UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA QUÍMICA GRUPO DE QUÍMICA DE ÓLEOS ESSENCIAIS E ALIMENTOS

- GQOEA

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTIFICA PIBIT/CNPq

RELATÓRIO PARCIAL Período: Agosto/2010 a Fevereiro/2011

BOLSISTA: Rayone Wesly Santos de Oliveira

ORIENTADOR: Prof° Dr. Victor Elias Mouchrek Filho

São Luís - MA 2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA QUÍMICA GRUPO DE QUÍMICA DE ÓLEOS ESSENCIAIS E ALIMENTOS- GQOEA LABORATÓRIOS DE FISICO-QUIMICA E MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS

Estudo a na lític o e a va liaçã o da ativ idade larv ic ida do ó le o e sse nc ia l do

Syzygium aromaticum (cra v o-da-índia ) fre nte ao mosquito Aede s ae gypti
(linna eus, 17 62)

Relatório Parcial Apresentado ao Programa Institucional de Iniciação Cientifica ± PIBIT/CNPq.

BOLSISTA: Rayone Wesly Santos de Oliveira

ORIENTADOR: Prof° Dr. Victor Elias Mouchrek Filho

São Luís - MA 2011

1. INTRODUÇÃO

O mosquito Aedes aegypti (Linnaeus 1792) (Figura 1) é o principal responsável pela transmissão da febre amarela urbana e do dengue em todo o mundo. É doméstico e antropofílico, com atividade hematofágica diurna e utiliza -se preferencialmente de depósitos artificiais de água limpa para colocar seus ovos (CDC, 2009; TAUIL, 2001). Embora oriundo do Velho Mundo, esse mosquito acompanhou o homem em sua longa e ininterrupta migração pelo g lobo, e permaneceu onde as alterações antrópicas propiciaram a sua proliferação. Hoje, o Aedes aegypti é considerado um mosquito cosmopolita, com ocorrência em regiões tropicais e subtropicais (CDC, 2009; CONSOLI e OLIVEIRA, 1994).

Fonte: INFO-E (2009)

Figura 1. Mosquito Aedes aegypti (Linnaeus, 1762).

Dados de novembro de 2008 indicavam as áreas de maior risco (em amarelo no mapa da Figura 2): América Central, América do Sul (exceto Chile, Uruguai e sul da Argentina), América do Norte (México), África, Austrália (norte), Caribe (exceto Ilhas Caymam), China (sul), Ilhas do Pacífico, Índia, Sudeste Asiático

O mosquito Aedes aegypti. 2 0 0 9 ). pela urbanização acelerada que criou cidades com deficiências de abastecimento de água e de limpeza urbana. O co n to r no das l i nh as d as i so t er m as d e jan ei r o e jul ho i n di cam o s l i mi tes geo gr áf i co s po ten ci ai s do s H emi sf ér i os No r t e e S u l do pl an et a p ar a so br evi v ên ci a do A ed es aegyp ti ao l o n go do an o ( WHO . Figura 2 . como recipientes descartáveis de plástico e vidro. Fonte: WHO (2009). e pelas mudanças climáticas. encontrou no mundo moderno condições muito favoráveis para uma rápida expansão.e Taiwan1 (CDC. 2002). 2009). mas em 1995 foram registrados casos de transmissão no Texas. pela intensa utilização de materiais não -biodegradáveis.5 bilhões de pessoas em todo o mundo (FUNASA. espalhou -se por uma área onde vivem cerca de 3. 1 . Distribuição do Aedes aegypti no mundo em 2008 (países ou áreas de risco). Com essas condições. Nos Estados Unidos a ocorrência de dengue é incomum. O mosquito Ae des aegypti esta distribuído na maior parte do Brasil e a região Nordeste está mais suscetível a ocorrência de epidemias do dengue.

vasos etc. sempre ligado ao peridomicílio e ao domicílio humano.No Brasil o mosquito está restrito às vilas e cidades. são capazes de resistir a longos períodos de dessecação (SILVA 2006).O ciclo de vida do Aedes aegypti O conhecimento do ciclo de vida do mosquito contribui para melhoria das formas de combate a esse vetor. dentro ou perto das habitações. com contorno alongado e fusiforme e é depositado individualmente. no momento da postura os ovos são brancos. nas paredes dos depósitos que servem como criadouros. preferencialmente. a) O ovo O ovo do Aedes aegypti (Figura 3). 2000). O Aedes aegypti é uma espécie doméstica. mede aproximadamente 1mm de comprimento. . 1.1 . mas nas primeiras 24 horas adquirem a cor negra. Nas cidades brasileiras é encontrado nos locais de maior concentração humana e raramente em ambientes semi -silvestres ou onde a população humana é mais escassa (NEVES. que se reproduz. Seu ciclo de vida compreende quatro estágios: Ovo ± Larva ± Pupa ± Adulto (SILVA 2006).1.. pneus. a formação do embrião se completa em 48 horas. próximos à lâmina da água. acumulada em recipientes fabricados pelo homem. como latas. em água parada e limpa.

