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História do Vestuário - Pré-História a Belle Epoque

História do Vestuário - Pré-História a Belle Epoque

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Publicado porKeila Freitas
Pré-História e Antiguidade Oriental
Mesopotâmia e Egito
“Abriram-se os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras, e fizeram cintas para si.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 7 “E fez o senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 21

A sequência evolutiva da vestimenta humana foi exatamente essa. Primeiro as folhas vegetais e, posteriormente, as peles de animal. Como nos diz a Bíblia Sagrada, no antigo Testamento, o ser humano cobriu
Pré-História e Antiguidade Oriental
Mesopotâmia e Egito
“Abriram-se os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras, e fizeram cintas para si.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 7 “E fez o senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 21

A sequência evolutiva da vestimenta humana foi exatamente essa. Primeiro as folhas vegetais e, posteriormente, as peles de animal. Como nos diz a Bíblia Sagrada, no antigo Testamento, o ser humano cobriu

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Pré-História e Antiguidade Oriental

Mesopotâmia e Egito
“Abriram-se os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras, e fizeram cintas para si.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 7 “E fez o senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 21

A sequência evolutiva da vestimenta humana foi exatamente essa. Primeiro as folhas vegetais e, posteriormente, as peles de animal. Como nos diz a Bíblia Sagrada, no antigo Testamento, o ser humano cobriu o corpo pelo caráter de pudor. Todavia, há outras interpretações seculares que dizem ter os seres da condição humana coberto o corpo pelo caráter de adorno e, também, pelo de proteção. Qualquer que tenha sido a sua intenção, cobrir o corpo foi uma necessidade. Sob o ponto de vista de adorno, foi uma maneira que o ser humano encontrou de se impor aos demais, inclusive mostrar bravura ao exibir dentes e garras de ferozes animais, além de ter a pele para cobrir o corpo com tangas e/ou sarongues e carne para a alimentação. Há ainda o caráter de magia, ao associar os seus objetos de uso a poderes fora dos normais. O outro aspecto, o de proteção, está associado á questão de sobrevivência com relação às intempéries, principalmente o frio. O ser humano protegeu o corpo com as peles das caças e encontrou abrigo em grutas e cavernas nas quais deixou registros iconográficos. Esses registros foram os que chegaram até nossos dias, visto que as folhas e peles, por serem materiais biológicos, se deterioraram com o tempo. As peles, inicialmente usadas com o próprio pêlo do animal, eram normalmente de urso ou rena e passaram por processos de mastigação para serem amaciadas. Posteriormente, passou a ser normal untar essa pele com óleos ou gorduras animais para atribuir-lhe uma certa impermeabilidade e maciez, o que dava à peça uma maior durabilidade. Na sequência de uso de recursos, utilizava-se um elemento advindo de certas cascas de árvores ricas nessa substância, que realmente beneficiava com mais apuro a pele do animal: era o tanino, liberado dessas cascas ao serem mergulhadas em água. Tornou-se uma técnica de grandes resultados no tratamento das peles, que eram presas ao corpo com as próprias garras dos animais ou mesmo atando-as umas às outras com nervos, tendões ou até fios da crina ou rabo de cavalos. Com a fixação do ser humano ao solo, ele deixou de ser nômade caçador/ colhetor para se estabelecer com a criação de gado e a prática da agricultura. Isso também beneficiou a indumentária, visto que o vegetal linho lhe proporcionou, a principio, a técnica de feltragem e, posteriormente, num processo evolutivo, a própria tecelagem. Com o fabrico de tecido, mesmo de maneira primitiva e artesanal, houve um grande avanço em técnica e aprimoramento. Com esses tecidos, já se foi capaz de produzir saiotes e outras peças e ornamentá-los com franjas, conchas, sementes, pedras coloridas, garras e dentes de animais etc. Isso tudo aconteceu ainda na Idade do Bronze.

Antiguidade Oriental

Mesopotâmia
Região situada entre os rios Eufrates e Tigre, no atual Oriente Próximo, no atual Oriente Próximo, na qual desenvolveram diversas culturas no IV milênio a. C., entre elas as principais foram a sumeriana, a assíria e a babilônica. Essa região, não à sua época, mas posteriormente, foi denominada de Mesopotâmia pelos gregos e o nome quer dizer “entre rios”. De clima quente e solo fértil, a Mesopotâmia foi considerada o berço das civilizações humanas, tendo os sumerianos até mesmo sido os que desenvolveram a escrita, a cuneiforme, em aproximadamente 3500 a.C. No que diz respeito à indumentária local, especialmente a dos sumerianos, usava-se um saiote de pele com pêlo do animal chamado kaunakés, caracterizado pelos tufos de lã visíveis externamente na peça. Podemos notar que os mesopotâmicos já conheciam a tecelagem, entretanto, ainda há características bem primitivas na maneira de se vestirem. Sendo a base de suas roupas a própria pele do animal ou mesmo um tecido artesanal, esses tufos acabaram se deslocando para as extremidades e se transformando em franjas, que, além de serem utilizados como adorno, também serviam de acabamento para o tecido. Os homens usavam seus kaunakés um pouco curtos, chegando à panturrilha, e algumas vezes com o torso nu, ao passo que as mulheres vestiam seus trajes longos e cobriam o colo. Normalmente esses trajes, que cobriam todo o corpo de ambos os sexos, eram enrolados, dando a aparência de uma roupa espiralada, como vemos nas esculturas e pinturas da arte mesopotâmica. Com o tempo, esses trajes foram sendo substituídos, especialmente pelos homens mais simples, por uma espécie de túnica com mangas. O tecido predominante usado na região, para ambos os sexos, no apogeu de suas respectivas culturas, foi o algodão – produzido na própria região ou vindo da Índia -, além da lã e do linho; com o passar do tempo, tiveram acesso à seda da China. A suntuosidade das roupas e seus complementos, como normalmente em qualquer outra cultura, indicava a posição de prestígio do usuário. Homens e mulheres costumavam ter os cabelos longos; e cacheá-los era muito natural; inclusive os homens o faziam também com a própria barba, além de já usarem brincos. As cabeças, à exceção das coroadas, não eram muito ornamentadas, porém o uso de um gorro, chamado pelos gregos de gorro ou barrete frígio, era adotado pelos homens. Como calçados, era comum o uso de um tipo de bota de couro com o bico ligeiramente levantado, o que era uma característica oriental.

Egito
Como também na Mesopotâmia, no Egito o clima era muito quente; todavia, suas roupas eram bem mais sucintas do que aquelas usadas pelos vários povos que formaram a cultura mesopotâmica. Como roupas e complementos sempre foram, são e poderão ser diferenciadores sociais, no Egito, elas também cumpriam essa função e ganhavam a conotação de distinção de classes em que nobre e mais privilegiados se diferenciavam em opulência daqueles de classes sociais menos favorecidas materialmente, que, muitas vezes, andavam nus.

colares mais simples e. Essas perucas podiam ser de cabelo natural ou de fibras vegetais. eram raspados. Essas roupas pareciam estar bem próximas ao corpo. feito de pedras e metal precioso. tornou-se comum o uso do claft. O traje típico da indumentária egípcia era o chanti. uma espécie de tanga masculina. visto o piolho ser uma das pragas locais e. para protegê-los da areia escaldante. fazia-se necessário ter os cabelos raspados. Como adornos.Pouca coisa mudou na indumentária egípcia no longo período de apogeu de sua cultura faraônica. Essas mudanças só foram significativas quando ocorreram as invasões de outros povos em seu território. O que se vê de cabeleira na iconografia da arte egípcia são perucas. porém talvez seja o padrão estético da própria arte que dê essa característica à indumentária. acredita-se também que essas roupas seriam costuradas nas laterais. derretiam e untavam a cabeleira e a roupa. e o kalasíris. Havia também cones de cera colocados sobre uma peruca. em um primeiro momento. A fibra animal natural era considerada impura e. contudo. também a parte superior das costas. para os nobres. comuns. uma espécie de colar enorme que cobria o peito e. especialmente os romanos. também era hábito andar descalço. como proteção devido ao sol causticante que.a túnica longa. portanto. por questões higiênicas. mais tarde. o famoso e requintado peitoral. que durou aproximadamente 3. já que os pêlos do corpo. pois os nativos dominavam essa técnica. especialmente o linho. proibida pela religião local. Para os pés. cujas laterais lhe emolduravam a face. A cor predominante era o branco e a base têxtil era sempre a fibra natural vegetal. braceletes. . que. com o calor. Todavia. tanto masculina quanto feminina. tais como o linho e a palmeira. dando à peça uma espécie de elasticidade e maior aproximação ao corpo. Para a dignidade faraônica e sua ostentação. Um outro hábito comum entre os egípcios era o de raspar a cabeça. feitas em palha trançada. todavia. além do uso de contas de vidro colorido. aderindo o tecido ao corpo. o algodão também se fazia presente. Tinha a barba postiça de cerâmica. ganharam a conotação cerimonial e de status social.000 anos. os egípcios comuns usavam brincos. juntamente com o cabelo. às vezes. eram comuns as sandálias ditas de dedos. pedaço de tecido amarrado sobre a cabeça.

