Amarildo Roberto Ribeiro – 1º Ten.

QOBM Coordenador Regional do SIATE 4º GB

AGENTES DE SOCORROS DE URGÊNCIA

Cascavel- 2007

CORPO DE BOMBEIROS 4º GRUPAMENTO DE BOMBEIROS SIATE – SERVIÇO INTEGRADO DE ATENDIMENTO AO TRAUMA EM EMERGÊNCIA

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1– Anatomia e Fisiologia CAPÍTULO 2– Mecanismo de Lesão CAPÍTULO 3– Atendimento Inicial da Vítima CAPÍTULO 4– Vias Aéreas CAPÍTULO 5– Reanimação Cardiopulmar CAPÍTULO 6 – Ferimentos, Hemorragia e Choque CAPÍTULO 7– Fraturas CAPÍTULO 8 – Remoção de Vítimas – Princípios Básicos CAPÍTULO 9 – Emergências Clínicas CAPÍTULO 10 – Intoxicações e Envenenamentos CAPÍTULO 11 – Acidentes com Animais Peçonhentos CAPÍTULO 12- Queimaduras CAPÍTULO 13 – Acidentes com Eletricidade CAPÍTULO 14 – Assistência ao Parto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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INTRODUÇÃO

Um Agente de Socorros Urgentes vem a ser o cidadão que, pela natureza de seu próprio ofício, convive com as atividades diárias da população e tem, consequentemente, maior probabilidade de presenciar situações de emergência e delas participar, justificando-se seu treinamento para proporcionar suporte básico de vida sem lançar mão de materiais e equipamentos especializados. Incluímos neste grupo os policias civis e militares, os bombeiros em geral, os motoristas de coletivos e taxis, os professores e os profissionais de segurança de grandes empresas. Está provado que a qualificação deste nível de pessoal, em número estatisticamente significativo na comunidade, tem alto impacto na sobrevivência de vítimas, especialmente aquelas com parada cardiorrespiratória, em que o “minuto de ouro” é crucial. Ao Agente de Socorros Urgentes cabe: Realizar o exame primário, avaliando condições de vias aéreas, respiração, circulação e nível de consciência: decidir sobre a necessidade de convocar o Serviço de Atendimento Pré-hospitalar e acioná-lo quando for o caso. • Obter informações do paciente e da cena do acidente e observar sinais diagnósticos: respiração, pulso, cor da pele, nível de consciência, habilidade de se movimentar. • Manter vias aéreas permeáveis com manobras manuais. • Realizar manobras de reanimação pulmonar e cardiorrespiratória. • Controlar sangramento externo evidente, por pressão direta, elevação do membro e ponto de pressão. • Mobilizar e remover grandes traumatizados, com proteção da coluna cervical, quando e somente quando a posição da vítima impedir manobras de reanimação indispensáveis; houver risco real de incêndio, explosão ou desabamento; onde não houver serviço de atendimento pré-hospitalar. • Reconhecer os períodos do parto normal: prestar assistência ao parto em período expulsivo e transportar para o hospital gestantes nos demais períodos.

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O conhecimento da anatomia e fisiologia do corpo humano é fundamental para a aplicação correta das técnicas de primeiros socorros. de frente para o observador. Como um mecânico pode consertar um automóvel sem conhecer suas partes e o funcionamento do motor? 2. Proximal Posterior Anterior Plano transverso Distal Plano sagital mediano Plano frontal ou coronal Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 1 . o mesmo deve ser considerado na posição ereta. Definições Anatomia é a ciência que estuda a forma e estrutura do corpo humano.CAPITULO I ANATOMIA E FISIOLOGIA 1. Fisiologia é a ciência que estuda o funcionamento das diferentes partes do corpo humano. membros superiores ao longo do corpo e as palmas das mãos voltadas para frente. Posição de Estudo Ao estudar o corpo humano.

3. Divisão do Corpo Humano
O corpo humano é dividido em cabeça, tronco e membros

Cabeça

Crânio Face Ombro Braço Antebraço Mão Superiores

Tronco

Pescoço Tórax Abdome Pelve

Membros

Quadril Coxa Perna Pé

Inferiores

A cabeça é dividida em crânio e face. Uma linha imaginaria passando pelo topo das orelhas e pelos olhos separam as duas regiões. O crânio contém o cérebro e na face encontram-se os órgãos do sentido: visão, audição, olfato e paladar. O tronco se divide em pescoço, tórax, abdômen e pelve. O pescoço é sustentado pela coluna cervical e o tórax pela caixa torácica (coluna vertebral posteriormente e costelas anterior e lateralmente). O tórax está separado do abdômen pelo músculo diafragma. O abdômen é sustentado pela coluna vertebral posteriormente e uma camada muscular anterior e lateralmente. A pelve corresponde a porção inferior do abdômen. O corpo humano possui um par de membros superiores divididos em ombro, braço, antebraço e mão e outro de membros inferiores que se dividem em quadril, coxa perna e pé.

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4. Constituição Geral do Corpo Humano
A célula é a unidade básica na constituição dos seres vivos. Um agrupamento de células constitui o tecido. A reunião de vários tecidos constitui o órgão, que se agrupam para formar o aparelho ou sistema. Células → Tecidos → Órgãos → Aparelhos ou Sistemas

Todas as células necessitam de oxigênio e nutrientes, sem os quais entram em sofrimento, podendo resultar em morte. À morte das células segue-se morte dos tecidos, órgãos e do próprio ser vivo. O suprimento de oxigênio e nutrientes para a célula, assim como a retirada de resíduos são realizados pelo sangue de forma contínua. O sangue se desfaz do gás carbônico e se abastece de oxigênio nos pulmões e se abastece de nutrientes pela absorção de alimentos digeridos no tubo digestivo.

5. Divisão Geral dos Aparelhos e Sistemas 5.1. Aparelho Circulatório
O aparelho circulatório (cardiovascular) é o responsável pela circulação do sangue através de todo o organismo. Constituído por coração, vasos sangüíneos e sangue. O coração é um órgão oco muscular, fica no centro do peito atrás do osso esterno. Um septo divide a cavidade do coração em dois lados: direito e esquerdo. Vasos sangüíneos: são as artérias, veias e capilares. As artérias transportam sangue rico em oxigênio para todas as células. As veias transportam sangue rico em gás carbônico para ser eliminado nos pulmões e os capilares são a transição entre artérias e veias, onde se dá a troca de oxigênio por gás carbônico (Fig.4). Nos locais onde as artérias se encontram próximas as superfícies da pele é possível sentir uma onda de pressão que chamamos de pulso. A freqüência de pulso (nº de batimentos por minuto) corresponde a freqüência de batimentos do coração e é manobra importante de avaliação de uma vítima.. A freqüência de pulso de um adulto normal é de 50 a 95 bpm. O Sangue é composto por uma parte líquida (plama) e por outra de elementos celulares (hemácias, leucócitos e plaquetas). O volume de sangue de um adulto corresponde a 7 a 8% do peso corporal. Assim, uma pessoa de 70Kg tem cerca de 5 litros de sangue.

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5.2. Aparelho Respiratório
Formado por - Vias aéreas superiores - Vias aéreas inferiores
Boca – Cavidade Oral Nariz – Cavidade Nasal Faringe Laringe Traquéia Brônquios (direito e esquerdo) Pulmões (direito e esquerdo)

É por meio das vias aéreas que o ar do meio ambiente entra em contato com os pulmões para fazer a troca gasosa (entrada de oxigênio e saída de gás carbônico). Chamamos de inspiração a entrada do ar rico em oxigênio e expiração a saída do ar rico em gás carbônico. É importante que o fluxo de ar pelas vias aéreas e a troca gasosa nos pulmões permaneçam constantes. Um adulto em repouso respira numa freqüência de 12 a 20 vezes por min.

Laringe

Fig.2 - Vias aéreas superiores

Fig.3 - Vias aéreas inferiores

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5. Boca – quebra de alimentos pela mastigação Faringe – participa no processo de deglutição Esôfago – conduz alimento até estômago Estômago – permite a digestão química através do suco gástrico Intestino delgado (duodeno. além das glândulas acessórias (glândulas salivares.4. Esse sangue oxigenado vermelho claro. 5. rico em gás carbônico.3.5 metros de extensão. Aparelho Circulatório O lado esquerdo do coração é a bomba que impulsiona o sangue rico em oxigênio (vermelho vivo) através das artérias até os capilares onde ocorre a troca de oxigênio por gás carbônico. Aparelho Digestório O aparelho digestório e composto de um conjunto de órgãos responsáveis pela digestão. Esses nutrientes são fornecidos pelos alimentos que são processados pelo aparelho digestório para que possam ser absorvidos e aproveitados pelas células. estômago. Quando o fígado sofre lesões sangra intensamente. possui 1. O lado direito do coração recebe o sangue vermelho escuro que retorna do corpo. Nos pulmões o sangue se livra do gás carbônico e se supre de oxigênio. enzimas pancreáticas) e absorção de nutrientes. Produz a bile que participa da digestão de gorduras e é armazenada na vesícula biliar. intestino delgado e intestino grosso. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 5 . abaixo do diafragma sob o gradil costal. Todas as células do organismo necessitam de nutrientes para seu funcionamento. jejuno e íleo) – responsável pela digestão química (bile. Intestino grosso – responsável pelo armazenamento e expulsão dos resíduos alimentares(fezes). retorna ao lado esquerdo do coração para então ser novamente distribuído para todas as partes do corpo. e bombeia para os pulmões para ser oxigenado. Fígado – Órgão maciço localizado do lado direito. faringe. esôfago. É composto por: boca. possui aproximadamente 4 a 8 metros. absorção de alimentos e eliminação de resíduos. fígado e pâncreas). O sangue rico em gás carbônico (vermelho escuro) retorne pelas veias até o lado direito do coração.

das emoções e pensamentos que são característicos dos seres humanos. Também pode sangrar abundantemente quando lesionado. É o centro da inteligência. abaixo do gradil costal esquerdo. c) sede das emoções. Boca Faringe Esôfago Diafragma Estômago Baço Pâncreas Fígado Vesícula Intestino Delgado Intestino Grosso Aparelho digestivo Baço – Não faz parte do aparelho digestório mas está anatomicamente relacionado a ele. Divide-se em: • Sistema Nervoso Central cerebelo tronco medula cérebro • Sistema Nervoso Periférico – Nervos cranianos (saem do tronco) Nervos periféricos (saem da coluna) Sistema Nervoso Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 6 . b) capta os estímulos do meio ambiente. Funções: a) regula e integra o funcionamento dos diferentes órgãos. Sistema Nervoso Considerado o sistema mais importante do corpo humano.Pâncreas – Órgão sólido. participa da defesa do corpo contra infecções. 5. responsável pela produção de varias enzimas que atuam na digestão. Se distribui por todos os tecidos do organismo humano.5. comanda todas as outras funções do nosso organismo. Produz também insulina – hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue. Situado sob o diafragma.

É responsável pelo equilíbrio e pela coordenação dos movimentos do corpo. O Tronco encefálico é a porção inferior. produzindo uma resposta adequada. os hemisférios cerebrais. Também fornece proteção aos órgãos internos do organismo.6. a postura e os movimentos do corpo humano. isto é. A medula desce pelo interior da coluna vertebral e faz a intercomunicação entre o cérebro e o corpo. A coluna vertebral compõe-se de 33 ossos chamados vértebras. Clavícula Esterno Costelas Úmero Rádio Ulna Omoplata Coluna Pélvis Fêmur Tíbia Fíbula Esqueleto humano O esqueleto humano é composto por 206 ossos que mantêm a forma e a sustentação do corpo humano. térmica) de todas as partes do corpo para o cérebro. Divide-se em metades direita e esquerda. Aparelho Locomotor O aparelho locomotor é responsável por manter a forma.O Cérebro é a parte mais volumosa. O Cerebelo está localizado na região posterior da cavidade craniana logo abaixo do cérebro. tato. comunica o cérebro com a medula espinhal. músculos e articulações. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 7 . Sua secção interrompe essa comunicação provocando anestesia e paralisia nos segmentos do corpo abaixo do nível da lesão. No tronco se localizam os centros nervosos que controlam funções vitais como a respiração. É constituído de ossos. frequência cardíaca a pressão arterial. Daí a importância dos cuidados de imobilização da coluna vertebral do indivíduo traumatizado. é o eixo de sustentação do corpo humano e protege a medula espinhal que encontra-se no seu interior. 5. permitindo sua movimentação. transmite as sensações (dor.

O maior osso do corpo humano é o fêmur e situa-se na coxa. O resultado desta filtração é a urina. Articula-se inferiormente com os ossos da perna (tíbia e fíbula) formando o joelho. a saber: Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 8 . ureteres. Aparelho Urinário Promove a filtragem do sangue retirando os resíduos do metabolismo da célula.A caixa torácica é constituída por 12 pares de costelas que se originam das vértebras torácicas posteriormente e se articulam com o osso esterno anteriormente. revestem o esqueleto e dão a forma do corpo humano. • Ureteres: órgãos tubulares que levam a urina dos rins até a bexiga urinária. Os músculos são responsáveis por todos os movimentos corporais. A única articulação móvel da cabeça é a mandíbula. Aparelho Urinário • Rins: são 2. ou fixas entre os ossos do crânio. • Bexiga urinária: órgão oco localizado na pelve responsável pelo armazenamento da urina até a hora da sua eliminação. As clavículas em número de 2 servem de suporte ao membro superior de cada lado. Aparelho Reprodutor Responsável pela produção de células reprodutoras e hormônios sexuais e destina-se à perpetuação da espécie.7. localizados um em cada lado da coluna vertebral O sangue passa pelos rins para ser filtrado. 5. Os últimos 2 pares são chamados de flutuantes por não se articularem com o esterno. Diferencia-se de acordo com o sexo. 5. Articulação é a junção entre 2 ossos. Os ossos da perna se articulam com o pé na região chamada tornozelo. eliminando-os pela urina. bexiga urinária e uretra. como a articulação do joelho. Estão ligados aos ossos através dos tendões.8. Podem ser móveis. • Uretra: orgão tubular que faz a comunicação da bexiga com o meio externo. Compõe-se: rins.

