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Cultura e Diversidade Cultural

Cultura e Diversidade Cultural

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Introdução A palavra cultura tem um conceito bastante complexo em uma visão antropológica , podemos definir como a rede de significado

que dão sentido ao mundo que cerca um individuo , ou seja o sociedade . Uma rede que engloba um conjunto de diversos aspectos como crenças , valores , costumes, leis, moral , língua etc. . Já a diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existe entre as pessoas , com linguagem , dança , vestimentas e tradições bem a sociedade como a forma como a sociedade organizam –se conforme sua concepção de moral e religião a forma como eles interagem como ambiente etc. . Diversidade é um tremo que diz respeito a variedade e convivência de ideais característica ou elementos diferentes entre si ,em determinado assunto ou ambiente , cultura ( do latim cultura , cultura , cultivar solo , cuidar ), é um termo com várias acepções em diferentes níveis de profundidades e diferentes especificidade.São práticas e ações sócias que seguem em padrão determinado no espaço/tempo . Se refere a crença , comportamento valores , instituições e regras , morais que permeiam e preenchem a sociedade explica e da sentido a cosmologia social é a identidade própria de um grupo humano em um determinado período . Diversidade Cultural No campo das antropologias não-biológicas (etnologia; antropologia social e cultural), há uma diversidade de abordagens. A noção de cultura é básica para se compreender os movimentos pelos quais passou esta disciplina, inicialmente parte da Antropologia (geral, sem distinções) do início do século XIX, e que pretendia abordar todos os aspectos das questões acerca da diversidade humana. O mesmo debate que, na Antropologia Física (biológica) substitui o conceito de Raça pelo de População, desde meados do século XIX até meados do Século XX, ocorreram no âmbito da Antropologia de cunho mais social, em que a diversidade humana transitou pelos conceitos de Raça; Etnia e Cultura. E se confunde com a própria história da disciplina. Para uma visão mais abrangente, resumirei antes de entrar no assunto específico do conceito de cultura e o debate entre este conceito e o de raça, enfocarei outra questão importante, que diz respeito à história da antropologia. Por influência do darwinismo, no início da antropologia social, o projeto de dar conta da diversidade cultural levou naturalistas e historiadores a debruçarem-se sobre os relatos de viajantes; exploradores e administradores coloniais que falavam sobre “as exoticidades” das sociedades “inferiores”; incivilizadas; simples, em relação a uma visão industrial da técnica; e, finalmente, primitivas, por serem mais remanescentes de formas antigas, primeiras, da evolução das sociedades humanas. O relativo isolamento geográfico destas sociedades e povos contribuiu para esta visão. Assim, a Antropologia Social , partindo de questões evolucionistas importantes para os estudiosos do século XIX, ficou vista como “ciência das sociedades primitivas”. Mas com a persistência destas sociedades em resistirem até a atualidade de forma bastante diferente da tradição européia, colocou um problema crucial para esta visão evolucionista e etnocêntrica da diversidade humana. Este fato motivou variações ao longo da história da disciplina e de seus conceitos. Os antropólogos voltaram-se, a partir dos próprios resultados das pesquisas nestes povos com “culturas diferenciadas”, para sub-grupos ou sub-culturas no interior das sociedades “complexas”: os estudos de “comunidades camponesas” de Redford; os estudos voltados para grupos marginalizados nas regiões urbanas até, finalmente, estudos voltados para grupos pertencentes às classes populares e altas da sociedade moderna, culminaram por desembocar em uma análise crítica da visão de mundo ocidental moderna e da globalização, inclusive a da própria cultura científica nas áreas médicas e da saúde pública (cf. Verani, 1990 e 1994; Duarte, et al., 1998; Lupton, 1999; Petersen e Bunton, 2002). Voltando ao conceito de cultura, algumas das principais correntes teóricas que influenciaram variações do mesmo são: o evolucionismo e suas influências no difusionismo e na sociologia francesa de Durkheim e Mauss; o marxismo e a sociologia de Marx Weber; e o estruturalismo de LéviStrauss. O funcionalismo inglês e as vertentes culturalistas americanas também se inserem neste campo. Tylor e Boas foram os que mais enfatizaram o adjetivo cultural ligado à antropologia, em um movimento iniciado na Inglaterra, em início do século XIX, e nos Estados Unidos. Mas na França, com a Sociologia de Comte bem solidificada enquanto disciplina independente das demais Ciências