Um retângulo de tecido era suficiente para criar a peça mais característica de sua indumentária: o quíton. No período de apogeu de sua cultura. desde crianças. sendo uma das laterais fechada e a outra aberta. que não só influenciou a seu tempo como até hoje o faz em grande parte do mundo ocidental. Grécia A Grécia está situada na Península Balcânica. Prendia-se sobre os ombros com broches ou alfinetes e. de democracia. C. eram comuns as sandálias. uma espécie de avental na frente e nas costas sobre a saia (lembrando a tanga masculina) e. . nota-se uma considerável diferença entre as roupas masculinas e femininas. Grécia. teve como centro de sua organização política as Cidades-Estados. tanto eles quanto elas usavam ornamentos como chapéus e turbantes. em dias mais quentes. usavam uma espécie de tanga com um cinto e o torso normalmente nu. Homens e mulheres usavam-no. O quíton. cuja maior prosperidade se deu entre os séculos VII a. ou melhor. havia pontos em comum. Os gregos preocupavamse mais com os valores estéticos de suas roupas do que com o caráter de erotismo. Um deles era o de afunilar muito a cintura: homens e mulheres. Teve o apogeu de sua cultura entre 1750 a.Antiguidade Clássica Creta. lã ou couro. de conhecimento e de tantas outras referências de cunho positivo. muito elaborados e marcantes. é falar de filosofia. esse retângulo de tecido. também usados por ambos os sexos. pode-se conhecer e estudar melhor as questões minóicas. as mulheres. Etrúria e Roma Creta Creta é a maior ilha situada no Mar Mediterrâneo. tratava-se da túnica dos gregos. assim o faziam com um cinto. Pouco era sabido de sua história. portavam um tipo de blusa costurada nos ombros. e o uso de jóias como alfinetes. porém deixando os seios à mostra – podendo ser associado à questão da fertilidade e fartura. a não ser especialmente pela mitologia. Havia grandes diferenças entre as roupas masculinas e femininas. No que diz respeito à indumentária local à época de seu apogeu.. era habitual. o arqueólogo inglês Sir Arthur Evans descobriu o sítio arqueológico de Creta e. a crença politeísta e um apurado padrão estético. e o feminino era sempre longo. colocada no corpo presa sobre os ombros e embaixo dos braços. Acredita-se que essas roupas fossem de linho. de arte. Para os pés. na segunda metade do século XIX. quando. que pendia em cascata. com roupas simplificadas de características ainda primitivas. Os cretenses também trabalharam muito bem o metal. para momentos mais cerimoniosos. Como adornos. Falar da cultura grega. com inúmeras ilhas e de clima quente. de litoral muito recortado. usavam saias longas no formato de sino com babados sobrepostos. As menos favorecidas usavam só a saia. ou curtos para o dia-a-dia. na parte superior do corpo. bem diferentes. sendo os dos homens longos. e muito influenciou em sua época inclusive à cultura grega. Os homens. e nos dias mais frios era comum o uso de botas. em seus hábitos. com isso. contudo.C. outro aspecto foi o dos cabelos longos em cachos. de mangas curtas. colares. A indumentária grega foi muito peculiar e o que mais podemos notar como característica são os drapeados. brincos etc.

Os masculinos eram dois: a clâmide. que com o tempo passou a ser símbolo de seriedade e até de senilidade. No que diz respeito ao tingimento. Com o passar do tempo. que deixaram fortes marcas nos povos da Península Itálica. dentro de casa. brancos ou da cor natural da fibra utilizada. feita de lã grossa e considerada a capa militar. Para as mulheres. por sua vez. presas por tiras amarradas aos pés e às pernas. porém. amarrado por um cinto ou mesmo um cordão. Os homens usavam uma túnica e. Com relação aos trajes complementares. chegando mesmo a excessos. Entre os gregos. possibilitava criar o panejamento que vemos na maior parte das esculturas. portanto. Itália. C. o conhecimento de sua cultura veio pela iconografia. especialmente a encontrada em seus túmulos. visto que inúmeras imagens nos mostram nítidas referências orientais. por isso. denominado de peplo. A palavra quíton quer dizer “túnica de linho”. espécie de suporte que prendia o cabelo na nuca. o hábito de andar descalço não era demérito algum. a lã também servia como base têxtil da peça. As jóias também faziam parte dos adornos das gregas. sempre andavam dessa forma. além do cabelo solto. ao passo que as curtas somente os homens vestiam. O manto feminino. a indumentária grega foi se tornando luxuosa e ostensiva. Etrúria A Etrúria localizava-se na região da atual Toscana. o quíton deixou de ser uma peça de um único retângulo de tecido para ser composto de duas partes costuradas. Para os gregos. além de alguns traços das roupas gregas. os quítons eram de diversas cores e não como sempre imaginamos. Pode-se até considerar que essa capa tenha sido a que originou a peça que vai ser a grande característica da indumentária romana: a toga. e VI a. Já os cabelos masculinos eram curtos. a tabena. e adornar as . Por não terem a escrita. Quando usavam calçados no dia-a-dia. chegando aos pés. Largo e comprido. retangular ou mesmo semelhante a uma lua crescente. muitas vezes possuindo mangas. Era comum utilizarem cores em seus tecidos. era comum serem amarrados com fitas ou com chinós. eram sandálias. broches e mesmo diademas complementavam suas roupas. mais ampla e especialmente usada em dias mais frios. antes do século V a. anéis. por cima. As túnicas longas eram usadas pelos dois sexos. ou seja. Os etruscos podem ser considerados os antecessores dos romanos.na cintura. que não foi a característica de suas roupas no período de maior prosperidade de sua cultura. C. e teve seu momento de apogeu cultural por volta dos séculos VII a. colares. Havia algumas semelhanças entre as roupas de ambos os sexos. Isso fica claro até mesmo na indumentária local. alfinetes. braceletes. sendo de fato o tecido mais usado para a sua elaboração. Com o passar do tempo. brincos. drapeada nos ombros e no tórax. tipo de capa em formato semicircular. puxavam o tecido sobre o cinto para conseguir o aspecto de tecido mais solto. os gregos usavam mantos. Acredita-se que esse povo tenha vindo em migrações da Ásia Menor e ali se instalou. no princípio de sua civilização. inclusive o efeito blusonado. porém elas apresentavam diferenças não só na forma como também no comprimento. ao passo que a himation era uma roupa civil. os mais jovens passaram a raspar suas respectivas barbas. era bem mais longo. era comum o uso da barba. mesmo quando houve o apogeu de sua civilização. C. mais curta.

Os homens calçavam botas com o bico ligeiramente levantado. como os trabalhadores e até mesmo os soldados do exército. que nos permite fazer a correspondência com o himation grego. também a adornavam com cercaduras decorativas. cujas principais características eram as mangas. semelhante à capa masculina. Seu declínio começou no século V da Era Cristã. atingiu um esplendor tal que os excessos se tornaram características da indumentária romana. nítidas referências a valores gregos estiveram presentes no contexto da estética romana. vale notar que a toga também foi uma evolução da tebena etrusca. A peça característica da indumentária romana foi a toga. Com o passar do tempo. . Se Atenas se impôs pelo saber. As influências vindas de outras culturas. eram comuns para as mulheres. Roma atingiu uma estrutura tamanha que o gigantismo do Império fugia do controle dos governantes.bordas das tabenas também era habitual. Pessoas mais simples. braceletes. um tipo e bota fechada. eram compostas da túnica curta. a Roma imperial. Era normalmente de lã e no formato de um semicírculo. a cidade tornou-se a Roma republicana e posteriormente. Entretanto. a calligae. por sua vez. Uma grande variação na moda feminina estava na mudança contínua de penteados. segundo a lenda de Rômulo e Remo. O luxo. do saiote e da couraça. coroas e outras até mesmo com caráter de proteção. As roupas de campanha. colares. predominavam as sandálias. antes mesmo da queda daquela que foi a sede do maior império da História ocidental. a stola sobre ela. não só na maior extensão do território romano como também na própria cidade de Roma. a toga. foi fundada no ano de 753 a. Essas peças em metal precioso e pedras preciosas. Roma se impôs pela força. podia ser passado sobre a cabeça. Quanto maior fosse. muitas vezes usavam só a túnica. de influência oriental. tais como alfinetes. denunciava a condição de prestígio ou a função de usuário. Roma recebeu influências etruscas. que demonstram apurado domínio de técnica aliado ao extremo bom gosto.C. Assim como a Grécia recebeu influências cretenses. todavia.. No que tange à indumentária romana. Os romanos usavam a túnica e. como também que as principais linhas de suas roupas foram adaptadas da dos gregos. anéis. por cima dela. em um certo momento. brincos etc. no formato do peito para proteger o tórax. o que favorecia o denso e rico drapeado. sendo esse detalhe a maior diferença em relação à correspondente masculina. e sandálias. e a principal causa de sua queda foi a invasão dos povos bárbaros. ou mesmo a sua cor. no seu apogeu. Para os Pés. podemos salientar que não só sofreu influências etruscas. A peça para as mulheres correspondentes à toga era a pella. uma espécie de manto que tinha o formato retangular. principalmente as orientais. inclusive na maneira de vestir. fivelas. que sempre vestiam suas túnicas longas. Uma grande característica da arte e da indumentária etruscas foi a joalheria. nos pés. são verdadeiros objetos de arte. de influência grega. As mulheres usavam a túnica longa e. Roma A cidade de Roma. e o manto. uma espécie de escudo de metal. AS mulheres.e. anéis. que era extremamente volumosa e denunciadora do status social daquele que a portava. muitas vezes. que era outro tipo de túnica. colares. Jóias de diversos tipos. como pulseiras. muito contribuíram para os excessos marcantes na indumentária romana.

