 199ª SESSÃO DELIBERATIVA Relações Exteriores, do Parecer do Senador Tasso


ORDINÁRIA, EM 29 DE OUTUBRO DE 2009 Jereissati, sobre o ingresso da Venezuela no Mer-
1.1 – ABERTURA cosul....................................................................... 55931
1.2 – EXPEDIENTE SENADOR MÁRIO COUTO – Agradecimentos
1.2.1 – Ofício do Primeiro Secretário da ao Senador Mão Santa, pelo empenho na aprovação
Câmara dos Deputados de projetos que beneficiam os aposentados. Comen-
Nº 1.107/2009, de 20 do corrente, encami- tários sobre reportagem publicada pelo jornal O Libe-
nhando autógrafos do Projeto de Lei nº 2.515, de ral, do Pará, acerca da filmagem de cenas de sexo,
2007 (PLS nº 313/07), sancionado e convertido na entre adolescentes da Escola Estadual de Ensino
Lei nº 12.055, de 9 de outubro de 2009................. 55921 Fundamental e Médio Augusto Olímpio, e agressões
1.2.2 – Avisos do Ministro de Estado da físicas dentro e fora dos muros escolares................ 55934
Fazenda 1.2.5 – Apreciação de matéria
Nº 362/2009, de 15 do corrente, encaminhan- Requerimento nº 1.454, de 2009, do Senador
do informações em resposta ao Requerimento nº José Agripino, de licença dos trabalhos da Casa,
955, de 2009, do Senador Arthur Virgilio................ 55921 no período de 30 de outubro a 5 de novembro.
Nº 376/2009, de 20 do corrente, encaminhan- Aprovado.............................................................. 55938
do informações em resposta ao Requerimento nº 1.2.6 – Discursos do Expediente (conti-
901, de 2009, de autoria do Senador Alvaro Dias.. 55921 nuação)
1.2.3 – Ofício do Ministro da Integração SENADORA ROSALBA CIARLINI – Apelo
Nacional para aprovação de projeto de lei de autoria de S.
Nº 618/2009, de 21 do corrente, encaminhan- Exª sobre política habitacional e controle social da
do informações em resposta ao Requerimento nº política urbana e de habitação................................ 55938
784, de 2009, do Senador Jefferson Praia............. 55921 SENADOR EDUARDO SUPLICY – Registro
1.2.4 – Discursos do Expediente da aprovação do Programa de Renda Básica no
SENADOR MARCONI PERILLO – Celebra- município de Santo Antonio do Pinhal – SP............ 55940
ção dos 76 anos da cidade de Goiânia, no dia 24 SENADOR RENATO CASAGRANDE – Re-
de outubro. Defesa da construção do metrô em gistra seu voto a favor do ingresso da Venezuela no
Goiânia................................................................... 55922 Mercosul, ressalvando a forma como o Presidente
SENADOR CÉSAR BORGES, como Líder Hugo Chávez governa aquele país. Comentário
– Destaque para a atuação do seu partido para a sobre a proposta de emenda à Constituição, de
melhoria das estradas federais na Bahia............... 55924 autoria de S. Exª, que cria o Conselho Nacional de
SENADOR VALTER PEREIRA – Manifestação Tribunais de Contas................................................ 55944
contrária à transferência de presos de alta periculo- SENADORA SERYS SLHESSARENKO – Ho-
sidade, do Rio de Janeiro, para presídio de Campo menagem a todos os servidores públicos do país,
Grande.................................................................... 55925 pelo transcurso do seu dia, especialmente aos ser-
SENADOR GERSON CAMATA – Contesta- vidores de Mato Grosso, principalmente os da área
ção ao parecer oferecido pelo Deputado Henrique de saúde, meio ambiente e ensino público............. 55946
Eduardo Alves ao projeto de partilha do pré-sal.... 55927 1.2.7 – Ofício do Presidente do Supremo
SENADOR MOZARILDO CAVALCANTI – Tribunal Federal
Considerações sobre a aprovação, pela Comissão Nº 1.426/2009, de 29 do corrente, comunican-
de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do in- do concessão de segurança para determinar à Mesa
gresso da Venezuela no Mercosul.......................... 55928 do Senado Federal que cumpra imediatamente de-
SENADOR EDUARDO AZEREDO – Consi- cisão judicial no sentido de empossar o impetrante
derações sobre a apreciação hoje, na Comissão de Acir Marcos Gurgacz na vaga do Senador Expedito
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Gonçalves Ferreira Júnior, cujo registro foi cassado Econômica Federal; e altera a Lei nº 9.703, de 17
pela Justiça Eleitoral............................................... 55948 de novembro de 1998 (proveniente da Medida
1.2.8 – Fala da Presidência (Senador José Provisória nº 468, de 2009).................................. 55985
Sarney) 1.4.3 – Comunicação da Presidência
Referente à reforma administrativa da Casa Inclusão na pauta da Ordem do Dia da pró-
apresentada pela Fundação Getúlio Vargas. Aprova- xima Sessão Deliberativa Ordinária do Projeto de
ção de relatório apresentado pelo Sr. 1º Secretário, Lei de Conversão nº 17, que passa a sobrestar to-
Senador Heráclito Fortes, que decidiu pela demissão das as demais deliberações legislativas do Senado
do ex-Diretor de Recursos Humanos João Carlos Federal até que se ultime a sua votação................ 55985
Zoghbi, após cumpridas as formalidades legais...... 55949 1.4.4 – Discursos (continuação)
1.2.9 – Discursos do Expediente (conti- SENADORA KÁTIA ABREU – Cumprimentos
nuação) aos servidores públicos de todo o país, especialmen-
SENADOR JEFFERSON PRAIA – Advertên- te aos do Estado do Tocantins, pelo Dia do Servidor
cia à diplomacia brasileira, para que o pólo industrial Público, comemorado em 28 de outubro. Questiona-
de Manaus não seja prejudicado com a entrada da mento sobre mudanças feitas no Código Florestal
Venezuela no Mercosul.......................................... 55951 Brasileiro sem o envolvimento da sociedade............ 56027
1.3 – ORDEM DO DIA
SENADOR MÃO SANTA – Avaliação positiva
1.3.1 Item extrapauta
sobre os trabalhos realizados pela Comissão Dire-
Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei do tora do Senado Federal. Críticas aos defensores do
Senado nº 20, de 2005 (nº 7.494/2006, naquela
sistema unicameral................................................. 56031
Casa), que dispõe sobre a certificação das entida-
des beneficentes de assistência social, regula os SENADOR ARTHUR VIRGÍLIO – Preocupa-
procedimentos de isenção de contribuições para ção com o desaparecimento de um avião da FAB
a seguridade social; altera a Lei nº 8.742, de 7 de na Amazônia. Situação de dificuldade em que se
dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis encontra o Hospital Getúlio Vargas, em Manaus.
nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de Declaração de voto favorável a respeito da ajuda
dezembro de 1996, 7.732, de 11 de dezembro de humanitária do Brasil a Moçambique, após esclare-
1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da MPV cimentos do Ministro da Saúde, José Gomes Tem-
nº 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá outras porão. Preocupação com os constantes blecautes
providências. Aprovado com supressões, após ocorridos no Município amazonense de Envira...... 56035
leitura do Parecer nº 1.895, de 2009-CAS. À Co- 1.4.5 – Leitura de requerimentos
missão Diretora, para redação final........................ 55955 Nº 1.455, de 2009, de autoria do Senador
Redação Final do Projeto de Lei do Senado Raimundo Colombo, solicitando voto de aplauso
nº 20, de 2005 (Parecer nº 1.896, de 2009-CDIR). ao Instituto Guga Kuerten....................................... 56037
Aprovada. À sanção............................................... 55965 Nº 1.456, de 2009, de autoria do Senador
1.3.2 Item extrapauta Romeu Tuma, solicitando voto de aplauso ao Sport
Projeto de Lei da Câmara nº 37, de 2008 (nº Club Corinthians Paulista....................................... 56037
7.550/2006, na Casa de origem), que denomina Nº 1.457, de 2009, de autoria do Senador
Professor Arthur Fonseca o campus da Universi- Cristovam Buarque e outros senhores Senadores,
dade Federal de São Carlos – UFSCAR localizado solicitando que seja realizada, no Período do Ex-
no Município de Sorocaba, Estado de São Paulo. pediente do dia 12 de novembro de 2009, Sessão
Aprovado. À sanção.............................................. 55971 Especial para comemorar os 120 anos da Procla-
1.3.3 – Matérias não apreciadas e trans- mação da República Federativa do Brasil.............. 56038
feridas para a próxima sessão deliberativa or-
Nº 1.458, de 2009, de autoria do Senador
dinária.
1.4 – APÓS A ORDEM DO DIA Flávio Arns, solicitando voto de pesar pelo faleci-
1.4.1 – Discursos mento da Sra. Florisbela Alves de Moura............... 56038
1.4.6 – Leitura de projetos
SENADOR MARCO MACIEL – Homenagem
pelo transcurso, em 18 de outubro, dos 100 anos de Projeto de Lei do Senado nº 487, de 2009, de
nascimento do filósofo e pensador italiano Norberto autoria do Senador Jefferson Praia, que obriga as
Bobbio..................................................................... 55982 instituições financeiras a informarem aos usuários,
1.4.2 – Ofício do Primeiro Secretário da no ato da operação, a tarifa da operação que se está
Câmara dos Deputados executando e de operações subseqüentes.............. 56039
Nº 1.190/2009, de 29 do corrente, submetendo Projeto de Lei do Senado nº 488, de 2009, de
à apreciação do Senado Federal o Projeto de Lei autoria do Senador Paulo Paim, que altera o art. 7º
de Conversão nº 17, de 2009, que dispõe sobre a da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, para
transferência de depósitos judiciais e extrajudiciais estender a isenção do Imposto sobre Produtos Indus-
de tributos e contribuições federais para a Caixa trializados a bicicletas de fabricação nacional............ 56042
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Projeto de Lei do Senado nº 489, de 2009, de Nº 1.115/2009, de 27 do corrente, encami-


autoria do Senador Raimundo Colombo, que altera nhando o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei
os §§ 3º, 6º, 7º e 8º do artigo 20 da Lei nº 8.742, do Senado nº 181, de 2004 (nº 5.300/2005, naquela
de 1993, com o propósito de eliminar entraves bu- Casa), de autoria do Senador Romeu Tuma, que dá
rocráticos à concessão do benefício de 1 (um) sa- a denominação de Aeroporto de Bauru – Coman-
lário mínimo à pessoa portadora de deficiência e dante João de Barros ao Aeroporto de Bauru, no
ao idoso.................................................................. 56046 Estado de São Paulo.............................................. 56063
Projeto de Lei do Senado nº 490, de 2009, de Nº 1.131/2009, de 27 do corrente, encami-
autoria do Senador Raimundo Colombo, que institui nhando o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei
o Centro de Prevenção de Desastres Climáticos. . ... 56048 do Senado nº 27, de 2007 (nº 1.832/2007, naquela
Projeto de Resolução nº 71, de 2009, de autoria Casa), que altera a Lei nº 8.733, de 25 de novem-
do Senador Eduardo Suplicy, que altera a composi- bro de 1993, que dá a denominação de Presidente
ção, a subordinação e as atribuições do Conselho Juscelino Kubitschek de Oliveira à Rodovia BR-364,
de Administração do Senado Federal....................... 56050 para denominar Euclides da Cunha o trecho da re-
1.4.7 – Comunicação da Presidência ferida Rodovia......................................................... 56063
Abertura do prazo de cinco dias úteis para re- Nº 1.156/2009, de 27 do corrente, encami-
cebimento de emendas perante a Mesa, ao Projeto nhando o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei
de Resolução nº 71, de 2009, lido anteriormente... 56051 do Senado nº 236, de 2007 (nº 3.282/2008, naquela
1.4.8 – Mensagem do Presidente da Re- Casa), que altera o nome do Livro dos Heróis da
pública Pátria, ao qual se acrescenta a expressão “e das
Nº 223, de 2009 (nº 874/2009, na origem), de Heroínas”, e nele se inclui o nome de Maria Quité-
27 do corrente, submetendo à apreciação do Sena- ria de Jesus............................................................ 56063
do a indicação do Senhor Augusto César Leite de 1.4.12 – Comunicação da Presidência
Carvalho, Juiz do Tribunal Regional do Trabalho da Deferimento dos Requerimentos nºs 1.332,
20ª Região – SE, para exercer o cargo de Ministro 1.346, 1.347 e 1.355, de 2009................................ 56065
do Tribunal Superior do Trabalho, na vaga decorren- 1.4.13 – Projetos recebidos da Câmara
te da aposentadoria do Ministro Rider Nogueira de dos Deputados
Brito........................................................................ 56052
Projeto de Lei da Câmara nº 223, de 2009 (nº
1.4.9 – Comunicações da Presidência
250/2003, na Casa de origem), que institui, na Re-
Término do prazo, ontem, sem interposição pública Federativa do Brasil, a data de 13 de maio
de recurso no sentido da apreciação, pelo Plenário, como o dia da Polícia Militar................................... 56066
do Projeto de Lei da Câmara nº 161, de 2009....... 56061
Projeto de Lei da Câmara nº 224, de 2009
Término do prazo, ontem, sem interposição
(nº 2.318/2003, na Casa de origem), que proclama
de recurso no sentido da apreciação, pelo Plenário,
Olinda a Capital Simbólica do Brasil e dá outras
dos Projetos de Lei do Senado nºs 334, de 2006;
providências............................................................ 56066
296, de 2008; e 253, de 2009................................. 56061
Projeto de Lei da Câmara nº 225, de 2009
Abertura do prazo de cinco dias úteis para
(nº 2.902/2004, na Casa de origem), que denomina
recebimento de emendas perante a Mesa, ao Pro-
Porto de Petrolina – Paulo de Souza Coelho o porto
jeto de Lei do Senado nº 303, de 2008.................. 56061
fluvial localizado no rio São Francisco, na cidade
1.4.10 – Recursos
de Petrolina, Estado de Pernambuco..................... 56067
Nºs 12 e 13, de 2009, interpostos no prazo
Projeto de Lei da Câmara nº 226, de 2009 (nº
regimental no sentido de que seja submetido ao
2.948/2004, na Casa de origem), que institui o dia
Plenário o Projeto de Lei do Senado nº 303, de
2008........................................................................ 26 de outubro como o Dia Nacional do Tropeiro..... 56068
56061
1.4.11 – Ofícios do Primeiro Secretário da Projeto de Lei da Câmara nº 227, de 2009
Câmara dos Deputados (nº 6.611/2006, na Casa de origem), que denomi-
Nº 1.110/2009, de 27 do corrente, encami- na Rodovia João Paulo II o trecho da BR-267 entre
nhando Emendas da Câmara ao Projeto de Lei do as cidades de Rio Brilhante e Porto Murtinho, no
Senado nº 290, de 2001 (nº 6.906/2002, naquela Estado de Mato Grosso do Sul............................... 56068
Casa), que dispõe sobre a regulamentação do exer- Projeto de Lei da Câmara nº 228, de 2009 (nº
cício da profissão de Turismólogo.......................... 56062 130/2007, na Casa de origem), que institui o dia 8
Nº 1.157/2009, de 27 do corrente, encami- de maio como o Dia Nacional do Turismo.............. 56069
nhando Emenda da Câmara ao Projeto de Lei do Projeto de Lei da Câmara nº 229, de 2009
Senado nº 55, de 2005 (nº 3.284/2008, naquela (nº 339/2007, na Casa de origem), que institui a
Casa), que dispõe sobre a criação do Dia de Ce- Semana Nacional de Educação, Conscientização
lebração da amizade Brasil-Argentina e dá outras e Orientação sobre a Fissura Lábio-Palatina e dá
providências. . ........................................................ 56062 outras providências................................................. 56070
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Projeto de Lei da Câmara nº 230, de 2009 (nº Dia do Plano Nacional de Educação, acrescentando
597/2007, na Casa de origem), que altera disposi- artigo à Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001...... 56112
tivos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Nº 1.903, de 2009, da Comissão de Educa-
que estabelece as diretrizes e bases da educação ção, Cultura e Esporte, sobre o Projeto de Lei da
nacional (estabelece regras para a jornada escolar Câmara nº 133, de 2009 (nº 2.696, 2007, na Casa
na rede pública de educação básica, nas etapas de origem, de autoria do Deputado Carlos Brandão),
de pré-escola, de ensino fundamental e de ensino que institui o Dia Nacional do Bumba Meu Boi....... 56119
médio)..................................................................... 56071 Nº 1.904, de 2009, da Comissão de Educa-
Projeto de Lei da Câmara nº 231, de 2009 ção, Cultura e Esporte, sobre o Projeto de Lei da
(nº 614/2007, na Casa de origem), que denomina Câmara nº 151, de 2009 (nº 3.567/2008, na Casa de
Rodovia Engenheiro Simão Gustavo Tamm o anel origem, de autoria do Deputado João Paulo Cunha),
rodoviário que usa trecho da BR-265, em torno da que institui o Dia Nacional da Defesa Civil............. 56127
cidade de Barbacena, Estado de Minas Gerais..... 56073 Nº 1.905 e 1.906, de 2009, das Comissões de
Projeto de Lei da Câmara nº 232, de 2009 (nº Meio Ambiente e Defesa do Consumidor e Fiscali-
764/2007, na Casa de origem), que institui o Dia zação e Controle; e de Serviços de Infra-Estrutura,
Nacional do Ouvidor............................................... 56074 respectivamente, sobre o Projeto de Lei do Sena-
1.4.14 – Comunicação da Presidência do nº 245, de 2006, de autoria do Senador Marcos
Abertura do prazo de cinco dias úteis para Guerra, que dá nova redação ao art. 56 do Decreto-
recebimento de emendas perante a Comissão de Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, com reda-
Educação, Cultura e Esporte, aos Projetos de Lei ção dada pela Lei nº 7.085, de 21 de dezembro de
da Câmara nºs 223 a 232, de 2009, lidos anterior- 1982, de modo a permitir o desmembramento de
mente...................................................................... 56074 concessão de lavra ou licença................................ 56134
1.4.15 – Pareceres 1.4.16 – Comunicação da Presidência
Nº 1.897 e 1.898, de 2009, das Comissões Abertura do prazo de cinco dias úteis para rece-
de Educação, Cultura e Esporte, e de Constituição, bimento de emendas perante a Mesa, ao Projeto de
Justiça e Cidadania, respectivamente, sobre o Pro- Lei da Câmara nº 52, de 2008, lido anteriormente..... 56152
jeto de Lei do Senado nº 286, de 2005, de autoria 1.4.17 – Comunicações
do Senador Rodolpho Tourinho, que confere ao Mi- Do Presidente da Comissão de Constituição,
nistério Público a função institucional de resguardar Justiça e Cidadania, comunicando o arquivamento
o futebol como patrimônio cultural brasileiro.......... 56075 do Projeto de Lei do Senado nº 286, de 2005. (Ofí-
Nº 1.899 e 1.900, de 2009, das Comissões de cio nº 324/2009, de 7 do corrente)....................... 56152
Meio Ambiente e Defesa do Consumidor e Fiscali- Do Presidente da Comissão de Serviços de
zação e Controle, e de Serviços de Infra-Estrutura, Infra-Estrutura, comunicando a aprovação do Pro-
respectivamente, sobre o Projeto de Lei do Sena- jeto de Lei do Senado nº 205, de 2008. (Ofício nº
do nº 205, de 2008, de autoria do Senador Renato 123/2009, de 8 do corrente)................................. 56153
Casagrande, que modifica a Lei nº 11.445, de 5 de
1.4.18 – Comunicação da Presidência
janeiro de 2007, que “estabelece diretrizes nacio-
Abertura do prazo de cinco dias úteis para
nais para o saneamento básico; altera as Leis nos
interposição de recurso, por um décimo da com-
6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11
posição da Casa, para que os Projetos de Lei do
de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993,
Senado nºs 286, de 2005; e 205, de 2008, sejam
8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei nº
6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providên- apreciados pelo Plenário........................................ 56153
cias”, para determinar que o planejamento para a 1.4.19 – Comunicações
prestação de serviços de saneamento básico inclua Do Presidente da Comissão de Educação,
sistemas de redução da velocidade de escoamento Cultura e Esporte, comunicando a aprovação do
de águas pluviais.................................................... 56089 Projeto de Lei da Câmara nº 133, de 2009. (Ofício
Nº 1.901, de 2009, da Comissão de Consti- nº 234/2009, de 13 do corrente)........................... 56154
tuição, Justiça e Cidadania, sobre o Projeto de Lei Do Presidente da Comissão de Educação,
da Câmara nº 52, de 2008 (nº 2.374/2003, na Casa Cultura e Esporte, comunicando a aprovação do
de origem, do Deputado Sandro Mabel), que dispõe Projeto de Lei da Câmara nº 96, de 2009. (Ofício
sobre o dever de notificação em caso de necessida- nº 235/2009, de 13 do corrente)........................... 56154
de de ações preventivas, de socorro, assistenciais Do Presidente da Comissão de Educação,
ou recuperativas na área de defesa civil e dá outras Cultura e Esporte, comunicando a aprovação do
providências............................................................ 56105 Projeto de Lei da Câmara nº 151, de 2009. (Ofício
Nº 1.902, de 2009, da Comissão de Educa- nº 236/2009, de 13 do corrente)........................... 56155
ção, Cultura e Esporte, sobre o Projeto de Lei da 1.4.20 – Comunicação da Presidência
Câmara nº 96, de 2009 (nº 1.392/2003, na Casa de Abertura do prazo de cinco dias úteis para
origem, da Deputada Raquel Teixeira), que institui o interposição de recurso, por um décimo da com-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55919 

posição da Casa, para que os Projetos de Lei da 2.5 – COMISSÃO TEMPORÁRIA – TRANS-
Câmara nºs 96, 133 e 151, de 2009, sejam apre- POSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
ciados pelo Plenário............................................... 56155 Ata da 3a Reunião da Comissão Especial,
1.4.21 – Comunicação realizada em 6 de novembro de 2008.................... 56319
Do Presidente da Comissão de Serviços de 3 – AGENDA CUMPRIDA PELO PRESIDEN-
Infra-Estrutura, comunicando a rejeição, em decisão TE DO SENADO FEDERAL, SENADOR JOSÉ
terminativa, do Projeto de Lei do Senado nº 245, SARNEY, EM 29-10-2009
de 2006. (Ofício nº 52/2009, de 8 do corrente).... 56155
1.4.22 – Comunicação da Presidência SENADO FEDERAL
Abertura do prazo de cinco dias úteis para in- 4 – COMPOSIÇÃO DO SENADO FEDERAL
terposição de recurso, por um décimo da composi- 5 – COMISSÕES PARLAMENTARES DE
ção da Casa, para que o Projeto de Lei do Senado INQUÉRITO
nº 245, de 2006, seja apreciado pelo Plenário....... 56156 6 – COMISSÕES TEMPORÁRIAS
1.4.23 – Discursos encaminhados à pu- 7 – COMISSÕES PERMANENTES E SUAS
blicação SUBCOMISSÕES
SENADOR GERSON CAMATA – Comemora- CAE – Comissão de Assuntos Econômicos
ção pela retomada dos investimentos em território CAS – Comissão de Assuntos Sociais
capixaba................................................................. 56156 CCJ – Comissão de Constituição, Justiça e
SENADOR INÁCIO ARRUDA – Posicionamento Cidadania
a favor do ingresso da Venezuela no Mercosul.......... 56156
CE – Comissão de Educação
SENADOR RENAN CALHEIROS – Registro
CMA – Comissão de Meio Ambiente e Defesa
da participação de S. Exa., ontem, em Arapiraca, da
do Consumidor e Fiscalização e Controle
assinatura da ordem de serviço para a construção
de mais um Instituto Federal de Educação, Ciência CDH – Comissão de Direitos Humanos e
e Tecnologia de Alagoas, o antigo CEFET.............. 56159 Legislação Participativa
SENADOR PEDRO SIMON – Registro da CRE – Comissão de Relações Exteriores e
realização nos dias 27 a 29 de outubro, da 2ª Se- Defesa Nacional
mana de Valorização da Primeira Infância e Cultura CI – Comissão de Serviços de Infra-Estrutura
da Paz..................................................................... 56160 CDR – Comissão de Desenvolvimento Re-
1.5 – ENCERRAMENTO gional e Turismo
2 – ATAS CRA – Comissão de Agricultura e Reforma
2.1 – COMISSÃO PARLAMENTAR DE IN- Agrária
QUÉRITO – ONGS
CCT – Comissão de Ciência, Tecnologia, Ino-
Ata da 26a Reunião, realizada em 22 de abril vação, Comunicação e Informática
de 2009................................................................... 56164
8 – CONSELHOS E ÓRGÃOS
Ata da 27a Reunião, realizada em 28 de maio
Corregedoria Parlamentar (Resolução nº
de 2009................................................................... 56190
17, de 1993)
Ata da 28a Reunião, realizada em 9 de junho
de 2009................................................................... Conselho de Ética e Decoro Parlamentar
56193
2.2 – COMISSÃO PARLAMENTAR DE IN- (Resolução nº 20, de 1993)
QUÉRITO – PEDOFILIA Procuradoria Parlamentar (Resolução nº
Ata da 57a Reunião, realizada em 30 de se- 40, de 1995)
tembro de 2009....................................................... 56208 Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha
2.3 – COMISSÃO PARLAMENTAR DE IN- Lutz (Resolução nº 2, de 2001)
QUÉRITO – PETROBRÁS CONGRESSO NACIONAL
Ata da 8a Reunião, realizada em 22 de se-
tembro de 2009....................................................... 56239 9 – CONSELHOS E ÓRGÃOS
Ata da 9a Reunião, realizada em 29 de se- Conselho da Ordem do Congresso Nacional
tembro de 2009....................................................... 56291 (Decreto Legislativo nº 70, de 1972)
Ata da 10a Reunião, realizada em 6 de outu- Conselho de Comunicação Social (Lei nº
bro de 2009............................................................. 56294 8.389, de 1991)
2.4 – COMISSÃO TEMPORÁRIA – COMEMO- Representação Brasileira no Parlamento do
RAÇÕES DO CINQUENTENÁRIO DE BRASÍLIA Mercosul (Resolução nº 2, de 1992)
Ata da 1ª Reunião da Comissão Especial, Comissão Mista de Controle das Atividades
realizada em 16 de setembro de 2009................... 56317 de Inteligência – CCAI (Lei nº 9.883, de 1999)
55920  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Ata da 199ª Sessão Deliberativa Ordinária,


em 29 de outubro de 2009
3ª Sessão Legislativa Ordinária da 53ª Legislatura

Presidência dos Srs. José Sarney, Marconi Perillo, Mão Santa e Jefferson Praia

(Inicia-se a sessão às 14 horas e encerra- É o seguinte o registro de compareci-


se às 19 horas e 10 minutos.) mento:
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55921 

O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB – OFÍCIO


GO) – Há número regimental. Declaro aberta a ses- – Nº 618/2009, de 21 do corrente, encaminhando in-
são.
formações em resposta ao Requerimento nº 784,
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos tra-
de 2009, do Senador Jefferson Praia.
balhos.
Sobre a mesa, ofício do 1º Secretário da Câmara O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
dos Deputados que passo a ler. GO) – As informações foram encaminhadas, em cópia,
É lido o seguinte: aos requerentes.
Os Requerimentos vão ao Arquivo.
OF. nº 1.107/09/OS-GSE O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES) – Pela
ordem, Sr. Presidente.
Brasília, 20 de outubro de 2009 O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
A Sua Excelência o Senhor GO) – Com a palavra, pela ordem, o ilustre Governa-
Senador Heráclito Fortes dor, Senador Gerson Camata.
Primeiro-Secretário do Senado Federal O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES. Pela
Assunto: Encaminha autógrafo de Projeto de Lei san- ordem. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Ex-
cionado celência.
Eu queria que V. Exª, se possível, me inscre-
Senhor Primeiro-Secretário, vesse nos termos do art. 14, para uma comunicação
Comunico a Vossa Excelência, para os devidos inadiável.
fins, que o Projeto de Lei nº 2.515, de 2007 (PLS nº O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
313/07), o qual “Institui a data de 5 de junho como o Dia GO) – V. Exª será atendido na forma do Regimento.
Nacional da Reciclagem”, foi sancionado pelo Excelen- O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES) – Muito
tíssimo Senhor Presidente da República e convertido obrigado a V. Exª.
na Lei nº 12.055, de 9 de outubro de 2009. O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
2. Na oportunidade, remeto a essa Casa uma via GO) – Com a palavra, pela ordem, o ilustre Governa-
dos autógrafos do referido projeto, bem como cópia da
dor, Senador César Borges.
mensagem e do texto da lei em que se converteu a
O SR. CÉSAR BORGES (Bloco/PR – BA. Pela
proposição ora encaminhada.
ordem. Sem revisão do orador.) – Obrigado, Sr. Pre-
Atenciosamente, – Deputado Rafael Guerra,
sidente.
Primeiro-Secretário.
Hoje, na verdade, todos temos voos dentro de uma
O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB – hora aproximadamente. Então, queremos falar e, para
GO) – O ofício que acaba de ser lido, será juntado ao tanto, talvez tenhamos de fazer um esforço...
processado do Projeto de Lei do Senado nº 313, de O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
2007, e irá à publicação. GO) – Não sejamos prolixos.
Sobre a mesa, avisos do Ministro de Estado da O SR. CÉSAR BORGES (Bloco/PR – BA.) –
Fazenda que passo a ler. Exatamente.
São lidos os seguintes: Então, peço a V. Exª que me inscreva pela Lide-
rança do PR – o comunicado já está aí.
AVISOS Sr. Presidente, pelo que sei, fala um orador ins-
– Nº 362/2009, de 15 do corrente, encaminhando in- crito, que é V. Exª; fala um Líder, que serei eu; e depois
formações em resposta ao Requerimento nº 955, um outro orador inscrito e, por fim, uma comunicação
de 2009, do Senador Arthur Virgilio; e inadiável. Então, quero que V. Exª me confirme isso.
– Nº 376/2009, de 20 do corrente, encaminhando in- O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB –
formações em resposta ao Requerimento nº 901, GO) – V. Exª será atendido na forma regimental, com
de 2009, de autoria do Senador Alvaro Dias. a aquiescência do nosso querido Senador Gerson Ca-
mata. Também o Senador Valter Pereira está inscrito
O SR. PRESIDENTE (Marconi Perillo. PSDB – como orador.
GO) – Sobre a mesa, ofício do Ministro de Estado da Passo a Presidência ao ilustre Senador, Gover-
Integração Nacional que passo a ler. nador, Mão Santa, para que eu possa fazer uso da
É lido o seguinte: palavra.
55922  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O Sr. Marconi Perillo, 1º Vice-Presidente, no palanque. Ele, lá embaixo, perguntou: “Presidente,


deixa a cadeira da presidência, que é ocupada caso seja eleito, o senhor vai cumprir a Constituição
pelo Sr. Mão Santa, 3º Secretário. e vai transferir a Capital da República para o planalto
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – central do Brasil, para o coração do Brasil?” E Jusce-
Com muita honra, convidamos para usar da palavra o lino Kubitschek, sem pestanejar disse: “Vou cumprir
Senador Marconi Perillo, ele que representa, com muita a Constituição e vou transferir a Capital da República
grandeza, o Estado de Goiás, do qual foi extraordinário para o coração do Brasil, para o Estado de Goiás”, cum-
Governador, e é hoje, com estoicismo extraordinário, prindo assim o mandamento constitucional. Juscelino,
Vice-Presidente da Casa, o Senado da República. com aquela iniciativa e com aquela decisão, acabara
O SR. MARCONI PERILLO (PSDB – GO. Pro- de completar o seu plano de metas para o Governo
nuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) brasileiro. Juscelino, que havia definido cinco metas,
– Obrigado, querido Senador Mão Santa, nosso Pre- acabou transformando a meta da construção de Bra-
sidente, Srªs e Srs. Senadores, no dia 24 de outubro sília na sua meta síntese.
passado, Goiânia, nossa capital, completou 76 anos. Refiro-me a esse fato, Senador Gerson Camata,
E não poderíamos deixar de, mais uma vez, já que o para lembrar que isso só foi possível porque lá atrás
fiz na semana passada, manifestar desta tribuna da dois visionários – Pedro Ludovico Teixeira e Getúlio Var-
Câmara alta do Parlamento brasileiro, da Casa de Rui gas – fizeram todo esse movimento de deslocamento
Barbosa, a felicidade de celebrar essa data grandiosa do desenvolvimento e do crescimento brasileiro para a
para os goianos. região centro e para a região oeste do Brasil. Ou seja,
Queremos parabenizar os goianienses e os goia- houve a interiorização do desenvolvimento nacional.
nos, não só pela beleza, pelas qualidades de nossa Com a fundação de Goiânia, cumpria-se mais uma
capital e também pela sua importância geopolítica e etapa da chamada “Marcha para o Oeste” no processo
econômica no contexto do Centro-Oeste e do Brasil. de ocupação do Centro-Oeste do País. Goiânia repre-
A fundação de Goiânia, Sr. Presidente, represen- sentaria o trampolim para novos e arrojados projetos,
ta um marco na história de Goiás e do Brasil, fincado como já disse aqui, a construção da nova Capital bra-
pelas mãos operosas de seu fundador, o estadista sileira, Brasília, e também para a construção da rodo-
Pedro Ludovico Teixeira, que mostrou ao País as po- via Belém-Brasília, aberta por Juscelino Kubitschek, e
tencialidades e a pujança de Goiás. que acabou sendo chamada àquela época de “Rodovia
Na verdade, coube aos Bandeirantes paulistas, das Onças”. Graças a Juscelino e graças a Bernardo
tendo à frente Bartolomeu Bueno da Silva, “o Anhan- Sayão, o Brasil acabou abrindo essa grande artéria,
guera”, fazer toda a trajetória de São Paulo até chegar ligando Brasília até Belém, no Estado do Pará.
ao nosso Estado. Concedo, com prazer, o aparte ao Senador Ger-
Mas coube a um outro Bandeirante, Dr. Pedro son Camata.
Ludovico, Bandeirante do século XX, deste século que O Sr. Gerson Camata (PMDB – ES) – Quero,
transformou o Brasil em um país moderno, a iniciativa rapidamente, me congratular com V. Exª e com Goiás.
de, dando curso a um projeto de Getúlio Vargas, a um Moço ainda, lembro-me de uma entrevista de Israel
conceito de Getúlio Vargas de fazer o País crescer do Pinheiro – no início da construção de Brasília – que
leste para o oeste, ou seja, fazer com que o Brasil fi- disse: “Se não fosse o Pedro Ludovico ter construído
zesse a verdadeira marcha para o oeste, o Dr. Pedro Goiânia, talvez nunca nessa época teria Brasília sido
Ludovico aproveitou essa oportunidade e, em que pe- construída aqui”.
sem todas as suas limitações financeiras e as limita- Como Goiânia deu certo, a equipe de Juscelino
ções da época, projetou, criou, planejou uma das mais mostrou a ele que aquela promessa que ele havia fei-
modernas capitais brasileiras, a cidade de Goiânia. to era exequível, porque Goiás tinha feito uma capital.
E, o mais importante disso tudo é que, graças a Então veja V. Exª que Goiânia puxou a Capital do Brasil
este projeto de Getúlio Vargas, denominado de “Marcha para cá. Quero registrar também que conheço a cidade
para o Oeste” e graças à iniciativa de Pedro Ludovico de Goiânia, acho-a maravilhosa, e sempre digo que lá
de construir Goiânia, a ideia de se transferir a Capi- há os bares mais bonitos do Brasil. É uma cidade ma-
tal da República do Rio de Janeiro para o coração do ravilhosa pela cordialidade dos homens e pela beleza
Brasil acabou ganhando coro, acabou sendo inserida das mulheres goianas. Parabéns.
na Constituição. Na campanha presidencial, Juscelino O SR. MARCONI PERILLO (PSDB – GO) –
Kubitschek, respondeu a um apelo do Toniquinho, lá Agradeço-lhe, Senador Gerson Camata o aparte, que
de Jataí, que era um jovem advogado, e que, em um certamente enriquece este pronunciamento, agradeço-
comício abordou Juscelino Kubitschek, que estava lhe especialmente pela generosidade e pela cortesia
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55923 

em relação à nossa capital e todas as suas potencia- os projetos de transporte coletivo, ouvidos todos os
lidades já descritas por S. Exª. segmentos interessados, terão sucesso se os esfor-
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a moder- ços técnicos forem direcionados ao planejamento de
nidade e o progresso têm estado vinculados à história curto, médio e longo prazo, para resolverem os pro-
de Goiânia. Exatamente por isso, quando estivemos no blemas de hoje e dos anos vindouros. Isso deve ser
Governo, desenvolvemos um projeto voltado à cons- objeto de políticas publicas transparentes e marcadas
trução do metrô, que obteve, então, parecer favorável pela previsibilidade da oferta do transporte público em
da Companhia Brasileira de Trens Urbanos. consonância com o crescimento urbano, estruturado,
O projeto do metrô de Goiânia tem viabilidade legalizado, respeitoso para com o usuário, de qualida-
técnica e certamente será um instrumento para avan- de, eficiente, confiável e acessível a todos.
çar na solução da questão do transporte urbano na Exatamente por isso, Sr. Presidente, queremos
nossa capital, sobretudo em se pensando em Goiânia ressaltar nesta data de comemoração do aniversário
nas próximas décadas. da nossa querida capital, cidade onde nasci, que apre-
O metrô de Goiânia irá ao encontro dos urbanis- sentamos em 2008 o Projeto de Lei do Senado nº 159,
tas contemporâneos, uníssonos ao preconizar que a que autoriza a construção do metrô de nossa capital,
construção da cidade do século XXI deve resguardar obra que, com o apoio da sociedade, mas principal-
o direito à mobilidade, às diferenças, à identidade local mente com o apoio das autoridades federais, veremos
e à igualdade jurídica. construída em tempo breve.
O espaço público revela a qualidade das cida- Queremos estar à frente de um projeto de revi-
des, porque indica a qualidade de vida das pessoas e talização da Goiânia de Pedro Ludovico Teixeira e de
a qualidade de cidadania dos seus habitantes. todos nós, para torná-la cada vez mais bela, moderna
Sr. Presidente, Goiânia, hoje, como uma cidade e cosmopolita. Nós queremos vencer os inúmeros pro-
metropolitana que já conta, na sua região metropolita- blemas, como o caos do transporte coletivo urbano, o
na, com mais de dois milhões de habitantes, enfrenta tráfego sem planejamento e a falta de políticas publicas
problemas gravíssimos em relação a alguns setores, que possam definir uma agenda para atendimento às
a algumas áreas; mas em especial em relação ao demandas e aos problemas que reclamam da admi-
trânsito, que está caótico, e em relação ao transporte nistração local a atuação mais ampla e de resultados
coletivo. mais eficientes e efetivos.
As famílias mais pobres de Goiânia, hoje, que vi- Nosso carinho e fraterno abraço a todos os ci-
vem na periferia e nas cidades da região metropolitana dadãos goianienses, que têm motivos de grande fe-
atravessam momentos dificílimos, de grandes agruras licidade por viverem numa capital moderna, exemplo
em função da falta de um transporte que efetivamente para o Brasil, orgulho para os goianos.
seja humanizado e garanta qualidade aos usuários, ga- Sr. Presidente, agradeço o tempo que me dispo-
rantindo o cumprimento de todos os padrões exigidos nibilizou, mas, como temos aqui inúmeros Senadores
em relação ao espaço dentro dos ônibus, em relação que têm viagem marcada, vou deixar para concluir este
aos corredores, às filas e a uma série de gargalos que pronunciamento numa outra oportunidade.
ainda existem. Muito obrigado pela atenção. Eram essas as mi-
Há muitos anos defendo a construção do metrô nhas palavras.
em Goiânia e, lamentavelmente, não conseguimos O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A
ainda recursos e o financiamento para que essa obra Presidência se associa às homenagens pelo aniver-
possa ser edificada. Mas eu não tenho dúvida de que sário... Quantos anos faz Goiânia?
nessa sociedade contemporânea uma obra como essa O SR. MARCONI PERILLO (PSDB – GO) – Se-
deve ser prioridade de todos, porque um Governo mo- tenta e seis.
derno deve priorizar o ser humano. O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Eu
Aliás, todos os direitos de quarta geração preco- queria informar ao Brasil que a primeira capital plane-
nizam o atendimento aos cidadãos, que devem estar jada deste País foi a nossa Teresina mesopotâmica,
em primeiro lugar. E na minha opinião, na cidade de que tem 158 anos; depois, Belo Horizonte. Nós que
Goiânia, nós temos a urgência de mobilizarmos todos inspiramos, os piauienses, E; depois, Goiânia, Brasília,
os esforços no sentido da construção do metrô. Espero, que vai fazer 50 anos, e Palmas.
no início, norte-sul; e depois, também leste-oeste. Então Goiânia recebe os aplausos de todo o
O espaço público revela a qualidade da cidade Brasil.
porque indica a qualidade de vida das pessoas e a O SR. MARCONI PERILLO (PSDB – GO) – Mui-
qualidade de cidadania dos seus habitantes. Assim, to obrigado.
55924  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – É e Estaduais, temos reivindicado pelo nosso Estado e
um bravo povo e que deu como filhote Brasília. conseguimos junto ao Ministro Alfredo Nascimento
O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Pela or- 3,5 mil quilômetros de estradas em recuperação, um
dem, Presidente. investimento da ordem de US$600 milhões. A Bahia
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – tem seis mil quilômetros de estradas federais, que são
Pela ordem, Senador Mário Couto. importantes não para a Bahia, mas para todo o Brasil.
O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA. Pela ordem.) E essas obras estão em andamento.
– Pergunto a V. Exª qual a possibilidade da minha ins- Inclusive, Sr. Presidente, é preciso destacar que
crição para uma comunicação inadiável. Se eu tenho o Governo Federal assumiu, tomou para si a tarefa de
alguma chance... recuperar muitas estradas que estavam sob delegação
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – do Governo do Estado. Então, tomando para si essas
O Dr. João Pedro está fazendo a inscrição. V. Exª é estradas, que são estradas federais mas estavam sob
o segundo aqui na lista e o primeiro dentro do meu delegação do Estado, que não as estava mantendo,
coração. nós estamos conseguindo recuperar rapidamente,
O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Obrigado. também, essas estradas.
A recíproca é verdadeira. E, agora, eu falo da ampliação, porque ontem
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Eu, mantive entendimentos com o Ministério dos Trans-
com muita honra, já que nós enaltecemos a grandeza portes e também com o Dnit e conseguimos formular
do povo do Piauí ao criar neste País a primeira capi- um plano para o ano 2010 de estradas importantís-
tal planejada, mesopotâmica, diferenciada... Ela é no simas para o nosso Estado, que há muito tempo são
centro do Estado. Atentai bem e olhai o mapa. reivindicadas e que, lamentavelmente, até hoje não se
Ó Valter Pereira, no mapa do Brasil, as capitais transformaram em realidade.
todas no mar. Teresina é no meio do corpo, é como o Então, eu trago o mapa da Bahia, Sr. Presiden-
coração no corpo humano. Aí, como um bem nunca te, para não cometer nenhuma omissão em relação
vem só, já dizia o Padre Antonio Vieira, vieram Belo a essas importantes rodovias. Eu começo a falar na
Horizonte, Goiânia, Brasília e Palmas. BR-235, que serve ao Estado de Sergipe e ao Estado
Com muita satisfação, nós queremos anunciar a da Bahia. Basicamente, liga Sergipe à Bahia, depois
presença do Prefeito de Boqueirão. passa pelo Estado de Pernambuco e chega ao Esta-
Convidamos para falar agora, como Líder do PR, do do Piauí, na cidade próxima a Campo Alegre de
César Borges, que representa o PR da Bahia. Lourdes, que está na Bahia, mas entrando no Piauí.
O SR. CÉSAR BORGES (Bloco/PR – BA. Como Então, nós estamos conseguindo a pavimentação
Líder. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Sr. dessa estrada no trecho divisa Bahia/Sergipe a Ju-
Presidente, Srªs e Srs. Senadores. Sei que temos que azeiro. Nós temos já uma licitação feita no trecho de
ser breves para atender outros Senadores. Uauá, tirando essa cidade que estava isolada, até a
Quero destacar o trabalho do nosso partido, o BR-116, um pouco mais, no Município de Canché. No
PR, com relação à melhoria do sistema viário baiano. ano que vem, vamos licitar de Canché a Jeremoabo e
O PR, que participa da base do Governo do Presidente de Jeremoabo até Sergipe. Isso já está assegurado; o
Lula aqui no Congresso Nacional e que tem a satis- projeto já está sendo concluído e será uma prioridade
fação de ter no Ministério dos Transportes o Senador a licitação dessa obra.
da República Alfredo Nascimento como Ministro, tem Outra obra da maior importância é a duplicação
tido todo o espaço junto a esse Ministério para reivin- da BR-101, no trecho norte do Estado da Bahia, que
dicar, da forma mais justa e mais correta, a melhoria vai da divisa Sergipe/Bahia até a BR-324, passando
dessa malha rodoviária federal baiana – repito, fede- por importantes cidades, como Entre Rios, Esplana-
ral, porque a responsabilidade do Governo Federal é da, Alagoinhas.
com relação à sua malha federal. Temos tido todo o Vai haver essa duplicação, e a Bahia não pode
apoio para a recuperação dessa malha. Mas, agora, aceitar que a BR-101 seja duplicada no trecho nor-
Sr. Presidente, é mais do que isso; é para a ampliação te de Sergipe até o Estado do Rio Grande do Norte
dessa malha. e que não seja duplicada no nosso trecho. Estamos
Então, em primeiro lugar, destaco que, para a re- assegurando a duplicação da BR-101 na sua parte
cuperação dessa malha, por meio das solicitações do norte e queremos, agora, fazer a duplicação do trecho
PR, da minha pessoa – eu presido o Partido no meu sul. Queríamos que isso se desse por meio de uma
querido Estado da Bahia e falo agora para a popula- concessão, que seria a forma mais rápida. Talvez não
ção do Estado da Bahia –, dos Deputados Federais seja feito assim por decisão governamental. Se não
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55925 

for feito, vamos lutar para que recursos orçamentários lutando, para que o Governo Federal possa ter esse
sejam disponibilizados para duplicar a BR-101 desde programa realizado o quanto antes no nosso Estado.
a BR-324, próximo à cidade de Feira de Santana, até Acho, como já dizia Washington Luís, que gover-
a divisa Bahia/Espírito Santo. nar é abrir estradas. Então, estamos lutando por esse
Por outro lado, Sr. Presidente, quanto a outra im- sistema de malha rodoviária da Bahia, que é a infraes-
portante rodovia, a BR-135, que fica no oeste e que é trutura necessária para que o Estado possa explorar
uma das grandes fronteiras agrícolas brasileiras, já foi todas as suas potencialidades, pois, sem estradas,
conseguido que essa estrada estivesse hoje pratica- sem infraestrutura, não há desenvolvimento.
mente concluída da cidade de São Desidério, próximo Não utilizarei o resto do tempo, Sr. Presidente, em
à cidade de Barreiras, até Correntina. consideração aos demais colegas. Ainda faltam qua-
O que estamos assegurando, já para o próximo tro minutos, mas não vou utilizá-los, em deferência ao
ano – a licitação já vai ser efetivada –, é o trecho Cor- Senador Valter e ao Senador Gerson Camata.
rentina até a divisa com Minas Gerais, passando pelas Agradeço-lhe. Era essa a comunicação que que-
cidades de Coribe e Cocos, no oeste da Bahia. ria fazer, em nome da Liderança do PR.
Ainda no oeste da Bahia, estamos lutando, para Muito obrigado, Sr. Presidente.
que a BR-030, que agora vai atravessar o rio São Fran- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
cisco, por uma ponte, Senador Gerson Camata... Ela já Antes de Washington Luís, Pedro II escreveu para sua
havia sido executada, mas não haviam sido realizados filha: “Isabel, minha filha [ele em Portugal], o maior
os seus encontros. Então, era um grande portal, mas bem que se pode dar a um povo é uma estrada”. De-
não era possível utilizá-la, para atravessar o rio São pois, Washington Luís e Juscelino – energia e trans-
Francisco. Agora os encontros estão sendo feitos, e porte; agora, César Borges, levando as estradas que
estamos trabalhando, para que haja continuidade na a Bahia merece.
margem esquerda do rio, podendo-se ir de Cariranha Senador Valter Pereira, trinta segundos, porque
até as cidades de Feira da Mata e Cocos, interligando- quero fazer uma homenagem ao Piauí. Estão ali Rai-
se a BR-030 e a BR-135. Isso será fundamental para mundo Pinto e Edcarlos Costa, respectivamente Pre-
abrir novas fronteiras agrícolas no oeste da Bahia. feito e Assessor jurídico de Boqueirão do Piauí.
Também, ainda no oeste da Bahia, no próximo Camata, criamos 78 cidades no Piauí. Boqueirão
ano, a licitação e o início da execução do trecho que é uma das florescentes que criamos.
irá da cidade de Luís Eduardo Magalhães, que é a O SR. VALTER PEREIRA (PMDB – MS. Pronuncia
cidade sede do polo de desenvolvimento agrícola do o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Obri-
oeste, junto com Barreiras, Santa Maria da Vitória, gado, Sr. Presidente; e obrigado, Senadores César
mas para ligar essencialmente Luís Eduardo Maga- Borges e Marconi Perillo, que colaboraram, para que
lhães, pela BR-242, até o Estado do Tocantins, que já tivéssemos agilidade neste início de sessão. Quero
está pavimentado. associar-me, inicialmente, às homenagens que foram
Também, na BR-030, no trecho que vai para o lito- prestadas a Goiânia e à homenagem que V. Exª presta
ral da Bahia, o que liga a cidade de Boa Nova, que está ao prefeito do seu Estado.
na BR-116, até a cidade de Aurelino Leal, às margens Mas, Sr. Presidente, não poderia deixar de com-
da BR-101. Será uma intervenção da maior importância parecer a esta tribuna para fazer um registro que, para
para a complementação da malha rodoviária do Estado. Mato Grosso do Sul, é da mais alta significação. Diz
E, também, levar essa BR-030 até o mar, até a cidade respeito ao remanejamento de delinquentes que pro-
de Maraú, onde há um grande potencial turístico para moveram aquele sangrento confronto, na madrugada
o desenvolvimento do Estado da Bahia. de sábado, 17, no Rio de Janeiro, e que provoca hoje
Então, Sr. Presidente, são intervenções muito im- uma justa indignação em toda a população de Mato
portantes que estão em curso – intervenções de manu- Grosso do Sul, até porque eles foram deslocados,
tenção, de adequação e recuperação e de construção. Senador Gerson Camata, exatamente para o presídio
Portanto, venho aqui destacar esse trabalho. federal de Campo Grande.
Ontem estávamos juntos no Dnit, no Ministério A bem da verdade, não há nada de novo nesse
dos Transportes. Eu, pessoalmente, acompanhado do sentimento de indignação dos meus conterrâneos. Afi-
Deputado José Rocha, que é Secretário-Geral do Parti- nal de contas, isso é consequência dessas manifesta-
do da República na Bahia, e do Deputado João Carlos ções carcerárias do Rio de Janeiro, de São Paulo e de
Bacelar, mas também associado com todos os outros outros Estados, que não estão acontecendo agora, e
Deputados da nossa bancada no Estado da Bahia, que já vêm acontecendo há mais tempo. Isso tem in-
55926  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

quietado tristemente a população de Mato Grosso do necessário no momento em que se anunciou a cons-
Sul, especialmente de Campo Grande. trução daquela penitenciária, em Mato Grosso do Sul,
Desde o momento em que o Governo Federal lá pelos anos de 2005, quando o Governo disse que
decidiu brindar a minha cidade de Campo Grande ia construir aquela unidade carcerária. Aquele era o
com um presente de grego chamado presídio de se- momento. Era imprescindível uma rejeição contun-
gurança máxima, o desassossego da população de dente, uma rejeição radical, não só uma rejeição de
Campo Grande e de Mato Grosso do Sul aumentou governantes e parlamentares, mas, também, da pró-
significativamente. pria sociedade.
Como os animais, que se atraem pelo cheiro, a Como esse presídio é uma realidade hoje inques-
presença de delinquentes como Fernandinho Beira- tionável, a reparação que pode ser feita é uma grande
Mar, Juan Carlos Abadia, Marcola e tantos outros que cooperação entre o Governo Federal e o Governo de
já passaram por aquele estabelecimento, deflagra o Mato Grosso do Sul na área de segurança pública,
aparecimento de um novo perfil de bandidos em Mato na área também da carceragem. Afinal, além dos cri-
Grosso do Sul, Senador Gerson Camata. São delin- minosos comuns, Senador Neuto de Conto, estamos
quentes mais truculentos e de maior periculosidade abrigando lá, nas carceragens, não só nas federais
que os bandidos que já inquietavam meu Estado. Em como também nas carceragens estaduais, traficantes
ações por eles empreendidas, invadem o comércio, de drogas e contrabandistas de armas. E essas moda-
fazendas, bancos e assaltam em plena luz do dia, va- lidades penais são todas da alçada federal. E estamos
lendo-se de intolerável violência com as vítimas que abrigando, também, bandidos dos outros, quando não
estão à sua frente. damos conta dos nossos próprios delinquentes.
Se estão chegando por conta dos seus compar- Aliás, tenho insistido, tanto desta tribuna quanto
sas transferidos para o presídio de Campo Grande ou das audiências das quais tenho participado no Minis-
se se deslocam para lá, para livrarem-se da pressão tério da Justiça, que o Governo Federal precisa au-
que aumenta nos grandes centros, não é possível ga- mentar a sua ocupação na faixa de fronteira – e V. Exª
rantir. Mas a coincidência é muito grande. aqui tem participado também desses debates, Senador
Não bastasse essa antiga inquietação, determi- Gerson Camata –, porque é através dessas fronteiras
na-se agora o remanejamento não de um ou de dois que entram as drogas e as armas.
meliantes, mas de uma quadrilha completa, Senador Pelo menos, nesse sentido, foi anunciada na
Couto. São os dez! Os dez que foram presos lá, em semana passada a instalação de uma base da Força
conseqüência daquela truculência toda, hoje estão em Nacional na fronteira do Brasil com o Paraguai, entre
Campo Grande. Daí a indignação do povo da minha Antônio João e Ponta Porã. Influiu na escolha do lo-
capital, do povo de Mato Grosso do Sul. cal uma circunstância peculiar: a existência de infra-
E foi para trazer o inconformismo dos meus con- estrutura aeroviária com pista pavimentada, hangar,
terrâneos que esteve ontem, nesta Capital, aqui em refeitório, algumas acomodações, algumas moradias.
Brasília, o Prefeito da minha capital, Campo Grande, Então, é um começo. Todavia, é preciso realçar que é
o Prefeito Nelson Trad Filho. Estive com ele e uma um começo tímido, porque o número de homens que
expressiva delegação composta de vários parlamen- vai ocupar essa base não chega a cem. Todavia, é um
tares do meu Estado, de representantes da OAB, lá começo; um começo que vai exigir muitos investimen-
no Ministério da Justiça, para levar o protesto da so- tos. De qualquer forma, é uma atitude louvável.
ciedade de Mato Grosso do Sul, meu Estado. Fomos Então, Sr. Presidente, este é o registro que faço
recebidos pelo Secretário Executivo Pedro Abramovay; da indignação da sociedade de Mato Grosso do Sul
pelo Diretor-Geral do Depen – Departamento Peniten- com relação a esse remanejamento, com o alerta à
ciário Nacional; pelo Delegado Airton Aloísio Michels e Polícia Federal, ao Juízo das Execuções Penais de que
pelo Diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson nunca se deve, nunca é aconselhável que se mande
Salles Damázio. um batalhão de bandidos para um lugar só; é melhor
Para não dizer que saímos de mãos abanan- dividir esses bandidos com outros Estados, pelo me-
do, Sr. Presidente e Senador Mário Couto, restou um nos isso impede que eles se reagrupem e comecem
compromisso: o de fazer um novo remanejamento, as suas ações dentro dos próprios presídios; embora
de redistribuir os delinquentes para penitenciárias de seja preciso reconhecer, para fazer justiça, que os pre-
outros Estados. sídios de segurança máxima do Governo Federal, os
Com isso, alivia-se um pouco a tensão. Entretan- chamados presídios federais, têm reunido excelentes
to, na verdade, as forças políticas de Mato Grosso do condições de segurança para evitar os motins.
Sul não reagiram lá atrás, não reagiram com o vigor Era o registro que tinha a fazer.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55927 

Agradeço a V. Exª pela tolerância, bem como Então, o que se assegura na Constituição é que,
aos meus colegas que virão após a minha fala nesta no Estado, na plataforma do Estado, na zona de ex-
tribuna. clusão, no mar daquele Estado, há indenização pelos
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – danos causados pela exploração de petróleo. Não se
Nossos cumprimentos. pode, por lei ordinária, suponho eu, revogar artigo da
Senador Tasso Jereissati, V. Exª estava ausente Constituição que dá esse direito expresso aos Esta-
no Clóvis Beviláqua, mas eu o representei com gran- dos, não só sobre o seu território, mas sobre a sua
deza. plataforma marítima.
O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB – CE) – Mui- Pois bem, o Governador do Espírito Santo, Pau-
to obrigado. lo Hartung, na próxima segunda-feira, vai fazer uma
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – É reunião com toda bancada do Espírito Santo e, se
lógico e não podia faltar. for necessário, vamos ao Supremo Tribunal Federal,
O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB – CE) – Re- porque entendemos que uma lei ordinária não pode
presentou-me com muita grandeza e com mais talento revogar um artigo explícito, claro, nítido como esse da
do que eu faria. Constituição.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – E por que o royalty é uma indenização? Vou
Não, talento, não. Eu fui aprender no Ceará; mas, hoje,
começar por um exemplo muito simples. Tenho um
os estudantes do Piauí não precisam mais estudar no
amigo, em cuja fazenda, no norte do Espírito Santo,
Ceará. Eu construí naquele Estado 400 faculdades, 36
a Petrobras tira petróleo e gás. Derrubou as cercas,
campi universitários.
asfaltou no meio da fazenda dele, sai aquela borra de
Com a palavra, o nosso Camata, do PMDB do
petróleo, sai aquele gás, as vacas diminuem a produ-
Espírito Santo.
ção de leite e a agricultura, com o barulho daqueles
V. Exª poderá usar a palavra pelo tempo que
cavalos mecânicos, fica prejudicada.
achar conveniente.
O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES. Pronuncia Então, a Petrobras paga a ele um royalty, uma
o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Muito indenização pelos danos causados à fazenda dele.
obrigado a V. Exª, Sr. Presidente. Não é justo que ela pague também a um fazendeiro
Srªs e Srs. Senadores, ontem o meu confrade, de Brasília, de Mato Grosso royalties ou indenização
companheiro de Partido, Henrique Alves, depois de por estar prejudicando a fazenda daquele indivíduo lá
algum tempo, publicou o seu relatório sobre o pré-sal, no Espírito Santo.
e o fez de maneira desastrada e inconstitucional: me- No Espírito Santo, por exemplo, temos um pro-
teu-se onde não devia ter enfiado o nariz, no problema blema agora: aquelas plataformas da Petrobras, que,
dos royalties, desobedecendo à orientação que lhe no Espírito Santo, estão no máximo a sessenta quilô-
fora transmitida pelo Presidente da República, que não metros, estão espantando os peixes mais para o alto
queria que, junto com a lei do Petrosal, viesse o debate mar. Toda semana, os helicópteros do Governo estão
sobre os royalties. Mas ele quis avançar e avançou de voando para socorrer barco de pesca que afundou. Os
maneira grotesca sobre a Constituição do Brasil. barcos da pesca artesanal não conseguem mais alcan-
O direito de royalties dos Estados produtores está çar peixes naquele mar mais tranqüilo, mais ao litoral.
no art. 20 da Constituição, § 1º. Diz assim: Cada vez, eles têm que avançar mais para o fundo do
[...] mar. Toda semana ou todo mês, afunda um barco, so-
§ 1º É assegurada [estou lendo a Cons- mem os pescadores, morrem os pescadores. Tanto o
tituição do Brasil, pressupondo que ela ainda é que vou apresentar uma emenda para que um pou-
está em vigor], nos termos da lei, aos Estados, co desse royalty seja destinado às colônias de pesca,
ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como para financiar barcos mais resistentes, para que eles
a órgãos da administração direta da União, possam sobreviver à poluição e aos danos provocados
participação no resultado da exploração de pelas plataformas que exploram petróleo.
petróleo ou gás natural, de recursos hídricos Outro problema: o Espírito Santo recebeu, este
para fins de geração de energia elétrica e de ano, R$146 milhões. Só a Prefeitura de Vitória gastou
outros recursos minerais no respectivo terri- R$204 milhões para melhorar os acessos ao aeropor-
tório, [na respectiva] plataforma continental, to, acessos à sede da Petrobras, fazer viaduto e ponte
[no] mar territorial ou zona econômica exclu- para evitar o congestionamento de Vitória pelos danos
siva, ou compensação financeira por essa causados à cidade, à mobilidade da cidade com o au-
exploração. mento do movimento do petróleo.
55928  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Ao longo da baía de Vitória, os barcos que fazem ver os seus problemas diários com um dinheiro que
os sea supply das plataformas carregam produtos ainda não recebeu e que, antes de receber, querem
químicos perigosos e estão, toda hora, operando na- lhe tomar. Portanto, eu estarei lá na segunda-feira,
quela região, causando danos ambientais. Ao Estado bem como toda bancada do Espírito Santo, solidária
do Espírito Santo precisa ser dada essa indenização. com o Governador Paulo Hartung e com o povo do
O Governador Paulo Hartung agora, por exem- Espírito Santo.
plo, está tendo que construir, à custa do Estado, uma Ainda há o outro problema que é o da segurança.
rodovia de 140 quilômetros paralela à BR-101, porque Começa petróleo, começa movimento... Os bandidos
as caravanas de caminhões da Petrobras que pegam do Rio de Janeiro, que o Sérgio Cabral está apertan-
o gás de cozinha lá de Cacimbas e transportam para o do, estão fugindo para lá, porque estão achando que
Rio de Janeiro e São Paulo fizeram com que a estrada vão arranjar petróleo por lá também. Então, há neces-
ficasse quase intransitável. O Estado vai ter que gas- sidade de que não se tome do Espírito Santo, antes
tar um dinheiro que ainda não recebeu na construção que ele possa receber, um direito constitucional a uma
de uma estrada para passarem os capixabas a fim de indenização para suprir ou se refazer dos problemas
deixar a BR por conta da Petrobras. graves ambientais, de mobilidade e de transporte que
Então não é justo, se quem tem que fazer uma já está enfrentando por conta do petróleo.
nova estrada é o Estado do Espírito Santo, que o dinhei- A continuar assim, o petróleo vai ser uma mal-
ro dos royalties seja pago a Mato Grosso ou a Goiás. dição para o Espírito Santo e não uma benção para
Há a partilha. A União está com a parte do tubarão, o Brasil.
a parte do leão do petróleo. Por que não pegam um Muito obrigado, Sr. Presidente.
pouquinho da União e dão para esses Estados, para O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
o Piauí e para todos os outros? Agora, convidamos o próximo orador inscrito, Sena-
Outra coisa: o ICMS do petróleo... dor Mozarildo Cavalcanti, que representa o PTB e o
(Interrupção do som.) Estado de Roraima.
O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR.
O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES) – ... não
Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do ora-
vai para o Estado que produz. O Espírito Santo não
dor.) – Sr. Presidente, Senador Mão Santa, que, como
recebe um centavo pelo petróleo que produz, porque costumeiramente faz, dirige com bastante proficiência
o ICMS é pago no Estado que consome. Então já é esta sessão; Srªs e Srs. Senadores; telespectadores
beneficiado pelo petróleo do Espírito Santo qualquer da TV Senado e ouvintes da Rádio Senado; pessoas
Estado brasileiro que consome o petróleo ou o gás, que aqui estão nas galerias, hoje, a Comissão de Re-
porque o Estado gerador não recebe um centavo de lações Exteriores e Defesa Nacional votou o decreto
ICMS pela produção do que Deus lhe deu, que a natu- legislativo sobre o ingresso da Venezuela no Merco-
reza lhe deu. Há necessidade de que se pense sobre sul. Aquela Comissão, tendo como Relator o Senador
isso, se medite nisso, porque os danos são causados Tasso Jereissati, realizou um trabalho bastante sério
lá, os prejuízos são causados lá. e profundo, porque ouviu todas as partes, tanto a área
Um economista norueguês disse que, para os empresarial do Brasil, como economistas, embaixado-
economistas, o petróleo é o ouro negro, mas, para os res, personalidades da Venezuela da oposição e da
sociólogos, o mijo do capeta, porque, quando acaba, situação. Só não tivemos a oportunidade de ouvir o
deixa para traz miséria, poluição, desgraça. Olhem o Embaixador da Venezuela aqui, porque ele não quis
problema que a Holanda está enfrentando hoje. comparecer.
Então, há necessidade de que, em toda essa re- Desde o início, eu disse que eu era – como fui,
gulamentação, em toda essa visão que nós vamos ter votei – favorável ao ingresso da Venezuela no Mer-
aqui, nesse debate no Senado no segundo semestre cosul, porque sou um Senador de Roraima, e nossa
sobre isso, se observe o que está na Constituição: geografia já nos coloca, nem é colados, encravados
royalties como indenização por danos causados. E a dentro da Venezuela. Quem tiver o cuidado de olhar o
lei ordinária, no meu entender, não pode revogar um mapa da América do Sul vai ver que a parte do Brasil
artigo e um parágrafo da Constituição. que realmente está encaixada dentro da Venezuela é
Vamos nos lançar sobre a partilha, sobre os di- justamente o Estado de Roraima. Então, não teria como
reitos da União; sobre a União, que está ficando com eu pensar que a geografia nos uniu e a economia ia
80%. Tirem 10% da União e vamos distribuir por entre nos separar. Pelo contrário, hoje, nossa economia é
os Estados, mas sem tirar a indenização do Estado altamente dependente da Venezuela. A energia elétrica
que está sendo prejudicado, poluído, tendo que resol- que o Estado de Roraima consome vem de uma hidre-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55929 

létrica da Venezuela, a Hidrelétrica de Guri. As pessoas quei sabendo disso, por acaso, hoje. O Presidente Lula
da capital do Estado, Boa Vista, andam duzentos qui- deve ter decolado às 13h30, indo de Guarulhos para
lômetros para fazer compras na zona franca de Santa Caracas, e, hoje, à noite, portanto, vai comemorar com
Elena de Uairén, uma cidade fronteiriça com o Brasil. o Presidente Hugo Chávez a aprovação na Comissão
E compram de tudo: eletroeletrônicos e até a comida, o de Relações Exteriores e Defesa Nacional do ingresso
rancho mensal. Por quê? Porque é tudo mais barato. E da Venezuela no Mercosul.
vão para lá com o tanque abaixo do meio, para enchê- Não penso que foi equivocado aprovar o ingresso,
lo na Venezuela, porque lá a gasolina é praticamente não. É equivocado não exigir que a Venezuela cumpra
de graça. Enquanto se pagam quase R$3,00 por litro os requisitos de ordem econômica, de ordem financeira
em Boa Vista, na Venezuela se pagam alguns centa- e de ordem democrática, porque, segundo o protocolo
vos por um litro de gasolina. No entanto, vivemos, até do Mercosul, todos os Estados-membros têm de estar
então, economicamente de costas um para o outro. sob uma democracia para valer, não sob essa democra-
Roraima, o Estado mais próximo da Venezuela, e Bo- cia adjetivada: “Ah não! Ele foi eleito; houve eleição”. Aí
lívar, o Estado da Venezuela colado com o Estado de é meia democracia. Aliás, é como aquela história: não
Roraima, têm esse intercâmbio, Senador Tuma, porque se pode dizer que uma mulher está meio grávida; ou a
há algo espontâneo, o chamado “comércio formiga”, mulher está grávida ou não está grávida. Esse negó-
em que há um limite para compra. cio de meio gestante não existe, e o mesmo acontece
Pois bem, essa discussão, durante todo esse tem- com a democracia: não existe meia democracia. E lá,
po, serviu para evidenciar várias coisas. Primeiro, eu na Venezuela, infelizmente, o que é que existe? Um
poderia dizer que há unanimidade, mesmo por parte Poder Executivo hipertrofiado, um Poder Legislativo
dos ferrenhos defensores, que são da base do Governo, submisso – fechou o Senado, só há uma Assembleia
da entrada da Venezuela no Mercosul, no sentido de Nacional, uma Câmara de Deputados, em que ele tem
que a “democracia” que se pratica na Venezuela não é quase a totalidade dos votos – e o Poder Judiciário,
boa, de que a forma de governar do Presidente Hugo do qual ele destituiu juízes e ministros e para o qual
Chávez não pode sequer ser considerada realmente nomeia juízes temporários. Então, que democracia é
como democrática. Apesar disso, eles defenderam e essa? Isso nos preocupa.
tinham uma maioria para aprovar o ingresso incondi- Dei outro exemplo também nessas discussões.
cional da Venezuela no Mercosul. Votei por esse in- Um empresário de Roraima, Senador Mão Santa, foi
gresso, mas com condicionantes: apresentei um voto sequestrado na Venezuela, no meio do território da
em separado, Senador Mão Santa, que, infelizmente, Venezuela – não foi na fronteira com a Colômbia, não
não pôde ser apreciado, porque o parecer do Senador – pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
Tasso Jereissati foi derrotado, e o voto em separado (Farc). Dentro da Venezuela, sequestraram esse em-
do Líder do Governo foi aprovado. Então, votei a favor, presário e o levaram para a Colômbia e, de lá, estão
como desde o início disse que ia votar, mas votei com telefonando para a esposa dele, que mora em Boa
condicionantes. Vista, para cobrar o resgate.
Aprendi, na minha vida de médico – e aí vamos Então – lamento dizer isso –, a Venezuela está
falar mais da obstetrícia –, que ninguém é contra que vivendo um momento dramático. Mas aí dizem: “Ah,
uma mulher engravide, que uma mulher tenha uma boa mas o Chávez não é eterno, o Chávez passa, e a Ve-
gravidez e um bom parto. Pelo contrário, como obs- nezuela fica”. É, só que também diziam isso de Cuba,
tetra, sempre trabalhei por isso, sempre me dediquei mas Fidel Castro, depois de três décadas, não pas-
para que uma mulher pudesse engravidar em condi- sou, ou melhor, passou o comando para o irmão dele.
ções adequadas, pudesse ter uma gravidez perfeita, de Espero que a Venezuela, realmente, não tenha essa
nove meses, e pudesse ter um parto mais que perfeito, experiência.
de forma que nem ela nem a criança que nascesse E aí, Senador Romeu Tuma, cito uma frase que
ficassem com sequelas. Mas, no caso do ingresso da terminou me convencendo como médico: “Às vezes, é
Venezuela no Mercosul, o Governo deu aqui uma im- preciso dar um remédio amargo para curar uma doen-
posição, um toque, digamos assim, de ordem unida na ça”. Com isso em mente, disseram: “Para não deixar a
sua maioria aqui para aprovar a toque de caixa essa Venezuela aprofundar esse regime atípico, vamos fazer
matéria. E, apesar de todos os nossos argumentos, o contrário do que foi feito com Cuba. O mundo demo-
marcou-se uma data: dia 29 de outubro. Não podia crático, principalmente os Estados Unidos e a Europa,
passar de hoje a aprovação, na Comissão de Relações isolaram Cuba, e isso ajudou Fidel Castro a se manter
Exteriores, da entrada da Venezuela no Mercosul. E no poder. Então, não vamos isolar a Venezuela”. Penso
eu não entendia por que a fissura com essa data. Fi- que, realmente, nesse particular, estamos certos.
55930  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Mas outra coisa que me causou admiração foi pela tranquilidade e pela elegância com que condu-
o seguinte. Fiz um requerimento baseado num de- ziu a discussão e a votação, dando espaço para que
poimento que fez o Prefeito de Caracas quando aqui todos se manifestassem com toda liberdade, o que,
esteve, convidando alguns membros da Comissão de graças a Deus, existe na Comissão – é uma demo-
Relações Exteriores a irem a Caracas para ver in loco cracia perfeita, porque é bem dirigida. V. Exª também
a questão. Apresentei um requerimento pedindo isso. merece ser parabenizado. Acompanhei de perto suas
É impressionante, mas nem isso a maioria do Gover- discussões, fiz questão de dizer que votava com o se-
no quis, não deixou que fôssemos lá. E aí, de novo, nhor no caso do requerimento. É claro que, de pára-
dizem: “Bastam as informações que temos”. É como quedas, cinco Senadores não podiam pular lá dentro.
se eu estivesse num consultório, chegasse alguém e Teria de haver um acordo entre as Embaixadas, não é
me desse informações a respeito de um doente que isso, Senador Azeredo? V. Exª teria de fazer esse con-
estivesse em casa e eu tivesse de prescrever um me- tato antes, para pôr cinco ou seis Senadores no avião
dicamento. Jamais faríamos isso, não é, Senador Mão e evitar que lá, repentinamente, a Polícia impedisse a
Santa? Temos de examinar o paciente. No caso, não descida. Nenhum dos votos favoráveis à entrada da
se aceitou o requerimento para que se viajasse até Venezuela deixou de fazer restrições claras – penso
lá. O meu voto em separado foi prejudicado, porque que o Senador Azeredo vai expor sobre isso. Todos,
o voto em separado do Líder do Governo foi o que sem exceção, disseram que há restrições, que há um
prevaleceu, até porque tinha de ser dada a notícia ao comportamento não aceitável. No entanto, o que se
Presidente Lula urgentemente, para que ele pudesse discute é o caso da Venezuela, não o julgamento do
chegar a Caracas e dizer ao Presidente Hugo Chávez Chávez. Lembro-me de um caso do Paraguai, Sena-
que foi aprovado o ingresso da Venezuela no Mercosul dor Azeredo, em que se tentou implantar uma ditadura
na Comissão de Relações Exteriores. lá. O Brasil interveio imediatamente. Havia o pacto de
Quero parabenizar o Senador Eduardo Azeredo,
não permitir qualquer atitude que pudesse produzir
que está aqui presente, pela competente direção na Co-
máculas sobre a democracia. Foram lá e impuseram
missão de Relações Exteriores nesse caso. Realmente,
que se respeitasse a Constituição paraguaia. O Bra-
foi surpreendente a conduta de alguns membros da
sil foi firme, liderou todo o movimento e realmente foi
Comissão, que, no passado, sofreram dificuldades com
respeitado. Vamos ver se aqui também, como está o
o regime ditatorial do Brasil, mas que, agora, defendem
caso de Honduras... O homem usa só plebiscito; faz
esse regime. Nós todos ficamos muito surpresos dian-
bondade populista e usa plebiscito. Dizem: “Não, ele
te disso. Foi aprovado lá, mas esperamos que, neste
teve voto, ele ganhou a eleição, o plebiscito autorizou”.
plenário, isso ainda possa render um bom debate.
Quero aqui repetir: a Venezuela deveria ter en- Mas, como V. Exª, pergunto: de que forma? Então, eu
trado no Mercosul quando ele foi criado, junto com o queria cumprimentá-lo e dizer que seu requerimento é
Uruguai, com o Paraguai e com o Brasil. Entrar no Mer- oportuno e não tinha de ser fixado depois nem antes
cosul neste momento, sem cumprir as exigências? E de nada. A visita é feita a convite de um prefeito, não
digo isso sem falar que o Presidente Chávez chegou se trata de ser oposição ou não. É um prefeito que foi
a dar prazo para que a Câmara e o Senado aprovas- eleito também.
sem o ingresso da Venezuela no Mercosul; disse que, O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR)
se esse prazo não fosse respeitado, a Venezuela não – É o prefeito da capital do país.
entraria mais no Mercosul. O Presidente Chávez disse O Sr. Romeu Tuma (PTB – SP) – Só que, pelo
que o Senado brasileiro era papagaio de pirata dos Es- que ele explicou, há uma dificuldade: cassaram prati-
tados Unidos e, portanto, fazia o que os Estados Unidos camente todo o poder de gerenciamento que ele tinha.
queriam. Neste caso, porém, faz-se o que o imperador Ele foi claro. Ele descreveu lá todas as práticas contra
Lula quer, isso sim. Discutimos muito, mas não preva- os direitos humanos. Em nenhuma hora, ele se acovar-
leceram as razões colocadas lá à exaustão. dou e deixou de dizer a verdade, que provavelmente
Quero, com muito prazer, ouvir o aparte do Se- chegou ao conhecimento dos venezuelanos durante
nador Tuma inicialmente e, depois, o do Senador Má- o depoimento que aqui ele fez. Então, cumprimento V.
rio Couto. Exª. Temos de ficar permanentemente vigilantes.
O Sr. Romeu Tuma (PTB – SP) – Baixei o micro- O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR)
fone, porque achei que o tempo havia se esgotado, mas – Agradeço a V. Exª, Senador Romeu Tuma. V. Exª,
nosso Presidente, tolerante como sempre, sinalizou que é um homem diligente e atento às questões, hon-
que eu poderia falar. V. Exª tem razão. Cumprimento ra-me com seu aparte, que quero incorporar ao meu
também o Senador Eduardo Azeredo pela lhaneza, pronunciamento.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55931 

