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Teoria Psicanalítica

COMPLEXO DE ÉDIPO E
COMPLEXO DE CASTRAÇÃO
A SEXUALIDADE INFANTIL

É NO SEGUNDO DOS TRÊS ENSAIOS SOBRE A


SEXUALIDADE QUE FREU DESENVOLVE A TEORIA DA
SEXUALIDADE INFANTIL

A SEXUALIDADE INFANTIL ERA ATÉ FREUD NEGADA


PELA SOCIEDADE REPRESENTANDO UMA AMEAÇA

A SEXUALIDADE INFANTIL POSSUI UMA AMNÉSIA


QUE INCIDE SOBRE OS PRIMEIROS ANOS DE NOSSA
INFÂNCIA

O “ESQUECIMENTO” POR PARTE DO SABER DA


SEXUALIDADE INFANTIL É UMA DAS FORMAS PELAS
QUAIS SE MANIFESTA A RECUSA DE NOSSA PRÓPRIA
INFÂNCIA PERVERSA
A PULSÃO

A diferença fundamental entre a pulsão (Trieb) e o instinto (Insitink!)

Instinto Pulsão
Visa à reprodução da espécie Visa ao prazer
designar um comportamento a pulsão não implica
hereditariamente fixado comportamento pré-formado
possui um objeto específico não tem um objeto específico
variedade nos objetivos

A pulsão sexual tem por objetivo atingir o prazer. A pulsão está relacionada a realidade
psíquica, aos traços das experiências deixadas no inconsciente. A pulsão é um impulso que
Freud traduziu como desejo. As fantasias são movidas pelo desejo, portanto, pela pulsão e
que não tem um único objeto a ser atingido.
Freud transforma o corpo biológico em corpo erógeno. Onde era instinto (puramente biológico)
surge a pulsão. Quando falamos de desejo e pulsão, não temos mais um objeto preestabelecido
que satisfaça a pulsão.

ESTÁ RELACIONADA COM A


REALIDADE PSÍQUICA É UM IMPULSO QUE FREUD
TRADUZIU COMO DESEJO.

É SEMPRE PARCIAL E POSSUI


REPRESENTAÇÃO DE LINGUAGEM NO
INCONSCIENTE
O AUTOEROTISMO

“AUTOEROTISMO” – UTILIZADO POR FREUD


PELA PRIMEIRA VEZ EM CARTA A FLISS, DE 9 DE
DEZEMBRO DE 1899

O TERMO É RETOMADO NOS TRÊS ENSAIOS


DE 1905 PARA CARACTERIZAR UM ESTADO
ORIGINAL DA SEXUALIDADE INFANTIL EX.:ATO DE
ANTERIOR AO NARCISISMO, NO QUAL A SUGAR O
PULSÃO SEXUAL, LIGADA A UM ÓRGÃO OU DEDO
À EXCITAÇÃO DE UMA ZONA ERÓGENA,
ENCONTRA SATISFAÇÃO SEM RECORRER A
UM OBJETO EXTERNO

Antes de surgir o prazer autoerótico de sugar o dedo, por exemplo, a pulsão se apoia
em funções somáticas vitais de autoconservação, como a alimentação, o leite.
Assim, como não possui nenhum objeto sexual é autoerótica e seu objetivo sexual
é dominado por uma zona erógena como a oral e a anal (Freud, Três Ensaios, p. 187)
ZONAS ERÓGENAS

As organizações pré-genitais são organizações da vida sexual nas


quais as zonas genitais não assumiram ainda seu papel
preponderante, isto é, nas quais a busca de prazer ainda não está
dominada pela função reprodutora sob a primazia da zona
genital.

Atenção!!! Freud, sem dúvida, elaborou a noção de zonas erógenas segundo um


referencial anatomofisiológico, mas é evidente que o corpo tratado pela psicanálise
é um corpo fantasmático. É para a fantasia que se dirige o desejo, e não para o real;
é no nível da representação que se passa a psicanálise

Lacan, ao recentra a teoria psicanalítica na noção de desejo,


mostra como o desejo surge do afastamento entre a
necessidade e a exigência; como ele se dirige não a um objeto
real, independente do indivíduo, mas a uma fantasia.
AS FASES DA ORGANIZAÇÃO DA LIBIDO

DUAS NOÇÕES SÃO, POIS, NECESSÁRIAS PARA QUE SE POSSA


COMPREENDER ADEQUADAMENTE O CONCEITO DE FASE: A DE ZONA
ERÓGENA E A DE RELAÇÃO DE OBJETO NOS TEXTOS PÓS-FREUDIANOS,
ENCONTRAMOS UMA TENTATIVA DE SUBSTITUIR A NOÇÃO DE FASE PELA
DE “RELAÇÃO DE OBJETO”.

