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OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA E DA MORAL MAÇÔNICA

Aprendiz

João Henrique Cunha Villela

Confederação Maçônica do Brasil – COMAB

Grande Oriente de Santa Catarina – GOSC

ARBLS Fraternidade, Justiça e Trabalho – no 26

Oriente de Balneário Camboriú – 05/11/2020

1. INTRODUÇÃO

Estudar sobre moral e ética, muitas vezes, pode parecer um tema sem
fim, pois muitos mesclam vícios, virtudes, valores naturais, ética e sentimentos
do seu íntimo. Mas o fato é, que nada mais faz tanto sentido a metáfora do
desbaste da pedra bruta do que o aperfeiçoamento e o entendimento técnico-
filosófico do que trata-se a moral. Basicamente, neste entendimento, a moral
orienta o comportamento do homem diante das normas instituídas pela
sociedade ou por um determinado grupo social, diferenciando-se da ética, que
no seu sentido, visa avaliar o comportamento moral de cada indivíduo no seu
meio.

2. DESENVOLVIMENTO

A moral é o conjunto de valores instituídos pelo coletivo de determinado


grupo de pessoas, ao longo da história, que determinam regras básicas a serem
seguidas para que o indivíduo tenha uma relação no mínimo harmoniosa e
saudável para com os outros seres. São pautados na experiência de vida deste
circulo social, esses valores são adquiridos pelas pessoas através da educação
que recebem, da tradição dos povos, ou mesmo, no desenvolver das suas
relações cotidianas. São regras universais que regem a conduta humana.

No Latin, Moral descende etimologicamente de “morales”, ou seja:


“relativo aos costumes”. Essas regras sociais impostas é que regulam o modo
de agir das pessoas, elas estão associadas aos valores e convenções
estabelecidas coletivamente pela experiência da sociedade a partir da
consciência individual, que distingue o bem do mal, a violência da paz, o conflito
da harmonia, faz analogia a metáfora do esquadro sobre o compasso, ou vice-
versa nos graus superiores. O espírito sobe a matéria também poderia entender-
se como a moral sobre o mero instinto.

Historicamente, a moral passou a ser adquirida instintivamente ao longo


da convivência do homem em sociedade. Remontando ao homem primata, ao
qual descendemos, quando o homem aprendeu a caçar e viu que grandes
presas eram difíceis de serem abatidas sozinho, e depois, acabavam
decompondo-se antes que fossem consumidas por completo, então, o homem
começou a buscar e aperfeiçoar sua cooperação social. Logo começaram a
caçar juntos e distribuíam o resultado disso, tornando mais fácil o trabalho e
reduzindo a perda do alimento. Um exemplo bem prático, e tangível disso é que
até poucos anos atrás, era comum entre famílias quando carnear um animal,
dividir com seus vizinhos, pois não se possuía refrigeração adequada para
armazenar tais alimentos por longos períodos.

Ainda, retornando ao período primata, talvez os princípios de moral


fossem o de não roubar ou cobiçar a caça alheia, ou ainda, de não matar um
semelhante (citado inclusive os dez mandamentos) e assim por diante, surgindo
novas regras sociais ao longo do tempo, sempre com intuito de colocar o
sentimento de coletividade e fraternidade acima da força, da violência e do
instinto primitivo.

Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, aquilo que
pertence ao caráter. Em qualquer classe profissional, as pessoas também
devem seguir um código de ética que determina e julga sua postura, seu caráter
e mede sua moral perante o próximo. A diferença é que a ética não pode ser
simplesmente escrita em um livro como um “manual de ética para todas pessoas
do Universo” (até mesmo, porque as regras morais são poucas e as situações
particulares são infinitas, suscetíveis aos mais diversos e calamitosos erros),
mas trata-se de um sentimento que somente pode ser tangibilizado através da
percepção moral individual. Também confunde-se muito ética (sentimento, não
código profissional) com as Leis. Embora as Leis em geral sejam pautadas em
princípios éticos, nunca um indivíduo vai ser punido pelo Estado ou compelido
por outros indivíduos por não cumprir normas éticas.

Para Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.) o homem para ser feliz em
sociedade tem que evitar os vícios de falta e os de excesso, o que chama de
excelência moral. A justa medida ao meio de dois extremos (mesótes – aquilo
que é equidistante em relação a cada um dos extremos) é o caminho para
tornar-se um Mestre na Arte da Vida. Esse pensamento é muito mais antigo que
a própria política e está relacionado ao indivíduo em si, enquanto a política está
relacionada com o homem na sua vertente social.

3. CONCLUSÃO

O desenvolvimento da percepção moral é paralelo a percepção do


Universo, das pessoas, de seus comportamentos e atitudes, essa percepção
moral nada mais é do que um juízo íntimo das atitudes de si mesmo e dos seres
a sua volta, é inegável que tal julgamento exista. O Maçom não deve cansar-se
de observar tudo isso, sempre com humildade, compaixão e sentimento de
justiça, sem exteriorizar seu julgamento, mas utilizando de tais percepções para
aperfeiçoar-se mediante de si mesmo e sua consciência em um processo de
observação, crítica, e, por fim, vínculo daqueles princípios que passamos a
acreditar, isso torna o ser verdadeiramente moral.

O ser humano e principalmente o Maçom busca uma plenitude moral


além da média da sociedade, analogia ao desbaste da “pedra bruta” em direção
a “pedra polida”, deve buscar o entendimento técnico-filosófico disso tudo, para
que aplique tais regras em situações atípicas à aquilo que foi determinado ou
liturgicamente exemplificado. Como pontualmente aperfeiçoar sua percepção
moral para melhorar a si mesmo e identificar outrem que também o faça,
basicamente as regras são sempre as mesmas e de fácil aprendizagem, já a
percepção está na unidade, no juízo individual.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Maçonaria e Astrologia. “Editora Landmark”, São Paulo, 2.ª edição, 2002.

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

História da Ética. In Vi- deoaula do Curso “Ética nas Organizações”. Rosiane


Follador Rocha Curitiba: IESDE, 2009.