em recipientes secos. sofrem eclosão. tornando -se assim. ovos com até 450 dias. Ovos do Aedes aegypti (Linnaeus. A duração desta fase depende da temperatura e da alimentação. quando colocados em contato com a água. sifão curto. grosso e mais escuro que o corpo e possui quatro estádios evolutivos. . As larvas são sensíveis a movimentos bruscos na água. b) A larva Na fase de larva o Aedes aegypti (Figura 4) possui aspecto vermiforme. Esta condição permite que os ovos sejam transportados a grandes distâncias.Fonte: FIOCRUZ (2009) Figura 3. A capacidade de resistência dos ovos é um sério obstáculo para sua erradicação. o principal meio de dispersão do inseto. em mé dia dura sete dias. De acordo com dados da FUNASA (2002). 1762).

c) A pupa A pupa é o último estágio da fase aquática (Figura 5) e possui o aspecto de vírgula. Fonte: ARBOVIRUS (2009).Fonte: WIKIMEDIA (2009) Figura 4. seu corpo escurece a medida que se aproxima o momento da emergência do adulto. . 1762). 1762). Larvas do Aedes aegypti (Linnaeus. Figura 5. sendo bastante móvel quando perturbada. Esta fase dura de dois a três dias e durante este período a pupa não se alimenta. Pupa do Aedes aegypti (Linnaeus.

de todos os continentes. com superfície áspera. que após terem picado uma pessoa doente. O macho alimenta-se de carboidratos extraídos dos vegetais. em mais de 100 países. Seu corpo é escuro. passando a disseminá -lo. O dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O repasto sanguíneo das fêmeas fornece proteínas para o desenvolvimento dos ovos. A postura se dá geralmente no fim da tarde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente. A fêmea é atraída por recip ientes sombreados ou escuros. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência dessa doença (BRASIL. adquirem o flavivírus. exceto a Europa. albuminúria e discre to aumento dos testes de função . Eles podem acasalar 24h após emergirem. São conhecidos quatro sorotipos: 1. A fêmea faz uma postura após cada repasto sanguíneo. pertencente à família Flaviviridae. A presença do vírus no organismo provoca alterações bioquímicas como a diminuição da albumina no sangue. 3 e 4. 2002). Seu período de incubação é de oito a dez dias (FUNASA. O acasalamento pode se dar durante o vôo ou pousados sobre uma superfície. Prefere água limpa e distribui cada postura em vários recipientes (SILVA 2006). O intervalo entre a alimentação e a postura é de três dias. Ocorre nas primeiras horas do dia e ao anoitecer. 2. 2009a). É uma doença transmitida por um arbovírus do gênero Flavivirus. Trata-se de uma virose transmitida pela picada dos mosquitos Aedes aegypti ou Aedes albopictus. causador da doença.d) O adulto Os mosquitos adultos estão na fase de reprodução e dispersão da espécie. com faixas brancas nas bases dos segmentos tarsais e possui um desenho em forma de lira no mesonoto (Figura 1).

pois provoca hemorragias internas. Este mosquito também é o vetor do dengue hemorrágico. A forma benigna é difundida e tem sintomas semelhantes aos de uma forte gripe. 2004). Não existe tratamento específico contra o dengue. O aumento na densidade desse mosquito está relacionado ao comportamento sinantrópico e ao habito antropofílico dessa espécie (SILVA et al. Ele é atualmente um mosquito que apresenta a maior dispersão em áreas urbanas do mundo. Os machos de todas as espécies de mosquitos não sugam o sangue humano ou de animais.. mas o Aedes põe os ovos separadamente. Os mosquitos são responsáveis por mais doenças que qualquer outro grupo de artrópodes. Esta forma hemorrágica é letal na maioria dos casos. que se tornou endêmica no Brasil. O mosquito Aedes aegypti atua como um vetor para um arbovírus responsável pela febre amarela nas Américas Central e do Sul e no oeste da África. conseqüentemente permitindo a difusão dos ovos e aumentando a chance de sobrevivência. . 2006). Esta espécie é de grande importância para a medicina. A doença manifesta-se de duas formas. eles se alimentam de frutos. pois se trata do vetor de quatro sorotipos do flavivírus causador do dengue clássico e da febre hemorrágica do dengue.hepática: aminotransferase. Apenas as fêmeas sugam o sangue que ela precisa de modo a amad urecer os seus ovos. Os ovos da maioria das espécies de insetos são postos juntos. A forma maligna é a hemorrágica e atinge principalmente as pessoas que já foram acometidas pela forma benigna da doença. aspartato sérica (conhecida anteriormente por transaminase glutâmico ± oxalacética ± TGO) e aminotransferase alanina sérica (conhecida anteriormente por transaminase glutâmico pirúvica ± TGP) (SILVA.

