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Obra de Paulo Freire

1 - GERMINAÇÃO DO PENSAMENTO DE PAULO FREIRE - Paulo Rosas foi consultor na UEPB para
a implantação de Curso de Mestrado em Educação. Ex-professor da Escola de Serviço Social de
Pernambuco e da UFPE . Colaborou com Paulo Freire no SESI e no MCP.

2 - O TEMPO EM QUE A OBRA DE FREIRE NASCEU - Sonia Alem Marrach é professora de História
da Educação Brasileira na Universidade Estadual Paulista (UNESP) no campus de Marília (SP).

3- UM LIVRO PERTURBADOR A RESPEITO DA EDUCAÇÃO - Ira Shor, Professor do College of Staten


Island, City University of New York. Autor do livro Medo e ousadia: o cotidiano do professor, em parceria
com Paulo Freire.

4 - PEDAGOGIA DO OPRIMIDO - Revolução pedagógica da segunda metade do século - Carlos


Alberto Torres, diretor do Latin American Center da Universidade da Califórnia, Los Angeles e um dos
principais estudiosos de Paulo Freire. Autor de numerosos livros e artigos sobre Paulo Freire, destacando-
se o último: Estudios freireanos.

5 - UM LIVRO PARA OS QUE CRUZAM FRONTEIRAS - Henry A. Giroux, professor na Universidade da


Pensilvânia, um dos mais importantes educadores norte-americanos. Autor de Teoria crítica e resistência
em educação.

6 - PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO - Dalmo de Abreu Dallari, advogado e professor, foi diretor da


Faculdade de Direito da USP e Secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo durante a
gestão de Luíza Erundina.

7 - O CORTE EPISTEMOLÓGICO DE PAULO FREIRE - Jacinto Ordóñez Peñalonzo, é professor de


filosofia na Universidade Nacional da Costa Rica e na Universidade da Costa Rica. Sua tese de doutorado
foi sobre A Concepção de liberdade em Paulo Freire, defendida na Loyola University of Chicago, USA,
198l.

8 - EDUCAÇÃO E MUDANÇA - Jorge Werthein é representante das Nações Unidas, Diretor Oficial da
UNESCO em Nova York e Washington, D.C.

9 - ENTRE O GREGO E O SEMITA - Benedito Eliseu Cintra é professor de filosofia na Pontifícia


Universidade Católica de São Paulo e autor de: O sentido do outro em Paulo Freire (Dissertação de
Mestrado) e Paulo Freire entre o grego e o semita - Educação: filosofia e comunhão (Tese de
Doutoramento).

10 - ILLICH E FREIRE, A opressão da pedagogia e a pedagogia dos oprimidos - Rosiska Darcy de


Oliveira, advogada e jornalista, foi fundadora, em Genebra, do IDAC (Instituto de Ação Cultural).
Assessorou vários órgãos das Nações Unidas. É atualmente professora da PUC-Rio. Autora, ente outros
livros de Elogio da diferença: o feminino emergente. Pierre Dominice é professor da Universidade de
Genebra. In: Bartolomeo Bellanova, Paulo Freire: Educazione Problematizzante e Prassi Sociale Per La
Liberazione, pp. 206-207.

11 - EDUCAÇÃO CONTRA A LOUCURA - Alfredo Moffat é psicólogo social e Diretor do Hospital de Vida
em Buenos Aires. É autor do livro Terapia do oprimido.

12 - PAULO FREIRE E A FORMAÇÃO DA EDUCADORA - Marcia Moraes é doutora em educação pela


Miami University (Ohio, USA.) e Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

13 - PAULO FREIRE E O PRIMEIRO MUNDO - Peter McLaren é professor da Universidade da


Califórnia, Los Angeles e autor de numerosas obras.
14 - O OTIMISMO DE PAULO FREIRE - Denis Collins é diretor de educação do Província da Califórnia
da Congregação religiosa dos jesuítas. Realizou pesquisas sobre Paulo Freire na Ohio State University e
na Universidade Autônoma do México para escrever a primeira biografia conhecida de Paulo Freire:
Paulo Freire: his life, works and thought, publicada em 1977, pela Paulist Press de Nova Iorque.

15 - O SIGNIFICADO DA LIBERTAÇÃO NA PRÁTICA - Fausto Telleri, formado em Teologia, Filosofia e


Pedagogia é professor da Universidade de Bologna. Traduziu e editou em parceira com Bartolomeo
Bellanova: Leggendo Paulo Freire de Moacir Gadotti e deste em co-autoria com Paulo Freire e Sérgio
Guimarães, Pedagogia: dialogo e conflitto.

16 - PAULO FREIRE E CARL ROGERS - Maureen O’Hara é professora e pesquisadora do Centro de


Estudos da Pessoa em La Jolla, California.

17 - PAULO FREIRE E AS RELAÇÕES SOCIAIS DE GÊNERO - Moema L. Viezzer, socióloga, escritora,


educadora, é presidente fundadora da Rede Mulher de Educação com sede em São Paulo.
Internacionalmente conhecida por sua atuação no movimento de mulheres, tem se dedicado ao
aprofundamento de uma metodologia de educação popular feminista, que inclui a conexão existente entre
novas relações de gênero e novas relações da humanidade com a natureza. Na Rio-92 coordenou a
Jornada Internacional de Educação Ambiental e foi facilitadora do Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

18 - EDUCAR PARA DESENVOLVER E CONSCIENTIZAR - João Viegas Fernandes, é Professor


Coordenador na área de Sociologia da Educação, na Escola Superior de Educação da Universidade do
Algarve.

19 - DIÁLOGO E PRÁXIS - Reinaldo Matias Fleuri é professor Titular no Centro de Educação da


Universidade Federal de Santa Catarina.

20 - EDUCAÇÃO-UTOPIA EM PAULO FREIRE, O verdadeiro realismo do devir humano - Bartolomeu


Bellanova, é professor associado da Universidade de Bologna onde ensina Pedagogia Social. É diretor
da revista Problemi d’oggi. Autor de Paulo Freire: educazione problematizzante e prassi social per la
liberazione. Traduziu e editou em parceira com Fausto Telleri: Leggendo Paulo Freire de Moacir Gadotti e
deste em co-autoria com Paulo Freire e Sérgio Guimarães, Pedagogia: dialogo e conflitto.

