Pré-História e Antiguidade Oriental

Mesopotâmia e Egito
“Abriram-se os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras, e fizeram cintas para si.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 7 “E fez o senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu.” Gênesis, Cap. 3, Vers. 21

A sequência evolutiva da vestimenta humana foi exatamente essa. Primeiro as folhas vegetais e, posteriormente, as peles de animal. Como nos diz a Bíblia Sagrada, no antigo Testamento, o ser humano cobriu o corpo pelo caráter de pudor. Todavia, há outras interpretações seculares que dizem ter os seres da condição humana coberto o corpo pelo caráter de adorno e, também, pelo de proteção. Qualquer que tenha sido a sua intenção, cobrir o corpo foi uma necessidade. Sob o ponto de vista de adorno, foi uma maneira que o ser humano encontrou de se impor aos demais, inclusive mostrar bravura ao exibir dentes e garras de ferozes animais, além de ter a pele para cobrir o corpo com tangas e/ou sarongues e carne para a alimentação. Há ainda o caráter de magia, ao associar os seus objetos de uso a poderes fora dos normais. O outro aspecto, o de proteção, está associado á questão de sobrevivência com relação às intempéries, principalmente o frio. O ser humano protegeu o corpo com as peles das caças e encontrou abrigo em grutas e cavernas nas quais deixou registros iconográficos. Esses registros foram os que chegaram até nossos dias, visto que as folhas e peles, por serem materiais biológicos, se deterioraram com o tempo. As peles, inicialmente usadas com o próprio pêlo do animal, eram normalmente de urso ou rena e passaram por processos de mastigação para serem amaciadas. Posteriormente, passou a ser normal untar essa pele com óleos ou gorduras animais para atribuir-lhe uma certa impermeabilidade e maciez, o que dava à peça uma maior durabilidade. Na sequência de uso de recursos, utilizava-se um elemento advindo de certas cascas de árvores ricas nessa substância, que realmente beneficiava com mais apuro a pele do animal: era o tanino, liberado dessas cascas ao serem mergulhadas em água. Tornou-se uma técnica de grandes resultados no tratamento das peles, que eram presas ao corpo com as próprias garras dos animais ou mesmo atando-as umas às outras com nervos, tendões ou até fios da crina ou rabo de cavalos. Com a fixação do ser humano ao solo, ele deixou de ser nômade caçador/ colhetor para se estabelecer com a criação de gado e a prática da agricultura. Isso também beneficiou a indumentária, visto que o vegetal linho lhe proporcionou, a principio, a técnica de feltragem e, posteriormente, num processo evolutivo, a própria tecelagem. Com o fabrico de tecido, mesmo de maneira primitiva e artesanal, houve um grande avanço em técnica e aprimoramento. Com esses tecidos, já se foi capaz de produzir saiotes e outras peças e ornamentá-los com franjas, conchas, sementes, pedras coloridas, garras e dentes de animais etc. Isso tudo aconteceu ainda na Idade do Bronze.

Antiguidade Oriental

Mesopotâmia
Região situada entre os rios Eufrates e Tigre, no atual Oriente Próximo, no atual Oriente Próximo, na qual desenvolveram diversas culturas no IV milênio a. C., entre elas as principais foram a sumeriana, a assíria e a babilônica. Essa região, não à sua época, mas posteriormente, foi denominada de Mesopotâmia pelos gregos e o nome quer dizer “entre rios”. De clima quente e solo fértil, a Mesopotâmia foi considerada o berço das civilizações humanas, tendo os sumerianos até mesmo sido os que desenvolveram a escrita, a cuneiforme, em aproximadamente 3500 a.C. No que diz respeito à indumentária local, especialmente a dos sumerianos, usava-se um saiote de pele com pêlo do animal chamado kaunakés, caracterizado pelos tufos de lã visíveis externamente na peça. Podemos notar que os mesopotâmicos já conheciam a tecelagem, entretanto, ainda há características bem primitivas na maneira de se vestirem. Sendo a base de suas roupas a própria pele do animal ou mesmo um tecido artesanal, esses tufos acabaram se deslocando para as extremidades e se transformando em franjas, que, além de serem utilizados como adorno, também serviam de acabamento para o tecido. Os homens usavam seus kaunakés um pouco curtos, chegando à panturrilha, e algumas vezes com o torso nu, ao passo que as mulheres vestiam seus trajes longos e cobriam o colo. Normalmente esses trajes, que cobriam todo o corpo de ambos os sexos, eram enrolados, dando a aparência de uma roupa espiralada, como vemos nas esculturas e pinturas da arte mesopotâmica. Com o tempo, esses trajes foram sendo substituídos, especialmente pelos homens mais simples, por uma espécie de túnica com mangas. O tecido predominante usado na região, para ambos os sexos, no apogeu de suas respectivas culturas, foi o algodão – produzido na própria região ou vindo da Índia -, além da lã e do linho; com o passar do tempo, tiveram acesso à seda da China. A suntuosidade das roupas e seus complementos, como normalmente em qualquer outra cultura, indicava a posição de prestígio do usuário. Homens e mulheres costumavam ter os cabelos longos; e cacheá-los era muito natural; inclusive os homens o faziam também com a própria barba, além de já usarem brincos. As cabeças, à exceção das coroadas, não eram muito ornamentadas, porém o uso de um gorro, chamado pelos gregos de gorro ou barrete frígio, era adotado pelos homens. Como calçados, era comum o uso de um tipo de bota de couro com o bico ligeiramente levantado, o que era uma característica oriental.

Egito
Como também na Mesopotâmia, no Egito o clima era muito quente; todavia, suas roupas eram bem mais sucintas do que aquelas usadas pelos vários povos que formaram a cultura mesopotâmica. Como roupas e complementos sempre foram, são e poderão ser diferenciadores sociais, no Egito, elas também cumpriam essa função e ganhavam a conotação de distinção de classes em que nobre e mais privilegiados se diferenciavam em opulência daqueles de classes sociais menos favorecidas materialmente, que, muitas vezes, andavam nus.

como proteção devido ao sol causticante que. tanto masculina quanto feminina. cujas laterais lhe emolduravam a face. também era hábito andar descalço. mais tarde. tornou-se comum o uso do claft. que. acredita-se também que essas roupas seriam costuradas nas laterais. portanto. O traje típico da indumentária egípcia era o chanti. para os nobres. por questões higiênicas. já que os pêlos do corpo. eram raspados. Para os pés. aderindo o tecido ao corpo. os egípcios comuns usavam brincos. Como adornos. Todavia. Essas perucas podiam ser de cabelo natural ou de fibras vegetais. pois os nativos dominavam essa técnica. porém talvez seja o padrão estético da própria arte que dê essa característica à indumentária. Essas roupas pareciam estar bem próximas ao corpo. Para a dignidade faraônica e sua ostentação. com o calor. Tinha a barba postiça de cerâmica. feitas em palha trançada. pedaço de tecido amarrado sobre a cabeça. e o kalasíris. feito de pedras e metal precioso. proibida pela religião local. que durou aproximadamente 3. braceletes. fazia-se necessário ter os cabelos raspados. o algodão também se fazia presente. todavia. visto o piolho ser uma das pragas locais e. uma espécie de colar enorme que cobria o peito e. dando à peça uma espécie de elasticidade e maior aproximação ao corpo. tais como o linho e a palmeira. especialmente o linho. às vezes. o famoso e requintado peitoral. Essas mudanças só foram significativas quando ocorreram as invasões de outros povos em seu território. O que se vê de cabeleira na iconografia da arte egípcia são perucas. A fibra animal natural era considerada impura e. Havia também cones de cera colocados sobre uma peruca. além do uso de contas de vidro colorido.Pouca coisa mudou na indumentária egípcia no longo período de apogeu de sua cultura faraônica.a túnica longa. para protegê-los da areia escaldante. juntamente com o cabelo. eram comuns as sandálias ditas de dedos. também a parte superior das costas.000 anos. especialmente os romanos. . Um outro hábito comum entre os egípcios era o de raspar a cabeça. em um primeiro momento. comuns. ganharam a conotação cerimonial e de status social. contudo. A cor predominante era o branco e a base têxtil era sempre a fibra natural vegetal. uma espécie de tanga masculina. colares mais simples e. derretiam e untavam a cabeleira e a roupa.

