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Vigiar e Punir Resumo

Vigiar e Punir Resumo

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UNIVERSIDADE TIRADENTES – CAMPUS ESTÂNCIA NÚCLEO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – DIREITO 7º PERÍODO CADEIRA DE CRIMINOLOGIA - MEDIDA DE EFICIÊNCIA – 1ª UNIDADE Sinopse

do livro

VIGIAR E PUNIR – Nascimento da prisão
Obra de Michel Foucault Alunos: Erick L.Lustosa Servidor Público Federal, Acadêmico de Direito da Universidade Tiradentes – Campus Estância José Roberto Rocha Santos Técnico em Agropecuária, Secretária de Administração e Finanças municipal, Acadêmico de Direito da Universidade Tiradentes – Campus Estância Sérgio Veloso Empresário, Acadêmico de Direito da Universidade Tiradentes – Campus Estância Polliana Acadêmico de Direito da Universidade Tiradentes – Campus Estância SUMÁRIO O presente trabalho traz uma percepção pessoal da obra de Michael Foucault, apresentada de forma sucinta, tendo como ponto de partida a própria divisão feita pelo autor em seu ensaio, assim, Suplício é apresentado por José Roberto, Punição por Polliana e Disciplina por Sergio Veloso e Erick Lustosa. O livro procura instigar os leitores a indagar sobre o sistema prisional, mostrando-se ser uma obra atemporal, mesmo com referências a casos ocorridos a partir do século XVI, podendo ser aplicado perfeitamente aos dias atuais. Não obstante haver um verdadeiro banho de sangue e carnificina por sobre suas páginas a obra tem a violência como mero pano de fundo para ressaltar um contexto mais amplo: O descaso estatal para com o preso. Não é por acaso que ao lado de “dos delitos e das penas”, o trabalho realizado por Foucault tornou-se um verdadeiro clássico da literatura mundial, sendo obra essencial para qualquer estudante de curso jurídico e operadores do direito.

Punishment for Polliana and Discipline for Sergio Veloso and Erick Lustosa. fazendo análise de penas e julgamentos. To watch and To punish. Suplício O corpo dos Condenados A ostentação dos suplícios O autor na sua obra. Pena. thus. Condenado. Introdução O livro tem como objetivo traçar uma correlação entre o sistema prisional surgido a partir do século XVI e o moderno sistema de “correção”. the work carried through for Foucault became a true classic of world-wide literature. being able to be applied perfectly to the current days. Jail. revealing to be out of time workmanship. na Europa. The Convict. Suplício. 2. Capital Punishment. Arrest. ABSTRACT: This work brings a personal perception of the workmanship of Michael Foucault. violento . KEY WORDS: Michael Foucault. Prisão. Disciplina. Condemmed. Vigiar e Punir. Condenado. Disciplines. nefasta. como era cruel. being essential workmanship for any student of legal course and operators of the rights. presented by simple form. exactly with references to the cases occurred from century XVI. desumano. . having as starting point the proper division made for the author in its assay. The book looks for to instigate the readers to inquire on the prisional system. as punições aplicadas aos presos condenados no fim do século XVIII. Capital punishment is presented by José Roberto. 1. It is not by chance that the side of Cesare Beccaria’s book.PALAVRAS-CHAVE Michael Foucault. um estudo da origem do modelo repressor estatal atual e do tortuoso caminho do estudo jurídico para aplicação das penas. Although to have a true bath of blood and carnage for this pages the workmanship it has the violence as mere deep cloth of standing out a ampler context: The state indifference for the prisoner.

