UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Departamento de Engenharia Mecânica Disciplina: TEM 04098 - Máquinas Térmicas IV Professor: José Eduardo Sampaio

Máquinas Térmicas
Alunos Matrícula Diogo França da Silva 20638062 José Ernesto V. Fassarela 10638014 Laís Felinto Pereira 20738068

Niterói 2º Semestre de 2010

TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 4 1.1 - MÁQUINAS TÉRMICAS-------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 1.2 - RENDIMENTO DE UMA MÁQUINA TÉRMICA ---------------------------------------------------------------------------- 5 1.3 - SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA --------------------------------------------------------------------------------------- 6 1.4 - A MÁQUINA DE CARNOT ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 2 - INSTALAÇÕES A VAPOR ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 2.1 - INTRODUÇÃO: COMPONENTES DA PLANTA ----------------------------------------------------------------------------- 8 2.2 - COMPONENTES BÁSICOS DE UMA INSTALAÇÃO A VAPOR ----------------------------------------------------------- 8 2.3 - O CICLO DE RANKINE IDEAL -------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 2.3.1 - Rendimento de um cilco rankine ideal ----------------------------------------------------------------------------- 12 2.4 - MELHORIAS NO RENDIMENTO DO CICLO DE RANKINE --------------------------------------------------------------- 12 2.4.1 - O Ciclo de Rankine com Reaquecimento -------------------------------------------------------------------------- 13 2.4.2 - O ciclo de Rankine com aumento da pressão no fornecimento de calor no gerador de vapor -------- 14 2.4.2 - O ciclo de Rankine com redução da pressão de saída da turbina-------------------------------------------- 14 2.5 - CONFIGURAÇÕES ESPECIAIS NO CICLO DE RANKINE ------------------------------------------------------------------ 15 2.5.1 - Reaquecimento --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 15 2.5.2 - Regeneração ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 16 2.6 - CICLO RANKINE REAL (NÃO-IDEAL) --------------------------------------------------------------------------------------- 18 3 - MOTORES A COMBUSTÃO INTERNA ------------------------------------------------------------------------------------------ 19 3.1 - INTRODUÇÃO------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 19 3.1.1 - Considerações Iniciais ------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 3.1.2 - Definição de Motores a Combustão Interna --------------------------------------------------------------------- 19 3.1.3 - Principio de Funcionamento dos Motores de Combustão Interna ------------------------------------------- 20 3.2 - CICLO DE OTTO ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 3.2.1 - Modelo Ideal do Ciclo de Otto --------------------------------------------------------------------------------------- 20 3.2.2 - Rendimento do Modelo Ideal do Ciclo de Otto ------------------------------------------------------------------ 21 3.2.3 - Motor a Quatro Tempos (Ciclo Real) ------------------------------------------------------------------------------- 22 3.2.4 - Motor de Dois Tempos ------------------------------------------------------------------------------------------------ 24 3.3 - O CICLO DIESEL ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 25 3.3.1 - Modelo Ideal do Ciclo Diesel ----------------------------------------------------------------------------------------- 25 3.3.2 - Funcionamento Mecânico em um Motor a Diesel -------------------------------------------------------------- 26 3.4 - POTÊNCIA EFETIVA EM UM MOTOR A COMBUSTÃO INTERNA ----------------------------------------------------- 27 3.5 - RENDIMENTO DOS MOTORES A COMBUSTÃO INTERNA ------------------------------------------------------------- 27 3.5.1 - Rendimento Global ou Total ----------------------------------------------------------------------------------------- 27 3.5.2 - Rendimento Volumétrico (Potência por Litro) ------------------------------------------------------------------- 28 3.5.3 - Rendimento Térmico -------------------------------------------------------------------------------------------------- 29 4 - TURBINAS A GÁS------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 30 4.1 - PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO ----------------------------------------------------------------------------------------- 30 4.1.1 - Aplicações Principais -------------------------------------------------------------------------------------------------- 31 4.2 - COMPONENTES PRINCIPAIS DE UMA TURBINA A GÁS ---------------------------------------------------------------- 32 4. 3 - CICLO IDEAL DE BRAYTON -------------------------------------------------------------------------------------------------- 34 4.3.1 - Rendimento do Ciclo Brayton Ideal--------------------------------------------------------------------------------- 35 4.3.2 - Funcionamento em Ciclo Aberto de uma Turbina a Gás ------------------------------------------------------- 36 4.3.3 - Funcionamento em Ciclo Fechado de uma Turbina a Gás ----------------------------------------------------- 37 4.4 - CICLO BRAYTON COM REGENERAÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------- 38

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TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS
4.5 - O CICLO IDEAL DA TURBINA A GÁS, USANDO COMPRESSÃO EM VÁRIOS ESTÁGIOS COM RESFRIAMENTO, EXPANSÃO EM VÁRIOS ESTÁGIOS COM REAQUECIMENTO E REGENERADOR. ---------------------------------------- 40 5 - CONCLUSÕES ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 41 APÊNDICE A - DEFINIÇÕES BÁSICAS ----------------------------------------------------------------------------------------------- 42 BIBLIOGRAFIA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 43

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TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS

1 - INTRODUÇÃO 1.1 - MÁQUINAS TÉRMICAS Máquinas térmicas são dispositivos que, operando em ciclo, retiram energia na forma de calor de uma fonte quente, como por exemplo: gás ou vapor em expansão térmica, e a transfere para uma fonte fria realizando trabalho. Uma máquina térmica tem maior eficiência se transforma mais calor em trabalho, transferindo, portanto, menos calor para a fonte fria. Como ela opera em ciclo, a substância de trabalho deve passar por uma série fechada de processos termodinâmicos, retornando ao seu ponto de partida ao final de cada ciclo. As máquinas térmicas e outros dispositivos que funcionam por ciclos utilizam normalmente um fluido para receber e ceder calor ao qual se dá o nome de fluido de trabalho. O trabalho líquido do sistema é simplesmente a diferença de trabalho da fonte quente e da fonte fria: = − ,

onde: WH é o trabalho da fonte quente; WL é o trabalho da fonte fria.

Wt é trabalho líquido ou total da máquina térmica;

O trabalho também pode ser definido a partir das trocas de calor: = onde: QH e QL são respectivamente o calor cedido da fonte quente e o calor recebido pela fonte fria. Um desenho esquemático de uma máquina térmica é mostrado na figura 1.1.1. −

,

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RENDIMENTO DE UMA MÁQUINA TÉRMICA Um dos principais objetivos de quem constrói uma máquina térmica. a eficiência de uma máquina térmica teoricamente poderia atingir 100%. é que esta tenha o maior rendimento possível. o rendimento seria igual a 1. = → = − → = 1− O rendimento é a eficiência com que uma máquina térmica funciona. grandes turbinas a gás . em trabalho. O rendimento. o rendimento de uma máquina térmica é sempre inferior a 1. se a máquina não transferisse energia sob a forma de calor para a fonte fria. ciclicamente se transforme toda a energia sob a forma de calor proveniente da fonte quente. Como o quociente entre Qc e Qq tem um valor que pode estar entre 0 e 1.2 .DESENHO ESQUEMÁTICO DE UMA MÁQUINA TÉRMICA 1.da ordem de 80%.da ordem de 50%.1 . isto é. motores a diesel .1. no entanto. No entanto. Em geral o rendimento das máquinas é baixo: motores de automóveis . não é possível construir máquinas térmicas onde. que normalmente se denota por η.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 1.da ordem de 30%. __________________________________________________________ Página 5 de 43 . define-se como a razão entre o trabalho que a máquina fornece W e a energia sob a forma de calor que sai da fonte quente QH e sem o qual ela não poderia funcionar. Caso o valor de Qc fosse nulo (zero Kelvin). uma vez que tal violaria a 2ª Lei da Termodinâmica.

1. sendo dois adiabáticos e dois isotérmicos. onde a área dentro do ciclo representa o trabalho líquido produzido.“É impossível construir uma máquina térmica que.3.3.“É impossível construir uma máquina térmica que opere em ciclo e cujo único efeito seja a transferência de energia na forma de calor de um reservatório a uma dada temperatura para um reservatório a uma temperatura mais alta”.DESENHOS ESQUEMÁTICOS DOS ENUNCIADOS DE KELVIN-PLANK (a) E CLAUSIUS (b) 1. conforme gráfico da figura 1.SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA Enunciado de Kelvin-Plank . __________________________________________________________ Página 6 de 43 .TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Assim o restante de energia que não é aproveitado pela máquina é expulso para o meio ambiente na forma de energia inútil.3 . sendo todos eles reversíveis. não produza nenhum efeito além da absorção de calor de um reservatório e da realização de uma quantidade igual de trabalho”.4 . Os desenhos esquemáticos referentes aos enunciados acima são demonstrados na figura 1. "perdida".1 (a). Enunciado de Clausius . operando em um ciclo.1. opera com um gás ideal que sofre 4 processos.1 .4. (a) (b) FIGURA 1.A MÁQUINA DE CARNOT Idealizada por Sadi Carnot em 1824.

