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EDUCAÇÃO E CORREÇÃO, SEM VIOLÊNCIA.

ROSELY SAYÃO

Prestes a retomar minhas atividades profissionais, depois de um período de


descanso, fui fazer umas compras que precisava. Escolhi um shopping ao ar livre
porque, mesmo devidamente vacinada, ainda tomo todos os cuidados para evitar
a covid-19. Até agora, tenho conseguido.
Eu tinha a expectativa de realizar minhas compras e passar um tempo me entretendo
olhando as novidades, mas não consegui. É que, já nos primeiros minutos,
testemunhei uma cena que me provocou vergonha, medo, humilhação e outros
sentimentos nada agradáveis que me acompanharam durante todo o tempo em que lá
estive.

Minha distração inicial foi interrompida por gritos de um homem. Olhei


rapidamente e vi um pai com o filho encostado na parede, segurando-o fortemente,
dar um soco no braço do garoto, que deveria ter uns 9 anos, mais ou menos. Além
disso, gritou: “Sua mãe veio fazer esse passeio e você não pode atrapalhar.”

Nesse instante, a mãe saiu de uma loja juntamente com um outro filho menor e
nada falou. Caminharam na direção em que eu estava e cheguei a pensar em falar
com ele, mas logo fui alertada por minha filha que eu nada deveria fazer porque o
homem estava totalmente fora de si, transtornado mesmo.

Acatei o conselho dela e só olhei eles passarem por mim; vi o garoto agredido
massageando o braço com um semblante muito triste, vi também a expressão facial
de raiva do homem, e tive medo. Pelo filho que ele acabara de agredir com violência,
pela família toda.

Sim, há momentos em que perdemos a paciência com os filhos, mas isso não
pode resultar em agressão. Toda criança tem o direito de ser educada e corrigida sem
o uso de qualquer tipo de violência.

Senti vergonha por não ter feito nada para proteger o menino; senti na pele a
humilhação à qual ele foi submetido: ser repreendido e agredido na frente de outras
pessoas; senti fazer parte de uma comunidade em que muitos ainda acham que, sim,
castigo físico deve ser usado em crianças e adolescentes.

Não deve. Não pode! Precisamos de um estatuto – o Estatuto da Criança e do


Adolescente – e de uma lei – conhecida como Lei da Palmada – para tratarmos as
crianças com respeito, com cuidado, com amorosidade e firmeza e sem violência, de
qualquer tipo? Precisamos e, ainda assim, não respeitamos.

Quando iremos assumir o papel de adultos responsáveis por nossas crianças?


Por todas elas!

ROSELY SAYÃO É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO


LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ.

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