Todo mês o útero se prepara para uma possível gravidez. • Tubas uterinas: órgãos tubulares através dos quais os óvulos descem em direção ao útero. Sistema Tegumentar Constituído de pele e seus anexos (pêlos. Se um óvulo não for fecundado ele será eliminado juntamente com a mucosa uterina congesta no fenômeno chamado de menstrução. • Glândulas acessórias: produzem o líquido seminal que. Envolve todo o corpo humano. útero. recobre a abertura vaginal. Se o útero receber um ovo (óvulo fecundado pelo espermatozóide) este se implanta na mucosa uterina e dá início à gestação (gravidez). Localizam-se dentro da bolsa escrotal e também produzem os hormônios masculinos. • Vias espermáticas: vias de condução do espermatozóide. Aparelho Reprodutor Masculino – É composto pelos testículos. A pele se constitui de três camadas: a epiderme ( mais superficial ). Recebe o esperma. tubas uterinas. • 5. O ovário também produz os hormônios sexuais femininos.Ovário Tuba Uterina Bexiga Uretra Útero Reto Bexiga Reto Pênis Próstata Uretra Vias Espermáticas Testículo Masculino Aparelho Reprodutor Ânus Vagina Feminino Ânus Aparelho Reprodutor Feminino – Ovários. a derme ( intermediária ) e o tecido subcutâneo ( mais profundo ). unhas e glândulas). localizado na pelve. Ex. os óvulos.9. produz o esperma. vagina e vulva. produzem e armazenam as células reprodutoras femininas. • Vulva: órgão genital externo feminino. • Testículos: são responsáveis pela produção dos espermatozóides que são as células com capacidade de fecundar o óvulo feminino e dar origem a um embrião. Durante a gravidez o útero se expande gradualmente para acomodar o bebê. • Útero: órgão de formato aproximado de uma pêra. • Vagina: órgão copulador feminino. • Ovários: são 2. protegendo-o e adaptando-o ao meio ambiente. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 9 . glândulas acessórias e o pênis.: próstata • Pênis: é o órgão copulador. vias espermáticas. ao juntar-se aos espermatozóides. A cada mês o ovário libera um óvulo amadurecido para dentro da tuba uterina no processo chamado de ovulação.

7. o pâncreas e o baço. a bexiga e a parte inferior dos intestinos. o esôfago e nervos. Cavidades do Corpo Humano O corpo humano possui cinco cavidades: a) Cavidade craniana: espaço dentro do crânio preenchido na sua maior parte pelo cérebro. a aorta e outros vasos sangüíneos. d) Cavidade abdominal: separada da cavidade torácica pelo músculo diafragma. contém o estômago. o fígado. b) Cavidade espinhal (ou medular): similar a um longo cilindro dentro da coluna espinhal. o intestino delgado. os pulmões. a vesícula biliar. parte do intestino grosso. os brônquios. Divisão do Abdome em Quadrante QSD QID QSE QIE Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 10 . o coração. e) Cavidade pélvica: abriga os órgãos reprodutores. c) Cavidade torácica: contém a traquéia.6. contém a medula espinhal. Os dois rins estão na parte posterior da cavidade abdominal.

afogamento. os mais comuns relacionam-se ao movimento. A segunda Lei de Newton da conservação de energia justifica as lesões da vítima – a energia não se cria e não se perde se transforma e se transfere a outro corpo. Por exemplo. Analisando o mecanismo do trauma. (3) Colisão de órgãos – órgãos colidem entre si ou contra a parede da cavidade que os contém ( efeito golpe e contra golpe). (2) Colisão do corpo . isto é. Deve também repassar essas informações para a equipe de atendimento pré-hospitalar ou para o médico que recebe a vítima no hospital. é possível estimar a gravidade das lesões. Assim. sua energia de movimento se transmite a outro objeto que tende a continuar o movimento. respondendo pela maioria das mortes por trauma. Todo objeto em movimento tende a continuar neste estado até que uma força contraria atue sobre ele (Primeira Lei de Newton). Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 11 .).CAPÍTULO . Introdução É obrigação da pessoa que atende vítimas de acidente examinar a cena da ocorrência e colher o maior número possível de informações sobre os mecanismos que produziram as lesões. Sempre que um objeto em movimento colide com outro e pare subitamente. tratores. Embora existam vários mecanismos de lesão (queimaduras. as forças envolvidas no acidente. Acidentes Automobilísticos Incluem os acidentes envolvendo veículo automotores – carros. inalações tóxicas etc.passageiros sofrem impacto contra o interior do veículo. a energia bruscamente interrompida é absorvida pelo veículo e pelos passageiros que tendem a continuar o movimento até que se choquem com o interior do veículo. em toda colisão podem ser identificados três momentos: (1) Colisão da máquina – veículo colide com outro ou contra um anteparo. na colisão de um veículo com um anteparo. caminhões. pela mesma tendência em continuar o movimento após o corpo parar. motocicletas.2 MECANISMO DE LESÃO 1. 2.

indicando as partes do corpo que podem ter sido atingidas com o impacto).O carro bate na árvore Momento 2 O corpo bate no volante causando fraturas de costelas Momento 3 O corpo bate no volante causando contusão do coração Quanto maior a velocidade do veículo maior a gravidade das lesões. volante. Deformidade das estruturas internas do veículo (indicação do ponto de impacto da vítima) – painel. bancos Deformidades observadas na vítima (padrão de distribuição dos ferimentos. Na cena do acidente você poderá ainda colher as seguintes pistas: • • • Deformidade do veículo – lataria. vidros.Momento 1 . Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 12 . pára-choques. A análise de todas essas informações facilita localizar as lesões da vítima e o grau de gravidade do caso.

como trauma de cabeça e pescoço (pela rachadura do pára-brisa). trauma de tórax e abdome (deformidade do volante) e fratura de joelho e fêmur (deformidade do painel). outras) é capaz de produzir ferimentos múltiplos. Efeitos da colisão do corpo: sugere as lesões possíveis na vítima.Os acidentes automobilísticos ocorrem de 4 maneiras: a) b) c) d) Colisão de frente Colisão lateral Colisão traseira Capotamento COLISÃO DE FRENTE A energia cinética absorvida pelo corpo freado contra estruturas internas do veículo (pára-brisa. a gravidade do acidente 02. volante. tatuagem traumática do volante na pele do tórax e abdome (lesões de órgãos internos de tórax e abdome). 03. Efeitos da colisão da máquina: a análise da deformidade da extremidade dianteira do veículo sugere a velocidade do carro e. como conseqüência. painel. Exame da Cena do Acidente Na cena do atendimento deve-se examinar o seguinte: 01. Evidências de colisão de órgãos: efeitos golpe e contra golpe do cérebro e pescoço podem provocar traumatismo craniano e de coluna cervical. LESÕES POTENCIALMENTE PROVOCADAS NO MOTORISTA SEM CINTO DE SGURANÇA NA COLISÃO FRONTAL • Hiperextensão da coluna cervical Ferimentos/fraturas na face Contusão de tórax Lesões intratorácicas Fraturas de costelas Contusão abdominal Lesões de vísceras abdominais Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 13 .

devido ao deslocamento lateral súbito.COLISÃO LATERAL O corre quando o veículo sofre uma colisão na sua lateral. que provoca qualquer tipo de trauma. Objetos soltos no interior do veículo (bagagem. ruptura de fígado etc. Também um carro lento pode sofrer impacto na parte traseira por um carro em velocidade mais alta. contusão pulmonar. A compressão de ombro e pelve contra a porta pode provocar fratura destes ossos. O exame da cena inclui a busca de evidências da colisão da máquina (deformidade apresentada pelo veículo como um todo). há possibilidade de lesão cerebral do tipo golpe e contra golpe. COLISÃO TRASEIRA Na forma mais comum de colisão traseira. da colisão do corpo (grau de deformidade da porta). Em geral. Se as vítimas forem ejetadas do veículo. CAPOTAMENTOS Todos os tipos de ferimentos mencionados anteriormente podem ser esperados. A probalidade de encontrar trauma de coluna cervical é grande. como fratura de costelas. O aumento repentino da aceleração dos ocupantes possibilita a hiperextensão da coluna cervical. se a cabeça não dispuser de apoio posterior ajustado adequadamente. a situação se torna mais grave. o tórax recebe o primeiro impacto. Geralmente após a aceleração rápida o veículo pára e os ocupantes são lançados à frente como no mecanismo da colisão frontal. compras. sendo lançado à frente. livros e o mais importante. Na cabeça. a partir das quais podem ser intensas as colisões de órgãos. causando deslocamento no sentido do impacto. As lesões de pescoço resultante do deslocamento lateral vão desde distensão muscular até fratura de vértebras com risco de paralisia. passageiros sem cinto) podem tornar-se projéteis mortais no caso de desaceleração rápida para frente. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 14 . um carro parado recebe a batida na parte traseira por um veículo em movimento.

o esmagamento. Cintos abdominais isolados ou diagonais não são recomendados. cuja gravidade depende da região anatômica atingida. luvas e botas). Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 15 . Em baixa velocidade. óleo diesel. naturalmente de menor gravidade do que se estivessem sem cinto. como as bicicletas. O cinto de segurança deve cruzar o tórax e abdômen. (Quando a vítima é projetada do veículo. mesmo usando cintos os passageiros estão sujeitos a certos ferimentos. sua defesa está limitada ao uso de capacete (previne lesões de crânio e face) e roupa de proteção (roupas de couro. apoiando no ombro e atravessar a pelve na altura da crista ilíaca. Ademais. tratores e outros ) O acidente mais comum é o tombamento e o principal mecanismo de lesão. Vítima com Cinto de Segurança Pacientes com o cinto têm maior probabilidade de sobreviver do que passageiros soltos. o risco de serem projetados para fora do veículo é menor. Acidentes com Veículos Pequenos Incluem as motocicletas ou outros veículos terrestres de pequeno porte. Os operadores destes veículos são sempre ejetados em caso de acidentes com alta velocidade – as lesões dependem da parte do corpo que recebeu o impacto. tem 6 vezes mais chance de morrer) . Mecanismos adicionais: queimaduras químicas (por gasolina.Acidentes com Veículos Pesados ( caminhões. e 75% das mortes dos passageiros de motos são atribuídas a ferimentos na cabeça. Embora o uso de capacetes seja altamente recomendável. Crianças devem ser transportadas no banco traseiro. em cadeiras próprias adaptadas a idade e sempre fixadas com cinto de segurança. Entretanto. trauma de face e crânio. trauma de tórax e abdômen e fratura e/ou esmagamento de membros inferiores. por se encontrarem mais protegidos do impacto dentro do automóvel. É possível ocorrer: fratura de fêmur. eles são pouco ou nada efetivos em altas velocidades. líquido hidráulico ou mesmo ácido da bateria) e térmicas (provocadas pelas partes aquecidas da máquina ou por combustível inflamado).

pelo fato de ser menor em altura.vítima cai ao chão: trauma de pescoço e cabeça. gramado etc. Parte do corpo que sofreu o primeiro impacto: se o apoio foi com as mãos. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 16 . conforme a fase que se analisa: • 1ª fase .tronco lançado contra o capô : trauma de tórax. abdômen e crânio. atingindo já no 1º impacto. • • • Esta informações permitem suspeitar de lesões e orientam o atendimento. tórax. abdome e cabeça • 3ª fase .Ferimentos causados pelo painel ATROPELAMENTO Espera-se grande número de lesões na vítima de atropelamento.impacto inicial do veículo contra as pernas da vítima: fratura de membros inferiores • 2ª fase . Tipo de superfície com que a vítima colidiu: asfalto. Os tipos de ferimentos dependem de três fatores principais: Altura da queda: a que ocorre de grandes alturas predispõe a lesões mais graves. se aterrissou com os pés etc. QUEDAS O mecanismo de lesão presente nas quedas é a desaceleração vertical. Na criança. as lesões geralmente são mais graves.

esta não deve ser removida e.FERIMENTOS POR ARMAS BRANCA A gravidade dos ferimentos produzidos por armas depende da região do corpo atingida. Ferimentos por arma branca com a lâmina ainda fincada no corpo. são o tipo de arma. da extensão da lâmina e ângulo de penetração. • Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 17 . imobilizada junto ao corpo e a vítima transportada rapidamente ao hospital. Geralmente a ferida de saída. quando este se fragmenta . sempre que possível. mais larga que a de entrada. FERIMENTOS POR ARMA DE FOGO Informações importantes. com orla de detritos deixados pelo projétil. circular ou oval. Estas informações permitem calcular a trajetória do projétil (lesões internas) e a gravidade da vítima. Identificar o orifício de entrada e saída do projétil . Exame dos ferimentos • Ferida de entrada: geralmente óbvia. pode não ser identificada se a vítima não for completamente despida e examinada. sim. seu calibre e a distância de que foi disparada. Ferida de saída: nem sempre existe (o projétil pode não abandonar o corpo) e pode ser múltipla para um único projétil. apresenta bordos lacerados.