INICIALMENTE, FREUD DISTINGUE, DENTRE AS ORGANIZAÇÕES “PRÉ-


GENITAIS”, DUAS FASES: A ORAL E A SÁDICO-ANAL. SOMENTE EM 1923
ELE INCLUIU UMA TERCEIRA FASE PRÉ-GENITAL, A FASE FÁLICA, QUE,
APESAR DE GENITAL, RECONHECE APENAS UMA ESPÉCIE DE GENITAL: O
MASCULINO. ESSA FASE É DOMINADA PELO COMPLEXO DE CASTRAÇÃO
E CORRESPONDE AO DECLÍNIO DO COMPLEXO DE ÉDIPO.
AS FASES PRÉ-GENITAIS
FASE ORAL –É a primeira fase de evolução sexual pré-genital. Nela o prazer
ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e
da cavidade bucal. O objetivo sexual consiste na incorporação do objeto, como
modo de relação de objeto.

FASE SÁDICO-ANAL – É a segunda fase pré-genital da sexualidade infantil .


Fase caracterizada pelo primado da zona anal e por um modo de relação de
objeto que Freud denomina “ativo” e “passivo” onde surge a polaridade
sadismo-masoquismo. Essa fase está impregnada de valor simbólico, sobretudo
ligado às fezes. Tal é o caso da significação de que se reveste a atividade de dar e
receber ligada à expulsão e retenção das fezes.

FASE FÁLICA – Essa fase apresenta um objeto sexual e alguma divergência dos
impulsos sexuais sobre esse objeto. O que distingue fundamentalmente da fase
genital madura é que nela a criança reconhece apenas um órgão genital: o
masculino. Nela a oposição entre os sexos é caracterizada pela castração, isto é,
pela distinção fálico-castrado. Desde “Os Três ensaios da sexualidade (1905)
Freud já sustenta a tese de que:
a) A libido é “de natureza masculina, tanto na mulher como no homem”;
b) “a zona erógena diretriz da criança do sexo feminino é localizada no clitóris,
que é homólogo da zona genital masculina (glande)”.
SOBRE AS TEORIAS SEXUAIS DAS CRIANÇAS (1908).
A FÁBULA DA CEGONHA É UMA DAS TEORIAS SEXUAIS DA CRIANÇA?
NÃO! CLARO QUE NÃO! A CRIANÇA NÃO ACREDITA NESSA BESTEIRA QUE CONTAM PARA ELA E
OBSERVA OS BICHOS E PERCEBE QUE TEM ALGUMA SEMELHANÇA. TENDO DESCOBERTO QUE OS
BEBÊS CRESCEM NA BARRIGA DAS MÃES, A CRIANÇA ESTARIA PERTO DE SOLUCIONAR O PROBLEMA.
NO ENTANTO, NÃO CHEGA A DESCOBRIR PORQUE FALSAS TEORIAS SÃO IMPOSTAS POR SUA
PRÓPRIA SEXUALIDADE.

PRIMEIRA TEORIA – SE SEGUNDA TEORIA – O


REFERE A UNIVERSALIDADE NASCIMENTO PELA
DO PÊNIS. ELA DÁ ORIGEM CLOACA. A IGNORÂNCIA A
AO COMPLEXO DE RESPEITO DA VAGINA LEVA A
CASTRAÇÃO NA OCASIÃO DA CRIANÇA A IMAGINAR QUE
PERCEPÇÃO DOS ÓRGÃOS OS BEBÊS SERIAM
GENITAIS FEMININOS. EVACUADOS COMO
EXCREMENTOS.
TERCEIRA TEORIA – A
CONCEPÇÃO SÁDICA DO
COITO – O ATO SEXUAL É
CONCEBIDO COMO UMA
VIOLÊNCIA E ESTÁ
RELACIONADA AO SADISMO
INFANTIL.
O COMPLEXO DE CASTRAÇÃO
 O complexo de castração – masculino e feminino
– é o efeito dessa eleição do pênis como órgão
cuja função simbólica é o preenchimento da
falta. A criança pequena acredita que todo
mundo possui um pênis, até que descobre que
não. Essa descoberta os leva a pensar que o
pênis foi cortado, pois considera um elemento
essencial. A castração passa a ser uma ameaça e
o agente dessa ameaça é o pai. É essa
representação imaginária da falta que vai ser
completada com o falo imaginário. O falo vem a
ser, pois, qualquer coisa que preencha essa falta
a nível do imaginário, o bebê, o pênis, são no
nível imaginário o complemento fálico daquilo
que a mãe não tem.
ATÉ 1923, QUANDO ESCREVEU A “SEGUNDA TÓPICA” FREUD
ACREDITAVA EM UMA SIMETRIA ENTRE OS SEXO NO
COMPLEXO DE ÉDIPO.