pelo inquérito sorológico realizado. de todos os continentes. Graham forneceu. A partir de 1986. e no Cairo e em Alexandria. 1999). na Ásia. . no Egito. em 1906. em Boa Vista Roraima. Foi denominada pelos chineses de veneno da água. foram registradas epidemias em diversos estados. estima-se que pelo menos l milhão de pessoas foram afetadas pelo sorotipo DEN -1 nos anos 1986/1987. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80 milhões de pessoas se infectem anualmente. o dengue ainda é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A primeira epidemia documentada clínica e laboratorialment e ocorreu em 1981 -1982. Epidemias foram também descritas nas Índias Ocidentais em 1635. em 1779. exceto a Europa.O primeiro relato de doença semelhante ao dengu e foi descrita numa enciclopédia chinesa da Dinastia Chin (265 a 420 A. e. sem diagnóstico laboratorial. em Niterói. 2001). em 100 países. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência do dengue (FUNASA. evidências da transmissão por mosquito.C. pela primeira vez. 2002). em São Paulo. Até os dias atuais. De acordo com SILVA (2006) há referências de epidemias em 1916. causado pêlos sorotipos DEN-1 e DEN-4. Em 1903. O dengue clássico e o dengue hemorrágico são problemas importantes de saúde pública em regiões tropicais e subtropicais (GUZMÁN e KOURI. Os primeiros relatos de uma síndrome febril aguda semelhante ao dengue foram detectados na ilha de Jakarta. pois achavam que de alguma maneira estava associada a insetos (SILVA e SILVA. A mais importante ocorreu no Rio de Janeiro onde.). e em 1923. Bancroft concluiu ser o Aedes aegypti o vetor do dengue.

. Programas com baixíssima ou mesmo nenhuma participação da comunidade.O Dengue Em nosso país.2. Fonte: BRASIL (2009b). Um levantamento de dados realizado em fevereiro de 2009 pelo Ministério da Saúde mostra o mapa da incidência da doença n o País (Figura 6). as condições socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti possibilitaram a dispersão do vetor desde sua reintrodução em 1976 e o avanço da doença. 2009a).1. Essa reintrodução não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente empregados no combate às doenças transmitidas por vetores. . sem integração intersetorial e com pequena utilização do instrumental epidemiológico mostraram-se incapazes de conter u m vetor com altíssima capacidade de adaptação ao novo ambiente criado pela urbanização acelerada e pelos novos hábitos (BRASIL.1. Taxa de Incidência do dengue no Brasil e Regiões entre os anos de 1990 e 2008. Figura 6.

Enquanto não se pode contar com esta medida de controle.137 pessoas foram vítimas do mosquito. Amapá. quando 160. Claro que as ações de prevenção do dengue necessitam de envolvimento de outros setores da sociedade. Roraima. o único elo vulnerável da cadeia epidemiológica é o vetor. Além disso. os casos de dengue caíram no Brasil. em parceria com a população. aponta que nas dez primeiras semanas deste ano foram notificados 114. uso de inseticida para as formas adultas do mosquito. Houve redução no número de casos da doença em 19 estados e no Distrito Federal. As medidas de controle consistem na limpeza de terrenos baldios. garrafas e plásticos abandonados. divulgado Ministério da Saúde. 2009c). Espírito Santo e Mato Grosso do Sul (BRASIL. Apesar dos esforços para o controle da doença. Contudo. a conscientização d e cada cidadão sobre as medidas de prevenção e controle e a efetiva ação dos órgãos públicos de saúde. Minas Gerais. depósitos de ferro velho descobertos. representando uma queda de 28. como pneus usados expostos ao ar. no que diz respeito ao controle da doença. até o momento não existe uma vacina para prevenção do dengue. até março de 2009.É notável que desde o ano de 1990 a incidência da doença tem crescido em todas as regiões do País. . que se constituem em recipientes artificiais de água. 2001). A luta contra os mosquitos consiste principalmente na eliminação dos seus criadouros potenciais.6% em relação ao mesmo período de 2008. Acre. particularmente na questão da melhoria de condições de urbanização e habitação. abastecimento permanente de água encanada e educação escolar (TAUIL. coleta regular de lixo. aplicação de larvicida em depósitos de água de consumo. latas.355 casos da doença. Ocorreu aumento de notificações na Bahia. durante os períodos de transmissão. O balanço parcial de casos.