Humanas, Durkheim; Mauss e Lévi-Strauss são autores importantes que vinculam a Antropologia Social à Sociologia, como uma sub-disciplina desta última. A noção de cultura é o cerne de uma antropologia que separava o determinismo biológico “racial” das manifestações de comportamento aprendidas pelos indivíduos de uma sociedade após o nascimento. Estes aspectos eram considerados então como de ordem “ambiental” no debate das relações entre Raça e Cultura. Para uma revisão dos diversos conceitos de cultura e de antropologia, até à metade do século XX, com suas teorias subjacentes, conferir a coletânea de Shapiro, 1956; Mair, 1965; Copans, 1971; Laraia, 1986. Mas para efeitos didáticos, cito aqui a definição de cultura de Tylor (1871, apud Mair, op.cit.:15-16): Cultura é (...) “conhecimentos; crenças; artes; moral; leis; costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.” Como comenta Mair, esta é mais uma lista de itens do que uma definição ou uma teoria que descreva e explique a diversidade humana.Boas, na América, interessou-se pelas “artes e técnicas”. Na prática, o estudo da cultura refere-se a costumes; maneiras e técnicas tradicionais específicas de uma sociedade. Esta vertente culturalista da Antropologia considerava-se mais próxima da Antropologia Física; da Lingüística; e da Arqueologia. Sua ênfase maior era em descrever e entender a diversidade humana. Já a outra vertente citada, incluindo o funcionalismo institucional de Malinowiski e o funcionalismoestrutural de Radcliffe-Brown, considerando-se mais próximo das Ciências Sociais, detiveram-se mais, através do método comparativo, no desenvolvimento teórico de generalizações sobre todos os tipos de sociedades humanas. Malinowiski, também considerado o “pai do trabalho de campo”, o método privilegiado de estudos etnológicos, enfatizava que os estudiosos deveriam descrever todos os aspectos vinculados numa dada sociedade ao complexo, por exemplo, da função alimentar : técnicas agrícolas; formas de distribuição dos alimentos entre grupos e indivíduos; instituições de trocas (comércio ou circulação de bens); etc. Malinowiski via a sociedade através de uma metáfora anatômica em que na morfologia das sociedades, as instituições cumpriam as mesmas funções que os órgãos e sistemas do corpo humano. A metáfora mecânica de estrutura e funcionamento também influenciou as teorias sobre as sociedades humanas, como no funcionalismo, em que, porém, a metáfora fisiológica predominava. A noção de sistema dinâmico é parte desta influência. É necessário, não obstante, as diferenças atribuídas ao conceito de “estrutura”. Apesar de utilizado por Malinowiski; Radcliffe-Brown; Evans-Pritchard; e outros, foi com Lévi-Strauss que este conceito, influenciado pelas teorias da lingüística, tornaram-se mais abstratos e ligados a questões mais sociais que a metáforas tomadas de disciplinas como a biologia e a mecânica. Lévi-Strauss, critica e sintetiza a definição de cultura mais utilizada: “hábitos; atitudes; comportamentos; maneiras próprias de agir sentir e pensar de um povo” e enfatiza a “estrutura sub-consciente de pensamento”. Para o estruturalismo de Lévi-Strauss, a diversidade humana não é importante, e sim a similaridade humana de pensamento. Nesta teoria, o conceito de cultura ganha um sentido residual. “Residual, porém irredutível”, como coloca Carneiro da Cunha (1986), em que a identidade de grupo é fundamental na construção da Pessoa Humana. Para o a antropologia atual, cultura é um sistema simbólico (Geertz, 1973), característica fundamental e comum da humanidade de atribuir, de forma sistemática; racional e estruturada, significados e sentidos “às coisas do mundo”. Observar; separar; pensar e classificar; atribuindo uma ordem totalizadora ao mundo, é fundamental para se compreender o conceito de cultura atualmente definido como “sistema simbólico”, e sua diversidade nas sociedades humanas, mesmo neste período atual de modernidade tardia. Valores e diversidade Cultural Os valores são caracterizados por ideais, entidades abstratas que definem personalidades, autênticos guias de ação orientadores de escolhas e ações. Pertencendo ao domínio do ideal, são, portanto possíveis e preferíveis, pois agir humanamente é agir em função de valores. Vivemos numa sociedade diversificada, onde estão inseridas diversas culturas. Essas sociedades que deram origem, cada uma a sua maneira, a formação de valores nos indivíduos que a compunham.