é falar de filosofia. era habitual. desde crianças. em seus hábitos. Pouco era sabido de sua história. as mulheres. bem diferentes. tratava-se da túnica dos gregos. e o feminino era sempre longo. Prendia-se sobre os ombros com broches ou alfinetes e. de arte. com inúmeras ilhas e de clima quente. e muito influenciou em sua época inclusive à cultura grega. na segunda metade do século XIX. pode-se conhecer e estudar melhor as questões minóicas. No período de apogeu de sua cultura. colares. Um deles era o de afunilar muito a cintura: homens e mulheres. . com roupas simplificadas de características ainda primitivas. que pendia em cascata. colocada no corpo presa sobre os ombros e embaixo dos braços. cuja maior prosperidade se deu entre os séculos VII a. a crença politeísta e um apurado padrão estético. tanto eles quanto elas usavam ornamentos como chapéus e turbantes. Como adornos. assim o faziam com um cinto. e nos dias mais frios era comum o uso de botas. brincos etc. de litoral muito recortado. havia pontos em comum. sendo os dos homens longos. de mangas curtas. C. Os homens. uma espécie de avental na frente e nas costas sobre a saia (lembrando a tanga masculina) e. também usados por ambos os sexos. usavam saias longas no formato de sino com babados sobrepostos. Grécia A Grécia está situada na Península Balcânica. Grécia. Havia grandes diferenças entre as roupas masculinas e femininas.C. quando. portavam um tipo de blusa costurada nos ombros. Etrúria e Roma Creta Creta é a maior ilha situada no Mar Mediterrâneo. esse retângulo de tecido. Um retângulo de tecido era suficiente para criar a peça mais característica de sua indumentária: o quíton. ou curtos para o dia-a-dia. muito elaborados e marcantes. com isso. usavam uma espécie de tanga com um cinto e o torso normalmente nu. eram comuns as sandálias. a não ser especialmente pela mitologia. lã ou couro. O quíton. Acredita-se que essas roupas fossem de linho. Teve o apogeu de sua cultura entre 1750 a. teve como centro de sua organização política as Cidades-Estados. na parte superior do corpo. outro aspecto foi o dos cabelos longos em cachos. Para os pés.. ou melhor. porém deixando os seios à mostra – podendo ser associado à questão da fertilidade e fartura. sendo uma das laterais fechada e a outra aberta. para momentos mais cerimoniosos. Os gregos preocupavamse mais com os valores estéticos de suas roupas do que com o caráter de erotismo. A indumentária grega foi muito peculiar e o que mais podemos notar como característica são os drapeados. Homens e mulheres usavam-no. Falar da cultura grega. de conhecimento e de tantas outras referências de cunho positivo. contudo.Antiguidade Clássica Creta. o arqueólogo inglês Sir Arthur Evans descobriu o sítio arqueológico de Creta e. nota-se uma considerável diferença entre as roupas masculinas e femininas. e o uso de jóias como alfinetes. As menos favorecidas usavam só a saia. de democracia. Os cretenses também trabalharam muito bem o metal. que não só influenciou a seu tempo como até hoje o faz em grande parte do mundo ocidental. em dias mais quentes. No que diz respeito à indumentária local à época de seu apogeu.

alfinetes. sendo de fato o tecido mais usado para a sua elaboração. puxavam o tecido sobre o cinto para conseguir o aspecto de tecido mais solto. C. Por não terem a escrita. broches e mesmo diademas complementavam suas roupas. por sua vez. Com o passar do tempo. a tabena. Já os cabelos masculinos eram curtos. por isso. Pode-se até considerar que essa capa tenha sido a que originou a peça que vai ser a grande característica da indumentária romana: a toga. que não foi a característica de suas roupas no período de maior prosperidade de sua cultura. portanto. mais curta. eram sandálias. O manto feminino. a indumentária grega foi se tornando luxuosa e ostensiva. chegando aos pés. e VI a. As túnicas longas eram usadas pelos dois sexos. feita de lã grossa e considerada a capa militar. mesmo quando houve o apogeu de sua civilização. amarrado por um cinto ou mesmo um cordão. além do cabelo solto. o hábito de andar descalço não era demérito algum. o quíton deixou de ser uma peça de um único retângulo de tecido para ser composto de duas partes costuradas. Para as mulheres. Isso fica claro até mesmo na indumentária local. braceletes. ao passo que a himation era uma roupa civil. era bem mais longo. Entre os gregos. denominado de peplo. era comum serem amarrados com fitas ou com chinós. ao passo que as curtas somente os homens vestiam. os mais jovens passaram a raspar suas respectivas barbas. colares. antes do século V a. As jóias também faziam parte dos adornos das gregas. C. a lã também servia como base têxtil da peça. Os etruscos podem ser considerados os antecessores dos romanos. Era comum utilizarem cores em seus tecidos. Com relação aos trajes complementares. tipo de capa em formato semicircular. No que diz respeito ao tingimento. os gregos usavam mantos. ou seja. espécie de suporte que prendia o cabelo na nuca. inclusive o efeito blusonado. retangular ou mesmo semelhante a uma lua crescente. Para os gregos. brincos. que com o tempo passou a ser símbolo de seriedade e até de senilidade. Etrúria A Etrúria localizava-se na região da atual Toscana. mais ampla e especialmente usada em dias mais frios. possibilitava criar o panejamento que vemos na maior parte das esculturas. Quando usavam calçados no dia-a-dia. porém. os quítons eram de diversas cores e não como sempre imaginamos. drapeada nos ombros e no tórax. dentro de casa. porém elas apresentavam diferenças não só na forma como também no comprimento. presas por tiras amarradas aos pés e às pernas. que deixaram fortes marcas nos povos da Península Itálica. além de alguns traços das roupas gregas.na cintura. Havia algumas semelhanças entre as roupas de ambos os sexos. brancos ou da cor natural da fibra utilizada. visto que inúmeras imagens nos mostram nítidas referências orientais. C. era comum o uso da barba. Largo e comprido. chegando mesmo a excessos. sempre andavam dessa forma. A palavra quíton quer dizer “túnica de linho”. Acredita-se que esse povo tenha vindo em migrações da Ásia Menor e ali se instalou. por cima. anéis. e adornar as . Os homens usavam uma túnica e. o conhecimento de sua cultura veio pela iconografia. no princípio de sua civilização. Os masculinos eram dois: a clâmide. e teve seu momento de apogeu cultural por volta dos séculos VII a. especialmente a encontrada em seus túmulos. Itália. muitas vezes possuindo mangas. Com o passar do tempo.

Os romanos usavam a túnica e. Era normalmente de lã e no formato de um semicírculo. nítidas referências a valores gregos estiveram presentes no contexto da estética romana. Roma se impôs pela força. sendo esse detalhe a maior diferença em relação à correspondente masculina. muitas vezes.e. Roma atingiu uma estrutura tamanha que o gigantismo do Império fugia do controle dos governantes. A peça característica da indumentária romana foi a toga. principalmente as orientais. anéis. antes mesmo da queda daquela que foi a sede do maior império da História ocidental. atingiu um esplendor tal que os excessos se tornaram características da indumentária romana. em um certo momento. são verdadeiros objetos de arte. e a principal causa de sua queda foi a invasão dos povos bárbaros. inclusive na maneira de vestir. As roupas de campanha. No que tange à indumentária romana. não só na maior extensão do território romano como também na própria cidade de Roma. de influência grega. Pessoas mais simples. podemos salientar que não só sofreu influências etruscas. Se Atenas se impôs pelo saber. . por cima dela. por sua vez. Assim como a Grécia recebeu influências cretenses. o que favorecia o denso e rico drapeado. Os homens calçavam botas com o bico ligeiramente levantado. Essas peças em metal precioso e pedras preciosas. As influências vindas de outras culturas. Roma A cidade de Roma. a cidade tornou-se a Roma republicana e posteriormente. um tipo e bota fechada. brincos etc. que demonstram apurado domínio de técnica aliado ao extremo bom gosto. Para os Pés. muito contribuíram para os excessos marcantes na indumentária romana.bordas das tabenas também era habitual. segundo a lenda de Rômulo e Remo. a stola sobre ela. semelhante à capa masculina. que era outro tipo de túnica. Roma recebeu influências etruscas. colares. As mulheres usavam a túnica longa e. braceletes. Quanto maior fosse. eram comuns para as mulheres. a calligae. nos pés. Entretanto. O luxo.. a toga. também a adornavam com cercaduras decorativas. predominavam as sandálias. que nos permite fazer a correspondência com o himation grego. denunciava a condição de prestígio ou a função de usuário. Uma grande variação na moda feminina estava na mudança contínua de penteados. que era extremamente volumosa e denunciadora do status social daquele que a portava. de influência oriental. no formato do peito para proteger o tórax. muitas vezes usavam só a túnica. todavia. colares. como pulseiras. fivelas. que sempre vestiam suas túnicas longas. uma espécie de manto que tinha o formato retangular. no seu apogeu. foi fundada no ano de 753 a. Seu declínio começou no século V da Era Cristã. Uma grande característica da arte e da indumentária etruscas foi a joalheria. como os trabalhadores e até mesmo os soldados do exército. a Roma imperial. anéis. AS mulheres. como também que as principais linhas de suas roupas foram adaptadas da dos gregos. cujas principais características eram as mangas. vale notar que a toga também foi uma evolução da tebena etrusca. tais como alfinetes. coroas e outras até mesmo com caráter de proteção. Jóias de diversos tipos. ou mesmo a sua cor. eram compostas da túnica curta. podia ser passado sobre a cabeça.C. uma espécie de escudo de metal. do saiote e da couraça. Com o passar do tempo. A peça para as mulheres correspondentes à toga era a pella. e o manto. e sandálias.

