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SEQUÊNCIA CLÍNICA E

LABORATORIAL DE UMA
PRÓTESE FIXA
METALOCERÂMICA DE
TRÊS ELEMENTOS
Letícia Resende Davi
Karla Zancopé
Luís Henrique Araújo Raposo
Paulo Cézar Simamoto Júnior
Veridiana Resende Novais
Marlete Ribeiro da Silva
Célio Jesus do Prado
Márcio Teixeira
Adérito Soares da Mota
Alfredo Júlio Fernandes Neto
Flávio Domingues das Neves

INTRODUÇÃO
A Odontologia contemporânea oferece várias opções de tratamento reabilitador nos casos
de ausência de um elemento dentário. O avanço tecnológico possibilitou a diversificação de
materiais, técnicas e equipamentos, bem como a instalação de implantes osseointegrados,
que permitem ao profissional restaurar as estruturas perdidas, aproximando o procedimento
reabilitador ao máximo do dente natural, por meio do biomimetismo.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 9


O desafio a ser enfrentado é realizar um tratamento que devolva a estética, a
fonética e a função sem o comprometimento dos dentes pilares, mas que tenha
indicação correta, como a espessura e a altura óssea no caso dos implantes os-
seointegrados, a quantidade de esmalte e dentes bem posicionados no caso das
próteses adesivas, dentes pilares com coroas clínicas parcialmente destruídas no
caso das próteses fixas convencionais e o custo acessível no caso das próteses par-
ciais removíveis.

No entanto, as vantagens e desvantagens de cada tratamento devem ser apresentadas ao


paciente frente a essas opções, para que ele faça a escolha e assuma os riscos inerentes de
cada tipo de prótese.

A perda de um órgão dentário ou mesmo a sua agenesia compromete a autoestima e a


qualidade de vida do paciente. Esta ausência pode ser solucionada com a utilização de
próteses parciais do tipo removível ou fixa, devolvendo a estética, a fonética e a função ao
aparelho estomatognático.

A prótese parcial removível (PPR) é um aparelho protético que possui grampos,


apoios e infraestrutura metálica para o suporte dos dentes artificiais, o que pode
causar desconforto ao paciente e sobrecarga aos dentes pilares.1

Já, com a prótese parcial fixa, três alternativas estão disponíveis para a escolha do paciente:
prótese sobre implante, prótese adesiva ou prótese fixa de três elementos.

O implante osseointegrado unitário deve ser a primeira escolha quando os dentes


contíguos são hígidos e o planejamento cirúrgico propicia a sua instalação,2-4 pois,
além de ser um procedimento que exige baixo ou nenhum custo biológico às es-
truturas dentais adjacentes, essa opção permite custos financeiros equiparáveis aos
das próteses fixas convencionais.5

O paciente deve ter estrutura óssea com espessura e altura suficientes, situações essas que
podem ser melhoradas com atos cirúrgicos reconstrutivos, como os enxertos ósseos. En-
tretanto, tais procedimentos envolvem maior tempo de tratamento, custo mais elevado e
morbidade ao paciente.

A prótese adesiva é uma opção mais conservadora pelo pequeno desgaste em espessura de
esmalte comparada à prótese parcial fixa de três elementos, sendo benéfica ao periodonto e
ao complexo dentinopulpar.6 No entanto, é mais limitada em suas indicações, necessitando
de área suficiente de esmalte para a retenção da infraestrutura, dentes bem posicionados e
oclusão favorável.7

10 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A prótese fixa convencional de três elementos figura como boa alternativa para a
reposição de dentes ausentes e está consagrada na literatura científica, com altos
índices de sucesso.8,9

Essa opção, no entanto, possui desvantagens, como o desgaste das estruturas dentárias,
que deve ser levado em consideração quando os dentes são hígidos e bem posicionados; a
inerente dificuldade de higienização na área de pôntico, quando comparada aos implantes
unitários; o processo de fixação em dentes vitalizados, que agride o tecido pulpar e a pos-
sibilidade de recidiva de cárie em virtude da solubilidade da maioria dos cimentos odon-
tológicos em meio bucal.

A prótese parcial fixa metalocerâmica é composta por infraestrutura metálica que


se adapta sobre o preparo do dente e de cerâmica de cobertura aplicada sobre a
infraestrutura.

Esse tipo de prótese apresenta índices de sucesso que variam de 72 a 87% após 10 anos,
69 a 74% de sucesso após 15 anos e, aproximadamente, 53% de sucesso após 30 anos.10,11
Isso se deve à elevada resistência da infraestrutura metálica e à boa estética conferida pelo
recobrimento em cerâmica, cuja estrutura vítrea não sofre alteração de cor no decorrer do
tempo.

Além disso, a interação constante entre o cirurgião-dentista e o técnico em prótese dentária,


em cada etapa, é essencial e deve buscar a excelência nos procedimentos para se obter
sucesso e longevidade com o tratamento envolvendo a prótese fixa.

Esse tratamento pode ser uma opção viável para a reabilitação de pacientes com
ausência dentária unitária e que possuem qualquer impedimento cirúrgico para a
instalação de implante osseointegrado.

Os procedimentos anteriores ao preparo propriamente dito [anamnese, exame clínico ex-


traoral, exame clínico intraoral, radiografias e exame dos modelos montados em articulador
semiajustável (ASA)] são de suma importância para o planejamento do caso. Além disso,
cada etapa clínica e laboratorial contempla a possibilidade de erros que devem ser corrigidos
para se passar à etapa seguinte da confecção de uma prótese fixa.

A relação de materiais e instrumentais necessários, a avaliação clínica e o passo a passo


completo para a realização de cada etapa clínica estão descritos no checklist. Portanto, a
sequência clínica e laboratorial para a confecção de uma prótese fixa metalocerâmica de três
elementos anteriores será completamente descrita a seguir.

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OBJETIVOS
Ao final da leitura deste artigo, o leitor será capaz de:
§ identificar a sequência das etapas clínicas e laboratoriais para a confecção de uma
prótese parcial fixa metalocerâmica de três elementos;
§ planejar e realizar uma prótese parcial fixa metalocerâmica de três elementos;
§ reconhecer a importância de cada etapa clínica e laboratorial da realização da prótese
parcial fixa metalocerâmica de três elementos.

ESQUEMA CONCEITUAL
Anamnese, exame clínico extraoral, exame clínico intraoral e exame radiográfico

Moldagem de estudo, registro com arco facial e registro intermaxilar


para a montagem em articulador semiajustável

Caso clínico

1ª etapa clínica – Preparos nos dentes pilares e confecção Métodos para se confeccionar
do provisório de três elementos a restauração provisória

2ª etapa clínica – Moldagem de trabalho e registros para a montagem


em articulador semiajustável

1ª etapa laboratorial – Obtenção dos modelos de trabalho, montagem em Inclusão e fundição dos
articulador semiajustável, enceramento, recorte de troquel e selamento de bordo retentores separadamente

3ª etapa clínica – Ajustes dos retentores metálicos e remoção para soldagem

2ª etapa laboratorial – Inclusão e soldagem da infraestrutura metálica

4ª etapa clínica – Ajuste da infraestrutura metálica soldada, registro


intermaxilar, moldagem de transferência (remontagem) e seleção da cor

3ª etapa laboratorial – Obtenção do modelo de trabalho para a remontagem em


articulador semiajustável, preparo do metal e aplicação de cerâmica de cobertura

5ª etapa clínica – Ajuste da cerâmica

4ª etapa laboratorial – Pigmentação extrínseca, glazeamento e polimento

6ª etapa clínica – Cimentação provisória

7ª etapa clínica – Cimentação definitiva

8ª etapa clínica – Manutenção

Checklist para a realização de uma prótese fixa


metalocerâmica de três elementos

Conclusão

12 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ANAMNESE, EXAME CLÍNICO EXTRAORAL, EXAME
CLÍNICO INTRAORAL E EXAME RADIOGRÁFICO

Para a realização do correto planejamento, é necessário entender e analisar o con-


texto das necessidades do paciente. Uma anamnese completa deve ser conduzida
para obter todas as informações necessárias.

A anamnese deve ser realizada a partir da primeira consulta e não somente durante o pri-
meiro atendimento. Todas as informações devem ser atualizadas a cada sessão clínica, o que
pode determinar alterações em um planejamento já delineado.

Em uma anamnese completa, devem ser coletadas as informações sobre a saúde


geral do paciente. A existência de doenças sistêmicas pode determinar os cuidados
especiais durante o tratamento, como, por exemplo, diabetes ou hipertensão.

Os hábitos parafuncionais também devem ser considerados importantes fatores que podem
interferir no tratamento com prótese fixa. A dieta do paciente pode determinar alterações
na cavidade bucal, sendo que a ingestão frequente de alimentos ácidos pode promover a
perda de substância dentária.

Durante o exame clínico extraoral, deve-se analisar o perfil facial do paciente, a fim de de-
terminar as alterações na dimensão vertical de oclusão (DVO), a simetria facial, a hipertoni-
cidade dos músculos da face e o suporte de lábio.

Durante a anamnese, devem ser observadas a estética, a linha labial e a fonética do


paciente ao responder às perguntas, assim como a postura do paciente. Todas es-
sas características podem indicar alterações importantes e que poderão influenciar
diretamente nas propostas de tratamento.

A articulação temporomandibular (ATM) deve receber atenção especial durante o exame


clínico. Devem-se analisar a presença de estalidos – clicks e dor, a amplitude de abertura bu-
cal (normal ou limitada) e os desvios durante o movimento de abertura bucal. Em seguida,
deve-se realizar a palpação muscular para o diagnóstico dos distúrbios temporomandibula-
res (DTMs) de origem muscular.

A palpação é realizada sob pressão firme nos músculos dos dois lados da face, sendo exer­
cida simultaneamente com as pontas dos dedos para avaliar, além da dor, a tonicidade
muscular, os trigger points e o edema. Todo e qualquer sinal ou sintoma deve ser anotado
na ficha clínica do paciente.

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Depois da análise extraoral, inicia-se o estudo das condições intraorais do paciente. Nessa
etapa, os dentes, os tecidos moles, os tecidos de suporte e a oclusão devem ser criteriosa-
mente analisados. O exame clínico intraoral deve iniciar-se pela avaliação da mucosa, da
língua, do assoalho bucal e dos demais tecidos, que devem ser palpados e inspecionados à
procura de lesões benignas ou neoplásicas.12

Na grande maioria das vezes, o cirurgião-dentista consegue identificar as lesões im-


portantes na cavidade bucal, encaminhando o paciente para o tratamento médico,
quando necessário.

O próximo passo é analisar os dentes, o periodonto e a área edêntula que receberão o pôn-
tico. A oclusão desempenha papel importante nessa avaliação, sendo que qualquer distúr-
bio oclusal impedirá o fechamento fisiológico da mandíbula em oclusão em relação cêntrica
(ORC).13 Nesse momento, também é importante analisar a higiene bucal, como também
esclarecer a sua importância para a longevidade do tratamento.

Para complementar, o registro fotográfico é importante para visualizar as caracterizações e


cores dos elementos dentários e para auxiliar o técnico em prótese dentária na aplicação da
cerâmica, no intuito de mimetizar as estruturas naturais dos dentes.

Além disso, deve-se realizar o exame radiográfico para identificar a área de su-
perfície do suporte ósseo, a condição das raízes dentárias, a presença de lesões
periapicais, o tratamento endodôntico satisfatório, a presença de raízes residuais e
corpos estranhos, entre outros exames.

As radiografias panorâmicas são muito úteis, por fornecer uma visão geral da condição do
paciente. Em reabilitações extensas, essas radiografias tornam-se indispensáveis.

Entretanto, as radiografias periapicais e interproximais também devem ser realizadas para


que possam ser visualizados os detalhes pertinentes a cada região de interesse. Essa técnica
deve ser realizada mantendo o paralelismo, com o auxílio de posicionadores de filmes ra-
diográficos, a fim de evitar distorções que possam comprometer a realização do tratamento.

14 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ATIVIDADE

1. Na grande maioria das vezes, o cirurgião-dentista:


A) não consegue identificar as lesões importantes na cavidade bucal.
B) consegue identificar lesões importantes na cavidade bucal.
C) descarta lesões importantes na cavidade bucal.
D) não procura por lesões importantes na cavidade bucal.
Resposta no final do artigo

2. O que deve ser verificado em uma anamnese completa?


A) A saúde geral do paciente, a existência de doenças sistêmicas e o perfil facial do
paciente.
B) A existência de doenças sistêmicas, o perfil facial do paciente e os hábitos parafun-
cionais.
C) Os hábitos parafuncionais, a saúde geral do paciente e o perfil facial do paciente.
D) A saúde geral do paciente, a existência de doenças sistêmicas e os hábitos parafun-
cionais.
Resposta no final do artigo

3. Na avaliação do paciente, as radiografias _________ fornecem uma visão geral da con-


dição do paciente. Qual alternativa a seguir preenche corretamente a lacuna?
A) Panorâmicas.
B) Periapicais.
C) Interproximais.
D) Oclusais.
Resposta no final do artigo

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MOLDAGEM DE ESTUDO, REGISTRO COM ARCO FACIAL
E REGISTRO INTERMAXILAR PARA A MONTAGEM EM
ARTICULADOR SEMIAJUSTÁVEL

Para que o caso seja planejado adequadamente e, inclusive, mostrado ao paciente,


sugere-se a montagem de modelos de estudo em ASA.

Se, durante o exame clínico, forem detectados sinais e sintomas de oclusão traumática,
alterações periodontais e/ou endodônticas que devam ser corrigidas, isso deve ser feito
previamente ao tratamento protético escolhido pelo paciente.

Essa montagem poderá ser utilizada para a confecção prévia de um esboço de


provisório, se a opção for por uma prótese fixa, ou um guia radiológico/cirúrgico,
se a opção for por uma prótese implantada.

Nessa etapa, é planejada a reabilitação de pacientes com ausência dentária. As indicações


de prótese fixa ou removível e as vantagens e desvantagens de cada tratamento são esclare-
cidas para que o paciente faça a escolha.

No decorrer das próximas etapas clínicas e laboratoriais, será apresentado um caso clínico.

16 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


CASO CLÍNICO 1

Paciente de 28 anos, sexo masculino, apresentava insatisfação estética em virtude da


ausência do dente 11 e da giroversão do dente 12 (Figuras 1A-B).

A B

Figura 1 – Aspecto clínico inicial do paciente com o dente 12 girovertido para mesial e ausência do
dente 11: A) vista frontal; B) vista incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O paciente usava a PPR provisória feita em outro serviço (Figuras 2A-B), e que fraturou
após a primeira consulta.

A B

Figura 2 – PPR provisória usada para substituir o dente 11 ausente: A) vista frontal; B) vista incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Com o objetivo de oferecer mais conforto ao paciente, foi confeccionada uma prótese
fixa adesiva direta, com dente de estoque em resina acrílica e fixação com resina com-
posta, de caráter temporário e de urgência (Figuras 3A-B).

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A B

Figura 3 – Devido à fratura da PPR provisória e no intuito de proporcionar mais conforto ao paciente,
foi confeccionada uma prótese fixa adesiva direta, com dente de estoque e resina composta: A) vista
frontal; B) vista incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O referido paciente optou pela realização de uma prótese fixa metalocerâmica de três
elementos.

Ressalta-se que a escolha pelo paciente por este tipo de tratamento baseou-se no
custo (já que ainda necessitaria de Ortodontia e enxerto ósseo), no tempo para obter
uma prótese fixa, no seu receio quanto à cirurgia de enxerto ósseo necessária, dada a
falta de espessura para a instalação de implante e a necessidade de Ortodontia para
adequar o espaço protético mesiodistal.

A prótese parcial fixa metalocerâmica de três elementos, incluindo as etapas clínicas e


laboratoriais, será apresentada a seguir.

No Quadro 1, são apresentadas as etapas clínica e laboratorial da prótese parcial fixa meta­
lo­cerâmica de três elementos.

18 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Quadro 1
SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL – PRÓTESE PARCIAL FIXA METALOCERÂMICA
DE TRÊS ELEMENTOS

Etapas clínicas Etapas laboratoriais

1ª – Preparos nos dentes pilares


e confecção de provisório de três
elementos
2ª – Moldagem de trabalho e registros → 1ª – Obtenção dos
para a montagem em ASA modelos de trabalho e
montagem em ASA,
enceramento, recorte
de troquel e selamento
de bordo, inclusão e
fundição dos
3ª – Ajustes dos retentores metálicos e ← retentores separadamente
remoção para a soldagem → 2ª – Inclusão e
soldagem da
infraestrutura
4ª – Ajuste da infraestrutura metálica ← metálica
soldada, registro intermaxilar,
moldagem de transferência e seleção → 3ª – Obtenção de modelo
da cor de trabalho para remontagem
em ASA, preparo do metal
5ª – Ajuste da cerâmica ← e aplicação de cerâmica
→ 4ª – Pigmentação extrínseca,
6ª – Cimentação provisória ← glazeamento e polimento
7ª – Cimentação definitiva
8ª – Manutenção

1ª ETAPA CLÍNICA – PREPAROS NOS DENTES PILARES E


CONFECÇÃO DO PROVISÓRIO DE TRÊS ELEMENTOS
Após a análise e o planejamento com o auxílio dos modelos de estudo, parte-se para os
preparos dos dentes pilares, que servirão de alicerce para a futura prótese fixa. É interessante
e proveitoso, antes de iniciar os preparos, anotar a cor dos dentes que serão desgastados.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 19


O preparo dos dentes pilares é um passo extremamente decisivo para a confecção
da prótese fixa satisfatória, visto que, neste momento, define-se a espessura do
material restaurador, a inclinação das paredes, a forma e o nível do término da
restauração, entre outras características.

Em dentes com destruições parciais ou totais das coroas, faz-se necessária a confecção
de núcleo de preenchimento ou instalação de retentor intrarradicular, podendo o retentor
ser pré-fabricado reforçado por fibras ou personalizado, moldado e fundido em liga me-
tálica.14,15

Não é o objetivo do presente artigo discutir a respeito dos retentores intrarradicu-


lares mencionados para que o leitor se atenha à sequência clínica e laboratorial ne-
cessária para a confecção de uma prótese fixa metalocerâmica de três elementos.