1981) . 2000. próprios de vários grupos de espéc ies (CHAAR. óleos etéreos ou essências. Também podem ser chamados de óleos voláteis. Eles são assim chamados por serem: geralmente de aparência oleosa e líquida. Os óleos essenciais. que nesse caso são denominadas hidrolatos (MOUCHREK. geralmente odoríferas e líquidas. Quase sempre são dotados de atividade óptica. 1. normalmente. com algumas poucas exceções. eles apresentam solubilidade limitada. São princípios imediatos de origem vegetal. sendo o mais freqüente a destilação por arraste de vapor d¶água (MOUCHREK. como nas fores. Em água. . MOUCHREK. como o éter. 2000). dotados de aroma forte quase sempre agradável extraídos de plantas por alguns processos específicos. 2000. SIMÕES 1999. com índices de refração elevados (WILLIANS. 1996) . na casca dos caules madeira.2. CRAVEIRO. o processo mais comum são: enfloração (enfleurage). O método empregado na extração do óleo essencial irá variar de acordo com o à parte que irá será extraído e para qual finalidade será destinado. são misturas complexas de substâncias voláteis.1 Processo de extração Os óleos essenciais estocados em várias partes da planta. volátil. De forma geral. 2000). arraste por vapor d¶água.1.2 Óleos essenciais: definições e características O termo ³óleo essencial´ é utiliza do para denominar líquidos oleosos voláteis. 2000). são incolores e suas densidades inferiores à da água. mas o suficiente para aromatizar suas soluções aquosas. solúveis em solventes apolares. geralmente possuem aroma agradável. lipofílicas. raízes rizomas frutos e sementes. prensagem (ou espressão) e extração por CO 2 supercrítico (CHAAR. bem como os produtos obtidos por expressão dos pericarpos de frutos cítricos (Rutacea e). extração com solventes orgânicos. De acordo com a International Standard Organization (ISO) óleos essenciais definem-se como os produtos obtidos de partes de plantas através de destilação por arraste de vapor d¶água. folhas.

seu índice de refração. 1.3. por exemplo. RUBLES. de um produto que o contenha).2. tintas. Muitos oferecem compostos de partida para sínteses de outras substâncias úteis nas indústrias químicas e farmacêuticas (DISTASI. sabonetes. de uma matéria -prima vegetal rica em óleo essencial (ou. seu ponto de ebulição e evaporação são de s uma importância no controle de qualidade do óleo analisad o (MOUCHREK. condimentos. como são os óleos essenciais. e recentemente na medicina alternativa. As técnicas analíticas permitem a avaliação da qualidade . COSTA.3 Métodos de análise dos óleos essenciais 1. 1996. além de serem usados como insumos em diversos produtos das indústrias de plásticos. 1994). São empregados também para mascarar odores desagradáveis em ambientes de trabalho e instalações sanitárias. 1. Informações sobre a densidade do óleo.1.2. como aromoterápicos (COSTA. CRAVEIRO. 1994. é necessário dispor de informações analíticas sobre a identidade e a pureza do material em questão. 1981. sua solubilidade. inseticidas e outras (MOUCHREK. requer a aplicação de métodos analíticos modernos e instrumentação adequada.3.2 Finalidades dos óleos essenciais Os óleos essenciais são largamente usados em muitas indústrias para conferir aromas especiais em inúmeros produtos. 1998).1 Técnicas físico -químicas Para avaliar a qualidade de um óleo essencial. tais como perfumes. borrachas. 2000.2 Técnicas analíticas A análise de misturas complexas de multicomponentes. 2000). MATOS 1989). cosméticos.2.2.