Os valores apenas nos permitirão romper com a indiferença se forem universalmente partilhados. O que geralmente acontece é que de tão empenhados em negar as coisas comuns entre culturas e de tão enraizados em preconceitos e idéias pré concebidas, ignoramos e esquecemos o fato de a diversidade cultural, independentemente dos valores em que assenta, permite ao homem mudar sua maneira de pensar, aumentar o conhecimento, sua cultura geral, viajar, fazer intercâmbios... Existem também sociedades que, elevam os seus valores, e se colocam no direito de definirem uma sociedade como atrasada. Isso é errado porque cada cultura pratica tradições, rituais,tudo conforme os seus valores, onde o fato de possuírem valores diferentes, não significa que seja uma sociedade atrasada. Antes de criticar essas diferentes culturas, é preciso primeiro entender que todos os valores têm direito à existência. Uma grande dificuldade, é reconhecê-los como tradutores de diferenças e que nos têm feito rejeitar outras culturas e cidadãos. Na verdade, somos todos diferentes porque estamos inseridos num determinado meio social onde nos foram onde adquirimos certos valores, por outro lado, todos temos direitos iguais de dignidade, igualdade e liberdade humana, que nos permitem defender aquilo em que acreditamos. Para acabar com a indiferença, seria necessário criar valores que fossem partilhados por outras culturas. Mas isto é muito difícil, porque existem mesmo culturas tradicionalistas que não aceitam reger-se por outro tipo de “normas”, nem lhes estarem sujeitos. Deparamo-nos com diversas atitudes que colidem com a maneira de tentar criar uma atitude de recepção e integração de novas raças, fazendo mesmo uma aculturação, ou seja, um grupo de indivíduos duma cultura definida entra em contacto com uma cultura diferente afim de reduzir a inferiorização. Por exemplo, o etnocentrismo é uma prática de visionar outras culturas a partir da sua, considerando a sua etnia o centro e todas as outras inferiores. Isso é grave porque leva à falta de compreensão e aceitação de que outras culturas possam ter padrões semelhantes e promove uma harmonia exagerada em torno da sua própria etnia, desprezando as outras e não fazendo prevalecer o mínimo de consciência ética. Então, é importante frisar que esta atitude leva aos indivíduos correrem diversos riscos, como o racismo. Um exemplo foi Alemanha Nazista, onde a xenofobia era predominante além de um patriotismo exagerado. Isso nos permite afirmar que o conceito de raça é imensamente baseado em convenções sociais, do que propriamente em políticas, uma vez que no mundo, é esquecido que existe apenas uma raça: a raça humana. Tentando combater algumas divergências, a melhor forma de elevar a importância dos valores é demonstrando-os perante outras culturas e não adquirindo posições como o relativismo cultural. Este tipo de atitude aceita que o mundo esteja construído sobre uma pluralidade de etnias que se comportam de acordo com os seus próprios valores, mas não permite a interação com outras culturas, fechando-se cada uma em si. Dessa forma, seria impossível que os valores rompessem com as indiferenças porque não promove o diálogo entre as culturas, leva ao isolamento e à sua estagnação, tornando-se cada cultura tradicionalista, conformista e não aberta à inovação. A partir desse contexto, todas as nossas ações seriam fruto das idéias dominantes da sociedade. Assim sendo, o melhor meio de acabar com as divergências será tomar parte da perspectiva do futuro, embora ainda seja muito remota: o multiculturalismo. Ao adotarmos a posição de multiculturalistas, estamos promovendo um sentimento de união para a criação de objetivos universalmente partilhados, aceitando a pluralidade de culturas