4. Assim.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS (a) (b) FIGURA 1.(a) ESQUEMA P x V DO CICLO DE CARNOT. __________________________________________________________ Página 7 de 43 . QH = TH ∆SAB Como a maquina é cíclica: ∆S = 0. portanto por: = 1− =1− ∆ = 1− ∆ E só depende das temperaturas absolutas dos reservatórios térmicos de alta e baixa temperatura.4. assim ∆S AB + ∆S CD = 0 e QL = TL∆SCD A eficiência da máquina de Carnot é dada.1 . podemos representar o ciclo no diagrama T x S conforme figura 1. (b) ESQUEMA T x S DO CICLO DE CARNOT Sendo a entropia uma propriedade.1 (b).

pois é que mais se aproxima do ciclo real destas. __________________________________________________________ Página 8 de 43 .Uma bomba é um dispositivo utilizado para mover os líquidos. podem ser vistos na figura 2. sendo eles: Bomba . O ciclo de Rankine ideal é considerado o ciclo modelo em se tratando de usinas termelétricas.1.INTRODUÇÃO: COMPONENTES DA PLANTA Os componentes básicos de uma planta de potência.1 .COMPONENTES BÁSICOS DE UMA INSTALAÇÃO A VAPOR Em sua forma mais básica o ciclo de Rankine consiste em quatro componentes. O circuito da água de arrefecimento compreende o subsistema C. O vapor que deixa a turbina passa através do condensador.2 . tais como líquidos ou suspensões.1. ou gases.INSTALAÇÕES A VAPOR 2.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 2 . chaminé gases de combustão A turbina torre de arrefecimento C D gerador água quente combustível ar B gerador de vapor condensador bomba de alimentação bomba água fria FIGURA 2. O eixo da turbina está conectado a um gerador elétrico (subsistema D). A análise termodinâmica é facilitada dividindo-se a planta em quatro subsistemas. O escopo desta seção estará voltada ao subsistema A. onde condensará fora dos tubos por onde circula a água de arrefecimento. 2. onde ocorre a conversão de energia entre calor e trabalho. identificados pelas letras A até D.SISTEMA DE POTÊNCIA A VAPOR O subsistema B fornece a energia requerida para vaporizar a água que passa pelo gerador de vapor. O vapor produzido passará pela turbina onde se expandirá até uma pressão mais baixa. onde a água é o fluido de trabalho.1 .1. através da queima de algum combustível.

Um condensador é um dispositivo usado para condensar uma substância gasosa ao estado líquido.1 abaixo: __________________________________________________________ Página 9 de 43 . ou qualquer combinação dos mesmos. Como outros ciclos termodinâmicos. onde perderá pressão. e não do fluido de trabalho. o calor latente é cedido pela substância. através da aplicação direta de energia provenientes da queima de combustíveis. Essa energia mecânica pode ser utilizada para mover equipamentos e quando acoplado um gerador se obtêm a transformação da energia mecânica em energia elétrica Condensador . Seu caminho continua ao seguir para um condensador onde o que fica de vapor passa ao estado líquido para poder entrar em uma bomba que lhe subirá a pressão para novamente poder o ingressar à caldeira. sendo um equipamento com boa eficiência quando utilizado em condições de projeto.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Gerador de vapor .A turbina a vapor é um equipamento que aproveita a energia calorífica do vapor e transforma em energia mecânica. O vapor que se observa saindo de centrais de produção de energia vem do sistema de resfriamento do condensador. de eletricidade ou de energia nuclear. O fluido de trabalho num ciclo Rankine segue um ciclo fechado. e passará para a refrigeração do condensador. Ao fazê-lo. Um desenho esquemático do ciclo de Rankine é exposto na figura 2.O gerador de vapor ou caldeira é definido como um recipiente fechado em que a água ou outro líquido é aquecido ou vapor é gerado. 2. sob pressão ou de vácuo. Seu nome foi dado em razão do matemático escocês William John Macquorn Rankine. Turbina . e é constantemente reutilizado. para uso externo a si mesmo. sua eficiência máxima é obtida através da eficiência de um Ciclo de Carnot.3. O ciclo Rankine descreve a operação de uma planta de força que opera com vapor. Este é produzido em uma caldeira à alta pressão para logo ser levado a uma turbina onde produz energia cinética.O CICLO DE RANKINE IDEAL O Ciclo Rankine é um ciclo termodinâminco. o vapor é superaquecido.3 .

onde ele é resfriado até a condição de líquido saturado. Com esta expansão. Pelo fato do condensador ser meramentente um trocador de calor.DESENHO ESQUEMÁTICO DO CICLO DE RANKINE Os processos que compreendem o ciclo de Rankine são os seguintes: 1 .1: O vapor então entra num condensador. 2 .3: O fluido pressurizado entra numa caldeira. este processo se dá de forma adiabática O diagrama T x S é do ciclo de Rankine é exposto na figura 2.3.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 2. onde é aquecido a pressão constante até se tornar vapor superaquecido. gás natural e energia nuclear. tanto a pressão quanto a temperatura se reduzem. Fontes comuns de calor incluem carvão.2: Primeiro o fluido de trabalho é bombeado em um processo adiabático de uma pressão baixa para uma pressão alta utilizando-se uma bomba. Este líquido então retorna à bomba e o ciclo se repete.4: O vapor superaquecido deixa a caldeira e sofre uma expansão adiabática reversível através de uma turbina para gerar trabalho através da rotação do eixo. 3 . O bombeamento requer algum tipo de energia para ser realizado. 4 .2 abaixo. normalmente acoplado a um gerador elétrico. __________________________________________________________ Página 10 de 43 .1 .3.

isso é uma hipótese razoável para os ciclos reais. =ℎ − ℎ . uma vez que os termos de trabalho e troca de calor são muito maiores que as anteriores. h2 é a entalpia no estado 2 e h1 a entalpia no estado 1. Para o gerador de vapor tem-se: = ℎ − ℎ . a transfêrencia de calor por unidade de massas nestes componentes também é dada pela diferença entálpica em suas entradas e saídas. =ℎ − ℎ . respectivamente.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 2.2 . h4 é a entalpia no estado 4 e h3 a entalpia no estado 3. onde qg é o calor específico trocado no gerador de vapor e h3 e h2 são as entalpias específicas nos pontos 3 e 2. Por ser o processo de bombeamento adiabático.DIAGRAMA T x S DE UM CICLO DE RANKINE IDEAL As expressões que tratam do trabalho e do calor trocado para os quatro processos básicos são obtidos aplicando-se a 1ª Lei da Termodinâmica.3. __________________________________________________________ Página 11 de 43 . Em geral. As variações de energia cinética e potencial também são desprezadas. Considerando-se nulas as interações de trabalho nos processos que ocorrem no gerador de vapor e no condensador. a equação da conservação de energia por unidade de massa aplicada a bomba reduz-se a: onde wb é o trabalho realizado na bomba. Na turbia por se tratar de um processo similar ao da bomba. a equação da conservação por unidade de massa será: onde wt é o trabalho realizado na bomba. Na análise do ciclo ideal as transferências de calor (inevitáveis) entre os diversos componentes e o meio são desprezadas.

Assim. Podemos então perguntar.Rendimento de um cilco rankine ideal = ℎ − ℎ . Isto significa que o calor deve ser transferido ao vapor enquanto ele sofre um processo de expansão (no qual é efetuado o trabalho).MELHORIAS NO RENDIMENTO DO CICLO DE RANKINE Na análise do ciclo de Rankine é útil considerar que o rendimento depende da temperatura média na qual o calor é fornecido e da temperatura média na qual o calor é rejeitado. 2. respectivamente. o ciclo de é ciclo ideal que pode ser aproximado na prática. O estado 1’ é uma mistura de líquido e vapor e é muito difícil constituir uma bomba que opere convenientemente sendo alimentada como uma mistura de líquido e vapor (1’) e que fornece líquido saturado na seção de descarga (2’). A eficiência térmica do ciclo estabelece o quanto da energia fornecida ao fluido de trabalho.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Para o condensador tem-se: onde qc é o calor específico trocado no condensador e h1 e h4 são as entalpias específicas nos pontos 1 e 4. ou que diminua a temperatura média na qual o calor é rejeitado __________________________________________________________ Página 12 de 43 ℎ − ℎ − ℎ − ℎ ℎ − ℎ . É muito mais fácil condensar completamente o vapor e trabalhar somente com o líquido na bomba (o ciclo de Rankine é baseado neste fato). 2. passando pelo gerador de vapor. Isto também é muito difícil de ser conseguido na prática. portanto o vapor é super aquecido no processo 3-3’’. é convertido em trabalho líquido de saída e é dada pela seguinte razão: − η = Esta expressão também pode ser rescrita em termos de entalpia do fluido de trabalho para os quatro estados representativos do ciclo conforme anteriormente: η = É evidente que o ciclo de Rankine tem um rendimento menor que o ciclo Carnot que apresenta mesmas temperaturas máxima e mínina do ciclo de Rankine. No ciclo de Carnot toda transferência de calor ocorre a temperatura constante e. processo 3-3’. Qualquer variação que aumente a temperatura média na qual o calor é fornecido.4 . porque a temperatura média entre 2 e 2’ é menor que a temperatura durante a vaporização. pelo menos.1 . A segunda razão envolve o superaquecimento do vapor. No ciclo de Rankine o vapor é super aquecido a pressão constante. porque escolhemos o ciclo de Rankine como ciclo ideal? Porque não escolher o ciclo de Carnot 1’-2’-3-4-1 como ciclo ideal? Pode-se fornecer. duas razões para escolha do ciclo de Rankine. A primeira envolve o processo de bombeamento. Note que durante esse processo a pressão cai.3.