21 - PAULO FREIRE E RUDOLF STEINER - Rosely A. R. Assumpção é bacharel em comunicação


social pela Escola de Comunicação e Artes da USP e mestranda da Faculdade de Educação da USP.

22 - PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO RELIGIOSA - John L. Elias é professor no Trenton State College,
New Jersey, EUA. In: Revista Religious Education, Vol. LXXXI, nº 1., Jan/Fev. de 1976, p. 40-56).

23 - CARTAS A CRISTINA - Marcos Reigota é doutor em Pedagogia da biologia pela Universidade


Católica de Louvain, “Postdoctoral fellow ” (CNPQ) no Laboratório de Didática e Epistemologia das
Ciências da Universidade de Genebra e assistente em educação na Academia Internacional do Meio
Ambiente (Genebra).

24 - POR QUE AS REFORMAS NÃO REFORMAM? - Herbert Kohl, editor da revista Hungry Mind
Review - a midwestern book review. In: Hungry Mind Review, nº 13, março de 1990, pp. 24-25).

25 - PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO MULTICULTURAL - José Maria Coutinho, Dr. em Educação


Comparada pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), é Professor Titular da Escola de
Educação, Centro de Ciências Humanas da Universidade do Rio de Janeiro.

26 - PAULO FREIRE E A ESCOLA DE HORÁRIO INTEGRAL - Adilson Florentino da Silva e Lígia


Martha Coimbra da Costa Coelho são professores do Núcleo de Estudos “Escola Pública de Horário
Integral” (NEEPHI) da Universidade do Rio de Janeiro.
27 - PAULO FREIRE E SUA APLICAÇÃO AO TEATRO - Ermínio G. Neglia é professor da Universidade
de Toronto. In: Revista canadiense de Estudios hispánicos, vol. V, nº 2, Inverno de 1981, p. 158-159; 164-
165).

28 - PAULO FREIRE E AS TEORIAS DA COMUNICAÇÃO - Carlos Crespo Burgos, educador


equatoriano.

29 - PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO MUNICIPAL - José Eustáquio Romão, historiador e cientista


político, é diretor do Instituto Paulo Freire e autor, entre outras obras, de Poder local e educação (Cortez,
1992) e Dívida externa e educação para todos (Papirus, 1995).

30 - PAULO FREIRE E A MERENDA ESCOLAR - João Pedro da Fonseca, é professor da Faculdade de


Educação da Universidade de São Paulo.

31 - PSICANÁLISE E PAULO FREIRE - Cecília Montag Hirchzon e Melany Copit são professoras da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

32 - PAULO FREIRE NAS MINHAS AULAS - Seth Chaiklin é professor do Instituto de Psicologia da
Universidade de Aarhus, Risskov, Dinamarca.

33 - PAULO FREIRE E A COOPERAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO - Nel Verbee, membro da


equipe da Paulo Freire Stichting, Doetinchem, Holanda.

34 - VOLTA AO SER HUMANO COMPLETO - Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela
Universidade de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e do Instituto Metodista de Ensino
Superior, autor, entre outros livros, de O que é poder local.

35 - PAULO FREIRE E A ARTE-EDUCAÇÃO - Ana Mae Barbosa é professora da Universidade de São


Paulo e autora de várias obras. Entre elas: Teoria e prática na educação artística (São Paulo, Cultrix,
1980) e Arte-educação no Brasil (Rio de Janeiro, Perspectiva, 1982).

36 - PAULO FREIRE E OS FÍSICOS - Luiz Carlos de Menezes, professsor do Instituto de Física da


Universidade de São Paulo, um dos fundadores e diretor da Fundação Wilson Pinheiro do Partido dos
Trabalhadores é coordenador da Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades
Especiais (CECAE) da Universidade de São Paulo.

37 - PAULO FREIRE E A PEDAGOGIA CRÍTICA - Kyu Hwan Lee é Professor Emérito no Departamento
de Educação na Ewha Womans University, Seul e diretor do Instituto de Pesquisa em Educação na
Coréia.

38 - REPERCUSSÕES DA OBRA DE FREIRE - Jaume Trilla i Bernet, Barcelona (Espanha).

39 - SIMPLIFICAÇÕES DA OBRA DE PAULO FREIRE - José Carlos Barreto, educador popular,


participou desde as primeiras experiências com o Paulo Freire em diferentes Estados brasileiros. É hoje
direitor do VEREDA - Centro de Estudos em Educação (São Paulo).

40 - O DIÁLOGO: UM ITINERÁRIO COMUM - Marcos Edgar Bassi, Eliseu Muniz dos Santos e João
Raimundo Alves dos Santos, são mestrandos em educação da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo e membros do Núcleo de Engenharia da Formação do Instituto Paulo Freire.

41 - PENSAMENTO DE PAULO FREIRE, Uma inspiração para o trabalho pedagógico - Adriano


Nogueira e outros, participaram como expositores no Simpósio do Pensamento Paulo Freire, os
seguintes professores: Adriano Nogueira, Ana Maria Araújo Freire, Ana Maria Saul, Carlos A.Arguello,
Carlos Alberto Torres, César A. Nunes, Corinta G.Geraldi, Eduardo Sebastiani Ferreira, Joana Lopes,
João Wanderley Geraldi, José Carlos Barreto, Leila Myrtes M. Pinto, Luiz Soares Dulci, Moacir Gadotti,
Paulo Freire, Rosa Maria Bryan, Suely de Castro Pereira e Vera Queiroga Barreto.
42 - POR QUE UMA RELEITURA DE FREIRE? - Rosa Maria Torres, equatoriana, pedagoga e linguista,
diretora do Instituto Fronesis, assessora organismos e programas educativos em diversos países.
Atualmente trabalha como consultora da UNICEF (New York). Autora de diversos livros, entre os quais:
Educación popular: un encuentro con Paulo Freire.