e as diferenças existentes e, integrando mesmo essa diversidade como um fator de riqueza e complexidade de que o mundo é formado. A partir do multiculturalismo é possível promover diálogos inter culturais, protegendo os direitos humanos e colaborando na procura de respostas a problemas mundiais, de ordem social e cultural. A idéia de os valores universais adquirirem um papel dominante sobre a diversidade cultural faz acreditar na possibilidade de as minorias étnicas se verem reconhecidas. Felizmente, importa considerar que já existem pessoas e projetos que se dedicam a estes tipos de ações, e que acreditam firmemente na unidade e respeito entre os povos, como Tratados de Paz, ações humanitárias e voluntariado.

Etnocentrismo É um conceito antropológico, segundo o qual a visão ou avaliação que um indivíduo ou grupo de indivíduos faz de um grupo social diferente do seu é apenas baseada nos valores, referências e padrões adotados pelo grupo social ao qual o próprio indivíduo ou grupo fazem parte. Essa avaliação é, por definição, preconceituosa, feita a partir de um ponto de vista específico. Basicamente, encontramos em tal posicionamento um grupo étnico considerar-se como superior a outro. Do ponto de vista intelectual, etnocentrismo é a dificuldade de pensar a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros. O fato de que o ser humano vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode ter menor desenvolvimento tecnológico (como, por exemplo, os habitantes anteriores aos europeus que residiam nas Américas, na África e na Oceania) se comparado a outro mas, possivelmente, é mais adaptado a determinado ambiente, além de não possuir diversos problemas que esse grupo "superior" possui. A tendência do ser humano nas sociedades é de repudiar ou negar tudo que lhe é diferente ou não está de acordo com suas tendências, costumes e hábitos. Na civilização grega, o bárbaro, era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época; este termo é, portanto, etimologicamente semelhante ao selvagem na sociedade ocidental. O etnocentrismo é de fato, um fenômeno universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão. O costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo, pode ser encontrado dentro de uma sociedade. Agressões verbais, e até físicas, praticadas contra os estranhos que se arriscam em determinados bairros periféricos de nossas grandes cidades é um dos exemplos. Incluem-se aqui as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria cultura, tomando-a como padrão para valorizar e hierarquizar as restantes. Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais. Relativismo O Relativismo Cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos. O relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade. Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença ou atividade humana individual, deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização" O próprio Boas não usou tal termo, que acabou ficando comum entre os antropólogos depois da sua morte em 1942. O termo foi usado pela primeira vez em 1948, após sua morte, na revista American Anthropologist. O termo em si representa como os alunos de Boas resumiram suas próprias sínteses dos vários princípios ensinados por Boas. Relativismo cultural envolve específicas declarações epistemológicas e metodológicas. Se tais afirmações necessitam ou não de uma postura ética é um argumento para ser debatido. No entanto, o que é importante é que este princípio não seja confundido com relativismo moral. Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego ἐπιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος logos], discurso) é um ramo da Filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.