4. Isto pode ser explicado também pela ocorrência do aumento da temperatura média na qual o calor é transferido ao vapor. Como a relação entre estas duas áreas é maior do que a relação entre o trabalho líquido e o calor fornecido no restante do ciclo. para as pressões dadas. é evidente que. 2. e conseqüentemente. O vapor entra na turbina com entalpia maior do que aquela respectiva a um ciclo de Rankine sem superaquecimento.DIAGRAMA T x S MOSTRANDO O SUPERAQUECIMENTO EM UM CICLO DE RANKINE Percebe-se que o trabalho aumenta o correspondente a área 3-3’-4’-4-3 e o calor transferido no gerador de vapor aumenta o correspondente à área 3-3’-b’-b-3.O Ciclo de Rankine com Reaquecimento O superaquecimento do vapor no gerador de vapor geralemente é feito pela passagem do vapor através de tubos expostos a combustão de gases ou alguma outra fonte de energia com temperatura acima da temperatura de saturação. conforme podemos observar no diagrama da figura 2.1. FIGURA 2. Aumentando a pressão no fornecimento de calor no gerador de vapor. quando o vapor é superaquecido. o título do vapor na saída da turbina aumenta.4. O estudo sobre as melhorias do rendimento do ciclo de Rankine tem grande importância porque usinas de potência a vapor são as responsáveis pela produção da maior parte da energia elétrica do mundo.1.1 . ganhos ambientais.4. ganhos de eficiência térmica podem significar uma grande economia na necessidade de combustível. __________________________________________________________ Página 13 de 43 .1. Note também que. Diminuindo a pressão de saída da turbina.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS aumentará o rendimento do ciclo de Rankine. assim surgem três possibilidades básicas para se obter um maior rendimento: Superaquecendo o vapor no gerador de vapor. o superaquecimento do vapor aumenta o rendimento do ciclo de Rankine. Portanto.1 .

o rendimento do ciclo de Rankine aumenta com o aumento da pressão máxima.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 2. O trabalho líquido aumenta o correspondente à área hachurada simples e diminui o correspondente a área do duplo hachurado. Já o título do vapor que deixa a turbina diminuir quando a pressão máxima aumenta.2 . neste caso. em que se considera um aumento da pressão no fornecimento de calor no gerador de vapor. portanto.1 abaixo: FIGURA 2. é representada na figura 2.1 . a temperatura máxima do vapor. mas o calor rejeitado diminui e.4.2.4. 2.DIAGRAMA T x S MOSTRANDO O AUMENTO DA PRESSÃO NO FORNECIMENTO DE CALOR NO GERADOR DE VAPOR Nesta análise. bem como a pressão de saída são mantidas constantes.2 .4. Note que.2.1: __________________________________________________________ Página 14 de 43 . Portanto o trabalho líquido tende permanecer o mesmo.4. O calor rejeitado diminui o correspondente a área b’-4’-4-b-b’.O ciclo de Rankine com redução da pressão de saída da turbina A terceira possibilidade. é representada na figura 2.O ciclo de Rankine com aumento da pressão no fornecimento de calor no gerador de vapor A segunda possibilidade.4.2. da redução da pressão de saída na turbina com a correspondente diminuição da temperatura na qual o calor é rejeitado. a temperatura média na qual o calor é fornecido também aumenta com um aumento da pressão.

existem também configurações especiais elaboradas sobre o ciclo de Rankine com a finalidade de melhorar a sua eficiência térmica. diminui.Reaquecimento O ciclo de Rankine com reaquecimento foi desenvolvido para tirar vanatgem do aumento do rendimento com o uso de pressões mais altas.5 .1. __________________________________________________________ Página 15 de 43 .2.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 2. excede cerca de 10 por cento.1 . e ainda evitar umidade execessiva nos estágios de baixa pressão da turbina. O calor transmitido ao vapor é aumentando de uma área de a’-2’-2-a-a’. entretanto. Este ciclo é demonstrado esquematicamente na figura 2. e.5. o resultado líquido é um aumento no rendimento do ciclo. Note. que a redução da pressão de saída causa um aumento no teor de umidade do vapor que deixa a turbina. Como essas duas áreas são aproximadamente iguais. 2. Além das três possibilidades relacionadas aos efeitos da temperatura e da pressão.CONFIGURAÇÕES ESPECIAIS NO CICLO DE RANKINE 2. na qual o calor é rejeitado.4. Isso também é evidente pelo fato de que a temperatura média. Regeneração. Isto é um fator significativo. pois ocorrerá um a diminuição na eficiência da turbina e a erosão das palhetas da turbina tornar-se-á um problema muito sério quando a umidade do fluido.1. nos estágios de baixa pressão da turbina.DIAGRAMA T x S MOSTRANDO A REDUÇÃO DA PRESSÃO NO CONDENSADOR EM UM CICLO RANKINE O trabalho líquido aumenta de uma área 1-4-4’-1’-2’-2-1 (hachurada).1 .5. Estas configurações admitem a incorporação de processos conhecidos como: Reaquecimento.

Entre outras vantagens. A primeira turbina recebe o vapor do gerador de vapor à alta pressão.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 2.2 .1 .5. Este vapor é então reaquecido. à pressão constante.1: FIGURA 2.1.5.CICLO DE RANKINE SEM SUPERAQUECIMENTO __________________________________________________________ Página 16 de 43 . o processo de reaquecimento ideal é também suposto reversível internamente. utilizando o calor da própria caldeira.2.1 .DIAGRAMA ESQUEMÁTICO DO CICLO DE RANKINE COM REAQUECIMENTO O ciclo Rankine com reaquecimento opera utilizando duas turbinas em série. o que poderia danificar seriamente as pás da turbina. 2. Assim com o o processo que ocorre no gerador de vapor. e é utilizado para acionar uma segunda turbina de baixa pressão.5.liberando-o de tal maneira a evitar sua condensação.Regeneração Os conceitos básicos do ciclo regenerativo podem ser mostrados considerando-se o ciclo de Rankine sem superaquecimento como indicado na figura 2.2.5. isto impede a condensação do vapor no interior das turbinas durante sua expansão.

Além disso.2 . após deixar a bomba. Nota-se que esta área é exatamente igual a área 1’-3-4-5’-1’. Assim. durante este processo. na qual o calor é fornecido ao ciclo de Rankine. com isso. Assim. No ciclo regenerativo. é muito inferior à do processo 2’-3.2: FIGURA 2. a temperatura média do fluido. o fluido de trabalho entra no gerador de vapor em algum estado entre 2 e 2’ e. que o calor transferido ao fluido de trabalho no processo 3-4 e a área 3-4-d-b-3 representa esta troca de calor. o fluido é aquecido enquanto permanece na fase líquida.2 que representa os estados do vapor escoando atráves da turbina. as áres 2-3-b-a-2 e 5-4-d-c-5 são iguais e congruentes. a linha 4-5 no diagrama T x S da figura 2.DIAGRAMA T x S MOSTRANDO O CICLO IDEAL REGENERATIVO O aspecto singular do ciclo ideal regenerativo é que. o rendimento do ciclo de Rankine é menor que o ciclo de Carnot corresnpondente. o líquido circula ao redor da carcaça da turbina. respectivamente.5. seja menor do que no Ciclo Carnot 1’-2’-3-4-1’ e. o teor de umidade do vapor que deixa a turbina aumenta consideravelmente em consequencia da troca de calor e a desvantagem disto já foi observada anteriormente.2.5. em cada ponto a temperatura do vapor é apenas infinitesimalmente superior à temperatura do líquido. Com isto tranfere-se o calor do vapor que escoa através da turbina ao líquido que circula ao redor da turbina.2. ou seja. o ciclo ideal regenerativo mostrado na figura 2. Na hipótese desta troca ser reversível. com as mesmas temperaturas de forncecimento e rejeição de calor. e do vapor. o ciclo regenerativo ideal tem um rendimento exatamente igual ao rendimento do ciclo de Carnot.2. é exatamente paralela a linha 1-2-3 que representa o processo de bombeamento e os estados líquido que escoa ao redor da turbina. Isso faz com que a temperatura média.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Durante os processos 2-2’. aumenta a temperatura média na qual o calor é fornecido. conseqüentemente.5. Nota-se. O ciclo regenerativo prático envolve a extração de uma __________________________________________________________ Página 17 de 43 . O calor é transferido do fluido de trabalho no processo 5-1 e a área 1-5-c-a-a representa esta troca de calor. em sentido contrário ao vapo da turbina. Observa-se. pois não é possível efetuar a troca de calor necessária do vapor que deixa a turbina à água líquida de alimentação. então. Obviamente o ciclo regenerativo ideal não é prático. e representam o calor transferido ao líquido. também.

