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Histologia e Embriologia

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Arquivo PDF com resumo sobre os principais tópicos da Histologia Básica
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Embriologia

Capítulo 2 – Fecundação: iniciando um novo organismo

Fecundação é o processo no qual duas células sexuais se fundem para criar um
novo individuo com potencial genético derivado de ambos os pais. A fecundação
realiza, então, duas atividades independentes: sexual (combinação dos genes) e
reprodutiva (criação de novos organismos). Os principais eventos da fecundação são:

• Contato e reconhecimento entre espermatozóide e óvulo;

• Regulação da entrada do espermatozóide no óvulo;

• Fusão do material genético do óvulo e do espermatozóide;

• Ativação do metabolismo do óvulo para iniciar o desenvolvimento.

Estrutura dos gametas – Espermatozóide: Leeuwenhoek acreditava primeiro que os
espermatozóides eram parasitas que viviam no sêmen humano, depois pensou que eram
sementes e a mulher apenas forneciam o “solo”. Hartsoeker desenhou o “homunculus”,
porém essa crença de que o espermatozóide continha um embrião inteiro, nunca foi
muito aceita, pois implicava um enorme desperdício de vida em potencial. Spallazani
demonstrou que filtrado, o sêmen de rã sem espermatozóide, não fecundava os
óvulos(???). Prevost e Dumas descobriram que os espermatozóides não eram parasitas,
mas sim agentes ativos da fecundação (“existe uma íntima relação entre sua presença
nos órgãos e a capacidade fecundante do animal”). Eles propuseram que o
espermatozóide realmente entrava no óvulo e contribuía concretamente para a próxima
geração.

A. von Kolliker descreveu a formação do espermatozóide a partir de células
testiculares, desmentiu que havia algum contato físico entre o espermatozóide e o óvulo
e acreditava que o espermatozóide excitava o óvulo a se desenvolver. Hertwig e Fol
demonstraram a penetração do espermatozóide no óvulo e a união dos núcleos destas
células. Hertwig usou o ouriço-do-mar do mediterrâneo, não apenas por ser comum
nesta região ou por se apresentar sexualmente maduro uma boa parte do ano, mas
também pela grande quantidade de ovos disponíveis. Ele observou que apenas um
espermatozóide podia ser visto penetrando em cada óvulo e que todos os núcleos do
embrião eram derivados daqueles núcleos fundidos durante a fecundação. A fecundação
foi finalmente reconhecida como a união do espermatozóide com o óvulo. Cada
espermatozóide possui um núcleo haplóide, um sistema de propulsão para mover o
núcleo e um saco de enzimas que torna o núcleo apto a penetrar no óvulo. Durante o
processo de maturação o núcleo se torna aerodinâmico e seu DNA firmemente
comprimido. À frente está a vesícula acrossômica que é derivado do complexo de Golgi
e contém enzimas que digerem proteínas e açucares complexos e são usadas para digerir
os envoltórios ovulares.

A principal porção motora do flagelo é denominada AXONEMA, que é formado
por microtúbulos originados do centríolo localizado na base do núcleo do
espermatozóide. O centro do axonema é constituído por dois microtúbulos centrais
rodeados por uma fileira de nove duplas de microtúbulos e são constituídos de uma
proteína chamada tubulina. A dineína está ligada aos microtúbulos, ela pode hidrolizar
moléculas de ATP e converter a energia química em energia mecânica que impulsiona o
espermatozóide. A energia para mover o flagelo é proveniente dos anéis de mitocôndria
localizados na região da peça intermediaria do espermatozóide.
Óvulo: todo o material necessário para iniciar o crescimento e desenvolvimento
deve estar estocado no óvulo maduro. O espermatozóide elimina a maior parte do seu
citoplasma, o óvulo em desenvolvimento não só conserva o seu material como está

ativamente envolvido em acumular mais. Ele tanto sintetiza como absorve proteínas,
como o vitelo, por exemplo, que constitui reserva de alimento para o embrião em
desenvolvimento. Este rico citoplasma inclui:

• Proteínas: são suficientes até o embrião estar pronto pra se alimentar pos si só,

muitas destas proteínas do vitelo são produzidas pelos órgãos da mãe e
transportadas para o óvulo;

• Ribossomos e tRNA: há uma repentina síntese protéica logo após a fecundação

efetuada pelos ribossomos e tRNA que já existem no óvulo. O óvulo em
desenvolvimento tem mecanismos especiais para sintetizar ribossomos;

• RNA mensageiro: as mensagens para a síntese de proteínas, utilizadas durante o

inicio do desenvolvimento, já estão empacotadas no ovócito;

• Fatores morfogênicos: moléculas que dirigem a diferenciação das células em

determinados tipos celulares.
Sobre a membrana plasmática está o envoltório vitelínico. Esta membrana
glicoprotéica é essencial para a ligação espécie-específica do espermatozóide. Em
mamíferos o envoltório é bastante espesso, sendo chamado de zona pelúcida. O óvulo
de mamíferos está também rodeado por uma camada de células, as células do cumulus,
que representam as células foliculares ovarianas que nutrem o óvulo quando este deixa
o ovário. O espermatozóide deverá passar por estas células para fecundar o óvulo.
Abaixo da membrana plasmática há o córtex. O citoplasma dessa região é mais
gelatinoso por causa das altas concentrações de moléculas globulares de actina que
durante a fecundação polimerizam para formar longos fios de actina conhecidos como
microfilamentos. Presentes também no córtex estão os grânulos corticais que são
organelas derivadas do complexo de golgi que contêm enzimas proteolíticas,
mucopolissacarídeos e proteína hialina. As enzimas e os mucopolissacarídeos são ativos
na prevenção da entrada de outro espermatozóide no óvulo, depois que o primeiro tenha
entrado e moléculas de proteína hialina rodeiam o embrião jovem dando-lhe suporte
durante o estagio de clivagem dos blastômeros.
Reconhecimento entre espermatozóide e óvulo: na fecundação externa: (1) como
podem o espermatozóide e o óvulo se encontrarem em concentrações tão baixas?; (2)
que mecanismo impede o espermatozóide da estrela-do-mar de tentar fecundar o óvulo
do ouriço-do-mar?

Ovos secretam um fator quimiotático que atrai o espermatozóide e regulam
também o momento no qual esse fator será liberado (resacina). A fusão da vesícula
acrossômica é causada pela fusão, mediada pelo cálcio, da membrana acrossômica com
a membrana plasmática adjacente do espermatozóide. Além de causar a extensão do
processo acrossômico, este significante aumento do pH é também responsável pela
ativação da dineína ATPase, localizada no pescoço do espermatozóide. Esta ativação
causa uma rápida utilização do ATP e um aumento de 50% na respiração mitocondrial.
A geléia do ovo pode promover um reconhecimento do tipo espécie-específico em
algumas espécies mas não em outras. O processo acrossômico do espermatozóide
contata a camada externa do envoltório vitelínico do óvulo, esse é o principal passo do
reconhecimento espécie-específico e a proteína mediadora é a bindina. Bindinas de
espécies muito próximas são de fato diferentes. Esta descoberta implica na existência de
receptores espécie-específicos para bindina, no envoltório vitelínico.
Mamíferos – reconhecimento e ligação dos gametas – capacitação:
espermatozóides recém-ejaculados são incapazes de sofrer a reação acrossômica sem
que tenham permanecido por um certo tempo no trato reprodutivo feminino. Este pré-
requisito para capacitação varia de espécie para espécie e pode ser mimetizado in vitro.