Senador Mário Couto, com muito prazer, ouço mos fazer”. Uma das duas músicas, então, tem de ser
V. Exª. aplicada: ou aquela que diz “você não presta, mas eu
O Sr. Mário Couto (PSDB – PA) – Senador Mo- gosto de você” ou a que diz “apesar de você, amanhã
zarildo, também parabenizo V. Exª pelo oportuno pro- há de ser outro dia”.
nunciamento na tarde de hoje. É complicado, Senador, Quero encerrar, então, Senador Mão Santa, para
não é fácil deixar a Venezuela fora do Mercosul. Isso colaborar com os demais colegas que querem falar.
não é fácil, mas também é muito difícil conviver com Peço a V. Exª que autorize a transcrição, na íntegra,
Hugo Chávez na América Latina. Isso é muito difícil! tanto do meu requerimento para que fosse uma comis-
Devo lhe externar que tenho dúvidas se, neste plená- são da Comissão de Relações Exteriores à Venezuela
rio, essa matéria vai ser decidida de forma favorável à para examinar essa questão in loco, quanto do meu
Venezuela; tenho minhas dúvidas. Na Comissão, já se voto em separado, que não chegou a ser apreciado,
esperava o resultado favorável, mas, aqui no plenário, porque, antes, foi aprovado um outro.
tenho minhas dúvidas quanto a isso. E lhe explico por Quero dizer, ao final, principalmente para o meu
que penso assim. Muitos dos Senadores com quem povo de Roraima, que votei a favor, sim, mas não vo-
conversei e com quem converso sempre – chego cedo, tei a favor para a Venezuela entrar no Mercosul de
igual a V. Exª, neste plenário e costumo indagar de qualquer maneira. Não é aquela história de “quero e
cada um sua opinião – disseram que votar a favor da quero de qualquer forma, tem de ser rapidinho”. Não!
Venezuela neste momento é votar a favor da implanta- Gosto das coisas bem feitas. Até quando você vai dar
ção da ditadura na América Latina, porque é visível, é um presente a alguém, tem de dar um presente direito,
incontestável que a Venezuela vive hoje uma ditadura. não qualquer coisa que apareça na sua frente.
Recebi, em meu gabinete, anteontem, uma comissão Muito obrigado pela atenção.
pró-Venezuela. Tentaram me dar explicações, para fazer
com que eu aceitasse que a Venezuela hoje não vive O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – V.
uma ditadura. É impossível isso! Não cabe na cabeça Exª será atendido.
de ninguém fechar a maior emissora do país, proibir Eu estranho tudo isso, porque o Presidente Luiz
manifestações, incentivar a guerrilha e dizer que não Inácio, uma vez, disse que quem come com pressa
há ditadura. O que penso, Senador? Meu voto será o come cru. Ele apressou essa decisão do Parlamento
seguinte, já vou antecipá-lo: enquanto Hugo Chávez brasileiro sobre a inclusão da Venezuela de Chávez.
for o Presidente da Venezuela, a Venezuela ficará fora Com a palavra, por permuta com Mário Couto, o
do Mercosul. Esse será meu voto. Parabéns! Senador Eduardo Azeredo. Mário Couto cedeu a vez
O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR) a Eduardo Azeredo, que representa Minas e o PSDB
– Obrigado, Senador Mário Couto. V. Exª abordou uma e é o Presidente da Comissão de Relações Exterio-
questão interessante. res, que está a decidir se a Venezuela entra ou não no
Houve quase unanimidade na Comissão. Mesmo Mercosul, com ou sem Chávez, com ou sem a pressa
aqueles ardorosos defensores do ingresso imediato da de Luiz Inácio.
Venezuela chegaram à conclusão de que não deve- O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG. Pro-
ríamos levar em conta a pessoa do Hugo Chávez, de nuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.)
que o que ele está fazendo realmente não é correto. – Sr. Presidente Senador Mão Santa, primeiro, quero
A existência de presos políticos, o cerceamento da li- agradecer ao Senador Mário Couto, que trocou comigo.
berdade de imprensa, a estatização de hotéis porque Logo depois, então, terá oportunidade de falar o Sena-
o gerente do hotel não tratou a comitiva dele como ele dor Mário Couto, do nosso partido no Pará, terá opor-
queria e uma série de outras coisas atentam contra tunidade de aqui dar a sua mensagem nesta data.
a democracia, tudo isso é condenável. Enfim, ali há Mas quero, Sr. Presidente, primeiro, me referir
uma série de ações altamente contrárias aos princí- também ao que colocou aqui o Senador Mozarildo.
pios democráticos. Mas todo mundo, apesar de dizer, Nós terminamos, depois de quatro horas de deba-
em outras palavras, que Hugo Chávez não presta, tes, essa discussão sobre a adesão da Venezuela ao
comporta-se conforme descrevem duas músicas: ou Mercosul.
é aquela música da última novela No Caminho das Na verdade, foram seis meses de discussão. Nós
Índias, em que se diz “você não presta, mas eu gosto tivemos seis audiências públicas, nas quais ouvimos
de você”; ou a outra música, de Chico Buarque, que vinte pessoas de diferentes setores, como o Ministro
diz “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Na Celso Amorim, ex-Ministros das Relações Exteriores,
verdade, ouvimos lá os homens da base do Presiden- pessoas de universidades e representantes da oposi-
te Lula dizerem: “Ah, o Chávez não presta, mas va- ção venezuelana.
55932  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Nós convidamos o Embaixador da Venezuela, políticos. Esses foram os pontos colocados, pontos
mas, lamentavelmente, ele não compareceu. Ouvimos que foram bem lembrados.
também empresários representantes da CNI, da Con- Sr. Presidente, primeiro, quero agradecer as pa-
federação Nacional da Indústria. lavras do Senador Mozarildo e do Senador Romeu
Hoje tivemos, então, a decisão final. O relatório do Tuma quanto à condução do processo. Nesses seis
Senador Tasso Jereissati dizia que, neste momento, não meses houve algumas reuniões tensas, mas eu con-
seria adequada a adesão da Venezuela. Essa posição sidero que foi um debate muito proveitoso, muito im-
acabou não sendo aceita: foram onze votos contrários, portante na Comissão de Relações Exteriores. Cada
seis votos a favor e uma abstenção. Em seguida, então, vez mais, o Brasil vai descobrindo a importância desse
foi apreciado o voto em separado do Senador Romero relacionamento.
Jucá, que obteve doze votos a favor e cinco contra – O Brasil é um país emergente, é um país que
um dos membros da oposição não pôde votar e eu, cresce por motivos variados, não está crescendo agora,
lamentavelmente, como Presidente da Comissão, que mas já vem desde o período em que nós reconquista-
seria o sétimo voto, não pude votar porque Presidente mos a democracia e a estabilidade econômica. Então,
só vota em caso de desempate, mas a minha posição é uma sequência que está fazendo com que o Brasil
é conhecida e é uma posição que sempre foi crítica. tenha uma perspectiva positiva.
O voto em separado do Senador Mozarildo Cavalcan- O Brasil crescendo, evidentemente cresce a sua
ti acabou sendo prejudicado, mas constou como um importância internacional. Nós somos a quinta maior
voto de aprova, em que ele, como representante de população, temos a quinta maior área do Globo. Por-
Roraima, aprova, mas faz várias ressalvas. tanto, é natural que um País como este cresça. Não
E essa, Presidente, foi uma tônica. Posso estar crescia antes por quê? Porque ora tinha problemas na
enganado, mas não houve nenhum voto entusiasmado área da democracia, na área do funcionamento das
instituições, ora tinha problema com a inflação. Foram
com a entrada da Venezuela. Ao contrário: quase todos
quase trinta anos de altos níveis de inflação, o que
os votos eram com ressalvas – “Apesar de Chávez...”
corroía toda a confiança e as pessoas acabavam não
ou, como nas músicas citadas pelo Senador Mozaril-
investindo porque não confiavam. Esse, felizmente, é
do: “Apesar de você...” ou “Você não vale nada, mas
um momento que passou.
eu gosto de você”.
Eu quero apenas dizer, antes de ouvir o Sena-
Essas duas músicas citadas pelo Senador Mo-
dor Suplicy, que eu considero não só a minha função
zarildo mostram como foi, na verdade, o clima de
concluída... Na verdade, ela não está concluída. Nós
aprovação. Ou seja, existe o reconhecimento de que o
vamos votar aqui em plenário ainda. Mas eu conside-
Presidente Chávez é um homem polêmico, de que ele,
ro que foi extremamente importante o debate sobre a
na verdade, é desagregador, de que ele é populista e adesão da Venezuela no Mercosul, sobre as questões
que não há como separar, neste momento, a Venezue- internacionais como um todo.
la de seu Presidente, justamente pelas características Nós da oposição registramos o nosso alerta, regis-
do Presidente. Ele não é um Presidente democrata tramos o nosso receio de que possa haver a desagre-
como é o Presidente Lula, que aqui no Brasil respeita gação dentro do Mercosul, ao invés de uma integração.
as instituições. Infelizmente, não é isso que acontece Esse é o alerta que fica, evidentemente, entendendo
lá na Venezuela. E o Prefeito de Caracas – que esteve e aceitando plenamente o resultado democrático, que
aqui também nesta terça-feira – externou a sua posi- mostrou a aprovação do voto do Senador Romero Jucá,
ção favorável à entrada da Venezuela, mas manteve as aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul.
críticas, disse acreditar que, com a Venezuela sendo Ouço o Senador Eduardo Suplicy.
aceita no Mercosul, será mais fácil a fiscalização e a O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Primei-
cobrança; que aí, então, nós teremos mais oportunida- ro, quero cumprimentá-lo, Senador Eduardo Azeredo,
des de exigir que a Venezuela respeite os parâmetros pela condução dos trabalhos da Comissão de Relações
democráticos da América do Sul, especialmente os do Exteriores, sobretudo com respeito ao tema do ingresso
Mercosul, no qual há a cláusula de Ushuaia, a chama- da Venezuela no Mercosul. Nós tivemos nada menos
da cláusula democrática, que prevê que os países têm do que quatro audiências públicas, desde o primeiro
de respeitar as questões relativas à democracia. Mas semestre, para tratar desse assunto...
não se trata apenas de promover eleições, o prefeito O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
disse bem: democracia é ter eleições, a democracia é Foram seis, na verdade, contando essa última.
ter os poderes funcionando, democracia é respeitar a O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Seis
liberdade de imprensa, democracia é não ter presos audiências, contando a de hoje. E ouvimos, entre outras
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55933 

autoridades e empresários, o Ministro Celso Amorim, ainda a aprovação no Senado do Paraguai, para que
o Secretário-Executivo Samuel Pinheiro Guimarães, o a Venezuela possa fazer parte deste Bloco importante,
Embaixador do Brasil na Venezuela, Antonio Simões, que é o Mercosul.
o Embaixador do Brasil no Mercosul, Régis... Sr. Presidente, essas são as palavras que queria
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – trazer, mostrando que é uma discussão importante, con-
Arslanian. cluída parcialmente hoje, que diz muito sobre o futuro
O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Arsla- do Brasil, porque, na medida em que esse comércio
nian. Ouvimos também representantes da Confedera- acontece, nós temos mais empregos, nós temos de-
ção Nacional da Indústria, Governadores dos Estados senvolvimento. Nós sabemos que é importante para
do Norte que têm grande interação com a Venezuela e o Estado de Roraima, como bem lembrou o Senador
outros empresários que têm investimentos significati- Mozarildo. Portanto, nós não temos nenhuma restrição
vos na Venezuela. Tivemos um volume de informações à integração. Nós queremos a integração. Nós teme-
que fizeram com que todos nós pudéssemos votar com mos pelo Presidente Chávez.
muita consciência. E houve uma preocupação comum Senador Mozarildo.
tanto dos Senadores da Base do Governo quanto da O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Sena-
Oposição com respeito aos destinos da democracia na dor, eu já tive oportunidade, no meu pronunciamento,
Venezuela e no Mercosul. Eu quero muito falar com V. de elogiar o trabalho de V. Exª.
Exª, sobretudo estando presente o Senador Pedro Si- O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
mon, a respeito da sugestão do Senador Mozarildo de Obrigado.
que possam os Senadores fazer, em breve, uma visita O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Eu
à Venezuela. É uma sugestão de ampliar a comissão queria aproveitar esse último ponto do seu pronun-
para que seja uma comissão de Parlamentares do ciamento. Eu disse, lá na Comissão, que eu vou co-
Mercosul, isto é, do Brasil, da Argentina, do Paraguai brar dos companheiros Senadores que tão entusias-
e do Uruguai, para fazer um exame in loco, na Vene- ticamente disseram que isso iria beneficiar a Região
zuela. Seria uma visita de boa vontade e também de Norte, que realmente o meu Estado seja beneficiado,
estímulo, inclusive para que aqueles pontos colocados assim como o Amazonas, o Pará. Hoje, esse superá-
pelo Prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, possam vit que mencionam é feito infelizmente com o Estado
ser superados, para que, por exemplo, possa haver um de São Paulo e com o Estado de V. Exª, que é Minas
Natal sem quaisquer pessoas detidas por suas convic- Gerais. Assim o Brasil vai continuar desigual. Então,
ções políticas ou por terem feito manifestações, pesso- se vamos ter benefícios com a entrada da Venezue-
as que não tenham organizado qualquer ato criminoso la, Roraima, que é colado lá, seja o primeiro Estado
senão o de protesto. Isso é próprio da democracia, do a ser beneficiado.
respeito aos direitos humanos. Então, que possam O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
esses Parlamentares, em nome do Mercosul, visitar a Está certo. Eu desejo inclusive que haja uma norma-
Venezuela e dialogar com o Prefeito de Caracas, com lização geral, porque é fato que empresas mineiras
o Presidente Hugo Chávez, com Parlamentares do comercializam com a Venezuela, mas é fato também,
Congresso Venezuelano. É nesse sentido que eu, com e que pudemos expor numa reunião, que existe proble-
muita convicção, avaliei que deveríamos seguir o voto ma de pagamento, por centralização de câmbio. São
do Senador Romero Jucá de autorizar a Venezuela a produtores de carne que vendem carne e ficam quatro
ingressar no Mercosul. V. Exª conduziu os trabalhos de meses para receber; são produtores da área têxtil que
uma maneira isenta e enriquecedora para o Senado vendem e demoram a receber; a venda de automóveis
brasileiro, para o interesse maior do Brasil. também é assim. A Fiat, que é instalada em Minas Ge-
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – rais, passou quase um ano sem conseguir a licença
Muito obrigado, Senador Suplicy. de importação para vender para lá. Mas agora parece
Quero ainda reiterar que o Senador Tasso Je- que isso já está caminhando. Esperamos que isso se
reissati mostrou, no seu relatório, que não há nada normalize e que outras vendas possam ser feitas.
contra a Venezuela. Nós queremos a Venezuela inte- Ouço ainda, com muito prazer...
grada, pois é um grande país, que tem um comércio
grande com o Brasil. O problema todo está exatamente (O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
no seu governante de momento. Vamos agora enca- O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
minhar a matéria, que terá votação aqui em plenário. ...o Senador Pedro Simon, se V. Exª permitir, Senador
Mas, pelo resultado na Comissão, já se pode antever Mão Santa.
que será, finalmente, aprovada. No entanto, restará Ainda quero ouvir o Senador Pedro Simon.
55934  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O Sr. Pedro Simon (PMDB – RS) – Eu quero fe- Ciarlini, Casagrande, por dois motivos: primeiro, por-
licitar V. Exª pela competência, pela capacidade, pelo que ela está na frente mesmo; e, segundo, porque é
desenvolvimento que teve na Presidência da Comis- uma elegante Srª Senadora. Então, ela fica na frente
são em todo esse episódio desse projeto referente à também. E os dois estão querendo chegar ao governo.
Venezuela e ao Mercosul. Não deixe... Ela está na frente, mas siga-a.
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – Com a palavra, o Senador Mário Couto, que re-
Obrigado. presenta o Estado do Pará e o PSDB.
O Sr. Pedro Simon (PMDB – RS) – V. Exª é um O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA. Pronuncia o
dos membros mais competentes da bancada brasileira seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Pre-
no Congresso do Mercosul. Conhece profundamente sidente, Srªs e Srs. Senadores, primeiro, quero dizer
a matéria. V. Exª agiu com profunda responsabilidade, da minha alegria, nesta tarde, de poder ter aqui nesta
preocupado, desde o início, em buscar o melhor escla- sessão o meu amigo Prefeito Nonato, e esposa, de
recimento. V. Exª ouviu todas as partes, aceitou todas Magalhães Barata, próspero Município da área do nor-
as propostas apresentadas... deste do Pará, e também o Prefeito de Quatipuru, meu
(Interrupção do som.) amigo Denis. Estão aqui a serviço, a trabalho, indo nos
gabinetes dos Senadores e Deputados Federais para-
O Sr. Pedro Simon (PMDB – RS) – ...fiscal que enses para solicitarem a liberação de suas emendas.
devia ser feito, fez amplas exposições, audiências pú- Aqui presente também o nosso eficiente secretário
blicas. Acho que V. Exª foi de uma seriedade, de uma Augusto, que acompanha os dois prefeitos.
responsabilidade e digo, com toda a sinceridade, de Prefeitos, saibam da minha admiração, do meu
uma isenção que merece um profundo respeito. carinho, da minha ternura pelos Municípios de Maga-
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – lhães Barata e Quatipuru!
Obrigado. Outra informação que eu queria trazer aqui, meu
Acho que é um exemplo para esta Casa, onde nobre Presidente Mão Santa, é com referência à pes-
muitas vezes um presidente de qualquer comissão, soa de V. Exª. Queria eu agradecer, em nome dos
de qualquer setor, que é de um lado, só caminha para
aposentados deste País, a interferência de V. Exª na
aquele lado. V. Exª agiu com uma competência, com
última terça-feira, quando os aposentados vieram de
uma seriedade que merece realmente que se chame a
todo o País fazer uma manifestação para que fossem
atenção. E, desde o início, V. Exª tinha a preocupação
colocados os projetos do Senador Paulo Paim em
de esclarecer, de deixar aberta com clareza a exposi-
pauta e fossem colocados em votação na Câmara
ção. Foi graças à competência de V. Exª, à condução
dos Deputados.
dos trabalhos de V. Exª, que uma questão tão delica-
Lá estavam, Senador Mão Santa, os aposentados,
da, que até, de certa forma, por razões as mais varia-
muitos já com fome, estava tarde, passando da hora
das, apaixonou um ou outro, foi conduzida com tanta
do almoço, que se estendiam até pelo chão daquele
tranquilidade. E hoje, em uma sessão que achei muito
corredor. Quando passei, senti-me angustiado ao ver
bonita, muito positiva, embora muito apaixonada, che-
aquela situação. Vim ao plenário, sentei na minha ca-
gou ao final com a unanimidade favorável ao belíssimo
deira e fiz com que V. Exª me desse uma condição de
desempenho de V. Exª. Meus cumprimentos.
falar com V. Exª, que presidia a sessão naquela tarde.
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
V. Exª então me liberou, e eu mostrei a V. Exª a con-
Muito obrigado, Senador Pedro Simon, V. Exª que tem
dição triste em que estavam os aposentados naquela
toda essa experiência na vida pública, um dos homens
ocasião. V. Exª, então, propôs que falássemos com o
públicos mais queridos do País. Quero agradecer e di-
Presidente Michel Temer. Imediatamente consultou o
zer exatamente que mantenho meu otimismo de que,
Presidente Temer para que pudesse, de uma vez por
dentro do Mercosul, a Venezuela encontre os caminhos
todas, colocar em pauta os projetos do Senador Paulo
reais da democracia.
Paim. Há quanto tempo já estão na Câmara!
Muito obrigado.
Fico eu angustiado, meu País, meu querido Bra-
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – sil, fico eu triste quando venho aqui para este plenário,
Com os nossos cumprimentos ao Eduardo Azeredo como Senador da República. Vim do meu Estado cheio
pela prestação de contas que fez das suas ações na de esperanças neste País, cheio de esperanças de que
Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, eu poderia ajudar o meu País, mas quando vejo, por
cuja decisão final será aqui, em plenário. exemplo, a distinção que fazem entre as classes so-
Convidamos Mário Couto, que havia cedido o ciais no Brasil, Senador Mão Santa... Outro dia, foram
lugar ao Eduardo Azeredo. Em seguida, será Rosalba enviados para cá, meus caros prefeitos, os nomes de
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55935 

duas autoridades. Eles passaram nas Comissões feito Eu, a toda semana, preocupo-me com meu Es-
uma bala. No mesmo dia, passaram nas Comissões tado. Meu Estado vive uma situação muito triste. Meu
e vieram ao plenário os nomes daquelas autoridades. Estado vive uma situação de angústia na área da saúde,
Rasgando o Regimento da Casa, rasgando a Consti- na área da segurança pública, na área da educação.
tuição nacional, foram votados os nomes daquelas au- Semana passada, fiz aqui – V. Exª não estava – a
toridades no mesmo dia. Os projetos dos aposentados mais terrível denúncia de improbidade administrativa
estão aqui há cinco anos! Olhem a diferença! Essa é de que já tive conhecimento na minha vida pública. Re-
a minha grande decepção neste Congresso Nacional, forma de uma escola no Estado do Pará, Secretaria de
meu caro Senador, é a minha grande decepção. Educação: um milhão e tanto! A comissão de licitação
V. Exª então ligou para o Michel Temer, que pro- manda para a Procuradoria, para a consultora dar o
meteu aos aposentados, naquela tarde, que, na quar- parecer dela para o pagamento. Olha que tristeza! Ou
ta-feira que vem... Tomara que seja verdade! Já nos é cinismo, ou é muita ignorância. Para mim, é cinismo!
enganaram várias vezes. Inclusive – me permitam a Vejam aonde chegou o cinismo da corrupção no meu
audácia, não tenho medo de falar –, V. Exª sabe dis- Estado! Temos muita neste País, muita! Sabemos dis-
to, o próprio Michel Temer já faltou com a sua palavra so, mas em meu Estado está demais!
aos aposentados deste País. O Presidente da Câma- Aí, a consultora – até hoje não consegui esque-
ra dos Deputados já prometeu, por várias vezes, que cer o nome da consultora, pela inteligência dela, pela
iria colocar em votação os projetos dos aposentados. capacidade dela – Amália dizia no parecer: “É verda-
Ele sabe a situação dos aposentados deste País. Ele de que não houve licitação [uma obra de mais de um
sabe que o Presidente Lula não gosta dos aposentados milhão de reais], mas, como houve entendimento ver-
deste País. Não sei por que, não entendo por quê. “Ah, bal, pague-se”.
porque o Presidente Lula tem o coração deste tama- Isso é o cúmulo do cinismo da prática da corrup-
nho! Esse é o Presidente mais popular deste País, da ção! É o cúmulo! Uma advogada não ter conhecimento
América Latina, do mundo!” Disse o Barack Obama: das leis de licitação? Isso é o cúmulo!
“Esse é o cara”. Dá bolsa família para onze milhões Aí, encaminhei ao Ministério Público do meu
de brasileiros não passarem fome. Estado, Mão Santa. E eles, felizmente, Mozarildo,
E os aposentados, Lula? Por que tu os maltratas escutaram-me.
tanto? Tu sabes que os aposentados estão morrendo. Vou ler só a parte final das palavras do Procura-
Tu sabes, Lula! Por que tu fazes isso com eles? dor do meu Estado:
Quero lhe agradecer a atitude, demonstrando, Como as quatro denúncias [estou citan-
naquele momento, uma sensibilidade extraordinária. do uma, a mais terrível delas, mas eram qua-
Agradeço-lhe em meu nome e em nome dos aposen- tro] encaminhadas pelo Senador carregam
tados deste País. Oxalá, tomara que nesta próxima indícios de irregularidades, podendo vir a ser
quarta-feira votem! Ora bolas, quem quiser votar contra, comprovada a prática de improbidade admi-
vote contra. Eu direi os nomes nesta tribuna daqueles nistrativa em futura investigação, foram todas
que votarem contra, eu os direi à Nação. Eu direi aque- fotocopiadas, encaminhadas ao 6º Cargo da
les que são subordinados ao rei, eu direi aqueles que PJDCPP. Promotor de justiça Firmino Araújo
se ajoelham aos pés do Presidente da República, que de Morais, com atribuições específicas na área
vivem aqui para fazer o que ele quer. Eu direi. Mas que da educação.
votem! Mostrem a cara, votem, digam para que vieram Vamos apurar, então. Vamos apurar!
aqui: para se promoverem, somente para se promove- Fico feliz em ter a oportunidade, que o povo da
rem, somente para terem cargos públicos. minha terra me concedeu, de vir quase todos os dias
Obrigado, Senador Mão Santa. a esta tribuna para mostrar ao povo do meu querido
Um outro assunto que quero abordar, Senador – Estado o que está acontecendo lá, no Pará. Eu sem-
e vou ser breve –, é sobre o meu Estado. pre digo e repito várias e várias vezes aqui que é uma
Mozarildo, vou já lhe dar um aparte. Mozarildo, das minhas atribuições defender os direitos do meu
acho bonito! Fico ali, na minha cadeira, olhando aten- Estado, do povo paraense.
tamente cada um dos Senadores falar. Acho bonito Quero mostrar à TV Senado – que o rapaz da
aqueles que usam a tribuna para defender seus Esta- TV Senado possa mostrar ao Brasil e ao meu Estado
dos. V. Exª é um deles. Raras as vezes em que vejo V. – o título do jornal O Liberal: “Alunos filmam sexo com
Exª na tribuna que não seja para defender os interes- menina dentro do colégio”. Mostre isso ao Brasil, por
ses e os direitos do seu Estado. favor, TV Senado! Olhem como a Secretaria de Educa-
55936  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

ção é corrupta, pratica cinicamente corrupção, e deixa Senador! V. Exª teria coragem de mandar sua filha es-
à margem a educação do meu Estado. tudar numa escola pública em Belém com essas con-
Vou ler ao Brasil a notícia. Mas não é só isso. Se dições? Quem teria? Quem teria coragem de mandar
fosse só essa a denúncia que vou fazer ao Ministério sua filha ou seu filho estudar em colégios em Belém
Público, talvez o Ministério Público... É grave, mas já do Pará? Quem teria?
deve ter acontecido em algum Estado, em algum país. Pois não, Senador Suplicy. Em primeiro lugar,
Já deve ter acontecido. Mas não é só isso, Senador Mo- Senador Mozarildo; a seguir, o Senador Suplicy.
zarildo. Há mais coisas aqui, e vou lê-las para mostrar O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Se-
ao povo do Estado do Pará e à Nação brasileira como nador Mário Couto, quero pegar só dois pontos do
é que se respeitam os jovens deste Brasil; como é que seu pronunciamento. Primeiro, como sempre, V. Exª
se deixa a juventude do Estado do Pará nessa condi- faz denúncias bem fundamentadas. Começou seu
ção; como é que a Governadora de um Estado pode pronunciamento dizendo que não entende por que o
ser tão incompetente que não sabe que a educação é Presidente Lula tem tanta raiva dos aposentados, ou
a base de uma nação, que é nela que se deve investir melhor, não tem muito interesse pelos aposentados.
mais, que é nela que está o futuro de uma nação. Aí, eu comecei a pensar: será que não é porque ele
Como é que uma Governadora pode deixar que já é aposentado?
se filmem alunos com alunos e que se faça um filme O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – E ganha
de sexo dentro das escolas no Pará, Senador Suplicy? bem.
E não é só isso, Senador Suplicy. Talvez um dia V. Exª O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – E
venha a entender a minha revolta. ganha bem? Bem aposentado? Deve ser, porque os
E vou mais além, Senador: aposentados que estão aí, vítimas do redutor nas suas
aposentadorias, que é o fator previdenciário, desses ele
Alunos da Escola Estadual de Ensino
não gosta realmente. E a outra coisa importante tam-
Fundamental e Médio Augusto Olímpio, locali-
bém de que o Presidente Lula não gosta, e parece-me
zada no bairro de Canudos, em Belém, afirma-
que a sua Governadora também não, é da fiscalização.
ram ontem, ao Diário do Pará [jornal da capital,
Quer dizer, o dinheiro que a sua Governadora e que o
jornal do Estado], que as brigas entre alunos
Presidente Lula usam é o dinheiro que nós pagamos
nas proximidades do colégio são constantes.
de imposto e é o dinheiro que o pobrezinho paga de
Segundo uma estudante de 15 anos que não
imposto também. E ele não quer que se fiscalize como
quis se identificar, no ano passado a violên-
se aplica esse dinheiro. Então, fala contra os tribunais
cia era ainda mais comum do que neste ano,
de contas, contra o Tribunal de Contas da União, contra
quando a pancadaria só veio à tona depois que
o Ministério Público. E V. Exª fez muito bem ao se diri-
uma testemunha registrou as cenas de barbárie
gir ao Ministério Público. Portanto, parabéns pela sua
ocorridas dentro e fora das escolas.
constante vigilância a respeito do seu Estado!
Tem mais, Senador. O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Parabéns
Essa é a educação do meu Estado, a educação para nós, Senador. V. Exª também é um guerreiro quan-
que existe hoje no Estado do Pará. do defende o Estado de V. Exª.
Ô Ministro da Educação, SOS a V. Exª! Ajude- Com o maior prazer, Senador Suplicy.
nos! Ajude-nos! O Estado do Pará está entregue às O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Preza-
baratas. do Senador Mário Couto, V. Exª levanta um problema
A nossa violência está insuportável, no presen- importante sobre o que ocorre em escolas no Pará.
te e no futuro, porque quando se rouba dinheiro das Avalio que se trata de algo importante. Eu gostaria de
crianças, quando se filma sexo com crianças de 13 ter mais informações, procurarei levantá-las. Se eu
anos dentro das escolas, quando a bagunça é geral puder, gostaria de visitar essas escolas para melhor
de pancadaria entre estudantes dentro das escolas – conhecer o problema e, também como V. Exª, propor
e não é só em uma escola, mas em várias, está aqui soluções. Felizmente, ontem, nós aqui, no Senado,
–, não existe educação. E como se quer segurança aprovamos uma medida de grande importância, que
para o futuro? Como se quer que se crie, dentro des- significará maior verba para a educação, inclusive a
se clima, uma bandidagem interminável dentro do educação de Ensino Médio e tudo, que possibilitará
meu Estado? mais R$9 bilhões em 2011. Certamente, isso contribuirá
Já vou terminar, Presidente. para que tenhamos mais recursos. Agora, eu gostaria
Outra, Senador: “Estudante agride colega dentro de ponderar: será que tudo aquilo que ocorre numa
de escola com pauladas na cabeça”. É muito triste, escola, como brigas entre estudantes, é, de fato, de
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55937 

responsabilidade primeira da Governadora? Veja V. Exª Estado, em qualquer nação. Não é só um caso, são
que, na minha própria cidade, São Paulo, governada vários casos. E aí já é anormal. Daqui a mais alguns
por um Prefeito do DEM, Gilberto Kassab – e o Gover- meses lhe trarei outros casos, porque tenho certeza
nador é José Serra, do PSDB –, a Folha de S.Paulo de que a Governadora não vai tomar as providências,
retratou situação bastante difícil que está ocorrendo a não ser que V. Exª, com o prestígio que tem no Go-
naquele colégio onde estudou Monteiro Lobato quan- verno Lula, ajude-nos, ajude os paraenses, clamando
do menino, o Liceu Coração de Jesus. Esse colégio, ao Ministro. E olha, Senador Suplicy – já vou descer,
há alguns anos, tinha três mil alunos, mas agora está Senador Mão Santa –, semana passada, isto é ver-
com pouco mais de 280, e anuncia que vai fechar, dade, semana passada eu mostrei aqui... Senador
porque justamente em frente a essa escola – e tem Mozarildo, sente-se aí, preste atenção neste fato, vou
havido tamanhas brigas, como mostrou o jornal – os lhe esperar, sente-se e me escute. Senador, semana
jovens estão a olhar os jovens ali na Cracolândia, um passada eu vim falar sobre segurança pública. Brasil,
outros problema muito grave, que está nos preocupan- isto é verdade o que vou falar aqui; é verdade, Brasil.
do a todos. Meu filho Eduardo, o Supla, que mora na Tem um programa chamado Pronasci, verba pública
Praça da República, tem chamado a minha atenção: para ajudar na segurança pública. Acredite se quiser:
“Puxa, pai, como tem sido grande esse número de foi destinado ao meu Estado R$21 milhões para com-
jovens que, pelo centro de São Paulo, estão viciados bater a violência; R$ 21 milhões. Sabe quanto foi usa-
com o crack e outras coisas!”. Então, não se trata de do? Um ponto nove milhão, R$1,9 milhão. O resto foi
um problema fácil. A Prefeitura, o Governo do Estado devolvido ao Governo Federal. Devolveram o resto do
e eu próprio quero também colaborar, inclusive estou dinheiro, Pará! Não aplicaram em segurança pública
me programando para, nos próximos dias, fazer uma porque não quiseram!
visita à Cracolândia a fim de ajudar a pensar sobre Tanto eu bati aqui que o Ministro disse: eu vou
como resolver o problema. Não estou dizendo que a atender aquele rapaz. Atendeu. Mandou R$21 milhões
culpa da Cracolândia é necessariamente de um mau para o meu Estado. Morrem três pessoas por dia no
Governo do Governador José Serra, do PSDB. Então, meu Estado. Três! Morrem doze em cada final de se-
é preciso colocar as coisas nos devidos termos. É só mana. É uma guerra. É uma guerra!
para ponderar junto a V. Exª. (Interrupção do som.)
O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Pois não,
Senador. Agradeço o aparte de V. Exª. Agora, vou ler (O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
só as datas. Quero que V. Exª apenas preste atenção,
como eu tive a honra de prestar atenção na sua fala. O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Psiu, psiu!
O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Estou Senador Suplicy, com todo o meu respeito, com todo
prestando atenção. o meu respeito, não dá para justificar, não, Senador.
O SR. MÁRIO COUTO (PSDB – PA) – Eu fiz Sinceramente.
de propósito, Senador. Se V. Exª tivesse me escuta- Senador Mão Santa, desço desta tribuna cons-
do desde o início: primeiro, li um ato de corrupção da ciente de que V. Exª prestou um serviço à Nação bra-
Secretaria de Estado. Perceba! Olhe pra mim! Depois, sileira.
eu li a minha denúncia e a resposta do Ministério Pú- Parabéns, Piauí, pelo Senador Mão Santa que
blico dizendo que as minhas denúncias têm funda- vocês têm a defender o Estado de vocês e os aposen-
tados deste Brasil!
mento. Mostrei que as verbas que se deviam aplicar
Muito obrigado, Sr. Presidente.
na educação estão sendo desviadas. Isso me chamou
atenção, Senador. Chamou-me a atenção. Se as ver- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
bas da educação estão sendo desviadas, vamos ver Acabamos de ouvir o contundente representante do
como está a educação no Estado do Pará. E comecei Estado do Pará, o Senador Mário Couto.
a pesquisar, Senador. Se eu viesse apenas com uma É com muita honra que anuncio a presença do
denúncia minha, mostrando um caso, uma denúncia, grande líder do Estado do Maranhão, o Sr. Chiquinho
V. Exª teria razão. Mas estou mostrando várias, Sena- Escórcio. Ele foi um brilhante Senador da República, um
dor, em datas diferentes. brilhante Deputado Federal e hoje exerce, com muita
Um dirigente de um Estado, eleito pelo povo, competência, a Secretaria do Estado do Maranhão na
tem o dever de ter competência, de ter capacidade Capital, no Distrito Federal, Brasília. Ele deixou nesta
para não deixar isso acontecer constantemente. Aí Casa um dos projetos mais inteligentes, o Estado do
vem a palavra chave, Senador: constantemente! Aí Entorno, que pega todas essas cidades satélites, al-
chama-se: anormal! Isso não é normal em qualquer gumas de Goiás e Minas, e forma um novo Estado do
55938  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Brasil. Ele está acompanhado de membros da União V. Exª está aqui como sétimo, mas tem o pri-
Parlamentar de Vereadores de Câmaras Municipais meiro lugar no meu coração e no coração do povo
do Maranhão. brasileiro.
Sejam bem-vindos! A SRA ROSALBA CIARLINI (DEM – RN. Pro-
“A vida é combate, que os fracos abate, que os nuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.)
fortes, os bravos, só pode exaltar”. Isto inspira todos – Obrigada, Sr. Presidente.
nós, brasileiros, a trabalharmos pela grandeza do Venho a esta tribuna para apresentar alguns es-
nosso País. clarecimentos acerca do projeto de lei que apresentei,
Convidamos agora para usar da palavra a ora- em julho deste ano, sobre política habitacional, con-
dora inscrita Rosalba Ciarlini, que já se encontra na trole social da política urbana e de habitação. Esse
projeto, inclusive, já se encontra, em caráter termina-
tribuna. Depois – e estamos alternando –, o último
tivo, Senador Mão Santa, na Comissão de Desenvol-
orador para uma comunicação inadiável, Senador
vimento Regional, já pronto para ser votado, relatado
Eduardo Suplicy.
pelo Senador Jefferson Praia – e o relatório é pela
Peço apenas permissão para ler um expediente,
sua aprovação.
Senadora Rosalba. E o que é que significa esse projeto? Nós sabe-
Sobre a mesa, requerimento que passo a ler. mos que vários programas habitacionais – e, atualmen-
É lido o seguinte: te, o mais famoso, o mais comentado, o mais divulgado
é o Programa Minha Casa Minha Vida – são realizados
REQUERIMENTO Nº 1.454, DE 2009 no Brasil. Política pública de defesa daqueles que não
Tendo sido designado por Vossa Excelência para têm sua moradia é realizada tanto por municípios, mui-
participar, na qualidade de observador Parlamentar da tas vezes com recursos próprios, quanto por governos
64ª Assembléia-Geral das Nações Unidas, requeiro, estaduais e pelo Governo Federal.
nos termos do art. 40, do Regimento Interno, licença Esse projeto trata exatamente de regulamentar
dos trabalhos da Casa, no período de 30 de outubro e de acrescer ao Estatuto das Cidades questões que
venham a regular, controlar, fiscalizar, acompanhar
a 5 de novembro do corrente ano, para desempenhar
esses programas em cada município.
a mencionada missão.
Como nós sabemos, embora crescente, ainda
Comunico, nos termos do art. 39, I, do Regimento
é muito pequeno o número de municípios que consti-
Interno, que estarei ausente do País no período aci-
tuíram Conselhos de Política Urbana e de Habitação.
ma citado. Menor ainda é o número de prefeituras dotadas de
Sala das Sessões, 29 de outubro de 2009. – Se- simples cadastro dos beneficiários de programas ha-
nador José Agripino. bitacionais, que é uma medida fundamental para se
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – evitar duplicidade na concessão de subsídios e outras
Em votação. vantagens.
As Srªs e os Srs. Senadores que o aprovam quei- Então, essa proposta tem o objetivo de instar os
ram permanecer sentados. (Pausa.) municípios a sanarem essa lacuna institucional. Para
Aprovado. tanto, a lei ora proposta incorpora ao Estatuto das Ci-
dades dois dispositivos complementares: o primeiro,
Fica concedida a licença solicitada pelo Senador
no sentido de que os municípios instituam Conselhos
José Agripino.
de Política Urbana e de Habitação, bem como fundos
Com a palavra a Senadora Rosalba Ciarlini.
específicos de natureza contábil; o segundo, com vistas
O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS. Pela ordem.)
a que as prefeituras, no prazo de dois anos, elaborem e
– Sr. Presidente, minha inscrição está respeitada? mantenham atualizado o cadastro público de benefici-
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – V. ários de programas habitacionais de interesse social.
Exª aqui é o sétimo, por cessão do Senador Romeu As informações contidas nos cadastros deverão
Tuma. ser fornecidas ao Ministério das Cidades, que as con-
O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS) – Já falou o solidará, tornando-as disponíveis na Internet.
oitavo, já falaram outros. Por isso que eu não sabia. Em ambos os casos, condiciona-se o recebimento
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) de recursos federais destinados a programas de de-
– Não, eles falaram apenas para uma comunicação senvolvimento urbano e de habitação ao atendimento
inadiável, que acabará de ser encerrada com a inscri- dessas exigências.
ção de Eduardo Suplicy. O que acontece nas cidades?
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55939 

Muitas vezes, programas habitacionais são re- mos na luta pelos municípios, temos que fazer com
alizados sem que a comunidade possa opinar sobre que eles funcionem melhor, porque hoje a questão...
a sua localização, sobre a forma de fazê-lo. Existem É claro que eles atravessam momentos difíceis, mas
cidades onde a carência não é de construção de no- ainda há muitos problemas lá, na base, em razão de
vas moradias, mas sim de transformar, por exemplo, não haver uma boa aplicação dos recursos e de não
casas de taipa em casas de alvenaria. Existem outras haver políticas públicas sendo feitas de forma adequa-
cidades onde, por não haver o controle, muitas vezes, da. Muito obrigado.
um programa que é realizado pela prefeitura o Gover- A SRA. ROSALBA CIARLINI (DEM – RN) – Obri-
no também realiza. O Governo do Estado, na mesma gada, Senador. Obrigada, também, pela forma compe-
cidade, usa estruturas diversas, cadastros diversos, e tente com que analisou esse projeto. O senhor deu seu
muitas vezes aí se incorre na injustiça de favorecer al- parecer, já fez seu relatório, que é pela aprovação.
guém com uma ou duas moradias enquanto o outro não Uma questão, Senador, que o senhor lembrou
tem acesso ao programa. Esse cadastro e o conselho é a do fundo específico, a de que os recursos desti-
serão importantíssimos para evitar a intermediação, nados à habitação estejam dentro desse fundo. Acho
o uso inclusive indevido, político, de uma ação que é que seria a coisa mais lógica. O ideal seria que se
direito do cidadão: ter a sua moradia própria. fortalecesse a ação dos municípios, que também os
Então, foi com esta visão, com a experiência de Governos Estaduais se centralizassem em uma única
quem já trabalhou nessa área, ouvindo inclusive cole- ação conjunta com os municípios, e não o que vemos
gas Senadores que já foram governadores, que tam- em muitas cidades do nosso País. Ações superpostas
bém foram prefeitos e que mostraram essa dificuldade. acontecem numa só cidade, ora pela Prefeitura, numa
Quantas e quantas vezes as pessoas beneficiadas dada área; ora pelo Governo do Estado, em outra área,
passam essa casa para um terceiro e não se tem co- sem que haja uma parceria. Deveria haver exatamente
nhecimento, não sabemos. Assim, o programa perde, essa centralização, passando-se os recursos para a
muitas vezes, a credibilidade, a força, que é realmente habitação, de acordo com as necessidades em cada
trazer para o cidadão que não tem onde morar o direito cidade, exatamente fundo a fundo, numa parceria, num
de ter uma moradia digna. compartilhamento de uma ação, que é fundamental.
São vários e vários programas que existem nas Ninguém melhor que o município, ninguém melhor que
cidades, mas muitas vezes são feitos dentro de gabi- aqueles que realmente vivem na cidade, para dizerem
netes fechados, sem ouvir a comunidade. Daí a neces- como se deve processar e como deve acontecer na
sidade de que exista um conselho em cada município, sua cidade.
porque, além de ele poder opinar sobre a melhor forma Senador Mozarildo, o senhor, que é da Região
de utilização daqueles recursos, muitas vezes, multi- Norte, sabe da diversidade. Não se pode pensar que o
plicando-os, fazendo com que se faça uma economia que vai ser realizado no Sul tem de ser obrigatoriamente
maior em benefício de um número maior de pessoas, igual ao Norte. É outra realidade. Então, cada um sabe
de famílias a serem beneficiadas, pode contar com das suas carências, das suas necessidades.
muitas ideias criativas, que surgem da própria popu- Os recursos devem ser mais bem distribuídos.
lação, da própria comunidade, sobre a forma de fazer Claro, há uma injustiça muito grande neste Brasil. As
o atendimento naquele programa habitacional. regiões mais pobres, mais carentes, têm de ter mais
Concedo, com muito prazer, um aparte ao Sena- recursos, para poderem desenvolver ações e para ter-
dor Jefferson Praia. mos, com isso, um País mais igual.
O Sr. Jefferson Praia (PDT – AM) – Senadora Temos também de ver que a própria distribuição
Rosalba, quero, inicialmente, parabenizá-la. Acredito dos recursos federais, dos recursos dos impostos...
que V. Exª deve ser uma municipalista. Lutamos pelos
municípios, por mais recursos para os municípios, mas (Interrupção do som.)
é fundamental percebermos a forma como esses recur- A SRA. ROSALBA CIARLINI (DEM – RN) – (...)
sos estão sendo aplicados. V. Exª fez um projeto muito da Nação, dos impostos que todos nós pagamos, é
interessante nesse campo, que estabelece o Conselho concentrada. Mais de 60% dos impostos, das taxas,
de Política Urbana, que cria um fundo e que, é claro, das contribuições ficam concentrados só no Governo
também requer a viabilização de um cadastro daqueles Federal, quando é na cidade que o cidadão vive, é na
beneficiados por essas políticas públicas habitacionais. cidade que ele adoece, é na cidade que ele precisa dar
Condiciona-se que, se não houver esses dois pontos, educação aos seus filhos, é na cidade que ele precisa
os municípios não receberão recursos destinados a ter o seu trabalho. Então, um Brasil forte se faz com
esses objetivos. Então, entendo que, para continuar- municípios fortes.
55940  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Essas medidas são exatamente para fortalecer estão perdendo, sim, qualquer luz de esperança, na
ainda mais a ação dos municípios e também fazer um hora em que devem ser mais valorizados, mais reco-
ordenamento melhor, uma fiscalização melhor, um nhecidos, porque é a hora em que realmente precisam
acompanhamento melhor. Consequentemente, a par- ter condição de descansar de tanto trabalho, de tanta
ticipação popular é fundamental para que possamos angústia, de tanta luta.
fortalecer as ações municipais e fazer deste Brasil uma Então, fica aqui, mais uma vez, o nosso apelo
democracia ainda mais forte, com os direitos dos ci- em favor dos aposentados. Que o Presidente, que os
dadãos preservados. que fazem...
Muito obrigada, Sr. Presidente. Era o que tinha (Interrupção do som.)
para colocar.
Mas gostaria aqui, já terminando, de fazer... Não A SRA. ROSALBA CIARLINI (DEM – RN) – ... o
fiz nenhum aparte ao Senador Mário Couto, até porque Governo Federal vejam que este Brasil não vai de forma
ia falar logo em seguida, mas não poderia deixar de, nenhuma quebrar, não vai de forma nenhuma ser menor.
mais uma vez, dizer da nossa luta, da nossa defesa Pelo contrário, o Brasil será muito maior, olhando para
permanente, associando-nos ao Senador Mário Cou- os de cabelos brancos, valorizando-os, reconhecendo
to e a tantos outros Senadores que estão nessa luta aqueles que tanto já trabalharam por ele.
pelos nossos aposentados. Que vai haver mais recurso é uma coisa lógica.
Não é possível que vai terminar mais um ano, sem Esse recurso vai ficar onde? Vai ficar na economia,
que tenhamos as questões dos aposentados solucio- porque muitos já são fonte de manutenção de suas
nadas – ou pelo menos votadas. Elas já foram votadas famílias, ajudam netos, bisnetos, filhos.
aqui e agora estão na Câmara. Há quanto tempo se Se o dinheiro circula na economia, retorna por
conversa sobre o acordo, a negociação que estaria meio das mais diversas formas de impostos e da ge-
existindo entre as associações, os representantes do ração de emprego. Quanto mais recurso circula na
nossa economia, mais emprego é gerado. Empregos,
Congresso e os representantes do Governo Federal?
que são necessários ao nosso Brasil.
Mas que coisa demorada!
Então, ajudar os aposentados é ajudar o Brasil
Existe um ditado popular que diz que, quando não
de todas as formas.
se quer resolver, resolve-se formar uma comissão. E
parece que foi isso mesmo. (Interrupção do som.)
Parece que o Governo não quer mesmo resolver, A SRA. ROSALBA CIARLINI (DEM – RN) – E
porque, depois que votamos, há quando tempo foi para não é uma ajuda como favor – muito pelo contrário;
a Câmara? E o fator previdenciário continua sem uma é uma obrigação, e nós estamos aqui para cumprir
solução; as aposentadorias continuam sendo cada dia com a nossa obrigação em defesa do que é melhor
menor em função do reajuste que não corresponde ao para o Brasil.
mesmo percentual que tem o assalariado. E muitos Muito obrigada, Sr. Presidente; muito obrigada,
dos nossos aposentados que começaram essa luta Srs. Senadores.
já nem estão mais aqui. Já nem estão mais aqui, Se-
nador Mão Santa! O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
Não podemos, de forma nenhuma, acomodarmo- Convocamos para usar da tribuna o Senador Eduardo
nos; temos que continuar levantando a nossa voz em Suplicy, como último orador, para fazer uma comuni-
busca dessa solução. Sei esse é o desejo da grande cação inadiável. S. Exª representa o Estado de São
maioria que está aqui no Senado e que aprovou... Paulo e o Partido dos Trabalhadores.
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP. Para
(Interrupção do som.) uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.)
A SRA. ROSALBA CIARLINI (DEM – RN) – ... a – Sr. Presidente Mão Santa, gostaria de transmitir aos
matéria, quando foi analisada nesta Casa. Senadores que aqui estão comigo desde 1991, Sena-
Pedimos aos Srs. Deputados que vejam que não dor Marco Maciel, Senador Pedro Simon, que, hoje,
é uma questão tão simples. É uma questão que tem ocorreu algo de grande significado para aqueles que
uma repercussão muito grande na vida de milhões de batalham pela garantia de uma renda mínima, na for-
brasileiros que deram todo o suor da sua vida, do seu ma como avaliei ao longo dos anos 90, que seria ain-
trabalho, para fazer esta Nação, para que pudéssemos da melhor do que por meio de um Imposto de Renda
estar hoje aqui. Mas vejam que essas pessoas passam negativo e das formas de renda mínima associadas
hoje as maiores angústias. Muitos dos nossos apo- à educação, como Bolsa Escola ou Bolsa Família, ou
sentados estão passando por situações deprimentes; seja, a Renda Básica de Cidadania para todos. Feliz-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55941 

mente, isso já é lei. Trata-se da Lei nº 10.835, que este com uma particularidade, qual seja a da preocupação
Congresso Nacional aprovou e que o Presidente Lula com a sustentabilidade.
sancionou, para ser instituído o programa por etapas. Diz o art. 1º da Lei, que, nesses próximos dias,
Mas, da mesma maneira que os programas de renda será promulgada pelo Prefeito José Augusto de Guar-
mínima associados à educação e à saúde se iniciaram nieri Pereira, que:
localmente por Municípios, por regiões, como Campi-
Art. 1º Com o objetivo de se fazer de
nas, com José Roberto Magalhães Teixeira; Distrito
Santo Antonio do Pinhal um Município que
Federal, com o Governador Cristovam Buarque; Belo
harmonize o desenvolvimento econômico e
Horizonte; Ribeirão Preto; Belém; Mundo Novo, até se
social sustentável com a aplicação dos prin-
transformar no que é hoje o Bolsa Família, também
cípios de justiça, que signifiquem a prática da
poderá ser iniciada a experiência da Renda Básica de
Cidadania por Municípios, localmente. solidariedade entre todos os seus moradores,
E qual é a boa nova de hoje? Pela primeira vez, e, sobretudo para garantir maior grau de digni-
dentre os 5.564 Municípios brasileiros, um Município, o dade para todos os seus habitantes, fica insti-
de Santo Antonio do Pinhal, teve sua lei proposta pelo tuída a Renda Básica de Cidadania de Santo
Prefeito José Augusto de Guarnieri Pereira aprovada Antonio do Pinhal – RBC, que se constituirá no
unanimemente pelos nove Vereadores da Câmara direito de todos os registrados ou residentes no
Municipal de Santo Antônio do Pinhal, Senador Tião Município há pelo menos 05 (cinco) anos, não
Viana. Veja só! Foi uma sessão especial. Ali, estava importando sua condição socioeconômica, de
a convidada Ana Maria Medeiros da Fonseca, que foi receberem um benefício monetário.
a primeira coordenadora de um programa de renda São 7.036 os habitantes desse Município, e me-
mínima associado à educação no Governo Martha tade mora na área rural; metade, na área urbana. O
Suplicy, em São Paulo, e que foi a primeira secretá- Município fica na Serra da Mantiqueira, a 177 quilô-
ria executiva do Programa Bolsa Família. Ela esteve metros de São Paulo, a uns quinze minutos do Muni-
lá para expor aos Vereadores o que poderá ser essa cípio de Campos do Jordão, da sede do Município de
transição do Bolsa Família à Renda Básica de Cida- Campos, que é um Município vizinho. Dali se avista a
dania. Também esteve presente o Professor Karl Wi- Pedra do Baú, tão bela, em São Bento de Sapucaí,
derquist, da Universidade de Georgetown, no campus com diversas das suas montanhas. Ali está o Pico
que aquela Universidade tem em Qatar, em Doha. Ele, Agudo, um lugar onde se pratica voo de asa delta e
que é o Co-Chair da Basic Income Earth Network, da outros esportes, com 1.477 metros de altura. Ali es-
rede mundial da renda básica, esteve uma semana no
tão 53 pousadas, 1,2 mil leitos, 32 restaurantes. É um
Brasil para ajudar na organização do XIII Congresso
Município visitado por mais de cinco mil pessoas e,
Internacional da BIEN. Ele participou da sessão, fez
às vezes, por até sete mil pessoas durante a Semana
também sua palestra sobre a liberdade como um po-
Santa ou nos feriados de maior atração para todos. O
der de dizer “não”, que é uma das grandes vantagens
clima é agradável. Ali, há cachoeiras, trilhas e caminhos
da Renda Básica da Cidadania.
muito bonitos. Aquela comunidade resolveu abraçar
Estavam presentes o Prefeito José Augusto de
Guarnieri Pereira; o Presidente do Conselho Municipal essa ideia e fazer da Renda Básica de Cidadania uma
de Turismo, Fábio Ortiz; aqueles que muito se entusias- experiência pioneira.
maram por essa proposta, como os Professores Fran- Eu gostaria, aqui, de estimular todos os Prefei-
cisco e Marina Nóbrega, o Presidente da Associação tos e Vereadores de São Paulo a seguirem por esse
dos Produtores Rurais, Marcelo Bufollin, professores, caminho. Há pouco, comuniquei ao Ministro Patrus
membros da comunidade. Eis que os nove Vereadores Ananias que havia dito, em janeiro último, no Fórum
da Câmara Municipal, presidida pela Vereadora Rachel Social Mundial, ao próprio Prefeito José Augusto de
Ribeiro da Silva Carvajal, do PPS, os Vereadores Luiz Guarnieri Pereira, da sua disposição de apoiar essa
Inácio Batista, do PTB; Carla Oliveira de Carvalho, do experiência pioneira.
PSB; Ednilson Demétrio, do PT; José Antonio Marcon- Quero também cumprimentar a Corporação An-
des da Silva, do PT; José Roberto dos Santos, do PSB; dina de Fomento, a Diretora Moira Paz Estensoro, que,
Luiz Alberto de Oliveira, do PSDB; Paulo Aparecido juntamente com o Núcleo de Estudos, Pesquisas e
da Luz, do DEM; Rachel Ribeiro da Silva Carvajal, do Publicações (Nepp) da Unicamp, juntamente com Ana
PPS; e Rubens Jacintho de Camargo, do PTB; enfim, Maria Medeiros da Fonseca, provém os recursos ne-
todos, por consenso – o placar foi de nove a zero –, cessários para ali formar uma equipe técnica que vai
votaram a lei que institui a Renda Básica de Cidadania, acompanhar todo o desenvolvimento do projeto.
55942  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O pagamento do benefício deverá ser igual para pios de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Piauí, do Mato
todos, quando plenamente instituído o suficiente para Grosso, da Senadora Serys, e de todo o Brasil!
atender às necessidades vitais de cada um, conside- Senadora Serys, pode me convidar. Que, em
rando, para isso, o grau de desenvolvimento do Muni- Cuiabá e em todos os Municípios do Mato Grosso,
cípio e as possibilidades orçamentárias, de maneira esse exemplo possa ser seguido!
semelhante à lei federal. Muito obrigado, Sr. Presidente.
Fica criado o Conselho Municipal da Renda Bá-
(Interrupção do som.)
sica de Cidadania, que estabelecerá a forma de pa-
gamento, mensal, trimestral, semestral ou anual, sem- O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) – En-
pre em parcelas de igual valor, utilizando, para isso, o caminho à Mesa – e peço que seja transcrito – o projeto
que também fica criado: o Fundo Municipal da Renda de resolução que altera a composição, a subordinação
Básica de Cidadania, que será formado por 6% das e as atribuições do Conselho de Administração do Se-
receitas tributárias do Município, a serem repassadas nado Federal, sobre o qual falarei amanhã, mas que
semestralmente ao Fundo; pelas doações de pessoas acabo de dar entrada oficialmente. É uma contribuição
físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, nacionais e à Mesa Diretora para análise do que é o Conselho de
internacionais; pelas transferências realizadas por ou- Administração. Especialmente aos dois Membros da
tros níveis de Governo, do Estado ou da União; pelos Mesa, faço questão de entregar, em mão, agora, esse
produtos da aplicação de recursos disponíveis e outros. projeto como contribuição à Mesa Diretora.
Ora, será até previsível que aqueles que visitam Santo Muito obrigado, Sr. Presidente Mão Santa.
Antônio do Pinhal sintam-se estimulados a contribuir, DOCUMENTO A QUE SE REFERE O
voluntariamente, para esse Fundo, que, acredito, po- SENADOR EDUARDO SUPLICY EM SEU
derá significar algo muito importante. É interessante
PRONUNCIAMENTO.
ressaltar que esse Fundo será administrado de maneira
(Inserido nos termos do art. 210, inciso
transparente. Haverá uma composição paritária entre o
I e § 2º, do Regimento Interno.)
Poder Público e as entidades da sociedade civil orga-
nizada, regulamentada pelo Poder Executivo, com as PROJETO DE RESOLUÇÃO DO SENADO
seguintes atribuições: a forma de gestão e aplicação Nº , DE 2009
dos recursos destinados ao Fundo Municipal da Renda
Básica de Cidadania, os requisitos de participação e o Altera a composição, a subordinação
processo de exclusão da Renda Básica de Cidadania, e as atribuições do Conselho de Adminis-
a definição do valor do benefício, a disponibilização tração do Senado Federal.
de forma atualizada, no sítio eletrônico do Município e O Senado Federal resolve,
em jornais locais, de balancetes detalhados do Fundo. Art. 1° O Regulamento Orgânico do Senado Fe-
Portanto, será administrado com muita transparência deral, aprovado pela Resolução nº 58, de 1972, como
para toda a comunidade. Parte II do Regulamento Administrativo, passa a vigorar
Parabéns, Santo Antônio do Pinhal, ao Prefeito, com a seguinte redação:
aos Vereadores! Parabéns a todos aqueles que estão
“Art.121..................................................
entusiasmados com esse projeto, inclusive os profes-
Parágrafo único .....................................
sores, todos aqueles que se empenharam!
...............................................................
(Interrupção do som.) XXIX – Suprimido
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – ...............................................................
Concedo-lhe mais um minuto, para encerrar, Sena-
SEÇÃO IV-A
dor.
Do Conselho de Administração
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) –
Cumprimento também o Padre Pedrinho, da Paróquia Art. 376. O Conselho de Administração, órgão
de Santo Antônio do Pinhal, que, em 29 de março úl- de assessoramento da Comissão Diretora, tem como
timo, quando da palestra que fiz no coreto da Praça atribuição precípua opinar e apresentar propostas
do Artesão, abençoou todos os presentes. sobre a política de recursos humanos, de informática,
Agora, sabemos que Santo Antônio do Pinhal de modernização administrativa e de planejamento e
poderá ter uma experiência pioneira de realização de controle do Senado Federal, acompanhando todas as
justiça, para que, nesse Município, haja uma efetiva paz. atividades administrativas da Casa, com a finalidade
Que possa esse exemplo frutificar por todos os Municí- de subsidiar as decisões da Comissão Diretora.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55943 

Parágrafo único. No acompanhamento das ativida- Eletrônico de Pessoal e no Diário do Senado Federal,
des administrativas, deve o Conselho de Administração sendo suas decisões tomadas por voto aberto.
precaver-se para que as decisões da Comissão Diretora Art. 388. O Conselho de Administração reúne-se,
que, por determinação legal, devam ser publicadas por mensalmente, para estudo, em conjunto, de questões
meio de Resolução do Senado, não sejam editadas por levantadas pela Comissão Diretora ou pelo Colégio
intermédio de Atos da Comissão Diretora, para depois de Líderes, bem como para analisar os problemas re-
serem convalidadas por Resoluções. ferentes ao funcionamento das atividades administra-
.................................................................................... tivas e as medidas necessárias à sua racionalização
e fiscalização.
TÍTULO II
Parágrafo único. O Conselho de Administração
Do Funcionamento dos Órgãos
pode ser convocado pela Comissão Diretora, em ca-
CAPÍTULO I ráter extraordinário, a qualquer tempo.” (NR)
Do Conselho de Administração Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data
de sua publicação.
Art. 387. O Conselho de Administração, instalado
a cada eleição da respectiva Mesa, na segunda quin- Justificação
zena do mês de fevereiro, com mandato de dois anos, O objetivo deste projeto de resolução é dar um
permitida apenas uma recondução de seus membros novo formato ao Conselho de Administração do Senado
por igual período, tem a seguinte composição: Federal, dentro das perspectivas de mudanças que se
I – Diretor-Geral; esperam da Casa. A experiência de o Senado Federal
II – Secretário-Geral da Mesa; ter uma Diretoria Administrativa que centralizava plane-
III – Diretor da Secretaria de Recursos Huma- jamentos e fiscalização numa única pessoa, por mais
nos; de 14 anos, foi desastrosa para a imagem da Casa.
IV – Diretor da Secretaria Especial de Informáti- Os favorecimentos pessoais no trato da coisa
ca (PRODASEN); pública, a eficácia de decisões administrativas que,
V – Diretor da Secretaria Especial de Editoração de modo adrede preparado, não eram publicadas nos
e Publicação (Gráfica); boletins e o mau emprego das verbas públicas são as
VI – Diretor da Secretaria de Controle Interno; notícias de um período que se pretende estancar no
VII – 1 (um) chefe de gabinete de senador, indi- Senado Federal.
cado pelo Colégio de Líderes; e Esse projeto de resolução abre uma nova vertente
VIII – 3 (três) funcionários do Senado Federal, no gerenciamento da área administrativa da Casa. Ele
indicados pelo Colégio de Líderes, sendo um consultor, revigora a figura do Conselho de Administração, como
um analista legislativo e um técnico legislativo. órgão colegiado de assessoria e fiscalização da área
§ 1° O Diretor-Geral, nomeado pelo Presidente do administrativa da Casa, minimizando o papel do Dire-
Senado Federal, por indicação do Colégio de Lideres, tor-Geral, que passa a ter – como sempre deveria ter
coordena os trabalhos do Conselho de Administração, tido – apenas as atribuições de executante da política
tendo voto somente em caso de desempate. administrativa determinada pela Comissão Diretora.
§ 29 Caso o Conselho de Administração não seja O novo Colegiado de Servidores que se propõe,
instalado até o término do mês de fevereiro, fica o Or- coordenado pelo Diretor-Geral, com mandato definido
denador de Despesas do Senado Federal impedido de de dois anos, coincidente com o da Mesa Diretora à
firmar, em nome da Casa, qualquer ato administrativo, qual se liga, com a possibilidade de apenas uma
até que o Conselho tenha iniciado suas atividades. recondução, por igual período, de seus membros,
§ 39 Por convocação do Conselho de Administra- tem a missão definida de assessorar a Comissão Di-
ção, o titular de departamento, secretaria, subsecreta- retora nas suas decisões administrativas. Ele deverá
ria ou qualquer outro órgão subordinado à Comissão opinar e apresentar propostas sobre a política de re-
Diretora, que tiver matéria de sua competência sendo cursos humanos, de informática, de modernização
apreciada, dele fará parte, sem direito a voto. administrativa e de planejamento e controle do Se-
§ 4º Os membros do Conselho de Administração nado Federal, acompanhando todas as atividades ad-
reúnem-se no horário do expediente, sem qualquer ministrativas da Casa, sempre com o fito de subsidiar
percepção de adicional ou gratificação pelo desem- as decisões da Comissão Diretora.
penho da função. Na medida em que reduz as responsabilidades
§ 5º As atas das reuniões do Conselho de Ad- do cargo de Diretor-Geral, protege a pessoa do ser-
ministração são publicadas no Boletim Administrativo vidor que o desempenha, pois as atividades de as-
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sessoramento e de acompanhamento serão também funcionários, possa melhorar a eficiência administrativa


exercidas por este órgão colegiado que, certamente, do Senado Federal.
terá condições de apontar as melhores linhas de ação Sala das Sessões, Senador Eduardo Matara-
administrativas para o Senado e, com igual impor- zzo Suplicy.
tância, de evitar e coibir, na origem, possíveis erros, O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
omissões e delitos administrativos. Desta forma, as Após contundente pronunciamento do Senador Eduardo
decisões da Comissão Diretora estarão respaldadas Suplicy, convidamos o quinto orador inscrito, Senador
e instruídas de maneira mais eficiente. O Senado e o Renato Casagrande, que representa o Estado do Es-
Brasil ganharão com isso! pírito Santo e o PSB.
O projeto, além de limitar a permanência nos O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB –
principais cargos administrativos – Diretor-Geral, Se- ES. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do
cretário-Geral da Mesa, Diretor da Secretaria de Re- orador.) – Sr. Presidente, o primeiro tema que quero
cursos Humanos, de Controle Interno, do Prodasen abordar refere-se à nossa reunião da Comissão de
e da Gráfica – em dois anos, com a possibilidade de Relações Exteriores, que fizemos até agora, às duas
ocorrer apenas uma recondução, introduz a participa- horas da tarde, em que foi aprovada a entrada da Ve-
ção do Colégio de Líderes na escolha do servidor que nezuela no Mercosul.
desempenhará a função de Diretor-Geral da Casa. Esse O Senador Eduardo Azeredo já se pronunciou
funcionário, que coordena as atividades do Conselho sobre o tema, o Senador Mozarildo Cavalcanti se
de Administração, será nomeado pelo Presidente do pronunciou sobre o tema, o Senador Pedro Simon,
Senado, após indicação feita pelo voto do Colégio de o Senador Eduardo Suplicy, a Senadora Rosalba, di-
Líderes. versos Senadores já se pronunciaram sobre o tema.
Além disso, para conferir representatividade igua- Eu também quero me pronunciar, porque votei favo-
litária aos funcionários da Casa, bem como para pro- ravelmente à entrada da Venezuela no Mercosul, com
porcionar maior legitimidade às decisões do Conselho argumentações diversas, porque o comportamento do
de Administração, passam a integrar a composição governo da Venezuela não deixa tranquilidade com
do referido Conselho quatro funcionários do Senado, relação à votação aqui, no Senado, uma vez que há
indicados pelo Colégio de Líderes, a saber: um chefe uma polêmica muito grande quanto à postura do Pre-
de gabinete de senador, um consultor, um analista le- sidente Hugo Chávez.
gislativo e um técnico legislativo. Mas o que norteou, o principal norte, o principal
O projeto determina, ainda, que o Conselho de pilar que fez com que a maioria votasse a favor da en-
Administração seja instalado na segunda quinzena trada da Venezuela foi que, primeiro, estamos votando
do mês de fevereiro do ano que ocorre a eleição da a entrada do Estado da Venezuela, e não a entrada do
Presidente Hugo Chávez, no Mercosul. É a entrada do
Mesa Diretora a que está ligado. E, mais, impõe que
Estado da Venezuela. E o Estado da Venezuela mais
caso a instalação do Conselho não se efetive até o
próximo do Mercosul poderá também sofrer as altera-
final do mês de fevereiro, fica o Ordenador de Despe-
ções necessárias e os aperfeiçoamentos necessários
sas impedido de firmar, em nome da Casa, qualquer
no processo democrático.
ato administrativo, até que o Conselho tenha iniciado
Vivemos em um continente que vivenciou por
suas atividades. muito tempo períodos longos – em alguns países, mais
Fruto das experiências negativas que foram as longos do que outros – de ditadura militar, de regime
convalidações açodadas de Atos Administrativos em de exceção. Estamos em um processo de construção
Resoluções, feitas pelo Plenário a toque de caixa, que da democracia, de fortalecimento das nossas institui-
redundaram em diversas irregularidades administrati- ções. O Brasil não é diferente, mas acho que está um
vas, esta proposição orienta o Conselho para coibir tal passo adiante, porque já desde 1989 vem passando
tipo de atitude. Assim, fica claro no ordenamento jurídi- por um processo de alternância de poder e de eleições
co: o que legalmente deve ser publicado por intermédio diretas para Presidente da República – já tinha para
de Resolução do Senado não poderá ter efetividade governador, para prefeito, para vereadores, assem-
por meio de Ato Administrativo da Mesa Diretora. bléias e câmara dos deputados. E há outros membros
Por tudo, avalio que devemos aprovar essa maté- da América do Sul, da América Latina, como o Uru-
ria o quanto antes, sendo isso o que peço às Senhoras guai, que passa agora ao segundo turno da eleição,
Senadoras e aos Senhores Senadores, a fim de que mas num regime totalmente estável. O Paraguai pas-
tenhamos instalado na Casa um mecanismo efetivo sou recentemente por um processo de eleição. Então,
que, representando os diversos quadros internos de os três sócios fundadores do Mercosul... A Argentina
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passou também, apesar de todas as dificuldades. Os vezes, nós – eu disse na Comissão de Relações Ex-
quatro sócios. A Argentina passou recentemente. O teriores – nos bastamos com os nossos problemas.
ponto mais negativo na eleição argentina é que é uma Mas os países menores não se bastam com seus
sucessão de esposo para esposa, o que não transmite problemas, também querem fazer o debate dessa in-
confiança, não transmite estabilidade. tegração continental.
Nós temos alguns países com processos mais E o Brasil, agora – e o Presidente Lula tem um
estáveis e outros países com processos mais instáveis. papel importante nisto – também está de olhos mirados,
A Venezuela é um dos países onde há instabilidade está mirando o seu olhar para a América Latina e a
no processo. E não só agora, com Chávez. Antes de América do Sul. Isso é importante e o Brasil terá e tem
Chávez, o processo na Venezuela era de uma demo- um papel no mundo; terá e tem um papel importante
cracia frágil, e o Presidente Chávez, na hora em que na América Latina. Eu sou membro, sou coordenador
assumiu o governo, o fez adotando medidas de con- do grupo do Parlatino aqui, no Congresso Nacional, e
sulta popular permanente. Minha avaliação é que ele temos feito grandes debates sobre o papel do Brasil
passou do ponto. Ele já tinha que ter promovido uma e da integração latino-americana. Então, essa é a pri-
alternância de poder. Então, ele passou do ponto, por- meira questão, Sr. Presidente.
que busca, de forma perene ou por um tempo muito Senador Mozarildo, que fez a apresentação do
longo, a permanência no poder. voto em separado na reunião, com a palavra, com
Votamos a entrada da Venezuela no MERCOSUL, muita honra.
e votamos a entrada de um país que já tem uma re- O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Se-
lação econômica muito forte com o Brasil, sendo que nado Casagrande, quero até pedir permissão a V. Exª.
o Brasil é o principal beneficiário dessa relação. E, na Embora já tendo feito o meu pronunciamento...
questão política, eu pessoalmente acho que é melhor O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB –
termos a Venezuela próxima do Brasil do que longe
ES) – Sim, eu ouvi o pronunciamento de V. Exª.
do Brasil; próxima do Mercosul do que longe do Mer-
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) –...que-
cosul. Essa é a minha avaliação. É melhor trazermos
ria fazer um esclarecimento. Primeiro, louvar a postura
a Venezuela para que possamos comprometê-la com
sua, muito clara, que está colocando inclusive aqui,
princípios democráticos do que termos a Venezuela
na tribuna, que, embora tenha essas ressalvas, V. Exª
distante desse processo de discussão.
votou a favor por uma visão, como, aliás...
Por mais normal que possa parecer, há muita re-
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB –
sistência com relação à entrada da Venezuela no Mer-
ES) – Minha posição é muito parecida com a de V. Exª,
cosul. Mas nós tivemos também uma base importante:
a vinda do Prefeito de Caracas, que é da oposição, ao Senador Mozarildo.
Senado na data de ontem, reafirmando e consolidando O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – É. Exa-
essa posição, foi importante para nos dar segurança. tamente. Eu disse, desde o início, que eu tinha uma
Os venezuelanos também não querem a distância da posição de ressalva, mas que não poderia votar contra
Venezuela das práticas do Mercosul. Isso fortaleceu a o ingresso da Venezuela, até porque achava que esse
nossa posição. O Brasil é líder e não pode ser líder só não era o remédio. Agora, eu estou fazendo um aparte
econômico. O Brasil tem que ser líder na política, tem justamente porque eu fui surpreendido com a notícia de
que ser líder político. Líder político não é aquele que que o Líder do Governo deu uma entrevista, numa rádio
manda, que domina; líder político é aquele que sabe em Roraima, dizendo que eu votei contra. Eu mandei
discutir, sabe ceder, quando for preciso ceder, mas sabe buscar até o mapa da votação. E, depois, não consigo
impor quando for preciso impor. Eu tenho certeza de entender como se faz isso. Porque realmente eu não
que o Brasil saberá impor-se a qualquer membro do só fui bem explícito e repetido. E quero aproveitar aqui
Mercosul e, no caso da desconfiança que existe com o discurso de V. Exª para reiterar, e V. Exª está dando
relação à Venezuela, se a Venezuela quiser fragilizar o testemunho, de que eu não só votei a favor, mas fiz
as relações dentro do Mercosul. um voto em separado para acatar as ressalvas que
Então, foram essas as posições que me fizeram todo mundo, aliás, fez. Então, eu queria...
votar favoravelmente à entrada da Venezuela no Mer- O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB –
cosul, para que possamos fortalecer a integração. SE) – Todos nós somos testemunhas da posição de V.
O Brasil é um país grande. O Brasil é mais do Exª, crítica com relação à entrada da Venezuela, mas
que uma União Européia em termos de tamanho. O votando favorável até pela posição geográfica do Estado
Brasil tem o mesmo número de Estados que a União de Roraima, vizinho e divisa com a Venezuela.
Européia. Então, nós somos um país grande. E, às Então, está clara a posição de V. Exª.
55946  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Perfei- membros da sociedade, dos tribunais de contas, para
to. Espero que aqui, no plenário, possamos ter tempo fazermos esse trabalho. O Tribunal de Contas da União
ainda de discutir com mais tranquilidade e com mais concorda com o conselho e é uma forma de fazermos
clareza a posição de cada um, que, no meu entender, o debate sobre o papel do tribunal de contas, de sair
lá, na Comissão, pelo menos para os membros da Co- esse debate que não fortalece o controle – o debate
missão, ficou muito clara. como é feito hoje – para um debate que o fortaleça.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB – Então, fizemos essa proposta e, para minha ale-
SE) – Obrigado, Senador Mozarildo, e verifique, de gria, o Senador Romero Jucá, que é o Relator dessa
fato, se houve essa declaração do Líder do Governo, emenda, apresentou ontem o seu relatório na Comis-
talvez possa ser um equívoco, algum engano. são de Constituição e Justiça, e espero que a gente
Mas, Sr. Presidente, um outro assunto é o do consiga votar essa matéria nesses próximos dias na
Tribunal de Contas da União. Temos acompanhado, CCJ e possa vir aqui para o plenário da Casa. Esta-
nos últimos meses, declarações do Presidente Lula, belecermos uma forma de controle externo do Tribunal
de alguns Ministros, de alguns parlamentares, sobre de Contas da União torna-se necessário.
o papel do Tribunal de Contas da União. Também sou Como eu disse, o Tribunal de Contas da União
um ávido debatedor do papel do controle externo e do ainda tem um componente político menor, mas os Tri-
papel, naturalmente, do Tribunal de Contas da União, bunais de Contas dos Estados e os Tribunais de Con-
dos Estados e dos Municípios. Debato isso desde tas do Municípios têm um componente político muito
quando exerci meu mandato de Deputado Estadual lá forte, muito forte, e, de alguma maneira, tem-se que
no Espírito Santo, quando propus a mudança na for- promover e patrocinar esse equilíbrio, dar vez e voz e
ma de escolha dos conselheiros; depois, aqui, como dar local de reclamação a esses que se julgam pre-
Deputado Federal; e, agora, como Senador da Repú- judicados por qualquer ação de qualquer membro de
blica. Apresentei uma proposta porque acho que esse um tribunal desses.
debate do Tribunal de Contas acontece nas avenidas, Então, nós temos que fortalecer o controle. Temos
nas ruas, nas solenidades, porque não tem local para que fortalecer o tribunal. Não sou favorável a acabar com
ser feito da forma como precisa ser feito. O Parlamento o tribunal, mas temos que mudar, temos que aperfeiçoar
é o local de fazê-lo. Mas vimos como mudou o Poder e temos que definir claramente a sua função para que
Judiciário na hora em que se criou o Conselho Nacional não haja, de fato, nenhum abuso. Mas os abusos que
de Justiça. Vimos, Senador Mozarildo, como mudou o possam estar ocorrendo não podem ser instrumento
Ministério Público na hora em que se criou o Conselho de fragilidade do controle externo. O controle externo
Nacional do Ministério Público. é fundamental. O Tribunal de Contas da União faz um
Propus, em 2007, na Câmara – mas quando trabalho que tem uma relevância e precisa ser, de fato,
vim para cá propus aqui, no Senado –, uma emenda fortalecido, e é por isso que nós estamos fazendo o
criando o Conselho Nacional dos Tribunais de Contas. debate sobre o tribunal de contas.
Para quê? Para que possamos ter um fórum de deba- Sr. Presidente, muito obrigado pela paciência e
te, de discussão sobre o papel do tribunal de contas pela oportunidade.
ou sobre o aperfeiçoamento necessário que o controle O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
externo tem que sofrer, seja ele o Tribunal de Contas Líder dos inscritos não há nenhum aqui no Parlamento.
da União... Estava inscrito Pedro Simon, que se ausentou. Então,
logo em seguida, Serys Slhessarenko. S. Exª repre-
(Interrupção do som.) senta o PT e o Estado do Mato Grosso.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB – Com a palavra V. Exª.
ES) – ...sejam os Tribunais de Contas dos Estados e dos A SRA. SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT
Municípios. Então, sabemos que há uma interferência – MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da
política muito grande, a forma de escolha, a indicação oradora.) – Obrigada, Sr. Presidente. Eu não ia falar
pelo Presidente da República, pelo Congresso Nacio- sobre esse assunto agora, mas já que o Senador Ca-
nal, Câmara e Senado, a indicação pelo Governador, sagrande finalizou a sua fala tratando dos Tribunais de
pela Assembléia Legislativa, pelo Prefeito, pela Câmara Contas tanto dos estaduais quanto do federal, eu tenho
de Vereadores, a forma de escolha dos Conselheiros, um projeto de lei, também nessa área, mas pedindo-
Ministros, é a forma de uma variável política muito for- lhes a extinção, tanto do Tribunal de Contas da União
te, é uma resultante política muito forte, e um controle quanto dos Conselhos dos Tribunais Estaduais. Por
sobre esse componente político seria fundamental. E quê? Parece-me que está bastante explícita na minha
a forma de fazer isso é por meio de um conselho, com proposta que as contas, em qualquer nível, sejam a
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do Governo Federal, sejam as federais, estaduais ou Assembleia Legislativa – é apenas um exemplo –, que
municipais, têm de ter um julgamento técnico e uma representou aumento real para a categoria e a política
parte política, vamos dizer assim. de valorização e reciclagem dos servidores.
O julgamento técnico tem de ser feito, a avaliação Eu, que por três vezes fui Deputada Estadual, sei
técnica tem de ser feita por um corpo de auditores da muito bem o valor dessa conquista para a categoria.
mais alta qualidade, realmente pessoas que tenham Saúdo efusivamente toda a Diretoria do Sindicato
alta competência, alta competência mesmo, para ava- dos Servidores da Assembléia Legislativa do Estado
liar as contas nível de competência técnica. de Mato Grosso, na figura de seu Presidente, Sr. Le-
Em nível político, há dois patamares de avaliação. onir Pereira dos Santos.
Eu diria que o patamar importante é o dos Parlamen- Em Rondonópolis, o Sindicato dos Servidores
tos, seja o Congresso Nacional, sejam as Assembléias Públicos Municipais (Sispmur) tem uma vasta progra-
Legislativas ou as Câmaras Municipais. A competên- mação para as comemorações do Dia do Servidor. De-
cia política é dessas instâncias. Essas instâncias têm sejo sucesso e, carinhosamente, um abraço a todas e
realmente a possibilidade de fazer isso, porque têm o a todos desse sindicato, que passou a ser referência
voto da população. As instâncias intermediárias, que de luta e que é tão bem representado pelo Sr. Rubens
são os Conselhos e o TCU, também é uma instância Paulo, Presidente.
política, mas como é feita essa representação? Então, Registro ainda que hoje, no auditório da Escola
ficam esses pontos de interrogação. de Saúde Pública de Mato Grosso, a Presidente do
Está na Comissão de Constituição e Justiça o pro- SISMA, Mato Grosso, Aparecida Silva Rodrigues, está
jeto de minha autoria, cujo Relator é o Senador Valter ministrando a palestra Nova Proposta do Plano de Car-
Pereira, que, inclusive, pediu uma audiência pública a reira dos Profissionais do SUS. O evento faz parte da
esse respeito, e a discussão deve continuar. Oficina de Integração dos Servidores do Cermac, que
Se vão ou não ser extintos, essa é outra discussão. teve início ontem, dia 28, e se encerra hoje.
O que nós queremos, realmente, é provocar o deba- As discussões do novo PCCS com os servido-
te e o entendimento, porque, caso se modifique essa res tiveram início na última terça-feira, em assembleia
instância de poder, que ela passe a ter não só uma geral da categoria realizada no período da tarde, na
constituição diferenciada, como também uma forma di- sede do sindicato. Espero que essa situação se resol-
ferenciada da que vem sendo usada hoje para fazer as va rapidamente. Parabéns ao SISMA-MT, Sindicato
avaliações das contas em qualquer nível de poder. dos Servidores Públicos da Saúde e Meio Ambiente
Senhoras e senhores, Presidente José Sarney, do Estado de Mato Grosso.
que preside a sessão neste momento, vamos fazer uma Parabenizo ainda o Presidente do Sindicato dos
breve fala sobre os nossos servidores públicos, o ser- Trabalhadores no Ensino Público do meu Estado de
vidor público do nosso País, dos nossos Estados, dos Mato Grosso, o Sintep, Sr. Gilmar Soares Ferreira, e
nossos Municípios, em qualquer instância de poder, todos os servidores da educação, categoria que já ho-
porque ontem foi o dia do servidor público. menageei com um discurso no dia dos professores.
Foi no século passado, em 1943, que o então Pre- Mas, nessas comemorações, uma categoria que
sidente Getúlio Vargas instituiu o 28 de outubro como está merecendo atenção é a dos servidores munici-
o Dia do Funcionário Público. No entanto, no Estado pais da saúde de Cuiabá e também de Várzea Gran-
Brasileiro, o serviço público começou bem antes: em de. Quero aqui registrar, Sr. Presidente, que o caos na
1808, com a chegada da família real portuguesa. saúde pública, em Cuiabá, se agravou intensamente.
Já são, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, 200 Temos ali uma greve que já se estende por mais de
anos dessa atividade tão importante ao povo brasileiro, um mês, sem que as autoridades municipais do gover-
que já passou por todos os regimes, desde a monar- no comandado pelo Prefeito Wilson Santos consigam
quia, a república, a ditadura e felizmente a nossa tão achar a solução.
cara democracia. Em 1990, com o novo Estatuto dos Para piorar, no auge dessa crise, aproximadamen-
Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e te 60 médicos se demitiram do pronto-socorro, eles que
das Fundações Públicas Federais, a denominação de vinham definindo como um ambiente repulsivo.
funcionário foi substituída pela de servidor. Com essa atitude dos médicos, notadamente
Lá em meu Estado, o servidor público, em algu- dos cirurgiões que trabalhavam no Box de Emergên-
mas categorias, já avançou muito em suas conquistas cia do Pronto Socorro, a Prefeitura, utilizando verbas
tanto por melhores salários como por melhores con- do Governo Federal, repassadas através do progra-
dições de trabalho. Exemplo disso foi a aprovação do ma QualiSUS, do Ministério da Saúde, já deu início à
Plano de Cargos, Carreira e Salários dos Servidores da nova reforma do pronto-socorro. Foi uma atitude, diria
55948  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