CICLO RANKINE REAL (NÃO-IDEAL) Num ciclo Rankine real.6 . __________________________________________________________ Página 18 de 43 . Isto faz com que a energia requerida pela bomba seja maior. estes processos não são reversíveis.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS parte do vapor após ser expandido parcialmente ne turbina e o uso de aquecedores de água de alimentação. 2. e que o trabalho produzido pela turbina seja menor do que o produzido num estado de idealidade. Em outras palavras. a compressão pela bomba e a expansão na turbina não são isoentrópicos. e a entropia aumenta durante os processos.

Na atualidade estes motores têm um grande mercado nas pequenas indústrias e também em sistemas de geração de produção de energia elétrica. Veiculares . Industriais . máquinas de mineração. bombas ou outras máquinas que operam em rotação constante.Destinados à propulsão de barcos e máquinas de uso naval. Podem ser classificadas como: Estacionários . tais como tratores.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 3 . ou quando os consumos de energia sofrem variações ao longo do tempo.2 . máquinas de solda.Destinados ao acionamento de máquinas estacionárias. Vantagens arranque rápido.1 . Conforme o tipo de serviço e o regime de trabalho da embarcação existe uma vasta gama de __________________________________________________________ Página 19 de 43 . Marítimos .1. tais como caminhões e ônibus. baixa eficiência. tais como geradores.Destinados ao acionamento de máquinas de construção civil.Definição de Motores a Combustão Interna Motores a combustão interna são máquinas térmicas motoras nas quais a energia química dos combustíveis se transforma em trabalho mecânico (o fluido de trabalho consiste nos produtos da combustão). sempre que as necessidades térmicas sejam pouco significativas. trabalho em rotações relativamente baixas. em sistemas de Co-geração. fácil manutenção. elevado número de peças.1. compressores de ar.Considerações Iniciais Nesta parte do trabalho serão abordados os conceitos e as definições básicas para o entendimento das máquinas térmicas que funcionam a combustão interna. acionamento de sistemas hidrostáticos e outras aplicações onde se exijam características especiais específicas do acionador. embora possam ser encontrados alguns exemplos com consumos da ordem dos 20 MW ou mais.1 .Destinados ao acionamento de veículos de transporte em geral. Este tipo de Co-geração é habitualmente utilizado em instalações com potências da ordem dos 10 MW. 3. guindastes. pequeno tamanho. não utilização de combustíveis sólidos. veículos de operação off-road. peso elevado para a potência. Desvantagens limitação de potência.INTRODUÇÃO 3.MOTORES A COMBUSTÃO INTERNA 3.

Este ciclo é representado nos diagramas P x v e T x S da figura 3. este ciclo pode completar-se de duas maneiras: ciclo de trabalho a quatro tempos. trabalho comercial leve. é possível construir motores a quatro tempos mais eficientes e menos poluentes em comparação aos motores a dois tempos. consumindo trabalho (deve ser fornecido). 4.1.2. sendo ele: 1. gerando trabalho.2. Ocorre a expansão dos gases resultantes da combustão. Motores baseados neste ciclo equipam a maioria dos automóveis de passeio atualmente. Expulsão dos gases. (b) DIAGRAMA T x s DO CICLO DE OTTO IDEAL __________________________________________________________ Página 20 de 43 . 2. pesado. e posteriormente por Étienne Lenoir e Rudolf Diesel. Queima-se o mesmo.1 . comparando motores de mesma potência.CICLO DE OTTO O Ciclo de Otto é um ciclo termodinâmico. Nos motores a pistão. 3.1 abaixo (a) (b) FIGURA 3. peso e volume.Principio de Funcionamento dos Motores de Combustão Interna O ciclo mecânico é o mesmo em qualquer motor de combustão interna. 3. maior complexidade. 3. ciclo de trabalho a dois tempos. (Laser. apesar do maior número de partes móveis.2 . Introduz-se o combustível no cilindro. 3. médio-contínuo e contínuo).1 .2.(a) DIAGRAMA P x v DO CICLO DE OTTO IDEAL. 5.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS modelos com características apropriadas.1.Modelo Ideal do Ciclo de Otto O ciclo de é o ciclo ideal que se aproxima do motor de combustão interna de ignição por centelha (como já foi observado anteriormente). Para esta aplicação. Comprime-se o combustível.1. Foi definido por Beau de Rochas e implementado com sucesso pelo engenheiro alemão Nikolaus Otto em 1876. conforme o uso.3 . que idealiza o funcionamento dos motores de combustão interna de ignição por centelha.

1.1 apresenta o gráfico do rendimento térmico do ciclo de Otto ideal. η =1− é a razão de compressão: =1− =1− 1 onde. 2-3: Combustão a volume constante enquanto o pistão está momentaneamente em repouso no ponto morto superior. A figura 3.1. = = Uma coisa importante a ser observada é que o rendimento do ciclo de Otto ideal é uma função apenas da razão de compreensão.2 .Rendimento do Modelo Ideal do Ciclo de Otto Admitindo-se constante o calor especifico do ar.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Os processos que compreendem o ciclo de Otto ideal. 3. conforme figura 3. o rendimento do ciclo de Otto ideal é dado por: η =1− − =1− =1− −1 − − η = 1− Além disso. 4-1: Rejeição de calor. e que o rendimento aumenta com o aumento desta razão.2. observamos que: = Portanto: = = −1 = e. são os seguintes: 0-1: Admissão isobárica. 1-2: Compreensão isoentrópica do ar quando o pistão se move do lado da manivela para o ponto morto do lado do cabeçote.2. 3-4: Expansão isoentrópica. __________________________________________________________ Página 21 de 43 .2.2.

doravante designado por PMS. uma designada por válvula de admissão que permite a introdução de uma mistura gasosa composta por ar e combustível no cilindro e outra designada como válvula de escape. A dosagem da mistura gasosa é regulada pelo sistema de alimentação. que permite a expulsão para a atmosfera dos gases queimados. principalmente quando solicitadas respostas rápidas do motor. é aberta a válvula de admissão. que é agora comprimida pelo pistão.2.Motor a Quatro Tempos (Ciclo Real) Considerando o uso de apenas duas válvulas que são comandadas pelos ressaltos de árvore de cames.3 . 3. A este passo do êmbolo é chamado o primeiro tempo do ciclo. impulsionado no seu sentido ascendente em direção à cabeça do motor pelo eixo de manivelas até atingir de novo o PMS. move-se então até o ponto morto inferior. por exemplo: O calor específico dos gases reais aumenta com o aumento da temperatura. Há considerável troca de calor entre os gases do cilindro e as paredes do cilindro.2. ou tempo de admissão. A este __________________________________________________________ Página 22 de 43 .TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS A FIGURA 3. ficando o cilindro cheio com a mistura gasosa.Fecha-se a válvula de admissão. Os ciclos termodinâmicos associados às máquinas reais se diferem sensivelmente da idealização.1 . que pode ser um carburador ou pela injeção eletrônica.2. Haverá irreversibilidades associadas aos gradientes de pressão e temperatura.Com o êmbolo (também designado por pistão) no ponto morto superior. enquanto se mantém fechada a válvula de escape. já que os processos ocorrem apenas de forma aproximada à maneira descrita e os motores estão susceptíveis a fenômenos como.RENDIMENTO TÉRMICO EM FUNÇÃO DA RAZÃO DE COMPRESSÃO. O êmbolo é impulsionado para baixo pelo eixo de manivelas (virabrequim). O processo de combustão substitui o processo de troca de calor a alta temperatura. em que se substitui o comando mecânico destes sistemas por um eletrônico e conseguindo-se assim melhores misturas. 2 . o ciclo de funcionamento de um motor de combustão a 4 tempos é o seguinte: 1 . doravante designado por PMI. e a combustão pode ser incompleta.

em que o êmbolo impulsionado pelo eixo de manivelas retoma o seu movimento ascendente. é inflamada devido a uma faísca produzida pela vela e explode. Na figura 3.SEQÜÊNCIA DO MOTOR 4 TEMPOS. ou tempo de exaustão (escape). 3 . 4 . que a válvula de escape se abre.Quando o êmbolo atingiu o PMS.2. O aumento de pressão devido ao movimento de expansão destes gases empurra o êmbolo até ao PMI. ou seja.O cilindro encontra-se agora cheio de gases queimados. impulsionando desta maneira o eixo de manivelas e produzindo a força rotativa necessária para o movimento do eixo do motor que será posteriormente transmitido às rodas.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS segundo estágio do êmbolo é chamado o segundo tempo do ciclo. A este quarto estágio do êmbolo é chamado o quarto tempo do ciclo. apenas se usa a energia de rotação acumulada no volante (acoplado ao eixo). Após a expulsão dos gases o motor fica nas condições iniciais permitindo que o ciclo se repita. permitindo a expulsão para a atmosfera dos gases impelidos pelo êmbolo no seu movimento até ao PMS. tempo de explosão. __________________________________________________________ Página 23 de 43 . A este terceiro estágio do êmbolo é chamado o terceiro tempo do ciclo. FIGURA 3. ou tempo de compressão.3. denominado câmara de combustão. altura em que se fecha a válvula de escape. É importante salientar. os outros três tempos são passivos. pois durante os outros tempos. o que faz com que ele ao rodar permita a continuidade do movimento do jogo de manivelas durante os outros três tempos.3. a mistura gasosa que se encontra comprimida no espaço existente entre a face superior do êmbolo e a cabeça do motor. que somente no curso de combustão se produz energia mecânica. tempo motor ou tempo útil. É nesta altura.2.1 podemos ver o funcionamento de um motor a 4 tempos de forma mais simples.1 . uma vez que é o único que efetivamente produz trabalho. absorvem energia.