O preparo dos dentes pilares de prótese fixa deve respeitar os princípios mecânicos de re-
tenção, estabilidade, rigidez e adaptação marginal; os princípios biológicos de preserva-
ção da vitalidade do órgão pulpar e saúde periodontal; além de princípios relacionados à
­estética.6,12,16,17

A retenção mecânica da prótese vai depender, basicamente, da angulação em que as pare-


des axiais serão preparadas (Figuras 4A-B).

A B

Figura 4 – Preparo para a coroa total metalocerâmica no dente 21: A) metade mesial, desgaste distal com
separação do dente contíguo de 1mm na cervical e sulco de orientação na vestibular; B) vista lingual da
metade mesial preparada.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

20 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Quanto menos inclinadas e convergentes para incisal forem as paredes axiais,
maior será a retenção friccional propiciada pelo preparo; entretanto, as paredes
paralelas podem dificultar a inserção da prótese.

Dessa forma, as paredes axiais devem ser preparadas convergindo para oclusal, com ângulo
de 2 a 5º no terço cervical (primeira inclinação) e 5 a 10º no terço incisal (segunda inclinação)
(Figuras 5A-B).18

A B

Figura 5 – Preparo finalizado para a coroa total metalocerâmica no dente 21: A) vista frontal; B) vista incisal,
com término cervical subgengival contínuo e definido.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Contudo, somente a retenção friccional não é suficiente para manter a prótese em posição.
A ação conjunta do agente de fixação, desde que corretamente selecionado e manipulado,
proporcionará retenção adequada para a prótese fixa.

Nos casos nos quais a coroa clínica do dente é considerada curta (menor do que
3mm de remanescente dentário após o preparo), deve-se realizar a confecção de
canaletas que ajudem na retenção mecânica da restauração, juntamente com as
paredes axiais com inclinação de 2 a 5º.

A espessura necessária para o material restaurador sempre deve ser respeitada, a fim de pro-
mover restaurações suficientemente resistentes e estéticas. Em alguns casos, o tratamento
endodôntico prévio pode ser necessário em dentes demasiadamente girovertidos, para que
a sua posição possa ser corrigida durante o preparo.

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Considerando o preparo de pilares para receber uma prótese fixa de três elemen-
tos, é necessário verificar se os preparos possuem direção única de inserção. Nessa
fase de preparo, é possível modificar a inclinação dos dentes pilares para favorecer
a estética.

Caso haja alguma dúvida quanto aos preparos, deve-se realizar uma moldagem de estudo,
para que o modelo seja analisado, verificando a presença de áreas retentivas que devem ser
corrigidas no preparo, tão logo sejam identificadas.

O término do preparo deve ser contínuo, nítido e bem definido. O tipo de término
indicado para as coroas totais metalocerâmicas é o término em chanfrado, para
adequada adaptação do metal, o que leva a uma menor linha de cimentação e
ainda facilita o escoamento do excesso de cimento.12

Quando necessário, o ângulo cavossuperficial do término pode ser posicionado em nível


subgengival, respeitando as distâncias biológicas, o que representa condição importante
para a manutenção da saúde periodontal. Do ponto de vista periodontal, o ideal seria que os
términos dos preparos fossem supragengivais, ou seja, que o término da restauração ficasse
afastado do tecido gengival.

Contudo, por motivos principalmente estéticos, a localização do término do preparo deve


ser de 0,5 a 0,7mm subgengival. Até essa profundidade não há danos ao periodonto, desde
que a adaptação, o contorno, a forma e o polimento do provisório e da restauração definitiva
estejam adequados, e que o paciente seja instruído para realizar a limpeza eficaz dessa área.

Se o preparo executado em nível subgengival violar as distâncias biológicas, cer-


tamente ocorrerá alteração gengival, que poderá evoluir para a perda de inserção
óssea.19

A técnica de preparo que será sugerida e demonstrada para o dente 21 no presente artigo
é a técnica da silhueta modificada,19 o que apenas otimiza o resultado final e agiliza o pro-
cesso de desgaste dentário a partir de pequenas alterações nos passos clínicos da técnica da
silhueta, realizada em grande parte das Faculdades de Odontologia do país.

É importante salientar que respeitar os princípios de confecção dos preparos e o resultado


final a ser alcançado é mais importante do que a técnica escolhida. O dente 12 estava giro-
vertido, por isso não pôde ser preparado por nenhuma dessas técnicas. A sugestão foi des-
gastar os volumes maiores e, a partir desse momento, seguir com o preparo convencional.

22 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Obviamente, houve um desgaste maior do que o exigido pelo material restaurador com
objetivo de restabelecer a correta forma na prótese, e, nestes casos, corre-se o risco de
exposição pulpar e o paciente deve ser advertido do risco de necessitar de tratamento en-
dodôntico. No caso apresentado, não houve problemas (Figuras 6A-14B).

A B

Figura 6 – Preparo para coroa total metalocerâmica no dente 12: A) proteção do dente contíguo com a
porta matriz e matriz de aço de 7mm. Ponta cônica paralela à direção de inserção pretendida para a coroa.
O desgaste mesial foi mínimo em virtude da giroversão dentária; B) desgaste distal com a ponta diamantada
cônica nº 3203 ou 2200 para a separação do dente contíguo de 1mm na cervical e eliminação da convexidade
da área proximal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 7 – Vista incisal da separação cervical do dente


12 com o dente contíguo. O desalinhamento no arco
é observado com o traço de lápis preto na incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 8 – Sulco marginal cervical da face vestibu-


lar do dente 12 com a ponta diamantada esférica
nº 1014.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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Figura 9 – Desgaste da face incisal do dente 12 com
a ponta diamantada nº 3216, seguindo a inclinação
da face incisal para o palatino.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 10 – Desgaste da face vestibular (metade mesial) com a ponta


diamantada nº 3216 seguindo as inclinações das faces: A) 1ª inclina-
ção; B) 2ª inclinação; C) terço cervical da face lingual do dente 12.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 11 – Desgaste da concavidade palatina do


dente 12 com a ponta diamantada nº 3118 ou 3168.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

24 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Figura 12 – Vista incisal do preparo da metade me-
sial do dente 12.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 13 – Vista frontal do preparo da face vestibu-


lar do dente 12 – terço médio e cervical.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 14 – Preparo finalizado para a coroa total metalocerâmica no dente 12: A) vista frontal após o preparo
do término subgengival com a ponta diamantada nº 3216, acabamento do preparo com a ponta diamantada
nº 3145FF e 3216 em baixa rotação e do término com a ponta diamantada nº 3122F; B) vista incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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ATIVIDADE

4. Com relação aos princípios que devem ser observados ao se realizar os preparos dentá-
rios para as coroas totais, no caso de coroas clínicas curtas, devem ser realizados alguns
procedimentos para otimizar a retenção friccional. São eles:
A) Diminuir a quantidade de desgaste e a confecção de caixas retentivas.
B) Planejar a superfície oclusal em metal e aumentar a quantidade de desgaste.
C) Preparar as paredes axiais com convergência de 2 a 5º e inclusão de canaletas de
retenção adicional.
D) Eliminar as interferências oclusais e realizar o tratamento endodôntico.
Resposta no final do artigo

5. O tipo de término cervical indicado para metalocerâmica e a extensão subgengival do


preparo em áreas estéticas deve ser, respectivamente:
A) chanfrado; 1,0mm.
B) ombro reto; 0,5mm.
C) chanferete; 1,0 a 1,5mm.
D) chanfrado; 0,5mm.
Resposta no final do artigo

6. Após a realização de um preparo para a coroa total e a confecção de provisório, o


paciente retorna na sessão seguinte com queixa de hipersensibilidade dentinária e/ou
pulpar. Qual das alternativas a seguir pode explicar tal ocorrência?
A) Adaptação da coroa provisória comprometida.
B) Quantidade excessiva de desgaste do preparo.
C) Presença de interferência oclusal na coroa provisória.
D) Todas as alternativas anteriores.
Resposta no final do artigo

7. Do ponto de vista periodontal, o ideal seria que os términos dos preparos fossem:
A) infragengivais.
B) supragengivais.
C) intragengival.
D) colados ao tecido gengival.
Resposta no final do artigo

26 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


8. Considerando o preparo de pilares para receber uma prótese fixa de três elementos, é
necessário verificar se:
A) os preparos não possuem inclinação dos dentes pilares.
B) os preparos possuem variadas direções de inserção.
C) os preparos possuem direção única de inserção.
D) os preparos possuem, preferencialmente, áreas retentivas.
Resposta no final do artigo

MÉTODOS PARA SE CONFECCIONAR A RESTAURAÇÃO PROVISÓRIA


Existem vários métodos para se confeccionar a restauração provisória, e entre eles podem
ser citados:6,12,16,17
§ as técnicas diretas – molde de alginato ou de silicone a partir do dente a ser prepara-
do, faceta estética com dentes de estoque e técnica da resina esculpida;
§ as técnicas indiretas – provisório prensado e matriz de acetato.

Em caso de dentes vitalizados, deve-se utilizar um produto selador, como o verniz cavitário
ou um adesivo autocondicionante antes da confecção do provisório (Figura 15).

Figura 15 – Aplicação de verniz cavitário para a pro-


teção dos dentes vitalizados.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A coroa provisória tem como funções: proteger a dentina e a polpa de agentes


nocivos ou irritantes, restabelecer a estética e a função mastigatória e preservar a
relação do elemento dentário com o tecido gengival e os dentes vizinhos/antago-
nista.

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O uso da restauração provisória permite o teste clínico em relação à integridade biológica,
estética e funcional, em especial nos casos de modificação da posição dentária e do con-
torno restaurador.20 As técnicas mais utilizadas estão descritas no checklist.

Independentemente da técnica, a coroa provisória deve ter uma adaptação marginal satis-
fatória para vedar o preparo, evitando cáries e hipersensibilidade dentinária (Figuras 16 a 21).

Figura 16 – Isolamento dos dentes preparados para


a confecção das coroas provisórias em resina acrílica
ativada quimicamente (RAAQ).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 17 – A) Acabamento das coroas provisórias dos dentes 12 e 21 com broca maxicut de Tungstênio PM.
B) Preservação do término cervical.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

28 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

Figura 18 – Reembasamento das coroas provisórias. A) Acréscimo de RAAQ no término cervical do dente
preparado. B) Posicionamento da coroa provisória. C) Acréscimo de RAAQ no terço cervical das coroas provi-
sórias do dente 21. D) O mesmo para o dente 12.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 19 – A) Delimitação do término cervical com lápis preto. B) Acabamento inicial da coroa provisória
com ponta diamantada nº 82.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 29


A B

C D

E F

Figura 20 – A) Confecção do pôntico provisório. B) Adaptação de cera utilidade na palatina das coroas pro-
visórias. C) Vista incisal do posicionamento do pôntico provisório na cera utilidade. D) Vista frontal do pôntico
em posição. E) União do pôntico com os provisórios dos dentes 12 e 21. F) Conferência dos contatos em
protrusão para o correto alinhamento do pôntico.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

30 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Figura 21 – Acréscimo de RAAQ na cervical do pôn-
tico. Manter o arco côncavo gengival semelhante
aos outros elementos dentais.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A oclusão deve estar ajustada, impedindo a extrusão dos elementos antagonistas ou até
mesmo a movimentação do dente preparado (Figuras 22A-26).

A B

Figura 22 – A) Acabamento da prótese provisória para manter o espaço para a higienização favorável.
B) Notar que o fio dental toca toda a extensão do pôntico, possibilitando sua futura higienização.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 23 – Verificar os contatos proximais com o fio dental: A) na distal do dente 12; B) na distal do dente 21.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 31


A B

Figura 24 – Verificar o espaço para a higienização na área do pôntico: A) com a prótese provisória em posi-
ção; B) com redução da largura vestibulolingual para facilitar a higiene.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 25 – A) Análise dos contatos durante o movimento de protusão, com fita carbono Accufilm. B) Remo­
ção dos excessos com ponta diamantada nº 82.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 26 – Avaliação dos contatos incisais em pro-


trusão.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

32 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Depois dos ajustes estéticos e da região subgengival (Figuras 27A-39), o provisório deve ser
polido com critério, para que a superfície esteja lisa, evitando o acúmulo de placa e a pig-
mentação extrínseca (Figuras 30A-32).

A B

Figura 27 – A) Ajuste estético da prótese provisória na região cervical. A emergência subgengival deve ser
reta, evitando comprimir o tecido gengival. B) Ajuste estético da prótese provisória na região vestibular, em
que áreas planas e curvas dos dentes artificiais devem imitar os respectivos dentes naturais.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 28 – A) Acabamento da região interproximal com disco diamantado dupla face. B) Acabamento na
região incisal com ponta diamantada nº 82.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 29 – Demarcação do limite da margem gen-


gival com grafite preto para a observação da exten-
são subgengival.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 33


A B

C D

Figura 30 – A) Início do polimento e não polimento inicial para A e B. B) Polimento inicial da prótese pro­
vi­­só­ria com pedra montada de carborundum. C) Polimento da prótese provisória com borracha abrasiva.
D) Obtenção de superfície lisa da prótese provisória e com alto brilho após a finalização do polimento.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 31 – A) Aspecto final da prótese provisória com área de higienização na palatina. B) Adequada fun-
ção, fonética e estética após a cimentação.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

34 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Figura 32 – Sorriso harmônico do paciente com a
prótese provisória.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em alguns casos, o provisório pode atuar como agente condicionante do tecido


gengival, e o perfil de emergência na área de pôntico pode ser manipulado com o
acréscimo ou desgaste do provisório, de acordo com a necessidade do paciente.

Quando o acréscimo no provisório provocar isquemia no tecido na região do pôntico, deve-


se aguardar 10 minutos para verificar se ainda há pressão no tecido, e, caso positivo, é
preciso desgastar a resina e fazer o teste novamente. O paciente não pode ser dispensado
se a mucosa gengival não estiver com a coloração normal.

Para a próxima etapa clínica de moldagem de trabalho pela técnica do casquete individual, é
necessário fazer o molde dos dentes preparados para a confecção dos casquetes no modelo
de gesso (Figuras 33 e 34A-F). Obviamente, esse passo é desnecessário caso se opte pelo uso
do fio retrator como técnica de afastamento gengival.

Figura 33 – Modelo em gesso dos dentes pilares


preparados para a confecção de casquetes indivi-
duais.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 35


A B

C D

E F

Figura 34 – A) Delimitação dos términos cervicais com grafite preto. B) Colocação de cera rosa nº 7 para o
alívio interno dos casquetes. C) Isolamento do modelo em gesso com um pincel. D) Confecção dos casquetes
em RAAQ. E) Casquetes individuais finalizados. Notar numeração correspondente ao dente, a marca “V”
indicando a vestibular e a retenção voltada para incisal. F) Vista do alívio interno dos casquetes.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Apesar de mais rápida e prática, a moldagem com o fio traz o risco de lesão ao periodonto,
por isso a preferência pela técnica do casquete; entretanto, estes autores reconhecem que o
adequado conhecimento técnico pode levar a excelentes moldagens com o fio retrator, sem
maiores danos ao periodonto.

Após o acabamento e o polimento do provisório, a sua cimentação deve ser reali-


zada com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido de zinco e euge-
nol ou óxido de zinco sem eugenol.20

36 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


O paciente recebe, então, as orientações para a higienização correta com o uso do fio dental,
associado com passa fio, e a frequência de escovação para obter o sucesso do tratamento.

ATIVIDADE

9. Duas técnicas de afastamento gengival podem ser utilizadas na moldagem de coroas


totais. São elas: casquete individual de resina acrílica e fio retrator. No entanto, a mol-
dagem com fio retrator deve ser evitada em qual condição?
A) Ausência de, no mínimo, 2mm de gengiva inserida.
B) Dentes com perda óssea.
C) Pacientes com alterações cardíacas.
D) Dentes que apresentam frêmito.
Resposta no final do artigo

10. Após o acabamento e o polimento do provisório, a sua cimentação deve ser realizada
com cimento provisório à base de:
A) hidróxido de cálcio.
B) óxido de cálcio.
C) óxido de cálcio e eugenol.
D) hidróxido de zinco.
Resposta no final do artigo

11. Depois dos ajustes estéticos e da região subgengival, o provisório deve ser:
A) pigmentado.
B) cimentado.
C) polido.
D) marcado com fita de carbono.
Resposta no final do artigo

12. Qual a função da coroa provisória?


A) Proteger a dentina e a polpa de agentes nocivos ou irritantes.
B) Preservar a estética.
C) Preservar a relação do elemento dentário apenas com o tecido.
D) Preservar a estética com os dentes vizinhos.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 37


13. Quais são as técnicas diretas para se confeccionar a restauração provisória?
A) Molde de alginato ou de silicone a partir do dente a ser preparado, provisório pren-
sado e matriz de acetato.
B) Faceta estética com dentes de estoque, técnica da resina esculpida e molde de algi-
nato ou de silicone a partir do dente a ser preparado.
C) Provisório prensado, matriz de acetato e faceta estética com dentes de estoque.
D) Técnica da resina esculpida, provisório prensado e matriz de acetato.
Resposta no final do artigo

2ª ETAPA CLÍNICA – MOLDAGEM DE TRABALHO E


REGISTROS PARA A MONTAGEM EM ARTICULADOR
SEMIAJUSTÁVEL
Após a realização dos preparos e a confecção das coroas provisórias, é necessária a realiza-
ção de novo procedimento de moldagem, para que os preparos sejam copiados e o modelo
de trabalho obtido, possibilitando a confecção da restauração indireta pelo técnico em pró-
tese dentária.

Vários são os materiais de moldagem disponíveis para a realização desse procedimen­


to, que deve ser o mais preciso possível, a fim de evitar distorções na prótese final.

O material de moldagem não consegue, por si só, promover o afastamento efetivo do tecido
gengival para que o término cervical do preparo (muitas vezes subgengival) seja copiado de
maneira adequada.

O afastamento gengival pode ser realizado por meios mecânicos, químicos, mecâ-
nico-químico ou cirúrgico. Entretanto, para preservar o tecido gengival, atualmente
duas técnicas são utilizadas com maior frequência: a técnica do casquete individual
e a técnica do fio afastador.

