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Apostila de História da Educação Física

Apostila de História da Educação Física

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FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ

DIRETORIA ACADÊMICA NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTES

Apresentação Este módulo contém o processo histórico, social e político da origem e evolução da história da Educação Física, análises, ideologias, objetivando orientações e como suporte teórico em suas atividades de ensino. Espera-se, que você utilize os conhecimentos aqui oferecidos em reformulações pessoais e profissionais. 1- O processo histórico social e político da origem e evolução da Educação Física e Esportes. 1.1 – Estudos teóricos e práticos da história da Educação Física O mundo em que vivemos sofre constantes transformações. Sociedades se modificam à medida que os valores são alterados de acordo com a evolução dos tempos. De acordo com essa dinâmica evolutiva, podemos considerar a educação, e por conseguinte a Educação Física como área do conhecimento e como elemento fundamental no processo de desenvolvimento do homem. Para compreendermos melhor o valor da Educação Física, reconhecendo-a como disciplina capaz de inferir direta e favoravelmente na formação integral do indivíduo, analisaremos sua evolução em síntese histórica. O homem não nasceu pulando, saltando, jogando. Todas essas atividades corporais foram constituídas em determinadas épocas históricas como resposta a determinados estímulos, desafios ou necessidades humanas.
FATOS NA EVOLUÇÃO NO TEMPO E ESPAÇO CAUSAS E EFEITOS NA SOCIEDADE INVESTIGAÇÃO CONHECIMENTO DAS FONTES

TEORIA DA EVOLUÇÃO DO HOMEM
África 4.000.000

1os Homídeos > Australopitecos > Homo sapiens sapiens

Homo habilis > Homo erectos > Homo sapiens > d h l

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IDADE DA PEDRA

EOLÍTICO PALEOLÍTICO NEOLÍTICO MEGALÍTICO

PRÉ-HISTÓRIA GRANDES DIVISÕES DA HISTÓRIA IDADE DOS METAIS COBRE BRONZE FERRO

ANTIGA (aC e dC) HISTÓRIA MEDIEVAL MODERNA CONTEMPORÂNEA

Homem primitivo Para garantir sua subsistência e adaptar-se às condições do meio ambiente, o homem primitivo possuía muitas qualidades físicas, para sobreviver; estava constantemente exercitandose, com isso, aprendeu naturalmente a caçar, pescar, nadar, construir, lutar, defender-se – exercícios úteis que lhe permitiam satisfazer as suas principais necessidades, impostas na sua relação com a natureza e com os outros homens.
EOLÍTICO > pedra não trabalhada

PALEOLÍTICO > pedra lascada

NEOLÍTICO > pedra polida

MEGALÍTICO > grandes monumentos

Examinando atentamente a historia da Antigüidade, podemos inferir que, assim como os exercícios físicos, os jogos e as danças já faziam parte da língua do homem. Existem vestígios de que eram continuamente praticados de diferentes formas; jogos de mímica, de lutas , danças guerreiras ou religiosas(como por exemplo, em agradecimento ou reverência aos deuses de sua crença). Enfim, sem saber, o homem descobria maneiras de exteriorizar seu estado de espírito e seus sentimentos. Compreendemos que o ser humano não vive isoladamente. Ao longo dos tempos, o homem foi se agrupando, constituindo pequenos povos, que, por sua vez, foram se transformando em diferentes civilizações, cada qual originando sua própria cultura. Atualização do corpo também se modificou em função das novas necessidades do seu meio de convivência.
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SISTEMAS EDUCACIONAIS PRIMITIVOS CHINESES

HOANG TI (3000 aC) Imperador guerreiro, pregava exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas além do caráter guerreiro.

CONFÚCIO Grande moralista e sábio Visava regenerar os costumes e levantar a moral da sociedade com exercícios físicos

DINASTIA CHU (1122 a 255 aC) Alcançou o maior esplendor de sua cultura

ATIVIDADES Luta Tiro ao arco Danças Esgrima de sabre Tsu-Chu (semelhante ao futebol) Caça Boxe

DECLÍNIO DAS ATIVIDADES Filosofia de vida baseada na inanição. “O homem sábio nunca deixa de repousar e meditar” ( TaoTsé ) Budismo “meditação religiosa diária“

Brahmanes sacerdotes, juizes

Mercador HINDUS (DIVIDIDOS EM 5 CASTAS)

Guerreiro

Agricultor

Párias Desprezados e excluídos da sociedade.

Gregos e romanos A ginástica nome que originou na Grécia, “... visava ao aperfeiçoamento físico, à beleza e à harmonia de forma, por meio de exercícios e jogos praticados nos ginásios...” Possuía importância fundamental na cultura desse povo, que foi também o criador dos Jogos Olímpicos. Os jogos eram realizados de quatro em quatro anos, em olimpíadas, e celebrados com muita pompa. Eram homenagens aos deuses gregos e ainda uma forma pacífica de reunir
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suas populações que viviam em guerra. Para as mulheres existiam ginásios especiais adequados à prática da ginastica cujas as atividades preferidas eram as corridas e as danças. Quando conquistaram a Grécia, os romanos possuíam outra visão em relação à pratica de exercícios físicos seu objetivo era a preparação dos indivíduos para a guerra, sem nenhuma finalidade moral ou estética. Um exemplo disso era os brutais e sangrentos jogos de combate de gladiadores, organizados por eles, e que provocavam o maior entusiasmo nas platéias presentes. GRÉCIA - UTILITARISMO GUERREIRO CONSTANTE

ESPARTA

ATENAS
CRIANÇA Apresentada ao pai que o adotava ou não Até 6 anos brinquedos Esferística (com bola) Entregue ao Estado Rudimentos de gramática Música Aos 12 anos Ginástica fácil (flexionamento) Aos 18 anos Educação atlética guerreira

CRIANÇA Defeituosa sacrificada Livre até 7 anos Entregue ao Estado Regime comum Alimentação sóbria Exercícios violentos

Após 13 anos Regime mais violento Exercícios militares Roubava para comer Punida violentamente