Bizâncio Roma estava enfraquecida e a capital do Império foi transferida para uma antiga colônia grega situada no Bósforo.A Idade Média Povos Bárbaros. sendo colocado um germano no seu lugar. o cânhamo e o algodão. Bizâncio. cumprindo uma dupla função protetora. para elaborar seus tecidos. terminando assim o período da Idade Antiga e dando início ao da Idade Média. Esse período de invasões e migrações se deu desde o fim do século IV. Habitantes do norte e do leste da Europa. Em relação às roupas. passando a ter um gosto maior por adornos e cores mais vistosas. o que culminou no século V. As mulheres vestiam-se com uma túnica longa presa por broches e atada ao corpo por cintos. . devido ao contato com os povos das culturas romanas e bizantinas. mantos e espécies de calças. O marco foi a deposição do imperador romano Rômulo. Com o passar do tempo. usavam um manto que podia ser de couro ou de pele animal. Essas calças eram presas por um cinto que envolviam o corpo por intermédio de passantes. Com o tempo. Homens e mulheres tinham cabelos longos e. onde o frio era intenso. da queda do Império Romano do Ocidente foi a invasão dos povos bárbaros. precisando assim de uma proteção contra o atrito e também contra o frio. esses povos trabalhavam muito a lã. já em fins do mesmo século. mas também o linho. A maior causa. Europa Feudal e Europa Gótica Os trajes usados na Idade Média baseavam-se nos tipos que se tinham desenvolvido próximo a meados do primeiro milênio. Povos Bárbaros O ano de 476 marcou a queda do Império Romano do Ocidente. para se protegerem usavam toucas. eles usavam calções curtos denominados de braies. no território de Roma. Para os pés. como proteção maior. cujas fivelas se compunham de discos duplos de metal ocos. o Império foi dividido em Império Romano do Ocidente e Império Romano Oriente. pois. acabaram também se romanizando. tornando mais delicado o problema das fronteiras do Império. principalmente os germânicos. Para os homens. devido à sua condição de nômade. resultantes da mistura de modas nativas com aquelas do final da Antiguidade. ou mesmo as calças longas atadas às pernas por bandas de tecido abaixo dos joelhos. que se chamava Bizâncio e cuja capital passou a ser Constantinopla no século IV. esses povos moravam em regiões de condições climáticas bem desfavoráveis. de couro ou de tecido. eram comuns calçados fechados ou também sandálias em couros atadas por correias e cadarços para ambos os sexos. Por baixo da túnica. porém não a única. Por cima. essas tribos. locomoviam-se sobre o lombo do animal. nos quais levavam seus pertences. as túnicas podiam ser mais curtas. criar túnicas. usavam um xale também presa por broche ou fivelas. preso ao corpo por broche ou alfinetes. Sobre a túnica. costumavam trajar uma camisa geralmente de linho com abertura frontal até o peito. quando tribos asiáticas passaram a pressionar tribos européias. em virtude das condições climáticas um tanto quanto hostis. A região Oriental estava mais fortificada em razão de diversos fatores socieconomico-culturais.

Como em outras culturas. quanto maior o prestigio do portador. não sendo preciso. pois ambos vestiam túnicas com mangas longas até os punhos e. Como se não bastasse todo esse esplendor. cuja esposa era Teodora. em Bizâncio. tendo também aplicações de pérolas e pedras. O Oriente estava em condições gerais bem superiores às do Ocidente. os patriarcas da Igreja Ortodoxa em suas cerimônias religiosas trajam paramentos muito parecidos com as roupas usadas pelos imperadores bizantinos. mais ornamentada se apresentava. um considerável êxodo urbano para começar daí uma nova proposta de vida ligada ao campo. e os tecidos mais opulentos e suntuosos eram de uso exclusivo da família imperial. Apesar das diferenças. Para os sapatos. com isso. Pode-se perceber que essas roupas eram totalmente diferentes daquelas usadas no período da Antiguidade Clássica. não era diferente. A lã. A roupa em si. normalmente em seda. No que se refere às roupas locais. O luxo oriental sempre foi mais ostensivo do que o ocidental e. principalmente no que se diz respeito à economia. A religião vigente era Cristã. refletindo luxo e fazendo eco aos mosaicos das construções locais. além do uso da complementação ornamental em bordados com cenas religiosas. persas e árabes e. Sua fabricação era monopólio do governo. tanto na Grécia quanto em Roma. não era diferente o excesso de ornamentação. Bizâncio também influencio a indumentária da Europa Ocidental. Eram verdadeiramente hierárquicos e. Esses mantos eram presos nos ombros por broches os fivelas – verdadeiras jóias. as roupas ainda eram bordadas com fios de ouro e prata. A seda foi o principal tecido utilizado em Bizâncio. que foi a arte maior entre os bizantinos. As cores estavam muito presentes não só para o casal imperial como também para os mais privilegiados materialmente. evoluiu ganhando maior comprimento. Não havia nas peças um compromisso de sedução. a roupa bizantina também foi um diferenciador social. isso também claramente evidenciado pelas formas amplas do corte que envolviam o corpo do usuário. o aspecto de orientalização ficou cada vez mais evidente. visto que a principal característica era de fato esconder o corpo. nunca na história da indumentária houve uma aproximação tão grande entre roupas civis e religiosas. Europa Feudal Como dito anteriormente. resultando assim no fim da Idade Média. importá-la da Índia e da China. O apogeu da cultura Bizantina ocorreu no século VI durante o governo do Imperador Justiniano. a invasão dos povos bárbaros em território do Império Romano Ocidental foi a principal causa de sua queda. ostensivo em cores e elementos pingentes. O Império Romano do Oriente vai perdurar até 1453. Ainda hoje. com isso. em meados do século XI (1054). graças a todo esse gosto requintado e luxuoso. As influências recebidas pelas suas roupas eram diversas. houve de fato a cisão entre a cristandade em Católica Romana e Ortodoxa Oriental. muito menos de utilidade.além da destruição da situação geográfica previlegiada. tendo sua produção sido desenvolvido no próprio império. . Esse tecido normalmente só poderia ser usado pelos altos funcionários da corte. era muito semelhante para os dois sexos. motivos florais e até mesmo animais. pérolas e pedras preciosas. data em que os turcos otomanos tomaram Constantinopla e a saquearam. todavia. toda via se distanciando consideravelmente da Igreja Romana e. servindo de entreposto entre o Oriente e o Ocidente. com isso. o algodão e o linho também faziam parte da indumentária de Bizâncio. Houve. a influência do corte do manto era nitidamente romana. em uma mistura evidente de referencias romanas.

