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Rua Pelotas 141 Vila Mariana


Telefone (011) 5080.3000

II Encon
Encon tro
de 19 a 22 de maio

Palestra de Arthur Efland


Titular do Departamento de Art Education
da The Ohio State University / EUA

CULTURA, SOCIEDADE, ARTE E EDUC


EDUCAÇÃO
AÇÃO
EM UM MUNDO PÓS-MODERNO

Introdução
 Art e-edu caç ão
O tema desta conferência é bastante abrangente e compreende conceitos de cultura, Programação
sociedade,
prometo uma arte e inação
ilum educação.
iluminação Como fazer
instantânea
instantânea sentido
sobre em um ades
rol tãodestes
as complexidades
complexid variado
dest de assuntos?
es temas,
t emas, Não
mas t entarei Home
identificar três áreas problemáticas, cada uma com um impacto sobre culturas, sociedades,
Leia a íntegra das
as artes e a educação no mundo todo. Cada uma destas áreas, à sua maneira está afetando
palestras:
ou irá afetar a arte-educação
art e-educação internacional
internacional..
I ENCONTRO
O primeiro tema é o modernismo como um movimento cultural no mundo ocidental: ou mais 28.abril a 1º de maio
precisamente, a transição do Modernismo para o Pós-modernismo.
III ENCONTRO
O segundo é o aparecimento de um Mercado Cultural Internacional, que é às vezes igualado 23 a 26 / junho
à modernidade ocidental, mas que é dirigido por forças econômicas muito mais fortes que o
IV ENCONTRO
ocidente. 28 a 31 / julho

O terceiro tema é o Mundo Pós-Guerra Fria, situação em que as nações estão sendo V ENCONTRO
arrasadas por causa de antagon
a ntagonismos
ismos étnicos no exato momento em que o mundo parece 25 a 28 / agosto

estar a um passo de integrar seus sistemas de produção, marketing e informação. VII ENCONTRO
17 a 20 / novembro

1. Modernismo Estético e Cultural VIII ENCONTRO


24 a 27 / novembro
Embora o modernismo ocidental tenha tido um tremendo impacto nas culturas do mundo
ocidental pelos últimos dois ou três
tr ês séculos, sua
s ua influên
influência
cia não se limitou ao Ocidente. Afetou
Af etou
seres humanos no mundo todo tanto de maneira positiva quanto negativa. O modernismo
como revolução cultural
cultural inclui
inclui mais do que as artes e a literatura.
literat ura. Tem
Tem sido descrito
des crito como
co mo um
desenvolvimento do pensamento da cultura ocidental que abrange o liberalismo científico,
tecnológico, industrial,
industrial, econômico,
econômico, individual
individual e político como aspectos interativos.
interativos. Estes são
aspectos do modernismo cultural e estabelecem a base para a estética modernista (ver 
Efland, Freedman & Stuhr, no prelo, Capítulo II ).

A estética modernista, no entanto, é um conceito menos abrangente e se refere a


desenvol
desenvolvim
Isso incluivimentos
entos estéticos
pintura, estét icos dasfotografia
arquitetura, artes nose fins do século
cinema, dezenove
dezeno
as várias ve e de
formas início
artedocontemporânea
século vinte.
que se expandiram no Ocidente. O modernismo estético tentou reformar as artes criando
imagens para uma sociedade melhor e mais humana que presumivelmente estava emergindo

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com o progresso da ciência. Os artistas representavam esta mudança se distanciando das


tradições artísticas ocidentais anteriores.

Uma das características centrais do modernismo era a rejeição radical às suas próprias
raízes na cultura ocidental. Em seu zêlo de reformar e exaltar as artes, artistas e críticos
muitas vezes
vezes desenfatizavam o folclórico e as tradições
tr adições populares tanto das culturas
culturas
ocidentais quanto
quanto das não ocidentais, como sendo
s endo carentes de significação
significação cultural.
cultural. Uma
conseqüência
conseqüênci a da elevação da expressão artística
artí stica a um nível considerado
considerado mais alto que a
cultura popular foi o isolamento das belas-artes do resto da sociedade transformando-a em
um projeto elitista.

Como resultado, a arte moder


modernana é mais freqüentemente ensinada
ensinada como não tendo contexto
contexto
social. Professores de arte enfatizam elementos e princípios do desenho como uma base
para o fazer arte e a apreciação, mas são geralmente incapazes de explicar como a arte
moderna refletiu as mudanças
mudanças que ocorreram nas vidas das pessoas enquan
enquanto
to ffatores
atores
científicos, tecnológicos e econômicos que modificavam a cultura e a sociedade ocidental.
Uma estética modernista prevaleceu, seus defensores tendiam a considerar as artes como
esferas autônomas
autônomas do esforço
es forço hu
humano
mano,, sem
s em relação com o mundo
mundo social.

Origens do modernismo cultural

Teóricos sociais contemporâneos normalmente atribuem ao Iluminismo do século dezoito na


Europa e nos Estados Unidos o início do modernismo cultural. A filosofia Iluminista, às vezes
chamada de "Projeto Iluminista",
Iluminista", adotou ideais que se
s e tornaram o fundamento
fundamento do pensamento
contemporâneo ocidental (euro-americano). Estes ideais têm saturado a prática da política,
economia e das artes
art es tanto
t anto quanto
quanto o estudo da vida social em disciplinas
disciplinas como história
história e
ciências sociais. A consciên
consciênciacia da maioria dos ocidentais vivos
vivos hoje foi moldada pelo
Iluminismo. O Iluminismo deu ao Ocidente o que Confúcio deu à China, notadamente uma
característica cultural difusa.

No entanto,
entanto, o modernismo cultural tem tanto desvan
d esvantagens
tagens quanto
quanto benefícios. Ele
E le tende a
padronizar
padroniz ar e regularizar
regularizar o pensamento
pensamento na educação controlada pelo estado, na indústria e no
comércio. Pode, às vezes, considerar tradições culturais de fora do Ocidente como sendo
exóticas, costumes
c ostumes étnicos, cheios de charme mas carentes de um conh
conhecimen
ecimento
to que
realmente
realmen te interesse.
interesse.
Home
A cultura ocidental tem pago o preço do conhecido progresso também. Ao privilegiar 
explicações científicas da natureza como verdade absoluta, dá margem à filosofia materialista
que nega qualquer possibilidade de um lado espiritual ou imaginativo na natureza humana. Top
Artistas ocidentais sentindo esta falta em sua própria tradição cultural, tomaram-nas
emprestado de fontes não ocidentais. Poetas, como John Keats, que viveu depois que Isaac
Newton revolucionou a ciência da física, viu esta mudança como que "apressando o
crepúsculo dos deuses." Em seu livro intitulado "Catching the Light" o físico Arthur Zajonc
(1993) descreve
des creve como a fascinação do homem ocidental pelo arco-íris
arco-í ris diminuiu
diminuiu com o
advento da ciência.

"De uma consciência que via o arco-íris como sendo um pacto com Deus...
passamos a ver o arco-íris
arc o-íris como um fenômeno
fenômeno efêmero de d e luz mundan
mundanaa criado
pela refração e pela chuva.
chuva. Nós temos
t emos trocado
tr ocado uma antiga visão ou imagin
imaginação
ação
do mundo
mundo pela da ciência contemporânea,
contemporânea, e ao fazermos isto, do ponto de vista
de Keats, estamos ‘desfiando o arco íris’" (Zajonc, pp. 180-181).

Com a visão dos poetas e pintores desbancada pela do cientista, a cultura do Ocidente
cedeu parte da sua alma para colher conhecimento
conhecimento e compreensão científica.