LOCAIS E ATIVIDADES PALESTRA: (particular) dimensões restritas, banho quente, duchas e lutas GINÁSIO: (gummos - nu) conjunto de lugares para a educação da mocidade, pistas de corridas a pé, lançamentos exercícios corporais. ESTÁDIO: Pistas cobertas com ginásios e palestras, prélios (batalhas, lutas e pelejas esportivas) JOGOS FÚNEBRES: Corrida de carros, pugilato, combate armado, tiro ao alvo, arremesso de peso de lança e luta. JOGOS GREGOS: Festas populares, cerimônias pan-helênicas, manifestações desportivas. JOGOS OLÍMPICOS: (em honra à Júpiter) Lutas, corrida a pé, pentatlo (salto, disco, dardo, luta, corrida), corrida armada, pugilato, corrida de carros e de cavalos.
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Para as mulheres existiam ginásios especiais adequados à prática da ginástica cujas as atividades preferidas eram as corridas e as danças. ROMA – LOCAIS E ATIVIDADES

CRIANÇA Colocada aos pés do pai que o reconhecia ou não. Até 7 anos cuidados maternos com educação em casa com escravo grego ou escolas denominadas “Ludus”. Menino aos 12 anos ia para a escola dirigida pelo grammaticus e aprendia sobre os poetas latinos e gregos.

ANFITEATRO Combate de gladiadores e feras ESTÁDIO Exercícios eqüestres, canto, música, poesia

TERMAS Banhos quentes, duchas, fricções e banhos a vapor.

Aos 16 anos escola de retórica, política e forense. Aos 18 anos exercícios físicos militares e estéticos gregos

DESPORTOS Corrida de carros, cavalos, luta de gladiadores, atletismo e competições navais.

Idade Média e Renascimento Na época medieval, predominavam os torneios e os duelos entre cavaleiros e cavaleiras que apesar de serem realizados de forma muito solene eram muito violentos sobretudo devido ao armamento utilizado: lanças e espadas. Na renascença, recuperou-se a concepção dos gregos: uma educação voltada para o homem de forma integral: “O físico, o intelectual e a moral”, retomando dessa forma o valor da atividade física. SÉCULO IV: (Imperador Teodósio) queda dos Jogos Olímpicos pela suplementação das antigas crenças das divindades olímpicas pelo cristianismo.