esses povos trabalhavam muito a lã. eram comuns calçados fechados ou também sandálias em couros atadas por correias e cadarços para ambos os sexos. quando tribos asiáticas passaram a pressionar tribos européias. devido à sua condição de nômade. resultantes da mistura de modas nativas com aquelas do final da Antiguidade. O marco foi a deposição do imperador romano Rômulo. ou mesmo as calças longas atadas às pernas por bandas de tecido abaixo dos joelhos. em virtude das condições climáticas um tanto quanto hostis. . Para os pés. o Império foi dividido em Império Romano do Ocidente e Império Romano Oriente. preso ao corpo por broche ou alfinetes. como proteção maior.A Idade Média Povos Bárbaros. acabaram também se romanizando. da queda do Império Romano do Ocidente foi a invasão dos povos bárbaros. Para os homens. Bizâncio. A maior causa. mantos e espécies de calças. Bizâncio Roma estava enfraquecida e a capital do Império foi transferida para uma antiga colônia grega situada no Bósforo. principalmente os germânicos. usavam um xale também presa por broche ou fivelas. sendo colocado um germano no seu lugar. Por cima. as túnicas podiam ser mais curtas. Por baixo da túnica. para se protegerem usavam toucas. essas tribos. Essas calças eram presas por um cinto que envolviam o corpo por intermédio de passantes. costumavam trajar uma camisa geralmente de linho com abertura frontal até o peito. Europa Feudal e Europa Gótica Os trajes usados na Idade Média baseavam-se nos tipos que se tinham desenvolvido próximo a meados do primeiro milênio. A região Oriental estava mais fortificada em razão de diversos fatores socieconomico-culturais. precisando assim de uma proteção contra o atrito e também contra o frio. porém não a única. nos quais levavam seus pertences. usavam um manto que podia ser de couro ou de pele animal. que se chamava Bizâncio e cuja capital passou a ser Constantinopla no século IV. Com o tempo. passando a ter um gosto maior por adornos e cores mais vistosas. esses povos moravam em regiões de condições climáticas bem desfavoráveis. o que culminou no século V. no território de Roma. de couro ou de tecido. As mulheres vestiam-se com uma túnica longa presa por broches e atada ao corpo por cintos. devido ao contato com os povos das culturas romanas e bizantinas. onde o frio era intenso. cujas fivelas se compunham de discos duplos de metal ocos. Habitantes do norte e do leste da Europa. Esse período de invasões e migrações se deu desde o fim do século IV. Sobre a túnica. Em relação às roupas. terminando assim o período da Idade Antiga e dando início ao da Idade Média. pois. já em fins do mesmo século. para elaborar seus tecidos. Homens e mulheres tinham cabelos longos e. cumprindo uma dupla função protetora. locomoviam-se sobre o lombo do animal. Com o passar do tempo. Povos Bárbaros O ano de 476 marcou a queda do Império Romano do Ocidente. mas também o linho. eles usavam calções curtos denominados de braies. criar túnicas. o cânhamo e o algodão. tornando mais delicado o problema das fronteiras do Império.

as roupas ainda eram bordadas com fios de ouro e prata. A seda foi o principal tecido utilizado em Bizâncio. resultando assim no fim da Idade Média. Esses mantos eram presos nos ombros por broches os fivelas – verdadeiras jóias. com isso. Apesar das diferenças. a invasão dos povos bárbaros em território do Império Romano Ocidental foi a principal causa de sua queda. graças a todo esse gosto requintado e luxuoso. mais ornamentada se apresentava. em Bizâncio. pérolas e pedras preciosas. que foi a arte maior entre os bizantinos. Sua fabricação era monopólio do governo. Eram verdadeiramente hierárquicos e. Ainda hoje. . As influências recebidas pelas suas roupas eram diversas. isso também claramente evidenciado pelas formas amplas do corte que envolviam o corpo do usuário. Bizâncio também influencio a indumentária da Europa Ocidental. todavia. O Oriente estava em condições gerais bem superiores às do Ocidente. era muito semelhante para os dois sexos. refletindo luxo e fazendo eco aos mosaicos das construções locais. As cores estavam muito presentes não só para o casal imperial como também para os mais privilegiados materialmente. Como em outras culturas. data em que os turcos otomanos tomaram Constantinopla e a saquearam. A roupa em si. motivos florais e até mesmo animais. Houve.além da destruição da situação geográfica previlegiada. tanto na Grécia quanto em Roma. cuja esposa era Teodora. ostensivo em cores e elementos pingentes. Esse tecido normalmente só poderia ser usado pelos altos funcionários da corte. O luxo oriental sempre foi mais ostensivo do que o ocidental e. não era diferente. não era diferente o excesso de ornamentação. com isso. O apogeu da cultura Bizantina ocorreu no século VI durante o governo do Imperador Justiniano. Pode-se perceber que essas roupas eram totalmente diferentes daquelas usadas no período da Antiguidade Clássica. os patriarcas da Igreja Ortodoxa em suas cerimônias religiosas trajam paramentos muito parecidos com as roupas usadas pelos imperadores bizantinos. importá-la da Índia e da China. persas e árabes e. A lã. Para os sapatos. a influência do corte do manto era nitidamente romana. A religião vigente era Cristã. Europa Feudal Como dito anteriormente. em uma mistura evidente de referencias romanas. servindo de entreposto entre o Oriente e o Ocidente. O Império Romano do Oriente vai perdurar até 1453. além do uso da complementação ornamental em bordados com cenas religiosas. houve de fato a cisão entre a cristandade em Católica Romana e Ortodoxa Oriental. principalmente no que se diz respeito à economia. Não havia nas peças um compromisso de sedução. não sendo preciso. o aspecto de orientalização ficou cada vez mais evidente. a roupa bizantina também foi um diferenciador social. pois ambos vestiam túnicas com mangas longas até os punhos e. muito menos de utilidade. quanto maior o prestigio do portador. Como se não bastasse todo esse esplendor. tendo também aplicações de pérolas e pedras. No que se refere às roupas locais. nunca na história da indumentária houve uma aproximação tão grande entre roupas civis e religiosas. visto que a principal característica era de fato esconder o corpo. evoluiu ganhando maior comprimento. tendo sua produção sido desenvolvido no próprio império. o algodão e o linho também faziam parte da indumentária de Bizâncio. em meados do século XI (1054). toda via se distanciando consideravelmente da Igreja Romana e. e os tecidos mais opulentos e suntuosos eram de uso exclusivo da família imperial. um considerável êxodo urbano para começar daí uma nova proposta de vida ligada ao campo. normalmente em seda. com isso.