2. O Surgimento de um Mercado Cultural Internacional

Enquanto
Enquanto várias nações do
d o terceiro
ter ceiro mundo tentam transformar suas economias copiando as

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práticas econômicas e educativas ocidentais, também se preocupam com o impacto da


cultura
cultura ocidental, especialmente
especialmente da cultura
cultura popag. A pergunta que é feita é: "Podem as
nações seguir o caminho
caminho modernista ocidental sem se tornarem ocidentalizadas
ocidentalizadas com a
exposição?" Argumentarei que o que está se espalhando no mundo industrial não é uma
cultura apenas ocidental, mas uma nova e hegemônica cultura do povo, difundindo-se por 
meio do marketing  de massa e das estratégias tecnológicas de comunicação. O mundo está
sendo unido por meio de um único mercado cultural internacional e, enquanto isso ocorre, as
pessoas podem perder aspectos de sua identidade cultural tradicional.

3. O Surgimento da Era Pós-Guerra Fria

Simultaneamente à tendência internacional em direção à homogeneidade tecnológica, cultural


e corporativa, este mesmíssimo mundo também está sendo feito em pedaços pelo fratricídio,
guerra civil e a dissolução de nações exempl
e xemplificadas
ificadas pelo colapso da União Soviética,
Ruanda, e da antiga Iugoslávia. Testemunhamos um tipo de retribalização de grande parte da
Humanidade que opõe cultura contra cultura. Benjamin Barber (1995) adota o termo árabe
"Jihad" ou Guerra Santa para identificar este processo global. Estas três tendências culturais
afetarão a arte-educação
art e-educação internacional
internacional nas
nas próximas décadas de diferentes maneiras.

Surgimento de Pedagogias Críticas

A crítica cultural pós-moderna começou a ter impacto no discurso educacional e tem


propiciado o nascimento de uma pedagogia crítica. A pedagogia crítica freqüentemente
questiona suposições e premissas do modernismo. Estas tomam a forma de argumentos que
identificamos, às vezes, como feminismo, teoria crítica marxista, hermenêutica e
multiculturalismo. Até certo ponto essas formas de crítica cultural representam a ala Home
esquerdista do discurso educacional.
educacional. A esquerda educacional
educacional está interess
interessada
ada em mudar o
status quo para que estudantes de diversos grupos étnicos, raciais e sociais experimentem
uma igualdade
igualdade educacional.
educacional. Mui
M uitas
tas vezes
vezes defenderam
def enderam uma reestruturação radical das Top
práticas educacionais, argumentando que o status quo beneficia alguns grupos enquanto
desvia ou oprime outros.

Há também uma crítica direitista nos Estados Unidos a qual adere a poderosas metáforas
derivadas de um passado idealizado, como a "melting pot" quando os imigrantes
abandonaram suas maneiras européias para criar uma nova identidade americana. A direita
tenta ganhar
ganhar o controle dos bastidores educacionais, o qual reside no conteúdo abrangente
da herança
herança cul
c ultural
tural da civilização
civilização ocidental. Conseqüentemente,
Conseqüentemente, resiste uma educação
multicultu
multicultural
ral como visto na preocupação de Diane Diane Ravich sobre "especificidade
"e specificidade cultural", o
temor de que educadores multiculturais
multiculturais enfatizem diferenças ao invés
invés de similaridades e que
um consenso
consenso social possa
pos sa ser enfraquecido.
enfraquecido. Nos Estados
Est ados Unidos
Unidos isto
ist o é visto na persistência
do nacionalismo
nacionalismo nos livros didáticos sobre hi história.
stória. Os livros didáticos americanos
apresentam-no como "uma história história do triunfo masculino
masculino nas esferas
esf eras política
polít ica e militar", "uma
história de exploração, conquista, consolidação de poder, e os problemas dos governantes de
um império em expansão"
expansão" (Kincheloe e Steinberg, 1993, p. 306).

Há também quem fique


fique mais ou menos comprometido com ooss ideais modernistas e quem
trabalhe para fortalecer seu compromisso com o progresso através da promoção da
igu
igualdade
aldade nas oportun
o portunidades
idades educacionais, trabalh
tr abalhando
ando para compen
c ompensar
sar os aatributos
tributos
enfraquecidos do controle e regulamentação social modernista. O desafio para o centro é
esboçar insights da crítica pós-moderna, vindos tanto da esquerda quanto da direita, e
usá-los para fortalecer os ideais democráticos, sem sucumbir ao pessimismo, à
fragmentação e mistificação que engloba muito
muito do discurso pós-moderno.

4. A Transição do Modernismo ao Pós-Modernismo


Desde a metade dos anos 60 novas publicações críticas tem reformulado a paisagem cultural
do ocidente. Isto
I sto é melhor
melhor explicado como uma mudança
mudança de consciência
consciência do ponto de vista do

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mundo moderno baseada na noção de progresso


mundo progre sso através
at ravés do avanço da ciência, para um
estado de consciência chamado de pós-moderno no que há menos confiança de que o futuro
será necessariamente melhor que o presente ou o passado. O modernista podia rejeitar as
tradições do passado como sendo fora de moda, pertencentes à história, velharias que
deveriam ser esquecidas, preferindo manter o foco no futuro, com novas formas de arte e
novos meios de construir a realidade. O modernista era um otimista.

O pós-modernista, em contraste, é menos confiante sobre o futuro e tende a ser crítico de


noções como a de que o progresso
progres so é a inevitável
inevitável conseqüência
conseqüência do avanço da ciência. A
ciência moderna explica o arco-íris, mas não o enreda no processo. O mito do progresso
permitiu às pessoas aceitar mudanças, sempre se nesse ínterim pudessem, às vezes,
negociá-lo por fora. As pessoas, às vezes, ganharam um alto padrão de vida e bem-estar 
material, mas perderam sua fé nas tradições que haviam nutrido seu espírito. Os artistas
modernos inicialmen
inicialmente
te começaram a expressar
e xpressar esta
es ta inquietação
inquietação há mais de 100
1 00 anos atrás,
em imagens que veiculavam
veiculavam alien
alienação,
ação, t error, ódio e, às vezes, fome espiritual.
e spiritual.

Para muitos, os artistas


artis tas modernos do século vinte
vinte no ocidente estavam engajados
engajados em
experimentalismos
experimen talismos estilísticos
estilíst icos no esforço
esfor ço de criar
c riar uma nova visão
visão humana.
humana. Artistas
Art istas ccomo
omo
Picasso e Braque inventaram abstrações para penetrar além da superfície da pintura.
Mondrian e Kandinsky transcenderam a abstração para trabalhar com forma e cor puras
esperando penetrar nu numa
ma realidade mais alta que eles sentiam além das aparências
superficiais. Kandinsky
Kandinsky equacionou
equacionou esta pesquisa com um interesse pelo espiritual. O Outros
utros
artistas procuraram encontrar a nova visão nos profundos
profundos recessos
rec essos da mente subconsciente,
subconsciente,
como vemos em estilos
est ilos conhecidos
conhecidos como Surrealismo e Expressionismo.
Home
O ápice de todo esse experimentalismo, como vimos em retrospecto, é que o modernismo
não teve sucesso em construi
c onstruirr uma visão da realidade que consiga ter significado
significado para um
grande número de pessoas
pess oas em sociedades que q ue tenham
tenham sofrido
sofr ido rápida industrialização.
industrialização. Talv
Talvez
ez Top
o reconh
rec onhecimento
ecimento deste f ato tenh
te nha
a introduzido
introduzido o Pós-Moderni
Pós-Moder nismo.
smo.

