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GEOGRAFIA A

Arinda Rodrigues

ATUAL E COMPLETO
De acordo com
Aprendizagens Essenciais
Explicação de todos os conteúdos

800 questões com resposta detalhada

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e respostas online

«^1
LpYà EDUCAÇAO
ÍNDICE

I n t rod u çã o________________________________1
Tema II
Como estudar____________________________ 4 OS RECURSOS NATURAIS DE QUE A POPULAÇÃO
Como interpretar e responder DISPÕE: USOS, LIMITES £ POTENCIALIDADES
a diferentes tipos de questões______________ 5
Como preparar o Exame Nacional___________ 7
Subtema 1 - Os recursos do subsolo
Aprendizagens, termos e conceítos_ 48
Parte I -10.° ano I. Recursos geológicos 49
II. Recursos energéticos 54
III. Limitações e riscos da exploração
Módulo Inicial de recursos geológicos________________ 56
A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO
Sí n tese__________________________________ 5 8
Aprendizagens, termose conceitos_________ 10 Ava I i a ç ã o._______________________________ 60
I. O território português__________________ 11
II. Portugal na Europa____________________ 16
Subtema 2 - A radiação solar
II. Portugal no Mundo____________________ 18 Aprendizagens, termos e conceitos________62

Síntese__________________________________20 I. Ação da atmosfera sobre


a radiação solar 63
Ava I i a çã o_______________________________ 21
II. A variação da temperatura
e seus fatores________________________ 66
Tema I III. Valorização económica
A POPULAÇÃO, UTILIZADORA DE RECURSOS da radiação solar 68
E ORGANIZADORA DE ESPAÇOS Sí n tese__________________________________ 70
Avaliação________________________________ 71
Subtema 1 - A população:
evolução e diferenças regionais Subtema 3 - Os recursos hídricos
Aprendizagens, termos e conceitos________ 22 Aprendizagens, termos e conceitos________ 72
I. População e comportamentos I. As especificidades do clima português 73
demográficos 25 II. As disponibilidades hídricas_____ 80
II. Estruturas e comportamentos III. Gestão dos recursos hídricos 84
soc i ode m og ráfi cos____________________ 2 8 Sí n tese__________________________________ 90
II. Principais problemas Ava I i a ç ã o._______________________________ 9 2
sociodemográfico s____________________ 3 5
Síntese_________________________________ 38 Subtema 4 - Os recursos marítimos
Avaliação_______________________________ 40 Aprendizagens, termos e conceitos________ 94
I. O litoral português____________________ 95
Subtema 2 - A distribuição da população II. Atividade piscatória___________________ 99
Aprendizagens, termos e conceitos_____ 42 III. Gestão do litoral e do espaço
I. Assimetrias regionais na distribuição marítimo 102
espacial da população________________ 43 Síntese_________________________________ 104
II. Fatores que influenciam a distribuição Avaliação____________________ 106
da população_________________________ 44
III. Problemas associados aos contrastes
na distribuição da população 45
Síntese___________________ 46
Avaliação________________________________ 47

2
Parte II -11.° ano Tema V
A INTEGRAÇÃO DE PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA:
NOVOS DESAFIOS, NOVAS OPORTUNIDADES
Tema III
OS ESPAÇOS ORGANIZADOS PELA POPULAÇÃO:
ÁREAS RURAIS E URBANAS Subtema 1 - Portugal na União Europeia
Aprendizagens, termos e conceitos 186
I. Alargamentos da União Europeia 187
Subtema 1 - As áreas rurais em mudança
IL Política ambiental da União Europeia 190
Aprendizagens, termos e conceitos 110
III. Política regional da União Europeia 194
I. Áreas rurais, em Portugal______________ 111
S ínte se_________________________________ 198
II. A Política Agrícola Comum 120
Ava I i açã o______________________________ 199
III. Novas oportunidades para
as áreas rurais_______________________ 124
S ínt ese_________________________________ 132 Parte III - Provas-Modelo
Ava I i a çã o_______________________________ 134
de Exame
Subtema 2 - As áreas urbanas: Prova-Modelo 1_________________________ 202
dinâmicas internas Prova-Modelo 2__________________________212
Aprendizagens, termos e conceitos________ 136 Prova-Modelo 3_________________________ 222
I. Organização interna__________________ 137 Prova-Modelo 4_________________________ 232
II. A expansão urbana___________________ 144 Prova-Modelo 5________________________ 242
III. A qualidade de vida urbana____________ 147 Prova-Modelo 6________________________ 252
Síntese_________________________________ 150 Prova-Modelo 7_________________________ 262
Ava I i a çã o_______________________________ 152 Prova-Modelo 8 272

Subtema 3 - A rede urbana portuguesa


Parte IV - Soluções
Aprendizagens, termos e conceitos_____ 154
I. A rede urbana portuguesa____________ 155 Soluções dos exercícios e avaliações 282
II. Reorganizar a rede urbana nacional 159 Soluções das Provas-Modelo de Exame 297
III. Reconfiguração do território___ 160
S ínt ese_________________________________ 162 Glossário______________________________ 310
Ava I i a çã o_______________________________16 3

Tema IV
A POPULAÇÃO: COMO SE MOVIMENTA E COMUNICA

Subtema 1 - Os transportes
e as comunicações
Aprendizagens, termos e conceitos_______ 164 Aprender é incrível.
I. Diversidade dos modos de transporte__ 165
II. Desigualdade espacial ✓ TESTE DIAGNÓSTICO
das redes de transporte_______________ 168
✓ SIMULADOR DE EXAMES
III. As telecomunicações
✓ EXAMES E RESOLUÇÕES
e os seus impactes___________________ 176
S ínt ese_________________________________ 182
Site em www.leyaeducacao.com
Ava I i a çã o_______________________________ 184

3
COMO ESTUDAR

Estudar e aprender é, antes de mais, uma atitude que facilita muito a aprendizagem e se
traduz na vontade e no gosto de conhecer e de compreender o que nos rodeia.

Se queres desenvolver esta atitude, aqui ficam algumas sugestões.

l.° Aproveitar bem o tempo das aulas:

• cumprir as regras de participação nas aulas;


• ouvir, tentar compreender e integrar os novos conhecimentos nas aprendizagens
anteriores;
• esclarecer as dúvidas, de modo a apreender os conteúdos de forma clara;
• tomar notas - há esclarecimentos e exemplos concretos que não estão no manual
e que são uma grande ajuda para a boa compreensão dos conteúdos;
• participar e realizar as atividades propostas, para desenvolver as competências es­
senciais, que são sempre requeridas nos momentos de avaliação, incluindo o exame
nacional.

2° Estudar de forma regular e contínua:


• planear o tempo de trabalho, elaborando um horário que possa ser cumprido;
• cumprir o plano previamente elaborado, mesmo que seja necessário alterá-lo;
• estudar:
- orientar o estudo pelo caderno diário, estudando os conteúdos pela ordem dos
sumários das aulas;
- ler e compreender o manual e outros apontamentos da aula;
- sistematizar e esquematizar a matéria.

• esclarecer as dúvidas que surgirem durante o estudo junto do(a) professor(a).

3.° Preparar os testes:

Começar a preparar os testes atempadamente, de modo a ter tempo para:

• rever toda a matéria, utilizando o manual, as sínteses e os esquemas elaborados durante


o estudo;
• refazer exercícios já realizados na aula, do manual e do caderno de atividades;
• fazer exercícios das provas de exame, referentes à matéria prevista para o teste;
• reler as conclusões dos trabalhos, práticos realizados nas aulas ou como TPC.
• esclarecer as dúvidas que surgirem Junto do(aj professorfa}.

4
COMO INTERPRETAR E RESPONDER A DIFERENTES TIPOS DE QUESTÕES

Tipo de questão Como responder


Aponta r/lndicar/ Exemplos:


Enunciar/ i
1, Indica/aponta duas culturas temporárias de regadio.
Enumerar/Mencionar ll 2* Enumera/enuncia três fatores da queda da natalidade.
Geralmente, estes I 3. Menciona quatro países do alargamento da UE, em 2004.
verbos utilizam-se I
ii
I
I

em questões de resposta
Deves responder apenas o tipo e número de itens pedido,
sem necessitar de explicar ou desenvolvera resposta.
curta e direta. B B I
h
I
BB II
■i I

Identificar = dizer qual é. Exempla:


I I

Quase sempre este verbo 1, Identifica, no mapa/gráfíco, as NUTS III com taxa de natalidade
é utilizado em questões superior a 10%&.
de interpretação I

de mapas, gráficos Deves observar o mapa, ou o gráifico, verificar quais as NUTS III que
ou outros documentos. se inserem na classe «>10%c> e escrever os respetivos nomes.

B I
I I
i I
I

Exemplas:
I
I
i
I 1. Seleciona a opção correta.
I- 2. Seleciona as opções corretas.
Selecionar = escolher. 3. Seleciona, de entre os exemplos, o que corresponde a...

I
I I
I

Deves selecionar o número de itens pedido ou, se for indefinido, apontar


I
I
i
I
todos os itens que corresponderem ã condição colocada na questão.

BI BB II
i

Exempla:
I
I
i
1, Descreve a informação representada no gráfico/mapa
I 1 I
i
i


Deves descrever a informação do gráfico/mapa, de forma clara,
I
i
i ordenada e completa.
Descrever = dizer/
I I
I
I

escrever o que se Um gráfico:


observa. 1°. Identificar o fenómeno representado.
I
I
1 2° Verificar e indicar as variáveis de cada eixo.
Geralmente, aplica-se 3° Indicar a data/ano inicial e o respetivo valor.
à análise de gráficos, 4o, Identificar as datas/anos com valores que evidenciam uma
mapas e fotografias. alteração de sentido ou no ritmo da variação, marcando
i
■ !
períodos diferentes.
!
I
i
5°. Descrever a variação em cada período: sentido {mantém-se,
I
I
i
diminui, aumenta) e ritmo (lento, rápido, muito rápido).
6o. Referir a última data/ano do período histórico
e correspondente valor.

7T Concluir com a tendência global de evolução, se estiver
I
i
I
representada.
Nota: embora não seja • B
1
I
'
I
i
pedida a descrição, Um mapa:
I
qualquer questão que I
I
1? Indicar o fenómeno representado, o espaço em que ocorre
se baseie na interpretação I
I
1 e a data ou período a que se refere.
de um gráfico ou mapa
exige que se siga este
I
I
I
2, ° Verificar as classes da legenda.
processo de análise, mesmo I
i
3, ° Identificar as regiões onde se registam:
I
que apenas mentalmente. - os valores da classe mais baixa;
• ■ F I
I
i
I
- os valores das classes intermédias;
!
I
i

1
- os valores da classe mais alta. I

4/ Concluir, resumindo os principais contrastes geográficos


que se evidenciam.

5
COMO INTERPRETAR E RESPONDER A DIFERENTES TIPOS DE QUESTÕES

Tipo de questão Como responder

Exemplo:
1. Explicita a afirmação: «Portugal, através dos portos marítimos,
pode tornar-se uma porta do Atlântico, no contexto europeu.»
Explicitar
Indicar o significado de
Deves indicar as características dos portos marítimos portugueses
(águas profundas, capazes de receber navios de grande tonelagem)
um conceito/símbolo/
e os objetivos da Política Europeia dos Transportes de reduzir
afirmação.
a importância do modo rodoviário e aumentara do transporte
marítimo de média e curta distância, concluindo com o papel que os
portos portugueses podem ter na receção de mercadorias do resto
do mundo e na sua distribuição para a Europa.

Exemplo
Explicar 1. Explica o processo de formação das chuvas orográificas.
Tornar percetível Deves começar por indicar o significado da expressão «chuvas
um fenómeno/ orográficas» (provocadas pelo efeito de barreira de relevo) e, depois,
acontecimento/processo. descrever o processo que permite a sua formação (subida do ar
húmido, que arrefece, provocando a condensação do vapor de água).

Justificar Exemplos:
Apresentar as razões 1. Justifica a irregularidade sazonal da precipitação, em Portugal.
que fundamentem 2. Justifica a tua resposta à questão anterior.
a afirmação ou fenómeno Deves indicar, no primeiro exemplo, os fatores que provocam as
em causa. diferenças na precipitação ao longo do ano; no segundo exemplo,
indica as razões que te fizeram dar a resposta anterior.

Exemplo:
1. Relaciona a evolução da taxa de natalidade e da esperança média
de vida com a da estrutura etária da população portuguesa.

Relacionar Deves:
Estabelecer a relação/ 1. ° Explicitara primeira parte da relação, indicando como evoluíram
ligaçâo/associação a taxa de natalidade e a esperança média de vida em Portugal.
que existe entre dois 2. ° Indicar as implicações da evolução dos dois indicadores
ou mais factos/assuntos/ na estrutura etária (descida da taxa de natalidade - menor
fenómenos. número de jovens; aumento da esperança média devida -
maior número de idosos).
3. ° Concluir com o efeito da variação da população jovem e idosa
na estrutura etária - duplo envelhecimento demográfico (pela
base e pelo topo da pirâmide etária).

Exemplo:
1. Argumenta a favor/contra/indedso, a exploração de petróleo na
costa nacional, tendo em conta aspetos económicos e ambientais.
Deves
Argumentar
1, ° Contextuaiizar a questão na unidade programática
Apresentar argumentos,
(recursos do subsolo), indicando a situação energética
razões.
de Portugal (dependência face aos combustíveis fósseis
e potencialidades de produção de energias renováveis).
2, ° Indicar a tua posição: a favor ou contra.
3? Apresentar os argumentos que justificam a tua posição,
mencionando questões económicas e ambientais.

6
COMO INTERPRETAR E RESPONDER A DIFERENTES TIPOS DE QUESTÕES

Tipo de questão Como responder

■ Tii fr
I

Comentar Exemplo:
Exige uma resposta I ■
1. Comenta a estrutura modal do transporte de mercadorias
de desenvolvimento ! ü
no território da União Europeia.
de forma organizada I
I
I
ii
Deves
e, geralmente, 1? Explicitar a afirmação contida na pergunta, Indicando o
envolvendo a relação significado de estrutura modal e caracterizando a estrutura
entre vários assuntos, modal do transporte de mercadorias na União Europeia,
assim como a conclusão indicando o modo ou modos de transporte mais utilizados
I ■

de quem elabora a e a tendência de evolução.


• ii
resposta. 2. ° Indicar as consequências/problemas resultantes dessa

situação. Neste caso, serão consequências e problemas
I
de vária ordem (ambientais, económicas e sociais}, devendo
Nota: as questões de
comentário, muitas vezes, ! *
ser todos mencionados.
aplicam-se a notícias/ 3. " Referiras principais medidas da Política Europeia
acontecimentos atuais, de Transportes para fazer face a esses problemas.
sendo necessário explicitar 4. ° Concluir a resposta, integrando este problema num mais
a ligação do assunto
abrangente que é o perigo das alterações climáticas,
em causa à matéria
da disciplina.
para justificar a necessidade da sua resolução.

COMO PREPARAR O EXAME NACIONAL

A melhor preparação é a organização e a regularidade do estudo ao longo do 10? e do 11? anos.


No entanto, é sempre necessário fazer uma preparação mais próxima:

1 Ler, no manual, o primeiro subtema e sistematizar a informação.


2. Ler e sistematizar esse mesmo assunto na Exame de Geografia A ano. Compa­
rar e conjugar as duas fontes de informação. Sempre que encontrares um Verifique se
sabes, responde às questões propostas antes de continuares. Estas questões servem
para ajudar a verificar e sistematizar os conhecimentos.
2. No final de cada subtema, realizar a página de Avaliação, comparar as respostas
dadas com as sugeridas nas soluções (para desfazer qualquer equívoco e completar
as respostas que ficarem incompletas) e voltar a estudar os assuntos em que tiveste
maior dificuldade.
4, Estuidar todos os subtemas, repetindo os mesmos procedimentos.
5, No final de cada tema, elaborar um esquema organizador dos respetivos conteúdos,
de modo a interiorizar as relações entre os diferentes assuntos desse tema.
6. Depois de estudares todos os temas, resolver as provas-modelo de exame e comparar
as respostas com as que são apresentadas nas soluções.
7. Esclarecer as dúvidas e voltar a estudar os assuntos em que houve mais respostas
incompletas ou incorretas.

Nota: é muito importante seguir as notícias da atualidade - muitas relacionam-se com os assuntos
de estudo da disciplina de Geografia A. tornando-se natural que algum dos assuntos noticiados durante
o ano letivo seja mobilizado para questões do exame nacional.

7
Parte I
10.° ANO
Módulo Inicial
A posição de Portugal na Europa e no Mundo

Tema I
A população, utilizadora de recursos
e organizadora de espaços
1. A população: evolução e diferenças regionais
2. A distribuição da população

Tema II
Os recursos naturais de que a população dispõe:
usos, limites e potencialidades
1. Os recursos do subsolo
2. A radiação solar
3. Os recursos hídricos
4. Os recursos marítimos
Módulo Inicial I. O território português

A posição de Portugal II. Portugal na Europa

III. Portugal no Mundo


na Europa e no Mundo

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Conhecer as unidades territoriais que constituem Portugal.
• Conhecer a posição de Portugal continental e insular, na Europa e no Mundo.
• Reconhecera importância da localização na explicação geográfica, analisando mapas.
• Compreendera importância e as implicações da integração de Portugal na União Europeia.
• Compreender a importância do espaço lusófono e das relações privilegiadas de Portugal com a CPLP
• Compreender o papel das comunidades portuguesas na promoção da nossa língua e da nossa cultura.
• Analisar questões geograficamente relevantes do espaço português.

© Termos e conceitos

- Localização - Cidadania

- Escala - Espaço lusófono


- Unidades territoriais (NUTS, distrito, - União Europeia
município, comunidade intermunicipal,
- Mercado comum e moeda única
freguesia e região autónoma)
- Tratados de Roma, Maastrícht
- Território
e Lisboa
I. O território português Território: realidade física e
geográfica que é suporte de
vida, de usos e de atividades
Localização económicas, constituindo um
conjunto de recursos finito,
O território português localiza-se no he­ indispensável para a vida
misfério norte, a oeste do meridiano humana e as sociedades
de Greenwich. (Fadigas, 2011).
Localização relativa: posição
de um lugar ou espaço em
Faz parte da Europa, ocupando o seu
relação a outro, segundo a
extremo sudoeste. rosa dos ventos.
Localização absoluta: posição
exata de um lugar, dada pelas
suas coordenadas:
• latitude: distância,
em graus, de um lugar
em relação ao equador;
A localização de Por­ • longitude: distância,
tugal confere-lhe uma em graus, de um lugar
posição: em relação ao meridiano
de Greenwich.
• central, no Atlânti­ 40"

co norte;
• periférica, no espa­ 125Ókm
ço europeu.
Fig.l Território português, no Mundo e na Europa.

Portugal situa-se: "32’ 22" 2D" ;18F 12*


__ I
■’ S

Extremo este
• em latitudes inter­ 6D11* 20" O
Extremo norte
médias, entre os 42° 9' 15" N

30° T 40” N, nas Extremo oeste


31’ 16’ 7" O
Selvagens (Madeira), Açores Espanha
e os 42° 9* 15” N, Portugal
■O
na fronteira norte
com Espanha;
• a ocidente do meri­
diano de Greenwich,
dos 6o 11’ 20” O,
r---------- f ■ -

na fronteira este i

Madeira
com Espanha, aos *
Extremo sul
30*1*40" N
31° 16’ 7” O, na ilha
das Flores (Açores). Fig. 2 Portugal - localização absoluta.

Analisa a fig. 2:

1. Identifica e indica a localização dos pontos extremos do território português:


a. a norte e a sul, seguindo os respetivos paralelos até ao seu valor, na margem direita
do mapa;

b. a este e a oeste, seguindo os respetivos meridianos até ao seu valor, no topo do mapa.

11
MÓDULO INICIAL A posição de Portugal na Europa e no Mundo

Constituição territorial
Portugal continental: parte
Portugal,com umterritóríoemerso de aproximadamente92 000 km2,
do território que se situa no
é constituído por: continente europeu, também

• Portugal continental ou peninsular, com cerca de 89 000 km2, denominado Portugal peninsular
por se localizar na Península
que se localiza na faixa ocidental da Península Ibérica, ocupan­
Ibérica.
do menos de um quinto do seu território; Portugal insular: parte
• Portugal insular, no oceano Atlântico, que inclui dois arquipé­ do território que é constituído
por dois arquipélagos.
lagos (Fig. 1):

- os Açores, a oeste de Por­ I I -T


l
29"
■-
•28"
-■[|—--
126’
i—
25" 4Dr
r ■ I
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tugal continental, consti­ * Corvo
i
i I
I
I
I
I
i I I
j I
tuído por nove ilhas e um Flores i
I
I
I
I
I i I I
I j I I
I I
conjunto de ilhéus, num Grupo Ocidentaf I
I
I
I I
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- H.+ -
I F
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I 39’
total de cerca de 2322 km2; I
I
I

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I
Terceira
I

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W
I i I
I I
- a Madeira, a sudoeste de I
I
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J
I Faial I I
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I I I II
I
Portugal continental, cons­ I
I I
I
I
I
I
I
I
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I I I II
I I
I
tituída por duas ilhas e dois I
1
I

is. Miguel — 3EF


I
I
I
I
Grupo Central - I
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I
conjuntos de ilhéus, com I
I
I
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I
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i
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I
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I 1
I I ■ i I
I I i I I
pouco mais de 800 km2. d J
• Oceano
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i
i
I
I

0 I km
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I
I
I Atlântico
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Grupo Oriental
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Santa Maria
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Porto Santo
I
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33^
Fig. 1 Portugal Insular.

i
i
li
II
Madeira Analisa a fig. 1:
I
I
I
I
I
II


1. Identifica as ilhas do:
■ CkoanD
í AHírrUzo a. Grupo Ocidental dos Açores;
b. Grupo Central dos Açores;
c. Grupo Oriental dos Açores;
Ilhas Selvagens
d. arquipélago da Madeira.
0 i
i

i i

Fazer a localização relativa de Portugal, no mundo, na Europa e na Península Ibérica.

Localizar o território português em latitude e longitude, indicando os seus pontos extremos.

Identificar os pontos extremos do território português.

Localizar os Açores e a Madeira em relação a Portugal continental.


AVALIAÇÃO '
Distinguir os três grupos do arquipélago dos Açores e indicar as respetivas ilhas.
P. 21
e4 •; I J^í Indicar/localizar as ilhas que constituem o arquipélago da Madeira.
Organização administrativa ã escala nacional

Desde 1976, existem em Portugal duas regiões Doc. 1 Constituição da República Portuguesa

autónomas - Açores e Madeira com um


Art." 6.13 ■ 1.
governo que tem poderes para decidir sobre
matérias de nível regional (Doc. 1). Os arquipélagos dos Açores e da Madeira constituem duas
regiúes autónomas, dotadas de estatutos político adminis
trativos próprios.
O território continental encontra-se dividido em
Constituição da Repúbfícn Portuguesa, dc 1976
18 distritos, cada um com a sua capital, da qual
recebe o nome.

As regiões autónomas, assim como os distri­


tos de Portugal continental, subdividem-se em
concelhos ou municípios, e estes em fregue­
sias (Fig. 2).

“V
Distritos Região Autónoma dos Açores
N
Viana do
Castelo* Braga
Bragança
2018 2730 6545 & *

• Vila Real
4239
.■
*-*-“*" I
I Viseu k
Aveiro 5019 Angra do
2708 í*
jCTÍ
Heroísmo
/
j Coimbra
Oceano • 3956
Atlântico F Castelo Branco 0 4b km Ocea^0
Leiria «K • 6704
351£ ■
Santarém
Região Autónoma da Madeira
• 6689
j Portalegre
Lisboa 5882

Setúbc • Évora
5152" 7393 Portugal
administrativo:
• Beja
10 240 • 2 regiões
autónomas;
• 18 distritos;
cn
• 308 municípios; O
superfície CM

em km2 • 3092 freguesias. LU

Fig. 2 Divisão administrativa de Portugal.

Analisa a fig. 2:
Escala: relação entre a dimensão reoooooo
2. Identifica o distrito ou a região autónoma da tua escola. do espaço representado no o
mapa e a sua dimensão real.
3. Menciona e localiza o concelho da tua escola.
Mapa de grande escala: representa áreas
4. Indica, da maior para a menor, as escalas presentes. de menor dimensão, com mais informação
sobre o território (exemplo: mapa ou planta
de um distrito, concelho ou freguesia).
Mapa de pequena escala: representa áreas
de maior dimensão, com menos informação
sobre o território (exemplo: mapa do país).

13
MÓDULO INICIAL A posição de Portugal na Europa e no Mundo

Organização administrativa ã escala europeia


Com a adesão à União Europeia, em 1986, foi introduzida a Tab. 1 As NUTS em Portugal
r
! 1
Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins Estatísticos NUTS 1 NUTS NUTS III
(NUTS), subdividida em três níveis, de acordo com critérios de­
Norte 8 subregiões
mográficos, administrativos e geográficos (Tab. 1).
Centro 9 subregiões

Esta divisão tem como objetivo harmonizar os dados estatísti­

iVÜTS 2013, INE, 2015 (adaptado)


Portugal A. M. de
A. M. de Lisboa
cos, uma vez que estes servem de base à atribuição de fundos, continental Lisboa

no âmbito da Política de Coesão da União Europeia. Alentejo 4 subregiões

Algarve Algarve
Desde a alteração introduzida pela Lei n.° 75 de 2013, em
R. A. Açores R. A. Açores R. A. Açores
Portugal, as:
RA
R. A. Madeira R. A. Madeira
• NUTS I são três unidades administrativas que correspon­ Madeira

dem às três unidades geográficas do território nacional;

• NUTS III são vinte e cinco: subdi­


• NUTS II correspondem a cinco regiões, no continente, mais
visão do Norte, Centro e Alentejo,
as duas regiões autónomas, num total de sete (Fig. 1);
mais as restantes NUTS II (Fig. 2).

Região Autónoma dos Açores


Alto
Tâmega
Cóva
Norte Tercas de
Trás-os-Montes
0 * Área
8 Douro
4—• Metropolitana
c

Viseu
o Região eDao Beiras
£Z
de Aveiro -Latões e Serra
&
Centro O
da Estrela
Região de
0 40 km
Coimbra
Coimbra
Beira
Região Autónoma da Madeira Baixa
Medio
Tejo
Alto
Lezíria Alentejo
Tejo

Évora Alentejo
Metropollta Central
de Lisboa

■ Cidade onde está


Oceano
Atlântico sediada a CCDR

Fig. 1 NUTS II Fig. 2 NUTS III.

Analisa os mapas das figs. 1 e 2:

1. Identifica as NUTS II, indicando aquelas que se subdividem em NUTS III.

2. Menciona as NUTS III de cada NUTS II subdividida.

3. Identifica a NUTS II e, se for o caso, também a NUTS III da área da tua escola.

14
Áreas metropolitanas e comunidades intermunidpais

O poder local - das autarquias (municípios e freguesias) - tem sido um fator de promoção
do desenvolvimento em todo o país. Como existem problemas, infraestruturas e serviços que
são comuns a vários municípios, foram criadas associações de municípios:

• as áreas metropolitanas (AM) de Lisboa e do Porto, em 1991 [Fig.3);


• as comunidades intermunidpais (CIM), em 2008, reformuladas em 2013, passando
a coincidir com as NUTS III, para facilitar a gestão de projetos e fundos comunitários.

1. Póvoa de Varzím
2. Vila do Conde
3. T roía Alto
Cávado Tâmega
4. Santo Tirso Terras de
Ave
5. Matosinhos Trás-os-Montes
6. Maia Tâmega
7. Va longo e SoLija Douro
Metropolitana
8. Porto do Porto
9. Gondomar Viseu
10. Paredes e Dão- Beiras
11. V. Nova de Gaia veiro -Latões e Serra
12. Espinho da Estrela
13. Sta. Maria da Feira Região de
Coimbra
14. S. João da Madeira
15. Oliv. de Azeméis
Região Beira
16. Vale de Cambra Baixa
de Leiria
17. Arouca Medio
Tejo

Lezíria Alto
do Tejo Alentejo

1. Mafra
2. V. F. de Xira Alentejo
Central
3. Loures
4. Sintra
5. Odivelas
6. Amadora
7. Cascais
8. Oeiras
9. Lisboa
10. Almada

ANMP, 2012
11. Seixa I Oceano
12. Barreiro Atlântico
13. Moita
14. Montijo
15. Alcochete
Fig. 3 Áreas metropolitanas e comunidades
16. Sesimbra
17. Palmeia intermunidpais (Lei n.° 75/2013).
18. Setúbal

Outras divisões Analisa o mapa da fig. 3:

4. Identifica a CIM ou AM em que o muni­


Existem outras divisões territoriais que servem de base à atua­
cípio da tua escola se insere.
ção de diversos organismos públicos, como as áreas promo­
5. Menciona as CIM vizinhas do município
cionais do turismo e as direções regionais da educação e da
da tua escola.
saúde, entre outras. A tendência é a uniformização às NUTS II.

VERIFICA SE SABES

Mencionar e localizar as regiões autónomas e os distritos.


avaliação
Indicar as unidades administrativas de menor dimensão, à escala nacional.

Mencionar e localizar as unidades administrativas de nível europeu.

15
MÓDULO INICIAL A posição de Portugal na Europa e no Mundo

II. Portugal na Europa Principais tratados da UE


1957 - Tratado de Roma: institui a
Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974f com a insti­ Comunidade Económica Europeia (CEE).
tuição de um regime democrático, foi possível a adesão 1992 - Tratado de Maastricht: alarga
o âmbito dos objetivos e políticas da CEE,
de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE),
que se passa a chamar União Europeia (UE).
atualmente União Europeia (UE).
2007 - Tratado de Lisboa: reúne toda
a legislação europeia e altera as regras
A União Europeia conta com 28 Estados-membros, nú­ de representatividade e decisão, tornando
mero que resulta de sete alargamentos. O Reino Unido as instituições da UE mais aptas a responder
aos novos desafios.
encontra-se em negociações de saída (Fig. 1).

Em negociações de saída
Finlândia
Instituições da UE (sedes)
• Tribunal de Justiça
Suécia e Tribunal de Contas
• Conselho da UE
Mar e Comissão Europeia
do Dii ‘tónia
• Parlamento Europeu
Norte
Lituânia • Banco Central Europeu
Reino,
Oceano Unido
Atlântico
■ Maastrich Cidades dos tratados
Polónia
Bélgica* Alemanha
Luxemburgo Frankfurt
Chéquia

Estrasburgo Eslováquia

Áustria
Hungna
França

Roménia

Espanha

Mar Mediterrâneo

Malta Chipre

Fig, 1 A União Europeia, em 2019.

Um dos primeiros objetivos comu­ Mercado único - espaço de livre circulação de...
nitários foi a criação do mercado
sP xP
comum, acordada em 1981, com a
... bens ... serviços ... capitais ... pessoas
assinatura do Ato Único Europeu.
xp xP
Acesso e
Alterou significativa mente a vida Investimentos,
Comércio de prestação de Viagens,
dos cidadãos e das empresas, na poupanças,
mercadorias serviços pelos estudo,
compra e
União Europeia. sem taxas e para os emprego,
venda de
aduaneiras. cidadãos e as residência, etc.
ações, etc.
empresas

Muito facilitado com a adoção, pela maioria dos


Estados-membros, de uma moeda única — o euro.

16
Com a adoção do euro, surgiu a União Económi­
ca e Monetária (UEM), que vigora na Zona Euro
- conjunto de países que adotaram o euro como UE que têm a
opção de exclusão
moeda oficial - constituindo um espaço financei­
Estad os-membros
ro dotado de uma moeda forte, com capacidade da UE que ainda
de competir a nível mundial, nomeadamente com nào adoptaram
Oceano o euro
o dólar americano (Fig. 2). Atlântico

A Convenção de Schengen estabelece as regras


da livre circulação de pessoas em quase todos os
países da UE e mais quatro países extracomuni-
tários - Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein
(Doc. 1).
Fig. 2 A zona do euro.

Doc. 1 Espaço sem fronteiras


Ar

Europeia
fazem parte
Os estados Schengen partilham uma fronteira do Espaço
externa comum, pela qual são responsáveis conjun Schengen
tamente, a fim de garantir a segurança. No entanto, Esta d os-membros
o controlo eficaz da fronteira externa não implica que da Uniâc Europeia
a Europa se torne uma «fortaleza». Pelo contrário, que não fazem
Oceano parte do Espaço
é essencial que as viagens de negócios e de turismo
Atlântico Schengen
sejam incentivadas, a bem das economias europeias.
M Países terceiros
A fronteira externa também precisa de se manter
que fazem parte
aberta a quem vem trabalhar e aos refugiados. cfo Espaço
Schengen
Espaço Schengen, Bruxelas, 2017
ETT Em negociações
de saída da UE
400 km

Para Portugal, a integração na UE foi um fator fundamental de desenvolvimento, devido:

• aos apoios financeiros para obras públicas, modernização e formação profissional;


• aos benefícios económicos e sociais da participação no mercado único;
• à aproximação aos padrões de qualidade de vida de nível comunitário;
• à adoção de políticas comunitárias nos domínios do ambiente, da energia, da agricultura, etc.;
• ao direito à cidadania europeia, que reforça a proteção dos direitos cívicos;
• ao Acordo de Bolonha, que permite estudar, estagiar e exercer em toda a UE.

VERIFICA SE SABES
AVALIAÇÃO

Enumerar e localizar os países da UE, da Zona Euro e do Espaço Schengen.

Explicar a importância do mercado único e da adoção da moeda única.

Indicar algumas das vantagens da integração de Portugal na UE.

17
MÓDULO INICIAL A posição de Portugal na Europa e no Mundo

III. Portugal no Mundo


A localização geográfica de Portugal, embora periférica no espaço europeu, é de grande
centralldade atlântica, conferindo-lhe vantagem estratégica como porta da Europa e como
interlocutor privilegiado entre a União Europeia e a América Latina e África. Portugal parti­
cipa também em organizações internacionais, com destaque para:

ONU Or aniza ~o Criada em outubro de 1945 para permitira cooperação entre


. .. as nações, de modo a resolver os conflitos de forma pacífica
das Nações Unidas
e a promover o desenvolvimento humano em todo o mundo.

NATO - Organização Aliança militar intergovernamental baseada no Tratado do Atlântico


do Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949 no contexto da Guerra Fria, com o objetivo
Norte (North Atlantic de garantir a defesa dos Esta d os-membros. Atualmente participa
Treaty Organization) em inúmeras operações de manutenção da paz.

OCDE - Organização
Em 1961, a reforma da Organização para a Cooperação Económica
de Cooperação
deu origem à OCDE, aberta a países não europeus, com o objetivo de
e Desenvolvimento
piromovero desenvolvimento econômico dos 36 países-membros.
Económico

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fundada em 1996, reforça a coope­
ração entre os Estados lusófonos e a importância da lusofonia no Mundo (Fig. 1.

.Portugal

Oceano

Cabo Verde
O
Gulné-Blssau
Pacífico

S. Tomé Guiné Equatc


IT j
e Príncipe
Oceano
índico Tlmor-Leste
Oceano
Atlântico

Fig. 1 Países da CPLR

Analisa o mapa da fig. 1:

1. Indica, pela ordem de adesão, os países da CPLP, localizando-os no respetivo continente.

Principais ações da CPLP

JT TF TF ~
Esforços Im plementação Ajuda Difusão
diplomáticos nas Promoção da do português portuguesa e de programas
organizações cooperação no como língua de comunitária ao de informação,
internacionais e plano económico, trabalho nos desenvolvimento formação e
na mediação de político e cultural. organismos dos restantes lazer, em língua
conflitos. internacionais. países. portuguesa.

18
A presença de numerosas comunidades de portugueses e de
Emigração: saída
lusodescendentes um pouco por todo o mundo é também um de nacionais para
importante elo de ligação de Portugal ao Mundo (Doc. 1). outros países, para
residir e trabalhar.

Doc. 1 Diáspora portuguesa

As comunidades portuguesas são a mais forte manifestação do Portugal global. 1 lá, hoje, mais de dois
milhões de emigrantes portugueses e, contando com os lusodescendentes, ascendem aos cinco milhões.
É uma diáspora que confirma a ideia da comunidade global como ativo estratégico do maior relevo
internacional.

Portal diplomático da República Portuguesa. 2019 (texto adaptado)

Analisa o mapa do doc. 1:

2. Identifica as seis maiores comunidades portuguesas, por ordem decrescente.

Contributos da emigração portuguesa


.______________________________________________________________________________________________________________________________J

Dinamização de fluxos Fomento do consumo


Difusão da língua
financeiros e de remessas de produtos e do turismo
e da cultura portuguesa
de emigrantes (poupanças portugueses, fruto das
(arte, gastronomia, moda,
e investimentos), que relações e laços de amizade
usos e tradições, literatura,
promovem o desenvolvimento e familiares com pessoas
saber científico, etc.).
das regiões de origem. de outros países.

VERIFICA SE SABES

Quais são os mais relevantes organismos internacionais em que Portugal se integra (além da UE).

Enumerar e localizar os países da CPLP e os objetivos e ações desta comunidade. avaliação

Enumerar e localizar os países das maiores comunidades portuguesas.

Explicar a importância das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

19
MÓDULO INICIAL A posição de Portugal na Europa e no Mundo

SÍNTESE

O território português

Constituição
I I
I I
i i

N Portugal continental
Hemisfério norte, no sudoeste da Europa, na faixa
I I ou peninsular
ocidental da Península Ibérica... I
I
I
I

I I
• I

... e no Atlântico Norte ■ ■

I
I
Portugal insular
........................ I................... . •
i
!