MENINOS= DESEJO PELA MÃE MENINAS= DESEJO PELO PAI E


E rivalidade com o PAI. rivalidade com a MÃE

Após a “segunda tópica” em “O eu e o isso” (1923) Freud


teve elementos para descrever a dissimetria entre o Édipo
masculino e o Édipo feminino.
APÓS A SEGUNDA TÓPICA
DO APARELHO PSÍQUICO

OS DESTINOS DO COMPLEXO
DE CASTRAÇÃO SÃO
DIFERENCIADOS NO MENINO E
NA MENINA.

A BISSEXUALIDADE CONSTITUCIONAL

A SEXUALIDADE E A FEMINILIDADE NÃO SÃO ESSENCIALMENTE


BIOLÓGICAS, MAS, SOBRETUDO POSIÇÕES RESULTANTES DE
UMA ORGANIZAÇÃO PSÍQUICA QUE TEM POR BASE O COMPLEXO
DE ÉDIPO
O COMPLEXO DE ÉDIPO NO MENINO

O MENINO ENTRA NO ÉDIPO E COMEÇA A MANIPULAR


SEU PÊNIS, ENTREGANDO-SE A FANTASIAS LIGADAS À
MÃE.

SOB O EFEITO DE AMEAÇA DE CASTRAÇÃO PELO PAI


OU PELA MÃE SURGE A ANGÚSTIA PROVOCADA PELA
PERCEPÇÃO DO CORPO FEMININO PRIVADO DE FALO

RENUNCIA A POSSUIR SEU OBETJO DE AMOR - A MÃE.

A ANGÚSTIA DE CASTRAÇÃO BARRA O CAMINHO DO


MENINO EM DIREÇÃO AO AMOR PELO PAI, FANZENDO COM
QUE RENUNCIE AO PAI COMO OBJETO DE AMOR E SE
IDENTIFIQUE A ELE

IDENTIFICA-SE COM AS INSÍGNIAS DO PODER PATERNO -


PASSA DE TER O PAI COMO OBJETO DE AMOR PARA SER
COMO ELE
DISSOLUÇÃO DO COMPLEXO DE ÉDIPO NO
MENINO

A ANGÚSTIA DE CASTRAÇÃO PÕE FIM TANTO À


LIGAÇÃO ERÓTICA COM A MÃE QUANTO À LIGAÇÃO
AMOROSA COM O PAI.

ENTRA DA DO
PERÍODO DE
LATÊNCIA
O ÉDIPO NA MENINA

INTENSA VINCULAÇÃO PRÉ-EDIPIANA COM A MÃE


DE GRANDE IMPORTÂNCIA PARA O FUTURO DA
MULHER

NA FASE FÁLICA CONSIDERA-SE VÍTIMA DE UMA


CASTRAÇÃO E SE APROXIMA DO PAI PARA RECEBER
O EQUIVALENTE SIMBÓLICO DO PÊNIS

O PAI NEGA ESSA GRATIFICAÇÃO O QUE LEVA A UM


ABANDONO PROGRESSIVO DO COMPLEXO DE
ÉDIPO

ESSA RELAÇÃO COM O PAI, EMBORA


DECEPCIONANTE É O QUE ESTRUTURA A MENINA
COMO SUJEITO, POIS GARANTE UMA IDENTIFICAÇÃO
MASCULINA, EMBORA NÃO UMA IDENTIFICAÇÃO
FEMININA
AS TRÊS VIAS DO ÉDIPO FEMININO

ACEITAR QUE SUA DEMANDA NÃO PODE SER


PRIMEIRA ATENDIDA, ACEITAR SUA FALTA, VERDADEIRA
SAÍDA FEMININA SEGUNDO FREUD.

SAÍDA NEURÓTICA. MANTÉM A ESPERANÇA DE


SEGUNDA RECEBER UM REPRESENTANTE QUE A IGUALE AO
HOMEM.