38 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A técnica do casquete individual é muito utilizada por ser uma técnica de afastamento que
não causa traumas mecânicos ou químicos ao periodonto se corretamente empregada.12,16

O casquete é obtido em RAAQ, devendo possuir alívio interno para conferir espaço para o
material de moldagem, além de ser reembasado na porção cervical como forma de copiar o
término cervical e preencher o espaço do sulco gengival, e, assim, afastar o tecido gengival
nessa região (Figuras 35A-39).

A B

Figura 35 – A) Evidenciação do cimento após a remoção da prótese parcial fixa provisória. B) Dentes pilares
com o término cervical nítido, contínuo e liso.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 36 – Aplicação de verniz cavitário, ou adesivo


autocondicionante, para a proteção dos dentes vi-
talizados durante o reembasamento dos casquetes.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 39


A B

C D

Figura 37 – Reembasamento dos casquetes. A) Com o auxílio do pincel, aplicar RAAQ vermelha no término
cervical dos dentes preparados, previamente isolados. B) Posicionamento dos casquetes. C) Aplicar RAAQ
sobre o excesso extravasado na parte externa do casquete para que a resina se fixe no casquete. D) Aspecto
interno do casquete após o reembasamento.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 38 – A) Delimitação da área equivalente ao sulco gengival externa ao término cervical no casquete
para a remoção dos excessos com broca multilaminada. B) Remoção dos excessos internos do casquete com
broca esférica.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

40 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Figura 39 – Aspecto final do casquete individual
reembasado.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O reembasamento do casquete é crítico e deve ser garantido com precisão, sob o risco de
se incluir erros na técnica. Para a adesão do material de moldagem elastomérico, passa-se o
adesivo internamente e na borda externa, devendo o excesso ser removido com bolinha de
algodão e monômero (Figuras 40A-B).

A B

Figura 40 – A) Aplicação do adesivo na área interna e externa do casquete. B) Remoção dos excessos do
adesivo com bolinha de algodão umedecida com monômero de RAAQ.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Posteriormente, o casquete é levado ao dente preparado com o material de moldagem


elastomérico, de consistência regular, e, após a polimerização do material de moldagem, o
casquete é, então, removido utilizando alginato ou elastômero de consistência densa e leve
em uma moldeira, que pode ser individual em resina acrílica ou de estoque.

Em casos múltiplos, os casquetes devem ser unidos com bastões de RAAQ, previamente à
sua remoção, para evitar distorções na sua posição durante o procedimento de moldagem
(Figuras 41A-F).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 41


A B

C D

E F

Figura 41 – A) Manipulação do material de moldagem à base de polissulfeto (Permlastic), até que fique
homogêneo. B) Inserção na parte interna do casquete em pequenas porções com espátula fina. Após secar o
preparo, inserir o casquete com leve pressão, C) mantendo o apoio para evitar a movimentação e a possível
distorção do molde. D) Repetir o procedimento de moldagem para o outro dente. E) União dos casquetes
com bastão e resina acrílica. F) Posterior moldagem de transferência dos casquetes com alginato em moldeira
total de inox. Importante inserir alginato nas áreas retentivas e ao redor dos casquetes para a fixação destes
dentro do molde do arco total.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Já para a técnica do fio afastador, deve-se selecionar o fio de acordo com as carac-
terísticas do perfil gengival (sulco gengival) de cada paciente.20 Pode-se empregar
essa técnica de afastamento com a utilização de um ou dois fios afastadores.

42 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Na técnica de afastamento com dois fios, primeiramente, um fio mais fino (por exemplo,
nº 000) é posicionado no fundo do sulco gengival e, em seguida, um segundo fio mais
espesso (por exemplo, nº 0) é inserido sobre o primeiro fio. Vale ressaltar que o primeiro fio
permanece no sulco durante o procedimento de moldagem.

Na opção de afastamento com fio único, o fio deverá ser removido durante a mol-
dagem, deixando, assim, o sulco gengival livre. A técnica de afastamento gengival
com os fios afastadores deve ser realizada com muita cautela, visto que poderá
traumatizar o periodonto, devendo ser evitada na presença de gengiva inserida
inferior a 2mm.16,21

Após a moldagem de trabalho (Figuras 42A-B), deve se proceder à moldagem do arco anta­
go­­nista (Figura 43), para que os modelos de trabalho sejam montados em ASA, permitindo
ao técnico em prótese dentária confeccionar as infraestruturas metálicas na espessura correta.

Figura 42 – A) Ao retirar o molde, observar a quali-


dade do molde. B) O término cervical deve estar níti-
do e contínuo, com uma fina película de material de
moldagem, demonstrando o afastamento gengival.
A
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 43 – Molde do arco total antagonista com


alginato em moldeira de inox.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 43


Os moldes são lavados em água corrente e avaliados. Se considerados aprovados, devem ser
submetidos ao procedimento de desinfecção de acordo com o material utilizado.

Embora os registros já tenham sido realizados anteriormente para a montagem


dos modelos de estudo em ASA, o registro com arco facial e o registro intermaxilar
deverão ser novamente realizados, para que, dessa vez, os modelos de trabalho se-
jam montados em ASA na posição mandibular atual do paciente [ORC, caso tenha
sido necessário ajuste oclusal ou máxima intercuspidação habitual (MIH), caso não
tenha sido necessário ajuste oclusal].

O registro com o arco facial é realizado sem os provisórios para auxiliar na montagem do
modelo superior (Figura 46A), e o registro intermaxilar para a montagem do modelo inferior
(Figura 47A).

Esse registro deve ser feito em resina acrílica (casquete de transferência), que deve envolver
um ou alguns dos dentes pilares preparados (do terço médio para oclusal ou incisal, evi-
tando as áreas proximais), até o contato com a dentição antagonista em um ponto (procurar
as áreas convexas e lisas, como incisais, se anteriores, ou pontas de cúspides, se posteriores)
com não mais do que 1mm.2

ATIVIDADE

14. A moldagem de preparos dentários utilizando casquete individual promove o afasta-


mento gengival necessário à execução do trabalho protético. Essa técnica possui a van-
tagem da economia de material elastomérico e a relativa previsibilidade do resultado
final do molde. Ao se obter o reembasamento final do casquete com a resina acrílica
será possível visualizar duas linhas contínuas na cervical do casquete, uma interna e
outra externa. Essas linhas se referem, respectivamente, a:
A) ângulo axiogengival e término cervical.
B) término cervical e margem gengival.
C) ângulo axiogengival e margem gengival.
D) término cervical e fundo do sulco gengival.
Resposta no final do artigo

44 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


15. O registro com o arco facial é realizado:
A) a partir do modelo superior.
B) a partir do registro intermaxilar.
C) sem os provisórios.
D) com os provisórios.
Resposta no final do artigo

16. Na opção de afastamento com o fio único, ele deverá ser:


A) mantido durante a moldagem.
B) removido durante a moldagem.
C) mantido apenas no sulco gengival.
D) fixado no sulco gengival.
Resposta no final do artigo

1ª ETAPA LABORATORIAL – OBTENÇÃO DOS MODELOS


DE TRABALHO, MONTAGEM EM ARTICULADOR
SEMIAJUSTÁVEL, ENCERAMENTO, RECORTE DE
TROQUEL E SELAMENTO DE BORDO

Com a obtenção do molde, realiza-se a confecção dos modelos de trabalho. Os


modelos de trabalho devem ser cópia fiel dos dentes preparados e devem repro-
duzir os tecidos adjacentes da área do pôntico, para que o técnico em prótese
dentária possa confeccionar a infraestrutura metálica.

O modelo de trabalho é obtido utilizando, na região de cada preparo, pino para o troquel,
que permite a individualização dos dentes preparados, e gesso pedra especial tipo IV, o qual
apresenta fácil manipulação, baixa distorção e alta resistência, reproduzindo com fidelidade
as estruturas envolvidas na confecção da prótese parcial fixa (Figuras 44 e 45A-E).6,17

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 45


Figura 44 – Fixação dos pinos para os troquéis nos
alfinetes com cera pegajosa.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

C D

Figura 45 – A) Vazamento da primeira camada de


gesso tipo IV. B) Após a presa do gesso, os alfinetes
são removidos do molde e o gesso, nesta área, é
isolado e nova camada vazada completa o modelo.
C) Modelo de trabalho pronto. D) Observa-se a de-
finição do término cervical dos dentes preparados.
E) Modelo antagonista.
E
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

46 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Assim como na etapa de montagem dos modelos de estudo em ASA, descritos anterior-
mente, o modelo superior é o primeiro a ser montado a partir do registro com o arco facial
(Figuras 46A-B).

Figura 46 – A) Registro com arco facial. B) Montagem do modelo


superior no ASA.
A
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Caso o modelo antagonista aos preparos não tenha sido alterado no articulador,
na montagem de estudo ele poderá ser mantido, dispensando a etapa de registro
com arco facial.

Em seguida, utilizando o registro intermaxilar, relaciona-se o modelo inferior com o modelo


superior para a montagem do modelo inferior (Figuras 47A-C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 47


A B

Figura 47 – A) Registro intermaxilar com casquetes


de resina acrílica. B) Montagem do modelo inferior
no ASA. C) Observa-se o espaço interoclusal para a
confecção da prótese fixa.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A partir da montagem dos modelos de trabalho em ASA, a relação maxilomandi-


bular é reproduzida, permitindo fácil visualização do espaço protético disponível.

Para a confecção de uma prótese fixa de três elementos, é feito o enceramento dos reten-
tores em cada dente pilar no modelo de gesso e a união destes ao pôntico. Para a obtenção
do padrão de cera de cada dente pilar, primeiramente é confeccionado um fino casquete de
RAAQ sobre o modelo (Figura 48).

Figura 48 – Casquete de resina acrílica confecciona-


do acima do término cervical para a base da escultu-
ra do padrão de cera.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

48 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Esse casquete fornecerá uma base para a escultura do padrão de cera, evitando a sua dis-
torção e facilitando o seu manuseio.

É seguro, entretanto não imperativo, que seja feito o enceramento completo da anatomia
dos três dentes e, depois, seja realizado o desgaste uniforme de aproximadamente 1mm de
cera, em toda a extensão, para definir a estrutura que será fundida (Figuras 49A-C).

A B

Figura 49 – A) Enceramento completo da infraes-


trutura. B) Vista incisal do enceramento. C) Após
remoção do modelo de gesso.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

No modelo de trabalho, após o enceramento da estrutura, cada troquel é serrilhado e re-


cortado para que o técnico em prótese dentária individualize a estrutura dentária do dente
pilar e visualize a linha do término cervical durante a etapa de selamento de bordo (Figuras
50A a 52C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 49


A B

Figura 50 – A) Recorte do troquel com serra.


B) Pre­servação do limite do bordo do término cervical.
C) Após o recorte, os pinos são deslocados da pri-
meira camada de gesso.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 51 – A) Troquéis separados do modelo de trabalho. B) Após o recorte do troquel, eliminando o exces-
so em gesso para a visualização do limite do término cervical.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

50 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

Figura 52 – Troquéis recortados posicionados no


modelo de trabalho, com o enceramento comple-
to da infraestrutura. Observa-se a falta de cera no
bordo, próximo ao limite do término cervical: A) na
vestibular; B) na palatina; C) espaço adequado para
a futura aplicação da cerâmica.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O enceramento completo deve ser obtido antes do recorte do troquel.

O selamento de bordo consiste em verter cera liquefeita, complementando o enceramento


na região subgengival, só agora totalmente exposta, graças ao recorte dos tecidos adjacen-
tes no troquel (Figuras 53A-E).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 51


A B

C D E

Figura 53 – A) Recorte do padrão de cera na região do pôntico com lâmina de barbear. B) Após o recorte no
centro do pôntico. C) Cada metade é posicionada sobre o troquel e realizado o selamento de bordo do ence­
ramento com o gotejador aquecido e a cera fluida. D) Remoção de excessos de cera com espátula Lecron.
E) Padrão de cera finalizado, com bordo adaptado ao término cervical.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O objetivo do selamento de bordo é realizar o enceramento até a margem do tér-


mino cervical e, assim, promover a adaptação marginal correta da infraestrutura
metálica em toda a extensão do término do preparo.

Todo o excesso de cera é removido com um instrumento sem corte para não danificar o
troquel em gesso e regularizar o padrão de cera. Posteriormente, realiza-se a separação do
padrão de cera com lâmina para barbear aquecida na região do pôntico de maneira oblíqua,
região esta ideal para soldagem.22,23 Assim, os dois retentores serão fundidos em partes dis-
tintas, cada qual com metade do pôntico.

A obtenção de estruturas em monobloco evita o processo de solda; no entanto, é


um procedimento que pode incorporar insucessos ao tratamento por aumentar a
possibilidade de desadaptações.

52 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ATIVIDADE

17. Qual o objetivo do selamento de bordo?


I – Realizar o enceramento até a margem do término cervical.
II – Promover a adaptação marginal correta da infraestrutura metálica em toda a exten-
são do término do preparo.
III – Verter cera liquefeita, complementando o enceramento na região subgengival.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I.
B) Apenas a I e a II.
C) Apenas a I e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

18. Se o modelo antagonista aos preparos não for alterado no articulador, ele poderá:
A) ser substituído.
B) ser mantido.
C) ser descartado.
D) ser refeito adequadamente.
Resposta no final do artigo

19. Sobre os modelos de trabalho, pode-se afirmar que


A) com a obtenção do molde, realiza-se a confecção dos modelos de trabalho.
B) os modelos de trabalho devem ser cópia fiel de todos os dentes preparados.
C) o modelo de trabalho é obtido utilizando pino para troquel e gesso pedra especial
tipo IV, o qual apresenta fácil manipulação, alta distorção e baixa resistência.
D) os modelos de trabalho são obtidos por meio de moldes plásticos envolvendo todos
os dentes de uma só vez.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 53


INCLUSÃO E FUNDIÇÃO DOS RETENTORES SEPARADAMENTE

O processo de inclusão consiste em envolver o padrão de cera com um material


que duplique com exatidão a sua forma e os seus detalhes.

O material refratário para a inclusão do padrão de cera deve ser resistente para ser submetido
a altas temperaturas, devendo o material ser poroso para permitir que a cera evapore, além
de possuir coeficiente de expansão térmica compatível com a liga metálica que será injetada.

Como a liga metálica sofre contração durante a sua solidificação, é necessário que
o material de revestimento sofra expansão durante a sua presa em igual proporção
para evitar distorções na futura estrutura metálica.24

Assim, após a inclusão do padrão de cera com o material de revestimento, o conjunto é


levado ao forno para que, após a evaporação da resina e da cera, seja realizada a fundição
da liga e a sua injeção para dentro do molde vazio do contorno do padrão de cera obtido
pelo revestimento (Figuras 54A-E).17

54 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B C

D E

Figura 54 – A) Montagem do padrão de cera em base formadora de cadinho por meio de canais de alimen-
tação. B) Posterior colocação do anel de silicone. C) Inclusão do padrão de cera em revestimento. D) Aqueci-
mento do lingote de liga metálica com maçarico em cadinho refratário. E) Estruturas fundidas.
Fonte: Arquivo e imagens dos autores.

Essa técnica é chamada de fundição pela técnica da cera perdida.25 A injeção ocor-
re por canais de alimentação, que comunicam o meio externo com o interior do
molde. O processo de injeção da liga fundida mais comum é o da centrifugação
após a fundição dos lingotes de liga metálica pelo maçarico. Após a injeção da
liga fundida, o conjunto não pode ser superaquecido, tampouco ser resfriado de
maneira abrupta.

Terminada a fundição, o técnico em prótese dentária realiza a desinclusão dos retentores


(estrutura fundida) e o seu ajuste com a remoção de bolhas internas utilizando carbono
líquido sobre o troquel (Figuras 55A-C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 55


B

Figura 55 – A) Carbono líquido sobre cada troquel


para a marcação de excessos no metal. B) Excesso do
metal marcado com o carbono líquido. C) Remoção
do excesso do metal com broca carbide esférica nº 1.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O retentor é posicionado no troquel e as bolhas são marcadas com o carbono


líquido no interior da infraestrutura metálica. O desgaste nas áreas internas dos
retentores é realizado com brocas esféricas carbide e com muito cuidado para não
comprometer a retenção da prótese.

O desgaste externo para a adaptação do metal no término cervical é feito com pedra de
óxido de alumínio (Figura 56).

Figura 56 – Ajuste do metal com pedra de óxido de


alumínio com a infraestrutura posicionada no troquel.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

56 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Após esses ajustes, os retentores passam por jateamento com óxido de alumínio e são en-
viados ao cirurgião-dentista (Figura 57A-B).

A B

Figura 57 – A) Infraestruturas divididas posicionadas sobre os troqueis. B) Haste metálica com retenções para
a remoção da solda após os ajustes na boca.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em uma prótese de três elementos, as estruturas são fundidas separadamente e unidas


posteriormente, por um processo de solda, que será visto adiante.

3ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTES DOS RETENTORES


METÁLICOS E REMOÇÃO PARA SOLDAGEM
De posse das estruturas metálicas, passa-se ao seu ajuste, ainda em separado. Mesmo após
a adaptação cervical dos retentores metálicos nos troquéis pode haver irregularidades que
façam com que as infraestruturas não se encaixem, de forma adequada, no preparo.

Para realizar um bom ajuste dos retentores metálicos, devem-se remover as coroas
provisórias e limpar qualquer resquício de cimento ou resíduos sobre os preparos
dentários que possam impedir o assentamento adequado da estrutura e levar a
uma desadaptação marginal.

Nesta etapa, cada estrutura metálica é ajustada individualmente na boca do paciente sobre
os dentes pilares (Figuras 58A-B).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 57


A B

Figura 58 – Verificação da adaptação do metal no término cervical com sonda exploradora sobre: A) o dente
12; B) o dente 21, separadamente.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O primeiro passo é a análise da adaptação cervical, tanto no sentido vertical quanto horizon-
tal, se positiva ou negativa.

Obviamente, as áreas de pônticos que eventualmente estejam tocando em tecidos


moles e/ou superfícies proximais podem impedir o assentamento correto da peça,
e por isso os excessos devem ser identificados e removidos.