Os Desafios Diante da Arte-Educação Pós-Moderna

Por que a transição do modernismo para o pós-modernismo é um prováve


provávell desafio para
p ara
professores de arte em suas salas de aula e afeta também a arte-educação
internacional
internacionalmente?
mente? Para responder
res ponder,, esboço
esboç o uma série de contrastes entre a arte
art e moderna e
a pós-moderna, como veremos na série de tabelas a seguir:

Visões Contrastantes da Natureza da Arte

A principal diferença entre a visão moderna e a pós-moderna é que para a arte moderna

apenas sta
moderni tiposé muito
modernista especiaisexclusiva
extremamente de objetos podem certas
. Apenas reivindicar ser obras
pessoas de arte. A arte
com habilidade na visão
artística estão
autorizadas a serem chamadas de artistas, logo apenas elas são capacitadas para produzir 
formas de arte altamente originais. Uma arte-educação baseada sobre esta visão enfatizaria
o estudo de trabalhos que reivindicam ter um grau de excelência definido tanto pela sua
originalidade quanto pela pureza de sua composição formal. Igualmente, as crianças
poderiam ser encorajadas a serem originais em seu fazer artístico. A cópia de qualquer 
espécie seria condenada. Esta era a guia filosófica da prática da arte-educação modernista.

No pós-modernismo, a linha entre formas de arte eruditas e não-eruditas desaparece.


Formas de arte sérias cessam de conceder status  privilegi
 privilegiados.
ados. Ambas tornam-se
disponíveis para a apreciação. Porém, tanto a arte erudita quanto a não erudita apresentam
desafios especiais
es peciais para o educador.
educador. A arte erudita
er udita usualmen
usualmente te requer
re quer treinamento
treinamento
especializado antes que possa ser apreciada, desde que foi feita por e para um familiar 
grupo de elite com códigos e imaginário modernistas.
modernistas. A indústria cultural pode ter apelo
instantân
instantâneo,
eo,por
manipulado mastantas
seu público pode
indústrias ser totalmente
culturais inconsciente
incon
como MTV, sciente de como
Time-Warner ele pode
e Disney, ser 
que impõem
formas e ideologias culturais para integrar audiências
audiências numa ordem social
soc ial existente. Como
muitos críticos pedagógicos insistem "a cultura popular torna-se mercadoria e produz
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pessoas à imagem de sua própria lógica, uma lógica caracterizada pela padronização,
padronização,
uniformidade e passividade" (Freire e Giroux, 1994, p. 4). Ao mesmo tempo, ela tende a
reforçar uma dominância sexista, racista e os estereótipos culturais, impondo visões da
realidade que autorizam
autorizam alguns
alguns grupos
gr upos às custas de outros.

Uma arte-educação pós-moderna enfatiza a habilidade para interpretar obras de arte em


termos de seu contexto social e cultural como o principal resultado da instrução. Isto é válido
não apenas para a supostamente séria, a arte erudita, mas também para as tendências e
impactos da cultura
cultura popular e cotidiana
c otidiana.. Mais
M ais adiante explicarei porque é de crucial
importância que seja dada uma atenção séria ao estudo da cultura popular.

Cada uma destas definições tem seus problemas. A arte-educação baseada sobre uma
definição modernista da arte tende a aplicar padrões de bom gosto e critérios de excelência
artística, mas tal arte torna-se isolada do resto da experiência, de muitas maneiras aqueles
objetos em museus estão isolados do resto da vida. Tal arte-educação proverá uma
experiência e apreciação estética para coisas refinadas, mas tampouco enfatizará um
entendimento cultural nem uma base para uma ação social.
Home
A arte-educação
arte -educação baseada em uma definição
definição pós-modernista é potencial
potencialmente
mente conectada ao
resto da vida, mas sem limites entre arte e o contexto social maior para o qual ela pertence,
torna-se bastante difícil escolher o que deve ser estudado. A pluralidade diáfana das formas Top
artísticas é uma fonte de confusão para os que fazem o curriculum e os estudantes.

Vi
Visões
sões Contrastantes do Progresso

As diferenças entre o moderno e o pós-moderno são também evidentes em suas idéias sobre
o progresso na arte. Para os defensores da visão moderna a possibilidade de progresso na
arte é um aspecto do progresso da civilização. A busca por novos estilos e formas de
expressão é assumida
assumida para antecipar o potencial expressivo da arte. Qualquer
Qualquer um pode ver 
porque a originalidade foi favorecida na arte e porque as crianças foram encorajadas a serem
criativas e não copiar o trabalho de outrem.

Em contraste, a visão pós-moderna é menos otimista e menos orientada em direção ao


futuro. A tecnologi
t ecnologia
a industrial
industrial pode progredir em um caminho,
caminho, mas a mesma indústria pode
poluir o meio ambiente e desperdiçar recursos. Uma arte-educação pós-moderna não
enfatizaria necessariamente a forma de arte mais recente ou a mais contemporânea. Ao
contrário, ela pode enfatizar como o passado pode ser referência numa obra contemporânea,
haja visto as maneiras como os artistas pós-modernos reciclam imagens e citações de obras
de arte e estilos anteriores. O pós-modernista enfatiza a continuidade com os estilos
artísticos do passado. Porém, as tradições do passado não são necessariamente

reverenciadas
da paródia. como tradições consagradas, mas podem ser exploradas através da sátira e

Um problema à frente dos arte-educadores é que o estudo histórico da arte é normalmente


emoldurado
emoldu rado por uma
uma narrativa do progresso.
pr ogresso. Uma narrativa
narrativa modernista popular do século
vinte é que, como os artistas mudaram-se para a abstração e abandonaram o realismo, eles
fizeram um progresso. Os livros de história da arte tendem a organizar o conteúdo numa
seqüência cronológica, sutilmente
sutilmente sugerindo
sugerindo que os desenvolvim
desenvolvimentos
entos post eriores são
melhores
melh ores que os anteriores.

Visões Contrastantes da Vanguarda

Os criadores dos movimentos de arte modernistas foram considerados como revolucionários


lan
lançadores
çadores de tendências. Não apenas estavam na vanguarda
vanguarda da nova
nova arte,
arte , mas também
eram os campeões de novas formas sociais. Eram freqüentemente críticos dos valores da
classe média
autoridade e da falta de
colocava-se emigualdade paraúnicos,
seus talentos todas as classes sociais.
freqüentemente A fonte de sua e, por 
auto-proclamados
isso, suas obras assumiam ser mais importantes que a arte de outros.
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A arte-educação
arte -educação modernista abriu uma brecha na na construção de uma ponte
ponte entre a
vanguarda
vang uarda e um público que estava relutante em aceitar novos estilos e novas idéias, mas os
professores de arte modernistas muitas vezes limitaram tanto o estudante por recusarem-se
a ensinar as técnicas
t écnicas tradicionais do realismo,
r ealismo, impondo
impondo uma instrução baseada nos
elementos da composição.

A arte-educação pós-moderna não é constrangida a focalizar-se em cima de estilos elitistas


da arte contemporânea como era a arte-educação modernista. Os professores de arte
podem também proporcionar aos estudantes oportunidades para estudar imagens e objetos
das tradições popular e folclórica, antigamente ignoradas. O estudo da arte pode tornar-se
mais igualitário em espírito. Os professores pós-modernos têm liberdade de escolha, mas a
seleção é uma confusão e uma fonte de problemas politicamente
politicamente sensíveis.

 Abstr
 Abs tr ação Vers us Realismo:
Realis mo: Unid ade Or
O r gânica
gâni ca Versus
Versu s Eclet is
ismo
mo

A arte-educação modernista muitas vezes impôs os estilos abstratos da vanguarda às


crianças como sendo mais avançados do que os meios tradicionais no fazer artístico. O
realismo, como um estilo, foi negativamente considerado desde que era tido como cópia e
imitação. Um primeiro exemplo disso pode ser visto em "Children’s Art
Ar t Carnivals" projetado
por Victor D’Amico, no Museu de Arte Moderna (MOMA). O "Carnival" era um ambiente
especial com meios especiais projetados para estimular as crianças a trabalhar de um modo
abstrato.