O Relativismo Cultural é uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmos. O relativismo cultural defende que o bem e o mal, o certo e o errado, e outras categorias de valores são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade. Relativismo cultural é o princípio que prega que uma crença ou atividade humana individual, deva ser interpretada em termos de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa antropológica de Franz Boas nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. A idéia foi articulada por Boas em 1887: "...civilização não é algo absoluto, mas (...) é relativa, e, nossas idéias e concepções são verdadeiras apenas na medida de nossa civilização" O próprio Boas não usou tal termo, que acabou ficando comum entre os antropólogos depois da sua morte em 1942. O termo foi usado pela primeira vez em 1948, após sua morte, na revista American Anthropologist. O termo em si representa como os alunos de Boas resumiram suas próprias sínteses dos vários princípios ensinados por Boas. Relativismo cultural envolve específicas declarações epistemológicas e metodológicas. Se tais afirmações necessitam ou não de uma postura ética é um argumento para ser debatido. No entanto, o que é importante é que este princípio não seja confundido com relativismo moral. Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego ἐπιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος logos], discurso) é um ramo da Filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.

Etnocentrismo na formação e identificação cultural O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade, o conceito de etnocentrismo parte do estudo do grande choque e da grande estranheza que se dá no encontro de dois ou mais grupos diferentes. Surge, então, o grupo do "eu" e o grupo do "outro", tendo o primeiro como real, absoluta e principal referência e a segunda como algo exótico, excêntrico, anormal e exuberante, como por exemplo, o regime Nazista, que acreditava na sua supremacia e que deveria existir apenas uma única raça, a Ariana. As pessoas que não correspondiam à definição da constituição física desta raça eram executadas. No contexto do Descobrimento da América, a problematização dessa expressão se deu de forma mais grave, pois como o grupo do eu (colonizador) tinha o recurso da força das armas de fogo, se achou no direito de definir o grupo do outro (índio) segundo seus princípios e valores e exercer a grande dificuldade moral e intelectual que tinham de conviver com a diferença cultural, social e emocional deste povo, impondo que suas manifestações eram selvagens, esdrúxulas, antropófagas, pré-históricas e precisavam serem destruídas ou "civilizadas". Essa iniciativa causou em toda a história da formação do continente americano genocídios, préconceitos, preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais na construção do conhecimento da trajetória do ameríndio na nossa "civilização ocidental", pois jamais lhe era dado o direito e o dever de falar de si e por si próprio, sendo sempre mau interpretado e estereotipado em filmes e livros didáticos ora como brabo, ora como manso, ora como preguiçoso, ora como incapaz, ora como bobo e nunca como ser pensante, inteligente dotado de cultura, tradições e costumes. Esta visão de mundo é o pontapé inicial para a construção de uma ciência que trabalhe a diferença entre os seres humanos de forma que essas mesmas diferenças não causem hostilidades e sim alternativas e possibilidades diversas à superação de limites existenciais comuns de abertura do "eu" para o "outro" ou vice-versa. Esta ciência é a "Antropologia" que através da teoria da relativização, criada após a teoria do evolucionismo (diferentes graus de evolução de grupos sociais no processo progressivo do desenvolvimento humano), se preocupou em refletir sobre o conceito de cultura e descentralizar qualquer tipo de ideologia, apresentando aspectos, nuanças e características na abertura da multiplicidade de pontos de vista, soluções e perguntas sobre o saber científico.

