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GOIÂNIA

2010
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LISTA DE FIGURAS E TABELAS


RESUMO
OBJETIVOS
1.INTRODUÇÃO
2.EXPERIMENTAL
2.1.MATERIAIS E REAGENTES
2.2.PROCEDIMENTO
3.RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.CONCLUSÃO
5.TABELAS E FIGURAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Figura 1 ± Esquema representativo do papel de


sílica obtido em CCD
Figura 2 ± Mecanismo de síntese do Ácido
acetilsalicílico
Figura 3 ±Mecanismo de neutralização do Ácido
acético obtido como subproduto por meio do
bicarbonato de sódio





Tabela 1 -Propriedades físicas do Acido


Acetilsalicílico CAS:50-78-2
Tabela 2 -Propriedades físicas do
Anidrido Acético CAS:108-24-7
Tabela 3 -Propriedades físicas do Ácido
Salicílico CAS:69-72-7
Tabela 4-Propriedades físicas do Acetato
de Etila CAS:141-78-6
RESUMO

Na síntese de ácido acetilsalicílico colocamos os reagentes em um


béquer e o cobrimos com um funil de vidro. Em seguida, a mistura reacional
foi levada ao microondas por dois minutos. Depois, transferimos o produto
reacional para um funil de separação, adicionamos clorofórmio e, em
seqüência, o neutralizamos com aliquotas de solução de bicarbonato de
sódio. Recolhemos a fase hidrofóbica em um béquer previamente pesado e a
reservamos por uma semana na capela. Posteriormente, determinamos a
temperatura de fusão dos cristais obtidos, verificamos a pureza do restante
dos cristais por cromatografia líquida em camada delgada. No fim,
calculamos o rendimento e a economia atômica do processo.
OBJETIVOS

Os objetivos deste procedimento são propor um mecanismo para a


síntese de ácido acetilsalicílico, analisar a pureza do produto obtido por
cromatografia de camada delgada, calcular o rendimento e a economia
atômica da reação.
1.INTRODUÇÃO

No século V aC, Hipócrates se referia a um pó ácido obtido da casca


do Y   que possuía propriedades analgésicas e antitérmicas. Citações
semelhantes são encontradas em textos de civilizações antigas do Oriente
Médio, Egito, Suméria e Assíria.

Somente em 1828 o farmacêutico francês Henri Leroux e o químico


italiano Raffaele Piria conseguiram isolar, na forma cristalina, o principio ativo
da casca do salgueiro. No entanto, no ano de 1897 , o laboratório alemão
Bayer conjugou o ácido salicílico com o acetato e criou um composto menos
tóxico, o ácido acetilsalicílico, que passou a ser comercializado com o nome
de Aspirina.

A aspirina foi o primeiro fármaco a ser sintetizado na história da


farmácia, foi a primeira criação da indústria farmacêutica e também o
primeiro fármaco vendido em tabletes.

A aspirina é um fármaco do grupo dos anti-inflamatórios não-


esteroidais (AINEs) usado como anti-inflamatório, antipirético, analgésico e
antiplaquetar. O ácido acetil salicílico é um inibidor não-específico e
irreversível da ciclooxigenase (COX-1 e COX-2).

Essa enzima é responsável pela produção de prostanóides pró-


inflamatórios. A inibição da formação de determinados prostanóides,
prostaglandina E2, da produção local de prostaglandinas e de tromboxano
A2 dotam esse fármaco de suas propriedades anti-inflamatórias,
antipiréticas, analgésicas e antitrombóticas, respectivamente.
2. EXPERIMENTAL