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JUSTAS E TORNEIOS: Esgrima, arco e flecha, marchas e corridas a pé. CRUZADAS: Organizadas pela Igreja nos séculos XI, XII e XIII, exigiram preparação militar. CAVALARIA: Cavaleiro, nobre a serviço das causas justas e ideais da Igreja. Participava das Justas, Torneios e caças feudais. No Brasil A Educação Física no Brasil nos leva à época do descobrimento: os portugueses quando chegaram aqui encontraram indígenas habituados à prática de atividades físicas, da mesma forma que o homem primitivo, pois os mesmos possuíam habilidades naturais e, na luta pela sobrevivência, praticavam natação, arco e flecha, corridas, saltos, pesca, canoagem, montaria, lutas e outros. Outra contribuição indígena foi o jogo de peteca. Na época da escravidão, uma cultura foi introduzida pelos escravos africanos: capoeira, que é a mistura de dança, jogo e competição de demonstrar o sentimento de emoção e saudade de um povo. A elite dominante dessa época dividia o trabalho em manual e intelectual. Baseada nessa postura, resistia na inclusão da ginástica nas escolas, pela semelhança com o trabalho manual, que era destinado aos escravos. Dois documentos nortearam os princípios da Educação Física. O primeiro foi a Carta Régia de 04/12/1810 que introduzia a ginástica alemã (uma tentativa de equiparar no mesmo grau de importância o intelecto e o físico do homem) na Academia Real Militar. Nesse momento instalavase a função higienista, pois era importante terem homens fortes, sadios, robustos com condutas morais e intelectuais para o desenvolvimento do Brasil. O segundo documento foi o Parecer de Rui Barbosa no Projeto 224/1882- “Reforma do Ensino Primário...”, que reforçava a importância da ginástica nos currículos escolares. No período pré-guerra(1930), as exigências continuavam sendo de corpos atléticos e disciplinados, pois precisava-se garantir a defesa da pátria. Após a Segunda Guerra Mundial (1945), o escolanovismo buscava estimular o interesse do aluno e sua auto-realização (1961). Na década de 70, presenciou-se a existência de um regime autoritário de poder: a Ditadura Militar. Em função dessa nova perspectiva política, o sistema educacional foi totalmente inúmeras mudanças em nossa sociedade. A educação baseou-se na Pedagogia Tecnicista, que tinha como princípios a racionalidade e a eficiência. Foi um período marcado pela meta da produtividade. Com a privatização do ensino (sobretudo das Universidades que deveriam reserva-se às elites) foram criadas inúmeras instituições universitárias. A Instituição do decreto 68.450, de 1971, manteve a ênfase na aptidão física, tanto na organização das atividades como em seu controle e avaliação. Se por um lado o Regime Militar favoreceu a expansão da Educação Física, pois houve um aumento significativo de suas escolas, por outro, a qualidade do ensino ficou seriamente comprometida. Principalmente devido ao comportamento de professores e profissionais da área que, influenciados pelas características da política educacional vigente, e com uma postura totalmente autoritária, apresentavam uma forte tendência em valorizar o rendimento físico, a perfeição e o domínio dos movimentos adquiridos por meio da aplicação de métodos rígidos de automatização e adestramento, para se atingir um melhor desempenho esportivo. 1.2 – As atividades físicas na Antigüidade e sua evolução China – Como Educação Física as origens mais remotas da história falam de 3000 a.C. lá na China. Um certo imperador guerreiro, Hoang Ti, pensando no progresso do seu povo pregava
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os exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas além do caráter guerreiro. O tratamento pela água era muito utilizada e o prático de exercício físico e a massagem, eram consideradas uma necessidade vital. Índia – No começo do primeiro milênio, os exercícios físicos eram tidos com uma doutrina por causa das “Leis de Manu”, uma espécie de código civil, político social e religioso. Eram indispensáveis às necessidades militares além do caráter fisiológico. Buda, atribuía aos exercícios o caminho da energia física, pureza dos sentimentos, bondade e conhecimento das ciências para a suprema felicidade do Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento). O yoga, tem suas origens na mesma época retratando os exercícios ginásticos no livro “Yajur Veda” que além de um aprofundamento da medicina ensinava manobras massoterápicas e técnicas de respirar. Japão – A história do desenvolvimento das civilizações sempre esbarra na importância dada à Educação Física, quase sempre ligado aos fundamentos médicos- higiênicos, fisiológicos, morais, religiosos e guerreiros. A civilização japonesa também tem sua história ligada ao mar devido sua posição geográfica além das práticas guerreiras feudais: os samurais. Egito – Dentre os costumes egípcios estavam os exercícios Gimmicos revelados nas pinturas de paredes das tumbas. A ginástica egípcia já valorizavam o que se conhece hoje como qualidades físicas como: equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. Já usavam, embora rudimentares, materiais de apoio tais como tronco de árvores, pesos e lanças. Grécia – Sem dúvida nenhuma, a civilização que marcou e desenvolveu a Educação Física foi a Grécia, através de sua cultura. Nomes como: Sócrates, Platão, Aristóles e Hipócrates contribuíram e muito, para a Educação Física e a Pedagogia atribuindo conceitos até hoje aceitos na ligação corpo e alma através das atividades corporais e da mímica. “Na música a simplicidade torna a alma sábia; na ginástica da saúde ao corpo” Sócrates. É de Platão o conceito de equilíbrio entre o corpo e espírito ou mente. Os sistemas metodizados e em grupo, assim como os termos halteres, atleta, ginástica, pentátlo, entre outros, são uma herança grega. As atividades sociais e físicas eram uma prática até a velhice lotando os estádios destinados a isso. Roma – A derrota militar da Grécia, não impediu a invasão cultural grega nos romanos que combatiam a nudez da ginástica. Sendo assim, a atividade física era destinada às práticas militares. A célebre frase ”Mens sanna en corpore sano” de Juvenal, vem desse período romano. Idade Média – A queda do império romano também foi muito negativo para a Educação Física, principalmente com a ascensão do cristianismo que perdurou por toda a Idade Média. Oculto ao corpo era um verdadeiro pecado sendo também chamado por alguns autores, de “Idade das Trevas”. Realizavam-se apenas as lutas e os torneios, que eram combates praticados entre os nobres. A Renascença – Depois de quase ter sido abandonada na Idade Média, iniciou-se um movimento na Itália, que é concebida como berço da Educação Física moderna, onde se criaram escolas de Educação Física e também foram editados livros. Como, o homem sempre teve interesse no seu próprio corpo, o período da Renascença fez explodir novamente a cultura física, as artes, a música, a ciência e a literatura. A beleza do corpo, antes pecaminosa, é novamente explorada surgindo grandes artistas como Leonardo Da Vinci (1452-1519), responsável pela criação utilizada até hoje das regras proporcionais do corpo humano.
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Consta desse período o estudo da anatomia e a escultura de estátuas famosas como por exemplo a de David, esculpida por Michelâgelo Buonarroli (1475-1564) considerada tão perfeita que os músculos parecem ter movimentos. A dissecação de cadáveres humanos deu origem a anatomia como a obra clássica “De Humani corpores fábrica” de Andrea Vesalius (1514-1564). A volta da Educação Física escolar se deve também nesse período a Vitório de Feltre (13781466) que em 1423 fundou a escola “La Casa Gilcosa” onde o conteúdo programático incluiu os exercícios físicos. Iluminismo – O movimento contra o abuso de poder no campo social chamado de Iluminismo, surgido na Inglaterra no século XVII deu origem a novas idéias. Como destaque dessa época os alfarrábios apontam: Joan Jaques Rousseau (1712-1778) e Johann Pestalozzi (17461827). Rousseau propôs a Educação Física como necessária na educação infantil. Segundo ele, pensar dependia de extrair energia do corpo em movimento. Pestalozzi foi precursor da escola previamente popular e sua atenção estava focada na execução correta dos exercícios. Idade Contemporânea – A influência na nossa ginástica localizada começa a ser desenvolver na Idade Contemporânea e quatro grandes escolas foram as responsáveis por isso: a alemã, a nórdica, a francesa e a inglesa. A Alemã, influenciada por Rousseau e Pestalozzi, teve como destaque Johann Cristoph Friederick Guts Muths (1759-1839) considerado pai da ginástica moderna. A derrota dos alemães para Napoleão deu origem a outra ginástica. A turnkunst, criada por Friederick Ludwig Jahn (1788-1825) cujo fundamento era força, “Vive Quem é Forte”, era seu lema e nada tinha a ver com a escola. Foi ele que inventou a barra fixa, as barras paralelas e o cavalo, dando origem à Ginástica Olímpica. A escola voltou a ter seu defensor com Adolph Spless (1810-1858) introduzindo definitivamente a Educação Física nas escolas alemãs, sendo inclusive um dos primeiros defensores da ginástica feminina. A escola nórdica escreve a sua história através de Nachtegall (1777-1847) que fundou seu próprio instituto de ginástica (1799) e o Instituto Civil de Ginástica para formação de professores de Educação Física (1808). Por mais que um profissional de Educação Física seja desligado da história, pelo menos algum dia já ouviu em falar em ginástica sueca, um grande trampolim para o que se conhece hoje. Per Henrik Ling (1766-1839) foi o responsável por isso levando para a Suécia as idéias de Guts Muths após contato com o instituto de Nachtegall. Ling dividiu sua ginástica em quatro partes: a Pedagogia – voltada para a saúde evitando vícios posturais e doenças; a militar – incluindo o tiro e a esgrima; a médica – baseada na pedagogia evitando também as doenças e a estótica - preocupada com a graça do corpo. Alguns fundamentos ideológicos de Ling valem até hoje tais como: o desenvolvimento harmônico e racional, a progressão pedagógica da ginástica e o estado de alegria que deve imperar uma aula. Claro, isso depende do austral e o carisma do profissional. Um dos seguidores de Ling, o major Josef G. Thulin introduz novamente o ritmo musical à ginástica e cria os testes individuais e coletivos para verificação da performance. A escola francesa teve como elemento principal o espanhol naturalizado Francisco Amoros Y Ondeano (1770-1848). Inspirado em Rabeias, Guts, Jahn e Pestalozzi dividiu sua ginástica em civil e industrial, militar, médica e cênica. Outro nome francês importante foi G. Dêmey (1850-1917). Organizou congresso, cursos (inclusive o superior de Educação Física), regeu o Manual do Exército e também era adepto à ginástica lenta, gradual, progressiva, pedagógica, interessante e motivadora. O método natural foi defendido por Georges Herbert (1850-1917): correr, nadar, trepar, saltar, empurrar, puxar e etc. A nossa Educação Física, a brasileira, teve grande influência na Ginástica Calistenia criada em 1829 na frança por Phoktion Heinrich Clias (1782-1854). A escola inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes, tendo como principal defensor Tomas Arnold (1795-1842) embora não fosse o criador. Essa escola também ainda tem a influência de Clias no treinamento militar.