O mais comum, entretanto, é que, caso se identifiquem desajustes verticais, estes estejam
relacionados a bolhas localizadas no interior do retentor. O ajuste interno do metal deve ser
realizado, caso necessário, com a utilização de evidenciadores de contato ou elastômeros de
consistência leve, para que sejam identificados pontos ou superfícies internas que estejam
impedindo o correto assentamento das estruturas.

Esses pontos ou superfícies interferentes devem ser cuidadosamente removidos


com broca esférica carbide em alta rotação, até que a peça apresente assentamen-
to adequado de maneira uniforme.

A utilização de sonda exploradora nº 5 auxilia para complementar a observação da adapta-


ção vertical e horizontal de cada retentor metálico. Porém, é um método muito subjetivo,
que depende da habilidade tátil do cirurgião-dentista.

58 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A ponta ativa de uma sonda tem, em média, de 50 a 150µm, impossibilitando a detecção de
desajustes menores. A penetração da sonda entre o dente e a estrutura indica desajuste ver-
tical importante, que, se não melhorado, inviabiliza a sua utilização e determina a repetição
do processo.

No sentido horizontal, a sonda exploradora deve percorrer tanto no sentido do


metal para o dente quanto do dente para o metal. Assim, é possível avaliar se há
excesso ou falta de metal, ou seja, os desajustes horizontais, positivos ou negati-
vos, que podem ser ajustados, se não excessivos.

Vale ressaltar que o agente de fixação mais barato e eficiente para esse tipo de restauração
é o cimento à base de fosfato de zinco e que, quanto menor for a desadaptação marginal
da prótese, menor será a possibilidade de solubilização do referido cimento na região do
término do preparo, aumentando a longevidade da reabilitação, já que a sua solubilização
acarretaria fendas e risco de infiltração.

Os desajustes horizontais positivos ocorrem quando o metal está maior do que o


preparo (sobrecontorno). E o negativo quando falta material, ou seja, o preparo na
região do término está maior do que o metal (subcontorno).

Ambos permitem ajustes quando em áreas de fácil acesso. O desgaste dos excessos exter-
nos do metal é realizado com pedras de óxido de alumínio, com a infraestrutura metálica
posicionada no troquel de gesso.

Após a análise da adaptação cervical, analisa-se a retenção friccional de cada retentor sepa-
radamente, os quais devem ser facilmente instalados e removidos com ligeira pressão.

Ao finalizar o ajuste dos retentores, realiza-se a remoção para a solda. Para isso, o primeiro
passo é o ajuste do espaço para a solda entre os dois retentores. A distância máxima entre
os retentores deve ser de 0,2 a 0,5mm, dependendo da técnica para a soldagem.23

A usinagem é realizada com pedra de óxido de alumínio ou disco de carborundum até se


atingir o espaço ideal para a solda, que pode ser avaliado colocando entre as partes um
pedaço de papel A4 (gramatura 75g/m2) (Figuras 59A-C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 59


A B

Figura 59 – Metal posicionado sobre os dentes pila-


res é verificado. A) Espaço para a solda. B) Quando
necessário, remover o excesso de metal com a pedra
de óxido de alumínio. C) Espaço para a solda ade-
quado, verificado com um papel-folha A4.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O espaço para a solda deve estar bem acabado e livre de irregularidades, manten-
do a superfície uniforme para o processo de soldagem.

A remoção para a soldagem, com ambos os retentores posicionados e estáveis sobre os


preparos, pode ser realizada de duas maneiras diferentes:
§ coloca-se cera entre os retentores e envolve-se a área com RAAQ. A cera impede que
a resina preencha o espaço para a solda e, no laboratório, influencie negativamente
no escoamento da solda. Essa técnica é muito prática quando da união de retentores
contíguos (próteses com pônticos em cantilever);
§ união dos retentores com o auxílio de uma haste metálica preparada previamente
com retenções nas extremidades (por exemplo, brocas descartadas ou fio ortodôn-
tico reto de 2mm). Coloca-se RAAQ vermelha nas extremidades para unir a haste
metálica aos retentores, deixando livre o espaço para a solda (Figuras 60A-B). Essa
técnica é mais comumente utilizada quando da presença do pôntico convencional
entre os dois pilares.

60 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

Figura 60 – A infraestrutura metálica é removida para solda com o auxílio de: A) haste metálica com reten-
ções; B) resina acrílica nas extremidades.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Após a polimerização da resina, deve ser feito o teste de báscula, pressionando


alternadamente os retentores. A peça não deve sofrer qualquer tipo de movimen-
tação. Se aprovada, a peça é removida da boca e enviada ao laboratório de prótese
dentária para a soldagem. O provisório deve ser cuidadosamente cimentado.

ATIVIDADE

20. Em que consiste o processo de inclusão?


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

21. “A injeção ocorre por canais de alimentação, que comunicam o meio externo com o
interior do molde”. Essa técnica se chama:
A) processo de injeção da liga fundida.
B) centrifugação após fundição.
C) fundição pela técnica da cera perdida.
D) injeção da liga fundida.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 61


22. O desgaste externo para a adaptação do metal no término cervical é feito com:
A) molde de hidróxido de zinco.
B) pedra de óxido de zinco.
C) molde de hidróxido de alumínio.
D) pedra de óxido de alumínio.
Resposta no final do artigo

23. Para realizar um bom ajuste dos retentores metálicos, deve-se:


A) isolar as coroas provisórias.
B) limpar qualquer resquício de cimento ou de resíduos sobre os preparos dentários.
C) limpar apenas o resquício de resíduos sobre os preparos dentários.
D) impedir o assentamento adequado da estrutura.
Resposta no final do artigo

2ª ETAPA LABORATORIAL – INCLUSÃO E


SOLDAGEM DA INFRAESTRUTURA METÁLICA
A estrutura metálica a ser soldada é incluída em revestimento especial para soldagem com
altura de 1,5 a 2,0cm para a região da solda, considerando a técnica de solda por brasagem
(Figuras 61A-B).

A B

Figura 61 – A) Infraestrutura metálica removida para solda. B) Infraestrutura metálica incluída em revesti-
mento para o procedimento de soldagem por brasagem.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

62 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Um bastão de cera utilidade é colocado sob a área a ser soldada, para permitir a
visualização e facilitar a limpeza, o acesso da chama e o aquecimento uniforme.12,22-24

O bloco de revestimento com a estrutura é levado ao forno para eliminar a umidade, os pos-
síveis contaminantes, a cera e a resina. Após o resfriamento do bloco, a área a ser soldada
deve ser limpa com jato de óxido de alumínio e aplicado o agente de fluxo.

Para iniciar o processo de soldagem, o bastão (metal) de solda é aquecido com a chama do
maçarico, se funde e escoa para que preencha o gap entre os retentores. A solda deve apre-
sentar ponto de fusão inferior à liga da infraestrutura para que ocorra a união das partes
sem distorção da infraestrutura.

Após a remoção da chama, aguarda-se o resfriamento para, então, desincluir a prótese do


revestimento e dar acabamento no metal com brocas diamantadas e pedras montadas,
disco de carborundum, jateamento com óxido de alumínio e, em seguida, novamente en-
caminhar a infraestrutura ao cirurgião-dentista.

4ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTE DA INFRAESTRUTURA


METÁLICA SOLDADA, REGISTRO INTERMAXILAR,
MOLDAGEM DE TRANSFERÊNCIA (REMONTAGEM)
E SELEÇÃO DA COR
Nesta etapa clínica, é realizado o ajuste da infraestrutura metálica soldada (Figuras 62A-B),
para, além de novamente verificar a adaptação dos retentores e o assentamento passivo
da infraestrutura agora unida, analisar o espaço disponível para a cerâmica de cobertura e
obter um novo modelo, chamado modelo de remontagem, que será montado em ASA e
utilizado para a aplicação da cerâmica sobre a infraestrutura metálica.

A B

Figura 62 – A) Infraestrutura metálica após a solda. B) Remoção dos excessos na região da solda com broca
maxicut.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 63


Após a remoção do provisório e limpeza dos dentes pilares, a infraestrutura metáli-
ca é posicionada até a completa adaptação no término cervical, seguindo a mesma
sequência empregada anteriormente.

Observar a ausência de báscula, pressionando alternadamente na região incisal/oclusal dos


retentores, e verificar a adaptação marginal com a sonda exploradora nº 5. Caso se identi-
fique a báscula, a peça deverá ser seccionada obliquamente na região do retentor com disco
diamantado fino e nova remoção para a solda realizada.20

Outro cuidado indispensável é a avaliação do espaço para a aplicação da cerâmica. Se ne-


cessário, realizar o desgaste controlando a espessura da infraestrutura metálica utilizando
especímetro. Importante ressaltar que não é necessário, neste momento, acertar a quanti-
dade ideal de desgaste, mantendo uniformemente o espaço mínimo de 0,9-1mm para a
cerâmica.

Portanto, basta que a estrutura esteja em infraoclusão para que se possa avançar
para as etapas de registro intermaxilar e moldagem, sendo que no modelo que
será obtido o técnico em prótese dentária procederá finalizando a usinagem em
questão.

O registro intermaxilar é realizado com resina acrílica vermelha (RAAQ), que ficará aderida à
infraestrutura metálica (Figuras 63A-E).

64 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

Figura 63 – A) Prova da infraestrutura soldada. Veri­


fi­car a adaptação no término cervical e a ausência
de báscula. B) Resina acrílica ativada ­quimicamente
sen­ do colocada sobre os retentores para registro
intermaxilar. C) Vaselinar os dentes antagonistas.
D) Obtenção do registro intermaxilar em oclusão.
E) Vista lingual do registro obtido.
E
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Assim, deve-se vaselinar os dentes antagonistas e colocar resina envolvendo a face


vestibular e a lingual da infraestrutura com uma porção de RAAQ suficiente para
reter o registro no metal e registrar o contato oclusal da região antagonista.

Esse registro tem como objetivo orientar a remontagem do modelo em ASA. O registro em
resina deve estar bem preso à infraestrutura, sugerindo-se que, antes mesmo da infraestru-
tura ser levada à boca, o local do registro seja estabelecido e a infraestrutura seja envolvida
com resina, de maneira a garantir que após a polimerização o registro não seja deslocado.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 65


Com o registro intermaxilar finalizado, procede-se à moldagem de transferência da infraestru-
tura metálica utilizando alginato ou silicone de consistência densa e leve (Figuras 64A-B).

A B

Figura 64 – A) Inserção de alginato na região do pôntico e nas proximais. B) Moldagem de transferência da


infraestrutura metálica com moldeira total e alginato.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A etapa de moldagem de transferência deve ser realizada, pois o modelo de trabalho uti-
lizado para a confecção da infraestrutura metálica foi recortado e, portanto, não apresenta
as papilas e o contorno gengival. Essa etapa é imprescindível para a confecção do modelo de
remontagem, para, assim, se obter a correta posição dos preparos dentários para a aplicação
de cerâmica de cobertura.

É muito importante que o material de moldagem seja posicionado com o dedo


pelo operador na região abaixo do pôntico e nas proximais para o posterior rela-
cionamento do pôntico com o rebordo edêntulo e o ponto de contato da cerâmica
com os dentes vizinhos.

Em seguida, procede-se à seleção da cor, passo que possui caráter subjetivo, de forma a
prover informações suficientes para que o técnico em prótese dentária aplique a cerâmica
de cobertura sobre a infraestrutura metálica de forma adequada (Figura 65).20

66 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Figura 65 – Seleção de cores para a aplicação de
cerâmica.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A seleção da cor previamente ao preparo protético é sempre orientada, mas, caso não tenha
sido feita, é imprescindível que a mesma seja realizada neste momento. As diversas dimen-
sões da cor, como valor, croma, matiz, intensidade e caracterizações, devem ser levadas em
consideração preferencialmente em luz ambiente (natural) para a adequada seleção.

O paciente deve ser orientado que a cor é dependente da luz transmitida pelo
ambiente, e, então, que poderá sofrer leves alterações quando em ambientes de-
pendentes de iluminação artificial.

3ª ETAPA LABORATORIAL – OBTENÇÃO DO MODELO


DE TRABALHO PARA A REMONTAGEM EM
ARTICULADOR SEMIAJUSTÁVEL, PREPARO DO METAL
E APLICAÇÃO DE CERÂMICA DE COBERTURA
O modelo de trabalho é confeccionado com aplicação de vaselina sólida na superfície inter-
na da infraestrutura metálica, seguida de inserção de resina acrílica com uma haste metálica
(por exemplo, parafuso), para dar retenção e resistência na conexão da resina com o gesso
(Figuras 66A e B).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 67


A B

Figura 66 – A) Para a confecção do modelo de trabalho, vaselinar a região interna da infraestrutura metálica
e inserir resina acrílica autopolimerizável. B) Posicionar um parafuso em cada retentor.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Uma camada de resina resiliente pode ser colocada, de forma a criar uma gengiva artificial,
ou mesmo silicones especialmente desenvolvidos para a reprodução gengival em modelos
de prótese fixa, e não danificar o modelo quando o técnico em prótese dentária remover a
infraestrutura metálica (Figura 67).

Figura 67 – Resina acrílica resiliente é colocada na


região de cada retentor como gengiva artificial.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A gengiva artificial mantém a margem gengival intacta, auxiliando o ajuste da ce-


râmica após os ciclos de sinterização. O modelo de trabalho é confeccionado com
uma camada de gesso especial tipo IV nas regiões dos dentes e gesso tipo III para
a complementação.

O modelo de trabalho anteriormente troquelizado e montado em ASA será, então, substi-


tuído pelo modelo de remontagem obtido com a infraestrutura metálica e o registro inter-
maxilar. Para a remontagem em ASA, são feitas as retenções no modelo, e a articulação e
a fixação com o modelo antagonista utilizando palitos de madeira e/ou cola instantânea
(Figuras 68A-C).

68 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

Figura 68 – A) Modelo de trabalho finalizado.


B-C) Re­montagem do modelo no ASA a partir do
registro intermaxilar.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O modelo é remontado em ASA com gesso tipo III, com o pino guia na marcação
zero para que o articulador fechado fique com os ramos superior e inferior paralelos.

A partir da remontagem no articulador, passa-se ao ajuste da infraestrutura metálica, para,


então, proceder-se à aplicação da cerâmica de cobertura. Inicialmente, verifica-se a neces-
sidade de realizar desgastes na infraestrutura, a fim de se obter espaço de, no mínimo, 1mm
para a cerâmica (Figuras 69A-C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 69


A B C

Figura 69 – A) Ajuste do metal com broca ­maxicut. B) A espessura do metal deve ser avaliada antes de cada
ajuste. C) Manter o mínimo de 0,3mm de metal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Deve-se tomar cuidado extra em medir a espessura do metal nas áreas que neces-
sitarem de maiores desgastes, para que seja mantida uma espessura mínima de 0,2
a 0,3mm da infraestrutura metálica.

Após a usinagem do metal com pedras de óxido de alumínio e discos de carborundum (Figu­ras
70A e B), a infraestrutura metálica, quando confeccionada com liga de níquel-cromo (NiCr)
sem berílio, é levada ao forno para o procedimento de degaseificação e formação de cama-
da de óxidos aderentes, que são imprescindíveis na adesão química da cerâmica ao metal.24

A B

Figura 70 – A-B) Com os modelos montados em ASA, é possível verificar o espaço disponível para a aplicação
de cerâmica.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em seguida, o metal é jateado com partículas de óxido de alumínio para criar microrreten-
ções e aumentar a retenção micromecânica.

Após o jateamento, é feita a limpeza da infraestrutura em equipamento ultrassôni-


co com água destilada ou álcool isopropílico ou, então, apenas com vapor d’água.
Após a limpeza, a infraestrutura é manuseada apenas com pinça para a aplicação
da cerâmica de forma a evitar contaminações.

70 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Para a confecção de prótese fixa metalocerâmica, a cerâmica feldspática é aplicada pela
técnica da estratificação sobre a infraestrutura metálica, que previamente recebe duas apli-
cações de opaco para mascarar o metal.

A técnica de estratificação consiste em dois ou três ciclos de sinterização de cerâmicas de


diferentes cores e diferentes níveis de translucidez, de acordo com a necessidade, até que a
anatomia final da prótese seja obtida.

Estudos relatam a dificuldade técnica na aplicação das camadas de cerâmica de


cobertura sobre a infraestrutura metálica, sendo essa etapa extremamente depen-
dente da habilidade do técnico em prótese dentária.26,27

Primeiramente, são aplicadas duas camadas de cerâmica opaca, com o objetivo de diminuir
a transmissão de luz e, assim, mascarar a infraestrutura metálica, além de promover a união
da cerâmica ao metal (Figuras 71A-C).

A B C

Figura 71 – A) Aplicação da camada de opaco. B) Aplicação de massas cerâmicas nas cores selecionadas. C)
Cerâmica com caracterização intrínseca após a queima no forno.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Após a queima da segunda camada de opaco, as camadas seguintes são de cerâmica de den-
tina (corpo) na cor selecionada em pequenos incrementos para iniciar a anatomia e a escultura
dentária. A região do pôntico deve possuir forma convexa para facilitar a higienização.

As caracterizações e a distribuição de cores são realizadas nos terços incisal, médio


e cervical. Por fim, uma camada de cerâmica translúcida ou incisal propicia a esté-
tica final da prótese, aproximando às propriedades dos dentes naturais.

Durante a aplicação da cerâmica é importante seguir as características de translucidez, fluo-


rescência e opalescência dos dentes contíguos naturais, no intuito de mimetizar as estrutu-
ras dos dentes.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 71


Entretanto, no processo de queima da cerâmica feldspática ocorre grande contração e por
isso a aplicação da cerâmica de cobertura deve ser feita levando em consideração 15 a 20%
a mais do que o tamanho final do dente.

Após a obtenção da prótese, ainda sobre o modelo é realizado ajuste da cerâmica


pelo ponto de contato proximal, para que a prótese se encaixe completamente
sobre os dentes pilares e tenha adaptação no término cervical.

Posteriormente, é feito o ajuste da região de contato do pôntico com a prótese metalocerâ­mi­


ca posicionada sobre os dentes pilares no modelo e o ajuste oclusal em cêntrica e nos movi-
mentos (Figuras 72A-F). A prótese é, então, encaminhada ao cirurgião-dentista para ajuste.