Ligação primaria do espermatozóide à zona pelúcida: a camada mais externa é
composta pelas células do cummulus e sua matriz, rica em ácido hialurônico. Estas
células do cummulus são remanescentes das células da granulosa do folículo ovariano e
acompanham o óvulo durante a ovulação. Em algumas espécies as células do cummulus
não estão presentes no momento da fecundação, mas elas não constituem barreira para o
espermatozóide mesmo quando estão presentes. A especificidade da ligação do
espermatozóide à zona é relativa, mas não absolutame4nte espécie-específica (em
fecundações internas especificidade desse tipo não deveria ser um grande problema) e a
ligação do espermatozóide de camundongo à zona pelúcida de camundongo pode ser
inibida por uma incubação previa do espermatozóide com glicoproteínas da zona
pelúcida. ZP1 e ZP2 não competem pela ligação com o espermatozóide.
Um conjunto de proteínas no espermatozóide, capazes de reconhecer um
carboidrato especifico e regiões da proteína ZP3 da zona pelúcida do óvulo, parece ser a
hipótese mais provável para a ligação entre os gametas de mamíferos. Existem três
proteínas, no espermatozóide, que são capazes de se ligar à zona pelúcida. (1) proteína
que se liga aos resíduos de galactose da ZP3; (2) enzima presente na membrana celular
do espermatozóide; (3) protease.
Indução da reação acrossômica pela ZP3: a aglutinação dos receptores de
espermatozóides para ZP3 é necessária para a reação acrossômica. A ZP3 poderia
provocar uma liberação de íons cálcio dentro do espermatozóide. O receptor está
acoplado à proteína de ligação ao GTP (proteína- G) que é ativada quando o receptor se
liga ao seu sítio ativo específico. A proteína-G ativada, ativa uma enzima que quebra
um lipídio de membrana e é capaz de liberar íons cálcio ligados a compartimentos da
membrana. Tal proteína-G foi descoberta em espermatozóides de mamíferos e parece
ser ativada pela ligação com ZP3. Além disso, se a ativação da proteína-G é inibida, o
espermatozóide pode se ligar a ZP3, mas não sofre a reação acrossômica.
Ligação secundária do espermatozóide à zona pelúcida: a porção anterior da membrana
plasmática do espermatozóide é desprendida dele. Aí estão localizadas as proteínas de
ligação à ZP3. Porém, o espermatozóide precisa permanecer ligado à zona pelúcida para
lisar um caminho através dela. Esta ligação secundaria à zona é completada por
proteínas na membrana acrossômica interna que se ligam à ZP2. O acrossomo intacto
não poderá se ligar à glicoproteína ZP2, mas o acrossoma do espermatozóide que já
reagiu o fará. A estrutura da zona é constituída por unidades repetidas de ZP3 e ZP2,
ocasionalmente, ligadas pela ZP1. Parece que o acrossoma que já reagiu transfere suas
ligações de ZP3 para ZP2 adjacente. Após a entrada do espermatozóide no óvulo seus
grânulos corticais liberam seu conteúdo e uma dessas proteínas é uma protease que
altera especificamente ZP2. Esta inibiria o espermatozóide que já sofreu reação
acrossômica de entrar mais profundamente no óvulo. Em suínos a proacrosina é uma
proteína que se liga à fucose que mantém a conexão entre o espermatozóide cujo
acrossomo que já reagiu e a zona pelúcida.
Contracepção pelos anticorpos: se animais machos e fêmeas são injetados com
extratos de espermatozóides, muitos produzirão anticorpos e se tornarão inférteis.
Primakoff descobriu uma proteína do espermatozóide de cobaia que poderia induzir este
tipo de esterilidade. O soro desses animais continha altas concentrações de anticorpos
conta a proteína PH-20m que está presente tanto na membrana plasmática como na
membrana interna do acrossomo do espermatozóide de cobaia. Outra forma de
contracepção imunológica por longos períodos foi conseguida produzindo-se anticorpos
contra a zona pelúcida (ZP3).
Fusão dos gametas e prevenção da poliespermia: o reconhecimento é seguido pela
lise de uma porção do envoltório que contata a cabeça do espermatozóide. Esta lise é