O reaparecimento do realismo na arte pós-moderna difere do realismo tradicional. Muito


freqüentemente contém o imaginário
imaginário da propagan
pro pagandada e do comércio. Diferente do realismo
pré-moderno, baseado na natureza, o realismo pós-moderno gira em torno de símbolos
sociais e culturais.
culturais. Exemplos
Exemplos do realismo tradicion
tr adicional
al poderiam incluir
incluir pinturas de Constable ou
Corot enquanto o realismo de espírito pós-moderno pode abranger artistas como Warhol ou
Lichtenstein.
Home
Os modernistas
modernistas tenderam a favorecer a unidade
unidade orgânica como um princípio guia. A
decoração e a ornamentação eram condenadas. Consistência e "pureza" da forma artística,
beleza e significado eram promovidas. Em contraste, a arte pós-moderna pode ser eclética e Top
ter uma
uma beleza dissonante
dissonante criada
c riada pela combinação de motivos ornamen
ornamentais
tais do Classicismo e
outros movimentos.
movimentos. Essas combinações podem produzir
produzir dualidades, às vezes conflitantes, de
duplo sentido,
sentido, uma qualidade a que Charles
Charles Jencks refere-se
refere-s e como "duplo-código" (Jencks,
1989).

Universalismo Modernista Versus Pluralismo Pós-Moderno

A arte moderna
códigos é recheada
visuais de com exemplos Van
culturas não-ocidentais. de artistas ocidentais
Gogh estudou tomando
a gravura emprestados
japonesa, Klee imitou
os motivos dos tecidos de culturas oceânicas, enquanto Picasso e Modigliani foram
estudantes
estudan tes atentos da escultura
escultura afr icana. No século dezenov
dezenove e o est udante
udante britâni
br itânico
co Owen
O wen
Jones (1982) estudou formas decorativas de todo o mundo para reduzir a complexidade da
arte à uma "Gramática do Ornamento", um conjunto conjunto de princípios uni
universais
versais que poderia
cingir toda a arte ornamental mundial
mundial.. O esforço para reduz
r eduzir
ir a arte
a rte a uns
uns poucos elementos
e princípios aplicáve
a plicáveis
is a toda arte
ar te de
d e qualquer
qualquer lugar é um exemplo
exemplo modernista tipicamente
ocidental. Tomar emprestado de outras culturas poderia ser justificado nos campos onde toda
arte era
e ra governada pelo mesmo conjunto
conjunto de "leis universais"
universais" descobertas
desc obertas no Ocidente…
O cidente…

Em contraste, os pós-modernistas favorecem uma pluralidade de estilos bem como uma


plu
pluralidade
ralidade de leituras interpretativas de tais trabalh
t rabalhos.
os. Rejeitam a universalidade
universalidade da estética
formalista, afirmando que obras de arte não podem ser compreendidas só através de
elementos
elemen tos formais, mas requerem
r equerem também um bom conhecimento
conhecimento do seu contexto cultural.

Anteriormente realcei
Anteriormente r ealcei algumas
algumas diferenças entre o modernismo e o pós-moderni
pós- modernismo
smo como
eles estão se desdobrando no Ocidente.
Oc idente. T
Também
ambém identifiquei
identifiquei alguns
alguns dos problemas para a
arte-educação nascidos de mud
mudanças
anças de conscientização. Estes estão resumi
r esumidos
dos na seguinte
6 de 19
 
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tabela:

Contrastes entre Modernismo e Pós-modernismo


Pós-modernismo

T Ó PICO M O DERNISM O PÓS-M O DERNISM O


Arte é um objeto
Arte é uma forma de
esteticamente único
produção cultural que
Natureza da que deve ser 
deve ser estudada
 Art e estudado
situada em seu
isoladamente
isoladamen te de seu
s eu
contexto específico contexto cultural
cultural
Como todos os
empreendimentos Não há
há progresso,
progre sso,
hu
humanos
manos a arte faz apenas trocas, com
progresso. Progresso avanços em uma
é uma grande área à custo de
Visão de
narrativa se outrass áreas. O
outra
Progresso
desdobrando no estudo deveria se
tempo. O estudo organizar em torno
deveria se organizar  de múltiplas
em torno desta narrativas.
narrativa.
A autoridade
O progresso
possível é à
graças auto-proclamada
elites está aberta das
a
atividade de uma elite questionamento. O
cultural.
cultu ral. A educação estudo deveria dar 
Vanguarda
deveria possibilitar às destaque à crítica
pessoas apreciarem dando possibili
poss ibilidade
dade
suas contribuições à aos alunos para
sociedade levantar
levan tar questões
pertinentes.
Estilos abstratos e O realismo é aceito Home
não-representacionais mais uma vez.
são preferidos em Estilos ecléticos são
relação aos estilos evidentes. Os
Top
Tendências realistas.
realistas. Os
Os estudantes têm a
Estilísticas estudantes devem ser  permissão de
encorajados a escolher entre os
experimentar
experimen tar com
co m vários estilos e
estilos abstratos e usá-los isoladamente
isoladamente
conceituais. ou em conjunto.
O plu
pluralismo
ralismo
Toda variação
estilístico deve ser 
estética pode ser 
Universalismo estudado para
reduzida
reduzid a ao mesmo
possibilitar que os
conjunto universal de
versus alunos reconheçam e
elementos
elemen tos e
interpretem
princípios, e estes
Pluralismo diferentes
devem ser centrais
representações da
ao ensino da arte.
realidade.

5. O Surgimento do Mundo Mac. O Mercado Cultural Internacional

Em seu livro recente Benjamin Barber (1995)


( 1995) descreve
desc reve duas seqüências imaginárias
imaginárias de
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acontecimentos futuros que irão ocupar a próxima parte deste artigo.

A primeira seqüência enraizada na questão racial, guarda o triste prospecto de uma


retribalização de grande parte da humani
humanidade
dade através dad a guerra e derramamento
der ramamento de sangue:
sangue:
uma ameaça de "balcanização"
"balcanização" às nações em que culturas são lançadas contra ccultu ulturas,
ras,
pessoas contra pessoas, tribo contra tribo, uma Jihad em nome de umas cento e tantas
crenças limitadas concebidas contra todo tipo de independência, todo tipo de cooperação
social e reciprocidade: contra a tecnologia, contra a cultura popular e contra mercados
integrados; contra a modernidade em si mesma tanto quanto o futuro sobre o qual a
modernidade
moderni dade fala. A segunda seqüência
seqüência pinta o futu
f uturo
ro em cores pastéis
p astéis e brilhantes,
brilhantes, um
retrato do avanço das forças econômicas, tecnológicas e ecológicas que forçam uma
integração e uniformidade
uniformidade hipn
hipnotizan
otizando
do as pessoas em todos os lugares
lugares com
c om música rápida,
computadores rápidos e comida rápida — MTV, Macintosh e MacDonald’s — pressionando
as nações a virarem um mesmo e homogêneo
homogêneo parque temático, um MundoMundo Mac amarrado
pela comunicação, informação, diversão e do comércio. Preso entre a Babel e a
Disneylândia,
Disneylân dia, o planeta
planeta está
es tá se desfazendo rapidamente
rapidamente e ao mesmo tempot empo relutantemente
relutantemente
se recompondo (1995, p. 4).

O que preocupava Barber era que as tendências Jihad e Mundo Mac não são separadas e,
às vezes, trabalham no mesmo país, com as mesmas pessoas e que de inúmeras maneiras
são interdependentes.
interdependentes. Ele usa estes exempl
e xemplos
os para lograr seu intento:

"Fanáticos iranianos mantêm um ouvido ligado nos "mullahs" instigando à guerra santa e o
outro ouvido
ouvido ligado no brilho
brilho da televisão
t elevisão de Rupert Murdoch em "Dinastia" e "Os"O s Simpsons".
Empresários chineses disputam a atenção tanto das estruturas de festas em Beijing quanto
perseguem franquias do KFC em cidades como Nanjing, Hangzhou e Xian, onde vinte e oito
outlets servem 100.000 fregueses todo dia… Assassinos sérvios usam tênis Adidas e ouvem
Madonna nos headphones de seus walkmans  enquan  enquanto
to miram suas armas
ar mas em cidadãos de
Sarajevo que procuram água
água para encher
encher o tanque
tanque da família,
f amília, e os põem em fuga. Hasids
ortodoxos e neo-nazistas, ambos se viraram para o rock para poder transmitir suas
tradicionais mensagens
mensagens à uma nova geração, enquanto
enquanto os fundamentali
fundamentalistas
stas tramam
conspirações virtuais na Internet" (1995, p. 5).

