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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E BIOLÓGICAS DISCIPLINA: ECOLOGIA GERAL DOCENTE: ROSANE MARIA LANZER DISCENTE

: GIORGIO ANTONIOLLI

ADAPTAÇÕES DE ANIMAIS E VEGETAIS A VIDA EM DESERTOS

- 35% da superfície das terras emersas são desertos ou semidesertos, onde 1/5 da população mundial tenta sobreviver. - Estima-se 810 milhões de ha tenham sido desertificados nos 50 anos, principalmente ao sul do Saara.

máximas variando de 28 a 32°C e de mínimas superiores a 0°C. . .Ventos frequentes. . .Zonas arenosas ou salgadas. ..Temperatura média superior a 20°C.Grandes variações de temperatura entre o dia e a noite. .Forte luminosidade.Baixa umidade do ar. .Precipitação anual de 100 mm/ano.

O dromedário pode produzir água por oxidação de gorduras de sua corcova. no verão. . . . ainda.Quando come vegetais verdes. o dromedário reidratase rapidamente.Quando tem água à sua disposição. perder uma quantidade de água igual a 30% de seu peso.Pode reter transpiração e suportar uma elevação de sua temperatura interna de 6. pode ficar 60 dias sem beber e. o que lhe permite economizar 5 L de água por dia. pode substituir por três semanas comendo unicamente vegetais secos. .Mamíferos . .2°C.Pode.

mas também contra a desidratação. . o que o protege contra os predadores. pois a umidade relativa ali mantém-se um valor superior a 30%.Suporta o aumento de sua temperatura interna e não transpira. ..O rato-canguru Dipodomys merriami produz água de origem metabólica em quantidade suficiente.Expele uma urina muito concentrada e fezes muitos secas. pois não possui glândulas sudoríparas. . Essa toca é fechada. .O rato-canguru deixa sua toca somente à noite.

como o órix. graças a uma contracorrente entre o sangue “quente” vindo do coração e o sangue “frio” que circulou nos seios nasais irrigando o cérebro. que permite trocas de calor. existe uma rede arterial carótida situada sob o cérebro. .Em certos antílopes. em um deserto seco e quente.. que sobrevive ao sul do Saara.

.1°C) quando está hidratado. . e que pode ultrapassar 45°C durante 8 horas quando desidratado. .Tem uma temperatura corpórea que pode variar mais de 6°C (de 35.Permite manter o cérebro a uma temperatura de 40°C durante o dia e de 22°C à noite.7 a 42.

.O estudo de Roedores que vivem nas regiões áridas do sul da Califórnia mostra que as espécies granívoras têm uma resistência considerável à desidratação. . sem consumo de água.Uma espécie herbívora como Neotoma fuscipes. os Roedores da família dos Heteromiídeos chegam a manter sua massa corpórea durante 14 dias. perde quase metade de seu peso nas mesmas condições. .As aves granívoras têm uma resistência à falta de água quase tão grande quanto à dos Roedores. . embora vivendo nas mesmas regiões. Alimentando-se unicamente de sementes.

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O fouette-queue (Uromastix acanthinurus. . uma família dos Agamídeos) é um lagarto saariano herbívoro para o qual a única fonte de água é a que está contida no alimento. e suporta grandes variações de seu volume de água corporal.Répteis .Expele uma urina muito concentrada que se apresenta sob a forma de cálculos de urato pobres em água.O fouette-queue reduz suas perdas de água refugiando-se em uma toca. . .

O volume de sangue e de plasma desse lagarto não é afetado pelas variações de teor de água do corpo. Ele também é capaz de suportar grandes variações do teor de sódio do plasma.Presença de uma glândula de sal junto às fossas nasais permite a eliminação de eletrólitos contidos em excesso no alimento vegetal (sobretudo de potássio) com uma perda de água menor do que por via renal. . ..

o que é uma adaptação a um meio onde a vegetação é rara e fugaz (essa adaptação é encontrada também em diversos Roedores). sua biomassa atinge 70 g/m².Formigas . enquanto a do conjunto dos outros animais é de apenas 5. nos Pheidole e Solenopsis nas duas regiões). No Fezzan. no Messor no Velho Mundo. A Veromessor pergandei é uma notável espécie granívora do sudoeste árido dos Estados Unidos.A estocagem de sementes é uma prática frequente (por exemplo. . .Esses insetos normalmente dominam as comunidades nos desertos quentes.5 g/m². nos Pogonomyrmex e Veromessor na América. .Muitas formigas de desertos são granívoras.