TERCEIRA UMA RECUSA POR ACEITAR A FALTA.


O CONCEITO DE FALO

 Nas sociedades patriarcais do Ocidente, o falo foi


transformado em símbolo de poder e de
completude. O fato de cada homem possuir um
pênis não faz dele o possuidor do falo. Este é da
ordem simbólica. Ninguém é possuidor do falo.
Freud concebe o ser humano como sendo
marcado por uma incompletude fundamental
que o lança numa procura infindável. O símbolo
desta falta é, portanto, do preenchimento do
vazio que ela produz, o falo. É dessa concepção
do ser humano como um ser incompleto que nos
fala Freud ao nos apresentar sua teoria do
Complexo de Castração.
O FALO PARA LACAN

SIGNIFICANTE PRIVILEGIADO,
SIGNIFICANTE DA FALTA
ELEMENTO TERCEIRO NA RELAÇÃO
DA CRIANÇA COM A MÃE
A CASTRAÇÃO É SIMBÓLICA

MAS A CRIANÇA A ENTENDE INICIALMENTE


COMO UMA PRIVAÇÃO REAL DO PÊNIS -
ASSIM O FALO ADQUIRE NESSE MOMENTO
UMA CONSISTÊNCIA IMAGINÁRIA

MAS O FALO É UM SIGNIFICANTE DA FALTA,


É UMA REFERÊNCIA AO PAI, A UMA
FUNÇÃO QUE MEDIATIZA A RELAÇÃO DA
CRIANÇA COM A MÃE.
OS TRÊS TEMPOS DO COMPLEXO DE ÉDIPO
Primeiro tempo - "Ser ou não ser o falo" - a criança ainda está fusionada à mãe e o pai é
excluído. Relação dual mãe-bebê onde a criança está assujeitada ao desejo da mãe,
identificada ao seu objeto de desejo. A criança é colocada em situação de se fazer objeto do
que é suposto faltar à mãe. O objeto de desejo da mãe suscetível de preencher a falta é o falo,
no nível simbólico, preenche o vazio que marca a incompletude humana. Para que a criança
não fique no lugar de falo é preciso que o pai apareça como representante efetivo do lugar
onde o falo é dado à mãe enquanto significante de seu desejo.

Segundo tempo – ‘”Ter ou não ter o falo”. Caracteriza-se pela intervenção do pai. A criança vê o
pai como um falo rival junto à mãe. O que o pai interdita é a satisfação incestuosa, ou seja, ele
introduz a referência à lei da proibição do incesto. A criança é forçada não apenas a não ser o
falo, como também a não tê-lo, como a mãe, incidindo aí o complexo de castração.

Terceiro tempo – “Ter ou não ter o dom”. Marca o declínio do Édipo pela simbolização da lei,
representada pela função paterna. O pai sai da condição de falo rival da criança junto à mãe e
passa à condição de suposto detentor do falo, daquele que detém o objeto do desejo da mãe.
Portanto, trata-se agora do reconhecimento da castração do pai, o que implica a
transformação dopai onipotente em pai potente: o pai não tem o falo, mas tem alguma coisa
com valor de dom”. O menino se identifica com as insígnias do pai.
ALIENAÇÃO E SEPARAÇÃO
 Alienação no conceito de Lacan é a escolha forçada da criança de se
sujeitar a entrada na linguagem. Ou seja, passamos a ser
representados por palavras. A criança é causada pelo desejo do
Outro materno que antecede seu nascimento, por um desejo que
não partiu da criança mas é fundamental para seja aceita no laço
social.
 Separação - envolve o confronto da criança alienada ao desejo do
Outro. A criança ao alcançar o simbólico e o Édipo deve deixar de
tentar atender os desejos maternos, deixar de tentar completar a
mãe nessa tentativa de ser o único objeto de desejo da mãe. O Outro
materno deve mostrar que é um sujeito desejante e liberar a criança
desse lugar de objeto fálico. Os porquês intermináveis da criança
não são, na opinião de Lacan, o sinal de curiosidade com relação ao
funcionamento das coisas mas mostram uma preocupação com o
lugar em que elas ocupam no desejo de seus pais.
 Nesse processo de alienação e separação, é a Lei do Pai que deverá
vir em seu auxílio para frear esse poder absoluto do Outro materno e
evitar que a mãe faça da criança o centro de sua vida. Por outro lado,
a função do pai também impedirá que a criança permaneça para
sempre nessa posição de objeto da fantasia materna.