porém. O sistema social que caracterizou a Europa ocidental na segunda metade do primeiro milênio da Era Cristã foi exatamente o feudalismo. não chegando aos joelhos para os menos favorecidos. a decadência cultural. não obedeciam a uma mesma ordem. com o senhor e seus vassalos. distinguindo-se uma das outras na qualidade técnica mais aprimorada de fiação para os privilegiados e aspectos brutos e fiados em casa para a vassalagem (sistema social e econômico. No que tange às roupas. Por cima da túnica. que não eram todos iguais. A bonelli. passaram a dominar todo o tipo de produção intelectual. tipo de túnica usada pelos homens deste período. Estes prestavam serviços e obediência àqueles em troca da sobrevivência. todavia. tinha como principal diferença ostensivo e ornamentos. que ganharam significativa autoridade. Ocorreu a tentativa de unificar a Europa sob o comando de um governo católico. Esse sistema obteve sucesso enquanto ele esteve vivo. Houve uma grande queda na produção artístico-cultural neste. visto que as referencias greco-romanas foram substituídas pelos valores dos povos invasores. após a desunificação européia. A roupa usada pelos mais ou menos favorecidos materialmente falando. foi à altura das panturrilhas para os mais endinheirados. oferece fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção). sendo forrada de pele para os dias mais . que privilegiava o ensino e as oficinas de arte. Ela era presa ao corpo por um cinto. a principal causa das roupas dos europeus ocidentais serem menos opulentas que as do Império Romano do Oriente fossem econômica. isto também aconteceu no que se relacionam à indumentária. o grande diferencial era a quantidade de tecido usada para elaborá-las. Carlos Magno. As silhuetas de quem as usavam não era o fator mais importante das roupas. as oficinas por eles criadas foram de tremenda importância no que diz respeito a produção cultural. a decadência do comercio. nas mãos dos senhores das terras. o objetivo foi perdido. estando totalmente ligada às questões religiosas cristãs. Possivelmente. qualquer que fosse o grau de prestigio na sociedade européia ocidental. quanto as diversas culturas européias se reuniram em torno das Cruzadas passando assim a ver uma certa uniformidade na maneira de se vestir. já que o corte era muito semelhante para as distintas classes sociais. ao passo que os mais afortunados as usavam mais variadas e ostensivas. e antecederam às dos mosteiros que. além do deslocamento para o campo e. O rendimento estava centralizado na produção agrícola e o poder político. Até mesmo o tipo de fibra usada em suas túnicas. que é uma outra forma reguladora de diferenças sociais. sendo. semelhantes em determinados aspectos.Os centros urbanos. assim como quanto às cores: os camponeses portavam tonalidades discretas e sóbrias. Estas obviamente eram inspiradas na corte de Bizâncio. conseqüentemente. É claro que as roupas do dia-a-dia era menos suntuosa do que aquelas usadas em momentos mais cerimoniosos. o declínio da autoridade centralizada e o deslocamento para o campo fizeram aparecer um novo sistema políticoeconômico associado a um senhor e as suas respectivas propriedades rurais. devido aos baixos rendimentos. era bem inferior àquele luxo ostensivo. era a mesma. havia uma capa semicircular atada ao ombro por um broche. Assim serviram os feudos. Os mais favorecidos chegavam a usar até mesmo a seda. Depois de sua morte e da divisão do reino entre os herdeiros. Foram surgindo singularidades isoladas que duraram até o inicio da Baixa Idade Média. que passavam por grandes crises econômicas. fossem a lã ou o linho. que normalmente era um pedaço de terra para trabalhar. o próprio sistema do feudalismo/ fassalagem contribuiu para evidenciar as diferenças sociais entre senhor e empregado. Assim como se perderam os valores culturais clássicos em privilégios daqueles dos povos bárbaros.

Capa com capuzes. que passaram a ter abotoamento lateral. A igreja sobrepunha-se a tudo. com ou sem mangas. Eram presas aos ombros por broches e atadas à cintura por um cinto. além de uma certa unidade visual adquirida pela união dos povos das Cruzadas. Seja como adorno ou proteção. principalmente nos tecidos. elas começaram a delinear um pouco mais. além obviamente das roupas propriamente ditas e de técnicas específicas de corte. usavam um lenço denominado de palla. de uma maneira mais ampla. especialmente a parte superior dos vestidos femininos. também começaram a aparecer as peculiaridades entre as diversas cortes européias. além do crescimento do poder da Igreja na autoridade do Papa. houve o restabelecimento da economia urbana. uma vez que a vida rural deixava as pessoas mais vulneráveis às inclemências. podendo ser cobertas por placas metálicas também com o fator de proteção. e amarrados com bandas de tecidos sobre a perna do joelho para baixo. o da Baixa Idade Media caracterizou-se de maneira diferente. longos ou curtos aos joelhos. o que acarretou em novo modo ligado ao comercio e à vida cultural. especialmente a parte superior dos vestidos femininos ou masculinos. dos quais saiam tiras para serem cruzadas e amarradas nas pernas. imponente. . Sobre os ombros.frios. como também se sucederam outras. Com tudo. o então Papa Urbano II convocou as cabeças coroadas e todo o povo cristão para uma cruzada rumo ao oriente para salvar os lugares santos da cristandade das mãos dos turcos pagãos. vamos documentar o que foi mais significativo. o ressurgimento de uma autoridade central. visto que surgiram nesse momento as catedrais no estilo que muito marcaria a arquitetura religiosa – a religião cristã estaria em plena efervescência. porém normalmente presos para as mulheres. eram de couros. elas começaram a delinear um pouco mais. Por tanto. Calções chamados de braies eram usados com meias por baixo das túnicas. com as monarquias estabelecidas em solo europeu. inclusive túnicas. Os cabelos para ambos os sexos eram longos. por sua vez recebiam o nome de stolla e eram vestidas pela cabeça. capesino e horizontalizado de fins da Alta Idade Média. era comum o uso do couro ou tecidos mais resistentes. acusados de profaná-los. Isso tudo estava associado à solidificação das monarquias européias. a revalorização dos centros urbanos por toda a Europa. As túnicas femininas. tanto para os homens quanto para as mulheres. também fizeram parte da indumentária desse período como forma de proteção contra as intempéries. nesse momento. passando a existir um certo aspecto de orientalização nas vestimentas européias. inclusive os próprios monarcas estavam abaixo do Sumo Pontífice na escala social. No que diz respeito às roupas. urbano e verticalizado. também usavam um manto longo que chegava ao comprimento da própria túnica. herdadas dos romanos. Não só se deu a primeira Cruzada. a aplicação de novas técnicas agrícolas desenvolvidas (o que favoreceu o aumento da produção de alimentos) o reaparecimento do comercio citadino. Os calçados. sejam femininos ou masculinos. Européia Gótica Se a Alta Idade Média européia correspondeu a um período associado ao campo. e de poucos recurso econômicos. Assim ocorreu na Europa cristã no momento máximo do Teocentrismo. o momento seguinte. Para as campanhas. ao feudalismo por excelência. O retorno da vida citadina foi igualmente de significativa importante para a igreja. surgiu o estilo gótico. No fim do século XI. Em sucessão ao estilo romântico de aspecto pesado. Se as roupas do período anterior pouco ou quase nada marcavam a silhueta dos corpos. ou seja. em função do clima. nesse momento. Com o passar do tempo. A ida do europeu ocidental ao Oriente também influenciou a indumentária desse período.

Se a indumentária para os dois séculos em quase nada se diferenciava na Alta Idade Média. Com o retorno à Europa.As mangas. os burgueses. visto ter sido nesta passagem cronológica que surgiu o conceito de moda. pouco ficavam em evidencia. se assim acontecesse. novas propostas suplantariam as. Quanto maior o titulo do indivíduo. Uma moda feminina muito peculiar entre o fim do século e o início do século XIV foi a do uso da barbette. por exemplo a justeza estava localizada no corpete do vestido. Todas as vezes que isso acontecia. idéias diferenciadas advindas da corte. criando o comercio entre o Oriente e o Ocidente. também denominados de mercantilistas. Surgiu como um diferenciador social. ficando próximo ao corpo e a saia mais amplas. cresceram muito e ganharam amplitude nas alturas dos punhos. . foram os sapatos de bico pontudo. com o passar do tempo. um eco à estética arquitetônica do período. pelo contrário.andando elaborá-las aos mestres alfaiates das cidades. no período da Baixa Idade Média. especialmente para os homens. Além dessa moda. maior era a permissão de usá-los com bicos extremamente pontiagudos. Percebemos. Os homens usavam meias. De inicio. atingindo o chão. esteve presente entre os hábitos femininos. O uso de véus foi uma constante feminina no período gótico. um gosto durava enquanto não era copiado. de cunho religioso. e os calções foram diminuindo a ponto de cada vez mais as pernas. surgiam e eram colocadas em práticas vestimentarias. Esse momento do final da Idade Média e principio do Renascimento foi de estrema importância para a história da Indumentária. diferenciador de sexo (tendo em vista que as roupas masculinas se encurtavam e as femininas permaneceram longas) pelos aspectos de valorização da individualidade e com o caráter de sazonalidade. com o tempo. ou mesmo sua silhueta. que era uma banda de tecido que passava sob o queixo. que a indumentária desse período foi marcada pelo uso excessivo de tecidos. mais. além dos calções longos chamados de braies. por sua vez. No século XII. não gostando muito dessa idéia. ela começou a ganhar uma distinção: as roupas masculinas sutilmente começaram a se encurtar. então vigentes. elevada às temporas e presa no alto da cabeça sob o penteado. presos à cintura por um cadarço. Isso de fato aconteceu. A aristocracia desse período já não fazia mais em casa a suas roupas. cada vez mais. fossem de lã ou de linho. o véu tinha influência oriental. foi ganhando características locais. significando grau de nobreza. que surgiram com as Cruzadas. Os nobres. com planejamento mais volumoso. ao passo que as femininas se mantiveram longas. e o corpo. as Cruzadas foram ganhando também o caráter comercial ao estabelecerem o contato com o Oriente e terem acesso a inúmeros artigos que o europeu ocidental desconhecia. enfeitar a cabeça de maneira elaborada. Muito comum para a moda entre os meados dos séculos XIV e XV. os cruzados levavam mercadorias diversas. muitas vezes coloridas. Essa referencia vem especialmente da corte de Borgonha (parte atual do território Francês). Aí está o conceito de moda numa acepção mais próxima da nossa realidade. que eram cortadas no formato da própria perna. ou seja. o corpo era praticamente o suporte de muitos volumes têxteis. A silhueta foi a magra e verticalizada. criando assim um ciclo de criação e cópia. próximo ao fim da Idade Média. . com adornos e chapéus sofisticados chamados heninn. As túnicas foram se encurtando transformandose assim no gibão. cobertas pelas meias ficarem à mostra. suas roupas daquelas copiadas. Surgiu então uma nova classe social endinheirada e que tinha condições financeiras para copiar o que a corte usava. uma vez que os nobres locais se incomodavam com as copias de suas roupas feitas por uma classe social mais abastada. pois. começaram a diferenciar. de um modo geral. Inicialmente.