1 . Na figura 3. No PMS.óleo lubrificante. etc.Motor de Dois Tempos Os motores deste tipo combinam em dois cursos do êmbolo as funções dos motores de quatro tempos. 180 graus. há um curso motor para cada volta do virabrequim. dado início à combustão por meio de uma centelha. dá meia volta. fechando o ciclo. sendo assim. abrindo-se a janela de admissão. Pouco antes de atingir o PMS. Ao mesmo tempo o êmbolo abre a janela de carga permitindo que uma nova mistura ar-combustível entre no cilindro preparando-o para o novo ciclo e forçando os gases provenientes da combustão para fora (lavagem). Durante o curso. dá-se a centelha. Normalmente estes motores não têm válvulas. As janelas de escape e carga são fechadas. que será utilizado no próximo ciclo. __________________________________________________________ Página 24 de 43 . comprimindo a mistura ar-combustível. o êmbolo é forçado até o PMI. pois nele se dá a pré-compressão da mistura. Figura 3. 2º Tempo . 1º Tempo . que possui dimensões reduzidas. gerando uma força sobre o êmbolo.Combustão e Escape É o curso de trabalho. por diferença de pressão. gera-se uma pressão baixa dentro do cárter e assim.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 3. provocando a combustão da mistura. O virabrequim. Inicia-se então o próximo ciclo.1 podemos ver o funcionamento de um motor a 2 tempos de forma mais simples. 180 graus. O virabrequim dá meia volta.4. O cárter. neste primeiro tempo.2. o êmbolo passa na janela de descarga dando vazão aos gases da combustão.4.2.4 . hastes.Curso de Admissão e Compressão O êmbolo dirige-se ao PMS.2. recebe a mistura arcombustível e o óleo de lubrificação. admite-se uma nova mistura ar combustível . Deve ser cuidadosamente fechado.Seqüência do motor a 2 tempos. Com o movimento do êmbolo. eliminando-se o uso de tuchos.

o ar entra pela admissão já pressurizado. Nos modelos antigos ou lugares muito frios costuma-se usar velas de incandescência no tubo de admissão para minimizar esse efeito sendo que alguns motores estacionários ainda usam buchas de fogo e a partida é feita com manivelas.1. Este é o ciclo ideal para o funcionamento do motor com o mesmo nome. Dai a robustez de um em relação ao outro. mas esses obstáculos têm vindo a desaparecer em virtude das injeções eletrônicas diretas e a maior rotação do motor de partida.3. a alta taxa de oxigênio faz com que o óleo entre em combustão. (a) (b) FIGURA 3.3. o ar ao ser comprimido poderá não atingir a temperatura suficiente para a primeira ignição.1 -(a) DIAGRAMA P x v EM UM CICLO DIESEL IDEAL. no motor diesel esta varia de 14:1 a 25:1.Modelo Ideal do Ciclo Diesel O ciclo Diesel ideal é mostrado na figura 3. (b) DIAGRAMA P x s EM UM CICLO DIESEL IDEAL __________________________________________________________ Página 25 de 43 . Para melhorar o desempenho. produzindo a explosão sem a necessidade da ignição elétrica. pois aproveita a energia que seria desperdiçada. Usa-se uma pequena turbina que utiliza os gases de escape para girá-la. Acoplado ao mesmo eixo encontra-se uma outra turbina que pressuriza o ar para dentro da câmara de combustão. Quando o tempo está frio. Enquanto o motor a gasolina aspira a mistura ar + combustível para a câmara de combustão e queima a partir de uma faísca elétrica fornecida pela vela de ignição no momento de máxima compressão.1. As principais diferenças entre o motor a gasolina e o motor diesel são as seguintes: enquanto o motor a gasolina funciona com a taxa de compressão que varia de 8:1 a 12:1.O CICLO DIESEL O motor a diesel ou motor de ignição por compressão é um motor de combustão interna inventado pelo engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858-1913). 3.3 .1 . mas sim uma injeção de óleo (combustível) no momento de máxima compressão.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 3.1. O Engenheiro Rudolf Diesel chegou a esse método quando aperfeiçoava máquinas a vapor. No motor diesel não existe uma aspiração. em que a combustão do combustível se faz pelo aumento da temperatura provocado pela compressão da mistura inflamável.3. Tal processo é chamado de co-geração.

Este processo corresponde à injeção e a queima do combustível no motor real. a adição de calor cessa e o gás sofre uma expansão isoentrópica. a troca de calor deve ser apenas o suficiente para manter a pressão constante. o rendimento do ciclo diminui com o aumento da temperatura máxima. __________________________________________________________ Página 26 de 43 . E também. e aumentando-se a temperatura será necessária uma maior adição de calor e resultará num aumento relativamente pequeno de trabalho. A expansão começa após o PMS do êmbolo com a mistura (ar + combustível) na proporção certa para a combustão espontânea. O combustível começa a ser injetado um pouco antes do PMS devido ao fato de atingir a quantidade suficiente para uma perfeita mistura (ar + combustível) e conseqüentemente uma boa combustão. Isto é evidente pelo diagrama T x s. para um dado estado antes da compressão e uma dada relação de compressão. até que o pistão atinja o PMI. porque as linhas de pressão constante e de volume constante convergem.2 . onde o combustível continua a ser pulverizado até momentos antes do PMI. ou seja. O êmbolo atinge o PMI e inicia-se então a compressão.Funcionamento Mecânico em um Motor a Diesel Na maioria das aplicações os motores Diesel funcionam a quatro tempos. A combustão é controlada pela taxa de injeção de combustível. Pouco antes do PMS o combustível começa a ser pulverizado pelo injetor em finas gotículas. O ciclo inicia-se com o êmbolo no PMS. misturando-se com o ar quente até que se dá a combustão.3. 3. o calor é transferido ai fluido de trabalho a pressão constante.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Neste ciclo. pela quantidade de combustível que é injetado. processo 3-4. A válvula de admissão está aberta e o êmbolo ao descer aspira o ar para dentro do cilindro. A temperatura do ar dentro do cilindro aumenta substancialmente devido à diminuição do volume. Como o gás se expande durante a adição de calor no ciclo ideal. O rendimento do ciclo Otto é dado pela relação: =1− =1− − − =1− −1 −1 É importante notar que no ciclo Diesel. Como no ciclo Otto padrão. uma rejeição de calor a volume constante no PMI substitui os processos de descarga e de admissão do motor real. a razão de compressão isentrópica é maior do que a razão de expansão isoentrópica. Quando se atinge o estado 3.

1 .V.185/3600 = 4348 J/s. reiniciando. o ciclo. pelo número de joules (J).TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS O ciclo termina com a fase de escape. Esta quantidade de trabalho obtida em joules por segundo será transformada em W ou em kW. uma força de 1 Newton (N). e rende 1000 J/s. 1 kWh = 3600000 J 1KW =1000 J/s Este motor recebe sob forma de carburante uma energia calorífica capaz de fornecer 4348 J/s.185 J. basta calcular a quantidade de trabalho que este é capaz de fornecer em 1 segundo. ou seja. Para calcular a potência de um motor. 1000 J/s = 1. o que faz com que os gases de combustão sejam expulsos do cilindro. Uma caloria transformada totalmente em trabalho mecânico fornece 4.5 .5. Como os catálogos dos motores indicavam __________________________________________________________ Página 27 de 43 . onde o embolo retorna ao PMS. 3. A unidade de potência atual é o quilowatt (kW) ou o watt para os motores pequenos. o ciclo é completado a cada volta. Um grama de gasolina tem um poder calorífico de 11000 calorias.POTÊNCIA EFETIVA EM UM MOTOR A COMBUSTÃO INTERNA A potência de um motor é determinada pela quantidade de trabalho que ele pode fornecer em um segundo.V. provocando um deslocamento de 1 m. assim. isto é. O seu rendimento térmico é de 1000 x 100/4348 = 23% Observações: O cálculo do rendimento de um motor pode ser feito com base no seu consumo por hora ou por segundo. 3. nas antigas unidades ou 1 C.36 C. No caso dos motores a dois tempos.4 . Um motor que consome 340 g de gasolina por kWh recebe por segundo uma energia de 340 x 11000 x 4.Rendimento Global ou Total Chama-se rendimento de um motor a relação entre potência mecânica desenvolvida à saída do virabrequim e a que lhe é fornecida sob a forma de carburante. 1000 J/s = 1 kW. 1 J/s = 1 W. = 736 J/s.RENDIMENTO DOS MOTORES A COMBUSTÃO INTERNA 3. a admissão não é feita por válvulas mas sim por janelas. conforme a equivalência destas unidades.