níveis de automação. 2000).2. de modo a testar sua homogeneidade. a espectrometria de massa acoplada à cromatografia gasosa fornece as fragmentações dos componentes individuais separados (CHAAR. resultando na dedução de uma estrutura coerente (CHAAR. Assim. A avaliação quantitativa e qualitativa envolve a utilização de diversas técnicas básicas. 1. sem a interface de enriquecimento. devido essencialmente à revolução da informática (programas de computadores.3. Cromatografia Gasosa Acoplada a Espectrometria de Massas ± CGEM: a técnica consiste na conexão direta de colunas capilares de cromatografia gasosa ao espectrômetro de massa. é poss ível resolver picos cromatográficos parcialmente superpostos. sendo aplicada a gás e compostos volatilizáveis. Desse modo. forma de integração dos dados obtidos) e da sofisticação dos experimentos que podem ser realizados. .3 Técnicas Cromatográficas Cromatografia Gasosa ± CG: utilizada na separação da mistura em componentes individuais.do óleo essencial. a amostra é somente solubilizada em solventes como clorofórmio. garantindo. 2000). que passaram por algumas alterações nos últimos anos. a constância de seus constituintes químicos e a segurança de sua utilização. assim. permitindo várias varreduras de massas rápidas em pontos diferentes de um pico cromatográfico. Baseia -se na distribuição dos componentes da amostra entre a fase estacionária (sólido ou líquido) e uma fase móvel (gás). A análise química de separação e identificação dos constituintes dos óleos é feita dentre outros métodos conforme descritos a seguir. 2000). antes de ser injetada no cromatógrafo (CHAAR. Como os óleos são suficientemente voláteis.

4 Técnicas espectrométricas Espectrometria de Massas ± EM: técnica que consiste no bombardeamento de um composto com um feixe de elétrons e no registro quantitativo do resultado na forma de um espectro de fragmentos iônicos positivos. O fruto é do tipo baga e de formato alongado. Um registro obtido desta forma é um espectro de massas. tem carga unitária) (SILVERSTEIN. vermelhos e comestíveis. . O seu nome científico antigo era Eugenia caryophyllata Thunb.2.3. A separação dos íons positivos é feita em função de suas massas (ou. opostas e de coloração verde brilhante. a maior parte dos íons. branco -amareladas. de formato piramidal. As folhas são semelhantes às do louro. com numerosas glândulas de óleo visíveis contra a luz. suculentos. ovais. agrupadas em cachos terminais. mais corretamente. da razão massa/carga. derivada da palavra grega "karyophyllon" que significa "folha-noz".3. Aroma forte e penetrante. é uma árvore de grande porte.1. 1994) 1. As fl ores são pequenas. Considerações sobre a espécie Syzygium aromaticum (Cravo da Índia) O cravo-da-índia (Syzygium aromaticum) é da família Myrtaceae. A copa é bem verde. entretanto. chegando atingir de 12 a 15m de altura (Figura 7) e o seu ciclo vegetativo alcança mais de cem anos. os botões florais (ainda não abertos) e secos. Os cravos-da-índia (Figura 7) que usamos na culinária e nas análises são na re alidade.

Na época do reinado de Ricardo II. era ingrediente do Hippocras.C. um vinho quente tomado costumeiramente pelos nobres. remédio e elemento básico para elaboração de perfumes especiais e incensos aromáticos. Conta -se que os próprios javaneses mantinham um pequeno fruto na boca para melhorar o hálito. Na China. a mais elegante e a mais preciosa de todas as árvores".220 d. Na culinária da Idade Média. quando chegaram às Ilhas Moluccas.) seus frutos foram levados para a corte do imperador por enviados da Ilha de Java. A primeira pessoa a fazer uma descrição completa do cravo-da-índia foi um botânico alemão chamado Everard Rumph que dizia: "é a mais bela. botões secos Da China é que veio a primeira indicação do uso do cravo -da-índia como condimento. No século XVI. .ceplac. o cravo-daíndia era usado como aromatizante para cons ervas e como adorno para pratos selecionados. era então conhecida por "ting hiang" e na dinastia Han (206 a. os portugueses imediatamente dominaram as plantações. Botões florais ainda não abertos.br/cravo Figura 7 ± árvore.gov.Fonte: www. destruindo aquelas que não podiam vigiar . antes de ir falar pessoalmente com o imperador.C.