43 - O POVO COMO PERSONAGEM - Cristovam Buarque, economista, ex-reitor da Universidade de


Brasília e atual governador do Distrito Federal.

44 - DAS CRIANÇAS PARA LÁ DAS SETE MONTANHAS E MARES - Jürgen Zimmer é professor do
Instituto de Educação Intercultural da Universidade Livre de Berlim e membro do Comitê Executivo da
ICEA (Associação Internacional de Educação Comunitária).

45 - ORGANIZANDO A BIBLIOGRAFIA DE PAULO FREIRE - Paulo Roberto Padilha, professor da


Universidade Camilo Castelo Branco, São Paulo, Mestrando da USP e membro do Núcleo de Educação
para a Cidadania do IPF.

46 - A ESPERANÇA COMO IMPERATIVO EXISTENCIAL E HISTÓRICO - Moacir Gadotti é professor na


Universidade de São Paulo e diretor do Instituto Paulo Freire.

Vida de Paulo Freire inicio


1 - A EXPERIÊNCIA DE BRASÍLIA - Célia Barbosa e outros, texto escrito no quadro de uma
pesquisa realizada no Mestrado em Educação da Universidade de Brasília no segundo
semestre de 1980 por um grupo de estudos composto pelos seguintes alunos: Célia Barbosa,
Lúcia Maria de Franca Rocha, Maria Ângela Teixeira, Maria de Souza Duarte, Núbia Gripp
Vianna e Ricardo Ferreira da Silva)

2 - O SR. SABE O QUE ESTÁ FALANDO? - Paulo de Tarso Santos, advogado, foi Ministro
da Educação de João Goulart e Secretário de Educação do Estado de São Paulo no Governo
de Franco Montoro.

3 - DESAFIOS NOS TRÓPICOS - Pierre Furter é professor da Universidade de Genebra.

4 - O MÉTODO PAULO FREIRE - Celso de Rui Beisiegel, sociólogo e educador, é professor


da Universidade de São Paulo. Autor, entre outros livros de: Estado e educação: um estudo
sobre a educação de adultos (São Paulo, Pioneira, 1974) e Política e Educação popular: a
teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil (São Paulo, Ática, 1982).

5 - PAULO FREIRE: 1964-1969 - Sua passagem pelo Chile e o Chile pelo qual passou
-Guillermo Willianson C., educador chileno, trabalhou no Ministério da Educação do Chile na
coordenação da recente experiência chamada de “Programa das 900 escolas”.

6 - CAMINHANTE DA OBVIEDADE - Francisco Gutiérrez é diretor do Instituto Paulo Freire,


fundador do ILPEC (Instituto Latino-americano de Pedagogia da Comunicação), com sede na
Costa Rica, e diretor regional da ICEA (Associação Internacional de Educação Comunitária).
Autor de numerosas obras, entre elas: El Lenguage Total (Bogotá, 1972) e Pedagogia de la
Comunicación (Buenos Aires, Humanitas, 1975).

7- PAULO FREIRE E O CONSELHO MUNDIAL DAS IGREJA - Antonio Faundez, chileno, é


filósofo e ex-professor da Universidade de Concepción, no Chile, exilado, é atualmente diretor
do IDEA - Institut de Dévelopment et d'Éducation d'Adultes, em Genera, e autor, juntamente
com Paulo Freire, de Por uma pedagogia da pergunta.
8 - BOAS-VINDAS AO BRASIL - Almino Affonso, é advogado, ex-deputado federal, ex-
ministro do Trabalho e da Previdência Social do Governo João Goulart, ex-professor da
Universidade Católica do Chile, ex-vice Governador do Estado de São Paulo. Atualmente é
deputado federal.

9 - PAULO FREIRE EM SANTA CATARINA - Antonio João Mânfio, é professor do Estado do


Paraná. Foi Superintendente da Secretaria Estadual de Educação de 1991 a 1994.

10 - UM TELEFONEMA - Tânia Maria Cardoso de Oliveira é professora no Ciclo Básico de


Ciências Humanas da Universidade do Amazonas. Manaus, 14 de abril de 1986.

11 - UMA MENTE PENETRANTE E INQUIETA - Donaldo Macedo, professor da University of


Massachusetts, Boston, é um dos principais intérpretes de Paulo Freire nos Estados Unidos.
Publicou em parceria com Paulo Freire o livro Alfabetização: leitura do mundo, leitura da
palavra.

12 - AMOR E PERDA EM TEMPOS DE VIDA - Em dois momentos entrelaçados - Mere


Abramowicz é Professora Associada do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação
Supervisão e Currículo da PUC-SP.

13 - TANGO E PAULO FREIRE - Carta a Moacir Gadotti, Carlos Alberto Torres, um dos
maiores estudiosos de Paulo Freire, é diretor do Latin American Center da Universidade da
Califórnia, Los Angeles, e diretor do Instituto Paulo Freire.

14 - SER SECRETÁRIA DE PAULO FREIRE, Dagmar M. L. Zibas é hoje pesquisadora da


Fundação Carlos Chagas (São Paulo).

15 - CONCURSOS PÚBLICOS E PLURALISMO DEMOCRÁTICO, Eunice Ribeiro Durham é


professora titular de antropologia e coordenadora do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino
Superior (Nupes) da USP.

16 - DEZ ANOS DE CONVERSAS, Claudius Ceccon foi um dos fundadores do IDAC (Instituto
de Ação Cultural). É Secretário executivo, no Rio de Janeiro, do Centro de Criação de Imagem
Popular. In: Jornal do Brasil, Caderno "Idéias: livros & ensaios", Rio de Janeiro, 2 de Janeiro de
1992 - nº 327, p. 8).

17 - O PASSO SEGUINTE DO NOSSO DESAFIO, Miguel Darcy de Oliveira, fundador, em


Genebra, do IDAC - Insituto de Ação Cultural - é atualmente co-diretor do Comitê Executivo de
Civicus (Aliança Mundial para a Participação dos Cidadãos), com sede no Rio de Janeiro. In:
Proceso Educativo Segun Paulo Freire Y Enrique Pichon-Rivière, seminario com Paulo Freire e
Ana Quiroga, pp.51-52).