para a vítima e os demais presentes à cena. 3. Introdução O objetivo do atendimento inicial à vítima é identificar situações que coloquem a vida em risco. Controle da Cena Antes de iniciar qualquer atendimento de emergência a vítima de acidente. bombeiros. iniciar o suporte básico de vida e desencadear a continuidade dos cuidados necessários: imobilização. Sinalize. Os passos iniciais no atendimento à vítima são: Controle de Cena e Avaliação Primária 2. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 18 . como risco de explosão. desabamento. isole a área de risco. Copel. Avaliação Primária O objetivo da avaliação primária é identificar situações que ameaçam a vida e manejar com elas de imediato. NÃO SE TORNE MAIS UMA VÍTIMA DO ACIDENTE. afogamento. ao mesmo tempo imobilize a cabeça da vítima com uma das mão e determine se está responsiva (consciente). remoção e acionamento de serviços de apoio (préhospitalar. acione serviços de apoio necessários. É feita sem mobilizar a vítima de sua posição inicial.CAPÍTULO – 3 ATENDIMENTO INICIAL À VÍTIMA 1. garanta condições de segurança para você. • Aproximar-se da vítima e pergunte como ela está (fig. Somente após garantir segurança você se aproxima da vítima para iniciar o atendimento. etc). salvo condições especiais. 1). incêndio. Com atendimento organizado e eficiente é possível oferecer maiores chances de sobrevida às vítima de trauma e reduzir as seqüelas. Tentar tranqüilizá-la e pergunte o que aconteceu.

corpos estranhos. impede a respiração. também podem ser causas de obstrução de vias aéreas. É imperativo manter a permeabilidade das vias aéreas para garantir a oxigenação do sangue. Na vítima inconsciente a queda da língua contra a faringe (fundo da garganta) é causa freqüente de obstrução de vias aéreas. vômitos. A B a) Obstrução das vias aéreas provocada pela queda da língua b) Abertura das vias aéreas após a manobra de inclinação da cabeça Duas manobras são indicadas para desobstruir as vias aéreas nas vítima incoscientes: Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 19 . A seguir realiza-se o A.Você está bem? Aproximar-se e determinar se está responsiva. C. A = Vias Aéreas Com Controle Cervical Se a vítima não responde (está desmaiada) verifique se está respirando. B. Sangue. consequentemente. Essa situação prejudica a passagem de ar. D A = Via Aérea com Controle Cervical B = Respiração C = Circulação e Controle de grandes Hemorragias D = Estado neurológico Só se avança para o passo seguinte após completar o anterior.

uma de cada lado da cabeça da vítima. Durante o exame e a manipulação das vias aéreas. entretanto. A cabeça e o pescoço da vítima não podem ser hiperextendidos. Manobra de Elevação do Ângulo da Mandíbula Esta manobra embora eficiente é tecnicamente mais difícil. mais segura para vítimas de trauma pois mantém a cabeça fixa. hiperfletidos ou rodados para o estabelecimento da permeabilidade das vias aéreas. Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo Indicada para a vítima inconscientes de causa clínica ou que certamente não sofreu qualquer trauma • Colocar uma das mão na testa da vítima e aplicar pressão firme para trás pendendo a cabeça contra o chão.1. Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo. • Segurar o ângulo da mandíbula com ambas as mãos. empurrando a mandíbula para a frente. • Colocar os dedos da outra mão sob o queixo e elevá-lo para cima. tome muito cuidado para evitar a movimentação excessiva da coluna cervical. Consideramos potencialmente portadores de lesão de coluna cervical todas as vítimas politraumatizadas. Manobra de Elevação do Ângulo da Mandíbula Técnica mais segura para vítimas com evidência ou suspeita de trauma de cabeça ou pescoço. com alteração do nível de consciência ou com qualquer ferimento acima do nível das clavículas. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 20 .

Caso esteja de bruços (decúbito ventral). Manobra de rolamento realizada por um socorrista. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 21 . aproxime seu ouvido próximo a boca e nariz da vítima. Portanto se a vítima responder normalmente às suas perguntas é porque as vias aéreas estão permeáveis (A = resolvido) e a pessoa respira (B = resolvido). Estando presente a respiração. superficial ou profunda. ombros e tronco mantenham-se alinhados (manobra de rolamento). ouvir e sentir – respiração Uma vítima só consegue falar se tiver ar nos pulmões que passe pelas cordas vocais. analise sua qualidade: lenta ou rápida. enquanto mantém as vias aéreas desobstruídas. o socorrista deve girar o corpo da mesma “em bloco”. de forma que a cabeça. e: • Observe o tórax da vítima se faz movimento para cima e para baixo – VER • Ouça se há saída de ar durante a expiração – OUVIR • Sinta se há fluxo de ar – SENTIR Ver. pescoço. B= Respiração Para determinar a presença ou ausência de respiração espontânea na vítima.Para a adequada avaliação das vias aéreas a vítima deve estar deitada. silenciosa ou ruidosa.

• Examine a respiração: se ausente. aguarde serviço pré-hospitalar ou imobilize e transporte até o hospital.Se observar sinais de respiração difícil (vítima fazendo esforços para respirar). a presença de deformidades ou sangramento. passe para o próximo passo.reagindo à dor: olhos fechados que só abrem mediante estímulo doloroso. o exame físico do paciente. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 22 . na verdade.não reagindo: não responde a nenhum estímulo. de maneira sucinta. examine as vias aéreas: • Se obstruídas. Só se inicia a Abordagem Secundária após completar e resolver todas as etapas do A-B-C-D. Resumindo. mediante compressão direta dos ferimentos ou aplicação de curativos compressivos. C =Circulação e Controle de Grandes Hemorragias O objetivo principal do passo C é verificar sinais de circulação ( observando sinais de que a vítima apresente respiração. Caso a vítima apresente sinais de circulação. se a vítima não responde normalmente. o alinhamento. a simetria das estruturas. mantenha a vítima confortada e aquecida. Nível de consciência . • I. Fim da avaliação primária.reagindo à voz: olhos fechados. utilize a manobra adequada para desobstruí-la. inicie a respiração artificial. Nessa fase do exame. somente abrem mediante estímulo verbal. à procura de lesões que não são tão evidentes no momento da Abordagem Primária. também controle os pontos de sangramento externo evidentes. Avaliação Secundária da Vítima É. desobstrua-as e mantenha-se de prontidão. movimentos e/ou tosse) e a presença de grandes hemorragias. D = Nível De Consciência Tomadas as medidas possíveis para garantir o ABC. Vítimas que apresentem nível de consciência alterado (se não estiverem totalmente alertas) merecem observação cuidadosa dos itens ABC ( vias aéreas. reavalie as vias aérea. respiração e circulação). Examina-se os segmentos do corpo. procurando realizar: • Inspeção: verificando a cor da pele. embora possa ser plenamente avaliada e tratada. A vítima pode parar de respirar e o socorrista deve iniciar respiração artificial. importa conhecer o nível de consciência da vítima. Se não houver sinais de circulação inicie manobras de reanimação cardiopulmonar. A hemorragia é a principal causa de morte nas vítimas de trauma. • D. • V. 4.verifique se a vítima se encontra: • A -Alerta: olhos abertos espontaneamente.

rigidez. • Membros Superiores: inspecionar e palpar dos ombros às mãos. • Abdome: Analisar sensibilidade e rigidez. Durante todo o exame o examinador deve manter-se atento ao A-B-C-D. • Dorso: Realizar a manobra para examinar o dorso. deformidade e rigidez. dor. examinar olhos procurando por objetos estranhos. rigidez muscular. dilatadas. Observar alinhamento. • Pescoço: Inspecionar a traquéia e simetria do pescoço. observar alinhamento. flacidez. É importante examinar cada um dos segmentos do corpo: • Cabeça: Palpar o crânio. crepitação. • Pelve: Analisar mobilidade e dor.• Palpação: em busca de deformidade. • Tórax: Palpar à procura de ferimentos e reação à dor. deformidades e rigidez. verificar se as pupilas estão normais. contraídas. Observar alinhamento da coluna. Palpar a coluna cervical verificando o alinhamento. • Membros Inferiores: Inspecionar e palpar da coxa até os pés. desiguais. observar se não há sangramento ou saída de líquor em nariz ou ouvido. verificar se as veias do pescoço não estão cheias demais (sugestivo de lesão intratorácica grave). Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 23 .

Enquanto a troca de ar se mantiver a vítima deve ser encorajada a tossir – sem outra interferência. regurgitação do conteúdo do estômago. Para que o processo de respiração se realize adequadamente. balas). próteses). chicletes. a tosse passa a ser fraca e ineficaz. respirar ou tossir. A obstrução das vias aéreas pode ser parcial ou total. vítima pode apresentar coloração cinza-azulada e se o atendimento não for rápido. corpo estranho (dentes. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 24 . neste caso está indicada a intervenção como no caso de obstrução total. Na obstrução parcial. sangramento nas vias aéreas por trauma de face etc. a respiração pode estar ruidosa e muito difícil acompanhada de tosse. Causas de obstrução de vias aéreas: queda da língua nas vítimas inconscientes. permitindo a entrada e saída de ar. laringe (vias aérea superiores). nariz. VA Superiores VA Inferiores Laringe A obstrução das vias aéreas impede a entrada de oxigênio e se não reconhecida e tratada precocemente pode levar o indivíduo à morte. as vias aéreas devem estar livres. Neste caso. Caso a obstrução se agrave e a troca de ar se tornar inadequada. ainda passa certa quantidade de ar pelas vias aéreas. a traquéia. faringe. brônquios e pulmões (vias aéreas inferiores). a vítima morre. alimentos (carne. Na obstrução total a vítima não consegue falar.CAPÍTULO – 4 DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS As vias aéreas compreendem boca. A não entrada de ar nos pulmões leva a perda de consciência.

Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 25 . a língua pode cair contra o fundo da garganta e obstruir a via respiratória (Fig. 2). A Língua B Língua bloqueando Passagem de ar aberta a)Queda da língua provocando obstrução das vias aéreas.Sinal universal de sofrimento para obstruções das vias aéreas por corpo estranho 1. b) abertura das vias aéreas após a manobra de desobstrução. Tratamento da Obstrução das Vias Aéreas Pela Língua Numa vítima inconsciente por qualquer motivo.

elevar a mandíbula para cima e sustentá-la assim Fig. 3. • Com os dedos da outra mão sob o queixo da vítima. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 26 . Fig. já que pode ser realizada sem estender o pescoço. uma de cada lado da cabeça da vítima.Para restabelecer a passagem de ar pelas vias aéreas. afaste o lábio inferior com o polegar. Manobra de Elevação do Ângulo da Mandíbula Essa é a manobra indicada nas vítimas com evidência ou suspeita de trauma. Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo 2° Manobra de Elevação do Ângulo da Mandíbula • Segurar os ângulos da mandíbula com ambas as mãos. • Se os lábios se fecharem. empurrando a mandíbula para a frente. deve-se posicionar a vítima deitada de costas sobre superfície plana e rígida e proceder uma das seguintes manobras: 1° Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo • Colocar uma das mãos na testa da vítima e aplicar pressão firme inclinando a cabeça contra o chão. 4.

Tratamento da Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho Para adultos e criança acima de 1 ano está recomendada a manobra de compressões abdominais subdiafragmática (Manobra de Heimlich). VÍTIMA DEITADA – MANOBRA DE HEIMLICH • • • • Colocar a vítima deitada de costas. levemente acima do umbigo.2. colocando-lhe os braços em volta da cintura. sempre no centro do abdome (não dirigir para a esquerda nem direita) Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 27 . Ajoelhar-se ao redor das coxas da vítima e colocar a região hipotenar de uma das mãos contra o abdome. Cada golpe deve ser movimento separado e distinto. pouco acima do umbigo e bem abaixo do apêndice xifóide. Fechar uma mão e colocar o lado do polegar contra o abdome da vítima. Manobra de Heimlich – vítima sentada ou em pé. Coloque a outra mão em cima da primeira e pressionar o abdome com um golpe rápido para cima. VÍTIMA SENTADA OU EM PÉ . Repetir os golpes (até 5 tentativas) e continuar até que o objeto seja expelido das vias aéreas ou o paciente fique inconsciente. abaixo do apêndice xifóide. Abrir a boca da vítima na tentativa de visualizar corpo estranho – se facilmente acessivel pode ser retirado.Manobra de Heimlich • • • • • O agente deve ficar atrás da vítima. Envolver a mão fechada com a outra mão e pressionar o abdome da vítima com um golpe rápido para cima. Confirmar a ausência de respiração.

• • • Atrás da vítima envolva seu tórax com seus braços. Aplicar 5 golpes no dorso do lactente. com as pernas separadas. GOLPES TORÁCICOS – VÍTIMA DEITADA • Colocar a vítima deitada de costas e ajoelhar-se ao seu lado. Coloque a outra mão em cima da primeira e dê golpes para trás até que o corpo estranho seja expelido ou a vítima se torne inconsciente. Se incapaz de ventilar. Se incapaz de ventilar mesmo após tentativa de reposicionar a cabeça. realizar a manobra de Heimlich (até 5 vezes). enquanto necessário. com a cabeça mais baixa que o tronco. Tentar ventilar novamente. 7. tomando cuidado para não aprofundá-lo ainda mais. 28 Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência . segurando a cabeça do lactente firmemente. • Posicionar a região hipotenar da mão na metade inferior do esterno. Coloque o lado do polegar do punho da mão no meio do osso esterno da vítima. Coloque a vítima deitada de costas e abra sua boca na tentativa de visualizar corpo estranho. usando a região hipotenar da mão. Consiga atendimento médico. Tratamento da Obstrução de Vias Aéreas em Lactentes – até 1 ano de vida • • Deitar a criança de bruços (com a face para baixo) sobre o antebraço do socorrista. 4. 2. Se facilmente acessível retirá-lo.Manobra de Heimlich – vítima deitada GOLPES TORÁCICOS – VÍTIMA EM PÉ OU DEITADA Recomendado para vítimas muito obesas ou em estágio avançado de gravidez. RESUM0 DA TÉCNICA DE DESOBSTRUÇÃO PARA A VÍTIMA QUE SE TORNA INCONSCIENTE 1. repetir a seqüência da manobra de Heimlich – passo 3 4. Confirme ausência de respiração e inicie ventilação artificial. Insistir na seqüência. 6. 3. com cuidado para se afastar do apêndice xifóide e do gradeado costal. • Aplicar golpes de maneira firme (como as compressões torácicas da RCP). uma de cada lado do braço do socorrista. entre as escápulas. 5. logo abaixo das axilas.