que ousada dos senhores médicos, mas necessária. to desse serviço, porque a população de Cuiabá, da
Sem essa atitude, talvez, nem essa reforma estivesse grande Cuiabá, não pode...
acontecendo. (Interrupção do som)
Mas só a reforma também não basta. Uma inspe-
ção do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso A SRA. SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT
apontou uma série de irregularidades na gestão da- – MT) – ...a nossa população cuiabana, da baixada
quele espaço. Faltam remédios básicos. Faltam leitos. principalmente, do vale do rio Cuiabá, não pode sofrer
Falta fixar uma logística para que os pacientes que até as consequências e ficar totalmente abandonada pelo
ali são conduzidos não continuem a ser tratados como serviço público de saúde.
estão sendo tratados. Para essa categoria, o grande Quero aqui render a minha homenagem, o meu
presente seria a solução desse impasse. carinho, a todos os servidores públicos, sejam eles
Médicos, trabalhadores, servidores, especial- municipais, estaduais ou federais, de todo o meu País,
mente do nosso pronto socorro de Cuiabá, precisam do nosso Brasil, especialmente do meu Mato Grosso
realmente de uma atenção muito especial, e abrir um e da nossa capital Cuiabá. Em Mato Grosso, o meu
diálogo com os médicos nessa crise da saúde pública abraço carinhoso a todos os servidores públicos de
de Cuiabá é imprescindível. todos os nossos Municípios, especialmente da nossa
Concedo um aparte ao Senador Mozarildo. capital Cuiabá. Que se mobilizem, que se organizem e
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Sena- que conquistem, cada vez mais, direitos que lhes são
dora Serys, quero pedir permissão para aproveitar o merecidos, com certeza.
pronunciamento de V. Ex.ª e homenagear os servidores Muito obrigada, Sr. Presidente.
públicos de todo o Brasil, mas especialmente do meu Durante o discurso da Sra. Serys Slhes-
Estado. V. Ex.ª faz um pronunciamento que menciona sarenko, o Sr. Mão Santa, 3º Secretário, deixa
com justeza que foi Getúlio Vargas, justamente do PTB, a cadeira da presidência, que é ocupada pelo
que criou o dia de homenagem ao servidor público. E Sr. José Sarney, Presidente.
também fico preocupado com a análise que V. Ex.ª
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
faz da questão da Medicina, da saúde. Os servidores
– Passa-se à Ordem do Dia.
públicos – todos, na verdade, digo sim, como o profes-
Não há matéria na Ordem do Dia de hoje, uma
sor, o médico, o policial – que lidam com a vida, com
vez que na sessão de ontem esgotamos todas as vo-
o ensino e a segurança são, lamentavelmente, não só
tações.
mal pagos como são tratados de maneira ruim no que
Sobre a mesa, ofício que será lido pelo Sr. 1ª Se-
tange às condições de trabalho. O professor não tem
cretário em exercício, Senador Mão Santa.
boas condições de trabalhar, o médico não tem boas
condições e o policial – aí nem se fala, porque é tão É lido o seguinte:
delicado – é um profissional que está sempre no limi-
Of. n° 1.426/P
te entre a vida e morte. Portanto, quero parabenizar V.
Exª pela abordagem do tema, dizer que é preciso que Brasília, 29 de outubro de 2009
a gente realmente volte a ele com muita frequência. A Sua Excelência o Senhor
Termino, homenageando os servidores do meu Esta- Senador José Sarney
do, não só os do ex-território como os do Estado, que Presidente da Mesa Diretora do Senado Federal
agora precisam de muito mais atenção.
MANDADO DE SEGURANÇA Nº 27613
A SRA. SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT –
RELATOR: Ministro RICARDO LEWANDOWSKI
MT) – Obrigada, Senador Mozarildo. Para encerrar,
IMPETRANTE: Acir Marcos Gurgacz
eu diria que espero com confiança que o Prefeito da
IMPETRADA: Mesa do Senado Federal
capital, Wilson Santos, que não é do meu Partido, mas
LITISCONSORTES PASSIVOS: Expedito Gonçalves
do PSDB, e que é uma pessoa que tem preocupações
Ferreira Júnior, Elcide Alberto Lanzarin, Jabis Eme-
sérias com questões como a saúde, faça um diálogo
rick Dutra
aberto, franco, e que se ultimem todas as condições
possíveis imediatamente para que os serviços de saúde Senhor Presidente,
do município de Cuiabá sejam restabelecidos. Comunico a Vossa Excelência que o Supremo
Eu sei que as dificuldades são grandes, mas sei Tribunal Federal, na sessão plenária realizada em 28
também que, abrindo o diálogo e conversando de forma de outubro de 2009, por maioria, concedeu a segu-
franca e aberta com os servidores da área de saúde rança para determinar à Mesa do Senado Federal que
do Município de Cuiabá, é possível o restabelecimen- cumpra imediatamente a decisão da Justiça Eleitoral,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55949 

dando posse ao impetrante Acir Marcos Gurgacz, na para 361. Assim, reduz-se praticamente pela metade
vaga do Senador Expedito Gonçalves Ferreira Júnior, as posições chefia.
cujo registro foi cassado pela Justiça Eleitoral, preju- Por outro lado, eu também, por ato da Presidên-
dicado o agravo regimental interposto pelo impetrante, cia, extingui 518 cargos do Quadro do Senado. Eram
vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que indeferia cargos que estavam vagos, mas que foram extintos
a segurança. para não serem objeto de preenchimento. Tanto que
Atenciosamente, Ministro Gilmar Mendes, Pre- outro dia falaram que a Mesa estava criando cargos,
sidente. e eu disse que se tivéssemos de criar cargos, não
precisaríamos, porque estávamos, isto sim, extinguin-
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
do. Teríamos utilizado esses cargos vagos para fazer
– O Ofício lido vai à publicação e providências.
essa criação.
Quero chamar a atenção das Srªs e dos Srs. Se- O número de diretorias, de cargos com o status
nadores para a reforma administrativa da Casa, que de diretor cai de 180 para 7 diretorias na Casa. Ficam
foi hoje apresentada pela Fundação Getúlio Vargas e extintos os cargos de diretores e subsecretarias e pas-
submetida à Mesa. A Mesa resolveu abrir um prazo de sam a existir somente os chefes de departamento.
15 dias para que todos os Srs. Senadores examinem Em síntese, posso dizer que o atual modelo ad-
a matéria e ofereçam sugestões, emendas e suas opi- ministrativo será abandonado por completo. No seu
niões a respeito do assunto. lugar, surgirá a pirâmide de uma nova estrutura orga-
Uma vez decorrido esse prazo, teremos 10 dias nizacional, que tem o respaldo científico de uma das
para compatibilizar as sugestões dos Srs. Senadores instituições consideradas entre as cinco instituições
com o projeto apresentado. do mundo produtoras de pensamento: a Fundação
E depois, concluído o projeto, o submeteremos Getúlio Vargas.
ao Plenário da Casa. Espero que até o fim do mês No campo da moralização, as investigações das
próximo tenhamos condições de concluir essa parte irregularidades descobertas nos últimos meses estão
dos nossos trabalhos, esse compromisso. avançando. Na reunião desta manhã, a Mesa, sob a
O Senado está cumprindo o que prometeu a nossa minha Presidência, aprovou relatório da Comissão de
sociedade. E esta manhã, também na reunião da Mesa, Inquérito, apresentado pelo 1º Secretário, e decidiu
tomamos importantes decisões para o enxugamento, demitir o servidor José Carlos Zoghbi, depois de cum-
racionalização administrativa e moralização. pridas as formalidades legais.
Em primeiro lugar, no campo administrativo, a Assim, as medidas para sanar as irregularidades
proposta da reforma foi recebida oficialmente e já está criadas pela edição de atos não divulgados e punir os
distribuída aos Srs. Senadores e Srªs Senadoras. responsáveis por essas e outras distorções estão ge-
Estamos chegando, como eu disse, à fase final rando os resultados esperados.
de um complexo processo que teve início no começo Encontram-se em andamento os trabalhos da
do ano e passou por várias etapas: apresentação de Comissão de Inquérito que investiga outros servidores
estudo preliminar da Fundação Getúlio Vargas, abertura no caso dos chamados atos não divulgados.
de consulta pública e coleta de sugestões de todos os A Mesa revogou, também esta manhã, o ato que
servidores da Casa – foram recebidas cerca de 450 permitia aos gabinetes de liderança e de membros da
sugestões –, sistematização dessas contribuições por Mesa o deslocamento de até três funcionários em co-
uma comissão interna, avaliação do documento resul- missão para os seus escritórios regionais.
tante pelo Conselho de Administração do Senado e Sobre o controle de horas extras, no prazo de
pela Fundação Getúlio Vargas, e, enfim, a entrega da 150 dias, estarão concluídos os procedimentos para
minuta do anteprojeto de resolução. licitação da compra dos equipamentos necessários
Os Senadores terão 15 dias, a partir de hoje, para ao cadastramento das digitais dos servidores. Antes
apresentar suas sugestões. Elas serão consolidadas desse prazo, será implementado o sistema de regis-
pela 1ª Secretaria e, no prazo de dez dias, analisadas tro de ponto eletrônico, mediante senha, com base no
por representantes da Fundação Getúlio Vargas e pelo sistema eletrônico Ergon.
Conselho de Administração do Senado. Ao final, será Esse tema, o das horas extras, é de grande com-
elaborado um projeto de resolução para apreciação e plexidade. Apenas como ilustração, pode-se tomar o
votação pelo Plenário desta Casa. exemplo do dia 6 de agosto, quando as atividades le-
A proposta entregue hoje, para análise inicial dos gislativas iniciaram-se às 8h30. A sessão plenária des-
Senadores – e peço a sua atenção –, prevê a redução sa data encerrou-se às 20h23, e a Secretaria da Ata
de 602 cargos de chefia de unidades administrativa terminou sua atividade às 00h29 do dia 7 de agosto.
55950  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O material produzido pela Ata, por sua vez, municiou para o ano de 2009, o que não acontecia há muitos e
a ação da Secretaria Especial de Editoração e de Pu- muitos anos nesta Casa. No passado, esta Casa solici-
blicação – a Gráfica. Praticamente, trabalhamos 24 tou crédito de até R$230 milhões. Exemplo do avanço
horas ininterruptas. Ou seja, o funcionamento do Se- alcançado, estamos trabalhando na execução do orça-
nado se orienta pela dinâmica da atuação parlamentar mento de 2009 com um superávit de R$210 milhões,
e não por balizamentos estritamente administrativos o que significou economia produzida pela Casa.
burocráticos. Essa economia decorre de uma série de medidas,
A falta de compreensão desses e de outros te- tais como a contenção nos gastos de saúde, passa-
mas peculiares ao Poder Legislativo resulta em uma gens aéreas, gráfica, contratos, hora-extra, gratifica-
certa desinformação sobre o papel do Senado e de ções de comissões. Por exemplo, já houve um corte
sua produção. de R$12 milhões nas licitações de dois contratos de
A realidade demonstra que o Senado tem feito a terceirização de mão de obra nas áreas de comuni-
sua parte. Assim, revela a evolução da atividade legis- cação e de vigilância, preservando-se os direitos so-
lativa nos últimos anos. Em 1997, o Senado aprovou ciais dos trabalhadores e evitando demandas judiciais
374 matérias. desnecessárias.
Até o final de setembro de 2009, esse número Além do mais, com o recadastramento dos fun-
já alcançava 1.581 projetos e outros atos legislativos cionários e auditoria de todos os contratos, o que está
aprovados, o que representa um crescimento de 323% sendo feito pelo Tribunal de Contas da União, resultarão
em relação ao ano referido. numa radiografia completa dos recursos humanos da
Assim, em relação somente a 2008, nós vota- Casa. Aqueles que não se cadastrarem serão punidos
mos 1.257 matérias e, em 2009, até hoje – e o ano na forma da lei – os que não o fizerem até o fim do
ainda não terminou –, nós votamos 1.581 matérias, mês, terão os vencimentos suspensos.
um acréscimo no percentual já anunciado. Por tudo isso, posso afirmar com satisfação, em
Há que considerar ainda o trabalho das comissões nome dos meus colegas da Mesa e da Mesa, que nós
temáticas por onde passam as matérias legislativas e deixaremos, como legado, uma Casa completamente
é possível aprofundar as discussões submetidas ao reestruturada, modernizada, corrigidas as distorções e
Senado Federal ou por ele propostas. irregularidades advindas de um modelo organizacional
Em 1997, para fazermos uma comparação, havia deficiente e ultrapassado.
sete comissões permanentes. Hoje, o Senado trabalha A população brasileira percebe esse esforço e
com onze, além de mais de trinta subcomissões, outras mostra o seu apoio ao Senado. Em recente pesqui-
tantas comissões temporárias e comissões mistas, em sa, 52% dos brasileiros manifestaram-se favoráveis
que o Senado atua em conjunto com a Câmara dos à existência do Senado na estrutura dos Poderes da
Deputados. República.
Vale ressaltar também que, além da atividade le- Assim, quero congratular-me com todos que com-
gislativa, há um conjunto de ações de caráter político põem esta Casa e agradecer aos meus companheiros
de acompanhamento e defesa das causas públicas e de Mesa o trabalho que estamos realizando conjun-
da cidadania, na forma de debates em plenário ou nas tamente.
comissões entre os próprios Senadores ou com a pre- Muito obrigado.
sença de convidados, em permanente busca de escla- O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) –
recimentos e de soluções, e de dezenas e dezenas de Pela ordem, Sr. Presidente.
audiências públicas realizadas aqui nesta Casa. O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
Outra faceta da atividade parlamentar da Casa Presidente, pela ordem.
é a indispensável relação com o cidadão, de onde o O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
parlamentar recolhe subsídio de sua atuação, seja no – Pela ordem, Senador Eduardo Suplicy.
contacto direto ou por meio dos recursos de divulga- O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Pela
ção e interatividade proporcionados pela TV, Rádio ordem, Sr. Presidente.
Senado e Internet. O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP.
Desde 1995, quando foi inaugurada, a TV Senado Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente,
vem trabalhando intensamente. No ano passado, em cumprimento V. Exª e os componentes da Mesa pelo
tempos globais, a emissora produziu 2.517 horas. esforço de realizar esta reforma administrativa e de
Mesmo com o incremento das suas atividades e já indicar passos significativos para o enxugamento
da sua produtividade, o Senado, pela primeira vez em de gastos e dar maior racionalidade à administração
muitos anos, não pediu nenhum crédito suplementar do Senado, a exemplo da medida anunciada por V.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55951 

Exª de reduzir de 180 para sete as diretorias aqui no soa que acaba de ver a proposta encaminhada por V.
Senado, um assunto que causou maior perplexidade Exª, de que estaria lá contida. Mas se não está, fico
na opinião pública. Então, trata-se de uma medida na mais tranqüilo.
direção correta. O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB –
Eu gostaria de encaminhar em mão a V. Exª uma AP) – A Comissão encarregada foi orientada por nós
sugestão para exame da Mesa, conforme V. Exª nos nesse sentido.
pede, um projeto de resolução que altera composição, A primeira proposta – esta é a confusão feita –
subordinação e atribuições do Conselho de Adminis- estabelecia que seria comissionada. Já na segunda,
tração do Senado Federal, que eu já havia entregue à havia uma proposição de que poderia ser da Casa ou
Senadora Serys Slhessarenko e Senador Mão Santa. comissionada. E a minha orientação foi no sentido de
Mas eu gostaria de entregar pessoalmente a V. Exª. a chefia de gabinete ser exercida somente pelos fun-
Com respeito a uma das medidas anunciadas cionários da Casa.
agora por V. Exª, considero importante aquela que foi O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) –
objeto das observações de inúmeros Líderes e Sena- Então quero dizer que estou plenamente de acordo com
dores, como a de não permitir que lideranças e mem- essa decisão da Mesa e de V. Exª, Sr. Presidente.
bros da Mesa pudessem ter três servidores nos seus O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
locais de origem. – Muito obrigado.
Com respeito à chefia de gabinete ser eventu- Concedo a palavra ao nobre Senador Mozarildo
almente ocupada por servidor não concursado da Cavalcanti, que pediu a palavra em primeiro lugar.
Casa, tenho uma indagação, Presidente. É a única in- O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR.
dagação que farei agora. A indagação é se isso é vo- Pela ordem, sem revisão do orador. ) – Sr. Presiden-
luntário. Porque eu, por exemplo, tenho, desde 1991, te, Srªs e Srs. Senadores, eu gostaria de registrar o
uma chefe de gabinete que considero exemplar e que meu aplauso e a minha confiança que aliás sempre
é servidora. Então, posso mantê-la. Imagino que sim. manifestei na condução dos trabalhos do Senado pela
Mas, aqueles que porventura quiserem ter uma chefia Mesa que V. Exª preside.
de gabinete com servidor não concursado da Casa, de Penso, Sr. Presidente, que as medidas anuncia-
livre provimento, como aquela pessoa, de livre provi- das mostrando redução de gastos poderiam também
mento, não pode, de pronto, ocupar esse cargo, será ser expandidas para outros Poderes. Por exemplo, a
que não haverá aí a necessidade de criação de um informação que tenho é de que a Presidência da Re-
cargo para que essa pessoa de livre provimento, então pública aumentou seus gastos, nos últimos tempos, de
comissionada, ocupe a chefia de gabinete? É a inda- maneira astronômica. Também a informação que tenho
gação que formulo, porque a informação que obtive é é de que o Presidente da República tem mais servido-
que, necessariamente, se for aberta a possibilidade de res à disposição da Presidência do que o Presidente
o comissionado ocupar a chefia de gabinete, haveria dos Estados Unidos. Então, acho que este exemplo
com isso a criação de um cargo. que o Senado está dando, depois de ter sofrido, vamos
É apenas isso, Sr. Presidente. dizer assim, um período de críticas ferrenhas, deveria
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) – ser copiado pela Presidência da República, pelo Poder
A partir de hoje peço a V. Exª que formalize de maneira Executivo como um todo e também pelo Poder Judici-
sistemática e determine o envio à 1ª Secretaria, onde ário. Por que não dizer? Não quero dizer que o Poder
estão sendo processadas todas as sugestões. Judiciário esteja cometendo qualquer tipo de coisa, mas
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) – é importante que essa resposta que está sendo dada
Já o fiz. Já está formalizado, mas eu faço questão de pela sua Presidência, pela Mesa do Senado, sirva de
entregar a V. Exª cópia da proposição. exemplo para os demais Poderes.
O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB – RR) O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
– Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. – Muito obrigado a V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) Senador Jefferson Praia.
– Receberei a cópia e agradeço a V. Exª a gentileza, O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM. Pela
Também afirmo que não se encontra na reforma pro- ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, eu
posta, segundo me foi informado por aqueles que trata- gostaria também de externar a minha satisfação em
ram, essa hipótese da nomeação de chefe de gabinete ouvir o que V. Exª acabou de relatar.
que não seja funcionário da Casa. Entendo que, hoje, no nosso País, um dos gran-
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) – des desafios que temos está relacionado à questão da
Essa é uma informação passada a mim por uma pes- gestão da coisa pública, não só no Parlamento, mas
55952  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

no Poder Executivo. Este é o grande desafio nosso, O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
aqui nesta Casa. E, quando V. Exª socializa, leva ao – Se não houver objeção de nenhum...
conhecimento de todos, é claro, nos dá condições de O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR. Sem revisão
participarmos, para que possamos dar as nossas su- do orador.) – Sr. Presidente, a Liderança do Governo
gestões na reforma administrativa e, assim, acredito concorda com a proposta do Senador Eduardo Azeredo,
que estaremos fazendo o que realmente o povo quer. pois há acordo para a votação das duas matérias.
E que este exemplo que o Senado está dando vai ca- Quero aproveitar, em nome do PMDB e do Go-
minhar no sentido de chegarmos a uma boa aplicação verno, para reafirmar a nossa confiança na gestão de
dos recursos públicos, tornarmos o Senado eficiente V. Exª e nas medidas que estão sendo tomadas para
e eficaz, com resultados para a sociedade e que se encaminhar o Senado da forma que a sociedade es-
estenda para o restante do País, para os demais parla- pera. Portanto, não há dúvida alguma da gestão de
mentos, para todas as prefeituras do nosso País, para V. Exª, do compromisso com o País e das mudanças
os governos e também para a União. que serão feitas e que estão sendo feitas no Senado
Muito obrigado, Sr, Presidente. da República.
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) – Muito obrigado a V. Exª.
– Agradeço. Acho que nós estamos cumprindo com o Quero também esclarecer, uma vez mais, ao
nosso dever. Eu, ao assumir a Presidência, recebi como Senador – já esclareci ao Senador Suplicy – que já
herança todas essas críticas e o que nós tínhamos da houve várias etapas de propostas. A última, que está
parte administrativa. Não tenho feito outra coisa senão aqui, realmente alude ao fato de as chefias de gabine-
me dedicar, dia e noite, todos os dias, já na minha ida- te poderem ser exercidas por pessoas com cargos em
de, com a experiência de cinco mandatos exercidos comissão, por pessoas comissionadas no gabinete, ou
nesta Casa... Fico feliz quando os colegas reconhe- por funcionários da Casa.
cem o esforço que naturalmente estou fazendo com Pessoalmente, vou apresentar uma emenda às
todos os nossos companheiros da Mesa, como disse, Comissões como Senador, porque, como Presidente,
para que esteja à altura da responsabilidade que me também já orientei nesse sentido, de só termos como
foi entregue por esta Casa. chefes de gabinete os funcionários da Casa, uma vez
Muito obrigado. que esse cargo exige uma memória dos trabalhos da
Casa, um conhecimento do funcionamento da Casa.
O Senador Eduardo Azeredo tem a palavra.
De maneira que é nesse sentido, nessa direção que
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG. Sem
vamos trabalhar.
revisão do orador.) – Sr. Presidente, inicialmente quero
Estamos tomando providências para a matéria
também cumprimentar V. Exª e toda a Mesa pelo es- para a qual o Senador Eduardo Azeredo pediu urgência
forço que vêm fazendo para que todas essas questões esteja em condição de ser votada. Assim que estiver,
administrativas sejam resolvidas. vamos proceder à votação. Estamos em plena Ordem
Quero ainda, Sr. Presidente, pedir que, tendo em do Dia e poderemos fazê-lo.
vista a aprovação de urgência na Comissão de Assuntos Como estamos providenciando a matéria, eu vou
Sociais, seja incluído em pauta o PLS nº 20, de 2005. anunciar o Senador Jefferson Praia.
Trata-se de um projeto que dispõe sobre a certificação V. Exª tem a palavra e disporá do tempo neces-
das entidades beneficentes de assistência social, re- sário para seu discurso.
gulando os procedimentos de isenção de contribuições O SR. MARCO MACIEL (DEM – PE. Sem revi-
para a seguridade social e outras providências. Esse são do orador.) – Sr. Presidente, se não houver impe-
projeto necessita de urgência, tendo em vista o caso dimento, após as palavras do Senador Jefferson Praia,
das entidades que ainda estão com o certificado de eu pretendia dizer algumas palavras aqui. Para isso,
filantropia suspenso. É um problema em todo o País. estou inscrito também.
De maneira que fizemos um grande esforço na Comis- O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
são de Assuntos Sociais, onde os partidos – PSDB, – Pois não. Teremos imensa honra de ouvi-lo, Senador
Democratas, bloco de apoio ao Governo, PTB – pe- Marco Maciel. V. Exª está inscrito.
diram a urgência, que foi aprovada. De maneira que O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM. Pronun-
eu queria ver se poderíamos votar aqui esse projeto, cia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr.
ainda nesta parte da tarde, bem como o PLC nº 3.708, Presidente, Srªs e Srs. Senadores...
que apenas dá nome ao campus da Universidade de O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP. Sem
Sorocaba, aliás, de São Carlos. revisão do orador.) – Perdão, Sr. Presidente e Sena-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55953 

dor Jefferson Praia. Aqui está o estudo do projeto de convenções e atos internacionais, estando esses sujei-
reestruturação administrativa do Senado. No Anexo I, tos, é claro, a referendo do Congresso Nacional.
quadro de pessoal do Senado, Chefe de Gabinete do Por essa razão, lanço, desde já, um apelo ao Pa-
Presidente, Cargo SF-2. lácio do Planalto e ao Itamaraty para que tudo façam a
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) fim de garantir a manutenção dos benefícios conquis-
– Senador Suplicy, eu pediria a V. Exª... tados pela Zona Franca de Manaus desde 2004 no
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) – marco do Acordo de Complementaridade Econômica
Perdão. Vou mostrar a V. Exª. (ACE-59) com a Venezuela, que impede toda e qualquer
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) discriminação contra os produtos oriundos do nosso
– V. Exª não ouviu a última observação que fiz. Real- polo industrial, do Polo Industrial de Manaus.
mente, temos três propostas: a primeira, a segunda Lembro que esse acordo foi celebrado entre o
e essa terceira proposta. Nessa terceira proposta, há Mercosul e a Comunidade Andina de Nações ao tem-
essa hipótese de ser uma coisa ou outra. Mas minha po em que a Venezuela ainda participava dessa comu-
orientação será no sentido de termos só funcionários nidade. Graças a ele, Sr. Presidente, as exportações
da Casa. do Amazonas à Venezuela deram um salto de 525%
Já tive oportunidade de esclarecer isso. em apenas cinco anos, crescendo de 28 milhões de
O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT – SP) – dólares, em 2003, para 181 milhões de dólares, em
Obrigado. 2008, o que hoje coloca a Venezuela no segundo lugar
O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM. Pronun- do ranking dos principais destinos das exportações do
cia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Polo Industrial de Manaus, com destaque para produ-
Presidente, Srªs e Srs. Senadores, hoje, dia 29 de tos como extrato de bebidas não alcoólicas, telefones
outubro, esta Casa deu mais um passo importante no celulares e televisores.
sentido de referendar, no tocante ao Brasil, a adesão Foi necessário assinar o ACE-59, pois o Mer-
da República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul. cosul entende as Zonas Francas como “terceiro país”
A esta altura, Sr. Presidente, parece-me de pouca no comércio do bloco. Embora o Mercosul tenha esse
ou nenhuma consequência prática reiterar objeções. entendimento, é permitido que se celebrem acordos
Resta orarmos para que tenham razão aqueles que bilaterais. Tanto é assim que, há 15 anos, a Argentina
defendem a recepção da Venezuela pela comunidade e o Brasil firmaram acordo para isenção de tributos
mercosulina com o argumento de que o convívio com referentes à importação dos produtos oriundos da
as democracias do bloco servirá para arejar o clima área aduaneira da Terra do Fogo e da Zona Franca
político-ideológico do regime chavista e resgatar a po- de Manaus.
sição do perigoso isolamento atual. Faz-se, por conseguinte, imperativo que os ne-
Não me parece fora de propósito formular uma gociadores diplomáticos brasileiros estejam atentos
prece adicional na esperança de que, integrado a um contra qualquer descuido que coloque em perigo, Sr.
pacto de nações amantes da paz, o Governo Chávez Presidente, o futuro deste grande patrimônio econô-
reduza seus bilionários gastos com a importação de ar- mico, social e também ambiental representado pelo
mamentos sofisticados e arquive suas recentes abertu- Polo Industrial de Manaus.
ras ao regime xiita iraniano e ao estabelecimento militar Este é, Sr. Presidente, o apelo que faço, portan-
russo, de modo a exorcizar o risco de ‘importar’, para to, para ficarmos...
o nosso continente, conflitos e rivalidades estratégicas O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Se-
das distantes regiões do globo. (Ainda assim, por maior nador Jefferson Praia...
que seja a nossa fé, creio que a medida preventiva O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Pois
mais eficaz consistiria na adoção de uma sistemática não, Senador Mozarildo. É com muito prazer que ouço
transparente de verificação mútua e regular dos arse- V. Exª.
nais de todos os membros do Mercosul.) O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Fico
Portanto, Sr. Presidente, quero ressaltar que não muito feliz de ouvir as ponderações de V. Exª no que
é só disso que quero falar. O meu tema é, sim, o inte- tange ao Polo Industrial de Manaus porque, em todos
resse do Brasil e, especialmente, do meu grande Es- os debates, mas hoje especialmente, no debate da
tado do Amazonas, que tenho a honra de representar votação, ouvi vários Senadores da Comissão ressal-
nesta Câmara Alta. tarem o superávit da balança comercial entre Brasil e
Tenho bem presente o inciso VIII do art. 84 da Venezuela, que é basicamente por conta do comér-
Constituição Federal, que inclui, entre as atribuições cio de São Paulo e de Minas Gerais com aquele País.
do Presidente da República, a celebração de tratados, Embora V. Exª tenha dito que o destino dos produtos
55954  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

da Zona Franca de Manaus, do Polo Industrial, tenha voráveis, pontos positivos e negativos. Todos nós, que
como segundo maior destino a Venezuela, isso ainda conhecemos um pouco a história, não queremos, em
é muito pouco comparado com a potencialidade que nenhum momento, cometer erros para que, lá na fren-
tem o Polo Industrial de Manaus. Então, disse que vou te, possamos nos arrepender. Principalmente eu, que
cobrar, e espero que nos unamos nisso, que, uma vez cheguei a esta Casa há um ano e pouco, sucedendo
ingressando no Mercosul, a Venezuela de fato tenha um grande Senador. Nunca pensei em ser Senador,
um olhar mais atento para os Estados vizinhos, como não sei se um dia serei Senador após este mandato,
é o caso do Estado de Roraima e do Estado de V. Exª, mas não quero ter, nunca na minha vida, um peso na
o Amazonas, porque senão vamos continuar aprofun- minha consciência de ter feito algo errado dentro desse
dando as desigualdades regionais. Fora o fato – e V. contexto, por exemplo, da Venezuela. Por tudo o que
Exª frisou muito bem o que foi um dos grandes argu- se vê lá, mais à frente, pode-se perceber Hugo Chávez
mentos usados por todos; aliás, foi quase uma unani- querendo fazer – e usarei um termo muito simples e
midade, mesmo entre aqueles fervorosos defensores até chulo – maluquices na América do Sul.
– de que a democracia na Venezuela não está boa. Percebemos os pontos positivos e os pontos
Se é que existe democracia boa e ruim. Para mim, ou negativos. Estou muito concentrado também na par-
é democracia ou não é. Todo mundo, digamos assim, ticularidade do Estado do Amazonas. Hoje as nossas
fez ressalvas à conduta do Presidente Chávez e tam- exportações são boas. Cinco por cento, em cinco anos;
bém usou o argumento de V. Exª, de que não é ade- aumentamos 525%. Veja bem V. Exª.
quado isolá-la, como foi feito com Cuba. Eu votei a O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – E
favor, Senador Jefferson Praia, e apresentei um voto são boas sem o Mercosul, só com o acordo bilateral
em separado que não chegou a ser apreciado porque existente.
foi vencedor o que me antecedia. Tive que votar, por- O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Isso.
tanto, com esse voto em separado, com ressalva. Isto E com o Mercosul, veja bem, devemos observar o ris-
é, votei a favor, mas com ressalvas, porque realmente co. E esse é um ponto sobre o qual tenho de dar uma
não poderia, como Senador de Roraima, um Estado estudada porque não entendo dessa área de Direito
encravado na Venezuela, votar contra. Só acho – e Internacional, mas vou procurar saber um pouco mais.
repito – que, em tempo, deveria ter entrado desde o É preciso saber se não há perigo de a Zona Franca de
início. Se não entrou, agora o momento não é muito Manaus ser considerada um terceiro país. Não pode-
adequado. Não é e continua não sendo. Mas não votei mos, por exemplo, ter esse entendimento.
contra; votei a favor e estou com o mapa de votação Em conversas muito rápidas que tive sobre este
aqui na mão. Mas quero dizer que esse ingresso me- assunto, alguém chegou a me falar que prevaleceria
rece, sim, ser observado com cautela para não abrir o acordo que já temos atualmente e também um acor-
precedentes para que outros países, em situação se- do bilateral. Caso fosse esse o encaminhamento, não
melhante, queiram entrar também no Mercosul. Acho seria difícil ser feito.
que a integração, aliás, idealizada pelo Presidente Senador Romero Jucá, com muito prazer, ouço
José Sarney, quando era Presidente da República, V. Exª.
é perfeita. Temos que integrar toda a América do Sul O Sr. Romero Jucá (PMDB – RR) – Senador
mesmo e, se possível, a América Central também, mas Jefferson Praia, é apenas para registrar a importância
não a qualquer preço, não de maneira açodada. E o do que foi aprovado hoje, dizer que, no processo de
que percebi hoje, coincidentemente, é que tinha que negociação, todas as salvaguardas estão sendo fei-
se votar na Comissão de Relações Exteriores, porque tas. E mais: o procedimento que estamos negociando
o Presidente Lula foi à Venezuela e, hoje à noite, terá com a Venezuela, a relação que se está estreitando
um jantar com o Presidente Chávez. Portanto, devem com a Venezuela será extremamente importante para
comemorar essa aprovação na Comissão de Rela- os Estados de Roraima e Amazonas. Hoje a Venezue-
ções Exteriores. la compra fora mais de 70% do que consome e tem
O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Muito uma balança comercial bastante positiva com o Brasil.
obrigado, Senador Mozarildo. O Brasil vende e tem um superávit de mais de 4,5 bi-
Estamos com um tema muito delicado e, é claro, lhões, duas vezes e meia o superávit que temos com
todos estamos refletindo. V. Exª já deu seu voto na Co- os Estados Unidos, para ver a importância relativa no
missão de Relações Exteriores. Terei a oportunidade que diz respeito ao saldo comercial, e compra R$7 bi-
de dar meu voto favorável ou não e até de me abster lhões à Colômbia. O Presidente Chávez quer substituir
quando este tema, esta questão chegar ao plenário. É essas aquisições da Colômbia para outros países da
um tema complicadíssimo porque existem pontos fa- América do Sul, por conta de relações de divergência
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55955 

política. O País e a região com mais condições para entendimento. A meu ver, esse pensamento talvez con-
substituir esse fornecimento de alimentos, de produtos duza a entrada da Venezuela no Mercosul.
industrializados, são os Estados de Roraima e o Ama- Muito obrigado, Sr. Presidente.
zonas, exatamente por sermos vizinhos da Venezuela
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Sr. Pre-
e estarmos reconstruindo inclusive a BR-174 com in-
sidente, eu gostaria de votar as matérias da Ordem
vestimento este ano de mais de R$300 milhões, feitos
do Dia.
pelo Presidente Lula. Então, comungo da preocupação
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB –
de V. Exª, mas quero registrar que essa preocupação,
AP) – Muito obrigado pela colaboração de V. Exª com
apesar de ser pertinente, dentro do arcabouço que
a Mesa.
se está construindo, será algo extremamente positivo
Item extrapauta:
na relação. E quero registrar para a Casa, aproveito o
momento, a aprovação de hoje, que foi importante; o
Mercosul, idealizado pelo Presidente José Sarney, se SUBSTITUTIVO DA CÂMARA AO
consolida com a Venezuela. Quer dizer, é importante PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 20, DE 2005
integrar toda a América do Sul. O Mercosul, que até en-
tão era o Brasil com o Cone Sul, ao trazer a Venezuela, Discussão, em turno único, do Substi-
de certa forma, espraia pela América do Sul, trazendo tutivo da Câmara ao Projeto de Lei do Sena-
o terceiro país em termos de PIB. A Venezuela tem do nº 20, de 2005 (nº 7.494/2006, naquela
um mercado consumidor de 25 milhões de habitantes, Casa), que dispõe sobre a certificação das
com uma renda per capita maior do que a brasileira. entidades beneficentes de assistência social,
São dados importantes. É claro que são necessários regula os procedimentos de isenção de contri-
ajustes. Mas volto a dizer, na questão da democracia, buições para a seguridade social; altera a Lei
o que disse no debate: a forma de se ampliar a demo- nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga
cracia, os direitos humanos é agregar países, é criar dispositivos das Leis nºs 8.212 de 24 de julho
transparência, é inserir em procedimentos internacio- de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996,
nais, e não excluir. Se exclusão, se cerceamento, se 7.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de
isolamento resolvessem o problema da democracia, o 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória
muro de Berlim não havia caído. A Alemanha Oriental nº 2.187-13, de 24 de agosto de 2001, e dá
seria um grande país democrático, e não foi. outras providências.
O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Cuba O Parecer nº 1.895, de 2009 – CAS,
já teria mudado há 50 anos! do Senador Eduardo Azeredo, é favorável ao
O Sr. Romero Jucá (PMDB – RR) – Então, nós Substitutivo, com rejeição das expressões que
temos que, na verdade, inserir a Venezuela. E o Mer- menciona.
cosul não é feito de países iguais; pelo contrário, é É o seguinte o parecer:
feito de países diferentes. O que temos de procurar é
a convergência desses países em vários aspectos, e
um deles é a democracia. Então, vamos trabalhar para PARECER N° 1.895, DE 2009
fortalecer a democracia e os direitos humanos dentro
da Venezuela também, por meio dos mecanismos do Da Comissão de Assuntos Sociais, so-
Mercosul. bre o Substitutivo da Câmara dos Deputados
O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) – Mui- ao Projeto de Lei do Senado n° 20, de 2005,
to obrigado, Senador, pelos esclarecimentos que V. do Senador Flávio Arns, que dispõe sobre a
Exª faz. certificação das entidades beneficentes de as-
Acredito que talvez este seja o maior argumento: sistência social, regula os procedimentos de
a questão relacionada à nossa aproximação. Não que- isenção de contribuições para a seguridade
remos fazer qualquer tipo de ingerência à Venezuela, social; altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezem-
como não faremos com nenhum outro País. Todos os bro de 1993; revoga dispositivos das Leis n°s
países têm o direito de resolver os seus problemas, 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de
mas acredito que a aproximação será importante. dezembro de 1996, 7.732, de 11 de dezembro
Na nossa forma de atuar politicamente, nós fa- de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da
zemos até isso. Não sei se V. Exªs concordam. Quan- Medida Provisória n° 2.187-13, de 24 de agosto
do há alguém divergindo, nós nos aproximamos para de 2001; e dá outras providências.
conversar e ver como nós avançamos no contexto do Relator: Senador Eduardo Azeredo
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I – Relatório O Capítulo I dispõe que podem ser certificadas


Chega à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), como entidades beneficentes de assistência social as
para análise, o Substitutivo da Câmara dos Deputados pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos,
ao Projeto de Lei do Senado (SCD) n° 20, de 2005. A que tenham como finalidade a prestação de serviços
proposição trata da certificação das entidades benefi- nas áreas de assistência social, saúde ou educação e
centes de assistência social, regula os procedimentos preencham os requisitos ora estabelecidos.
de isenção de contribuições para a seguridade social O Capítulo II versa sobre os requisitos para a
certificação ou renovação das entidades. A par das
e dá outras providências.
regras gerais, aplicáveis a todas as entidades, há re-
O projeto foi originalmente apresentado no Se-
quisitos específicos para as entidades de saúde (arts.
nado Federal em 20 de março de 2005 pelo Senador
4° a 11), educação (arts. 12 a 17) e assistência social
Flávio Arns e propunha, em sua primeira versão, a
(arts. 18 a 20).
retirada da exigência de que o Certificado de Entida-
Assim, o art. 4° determina que a entidade be-
de Beneficente de Assistência Social (CEAS) fosse
neficiária da isenção fiscal deve comprovar a efetiva
renovado a cada três anos. Essa versão foi alterada
prestação de pelo menos 60% da totalidade de seus
no próprio Senado para prorrogar de três para cinco
serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), além de
anos a validade do CEAS.
cumprir as metas quantitativas e qualitativas firmadas
Remetido à Câmara dos Deputados em outubro
com o gestor local do Sistema. O cálculo desse per-
de 2006, a proposta foi distribuída às Comissões de
centual será feito em função do número de internações
Educação e Cultura (CEC); Seguridade Social e Família
e de atendimentos ambulatoriais realizados.
(CSSF); Finanças e Tributação (CFT); e Constituição
As informações referentes às internações e aos
e Justiça e de Cidadania (CCJC). atendimentos ambulatoriais realizados pelas entidades,
À proposição oriunda do Senado foram apensa- tanto para pacientes do SUS quanto para pacientes
das outras que tratavam de matéria correlata e, duran- não usuários do SUS, deverão ser prestadas ao Minis-
te sua apreciação, a ela foram também apresentadas tério da Saúde (art. 5°). O projeto determina, ainda, por
inúmeras emendas. Incorporaram-se ao processo até meio de seu art. 7°, que as entidades beneficentes e
mesmo vários dispositivos da Medida Provisória (MPV) as sem fins lucrativos terão prioridade na contratação,
nº 446, de 7 de novembro de 2008. pelo SUS, de serviços privados complementares.
Em 2008, no processo de apreciação do projeto Para as entidades que não conseguirem cumprir
oriundo do Senado Federal, levou-se em consideração o percentual mínimo de atendimento pelo SUS (60%),
a edição da referida MPV n° 446, de 2008. Essa MPV o art. 8° da proposição abre a possibilidade de que
também dispunha sobre a certificação das entidades possam ofertar atendimento gratuito à população, sem
beneficentes de assistência social e regulava procedi- remuneração pelo Estado, a fim de suprir a exigência
mentos de isenção de contribuições para a seguridade do art. 4°. Quanto menor o percentual de atendimen-
social. A medida resultou em vantagens para mais de to pelo SUS, maior será o percentual do faturamento
sete mil entidades durante sua vigência (entre novem- bruto da entidade a ser aplicado em atendimento gra-
bro de 2008 e fevereiro de 2009) e acabou rejeitada tuito de saúde.
pelo Plenário da Câmara dos Deputados em março Pelo art. 11, entidades de saúde de reconhecida
de 2009, por inadmissibilidade, na ausência do pres- excelência, a critério do Ministério da Saúde, poderão
suposto constitucional da urgência. obter a certificação por meio da realização de projetos
Anteriormente a essa rejeição da MPV, contudo, de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS, em
ainda em 2008, o Poder Executivo apresentou projeto vez de oferecer atendimento direto à população.
de lei para dispor sobre a certificação das entidades Os arts. 12 a 17 estabelecem as regras para a
beneficentes de assistência social e sobre os procedi- concessão ou renovação de CEAS para as entidades
mentos de isenção de contribuições para a seguridade atuantes na área de educação, a começar pela deter-
social. Esse projeto (PL n° 3.021, de 2008) foi apen- minação de que sejam observados tanto o disposto
sado ao Projeto do Senado (PLS n° 20, de 2005, no no substitutivo, quanto a legislação em vigor ainda
Senado; PL n° 7.494, de 2006, na Câmara) passando aplicável.
a tramitar em conjunto em todas as comissões. Dada a especificidade da área, o requisito essen-
Houve, por parte da Câmara dos Deputados, apro- cial a ser cumprido pelas postulantes à certificação é
vação do projeto do Senado na forma do substitutivo a aplicação de percentual mínimo de sua receita anu-
que ora é submetido à apreciação deste Colegiado. al em gratuidade. Fixado em 20%, tal percentual deve
O substitutivo é formado por seis capítulos. ser traduzido, prioritariamente, em bolsas de estudos,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55957 

integrais ou parciais, podendo ser representado, em De acordo com o art. 26, o procedimento de can-
sua quarta parte por meio de ações de assistência celamento da certificação deverá ser objeto de regula-
social, previstas na Lei nº 8.742, de 7 de dezembro mento, assegurado o contraditório e a ampla defesa.
de 1993. O Capítulo III (arts. 27 a 29) trata dos recursos
Tendo em conta as políticas de Estado em anda- cabíveis na hipótese de indeferimento do pedido de
mento, os dispositivos da seção são compatibilizados concessão ou renovação do certificado, bem como da
com a valorização da educação básica presencial de possibilidade de representação, perante o Ministério
qualidade e com as diretrizes do Plano Nacional de competente, contra irregularidades praticadas pelas
Educação. No mais, a proposição se ajusta as demais entidades certificadas.
medidas de inclusão e de democratização do acesso O Capítulo IV (arts. 30 a 31) versa sobre a con-
cessão de isenção das contribuições previstas nos
às oportunidades educacionais. Com efeito, os benefí-
arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
cios oriundos da gratuidade imposta às entidades são
Tratam-se das contribuições para a seguridade social,
direcionados a segmentos socialmente vulneráveis.
incidentes sobre a folha de salários, conhecida como
Para tanto, o SCD ratifica disposições aplicáveis
“quota patronal”, e as incidentes sobre o faturamento
às entidades beneficentes de assistência social com e o lucro.
atuação na educação superior, notadamente as da Preserva-se a separação entre os processos de
Lei n° 11.096, de 13 de janeiro de 2005, mediante a certificação e de isenção de contribuições sociais. Ou
qual foi instituído o Programa Universidade para Todos seja, a obtenção do CEAS, que representa o reconhe-
(PROUNI), estendendo-as ao conjunto da educação cimento da finalidade beneficente da entidade, continua
escolarizada. a ser uma das exigências para a posterior concessão
Os arts. 18 a 20 tratam da certificação das en- e manutenção da isenção das contribuições previstas
tidades de assistência social. O texto proposto traz nos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 1991.
definições desse tipo de entidade e determina que as Essas exigências, por sua vez, hoje estipuladas
entidades certificadas terão prioridade na celebração no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, não foram objeto
de convênios, contratos, acordos ou ajustes com o Po- de alterações substanciais. Além da inclusão de re-
der Público para a execução de programas, projetos e quisitos que já constam do Código Tributário Nacional
ações de assistência social. ou mesmo de outros hoje solicitados para efeito da
Para a concessão da certificação, o substitutivo certificação, há apenas três novidades:
apresenta os seguintes requisitos: inscrição no Con- a) elimina-se a exigência do título de
selho Municipal de Assistência Social e inserção no utilidade pública, o que proporciona menos
cadastro nacional de entidades e organizações de burocracia ao processo;
assistência social. b) em vez de se exigir apenas a inexis-
Ademais, a proposta determina que a compro- tência de débitos em relação às contribuições
vação do vínculo da entidade à rede socioassistencial sociais, requer-se a apresentação de certidão
privada no âmbito do Sistema Único de Assistência negativa ou positiva com efeito de negativa de
Social (SUAS) é condição suficiente para a concessão todos os débitos relativos aos tributos admi-
da certificação, no prazo e na forma a serem definidos nistrados pela Secretaria da Receita Federal
em regulamento. e à dívida ativa da União, bem como os certi-
O art. 21 estabelece que a concessão e renova- ficados de regularidade do Fundo de Garantia
ção do CEAS ficarão a cargo dos Ministérios da Saúde, do Tempo de Serviço (FGTS) e do Cadastro
da Educação e do Desenvolvimento Social e Comba- Informativo de créditos não quitados do setor
público federal (CADIN);
te à Fome, para, respectivamente, entidades de saú-
c) apenas no caso de entidade de maior
de, educação e assistência social. Atualmente, essa
porte, requere-se que auditor independente
competência, para todas as entidades, é do Conselho
valide as respectivas demonstrações contá-
Nacional de Assistência Social (CNAS).
beis e financeiras.
Caso a entidade atue em mais de uma das áreas
mencionadas, deverá obter a certificação no Ministé- Os Capítulos V e VI (arts. 34 a 47) estabelecem
rio da área de atuação preponderante ou em cada um disposições gerais, transitórias e finais. Destacam-se
dos Ministérios das respectivas áreas, a depender da os seguintes aspectos:
receita anual ser inferior ou superior ao valor estabe- a) é alterado o art. 18 da Lei nº 8.742,
lecido no art. 23. de 1993, para retirar do CNAS a competência
55958  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

para conceder registro e certificado de entida- Antes do advento do Sistema Único de Saúde
de beneficente de assistência social, uma vez (SUS), as Santas Casas constituíam-se as únicas
que essa competência passa aos Ministérios opções de atendimento de saúde para a população
mencionados no art. 21; carente que não era contribuinte da previdência so-
b) os pedidos de concessão ou de renova- cial. Após a universalização da atenção à saúde, cujo
ção do CEAS ainda não apreciados pelo CNAS marco legal é a Constituição Federal de 1988 e a Lei
até a data de publicação da lei que decorrer da n° 8.080, de 1990 (Lei Orgânica da Saúde), as Santas
aprovação da proposição deverão ser julgados Casas continuaram a desempenhar importante papel
pelo Ministério da área correspondente; no sistema de saúde, sendo responsáveis por uma
c) é revogado o art. 55 da Lei nº 8.212, de parcela significativa das internações hospitalares e dos
1991, que concede a isenção das contribuições atendimentos de média e alta complexidade.
sociais mencionada, uma vez que a questão A estruturação do SUS privilegiou os serviços de
passa a ser tratada pelas novas regras. saúde filantrópicos e demais serviços sem fins lucrati-
vos como parceiros dos serviços públicos municipais,
II – Análise
estaduais e federais, que constituem a base do sistema.
Em virtude do art. 100 do Regimento Interno do Coube aos serviços dessa natureza participar de forma
Senado Federal (RISF), compete à CAS opinar sobre complementar ao SUS, por intermédio de convênios.
proposições que versem sobre seguridade social, previ- Na prática, contudo, essa complementaridade
dência social, assistência social, normas de proteção e muitas vezes significa que as Santas Casas são os
integração social das pessoas com deficiência, proteção únicos serviços hospitalares existentes em uma deter-
e defesa da saúde e outros assuntos correlatos. minada região, mormente nos municípios de pequeno
No que se refere à constitucionalidade da pro- porte do interior do País. Tal característica reforça a
posição, observa-se que a União é competente para sua importância para a manutenção dos princípios de
legislar a respeito do tema, que se refere a segurida- universalidade e equidade do SUS.
de social e atributos instituídos pela União, a teor dos De acordo com o Cadastro Nacional de Estabeleci-
arts. 22, XXIII, 24, I, e 195, I, todos da Constituição mentos de Saúde (CNES), existem 1484 hospitais benefi-
Federal (CF). centes sem fins lucrativos no País, ou seja, cerca de 22%
Quanto à espécie normativa a ser utilizada, ve- do total de hospitais. Essas instituições foram especialmente
rifica-se que a escolha por um projeto de lei ordinária afetadas pela crise financeira enfrentada pelos serviços
revela-se correta, pois a matéria não está reservada de saúde brasileiros, causada pelo subfinanciamento do
pela CF à lei complementar. setor, pois estão majoritariamente vinculadas ao SUS, cuja
No que concerne à juridicidade, com uma única tabela de pagamentos é notoriamente defasada.
ressalva, a do art. 45, comentada ao final desta análi- A segurança jurídica proporcionada pela aprova-
se, a proposição se afigura irretocável, porquanto: i) o ção do projeto sob análise será de grande valia para
meio eleito para o alcance dos objetivos pretendidos essas instituições que, a despeito de todas as dificul-
(normatização via edição de lei) é o adequado; ii) a dades, conseguem prestar atendimento de saúde de
matéria nela vertida inova o ordenamento jurídico; pos- qualidade à população carente.
sui o atributo da generalidade; iv) se afigura dotado de Vale ressaltar a possibilidade, aberta pela pro-
potencial coercitividade; e v) se revela compatível com posição, de beneficiar as entidades que realizarem
os princípios diretores do sistema de direito pátrio. projetos de apoio ao desenvolvimento institucional do
No que tange à técnica legislativa empregada, há SUS. Isso é fundamental para incentivar a pesquisa e
necessidade de algumas correções de ordem formal, o desenvolvimento de soluções para os principais pro-
pois o mérito da proposição é inegável, devendo não blemas de saúde pública. O engajamento das entidades
ser aprovadas apenas algumas das emendas da Câ- beneficentes no esforço para a melhoria da gestão do
mara, a teor do art. 286, parágrafo único, combinado SUS, nas três esferas de governo, certamente trará
com o art. 287 e com art. 314, II, todos do RISF. bons frutos para a população usuária do Sistema.
No tocante à área da saúde, não se pode falar No que tange à seção dedicada à certificação
de entidade beneficente sem fazer referência às San- das entidades educacionais, a proposição não encer-
tas Casas, visto que elas fazem parte da história da ra inovação que possa ser considerada significativa.
assistência à saúde no Brasil, desde seus primórdios. Na verdade, ela tão somente estende, ao conjunto de
O mais antigo hospital brasileiro é a Santa Casa de entidades da área, a legislação que hoje disciplina as
Misericórdia de Santos, fundada por Brás Cubas em entidades beneficentes envolvidas com a oferta de
1543 e ainda hoje em funcionamento. educação superior.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55959 

Em desfavor da medida, poder-se-ia arguir como de doações particulares”, de forma a aplicar o percen-
improducente a concessão de bolsas para o ensino tual de gratuidade da saúde, no caso do art. 8°, e da
fundamental, hoje passível de atendimento pelo Poder educação, no caso do art. 13, apenas sobre a receita
Público. No entanto, o País tem o objetivo estratégico bruta proveniente da venda e serviços, excluindo daí
de aumentar a escolarização do conjunto de seus cida- o esforço da boa gestão financeira dos recursos e o
dãos, fator essencial para a sua inserção bem sucedida esforço de conquista de serviços do voluntariado em
na economia e no desenvolvimento mundial. locação de bens, doações e trabalhos diversos.
Nesse contexto, todo esforço ou iniciativa que Com a rejeição do § 2° do art. 17, renomeando-se
possa contribuir para a consecução desse intento deve o § 1º como parágrafo único, a compensação do não-
ser valorizado. Por um lado, se o ensino fundamental já atendimento do percentual de gratuidade da educação
está universalizado no quesito oferta, é certo que ainda previsto no art.13 não terá a limitação de 10%, conside-
carece de urgentes medidas de qualificação. Por outro rada desnecessária face ao limite de 17% mínimo a ser
lado, na educação infantil e no ensino médio, ainda nos atingido como condicionante da compensação, constante
ressentimos da insuficiência de vagas e de uma visível do então § 1°, agora convertido em parágrafo único.
limitação do Estado em atender à demanda dessas Rejeita-se o termo “público” do § 2° do art. 18
etapas, sobretudo em relação às creches. para maior clareza do objetivo da norma.
Em sendo assim, quer-nos parecer que, no tocan- A expressão, do caput do art. 22, “e cuja recei-
te à questão educacional, a proposição é socialmente ta anual seja igual ou inferior ao limite fixado pela Lei
relevante e meritória. Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006,”
No que diz respeito à assistência social, algu- é rejeitada por entendermos ser desnecessária e por
mas observações são necessárias. O art. 3° da Lei n° ferir a boa técnica legislativa.
8.742, de 7 de dezembro de 1993 (Lei Orgânica da Rejeitam-se o caput e o § 1° do art. 23, transforma-
Assistência Social – LOAS), considera organizações e do seu § 2° no caput do artigo, com o objetivo de possi-
entidades de assistência social aquelas que prestam, bilitar melhor andamento administrativo e burocrático.
sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos Como decorrência das rejeições aos arts. 22 e
beneficiários abrangidos pela referida lei. Além disso, 23 rejeita-se na integra o art. 24.
no campo da assistência social, não se pode confundir Para maior clareza e concisão entendemos que,
as noções de público e estatal: há uma rede de entida- no inciso II do art. 29, corrige-se um equivoco de re-
des não-estatais vinculadas voluntariamente ao Sis- dação, pois a decisão é sobre “a representação” em
tema Único de Assistência Social (SUAS), que estão si e não a sobre “a procedência da representação”.
legitimadas e investidas de autoridade para realizar as Fica, pois, rejeitada a expressão “procedência da” do
responsabilidades do Estado. É o que está explicitado referido inciso.
no Oficio nº 460/GAB/MDS, datado de 23 de outubro Para permitir melhor gestão dos seus recursos
de 2009, assinado pelo Ministro do Desenvolvimento pelas entidades beneficentes, rejeitam-se, do art. 30, os
Social e Combate à Fome (MDS) e encaminhado a incisos III e VII, que tratam do patrimônio das mesmas
esta relatoria para fins de explicação do entendimento e da restrição de aplicações das subvenções e doações
do Ministério a respeito da questão. recebidas, renumerando os demais incisos.
Passamos a tratar da justificação de cada rejei- Ainda, no inciso IV do mesmo art. 30, para dar
ção proposta. maior simplicidade e objetividade na colaboração fis-
No parágrafo único do art. 1°, rejeita-se, por inju- cal pretendida, no que se refere aos requisitos para a
ridicidade, o termo “de direito privado”, por entender- obtenção da isenção, mantemos a exigência da apre-
mos que não existe no nosso ordenamento jurídico a sentação de certidão negativa ou positiva com efeito
definição da “fundação pública de direito privado”. de negativa de todos os débitos relativos aos tributos
No art. 4° e seus incisos I e II, rejeitam-se o ter- administrados pela Secretaria da Receita Federal,
mo “cumulativamente,” do caput, a expressão “quan- bem como os certificados de regularidade do FGTS.
titativas e qualitativas” do inciso I , o termo “todos” e Rejeitamos, porém, a exigência de certidão negativa
a conjunção “e” do final do inciso II, por entendermos relativa à dívida ativa da União e ao Cadin.
como desnecessários, ficando a nova redação mais Dando clareza e objetividade ao texto da norma
clara e concisa. pretendida, rejeitam-se, no art. 34, o texto do caput,
Do parágrafo único do art. 8° e do caput do art. os §§ Iº, 2° e 4°, o inciso II e a expressão “opere com
13, rejeita-se a expressão “acrescida da receita decor- um CNPJ” do § 3°. Mantém-se o restante da redação
rente de aplicações financeiras, de locação de bens, de do § 3º juntamente com seu inciso I, transformando-o
venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e em caput do artigo, que estabelece: “a entidade que
55960  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

atue em mais de uma das áreas a que se refere o art. No Art. 8°


1° deverá, na forma de regulamento, manter escritura- Rejeite-se a expressão “acrescida da receita
ção contábil segregada por área, de modo a evidenciar decorrente de aplicações financeiras, de locação de
o patrimônio, as receitas, os custos e as despesas de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imo-
cada atividade desempenhada”. bilizado e de doações particulares” do parágrafo único
Por entendermos redundante, rejeita-se no ca- do art. 8º.
put do art. 38 a expressão “desde que atendidos os No Art. 13
demais requisitos dela previstos”. Rejeite-se a expressão “acrescida da receita de-
Rejeita-se, no art. 41, o § 2°, renomeando-se o corrente de aplicações financeiras, de locação de bens,
§ 1° como parágrafo único, pois a exigência estabe- de venda de bens não integrantes de ativos imobilizados
lecida no texto excluído levaria a uma burocratização e de doações particulares” do caput do art. 13.
das relações das entidades com os Ministérios, estes
No Art. 17
sim obrigados ao cadastramento e atualização das
Rejeite-se o § 2° do art. 17, renomeando-se o §
informações das entidades, nos termos do caput do
1º como parágrafo único.
artigo.
Finalmente, deve ser suprimido o art. 45, por No Art. 18
injuridicidade, uma vez que ele se refere ao art. 55 Rejeite-se o termo “público” do § 2° do art. 18.
da Lei n° 8.212, de 1991, dispositivo que a proposi- No Art. 22
ção revoga expressamente. Além disso, a redação Rejeite-se a expressão “e cuja receita anual seja
do artigo não é clara, violando o art. 11, II, c, da Lei igual ou inferior ao limite fixado pela Lei Complemen-
Complementar n° 95, de 26 de fevereiro de 1998, pois tar n° 123, de 14 de dezembro de 2006,” do caput do
a expressão passa a ser referência para a legislação art. 22.
tributária é ambígua, passível de interpretação exces-
No Art. 23
sivamente ampla.
Rejeitem-se o caput e o § 1° do art. 23, ficando
III – Voto o artigo com a seguinte redação:
Art. 23. Desde que devidamente justificados,
Nesse contexto, concluímos este relatório com
os requerimentos de renovação protocolizados em
voto pela aprovação do Substitutivo da Câmara dos
até 6 (seis) meses após o termo final da validade do
Deputados ao Projeto de Lei do Senado n° 20, de
certificado anterior, se deferidos, poderão ter efeito
2005, com as seguintes rejeições:
retroativo ao citado termo final, conforme definido em
No Art. 1° regulamento.
Rejeite-se o termo “de direito privado” do pará-
No Art. 24
grafo único do art. 1°.
Rejeite-se o art. 24 na íntegra.
No Art. 4°
No Art. 29
Rejeitem-se o termo “cumulativamente,” do caput
Rejeite-se do inciso II do art. 29 a expressão
do art. 4°, a expressão “quantitativas e qualitativas” do
“procedência da”, ficando o referido inciso com a se-
inciso I, o termo “todos” e a conjunção “e” do final do
guinte redação:
inciso II, ficando o artigo com a seguinte redação:
Art. 4° Para ser considerada beneficente e fazer Art.29.....................................................
jus à certificação, a entidade de saúde deverá, nos I – ..........................................................
termos do regulamento: II – decidir sobre a representação, no prazo
de 30 dias a contar da apresentação da defesa.
I – comprovar o cumprimento das metas
estabelecidas em convênio ou instrumento No Art. 30
congênere celebrado com o gestor local do Rejeitem-se do art. 30 os incisos III e VII e as
SUS; expressões “e à dívida ativa da União e “e de regula-
II – ofertar a prestação de seus serviços ridade em face do Cadastro Informativo de Créditos
ao SUS no percentual mínimo de 60% (ses- não Quitados do Setor Público Federal – CADIN” do
senta por cento); inciso IV, renumerando-se os incisos, ficando o referido
III – comprovar, anualmente, a prestação art. 30 com a seguinte redação:
dos serviços de que trata o inciso II, com base Art.30.....................................................
no somatório das internações realizadas e dos I – não percebam seus diretores, con-
atendimentos ambulatoriais prestados. selheiros, sócios, instituidores ou benfeitores,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55961 

remuneração, vantagens ou benefícios, direta No Art. 38


ou indiretamente, por qualquer forma ou títu- Rejeite-se no caput do art. 38 a expressão “desde
lo, em razão das competências, funções ou que atendidos os demais requisitos dela previstos”.
atividades que lhes sejam atribuídas pelos No Art. 41
respectivos atos constitutivos; Rejeite-se no art. 41 o § 2°, renomeando-se o §
II – aplique suas rendas, seus recursos 1° como parágrafo único.
e eventual superávit integralmente no território
nacional, na manutenção e o desenvolvimento No Art. 45
de seus objetivos institucionais; Rejeite-se o art. 45 na íntegra.
III – apresente certidão negativa ou certi- Sala da Comissão, , Presidente , Relator
dão positiva com efeito de negativa de débitos
COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS
relativos aos tributos administrados pela Se-
cretaria da Receita Federal do Brasil e certi- IV – Decisão da Comissão
ficado de regularidade do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS); A Comissão de Assuntos Sociais, em reunião reali-
IV – mantenha escrituração contábil re- zada nesta data, aprova o Parecer favorável ao Substitutivo
gular que registre as receitas e despesas, bem da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado
como a aplicação em gratuidade de forma nº 20 de 2005, com as rejeições apresentadas.
segregada, em consonância com as normas No Art. 1º
emanadas do Conselho Federal de Contabi-
Rejeite-se o termo “de direito privado” do pará-
lidade;
grafo único do art. 1º.
V – não distribua resultados, dividen-
dos, bonificações, participações ou parce- No Art. 4º
las do seu patrimônio, sob qualquer forma Rejeitem-se o termo “cumulativamente,” do
ou pretexto; caput do art. 4º, a expressão “quantitativas e qua-
VI – conserve em boa ordem, pelo prazo litativas” do inciso I, o termo “todos” e a conjunção
de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, “e” do final do inciso II, ficando o artigo com a se-
os documentos que comprovem a origem e a guinte redação:
aplicação de seus recursos e os relativos a Art. 4º Para ser considerada beneficente e fazer
atos ou operações realizados que impliquem jus à certificação, a entidade de saúde deverá, nos
modificação da situação patrimonial; termos do regulamento:
VII – cumpra as obrigações acessórias I – comprovar o cumprimento das metas estabe-
estabelecidas na legislação tributária; lecidas em convênio ou instrumento congênere cele-
VIII – apresente as demonstrações con- brado com o gestor local do SUS:
tábeis e financeiras devidamente auditadas II – ofertar a prestação de seus serviços ao SUS
por auditor independente legalmente habi- no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento):
litado nos Conselhos Regionais dc Conta- III – comprovar, anualmente, a prestação dos
bilidade quando a receita bruta anual au- serviços de que trata o inciso II, com base no soma-
ferida for superior ao limite fixado pela Lei tório das internações realizadas e dos atendimentos
Complementar nº 123, de 14 de dezembro ambulatoriais prestados.
de 2006.
No Art. 8º
No Art. 34
Rejeitem-se no art. 34 o texto do caput, os §§ 1º, Rejeite-se a expressão “acrescida da receita
2º e 4º, o inciso II e a expressão “opere com um CNPJ” decorrente de aplicações financeiras, de locação de
do § 3º, que passa, juntamente com seu inciso I, a ser bens, de venda de bens não integrantes do ativo imo-
o caput do art. 34, na forma que segue: bilizado e de doações particulares” do parágrafo único
Art. 34. A entidade que atue em mais de uma do art. 8°.
das áreas a que se refere o art. 1º deverá, na forma No Art. 13
de regulamento, manter escrituração contábil segre- Rejeite-se a expressão “acrescida da receita de-
gada por área, de modo a evidenciar o patrimônio, as corrente de aplicações financeiras, de locação de bens,
receitas, os custos e as despesas dc cada atividade de venda de bens não integrantes de ativos imobilizados
desempenhada. e de doações particulares” do caput do art. 13.
55962  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

No Art. 17 cretaria da Receita Federal do Brasil e certi-


Rejeite-se o § 2° do art. 17, renomeando-se o § ficado de regularidade do Fundo de Garantia
1° como parágrafo único. do Tempo de Serviço (FGTS);
No Art. 18 IV – mantenha escrituração contábil re-
Rejeite-se o termo “público” do § 2° do art. 18. gular que registre as receitas e despesas, bem
No Art. 22 como a aplicação em gratuidade de forma
Rejeite-se a expressão “e cuja receita anual seja segregada, em consonância com as normas
igual ou inferior ao limite fixado pela Lei Complementar n° emanadas do Conselho Federal de Contabi-
123, de 14 de dezembro de 2006,” do caput do art. 22. lidade:
No Art. 23 V – não distribua resultados, dividen-
Rejeitem-se o caput e o § 1° do art. 23, ficando dos, bonificações, participações ou parce-
o artigo com a seguinte redação: las do seu patrimônio, sob qualquer forma
Art. 23. Desde que devidamente justificados, ou pretexto;
os requerimentos de renovação protocolizados em VI – conserve em boa ordem, pelo prazo
até 6 (seis) meses após o termo final da validade do de 10 (dez) anos, contado da data da emissão,
certificado anterior, se deferidos, poderão ter efeito os documentos que comprovem a origem e a
retroativo ao citado termo final, conforme definido em aplicação de seus recursos e os relativos a
regulamento. atos ou operações realizados que impliquem
No Art. 24 modificação da situação patrimonial:
Rejeite-se o art. 24 na íntegra. VII – cumpra as obrigações acessórias
No Art. 29 estabelecidas na legislação tributária;
Rejeite-se do inciso II do art. 29 a expressão VIII – apresente as demonstrações con-
“procedência da”, ficando o referido inciso com a se- tábeis e financeiras devidamente auditadas por
guinte redação: auditor independente legalmente habilitado nos
Art.29..................................................... Conselhos Regionais de Contabilidade quando
I – .......................................................... a receita bruta anual auferida for superior ao
II – decidir sobre a representação, no prazo limite fixado pela Lei Complementar nº 123,
de 30 dias a contar da apresentação da defesa. de 14 de dezembro de 2006.
No Art. 30 No art. 34
Rejeitem-se do art. 30 os incisos III e VII e as Rejeitem-se no art. 34 o texto do caput, os §§ I°,
expressões “e à dívida ativa da União e “e de regula- 2° e 4°, o inciso II e a expressão “opere com um CNPJ”
ridade em face do Cadastro Informativo de Créditos do § 3°, que passa, juntamente com seu inciso I, a ser
não Quitados do Setor Público Federal – CADIN” do o caput do art. 34, na forma que segue:
inciso IV, renumerando-se os incisos, ficando o referido Art. 34. A entidade que atue em mais de uma das
art. 30 com a seguinte redação: áreas a que se refere o art. 1º deverá, na forma de regula-
Art. 30. .................................................. mento, manter escrituração contábil segregada por área,
I – não percebam seus diretores, con- de modo a evidenciar o patrimônio, as receitas, os custos
selheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, e as despesas de cada atividade desempenhada.
remuneração, vantagens ou benefícios, direta
ou indiretamente, por qualquer forma ou títu- No Art. 38
lo, em razão das competências, funções ou Rejeite-se no caput do art. 38 a expressão “desde
atividades que lhes sejam atribuídas pelos que atendidos os demais requisitos dela previstos”.
respectivos atos constitutivos; No Art. 41
II – aplique suas rendas, seus recursos Rejeite-se no art. 41 o § 2º, renomeando-se o §
e eventual superávit integralmente no território 1º como parágrafo único.
nacional, na manutenção e no desenvolvimento
de seus objetivos institucionais; No Art. 45
III – apresente certidão negativa ou certi- Rejeite-se o art. 45 na íntegra.
dão positiva com efeito de negativa de débitos Sala da Comissão, 29 de outubro de 2009. –
relativos aos tributos administrados pela Se- Senadora Rosalba Ciarlini, Presidente.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55963 
55964  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS Senado Federal, requeiro urgência para o SCD n° 20,
de 2005.
REQUERIMENTO Nº 91, DE 2009-CAS
Nos termos do artigo 336, inciso II, combinado Sala das Comissões, 29 de outubro de 2009. –
com o artigo 338, inciso IV, do Regimento interno do Senador Eduardo Azeredo.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55965 

O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) Provisória n° 2.187-13, de 24 de agosto de


– Discussão do Substitutivo da Câmara, em turno úni- 2001; e dá outras providências.
co. (Pausa.)
O Congresso Nacional decreta:
Não havendo oradores, encerro a discussão.
Votação dos dispositivos do Substitutivo da Câ- CAPÍTULO I
mara de Parecer favorável. (Pausa.) Disposições Preliminares
Sem objeção, dou como aprovado. Art. 1° A certificação das entidades beneficen-
Votação dos dispositivos de parecer contrário. tes de assistência social e a isenção de contribuições
As Srªs e os Srs. Senadores que os rejeitam para a seguridade social serão concedidas às pessoas
queiram permanecer sentados. (Pausa.) jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reco-
Rejeitados. nhecidas como entidades beneficentes de assistência
Discussão da Redação Final. (Pausa.) social com a finalidade de prestação de serviços nas
Sem objeção, a matéria é aprovada e vai à san- áreas de assistência social, saúde ou educação, e que
ção. atendam ao disposto nesta lei.
Será feita a comunicação à Câmara dos Depu- Parágrafo único. Os benefícios de que trata o
tados. caput serão extensivos às fundações públicas que
É o seguinte o parecer da Comissão Di- tenham como finalidade a prestação de serviços na
retora oferecendo a redação final: área de saúde.
Art. 2º As entidades de que trata o art. 1° deverão
PARECER N° 1.896, DE 2009 obedecer ao princípio da universalidade do atendimen-
(Da Comissão Diretora) to, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente
a seus associados ou a categoria profissional.
Redação final do Projeto de Lei do Se-
nado n° 20, de 2005 (n° 7.494, de 2006, na CAPÍTULO II
Câmara dos Deputados). Da Certificação