A B C

D E F

Figura 72 – A) Ajustes proximais iniciados no modelo de gesso, com o auxílio da fita Accufilm. B) Desgastes
com a pedra montada de carborundum. C) Análise para ajuste do contato na área do pôntico. D) Observam-
se os pontos de contato excessivos na área do pôntico. E) Verificam-se os contatos em oclusão com a prótese
no modelo. F) Verificam-se os contatos nos movimentos excursivos.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

72 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ATIVIDADE

24. Na 2ª etapa laboratorial, a estrutura metálica a ser soldada é incluída em revestimento


especial para a soldagem com altura de:
A) 1,5 a 2,0cm.
B) 2,0 a 2,5cm.
C) 2,5 a 3,0cm.
D) 3,5 a 4,0cm.
Resposta no final do artigo

25. Na 4ª etapa clínica, é realizado o ajuste _______________, para, além de novamente


verificar a adaptação dos retentores e o assentamento passivo da infraestrutura agora
unida, analisar o espaço disponível para a cerâmica de cobertura e obter um novo mo-
delo. Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna:
A) da infraestrutura metálica soldada.
B) do revestimento especial para a soldagem.
C) da obtenção do modelo de trabalho para a remontagem.
D) do contato na área do pôntico.
Resposta no final do artigo

26. Quanto à cor da prótese, é importante informar o paciente de que:


A) varia de acordo com a luz do ambiente.
B) mantem-se estável independente do ambiente.
C) haverá alteração na coloração.
D) haverá alteração no escurecimento progressivo.
Resposta no final do artigo

27. “O modelo é remontado em ASA com gesso tipo III, com o pino guia na marcação zero
para que o articulador fechado fique com os ramos superior e inferior paralelos”. Essa
descrição diz respeito a qual etapa do processo de prótese parcial fixa?
A) 2ª etapa laboratorial.
B) 3ª etapa laboratorial.
C) 3ª etapa clínica.
D) 4ª etapa clínica.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 73


5ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTE DA CERÂMICA

Nesta etapa clínica, o cirurgião-dentista irá conferir os ajustes para a adaptação da


prótese nos dentes preparados (pilares) e os ajustes estéticos quanto à função e à
forma.

O primeiro ajuste deve ser feito nas proximais (Figuras 73A-C), para permitir a adaptação no
término cervical e nos pontos de contatos proximais com os dentes vizinhos.

A B C

Figura 73 – A) Ajustes da cerâmica na boca. Iniciar pelos ajustes proximais. B) Ajuste com a fita Accufilm e
desgaste nas proximais, até que a prótese esteja totalmente adaptada no término cervical e a pressão contra
os dentes vizinhos desapareça. C) Marcação dos excessos na cerâmica.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Assim, o fio dental deve deslizar com ligeira resistência nas regiões proximais, sem desfiar. O
contato do pôntico com o tecido gengival deve ser suave, mantendo o formato de plano in-
clinado.12,17 Se houver isquemia dos tecidos moles que permanece por mais de 10 minutos,
é preciso remover o excesso de material de cobertura (Figuras 74A-F).

74 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

E F

Figura 74 – A) Com um fio dental na área do pôntico, adapta-se a prótese no término cervical e verifica-se
o contato do pôntico na mucosa. B) Utiliza-se carbono líquido para demarcar os excessos que deverão ser
removidos na região do pôntico. C) Excessos de cerâmica removidos na região do pôntico. D) Ajuste de forma
com ponta diamantada para facilitar a higienização. E) Conferir a forma final com o fio dental na região do
pôntico. F) Conferir a forma final com o fio dental na boca novamente para conferir o ajuste.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Este contato do pôntico com o tecido gengival é conferido com o fio dental em toda
a extensão entre os dentes pilares e com a utilização do carbono líquido na região de
contato do pôntico, e o excesso na região de compressão será marcado no tecido.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 75


O excesso deve ser removido com ponta diamantada de granulação fina para a peça reta e
novamente conferido (se a remoção da cerâmica foi suficiente).

Em seguida, é feito o ajuste cervical para remover qualquer excesso de cerâmica nessa
região para o completo assentamento da prótese (Figuras 75A-B), além de ajustar o perfil
de emergência dos dentes (Figuras 76A-C).

A B

Figura 75 – Ajuste cervical conferido com sonda exploradora: A) na vestibular; B) na palatina.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B C

Figura 76 – A) Demarcação dos excessos do perfil de emergência e do contorno gengival na vestibular com
lapiseira. B) Conferência da extensão de 0,5mm subgengival. C) Os excessos são removidos com ponta dia-
mantada nº 82.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Depois do ajuste das regiões proximais, pôntico e cervical, passa-se ao ajuste oclusal (ajuste
funcional) (Figuras 77A-F).

76 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

E F

Figura 77 – A-B) Análise para ajuste em oclusão na cerâmica marcado com fita carbono Accufilm. C) Re-
moção dos excessos com ponta diamantada nº 82. D) Contatos em protrusão verificados com fio dental.
E) Ausência de contatos em lateralidade com guia do canino direito. F) Ausência de contatos em lateralidade
com guia do canino esquerdo.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Caso seja uma prótese posterior, deve-se lembrar de que os elementos participarão
diretamente da estabilidade posterior do aparelho estomatognático, devendo esses
elementos possuir contatos oclusais em fechamento, sem constituir prematuridades
e com total desoclusão nos movimentos de lateralidade e protrusão da mandíbula.

Caso seja anterior, deve-se de lembrar que os incisivos participam da guia protrusiva e os
caninos das guias laterais. A personalização desses movimentos por meio de provisórios re­gis­
trados em ASA pode otimizar os ajustes das guias anteriores ainda nas etapas laboratoriais.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 77


Finalizado o ajuste oclusal, é feito o ajuste estético para adequar às exigências do paciente,
tanto no que diz respeito ao contorno (Figuras 78A-C) quanto à textura e à cor (Figuras 79A-C).

A B C

Figura 78 – Ajustes estéticos de forma: A) na área do pôntico; B) na incisal; C) na vestibular.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B C

Figura 79 – A) Pintura extrínseca para o ajuste de cor com o uso de pincel de ponta fina. B) Aplicação dire-
tamente sobre a cerâmica posicionada na boca do paciente com o auxílio de pigmentos disponibilizados em
kits com variadas cores. C) A prótese deve ser retirada da boca com o auxílio de uma pinça.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em seguida, a prótese é novamente encaminhada ao laboratório de prótese dentária para


os procedimentos de aplicação de glaze e polimento.

4ª ETAPA LABORATORIAL – PIGMENTAÇÃO EXTRÍNSECA,


GLAZEAMENTO E POLIMENTO
Após todos os ajustes da cerâmica, pode ser necessário o acréscimo de pigmentos (corantes)
nas áreas que não estão em harmonia com os dentes naturais vizinhos, por meio da pigmen-
tação extrínseca, utilizando, para tanto, pigmentos cerâmicos especiais.

Após a adequação dos detalhes da prótese e a fixação dos pigmentos com ciclo de sinteri­
zação, a camada de glaze é aplicada (Figuras 80A-F).

78 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

E F

Figura 80 – A-B) Finalizar a aplicação dos pigmentos fora da boca e com o auxílio de uma pinça para segurar
a prótese. C) Pintura extrínseca finalizada e glaze aplicado em toda a prótese; D) para a queima no forno de
cerâmica. E-F) Vista da face vestibular e palatina da prótese fixa após o glaze.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A sinterização final do glaze é realizada, resultando em elevada lisura de superfície e alto


brilho da restauração. A superfície interna na prótese é jateada com o óxido de alumínio
para a limpeza do metal (Figuras 81A-B).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 79


A B

Figura 81 – A) Jateamento com óxido de alumínio da superfície interna da prótese fixa. B) Limpeza e au-
mento da rugosidade do metal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Quando houver cinta metálica na lingual, deve ser realizado minucioso polimento dessa
região (Figuras 82A-D).

A B

C D

Figura 82 – Borrachas com diamante e silicone para polimento do metal. A) Granulação grossa. B) Granula-
ção média. C) Granulação fina. D) Prótese fixa metalocerâmica finalizada, com o metal polido.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

80 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ATIVIDADE

28. A 5ª etapa clínica de prótese parcial fixa diz respeito:


A) ao ajuste da cerâmica.
B) à pigmentação extrínseca.
C) ao polimento.
D) à higienização.
Resposta no final do artigo

29. Qual o procedimento feito após o ajuste oclusal?


A) Obtenção de um novo modelo.
B) Pigmentação.
C) Ajuste estético.
D) Higienização.
Resposta no final do artigo

30. A técnica de estratificação consiste em:


A) aplicar as camadas de cerâmica de cobertura sobre a infraestrutura metálica.
B) ajustar a região de contato do pôntico com a prótese metalocerâmica.
C) remover a moldeira, evitando provocar movimentos de báscula.
D) verificar se a infraestrutura metálica soldada fica estável.
Resposta no final do artigo

6ª ETAPA CLÍNICA – CIMENTAÇÃO PROVISÓRIA


Após a finalização da prótese, indica-se a fixação provisória da prótese fixa metalocerâmica
de três elementos como forma de se avaliar:
§ o perfil de emergência das coroas;
§ as condições de higienização;
§ o contato do pôntico ao tecido gengival, possibilitando qualquer ajuste antes da
cimentação definitiva;
§ o ajuste oclusal cêntrico e excêntrico;
§ o ajuste da cor, se necessário.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 81


Para esta etapa, podem-se empregar cimentos à base de hidróxido de cálcio, óxido de zinco
e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol (pasta-pasta). Importante lubrificar a superfície
axial externa da prótese com vaselina (Figuras 83A-F) para facilitar a remoção do excesso de
cimento (Figuras 84A-B).

A B

C D

E F

Figura 83 – A-C) Após a remoção do provisório e a limpeza, passar vaselina sobre os dentes preparados pró-
ximo à margem gengival e internamente no metal. D) Manipulação do cimento provisório à base de hidróxido
de cálcio. E) Inserção na região do término cervical e paredes axiais. F) Posicionamento na boca do paciente.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

82 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

Figura 84 – A) Após a presa do cimento, os excessos são removidos com sonda exploradora. B) Auxílio de
passa fio e fio dental na região do pôntico e nas proximais.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O paciente deve ser orientado quanto à higienização com o passa fio e fio dental.

7ª ETAPA CLÍNICA – CIMENTAÇÃO DEFINITIVA


Se, após a cimentação provisória, for constatada a necessidade de ajustes na prótese fixa,
esses ajustes deverão ser realizados antes da cimentação definitiva. Deve-se remover a pró-
tese metalocerâmica e fazer a limpeza interna na superfície do metal e nos dentes pilares
(Figuras 85 e 86A-F).

Figura 85 – Vista palatina da prótese fixa metaloce-


râmica de três elementos cimentada provisoriamente.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 83


A B

C D

E F

Figura 86 – A-B) Na sessão seguinte, a prótese é removida e o cimento provisório deve ser retirado dos den-
tes pilares. C-D) Limpeza de todo o cimento provisório que estiver aderido na prótese. E) Limpeza dos dentes
pilares. F) Limpeza da superfície interna da prótese.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O agente de fixação mais comumente utilizado na cimentação definitiva de próteses fixas


metalocerâmicas é o cimento à base de fosfato de zinco (Figuras 87A-E).

84 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

Figura 87 – A) O pó e o líquido do cimento à base de fosfato de zinco é dispensado sobre a placa de vidro e
as porções divididas de acordo com as recomendações do fabricante. B) O cimento é manipulado utilizando
uma área considerável da placa de vidro para diminuir o calor gerado e atingir o ponto de fio para a consis-
tência ideal do cimento. C) O verniz cavitário para a proteção dos dentes vitalizados é novamente aplicado
após o isolamento relativo na região dos dentes pilares. D-E) O cimento à base de fosfato de zinco é aplicado
de maneira uniforme.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A sua proporção e manipulação devem ser seguidas de acordo com as indicações de cada
fabricante para garantir ótimas propriedades ao material. É importante lubrificar a super-
fície axial externa da prótese com vaselina para facilitar a remoção do excesso de cimento
(Figuras 88A-E).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 85


A B

C D

Figura 88 – A-B) Prótese posicionada sobre os den-


tes pilares e mantida em posição com rolo de algo-
dão e instrumental na incisal até a presa inicial do
cimento. C) Remoção dos excessos de cimento com
sonda exploradora. D-E) Auxílio de passa fio e fio
dental na região do pôntico e nas proximais.
E
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em caso de dentes vitalizados, deve-se utilizar um produto selador, como o verniz cavitário,
ou um adesivo autocondicionante. Após a remoção dos excessos de cimento, deve-se con-
ferir o ajuste oclusal em cêntrica e nos movimentos (Figuras 89A-D).

86 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


A B

C D

Figura 89 – Prótese fixa metalocerâmica cimentada. Conferir os contatos: A) em oclusão cêntrica; B) em


protrusão e ausência de contatos; C) em lateralidade direita; D) em lateralidade esquerda.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O paciente deve ser orientado quanto à higienização com o passa fio e fio dental. As Figuras
90A-D mostram o caso clínico finalizado.

A B

C D

Figura 90 – Caso finalizado. A) Vista frontal. B) Vista palatina. C) Vista em oclusão. D) Radiografia periapical
para a avaliação da adaptação cervical da prótese.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 87


Atualmente, existem várias opções de materiais de fixação disponíveis no mercado,
como os cimentos à base de ionômero de vidro e os cimentos resinosos, que são
apontados como substitutos aos cimentos à base de fosfato de zinco, principal-
mente pelo fato de os primeiros serem menos solúveis no meio oral.

O cimento à base de fosfato de zinco, entretanto, pode ser utilizado com sucesso quando as
técnicas descritas antes são respeitadas, tendo, como principais vantagens, o custo reduzido
e a simplicidade da técnica.

8ª ETAPA CLÍNICA – MANUTENÇÃO

As consultas posteriores à cimentação definitiva são essenciais para a manutenção


da longevidade da prótese fixa, acompanhando a saúde periodontal e o risco de
cárie do paciente.

Os controles preventivos realizados pelo cirurgião-dentista são capazes de aumentar a lon-


gevidade da prótese fixa (Figuras 91A-B).

A B

Figura 91 – A) Aspecto clínico final da prótese fixa metalocerâmica. B) Harmonia com o sorriso do paciente.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

88 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


ATIVIDADE

31. Na etapa de cimentação provisória, devem-se avaliar:


A) o perfil de emergência das coroas, as condições de higienização e a firmeza da cinta
metálica na lingual.
B) as condições de higienização, o ajuste oclusal cêntrico e excêntrico e o perfil de
emergência das coroas.
C) a firmeza da cinta metálica na lingual, o perfil de emergência das coroas e o ajuste
oclusal cêntrico e excêntrico.
D) o ajuste oclusal cêntrico e excêntrico, a firmeza da cinta metálica na lingual e o
perfil de emergência das coroas.
Resposta no final do artigo

32. Na etapa de cimentação definitiva, em caso de dentes vitalizados, deve-se:


A) polir mais profundamente os dentes.
B) não realizar a cimentação.
C) optar por remover a prótese.
D) utilizar um produto selador.
Resposta no final do artigo

33. A fase de manutenção é essencial para:


A) garantir a longevidade da prótese fixa.
B) ajustar a cor e a textura da prótese.
C) evitar a maloclusão da prótese.
D) prevenir os movimentos de báscula.
Resposta no final do artigo

CHECKLIST PARA A REALIZAÇÃO DE UMA PRÓTESE FIXA


METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
Nos Quadros 2 a 10, checklist das etapas para a realização de uma prótese fixa metalocerâ­
mica de três elementos.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 89


Quadro 2
EXAME CLÍNICO EXTRAORAL, EXAME CLÍNICO INTRAORAL E EXAME RADIOGRÁFICO

Exame clínico extraoral – Articulação temporomandibular (ATM)

Avaliação clínica da ATM


§ Verificar a presença de estalidos, clicks, dor, abertura bucal (normal ou limitada),
desvios em abertura, simetria facial – hipertonicidade muscular, perfil (alteração de
DVO).

Exame clínico extraoral – Musculatura (músculos faciais e cervicais)

Avaliação clínica da musculatura


§ Pressionar com firmeza utilizando a ponta dos dedos os músculos dos dois lados,
simultaneamente, para avaliar, além da dor, a tonicidade muscular, os trigger points
e o edema.
§ Examinar os músculos temporal anterior, médio e posterior, masseter, pterigóideo
medial, pterigóideo lateral, esternocleidomastóideo, trapézio, supra-hióideo, infra-
hióideo.

Exame clínico intraoral

Avaliação clínica intraoral


§ Examinar os tecidos moles: mucosa, língua, bochecha (endentação, linha alba,
presença de ulcerações).
§ Verificar a higiene bucal – evidenciação de placa, orientação de higiene e motivação.
§ Verificar se há mobilidade dental.
§ Verificar se há facetas de desgaste, processos de erosão, abrasão ou abfração.
§ Verificar se há fraturas/trincas no esmalte.
§ Verificar a presença de trauma e interferência oclusal evidente.
§ Observar as áreas de retenção/impacção alimentar: remover os excessos.
§ Avaliar a presença de cárie: remover o tecido cariado e selar as cavidades.
§ Avaliar a presença de cálculo: raspagem e alisamento radicular.
§ Verificar se há dor: pericementite por trauma oclusal, lesão periapical ou prótese
removível mal-adaptada (ajustar/reembasar).
§ Verificar a necessidade de ativar grampo: PPR sem retenção.
§ Verificar se a linha média está alinhada.
§ Realizar a sondagem periodontal (avaliação de sangramento à sondagem, recessão,
bolsa periodontal).

90 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Quadro 3
1ª ETAPA CLÍNICA – PREPAROS PARA AS COROAS METALOCERÂMICAS NOS DENTES
PILARES E CONFECÇÃO DE PROVISÓRIO DE TRÊS ELEMENTOS

Preparo nos dentes pilares


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), pontas diamantadas para alta rotação nº 3203 ou nº
2200, nº 1014, nº 2143 ou nº 3145, nº 3168, nº 3122, pontas F ou FF e broca
carbide multilaminada nº 283, alta rotação, micromotor e contra-ângulo, adaptador
para a ponta de alta rotação em contra-ângulo, porta matriz e matriz de aço,
lapiseira de ponta fina, espátula Lecron.