Iniciar ventilação artificial. da mesma forma que RCP (2 dedos no esterno. Manobra de desobstrução de vias aérea em lactentes As medidas dever ser repetidas até o objeto ser expelido ou o lactente perder a consciência. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 29 . segurando firmemente a cabeça. Vire o lactente. Aplicar até 5 compressões torácicas. suportando firmemente a cabeça e pescoço (uma mão do socorrista apóia cabeça e pescoço e a outra mandíbula e tórax). logo abaixo da linha intermamilar).• • • Após os golpes no dorso. envolva o lactente como um sanduíche entre suas mão e braços.

A Reanimação Cardiorrespiratória (RCP) é o conjunto de procedimento utilizados nas vítimas em PCR com objetivo de restabelecer a ventilação pulmonar e a circulação sangüínea. • Trauma. “a corrente da sobrevivência”. acionamento precoce de um serviço de emergência. • Choque elétrico. trauma. Ajoelhar-se junto ela. a sobrevivência da vítima depende de um conjunto de medidas fundamentais. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 30 . 1. • Overdose de drogas.CAPÍTULO . • Obstrução de vias aéreas: inconsciência. A circulação sangüínea deve ser restabelecida num período máximo de 4 minutos. ou a parada cardíaca pode ser o primeiro sinal com conseqüente parada respiratória.5 REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA Parada cardíorrespiratória (PCR) é a cessação repentina dos batimentos cardíacos e dos movimentos respiratórios. • Ataque cardíaco (Infarto Agudo do Miocárdio). • Grandes hemorragias. • Outros problemas clínicos (AVC) SINAIS DE PARADA CARDIOPULMONAR Inconsciência (vítima não responde) Ausência de batimentos cardíacos Ausência de movimentos respiratórios Os casos de PCP requerem ação imediata: Colocar a vítima deitada sobre uma superfície firme (chão). É emergência relativamente freqüente e. um dos mais sensíveis a falta de oxigênio. principalmente o tecido nervoso. caso contrário se instalam alterações irreversíveis nos tecidos. infecção (epiglotite). Causas de Parada Cardiorrespiratória A vítima pode iniciar com parada respiratória e caso não atendida a tempo evolui para parada cardíaca também. corpo estranho. • Afogamento. ou seja: reconhecimento imediato dos sinais. início da reanimação cardiorrespiratória e chegada rápida do serviço de atendimento pré-hospitalar.

Manter a respiração de resgate a um ritmo de 10 a 12 insuflações por minuto. Insufle duas vezes lentamente (cerca de 2 segundos para cada insuflação). Observar o tórax subindo e descendo. CHAMAR SEMPRE AJUDA ESPECIALIZADA. A – VIAS AÉREAS RESPIRAÇÃO: Confirmado a ausência de respiração (ver. 4. 5. impedindo vazamento de ar. Respiração boca a boca Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 31 . ouvir. proceder as manobras de abertura de vias aéreas: • Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo.Determinar se vítima está inconciente O Suporte Básico de Vida (SBV) inicia-se com a constatação de que a vítima está inconsciente. REAVALIAÇÃO: confirmar se a vítima continua sem respiração: Respira – observar (posição de recuperação se não sofreu trauma). 2. INICIAR SEQÜÊNCIA DE REANIMAÇÃO – respiração artificial e massagem cardíaca. Seqüência ABC (vias aéreas/circulação). 3. vedando-a completamente. B. • Manobra de elevação do ângulo da mandíbula. sentir). Inspire e coloque seus lábios na boca da vítima. Não respira – iniciar respiração artificial. Pince o nariz da vítima usando o polegar e dedo indicador da mão que está na testa da vítima. Mantenha as vias aéreas desobstruídas (manobras de desobstrução). Manter as vias aéreas abertas para a expiração. O volume de ar deve ser suficiente para expandir o tórax da vítima (para adulto um volume de cerca de 1000ml de ar).VENTILAÇÃO Respiração Artificial – Boca a boca 1. ouvir e sentir o fluxo de ar.

vítima com pulso e sem respiração – manter ventilação artificial . Com a mão que está no queixo da vítima. 2. Inspire e coloque os lábios ao redor do nariz da vítima e insufle. pode ser necessário separar os lábios. a tentativa de identificação do pulso pode retardar o atendimento. 2. ou seja: observar se a vítima se movimenta. A ausência A parada cardíaca é identificada pela ausência de pulso nas grandes artérias na vítima inconsciente. 4. numa situação de PCR. feche a boca. Deixa a vítima expirar passivamente. que atua como uma barreira contra o contato direto com secreções da vítima. C-CIRCULAÇÃO Atualmente se recomenda observar “sinais de circulação”. não se consegue abrir a boca da vítima.Respiração Artificial – Boca a Nariz Recomendada quando não é possível ventilar boca a boca: trauma de face. 1. Compressões torácicas: consiste na aplicação rítmica de pressão na parte inferior do tórax. 1. Entretanto. Manter vias aéreas desobstruídas. 3. Respiração boca a nariz Está disponível no mercado protetores faciais para ser utilizado pelo socorrista na ventilação boca a boca. Manter a mesma recomendação de ritmo anterior (boca a boca). se está respirando ou tossindo.vítima sem pulso – iniciar a compressões torácicas. Gasta-se entre 5 a 10 segundos para verificar o pulso. . Verificar pulso da artéria carótida: tanto em crianças como adultos esta é a artéria mais fácil de verificar o pulso – localizar a laringe da vítima e deslizar dois dedos lateralmente entre a traquéia e o músculo do pescoço (esternocleidomastoideo). lactentes etc). 32 Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência .

• Com um ou dois socorristas. • • O esterno deve ser deprimido de 4 a 5 cm para um adulto normal. de maneira que o peso do corpo ajude na compressão Colocar a outra mão sobre a primeira. Manter uma freqüência de 100 compressões por minuto. Liberar a pressão entre cada compressão. • • Ajoelhar-se junto à vítima. de forma que as mão fiquem paralelas (os dedos podem estar estendidos ou entrelaçados.. no esterno da vítima. Esta é uma recomendação atual da AHA (American Heart Association). Ventilar os pulmões com duas respiradas lentas e cheias. RESUMO DA TÉCNICA Abrir vias aéreas e checar a respiração (ver. ouvir e sentir). o peso do tronco proporciona a pressão necessária para a depressão do esterno.continuar as compressões e ventilações fazendo ciclos de 30x2.realizar 30 compressões .parar as compressões e dar duas ventilações lentas e plenas. . mas devem estar afastados da caixa torácica. . exatamente entre os mamilos.parar a RCP e reavaliar o pulso (após o primeiro minuto). Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 33 . se ausente: . Posição de compressão: ombros do socorristas diretamente sobre esterno da vítima e cotovelos esticados. com os cotovelos retos.• Apoiar a região hipotenar de uma das mãos no meio do peito da vítima (metade inferior do osso esterno). manter a relação compressão/ ventilação de 30:2 para adulto. Conferir o pulso e.

tomando maior cuidado na manipulação porque os tecidos são mais delicados. Relação compressão/ventilação sempre 30:2. Utilizar somente uma das mãos (região hipotenar). Pulso de checagem: carotídeo como no adulto.5 a 4 cm). Pulso de checagem: braquial (face interna do braço. Para a ventilação artificial a boca do socorrista cobre boca e nariz do lactente. Ponto de compressão do esterno: metade inferior do esterno (linha mamilar).. Na manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo. recomece a RCP com duas respirações plenas e lentas. verifique a respiração: se presente monitorize a vítima. entre o cotovelo e o ombro).pulso carotídeo ausente. que tem a mesma eficácia. se ausente. Realizar cerca de 100 compressões por minuto. ventile). como adulto e crianças maiores. com um ou dois socorristas. apenas um dedo (indicador) eleva a mandíbula. • • • Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 34 . após as 2 ventilações iniciais de 1 a 1 e ½ segundos cada. Ventilação artificial com freqüência de 20 por minuto. com freqüência subsequente de 20 por minuto. Ventilação artificial: 2 insuflações iniciais de 1 a 1 e ½ segundos. Comprimir o esterno de um terço a metade de sua profundidade (2. Reanimação de Lactentes (0 a 1 ano) • Seqüência de vias aéreas – A. caso não seja possível fazer a vedação completa dessa forma o socorrista pode fazer a ventilação boca a nariz. igual adulto. se houver pulso. reinicie a ventilação 30:2 Seqüência de RCP em adulto com um ou dois socorristas Reanimação de Infantes e Pré-Escolares (1 a 8 anos) • • • • • • • • Seqüência de vias aéreas –A.

5 cm. A DECISÃO DE INTERROMPER A RCP POR IRREVERSIBILIDADE DO QUADRO É DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO MÉDICO.Quando a circulação e respiração espontâneas forem restabelecidas. enquanto 1 ou 2 dedos da outra mão comprime o esterno (1/3 de sua profundidade). .quando um médico assume a responsabilidade pelo atendimento. Com 1 ou 2 socorristas a relação compressão/ventilação é sempre 30:2. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 35 .quando outro agente assume o suporte básico de vida.5 a 2. • Quando houver 2 socorristas está indicado a técnica de circular o tórax da criança com as mãos e comprimir o esterno com os dois polegares.Palpação do pulso braquial no lactente Ponto de compressão: metade inferior do esterno. • Se 1 socorrista: uma das mãos mantém a cabeça e tronco do lactente. QUANDO INTERROMPER A REANIMAÇÃO? . . Usar um ou dois dedos para comprimir o esterno cerca de 1.quando o agente está exausto e não tem condições de prosseguir. um dedo abaixo da linha entre os mamilos. Compressões torácicas no lactente Realizar cerca de 100 compressões por minuto. 2. .

FLUXOGRAMA DE RCP

Avaliação inicial da vítima

Não
Consciente?

Manobras de abertura de vias aéreas

A. Si
Manter as vias aéreas abertas

B. S i

Está Respirando?

Não
Iniciar ventilação artificial (posicionar a vítima se necessário) Avaliação: determinar a ausência de pulso

Sim
O ar está entrando?

Ventilar 2 vezes (1 ½ a 2 segundos cada) Há

Não
Reposicionar a cabeça e tentar ventilação novamente

Não

Pulso? Sim

Compressões torácicas e ventilação artificial

O ar está entrando?

Sim
Continuar a ventilação artificial, 10 a 12 insuflações por minuto e acompanhar o pulso

Não
Manobra de Heimlich – golpes abdominais Varredura digital - Ventilar

Compressões torácicas e respiração artificial

1 socorrista 30::2 O ar está entrando?

Sim

Não
2 socorristas 30:2

Pulso? Não
Reposicionar a cabeça e tentar ventilação novamente

Sim
Transportar para o pronto socorro

O ar está entrando?

Sim

Não
Repetir a seqüência até conseguir

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CAPÍTULO- 6 FERIMENTOS E HEMORRAGIA
Chama-se FERIMENTO qualquer lesão da pele produzida por traumatismo, em qualquer tipo de acidente. Os ferimentos podem apresentar dor e sangramento.

1. Classificação dos Ferimentos
1.1. Ferimentos fechados ou contusões São as lesões produzidas por objetos contundentes que danificam o subcutâneo com extravasamento de sangue, sem romper a pele. Podem ser: A1. Equimose – sinal arroxeado na pele, conseqüência de uma contusão, sem inchaço no local. Ex.: “olho roxo”. A2. Hematoma -- sinal arroxeado com inchaço no local. Ex.: “galo” na cabeça

1.2. Ferimentos abertos ou feridas Diz-se que um ferimento é aberto quando rompe a integridade da pele, expondo tecidos internos, geralmente com sangramento. Tipos: Feridas incisivas ou cortantes – produzidas cortantes, afiados, capazes de penetrar a pele, produzindo ferida linear com bordas regulares e pouco traumatizadas. Exemplos: bisturi, faca, estilete etc.
Ferida Incisiva

por

objetos

Feridas contusas – resultam de objeto com superfície romba e que atinge a superfície do corpo com alta energia. Capaz de romper a integridade da pele, resultando em feridas com bordas muito traumatizadas. Exemplos: paus, pedras, soco etc. Feridas perfurantes - o objeto que as produz é geralmente fino e pontiagudo, capaz de perfurar a pele e os tecidos, resultando em lesão cutânea puntiforme ou linear, de bordas regulares ou não. Exemplos: ferimentos por arma de fogo e arma branca.
FeridaPerfurante

Feridas penetrantes - o objeto atinge uma cavidade natural do organismo, geralmente tórax ou abdome. Apresentam formato externo variável, geralmente linear ou puntiforme.
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Feridas transfixantes - constituem uma variedade de ferida perfurante ou penetrante. O objeto é capaz de penetrar e atravessar os tecidos ou determinado órgão em toda a sua espessura.