18 - MEUS ENCONTROS COM PAULO FREIRE, Alípio Casali é coordenador do Programa de


Pós-Graduação em Educação (Supervisão e Currículo) da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo.

19 - EDUCADOR DE UM NOVO SÉCULO, Ivani Catarina Arantes Fazenda é professora do


Curso de Pós-graduação em Educação (Supervisão e Currículo) da PUC-SP.

20 - O HOMEM E O MITO - Um encontro em três momentos, Jair Militão da Silva é


professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

21 - PAULO FREIRE NO URUGUAI , C.I.D.C.- Centro de Investigaciones y Desarrolo Cultural,


Montevideu.

22 - CONVIVENDO COM PAULO FREIRE - Uma experiência inusitada, Ana Maria Saul é
professora do Curso de Pós-graduação em Educação (Supervisão e Currículo) da PUC-SP. Foi
diretora do Departamento de Orientação Técnica na Secretaria Municipal de Educação de São
Paulo durante a gestão de Paulo Freire.

23 - MOMENTOS QUE NÃO DÁ PARA ESQUECER, Maria Stela Santos Graciani, professora
e coordenadora do Núlceo de Trabalhos Comunitários da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo e autora do livro Pedagogia do educador social de rua. É Presidente do Conselho
Municipal de Direitos da Criança e Adolescente do Município de São Paulo.

24 - PAULO FREIRE, A AMAZÔNIA E O BOTO, Alberto Damasceno é Mestre em Educação


Escolar Brasileira e professor do Departamento de Fundamentos da Educação da
Universidade Federal do Pará. Foi assessor de Paulo Freire quando de sua gestão na
Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

25 - PERMEANDO MUITOS PROJETOS, Azril Bacal, professor na Universidade de Uppsala,


Suécia. Foi professor visitante do Otterbein College, Ohio, no outono de 1995.

26 - SOBRE A GESTÃO PAULO FREIRE - Uma carta, Ângela Antunes é professora do


Município de São Paulo e mestranda em educação da Universidade de São Paulo e membro
do Núcleo de Educação para a Cidadania do Instituto Paulo Freire.

27 - UM HOMEM DOTADO DE UMA GRANDE HUMANIDADE, Ettore Gelpi, professor,


conferencista e pesquisador, foi durante muitos anos, consultor da UNESCO em Paris. Autor de
Conscience terrienne (1992).

28 - PAULO FREIRE, MESTRE E AMIGO, Denis Fortin, professor da Escola de Trabalho


Social da Universidade de Laval, Quebec e autor de Riches contre Pauvres: Deux poids, deux
mesures.

29 - UMA GERAÇÃO QUE GRAÇAS A VOCÊ APRENDEU A SONHAR, Isabel Hernández,


pesquisadora da equipe de apoio da FNUAP, órgão da Nações Unidas no Escritório de Santigo
de Chile. Autora de Educação e sociedade indígena: uma aplicação bilíngüe do Método Paulo
Freire e em co-autoria com Paulo Freire, Moacir Gadotti e Sérgio Guimarães a edição argentina
de Pedagogia: diálogo e conflito.

30 - UM MESTRE DA SIMPLICIDADE, Carlos Alberto Emediato, sociólogo, Doutor em


educação pela Universidade de Stanford é Diretor do Instituto de Estudos do Futuro.

31 - ETERNA DEMANDA DO REENCONTRO, José Eustáquio Romão, historiador e cientista


político, é diretor do Instituto Paulo Freire e autor, entre outras obras, de Poder local e
educação e Dívida externa e educação para todos.

32 - EM PROL DO NOBEL DA PAZ, Carta de Lançamento da Campanha, Moacir Gadotti,


Carlos Alberto Torres, Francisco Gutiérrez, San José.

1 - A EXPERIÊNCIA DE BRASÍLIA

Célia Barbosa e outros

A experiência do método Paulo Freire em Brasília teve início quando Paulo de Tarso, Ministro
de Educação e Cultura, instituiu junto ao seu gabinete a Comissão Nacional de Cultura Popular
com o objetivo de “implantar em âmbito nacional novos sistemas educacionais de cunho
eminentemente popular, de modo a abranger áreas não atingidas pelos benefícios da
educação” (Portaria Ministerial nº 195, de 8/7/63). Essa comissão, presidida por Paulo Freire,
seria o passo inicial dado pelo MEC para a implantação do Plano Nacional de Alfabetização.
Dias depois, outro ato legal - a Portaria Ministerial nº235, de 29/07/63 - cria a Comissão
Regional de Cultura Popular do Distrito Federal, com o propósito de desenvolver e avaliar
experiências de alfabetização em Brasília pelo método Paulo Freire, cujos resultados
determinariam a conveniência de adoção do método em nível nacional, através do Plano
Nacional de Alfabetização.

A experiência, que se estendeu até 31 de março de 1964, foi desenvolvida nas cidades-
satélites do Gama, Sobradinho, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Setor de Límpeza
Pública, entre outros, onde eram instalados os Círculos de Cultura em pequenas igrejas,
galpões ou escolas, com auxílio do próprio grupo interessado, funcionando muitos à luz de
lampiões e com mobiliário improvisado com recursos da própria comunidade.

O recrutamento dos analfabetos era feito através de serviços de alto-falantes instalados


em veículos que percorriam as cidades-satélites, transmitindo mensagens como: “Povo
analfabeto é povo escravo. Matricule-se no Círculo de Cultura mais próximo e aprenda a ler e a
escrever!”

Segundo informação do próprio Paulo Freire, em Sobradinho foi realizado um comício


com o objetivo de divulgar a campanha de alfabetização desenvolvida pelo Ministério da
Educação e Cultura como uma nova forma de aprender a ler e a escrever. Para tanto, foi feita
uma demonstração do método, na qual o Presidente da Comissão explicava o funcionamento
do Círculo de Cultura, enquanto o animador projetava slides com ilustração de situações
existenciais características das pessoas presentes a fim de obter a participação dessas
pessoas na discussão, motivando-as a se matricularem nos cursos.