O ninho possui de duas a quatro entradas. Ela subsiste com seus estoques de sementes. . e suas galerias descem mais de 4 m de profundidade. sem nenhum outro alimento.Suas colônias populosas contêm várias dezenas de milhares de indivíduos. e é capaz de sobreviver por 12 anos de seca. sua biomassa é igual à dos Roedores.. .No Vale da Morte.

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Elas permanecem presas ao teto das câmaras de mel e o regurgitam em caso de escassez. as jovens operárias com tegumento ainda flexível fartam-se de mel e atingem o tamanho de uma outra de 8 mm. . o conjunto de formigas e de Roedores granívoros elimina até 75% das sementes.Na Tunísia meridional. ..3 carneiro por hectare e detém a regeneração da vegetação durante períodos úmidos.As formigas do gênero Pogonomyrmex eliminam a vegetação em um raio de 1 a 2 m em torno da entrada de seu ninho.Em Myrmecocystus de regiões quentes e áridas do sudoeste dos Estados Unidos. . o que equivale à pressão de pastejo exercida por 1.

trazendo-a até a superfície. . A térmite Psammotermes tem o mesmo comportamento: vai buscar água até 10m de profundidade. .As formigas do gênero Myrmecocystus são carnívoras. e o mel para elas é apenas uma reserva em época de escassez. instalado na areia seca.No Feezan.. uma formiga do gênero Acantholepis traz da profundidade do solo bolotas de sal úmido que preservam uma certa umidade no ninho.

. e explica a presença de psamóforos em cerca de um terço das espécies do deserto.A frequência da areia obriga as formigas dos desertos a desaterrar seus ninhos. ou sob a forma de palpos maxilares muito longos e cobertos por longos fios em Cataglyphis e Myrmecocystys.. Essas estruturas apresentam-se sob a forma de longos fios situados nas mandíbulas e na goela em Pogonomyrmex. . Veromessor e Messor. que vão buscar água em profundidade graças às suas raízes muito longas.Esse comportamento é comparável ao dos vegetais freatófitos (como as acácias).

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que permitem a economia de água e a proteção contra as temperaturas elevadas.Eles mostram adaptações notáveis. . .Coleópteros . A impermeabilidade do tegumento é assegurada pela presença de uma espessa camada de cera na epicutícula.Os Coleópteros da família dos Tenebrionídeos são um elemento característico dos desertos por seu grande número de espécies.

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Várias espécies de Tenebrionídeos podem inclusive secretar uma camada de cera suplementar de cor branca que é depositada sobre o tegumento e que contribui para reduzir as perdas de água.. mas em um meio tamponado. .Os estigmas abdominais não se abrem diretamente ao ar livre. Essa camada de cera é removível e desaparece quando a umidade do meio é elevada. . bem como o aquecimento. graças ao poder refletor da cera em relação a radiação solar. onde a umidade relativa é superior à do ar. a cavidade subelitral.

As fezes sofrem uma desidratação produzida por uma estrutura articular de tubos de Malpighi. do deserto da Namíbia.. . o criptonefridismo. Essa perda de peso deve-se principalmente à utilização de lipídeos de reserva cuja água de metabolismo é recuperada. .Em Onymacris plana. a perda de peso atinge 25% em dez dias quando o inseto é mantido em jejum e privado de água em uma umidade relativa de 10 a 15%.

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Os Tenebrionídeos lutam de diversas maneiras contra temperaturas elevadas. ele sobe em pedras altas e se ergue sobre suas patas para isolar-se ao máximo do solo.. . apelidado de “corredor das areais” possui longas patas (três vezes o comprimento do corpo). Os Eleodes da América são ativos apenas à noite e de manhã. . quando a temperatura é mais amena. Nas horas mais quentes.O Stenocara phalangium.