Escoriações ou abrasões – produzidas pelo atrito de uma superfície áspera e dura contra a pele. Atinge somente a pele. Freqüentemente contêm partículas de corpo estranho (cinza, graxa, terra).
Escoriação

Avulsões ou amputações - uma parte do corpo é cortada ou arrancada (membros ou parte de membros, orelhas, nariz etc).

Lacerações - o mecanismo de ação é a pressão ou tração exercida sobre o tecido, causando lesões irregulares .
Laceração

2. Cuidados à Vítima de Ferimentos
O atendimento pré-hospitalar dos ferimentos visa a três objetivos principais: 1) Proteger a ferida contra o trauma secundário; 2) Conter sangramentos; 3) Proteger contra infecção. Como orientação geral, lave o ferimento com água corrente ou soro fisiológico, para remover partículas de corpo estranho, e, a seguir, cubra com gaze estéril. Entretanto, a particularidade de cada ferimento deve ser considerada. Nas escoriações, lave com água corrente ou soro fisiológico, sem provocar atrito. Se disponível, instile uma solução antisséptica antes do curativo. Recubra a área escoriada com gaze estéril, fixando-a com fita adesiva ou, em área muito grande, com atadura ou bandagem triangular. Nas feridas incisivas, aproxime e fixe suas bordas compressivo, utilizando atadura ou bandagem triangular. com um curativo

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náuseas. Então tome os seguintes cuidados: • Colocar uma proteção (gaze. como: • • • Perda de consciência por instantes ou diminuição progressiva da consciência (desorientação. 3. • Fixe o material usado para proteção com cinto ou faixa de pano. ele reage com um edema (inchaço). envolve pulmões. dependendo do mecanismo de lesão que os causou. -observar o nível de consciência da vítima. Ferimentos no tórax • • • • • A caixa torácica é formada por costelas. plástico. para evitar entrada de ar no tórax. • Atendimento: Prestar atenção ao A-B-C-D: -liberar e manter as vias aéreas com controle cervical. Ferimentos na cabeça Uma vítima que apresente ferimentos na cabeça. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 39 .1.Nas feridas lacerantes. coração. Proteger com gaze ou pano limpo. vômito. Orientações Gerais Sobre Alguns Ferimentos 3. Se um ferimento colocar em comunicação a parte interna da cavidade torácica com a atmosfera do meio ambiente. firmemente. Os centros de controle da respiração e outros centros vitais podem ficar prejudicados pelo edema. para atualizar sua imunização contra tétano. ou conduzir a vítima para um hospital. Evitar mexer com a vítima. proceder ao rolamento lateral em bloco (para não aspirar). Lesões graves podem exigir a imobilização da parte afetada.2. Os sintomas podem ser imediatos ou não. Chamar o Serviço de Atendimento Pré-hospitalar. coma). Quando o cérebro é lesado. como qualquer outro tecido. Todos os ferimentos extensos ou profundos devem ser avaliados em hospital. sem apertar a ferida. grandes vasos e esôfago. Oriente qualquer vítima de ferimento a procurar o serviço de saúde mais próximo. o mecanismo da respiração fica comprometido. pode apresentar lesão cerebral (traumatismo craniano). sonolência. 3. Qualquer traumatismo no tórax pode resultar em dano a esses órgãos. exigindo que se fique atento a possíveis alterações nas condições da vítima. Se apresentar vômito. Se houver sangramento ou saída de líquor pelo nariz ou ouvido. Sangramento ou saída de líquor pelo nariz e/ou ouvidos. Dor de cabeça. vértebras torácicas e esterno. controle o sangramento e proteja-as com uma gaze estéril firmemente pressionada. não tentar conter a saída desse líquido. se existir. -controlar as hemorragias presentes. esparadrapo) sobre o ferimento no final da expiração.

• Não remover objetos que estejam empalados. Flui de diminutos vasos da ferida. Ferimentos no abdome Os ferimentos profundos na região de abdome podem atingir qualquer órgão abdominal interno. Hemorragia capilar – sangramento por um leito capilar. Hemorragia venosa – perda de sangue por uma veia. úmidos. Sinais e Sintomas de Hemorragia A hemorragia externa é facilmente reconhecida por se visível. considera-se a hemorragia mais ou menos grave: Hemorragia arterial – perda de sangue de uma artéria. 3. • Cobrir os órgãos com gaze. Considerada grave se a veia comprometida for de grosso calibre. b) interna . Acionar o Serviço de Atendimento Pré-hospitalar.3. Não retirar objetos que estejam empalados. é facilmente controlado. O sangue é de coloração viva. principalmente das alças intestinais. inclusive com exteriorização das vísceras. muitas vezes. se existente. vagina ). ânus. Hemorragia É o extravasamento de sangue dos vasos sangüíneos através de uma ruptura nas suas paredes. vermelho claro e derramado em jato. Imobilizá-lo com o curativo e providenciar rapidamente o transporte da vítima ao hospital. dentro dos tecidos ou cavidades naturais. Conforme o tipo de vaso sangüíneo lesado. Geralmente o sangue se exterioriza por algum ferimento ou orifício natural do corpo ( boca. • Manter o curativo preso com ataduras não muito apertadas.• • • Não apertar muito para não prejudicar a respiração. conforme o batimento cardíaco. A hemorragia interna não se exterioriza. 4. compressa ou pano limpo.escuro. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 40 .visível porque extravasa para o meio ambiente.o sangue extravasa para o interior do próprio corpo. De coloração avermelhada. 4.1. sob baixa pressão. Cuidados no atendimento: • Evitar ao máximo mexer na vítima. sendo difícil. • Não tentar recolocar os órgãos para dentro do abdome. identificar o local da perda de sangue. Geralmente é rápida e de difícil controle. A hemorragia pode ser classificada em: a) externa . em fluxo contínuo. nariz. Sangramento de coloração vermelho. ou conduzir a vítima a um hospital. menos vivo que o arterial.

o que permite a interrupção do fluxo de sangue e favorece a formação de coágulo. tórax ou abdome. Controle da Hemorragia Externa O sangramento externo geralmente é de fácil controle. Ferida penetrante em crânio.3. quedas. Elevação da área traumatizada Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 41 . Os métodos utilizados são: • Pressão direta sobre o ferimento: Quase todos os casos de hemorragia externa podem ser controlados pela aplicação de pressão direta na ferida.2. chutes e explosões). utilizar compressa estéril. Rigidez de abdome.4. Não o utilizar. Aplicar este método simultaneamente ao da pressão direta. luxações ou de objetos empalados na extremidade.Sinais de fratura de pelve e ossos longos (braço. 4. porém. não perder tempo em localizar compressa – faça a pressão direta com a própria mão enluvada. 5. Pressão direta sobre o ferimento • Elevação da área traumatizada Quando se eleva uma extremidade de forma que a fique acima do nível do coração. fixar a compressa com bandagem. Área extensa de contusão (equimose) na superfície do corpo. 3. Preferencialmente. 2. 4. Sinais que levam a suspeitar de hemorragia interna: 1. Em sangramento profuso. pressionando firmemente por 10 a 30 minutos.Mecanismo de lesão – os traumas contusos são as principais causas de hemorragia interna (acidentes de trânsito. fêmur) – o extravasamento de sangue nos tecidos moles ao redor da fratura pode provocar hemorragias severas. em caso de fraturas. a gravidade ajuda a diminuir o fluxo de sangue. Em seguida.

Pele fria e úmida (pegajosa). pois pode diminuir a circulação. não lhe dar nada para comer ou beber. As medidas de atendimento inicial ao choque hipovolêmico são as mesmas da hemorragia interna. previne a equimose (mancha roxa). A perda de grande quantidade de sangue prejudica o suprimento sangüíneo para alguns órgãos que. 5. Sinais que podem sugerir choque por hemorragia severa: O pulso se torna fraco e rápido. prestando atenção ao A-B-C-D. • • • • • • • Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 42 . com grande perda de volume sangüíneo. procurar controlar as hemorragias externas evidentes e encaminhar rapidamente ao hospital as vítimas com suspeita de hemorragia interna. o uso prolongado. É a falência da circulação do sangue. Náusea e vômitos. Por essa razão. • O tratamento da hemorragia interna só pode ser feito em ambiente hospitalar. imediatamente acionar o Serviço de Atendimento Pré-Hospitalar. se existente. Pupilas dilatadas. Evitar. É necessário habilidade do agente e conhecimento dos pontos exatos de pressão das artérias. artéria temporal – para sangramento de couro cabeludo. As medidas de atendimento inicial consistem em: • • • • abordar adequadamente a vítima. podem levar à situação denominada choque hipovolêmico (choque por perda de sangue ). ou conduzir a vítima a um hospital. Respiração rápida e profunda.• Pressão digital sobre o ponto de pulso Usar a pressão sobre o pulso de artéria quando os dois métodos anteriores falharam ou não se tem acesso ao local do sangramento (esmagamento. aquecer a vítima com cobertores. sem receberem oxigênio. Perda de consciência e até parada cardiopulmonar. terão sua função prejudicada. artéria femoral – para sangramento de membros inferiores. extremidades presas em ferragens). no entanto. Aplicação de gelo O uso de compressas frias ou bolsas de gelo nas contusões. com perigo de morte. É a pressão aplicada com os dedos sobre os pontos de pulso de uma artéria contra uma superfície óssea. Principais pontos: artéria braquial – para sangramento de membros superiores. Choque Hipovolêmico As hemorragias (externas ou internas) graves. Esta é uma situação grave. causando lesões de tecidos. Vítima ansiosa. inquieta e com sede.

Qualquer que seja o tipo. além de útil. sendo utilizadas para: ● Fixar curativos. bem como. conforto da vítima e a segurança do curativo dependem da sua correta aplicação.20m X 1.20m x 1.6. Curativos e Bandagens Curativos são procedimentos que consistem na limpeza e aplicação de uma cobertura estéril em uma ferida. portanto não deve ser utilizada para ocluir ferimentos abertos. As bandagens são constituidas por peças de tecido em algodão crú. As bandagens mais freqüentemente usadas são as triangulares e as em rolo. pode ser nociva. Geralmente nos serviços pré-hospitalares os curativos são realizados com aplicação de gaze ou compressas cirúrgicas e fixadas com esparadrapo. É importante salientar que a bandagem triangular não é estéril. ● Promover hemostasia (conter sangramentos). cobrindo as compressas. com a finalidade de promover a hemostasia. ● Imobilizar e apoiar seguimentos traumatizados. Um detalhe importante e que trás conforto à vítima refere-se à fixação da bandagem. O Socorrista deve sempre lembrar que a fixação (amarração) da bandagem não deve ser feita sobre o ferimento. Uma bandagem desalinhada e insegura.70m. cortando em triângulo medindo: 1. prevenir contaminação e infecção. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 43 . cicatrização. Antes de fixá-la deve ser aplicada gaze ou compressa cirúrgica.

Bandagem para Cobrir Ferimentos em Crânio Frontal Temporal ou Facial Bandagem aberta tipo “Cazuza” B.1. Bandagem para Ombro e Tóxax Bandagem para Ombro Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 44 . Tipos de Bandagens A.6.

Bandagem para Membros Bandagem para Articulações Bandagem para Palma da Mão Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 45 .Bandagem para Tórax C.

Ataduras de crepon Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 46 .Bandagem para Dorso da Mão ou Pé Bandagem para Ossos Longos D.

Sinais e Sintomas das Fraturas • • • • • Dor. Tanto as fraturas abertas como as fechadas podem resultar em séria perda de sangue. Classificação: As fraturas classificam-se em: Fraturas fechadas: a pele se mantém íntegra. As abertas produzem hemorragias externas. É situação de urgência pelo risco de infecção. há risco também de choque hipovolêmico.7 FRATURAS Chama-se fratura qualquer interrupção na continuidade do osso provocada por trauma. nas fraturas de fêmur. Crepitação (causada pelo atrito dos fragmentos ósseos fraturados – não provocá-la intencionalmente). Impotência funcional (a fratura impede movimentos do segmento fraturado). não havendo conexão entre o osso quebrado e a superfície externa do corpo. 1. por exemplo. Aumento de volume (por edema ou sangramento). 2.CAPÍTULO. Deformidade do segmento fraturado. quadro comum. hemorragias internas. as fechadas. a pele é rasgada ou aberta pela mesma força que quebra o osso ou pela força que faz o osso perfurar a pele. Fratura Fechada Fratura Aberta Fraturas abertas: a fratura comunica-se com o meio externo. Dependendo da quantidade de sangue perdido. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 47 .

controlar o sangramento e cobrir a ferida com curativo limpo antes da imobilização (não limpar a ferida). Forrar toda a tala e colocar estofamento extra nos locais com deformidade. resgatá-lo no sentido do maior eixo do corpo. tornozelo. imobilizar na posição da deformidade que se encontra. O conhecimento do mecanismo da lesão é importante na suspeita de fraturas da coluna. Nas localidades onde exista Serviço de Atendimento Pré-hospitalar.3. Nesses casos. Deixar firmes as talas. A remoção desse tipo de vítima de maneira inadequada pode resultar em lesões irreversíveis. geralmente a medula espinhal. Se houver fratura em joelho. a vítima não seja manipulada de maneira brusca e intempestiva. É importante que. Nas fraturas de ossos longos. mantendo-a até que a tala esteja no lugar. no primeiro atendimento. imobilizar as fraturas para transportá-lo de modo mais confortável e cuidadoso. punho e cotovelo não tentar retificar a fratura. Sinais e sintomas de lesões medulares compreendem: a perda total ou parcial dos movimentos nas extremidades ( paralisia ou paresia) e/ou perda total ou parcial da sensibilidade nas extremidades (anestesia ou parestesia). Cuidados Específicos nas Fraturas de Coluna Fraturas de coluna acontecem por acidentes de automóvel. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 48 . executar manobras de alinhamento e tração delicadamente antes de imobilizá-los. Se houver exposição óssea (fratura exposta) não tente colocar o osso no lugar. Aplicar uma leve tração enquanto proceder a imobilização. O atendimento correto evita o agravamento das lesões reduzindo a dor e o sangramento. Em fraturas abertas. Cuidados Gerais no Atendimento das Fraturas • • • • • • • • • • Se não existir um serviço de atendimento a emergências onde se encontre o acidentado. mas não apertadas a ponto de interferir na circulação. de trabalho ou até no lazer. Imobilizar as fraturas incluindo a articulação proximal e distal. Não movê-lo até que as fraturas estejam imobilizadas. este será o responsável pelo manuseio e a remoção da vítima com suspeita de lesão de coluna. 4. Elas podem ser simples ou envolver outras estruturas.. exceto se estiver perto de fogo. responsável pela condução de impulsos nervosos do cérebro para as extremidades. perigo de explosões etc.