A Comissão Diretora apresenta a redação fi- Art. 3° A certificação ou sua renovação será con-
nal do Projeto de Lei do Senado n° 20, de 2005 (n° cedida à entidade beneficente que demonstre, no exer-
7.494, de 2006, na Câmara dos Deputados), que cício fiscal anterior ao do requerimento, observado o
altera o inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de período mínimo de 12 (doze) meses de constituição
julho de 1991, para prorrogar o prazo de renovação da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções
do Certificado de Entidade Beneficente de Assis- I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respec-
tência Social para fins de isenção previdenciária, tivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente,
os seguintes requisitos:
consolidando dispositivos do Substitutivo da Câmara
I – seja constituída como pessoa jurídica nos
aprovados pelo Plenário.
termos do caput do art. 1°; e
Sala de Reuniões da Comissão, 29 de outubro
II – preveja, em seus atos constitutivos, em caso
de 2009. Senador José Sarney – Senador Mão San-
de dissolução ou extinção, a destinação do eventual
ta – Senadora Serys Slhessarenko – Senador Mar-
patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrati-
coni Perillo.
vos congêneres ou a entidades públicas.
ANEXO AO PARECER N° 1.896, DE 2009 Parágrafo único. O período mínimo de cumpri-
mento dos requisitos de que trata este artigo poderá
Redação final do Projeto de Lei do Se- ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços
nado n° 20, de 2005 (n° 7.494, de 2006, na por meio de convênio ou instrumento congênere com
Câmara dos Deputados). o Sistema Único de Saúde – SUS ou com o Sistema
Dispõe sobre a certificação das enti- Único de Assistência Social – SUAS, em caso de ne-
dades beneficentes de assistência social; cessidade local atestada pelo gestor do respectivo
regula os procedimentos de isenção de con- sistema.
tribuições para a seguridade social; altera
a Lei n° 8.742, de 7 de dezembro de 1993; SEÇÃO I
revoga dispositivos das Leis nºs 8.212, de 24 Da Saúde
de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro Art. 4° Para ser considerada beneficente e fazer
de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, jus à certificação, a entidade de saúde deverá, nos
10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida termos do regulamento:
55966  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

I – comprovar o cumprimento das metas estabe- III – 5% (cinco por cento), se o percentual de
lecidas em convênio ou instrumento congênere cele- atendimento ao SUS for igual ou superior a 50% (cin-
brado com o gestor local do SUS; quenta por cento) ou se completar o quantitativo das
II – ofertar a prestação de seus serviços ao SUS internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais,
no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento); com atendimentos gratuitos devidamente informados
III – comprovar, anualmente, a prestação dos de acordo com o disposto no art. 5°, não financiados
serviços de que trata o inciso II, com base no soma- pelo SUS ou por qualquer outra fonte.
tório das internações realizadas e dos atendimentos Parágrafo único. Para os fins deste artigo, a en-
ambulatoriais prestados. tidade deverá comprovar o percentual de aplicação
§ 1° O atendimento do percentual mínimo de que em gratuidade sobre a receita bruta proveniente da
trata o caput pode ser individualizado por estabeleci- venda de serviços.
mento ou pelo conjunto de estabelecimentos de saú- Art. 9° O valor aplicado em gratuidade na área
de da pessoa jurídica, desde que não abranja outra de saúde, quando não comprovado por meio de regis-
entidade com personalidade jurídica própria que seja tro contábil específico e informado de acordo com o
por ela mantida. disposto no art. 5°, será obtido mediante a valoração
§ 2° Para fins do disposto no § 1°, no conjunto de dos procedimentos realizados com base nas tabelas
estabelecimentos de saúde da pessoa jurídica, poderá de pagamentos do SUS.
ser incorporado aquele vinculado por força de contrato Art. 10. Em hipótese alguma será admitida como
de gestão, na forma do regulamento. aplicação em gratuidade a eventual diferença entre os
Art. 5° A entidade de saúde deverá ainda informar, valores pagos pelo SUS e os preços praticados pela
obrigatoriamente, ao Ministério da Saúde, na forma entidade ou pelo mercado.
por ele estabelecida:
Art. 11. A entidade de saúde de reconhecida exce-
I – a totalidade das internações e atendimentos
lência poderá, alternativamente, para dar cumprimento
ambulatoriais realizados para os pacientes não usu-
ao requisito previsto no art. 4°, realizar projetos de apoio
ários do SUS;
ao desenvolvimento institucional do SUS, celebrando
II – a totalidade das internações e atendimentos
ajuste com a União, por intermédio do Ministério da
ambulatoriais realizados para os pacientes usuários
Saúde, nas seguintes áreas de atuação:
do SUS; e
I – estudos de avaliação e incorporação de tec-
III – as alterações referentes aos registros no
nologias;
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde –
II – capacitação de recursos humanos;
CNES.
Art. 6° A entidade de saúde que presta serviços III – pesquisas de interesse público em saúde;
exclusivamente na área ambulatorial deverá observar ou
o disposto nos incisos I e II do art. 4°. IV – desenvolvimento de técnicas e operação de
Art. 7° Quando a disponibilidade de cobertura as- gestão em serviços de saúde.
sistencial da população pela rede pública de determi- § 1° O Ministério da Saúde definirá os requisitos
nada área for insuficiente, os gestores do SUS deverão técnicos essenciais para o reconhecimento de exce-
observar, para a contratação de serviços privados, a lência referente a cada uma das áreas de atuação
preferência de participação das entidades beneficentes previstas neste artigo.
de saúde e das sem fins lucrativos. § 2° O recurso despendido pela entidade de saúde
Art. 8° Na impossibilidade do cumprimento do per- no projeto de apoio não poderá ser inferior ao valor da
centual mínimo a que se refere o inciso II do art. 4°, em isenção das contribuições sociais usufruída.
razão da falta de demanda, declarada pelo gestor local § 3° O projeto de apoio será aprovado pelo Minis-
do SUS, ou não havendo contratação dos serviços de tério da Saúde, ouvidas as instâncias do SUS, segundo
saúde da entidade, deverá ela comprovar a aplicação procedimento definido em ato do Ministro de Estado.
de percentual da sua receita bruta em atendimento § 4° As entidades de saúde que venham a se
gratuito de saúde da seguinte forma: beneficiar da condição prevista neste artigo poderão
I – 20% (vinte por cento), se o percentual de aten- complementar as atividades relativas aos projetos
dimento ao SUS for inferior a 30% (trinta por cento); de apoio com a prestação de serviços ambulatoriais
II – 10% (dez por cento), se o percentual de aten- e hospitalares ao SUS não remunerados, mediante
dimento ao SUS for igual ou superior a 30 (trinta) e pacto com o gestor local do SUS, observadas as se-
inferior a 50% (cinquenta por cento); ou guintes condições:
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55967 

I – a complementação não poderá ultrapassar § 2º As proporções previstas no inciso III do § 1º


30% (trinta por cento) do valor usufruído com a isen- poderão ser cumpridas considerando-se diferentes eta-
ção das contribuições sociais; pas e modalidades da educação básica presencial.
II – a entidade de saúde deverá apresentar ao § 3º Complementarmente, para o cumprimento
gestor local do SUS plano de trabalho com previsão das proporções previstas no inciso III do §1º, a entida-
de atendimento e detalhamento de custos, os quais de poderá contabilizar o montante destinado a ações
não poderão exceder o valor por ela efetivamente assistenciais, bem como o ensino gratuito da educação
despendido; básica em unidades específicas, programas de apoio a
III – a comprovação dos custos a que se refere o alunos bolsistas, tais como transporte, uniforme, mate-
inciso II poderá ser exigida a qualquer tempo, mediante rial didático, além de outros, definidos em regulamento,
apresentação dos documentos necessários; e até o montante de 25% (vinte e cinco por cento) da
IV – as entidades conveniadas deverão informar gratuidade prevista no caput.
a produção na forma estabelecida pelo Ministério da § 4º Para alcançar a condição prevista no § 3º, a
Saúde, com observação de não geração de créditos. entidade poderá observar a escala de adequação su-
§ 5º A participação das entidades de saúde ou cessiva, em conformidade com o exercício financeiro
de educação em projetos de apoio previstos neste de vigência desta Lei:
artigo não poderá ocorrer em prejuízo das atividades I – até 75% (setenta e cinco por cento) no pri-
beneficentes prestadas ao SUS. meiro ano;
II – até 50% (cinquenta por cento) no segundo
§ 6º O conteúdo e o valor das atividades desen-
ano;
volvidas em cada projeto de apoio ao desenvolvimento
III – 25% (vinte e cinco por cento) a partir do
institucional e de prestação de serviços ao SUS de-
terceiro ano.
verão ser objeto de relatórios anuais, encaminhados
§ 5º Consideram-se ações assistenciais aque-
ao Ministério da Saúde para acompanhamento e fis-
las previstas na Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de
calização, sem prejuízo das atribuições dos órgãos de
1993.
fiscalização tributária.
§ 6° Para a entidade que, além de atuar na edu-
SEÇÃO II cação básica ou em área distinta da educação, também
Da Educação atue na educação superior, aplica-se o disposto no art.
10 da Lei n° 11.096, de 13 de janeiro de 2005.
Art. 12. A certificação ou sua renovação será con-
Art. 14. Para os efeitos desta Lei, a bolsa de estudo
cedida à entidade de educação que atenda ao disposto
refere-se às semestralidades ou anuidades escolares
nesta Seção e na legislação aplicável.
fixadas na forma da lei, vedada a cobrança de taxa de
Art. 13. Para os fins da concessão da certificação
matrícula e de custeio de material didático.
de que trata esta Lei, a entidade de educação deve-
§ 1º A bolsa de estudo integral será concedida a
rá aplicar anualmente em gratuidade, na forma do §
aluno cuja renda familiar mensal per capita não exceda
1º, pelo menos 20% (vinte por cento) da receita anual o valor de 1 1/2 (um e meio) salário mínimo.
efetivamente recebida nos termos da Lei n° 9.870, de § 2º A bolsa de estudo parcial será concedida a
23 de novembro de 1999. aluno cuja renda familiar mensal per capita não ex-
§ 1º Para o cumprimento do disposto no caput, ceda o valor de 3 (três) salários mínimos.
a entidade deverá: Art. 15. Para fins da certificação a que se refere
I – demonstrar adequação às diretrizes e metas esta Lei, o aluno a ser beneficiado será pré-selecionado
estabelecidas no Plano Nacional de Educação – PNE, pelo perfil socioeconômico e, cumulativamente, por ou-
na forma do art. 214 da Constituição Federal; tros critérios definidos pelo Ministério da Educação.
II – atender a padrões mínimos de qualidade, afe- § 1º Os alunos beneficiários das bolsas de estu-
ridos pelos processos de avaliação conduzidos pelo do de que trata esta Lei ou seus pais ou responsáveis,
Ministério da Educação; e quando for o caso, respondem legalmente pela vera-
III – oferecer bolsas de estudo nas seguintes cidade e autenticidade das informações socioeconô-
proporções: micas por eles prestadas.
a) no mínimo, uma bolsa de estudo integral para § 2º Compete à entidade de educação aferir as
cada 9 (nove) alunos pagantes da educação básica; informações relativas ao perfil socioeconômico do
b) bolsas parciais de 50% (cinquenta por cento), candidato.
quando necessário para o alcance do número mínimo § 3º As bolsas de estudo poderão ser cancela-
exigido. das a qualquer tempo, em caso de constatação de
55968  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

falsidade da informação prestada pelo bolsista ou seu I – estar inscrita no respectivo Conselho Muni-
responsável, ou de inidoneidade de documento apre- cipal de Assistência Social ou no Conselho de Assis-
sentado, sem prejuízo das demais sanções cíveis e tência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos
penais cabíveis. termos do art. 9° da Lei n° 8.742, de 7 de dezembro
Art. 16. É vedada qualquer discriminação ou di- de 1993; e
ferença de tratamento entre alunos bolsistas e pa- II – integrar o cadastro nacional de entidades e
gantes. organizações de assistência social de que trata o in-
Art. 17. No ato de renovação da certificação, as ciso XI do art. 19 da Lei n° 8.742, de 7 de dezembro
entidades de educação que não tenham aplicado em de 1993.
gratuidade o percentual mínimo previsto no caput do § 1° Quando a entidade de assistência social atuar
art. 13 poderão compensar o percentual devido no em mais de um Município ou Estado ou em quaisquer
exercício imediatamente subseqüente com acrésci- destes e no Distrito Federal, deverá inscrever suas
mo de 20% (vinte por cento) sobre e percentual a ser atividades no Conselho de Assistência Social do res-
compensado. pectivo Município de atuação ou do Distrito Federal,
Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança mediante a apresentação de seu plano ou relatório de
tão somente as entidades que tenham aplicado pelo atividades e do comprovante de inscrição no Conselho
menos 17% (dezessete por cento) em gratuidade, na de sua sede ou de onde desenvolva suas principais
forma do art. 13, em cada exercício financeiro a ser atividades.
considerado. § 2° Quando não houver Conselho de Assistên-
SEÇÃO III cia Social no Município, as entidades de assistência
Da Assistência Social social dever-se-ão inscrever nos respectivos Conse-
Art. 18. A certificação ou sua renovação será con- lhos Estaduais.
cedida à entidade de assistência social que presta ser- Art. 20. A comprovação do vínculo da entidade
viços ou realiza ações assistenciais, de forma gratuita, de assistência social à rede socioassistencial privada
continuada e planejada, para os usuários e a quem de- no âmbito do SUAS é condição suficiente para a con-
les necessitar, sem qualquer discriminação, observada cessão da certificação, no prazo e na forma a serem
a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. definidos em regulamento
§ 1º As entidades de assistência social a que SEÇÃO IV
se refere o caput são aquelas que prestam, sem fins Da Concessão e do Cancelamento
lucrativos, atendimento e assessoramento aos benefi-
Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos
ciários, bem como as que atuam na defesa e garantia
de seus direitos. de concessão ou de renovação dos certificados das
§ 2º As entidades que prestam serviços com entidades beneficentes de assistência social serão
objetivo de habilitação e reabilitação de pessoa com apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios:
deficiência e de promoção da sua integração à vida I – da Saúde, quanto às entidades da área de
comunitária e aquelas abrangidas pelo disposto no art. saúde;
35 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, poderão II – da Educação, quanto às entidades educa-
ser certificadas, desde que comprovem a oferta de, no cionais; e
mínimo, 60% (sessenta por cento) de sua capacidade III – do Desenvolvimento Social e Combate à
de atendimento ao sistema de assistência social. Fome, quanto às entidades de assistência social.
§ 3° A capacidade de atendimento de que trata o § 1° A entidade interessada na certificação deverá
§ 2º será definida anualmente pela entidade, aprovada apresentar, juntamente com o requerimento, todos os
pelo órgão gestor de assistência social municipal ou documentos necessários à comprovação dos requisitos
distrital e comunicada ao Conselho Municipal de As- de que trata esta lei, na forma do regulamento.
sistência Social. § 2° A tramitação e a apreciação do requeri-
§ 4° As entidades certificadas como de assistên- mento deverão obedecer à ordem cronológica de sua
cia social terão prioridade na celebração de convênios, apresentação, salvo em caso de diligência pendente,
contratos, acordos ou ajustes com o poder público devidamente justificada.
para a execução de programas, projetos e ações de § 3° O requerimento será apreciado no prazo a
assistência social. ser estabelecido em regulamento, observadas as pe-
Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certi- culiaridades do Ministério responsável pela área de
ficação de uma entidade de assistência social: atuação da entidade.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55969 

§ 4º O prazo de validade da certificação será fi- ditório, a ampla defesa e a participação da sociedade
xado em regulamento, observadas as especificidades civil, na forma definida em regulamento, no prazo de
de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) 30 (trinta) dias, contado da publicação da decisão.
ano e máximo de 5 (cinco) anos. Art. 27. Verificado prática de irregularidade na
§ 5º O processo administrativo de certificação entidade certificada, são competentes para represen-
deverá, em cada Ministério envolvido, contar com ple- tar, motivadamente, ao Ministério responsável pela
na publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sua área de atuação, sem prejuízo das atribuições do
sociedade o acompanhamento pela internet de todo Ministério Público:
o processo. I – o gestor municipal ou estadual do SUS ou
§ 6° Os Ministérios responsáveis pela certificação do SUAS, de acordo com a sua condição de gestão,
deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lis- bem como o gestor da educação municipal, distrital
ta atualizada com os dados relativos aos certificados ou estadual;
emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades II – a Secretaria da Receita Federal do Brasil;
certificadas, incluindo os serviços prestados por essas III – os conselhos de acompanhamento e con-
dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a trole social previstos na Lei n° 11.494, de 20 de junho
elas destinados. de 2007, e os Conselhos de Assistência Social e de
Art. 22. A entidade que atue em mais de uma das Saúde; e
áreas especificadas no art. 1° deverá requerer a certifi- IV – o Tribunal de Contas da União.
cação e sua renovação no Ministério responsável pela Parágrafo único. A representação será dirigida
área de atuação preponderante da entidade. ao Ministério que concedeu a certificação e conterá a
Parágrafo único. Considera-se área de atuação qualificação do representante, a descrição dos fatos a
preponderante aquela definida como atividade econô- serem apurados e, sempre que possível, a documenta-
mica principal no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ção pertinente e demais informações relevantes para
do Ministério da Fazenda. o esclarecimento do seu objeto.
Art. 23. Desde que devidamente justificados, Art. 28. Caberá ao Ministério competente:
os requerimentos de renovação protocolizados em I – dar ciência da representação à entidade, que
até 6 (seis) meses após o termo final da validade do terá o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de
certificado anterior, se deferidos, poderão ter efeito defesa; e
retroativo ao citado termo final, conforme definido em II – decidir sobre a representação, no prazo de 30
regulamento. (trinta) dias a contar da apresentação da defesa.
Art. 24. Os Ministérios referidos no art. 21 deverão § 1° Se improcedente a representação de que
zelar pelo cumprimento das condições que ensejaram trata o inciso II, o processo será arquivado.
a certificação da entidade como beneficente de assis- § 2° Se procedente a representação de que trata
tência social, cabendo-lhes confirmar que tais exigên- o inciso II, após decisão final ou transcorrido o prazo
cias estão sendo atendidas por ocasião da apreciação para interposição de recurso, a autoridade responsável
do pedido de renovação da certificação. deverá cancelar a certificação e dar ciência do fato à
§ 1° O requerimento de renovação da certificação Secretaria da Receita Federal do Brasil.
deverá ser protocolado com antecedência mínima de § 3° O representante será cientificado das deci-
6 (seis) meses do termo final de sua validade. sões de que tratam os §§ 1° e 2°.
§ 2° A certificação da entidade permanecerá
válida até a data da decisão sobre o requerimento de CAPÍTULO IV
renovação tempestivamente apresentado. Da Isenção
Art. 25. Constatada, a qualquer tempo, a inobser-
SEÇÃO I
vância de exigência estabelecida neste Capítulo, será
Dos Requisitos
cancelada a certificação, nos termos de regulamento,
assegurado o contraditório e a ampla defesa. Art. 29. A entidade beneficente certificada na
forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento
CAPÍTULO III das contribuições de que tratam os arts. 22 e 21 da Lei
Dos Recursos e da Representação nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda,
Art. 26. Da decisão que indeferir o requerimento cumulativamente, aos seguintes requisitos:
para concessão ou renovação de certificação e da de- I – não percebam seus diretores, conselheiros,
cisão que cancelar a certificação caberá recurso por sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, van-
parte da entidade interessada, assegurados o contra- tagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por
55970  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

qualquer forma ou título, em razão das competências, 31 durante o período em que se constatar o descum-
funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos primento de requisito na forma deste artigo, devendo
respectivos atos constitutivos; o lançamento correspondente ter como termo inicial a
II – aplique suas rendas, seus recursos e even- data da ocorrência da infração que lhe deu causa.
tual superávit integralmente no território nacional, na § 2° O disposto neste artigo obedecerá ao rito
manutenção e desenvolvimento de seus objetivos ins- do processo administrativo fiscal vigente.
titucionais;
CAPITULO V
III – apresente certidão negativa ou certidão po-
Disposições Gerais e Transitórias
sitiva com efeito de negativa de débitos relativos aos
tributos administrados pela Secretaria da Receita Fe- Art. 33. A entidade que atue em mais de uma
deral do Brasil e certificado de regularidade do Fundo das áreas a que se refere o art. 1° deverá, na forma
de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS; de regulamento, manter escrituração contábil segre-
IV – mantenha escrituração contábil regular que gada por área, de modo a evidenciar o patrimônio, as
registre as receitas e despesas, bem como a aplicação receitas, os custos e as despesas de cada atividade
em gratuidade de forma segregada, em consonância desempenhada.
com as normas emanadas do Conselho Federal de Art. 34. Os pedidos de concessão originária de
Contabilidade; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência
V – não distribua resultados, dividendos, bonifi- Social que não tenham sido objeto de julgamento até a
cações, participações ou parcelas do seu patrimônio, data de publicação desta lei serão remetidos, de acor-
sob qualquer forma ou pretexto; do com a área de atuação da entidade, ao Ministério
VI – conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 responsável, que os julgará nos termos da legislação
(dez) anos, contado da data da emissão, os documen- em vigor à época da protocolização do requerimento.
tos que comprovem a origem e a aplicação de seus § 1° Caso a entidade requerente atue em mais
recursos e os relativos a atos ou operações realizados de uma das áreas abrangidas por esta lei, o pedido
que impliquem modificação da situação patrimonial; será remetido ao Ministério responsável pela área de
VII – cumpra as obrigações acessórias estabe- atuação preponderante da entidade.
lecidas na legislação tributária; § 2° Das decisões proferidas nos termos do caput
VIII – apresente as demonstrações contábeis e que sejam favoráveis as entidades não caberá recurso.
financeiras devidamente auditadas por auditor indepen- § 3° Das decisões de indeferimento proferidas
dente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais com base no caput caberá recurso no prazo de 30
de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida (trinta) dias, dirigido ao Ministro de Estado responsá-
for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n° vel pela área de atuação da entidade.
123, de 14 de dezembro de 2006. § 4° É a entidade obrigada a oferecer todas as in-
Art. 30. A isenção de que trata esta lei não se es- formações necessárias à análise do pedido, nos termos
tende a entidade com personalidade jurídica própria do art. 60 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999.
constituída e mantida pela entidade à qual a isenção Art. 35. Os pedidos de renovação de Certificado de
foi concedida. Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados
e ainda não julgados até a data de publicação desta lei
SEÇÃO II serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo
Do Reconhecimento e da Suspensão de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data.
do Direito à Isenção § 1° As representações em curso no CNAS, em
Art. 31. O direito à isenção das contribuições so- face da renovação do certificado referida no caput,
ciais poderá ser exercido pela entidade a contar da data serão julgadas no prazo máximo de 180 (cento e oi-
da publicação da concessão de sua certificação, desde tenta) dias após a publicação desta Lei.
que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. § 2° Das decisões de indeferimento proferidas com
Art. 32. Constatado o descumprimento pela entida- base no caput caberá recurso no prazo de 30 (trinta)
de dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a dias, com efeito suspensivo, dirigido ao Ministro de Es-
fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil tado responsável pela área de atuação da entidade.
lavrará o auto de infração relativo ao período correspon- Art. 36. Constatada a qualquer tempo alguma ir-
dente e relatará os fatos que demonstram o não atendi- regularidade, considerar-se-á cancelada a certificação
mento de tais requisitos para o gozo da isenção. da entidade desde a data de lavratura da ocorrência
§ 1° Considerar-se-á automaticamente suspenso da infração, sem prejuízo da exigibilidade do crédito
o direito à isenção das contribuições referidas no art. tributário e das demais sanções previstas em lei.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55971 

Art. 37. A concessão originária deferida na forma sistência social certificadas como beneficen-
do art. 34 será reconhecida como certificação da enti- tes e encaminhá-lo para conhecimento dos
dade para efeitos da isenção de que trata esta Lei. Conselhos de Assistência Social dos Estados,
Art. 38. As entidades certificadas até o dia ime- Municípios e do Distrito Federal;
diatamente anterior ao da publicação desta Lei pode- ..................................................... ” (NR)
rão requerer a renovação do certificado até a data de
Art. 43. Serão objeto de auditoria operacional os
sua validade.
atos dos gestores públicos previstos no parágrafo único
CAPÍTULO VI do art. 3°, no art. 8º e no § 4° do art. 11.
Disposições Finais Art. 44. Revogam-se:
Art. 39. As entidades da área de saúde certifica- I – o art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991;
das até o dia imediatamente anterior ao da publica- II – o § 3º do art. 9° e o parágrafo único do art. 18
ção desta Lei que prestam serviços assistenciais de da Lei n° 8.742, de 7 de dezembro de 1993;
saúde não remunerados pelo SUS a trabalhadores III – o art. 5° da Lei n° 9.429, de 26 de dezembro
de 1996, na parte que altera o art. 55 da Lei n° 8.212,
ativos e inativos e respectivos dependentes econômi-
de 24 de julho de 1991;
cos, decorrentes do estabelecido em Norma Coletiva
IV – o art. 1° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro
de Trabalho, desde que, simultaneamente, destinem,
de 1998, na parte que altera o art. 55 da Lei n° 8.212,
no mínimo, 20% (vinte por cento) do valor total das
de 24 de julho de 1991;
isenções de suas contribuições sociais em serviços,
V – o art. 21 da Lei n° 10.684, de 30 de maio
com universalidade de atendimento, a beneficiários
de 2003;
do Sistema Único de Saúde – SUS, mediante pacto
VI – o art. 3° da Medida Provisória n° 2.187-13,
do gestor do local, terão concedida a renovação, me-
de 24 de agosto de 2001, na parte que altera o art. 55
diante regulamento.
da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991; e
Art. 40. Os Ministérios da Saúde, da Educação e
VII – o art. 5° da Medida Provisória n° 2.187-13,
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome infor-
de 24 de agosto de 2001, na parte que altera os arts.
marão à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na
9° e 18 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993.
forma e prazo por esta determinados, os pedidos de
Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua
certificação originária e de renovação deferidos, bem
publicação.
como os definitivamente indeferidos, nos termos da
Seção IV do Capítulo II. O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Apenas
Parágrafo único. Os Ministérios da Saúde, da Edu- para registrar, Sr. Presidente, que essa matéria é ex-
cação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome tremamente importante porque modifica e endurece
procederão ao recadastramento de todas as entidades a fiscalização e a concessão de licença para entida-
sem fins lucrativos, beneficentes ou não, atuantes em des filantrópicas. Portanto, nós já discutimos isso há
suas respectivas áreas em até 180 (cento e oitenta) dias um tempo. Houve um debate grande no Senado. A
após a data de publicação desta Lei, e tornarão os res- Câmara modificou. O Senador Eduardo Azeredo fez
pectivos cadastros disponíveis para consulta pública. um trabalho rápido, um bom trabalho, e nós estamos
Art. 41. As entidades isentas na forma desta Lei podendo dar ao País um mecanismo novo, mais forte,
deverão manter, em local visível ao público, placa in- mais duro na questão das entidades filantrópicas. Só
dicativa contendo informações sobre a sua condição esse registro.
de beneficente e sobre sua área de atuação, conforme O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
o disposto no art. 1°. – Item extrapauta:
Art. 42. Os incisos III e IV do art. 18 da Lei n° PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 37, DE 2008
8.742, de 7 de dezembro de 1993, passam a vigorar
com a seguinte redação: Projeto de Lei da Câmara nº 37, de 2008
“Art. 18................................................... (nº 7.550/2006, na Casa de origem), que deno-
............................................................... mina Professor Arthur Fonseca o campus da
III – acompanhar e fiscalizar o processo Universidade Federal de São Carlos – UFS-
de certificação das entidades e organizações CAR, localizado no Município de Sorocaba,
de assistência social no Ministério do Desen- Estado de São Paulo.
volvimento Social e Combate a Fome; Em discussão. (Pausa.)
IV – apreciar relatório anual que conterá Não havendo oradores, encerro a discussão.
a relação de entidades e organizações de as- Em votação.
55972  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

As Srªs e os Srs. Senadores que o aprova quei- Senador João Alberto Souza, favorável, com
ram permanecer sentados. (Pausa) a Emenda nº 1-CCJ, que apresenta; 2º pro-
Aprovado. nunciamento: (sobre a Emenda nº 2, de Ple-
A matéria vai à sanção. nário), Relator ad hoc: Senador João Batista
Será feita a devida comunicação à Câmara dos Motta, favorável, nos termos de Subemenda
Deputados. que apresenta.
É a seguinte a matéria aprovada:
3
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 37, DE 2008 PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Nº 51, DE 2003
Denomina Professor Arthur Fonseca
o campus da Universidade Federal de São Votação, em primeiro turno, da Propos-
Carlos – UFSCAR, localizado no Município ta de Emenda à Constituição nº 51, de 2003,
de Sorocaba, Estado de São Paulo. tendo como primeiro signatário o Senador
O Congresso Nacional decreta: Demóstenes Torres, que dá nova redação ao
Art. 1° Fica denominado Professor Arthur Fon- § 4º do art. 225 da Constituição Federal, para
seca o campus da Universidade Federal de São Car- incluir o Cerrado e a Caatinga entre os biomas
los – UFSCAR, localizado no Município de Sorocaba, considerados patrimônio nacional.
Estado de São Paulo. Parecer favorável, sob nº 269, de 2004,
Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua da Comissão de Constituição, Justiça e Cida-
publicação. dania, Relator: Senador Eduardo Azeredo.
São as seguintes as matérias não apre- 4
ciadas e transferidas para a próxima sessão PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO
deliberativa ordinária: Nº 19, DE 2007
1 Votação, em primeiro turno, da Propos-
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO ta de Emenda à Constituição nº 19, de 2007,
Nº 7, DE 2008 tendo como primeiro signatário o Senador Tião
Votação, em segundo turno, da Propos- Viana, que acrescenta parágrafo único ao art.
ta de Emenda à Constituição nº 7, de 2008, 54 da Constituição Federal, para permitir a
tendo como primeiro signatário o Senador Deputados Federais e Senadores o exercício
Gim Argello, que altera os arts. 21, 22 e 48 de cargo de professor em instituição pública
da Constituição Federal, para transferir da de ensino superior.
União para o Distrito Federal as atribuições Parecer favorável sob nº 850, de 2007, da
de organizar e manter a Defensoria Pública Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania,
do Distrito Federal. Relator: Senador Eduardo Suplicy.
Parecer favorável, sob nº 727, de 2008, da
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, 5
Relator: Senador Demóstenes Torres. PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Nº 100, DE 2007
2
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Votação, em primeiro turno, da Proposta
Nº 48, DE 2003 de Emenda à Constituição nº 100, de 2007,
tendo como primeiro signatário o Senador Al-
Votação, em primeiro turno, da Pro-
posta de Emenda à Constituição nº 48, de varo Dias, que dá nova redação às alíneas b
2003, tendo como primeiro signatário o Se- e c do inciso XXIII do art. 21 da Constituição
nador Antonio Carlos Magalhães, que dis- Federal, para autorizar a produção, a comer-
põe sobre aplicação de recursos destinados cialização e a utilização de radioisótopos para
à irrigação. a pesquisa e uso médicos.
Pareceres sob nºs 1.199, de 2003; e 15, Parecer favorável, sob nº 1.105, de 2008,
de 2007, da Comissão de Constituição, Jus- da Comissão de Constituição, Justiça e Cida-
tiça e Cidadania: 1º pronunciamento: Relator: dania, Relator: Senador César Borges.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55973 

6 9
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO SUBSTITUTIVO AO
Nº 42, DE 2008 PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 110, DE 2005

Votação, em primeiro turno, da Proposta Discussão, em turno suplementar, do


de Emenda à Constituição nº 42, de 2008 (nº Substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara nº
138/2003, na Câmara dos Deputados, tendo 110, de 2005 (nº 3.685/2004, na Casa de ori-
como primeiro signatário o Deputado Sandes gem, do Deputado Gustavo Fruet), que altera
Júnior), que altera a denominação do Capítulo os arts. 11 e 62 da Lei nº 10.406, de 10 de ja-
VII do Título VIII da Constituição Federal e mo- neiro de 2002, que institui o Código Civil (altera
difica o seu art. 227 (dispõe sobre a proteção dispositivos referentes aos direitos da persona-
dos direitos econômicos, sociais e culturais lidade e à constituição de uma fundação).
da juventude). Parecer sob nº 1.549, de 2009, da Comis-
Parecer sob nº 297, de 2009, da Co- são Diretora, Relatora: Senadora Serys Slhes-
missão de Constituição, Justiça e Cidadania, sarenko, oferecendo a redação do vencido.
Relator: Senador Expedito Júnior, favorável, 10
com as Emendas nºs 1 a 3-CCJ, de redação, SUBSTITUTIVO AO
que apresenta. PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 104, DE 2007
7 Discussão, em turno suplementar, do
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara nº
Nº 28, DE 2009 104, de 2007 (nº 5.522/2005, na Casa de ori-
gem, do Deputado André de Paula), que dispõe
Quinta sessão de discussão, em primeiro
sobre a obrigatoriedade da implementação de
turno, da Proposta de Emenda à Constituição
protocolo terapêutico para a prevenção vertical
nº 28, de 2009 (nº 413/2005, na Câmara dos
do HIV, em hospitais e maternidades.
Deputados, tendo como primeiro signatário o
Parecer sob nº 1.548, de 2009, da Comis-
Deputado Antonio Carlos Biscaia), que dá nova
são Diretora, Relatora: Senadora Serys Slhes-
redação ao § 6º do art. 226 da Constituição
sarenko, oferecendo a redação do vencido.
Federal, que dispõe sobre a dissolubilidade
do casamento civil pelo divórcio, suprimindo o 11
requisito de prévia separação judicial por mais PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 34, DE 2001
de um ano ou de comprovada separação de
Discussão, em turno único, do Projeto de
fato por mais de dois anos.
Lei da Câmara nº 34, de 2001 (nº 3.388/97, na
Parecer favorável, sob nº 863, de 2009, da
Casa de origem, do Deputado Jaques Wag-
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania,
ner), que dispõe sobre a construção de muro
Relator: Senador Demóstenes Torres. de proteção contínuo nas pontes, viadutos e
8 curvas perigosas em rodovias federais.
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Pareceres sob nºs 162 e 1.146, de 2003;
Nº 32, DE 2008 e 694, de 2009, das Comissões
– de Serviços de Infra-Estrutura, Rela-
Primeira sessão de discussão, em primei- tora: Senadora Heloisa Helena, favorável, nos
ro turno, da Proposta de Emenda à Constituição termos da Emenda nº 1-CI, que apresenta,
nº 32, de 2008, tendo como primeira signatá- com voto contrário vencido do Senador Leo-
ria a Senadora Patrícia Saboya, que altera o mar Quintanilha; e
§ 4º do art. 225 da Constituição Federal para – de Assuntos Econômicos (em audiên-
incluir a caatinga entre os ecossistemas que cia, nos termos do Requerimento nº 269, de
constituem patrimônio nacional. 2003), 1º pronunciamento: Relatora: Senadora
Parecer favorável, sob nº 1.217, de 2009, Serys Slhessarenko, solicitando informações
da Comissão de Constituição, Justiça e Cidada- ao Ministério dos Transportes para instruir a
nia, Relatora: Senadora Serys Slhessarenko. matéria; 2º pronunciamento:
55974  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Relator: Senador Osmar Dias, favorável, derval), que altera a Lei nº 9.610, de 19 de fe-
nos termos das Emendas nºs 2 e 3-CAE, que vereiro de 1998, para incluir, na categoria de
apresenta. intérpretes ou executantes, os dubladores.
Pareceres sob nºs 776 e 777, de 2009,
12
das Comissões
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 69, DE 2001
– de Educação, Cultura e Esporte (em
Discussão, em turno único, do Projeto de audiência, nos termos do Requerimento nº 1,
Lei da Câmara nº 69, de 2001 (no 4.594/94, de 2007), Relator: Senador Antônio Carlos
na Casa de origem, do então Deputado Pau- Valadares, favorável; e
lo Paim), que dispõe sobre o atendimento de – de Constituição, Justiça e Cidada-
emergência de acidentes do trabalho em lo- nia, Relator ad hoc: Senador Valter Perei-
calidades onde não existe rede do Sistema ra, favorável, com Emenda nº 1-CCJ, que
Único de Saúde – SUS. apresenta.
Pareceres sob nºs 12, de 2003; e 1.428,
15
de 2009, da Comissão de Assuntos Sociais,
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 85, DE 2004
1º pronunciamento: Relator ad hoc: Sena-
dor Tião Viana, favorável; 2º pronunciamento Discussão, em turno único, do Projeto de
(em reexame, nos termos dos Requerimentos Lei da Câmara nº 85, de 2004 (no 1.282/2003,
nºs 241, de 2003): Relator: Senador Expedito na Casa de origem, do Deputado Inaldo Lei-
Júnior, favorável, nos termos da Emenda no tão), que acrescenta parágrafo ao art. 1.050
1-CAS (Substitutivo), que oferece. da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 –
13 Código de Processo Civil (dispensa a citação
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 22, DE 2002 pessoal do embargado para responder à pe-
tição inicial, exceto quando não houver cons-
Discussão, em turno único, do Pro- tituído advogado).
jeto de Lei da Câmara nº 22, de 2002 (nº Parecer sob no 1.570, de 2009, da Co-
1.670/99, na Casa de origem, do Deputado missão de Constituição, Justiça e Cidadania,
Carlito Merss), que proíbe a utilização do Relator ad hoc: Senador Antonio Carlos Júnior,
jateamento de areia a seco, determina pra-
favorável, com a Emenda no 1-CCJ, de reda-
zo para mudança tecnológica nas empresas
ção, que apresenta.
que utilizam este procedimento e dá outras
providências. 16
Pareceres sob nºs 244, de 2003; e 1.672, PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 19, DE 2005
de 2009, das Comissões
– de Assuntos Sociais, Relator: Sena- Discussão, em turno único, do Projeto de
dor Juvêncio da Fonseca, favorável, nos ter- Lei da Câmara no 19, de 2005 (no 1.683/2003,
mos da Emenda nº 1-CAS (Substitutivo), que na Casa de origem, do Deputado Fernando
oferece; e Gabeira), que dispõe sobre a criação do Mo-
– de Constituição, Justiça e Cidadania numento Natural do Arquipélago das Ilhas
(em audiência, nos termos do art. 101, II, Cagarras.
d, do Regimento Interno), Relator ad hoc: Pareceres sob nºs 1.571 e 1.572, de
Senador Valter Pereira, favorável, nos ter- 2009, das Comissões
mos do Substitutivo apresentado pela Co- – de Constituição, Justiça e Cidadania,
missão de Assuntos Sociais e que passa a Relatora: Senadora Patrícia Saboya, favorável,
ser denominado de Emenda nº 1-CAS/CCJ nos termos da Emenda nº 1-CCJ (Substituti-
(Substitutivo). vo), que oferece; e
– de Meio Ambiente, Defesa do Consu-
14
midor e Fiscalização e Controle, Relatora ad
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 35, DE 2003
hoc: Senadora Marisa Serrano, favorável ao
Discussão, em turno único, do Projeto de Projeto, nos termos da Emenda da CCJ, que
Lei da Câmara nº 35, de 2003 (nº 3.055/2000, passa a ser denominada Emenda nº 1-CCJ/
na Casa de origem, do Deputado Bispo Wan- CMA (Substitutivo).
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55975 

17 valores das multas decorrentes da aplicação


PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 15, DE 2006 do Código de Defesa do Consumidor revertidos
para o Fundo Nacional de que a trata a Lei nº
Discussão, em turno único, do Projeto de 7.347, de 24 de julho de 1985; e altera Lei nº
Lei da Câmara nº 15, de 2006 (nº 4.924/2005, 8.078, de 11 de setembro de 1990.
na Casa de origem, do Deputado Bernardo Parecer sob nº 1.352, de 2007, da Comis-
Ariston), que altera o § 4º do art. 9º da Lei nº
são de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor
9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe
e Fiscalização e Controle, Relator: Senador
sobre os Juizados Especiais Cíveis e Crimi-
Flávio Arns, favorável, nos termos da Emenda
nais e dá outras providências (dispõe sobre a
nº 1-CMA (Substitutivo), que oferece.
representação nas causas de valor até vinte
salários mínimos). 21
Parecer favorável, sob nº 576, de 2009, da PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 38, DE 2007
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania,
Relatora: Senadora Serys Slhessarenko. Discussão, em turno único, do Projeto de
Lei da Câmara nº 38, de 2007 (nº 6.672/2006,
18 na Casa de origem), de iniciativa do Presiden-
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 72, DE 2006 te da República, que altera o art. 1.526 da Lei
nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 -Código
Discussão, em turno único, do Projeto de
Civil, determinando que a habilitação para o
Lei da Câmara nº 72, de 2006 (no 4.127/2004,
na Casa de origem, do Deputado Antonio Car- casamento seja feita pessoalmente perante o
los Mendes Thame), que altera o art. 275 da oficial do Registro Civil.
Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Códi- Parecer sob nº 1.088, de 2009, da Co-
go de Processo Civil, incluindo como sujeitas missão de Constituição, Justiça e Cidadania,
ao procedimento sumário as causas relativas Relator ad hoc: Senador Inácio Arruda, favo-
à revogação de doação. rável, com a Emenda n° 1-CCJ, de redação,
Parecer favorável, sob no 1.573, de 2009, que apresenta.
da Comissão de Constituição, Justiça e Cida- 22
dania, Relator ad hoc: Senador Antonio Car- PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 48, DE 2007
los Júnior.
Discussão, em turno único, do Projeto de
19 Lei da Câmara nº 48, de 2007 (nº 6.048/2002,
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 86, DE 2006 na Casa de origem, do Deputado Alberto Fra-
Discussão, em turno único, do Projeto de ga), que acrescenta o § 3º ao art. 83 da Lei
Lei da Câmara nº 86, de 2006 (no 1.244/2003, nº 7.210, de 11 de julho de 1984 – Lei de
na Casa de origem, do Deputado João Alfredo), Execução Penal, determinando que os esta-
que altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de belecimentos penais destinados às mulheres
1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança tenham por efetivo de segurança interna so-
e do Adolescente (substitui a expressão “me- mente agentes do sexo feminino.
dida sócio-educativa” pela “medida psicosso- Parecer favorável, sob nº 1.212, de 2009,
cioeducativa”). da Comissão de Constituição, Justiça e Cidada-
Parecer sob no 1.480, de 2009, da Co- nia, Relatora: Senadora Serys Slhessarenko.
missão de Constituição, Justiça e Cidadania, 23
Relator ad hoc: Senador Efraim Morais, favo- PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 60, DE 2007
rável, com a Emenda no 1-CCJ, de redação,
que apresenta. Discussão, em turno único, do Projeto de
Lei da Câmara nº 60, de 2007 (nº 3.688/2000,
20
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 116, DE 2006 na Casa de origem, do Deputado José Carlos
Elias), que dispõe sobre a prestação de servi-
Discussão, em turno único, do Projeto de ços de psicologia e de assistência social nas
Lei da Câmara nº 116, de 2006 (nº 557/2003, escolas públicas de educação básica.
na Casa de origem, do Deputado João Herr- Pareceres sob nºs 298 e 299, de 2009,
mann Neto), que determina a publicidade dos das Comissões
55976  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

– de Educação, Cultura e Esporte, Rela- 27


tor: Senador Cícero Lucena, favorável ao Proje- PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 28, DE 2008
to, com a Emenda nº 1-CE, que apresenta; e
Discussão, em turno único, do Projeto de
– de Assuntos Sociais, Relator: Sena-
Lei da Câmara nº 28, de 2008 (nº 5.702/2005,
dor Mozarildo Cavalcanti, favorável, nos ter-
na Casa de origem), de iniciativa do Presiden-
mos da Emenda nº 2-CAS (Substitutivo), que
te da República, que altera o art. 37 da Lei n°
oferece.
10.522, de 19 de julho de 2002, que dispõe
24 sobre o Cadastro Informativo dos créditos não
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 126, DE 2007 quitados de órgão e entidades federais e dá
outras providências.
Discussão, em turno único, do Projeto de Parecer favorável, sob nº 1.148, de 2008,
Lei da Câmara nº 126, de 2007 (nº 7.252/2006, da Comissão de Assuntos Econômicos, Rela-
na Casa de origem), de iniciativa do Presidente tor ad hoc: Senador Inácio Arruda.
da República, que dá nova redação à alínea
28
“o” do inciso VII do caput do art. 27 da Lei nº
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 46, DE 2008
10.683, de 28 de maio de 2003, que dispõe
sobre a organização da Presidência da Repú- Discussão, em turno único, do Projeto de
blica e dos Ministérios (altera competências do Lei da Câmara nº 46, de 2008 (nº 799/2007,
Ministério da Defesa). na Casa de origem, do Deputado Magela),
Parecer favorável, sob nº 525, de 2008, que revoga o art. 508 da Consolidação das
da Comissão de Constituição, Justiça e Cida- Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº
dania, Relator: Senador Romero Jucá. 5.452, de 1º de maio de 1943 (revoga o artigo
que permite a rescisão de contrato de traba-
lho, por justa causa, do empregado bancário
25 inadimplente).
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 5, DE 2008 Parecer favorável, sob nº 1.649, de 2009,
Discussão, em turno único, do Projeto de da Comissão de Assuntos Sociais, Relator :
Lei da Câmara nº 5, de 2008 (nº 3.246/2004, Senador Paulo Paim.
na Casa de origem, do Deputado Dr. Rosi- 29
nha), que altera o art. 13 da Lei n° 5.700, de PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 47, DE 2008
1° de setembro de 1971 (inclui a bandeira do
Mercosul nos casos de hasteamento diário da Discussão, em turno único, do Projeto de
Bandeira Nacional). Lei da Câmara nº 47, de 2008 (nº 5.139/2001,
na Casa de origem, do Deputado Osmar Ser-
Parecer favorável, sob nº 526, de 2008,
raglio), que altera os arts. 12 e 21 da Lei nº
da Comissão de Educação, Cultura e Esporte,
8.429, de 2 de junho de 1992 -Lei de Impro-
Relator: Senador Sérgio Zambiasi.
bidade Administrativa (permite a aplicação de
26 sanções, isolada ou cumulativamente, ao res-
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 7, DE 2008 ponsável por ato de improbidade, e restringe a
aplicação da pena de ressarcimento).
Discussão, em turno único, do Projeto Parecer favorável, sob nº 1.056, de 2009,
de Lei da Câmara nº 7, de 2008 (nº 108/2007, da Comissão de Constituição, Justiça e Ci-
na Casa de origem, da Deputada Solange dadania, Relator “ad hoc”: Senador Neuto de
Amaral), que altera o inciso II do caput do art. Conto.
1.641 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
30
2002 – Código Civil (é obrigatório o regime de
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 87, DE 2008
separação de bens no casamento de pessoa
maior de 70 anos). Discussão, em turno único, do Projeto de
Parecer sob nº 1.392, de 2009, da Co- Lei da Câmara nº 87, de 2008 (nº 1.871/2007,
missão de Constituição, Justiça e Cidadania, na Casa de origem, do Deputado Edinho Bez),
Relator: Senador Valdir Raupp, favorável, com que inclui no Anexo da Lei nº 5.917, de 10 de
a Emenda nº 1-CCJ, que apresenta. setembro de 1973, que dispõe sobre o Plano
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55977 

Nacional de Viação, o trecho rodoviário que Pareceres sob nºs 1.269 e 1.270, de
especifica. 2009, das Comissões
Parecer sob nº 1.229, de 2008, da Comis- – de Constituição, Justiça e Cidadania,
são de Serviços de Infraestrutura, Relator: Se- Relatora: Senadora Serys Slhessarenko, favo-
nador Cícero Lucena, favorável nos termos da rável, nos termos das Emendas nºs 1 e 2-CCJ,
Emenda nº 1-CI (Substitutivo), que oferece. que apresenta; e
– da Comissão de Meio Ambiente, Defe-
31
sa do Consumidor e Fiscalização e Controle,
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 104, DE 2008
Relator: Senador Flexa Ribeiro, favorável ao
Discussão, em turno único, do Projeto de Projeto e as emendas oferecidas pela CCJ.
Lei da Câmara nº 104, de 2008 (nº 1.309/2007, 34
na Casa de origem, do Deputado Eliene Lima), PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 152, DE 2008
que acresce o § 3º ao art. 974 da Lei nº 10.406,
de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Discussão, em turno único, do Projeto de
Civil. (Dispõe sobre o registro de contratos e Lei da Câmara nº 152, de 2008 (nº 1.890/2007,
alterações contratuais de sociedade que seja na Casa de origem, do Deputado Mauro Nazif),
integrada por sócio incapaz). que acrescenta dispositivo à Lei nº 8.662, de 7
Parecer favorável, sob nº 1.481, de 2009, de junho de 1993, para dispor sobre a duração
da Comissão de Constituição, Justiça e Cidada- do trabalho do Assistente Social.
nia, Relator ad hoc: Senador Efraim Morais. Parecer favorável, sob nº 582, de 2009,
da Comissão de Assuntos Sociais, Relator ad
32
hoc: Senador Flávio Arns.
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 136,
DE 2008 – COMPLEMENTAR 35
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 154, DE 2008
Discussão, em turno único, do Projeto
de Lei da Câmara nº 136, de 2008 – Com- Discussão, em turno único, do Projeto de
plementar (nº 375/2006-Complementar, na Lei da Câmara nº 154, de 2008 (nº 1.246/2007,
Casa de origem), de iniciativa do Presidente na Casa de origem, do Deputado Márcio Fran-
da República, que dispõe sobre a composição ça), que altera a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro
do Conselho de Administração da Superinten- de 1999, que regula o processo administrativo
dência da Zona Franca de Manaus; revoga a no âmbito da administração pública federal.
Lei Complementar nº 68, 13 de junho de 1991; Parecer sob nº 691, de 2009, da Co-
e dá outras providências. missão de Constituição, Justiça e Cidadania,
Pareceres favoráveis, sob nºs 953 e 954, Relator ad hoc: Senador Antonio Carlos Vala-
das Comissões dares, favorável, com a Emenda n° 1-CCJ, de
– de Constituição, Justiça e Cidadania, redação, que apresenta.
Relatora ad hoc: Senadora Serys Shessa-
36
renko; e
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 156, DE 2008
– de Desenvolvimento Regional e Turis-
mo, Relator: Senador Jefferson Praia. Discussão, em turno único, do Projeto de
33 Lei da Câmara nº 156, de 2008 (nº 7.343/2006,
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 143, DE 2008 na Casa de origem, do Deputado Tarcísio Zim-
mermann), que altera o art. 38 da Lei nº 10.741,
Discussão, em turno único, do Projeto de de 1º de outubro de 2003 – Estatuto do Idoso,
Lei da Câmara nº 143, de 2008 (nº388/2003, para garantir a prioridade dos idosos na aqui-
na Casa de origem, do Deputado Maurício sição de unidades residenciais térreas, nos
Rabelo), que altera a redação do art 70 da programas nele mencionados.
Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, que Pareceres favoráveis, sob nº 67 e 1.593,
dispõe sobre a proteção do consumidor (inclui de 2009, das Comissões
a substituição ou retirada de peças e compo- – de Direitos Humanos e Legislação
nentes, sem autorização do consumidor no Participativa, Relator ad hoc: Senador Flávio
fornecimento de serviços). Arns.
55978  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

– de Assuntos Sociais, Relator ad hoc: Parecer sob no 1.430, de 2009, da Comis-


Senador Paulo Paim (em audiência, nos termos são de Assuntos Sociais, Relator: Senador Rena-
do Requerimento nº 636, de 2009). to Casagrande, favorável, nos termos da Emenda
no 1-CAS (Substitutivo), que oferece.
37
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 158, DE 2008 41
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 5, DE 2009
Discussão, em turno único, do Projeto de
Lei da Câmara nº 158, de 2008 (nº 843/2007, Discussão, em turno único, do Projeto de
na Casa de origem, do Deputado Daniel Almei- Lei da Câmara nº 5, de 2009 (nº 1.273/2007, na
da), que altera o art. 473 da Consolidação das Casa de origem, do Deputado Alexandre Silveira),
Leis do Trabalho – CLT, aprovado pelo Decreto- que inclui as vacinas contra hepatite A, meningo-
Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, a fim de cócica conjugada C, pneumocócica conjugada
permitir a ausência ao serviço para realização sete valente, varicela e pneumococo no Calen-
de exame preventivo de câncer. dário Básico de Vacinação da Criança.
Parecer sob nº 1.650, de 2009, da Co- Parecer favorável, sob nº 1.431, de 2009,
missão de Assuntos Sociais, Relatora ad hoc: da Comissão de Assuntos Sociais, Relator:
Senadora Fátima Cleide, favorável, com as Senador Mão Santa.
emendas nºs 1 e 2-CAS, que apresenta. 42
38 PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 12, DE 2009
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 173, DE 2008 Discussão, em turno único, do Projeto de
Lei da Câmara nº 12, de 2009 (nº 6.171/2005, na
Discussão, em turno único, do Projeto de
Casa de origem, do Deputado Celso Russoman-
Lei da Câmara nº 173, de 2008 (nº 1.036/2007,
no), que acrescenta parágrafos ao art. 31 da Lei
na Casa de origem, do Deputado Magela),
nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 – Código
que institui o exercício da profissão de Instru-
de Defesa do Consumidor, para garantir ao con-
tor de Trânsito.
sumidor o exame dos produtos adquiridos.
Parecer favorável, sob nº 1.429, de 2009,
Parecer favorável, sob nº 707, de 2009,
da Comissão de Assuntos Sociais, Relator:
da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do
Senador Mozarildo Cavalcanti.
Consumidor, Fiscalização e Controle, Relator
39 ad hoc: Senador Flexa Ribeiro.
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 182, DE 2008 43
Discussão, em turno único, do Projeto PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 13, DE 2009
de Lei da Câmara nº 182, de 2008 (nº 371/99, Discussão, em turno único, do Projeto de
na Casa de origem, do Deputado Enio Bacci), Lei da Câmara nº 13, de 2009 (nº 6.244/2005,
que altera o art. 49 da Lei nº 8.078, de 11 de na Casa de origem, da Deputada Sandra Ro-
setembro de 199 (dispõe sobre o direito de sado), que fixa critério para instituição de datas
arrependimento do consumidor). comemorativas.
Parecer favorável, sob nº 706, de 2009, Parecer favorável, sob nº 1.057, de 2009,
da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do da Comissão de Educação, Cultura e Esporte,
Consumidor e Fiscalização e Controle, Rela- Relator: Senador Cristovam Buarque.
tor: Senador Leomar Quintanilha.
44
40 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 226, DE 2006
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 187, DE 2008 (Tramita nos termos dos arts. 142 e 143
do Regimento Comum.)
Discussão, em turno único, do Projeto de
Lei da Câmara no 187, de 2008 (no 1.681/1999, Segunda sessão de discussão, em primei-
na Casa de origem, do Deputado Arnaldo Fa- ro turno, do Projeto de Lei do Senado nº 226,
ria de Sá), que regula o exercício da profissão de 2006, de iniciativa da Comissão Parlamentar
de Técnico em Imobilização Ortopédica e dá Mista de Inquérito dos Correios, que acrescenta
outras providências. dispositivos ao Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55979 

dezembro de 1940 – Código Penal, e à Lei nº 47


1.579, de 18 de março de 1952, que dispõe so- PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 185, DE 2004
bre as Comissões Parlamentares de Inquérito
(tipifica as condutas de fazer afirmação falsa ou Discussão, em turno único, do Projeto
negar a verdade, na condição de indiciado ou de Lei do Senado nº 185, de 2004, de autoria
acusado, em inquéritos, processos ou Comis- do Senador Demóstenes Torres, que regula-
sões Parlamentares de Inquérito). menta o emprego de algemas em todo o ter-
Parecer favorável, sob nº 1.064, de 2008 ritório nacional.
(em audiência, nos termos do Requerimento nº Pareceres sob nºs 920 e 921, de 2008, da
29, de 2007), Relator: Senador Alvaro Dias. Comissão de Constituição, Justiça e Cidada-
nia, Relator “ad hoc”: Senador Antonio Carlos
45 Valadares, 1º pronunciamento (sobre o Projeto,
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 382, DE 2003 em turno único, perante a Comissão): favorá-
(Incluído em Ordem do Dia, nos termos vel, nos termos de emenda substitutiva, que
do Recurso nº 7, de 2008) oferece; 2º pronunciamento (sobre as emen-
Discussão, em turno único, do Projeto de Lei das, apresentadas ao Substitutivo, no turno
do Senado nº 382, de 2003, de autoria do Senador suplementar, perante a Comissão): favorável,
Rodolpho Tourinho, que dispõe sobre o percentual nos termos da Emenda nº 1-CCJ (Substituti-
dos cargos e empregos públicos para as pessoas vo), que apresenta.
portadoras de necessidades especiais e os crité- 48
rios de sua admissão, nos termos do inciso VIII PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 124, DE 2005
do artigo 37 da Constituição Federal. (Incluído em Ordem do Dia nos termos
Pareceres sob nºs 964 a 966, de 2008, do Recurso nº 8, de 2006)
das Comissões
– de Constituição, Justiça e Cidadania, Discussão, em turno único, do Projeto
Relator “ad hoc”: Senador Mozarildo Cavalcan- de Lei do Senado nº 124, de 2005, de autoria
ti, favorável, com as Emendas nºs 1 e 2-CCJ, da Senador Papaléo Paes, que altera o art. 2º
que apresenta; da Lei nº 9.965, de 27 de abril de 2000, que
– de Assuntos Sociais (em audiência nos restringe a venda de esteróides ou peptídeos
termos do Requerimento nº 510, de 2007), Re- anabolizantes e dá outras providências, para
lator “ad hoc”: Senador Jayme Campos, favo- tipificar a venda desses produtos como crime
rável, com as Emendas 3 e 4-CAS; e punível com penas equivalentes às do tráfico
– de Direitos Humanos e Legislação Par- ilícito de substância entorpecente.
ticipativa, Relator: Senador Flávio Arns, favorá- Pareceres sob nºs 418, de 2006, e 795,
vel, nos termos da Emenda nº 5-CDH (Subs- de 2009, das Comissões
titutivo), que oferece. – de Assuntos Sociais, Relator: Senador
Augusto Botelho, favorável, com a Emenda nº
46 1-CAS (Substitutivo), que oferece; e
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 118, DE 2004 – de Constituição, Justiça e Cidadania,
(Incluído em Ordem do Dia, nos termos
Relator ad hoc: Senador Valter Pereira, favorá-
do Recurso nº 11, de 2009)
vel, nos termos do Substitutivo, oferecido pela
Discussão, em turno único, do Projeto Comissão de Assuntos Sociais.
de Lei do Senado nº 118, de 2004, de auto- 49
ria do Senador Hélio Costa, que acrescenta PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 140,
o inciso IV ao § 4º, do art. 80 da Lei nº 9.394, DE 2007 – COMPLEMENTAR
de 20 de dezembro de 1996, para assegurar
aulas presenciais e periódicas nos cursos de Discussão, em turno único, do Projeto de
educação à distância. Lei do Senado nº 140, de 2007-Complementar,
Parecer sob nº 1.451, de 2009, da Co- de autoria do Senador Demóstenes Torres, que
missão de Educação, Cultura e Esporte, Re- altera o art. 1º da Lei Complementar nº 105,
lator: Senador Marco Maciel, favorável, nos de 10 de janeiro de 2001, para especificar os
termos da Emenda nº 1-CE (Substitutivo), dados financeiros não sigilosos, para fins de
que oferece. investigação de ilícito penal.
55980  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Pareceres sob nºs 281 e 706, de 2007, da (em audiência, nos termos do Requerimento
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, nº 881, de 2009), Relator: Senador Aloizio Mer-
Relator: Senador Jarbas Vasconcelos, 1º pro- cadante, favorável, com a Emenda nº 1-CCJ,
nunciamento (sobre o Projeto): favorável, com que apresenta.
a Emenda nº 1-CCJ, que apresenta; 2º pronun-
53
ciamento (sobre a Emenda nº 2-Plen): favorável,
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 235, DE 2009
nos termos de Subemenda, que oferece.
50 Discussão, em turno único, do Projeto de
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 441, DE 2008 Lei do Senado nº 235, de 2009, de iniciativa da
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedo-
Discussão, em turno único, do Projeto filia, que acrescenta inciso VI ao art. 7º da Lei
de Lei do Senado nº 441, de 2008 (apresen- nº 6.815, de 9 de agosto de 1980, para vedar
tado como conclusão do Parecer nº 1.135, de a concessão de visto ao estrangeiro indiciado
2008, da Comissão de Direitos Humanos e em outro país pela prática de crime contra a
Legislação Participativa, Relator ad hoc: Se- liberdade sexual ou o correspondente ao des-
nador Flávio Arns), que altera o art. 30 da Lei crito nos arts. 240 e 241 da Lei nº 8.069, de
no 8.935, de 18 de novembro de 1994 (Lei dos 13 de julho de 1990.
Cartórios), para incluir, entre os deveres dos Parecer favorável, sob nº 1.393, de 2009,
notários e oficiais de registro, o encaminha- da Comissão de Relações Exteriores e Defesa
mento de relatório pertinente ao quantitativo Nacional, Relator: Senador Romeu Tuma.
de emolumentos recebidos no exercício ante-
54
rior à corregedoria do tribunal.
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 320, DE 2009
Parecer favorável, sob nº 729, de 2009,
da Comissão de Constituição, Justiça e Cida- Discussão, em turno único, do Projeto de
dania, Relator ad hoc: Senador Renato Ca- Lei do Senado nº 320, de 2009, de iniciativa
sagrande. da Comissão de Educação, Cultura e Esporte,
51 que altera a Lei nº 10.891, de 2004, que institui
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 183, DE 2009 a Bolsa-Atleta, para permitir a concessão do
benefício aos atletas-guias dos para-atletas
Discussão, em turno único, do Projeto de das categorias T11 e T12.
Lei do Senado nº 183, de 2009, de iniciativa da
Comissão de Assuntos Econômicos, que altera 55
a Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que REQUERIMENTO Nº 1.093, DE 2009
dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e
dá outras providências, para regulamentar a Votação, em turno único, do Requeri-
implantação de equipamentos urbanos. mento nº 1.093, de 2009, do Senador Romero
Parecer sob nº 1.388, de 2009, da Comis- Jucá, solicitando que, sobre o Projeto de Lei
são de Desenvolvimento Regional e Turismo, do Senado nº 238, de 2006, além das Comis-
Relator ad hoc: Senador Tasso Jereissati, favo- sões constantes do despacho inicial de distri-
rável, com a Emenda nº 1-CDR, que oferece. buição, seja ouvida, também, a de Serviços de
Infraestrutura (prorrogação da não incidência
52 do Adicional ao Frete para Renovação da Ma-
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 234, DE 2009 rinha Mercante).
Discussão, em turno único, do Projeto de 56
Lei do Senado nº 234, de 2009, de iniciativa REQUERIMENTO Nº 1.094, DE 2009
da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pe-
dofilia, que altera o Decreto-Lei nº 2.848, de Votação, em turno único, do Requerimen-
7 de dezembro de 1940 (Código Penal) com to nº 1.094, de 2009, do Senador Paulo Paim,
a finalidade de modificar as regras relativas à solicitando o desapensamento da Proposta de
prescrição dos crimes praticados contra crian- Emenda à Constituição nº 50, de 2006, das
ças e adolescentes. Propostas de Emenda à Constituição nºs 38,
Parecer sob nº 1.637, de 2009, da Co- de 2004, e 86, de 2007, a fim de que tenha
missão de Constituição Justiça e Cidadania tramitação autônoma (voto secreto).
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57 242, 308 e 355, de 2003; 352, de 2004; 370,


REQUERIMENTO Nº 1.102, DE 2009 de 2005; 151 e 531, de 2007, por regularem a
mesma matéria. (propaganda de bebidas al-
Votação, em turno único, do Requerimen- coólicas, alimentos, produtos fumígeros, me-
to nº 1.102, de 2009, do Senador Romero Jucá, dicamentos, terapias e defensivos).
solicitando a tramitação conjunta do Projeto de
Lei do Senado nº 301, de 2009, com os Pro- 62
jetos de Lei do Senado nºs 212, de 2005; 67, REQUERIMENTO Nº 1.217, DE 2009
199, 239 e 342, de 2006; e 287, de 2008, que
já se encontram apensados, por regularem a Votação, em turno único, do Requerimen-
mesma matéria. (porte de arma de fogo) to nº 1.217, de 2009, de autoria do Senador
Valter Pereira, solicitando o desapensamento
58 dos Projetos de Lei da Câmara n°s 49, de 2003;
REQUERIMENTO Nº 1.112, DE 2009 e 86, de 2004, e dos Projetos de Lei do Senado
nºs 115 e 134, de 2005; 223 e 285, de 2006; e
Votação, em turno único, do Requerimento 558, de 2007; e a tramitação conjunta, dividida
nº 1.112, de 2009, do Senador Romero Jucá, soli- em dois blocos, por afinidade, das seguintes
citando a tramitação conjunta dos Projetos de Lei matérias: – Projetos de Lei do Senado nºs 410,
do Senado nºs 291, de 2006, e 63, de 2007, por de 2003; e 224, de 2004 (gratuidade no trans-
regularem a mesma matéria (concede benefício porte coletivo para idosos); e – Projetos de Lei
no imposto de renda para empresas). do Senado nºs 249, de 2004; e 135, de 2008
(isenções fiscais para doações a instituições
59 filantrópicas e pensão alimentícia).
REQUERIMENTO Nº 1.149, DE 2009
63
Votação, em turno único, do Requerimen-
REQUERIMENTO Nº 1.238, DE 2009
to nº 1.149, de 2009, do Senador Tião Viana,
solicitando o desapensamento da Projeto de Votação, em turno único, do Requeri-
Lei do Senado nº 259, de 2006, dos Projetos mento nº 1.238, de 2009, do Senador Romero
de Lei do Senado nºs 184, de 2004, e 258, de Jucá, solicitando que, sobre o Projeto de Lei do
2006, a fim de que tenha tramitação autônoma Senado nº 232, de 2006, além das Comissões
(Código Brasileiro de Aeronáutica). constantes do despacho inicial de distribuição,
seja ouvida, também, a de Constituição, Jus-
60 tiça e Cidadania.
REQUERIMENTO Nº 1.157, DE 2009
64
Votação, em turno único, do Requerimento
REQUERIMENTO Nº 1.239, DE 2009
nº 1.157, de 2009, do Senador Romero Jucá,
solicitando que, sobre o Projeto de Lei do Sena- Votação, em turno único, do Requeri-
do nº 4, de 2008, além da Comissão constante mento nº 1.239, de 2009, do Senador Romero
do despacho inicial de distribuição, seja ouvida, Jucá, solicitando que, sobre o Projeto de Lei do
também, a de Constituição, Justiça e Cidadania Senado nº 685, de 2007, além das Comissões
(institui o regime de dedicação exclusiva para os constantes do despacho inicial de distribuição,
profissionais da educação básica pública). seja ouvida, também, a de Constituição, Jus-
tiça e Cidadania.
61
REQUERIMENTO Nº 1.158, DE 2009 65
REQUERIMENTO Nº 1.276, DE 2009
Votação, em turno único, do Requerimen- (Incluído em Ordem do Dia, nos termos
to nº 1.158, de 2009, do Senador Jefferson do art. 222 do Regimento Interno)
Praia, solicitando a tramitação conjunta dos
Projetos de Lei do Senado nºs 510, de 1999, e Votação, em turno único, do Requerimen-
505, de 2007, com o Projeto de Lei da Câmara to nº 1.276, de 2009, de iniciativa da Comissão
nº 35, de 2000, que tramita em conjunto com de Relações Exteriores e Defesa Nacional, so-
os Projetos de Lei do Senado nºs 25, 165, 182, licitando seja apresentado voto de censura e
55982  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

