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Espionando: A Wuchereria bancrofti

A filária Wuchereria bancrofti causa


afilariose linfática. É um helminto
(verme) longo e delgado, que vive
quase que exclusivamente em seres
humanos. As filárias se alojam no
sistema linfático, a rede de gânglios e
vasos que mantém o equilíbrio
delicado entre os tecidos e o sangue e
é um componente essencial do
sistema de defesa do organismo. No
sistema linfático, são encontradas
enroladas em novelos, que provocam
Verme adulto
inflamação e atrapalham a circulação
da linfa.

A fêmea da filária mede entre 8 e 10 cm de comprimento por 0,3 mm de diâmetro.


Já o macho mede 4 cm de comprimento por 0,1 mm de diâmetro. Vivem de 4 a 6
anos, produzindo milhões de microfilárias imaturas (larvas minúsculas) que
circulam no sangue.

Microfilárias

Ao contrário dos outros helmintos


(vermes), os ovos das filárias são
envoltos por uma delicada membrana
ovular, ao invés de uma casca
uterina. Quando o embrião completa
seu desenvolvimento e se alonga, a
membrana se distende e passa a
constituir a bainha da microfilária.

Nascidas no interior dos vasos e


troncos linfáticos, as filárias
acumulam-se, durante o dia, no
interior da rede vascular sanguínea
Microfilária
dos pulmões. Ao anoitecer, começam
a se dirigir para a circulação periférica e seu número vai aumentando até as
primeiras horas da madrugada. Depois diminui progressivamente e, pela manhã,
não é possível encontrar microfilárias no sangue periférico.

Este comportamento da Wuchereria bancrofti é exclusivo dos focos da América,


África e Ásia, não sendo observado na variedade do parasito encontrada nas ilhas
do Pacífico Sul, onde não há periodicidade no comportamento das microfilárias.

Ciclo no inseto

Ao sugar o sangue de uma pessoa parasitada, no período em que há microfilárias


circulantes, o mosquito Culex quinquefasciatus ingere um certo número destas
larvas. Elas perfuram a parede do estômago do mosquito e dirigem-se ao tórax.
Nos cinco primeiros dias encurtam, assumindo um aspecto de salsichas. Voltam
depois a crescer e, por volta do oitavo ou nono dia, passam pela primeira muda.
A larva de segundo estádio cresce rapidamente, chegando a triplicar ou quadriplicar
de tamanho em quatro dias. Dirige-se então para a hemolinfa, passando pela
segunda muda. Esta é a forma infectante para o hospedeiro vertebrado (homem).
Seu comprimento é de pouco menos de 2mm. A larva move-se ativamente e se
aloja na bainha da tromba (lábio) do inseto.

Ciclo no homem

Quando o inseto volta a sugar sangue, a larva infectante perfura o lábio do


mosquito e invade o organismo humano, através da pequena lesão deixada pela
picada. No homem, as larvas penetram nos vasos linfáticos e iniciam sua longa
migração até chegarem aos locais de permanência definitiva. Lá se desenvolvem e
acredita-se que passem por mais duas mudas até se tornarem adultos, quando
acasalam e produzem novas microfilárias. Esse período é longo (cerca de um ano).

Fonte de informações e imagens:


Rey, Luis - Parasitologia. Rio de Janeiro, 1999. Guanabara Koogan