um detalhe para evidenciar. no que diz respeito às roupas. Os tempos agora são outros e. A indústria têxtil deu um grande salto em desenvolvimento. porém. que cresceu tanto que atingiu proporções inimagináveis. que. a moda teve certa similaridade. essa peça foi chamada. Para os homens a roupa característica desse período foi o gibão – o que poderia corresponder na contemporaneidade ao paletó . eram mais longos. podendo ou não ter mangas. a princípio. Era. em tecido fino e toda engomada em efeitos tiotados. de braguette e. que se assemelhava a uma enorme roda. foram encurtados de uma tal forma que ficaram muito pequenos. a humanidade e seu talento foram valorizados. É lógico que toda essa . Sobre o órgão sexual usavam uma espécie de suporte que tinha mais características de adorno do que de proteção. Milão. de codpiece. Em um primeiro momento. em inglês. uma espécie de heráldica nas roupas. assim se sucedeu o Renascimento. esse requinte refletiu nas roupas propriamente ditas. como evolução do efeito de acabamento próximo ao pescoço. a religião católica foi abalada pelo protestantismo. em português. todavia. Barroco e Rococó Meados do século XV (1453) à fins do século XVIII (1789) Renascimento O período denominado de Renascença ou Renascimento redescobriu os valores do humanismo greco-romano. entre outras características. denominada de rufo. o que simbolizava um código de pertencimento ao seu respectivo clã. foi sendo velado e. era comum o decote acentuado.A Idade Moderna Renascimento. As cortes européias já estavam muito bem estabelecidas e. veludos. espanholas e inglesas. com o passar do tempo. Florença. O comércio e a indústria expandiram-se. Nas pernas. para disfarçar. De efeito visual bem erótico. a secularidade sobrepôs-se à religiosidade. sendo assim. cetins e sedas e. elas também mudaram. apesar das peculiaridades. abotoados à frente e com uma basque sobre o calção. Sobre o gibão. em francês. pois um povo acabava influenciado outros. especialmente para a moda feminina. a vida cultural citadina ganhou forças nas mãos do mecenato. francesas. Cidades Italianas como Veneza. a influência maior veio das cortes italianas. É lógico que o teocentrismo da Idade Média não havia sido abandonado. Gênova e Luca foram responsáveis pela elaboração de tecidos de primeira qualidade como brocados. com o tempo surgiram influências alemãs. normalmente acolchoado. apesar de servir também para unir uma perna de calça à outra. havia uma espécie de adorno almofadado preso sobre essa união. A parte inferior das roupas masculinas era composta pelos calções bufantes que. Para ambos os sexos. usavam a jacket. Essa moda foi toda bem colorida e chamativa. usavam meias coloridas. sendo a masculina mais efusiva que a feminina. porém as referências antropocêntricas ganharam um lugar de destaque no pensamento renascentista. ou uma túnica aberta à frente e de grande panejamento. de portapênis. houve uma identidade própria de cada país nos seus respectivos hábitos de cobrirem o corpo e adornarem-se. As mangas eram presas ao corpo da peça por atacadores e. Surgiu assim a Idade Moderna em terras da Península Itálica. e logo seus conceitos foram sendo difundidos por toda a Europa. obviamente. de fato. exibir toda a masculinidade e virilidade do portador. ou melhor. surgiu um tipo de gola. muitas vezes com características diferentes (cores e/ ou listras) para cada perna. Artistas e filósofos tentavam recuperar referências da Grécia e Roma Antiga. De uma maneira geral. especificamente na cidade de Florença..

que eram bem mais confortáveis do que os pontiagudos do período anterior. havia também. A moda feminina também se diferenciava de acordo com a nacionalidade. com a ascensão econômica. usarem um vestido denominado de vestugado. mas também o gosto pessoal por essa cor pelo imperador espanhol Carlos V. pérolas e tranças enroladas sobre a cabeça. Esses efeitos de arredondamentos pode-se dizer que também eram reflexos de arquitetura. um grande afulimento do próprio corpo. em um primeiro momento do Renascimento. assim como a masculina. As jóias estiveram em voga tanto na Inglaterra quanto na Itália.opulência era sinônimo de prestigio social. era comum às européias. As mangas desses vestidos normalmente eram longas. surgiram os sapatos de bico achatados e largo. também eram brancas e engomadas. meias. fosse a chemise usada sob o gibão ou mesmo o tecido que unia as tiras do calção bufante. atingindo volumes inusitados. um grande afunilamento visual. Esse hábito comum em toda a Europa. uma vez que o corpo ganhava o aspecto de ângulo agudo à altura do quadril feminino. sempre manteve o rigor e a austeridade em suas indumentárias. Esse detalhe. mas também nas luvas. largas e pendiam. foi um tanto quanto colorida. foi mais evidente entre os homens. que afunilava a cintura feminina de maneira bem significativa. quase até o chão. . que direcionava o olhar para o órgão sexual. uma vez que os arcos arquitetônicos então já não estavam tão pontiagudos como as ogivas góticas. porém ainda dentro dos padrões renascentistas. que consistia em partes rígidas para o tronco e que. Com o passar dos tempos. Eram usados em profusão. visto que o uso dessa gola até mesmo limitava movimentos mais vigorosos. ser ornada (ou ser inteiriça) com rendas. Uma moda curiosa chamada de Iandsknescht veio da Alemanha. e mais acentuado. já usado com o vertugado. da cintura para baixo. que cresceu nas laterais dos quadris. em geral. Foi o hábito de cortar o tecido da roupa em tiras ou em pequenas aberturas nas quais apareciam as peças de baixo. Esse país. não só sobre o corpo. todavia. quase não dando efeito de movimento à peça e liberdade à usuária. acabou influenciando com essa moda o restante da Europa. que podemos traduzir como talhadas. e as pesadas correntes de ouro eram muito apreciadas. sapatos etc. e mais acentuado. a moda feminina do vertugado acabou se transformando na farthingale. por questão de tradição cultural e religiosa. Para os cabelos. havia também. e um grande costume feminino foi acentuar a testa não só esticando os cabelos para trás como também chegando até mesmo a raspá-los mais próximos do alto da face. Para os pés masculinos. foi o uso quase generalizado da cor preta. Esse detalhe foi comum para ambos os sexos. que. Não só isso contribuiu. arame ou barbatanas de baleia para sustentarem todo esse exagero. Além do verdadeiro afunilamento do próprio corpo. Essa moda veio da Inglaterra em meados do século XVI e também no período do Reanscimento surgiu uma peça de grande importância para toda a história da moda que foi o corpete. eram usados adornos mais leves (comparados as do período anterior) como rendinhas. Era normalmente branca e podia. uma certa referência oposta chegava da Espanha em meados do século XVI. Em seus vertugados. além obviamente das pedras preciosas. e adorvavam suas faces com a gola rufo. muitas vezes. contudo. Um costume muito marcante no período do Renascimento foi uso excessivo de perfumes. A moda feminina. O rufo foi usado tanto por homens quanto por mulheres. se abria em formato cônico com armações mais rijas ainda. As armações eram de madeira. ficava mais evidente ainda pelo acentuado volume das laterais das saias quando transformadas na “farthingale”. entretanto. por sua vez. e agora. muitas vezes. para ambos os sexos. as mulheres também faziam uso das talhadas.