fixando-as com bandagens. Verificar novamente de pulso. Fixação e transporte. mediante leve tração ( não fazer tração se a fratura for exposta). cobertores e outros meios de fortuna disponíveis. Cuidados Específicos nas Fraturas de Fêmur As fraturas de fêmur (coxa) geralmente produzem sangramento considerável. para reduzir a dor. os cuidados incluem os seguintes: • • • • • • manter a vítima deitada e aquecida. Verificação de pulso. fazer curativo para o controle da hemorragia antes da imobilização. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 49 . sensibilidade.5. talas infláveis. Imobilizações No atendimento pré-hospitalar são utilizados basicamente os seguintes materiais no processo de imobilização: tábuas dorsais rígidas. talas de papelão. talas de madeira. Tração e alinhamento. Além dos passos da abordagem primária ( A-B-C-D ). que pode levar inclusive ao choque hipovolêmico. se existente. motricidade e enchimento capilar. se a fratura for exposta. Exposição do membro fraturado. bandagens. 6. manter a tração durante a imobilização. Imobilização. tomando o cuidado de não introduzir fragmentos ósseos novamente para dentro da pele. motricidade e enchimento capilar. colocar a perna em posição mais próxima do normal. ou transportar a vítima para um hospital. imobilizar com duas talas acolchoadas. A imobilização segue os seguintes passos básicos: • • • • • • • Estabilizar o membro na posição em que se encontra. acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Pré-Hospitalar. sensibilidade.

Imobilização para braço e perna: estabilização do membro colocação da tala fixação da tala arremate da fixação Imobilização para antebraço e coxa: estabilização do membro colocação da tala fixação da tala arremate da fixação Imobilização para joelho e cotovelo: Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 50 .

estabilização do membro colocação da tala fixação da tala arremate da fixação Imobilização para perna: estabilização do membro colocação da tala fixação da tala arremate da fixação Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 51 .

Uma vítima pode sofrer trauma da coluna num acidente. Esta abriga em seu interior a medula espinhal e. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 52 . as conseqüências podem ser desastrosas para a vítima (anestesias. uma fratura de vértebra. também pode estar lesionada. alguém se posiciona junto à cabeça da vítima. paralisias e até comprometimento da respiração). Para iniciar a imobilização. sem lesão da medula. Em toda vítima de trauma. para dar maior conforto e segurança durante o transporte. Quando atingida. irá comandar as ações. os procedimentos que serão realizados. se necessário realizar as manobras de rolamento. antes da removê-lo. suspeite de lesão na coluna vertebral. portanto. A melhor posição para imobilizar a coluna com suspeita de trauma é em decúbito dorsal (deitado de costas). a saber: Proceder à imobilização da cabeça e do pescoço já na abordagem inicial da vítima e não soltar a cabeça enquanto a vítima não estiver seguramente imobilizada: Informar ao acidentado.CAPÍTULO.8 REMOÇÕES DE VÍTIMAS O manuseio ou transporte de uma vítima de trauma deve ser feita com o máximo cuidado a fim de não complicar as lesões existentes. num manuseio intempestivo para socorrê-la. o fragmento de osso fraturado pode seccionar a medula. Fazer os movimentos todos simultaneamente e com bastante cuidado. A medula faz a conexão entre os impulsos nervosos do cérebro paras as extremidades. obedeça alguns princípios. por exemplo. Ao manusear uma vítima de trauma. preferencialmente o mais experiente. proteger os ferimentos e imobilizar as fraturas. se estiver consciente. pois. Sempre que possível.

1. neste momento posiciona-se o colar cervical (previamente selecionado pelo tamanho) por baixo da mandíbula da vítima. Após posicionar as mãos. Colocação de Colar Cervical Vítima sentada Aproximar-se por trás da vítima. colocando as duas mãos posicionando os polegares no occipital e os indicadores e médios pressionando a mandíbula. realizar os movimentos de alinhamento e tração leve. Abordagem Alinhamento Medida do pescoço Medida do colar Colação do colar Fixação do colar Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 53 .

posicionar-se sobre a cabeça.Vítima decúbito dorsal Na vítima deitada no solo. a partir do occipital. para permitir o posicionamento do colar. realizando a fixação da mesma com as duas mãos. posicionar-se inicialmente a face posterior do colar por trás do pescoço. apoiar os polegares na mandíbula e os outros dedos ao longo do crânio. e então traz a face anterior do colar para a frente do pescoço a fim de posicioná-lo. abordagem posicionamento do colar colocação do colar fixação do colar Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 54 .

se houver indício da lesão. A seqüência é semelhante à da vítima sentada. o colar cervical deve ser aplicado antes de posicionar a vítima. Portanto.Vítima em pé O fato de uma vítima de acidente encontrar-se deambulando ou mesmo parada de pé. não exclui a possibilidade da existência de uma lesão cervical. Abordagem Preparação de colar Fixação do colar Colocação do Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 55 . porém o agente deve posicionar-se em pé atrás da vítima.

Vítima em decúbito ventral Fazer o controle cervical manual (fixação da cabeça ). a vítima deve ser adequadamente fixada com tirantes. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 56 . Quando os rolamentos são realizados por três pessoas. quadril e acima do joelho. fazer o rolamento da vítima primeiro até 90 graus. 2. em monobloco. Uma vez posicionada sobre a tábua. a outra vai mover o ombro e o quadril (tronco). O princípio básico dos rolamentos é a mobilização da vítima como um todo. Os rolamentos podem ser realizados por uma. uma delas fica responsável pelo controle cervical. Fixar com tirantes sobre os ombros. e a terceira fica responsável pelo quadril e pelas pernas da vítima. duas ou mais pessoas. em todos os seus segmentos. mantendo o alinhamento cervical e o corpo em posição neutra. Rolamentos São manobras que servem para colocar as vítimas sobre a tábua de transporte. deitar a vítima sobre a tábua. por exemplo. O rolamento a 90 graus permite que uma vítima em decúbito dorsal seja rolada para que se posicione a tábua de transporte sob a mesma. todas agindo em conjunto e mantendo o alinhamento. Deve-se tomar cuidado especial com o alinhamento da coluna da vítima. colocar o colar cervical e posicionar coxins e almofadas se necessários. o rolamento a 180 graus permite que a vítima em decúbito ventral seja primeiramente rolada a 90 graus e depois seja colocada sobre a tábua de transporte. como se estivéssemos rolando uma tora de madeira. porém não é difícil perceber que uma pessoa sozinha não é capaz de estabelecer um alinhamento seguro da coluna da vítima.

imobilizando a coluna cervical. 2ª Responsável pelo ombro e quadril. posiciona-se atrás da cabeça da vítima.Rolamento 90º Rolamento por três pessoas: 1ª Fica responsável pela cabeça. 3ª Faz apoio no quadril e nas pernas. Abordagem rolamento posicionamento ajuste na tábua Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 57 .

mantendo o alinhamento da vítima. Caso não observe respiração. Posiciona-se lateralmente à vítima e com uma mão faz a imobilização do pescoço e a outra mão segura no quadril. role-a com técnica adequada para iniciar a reanimação. Posicione a vítima sobre a tábua e fixe adequadamente com tirantes nos ombros. Se a vítima for encontrada de bruços. mantenha-a assim. 2ª Faz apoio no quadril e nas pernas. Rolamento por uma pessoa: Tentar alinhar a vítima e cruzar os tornozelos.Rolamento por duas pessoas: 1ª Posiciona-se lateralmente à vítima e se responsabiliza pela imobilização do pescoço e ombro. Rolamento por uma pessoa Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 58 . nos quadris e acima dos joelhos. Rolamento por 2 pessoas Movimente em conjunto. Faça um movimento cuidadoso. com rosto livre e respiração espontânea.

rolar a vítima até 90.Rolamento 180º Rolamento com 3 pessoas Os 3 socorristas posicionam-se como no rolamento 90. completar o movimento suavemente até 180 Abordagem rolamento 90 rolamento 180 alinhamento e colocação do colar Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 59 . No primeiro movimento. Observar que as mãos do 1º socorrista se posicionam de modo invertido para permitir a estabilização da cabeça.

Rolamento 180 com uma pessoa Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 60 . com a outra mão apóia a nuca e o pescoço posteriormente. Passar o antebraço sob a axila segurando o queixo.Rolamento com 2 pessoas 1ª Passa o antebraço pela axila da vítima e segura a mandíbula (queixo). 2ª Segura o quadril e as pernas (próximo ao tornozelo) Rolamento 180 com duas pessoas Rolamento com 1 pessoa Cruzar os tornozelos da vítima. mantendo o alinhamento da cabeça. com a outra mão apoiar a nuca e o pescoço posteriomente. Puxar o tronco da vítima para si.

3ª Na mesma posição do 2º . A elevação pode ser realizada por duas. Elevação com 3 pessoas 1ª Responsável em fixar cabeça. e colocá-la sobre a tábua de transporte. 2ª Faz o apoio do quadril da vítima com a s 2 mãos– com as pernas abertas sobre a vítima. quando o rolamento não é possível. posicionado na cabeça da vítima. três ou mais pessoas. pescoço e ombros.Elevação da vítima A finalidade dessa manobra é erguer a vítima do solo.segura as pernas próximo aos joelhos. comanda a ação. posicionamento para elevação elevação da vítima colocação na tábua ajuste na tábua Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 61 .

é necessário utilizar esta técnica. se houver. Durante todo o movimento o socorrista 02 mantém a estabilização cervical. ao mesmo tempo. caso a faixa de fixação do capacete (jugular) esteja previamente solta. Abordagem Controle cervical O socorrista 02 solta a faixa jugular se ela estiver presa. lembrando o seguinte: tentar alargar manualmente as laterais para liberar as orelhas. livrando o nariz retirada do capacete Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 62 . apoioando as mãos nas abas laterais do capacete e tentando. O socorrista 01 segura firmemente o capacete. ela pode estar usando capacete. que envolve a participação de pelo menos duas pessoas. para liberar o nariz. antes do capacete.Retirada do capacete Na abordagem de vítima envolvida em acidentes com motocicleta ou similares. O socorrista 01 remove o capacete. ficando responsável por manter a estabilização cervical. e então apóia uma das mãos no occiptal e outra na mandíbula da vítima. Retirar óculos. Este cuidado serve para impedir a movimentação abrupta do capacete. Apoiar posteriormente o capacete e tentar soltá-lo à frente. Para removê-lo sem mexer a coluna cervical. posicionar os dedos indicador e médio junto à mandíbula.

e cintos por trás da vítima. assumindo a estabilização cervical. Neste momento é possível adaptar o colar cervical em posição adequada. com um dos socorristas mantendo permanentemente a estabilização cervical. Fig 70 – liberando o socorrista 02 Fig 71 – socorrista 01 assume o controle 3. Com o auxílio de três socorristas. abordagem posicionamento Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 63 .Após a retirada do capacete. Imobilização da vítima Vítima em pé Quando uma vítima traumatizada necessita de imobilização da coluna. o socorrista 01 posiciona lateralmente as mãos na cabeça da vítima. antes de posicionar a tábua. Nesta situação. o que pode provocar danos adicionais. a fim de liberar o socorrista 02. providenciar a imobilização cervical (conforme mostrado anteriormente). pois haverá flexão da coluna. posicionar a tábua já acondicionada com imobilizador de cabeça. não é possível deitá-la ao solo sem apoio. embora se encontre em pé.

para fixação do tronco. além de seis cintos de fixação: dois dispostos em “X”. além de duas bandagem triangulares que podem ser utilizadas para fixação dos pés nos casos de transporte da tábua em pé (elevadores e escadas) tábua preparada vítima imobilizada para transporte Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 64 .abaixamento da tábua apoio da tábua ao solo Fixação dos cintos Observe a tábua dorsal que se apresenta preparada com um imobilizador de cabeça fixo nela. o terceiro para pelve. o quinto nos tornozelos e o sexto para fixação dos braços. o quarto nos joelhos.

objetivando manter sua coluna na posição mais vertical possível. é preciso levantá-la do solo. seguram as extremidades da tábua. e levá-la à ambulância. elevação aos joelhos elevação à cintura ajuste das mãos transporte Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 65 .4. elevam à cintura. posicionam as mãos para o transporte. O socorrista nº 01 realiza a contagem do tempos 1. e. Transporte da vítima Uma vez que a vítima esteja fixa à tabua. um de cada vez. 3 . finalmente. sendo que no tempo 3 os três socorristas simultaneamente elevam a tábua até os joelhos. no tempo 3. 2. apoiando os dois pés totalmente no chão e dobrando os joelhos. Em seguida. Os três socorristas posicionam-se nas extremidades da tábua. iniciam a caminhada para a ambulância. na seqüência. em seguida. na próxima contagem.