o kW. relaciona-se muitas vezes a sua potência efetiva à unidade de cilindrada expressa em litros. 35% sob forma de calor retirado pelos gases de escape. sendo a nova unidade de potência dos motores.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS sempre.P.V. Para comparação mais exata das vantagens da execução mecânica dos motores. Os valores atuais situam-se entre 5 e 9 kW por litro/1000 rpm.V. o consumo em g por H. pelo que. calculando por hora. Este valor era baseado na potência nominal utilizada ainda hoje em vários países. 25% sob forma de energia mecânica disponível na extremidade do virabrequim.P. __________________________________________________________ Página 28 de 43 . é mais simples calcular o rendimento sobre esta base de tempo. ou seja: potência/cilindrada = potência por litro Os primeiros motores atingiam 5 C.V. 8% sob forma de energia mecânica absorvida pelos atritos internos do motor.(3.5.Rendimento Volumétrico (Potência por Litro) Para comparar os motores entre si.) para os motores de alto rendimento. Estes aperfeiçoamentos resultam principalmente no aumento dos regimes de rotação.6 kW) por litro.) e 37 kW (50 C. Aliás. terão valores extremamente elevados e pouco comuns na prática. era lógico calcular o rendimento a partir deste valor e em relação ao H. ou seja: potência/cilindrada x regime = Potência por litro por 1000 rpm. antigamente./hora. e mais de 80 kW (100 C.V. A energia total desenvolvida pela combustão da gasolina no motor de ciclo Otto distribui-se do seguinte modo: 32% sob forma de calor gasto pelo sistema de arrefecimento dos cilindros./hora. A unidade de trabalho (J) é dez vezes menor que o (kgm) e a unidade de calor (cal) é mil vezes menor que a (kcal). correspondente a 100 J/s. ou seja. da diminuição de peso das peças móveis e da qualidade do carburante. O de um motor de ciclo Diesel pode atingir mais de 35%. é preciso determinar a potência por litro milhares de rpm.2 .V. Com as novas unidades MKSA convém calcular o rendimento na base do consumo por segundo. entre 7 e 12 C. O rendimento de um motor de ciclo Otto funcionando a gasolina é em média de 21 a 25%.) por litro. Os motores modernos desenvolvem entre 30 kW (40 C. 3.

esta modificação proporciona um aumento na eficiência térmica. caso contrário. através do abaixamento do cabeçote ou troca dos pistões. aumentando o peso específico da mistura (o que pode ser conseguido enriquecendo-se a mistura) aumentar-se-á a potência do motor. Entretanto. uma vez que não se trata de uma alteração no motor. com a finalidade de se aumentar a potência. o que é possível de ser realizado modificando-se a bobina. A variação da temperatura da entrada e saída d’água de refrigeração de um motor deve ser a menor possível. Portanto. Diminuindo a diferença de temperatura entre a saída e entrada d’água de refrigeração do motor. Otimizando a combustão. É importante lembrar que não se está considerando alterações no combustível. mas existem perdas pelas próprias características dos materiais envolvidos. a capacidade da faísca saltar entre os eletrodos da vela é reduzida. diminuindo por conseqüência o rendimento térmico do motor. Como se pode observar na fórmula anterior. a combustão já não será perfeita. provoca perdas de energia. Aumentando a taxa (ou razão). aumenta-se a energia extraída de cada gota de combustível. ao se aumentar a taxa de compressão do motor. É claro que isto é limitado pela qualidade da gasolina e pela geometria de construção do motor que pode tornar o motor propenso a detonação.Rendimento Térmico O rendimento térmico é a relação entre o calor que efetivamente se transforma em trabalho útil e o calor equivalente ao trabalho que poderia ser obtido pela queima do combustível. o motor poderá apresentar superaquecimento ou ter uma boa parte dessa energia perdida pelo trocador de calor. pois essa troca de calor. módulo de ignição e curva de avanço. Esta melhora na combustão da mistura torna-se necessária porque. Quando algumas características do motor são alteradas. embora necessária.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 3. torna-se necessário a otimização da combustão da mistura. __________________________________________________________ Página 29 de 43 . O aumento do rendimento térmico do motor pode ser conseguido das seguintes maneiras: Aumentando a taxa de compressão. que necessitam trocar o calor gerado pela combustão e atritos internos. De uma maneira geral. dependendo da conveniência. para cada ponto adicionado na taxa de compressão resultará num aumento de 4% na potência do motor. reduzindo a potência.3 . O ideal seria transformar toda a energia química do combustível em energia térmica. O modo mais fácil de aumentar o rendimento térmico do motor é aumentando-se a sua taxa de compressão. ou seja. vela.5. Este aumento pode ser feito. essa variação de temperatura deve ser trabalhada com muito cuidado. se a mistura for extremamente rica.

aquecimento. passando continuamente em cada componente que possui uma função específica para este fim.1. normalmente o ar.1. ou por troca de calor com uma fonte externa em um ciclo fechado. __________________________________________________________ Página 30 de 43 .1 – EXEMPLO DE TURBINA AERONÁUTICA. que pode ser usado para acionar uma carga qualquer. estes processos são realizados seqüencialmente em um mesmo espaço fechado. A maneira usual de tratar o fluído de trabalho é o ciclo termodinâmico composto pelas fases de admissão.1 O compressor tem como função conduzir o fluído de trabalho até o aquecimento. Em um motor alternativo. O arranjo básico de uma turbina a gás de ciclo simples é mostrado na figura 4. FIGURA 4. compressão.1. A turbina é acionada pela expansão do fluído de trabalho comprimido e aquecido e tem como função. que é obrigado a escoar através da máquina. expansão e descarga.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4 .PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO Motores térmicos são máquinas usualmente projetadas para transformar a maior parcela possível da energia liberada pela queima de um combustível em trabalho no eixo. além de acionar o compressor. Ao contrário. o fluido de trabalho escoa sem interrupção. A queima de um combustível em um espaço aberto produziria apenas calor. produzir um saldo positivo de potência no eixo.TURBINAS A GÁS 4. O fluído é aquecido por combustão interna num ciclo aberto. em uma turbina a gás. A transferência da energia liberada pela queima de um combustível em um motor térmico para o eixo de saída é obtida pelo uso apropriado de um fluído de trabalho gasoso. formado entre o pistão e o cilindro onde atua intermitentemente uma quantidade definida de massa.1 .

Turbo-hélices.1 . Transmissão de gás natural. etc). Turbo-fans.1. como por exemplo: Turbo-jatos. FIGURA 4.1.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4. Geração distribuída. terrestre) Compressão de CO2 (processos industriais.1. como por exemplo: Geração local.2. Turbinas estacionárias.Aplicações Principais As turbinas a gás tem sua aplicação principalmente nas seguintes áreas: Turbinas aeronáuticas. Planta de biogás.1. Armazenagem e extração de gás. APU – Unidade Auxiliar de Potência. Helicópteros.1. Um exemplo de turbina estacionaria é apresentado na figura 4.1.1.1. Transporte (propulsão marítima. Bombeamento de líquido e óleo. Um exemplo de turbina aeronáutica é apresentada na figura 4.2 – EXEMPLO DE TURBINA ESTACIONÁRIA __________________________________________________________ Página 31 de 43 .