Pluralismo O Brasil é um país de múltiplas raízes étnicas e culturais Um brasileiro é antes de tudo brasileiro e, depois, oriundo, embora isso possa parecer um contra-senso do ponto de vista cronológico. Um brasileiro pode informar sua origem estrangeira e valorizá-la, mas dificilmente se dirá um ítalo-brasileiro, um afro-brasileiro ou um nipo-brasileiro. A noção de raízes no Brasil é de difícil definição cronológica, porque a raiz pode ressurgir de ramos mais altos da árvore. É um traço de vitalidade da cultura brasileira fazermos de nosso país um país não só de sólidas raízes portuguesas, católicas, mas também um país que renova suas raízes e, em certa medida, cria outras. Os negros que aqui chegaram, à força, após muitos acasalamentos com portugueses e índios, tornaram-se parte essencial de nossas raízes. Nem mesmo o trinômio português, índio e negro é capaz de dar conta de nossa diversidade étnica e cultural, uma grande variedade de imigrantes europeus, árabes, japoneses e, mais recentemente, coreanos e hispanoamericanos, reafirmam a recriam nossas raízes. Desde os seus primórdios a formação cultural do Brasil é tributária da contribuição de um grande número de grupos étnicos. Como em outros países latino-americanos, os ibéricos, protagonistas das grandes empreitadas de circunavegação dos séculos XV e XVI, inauguraram as rotas marítimas pelas quais chegaram diversos outros povos. O nosso país foi então palco de inúmeras incursões e tentativas de fixação de colônias, realizadas principalmente por franceses e holandeses, além dos próprios portugueses. As grandes aventuras marítimas, como se sabe, tiveram na Igreja católica, um de seus sustentáculos. A presença de suas ordens missionárias, em particular a Companhia de Jesus, foi marcante em nosso país durante todo o período colonial, até a ascenção do iluminismo em Portugal, no século XVIII. Até então, estas já haviam deixado marcas indeléveis na formação do país, das quais inúmeros vestígios materiais constituem hoje a porção mais importante do acervo histórico e artístico sob proteção federal. Dos cerca de um mil monumentos protegidos, nada menos que 332 são igrejas ou capelas, as mais antigas datando da primeira metade do século XVI. Atualmente são ainda inúmeras as capelas coloniais que se encontram em áreas distantes centenas de quilômetros da civilização, onde, outrora existiram aldeamentos de indígenas convertidos à religião ou de colonos que exploravam jazidas minerais. A ação catequizadora dos jesuítas foi culturalmente intensa, prolongada no tempo e estendeuse sobre um amplo território, ignorando as fronteiras entre as possessões portuguesas e espanholas. São notáveis os vestígios dos ìsete povos das Missões que ainda hoje unem Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia. Em seu trabalho missionário chegaram a desenvolver as regras de uma língua que julgaram ser predominante entre os índios, o tupî, tupi-guarani ou língua geral como chamavam, que difundiu-se de norte a sul do país, como instrumento de catequese. A língua geral foi de grande influência na formação cultural do Brasil. Essa influência pode ser avaliada pela quantidade de termos indígenas incorporados à nossa língua, a ponto de torná-la de difícil compreensão para os portugueses. Contudo, somente neste século tomamos conhecimento da enorme diversidade existente entre os povos indígenas. Eram, por ocasião da chegada dos portugueses, provavelmente cerca de 2.000 e ainda são mais de 200, com culturas próprias e diversas. Apenas nas últimas décadas nos foi dado conhecer ? e reconhecer ? essa diversidade, essa riqueza cultural. Talvez não seja fruto do acaso o fato de que esse processo recente de reconhecimento tenha coincidido com uma retomada do crescimento demográfico entre os povos indígenas. Poderíamos nos alongar indefinidamente a respeito das contribuições dos povos indígenas para a nossa cultura, desde nossos hábitos alimentares mais típicos, nossa relação com a água e, provavelmente, daí com nosso corpo e com a natureza, o hábito do uso das ervas medicinais, a música, a maneira como valorizamos a infância, os cultos e as lendas, os traços étnicos de nossos caboclos, as formas de moradia no interior de nosso país, enfim um sem número de traços profundos, influências decisivas, que demonstram não somente a diversidade e amplitude dessa contribuição, como também sua permanência. Essa contribuição marcou como brasileiro desde os primeiros europeus que aqui se fixaram. Ao lado da contribuição indígena, a contribuição trazida pelos africanos à cultura brasileira é, seguramente, primordial. Trazidos como escravos para substituir a mão-de-obra indígena, os africanos rapidamente se miscigenaram com índios e portugueses, recriando hábitos, formas de