Se isso acontecer. segurando-a pelas mãos. PCP etc. 4º passo: a vítima vai sendo posicionada totalmente sobre a tábua com o auxílio dos três socorristas. 2 º passo: o socorrista 01. a remoção deve ser realizada por uma só pessoa. sendo que o socorrista 01 mantém sempre o controle cervical e faz a contagem dos tempos. tração pelo eixo membros inferiores tração pelo eixo membros superiores Remoção rápida de veículo com utilização da tábua Para vítimas no interior do veículo que necessitem de remoção rápida. pelos pés ou abraçando seu tronco sem dobrar o pescoço ou membros. incêndio. Remoção Tração pelo eixo Somente nas situações de perigo iminente. como os de explosão. desabamento. ou seja.5. e finalmente. apoiando a cabeça. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 66 . enquanto o socorrista 02 posiciona e flete as pernas para a retirada. em que a vítima é arrastada para local seguro. fixados os cintos e imobilizador de cabeça. realizado o transporte. quando não há tempo para aguardar a chegada de outro socorro. 5º passo: a vítima é colocada sobre a maca ou sobre o solo. aplique a técnica de tração pelo eixo. seguemse os seguintes passos: 1º passo: os socorristas 01 e 02 fazem a abordagem e colocação do colar cervical. Naturalmente em casos de extremo risco. enquanto o socorrista 03 posiciona a tábua junto ao banco do veículo onde se encontra a vítima. auxiliado pelo socorrista 03 fazem o giro do tronco da vítima. 3º passo: na contagem do socorrista 01 a vítima vai sendo retirada e posicionada sobre a tábua.

abordagem e colocação do colar giro e flexão dos joelhos retirada posicionamento posicionamento na maca para transporte Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 67 .

irregular e até ausente). O Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 68 . 4) Se estiver em PCP – iniciar manobras de reanimação 1. pescoço etc. estresse. não são capazes de suprir o aumento da demanda de sangue pelo músculo cardíaco. aquecida. A morte súbita por ataque cardíaco é a emergência clínica mais importante atualmente e 50% das mortes ocorrem nas primeiras horas antes de a vítima chegar ao hospital. • Alteração do pulso (lento. mas também pode ocorrer por repouso. prolongada (30 minutos a várias horas). • Costuma vir acompanhada de falta de ar. exigindo maior fluxo de sangue pelas artérias coronárias para suprir o músculo cardíaco. SINAIS E SINTOMAS • Dor no peito de forte intensidade. fadiga e refeições em excesso. Geralmente o repouso não alivia a dor. CUIDADOS NO ATENDIMENTO 1) Tranqüilizar a vítima. 2) Mantê-la confortável. em repouso absoluto. Quando as artérias coronárias se estreitam pela aterosclerose.2 Angina de Peito Situações de estresse emocional ou esforço físico fazem com que o coração trabalhe mais. Arterosclerose é o processo lento e gradual de oclusão dos vasos sangüíneos. náusea. inquieta. porém a mais importante é a causada por Infarto Agudo do Miocárdio (ataque cardíaco).1 Infarto Agudo do Miocárdio Existem várias condições que provocam dor no peito. 3) Solicitar apoio médico ou transportá-la rapidamente ao hospital. rápido. que pode irradiar para o ombro. Daí a importância de se identificar precocemente o IAM. • Vítima ansiosa. não permitindo qualquer deslocamento. Algumas situações desencadeiam o IAM: esforço físico. • Perda de consciência e PCP. vômito e sudorese.CAPITULO – 9 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 1. Doenças Cardiovasculares 1. membro superior. A causa principal do IAM consiste na arterosclerose das artérias coronárias (artérias que levam sangue à parede do coração).

causada por oclusão ou ruptura de um dos vasos que suprem o cérebro de sangue. ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA NO PRÉ-HOSPITALAR ● Confortar e acalmar o paciente. refeição volumosa ou exposição a temperaturas muito frias. 2. Embora ocorram predominantemente nas pessoas mais idosas. confusão mental. estresse. Essa situação é de maior gravidade pelo risco de compressão de áreas cerebrais responsáveis pelas funções vitais. ● Mantê-lo em repouso. 2. privado de oxigênio. ● A dor pode irradiar-se para membros superiores. • paralisia facial (perda de expressão. tontura. desaparecendo com repouso e uso de vasodilatador sublingual. Como resultado. mandíbula e porção superior do abdome. a função de parte do cérebro que depende do sangue oxigenado será afetada. desencadeada por esforço físico. ● Passar os dados clínicos para o médico e aguardar instruções. SINAIS E SINTOMAS ● Dor torácica retroesternal ou precordial (às vezes. faze-lo devagar e monitorando sinais vitais e se possível monitorização cardíaca. 2. ou sua luz comprimida por tumor ou trauma. desconforto). faz o paciente sentir dor. em posição confortável.miocárdio. Podem surgir: • cefaléia. com Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 69 . A causa mais freqüente é a aterosclerose cerebral. • perda de função ou paralisia de extremidades (geralmente de um lado do • corpo). comprometendo sua capacidade laborativa. É a angina pectoris ou dor no peito. Raramente ultrapassa dois a cinco minutos. ● Informar-se sobre o uso do vasodilatador sublingual e se o tem. ● Se houver necessidade de transporta-lo.2 Acidente Vascular Hemorrágico Ruptura da parede de um vaso sangüíneo provocando hemorragia cerebral. geralmente de um lado da face.1 Acidente Vascular Isquêmico O vaso pode ser obstruído por trombo ou êmbolo. Parte do cérebro ficará comprometida pela falta de oxigênio e poderá haver aumento da pressão intracraniana. ombros. freqüentemente surpreendem jovens. SINAIS E SINTOMAS Dependem do vaso lesado e da importância funcional da área cerebral envolvida. Acidente Vascular Cerebral AVC é uma desordem do sistema cardiovascular.

Durante a crise. mas o tipo mais comum para o qual se solicita ajuda é o conhecido por “Grande Mal”. para que a saliva não dificulte a respiração. inicia um período de movimentos com tremor da face. Crise Convulsiva A convulsão é uma desordem temporária do cérebro. dor de cabeça e sonolência após a crise convulsiva São inúmeras as causas de crise convulsiva. Afrouxar gravata ou colarinho de camisa. a consciência vai voltando aos poucos. o paciente cai ao chão. • Não administrar nada via oral. As crises convulsivas manifestam-se de várias maneiras. dentre as quais as alterações no nascimento. convulsão. • Mantê-lo aquecido. • Ficar ao seu lado até que a respiração volte ao normal e ele se levante. No atendimento a uma situação de crise convulsiva: • • • • Manter-se calmo e procurar acalmar os demais. anisocoria. registrando-se. O tremor vai gradualmente diminuindo. pulso rápido. fica durante um período com o corpo rígido e. 70 Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência .. • Reavaliar nível de consciência e escala de Glasgow. tumores cerebrais. deixando o pescoço livre de qualquer coisa. • Girar a cabeça do paciente para o lado. trauma craniano. tronco e membros. respiração difícil.. Os casos podem ser súbitos e fugazes (recuperação espontânea) ou mais graves. • Aguardar orientações médicas. às vezes precedida de um grito. a seguir. coma. geralmente. • Tranqüilizar o paciente e mantê-lo em repouso. até que o paciente fique completamente imóvel. também conhecidas como “ataques”. ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA NO PRÉ-HOSPITALAR • Assegurar abertura e manutenção de vias aéreas. Remover das proximidades objetos que possam ferir a vítima. 3. epilepsia. • Transportar ao hospital.• • • defeito na fala). confirmando a extensão do comprometimento cerebral. • Administrar O2. intoxicações por drogas ou álcool. o cérebro deixa de funcionar normalmente. • Não tentar abrir sua boca com a mão ou algum objeto. • Monitorar sinais vitais. um período curto de confusão mental. Após alguns minutos. Colocar algo macio sob a cabeça da vítima. que se caracteriza pela perda súbita de consciência. Durante um breve período de tempo. passando a enviar estímulos desordenados ao resto do corpo. meningites. provocando as crises convulsivas. a vítima pode apresentar salivação e liberação involuntária de urina e fezes.

é autolimitada. visão embaçada e. • A convulsão. • Liberar vestimentas apertadas. • Manter a vítima deitada. também não prender a língua com colher ou outro objeto (não existe perigo algum de o paciente engolir a língua). • Mantê-la deitada por alguns minutos mesmo após recuperada. finalmente. preferencialmente com a cabeça abaixo do corpo. Desmaio Perda de consciência de curta duração que não necessita manobras específicas de recuperação. geralmente a vítima se recupera espontaneamente. para receber medicamentos específicos. medicamentos em uso etc. não há necessidade de levar a vítima ao hospital. dor intensa e súbita. tontura. Na maior parte das vezes. for gestante. em conseqüência de emoções fortes. • Caso o ataque se demore indefinidamente. na grande maioria das vezes. lançando-lhe água ou obrigando-o a beber. A causa mais freqüente é a queda da pressão arterial.. ainda. meio e fim. ambiente lotado. ou seja seguido de outros. 4. levá-la a um hospital ou acionar uma ambulância. SINAIS E SINTOMAS Palidez. perda de consciência. providenciar remoção para local mais apropriado. calor excessivo. respiração suspirosa. CUIDADOS NO ATENDIMENTO. punção venosa. elevar os membros inferiores mais ou menos 20 cm. extremidades frias. Acontece normalmente quando a vítima está em pé. com começo. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 71 . • Informar-se sobre a história da vítima (doenças. • Não tente fazê-lo voltar a si. • Se estiver em ambiente mal ventilado ou lotado.). • Não dar nada para a vítima comer ou beber. cena de sangue.• Não introduzir nada pela boca. queda do nível de açúcar (glicose) no sangue. ou a pessoa não recupere a consciência ou. • Não o agarrar na tentativa de mantê-lo quieto. ou seja.

• Vítima forçando músculos do pescoço. geralmente sentada ou semi-sentada. asma. CUIDADOS NO ATENDIMENTO • • Informar-se sobre antecedentes de doença e uso de medicamentos pela vítima. Exemplos: situações ambientais (poluição). doenças como bronquite crônica. reações alérgicas.. Falta de Ar A falta de ar ou respiração difícil surge como conseqüência de qualquer situação que impeça o fluxo de ar pela vias aéreas. parada respiratória. doenças cardíacas.5. Solicitar apoio médico ou transportá-la ao hospital em posição confortável.. SINAIS E SINTOMAS • Aumento de freqüência e profundidade da respiração. • Na evolução. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 72 . • Coloração azulada das extremidades e mucosas. tórax e abdome para respirar. enfisema.

gases e poeiras tóxicas. posteriormente devem ser feitas tentativas de obter informações (e/ou amostras) da substância e das circunstâncias em que ocorreu o envenenamento. mais raramente. agrotóxicos. como aranhas. ou drogas injetadas com seringa e agulha. escorpiões. procure identificar a via de administração e o veneno em questão. a saber: ● Ingerido . fluido de isqueiro e outras substâncias voláteis. Um veneno pode penetrar no organismo por diversos meios ou vias de administração. substâncias químicas industriais. esteja preparado para intervir com manobras para liberação das vias aéreas e de RCP. componentes eletrônicos) etc. Há situações em que a vítima deva ser removida imediatamente. derivados de petróleo. ● Inalado . gases liberados durante a queima de diversos materiais (plásticos.toxinas de diversas fontes.: monóxido de carbono. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 73 . tintas.Ex. ● Injetado .1 Abordagem e Primeiro Atendimento à Vítima de Envenenamento Verifique inicialmente se o local é seguro.inseticidas. 1. alimentos contaminados (toxinas). Intoxicações Exógenas Venenos são substâncias químicas que podem causar dano ao organismo. Caso isso não seja possível no início. Ex. benzina. Proceda o exame secundário e remova a vítima do local. agrotóxicos e outras substâncias químicas que penetrem no organismo pela pele ou mucosas. amônia. cola à base de tolueno (cola de sapateiro).: medicamentos. identifique-se e faça o exame primário.CAPITULO – 10 INTOXICAÇÕES E ENVENENAMENTOS 1. éter. na sua maioria. formicidas. plantas. para diminuir a exposição ao veneno e preservar a segurança da equipe. agrotóxicos. ● Absorvido . mas resultam também de tentativas de suicídio e. GLP (gás de cozinha). raticidas. de homicídio. caso necessário. acetona. Não existem muitos antídotos (antagonistas específicos dos venenos) eficazes. Aborde a vítima como de costume. Os envenenamentos são. acidentais.sendo muito importante identificar a substância responsável pelo envenenamento o mais breve possível.