Os centros urbanos. É claro que as roupas do dia-a-dia era menos suntuosa do que aquelas usadas em momentos mais cerimoniosos. o próprio sistema do feudalismo/ fassalagem contribuiu para evidenciar as diferenças sociais entre senhor e empregado. não chegando aos joelhos para os menos favorecidos. qualquer que fosse o grau de prestigio na sociedade européia ocidental. Os mais favorecidos chegavam a usar até mesmo a seda. porém. que é uma outra forma reguladora de diferenças sociais. O sistema social que caracterizou a Europa ocidental na segunda metade do primeiro milênio da Era Cristã foi exatamente o feudalismo. além do deslocamento para o campo e. As silhuetas de quem as usavam não era o fator mais importante das roupas. oferece fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção). nas mãos dos senhores das terras. visto que as referencias greco-romanas foram substituídas pelos valores dos povos invasores. todavia. que não eram todos iguais. Ela era presa ao corpo por um cinto. fossem a lã ou o linho. Carlos Magno. era a mesma. No que tange às roupas. a decadência cultural. Houve uma grande queda na produção artístico-cultural neste. Ocorreu a tentativa de unificar a Europa sob o comando de um governo católico. Assim como se perderam os valores culturais clássicos em privilégios daqueles dos povos bárbaros. conseqüentemente. Foram surgindo singularidades isoladas que duraram até o inicio da Baixa Idade Média. A roupa usada pelos mais ou menos favorecidos materialmente falando. o objetivo foi perdido. após a desunificação européia. assim como quanto às cores: os camponeses portavam tonalidades discretas e sóbrias. tinha como principal diferença ostensivo e ornamentos. era bem inferior àquele luxo ostensivo. Assim serviram os feudos. estando totalmente ligada às questões religiosas cristãs. sendo forrada de pele para os dias mais . passaram a dominar todo o tipo de produção intelectual. a decadência do comercio. já que o corte era muito semelhante para as distintas classes sociais. e antecederam às dos mosteiros que. Esse sistema obteve sucesso enquanto ele esteve vivo. Por cima da túnica. que privilegiava o ensino e as oficinas de arte. que ganharam significativa autoridade. Depois de sua morte e da divisão do reino entre os herdeiros. o grande diferencial era a quantidade de tecido usada para elaborá-las. foi à altura das panturrilhas para os mais endinheirados. devido aos baixos rendimentos. Até mesmo o tipo de fibra usada em suas túnicas. havia uma capa semicircular atada ao ombro por um broche. isto também aconteceu no que se relacionam à indumentária. com o senhor e seus vassalos. não obedeciam a uma mesma ordem. semelhantes em determinados aspectos. sendo. Possivelmente. tipo de túnica usada pelos homens deste período. Estes prestavam serviços e obediência àqueles em troca da sobrevivência. distinguindo-se uma das outras na qualidade técnica mais aprimorada de fiação para os privilegiados e aspectos brutos e fiados em casa para a vassalagem (sistema social e econômico. A bonelli. Estas obviamente eram inspiradas na corte de Bizâncio. quanto as diversas culturas européias se reuniram em torno das Cruzadas passando assim a ver uma certa uniformidade na maneira de se vestir. que passavam por grandes crises econômicas. o declínio da autoridade centralizada e o deslocamento para o campo fizeram aparecer um novo sistema políticoeconômico associado a um senhor e as suas respectivas propriedades rurais. O rendimento estava centralizado na produção agrícola e o poder político. ao passo que os mais afortunados as usavam mais variadas e ostensivas. as oficinas por eles criadas foram de tremenda importância no que diz respeito a produção cultural. a principal causa das roupas dos europeus ocidentais serem menos opulentas que as do Império Romano do Oriente fossem econômica. que normalmente era um pedaço de terra para trabalhar.

podendo ser cobertas por placas metálicas também com o fator de proteção. de uma maneira mais ampla. . com ou sem mangas. em função do clima. além obviamente das roupas propriamente ditas e de técnicas específicas de corte. também fizeram parte da indumentária desse período como forma de proteção contra as intempéries. As túnicas femininas. o da Baixa Idade Media caracterizou-se de maneira diferente. Se as roupas do período anterior pouco ou quase nada marcavam a silhueta dos corpos. a aplicação de novas técnicas agrícolas desenvolvidas (o que favoreceu o aumento da produção de alimentos) o reaparecimento do comercio citadino. elas começaram a delinear um pouco mais. Em sucessão ao estilo romântico de aspecto pesado. nesse momento. Por tanto. além do crescimento do poder da Igreja na autoridade do Papa. por sua vez recebiam o nome de stolla e eram vestidas pela cabeça. Com o passar do tempo. houve o restabelecimento da economia urbana. ao feudalismo por excelência. inclusive túnicas. visto que surgiram nesse momento as catedrais no estilo que muito marcaria a arquitetura religiosa – a religião cristã estaria em plena efervescência.frios. o então Papa Urbano II convocou as cabeças coroadas e todo o povo cristão para uma cruzada rumo ao oriente para salvar os lugares santos da cristandade das mãos dos turcos pagãos. sejam femininos ou masculinos. especialmente a parte superior dos vestidos femininos. além de uma certa unidade visual adquirida pela união dos povos das Cruzadas. longos ou curtos aos joelhos. nesse momento. usavam um lenço denominado de palla. também começaram a aparecer as peculiaridades entre as diversas cortes européias. o momento seguinte. Não só se deu a primeira Cruzada. eram de couros. O retorno da vida citadina foi igualmente de significativa importante para a igreja. a revalorização dos centros urbanos por toda a Europa. Européia Gótica Se a Alta Idade Média européia correspondeu a um período associado ao campo. A ida do europeu ocidental ao Oriente também influenciou a indumentária desse período. Isso tudo estava associado à solidificação das monarquias européias. inclusive os próprios monarcas estavam abaixo do Sumo Pontífice na escala social. dos quais saiam tiras para serem cruzadas e amarradas nas pernas. Capa com capuzes. capesino e horizontalizado de fins da Alta Idade Média. Seja como adorno ou proteção. A igreja sobrepunha-se a tudo. Os cabelos para ambos os sexos eram longos. acusados de profaná-los. era comum o uso do couro ou tecidos mais resistentes. e amarrados com bandas de tecidos sobre a perna do joelho para baixo. com as monarquias estabelecidas em solo europeu. e de poucos recurso econômicos. o que acarretou em novo modo ligado ao comercio e à vida cultural. o ressurgimento de uma autoridade central. passando a existir um certo aspecto de orientalização nas vestimentas européias. que passaram a ter abotoamento lateral. urbano e verticalizado. Para as campanhas. como também se sucederam outras. imponente. ou seja. herdadas dos romanos. No fim do século XI. principalmente nos tecidos. No que diz respeito às roupas. surgiu o estilo gótico. vamos documentar o que foi mais significativo. Assim ocorreu na Europa cristã no momento máximo do Teocentrismo. Com tudo. Calções chamados de braies eram usados com meias por baixo das túnicas. também usavam um manto longo que chegava ao comprimento da própria túnica. tanto para os homens quanto para as mulheres. uma vez que a vida rural deixava as pessoas mais vulneráveis às inclemências. Os calçados. Eram presas aos ombros por broches e atadas à cintura por um cinto. Sobre os ombros. elas começaram a delinear um pouco mais. especialmente a parte superior dos vestidos femininos ou masculinos. porém normalmente presos para as mulheres.

um eco à estética arquitetônica do período. criando assim um ciclo de criação e cópia. e o corpo. pouco ficavam em evidencia. que eram cortadas no formato da própria perna. um gosto durava enquanto não era copiado. novas propostas suplantariam as. . com o passar do tempo. pelo contrário. . também denominados de mercantilistas. esteve presente entre os hábitos femininos. Os homens usavam meias. Uma moda feminina muito peculiar entre o fim do século e o início do século XIV foi a do uso da barbette. Além dessa moda. Surgiu como um diferenciador social. Todas as vezes que isso acontecia. Isso de fato aconteceu. especialmente para os homens. enfeitar a cabeça de maneira elaborada. de um modo geral. então vigentes. com o tempo. ou seja. A aristocracia desse período já não fazia mais em casa a suas roupas. o véu tinha influência oriental. idéias diferenciadas advindas da corte. fossem de lã ou de linho. os cruzados levavam mercadorias diversas. ficando próximo ao corpo e a saia mais amplas. ou mesmo sua silhueta. e os calções foram diminuindo a ponto de cada vez mais as pernas. cada vez mais. O uso de véus foi uma constante feminina no período gótico. com adornos e chapéus sofisticados chamados heninn. os burgueses. por exemplo a justeza estava localizada no corpete do vestido. maior era a permissão de usá-los com bicos extremamente pontiagudos. Muito comum para a moda entre os meados dos séculos XIV e XV. além dos calções longos chamados de braies. que surgiram com as Cruzadas. o corpo era praticamente o suporte de muitos volumes têxteis. significando grau de nobreza. pois. Percebemos.andando elaborá-las aos mestres alfaiates das cidades. Essa referencia vem especialmente da corte de Borgonha (parte atual do território Francês). De inicio.As mangas. Aí está o conceito de moda numa acepção mais próxima da nossa realidade. Os nobres. de cunho religioso. A silhueta foi a magra e verticalizada. próximo ao fim da Idade Média. elevada às temporas e presa no alto da cabeça sob o penteado. Inicialmente. Com o retorno à Europa. uma vez que os nobres locais se incomodavam com as copias de suas roupas feitas por uma classe social mais abastada. Quanto maior o titulo do indivíduo. atingindo o chão. com planejamento mais volumoso. Se a indumentária para os dois séculos em quase nada se diferenciava na Alta Idade Média. Esse momento do final da Idade Média e principio do Renascimento foi de estrema importância para a história da Indumentária. diferenciador de sexo (tendo em vista que as roupas masculinas se encurtavam e as femininas permaneceram longas) pelos aspectos de valorização da individualidade e com o caráter de sazonalidade. muitas vezes coloridas. que a indumentária desse período foi marcada pelo uso excessivo de tecidos. ela começou a ganhar uma distinção: as roupas masculinas sutilmente começaram a se encurtar. se assim acontecesse. suas roupas daquelas copiadas. presos à cintura por um cadarço. criando o comercio entre o Oriente e o Ocidente. no período da Baixa Idade Média. cresceram muito e ganharam amplitude nas alturas dos punhos. as Cruzadas foram ganhando também o caráter comercial ao estabelecerem o contato com o Oriente e terem acesso a inúmeros artigos que o europeu ocidental desconhecia. surgiam e eram colocadas em práticas vestimentarias. foram os sapatos de bico pontudo. visto ter sido nesta passagem cronológica que surgiu o conceito de moda. que era uma banda de tecido que passava sob o queixo. foi ganhando características locais. ao passo que as femininas se mantiveram longas. As túnicas foram se encurtando transformandose assim no gibão. não gostando muito dessa idéia. cobertas pelas meias ficarem à mostra. No século XII. começaram a diferenciar. Surgiu então uma nova classe social endinheirada e que tinha condições financeiras para copiar o que a corte usava. por sua vez. mais.