I
• Açores
• Periférica, na Europa i
i
i
I
i
i
i
!
• Madeira
I I

• Central, no Atlântico I

I
I
i L

*
I
I

Portugal insular: I
I

duas regiões autónomas - Açores e Madeira


I
li Portugal continental:
18 distritos
T
Subdivididos em 308 concelhos e 3092 ...............
freguesias ST...................
<D I r
Oi
IL.
O tl . J . H ■ 3 de nível I - NUTSI
Nomenclatura das unidades territoriais para = : ... „
. .. ...■ ■ 7 de nível II - NUTS II
fins estatísticos - NUTS : ■
■ 25 de nível III-NUTS III

I
I
I
I
I
I
I

2 áreas metropolitanas e 23 comunidades íntermunicipais


Portugal na Europa e no mundo

1986 - adesão à União Europeia Participação em organizações internacionais


I 4, 4/
r---------------------------------------------- -------------------------- t
4,
J-------------------------------------------------------------------------

inserção ■1 14

ONU OCDE NATO


í ■ ■

1
1
I
I

No mercado único, com livre circulação



I

ti 1 ■ I
I
-^i Bens e serviços i
I
I j i
1

u
I

Zona Euro I

I
1
Capitais I

-r I
I
I

I
F *1 I
CPLP-1996 I

á i ■
1 1 I

1
Pessoas I
Espaço Schengen
............... .................................... ...................

■r * Reforço da cooperação
1


Benefícios para Portugal I
I
I
* Valorização da língua e cultura
1 I

V.............. .......................................... xk I
1
portuguesas no mundo
"
I
I

F
I
I
I
>
I
I
1
Comunidades portuguesas
I I

Sociais: I
I
I
i
e de lusodescendentes
I

Económicos: I

I I
melhoria do nível de vida I
I

fundos europeus
e cidadania europeia - I
i

e participação no
I
* Divulgação da língua e cultura portuguesas
viagens, emprego, I
1

mercado único I
* Remessas dos emigrantes
II
I
I
■ trabalho, estudo, etc. i
I

‘I
I

F
I I
* Benefícios para o comércio e turismo
■I I- I

20
Avaliação

Seleciona a leira da chave que corresponde a cada uma das afirmações seguintes.

Afirmações Chave

1 Localiza-se na faixa ocidental da Península Ibérica. A. Portugal

2. Localiza-se no oceano Atlântico» a sudoeste B. Ilha da Graciosa


de Portugal continental.
C. Açores e Madeira
3* Com nove ilhas» subdivide-se em três grupos.
D. Arquipélago dos Açores
4. Situa-se aproximadamente a 39° N e 28° O.

5. Tem um território de cerca com 92 000 km2. E. Arquipélago da Madeira

6. Sào regiões autónomas. F. Portugal continental

II. Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes.

1. A sua posição geográfica coloca o nosso país na periferia da Europa e do espaço mundial.
2. Portugal aderiu em 1986 á UE. quando esta ainda era designada por CEE.
3. Portugal encontra-se subdividido em três NUTS I, sete NUTS III e 25 NUTS III.
4» O último tratado da UE foi assinado em 2007» em Lisboa» mas ainda não entrou em vigor.

5. O maior alargamento da UE» com a adesão de dez países» deu-se em 2007.


6» Em 2019» o euro era moeda oficial apenas em 12 Estados-membros da UE.

7, Em 2019» faziam parte do Espaço Schengen 22 países da UE e quatro extra comunitários.

IIL Seleciona a opção de resposta correta em cada uma das seguintes questões.

1 Portugal faz parte: 2. Da CPLP fazem parte» além de Portugal:


A. do Espaço Schengen» mas não A. 4 países africanos, 1 sul-americano e 1 asiático.
da Zona Euro. B 6 países africanos e 2 asiáticos.
B. da Zona Euro, mas não C. 6 países africanos, 1 sul-americano
do Espaço Schengen. e 1 asiático.
C. da Zona Euro» desde 2005. D 4 países africanos, 2 sul-americanos
D. da Zona Euro e do Espaço Schengen. e 1 asiático.

IV. Responde às questões seguintes.

1. Reflete sobre a influência da posição geográfica de Portugal.


2. Apresenta três argumentos que defendam a adesão de Portugal à UE.
3. Descreve a divisão administrativa, de nível nacional e europeu» do território português.
4. Menciona três das ações desenvolvidas pela CPLP.
5. Explica o papel das comunidades portuguesas na projeção e desenvolvimento interno
do nosso país.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Apesar de não haver questões de exame a incidir unicamente sobre conteúdos do Módulo Inicial, as provas de
exame nacionais são compostas por questões que exigem a compreensão e a aplicação dos sa beres geográficos
sobre Portugal, a União Europeia e a sua inserção internacional, desenvolvidos neste tema.

21
Tema I
L Evolução recente

SUBTEMA1 II. Estruturas


e comportamentos
sociodemográficos
A população: evolução III. Problemas e possíveis

e diferenças regionais soluções

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Relacionar a evolução da população portuguesa, na segunda metade do século XX,
com o comportamento das variáveis demográficas e a mobilidade da população.
• Explicar a evolução do comportamento das variáveis demográficas.
• Caracterizara estrutura etária da população portuguesa.
• Explicar a desigual distribuição das variáveis demográficas no espaço português
• Equacionar as consequências dos principais problemas sociodemográficos
• Debater medidas passíveis de contribuir para a resolução dos problemas socio­
demográficos.

© Termos e conceitos

- Crescimento natural - Estrutura etária - Nível de qualificação


saldo migratório e e envelhecimento profissional
crescimento efetivo demográfico
- Estrutura ativa, desemprego
- Taxa de natalidade, - índice de dependência de e taxa de desemprego
de mortalidade e de idosos, de jovens e total
- Taxa de alfabetização
mortalidade infantil
- Taxa de fecundidade
- Desenvolvimento
- Esperança de vida e índice sintético de
sustentável
à nascença fecundidade

- Qualidade de vida - índice de renovação


de gerações
A populaçao: evolução e diferenças regionais

I. População e comportamentos demográficos


Tab. 1 População nos recenseamentos.
Indicadores demográficos r 1
Anas População
Em Portugal, desde meados do século XX, a população
1950 8 500 240
residente aumentou em cerca de dois milhões de
1960 8 889 392
habitantes, passando de pouco mais de oito milhões,
em 1950, para mais de 10 milhões, em 2018 (Tab.ij. 1970 8 663 252

1981 9 833 014


Esta evolução foi influenciada pelos comportamentos
1991 9 867147
demográficos (natalidade, mortalidade, imigração e emi­
2001 10 249 022
gração), que determinaram o crescimento natural, mi­
gratório e efetivo, e respetivas taxas. 2011 10 573 479

Indicador Definição Fórmula de cálculo


L______________________________________________________________________________________________________________________________________ .

Crescimento natural
Diferença entre natalidade (N) e mortalidade (Ml) CN = N - M
ou saldo fisiológico (CN)

Número de nados-vivos ocorridos Número de óbitos ocorridos num


num território, num certo período território, num certo período

Crescimento natural por mil habitantes N-M


Taxa de crescimento TCN = *1000
ou diferença entre: -> População total
natural (TCN)
taxa de natalidade (TN) e taxa de mortalidade (TM) ou TCN = TN - TM

Natalidade por mil habitantes Mortalidade por mil habitantes

N° de nados vivos N.Q de óbitos


TN = *1000 TM = *1000
População total População total

Crescimento ou
Diferença entre imigração (I) e emigração (E) CM = I E
saldo migratório (CM)

Número de imigrantes Número de emigrantes

Taxa de crescimento I - E
Crescimento migratório por mil habitantes TCM = —------, ... t 4 , *1000
migratório (TCM) Populaçao total

Crescimento efetivo (CE) -> Soma do crescimento natural com o migratório CE = CN + CM

Taxa de crescimento
Crescimento efetivo por mil habitantes TCE = p , x,000
efetivo (TCE) Populaçao total

Estas taxas são, geralmente, apresentadas em permilagem (%o), ou seja, por mil habitantes,
embora as taxas de crescimento natural, migratório e efetivo possam ser dadas também em
percentagem (%).

23
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Evolução dos principais comportamentos demográficos


O crescimento natural da populaçao varia em função da natalidade e da mortalidade, cujas
taxas, no nosso país, sofreram uma acentuada redução no último século fig. 1).

Analisa o gráfico da fig. 1:

1. Identifica o valor da TN em 1900,


1950,1975,1995, 2000 e 2017.

2. Identifica o(s) período(s) com TM:


a. superior à TN;
b. a descer de mais de 20%o para
10,5%o;
c. a voltar a subir muito ligeira­
mente.

3. Indica como evoluiu a TCN,


de 1950 a 2017.
Fig, 1 Evolução das taxas de natalidade e de mortalidade em Portugal (1900-2017).

A soma das taxas de crescimento natural e de crescimento migratório (TCE) explica a evolu­
ção da população residente em Portugal (Fig. 2).

Fig. 2 Evolução das taxas de crescimento natural, de crescimento migratório e de crescimento


efetivo, em Portugal (1950-2017).

Analisa o gráfico da fig. 2:

4. Identifica os períodos em que a emigração foi:


a. superior à imigração; b. inferior à imigração.

5, Identifica os períodos em que a taxa de crescimento efetivo foi:


a. positiva; b. negativa.
• *******■****•***•*■*■**•*

24
A populaçao: evolução e diferenças regionais

Influência dos comportamentos demográficos


na evolução da população
Os comportamentos demográficos influenciam a evolução da população (Fig, 3 .

Analisa o gráfico da fig. 3:

6* Indica o ano inicial e respe­


tivo valor.

7. Identifica os períodos que


se destacam pelo sentido
e ritmo de crescimento.

8. Conclui com o último ano


e respetivo valor. <r«
s
CN
LU

o i£i O LÍJ □ m O LO o lTi O lTi O lTi ÇD


m ‘■D r-- O O
cn
Líl
Ti CFi
<£5
■Ti CFi
r-
■Ti
■:=ü CO
■Ti ■Ti Q O 5 5 O
1 fN CM fN
Ano
Fig, 3 Evolução da população residente em Portugal, de 1950 a 2017

r 1
Variação Comportamentos
Período Fatores políticos, económicos e sociais
da população demográficos

- TN alta e TM a baixar, de - População pobre e pouco instruída, com fraco acesso


A
Aumentou que resulta uma TCN alta, a métodos contracetivos.
1950 a compensar a TCM
TCE positiva - Fluxo significativo de emigrantes, principalmente para
a 1963
negativa. o Brasil.

- TCN desce pela redução - Ligeira melhoria das condições de vida e do acesso
da TN e pela TM baixa. a contracetivos, no final da ditadura, o que permitiu
B
Diminuiu
- Grande aumento da uma ligeira redução da TN.
1964
TCE negativa emigração, que reduz - Desenvolvimento industrial da Europa Ocidental, que
a 1974
a TCM, que já não é atraiu grandes fluxos de emigrantes portugueses,
compensada pela TCN. sobretudo para a França e para a Alemanha.

- Revolução de 25 de Abril de 1974, que levou:


- TCN positiva e a descer,
- à abertura da sociedade, permitindo o início
C pela quebra da TN e ligeira
Aumentou da generalização do uso de contracetivos;
descida da TM.
1975
TCE positiva - à independência das colónias, que desencadeou
a 1979 - TCM alta, com a imigração o regresso de grande número de portugueses.
superior à emigração.
- Crise internacional, que diminuiu a emigração.

- Generalização do uso de contracetivos e TM baixa.


D
- TCN a baixar muito. - Final da crise e retoma da emigração portuguesa.
1980 Estagnou
a 1992 - TCM negativa. - Auge da explosão demográfica, que desencadeia
a imigração dos PALOP para Portugal.

- TCN estabiliza, o aumento - Queda da URSS e dos regimes comunistas


E
Aumentou da imigração eleva um da Europa Oriental, que desencadeou um intenso
1993 pouco a TN. fluxo imigratório para os países da União Europeia.
TCE positiva
a 2007
- TCM aumenta muito. - Chegada de imigrantes dos PALOP e do Brasil.
F
Diminuiu - TCN e TCM baixam - Crise económica, que faz diminuir a TN e a imigração,
2008 e tornam-se negativas. provocando o aumento da emigração.
TCE negativa
a 2018

25
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Desigualdades regionais

Crescimento natural
Atualmente, à escala nacional, as taxas de natalidade e de mortalidade apresentam valores
baixos e próximos, com uma taxa de crescimento natural negativa. Porém, a nível regional
é possível identificar algumas diferenças (Fig. 1).

A
H I. J
Alto
Tâmega
? Terras de
Área Trás-os-Montes
Metropolitai âmega
Sousa Douro
do Porto
Viseu
Região e Dão- Beiras
de Aveiro -Latões G Serra
da Estrela
Região de
Coimtxa
Beira
Baixa
Médio
Tejo

Esfa taflcas D e iw g ró ficas 2017, INE, 2018


Alto
Lezíria Alentejo

Áre
Metropol Alentejo
de Lisboa Central

Ba ixo Alentejo

TN PM TCN (%o)
<6.5 < -9,0
R. A. Açores 6.5 -S,0 -9,0 - -5,0
8.1 - 9,0 -4,9 - 0,0
R. A Madeira >9,0 R. A Madeira > 0.0

Fig, 1 Taxas de natalidade (A), de mortalidade {BJ e de crescimento natural (C), por NUTS lllr em 2017.

Analisa e compara os três mapas da fig. 1:

1. Identifica as NUTS III em que, simultaneamente, a TN é superiora 6,5%o e a TM é inferior a 10%c.

2* Descreve as principais diferenças regionais na distribuição da TCN.

Taxa de natalidade Taxa de mortalidade Taxa de crescimento natural


>1/

• Apresenta-se negativa
• Os valores mais altos registam- em quase todo o território,
’ Os valores mais altos verificam-
-se nos Açores, na Madeira, destacando-se:
-se nas NUTS III do interior, por
em Lisboa e no Algarve, onde - o Alto Alentejo com -10,7%,
terem mais população idosa.
há mais população jovem devido à TN muito baixa e à
’ Os valores mais baixos ocorrem
e jovem adulta. TM superior à média nacional;
nas sub-regiões do litoral, devido
• Os valores mais baixos ocorrem - a A.M. de Lisboa com valores
ao menor envelhecimento
nas sub-regiões do interior, com positivos, mas muito baixos,
da população.
população mais envelhecida. devido à TN que é superior
à média nacional.

Na taxa de mortalidade incluem-se os valores da taxa Taxa de mortalidade infantil (TMI): número de
de mortalidade infantil, que desceu ao longo do óbitos até um ano de idade, por mil nados-vivos.
século XX, sobretudo a partir de 1960, sendo de 2,6%o N.° de óbitos (< 1 ano)
TMI = *1000
Natalidade
em 2017, abaixo da média da União Europeia (3,6%o).

26
A populaçao: evolução e diferenças regionais

Saldo ou crescimento migratório


As migrações caracterizam o espaço português, embora, ao longo do tempo, tenham varia­
do as origens, os destinos e a intensidade dos fluxos migratórios.

Movimentos migratórios

sL
• Crescimento demográfico no litoral, sobretudo nas
O êxodo rural, isto é, a saída de população do espaço
áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
rural para as áreas urbanas:
• foi mais intenso nas décadas de 1960 e 1970, tendo,
• Grande perda de população em todo o interior rural,
depois, diminuído gradualmente; com um forte envelhecimento demográfico, pois
saíram os mais jovens e os jovens adultos e ficaram
• é pouco significativo, atualmente.
os adultos mais velhos e os idosos.

• Intensificação da perda de população no interior.


A emigração teve maior expressão na década de 1960
• Perda de população no litoral, atenuada pela
e início da de 1970, devido ao fraco desenvolvimento chegada dos migrantes do êxodo rural.
do país, à falta de emprego, ao regime de ditadura
• Diminuição do desemprego, pela menor procura.
e à Guerra Colonial, o que levou muitos jovens a emigrar
• Diminuição da taxa de natalidade.
para fugirem ao serviço militar.
Os migrantes, na sua maioria, eram homens com pouca • Aumento da entrada de fluxos financeiros, com as
instrução e sem visto legal - migração clandestina. remessas dos emigrantes, que permitiram melhorar
a vida das famílias e desenvolver as terras de origem

A imigração teve maior expressão a partir da década de • Aumento da população total, sobretudo no litoral.
1990, devido à adesão à União Europeia, ao crescimento • Ligeiro aumento das taxas de natalidade e de
económico e à internacionalização da economia, crescimento natural, pois a maioria dos imigrantes
que tornaram Portugal mais atrativo, sobretudo para tem idade ativa e reprodutiva.
imigrantes dos países de língua oficial portuguesa • Aumento e rejuvenescimento da população ativa.
e da Europa Oriental. • Aumento das contribuições para o Estado.

• Perda de grande número de jovens adultos, que:


A emigração aumentou muito durante a crise
- acentuou a redução da taxa de natalidade;
económica de 2008 a 2015, com destino a outros
- consolidou a tendência de agravamento dos valores
países comunitários, devido à falta de emprego, mas
negativos da taxa de crescimento efetivo.
também à atração pelos melhores salários e por
• Perda de recursos humanos qualificados, que:
oportunidades de formação e valorização profissional.
- travou o ritmo de redução do défice de formação
Os emigrantes, na sua maioria, eram jovens adultos
e qualificação da população ativa;
(homens e mulheres) e muitos tinham qualificações
- reduziu a capacidade de empreendedorismo,
de nível secundário e superior.
de risco e de inovação do tecido económico
nacional.

VERIFICA SE SABES

Explicar a evolução dos comportamentos demográficos e da população, em Portugal.

Descrever a distribuição das taxas de natalidade, de mortalidade e de crescimento natural, por NUTS III. AVALIAÇÃO

Explicar a evolução da emigração e da imigração, em Portugal. Pp.40e41


GRUPO I:
Questões 3 e4
Indicar os efeitos das migrações em Portugal.
Questões 1e4

27
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

II. Estruturas e comportamentos Estrutura etária: composição


sociodemogrãficos da população por idades.
Principais grupos etários:
- Jovens - 0 a 14 anos
A estrutura etária - Adultos - 15 a 64 anos
- Idosos - 65 anos e mais
A evolução dos comportamentos demográficas reflete-se na estrutura
etária da população (Figi).
Idade (anos)

Mulheres

2080

2016

em % da população total
----- 2080 (projeções, cenário central)

Fig. 1 Evolução da estrutura etária em Portugal, nos anos 1991 a 2016 e 2080 (previsão).

Analisa as pirâmides etárias da fig. 1: Envelhecimento demográfico: aumento


da idade média da população devido
1. Verifica a legenda. a um duplo envelhecimento:
• pela base - redução do número
2. Indica a variação, de 1991 para 2016, no grupo etário dos:
e da proporção de jovens;
a. jovens; b. adultos; c. idosos. • pelo topo - aumento do número
e da proporção de idosos

De 1991 para 2016:


F -I

Na pirâmide etária Variação dos grupos etários Fatores explicativos


b__________________________________________________________________________________________________________ J
_______________________________________________________________________ J L_____________________________________________________________________________________________ J

... redução do número e da ... devido à redução da taxa de


A base ficou mais estreita porque
-> representatividade dos jovens natalidade e dos indicadores de
houve uma...
na população total,... fecundidade.

Porque o número e a ... pela redução do número de


As barras dos adultos ficaram mais: representatividade dos adultos: jovens, que reduz o de adultos mais
• estreitas de 15 a 39 anos; ■ diminuiu até aos 39 anos; novos. As melhores condições
• largas aos 40 e mais anos. ■ aumentou aos 40 e mais de vida e trabalho permitem o
anos... prolongamento da vida ativa.

... aumento do número e da


... devido ao aumento
O topo ficou mais largo, porque representatividade dos idosos,
da esperança média devida
houve um... sobretudo com mais de 80 anos,
e da longevidade.

28
A populaçao: evolução e diferenças regionais

Esta evolução da estrutura etária evidencia o agravamento do processo de envelhecimento


demográfico em Portugal, como resultado da redução da natalidade e da fecundidade e do
aumento da esperança média de vida, decorrente da diminuição da taxa de mortalidade
(Figs. 2 e 3).

-90 4
---- Mulheres
*85“ ---- Homens
T3
80- 76,7
75-
cn
70- 66.4 O

65-

60- União Europeia (2017)


H - 78,3 - M—83.5
55-
2017
50 1 r 1 r ■ i r 1 ■
1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 Ano

Fig. 2 Evolução do índice sintético de fecundidade em Fig. 3 Evolução da esperança média de vida à nascença em
Portugal (1960-2017). Portugal (1950-2017).

Analisa o gráfico da fig. 2: Analisa o gráfico da fig. 3:

3. Indica o ano em que o índice sintético de fecun­ 4. Descreve a evolução da esperança


didade deixou de permitir a substituição de ge­ média de vida em Portugal e compara o
rações. valor de 2017 com a média da UE.

Deve-se: Deve-se:
• à generalização do planeamento familiar ■ à melhoria das condições de vida;
e do uso de métodos contracetivos; ■ ao aumento da segurança no trabalho:
• ao crescimento da atividade profissional ■ à evolução da medicina;
feminina; ■ à melhoria da assistência na doença.
• ao adiamento do casamento
e do nascimento do primeiro filho,
com o aumento da escolaridade índice sintético de fecundidade: número médio
obrigatória e do investimento feminino de filhos por mulher em idade fértil (15 a 49 anos).
na carreira profissional;
Taxa de fecundidade: número de nados-vivos,
• às elevadas despesas com a educação
por mil mulheres em idade fértil.
das crianças;
índice de renovação de gerações: valor mínimo do
• à difícil conciliação da vida profissional
índice sintético de fecundidade que permite
e familiar.
a substituição de gerações - 2,1.
Esperança média de vida: número de anos que,
em média, uma pessoa tem probabilidade de viver,
quando nasce ou numa dada idade.

VERIFICA SE SABES
AVALIAÇÃO

Analisar a evolução da estrutura etáiria, comparando pirâmides etárias.

Justificar o envelhecimento da estrutura etária portuguesa, pela base e pelo topo da pirâmide.

29
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Indicadores de envelhecimento...
O envelhecimento demográfico, em Portugal, índice de envelhecimento {IE): relação entre o número
evidencia-se ainda mais quando comparamos de idosos e o de jovens, em número absoluto ou
percentagem (número de idosos por 100 jovens).
a evolução da população idosa com a da po­
Pop. de 65 e mais anos
pulação jovem, que tem feito aumentar o índi­ IE =------- ------------------------------ *100
ce de envelhecimento (Figs.ie2). Pop. de 0 a 14 anos

Analisa o gráfico da fig. 1:

1. Indica o ano inicial e respetivos valores.

2* Descreve o sentido e o ritmo de variação:


a. da população jovem;
b. da população idosa.

3. Sugere um efeito:
a. da redução dos jovens, na população

INE. 2018
ativa;
b. do aumento de idosos, nas despesas
do Estado.
Fig. 1 Evolução da população jovem e idosa, em Portugal
(1981-2017).

Analisa o gráfico da fig. 2:

4. Descreve o sentido e o ritmo de variação


do índice de envelhecimento.

5. Explica porque, a partir de 2001, o valor


do índice de envelhecimento ultrapassou

INE, 2018
os 100%.

Fig. 2 Evolução do índice de envelhecimento, em Portugal


(1960-2017).

A tendência de envelhecimento demográfico Tab. 1 Evolução dos grandes grupos etários na UE-28 e em Portugal.
F 1
verifica-se há várias décadas na União Euro­ Jovens Adultos Idosos
peia, incluindo Portugal, com um: (%) (%) (%)

2010 15,7 66,7 17.6


• crescente aumento da proporção de pes­
INE e Eurostat, 2019

UE
soas idosas; 2017 15,6 65,2 19,2

• decréscimo do peso relativo de jovens e 2010 15.1 66,2 18,7


Portugal
de pessoas em idade ativa, na população
2017 13.9 64,8 21.3
total (Tab. 1).

30
A populaçao: evolução e diferenças regionais

... e desigualdades regionais


A estrutura etária apresenta contrastes regionais entre as NUTS III do interior, mais envelhe­
cidas, e as NUTS III do litoral continental e regiões autónomas (Figs. 3e4).
100%

INE, 2018
fstaflstfcos DeiTjoíycíflcas 2017,
R. A. Madeira
>200

Fig. 3 índice de envelhecimento demográfico,


por NUTS III (2017).

Analisa o mapa da fig. 3 e o gráfico da fig. 4:

6* Identifica as NUTS III com:


a. menos de 20% de idosos;
b. 10% ou menos de população jovem (0 a 4 anos). 0 a 14

7. Menciona as NUTS com índice de envelhecimento Fíg, 4 Estrutura etária em Portugal


e por NUTS 111(2017).
inferior a 161.

A variação regional do índice de envelhecimento acompanha a da estrutura etária e evidencia:

• maior envelhecimento nas NUTS III do interior, onde há menos jovens (TN mais baixa)
e maior proporção de idosos (que exp ica os maiores valores da TM);
• menor envelhecimento nas NUTS III do litoral norte, Área Metropolitana de Lisboa
e regiões autónomas, onde há mais jovens e menor proporção de idosos.

avaliação
VERIFICA SE SABES

Relacionar o índice de envelhecimento com a proporção de jovens e idosos.

Identificar e explicar os principais contrastes regionais no índice de envelhecimento.

31
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

A estrutura da população ativa...


A evolução demográfica que estudaste reflete-se diretamente na taxa de atividade e nas
características da população ativa (Fig.1).

População ativa: conjunto de


indivíduos, com 15 anos ou mais, que
constituem mão de obra disponível,
incluindo os desempregados
e os que cumprem o serviço militar.
População não ativa: conjunto
de indivíduos, de qualquer idade,
que não são economicamente ativos.
Taxa de atividade total:
percentagem de população ativa
em relação à população total.
Taxa de atividade feminina/
masculina: percentagem de
mulheres/homens ativos, em relação
ao total de mulheres/homens.
Hg. 1 Evolução da populaçao atiiva em Portugal (total e por género, face ao
total de homens e mulheres, 1970-2017),

Analisa o gráfico da fig. 1:

1* Indica o sentido e o ritmo de variação da taxa de atividade total entre:


a. 1970 e 2001; b. 2001 e 2011; c. 2011 e 2017

2* Calcula o aumento da taxa de atividade feminina entre 1970 e 2011.

A evolução da taxa de atividade caracteriza-se por:


------------------------------------------------- 1

Período Variação Fatores explicativos


■ i- -I

- Regresso de muitos portugueses


Aumento, em cerca de 4%, da taxa das ex-colónias, em idade ativa.
1970 a 1991 de atividade total, apesar da diminuição - Incentivo à reforma antecipada, afetando
(21 anos) da taxa de atividade masculina, e pela quase a taxa de atividade masculina.
duplicação da taxa de atividade feminina. - Rápido aumento do número de mulheres
com acesso ao mercado de trabalho.

Crescimento mais rápido da taxa de atividade - Grande crescimento da imigração,


1991 a 2001 total (cerca de 6%), com a subida da taxa que aumentou o número de ativos.
(10 anos) de atividade feminina e um muito ligeiro - Continuação do aumento do número
acréscimo da masculina. de mulheres no mercado de trabalho.

- Redução da imigração e aumento


Ligeira redução da taxa de atividade total
da emigração, devido à crise económica.
2001 a 2011 e da taxa de atividade masculina.
- Continuação do aumento do número
(10 anos) Pequeno aumento da taxa de atividade
de mulheres ativas, embora com menor
feminina.
significado.

Ligeiro aumento da taxa de atividade total


2011 a 2017 - Recuperação económica, que fez diminuir
-> e masculina, com manutenção da taxa
(7 anos) a emigração.
de atividade feminina.

32
A populaçao: evolução e diferenças regionais

... e do emprego
A estrutura do emprego - forma como a população ativa se reparte pelos três setores de
atividade económica - também sofreu alterações significativas :ic..: ..

INE, 2019
Lisboa Açores Madeira
Primário Secundário Terciário
Fig. 2 Evolução da contribuição de cada setor de atividade para o emprego, em Portugal (1950-2017) e por NUTS II (2017).

Analisa os gráficos da fig. 2:

3* Indica a percentagem do emprego em cada setor de atividade, em 1950 e 2017.

4. Identifica:
a. o setor dominante em todas as regiões;
b. as três regiões com maior setor secundário.
***»***«*e****»*«*e****ft«*

Setor primário Setor secundário Setor terciário


L-

Acentuada redução por Aumento, até 1971, por efeito Crescimento contínuo, empregando 75%
efeito: da industrialização do país. da população em 2017, devido:
• do êxodo rural, que fez Redução, desde 19S1, devido: • ao desenvolvimento dos transportes
transitar os ativos para - á deslocalização industrial para e das atividades comerciais;
os setores secundário países de mão de obra mais • à criação de novos serviços;
e terciário; barata; • ao alargamento dos serviços de educação,
• da mecanização e • à progressiva substituição saúde e apoio social;
crescente automatização da indústria intensiva em mão • à expansão dos serviços financeiros;
da agricultura, que de obra pela indústria de • ao aumento e diversificação das atividades
libertou mão de obra, tecnologia moderna e digital, de turismo e lazer.
sk sk T

Maior importância no Norte Mais importante em todo o país, destacando-


Maior importância
e Centro, por concentrar boa parte -se a AM de Lisboa, pela grande concentração
no Centro, no Alentejo
das empresas que aiinda e diversidade de serviços, assim como o
e nas regiões autónomas.
são intensivas em mão de obra. Algarve e a Madeira, pelo turismo.

I
AVALIAÇÃO
VERIFICA SE SABES

Explicar a evolução da taxa de atividade e da estrutura do emprego, através da análise de gráfi­


cos e aplicando aprendizagens anteriores.

33
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Os níveis de escolaridade e de qualificação profissional


O recurso mais importante é a população. Daí a importância da elevação dos níveis de
escolaridade e de qualificação profissional, sobretudo da população ativa (Fig, 1).

Taxa de
analfabetismo

1991 -11%
2001 - 9%
2011 - 5%

Fig. 1 Evolução dos níveis de escolaridade e da taxa de analfabetismo em Portugal (1991-2017).

Analisa o gráfico da fig. 1:

1. Indica, para 1991 e 2017, a percentagem de população:


a* sem instrução; b. com o 3.° Ciclo; c. com o Ensino Superior.

Apesar do enorme progresso, os níveis de escolari­


dade em Portugal ainda estão aquém da média da
União Europeia, refletindo-se nos da população ati­
va, com diferenças regionais significativas (Figs.2e3).

Compara os gráficos das figs. 2 e 3:

2. Identifica as NUTS com níveis de escolaridade infe­


riores aos da média da UE28.

3. Compara os níveis de instrução da população ativa,


em Portugal, com os dos restantes países da UE. Fig, 2 Níveis de escolaridade da população ativa
(15 e mais anos) em Portugal, por regiões, em 2017.

Fig. 3 Níveis de escolaridade da população ativa (15 a 64 anos} na União Europeia, em 2017.

34
A populaçao: evolução e diferenças regionais

III. Principais problemas sododemogrãficos


O envelhecimento demográfico e os níveis de escolaridade ainda
inferiores aos da União Europeia levantam alguns problemas.

fc o n ó m ita s 2016, 1NE, 2019


O envelhecimento demográfico provoca:

• a diminuição do número de jovens, o que reduz a população ati­


va e as respetivas contribuições para a Segurança Social;
• o acréscimo das despesas com os idosos, na saúde, nos serviços
de apoio e nas pensões de reforma (Fig. 4).

Conícrs
Gera-se, assim, um desequilíbrio que poderá vir a impossibi itar
o pagamento das pensões aos atuais e futuros contribuintes e 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2016Ano

que se reflete nos índices de dependência - total, de jovens e Fig. 4 Evolução do valor total das pensões
de idOSOS (Fig. 5). de reforma da Segurança Social.

índice de dependência de jovens:


relação entre o número de jovens e o
número de pessoas em idade ativa.

Pop. de 0 a 4 anos
IDJ =------------------------------------- x 100
Pop. de 15 a 64 anos
índice de dependência de idosos:
relação entre o número de idosos e o
número de pessoas em idade ativa.
ID total
ID idosos Pop. de 65 e mais anos
IDI = ------------------------------------- x 100
ID jovens Pop. de 15 a 64 anos
índice de dependência total:

Fig. 5 Evolução dos índices de dependência em Portugal. IDT = IDJ + IDI

Analisa o gráfico da fig. 5:

4. Descreve a evolução do índice de dependência de jovens, de idosos e total.

5* Identifica o ano em que o índice de dependência de idosos superou o de jovens.

Os níveis de escolaridade ainda baixos face à média comunitária:

• dificultam a aprendizagem ao longo da vida e a qualificação contínua da mão de obra;

• aumentam o risco de desemprego, pela maior vulnerabilidade dos menos instruídos e quali­
ficados ãs flutuações do mercado de trabalho, sobretudo nas situações de crise económica;
• reduzem a produtividade das empresas (produção por unidade de tempo de trabalho),
pela falta de qualificações dos empregadores (défice de gestão e organização) e dos tra­
balhadores (dificuldade de adaptação a novas metodologias e tecnologias de produção).

í “
AVALIAÇAO

Pp.40e41
GRUPO I:
Enunciar os principais problemas decorrentes do envelhecimento demográfico. Questão 6

Questões 1,2 e 3
Indicar implicações dos baixos níveis de escolaridade e qualificação da população ativa.
GRUPO IV:
Questões 6 e7
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Soluções para os problemas sociodemogrãficos

Rejuvenescer a população
O rejuvenescimento da população é urgente para se conseguir um equilíbrio demográfico
que garanta a sustentabilidade social. Tal só será possível com o aumento da populaçao
jovem, através de políticas de apoio à natalidade e à imigração (Doc. .

Políticas natalistas (de incentivo à natalidade) Doc. 1 A palavra aos especialistas

^F
Maria Filomena Mendes, presi
dente da Associação Portuguesa de
O incentivo à natalidade pode traduzir-se em medidas como:
Demografia, reforça a ideia de que
• alargamento da rede da educação pré-escolar, com horários é essencial garantir estabilidade no
compatíveis com o emprego dos pais; emprego e assegurar um nível sala
• aumento dos abonos de família em função do número rial que permita fazer face às despe
de filhos; sas familiares.
• alargamento do período de licença maternal e paternal () sociólogo João Peixoto defende
e maior diversidade de modalidades de partilha no casal; que “São precisas políticas sistema
• regulamentação da adoção de crianças de outros países; ticas. de longo prazo, um consenso
• incentivos às empresas, de modo a torná-las parceiras que garanta a duração das diferentes
na promoção da natalidade, nomeadamente com: medidas para além do Governo que
- a criação de creches nas empresas, facilitando as deslocações as implementa.”
diárias e fomentando um maior contacto entre pais Os dois especialistas indicam qua
e filhos ao longo do dia (p. ex., na hora de almoço); tro áreas a trabalhar: partilha de licen
- maior flexibilidade dos horários de trabalho para facilitar ças parentais, para maior igualdade de
a conciliação com a vida familiar; género; conciliação entre trabalho e
• promoção de uma economia com maior empregabilidade família; aposta numa rede de creches;
e valorização dos salários;
melhores apoios financeiros.
■ valorização da família e da população como recurso fundamental. Expresso, 21/06/2018 (adaptado)

Políticas de imigração
4*
2017, IN E, 2 Cd8

O incentivo à imigração legal e planeada


e à fixação de refugiados, com programas de
fs ta ís tfc o s Dernogrcíflcas

emprego e integração, permitirá:


* aumentar a natalidade, com a chegada de
população em idade reprodutiva;
* aumentar e rejuvenescer a população ativa,
pelo reforço de adultos jovens na estrutura
etária;
* promover a sustentabilidade da Segurança
Social, pelo aumento do número de
contribuintes. Fig,1 Estrutura etária cios imigrantes em Portugal, em 2017.

Analisa o doc. 1 e a fig. 2:

1. Identifica as áreas de aplicação de políticas natalistas.

2. Caracteriza a estrutura etária dos imigrantes, em Portugal.

36
A populaçao: evolução e diferenças regionais

Elevar os níveis de escolaridade e qualificação

As políticas educativas desenvolvidas nas Tab, 1 Proporção de pessoas, de 18 a 64 anos, que


participaram em atividades de ALV.
últimas décadas têm elevado os níveis de
escolaridade, com o alargamento da esco­
laridade obrigatória até aos 18 anos. Será
50,2
necessário prosseguir no mesmo sentido,
nomeadamente: Homens 51.5
Género
• diversificando os percursos escolares, Mulheres 30,7 49.0

de modo a combater o abandono escolar; 18-24 anos 60,8 80,7

• melhorando a oferta educativa profissio­ 25-34 anos 40,2 60,2 5E


o
nal, tornando-a mais adequada às neces­ QJ
Grupo etário 35-44 anos 28,5 53,9 K
sidades das empresas, de modo a facilitar G
Ci
íN
a inserção dos jovens na vida profissional; 45-54 anos 22,0 43.0 -<
■-1

• promovendo a inovação tecnológica 55-64 anos 10,8 28,6 •c

£
nas escolas, universidades, Administração Nenhum 0,8 20.7 Q

-a
Pública e empresas, de modo a aumentar
Básico -1 ® Ciclo 7,6 18,1
a produtividade e a competitividade;
Básico - 2.° Ciclo 20,6 30.9
• apoiando as empresas e os serviços pú­
Escolaridade
blicos no reforço da formação inicial e na Básico - 3.° Ciclo 37,2 48,1

promoção da aprendizagem ao longo da Secundário


55,1 63,2
e Pós-Secundário
vida (ALV), de modo a desenvolver novas
competências profissionais e melhorar a Superior 65,0 72.6

empregabilidade (Tab. 1).

Analisa os dados da tab. 1:

3. Compara a proporção de participantes em atividades de ALV, em 2007 e 2016:


a. por género; b. por grupo etário; c. por nível de escolaridade.

O aumento das qualificações da população ativa, empregadores e trabalhadores, contribui de­


cisivamente para o crescimento económico, uma vez que permite aumentar a capacidade de:

• enfrentar riscos, favorecendo o empreendedlorismo, a adesão às inovações e o investi­


mento em investigação e conhecimento;
• responder às exigências dos consumidores relativamente à diversidade e à qualidade
dos produtos e serviços, o que favorece o consumo e, consequentemente, o aumento da
produção, assim como as possibilidades de exportação;

• negociação e de inserção nos mercados, o que favorece a exportação e o investimento


estrangeiro.

AVALIAÇÃO
Enumerar medidas para resolver os problemas socio dem o gráficos decorrentes:
Pp.40e41
• do envelhecimento demográfico e seus efeitos económicos e sociais;
Questão 3
• dos baixos níveis de escolaridade e de qualificação da população ativa portuguesa.
GRUPO IV:
Questões 6 e7

37
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

SÍNTESE

Evolução da população residente em Portugal, desde 1950

I I
I l>
I I

A população aumentou em I
I
i
i
Devido á variação da taxa de crescimento efetivo (TCE),
cerca de dois milhões de
I I
I l>
I
I
!
I
i
'
resultante das taxas de crescimento natural (TCN) e de
habitantes, passando de... ! í
crescimento migratório (TCM):
i I*
i i

• ... pouco mais de oito I


I
i
i
• 1950 a 1963: TCE positiva -*TCN alta e TCM negativa;
milhões, em 1950,... i
i
i
i
I*
i
• 1964 a 1973: TCE negativa -* TCN positiva e TCM muito negativa;
• ... para mais de 10 i
i
I*
i
• 1974 a 1979: TCE positiva -* TCN positiva, a baixar, e TCM alta;
milhões, em 2018, I
I
i
i

I I
• 1980 a 1992: TCE quase nula + TCN baixa e TCM muito baixa;
depois de ter atingido I
I
I
l>
I
i
I i
■ 1992 a 2011: TCE positiva -* TCN muito baixa e TCM alta;
o máximo em 2011, com I
I
I
I
I
I

10 673 000 habitantes.