A preparação dos animadores dos Círculos da Cultura esteve a cargo do MEC, que
promovia a seleção, a inscrição e os cursos de treinamento (Correio Braziliense, 19/07/63).
Para esse treinamento, dado por técnicos vindos de Recife e pertencentes à equipe de Paulo
Freire, o pré-requisito de escolaridade exigido era o de 2º Ciclo.

Um fato curioso que se pode relatar é que a escassez de pessoas com nível de
instrução de 2º Ciclo - à época, Brasília contava com raríssimos estabelecimentos desse nível
de ensino - levou o grupo executor da experiência a recrutar para função de coordenador
pessoas já alfabetizadas pelo método, montando-se assim um esquema de participação em
que os próprios concluintes do curso ou da escola primária regular se alistavam para os postos
de coordenação.

As palavras utilizadas na alfabetização foram escolhidas a partir do levantamento do


universo vocabular da população-alvo. Para tanto, foi realizada uma pesquisa nos locais onde
poderiam ser encontrados analfabetos, como canteiros de obras. Hospital Distrital, Rodoviária,
acampamentos, entre outros. A partir de questões sobre o dia-a-dia de cada um. foram
selecionadas, entre as palavras de maior incidência, 14 que continham os fonemas e as sílabas
adequadas à seqüência de aprendizagem, na seguinte ordem: tijolo, voto, farinha, máquina,
chão, barraco, açougue, negócio, Sobradinho, passagem, pobreza, Planalto, eixo, Brasília.

Uma vez apresentada a palavra, a essa era associada uma situação que originava uma
discussão ente o grupo. Assim, à palavra tijolo correspondia como situação um grupo de
pedreirosnuma construção de Brasília, levantando uma parede. Estudados os fonemas
consonânticos correspondentes às letras t, j e l, acompanhados das vogais i e o, esses eram
associados às vogais a, e e u, levando o alfabetizando a formar novas sílabras. Num Círculo de
Cultura de Sobradinho, um dos alfabetizandos, na decomposição fonêmica da palavra tijolo,
demonstrou ter aprendido o mecanismo da leitura ao juntar as sílabas e formar a frase: “tu ja le
“(que, no Português gramaticalmente aceito, seria “tu já lês”). Esse momento, testemunhado
por autoridades do MEC que visitavam o círculo, foi registrado em seqüência fotográfica pelo
fotógrafo que acompanhava o ministro Paulo de Tarso. Essa circunstância, segundo alguns
depoimentos, de tal forma impressionou o ministro que o levou a considerar como válida a
experiência, cujos resultados ele próprio tivera a oportunidade de avaliar pessoalmente. O
resultado prático da visita foi a instituição do método Paulo Freire em nível nacional, através do
Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, pelo Decreto nº 53.465, de 21 de janeiro de 1964.
Outro exemplo que se pode acrescentar como significativo na experiência de Brasília é
o que diz respeito à palavra Sobradinho. Esta palavra pretendia introduzir os fonemas
consonânticos correspondentes às letras s, br, d e nh, apresentando como situação a ser
discutida uma ilustração representada por um ônibus com a placa “Sobradinho”, que é uma
cidade-satélite de Brasíla. Durante a discussão que se seguiu, sobre a palavra e sobre a cidade
de Sobradinho e sua função no contexto de Brasília, um dos participantes sentenciou: “nós
também somos satélite”.

Início

2- O SR. SABE O QUE ESTÁ FALANDO?

Paulo de Tarso Santos

- Perdão Ministro, mas o Sr. sabe o que está falando?

Foi esta a resposta que me deu Paulo Freire quando eu, Ministro da Educação do
Governo Goulart, o convidei a vir para Brasília, com o fim de coordenar, em nível nacional, seu
programa de educação popular. Tal programa se tornara conhecido no nordeste, a partir do
Projeto Angicos, no Rio Grande do Norte.

Convém salientar que, embora tímido em relação ao pensamento posterior de Paulo


Freire, esse primeiro projeto foi tratado pelo jornal “O Globo”, em matéria assinada pelo
jornalista Carlos Swann, como um “programa intensivo de comunização do nordeste”.

Nessa época, quem defendeu Paulo Freire foi nada menos que o Diretor Interino da da
USAID (United States Agency for International Development), James W. Howe. Este diplomata
afirmou, na ocasião, que “o Projeto Angicos, no Rio Grande do Norte, estava longe de ser uma
campanha maciça de alfabetização... já que atingia apenas cerca de 300 adultos”.

Mas na verdade o que eu propus a Paulo Freire, como Ministro da Educação, foi
realmente uma ampliação, em nível nacional, da experiência de Angicos. O objetivo era a
multiplicação, por todo o país, dos chamados “Centros de Cultura”, a partir de uma experiência
piloto que deveria abranger toda a população analfabeta de Brasília.

De início, criou-se uma “Comissão Nacional de Cultura Popular” (Portaria 195, de


08/07/63), com a incumbência de formular um “Plano Nacional de Alfabetização”. E para
desenvolver experiências coordenadas de alfabetização, na capital da República, foi criada
uma “Comissão Regional de Cultura Popular do Distrito Federal” (Portaria 235, de 29/07/63).

Mas convém voltar à carta do Sr. Howe para localizar indicações que assinalam a
evolução de Paulo Freire, de Angicos até a sistemática formulação da Pedagogia do oprimido.
Vejamos dois tópicos do texto dirigido ao jornalista Swann, que era, naquela ocasião, membro
da Embaixada dos Estados Unidos: “Sua coluna pode levar alguém à conclusão de que ensinar
pessoas a ler é ruim porque as leva à doutrinação... Em realidade, o método Paulo Freire,
como qualquer outra técnica de ensino não política, prepararia o indivíduo para ser influenciado
por qualquer escola de pensamento político”.