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A Calistenia – É por assim dizer, o verdadeiro marco do desenvolvimento da ginástica moderna com funcionamentos específicos e abrangentes destinada à população mais necessitada: os obesos, as crianças, os sedentários, os idosos e também as mulheres. Calistenia, segundo Marinho (1980) citado por Marcelo Costa, vem do grego kallos (belo), sthenos (força) e mais o sufixo “ia”. Com origem na ginástica sueca apresenta uma divisão de oito grupos de exercícios localizados associando música ao ritmo dos exercícios são feitos a mão livre usando pequenos acessórios para fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos. Os responsáveis pela fixação da calistenia foram: o Dr. Dio Lewis e a (A. C. M.) Associação Cristã de Moços com proposta inicial de melhorar a forma física dos americanos que mais precisavam. Por isso mesmo, deveria ser uma ginástica simples, fundamentada na ciência e cativante. Em função disso Dr. Dio Lewis era contra os métodos militares sob a legação que as mesmas desenvolviam somente a parte superior do corpo e os esportes atléticos não proporcionavam harmonia muscular. Em 1860 a calistenia foi introduzida nas escolas americanas. No Brasil dos anos 60 começou a ser implantada nas poucas academias pelos professores da A. C. M. ganhando cada vez mais adeptos nos anos 70 sempre com inovações fundamentadas na ciência. Sendo assim o Dr. Willian Skarstrotron, americano de origem sueca, dividiu a calistenia em oito grupos diferentes do original: braços e pernas, região póstero superior do tronco, póstero inferior do tronco, laterais do tronco, equilíbrio, abdômen, ombros e escápulas, os saltos e as corridas. Nos anos 80 a ginástica Aeróbica invadiu as academias do Rio de Janeiro e São Paulo abafando um pouco a calistenia. Como na Educação física sempre há evolução também em função dos erros e acertos. Surge então, ainda no final dos anos 80 a ginástica localizada desenvolvida com fundamentos teóricos dos métodos da musculação e o que ficou bom da calistenia. A ginástica aeróbica de alto impacto causou muitos microtraumatismos por causa dos saltitos em rítimos musicais quase alucinantes. A musculação surgiu com uma roupagem nova ainda nos anos 70 para apagar o preconceito que algumas pessoas tinham com relação ao halterofilismo. Hoje, sob pretexto da criatividade, a ginastica localizada passa por uma fase ruim com alguns professores ministrando aleatoriamente, aulas sem fundamentos específicos com repetições exageradas, fato que a ciência já reprovou, principalmente se o público alvo for o cidadão comum. 1.3 – Evolução da Educação Física e do Esporte Moderno no Brasil e no Mundo Nos anos 90, o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos, manifestada de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte performance. A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de direito uma profissão a qual compete mediar e conduzir todo o processo. Atletismo É a essência das olimpíadas. Sua origem vem dos jogos da Grécia Antiga, quando guerreiros disputavam os louros da vitória de Zeus uma corrida de 80 m. Na era moderna, participa desde da primeira edição das Olimpíada. A primeira medalha da história foi dada a um saltador triplo, o americano James Connely, em Atenas. Nas corridas, nos saltos e nos lançamentos, o atletismo vem sendo o coração dos jogos, competições e olimpíadas no mundo atual. Badminton O badminton começou como esporte-exibição na Olimpíada de Seul, em 1988, e foi oficializada em Barcelona. Tem muita tradição no leste e no sudeste asiático-indonésios, malaísios, sul-coreanos e chineses, dominam as competições internacionais.
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Basquete Foi idealizado pelos americanos, no século passado, para suprir a falta de uma atividade coletiva. Um dos jogos mais populares em todo o mundo é praticado por vários países. Beisebol Com grande tradição nos EUA, o beisebol vem sendo dominado nas competições internacionais por Cuba. Ciclismo Pouco popular no Brasil, o ciclismo é sinônimo de paixão na Europa e em alguns países latinos, como a Colômbia. A mountain bike é a modalidade mais praticada no nosso País. Esgrima É um dos esportes olímpicos mais nobres e sua origem remonta à própria necessidade do homem se defender. Ficaram célebres em filmes e livros, os duelos na Europa de séculos atrás, quando o homem lavava sua honra na ponta da espada. Atualmente, os duelos prosseguem, mas somente no campo esportivo e com a devida proteção. Futebol Esporte mais popular do mundo, foi recordista de público em Barcelona. Ultimamente, com a participação de atletas profissionais desde 84, transformou-se em uma mini copa do mundo. Em Atlanta o futebol feminino fez sua estréia. Ginástica Artística A Ginástica Artística é um dos esportes mais fascinantes pela beleza dos movimentos dos atletas. As evoluções realizadas nos outros aparelhos parecem dignos de homens e mulheres feitos de elástico. Ginástica Rítmica É uma modalidade irmã da Ginástica Artística. Distribui medalha individual pela soma nas diversas provas. Combina os movimentos do corpo com elementos acrobáticos, sempre acompanhados por música. Levantamento de Peso É um dos esportes mais tradicionais dos jogos olímpicos. A modalidade acabou ficando famosa pelos casos de dopin. Handebol Começou a ser desenvolvido na Europa por volta de 1920, motivo pelo qual os europeus são os mestres neste esporte, possuindo o atual campeão mundial e o atual campeão olímpico. É um esporte vigoroso com alto grau de contato físico e muita ação. É praticado atualmente em todos os continentes. Judô A luta, originária do Japão, nasceu da observação de um filósofo que notou que galhos mais flexíveis não se rompem com o peso leve. A sabedoria oriental resultou nesta arte marcial, que por ser considerada completa, despertou o interesse de outras culturas e passou a ser praticada em vários países. No Brasil, não poderia ser diferente. A corrida às academias é intensa. II) Análise histórica da Educação Física no Brasil 2.1 – A Educação Física e Esportes, enquanto fenômenos culturais da sociedade moderna Na década de 80, a Educação Física sofreu uma crise de identidade que originou uma
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mudança nas políticas educacionais. O enfoque que passou a priorizar o desenvolvimento psicomotor do aluno, valorizando a sua prática também nas séries iniciais e não somente nas séries do Ensino Fundamental. Apesar de muitos progressos obtidos, por meio de inúmeros movimentos, debates, discussões e realizações, a Educação Física ainda necessita de mudanças. Sobretudo para convencer a sociedade e até mesmo o corpo docente, constituindo por profissionais de outras áreas, de seu real valor, pois mesmo sendo reconhecida como uma área essencial ainda fica “marginalizada”. Um exemplo disso são os horários das aulas em desacordo com as necessidades de suas especificidades, bem como locais inadequados e materiais, insuficientes para obtenção dos resultados esperados. Encontramos na década de 90, um despertar da população para sua saúde, não a saúde como ausência de doenças, mas aquela comprometida com a qualidade de vida, assunto que cada vez mais está se tornando indispensável nos diversos setores da sociedade. A partir disso, observamos nos tempos atuais que as recomendações para qualquer programa de qualidade de vida, giram ao redor de fatores como: alimentação controlada, mudanças de hábitos adequados (fumo e álcool), atividades de lazer, cultura e, principalmente, atividades físicas. De alguma maneira cada um de nós procura encontrar um equilíbrio para manter-se saudável. Programas de ginásticas laboral, atendimentos de personal trainer, consultorias para atividades físicas e de lazer tornam-se ações concretas para uma nova consciência corporal, inclusive abrindo campos de trabalho ao profissional da Educação Física. As doenças ocupacionais, problemas de postura, estresse, sedentarismo, depressão, cardiopatia e outros, segundo especialistas na área de saúde, estão se tornando os grandes males do século XXI. Certamente seriam minimizados se, desde a fase escolar, o aluno fosse orientado e preparado para ser um indivíduo ativo, não sedentário e habituado à pratica de atividades físicas. É justamente por isso que se evidencia a necessidade de integração da Educação Física com outras áreas do conhecimento, pelas inúmeras possibilidades de contribuição para melhorar da qualidade de vida aos indivíduos por meio de uma educação relevante, responsável e realmente comprometida com o momento histórico evolutivo. Com isso, torna-se necessário que o ser humano esteja constantemente se aperfeiçoando como indivíduo e como ser social para poder se inter-relacionar com esse mundo transitório, em todos os aspectos de caráter sócio-político econômico-cultural, buscando dessa forma melhorar sua qualidade de vida, fator mais essencial à sua humanização. 