seguida pela fusão da membrana celular do espermatozóide com a membrana celular do
óvulo. A fusão espermatozóide-óvulo parece causar a polimerização da actina e
extensão de muitas microvilosidades do óvulo, para formar o cone de fecundação. As
membranas do óvulo e do espermatozóide se fundem e o material da membrana celular
do espermatozóide pode, mais tarde, ser encontrado na membrana do óvulo. Nem todos
os componentes da membrana do espermatozóide podem se misturar com a do óvulo.
Algum material parece estar localizado no ponto de entrada do espermatozóide.
Suspeitam que essa localização dos componentes do espermatozóide em uma área
restrita provoca uma assimetria celular, que auxilia diretamente o plano da primeira
clivagem e os movimentos citoplasmáticos dentro do ovo. Fusão é um processo ativo,
frequentemente mediado por proteínas “fusogênicas” específicas.
A entrada de múltiplos espermatozóides – poliespermia – traz, para a maioria dos
organismos, conseqüências desastrosas. O núcleo triplóide e o par extra de centríolos
causam a distribuição desigual dos cromossomos. Algumas células poderiam receber
cópias extras de certos cromossomos os quais faltariam em outras células. O modo mais
comum é prevenir a entrada de mais de um espermatozóide no óvulo. Existem dois
mecanismos principais para prevenir a poliespermia: uma reação rápida, alcançada
através de uma alteração elétrica na membrana plasmática do óvulo e uma reação mais
lenta, provocada pela exocitose dos grânulos corticais. O bloqueio rápido à
poliespermia: alcança seu objetivo mudando o potencial elétrico da membrana do óvulo.
A concentração iônica do óvulo é deferente da do ambiente, e isso é especialmente
diferente para os íons potássio e sódio. No caso do ouriço-do-mar, a água do mar tem
uma concentração particularmente alta de íons sódio, enquanto que o citoplasma do
óvulo tem relativamente pouco sódio livre. Com os íons potássio acontece o inverso.
Essa condição é mantida pela membrana celular, o potencial de membrana em repouso é
-70mV. De 1 a 3 segundos após a ligação do primeiro espermatozóide, o potencial de
membrana se desloca para um nível positivo. Um pequeno influxo de íons sódio para
dentro do óvulo é permitido, elevando assim a diferença de potencial para +20mV. O
espermatozóide não pode se fundir com membranas que têm uma ddp positiva. A
abertura dos canais de sódio no óvulo parece ser causada pela ligação do
espermatozóide ao óvulo. O bloqueio elétrico à poliespermia provavelmente não ocorre
na maioria dos mamíferos e só é efetivo quando o espermatozóide possui um
componente que é sensível à diferenças de voltagem. Bloqueio lento da poliespermia: a
poliespermia pode ainda ocorrer se os espermatozóides ligados ao envoltório vitelino
não são de alguma forma removidos. Esta remoção é efetivada pela reação dos grânulos
corticais. Estas vesículas contêm a proteína hialina, proteases, uma peroxidase e
mucopolissacarídeos. Após a entrada do espermatozóide, estes grânulos corticais se
fundem com a membrana plasmática do óvulo liberando seu conteúdo na área entre a
membrana e o envoltório vitelínico. As proteínas que ligam o envoltório vitelínico ao
óvulo são dissolvidas pelas enzimas proteolíticas liberadas e os mucopolissacarídeos,
recém liberados, produzem um gradiente osmótico que permite a entrada de água no
espaço entre a membrana celular e o envoltório vitelínico, que é então elevado e passa a
ser denominado membrana de fecundação. Primeiro, as proteases modificam ou
removem o receptor de bindina e algum espermatozóide ligado a ele. Segundo, a
peroxidase endurece a membrana de fecundação pela ligação de resíduos de tirosina às
proteínas adjacentes. A membrana de fecundação começa a se formar no local da
entrada do espermatozóide e se expande ao redor do óvulo. Tão logo o envoltório de
fecundação se forma a proteína hialina é estocada nos grânulos corticais, forma uma
cobertura ao redor do óvulo. A célula estende microvilosidades longas cujas
extremidades se ligam à camada hialina. Este envoltório hialino constitui suporte para