-cariofileno (5 a 12%). Praticamente apenas a Bahia produz esta especiaria de forma comercial na Região do Baixo Sul. o cravo-da-índia é cultivado em regiões quentes. 2006).62 e 5. Camamu e Nilo Peçanha. Outros componentes dessa fração do óleo são acetato de eugenila (15%) e ORTIZ 1992).de perto. exceto aqueles que cresciam em uma ilha de sua propriedade: Ambon.26 e 1. Taperoá. 2001) e no cravo também é o principal componente do óleo. As folhas verdes. (BROWN & MORRA 1995. com fórmula molecular C10H12O2 e massa molar 164.99)%. sendo estes os principais produtor es e mais ao Sudeste o município de Una. Esse monopólio fez com que o preço do cravo -da-índia no mercado ficasse muito alto. No Brasil.3 Características do eugenol O eugenol (Figura 8).45 e 9. Nas folhas ele chega a representar aproximadamente 95% do óleo extraído (RAINA et al. sendo usado principalmente como condimento na culinária. BROWN et al. que juntos com eugenol somam 99%. conferido por um composto fenólico vol átil. De acordo com algumas literaturas. 1. 1993). Finalmente. Ituberá.45 e 15..2 g mol -1.07)%. no começo do século XIX.57 e 6. representada pelos municípios de Valença. variando de 70 a 85%. folhas secas na estufa e folhas secas ao sol apresentaram bons rendimentos (em massa e volume) de óleos essenciais: (2. a França rompeu o monopólio e.26)% e (6. Os botões florais do Cravo da Índia de boa qualidade chegam a produzir até 15% de óleo essencial (TAINTER et al. o cravo -da-índia é a gema floral seca. A proximidade entre os valores do índice de refração descrito para o eug enol com os valores encontrados para os óleos essenciais dos talos e dos frutos do Cravo da Índia confirmam que esses óleos são ricos em eugenol. apresenta-se como um líquido incolor a amarelo claro (que escurece . devido ao seu marcante aroma e sabor. a planta já era cultivada em grandes plantações em muitas regiões tropicais. (5. Os holandeses que sucederam aos portugueses agiram da mesma forma e ganharam o monopólio ao destruir todos os craveiros-da-índia.29)% respectivamente (REIS. o eugenol.26)% e Frutos (15. Os óleos essenciais apresentaram os seguintes rendimentos em massa e em volume: Talos (9. 1991.

Além disso. recomenda-se guardar seco tal óleo em frasco âmbar e em geladeira por questão visual. 1997. 2001). Objetivo geral Extrair. 1999. OBJETIVOS 2. chocolates e sorvetes (PRIEFERT et al.quando exposto à luz). volátil. CHONG et al. Essa aplicação comercial direta tem como conseqüência vários estudos sobre a obtenção do óleo essencial do cravo -da-índia (CLIFFORD et al. Sendo o eugenol o componente majoritário do óleo essencial do Syzygium aromaticum. 2. tal como a vanilina importante matéria -prima na aromatização de doces. Fórmula estrutural do eugenol. possível decomposição térmica e perda do seu componente majoritário. ROVIO et al . caracterizar e avaliar a atividade larvicida de óleos ess enciais frente ao mosquito Aedes aegypti Linnaeus. cheiro forte e aromático de cravo. Ele é muito usado na odontologia como componente de seladores e outros produtos antissépticos de higiene bucal. OH O CH3 Figura 8.1. tendo comprovado efeito bactericida (CAI & WU 1996. 1999. o eugenol tem sido emprega do para a produção de outros fenólicos. . KAPLAN et al. baixa solubilidade em água. sabor ardente e picante. 1999). SHAPIRO et al.1994).

3. 4.2. 2.1. O cromatógrafo do modelo QP -500 fabricado pela Shimadzu tendo hélio como gás de arraste. com fluxo na coluna de 1 mL min -1. para as medidas de índice de refração . 95% dimetil polisiloxano (30 m x 0. PARTE EXPERIMENTAL 3. Determinar as propriedades físico-químicas dos óleos essenciais. preparar a exsicata e identificar botanicamente as espécies vegetais selecionadas. Coletar. .2 Refratômetro Utilizou-se um refratômetro AABE de bancada.3 Cromatógrafo à gás acoplado a espectrômetro de massas Para a determinação química do óleo. Objetivos específicos 1.1.1 Equipamentos e acessórios 3.1 Deionizador as melhores condições de extração dos óleos Foi utilizada água ultrapura no preparo de soluções e lavagem de vidrarias e materiais em sistema de deionização NANOPURE. Estabelecer essenciais. Caracterizar quimicamente e quantificar os componentes majoritários dos óleos essenciais por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas. 3.25 mm. foi utilizada a análise por meio da cromatografia gasosa contendo uma coluna capilar HP -5MS. 3.1. 3. 5% difenil.2. 0. modelo 2 WAJ.25 m de espessura de filme) com fase estacionária.

 Algodão.  Tubos capilares de vidro.  Cubeta.  Bastões de vidro.  Micropipeta.  Pipetas (graduadas e volumétricas).3.  Frascos de vidro.  Funil de vidro.  Clorofórmio (CHCl 3).A.  Brometo de Potássio (KBr).).  Pêra. MERCK) 10% e em seguida com água ultrapura até completa remoção do ácido. .  Béqueres.  Piceta.2 Materiais  Provetas.1 Reagentes  Sulfato de sódio anidro (Na 2SO4).  Frascos de Polipropileno.3. Todos os reagentes utilizados foram de pureza analítica (P.  Balões volumétricos.3 Reagentes e Soluções 3.  Água ultrapura.  Espátula de aço inoxidável.  Álcool etílico (C 2H5OH). As vidrarias foram lavadas com ácido nítrico (P. 3.A.