2.2 – As questões éticas e morais do esporte na atividade profissional da Educação Física O desenvolvimento moral do indivíduo, que resulta das relações entre afetividade e a racionalidade, encontra no universo da cultura corporal um contexto bastante peculiar, no qual a intensidade e a qualidade dos estados afetivos experimentados corporalmente nas práticas da cultura de movimento literalmente afetam as atitudes e decisões racionais. A vivência concreta de sensações de excitação, irritação, prazer, cansaço e eventualmente até dor, junto a mobilização interna de emoções e sentimentos de satisfação, medo, vergonha, alegria e tristeza, configuram um desafio a racionalidade. Desafio no melhor sentido de controle e de adequação na expressão desses sentimentos e emoções, pois se processa em contextos em que as regras, os gestos, as relações interpessoais, as atitudes pessoais e as suas conseqüências são claramente delimitadas. E, habitualmente, distintos dos experimentados na vida cotidiana. Aqui reside a riqueza e o paradoxo das práticas da cultura corporal particularmente nas situações que envolvem interação social, de criar uma situação de intensa mobilização afetiva, em que o caráter ético do indivíduo se explica para si mesmo e para a outro por meio de suas atitudes, permitindo a tomada de consciência e a reflexão sobre esses valores mais íntimos. O que se quer ressaltar é a possibilidade de construir formas operacionais de praticar e refletir sobre esses valores, a partir da constatação de que apenas a prática das atividades e o discurso verbal do professor resultam insuficiência na sua transmissão e incorporação pelo
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estudante. O respeito mútuo, a justifica, dignidade e a solidariedade podem, portanto, ser exercido dentro de contextos significativos, estabelecidos em muitos casos de maneira autônoma pelos próprios participantes. E podem, para além de valores éticos tomados como reverência de conduta e relacionamento, tornam-se procedimentos concretos a serem exercidos e cultivados nas práticas da cultura corporal. No caso específico dos jogos, esportes e lutas, certamente não se pode estabelecer uma relação direta entre uma atitude pautada na ética dentro e fora da situação de jogo, ou seja, ser junto no jogo não suplica necessariamente ser junto nas relações sociais concretas e objetivas. Nesse universo de situações, portanto, podem-se valorizar a possibilidade de construção coletiva e a prioridade das regras e os acordos firmados entre os participantes. Pois quando ocorre um descumprimento do que foi combinado se estabelece uma relação de responsabilidade pela conseqüências das atitudes intrínsecas à própria atividade. Ao interagirem com os adversários, os alunos podem exercer o respeito mútuo, buscando participar de forma leal e não violenta. Confrontar-se com um resultado de um jogo e com a presença de árbitro permite a vivência e o desenvolvimento da capacidade de julgamento de justiça (e de injustiça). Principalmente nos jogos, em que é fundamental que se trabalhe em equipe, a solidariedade pode ser exercida e valorizada. Nos jogos, esportes e lutas, em que existem regras delimitando as ações, surgem dois elementos interessantes para a discussão de valores éticos: um deles é a simulação de fator e outro é a figura do árbitro. Por exemplo, num jogo de futebol, um atacante entra na área, dribla o jogador da defesa, mas adianta demais a bola e, ao perceber que perdeu a jogada, imediatamente se lança ao chão, simulando ter sofrido uma falta. Essa situação pode ser pano de fundo para uma interessante discussão, pois apesar das possíveis “vantagens” resultantes da simulação, o jogador segue sendo responsável por um ato que sabe desonesto. A figura do árbitro potencializa uma situação; na medida em que perante aos jogadores transferirem a responsabilidade moral para o juiz, incorporando a figura do árbitro do jogo, com mais um elemento que pode ser manipulado. Ou seja, toda simulação não percebida pelo juiz torna-se legítimo e em muitos contextos era capacidade de simulação é tão valorizada como as habilidades técnicas. Em ambas as situações a discussão deve incluir a dimensão pessoal da ética no valor atribuído às atitudes certas ou erradas, positivar ou negativar, construtivas ou destrutivas. Deve incluir, ainda, a dimensão social da ética que atribui valores às atitudes pessoais, e que em muitos contextos, acaba por legitimar a transferência de responsabilidade das atitudes pessoais para o grupo ou para o Juiz. O futebol profissional, atualmente, traz elementos para essa discussão, na medida em que as tentativas de simulação são consideradas passíveis de punições pela regra e, em algumas transmissões pela TV, existe um comentarista específico para o árbitro. A apreciação do esporte-espetáculo permite conhecer e diferenciar as referências de valores e atitudes presentes nas práticas culturais corporal exercidas profissionalmente, nas quais, obviamente, a vitória, a derrota, a regra e a transgressão da regra adquirem outra conotação, outro tipo de conseqüência. O profissional que está realmente convencido do quanto o seu trabalho é fundamental torna-se uma referência importante para seus alunos, pois, em suas aulas é capaz de mobilizar aspectos afetivos, sociais, éticos, morais e outros de maneira intensa e explícita, o que faz dele um conhecedor das principais necessidades de seus alunos. 2.3 – Sua influência no contexto escolar, contextualizado e perspectivas. A infância é a idade do lazer por excelência. O tempo totalmente liberado faz com que a criança desenvolva a especialidade de brincar, exceto durante o período escolar. As tendências administrativas atuais, bem como a informatização de serviços nos alertam para um provável aumento do tempo livre, ou seja, o tempo disponível para outras atividades as quais acreditamos que o ser humano ainda não está preparada a realizar, pois, praticamente,
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passa os melhores anos de sua vida trabalhando. Concluímos, desta forma, que a função educativa do lazer, consideradas muitas vezes uma atividade não prioritária, é necessidade humana. O lazer por suas características (a espontaneidade, a ludicidade, a livre escolha), e o caráter relativamente desinteressado, deve ser incorporado ao cotidiano da criança tornando-se um espaço privilegiado para a aquisição de informações e conhecimentos e para vivência da cultura, constituindo-se em importante caminho para o crescimento pessoal e social do indivíduo. Voltando à Educação Física, consideramos que as obrigatoriedades da vida escolar (que hoje em dia inicia-se cada vez mais cedo), estão muitas vezes desvinculadas da realidade da criança, que necessita, principalmente nas séries iniciais, de tempo para brincar e, portanto, aprender brincando, o que será sempre mais prazeroso e enriquecedor. A proposta é promover e buscar a educação para o lazer, por meio da alegria e da brincadeira, considerando o vasto conhecimento da cultura infantil, repleta de significados, historicamente elaborados e muitas vezes ignorados pelas instituições de ensino. Superando barreiras e preconceitos, descobrimos habilidades e belezas, equilibrando eficiência e eficácia, enfim, vivenciando relações espaciais e temporais, estamos favorecendo o autoconhecimento, sempre em busca da felicidade e da cidadania. A escola não pode negar como fato histórico a corporeidade humana, a infinita de gestos, expressões, movimento que os seres humanos foram e são capazes de realizar, originando jogos, brincadeiras, danças, esportes, lutas, diferentes formas de ginásticas e constituindo, desta forma, o verdadeiro patrimônio lúdico da humanidade. O grande desafio da Educação Física é propiciar ao educando o conhecimento do seu corpo, usando-o como instrumento de expressão e satisfação de suas necessidades, respeitando suas experiências anteriores e dando-lhe condições de adquirir e criar novas formas de movimento. Consideramos que o movimento humano só se concretiza por meio do corpo do homem. Esse movimento integra uma totalidade e não somente o ato motor, mas toda e qualquer ação humana que vai desde a expressão até o gesto mecânico. Não é apenas o corpo que entra em movimento, mas o homem todo que age e se movimenta. A Educação Física deve associar o corpo, a emoção, a consciência, a busca do prazer, fazendo o aluno sentir-se bem com o seu corpo no tempo e no espaço. Entendemos que é necessário desenvolver uma concepção de educação física em que a atividade intelectual e a atividade corporal em vez de se confrontarem, se harmonizarem de forma a melhor integrarem o ser humano no seu relacionamento: eu – o outro – os objetos – o mundo. Os currículos escolares deverão ter seus conteúdos compatíveis com as experiências vividas pelo aluno, servindo como ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos mais elaborados. A sistematização desses conteúdos que são representados por ginástica, jogos, esportes e dança deve considerar ainda as características de maturação, as diferenças individuais, as necessidades e os interesses do aluno, sendo desenvolvidos em um ambiente lúdico, onde a liberdade de expressão, a oportunidade de reflexão, discussão e questionamento, o trabalho de equipe estejam garantidos, e que o aluno possa, por meio do movimento, se relacionar com o seu próprio corpo, com o outro e com o meio social.