Aqui, as afirmações do funcionário norte-americano sobre a experiência embrionária


freireana viriam chocar-se frontalmente com a evolução posterior por que passou essa
pedagogia. São muitas evidências dessa transformação que deu ênfase a aspectos já
implícitos nos primeiros projetos.

Por exemplo, Paulo Freire sempre insistiu em que não existe “técnica de ensino não
política”. E isso porque as técnicas assim rotuladas, na verdade correspondem a manifestações
“conservadoras”, que indicam a solidariedade da escola com as demais instituições, em suas
respectivas sociedades.

Além disso, Paulo Freire caminhou não para uma pedagogia dos homens em geral, fora
de qualquer contexto social. Sua meta sempre foi a de formular uma pedagogia do oprimido,
num contexto de convivência em sociedade.

Mas meus encontros com Paulo, no exílio chileno, no Brasil post-exílio, ou na Europa,
levam a outras perspectivas de análise de seu pensamento educacional que eu pude
acompanhar de perto, em múltiplas experiências.

Em Brasília vivemos juntos a emoção de participar dos primeiros Círculos de Cultura,


realizados nas cidades satélites como o Gama e Sobradinho. Lembro-me bem da seleção das
palavras que continham fonemas e sílabas relacionadas com as condições de vida do grupo.
Assistimos, Paulo Freire e eu, acompanhados de uma equipe do Ministério, a uma discussão
sobre a palavra Tijolo apresentada aos participantes por um quadro representativo do trabalho
de pedreiro.

Vivemos uma impressão, ainda hoje muito presente em minha memória, quando um
candango, observando o quadro e a palavra - chave Tijolo foi capaz de compor uma nova
junção de sílabas, concatenando a frase “Tu-Ja-Le”.

No Chile, estive com Paulo Freire no ICIRA (Instituto de Capacitação e Investigação em


Reforma Agrária). Ambos éramos técnicos da FAO e trabalhávamos com “contra-partes”
chilenos, no processo de reforma agrária que o Presidente Eduardo Frei havia programado
para seu país.

Inúmeros documentos foram escritos então por nós que trabalhávamos no ICIRA,
procurando definir os contornos de um processo educacional novo, inspirados - muitos deles -
no pensamento de Paulo Freire.

Cito trecho de um de meus estudos, publicados nessa época: ”Neste sentido a


capacitação, entendida como comunicação social de cultura, surge claramente como um
processo ‘ideológico’... Busca-se, desta forma, uma ‘ideologia’, a partir do que é, ou uma
ciência do que deve ser... Assim, ao propor uma ideologia, como via melhor de humanização, o
educador deve ter claro uma visão da nova sociedade, não para doá-la ao camponês, e sim
para desafiá-lo em sua criatividade cultural própria”.

Atuávamos, nessa época, em “círculos de cultura”, com trabalhadores do campo.


Chegou a nosso conhecimento a observação de um dos participantes desses círculos.
Chamados a responder, pela coordenadora, o que era, no quadro em discussão, “mundo” e o
que era “cultura” um camponês manifestou, com segurança, as distinções entre o que era no
quadro expressão das duas categorias. - “E se não existisse o homem”? indagou a
coordenadora. “Tampouco existiria o mundo” porque faltaria quem dissesse “isso é o mundo” -
disse o camponês.

Paulo Freire, entusiasmado, identificou na resposta “a consciência do mundo”.

Mas não terminaram aí meus vínculos educacionais com Paulo Freire. Dele recebi, de
presente, o livro de Guimarães Rosa “Grande Sertão Veredas”, cuja leitura, atenta e renovada,
tanto me impressiou que cheguei a escrever um livro sobre o “Grande Sertão”, fiz questão de
afirmar na introdução: “devo a sugestão da primeira leitura ( do “Grande Sertão”) ao prof. Paulo
Freire”.

Detalhe significativo: o exemplar que me fora dado havia sido por ele lido na prisão e no
exílio e trazia duas inscrições: “Olinda. Prisão e Saudade. Desespero Não. Setembro de 1964”.
E a outra: “La Paz. Exílio e Saudade. Desespero não. Outubro de 64”.
O livro, que guardo como relíquia, traz a assinatura de mais de 50 exilados, alguns dos
quais foram seus companheiros de prisão.

Devo mencionar que essa minha leitura inicial do livro de Guimarães Rosa foi feita à luz
de algumas categorias teóricas de Paulo Freire. Cito um trecho de “O diálogo no Grande Sertão
Veredas”: “Assim, minha primeira atitude, frente ao Grande Sertão, foi a de quem havia
encontrado um imenso filão para o estudo da cultura de uma parcela da populaçãp brasileira. E
Rosa surgia, aí, como uma espécie de pesquisador, genial e metódico, que teria baseado sua
obra em prévio e amplo estudo empírico”. Posteriormente, fui levado a matizar essas
afirmações: “Contatos posteriores com amigos de Guimarães Rosa e estudiosos de sua obra
reduziram essa primeira impressão a proporções mais realistas: no Grande Sertão há mais do
poder criador de Rosa, que de investigação científica”.

Mas, tocado, cada vez mais, pela leitura do Grande Sertão, passei a fichar o livro de
acordo com aquelas categorias que discutira com Paulo Freire, no Chile: a consciência de si,
do outro e do mundo, em Riobaldo e mais a utopia e a contra-utopia, no Grande Sertão.

Como está dito no livro que venho citando: “a ‘ficha da descoberta’, que longamente
comentada com Paulo Freire, deu motivo a este trabalho, é a que transcreveu o que diz
Riobaldo, à pagina 96 do Grande Sertão” (3a ed. Liv.José Olimpio Editora, 1963).

Na verdade, essa “ficha da descoberta”, elogiada por Paulo Freire, constitue um dos
textos lapidares de Rosa que, descodificado, permite encontrar todas as características
essenciais do diálogo: “o senhor me ouve, pensa e repensa, e rediz e então me ajuda”.