PROCEDIMENTO 4.1 Coletas das amostras 4.4.1 Obtenção do óleo essencial Obtiveram-se amostras autênticas do fruto do Syzygium aromaticum (Cravo da Índia) no comercio de São Luís. Figura 9. Sistema extrator de Clevenger . Campus do Bacanga . Fez-se a extração do óleo essencial por meio de destilação por arraste de vapor de água em um sistema extrator de Clevenger (Figura 9) no Laboratório de Físico -Química e Microbiologia de Alimentos do Programa de Controle de Qualidade de Alimentos e Água ± PCQA do Prédio do Pavilhão Tecnológico. da Universidade Federal do Maranhão.1.

tarado e aferido. com o auxílio de tubos capilares de vidro. foi utilizado balão volumétrico de 10 mL contendo um volume constante do óleo essencial. pesando -se em seguida. previamente seco.4 Índice de refração Adicionaram-se as amostras de óleo no prisma de Flint do refratômetro a 25ºC.2 Análises físico-químicas 4. feita por comparação das cores das essências com as cores conhecidas. índice de refração.2 Densidade Determinou-se a densidade utilizando-se um balão volumétrico especialmente confeccionado e aferido para 1mL.2. onde se adicionaram as am ostras de óleo a 25ºC.4. solubilidade em etanol a 7 0%. 4.2.3 Solubilidade em etanol 70% Para esse teste. . cor e aparência. rendimento do óleo.2.2. 4.1 Características físicas do óleo essencial Na caracterização das propriedades físicas do óleo essencial foram realizadas as análises de densidade. 4.5 Cor A técnica usada foi à visual. o qual foi escolhido devido o pequeno volume de amostra de óleo essencial disponível. 4.2. sobre o qual era adicionado proporcionalmente volume crescente da mistura de álcool/água destilada a 70% (v/v) até a sua completa solubilização.

7. também neste caso foi à visual.0 min.25 mm..0 mg do óleo em 1000 L de diclorometano com pureza de 99. na qual se faz uma comparação das essências no que diz respeito à sua transparência ou limpidez .2.9%). 0.7 Análises cromatográficas 4.) e de 240 a 300 ºC (com taxa de aquecimento de 8 ºC/ min.1 Análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) Analisou-se o óleo essencial qualitativamente por CG-EM no cromatógrafo a gás contendo uma coluna capilar HP-5MS.6 Aparência A técnica usada. O cromatógrafo do modelo QP -500 fabricado pela Shimadzu tendo hélio como gás de arraste.) a 240ºC ( com taxa de aquecimento de 4ºC/min.0min.3 QL da amostra diluída (1.5min.5seg/scan. .7. fixando -se as seguintes condições: temperatura do injetor em 280 ºC. Para as análises.0 a 4. foram injetadas alíquotas de 0. com fluxo na coluna de 1 mL min -1.2.25 m de espessura de filme) com fase estacionária. a faixa de varredura variou de 40 a 500 daltons cada uma. 95% dimetil polisiloxano (30 m x 0.). a linha de transferência fo i de 280ºC e o filamento desligado em 0. programação de temperatura do forno de 40ºC (5. split de 1:10. 5% difenil.4.2. 4. No Espectrômetro de Massas do tipo quadrupolo linear o modo de varredura foi de 0.

Propriedades físicas do óleo essencial extraído dos botões florais do Syzygium aromaticum. alimentos. As alterações podem ser reconhecidas tanto por mudanças de suas características organolépticas (aroma. como também dos valores dos seus parâmetros químicos e físicos. A.46 2. quer.1 Características físicas do óleo essencial As essências alteram-se com maior ou menor facilidade.16] . transparência. Desta maneira. sabor e a terapêutica. Entre os fatores principais que as modificam estão o ar.86 1:5 ± 1:9 1. quando se utiliza como corretivo do cheiro. cosmética. por se tornarem agressivos quando usados externamente.5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5. dependendo da natureza química dos seus constituintes e consoante às circunstâncias do meio. causando irritações na pele [5. fluidez). químicas. Q. o calor.5 Amarelo Límpido 0. Prejuízos análogos sofrem as indústrias farmacêuticas.5 Amarelo Límpido Tabela 10. (a) Óleo em estudo. . El Aceite Esencial de limón producido enEspaña. cor. a água e impurezas diversas de origem natural ou oriunda de falsificações.85 1:6 1.47 1. quer pela diminuição dos constituintes ativos. diminuindo as suas qualidades. reduz-se de igual modo o seu aproveitamento nas indústrias de perfumaria. etc. (b) MOREÑO.10. a luz. Os parâmetros físico-químicos do óleo essencial dos botões florais do Syzygium aromaticum estão expostos na (Tabela 10). sabor. Contribución a su evaluación por Organismos Internacionales (1999). Propriedades Físico -Químicas Óleo essencial (a) Óleo essencial (b) Densidade (g mL -1) Solubilidade em álcool 7 0% (v/v) Índice de refração (N D ) Rendimento (%) Cor Aparência 25 º 0.