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2.4 – Transformações da Educação física no Brasil e suas multiplicações na prática profissional nos dias de hoje A Educação Física no Brasil foi pensada enquanto prática nas escolas com propósitos profiláticos, morais e culturais. Por falta até mesmo de formação adequada, muitos professores – chamados no passado de “instrutores” – aplicavam para crianças exercícios praticados nos quartéis. Entre os profissionais, sempre houve controvérsia quanto ao tipo de atividades físicas que deveriam ser ministradas para escolares. Havia aqueles que defendiam os exercícios ginásticos e, de outro lado, os que destacavam a recreaçào. Não é de hoje que se manifestam discursos a respeito da importância daq Educação Física Escolar como uma questão de prevenção da saúde. Azevedo (1920) apontava para a educação física uma intervenção social, de modo a ensinar hábitos de higiene aos alunos e, ao mesmo tempo, a desenvolver um corpo sadio. São 80 anos pregando para que os alunos entendam a relevância da Educação Física Escolar, mas pelo visto, ficou apenas a exigência prática de promover recreação. A prática pela prática. Educação Física e Desporto A partir dos anos 70, aplica-se uma política oficial de expansão da prática do desporto, o que se tornou um novo paradigma para toda a Educação Física. Naquele período, confunde-se educação física com o desporto, chegando mesmo, em alguns casos, a serem considerados sinônimos. O plano nacional de educação física e desporto para o período de 1976 a 1979 é uma prova disso e traz as seguintes observações: “... a atividade física é hoje considerada como um meio educativo privilegiado, porque abrange o ser na sua totalidade. O caráter de unidade da educação, por meio das atividades físicas, é reconhecido universalmente. Ele objetiva o equilíbrio e a saúde do corpo, a aplicação física para a ação e o desenvolvimento dos valores morais. Sob a denominação comum de educação física e desportiva o consenso mundial reúne todas as atividades físicas dosadas e programadas, que embora pareçam idênticas na sua base, têm finalidade e meios diferenciados e específicos. O meio específico da educação física e a atividade física sistemática, concebida para executar, treinar e aperfeiçoar, de acordo com a intenção principal que anima a atividade física, ela se desdobra em exercícios educativos propriamente ditos, os jogos e os desportos. Face à informalidade de que se reveste sua prática, os jogos e os desportos têm um poder maior de mobilização que os exercícios educativos, sendo recomendável, portanto, para melhor eficácia de educação física a integração das formas”. O plano apresentava ainda algumas diferenças em relação à Lei n° 6.251/75, que tratava da Política Nacional de Educação Física e Desportos, dando uma direção à prática desportiva de forma mais explícita. De acordo com seu art. 5°, o Poder Executivo definiu a Política Nacional da Educação Física e Desporto, com os seguintes objetivos básicos:
• • • • •