Surgiu assim a Idade Moderna em terras da Península Itálica. com o tempo surgiram influências alemãs. Sobre o gibão. As cortes européias já estavam muito bem estabelecidas e. o que simbolizava um código de pertencimento ao seu respectivo clã. a influência maior veio das cortes italianas. em português. Em um primeiro momento. era comum o decote acentuado. exibir toda a masculinidade e virilidade do portador. e logo seus conceitos foram sendo difundidos por toda a Europa. De uma maneira geral. a secularidade sobrepôs-se à religiosidade. As mangas eram presas ao corpo da peça por atacadores e. A indústria têxtil deu um grande salto em desenvolvimento. É lógico que o teocentrismo da Idade Média não havia sido abandonado. obviamente. denominada de rufo. de portapênis. para disfarçar. muitas vezes com características diferentes (cores e/ ou listras) para cada perna. Essa moda foi toda bem colorida e chamativa. em tecido fino e toda engomada em efeitos tiotados. a religião católica foi abalada pelo protestantismo. a humanidade e seu talento foram valorizados. Florença. porém as referências antropocêntricas ganharam um lugar de destaque no pensamento renascentista. abotoados à frente e com uma basque sobre o calção. apesar das peculiaridades. apesar de servir também para unir uma perna de calça à outra. no que diz respeito às roupas. assim se sucedeu o Renascimento. entre outras características. ou uma túnica aberta à frente e de grande panejamento. um detalhe para evidenciar. que. de codpiece. ou melhor. normalmente acolchoado. cetins e sedas e. espanholas e inglesas. houve uma identidade própria de cada país nos seus respectivos hábitos de cobrirem o corpo e adornarem-se. De efeito visual bem erótico. Artistas e filósofos tentavam recuperar referências da Grécia e Roma Antiga. elas também mudaram. que se assemelhava a uma enorme roda. especificamente na cidade de Florença. havia uma espécie de adorno almofadado preso sobre essa união. sendo assim. Os tempos agora são outros e. Para ambos os sexos. francesas. eram mais longos. Cidades Italianas como Veneza. foram encurtados de uma tal forma que ficaram muito pequenos. em inglês. a vida cultural citadina ganhou forças nas mãos do mecenato. pois um povo acabava influenciado outros. com o passar do tempo. Milão. Nas pernas. essa peça foi chamada. que cresceu tanto que atingiu proporções inimagináveis. Gênova e Luca foram responsáveis pela elaboração de tecidos de primeira qualidade como brocados. surgiu um tipo de gola. especialmente para a moda feminina. É lógico que toda essa . usavam a jacket. esse requinte refletiu nas roupas propriamente ditas. uma espécie de heráldica nas roupas. Para os homens a roupa característica desse período foi o gibão – o que poderia corresponder na contemporaneidade ao paletó . como evolução do efeito de acabamento próximo ao pescoço. usavam meias coloridas. Barroco e Rococó Meados do século XV (1453) à fins do século XVIII (1789) Renascimento O período denominado de Renascença ou Renascimento redescobriu os valores do humanismo greco-romano. O comércio e a indústria expandiram-se. porém. a princípio. em francês. Era. A parte inferior das roupas masculinas era composta pelos calções bufantes que. todavia.A Idade Moderna Renascimento. de braguette e. a moda teve certa similaridade. foi sendo velado e. veludos. sendo a masculina mais efusiva que a feminina.. Sobre o órgão sexual usavam uma espécie de suporte que tinha mais características de adorno do que de proteção. de fato. podendo ou não ter mangas.

foi mais evidente entre os homens. todavia. Esses efeitos de arredondamentos pode-se dizer que também eram reflexos de arquitetura. Não só isso contribuiu. largas e pendiam. e agora. a moda feminina do vertugado acabou se transformando na farthingale. Em seus vertugados. O rufo foi usado tanto por homens quanto por mulheres. quase até o chão. porém ainda dentro dos padrões renascentistas. fosse a chemise usada sob o gibão ou mesmo o tecido que unia as tiras do calção bufante. arame ou barbatanas de baleia para sustentarem todo esse exagero. que podemos traduzir como talhadas. e adorvavam suas faces com a gola rufo. que afunilava a cintura feminina de maneira bem significativa. se abria em formato cônico com armações mais rijas ainda. meias. sapatos etc. um grande afulimento do próprio corpo. foi o uso quase generalizado da cor preta. Era normalmente branca e podia. ser ornada (ou ser inteiriça) com rendas. visto que o uso dessa gola até mesmo limitava movimentos mais vigorosos. contudo. mas também nas luvas.opulência era sinônimo de prestigio social. mas também o gosto pessoal por essa cor pelo imperador espanhol Carlos V. que cresceu nas laterais dos quadris. havia também. e mais acentuado. assim como a masculina. Eram usados em profusão. acabou influenciando com essa moda o restante da Europa. Foi o hábito de cortar o tecido da roupa em tiras ou em pequenas aberturas nas quais apareciam as peças de baixo. por sua vez. Um costume muito marcante no período do Renascimento foi uso excessivo de perfumes. foi um tanto quanto colorida. e as pesadas correntes de ouro eram muito apreciadas. e mais acentuado. da cintura para baixo. quase não dando efeito de movimento à peça e liberdade à usuária. usarem um vestido denominado de vestugado. além obviamente das pedras preciosas. uma vez que o corpo ganhava o aspecto de ângulo agudo à altura do quadril feminino. Além do verdadeiro afunilamento do próprio corpo. surgiram os sapatos de bico achatados e largo. entretanto. pérolas e tranças enroladas sobre a cabeça. Esse detalhe foi comum para ambos os sexos. por questão de tradição cultural e religiosa. eram usados adornos mais leves (comparados as do período anterior) como rendinhas. que. que direcionava o olhar para o órgão sexual. em um primeiro momento do Renascimento. Essa moda veio da Inglaterra em meados do século XVI e também no período do Reanscimento surgiu uma peça de grande importância para toda a história da moda que foi o corpete. que consistia em partes rígidas para o tronco e que. uma vez que os arcos arquitetônicos então já não estavam tão pontiagudos como as ogivas góticas. muitas vezes. As jóias estiveram em voga tanto na Inglaterra quanto na Itália. e um grande costume feminino foi acentuar a testa não só esticando os cabelos para trás como também chegando até mesmo a raspá-los mais próximos do alto da face. atingindo volumes inusitados. um grande afunilamento visual. . as mulheres também faziam uso das talhadas. As armações eram de madeira. com a ascensão econômica. era comum às européias. não só sobre o corpo. A moda feminina. que eram bem mais confortáveis do que os pontiagudos do período anterior. em geral. também eram brancas e engomadas. Com o passar dos tempos. muitas vezes. uma certa referência oposta chegava da Espanha em meados do século XVI. sempre manteve o rigor e a austeridade em suas indumentárias. A moda feminina também se diferenciava de acordo com a nacionalidade. já usado com o vertugado. Esse detalhe. ficava mais evidente ainda pelo acentuado volume das laterais das saias quando transformadas na “farthingale”. Esse país. Para os pés masculinos. Para os cabelos. para ambos os sexos. Esse hábito comum em toda a Europa. havia também. As mangas desses vestidos normalmente eram longas. Uma moda curiosa chamada de Iandsknescht veio da Alemanha.