repúdio ao cerco militar à Embaixada do Bra- O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – Sr.
sil em Tegucigalpa e à repressão do governo Presidente, eu queria ainda, sobre o PLS nº 20, fazer
golpista contra as manifestações pacíficas dos um breve comentário.
partidários do governante legítimo de Hondu- O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
ras, Manuel Zelaya. – Sim.
Parecer nº 1.636, de 2009, da Comissão O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) –
de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Concede-me a palavra?
em reexame, favorável, nos termos do texto O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
– Pode falar. É apenas para uma pequena comunica-
que apresenta.
ção.
66 O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – Sim.
REQUERIMENTO Nº 1.333, DE 2009 É que, pela importância do projeto e pelo que o terceiro
setor faz no Brasil, as Santas Casas, as entidades de
Votação, em turno único, do Requerimento assistência social, as próprias escolas, é meritório que
nº 1.333, de 2009, do Senador Romero Jucá, tenhamos normalizado, como diz o Senador Romero
solicitando a tramitação conjunta do Projeto de Jucá, essa questão do certificado de filantropia com
Lei do Senado nº 330, de 2005, com os Projetos regras mais claras e mais duradouras. Dessa forma,
de Lei do Senado nºs 46 e 361, de 2003, que nós teremos um benefício maior para a população.
já se encontram apensados, por regularem a Era apenas para fazer este registro e, novamente,
mesma matéria (tabela do imposto de renda). cumprimentar a todos que participaram desse esforço
final, em particular o Ministro Patrus Ananias.
67 O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP)
REQUERIMENTO Nº 1.365, DE 2009 – Com a palavra, como orador inscrito, o Senador Mar-
co Maciel, após a Ordem do Dia.
Votação, em turno único, do Requerimen- V. Exª dispõe de vinte minutos, Senador.
to nº 1.365, de 2009, do Senador Romero Jucá, O SR. MARCO MACIEL (DEM – PE. Pela Lideran-
solicitando a tramitação conjunta dos Projetos ça do DEM. Com revisão do orador.) – Sr. Presidente,
de Lei do Senado nºs 158, de 2002; 201, de Senador José Sarney, Srªs e Srs. Senadores, no domin-
2003; e 475, de 2007, por regularem a mesma go, 18 de outubro último, completaram-se cem anos do
matéria (alteração do Código Florestal). nascimento do filósofo e pensador político italiano Nor-
berto Bobbio, nascido em 1909 e falecido em 2004.
68 Pela longa vida, pela intervenção intelectual e di-
REQUERIMENTO Nº 1.371, DE 2009 reta na política do seu país, pela lucidez e pelo rigor de
seus escritos, Bobbio se tornou – segundo O Estado de
Votação, em turno único, do Requeri-
S. Paulo –, ‘um interlocutor para a cultura internacional
mento nº 1.371, de 2009, do Senador Aloizio
na segunda metade do século 20 e pode continuar a
Mercadante, solicitando que, sobre o Projeto
sê-lo no início do novo século’, observou Michelangelo
de Lei do Senado nº 131, de 2001, além das Bovero, Conselheiro do Centro Studi Piero Gobetti, de
Comissões constantes do despacho inicial de Turim, Itália, uma entidade chave na difusão da obra
distribuição, seja ouvida, também, a de As- do filósofo, e também membro do comitê oficial das
suntos Econômicos (cria o Serviço Social da comemorações desse centenário.
Saúde – Sess e o Serviço Nacional de Apren- Além de registrar a referida efeméride, gostaria
dizagem da Saúde – Senass). de observar também que, em 2005, após o faleci-
mento do cientista político, foi criado, em São Paulo,
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) o Centro de Estudos Norberto Bobbio, que tem como
– Com a palavra o Senador Marco Maciel. missão pesquisar e divulgar os grandes temas abor-
O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB – MG) – Sr. dados pelo filósofo italiano. Faz isso em parceria com
Presidente, eu queria... o Centro Studi Piero Gobetti, instituição que cuida do
O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB – AP) legado intelectual de Bobbio na Itália.
– Depois da Ordem do Dia. Ele está inscrito como Lí- A iniciativa da criação desse Centro de Estudos
der. Em seguida, V. Exª falará pela Liderança. Norberto Bobbio foi do ex-presidente da Bovespa, o
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Dr. Raymundo Magliano, que, leitor do Bobbio, acom- brio baseado no terror das armas nucleares é
panhou com muito interesse a criação desse instituto, instável, não impede o uso das armas tradicio-
que realiza seu intento atuando de diferentes formas. nais, cujo impacto destruidor vem aumentando
O instituto mantém grupos de pesquisa, dos quais com as inovações científico-tecnológicas. E
quatro estão atualmente em atividade, sobre temas tende, em matéria nuclear, a reequilibrar-se
como direitos humanos e democracia. Também orga- no nível superior ou a desequilibrar-se de vez,
niza eventos abertos ao público, geralmente em par- como Gorbachev se deu conta na década de
ceria com universidades e instituições da sociedade 1980. Daí a crítica de Bobbio aos estudiosos
civil. Abriga ainda um acervo, aberto ao público, com das relações internacionais que reconhecem
mais de mil obras, das quais mais de cem textos de o terror que as armas nucleares causam, mas
Norberto Bobbio inéditos em livro, doados por Andrea minimizam a possibilidade de seu uso. Escon-
Bobbio, filho do filósofo italiano. dem o imenso problema que a sua invenção e
Devo também registrar que foi lançado, recen- seu armazenamento trazem para o destino da
temente, com prefácio da edição brasileira feito por Terra e a sobrevivência da humanidade”.
Celso Lafer – aliás, um excelente prefácio, um longo “Esse imenso problema persiste” – ob-
e competente prefácio –, o livro O Terceiro Ausente, serva Celso Lafer – “no século 21. Como apon-
que compreende não somente textos inéditos de Nor- ta Jonathan Schell, autor que Bobbio muito
apreciava, o potencial da escalada da violên-
berto Bobbio, mas também especulações que ele faz
cia trazida pelo evento inaugural da bomba
com relação ao futuro, sobretudo naqueles temas que
atômica contra o Japão, em 1945, prolonga-se
o preocuparam de modo especial, ao longo de sua
neste século 21. A era dos extremos, que é um
douta e densa vida intelectual.
tema de que recorrentemente tratava Bobbio,
Na mesma data, ou seja, no dia 18 de outubro,
não se encerrou com o fim da bipolaridade e
Celso Lafer publicou, em O Estado de S.Paulo, uma
a desagregação da União Soviética, pois o
conferência que proferira, no Universidade de Turim,
risco do ‘over kill” tende a aumentar.
sobre Norberto Bobbio.
No campo das relações internacionais – O Sr. Mão Santa (PSC – PI) – Senador Marco
recordou Celso Lafer –, o tema central de Nor- Maciel...
berto Bobbio é a situação-limite, paz/guerra, O SR. MARCO MACIEL (DEM – PE) – Pois não.
que, historicamente, molda a vida internacio- Ouço V. Exª, Senador Mão Santa.
nal. Sua análise tem como nota identificadora O Sr. Mão Santa (PSC – PI) – V. Exª, como o
o empenho em prol da paz, levando em conta Presidente Sarney, engrandece este Senado, porque,
o impacto da mudança qualitativa trazida pelas além de terem exercido a Presidência da República,
armas nucleares, que, de alguma forma, repre- os dois pertencem à Academia Brasileira de Letras,
sentaram um fato novo na convivência inter- dando esse ar cultural a esta Casa. E nós temos plena
nacional. Estas assinalam a possibilidade do convicção... Charles de Gaulle, nas suas memórias, diz:
uso da violência numa escala historicamente “Nunca vi um comandante bom sem cultura” – Charles
inédita e operam no horizonte do terror e da de Gaulle, o homem da resistência francesa. Então, V.
descartabilidade do ser humano. É nesse ho- Exªs traduzem um quadro da cultura, que é o Senado.
rizonte que se move a reflexão de Bobbio. São os dois membros que foram Presidentes da Re-
No colóquio com Pietro Polito, por ocasião pública e que pertencem à Academia, à cultura. Mas
dos seus 90 anos, Bobbio observou que ‘luz da
é muito oportuno o pronunciamento de V. Exª, porque,
razão é o sol de que podemos dispor para iluminar
desde que Aristóteles disse que “o homem é um animal
a treva na qual estamos imersos’ mas aduz Bobbio
político”, e ninguém o desmentiu, esse animal político
‘que não há lugar para certezas absolutas’.
Daí Norberto Bobbio insistir na defesa do saiu criando e passou lá pela Itália, onde deixou a de-
‘overno das leis’ e das regras do jogo da demo- mocracia de Péricles, direta – o povo todo falando, e
cracia, que ‘conta cabeças e não corta cabeças’. era confusão muita, Presidente –, para entrarmos na
Daí o seu pacifismo, pois os conflitos interesta- democracia representativa de Roma, simbolizada pelo
tais, quando deságuam na guerra, propiciam os nosso Senador Cícero: “O Senado e o povo de Roma”.
casos mais clamorosos de violência coletiva. Nós, hoje, podemos dizer, e dizemos: “O Senado e o
Em suma”, – ainda me valho de observa- povo do Brasil” – que nós representamos. Mas, Marco
ções, mais uma vez, de Celso Lafer – “o equilí- Maciel, a nossa cultura passou pelo Renascimento da
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Itália. E lá eles têm Senadores que são os notáveis. A Carta da ONU, ainda hoje, é um documento em
São cinco vagas, Presidente Sarney. É diferente: V. Exª aberto, cujos preceitos são extremamente atuais.
e o Presidente Sarney entraram aqui, são notáveis, Bobbio, conforme observa Celso Lafer na publi-
mas receberam o voto. Lá, não; eles pegam cinco no- cação que acaba de ser feita em edição portuguesa,
táveis, e o Norberto Bobbio foi um desses, que viveu expressa-se no propósito de estimular o respeito aos
na época de Mussolini; ele que sabe bem o que é o direitos humanos por meio da cooperação internacio-
absolutismo, foi professor de Direito. Mas, resumindo nal, conforme o art. 1.3 da Carta da ONU.
a vida dele, o último livro dele diz assim: “O mínimo Este propósito teve como desdobramento
que temos que exigir de um governo é segurança à a Declaração Universal dos Direitos Humanos
vida, à liberdade e à propriedade”. Então, V. Exª trou- de 1948, que traçou uma política de Direito
xe à tona essa reflexão de que não está tudo 100%, voltada para consolidar, no campo dos valo-
não. Segurança à vida – na nossa sociedade é uma res, uma visão do mundo caracterizada pelo
barbárie só –, à liberdade e à propriedade. Está aí a respeito e pelo reconhecimento do Outro.
confusão. Então, V. Exª relembra esse que, sem dúvi-
Sr. Presidente, eu não gostaria de encerrar tam-
da nenhuma, é um notável teórico da democracia que
pouco sem fazer uma referência ao fato de que Bobbio,
queremos conquistar. E nós, o povo do Brasil, temos
durante toda a sua vida, insistia muito na necessidade
que agradecer ao Senado da República, porque V. Exª
do fortalecimento das instituições, mesmo porque nós
que está na tribuna e o Sarney, que neste momento
sabemos que as pessoas passam, e as instituições fi-
preside, traduzem a grandeza cultural deste Senado
cam. Daí a necessidade de sempre buscar fortalecer as
que vivemos. instituições como forma de assegurar o enraizamento
O SR. MARCO MACIEL (DEM – PE) – Muito adequado da democracia em nosso País.
obrigado, nobre Senador Mão Santa, pelo aparte que Devo aludir agora ao lançamento do livro O Ter-
V. Exª ofereceu, enriquecendo, consequentemente, as ceiro Ausente, que, na realidade, é uma coletânea
palavras que estou pronunciando. de textos de Bobbio, alguns inéditos, e de muitos de
Prossigo, Sr. Presidente, lembrando, mais uma seus colaboradores, porque Bobbio dispunha de uma
vez, com Celso Lafer, que: enorme equipe de pensadores, filósofos, cientistas
Esta consciência com relação à questão políticos e intelectuais, que muito concorreram para o
da guerra nuclear hoje vai além dos intelectu- clareamento de problemas políticos e, sobretudo, de
ais inermes de que falava Bobbio no seu livro, ordem filosófica. No livro O Terceiro Ausente, Bobbio
agora lançado, O Terceiro Ausente. Alcançou observa:
os que exercem o poder, que se deram conta, O sistema internacional sustenta-se, ain-
com realismo, como disse [certa feita Raymond] da, sobre o equilíbrio, que é por sua natureza
Aron, que a ameaça nuclear não é um instru- precário e instável, de sujeitos que têm medo
mento nem de decisão, nem de poder imperial, um do outro. A única garantia de estabilida-
pois permite exterminar, mas não reinar. de, que contudo é sempre uma estabilidade
Todos estes componentes integram a relativa, repousa sobre o princípio de recipro-
arte combinatória do pacifismo ativo de Bo- cidade [...].
bbio, por ele desdobrado em três vertentes, Tendo irremediavelmente caído por terra
tendo em vista o seu foco – vale dizer, o da a ideia de um progresso indefinido e necessá-
ação sobre os meios, sobre as instituições e rio [que era sempre um pensamento kantiano.
sobre os seres humanos. Kant achava sempre, com alguma razão, que
Esse pacifismo [bobbiano] tem guarida o mundo estava sempre na marcha para o
na ONU, que é, por sua vez, uma instituição progresso], os sábios de hoje parecem ter-se
do pacifismo institucional, na condição de uma dado conta de que a contingência desempe-
organização internacional de vocação univer- nha um papel cada vez mais importante nas
sal, voltada para conter os riscos da anarquia coisas deste mundo. Kant estava convencido
e que reputa a paz um bem e a guerra como de que o gênero humano estivesse em cons-
um flagelo, como está dito no seu preâmbulo tante progresso em direção ao melhor. Hoje,
[documento que criou, em 1945, a Organiza- não sabemos se avança em direção ao melhor
ção das Nações Unidas]. ou em direção ao pior, ou em ciclos de gran-
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deza e decadência, de liberdade e opressão, O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
de paz e guerra. [...] A Mesa se associa e manifesta os aplausos do Bra-
Depois da invenção das armas nuclea- sil pela lembrança em trazer a este Parlamento e à
res, estamos menos seguros disso. O augúrio nossa Pátria ensinamentos de Norberto Bobbio, sem
que podemos fazer para o ano novo é que o dúvida nenhuma, o melhor teórico sobre democracia
pacto entre as duas grandes potências nos dos tempos atuais.
ajude a reconquistar a tranquila e consciente O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
confiança de antigamente. Sobre a mesa, ofício do 1º Secretário da Câmara dos
Deputados que passo a ler.
Leio apenas, Sr. Presidente, antes de encerrar,
um pequeno trecho da contracapa do livro O Terceiro É lido o seguinte:
Ausente.
Diz Michelangelo Bovero:
Of nº 1.190/09/PS – GSE
A condição essencial para uma paz que
não tenha mais a guerra como alternativa, é,
Brasília, 29 de outubro de 2009
segundo Bobbio, a democratização do sistema
internacional, isto é, a criação de um poder de A Sua Excelência o Senhor
um ”Terceiro” não despótico, acima das partes, Senador Heráclito Fortes
capaz de solucionar os problemas evitando o Primeiro-Secretário do Senado Federal
recurso à violência. Por esse caminho, paz e Assunto: Envio de PLv para apreciação
democracia confluem no ideal da não violência,
definido pelo próprio Bobbio como “o momento Senhor Primeiro-Secretário,
utópico” desse livro, que se apresenta como um Encaminho a Vossa Excelência, a fim de ser sub-
contraponto à análise realista e desencantada metido à consideração do Senado Federal, a inclusa
da dificuldade do problemaMas Bobbio mostra Medida Provisória nº 468, de 2009 (Projeto de Lei de
que o terceiro ainda está ausente. Não estão de Conversão nº 17/09), do Poder Executivo, aprovada
todo ausentes os sinais premonitórios de um na Sessão Plenária do dia 21-10-09, que “Dispõe so-
possível progresso em relação à meta final, e, bre a transferência de depósitos judiciais e extrajudi-
também, por que não dizer, à meta ideal. Em ciais de tributos e contribuições federais para a Caixa
certo sentido, também este livro é um dos sinais Econômica Federal; e altera a Lei nº 9.703, de 17 de
positivos. Não é um livro apenas para estudio- novembro de 1998.”, conforme o disposto no art. 62
sos. É um livro para a educação da paz.” da Constituição Federal, com a redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001.
Concluo minhas palavras, Sr. Presidente, dizendo
Remeto, em anexo, o processado da referida
que Bobbio, entre seus aforismas, um deles conceitua-
Medida Provisória e os autógrafos da matéria apro-
do de forma muito concisa, ainda hoje é extremamente
vada nesta Casa.
oportuno. Bobbio dizia sempre que a cultura une e que
Atenciosamente, Deputado Rafael Guerra, Pri-
a política divide.
meiro-Secretário.
Na realidade, este é o momento que vivemos em
que a cultura reconhecidamente une, mas a política O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
continua a dividir. E isso tem um certo fundamento Com referência ao expediente que acaba de ser lido,
porque a democracia é a convivência de contrários e, a Presidência comunica ao Plenário que o prazo de
consequentemente, nunca há consensos generalizados 45 dias para apreciação da matéria encontra-se es-
sobre temas difíceis que exigem uma ampla reflexão gotado, e o de sua vigência foi prorrogado por Ato
antes de que soluções sejam adotadas. da Mesa do Congresso Nacional, por mais sessenta
Era o que tinha a dizer. Agradeço a V. Exª pelo dias, conforme prevê o § 7º do art. 62 da Constitui-
tempo que nos permitiu usar. ção Federal.
Durante o discurso do Sr. Marco Maciel, Prestados esses esclarecimentos, a Presidência
o Sr. José Sarney, Presidente, deixa a cadeira inclui a matéria na Ordem do Dia da próxima terça-
da presidência, que é ocupada pelo Sr. Mão feira.
Santa, 3º Secretário. É a seguinte a matéria recebida:
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Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55987 
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Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55989 
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Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55991 
55992  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55993 
55994  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55995 
55996  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55997 
55998  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  55999 
56000  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56001 
56002  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56003 
56004  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56005 
56006  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56007 
56008  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
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Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56013 
56014  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56015 
56016  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56017 
56018  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56019 
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O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – abrimos o nosso coração e a nossa alma, para que
Há um documento aqui que recebemos de Raimundo esse tema tão importante, assim como a produção de
Colombo, Líder do Bloco da Minoria, comunicando alimentos, pudesse ter um debate elevado, um debate
que a Senadora Kátia Abreu usará da palavra, por racional, um debate lógico, que pudesse ser, em pri-
delegação da Liderança do Bloco da Minoria do Se- meiro lugar, positivo para os seres humanos, para a
nado, na sessão de 29 de outubro. Em seguida, falará sociedade brasileira.
o orador inscrito. Eles investiram, durante todos esses anos, do-
V. Exª poderá usar da palavra, de acordo com minando esse debate, trazendo prejuízos e inviabili-
documentação, representando a Liderança da Mino- zando o Brasil. Hoje, a legislação que esse grupo de
ria nesta Casa. ambientalistas radicais impôs ao Brasil e nós, para
A SRA. KÁTIA ABREU (DEM – TO. Pela Li- sermos sinceros, permitimos que o fizessem, inviabi-
derança da Minoria. Sem revisão da oradora.) – Sr. lizou o País, ao ponto de a Embrapa Satélite ter de-
Presidente, antes de iniciar o meu pronunciamento a monstrado ao Presidente da República que, se toda
respeito da questão ambiental, quero parabenizar os essa legislação fosse cumprida à risca, 71% do Brasil
servidores públicos do Brasil, especialmente os do estaria com a sua cobertura original, nativa. Portanto,
meu Estado do Tocantins. não seríamos o que somos hoje: a fazenda do mundo,
Ontem, comemoramos no Brasil o Dia do Servidor grande produtor de alimentos, moderno. Conhecemos
Público, que tanto tem contribuído com o desenvolvi- a competitividade, a qualidade, usamos tecnologia e
mento do nosso País e do meu Estado, apesar de que somos invejados por quase todos os países que tam-
hoje, no Tocantins, nossos servidores estão vivendo bém produzem alimentos como nós.
uma fase de terrorismo, de ameaças de demissão, Quantos países não gostariam de ter as áreas que
que afetam os cargos comissionados, como também o Brasil tem, o clima que o Brasil tem e, principalmente,
há transferências acintosas, dificultando a vida dos o conhecimento tecnológico que nós produzimos no
servidores concursados. Brasil com todos os nossos cientistas, com a academia
Mas quero dizer a todos eles que o Tocantins co- e, em especial, quero citar aqui a nossa Embrapa.
nhece o seu trabalho, que um ano passa rápido e que A discussão do meio ambiente, infelizmente, só
voltaremos a ter tranquilidade no Estado do Tocantins veio nessa geração. Os nossos pais, avós, bisavós
no próximo ano de 2011. Mas estaremos atentos para nunca ouviram falar de aquecimento global, de mu-
denunciar, a todo momento, a truculência, a virulência, danças climáticas, de biodiversidade. Enfim, naquela
a intransigência com que o Governador do Tocantins época, nas outras gerações, a preocupação principal
tem tratado os servidores públicos do nosso Estado. era a produção de alimentos.
Sr. Presidente, estamos discutindo e debatendo a A CNA, Sr. Presidente, desde o ano passado, em
questão ambiental no Brasil há treze anos, procurando dezembro, quando tomou posse a nova diretoria ‑ e
fazer algumas atualizações, corrigindo algumas distor- tenho o privilégio e a honra de ser a Presidente ‑, de-
ções cujo cumprimento se torna impraticável. Durante cidiu entrar nesse debate, como disse anteriormente,
esses treze anos, Sr. Presidente, assistimos a um gru- com a cabeça erguida e com o coração aberto. Mas
po de pessoas que se dizem ambientalistas fazerem decidimos por três questões: que nós não discutiríamos
desse tema uma reserva de mercado, um monopólio. meio ambiente sem tratar de economia paralelamente;
Fizeram e conquistaram mudanças no Código Florestal que não falaríamos de meio ambiente sem o apoio da
Brasileiro sem um debate com a sociedade, fazendo ciência deste País, sem os cientistas; que não falaría-
com que o Presidente da República, não só este, mas mos de meio ambiente sem mencionar e contar a linda
o Presidente anterior, pudesse fazer mudanças unila- história da agricultura brasileira, essa história que nos
terais apenas na discussão com o Ministério do Meio orgulha a todos, essa história construída com labor,
Ambiente, mediante medida provisória, decretos, pela com trabalho, com dedicação e afinco.
legislação imposta pelo Conama, que legisla mais do Estudamos o assunto, Sr. Presidente. E aqui quero
que esta Casa nos últimos anos. lembrar que não podemos, Senador Mão Santa, falar
Fizeram do tema meio ambiente uma religião, de meio ambiente sem falar da história da agricultura,
uma reserva e um dogma. Mas agora, Sr. Presidente, porque a história do meio ambiente chegou agora, o
nós, brasileiros urbanos, produtores rurais, estamos debate, infelizmente, chegou atrasado, mas chegou
dispostos a debater esse tema com a cabeça erguida, agora; e o Brasil, com a sua produção, começou muito
procurando ajuda, estudando o tema para que possa- antes disso, nos anos 70.
mos contribuir de verdade com o País. Deixamos as Mas, antes da revolução verde, da revolução que
nossas armas, as nossas prevenções, o radicalismo, mudou a cara do Brasil, nós éramos um dos maiores
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importadores de alimento do mundo. Alimento caro, rurais deste País e os acusem de criminosos, de des-
que vinha da Europa, como 80% do leite; que vinha da truidores do meio ambiente.
Austrália, 50% da carne; o feijão vinha do México; e o Enquanto tribuna, voz e vida eu tiver, Sr. Presi-
arroz vinha do outro lado do mundo, das Filipinas. dente, eu farei essa defesa contundente e uma defesa
Naquela época, Sr. Presidente, a família brasilei- justa em favor dessa agropecuária, dessa agricultura
ra, todos os brasileiros, especialmente os mais pobres pujante e forte que representa nada mais, nada menos
e a classe média baixa, gastavam de 46% a 48% de do que 1/3 do PIB, 1/3 do emprego, 1/3 das exporta-
todos os seus rendimentos com comida. ções e é o único setor que mantém a balança comer-
E, para saber o que isso significa, a grandiosi- cial brasileira superavitária.
dade do que representa a agricultura brasileira, hoje, Eu quero, Sr. Presidente, lembrar às pessoas
essas mesmas famílias pobres e de classe média que a ciência, que foi a nossa segunda opção, clareou
baixa gastam apenas 18% da sua renda média com a nossa vista. Nós permitimos que meia dúzia de ra-
alimentos. dicais greenpeaces da vida pudessem inviabilizar o
Em 1960, Sr. Presidente, Juscelino Kubitschek País, as grandes obras, a produção, criminalizasse o
implementou a industrialização do País, e o Brasil, que nosso País, mas a ciência agora esclareceu o nosso
tinha 80% de seus habitantes no campo e 20% na ci- conhecimento, trouxe conhecimento para nós para de-
dade, fez uma inversão: 60% das pessoas vieram para batermos com a cabeça erguida e mostrando números
os empregos na indústria do Brasil, e 40% ficaram no e dados com racionalidade.
campo. E esses 40% não puderam mais produzir para E eu quero agradecer à Embrapa Floresta, à
sustentar os brasileiros da cidade. Por isso, passamos Embrapa Satélite, à Embrapa Cerrado, a todas as
a ser grandes importadores. universidades, à Esalc, à Unicamp, a todos aqueles
Em 1974, por uma decisão acertada, que teve pesquisadores, professores, Guilherme Dias, que es-
tão nos ajudando nessa empreitada do conhecimento,
à frente o Ministro Alysson Paulinelli – e eu não me
especialmente com relação à questão ambiental.
canso de repetir essa história por todos os lugares
Nós crescemos. Eu pessoalmente, Sr. Presidente
por onde andei por este País, debatendo esse tema
e Senador Mão Santa, à frente da CNA, nesses últi-
–, nós decidimos ser autossuficientes em produção de
mos meses, fiz 91 reuniões ‑ entre reuniões, debates,
alimentos. Para isso, tivemos decisão política, financia-
palestras, seminários ‑ para discutir esse tema em
mento do Governo brasileiro e, em apenas cinco anos,
todo o Brasil.
construímos definitivamente a Embrapa, fortalecemos
Estabelecemos princípios valorosos, construímos
a Embrapa, e passamos de vinte milhões de toneladas
princípios com a sociedade. Não trabalhamos na cala-
para cinquenta milhões de toneladas de grãos produ- da da noite, não fizemos movimentos de grita contra
zidas neste País. a sociedade. Com a voz baixa, com a humildade que
Não foi deitados numa rede, Sr. Presidente, não qualquer ser humano tem que ter para aprender todos
foi sentados num banco que nós fizemos isso. Nós os dias uma matéria nova, nós optamos pelo desma-
unimos todo esse Brasil e, sob o comando do Gover- tamento zero na floresta, um desmatamento zero que
no Federal e dos Estados, empreendemos esse de- tantos neste País gostariam que acontecesse. Nós
safio. E nós conseguimos vencer. Nós fizemos isso foi optamos em trabalhar pelos serviços ambientais para
substituindo cobertura nativa, cobertura florestal por compensar esses brasileiros cujo patrimônio está im-
arroz, feijão, soja, milho, trigo, carne, e conseguimos pedido de ser desmatado para que ele pudesse, tam-
chegar lá; conseguimos fazer com que este País dei- bém, ter uma remuneração.
xasse de ser subdesenvolvido para ser um grande país Mas ainda aceitamos um terceiro princípio, o
emergente. Enquanto a China é mencionada como a de que as áreas sensíveis, os erros cometidos pelos
indústria do mundo; a Índia, como produtora de servi- agricultores no passado pudessem ser corrigidos de
ço; nós somos reconhecido como o grande país pro- acordo com a ciência, com a pesquisa, com os nossos
dutor de alimentos. estudiosos, e que nos demonstrassem onde estavam
Essa história não pode ser jogada ao vento. Os os erros, que nós estamos dispostos a corrigir.
produtores do Brasil não merecem que meia dúzia Chega de acusações, chega de aberrações e che-
de ONGs radicais, com rapazes que estão na flor da ga de querer ganhar no grito. Nós queremos a ciência,
idade, que não conhecem a história dessa agricultu- essa que eles estão dizendo que não é absoluta. A ci-
ra, e que não sabem que hoje estão comendo comida ência nunca pretendeu ser absoluta, mas eu prefiro a
barata porque essa revolução foi feita, que apontem o ciência ao achismo, mesmo não sendo absoluta, mas
seu dedo indicador no rosto, na face dos produtores dando a nós uma luz.
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E, como quarto princípio, Sr. Presidente, pre- nós vamos vencer. Nós vamos votar, sim, a atualização
servando a floresta atlântica, preservando a floresta do Código Florestal, entre sirenes e correntes, mas
amazônica, replantando as áreas onde os erros foram nós vamos fazer a vontade do Brasil, a vontade da
cometidos, às margens dos rios, nas encostas, e que sociedade, dos empregos, da exportação, da balança
pudessem prejudicar os nosso aquíferos, como nosso comercial, desse setor que garante o equilíbrio fiscal,
aquífero Guarani, que é o segundo maior do mundo, que garante uma inflação baixa neste País, produzin-
ou os nossos aquíferos livres, que são os rios. do alimentos e sob o peso nas costas dos produto-
Além de querer corrigir esses erros, nós quere- res, uma perda de renda exorbitante todos os anos, o
mos que as áreas de produção de alimentos do País empobrecimento geral, a sociedade ganhando, e os
sejam legalizadas, sim. Nós ainda impusemos e acei- produtores empobrecendo.
tamos que, para os próximos desmatadores ilegais, Nós temos aceitado isso silenciosamente, sendo
nós pudéssemos apertar o cerco e pudéssemos pu- acusados de desmatadores, de destruidores de meio
nir, definitiva e fortemente, aqueles que quebrassem ambiente, recebendo o acinte, a afronta de Ministros de
esse novo pacto. Estado, invasões, o nosso direito de propriedade atingi-
A imprensa mostra hoje o escândalo que o Gre- do todos os dias, insegurança jurídica total e absoluta,
enpeace fez ontem na Comissão de Meio Ambiente, reintegrações de posse que não são cumpridas.
na Câmara Federal, tentando coagir no grito os Parla- Sr. Presidente, nós não vamos nos calar. Nós te-
mentares, ligando sirenes para abafar o debate e a voz mos direito adquirido, e neste Brasil há Constituição.
dos Parlamentares, abraçando-se em correntes para Em 1989, a reserva legal não era estabelecida
ganharem as primeiras páginas dos jornais. para todos os biomas, era apenas para o bioma flo-
Aquela sirene era para impedir de ouvir a ver- resta. E esses produtores não estão pedindo anistia,
dade, de ouvir um debate lúcido, racional promovido nem perdão: estão pedindo apenas que a lei não possa
pela Comissão de Meio Ambiente, a sua maioria, es- retroagir para prejudicá-los, porque, à época, eles obe-
pecialmente pelo Deputado Federal Marcos Montes, de deceram a reserva legal que era exigida. Por isso é que
Minas Gerais, que apresentou com brilhantismo o seu o código chama-se Código Florestal. Apenas em 1989
relatório, um relatório trabalhado durante oito meses, se lembraram dos outros biomas e estenderam, do dia
a várias mãos, por várias entidades, inclusive a CNA, para a noite, reserva legal nos demais biomas do Brasil,
com muito orgulho, porque está desempenhando o seu como o cerrado, o pampa, o pantanal, a caatinga, todos
papel. E não é escondido que a CNA trabalha. eles. Depois das suas áreas abertas e em produção,
Nós ficamos orgulhosos e felizes quando os Par- agora estão sendo convocados sem indenização, sem
lamentares desta Casa podem atender as demandas aviso prévio, sem remuneração, para recompor essas
da nossa CNA. Isso significa que os Parlamentares, áreas de alimento que estão em produção.
Deputados e Senadores, confiam na Confederação de Nas áreas de cerrado, Sr. Presidente, a reserva
Agricultura e Pecuária do Brasil, e isso nos dá orgulho, legal foi criada em 1989. A reserva legal da floresta,
porque nós temos os técnicos, estudiosos, pesquisa- que era de 50%, só foi mudada para 80% em 1996.
dores da melhor qualidade neste País. E a OCB, a So- Portanto, aqueles que deixaram 50% não estão pedin-
ciedade Rural, a ABCZ, a Única, a Abrapa, a Aprosoja, do perdão e anistia não, Sr. Presidente: estão pedindo
todas as entidades e sindicatos participaram desse justiça neste País.
debate extraordinário sobre a questão ambiental. Aqueles donos de cerrados do meu Estado do
Não trabalhamos na calada da noite, Sr. Presi- Tocantins, de parte do Maranhão, de parte do Piauí, do
dente. Nós tínhamos a opção regimental e democrática Mato Grosso não estão pedindo perdão, não, Sr. Pre-
de colocar um projeto em votação, independentemente sidente, porque a reserva legal no cerrado de 35% só
de alguns quererem ou não, de acharem que o debate foi criada no ano 2000. E nós sabemos que o cerrado
foi feito ou não. Que democraticamente estabeleçam brasileiro, como eu disse aqui, na história da agricultu-
e externem o seu voto contrário, mas respeitem esta ra, foi desenvolvido entre 1974 e 1984, e sua reserva
Casa e não queiram ganhar no grito. criada apenas em 1989.
Conseguiram, com as sirenes e as correntes, Nas margens de rios, aqueles pequenos agri-
suspender uma votação democrática, mas não vão cultores, inclusive da reforma agrária, muitos deles
conseguir fazer com que esta Casa, que os Parla- foram assentados às margens do meu rio Araguaia e
mentares possam dar vazão aos seus estudos, ao seu às margens do meu rio Tocantins, onde se exigem hoje
pensamento. 500 metros de margem de APP, onde é proibido plan-
E aqui, nesta Casa, o debate é político, e vence tar qualquer coisa. Foram lá jogados, Sr. Presidente,
aquela ideia que tem a maioria dos votos. É assim que pelo Estado Brasileiro. Estão todos criminalizados. Os
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assentados da reforma agrária e a pequena proprie- com relação a sua produção. Nós podemos perder
dade à margem dos grandes rios não estão pedindo consumidor nacional, nós podemos perder consumi-
perdão nem anistia não, Sr. Presidente: estão apenas dor internacional. É essa insegurança que interessa
exigindo o seu direito adquirido. ao Greenpeace e a quem eles representam.
Outra parte de produtores, uma menor parte, foi Enquanto voz nós tivermos, nós estamos fortes.
estimulada e incentivada pelo Estado brasileiro, re- Nós estamos mais fortes. Precisamos aprender ainda
ceberam recursos públicos para isso, para financiar muito mais sobre meio ambiente, assim como preci-
trator de esteira, para financiar motosserra, para fi- samos aprender ainda muito mais sobre produção de
nanciar insumos, porque nós precisávamos nos tornar alimentos.
independentes na produção de alimentos. E foi com Anistia não é erro, Sr. Presidente: é um privilégio
a aquiescência, com a leniência e com a omissão do de sociedade madura, de sociedade civilizada, que
Estado, se é o caso, que esses produtores deixaram abre mão do rancor em prol das gerações futuras. E
de cumprir a lei. as mentiras que o Greenpeace colocou ontem na im-
Agora, Sr. Presidente, para que não possamos prensa, informando mal os nossos jornalistas, que não
criar uma demanda jurídica infindável neste País, é têm obrigação de entender os detalhes? Mas passa-
necessário que se faça um corte, que até 2006 pos- ram mentiras atrozes com relação ao projeto substi-
samos fazer um novo Brasil. E a anistia existe desde tutivo do Deputado Marcos Montes, de Minas Gerais,
os gregos, Sr. Presidente, 400 anos antes de Cristo. O um Deputado da maior qualidade e seriedade e que
perdão às vezes é mais útil do que a punição, quando foi Prefeito de Uberlândia.
a lei contém excessos como a lei ambiental atual. Sr. Presidente, será que o Greenpeace não sabe
A punição legal não pode ser encarada como que a demanda de alimentos em 2025 – em 2025 ape-
uma vingança, Sr. Presidente. Recompor 35 milhões nas –, que a demanda de alimentos daqui a 20 anos,
de hectares convém a quem, Sr. Presidente? Convém segundo fontes internacionais, estabelecidas inclusive
a quem? pela ONU, terá um aumento de 62%?
Será que o Greenpeace e os seus membros E o que pretendem essas entidades? Que a po-
querem que nos tornemos importadores de grãos de pulação possa comer comida cara, impraticável nos
países que dizimaram todas as suas florestas? seus preços?
A Europa não tem nem 1% das suas florestas Nós, brasileiros, temos a carne da maior qualida-
nativas; a África tem 7,4%; a Ásia tem 5,5%, e o Brasil de, do menor preço, e ainda temos o boi verde, esse
tem 56% de cobertura original, de cobertura nativa. É boi que eles querem desqualificar. Querem fazer uma
um exemplo para o mundo. E nós nunca vemos nenhum campanha negativa em prol dos produtores da Europa,
Parlamentar do Partido Verde, nenhum Parlamentar porque é de lá que o Greenpeace veio, da Holanda, da
da extrema esquerda, nem o Greenpeace fazer essa Irlanda, da Inglaterra, mas nós não vamos nos calar.
propaganda positiva do Brasil. Cabe a nós, Congresso Nacional, proteger os
O Greenpeace, como o seu próprio nome diz, é nossos, assim como o Greenpeace tem protegido os
dos países estrangeiros, tem os seus interesses nas seus na Europa e no mundo afora.
suas sedes, financia salário de seus membros para se Agora, Sr. Presidente, que nós, produtores rurais,
acorrentaram, ligarem sirenes para abafar o debate, entendemos a importância da Floresta Amazônia e da
porque lá estão os nossos competidores. Floresta Atlântica, aceitamos o desmatamento zero,
O Brasil, este Congresso Nacional não vai permitir eles mudaram o discurso. Não reconhecem a nossa
essa injustiça com os produtores e com o Brasil. Nós grandeza, o nosso aprendizado, a nossa evolução. São
não vamos arrancar comida do chão e importar grãos e incapazes de fazer um elogio a quem produz, quando
carne de países que já dizimaram toda a sua cobertura aceitamos o desmatamento zero.
florestal, que não têm um código ambiental, que não Agora, a bola da vez é o cerrado. Estão criticando,
querem cumprir a redução de emissões de CO2. massacrando o cerrado brasileiro, como se o cerrado
Nossa proposta é diferente da proposta do Pre- estivesse sendo destruído. E para que todos possam
sidente Lula, que não aceita o desmatamento zero. se tranqüilizar, o Brasil tem 206 milhões de hectares
Nós, produtores rurais da floresta amazônica e da mata de cerrado, sendo que 109 milhões, a metade exata-
atlântica, aceitamos sim, Senhor Presidente, aceitamos mente do cerrado existente no Brasil, não servem para
o desmatamento zero em prol da segurança alimentar produção de alimentos, são impróprios para a produ-
– sim, da segurança alimentar –, em prol da garantia ção de alimentos, são reserva suficiente para que a
de fornecimento de alimentos, para que a produção biodiversidade, as plantas e os animais possam ter a
de comida neste País não possa gerar desconfiança sua espécie aumentada a cada tempo.
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Não tenham medo, amigos, colegas Senadores O SR. MÃO SANTA (PSC – PI. Pronuncia o se-
e Senadoras e o Brasil que possa estar nos assistin- guinte discurso. Sem revisão do orador.) – Senador
do. Nós não somos irresponsáveis. Os produtores do Jefferson Praia, Parlamentares presentes, brasileiras
Brasil, mais do que ninguém, sabem da importância da e brasileiros aqui presentes à sessão, e que nos acom-
preservação da água, dos ecossistemas e da biodiver- panham pelo esquema de comunicação do Senado: a
sidade para evitar as pragas nas lavouras, as doenças televisão, a Rádio AM, a Rádio FM, ondas curtas e, em
dos nossos animais e a erosão de nossas terras, que consequência, o Jornal do Senado, diário, semanário,
nos dá prejuízo. a Hora do Brasil, o que eu queria dizer era o seguinte:
O cerrado brasileiro, Senador Mão Santa, agora eu tenho noção exata, Mário Couto, do que são nove
virou a bola da vez do Greenpeace, e é a grande des- meses. Nove meses é uma gestação. Eu fui médico, eu
coberta do século neste País. De tudo o que produ- era primariamente cirurgião, mas acompanhei muitas
zimos no Brasil, de toda a área de produção do País, obstetrícias, gestações.
45% são no cerrado. E eles querem dizimar nossa Arthur Virgílio, nós queremos dizer, de cabeça
produção. De tudo o que a agropecuária produz, o va- erguida, que faz precisamente nove meses que nós
lor bruto da produção, 47% vêm do cerrado. E, ainda, nos dedicamos, na Mesa Diretora do Senado da Re-
Sr. Presidente, de toda tonelada de comida produzida pública. A satisfação do cumprimento da missão. E
eu, afeito, pela própria profissão de médico cirurgião,
neste País, 54% vêm do cerrado brasileiro.
a enfr entar dificuldades.
Interessa a quem, Sr. Greenpeace, a diminuição
Foi em 02 de fevereiro que meu nome veio para
da nossa produção? A quem interessa e quem vocês
a disputa da vaga na Mesa Diretora. Havia 74 Sena-
representam para diminuir nosso PIB, nossa força de
dores presentes e 71 votaram no nosso nome. Eu
produção, nossas exportações, nosso emprego? Vo-
agradeço a eles.
cês querem que tiremos riquezas de onde? A maior
Estoicamente, os companheiros se dedicaram,
riqueza que o Brasil tem é a sua vocação, é a produ- porque é um patrimônio muito grande a democracia.
ção agropecuária. Daí, Jefferson Praia está essa discussão do valor da
Encerrando e agradecendo a paciência e a to- democracia.
lerância do meu colega, Presidente e Senador, quero Hoje mesmo vive-se isso quando se discute a
pedir ao Senado Federal que reflita sobre os temas. entrada da Venezuela no Mercosul. Está em jogo, Ar-
Não sou dona na verdade, não pretendo nem nunca thur Virgílio... V. Exª que dedicou o melhor da sua vida,
pretendi ser. Mas que se possa refletir sobre os argu- como jovem, a entrar no Itamaraty. V. Exª avalia que,
mentos. Não é preciso avaliar a vida dos produtores na história do mundo, a maior criação da civilização,
que têm sofrido e sido massacrados por este País, quero crer, foi a democracia. Foi essa, complicada.
perseguidos pelo Ministério Público e pela Justiça, Por isso que o Senado, responsável, está discutindo
porque querem o cumprimento da lei. Claro. Venezuela e Chávez.
Precisamos mudar a lei para dar paz a essas Todos nós sabemos que a economia é necessária,
pessoas. Mas se a vida dos nossos produtores não a riqueza é fundamental, mas é preciso que os pais da
interessa a ninguém, que tenham pena daqueles 43% Pátria se debrucem para dizer quem é mais importante:
de todo o povo brasileiro que vivem na extrema pobre- a democracia ou a economia? Quanta luta.
za, cada dia e cada mês, com meio salário mínimo, Daí um homem como Tasso Jereissati, que en-
Sr. Presidente. tende bem o que é economia, é um empresário vito-
É dessas pessoas que eu peço que se lembrem, rioso, diz, em seu parecer, que a democracia é maior.
que não podem comprar carne cara; para elas, o preço Eu acho que seja, Arthur Virgílio, eu que represento
do frango não pode subir, o preço do arroz não pode aqui o Partido Social Cristão e abro a Bíblia na página
subir, o preço do feijão não pode subir, senão, vamos em diz que a sabedoria vale mais do que ouro e prata.
aumentar ainda mais a pobreza neste País. Então, foi a sabedoria que nos fez criar a democracia.
Muito obrigada. Essa é a verdade! Ninguém contesta, a nossa cultura
é essa. Um dos sábios, Aristóteles, disse que o homem
Durante o discurso da Sra. Kátia Abreu,
é um animal político, e esse animal político busca a
o Sr. Mão Santa, 3º Secretário, deixa a ca-
forma de Governo. Busca, busca. A democracia nasceu
deira da presidência, que é ocupada pelo Sr. lá. A inteligência de Péricles que, com a sua ética – ô
Jefferson Praia. Mário Couto, a ética que está faltando nos aloprados
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Praia. PDT – AM) que estão dirigindo –, teve seguidores, mas era uma
– Concedo a palavra ao nobre Senador Mão Santa. democracia direta, era muita confusão. Era muita con-
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fusão, muita confusão! E ela foi se aperfeiçoando e, sou o pai da Pátria. Conheci aquilo em 1980, quando
na Itália, ela passou a ser representativa. A Itália do representava o Piauí.
Renascimento, a Itália do Senado em que Cícero di- Olha, fui a um curso de planejamento familiar. Eu
zia: “O Senado e o povo de Roma.” Bastaria isso para era médico, Deputado Estadual, representava o Piauí.
que aprendêssemos e pudéssemos falar: “O Senado Era na Colômbia, depois íamos ao México, e no fim,
e o povo do Brasil”. Como estão aqui. aos Estados Unidos. Eu conheci Cuba, e não tem li-
A valorização e a nossa cultura passa pela liber- berdade. Eu conheci 800 mil cubanos que foram para
dade, igualdade e fraternidade da França e passa, so- Miami, nos Estados Unidos, num bairro chamado Nova
bretudo, pela Inglaterra. O culto, nosso Arthur Virgílio, Havana. Eu vi em 1980. Quando for, visite. Eles traba-
que simboliza o melhor que há na história do Itamaraty, lharam, enriqueceram, os que estão exilados.
a política e a cultura. E na democracia, no meu entender – e eu enten-
A política, já foi dito por Norberto Bobbio, divide; do muito, ô Zezinho –, tem que haver divisão de poder.
e a cultura une. Arthur Virgílio convive com a cultura Nós somos vencedores, o País nos deve muito, a mim,
e a política, unindo, desunindo e vivendo. Essa é a eu fui um deles. Isso aqui queria o PT tomar. Eu não
realidade. tenho nada contra Tião Viana, ele é um bom homem de
Mas foi Rui Barbosa que, num período duro da bem, é um bom homem, é um político de bom caráter,
nossa República, teve que fugir correndo. Ele era Se- mas eu entendi, e outros nos acompanharam, que nós
nador, relevantes serviços já tinha prestado. Fez a não podíamos entregar o Senado ao PT, porque ele
libertação dos escravos – ele fez a lei e a princesa já tinha conquistado o Poder Executivo, conquistado o
sancionou. Fez nascer a República, mas teve que fugir Poder Judiciário – sem culpa, erros nossos da Cons-
do País como Senador, porque havia o marechal de tituição; democracia é assim mesmo. De repente, tem
ferro. E foi lá na Inglaterra que ele meditou, Senador lá na Suprema Corte nove indicados pelo Presidente
Arthur Virgílio. Somos isso porque ele viu que a Ingla- da República, de onze. Então eles já tinham o Poder
terra tinha um rei fraco. Quando ela sofreu a guerra, Executivo, que é o Poder que tem o Banco do Brasil,
ninguém acreditava no rei e não dava dinheiro. Então, é o Poder que tem a Caixa Econômica, é o Poder que
o rei foi aos líderes políticos reabrir o Parlamento. Eles tem o BNDES, e nós sabemos que, num país capita-
disseram que abririam, iriam buscar dinheiro com a lista, o dinheiro é forte. Além da popularidade e dos
credibilidade que eles tinham para a Inglaterra vencer méritos do Presidente da República.
a guerra contra a Irlanda e a Escócia. Mas jamais o E o Poder Judiciário. Por isto mesmo, porque
Parlamento se curvaria ao rei. O rei que tinha que se houve a reeleição e, de repente, não erraram os Cons-
curvar à lei. Essa é a nossa história que Rui Barbosa tituintes, o Presidente da República já vai indicar nove
aprendeu lá no exílio. A democracia monárquica, mas de onze. Então, ele tem o Poder Judiciário! Não existe
bicameral. A Inglaterra tem duas câmaras: uma apeli- isso em lugar nenhum do mundo! O Presidente tem o
dada de lorde e a outra apelidada de comum, que são poder de indicar a Suprema Corte. Se ele tivesse aqui,
o Senado e a Câmara Federal. aí pronto, tinha acabado a democracia. Seria melhor
O seu filhote não tinha rei. Teve um presidente, voltarmos ao “l’Etat c’est moi”, ao absolutismo do rei
mas adotou um regime bicameral. Essa é nossa história. que assim falava, ao Mussolini e ao Hitler, absolutistas
Foi isso que Rui Barbosa trouxe, fixou aqui e por isso que não deram certo.
ele está ali. Ele disse: “Só existe um caminho e uma É por isso que nós nos elegemos aqui; fizemos
salvação: é a lei e a justiça.” É isso que está em jogo. uma chapa e vencemos. Eu fui um dos líderes desse
Nós não temos nada a ver com Cuba. Eu co- movimento, o Geraldo Mesquita... Ganhamos mesmo!
nheço Cuba. V. Exª conhece, Senador Jefferson? Eu Vencemos. Não foi o Luiz Inácio! Para ganhar, a gente
vou votar contra o ingresso da Venezuela. Eu conhe- tinha que ter vários candidatos. Não podia ser só de um
ço Cuba. Não tem liberdade. Tem um Parlamento. Eu lado. Nós enfrentávamos o PT, o Luiz Inácio, que dizia
fui lá. Governava o Piauí e fui fazer convênios com a que iria colocar o Tião como Presidente do Senado.
Universidade de Cuba. Pela Universidade do Estado Não colocou, não! “Eu vou dar ao PMDB à Câmara e,
do Piauí, já fiz grandes convênios. O representante no Senado, eu boto...” Aqui ele não botou, não!
disse-me: “Somos trezentos parlamentares. Só ficam É extraordinário, eu não tenho nada contra o Tião.
uns cinco, para fazer de conta. E aí, como foi a eleição? Mas não botou! Eu tenho a minha consciência, a minha
“Não, aqui nos temos eleição.” Como foi? Eu fui olhar. formação, o meu mandato, que é do País e do povo
Eram trezentos. Fidel Castro teve trezentos votos e o do Piauí. E nós fizemos e ganhamos. E não foi fácil a
irmão dele, trezentos. Não tem partido. Foram trezen- vitória, não foi fácil o “Mar Vermelho” que atravessa-
tos. Mas não tem liberdade. Eu conheço. Eu sei. eu mos. Quanta confusão!
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56033 

Mas eu quero aqui dizer da satisfação do cumpri- contrapoderes; é um fortalecendo o outro. Que eles se-
mento da missão. O Presidente foi o Sarney; o Marconi jam equipotentes, iguais, um olhando para o outro, um
Perillo, do PSDB; a Serys, do PT; o Heráclito Fortes, freando o outro. Isso é que é divisão de poder. O outro é
do DEM; o João Vicente, do PTB; o Mão Santa, hoje alternância no poder. Se não tem alternância no poder,
do PSC; a Patrícia, do PDT e os suplementes, César não tem democracia. Antes eram os reis. O que era um
Borges, Adelmir Santana, Cícero Lucena e Gerson rei? Era um deus na terra, eterno. Isso era o regime mo-
Camata. Somos sete os que redigimos. Em nove me- nárquico. Ele era um deus, era eterno, ficava todo o tempo,
ses, nós oferecemos ao País um Senado como nunca passava para o filho, não tinha alternância. A democracia
antes houve: moralizado, recuperado, transformado e é a alternância no poder. Então, não tem alternância.
acreditado. Essa é a verdade. Não foi fácil. Erros houve. Nós não temos nada a ver com Cuba, com Fidel
Nunca negamos que não tinha. Erros por vícios, vícios Castro. A nossa história, nada tem a ver com Chávez,
administrativos. E punição está havendo. Pela primeira nada tem a ver com a Venezuela, que influenciou e lide-
vez, na história, este Senado teve condição e moral de rou, e lidera, o Equador de Correa, a Bolívia de Morales,
chamar para cá o Ministério Público, a Polícia Federal o Paraguai do padre reprodutor, a Nicarágua e Hondu-
e o Tribunal de Contas. As punições estão saindo. Nós ras. E deu no que deu: os militares foram competentes
não vamos nos vangloriar com a desgraça dos outros. e salvaguardaram a alternância no poder. Isso irradia.
Isso não seria cristão. Mas não está faltando firmeza. Isso é muito mais grave do que a gripe suína.
Hoje mesmo, a Fundação Getúlio Vargas, que E este Senado não deixou isso acontecer no Brasil.
é o melhor que nós temos, é a Harvard do Brasil. Eu Muitos quiseram, mas muitos e muitos e muitos. Muitos
digo isso porque, quando eu governei o Piauí, eu fiz aloprados aí entraram pela porta larga do serviço públi-
crescer a universidade estadual. Foi uma das que mais co, muitos ganham DAS 6, R$10.548, 00 sem concurso,
cresceram no País, e levei a Fundação Getúlio Vargas sem esforço, pela malandragem. Não fizeram concurso.
para controlar, supervisionar a Universidade Estadual Tudo isso constituiu um exército pelo continuísmo.
do Piauí, em muitos cursos. Eu mesmo fiz um curso de E nós oferecemos ao povo brasileiro uma alter-
gestão pública, em um desses, como Governador do nância no poder, e o povo está consciente. Tanto que
Estado. Então, ela adentrou aqui e transformou. ele está com esperança da alternância no poder. Aí
Hoje, a Mesa Diretora oferece a todos os Sena- estão as pesquisas que retratam o candidato da Opo-
dores um projeto de Senado modernizado, austero e sição: o Governador de São Paulo. No meu Estado,
atualizado – quem não se atualiza é superado. Na trans- Piauí... Dessa alternância no poder é que vive aquele
parência que oferecemos a cada um, demos quinze povo do Brasil, vive dessa esperança de ter uma me-
dias para que eles se manifestem e passem sugestões. lhor segurança, porque a sociedade em que vivemos é
E será votado aqui. Os erros, corrigidos. uma barbárie, que tenha uma educação que dê chan-
Eu queria, então, dizer isso nesse momento de ce, que seja igual para todos, para o pobre. Como a
vitória. Foram nove meses de estoicismo, de dedica- luz do sol que entra nas casas, que entre a educação.
ção, de competência, com a finalidade de salvarmos Não conseguimos isso, e ela piorou.
esse patrimônio maior da democracia, o Senado. E Olha para cá, Jefferson. Eu estudei numa facul-
orgulhosamente me apresento aqui. Este País só tem dade de Medicina do Governo e me formei cirurgião
democracia hoje graças ao Senado. Olha a influência de num hospital do Governo. Hoje está difícil. Tem muita
Cuba, a influência aqui, em nosso País, da Venezuela faculdade particular que cobra R$4 mil ao mês. Isso
do Chávez, do menino Correa, do Equador, do índio da afasta qualquer possibilidade de um pobre estudar.
Bolívia, do padre reprodutor do Paraguai, da Nicarágua E da saúde ninguém melhor do que eu poder
e da confusão que aconteceu em Honduras. Fomos nós falar. A saúde é avançada, mas ela só está acessível
que oferecemos a este País esta democracia. para quem tem muito dinheiro e para quem tem um
Democracia – eu entendo e entendo bem, daí plano de saúde; o pobre não tem. Do pobre, nós não
estar aqui – tem que ter dois fundamentos de que não precisamos esperar... Não precisamos, Jefferson Praia,
podemos nos afastar. Um é a divisão de poder. Nós das Olimpíadas – quando é a Olimpíada? É em 2014,
somos um poder e temos condição de frear os outros é? Para irmos ao pódio. Acabamos...
poderes, como fizemos no passado e fazemos agora, O SR. PRESIDENTE (Jefferson Praia. PDT – AM)
de fiscalizar. Eles também têm o poder de nos fiscalizar. – A Copa do mundo é em 2014...(Fora do microfone).
A democracia é equilíbrio, poderes equipotentes. O SR. MÃO SANTA (PSC – PI) – É a Copa do
Mitterrand, que foi um mártir da democracia na mundo que é em 2014?
França, moribundo, escreveu, Jefferson Praia, no seu Luiz Inácio nos levou ao pódio. Temos medalha de
último livro: mensagem aos governantes: fortalecer os ouro: nós somos campeões de morte por gripe suína.
56034  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Bastaria esse quadro para dizer como está precária a 1.582. Como o Senado está produzindo! O Senado da
saúde do povo. Somos o primeiro lugar, medalha de República, o Congresso brasileiro, nunca tinha funcio-
ouro em dengue, entre todos os países, doença que nado às segundas e às sextas. Isso é coisa nossa. É
os países civilizados afastaram. criação nossa. É dedicação nossa. É amor nosso ao
Então, há esforço. E eu queria traduzir, aqui, este Brasil e à democracia. Medidas provisórias e demais
do Senado. A democracia é isso mesmo, é difícil. Wins- atos legislativos aprovados... Nossa atividade apre-
ton Churchill, o maior líder da história contemporânea, senta um crescimento de 323% em relação... Quer
entre militares e políticos, ele disse que a democra- dizer, crescemos, o País fortaleceu-se, a democracia
cia é assim, é difícil, é complicada, mas não conhece consolida-se graças ao Senado da República.
outro regime. E nós temos... Alguém nos ensinou, um Em 1997, está aqui um quadro, foram 374 maté-
militar, Brigadeiro Eduardo Gomes, que combateu a rias aprovadas; no ano passado, 1.257; este ano, quer
primeira ditadura, aqui, disse: “O preço da liberdade dizer, estamos em outubro, não terminou, foram apro-
democrática é a eterna vigilância”. Fomos nós que fi- vadas 1.581 matérias. Há que considerar o trabalho
zemos essa vigilância para oferecer essa democracia das Comissões temáticas, porta de entrada dos pro-
que todos estão respirando no Brasil. jetos e demais matérias submetidas à apreciação e
Então, eu queria dizer que o Poder Legislativo é onde é possível aproveitar as discussões submetidas
exercido pela Câmara dos Deputados e pelo Senado ao Senado Federal ou por eles propostas. Em 1997,
Federal e tem a responsabilidade de legislar sobre as- havia sete Comissões, Jefferson Praia, hoje, tem 11
suntos de competência da União, ou seja, que são do permanentes, além de mais 30 subcomissões.
interesse de toda a Nação. Pela Constituição, com ou sem Vale ressaltar também que, além da atividade
sanção presidencial, as duas Casas têm a atribuição de legislativa, a ação parlamentar inclui um conjunto de
decidir sobre diferentes assuntos de grande repercussão, ações de caráter político de acompanhamento e defe-
como o sistema tributário, as diretrizes orçamentárias, a sa das causas públicas, muitas vezes, materializadas
estrutura da administração pública, telecomunicações, na forma de debates em plenário ou nas Comissões
moeda, além de ter o dever constitucional de fiscalizar entre os próprios Senadores ou com a presença de
e até de sustar atos do Poder Executivo. Ministro de Estado ou de outros agentes públicos em
O Senado Federal tem competências exclusivas, permanente busca de esclarecimento, outra faceta da
com função legislativa mais ampla, cabendo-lhe apro- atividade dos Parlamentares, e isso, numa transparên-
var nomes de autoridades, como ministros dos tribu- cia, através da TV Senado, da Rádio AM, da FM, das
nais superiores e embaixadores, autorizar operações ondas curtas, da imprensa, da agência de notícias.
de crédito, definir e autorizar limites e condições para Então, o que queremos dizer é que falamos aqui
operações de crédito externo e interno, inclusive, para com a satisfação do cumprimento de nossa missão.
a dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal, E eu queria cumprimentar a todos, todos, a Mesa Di-
dos Municípios e decidir a respeito da suspensão da retora, envaidecido, porque nela tem três piauiense,
lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal mostrando o estoicismo, a competência, dedicação
Federal, entre algumas dessas responsabilidades pri- dos homens piauienses na construção deste Senado
vativas previstas na Constituição Federal. da democracia e do Estado no Brasil.
Em 1980 havia pouco mais de 119 milhões de Então, essas são nossas palavras, e de todos es-
brasileiros. No censo de 2000, segundo o IBGE havia ses funcionários, funcionários extraordinários. Basta um
169 milhões. Os indicadores da economia apontam quadro, que vale por dez mil palavras. Neste momento,
sempre tendência de crescimento a despeito de al- assessorando o Jefferson Praia, que exerce a Presidência,
guns recuos pontuais. o Dr. João Pedro. Tem duas formaturas, Dr. José Rober-
Esse quadro de desenvolvimento aliado à evolu- to. Então a maioria, a quase totalidade dos funcionários
ção tecnológica resulta em novas e contínuas neces- desta Casa constitui um quadro de grandeza.
sidades. Às instituições cabe acompanhar sempre os Estamos aqui na certeza de que devemos esse
interesses do cidadão. regime bicameral, porque é ele que dá igualdade às
A realidade demonstra que o Senado tem feito a nações. Se não tivesse um regime bicameral, o que
sua parte. Assim revela a evolução da atividade legis- seria dos Estados pequenos que nós vimos ontem?
lativa nos últimos anos. Em 1997 se promoveu a últi- Nós vimos ontem chorando, chorando Roraima. Ja-
ma reforma administrativa, quer dizer, há doze anos. mais seria aprovado aquilo, porque bastaria se fosse
Agora nós vamos promover outra reforma. só unicameral, se fosse diretamente proporcional à
Foram aprovadas 374 matérias em apenas 12 população, bastaria juntar São Paulo, Minas e o Rio
anos. Até o final de setembro de 2009 chegou-se a de Janeiro, acabava, dominava. E nós somos todos.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56035 

Nós somos hoje 26 Estados e o Distrito Federal. E essa Ele estava preocupado com o gesto que eu havia
igualdade de representação é garantida pelo Senado tomado. Qual foi? Estávamos na Comissão de Justiça,
da República. já no apagar das luzes, e apareceu lá uma proposta
Então, é um momento de grandeza. Terminamos de ajuda do Brasil para Moçambique, uma ajuda hu-
este mês de outubro. manitária no valor de R$13.600 milhões.
Já que o Presidente Sarney é um maranhense, Eu conheço o sofrimento daquele povo, eu estudei
eu terminaria com uma saudação daquele poeta mara- Sociologia Política Africana. Fui monitor do Professor
nhense, Gonçalves Dias, citando a Canção do Tamoio, José Maria Nunes Pereira, na Faculdade Cândido Men-
que diz – Meninos, eu vi! –: “A vida é combate, que os des, e fiz todo o curso de Sociologia Política Africana.
fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar”. E também, na PUC do Rio de Janeiro, como uma das
Forte e bravo é o povo do Brasil, que garante hoje essa cadeiras do curso de Sociologia, que lá não concluí,
democracia, exemplo da política moderna do mundo. cursei Sociologia Política Africana, matéria ministrada
O SR. PRESIDENTE (Jefferson Praia. PDT – AM) pelo próprio Professor José Maria.
– Concedo a palavra ao nobre Senador Arthur Virgílio. Sabemos que, de lá para cá, mudou muito pouco
O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB – AM. Pronuncia o do ponto de vista da realidade social daquele povo. Eu
seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presiden- não poderia ser contra, e não sou contra o Brasil, po-
te, Srªs e Srs. Senadores, tentarei resumir alguns temas dendo prestar auxílio a Moçambique, fazê-lo.
que são de interesse da minha região, do meu Estado e Mas considero que não tem cabimento fazer isso
do Estado do Senador Jefferson Praia, que presidia muito antes de resolver a situação do Hospital Universitário Ge-
competentemente a sessão até o momento. túlio Vargas do Estado do Amazonas. E não tem sentido
Em primeiro lugar, uma preocupação muito gran- nós vermos a saúde em situação tão grave no País e
de. Tive a notícia, às 16 horas e 47 minutos, da Folha fingirmos que está tudo bem, que nós podemos, então,
Online, informando: “Avião da FAB desaparece na fazer o papel do país rico, benemerente, do país que...
região amazônica”. Eu sou a favor, eu não posso votar contra e não
A aeronave havia saído de Cruzeiro do Sul, no quero votar contra. Tenho a palavra do Ministro de que
Acre, e deveria pousar em Tabatinga, no Amazonas, ele vai resolver a questão do hospital universitário. Não
às 8h15min, horário de Brasília; 10h15min, horário de vou votar contra, não vou incitar ninguém a votar con-
Brasília. Aqui está escrito de maneira imprecisa. tra, apenas pedi vistas e atrasei por uma semana, na
Com capacidade para até 14 passageiros e um tripu- Comissão, e não vou precisar atrasar mais aqui.
lante, a FAB ainda não informou até o momento quantas Quero fazer um discurso de solidariedade ao
pessoas estavam a bordo. Quero muito que o pior não te- povo de Moçambique. Mas procurei chamar a atenção,
nha acontecido e que haja uma explicação para isso que e consegui isso, dos dois Ministros para o fato de que
não represente a perda preciosa de seres humanos. não tem a menor graça se fazer esse gesto nobre, que
Ainda, Sr. Presidente, tive hoje a alegria de falar eu apoio e que aplaudo, na direção do povo sofrido de
com o Ministro Temporão, da Saúde, como tive ontem Moçambique, e se deixar fechar o Hospital Universitário
a alegria de falar com o Ministro Fernando Haddad, Getúlio Vargas, em Manaus, ou no Município do Carei-
da Educação, a respeito de um gesto que tomei na ro Castanho, no Amazonas, não ter uma ambulância.
Comissão de Justiça. Tentei cobrir esse gesto de valor E ainda, Sr. Presidente, eu gostaria de dizer a V.
simbólico, porque eu havia, na véspera, feito um pro- Exª que muitas coisas graves acontecem nos nossos
nunciamento muito curto aqui, denunciando o estado Estados e é bom que tragamos a realidade desses
de descalabro e absoluto abandono por que passa o nossos Municípios, tão massacrados pelo destino, para
Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus. o Plenário do Senado Federal.
Não é um hospital qualquer; é uma fábrica de mé- Havia uma certa tradição parlamentar esnobe
dicos. É a melhor escola de médicos da Região Norte do que dizia que, ao se tratar desses assuntos, você re-
País e está sem meios para funcionar. Eu havia feito a baixa sua perspectiva a de político provinciano ou de
reclamação desta tribuna; e o Ministro Fernando Haddad político de calibre menor. Eu não vejo que tratar dos
explicou-me que a parte técnica, de pessoal, é com o assuntos da terra que me mandou para o Senado sig-
Ministério da Educação, mas a parte de recursos é com nifique provincianismo ou signifique algo menor. Ao
o Ministério da Saúde. O Ministro Temporão me deu a contrário, não vejo nada mais nobre do que defender
boa notícia de que está conseguindo, no orçamento, um o povo que me elegeu. Não estou aqui para outra coi-
acréscimo de R$300 milhões para ser distribuído entre os sa. Não estou aqui para fazer firula, nem para receber
hospitais universitários. Pedi a ele prioridade para o Hos- comendas, nem para receber homenagens. Estou aqui
pital Getúlio Vargas, e ele me garantiu que será assim. para trabalhar pelo povo do Amazonas.
56036  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Se me preocupa o avião da FAB que desapa- ízo para a segurança, o prejuízo para tudo que possa
receu, se estou solidário com as pessoas que estão significar de direito à cidadania verdadeira.
dentro desse avião, que espero que estejam vivas, Então, aqui, quero me solidarizar com o povo do
se luto pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas, a Município de Envira, através do Prefeito Rômulo Mattos,
custa, inclusive, de brecar a votação de uma maté- e dizer também da minha preocupação com Eirunepé,
ria importante, de ajuda humanitária a Moçambique, que é um Município vizinho – se é que a gente pode,
mas chamando a atenção para o problema do Hospi- na imensidão amazônica, dizer que alguém é vizinho
tal Universitário Getúlio Vargas, que não pode fechar do outro, pois é tudo muito grande lá –, onde o Prefeito
suas portas e nem pode funcionar precariamente – as Dissica Tomaz também está passando por momentos
condições são mais do que precárias, são, atualmente, difíceis com a questão da energia.
precariíssimas –, também não posso deixar de dizer Eu poderia citar todos os Municípios do Ama-
do drama por que tem passado – e eu quero chamar a zonas. Não tem nenhum onde funcione para valer o
atenção do Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão sistema de distribuição de energia elétrica. Só que em
–, do drama por que tem passado o povo do Município Eirunepé ficou grave e em Envira ficou gravíssimo, a
de Envira, no Amazonas. ponto de eu dizer, Senador Eduardo Azeredo, do apa-
O Prefeito, um diligente Prefeito, Rômulo Mattos, gão de cinco dias de telefone convencional – não tem
que não é do meu Partido, mas do PPS, um querido celular e não se fala em convencional – e nenhuma luz.
amigo, está, junto com seu povo, enfrentando um racio- E o Prefeito freta um avião para dar um telefonema a
namento de energia – o que não é incomum no Ama- algumas pessoas, entre as quais este Senador.
zonas, no interior do Estado – há trinta dias, a quatro Então, estou me dirigindo ao Ministro Edison
ou cinco blecautes completos e também há apagão Lobão pedindo, na verdade, explicações muito claras
dos telefones. Lá não funciona telefonia celular e os a esse respeito. É um estimado colega nosso que sei
telefones convencionais não estão funcionando. que dará atenção devida ao caso, ao assunto.
Para se comunicar com o meu gabinete, o Prefeito Mas digo a V. Exª quando encerro, Sr. Presidente,
Rômulo teve que fretar um avião – só se chega lá por que não vejo mesmo o menor desdouro em separar os
avião; o rio está muito seco e não se chega lá pelos meus dias, de maneira muito organizada, no Senado,
barcos que são chamados barcos de recreio, que são entre os temas nacionais que sou obrigado a abordar
barcos que transportam passageiros e carga no meu e que quero abordar, como Líder do meu Partido, como
Estado –, ele teve que fretar um avião e ir para Porto Senador que tem compromisso com seu País, e os
Velho, em Rondônia, para telefonar. É um Município temas que dizem respeito ao meu Estado, seja uma
pobre, porque perdeu parte de seu território para o conquista esportiva, seja o drama de uma comunidade
Acre e perdeu, portanto, parte da sua receita, mas como essa, seja algo relevante sob o ponto de vista de
continua atendendo praticamente toda a população obra pública que interesse ao meu Estado.
de antes, que continua se considerando amazonen- Entendo que não dá para afetar uma falsa impor-
se. Então, o Prefeito desse Município pobre teve que tância, porque é preciso saber interpretar o que o nos-
pegar um avião para ir a Porto Velho telefonar para o so povo sente. Nosso povo nem sempre quer discurso
gabinete do Senador. É algo que corta o coração de acadêmico, nem sempre quer discurso que ignore sua
qualquer pessoa. realidade. Aliás, ele até aceita e até admira os discur-
O Prefeito Rômulo exige solução imediata para sos que tratam, por exemplo, da ajuda humanitária a
esse problema. Não estamos vendo implantação cor- Moçambique, mas isso não leva luz a Envira, isso não
reta nem justa de Programa Luz para Todos nenhum. É resgata os telefones que estão em pane no Município
um jargão publicitário. O programa não funciona. Pura de Envira, não apaga a vergonha de um prefeito ter
e simplesmente, esse programa não funciona. de fretar um avião para dar um telefonema, não apa-
O Prefeito Rômulo Mattos está vivendo momen- ga essa vergonha.
tos difíceis, praticamente o caos, sem telefone, sem É um país cheio de mazelas, mazelas sociais gra-
luz. E os frequentes apagões de energia elétrica fazem ves, que não deve viver nenhum faz-de-conta, nenhum
com que o pequeno comerciante tenha o seu freezer conto das mil e uma noites; deve viver com realismo as
queimado. O vai e volta da energia faz com que ele suas dificuldades e aceitar as suas mazelas, até para
perca aquele patrimônio que é muito caro, muito pre- poder vencê-las. Não deve maquiar mazelas, deve en-
cioso para ele. frentá-las. Enfrentando as suas mazelas, um país que
Quem tem um aparelho de ar-condicionado pode é a décima economia do mundo, não vejo por que não
ver o seu aparelho entrar em pane também, assim como dar uma ajuda pequena, que, com certeza, será muito
seu ventilador. Fora o prejuízo para as aulas, o preju- boa para o povo de Moçambique, que abraço frater-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56037 

nalmente, até por, modéstia à parte, conhecer bastan- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Se-
te da sua história, por ter cursado Sociologia Política nador Azeredo, quer usar da palavra ainda? (Pausa.)
Africana, como disse a V. Exª. Quando estudante, eu Então, os nossos cumprimentos ao último ora-
era apaixonado pelo processo de descolonização da dor, Senador Arthur Virgílio, que defende com muito
África. E tinha meus atores preferidos, entre os quais o estoicismo o seu Estado, o Amazonas, e sua gente e
grande líder da descolonização da Guiné-Bissau, que lidera as Oposições do Brasil.
era Amílcar Cabral, que eu considerava o mais bem Sobre a mesa, requerimentos que passo a ler.
aparelhado daqueles homens que se preparavam para São lidos os seguintes:
os negócios de Estado.
Eu não poderia faltar com a solidariedade – e REQUERIMENTO Nº 1.455, DE 2009
disse isso ao Ministro Temporão –, mas não posso
Requeiro, nos termos do art. 222 do
aceitar que o Ministério da Saúde não honre o com-
Regimento Interno, ouvido o Plenário, que
promisso de fazer funcionar o Hospital Getúlio Vargas
seja consignado nos anais desta Casa, voto
de Manaus, que é procurado por Roraima, é procurado
de aplauso ao Instituto Guga Kuerten, em
por habitantes do Acre, por habitantes de Rondônia, é
função de seu trabalho social de inclusão
procurado por habitantes do Peru, de cidades do Peru
no esporte de crianças de baixa renda, bem
vizinhas ao Amazonas.
como pelas ações de suporte técnico e fi-
Como pode um hospital de referência ser suca-
nanceiro a instituições que trabalham com
tado? E não me digam que precisa de imposto, por- pessoas portadoras de deficiências.
que não precisa de imposto, precisa de gerência e de
combate à corrupção nos sistemas federal, estadual Justificação
e municipal de saúde. É isto que tem de fazer: tratar
Em 28 de outubro de 2009, o Instituto Guga
com honradez a coisa pública e tratar com competên-
Kuerten (IGK) lançou a sétima edição do Prêmio IGK,
cia a gerência. Essa, a meu ver, é a grande resposta
destinado a estimular pessoas e organizações a pra-
que se pode dar à questão da saúde no País, que
ticarem ações responsáveis. O IGK premia, em três
é muito grave, conforme atesta o gesto que tomei, categorias, quem se destaca no desenvolvimento de
muito claramente. Eu disse que não estou querendo projetos sociais, educativos e na mídia, com a veicu-
brecar nenhum dinheiro para Moçambique. Eu que- lação de reportagens sobre a deficiência ou ações na
ro chamar a atenção para o drama do povo do meu educação de reconhecido impacto social.
Estado, que está vendo o seu melhor hospital, que é Dirigido pela mãe do tenista Gustavo Kuerten,
de responsabilidade do Ministério da Saúde, ligado Sra. Alice Kuerten, desde 2000 o IGK vem se desta-
à Fundação Universidade do Amazonas, sendo su- cando em suas ações sociais, atendendo atualmente
cateado e sendo desmanchado. Isso não é aceitável, a 470 crianças, além de apoiar instituições que traba-
não é tolerável. lham com pessoas portadoras de deficiências. Cabe
Então, quero tranquilizar, da tribuna, como disse também destacar o trabalho que o IGK promoveu de
que ia fazer, o Ministro Temporão, que é uma figura auxílio à recuperação do Estado, em função das en-
de trato muito fácil, muito agradável, por quem tenho chentes que atingiram Santa Catarina.
respeito, por quem tenho estima, quero tranquilizá-lo Sala das Sessões, 29 de outubro de 2009. – Se-
e dizer que espero mesmo e vou fazer isso, vou de- nador Raimundo Colombo
fender, da tribuna, a aprovação da ajuda humanitária.
REQUERIMENTO Nº 1.456, DE 2009
E folgo em saber que ele obteve o compromisso da
Comissão de Orçamento de mais R$300 milhões para Requerimento de Voto de Aplauso ao
distribuir entre os hospitais universitários e que, obvia- “Sport Club Corinthians Paulista” pela pas-
mente, ele haverá de priorizar o Hospital Universitário sagem dos 99 (noventa e nove) anos de
Getúlio Vargas, do Estado do Amazonas, sediado na fundação, que ocorreu, 1º-9-2009.
cidade de Manaus, que é a minha cidade.
Requeiro, com fulcro no artigo 222 do Regimen-
Muito obrigado, Presidente.
to Interno do Senado Federal, a inserção em ata de
Durante o discurso do Sr. Arthur Virgílio, Voto de Aplauso pela passagem dos 99 anos (noven-
o Sr. Jefferson Praia deixa a cadeira da pre- ta e nove) de fundação do glorioso “Sport Club Corin-
sidência, que é ocupada pelo Sr. Mão Santa, thians Paulista”, nosso querido Timão, que aconteceu
3º Secretário. no dia 1º-9-2009.
56038  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Requeiro, ainda, que a homenagem seja levada REQUERIMENTO Nº 1.457, de 2009


ao conhecimento do Ilustríssimo Senhor Andrés San-
chez, Presidente do nosso querido Corinthians, em Em aditamento ao Requerimento nº
ofício direcionado à sede do Sport Clube Corinthians 557, de 2009, requeremos, nos termos do
Paulista com sede na Rua São Jorge, 777 – Tatuapé art. 199 do Regimento Interno do Senado
-CEP: 03087-000 – São Paulo – SP. Federal, autorização para que seja realiza-
Sala das Sessões, 29 de outubro de 2009. – Se- da, no Período do Expediente do dia 12 de
nador Romeu Tuma. novembro de 2009, Sessão Especial para
comemorar os 120 anos da proclamação
Justificação da República Federativa do Brasil.
No dia 1° de setembro de 1910, 5 (cinco) operá- Sala das Sessões, 29 de outubro de 2009. –
rios (Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Per- Cristovam Buarque.
rone, Antônio Pereira e Anselmo Correia) se reuniram
com mais 8 (oito) rapazes e fundaram o “Sport Club
Corinthians Paulista” após assistirem a uma partida de
uma equipe de futebol da Inglaterra.
O presidente escolhido por eles foi o alfaiate Mi-
guel Bataglia, que já no primeiro momento afirmou: “o
Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem
vai fazer o time”.
Da primeira coleta à compra da primeira bola
de futebol do clube pouco tempo passou. Na verda-
de, apenas uma semana. Um terreno alugado na Rua
José Paulino foi aplainado e virou campo e foi lá que,
já no dia 14 de setembro, o primeiro treino foi realiza- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – O
do diante de uma platéia entusiasmada que garantiu: requerimento que acaba de ser lido vai à publicação.
“este veio para ficar”. Sobre a mesa, requerimento que passo a ler.
De partida em partida o time foi se tornando fa- É lido o seguinte:
moso, mas era ainda um time de várzea.
No ano de 1913, o Corinthians pleiteou uma vaga
junto à Liga Paulista de Futebol e foi aceito, tornando- REQUERIMENTO Nº 1.458, DE 2009
se assim o quarto dos chamados “três mosqueteiros”
(os outros eram Americano, Germânia e Internacional), Requeiro, nos termos do Regimento
daí a origem do mascote corinthiano. Interno, que o Senado Federal emita voto
Um século depois, o nosso querido Timão tor- de pesar ao Deputado Estadual Paranaense
nou-se uma potência não apenas do futebol paulista Nereu Moura, e familiares, pelo falecimen-
e brasileiro, mas do futebol mundial. to de sua mãe, Senhora Florisbela Alves
É com grande satisfação, que solicito aos meus de Moura, acontecido nesta terça-feira em
companheiros do Senado da República que aprovem Cascavel – Paraná.
este requerimento de Voto de Aplauso, deste orgulhoso Dona Bela, como era chamada por familiares e
torcedor Corinthiano, pela passagem dos 99 (noventa amigos, era mãe de 15 filhos consanguíneos e mais
e nove) anos do Sport Clube Corinthians Paulista. 14 adotivos, deixou um legado de amor e de muita de-
Salve o Sport Clube Corinthians Paulista! dicação à família e à comunidade. Católica fervorosa
Salve a grande Nação Corinthiana. – Senador recebia a todos em sua casa com um abraço sincero
Romeu Tuma. e um sorriso de boas vindas.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Em 1930, quando tinha a idade de quatro anos,
A Presidência encaminhará os votos de aplauso so- sua família deixou Capinzal, em Santa Catarina, para
licitados. fixar-se em São João, no Paraná.
Os requerimentos que acabam de ser lidos vão Pioneiros do Sudoeste, os pais de dona Bela,
ao Arquivo. Osório Alves de Oliveira e Nardina Chagas de Oli-
Sobre a mesa, requerimento que passo a ler. veira, estabeleceram-se como pequenos produtores
É lido o seguinte: rurais. Dona Bela era a mais nova entre 10 irmãos,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56039 

e há mais de 30 anos residia em Catanduvas, região Justificação


oeste do Paraná. O objetivo deste Projeto de Lei do Senado (PLS)
No próximo dia 5 de novembro, dona Bela com- é garantir maior transparência no relacionamento en-
pletaria 84 anos. Ela foi mãe do ex-prefeito de Catan- tre instituições financeiras e usuários. Atualmente, a
duvas, Olimpio de Moura. cobrança de tarifas bancárias é disciplinada pela Re-
Sala das Sessões, 29 de outubro de 2009. – solução nº 3.518, de 7 de dezembro de 2007, do Con-
Senador Flávio Arns. selho Monetário Nacional (CMN).
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A O artigo 9º da referida Resolução prevê a obri-
Presidência encaminhará o voto de pesar solicitado. gatoriedade da divulgação de tarifas em local e for-
O requerimento que acaba de ser lido vai ao mato visível ao público, nas dependências próprias e
Arquivo. dos correspondentes bancários, bem como nos res-
Sobre a mesa, projetos que passo a ler. pectivos sítios eletrônicos. É uma medida necessária,
mas claramente insuficiente, diante do objetivo de dar
São lidos os seguintes:
completa ciência para os clientes dos custos a que
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 487, DE 2009 estão expostos.
Em primeiro lugar, é cada vez mais frequente o
Obriga as instituições financeiras a in- uso de terminais de auto-atendimento para realizar
formarem aos usuários, no ato da operação, as transações. Não raramente, o correntista só com-
a tarifa da operação que se está executando parece à agência para abrir sua conta, realizando a
e de operações subsequentes. quase totalidade das operações de forma remota. Em
O Congresso Nacional decreta: segundo lugar, é excessivo exigir do consumidor que
Art. 1º As instituições financeiras ficam obrigadas acompanhe, mês a mês, as tarifas cobradas de cada
a informar ao usuário, no ato da operação: uma das dezenas de serviços oferecidos. Em terceiro
I – o quanto o usuário terá de pagar pela opera- lugar, a cobrança de tarifas pode variar de acordo com
ção que está sendo efetuada; o número de transações ocorrida ao longo do mês, o
II – caso a operação seja gratuita, quantas ope- que dificulta ainda mais o seu controle, por parte do
rações gratuitas poderão ser feitas até o final do mês consumidor.
corrente; Por fim, o custo para implementação do disposto
III – caso o usuário tenha de pagar um preço neste projeto de lei é mínimo. Os bancos já dispõem
mais alto se efetuar a mesma operação no decorrer da informação, em tempo real, da tarifa associada a
do mesmo mês, quanto ele terá de pagar pela nova cada transação, do número de transações realizadas
operação. no último mês e qual será a tarifa caso o usuário ve-
Art. 2º Sem prejuízo do disposto nos arts. 57 e nha a repetir a operação até o final do mês. A única
58 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, as providência a ser tomada é alterarem marginalmente
instituições financeiras ficam sujeitas à multa a ser seus programas, para exibir a informação requerida
paga ao usuário em caso de infração dos dispositivos antes de o usuário autorizar a operação no terminal
previstos no art. 1º. de auto-atendimento ou por outro meio eletrônico. Se
§ 1º As sanções previstas serão aplicadas pela a operação for feita na agência, o caixa poderá infor-
autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, mar diretamente o usuário sobre eventuais tarifas a
podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por serem cobradas.
medida cautelar, antecedente ou incidente de proce- E os benefícios da proposta são claros. Dispondo
dimento administrativo. de melhor informação, os clientes poderão racionalizar
§ 2º A multa será paga ao usuário que não foi o uso dos serviços bancários, economizando suas des-
devidamente informado e seu valor não será inferior pesas com tarifas. E, para a sociedade, essa economia
a cem vezes e não superior a duzentas vezes o valor representará uma redução no desperdício de recursos
da tarifa cobrada sem a devida observância do dis- humanos e computacionais, dentre outros, que seriam
posto no art. 1º. desnecessariamente alocados para o provimento dos
§ 3º O valor da multa, respeitado o intervalo de- serviços bancários.
finido no § 2º, deve ser majorado em razão de reinci- Pelo exposto, peço o apoio dos nobres Senadores
dência na prática da infração. para a aprovação desta importante matéria.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor cento e oitenta Sala das Sessões, – Senador Jefferson Praia,
dias após a sua publicação. PDT/AM.
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LEGISLAÇÃO CITADA I – considera-se cliente a pessoa que possui


vínculo negocial não esporádico com a instituição,
LEI Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990 decorrente de contrato de depósitos, de operação de
crédito ou de arrendamento mercantil, de prestação
Dispõe sobre a proteção do consumi-
de serviços ou de aplicação financeira;
dor e dá outras providências
II – os serviços prestados a pessoas físicas são
.................................................................................... classificados como essenciais, prioritários, especiais
Art. 57. A pena de multa, graduada de acordo com e diferenciados;
a gravidade da infração, a vantagem auferida e a condi- III – não se caracteriza como tarifa o ressarcimen-
ção econômica do fornecedor, será aplicada mediante to de despesas decorrentes de prestação de serviços
procedimento administrativo, revertendo para o Fundo por terceiros, podendo seu valor ser cobrado desde
de que trata a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, os que devidamente explicitado no contrato de operação
valores cabíveis à União, ou para os Fundos estaduais ou de crédito ou de arrendamento mercantil.
municipais de proteção ao consumidor nos demais casos. Art. 2º É vedada às instituições de que trata o art.
(Redação dada pela Lei nº 8.656, de 21.5.1993) 1º a cobrança de tarifas pela prestação de serviços
Parágrafo único. A multa será em montante não bancários essenciais a pessoas físicas, assim consi-
inferior a duzentas e não superior a três milhões de ve- derados aqueles relativos a:
zes o valor da Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou I – conta corrente de depósitos à vista:
índice equivalente que venha a substituí-lo. (Parágrafo a) fornecimento de cartão com função débito;
acrescentado pela Lei nº 8.703, de 6.9.1993) b) fornecimento de dez folhas de cheques por
Art. 58. As penas de apreensão, de inutilização mês, desde que o correntista reúna os requisitos ne-
de produtos, de proibição de fabricação de produtos, cessários à utilização de cheques, de acordo com a
de suspensão do fornecimento de produto ou servi- regulamentação em vigor e as condições pactuadas;
ço, de cassação do registro do produto e revogação c) fornecimento de segunda via do cartão referido
da concessão ou permissão de uso serão aplicadas na alínea “a”, exceto nos casos de pedidos de reposi-
pela administração, mediante procedimento admi- ção formulados pelo correntista decorrentes de perda,
nistrativo, assegurada ampla defesa, quando forem roubo, danificação e outros motivos não imputáveis à
constatados instituição emitente;
.................................................................................... d) realização de até quatro saques, por mês, em
guichê de caixa, inclusive por meio de cheque ou de
Resolução CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL
cheque avulso, ou em terminal de auto-atendimento;
– CMN (BACEN) nº 3.518 de 06.12.2007
e) fornecimento de até dois extratos contendo a
DOU: 10-12-2007 movimentação do mês por meio de terminal de auto-
atendimento;
Disciplina a cobrança de tarifas pela
f) realização de consultas mediante utilização
prestação de serviços por parte das insti-
da internet;
tuições financeiras e demais instituições
g) realização de duas transferências de recur-
autorizadas a funcionar pelo Banco Cen-
sos entre contas na própria instituição, por mês, em
tral do Brasil.
guichê de caixa, em terminal de auto-atendimento e/
O Banco Central Do Brasil, na forma do art. 9º da ou pela internet;
Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público h) compensação de cheques;
que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, em ses- i) fornecimento do extrato de que trata o art. 12;
são extraordinária realizada em 6 de dezembro de 2007, II – conta de depósitos de poupança:
com base no art. 4º, inciso IX, da referida lei, resolveu: a) fornecimento de cartão com função movimen-
Art. 1º A cobrança de tarifas pela prestação de tação;
serviços por parte das instituições financeiras e demais b) fornecimento de segunda via do cartão referido
instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central na alínea “a”, exceto nos casos de pedidos de reposi-
do Brasil deve estar prevista no contrato firmado entre ção formulados pelo correntista, decorrentes de perda,
a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço roubo, danificação e outros motivos não imputáveis à
previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou instituição emitente;
pelo usuário. c) realização de até dois saques, por mês, em
Parágrafo único. Para efeito desta resolução: guichê de caixa ou em terminal de auto-atendimento;
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56041 