tanto para os homens quanto para as mulheres. Desse momento em diante. a se impor para o restante da Europa com os novos padrões sociais. Nome como Velazquez. para a moda masculina. Descartes e outros fizeram do século XVII um verdadeiro período de transformação intelectual.Com relação ao rufo. A roupa . recebia a influência espanhola e. os cabelos longos naturais masculinos entraram na moda. etiquetas. Rubens. Com os culottes. ganharam também o status de moda. A partir de 1660. O reinado de Luis XVI – o rei-Sol (1643-1715) – iniciou-se no decorrer da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). de fato. Caravaggio. a corte de Versalhes começou. Rembrandt. essa foi a gola Médici. A peruca transformou-se num dos elementos mais importantes da elegância masculina de peruca em Paris. tornou-se ainda maior. Para as mulheres. ele evolui e ganhou uma outra identidade. Nesse período. A moda feminina foi ganhando um significativo compromisso de sedução ao começar a evidenciar o colo com o decote e também a cintura com o corpete. em uma espécie de resplandor que contornava a parte de trás da cabeça. não se usava mais o vertugado e sim uma sobreposição de anáguas sob uma saia mais arredondada. principalmente. em seus efeitos de luz e sombra nas pinturas. aconteceu o mesmo. o gibão ampliou-se e alargou-se. que se apoiava enormemente sobre os ombros. Para o gênero masculino. tendo uma abertura frontal que valorizava o decote do corpete. quanto ornamental e opulento na arquitetura. além de terem ido até abaixo dos joelhos. difundiram um estilo que foi tão expressivo. Essas botas. Nas artes da Itália partiu o estilo Barroco que se expandiu por toda a Europa e pelo mundo ocidental até meados do século XVIII. tanto para homens quanto para mulheres. com seus burgueses ricos. que de início se destinavam só para montaria. nenhuma corte era capaz de ditar modos e modas. buscando retratar a emoção humana. normalmente de renda ligeiramente inclinada para cima na parte de trás. por exemplo. que havia se transformado no cabeção – gola engomada. a moda masculina desenvolveu-se muito mais que feminina. A Holanda. Já não se usava mais o rufo. havia aqueles não muito dotados de cabeleira que faziam usos de perucas e. que passou a sistematizar com muito rigor as suas experiências. A renda estava muito em evidência em punhos e golas. era muito comum o uso de botas. que variavam de acordo com cada país. criando boas maneiras. sendo assim. também branca e rendada. porém. Nomes como Bacon. moda. Barroco Como continuidade do processo antropocêntrico advindo com o Renascimento. na realidade. A tentativa de conhecer os segredos da natureza fez do ser humano um grande observador. De uma forma geral. Galileu. à exceção da Espanha. entre outros. assim como também o protestantismo local. o século XVII trouxe para a humanidade a Revolução Científica. não havia unidade nas vestimentas na Europa. que parecia deixar a cabeça apoiada sobre uma base inclinada – e que vai também se transformar na gola caída. continuou a usar o preto com muita austeridade. Por volta da década de 40 do século XVII. transformandose em um outro tipo de gola. as mesmas se tornaram um hábito de moda. modos e. Essencialmente para as mulheres. O pitoresco passou a ser uma marca registrada para ambos os sexos. O rufo também era usado e. Foi a época da França dos mosqueteiros e da Inglaterra dos cavaleiros. que eram adornadas em seus canhões com magníficas rendas. Newtom.

Com relação aos adornos de cabeça. bem como a sociedade. pombas. os ingleses usavam chapéus de copa alta e abas longas. buscando se expressar mais pela leveza e pela delicadeza. O Rococó privilegiou valores ornamentais e decorativos e toda essa opulência e luxo foram transportados para a moda. foi uma arte tão requintada quanto aristocrática. que recebeu o nome de rhingrave. uma espécie de penteado com ares de despenteado. foi. ao mesmo tempo. o Rococó pode ser considerado “o exagero do exagero”. alicerce e alavanca para o Iluminismo do século XVIII. bem comprido de início. No que diz respeito a todo esse esplendor dos homens. As mulheres usavam camisa de manga curta. com ornamentos de bordados e rendas. As meias de seda obviamente eram indispensáveis. irradiando a idéia e encontrando adeptos em toda a Europa e na América do Norte. as mulheres não usavam perucas. As artes evoluíram do Barroco para o Rococó. marcadas pelo uso de um corpete rijo e apertado. transformou-se no colete. Para a moda feminina. adornavam-nas com um penteado denominado de à la Fontage – nome originado do de uma das preferidas de Luis XIV . Paris foi o epicentro dessa filosofia. e tinham como objetivo compreender a natureza. Uma significativa quantidade de rendas enfeitava externamente o culotte. incrementaram os cabelos com rendas. Usavam também o culotte. eram feitas de seda preta com desenhos inusitados que continham um material colante por trás para serem aplicadas sobre a face. o azul-céu e o amarelo-pálido. chegando à altura dos joelhos. As cinturas eram finas. que teve seu início em solo francês. Os tecidos. Um complemento muito curioso de uso feminino foram as chamadas mouches de beauté (moscas de beleza). Os tecidos também eram luxuosos e caros. todavia. uma casaca. ao passo que os dos franceses eram de copa baixa e abas largas. que vigoraram na segunda metade do século XVII. esta. Ele tornou-se bem largo. Se o Barroco já foi um exagero.. foi se encurtando e se transformou na veste. Os pensadores do iluminismo eram chamados de philosophes. agora bem mais justo e. eram bem sofisticados. veludos e brocados em especial. por meio da razão. parece mesmo que o único elemento de masculinidade visível era um pequeno bigode. havia também a correspondência de todo esse esplendor. Com relação aos motivos. Por influência oriental. com o tempo. . que mais tarde. predominando as cores como o vermelho-escarlate. ou mesmo de tecido adornada de rendas. por sua vez. surgiu para o homem uma espécie de gravata de renda. toucas e armações de arame para manter de pé um volume tão alto. chegando até os joelhos. havendo a sobrecamisa com decotes acentuados e de mangas até os cotovelos. os excessos começam a perder espaço em favor de um aspecto de esplendor. estabelecendo assim o apogeu da modernidade. Nas cabeças. preso por fitas. o vermelho-cereja e o azul-escuro.dos homens ganhou uma identidade muito marcante: o culotte. Tinham o aspecto de pintas. apareciam cores mais claras como o rosa. Apesar dessa característica. adquirindo nítidas referências feminilizantes. Por volta de 1680. os homens começaram a usar uma espécie de túnica longa que. assemelahndo-se mais a um saiote curto do que a um calção.. como complemento geral. carruagens e cupidos. Com o tempo. por sua vez. Essa afirmação da razão e da liberdade ecoou tanto no pensamento político quanto no social e econômico. Rococó Assim como o Renascimento foi o passo inicial para a Revolução Científica. podiam como sóis. Na última década do século XVII. Foi a pura essência dos excessos do Barroco.

prevalecendo uma nítida referência à praticidade e à simplicidade nas roupas. a toilette era composta de culotte justo até os joelhos. manteve-se com toda a pompa e rigor já existentes. enquanto da sua minoridade. que pendiam desde os ombros até o chão. . Os cabelos. ainda demonstravam riqueza por meio de suas roupas. A partir de 1760. Com o tempo. passaram a ser bordados a partir da segunda metade do século XVIII. havia o hábito de empoá-las com pó branco. O volume das perucas diminuiu um pouco. houve a Regência de Philippe d´Orleans (17151723). Assim a França lançou moda e influenciou toda a Europa. Os vestidos eram denominados de aberto ou fechados. Nas costas de ambos os modelos. o Rococó o foi com Luís XV. a silhueta e a qualidade das roupas também mudaram. denominadas de paniers (cesto. os seus corpetes ajustavam consideravelmente o busto e a cintura. Além de serem empoados (cabelos e/ ou perucas) de cinza ou branco. Pa os homens desse período. Os costumes de então privilegiaram a frivolidade. todavia. As roupas estavam mais fáceis de serem usadas do que aquelas do período anterior. de galhos. predominando em todos os setores os exageros. casaca. mantinha as mesmas características. A falta de moderação foi a grande característica do período antecedente. as casacas. Os cabelos minuciosamente elaborados e empoados compunham o conjunto ornando a face. pouca coisa mudou desde o final do reinado de Luís XIV. também com os botões frontais. Se o Barroco esteve associado a Luis XIV. predominando então um penteado baixo e empoado. A moda feminina sob o reinado de Luís XV manteve o uso da maquiagem e dos pós nos cabelos. Além do mais. O penteado à la Fontange desapareceu. nesse momento. em francês). foram mantidos com o uso de barbatanas de baleia. meias brancas e sapatos de saltos (mais baixos que os do período anterior). quando ocorreu a inssurreição da Revolução Francesa. a burguesia campestre inglesa exerceu uma grande influência na moda. Os coletes eram bordados e abotoados à frente. Caprichos e bizarrices marcaram o gosto pela excentricidade. os volumes de suas roupas dificultavam o caminhar. As perucas podiam ser de cabelos naturais. O vestido fechado. porém. Na moda masculina. e. agora. O aspecto de fineza e leveza eram maiores do que na época de Luís XIV. A moda. ou mesmo as perucas. Os volumes cônicos das saias. hábito que vem desde o princípio do século XVIII e perdurou até a Revolução Francesa (reinado de Luís XVI). um laço de fita de seda preta na nuca e um outro na ponta do rabo-de-cavalo. por sua vez. Decorar excessivamente foi o valor predominante. A renda permanecia em rigor para os punhos das mangas de camisas e os coletes eram sofisticadamente ornamentos. por sua vez.O período de transição entre o Barroco e o Rocoó na França foi denominado de Regência (1715-1730). eram amarrados atrás em rabo-de-cavalo. a aristocracia francesa começou a declinar em poderes políticos e econômicos. Os volumes laterais das saias eram obtidos por armações. Enquanto as saias dos vestidos estiveram bem volumosas. O período do Rococó propriamente dito foi de 1730 a 1789. O gosto pela inspiração na natureza prevalecia. tanto as naturais quanto as artificiais. Na moda feminina. Tecidos como a seda e grossos brocados ornamentados com flores eram os preferidos tanto pelas mulheres quanto pelos homens. normalmente de salgueiro ou vime. crina de bode ou de cavalo e também de fibras vegetais. denominadas de à Watteau. camisa. O primeiro era composto de corpete decotado em formato quadrado com mangas até os cotovelos terminadas em babados de rendas e lacinhos de fita. colete. todavia sem ter a sobre-saia aberta. sob Luís XV. era comum haver pregas largas. foi caracterizado como aberto pelo recorte frontal na sobre-saia que deixava aparecer a saia de baixo repleta de ornamentos. ganhavam agora. usavam o chapéu tricórnio na cor preta. Delicados sapatos calçavam os pés femininos. A flor foi o grande ornamento. nunca tão usada como então em vestidos e cabelos.