Newtom. a se impor para o restante da Europa com os novos padrões sociais. De uma forma geral. Caravaggio. difundiram um estilo que foi tão expressivo. Nomes como Bacon. Para as mulheres. também branca e rendada. aconteceu o mesmo. Com os culottes. em uma espécie de resplandor que contornava a parte de trás da cabeça. recebia a influência espanhola e. ele evolui e ganhou uma outra identidade. A partir de 1660. não havia unidade nas vestimentas na Europa. as mesmas se tornaram um hábito de moda. Desse momento em diante. Por volta da década de 40 do século XVII. moda. Essas botas. O reinado de Luis XVI – o rei-Sol (1643-1715) – iniciou-se no decorrer da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). à exceção da Espanha. Essencialmente para as mulheres. não se usava mais o vertugado e sim uma sobreposição de anáguas sob uma saia mais arredondada. por exemplo. o século XVII trouxe para a humanidade a Revolução Científica. para a moda masculina. Descartes e outros fizeram do século XVII um verdadeiro período de transformação intelectual. assim como também o protestantismo local. que se apoiava enormemente sobre os ombros. criando boas maneiras. que parecia deixar a cabeça apoiada sobre uma base inclinada – e que vai também se transformar na gola caída. A moda feminina foi ganhando um significativo compromisso de sedução ao começar a evidenciar o colo com o decote e também a cintura com o corpete. Galileu. a corte de Versalhes começou. continuou a usar o preto com muita austeridade. que de início se destinavam só para montaria. que variavam de acordo com cada país. em seus efeitos de luz e sombra nas pinturas. com seus burgueses ricos. que passou a sistematizar com muito rigor as suas experiências. Rubens. buscando retratar a emoção humana. A roupa . transformandose em um outro tipo de gola. a moda masculina desenvolveu-se muito mais que feminina. era muito comum o uso de botas. Rembrandt.Com relação ao rufo. A renda estava muito em evidência em punhos e golas. etiquetas. na realidade. principalmente. Foi a época da França dos mosqueteiros e da Inglaterra dos cavaleiros. os cabelos longos naturais masculinos entraram na moda. tornou-se ainda maior. Nesse período. Para o gênero masculino. tendo uma abertura frontal que valorizava o decote do corpete. de fato. tanto para homens quanto para mulheres. havia aqueles não muito dotados de cabeleira que faziam usos de perucas e. O pitoresco passou a ser uma marca registrada para ambos os sexos. que eram adornadas em seus canhões com magníficas rendas. nenhuma corte era capaz de ditar modos e modas. entre outros. modos e. tanto para os homens quanto para as mulheres. O rufo também era usado e. que havia se transformado no cabeção – gola engomada. além de terem ido até abaixo dos joelhos. Já não se usava mais o rufo. quanto ornamental e opulento na arquitetura. sendo assim. A peruca transformou-se num dos elementos mais importantes da elegância masculina de peruca em Paris. Nome como Velazquez. o gibão ampliou-se e alargou-se. normalmente de renda ligeiramente inclinada para cima na parte de trás. porém. Nas artes da Itália partiu o estilo Barroco que se expandiu por toda a Europa e pelo mundo ocidental até meados do século XVIII. A tentativa de conhecer os segredos da natureza fez do ser humano um grande observador. essa foi a gola Médici. Barroco Como continuidade do processo antropocêntrico advindo com o Renascimento. ganharam também o status de moda. A Holanda.

Essa afirmação da razão e da liberdade ecoou tanto no pensamento político quanto no social e econômico. por meio da razão. que mais tarde. Os pensadores do iluminismo eram chamados de philosophes. e tinham como objetivo compreender a natureza. Ele tornou-se bem largo. Foi a pura essência dos excessos do Barroco. Se o Barroco já foi um exagero. Na última década do século XVII. Nas cabeças. com ornamentos de bordados e rendas. Usavam também o culotte. ao mesmo tempo. Por volta de 1680. O Rococó privilegiou valores ornamentais e decorativos e toda essa opulência e luxo foram transportados para a moda. apareciam cores mais claras como o rosa. surgiu para o homem uma espécie de gravata de renda. preso por fitas. uma casaca. adornavam-nas com um penteado denominado de à la Fontage – nome originado do de uma das preferidas de Luis XIV . as mulheres não usavam perucas. Os tecidos. assemelahndo-se mais a um saiote curto do que a um calção. foi uma arte tão requintada quanto aristocrática. pombas. que vigoraram na segunda metade do século XVII. que teve seu início em solo francês. com o tempo. os ingleses usavam chapéus de copa alta e abas longas. Um complemento muito curioso de uso feminino foram as chamadas mouches de beauté (moscas de beleza). bem comprido de início. Os tecidos também eram luxuosos e caros. As meias de seda obviamente eram indispensáveis. Com relação aos adornos de cabeça.. ou mesmo de tecido adornada de rendas. o vermelho-cereja e o azul-escuro. bem como a sociedade. todavia. que recebeu o nome de rhingrave. As cinturas eram finas. chegando à altura dos joelhos. foi se encurtando e se transformou na veste. . predominando as cores como o vermelho-escarlate. eram bem sofisticados. como complemento geral. carruagens e cupidos. Por influência oriental.dos homens ganhou uma identidade muito marcante: o culotte. Uma significativa quantidade de rendas enfeitava externamente o culotte. Tinham o aspecto de pintas. os homens começaram a usar uma espécie de túnica longa que.. As mulheres usavam camisa de manga curta. irradiando a idéia e encontrando adeptos em toda a Europa e na América do Norte. agora bem mais justo e. alicerce e alavanca para o Iluminismo do século XVIII. uma espécie de penteado com ares de despenteado. Apesar dessa característica. Paris foi o epicentro dessa filosofia. Com o tempo. As artes evoluíram do Barroco para o Rococó. os excessos começam a perder espaço em favor de um aspecto de esplendor. toucas e armações de arame para manter de pé um volume tão alto. por sua vez. havendo a sobrecamisa com decotes acentuados e de mangas até os cotovelos. o azul-céu e o amarelo-pálido. foi. marcadas pelo uso de um corpete rijo e apertado. esta. havia também a correspondência de todo esse esplendor. No que diz respeito a todo esse esplendor dos homens. parece mesmo que o único elemento de masculinidade visível era um pequeno bigode. incrementaram os cabelos com rendas. Rococó Assim como o Renascimento foi o passo inicial para a Revolução Científica. eram feitas de seda preta com desenhos inusitados que continham um material colante por trás para serem aplicadas sobre a face. adquirindo nítidas referências feminilizantes. ao passo que os dos franceses eram de copa baixa e abas largas. Para a moda feminina. estabelecendo assim o apogeu da modernidade. buscando se expressar mais pela leveza e pela delicadeza. o Rococó pode ser considerado “o exagero do exagero”. podiam como sóis. veludos e brocados em especial. Com relação aos motivos. transformou-se no colete. chegando até os joelhos. por sua vez.

predominando em todos os setores os exageros. porém. de galhos. eram amarrados atrás em rabo-de-cavalo. tanto as naturais quanto as artificiais. O aspecto de fineza e leveza eram maiores do que na época de Luís XIV. os volumes de suas roupas dificultavam o caminhar. O gosto pela inspiração na natureza prevalecia. foi caracterizado como aberto pelo recorte frontal na sobre-saia que deixava aparecer a saia de baixo repleta de ornamentos. Nas costas de ambos os modelos. e. As roupas estavam mais fáceis de serem usadas do que aquelas do período anterior. também com os botões frontais. passaram a ser bordados a partir da segunda metade do século XVIII. Os cabelos. a silhueta e a qualidade das roupas também mudaram. meias brancas e sapatos de saltos (mais baixos que os do período anterior). Com o tempo. A partir de 1760. usavam o chapéu tricórnio na cor preta. todavia sem ter a sobre-saia aberta. Os cabelos minuciosamente elaborados e empoados compunham o conjunto ornando a face. Enquanto as saias dos vestidos estiveram bem volumosas. Os costumes de então privilegiaram a frivolidade. quando ocorreu a inssurreição da Revolução Francesa. O volume das perucas diminuiu um pouco. As perucas podiam ser de cabelos naturais. Na moda feminina. manteve-se com toda a pompa e rigor já existentes. a burguesia campestre inglesa exerceu uma grande influência na moda. ganhavam agora. Delicados sapatos calçavam os pés femininos. por sua vez. houve a Regência de Philippe d´Orleans (17151723). em francês). o Rococó o foi com Luís XV. Pa os homens desse período. foram mantidos com o uso de barbatanas de baleia. Tecidos como a seda e grossos brocados ornamentados com flores eram os preferidos tanto pelas mulheres quanto pelos homens. Além de serem empoados (cabelos e/ ou perucas) de cinza ou branco. Os volumes laterais das saias eram obtidos por armações. enquanto da sua minoridade. Os coletes eram bordados e abotoados à frente. O primeiro era composto de corpete decotado em formato quadrado com mangas até os cotovelos terminadas em babados de rendas e lacinhos de fita.O período de transição entre o Barroco e o Rocoó na França foi denominado de Regência (1715-1730). a aristocracia francesa começou a declinar em poderes políticos e econômicos. Na moda masculina. havia o hábito de empoá-las com pó branco. camisa. mantinha as mesmas características. era comum haver pregas largas. prevalecendo uma nítida referência à praticidade e à simplicidade nas roupas. A moda. que pendiam desde os ombros até o chão. pouca coisa mudou desde o final do reinado de Luís XIV. agora. A flor foi o grande ornamento. ou mesmo as perucas. por sua vez. A moda feminina sob o reinado de Luís XV manteve o uso da maquiagem e dos pós nos cabelos. denominadas de paniers (cesto. casaca. Os volumes cônicos das saias. Se o Barroco esteve associado a Luis XIV. . as casacas. colete. Caprichos e bizarrices marcaram o gosto pela excentricidade. todavia. O penteado à la Fontange desapareceu. A renda permanecia em rigor para os punhos das mangas de camisas e os coletes eram sofisticadamente ornamentos. sob Luís XV. predominando então um penteado baixo e empoado. um laço de fita de seda preta na nuca e um outro na ponta do rabo-de-cavalo. O vestido fechado. crina de bode ou de cavalo e também de fibras vegetais. a toilette era composta de culotte justo até os joelhos. nesse momento. A falta de moderação foi a grande característica do período antecedente. normalmente de salgueiro ou vime. nunca tão usada como então em vestidos e cabelos. hábito que vem desde o princípio do século XVIII e perdurou até a Revolução Francesa (reinado de Luís XVI). Assim a França lançou moda e influenciou toda a Europa. Decorar excessivamente foi o valor predominante. Os vestidos eram denominados de aberto ou fechados. os seus corpetes ajustavam consideravelmente o busto e a cintura. Além do mais. denominadas de à Watteau. O período do Rococó propriamente dito foi de 1730 a 1789. ainda demonstravam riqueza por meio de suas roupas.