os blastômeros durante a clivagem. Em mamíferos a reação dos grânulos corticais não
produz uma membrana de fecundação, mas o efeito é o mesmo. A liberação de enzimas
modifica os receptores dos espermatozóides na zona pelúcida de tal forma que eles não
podem mais se ligar aos espermatozóides (reação de zona) em seguida à fusão dos
grânulos corticais próximos ao ponto de entrada do espermatozóide, uma onda de
exocitose dos grânulos corticais se propaga ao redor do córtex em direção ao lado
oposto do ovo. Íons de cálcio são diretamente responsáveis pela propagação da reação
cortical e estão estocados no próprio óvulo, dentro do reticulo endoplasmático.
Variações nas estratégias que previnem a poliespermia estão amplamente distribuídas na
natureza.
Fusão do material genético: após a fusão das membranas do espermatozóide e do
óvulo, o núcleo e o centríolo do primeiro se separam das mitocôndrias e do flagelo,
sendo que esses se desintegram dentro do óvulo. O núcleo do óvulo, ainda haplóide, é
denominado pronúcleo feminino. Dentro do citoplasma do óvulo, o núcleo do
espermatozóide de descondensa para formar o pronúcleo masculino. As proteínas
ligadas à cromatina do espermatozóide, em seu estado condensado e inativo, são
trocadas por proteínas semelhantes, derivadas do óvulo. Esta troca permite a
descondensação da cromatina do espermatozóide. Pedaços remanescentes do envoltório
nuclear original do espermatozóide são transportados pela cromatina. Rapidamente
novas vesículas membranosas se agregam ao longo da periferia da massa de cromatina e
se conectam com os fragmentos do velho envoltório para produzir a nova membrana do
pronúcleo masculino. Esse sofre uma rotação de 180º, de tal forma que o centríolo do
espermatozóide fica entre os dois pronúcleos. Os microtúbulos do centríolo do
pronúcleo masculino se estendem e conectam o pronúcleo feminino e ambos migram
para se encontrarem. A fusão forma o núcleo zigótico diplóide. O início da síntese de
DNA pode ocorrer ainda na fase de pronúcleo ou após a formação do núcleo zigótico. O
pronúcleo masculino de mamíferos aumenta em tamanho enquanto o núcleo do ovócito
completa sua segunda divisão de meiose. Então, cada pronúcleo migra para se encontrar
com o outro, replicando seu DNA enquanto viaja. No encontro, os dois envoltórios
nucleares se tocam e rompem. Contudo, em vez de produzir um núcleo zigótico comum,
a cromatina se condensa em cromossomos que se orientam para um fuso mitótico
comum. Então podem ser vistos verdadeiros núcleos diplóides em mamíferos, não no
zigoto, mas na fase de duas células.
A não equivalência dos pronúcleos de mamíferos: os pronúcleos masculino e
feminino e mamíferos são geneticamente equivalentes, porém podem ser
funcionalmente diferentes. A mola hidatiforme é um tumor que se desenvolve a partir
de um espermatozóide haplóide que fecunda um óvulo cujo pronúcleo feminino está
ausente. O desenvolvimento não ocorre nesse caso. Estas diferenças podem estar em
modificações do DNA que são diferentes nos núcleos dos óvulos e dos
espermatozóides.
Ativação do metabolismo do óvulo: o óvulo maduro é uma célula inerte, que é
reativada pela entrada do espermatozóide. Esta ativação é meramente um estímulo,
contudo, transforma em ação um conjunto de eventos metabólicos pré-programados.
As respostas do óvulo ao espermatozóide podem ser: (1) respostas imediatas – muitos
experimentos demonstram que esta liberação de cálcio é essencial para a ativação do
desenvolvimento do embrião. A liberação de cálcio é responsável pela ativação de uma
serie de reações metabólicas. Uma delas é a ativação da enzima NAD+

quinase, que

converte NAD+

em NADP+

. Esta mudança deve ter importantes conseqüências para o
metabolismo da célula. Uma delas envolve o metabolismo dos lipídios. Assim, a
mudança de NAD+