expressão e cultos religiosos. Sua influência é hoje presente, de forma abrangente e inextricável, sobre toda a nossa cultura. Assim como a indígena, a contribuição africana estende-se a nossos hábitos alimentares, nossa música, nosso vestuário, nossos traços étnicos, mas, sobretudo, no sincretismo que se desenvolveu ao longo dos séculos passados entre os cultos africanos e a religião católica. Proibidos de praticar seus cultos, os escravos desenvolveram formas de manifestação religiosa em que suas divindades são representadas por santos da liturgia católica. Ao longo do tempo, os próprios párocos católicos acabaram por acolher parte dos rituais africanos. O exemplo mais eloqüente é o das irmandades de mulheres negras devotas de Nossa Senhora da Boa Morte, das quais a mais notável é a da cidade de Cachoeira, próxima daqui. São irmandades leigas, constituídas por senhoras idosas que, à época da escravatura, conferiam os votos ou encomendavam a alma de escravos proibidos pela Igreja católica de receber a extrema-unção. Algumas dessas irmandades existem até os nossos dias em uma relação instável com a hierarquia católica. Muitas de suas integrantes, além de católicas, são mães-de-santo e mantém seus próprios sítios sagrados, onde pratica o candomblé, talvez o culto mais importante de nosso país, que mobiliza grande parte da população brasileira, de todas as composições étnicas, no dia de sua divindade mais popular, Iemanjá a deusa das águas. Desde as primeiras expedições marítimas ao nosso continente, cristãos novos e judeus ocuparam diversas funções civis e militares. Com o príncipe holandês Maurício de Nassau, que instalou no início do século XVII em Recife, a sede da Companhia das Índias Ocidentais, aportou pela primeira vez no Brasil um rabino, era de origem portuguesa e estava, junto com sua comunidade, radicado na Holanda, ao abrigo da Inquisição. Foi ele o fundador do primeiro templo israelita das Américas, a Sinagoga Kahal Zur Israel. Durante cerca de 25 anos, desenvolveu-se na região uma colônia próspera e tolerante a diferentes cultos religiosos e etnias. Com a retomada de Recife pelos portugueses, os judeus refugiaram-se nas Antilhas e, em seguida, na Nova Amsterdã, hoje New York, sendo aí também a comunidade pioneira. As sementes que plantaram em nosso solo permaneceram inertes por mais de dois séculos, vindo a brotar no final do século passado e neste século, com a chegada, após a abolição da escravatura, dos contingentes de imigrantes europeus. Nos dias de hoje, estamos empenhados em resgatar os traços deixados pela comunidade judáica durante o período colonial, como forma de revalorizarmos sua inestimável contribuição para nossa formação cultural. O tema da pluralidade de nossas origens culturais, étnicas e religiosas impôs-se nos últimos tempos, em parte porque estamos completando 500 anos e essa efeméride coincide com a passagem do milênio. Mas também porque estamos exaurindo o período histórico iniciado nas décadas de 20 e 30 deste século, no qual o país se transformou de um país agrícola e subdesenvolvido em um país urbano-industrial e potência mundial, para adentrarmos uma nova etapa histórica, esboçada nas reformas empreendidas sob a liderança do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Nós tivemos um processo de êxitos no desenvolvimento do país desde os anos 30 que, contudo, não esconde, antes acentua, as extremas desigualdades sociais, os enormes desequilíbrios regionais que o país infelizmente ainda exibe. Ao completar 500 anos entramos numa nova época e um de seus traços está em que, além de nossas crises internas, nós compartilhamos das crises do mundo. De alguma forma, estamos provando que somos capazes de sobreviver a crises, as internas e as de origem externa.

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