Muitas nações têm transformado suas economias seguindo o exemplo das práticas
econômicas e educacionais
educacionais ocidentais, o tempo todo se preocupan
pre ocupandodo com o choque da
cultura ocidental, especialmente a cultura popular. Podem nações que seguem a trilha do
Mundo
Mund o Mac
M ac ter
t er esperanças
espera nças de evitar a nova cultura
cultura popular internacional
internacional que
que está
est á sendo
difundida
difundida através de marketing de massa e de tecnologias de comuni
comunicação
cação eletrôni
eletr ônicas?
cas? A
resposta a esta questão não é fácil de ser encontrada, e é não!

No entanto,
apesar d e tero que
de estáinício
tido seu surgindo porstrialização
todo o mundo
na industrialização
indu industrializado
ocidental e transmi não
tr ansmitir é a cultura
tir muito ocidental,
da cultura
cultura popular 
norte-americana. Na verdade é um novo mercado cultural internacional alimentado por filmes
de Hollywood e pela televisão, "música pop inglesa, alta costura francesa, estilo italiano,
minimalismo
minimalismo escandinavo
escandinavo e tecnologia japonesa",
japonesa", através de procedimen
proc edimentostos de marketing  de
massa.

Este mercado cultural distrai as pessoas ao ponto de correrem o risco de perder aspectos de
suas próprias identidades culturais tradicionais. O que precisamos nos perguntar é se como Home
arte-educadores nós deveríamos preparar ou não nossos jovens para se tornarem
conscientes dos efeitos deste mercado cultural? Tornando-os cientes dos efeitos eles teriam
a liberdade de submeter-se ou de resistir ao abuso da sua identidade cultural e Top
individualidade.

 A Criação
Cri ação do Mun do Mac

A "corporação
"cor poração virtual" de hoje não tem local fixo, mas é feita de um conjunto
conjunto mutante
mutante de
relações conectadas por redes de computadores, telefone e fax. Quase sempre não está
relacionada com indústria pesada, mas com "serviço soft" tais como informação,
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comunicação e diversão. Na verdade, é o setor de serviços softs que tem forjado o Mundo


Mac (Barber, p. 51). As indústrias pesadas do passado, explica Barber, servem às
necessidades físicas
fí sicas do corpo,
c orpo, providen
pr ovidencian
ciando
do comida, roupa
r oupa e abrigo, enquanto
enquanto que as
indústrias soft são:

"…dirigidas à mente e ao espírito (ou dirigidas a desfazer a mente e o espírito).


Este casamento entre as tecnologias de telecomunicação com serviços de
informação e divertimento pode ser chamado de "infotainment
"infotainment telesector"
(telesetor de infotimento). Os setor de bens de consumo é conquistado pelo
infotainment telesector , cujo objetivo é nada mais nada menos do que
(capturar) a alma humana" (Barber, p. 60 ) (ênfase adicionada).

Em 1992 a corporação Coca-Cola discutiu "mundos


"mundos de oportunidade" em vários países que
tem "a cultura
cultura e o clima propício
propíc io para um consumo
consumo significativo de refrigerante."
refr igerante." Apontando
Apontando a
Indonésia,
Indonésia, Barber
Bar ber explica como:

"…'investimento agressivo' pode derrotar a cultura local e forçar a nação a


seguir as 'sociedades
'soc iedades que tradicionalmente
tradicionalmente consomem bebidas como o cchá',
há',
mas que foram levadas a fazer 'a transição para bebidas mais doces como a
Coca-Cola'. … fazê-los desistir do chá requer uma campanha
campanha cultural. O
'declínio do consumo
consumo de cchá',
há', que pode ser considerado por antropólogos
culturais, como sendo um sinal do início do desgaste de uma cultura dominante
local, é recebido como a porta entreaberta para as vendas de bebidas doces"
(Barber, p. 70) (ênfase adicionada).

Isto mostra claramente como as culturas podem ser influenciadas para mudar seus hábitos
através de uma estratégia de marketing.
mark eting. E quem sabe? Talvez
Talvez as pessoas
pess oas na Indonésia
comprem Coca e gostem. Mudar em direção ao mercado cultural internacional
internacional é um
uma
a escolh
esc olha
a
que indivíduos deveriam ter liberdade para fazê-lo, e uma mudança cultural nem sempre é
má. Mas a verdadeira preocupação é se estas mudanças podem ir mais fundo, atingindo
possivelmente
possivelmen te a alma?

O que me preocupa não é a venda de Coca-Cola na Indonésia, mas que as pessoas sejam
expostas às "palavras e imagens e sons e gostos que fazem o domínio ideacional/afetivo
ideacional/afetivo pelo
qual nosso mundo físico das coisas materiais é interpretado, controlado e dirigido" (Barber, p.
81). Existe, também, um aspecto ideológico preocupante sobre "quem terá permissão para
controlar as imagens
imagens do mundo,
mundo, e portanto vender um certo modo ded e vida, através da venda
de produtos e idéias". Barber diz que:

"… não há conspiradores aqui, nem tiranos sub-reptícios usando


usando a informação

para assegurar
inadvertidas hegemonia.
e não Esta
intencionais emé que
certamente
a busca,aaparentemente
política das conseqüências
inócua, do
mercado por diversão, criatividade, e lucros coloca culturas inteiras a perigo e Home
abala a autonomia
autonomia de indivíduos
indivíduos e de nações também" (p.( p. 81).

Os professores de arte podem perceber a seriedade do problema mas não o enxergam além Top
das preocupações diárias da aula de artes. Podem dizer que não há tempo suficiente para
ensinar tudo. No entanto, nos anos vindouros os professores serão forçados a considerar o
impacto de sons
s ons e imagens só para poder continuar
continuar ensinando
ensinando o que estão
est ão acostumados a
ensinar, porque as imagens na cultura cotidiana, na TV, em revistas e jornais, criam um
impacto direto sobre as crianças, acabam construindo a visão da realidade delas, formando
valores e crenças, e isso pode não deixar espaço psicológico para desenhar e pintar, ou
espaço para
par a imagens de qualquer
qualquer ttipo
ipo de cultura tradicional. As crian
cr ianças
ças de hoje estão
aprendendo novos códigos visuais, mas, ao mesmo tempo, estão cercadas de imagens do
cotidiano que
que criam
cr iam visões virtuais de uma vida
vida boa, baseada no consumo.
consumo. Eles vão precisar 
aprender
dizendo acomo determinar se esta mídia representa ou não a realidade, e se estão lhes
verdade.
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6. O Surgimento do Mundo Pós-Gue


Pós-Guerra
rra Fria

O colapso do comunismo não tornou o mundo mais seguro. Temos apenas que rever as
recentes histórias da Iugoslávia,
Iugoslávia, Sri Lanka e Ruanda.
Ruanda. Neste exato momento
momento muitas pessoas
pesso as
estão sendo jogadas contra outras. Em 1994 as Nações UnidasUnidas tinham
tinham aproximadamente
aproximadamente
80.000 soldados das tropas de paz em 18 países. As tropas estão nas fronteiras entre Israel
e Síria, e nas fronteiras entre Índia e Paquistão, mas, atualmente, o maior número está
envolvido em tentar separar facções rivais dentro de um mesmo país, como na Somália e na
Bósnia. Os atores deste drama não são nem os indivíduos nem os países, mas tribos, como
nações se estilh
es tilhaçando
açando em unidades
unidades cada vez menores
menores baseadas
bas eadas na identidade tribal. Barber 
escolheu a palavra
palavra árabe, Jihad para caracterizar este processo.