que. e sua mulher. que já vinham se elevando desde 1760. o ocupavam praticamente todo. muitas vezes ornados sobre os ombros com um lenço branco quadrado dobrado em formato triangular denominado de fichu. o Rococó foi ligado aos penteados enormes e aos cabeleireiros femininos. Se o Barroco esteve associado às perucas e os peruqueiros. tornou-se rainha da França. que foi de 1770 a 1789. Utilizavam-se de recursos de enchimentos para obterem volumes consideráveis. foram assimilados a partir de 1770. da mesma forma que. era necessário abri-la em duas partes. obtidos com excessivos paniers. No final do Rococó. Luís XVI subiu ao trono em 1774.principalmente no último momento do Rococó. a austríaca Maria Antonieta. de fato. Lembremos que as mulheres não usavam perucas e seus adornos eram feitos com os próprios cabelos. especialmente masculinos. para passarem por uma porta. também foi comum entre as mulheres a saia de enormes volumes laterais. O que muito marcou esse momento na moda feminina foram os penteados. além do recurso dos alfinetes. Os decotes dos corpetes tornaram-se mais profundos. ao sentarem num banco de jardim. Foram levados às últimas conseqüências em proporção e enfeites. Untavam-nos para aplicar-lhes o pó e enfeitavam um suporte de crina de cavalo por trás da cabeça. . mas.

no entanto. A identidade da moda Império culmina durante o reinado de Napoleão. golas altas e majestosos lenços amarrados no pescoço como adorno. Era Vitoriana e La Belle Époque Império O excesso de privilégios gozado pelas classes favorecidas francesas (clero e nobreza) fez com que o terceiro estado. A burguesia. comandado por Napoleão Bonaparte. liderou a revolução mas o sucesso se deu por conta da participação de seus outros representantes. não havia mais nada de ostensivo e extravagante. o processo de mudanças se iniciou antes. de 1804 a 1815. Tais linhas para homens e para mulheres são as que prevaleceram no período do Império. similar a uma camisola solta. Um traço característico desse vestido era o recorte de cintura alta. perucas. Usavam um vestido simples. Os excessos vistos no período do Rococó. botas. A “Anglomania” atingiu a vestimenta masculina no sentido de sobriedade. Após o governo de um Diretório. que estava incluída no terceiro estado. Para as mulheres a opulência também desapareceu. com decote acentuado. se rebelasse e desse início ao processo revolucionário. A Revolução Francesa deu origem a um processo gradual de mudanças sociais que gerou a transição para outro momento histórico: a Idade Contemporânea. tecidos faustosos. os campesinos e os trabalhadores urbanos. Eles passaram a usar casacos de caça ingleses. mas. muitos bordados. foram deixados de lado. isto é. com os Paniers. logo abaixo dos seios. com roupas mais práticas e confortáveis. a frança passou a ser governada por um sistema monárquico imperial. Romantismo. Vale destacar as influências greco-romanas que estiveram destacadamente . A partir de 1790 a palavra de ordem era conforto. Houve uma mudança drástica na forma de ser vestir e o gosto pela natureza e as influências da vida no campo inglesas estiveram presentes também. seguido do de um Consulado. corpetes. calças cada vez mais assimiladas e parecidas com as de hoje.A Idade Contemporânea Império. geralmente de cor branca em tecidos vaporosos e transparentes como mousseline ou cambraia. o restante da população.

quando os vestidos eram de mangas curtas. Assim. fez algumas proibições que afetaram diretamente a moda. Napoleão. proibiu a importação de mousseline da Inglaterra. Intencionava gerar um maior consumo têxtil e também fortalecer a França como divulgadora de moda.presentes: os cabelos intencionalmente despenteados (Cabelos à Ventania) e a forte lembrança das vestimentas gregas femininas. Também proibiu as damas de sua corte de repetirem em público o uso de seus vestidos. . A questão do frio era realmente um problema nesses vestidos de leves tecidos e profundos decotes que deixavam o colo todo em evidência (quadrados ou em V). Buscava com isso fomentar a produção especialmente da seda de Lyon. o xale. Inicialmente importado da índia (Caxemira) e posteriormente fabricado na própria França. As mulheres usavam longas luvas para se protegerem. Em parte por problemas políticos que enfrentava com a Inglaterra e por outro lado com intenção de desenvolver a indústria têxtil francesa. uma vez que a vestimenta masculina era toda influenciada pelos ingleses. entra em moda um acessório que vai ser usado em todo o século XIX.

com saias sutilmente cônicas. que foi usada durante todo o século XIX. Houve toda uma influência no processo criativo das artes. camisas com altas golas e pescoços adornados com o Plastron. Surge. destacando principalmente a pintura histórica e em menos grau a pintura sagrada. A moda masculina. que desempenharam um papel menos vanguardista. estava bem aquecida. arquitetura. A literatura romântica. abarcando a épica e a lírica. na Inglaterra. gerando certo ar arrogante. música. a cartola. nesse momento de Restauração.Romantismo O período do Romantismo correspondeu aproximadamente de 1820 a 1840. Os homens ainda contavam com um acessório que ficou marcado com ícone de elegância. que foi mais do que uma moda. porém bufantes nos ombros. em um momento em que a Revolução Industrial estava a pleno vapor. Este ideal iluminista. mais do que os valores de arte. típico Dandy. um estilo de vida. colete. avançando para um modo de ser. Os vestidos começaram a ficar mais ornamentados. decotes mais altos. foi um movimento de vanguarda e que teve grande repercussão na formação da sociedade da época. A proposta era um ser humano espontâneo e emocional. contamos com o período de Restauração (1815-1820). naturalmente na moda. mangas compridas e justas nos punhos. Procura-se no conteúdo. no entanto. do teatro ao romance. um lenço usado com sofisticados nós e que deixavam a cabeça erguida. os efeitos emotivos. de pouca identidade na moda feminina. Antes dele. efetivamente entre 1800 e 1830. O período Romântico propriamente dito defendeu as emoções libertas e pôs fim ao racionalismo típico do Iluminismo. calção ou calça comprida. O modo de ser Dandy impôs-se e ditou regras. Este movimento surgiu pelas mãos de George Brummel e teve seus dias mais gloriosos. status e poder social. um estilo denominado de Dandismo. Usavam casaco. ao contrário das artes plásticas. foi ela o veículo que consolidaria definitivamente o ideal de uma época. Propunha sobriedade e distinção e foi referência para toda a moda masculina do século XIX. estava transformando os homens em máquina e fez despertar o saudosismo. literatura e. em plena transformação já desde o período do Império. A pintura foi o ramo das artes plásticas mais significativo. utilizando-se de temas dramáticosentimentais inspirados pela literatura e pela História. que foi uma espécie de transição do Império para o Romântico. . As roupas eram justas e não podiam ter nenhuma ruga.

cobrindo o decote e as mangas. criando o aspecto de ombros caídos. a partir de 1830 e até a Primeira Guerra Mundial. o uso de barbas. do tipo boneca amarrados sobre o queixo. Jóias como relicários. flores. . Neste momento os homens estavam ocupados com o trabalho e coube às mulheres a exibição dos poderes materiais da burguesia. para os vestidos que as tinham. quase inalterado. Os sapatos tinham salto baixo e o leque era indispensável. chapéus de palha ou cetim. sofisticados penteados. preenchidas com plumas e fios metálicos para dar o volume desejado. bem acentuados. pulseiras. Nas cabeças usavam cachos caídos sobre a face. Os adornos em geral foram muito usados. Para a noite em especial. As mangas passam a ser enormemente bufantes e foram denominadas de Mangas Presunto. As saias são usadas com anáguas e adquirem volume cônico. A cintura volta para seu lugar e novamente passa a ser marcada pelo corpete. Os tecidos listrados e florais foram comuns e as cores mais usadas eram tanto os coloridos quanto o preto. os decotes aparecem novamente. O xale manteve-se e podia ser feito de renda. fitas.Para os homens o estilo Dandy permaneceu. broches e laços babados. Elas buscaram inspiração no passado e resgataram os valores tradicionais. usado sobre os ombros. Foi comum para eles. Eram em forma de canoa.