d) realização de até duas transferências para IX – cópia ou segunda via de comprovantes e


conta de depósitos de mesma titularidade; documentos;
e) fornecimento de até dois extratos contendo a X – corretagem;
movimentação do mês; XI – custódia;
f) realização de consultas mediante utilização XII – extrato diferenciado mensal contendo in-
da internet; formações adicionais àquelas relativas a contas-cor-
g) fornecimento do extrato de que trata o art. 12. rentes de depósitos à vista e a contas de depósitos
§ 1º É vedada a cobrança de tarifas em contas de poupança;
à ordem do poder judiciário e para a manutenção de XIII – fornecimento de atestados, certificados e
depósitos em consignação de pagamento de que trata declarações;
a Lei nº 8.951, de 13 de dezembro de 1994. XIV – leilões agrícolas;
§ 2º Com relação ao disposto no caput, inciso I, XV – aviso automático de movimentação de conta.
alínea “b”, é facultado à instituição financeira suspender Art. 6º É obrigatória a oferta a pessoas físicas de
o fornecimento de novos cheques quando: pacote padronizado de serviços prioritários, cujos itens
I – vinte ou mais folhas de cheque, já fornecidas componentes e quantidade de eventos serão determi-
ao correntista, ainda não tiverem sido liquidadas; ou nados pelo Banco Central do Brasil.
II – não tiverem sido liquidadas 50% (cinqüenta § 1º O valor cobrado pelo pacote padronizado
por cento), no mínimo, das folhas de cheque forneci- de serviços mencionado no caput não pode exceder
das ao correntista nos três últimos meses. o somatório do valor das tarifas individuais que o com-
Parágrafo único. A cobrança de tarifas de pessoas põem, considerada a tarifa correspondente ao canal
físicas pela prestação, no País, de serviços prioritários de entrega de menor valor.
fica limitada às hipóteses previstas no caput. § 2º Para efeito do cálculo de que trata o § 1º:
Art. 4º O disposto nos arts. 2º, 3º e 6º não se apli- I – deve ser computado o valor proporcional men-
ca à prestação de serviços especiais, assim conside- sal da tarifa relativa a serviço cuja cobrança não seja
rados aqueles referentes ao crédito rural, ao mercado mensal;
de câmbio, ao repasse de recursos, ao sistema finan- II – devem ser desconsiderados os valores das
ceiro da habitação, ao Fundo de Garantia do Tempo tarifas cuja cobrança seja realizada uma única vez.
de Serviço (FGTS), ao Fundo PIS/PASEP, ao penhor § 3º É facultado o oferecimento de pacote de
civil previsto no Decreto nº 6.132, de 22 de junho de serviços distintos contendo outros serviços, inclusive
2007, às contas especiais de que trata a Resolução nº serviços essenciais, prioritários, especiais e diferen-
3.211, de 30 de junho de 2004, às contas de registro e ciados, observada a padronização dos serviços prio-
controle disciplinadas pela Resolução nº 3.402, de 6 de ritários, bem como a exigência prevista no § 1º
setembro de 2006, alterada pela Resolução nº 3.424, Art. 7º Observadas as vedações estabelecidas
de 21 de dezembro de 2006, bem como às operações no art. 2º, é prerrogativa do cliente:
de microcrédito de que trata a Resolução nº 3.422, de I – a utilização e o pagamento por serviços indi-
30 de novembro de 2006, entre outros, devendo ser vidualizados; e/ou
observadas as disposições específicas contidas nas II – a utilização e o pagamento, de forma não in-
respectivas legislação e regulamentação. dividualizada, de serviços incluídos em pacote.
Art. 5º Admite-se a cobrança de remuneração Art. 8º As tarifas debitadas em conta corrente de
pela prestação de serviços diferenciados a pessoas depósitos à vista ou em conta de depósitos de poupan-
físicas, desde que explicitadas ao cliente ou usuário ça devem ser identificadas no extrato de forma clara,
as condições de utilização e de pagamento, assim com utilização, no caso dos serviços prioritários, da
considerados aqueles relativos a: padronização de que trata o art. 3º
I – abono de assinatura; § 1º O valor do lançamento a débito referente à
II – aditamento de contratos; cobrança de tarifa em conta de depósitos de poupan-
III – administração de fundos de investimento; ça somente poderá ocorrer após o lançamento dos
IV – aluguel de cofre; rendimentos de cada período.
V – avaliação, reavaliação e substituição de bens § 2º O valor do lançamento a débito referente à
recebidos em garantia; cobrança de tarifa em conta corrente de depósitos à
VI – cartão de crédito; vista ou em conta de depósitos de poupança não pode
VII – certificado digital; ser superior ao saldo disponível.
VIII – coleta e entrega em domicílio ou outro lo- Art. 9º É obrigatória a divulgação, em local e forma-
cal; to visível ao público no recinto das suas dependências
56042  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

e nas dependências dos correspondentes no País, bem abril de 2008, as tarifas estabelecidas na forma desta
como nos respectivos sítios eletrônicos, das seguintes resolução.
informações relativas à prestação de serviços a pessoas Art. 15. Fica o Banco Central do Brasil autorizado
físicas e pessoas jurídicas e respectivas tarifas: a adotar as medidas julgadas necessárias à implemen-
I – tabela contendo os serviços cuja cobrança de tação do disposto nesta resolução.
tarifas é vedada, nos termos do art. 2º; Art. 16. Esta resolução entra em vigor na data de
II – tabela, na forma do art. 3º, incluindo lista de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 30 de
serviços, canais de entrega, sigla no extrato, fato ge- abril de 2008, quando ficarão revogadas as Resoluções
rador da cobrança e valor da tarifa; nºs 2.303, de 25 de julho de 1996, e 2.343, de 19 de
III – tabela contendo informações a respeito do dezembro de 1996, o art. 2º da Resolução nº 2.747,
pacote padronizado, na forma do art. 6º; de 28 de junho de 2000, e o inciso III do art. 18 da Re-
IV – demais tabelas de serviços prestados pela solução nº 2.878, de 26 de julho de 2001. – Henrique
instituição; de Campos Meirelles, Presidente do Banco.
V – esclarecimento de que os valores das tarifas (Às Comissões de Meio Ambiente, Defe-
foram estabelecidos pela própria instituição. sa do Consumidor e Fiscalização e Controle e
Parágrafo único. O início da divulgação das tarifas de Assuntos Econômicos, cabendo à última a
na forma prevista nesta resolução deve ocorrer até 31 decisão terminativa.)
de março de 2008.
Art. 10. A majoração do valor de tarifa existente PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 488, DE 2009
ou a instituição de nova tarifa deve ser divulgada com,
no mínimo, trinta dias de antecedência, sendo permiti- Altera o art. 7º da Lei nº 4.502, de 30 de
da a cobrança somente para o serviço utilizado após novembro de 1964, para estender a isenção
esse prazo. do Imposto sobre Produtos Industrializados
§ 1º Os preços dos serviços referidos nos arts. 3º a bicicletas de fabricação nacional.
e 6º somente podem ser majorados após decorridos O Congresso Nacional decreta:
180 dias de sua última alteração, admitindo-se a sua Art. 1º O art. 7º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro
redução a qualquer tempo. de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação:
§ 2º O prazo de que trata o § 1º deve ser conta-
“Art. 7º ...................................................
do a partir da primeira alteração que ocorrer após a
...............................................................
divulgação dos serviços e respectivas tarifas na forma
prevista nesta resolução. XXXVIII – bicicletas de fabricação na-
Art. 11. As instituições de que trata o art. 1º de- cional, classificadas no código 8712.00.10 da
vem remeter ao Banco Central do Brasil, na forma a Tabela de Incidência do IPI.
ser estabelecida por aquela autarquia, a relação dos ......................................................” (NR)
serviços tarifados e os respectivos valores: Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua
I – até 31 de março de 2008; publicação.
II – sempre que ocorrer alteração, observado o
disposto no art. 10, caput, no caso de majoração. Justificação
Art. 12. As instituições de que trata o art. 1º de- A bicicleta, embora continue sendo instrumento
vem fornecer aos clientes pessoas físicas, até 28 de de lazer e de esporte, torna-se, cada vez mais, meio
fevereiro de cada ano, a partir de 2009, extrato conso- de transporte para o trabalho de parcela significativa
lidado discriminando, mês a mês, as tarifas cobradas dos trabalhadores de baixa renda, que constituem a
no ano anterior em conta corrente de depósitos à vista maioria da população economicamente ativa.
e/ou em conta de depósitos de poupança. E, como meio de transporte, é absolutamente eco-
Art. 13. Os contratos firmados a partir da vigência lógica. Não emite dióxido de carbono na atmosfera; não
desta resolução devem prever a aplicação das regras engarrafa as vias urbanas; não oferece perigo aos pe-
estabelecidas pela Resolução nº 2.303, de 1996, até destres e aos outros veículos que circulam pelas vias.
29 de abril de 2008. Além de todas essas vantagens, a bicicleta fa-
Art. 14. Em relação aos contratos firmados até vorece o condicionamento físico. As pedaladas fazem
a data de vigência desta resolução, as instituições bem ao coração, aos músculos, ao corpo e ao espí-
referidas no art. 1º devem utilizar, até 29 de abril de rito humano.
2008, as tarifas divulgadas conforme as disposições A despeito de tudo isto, a bicicleta é tributada
da Resolução nº 2.303, de 1996, e, a partir de 30 de pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56043 

alíquota de 10%. Essa alíquota é relativamente alta, ção Federal, quando exclusivamente para uso próprio
pois está acima, até mesmo, da do automóvel de pas- ou para distribuição gratuita a seus assistidos tendo
sageiro de cilindrada não superior a 1.000 cm³ (código em vista suas finalidades, e desde que obtida decla-
8703.21.00 da TIPI) – o famoso veículo “popular” –, ração de isenção exigida no artigo 2º da Lei nº 3.193,
que responde por mais de 50% das vendas de auto- de 4 de julho de 1957;
móveis no Brasil. III – os produtos industrializados por estabeleci-
Essa tributação elevada vai de encontro a vários mentos públicos e autárquicos federais, estaduais ou
princípios constitucionais tributários, entre os quais o municipais, quando não se destinarem ao comércio;
da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da Carta IV – os produtos industrializados pelos estabele-
Magna) e o da seletividade (art. 153, § 3º, I). Contraria, cimentos particulares de ensino, quando para forneci-
ainda, o princípio geral da atividade econômica, ins- mento gratuito aos alunos;
culpido no Título da Ordem Econômica e Financeira V – as amostras de diminuto ou de nenhum va-
da Constituição, a saber: lor comercial, assim considerados os fragmentos ou
Art. 170. A ordem econômica, fundada parte de qualquer mercadoria, em quantidade estrita-
na valorização do trabalho humano e na livre mente necessária para dar a conhecer sua natureza
iniciativa, tem por fim assegurar a todos exis- espécie e qualidade, para distribuição gratuita, desde
tência digna, conforme os ditames da justiça que tragam, em caracteres bem visíveis, declaração
social, observados os seguintes princípios: neste sentido;
............................................................... VI – as amostras dos tecidos de qualquer largura
VI – defesa do meio ambiente, inclusive até 0,45m de comprimento para os tecidos de algo-
mediante tratamento diferenciado conforme o dão estampado e 0,30m para os demais, desde que
impacto ambiental dos produtos e serviços e de contenham impressa ou a carimbo a indicação “sem
seus processos de elaboração e prestação; valor comercial” da qual ficam dispensadas aquelas
............................................................... até 0,25m e 0,15m;
É de admitir como corolário do princípio poluidor- VII – os pés isolados de calçados, quando condu-
pagador abrigado no Capítulo do Meio Ambiente de zidos por viajantes dos respectivos estabelecimentos,
nossa Carta Política o princípio protetor-recebedor. A como mostruários, desde que contenham, gravada no
bicicleta protege o meio ambiente; seu uso contribui solado, a declaração “amostra para viajante”;
para uma via saudável e propicia um transporte mais VIII – as obras de escultura, quando vendidas
barato para o trabalhador de baixa renda. Há, pois, por seus autores;
sobejas razões para isentá-la do IPI. lX – os vagões ou carros para estrada de ferro;
Conto com o apoio dos meus pares para a breve (Sumprimido pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)
aprovação desta proposição que ora submeto à sua X – os trilhos e os dormentes para estradas de
apreciação. ferro; (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997)
Sala das Sessões, – Senador Paulo Paim. XI – os arcos e cubos de aço para rodas, apare-
LEGISLAÇÃO CITADA lhos de choques e tração, engates, eixos, rodas de ferro
fundido, “coquilhado”, cilindros para freios, sapatas de
LEI Nº 4.502, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964 ferro, assim como qualquer peça de aço ou ferro, uma
vez que se destinem ao emprêgo exclusivo e especí-
Vide Lei nº 4.863, de 1965 fico em locomotivas, “tenders” vagões ou carros para
Texto compilado estradas de ferro;
Dispõe Sôbre o Impôsto de Consumo e XI – rodas e respectivas partes, eixos montados
reorganiza a Diretoria de Rendas Internas ou não, cilindros e sapatas para freios, engates e dis-
O Presidente da República , faço saber que o Con- positivos de choque e tração, destinados a emprêgo
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: exclusivo e específico em locomotivas, tênderes, va-
.................................................................................... gões ou carros para estradas de ferro; (Redação dada
Art . 7º São também isentos: pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei
I – os produtos exportados para o exterior, na nº 9.532, de 1997)
forma das instruções baixadas pelo Ministério da Fa- XII – o papel destinado exclusivamente à impres-
zenda; são de jornais, periódicos, livros e músicas;
II – produtos industrializados pelas entidades a Xlll – os artefatos de madeira bruta simplesmente
que se refere a artigo 31, inciso V letra b da Constitui- desbastada ou serrada;
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XIII – Os artefatos de madeira bruta, simples- XXVI – as aeronaves de uso militar, suas partes
mente desbastada ou serrada; (Redação dada pelo e peças, quando vendidas à União. (Incluído pela Lei
Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei nº nº 5.094, de 1966)
9.532, de 1997) XXV – telhas e tijolos de barro bruto, apenas
XIV – os jacás e os cestos rústicos; (Revogado umedecido e amassado, cozidos, não prensados; (Re-
pela Lei nº 9.532, de 1997) dação dada pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Revo-
XV – os caixões funerários; gado pela Lei nº 9.532, de 1997)
XVI – os produtos de origem mineral, inclusive XXVI – panelas e outros artefatos rústicos de uso
os que tiverem sofrido beneficiamento para eliminação doméstico fabricados de pedra ou de barro bruto, apenas
de impurezas, através de processos químicos, desde umedecido e amassado, com ou sem vidramento de sal;
que sujeitos ao impôsto único; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)
XVII – as preparações que constituem típicos XXVII – rêdes para dormir; (Incluído pelo Decre-
inseticidas, carrapaticidas, herbicidas e semelhantes, to-Lei nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei nº 9.532,
segundo lista organizada pelo orgão competente do de 1997)
Ministério da Fazenda, ouvidos o Mnistério da Agricul- XXVIII – chapéus, roupas e proteção, de couro,
tura e outros órgãos técnicos; próprios para tropeiros; (Incluído pelo Decreto-Lei nº
XVIII – as embarcações de mais de 100 tonela- 34, de 1966)
das brutas de registro, excetuadas as de caráter es- XXIX – calçados de ponto de malha de qualquer
portivo e recreativo; espécie, para recém nascidos; (Incluído pelo Decreto-Lei
XIX – os barcos de pesca produzidos ou adqui- nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997)
ridos pelas Colônias ou Cooperativas de Pescadores, XXX – chapéus de palha ou fibra de produção
para distribuição ou venda a seus associados; nacional, sem carneira, fôrro ou guarnição; (Incluído
XX – o guaraná em bastões ou em pó; (Revo- pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei
gado pela Lei nº 9.532, de 1997) nº 9.532, de 1997)
XXI – as películas cinematográficas de 35 (trin- XXXI – queijo tipo Minas; (Incluído pelo Decre-
ta e cinco) milímetros, sensibilizadas, não impressio- to-Lei nº 34, de 1966) (Revogado pela Lei nº 9.532,
nadas, que se destinem à produção e reprodução de de 1997)
filmes nacionais mediante atestado do órgão federal XXXII – macarrão, talharim, espaguete e outras
competente a os filmes de raio-X; massas similares; (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de
XXII – Os adubos, fertilizantes e defensivos; 1966) (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997)
XXI – as películas cinematográficas sensibiliza- XXXIII – água oxigenada para emprêgo como
das, não impressionadas, que se destinem a produção antissético e desinfetante; sôro anti-ofídico, vacinas;
e reprodução de filmes por emprêsas ou laboratórios (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Revogado
nacionais; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 34, de pela Lei nº 9.532, de 1997)
1966) (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997) XXXIV – medicamentos destinados ao combate
XXII – os defensivos da posição 38.11; (Redação à verminose, malária, esquistossomose, paralisia in-
dada pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) fantil e outras endemias de maior gravidade no País,
XXII – os defensivos da posição 38.11, quando e os inseticidas e germicidas necessários à respectiva
a granel ou específicamente destinados a usos agro- profilaxia, segundo lista feita pelo Departamento de
pecuários. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 104, de Rendas Internas, ouvido, para êsse fim, o Ministério
1967) (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997) da Saúde; (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)
XXIII – os bens e produtos adquiridos pelas en- (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997)
tidades educacionais e hospitalares de finalidade filan- XXXV – aparelhos de ortopedia e prótese, de
trôpica para uso próprio; (Revogado pelo Decreto-Lei qualquer matéria ou tipo, destinados à reparação de
nº 400, de 1968) partes do corpo humano. (Incluído pelo Decreto-Lei nº
XXIV – VETADO. 34, de 1966) (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997)
XXIV – As máquinas de costura de uso domés- XXXVI – material bélico, quando de uso privati-
tico e respectivos móveis. (Vide ato de promulgação vo das Fôrças Armadas e vendido à União; (Incluído
de partes vetadas) (Revogado pelo Decreto-Lei nº pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Vide Lei nº 5.330,
104, de 1967) de 1967)
XXV – material bélico quando de uso privativo XXXVII – as aeronaves de uso militar, suas partes
das Fôrças Armadas e vendido à União: (Incluído pela e peças, quando vendidas à União. (Incluído pelo Decre-
Lei nº 5.094, de 1966) to-Lei nº 34, de 1966) (Vide Lei nº 5.330, de 1967)
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56045 

§ 1º No caso o inciso I, quando a exportação fôr duais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos
efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o e as atividades econômicas do contribuinte.
ressarcimento, por compensação, do impôsto relativo § 2º – As taxas não poderão ter base de cálculo
às matérias-primas e produtos intermediários efetiva- própria de impostos.
mente utilizados na respectiva industrialização, ou por Art. 153. Compete à União instituir impostos so-
via de restituição, quando não fôr possível a recupera- bre:
ção pelo sistema de crédito.’ I – importação de produtos estrangeiros;
§ 2º No caso do inciso XII, a cessão do papel só II – exportação, para o exterior, de produtos na-
poderá ser feita a outro jornal, revista ou editôra, median- cionais ou nacionalizados;
te prévia autorização da repartição arrecadadora com- III – renda e proventos de qualquer natureza;
petente, respondendo o primeiro cedente por qualquer IV – produtos industrializados;
infração que se verificar com relação ao produto. V – operações de crédito, câmbio e seguro, ou
relativas a títulos ou valores mobiliários;
CONSTITUIÇÃO DA VI – propriedade territorial rural;
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 VII – grandes fortunas, nos termos de lei com-
plementar.
Emendas Constitucionais
§ 1º – É facultado ao Poder Executivo, atendidas
Emendas Constitucionais de Revisão
as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I,
TRANSITÓRIAS II, IV e V.
§ 2º – O imposto previsto no inciso III:
Atos decorrentes do disposto no § 3º do art. 5º I – será informado pelos critérios da generalidade, da
ÍNDICE TEMÁTICO universalidade e da progressividade, na forma da lei;
II – não incidirá, nos termos e limites fixados em
Texto compilado lei, sobre rendimentos provenientes de aposentado-
ria e pensão, pagos pela previdência social da União,
PREÂMBULO
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos,
em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício rendimentos do trabalho. (Revogado pela Emenda
dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segu- Constitucional nº 20, de 1998)
rança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a § 3º – O imposto previsto no inciso IV:
justiça como valores supremos de uma sociedade frater- I – será seletivo, em função da essencialidade
na, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia do produto;
social e comprometida, na ordem interna e internacional, Art. 170. A ordem econômica, fundada na valo-
com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, rização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem
sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO por fim assegurar a todos existência digna, conforme
DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. os ditames da justiça social, observados os seguintes
.................................................................................... princípios:
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e I – soberania nacional;
os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: II – propriedade privada;
I – impostos; III – função social da propriedade;
II – taxas, em razão do exercício do poder de IV – livre concorrência;
polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de ser- V – defesa do consumidor;
viços públicos específicos e divisíveis, prestados ao VI – defesa do meio ambiente;
contribuinte ou postos a sua disposição; VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante
III – contribuição de melhoria, decorrente de obras tratamento diferenciado conforme o impacto ambien-
públicas. tal dos produtos e serviços e de seus processos de
§ 1º – Sempre que possível, os impostos terão ca- elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda
ráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
econômica do contribuinte, facultado à administração ....................................................................................
tributária, especialmente para conferir efetividade a es- (À Comissão de Assuntos Econômicos,
ses objetivos, identificar, respeitados os direitos indivi- – decisão terminativa.)
56046  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 489, DE 2009 Nos governos que se sucederam, a regulamenta-
ção da Lei definiu a família incapaz de prover a manuten-
Altera os §§ 3º, 6º, 7º e 8º do artigo 20 ção do beneficiário como sendo aquela cuja renda per
da Lei 8.742, de 1993, com o propósito de capta fosse inferior a um quarto do salário mínimo.
eliminar entraves burocráticos à concessão Trata-se de uma restrição muito severa e injusta,
do benefício de 1 (um) salário mínimo à pes- considerando que a família tem gastos elevados com
soa portadora de deficiência e ao idoso. medicamentos, além de ser freqüente a necessidade
O Congresso Nacional decreta: de um de seus membros não poder trabalhar para se
Art. 1º Os parágrafos 3º, 6º, 7º e 8º do artigo 20 da dedicar a prestar assistência em casa. O ideal seria o
Lei 8.742 passam a vigorar com a seguinte redação: Estado ter condições de conceder o benefício a todos
“.............................................................. os deficientes e idosos de famílias pobres e não ape-
§ 3º Considera-se incapaz de prover a nas para àquelas muito pobres.
manutenção da pessoa portadora de defici- Em havendo melhoria das contas públicas, seria
ência ou idosa a família cuja renda mensal natural que o governo procurasse eliminar entraves
burocráticos para a concessão deste benefício, tendo
per capita seja inferior a 1 (um) salário míni-
em vista se tratar de uma política pública voltada para
mo. (NR)
pessoas que não mais dispõem da oportunidade de
...............................................................
inclusão social ou no mercado de trabalho. Mas isso
§ 6º A incapacitação para a vida inde-
não vem acontecendo.
pendente da pessoa portadora de deficiência
Decorridos 16 anos de criação da Lei, houve sig-
poderá ser comprovada por declaração assi-
nificativa melhoria das contas públicas, porém as res-
nada pelo requerente ou seu responsável legal
trições para concessão do benefício permaneceram as
ou, caso necessário, pelo chefe de família que
mesmas, apesar da grande economia proporcionada
com ele coabite ou, ainda, por servidor público
pela redução das taxas de juros da dívida pública.
ocupante de cargo efetivo federal, estadual ou
Tome-se como exemplo o Bolsa-Família, tido
municipal, que conheça o requerente e se dis-
como um programa de sucesso, que foi priorizado
ponha a atestar sua condição; (NR)
pelo governo e teve forte expansão nos últimos anos.
§ 7º A insuficiência de meios de manu-
Mesmo assim, em 2008, o gasto com um ano de Bol-
tenção própria ou pela família não será objeto
sa-Família foi inferior ao gasto de um mês com juros
de outras exigências de comprovação, poden-
da dívida pública.
do o benefício ser cancelado caso constatada
Trata-se de uma realidade perversa. De acordo
fraude aos requisitos do caput deste artigo e
com o estudo “Os Ricos no Brasil”, do Instituto de Pes-
seu § 3º. (NR)
quisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 20 mil clãs
§ 8º Os candidatos ao benefício com difi-
familiares apropriam-se de 70% dos juros que o governo
culdades de locomoção e a pessoa idosa com
paga aos detentores de títulos da dívida pública. Em
mais de 80 anos não precisarão se deslocar
contraste, o valor destinado ao Bolsa-Família beneficia
para solicitar o benefício, que poderá ser re-
12,9 milhões de pessoas das classes mais humildes.
querido por parentes ou representantes legais
Observe-se que cada 1% a menos nos juros, equivale
que se disponham a atestar o preenchimento
a um ano de gastos com o Bolsa-Família.
dos requisitos legais, devendo o benefício ser Em 2009, acentuou-se a queda nos juros da dívida
pago a partir do mês seguinte ao da data de pública, razão pela qual é chegada a hora de destinar
solicitação. (NR)” parte da economia para os mais necessitados – os
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua idosos e os portadores de deficiência – muitos dos
publicação. quais não votam, mas representam o segmento mais
carente da sociedade.
Justificação Para atingir tal finalidade, o presente projeto qua-
Em 1993, o Presidente Itamar Franco sancionou druplica a renda per capta familiar atualmente exigida
a Lei 8.742, denominada “LEI ORGÂNICA DA ASSIS- para concessão do benefício. Hoje, considerando uma
TÊNCIA SOCIAL”, cujo artigo 20 instituiu a garantia de família de 4 pessoas, o benefício só é concedido se to-
1 (um) salário mínimo mensal à pessoa portadora de dos os membros desta família somados ganharem até
deficiência e ao idoso, que comprovem não possuir 1 salário mínimo. Com a modificação proposta, os inte-
meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la grantes dessa família poderão obter o benefício, mesmo
provida por sua família. tendo uma renda total de até 4 salários mínimos.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56047 

Embora esta seja a principal mudança proposta, o LEGISLAÇÃO CITADA


projeto busca, também, solucionar entraves burocráticos
enfrentados para a obtenção do benefício pelas pessoas LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993
com idade avançada e portadores de deficiências que
Dispõe sobre a organização da Assis-
dificultem a locomoção.
tência Social e dá outras providências
Um dos piores desses entraves consiste na exi-
gência de perícia médica do INSS para concessão do O Presidente da República, faço saber que o
benefício. Em função das fraudes provocadas pela in- Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguin-
capacidade do governo de realizar a fiscalização dos te lei:
benefícios, os médicos-peritos passaram a utilizar um
LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
rigor excessivo, receando acusações de conluio com
os fraudadores. Por isso, costumam adotar a atitude ....................................................................................
mais cômoda de negar o direito ao benefício, mesmo CAPÍTULO IV
quando convencidos de que o cidadão faz jus a ele. Dos Benefícios, dos Serviços, dos Programas
Some-se a isso as dificuldades naturais de locomo- e dos Projetos de Assistência Social
ção que frequentemente atingem o portador de deficiência
e pessoas com idade avançada, que precisam deslocar-se SEÇÃO I
ao posto mais próximo do INSS, que pode nem existir no Do Benefício de Prestação Continuada
município do candidato ao benefício. O custo desse deslo-
Art. 20. O benefício de prestação continuada é
camento costuma ser dobrado, em vista da necessidade
a garantia de 1 (um) salário mínimo mensal à pessoa
de levar um acompanhante. Mesmo após solucionadas
portadora de deficiência e ao idoso com 70 (setenta)
essas dificuldades, é comum o candidato ao benefício
anos ou mais e que comprovem não possuir meios de
não dispor de condições físicas para permanecer horas
prover a própria manutenção e nem de tê-la provida
e horas enfrentando a fila do INSS, muitas vezes para
por sua família.
voltar de mãos vazias pela inépcia do Estado.
Na verdade, é uma desumanidade obrigar o por- § 1º Para os efeitos do disposto no caput, entende-
tador de determinadas deficiências e os que tem idade se por família a unidade mononuclear, vivendo sob o
avançada a realizar deslocamentos, enfrentar filas e mesmo teto, cuja economia é mantida pela contribui-
perícias no INSS. O Estado tem a obrigação de ir à ção de seus integrantes.
residência dessas pessoas para verificar como pode § 1o Para os efeitos do disposto no caput, enten-
ser útil para atender às suas necessidades de saúde e de-se como família o conjunto de pessoas elencadas no
previdência ou para fiscalizar o atendimento das con- art. 16 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, desde
dições legais de concessão do benefício. que vivam sob o mesmo teto. (Redação dada pela Lei
Busca-se dar solução a este problema, restrin- nº 9.720, de 30.11.1998)
gindo as exigências a uma declaração do candidato § 2º Para efeito de concessão deste benefício, a
ao benefício ou de seu responsável, informando que pessoa portadora de deficiência é aquela incapacitada
preenche os requisitos legais. O governo passa, então, para a vida independente e para o trabalho.
a ter a obrigação de fornecer os meios para o recebi- § 3º Considera-se incapaz de prover a manu-
mento do benefício no mês seguinte ao da data em tenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a
recebeu a declaração. família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4
Se for constatada declaração falsa, o benefício é (um quarto) do salário mínimo.
cancelado e o fraudador incorre nas penalidades legais. § 4º O benefício de que trata este artigo não pode
Caso contrário, o benefício deve ser pago, mesmo en- ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no
quanto não confirmados o atendimento aos requisitos âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo
legais por meio de vistoria na residência do beneficiado o da assistência médica.
pelos fiscais designados para esta finalidade. § 5º A situação de internado não prejudica o direito
Portanto, o presente projeto concede privilégios do idoso ou do portador de deficiência ao benefício.
especiais aos portadores de deficiências que impli- § 6º A deficiência será comprovada através de
quem em dificuldades de locomoção, bem como aos avaliação e laudo expedido por serviço que conte com
candidatos ao benefício com idade igual ou superior equipe multiprofissional do Sistema Único de Saúde
a 80 anos, que não precisarão passar pelos trâmites (SUS) ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
burocráticos hoje existentes. credenciados para esse fim pelo Conselho Municipal
Senador Raimundo Colombo. de Assistência Social.
56048  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

§ 7º Na hipótese de não existirem serviços cre- I – Comunicação imediata a todas as rádios e


denciados no Município de residência do beneficiário, televisões locais dos alertas de calamidade iminente,
fica assegurado o seu encaminhamento ao Município para serem transmitidos à população nas situações
mais próximo que contar com tal estrutura. graves, potencialmente passíveis de risco de vida e
§ 6o A concessão do benefício ficará sujeita a de grandes danos materiais;
exame médico pericial e laudo realizados pelos servi-
(II – Instalação e manutenção de estrutura dotada dos
ços de perícia médica do Instituto Nacional do Seguro
meios mais modernos meios de comunicação, como
Social – INSS. (Redação dada pela Lei nº 9.720, de
rádio, redes de telefonia fixa, móvel e conectada di-
30.11.1998)
retamente a satélite, internet, etc., com o objetivo de
§ 7o Na hipótese de não existirem serviços no
manter contato permanente com regiões atingidas ou
município de residência do beneficiário, fica assegu-
em vias de o ser por desastres climáticos;
rado, na forma prevista em regulamento, o seu enca-
minhamento ao município mais próximo que contar III – Recepção e registro de informações de alerta
com tal estrutura. (Redação dada pela Lei nº 9.720, transmitidas pelos municípios, que deverão ser dispo-
de 30.11.1998) nibilizadas na internet;
§ 8o A renda familiar mensal a que se refere o IV – Manutenção de sistemática de comuni-
§ 3 deverá ser declarada pelo requerente ou seu
o
cação com pessoa especialmente designada pelos
representante legal, sujeitando-se aos demais pro- Municípios para a função de transmitir à população
cedimentos previstos no regulamento para o deferi- local alertas de fenômenos naturais passíveis de ge-
mento do pedido.(Redação dada pela Lei nº 9.720, rar desastres.
de 30.11.1998) Art. 4º O CPDC deverá divulgar em seu site na
.................................................................................... internet todas as informações e dados registrados
(Às Comissões de Assuntos Econômicos em seus bancos de dados, inclusive os transmitidos
e de Direitos Humanos e Legislação Participa- e recebidos dos municípios e às rádios e televisões
tiva, cabendo à última a decisão terminativa) locais.
Parágrafo único O órgão manterá em seu site
( * ) PROJETO DE LEI DO SENADO na internet serviços de ouvidoria com o propósito de
Nº 490, DE 2009 colher sugestões e críticas da população.
Art. 5º O CPDC atuará em cooperação com Esta-
Institui o Centro de Prevenção de De- dos e Municípios, cabendo-lhe coordenar e centralizar
sastres Climáticos. a produção, recepção e transmissão de informações
O Congresso Nacional decreta: relacionadas com a prevenção e alerta da possibilida-
Art. 1º O Centro de Prevenção de Desastres de de catástrofes climáticas.
Climáticos (CPDC) atuará integrado aos Estados e Art. 6º Para se manter integrado ao CPDC o Mu-
Municípios como centro de informações de utilidade nicípio deverá assumir as funções e responsabilidades
pública para prevenção e alerta da possibilidade de que lhe forem designadas, executando fielmente as
catástrofes climáticas, como furações, tempestades, tarefas que lhe couberem.
inundações, incêndios florestais e outros. § 1º Todos os municípios situados em áreas pas-
Art. 2º A atividade de prevenção compreenderá: síveis de desastres climáticos poderão se integrar ao
I – Monitoramento de todas as informações geo- CPDC;
climáticas de interesse para a atividade de prevenção, § 2º Poderá ser transferida aos Municípios a res-
como nível e vazão dos rios, velocidade dos ventos, ponsabilidade pela aquisição, instalação e manuten-
temperatura, pluviosidade, etc.; ção de equipamentos de sensoriamento remoto nas
II – Instalação de equipamentos de sensoriamen- áreas críticas;
to remoto nas áreas críticas para permitir a coleta e § 3º O CPDC deverá informar em seu site na
transmissão de informações geoclimáticas para arma- Internet as funções e responsabilidades que não esti-
verem sendo cumpridas pelos municípios.
zenamento e análise;
Art. 7º Os órgãos federais, estaduais e municipais
III – Manutenção de arquivos históricos de todas
deverão fornecer ao CPDC todas as informações que
as informações, cujo banco de dados será fornecido
dispuserem, relacionadas com a prevenção e alerta
ao público gratuitamente, além de disponibilizado na
da de catástrofes climáticas.
Internet;
Art. 3º A atividade de alerta compreenderá: *) Republicado por incorreção no anterior.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56049 

Art. 8º As concessionárias de serviço público de máticas, que possa funcionar como instrumento para
transmissão de rádio e TV que cubram as áreas de ris- emitir alertas à população potencialmente em risco.
co têm o dever de colaborar com o interesse público, O presente projeto pretende solucionar o proble-
mediante a divulgação com celeridade dos alertas de ma, mediante a criação de um Centro Nacional de Pre-
calamidade que receberem do CPDC. venção de Desastres Climáticos, destinado a fomentar
Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua a produção de informações geoclimáticas, centralizar
publicação. os dados para análise, emitir alertas nas situações em
Justificação que sejam detectados riscos de calamidade e estabe-
lecer canais de comunicação eficazes com os meios
Na última década, o Brasil teve aumento conside-
de comunicação de massa, municípios e sua popula-
rável nos desastres naturais, com milhares de vítimas
ção. Trata-se de um instrumento de grande valia para
e prejuízos de grande monta. Os fenômenos climáticos
a adoção de medidas preventivas nas situações em
são responsáveis por 80% das catástrofes, provocadas
por inundações e tornados. que houver risco de desastres ambientais.
Embora esses desastres naturais não possam O CPDC deverá fomentar a produção e a dis-
ser evitados ou mesmo previstos com a desejável an- ponibilização de informações de utilidade, como o
tecedência, a população deve estar preparada para a nível e vazão dos rios, velocidade dos ventos, níveis
iminência de ocorrer um evento dessa natureza, a fim pluviométricos e outros dados úteis, que podem ser
de que as famílias possam adotar medidas de prote- captados remotamente e transmitidos para análise em
ção de suas vidas e bens. tempo real. Os municípios, com o auxílio de seus res-
Estamos na “Era da Informação” e é impensável pectivos Estados, deverão se engajar nesse esforço,
que um município não seja prevenido de que no mu- adquirindo, instalando e fazendo a manutenção desses
nicípio vizinho acaba de passar um tornado ou que o equipamentos de medição. A cooperação é essencial,
nível do rio está subindo rapidamente. As tormentas pois as tarefas locais devem ser assumidas pelos muni-
com potencial destrutivo circulam por grandes áreas, o cípios, enquanto o órgão federal centralizará a análise
que deve ser objeto de monitoramento detalhado para dos dados e os disponibilizará a toda a população.
se detectar anormalidades na velocidade dos ventos, Os Municípios e o CPDC deverão estabelecer os
nos níveis pluviométricos e na vazão e nível dos rios, canais e meios de comunicação apropriados, conside-
dentre outras variáveis. rando a possibilidade das situações de falta de energia
A informação é essencial para minimizar as víti- e danos à telefonia, em que há necessidade de uso de
mas e danos, sendo um direito do cidadão ter acesso rádio ou de celulares conectados à satélites.
a todos os dados que a tecnologia possa dispor a res- O projeto prevê o engajamento dos principais meios
peito de potenciais calamidades ambientais. de comunicação de massa – rádio e televisão – que de-
Ao buscar estatísticas, registros e informações verão transmitir os alertas de calamidade à população
detalhadas dessas calamidades, constatei que os si-
sob risco de vida e de grandes danos materiais.
tes dos órgãos federais brasileiros mencionam dados
Tratando-se de um órgão de informação, o CPDC
numéricos, porém oriundos de uma agência norte-
deverá adotar uma política de plena divulgação de todos
americana especializada em desastres naturais.
os seus bancos de dados e informações de interesse
Nos sites federais consta apenas uma relação
público, utilizando a internet para tal fim.
contendo o tipo de desastre natural ocorrido, o muni-
cípio, a data e a intensidade, ainda assim, com mais Senador Raimundo Colombo.
de 3 meses de defasagem. Não há registros contendo (Às Comissões de Meio Ambiente, Defe-
medições dos fenômenos naturais que ocorreram nas sa do Consumidor e Fiscalização e Controle;
áreas atingidas. e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comuni-
O site do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas cação e Informática, cabendo a última a deci-
Espaciais menciona a criação de um “banco de da- são terminativa)
dos para gestão de desastres naturais”, porém trata-
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Os
se de informação de 2006. Ao final da página consta
projetos que acabam de ser lidos serão publicados e
a assinatura do “Núcleo de Pesquisa e Aplicação de
remetidos às Comissões competentes.
Geotecnologias em Desastres Naturais e Eventos Ex-
tremos – 2006”. Sobre a mesa, projeto de resolução que passo
O Brasil não possui uma estrutura centralizada a ler.
para receber, analisar e transmitir informações geocli- É lido o seguinte:
56050  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

PROJETO DE RESOLUÇÃO DO SENADO I – Diretor-Geral;


Nº 71, DE 2009 II – Secretário-Geral da Mesa;
III – Diretor da Secretaria de Recursos
Altera a composição, a subordinação Humanos;
e as atribuições do Conselho de Adminis- IV – Diretor da Secretaria Especial de
tração do Senado Federal. Informática (PRODASEN);
O Senado Federal resolve: V – Diretor da Secretaria Especial de
Art. 1º O Regulamento Orgânico do Senado Fe- Editoração e Publicação (Gráfica);
VI – Diretor da Secretaria de Controle
deral, aprovado pela Resolução Nº 58, de 1972, como
Interno;
Parte II do Regulamento Administrativo, passa a vigorar
VII – 1 (um) chefe de gabinete de sena-
com a seguinte redação:
dor, indicado pelo Colégio de Líderes; e
“Art. 121. ............................................... VIII – 3 (três) funcionários do Senado
Parágrafo único. .................................... Federal, indicados pelo Colégio de Líderes,
............................................................... sendo um consultor, um analista legislativo e
XXIX – Suprimido. um técnico legislativo.
............................................................... § 1o O Diretor-Geral, nomeado pelo Pre-
sidente do Senado Federal, por indicação do
SEÇÃO IV-A Colégio de Líderes, coordena os trabalhos do
Do Conselho de Administração Conselho de Administração, tendo voto somen-
Art. 376. O Conselho de Administração, te em caso de desempate.
órgão de assessoramento da Comissão Di- § 2o Caso o Conselho de Administração
retora, tem como atribuição precípua opinar não seja instalado até o término do mês de
e apresentar propostas sobre a política de fevereiro, fica o Ordenador de Despesas do
recursos humanos, de informática, de moder- Senado Federal impedido de firmar, em nome
nização administrativa e de planejamento e da Casa, qualquer ato administrativo, até que
controle do Senado Federal, acompanhando o Conselho tenha iniciado suas atividades.
todas as atividades administrativas da Casa, § 3o Por convocação do Conselho de
com a finalidade de subsidiar as decisões da Administração, o titular de departamento, se-
Comissão Diretora. cretaria, subsecretaria ou qualquer outro órgão
Parágrafo único. No acompanhamento subordinado à Comissão Diretora, que tiver
das atividades administrativas, deve o Con- matéria de sua competência sendo apreciada,
selho de Administração precaver-se para que dele fará parte, sem direito a voto.
as decisões da Comissão Diretora que, por § 4o Os membros do Conselho de Admi-
determinação legal, devam ser publicadas nistração reúnem-se no horário do expediente,
por meio de Resolução do Senado, não sejam sem qualquer percepção de adicional ou grati-
editadas por intermédio de Atos da Comissão ficação pelo desempenho da função.
Diretora, para depois serem convalidadas por § 5o As atas das reuniões do Conselho
Resoluções. de Administração são publicadas no Boletim
............................................................... Administrativo Eletrônico de Pessoal e no Di-
ário do Senado Federal, sendo suas decisões
TÍTULO II
tomadas por voto aberto.
Do Funcionamento dos Órgãos
Art. 388. O Conselho de Administração
CAPÍTULO I reúne-se, mensalmente, para estudo, em con-
junto, de questões levantadas pela Comissão
Do Conselho de Administração
Diretora ou pelo Colégio de Líderes, bem como
Art. 387. O Conselho de Administração, para analisar os problemas referentes ao fun-
instalado a cada eleição da respectiva Mesa, cionamento das atividades administrativas e
na segunda quinzena do mês de fevereiro, as medidas necessárias à sua racionalização
com mandato de dois anos, permitida apenas e fiscalização.
uma recondução de seus membros por igual Parágrafo único. O Conselho de Admi-
período, tem a seguinte composição: nistração pode ser convocado pela Comissão
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56051 

Diretora, em caráter extraordinário, a qualquer manos, de Controle Interno, do PRODASEN e da Gráfi-


tempo.” (NR) ca – em 2 anos, com a possibilidade de ocorrer apenas
um recondução, introduz a participação do Colégio de
Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data
Líderes na escolha do servidor que desempenhará a
de sua publicação.
função de Diretor-Geral da Casa. Esse funcionário, que
Justificação coordena as atividades do Conselho de Administração,
será nomeado pelo Presidente do Senado, após indica-
O objetivo deste Projeto de Resolução é dar um
ção feita pelo voto do Colégio de Líderes.
novo formato ao Conselho de Administração do Senado
Além disso, para conferir representatividade igua-
Federal, dentro das perspectivas de mudanças que se litária aos funcionários da Casa, bem como para pro-
esperam da Casa. A experiência de o Senado Federal porcionar maior legitimidade às decisões do Conselho
ter uma Diretoria Administrativa que centralizava plane- de Administração, passam a integrar a composição
jamentos e fiscalização numa única pessoa, por mais do referido Conselho quatro funcionários do Senado,
de 14 anos, foi desastrosa para a imagem da Casa. indicados pelo Colégio de Líderes, a saber: um chefe
Os favorecimentos pessoais no trato da coisa públi- de gabinete de senador, um consultor, um analista le-
ca, a eficácia de decisões administrativas que, de modo gislativo e um técnico legislativo.
adrede preparado, não eram publicadas nos boletins e o O projeto determina, ainda, que o Conselho de
mau emprego das verbas públicas são as notícias de um Administração seja instalado na segunda quinzena do
período que se pretende estancar no Senado Federal. mês de fevereiro do ano que ocorre a eleição da Mesa
Esse projeto de resolução abre uma nova vertente Diretora a que está ligado. E, mais, impõe que caso a
no gerenciamento da área administrativa da Casa. Ele instalação do Conselho não se efetive até o final do mês
revigora a figura do Conselho de Administração, como de fevereiro, fica o Ordenador de Despesas impedido de
órgão colegiado de assessoria e fiscalização da área firmar, em nome da Casa, qualquer ato administrativo,
administrativa da Casa, minimizando o papel do Dire- até que o Conselho tenha iniciado suas atividades.
tor-Geral, que passa a ter – como sempre deveria ter Fruto das experiências negativas que foram as
tido – apenas as atribuições de executante da política convalidações açodadas de Atos Administrativos em
administrativa determinada pela Comissão Diretora. Resoluções, feitas pelo Plenário a toque de caixa, que
O novo Colegiado de Servidores que se propõe, redundaram em diversas irregularidades administrati-
coordenado pelo Diretor-Geral, com mandato definido de vas, esta Proposição orienta o Conselho para coibir tal
dois anos, coincidente com o da Mesa Diretora à qual se tipo de atitude. Assim, fica claro no ordenamento jurídi-
liga, com a possibilidade de apenas uma recondução, por co: o que legalmente deve ser publicado por intermédio
igual período, de seus membros, tem a missão definida de Resolução do Senado não poderá ter efetividade
de assessorar a Comissão Diretora nas suas decisões por meio de Ato Administrativo da Mesa Diretora.
administrativas. Ele deverá opinar e apresentar propostas Por tudo, avalio que devemos aprovar essa maté-
sobre a política de recursos humanos, de informática, de ria o quanto antes, sendo isso o que peço às senhoras
modernização administrativa e de planejamento e controle senadoras e aos senhores senadores, a fim de que
do Senado Federal, acompanhando todas as atividades tenhamos instalado na Casa um mecanismo efetivo
administrativas da Casa, sempre com o fito de subsidiar que, representando os diversos quadros internos de
as decisões da Comissão Diretora. funcionários, possa melhorar a eficiência administrativa
Na medida em que reduz as responsabilidades do do Senado Federal.
cargo de Diretor-Geral, protege a pessoa do servidor que Sala das Sessões, – Senador Eduardo Mata-
o desempenha, pois as atividades de assessoramento e razzo Suplicy.
de acompanhamento serão também exercidas por este
órgão colegiado que, certamente, terá condições de O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A
apontar as melhores linhas de ação administrativas para Presidência comunica ao Plenário a abertura de prazo
o Senado e, com igual importância, de evitar e coibir, na de cinco dias úteis, perante a Mesa, para recebimento
origem, possíveis erros, omissões e delitos administra- de emendas ao Projeto de Resolução nº 71, de 2009,
tivos. Desta forma, as decisões da Comissão Diretora que acaba de ser lido, nos termos do art. 235, II, “a”,
estarão respaldadas e instruídas de maneira mais efi- do Regimento Interno.
ciente. O Senado e o Brasil ganharão com isso! O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
O projeto, além de limitar a permanência nos prin- Sobre a mesa, mensagem do Presidente da República
cipais cargos administrativos – Diretor-Geral, Secretário- que passo a ler.
Geral da Mesa, Diretor da Secretaria de Recursos Hu- É lida a seguinte:
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Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56053 
56054  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
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56056  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
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56058  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
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O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A matéria ficará perante a Mesa durante cinco
A matéria vai à Comissão de Constituição, Justiça e dias úteis, a fim de receber emendas, nos termos do
Cidadania. art. 235, II, c, do Regimento Interno.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – São os seguintes os recursos recebi-
Esgotou-se ontem o prazo previsto no art. 91, § 3º, dos:
do Regimento Interno, sem que tenha sido interpos-
to recurso, no sentido da apreciação, pelo Plenário, RECURSO Nº 12, DE 2009
do Projeto de Lei da Câmara nº 161, de 2009 (nº Nos termos do art. 91, § 3º e 4º do Regimento In-
3.954/2008, na Casa de origem), de iniciativa do Pre- terno do Senado Federal, solicitamos que o PLS nº 303
sidente da República, que dispõe sobre a criação de de 2008, seja submetido à apreciação do Plenário.
cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessora- Atenciosamente,
mento Superiores – DAS, destinados ao Ministério do Sala das Sessões,
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Tendo sido aprovado terminativamente pela Co-
missão de Constituição, Justiça e Cidadania, o Projeto
vai à sanção.
Será feita a devida comunicação à Câmara dos
Deputados.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
Esgotou-se ontem o prazo previsto no art. 91, § 3º,
do Regimento Interno, sem que tenha sido interposto
recurso, no sentido da apreciação, pelo Plenário, das
seguintes matérias:
– Projeto de Lei do Senado nº 334, de 2006, de
autoria do Senador César Borges, que revoga o
inciso I do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 RECURSO Nº 13, DE 2009
de dezembro de 1996, para permitir que o sal- Requer, nos termos do art. 91, §§ 2º a 4º, do RISF,
do a restituir apurado na Declaração de Ajuste que o Projeto de Lei do Senado nº 303, de 2008, que
Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física “autoriza a criação da Agência de Fomento do Centro-
possa ser objeto de compensação com débitos Oeste S.A.” seja analisado pelo Plenário.
tributários do contribuinte; Sala das Sessões, outubro de 2009.
– Projeto de Lei do Senado nº 296, de 2008, de
autoria do Senador Gerson Camata, que obriga
os estabelecimentos de locação de terminais
de computadores a manterem cadastro de seus
usuários; e
– Projeto de Lei do Senado nº 253, de 2009, de auto-
ria do Senador Expedito Júnior, que regulamenta
a transmissão, a qualquer título, de permissão
para a exploração de serviço de táxi.
Tendo sido aprovados terminativamente pelas
Comissões competentes, os Projetos vão à Câmara
dos Deputados.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
A Presidência comunica ao Plenário que recebeu os
Recursos nºs 12 e 13, de 2009, interpostos no prazo
regimental no sentido de que seja submetido ao Ple- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
nário o Projeto de Lei do Senado nº 303, de 2008, de Sobre a mesa, ofícios do 1º Secretário da Câmara dos
autoria da Senadora Lúcia Vânia, que autoriza a criação Deputados que passo a ler.
da Agência de Fomento do Centro-Oeste S.A. São lidos os seguintes:
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OFÍCIOS III – por aqueles que, embora não diplomados nos


termos dos incisos I e II, venham exercendo, até a data
– Nº 1.110/2009, de 27 do corrente, encaminhando da publicação desta Lei, as atividades de Turismólogo,
Emendas da Câmara ao Projeto de Lei do Se- elencadas no art. 2º, comprovada e ininterruptamente
nado nº 290, de 2001 (nº 6.906/2002, naquela há, pelo menos, 5 (cinco) anos.
Casa), de autoria do Senador Moreira Mendes, Art. 2º Consideram-se atividades específicas do
que dispõe sobre a regulamentação do exercício Turismólogo:
da profissão de Turismólogo; e I – planejar, organizar, dirigir, controlar, gerir e
– Nº 1.157/2009, de 27 do corrente, encaminhando operacionalizar instituições e estabelecimentos liga-
Emenda da Câmara ao Projeto de Lei do Senado dos ao turismo;
nº 55, de 2005 (nº 3.284/2008, naquela Casa), de II – coordenar e orientar trabalhos de seleção e
autoria do Senador Marcelo Crivella, que dispõe
classificação de locais e áreas de interesse turístico,
sobre a criação do Dia de Celebração da amizade
visando o adequado aproveitamento dos recursos natu-
Brasil-Argentina e dá outras providências.)
rais e culturais, de acordo com sua natureza geográ-
São as seguintes as emendas recebi- fica, histórica, artística e cultural, bem como realizar
das: estudos de viabilidade econômica ou técnica;
III – atuar como responsável técnico em empre-
EMENDAS DA CÂMARA AO endimentos que tenham o turismo e o lazer como seu
PROJETO DE LEI DO SENADO 290, DE 2001 objetivo social ou estatutário;
(N° 6.906/ 2002, naquela Casa) IV – diagnosticar as potencialidades e as defici-
ências para o desenvolvimento do turismo nos Muni-
EMENDA N° 1
cípios, regiões e Estados da Federação;
Suprima-se o termo “específicas” do caput do V – formular e implantar prognósticos e proposi-
art. 2º do projeto. ções para o desenvolvimento do turismo nos Municí-
EMENDA Nº 2 pios, regiões e Estados da Federação;
VI – criar e implantar roteiros e rotas turísticas;
Suprima-se o art. 3º do projeto.
VII – desenvolver e comercializar novos produ-
EMENDA Nº 3 tos turísticos;
Dê-se à ementa a seguinte redação: VIII – analisar estudos relativos a levantamen-
tos socioeconômicos e culturais, na área de turismo
“Reconhece a profissão de Turismólogo ou em outras áreas que tenham influência sobre as
e disciplina o seu exercício.” atividades e serviços de turismo;
IX – pesquisar, sistematizar, atualizar e divulgar
EMENDA N° 4
informações sobre a demanda turística;
Grafem-se, apenas por extenso, os cardinais X – coordenar, orientar e elaborar planos e pro-
referidos no inciso III do art. 1º e no art. 5º do projeto. jetos de marketing turístico;
PROJETO ORIGINAL APROVADO PELO SENADO XI – identificar, desenvolver e operacionali-
E ENCAMINHADO À CÂMARA DOS DEPUTADOS zar formas de divulgação dos produtos turísticos
existentes;
Dispõe sobre a regulamentação do XII – formular programas e projetos que viabilizem
exercício da profissão de Turismólogo. a permanência de turistas nos centros receptivos;
O Congresso Nacional decreta: XIII – organizar eventos de âmbito público e pri-
Art. 1º A profissão de Turismólogo será exerci- vado, em diferentes escalas e tipologias;
da: XIV – planejar, organizar, controlar, implantar,
I – pelos diplomados em curso superior de Ba- gerir e operacionalizar empresas turísticas de todas
charelado em Turismo, ou em Hotelaria, ministrados as esferas, em conjunto com outros profissionais afins,
por estabelecimentos de ensino superior, oficiais ou como agências de viagens e turismo, transportado-
reconhecidos em todo território nacional; ras e terminais turísticos, organizadoras de eventos,
II – pelos diplomados em curso similar minis- serviços de animação, parques temáticos, hotelaria e
trado por estabelecimentos equivalentes no exte- demais empreendimentos do setor;
rior, após a revalidação do diploma, de acordo com XV – planejar, organizar e aplicar programas de
a legislação em vigor; qualidade dos produtos e empreendimentos turísti-
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cos, conforme normas estabelecidas pelos órgãos Art. 2° Cabe ao Poder Executivo a adoção de me-
competentes; didas destinadas à difusão e à comemoração do Dia
XVI – emitir laudos e pareceres técnicos referen- da Celebração da Amizade Brasil-Argentina.
tes à capacitação ou não de locais e estabelecimentos Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua
voltados ao atendimento do turismo receptivo, conforme publicação.
normas estabelecidas pelos órgãos competentes; Senado Federal, 16 de abril de 2008. – Sena-
XVII – lecionar em estabelecimentos de ensino dor Garibaldi Alves Filho, Presidente do Senado
técnico ou superior; Federal.
XVIII – coordenar e orientar levantamentos, es-
tudos e pesquisas relativamente a instituições, em- (Comissão de Educação, Cultura e Es-
presas e estabelecimentos privados que atendam ao porte)
setor turístico.
(Comissão de Relações Exteriores e De-
Art. 3° O exercício da profissão de Turismólogo
fesa Nacional)
será exercida na forma do contrato de trabalho, regido
pela Consolidação das Leis do Trabalho, ou como ati- O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
vidade autônoma, conforme legislação vigente. As Emendas da Câmara ao Projeto de Lei do Se-
Art. 4° O exercício da profissão de Turismólogo
nado nº 290, de 2001, vão à Comissão de Assuntos
requer registro em órgão federal competente mediante
Sociais; e a Emenda da Câmara ao Projeto de Lei
apresentação de:
do Senado nº 55, de 2005, vai às Comissões de Edu-
I – documento comprobatório da conclusão dos
cursos previstos nos incisos I e II do art. 1°, ou com- cação, Cultura e Esporte; e de Relações Exteriores e
provação do exercício das atividades de Turismólogo, Defesa Nacional.
previsto no inciso III do art. 1º; Sobre a mesa, ofícios do 1º Secretário da Câmara
II – carteira de trabalho e previdência social, ex- dos Deputados que passo a ler.
pedida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. São lidos os seguintes:
Art. 5° A comprovação do exercício da profissão
de Turismólogo, de que trata o inciso III do art. 1°, far- OFÍCIOS
se-á no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar
da publicação desta lei. – Nº 1.115/2009, de 27 do corrente, encaminhando
Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei do
publicação. Senado nº 181, de 2004 (nº 5.300/2005, naque-
Senado Federal, 3 de junho de 2002. – Senador la Casa), de autoria do Senador Romeu Tuma,
Ramez Tebet, Presidente do Senado Federal. que dá a denominação de Aeroporto de Bauru
– Comandante João de Barros ao Aeroporto de
EMENDA DA CÂMARA AO
Bauru, no Estado de São Paulo;
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 55, DE 2005
(N° 3.284/2008, naquela Casa) – Nº 1.131/2009, de 27 do corrente, encaminhando
o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei do
EMENDA Senado nº 27, de 2007 (nº 1.832/2007, naque-
la Casa), que altera a Lei nº 8.733, de 25 de
Suprima-se o art. 2° do Projeto, renumerando-
se o seguinte. novembro de 1993, que dá a denominação de
Michel Temer, Presidente. Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira à
Rodovia BR-364, para denominar Euclides da
PROJETO ORIGINAL Cunha o trecho da referida Rodovia; e
APROVADO PELO SENADO E ENCAMINHADO – Nº 1.156/2009, de 27 do corrente, encaminhando
À CÂMARA DOS DEPUTADOS o Substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei do
Dispõe sobre a criação do Dia de Ce- Senado nº 236, de 2007 (nº 3.282/2008, naque-
lebração da Amizade Brasil–Argentina e dá la Casa), que altera o nome do Livro dos Heróis
outras providências. da Pátria, ao qual se acrescenta a expressão “e
das Heroínas”, e nele se inclui o nome de Maria
O Congresso Nacional decreta:
Quitéria de Jesus.)
Art. 1º É instituído o Dia da Celebração da Ami-
zade Brasil-Argentina, a ser anualmente comemorado São os seguintes os substitutivos rece-
em 30 de novembro. bidos:
56064  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

SUBSTITUTIVO DA CÂMARA AO “Art. 1° É denominada Presidente Jus-


PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 181, DE 2004 celino Kubitschek a Rodovia BR-364, desde
(Nº 5.300/2005, naquela Casa) sua origem até a divisa entre os Estados de
Rondônia e do Acre.
Dá a denominação de Aeroporto de Parágrafo único. É denominado Euclides
Bauru – Comandante João de Barros ao Ae- da Cunha o trecho da Rodovia BR-364 situado
roporto de Bauru, no Estado de São Paulo. no Estado do Acre, entre a divisa com Rondô-
O Congresso Nacional decreta: nia e a fronteira com o Peru.”(NR)
Art. 1º O Aeroporto de Bauru, no Estado de São
Art. 3° A ementa da Lei n° 8.733, de 25 de no-
Paulo, passa a denominar-se Aeroporto Internacional
vembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte re-
de Bauru – Comandante João Ribeiro de Barros.
dação:
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação. “Dá a denominação de Presidente Jus-
celino Kubitschek de Oliveira ao trecho da
PROJETO ORIGINAL
Rodovia BR-364 desde sua origem até a di-
APROVADO PELO SENADO E ENCAMINHADO
visa com o Estado do Acre e de Euclides da
À CÂMARA DOS DEUPUTADOS
Cunha ao trecho da mesma Rodovia situado
Dá a denominação de Aeroporto de no Estado do Acre.”
Bauru – Comandante João Ribeiro de Bar- Art. 4° Esta Lei entra em vigor na data de sua
ros ao Aeroporto de Bauru, no Estado de publicação.
São Paulo.
PROJETO ORIGINAL
O Congresso Nacional decreta: APROVADO PELO SENADO E ENCAMINHADO
Art. 1º O aeroporto de Bauru, no Estado de São À CÂMARA DOS DEPUTADOS
Paulo, passa a denominar-se Aeroporto de Bauru –
Comandante João Ribeiro de Barros. Denomina “Euclides da Cunha” o tre-
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua cho acreano da rodovia BR–364 e altera a
publicação. Lei n° 8.733, de 25 de novembro de 1993,
Senado Federal, 24 de maio de 2005. – Senador que “dá a denominação de Presidente Jus-
Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal. celino Kubitschek de Oliveira à rodovia
(À Comissão de Educação, Cultura e BR–364”.
Esporte.) O Congresso Nacional decreta:
Art. 1° É denominado “Euclides da Cunha” o trecho
SUBSTITUTIVO DA CÂMARA da rodovia BR–364 que perpassa o Estado do Acre.
AO PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 27, DE 2007 Art. 2° O art. 1° da Lei n° 8.733, de 25 de novembro
(Nº 1.832/2007, naquela Casa) de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação:
Altera a Lei n° 8.733, de 25 de novem- “Art. 1° É denominada Presidente Jus-
bro de 1993, que dá a denominação de Pre- celino Kubitschek a rodovia BR–364, desde
sidente Juscelino Kubitschek de Oliveira à sua origem até a fronteira entre os Estados
Rodovia BR-364, para denominar Euclides de Rondônia e Acre.” (NR)
da Cunha o trecho acreano da referida Ro- Art. 3° Esta lei entra em vigor na data de sua
dovia. publicação.
O Congresso Nacional decreta: Senado Federal, 21 de agosto de 2007. – Senador
Art. 1° Esta Lei altera a Lei n° 8.733, de 25 de no- Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal.
vembro de 1993, que dá a denominação de Presidente
LEGISLAÇÃO CITADA
Juscelino Kubitschek de Oliveira à Rodovia BR-364,
ANEXADA PELA SECRETARIA-GERAL DA MESA
para denominar Euclides da Cunha o trecho acreano
dessa Rodovia. LEI N° 8.733, DE 25 DE NOVEMBRO DE 1993
Art. 2° O art. 1° da Lei n° 8.733, de 25 de novem-
bro de 1993, que dá a denominação de Presidente Dá a denominação de Presidente Jus-
Juscelino Kubitschek de Oliveira à Rodovia BR-364, celino Kubitschek de Oliveira à Rodovia
passa a vigorar com a seguinte redação: BR–364.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56065 

O Presidente da República Faço saber que o Con- centésimo quinquagésimo quinto aniversário de sua
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: morte.
Art. 1° É denominada Presidente Juscelino Ku- Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua
bitschek a Rodovia BR–364. publicação.
Art. 2° O Poder Executivo providenciará a sina- Senado Federal, 16 de abril de 2008. – Sena-
lização, em todo o seu percurso, através de placas, dor Garibaldi Alves Filho, Presidente do Senado
com o nome do ex-Presidente. Federal.
Art. 3° Esta lei entra em vigor na data de sua (À Comissão de Educação, Cultura e
publicação. Esporte.)
Art. 4° Revogam-se as disposições em contrá-
rio. O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Os
Brasília, 25 de novembro de 1993; 172° da Inde- Substitutivos da Câmara vão à Comissão de Educa-
pendência e 105° da República. – ITAMAR FRANCO ção, Cultura e Esporte.
– Alberto Goldman. O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A
Presidência comunica ao Plenário que foram deferidos,
SUBSTITUTIVO DA CÂMARA AO nos termos do Ato da Mesa nº 2, de 2009, os seguin-
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 236, DE 2007 tes Requerimentos:
(Nº 3.282/2008, naquela Casa)
– Nº 1.332, de 2009, do Senador Romero Jucá, que
Altera o nome do Livro dos Heróis da solicita a tramitação conjunta do Projeto de Lei
Pátria, ao qual se acrescenta a expressão do Senado nº 302, de 2009-Complementar, com
“e das Heroínas”, e nele se inclui o nome os de nºs 245, de 2003-Complementar, que já
de Maria Quitéria de Jesus. tramita em conjunto com o de nº 90, de 2007-
Complementar. Deferido o requerimento, as ma-
O Congresso Nacional decreta: térias passam a tramitar em conjunto e retornam
Art. 1° Acrescente-se a expressão “e das Heroí- à Comissão de Assuntos Econômicos;
nas” ao nome do Livro dos Heróis da Pátria, que pas- – Nº 1.346, de 2009, do Senador Wellington Salgado,
sa a se denominar “Livro dos Heróis e das Heroínas que solicita a tramitação conjunta do Projeto de
da Pátria”. Lei da Câmara nº 57, de 2007, com o Projeto de
Art. 2° Será inscrito o nome de Maria Quitéria de Lei do Senado nº 230, de 2007. Deferido o re-
Jesus, Heroína da Independência, no Livro dos Heróis querimento, o Projeto de Lei do Senado nº 230,
e das Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da de 2007, perde o caráter terminativo. As matérias
Liberdade e da Democracia, em Brasília. passam a tramitar em conjunto e vão à Comissão
Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua de Assuntos Econômicos;
publicação. – Nº 1.347, de 2009, do Senador Arthur Virgílio, que
solicita a tramitação conjunta das Propostas de
PROJETO ORIGINAL
Emenda à Constituição nºs 15 e 90, de 2007, e
APROVADO PELO SENADO E ENCAMINHADO
42, de 2009. Deferido o requerimento, as matérias
À CÂMARA DOS DEPUTADOS
passam a tramitar em conjunto e retornam à Co-
Inscreve o nome de Maria Quitéria de missão de Constituição, Justiça e Cidadania;
Jesus no Livro dos Heróis da Pátria e dá a – Nº 1.355, de 2009, do Senador Romero Jucá, que
este nova denominação, de forma a incluir solicita a tramitação conjunta dos Projetos de Lei
a expressão “e Heroínas”. da Câmara nºs 55 e 75, de 2009, com o Proje-
to de Lei da Câmara nº 106, de 2007, que já se
O Congresso Nacional decreta: encontra apensado aos Projetos de Lei do Se-
Art. 1° Acrescente-se a expressão “e Heroínas” ao nado nºs 301, de 2003; 355, de 2004; 8 e 18, de
nome do Livro dos Heróis da Pátria, que passa a se de- 2005; 45, de 2006; 42, de 2007; e 54, de 2009.
nominar “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Deferido o requerimento, os Projetos de Lei da
Art. 2° Será inscrito o nome de Maria Quitéria de Câmara nºs 55 e 75, de 2009, perdem o caráter
Jesus, Heroína da Independência, no Livro dos Heróis terminativo. As matérias passam a tramitar em
da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da conjunto e vão às Comissões de Assuntos Eco-
Democracia, em Brasília. nômicos, de Constituição, Justiça e Cidadania
Parágrafo único. O disposto neste artigo dar-se-á e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e
em 21 de agosto de 2008, em razão do transcurso do Fiscalização e Controle.
56066  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – humanos. Tudo isso aliado a uma estafante e incondi-
Sobre a mesa, projetos recebidos da Câmara dos De- cional carga de trabalho, lhes suprindo muitas vezes
putados que passo a ler. o convívio da própria família.
São lidos os seguintes: Podemos afirmar sem sombra de dúvidas, que o
verdadeiro policial militar é um herói anônimo. Na calçada
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 223, DE 2009 das ruas, durante o dia ou nas madrugadas, diferentemen-
(Nº 250/2003, na Casa de Origem, te de todas as outras profissões é o único representante
do Deputado Alberto Fraga) do Estado 24 horas pronto para ajudar ao próximo.
É dever mais que tardio, que essa casa como re-
Institui, na República Federativa do presentante máximo das aspirações nacionais, resgate
Brasil, a data de 13 de maio como o Dia da mais esse compromisso com a justiça e com aqueles
Polícia Militar. brasileiros. que na acepção da palavra fazem por me-
O Congresso Nacional decreta: recer a desígnia de autênticos patriotas.
Art. 1° Fica instituído, na República Federativa Sala das Sessões 27 de fevereiro de 2003. – De-
do Brasil, o dia 13 de maio como data comemorativa putado Alberto Fraga.
do dia da Polícia Militar.
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 224, DE 2009
Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua
(Nº 2.318/2003, na Casa de Origem,
publicação.
do Deputado Maurício Rands)
PROJETO DE LEI ORIGINAL N° 250, DE 2003
Proclama Olinda a Capital Simbólica
Institui na República Federativa do do Brasil e dá outras providências.
Brasil, a data de 13 de maio, como sendo
O Congresso Nacional decreta:
o Dia da Polícia Militar
Art. 1° Em 27 de janeiro de cada ano, a cidade
Art. 1° Fica instituído na República Federativa do de Olinda, no Estado de Pernambuco, será reconhe-
Brasil, o dia 13 de maio, como sendo data comemora- cida, durante esse dia, como a Capital Simbólica do
tiva do Dia da Polícia Militar. Brasil.
Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua Art. 2° A cada 50 (cinquenta) anos, durante as
publicação. comemorações da Restauração Pernambucana e Nor-
Justificação destina, o Prefeito de Olinda e sua Câmara de Vere-
adores receberão os títulos simbólicos de Prefeito e
A presente lei visa estabelecer uma data em Câmara de Vereadores Mor do Brasil.
que possamos comemorar o merecido dia da Policia
Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data da sua
Militar.
publicação.
As polícias militares, no Brasil, representam uma
instituição presente em todos os Estados e no Distrito PROJETO DE LEI ORIGINAL Nº 2.318, DE 2003
Federal, que congrega mais de 500 mil homens e mu-
lheres, espalhados nos mais distantes rincões, com uma Proclama Olinda a Capital Simbólica
doutrina única de manter a paz e a segurança pública, do Brasil e dá outras providências.
a incolumidade do cidadão e o cumprimento da lei. O Congresso Nacional decreta:
Instituições seculares, formadas por profissionais Art. 1.° Nos dias de 27 de janeiro de cada ano,
da pátria, abnegados em razão das causas sociais, Olinda passa a ser reconhecida, durante aquele dia,
diuturnamente e sem imporem limites às suas ativida- como a Capital Simbólica do Brasil.
des, atendem a milhares de chamados da população Art. 2º A cada 50 (cinqüenta) anos, durante as
todos os dias, sempre tentando restabelecer o espírito comemorações da Restauração Pernambucana e Nor-
de paz e de harmonia que deve prevalecer em uma destina, o(a) Prefeito(a) de Olinda e sua Câmara de
sociedade democrática. Vereadores serão simbolicamente intitulados Prefeito(a)
São homens que convivem a cada momento com e Câmara de Vereadores Mor do Brasil.
a incerteza da própria sobrevivência. Não obstante Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua
essa característica são profissionais sempre dispostos publicação.
em ajudar o próximo. Por serem linha de frente, bra-
ço do Estado, convivem no calor da ocorrência, com Justificação
os reflexos das desigualdades, com os infortúnios, e De todas as capitanias, a de Pernambuco foi a
com a manifestação dos mais diferentes sentimentos que logrou sucesso em todos os sentidos, no primeiro
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56067 

século o XVI. O açúcar, a base econômica, a “moeda” do exemplos os movimentos revolucionários de 1817,
possibilitadora do projeto colonial, construiu Olinda. Se a a Confederação do Equador, de 1824, e a Revolução
cidade se tornou por isso um importante porto nos seus Praieira, de 1848.
“arrecifes do mar”, uma fundamental porta de saída do Assim, no ano de 2004, quando se completaram
açúcar, por outro lado, com base na sua riqueza consoli- 350 (trezentos e cinquenta) anos da Restauração Per-
dou-se naqueles primeiros momentos como a cidade por nambucana e Nordestina, Olinda deverá merecer reco-
onde entrou, nesta parte da América, o conhecimento, a nhecimento nacional, sendo proclamada, nos dias 27 de
cultura, e onde se estruturaram as bases políticas para janeiro de cada ano, a Capital Simbólica do Brasil.
a construção do Estado que depois precisou de uma Conto com o apoio dos meus pares para render
capital mais ao centro de sua faixa litorânea. tal justa homenagem.
Quando Salvador foi fundada como a primeira Sala das Sessões, 16 de outubro de 2003. – De-
sede de um Governo Geral no Brasil, em 1549, já en- putado Maurício Rands.
controu bases estruturais e institucionais em funcio- (À Comissão de Educação Cultura e Es-
namento, espalhadas desde a Vila de Olinda, fundada porte.)
em 1535, até Paracatu, em Minas Gerais. O Senado da
Câmara da Vila de Olinda já funcionava há anos, tendo PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 225, DE 2009
consolidado as bases políticas, administrativas e econô- (Nº 2.902/2004, na Casa de Origem,
micas do governo e assegurado o projeto de expansão do Deputado Gonzaga Patriota)
do domínio português pelo território brasileiro.
No início do século XVII, os Países Baixos passa- Denomina Porto de Petrolina – Paulo
ram a dominar o grande comércio oceânico. Em 1621, de Souza Coelho o porto fluvial localizado
um grupo de fanáticos calvinistas fundou a Companhia no rio São Francisco, na cidade de Petroli-
das Índias Ocidentais, que recebeu o monopólio, por na, Estado de Pernambuco.
24 anos, da navegação, comércio, transportes e con- O Congresso Nacional decreta:
quistas das margens do Oceano Atlântico. Em 1630, Art. 1° Fica denominado Porto de Petrolina –
poucos anos após prévia invasão baiana, 56 navios, Paulo de Souza Coelho o porto fluvial localizado no
3.780 tripulantes e 3.500 soldados invadiram Pernam- rio São Francisco, na cidade de Petrolina, Estado de
buco, ocupando Olinda e Recife. A ocupação holan- Pernambuco.
desa durou mais de duas décadas e a Restauração Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua
Pernambucana e Nordestina é um dos capítulos mais publicação.
simbólicos de nossa história. PROJETO DE LEI ORIGINAL N° 2.902, DE 2004
Durante a permanência da Companhia das Índias
Ocidentais no Nordeste, a elite política e a população Denomina “Porto Fluvial Paulo de Sou-
de Olinda tomaram consciência de que nossas terras za Coelho”.
tinham construído uma nação que não era Portugal, O Congresso Nacional decreta:
Espanha, nem Holanda; era Brasil. Reagindo à ocupa- Art. 1° O Porto Fluvial de Petrolina, passa a ser
ção, os antigos membros da Câmara de Olinda monta- denominado “Porto Paulo de Souza Coelho”.
ram e armaram um exército formado por cotas raciais: Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua
tropas de negros comandadas por um negro, Henrique publicação.
Dias; tropas de índios comandadas por um índio, Feli-
pe Camarão; e tropas de brancos comandadas por um Justificação
branco, André Vidal de Negreiros. Com tal exército, o Paulo de Souza Coelho foi com muita propriedade
grupo político de Olinda desencadeou e comandou a definido como “um homem de mérito, defensor intran-
guerra de reconquista, findada em 1654. sigente de tudo que dissesse respeito ao desenvolvi-
Quanto este movimento logrou expulsar os ho- mento da região sanfranciscana de Pernambuco”.
landeses, em 27 de janeiro de 1654, estava dado o Ele foi um pioneiro no sentido latu da palavra.
primeiro passo de afirmação do sentimento da nacio- Testemunhou quase todo progresso gradual e desen-
nalidade brasileira, consistindo no marco inaugural da volvimento de Petrolina e da região sanfranciscana.
consolidação da identidade nacional. Esteve presente em todo momento crucial para a ci-
Também durante todo o século XIX, Olinda este- dade, ajudando a impulsionar favoravelmente os acon-
ve à frente dos movimentos políticos que formaram a tecimentos que beneficiariam nossa terra. No dizer de
consciência nacional sobre o conceito de Estado, bem Monsenhor Ângelo Sampaio, “sempre acreditou na
como as bases do pensamento político no Brasil, sen- potencialidade da terra dos impossíveis”.
56068  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