"Tomo
"Tomo emprestado seu significado
significado dos militantes
militantes que fazem do massacre ao
'outro' um dever maior. Uso o termo na sua construção mil militante
itante para sugerir
s ugerir um
particularismo violento
violento e dogmático, do tipo conhco nhecido
ecido tanto por cristãos quanto
quanto
por muçulmanos,
muçulmanos, por alemães tanto quan quanto
to por árabes. O fenômeno
fenômeno no qual eu
aplico a frase
fra se tem um início
início bem inocente: políticas de identidade e diversidade
cultural
cultural podem representar
repres entar estratégias
estr atégias de uma sociedade livre tentando
tentando dar 
expressão à sua diversidade. O que acaba como Jihad pode ter começado
simplesmente
simplesmen te como
co mo uma busca de identidade local, um jogo de atributos
at ributos
pessoais comuns para resistir contra as uniformidades entorpecentes e
neutralizantes da modernização industrial e da cultura colonizadora do Mundo
Mac" (Barber p. 9).

Em um extremo, a Jihad persegue "uma política sangrenta de identidade", enquanto que o


Mundo Mac persegue uma "não sanguinolenta economia de lucros". Todos são reduzidos ao
papel de consumidor
consumidor ou procuram
proc uram sua identidade
identidade como membro da tribo, sendo estas
oposições as do mundo
mundo pós-guerra fria.
f ria. Como pode a arte-educação
art e-educação internacional
internacional mudar 
mudar 
este quadro?

7. O Papel da Arte-Educação no Mundo Pós-Guerra

Nesta seção tentarei responder a esta questão. Minhas respostas vêm, em parte, da história
da arte-educação
art e-educação e como ela compreendeu seu papel no
no passado, quando
quando a ar
arte
te moderna
surgiu. Alguns destes papéis podem ser os mesmos de antes, mas outros terão que mudar 
enquanto
enqu anto nos preparamos para o próximo século.

Qual era o propósito da arte quando o modernismo prevaleceu e quais são seus propósitos
agora?

De acordo com Donald Home Home uma profusão de estilos


es tilos ocorreu
ocorr eu logo que a arte moderna
apareceu e essa arte era sobre "um grande predicamento humano", isto é, que uma crise da
construção da realidade começou a acontecer em muitas sociedades sob o stress da
urbanização,
urbani zação, modernização, industr
industrializ
ialização
ação e materialismo. Na suas ua visão esta
experimentação
experimen tação estilística
es tilística exemplificava "a arte fazendo
fazendo seu trabalh
tr abalho"
o" (Home, pp. 235-236).
A arte nova
nova é organizadora
organizadora de experiências novas,
novas, novas
novas perspectivas
pers pectivas e de novas
novas
percepções do mundo e da visão humana. No início de 1900 artistas de vanguarda tentaram
novass maneiras de expressar seus sentimen
nova sentimentos
tos sobre o mundo.
mundo. Eles não estavam muito
felizes com as mudanças que estavam ocorrendo e a sua expressão artística era, como diria
Gablik, "uma resposta forçada à uma realidade social que eles não podiam mais afirmar"
(1984, p. 21).

A crença
c rença modernista na inevitabilidade
inevitabilidade do progresso
progres so estava
est ava falhando
falhando até mesmo enqu
enquanto
anto a
profusão estética era tida como sinal de vitalidade cultural. Agora revemos estes esforços
como
falhar atos
nestadetarefa,
desespero — esforçosse
perguntamo-nos vãos
issodefoiachar um novo
ou é uma mito para
esperança vã. oChamamos
século vinte. Ao
o atual
momento de pós-moderno pois nos faltam respostas claras.
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Felizmente, o propósito da arte não mudou com a mudança para o pós-moderno. A arte
moderna tentou uma reconstrução radical da realidade, mas as realidades sociais estavam
passando por construções
c onstruções quando
quando os seres humanos
humanos primeiro começaram
co meçaram a usar as
palavras, signos e outras formas simbólicas de representação para significar suas
experiências e compartilhar os significados possíveis. O processo de construção continuará
enquanto houver seres humanos pois nós somos por natureza "fazedores de cultura" que
criam formas simbólicas para dar sentido e coerência às nossas vidas. Ao levantar questões
sobre o Mundo Mac e Jihad como presságios do futuro, Barber estava se perguntando se
estamos destinados a seguir tendências ou se há alternativas. Home

 A Const
Con st ru ção da Realidade:
Realid ade: O Pr opós
op ósitito
o Co
Cont
nt ínu o da Ar te-Edu
te- Educaç
cação
ão
Top
A função das artes
ar tes através
at ravés da história cultural humana
humana tem sido e contin
c ontinua
ua a ser a de
"construção da realidade".
r ealidade". Isto não tem sido fun
f undamen
damentalmente
talmente alterado pelas investidas do
pós-modernismo. A arte constrói numerosas representações do mundo, as quais podem ser 
sobre o mundo real ou sobre mundos imaginários, inexistentes, mas a inspiração humana
continua podendo criar uma realidade diferente para cada um deles. A realidade social inclui
tais coisas como dinheiro, propriedade, sistemas econômicos, classes sociais, gênero,
grupos étnicos, governos, sistemas
siste mas de ccerimon
erimoniais
iais religiosos e cr enças, linguagen
linguagenss e
similares. As artes são representações simbólicas dessas realidades. As artes são
importantes pedagogicamente porque espelham essas representações de forma que podem
ser percebidas e sentidas.

Diferentes grupos de pessoas têm inventado


inventado diferentes construções da realidade
r ealidade para vivê-la.
vivê-la.
Comunicam-se acerca
Comunicam-se ac erca da realidade dentro de diferentes sistemas
s istemas de representação, incluindo
incluindo
sua arte. Nenhu
Nenhum m conjunto
conjunto de mitos e narrativas pode capturar a totalidade da verdade.
Algumas
Algum as verdades vêm de tradições mnemônicas,
mnemônicas, transmitidas pelos pais ou pelos mais
velhos. Outras vêm da mídia, das estratégias de propaganda em massa e vias eletrônicas de
comunicação. Cada indivíduo, homem ou mulher, cria sua imagem mental do mundo dessas
várias fontes, tentando obter um sentido do mundo
mundo através da d a reflexão e do entendimento.
entendimento.

O Propósit o da Arte-Educação
Arte-Educação

Se a construção da realidade continua a ser a missão das artes, o propósito da


arte-educação, então, é contribuir para o entendimento dos panoramas social e cultural
habitados pelo indivíduo. As crianças do amanhã precisam das artes para capacitá-las a
compreender e comunicar-se com os termos de sua sociedade, para que elas possam ter 
um futuro nessa sociedade!

Representando a Realidade do Outro

Podem os arte-educadores representar a arte de outros grupos sabendo que em certo


sentido ninguém pode falar precisamente pelos outros?