2.1. MATERIAIS E REAGENTES

a Acetato de etila
a Ácido salicílico
a Anidrido acético
a Aparelho de determinar o ponto de fusão
a Balança analítica
a Béquer (25 mL)
a Béquer (50 mL)
a Câmera de UV
a Capilares de vidro
a Clorofórmio
a Erlenmeyer
a Espátula de metal
a Forno microondas
a Funil comum de vidro
a Funil de separação
a Luva de forno
a Papel de sílica
a Pipeta graduada (2 mL)
a Pipeta graduada (5 mL)
a Solução concentrada de bicarbonato de sódio
a Solução diclorometano 0.95 metanol 0.5
a Vidro de relógio
2.2. PROCEDIMENTO

Iniciamos o procedimento experimental tarando um erlenmeyer de 100


mL e pesamos a massa de ð  de ácido salicílico na balança analítica.
Logo em seguida, na capela, adicionamos $  #
de anidrido acético e % 
#
de acetato de etila com as respectivas pipetas de pescagem.

Agitamos a mistura reacional, tampamos o erlenmeyer com um funil de


vidro comum e colocamos esse arranjo no forno microondas por dois
minutos. Após retirar do microondas, verificamos que uma quantidade de
àcido salicílico ficou aderido às margens do erlenmeyer. Para não
comprometer o rendimento do processo, adicionamos um pouco mais de
acetato de etila de forma a retirar o ácido salicílico nas paredes do
erlenmeyer levando a mistura reacional por mais um minuto ao forno
microondas.

Terminado a fase sob ação de microondas, retiramos o béquer com


uma luva de forno e deixamos esfriar ao ambiente por meia hora. Enquanto
isso, elaboramos um possível mecanismo de reação para a síntese de AAS.

Após esse período, colocamos o produto reacional no funil de


separação, adicionamos uma pequena quantidade de clorofórmio e, em
sequência de três etapas repetidas, adicionamos solução saturada de
bicarbonato de sódio para neutralizar os possíveis produtos reacionais.
Descartamos a fase aquosa e recolhemos a solução de ácido acetil salicílic o
em clorofórmio num béquer de 50 mL, previamente pesado.

Em seguida, reservamos o béquer com a solução de AAS em


clorofórmio na capela por um período de uma semana de forma a evaporar o
clorofórmio e visando obter cristais brancos ou incolores de AAS. Após esse
período, constatamos a presença de cristais de AAS de coloração
característica, mas com um aspecto estrutural não muito bem característico.

Pesamos o béquer com os cristais encontrando o valor de $&'( e


desse valor subtraímos a pesagem de 37.865g do béquer vazio,
anteriormente realizada, encontrando por diferença a massa de ' dos
cristais.
Com um capilar de vidro fechado em uma das extremidades,
recolhemos uma pequena quantidade em sua extremidade aberta e levamos
o capilar com essa extremidade ao aparelho de determinação do ponto de
fusão. Este processo foi demorado pela espera da fusão dos cristais. O
processo de fusão ocorreu no intervalo de ðð a ðð(.

Enquanto decorria a fase de determinação do intervalo de temperatura


de fusão dos cristais de AAS, iniciamos a técnica de cromatografia de
camada delgada com o excedente de cristais de AAS. Para tal método,
dissolvemos os cristais remanescentes em acetato de etilla. Em seqüência,
colocamos uma pequena quantidade de solução diclorometano 0.95 metanol
0.5 no fundo de um béquer de 25 mL e cobrimos com um vidro de relógio.

Com uma régua e um lápis fizemos as devidas marcações em um


papel de sílica para comparar o obtido reacional com um padrão de ácido
salicílico. Em seguida, com um capilar de extremidades abertas transferimos
uma pequena quantidade de padrão e do obtido reacional para as suas
devidas marcações, previamente realizadas.

Com auxílio de uma pinça, colocamos o papel de sílica em uma


posição o mais perpendicular possível em relação ao fundo do béquer,
contendo a fase móvel. Decorrido um determinado tempo de ascensão da
fase móvel pelo papel de sílica, retiramos o papel de sílica com a pinça de
metal e marcamos o nível limite atingido pela fase móvel.