Avaliação clínica para o preparo nos dentes pilares


§ A oclusão já foi estabilizada?
§ Há faixa de gengiva inserida de, pelo menos, 2mm?
§ O tecido gengival está sadio?
§ Os dentes estão limpos?
§ O preparo terá o término localizado supra ou subgengivalmente?
§ A técnica de confecção das coroas provisórias já foi selecionada?
§ Todas as pontas (brocas) e demais instrumentais necessários ao preparo e à
realização da coroa provisória estão presentes?
§ Sabe a sequência de preparo e as características do preparo concluído?

Quanto ao preparo
§ A quantidade de desgaste, principalmente o espaço interoclusal/incisal apresenta-
se favorável para a confecção da prótese metalocerâmica?
§ A primeira inclinação está levemente convergente para oclusal/incisal em
aproximadamente 3º em cada face?
§ A segunda inclinação está correta?
§ Se a localização do término for subgengival, está a 0,5mm subgengival?
§ O término cervical apresenta a forma em chanfrado?
§ O término cervical está regular, contínuo, definido e bem liso/polido?
§ As paredes axiais do preparo apresentam bom acabamento em baixa rotação?
§ As arestas estão levemente arredondadas?
§ A anatomia oclusal está definida?
§ O dente preparado está separado dos vizinhos em pelo menos 1mm na região cervical?
§ Existe paralelismo (eixo de inserção) entre os dentes pilares de prótese fixa?

Passo a passo do preparo dentário para a coroa total metalocerâmica (técnica da


silhueta modificada) para cada dente pilar
§ 1º passo – Desgastes proximais – utilizar ponta diamantada cônica longa nº 3203 ou
nº 2200 para eliminar a convexidade da área proximal – corte em fatia promovendo
a separação do dente contíguo na área cervical de, pelo menos, 1mm na região
cervical, proteção do dente contíguo com porta matriz e matriz de aço, ponta cônica
paralela à direção de inserção pretendida para a coroa (perpendicular ao plano
oclusal).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 91


§ 2º passo – Sulco marginal cervical das faces vestibular, lingual e proximais, se
possível, e perfurações linguais (dentes anteriores) – utilizar ponta diamantada
esférica nº 1014, inclinação da ponta esférica de 45º em relação ao longo eixo do
dente.
§ 3º passo – Desgaste da face incisal (dentes anteriores) ou oclusal (dentes posteriores)
– utilizar ponta diamantada cilíndrica com extremidade arredondada nº 2143 ou
nº 3145 (diâmetro da ponta de 1,2mm), fazer dois ou três sulcos de orientação no
sentido V-L, seguindo a inclinação das cúspides, unir os sulcos da metade mesial,
com a mesma ponta posicionada obliquamente aos sulcos.
§ 4º passo – Sulcos de orientação da face vestibular e do terço cervical da face lingual
– utilizar ponta diamantada cilíndrica com extremidade arredondada nº 2143 para
as coroas clínicas curtas ou nº 3145 para as coroas clínicas longas, seguindo-se a
inclinação das faces.
§ 5º passo – União dos sulcos de orientação e preparo da face mesial – unir os sulcos,
com as mesmas pontas do passo anterior posicionadas obliquamente aos sulcos,
preparando a metade mesial do dente, inclusive a face mesial; a papila interdental
deverá ser contornada pela ponta nº 2143 para manter a mesma distância da
margem gengival ao término cervical do preparo em todas as faces.
§ 6º passo – Desgaste da metade distal – repetir a sequência citada para a metade
mesial (3º ao 5º passos).
§ 7º passo – Preparo subgengival – se necessário – estender o preparo até
aproximadamente 0,3mm subgengival com as pontas nº 2143 ou nº 3145 e,
posteriormente, com a nº 3122 até 0,5mm, definindo a forma de chanfrado e a
linha de término – contínua e nítida.
§ 8º passo – Desgaste da concavidade lingual (em dentes anteriores) – utilizar ponta
diamantada em forma de chama nº 3168, acompanhando a anatomia do dente e
respeitando a quantidade mínima de desgaste, até unir as perfurações feitas no 2º
passo.
§ 9º passo – Acabamento – utilizar pontas de granulação fina “F” e broca carbide
multilaminada nº 283 em baixa rotação ou alta rotação em baixa velocidade,
com muita irrigação; arredondar as arestas e definir a forma e o limite do término
cervical.

Características finais do preparo


§ Mantém a silhueta da coroa clínica existente previamente ao preparo.
§ Faces axiais: vestibular, lingual e proximais com inclinação de, aproximadamente,
2 a 5º para a incisal ou oclusal (primeira inclinação) e de 5 a 10º para a segunda
inclinação, com convergências compatíveis.
§ Ângulos axiais e áxio-oclusais arredondados.
§ Separação do dente contíguo na área cervical de, pelo menos, 1mm.
§ Forma do término cervical em chanfrado e quantidade de desgaste suficiente para a
prótese metalocerâmica.
§ Linha de término cervical contínua, definida e nítida.
§ Extensão cervical 0,5mm subgengival.

92 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


Confecção de provisório de três elementos
§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), micromotor e peça reta, broca de tungstênio maxicut,
ponta diamantada cilíndrica nº 82 para a peça reta, borrachas de polimento de
resina acrílica, RAAQ – cor 62, 66 ou 69, monômero, vaselina, dois potes Dappen,
pincel pelo de Marta nº 0, pincel nº 2, faceta de dente de estoque – se dente
anterior, cubeta de borracha, espátula plástica para a manipulação de alginato,
medidor de pó, medidor de água, alginato e moldeira parcial – se pela técnica da
moldagem, especímetro, cimento provisório, fio dental, gaze.

Avaliação clínica da confecção de provisório


§ O dente vitalizado já foi limpo com água de hidróxido de cálcio e clorexidina após o
término do preparo?
§ O dente vitalizado foi protegido com verniz ou adesivo autocondicionante?
§ O dente preparado foi isolado com vaselina?
§ As espessuras do provisório foram conferidas com o especímetro?

Passo a passo da técnica de confecção do provisório por moldagem


§ Realizar a moldagem pré-operatória do dente com hidrocoloide irreversível (alginato)
ou elastômero antes do preparo.
§ Proteger o molde com gaze ou algodão levemente umedecido, para evitar que o
alginato sofra sinérese ou embebição, o que poderia levar a distorções do molde.
§ Após a realização do preparo dentário, testar o molde pré-operatório no dente
preparado para verificar o seu correto posicionamento e assentamento.
§ Limpar o dente preparado, isolar com vaselina e pincel nº 2 para impedir que a
RAAQ fique retida sobre o preparo durante a sua polimerização.
§ Manipular a RAAQ em pote Dappen e, durante a fase plástica, escoar a RAAQ no
molde na região do dente preparado.
§ Levar o molde com a resina à boca e manter o conjunto em posição até que a RAAQ
entre na fase borrachoide. Nessa fase, remover o molde da boca e a RAAQ deverá
permanecer no dente preparado.
§ No momento em que a RAAQ atingir a fase borrachoide, o provisório deverá ser
removido para retirar as retenções e rapidamente reposicionado até a polimerização
final.
§ Em seguida, realizar o reembasamento do provisório, para melhorar o seu
assentamento no término cervical do preparo.
§ Ajustar o provisório nas faces oclusal e proximal, no fechamento e durante os
movimentos excursivos da mandíbula.
§ Conferir as espessuras do provisório com o especímetro, se necessário aumentar o
desgaste no preparo dentário.
§ Realizar o acabamento e polimento da coroa provisória.
§ Cimentar o provisório com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido
de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de
cimento com sonda exploradora e fio dental.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 93


Passo a passo da técnica de confecção do provisório por resina esculpida
§ Limpar o dente preparado, isolar com vaselina para impedir que a RAAQ fique retida
sobre o preparo durante a sua polimerização.
§ Manipular a RAAQ em pote Dappen e, durante a fase plástica, fazer uma “bolinha”
de resina.
§ Levar a “bolinha” de RAAQ ao preparo e pedir ao paciente para ocluir. Assim,
o provisório terá a referência em altura e do ponto de contato com o dente
contíguo. O provisório deve ser mantido em posição até que a RAAQ entre na fase
borrachoide.
§ No momento em que a RAAQ atingir a fase borrachoide, o provisório deverá ser
removido para retirar as retenções e rapidamente reposicionado até a polimerização
final.
§ Realizar a escultura da anatomia dental utilizando brocas e pontas diamantadas.
§ Em seguida, realizar o reembasamento do provisório, para melhorar o seu
assentamento no término cervical do preparo.
§ Realizar o ajuste oclusal e proximal da coroa provisória, no fechamento e durante os
movimentos excursivos da mandíbula.
§ Conferir as espessuras do provisório com o especímetro, se necessário aumentar o
desgaste no preparo dentário.
§ Realizar o acabamento e o polimento da coroa provisória.
§ Cimentar a prótese provisória com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio,
óxido de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de
cimento com sonda exploradora e fio dental.
§ Ressalta-se que esta técnica é muito dependente da habilidade manual do cirurgião-
dentista.

Passo a passo da técnica de confecção do provisório pela faceta de dente de estoque


§ Limpar o dente preparado, isolar com vaselina para impedir que a RAAQ fique retida
sobre o preparo durante a sua polimerização.
§ Selecionar os dentes de estoque ou as facetas pré-fabricadas de acordo com o
formato e a cor dos dentes do paciente, sendo posteriormente desgastados até que
se adaptem na face vestibular do preparo.
§ Colocar o monômero e o polímero em potes Dappen separados, adicionar resina
pela técnica de Nealon na porção interna da faceta, posicionar a faceta no preparo
e colocar a RAAQ, até que a faceta não seja deslocada com facilidade e a anatomia
das faces restantes esteja estabelecida.
§ Aguardar a presa da RAAQ, devendo-se observar a reação exotérmica que acontece
durante o seu processo de polimerização. Para evitar o aquecimento da estrutura
dental, realizar movimentos de remoção e colocação na fase borrachoide da RAAQ
para que o provisório não contraia no preparo.
§ Após a completa polimerização da RAAQ, remover os excessos com pontas
diamantadas.
§ Em seguida, realizar o reembasamento do provisório, para melhorar o seu
assentamento no término cervical do preparo.

94 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


§ Realizar o ajuste oclusal e proximal da coroa provisória, no fechamento e durante os
movimentos excursivos da mandíbula.
§ Conferir as espessuras do provisório com o especímetro, se necessário aumentar o
desgaste no preparo dentário.
§ Realizar o acabamento e o polimento da coroa provisória.
§ Realizar a cimentação provisória com cimento provisório à base de hidróxido de
cálcio, óxido de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e a remoção dos
excessos de cimento com sonda exploradora e fio dental.

Quadro 4
2ª ETAPA CLÍNICA – MOLDAGEM DE TRABALHO E REGISTROS PARA A MONTAGEM EM ASA

Reembasamento do casquete de moldagem


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), micromotor e peça reta, RAAQ vermelha, monômero,
dois potes Dappen, vaselina, pincel pelo de Marta nº 0, pincel nº 2, lapiseira de
ponta fina, espátula Lecron, broca de tungstênio maxicut, ponta diamantada
cilíndrica nº 82 para peça reta, broca esférica nº 8, gaze, casquete individual com
marcação feita com caneta marcadora permanente identificando o número do pilar
e a face vestibular.

Avaliação clínica do reembasamento do casquete de moldagem


§ O instrumental está completo?
§ O dente preparado está completamente limpo?
§ O preparo está concluído?
§ O tecido gengival está sadio mantido pelo provisório?
§ O espaço interoclusal/incisal apresenta-se favorável em relação ao material
restaurador a ser utilizado (espaço protético)?
§ A primeira inclinação está levemente convergente para oclusal/incisal em
aproximadamente 3º em todas as faces?
§ A segunda inclinação está correta?
§ A localização do término cervical está correta (supra, ao nível ou subgengival)?
§ O término cervical apresenta a forma de chanfrado?
§ O término cervical está regular, definido e bem liso/polido?
§ As paredes axiais do preparo apresentam bom acabamento?
§ As arestas estão sem ângulos vivos?
§ A anatomia oclusal está definida?
§ O dente preparado está separado dos vizinhos em, pelo menos, 1mm na região do
término cervical?

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 95


§ Caso o preparo não esteja adequado, realizar os ajustes necessários antes do
reembasamento do casquete. Lembrar que o provisório também deverá ser
reembasado, em caso de modificações no preparo durante esta etapa.
§ O reembasamento foi efetivo com formação da “saia” no casquete?
§ Os excessos externos e internos foram removidos?
§ O casquete está bem adaptado, afastando os tecidos?

Passo a passo do reembasamento do casquete de moldagem


§ Após a remoção do provisório e a limpeza dos preparos, testar a adaptação do
casquete no preparo.
§ Aplicar vaselina no preparo com pincel nº 2 e remover o excesso.
§ Com o auxílio de um pincel pelo de Marta nº 0, aplicar resina acrílica vermelha ao
redor do término cervical pela técnica de Nealon e, após a perda do brilho da RAAQ,
pressionar o casquete contra o término.
§ Unir a resina do reembasamento ao casquete com mais resina fluida sendo
adicionada na região externa do casquete.
§ Esperar a resina atingir a fase borrachoide (fazer movimento de remoção e
colocação) e aguardar a polimerização completa, antes de remover o casquete.
§ Avaliar a formação da “saia” no casquete – preenchimento do espaço do sulco
gengival além do término cervical. Se necessário, repetir o procedimento. No
entanto, remover o excesso de resina externamente e internamente antes de repetir
o reembasamento.
§ Marcar a “saia” com lapiseira – preenchimento do espaço do sulco além do término
cervical do casquete. Este é o momento ideal para verificar os excessos, visto que,
ao remover os excessos, fica quase impossível identificar as linhas de sulco e término
gengival.
§ Remover o excesso externo com broca de tungstênio maxicut ou ponta diamantada
cilíndrica nº 82.
§ Remover o excesso interno de RAAQ com broca esférica nº 8, preservando a resina
que tocou o término cervical do preparo.

Moldagem de trabalho com casquete


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), casquete individual reembasado, polissulfeto, poliéter ou
silicone de consistência regular, adesivo para o casquete, algodão para isolamento
relativo, espátula dupla nº 1 de inserção de cimento, moldeiras de inox tipo Vernes,
alginato, cubeta de borracha, espátula plástica para manipulação de alginato,
medidor de pó, medidor de água.

Avaliação clínica da moldagem de trabalho com casquete


§ O instrumental está completo?
§ O preparo está completamente limpo, com isolamento relativo?
§ O tecido gengival está sadio mantido pelo provisório?
§ Foi aplicado adesivo no casquete?

96 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


§ Verificar no molde se há bolhas dentro do casquete.
§ O casquete foi removido com o molde de alginato? Caso negativo, verificar a
possibilidade de remover o casquete individual da boca e posicioná-lo no molde.

Passo a passo da técnica da moldagem com casquete e remoção com alginato


§ Passar o adesivo no casquete, remover o excesso com jatos de ar e secar bem.
§ Selecionar a moldeira metálica total.
§ Dosar o material de moldagem, polissulfeto, poliéter ou silicone de consistência
regular (menos do que 1cm para cada dente pilar).
§ Espatular o material de moldagem com a espátula nº 24 até obter coloração
homogênea.
§ Inserir o material de moldagem no casquete, utilizando, preferencialmente, espátula
dupla nº 1 de inserção de cimento. Cuidado para não incluir bolha de ar no fundo
do casquete, colocando o material de moldagem por um dos bordos até que este
saia pelo outro lado.
§ Posicionar o casquete no dente preparado, observando a mesma posição em que
este se encontrava quando do último reembasamento e pressionar bem, mantendo a
pressão até a presa do material.
§ No caso de dois ou mais casquetes contíguos, fazer a sua união com resina acrílica e
bastão de acrílico rígido ou broca após a moldagem.
§ Preparar o material de moldagem para a moldeira total (alginato ou silicone de
consistência densa).
§ Preencher a moldeira.
§ Levar o alginato com o dedo em todas as faces dos dentes e em torno do casquete.
§ Inserir a moldeira na boca, afastando lábio/bochecha/língua.
§ Segurar a moldeira até a presa do material.
§ Remover a moldeira sem provocar movimentos de báscula.
§ Lavar em água corrente.
§ Analisar o molde. Deve estar presente a “saia” de material de moldagem
borrachoide em toda a borda do casquete. Ao término, as paredes axiais e pulpar
devem ter sido perfeitamente copiadas.
§ Realizar a desinfecção do molde.
§ Enviar o molde de trabalho ao laboratório de prótese dentária para a confecção do
modelo de trabalho.

Registros para a montagem dos modelos de trabalho em ASA


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), garfo de mordida, arco facial completo, lâmpada a
álcool, álcool absoluto, fósforo ou isqueiro, godiva de baixa fusão, vaselina, RAAQ
vermelha, monômero, dois potes Dappen, pincel pelo de Marta nº 0, pincel nº 2,
espátula nº 7, espátula Lecron, gaze, cimento provisório, fio dental.

Avaliação clínica do registro com arco facial


§ O arco facial está completo, com todas as peças?
§ O garfo de mordida está limpo?

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 97


§ A godiva foi inserida na quantidade adequada (proporção 3:1)?
§ O garfo foi centralizado de acordo com a linha mediana e também no sentido
anteroposterior?
§ As marcas dos dentes no material estão nítidas e rasas?
§ O modelo superior mostrou-se estável sobre o garfo?
§ O relator nasal está apoiado no ponto násio?
§ O arco ficou estável na face do paciente?
§ A haste horizontal do garfo está paralela à linha bipupilar do paciente?
§ A distância intercondilar foi registrada?
§ Os parafusos foram bem apertados?
§ Tem domínio da sequência de aperto dos parafusos?