A câmara de combustão (CC). O combustor é a primeira parte da chamada seção quente de uma turbina a gás. tubo-anulares ou anulares. estabilidade da chama. podemos ter vazões de ar de até 700 Kg/s. Internos . Entretanto.É o componente da turbina a gás onde o fluído de trabalho é pressurizado. A temperatura máxima na zona de combustão no interior da câmara está na faixa de 1800 a 2000 ºC. Em turbinas aeronáuticas este volume pode ser de apenas 5% do volume necessário em uma caldeira. Compressor de Ar . A chama contínua não toca as paredes da câmara. O volume da câmara de combustão é pequeno em relação à taxa de calor liberada. o restante é utilizado para o resfriamento da câmara de combustão. Assim sendo.mais eficientes. sendo estabilizada e modelada pela distribuição do fluxo de ar admitido.2 . fumaça. hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.A combustão em uma turbina a gás é um processo contínuo realizado a pressão constante. se desejado. por exemplo.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4. combustão completa. __________________________________________________________ Página 32 de 43 . Um suprimento contínuo de combustível e ar é misturado e queimado à medida que escoa através da zona de chama. onde ocorrem as condições mais severas de temperatura e pressão. Deve-se notar que apenas 20 a 35% da massa total de ar é utilizado na combustão. mais adequado para turbinas industriais. melhor distribuição de temperatura. O projeto da câmara de combustão deve garantir resfriamento adequado da camisa. O compressor usado em turbinas a gás é sempre do tipo dinâmico. pior distribuição de temperatura. e baixa emissão de monóxido de carbono. Externos . A turbina propriamente dita. com a mesma taxa de liberação de calor. mais compactos (anular). Quando é usado um compressor axial temos um grande número de estágios (15 aproximadamente) porque este trabalha com relações de compressão bastante baixas. Os combustores internos podem ser tubulares.COMPONENTES PRINCIPAIS DE UMA TURBINA A GÁS Podemos distinguir três componentes principais em uma turbina a gás. que também resfria toda a câmara de combustão. Os combustores podem ser internos ou externos.queima uma ampla faixa de combustíveis. uma vez que a combustão é realizada a pressões elevadas. maior durabilidade. Combustor (ou Câmara de Combustão) . Após a combustão completa os produtos da combustão passam para a zona de diluição em que o excesso de ar reduz esta temperatura para os níveis compatíveis com os materiais da turbina (850 a 900 ºC). sendo eles: O compressor. a queima adicional de combustível após a descarga da turbina. temos 80 a 65% de excesso de ar sendo possível.

2.1 – PALHETAS DA TURBINA À GÁS __________________________________________________________ Página 33 de 43 . é a parte motriz da unidade e a parte da máquina que opera em condições mais severas e em conseqüência a que exige a nossa maior atenção. FIGURA 4. O rotor é a parte móvel da turbina e consiste de rodas dinamicamente balanceadas com palhetas móveis fabricadas em superligas e são fixadas ao disco rotativo.2.1. 2ª parte da seção quente. alta temperatura e esforços elevados devido ao escoamento dos gases e à força centrífuga gerada pela rotação da máquina. As palhetas estão sujeitas a alta velocidade do gás.A turbina. O gás ao escoar através da turbina perde pressão e temperatura à medida que se expande e transforma a sua energia em trabalho. As turbinas podem ser do tipo radial (baixas potências) e do tipo axial (mais comum em altas potências). Normalmente as palhetas são unidas por uma cinta no seu topo (“shrouded”) formando uma banda no perímetro externo das palhetas que serve para reduzir a vibração das mesmas.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Turbina a Gás Propriamente Dita . Aproximadamente 2/3 da energia térmica disponível nos produtos da combustão são para o acionamento do compressor de ar e sistemas auxiliares. Um exemplo de palhetas de uma turbina à gás é exposto na figura 4.

onde se mistura com o combustível. com aumento de temperatura e conseqüente aumento de entalpia. intrínseco ao funcionamento de ciclos termodinâmicos. idealmente sem variação de entropia. Na medida em que o fluido exerce trabalho sobre as palhetas. O ciclo se constitui de quatro etapas. o ar em condição ambiente passa pelo compressor. o ar é direcionado às câmaras. O esquema do Ciclo de Brayton ideal é mostrado na figura 4. A rejeição de calor é um limite físico.ESQUEMA DO CICLO DE UM TURBINA À GÁS (CICLO BRAYTON IDEAL) __________________________________________________________ Página 34 de 43 . que se desviam do modelo ideal. descrevendo variações de estado (pressão e temperatura) dos gases. esta etapa representa a transferência de calor do fluido para o ambiente. onde ocorre compressão adiabática e isentrópica. Ao sair da câmara de combustão. reduzem-se a pressão e temperatura dos gases. uma aproximação dos processos térmicos que ocorrem nas turbinas a gás. Desta forma.2 (a) e (b).1 e os diagramas T x s e P x v na figura 4. à alta pressão e temperatura. A quarta etapa não ocorre fisicamente. mesmo se tratando de um ciclo aberto.3. Conceitualmente. gerando-se potência mecânica. 3 . os gases. se expandem conforme passam pela turbina. mesmo nos casos ideais. O conceito é utilizado como base didática e para análise dos ciclos reais. respectivamente. como o atrito. FIGURA 4. Comprimido.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4. Primeiramente. devido a limitações tecnológicas e fenômenos de irreversibilidade.3. à pressão constante. parte da energia proveniente da combustão é rejeitada sob a forma de calor. se tratando de um ciclo termodinâmico aberto. A potência extraída através do eixo da turbina é usada para acionar o compressor e eventualmente para acionar um outra máquina.1 . contido nos gases quentes de escape. como define a segunda lei da termodinâmica.3.CICLO IDEAL DE BRAYTON O Ciclo Brayton é um ciclo ideal. possibilitando queima e aquecimento.

O rendimento é dado por: é =1− =1− − − −1 −1 é =1− = = = é ∴ = = = −1= −1 ∴ = =1− =1− 1 __________________________________________________________ Página 35 de 43 . Assim.2 – (a) DIAGRAMA T x s EM UM CICLO BRAYTON (b) ) DIAGRAMA P x v EM UM CICLO BRAYTON 4.3. descontando-se a potência de acionamento do compressor e a potência líquida. o que faz da resistência.Rendimento do Ciclo Brayton Ideal A perda do ciclo ideal pode ser quantificada pela potência proveniente do combustível.3.1 .TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS (a) (b) FIGURA 4. das partes da turbina um ponto extremamente crítico na tecnologia de construção destes equipamentos. diminui-se a perda à medida que se reduz a temperatura de escape e se eleva a temperatura de entrada da turbina. a altas temperaturas.

2. Em seguida a mistura é direcionada para o acionamento da turbina. o ar atmosférico é aspirado. bem como a temperatura na seção da turbina. A energia resultante da combustão libera gases quentes que se expandem através da turbina. comprimido e conduzido à câmara de combustão.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Vemos que o rendimento do ciclo de Brayton padrão é. Se uma turbina estiver operando isoladamente (ciclo simples). Assim que este alcança uma dada velocidade.Funcionamento em Ciclo Aberto de uma Turbina a Gás Durante a partida a turbina necessita de um sistema de arranque para pôr o compressor em funcionamento.1 abaixo apresenta um arranjo típico de uma turbina a gás em ciclo aberto.3. porém isto elevaria demasiadamente o custo de construção e manutenção dos equipamentos do processo.3. A figura 4. O ar atmosférico captado pelo compressor é comprimido e direcionado para o combustor. 4. sua eficiência térmica é baixa. Poder-se-ia elevar esta eficiência térmica através da elevação de temperaturas e pressões de entrada. Após passar pelo combustor a temperatura se eleva devido à queima do gás. como nas aeronaves. produzindo energia mecânica. cerca de 64% do calor gerado pela queima do combustível é perdido nos gases de exaustão. pode ser mantida através do controle da relação ar/combustível.3.1 – CICLO DE BRAYTON ABERTO __________________________________________________________ Página 36 de 43 .2. portanto uma função da relação de pressão isoentrópica.2 . A estabilidade da combustão. apresentando a distribuição de energia de entrada e saída: FIGURA 4. ou seja. inviabilizando o projeto. da ordem de 36%. onde é misturado ao combustível (líquido ou gasoso). a pressão é reduzida à pressão atmosférica e a temperatura cai.

__________________________________________________________ Página 37 de 43 .3.1 – CICLO DE BRAYTON FECHADO.3 .2. no entanto o processo de combustão é substituído por processos de troca de calor. No ciclo fechado.3. para aproveitamento de parte da energia perdida no ciclo em forma de calor. visando manter as temperaturas de operação do ciclo em valores altos de maneira a tirar vantagens da boa eficiência de conversão do ciclo Brayton operando em altas temperaturas. O arranjo físico de uma turbina á gás operando em ciclo fechado é apresento na figura 4.3. fazem com que o ciclo deva ser classificado como um ciclo aberto.3. O esquema do ciclo Brayton fechado com trocador de calor é exposto na figura 4. Para se construir o ciclo Brayton fechado é necessário que a câmara de combustão seja removida e que o caminho do fluído de trabalho seja quase que integralmente refeito. os processos de compressão e expansão continuam os mesmos.3.3. o ciclo de Brayton fechado utiliza o calor perdido para gerar mais trabalho. A finalidade deste equipamento é preservar uma parte do calor gerado dentro do circuito. FIGURA 4.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4. Um trocador de calor deve ser acrescentado ao sistema.1 abaixo.Funcionamento em Ciclo Fechado de uma Turbina a Gás Os gases de escape saindo da turbina e sendo diretamente excluídos de forma não reciclada. Resumidamento.3.