Terminado o método de CCD, levamos o papel de sílica a uma câmera


de UV para revelar as manchas determinadas pelo padrão de AS e AAS e
fazer as devidas marcações e medições para o cálculo do fator de retenção
(| ¦.

Um esquema demonstrando esses resultados que pode ser visto na


figura 01.
V V


V V 
V V

V Ä V  V V

m 
           

V Posteriormente, calculamos o rendimento obtido na síntese de AAS


obtendo um valor, considerávelmente, baixo de 6,48% que indica que houve
falha em alguma fase de síntese. Logo em seguida, realizamos o cálculo de
economia atômica encontrando o valor teórico de 1,31%.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O mecanismo mais provável para a síntese do Ácido acetilsalicílico


está representado na figura 02, abaixo.

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V
m             
Por esse mecanismo é possível verificar que alguns desses produtos
possuem características ácidas, dessa forma é justificada a neutralização do
meio reacional com bicarbonato de sódio no funil de separação. A evidência
característica dessa neutralização é a formação de bolhas de dióxido de
carbono. Esse mecanismo de neutralização está na figura 03, abaixo
representada.

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V
m       ! " #          $ 

O processo de neutralização no funil de separação contribui também,


de forma paralela à neutralização, para a separação de compostos mais
hidrofóbicos dos menos hidrofóbicos. Dos compostos presentes o ácido
acetil salicílico e o acetato de etila apresentam maior hidrofobicidade. Dessa
forma, o acetato de sódio formado e resquícios de ácido salicílico e ácido
acético são facilmente separados, daqueles anteriormente citados, nesta
etapa.

Analisando os valores do intervalo dos pontos de fusão dos cristais


experimentalmente obtidos (115-119°C), verificamos que são valores abaixo
dos tabelados (135°C) em bancos de dados referenciais, como pode ser
verificado na tabela 1 abaixo.

Tabela 1 -Propriedades físicas do Acido Acetilsalicílico CAS:50-78-2


Peso Forma Ponto de Ponto de Densidade solubilidade
molecular física fusão(°C) ebulição(°C) (g/mL)
180,158 Sólido 135 H2O, EtOH

De acordo com Sarkar & Nahar (page 4, Chemistry for Pharmacy


Students) isso é uma evidência de que há a presença de impurezas nos
cristais obtidos.
Essa impureza também pôde ser determinada pela técnica de
Cromatografia em camada delgada, pois em comparação do obtido por
reação com o padrão utilizado de ácido salicílico o fator de retenção d e
ambos apresentou valores próximos como mostram os cálculos abaixo. Isso
indica que há uma quantidade considerável de ácido salicílico que compõe
os cristais obtidos.

Comprimento total percorrido pela fase móvel (mm).............................24.0

Comprimento percorrido pelo padrão (mm)..........................................11.5

Comprimento percorrido pelo produto reacional (mm)............................12.5


| Ò
OO 
   
 
| |Ò
O 
  O
 
No cálculo do rendimento da reação, verificamos a estequiometria 1:1
da reação e calculamos qual reagente é o limitante do processo. Os cálculos
estão abaixo representados.

Massa de AS (g) (mAS)............................................................................1.005

Massa molar do AS (g/mol) (MAS).........................................................138.121

Número de mols de AS (nAS):


O 

  
O OO


Volume de Anidrido acético (mL) (VAA)........................................................ 3.4

Densidade do Anidrido acético (g/mL) (d AA)............................................. 1.083

Massa molar do Anidrido acético (g/mol) (M AA)....................................102.089

Número de mols de AA (nAA):


  O  

   
O  


De acordo com o número de átomos de cada reagente, o reagente


limitante é o ácido salicílico. Com base nesses dados, obtivemos a massa
teórica de ácido acetilsalicílico, abaixo calculada.

Massa teórica de ácido acetilsalicílico (m AAS teórica):


   O  O  O OO


Por meio da diferença de pesagem do béquer de 50 mL vazio e
contendo os cristais obtivemos a massa de cristais de àcido acetilsalicílico
contendo impurezas de cristais de ácido salicílico como a CCD nos mostrou.