I
I
I
I
i
íl
• desde 2011: TCE negativa *TCN negativa e TCM negativa.
i r
I I
I I
I F

Contrastes regionais

Taxa de mortalidade Taxa de crescimento natural

------
4-
---- - —----------------------------------- — ----1 r
4, 4/
I I
I I
I I
I I
i ■

• Mais alta nos Açores,


Madeira, AM de Lisboa Negativa na média nacional,
Taxa de natalidade I I
• Mais alta nas NUTS III
e Algarve, onde há mais sendo:
do interior, devido ao
população jovem e jovem i : • mais baixa nas NUTS III
maior número de idosos.
adulta. do interior;
■ Mais baixa nas NUTS III
• Mais baixa em todas • positiva, mas baixa,
do litoral, devido ao
as NUTS III do interior, :: nas regiões autónomas
menor envelhecimento
devido ao predomínio de i i e nas áreas metropolitanas
da população.
população idosa e baixa de Lisboa e Porto.
proporção de jovens.

Êxodo rural Emigração das migrações


Contributo Imigração

4
4- I
4
I t
4/
i I i i
i I I I

I
I
i i Maior na década de 70 do século XX,
I
I Mais intensa na década de : i
i

devido ao regresso de muitos
Conduziu a uma 60 do século XX, fez reduzir :
1
portugueses das ex-colónias,
grande concentração a população residente em
e de 1992 a 2010, com a chegada
demográfica no litoral, ! Portugal e contribuiu para •
I
I
i de migrantes oriundos,
I
i
I
i

despovoando o interior o seu envelhecimento.


i i i

I principalmente, da Europa Oriental,


e envelhecendo a sua !
I
I
Grande aumento entre I
I
i

I
I
i
dos PALOP e do Brasil, contribuiu
i i

população. 2008 e 2015, devido à crise ; ;


‘I
I
I
para o aumento e rejuvenescimento
i I

I
I económica.
da população.
I


I I I I
I I I
I I I li
'b a —. — — —— ——— b —i— — — —'

38
A populaçao: evolução e diferenças regionais

Evolução da estrutura etária da população Evolução da população ativa


I
I

I
A estrutura do emprego terciarizou-se:
I

I
mais de % da população ativa no setor
I
I

I
terciário, com o setor secundário
I

Processo de envelhecimento demográfico, devido: I


e o primário a diminuir.
I

* à descida da natalidade e da fecundidade, I


que levou à diminuição da população jovem,


fazendo também decrescer e envelhecer
Evolução dos níveis de escolaridade
a população ativa;
• ao aumento da esperança média de vida F
I
i

decorrente da diminuição da mortalidade, I


i
Aumentaram muito, mas ainda são
que fez aumentar a população idosa. I inferiores à média da União Europeia.

I. ■......... "1 ■i
I
I

Não há possibilidade de ■ O índice de envelhecimento é: I


I

renovar as gerações porque o I i ■ superior a 100 em todas as !


i

índice de fecundidade é inferior regiões, exceto nos Açores;


!
I

ao índice de renovação de i i ■ superior a 200 nas regiões


I

gerações, cujo valor é 2,1. do interior. i


i

I
i
i

Problemas sociodemográficos

Perigo de rutura do sistema de Segurança Os níveis de escolaridade e qualificação


Social devido: ; i inferiores à média da UE dificultam:
• ao aumento das despesas com a população - o aumento de produtividade das atividades
idosa; I
económicas;
I 3

• à redução das receitas com a diminuição : i - a competitividade das empresas


da população ativa. portuguesas.

Possíveis soluçoes

• I

Promover políticas: ; ; Promover políticas de:


• natalistas - medidas de incentivo à i i - diversificação das ofertas do ensino
I I

natalidade, para rejuvenescer a população; obrigatório e profissional;


• de captação e integração de imigrantes, : i - incentivo à aprendizagem ao longo da vida,
para travar o envelhecimento demográfico e para melhorar a gestão das empresas e a
aumentar o número de ativos contribuintes capacidade de adaptação da mão de obra,
da Segurança Social. de modo a aumentara produtividade.
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

Avaliação

I. Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes,

1. A década de 60 do século XX caracterizou-se por um crescimento efetivo francamente positivo.

2. O declínio da fecundidade é uma das principais causas do envelhecimento demográfico.

3. O fluxo de imigração permitiu aumentar a taxa de crescimento natural de 1992 a 2005.

4. As regiões com maior envelhecimento demográfico são o Norte e o Algarve.

5. O setor terciário é o mais importante, ocupando mais de metade dos ativos.

6. A evolução dos índices de dependência evidencia claramente o envelhecimento demográfico.

IL Seleciona, com base na fig. 1T a única opção correta.

UI 85 + 2010
80-84 Homens
1* A análise comparativa das duas pirâmides etárias da fn 75-79
Mulheres
70-74
Fig. 1 permite concluir que: 65-69
60-64 1041
A. a taxa de mortalidade infantil vai aumentar, 55-59
50-54
porque o número de indivíduos dos 0 aos 45-49
40-44
35-39
4 anos diminui. 30-34
25-29
20-24
B. a taxa de emigração vai aumentar, porque o 15-19
10-14
número de indivíduos em idade ativa diminui. 5-9
0-4____
C. o índice de dependência de idosos vai 500 400 300 200 100 0 100 200 300 400 500
População (milhares)
aumentar, porque a relação idosos/jovens
aumenta. 85 + 2030
dl 80-84
C Homens Mulheres
fn 75-79
D. o índice de envelhecimento vai aumentar, porque a 70-74
65-69
relação idosos/jovens aumenta. 60-64
55-59
50-54
45-49
2. Tendo em conta a evolução prevista para 40-44
35-39
a estrutura etária, será necessário promover: 30-34
25-29
20-24
A, o aumento da emigração portuguesa, sobretudo 15-19
10-14
de jovens profissionais qualificados. 5-9
0-4
r T
500 400 300 0 4Ò0 5Ó0
B o aumento da população jovem, pela promoção
População (milhares)
da natalidade e da imigração.
Fig, 1 Estrutura etária em Portugal, nos anos 2010
C. uma estrutura etária, da população adulta, e 2030 (previsão).
com maior equilíbrio de género.

D, maior investimento na saúde e na formação


escolar e profissional.

3. Pela evolução prevista da população em idade ativa, conclui-se que será necessário:
A. promover o aumento da emigração para aumentar as receitas do Estado.

B. facilitar a integração dos jovens no mercado de trabalho e tomar medidas que garantam
a sustentabilidade da Segurança Social.

C. promover uma estrutura etária da população ativa, com maior participação feminina.

D. fomentar o aumento da população ativa, através da formação escolar e profissional.

40
A populaçao: evolução e diferenças regionais

1. Posiciona Portugal no contexto da OCDE e da UE, relativamente aos níveis de


escolaridade» referindo também a forma como têm evoluído.

2. Indica dois efeitos negativos do défice de escolarização e qualificação profissional que


ainda persiste em Portugal.

3. Desenvolve a seguinte afirmação:


"Em Portugal. as políticas educativas têm permitido elevar a escolaridade e a qualificação da
população ativa, o que se refletirá na economia portuguesa?

IV. Responde às questões seguintes.

1. Explica o facto de as regiões do interior apresentarem as mais baixas taxas


de crescimento natural.

2. Apresenta as principais razoes que explicam o decréscimo da taxa de natalidade


em Portugal.

3. Relaciona o índice de envelhecimento das NUTS III com a respetiva estrutura etária.

4. Comenta a frase: “A imigração contribui para atenuar o envelhecimento demográfico?

5. Descreve, justificando, a evolução do emprego por setores de atividade, em Portugal.

6. Refere os principais problemas sociodemográficos em Portugal associados:


• ao envelhecimento demográfico;
• aos níveis de escolaridade e qualificação.

7* Indica as possíveis soluções para os problemas que referiste na questão anterior.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2012 - 1.a fase, grupo V Exame 2014- 2 a fase, grupo V Exame2017- Ia fase, grupo V

Exame 2012 -2.a fase, grupo I Exame 2015- 1.a fase, grupo I Exame2016- 2.a fase, grupo I

Exame 2013 - 2.a fase, grupo I Exame2016-Iafase, grupo I Exame 2019- 2.a fase, questões 1 e 2

Exame2014- 1.afase, grupo I Exame 2016-2 a fase, grupo I

41
Tema I

SUBTEMA 2 I. Assimetrias e tendências

II. Fatores físicos


e humanos
A distribuição III. Problemas e possíveis

da população soluções

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Conhecer a distribuição espacial da populaça o residente, em Portugal, através da interpretação
de mapas e outros documentos.
• Identificar as principais assimetrias regionais na repartição espacial da população, no território
continental e insular.
• Relacionar a desigual distribuição espacial da população com fatores naturais.
• Relacionar a desigual distribuição espacial da população com fatores humanos
• Explicar os problemas decorrentes da desigual distribuição da população.
• Debater medidas passíveis de atenuar as assimetrias espaciais na distribuição da população.
• Reconhecera importância do ordenamento do território para a qualidade devida.

© Termos e conceitos

- Assimetrias regionais - Densidade populacional

- Bipolarízação - Despovoa mento

- Capacidade de carga humana - Lítoralízação


A distribuição da populaçao

I. Assimetrias regionais na distribuição Assimetrias regionais:


espacial da população desigualdades acentuadas
entre diferentes regiões.

Em Portugal, a distribuição da população


evidencia assimetrias regionais que opõem
Oceano
áreas de grande concentração demográfica a Atlântico

outras pouco povoadas (Fig. 1).

A densidade populacional é...


4-

• no litoral ocidental,
de Setúbal a Viana do 60 km

Castelo, destacando-se
a AM de Lisboa
e a AM do Porto;
• no litoral algarvio,
maior HAtMlantes/km3
de Olhão a Lagos.
< 50
• no Funchal e concelhos
50 -112
vizinhos, na Madeira; ■ 113 -222
• em Ponta Delgada e ■I 223 -1000 50 km
Lagoa, em São Miguel, ■ 1001 - 5000
nos Açores. ■ > 5000

2018
----- NUTS III

IN E.
Fig. 1 Densidade populacional por concelhos, em 2017.
• em todo o interior;
• no litoral alentejano;
menor
• na maioria dos concelhos Analisa o mapa da fig. 1:
das regiões autónomas.
1. Verifica as classes da legenda.

2, Identifica as NUTS III em que a maioria dos concelhos tem:


a+ mais do que 222 hab./km2;
Esta distribuição da população caracteriza-se b. menos do que 113 hab./km2.
por duas tendências que se têm acentuado:

• litoralizaçào - concentração da popula­


ção e das atividades económicas no litoral,
mais urbanizado, com perda de população Doc. 1 Dinâmicas populacionais
no interior, predominantemente rural;
• blpolarízação - densidade populacional Embora, desde a década de noventa do século XX, os mo
e de atividades económicas muito mais vimentos imigratórios tenham assegurado o crescimento po
pul acionai, a evolução negativa do crescimento natural e dos
elevada em duas áreas, Lisboa e Porto. saldos migratórios dos últimos anos tem levado à redução da
população da quase totalidade dos concelhos.
As projeções apontam para o acentuar da retração demo
grãfica, prevendo se:
Interpreta o texto do doc. 1: ■ o reforço da concentração populacional nas ãreas metro po
litanas de Lisboa e do Porto;
3. Identifica as tendências demográficas referidas. ■ o acentuar das baixas densidades nos territórios rurais e
predominantemente rurais.
4. Indica a justificação apresentada para essas
tendências. PiVPOT - Diagnóstico, DGT, 2018 (adaptado)

43
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

II. Fatores que influenciam a distribuição


da população
Os princi pais fatores físicos-características do relevo, clima e solos— Fatores de distribuição da
assim como os fatores humanos - condições de vida e desenvolvi­ população: razões que facilitam
mento das atividades económicas - explicam as desigualdades na ou dificultam a fixação da
população num dado território.
distribuição espacial da população portuguesa.

- Na faixa litoral, entre Viana do Castelo e Setúbal, e na faixa


o litoral algarvia, predomina um relevo menos acidentado, A conjugação de relevo,
>
com planícies como as do Mondego, do Tejo e do Sado. clima e solos mais favoráveis
w
CÉ - Nas regiões do interior, a norte do rio Tejo, o relevo é mais no litoral criou condições
acidentado, predominando as montanhas e planaltos. atrativas para a fixação
humana:
• maior acessibilidade
- No litoral, sobretudo a norte do Tejo, pela influência natural;
do Atlântico, o clima é mais húmido e mais ameno, com • maior facilidade de
<D diferenças menores entre as temperaturas de inverno construção e expansão
E e de verão. -> de aglomerados urbanos
(J
- No interior, registam-se temperaturas mais baixas e de vias de comunicação;
no inverno e mais altas no verão e, sobretudo no sul, • melhores condições para
o cliima caracteriza-se por uma secura acentuada.
a prática da agricultura,
a atividade económica
- No litoral, o relevo e o clima favorecem a formação mais importante no nosso
i/i
o de solos mais férteis e produtivos, sobretudo nas planícies. país até meados
0 do século XX.
- No interior predominam solos mais pobres, principalmente
nas montanhas.

O maior dinamismo urbano,


a presença de maior número
ra
cz - No litoral, existem mais cidades e com maior dimensão. de empresas e a melhor
<D
-D - No interior, há menos cidades e de menor dimensão acessibilidade, no litoral,
criam condições atrativas
para a fixação humana:
• maior oferta de habitação
cp n - No litoral, localiza-se a grande maioria das empresas e de serviços, que
jj
■o
E industriais e terciárias e também as de maior dimensão proporcionam uma boa
"po
c - No interior, as empresas industriais e terciárias são menos qualidade devida;
0
< u numerosas e de menor dimensão • maior criação de riqueza;
• maior oferta de emprego;
• maior concentração
- No litoral, existe maior densidade e qualidade das redes de vias de comunicação,
■U
de transporte. facilitando a mobilidade;
UI
rc - No interior, há menos vias de comunicação e de menor • maior desenvolvimento
>
qualidade. social e económico.

4/

ui - O êxodo rural deslocou grande parte da população do interior rural para as áreas urbanas
W
<O
V do litoral.
ro
cn - A emigração contribuiu para o despovoamento de muitas aldeias.
E - A imigração tende afixar-se nas áreas urbanas, sobretudo nos distritos de Lisboa e Faro.

44
A distribuição da populaçao

III. Problemas associados aos contrastes Capacidade de carga


na distribuição da população... humana: capacidade
de um território atender
às necessidades da
Tanto a forte pressão demográfica no litoral como o despovoamento do
população, sem perda
interior levantam problemas etém custos económicos e sociais importantes. de qualidade de vida.

A excessiva concentração de pessoas e atividades faz ultrapassar O fraco povoamento é, simultaneamente,


a capacidade de carga humana, gerando problemas como: causa e efeito de problemas como:
• desordenamento do espaço, com construção excessiva • abandono dos campos e de muitas
de edifícios, falta de espaços verdes e aparecimento de bairros áreas florestais, que implicam problemas
degradados e de construção não planeada; ambientais;
■ sobrelotação dos equipamentos e das infra estruturas, originando • fraca oferta de bens e serviços;
congestionamentos de trânsito e insuficiência dos serviços • insuficiência de infraestruturas
de saúde, de educação, de transportes, de justiça, etc.; de saneamento básico e de distribuição
■ degradação ambiental, devido à poluição atmosférica, à excessiva de eletricidade, água e telecomunicações;
produção de resíduos, à impermeabilização dos solos, que impede • falta/abandono de estradas
a infiltração da água da chuva, e à ocupação de solos de aptidão e encerramento de ferrovias;
agrícola para fins urbanos; • falta de mão de obra para a vigilância
• desqualificação social e humana devido ao desemprego e proteção das florestas;
e ao emprego precário, à pobreza e à insegurança, ao síress • Dificuldade em preservar o património
e à diminuição da qualidade de vida. construído e natural.

... e possíveis soluções


A correção das assimetrias na distribuição da população depende de políticas de coesão
territorial que valorizem os extensos territórios despovoados e subaproveitados. É neces­
sário um planeamento económico, social e demográfico, que, de forma integrada, ã escala
nacional, regional e municipal, promova:

• a melhoria de infraestruturas e acessibilidades das regiões do interior;

• o aumento da oferta de serviços de apoio à população e á economia, para melhorar a qua­


lidade de vida e incentivar a fixação de população nas áreas demográfica mente deficitárias;

• a instalação e o desenvolvimento de atividades económicas, com incentivos financeiros


e fiscais, para aumentar o emprego e o dinamismo económico e social;

• a valorização dos recursos endógenos para produção de energia renovável e dinamiza­


ção do turismo, do lazer e de outras atividades produtivas;

• a criação de benefícios e incentivos à fixação de profissionais qualificados no interior,


como médicos, professores e quadros superiores de empresas, para assegurar os servi­
ços e dinamizar a economia.

AVALIAÇÃO

Descrever a distribuição da população em Portugal, referindo as principais assimetrias regionais. P.47


GRUPO LIIIEIV:
Relacionar as assimetrias na distribuição da população com os seus fatores naturais e humanos. Questão 1
GRUPO IIEIV:
Questões 2 e3
Enunciar problemas associados à desigual distribuição da população, propondo possíveis soluções.
GRUPO IV:
Questões 4e 5

45
TEMA I A populaçao, utilizadora de recursos e organizadora de espaços

SÍNTESE

A distribuição da populaçao portuguesa apresenta uma grande desigualdade, caracterizando-se


; essencialmente pelo desequilíbrio entre:
• litoral e interior, no território continental;
■ Funchal. Ponta Delgada e Lagoa e os restantes concelhos das duas regiões autónomas.

Áreas de maior densidade populacional Áreas de menor densidade populacional


sk sk
I

• Litoral entre Setúbal e Viana do Castelo ■ Todo o interior do território continental


• Grande parte do litoral algarvio ■ Litoral ocidental a sul de Setúbal
• Vertente sul da Madeira, sobretudo o Funchal ■ Porto Santo e vertente norte da Madeira
• Concelhos de Ponta Delgada e Lagoa ■ A maioria das ilhas dos Açores

Litoralização Bipolarização
,1 —— — —-------------- -------------------------------------- --------------- -----------------------------------------------------------------------------------------

!
I

i Concentração da população no Maior concentração em dois i


i

litoral, acompanhada da perda polos de atração populacional:



I
i
i
i

progressiva de população as áreas metropolitanas de !


I
i

no interior continental. Lisboa e do Porto. i

1 I

Fatores favoráveis Fatores desfavoráveis


■ I
i
I

I Predomina relevo menos acidentado, I


I
■ Relevo mais acidentado, predominando
I

I
i
com algumas planícies aluviais. I
I
as montanhas e planaltos no interior norte.
i I

I
Clima mais húmido e com diferenças I
I
■ Temperaturas mais baixas no inverno e mais
i 1

menores entre as temperaturas de inverno altas no verão, e com secura acentuada.


I I
i I

e de verão. ■ Predomínio de solos mais pobres.


I I
i

O relevo e o clima favorecem a formação I


■ Menor número de cidades e com menor
I I
i
i
de solos férteis e produtivos. I
I
I dimensão.
! I

Mais cidades e com maior dimensão.


i I
i I
■ Menor número de empresas industriais
!
I
i
Maior número de empresas industriais
I
i
e terciárias, e com menor dimensão.
I
i e terciárias, e com maior dimensão. I
i
i ■ Menos vias de comunicação e de menor
I
Maior densidade e qualidade das redes I
I
i
qualidade.
i

I
i
i
de transporte e comunicação. I
I
i
i
■ Menor oferta de emprego, bens e serviços.
I
i
Maior oferta de emprego, bens e serviços. I
I
i

I
I

Nas áreas mais densamente povoadas: Possíveis soluções



II

• desordenamento do espaço; I
I
J..----- - _______ _________________________________ ______ _____----------------------------------------------
-I
I
I I
I I

• sobrelotação dos equipamentos I I

I e das infraestruturas; I I Promover uma maior coesão territorial,


j • degradação ambiental; ^1 com medidas que:
Problemas

■ melhorem as infraestruturas
• desqualificação social e humana. I I

I
I e as acessibilidades;
* !

II ■ aumentem a oferta de serviços


i Nas áreas menos povoadas: essenciais de apoio à população;
I I ■■

• abandono de campos e áreas florestais; ■ valorizem os recursos endógenos;


-i • fraca oferta de bens e serviços; ■ incentivem a fixação de empresas
: • degradação do património; e profissionais qualificados.
■ I
I I

: • falta de infraestruturas e acessibilidades. I


I
I
i

46
A distribuição da populaçao

Avaliação

Seleciona a leira da chave que corresponde a cada uma das afirmações seguintes.

Afirmações Chave

1 Características do relevo, do clima e dos solos. A* Litoralização


2. Densidade populacional mais elevada em duas
grandes áreas urbanas - Lisboa e Porto. B. Bipolarização

3. Possibilidade de resposta às necessidades


C. Fatores humanos
da população, mantendo a qualidade de vida.
4* Concentração de população e atividades económicas D. Fatores físicos
no litoral.
5. Condições de vida e desenvolvimento económico. E. Capacidade de carga

IL Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes.

1. No continente, a maior densidade populacional encontra-se na faixa desde o Algarve


à AM de Lisboa.

2. Nas regiões autónomas, a densidade populacional é elevada na maioiria dos concelhos.


3. Atualmente, há uma tendência para o atenuar dos contrastes na distribuição populacional.
4» Os fatores físicos e humanos mais favoráveis no litoral explicam a litoralização.

5» As migrações acentuaram o contraste entre a densidade populacional do litoral e do interior.

IIL Seleciona a opção de resposta correta em cada uma das seguintes questões,

1. As projeções sobre a população apontam para uni reforço:


A. da bipolarização em torno de Lisboa e Porto.
B. da transferência de população para o interior.
C. do crescimento das cidades do Norte e Centro.
D. da perda de população nas maiores cidades.

2. Alguns sinais de que a capacidade de carga humana está ultrapassada são:


A. as filas ocasionais de trânsito.
B. a fraca oferta de produtos de marca.
C. as listas de espera nos hospitais centrais.
D. a falta de emprego e de investimento.

IV. Responde às questões seguintes.

1. Descreve a distribuição da população em Portugal continental e nas regiões autónomas.


2. Justifica os contrastes descritos na questão anterior, explicando os seus principais fatores.
3. Explica o efeito das migrações na distribuição da densidade populacional.
4. Indica os problemas associados à desigual distribuição da população, no litoral e no interior.

5. Sugere três medidas que possam contribuir para atenuar esses contrastes.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2013 - V fase, grupo V Exame 2016 - 2.a fase, grupo I

47
Tema II
L Diversidade de recursos

SUBTEMA 1 II. Limitações e riscos


sociodemográficos

Os recursos do subsolo III. Potencialidades

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Relacionar a distribuição dos principais recursos do subsolo com as unidades geomorfológicas.
• Localizar as principais minas e pedreiras de extração de recursos geológicos, interpretando mapas
• Relacionar a produção/ímportação de recursos energéticos e a distribuição do consumo de energia
com as assimetrias regionais.
• Equacionar as limitações e potencialidades de exploração dos recursos do subsolo

© Termos e conceitos

- Água mineral e termal - Minerais industriais e para construção

- Combustível fóssil - Recurso endógeno

- Energia fóssil geotérmica e termoelétrica - Recurso renovável e não renovável

- Jazida - Unidade geomorfológíca

- Mineral energético, mineral metálico, - Turismo termal


mineral não metálico
Os recursos do subsolo

I. Recursos geológicos
Indústria extrativa:
Em Portugal existe alguma diversidade de recursos geológicos, explorados pela procede à extração
de minerais do subsolo.
indústria extrativa. São recursos não renováveis que, estatisticamente, se or­
Jazida: área do subsolo
ganizam em subsetores, classificando-se também segundo a sua constituição.
com uma concentração
r i

significativa de um ou
Subsetores de produção/utilizaçâo Minerais segundo a sua constituição
h- —■
mais minerais.
Minérios ex.: ferro,
Unidade
„ , a com substancias
Minérios . geomorfológica:
metálicos cobre, estanho metalicas na sua
metálicos área de certa
constituição homogeneidade
ex.: margas e
de geologia e relevo,
Minerais para calcários, areias, „ . = sem substâncias
Minerais nao < da mesma época
construção pedra britada e metalicas na sua
metálicos geológica.
rochas ornamentais constituição
Recurso renovável:
Minerais para ex.: sal-gema, que a Natureza repõe
Minerais fontes de energia
a indústria caulino, argila ao ritmo da sua
energéticos (carvão, urânio...)
utilização racional.
ex.: termalismo, termais, Recurso não renovável:
engarrafamento: i k engarrafamento: com reservas limitadas
Águas Aguas
• minerais ’ - minerais ou de reposição muito
- de nascente ■ de nascente demorada.

A ocorrência de jazidas destes minerais depende da constituição geológica do subsolo que,


em Portugal continental, permite identificar três unidades geomorfológicas (Fig,i).

Orlas sedimentares Maciço Hespérico ou Antigo

• Com rochas sedimentares: calcários,


margas, argila, areias e arenitos. - Ocupa a maior parte
• Exploram-se sobretudo minerais para do território.
construção e alguns para a indústria. • Unidade geomorfológica
• Orla ocidental: de Espinho à serra mais antiga.
da Arrábida, inclui rochas como o basalto, - Com uma grande
em antigas áreas de vulcanismo, variedade geológica, de
como a serra de Sintra. rochas muito antigas e de
grande dureza, como o
granito, o xisto e outras
Bacias do Tejo e do Sado rochas plutónicas.
- Nele se localizam as
• Unidade geomorfológica mais recente.
maioresjazidas e unidades
• Formou-se pela deposição de sedimentos
de produção de minerais
fluviais de origem continental e alguns
metálicos e energéticos
de origem marinha.
e de rochas ornamentais
• Constituída por rochas sedimentares cristalinas, como os
detríticas: areias, cascalho, argila mármores e os granitos.
e algum calcário.
- Exploram-se minerais
• Exploram-se minerais para a indústria metálicos, minerais
e construção para a indústria,
Orlas sedimentares rochas ornamentais
Fig. 1 Unidades geomorfológicas de Portugal continental
e suas principais características. e águas termais e para
■ Orla meridional: ocupa engarrafamento.
a faixa litoral do Algarve.
Analisa a fig. 1:

1. Identifica as unidades geomorfológicas de Portugal continental.

2. Caracteriza cada uma quanto à época e ao processo de formação, constituição e minerais explorados.

49
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

A indústria extrativa
Viana do
Castelo ■
Bragança
A indústria extrativa representa um fator de emprego e produ­
ção de riqueza a nível nacional e, sobretudo, no interior. A ex-
Porto
p oração mineira mais importante é a de Neves-Corvo, no Baixo
Alentejo (Tab. 1 e Fig. 1).
Aveiro

Parasqueira
Tab. 1 Emprego e produção da indústria extrativa, em Portugal, Castelo
por subsetor (2017). Branco
F
■:=ü
Produção Contribuição
Emprego 6
CM

Valor
para o valor
Volume (T
total (%} LU
(IO3!) d Santar
Q

Minerais
713 4 940,1 59 420 5.5 O
o Estremoz
industriais a
o Borba
■n
O o Vila Viçosa
Qi
Minerais para «
4998 46 618.3 337 217 31.4 CTt
construção h—

C
LU
* Beja
Produção (106€) Aljustrel
Minerais a>
TJ
2747 442,8 446142 41.6 >335 Neves-Corvo
metálicos ■1:

Águas minerais 1 460.3 wa

2083 229 821 21.5 u1

DGEG. 2018
e de nascente (10= I) O
<u
3—

Fig, 1 Valor da produção de minas


Analisa a tab. 1, fig 1 e doc. 1: e pedreiras, por distrito (2017).

1, Identifica as variáveis representadas e as suas unidades.


Doc. 1 Diversidade e potencialidade
2. Compara a importância relativa de cada subsetor no emprego,
na produção e no valor total.
Portugal. apesar da sua peque
na dimensão geográfica, tem uma
geologia bastante diversificada e
Interpreta o mapa da fig. 1: com forte potencial. Destacam se
os minerais metálicos, extraídos nas
3. Verifica a variável representada e as classes da legenda. importantes jazidas de Neves-Corvo
(cobre e zinco), Panasqueira (tun
4. Identifica os distritos com maior valor de produção. gsténio) e Aljustrel (cobre e zinco).
Também merecem realce as rochas
ornamentais, principalmente os
mármores da região de Estremoz -
Analisa o doc. 1: Borba - Vila Viçosa e os granitos do
Centro e Norte, assim como os cal
5. Identifica e localiza no mapa as jazidas responsáveis pelo valor cários da Orla Ocidental.
do distrito de Beja.
ín/ormaçdo Estatística, n.a 19,
6. Indica, de entre os minerais referidos os que se extraem: dezembro de 2017, DGEG, 2018
a. no Maciço Antigo; b. na Orla Sedimentar Ocidental. (adaptado)

AVALIAÇÃO

Pp. 60e61
GRUPO I:
Questões 2a 5 Caracterizar as unidades geomorfológicas, indicando os respetivos recursos minerais.
GRUPOU:
Questão 1
Associar as jazidas de maior produção às respetivas unidades geomorfo lógicas.
GRUPO IV:
Questão 1

50
Os recursos do subsolo

Minérios metálicos e minerais industriais

Minerais Regiões de exploração

Minas de minérios metálicos: Centro e Alentejo


cobre, zinco, estanho e tungsténio. Destaca-se o cobre de
Têm grande valor comercial, Neves-Corvo e Aljiustrel,
constituindo 47% do valor das que representa cerca
exportações da indústria extrativa de 75% do valor da produção
(Fig. 3). deste subsetor (Fig. 2X

Norte e Centro
Minerais industriais: argila Destinam-se sobretudo
comum, calcário e margas para a ao mercado interno, para
indústria transformadora, areias a indústria cerâmica,
feldspáticas, caulino e sal-gema, e representam uma pequena Minérios metálicos
O Cobre e zinco
entre outros. parte do valor exportado pela □ Estanho e titânio
indústria extrativa Tungsténio

Minerais industriais
Caulino
& Calcário
para indústria
Analisa o mapa da fig. 2: ♦ Pegmatito com lítio
□ Quartzo
7. Verifica, na legenda, os símbolos dos minérios metálicos Feldspato
Sal-gema
e minerais industriais. Talco
Barita
8. Identifica: ***• Argila comum
0 50 km Argila especial
a, os distritos com maior produção de minerais industriais; »*> Areias feldspáticas

b+ os distritos com maior produção de minérios metálicos; Fig. 2 Minas de minérios metálicos e minerais
industriais em atividade, por distrito (2017).
c. os minerais produzidos no teu distrito.


Fig. 3 Evolução do valor das exportações de minérios Fig. 4 Contribuição dos minérios metálicos
metálicos, em Portugal (1996 a 2016). e minerais industriais para as exportações
da indústria extrativa (2017).

VER1ACA SE SABES

AVALIAÇAO
Localizar a produção de minérios metálicos e de minerais industriais, em Portugal.

Analisar dados estatísticos que permitem compreender a importância relativa da produção


de minérios metálicos e de minerais industriais, na indústria extrativa.

51
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Minerais para construção


Os minerais para construção constituem matérias-primas fundamentais na construção civil
e nas obras públicas. A sua exploração é feita em pedreiras, cuja distribuição geográfica evi­
dencia as características geológicas do território (Fig. 1).

>---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1

Minerais Regiões de exploração


h- .-d

Calcários sedimentares e Litoral da região


microcristalinos para cimento, pedra Centro, Sintra (AML)
de calçada e elementos ornamentais. e Algarve

Alentejo
Calcários cristalinos: mármores
maior reserva na faixa
de grande qualidade ->
de Estremoz - Borba -
e de reputação internacional.
Vila Viçosa (Fig. 2)

Granitos de grande diversidade, Norter Centro interior


xistos e ardósias e Alentejo

Analisa o mapa da fig. 1:

1. Verifica, na legenda, os símbolos dos diferentes minerais.

2. Identifica os minerais mais explorados: □ Granito • Serpentinito w Brecha


O Diorito ► Mármore calcária

DGEG, 2018
a. no Maciço Hespérico; X Calcário O Ardósia
♦ Gabro
microcristalino A Xisto
b. nas orlas sedimentares. q Sienito Calcário
nefelínico sedimentar • Margas

Fig. 1 Principais pedreiras de minerais para


construção (2017).

Neste subsetor destacam-se:

• os agregados, que incluem areias, saibros e pedra britada;

• as rochas ornamentais, onde sobressaem os mármores e granitos (Fig. 2).

Analisa o gráfico da fig. 2:


CO

6
CM
3. Verifica as variáveis representadas
C
LU
e identifica os minerais com:
d
o a. maior volume de produção;
b. maior valor de produção.
Fig. 2 Volume e valor da produção de minerais para construção (2016).

AVALIAÇÃO

Pp. G0e61
GRUPOb
Questão 6
GRUPOU:
Identificar os principais minerais para construção, explicando a sua localização.
Questão 2

52
Os recursos do subsolo

Recursos hidrominerais Águas minerais: com características


específicas pelo contacto com os minerais
Em Portugal existe um grande número de ocorrências hidro­
do subsolo.
minerais que apresentam uma significativa diversidade, pela Águas termais: ricas em sais minerais e
complexa e variada geologia do território. gás carbónico, por vezes com temperaturas
F 1 elevadas.
Recursos hidrominerais Localização Turismo termal: atividades turísticas
L_____________________________________________________________________ J
associadas às termas, enquadradas
Águas termais, com Norte e Centro, a maioria no turismo de saúde.
indicações terapêuticas no Maciço Hespérico, pela
reconhecidas, que advêm diversidade geológica
da temperatura e da e estreita ligação aos
constituição mineral. acidentes tectónicos
Têm grande potencial responsáveis pelas
turístico, pelo que geram temperaturas mais elevadas
emprego, nas termas das águas termais (Fig. 3).
e nas atividades que Destacam-se as termas
induzem (lazer, comércio, de Monchique, no número
etc.), e desenvolvem de aquistas, e São Pedro do
as regiões. Sul, no valor gerado (Tab. 1).

Maioritariamente a norte
Águas minerais e de
do Tejo, pela precipitação
nascente, que registam
mais abundante, que gera
um aumento sustentado
maior disponibilidade hídrica
da produção (Fig. 4).
subterrânea.

Águas minerais
naturais
Analisa as figs. 3 e 4 e a tab. 1:
Termas
Engarrafamento
4. Identifica o tipo de estabelecimento que predomina em cada
£ Termas e

DGEG, 2018
unidade geomorfológica. “ engarrafamento
Águas de
5* Compara, na tab. 1, as termas de Monchique e São Pedro do Sul. nascente

6. Justifica as diferenças entre inscrições e valor. Fig. 3 Localização dos estabelecimentos termais,
oficinas de engarrafamento e captação de água (2010).
7. Descreve a evolução da produção de água em Portugal.

Tab. 1 Frequência termal (2017).


F 1
Estabelecimento termal Monchique São Pedro do Sul Outros (39)
DGEG, 2018

Número 24 634 15 864 82126


Inscrições
% do total 20 13 67

Valor 103€ 378 786 4 219 317 12 975 180


gerado Fig. 4 Evolução da produção de águas minerais
% do total 3 37 60 e de nascente (2008 a 2017).

VERIFICA SE SABES

Distinguir águas termais de águas para engarrafamento (minerais e de nascente). AVALIAÇÃO

Pp.60e61
Explicar a distribuição geográfica das ocorrências hidrominerais, em Portugal continental.
Questões 2,3e4
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

II. Recursos energéticos Energia fóssil: combustíveis fósseis


ou energia obtida a partir deles,
nas centrais termoelétricas.
Produção e importação Energia geotérmica: obtida pela
geotermia.
O subsolo português é pobre em recursos energéticos:

• combustíveis fósseis - as reservas conhecidas de carvão estão


esgotadas, não temos gás natural e, em relação ao petróleo, há Bacia
Lusitânica
estudos que indicam a sua presença no litoral e na plataforma
Bacia de
continental, mas ainda sem resultados produtivos (Fig.i); Peniche
Bacia do
• urânio - deixou de ser explorado, pelo elevado custo de Alentejo
extração, que o torna pouco competitivo; Bacia do
Algarve
• geotermía - calor do interior da Terra que pode ser utilizado para Zona
produzir energia geotérmica, como acontece nos Açores Fig. 2 . poligonal
oficial de
200 m de
úü
5
profundidade
29* 28* 2r 2È* u
7
25?
CN de água
! i i Kl
i ® 1
. .1.. * i Cfr
i ZJ
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i . i' 1 ü_
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Pico Alto i1
i1
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1
1
1
(4.5
1
MW) i1
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1
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LU
OceanolAtlântico
; 1 : MPlco Vermelho tn

S0 km ; (13 MW) CTr


h—
• 1 ■n
=»—ll 1 ■ c
! i
II 1 ■ LU

Fig.2 Centrais de produção de energia geotérmica

DGEG, 2013
e respetiva capacidade instalada (2018).

Analisa os mapas das figs. 1 e 2:


Fig. 1 Áreas concessionadas para prospeção
1. Identifica as:
e exploração de petróleo, em Portugal (2017).
a. bacias de concessão para prospeção de petróleo;
b. ilhas com produção geotérmica.

Verifica-se ainda uma enorme dependência dos combustíveis fós­


seis - carvão, petróleo e gás natural - importados e utilizados no fa­
brico de gasóleo e gasolina e na produção de eletricidade Figs. 3 e 4].

Carvão Petróleo

Arábia

Outros
k Saudita
11%

w
Colômbia
47% 53%
DGEG, 2018

Azerbaijão
íi%
EDP e Tejo Energia, 2019

Fig. 3 Origens dos combustíveis fósseis importados (2017).

Analisa o gráfico da fig. 3 e o mapa da fig. 4:

2. Identifica os combustíveis utilizados nas centrais termoelétricas.

3. Justifica a localização das centrais termoelétricas, tendo em conta


de petróleo, em Portugal continental (2018).
as origens dos combustíveis fósseis.