da mesma forma que. especialmente masculinos. para passarem por uma porta. o Rococó foi ligado aos penteados enormes e aos cabeleireiros femininos. . que foi de 1770 a 1789. Os decotes dos corpetes tornaram-se mais profundos. foram assimilados a partir de 1770. de fato.principalmente no último momento do Rococó. ao sentarem num banco de jardim. que já vinham se elevando desde 1760. Utilizavam-se de recursos de enchimentos para obterem volumes consideráveis. Se o Barroco esteve associado às perucas e os peruqueiros. era necessário abri-la em duas partes. o ocupavam praticamente todo. tornou-se rainha da França. que. também foi comum entre as mulheres a saia de enormes volumes laterais. além do recurso dos alfinetes. Untavam-nos para aplicar-lhes o pó e enfeitavam um suporte de crina de cavalo por trás da cabeça. mas. Lembremos que as mulheres não usavam perucas e seus adornos eram feitos com os próprios cabelos. No final do Rococó. Luís XVI subiu ao trono em 1774. e sua mulher. muitas vezes ornados sobre os ombros com um lenço branco quadrado dobrado em formato triangular denominado de fichu. obtidos com excessivos paniers. Foram levados às últimas conseqüências em proporção e enfeites. a austríaca Maria Antonieta. O que muito marcou esse momento na moda feminina foram os penteados.

com os Paniers. a frança passou a ser governada por um sistema monárquico imperial. A partir de 1790 a palavra de ordem era conforto. não havia mais nada de ostensivo e extravagante. de 1804 a 1815. liderou a revolução mas o sucesso se deu por conta da participação de seus outros representantes. Vale destacar as influências greco-romanas que estiveram destacadamente . Um traço característico desse vestido era o recorte de cintura alta. Para as mulheres a opulência também desapareceu. logo abaixo dos seios. foram deixados de lado. corpetes. isto é. mas. Romantismo. que estava incluída no terceiro estado. similar a uma camisola solta. geralmente de cor branca em tecidos vaporosos e transparentes como mousseline ou cambraia. tecidos faustosos. botas. Eles passaram a usar casacos de caça ingleses. Houve uma mudança drástica na forma de ser vestir e o gosto pela natureza e as influências da vida no campo inglesas estiveram presentes também. Após o governo de um Diretório. se rebelasse e desse início ao processo revolucionário. o processo de mudanças se iniciou antes. A Revolução Francesa deu origem a um processo gradual de mudanças sociais que gerou a transição para outro momento histórico: a Idade Contemporânea. Os excessos vistos no período do Rococó. golas altas e majestosos lenços amarrados no pescoço como adorno. com roupas mais práticas e confortáveis. no entanto. calças cada vez mais assimiladas e parecidas com as de hoje. Era Vitoriana e La Belle Époque Império O excesso de privilégios gozado pelas classes favorecidas francesas (clero e nobreza) fez com que o terceiro estado. A burguesia. A “Anglomania” atingiu a vestimenta masculina no sentido de sobriedade. seguido do de um Consulado. com decote acentuado. A identidade da moda Império culmina durante o reinado de Napoleão. o restante da população. comandado por Napoleão Bonaparte. Usavam um vestido simples.A Idade Contemporânea Império. muitos bordados. Tais linhas para homens e para mulheres são as que prevaleceram no período do Império. perucas. os campesinos e os trabalhadores urbanos.

fez algumas proibições que afetaram diretamente a moda. proibiu a importação de mousseline da Inglaterra. Assim.presentes: os cabelos intencionalmente despenteados (Cabelos à Ventania) e a forte lembrança das vestimentas gregas femininas. uma vez que a vestimenta masculina era toda influenciada pelos ingleses. quando os vestidos eram de mangas curtas. Napoleão. As mulheres usavam longas luvas para se protegerem. . Buscava com isso fomentar a produção especialmente da seda de Lyon. Intencionava gerar um maior consumo têxtil e também fortalecer a França como divulgadora de moda. A questão do frio era realmente um problema nesses vestidos de leves tecidos e profundos decotes que deixavam o colo todo em evidência (quadrados ou em V). entra em moda um acessório que vai ser usado em todo o século XIX. Em parte por problemas políticos que enfrentava com a Inglaterra e por outro lado com intenção de desenvolver a indústria têxtil francesa. Também proibiu as damas de sua corte de repetirem em público o uso de seus vestidos. Inicialmente importado da índia (Caxemira) e posteriormente fabricado na própria França. o xale.

abarcando a épica e a lírica. do teatro ao romance. ao contrário das artes plásticas. Propunha sobriedade e distinção e foi referência para toda a moda masculina do século XIX. A moda masculina. A pintura foi o ramo das artes plásticas mais significativo. A literatura romântica. mais do que os valores de arte. na Inglaterra. As roupas eram justas e não podiam ter nenhuma ruga. música. calção ou calça comprida. mangas compridas e justas nos punhos. que foi usada durante todo o século XIX. foi ela o veículo que consolidaria definitivamente o ideal de uma época. um lenço usado com sofisticados nós e que deixavam a cabeça erguida. Este movimento surgiu pelas mãos de George Brummel e teve seus dias mais gloriosos. status e poder social. que foi uma espécie de transição do Império para o Romântico. Procura-se no conteúdo. avançando para um modo de ser. com saias sutilmente cônicas.Romantismo O período do Romantismo correspondeu aproximadamente de 1820 a 1840. um estilo de vida. em um momento em que a Revolução Industrial estava a pleno vapor. naturalmente na moda. um estilo denominado de Dandismo. gerando certo ar arrogante. foi um movimento de vanguarda e que teve grande repercussão na formação da sociedade da época. nesse momento de Restauração. que foi mais do que uma moda. estava bem aquecida. Antes dele. contamos com o período de Restauração (1815-1820). camisas com altas golas e pescoços adornados com o Plastron. arquitetura. destacando principalmente a pintura histórica e em menos grau a pintura sagrada. Os homens ainda contavam com um acessório que ficou marcado com ícone de elegância. Os vestidos começaram a ficar mais ornamentados. colete. de pouca identidade na moda feminina. A proposta era um ser humano espontâneo e emocional. típico Dandy. que desempenharam um papel menos vanguardista. Houve toda uma influência no processo criativo das artes. estava transformando os homens em máquina e fez despertar o saudosismo. no entanto. em plena transformação já desde o período do Império. porém bufantes nos ombros. os efeitos emotivos. utilizando-se de temas dramáticosentimentais inspirados pela literatura e pela História. a cartola. efetivamente entre 1800 e 1830. Surge. literatura e. . O período Romântico propriamente dito defendeu as emoções libertas e pôs fim ao racionalismo típico do Iluminismo. Este ideal iluminista. O modo de ser Dandy impôs-se e ditou regras. Usavam casaco. decotes mais altos.