Participou ativamente para trazer energia elé- Típico do Centro-Sul do País, o tropeirismo suce-
trica, telefone, bancos e indústrias, beneficiando não deu o bandeirantismo, tendo coexistido, nessa região,
só Petrolina, mas também Juazeiro e todo sertão per- com os ciclos da mineração, do açúcar e do café. Fo-
nambucano. Um traço que sobressalta em sua per- ram os tropeiros, durante os séculos XVII, XVIII e XIX,
sonalidade foi a defesa intransigente e incansável do que realizaram o trabalho de distribuição, do sul para o
rio São Francisco e dos benefícios que poderia trazer centro do País, dos minérios extraídos, bem como de
para a região, se explorado com sabedoria. Defendia tudo o que se produzia no Brasil. Foi somente a partir
o aproveitamento e a navegação do rio São Francisco da implantação das ferrovias, em 1875, que o comércio
e também sua conservação e proteção. intermediado por tropas começou a definhar.
Justo, pois, que entre as muitas homenagens de Em função do movimento das tropas, floresceu o
Petrolina ao insigne pernambucano, considere-se a comércio de beira de estrada, dando origem a povoa-
que tomamos a iniciativa de propor, acrescendo-se à dos, freguesias, vilas e cidades. Os pousos, necessá-
denominação “Porto de Petrolina” o nome do pioneiro rios ou forçados, dos tropeiros originaram municípios
Paulo Coelho. Ao receber tão honrosa designação, o importantes, especialmente em São Paulo e no Paraná.
“Porto Fluvial Paulo de Souza Coelho” será um símbolo A atividade ao longo do caminho das tropas influenciou
vivo do respeito e admiração do povo de Petrolina ao profundamente o comportamento das populações des-
ilustre filho da cidade”. ses Estados, refletindo na maneira de vestir, na culi-
Sala das Sessões, 28 de janeiro de 2004. – De- nária, no artesanato em couro e em vime, na literatura
putado Gonzaga Patriota, PSB/PE. oral, nas festas, nas superstições e crendices, enfim,
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 226, DE 2009 nas manifestações culturais em geral.
(Nº 2.948/2004 na Casa de Origem, Ainda hoje, é possível encontrar tropeiros exer-
do Deputado Max Rosenmann) citando a sua missão pelos distantes pontos do País.
Graças ao trabalho desses homens, perpetuam-se in-
Institui o dia 26 de outubro como o Dia formações sobre as tradições, os usos, os costumes e
Nacional do Tropeiro. até a medicina popular de diversas comunidades das
O Congresso Nacional decreta: mais distantes regiões brasileiras.
Art. 1° Fica instituída a data anual de 26 de ou- Propomos, portanto, essa justa homenagem anu-
tubro como o Dia Nacional do Tropeiro. al, como forma de resgatar e preservar a contribuição
Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua dos tropeiros para a formação cultural brasileira. Ins-
publicação. tituir o “Dia Nacional do Tropeiro” configura-se, ainda,
ferramenta para demonstrar reconhecimento e respeito
PROJETO DE LEI ORIGINAL N° 2.948, DE 2004 a esses homens, que realizaram o feito de descobrir
novas fronteiras e de transportar, por mais de 300 anos,
Institui o dia 26 de outubro como o
as riquezas produzidas no Brasil, levando o desenvol-
“Dia Nacional do Tropeiro”’
vimento aos mais longínquos recantos deste País.
O Congresso Nacional decreta: Sala das Sessões, 10 de fevereiro de 2004. –
Art. 1° Fica instituída a data anual de 10 de se- Deputado Max Rosenmann.
tembro como o “Dia Nacional do Tropeiro”.
Art. 29 Esta lei entra em vigor na data de sua PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 227, DE 2009
publicação. (Nº 6.611/2009, na Casa de origem,
do Deputado Vander Loubet)
Justificação
O termo tropeiro, originalmente, aplicava-se ao Denomina Rodovia João Paulo II o
responsável pela condução dos animais que compu- trecho da BR-267 entre as cidades de Rio
nham uma tropa e pela carga por ela transportada. Com Brilhante e Porto Murtinho, no Estado de
o tempo, o significado assumido pelo termo passou a Mato Grosso do Sul.
abarcar, não só o condutor, mas todos os membros in- O Congresso Nacional decreta:
tegrantes dos comboios – tocadores, capatazes, peões Art. 1º O trecho da Rodovia BR-267 entre as ci-
e arreadores. O presente projeto, ao propor a institui- dades do Rio Brilhante e Porto Murtinho, no Estado
ção do “Dia Nacional do Tropeiro”, cumpre o papel de de Mato Grosso do Sul, passa a ser denominado Ro-
reconhecer a importância do trabalho realizado por es- dovia João Paulo II.
ses corajosos homens, desbravadores das áreas mais Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua
remotas do Brasil, há mais de trezentos anos. publicação.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56069 

PROJETO DE LEI ORIGINAL Nº 6.611, DE 2006 PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 228, DE 2009
(Nº 130/2007, na Casa de Origem,
Denomina a BR-267 como rodovia do Deputado Max Rosenmann)
João Paulo II.
Institui o dia 8 de maio como o Dia
O Congresso Nacional decreta:
Nacional do Turismo.
Art. 1º Fica autorizado o Poder Executivo a de-
nominar a BR-267 como rodovia João Paulo II, no O Congresso Nacional decreta:
trecho compreendido de Rio Brilhante, MS, a Porto Art. 1° Fica instituído o Dia Nacional do Turismo,
Murtinho, MS. a ser celebrado, anualmente, em todo o território bra-
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua sileiro, no dia 8 de maio.
publicação oficial. Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua
publicação.
Justificação
PROJETO DE LEI N° 130, DE 2007
A Lei nº 6.682, de 27 de agosto de 1979, que
dispõe sobre a denominação de vias e estações ter- Institui o dia 8 de maio como o “Dia
minais do Plano Nacional de Viação, em seu artigo 2º Nacional do Turismo” e confere a Alberto
permite que mediante lei especial, e observada a regra Santos Dumont o título de “Pai do Turismo
estabelecida no artigo anterior, uma estação terminal, Brasileiro”.
obra de arte ou trecho de via poderá ter, supletivamen- O Congresso Nacional decreta
te, a designação de um fato histórico ou de nome de Art. 1° Fica instituído o Dia Nacional do Turismo,
pessoa falecida que haja prestado relevante serviço a ser celebrado, anualmente, em todo o território bra-
à Nação ou à humanidade. sileiro, no dia 8 de maio.
A BR-267 liga Porto Murtinho, na divisa de Mato Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua
Grosso do Sul com o Paraguai e Leopoldina, em Mi- publicação.
nas Gerais. São 1.921km de extensão, atravessando
Justificação
os Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas
Gerais. No trecho que interliga as cidades mineiras de Município de Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná,
Juiz de Fora e Poços de Caldas, a rodovia recebeu a representa um dos mais belos destinos turísticos do
denominação de “Rodovia Vital Brasil”. Os outros tre- mundo. Possui riquezas naturais incomparáveis, como
chos são conhecidos apenas como BR-267, e com- o Parque Nacional do Iguaçu – onde estão localizadas
preendem a maior parte da rodovia. as Cataratas do Iguaçu –, tombado pela Unesco como
Denominarmos a BR-267 Rodovia João Paulo II, Patrimônio Natural da Humanidade.
Parque Nacional do Iguaçu recebe, anualmente,
no trecho compreendido de Rio Brilhante, MS, a Porto
cerca de um milhão de visitantes e constitui um ícone
Murtinho, MS, tem por objetivo perpetuar o nome de
do turismo nacional e mundial. O que poucos brasilei-
um homem que lutou obstinadamente pela paz e pela
ros sabem é que o Parque teve seu destino delineado
união dos povos. Nascido na Polônia, em 18 de maio
pelas mãos de Alberto Santos Dumont.
de 1940, foi ordenado sacerdote católico em 1946, e
Em abril de 1916, em visita a Foz do Iguaçu, após
eleito Papa, em outubro de 1978. Das 104 viagens fora
conhecer as cataratas, o inventor mineiro surpreendeu-
da Itália que João Paulo II fez em vinte e seis anos de se ao saber que estavam em terras de um uruguaio.
pontificado, três tiveram como destino o Brasil. Indignado, decidiu propor, pessoalmente, ao Presidente
Condenou o terrorismo e todas as manifestações do Paraná, Affonso Alves de Camargo, que desapro-
de segregação; promoveu a aproximação com as ou- priasse o terreno com vistas a transformá-lo em um
tras religiões monoteístas e reconciliou a fé e a ciência parque estadual aberto à visitação pública.
quando se penitenciou pelos erros cometidos contra Como não havia estradas nem transporte fluvial
Copérnico, Galileu e Darwin. Foi um peregrino de paz, para a capital do Estado, Santos Dumont, aos 42 anos
da união entre os homens, e deixou um belo exemplo de idade, viajou por seis dias a cavalo, atravessando
de luta pela vida, pois, mesmo com saúde abalada, trezentos quilômetros de floresta, até chegar a Gua-
viajava levando a palavra de Deus. rapuava, de onde foi de carro, a Ponta Grossa e, em
Esperamos contar com o apoio dos nobres pares seguida, de trem, a Curitiba.
para a aprovação deste projeto. No dia 8 de maio de 1916 encontrou-se com o
Sala das Sessões, 8 de fevereiro de 2006. – De- Presidente do Paraná em audiência formal no Palácio.
putado Vander Loubet, PT/MS. Convenceu-o. Menos de três meses depois, foi publica-
56070  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

do o Decreto Estadual n° 653, de 28 de julho de 1916, I – a organização da Semana Nacional de Edu-


que desapropriou as terras junto às cataratas do Igua- cação, Conscientização e Orientação sobre a Fissura
çu e as declarou de utilidade pública para a criação de Lábio-Palatina;
um parque. Anos depois, o Parque Nacional do Iguaçu II – a definição das atividades a serem desenvol-
foi criado oficialmente, por meio do Decreto n° 1.035, vidas durante a semana;
de 10 de janeiro de 1939. III – a articulação dos ministérios, secretarias e
Por tudo isso, o Professor Átila José Borges, da universidades afetos à Comissão Organizadora para
Universidade Federal do Paraná, integrante da Comis- a Semana Nacional de Educação, Conscientização e
são do Centenário do Primeiro Voo do 14 Bis, há anos Orientação sobre a Fissura Lábio-Palatina;
vem trabalhando para que Alberto Santos Dumont seja IV – receber, avaliar e manifestar-se sobre pro-
reconhecido como “Pai do Turismo Brasileiro” e o dia 8 jetos e propostas de atividades da Semana Nacional
de maio seja declarado “Dia Nacional do Turismo”. de Educação, Conscientização e Orientação sobre a
É como forma de reconhecimento a mais este Fissura Lábio-Palatina;
notável feito do nosso Santos Dumont e ao valoroso V – a promoção de atividades de estímulo à edu-
trabalho do Professor Átila Borges, que conto com os cação, conscientização e orientação sobre a Fissura
nobres Pares no sentido de aprovar a homenagem Lábio-Palatina.
aqui proposta. Art. 5° Serão incorporados na Comissão Organiza-
Sala das Sessões, 13 de fevereiro de 2007. – dora a que se refere o art. 3° desta Lei, sempre que pos-
Deputado Max Rosenmann. sível, as universidades, as associações e os conselhos
representativos das categorias profissionais afetas ao
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 229, DE 2009 tema, garantindo, ainda, a ampla divulgação do evento.
(Nº 339/2007, na Casa de Origem, Art. 6° Para o cumprimento do disposto nesta Lei,
do Deputado José Eduardo Cardozo) poderão ser realizadas parcerias com universidades,
associações e conselhos representativos das catego-
Institui a Semana Nacional de Educa- rias profissionais afetas ao tema e, ainda, com outras
ção, Conscientização e Orientação sobre entidades públicas ou privadas.
a Fissura Lábio-Palatina e dá outras pro- Art. 7° Esta Lei entra em vigor na data de sua
vidências. publicação.
O Congresso Nacional decreta:
PROJETO DE LEI ORIGINAL Nº 339, DE 2007
Art. 1° Fica instituída a Semana Nacional de
Educação, Conscientização e Orientação sobre a Fis- Institui a “Semana Nacional de Edu-
sura Lábio-Palatina, a ser comemorada, anualmente, cação, Conscientização e Orientação so-
na segunda semana de novembro, com os objetivos bre a Fissura Lábio-Palatina”, e dá outras
fixados nesta Lei. providências.
Art. 2° A Semana Nacional de Educação, Cons- O Congresso Nacional decreta:
cientização e Orientação sobre a Fissura Lábio-Pa- Art. 1º Fica instituída a “Semana Nacional de
latina integrará o calendário oficial de eventos e terá Educação, Conscientização e Orientação sobre a Fis-
como objetivos. sura Lábio-Palatina”, a ser comemorada, anualmente,
I – elevar a consciência sanitária da população na segunda semana de novembro, com os objetivos
sobre a fissura lábio-palatina; fixados nesta lei.
II – promover atividades de educação em saúde Art. 2º A Semana Nacional de Educação, Cons-
sobre a fissura lábio-palatina; cientização e Orientação sobre a Fissura Lábio-Pa-
III – realizar ações de identificação precoce da latina integrará o calendário oficial de eventos e terá
fissura lábio-palatina; como objetivos:
IV – capacitar os servidores públicos para as I – elevar a consciência sanitária da população
ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabi- sobre a fissura lábio-palatina;
litação de pacientes com fissura lábio-palatina; II – promover atividades de educação em saúde
V – estimular os profissionais de saúde a realiza- sobre a fissura lábio-palatina;
rem o diagnóstico precoce e a notificação das crianças III – realizar ações de identificação precoce da
portadoras de fissura lábio-palatina. fissura lábio-palatina;
Art. 3° As atividades pertinentes à Semana Na- IV – capacitar os servidores públicos para as
cional de Educação, Conscientização e Orientação ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabi-
sobre a Fissura Lábio-Palatina serão definidas, ano a litação de pacientes com fissura lábio-palatina;
ano, por Comissão Organizadora do evento. V – estimular os profissionais de saúde a realiza-
Art. 4° Compete à Comissão Organizadora re- rem o diagnóstico precoce e a notificação das crianças
ferida no art. 3°: portadoras de fissura lábio-palatina.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56071 

Art. 3º As atividades pertinentes à Semana Na- buco-maxilo-facial, odontopediatra, ortodontista, pe-


cional de Educação, Conscientização e Orientação diatra, cirurgião-plástico, geneticista, neonatologista,
sobre a Fissura Lábio-Palatina serão definidas, ano a nutricionista, fonoaudiólogo, cirurgião-plástico, psicó-
ano, pela Comissão Organizadora do evento. logo e outros especialistas que se fizerem necessários
Art. 4º Compete à Comissão Organizadora, re- para o adequado tratamento.
ferida no artigo anterior: O presente projeto de lei objetiva criar a Semana
I – a organização da Semana Nacional de Edu- Nacional de Educação, Conscientização e Orientação
cação, Conscientização e Orientação sobre a Fissura sobre a Fissura Lábio-Palatina, com o escopo de reali-
Lábio-Palatina; zar um conjunto de atividades, envolvendo ministérios,
II – a definição das atividades a serem desenvol- secretarias e universidades, associações e conselhos
vidas durante a Semana; representantes das categorias afetas ao tema, na bus-
III – a articulação dos ministérios, secretarias e ca do enfretamento do problema.
universidades afetos à Comissão Organizadora para Destaca-se o apoio prestado pela Associação
a Semana Nacional de Educação, Conscientização e Brasileira de Fissuras Palatinas no debate da presente
Orientação sobre a Fissura Lábio-Palatina; iniciativa parlamentar.
IV – receber, avaliar e manifestar-se sobre pro- Sala das Sessões, 7 de março de 2007. – José
jetos e propostas de atividades da Semana Nacional Eduardo Cardozo, Deputado Federal – PT/SP.
de Educação, Conscientização e Orientação sobre a
(À Comissão de Educação, Cultura e
Fissura Lábio-Palatina;
Esporte – decisão terminativa.)
V – a promoção de atividades de estímulo à edu-
cação, conscientização e orientação sobre a fissura PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 230, DE 2009
lábio-palatina. (Nº 597/2007, na Casa de origem,
Art. 5º Serão incorporados na Comissão Organiza- do Deputado Jorginho Maluly)
dora a que se refere o art. 3º desta Lei, sempre que pos-
sível, as universidades, as associações e os conselhos Altera dispositivos da Lei n° 9.394, de
representativos das categorias profissionais afetas ao 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
tema, garantindo ainda a ampla divulgação do evento. diretrizes e bases da educação nacional (es-
Art. 6º Para o cumprimento do disposto nesta lei, tabelece regras para a jornada escolar na
poderão ser realizadas parcerias com universidades, rede pública de educação básica, nas eta-
associações e conselhos representativos das catego- pas de pré-escola, de ensino fundamental
rias profissionais afetas ao tema, e ainda com outras e de ensino médio).
entidades públicas ou privadas.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua
Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
publicação.
passa a vigorar acrescida do seguinte art. 23-A:
Justificação “Art. 23-A. A jornada escolar na rede pú-
A fissura lábio-palatina é uma das mais comuns blica de educação básica, nas etapas de pré-
deformidades faciais. As crianças afetadas podem nas- escola, de ensino fundamental e de ensino
cer com o lábio ou o palato (“céu da boca”) atingidos, médio, incluirá pelo menos 4 (quatro) horas de
mas a maioria apresenta ambos fissurados. efetivo trabalho pedagógico, sendo progressi-
No Brasil, estima-se que a fissura lábio-palatina vamente ampliado o período de permanência
seja o terceiro defeito congênito facial mais frequente. na escola, a critério dos sistemas de ensino.
Os trabalhos realizados no País apontam uma ocor- § 1º O atendimento escolar em tempo
rência para cada 600 a 650 crianças nascidas. integral deverá prever reforço escolar e ativi-
As fissuras de lábio e lábio-palatinas são mais fre- dades em outros espaços de aprendizagem
quentes no sexo masculino; as de palato isoladas, no sexo além da sala de aula, inclusive práticas des-
feminino. Estudos epidemiológicos verificaram que descen- portivas e artísticas.
dentes de portadores de fissura de lábio ou lábio-palatina § 2° São ressalvados os casos do ensino
apresentavam frequência maior deste tipo de fissura. noturno e das formas alternativas de organi-
A hereditariedade desempenha papel importante zação autorizadas nesta lei.”
no aparecimento da fissura de lábio ou lábio-palatina,
enquanto fatores ambientais devem ser particularmente Art. 2º O art. 25 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro
analisados no estudo. de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações:
Recomenda-se que os pais e as famílias des- “Art. 25. .................................................
tas crianças sejam orientados de forma adequada na § 1° Cabe ao respectivo sistema de en-
maternidade ou no pré-natal, tendo a oportunidade de sino, à vista das condições disponíveis e das
acesso à assistência prestada por equipes especializa- características regionais e locais, estabelecer
das multiprofissionais, compostas por cirurgião-dentista parâmetro para atendimento do disposto neste
56072  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

artigo, observados as dimensões do espaço A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-


físico e que o número de alunos por professor cional, por sua vez, em seu art. 4°, inciso IX, define
não ultrapasse: padrões mínimos de qualidade de ensino como “a va-
I – 5 (cinco) crianças de até 1 (um) ano, riedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos
por adulto, na creche; indispensáveis ao desenvolvimento do processo de
II – 8 (oito) crianças de 1 (um) a 2 (dois) ensino-aprendizagem”.
anos, por adulto, na creche; Um desses elementos indispensáveis ao desen-
III – 13 (treze) crianças de 2 (dois) a 3 volvimento do processo pedagógico é a limitação da
(três) anos, por adulto, na creche; quantidade de alunos por professor. A Lei de Diretrizes
IV – 15 (quinze) crianças de 3 (três) a 4
e Bases da Educação Nacional, em seu art. 25, esta-
(quatro) anos, por adulto, na creche ou pré-
belece que “será objetivo permanente das autorida-
escola;
V – 20 (vinte) alunos de 4 (quatro) a 5 des responsáveis alcançar a relação adequada entre
(cinco) anos, por professor, na pré-escola; o número de alunos e o professor, a carga horária e
VI – 25 (vinte e cinco) alunos por profes- as condições materiais do estabelecimento”. Fixa, no
sor, nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino parágrafo único do referido artigo, que caberá a cada
fundamental; sistema de ensino, à vista das condições disponíveis
VII – 35 (trinta e cinco) alunos por pro- e das características regionais e locais, estabelecer
fessor, nos 4 (quatro) anos finais do ensino parâmetros para atender a tal determinação.
fundamental e no ensino médio. Entendemos que, na forma atual, o dispositivo
§ 2º Os sistemas de ensino terão prazo tem sido inócuo para garantir as condições desejá-
de 3 (três) anos, a partir da data de publicação veis para o trabalho pedagógico. As peculiaridades
desta Lei, para atender ao limite de número de regionais e as diferenças econômicas, de distância,
alunos por professor de que trata o § 1º.”(NR) de transporte, de formação de professores, de espaço
Art. 3º Revoga-se o art. 34 da Lei nº 9.394, de 20 físico muitas vezes impedem que os sistemas de en-
de dezembro de 1996. sino garantam uma relação razoável entre o número
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua de alunos e o professor.
publicação. Os entes federativos devem ter autonomia para
definir a relação aluno/professor mais adequada para
PROJETO DE LEI ORIGINAL N° 597, DE 2007
seus sistemas de ensino. Contudo, julgamos essencial
Altera o art. 25 da Lei n° 9.394, de 20 que a lei determine um teto, um número máximo de
de dezembro de 1996, que “Estabelece as alunos por sala de aula, em cada etapa da educação
diretrizes e bases da educação nacional”. básica, para que se estabeleçam as condições míni-
O Congresso Nacional decreta: mas para o sucesso da aprendizagem.
Art. 1° O parágrafo único do art. 25 da Lei n° É impossível pensar em elevar a qualidade da
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que “Estabelece educação brasileira sem levar em conta as condições
as diretrizes e bases da educação nacional”, passa a de aprendizagem dos nossos estudantes. Uma edu-
vigorar com a seguinte redação: cação de qualidade exige uma boa proporção entre o
“Art. 25. ................................................. número de alunos e o professor.
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de Por essa razão, contamos com o valioso e indis-
ensino, à vista das condições disponíveis e das ca- pensável apoio dos nobres pares no sentido de aprovar
racterísticas regionais e locais, estabelecer parâmetro a medida ora proposta.
para atendimento do disposto neste artigo, observado Sala das Sessões, 4 de março de 2007. – Depu-
que o número de alunos por professor, em cada turma, tado Jorginho Maluly.
não ultrapasse:
I – vinte e cinco alunos na educação infantil e nos LEGISLAÇÃO CITADA
quatro anos iniciais do ensino fundamental; ANEXADA PELA SECRETARIA-GERAL DA MESA
II – trinta e cinco alunos nos quatro anos finais do
ensino fundamental e no ensino médio.”(NR) LEI N° 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996
Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação. Vide Adin 3324-7, de 2005
Vide Decreto n° 3.860, de 2001
Justificação
Estabelece as diretrizes e bases da
A Constituição Federal determina, em seu art.
206, inciso VII, que um dos princípios a servir de base educação nacional.
ao ensino é a garantia de padrão de qualidade. ....................................................................................
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56073 

Da Educação Básica passa a ser denominado Rodovia Engenheiro Simão


Gustavo Tamm.
Seção I Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua
Das Disposições Gerais publicação.
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se
em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alter- PROJETO DE LEI ORIGINAL N.° 614, DE 2007
nância regular de períodos de estudos, grupos não Fica denominado “Engenheiro Simão
seriados, com base na idade, na competência e em Gustavo Tamm” o anel rodoviário localizado
outros critérios, ou por forma diversa de organização,
no Município de Barbacena – MG, o qual liga
sempre que o interesse do processo de aprendizagem
assim o recomendar. as rodovias federais BR-040 (BH-RJ) e BR-265
§ 1° A escola poderá reclassificar os alunos, (Barbacena – Rodovia Fernão Dias) construído
inclusive quando se tratar de transferências entre es- pelo DNIT, com apoio da prefeitura local;
tabelecimentos situados no País e no exterior, tendo O Congresso Nacional decreta:
como base as normas curriculares gerais. Art. 1° Fica denominado “Engenheiro Simão Gus-
§ 2° O calendário escolar deverá adequar-se às tavo Tamm” o anel rodoviário localizado no Município
peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, de Barbacena – MG, o qual liga as rodovias federais
a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso BR-040 (BH-RJ) e BR 265 (Barbacena-Rodovia Fer-
reduzir o número de horas letivas previsto nesta lei.
não Dias) construído pelo DNIT com apoio da prefei-
....................................................................................
Art. 25. Será objetivo permanente das autorida- tura local.
des responsáveis alcançar relação adequada entre o Art. 2° Revogam-se as disposições em contrário.
número de alunos e o professor, a carga horária e as Art. 3° Esta lei entra em vigor na data de sua
condições materiais do estabelecimento. publicação.
.................................................................................... Justificação
Seção III Nada mais justo do que homenagear o engenheiro
Do Ensino Fundamental Simão Gustavo Tamm, visto que foi um dos pioneiros
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental das estradas ferroviárias em Minas Gerais, chefiando a
incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo equipe que construiu as linhas férreas de Belo Horizonte
em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o para o norte de Minas Gerais, além de ter construído
período de permanência na escola. obras de arte de interesse ferroviário no sul do país
§ 1° São ressalvados os casos do ensino noturno e na região de Barbacena onde residiu durante anos,
e das formas alternativas de organização autorizadas
tendo ali dirigido a Residência da Estrada de Ferro
nesta lei.
Central do Brasil, hoje Rede Ferroviária Federal.
....................................................................................
§ 2° O ensino fundamental será ministrado pro- Engenheiro de largos conhecimentos técnicos e
gressivamente em tempo integral, a critério dos siste- elevada formação cultural foi dos melhores alunos da
mas de ensino. antiga Escola de Engenharia do Rio de Janeiro onde se
.................................................................................... formou deixando nos seus trabalhos relatórios técnicos
de expressão significativa para o desenvolvimento dos
(À Comissão de Educação, Cultura e
Esporte – decisão terminativa.) transportes em Minas Gerais, sendo que foi um dos pri-
meiros a defender as obras rodoviárias por considerar
PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 231, DE 2009 que num país como o Brasil não apenas as ferrovias
(Nº 614/2007, na Casa de Origem, e o transporte fluvial seriam suficientes, baseando-se
do Deputado Rafael Guerra) em uma estratégia política e de engenharia que se
ajustasse às realidades do país.
Denomina Rodovia Engenheiro Simão Quando do seu falecimento foi objeto de homena-
Gustavo Tamm o anel rodoviário que usa gens póstumas da direção da Estrada de Ferro Central
trecho da BR-265, em torno da cidade de do Brasil e ainda de significativas manifestações de
Barbacena, Estado de Minas Gerais. pesar em todo Estado de Minas Gerais.
O CONGRESSO NACIONAL decreta: Sala das Sessões, 29 de março de 2007. –
Art. 1° O anel rodoviário em torno da cidade de Rafael Guerra, Deputado Federal.
Barbacena, Estado de Minas Gerais, que utiliza o (À Comissão de Educação, Cultura e
trecho da BR-265 até o cruzamento com a BR-040, Esporte – decisão terminativa)
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PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 232, DE 2009 A implantação de uma ouvidoria é um processo que
(Nº 764/2007, na Casa de Origem, exige mudança de cultura organizacional e um constante
do Deputado Geraldo Thadeu) trabalho de conscientização dos servidores nos diversos
níveis da instituição, ela sinaliza que a alta direção/admi-
Institui o Dia Nacional do Ouvidor. nistração comprometeu-se com a transparência adminis-
O Congresso Nacional decreta: trativa, com a eficiência, com a ética e com a participação
Art. 1° Fica instituído o Dia Nacional do Ouvidor, do cidadão, o que põe a instituição na trilha da tendência
a ser comemorado no dia 16 de março de cada ano. mundial de valorização da cidadania, dos direitos huma-
Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua nos e da consolidação da democracia.
publicação. Ouvidor/Ombudsman é um agente facilitador
PROJETO DE LEI ORIGINAL N° 764, DE 2007 nas relações entre o cidadão e a instituição, a ele
cabe a missão de ouvir e promover soluções evi-
Institui o Dia Nacional do Ouvidor: tando conflitos, interpretar as demandas de forma
O Congresso nacional decreta: sistêmica e delas inferir eventuais oportunidades de
Art. 1° Fica instituído o Dia Nacional do Ouvidor, melhoria dos serviços e, em nome desses, sugerir
a ser comemorado no dia 16 de março de cada ano. mudanças. Pelo exposto, conclui-se que seu papel
Art. 2° Esta lei entra em vigor na data de sua institucional é o de zelar pelo direito à manifestação
publicação. do cidadão.
Por essas razões, contamos com o necessário
Justificação apoio dos senhores parlamentares para a aprovação
O Dia do Ouvidor foi criado em 2001, durante da matéria.
o VI Encontro Nacional de Ouvidores/Ombudsman, Sala das Sessões, 18 de abril de 2007. – Depu-
realizado em Recife – Pernambuco e no dia 16 de tado Geraldo Thadeu.
março ocorreu a criação da Associação Brasileira (À Comissão de Educação Cultura e Es-
de Ouvidores – ABO, no ano de 1995, em João Pes- porte – decisão terminativa.)
soa – Paraíba.
O presente projeto de lei objetiva, então, instituir O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
o dia 16 de março como o Dia Nacional dos Ouvidores, A Presidência comunica ao Plenário que, nos termos
em razão dos motivos que se seguem. do art. 91, § 1º, inciso IV, do Regimento Interno, os
A Ouvidoria atua e se relaciona interna e exter- Projetos que acabam de ser lidos serão apreciados
namente com o seu público de maneira a garantir aos terminativamente pela Comissão de Educação, Cul-
cidadãos o suporte necessário na obtenção dos ser- tura e Esporte, onde poderão receber emendas pelo
viços e produtos de qualidade. É um canal constituído prazo de cinco dias úteis, nos termos do art. 122, II, c,
e oferecido à população para receber críticas, suges- da referida Norma Interna.
tões, elogios e também tirar dúvidas, constituindo-se, O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
portanto, um instrumento de excelência para o forta- Sobre a mesa, pareceres que passo a ler.
lecimento da cidadania. São lidos os seguintes:
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56152  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Os ro, assistenciais ou recuperativas na área de defesa
pareceres que acabam de ser lidos vão à publicação. civil e dá outras providências.
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – A matéria ficará perante a Mesa durante cinco
Foi lido anteriormente o Parecer nº 1.901, de 2009, dias úteis a fim de receber emendas, nos termos do
da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, art. 235, II, d, do Regimento Interno.
sobre o Projeto de Lei da Câmara nº 52, de 2008 (nº
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
2.374/2003, na Casa de origem, do Deputado Sandro
Sobre a mesa, ofícios que passo a ler.
Mabel), que dispõe sobre o dever de notificação em
caso de necessidade de ações preventivas, de socor- São lidos os seguintes:
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O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Projetos de Lei do Senado nºs 286, de 2005, e 205,
Com referência aos expedientes lidos, fica aberto o de 2008, sejam apreciados pelo Plenário.
prazo de cinco dias úteis para interposição de recurso, O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
nos termos do art. 91, §§ 3º a 5º, do Regimento Interno, Sobre a mesa, ofícios que passo a ler.
por um décimo da composição da Casa, para que os São lidos os seguintes:
56154  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56155 

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – os Projetos de Lei da Câmara nºs 96, 133 e 151, de
Com referência aos expedientes lidos, fica aberto o 2009, sejam apreciados pelo Plenário.
prazo de cinco dias úteis para interposição de recurso, O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) –
nos termos do art. 91, §§ 3º a 5º, do Regimento Inter- Sobre a mesa, ofício que passo a ler.
no, por um décimo da composição da Casa, para que É lido o seguinte:
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O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – vez, precisarão criar novos empregos para atender ao
Com referência ao expediente lido, fica aberto o prazo acréscimo na demanda.
de cinco dias úteis para interposição de recurso, nos Também é alentador constatar que, na área do
termos do art. 91, §§ 3º a 5º, do Regimento Interno, petróleo e gás, a crise em pouco afetou as obras em
por um décimo da composição da Casa, para que o andamento no Espírito Santo. A quarta fase da Unida-
Projeto de Lei do Senado nº 245, de 2006, seja apre- de de Tratamento de Gás de Cacimbas, em Linhares,
ciado pelo Plenário. está perto da conclusão. A construção da Unidade de
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Os Tratamento de Anchieta não sofreu interrupções e, no
Srs. Senadores Gerson Camata, Inácio Arruda, Renan Litoral Norte, em Barra do Riacho, continua prevista
Calheiros e Pedro Simon enviaram discursos à Mesa, para março de 2010 a inauguração do Terminal de Gás
que serão publicados na forma do disposto no art. 203 Liquefeito de Petróleo.
do Regimento Interno. No setor energético, poucos Estados consegui-
S. Exªs serão atendidos. ram fazer tanto em tão pouco tempo e reverter uma
O SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES. Sem Apa- situação negativa como o Espírito Santo. Até há pou-
nhamento taquigráfico.) – Sr. Presidente, Srªs. e Srs. co, enfrentávamos problemas sérios no fornecimento
Senadores, à medida que se constata que os efeitos de energia, com apagões constantes. Passaremos à
da crise econômica mundial estão se dissipando no condição de exportador, graças à decisão do setor pri-
Brasil, as perspectivas de novos investimentos, antes vado de investir em pequenas centrais hidrelétricas e
descartadas, voltam à pauta das empresas. É o que em usinas termelétricas que, em conjunto, gerarão o
está ocorrendo no Espírito Santo, onde, nos últimos dobro da energia consumida em território capixaba.
2 meses, os projetos anunciados somam 9 bilhões Além disso, a produção de gás natural, nos próxi-
e 800 milhões de reais e representam a geração de mos anos, deve subir de 8 milhões de metros cúbicos
mais de 36 mil empregos. Lidera a lista a construção, diários para 20 milhões, com a entrada em operação
pela Vale, da CSU, Companhia Siderúrgica de Ubu, de blocos de petróleo já descobertos no Estado.
em Anchieta, no Litoral Sul. Ela consumirá 9 bilhões e Entre usinas termelétricas em atividade, em cons-
400 milhões de reais e contribuirá para a interiorização trução e outras ainda em fase de estudos, está previs-
do crescimento, um dos pilares da política econômica ta a geração de 99,5 megawatts pela EDP Escelsa,
do governo do Estado, proporcionando 33 mil novos distribuidora de energia para a maioria dos municípios
postos de trabalho. do Espírito Santo.
Esse valor não inclui outro projeto a ser execu- A empresa também pretende criar um parque eó-
tado também na Região Sul, pela Ferrous Resources, lico, no litoral de Linhares, e deve participar do leilão da
que reúne investidores da Inglaterra, Austrália, Es- energia proveniente dos ventos, marcado para 25 de
tados Unidos e Brasil. A empresa pretende criar um novembro pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
grande complexo minerador, siderúrgico e exportador. Esse parque deve gerar mais de 200 megawatts.
A aplicação inicial de recursos deve ficar em torno de A retomada dos investimentos em território capi-
5 bilhões e 400 milhões de reais. Por enquanto, o mi- xaba mostra que se consolidou no Espírito Santo um
neroduto e o porto de águas profundas têm início de ambiente favorável às inversões produtivas, fortalecen-
obras definido, para o próximo ano. O mineroduto, com do a confiança dos agentes econômicos, mesmo diante
420 quilômetros de extensão, escoará a produção de de um cenário que não era tão favorável. Contribuíram
quatro minas no chamado Quadrilátero Ferrífero de para isso a qualidade das instituições, as potencialida-
Minas Gerais, até o porto, nas imediações da Praia des e a capacidade fiscal do Estado, além do fato de a
das Neves, em Presidente Kennedy. poupança pública ter sido canalizada para investimen-
No Norte do Estado, a WEG deve construir uma tos em infra-estrutura econômica e social.
fábrica de motores em Linhares, a um custo de 186 O SR. INÁCIO ARRUDA (PC do B – CE. Sem
milhões de reais. Outros projetos, de menor porte, na apanhamento taquigráfico.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
área de logística, novos ou de expansão de instalações Senadores, há quase um ano tramita no Congresso
já existentes, na região de Vila Velha e Cariacica, re- brasileiro o Projeto de Decreto Legislativo que aprova
presentam investimentos de 80 milhões de reais, com o texto do Protocolo de Adesão da República Bolivaria-
a geração de 700 empregos. na da Venezuela ao Mercosul, assinado em Caracas,
Essa retomada, como sempre ocorre nesses em 4 de julho de 2006, pelos Presidentes dos Estados
casos, deve dar início a uma reação em cadeia, já Partes do Mercosul e da Venezuela.
que os projetos, para sua execução, necessitam da Estou plenamente convencido de que esta Casa
colaboração de fornecedores locais – e estes, por sua deve aprovar o Tratado que outorgará status de mem-
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56157 

bro pleno do Mercosul à Venezuela. De início, invoco da ordem constitucional no Paraguai em, pelo menos,
o texto constitucional que, no parágrafo único do artigo duas oportunidades. No aspecto educacional, é visí-
4°, dispõe sabiamente que o Brasil buscará a integra- vel o incremento no número de estudantes do idioma
ção econômica, política, social e cultural dos povos da espanhol no Brasil e do português nos demais países
América Latina visando a formação de uma comunida- membros. Os exemplos mostram a relevância do blo-
de latino americana de nações. A criação, consolida- co regional estabelecido entre argentinos, brasileiros,
ção e ampliação do Mercosul é uma resposta efetiva paraguaios e uruguaios.
à elevada diretriz da Carta brasileira. Sr. Presidente, não vejo razão para retardar a
O Mercosul, Sr. Presidente, é um organismo do- adesão de novos membros ao Mercosul. A ampliação,
tado de personalidade jurídica e de ordenamento legal inclusive, está prevista no Artigo 20º do Tratado de As-
próprio. Essa organização internacional foi constituí- sunção que prescreve a adesão, mediante negociação
da com o ideal de permanência; sua continuidade é e após cinco anos de sua vigência, dos demais países-
imprescindível, sobretudo diante da necessidade de membros da ALADI.
solidificar os avanços até aqui verificados e expandir A ampliação do Mercosul representa a possi-
suas fronteiras, a exemplo do que sucede em outros bilidade de firmar uma instituição regional capaz de
blocos regionais. formular suas normas com maior autonomia, elabo-
A integração das nações sul-americanas acom- rar um projeto de cooperação a partir de interesses
panha uma inescapável tendência do mundo atual. e aversões comuns, incorporar múltiplas dimensões
Trata-se de uma iniciativa de alcance estratégico, de ao processo integracionista, ter uma presença ativa
largo e profundo impacto, não de um mero episódio do Estado nacional e uma concepção da região como
conjuntural; estamos frente a uma grave questão de ator internacional de peso.
Estado, não de governo. Propostas de adesão ao Mercosul devem, portan-
A humanidade, nas duas guerras mundiais do to, ser analisadas na perspectiva da contribuição que
século XX, conheceu bem os efeitos da agressividade os países podem oferecer uns aos outros. Não se trata
inerente aos Estados nacionais que não tinham olhos de alianças governamentais transitórias, mas de acor-
para a cooperação entre os povos. A competição de- dos estratégicos entre Estados nacionais. O processo
senfreada instigou o sentimento imperialista e gerou a integracionista está hoje assentado na prevalência de
barbárie. Após a Segunda Guerra, assistimos a inad- regimes democráticos e da economia de mercado. Es-
missível divisão do mundo em dois grandes blocos. ses princípios fundamentais denotam a necessidade
Este esquema ruiu, dando vez a amplas rearticulações de se buscar o equilíbrio entre as dimensões políticas
das relações entre Estados e sociedades nacionais. e econômicas. Privilegiar uma em detrimento da outra,
Agora presenciamos movimentos estruturais da maior não é uma perspectiva construtiva.
significação – a formação de blocos que privilegiam Muitos de nossos parlamentares demonstram
trocas em múltiplas dimensões, com destaque para as uma inquietação superlativa com o atual panorama
que dinamizam as relações comerciais e a adoção de político venezuelano; delineiam o cenário interno de
políticas públicas de efeitos abrangentes. um país fortemente vinculado à personalidade de seu
De fato, não há alternativa promissora para os presidente e com traços de regime que não estaria
povos sul-americanos fora da integração continental. respeitando os dois pilares mencionados.
É o que demonstra, em fase mais recente, a dinâmica Convém recordar, porém, que na Venezuela, até
das relações internacionais. A supressão de certos en- 1989, governadores e prefeitos eram escolhidos dire-
traves econômicos e democráticos impulsiona a apro- tamente pelo Presidente da República. Apenas com a
ximação entre povos e Estados. A questão essencial assunção de Hugo Chávez passou a vigorar um regi-
é saber quais os efeitos da integração para os países me político constitucional democrático que propiciou
envolvidos e, em especial, para os seus nacionais. nada menos que 12 eleições até hoje. Das disputas
Nesse sentido, vale recordar brevemente alguns eleitorais, o atual governo foi derrotado uma única vez,
dados que exemplificam a importância do movimento talvez a mais importante – o plebiscito da Constituição
integracionista na América do Sul. Desde o ponto de da Venezuela. Nesta consulta popular, ocorrida em 2
vista econômico, o comércio do Brasil com a Argenti- de dezembro de 2007, foram convocados mais de 16
na cresceu de 6% para mais de 20%; inversamente, milhões de eleitores. A proposta previa modificações em
a Argentina passou de 3,5% para 11% do nosso co- 69 artigos da Carta Magna. Os cidadãos venezuelanos,
mércio. de modo livre e soberano, rejeitaram todas as altera-
De uma perspectiva política, pode-se dizer que a ções propostas. Um Programa de Acompanhamento
chamada “cláusula democrática” evitou o fracionamento Internacional para assistir ao Plebiscito da Reforma
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Constitucional foi criado para assegurar a legitimida- em virtude de uma pretensa ausência de democracia. O
de dos resultados. À vista do desfecho, o Presidente Mercosul não pode ser construído, conforme já afirma-
Hugo Chávez reconheceu a vitória de seus adversários mos, ao sabor das diatribes inerentes ao jogo político
e os parabenizou. Percebe-se, no episódio, a grande conjuntural. Afinal não se trata de julgar a postura polí-
mudança ocorrida naquele país no campo político em tica de um presidente, mas de consolidar a integração
curtíssimo espaço de tempo. de Estados e sociedades nacionais sul-americanas.
Vale lembrar, ainda, que a Constituição Venezue- Em relação às regras do livre comércio, a Vene-
lana em vigor prevê em seu artigo 72º a realização de zuela é membro da Organização Mundial do Comércio
um “referendo revocatório”, destinado a possibilitar ao (OMC) e seus maiores parceiros comerciais seguem
cidadão a oportunidade de anular o mandato de titular sendo os Estados Unidos. Grandes empresas brasilei-
de cargo público eletivo. Quando acionado, este me- ras como a Odebrechet, Andrade Gutierrez, Gerdau e
canismo paradigmático assegurou legalmente a per- Braskem estão presentes na Venezula gerando contra-
manência do Presidente Chávez. tos da ordem de US$ 15 bilhões. Por óbvio, é interesse
Sr. Presidente, todos esses fatos demonstram do Brasil proteger esses investimentos. Nesse prisma,
claramente que o sistema político venezuelano pre- não há melhor forma de fazê-lo do que mediante a
enche o requisito da democracia. Portanto, não cabe adesão da Venezuela ao Mercosul.
utilizar a “cláusula democrática” como argumento para Compreende-se a ausência de oposição contun-
negar o ingresso da Venezuela no bloco sul-americano. dente de setores empresariais brasileiros ao ingresso
Em nações tidas como democráticas e desenvolvidas, venezuelano. A lógica do mercado é regida por núme-
o tempo médio de permanência de um governante é ros e eles são expressivos. Entre 1999 e 2008, as ex-
razoavelmente longo, como no caso da França (sete portações brasileiras para o mundo cresceram 300%.
anos de mandato do presidente, com direito à reelei- Em relação à Venezuela, elas aumentaram 850%. Esse
ção) ou da Inglaterra (sem restrições ao número de
país, que possui o 3° PIB da América do Sul, representa
anos do primeiro Ministro, vide Margaret Thatcher e
hoje o maior superávit individual da balança comercial
Tony Blair).
brasileira. O saldo em favor do Brasil é da ordem de
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a entrada
US$ 4.6 bilhões. Essa cifra representa mais do que o
da Venezuela no Mercosul é um forte estímulo para
dobro do superávit com os EUA. Hoje, a Venezuela ocu-
que nossos vizinhos persistam trilhando a rota demo-
pa a 6ª posição entre nossos parceiros comerciais. As
crática. Até mesmo os opositores do governo Hugo
relações econômicas com nosso vizinho representam
Chávez constatam que a adesão do país ao Mercosul
milhares de empregos formais no Brasil. Obstar sua
contribui para contornar eventuais fracionamentos da
adesão ao Mercosul seria um contrasenso – significa-
ordem constitucional. No limite, pode-se adotar a ex-
clusão de tal ou qual país do organismo multilateral. A ria operar em contrário aos interesses de empresários
importância da integração para preservar a democra- e trabalhadores brasileiros.
cia tem sido demonstrada, em mais de uma ocasião, Em 2005, o Brasil firmou vinte seis acordos com a
seja pelos mecanismos adotados pela OEA seja pela Venezuela. Está em curso a cooperação nas áreas de
União Européia, de maneira inequívoca. energia, petroquímica, gás, aviação militar, mineração,
O presidente Hugo Chávez vem sendo objeto de agricultura, pesca, comunicação, indústria e comércio,
críticas contundentes devido a suas propostas reformis- ciência e tecnologia, além de empreendimentos conjun-
tas voltadas para a inclusão social, de seus confron- tos entre a Petrobrás e a PDVSA para exploração de
tos com as elites venezuelanas e de sua contestação petróleo na Faixa do Orinoco, da interconexão fluvial
sistemática aos EUA. No entanto, seu governo tem se Orinoco-Amazonas, da interconexão elétrica Macagua
pautado pela estrita observância do ordenamento jurí- II-Boa Vista, da construção da refinaria binacional em
dico venezuelano, conforme os episódios descritos. Em Pernambuco, entre outras.
1998, véspera de sua posse, a pobreza na Venezuela Não teria cabimento prejudicar o espírito coope-
atingia a 50% dos habitantes e a miséria a 20%. Dez rativo que tem pautado nossas relações com a Vene-
anos depois, a pobreza havia diminuido para 20% e zuela, tanto mais considerando a presteza com que
a miséria para 9%. Tais avanços sociais incomodam outros tentam garantir o mercado venezuelano para
sobremaneira as oligarquias políticas que negaram, seus próprios produtos. A China é nossa concorren-
ao longo da história do país vizinho, perspectivas pro- te em bens manufaturados destinados à Venezuela e
missoras à maioria da população. empreende todos os esforços para ampliar sua par-
Em resumo, não deve prosperar qualquer argu- ticipação. Afastar a Venezuela do Mercosul seria de
mento que negue a adesão da Venezuela ao Mercosul grande valia para nossos concorrentes.
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As negociações para a adesão da Venezuela ao como membro pleno poderia levar, não apenas ao iso-
Bloco Regional, ainda que não estejam inteiramente lamento desse país no conjunto sul-americano, mas
definidas as condições para o cumprimento dos com- a uma situação de anomalia no Mercosul. É oportuno
promissos previstos no protocolo, dizem respeito ao destacar que a Venezuela participa do Parlasul desde
Conselho do Mercado Comum. Não constituem, por- sua criação, em maio de 2007, na condição de “mem-
tanto, obstáculo para aprovar o protocolo de adesão bro em processo de adesão”, com cinco parlamentares
nos legislativos dos países membros. Os parlamentos “temporários” e sem direito a voto.
da Argentina e do Uruguai aprovaram as respectivas O Senado Federal não pode se furtar a suas obri-
Mensagens Presidenciais derivadas do Protocolo. No gações. Não temos o direito de subestimar a importân-
Brasil, nem a Constituição nem o regimento do Sena- cia do Mercosul para nosso país, tampouco o papel
do exigem o detalhamento prévio de direitos e deveres que sua ampliação há de ter para futuras gerações de
para a aprovação de acordos de comércio internacional. brasileiros. Estamos diante de imperativo constitucio-
Ademais, o governo da Venezuela ao assinar o Pro- nal; de salvaguarda de interesses nacionais; da pos-
tocolo de Adesão ao Mercosul aceitou cumprir todas sibilidade de consolidação, em patamar mais sólido,
as suas cláusulas. do bloco que se forjou no romper dos anos noventa
Do ponto de vista geopolítico, temos com a Ve- do século passado.
nezuela faixa de fronteira expressiva e interesses de Somos desafiados por um projeto de grande
defesa assemelhados. Compartilhamos problemas so- alcance estratégico e por um processo inédito de co-
ciais e possuímos economias complementares. Asse- operação entre países geográfica e culturalmente
guraremos, com a integração, matriz energética ímpar aproximados. Após quase dois séculos das guerras de
no mundo. Seremos parceiros do detentor da 6ª maior independência, nações de portes variados, assumin-
reserva de petróleo comprovada do planeta e da 9ª de do propósitos comuns, outorgam-se o direito de traçar
gás. Como perder oportunidade igual a esta? Ficare- seus próprios rumos, abrem novas perspectivas de
mos ainda mais próximos da América Central e do desenvolvimento e buscam assegurar reconhecimento
Caribe. Teremos maiores condições de, junto com os internacional e soberania. Portanto votemos, Srs. Se-
quatro membros fundadores do Mercosul, fortalecer a nadores, pela aprovação do projeto de adesão da Ve-
democracia na região e nossas respectivas economias. nezuela ao Mercosul, confiantes de estarmos trilhando
O ingresso da Venezuela representa forte estímulo ao o caminho que respeita a vontade de integração dos
desenvolvimento das nações sul-americanas, sendo povos e Estados Sul Americanos.
sua principal contribuição o reforço de um mercado Era o que eu tinha a dizer.
comum com trocas de bens e serviços mais intensas Muito obrigado.
e justas entre os países. Este é o caminho para a re- O SR. RENAN CALHEIROS (PMDB – AL. Sem
dução das desigualdades sociais e para a ampliação apanhamento taquigráfico.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
do bem-estar de nossas populações. Senadores, é com muita satisfação que comunico, aqui
Cabe destacar ainda, Sr. Presidente, que a ade- neste Plenário, que participei ontem, em Arapiraca,
são da Venezuela ao Mercosul propiciará inúmeros da assinatura da ordem de serviço para a construção
benefícios para o Brasil, em particular para as regiões de mais um Instituto Federal de Educação, Ciência e
Norte e Nordeste. Iniciativas de integração energética, Tecnologia de Alagoas, o antigo CEFET.
de infraestrutura produtiva e ambiental estão em curso, Essa foi a primeira assinatura, de uma série de
como a construção das linhas de transmissão elétrica outras 7 que irão ocorrer em Alagoas – Além de Arapi-
em Roraima e da refinaria Abreu e Lima em Pernam- raca, mencionamos Murici, Piranhas, Santana do Ipa-
buco. O ingresso da Venezuela, ao dinamizar os fluxos nema, Penedo, São Miguel dos Campos e Maceió.
econômicos com a porção setentrional da América do Assim, no dia 09 próximo, senhoras senadoras,
Sul, hoje concentrados no Cone Sul, possibilitará um senhores senadores, iremos participar da assinatura da
maior equilíbrio entre as regiões brasileiras. ordem de serviço para a construção do Instituto Federal
Existem, pois, motivos de sobra para aprovar o de Educação, Ciência e Tecnologia, em Murici.
Protocolo. A adesão da Venezuela ao Mercosul reves- Hoje, Alagoas conta com 4 escolas profissiona-
te-se de importância estratégica para a consolidação lizantes, em Maceió, Marechal Deodoro, Palmeira dos
do bloco regional, a aceleração do desenvolvimento Índios e Satuba.
econômico-social dos países membros e a projeção Com as novas instalações em andamento, que
internacional do subcontinente num mundo multipolar. são 7, passaremos a ter, portanto, 11 Institutos Fe-
Constitui etapa decisiva para firmar uma cooperação derais de Educação, Ciência e Tecnologia, no Estado
regional abrangente e inovadora. Rejeitar sua inclusão de Alagoas.
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Apenas ilustrar, o Campus de Arapiraca, com os possamos ter mais e mais pessoas preparadas para
novos cursos técnicos que serão implantados, benefi- o mercado de trabalho.
ciará diretamente mais de 1.500 alunos no município O Ministro Fernando Hadad é outro entusiasta
e nas regiões vizinhas. dessa interiorização, e tem se mostrado muito recep-
Casa Instituto, além disso, conta com, no mínimo, tivo às demandas que temos levado ao Ministério da
60 professores e 60 servidores administrativos. Educação sobre o ensino profissionalizante de Ala-
A interiorização do ensino profissionalizante é um goas e a implantação de novos “campi” universitários
dos principais fatores de desenvolvimento econômico no nosso Estado.
e social dos nossos municípios. Estive ainda, senhoras senadoras, senhores sena-
A formação técnica de excelência, a cargo do
dores, visitando os municípios de União dos Palmares
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
e São Miguel dos Campos, para que possamos iden-
de Alagoas criará uma oferta concreta de mão de obra
tificar as necessidades dessas localidades e orientar
qualificada para atender os novos desafios de cresci-
a nossa atuação parlamentar no Senado.
mento de Alagoas e do Brasil.
Com isso, os municípios do interior de Alagoas Continuarei, portanto, trabalhando para que Ala-
já se habilitam, senhor Presidente, para atrair novos goas receba esses investimentos tão necessários para
investimentos, atrair novas empresas, porque estamos, que possamos enfrentar os desafios do desenvolvi-
verdadeiramente, ampliando as condições educacionais mento econômico e da melhoria das condições sociais
e técnicas do nosso povo, para responder às exigên- do nosso povo.
cias do mercado, cada vez mais competitivo. Muito obrigado!
Agradeço, portanto, ao Presidente Lula, que vem O SR. PEDRO SIMON (PMDB – RS. Sem apa-
se dedicando muito, muito mesmo, à interiorização nhamento taquigráfico.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs.
do ensino profissionalizante, na perspectiva de que Senadores,
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O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – presença dos Senadores HERÁCLITO FORTES (DEM
Nada mais havendo a tratar, vou encerrar esta sessão, – PI) – Presidente, INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
de 29 de outubro de 2009, quinta-feira, do Senado Relator, João Pedro (PT – AM), Jefferson Praia (PDT
Federal. É a terceira Sessão Legislativa Ordinária da – AM), e Alvaro dias (PSDB – PR), na oportunidade
53ª Legislatura. foram realizadas as oitivas da Senhora Nair Queiroz
Esta sessão foi iniciada às 14 horas. Blair – representante da ONG ANGRHAMAZONICA e
Senador Arthur Virgílio, só para dar um número do Senhor Fabio Rodrigues Rolim – Instituto Brasileiro
e mostrar que um quadro vale mais do que dez pala- de Desenvolvimento Social – IBDS, realizado nos ter-
vras, esta é a 535ª sessão que eu presido no Senado mos do HC Nº 89756, concedido pela Ministra Cármem
da República do Brasil. Lúcia do Supremo Tribunal Federal. Os Senhores Luiz
O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC – PI) – Alceste Del Cistia Thonon e Nelson Antonio Pereira
Está encerrada a sessão. Camacho do Instituto UNIEMP; e Cleônidas de Sousa
Gomes da MI Management apresentaram justificação
(Levanta-se a sessão às 19 horas e 11
para suas ausências e se colocaram à disposição para
minutos.)
comparecerem em uma nova ocasião.
SENADO FEDERAL SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
– Havendo número regimental declaro aberta a 26ª
SUBSECRETARIA DE APOIO ÀS reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito criada
COMISSÕES ESPECIAIS E PARLAMENTARES pelo Requerimento 201/07, editada pelo Requerimento
DE INQUÉRITO 217/07, Requerimento 1324/07, lido em 08/11/07 com-
posto de 11 Senadores titulares e sete suplentes, desde
COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO, CRIA- o início a apurar no prazo de 180 dias a liberação pelo
DA PELO REQUERIMENTO Nº 201, de 2007, ADI- Governo Federal de recursos públicos para organiza-
TADO PELOS REQUERIMENTOS Nºs 217 E 1.324, ções não-governamentais, ONGs, e para organizações
DE 2007, 515 E 1.391, DE 2008, COMPOSTA DE 11 de sociedade civil de interesse público, OSCIP, bem
SENADORES TITULARES E 7 SUPLENTES, DES- como a utilização por essas entidades desses recur-
TINADA A APURAR NO PRAZO DE SESSENTA sos e de outros por elas recebidos do exterior a partir
DIAS, A LIBERAÇÃO, PELO GOVERNO FEDERAL, do ano de 99 até a data de 8 de novembro de 2007.
DE RECURSOS PÚBLICOS PARA ORGANIZAÇÕES A ata da reunião passada encontra-se sobre a Mesa.
NÃO GOVERNAMENTAIS – ONGs – E PARA ORGA- Coloco-a em votação propondo a dispensa da sua lei-
NIZAÇÕES DE SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE tura. Srs. Senadores que aprovam permaneçam como
PÚBLICO – OSCIPs –, BEM COMO A UTILIZAÇÃO se encontram. Aprovado. A pauta de hoje. Nós temos
POR ESSAS ENTIDADES, DESSES RECURSOS E as seguintes oitivas. Luiz Alceste Del Cistia Thonon e
DE OUTROS POR ELAS RECEBIDOS DO EXTE- Nelson Antônio Pereira Camacho, da UNIEMP, apre-
RIOR, A PARTIR DO ANO DE 1999 ATÉ 8 DE NO- sentam petição solicitando o adiamento que passo a
VEMBRO DE 2007. ler. O instituto UNIEMP já qualificado nos autos dos
procedimentos em epígrafe vem muito respeitosamente
ATA DA 26ª REUNIÃO expor e requer o que se sucede. O Diretor do instituto,
Ata Circunstanciada da 26ª Reunião, realizada em Sr. Luis e Nelson Antônio Pereira Camacho foram con-
22 de abril de 2009, às dezesseis horas e vinte e um vocados para prestar esclarecimentos no próximo dia
minutos na Sala nº 6 da Ala Senador Nilo Coelho, com a 22/04/09, às 14h30. Receberam a convocação ontem,
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dia 14. Insta destacar, Excelência, que em razão do ele as prerrogativas previstas na lei 8906/94; o direi-
feriado que ocorrerá na próxima semana para proceder to de exercer o seu direito ao silêncio garantindo-se
os preparativos para a viagem o que muita dificulda- contra a auto incriminação, artigo 5º, inciso... 63.;e
de para estarem presentes na data agendada. Como excluída a possibilidade de ser submetida a qualquer
se não bastasse Pereira Camacho de férias. Assim, e medida prisão preventiva de liberdade ou restritiva aos
também em razão do curto espaço de tempo que dis- direitos em razão do exercício prerrogativas proces-
põe desde a intimação que foi feita ontem, dia 16, não suais. Acompanha esse ofício cópia da inicial e dos
conseguiu adiar a viagem para outro Estado da fede- documentos da fl. 8/109 extraído do processo referido.
ração. Bom, vamos simplificar para não tomar tempo Ademais, solicito-lhe informações sobre o alegado na
dos senhores. Por tudo isso, o instituto protesta pela petição cuja cópia segue anexo. Apresento estimas de
re designação do depoimento para os senhores Luis consideração, Ministro Celso de Mello. Solicito a pre-
Alceste Thonon e Nelson Antônio Pereira Camacho sença do Sr. Fábio Rodrigues Rolim a este Plenário,
para data futura a ser decidido por essa douta Comis- como também da Sra. Nair Queiroz Blair, da Angra
são, no que respeita o intervalo de no mínimo 20 dias. Amazônica.
Nesses termos, pede deferimento o instituto UNIEMP. SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr.
Solicito à Mesa que tome as providências no sentido Presidente, enquanto os os depoentes chegam, eu
de reconvocá-los, atendendo a solicitação do prazo. gostaria apenas de registrar a minha inconformidade,
Cleonides de Sousa Gomes, da Management, apre- que é reiterada, os depoentes comparecem ao Supremo
senta petição no mesmo sentido. A requerente atendeu Tribunal Federal na busca de habeas corpus para algo
por duas vezes convocação formulada por essa CPI que a Legislação vigente já garante. A Constituição,
tendo comparecido pessoalmente à sala de sessões enfim. Eu não entendo porque esse procedimento dos
sem que seu depoimento fosse colhido por motivo de depoentes. Isso evidentemente passa a idéia de um
cancelamento da sessão, sendo que da primeira vez receio inusitado. Fica a impressão de que o depoente
que aí esteve encaminhou memorial descrevendo sua ao valer-se do habeas corpus ele está se protegendo
participação e da sociedade que preside quanto aos de algo muito grave. Ele teria algo da maior gravidade
fatos apuração que foi entregue ao Senador Raimundo para dizer e pretende não dizê-lo. Essa é a impressão
Colombo, então Presidente da CPI. Na data de hoje, que fica. Portanto, eu gostaria apenas de registrar com
dia 24 de 2009 o ora requerente tomou conhecimento esse comentário a minha inconformidade com essa
de mais uma convocação feita por esta CPI para com- postura de depoentes. Não é um caso isolado, são
parecer à sala da sessão para prestar depoimento no muitos que agem dessa forma, que buscam através
dia 22. A diferença é de apenas dois dias. Ocorre que do habeas corpus a possibilidade do silêncio, e eu re-
a ora requerente teve agendado para o mesmo dia pito que não há porque fazer isso, já que a Legislação
um compromisso profissional inadiável em Belo Ho- garante a qualquer depoente o direito de... Garante ao
rizonte. Ok. Como a ora requerente está impedida de depoente a condição de não se auto-incriminar. Então,
comparecer à convocação feita por motivos profissio- não há razão para isso. Eu... A minha conclusão é essa,
nais, colocar à disposição para prestar toda e qualquer que quando se busca esse expediente pretende-se
informação acerca dos fatos em apuração, seja com esconder algo da maior gravidade. É isso, a meu ver,
documentos que possam enriquecer as elucidações ou fica implícito, Sr. Presidente.
pessoalmente para prestar depoimento em outra data SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
oportuna que seja designada. Aproveito a oportunidade O Requerimento de convocação é de autoria do SE-
para se colocar à disposição dessa CPI. Cleonides de NADOR ALVARO DIAS, a quem... Indago, primeiro,
Sousa Gomes. Solicito à Mesa as mesmas providên- se o nosso relator tem algo a...
cias. Fábio Rodrigues Rolim, IBDS. Foi-lhe concedido SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
habeas corpus nº. 98756 do Supremo Tribunal Federal Sr. Presidente.
que passo a ler. Sr. Presidente, comunico a V. Exª que SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
nos termos da decisão cuja cópia segue anexa Minis- – Pois não.
tra Carmem Lúcia, relatora, deferiu a liminar requerida SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE)
para assegurar ao paciente ao ser inquirido perante – Senhoras e Srs. Senadores. Eu considero sempre
a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a agravante o fato de você, numa situação como essa,
liberação de recursos públicos pelo Governo Federal encontrar dificuldades. De tal sorte que precise da
para organizações não-governamentais, ONGs, e OS- proteção do Supremo Tribunal Federal. Mas é fato
CIPs, o direito de ser assistido e comunicar-se com o que V.Exª, Senador Alvaro Dias, acaba de relatar, é
seu Advogado durante a sua inquirição, garantindo a fato corriqueiro. Nós temos assistido seguidas vezes
56166  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

o Supremo Tribunal Federal dar garantias de que as Brasília, em horário comercial, com telefone fixo, equi-
pessoas se protejam com o habeas corpus trazido às pe, quadros, instalações, equipamentos e atividades
mãos aqui para a CPI. Mas nós não podemos, evi- absolutamente regulares e desenvolveu ao longo do
dentemente, prejulgar. Mesmo que a pessoa queira período que atuou projetos extremamente interessan-
se proteger de algo mais grave, nós não temos como tes. Então, o meu entendimento é que o relatório da
prejulgar. Mas fica essa suspeita no ar, já de antemão. CPI comete um equívoco, primeiro ao colocar o IBDS
Eu gostaria de ter algumas opiniões do depoente, que como entidade de fachada. Da mesma forma nego
faz parte do esforço nosso aqui de encontrar caminhos que em qualquer momento o IBDS tenha sido utilizado
que possibilitem o uso adequado dos recursos públicos sob qualquer forma de pagamento de propina ou para
em convênios com organizações não-governamentais, qualquer forma de negócio escuso que não tenha sido
que aos nossos olhos, foi, é e pode ser ainda instru- legítimo em suas áreas de atuação. Ou seja, atuou
mento importante para a ação do Poder Público no corretamente e dentro dessa linha atuou baseado nas
nosso país. Eu lembro aqui os depoimentos da bong. minhas premissas. Eu sempre fui profissional reconhe-
Eles não querem, da Associação Brasileira de ONGs, cido pela minha formação acadêmica, pela capacidade
nenhuma proteção. Nenhuma. Eles querem que seja de trabalho e pela seriedade na condução de minhas
transparente, que seja rígido, que tenha controle, porque atividades profissionais e nos projetos nos quais eu
eles querem respeitar o dinheiro que é do contribuin- me engajei. Então, em nome da instituição e como
te. Então, é nesse sentido que eu gostaria de fazer ao gestor dela à época, não concordo com as afirmações
nosso depoente uma... Duas ou três indagações, cada da CPI dos bingos onde fui acusado, na verdade não
uma vai dependendo da resposta. A primeira é que o a instituição, de ter sido usada como instrumento de
depoente deve lembrar bem, tivemos várias acusações pagamento de propina.
que foram dirigidas ao IBDS numa CPI anterior que SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
foi a CPI dos bingos. E aquela CPI ela, ao examinar a Mas a CPI pediu o indiciamento de V.Sª, diretamente.
atuação do IBDS, destacou que a entidade servia como Não apenas a instituição. Por lavagem de dinheiro e
instrumento de pagamento de propina e sonegação por crime contra a ordem tributária.
de impostos. Ela era uma espécie de atravessadora FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Sim. O indicia-
entre vários organismos do Poder Público com outras mento realmente foi solicitado, está no relatório final
instituições que repassava ao IBDS e o IBDS então da CPI dos bingos, o que já é objeto de inquérito que
servia de instrumento de pagamento de propina, de tramita junto à Polícia Federal.
sonegação de impostos. Esse relatório serviu de base SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
para instauração de instrução de processos no Minis- Nós precisamos aqui na nossa CPI porque aqui há
tério Público. Então, gostaria de saber de V.S.ª qual é uma inter-relação. Lá era a CPI dos bingos, mas a
a opinião de V.Sª, o que V.Sª tem a dizer a respeito instituição dirigida por V.Sª apareceu lá. Aqui é a CPI
dessas decisões que já foram fruto de um relatório de das ONGs. Então, não há como deixar de fazer essa
uma CPI do Senado Federal, que resultou esse mate- ligação. O IBDS ele tinha uma relação, então, com a
rial todo que foi enviado ao Ministério Público, resultou GTECH. Essa relação ela é o quê? O IBDS agia como
em instruções que o Ministério Público também exami- intermediário das operações... Qual era o propósito
nou. Então, gostaria de saber o que V.Sª tem a dizer a dessa intermediação? O que o IBDS foi fazer ali? Por
respeito dessa afirmativa da CPI de que a instituição que a GTECH não atuava diretamente nos contratos da
dirigida por V.Sª tinha o papel de pagadora de propina Caixa Econômica? Por que ela precisou do IBDS?
e sonegação de impostos. FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Bom, eu gostaria
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Primeiro gostaria de pedir desculpas sincera aos membros dessa CPI,
de cumprimentar o Presidente dessa Comissão Parla- mas uma vez que tal fato ou tais fatos já são objeto
mentar de Inquérito, Exmº. Senador Heráclito Fortes de um inquérito que tramita no âmbito da Polícia Fe-
e também o Sr. Relator, excelentíssimo Sr. Senador deral e dos órgãos competentes, eu gostaria de não
Inácio Arruda. Bom, boa tarde a todos os presentes. responder a pergunta.
O relatório da CPI, eu gostaria... Dos bingos, que nos SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
referimos, em um detalhe gostaria de prestar alguns – Diante dessa resposta e já sabendo que será roti-
esclarecimentos. De certa forma aventou a possibilida- na, eu quero comunicar aos companheiros que estou
de de que o IBDS, o Instituto Brasileiro de Desenvolvi- encaminhando para aprovação na próxima sessão da
mento Social, que era a entidade a qual eu dirigia, era quebra do sigilo bancário do depoente e do IBDS. Estou
uma entidade de fachada. O IBDS era uma instituição comunicando porque nós vamos depender de número
regularmente registrada, que funcionava na cidade de regimental, mas tendo em vista o que disse há poucos
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56167 

minutos o relator e nós estarmos vendo que esse é um nador Jefferson Praia para assumir a Presidência só
subterfúgio usado com amparo legal para nada escla- enquanto eu assino um ato da Mesa do gabinete da
recer à Comissão, nós mudamos o nosso procedimento Presidência, voltando para cá em seguida.
com relação à vinda do Dr. Fábio aqui, pensamos que [Troca da Presidência]
fosse apenas uma vinda de rotina, e vamos transfor-
mar, pedindo a compreensão dos companheiros, uma SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT – AM) –
solicitação de quebra de sigilo bancário, fiscal e tele- Pode continuar, Senador.
fônico da empresa e pessoal do depoente. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE)
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – – Sr. Presidente Jefferson Praia, continuando aqui a
Sr. Presidente, mas eu gostaria de continuar, se V.Exª nossa oitiva. O IBDS tem um contrato com o IPHAN. É
me permitir. um contrato de 2005. Relativamente ele é mais novo,
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) mais próximo. O senhor podia nos informar a situação
– Pois não, claro. deste contrato, para produzir um livro, publicado pelo
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) Ministério da Cultura.
– Sobre o convênio da Fundação Palmares com o FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Com o IPHAN
IBDS. O senhor poderia informar a situação desse foram desenvolvidos dois trabalhos. Inventário do pa-
convênio, se... trimônio imaterial relativo às feiras do Distrito Federal,
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – O IBDS executou um trabalho que nos orgulhou bastante. Quando se fala
dois convênios com a fundação cultural palmares. em tombamento, estamos falando de monumentos,
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – prédios, obras físicas. O IPHAN desenvolveu uma me-
Qual a situação desses convênios? todologia muito interessante de proteção do patrimônio
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Um minuto. Forma- imaterial. Um exemplo, as panelas de barro no Espírito
ção do centro nacional de informação e referência da Santo, enfim. Bumba-meu-boi. Nesse sentido o IBDS
cultura negra e promovendo a cidadania afro brasileira trabalhou aplicando essa metodologia na documen-
e sua cultura. Ambos os convênios foram executados tação e na proteção do trabalho que geraria proteção
em perfeita conformidade com o plano de trabalho. Os do patrimônio das feiras do DF. Também trabalhou na
recursos foram adequadamente alocados e as pres- elaboração de um CD-ROM sobre as bacias do lago do
tações de contas foram aprovadas. Paranoá. Que me lembre, são esses dois objetos.
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
– Foram aprovadas no Tribunal de Contas, já foram O senhor podia nos descrever a relação da entidade
examinadas?
IBDS com a Fundação Banco do Brasil?
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – O meu conhe-
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Perfeitamente. O
cimento é que eu recebi uma carta de aprovação na
IBDS foi sub contratado para fazer um... Para desen-
época.
volver um estudo de viabilidade econômico-financeira
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Em
em relação ao projeto com seringueiros da Amazônia.
2004 o IBDS celebrou contrato de 27500 reais com a
O projeto se chama Tec bor, era um projeto desenvol-
Agência Nacional de Energia Elétrica, referente a um
curso de redação técnica e oficial com gramática apli- vimento no berço, no seio da Universidade de Brasília,
cada para os seus colaboradores. Dada a finalidade e era um projeto piloto que tinha planos de expansão
do IBDS, prevista no seu estatuto social, um objeto de em escala comercial. E a Fundação Banco do Brasil
contrato como este poderia ser realizado pela entida- tinha interesse num diagnóstico da viabilidade da ex-
de, o senhor considera? pansão desse projeto em escala industrial.
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Perfeitamente. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – A
Dentre os objetivos da instituição a disseminação da atuação então do IBDS é uma atuação ampla, diga-
informação e o conhecimento como forma de desen- mos assim, o estatuto social ele é muito abrangente.
volvimento da sociedade. O IBDS sempre se propôs a Porque as várias atividades dão conta de uma movi-
desenvolver programas de treinamento e toda e qual- mentação muito ampla do IBDS. O senhor considera
quer iniciativa que tivesse o objeto de transmissão de assim? Quer dizer, o IBDS na verdade ele pode... Ele
conhecimento. sai de contratos na área cultural, ele vai para contratos
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – na área da fundação Banco do Brasil... Quer dizer, ele
Sobre o contrato com-- tem uma movimentação que eu percebo assim muito
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) ampla. É assim que o estatuto ele permite toda essa
– Relator, queria pedir permissão, vou pedir ao Se- natureza de convênios?
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FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Exmº. Senador, SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – São
eu entendo disseminação do conhecimento realmente 10 pessoas?
como objeto muito amplo e que permeia diversas áre- FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não. 10 estações
as da sociedade, principalmente hoje em dia onde a de trabalho e nós atuávamos em rede.
sociedade da informação se encontra em praticamente SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu
todas as áreas de atividade da sociedade e dos seg- não entendi. Atuavam como? Não percebi.
mentos econômicos do país. FÁBIO RODRIGUES ROLIM – A estação de tra-
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – balho, enfim, um escritório móvel, da mesma forma que
Sr. Presidente, eu gostaria de encerrar aqui a minha as instituições de grande porte e mesmo eu atuando
primeira participação para permitir que os Srs. Sena- como Economista no Banco Mundial não tinha uma
dores possam... Demais Srs. Senadores possam se sala fixa. Você aloca, você carrega seu notebook, você
manifestar sem prejuízo de, se necessário, voltarmos aloca sua instalação um dia num determinado projeto,
a inquirir o depoente. ordem em outro setor. Então, nós tínhamos 10 estações
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu de trabalho que eram móveis e não eram locadas exa-
peço a palavra, Sr. Presidente. tamente a ninguém. 10 estações de trabalho.
SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) – SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Es-
V.Exª tem a palavra, Senador Alvaro Dias. sas 10 estações de trabalho se constituem em 10
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sr. laptops?
Presidente, Sr. Relator, Sr. Depoente. O relator da FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não. 10 estações
CPI já fez referência à razão desta convocação. A de trabalho são 10 docas para laptops. Onde, enfim,
CPI dos Bingos aponta no seu relatório, na página 75 uma Mesa de trabalho, como, enfim, qualquer institui-
do relatório, sobre a situação do IBDS, afirma a CPI ção hoje em dia moderna trabalha com--
dos bingos – Pela análise parcial do sigilo bancário SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
da ONG, identifica-se que além de ser utilizada como Vocês tinham um quadro de pessoal fixo?
instrumento de pagamento de propina, ela também foi SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Fun-
utilizada para sonegação de impostos. E conclui – No cionários registrados?
caso da GTECH essa sonegação está claro, tendo FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não. Não tínha-
em vista o objeto do serviço prestado conforme notas mos.
fiscais emitidas. Nos demais casos faz-se necessário SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
uma investigação mais aprofundada. Exatamente esta Para cada projeto, então, você contratava...
razão é que motivou a convocação do senhor a esta FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Alocava os recur-
CPI. Eu indagaria... Quando o IBDS foi criado? sos que eram necessários.
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Senador, se não SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE)
me falha a memória, final de 2001, início de 2002. Se – Eram contratos que geravam aquelas obrigações
não me falha a memória. todas...
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não. Muitas vezes
quantos empregados trabalham para o IBDS? utilizando de estágio, dando oportunidade à formação
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – A instituição dispu- de novos profissionais, ou terceirizando o serviço.
nha de uma rede... Na verdade as ONGs trabalham em SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não
rede. O conceito do terceiro setor pre meia basicamen- havia então um quadro de funcionários.
te o conceito de integração de diversas competências FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Terceirizando o
que não se encontra numa instituição só. Na verdade, serviço e contratando consultores, enfim, como pres-
conheci o terceiro setor quando como Economista por tação de serviço.
técnico do Banco Mundial trabalhei em diversas ações SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Era
de desenvolvimento e me encantei pelo terceiro setor o senhor, então, representando o IBDS. Só. Mais nin-
justamente por essa flexibilidade e leveza, que é a guém.
grande força do terceiro setor internacionalmente. O FÁBIO RODRIGUES ROLIM – É, trabalhava com
número de empregados, neste caso, não demonstra a alguns colaboradores, que trabalhavam junto comigo,
capacidade de uma instituição de alocar recursos ou mas sem relações formais.
desenvolver suas atividades. O escritório era situado SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É com-
na QI 17 do Lago Sul, em três salas, onde nós tínha- plicado isso, né? Fica difícil de entender como pode
mos 10 estações de trabalho. Mas o IBDS sempre uma organização dessa natureza, com essa estrutura
trabalhou em rede. ambulante, uma estrutura fantasma eu diria, difícil de
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ser descoberta. Fica difícil de realmente investigar algo Neste caso, especialmente, o silêncio diz muito. Fica
dessa natureza. Em que ano o IBDS firmou o primeiro difícil de entender que o IBDS tenha se constituído
contrato com a GTECH? para advogar. E com esse quadro de advogados, por-
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Exmº. Senador, que como vimos, não há Recursos Humanos dessa
conforme eu me manifestei anteriormente, peço des- instituição a não ser o próprio responsável por ela. E
culpas, mas o assunto GTECH eu prefiro me reservar segundo ele, mais 10 laptops por aí. Eu fui constata-
ao silêncio. do pela quebra de sigilo bancário do IBDS que dois
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Nem dias após o depósito da GTECH o senhor sacou em
o ano em que celebrou o contrato com a GTECH? dinheiro 340 mil reais. Isso está constatado pela que-
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Da mesma forma, bra do sigilo bancário. É possível confirmar isso ou o
repito, sobre o assunto GTECH prefiro me reservar silêncio é a resposta?
ao silêncio. FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Em relação aos
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu vou assuntos pertinentes à GTECH eu me reservo ao di-
fazer as perguntas porque eu entendo que uma CPI reito de silêncio.
se instala para indagar, para investigar... Senão não SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Entre
há razão de se instalar uma CPI. E eu lamento que se 2002 e 2006 o IBDS movimentou mais de dois milhões
utilize desse expediente para fugir à responsabilidade de reais, pagos por diversas fontes. A principal fonte
de responder-me. Qual o valor desse contrato? pagadora foi a Caixa Econômica Federal. Excluindo a
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Da mesma forma, GTECH, já que esse nome está proibido, como V.Sª
reservo o direito de permanecer em silêncio. explica o recebimento desses valores, dois milhões de
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É, eu reais, especialmente da Caixa Econômica Federal?
imagino a dificuldade de se informar o valor em razão FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Da Caixa Econô-
da estrutura desse instituto. Com essa estrutura mo- mica Federal os valores não chegaram nem perto de
numental, gigantesca, porque de uma única pessoa... dois milhões de reais.
O seu Presidente, fica difícil justificar o recebimento SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Não
de valores expressivos. E é possível responder qual o só da caixa, mas especialmente da caixa. Então, V.Sª
objeto desse contrato, qual a razão desse contrato? poderia dizer quais as outras fontes além da caixa?
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Com todo res- FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Os trabalhos do
peito ao Exmº. Senador, eu me reservo ao direito de IBDS, a maioria já foram apontados no decorrer desse
permanecer em silêncio. depoimento, e da Caixa Econômica especificamente
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O foram alguns contratos que eu listo a seguir. Foi feito
IBDS trabalhava com Advocacia? Trabalha ou traba- um módulo de ensino a distância, curso de segurança
lhava com Advocacia? e riscos aos servidores da caixa, não tenho certeza
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – O objeto do IBDS se o nome do projeto é exatamente esse, mas esse
sempre foi a disseminação do conhecimento, da mesma é o objeto.
forma que eu já respondi, e considero esse um objeto SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quan-
bastante amplo. to custou esse de ensino à distância?
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não me lembro.
chega o IBDS nessa amplitude dos seus objetivos a Exatamente os valores eu não trouxe listados, mas
prestar serviços de Advocacia? posso encaminhar à CPI em oportunidade posterior.
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Com relação à SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Seria
pergunta prefiro me reservar ao silêncio novamente. interessante que encaminhasse os valores.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Bem, FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Também um curso
as notas fiscais emitidas pelo IBDS para a GTECH de ensino à distância para a universidade corporativa
diziam respeito ao pagamento relativo a honorários da caixa, módulos 1 e 2 do programa de avaliador de
advocatícios. Portanto, o IBDS recebeu da GTECH penhor, e também--
para prestar serviços advocatícios. V.Sª confirma ou SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sem
fica em silêncio? valores também? Sem valores?
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Com relação aos FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Na ordem de du-
assuntos envolvendo a GTECH, me reservo ao silên- zentos... Duzentos e poucos mil reais. Não me lembro.
cio. Eu encaminho todos os valores precisamente a essa
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O si- Comissão assim que tomar... Resgatar meus arquivos,
lêncio muitas vezes diz mais do que muitas palavras. posso encaminhar sem dúvida alguma. Ensino à dis-
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tância, identidade e certificação digital, e foi feita uma SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas
cartilha impressa do 5º módulo do programa adoles- em 2007 o senhor recebeu, em 2007?
cente aprendiz, com material complementar digital so- FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não que eu me
bre o tema trabalho. Foram os trabalhos desenvolvidos lembre.
para a Caixa Econômica Federal. SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Por eu tenho... A menos que exista um homônimo. O se-
que essa preferência da Caixa Econômica, essa esco- nhor recebeu cinco mil reais da Universidade de Bra-
lha do IBDS para essa prestação de serviço? sília em 2007.
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – O IBDS não tinha FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Senador, preciso
preferência pra trabalhar com nenhuma instituição. Sem- averiguar. Não tenho conhecimento.
pre trabalhou com instituições de renome e o IBDS não SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – 2007
escolheu a caixa. A caixa escolheu o IBDS. não faz tanto tempo assim para não lembrar de nenhum
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exa- recebimento. Cinco mil reais... É claro que para alguns
tamente. Isso que eu perguntei. Por que a caixa esco- é insignificante, mas não é tão insignificante a...
lheu o IBDS? O senhor tem algum amigo na Caixa, há SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
alguma relação que permite essa influência... Foi feita Para um Senador ainda está valendo alguma coisa.
a licitação pública... Houve a licitação pública? SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Já vale
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – O processo foi alguma coisa [interrupção no áudio] cinco mil?
através de licitação. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – É
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E o um bom dinheiro.
senhor tem esses documentos da licitação para en- SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu vejo
caminhar à CPI? aqui que... Eu não acredito que seja homônimo. Deve
ter gastos diretos para pessoa física, cinco mil reais,
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Eu tenho os con-
em duas oportunidades. Ficou o registro, Sr. Presiden-
tratos. Acredito que a Comissão de licitações da Cai-
te, Sr. Relator, o SENADOR HERÁCLITO FORTES já
xa Econômica é o mais adequado encaminhar esses
anunciou que pedirá a quebra do sigilo bancário, eu
documentos.
creio que é uma providência necessária, sobretudo em
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Vou
razão da iniquidade desse depoimento, não há respos-
pedir à assessoria que prepare Requerimento a fim de
ta para as questões essenciais. O depoente vem com
requisitar documentos que comprovem a realização
a garantia de ficar em silêncio, nós não temos autori-
da licitação, inclusive se houve concorrência ou não
dade para exigir dele que fale, temos que respeitar a
houve concorrência. Sr. Presidente, o depoimento do
decisão do Supremo Tribunal Federal, então não nos
Sr. Fábio Rodrigues Rolim está absolutamente com- resta outra alternativa a não ser aprovar... Espero que
prometido pela recusa em responder questões essen- seja aprovado o Requerimento do Senador Heráclito
ciais. Eu não creio que devo perder tempo com novas Fortes [interrupção no áudio] bancário nós não temos
indagações, mas eu gostaria apenas de satisfazer a nenhuma intenção de prejulgar o depoente, nós não
curiosidade. O senhor tem recebido algum valor da estamos aqui para prejulgar, não estamos aqui tam-
Universidade de Brasília em razão de prestações de bém para execrar quem quer que seja. É até com certo
serviços ou algo parecido? constrangimento que nós cumprimos o dever de indagar
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não. Atualmente, questões constrangedoras, mas é do nosso dever, é
não. Eu fui professor da Universidade de Brasília, pro- para isso que uma CPI é instalada. E eu lamento que
fessor... Tem um nome para... Contratos temporários, não seja possível obter respostas que esclareçam. Não
de dois anos. Fui professor da Universidade de Brasília há nenhum esclarecimento. Se nós não podemos con-
por duas eventualidades, mas só isso. denar, também não podemos absolver. Não devemos
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Em absolver. Porque não há nenhuma possibilidade de se
que período foi? absorver quem vem para se calar. Eu aprendi sempre e
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Se não me enga- a população sabe disso que quem cala consente, num
no... 2001 e 2002, depois novamente em 2004, 2005. linguajar bem popular, quando se faz uma denúncia
Foram dois períodos consecutivos, com alternância e há o silêncio, evidentemente há o consentimento.
de dois anos entre eles. O que eles chamam de pro- Isso é... Sob o ponto de vista da opinião pública, há o
fessores temporários, esses contratos de contratação consentimento. E nós não temos outra coisa a fazer,
temporária. Professor do departamento de administra- Sr. Presidente, a não ser tentar com a quebra de sigilo
ção na Universidade de Brasília. bancário investigar para poder no relatório final do Sr.
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56171 