54
Os recursos do subsolo

Distribuição e consumo
A evolução do consumo de energia, em Portugal (Fig. 5),
caracteriza-se por um:

aumento Devido a:
até ao - aumento da qualidade de vida, do conforto
início -> e do parque automóvel das famílias;
deste - crescimento da economia e alargamento
século e modernização das redes de transporte.

Que se justifica pela:


- maior eficiência energética - gastar menos
redução energia com o mesmo ou maior nível de
desde conforto e uso de lâmpadas, máquinas, Fig. 5 Evolução do consumo de energia final por setor
(tep - tonelada equivalente de petróleo).
2006 veículos, etc;
- crise económica, que fez reduzir
o consumo energético. Analisa o gráfico da fig. 5:

4. Verifica a unidade e os anos considerados.


O maior consumo de energia, nos concelhos e distritos mais
urbanizados, reflete as assimetrias na repartição da popu­ 5. Confirma a evolução descrita no texto.

lação e do desenvolvimento económico e social (Fig. 6).

R. A. Açores
c

0 50 km

Toneladas
4058-58 617 >1000
1551-4058 500-1000
CO
0 S0 km
626-1551 250-500 3
CM
300 — 626 0-250 O
LU
0-300 Sem consumo O
O

Fig.G Consumo de gasolina 1095, por concelho (A), e de eletricidade {Bi e gás natural (C). por distrito (2017).

Analisa os mapas da fig. 6:

6. Identifica, justificando, os distritos com maior consumo de gasolina, eletricidade e gás natural.

VERIFICA SE SABES
AVALIAÇÃO

Caracterizar a produção e a importação de recursos energéticos do subsolo.

Descrever a distribuição do consumo de energia, associando os contrastes às assimetrias regionais.

55
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

III. Limitações e riscos da exploração de recursos


geológicos...
Em Portugal, alguns aspetos dificultam a exploração dos recursos geológicos:

■ Em áreas de difícil acesso, decorrente das características do relevo e da


falta de infia estruturas viárias adequadas.
■ A grande profundidade, o que torna a extração difícil e dispendiosa.
■ Em áreas protegidas, o que inviabiliza a sua exploração.

■ Pequena dimensão de muitas empresas, sobretudo de rochas


ornamentais.
■ Fraca ligação à indústria transformadora, para escoamento da produção.
■ Elevados custos de produção (mão de obra, segurança e normas
ambientais), o que dificulta a concorrência com países como a China,
o Brasil e o Chile, com baixos custos de produção.

■ Vulnerabilidade de todos os setores da economia face às oscilações


dos preços dos combustíveis, sobretudo do petróleo.
■ Risco de falhas no abastecimento, na sequência de problemas
internacionais.
■ Elevada despesa externa com a importação de combustíveis,
desfavorável ao equilíbrio da balança comercial portuguesa.

■ Derrame e incêndio nas refinarias, nos oleodutos e gasodutos,


nos parques de armazenamento de combustíveis e nos postos
de abastecimento, mais graves quando ocorrem em áreas urbanas.
■ Acidentes e derrames no transporte de combustíveis, marítimo
e terrestre, com risco para as populações e desastres ambientais,
como as marés negras.
■ Emissão de gases com efeito de estufa, que agravam o aquecimento
global.

■ Contaminação de solos e águas, com resíduos tóxicos e radioativos.


■ Abandono de minas e pedreiras, com riscos para a população
e para o ambiente (Doc. 1).
■ Degradação da paisagem, pelo seu enorme impacte territorial.
■ Ameaça ao equilíbrio ambiental e à segurança da população.

Doc. 1 Abandonadas e perigosas

Associações ambientalistas afir


mam que se exploram pedreiras
até ao limite e não se cumprem
planos ambientais e paisagísticos,
ficando centenas de poços aban
donados.

Plíbiíco, 20/11/2018 (adaptado)

56
Os recursos do subsolo

... e suas potencialidades


Recursos endógenos: recursos
Os minerais são recursos endógenos com valor económico e com
naturais próprios de um
capacidade de induzir desenvolvimento, sobretudo nas áreas rurais determinado território.
do interior, onde são mais explorados. Para isso, importa:

- Aplicar novos métodos e técnicas de prospeção e investigação dos recursos geológicos


do subsolo continental e oceânico.
- Desenvolver infra estruturas de acesso viário e de ligação as redes de distribuição de água,
energia e telecomunicações.

- Redimensíonar as empresas, para viabilizar o investimento em novas tecnologias e tornar


a produção mais rentável e a preços mais competitivos;
- Apoiar novos projetos de aproveitamento dos recursos minerais, contribuindo para
o desenvolvimento das áreas onde se inserem.

- Criar maior ligação à indústria transformadora, para aumentar as potencialidades


económicas dos recursos geológicos, acrescentando-lhes o valor da transformação,
criando emprego e induzindo atividades de apoio à indústria.
- Promover mais eficazmente as exportações de recursos minerais, em bruto (matéria-primas)
e como produtos acabados da indústria transformadora.
- Valorizar a geotermia, através do aproveitamento térmico e energético.
- Reduzir a sazona lidade da utilização das termas, criando infra estruturas e atividades
turísticas, culturais e de lazer que permitam alargar o período de funcionamento e gerar
mais e melhor emprego, o que contribui para desenvolver o interior.

- Definir regras ambientais e de segurança que harmonizem a exploração com o equilíbrio


ambiental, a segurança e a sustentabilidade regional.
- Gerir deforma segura e adequada os resíduos, evitando problemas ambientais
e promovendo a sua redução e reutilização.
- Recuperar e requalrficar minas e pedreiras desativadas (Fíg. 2).

Fig.2 Mina de São Domingos, Alentejo, requalificada e transformada num espaço de lazer e cultura
ao serviço da população.

VERIFICA SE SABES

AVALIAÇÃO
Explicar a produção e a importação de recursos energéticos do subsolo.

Propor medidas de valorização dos diferentes recursos geológicos.

Indicar ações que promovem a valorização de minas e pedreiras abandonadas.

57
TE -IA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencial idades

SÍNTESE

Em Portugal há uma significativa diversidade de recursos geológicos


explorados pela indústria extrativa

Subsetores da indústria extrativa Tipos de minerais (constituição)

4- ___ i___
Minérios metálicos ; Aguas Minerais metálicos I
I
Aguas
!

Minerais para Minerais para Minerais para Minerais para


construção a indústria construção a indústria

Distribuição geográfica das jazidas dependente da constituição


geológica associada às três unidades geomorfológicas
4 I 4*

Maciço Hespérico ou Antigo Orlas sedimentares


jU B-B---^-B-B BBB-BBB B-B-B-- --B-B B B- B- B- - B! -B -B B B-B-S--B-B-B-B B-B-S--B K-B-B B-B-B--B-B ■-B B S-B-B--B-B « ■
4 I I I
I I I
I

• Ocupa a maior parte do território. Ocidental: de Espinho à serra da Arrábida. I

; • Unidade mais antiga. Meridional: faixa litoral algarvia. I


I
i
i
i i

• Grande variedade geológica: ■ Unidades mais recentes do que o Maciço Antigo. I


I
I
i

granito, xisto e outras rochas ■ Constituídas por rochas sedimentares: areias,


!

plutónicas. airenitos, margas, argila e calcários. I


I
i
i

!
• Maiores jazidas e unidades de I
■ Expio ram -se, sob retudo, mine rais pa ra I
I
I
i

produção de minerais metálicos construção e para a indústria. i

e energéticos e de rochas
ornamentais cristalinas.
Bacias do Tejo e do Sado
• Exploram-se, principalmente:
- minerais metálicos;
- minerais para a indústria; ■ Corresponde às bacias do Tejo e do Sado.
- rochas ornamentais; ■ Unidade mais recente.
- águas termais; ■ Constituída por rochas sedimentares detríticas, como
- oficinas de engarrafamento de areias, cascalho, argila e calcário.
águas minerais e de nascente, i ■ Exploram-se minerais para a indústria e construção.

A indústria extrativa gera emprego e riqueza, sobretudo em regiões


do interior, onde se localiza a maioria das minas e pedreiras

Minerais industriais Minerais para construção


■K ■1
Argila comum, calcário e margas para a indústria Calcários sedimentares para pedra
transformadora, areias feldspáticas, caulino e sal- de calçada, no litoral da região Centro,
-gema, principal mente nas regiões Norte e Centro.
a
Sintra (AML) e Algarve.

<■
Muitas e diversas ocorrências hidrominerais, sobretudo no Norte e Centro, pela precipitação
abundante., que permite recarregar toalhas freáticas e aquíferos, pela estreita ligação a acidentes
tectónicos do Maciço Hespérico:
■ águas termais, com grande potencial turístico e efeitos multiplicadores iimportantes;
■ águas minerais e de nascente, para engarrafamento, com um mercado sustentado e a crescer.
■1^
Os recursos do subsolo

O subsolo português é pobre em recursos energéticos -> dependência externa


sP 4/ 4/

Combustíveis fósseis Geotermia Urânio

Carvão - reservas conhecidas Mineral radioativo


I I: Calor do interior da Terra
i

esgotadas. que deixou de ser


i utilizado nos Açores para
Gás natural e petróleo - indícios explorado, devido
produção de energia
da sua presença no litoral e na à fraca competitividade
elétrica.
plataforma continental. no mercado externo.

Importação de carvão, petróleo e gás natural

I I
i i
I I

! i

Abastecimento Produção de
Fabrico de gasóleo : I
Localizadas no litoral,
doméstico de energia elétrica
e gasolina a partir em locais de fácil ligação
gás natural, por em centrais
do petróleo. I
!
I


I
aos portos marítimos.
—*—J
gasoduto. i
i te rmoelét ricas. i
1


I 1

Consumo de energia: maior no litoral e áreas mais urbanizadas,


refletindo as assimetrias regionais (população e desenvolvimento).

Limitações e riscos na exploração, distribuição Potencialidades dos recursos


e consumo de recursos geológicos geológicos

\k 4/
■i

I
I
I

• Localização das jazidas: áreas de difícil acesso,


a grande profundidade ou em áreas protegidas. • Criação de emprego e riqueza.
• Fraca competitividade: pequena dimensão • Valorização dos recursos endógenos,
das empresas; fraca ligação à indústria sendo necessário:
transformadora; elevados custos de produção. - melhorar as condições de
• Dependência externa: vulnerabilidade exploração;
da economia à oscilação dos preços; risco - racionalizar o processo de produção;
de falhas no abastecimento; elevada despesa - planear e ordenar para um
com importações. desenvolvimento sustentável;
• Riscos ambientais: contaminação de solos - recuperar e requalificar minas
e águas; degradação da paisagem; abandono e pedreiras desativadas;
de minas e pedreiras. - alargar e diversificar a oferta
• Riscos na distribuição e no consumo: acidentes, turística associada àstermas e minas
derrames e incêndios; emissão de gases desativadas.
com efeito de estufa. I
I

I
I
I
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Avaliação

L Seleciona a letra da chave que corresponde a cada uma das afirmações seguintes.

Afirmações Chave

1. Têm características físico-químicas que lhes dão A. Minério metálico


propriedades terapêuticas.

2. Dominam as rochas sedimentares, embora também B. Rochas ornamentais


se destaquem algumas áreas de rochas magmáticas.

3. Unidade geomorfológica mais recente onde dominam C. Águas minerais naturais


rochas sedimentares.

4. Tem na sua constituição substâncias metálicas,


C. Minerais energéticos
como o ferro, o cobre e o estanho.

5. Tem uma variedade de rochas muito antigas, de grande


D. Combustíveis fósseis
dureza, como o granito e o xisto.

6. Predominam o mármore e o granito, muito utilizados


na decoração de edifícios. E. Maciço Hespérico

7. As reservas de carvão, em Portugal, esgotaram-se


e o urânio deixou de ser explorado. F. Orla Ocidental

3. O petróleo e gás natural consumidos em Portugal


são totalmente importados. G. Bacias do Tejo e do Sado

II. Observa o mapa da Fig. 1.

Identifica as unidades geomorfológicas


assinaladas com A, B e C.

2. Escolhe, na chave, a substância explorada em


cada uni dos centros de produção numerados
na legenda do mapa (1 a 6).

• Volfrâmlo • Mármore
’ Sal-gema • Calcário
■ Areias • Caulino
’ Cobre e zinco • Águas minerais
• Granito

3. Identifica a unidade geomorfológica com


mais ocorrências de recursos hidrominerais.

4. Justifica a localização desses recursos.

5. Explica como as termas e as oficinas


de engarrafa mento contribuem para
o desenvolvimento regional.
Fiçh 1 Unidades geo morfológicas do território
de Portugal continental, minas e pedreiras.

60
Os recursos do subsolo

IIL Seleciona a opção que completa corretamente cada uma das afirmações*

1. O consumo de gasolina, eletricidade e gás natural é maior:


A. nos distritos com mais agricultura, indústria e produção de energia.
B. nos concelhos e distritos de maior densidade populacional do litoral.
C. nas áreas mais frias do país, devido á climatizaçao dos edifícios.
D. nas áreas com maior extensão de rede rodoviária, devido ao tráfego.

2. Entre as limitações á exploração das jazidas de recursos geológicos, salientam-se:


A. a fraca diversidade de recursos geológicos que o nosso país apresenta.
B. a localização pouco acessível, a fraca competitividade e os riscos ambientais.
C. os riscos no transporte e no consumo, sobretudo da termoeletricidade.
D. o baixo valor económico de recursos geológicos, como o cobre e o mármore.

3. Para valorizar os recursos do subsolo são necessárias medidas como:


A. melhorar as condições de exploração e diversificar a oferta turística associada
às termas.
B. melhorar as condições de trabalho e diversificar a oferta turística nas minas
abandonadas.
C. melhorar a competitividade e diversificar os tipos de recurso geológico
a explorar.
D. aumentar a tecnologia e intensificar a produção, para melhorar os rendimentos.

4. Os problemas de ambiente e segurança das pedreiras abandonadas podem resolver-se:


A. através da sua requalificação, transformando-as em espaços de lazer e cultura.
B. pelo encerramento e vedação, evitando o acesso da população e possíveis
acidentes.
C. com medidas que obriguem as empresas a deixar o espaço como o encontraram.
D. soterrando todo o espaço da pedreira, para conter as escombreiras e os resíduos.

IV. Responde às questões seguintes.

1. Caracteriza geologicamente as três unidades geomorfológicas.


2. Explica a evolução do consumo de energia em Portugal, até 2005 e a partir de 2006.
3. Justifica a distribuição do consumo de energia em Portugal.
4. Explica os problemas decorrentes do abandono de pedreiras e minas.

5* Equaciona o contributo dos recursos do subsolo para o desenvolvimento do interior,


exemplificando com o caso das termas e das rochas ornamentais.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2011 - 1.a fase, grupo II, questões 1 a 3 Exame 2018 - 1a fase, questão 7

Exame 2015 - 2.a fase, grupo II, questões 4 e 5 Exame 2018 - 2 a fase, questão 17.2

Exame 2017 - 2.a fase, grupo V, questões 1 e 2 Exame 2019 - 2.a fase, questão 3.5

61
Tema II
I. Ação da atmosfera

SUBTEMA 2 II. Variação da temperatura

III. Potencialidades

A radiação solar económicas e ambientais

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Explicar o papel da atmosfera na variação da radiação solar e no equilíbrio térmico global.
• Explicar as diferenças de duração e intensidade da radiação solar no território nacional inerentes ã sua
situação geográfica e decorrentes do movimento de translação da Terra.
• Compreender os fatores que, à escala do território nacional explicam a variação espacial e sazonal
da insolação e da radiação solar.
• Comparar a insolação em Portugal com a de outros países da Europa.
• Explicar a variação anual da temperatura em Portugal
• Reconhecer as condições de insolação favoráveis ao uso da energia solar
• Descrever a distribuição geográfica da temperatura, no inverno e no verão, relacionando-a com a varia­
bilidade temporal e espacial da radiação solar e respetivos fatores.
• Reconhecer o potencial de valorização económica da radiação solar, no mea da mente nos setores
do turismo e da produção de energia a partir da energia solar.

Q Termos e conceitos

- Energia solar - Albedo - Encosta soalheira

- Radiação
5
solar - Temperatura média - Encosta umbría

- Equilíbrio térmico - Isotérmica - Turismo balnear

- Efeito de estufa - Amplitude térmica anual

- Insolação - Regime térmico


A radiaçao solar

I. Ação da atmosfera sobre a radiação solar


Devido à distância entre a Terra e o Solt só uma pequena parte da
Radiação solar: energia
radiação solar chega ao limite exterior da atmosfera, e, desta, menos
emitida pelo Sol, em ondas
de metade atinge a superfície terrestre. É a atmosfera que permite o
eletromagnéticas de pequeno
equilíbrio térmico indispensável à vida na Terra (Fig. 1). comprimento de onda.
Radiação terrestre: energia
o
calorífica emitida pela superfície
Zjx Reflexão e difusão Reflexão pelo Reflexão pela ■”
t- 1 terrestre - radiação infravermelha,
CL
pela atmosfera topo das nuvens superfície da Terra
de grande comprimento de onda.
Radiação solar 4% Reflexão total
total 100% ou albedo médio Equilíbrio térmico: a quantidade
A 31%
■T-i
<D
de energia solar que atinge a
superfície terrestre é equivalente
à energia emitida pela Terra.
Efeito de estufa: a absorção de
parte da radiação terrestre pela
atmosfera permite o aquecimento
da sua camada inferior,
mantendo-se uma temperatura
média de cerca de 15 °C.
Albedo: razão entre a radiação
solar refletida por uma superfície
e a radiação solar total que sobre
ela incide.
1. Absorção - radiação solar absorvida por poeira, nuvens, vapor de água e outros gases
(por exemplo: o ozono estratosférico absorve a radiação ultravioleta). Radiação global: toda a radiação
2. Reflexão - radiaçao solar refletida pelo topo das nuvens e pela superfície terrestre, solar que chega à superfície.
sobretudo em regiões com maior albedo.
3, Difusão - radiação solar dispersada por gases e partículas da atmosfera que se escapa Radiação Radiação + Radiação
para c Espaço ou atinge, de forma indireta, a superfície da Terra - radiação difusa. global direta difusa
4, Radiação direta - radiação solar que atinge levemente a superfície.

Fig. 1 P rocessos atmosféricos que protegem a Terra e mantêm o equilíbrio térmico.

A maior obliquidade dos raios solares dispersa a energia por


uma área maior, aquecendo menos a superfície terrestre.
A radiação global varia com a latitude devido:
• à forma arredondada da Terra;

• à inclinação do seu eixo em relação ao plano da órbita.

Radiação global É maior nas latitudes baixas e


Os raios solares
por unidade de diminui com a latitude, sendo
incidem perpendicu­
superfície menor nas latitudes elevadas. larmente. concentrando
a energia numa área
menor, aquecendo mais
a superfície terrestre.
Desigualdade na É menor na zona equatorial e
duração dos dias aumenta com a latitude, devido ao Fig. 2 Variação da incidência da radiação global
e das noites movimento de translação da Terra. em função da latitude, que explica a diminuição
da temperatura do equador para os polos.

VERIFICA SE SABES AVALIAÇÃO

Definir os processos atmosféricos e os seus efeitos no equilíbrio térmico da Terra.

Explicar a variação da radiação global com a latitude.

63
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Variação da radiação global e da...


Em Portugal continental, território localizado numa latitude intermédia, na zona temperada do
norte, os valores da radiação global são mais elevados no verão, quando a radiação solar
incide mais diretamente no hemisfério Norte e os dias são maiores do que as noites (Fig-i).

Analisa o gráfico da fig. 1:

1. Verifica a variável, a unidade e os valo­


res do eixo vertical.

2* Identifica a estação meteorológica


e o mês em que ocorre o valor:
a. mínimo;
b. máximo.

3. Compara os valores de Faro e Porto.

Fig. 1 Variação anual da radiação solar global


em algumas estações meteorológicas.

Em Portugal continental, a radiação global anual diminui de sudeste para noroeste, pela in­
fluencia da altitude, da disposição do relevo e da proximidade ao mar. No verão, este efeito é
mais acentuado, sendo reforçada a diminuição da radiação global do litoral para o interior (Fig. 2).

Anual kWh/m 2
Radiação global anual
* Diminui de sul para norte,
devido à latitude.
* Reduz-se nas áreas de
montanha.
* Aumenta de oeste para
este, por influência da
distância ao mar.

Radiação media
anual (kWh/m2)

1400

1500
Inverno Verào
SolarGls e IPMA. 2018

1600 A radiação A radiação


global menor global maior
1700 e diminui e diminui
50 km
de sul para de sudeste
1800
norte. para noroeste
>
340

Fig. 2 Distribuição da radiação global média anual e cos meses de janeiro e julho, em Portugal continental.

Analisa os mapas da fig. 2:

4. Verifica os valores e respetivas cores da legenda.

5. Identifica as regiões que, em média, recebem:


a. menos de 1600 kWh/m2; b. mais de 1700 kWh/m2.

6. Compara a radiação global média de janeiro com a de julho e justifica as diferenças.


<********•****************

64
A radiaçao solar

Insolação: número de horas


... insolação, em Portugal de céu descoberto com o Sol
acima do horizonte.
Nebulosidade: porção de céu
A insolação influencia diretamente a quantidade de radiação solar
coberto por nuvens, num dado
recebida pela superfície e depende da latitude, da distância ao mar momento.
e do relevo (Fig. 3).

A maior influência marítima a norte do Tejo


aumenta a nebulosidade, reduzindo
_. . a insolação e a radiação global (as nuvens
Distancia ao mar * 4’ ■■ -
i ~ . v refletem e absorvem parte da radiaçao
insolaçao diminui do , *
litoral para o interior „ ,
K Com o afastamento ao mar diminui
a nebulosidade, pelo que a insolação é maior
no interior, tal como a radiação gllobal.

Com a altitude, a probabilidade


Altitude -> de formação de nuvens aumenta,
pelo que a insolação vai diminuindo. Insolação
A (número médio
de horas por ano)
Nas vertentes soalheiras - voltadas a sul - <1800
a radiação solar incide mais diretamente e 1800-1900
1900-2000
Disposição por mais tempo, logo a insolação é maior.
,2000-2100
das Nas vertentes umbrias - voltadas a norte - 2100-2200
vertentes a radiação solar é menos intensa e incide 2200-2200
durante menos tempo, pelo que 2200-2400
2400-2500
a insolação é menor

Attos do Ambiente, APA, 2012


2500-2600
2600-2700
2700-2800
A insularidade acentua a influência marítima, aumentando a 2800-2900
2900-2000
nebulosidade. Assim, nos Açores e na Madeira, a insolação e a Açores 2000-2100
radiação solar são inferiores às do continente. Porém, a menor >2100
Madeira
latitude confere à Madeira valores de insolação e radiação solar
superiores aos dos Açores, sobretudo na vertente sul e na ilha de
Fig. 3 Variação espacial da insolação
Porto Santo (Fig. 4).
média anual em Portugal.

Madeira
Analisa os mapas das figs. 3 e 4:
é 7. Identifica duas áreas de:
a. maior insolação;
Açores
Oceano b. menor insolação.
Atlântico
O Q> 8. Justifica, com base nas figs. 3
e 4, a afirmação seguinte: «Na
1400 1500 Madeira, a insolação é maior do
0 50 km kWh/m2
que nos Açores e inferior á do
Fig. 4 Radiação global média anual nos Açores e na Madeira. Algarve.»

VERIFICA SE SABES
________ J
AVALIAÇÃO

Explicar a variação sazonal da radiação global em Portugal.

Enunciar os fatores que explicam a variação espacial da radiação global e da insolação:

• em Portugal continental; • nos Açores; ■ na Madeira.

65
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

II. A variação da temperatura Os valores


mais baixos da
e seus fatores temperatura média a
anual registam-se
a norte do Tejo,
Em Portugal, a temperatura média anual: sobretudo nas ãreas
de montanha, onde
• é moderada devido à posição geográfica, na Zona a altitude acentua
Temperada do Norte; a diferença
sul-norte.
• diminui de sul para norte, por efeito da latitude e da
altitude (Fig.1);
• varia do litoral para o interior:
- diminuindo a norte do Tejo; Oceano
Atlântico
- aumentando a sul do Tejo. Temp. média
anual (^C)

Os valores ■ B.1-9,0
Analisa o mapa da fig. 1: mais altos da ■ 9,1-10.0
temperatura média ■ 10,1-11.0
1. Verifica as classes da legenda anual registam-se ■ 11,1-12,0
no sul do país, 12.1- 13.0
e respetivas cores.
sobretudo no litoral ■ 13,1-14.0
algarvio, com menor 14.1- 15,0
2. Compara a temperatura média Fig. 1 Variação espacial

IPMA, 2012
latitude e maior ■ 15,1-16.0
anual: da temperatura média
insolação. ■ 16,1-17.0
anual em Portugal
a. do sul e do norte do país; continental.
b. do litoral e do interior norte.

Temperatura média anual: média


aritmética dos valores da temperatura
média dos meses do ano.
Verifica-se também uma variação sazonal, que se reflete Temperatura média mensal: média
numa significativa diferenciação espacial entre a tempe­ aritmética dos valores da temperatura
média de todos os dias do mês.
ratura média dos meses de inverno e de verão (Fig. 2).

O
Isotérmicas dejulho ■O

25Y s. Isotérmica: linha que


26 PC une pontos de igual
O ar fresco Z? Y temperatura média.
do Atlântico 2EY

entra no vale
do Mondego Os ventos quentes
e refresca a da península entram ■;ii
_Q Analisa os mapas da fig. 2:
temperatura, no vale superior CÉ
O
acentuando do Douro, elevando
a temperatura.
C
Q
3. Compara os valores de
o efeito da í ■_

altitude.
O temperatura das isotérmi­
õ cas de janeiro e dejulho.
£
£
W 4. Explica a diferença entre
o
<2 os dois meses.

5. Descreve a disposição
3
espacial das isotérmicas:
a. de janeiro;
21 Y
20 Y
19 Y
b. dejulho.
18 Y

Julho: as isotérmicas são quase paralelas à linha de costa,


Janeiro: as isotérmicas dispõem-se
evidenciando-se mais a influência da proximidade ou
obliquamente à linha de costa:
afastamento do mar
• valores mais altos - a sudoeste; Fig. 2 Variação espacial da temperatura
■ valores mais altos - a este (interior); média de janeiro e fevereiro, em Portugal
• valores mais baixos - a nordeste.
■ valores mais baixos - a oeste (litoral). continental.

66
A radiaçao solar

Além da latitude, outros fatores influenciam a temperatura em Tab. 1 Temperatura média anual em diferentes
estações meteorológicas.
Portugal, nomeadamente o relevo e o oceano Atlântico.
Temperatura
média anual (°C)
A temperatura média anual é mais baixa
Altitude Faro 8 17.9
a norte do Tejo, devido à influência
faz
do relevo, mais acidentado e mais alto, Manteigas 1011 11.2
diminuir a
registando-se os menores valores
temperatura Porto 93 15.2
nas áreas mais elevadas (Tab.1).

■ Vale superior do Douro: temperatura


superior à das áreas envolventes, pela Amplitude térmica anual: diferença
concentração de calor no vale funde entre a temperatura média mensal
e estreito. mais alta e a temperatura média
o mensal mais baixa.
> ■ Vale do Mondego: a orientação
a
tl?

oblíqua à linha de costa permite
a influência marítima, que diminui
Topografia "C
ligeiramente os valores
e disposição
da temperatura.
do relevo
• Serras do Algarve: protegem
o litoral dos ventos atlânticos
10
e dos que sopram da península.
■ Ilha da Madeira: a orientação este-
-oeste do relevo torna a vertente o
5Z

norte (umbria) mais fria e a vertente ÜJ


u
O
sul (soalheira) mais quente. 16 "C

Oceano Atlântico Modera a temperatura das regiões


O ar marítimo não autónomas e do litoral ocidental
aquece nem arrefece do continente. A influencia marítima:
tanto como o ar ■ diminui a sul do cabo da Roca, devido
ET
Amplitude
continental, tendo, ao recuo da costa e à proteção das de variação
assim, um efeito serras de Sintra e Arrábida; térmica anual
CQ
moderador da ■ entra pelos vales oblíquos ã linha de
<8
temperatura costa, como é o caso do Mondego; 8-10
do litoral: ■ não chega ao interior, onde há maior 10,1-12
• eleva-a no ■ 12.1-14
influência da massa de ar continental, | 14,1-16
inverno; mais fria no inverno e mais quente 116,1-18
• baixa-a no verão no verão.
Fig. 3 Amplitude térmica anual, em Portugal
continental

A amplitude térmica anual aumenta do litoral para o interior Fig. 3 : Analisa o mapa da fig. 3:

• é menor nas regiões autónomas e no litoral ocidental; 6. Verifica as classes da legenda e respe­
tivas cores.
• é maior nas áreas mais interiores, onde também aumenta
a influência dos ventos peninsulares. 7. Compara os valores da amplitude tér­
mica anual no litoral com os do interior.

VER1ACA SE SABES AVALIAÇÃO

Descrever a variação sazonal e espacial da temperatura, em Portugal.

Explicar a influência dos diferentes fatores nessa variação.

67
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

III. Valorização económica


da radiação solar
Em Portugal, a insolação é superior à da maioria dos paí­
ses europeus, evidenciando a importância económica
e ambiental da radiação solar, sobretudo para o turis­
mo e para a produção de energia elétrica (Fig. 1).

Turismo
O clima, com temperaturas moderadas e grande núme­
ro de dias luminosos, é um fator fundamental para a po­

SolarGls, 2019
sição que Portugal ocupa entre os principais destinos Radiação média anual (kWtVm3)
turísticos do mundo (16.° lugar, em 2017, OMT, 2018).
800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 >

Destaca-se o turismo balnear, que beneficia da luminosi­ Fig. 1 Radiação global média anual, na Europa (2017).

dade do clima e da vasta costa de praia, sendo o Algarve


considerado melhor destino balnear europeu, desde há
Analisa o mapa da fig. 1:
décadas.
1. Verifica as classes da legenda.
O setor imobiliário beneficia do turismo, pois muitos es­ 2. Compara a radiação global média em Portugal
trangeiros, principalmente ingleses, adquirem casas de com a dos restantes países da Europa.
segunda habitação em Portugal. Também muitos idosos
europeus fixam residência em Portugal, principalmente
no Algarve, devido à amenidade do clima.

Produção de energia
O aproveitamento da energia solar tem vindo a aumen­
tar significativa mente, através de:

• sistemas térmicos, que captam a radiação solar uti­


lizando-a diretamente para o aquecimento de edifí­
cios, de águas, etc., e para produção de vapor de
água nos sistemas de conversão térmica que geram
FALTA FONTE

eletricidade.
• sistemas fotovoltaicos, que convertem a radiação
solar em energia elétrica, através de células foto-
voltaicas. Fig. 2 Evolução da produção fotovoltaica em Portugal
(2009-2018) e contribuição por região, em 2018.
O potencial de aproveitamento de energia solar
depende da radiação global. Assim:

• é maior no sul de Portugal continental e no flanco Analisa o gráfico da fig. 2:


sul das ilhas das regiões autónomas; 3. Compara os valores de 2009 e 2018.
• aumenta no início da primavera e é elevada no verão,
4. Sugere uma justificação para essa evolução.
devido à maior duração dos dias e à menor obliqui­
dade dos raios solares. 5. Descreve a produção fotovoltaica por região,
explicando o caso do Alentejo.

68
A radiaçao solar

O potencial de aproveitamento de energia solar é elevado ou muito elevado em boa parte do


território continental, coincidindo com as áreas de maior radiação solar direta Fig.i.

N Aproveitamento térmico H Aproveitamento fotovoltalco


é è

A ene/yto soiar e.m Portugal: potencialidades e diferenciação regional.


Aquecimento Produção
Baixo potencial: de edifícios Baixo potencial: de eletricidade
litoral Norte; e águas * litoral Norte;
litoral Centro; * litoral Centro;
áreas de maior * áreas de maior
altitude altitude

Catarina Ramos e José Ventura, 1999 (adaptado)


Potencial elevado
e multo elevado:
Menor radiação Menor radiação
global global parte do vale do Tejo;
Potencial elevado • costa do Estorll;
e multo elevado: quase todo
Oceano Alentejo; Oceano
o Alentejo;
Atlântico Atlântico
Algarve. • Algarve.

Potencial
Muito elevado Potencial
Elevado Maior radiação Muito elevado Maior radiação
Médio-elevado global Elevado global
Médio-baixo Razoável
0 50 km
Baixo Baixo

Fig. 3 Potencial de aproveitamento da energia solar, em Portugal continental.

A produção de energia solar tem vantagens: Analisa os mapas da fig. 3:

• ambientais - reduz a emissão de gases de efeito 6. Verifica as classes das legendas.


de estufa, prevenindo as alterações climáticas.
7. Identifica as áreas de maior potencial:
• económicas - diminui a dependência externa a. térmico;
e a despesa da importação de energia, contri­
b. fotovoltaico.
bui para o emprego e aumenta as possibilida­
des de exportação de energia. 8. Explica o maior potencial dessas
áreas.

Portugal é o terceiro dos cinco Talb. ‘ Contribuição das FER para o consumo de eletricicade (2017).

países europeus em que mais de Proporção do total consumido (%)


metade da energia elétrica con­ Polónia 72,6
sumida provém de fontes reno­
Suécia 64,9
váveis (FER)fTab. 1).
Portugal 54,3

Dinamarca 53,7

Letónia 51.3

VERIFICA SE SABES

Explicar a influência do clima português na atividade turística e imobiliária. AVALIAÇÃO

Descrever a variação do potencial térmico e fotovoltaico, em Portugal.

Explicar a posição de Portugal, na UE, na produção de eletricidade a partir das FER.

69
TE -IA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

SÍNTESE

Existe um equilíbrio térmico entre a energia solar recebida pela superfície terrestre -
radiação solar - e a energia emitida pela Terra - radiação terrestre.

Variação da radiação global


'V »■■■■■■■ ■■■■»«■■ b-b-bswib^-b b-b-bss-b-b rwiBB-B-Bswrr-s-BE rrrnwa b-b-víbvb-b rrrsv-a ■ rrswa b-b-wev-b-b b-b-es-b-b-b b-b-vsvb bwb-svb-b b-b-b-s-e-be we-s-te
4 4 i
ti I I

Espacial (por efeito da Sazonal (por efeito do movimento de translação


latitude) - diminui do equador da Terra e da inclinação do seu eixo) - no hemisfério norte,
para os polos. é maior no verão
4 4
-................................................................................................................................................................................................................................

4
y I i ■
I I
i

Em Portugal, a radiação global anual: i


i
i
A temperatura média anual é moderada, com
i
I i

• diminui de sul para norte, devido I


I
I
i
i
i
significativa variação espacial e sazonal. E
1 i

à latitude; I
I
I

• é menor nas áreas de maior altitude;


4 I
i il I
I
1
Os valores de radiação global mais:
• diminui de oeste para este, a norte I
I
!
I
! ■ altos registam-se no sul do continente, :
do Tejo, por efeito do relevo. I
1

sobretudo no litoral algarvio, de menor I

J-B ■B-S--EE ■ E-r-E-BE ■' ■ n !W -B ■ r 9--E-BE WWBIWE EB-9--EEE W r S -B-E B-KBB-B ■ WE--EEE B-B-B1-B-B B-B-»-B B B- B- « -B ■B B- B- B! w ■ „
4
I
I
i
latitude e com maior insolação;
A variação da radiação global sofre ■ baixos registam-se a norte do Tejo,
alterações sazonais significativas: devido à maior latitude e à maior
• no inverno - menor radiação global, 4
altitude. I
4 I

diminuindo de sul para norte (em V


Portugal continental); «
!
I
I
i

• no verão - maior radiação global,


i

I
i

diminuindo de sudeste para noroeste : i


A temperatura média nos meses de:

(em Portugal continental). i
I
i
i
• inverno regista valores mais baixos, que
J I
!
I
i
diminuem de sul para norte, devido à latitude;
1
1
I
I
1
I
I • verão regista valores mais altos, que
I I i
I I
I I
!
I
aumentam do litoral para o interior, por
i

A insolação também influencia i


influência marítima (litoral) e continental
I

I
i
i
a radiação global: i
i
(interior).

1
I
• é maior no sul do território continental, I
i
i
i

i
I
diminuindo para norte, pela influência !
I
i
Fatores que induzem outras variações:
I
i
i
i
da latitude e do relevo; I
- relevo
1 I i
I i
i
• Aumenta para o interior !
- vale do Douro - maior temperatura;
i ■ I
I i
I
i
i
do continente, por ter menor i
- vale do Mondego — menor temperatura;
i !
I
i
i
nebulosidade do que o litoral;
I
i
- serras do Algarve - protegem o litoral;
1
I
I • é maior nas vertentes soalheiras, pela
I
i
i
- vertente sul na Madeira - maior insolação
i

I
sua exposição a sul; !
I
i
e temperatura mais alta.
i I i
i

1 • é menor nas regiões autónomas, pela ;
I

I
- influência atlântica - no litoral e nas regiões
I i

autónomas há menor amplitude térmica anual;


I I i
i I

maior nebulosidade, que se sente !


!
I
I I i

menos na vertente sul da Madeira, i


i
i
- influência continental - no interior do
i !
I
I
i
i
abrigada dos ventos marítimos.
I
i
i
I
i
continente há maior amplitude térmica anual.
i •
! I
I I i
i i i
i i
i
'■ I

A radiação solar constitui um recurso natural de grande importância económica e ambiental


. .................... ................. ......................... ................................................ ................ .................................................................................. .....

I I
I
I

Para o turismo, sobretudo t

I
Para a produção de eletricidade, com maior potencial
I

o balnear, que beneficia no sul de Portugal continental e no flanco sul das ilhas.
I
I

da luminosidade do clima Recente mente houve um grande aumento da produção


e da extensa costa de praia. fotovoltaica, sobretudo no Alentejo.

70
Avaliação

Seleciona a leira da chave que corresponde a cada uma das afirmações,

Afirmações Chave

1 Radiação infravermelha, de grande comprimento de onda. A. Radiação global


2, Unem pontos de igual temperatura média reduzida ao nível do mar B. Radiação terrestre
3. Radiação solar total que atinge a superfície terrestre.
C. Albedo
4* Porção de céu coberto por nuvens num dado momento.
D. Isotérmicas
5. Razão entre a radiação solar refletida por uma superfície e a radiação
solar total que sobre ela incide. E. Amplitude térmica
anual
6. Diferença entre a temperatura média do mês mais quente
e a temperatura média do mês mais frio. F. Nebulosidade

II. Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes.