Precisamos desenv
des envolver
olver melh
melhores
ores defin
def inições
ições de cultura
cultura que as existentes. As definições
definições da
cultura ocidental têm muitas vezes delimitado a cultura referindo-se unicamente à cultura
erudita como no caso sob o modernismo.
modernismo. Mas M as a cultura
cultura é um fenômeno
fenômeno variado contendo
contendo
múltiplas linhas de aspectos eruditos e não eruditos. Temos discutido o impulso cultural do
Mundo Mac como uma tendência negativa que se não for desafiada pode eventualmente
impor seu próprio universalismo, reduzindo a totalidade da diversidade cultural do mundo a um
vazio
vazio monolítico. Um fato similar
similar espera-nos se o impulso da Jihad tor tornar-se
nar-se domina
dominante.
nte. Ela
pode realçar diferenças, mas pode negar a liberdade para explorar a "alteridade". A
identidade
identidade pessoal
pess oal torna-se limitada pelos horizontes
horizontes construídos socialmente elaborados por 
cada grupo, cada um impedindo
impedindo a entrada de influências
influências externas com barreiras
bar reiras invisíveis,
invisíveis,
Grandes Muralh
M uralhas
as da China psicológicas. Mas,
Mas , sabemos
sa bemos que há outras culturas além do
horiz
horizonte
ontesimplesmente
não são e assim necessitamos de uma
reconhecidas, ar
arte-educação
mas te-educação internacional
internacion
são vistas como al onde
recursos diferençaso culturai
para capacitar culturaiss
ind
indivídu
ivíduo
o a completar seu
s eu potencial.
potencial. De uma maneira curiosa, a percepção human
humanaa de si
permanece incompleta se não podemos descobrir como cada um de nós é o outro do "outro".
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Um Novo
Novo Mit o para o Mundo Pós-Moderno
Pós-Moderno

Como os arte-educadores podem contribuir na construção de um novo mito para o mundo


pós-moderno?

Esta questão é a mais confusa de todas e me preocupa que ela possa estar fora do alcance
da arte-educação. Os mitos surgem nas províncias da cultura e são socialmente construídos
notavelmente cedo, nenhuma cultura sozinha tem tido sabedoria suficiente para criar novos
mitos para nosso tempo por si própria. Do ponto de vista do Mundo Mac, a cultura é reduzida
a entretenimento ou "infotimento" , usando um termo de Barber, e estes tampouco servem
para anunciar mercadorias, ou tornarem-se mercadorias eles mesmos. A cultura torna-se
outra mercadoria no mercado e, não tendo propósitos elevados, sua fabricação e marketing
é dirigida pela economia de oferta e procura.

 A Art e com
c omo
o Cont
Co nt eúdo
eúd o p ara Est
Estud
udos
os Cult ur ais

A arte, a música e a literatura podem servir como conteúdo para uma pedagogia crítica que
tem como uma de suas missões o questionamento do mercado cultural internacional e a Home
cultura como uma forma de Jihad. Isto I sto pr
provave
ovavelmen
lmente
te será
s erá arduamente
arduamente combatido se aquele
curriculum capacitar os estudantes a tornarem-se cônscios das forças predatórias em suas
vidas e se em seus estudos forem
f orem encorajados a questionar. Aqueles
Aqueles que governam o Mundo Top
Mac preferem que
q ue seus
seus clien
c lientes
tes não ququestionem
estionem e apenas se divirtam, especialmen
esp ecialmente
te ssee eles
consumirem de acordo com seu estilo de vida sem questionar o sistema. Os pedagogos
críticos como Peter McLaren (1995) falam sobre a necessidade de uma pedagogia de
resistência e transformação  para contrariar as forças hegemônicas como o Mundo Mac. A
resistência pode ter sucesso à curta distância, mas desde que ela reage à dominação, e não
é empreendida livremente, não é genuinamente livre.

Do ponto de vista da Jihad a cul


c ultura
tura é reduz
re duzida
ida aos mitos que mantêm
mantêm e promovem a
identidade tribal, e o estudo de culturas externas pode ser percebido como exposição à
influências contaminadoras. Vemos como isto se processa em muitos países do terceiro
mundo, no fundamentalismo religioso, nos ataques perpetrados pelos jovens skinhead
alemães a imigrantes turcos e entre a supremacia branca nos Estados Unidos.

Ambas as tendências
tendências têm
t êm ultimamente
ultimamente trabalhado para encu
encurtar
rtar a liberdade individual.
individual. A
liberdade na visão do Mundo Mac é limitada ao se fazer escolhas entre as mercadorias ou
quanto aos meios de diversão, e não inclui escolhas morais. Na Jihad há a liberdade ilusória
para resistir
r esistir às influên
influências
cias da acultu
a culturação
ração dos grupos dominantes,
dominantes, mas não há liberdade para
explorar o mundo das diferenças além do conjunto de horizontes de sua própria cultura. A
cultura pode ser um lugar de refúgio, mas também pode ser sua própria prisão.

Ordem Social Tripla como Modelo para o Curriculum

O que agora proponho pode ajudar a refletir sobre as alternativas vindas destas opções. Tem
de ser feito com o reconhecimento das artes como uma forma de questionamento crítico
cultural
cultural que pode levar à tomada
t omada de decisões morais. Deriva da noção de Rudolph
Rudolph Steiner 
(1966/1972) de ordem social tripla.  Na esteira da
d a I Guerra Mun
M undial,
dial, que desencadeou uma
uma
destruição sem precedentes na Europa, Steiner propôs um sistema de organização social
que proveria as necessidades do ser hu humano
mano sem concentrações hegemônicas
hegemônicas de poder
p oder e
centralização da autoridade fundada
fundada no Estado moderno, e em sistemas
s istemas econômicos como
socialismo ou capitalismo. Em seu plano a sociedade poderia sers er organizada em três
coexistentes e entrelaçados grupos de instituições.

Primeiro há as instituições que apóiam e sustentam a organização econômica, incluindo os


mercados, as fábricas, as fazendas e sistemas de distribuição de bens e de serviços. Estes
negociam
satisfação com a matéria-prima
das necessidades necessária
fraternais dos aos seres humanos,
indivíduos através demas tambémdefornecem
atividades trabalhoa
produtivo e distribuição. A organização econômica poderia incorporar o Mundo Mac, se este
abraçasse um propósito mais elevado que apenas o lucro.
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O segundo
segundo grupo contém as organizações cívicas, ou a esf era político-legislativa. Incluem
legislaturas, tribunais e organizações políticas como suas partes. É onde as leis são
promulgadas
promulg adas especificando
es pecificando direitos humanos
humanos e procedimen
proce dimentos
tos através dos quais
quais cada
c ada
ind
indivídu
ivíduo
o pode entrar legalmente
legalmente para realizar contratos e acordos ou para reparar quei
q ueixas.
xas.

O terceiro grupo é o grupo que mais nos interessa, o qual ele chamou de organização
espiritual-cultural . Inclui escolas, universidades, corporações religiosas, museus, e
organizações profissionais como a INSEA. É onde as concepções de liberdade,
ind
individu
ividualidade,
alidade, certo e errado são cultivadas através da busca por signs ignificações
ificações na atividade
educacional.

Cada grupo de instituições poderia ser relativamente


relativamente autônomo, não sujeito
sujeito ao controle
c ontrole do
estado como no socialismo, nem dedicado por inteiro ao lucro como no capitalismo. Poderia
exigir uma moralidade comum queque incluiria
incluiria direitos e benefícios para os trabalhadores bem
como uma ética comprometida em prover produtos saudáveis para os consumidores e lucros
para os investidores. A moralidade comum emergiria das ações da esfera espiritual-cultural.

Um sistema educacional
educacional que suportaria tal ordem
or dem social exigiria formas de educação para
atividades econômicas, cívicas e culturais-espirituais. As artes seriam incluídas mais tarde. A
organização
organiz ação do curriculum pareceria algo como o diagrama que segue:

Um Curriculum Triplo

A parte central do diagrama representa a acumulação do conhecimento do assunto incluindo


as artes, as ciências, a linguagem, a matemática, as humanidades e estudos culturais como a
história, a filosofia e a religião. As três áreas circulares representariam as várias atividades
que o curriculum abrange, e recursos que poderiam ser extraídos do assunto na condução
de várias atividades. A esfera das atividades práticas corresponderia à esfera econômica
desde que aqui os estudantes pudessem aprender profissões para seu sustento. No círculo
das ativid
at ividades
ades sociais
soc iais ganha-se
ganha-se experiên
e xperiência
cia ao fazer
f azer parte de um grupo, onde tem que se
tomar conta dos interesses, desejos e direitos dos outros, bem como de seus próprios
direitos e responsabilidades. Finalmente, no círculo das atividades individuais imaginativas
cultivariam
cultivariam o uso de sua imaginação
imaginação para representar
repr esentar por formas expressivas
express ivas da linguagem
linguagem e
das artes as questões e os interesses que vêm à luz em outras esferas de atividades.
Atividades, em cada uma das três esferas engajaria as capacidades humanas cognitivas para
o pensamento, o sentimento e a vontade.