Aprimoramento da aptidão física da população; Elevação do nível dos desportos em todas a áreas; Implantação e intensificação da prática dos desportos em massa; Elevação do nível técnico-desportivo das representações nacionais; Difusão dos desportos como forma de utilização do tempo de lazer.

O Plano dava destaque ao conteúdo esportivo, sobretudo aos aspectos educacionais e formativo. Na prática, acabou vingando o desenvolvimento do desporto em si. Ontem e hoje A Educação Física Escolar passou por diversos momentos, teve certa importância política, reconhecimento legal, mas cabe indagar por que ela não foi capaz de se consolidar, se legitimar
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como disciplina nas escolas, junto aos pais e aos demais professores. A Educação Física é oferecida na escola há muitos anos, sua prática foi calcada em ginástica e recreação e os objetivos definidos eram voltados para a construção de uma cultura que levasse o aluno a entender a importância daquela prática. Novas diretrizes, nova cultura Desde 1996, quando da promulgação da LDB, não há mais determinação de carga horária das disciplinas. A escola é que constrói seu projeto pedagógico e define a carga horária de cada uma. Portanto, é o professor de Educação Física que deve justificar a permanência da sua finalidade, argumentando e convencendo a comunidade da quantidade de sessões a ser oferecida na escola. Isto representa uma ruptura muito brusca e pegou desprevenidos os professores escolares, que sempre estiveram sob a capa protetora da obrigatoriedade, sem que tivessem que se preocupar em demonstrar para os pais, para o corpo docente e até mesmo para os alunos sua finalidade e sua importância para o futuro da sociedade. A realização de atividades físicas ganha maior relevância a cada dia. O esporte continua sendo a grande manifestação da humanidade, como espetáculo ou como forma de lazer. Proliferam academias de ginásticas e é crescente o número de adeptos das atividades físicas, mas na escola, a educação Física está sofrendo um grande impacto. A disciplina desprestigiada sem finalidade definida, perde espaço e os exemplos de sua prática de modo geral, a desabona e complica sua posição no contexto educacional. Em contrapartida, as escolas que oferecem o esporte, a iniciação desportiva, convênios com clubes e academias têm uma maior freqüência e ganham um enorme interesse por parte dos alunos e jovens. Significa dizer que os jovens vêem a Educação Física como uma atividade prática? ou que pela difusão da mídia se interessam pela prática de atividades físicas, mas não a da escola, que não atende às expectativas do que se procura? Por que se perdeu esse espaço na escola? Daqui por diante não haverá mais determinação de quantitativo de sessões semanais em nenhuma disciplina, as Secretarias de Educação e Conselhos de Educação não são mais órgãos diretivos e sim normativos, cabendo à escola construir seu próprio currículo de acordo com a realidade da comunidade. Não se trata de uma missão simples. Ainda vivemos sob a influência de antigos paradigmas e a cultura de aptidão física, iniciação desportiva, formação de equipes representativas, apesar de todo um discurso de inclusão, de interdisciplinaridade e da importância da Educação Física para a formação integral. O problema não será revertido pela legalidade, pois não há mais amparo legal para determinar a obrigatoriedade de duas ou três aulas semanais. Não se pode ficar aguardando que os Legisladores atendam apelos dos profissionais e promulguem leis que tornem a Educação Física Escolar obrigatória em todos os níveis e ciclos de ensino, o que esbarraria em inconstitucionalidade, uma vez que nenhuma disciplina terá tratamento diversificado. A Educação Física Escolar deve das oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos. Seja qual for o objeto de conhecimento em questão, os processos de ensino-aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas as suas dimensões: cognitiva, corporal, afetiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social. III) Ideologias que permearam as correntes teóricas em Educação Física Escolar e Esportes No século XX, a Educação Física escolar sofreu, no Brasil, influências de correntes de pensamento filosófico, tendências políticas, científicas e pedagógicas. Assim, foi possível resgatar cinco tendências da educação brasileira: A Educação Física Higienista (até 1930); a Educação
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Física Militarista (1930 a 1945); a Educação Física Pedagogicista (1945 a 1964); a Educação Física Competivista (após 1964); e, finalmente, a Educação Física Popular. 1- Educação Física Higienista – Para tal concepção cabe a Educação Física um papel fundamental na formação de homens e mulheres sadios, fortes, dispostos à ação. Tal concepção entende que independentemente dar determinações impostas pelas condições de experiência material, o indivíduo pode e deve “adquirir saúde”. Robustez corporal de certa parcela da juventude, robustez advinda de uma vida de poucas privações, é colocada como paradigma para toda a juventude. E os meios para alcançar tal padrão são encontrados na adoção de um correto programa de Educação Física. A Educação Física Higienista é uma concepção que se preocupa em erigir a Educação Física como agente de saneamento público, na busca de uma “sociedade livre das doenças infecciosas e dos vícios deteriorados de saúde e do caráter do homem do povo”. 2- Educação Física Militarista – É uma concepção que visa impor a toda a sociedade padrões de comportamento estereotipados, frutos da conduta disciplinar própria ao regime de caserna. Também se preocupa com a saúde individual e com a saúde pública. Todavia o objetivo fundamental da Educação Física Militarista é a obtenção de uma juventude capaz de suportar o combate, a luta, a guerra. Assim a Educação Física funciona mais como selecionadora de “elites condutoras”, capaz de distribuir melhor os homens e mulheres nas atividades sociais e profissionais. O papel da Educação Física é de “colaboração no processo de seleção natural”, eliminando os fracos e predominando os fortes, no sentido da “depuração da raça”. Na Educação Física Militarista, a ginástica, o desporto, os jogos recreativos, etc., só tem utilidade se visam à eliminação dos “incapacitados físicos”, contribuindo para uma “maximização da força e poderio da população”. A Educação Física Militarista, por sua vez, visa a formação do “cidadão-soldado”, capaz de obedecer cegamente de servir de exemplo para o restaurante da juventude pela sua bravura e coragem. 3- Educação Física Pedagogicista – A Educação Física Pedagogicista é pois, a concepção que vai reclamar da sociedade a necessidade de encarar a Educação Física não somente como uma prática capaz de promover saúde ou disciplinar a juventude, mas de encarar a Educação Física como uma prática eminente educativa. E mais que isto, ela vai advogar a “educação do movimento” como a única forma capaz de promover a chamada “educação integral”. A Educação Física pedagogicista está preocupada com a juventude que freqüenta as escolas. A ginástica, a dança, o desporto, etc., são meios de educação do alunado. São instrumentos capazes de levar a juventude a aceitar as regras de convívio democrático e de preparar as novas gerações para o altruísmo, o culto, a riqueza nacional, etc. A Educação Física é encarada como algo “útil” e bom socialmente e deve ser respeitada acima das lutas políticas dos interesses diversos de grupos ou de classes. 4- Educação Física Competitivista – Como a Educação Física Militarista, a Educação Física Competitivista também está a serviço de uma hierarquização e elimitação social. Seu objetivo fundamental é a caracterização da competição e a superação individual como valores fundamentais e desejados para uma sociedade moderna. A Educação Física Competitivista volta-se para o culto do atleta-herói; aquele a despeito de todas as dificuldades chegou ao pódium. Aqui a Educação Física fica reduzida ao “desporto de alto nível”. No âmbito da Educação Física Competitivista, a ginástica, o treinamento, os jogos recreativos etc., ficam submetidos ao desporto de elite. Desenvolve-se baseado nos avanços dos estudos da fisiologia do esforço e da biomecânica, capazes de melhorar a técnica desportiva. 5- Educação Física Popular – Ao contrário das concepções anteriormente citadas, a Educação Física Popular ano revela uma produção teórica abundante e de fácil acesso. A Educação Física Popular se sustenta quase que exclusivamente numa “teorização” transmitida oralmente entre as gerações de trabalhadores deste país. Boa parte dos documentos (jornais, revistas, etc.)
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do movimento operário e popular, que poderiam conter uma “teorização” ou pelo menor relato sobre as práticas de Educação Física autônoma dos trabalhadores, não escapou aos olhos e garras incineradoras das classes dominantes. Todavia, do material existente é possível resgatar uma concepção de Educação Física que, paralela e subterraneamente, veio historicamente se desenvolvendo com e contra as concepções dominantes. A Educação Física Popular não está preocupe com a saúde pública e também, não pretende ser disciplinadores de homens e muito menos está voltada para o incentivo da busca de medalhas. Ela assume um papel de promotores da organização e mobilização de trabalhadores. Ela entende que a educação dos trabalhadores está intimamente ligada ao movimento de organização de classes populares para embate da prática social ou melhor para o compromisso cotidiano imposto pela luta de classes. PRATICANDO... 1 – Identifique três momentos importantes da História da Educação Física no Brasil.