1. As nuvens absorvem parte da radiação solar, num processo designado por reflexão.
2. Sem o efeito de estufa não seria possível o aquecimento da camada inferior da atmosfera nem
a manutenção de uma temperatura média mais ou menos constante.

3. O movimento de translação da Terra é responsável pela variação sazonal da radiação solar.


4» As vertentes voltadas a norte têm maior insolação, pois são encostas soalheiras.

5. As regiões do interior apresentam amplitude térmica anual inferior à do litoral.


6» As regiões autónomas têm menor insolação devido à maior nebulosidade.

III. Seleciona a opção de resposta correta em cada uma das seguintes questões,

1. Na Madeira, a vertente umbiria é a que se encontra voltada a:


A» sul. B. oeste. C. norte D. este.

2. Uma das áreas do continente com potencial de aproveitamento térmico muito elevado é a:
A. faixa litoral algarvia. C. costa de Lisboa.
B. costa da Região Oeste. D. litoral alentejano.

IV. Responde às questões seguintes.

1. Explica porque só cerca de metade da radiação solar é absorvida pela superfície terrestre.
2. Justifica a diminuição da radiação global com a latitude.
3. Relaciona a diferença sazonal da radiação global com a localização de Portugal.
4. Indica os principais fatores que explicam os contrastes observados na distribuição
das isotérmicas de janeiro e de julho, em Portugal continental.

5. Desenvolve a afirmação: CA radiação global constitui um recurso económico e ambiental».

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2011 - 1.a fase, grupo I Exame 2016 - 1.a fase, grupo V

Exame 2012 - 2.a fase, grupo V Exame 2017 - 1a fase, grupo V

Exame 2015 - 1.a fase, grupo II


Tema II I. As especificidades
do clima português

SUBTEMA 3 II. As disponibilidades


hídricas

III. Gestão dos recursos

Os recursos hídricos hídricos

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Descrever a distribuição geográfica e a variação sazonal ou anual da precipitação e relacioná-las com
a circulação geral da atmosfera.
• Relacionar as disponibilidades hídricas com a produção de energia, o uso agrícola, o abastecimento
de água à população ou outros usos.
• Relacionar as especificidades climáticas, as disponibilidades hídricas e os regimes dos cursos de água.
• Identificaras principais bacias hidrográficas e a sua relação com as disponibilidades hídricas.

© Termos e conceitos

- Massa de ar - Disponibilidade hídrica - Água subterrânea, toalha


freática, aquífero e
- Depressão barométrica - Balanço hídrico
produtividade aquífera
- Anticídone - E va potranspí ração
- Água residual
(potencial e real)
- Situação meteorológica
- Albufeira
- Recurso hídrico, rede
- Relevo concordante/
hidrográfica, bacia - Barragem de retenção
discordante
hidrográfica versus barragem
- Barreira de condensação de produção
- Água superficial, caudal,
- Isóbara e isoieta regime fluvial - Poluição por efluentes,
eutrofização e salinização
- Precipitação convectiva, - Escoamento médio
frontal e orográfica e infiltração

- Período seco estival


Os recursos hídricos

I. As especificidades do clima português Evaporação: passagem


do estado líquido ao gasoso.

A água na Terra e na atmosfera E va potra nsp i ra ção:


evaporação da água da
superfície, do solo e da
A água circula na Natureza, passando pelos estados físicos - sólido, líqui­
transpiração dos seres vivos.
do e gasoso - num processo designado por ciclo da água Fig. 1 .
- Potencial: que ocorre
numa superfície coberta de
Transferência de água dos
oceanos para os continentes vegetação de porte baixo
e bem suprida de água
Precipitação - Evapotranspiração num dado período.
Formação de nuvens - Real: que ocorre numa
(condensação do superfície em condições reais
vapor de água)
Infiltração de temperatura, humidade,
vegetação e solos.
Precipitação
Condensação: passagem
Evaporação do estado gasoso ao líquido.
Massa de ar: grande volume
Escoamento subterrâneo
de ar atmosférico com
características idênticas
Escoamento de temperatura, humidade
superficial e densidade.

Fig. 1 O ciclo da água.


Pressão atmosférica: força
que o ar exerce por unidade
de superfície, em milibares
(mb) ou hec to Pascal (hPa), cujo
O ciclo da água deve-se ao constante movimento da atmosfera - circulação
valor normal é de 1013 mb.
geral da atmosfera - por efeito das diferenças de pressão atmosférica (Fig, 2).

Zonas polares: as baixas temperaturas originam Centro


altas pressões - o ar desce e diverge. de baixas
pressões
Zonas subpolares (latitude 55° a 60u):
a massa de ar tropical colide com a polar
e origina baixas pressões.

Zonas subtropicais (latitude 30° a 35u):


o ar desce, origina altas pressões.
Movimento do ar é:
• convergente;
- Zona equatorial: • ascendente - ao subir, arrefece,
a temperatura elevada gera e dá-se a condensação do vapor
baixas pressões - o ar sobe de água - nuvens e precipitação.
e, em altitude, diverge
para norte e para sul.
Centro
de altas
pressões

Fig. 2 Circulação geral da atmosfera.

Analisa a imagem da fig. 2: Movimento do ar é:


* divergente:
1. Identifica as zonas sob influência de depressões barométricas e de antíciclones. * descendente - ao descer, aquece,
- céu limpo e tempo seco.

VERIFICA SE SABES
____J
í” -
Identificar os principais processos do ciclo hidrológico. AVALIAÇAO

Pp. 92e93
Expl ícar a circulação geral da atmosfera, localizando os principais centros de pressão atmosférica.
Questão 3

73
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Irregularidade da precipitação, em Portugal

Ao longo do ano (anual)...


Em Portugal, a precipitação apresenta uma grande irregularidade anual (Tab.i.

Tab. 1 Precipitação total média (1981 a 2010)


r
Precipitação (mm) Valores muito superiores aos do verão
Estação Meses de
Dezembro Junho Total
- cerca de metade do total anual de
meteorológica inverno
a março a setembro anual precipitação ocorre no inverno.

Braga 687,4 195,5 1465,7


Valores muito inferiores aos do inverno
Meses de
Bragança 333,7 121,7 758.3 - 20% ou menos do total anual de
verão
precipitação ocorre no verão.
Lisboa 360.0 36,6 725.8

Évora 290,1 65,4 609,4 Verifica-se um desfasamento entre o volume da preci­

Faro 278.1 12,0 509,1 pitação e as necessidades de consumo de água, coin­


cidindo a época de menor precipitação com a de maior
consumo - estação quente.
Analisa a tab. 1:

1. Compara, em cada cidade, o valor de precipi­


tação do inverno com o do verão.

2. Compara o total anual de precipitação nas Isóbaras: linhas que, num mapa, unem pontos
diferentes cidades. de igual pressão atmosférica.

Esta irregularidade explica-se pela deslocação, em latitude, da dinâmica da atmosfera,


por efeito do movimento de translação, evidenciada pelas isóbaras de janeiro e julho Fig. .

As massas de ar atmosférico e os centros de pressão atmosférica deslocam-se para:

• sul, no inverno, ficando Portugal sob influência das - norte, no verão, ficando Portugal sob influência das
baixas pressões subpolares, que provocam nuvens altas pressões subtropicais que trazem céu limpo e
e precipitação. tempo seco.
xk

Fig. 1 Distribuição da pressão atmosférica, ã superfície, em janeiro e julho.

Analisa os mapas da fig. 1:

3. Localiza Portugal nos dois mapas.

4. Identifica o centro de pressão atmosférica que se localiza:


a. a noroeste da Europa, estendendo-se para sul, em janeiro.
b. sobre os Açores, influenciando quase toda a Europa, em julho.
**************************

74
Os recursos hídricos

As baixas pressões subpolares originam precipitações frontais, resultantes da passagem


de frentes frias e frentes quentes, que se formam na frente polar (Figs.2e 3).

Fíg. 2 Nas latitudes subpolares, dá-se o encontro da massa de ar quente


tropical com a massa de ar frio polar - frente polar (A). Com a interpenetração
cada vez maior das duas massas de ar. formam-se perturbações (B)P que vão
ganhando maior dimensão e que dão origem a uma sucessão defrentes frias
e quentes - sistema frontal (C).

Analisa a imagem da fig. 2:

5. Identifica e memoriza o símbolo das frentes:


a. frias. b. quentes.

Uma frente considera-se fria ou quente consoante a massa de


ar que avança mais rapidamente (Fig. 3).

O ar quente sobe rapidamente,


Frente fria - o ar frio
formando-se nuvens de
avança, introduzindo-se —>
desenvolvimento vertical e chuvas
por baixo do ar quente. Fig, 3 Frente fria (A) e frente quente (B).
intensas de tipo aguaceiro.
Analisa a imagem da fig. 3:

Frente quente - O ar quente sobe lentamente, 6. Compara as duas frentes, quanto:


o ar quente avança, formando-se nuvens de a. ao tipo de nuvens.
sobrepondo-se ao ar desenvolvimento horizontal e chuva
b. às características da precipitação.
frio. contínua de fraca intensidade

... e de ano para ano (interanual)


A irregularidade não é apenas anual, ao longo de cada ano, mas também interanual -
de ano para ano, variam a amplitude e os períodos da deslocação latitudinal dos centros
de pressão atmosférica. Originam-se assim:

• anos de muita precipitação - as baixas pressões subpolares deslocam-se mais para sul
e por mais tempo.
• anos de pouca precipitação - os anticidones subtropicais deslocam-se mais para norte
e por mais tempo, provocando, por vezes, períodos de seca mais ou menos prolongados.

VERIFICA SE SABES
í
AVALIAÇAO

Caracterizar a irregularidade anual da precipitação em Portugal.

Indicar as principais diferenças entre uma frente fria e uma frente quente.

Relacionar a irregularidade anual e interanual com a dinâmica da circulação geral da atmosfera.

75
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Distribuição irregular da precipitação no território português


A irregularidadeespacial da precipitação deve-se ao efeito da latitude, do relevo e do oceano,
que influenciam as condições meteorológicas e de precipitação Figs.i a 3 .

Altitude (m)
- 3000
Ocorrem principalmente no noroeste
do continente e no grupo ocidental l.
dos Açores, mais expostos às baixas
pressões subpolares.

Muito frequentes:
■ no noroeste do continente, de relevo
concordante com a linha de costa
(disposição quase paralela), constituindo
Fig,1 O relevo funciona como uma barreira
uma barreira de condensação de condensação, pois, ao embater nas
da humidade dos ventos de oeste. vertentes, o ar húmido sobe, o que provoca a
• nas áreas de maior altitude. condensação do vapor de água e a formação
de nuvens e precipitação.

Ocorrem, sobretudo, no interior onde


Precipitações
há maior influência continental.
convectivas (Fig. 2)
Geralmente trazem trovada e granizo,
Mais frequentes
podendo causar danos sobretudo
no verão.
na agricultura.

Fig. 2 No verão, o ar aquece muito, por contacto com a


superfície (convecção), sobe e origina baixas pressões
térmicas (geradas pela temperatura do ar)., provocando
precipitação intensa e de curta duração.

O mapa de isoetas permite concluir que a preci­


Isoetas: linhas que
pitação tem os valores mais:
unem pontos de
• altos no noroeste continental e nas áreas de igual precipitação
média.
maior altitude.

• baixos no nordeste continental, onde se destaca: O


Ç-I

- o vale superior do Douro (recebe ventos se­


4—1

cos de leste e é protegido dos ventos húmi­ d


c
n

dos pelas montanhas do noroeste);


W
U
O

- todo o sul do continente, sobretudo no inte­


rior alentejano e no litoral algarvio, protegi­
do dos ventos de oeste pelo relevo.

Analisa os mapas da fig. 3:


Precipitação
1. Verifica as classes da legenda. (mm)
<500
500
2. Compara a precipitação entre: MADEIRA 600
800
a. o norte e sul e o litoral e interior do continente. 1000
1600
b. as vertentes sul e norte da ilha da Madeira.
IPMA. 2002

2000
c. a parte central de S. Miguel com o nordeste 0 10 km
2500
3000
e o noroeste da ilha.
Fig. 3 Distribuição da precipitação anual (média de 1970 a 2000).

76
Os recursos hídricos

Estados do tempo mais frequentes em Portugal Estado do tempo: condições da


atmosfera (humidade e temperatura
O estado do tempo refere-se a situações meteorológicas cuja fre­ do ar, vento, precipitação, etc.)
quência se associa a uma dada época do ano. As cartas sinóticas ou situação meteorológica num
ou meteorológicas representam as condições atmosféricas (Fig. 4). certo lugar e num curto período.

VERÃO

Devido à deslocação, para sul, da massa de ar frio polar, Devido à deslocação, para norte, da massa de ar quente
a temperatura é relativamente baixa e associa-se, tropical, a temperatura é alta e associa-se, sobretudo,
sobretudo, a duas situações meteorológicas: a duas situações meteorológicas:
• a mais comum: precipitações frontais por influência • a mais comum: tempo seco, por influência dos
das baixas pressões subpolares. anticiclones tropicais, principalmente o dos Açores.
I—«X»' í I U < J
L í -J2 /■ W
Todo o têrritórib
y está sob influência
de uma baixa '
pressão-sjjbppl ar.
—!*■
cbm
I II
frentes frias
a passar no
k , (Continente e na
J Madeira: ligeira
r ’ ' { descida da
temperatura ê
ocorrência de
aguaceiros no
£ cpntinente e na x
Y-‘ Madeira, enquanto
e nos Açores haverá
I > o menor
* probabilidade de
precipitação.

0 400 km >

• a menos comum: céu limpo e tempo seco, devido a • a menos comum: precipitação convectiva devido a
anticiclones sobre a Europa ou a Península Ibérica. baixas pressões na Europa ou na Península Ibérica.
crr y
Sistema fronta I,
a influenciar /”’• .
os Açores: ,
probabilidade
de céu muito
nublado e tempo seco
ch uva.

Ocear o Atlântico

Fig. 4 Estados do tempo mais comuns em Portugal, no inverno e no verão.

VERIFICA SE SABES

í” -
Explicar a irregularidade espacial da precipitação, em Portugal, e seus fatores. AVALIAÇAO

Pp.92e93
Descrever as situações meteorológicas mais comuns em Portugal, no inverno e no verão.
Questões 1a7

77
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Principais características climáticas Período seco estival: meses


secos de verão (estio), em que o
Em todo o território português, dominam as características do clima caudal dos rios baixa e algumas
mediterrânico: invernos suaves e chuvosos; verões longos, quentes ribeiras secam, no sul e nas ilhas.
e secos e duas estações intermédias de curta duração. No verão, re­ Mês seco: o total da precipitação
é igual ou inferior ao valor
gistam-se alguns meses secos que constituem o período seco estival.
da temperatura. Num gráfico
termopluviométrico, a barra da
Todavia, distinguem-se alguns domínios climáticos com particu­ precipitação é da mesma altura
laridades associadas à influência do relevo, do mar e da massa ou mais baixa que o ponto
peninsular (Fig. 1). da temperatura.

IfC) Braga P(mm) IfC) Bragança P(mm)


r 260 r 260
240 - 240
220 220
200 200
tBO 180
160
140

J F MAMJJ ASOND JF MAMJJ ASOND

TfC) Faro P(mm)

140

JF MAMJ J ASOND JF MAMJ J ASOND

TfC) Sta. Cruz das Flores P (mm) Açores Santana P(mrr) Madeira
D
-fc Sta. Cruz
das Rores

Altitude (m)

TfC) Ponta Delgada P (mm) rfQ Funchal P(mm)


r KO |- 160
- MO - 140
- 120
P. Delgada Fig. 1 Reg ime
termopluviométrico em
Có estações meteorológicas
0 50 km de diferentes domínios
JF MAMJJ ASOND climáticos, em Portugal.

Analisa a fig. 1:

li Compara os valores e a variação anual da temperatura e da precipitação de:


a+ Braga e Faro. b. Braga e Bragança. c. Braga e Santa Cruz das Flores,
d. Coimbra e Penhas Douradas. e. Santana e Funchal.

2. Explica a diferença nos valores da precipitação entre:


a. Braga e Faro. b. Coimbra e Penhas Douradas.
<l P. Delgada e Santa Cruz das Flores. d, Santana e Funchal.

78
Os recursos hídricos

Domínios climáticos Normais climatológicas:


valores médios de temperatura
A análise das normais climatollógkas representadas nos gráficos da e precipitação referentes a pelo
j. I permite caracterizar os principais domínios climáticos do território menos 30 anos.
nacional (Fig. 2).

Domínio continental
Domínio atlântico
Norte interior
Norte litoral e Açores
• Temperatura suave no inverno
• Temperatura baixa
no inverno e alta
e mais alta no verão, com baixa
no verão, com
amplitude térmica anual.
uma amplitude de
• Precipitação anual abundante
variação térmica
(superior a 1000 mm).
anual acentuada.
• Meses secos - dois ou menos.
• Precipitação anual
pouco abundante
(inferior a 800 mm).
Domínio mediterrâneo acentuado • Meses secos - três
a cinco.
Sul do continente e Madeira Vale superior do Douro
• Temperatura suave no inverno • Temperatura
e alta no verão, com amplitude mais alta e menor
térmica anual moderada. precipitação.
• Precipitação anual pouco
abundante (inferior a 800 mm
e, na maioria do território, menos
de 600 mm). Domínio de montanha
• Meses secos - de quatro a seis. Açores
• Inverno mais
Distinguem-se: O frio e rigoroso,
Madeira o
• Litoral alentejano - temperatura CM
com precipitação
d
mais amena e maior humidade. u
abundante, por vezes
e
• Interior alentejano - maior Clima mediterrãnico ■ Clima o> de neve.
c
amplitude térmica anual e com grande influência mediterrãnico
atlântica com maior • Verão mais fresco
precipitação mais fraca. influência
-
K.1 e, nas vertentes
Clima mediterrãnico tropical O
• Litoral algarvio e Porto Santo - com grande influência expostas a ventos
inverno suave e verão mais continental ■ Clima das áreas o marítimos, também
de montanha £
longo, pela maior influência mais altas menos seco.
b Clima mediterrãnico £
tropical. mais acentuado:
> Alterações o
• Vertente norte da Madeira - a mais ameno climáticas <2
e húmido; induzidas
precipitação mais elevada.
b mais quente e seco pelo relevo
3
Fig, 2 Principais domínios climáticos em Portugal.

Analisa o mapa da fig, 2:

3* Verifica as classes da legenda e a sua distribuição no mapa.

4, Indica, para cada gráfico da Fig. 1, o respetivo domínio climático na Fig. 2.

VERIFICA SE SABES AVALIAÇÃO

Analisar a variação térmica e pluviométrica num gráfico de normais climatológicas.

Identificar e localizar cada domínio climático que se diferencia em Portugal.

Indicar as particularidades de cada domínio climático.

79
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

II. As disponibilidades hídricas Disponibilidade hídrica (DH): quantidade de água


doce disponível. Depende do balanço hídrico (BH),
As disponibilidades hídricas dependem, essencial­ diferença entre precipitação (P) e evapotranspi ração
mente, do volume de precipitação e da sua distribui­ (E) num dado período (BH = P - E).
Águas superficiais: na superfície dos continentes —
ção ao longo do ano. Em Portugal, no balanço hídrico
cursos de água, lagos, lagoas e albufeiras.
da água doce gerada anualmente pela precipitação,
Rede hidrográfica: conjunto do rio principal
quase metade evolui para recursos hídricos disponí­ e seus tributários (afluentes e subafluentes).
veis, tanto superficiais como subterrâneos. Bacia hidrográfica: área drenada por uma rede
hidrográfica.

Águas superficiais - bacias hidrográficas


As águias superficiais são os recursos hídricos mais acessíveis e que proporcionam maior
variedade de utilizações, sendo também os mais vulneráveis aos efeitos da ação humana.
Em Portugal, a água superficial escoa nos inúmeros cursos da rede hidrográfica ou encontra-se
retida em algumas lagoas e muitas albufeiras, a maioria artificial e associada a barragens Fig.ij.

Rede hidrográfica portuguesa Minho A


N
I _Gávado
■L
• Organiza-se em catorze ba­ L
lm^_
I
cias hidrográficas, sendo
Douro
cinco luso-espanholas, in­ 1&570.

cluindo as maiores - Tejo, AO. ■f-

Douro e Guadiana.
Mondego
• Os maiores rios são Tejo,
Douro e Guadiana;
lí^^ j- i
■ -■j i■

• Dos rios nacionais, desta­ Fig. 1 As principais bacias


Tejo /
hidrográficas de Portugal
ca m-se o Mondego e o Sado. Rlb
continental (A) e as bacias
do Oeste
1655 / £ _ zt hidrográficas luso-espanholas
• O sentido geral de escoa­
(B)
mento é de nordeste para r:

sudoeste, com exceções,


como a do Sado (sul-norte) Sado
..
e a do Guadiana (norte-sul). Guadiana
A:113OO

â
Analisa os mapas da fig. 1:
I -
Rib. do Algarve . ' .
1. Identifica as bacias ibéricas. / . 814 Arca da bacia
■' - hldrográfca Jau’)

Tab. 1 Principais bacias hidrográficas das regiões autónomas.


Nas regiões autónomas, os
Madeira, 2003 e Açores, 2002
Pianos Regionais da Água:

cursos de águas têm pequena


extensão - ribeiras. Escoam Bacia Vertente Área (km2) Bacia Ilha Área (km2)

em vales estreitos e profundos R.a da Janela Norte 53 R.a da Povoação São Miguel 29,1
e bacias hidrográficas com for­ R.a do Faial Norte 53 R.a Quente São Miguel 26,1
tes declives e de reduzida di­
R.a Brava Sul 44 R.a da Areia Terceira 25,7
mensão (Tab. 1).

30
Os recursos hídricos

A irregularidade da precipitação reflete-se na variação sazonal:

* das disponibilidades hídricas; Explica o regime fluvial irregular Escoamento médio: água
* do escoamento médio (Fig. 2); ■> da rede hidrográfica portuguesa, da precipitação que, em
* do caudal dos rios. sobretudo no sul. média, escorre à superfície
(escorrência) ou em canais
subterrâneos, num dado
Analisa o gráfico da fig. 2:
período.
2. Verifica as unidades, os meses Caudal: volume de água que
e os rios representados. passa numa secção do rio,
por unidade de tempo (rrP/s).
3. Compara o escoamento dos rios, Regime fluvial: variação do
nos dois meses. caudal de um curso de água
ao longo do ano, podendo
4. Relaciona, com a precipitação,
ter caráter torrencial - forma
a diferença no escoamento médio
uma torrente, com o aumento
entre:
repentino do caudal, devido
a. norte e sul. a degelo ou a chuvas fortes
b. janeiro ejulho. e intensas, geralmente
Fig. 2 Escoamento médio mensal
de três bacias hidrográficas.
de curta duração.

p--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- '

A norte da cordilheira central A sul da cordilheira central


h- —-■ h-- —

■ Volume de precipitação elevado. • Volume de precipitação moderado.


Inverno e início
■ Fraca evapotranspiração real, devido • Evapotranspiração real baixa e superior
da primavera
à baixa temperatura. à do norte (temperatura mais alta).
• Maior precipitação
■ Escoamento médio elevado. • Escoamento médio inferior ao do norte.
• Temperatura média
■ Disponibilidade hídrica elevada. • Disponibilidade hídrica moderada.
baixa, a subir na
primavera ■ Caudal dos rios elevado e com • Caudal normal a alto, com cheias
frequentes cheias. ocasionais.

• Precipitação fraca e um período seco


• Redução: estival mais prolongado.
Verão - do volume de precipitação;
• Evapotranspiração real elevada.
• Menor precipitação - da evapotranspiração real;
• Redução do escoamento médio,
• Temperatura média - do escoamento médio, mantendo-se
tornando-se nulo em certas áreas.
elevada (superior superior ao do sul;
• Disponibilidade hídrica reduzida.
a 20 °C) - da disponibilidade hídrica;
- do caudal dos rios, sem nunca secar. • Acentuada redução do caudal que,
em muitos casos, desaparece.

Irregular, mas com menor diferença Irregular, com grande diferença sazonal
Regime fluvial
sazonal do que no sul. e, em muitos cursos de água, torrencial.

Nas regiões autónomas, os caudais das ribeiras, no inverno, podem atingir volumes eleva­
dos, secando muitas delas no verão - regime irregular. Esta irregularidade é menos acen­
tuada nos Açores, devido à menor variação sazonal da precipitação.

VERIFICA SE SABES

Identificar e localizar as bacias hidrográficas portuguesas, distinguindo as internacionais.


í ~
AVALIAÇAO
Relacionar as disponibilidades hídricas, o escoamento médio e a variação do caudal dos rios com
a irregularidade da precipitação.

Caracterizar o regime fluvial do norte e do sul do continente e das regiões autónomas.

81
TEMA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

Águas superficiais - lagoas e albufeiras Lagos e lagoas: reservatórios


naturais de água doce ou salobra
Em Portugal continental, considerando o processo de forma­ (lagos - maiores; lagoas - menores).
ção, há três tipos de lagoas.

• Localizam-se na faixa costeira. ’ Localizam-se nas áreas mais • Localizam-se no Maciço Calcário
• São numerosas e de pequena elevadas da serra da Estrela. da Estremadura.
profundidade. ■ São pouco numerosas. • São pouco numerosas.
• As mais importantes são as de ’ A mais importante é a Lagoa • As mais importantes são as
Óbidos, Pateira de Fermentelos, Comprida, com cerca de 1 km lagoas de Mira, Minde e Arrimai.
Santo André e Albufeira. de comprimento.

Nos Açores, existem numerosas lagoas de origem vulcânica,


em depressões resultantes do abatimento de antigas crate­
ras, como as das Sete Cidades, das Furnas e do Fogo, em São
Miguel (Fig. 1).

Fig. 1 Lagoas mais visitadas nos Açores.

As albufeiras são reservatórios artificiais criados pela cons­


trução de barragens, que retêm a água para abastecimento
público e rega agrícola - barragens de retenção - e, em mui­
tos casos, para produção de energia elétrica - barragens de
produção (Fig. 2). Em Portugal continental, as regiões Norte e
Centro têm características mais favorãveis à construção de
grandes barragens:

• relevo mais alto e com vales mais profundos;


• rede hidrográfica mais densa e com caudais maiores
e menos irregulares.
Agência Portuguesa do Am biente, 2019

Analisa o mapa da fig. 2:

1. Verifica a legenda e os símbolos no mapa.


Albufeiras
2. Identifica as bacias hidrográficas com mais barragens de pro­ associadas:
dução. ■ a barragens
de produção
3. Explica porque, no sul do país, na sua quase totalidade, ▲ a barragens
de retenção
as barragens são de retenção.
*«*«****»*•*«*«**•*••<*•** Fig. 2 Albufeiras em Portugal continental, em 2019.

Distinguir os diferentes tipos de lagoas, em Portugal, indicando a sua origem e localização.

Explicar a distribuição das maiores albufeiras, associadas à produção de eletricidade.


Os recursos hídricos

Águas subterrâneas Toalhas freáticas: lençóis de água


do subsolo que circulam e se acumulam
A precipitação é a principal fonte de abastecimento das em aquíferos.
águas subterrâneas - toalhas freátlcas e aquíferos. A for­ Aquíferos: formações geológicas
mação de aquíferos e as suas características dependem da permeáveis, cujo limite inferior e, por vezes,
o superior, é rocha impermeável.
permeabilidade das rochas.

Formações rochosas Reservas da água subterrânea Localização

Xisto, granito e basalto Fraca infiltração - aquíferos de pequena dimensão Em quase todo o Maciço
• Pouco permeáveis e pouco importantes. Hespérico

Têm ca leite na sua composição, que se dissolve


Rochas sedimentares Nas orlas sedimentares,
na água, abrindo fendas e fissuras por onde a água
e de natureza calcária -> sobretudo na ocidental,
se infiltra, formando toallhas cársicas (sistema freático
• Permeáveis onde há mais precipitação
em formações calcárias), com aquíferos importantes.

Rochas sedimentares
x Facilitam a infiltração da água e a formação de Na maior parte da área das
de origem detrítica
reservas subterrâneas, em aquíferos importantes bacias do Tejo e do Sado
• Muito permeáveis

Deste modo, há maiores disponibilidades hídricas Unidades


hidrogeológicas Produtividade
subterrâneas onde as formações rochosas são aquífera: volume
mais permeáveis e porosas, tendo assim maior de água que é
produtividade aquífera. Esta permite distinguir possível extrair
Maciço continuamente
as unidades hidrogeológicas. (Fig. 3). Hespérico de um aquífero,
em condições
normais e sem
Analisa o mapa da fig. 3: afetar a
quantidade e a
4, Identifica as unidades hidrogeológicas. qualidade da água.

5, Verifica a legenda e as suas cores no mapa. a SOktn

6, Relaciona a produtividade aquífera das unidades


hidrogeológicas com a sua constituição geológica.
x

Produtividade
aquífera:
(m3/dia/kmJ)
Aftas do Am biente, 2012

>400
300 - 400
250 - 300 50 km
200 - 250
Fig. 3 Produtividade aquífera nas unidades 100 - 200
hidrogeológicas (correspondentes às 50 - 100
< 50
geomorfológicas), em Portugal continental.

VERIFICA SE SABES AVALIAÇÃO

Relacionar a dimensão dos aquíferos com as formações geológicas em que se encontram.

Explicar a maior produtividade aquífera da Orla Ocidental e das bacias do Tejo e do Sado.

83
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Tab. 1 Capacidade útil das albufeiras e afluências anuais


III. Gestão dos recursos hídricos 1

Pbno JVoctona/do Aguo (revlsào de 2015),


Capacidade
(hm3) (hm3)
Armazenamento de água
Guadiana 3244 4 500

A construção e a manutenção de infraestruturas de reten­ Tejo 2355 12 000


ção e armazenamento de água, como as barragens, permi­
Douro 1300 18 500
tem a formação de albufeiras, para garantir o abastecimen­
Restantes 2870 12 840

A PA. 2019
to de água à população e às atividades económicas ffab.i).
Total 9759 47 840

Barragem de retenção Aumenta muito o potencial de desenvolvimento da região sobretudo


e produção - aumenta as se do empreendimento, além da barragem, fizer parte um perímetro de rega
disponibilidades hídricas. agrícola e um planeamento integrado de outras atividades económicas.
Nestas condições é possível:
■ o alargamento da área de regadio, que diversifica as culturas e aumenta a
Exemplo:
produção e a sua qualidade, elevando o rendimento das empresas agrícolas;
Barragem do Alqueva
■ o desenvolvimento de serviços de apoio às empresas, indústrias de tecnologia
agrícola e transformadoras de produtos agrícolas, etc.;
■ o investimento em infraestruturas e serviços de lazer e turismo, com efeitos
multiplicadores noutras atividades económicas e culturais e na valorização
do património natural, histórico e cultural;
■ a dinamização social da região, com o aumento da oferta de emprego;
■ fixar mais população e aumentai o dinamismo demográfico.
■ a redistribuição espacial da água através de transvases - condutas que
permitem transferir reservas hídricas de uma região para outra, como acontece
com o circuito hidráulico Sabugal-Meimoa, que transfere água da bacia
do Douro para a Cova da Beira.

Captações de água para


abastecimento público
A captação de água, superficial ou subterrânea, mais utili­
zada evidencia as características das unidades hidrogeoló-
gicas (Fig. 1).

Analisa o gráfico da fig. 1:

1. Identifica as regiões onde é mais importante a captação


de água:

a. superficial. b. subterrânea.

2. Justifica a diferença entre a região Norte e a AML


Fig. 1 Origem da água captada para abastecimento
público, em 2017.

Assim, a maior densidade de captações de água:

• subterrânea ocorre na Orla Ocidental e nas bacias do Tejo e do Sado, devido à grande
produtividade aquífera.
• superficial ocorre no Maciço Antigo, por ter fraca produtividade aquífera e melhores con­
dições naturais para a construção de barragens.

84
Os recursos hídricos

Abastecimento público de água


O abastecimento público de água é uma das imais importantes
Sistemas em alta: procedem à captação,
funções sociais, desenvolvendo-se através de sistemas em
tratamento e armazenamento da água
alta e em baixa que, atualmente, servem a quase totalidade tratada, fornecendo-a aos sistemas em baixa.
da população, depois de uma evolução muito positiva desde Sistemas em baixa: fazem a distribuição e
1970 (Figs. 2 e 3). prestam o serviço de abastecimento de água.

Fig. 2 Evolução da população servida por abastecimento


público de água, em Portugal (1970-2017).

Analisa o gráfico da fig. 2 e o mapa da fig. 3:

3. Descreve a evolução representada no gráfico.


População
4. Verifica as classes da legenda do mapa. abastecida
pela rede
5. Identifica as NUTS III em que a população abastecida pela pública (%):
<90
rede pública é:
R. A. Açores
90-93
a. inferior a 90%. b. superior a 95%. 93.1 -95
95.1 - 98
R. A. Madeira >98

Fig. 3 População abastecida pela rede pública,


Há ainda alguma população sem acesso ao serviço de abaste­ por NUTS III, em 2017.
cimento público de água, porque:

• vive em áreas de fraco povoamento, elevando muito o


custo médio, por habitante, da ligação à rede;
• prefere utilizar água de furos e poços, mesmo em áreas
com rede pública. EPSAR, 2019

A evolução positiva tem ocorrido também na qualidade da


água, verificando-se que, em 2017, quase 100% da água na
torneira dos consumidores era controlada e classificada como
Fig. 4 Evolução da proporção de
de boa qualidade - água segura (Fig. 4). consumidores servidos por água segura.

VERIFICA SE SABES

Explicar a importância das barragens para o abastecimento de água e para o desenvolvimento


das regiões onde se inserem.

Justificar a distribuição das captações de água superficial e subterrânea. AVALIAÇÃO

Pp.92e93
Descrever a evolução e distribuição geográfica do abastecimento de água e sua qualidade.
Questões 4 e5

85
TEMA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

Problemas na utilização da água


A utilização dos recursos hídricos tem alguns efeitos negativos e coloca problemas que se
relacionam, essencialmente, com a poluição das águas e com o crescimento das necessida­
des de consumo.

Principais fontes de poluição

Têm uma grande componente orgânica, uma quantidade e variedade


Efluentes j elevadas de bactérias e vírus. Por isso, são uma das maiores fontes
domésticos de poluição dos cursos de água e, por vezes, das águas subterrâneas,
no caso das fossas de menor qualidade e sem ligação à rede de esgotos.

Têm elevadas cargas tóxicas e teores de metais pesados, como


o mercúrio. As águas utilizadas no processo produtivo ou para lavagens
Efluentes
e arrefecimento são contaminadas com os mais diversos produtos químicos
industriais
perigosos e, mesmo sendo tratadas, podem alterar o meio recetor, sobretudo
porque, geralmente, encontram-se a temperaturas elevadas.

A sua composição e os seus efeitos são, no essencial, semelhantes aos dos


efluentes domésticos, mas uma exploração pecuária pode produzir uma
Efluentes de quantidade de resíduos equivalente à de povoações de média dimensão.
pecuárias Em Portugal ainda há muitas instalações com deficiências no controlo dos
resíduos e muitos casos de incumprimento da legislação, que proíbe o seu
lançamento nos meios hídricos.

Os fertilizantes, os inseticidas e os herbicidas utilizados na agricultura,


muitos com elevado teor de substâncias tóxicas, dissolvidos na água da
Químicos rega ou da chuva, infiltram-se no solo, contaminando as toalhas fre áticas,
agrícolas ou escorrem à superfície, vindo a contaminar os cursos de água. Esta forma
de poluição, muito difusa, pode afetar áreas muito extensas e, também
por isso, é difícil de detetar e controlar.

Outros problemas
b________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ d

Eutrofização Salinização Desflorestação

É um processo que resulta


A desflorestação afeta os
do crescimento excessivo
É um processo que se recursos hídricos superficiais
de algas e de outras
associa à sobre-exploração e subterrâneos. Como deixa
espécies vegetais, que
dos aquíferos, que permite o solo desprotegido, a água
consomem o oxigénio das
a intrusão de água salgada. da chuva escorre e não se
águas, acabando
Este problema ocorre mais infiltra, comprometendo
por provocar a extinção
frequentemente próximo do a recarga dos aquíferos.
da fauna aquática.
litoral e em anos de menor Por outro lado, o maior
Este fenómeno deve-se
precipitação, por não se dar a volume de lamas arrastadas
ao lançamento, nos meios
recarga natural dos aquíferos. pela água da chuva para
hídricos, de efluentes
Nessa situação, o consumo os cursos de água pode
com elevada concentração
deve ser racionalizado, pois, provocar o assoreamento
de detritos orgânicos
por vezes, a salinização pode dos rios, diminuindo
e de fosfatos e nitratos
ser irreversível. a sua capacidade de
que servem de nutrientes
aprovisionamento.
às plantas.
Os recursos hídricos

Tratar e preservar os recursos hídricos


Para garantir o abastecimento e a qualidade da água é necessário que esta seja considerada
como um bem que se pode degradar e está a tornar-se cada vez mais escasso. É fundamen­
tal que a água seja tratada antes de ser devolvida à Natureza, para não colocar em risco
a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos disponíveis, assim como a qualidade de
vida e a saúde da população que os utiliza.

Essa função é garantida pelas redes de drenagem e de tratamento das águas residuais, que
têm sido, gradualmente, alargadas à generalidade do território nacional Figs, i e 2).

■ Rede de drenagem (%) ■Tratamento de águas residuais (%)

Anuários EsPüstícos Regionais 2017, 1NE, 2018


Fig. 1 Evolução da população servida por redes de drenagem e
estações de tratamento de águas residuais, em Portugal (1990-2016).

Além dlo alargamento das redes de drenagem e tratamento


de águias residuais, outras medidas podem contribuir para
a preservação dos recursos hídricos:

• regulamentação, fiscalização e criminalização do lança­ R. A. Madeira ETAR's


mento de efluentes nos cursos de águas;
Fig. 2 População servida por redes de drenagem de
• seleção de práticas agrícolas mais amigas do ambiente; águas residuais e número de ETAR. por NUTS III, em 2017.
• criação de incentivos às empresas para a reconversão da
tecnologia, de modo a torná-la mais ecológica, e para a Analisa o gráfico e o mapa das figs. 1 e 2:

Implementação de medidas inovadoras na área da preser­ 1. Descreve a evolução representada no gráfico.


vação ambiental;
2. Verifica as classes da legenda do mapa.
• aplicação do princípio «poluidor-pagador», com coimas de
valores dissuasores da prática de crimes ambientais; 3. Identifica as NUTS III em que a população
servida por redes de drenagem de águas
• dinamização de campanhas de educação ambiental.
residuais é:
a. inferior a 85%. b. superior a 95%.