 As Art es, Cogn iç


ição
ão e Educ ação

Nos últimos 25 ou 30 anos um novo desenvolvimento tem surgido sob a psicologia cognitiva
que
que tem mudado
são boas paranossa compreensão
o pensamento comodoaaprendizado. É comum enquanto
lógica e a matemática dizer que outras
há certas matér
matérias
como as ias
artes são boas para o cultivo dos sentimentos. Tal separação já não é mais tão sustentável
(Parsons, 1992). O que está tornando-se claro é que o aprendizado em qualquer matéria
ocupa todas as três facetas da cognição. Chamo estas, à maneira de Steiner, pensamento,
sentimento e vontade. Cada uma, por si mesma, é incompleta sem as outras duas.

Pensamento é a capacidade cognitiva de tratar com conceitos e idéias, mas quando deixa de
sê-lo, pode levar a uma abstração exangue de pensamentos mortos. O pensamento sem
sentimento
sentimen to não pode levar à decisões morais porque os sentimentos
sentimentos ajudam a sensibi
s ensibilizá
lizá-lo
-lo
para as conseqüências das idéias e ações. Além disso, o pensamento não acontece numa
mente ociosa, mas é, ele mesmo, um ato de vontade. Somando-se ao pensamento, a
atividade cognitiva deve envolver a vontade bem como o sentimento. Os sentimentos também
nos tornam capazes de lidar com a afeição e a aversão, simpatias e antipatias, acertos e
erros.

Uma vida governada inteiramente pelo sentimento sem o pensamento pode ser perigosa,
como quando os prazeres tornam-se
to rnam-se vícios ou quando
quando as pessoas ses e engajam em opiniões
opiniões
violentas.
violentas. Ações
A ções morais tornam-se possíveis
possí veis quando
quando indivíduos
indivíduos são capazes de usar os Home
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sentimentos como um recurso para animar o pensamento. John Dewey trata a questão como
ponto de part ida das "dificuldades
"dificuldades sentidas".
s entidas". Tais
Tais sentime
s entimentos
ntos animam a mente por 
tornarem-se objetos do pensamento.
pensamento. Todavia,
odavia, o caso é que várias matérias no curriculum Top
diferem em sua capacidade de esboçar o pensamento, o sentimento e a vontade
coerentemente. É no campo do pensar sobre os sentimentos que a arte-educação tem o seu
papel chave na educação.

Os psicólogos cognitivos descrevem correntemente o aprendizado em termos de uma tripla


organização. Termos como conhecimento básico, estratégia e disposição  abundam na
literatura atual (ver Prawat, 1989). O conhecimento básico situa-se no campo do
pensamento, contendo as idéias e conceitos resultantes da percepção sensorial. O campo
das disposições corresponde ao plano dos sentimentos, enquanto que o campo das
estratégias comanda os meios pelos quais mobilizamos
mobilizamos nossa vontade de aprender mais ou
empreender ações em face a problemas. O aprendizado bem sucedido deve envolver esses
três elementos mas as artes têm atributos próprios para desenvolver e engajá-los como
poderes da mente como David Perkins explica:

"A arte ajuda


ajuda de uma maneira natural.
natural. O olh
olhar
ar para a arte convida,
convida, recompen
rec ompensa
sa
e encoraja um temperamento atencioso, porque obras de arte requerem
atenção para descobrir o que elas têm para mostrar e dizer. Obras de arte
também conectam o social, o pessoal e outras dimensões da vida com fortes
sugestões afetivas. Então, é melhor do que a maioria das situações, olhar para
a arte pode construir realmente disposições para um pensamento básico"
(Perkins, 1994, p. 4).

 A Liber
Li berdad
dad e da Vida Cult ur al
Como pode a comunidade
comunidade internacional
internacional dos arte-educadores começar
c omeçar a lidar com os
problemas das áreas mencionadas
mencionadas no início? Começamos por reconhecer
reconhecer que a meta da
arte-educação reside dentro da esfera espiritual-cultural do indivíduo e tem como seu
principal objetivo "a liberdade da vida cultural". Ela é apenas indiretamente endereçada às
esferas da economia ou cidadania,
cidadania, embora estas áreas de interesse
interess e humano
humano uultimamen
ltimamentete
tornaram-se beneficiadas por uma educação através da arte. É aqui que é mais provável
encontrarmos resistência da escola e órgãos governamentais, pais e amigos, porque a
educação pública é controlada pelo estado
es tado nas nações indu
industr
strializ
ializadas
adas e muitos estados
es tados
tendem a colocar os problemas da competição econômica internacional
internacional acima de outros
interesses. Franz Carlgren (1986) nos fala a respeito das atuais condições que afetam a
educação contemporân
c ontemporânea:ea:

"Mais ainda, escolas, universidades e laboratórios científicos são reconhecidos


einternacional;
tratados como fatores em
curriculum uma acirrada
, a forma disputa
da instrução, econômico-política
decisões a respeito de
exames… são consistentemente adaptados às necessidades da indústria,
governo, ou mesmo da máquina militar… a liberdade da vida cultural está em
perigo naqueles
naqueles países que consideram a si mesmos "livres"… Quando
Quando a
demanda do estado industrial moderno influencia o andamento do trabalho e os
requisitos de exames do sistema educacional a um nível muito elevado, então o
resultado inevitável é a revolta dos jovens e dos estudantes" (1986, p. 13).

Não é preciso ir muito


muito longe para encontrar eexempl
xemplos
os que ilustrem a observação
obser vação de Carlgren.
O Japão, por exemplo, tem um dos mais rigorosos sistemas de exames educacionais do
mundo,
mun do, mas também tem a mais alta taxa mundial
mundial de suicídios de adolescentes. A violência
violência
das gangues é a causa
c ausa principal
principal de morte
mort e entre adolescentes negros americanos que se
sentem excluídos do processo educacional. O preço para realizar objetivos econômicos pode
ser muito alto se isto oprime o indivíduo no processo. Metas econômicas e sociais são mais
provavelm
provavelmente
ente
experiências
experiências garantidas
que evoquempelo estímulo
os estudan
est tesdas
udantes potenciali
p otencialidades
para dades
encontrar da mente
ssentido
entido através
at ravés
em suas de
experiências de
vida dentro e através das artes.
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Obras de arte apresentam à nossa percepção formas de sentir criadas pelos artistas,
tornando-as disponíveis
disponíveis para cognição. Ensinamos
Ensinamos arte não meramente
meramente para capacitar 
crianças a fazerem quadros artisticamente, ou para determinar se um objeto é Home
suficientemente bom para justificar a apreciação e o reconhecimento, mas para capacitar os
estudantes a penetrar na essência de uma obra de arte. A compreensão é atingida através
da interpretação de tais obras, onde a obra é vista em relação ao contexto em que está Top
situada. Isso é possível porque uma obra de arte é sempre a respeito de alguma outra coisa
que a arte! A capacidade para fazer determinações
d eterminações e julgamentos
julgamentos provavelmente
provavelmente não
emergirá se as crianças forem deixadas de fora desses dispositivos. Levantam-se quando o
ensino intencionalmente os deixa de fora no desenvolvimento do poder da mente, incluindo a
imaginação, através da criação e interpretação reflexiva. Isso é o que de melhor a
arte-educação pode prover, e é minha crença que as compreensões cultivadas através do
estudo da arte sejam formas de deliberação que podem preparar as fundações para uma
liberdade cultural e uma ação social.
s ocial.

Tradução: Ana Amália


Amália T.
T. B. Barbos a e Jorg e Padilha
Padilha

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