O mecanismo e o objetivo do diálogo estão magistralmente contidos nesse texto. Se o


amor é, em suma, uma emigração de si em favor de outro, pode-se dizer que ele está presente
nas expressões transcritas, apresentando o diálogo como uma vitória contra o egoísmo, ou
como interesse de ajudar o outro - “e então me ajuda”.

Por outro lado, o “ouvir”supõe a humildade de reconhecer que o outro pode estar
dizendo coisas importantes, mesmo que não sejam eruditas. Já o “pensar e repensar” é uma
reflexão sobre a palavra do outro, à luz da cultura do interlocutor. E quando o interlocutor
“rediz” isso já implica numa síntese das culturas dos dois sujeitos do diálogo.

Felizmente, meus encontros com Paulo Freire foram sempre dialógicos e neles eu
sempre estive mais preocupado em ouvir, pensar e repensar. E quando pude “redizer” eu o fiz
na esperança de contribuir, nos meus limites, para o desdobrar das concepções novas do
magistral criador da “Educação como Prática da Liberdade”.

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3 - DESAFIOS NOS TRÓPICOS

Pierre Furter

No entardecer do primeiro dia na minha primeira chegada ao Nordeste - devia ser em


1962, acho eu - já estava em frente do Mestre deitado na sua rede. Diziam o Costa Lima e o
Uchoa Leite que era um pedagogo famoso no Recife progressista destes tempos do Arraes,
ainda que totalmente desconhecido para mim. Ouvindo durante toda esta noite inesperada a
sua fala que parecia nunca mais acabar, tive a revelação que, depois de estudar tantas teorias
pedagógicas, tinha enfim encontrado uma educação que se fazia e se vivia cada dia; que
nascia de uma consciência crítica dum presente problemático mas prenhe de um futuro pré-
revolucionário que se abria sobre uma utopia concreta.
Seduzido pelo projeto do Serviço de Extensão Cultural (SEC) da Reitoria da
Universidade Federal de Pernambuco - dentro do qual o Paulo animava um grupo de jovens
intelectuais e artistas no contexto fascinante dum Recife em movimento - larguei tudo e no
primeiro de janeiro de 1964, estava alí para apanhar estes militantes de uma democratização
de verdade de Pernambuco, do Nordeste - e por quê não? - do Brasil inteiro.

Uma outra noite com outras circunstâncias: Arraes era agora candidato à Presidência;
Paulo Freire tinha chegado a Aracaju para dinamizar mais uma vez a Campanha Nacional de
Alfabetização. No batepapo noturno geral, os seus assessores comentavam não sei que
fofocas com o MEB dos bispos ou o MCP dos camaradas... Pouco a pouco pareceu claramente
que a Campanha tinha um apoio oficial porque se pensava que uma rápida alfabetização podia
modificar radicalmente a composição do corpo eleitoral num país em que os analfabetos eram
marginalizados por lei de qualquer processo de eleição. Ainda que hoje ache eu que este
desafío estava certo, no entanto esta noite, na minha ingenuidade helvética, discordei
violentamente desta opção política: parecia-me contraditória com um projeto de uma
conscientização popular para uma democratização autêntica. O embate entre uma visão
radicalmente utópica e uma exigência imediata para a tomada do poder terminou mal: as
tensões foram tão fortes que cada um se fechou na sua frustração solitária.

Duas semanas depois, os militares e os seus cúmplices - que se “conscientizaram”


mais rápida e mais radicalmente que todo o “povo” e possivelmente que todos os militantes que
queriam salvá-lo - nos puseram todos de acordo numa comum exclusão. A pujança da mais
brilhante imaginação utópica como a mais sutil estratégia para a conquista do poder, ambas
foram vencidas pela violência dos fatos.

Neste mundo de caminhantes, as veredas precárias do exílio cruzam muitas vezes os


atalhos de uma reflexão peregrina. Mas a vadiagem dos vencidos não acaba necessariamente
com a sua esperança que pode ser transmutada pelo ácido do desespero encontrando novas
dimensões dentro de contextos até agora desconhecidos. Assim se passou da sedução da fala
ao trabalho árduo da escrita. É verdade que o núcleo gerador foi muitas vezes reinterpretado
através de inúmeras traduções nem sempre fiéis - mas tão pouco os filhos são totalmente
parecidos aos pais - felizmente! Nesta ampliação e multiplicação de uns poucos princípios nos
quais fundimo-nos num Recife, hoje tão remoto para cada um de nós, na malha frouxa, mas
real dos nossos intercâmbios pouco freqüentes mas ainda intensos, continuamos a caminhar
para aprender que a nossa condição nos impõe de se sacrificar para seguir esperando juntos.

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4 - O MÉTODO PAULO FREIRE

Celso de Rui Beisiegel

Meu interesse pelo Método Paulo Freire de alfabetização de adultos data dos meados de 1963.
Já um pouco antes ficara sabendo, pelos noticiários da imprensa, primeiro, que havia um
método, recém-elaborado, que alfabetizava em cerca de 40 horas e, segundo, que esta
eficiência possibilitava verdadeira revolução no curso da velha batalha nacional contra o
analfabetismo. No momento dei pouca importância às informações: mais um "milagre", pensei,
e destinado à vala comum das panacéias vez por outra anunciadas para os problemas de
educação popular. Logo percebi que estava enganado. O método de Paulo Freire era coisa
realmente séria.

Meus primeiros contatos com a prática do método ocorreram por força de atribuições
docentes, no antigo CRPE (Centro Regional de Pesquisas Educacionais) Professor Queiroz
Filho. Na época, alguns jovens pernambucanos, ex-alunos de Paulo Freire e meus orientandos
no Seminário de Treinamento de Pessoal em Pesquisas Educacionais, ao selecionarem o
objeto de sua "pesquisa de treinamento", optaram pelo estudo de uma experiência de
alfabetização de adultos que estava para ser iniciada em Vila Helena Maria, no município
paulista de Osasco. Era a "experiência piloto" de alfabetização de adultos da União Estadual de
Estudantes e seria realizada mediante o emprego do método de Paulo Freire. A escolha do
tema não fora aleatória. Era natural que jovens formados no Recife procurassem acompanhar o
desenvolvimento dos trabalhos realizados sob a orientação do método elaborado por um ex-
professor. E, por outro lado, um desses bolsistas, funcionário da Secretaria da Educação do
Estado do Rio Grande do Norte, atuara no Programa de Alfabetização promovido pelo Governo
Aluízio Alves e, aqui em São Paulo, vincula-se ao movimento de alfabetização então iniciado
pela União Estadual de Estudantes. Acolhi a decisão do grupo e, enquanto orientador da
"pesquisa de treinamento", fui levado a acompanhar de perto os preparativos da experiência e
o desenvolvimento dos trabalhos de alfabetização.

