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Distribuição Cultural

Comumente pensamos que tudo o que foi produzido automaticamente será consumido
por alguém, ainda mais no ramo da cultura, mas nos esquecemos que os meios de acesso e
distribuição não são assim tão eficazes nem eficientes, proporcionando também ao consumidor
um caráter produtor de cultura. A questão é que os caminhos são turvos nos canais de
distribuição. Fazendo com que o mercado cultural torne-se um tanto quanto injusto e
imprevisível.

Museus

Devemos entender que mais do que meramente simples depósitos de coleções artísticas,
arqueológicas ou científicas, a função dos museus é muito mais ampla. Esta função abrange
toda uma experiência, para que a pessoa consiga vivenciar os traços culturais ali expostos,
portanto, é necessário que haja alguma correlação entre o contexto no qual o museu é inserido e
a própria instituição. De nada adianta tentarmos evocar a aura da cultura egípcia num lugar onde
as pessoas não vão dar atenção porque não faz parte da realidade destas pessoas, nem da história
delas, nem da cultura delas, resumindo não estão no mesmo contexto.

Lembrando que a função do museu é se fazer vivida a cultura, é se fazer sentida e


compreendida, este deve procurar outras alternativas de fomentar o interesse das pessoas, seja
aplicando serviços comunitários, oferecendo cursos gratuitos, exposições itinerantes, oferecendo
palestras e oficinas tudo em prol de cultivar uma relação mais íntima entre a comunidade local e
o museu, logo, entre a população local e sua cultura.

Os museus possuem um papel muito importante na economia de um país, eles aquecem


a compra e venda; têm alto nível de empregabilidade, funcionam como atração turística,
instituição de ensino, instituição comunitária, provedor de local, incubador de trabalhos
criativos e empresas e distribuidor internacional de arte e cultura. Além disso, os museus
contribuem para economia pagando impostos e possuem inúmeros resultados intangíveis, sendo
um deles o apreço pela diferença. O museu sobrevive de diversas formas, seja recebendo
incentivo com parceiros privados ou ainda mesmo com políticas públicas, sem contar com a
possibilidade de se fazer paga a visitação. O setor privado torna-se um grande incentivador
desse tipo de instituição, fazendo com que se tornem sustentáveis e possam exercer toda sua
imponência, o que o setor público não consegue fazer.

Devido a tudo já comentado, tomemos como ponto de discussão agora um tópico bem
importante de se lembrar é o de que se é certo ou não levarmos em consideração a possibilidade
do museu vender suas obras seja para levantamento de fundos ou para aquisição de determinada
obra. A França, por exemplo, não permite qualquer tipo de processo comercial que envolva a
venda de seu acervo.

Depois de tudo isso, ainda ressalto e deixo bem frisado que museus não têm fim
lucrativo, estes buscam promover a cultura acima de tudo.

Demais equipamentos culturais

Ao contrário de museus as outras instituições envolvidas com a disseminação da cultura


não precisam, necessariamente, ter como principal objetivo promovê-la, elas podem sim ter fins
lucrativos bem definidos. Contudo, é interessante notarmos que o que é privado perde-se em
relação ao que é publico e vice-versa, como acontece com algumas galerias que expunham seu
acervo de forma privada e precisaram expandir sua presença publica tal como as que eram
publicas precisaram privatizar parte de seu acervo para levantar fundos.

A idéia desses equipamentos culturais é relativamente nova no Brasil, houveram


inúmeras razões para este fato, podemos listar a repressão cultural surgida no período colonial
que não dava ouvidos a voz desse país que criava sua própria identidade. Foi somente no século
XIX que surgiram as primeiras instituições culturais desse gênero como, por exemplo, o Teatro
Santa Isabel em Recife ou o Teatro Amazonas em Manaus. Mais recentemente o Brasil teve
problemas com a ditadura que não permitia que as mentes criativas do país se desenvolvessem
de forma plena, contudo na década de 70 foram criadas as secretarias estaduais da cultura, além
de órgãos que incentivavam a produção desta, como a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o
Instituto Nacional de Cinema. Um dos reflexos do atraso brasileiro em relação ao
desenvolvimento de tais equipamentos culturais é o fato de que o mercado cinematográfico está
em vias quase que monopolistas aonde as multinacionais acabam subjugando o nacional. Com
isso, os cinemas de bairro começaram a sumir para dar espaço a grandes salas de cinema, aonde
pelo menos 95% (1988) dos brasileiros assistem filmes dos EUA e apenas 3% dos filmes
assistidos são nacionais. Hoje em dia, 20% dos filmes assistidos são nacionais, mas ainda há
uma enorme discrepância entre os filmes norte-americanos e os nossos.