Relator apontar eventuais irregularidades que possam, eu li pelos jornais. Eu sei que existe um inquérito em
apontando-as, possamos contribuir com o Ministério curso no âmbito da Polícia Federal.
Público para a instauração do inquérito necessário a SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
fim de que se responsabilize civil e criminalmente se Ok. Obrigado.
eventuais ilícitos foram praticados. Esse é o objetivo SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O Mi-
de uma CPI. Muito obrigado, Sr. Presidente. nistério Público deve estar procedendo a investigação
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – com base nessa quebra de sigilo.
Sr. Presidente, eu queria fazer uma indagação ao de- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
poente, se permitir. Há um exame feito pelo Tribunal de Contas com base
SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) – nessa quebra de sigilo.
V.Exª tem a palavra. Em seguida o SENADOR JOÃO SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Hou-
PEDRO. ve a quebra de sigilo transferida naturalmente ao Mi-
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Antes, nistério Público e a CPI não teve tempo para pros-
poderia o nosso relator fechar isso. seguimento das investigações. Apenas constatou a
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – sonegação de impostos. É claro que no curto espaço
Antes, eu gostaria de falar antes de V.Exª, sem con- de tempo que teve para analisar os dados. E concluiu
siderar que o silêncio seguinte de V.Exª seja também que haveria necessidade de uma investigação mais
algo na linha que o Senador falou. Acho que às vezes aprofundada. Foi a razão da convocação do depoen-
você pode responder a uma questão que é dúvida. E te para dar a ele a oportunidade de esclarecer, mas
ficou aqui a dúvida o seguinte, na CPI dos Bingos, o evidente que nós temos que respeitar o seu silêncio,
IBDS teve o sigilo bancário quebrado? determinação do Supremo Tribunal Federal, ele optou
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Essa é por não esclarecer.
uma pergunta que tem que ser feita para ajudar. SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) –
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Da Senador João Pedro, V.Exª tem a palavra.
entidade e os seus sigilos foram quebrados? SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Esta CPI
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Sim. ela pode suscitar, solicitar do Tribunal de Contas pa-
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E receres acerca dos convênios. E eu quero fazer uma
o senhor pode nos dar uma informação já preliminar. pergunta ao Sr. Fábio Rodrigues Rolim, se dos con-
Em que resultou essa quebra de sigilo? vênios celebrados com as instituições da União, se o
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não tenho co- Tribunal de Contas da União já condenou alguns dos
nhecimento. convênios.
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – O FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Exmº. Senador,
senhor não tem... O senhor não foi informado que infor- não. Os convênios, que eu saiba, todos com contas
mações foram retiradas daquela quebra de sigilo? aprovadas.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Na SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Como
verdade, segundo o relatório, não houve tempo. Por- 2007 foi suscitado, 2005, 2006, 2007, convênios apro-
que concluiu-- vados celebrados e com parecer favorável do Tribunal
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – de Contas da União?
Para realizar aquela quebra. FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Na verdade, dado
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É. ao fato que levou a dúvida sobre a legitimidade da CPI,
Houve a conclusão dos trabalhos da CPI. do instituto, o instituto dão executou absolutamente
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – mais nada. A partir do final de 2005 ele se encontra
Certo. Mas o relatório ao ser encaminhado para o Mi- inativo.
nistério Público e para o Tribunal de Contas, o Tribunal SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Desde
de Contas inclusive já em acórdão proferido, ele trata 2005.
do exame da quebra de sigilo. E evidente que o senhor SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) –
está informado porque o senhor é interessado direto Pergunto aos Senadores se ainda tem algum ques-
no exame que o Tribunal de Contas está fazendo da tionamento. Sr. Fábio, V.Sª tem alguma coisa a acres-
atuação do IBDS. Então, é preciso a gente ter essa centar?
idéia do que significou essa quebra de sigilo para o FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Não, Excelên-
senhor, exatamente. cia.
FÁBIO RODRIGUES ROLIM – Bom, eu nunca SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) –
recebi comunicação formal nenhuma. O que eu sei Bem, então...
56172  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – filha única e meu pai também. Então, infelizmente, eu
Não é mais possível acrescentar. não tenho parentes. Agora, se ele se disse meu primo
SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) – como eu vi na matéria, porque essa informação foi dada
Vamos então convidar a Sra. Nair Queiroz Blair, para na matéria, a respeito da ex-sede que há 10 anos foi
fazer... Agradeço a presença do Sr. Fábio e do Sr. Sá- montada, que já não tem mais, porque está atualmente
vio. Eu consulto à Sra. Nair Queiroz Blair, se gostaria hoje em Brasília e eu não conheço essa pessoa.
de fazer uso da palavra, fazendo alguns esclarecimen- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E
tos iniciais. onde é a sede?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Obrigada, Senador. NAIR QUEIROZ BLAIR – A sede fica no setor
Eu quero de antemão agradecer ao Presidente, Se- de rádio e TV sul, bloco O, oitavo andar, sala 803 a
nador Jefferson Praia, ao nosso relator-– [interrupção nove.
no áudio]. Aos Senadores, senhores e senhoras aqui SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
presentes. Eu vim à solicitação da Mesa para com- Nesta época que a CPI está apurando, de 99 a 2006,
parecer mas efetivamente não sei muito o que meu o Sr. Jacildo ele anunciou porque a sede estava cons-
nome ainda faz ligado com a Angra Amazônica, mas tando que era no endereço do Jacildo, onde ele tem
eu quero deixar claro para todos que eu não vou me uma loja de eletrônicos, aparelhos eletrônicos, e ele
recusar a responder absolutamente nada daquilo que falou que essa instituição, Angra Amazônica, era uma
eu-– [interrupção no áudio] principalmente em meu instituição de fachada. Que não existia. Que lá nunca
nome e em nome da instituição que eu fiz parte no funcionou nenhuma entidade, que ele sabia que exis-
passado, e que já não mais faço parte. E estou aqui à tia essa entidade, mas que lá ela nunca funcionou. A
disposição de vocês para o que for necessário, mas senhora era diretora da entidade desde a fundação
gostaria de deixar claro que só poderei falar aquilo até que ano?
que realmente ou que eu tive conhecimento na época NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não fui diretora.
que fazia parte, ou algumas outras coisas que foram Fui membro fundadora de 2001, mais ou menos, que
passadas a mim através de jornais. Mas eu estou aqui ela ainda não tava totalmente regulamentada, até
à inteira disposição de todos os senhores. mais ou menos 2003, foi no ano que eu entrei, até
SENADOR JEFFERSON PRAIA (PDT-AM) – 2004. Não me lembro bem se até o final... Antes de
Concedo a palavra ao nobre Senador Inácio Arruda. entrar no Senado. Antes de vir trabalhar no Senado,
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – porque aí você já não podia... Inclusive eu tinha uma
Sr. Presidente, senhoras e Srs. Senadores, mais uma empresa, prestava assessoria para eventos e eu tive
vez nós temos que nos reportar ao objetivo da CPI. que me desvincular em função da opção por assumir
Então, nós estamos tratando de examinar a atuação o cargo aqui.
de ONGs que têm convênios no âmbito do Governo SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
Federal de 1999 até o ano de 2006. E por essa razão E a senhora trabalhou no Senado e trabalha ainda no
o nome da instituição que V.Sª dirige foi listada para Senado--
prestar depoimento pelos convênios praticados, diga- NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Em função
mos assim, neste período. E eu gostaria, na qualida- dessa denúncia eu tive que me retirar.
de de relator, começar fazendo algumas indagações SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
sobre a atuação da entidade. Uma primeira é sobre... E a senhora trabalhava no Senado em que área, que
Se a senhora conhece o Sr. Jacildo Farias. atividade?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Sr. Relator, eu gosta- NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu trabalhava na lide-
ria só de colocar que eu não sou Presidente da ins- rança do PDT e cuidava de orçamento.
tituição, eu fui membro, membro fundadora há muito SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
tempo atrás e não dirijo a entidade. Então, como eu A senhora podia precisar a área de atuação da enti-
havia falado anteriormente, eu posso responder aqui- dade?
lo que eu tenha domínio e conhecimento. Mas eu só NAIR QUEIROZ BLAIR – Bom, que eu me lembre,
quero deixar claro que eu não dirijo e não faço mais na época, ela foi constituída para tratar das questões
parte da entidade. das pessoas que viviam na região amazônica. Nisso,
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – trabalhando com a arte, a cultura e diversidade de etnias
Mas a senhora conhece o Sr. Jacildo Farias? e alguma coisa nesse sentido. Foram feitas... Foram
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não me recordo. Eu li feitas algumas outras coisas, tentaram na época traba-
na matéria que essa pessoa se disse meu primo, inclu- lhar com... Se não me engano pesca, porque a região
sive queria deixar aqui dito a público que minha mãe é do alto Rio Negro é uma região que os Senadores da...
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56173 

Do Amazonas, no caso, conhecem. Ela tentou trabalhar SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E
muito nessa área para fazer o desenvolvimento regional, esse... O que a senhora poderia dizer sobre esse show
de produtos, da arte, da cultura, do artesanato local e que foi realizado aqui em Brasília?
teve que mudar sua característica por conta se não me NAIR QUEIROZ BLAIR – Em função disso. Por-
engano na época de um recebimento de um recurso, que como ainda não estava conseguindo, há quatro
e todas as vezes que ela apresentava um projeto, na anos que ela tentava, conseguir liberar recursos para
época eu até estava, a gente apresentava um projeto sua área de abrangência, ela não conseguiria, aí os
em Brasília no Ministério da Pesca e nos Ministérios associados, que eu falei anteriormente que são os mem-
que ela tinha área de atuação, voltava mesmo... Che- bros do boi garantido e caprichoso, tiveram a possibi-
gava, apresentava o projeto dentro da programação do lidade de fazer uma apresentação. Um dos membros
Ministério, depois eles recusavam depois de 12 meses do Governo, como o próprio pessoal do Ministério do
dizendo que faltava alguma documentação ou alguma
Turismo estiveram em Parintins, viram a potencialida-
outra exigência e pedia-se que se apresentasse uma
de do espetáculo, que modéstia parte hoje é o melhor
emenda de bancada. Posteriormente a presidente na
espetáculo folclórico do mundo, então é um trabalho
época, os membros do conselho vinham até Brasília,
muito grande que trabalha mais de seis mil pessoas
solicitava emenda de bancada, trabalhava-se um ano
inteiro e nada se conseguia. Chegava no final do ano em cada associação dessa, diretamente envolvidas na
o Ministério dizia que só se fosse emenda individual. apresentação desses espetáculos que acontecem no
Depois ela tentou emenda individual e também não final de julho. Foi criado então, por sugestão de mem-
conseguiu. Baseado nisso, eu me lembro, até, eu já bros do Ministério, uma turnê que começaria na região
estava no Senado, no ano de 2005, mais ou menos de depois do festival de Parintins, passaria por Brasília,
2006, o Presidente que era de Belém, porque a institui- seguiria para rio, São Paulo, Belo Horizonte e depois
ção ela era presidida por pessoas da Amazônia Legal, terminaria em Nova York e acho que nos Estados Uni-
ali, ele veio, me pediu ajuda, disse que não podia fazer dos... Porque o Governo do Brasil, alguns membros
muita coisa porque a liderança que eu trabalhava e os da EMBRATUR viram que o Governo precisava mos-
Senadores que lá estavam nenhum trabalhava nessa trar algum tipo de... De promoção turística diferencia-
área de atuação de cultura. Nem arte e nem cultura. E da para alavancar recursos para a região norte. Com
principalmente nessa silvicultura, alguma coisa... Nada isso, foi solicitado a participação deles. Como eu sou
nessa área. Então, eu não tinha como falar, eles tenta- torcedora dos bumbás e já voluntariamente participo
ram falar com o meu Senador, mas na época como não com eles há mais de 15 anos, achei que seria bem in-
tinha... Não tinha o perfil. Não era o perfil do Senador e teressante. Eles me consultaram na possibilidade de
eu falei que a gente não podia fazer muita coisa. Tenta- participar. Eu falei que não haveria problema. Houve
ram, falaram com outros parlamentares da Amazônia um convite, por parte do Ministério, foi apresentado
para tentar colocar e ainda assim nada conseguiram. um projeto, foi analisado, e houve um espetáculo. Eu
Aí houve uma possibilidade, porque tem vários mem- queria só deixar aqui claro que na época realmente eu
bros do conselho que são de outras associações. Tem trabalhava no Senado e estava envolta, que eu inclu-
o pessoal que preside o garantido, o boi garantido, o sive nem pude dar muita assistência para eles porque
boi caprichoso que vieram fazer parte da instituição
eu estava em volta num outro projeto de maior abran-
porque na época tinha um problema de inadimplência
gência que o meu chefe tinha me solicitado. Inclusive,
e não poderiam receber o recurso. Aí foi sugerido no
isso o senhor pode checar essas informações com os
Ministério que se alterasse o estatuto, ou melhor, se
próprios membros do Ministério até na hora das au-
alterasse, não, se ampliasse sua área de atuação caso
quisesse trabalhar com aquela potencialidade cultural diências eu nunca nem levei e nem tratei do assunto
mas com o enfoque turístico. Por isso teve a mudan- das pessoas que considero meus amigos. Que não
ça. Inclusive, por solicitação do Ministério, que eu me tinha mais muito a ver. Porque eu estava tratando da
lembro que acompanhei juridicamente, porque eu tive restauração do centro histórico de Manaus, então não
não como Advogada, mas porque eu tive que sair pra podia misturar uma coisa com a outra. E o meu Sena-
vir para cá, então tive que ir em cartório, dar entrada, dor tinha um perfil muito lógico, muito prático. Então,
porque até a mudança de sede ela foi uma coisa demo- se o assunto não era dentro daquilo que ele tinha in-
rada, mas figurou em ata e foi uma exigência inclusive teresse, ou politicamente ou, enfim, não fazia parte do
do próprio Ministério. Que para atender a demanda contexto da plataforma de trabalho dele, a gente não
daquela emenda ela teria que ajustar o seu estatuto tocava no assunto e não insistia. Ele sempre deixou
dentro da sistemática que o Ministério pedia. isso muito separado.
56174  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E ser apresentado em uma hora, são necessariamente
a senhora lembra do valor deste contrato para apre- gastos três meses de trabalho. Então, teve, os senho-
sentação do garantido e do caprichoso? res fiquem à vontade, teve aqui... Eles montaram uma
NAIR QUEIROZ BLAIR – Lembro. O espetáculo base no Minas Tênis Clube, foi locado, eles ficaram
ia ficar mais ou menos em torno de... Cada etapa da por três meses trabalhando dia e noite, fizeram toda a
turnê, que seriam cinco cidades, ia ficar no valor de ornamentação da esplanada, que foi uma coisa gran-
500 mil reais. O que aconteceu no final do ano é que diosa, que dava pra ver, só se a pessoa não tivesse
eles não tiveram, em função do exercício fiscal encer- interesse de notar o que estava lá, e eles trabalharam
rar dia 31, eles sugeriram que fosse feita uma festa durante três meses lá, então tem comprovante de que
diferenciada, porque senão iam perder o recurso. Ou estavam, de que estiveram presente, que foi 15 ho-
receberiam só 200 mil... Desculpa, na realidade 300 ras de espetáculo... O que foi noticiado na imprensa
mil que o Ministério estava informalmente limitando a gente até ficou chateado, mas nós no Amazonas já
esse recurso, a partir do ano seguinte que ele limitou estamos acostumados a sermos retaliados pelo traba-
com a portaria 171 que o valor ficaria de 300 mil por lho. Então, infelizmente não divulgam. Não divulgam
evento, ele limitou que seria ou 200 mil reais ou 300, efetivamente o trabalho que é feito. Infelizmente só
se não me engano bem, ou não aconteceria mais. saiu uma hora, para a nossa tristeza. Mas foram três
Eles perderiam o recurso. Como já estavam lutando meses de trabalho, 15 horas de show começando às
há cinco anos, eles aceitaram o desafio de vir para 12h00 do dia 31 de dezembro de 2007, no qual eu já
Brasília, mas teria que ser feito um espetáculo, como estava de recesso e pude participar efetivamente da
foi feito, infelizmente a revista não divulgou, mas de festa. Eu fui como...
15 horas de show. Que ela iria incluir, ia pegar os dois SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
milhões e meio de reais, que não saíram, que seria De qualquer sorte o convênio era para cinco cidades
500 mil para cada cidade, porque estava envolvidos
e terminou em uma...
mais ou menos 600 pessoas diretamente trabalhando
NAIR QUEIROZ BLAIR – É, seriam para cinco
nesse espetáculo.
apresentações que terminaria fora do Brasil--
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – O
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
valor é relativo a 15 horas de show, o valor total?
E foi recebido o valor total, como se tivesse sido feito
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. O valor total eram
nas cinco cidades?
15 horas de show em cinco cidades diferentes. Como
NAIR QUEIROZ BLAIR – Sim, por conta da gran-
o Ministério só fez se não me engano o empenho dois
diosidade e da extensão do que eles teriam solicitado.
dias antes do evento, teve que ser feito tudo aqui mas
Aí o valor liberado não foram 500 mil por cidade, que
15 horas de show começando meio-dia até...
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – O seriam cinco, e liberaram dois milhões... Acho que 170,
convênio que era para várias cidades... 180 mil reais mais ou menos. E, deixando ressaltado,
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eles fizeram só em que a instituição entrou com uma contrapartida de 600
uma. mil reais. Porque ela já havia gasto e ela teve que con-
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – tabilizar como contrapartida.
Finalizou só em Brasília. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Ok.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Mas tendo que ter essa A senhora não era diretora da Angra Amazônica?
margem de horas maior. Em cada cidade gastaria-se NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Infelizmente
uma média de uma hora. nunca fui e nem cheguei a ser. Até seria mais pra fren-
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – No te, mas em função do que aconteceu eu infelizmente
convênio está dito que teria que ser essa margem de tive que me retirar.
15 horas, mas o que se constatou é de que foi apenas SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E
uma hora de apresentação. quem presidia a entidade nessa época?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Na realidade, o NAIR QUEIROZ BLAIR – José Carlos.
que a revista constatou... Porque se o senhor me per- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
mite, inclusive eu solicitei deles a cópia do DVD que José Carlos...
mostra que todo o espetáculo, eu queria deixar aqui à NAIR QUEIROZ BLAIR – José Carlos Barbo-
disposição dos senhores, que mostra inclusive os co- sa.
merciais que configuram as bandas que o próprio Go- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
verno não pagou mas que já estavam de contrapartida, De onde era ele?
e todo o espetáculo. Porque para um espetáculo desse NAIR QUEIROZ BLAIR – Oi?
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56175 

SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
De onde ele era? Porque o endereço mais atualizado da entidade con-
NAIR QUEIROZ BLAIR – De Belém. Mas ele tinua em Manaus.
também mudou para cá, ficou sediado aqui por solici- NAIR QUEIROZ BLAIR – Pois é. Eu já chequei
tação do próprio Ministério na época. Que como era endereço atualizado, a minha carta de desmembra-
um projeto macro, eles pedem-- mento que foi em 2004 que tem no cartório que eu
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – já pedi várias vezes segunda via, não consegui ter,
Mas hoje ele está aqui em Brasília? a mudança foi feita inclusive oficial, porque o próprio
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu não sei lhe infor- Ministério solicitou, se os senhores quiserem eu posso
mar porque eu não estou mais aqui. Infelizmente eu tentar achar... Tentar achar, não, porque obviamente
não sei onde ele está. Porque ele também ficou numa está lá no escritório da Angra, pedir que eles encami-
nhem para os senhores, pode ser amanhã, que prova
situação muito delicada, assim como eu ele também
realmente pelo cartório que houve a mudança. Inclusi-
foi muito penalizado, eu perdi meu emprego, perdi al-
ve, antes dessa mudança, a Angra ela nessa época eu
gumas coisas e tive que ir. E ele também acho que
fazia parte do... Como membro fundadora, foi feito um
não conseguiu ficar.
convênio, um termo de cooperação com o Ministério de
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Ciência e Tecnologia e com o instituto INPA, Instituto de
Então a senhora trabalhou diretamente nessa tentativa Pesquisa da Amazônia. E na época foi solicitado que o
de conseguir os recursos... trabalho fosse desempenhado com os técnicos da An-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Infelizmen- gra ligados diretamente e baseados dentro do instituto.
te, não. Nós... Eu tentei, só nessa mudança, e para Então, tem documentação que comprova que em 2003,
tentar adequar a sistemática do projeto... Desculpa, 2004 até 2005, quando figurou o convênio que era mais
do projeto dentro da sistemática do Ministério. Porque ou menos no valor de 50 mil reais, as pessoas teriam
eles mudam. Uma hora eles dizem uma coisa, depois que trabalhar dentro do instituto e dentro do projeto
dizem outra... Tem a LDO, mas eles queriam portarias que ficaria uma cidade chamada Silvis, no interior do
internas e leis diferenciadas e... Enfim, só pra ajustar Amazonas. Então, ela foi fundada lá porque o cartório
essa parte de documentação. Como era muito meu na época eu posso falar sobre isso porque eu estava
trabalho... Infelizmente eu não trabalhei muito, porque presente, você só poderia abrir uma instituição se você
são pessoas que eu conheço, a maioria cresci com fosse proprietária ou algum membro fosse proprietário
elas e sei do trabalho, sei da garra que eles têm. É um do bem. E na época a minha mãe era dona do terre-
trabalho muito bonito. no, nos cedeu, construiu a casa, passou pra gente, a
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – A gente ficou lá mais ou menos um ano trabalhando lá,
senhora já conhecia o José Carlos Barbosa? aí depois tivemos essa oportunidade de celebrar um
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Eu conheci aqui. termo de parceira e fomos para dentro do instituto de
Ele veio com o grupo aqui. Eu o conheci aqui em Bra- pesquisa. Ficamos lá--
sília. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Por
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E que... A campainha me obrigou a fazer essa interrupção.
Por que a Angra precisava desse convênio?
os fundadores lá na Angra Amazônica?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Olha, precisar, não.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu e mais umas 10, 12
Porque eu digo que para isso foi até... Não sei nem que
pessoas que já não estão mais. Várias outras pessoas
palavras usar, foi por azar. Infelizmente, não sei se por
que eu já nem... Porque tem muito tempo, Excelência.
conta das questões de algumas ONGs e OSCIPs da
Muito tempo. Quando eu vim para Brasília em 2004, região norte, ela vinha enfrentando desde sua fundação
para trabalhar, eu já não estava mais, já não... Porque problemas na hora de transferência de repasse. Ela teve
assim como a Angra, outras instituições, outras Prefei- que se adequar, infelizmente. Porque eu até fui contra
turas, enfim, eu sou do Estado. Então, o que eu podia no começo porque você... Quem dispõe, dispõe, vai ter
fazer para ajudá-los, a gente... Na medida do possível que ficar numa situação delicada. O Ministério solicita,
fazia. Mas o Sr. José Carlos eu conheci aqui, já setem- algumas Prefeituras, algumas instituições tentam se
bro, outubro, quando ele veio já pela última vez tentar adequar, não conseguem, e naquela anseia de tentar
fechar o convênio e não conseguia, e enfim... fazer alguma coisa diferenciada para estar no mercado
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – E acaba que faz uma coisa impensadamente e depois
a senhora ainda tem relação com a entidade? tem que ficar numa situação delicada justificando por
NAIR QUEIROZ BLAIR – ... muito tempo. Agora, precisar, infelizmente ela precisava
56176  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

do recurso, porque como ela tentava dentro da área Além de torcedor fui Vice-Presidente do garantido, fui
de atuação dela fazer os trabalhos e não conseguia e Presidente da Comissão de arte do garantido... Enfim.
tinham várias frentes de trabalho começada, foi a al- Uma coisa é a festa, que é uma festa hoje nacional,
ternativa criada entre a Diretoria da Angra na época, essa festa. Mérito dos artistas, do povo de Parintins
garantido e caprichoso, formar... Bom, vamos fazer o que fizeram essa festa. Agora, essa Comissão está
seguinte, bota esses meninos para trabalhar no show, apurando outra questão. É de uma entidade que captou
é um show bonito, a gente gera indiretamente empre- recursos para fazer um show aqui em Brasília. Então,
go e renda, porque vieram 600 pessoas para trabalhar penso que nós não podemos de forma alguma vincular
aqui e o que mais pesou na época é que o Ministério o que aconteceu em Brasília. E nós precisamos exa-
se recusou a pagar um cachê para cada dançarino de minar mesmo o convênio, porque não tem nada a ver
mil reais, eles não queriam pagar, e a gente contestou com a festa feita desde o início do século 20, e tem
inclusive que tem vários outros shows que acontecem essa festa. Chegou aonde chegou essa festa, foi muito
Brasil afora e ainda disseram pra gente que a gente... aprendizado, foram muitas as contribuições. Vou fazer
Quem éramos nós para nos compararmos com outros uma questão. Segundo, nós precisamos esclarecer
cantores que não quero citar o nome que cobrariam duas questões. A Sra. Nair está falando de Governo,
o cachê de 600, 700 mil reais, e a gente tem todas as mas eu quero fazer uma pergunta e quero que ela res-
notas técnicas consultando, perguntando, e o nosso ponda se houve a participação neste evento de final
interesse na realidade era trabalhar com a pesca. Mas do ano, festa de mudança de ano, de 2007 para 2008,
infelizmente não... Não deu. E aí tivemos que optar por participação do Governo do Distrito Federal.
uma segunda via. Mas isso foi assim... Vamos dizer NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Participação, não.
que um lapso, mais pela necessidade de estar fazendo Foi solicitado que houvesse a festa e depois, infelizmen-
parte. Porque o trabalho desenvolvido lá é bem boni- te, não sei porque motivo, brigas internas, secretaria
to, bem interessante. Então, Senador... João Pedro é de cultura, Brasília tour, enfim... Eles--
de Parintins, sabe quão importante é o trabalho para SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Brigas
aqueles meninos de Parintins e como eles lutam com internas entre quem?
garra e esforço sem nenhum tipo de remuneração. NAIR QUEIROZ BLAIR – A secretaria de cultura
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – local e outro órgão que responde pelo turismo.
João Pedro de Parintins. SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Secretaria
NAIR QUEIROZ BLAIR – Sem lhe envolver, Se- local de cultura... Então começa... Eu quero--
nador. Mas é porque defender os nossos amazônidas, SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
claro. GDF que a senhora se refere? Secretaria do GDF. É
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – bom deixar claro.
Claro. Obrigado. NAIR QUEIROZ BLAIR – Sim, sim. Do GDF. Do
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – GDF, e acho que teve briga... Não sei se posso nominar
V.Sª se refere ao conhecimento do SENADOR JOÃO como uma... Acho que uma indisposição em relação
PEDRO ao trabalho das meninas como dançarinas ou à grade de programação. Porque o Ministério queria
o trabalho da Angra? incluir alguns outros itens de programação que des-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. vinculava realmente a nossa participação amazônica
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) folclórica. Então--
– Pra deixar isso bem claro. Porque a senhora... Até SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Vou cha-
para proteger o Senador. mar atenção do relator, Senador Inácio Arruda, que
NAIR QUEIROZ BLAIR – Apreciador, como nós o Governo Federal não faz festa de final de ano. Não
chamamos lá em Parintins de torcedor. existe isso. Ou então existe. Existiu. Precisa esclarecer
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) isso. Quem foi que fez a festa? A festa foi para quem, de
– Do caprichoso? responsabilidade de quem? Essa é a questão. Então, é
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, ele é do garan- preciso que esclareça isso. Agora, sobre o repasse do
tido. Governo Federal e do Ministério, acho que nós temos
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – duas questões aí que precisam de esclarecimento, e
Ele pede a palavra pela ordem. Está concedida. eu quero que depois V.Sª esclareça isso. V.Exª falou
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Sr. Presi- aqui, falou no início que os bois... Vamos prestar aten-
dente, Srs. Senadores, Sr. Relator, Sra. Nair. Primeiro ção aqui. Eles estavam impossibilitados de capitalizar
eu quero fazer um corte no que nós estamos fazendo esses recursos. E aí a Angra capitalizou o recurso. No
aqui com a festa. A festa... Eu sou filho de Parintins. início V.Sª também disse que não participou. Mas aí,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56177 

mais à frente, no relato de V.Sª, disse – “Eu entrei em exato momento eu quero fazer a defesa de uma festa
recesso e aí assumi. Comecei a trabalhar a festa.” que é feita com muitas mãos, com muita paixão, com
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. muita emoção e ela já está na agenda do Brasil e isso
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – V.Exª é muito importante. V.Exª entendeu. Nós precisamos
falou isso. ver quem eram os gestores da ONG. Como foi apli-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu assumi, não. Eu cado o recurso. 600 pessoas vieram para cá. Veja só
fui participar da festa. Eu fui meio-dia ver a festa. Eu V.Exª, 600 pessoas. Pra um evento. E aí foi repassado
fui para a festa. o recurso e essas pessoas passaram aqui, Senador
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Não, Heráclito, Senador Jefferson, que é do Amazonas, ne-
V.Exª não disse isso. cessidades. Não pagaram hotéis. Um dia eu cheguei
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu disse, sim. casualmente num clube aqui e quando os dirigentes
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – V.Exª souberam que eu era do Amazonas, falou – Olha,
disse que não participou, que estava afastada, respon- aqui no nosso galpão está lotado de material dos bois,
dendo a pergunta. Mas V.Exª disse que depois entrou porque não pagaram a conta, não sei o que. Então,
em recesso porque o chefe de V.Exª, o Senador era veja só, isso é lamentável. Agora, nós precisamos ver
um Senador muito aplicado. Aí V.Exª disse que entrou quem eram os dirigentes da ONG. E porque trabalha-
para ajudar na festa. ram. Mas eu penso que a Sra. Nair poderia colaborar
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Desculpe, mais com essa CPI no sentido de nós olharmos essa
então eu devo ter me equivocado. Eu entrei para par- situação da entidade.
ticipar. E eu entrei de recesso não porque o Senador SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – A
era A ou B. Eu entrei de recesso porque era 31 de de- senhora podia nos informar?
zembro. Todo mundo entra de recesso nessa data. Até NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu falei anteriormente
3 ou 4 de janeiro, se não me engano. que era o Sr. José Carlos. Eu não disse que ele morava
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Os par- em Belém. Eu disse que ele era de Belém...
lamentares entram de recesso, e tem uma folga aí da SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
Casa, uns dias aí. Então, eu quero chamar atenção Mas ele veio para cá para o período de preparação
do relator acerca desse relato aí. Por quê? Por que eu da... Da apresentação?
quero... Eu quero que... E eu sou defensor de que nós... NAIR QUEIROZ BLAIR – Ele estava morando
Eu sou contra ONG. Nós precisamos criar um padrão aqui no período de preparação.
de funcionamento das ONGs. Porque tem... Veja só, SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – A
a festa é lá em Parintins, lá no Amazonas. Aí tem um senhora falou que passaram-se três meses.
evento aqui, os bois não estão aqui, veja V.Exª, os bois NAIR QUEIROZ BLAIR – Eles passaram. Da data
não estão aqui, aí se diz aqui – Eles estavam impos- que eu o conheci até a festa, três meses.
sibilitados. Estavam mesmo? Aí tem um recurso para SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
se fazer uma festa, que não é a festa de Parintins. Aí Uma movimentação grande.
a entidade que está aqui é presidida, que já não tem SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Presi-
mais endereço, é presidida por um cidadão de Belém. dente, essa Comissão deveria ter acesso à cópia do
Olha só. Está em Belém e preside uma entidade que convênio, para nós examinarmos isso. Acho que nós
vem fazer uma festa. Então, eu estou com um cuidado não temos isso aqui. Mas esse convênio--
de nós não envolvermos a festa de Parintins neste epi- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
sódio, que é uma festa popular. E nós esclarecermos Quem é que intermediava no Ministério?
essa... Essa participação da senhora Nair na entida- NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, eles mesmos.
de. Porque nós queremos ver é a função, como foi a Vinham os Presidentes--
gestão do recurso... A entidade. Não tem uma pessoa. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – Era
Se ela sai, se ela se afastou, quem ficou lá? Quem foi o José Carlos mesmo que trabalhava direto com o...
o gestor, quem são os responsáveis? Isso precisa ser NAIR QUEIROZ BLAIR – Ele vinha com as ou-
esclarecido e não está nessa oitiva. Porque é dinheiro tras pessoas, vinham os Presidentes dos bois também,
público. Então, quem são as pessoas? Ela não está, inclusive pelo próprio DVD o senhor vê a participação
quem são? Ela pode colaborar e dizer que estava? Não oficial dos dois bumbás. E foi feito também em Parintins
tem uma pessoa só nisso envolvida. E aí é a entidade, por eles mesmos, isso foi uma produção genuinamente
e não essas duas instituições que orgulham a todos deles. Eles só me concederam a cópia.
nós da região, que é o boi garantido e caprichoso, e SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
com muito orgulho eu sou do garantido, mas nesse – Querendo ajudar aqui o SENADOR JOÃO PEDRO,
56178  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

que está com o amazônico ferido, com justa razão, que licitação foram pagos. Os outros, que não foram licita-
afinal de contas esse... Esse é um espetáculo que é dos, que eram de responsabilidade de outra empresa
conhecido mundialmente. Por que vocês não honraram ou outra coisa, realmente não ocorreram, não foram
os compromissos com o hotel, com a transportadora e pagos. O que foi de responsabilidade do convênio fir-
com a Master Brasil que é uma empresa de vídeo? mado foi totalmente pago através da licitação. Tem nota,
NAIR QUEIROZ BLAIR – Na realidade, eu não tudo foi feito, tudo apresentado... Agora, apareceram
tenho acesso às informações de pagamento. O que eu algumas outras pessoas, inclusive na matéria eu li que
fiquei sabendo que ocorreram aqui foram duas contra- a gente foi atrás para saber, porque acusava que inclu-
tações, porque eles vieram no final, duas contratações sive eu era responsável pelo pagamento, coisa que eu
diferenciadas. Uma que foi feita pelo grupo da Angra, nunca o fiz, a única coisa que eu fiz foi em função do
e outro que foi feito pelo grupo do Governo local. En- não pagamento 15, 20 dias depois e pela condição de
tão, tinham responsabilidades por escrito do que seria que algumas pessoas ficaram aqui, eu queria deixar
feito pela instituição em questão e pelo Governo local. bem claro que as pessoas que ficaram aqui em Brasí-
Então, um convênio não poderia cobrir o outro. Tanto lia, essas 600 pessoas, 100 ficaram alguns meses, as
comprova que na época foram feitas solicitações de vá- 500 vieram entre o dia 30 e o dia primeiro, chegavam e
rios membros, inclusive eu também participei, com uma voltavam, e foram embora e as passagens foram pagas
doação para poder pagar algumas despesas porque porque inclusive eu, Presidente do garantido na época
a gente até achou engraçado que esse foi o primeiro e o Presidente do caprichoso fizemos uma cota com
recurso que antes mesmo de ser liberado houve uma alguns outros amigos que eu já nem lembro que foram
denúncia que ele ia ser desviado. Então quando se vários que a gente pediu dinheiro de todo mundo para
não me engano, na época, acho que um, dois meses inclusive pagar a agência que havia sido licitada e que
depois que ocorreu o evento depois de mais de quatro ninguém conhecia. Então, o que não foi pago, efetiva-
meses as pessoas trabalhando, eles resolveram, não mente, foi porque a instituição não era responsável por
sei porque motivo, pagar. Logo após a denúncia. Mas tal pagamento. Apareceram empresas A, empresas B,
a denúncia ocorreu logo após o evento. protestaram a instituição e através dos advogados na
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – época conseguiram comprovar que não tinha nenhum
No caso aí quem resolveu pagar foi a Angra? vínculo com a empresa. Aqueles que não receberam,
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Quem resolveu porventura, é porque não estavam dentro da respon-
pagar foi o Governo, pagar a instituição, e os compro- sabilidade da instituição Angra Amazônica pagar.
missos que ela tinha firmado através de licitação ela SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
fez o pagamento. A sede da agência, da ONG Angra Amazônica é em
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – O Manaus?
Governo licitou diretamente? NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Ele foi transferi-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. A instituição lici- da para cá.
tou diretamente. Ela fez um Pregão presencial, teve SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
várias outras empresas, inclusive algumas pessoas – Em que data?
que nós conhecíamos que eram lá do Estado, eram NAIR QUEIROZ BLAIR – Houveram duas trans-
do Amazonas, de Belém que não puderam participar ferências, Presidente. Eu ainda fazia parte do conselho,
porque não tinham a documentação toda apta. Então, membro... Membro fundador.
teve a licitação e foi através de licitação. Inclusive as SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
empresas, eu posso pedir uma solicitação caso seja de – Teve uma época que ela funcionava numa loja de
interesse de vocês, das empresas que faziam parte do conserto de aparelho eletrônico.
projeto. Porque o projeto original ele configurava uma NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Inclusive
turnê em cinco cidades diferentes. O que não aconte- eu queria deixar claro mais uma vez que esse terre-
ceu. Então, dentro do... Na hora da análise foi feito um no, essa casa que inclusive eu nem sei quem tomou
reajuste para que fosse feito aqui. Dentro desse ajuste posse era da minha mãe, ela cedeu na época para a
eu me lembro que algumas coisas foram pagas pelo instituição. Não está alugada, ela ficou fechada, não
Governo e outra pela instituição. O que foi pago pela funciona, pode ser que algum posseiro tenha tomado,
instituição eu posso, inclusive caso vocês precisem no- que é num bairro de Manaus na zona leste, a casa fi-
minar, porque eu concedi recurso como o Presidente cou fechada porque meus pais não moram lá, já não
do garantido cedeu, o Presidente do caprichoso cedeu, moram mais lá há muito tempo e a casa ficou lá por-
porque eram despesas emergenciais que precisavam que eu vim para cá, somos poucas pessoas e não sei
ser feitas. Mas todos os contratos firmados através de o que aconteceu com a casa. Mas ela estava fechada,
Outubro de 2009  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Sexta-feira  30  56179 

de responsabilidade de uma pessoa para locar, mas SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas
ninguém informou se locou ou não, eu não sei o que está dando esclarecimentos sobre fatos ocorridos em
fizeram e como fizeram da casa. Mas a casa, no nosso 2007, 2008...
conhecimento, está fechada. NAIR QUEIROZ BLAIR – 2007, não. Porque ela
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – só teve no final de 2007 que na realidade ela só rece-
Porque aqui tem uma declaração do Sr. Jacinto farias beu esse recurso porque eu me senti no direito, se é
aonde ele diz que essa ONG só existe no papel. E ele que posso dizer assim, de falar, como eu havia comen-
diz ser primo da senhora. tado anteriormente, justamente porque eu fui citada e
NAIR QUEIROZ BLAIR – Isso, é. O senhor esta- a matéria saiu como... Colocando coisas que eu não
va fora... Eu já havia falado mas repito para o senhor. sabia. Então fui tomar conhecimento.
Eu não tenho nenhum primo. Porque minha mãe e SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Sem
meu pai são filhos únicos. Infelizmente eu não tenho a intenção de ofendê-la, mas o que se fala é que a
parentes. Eu até digo brincando que é até chato por- senhora retirou seu nome, mas mantém o seu poder
que realmente eu não tenho. Tenho mais três irmãs e de decidir e seu poder, inclusive, de executar, colo-
nenhuma mora lá mais. Enfim. cando apenas figurativamente o nome de um amigo
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – que... Pra não dizer laranja, como se diz popularmen-
Eu vou passar a palavra agora para o autor do pedido, te, que a senhora estaria utilizando-se de um laranja.
SENADOR ALVARO DIAS. Mas na verdade, que mantém ainda o poder de influir,
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Bem, de decidir e de exercitar as eventuais atividades da
primeiramente eu quero dizer, Sr. Presidente, à depo- organização.
ente, que o fato de não ter ido ao Supremo Tribunal NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu queria inclusive ter
Federal buscar um habeas corpus é uma vantagem. esse poder que o senhor me delega, porque se eu o
Porque certamente nós temos razões aí para ter até tivesse, eu já teria feito alguma coisa realmente para
um pouco mais de boa vontade com alguém que vem ter saído dessa situação, porque eu me sinto neces-
e fala, não fica em silêncio. A convocação é porque re- sariamente a Ministério prejudicada porque eu traba-
almente há uma denúncia na imprensa e que justificou lhava com uma das pessoas que eu admirava muito,
a convocação. A denúncia diz respeito a uma organi- meu sonho ter trabalhado aqui no Senado, perdi meu
zação, aparentemente de fachada, porque apresenta emprego e, infelizmente, acho que por conta não sei
como endereço um local em Manaus, onde funciona- de que motivos, coloquei uma instituição que pesso-
ria uma loja, algo parecido, não sei se é uma loja ou as sérias, assim como eu, fazia parte e que a gente
uma loja... ficou numa situação delicadíssima por conta de uma
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu vi na revista. Mas influência que até hoje eu desconheço. Porque se eu
não sei. Depois eu estive lá e não tem nada. realmente tivesse alguma influência, eu teria no míni-
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O que mo tido pra mim mesma me manter aqui, porque eu fui
tem no local do endereço? uma das primeiras pessoas assim que saiu a revista
NAIR QUEIROZ BLAIR – A propriedade é da de chegar com o meu Senador e conversar com ele
minha família, uma casa bem humilde, que fica numa na época que era melhor que me afastasse para não
área que a gente tem mais ou menos há uns 40 anos gerar nenhum tipo de problema para ele, e ele lamen-
que na época, 10, 12 anos atrás foi-nos passada pra tou realmente muito, enfim. E eu com certeza usaria
que a gente pudesse colocar para a associação. Mas esse poder para que não fosse feita... O que foi feito
ela funcionou lá menos de um ano, depois saiu e foi com o ex-Presidente, com os outros Presidentes, com
para o local que ficou por quatro anos e depois mu- o atual Presidente que aí está, porque eles ficaram
dou para cá. numa situação delicada, tiveram... E a gente realmente
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É, o teve que se unir num momento desse de fragilidade,
que precisa ser esclarecido e nós temos aqui boa von- porque eu perdi meu emprego, alegando que eu era
tade em relação ao seu depoimento, o que queremos Presidente de uma coisa que eu não era, que eu era
é esclarecimento. Como pode uma organização de diretora de uma coisa que juridicamente eu não fazia
tal fragilidade estrutural receber valores significativos parte, e logo depois a gente tenta pagar todo mundo,
para eventos? A senhora disse que deixou a institui- fizemos cotas, os amigos, todo mundo para tentar ser
ção em 2004? a coisa mais honesta e pura possível, fizemos a pres-
NAIR QUEIROZ BLAIR – É. Para vir trabalhar tações de contas, entregamos, ela some, passa seis
aqui. meses e sumiu, e todo mundo desesperado, todo mun-
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do correndo atrás de Advogado para tentar manter a SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A ONG
instituição... Não no foco. organizou a festa para o Governo do Distrito Federal?
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O Ou para quem?
que espanta é o fato de a organização receber dois NAIR QUEIROZ BLAIR – Isso eu não posso di-
milhões e meio... zer porque eu não sei. Ela organizou.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Dois milhões, 187. SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Dois para quem que a ONG organizou a festa?
milhões e meio para essa festa de réveillon em Bra- NAIR QUEIROZ BLAIR – Ela organizou um ré-
sília, em 2007, e uma festa com uma hora, segundo veillon dentro de um possível convênio que ela iria ter
consta. Enquanto o próprio Governo do Distrito Federal com o Ministério na época.
gastou para organizar um espetáculo de 15 horas um SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – En-
tão ela organizou para o Governo Federal? Para o
milhão e oitocentos.
Ministério?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu acho que na hora
NAIR QUEIROZ BLAIR – Para quem ela organi-
de colocar--
zou, não. Porque necessariamente eu acho que o Go-
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu
verno Federal ele não entra nessa situação de festa.
não quero comparar os espetáculos aí, mas eu quero SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas
apenas saber qual foi o papel da organização nisso. é estranho, ela tem... Olha ano que vem ONG recebeu
Recebeu dois milhões e 500, diz aqui, V.Exª diz que um recurso público para organizar um evento evidente-
foi dois milhões cento e... mente em nome de alguém. Não da própria ONG.
NAIR QUEIROZ BLAIR – É, porque o convênio NAIR QUEIROZ BLAIR – Aqui consta no nome
era um pouquinho a mais, porque ela deu 568 mil de dela. No nome de todos os parceiros participantes.
contrapartida, mais ou menos. SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Exa- A própria ONG teria feito o réveillon para a cidade de
to. E o que a organização fez na organização desse Brasília.
evento? Qual foi a participação da organização? NAIR QUEIROZ BLAIR – Sim, conforme está
NAIR QUEIROZ BLAIR – Bom, eu não-- aqui colocado.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Quem SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu
organizou o evento? creio que aí há que se apurar responsabilidade. Porque
NAIR QUEIROZ BLAIR – Quem organizou foi a dinheiro público, cerca de dois milhões e meio de reais
Angra com os Presidentes e seus diretores. Na época para uma festa de réveillon. É preciso apurar respon-
eu nem estava muito à par. Eu fiquei mais à par a partir sabilidade. Ou a responsabilidade é da ONG ou é do
da denúncia, porque aí eu tive que ver. E em função de Ministério do Turismo que liberou os recursos.
alguns pagamentos, mas já sei que era uma coisa que SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – O
ia ficar internamente, da solicitação de um emprésti- dinheiro totalmente feito pelo Ministério do Turismo?
mo que eles fizeram para mim e para outras pessoas NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Ele não foi
que faziam parte da instituição e outros amigos para liberado pelo Ministério do Turismo em função da--
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
poder suprir algumas necessidades emergenciais do
– E foi por quem?
evento. Mas ela organizou o todo.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Pelo Ministério da
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
Cultura.
Fizeram empréstimo...
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mi-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, pessoal. Em- nistério da Cultura, certo.
préstimo de todas as pessoas que faziam parte da NAIR QUEIROZ BLAIR – Que sempre foi patro-
instituição. cinador de todas as ações que envolvem garantido e
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – caprichoso.
Com o dinheiro recebido? SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Presi-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Não houve dente, só para entender, porque houve uma afirmati-
pagamento. Houve o evento que começou a ser... Eles va já por duas vezes. Existe o convênio do Ministério
fizeram para cá em setembro, instalaram o seu local da Cultura. Ponto. Mas, como não... Demorou, estão
de trabalho em três pontos diferenciados, se não me passando necessidade, a Sra. Nair já falou por duas
engano, e vieram para cá tentar receber o recurso para vezes que o Governo do Distrito Federal pagou algu-
executar a festa. mas coisas.
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NAIR QUEIROZ BLAIR – Não sei se pagou. NAIR QUEIROZ BLAIR – Ah, quem dera, Sena-
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – É dor. Infelizmente eu não tenho nenhum amigo lá. Não
que tem uma confusão entre o Ministério do Turismo tenho. Quem dera, que seria bem mais fácil.
e Cultura. Fica parecendo que-- SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Por
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – uma questão de descrição, não vou citar o nome. Por-
Eu vou explicar aqui o porque. que realmente não posso afirmar categoricamente. Eu
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Não, recebo informações e procuro indagar. Tenho o nome,
não, não. não vou citar o nome...
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Pre- NAIR QUEIROZ BLAIR – O que eu sei, o que
sidente, eu sugiro-- eu vi é que o evento ocorreu em dezembro e após a
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – É que o denúncia o Ministério da Cultura fez o pagamento.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
Governo do distrito pagou algumas--
Não, mas aqui é Ministério do Turismo.
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Esse
Porque até agora--
é outro pagamento. Mais dois milhões.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para
NAIR QUEIROZ BLAIR – Mas não recebeu nada.
não ficar no ar, eu sugiro à relatoria e à Presidência Não, não, não recebeu nada.
que requeiram a documentação que comprovem as SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
despesas. A documentação no caso do Ministério da Está acontecendo essa... Esse problema da informação,
Cultura, que liberou os recursos, e os comprovantes precisa, que é o que o Senador está indagando. Se teve
de... Dos gastos afetuados com esses recursos. E pagamento também do Ministério do Turismo.
evidentemente, se há um convênio, se houve presta- NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não.
ções de contas, se o Ministério da Cultura avaliou a SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Esse
aplicação desses recursos... Eu creio que sem essa pagamento não diz respeito ao réveillon?
documentação nós não temos condições de fazer ne- NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, nenhum outro.
nhuma avaliação a respeito. SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – O que
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) nós indagamos é se houve esse repasse. Se algum ou-
– Mas tem um fato aqui. O Ministério do Turismo no tro convênio foi celebrado com o Ministério do Turismo
exercício de 2008, que evidentemente não é foco da desta feita, e não com o da cultura. E há informações
CPI, mas nós podemos pedir ao Ministério Público de que os entendimentos foram feitos por V.Sª com o
que apure, o Ministério do Turismo passou mais dois assessor do Ministério do Turismo.
milhões. SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – O
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É isso assessor parlamentar. Vamos ser bem claro para não...
que eu queria indagar em seguida. Qual é a relação de V.Sª com o assessor parlamentar
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) do Ministério do Turismo ou de alguém da...
– A título de que? NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, da assessoria
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu parlamentar do Ministério do Turismo eu me reporto
como eu era funcionária daqui, como qualquer outro
queria indagar em seguida isso. Se a ONG recebeu
assessor, que você tem que se dirigir até lá.
dois milhões de reais no ano de 2008, já no ano de
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
2008. Portanto, depois da publicação dessa matéria da
– Sr. Paulo Pires.
revista época consta que a ONG teria recebido dois
NAIR QUEIROZ BLAIR – Na época... É, era o
milhões do Ministério do Turismo. assessor parlamentar. Nem sei se ainda está.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu não tenho conhe- SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – E
cimento-- há pouco a senhora disse que não conhecia ninguém.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – In- Agora já conhece?
clusive com detalhes que o assessor do Ministério do NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Não é que
Turismo, a visita em sua residência, que há uma rela- eu tenha intimidade. Da forma que ele aceitou ali, ele
ção de amizade... disse que ele vai na minha casa... Eu não conheço.
NAIR QUEIROZ BLAIR – No Ministério do Tu- Ele não vai na minha casa. Eu conheço a pessoa da
rismo? assessoria parlamentar como conheço outras pesso-
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – No as que fazem o atendimento na assessoria, mas eles
Ministério do Turismo. nunca foram na minha casa.
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SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
Foi ele que viabilizou esses dois milhões? – Sim.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não teve dois mi- NAIR QUEIROZ BLAIR – No mesmo camaro-
lhões do Ministério do Turismo. te, sim.
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A se- SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
nhora conhece a produtora de vídeo Master Brasil? – Só no camarote?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Não me recordo, NAIR QUEIROZ BLAIR – Só no camarote.
não. Eu não conheço nenhuma produtora de vídeo, SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
Excelência. Existem vídeos que mostram que não foi só no cama-
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas rote. Eu quero só deixar bem claro para a senhora...
há um processo contra a senhora ou contra a ONG NAIR QUEIROZ BLAIR – Ok, não tem problema.
para recebimento de... Mas no camarote. Até porque normalmente quando vou
NAIR QUEIROZ BLAIR – Quando eu falei ante- a Parintins vou com minha família. Então eu assisto
riormente, eu acho que houve dois ou três processos um boi num dia, outro no outro, porque eu tenho al-
contra a instituição em função de alguns pagamentos, gumas crianças pequenas, eles também fazem parte,
uma empresa de transporte que era de Goiânia que gostam de ir--
diz que trabalhou no réveillon mas que... Até me cita lá, SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
sou a Nair, eu tive que me defender que eu numa ouvi, – Mas esteve lá com... Eu quero apenas... No caso
não conheço, porque até porque eu não fazia parte da eu quero lhe proteger para que não haja depois uma
instituição nessa parte mais íntima, administrativa de comprovação--
pagamento, teve um ou dois mas eu não me recordo NAIR QUEIROZ BLAIR – Não tem problema. Pa-
qual, contra a instituição que tentamos, já que eu ha- rintins, como eu havia falado anteriormente, eu estou
via sido citada, eu fui no Ministério da Cultura, fiz um aqui para tentar esclarecer aquilo que eu puder ou não.
Requerimento pedindo que qualquer informação que E não vou me refutar a responder o que eu souber.
tivesse a meu respeito que eles passassem, nada tinha, SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – No
fui no Ministério Público... Fui em todos os lugares que exercício de sua atividade frequentava constantemente
a revista dizia que eu tinha sido citada, eu fui procurar. o Palácio do Planalto, ou raramente ou nunca?
Mas não tinha absolutamente nada. Inclusive fui, con- NAIR QUEIROZ BLAIR – Quando eu estava
tratei um Advogado na época, constituí para-- aqui?
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Você SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – É.
trouxe esses documentos para cá, para a CPI? NAIR QUEIROZ BLAIR – Olha, sinceramente,
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, mas eu posso Senador, vou lhe falar numa situação bem humilhante.
entregar. Não tem problema. Nos quatro primeiros anos eu ia todo dia e nada acon-
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Se- tecia, e de dois anos... Um pouco de dois anos para cá
nador Heráclito, vamos solicitar à assessoria que pre- que a gente conseguiu ter algum acesso para que as
pare o Requerimento solicitando a documentação do coisas da Prefeitura de Manaus fossem efetivamente
Ministério da Cultura sobre esse convênio, celebrado priorizadas. Mas eu ia todo dia. Mas não entrava--
para o evento do final do ano de 2007 e um Requeri- SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
mento indagando do Ministério do Turismo se houve Agora, mais recente?
celebração de convênio com a instituição. Para dar NAIR QUEIROZ BLAIR – É. Consegui ter mais
resposta a essa indagação de que teriam sido repas- acesso, acho que de tanta insistência--
sados mais dois milhões de reais depois da denúncia SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – E na
feita pela revista Época. capacitação de recursos orçamentários através de
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – emendas parlamentares, seu trabalho foi bem suce-
Em que circunstâncias o assessor parlamentar do Minis- dido ou não?
tério do Turismo foi com V.Sª à cidade de Parintins? NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu acho que sim, por-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Comigo, não. Ele teve que eu consegui êxito na liberação.
lá com a Ministra Marta... Não sei se 2006, 07... Eles SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Para
tiveram em Parintins. Mas uma comitiva maior. a ONG. Para esta ONG.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Meu trabalho
Mas esteve com a senhora? parlamentar era estritamente em função dos interesses
NAIR QUEIROZ BLAIR – Comigo? do meu parlamentar. Para ela não... Inclusive--
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SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – A se- caro Presidente e relator, nós temos aqui um compro-
nhora pedia recursos para a ONG ou não? vante de liberação. Última liberação no dia 14 de feve-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Porque meu reiro de 2008. Não, 14/08/08. 300 mil reais. 14/08/08,
Senador eminentemente proibia. 300 mil reais, valor da última liberação. Portanto, não...
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Mas Agência Nacional de Gestão de Recursos para a hiléia
há uma declaração aspirada do seu Senador aqui. Que Amazônia. Então, houve essa liberação nesse dia, de
a matéria da revista cita textualmente que o Senador 300 mil reais. Não sei se esse é o total do convênio.
Jefferson Peres foi procurado pela senhora pedindo a Creio que só esse Requerimento de informação pode
inclusão de emenda ao orçamento para a Angra Ama- esclarecer.
zônica. Diz o Senador – “Em novembro ela me pediu SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
para que incluísse emendas ao orçamento para a Angra A última parcela está claro que não é...
Amazônica. Achei estranho e não atendi ao pedido.” SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Aqui
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu levei inclusive, na diz valor da última liberação. Última liberação, 300 mil.
época, os Presidentes, as pessoas que estavam aqui, Valor da contrapartida, 30 mil. Para a ONG Angra Ama-
porque num período que tem as emendas, eles vem. zônica. Isso do Ministério do Turismo. Portanto, além
E me perguntou, eu falei – “Senador...” Expliquei exa- do Ministério da Cultura, há recursos do Ministério do
tamente, porque com ele sempre foi tudo muito corre- Turismo. Nesse caso essa liberação ocorreu no dia
to, como com todos os outros Senadores. “Aqui está 14/08/08. Sr. Presidente, eu não tenho mais nada a
a Angra, tem isso, isso e isso. Eles precisam de uma indagar e agradeço a V.Exª.
emenda como eu havia falado anteriormente.” Porque SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
chegava no Ministério, apresentava projeto e não pode. – Eu queria só... Fora esse evento, a Angra Amazônia
Só com emenda de bancada. Esperava-se 12 meses, participou... Já que a atuação de vocês é na área am-
não liberava a bancada. Aí eu falei – “Senador, eles biental. O que vocês fizeram de concreto na Amazônia
estão tentando mais uma vez uma emenda.” Aí ele fa- utilizando recursos arrecadados através da ONG?
lou – “Não concordo e não faz parte da minha linha de NAIR QUEIROZ BLAIR – Na época que eu estava
atuação.” E atendeu, como vocês conheciam o Senador a nossa meta realmente era a área ambiental. Infeliz-
Jefferson, ele era muito sucinto, muito prático, disse – mente o senhor não estava aqui mas eu posso repetir
“Olha, eu lamento mas não é meu perfil. Eu tenho dois para o senhor. Foi feito um trabalho que inclusive hoje
grandes projetos que eu quero dar continuidade, vou ele está feito uma parceria com o Instituto de Pesqui-
insistir mesmo que o Governo não tenha interesse em sa da Amazônia na época, porque alguns técnicos do
fazer, que é o linhão, que é beneficiar algumas cidades INPA precisavam... Desculpa se eu falar alguma coi-
inclusive Parintins, e mais outras e o centro histórico sa errada, porque não é bem a minha área. Eu só sei
de Manaus. Eu não posso porque foge do meu perfil.” porque eu fazia parte como membro lá e vi que foi um
E eu fiz a minha parte. Só coloquei as pessoas junto trabalho bem interessante. A Amazônia tem um pro-
a ele e apresentei. Mas em nenhum momento impus blema muito sério de falta de energia. Então, tinham
ou coloquei, porque o Senador ele me tinha um grau alguns produtos que precisavam ser transportados e
de confiança muito grande. Então, eu cuidava efetiva- chegavam na região centro-oeste para beneficiamen-
mente dele. Independente de eu estar ou não, vamos to, como cupuaçu, camu-camu, açaí e outras frutas,
dizer, interessada que um amigo meu fosse atendido, chegavam de um Estado de putrefação muito alto. E
eu deixava a critério dele se ele faria o atendimento na época o instituto passou para esse grupo de estudo
ou não. Eu nunca impunha tal solicitação. que fazia parte da Angra para que ele desenvolvesse
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Eu... um tipo de sistema que dissecasse e criasse uma forma
Então, de fato existia essa intermediação junto a parla- que esse material fosse transportado da região norte
mentares para a consignação no orçamento de emen- para a região sul sem que perdesse a qualidade e o
das parlamentares? valor nutritivo para que lá fossem feitos cosméticos. Foi
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não junto. Foi só em apresentado um projeto anterior entre o INPA, a Angra
relação a ele em função da proximidade-- e a SUFRAMA, mas não passou porque faltava ainda
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Só um quadro de técnicos que é exigido para você... Que
em relação ao Senador? a Amazônia é bem rigorosa em relação a--
NAIR QUEIROZ BLAIR – Só foi com ele. Que eu SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
fui pessoalmente pedir. Quando receberam para esse projeto?
SENADOR ALVARO DIAS (PSDB – PR) – Bem, NAIR QUEIROZ BLAIR – 50 mil. 50 mil reais de...
em relação aos recursos do Ministério do Turismo, meu Do INPA. Instituto de Pesquisa da Amazônia. Porque
56184  Sexta-feira  30  DIÁRIO DO SENADO FEDERAL  Outubro de 2009

o projeto dava... Era o valor que eles dispunham para SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
fazer e foi um pouco de desafio que se pegou e se fez. Tem a palavra V.Exª.
Aí, posteriormente não se conseguiu mais nenhum tipo SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Nós sa-
de recurso porque eles alegavam o seguinte, prestou- bemos que o Governo Federal não cuida de réveillon
se conta, fez tudo direitinho, e aí eles informavam que aqui em Brasília. Eu gostaria que a Sra. Nair--
precisavam... Apresentava-se o projeto, como você abre SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
o orçamento, você apresenta um vários órgãos aquilo E se cuida é em convênio com o Distrito Federal.
que você acha que pode participar dentro da progra- SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Eu gos-
mação distinta de cada Ministério ou órgão vinculado. E taria que... Quem do Distrito Federal que estava orga-
infelizmente não aprovava, não acontecia, outras con- nizando a festa... Citar o nome de alguém da adminis-
seguiam coisas menos relevantes ou mais relevantes tração para nós conversarmos.
e a instituição não conseguia. Partindo disso, depois NAIR QUEIROZ BLAIR – Mas eu não tenho como,
de quatro anos ou quase cinco de grandes tentativas, Senador. Infelizmente, porque eu não estava na insti-
e ela não conseguia fazer nada, absolutamente nada, tuição neste período. Eu tentei resolver uma situação
nada, foi que se partiu para essa situação de alterar para amigos no Estado que estavam precisando--
para se fazer a apresentação. SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Mas V.Sª
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) falou, e repetiu, que alguns fornecedores... V.Sª falou
– Me diga uma coisa, na Master Brasil quem eram as isso, que correram atrás para pagamento e que o dis-
pessoas que V.Sª mais se ligava, tinha mais ligação? trito que honrou o pagamento.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Mas eu não sei qual NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, eu não sei se
é a Master Brasil. honrou. A responsabilidade de pagamento dessas
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – empresas seriam de outro grupo. Porque era um ré-
veillon, se não me engano, não me lembro bem, mas
É uma empresa de vídeo.
a responsabilidade da Angra era um. Ela não incluía
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Porque a respon-
vídeo. Não incluía. Inclusive esse vídeo--
sabilidade do vídeo ficou com o Governo local. Não era
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Não, não
da nossa competência.
estou falando de vídeo. Estou falando da festa.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, mas o senhor
– A senhora não teve nenhum contato com a Master
não disse que é da...
Brasil?
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Não. Estou
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não.
falando da festa. Estou falando da festa, do réveillon.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
Quem do distrito, quem da administração do Distrito
Nem jantou com o pessoal da Master Brasil, o Dr. Paulo Federal participou, teve contato com a Angra, com os
Pires, no restaurante Nippon em outubro de 2007? grupos folclóricos? Quem?
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Nunca jantei com NAIR QUEIROZ BLAIR – Infelizmente isso eu não
o Dr. Paulo Pires. posso lhe informar. Porque eu não fazia parte dessa
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Comissão. Ela era feita pelo Presidente, pelos outros
No restaurante Nippon? membros e pelos dois bois. Eu não ia.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. O Nippon eu SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Nós pre-
sempre ia quando eu morava aqui, uma vez por se- cisamos ver, Presidente, do Distrito Federal. Quem era
mana, mas não. que fazia o contato, quem... Porque a senhora Nair falou
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – e repetiu que alguns fornecedores, atrás de pagamen-
Nunca teve com o pessoal da Master? tos, acabaram indo no Governo do Distrito Federal.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Eu uma vez estive com NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Acabaram indo na
o meu amigo, Presidente da Angra, ele estava com Angra, eu posso lhe afirmar pelo que eu vi, porque foram
umas pessoas mas eu não sei quem eram. Ele estava contra a Angra, depois na matéria e contra mim.
jantando, eu cheguei e fiquei lá. SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Não, não.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Isso é outra coisa. Isso é outra coisa.
A senhora não sabia que era o Dr. Paulo Pires? NAIR QUEIROZ BLAIR – Agora, como eles fo-
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, o Dr. Paulo Pires ram receber, se receberam, eu não sei.
eu sei quem é. Eu conheço. Eu vivo lá. Vivia quando [Falas sobrepostas]
eu trabalhava. Mas eu não jantei, com ele eu nunca SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – A outra,
jantei lá. eu gostaria de separar isso. Separar a festa. Primeiro o
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Governo Federal, Ministro Velfor, Ministro Gilberto Gil, aqui o porquê que eu me bato, meu caro relator, para
Ministra Marta. Todos os Ministros verão a festa. Todos. esclarecimentos com relação às ONGs. Uma entidade
A outra, é esse evento que aconteceu em Brasília que que se propõe a trabalhar na região amazônica com
uma ONG recebeu um valor exorbitante. destinação específica, vem para Brasília fazer festa.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Tomando, inclusive, funções dos que aqui vivem e que
Eu queria a curiosidade de saber quanto ganhou o boi trabalham no setor. E festinha cara essa, hein? Eu ti-
pelo cachê. Quanto ganhou o boi? nha vontade de ver quanto é o orçamento lá do boi em
SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Nada. Os Parintins, SENADOR JOÃO PEDRO. Quanto é que
artistas passaram fome aqui em Brasília. custa. Porque se você colocar a dimensão daquela fes-
NAIR QUEIROZ BLAIR – O cachê do boi? Ca- ta, a proporção daquela festa com esses dois milhões
chê do boi, boi? aqui para uma apresentação de uma hora... Não estou
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) dizendo que V.Exª tem culpa, não. V.Exª pode estar
– Do boi. Do boi. sendo engolida. Isso é um sistema. Isso é um sistema
SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) – perverso. Agora, não é possível que o Brasil continue
Do boi. O garantido recebeu quanto e o caprichoso bancando esta farra do boi. Essa é a verdadeira farra
recebeu quanto? do boi, com dinheiro público.
NAIR QUEIROZ BLAIR – De cachê, cada mem- SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – No caso
bro, cada participante recebeu mil reais. da ONG.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
São quantos participantes? Esse boi foi espetado.
NAIR QUEIROZ BLAIR – 300. 150 de cada SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Estão
boi. utilizando a festa lá para fazer festa aqui e maltrata os
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) artistas que saem de Parintins, de Manaus...
– 300 mil reais. Vamos lá. E os... Aí sobra um milhão SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
e oitocentos. Esse um milhão e oitocentos restante, – O boi levou cano.
para que era? NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não.
NAIR QUEIROZ BLAIR – Teve queima de fogos, SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
porque eu tive acesso à prestações de contas, queima Pelo que está dito aqui, tiveram que fazer vaquinha para
de fogos 500 mil. passagem de volta, o hotel está sem ser pago...
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) NAIR QUEIROZ BLAIR – Nós fizemos a vaquinha
– 500 mil reais? Mais caro do que Brasília gastou on- porque o Governo não pagou na data prevista. Então,
tem. você faz um evento e como é que você vai ficar com
NAIR QUEIROZ BLAIR – Não sei quanto Brasília 300 pessoas colocadas num hotel caro--
gastou. Eu sei que... SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Eu acho que nós temos, relator, que requisitar toda a
500 mil reais de fogos, minha senhora... documentação desse evento.
NAIR QUEIROZ BLAIR – 500 mil reais de fogos, SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
o Governo Federal só liberou 100 mil. Imediatamente.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
Não, mas já tá aqui o dinheiro pago. Vocês receberam Imediatamente requisitar. Porque sinceramente...
dois milhões, 187. Ainda sobra um milhão e 300. SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Vou fazer
NAIR QUEIROZ BLAIR – Paga os 14 bandas... um Requerimento para nós apurarmos os gastos do
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) Distrito Federal no réveillon de 2007.
– 14 bandas? SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
NAIR QUEIROZ BLAIR – Sim. 14 bandas. Além – Certo. V.Exª tem razão. Vamos fazer o levantamento
da participação de garantido e caprichoso tiveram mais da festa. Até pra ver se houve cruzamento de gastos,
14 bandas. Bandas locais... sobreposição de gastos. V.Exª tem absoluta razão. Eu
[Falas sobrepostas] acho que esse é um caso que merece esclarecimento.
SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Nem a Ivete Sangalo hoje é tão cara como essa festa
O primeiro ponto que a gente tem que ver é que essa desse boi aqui. E olha que a Ivete só anda de avião
ONG tem que ser fechada por desvio de função. A próprio, tem um esquema de segurança terrível.
preservação ambiental da Amazônia veio para cá fa- SENADOR INÁCIO ARRUDA (PCdoB – CE) –
zer festa. É algo inteiramente inaceitável. Vocês vejam Sr. Presidente, acho que nós poderíamos formalizar o
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Requerimento porque ficou uma dúvida que é crucial, SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI)
que precisa ser bem esclarecida. Porque surgiu aqui – Mas a senhora não conhece a Master vídeo? Não
um questionamento feito pelo SENADOR ALVARO sabe quem trabalha--
DIAS de pagamento duplo. E a gente precisa esclare- NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, não. Isso aqui me
cer. Porque fica mais grave se tiver tido um pagamento mandaram porque foi feito por essa Parintins.
duplo. Porque o pagamento do Ministério da Cultura SENADOR HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) –
está bem explícito, foi pago dois milhões, cento e ses- Sabe o valor desse vídeo?
senta e poucos mil reais pelo Ministério da Cultura. NAIR QUEIROZ BLAIR – Não, eles fizeram grá-
Esse pagamento foi executado. Agora, se além desse tis.
pagamento para essa mesma festa também tiver um SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Presi-
pagamento do Ministério do Turismo, então você eleva dente, só para esclarecer na linha da investigação. O
de mais de dois milhões... Então essa dúvida precisa vídeo aí tem uma hora de espetáculo. Para comprovar
ficar muito bem esclarecida. Por isso que acho que o que houve espetáculo. Ponto. Mas o recurso é para o
melhor é nós requerermos ao Ministério do Turismo um réveillon. E a Sra. Nair falou que houve pagamento de
Requerimento específico para o Ministério do Turismo 14 bandas. Então, ou seja, nós temos uma hora de
sobre o convênio dele em relação a essa festa, em re- show e mais X minutos referentes a 14 bandas. Minha
lação a esse evento e em relação à Angra Amazônia. pergunta – Ou seja, na realidade eu estou entendendo
A mesma para o Ministério do Turismo e da cultura. agora que a ONG recebeu... Fez um convênio não só
Deixar bem claro para saber se teve atuação separada para o espetáculo do boi-bumbá?
para o mesmo evento. Porque isso daria pagamento NAIR QUEIROZ BLAIR – Não. Fez para a festa
duplo. O segundo, nós examinarmos porque precisaria como um todo.
fazermos uma apuração, porque a Sra. Nair ela nos SENADOR JOÃO PEDRO (PT – AM) – Para
entregou esse vídeo e esse vídeo é e