Passo a passo do registro com arco facial


§ Colocar godiva de baixa fusão no garfo em um ponto anterior e dois posteriores na
proporção de 3:1, utilizando vaselina para dar forma na godiva. Posiciona-se o garfo
de mordida com a godiva plastificada na boca do paciente, centralizando o cabo
com a linha média da face. Pressiona-se o garfo contra os dentes superiores para
obter o registro das pontas de cúspides. Solicitar ao paciente que oclua ligeiramente
os dentes inferiores para estabilizar o garfo.
§ Resfriar a godiva e remover o garfo da boca do paciente, verificando a precisão do
registro das pontas de cúspides.
§ Encaixar o modelo superior no registro para conferir a sua estabilidade.
§ Recolocar o garfo de mordida nos dentes registrados e instalar o arco facial no cabo
do garfo de mordida, mantendo a presilha de fixação virada sempre para baixo e
mais próxima dos lábios do paciente.
§ Posicionar os suportes auriculares plásticos nos condutos auditivos externos do
paciente.
§ Pedir para que o paciente segure com firmeza ambas as hastes do arco facial e
pressione para dentro e para frente, aproximando ao máximo os suportes auriculares
plásticos das ATMs.
§ Apertar os três parafusos superiores do arco facial e registrar a distância intercondilar
aproximada do paciente (P, M ou G – 1, 2 ou 3) por demarcações na região anterior/
superior do arco facial. Se a marcação estiver entre duas medidas, selecionar a
medida menor.
§ Centralizar o relator nasal na barra transversal do arco facial e movimentar a presilha
na haste vertical para cima ou para baixo até o relator nasal se apoiar no ponto násio
(abaixo da glabela – projeção mais anterior do crânio).
§ Pressionar o relator nasal no ponto násio e apertar o parafuso de fixação.
§ Deslizar a presilha de fixação no cabo do garfo de mordida até que fique o mais
próxima dos lábios do paciente.
§ Apertar as presilhas da haste vertical e do cabo do garfo de mordida de maneira
intercalada até a fixação completa das presilhas. Use a mão esquerda para estabilizar
todo o conjunto durante o aperto com a mão direita.

98 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS


§ Para remover o arco facial, desapertar o parafuso de fixação do relator nasal e o
parafuso anterior do arco facial.
§ Remover os suportes auriculares ao mesmo tempo em que o paciente abre a boca,
retirando todo o conjunto com cuidado.
§ Posicionar o arco facial registrado na bancada, deixando o garfo para cima.
§ Montar o modelo superior no ASA ou enviar o arco facial registrado ao laboratório
de prótese dentária para que a montagem seja realizada.

Avaliação clínica do registro intermaxilar


§ Os modelos se articulam, com o auxílio do registro intermaxilar, da mesma maneira
que os arcos maxilar e mandibular do paciente?
§ Os modelos articulados com os registros apresentam-se estáveis?

Passo a passo do registro intermaxilar para a montagem em ASA do modelo de trabalho


§ O registro intermaxilar nesta etapa é realizado para promover a estabilidade posterior
e anterior com os modelos articulados.
§ Confeccionar um coping (casquete de transferência) em RAAQ vermelha que se
estenda da metade do dente preparado para a sua incisal ou oclusal.
§ Vaselinar o dente antagonista com pincel nº 2 e acrescentar RAAQ vermelha sobre
o coping, com pincel pelo de Marta nº 0 pela técnica de Nealon, até a ponta de
cúspide do dente antagonista e pedir para o paciente ocluir os dentes.
§ Lembrar de limpar o pincel na gaze e no monômero.
§ Caso tenha necessidade de registro em outros dentes para dar estabilidade aos
modelos, manipular a RAAQ com o monômero no pote Dappen e a espátula nº 7,
fazer “bolinha” na fase plástica para adaptar aos dentes selecionados para o registro
e solicitar ao paciente para ocluir os dentes.
§ Cimentar o provisório com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido
de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de
cimento com sonda exploradora e fio dental.
§ Enviar o registro intermaxilar ao laboratório de prótese dentária para a montagem do
modelo de trabalho inferior em ASA.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 99


Quadro 5
3ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTE DOS RETENTORES METÁLICOS E REMOÇÃO PARA SOLDAGEM

Ajuste dos retentores metálicos


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda exploradora,
pinça clínica), alta rotação, micromotor, peça reta, broca esférica carbide nº 1,
carbono líquido, pedra de óxido de alumínio tronco-cônica para peça reta, espátula
Lecron.

Avaliação clínica do ajuste dos retentores metálicos


§ O instrumental está completo?
§ O preparo está completamente limpo?
§ O tecido gengival está sadio mantido pelo provisório?
§ Existem bolhas positivas no interior do retentor?
§ Os retentores metálicos estão bem adaptados no término cervical?
§ Existe espaço na região do pôntico com o tecido mole?
§ Existe espaço nas áreas proximais com os dentes contíguos?
§ Na radiografia periapical foi verificada a adaptação proximal?
§ Existe espaço em relação ao dente antagonista?

Passo a passo do ajuste dos retentores metálicos


§ Após a remoção do provisório e a limpeza dos preparos, posicionar cada retentor
individualmente e verificar se existe alguma interferência que dificulte o seu
assentamento: tecidos moles em área de pônticos e contatos proximais; se sim,
eliminar os excessos.
§ Em seguida, com uma sonda exploradora analisar a relação de adaptação vertical
e horizontal, pois não deve existir qualquer degrau positivo ou negativo entre a
infraestrutura metálica e o término do preparo.
§ Caso haja desadaptação, remover o retentor, secar bem com jato de ar e aplicar
internamente uma camada de carbono líquido, para evidenciar qualquer excesso de
metal. Secar bem o produto e levar em posição novamente, fazendo leve pressão
digital.
§ Remover o retentor e avaliar internamente se existem áreas em que o material foi
removido. Essas áreas, caso existam, indicam que há alguma interferência interna
impedindo o assentamento completo da estrutura.
§ Remover, cuidadosamente, a interferência interna ao retentor, com broca esférica
carbide nº 1 em alta rotação.
§ Levar o retentor novamente em posição e verificar se existe desadaptação na região
marginal. Caso exista, repetir a avaliação interna com carbono líquido até que não
sejam mais identificadas interferências, tampouco desadaptação cervical.
§ O desgaste dos excessos externos do metal é realizado com uma pedra de óxido de
alumínio, com a infraestrutura metálica posicionada no troquel em gesso.
§ Em seguida, verificar se o retentor fica estável quando em posição. O retentor deve
estar livre de báscula e com ligeira retenção friccional.
§ Realizar uma radiografia periapical para que possam ser identificados desajustes
proximais.

100 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
§ Pedir ao paciente para ocluir com o retentor em posição e verificar se existe espaço
suficiente para a aplicação da cerâmica. Caso o espaço não esteja suficiente,
promover o desgaste do metal, de maneira que ele fique em infraoclusão. Não é
necessário, neste momento, usinar a infraestrutura até que o correto espaço para a
cerâmica seja obtido, ou até o limite de 0,3mm de espessura para as ligas de cobalto-
cromo (CoCr) ou NiCr. O preparo final do metal é facilitado após a remontagem em
ASA e deverá ser realizado pelo técnico em prótese dental.
§ Caso não seja possível obter uma correta adaptação de um dos retentores, o
processo de moldagem e montagem em ASA deve ser refeito para a obtenção de
novos retentores.

Remoção dos retentores metálicos para solda


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda exploradora,
pinça clínica), retentores metálicos separados e ajustados, RAAQ vermelha,
monômero, dois potes Dappen, vaselina, pincel pelo de Marta nº 0, hastes metálicas
rígidas, espátula Lecron, cera utilidade, cimento a base de hidróxido de cálcio, fio
dental, folha de papel A4 (gramatura 75g/m2).

Avaliação clínica da remoção dos retentores para solda


§ Os retentores estão bem adaptados nos dentes preparados?
§ O espaço para a solda foi ajustado e está com a superfície uniforme?
§ A haste metálica está bem envolvida com resina acrílica nas extremidades e aderida
aos retentores?
§ Existe báscula após a união dos retentores com a haste metálica?

Passo a passo da remoção dos retentores para solda


§ Após a adaptação dos retentores, posicionar cada retentor e verificar o espaço para a
solda. A distância máxima entre os retentores deve ser de 0,2 a 0,5mm, dependendo
da técnica para a soldagem.
§ Realizar a usinagem com pedra de óxido de alumínio até atingir o espaço ideal para
a solda, que pode ser avaliado colocando entre as partes um pedaço de papel A4
(gramatura 75g/m2).
§ Colocar cera utilidade no espaço para a solda para proteger a região de contato com
a resina acrílica, pois esta atrapalha o escoamento da solda.
§ Colocar uma porção de resina acrílica pela técnica do pincel sobre cada retentor, e,
em seguida, posicionar a haste metálica (brocas velhas ou fio ortodôntico reto de
2mm) sobre as porções de RAAQ unindo os retentores, deixando livre o espaço para
a solda (cera pode ser posicionada antes para proteção).
§ Aguardar a presa da RAAQ e verificar se a haste metálica está bem firme e se não
existe báscula na estrutura.
§ Guardar o conjunto em água.
§ Cimentar o provisório com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido de
zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de cimento
com sonda exploradora e fio dental.
§ Enviar os retentores unidos ao laboratório de prótese dentária para a soldagem.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 101


Quadro 6
4ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTE DA INFRAESTRUTURA METÁLICA SOLDADA, REGISTRO
INTERMAXILAR, MOLDAGEM DE TRANSFERÊNCIA PARA A REMONTAGEM DO MODELO E
SELEÇÃO DA COR

Ajuste da infraestrutura metálica soldada


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), infraestrutura metálica soldada, micromotor, peça reta,
disco de carborundum em mandril, pedra de óxido de alumínio tronco-cônica para
peça reta.

Avaliação clínica do ajuste da infraestrutura metálica soldada


§ O instrumental está completo?
§ O preparo está completamente limpo?
§ O tecido gengival está sadio mantido pelo provisório?
§ Os retentores estão bem adaptados nos dentes preparados após a soldagem?
§ Existe báscula da infraestrutura metálica após a soldagem?
§ O espaço disponível para a aplicação da cerâmica é suficiente?

Passo a passo do ajuste da infraestrutura metálica soldada


§ Após a remoção do provisório e a limpeza dos preparos, posicionar a infraestrutura
metálica soldada e verificar se existe alguma interferência que dificulte a sua
completa adaptação no término cervical: tecidos moles em área de pônticos e
contatos proximais. Se sim, eliminar os excessos.
§ Em seguida, com uma sonda exploradora analisar a relação de adaptação vertical
e horizontal, pois não deve existir qualquer degrau positivo ou negativo entre a
infraestrutura metálica e o término do preparo.
§ Verificar se a infraestrutura metálica soldada fica estável quando em posição. Essa
infraestrutura deve estar livre de báscula e com ligeira retenção friccional.
§ Caso se identifique a báscula, a infraestrutura deverá ser cortada com disco de
carborundum fino em mandril e novo procedimento de remoção para solda deve ser
realizado.
§ Analisar o espaço para a aplicação da cerâmica de cobertura. Se necessário, realizar
desgaste com pedra de óxido de alumínio controlando a espessura da infraestrutura
metálica com o especímetro.

Registro intermaxilar sobre a infraestrutura metálica soldada


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), infraestrutura metálica soldada e ajustada, RAAQ
vermelha, monômero, dois potes Dappen, vaselina, pincel pelo de Marta nº 0.

Avaliação clínica do registro intermaxilar


§ A marca da ponta de cúspide está nítida no registro?
§ Os modelos se articulam, com o auxílio do registro, da mesma maneira que os arcos
maxilar e mandibular do paciente?
§ Os modelos articulados com os registros apresentam-se estáveis?

102 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
Passo a passo do registro intermaxilar
§ O registro intermaxilar nesta etapa é realizado para promover a estabilidade posterior
e anterior com os modelos articulados.
§ A RAAQ é aplicada fora da boca com pincel, sem excesso, diretamente na infraestrutura
metálica, contornando a vestibular, incisal/oclusal e lingual, para que fique aderida.
§ Vaselinar o dente antagonista com pincel nº 2 e acrescentar resina sobre a
infraestrutura metálica posicionada na boca, com pincel pelo de Marta nº 0 pela
técnica de Nealon, até a ponta de cúspide do dente antagonista e pedir para o
paciente ocluir os dentes.
§ Lembrar de limpar o pincel na gaze e no monômero.

Moldagem de transferência para a remontagem do modelo


§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), moldeiras de inox tipo Vernes, alginato, cubeta de
borracha, espátula plástica para a manipulação de alginato, medidor de pó, medidor
de água.

Avaliação clínica da moldagem de transferência


§ A moldeira foi selecionada corretamente?
§ Foi colocado alginato na região abaixo do pôntico e nas proximais?
§ O molde de transferência está aprovado?

Passo a passo da moldagem de transferência


§ Selecionar a moldeira de inox para a moldagem.
§ Preparar e manipular o alginato para a moldeira total.
§ Preencher a moldeira.
§ Após preencher a moldeira com alginato, colocar o material de moldagem com o
dedo na região abaixo do pôntico e nas proximais.
§ Inserir a moldeira na boca, afastando lábio/bochecha/língua.
§ Segurar a moldeira até a presa do material.
§ Remover a moldeira sem provocar movimentos de báscula.
§ Lavar em água corrente.
§ Avaliar o molde com a correta transferência da infraestrutura metálica.
§ Realizar a desinfecção do molde.
§ Cimentar o provisório com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido
de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de
cimento com sonda exploradora e fio dental.
§ Enviar o molde de transferência ao laboratório de prótese dentária para a confecção
do modelo e a remontagem em ASA, para aplicação da cerâmica de cobertura sobre
a infraestrutura metálica.

Seleção da cor
§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda
exploradora, pinça clínica), escala de cores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 103


Avaliação clínica da seleção da cor
§ No momento de seleção de cor, foi utilizada a luz natural do dia?
§ O paciente aprovou a cor selecionada?

Passo a passo da seleção da cor


§ O cirurgião-dentista deve ficar de pé, em frente ao paciente para a seleção da cor.
§ De preferência, utilizar iluminação natural com luz do dia para a seleção da cor. O
paciente deve ser avisado que a cor é dependente da luz transmitida pelo ambiente,
e, então, que poderá sofrer leves alterações quando em ambientes com iluminação
diferente.
§ Mostrar ao paciente a cor selecionada e as diversas características observadas para o
consenso final da cor entre o paciente e o cirurgião-dentista.

Quadro 7
5ª ETAPA CLÍNICA – AJUSTE DA CERÂMICA

§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda


exploradora, pinça clínica), micromotor, peça reta, lapiseira de ponta fina, ponta
diamantada de granulação fina para a peça reta, pedra montada de carborundum,
fita carbono dupla-face Accufilm II, pinça Muller, carbono líquido, fio dental.

Avaliação clínica do ajuste da cerâmica


§ O preparo está completamente limpo?
§ O tecido gengival está sadio mantido pelo provisório?
§ Os contatos proximais estão adequados, sem desfiar o fio dental?
§ O contato do pôntico com o tecido gengival está suave?
§ A prótese está completamente adaptada no término cervical?
§ Os contatos oclusais em fechamento nos movimentos de lateralidade e protrusão
estão ajustados?
§ A anatomia da prótese está adequada?
§ A cor corresponde à selecionada anteriormente?
§ Há necessidade de pigmentação extrínseca?

Passo a passo do ajuste da cerâmica


§ Após a remoção do provisório e a limpeza dos preparos, posicionar a prótese e
verificar se há excesso de cerâmica nos pontos de contatos proximais.
§ Observar a intensidade dos contatos proximais. Se não houver contato, haverá
necessidade de acréscimo, após a análise e o ajuste das demais etapas. Se o contato
for intenso, a ponto de dificultar ou impedir o assentamento, deve-se ajustar as
proximais.

104 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
§ Posicionar a fita carbono nas proximais, uma de cada vez, e a prótese é pressionada
suavemente em busca do assentamento.
§ Retirar a prótese e analisar as marcas de carbono nas proximais. O ajuste
se faz utilizando ponta diamantada de granulação fina ou pedra montada
de carborundum, desgastando suavemente a marca de carbono. Repetir o
procedimento de marcação e desgastar quantas vezes for necessário até que o fio
dental passe pelos contatos com resistência semelhante aos contatos proximais entre
os outros dentes naturais do paciente.
§ Conferir o contato do pôntico com o fio dental. Se houver isquemia persistente
acima de 10 minutos, utilizar o carbono líquido na cerâmica na região de contato do
pôntico, para evidenciar qualquer excesso de material. Secar bem o produto e levar
em posição novamente, fazendo leve pressão digital. Desgastar o excesso com ponta
diamantada de granulação fina ou pedra montada de carborundum.
§ Em seguida, com uma sonda exploradora analisar a relação de adaptação vertical
e horizontal, pois não deve existir qualquer degrau positivo ou negativo entre a
prótese e o término do preparo.
§ Caso haja desadaptação, remover os excessos de cerâmica na região cervical,
ajustando o perfil de emergência dos dentes.
§ Após a completa adaptação da prótese nos dois dentes pilares, marcar os contatos
oclusais de fechamento em relação cêntrica e ajustar se houver contatos prematuros.
Realizar os movimentos de lateralidade e protrusão, marcando com a fita carbono
nos lados de trabalho e balanceio para remover qualquer interferência na prótese.
§ Realizar os ajustes estéticos de forma, contorno e cor, adequando às exigências do
paciente. Se necessário, realizar pigmentação extrínseca com pigmentos/corantes
cerâmicos.
§ Cimentar o provisório com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido
de zinco e eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e remover os excessos de
cimento com sonda exploradora e fio dental.
§ Enviar a prótese ao laboratório de prótese dentária para a sinterização dos
pigmentos e do glaze e polimento da prótese.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 105


Quadro 8
6ª ETAPA CLÍNICA – CIMENTAÇÃO PROVISÓRIA DA PRÓTESE

§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda


exploradora, pinça clínica), cimento provisório, vaselina sólida, rolo de algodão para
isolamento relativo, espátula dupla nº 1 de inserção de cimento, fio dental.

Avaliação clínica da cimentação provisória da prótese


§ O preparo está completamente limpo?
§ A prótese está ajustada nos pontos de contatos, pôntico e término cervical?