Massa do béquer de 50 mL vazio (g).................................................37.865

Massa do béquer de 50 mL contendo cristais de AAS........................37.950

Massa de cristais de AAS (mAAS) (g):

 
  
   


Com estes dados, calculamos o rendimento porcentual do processo


(Ș%):
  

 O    
O OO

Como foi acima já citado, este é o valor do rendimento obtido apenas


teoricamente, uma vez que existem impurezas contabilizando de forma
incremental para este valor. Na realidade, o rendimento real é inferior aos
6.48% acima calculados.

Por fim, calculamos a economia atômica de todo este processo. Para


isso, somamos as massas dos reagentes gastos e comparamos em relação
à massa dos produtos de interesse, neste caso o AAS. Para efeito de
cálculo, não consideramos as massas do clorofórmio usado no funil de
separação, da solução de diclorometano 0.95 metanol 0.5, a de acetato de
etila para solubilizar os cristais, bem como de bicarbonato de sódio usada.
Dessa forma, a economia atômica terá um valor apenas teórico e superior ao
real.
Para esse cálculo usamos as seguintes massas:

Massa de AS (g)........................................................................................1.005

Massa de Anidrido acético (g)................................................................. 3.695

Massa do Acetato de etila (g)........................................................... 1.801

Massa de AAS (g)...........................................................................0.085

Então a economia atômica teórica neste processo foi:


` ` 
 O  O O
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4. CONCLUSÃO

Concluo que este procedimento de síntese de AAS apresentou alguma


falha de procedimento. Isso pôde ser evidenciado pela quantidade
significativa de AS determinado por CCD e pelos baixos valores do intervalo
de valores do ponto de fusão experimentalmente encontrados. Tudo i sso,
gerou numericamente um rendimento muito abaixo do esperado, como
também, tornou o processo um desperdício atômico, resultando numa
baixíssima economia atômica do processo, fato que deve ser evitado tanto
na perspectiva de gastos com reagentes, como na geração de danos ao
meio ambiente.
5. TABELAS E FIGURAS

Tabela 1 -Propriedades físicas do Acido Acetilsalicílico CAS:50-78-2


Peso Forma Ponto de Ponto de Densidade solubilidade
molecular física fusão(°C) ebulição(°C) (g/mL)
180,158 Sólido 135 H2O, EtOH

Tabela 2 -Propriedades físicas do Anidrido Acético CAS:108-24-7


Peso Forma Ponto de Ponto de Densidade solubilidade
molecular física fusão(°C) ebulição(°C) (g/mL)
102,089 Líquido -74.1 139.5 1.08225 H2O; EtOH

Tabela 3 -Propriedades físicas do Ácido Salicílico CAS:69-72-7


Peso Forma Ponto de Ponto de Densidade solubilidade
molecular física fusão(°C) ebulição(°C) (g/mL)
138,121 159.0 211 1.44320 H2O

Tabela 4-Propriedades físicas do Acetato de Etila CAS:141-78-6


Peso Forma Ponto de Ponto de Densidade solubilidade
molecular física fusão(°C) ebulição(°C) (g/mL)
88.106 Líquido -83.8 77.11 0.900320 H2O; EtOH

V V


V V 
V V

V Ä V  V V

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V
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O termo ³ácido acetilsalicílico´ foi pesquisado neste site:


<http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_acetilsalic%C3%ADlico>

O termo ³economia atômica´ foi pesquisado neste site:


<http://it.wikipedia.org/wiki/Economia_atomica>

O termo ³Physical constants of organic compounds´ foi pesquisado no site:


<http://www.hbcpnetbase.com/>

Sarker, Satyajit D; Nahar, Lutfun;Chemistry for Pharmacy Students_general,


Organic and Natural product Chemistry; edition 2007,Ed John
Wiley&Sons,Ltda