Apesar de esse problema estar presente no campo nacional, deve-se lembrar que é
possível encontrar soluções simples para busca de alternativas que revertam de alguma forma o
caso. Os Pontos de Cultura são parte de um projeto, que leva possibilidade das minorias
excluídas do país como os indígenas aproveitarem de recursos tecnológicos para disseminar sua
cultura, além de incentivar o cultivo de suas tradições e histórias, e serve como ótima ilustração
para essa realidade. Ainda falando deste projeto, ele se afiliou ao Ministério do Trabalho
fornecendo bolsas para jovens de 16 a 24 anos capacitando-os para operação dos computadores
e dos kits multimídias, reforçando também a possibilidade financeira de se trabalhar com
cultura nas comunidades carentes.

Mercados de Arte

Chega a ser engraçado: é tamanha a intimidade entre o valor cultural e o econômico


quando estamos tratando de mercado de arte, que consegue tornar-se um dos mercados mais
confusos quando se trata de investir, mas deixando o tópico do investimento um pouco de lado,
precisamos primeiro entender o que é Mercado de Arte. Primeiro, vamos esclarecer umas
coisas: se toda a obra de arte é única e insubstituível, logo seu vendedor torna-se monopolista, já
que ele vai ser o único a disponibilizar aquela obra. A importância de se tomar cuidado ao se
tratar da venda de obras de arte é que as mercadorias vão apresentar um caráter dual, aonde
existe a mercadoria física e uma idéia por trás dela. Salvo quaisquer semelhanças estruturais
entre mercado de artes e o da bolsa, vemos diversas diferenças na prática destas facetas da
economia; na bolsa as ofertas são intercambiáveis e substituíveis, já no mundo das artes, como
havia dito anteriormente, não; Na bolsa o mercado prega a concorrência, e nas artes, como
também já disse, não é bem assim, trata-se então de um monopólio.
Havia comentado, não por acaso, sobre semelhanças estruturais entre o mercado da
bolsa de valores e o das artes, elas são muito sutis embora pareçam óbvias. No mercado de arte
estão envolvidos os produtores (artistas), os agentes distribuidores (marchands), os
consumidores privados (colecionadores, empresas com coleções de arte próprias, institutos
culturais) e os consumidores públicos (museus, centros culturais, órgãos públicos com coleções
de arte ou ainda responsáveis por espaços públicos que encomendam obras de arte para dispô-
las nesses locais) que se fazem uso de diversos canais de distribuição (galerias, casas de leilão,
feiras de arte, ateliers).

Tanto a globalização quanto a concentração se confirmaram neste mercado. Enquanto


consegue-se compradores e vendedores de todo o mundo a maioria das exportações, são
oriundas apenas de seis países (Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França e
Canadá). Fenômenos parecidos ocorrem também com a distribuição, por exemplo em 1998, as
duas principais casas de leilão do mundo, Christie’s e Sotheby’s, controlavam junta 39% do
mercado de obras de arte, sendo o restante pulverizado entre outras 825 casas de leilão.

Além de leilões outro importante canal de comercialização e distribuição da arte são as


feiras, em especial sobre arte contemporânea. No Brasil a primeira feira internacional de arte
moderna e contemporânea de São Paulo, a SP Arte, aconteceu em 2005. Só na pré-abertura
metade das obras expostas pelas 40 galerias participantes já haviam sido vendidas.

Hoje em dia existem órgãos responsáveis pela locação de obras de artes, como por
exemplo, o Banco de Obras de Arte do Canadá, que promove o aluguel das obras para um vasto
público no país e no exterior, este programa também apóia os artistas canadenses ao adquirir
suas obras com recursos do faturamento do banco encima destas. Atualmente, eles contam com
mais de 18 mil obras, formando a maior coleção de arte canadense contemporânea.

Os principais problemas que esse tipo de iniciativa tenta resolver são o financiamento
insuficiente e a falta de uma estratégia nacional coerente para esse setor, o que implica num
prejuízo enorme para o seu desenvolvimento. Uma vez que a arte é instável por si só torna-se
difícil conseguir precificar uma obra. A precificação provêm, sobretudo do subjetivo do
individuo, o valor que ele dá a obra vai sempre estar ligado com o significado que ele vê nela,
mas isso não é o suficiente para dar um preço.Para darmos um preço realmente justo precisamos
levar em conta juntamente com o fator estético outros três fatores, o fator artista (fama, nome,
renome, outras obras, etc), o fator obra (tamanho, técnica, tema abordado, tempo de execução,
restaurações realizadas, número de exemplares, estado de conservação, locais em que já foi
exposta, facilidade de venda, liquidez etc) e as influencias externas (moda, gosto pessoal dos
compradores, situação financeira nacional e internacional, concorrência, criticas etc). Portanto,
chega-se a conclusão que o valor econômico e o estético podem não ser compatíveis.