propriamente segundo regras rígidas e visando a um objetivo bem mais “elevado”. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue. Dir-se-á: a prisão. Mas a relação castigo-corpo não é idêntica ao que ela era nos suplícios. se referem diretamente ao corpo. os educadores. a vontade. é a alma. O castigo passou de uma arte de sensações insuportáveis a uma economia dos diretos suspensos. Pois não é mais o corpo. a servidão de forçados. qualquer intervenção sobre ele pelo enclausuramento. . Por efeito dessa nova retenção. os trabalhos forçados. O corpo supliciado. a interdição de domicilio. esquartejado. traduzia-se em cenário de peça teatral. mas é um modo de dizer que queremos obter a cura. o corpo é colocado num sistema de coação e de privação. de obrigações e de interdições. Segundo essa penalidade. vocês bem podem ver que para nós funciona como uma maneira de tratar um criminoso. damos um veredicto. A certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro.O castigo que se empunha aos indivíduos culpados naquela época. Eles lhe garantem que o corpo e a dor não são objetos últimos de sua ação punitiva. mutilado simbolicamente no rosto ou no ombro. eles cantam à justiça o louvor de que ela precisa. profundamente. sendo exposto vivo ou morto era dado como espetáculo teatral e que tinha o corpo como alvo principal da repressão penal. a dor do corpo não são mais os elementos constitutivos de pena. anatomista imediato do sofrimento: os guardas. tal se fará a distancia. a reclusão. um exército inteiro de técnicos veio substituir o carrasco. Se a justiça ainda tiver que manipular e tocar o corpo dos justiçáveis. são penas “físicas” : com exceção de multa. Não tocar mais o corpo. Naturalmente. Sofrimento físico. pelo trabalho obrigatório visa privar o individuo de sua liberdade considerada ao mesmo tempo como um direito e como um bem. punimos. os médicos. sobre o coração. o intelecto. amputado. e para atingir nele algo que não é o corpo propriamente. por sua simples presença ao lado do condenado. exposta ao público com rigor de crueldade onde os corpos dilacerados transformava em suplicio para aqueles presos. a deportação que parte tão importante tiveram nos sistemas penais modernos. O corpo encontra-se aí em posição de instrumento ou de intermediário. os psiquiatras. os capelães. as disposições. ou o mínimo possível. mas ainda que reclamado por um crime.

se a sentença deve ser justa. Se a reparação do dano privado ocasionado pelo delito deve ser bem proporcionada. vencido. uma afirmação enfática do poder e de sua superioridade intrínseca. O suplício passa a ter então uma função jurídico-política. a execução da pena é feita para dar não ao espetáculo da medida. a dissonância entre o súdito que ousou violar a lei e o soberano todo-poderoso que faz valer sua força. Que é um suplício? Pena corporal. deve haver. é um fenômeno inexplicável a extensão da imaginação dos homens para a barbárie e a crueldade. dolorosa. mas do desequilíbrio e do excesso. se investe toda a economia do poder. Ele a restaura manifestando-a em todo o seu brilho.Objetivo deste livro: uma historia correlativa da alma moderna e de um novo poder de julgar : uma genealogia do atual complexo científico-judiciário onde o poder de punir se apóia. É um cerimonial para reconstituir a soberania lesada por um instante. estende seus efeitos e mascara sua exorbitante singularidade. quebrado. por rápida e cotidiana que seja. A execução pública. o infrator lesa a própria pessoa do príncipe: ela – ou pelo menos aqueles a quem ele delegou sua força – se apodera do corpo do condenado para mostrá-lo marcado. Sua finalidade é menos de estabelecer um equilíbrio que de fazer funcionar. até um extremo. A cerimônia punitiva é “aterrorizante”. . E esta superioridade não é simplesmente a do direito. submissão dos súditos revoltados). O corpo supliciado se insere em primeiro lugar no cerimonial judiciário que deve trazer à luz a verdade do crime. esquecendo seus princípios. um ritual organizado para a marcação das vitimas e a manifestação do poder que pune. ela exibe aos olhos de todos uma força invencível. mais ou menos atroz. não é absolutamente a exasperação de uma justiça que. o fato de matar ou ferir já não é mais uma glória. Nos “excessos” dos suplícios. perdesse todo o controle. nessa liturgia da pena. se insere em toda a serie dos grandes rituais do poder eclipsado e restaurado (coração. recebe suas justificações e suas regras. entrada do rei numa cidade conquistada. Com o passar dos anos essa pratica indecorosa. vergonhosa praticada pela justiça foi diminuindo. por cima do crime que desprezou o soberano. mas a da força física do soberano que se abate sobre o corpo de seu adversário e o domina: atacando a lei. mas um elemento intrínseco a ela. O suplício penal não corresponde a qualquer punição corporal: é uma produção diferenciada de sofrimentos.

A certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro da punição do corpo. a sede de vingança e o “cruel prazer de punir”. adotando-se a luz do direito o principio da dignidade da pessoa humana.Em resumo a pena atribuída ao corpo deixou se ser um suplício. e sejam abolidos os suplícios que revoltem a humanidade. os reformadores do século XVIII denunciaram. Nessa mesma violência. por si só já atinge profundamente a alma do individuo condenado. É preciso que a justiça criminal puna em vez de se vingar. uma delas é inevitável: se a duzentos anos atrás alguns paises da Europa então ditos civilizados admitiam como válida a tortura como meio de obter-se a confissão. tirando aquilo que lhe é mais precioso em sua vida o direito de ir e vir e fazer. Vergonhoso. como técnica de sofrimento. reduzida ao desespero e da qual ainda se espera que bendiga “o céu e seus juízes por quem parece abandonada”. Mas a época das luzes é posto como definição contra a barbárie dos suplícios. um desafio que ele mesmo lança e que poderá ser aceito um dia: acostumado a ver correr sangue”. nessa emulação de atrocidades. Com originalidade e profundo censo critico. fomentando-nos reflexões inquietantes. o povo aprende rápido que “ só pode se vingar com sangue”. Entre as inúmeras espécies de suplícios. se opõe à revolta. mas como limite de direitos como fronteira . 3. O suplício tornou-se intolerável. juntamente com os direitos humanos. com escassa potencialidade para a pretendida reabilitação social do condenado. ela se reclamam reciprocamente. que a de morte só seja imputada contra os culpados assassinos. onde ele revela à tirania. e com procedimento usual à infligir terríveis sofrimentos físicos e morais ao condenado. A privação da liberdade. o secular problema da resposta social ao crime mostrando a evolução humana na forma de tratar o crime e o criminoso. o excesso. Hoje as prisões muito mais humanas do que a do período pré-revolução francesa. não se pode negar que ainda se apresentam como depósitos insalubres e cruéis de presos. considerado da perspectiva da vítima. segundo eles. Punição Que as penas sejam moderadas e proporcionais aos delitos. vista da perspectiva do povo. ““Como se o poder soberano não visse. quero abordar. o exercício legítimo do poder: a tirania. O verdadeiro suplício tem por finalidade ou função extorquir a verdade ou fazer brilhar a verdade. comuns em tempos não muito distantes do nosso.

os delitos contra a propriedade parecem prevalecer sobre os crimes violentos. Poder excessivo nas jurisdições inferiores que podem – ajudadas pela pobreza e pela ignorância dos condenados – negligenciarem as apelações de direito e mandar executar sem controle. O deslocamento das práticas ilegais é correlato de uma extensão e de um afinamento das práticas punitivas. cuja freqüência relativa aumentou e contra o qual agora ares burgueses de justiça de classe. A maior parte dos observadores sustenta que uma justiça mais comedida em suas violências seria mais eficaz. com efeito.legítima do poder de punir. também aumenta a intolerância aos delitos econômicos. mas mais ainda em Paris. é mesmo o excesso de castigo. poder excessivo do lado de uma acusação á qual são dados quase sem limite e meios de prosseguir.Não o que ela tem que deve atingir se quiser modifica-lo mas o que ela tem que deixar intacto para estar em condições de respeita-lo. sentenças arbitrárias. Se confrontarmos esse processo com o discurso crítico dos reformadores. Realmente. de um aparelho policial que impedia o desenvolvimento de uma criminalidade organizada e a céu aberto. mais severa com roubo. Ela é a escuridão. as intervenções penais se antecipam mais e tornam-se mais numerosas. mais pesada. A justiça torna-se século XVIII mais lenta. o que eles atacam na justiça tradicional. mas um excesso que está ainda mais ligado a uma irregularidade que a um abuso do poder de punir. da pena-função geral. . da pena-representação. nota-se uma diminuição considerável dos crimes de sangue e das agressões físicas. A má economia do poder e não tanto a franqueza ou crueldade é o que ressalta da crítica dos reformadores. o roubo e a vigarice sobre os assassinatos. Na verdade. antes de estabelecer os princípios de uma nova penalidade. vemos uma notável coincidência estratégica. a violência e a suspeita. a passagem de uma criminalidade de sangue para uma criminalidade de fraude. A prisão em seu todo é incompatível com toda essa técnica da pena-efeito. De acordo com um processo circular quando se eleva o limiar da passagem para os crimes violentos. menos dispostos a recuar por si mesma diante de suas próprias conseqüências. Esse conjunto de precauções deve se acrescentar a crença num aumento perigoso dos crimes. da pena-sinal e discurso. os controles ficam mais rígidos. Desde o fim do século XVII. desloca-a para formas mais discretas. o crescimento na França principalmente.