Esta relação é encontrada em motores de turbina a gás operando com taxas de alta pressão. reduz os requisitos de entrada de calor (e. alcançar uma maior eficiência requer o uso de um regenerador maior. o que implica um preço mais alto provoca e uma queda maior da pressão.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS FIGURA 4.4 . o ar de alta pressão deixando o compressor pode ser aquecido pela transferência de calor dos gases de escape quente em um trocador de calor contra-corrente. No entanto. Portanto. portanto. a temperatura dos gases de escape saindo da turbina é geralmente muito maior do que a temperatura do ar deixando o compressor. É claro que um regenerador com uma maior eficiência vai economizar uma grande quantidade de combustível desde que o ar seja pré-aquecido a uma temperatura mais elevada antes da combustão. FIGURA 4. combustível) para a saída de um mesmo trabalho líquido.3.ESQUEMA DO CICLO DE BRAYTON SIMPLES COM REGENERADOR O regenerador. o fluxo de calor no sentido inverso (para os gases de escape) reduzir a eficiência.4.3. por sua vez.2 – CICLO DE BRAYTON FECHADO COM TROCADOR DE CALOR 4. a utilização de um recuperador de eficiência muito __________________________________________________________ Página 38 de 43 . Assim.4. que é conhecido também como regenerador ou recuperador.1 .CICLO BRAYTON COM REGENERAÇÃO Nos motores de turbina a gás.1 abaixo apresentada o esquema do ciclo Brayton com Regeneração. A utilização de um regenerador é recomendada somente quando a temperatura da turbina de escape é superior à temperatura de saída do compressor. Caso contrário. A figura 4.

2 – DIAGRAMAS P x v E T x s DO CICLO DE BRAYTON COM REGENERAÇÃO IDEAL. Portanto a eficiência térmica de um ciclo de Brayton com regeneração depende da relação entre as temperaturas mínima e máxima e da relação entre as pressões mínima e máxima. a temperatura real do gás que deixa o regenerador é menor do que ´ .4.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS eficiente não pode ser economicamente justificada. A maioria dos regeneradores é usada na prática a eficiência inferior a 0. a menos que a poupança de combustível exceder os custos adicionais envolvidos. logo: = = = = Para o regenerador ideal. A eficiência do regenerador é definida por: = ℎ −ℎ ℎ ´−ℎ __________________________________________________________ Página 39 de 43 .85. . O rendimento deste ciclo é obtido como segue: − − − = . = ·. e portanto =1− Num regenerador real que deve operar com uma diferença de temperatura.2 demonstra os diagramas do ciclo regenerativo ideal: FIGURA 4. A figura 4.4.

Uma aproximação do ciclo de Brayton com a idealidade se dá na utilização do mesmo com o uso de compressão em vários estágios.1 mostra um ciclo com dois estágios de compressão e dois estágios de expansão.2 – DIAGRAMA T x s DO CICLO IDEAL DA TURBINA A GÁS.5.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 4. __________________________________________________________ Página 40 de 43 . expansão em vários estágios. com resfriamento intermediário entre os estágios.5. REAQUECIMENTO E UM REGENERADOR. com reaquecimento entre os estágios. USANDO COMPRESSÃO EM VÁRIOS ESTÁGIOS COM RESFRIAMENTO. FIGURA 4. Pode-se mostrar que.1 – CICLO IDEAL DA TURBINA A GÁS. REAQUECIMENTO E UM REGENERADOR.5.2 correspondente. FIGURA 4. UTILIZANDO RESFRIAMENTO INTERMEDIÁRIO. e um regenerador.O CICLO IDEAL DA TURBINA A GÁS. A figura 4.5. EXPANSÃO EM VÁRIOS ESTÁGIOS COM REAQUECIMENTO E REGENERADOR. para este ciclo. UTILIZANDO RESFRIAMENTO INTERMEDIÁRIO.5 . se obtém o máximo rendimento quando são mantidas iguais as relações de pressão através dos dois compressores e das duas turbinas. O ciclo padrão de ar é mostrado no diagrama T x s da figura 4.

Foi visto que as máquinas que tem o funcionamento baseado nos ciclos de Otto e a Diesel são utilizadas para geração de baixas potências. explica o funcionamento de plantas de geração à vapor e o ciclo Brayton é utilizado para estudar o funcionamento de turbinas estacionárias. como um hospital ou uma. indo deste a alimentação de automóveis até o atendimento de pequenas localidades com baixa demanda. e também as turbinas utilizadas na propulsão de aeronaves. estes estudos visam a diminuição de custos e principalmente uma redução na utilização de combustíveis e conseqüentemente menor emissão de gases poluentes na atmosfera. __________________________________________________________ Página 41 de 43 . Muitos estudos sobre o aperfeiçoamento destas máquinas. Tal estudo é de grande importância para a engenharia elétrica. ainda precisam ser desenvolvidos. Foi possível também analisar as características de cada tipo de máquina aqui estuda e suas aplicações.CONCLUSÕES Com este trabalho foi possível entender os principais ciclos de potência de máquinas térmicas. por sua vez. utilizadas na Co-geração de energia elétrica.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS 5 . pois a maior parte da energia elétrica gerada no mundo é proveniente de centrais termoelétricas. no que diz respeito ao aumento de seus rendimentos. O ciclo Rankine.

Grandeza específica – é quando a grandeza é relacionada à unidade de massa. não são contidos em nenhum sistema. Sistema – um conjunto arbitrário de matéria tendo uma fixada identidade. a fronteira pode mudar.Definições Básicas Calor – é a forma de energia transferida entre dois sistemas em virtude da diferença de temperatura entre eles. e. Energia – é a capacidade de produzir trabalho. O estado de um sistema pode ser transformado pela adição ou extração de energia. A quantidade da matéria ocupando o volume de controle varia com o tempo. i. Temperatura – É a medida do potencial térmico do sistema. fora do sistema têm-se a vizinhança a interface entre sistema/vizinhança chama-se fronteira Sistema fechado – quantidade fixada de matéria – não há fluxo de matéria – há troca de calor e trabalho. Identifica. o estado do sistema. __________________________________________________________ Página 42 de 43 .TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS Apêndice A . Um processo reversível em uma máquina com escoamento somente é possível quando há ausência de atrito no fluído e transferência de calor com diferenças de temperatura com degraus muito pequenos. Faz considerações sobre o grau de liberdade das moléculas (átomos). Ciclo – quando um sistema parte de um estado inicial passa por diversas transformações e retorna ao mesmo estado inicial. Por ser um processo ideal somente serve como referência na comparação com processos reais equivalentes. Entropia – a entropia indica o grau de desorganização do universo. Trabalho – É aquilo que o sistema transfere à sua vizinhança quando suas fronteiras são deslocadas pela ação de uma força. portanto. Estado – o estado de um sistema é a sua condição a qual é definida por suas propriedades. Processo – é uma transformação ou série de transformações no estado do sistema. quando o estado inicial é idêntico ao estado final após as transformações sofridas. Processo Adiabático – Quando não há transferência de calor entre o sistema e a vizinhança durante o processo. Sistema aberto – há um fluxo contínuo de matéria através das fronteiras – volume de controle (superfície de controle). Processo irreversível – No irreversível o estado inicial não é atingido pela reversão do processo. Como sempre há atrito e as diferenças de temperatura são finitas todos os processos reais são irreversíveis. Processo Reversível – um processo é reversível se o sistema e sua vizinhança podem ser reconduzidos aos seus estados iniciais pela reversão do processo. Calor e trabalho são diferentes formas de energia em trânsito.

Unijui.e-escola. Links www.Leonardo Santana .shtml www.wikipedia.com. Unijui. Fundamentos da Termodinâmica Clássica.wikipedia. 1973.br/termo/termod0530.TRABALHO DE MÁQUINAS TÉRMICAS BIBLIOGRAFIA Van Wylen.wikipedia.wikipedia. Apostila de Motores a Combustão Interna. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.wikipedia.com/fisica/maquina-termica/ http://www. Dissertação para obtenção do Título de Mestre em Engenharia. G. Professora Dra.org/wiki/Ciclo_Rankine#Ciclo_Rankine_com_reaquecimento http://pt.pdf http://www.org/wiki/Ciclo_Rankine#Ciclo_Rankine_com_reaquecimento http://pt.Fátima Guzmán . Professor Luis Calor Martinelle Jr “Máquinas Térmicas”. UFABC. Giancarlo Cerutti Panosso Métodos de Simulação para Ciclos de Rankine.org/wiki/Motor_a_diesel http://pt.com//ma/enwiki/pt/Brayton_cycle http://pt. UFRJ.org/wiki/Ciclo_de_Otto __________________________________________________________ Página 43 de 43 .pantanalenergia.wikipedia.mspc.pt/topico.org/escoladecombustao/arquivos/EDC2009/combustao/comb_capitul o_5. Diogo Quental .Mário Márcio de Faria Zacarias Filho Máquinas Térmicas. Trabalho de Conclusão de Curso. 2003. J.eng.br http://redenacionaldecombustao. Ana Marcia Pereira Neto “Termodinâmica Aplicada”.org/wiki/Motor_a_dois_tempos http://pt.asp?id=576&ordem=2 http://pt.worldlingo.org/wiki/Máquina_térmica http://www.infoescola.Marcus Lins . Editora Edgard Blücher Ltda.