Uma viúva mantinha o luto por dois anos. Mesmo as crianças usavam o preto por um ano após a morte de um parente próximo. A fraqueza e a inanidade eram consideradas qualidades desejáveis em uma mulher. A burguesia estava com grande prestígio graças ao processo da Revolução Industrial que estava caminhando bem e permitindo o trabalho com negócios e comércio e a acumulação de capital dentro da sociedade de consumo vigente. os decotes sobem e as cores escurecem. ombros caídos e cabelos cacheados. período pudico com um código moral estrito. podendo optar – como a rainha Vitória – por usá-lo permanentemente. olhos grandes e escuros. Esta época é tida como o apogeu das atitudes vitorianas. aproximadamente. ela era uma figura solene. não tirando o luto até o fim de sua vida (1902). inocentes e sensíveis. tímidas. A mulher deveria ser algo entre as crianças e os anjos: frágeis. . A moda vitoriana do luto extremo e elaborado vestiu de preto britânicos e americanos por bastante tempo e contribuiu para tornar esta cor mais aceita e digna para as mulheres. “Saúde de ferro” e vigor eram características vulgares das classes baixas. quando o espirituoso estilo de vida “festeiro e expansivo” do príncipe de Gales. reservadas às criadas e operárias. Tratava-se de uma espécie de gaiola. A Era Vitoriana. A morte do príncipe Albert marca o início da segunda fase da era vitoriana.Era Vitoriana O início da segunda metade do século XIX foi marcado por Napoleão III (França) e pela rainha Vitória (Inglaterra). era elegante ser pálida e desmaiar facilmente. foi garantidamente uma época próspera e os reflexos na moda foram evidentes. uma armação de aros de metal usada sob a saia e que permitia que esta obtivesse um enorme volume cônico e circular. O reinado da rainha Vitória é marcado pela instalação moral e puritanismo. A exagerada Crinolina representou todo o aspecto de esplendor e prestígio da sociedade capitalista. O ideal de beleza do início da era vitoriana exigia às mulheres uma constituição pequena e esguia. Em 1861 morre o príncipe Albert e a rainha mergulha em profunda tristeza. Edward. ecoava na sociedade da época. As roupas e as mulheres começam a mudar. até 1890. Isto dura. que durou aproximadamente de 1850 a 1890. Em 1840 ela casa-se com Albert. e este se torna o Príncipe Consorte. boca pequenina.

deixando claro seu papel de esposa e mãe. Mais para o final da Era Vitoriana. Ao passo que a moda feminina estava cada vez mais enfeitada. Os espartilhos eram indispensáveis e os detalhes cresciam cada vez mais. sapatos de salto alto. reflexo da sociedade produtiva da época. o tafetá. com o uso das rendas em especial e também de laços e babados. nos tecidos ou ornamentos. a crepe. ficou evidente que o homem transferiu por completo para sua esposa a conotação de exibição financeira: ela passou a representar a riqueza de seu homem. Com o passar do tempo. que deixa de ser completamente circular para concentrar seu volume da parte de trás. a evolução continua e o volume passa a ser apenas uma espécie de almofadinha na parte traseira das saias: surge a Anquinha. permitindo a almejada diferenciação da alta classe parisiense. foi uma revolução na moda. . O volume se concentrou. que veio acompanhada do início do processo de valorização do criador de moda. nos volumes. sombrinhas. a roupa masculina tornou-se uma roupa de trabalho. só no traseiro feminino. usados em estofados e cortinas. Ele foi um costureiro inglês que passou a ditar moda em Paris fazendo as mulheres irem até ele. graças a Charles Frederick Worth e vale destacar que este processo teve estreita relação com a Revolução Industrial e com o prestígio financeiro de sua burguesia industrial. cartola e barba. a mousseline. Os tecidos para os vestidos passaram a ser os de decoração.Os vestidos femininos eram dotados de profundos decotes que deixavam o colo em evidência. então. Este período marca o surgimento da Alta Costura. há uma evolução da Crinolina. Assim. O marco foi 1850. dentre outros. Eram feitas de crina de cavalo no início e em seguida de arcos de metal unidos por uma dobradiça que permitia que ela se abrisse ou se fechasse quando a mulher sentava. Ombros e braços também ficavam aparentes e os tecidos eram muito luxuosos como a seda. fora a gravata. caudas nos vestidos e pequenos chapéus para o dia. por volta de 1870/1890. fossem nas cores. Para ele. a sobriedade imperava e deixava transparecer um contraste visual marcante entre homens e mulheres. Usavam leques. se tornando uma gaiola reta da frente. o brocado.

as anquinhas desapareceram. quando apenas o rosto e as mãos se deixavam aparecer. cintura muito fina e volume nos quadris. Neste momento a referência passou a ser a natureza. Usavam chapéus com flores. Ainda no final da Era Vitoriana o hábito de práticas esportivas. bastante apertada quase impedindo o caminhar das mulheres. A roupa para tal atividade ainda não tinha nenhuma relação com as de hoje. A indumentária feminina marcou uma demasiada cobertura corporal. se acentuou na Belle Époque. a peteca. uma vez que eram de malha. O que se viu foi uma saia em formato de sino. com ar masculino. O estilo foi batizado de Art Nouveau e representou grande singularidade no período. a novidade teve seus reflexos na área da moda e a mulher vai incorporar todos os novos detalhes curvos. As golas eram muito altas e cobriam o pescoço e os detalhes como laços. o arco e flecha entraram em voga e se consagraram na Belle Époque. Com o passar do tempo e o aproximar do século XX. em geral de fios de . representou o período de 1890 até 1914. Este hábito ligado o esporte trouxe para o guarda roupa feminino a veste de duas peças. fitas e rendas estavam em profusão. babados. sobre os coques fofos e a bota era indispensável. No campo artístico houve grande mudança de valores. o que teve início ainda na Era Vitoriana. ou Bela Época.La Belle Époque A La Belle Époque. O banho de mar também se tornou um hábito. em especial da equitação. Como sempre se viu acontecer. A assimilação foi grande e em breve o Tailleur (casaco e saia do mesmo tecido) foi adotado para o dia-a-dia das cidades. período que foi caracterizado pela cintura ampulheta das mulheres –ombros com volume. algumas mulheres chegavam a remover suas costelas flutuantes para que conseguissem afinar ainda mais a cintura com o auxílio do espartilho. O ideal de beleza do período apontava para uma estreiteza de apenas 40cm e para atingir tal objetivo. Assim. quando ela não estivesse de luvas. mas também o tênis. tendo como marco de seu fim o estourar da Primeira Guerra Mundial. com suas linhas curvas e formas orgânicas. A cintura feminina se tornou mais fina e atingiu a menor circunferência já vista em toda a história.

pela primeira vez na história. que ao longo de todo o século XX vai ser relida.lã. Para o homem. mas o terno era facilmente visto. A moda infantil. Worth continua sendo um nome de destaque na Alta Costura. cobriam o tronco e atingiam a altura dos joelhos. Por influência dos banhos de mar. Ainda faziam parte da composição meias e sapatos e muitas vezes uma capa por cima de tudo com intuito de proteção. As calças masculinas eram retas e com vinco na frente. surge a moda marinheiro. . começa a deixar de ser cópia da roupa dos adultos. como Jacques Doucet e John Redfern. mantendo a proposta de praticidade e funcionalidade. mas entram novos no cenário. os cabelos eram curtos e o uso do bigode era bastante popular na época. as linhas do período anterior permanecem. O traje masculino era composto de sobrecasaca e cartola.

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