Caracterizar os principais problemas decorrentes da utilização da água.

Explicar a importância das redes de drenagem e tratamento das águas residuais. AVALIAÇÃO

Pp.92e93
Indicar outras medidas de proteção dos recursos hídricos.
GRUPO I:
Questão 4
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Planeamento e gestão dos recursos hídricos


A boa gestão dos recursos hídricos implica um planeamento que garanta a sua utilização
eficiente (evitando desperdícios), tal como a sua conservação e proteção, de forma integrada,
ao nível nacional e peninsular, de modo a garantir a sua sustentabilidade. Em Portugal, esse
planeamento orienta-se por diversos instrumentos, de que se destacam:

• lei da água - transpôs para a legislação nacional


a diretiva quadro da água, que estabelece as nor­
mas comunitárias relativas à utilização, conserva­
ção e proteção dos recursos hídricos;
• plano nacional da água e planos regionais dos
Açores e da Madeira - que estabelecem as
linhas orientadoras da utilização, proteção e pre­
servação dos meios hídricos, a nível nacional;
• planos de gestão de regiões hidrográficas - que
englobam um ou mais planos de gestão de bacia
Região
hidrográfica e de ordenamento de albufeiras (Hg. i); hidrográfica
• outros planos, de setores específicos, como: Águas
costeiras
- plano estratégico de abastecimento de água e
de saneamento de águas residuais;
- programa nacional de barragens de elevado
potencial hidroelétrico;
-estratégia nacional para os efluentes agrope­

2002
cuários e agroindustriais;

INAG,
- programa nacional para o uso eficiente da água.

Fig. 1 Regiões hidrográficas e respetivas bacias hidrográficas.

Analisa o mapa da fig. 1:


Região hidrográfica: principal unidade de planeamento
1. Identifica a região hidrográfica em que se localiza e gestão das águas, podendo integrar uma ou mais
a tua escola. bacias hidrográficase respetivas águas costeiras.

De acordo com a Diretiva Quadro da Água, Portugal e Espanha têm de assegurar a coor­
denação dos planos de gestão das regiões hidrográficas que partilham, utilizando as
estruturas da Convenção de Albufeira (convenção sobre a cooperação para a proteção
e o aproveitamento sustentável das águas das bacias hidrográficas luso-espanholas) - 1998.

A gestão partilhada exige grande empenho e constante atenção, pois é ao território portu­
guês que afluem as águas vindas de Espanha, podendo ocorrer problemas como:

• redução excessiva dos caudais em tempo de seca, pela retenção de água nas albufeiras
espanholas;
• poluição das águas, em Espanha, que vem refletir-se em Portugal;
• construção de novas barragens ou transvases em Espanha, que pode reduzir os caudais;
• agravamento de situações de cheia, se as barragens espanholas fizerem descargas
volumosas.

88
Os recursos hídricos

Valorização dos recursos


Os recursos hídricos podem ainda ser valorizados através da criação de espaços de fruição
e lazer, e do desenvolvimento de atividades económicas diversas, relacionados com a utili­
zação sustentável dos recursos hídricos.

Em murtas áreas ribeirinhas existem condições propícias à prática de


banhos, natação, navegação e pesca, estando algumas classificadas como
praias fluviais por reunirem condições de segurança, e terem equipamentos
de apoio e controlo da qualidade da água. As albufeiras de águas
públicas são os locais mais procurados, existindo alguma legislação que
regulamenta este tipo de atividades.

Em muitos rios pratica-se a navegação de lazer, destacando-se, no nosso


país, o rio Douro, onde foram realizadas obras que o tornaram navegável
até á fronteira com Espanha, em Barca d'Alva.
No Douro existem infra estruturas de apoio à navegação, como
as barragens equipadas com eclusas, que permitem transpor os desníveis
do percurso, que tornam possível uma oferta de turismo fluvial qualificada,
valorizada ainda pela paisagem do Alto Douro Vinhateiro, classificada
como Património da Humanidade.

A utilização do domínio hídrico para a prática de atividades económicas e


recreativas associadas às espécies piscícolas é comum nas comunidades
que vivem próximo de cursos de água, de albufeiras e de lagoas.
A cultura biogenética - reprodução, engorda, crescimento ou
melhoramento das espécies aquícolas - é um exemplo comum em Portugal
e está sujeita a licenciamento e ao cumprimento de normas que visam
proteger o meio hídrico em que são desenvolvidas.

A extração de areias é outra atividade económica associada aos meios


fluviais. Só pode ser efetuada nos troços do rio onde é preciso desassorear
o leito e onde a extração de areias náo coloque em risco o equilíbrio
do leito fluvial ou de infraestruturas como pontes.
Esta atividade é mais importante no rio Tejo e no rio Douro.

Em murtas cidades são aproveitadas as zonas ribeirinhas para espaços


de recreio e lazer, com jardins e espaços/equípamentos desportivos
e para entretenimento das crianças e da população em geral.
Estes espaços, além de proporcionarem melhor qualidade de vida
à população, podem contribuir para ligar afetiva mente a população
aos rios e, assim, mais facilmente se desenvolver uma cultura ambiental
de respeito pelos recursos hídricos.

VERIFICA SE SABES

Identificar os principais instrumentos de gestão dos recursos hídricos, a nível nacional, regional
e setorial. f “
AVALIAÇAO

Explicar a importância da cooperação luso-espanhola na gestão das bacias hidrográficas comuns.

Enumerar formas de valorizar os recursos hídricos, como meios de lazer e de criação de riqueza.

89
TE -IA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

SÍNTESE

As especificidades do clima português


dependem da posição geográfica e da circulação geral da atmosfera

. Irregularidade sazonal
Temperatura Precipitação , . . «
da precipitação
i [ 11 11
1■ 11
Inverno chuvoso - cerca de metade
Inverno 1|->|
1 11
Baixa 1 Mais abundante ■ do total de precipitação anual
11 1
! ■ - __ - __ - _ - - _ - - _ - - -- - - __*■■
-..... —-...... ........
, 1I i Fraca e com alguns i Verão seco - 20% ou menos do total
Verão ■ :1 Elevada
1 i meses secos de precipitação anual
................. J .......

Deslocação, em latitude, da dinâmica da atmosfera


xk \p

Inverno - para sul - as baixas pressões Verão - para norte - as altas pressões
subpolares influenciam o território nacional, subtropicais influenciam todo o território
provocando nuvens e precipitação nacional, provocando céu limpo e tempo seco

Tipos de precipitação
xk

Frontais Orográficas Convectivas


I

Provocadas por baixas pressões i Provocadas por baixas


que se associam a frentes: Provocadas pelo efeito do
pressões térmicas sobre
• frias - chuvas intensas e rellevo como barreira de
a Europa e a península -
aguaceiros; condensação - precipitação
; precipitação intensa
de fraca intensidade. I

• quentes - chuva contínua. ; e repentina, de curta


i duração.
Maior incidência (inverno) 'L.................................................
I I

Maior incidência (inverno) ■ Noroeste do continente


i • Norte do continente (devido ao relevo I
I Maior incidência (verão)
I

: • Açores concordante) I
I
- Interior do continente
1
I I
1 I
I
4 I
■ Áreas mais altas do país I

Irregularidade espacial da precipitação


xk 4;
4 4
d I

II
Valores mais altos I
Valores mais baixos
• Noroeste do continente ■ Nordeste continental
.- I

• Areas de maior altitude ■ Todo o sul do continente


4 4

Clima temperado medaterrânico com domínios diferenciados


xk xk xk
de influência atlântica de influência continental mediterrânico acentuado

4 I
• Litoral a norte da cordilheira : ■ Interior norte
• A sul da cordilheira Central
Central Com maior amplitude
I
i
I
I
• Madeira (sul) e Porto Santo
• Açores e vertente norte térmica anual e mais
• Mais quente e mais seco
da Madeira seco
I
! Mais quente e mais seco
Mais ameno e mais húmido i
i
Os recursos hídricos

As disponibilidades hídricas
dependem do volume de precipitação - grande irregularidade sazonal e espacial

Águas superficiais: rios, lagoas e albufeiras

Bacias hidrográficas Lagoas Albufeiras

I- I
i 1
I

Bacias hidrográficas de 14 rios principais


Reservatórios artificiais
(5 internacionais) e numerosas bacias de Continente formados por barragens de:
ribeiras nos Açores e Madeira. Lagoas de origem: ■ - retenção - em todo
Rede hidrográfica ■ marinha e fluvial o país, sobretudo no
• norte: mais densa e escoando em vales
■ tectóníca interior, com fins de rega
mais estreitos e profundos, com maiores
■ glaciar e abastecimento público;
caudais, sobretudo no inverno (cheias);
■ vulcânica - produção - mais
• sul: menos densa e encaixada, a I

Açores numerosas a norte da


com menores caudais, secando
Numerosas cordilheira Central, para
muitos no verão.
lagoas de origem rega, abastecimento
Regime fluvial irregular e, por vezes,
vulcânica. público e produção de
torrencial, sobretudo no sul do continente ;
eletricidade.
e na Madeira. i

! I
I- I

Águas subterrâneas: em unidades hidrogeológicas Sistemas públicos de captação,


que correspondem às unidades geomorfológicas. tratamento e distribuição da água, que:
Maior produtividade aquífera: i->: - serve 96% da população;
• Orla sedimentar Ocidental Rochas mais ■ distribui água segura (99% das
• Bacias do Tejo e do Sado permeáveis análises da qualidade são positivas).
I -I
............. .......... ... T....................
Para manter a qualidade da água:
■ alargar as redes de drenagem e de tratamento das águas residuais a toda a população:
■ tomar outras medidas, como a cri minai ização do lançamento de efluentes nos cursos de águas,
a promoção de práticas agrícolas mais amigas do ambiente e a aplicação eficaz do princípio
«poluidor-pagador».

Gestão dos recursos hídricos


sP

Problemas Planeamento Valorização

• Poluição - efluentes Instrumentos de Criação e manutenção de:


domésticos, agrícolas planeamento para a * espaços de lazer para
e industriais. utilização sustentável dos fruição dos meios hídricos
• Eutrofização - provocada recursos hídricos. (praias fluviais, parques
por resíduos orgânicos. Exemplos: ribeirinhos, etc.);
• Salinizacão dos aquíferos ■ Plano nacional da água • atividades económicas
por sobre-exploração. ■ Plano para o uso eficiente que aproveitem,
• Desflorestação - da água de forma sustentável,
assoreamento dos cursos ■ Planos das regiões, as potencialidades dos
de água e contaminação das bacias hidrográficas meios hídricos (desportos
pelas cinzas dos e das albufeiras aquáticos, turismo,
incêndios. ■ Convenção de Albufeira exploração de inertes, etc.).

91
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Avaliação

L Seleciona a letra da chave que corresponde a cada uma das afirmações.

Afirmações Chave

1. Parte da água da precipitação que, em média, escorre à superfície ou A. Eva potra nspi raça o
no subsolo subterrâneo, por ano.
B. Isóbaras
2. Quantidade de água que se pode extrair de um aquífero sem afetar a
reserva e a sua qualidade. C. Frente fria

3 Evaporação da água da superfície, do solo e da transpiração dos D. Baixa pressão


seres vivos. térmica

4. Crescimento excessivo de algas e de outras espécies vegetais.


E. Regime fluvial
O ar firio avança mais rapidamente, introduzíndo-se como uma cunha
F. Escoamento anual
por baixo do ar quente.
médio
6. Linhas que, num mapa, unem pontos de igual pressão atmosférica.
G. Produtividade
7. Movimento ascendente do ar provocado por temperaturas elevadas á
aquífera
superfície terrestre.
H. Eutrofização
8. Variação do caudal de um rio ao longo do ano.

II. Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes.

1* O ar quente sobe lentamente, formando-se nuvens de desenvolvimento horizontal e chuva


contínua de fraca intensidade.

2, Em Portugal, as precipitações convectivas ocorrem no Noroeste, sobretudo no verão, por efeito


do relevo e das baixas pressões térmicas da Península Ibérica.

3. A irregularidade da precipitação, em Portugal, traduz-se num desfasamento entre o volume


da precipitação e as necessidades de consumo de água.

4 As características do clima mediterrâneo dominam em todo o território português exceto nos


Açores, onde nunca há meses secos.

5. Em Portugal, das três unidades hidrogeológicas, o Maciço Hespérico é a que apresenta maior
produtividade aquífera, devido ã impermeabilidade das formações rochosas.

6, A maior densidade de captações de água subterrânea ocorre nas orlas ocidental e meridional
e na bacia do Tejo e Sado, pela sua grande produtividade aquífera.

A previsão de céu limpo representada no mapa da fig. 1 refere-se a um dia de janeiro.

8. Para o céu limpo previsto no mapa contribui


a influência do anticiclone dos Açores, mais
para norte no verão.

9. Apesar do céu limpo, a previsão do mapa


refere-se a um dos estados do tempo comuns
no inverno, em Portugal.

10. A temperatura máxima e mínima diária e o céu limpo


indicam a influência de um anticiclone formado
sobre o continente europeu, durante o inverno.

Fig, 1

92
Os recursos hídricos

IIL Seleciona a leira da chave que complela correiamente cada uma das afirmações*

1* O domínio climático com maior influência atlântica, em Portugal, ocorre:

A* no nordeste do continente.
B. no sul do continente.
C* no grupo ocidental dos Açores.
D. no noroeste continental e Açores.

2* Sao exemplos de rios portugueses com sentido de escoamento diferente do geral:

A* o Vouga e o Mondego.
B. o Sado e o Guadiana.
C. o Tejo e o Sado.
D. o Vouga e o Guadiana.

3. A maioria das barragens de produção localiza-se no Centro e Norte, devido:

A* ao relevo mais alto e ao regime regular da maioria dos rios.


B* à rede hidrográfica mais encaixada e com regime fluvial menos irregular.
C* à maior necessidade de energia elétrica nessas regiões.
D* à precipitação mais abundante em todos os meses do ano.

4* Dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos, á escala nacional, destaca-se o:

A, plano nacional da água, que é orientador de todos os outros.


B. programa nacional para o uso eficiente da água.
C* plano estratégico de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais.
D* programa nacional de barragens de elevado potencial hidroelétrico.

IV . Responde às questões seguintes.

1. Descreve a distribuição geográfica e a variação sazonal ou anual da precipitação,


relacionando-a com a circulação geral da atmosfera.

2* Identifica as principais bacias hidrográficas, indicando as principais diferenças


relativamente às disponibilidades hídricas.

3* Explica o facto de o noroeste de Portugal continental ser uma das áreas do país com
mais precipitação.

4. Relaciona a variação sazonal e anual da precipitação com a necessidade de construir


infraestruturas que possibilitem a retenção e o armazenamento de água doce.

5* Explica a importância que uma barragem tem para o desenvolvimento de uma região.

6* Defende, do ponto de vista português, a importância da convenção de Albufeira.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2010 - 2.a fase, grupo I Exame 2014 -1.a fase, grupo II Exame 2017 - 1.a fase, grupo I

Exame 2012 - 1.a fase, grupos I e II Exame 2014 - 2.a fase, grupo I Exame 2018 - 2a fase, questões 7 a 10

Exame 2012 - 2.a fase, grupo II Exame 2015 - 1a fase, grupo V Exame 2019 - Ia fase, questões 3 a 5

Exame 2013 - 1.a fase, grupo I Exame 2016 - 1a fase, grupo II Exame 2019 - 2.a fase, questões 9 a 11

Exame 2013 - 2.a fase, grupo II Exame 2016 - 2 a fase, grupo II

93
Tema II
I. O litoral português

SUBTEMA 4 II. Atividade piscatória

III. Gestão do litoral

Os recursos marítimos e do espaço marítimo

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Compreender o espaço marítimo como um sistema complexo e dinâmico que disponibiliza numero­
sos e variados recursos naturais.
• Compreender a ação do mar sobre a linha de costa, relacionando-a com o relevo do litoral.
• Relacionar a posição geográfica dos principais portos nacionais com a direção dos ventos e das cor­
rentes marítimas, as características da costa e o relevo do fundo marinho.
• Relacionar a disponibilidade de recursos piscatórios da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa
com a extensão da plataforma continental (sentido geológico) e os efeitos das correntes marítimas.
• Equacionar a importância da ZEE, identificando recursos e medidas no âmbito da sua gestão e controlo
• Discutir a situação atual da atividade piscatória.
• Distinguir os principais tipos de pesca.
• Relacionar a pressão sobre o litoral com a necessidade de uma boa gestão da orla costeira
e o desenvolvimento sustentável das atividades associadas ao litoral e ao mar.

Q Termos e conceitos

- Águas interiores e águas - Formas de relevo do - Recurso píscícola


territoriais litoral e fluvío-ma rinhas
- Tipos de pesca
(arriba, praia, ilha-barreira,
- Zona contígua e zona
sistema lagunar, tòmbolo, - Quotas de pesca
económica exclusiva (ZEE)
estuário)
- Aquicultura
- Plataforma continental
- Corrente marítima e deriva
e talude continental - Maré negra
norte-sul
- Erosão marinha e abrasão - Ordenamento da orla
- Nortada e upwellíng
marinha costeira
Os recursos marítimos

I. O litoral português

O mar português
Portugal é o Estado costeiro da União Europeia com maior extensão de zonas marítimas
- mais de 2 milhões de km2, segundo a Convenção das Nações Unidas de Direito do Mar -
CNUDM (Figs. 1 e 2).

Mar territorial - águas até às 12 milhas náuticas


(mn), medidas a partir da linha de base (linha
da baixa-mar ou maré baixa). A soberania do
estado costeiro aplica-se ao solo e subsolo
marinhos, à coluna de água e ao espaço aéreo
sobrejacente.
Zona contígua - das 12 às 24 mn, onde
o Estado costeiro pode exercer fiscalização
sobre infrações às suas leis.
Zona económica exclusiva (ZEE) - desde
os limites do mar territorial até às 200 mn
náuticas, compreendendo o solo e o subsolo
marinhos, a coluna de água e a sua superfície
superior. Nesta zona, o Estado costeiro tem
direitos de exploração, investigação e gestão * Tal como definida pela CNUDM -compreende o leito e o subsolo
dos recursos naturais. das áreas submarinas para lá do seu mar territorial, até ao bordo
exterior da plataforma continental ou até uma distância de 200 mn,
Plataforma continental - parte submersa
nos casos em que o bordo exterior da margem continental não atinja
da placa continental com profundidade
essa distância - conceito jurídico».
máxima de 200 m. Nota: 1 milha náutica {mn) corresponde a 1,852 km.

Fig. 1 As zonas marítimas dos Estados costeiros.

A ZEE portuguesa reparte-se por três áreas:


Continente, Madeira e Açores (Fig.2).

Piano de Situação da O rdenam ento do Espaço M arítim o Naclonai,


A proposta de alargamento da plataforma
continental (conceito jurídico), apresenta­
da nas Nações Unidas em 2009 e reformu­
lada em 2017, mais do que duplica a atual
extensão, esperando-se uma decisão até
final de 2021. Se for aprovada, o território
português passará a ser constituído em 97%
por mar, aumentando várias vezes a quanti­
dade e diversidade de recursos naturais a
que tem direito exclusivo de exploração e
também dever de proteção.
DGRM, 2019

Analisa o mapa da fig. 2: Fig. 2 ZEE portuguesa e plataforma continental alargada.


1. Sugere duas vantagens do alargamen­
to da plataforma continental, tendo em
conta a informação do mapa.

95
TEMA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

A linha de costa em Portugal


A linha de costa prolonga-se por mais de 800 km, Linha de costa: área entre a terra e o mar,
só em Portugal continental. A sua configuração deve- ao nível da maré alta, em período de calma.
-se à erosão marinha e às características do relevo Arriba: escarpa alta e rochosa, exposta
à abrasão marinha.
e das formações rochosas que estão em contacto
Praia: área de deposição de areia pelo mar.
com o mar (Fig. 1).

• Alta e escarpada - em relevo


Costa de arriba alto e com predomínio de
Em formações calcário, como da Nazaré à foz
rochosas de maior do Tejo; do cabo Espichei à foz
dureza (granito, do Sado; do cabo de Sines ao
xisto e calcários de S. Vicente e no barlavento
recentes), no algarvio.
continente, e • Baixa e rochosa - em relevo
em formações baixo de xisto e granito, como
basálticas, a norte de Espinho, onde
nas regiões também se encontram troços
autónomas. de praia que são áreas de
costa de emersão.

Em relevo baixo ou reentrâncias


Costa de praia propícias à deposição de areias,
Em formações como:
rochosas mais • de Espinho a S. Pedro de Moei;
brandas, de • no estuário do Tejo;
arenitos e argila. • da foz do Sado ao cabo de Sines;

IGM
• no sotavento algarvio.

Analisa os mapas da fig. 1:

1» Verifica a legenda de cada mapa.


Costa de emersão: área que ficou emersa
2. Associa os troços de arriba e de praia às suas forma­ devido ao recuo do nível do mar.
ções rochosas. Abrasão marinha: erosão reforçada pelo
arremesso de areia e fragmentos rochosos
contra as arribas vivas (em contacto com o mar).
Arriba morta: que não está sujeita à abrasão
As arribas estão expostas à abrasão marinha, que pro­
marinha por ter recuado ou pelo recuo
voca o seu desgaste, desmoronamento e recuo (Fig. 2). do nível do mar.

Fig. 2 Processo de recuo de uma arriba viva. A abrasão marinha desgasta a base da arriba, retirando o apoio
à parte superior (A), que se desmorona e recua (B). Os fragmentos rochosos acumulam-se na base, formando
uma plataforma de abrasão - faixa entre o mar e a arriba, lígeiramente inclinada para o mar, queP na maré baixa,
se encontra emersa, submergindo na maré alta (C). Os fragmentos rochosos que se acumulam na base sempre
submersa da arriba constituem a plataforma de acumulação.

96
Os recursos marítimos

Os principais acidentes do litoral português


Apesar da regularidade que domina a linha de costa do continente, existem formas de relevo
litoral e fluviomarínhas que se destacam - acidentes do litoral (Fig. 3).

Cabo: saliência rochosa que se


projeta sobre o mar.
A. Ria de Aveiro - sistema lagunar separado
do mar por uma extensa restinga, que Estuário: foz de um rio que
se deve ao recuo das águas marinhas, à desagua num único canal, onde
acumulação de areias trazidas pelo mar se faz sentir a ação das marés.
e de sedimentos depositados pelo rio Ilha-barreira: cordão de areia
Vouga, que nele desagua. acumulada que barra a ligação
de uma lagoa ao mar.
B. Concha de São Martinho do Porto
- pequena baía formada a partir de Deriva litoral: corrente paralela
um antigo golfo, pela deposição de à linha de costa, induzida pelo
sedimentos marinhos, que apenas movimento oblíquo das ondas.
deixou uma estreita abertura para o mar.
G Carvoeiro
C. Tômbolo de Peniche - pequena ilha que
acabou por ficar ligada ao continente por
um istmo formado pela acumulação de
areias e seixos.
C. Espichei
D. Estuários do Tejo e do Sado - reservas
G de Sines Porto de pesca
naturais de grande riqueza ecológica.
Plataforma
continental
E. Ria Formosa ou ria de Faro - área G Sardáo

lagunar que se formou pela acumulação St Antón io


de sedimentos marinhos, que criou um C. de S. Vicente
cordão de restingas e ilhas-barreira. G de St? Ma

Fig. 3 Plataforma continental e principais cabos, portos de pesca e acidentes do litoral, em Portugal continental.

Os maiores cabos abrigam portos de pesca dos ventos dí noroeste Analisa o mapa da fig. 3:
e da deriva litoral norte-sul. Assim, o porto de pesca de:
3. Localiza e identifica os acidentes
• Peniche localiza-se a sul do cabo Carvoeiro; do litoral.

• Sesimbra é abrigado pelo cabo Espichei; 4. Identifica dois portos situados a sul
• Sines abriga-se no cabo com o mesmo nome. de um cabo.

Na costa portuguesa, pouco recortada e com plataforma continental 5. Indica a área de maior e menor
largura da plataforma continental.
estreita, não há boas condições naturais para a instalação de portos,
exceto nas rias de Aveiro e de Faro e nos estuários do Tejo e do Sado.

VERIFICA SE SABES
i
AVALIAÇAO

Caracterizar a linha de costa portuguesa, distinguindo costa de arriba e costa de praia.

Descrever o processo de erosão e recuo das arribas, pela ação erosiva do mar.

Localizar/caracterizar os principais acidentes da linha de costa do território continental.

Relacionar a localização dos portos de pesca com a configuração da linha de costa.

97
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Fatores condicionantes da pesca


Plâncton: organismos
Abundância de pescado microscópicos.
Corrente marítima:
A maior ou menor abundância de peixe depende dos nutrientes que, deslocação de uma grande
por sua vez, dependem de temperatura, iluminação, salinidade e oxi­ massa de água com a mesma
temperatura e densidade.
genação das águas, pois essas condições influenciam a formação de
Deriva do Atlântico Norte:
plâncton, que é a base da cadeia alimentar marinha. parte da corrente quente do
golfo desloca-se para NE,
até à Irlanda. Aí, ramifica-se:
uma parte para vai norte e
Talude
Plataformas Plataforma continental continental
Zona abissal outra para sul, vindo passar
continentais em Portugal.
O
Zonas marítimas
onde há maior O
abundância de • Maior iluminação, devido á baixa
pescado. profurxídade. que favorece a formação
de plâncton.
80% das
. Mais oxigénio, pela maior agitação
capturas das águas. A plataforma continental
mundiais . Menor teor de sal. pois é aí que portuguesa é estreita ao
desagua a água doce dos rios.
ocorrem nas longo de todo o litoral e
. Mais nutrientes, devido á formação
plataformas de plâncton e aos resíduos orgânicos quase inexistente nas regiões
continentais. transportados pelos rios. autónomas.

Na convergência de uma corrente fria e outra quente Ao largo de Portugal, de norte


Correntes dá-se o encontro de águas de densidade, temperatura para sul, passa um braço da
marítimas e salinidade diferentes, pelo que existe maior deriva do Atlântico Norte -
diversidade de espécies. corrente de Portugal - que,
As correntes frias são mais ricas em nutrientes, por ser quente, não favorece
por terem origem nos fundos oceânicos. a abundância de pescado.

N
1. Ventos do norte afastam as águas
Upwelling superficiais para o largo. Em Portugal, no verão, ventos
Onde ocorre, fortes de norte (nortada)
há grande 2. Formação de uma corrente atingem a costa, originando
abundância de de compensação. a ocorrência de upwelling,
nutrientes e, responsável pela maior
por isso, maior 3. Subida de águas profundas abundância e qualidade do
que arrastam nutrientes para
quantidade pescado nesta época do ano.
a superfície.
de peixe e de Um bom exemplo é a sardinha,
maior dimensão. mais gorda e saborosa no verão.

As capturas
A capacidade que um país tem de efetuar capturas também depende da:

• formação dos pescadores, que se relaciona com a estrutura etária dos recursos humanos;
• constituição da frota e desenvolvimento das artes e tecnologias utilizadas;
• política das pescas, ao nível nacional e comunitário.

AVALIAÇÃO

Explicar os principais fatores naturais que influenciam a pesca, em Portugal.

93
Os recursos marítimos

II. Atividade piscatória

EstotísÜcos da Pesca 2005 a 2017, INE, 2018


O setor das pescas
A contribuição do setor da pesca para a economia
portuguesa (PIB e emprego) tem decrescido, mas
continua a ser importante para a sustentabilidade de
muitas comunidades costeiras.

A tendência é de aumento do valor gerado, apesar


das oscilações do volume, mais afetado pelas condi­
Fig. 1 Evolução recente das capturas, em Portugal.
ções naturais e quotas de pesca (limites às capturas).

O número de ativos na pesca, depois de diminuir muito, tende agora a crescer ligeiramente, embora a frota,
cada vez mais moderna, continue a perder embarcações (as mais antigas).

Analisa os gráficos:

1. Verifica os indicadores.
Envelhecida.
2. Indica a maior classe Baixos níveis Ate

de escolaridade,
-> 2n delo
78%
em cada gráfico.
mas a melhorar.
100%

Estatísticos da Pesco 1970 a 2017, INE. 201B


r i

Embarcações (n.°) Arqueação bruta (volume interno)

1970 17 583 Classes % do total de:


Analisa as tabelas:
Redução, em número, 1981 13 500 GT’ embarcações GT
devido a:
3. Verifica os indicadores.
• reestruturação; 2001 10 412 <5 84.0 9,4
4. Descreve a capacidade • redimensionamento,
2011 10 200 5-100 13,8 26,4
da frota portuguesa. face aos limites de
captura. 2017 7 922 >100 2,2 64,2

GT' - medida de arqueação bruta.

Pesca costeira Pesca do largo Pesca longínqua

• Em águas interiores (rios, lagoas


- Além das 6 mn da costa • Além das 12 mn, em águas
e estuários) e perto da costa,
por várias horas ou dias, internacionais e ZEE estrangeiras.
por curtos períodos, ou apenas
em áreas afastadas, ou fora • Embarcações de grande dimensão
sazonalmente.
da ZEE nacional. e autonomia alguns meses no mar.
• Com embarcações pequenas e
- Com embarcações de • Utiliza as mais modernas técnicas
artes de pesca quase sempre
dimensão considerável, de deteção, captura, transformação
artesanais (anzol, armadilhas
utilizando meios modernos e conservação de pescado.
e pequenas redes).
de deteção, captura • Quase sempre com o apoio
• Captura espécies de alto valor
e conservação do peixe. de um navio-fábrica.
(polvo, enguia, etc.).

avaliação
VERIFICA SE SABES
Pp.10Ge107
GRUPO I: Questões 2,4 e 7
GRUPOU: Questão 5
Indicar , justificando , as principais características do setor da pesca, em Portugal. GRUPO III: Questão 2
GRUPO IV: Questão 3

99
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Portos e infra estruturas


Viana do Castelo
Para que a atividade piscatória possa desenvol­
Povoa de Varzrrr
ver-se são necessários portos com infraestruturas
Matosinhos Lota
e serviços que permitam descarregar o pescado, 0 Serviços
administrativos
em boas condições de manuseamento e higiene.
# Armazéns de
Aveiro comerciantes
£ Armazém
Para isso: de apresto
£ Venda
• procedeu-se à modernização das infraes­ de apresto
Instalações
truturas e lotas, que estão equipadas com Nazaré e escritórios

sistemas eletrónicos e informatizados, permi­ • Venda de gelo


0 Posto de
tindo maior rapidez e transparência na venda combustíveis
£ Mercado de
do pescado, sendo o porto de Matosinhos o Costa da
segunda venda
Caparica
que oferece maior número de equipamentos 0 Entreposto
frigorífico
e serviços, e o de Sesimbra o que tem maior Setuba
Descargas-2017 (KFt)
volume de peixe descarregado (Rg.l);
• a regulamentação e a fiscalização dos pro­
cessos de descarga, manuseamento e venda Vila Nova de Mil Fontes
do pescado cumprem a legislação comunitá­ Açíes
■■

ria, garantindo a segurança alimentar dos con­ Albufeira


V. R. St?
sumidores.

As espécies mais capturadas pela frota portu­


I
Madeira
Lagos
Tavira

Ü 50 km
Portimão Qu arteira OI hão
guesa são a cavala e a sardinha, mas só a sardi­
nha figura entre as que geram maior valor (Hg. 2).
Fig, 1 Volume de descargas de pescado nos portos de pesca
portugueses, em 2017, e equipamentos e serviços que oferecem.

Cavala Carapau Sardinha Biqueirão


Analisa o mapa da fig. 1 e o gráfico da fig. 2: Atum e similares Polvos Berbigão Carapau 0Ü
o
negrão CM
P. espada preto Outros Goraz
1. Verifica a legenda do mapa.

2. Identifica os três portos com maior:


Volume
a. volume de descargas, em 2017;
b. oferta de equipamentos e serviços.
Valor
3. Verifica os indicadores e a legenda do gráfico.
------------- 1------------------------ 1------------------------ 1-------------
4. Compara as espécies mais capturadas com 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100%
as que têm maior valor de mercado.
Fig. 2 Espécies com maior volume de capturas e maior valor
de mercado, descarregadas nos portos portugueses, em 2017.

VERIFICA SE

Explicar a importância das infraestruturas portuárias para a segurança dos consumidores.

AVALIAÇÃO Identificar/localízar os portos de pesca, indicando os que recebem maior volume de pescado.

Enunciar as principais espécies capturadas e desembarcadas nos portos de pesca portugueses.

100
Os recursos marítimos

Aquicultura
A aquicultura assume um papel cada vez mais relevante no volume
Aquicultura: criação ou cultura
e valor da produção, que têm aumentado, apesar da redução dlo nú­
de organismos aquáticos com
mero de estabelecimentos, cuja modernização permitiu o aumento da técnicas que aumentam
produção. Desenvolve-se em tanques, estruturas flutuantes e viveiros, as capacidades produtivas
do meio natural.
em ãguas doces, e, principalmente, em águas salobras ou marinhas,
destacando-se os estuários e as rias de Aveiro e Faro (Figs. 3 e4;.

Produção (milhares de euros)

Águas salobras
e marinhas 6375 3009 1199

Esíatfstitas da Pesca
Águas doces 676

2017. INE, 2018


R. extensiva intensivo R. semi-intensivo

Alimentação totalmente Alimentação só com Alimentos naturais


natural do meio hídrico. alimentos (rações). e compostos.

Fig. 3 Evolução da aquicultura, em Portugal. Fig. 4 Valor da produção aquícola, seguindo o regime de produção, em 2017.

Analisa os gráficos das figs. 3 e 4:

5* Descreve a evolução do número de estabelecimentos e da produção.

6, Identifica o regime com maior valor de produção, relacionando-o com as condições naturais.

A indústria transformadora do pescado


A indústria transformadora do pescado gera emprego e riqueza, so­
Produção (*1011)
bretudo no Norte e Centro, operando em três setores (Fig. sp

2018
IN E,
• Congelados (filetes, pré-cozinhados, etc.) cada vez mais consumi­

Estatísticas da Pesca 2017.


dos, pela adaptação ã vida moderna e segurança alimentar;

• Salga e secagem, com tradição no nosso país, quase na totalida­


de de bacalhau, sendo Portugal o maior consumidor mundial;
• Conservas, sobretudo de sardinha, atum e cavala. Sendo o
subsetor que menos produz, é o que mais exporta, destacan-
do-se as conservas de sardinha. As de atum são as primeiras no congelados secos e salgados e conservas

consumo interno. Fig. 5 Evolução da produção da indústria


transformadora do pescado.

Analisa o gráfico da fig. 5:

7, Descreve a evolução da produção da indústria transformadora do pescado.

VERIFICA SE SABES

avaliação
Caracterizar: a aquicultura, quanto à evolução do número de estabelecimentos e ao volume
Pp.106e107
e regime de produção; a indústria transformadora do pescado, em Portugal.
Questões 4e 5

101
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

III. Gestão do litoral e do espaço marítimo


A intensa litoralizaçao e a exploração dos recursos marinhos têm provocado problemas que
só o ordenamento do litoral pode resolver e prevenir.

Problemas Possíveis soluções

• A pressão urbana sobre o litoral, pela concentração ■ Definição de limites à construção nas zonas
da população e da atividade económica. costeiras (dimensão dos projetos, densidade
de construção e altura dos edifícios).

Exemplo:
Ericeira, uma vila
debruçada sobre
o mar.

• Redução do volume de sedimentos que chega à ■ Regulamentação das atividades com efeitos
costa, devido às barragens e à extração de areias. na linha de costa.
• Pressão humana sobre as dunas, que impede ■ Medidas de sa Ivag ua rda e co rreção das disfunções
a fixação de vegetação e a sua estabilização. territoriais, como a construção sobre dunas e arribas
• Construção sobre as arribas, estruturas em erosão, ■ Colocação de acessos pedonais sobrelevados
acelerando o seu desmoronamento e recuo. para evitar o pisoteio das dunas.
• Obras de proteção e sustentação da costa, ■ Medidas de prevenção e mitigação dos efeitos
como esporões e paredões, que induzem maior do avanço do mar e das estruturas de proteção
erosão a sul e maior acumulação a norte (Fig. 2). na dinâmica da costa.

Exemplo: Efeito da
construção de um
esporão a sul da
foz do rio Cávado
(praia de Ofir).

• Avanço do mar, pela subida do nível médio das ■ Fiscalização do tráfego de petroleiros,
águas, devido ao aquecimento global. para evitar a ocorrência de marés negras.
• A poluição marítima, pelos efluentes continentais - Monitorização do estado dos recursos piscícolas
e pelo intenso tráfego marítimo. e definição de medidas de proteção: quotas,
• A sobre-exploração dos recursos piscatórios. épocas de defeso, tamanhos mínimos, etc.

102
Os recursos marítimos

Valorização do litoral e do mar


Dada a dimensão e a importância social e económica do litoral e do mar português, ê fundamen­
tal uma gestão sustentável destes espaços, orientada pelos Planos de Ordenamento das Orlas
Costeiras (POOC) e pelo Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo (PSOEM).

O PSOEM caracteriza o espaço marítimo, no presente, e as suas


Foram definidos nove POOC, com intervenção até:
potencialidades, definindo a distribuição espacial e temporal dos
• 500 m, para o lado da terra;
usos e atividades atuais e potenciais e identificando os valores
• 30 m de profundidade, no mar.
naturais e culturais estratégicos para a sustentabilidade ambiental.

Objetivos/ações Objetivos

• Regulamentar as atividades - Reforçar a posição geopolítica e estratégica de Portugal.


e os usos da orla costeira. - Valorizar o mar na economia nacional.
• Classificar praias e regulamentar - Contribuir para a coesão nacional, reforçando a dimensão
o uso balnear. do mar português como ligação aos arquipélagos.
• Qualificar as praias estratégicas para - Valorizar Portugal como maior estado costeiro da UE.
o ambiente e o turismo. - Contribuir para o ordenamento internacional
• Defender e conservar a Natureza. da bacia atlântica.

Exemplo: POOC Caminha-Espinho Usos e atividades considerados no PSOEM


li__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ d

Matosinhos • Recursos renováveis para produção de


Superfície energia eólica, das ondas e das marés.
e coluna • Atividades de recreio e turismo (mergulho,
V' Porto
de água observação de espécies marítimas, desportos
I
aquáticos, pesca desportiva, turismo balnear).

