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Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Relações Internacionais

Teoria das Relações Internacionais I

Philipe Afonso Mendes Pedrosa

Goiânia

2016

O filme O Senhor dos Anéis (a sociedade do anel) pode ser entendido por meio da teoria realista das Relações Internacionais, já que envolve poder e interesses. Durante o filme, o que está em jogo é o anel dos poderes, um décimo anel, forjado por Sauron, logo este é o seu mestre. Em uma guerra para proteger a Terra Média da maldade de Sauron, este perde o anel durante o

conflito e é morto. Isildur é quem o mata e toma seu anel, o poder materializado. Posteriormente,

o anel cai nas mãos de um hobbit que dá o anel ao seu sobrinho iniciando uma missão que

significará a vida ou a morte de vários povos. Se o anel é o poder materializado, os interesses em conflito estão: (1) em pegar o anel, na parte de Sauron, o qual tem um mago Saruman ao

seu mando; e (2) destruir o anel para que tamanho poder não caia nas mãos de quem irá trazer as trevas para a Terra Média. O que torna o décimo anel tão especial é a sua capacidade de controlar os outros nove anéis. Estes, todavia, foram forjados para poder governar as raças. Quem forja o décimo anel é Sauron que consegue espalhar o terror sobre as raças da Terra Média. O próprio anel tinha vontade própria, a de permanecer com seu mestre, e a demonstrou durante o filme nas várias tentativas de persuadir o guardião do anel e os membros da Sociedade do Anel. Apesar do domínio de Sauron, os povos lutaram contra ele para obter liberdade e, na última batalha, Isildur o mata, tomando o anel para si. Ele sobreviveu em espírito por ser um Maia, imortal. Dessa forma, a existência do poderoso décimo anel e de Sauron fez com que a persuasão deste acarretasse em aliados para procurar aquele, já que o anel só obedece ao seu mestre e quer retornar a ele. Não foi só essa aliança que se formou no filme. Com um interesse formado, o de obter

o anel para trazer a segunda escuridão, outros temiam o retorno de Sauron e se aliaram, apesar de suas diferenças, como os elfos e anões, para destruir o anel. É nessas alianças que se pode aplicar Raymond Aron.

Para Aron, existem dois tipos de aliados: os temporários e os permanentes. Segundo a guerra que se iniciou no filme, a formação de alianças pode ser entendida a partir desse princípio.

A aliança entre elfos e anões só se estabeleceu devido à ameaça de um inimigo mais forte que

os dois. Essa aliança deve ser temporária, pois eles possuem diferenças que, num futuro, viriam à tona e se expressaria em um conflito entre ambos. Já o aliado de Sauron, Saruman, moveu-se pelo princípio de garantir a sua segurança. Isso se observa na sua fala com Gandalf ao tentar

convence-lo a se juntar a Sauron, quando aquele foi obter respostas deste no que concerne o anel.

Está bem claro que a segurança própria foi um interesse por todos, exceto Sauron, e contribuiu para a formação de alianças. A destruição do anel era o meio para obter a segurança. Portanto, a Sociedade do Anel foi criada para esse fim. Porém, muitas vezes no filme, aqueles em torno do anel foram persuadidos por ele, pelo poder que nele há. O anel dos poderes não tem esse nome em vão, porque ele é a materialização do poder. Entretanto, não se pode esquecer um outro interesse: o de obter poder. Esse foi visto nos dois lados do conflito durante o filme, seja para dominar a Terra Média, seja para impedir essa dominação. Mas era evidente que Sauron era o único que podia controlar o anel e não ele por este. Aqueles que utilizavam o anel apresentaram um comportamento megalomaníaco e exaltavam o anel, jamais querendo se apartar dele, como Bilbo e Gollum. Mas Bilbo é convencido por Gandalf e por isso o dá ao seu sobrinho, porque Gandalf não quer manter o anel.

Portanto, o poder está relacionado aos interesses, os quais delimitarão os objetivos e as alianças. Isso está de acordo com Morgenthau no seu segundo princípio de que os interesses são definidos pelo poder.

Ainda sobre poder, não se pode dizer que havia um objetivo de equilibrar o poder entre os dois lados do conflito. Sauron queria escravizar e destruir os povos, enquanto que a Sociedade dos Anéis queria destruir o anel, pois este era o único meio de Sauron conseguir dominar a Terra Média. Os interesses, neste caso, não implicam em equilíbrio de poder, mas na destruição do outro. Aqui a política está separada da moral (Maquiavel). Destruindo o anel, Sauron seria incapacitado de agir. Nesta forma de guerra que visa a destruição ou subordinação do outro, ela se assemelha a guerra absoluta de Aron. Saruman estava formando um poderoso exército para avançar sobre os outros povos e também para obter o anel, enviando pequenos grupos. Assim, ele seguia as ordens de Sauron. Esse avanço constitui um avanço único, uma única batalha concentrado todas as forças para obter a dominação. O anel, o grande poder, seria a certeza de que Sauron ganharia a guerra de dominação e também de que seus subordinados o temessem. A inexistência do anel significa que ele não passaria de um mero espírito, sem poder. Entretanto, esse grande poder pertence somente a Sauron. Por isso povos se subordinam a ele. Ademais, o anel só pode ser destruído de uma única forma. Porém, aqueles que o portam são tentados a utiliza-lo. Não basta Sauron ter um anel que só obedece a ele, é necessário ter meios para que o anel seja encontrado. Isto posto, deu a antigos nove reis dos homens os nove anéis do poder, já que estes estavam obcecados por poder. Não obstante, os nove anéis são controlados pelo anel de Sauron, transformando-os em caçadores do anel, ou Nazgûl. É interessante acrescentar que os Nazgûl utilizaram os anéis para obter grande poder, riqueza e prestígio; mas, ao longo do tempo, foram corrompidos. Concluindo, o que se passa no filme, segundo o realismo, é um conflito para obter poder para ser utilizado segundo diversos interesses, o que gerou alianças tendo em vista uma batalha única que decidiria o futuro dos povos da Terra Média. A guerra pode ser entendia recorrendo a Aron e a questão do poder e interesses por Morgenthau. Não somente estes pensadores do realismo, mas também aqueles que foram a base, como Maquiavel, na questão da moral e da política. Acima de toda essa análise, é intrigante notar a semelhança de Sauron com tiranos, uma vez que ele começou como um ferreiro que queria o bem de todos, mas foi corrompido pelo imenso poder que ele forjou. Atualmente, grandes líderes que possuem grandes armas tendem a ser tirânicos quando não há limites, pois, quando se vê o que se pode fazer com tanto poder, toda carne se corrompe. O décimo anel é a moeda de hoje, porque por meio dela se pode fazer tudo, de bombas atômicas a universidades.