Em julho desse mesmo ano, o professor Laerte Ramos de Carvalho, diretor do CRPE,
incentivou-me a viajar para o Estado do Rio Grande do Norte, em companhia de alguns outros
colegas da instituição, a fim de obtermos informações sobre a campanha de alfabetização que
aí se desenvolvia sob a supervisão direta de Paulo Freire. Favoravelmente impressionado pelo
que já pudera conhecer sobre as idéias e as atividades do educador pernambucano, o
professor Laerte acreditava que o método talvez viesse a contribuir para a superação das
"bobagens" que então dominavam a prática da educação de adultos analfabetos no país.

Atendendo às sugestões do professor Laerte e ao interesse já despertado pelos


contatos iniciais com a prática do método, estive em Angicos, local da primeira e mais
importante dentre as experiências de alfabetização realizadas pelo Governo do Estado do Rio
Grande do Norte. Observei o funcionamento de "círculos de cultura" no bairro das Quintas, em
Natal. Conversei com funcionários e estudantes responsáveis pela condução dos trabalhos.
Depois, já em São Paulo, tive a oportunidade de entrevistar o próprio Paulo Freire, numa de
suas passagens por esta Capital. No segundo semestre, acompanhei o desenvolvimento das
atividades em Vila Helena Maria. Em 1964, coordenei os trabalhos de uma equipe de
pesquisadores incumbidos, pela direção do CRPE, de avaliar os resultados de uma experiência
de alfabetização realizada no município de Ubatuba, onde também se empregou o método de
Paulo Freire. Entre 1965 e 1967, acompanhei os universitários da "Operação Ubatuba" na
organização e nas atividades do MOVE (Movimento de Educação). Repetindo o que já afirmei
no livro Estado e educação popular, durante todo esse período acumulei documentos,
amizades, experiências, algumas frustrações e uma extensa relação de perguntas. Na época,
cheguei a publicar alguns trabalhos sobre a alfabetização e o "ensino supletivo" de adultos.
Mas, novas e urgentes solicitações da atividade docente e de pesquisa, na Faculdade de
Educação e no CRPE, com muita freqüencia me afastavam de um estudo sistemático sobre o
que viera observando no campo da educação popular.

A partir dos meados de 1970 pude finalmente dedicar-me à redação do estudo que apresentei
como tese de doutoramento, em 1972. Deveria ter sido um estudo sobre o método de Paulo
Freire. Era este, aliás, o projeto inicial. Contrariando estas intenções, entre as muitas perguntas
que viera formulando nos anos anteriores, algumas, mais gerais e não elucidadas na precária
bibliografia então disponível, impuseram-se à minha atenção e de certo modo forçaram a
alteração do projeto. Estas perguntas giravam em torno de questões tais como: as conexões
entre a educação popular e o processo de desenvolvimento; os fundamentos da crença
generalizada nas virtualidades desenvolvimentistas da educação popular; as origens dos
movimentos de educação em massa; as razões do descrédito que envolvia o "ensino supletivo"
realizado no âmbito do sistema escolar estadual; as causas do "processo de ritualização" do
"ensino supletivo"; por que o método de Paulo Freire era diferente e o que explicava sua
inegável capacidade de arregimentação dos universitários para o trabalho educativo, etc. Como
não poderia deixar de acontecer, tendo em conta a variedade das questões aí envolvidas e a
escassez de trabalhos a propósito do assunto, impunha-se de início uma investigação geral e
preliminar, destinada mais ao levantamento de problemas para futuras pesquisas do que à
discussão, em profundidade, de uma ou outra dentre as muitas indagações relevantes no
estudo da educação popular. Era necessário situar as origens e as vicissitudes das idéias, da
legislação e das práticas da educação de adultos no âmbito de outros processos ideológicos e
jurídico-políticos mais abrangentes. Sob o meu ponto de vista, o que estava investigando era
apenas uma introdução ao estudo que pretendia realizar.

Tudo tem seu tempo. O estudo sobre o método de Paulo Freire foi sendo adiado para
outras oportunidades. Os anos foram passando e somente agora creio estar atendendo aos
compromissos então assumidos com o saudoso mestre e amigo Laerte Ramos de Carvalho e
com os companheiros de aventuras na prática da educação popular.

CANÇÃO ÓBVIA
“Escolhi a sombra de uma árvore para meditar

no muito que podia fazer enquanto te esperava

quem espera na pura esperança

vive um tempo de espera qualquer.

Por isso enquanto te espero

trabalharei nos campos e dialogarei com homens, mulheres e crianças

minhas mãos ficarão calosas

meus pés aprenderão os mistérios dos caminhos

meu corpo será queimado pelo sol

meus olhos verão o que nunca tinham visto

meus ouvidos escutarão ruídos antes despercebidos

na difusa sonoridade de cada dia.

Desconfiarei daqueles que venham me dizer

à sombra daquela árvore, prevenidos

que é perigoso esperar da forma que espero

que é perigoso caminhar

que é perigoso falar...

porque eles rechaçam a alegria de tua chegada.

Desconfiarei também daqueles que venham me dizer

à sombra desta árvore, que tu já chegaste

porque estes que te anunciam ingenuamente


antes de denunciavam.

Esperarei por ti como o jardineiro

que prepara o jardim para a rosa

que se abrirá na primavera”

Paulo Freire

PAULO FREIRE