2 – Dentre as concepções de cada tendência apresentada, procure destacar os pontos mais importantes entre elas.

ATIVIDADES... 1 – Faça uma reflexão sobre: a Educação Física, suas transformações através dos tempos, sua influência no contexto escolar e na prática profissional nos dias de hoje.

2 – Pesquisar sobre a evolução do esporte moderno no Brasil e no mundo.

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Bibliografia BETTI, M.. Educação Física e Sociedade. São Paulo: Movimento, 1991. __________. Educação Física e esportes no Brasil: Perspectiva (na história) para o século XXI. Coletivo de Autores. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992. BRACHT, V. Sociologia Crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES Centro de Educação Física e Desportivos, 1997. CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. 5 ed. Campinas, 2000. GHIRALDELLI JÚNIOR, Paula. Educação Física Progressiva. São Paulo: Loyola, 1992. GRIFI, Giampero. História da Educação Física do esporte. Porto Alegre: de Luzato, 1989. KUNZ, Elomar. Educação Física. Ensino e mudanças. Ijuí: Unijuí, 1991. _____________.Transformação e Didática Pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí, 1991. LOVISOLO, H.. Educação Física: A arte da mediação. Rio de Janeiro: Sprint, 1995. MARINHO, Inezil Pena. A história geral da Educação Física no Brasil. São Paulo: Cia. do Brasil, 1976. _____________. História da Educação Física no Brasil. São Paulo: Cia. do Brasil, _____________. Paladino da Educação Física no Brasil. MEDINA, João Paulo Subirá. A Educação Física cuida do corpo...e mente. 15 ed. Campinas: Papirus, 2000. MELO, V. A.. História da Educação Física do Esporte no Brasil. São Paulo: Ibrasa, 1993. MOREIRA, W.. Educação Física e esportes: perspectivas para o século XXI. Campinas: Papirus, 1992. RAMOS, J. J.. Os exercícios físicos na história e na arte: do homem primitivo aos nossos dias. São Paulo: Ibrasa, 1983. VARGAS, Angelo. Desporto e tramas sociais. ____________. Rio de Janeiro: Sprint, 1999.

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