pode parecer uma linguagem profunda. É. A arte da distribuição celular do espaço e controle do tempo visando maior vigilância em todos os lugares. para a subordinação acrescidos de outras tantas técnicas sutis de aprisionamento dos corpos. que aparece como algo que deve ser continua. o controle sobre o tempo dos corpos permanece por sobre a realização social da vida cotidiana e em todos os setores inclusive na vida “pessoal e íntima” dos corpos. na “redução materialista da alma e uma teoria geral do adestramento” que se instala e reina a noção de docilidade. . utilizado. aperfeiçoado em função do poder. segundo Foucault. do corpo a corpo. o ritmo. pois. Disciplina A terceira parte da Obra de Foucault. desde antiguidade à modernidade. ininterrupta mas que é ou precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como contínua. a disciplina produz saber/poder. esteja presente em toda a extensão do espaço. uma vez que é sobre ele que se impõem as obrigações as limitações e as proibições. passou a ser marginalizado. permanente. e este conhecimento gera poder. sacro-santo. mas coletivizado pelo sistema de controle e a ele subordinam-se os corpos dóceis. Psicologia. enclausurado. assim. Estado. penetre nos lugares mais recônditos. transformado. O copo é apontado como sendo sempre alvo de apreciação. Vigilância. O poder em todas as sociedades. poder. supliciado até a modernidade. Às técnicas de controle as disciplinas impõem uma relação de docilidade-utilidade. que não tenha limites. Estas técnicas disciplinares (Espaço/Tempo/Vigilância e Saber) são a garantia para o adestramento. História e Medicina). perpétua. está fundamentalmente ligado ao corpo.4. Finalmente. mas pelo poder. não é próprio. A contagem do tempo em função da submissão dos corpos. será sempre algo inexorável que lhe determina a ação. a seguir vem a regularidade. É dócil o corpo que pode ser submetido. A disciplina é uma anatomia do detalhe. burguesia e pelo conhecimento (Biologia. saber. “é proibido perder tempo que é contado por Deus e pago pelos homens”. propõe-se ao estudo da disciplina. pelos poderes: Igreja. individual. aborda o corpo objeto e alvo de poder e saber. Igualmente a distribuição dos espaços. tido como inviolável. Cabe compreender as técnicas e mecanismos disciplinar que organizam o sistema poder-submissão no dia a dia. mas a idéia que se busca é explanar que o corpo. o ápice. Não sendo o tempo controlado pelo indivíduo. O quadriculamento estabelece a localização imediata dos indivíduos. É o registro contínuo do conhecimento. O tempo. domínio clausura. em diversas épocas.

É a tecnologia da disciplina fabricando os corpos submissos. I . . No exercício da disciplina. o corpo para fazer não o que se quer mas para operar como se quer.O carcerário. quartéis. mais tarde nas escolas primárias. Esta anatomia política desenha-se aos poucos até alcançar um método geral que esta “em funcionamento nos colégios. Este poder que se exerce sobre o corpo é ininterrupto (contínuo) chegando mesmo a instalar-se como coerção interna e suas tecnologias alcançam este feito através do que Foucault chamou disciplina sendo o principal objetivo do poder disciplinar é tornar os indivíduos economicamente úteis e politicamente dóceis. Na vassalidade. é o resultado do trabalho dos corpos onde se instala o controle. hospícios. na dominação. capacidades e corpos.Instituições completas e austeras. punir. Estes dispositivos são necessários tanto no ato de vigiar. Desde então tem-se apenas variado as técnicas de submissão e controle. sendo transitório e circular o que permite sua quebra. 5. como de controlar no sentido de utilidade. é composto por três capítulos: Cap. investiram lentamente o espaço hospitalar. assim. o próprio filósofo é o primeiro a afirmar que esse controle não é eterno ou absoluto. O que é descrito e detalhado nas prisões.As instituições. escolas toma forma social mais ampla de uma sofisticada e sutil tecnologia de submissão. A obediência monástica (religiosa) realiza-se através das renuncias. Cap. de saberes. Mas é na modernidade que se constrói uma maquinaria de poder através do controle dos corpos. evolui até as tecnologias imaginárias das sociedades modernas. na alienação e aceitação. isto é. muito cedo. Prisão A Quarta Parte do livro . e Cap. Apesar dessa visão devastadora de controle. organizam-se de forma a reproduzir a submissão e produzir os corpos dóceis que culmina na subordinação social. que é a parte dedicada as notas sobre os capítulos. Foucault mostra como a idéia de obediência.Ilegalidade e delinqüência. III . e em algumas dezenas de anos. cria-se uma espécie de arquitetura e hierarquização dos indivíduos. e por fim as Notas. quando se substitui a docilidade   pela   meta   continua   e   infindável   da  libertação dos corpos.“Vigiar e Punir” – Prisão. reestruturaram a organização militar”. a obtenção do controle se faz pela produção. II . Na domesticidade escrava a obediência se inscrevia (inscreve-se) no controle sobre a operação do corpo (suas ações em função dos resultados produtivos).