Excerto do mapa de
intervenção no âmbito
Àl Coluna • Biotecnologia marinha e investigação científica.
da prevenção e redução *** 1 de água • Cultura de organismos marinhos: aquacultura.
de riscos costeiros
e da vulnerabilidade
Fundos • Recifes artificiais, para preservar espécies.
às alterações climáticas.
marinhos • Recursos geológicos e património cultural.
e subsolos • Recursos energéticos não renováveis.

• Alimentação artificial De acordo com a Lei de Bases do Ordenamento e Gestão


• Intervenção em sistema dunar
Dragagens
do Espaço Marítimo, deve ser «promovida uma exploração
• Estrutura de defesa costeira (nova) económica sustentável, racional e eficiente dos recursos
• Estrutura de defesa costeira (reabilitação) marinhos e dos serviços dos ecossistemas, garantindo
• Retirada de construções
a compatibilidade e a sustentabilidade dos diversos usos
— Limite da área de intervenção
e atividades nele desenvolvidos» (n.D1, artigo 4.°da Lei 17/2014
de 10 de abril).

VERIFICA SE SABES
-___________ J í “
AVALIAÇAO

Identificar problemas no litoral português, referindo exemplos e possíveis soluções.

Defender a gestão sustentável da orla costeira, tendo em conta as atividades que aí se desenvolvem.

Indicar os principais instrumentos de gestão e ordenamento do litoral e do espaço marítimo.

103
TE -IA II Os recursos naturais de que a populaçao dispõe: usos, limites e potencialidades

SÍNTESE

O litoral português

Mar português - zonas marinhas Linha de costa portuguesa

T" 4:__ ■ ----


sL ---- - ...d ---- i j*--- ■ .■ — — — — —
4/
a ------ ------ .
±.

I
Mar territorial Zona contígua Mais de 800 km, só em Portugal continental.
Águas até 12 mn Das 12 às 24 mn, .............................. ................................................. . ....................
a partir da linha de ; o estado
I

Costa de praia I

■I base. Soberania costeiro pode I


: Costa rochosa
: do estado costeiro fiscalizar, a fim í Relevo baixo I

É predominante, sendo:
I i
I

I
no solo e subsolo de prevenir i com reentrâncias
I
I
I
I ; • baixa e de granito,
: marinhos e no i ou reprimir propicias à !
I
i a norte de Espinho,
i espaço aéreo ; infrações à sua deposição de I com algumas praias
i

sobrejacente. í lei. ■ areias. em costa de emersão;


I

I ! É predominante i
i
I
I
I
I

I • alta e de arribas escarpadas, ;


de Espinho a i
i

!
sobretudo de calcário,
= S. Pedro de Moei, I
i

desde a Nazaré à foz


í ZEE ; no estuário
I I
do Tejo; do cabo Espichei
í do Tejo, da foz
Do limite do mar territorial até 200 mn, à foz do Sado; do cabo
i do Sado ao cabo
reparte-se em três áreas: Continente, I I
de Sines ao de S. Vicente
; de Sines e no ■ I

I Madeira e Açores, com cerca de e no barlavento do Algarve.


I
■ I
i sotavento algarvio.
2 milhões de km2. A plataforma I
‘I
I
I

4>
4 4

continental (solos e subsolos) poderá


quase quadruplicar com a aprovação
A abrasão marinha desgasta a base das
da proposta de alargamento que
arribas, provocando o seu desmoronamento e
Portugal apresentou à ONU.

recuo, o que pode dar origem a arribas mortas.
I

Principais acidentes do litoral português


■ Ria de Aveiro - sistema lagunar, na foz do rio Vouga, separado do mar por uma extensa restinga.
■ Concha de São Martinho do Porto - pequena baía com uma estreita abertura para o mar.
■ Tômbolo de Peniche - pequena ilha uniida ao continente por um istmo de areias e seixos.
■ Estuários do Tejo e do Sado - reservas naturais de grande riqueza ecológica.
■ Ria Formosa ou ria de Faro - separada do mar por um cordão de restingas e Ilhas-barreira que
foram originadas pela acumulação de sedimentos marinhos.
I
■ Cabos que, na costa pouco recortada, servem de proteção aos portos, que se lhes situam a sul.

Fatores de abundância de pescado Em Portugal


4

; -

Aguas das plataformas continentais ■ A pequena extensão da plataforma


Maior abundância de pescado, devido à grande j i continental, estreita no litoral continental e
quantidade de nutrientes (pela luz, oxigenação quase inexistente nas regiões autónomas,
: e desaguar dos rios) e ao menor teor de sal.
L..............................................................................
não favorece a abundância de pescado
J .................... ..... ............. ....... ..... ....... ....
rB---------------------------------------------------------------------------------------- --------------------- ------------- - ------------------------------------ ------------------------------------------------------ ------------------- ——. i -------------. . ------------- _ -------- _ ------------- _ ----_.

i i

Correntes marítimas Ao largo de Portugal, de norte para sul, passa


• Na convergência de correntes de temperatura uma ramificação da deriva do Atlântico Norte
diferente há maior diversidade de espécies. - corrente de Portugal - que, por ser quente,
i • Correntes frias transportam mais nutrientes. não favorece a abundância de pescado

: Upwelling Durante o verão ocorre frequentemente


Subida de águas profundas que arrastam upweíling na costa portuguesa, o que gera
grandes quantidades de nutrientes do solo uma maior abundância e qualidade
marinho, favorecendo a abundância de pescado. do pescado nesta época do ano.

104
A atividade piscatória

■ i i*" ' l"

População ativa Frota de pesca • Embarcações


I I I I

ws • Envelhecida. I
I

I
I
■ ■ Redução, em número. : I
: • 84% com menos de 5 GT,
I J
rí i !

o U
ui b
• Baixos níveis i
i
I
i
i
i
• Reestruturação. representando 9,4% do total de
Ú3
uj EL de instrução. I -F I ■ Redimensionamento. arqueação bruta da frota nacional.
o Ui
íí F II II; ■ 2,2% com mais de 100 GT,
TI
equivalendo a 64% do total de
arqueação bruta da frota nacional.

+b
1

Costeira 1
Do largo Longínqua
• Águas interiores ou ■ Além das 6 mn, em • Além das 12 mn, noutras ZEE

u
perto da costa, por áreas afastadas ou ou em águas internacionais,
£
períodos limitados de outras ZEE, por por semanas ou meses.
Q-
(por dia ou por ano). várias horas ou dias. • Embarcações de grande
* -> A
T3
• Barcos pequenos ■ Embarcações de dimensão com meios
0 e artes de pesca modernos de deteção,
o_ maior dimensão, com
1- artesanais. meios modernos captura e conservação.
>
• Captura de espécies de deteção, captura • Pode ter apoio de
com valor elevado. e conservação. um navio-fábrica.
1

Tem-se registado uma modernização das: Regulamentação e fiscalização que


■ infra estruturas e serviços, para garantem a qualidade do pescado.
garantir boas condições de descarga,
manuseamento, higiene e conservação i .
I
b

do pescado; I I
Destacam-se as descargas de
■ lotas, equipadas com sistemas que cavala e sardinha, espécies mais
tornam a venda do pescado mais rápida capturadas, tendo maior valor o
e transparente. polvo, a sardinha e o atum.

Gestão dos recursos marítimos

i a-a-rs-a-a rrrswa awa-s-a-a a-a-rnva ■ a-a-B-a-a b-b-bbib-b a a-a-Bwwa a-a-E-a-aa a-a-EB-aa a-a-EB-aa wb-bbbb b-b-9-bbb b-kbbbb bb-b-b,
I
I

Problemas... I
I
I
Instrumentos de gestão sustentável
• Pressão urbana sobre o litoral.
I
• POOC - tem como objetivos:
• Redução do volume de sedimentos.
- regular as atividades e usos da orla
• Pressão humana sobre as dunas.
1
costeira e os usos balneares;
• Construção sobre dunas e arribas.
- classificar as praias e qualificar as que são
• Obras de proteção e sustentação da costa.
estratégicas para o ambiente e o turismo.
• Avanço do mar pela subida do seu nível médio, i
• PSOEM - tem como objetivos:
• Poluição marítima e sobre-exploração.
I
- reforçar a posição geopolítica
... e soluções e estratégica de Portugal;
I
1
- valorizar o mar na economia nacional;
• Delimitar a construção nas zonas costeira.
I
- contribuir para a coesão nacional,
• Regulamentar as atividades que afetam o litoral.
I
reforçando a dimensão arquipelágica
• Construção de acessos pedonais sobrelevados.
do mar português;
• Medidas para evitar e corrigir disfunções - valorizar Portugal como maior estado
territoriais.
costeiro da UE;
• Medidas de prevenção do avanço do mar. - contribuir para o ordenamento
• Medidas de proteção da natureza e dos internacional da bacia atlântica.
recursos.

105
TEMA II Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades

Avaliação

L Seleciona a letra da chave que corresponde a cada uma das afirmações.

Afirmações Chave

1 Extensão da placa continental submersa cuja profundidade não A. Costa de emersão


ultrapassa os 200 metros.
B. Abrasão marinha
2. Atua a mais de 12 nin, em águas internacionais e ZEE estrangeiras,
com embarcações de grande dimensão.
C. Mar territorial
3. Áreas da costa que já estiveram submersas e, devido a uma regressão
marinha, hoje estão emersas. D. Plataforma
4. Parte da corrente quente do golfo que se desloca para NE. continental
até à Irlanda, onde se ramifica, dirigindo-se uma parte para Portugal.
E. Arqueação bruta
5 Espaço marítimo, até 12 mn, que inclui o espaço aéreo sobrejacente e
que está sob soberania do Estado costeiro.
F. Pesca longínqua
6. Erosão marinha reforçada pelo arremesso de areia e fragmentos
rochosos contra as arribas vivas. G. Deriva do Atlântico
7. Volume interno de um navio, medido em GT. Norte

II. Classifica como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações seguintes.

1* No litoral continental, predomina a costa de praia e há menor extensão de costa de arriba.

2. Na linha de costa portuguesa, tanto continental como insular, porque é muito recortada, há boas
condições para a instalação de portos de mar.

3. Os fragmentos rochosos acumulados na base da arriba são a plataforma de abrasão


e os que ficam sempre submersos constituem a plataforma de acumulação.

4. A ria de Aveiro formou-se pelo recuo do mar e pela acumulação de sedimentos do rio Vouga.

5. Na confluência de uma corrente fria com uma quente, há menor quantidade de fauna marinha,
devido às diferenças de densidade e temperatura.

6 As zonas do mar com maior abundância de pescado são as plataformas continentais, devido
ás boas condições de luminosidade, salinidade, oxigenação e nutrientes.

A estrutura etária e a preparação profissional dos ativos


da pesca explicam que 50% da frota portuguesa tenham
mais de 5 GT de arqueação bruta.

8, A pressão urbana visível na fíg. 1 não está associada ao


processo de litoralização.

9. As estruturas de proteção da costa, como os paredões


e esporões, induzem maior erosão nas praias que lhes
ficam a sul.

10.0 PSOEM caracteriza o espaço marítimo, definindo a


distribuição espacial e temporal dos usos e atividades
atuais e potenciais.

11, Em Portugal, estão em vigor 12 planos de ordenamento


das orlas costeiras (POOC).

Fig, 1 Vista de Sesimbra.

106
Os recursos marítimos

IIL Seleciona a leira da chave que complela correiamente cada uma das afirmações*

1* Podemos destacar como áreas de costa de praia, em Portugal:

A* o barlavento e o sotavento algarvios. C* de Espinho a S. Pedro de Moei.


B* a orla entre a Nazaré e a foz do Tejo. D* do cabo da Roca aoestuário do Tejo.

2* O tipo de pesca que captura espécies de grande valor unitário de mercado é a:

A* pesca costeira. C* pesca longínqua.


B* pesca polivalente. D* pesca do largo.

3. O porto de pesca que oferece maior número de serviços e ínfraestruturas é o de::

A* Figueira da Foz. C* Sesimbra.


B* Peniche. D* Matosinhos.

4* As duas regiões com maior produção e valor de produção em aquicultura são:

A* Lisboa e Algarve. C. Algarve e Centro.


B. Alentejo e Algarve. D. Algarve e Norte.

5* Entre as medidas planeadas pelos POOC para valorização das zonas costeiras, encontram-se:

A, a construção de empreendimentos turísticos e parques de estacionamento perto das praias,


para atrair mais visitantes e dinamizar a economia local.
B* a construção de passadiços sobrelevados para proteger sistemas dunaires e a alimentação
artificial de praias que estão a perder areia.
C. a construção de esporões de grande dimensão, para reduzir os areais das praias mais
a norte, sobretudo em áireas onde se praticam desportos náuticos.
D* permitir a urbanização e a implantação de todas as atividades ligadas ao mar, económicas
ou de lazer, para atrair e fixar a população.

IV. Responde às questões seguintes.

1. Indica os efeitos que as características da linha de costa portuguesa têm na pesca.

2* Explicita o significado de upwelling, relacionando-o com a época de maior consumo de


sardinha, em Portugal.

3. Explica a redução do número de embarcações da frota de pesca portuguesa.

4. Justifica a distribuição regional dos estabelecimentos e do valor da produção da aquicultura.

5. Caracteriza a indústria transformadora do pescado, em Portugal.

6. Desenvolve a afirmação: «A economia portuguesa pode ter uma forte componente marítima».

7. Equaciona a importância dos instrumentos de gestão do litoral, tendo em conta os principais


problemas e a sua resolução.

Questões de exame Complementa o teu estudo resolvendo as seguintes questões.

Exame 2010 - 2.a fase, grupo II Exame 2014 - Ia fase, grupo V Exame 2018 - 2? fase, questões 14 a 16

Exame 2011 - 2.a fase, grupo V Exame 2015 - 2.afase, grupo I Exame 2019 - Ia fase, questões 1 e2

Exame 2013 - 1.a fase, grupo II Exame 2017 - 1a fase, grupo II Exame 2019 - 2.a fase, questão 14

Exame 2013- 2a fase, grupos II eV Exame 2018 - 1.a fase, questão 15

107
Parte II

f 11.° ANO
Tema III
Os espaços organizados pela população:
áreas rurais e urbanas
1. As áreas rurais em mudança
2. As áreas urbanas: dinâmicas internas

i 3. A rede urbana portuguesa

Tema IV
A população: como se movimenta e comunica
1. Os transportes e as comunicações

Tema V
A integração de Portugal na União Europeia:
novos desafios, novas oportunidades
1. Portugal na União Europeia
Tema III

SUBTEMA1 L Os sistemas agrários

II. A agricultura portuguesa


e a PAC
As áreas rurais III. Novas oportunidades
do espaço rural
em mudança

Neste subtema desenvolverás as seguintes aprendizagens:


• Descrever a distribuição de diferentes variáveis que caracterizam as regiões agrárias, re(acionando-
-as com fatores físicos e humanos.
• Problemas estruturais; analisar os principais constrangimentos ao desenvolvimento da agricultura
portuguesa no domínio da produção, da transformação e da comercialização dos produtos, relatan­
do exemplos concretos de deficiências estruturais do setor
• Equacionar os desafios que a concorrência internacional e a Política Agrícola Comum (PAC) colocam
à modernização do setor.
• Explicar os reflexos da PAC e das respetivas reformas na agricultura portuguesa. Discutir formas de
desenvolver e modernizar o setor agrário.
• Equacionar oportunidades de desenvolvimento rural, relacionando as potencialidades de aproveita­
mento de recursos endógenos com a criação de polos de atração e sua sustentabilidade.
• Divulgar exemplos concretos de ações que permitam a resolução de problemas ambientais e de sus­
tenta bil idade no espaço rural, revelando capacidade de argumentação e pensamento crítico.

Q Termos e conceitos

- Desenvolvimento - Indústria - Pluríatividade - Região agrária


sustentável agroalimentar
- Política Agrícola - Superfície Agrícola
- Emparcelamento - Paisagem agrária Comum (PAC) Utilizada (SAU)

- Espaço rural - Património cultural - Produtividade - Turismo em Espaço


paisagístico agrícola Rural (TER)
- Estrutura agrária
As áreas rurais em mudança

I. Áreas rurais, em Portugal


As áreas rurais ainda têm uma função económica importante, mas são, principalmente, áreas
de grande relevância social e ambiental, pelo papel que desempenham como:

• áreas produtoras de matérias-primas e de alimentos;

• espaços de contato e interação com a Natureza e o património paisagístico, cultural


e de grande diversidade de tradições;

• áreas onde é Imprescindível a preservação dos solos, dos recursos hídricos e do equilíbrio
das florestas e da biodiversidade.

Esta multifuncionalidade do espaço rural associa-se Perfis territoriais de diversidade económica:


à diversificação de atividades económicas que, aliadas indicam a importância dos diferentes setores
à agricultura, estão a ser fatores de mudança e susten- para a economia do concelho.

tabilidade.
Síntese dos perfis
territoriais de diversidade
Os perfis territoriais de diversidade económica permi­ económica:

tem verificar que as atividades associadas à agricultu­ 1 ■■ Serviços coletivos


e às empresas,
transportes
ra e à floresta se desenvolvem, sobretudo, nas regiões e logística
autónomas e no interior do continente, embora tam­ 2 Comércio,
serviços coletivos
bém detenham importância em muitos concelhos do e ãs empresas
3 1 Indústria e serviços
litoral (Doc. 1 e Fig. 1). 4 Silvicultura,
indústrias da madeira
e cortiça
Doc. 1 Áreas rurais, espaços de interação 5 Agricultura,
agroalimentar,
construção,
A agricultura, enquanto ramo da atividade económi comércio
e serviços
ca, tem características únicas que resultam da interação 6 Agroflorestal,
entre fatores físicos, biológicos e humanos, numa lógica agroalimentar,
comércio, serviços
de sistema primário, que abastece de matérias primas e construção
outros setores como a indústria, o comércio, a restaura 7 M Agricultura.
ção e o turismo. agroalimentar,
comércio
e serviços
Geram se, assim, fluxos de materiais e energia a que

PNPOT D.fcg.oósflco, DGT, 2 Cd8


----- NUTSIII
se associa a articulação entre produtores e consumi
dores e entre as áreas predominantemente urbanas
R. A. Açores
e os espaços marcadamente rurais.
Território Portuguí - onde o país encontra o futuro, R. A. Madeira
PNPOT, DGT, 2018 (adaptado)

Fig.1 Perfis territoriais de diversidade económica, em Portugal.

Analisa o doc. 1 e o mapa da fig. 1:

1. Lê o documento 1 e verifica a fonte e a data.

2. Identifica as duas ideias fundamentais sobre as áreas rurais.

3. Verifica, na legenda da figura 1, os perfis associados ao espaço rural.

4. Identifica as NUTS III onde a maioria dos concelhos apresenta esses perfis.

5. Sugere quatro exemplos de serviços desenvolvidos nas áreas rurais (dois de apoio a população
e dois de apoio às atividades económicas).

6. Explica o facto de vários concelhos do interior se apresentarem com o perfil 2 - comércio,


serviços coletivos e às empresas mais característico dos espaços urbanos .

111
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

As regiões agrárias portuguesas: características e fatores


A significativa diversidade de paisagens rurais re­
flete a influência e interação de:

• fatores naturais - o clima, o relevo e a geomorfo- R, A. Açores Entre Trás-os-


Douro e -Montes
logia, cuja interação influencia as disponibilida­ Minho

des hídricas e a qualidade dos solos; 0


• fatores humanos - a ocupação humana e a evo­
Beira
lução histórica, cultural e tecnológica, que influen­ 0 20 km Litoral
Beira
ciam o uso e a organização dos territórios rurais. Interior

As regiões agrárias (RA) foram definidas com base


nas características resultantes de todos esses fa­
tores e, apesar de já não terem existência jurídico- Ribatejo
e Oeste
-administrativa (desde 2013), ainda são utilizadas
para estudar a diversidade das áreas rurais (Fig. 1). R, A. Madeira
Alentejo

Analisa o mapa da fig. 1:


0 50 km
1. Indica o número de regiões agrárias.
Algarve
2. Identifica a regíào agrária em que a tua escola se
insere.
Fig, 1 Regiões agrárias portuguesas.

R.A. Características naturais Fatores humanos

Relevo e solos Grande fragmentação da


■ Planícies aluviais no llitoral, com solos férteis, propriedade, resultante:
sobretudo nos vales inferiores do Vouga • do caráter anárquico do
e do Mondego. processo da Reconquista,
■ Socalcos, de solos férteis e irrigados, nas encostas que levou ao parcelamento
Entre Douro de menor altitude das montanhas do noroeste (EDM) das terras, pelo clero e pela
e Minho (EDM) e centro de Portugal (BL). nobreza;
e ■ Áreas mais altas das montanhas, com solos pobres. • do sistema de partilha de
Beira Litoral heranças, que distribuía as
Clima
(BL) terras por todos os filhos;
■ Temperatura amena, suave no inverno e pouco mais
alta no verão, com baixa amplitude térmica anual. • da elevada densidade
■ Precipitação abundante, mais elevada no inverno populacional.
e diminuindo de norte para sul.
■ Grande humidade relativa durante todo o ano.

4/

Condições edafoclimáticas propícias: Explorações agrícolas:


■ a grande variedade de culturas de regadio (hortícolas, • em grande número;
Pouco
milho, prados naturais de criação de bovinos, etc.); • de pequena dimensão;
sujeitas
• à viticultura: • com mão de obra
a geada
e secas * à fruticultura. predominantemente familiar.

112
As áreas rurais em mudança

R.A. Características naturais Fatores humanos

Relevo • O fraco povoamento


- Extensas áreas planálticas, onde predominam solos originou uma tradição de
pouco férteis e se destaca o vale encaixado e profundo partilha comunitária das
do Douro e seus afluentes. tarefas agrícolas e, por
Trás-os- vezes, da propriedade.
- Montanhas da cordilheira Central, com solos pobres,
-Montes (TM) na Beira Interior, onde se destacam a serra da Estrela, • O êxodo rural e a emigração
e e o vale abrigado da Cova da Beira, mais fértil. deixaram a população
Beira Interior envelhecida, condicionando
(BI)
Clima
a modernização agrícola.
- Temperatura baixa no inverno, com neve e geada
frequentes, e mais alta no verão, prolongado • Recente investimento
e inovação em produções
- Precipitação mais frequente no inverno, e abundante
regionais.
nas áreas mais altas, mas escassa no verão,
principalmente no vale do Douro.
4-
Sujeitas Condições edafoclimáticas propícias: Explorações agrícolas:
a geadas - à viticultura, com destaque para o Douro Vinhateiro; • em menor número;
(inverno) - á olivicultura, com grande produção de azeite; • de pequena e média
e a secas - aos frutos de casca rija (TM) e à fruticultura (BI); dimensão;
e granizo • com predomínio de mão
- ã criação de gado ovino e caprino, bem adaptado
(verão). de obra familiar.
a relevo acidentado e a solos pobres.

Relevo • No RO, proximidade de


- No Oeste, dominam colinas de vertentes recortadas por grandes áreas urbanas.
vales irrigados pelas ribeiras, com solos férteis, • No Alentejo, fraca
- No Ribatejo, destaca-se a extensa planície aluvial do densidade populacional.
Tejo, com solos de grande fertilidade. • Processo de Reconquista
- No Alentejo, a pene planície estende-se até à serra ordenado, com doação de
Regiões algarvia, com solos de pouca fertilidade natural. vastos domínios a ordens
do sul do país: - Planície litoral algarvia, com solos férteis. religiosas e militares
Ribatejo e e à nobreza.
Oeste (RO), Clima
• Mecanização agrícola
- Temperatura suave no inverno e alta no verão
Alentejo desde meados do século XX
sobretudo no interior alentejano e no Algarve.
e Algarve (RO e Alentejo).
- Amplitude térmiica anual baixa no Oeste e no litoral
• Criação da Companhia
alentejano; alta no interior do Alentejo.
das Lezírias (Ribatejo).
- Precipitação:
• Barragem do Alqueva
- relativamente abundante no inverno e grande
e seu perímetro de rega.
humidade relativa, no Ribatejo e Oeste;
- fraca no Alentejo e Algarve, com verões longos e secos
sk

Condições edafoclimáticas propícias: Explorações agrícolas:


■ às culturas de regadio (hortícolas, tomate, melão, etc.), fruticultura, • em menor número
viticultura, etc., no Ribatejo e Oeste; e de grande e muito
■ à olivicultura e viticultura, aos cereais de sequeiro, às culturas industriais grande dimensão;
e, recente mente, grande diversidade de culturas de regadio • de menor dimensão,
e de fruticultura, no Alentejo; no Algarve.
■ aos produtos hortícolas, frutos secos e citrinos, no Algarve.

Nas regiões autónomas, o relevo acidentado - sobretudo na Madeira a amenidade e humi­


dade do clima e a fertilidade dos solos vulcânicos são propícios:

• nos Açores, ã criação de bovinos, associada aos prados naturais; sendo a única região
do país com produção de ananás (em estufa) e de chá (agricultura de plantação);
• na Madeira, à viticultura e ã produção de banana (na vertente sul, mais quente).

113
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

O espaço rural e suas componentes


O espaço rural ocupa grande parte do território português. Nele destaca-se o espaço agrário,
onde sobressai o espaço agrícola e, neste, a superfície agrícola utilizada (SAU).

Espaço agrário Outras ocupações

Áreas ocupadas com produção agrícola (vegetal e animal), pastagens florestas,


habitações dos agricultores, infraestruturas e equipamentos da atividade agrícola
- caminhos, cainais de rega, estábulos, palheiros, etc.
4/ 4^

Espaço agrícola + Outras ocupações

Área utilizada para a produção vegetal e/ou animal.

Superfície agrícola utilizada (SAU) Outras ocupações Espaço rural: território


que não é ocupado por
Áreas efetivamente ocupadas com culturas. áreas urbanas.

Terras aráveis - culturas temporárias Culturas Pastagens


Horta familiar
(menos de 5 anos) permanentes permanentes

Terras com culturas vegetais, em Ocupam as terras por Áreas semeadas Área cultivada com
pousio ou mantidas em boas condições mais de 5 anos, com por mais de 5 anos, produtos hortícolas
agroambientais. repetidas colheitas. com espécies que e/ou frutos que
Áreas de estufas ou cobertas por estruturas Por ex.: vinha, olival, se destinam ao se destinam ao
fixas ou móveis. pomar, etc. pasto de animais. autoconsumo.

A distribuição da SAU Distribuição regional Variação


da SAU (2016) da SAU média
por exploração,
Devido ao relevo e à ocupação humana, a distribuição ______ Açores de 2009
Algarve r 3.4% a 2016 (ha)
da SAU apresenta um contraste bem evidente: Madeira
0,1%
Norte
• a Madeira, o Norte (EDM e TM) e o Centro (BL 17.9% r- *
lOpoérífo ds Exp .tra çõ e s Agrícolas 2016. INE, 2018

Centro
r
e BI), com grande número de explorações de pe­ 16,1%
/ SAU média por
Alentejo A.M. exploração (ha)
quena dimensão, detêm menor área de SAU; 57.7% i
X±ist2aa Centro
2,1% —r-------- "
• no Alentejo, um menor número de explorações
de grande dimensão ocupa mais de metade
da SAU nacional.
Número de

Analisa a fig. 1:

1. Descreve, justificando, a distribuição regional da SAU.

114
As áreas rurais em mudança

Características das explorações agrícolas Doc. 1 Explorações agrícolas

Em Portugal, ainda predomina a pequena dimensão, sendo


Em 2016, contaram se 259 mil expio
o Alentejo a única região com explorações verdadeiramente rações, menos 5,4 mil do que em 2013 e
de grande dimensão. Porém, tem-se registado: menos 46,3 mil face a 2009.
A SAU não registou alterações; man
• uma redução do número de explorações (Doc.1);
tém se nos 3,6 milhões de ha (39,5% da
• uma manutenção da área de SAU total; superfície territorial nacional).
• um aumento da dimensão média das explorações. A estrutura fundiária das explorações
agrícolas melhorou com o aumento da di
mensão média, de 12,0 ha em 2009 para
Analisa o doc. 1: 14,1 ha em 2016.
2. Associa cada aspeto referido anteriormente ao correspon­ inquérito â estrutura das explorações
dente parágrafo do doc. 1. agrícolas 2016, INE, 2017 (texto adaptado)

As paisagens rurais
As explorações agrícolas (dimensão e forma), os sistemas de cultura (formas de cultivo) e o
povoamento rural (disposição das habitações no espaço) originam as paisagens agrárias.

- Sistema intensivo - solo totalmente ocupado durante todo o ano.


’ Sistema extensivo - não há ocupação permanente do solo e, geralmente, pratica-se
a rotação de culturas, por vezes com recurso ao pousio.

Quanto à variedade, as culturas podem ser cultivadas em regime de:


’ policultura - mistura de culturas no mesmo campo, geralmente praticada em áreas de solos
—> férteis e bem irrigados;

II - monocultura - cultivo de um só produto no mesmo campo, associada a solos mais pobres,


ou, atualmente, à moderna produção de mercado.

Quando à necessidade de rega, são de:


- regadio - precisam de rega regular; Em Portugal, de um modo geral:
- sequeiro - precisam de pouca água. - o sistema intensivo associa-se
à policultura e ao regadio, em
campos de pequena dimensão,
Dimensão - pequena, média ou grande. irregulares e fechados, e ao
povoamento disperso, sobretudo
Forma - regular ou irregular. —
no noroeste (EDM e BL) e na Madeira;
Vedação - abertos (sem) ou fechados (com).
- o sistema extensivo associa-se
à monocultura e ao sequeiro, em
campos de grande dimensão,
Concentrado - em aldeias. regulares e abertos, e ao
Disperso - casas dispersas pelos campos. povoamento concentrado,
Misto - mistura das duas formas anteriores. sobretudo no Alentejo, TM e BL

VERIFICA SE SABES AVALIAÇÃO

Pp.134e135
GRUPO I: Questões 1 e 2
Descrever e explicar a distribuição da SAU e do número e dimensão média das explorações.
GRUPOU: Questões 1a 7

Caracterizar as paisagens agrárias portuguesas e a sua distribuição espacial. GRUPO III: Questão!
GRUPO IV: Questões! e 2

115
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

Tab. 1 População agrícola familiar - PAF


Problemas estruturais (2016).
F-----------------
do setor agrícola Proporção Variação
PAF
da população 2009-2016
As áreas rurais ainda apresentam (2016)
total (%) (%)
fragilidades e constrangimentos
Portugal 6,1 -20,8
que dificultam o seu desenvolvi­
Norte 6.8 -19,7
mento e se associam, principal­
mente, ao: Centro 9.5 -20,3

• despovoa mento, devido ao êxo­ AM Lisboa 0,4 -34,4

do rural e à emigração (Fig. 1); Alentejo 10,0 -22,8


• envelhecimento demográfico
Algarve 5J -13,3
da população (Fig. 2);
Açores 11,5 -33,9
• baixo nível de instrução e de

PNPO77 Dtog nó s tico. DGT. 2018


formação dos produtores (Fig. 2). Madeira 13.8 -14,0

frKjuénto ós Explorações Agrícolas 2016. INE, 2018

Possível despovoamento
Despovoamento
Analisa a tab. 1 e o mapa da fig. 1:
Forte despovoamento
Muito forte despovoamento
1. Identifica as NUTS III com despovoamento forte e muito forte.
------ NUTS III

2. Indica como variou a população agrícola das NUTS II, de 2009 a 2016.
Fig. 1 Tendências demográficas e
população agrícola familiar (2016).

População agrícola familiar Formação agrícola dos produtores

Formação
prof. agrícola
56%

Nível de escolaridade dos produtores Estrutura etária dos produtores


< 40 anos
4%

> 65 anos
55%
40 a 65 anos
41%

Ag. 2 Características da população agrícola familiar e dos produtores (2016).

Produtor agrícola: responsável jurídico


Analisa os gráficos da fig. 2:
e económico pela exploração.
3. Verifica os indicadores e a legenda de cada gráfico População agrícola familiar: o produtor
e caracteriza a população agrícola. agrícola e os elementos do seu agregado
familiar, trabalhem ou não na exploração.
4. Relaciona o nível de escolaridade com a estrutura etária.
Produtividade: relação entre a produção
(volume ou valor) e a mão de obra.

116
As áreas rurais em mudança

Principais problemas e constrangimentos para a agricultura

1. População agrícola envelhecida, com pouca instrução 2. Predomínio de explorações agrícolas de pequena
e pouca formação, o que dificulta: dimensão, exceto no Alentejo, o que prejudica:
• a inovação e a modernização da produção; • o investimento na formação profissional e em
a adaptação às normas comunitárias e o acesso aos tecnologia (sistemas de rega, máquinas, etc.);
apoios financeiros europeus; • a modernização das práticas agrícolas e a
a organização e a integração no mercado nacional produtividade agrícola;
e internacional; • a especialização da produção;
a diversificação das atividades lucrativas das explorações, • a capacidade de negociação no mercado.
'k T
3, Contribuem paia a pequena dimensão económica da maioria das explorações, que
tem como efeito uma fraca capacidade de autofinanciamento e de acesso ao crédito

Exemplos N.° de Dimensão média Volume de negócios Volume de negócios por Valor acrescentado bruto
{2017) explorações (ha/exploração) total (xlOOO €) exploração (xlOOO €) (xlOOO €)

Norte 95 878 6,8 1 058 471 11 000 432 484

Alentejo 35 666 58,9 1 959 476 54 900 332 855

Inquérito ás Explorações Agncakjs 2017 e Anuários Esfcrtsficas Regionais 2017, INE. 201S

Analisa a tab. 2:

5* Compara o número e a dimensão das explorações do Norte e do Alentejo.

6. Relaciona as diferenças que encontraste com:


a. o volume de negócios, total e por exploração;
b. o valor acrescentado bruto.

4. Fraca capacidade competitiva nos mercados nacional, europeu


e mundial dos produtores portugueses, devido:
■ à pequena dimensão do país e das empresas agrícolas, que Territórios
concorrem com outras de maior dimensão e que praticam preços artificializados
inferiores;
Agricultura
■ a políticas pouco eficazes na promoção de marcas e produtos
alimentares portugueses. Pastagens
Direção Geral do Território, 2019

Sistemas
5. Reduzida área de solos com boa aptidão agrícola e o seu uso agroflorestais
inadequado - solos bons para a agricultura são usados para outros
fiins e muitas explorações encontram-se em solos com fraca aptidão Floresta

agrícola (Fig.3).
Matos

NUTSIII
6. Fraca ligação da produção agroflorestal à indústria transformadora,
perdendo valor acrescentado.
Fig. 3 Ocupação principal do solo, por
município (2015).

VERIFICA SE SABES
AVALIAÇÃO

Pp.134e135
Explicar os principais problemas estruturais e constrangimentos da agricultura portuguesa.
GRUPO IV:
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

A produção agrícola em Portugal


A evolução do valor da produção agrícola, de que
o ramo vegetal representa 60%, tem uma tendên­
cia crescente, refletindo a modernização agrícola e
também a influência das condições naturais:

• oscilações da produção, pelas diferenças interanuais


de temperatura e precipitação (Fig. 1);

• em cada região, sobressaem as culturas melhor


adaptadas às condições edafoclimáticas (Fig. 2).

Fig. 1 Evolução do valor da produção agrícola, em Portugal.

Norte
Hortícolas - 7% Outros
Azeitona (mesa e azeite)
Milho/grao
Azeitona de mesa Frutos frescos
e para azeite - 7% Batata
IJva ímesa e vinho)
Milho-6% Milho forrageiro 1568
Centro
Outros
Frutos frescos - 5% Azeitona
Uva (mesa e vi nhn)
Batata
Frutos frescos
Batata - 4% Milho/grao
Milho forrageiro
_______ Citrinos -3% A. M, Lisboa
Outros
_________ Arroz -1% Arroz
Outros cereais* - 1% Uva de mesa
Batata
Outros** -1% Tomate (indústria)
Alentejo
Outros
Uva
Milho forrageiro
* Trigo, centeio, aveia, triticale. Aveia forrageira
Azeitona

Estatfsflcas aa Agricultura 2017, INE, 2018


“ Girassol, leguminosas, frutos de baga, casca rija e subtropicais. Milho/grao
Tomate (indústria) 1276
Algarve
Outros
Frutos frescos
Distribuição da produção vegetal por região Citrinos
R. A. Madeira
Outros ta 33
Cana-de-açúcar Hl
Batata-doce |
Banana
Batata |
Uva 1335
H, A- Açores
Outros 8
Banana S
Beterraba
Batata
Milho forrageiro 317
Quantidade produzida (* 1031)

Fig. 2 Principais produções vegetais, em Porugal (A) e por regiões iB). e contribuição regional para o total nacional (C).

Analisa os gráficos das figs. 1, 2 e 3:


2017, INE, 2013

1. Verifica a legenda de cada figura.

2. Compara, na fig. 1, a evolução do valor da produção


vegetal e animal.
E strtfsíjta s da Agricultura

3. Identifica, na fig. 2, as três culturas mais produzidas:


a. em Portugal; b. em cada região.

4. Explica o destaque do Alentejo na produção nacional.

5. Identifica o tipo de gado dominante em cada região.

Fig. 3 Principais produções animais, por regiões e em


Portugal (2017).

118
As áreas rurais em mudança

Nas últimas décadas, deu-se uma evolução muito posi­


Produção especializada: mais de 2/3 do Valor
tiva, que tem vindo a mudar as paisagens agrárias e a
Produção Padrão Total (VPPT) da exploração
tornar o setor agrícola economicamente mais viável e provém apenas de uma atividade ou Orientação
atrativo. Uma dessas alterações é a especialização pro­ Técnico-Económica (OTE).

dutiva (Tab. 1), praticada na larga maioria das explorações


(Fig. 4). A especialização tem vantagens significativas:

• simplifica o trabalho agrícola;

• exige menor diversidade de tecnologias;

• reduz os custos de produção;

• aumenta a produtividade e o rendimento dos


agricultores;

• aumenta a dimensão económica da exploração (Fig. 5).