broches e laços babados. cobrindo o decote e as mangas. As saias são usadas com anáguas e adquirem volume cônico. Os adornos em geral foram muito usados. o uso de barbas. a partir de 1830 e até a Primeira Guerra Mundial.Para os homens o estilo Dandy permaneceu. quase inalterado. O xale manteve-se e podia ser feito de renda. . sofisticados penteados. os decotes aparecem novamente. Para a noite em especial. bem acentuados. Neste momento os homens estavam ocupados com o trabalho e coube às mulheres a exibição dos poderes materiais da burguesia. Os sapatos tinham salto baixo e o leque era indispensável. usado sobre os ombros. Foi comum para eles. fitas. Elas buscaram inspiração no passado e resgataram os valores tradicionais. pulseiras. Nas cabeças usavam cachos caídos sobre a face. As mangas passam a ser enormemente bufantes e foram denominadas de Mangas Presunto. Eram em forma de canoa. criando o aspecto de ombros caídos. flores. Jóias como relicários. do tipo boneca amarrados sobre o queixo. A cintura volta para seu lugar e novamente passa a ser marcada pelo corpete. preenchidas com plumas e fios metálicos para dar o volume desejado. Os tecidos listrados e florais foram comuns e as cores mais usadas eram tanto os coloridos quanto o preto. para os vestidos que as tinham. chapéus de palha ou cetim.

ela era uma figura solene.Era Vitoriana O início da segunda metade do século XIX foi marcado por Napoleão III (França) e pela rainha Vitória (Inglaterra). foi garantidamente uma época próspera e os reflexos na moda foram evidentes. reservadas às criadas e operárias. Isto dura. A morte do príncipe Albert marca o início da segunda fase da era vitoriana. não tirando o luto até o fim de sua vida (1902). e este se torna o Príncipe Consorte. . quando o espirituoso estilo de vida “festeiro e expansivo” do príncipe de Gales. A exagerada Crinolina representou todo o aspecto de esplendor e prestígio da sociedade capitalista. podendo optar – como a rainha Vitória – por usá-lo permanentemente. As roupas e as mulheres começam a mudar. olhos grandes e escuros. período pudico com um código moral estrito. os decotes sobem e as cores escurecem. aproximadamente. Mesmo as crianças usavam o preto por um ano após a morte de um parente próximo. A moda vitoriana do luto extremo e elaborado vestiu de preto britânicos e americanos por bastante tempo e contribuiu para tornar esta cor mais aceita e digna para as mulheres. uma armação de aros de metal usada sob a saia e que permitia que esta obtivesse um enorme volume cônico e circular. A fraqueza e a inanidade eram consideradas qualidades desejáveis em uma mulher. Uma viúva mantinha o luto por dois anos. Tratava-se de uma espécie de gaiola. Em 1840 ela casa-se com Albert. ecoava na sociedade da época. O reinado da rainha Vitória é marcado pela instalação moral e puritanismo. que durou aproximadamente de 1850 a 1890. Esta época é tida como o apogeu das atitudes vitorianas. ombros caídos e cabelos cacheados. A burguesia estava com grande prestígio graças ao processo da Revolução Industrial que estava caminhando bem e permitindo o trabalho com negócios e comércio e a acumulação de capital dentro da sociedade de consumo vigente. O ideal de beleza do início da era vitoriana exigia às mulheres uma constituição pequena e esguia. A mulher deveria ser algo entre as crianças e os anjos: frágeis. Em 1861 morre o príncipe Albert e a rainha mergulha em profunda tristeza. boca pequenina. Edward. tímidas. inocentes e sensíveis. era elegante ser pálida e desmaiar facilmente. “Saúde de ferro” e vigor eram características vulgares das classes baixas. A Era Vitoriana. até 1890.

fossem nas cores. se tornando uma gaiola reta da frente. sombrinhas. permitindo a almejada diferenciação da alta classe parisiense. Para ele. a roupa masculina tornou-se uma roupa de trabalho. com o uso das rendas em especial e também de laços e babados. fora a gravata. . Mais para o final da Era Vitoriana. ficou evidente que o homem transferiu por completo para sua esposa a conotação de exibição financeira: ela passou a representar a riqueza de seu homem. cartola e barba. por volta de 1870/1890. sapatos de salto alto. usados em estofados e cortinas.Os vestidos femininos eram dotados de profundos decotes que deixavam o colo em evidência. foi uma revolução na moda. caudas nos vestidos e pequenos chapéus para o dia. graças a Charles Frederick Worth e vale destacar que este processo teve estreita relação com a Revolução Industrial e com o prestígio financeiro de sua burguesia industrial. Eram feitas de crina de cavalo no início e em seguida de arcos de metal unidos por uma dobradiça que permitia que ela se abrisse ou se fechasse quando a mulher sentava. O volume se concentrou. então. o tafetá. há uma evolução da Crinolina. Com o passar do tempo. Os tecidos para os vestidos passaram a ser os de decoração. a crepe. o brocado. a sobriedade imperava e deixava transparecer um contraste visual marcante entre homens e mulheres. Assim. Este período marca o surgimento da Alta Costura. Ombros e braços também ficavam aparentes e os tecidos eram muito luxuosos como a seda. Os espartilhos eram indispensáveis e os detalhes cresciam cada vez mais. Ele foi um costureiro inglês que passou a ditar moda em Paris fazendo as mulheres irem até ele. reflexo da sociedade produtiva da época. só no traseiro feminino. nos volumes. a mousseline. a evolução continua e o volume passa a ser apenas uma espécie de almofadinha na parte traseira das saias: surge a Anquinha. que veio acompanhada do início do processo de valorização do criador de moda. que deixa de ser completamente circular para concentrar seu volume da parte de trás. O marco foi 1850. nos tecidos ou ornamentos. Ao passo que a moda feminina estava cada vez mais enfeitada. Usavam leques. deixando claro seu papel de esposa e mãe. dentre outros.

em especial da equitação. ou Bela Época. algumas mulheres chegavam a remover suas costelas flutuantes para que conseguissem afinar ainda mais a cintura com o auxílio do espartilho. O banho de mar também se tornou um hábito. Neste momento a referência passou a ser a natureza. fitas e rendas estavam em profusão. A cintura feminina se tornou mais fina e atingiu a menor circunferência já vista em toda a história. em geral de fios de . O estilo foi batizado de Art Nouveau e representou grande singularidade no período. a novidade teve seus reflexos na área da moda e a mulher vai incorporar todos os novos detalhes curvos. A indumentária feminina marcou uma demasiada cobertura corporal. Ainda no final da Era Vitoriana o hábito de práticas esportivas. a peteca. cintura muito fina e volume nos quadris. com suas linhas curvas e formas orgânicas. se acentuou na Belle Époque. Como sempre se viu acontecer. período que foi caracterizado pela cintura ampulheta das mulheres –ombros com volume. O ideal de beleza do período apontava para uma estreiteza de apenas 40cm e para atingir tal objetivo. A roupa para tal atividade ainda não tinha nenhuma relação com as de hoje. babados.La Belle Époque A La Belle Époque. com ar masculino. As golas eram muito altas e cobriam o pescoço e os detalhes como laços. bastante apertada quase impedindo o caminhar das mulheres. o arco e flecha entraram em voga e se consagraram na Belle Époque. O que se viu foi uma saia em formato de sino. Usavam chapéus com flores. Com o passar do tempo e o aproximar do século XX. tendo como marco de seu fim o estourar da Primeira Guerra Mundial. representou o período de 1890 até 1914. Este hábito ligado o esporte trouxe para o guarda roupa feminino a veste de duas peças. quando ela não estivesse de luvas. as anquinhas desapareceram. A assimilação foi grande e em breve o Tailleur (casaco e saia do mesmo tecido) foi adotado para o dia-a-dia das cidades. uma vez que eram de malha. o que teve início ainda na Era Vitoriana. quando apenas o rosto e as mãos se deixavam aparecer. Assim. mas também o tênis. No campo artístico houve grande mudança de valores. sobre os coques fofos e a bota era indispensável.

surge a moda marinheiro. Worth continua sendo um nome de destaque na Alta Costura. . que ao longo de todo o século XX vai ser relida. O traje masculino era composto de sobrecasaca e cartola. as linhas do período anterior permanecem. As calças masculinas eram retas e com vinco na frente. mas entram novos no cenário. Ainda faziam parte da composição meias e sapatos e muitas vezes uma capa por cima de tudo com intuito de proteção. como Jacques Doucet e John Redfern. mas o terno era facilmente visto. Por influência dos banhos de mar.lã. cobriam o tronco e atingiam a altura dos joelhos. Para o homem. começa a deixar de ser cópia da roupa dos adultos. os cabelos eram curtos e o uso do bigode era bastante popular na época. A moda infantil. pela primeira vez na história. mantendo a proposta de praticidade e funcionalidade.

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