Ao tirar o tempo do condenado o Estado dá satisfação à toda sociedade que foi lesada pelo crime. As punições legais podem ser infligidas pelo poder sem que isso seja visto como excesso e violência. . 6. assegurada aos indivíduos. Para Foucault é possível quantificar a pena. assim como legaliza o poder-técnico de disciplinar. A prisão tem caráter igualitário pois a perda da liberdade. O trabalho penal deve ter ordem e regularidade. A prisão deve tirar do indivíduo todas as suas prerrogativas: treinamento. em indivíduo-máquina. Conclusão Em nossa breve análise a respeito do Livro Vigiar e Punir entendemos que o filósofo francês procurou demonstrar quatro regras gerais: 1 – não centrar o estudo dos mecanismos punitivos unicamente em seus efeitos “repressivos”. Ao “pagar a dívida” o condenado acaba por tornar a prisão algo “natural”. transformando-as em uma tarefa ininterrupta de disciplina. longe da distração e da agitação. mas mais perigosos do que eram.Segundo Foucault a prisão é vista como o desenlace do processo que torna os indivíduos úteis e dóceis. porém. aptidão. comportamento. O encarceramento mais do que substituir o suplício é um dispositivo que não diminui a delinqüência. Impõe-se a ele o isolamento. A rede carcerária foi e é o apoio do poder normalizador. Para Foucault é a requalificação do criminoso em operário. há pagamento de salário ao detento e é vista como uma reparação. e sujeitar os corpos a movimentos regulares. penaliza a todos da mesma forma. só em seu aspecto de “sanção”. È necessária à vigilância constante por se tratar de produzir indivíduos mecanizados a exemplo da sociedade industrial. pelo contrário provoca reincidência. tomar a punição como uma função social complexa. O sistema carcerário consegue tornar natural e legítimo o exercício da punição. mas recoloca-lo na série completa dos efeitos positivos que eles podem induzir mesmo se à primeira vista são marginais. A prisão não devolve à sociedade indivíduos corrigidos. dá legalidade aos mecanismos disciplinares. e foi no final do século XVIII e início do século XIX que a pena de detenção foi formalizada. acaba com os exageros do castigo. O carcerário torna natural o poder legal de punir. Conseqüentemente. Por prisão subtende-se “pena das sociedades civilizadas”. atitude moral e disposições. É preciso tornar o poder de punir tão discreto quanto possível. pois a solidão é a condição primeira para a submissão.

perturbador ou útil. WEBGRAFIA SANTOS. Curitiba-PR. 1987. Tradução de Raquel Ramalhere. em resumo.direitonet. Em suma. digamos.http://www. Bruna Barreto .com/doc/259146/Vigiar-e-Punir-Educacao-e-Paradigmas-da-Epoca . Michael – Vigiar e Punir. nascimento da prisão.scribd. 3 – em lugar de tratar a história do direito penal e a das ciências humanas como duas séries separadas cujo encontro teria sobre uma ou outra.2 – Analisar os métodos punitivos não como simples conseqüências de regras de direito ou como indicadores de estruturas sociais. 4 – verificar se esta entrada da alma no palco da justiça real.30 Anos de Vigiar e Punir (Foucault). mas como técnicas que têm sua especificidade no campo mais geral dos outros processos de poder. DIREITONET http://www.br/artigos/x/21/07/2107/ Acessado em 04/09/2007 às 14:20 .Vigiar e Punir: Educação e Paradigmas da Época. Vozes.com. tentar estudar a metamorfose dos métodos punitivos a partir de uma tecnologia política do corpo onde se poderia ler uma história comum das relações de poder e das relações de objeto BIBLIOGRAFIA FOUCAULT. Acessado em 04/09/2007 às 15:30 GALVÊAS.cirino.pdf .O cárcere e seus problemas. verificar se não há uma matriz comum e se as duas não se originam de um processo de formação “epistemológico-jurídico”. 2007. Acessado em 04/09/2007 às 14:15 NERY.br/artigos/jcs/30anos_vigiar_punir. Elias Celso . e com ela a inserção na prática judiciária de todo um saber “científico”. colocar a tecnologia do poder no princípio tanto da humanização da penalidade quanto do conhecimento do homem. Petrópolis. SCRIBD . ICPC – Instituto de Criminologia e Política Criminal http://www. ou sobre as duas talvez. não é o efeito de uma transformação na maneira como o próprio corpo é investido pelas relações de poder. Juarez Cirino dos . um efeito. Adotar em relação aos castigos a perspectiva da tática política.com.

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