Tab. 1 Tipo de explorações (2016)


0 20 km

Explorações Número VPPT nacional (%)]


Exploração
Especializadas 181 901 88.1 especializada em:

Viticultura
Mistas 75 854 11,8 • Fruticultura
« Frutos de casca rija
Não classificadas 1 228 0.1 • Citrinos

2011
Cerealicultura
Inquérito às Exploroçoes Agricolas 2016. INE. 2018
• Horticultura intensiva

ffecenseam enío Agrícola 2009, INE,


e floricultura
• Horticultura extensiva
Analisa a tab. 1 e o mapa da fig. 4: Olivicultura
Orizicultura
6. Indica, a partir da tab. 1, o número de explorações es­ • Bovinos de carne
pecializadas e a sua contribuição para o VPPT nacional. • Bovinos de leite
• Suinicultura
7. Verifica a legenda do mapa. Avicultura
o Ovinos, caprinos e
8. Identifica as OTE mais importantes em cada região diversos herbívoros
agrária.
Fig. 4 As principais OTE da produção agrícola,
9. Explica a OTE predominante: em Portugal (2009 - último recenseamento agrícola).

a. nos Açores; b. no interior do continente.

Inquérito às Explorações Agrícolas 2016, INE, 2018


Número de explorações Distribuição do VPPT
por dimensão económica (*103) das explorações em Portugal,
por dimensão económica

Analisa o gráfico da fig. 5:

10. Verifica a legenda do gráfico.

11. Justifica a diferença regional relatívamente às explora­ Explor. muito pequenas


(< 8000 € VPPT)
ções de grande dimensão económica. £"• Explorações pequenas
<8000 a < 25 000 € VPPT|
12. Explica o contributo das explorações de grande dimen­ ■ Explorações médias
(25 000 a <100 000 € VPPTi
são económica para o VPPT nacional.
_j Explorações grandes
£ 100 000 € VPPT)

Fig. 5 A dimensão económica das explorações (2016).

VERIFICA SE SABES
AVALIAÇÃO

Analisar mapas e gráficos sobre a produção agrícola, animal e vegetal.

Relacionar a dimensão económica com a especialização das explorações.

119
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

II. A Política Agrícola Comum PAC: conjunto de diretivas, normas


e apoios definidos para o setor
A nossa adesão à União Europeia (então CEE), em 1986, implicou agrícola e espaço rural da União
Europeia.
também a integração na Política Agrícola Comum (PAC).

PAC - do crescimento agrícola ao desenvolvimento rural

1957 - Tratado de Roma - criação da PAC > Objetivos da PAC

• Garantir o abastecimento
dos mercados, aumentando
1962 - Primeiras medidas, baseadas em três princípios ou pilares:
a produção e a produtividade.
1.° Unicidade 2.° Preferência 3.° Solidariedade • Garantir um rendimento
de mercado comunitária financeira estável aos agricultores, com
>k preços mínimos garantidos
Projeto de mercado - Preços mínimos nas ■ Criação do FEOGA para cada produto.
único agrícola. importações agrícolas. (Fundo Europeu • Estabilizar os preços para
Uniformização de - Subsídios à exportação de Orientação e os consumidores.
técnicas e normas para tornar os preços Garantia Agrícola), • Elevar o nível da vida rural.
no setor agrícola. mais competitivos. que financia a PAC.

Primeiros 20 anos de implementação da PAC

Progressos alcançados Novos problemas


• Grande aumento da produção, com novas ’ Excedentes agrícolas, que desequilibraram os mercados,
técnicas e uso de fertilizantes artificiais. pois a oferta tornou-se superior à procura.
• Aumento da produtividade e do rendimento ’ Aumento do peso da PAC no orçamento da CEE (mais
pela mecanização, que reduziu a mão de obra. de 80%), com os subsídios (armazenamento, preços
• Desenvolvimento de novas tecnologias garantidos aos agricultores, subsídios às exportações).
e da investigação científica. - Problemas ambientais, pelo uso intensivo de produtos
• Melhoria do nível de vida dos agricultores. químicos (fertilizantes, inseticidas, herbicidas, etc.).

• 1992 - Primeira reforma da PAC Integração da agricultura portuguesa na PAC


Novos pilares
’ Acordos de pré-adesão - 1977 Apoios à
1.° Reequilíbrio da 2.° Preservação ■ Adesão de Portugal à CEE - 1986 integração
oferta e da procura do ambiente - Fraca produtividade agrícola. • Condições
- Técnicas pouco desenvolvidas. especiais.
- Investimento muito reduzido. - Integração
• Continuação do sistema de quotas faseada.
- População agrícola muito pobre.
(limites à produção, desde 1984) e do I
- Pouca experiência no comércio
set-aside (retirada de terras da produção,
internacional. PEDAP: Programa
desde 1988).
' Dificuldades acrescidas Específico de
• Diminuição dos preços garantidos. Desenvolvimento
- As medidas da reforma de 1992
• Ajudas desligadas da produção e impediram o aproveitamento da Agricultura
direcionadas para culturas industriais total da capacidade de Portuguesa.
ou energéticas. xk
desenvolvimento, pelos limites
• Incentivos à pluriatividade e à reforma impostos à produção.
antecipada dos agricultores. - Mercado Único (1992) expôs PAMAF: Programa
de Apoio à
pre matura mente os agricultores
• Promoção do pousio temporário. Modernização
portugueses à livre concorrência.
• Incentivos à agricultura biológica e à silvicultura. Agrícola e Florestal.

120
As áreas rurais em mudança

1999 - Reforço das medidas da reforma de 1992 e redefinição dos pilares da PAC
4 4
1.° Equilíbrio dos mercados 2? Desenvolvimento rural com base na sua multifuncionalidade: económica,
(redução de excedentes) social, ambiental e de ordenamento do território

2CD3 - Segunda reforma da PAC: mantém os pilares e introduz alterações

4 4 4
Orientação para a procura Pagamento único por exploração Princípio da condicionalidade
Liberdade para os agricultores Os agricultores recebem um só As ajudas financeiras passam
produzirem de modo a responder pagamento, desligado do volume a depender do cumprimento
à procura dos mercados. da produção. das normas ambientais.

2009 - “Exame de Saúde da PAC*5: realça os novos desafios que exigem adaptação da PAC

Alterações Proteção da Promoção da Energias Reestruturação


Gestão da água
climáticas biodiversidade inovação renováveis do setor leiteiro

2013 - Terceira reforma da PAC: mantém os pilares e aprofunda os objetivos e as medidas para responder
aos desafios no “Exame de Saúde da PAC"

Principais objetivos

4 4
Simplificar os instrumentos e
Promover uma Distribuir mais Aumentar a
mecanismos de acesso, pagamento
agricultura equitativamente os fundos competitividade dos
e controlo dos apoios da PAC,
mais ecológica pelos agricultores da UE agricultores europeus
beneficiando os pequenos agricultores

Doe. 1 Ser agricultor em Portugal já dá prestígio


Efeitos da PAC em Portugal
0 ministro da agricultura afirmou que o processo de inte
A integração na PAC viabilizou:
gração europeia foi fundamental para o desenvolvimento
• a diminuição do número de explorações agrí­ da agricultura portuguesa. "Mas o mais importante foi a
formação, pois atualmente, muitos equipamentos são ver
colas e o aumento da sua dimensão média;
dadeims computadores com sistemas inteligentes de auto
• o investimento em infraestruturas, máquinas mação e georreferenciação. o que exige mais qualificações.
1 loje, a agricultura portuguesa ê mais ecológica e mais em
agrícolas, tecnologia moderna, inovação e
presarial e muitos jovens estão a investir em novas ideias,
formação dos agricultores; novas técnicas, novos produtos e mercados?
• o aumento da produtividade, do rendimento
Diário de Notícias, 21/01 . '2019 (adaptado)
e da competitividade nos mercados.

VERIFICA SE SABES
f T"
AVALIAÇAO

Enunciar os primeiros objetivos da PAC e as alterações das sucessivas reformas.

Explicar as dificuldades e os benefícios da integração da agricultura portuguesa na PAC.

121
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

Continuar a desenvolver o setor agrário


A concorrência internacional e as exigências da PAC colocam desafios que obrigam o setor
agrícola português a aprofundar a sua modernização, integrada na política de desenvolvi­
mento rural, que tem vindo a valorizar cada vez mais a sustentabilidade.

Principais fundos comunitários de financiamento desta política

FEAGA - Fundo Europeu Agrícola FEADER - Fundo Europeu Agrícola


de Garantia de Desenvolvimento Rural

Financia: Financia o Programa de Desenvolvimento Rural - atualmente


• subsídios à exportação de produtos PDR 2020 - que, em Portugal, tem como princípio o crescimento
agrícolas para países terceiros; sustentável das atividades agroflorestais.
• ações de regularização dos mercados Objetivos estratégicos:
agrícolas e de promoção dos produtos - aumentar o valor acrescentado do setor agroflorestal
agrícolas; e dos rendimentos da agricultura;
• pagamentos diretos aos agricultores; - promover uma gestão eficiente, tendo em conta a proteção
• despesas de reestruturação em dos recursos naturais e a prevenção das alterações climáticas;
diferentes setores agrícolas. - criar condições para a dinamização económica e social das
áreas rurais.

Para aumentar a competitividade da agricultura e responder cada vez melhor às exigências


da PAC, é necessário continuar a:

Modernizar o setor agrícola

• Redimensionar as explorações Permite aumentar a dimensão económica, dando à exploração maior


agrícolas, pelo emparcelamento capacidade de investimento em inovação e tecnologia e, assim, maior
-junção de parcelas. produtividade e competitividade.

• Melhorar a organização dos Utilizar as novas formas de marketing e comércio eletrónico para
produtores e as redes de promoção e venda das produções agrícolas e promover a marca
comercialização. Portugal no mercado europeu e mundial.

■ Apostar na qualidade dos produtos, valorizando os recursos naturais, as especialidades, os saberes


e as técnicas regionais e locais, com maior valor acrescentado.
sp sk

DOP IGP ETG

Produtos Com Produtos com


X V '1

agrícolas e característica características


alimentares ou reputação peculiares,
com específicas que produzidos com
características associam um ingredientes
específicas, produto a uma tradicionais
produzidos com ingredientes da dada região, onde ocorre pelo e segundo métodos
região onde são transformados menos uma fase do processo também tradicionais.
e preparados, com métodos de produção.
tradicionais reconhecidos.
As áreas rurais em mudança

* Diversificar culturas Permite aproveitar janelas de oportunidade (áreas de mercado com potencial e
e apostar na exportação pouca concorrência)* responder a novas necessidades de mercado e recuperar
e na internacionalização produções tradicionais* aumentando a competitividade (DocsT1e2;.

A nova agricultura de precisão, que utiliza as TIC, exige grande investimento


• Investir na inovação e em tecnologia que realiza múltiplas funções deforma muito precisa, ao nível da
formação dos agricultores temporização, climatização (temperatura e humidade), rega, vigilância do estado
de saúde e maturação vegetal e animal, etc. (Doc, 3).

Construção de barragens e respetivos perímetros de rega* de infraestruturas


• Continuar a melhorar
de acesso e promoção do ordenamento das explorações florestais
as infraestruturas
e da instalação de outras atividades em espaço rural (Doc. 4).

Doc. 1 Assinatura genética única Doc. 2 Novos mercados internacionais

O projeto de recuperação de populações de centeio “As exportações têm tido um aumento constante,
de altitude da região da serra da Estrela, desenvolvido o que prova o interesse dos mercados internacionais
por uma empresa de sementes e pelo Instituto Superior pelas nossas empresas” disse o secretário de estado da
de Agronomia de Lisboa, permitiu descobrir dez varie agricultura, em Paris, na feira do setor agroalimentar. E
dades autóctones, recursos genéticos inexplorados que disse estar a trabalhar na abertura de 53 novos merca
abrem uma janela de oportunidade. dos internacionais.

Wz do Campo, n? 216, junho dc 2018 (adaptado) Agência Lusa, 22/10/2018 (adaptado)

Doc. 3 Agricultura de precisão Doc. 4 Reduzir a vulnerabilidade às secas

Hoje a agricultura é feita com sensores, tciblets, GPS Foi aprovado o Programa Nacional de Regadios no
e outras tecnologias que permitem um novo paradigma âmbito do PDR 2020, que abrange 96 385 ha.
de eficiência: aumentar a produtividade, reduzindo os
custos de produção e os impactes ambientais. Áreas de intervenção do PNR (ha)

Região Novo regadio Modernização Total

Algarve e SO
132 14 545 14 677
Alentejano

Alentejo 51 420 14 566 65 986

Litoral Norte
180 10 250 10 430
e Centro

Interior Norte
3 600 1692 5 292
e Centro
Agrotec, n.° 27, agosto dc 2018 (adaptado)

VERIFICA SE SABES

AVALIAÇAO

Indicar os principais fundos de financiamento da PAC e a que fins se destinam. Pp.134e135


GRUPO I:
0uestões4e6
Enunciar aspetos em que o setor agrícola deve continuar a modernizar-se.
Questão 4

123
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

III. Novas oportunidades para as áreas rurais


O desenvolvimento sustentável das áreas rurais implica a sustentabilídade da agricultura
como atividade económica capaz de atrair e fixar populaçao jovem e mais qualificada (Doc. 1).

Doc. 1 Agricultura - um setor em transformação

0 estudo "Panorama das Qualificações", do Centro Europeu para o Desenvolvi


mento da Formação. prevê que 26% do novo emprego em Portugal, até 2025, seja
criado na agricultura. A verdade é que a agricultura portuguesa está a seguir um
novo rumo, com a introdução de novas culturas, inovação tecnológica, utilização
mais eficiente dos recursos naturais, melhor organização da produção, maior qua
lificação técnico profissional e cobertura de novos mercados.

Há cada vez mais startups agrícolas Inovadoras e tecnológicas, com oferta de


emprego em serviços ligados à agricultura (investigação, programação e manuten
ção de sistemas digitais, gestão de marketing, etc.).

www.c-kommista.pt (consultado cm 21/01/2019, adaptado)

Analisa o doc. 1:

1. Enumera três aspetos em que a agricultura portuguesa está a desenvolver-se.

2* Explica como esse desenvolvimento pode favorecer o rejuvenescimento da população agrícola.

Para o desenvolvimento das áreas rurais, é essencial aproveitar


Recursos endógenos: recursos
os recursos endógenos, para diversificar as atividades lucrativas naturais próprios de uma região
das explorações de modo a aumentar o emprego pela plurlatívída- Pluriatividade: acumulação do
de. Também permite diversificar as fontes de rendimento - plu rir- trabalho agrícola com outras
atividades.
rendimento.
Plurirrendimento: acumulação
Nas áreas rurais portuguesas, a diversificação das atividades lucra­ dos rendimentos da agricultura
tivas não agrícolas tem vindo a aumentar significativa mente Rg.i). com os de outras atividades.

Fig.t Atividades lucrativas não agrícolas, nas explorações portuguesas (2016) e sua evolução (2009 a 2016).

Analisa o gráfico da fig. 1:

3. Identifica, por ordem decrescente, as trés atividades lucrativas não agrícolas que:
a. estão em maior número de explorações;
b. tiveram maior crescimento entre 2009 e 2016.
**************************

124
As áreas rurais em mudança

O papel dos serviços


Os serviços e equipamentos públicos contribuem para
a igualdade de oportunidades e de direitos dos cida­
dãos. Porém, em muitas áreas rurais portuguesas, persis­
tem ainda carências nas redes ou na qualidade dos ser­
viços (Fig. 2). Nos anos de crise económica, foram mesmo
retirados muitos serviços de localidades do interior.

4/teroçdto, ju/ho de 2018, DGT, 2019


Analisa o mapa da fig. 2:

4. Verifica a legenda.

5. Compara a oferta, em número e diversidade de funções:

a. as capitais de distrito do interior e as do litoral;


N.° de unidades Nível de diversidade
b. o interior a norte do rio Tejo e todo o Alentejo. funcionais funcional
^-252 12 3 4 5
■■■
População residente por freguesia/
/entidade hospitalar

- PA/POf
.—' Área de influência hospitalar

Para a sustentabilidade das áreas rurais é fundamental o Neta: a área de influencia hospitalar não está

desenvolvimento de serviços, no âmbito do PDR 2020 Fig. 2 Equipamentos e serviços públicos de saúde (2017).

e da política de descentralização e coesão territorial,


uma vez que estes serviços:

• elevam a qualidade de vida, como no caso das re­


des de distribuição de água, eletricidade e teleco­
municações, da saúde, educação, cultura, apoio aos
idosos, lazer, etc. (Fig. 3);
• criam emprego, proporcionando rendimentos e pro­
movendo a fixação da população;
• apoiam outras atividades económicas, como a agri­
cultura, a indústria e o turismo - serviços bancários,
seguros, transportes, formação profissional, etc. -
que servem também a população.

Fig. 3 Parque de lazer numa área rural (Loriga. concelho de Seia).

A própria PAC, ao valorizar o papel do agricultor como agente de conservação ambiental,


incentiva a criação de novos serviços na área do ambiente. O PDR 2020 apoia projetos de
prestação de serviços de aconselhamento e acompanhamento técnico e científico das explo­
rações agrícolas e florestais.

VERIFICA SE SABES

Relacionar o desenvolvimento sustentável das áreas rurais com os progressos na agricultura


e com o melhor aproveitamento dos recursos endógenos. avaliação

Explicar o papel dos serviços para o desenvolvimento das áreas rurais.

125
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

O turismo em espaço rural Turismo: deslocações de lazer com


duração superior a 24 horas.
Em Portugal, a atividade turística cresceu muito nos últimos anos,
Turismo no espaço rural (TER):
tendência que inclui o turismo em espaço rural (TER), que se conjunto de atividades e serviços de
baseia na ligação aos recursos naturais e paisagísticos, aos va­ alojamento e animação, realizados e
prestados a turistas no espaço rural,
lores culturais, às práticas agrícolas e particularidades regionais,
mediante remuneração.
podendo ser praticado em diferentes modalidades (Fig. 1).

Agroturismo: observação e participação


Número de estabelecimentos em atividades agrícolas (vindima, apanha
por tipo de TER (%) em 2017 de fruta, desfolhada, cuidado de animais,
produção de queijo, mel, etc.).
Em Portugal

Casas de campo: casas rústicas


particulares, com arquitetura, materiais
de construção, mobiliário e decoração
característicos da região. Geralmente
&4% são casas pequenas, onde também
pode viver o proprietário, que organiza
atividades de lazer (passeios pedestres,

<1
a cavalo, de bicicleta, etc.) e disponibiliza
os equipamentos necessários.

R. A. Açores R. A. Madeira Hotel rural: estabelecimento hoteleiro


em área rural fora da sede de concelho.
Deve ocupar a totalidade de um ou
Agroturismo Casas de campo
Hotéis rurais Outros TER
mais edifícios, com um mínimo de dez
quartos ou suítes e a sua arquitetura, os
materiais de construção, o mobiliário e a
decoração devem refletir as características
tradicionais da região.

Esítrtfstitas üo Turismo 2017, INE, 2018


Oferta de quartos em TER, por regiões (NUTS II), em 2017
i

Turismo de aldeia: um mínimo de cinco


casas particulares, em aldeias que, no
seu conjunto, mantêm as características
tradicionais da região. O Programa das
Norte Centro A. M. Lisboa Alentejo Algarve Aldeias Históricas de Portugal inclui-se
R. A. Açores R. A. Madeira
nesta forma de turismo.

Fig.1 Número de estabelecimentos por tipo de TER. em Ponugal (A) e por NUTS II (B), e oferta de quartos, por NUTS II (C), em 2017.

Analisa os gráficos e o mapa da fig. 1:

1. Verifica a legenda comum aos gráficos e ao mapa.

2. Identifica os dois tipos de TER que se destacam:


a. a nível nacional; b. em cada região.

3. Descreve a distribuição regional da oferta de quartos em TER.

126
As áreas rurais em mudança

R. A. Açores R. A. Madeira
Em muitas áreas rurais, há também a oferta de tu­
Algarve
rismo de habitação, em solares, casas apalaçadas 7
ou residências de reconhecido valor histórico e Alentejo
34
arquitetónico, com mobiliário e decoração ade­ A. M. Lisboa
4
quados à época histórica e um serviço de elevada
qualidade. Centro

Fig.2 Estabelecimentos de turismo de


habitação (2017).

Outras atividades turísticas em espaça rural

Turismo ambiental - Turismo fluvial - atividades


contato com a Natureza de lazer e desporto nos rios
e atividades ao ar livre. e albufeiras.

Turismo gustativo
Turismo cultural -
e enoturismo - promoção
descoberta do património
da diversidade e qualidade
arqueológico, histórico
da gastronomia e dos vinhos
e etnográfico local.
regionais.

Turismo termal - associado às


Turismo cinegético - nas ocorrências de águas termais,
zonas de caça turística conjuga-se com outras ofertas
e associativa, promovendo turísticas e desportivas que
a preservação do ambiente. aproveitam os recursos e
paisagens regionais.

O turismo em espaço rural contribui para a fixação de população e para a sustentabilidade das comunidades rurais,
porque gera emprego e riqueza Além disso, tem importantes efeitos multiplicadores - impactes positivos noutras
atividades económicas.
sk

O desenvolvimento dos
A produção de A conservação
serviços, da construção A preservação
artesanato e de produtos do património
civil, dos transportes, do da Natureza e do
alimentares regionais: arquitetónico, artístico
comércio, da restauração, património natural
compotas, enchidos, e cultural (material
de atividades culturais e de e paisagístico.
queijos, etc. e imaterial).
lazer, etc.

VERIFICA SE SABES

Caracterizar as diferentes modalidades de TER e a sua distribuição regional. AVALIAÇÃO

Enumerar outras formas de turismo que podem ser desenvolvidas no espaço rural. Pp.134e135
GRUPO I:
Questão 8
Explicar o contributo do TER para o desenvolvimento sustentável das áreas rurais.

127
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

O papel dinamizador da indústria


A indústria é um importante fator de desenvolvi­
mento das áreas rurais. Destacam-se os setores da
madeira, da cortiça e agroalimentar (Fig. 1 e Doc. 1).

Fig. 1 Evolução da contribuição da indústria agroalimentar


para o emprego nacional.

Doc. 1 Papel do setor agroalimentar para a economia nacional

Abate de animais, prep. s conser. de


O setor agroalimentar tem um papel importante carne e de prod. ã base de carne
no comércio internacional, representando, em 2016, Fabricação de produtos de padaria
12,8% do valor das importações e 8.5% das exporta e outros produtos á base de farinha

ções de bens e serv iços. Note se que as exportações Indústria d© laticínios


deste setor acompanharam a tendência crescente,
Fabricação de alimentos
mas de forma mais acentuada. para animais
Fabricação de outros
() valor das vendas das indústrias alimentares produtos alimentares
aumentou 287 milhões de euros, face a 2015.
Preparação e conservação de peixes,
crustáceos e moluscos
A atividade de abate de animais, preparação e
Produção de óleos e gorduras
conservação de carne e produtos à base de carne foi animais e vegetais
a que mais se valorizou, com 18,7% do valor total de
Preparação e conservação de frutos
vendas deste setor. e produtos hortícolas

Estatísticas Agrícolas 2017,1NE, 2018 (adaptado)

Analisa a fig. 1 eo doc. 1:

li Descreve a evolução do número de trabalhadores na indústria agroalimentar.

2* Caracteriza o setor agroalimentar, indicando os três ramos mais importantes.

A indústria, nas áreas rurais, ■ A montante: promove o desenvolvimento de atividades produtoras


tem importantes efeitos de matéria-prima (indústria extrativa, silvicultura, produção agrícola).
multiplicadores.

vk • Ajusante:
- aumenta a criação de riqueza, pois acrescenta valor comercial
E importante, para se desenvolver:
às matérias-primas pela sua transformação;
• criar incentivos fiscais;
- gera emprego, direta e indiretamente, e contribui para fixar população;
• simplificar o processo
- aumenta o consumo, contribuindo para o desenvolvimento
de instalação e início
do comércio local e regional;
de atividade;
- induz a instalação de industrias complementares e de serviços
• aumentar a oferta de
(transportes, formação, logística, etc.);
formação e qualificação dos
- promove a internacionalização da região, através das exportações.
jovens e da população ativa.

A instalação de uma indústria em espaço rural deve respeitar os princípios do desenvol­


vimento sustentável, cumprindo as normas relativas à redução e tratamento de resíduos e
águas residuais, bem como ao controlo dos níveis de emissão de gases e poeiras.

128
As áreas rurais em mudança

Energia e desenvolvimento rural Metas de consumo


energético até 2020
Nas áreas rurais conjugam-se diferentes fatores favoráveis à produção
Que, do consumo final de
de energia a partir de fontes renováveis: energia, sejam provenientes
de fontes renováveis:
• recursos naturais renováveis - sol, água, vento e biomassa;
• 20%-naUE;
• liberdade dos agricultores na escolha das culturas, sem perderem • 30% - em Portugal.
os subsídios à produção no âmbito da PAC;
• política energética, nacional e comunitária, que pretende aumentar, a curto prazo, o con­
sumo de energia renovável.

A produção de energia renovável é uma vertente importante para a sustentabilidade das áreas rurais

Biomassa ■ Biogás, produzido a partir de efluentes agropecuários, da agroindústria, pela


degradação biológica anaeróbica {sem oxigénio) da matéria orgânica.
Produção de energia ■ Biocombustíveis líquidos, produzidos a partir das culturas energéticas, das quais se
a partir de: obtém o biodiesel e o etanol
• resíduos florestais
■ Eletricidade, produzida em centrais de biomassa e minicentrais associadas
e agrícolas;
a unidades de pecuária {o excedente pode ser vendido ã rede pública, reduzindo
• efluentes da pecuária. as despesas com energia e diversificando os rendimentos da exploração).

Existem boas condições:


Energia eólica e solar ■ nas áreas rurais, onde o custo do solo
é mais acessível, fator particulai mente
• Aumentam a oferta
importante para as centrais solares,
de emprego.
grandes consumidoras de espaço.
• Diversificam a
■ em áreas de montanha e no litoral,
base económica
onde a velocidade e a regularidade do
da população
vento permitem o seu aproveitamento
rural, pela venda
energético deforma mais contínua.
ou arrendamento
de terrenos para A maior incidência de:
colocação de ■ parques eólicos ocorre nas serras
aerogeradores e de Montemuro e Montejunto (Fig. 2);
painéis solares. ■ centrais solares ocorre no interior
do Alentejo, devido à maior insolação.

Têm menores impactes ambientais


Mini-hídricas do que as grandes barragens.
■ Podem abastecer pequenas localidades
• Pequenas barragens de energia e água para rega.
hidroelétricas ■ Permitem também gerar receitas para
o desenvolvimento local.

Fig. 2 Centros de produção de energia renovável.

VERIFICA SE SABES

Explicar o contributo para o desenvolvimento e a sustenta bil idade das áreas rurais da: í “
AVALIAÇAO

a. indústria transformadora; b. produção de energias renováveis. Pp.134e135


GRUPO I:
Indicar medidas de incentivo à instalação da indústria nas áreas rurais. Questão 5
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

A silvicultura
As florestas constituem uma riqueza ambiental incalculável e uma importante oportunidade
de multifuncionalidade nas áreas rurais, devido às suas diferentes funções.

Funções da floresta
L u

Social Ambiental Económica

• Proporciona ar puro Possibilita: • Produz matérias-


e espaços de lazer ■ a preservação dos solos; -primas e frutos.
à população. ■ a conservação da água; • Gera emprego.
■ a regularização do ciclo hidrolõgico; • Cria riqueza.
■ o armazenamento de carbono;
■ a proteção da biodiversidade.

A floresta ocupa pouco mais de um terço do território nacional, constituindo uma parte mul­
to importante das áreas rurais. Caracteriza-se por uma grande diversidade (Fig-i).

Instituto da Conservação da Natureza


e das Florestas. 2019
-bravo -manso
Fig.1 Principais espécies da floresta portuguesa, segundo a área ocupada.

• Fragmentação da propriedade
■ Melhorar e implementar o ordenamento e gestão
florestal, que dificulta a organização
florestal, contrariando o abandono florestal.
e a gestão da floresta.
■ Promover o emparcelamento, através de incentivos
• Baixa rendibilidade, devido ao
e da simplificação jurídica e fiiscal.
ritmo lento de crescimento das
■ Promover o associativismo, a formação profissional
espécies mais características, como
e a investigação florestal.
o pinheiro-bravo.
■ Reduzir a vulnerabilidade a pragas e doenças.
• Elevado risco da atividade, pela
■ Melhorar a coordenação do combate a incêndios.
frequência de grandes incêndios.
• Despovoamento e envelhecimento ■ Melhorar a prevenção da ocorrência de incêndios
demográfico, que votam ao através de:

abandono muitas parcelas florestais. - limpeza de matos, povoamentos e desbastes;


- melhoria da rede viária e de linhas corta-fogo;
• Abandono de práticas de pastorícia
e de recolha do mato, que limpavam - otimização dos pontos de água;
o substrato arbustivo. - abertura de faixas de segurança.

130
As áreas rurais em mudança

Sustentabilidade ambiental das áreas rurais Agricultura convencional:


designação que atualmente se dá
O impacte ambiental da produção agrícola convencional é muito à chamada agricultura moderna
elevado e difuso, afetando negativamente a qualidade dos solos e - que utiliza intensivamente
dos recursos hídricos de extensas áreas. máquinas e agroquímicos.

As práticas agrícolas amigas do ambiente promovem a sustentabilidade da agricultura


como atividade económica mas também das áreas rurais, pois as atividades económicas que
nelas se desenvolvem têm a qualidade do ambiente como base de sustentação.

A proteção integrada consiste na avaliação ponderada de todos os métodos de proteção


das culturas e na integração de medidas adequadas para diminuir as populações de organismos
nocivos, utilizando os produtos fitofarmacêutícos e outros meios de intervenção de forma
Proteção
-> económica e ecologicamente justificável. Assim reduzem-se os riscos para a saúde humana e para
integrada
o ambiente, privilegiando o desenvolvimento de culturas saudáveis, com a menor perturbação
possível dos ecossistemas agrícolas e agroflorestais, e incentivando mecanismos naturais de luta
contra os inimigos das culturas.

Sistema agrícola de produção de


alimentos compatível com a gestão
racional dos recursos naturais
e privilegiando a utilização dos
Produção mecanismos de regulação natural
integrada em substituição de fitofármacos.
É elaborado um plano de exploração,
descrevendo o sistema agrícola e a
estratégia de produção para permitir
decisões fundamentadas.

Sistema global de gestão das

E sfataflcascta Indústria 2016. INE, 2018


Agricultura explorações agrícolas e de produção Outros
de alimentos que combina as melhores 22,3%
biológica
práticas ambientais, um elevado nível
ou de biodiversidade, a preservação dos
Modo de recursos naturais, a aplicação de normas
produção exigentes em matéria de bem-estar
biológico dos animais e método de produção em
sintonia com a preferência de certos
(MPB)
consumidores por produtos obtidos
utilizando substâncias e processos 1.4%

naturais (Fig. 2).


Fig. 2 Â rea de SAU e número de produtores em MPB,
em Portugal continental (A), e principais culturas em MPB,
em Portugal (B), em 2017.

VERIFICA SE SABES

Explicar como contribuem para o desenvolvimento e a sustentabilidade das áreas rurais:


a. a indústria transformadora; b. a produção de energias renováveis. AVALIAÇÃO

Indicar medidas de incentivo à instalação da indústria nas áreas rurais. Pp.134e135


GRUPO IV:
TEMA III Os espaços organizados pela populaçao: áreas rurais e urbanas

SÍNTESE

Os sistemas agrários em Portugal: contrastes


xk xk xk %k
■rB----------------- -i------------------------------- —----—- Í--—----------------------------- ----------------------------- ---------------------------- -*—-------------------- ------ --------------------------------------------------3,
■1

Regiões i
I ll
Litoral I
Interior I b
Norte 11
I

agrárias 1 Temperatura ; Maior amplitude Temperatura Mais quente e seco.


í EDM i
I
I mais amena, : térmica anual mais baixa e ; Planícies de
II r

1
TM i
I
precipitação (geada no precipitação mais solos férteis,
I

EL 1
abundante e inverno) e abundante a NO. e peneplanície
I

BI I
1 maior humidade. i precipitação fraca i Relevo mais alentejana, de solos
RO •
I
I I
Solos mais férteis. (risco de seca). Ü
acidentado. ll
mais pobres.
í ALE 1

Relevo de : Solos mais Maior densidade Propriedade de


!

í ALG I
i
i menor altitude e i pobres, populacional. i média e grande
I

i AÇO •

I
planícies aluviais. sobretudo nas Fragmentação da dimensão.
i
i I I I

MAD I
: montanhas. propriedade.
i *

I
I
I
I
I
I
I

Espaço rural Paisagens agrárias tradicionais


xk xk
' lr
I
I

Espaço rural I
I
1 Sistema intensivo geralmente associado a:
1

• Terras 1
- policultura de regadio; Norte
*

aráveis. I
i
1
1 - campos pequenos, irregulares e fechados; i i Litoral
Espaço agrário • Culturas

i
- povoamento disperso.
permanentes. I I I

Espaço agrícola • Pastagens > I

Sistema extensivo geralmente associado a: I


I
I
I

permanentes. I
I
I
I
I
I
I
- monocultura de sequeiro;
• Hortas
- campos grandes, regulares e abertos; I
I
I
I
SAU familiares. I
I
I
I
I
I
I

- povoamento concentrado.

Problemas estruturais que ainda afetam a agricultura portuguesa

J.BI--H-S ■■■■■■'■ -p■= ■= ra-s-av a-BK-a-a i. ■'


I I I
■ i

■ Áreas rurais ■ I População agrícola Explorações


I i I
i i

i • Des povoa mento. I! I


■ Envelhecida e com • Predomínio da pequena
I i i

i • Fraco dinamismo económico. !



li
I

I
I níveis de escolaridade dimensão.
1 i i

i • Reduzida área de solos com ■


i I
I
red u zi d o s, sobretu d o • Produtividade e rendimento
1 i i

boa aptidão agrícola. li I


nos mais idosos. agrícola baixos
i i
■ I
A h,

Política agrícola comum e a integração da agricultura portuguesa


xk xk
li I- I

1957 Tratado de Roma: objetivos da PAC. Apoios pelo PEDAP e PAMAF


!
1962 Pilares: unicidade de mercado, preferência I I
Dificuldades:
comunitária e solidariedade financeira. i • limites à produção (V reforma);
Modernização e aumento da produção: : • concretização do mercado único.
excedentes e problemas ambientais. : Progressos:
1992 Ia reforma - novos pilares: reequilíbrio da i • redução do número de explorações
I

I
oferta e da procura e preservação ambiental. I
e aumento da dimensão média;
1999 Muda o 2.° pilar: desenvolvimento rural • modernização das infraestruturas
1
sustentável. I e tecnologias;
2003 2.a reforma: orientação da produção para
: • apoio à formação profissional;
a procura e princípio da condicionalidade. I

i • maior produtividade e
2013 3? reforma: promoção da agricultura
competitividade.
sustentável e do desenvolvimento rural.
'+B ■ ■■■!■■■ ■ ■!■■■■■ ■ ■!■■■■■ ■ »■■■ ■ ■■■■■!■ ■ ■ »■■■■ ■ ■ »■■■ ■ ■■■■■■■ ■ ■■■■■!■■■ ■ ■!■■■■■ ■ ■!■■■!■ ■ ■■■■■■■ ■

132
As áreas rurais em mudança

Mellhorar a produtividade e o rendimento agrícola... -> ... aproveitando fundos europeus

................... ......................... .
• Redimensionar as explorações. Principais instrumentos de
■ Diversificar culturas e apostar na qualidade dos produtos. financiamento da PAC:
■ Melhorara organização cooperativa dos produtores. • FEAGA - apoia a atividade
agrícola e as tecnologias
• Apostar na internacionalização e nas exportações.
e estruturas agrícolas;
• Investir na inovação tecnológica e científica.
• FEADER-apoia
• Melhorar a formação dos agricultores.
projetos de promoção do
• Continuar a melhorar as infraestruturas.
desenvolvimento sustentável
das áreas rurais.

i y

i i
Novas oportunidades para as áreas ruraisi
i
i
i

Dinamização económica do espaço * de práticas agrícolas sustentáveis:


rural, através: r>! ■ da valorização dos recursos endógenos;
■ da diversificação de atividades lucrativas.

Atividades Contributo para o desenvolvimento das áreas rurais

I
I I
Proporcionam qualidade de vida. I
I • Aumentam as
Serviços I|->iI possibilidades
Apoiam outras atividades económicas. I
I
I

I I
da pluriatividade e
I
1

Turismo I I
i
I do plurirrendimento.
I

em espaço >->Í Aproveita diferentes potencialidades do espaço rural.


I
I
i • Elevam o
I
rural Promove a internacionalização das regiões. I
I
rendimento da
I
I
I
I
I
I
I
população agrícola.
I
I
I
■ Aumenta o consumo, devido à oferta de emprego.
I
I
I
I I
• Criam emprego
Dinamiza outras atividades económicas, a montante I

>
e riqueza para as
I I
(produção de matérias-primas} e a jusante (outras I
I
I
I
I
I

I
áreas rurais.
I I indústrias, serviços e comércio). I
I
Indústria
I I
I I I
• Contribuem para
\ .. ..... ......................................................................... --................. -----......................... -......................................... I
I
I
a fixação da
■ ■ Aproveita os recursos endógenos naturais: I população e para
Produção I I I
I
I
biomassa, vento, insolação e recursos hídricos. a sustentabilidade
de energia I I I
I
i
* Ajuda a concretizar as metas da política energética. I
das áreas rurais.
IJ ..... .... -.... - - ..... -.... - ------ -------- ------
I

I I
I
I I • Aproveitam
I I
I
I
I
I
I
■ Potência a função social, económica e ambiental I
I
I
os recursos
I
I
I
i
I
I
da floresta. I
endógenos e a
I I I
I ■ I

I i Principais problemas: baixa rendibilidade, multifuncionalidade,


I I I
i
I
I
I
I
I
I
I
■ fragmentação, elevado risco de incêndio,
I
do espaço rural.
I

Silvicultura despovoamento e abandono de práticas tradicionais I


I • Têm efeitos
I I
I


' de limpeza da floresta. I


I
multiplicadores,
I I I
I I
I
I
I
I
I
■ Possíveis soluções: promover o ordenamento, I
ajudando a
I
1
I
I
I
i
I
I
a limpeza e o associativismo, melhorara prevenção desenvolver
I I I
I ■

e os sistemas de combate aos incêndios.


I
1 outras atividades
I i
I I I
I
I
1
económicas.

’ Proteção integrada, produção integrada e I


I
1

agricultura biológica, para preservar qualidade I

Agricultura ; dos solos e da água e a biodiversidade.


I
sustentável: ■ A ~ . I

- Agricultura de precisão, para produzir mais, I