A adaptação mais notável é a existência. em algumas espécies do deserto da Namíbia.A frequência da areia nos desertos explica o grande número de adaptações à vida nesse substrato. Certas espécies denominadas ultrapsamófilas vivem na areia móvel das dunas. limita a elevação da temperatura do corpo. que. . . Para sua alimentação. onde não existe nenhuma vegetação. por refletir melhor a radiação solar. elas dependem de restos de vegetais trazidos pelo vento. de um tegumento de cor branca (enquanto os Tenebrionídeos são pretos)..

Enquanto a temperatura do ar é de 30°C e a umidade relativa é inferior a 20%. .. no fundo da toca prevalece uma temperatura de 25°C e uma umidade relativa de 95%. estão adaptados à vida nos desertos.Outros Artrópodes. O Crustáceo Isópode Hemilepistus reaumuri dos desertos da África do Norte cava uma toca com até 1 m de profundidade. que lhe serve de refúgio durante o dia. além dos insetos.

o clima alpino torna-se árido quando a altitude aumenta. Portanto.Os Artrópodes que vivem nos Alpes adaptam-se às baixas temperaturas e desenvolveram meios de combater a dessecação parecidos com os das espécies que vivem no deserto: busca de micro habitats favoráveis.. . o clima caracteriza-se por temperaturas baixas e pela diminuição da tensão do vapor de água resultante da queda da pressão atmosférica. redução da permeabilidade do tegumento.Nos Alpes. osmorregulação da hemolinfa. recuperação de água pelo sistema criptonefridiano. .

. . A atividade fotossintética nos vegetais dos desertos apresenta características originais.As adaptações que permitem aos vegetais viver nos desertos são numerosas.

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mas cultivada nos oásis. mas seu ritmo diminui rapidamente após o meio-dia em razão do fechamento dos estômatos devido a uma transpiração intensa.Em Prunus armeniaca.Em Hammada scoparia. . cuja adaptação à seca é mais acentuada.Na coloquíntida. mas torna-se nula por volta de 10 horas. árvore não adaptada ao clima desértico. mas prossegue durante todo o dia e a transpiração é reduzida. em decorrência da transpiração intensa que provoca o fechamento dos estômatos. a fotossíntese é intensa durante as primeiras horas do dia. que tem um ciclo vegetativo curto e que é pouco adaptada a um clima seco. . a fotossíntese é menos intensa que na coloquíntida.. a fotossíntese é maior pela manhã. .

presença de clorofila nos tecidos corticais de caules. . redução da superfície das folhas que são transformadas em escamas (como nos Tamarix) ou em espinhos e.Vegetais . correlativamente. redução do número de estômatos. como na giesta saariana (Retama retam).Adaptam-se à seca segundo estratégias muito variadas: redução da evapotranspiração pelo desenvolvimento de estruturas cuticulares impermeáveis.

Elas crescem rapidamente e completam sua história de vida começando a produzir novas sementes depois de poucas semanas. Estas são as espécies que podem ocasionalmente fazer um deserto florir.. . estimuladas à germinação pelas chuvas imprevisíveis (relógios fisiológicos são inúteis nesse ambiente).Muitas espécies têm um estilo de vida oportunista.

Em desertos áridos. temperaturas muito baixas são comuns à noite e a tolerância à geada é quase tão importante quanto a tolerância à seca.Um padrão diferente de comportamento de plantas de desertos áridos é ser perene com processos fisiológicos lentos. espessas e frequentemente pilosas podem fechar seus estômatos (aberturas por onde ocorrem as trocas gasosas) e tolerar longos períodos de inatividade fisiológica. e espécies arbustivas de pequeno porte com folhas pequenas. Os cactos e outras suculentas. ..

explique o funcionamento da adaptação do órix. . 2) Observando a figura abaixo.QUIZ 1) Quais são as causas das adaptações dos animais e vegetais a vida em deserto? Descreva uma relação causaadaptação. 3) Cite algumas adaptações de vegetais a vida em desertos.

Roger. HARPER. 519 p.. Fundamentos em ecologia. 2.. John L. 7. . 2006. BEGON.ed. 2005. Princípios de ecologia.BIBLIOGRAFIA DAJOZ. TOWNSEND.ed. Michael. Porto Alegre: Artmed. Colin R. 592 p. Porto Alegre: Artmed.

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