Segundo Calvarano et al (1988) os valores encontrados foram entre 1:5 a 1:9 volumes de álcool etílico a 90 ºGL (v/v).84 g mL-1 a 0. . Elevado índice de refração é característica inerente aos óleos essenciais. 1999). Quanto à solubilidade o óleo essencial apresentou um valor médio de 1:6 (1 volume de óleo essencial para 6 volumes de álcool etílico a 90 ºGL).86 g mL-1. esse fato se deve devido à elevada quantidade de hidrocarbonetos terpênicos. com média de 0. com uma energia de 70 eV. 5% difenil.85 g mL-1.é mostrado na Figura 11. Para os óleos essenciais de frutos cítricos se empregam soluções de álcool etílico de elevada graduação alcoólica. compreendidas entre 80 a 96 º GL. 5. Por esse método pode se determinar a possibilidade de adição de certos adulterante.25 m de espessura de filme) com fase estacionária. O índice de refração obtido para o óleo essencial apresentou -se semelhante ao encontrado na literatura. 0.2 Cromatografia gasosa acoplada à espectroscopia de massas O cromatograma do óleo essencial extraído dos botões florais do Syzygium aromaticum. que não são solúveis em álcool etílico. (DI GIACOMO y MINCIONE 1994).Quanto à densidade o óleo essencial apresentou valores baixos variando de 0. obtidos com o uso da coluna capilar HP-5MS. A solubilidade do óleo essencial será tanto maior quanto maior sua composição em componentes oxigenados.25 mm. 95% dimetil polisiloxano (30 m x 0. podendo ser utilizado como indicativo de pureza destes produtos (SIMÕES & SPITZER.

É notável neste cromatograma a eficiência do método cromatográfico empregado nas condições fixadas no item 4. com tempo de retenção 32. o que caracteriza serem estes os componentes majoritários. A Tabela 12 mostra a identificação de cada pico apresentados na Figura 11. Cromatograma do óleo essencial do cravo da índia.94 min. o qual apresentou o tempo de retenção 29. sendo que a quantificação dos cinco picos cromatográficos foi determinada pelo método de normalização (integração da área do pico correspondente).99 min.2. o pico cromatográfico 5 é o Acetato de Eugenila.1. cujo tempo de retenção foi 27.25%. cujo tempo de retenção foi 30. e o cariofileno com 37. o pico cromatográfico 4 é o Humuleno.53%.57 min. assim como o seu tempo de retenção (T r) na coluna e o respectivo teor na mistura de óleos essenciais. o pico cromatográfico 2 é o Copaeno. . sendo que o pico cromatográfico 1 é o Eugenol.Figura 11. pois a resolução entre os picos foi satisfatória. Nota -se que o eugenol apareceu com 52. com tempo de retenção 27.47. Apresenta cinco picos cromatográficos. o pico cromatográfico 3 é o Cariofileno. A Figura 11 encerra o cromatograma do óleo essencial Syzygium aromaticum.7.40 min.

Pico 1 2 3 4 5 Tr (min) Substância identificada Teor (%) 27. Composição química do óleo essencial.47 30.57 32.25 4.53 2. .99 29.40 27.05 37.05 Tabela 12.11 4.94 Eugenol Copaeno Cariofileno Humuleno Acetato de Eugenila 52.

 A quantificação por normalização dos componentes do óleo essencial por cromatografia gasosa mostrou que o eugenol apresentou -se como componente majoritário apresentando um teor de 52.6. baseado nos seus tempos de retenção comparados com seus padrões e aos seus fragmentos de massas.  A identificação positiva do eugenol no óleo essencial foi realizada utilizando-se as técnicas de Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas. nas mesmas condições de análises. CONCLUSÃO  Os estudos das constantes físicas do óleo essencial essencial Syzygium aromaticum apresentaram valores semelhantes aos valores obtidos pela literatura e pelos padrões usados para as suas comparações . .53%.

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