para NADP+

pode ser importante na construção de muitos

componentes das novas membranas celulares. Um outro efeito desta mudança envolve o
consumo de oxigênio. Uma súbita redução do oxigênio é verificada durante a
fecundação. A enzima responsável pela redução do oxigênio é dependente de NADPH.
(2) respostas tardias – acoplado ao aumento intracelular de cálcio livre está um aumento
do pH intracelular. Esse aumento inicia-se com um segundo influxo de íons sódio,
causando a troca de um íon sódio que entra novo por um íon de hidrogênio que vai para
a água do mar. Esta perda de íons de hidrogênio provoca uma alteração no pH que
aumenta de 6,8 para 7,2 e traz enormes mudanças na fisiologia do ovo. Ainda que se
acredite que esta mudança seja causada por uma reação mediada por cálcio, tem sido
verificado que independente da causa, o aumento do pH intracelular pode iniciar muitas
das respostas tardias, essas incluem a ativação da síntese de DNA e da síntese protéica,
para a qual são suados mRNA’s já presentes no citoplasma do ovócito. Agentes que
bloqueiam o aumento do pH também bloqueiam esses eventos tardios da fecundação.
A bioquímica da ativação do óvulo: a ativação do óvulo é causada por uma onda de
liberação de cálcio de compartimentos internos da célula. A ligação do espermatozóide
à membrana celular do óvulo provoca uma serie de reações envolvendo enzimas da
membrana que sintetizam “mensageiros secundários” (inositol 1,4,5 – trifosfato {IP3}
pode liberar íons cálcio). O IP3 liberado nesta reação se liga a uma proteína no reticulo
que libera íons cálcio. A proteína-G está envolvida na liberação dos íons cálcio ligados
e na exocitose dos grânulos corticais. Parece que a mesma química que permite ao
óvulo ativar o espermatozóide também permite ao espermatozóide ativar o óvulo.
Rearranjo do citoplasma do óvulo: a fecundação pode também iniciar o deslocamento
radical do material citoplasmático. Estes arranjos do citoplasma do ovócito são
frequentemente cruciais para a diferenciação celular durante o desenvolvimento. O
citoplasma de óvulo freqüentemente contém determinantes morfogênicos que se
segregam em células específicas durante a clivagem. Esses determinantes conduzem à
ativação ou à repressão de genes específicos e consequentemente conferem certas
propriedades às células que os incorporam. O arranjo espacial correto destes
determinantes é crucial para o desenvolvimento normal. O crescente amarelo, que se
estende do pólo vegetal ao equador traz o plasma amarelo para a área onde futuramente
os músculos serão formados na larva do tunicado. O movimento destas regiões
citoplasmáticas é dependente de microtúbulos que provavelmente são gerados pelo
centríolo do espermatozóide. O citoplasma subjacente, localizado próximo ao equador,
do lado exatamente oposto ao ponto de entrada do espermatozóide é o crescente
cinzento, que marca a região onde a gastrulação é iniciada em embriões de anfíbios. O
motor desses movimentos citoplasmáticos em ovos de anfíbios parece ser o arranjo
paralelo dos microtúbulos que se situam entre o citoplasma cortical e o citoplasma
interno do hemisfério vegetal. A orientação dos microtúbulos é paralela à direção da
rotação do citoplasma. Os microtúbulos paralelos são originários do óvulo, mas parece
que o áster do espermatozóide dá a orientação aos microtúbulos. Esses movimentos
citoplasmáticos iniciam uma cascata de eventos que determinam o eixo dorso-ventral.
Preparação para clivagem: o aumento intracelular de íons cálcio livres também
movimenta a aparelhagem da divisão celular. Os mecanismos através dos quais a
clivagem é iniciada, provavelmente diferem entre as espécies. O ritmo das divisões
celulares é regulado pela síntese e degradação da ciclina, que mantém a célula em
metáfase e a quebra da ciclina permite à célula retornar à interfase. Clivagem, o evento
que separa a fecundação da embriogênese. A posição da primeira clivagem não é ao
acaso, mas, tende a ser determinada pelo ponto de entrada do espermatozóide e a
subseqüente rotação do citoplasma do ovo. A coordenação do plano de clivagem e os

rearranjos do citoplasma são provavelmente mediados pelos microtúbulos do áster do
espermatozóide.

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