Passo a passo da cimentação provisória da prótese


§ Após a remoção do provisório e a limpeza dos preparos, posicionar a prótese e
conferir os ajustes anteriores, agora após o glaze.
§ Proteger a região interna e externa da prótese com vaselina para facilitar a remoção
do cimento provisório posteriormente.
§ Manipular o cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido de zinco e
eugenol ou óxido de zinco sem eugenol e inserir uma fina camada de cimento
manipulado na região interna da prótese próximo da cervical.
§ Pedir ao paciente que oclua, se for prótese posterior, ou exerça leve pressão com um
rolo de algodão da incisal, se for prótese anterior.
§ Remover os excessos de cimento com sonda exploradora e fio dental.

Quadro 9
7ª ETAPA CLÍNICA – CIMENTAÇÃO DEFINITIVA DA PRÓTESE

§ Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda


exploradora, pinça clínica), cimento à base de fosfato de zinco, placa de vidro,
espátula nº 24 para manipulação do cimento, vaselina sólida, espátula Lecron, saca-
prótese, rolo de algodão para isolamento relativo, espátula dupla nº 1 de inserção de
cimento, fio dental.

Avaliação clínica da cimentação definitiva da prótese


§ O preparo está completamente limpo?
§ O contorno da prótese está adequado com o perfil de emergência das coroas?
§ O paciente realizou a higienização da prótese com facilidade?
§ O contato do pôntico no tecido gengival está adequado?
§ Os contatos oclusais cêntrico e excêntrico são suficientes?
§ A cor está adequada?

106 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
§ Realizar os ajustes necessários na prótese, observados durante a avaliação com o
cimento provisório.
§ Proteger a região externa da prótese com vaselina para facilitar a remoção dos
excessos do cimento à base de fosfato de zinco.
§ Manipular o cimento definitivo à base de fosfato de zinco de acordo com as
recomendações do fabricante.
§ Inserir uma fina camada de cimento manipulado na região interna da prótese
próximo da cervical.
§ Pedir ao paciente que oclua, se for prótese posterior, ou exerça leve pressão com um
rolo de algodão da incisal, se for prótese anterior, e aguardar cinco minutos.
§ Remover os excessos de cimento com sonda exploradora e fio dental.

Quadro 10
8ª ETAPA CLÍNICA – MANUTENÇÃO

Material e instrumental necessários: instrumental clínico (espelho, sonda exploradora,


pinça clínica), fio dental.

Avaliação clínica da manutenção


§ O tecido periodontal está saudável?
§ Há acúmulo de placa sobre a prótese?
§ O paciente está higienizando a prótese com facilidade?
§ O ponto de contato com os dentes vizinhos está mantido?
§ A prótese está bem adaptada no término cervical?

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 107


ATIVIDADE

34. Na etapa clínica de ajuste da infraestrutura metálica soldada, alguns passos são impor-
tantes para que se possa encaminhar o trabalho ao laboratório para a etapa seguinte.
Estes passos são:
A) ajuste oclusal, ajuste interno do metal e seleção da cor.
B) ajuste do metal, registro interoclusal, moldagem de transferência e seleção da cor.
C) ajuste do metal, registro interoclusal e seleção da cor.
D) ajuste da solda, moldagem de transferência e seleção da cor.
Resposta no final do artigo

35. O ajuste clínico da cerâmica deve ser realizado em etapas, possibilitando uma restau-
ração harmoniosa no aspecto estético e funcional. Para isso, esse ajuste deve ser feito
respeitando quais etapas?
A) Cervical, proximal, oclusal e estético.
B) Estético, oclusal e cervical.
C) Proximal, cervical, oclusal e estético.
D) Cervical, proximal, estético e oclusal.
Resposta no final do artigo

36. Ao exame clínico extraoral, para a avaliação da musculatura, deve-se utilizar:


A) raio X bucofacial.
B) pressão com as pontas dos dedos.
C) exame de imagem, como o ultrassom.
D) avaliação visual da simetria facial.
Resposta no final do artigo

37. Entre os materiais e instrumentais necessários para o ajuste da cerâmica estão:


A) instrumental clínico (espelho, sonda exploradora, pinça clínica).
B) lapiseira de ponta grossa.
C) disco de carborundum em mandril.
D) ponta diamantada de granulação grossa para peça reta.
Resposta no final do artigo

108 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
38. Na avaliação clínica da moldagem de transferência, deve-se verificar se:
A) a marca da ponta de cúspide está nítida no registro.
B) foi colocado alginato na região abaixo do pôntico e nas proximais.
C) o tecido gengival está sadio mantido pelo provisório.
D) a prótese está completamente adaptada no término cervical.
Resposta no final do artigo

39. Segundo a técnica da silhueta modificada, o desgaste da face incisal ou oclusal corres-
ponde ao:
A) 6º passo.
B) 4º passo.
C) 3º passo.
D) 1º passo.
Resposta no final do artigo

40. Entre os materiais e instrumental necessários para os registros para montagem dos mo-
delos de trabalho em ASA estão:
A) pincel pelo de Marta nº 2, pincel nº 7 e espátula nº 0.
B) pincel pelo de Marta nº 7, pincel nº 0 e espátula nº 2.
C) pincel pelo de Marta nº 0, pincel nº 7 e espátula nº 2.
D) pincel pelo de Marta nº 0, pincel nº 2 e espátula nº 7.
Resposta no final do artigo

CONCLUSÃO
O tratamento com prótese fixa metalocerâmica de três elementos para reabilitar a ausência
dentária unitária, quando bem planejado e executado, restabelece a função, a fonética e a
estética ao paciente.

A habilidade e a experiência do cirurgião-dentista e do técnico em prótese dentária influ-


enciará diretamente na longevidade da prótese, ao passo que a adaptação cervical ideal irá
prevenir futura microinfiltração marginal pela dissolução do cimento e a consequente cárie e
inflamação do tecido periodontal, favorecendo a longevidade do procedimento reabilitador.

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RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS
Atividade 1
Resposta: B
Comentário: Na grande maioria das vezes, o cirurgião-dentista consegue identificar lesões
importantes na cavidade bucal, encaminhando o paciente para tratamento médico, quando
necessário.

Atividade 2
Resposta: D
Comentário: Em uma anamnese completa, devem ser coletadas informações sobre a saúde
geral do paciente. A existência de doenças sistêmicas pode determinar os cuidados especiais
durante o tratamento, como, por exemplo, diabetes ou hipertensão. Os hábitos parafun-
cionais também devem ser considerados importantes fatores que podem interferir no trata-
mento com prótese fixa. A dieta do paciente pode determinar alterações na cavidade bucal,
sendo que a ingestão frequente de alimentos ácidos pode promover a perda de substância
dentária. O perfil facial do paciente deve ser analisado durante o exame clínico extraoral.

Atividade 3
Resposta: A
Comentário: As radiografias panorâmicas são muito úteis, por fornecer uma visão bem geral
da condição do paciente. Em reabilitações extensas, tornam-se indispensáveis. Entretanto,
as radiografias periapicais e interproximais também devem ser realizadas para que possam
ser visualizados os detalhes pertinentes a cada região de interesse.

Atividade 4
Resposta: C
Comentário: Com a preparação das paredes axiais com convergência de 2 a 5º e inclusão
de canaletas, a retenção friccional é melhorada, sem prejuízo da integridade da estrutura do
dente e sem comprometimento do planejamento estético e funcional.

Atividade 5
Resposta: D
Comentário: O tipo de término chanfrado facilita a adaptação do metal e propicia a correta
quantidade de desgaste para acomodar o material restaurador (metal e cerâmica). Junta-
mente com a correta extensão subgengival de 0,5mm, proporciona estética da emergência
da restauração e respeita a saúde do tecido periodontal.

110 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
Atividade 6
Resposta: D
Comentário: Todos os itens citados podem comprometer a integridade biológica do tecido
pulpar e dentinário.

Atividade 7
Resposta: B
Comentário: Do ponto de vista periodontal, o ideal seria que os términos dos preparos fossem
supragengivais, ou seja, que o término da restauração ficasse afastado do tecido gengival.

Atividade 8
Resposta: C
Comentário: Considerando o preparo de pilares para receber uma prótese fixa de três ele-
mentos, é necessário verificar se os preparos possuem direção única de inserção. Nessa fase
de preparo é possível modificar a inclinação dos dentes pilares para favorecer a estética.

Atividade 9
Resposta: A
Comentário: A moldagem com frio retrator deve ser realizada com muita cautela, visto que
poderá traumatizar o periodonto, devendo ser evitada quando na presença de gengiva inse-
rida menor do que 2mm.

Atividade 10
Resposta: A
Comentário: Após o acabamento e o polimento do provisório, a sua cimentação deve ser
realizada com cimento provisório à base de hidróxido de cálcio, óxido de zinco e eugenol ou
óxido de zinco sem eugenol.

Atividade 11
Resposta: C
Comentário: Depois dos ajustes estéticos e da região subgengival, o provisório deve ser poli-
do com critério, para que a superfície esteja lisa, evitando acúmulo de placa e pigmentação
extrínseca.

Atividade 12
Resposta: A
Comentário: A coroa provisória tem como funções: proteger a dentina e a polpa de agentes
nocivos ou irritantes, restabelecer a estética e a função mastigatória e preservar a relação do
elemento dentário com o tecido gengival e os dentes vizinhos/antagonista.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 111


Atividade 13
Resposta: B
Comentário: Existem vários métodos para se confeccionar a restauração provisória, entre
eles podem ser citados: as técnicas diretas – molde de alginato ou de silicone a partir do den-
te a ser preparado, faceta estética com dentes de estoque e a técnica da resina esculpida; as
técnicas indiretas – provisório prensado e matriz de acetato.

Atividade 14
Resposta: D
Comentário: A linha interna copia o término cervical e a externa promove o afastamento do
tecido gengival, preenchendo o espaço do sulco gengival.

Atividade 15
Resposta: C
Comentário: O registro com o arco facial é realizado sem os provisórios para auxiliar na mon-
tagem do modelo superior e o registro intermaxilar para a montagem do modelo inferior.

Atividade 16
Resposta: B
Comentário: Na opção de afastamento com o fio único, ele deverá ser removido durante a
moldagem, deixando, assim, o sulco gengival livre.

Atividade 17
Resposta: D
Comentário: O objetivo do selamento de bordo é realizar o enceramento até a margem do
término cervical e, assim, promover a adaptação marginal correta da infraestrutura metálica
em toda a extensão do término do preparo. O selamento de bordo também consiste em
verter cera liquefeita, complementando o enceramento na região subgengival, só agora
totalmente exposta, graças ao recorte dos tecidos adjacentes no troquel.

Atividade 18
Resposta: B
Comentário: Caso o modelo antagonista aos preparos não tenha sido alterado no articula-
dor, na montagem de estudo ele poderá ser mantido, dispensando a etapa de registro com
arco facial.

112 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
Atividade 19
Resposta: A
Comentário: O modelo de trabalho é obtido utilizando, na região de cada preparo, pino
para troquel, que permite a individualização dos dentes preparados, e gesso pedra especial
tipo IV, o qual apresenta fácil manipulação, baixa distorção e alta resistência, reproduzindo
com fidelidade as estruturas envolvidas na confecção da prótese parcial fixa.

Atividade 21
Resposta: C
Comentário: Na técnica chamada de fundição pela técnica da cera perdida, a injeção ocorre
por canais de alimentação, que comunicam o meio externo com o interior do molde. O
processo de injeção da liga fundida mais comum é o da centrifugação após a fundição dos
lingotes de liga metálica pelo maçarico. Após a injeção da liga fundida, o conjunto não pode
ser superaquecido, tampouco ser resfriado de maneira abrupta.

Atividade 22
Resposta: D
Comentário: O desgaste nas áreas internas dos retentores é realizado com brocas esféricas
carbide e com muito cuidado para não comprometer a retenção da prótese. O desgaste
externo para a adaptação do metal no término cervical é feito com pedra de óxido de alu-
mínio.

Atividade 23
Resposta: B
Comentário: Para realizar um bom ajuste dos retentores metálicos, devem-se remover as
coroas provisórias e limpar qualquer resquício de cimento ou resíduos sobre os preparos
dentários que possam impedir o assentamento adequado da estrutura e levar a uma desa-
daptação marginal.

Atividade 24
Resposta: A
Comentário: A estrutura metálica a ser soldada é incluída em revestimento especial para a
soldagem com altura de 1,5 a 2,0cm para a região da solda, considerando a técnica de solda
por brasagem.

Atividade 25
Resposta: A
Comentário: Na 4ª etapa clínica, é realizado o ajuste da infraestrutura metálica soldada,
para, além de novamente verificar a adaptação dos retentores e o assentamento passivo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 2 | 113


da infraestrutura agora unida, analisar o espaço disponível para a cerâmica de cobertura e
obter um novo modelo, chamado modelo de remontagem, que será montado em ASA e
utilizado para a aplicação da cerâmica sobre a infraestrutura metálica.

Atividade 26
Resposta: A
Comentário: O paciente deve ser orientado que a cor é dependente da luz transmitida pelo
ambiente, e, então, que poderá sofrer leves alterações quando em ambientes dependentes
de iluminação artificial.

Atividade 27
Resposta: B
Comentário: 3ª etapa laboratorial – Obtenção do modelo de trabalho para a remontagem
em ASA, preparo do metal e aplicação de cerâmica de cobertura.

Atividade 28
Resposta: A
Comentário: Na 5ª etapa clínica, o cirurgião-dentista irá conferir os ajustes para a adaptação
da prótese nos dentes preparados (pilares) e os ajustes estéticos quanto à função e à forma.

Atividade 29
Resposta: C
Comentário: Finalizado o ajuste oclusal, é feito o ajuste estético para adequar às exigências
do paciente, tanto no que diz respeito a contorno quanto à textura e à cor.

Atividade 30
Resposta: A
Comentário: A técnica de estratificação consiste em dois ou três ciclos de sinterização de ce-
râmicas de diferentes cores e diferentes níveis de translucidez, de acordo com a necessidade,
até que a anatomia final da prótese seja obtida.

Atividade 31
Resposta: B
Comentário: Após a finalização da prótese, indica-se a fixação provisória da prótese fixa
metalocerâmica de três elementos como forma de se avaliar: o perfil de emergência das
coroas; as condições de higienização; o contato do pôntico ao tecido gengival, possibilitan-
do qualquer ajuste antes da cimentação definitiva; o ajuste oclusal cêntrico e excêntrico; o
ajuste da cor, se necessário.

114 SEQUÊNCIA CLÍNICA E LABORATORIAL DE UMA PRÓTESE FIXA METALOCERÂMICA DE TRÊS ELEMENTOS
Atividade 32
Resposta: D
Comentário: Em caso de dentes vitalizados, deve-se utilizar um produto selador, como o ver-
niz cavitário, ou um adesivo autocondicionante. Após a remoção dos excessos de cimento,
deve-se conferir o ajuste oclusal em cêntrica e nos movimentos.

Atividade 33
Resposta: A
Comentário: As consultas posteriores à cimentação definitiva são essenciais para a manu-
tenção da longevidade da prótese fixa, acompanhando a saúde periodontal e o risco de
cárie do paciente.

Atividade 34
Resposta: B
Comentário: Após o ajuste do metal, é necessário se fazer o registro e a moldagem para que
o técnico tenha um modelo de transferência com as relações necessárias para a aplicação
da cerâmica e seleção da cor.

Atividade 35
Resposta: C
Comentário: O ajuste proximal possibilita o assentamento da peça, para que se possam
realizar os ajustes cervical, oclusal e, em seguida, já com o assentamento final estabelecido,
executar o ajuste estético.

Atividade 36
Resposta: B
Comentário: Para a avaliação clínica da musculatura: pressionar com firmeza utilizando a
ponta dos dedos os músculos dos dois lados, simultaneamente, para avaliar, além da dor, a
tonicidade muscular, os trigger points e o edema. Examinar os músculos temporal anterior,
médio e posterior, masseter, pterigóideo medial, pterigóideo lateral, esternocleidomastói-
deo, trapézio, supra-hióideo, infra-hióideo.

Atividade 37
Resposta: A
Comentário: Material e instrumental necessários para o ajuste da cerâmica: instrumental
clínico (espelho, sonda exploradora, pinça clínica), micromotor, peça reta, lapiseira de ponta
fina, ponta diamantada de granulação fina para peça reta, pedra montada de carborundum,
fita carbono dupla-face Accufilm II, pinça Muller, carbono líquido, fio dental.

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Atividade 38
Resposta: B
Comentário: Na avaliação clínica da moldagem de transferência, deve-se verificar: se a mol-
deira foi selecionada corretamente; se foi colocado alginato na região abaixo do pôntico e
nas proximais; se o molde de transferência está aprovado.

Atividade 39
Resposta: C
Comentário: 3º passo – Desgaste da face incisal (dentes anteriores) ou oclusal (dentes pos-
teriores) – utilizar ponta diamantada cilíndrica com extremidade arredondada nº 2143 ou nº
3145 (diâmetro da ponta de 1,2mm), fazer dois ou três sulcos de orientação no sentido V-L,
seguindo a inclinação das cúspides, unir os sulcos da metade mesial, com a mesma ponta
posicionada obliquamente aos sulcos.

Atividade 40
Resposta: D
Comentário: Material e instrumental necessários dos registros para a montagem dos mo-
delos de trabalho em ASA: instrumental clínico (espelho, sonda exploradora, pinça clínica),
garfo de mordida, arco facial completo, lâmpada a álcool, álcool absoluto, fósforo ou isquei-
ro, godiva de baixa fusão, vaselina, RAAQ vermelha, monômero, dois potes Dappen, pincel
pelo de Marta nº 0, pincel nº 2, espátula nº 7, espátula Lecron, gaze, cimento provisório,
fio dental.

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Como citar este documento

Davi LR, Zancopé K, Raposo LHA, Simamoto Júnior PC, Novais VR, Silva MR, et al. Se-
quência clínica e laboratorial de uma prótese fixa metalocerâmica de três elementos. In:
Associação Brasileira de Odontologia; Pinto T, Verri FR, Carvalho Junior OB, organizadores.
PRO-ODONTO PROTÉSE E DENTÍSTICA Programa de Atualização em Prótese Odontológica
e Dentística: Ciclo 7. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2016. p. 9-118. (Sistema de
Educação Continuada a Distância; v. 2).

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