a êmese (vômito) pode ser obtida pela estimulação cuidadosa da retrofaringe com o dedo ou cabo rombo de colher. Existem medicamentos emetizantes.1. Se a ingestão ocorreu há menos de quatro horas. como na ingestão de derivados de petróleo (gasolina. Caso o vômito não ocorra em 30 minutos. • Distensão abdominal. • Pele (pálida. embora não deva ser utilizado em crianças menores de 2 anos. Administre oxigênio e transporte a vítima em decúbito lateral. • • • • • 1. • Dor abdominal. rápido ou irregular). após ingestão de um ou dois copos de água. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 74 . • Sudorese. isso não deve ser feito. • Alterações pupilares ( midríase ou miose). verificar se estava só ou brincava com outras. • Odores característicos (respiração. • Choque. • Vômitos. como soda cáustica. Esteja certo de que a vítima que você está atendendo é a única intoxicada. • Convulsões. • Cefaléia (dor de cabeça). de corrosivos. em gestantes e cardiopatas. • Alterações da consciência. no caso de crianças. ambiente). entre os quais o mais comum é o Xarope de Ipeca. salivação e lacrimejamento. se em duas horas não acontecer.3 • Sinais e Sintomas Mais Comuns Queimaduras ou manchas ao redor da boca. dê-lhe dois ou três copos de água para beber. • Dificuldade para engolir. eficaz e praticamente atóxico. para prevenir a aspiração no caso de vômitos. Cuidado: em alguns casos. que fornece informações 24 horas/dia. repetir a dose. ou cianótica). Nos casos indicados. pelo telefone 148. realizar lavagem gástrica.). Existe em Curitiba o CENTRO DE INFORMAÇÕES TOXICOlOGICAS – CIT. com a finalidade de diluir o veneno. que também devem ser avaliadas. Leve para o hospital qualquer objeto que possa conter amostra do veneno (frasco. lenta ou com dificuldade). induza o vômito. • Queimação nos olhos e mucosas. roupa.2 • Atendimento Se o veneno for ingerido e a vítima estiver consciente e alerta. roupas. querosene etc. vômito). e quando a vítima está sonolenta ou comatosa. • Respiração anormal ( rápida. "vermelha". • Pulso (lento.

sem cheiro e potencialmente perigoso.2 Tratamento Medidas de suporte e oxigênio a 100%. Tranqüilizantes menores . vômitos. Sedativos .1 • • Sintomas Inicialmente. etc. tremores. aquecedores a gás. por ter os reflexos diminuídos. freqüentemente associado a intoxicações por outras drogas. como garagens). pois ela. Liga-se fortemente à hemoglobina. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 75 . A vítima apresenta-se sonolenta. agressiva ou comatosa. pressão arterial baixa. pulso lento. dor de cabeça. Nembutal. aquecedores e queima de praticamente qualquer substância em locais fechados. podendo ocasionar lesão cerebral e morte. Monóxido de Carbono (CO) Gás incolor. etc. (proteína que transporta O2 no sangue para os tecidos). 2. pele em geral pálida e seca e pupilas reagindo lentamente à luz. Barbitúricos . competindo com o oxigênio e provocando HIPOXIA. Durante o atendimento. 2.o mais comum. Lexotan.Dormonid. está mais propensa a fazer broncoaspiração. confusão mental. náusea. etc. confusa e desorientada. Posteriormente. fogões. iniciados mesmo que haja apenas suspeita de intoxicação por CO. Depressores do Sistema Nervoso Central • • • • Álcool . síncope (desmaio). como escapamento de veículos (perigo em lugares fechados. fale com a vítima.2. reflexos diminuídos ou ausentes. procure mantê-Ia acordada.Gardenal. Halcion. 3. Luminal. disfunção cardiopulmonar e morte. reavalie-a com freqüência e esteja atento para a hipoventilação e os vômitos. distúrbios visuais. coma. Librium.Valium e Diempax (diazepan). 3.1 Sinais e Sintomas A intoxicação por esse grupo de drogas revela sintomatologia semelhante. Rohipnol. coriza. Lorax. O monóxido de carbono pode ser emitido por diversas fontes.

convulsões e coma. hipertermia. como palpitações. FAGOLlPO. As mais comuns são: fenfluramina (MINIFAGE AP. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 76 . Anfetaminas são utilizadas como anorexígenos (para diminuição do apetite). Seguem-se distúrbios cardiovasculares. DASTEN AFINAN. femproporex (DESOBESI M. tremores.1 Sinais e Sintomas Distúrbios digestivos (náusea. MODERAMINA). cafeína e cocaína. rigidez muscular. tontura. Mazindol (ABSTEN PLUS. hipertensão arterial e arritmias. MODEREX AP). sudorese. nistagmo (movimentos oculares anormais). 4. taquicardia. As manifestações neurológicas compreendem cefaléia. dor abdominal e diarréia).4. midríase. Estimulantes do Sistema Nervoso Central Anfetaminas. rubor facial e taquipnéia. LlPOMAX AP). hiper-reflexia.

choque. branco ou amarelo). jararacuçu. preto. hemorragias a distância (sangramento nasal. pode atingir o tamanho 40 cm a 2 m. encontrada em lugares secos. Nos acidentes causados por filhotes. ausente no litoral. Cascavel: Possui fosseta loreal. Na evolução equimose. sudorese. Por contato – com as lagartas (taturanas) e sapos.60 m de comprimento. Gênero Crotalus – cascavel Gênero Micrurus – corais verdadeira Jararaca: possui fosseta loreal ou lacrimal. vive em locais úmidos. por exemplo. vermelhidão e dor imediata. • Manifestações gerais: náusea. 1. digestivo e pela urina) e insuficiência renal aguda. presença de anéis coloridos (vermelho. gengival. aranhas e escorpiões. bolhas. presença de guizo ou chocalho no final da cauda. de SINAIS E SINTOMAS • No local da mordida: inchaço. sua característica peculiar é a presença de guizo ou chocalho na ponta da cauda.CAPÍTULO – 11 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS • • Envenenamento causado por animais peçonhentos ocorrem de duas formas: Inoculação ativa – o veneno passa ativamente através de picada ou mordida de serpentes. e responsável pela maioria dos acidentes no Estado. Gêneros de importância no Estado do Paraná: Gênero Bothrops – jararaca. Serpentes ( cobras) Características das cobras venenosas: • • • presença de fosseta loreal (órgão situado entre o olho e a narina). urutu. regiões pedregosas e pastagens. Agressiva. queda da temperatura e da pressão arterial. vômito.. de coloração parda. atinge na idade adulta 1. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 77 . cotiara. sangramento e necrose. nem sempre há as manifestações locais.

fraqueza muscular. Os acidentes são mais raros. dilatação da pupila. com possibilidade de evoluir comprometendo a musculatura respiratória chegando à parada respiratória. salivação. por exceção. porém graves. urina escura. • • SINAIS E SINTOMAS Locais – praticamente ausentes ou pouco intensos. prostração. Transporte-o para um hospital. de cor vermelha ou alaranjada. dores musculares. náusea. o animal agressor (mesmo morto). queda da pálpebra. levando. • • • Cuidados no Atendimento às Vítimas de Cobra Lave o local da picada com água e sabão.1. entretanto danos mais graves. nem aplique produtos na lesão. Mantenha o acidentado calmo e imóvel. dor suportável. paralisia flácida. se possível. para facilitar o diagnóstico e a escolha do soro mais adequado. sonolência. vivem em buracos. ainda. perfurações. dificuldade para deglutir. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 78 . branca (ou amarela) e preta. Não faça cortes. Gerais . turvação visual e visão dupla. torniquetes.dor de cabeça. perda de equilíbrio. 1. • • SINAIS E SINTOMAS Locais – quase ausentes Gerais – vômito. sonolência e.Menos agressiva produz. queda da pálpebra. porque o veneno tem poder de provocar parada respiratória. formigamento e inchaço. Coral verdadeira: não possuem fosseta loreal. pupilas dilatadas.

Escorpiões Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 79 . 2. Acidentes sem gravidade e nenhum sintomas. inicia-se inchaço. • • • • • Cuidados no Atendimento às Vítimas de Aranha Lave o local da picada com água e sabão. telhas e no interior das residências. 3. náusea. vermelhidão e dor.1. SINAIS E SINTOMAS • Locais – a picada pode passar despercebida. em 72 horas. vômito. urina escura e insuficiência renal. capture o animal agressor e leve-o junto. encontrada em beira de barranco. • Gerais: muito raros. SINAIS E SINTOMAS • Locais: dor imediata e intensa. Os acidentes são pouco freqüentes. terrenos baldios e residências. pilhas de madeira ou pedras e até no interior das casas. Se possível. Tranqüilize a vítima. Os acidentes mais freqüentes ocorrem quando a aranha é pressionada contra o corpo ao se vestir a roupa.Aranha armadeira: maior (alcança até 12 cm) e muito agressiva.Caranguejeira: grande. quadros. Aplique compressa fria sobre a lesão. jardins (gramado) e residências. peluda e agressiva. atrás de móveis.Tarântula: pouco agressiva. cortinas. 2. porque geralmente é indolor. ulceração e necrose. vermelhidão e formigamento. Observam-se 2 pontos (marcas da picada). encontrada em quintais. Aranhas 1-Aranha marrom (Loxosceles): pequena (4 cm ) e pouco agressiva. encontrada sob pilhas de tijolos. inchaço.2. 3. folhagens. • Gerais – raros: dor de cabeça. Após 6 a 12 horas. Transporte-a para a Unidade de Saúde mais próxima. SINAIS E SINTOMAS • Locais: irritação na pele e alergia. encontrada em bananeiras. eventualmente nas roupas. circula à noite. 4.

náusea. Seu veneno está nos espinhos que revestem seu corpo. nos casos mais graves. com listras longitudinais castanho-escuras. • • SINAIS E SINTOMAS Locais: dor tipo queimação. tremores musculares. Lagartas (taturana) As taturanas são larvas de mariposas e medindo de 6 a 8 cm. onde geralmente ocorrem os acidentes por contato direto. CUIDADOS NO ATENDIMENTO ÀS VÍTIMA DE TATURANA Aplicar compressa fria sobre o ferimento e transportar a vítima ao hospital. inchaço e calor local.Os escorpiões medem cerca de 6 a 8 cm. manifestações hemorrágicas (sangramentos espontâneos). vivem durante o dia agrupadas nos troncos das árvores. na evolução. pulso lento e queda da pressão arterial. Possibilidade de evoluir para uma situação mais grave. vômitos e dor articular. seguida de vermelhidão. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 80 . eventualmente no interior das residências. chegando a comprometer o coração e levar ao choque. Têm hábitos noturnos e vivem em pilhas de madeira. • • SINAIS E SINTOMAS Locais: dor intensa até mesmo insuportável. Gerais: sudorese intensa. De cor marromesverdeada ou marrom-amarelada. 4. devendo a vítima sempre ser transportada ao hospital. Os cuidados no atendimento aos acidentes com escorpiões são semelhantes aos com aranha. lacrimejamento. Gerais: dor de cabeça. sendo pouco agressivos. insuficiência renal e morte. cercas e sob pedras durante o dia.

2. Tecido Subcutâneo Camada situada logo abaixo da derme. Compõe-se de duas camadas: epiderme e derme. As membranas mucosas também revestem internamente as vias aéreas e o tubo digestivo. as glândulas sudoríparas. Os orifícios corporais (boca. que produzem uma secreção aquosa chamada muco.1. narinas.CAPÍTULO – 12 QUEIMADURAS 1. vem a ser o maior órgão do corpo humano. Derme Camada mais interna. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 81 .3. contém os vasos sangüíneos. A pele reveste toda a superfície externa do organismo. Anatomia e Fisiologia da Pele A pele não é simplesmente um tecido. Impermeável à água. Sua espessura é variável. como a planta dos pés e palma das mãos. semelhantes à pele. possuindo várias funções. as glândulas sebáceas e as terminações nervosas especializadas. os folículos pilosos. sendo mais espessa em áreas sujeitas à pressão ou atrito. uretra e vagina) são revestidos por membranas mucosas. 1. composta de várias camadas de células destituídas de vasos sangüíneos. funciona como uma barreira protetora contra o meio ambiente. ânus. Epiderme Camada mais externa. uma combinação de tecido fibroso. Abaixo da pele situa-se o tecido subcutâneo. 1. 1.

As queimaduras por radiações ionizantes. ● Por radiação: causadas por raios ultravioleta (UV). Essa particularidade pode levar a erros na avaliação da queimadura. São as queimaduras que mais se beneficiam do curativo efetuado corretamente. podem ser graves. 2. . . não hesitar em pedir informações e apoio à Central. no trajeto da corrente elétrica através do organismo. . por raios-X ou por radiações ionizantes. Quanto à Profundidade 1) Primeiro grau (espessura superficial): queimaduras que atingem apenas a epiderme. . ● Químicas: causadas por ácidos ou álcalis. 1. ● Por eletricidade: geralmente as lesões internas. ● Regulação da temperatura corporal pela vasodiltação ou vasoconstrição dos vasos da derme. A pele se apresenta avermelhada e com bolhas.2. pois o manejo inadequado pode agravar as lesões. Mesmo quando não levam a óbito. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo e de indivíduo para indivíduo. geralmente superficiais e de pouca gravidade. é importante saber que a segurança da equipe pode estar em risco se houver exposição a substâncias radioativas presentes no ambiente ou na vítima. 3) Terceiro grau (espessura total): atingem toda a espessura da pele e Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 82 . pequenas. como os raios gama. . extensão. 2. Atender às ocorrências que envolvam substâncias radioativas sempre sob orientação adequada e com a devida proteção.elástico e gorduroso. Queimaduras As queimaduras são lesões freqüentes e a quarta causa de morte por trauma. são extensas. até anos. necessitam de um correto atendimento pré-hospitalar. Nesta situação. que costuma ser grave.1. ● Proteção contra elementos ambientais. Principais Funções da Pele . enquanto as lesões das áreas de entrada e saída da corrente elétrica na superfície cutânea. revelam-se as queimaduras mais comuns. 2) Segundo grau (espessura parcial): queimaduras que atingem a epiderme e a derme. as queimaduras severas produzem grande sofrimento físico e requerem tratamento que dura meses. as lesões que atingem a derme mais profunda revelam-se úmidas. ● Térmicas: causadas por gases. As queimaduras se classificam de acordo com a causa. localização e gravidade. As lesões por raios UV são as bem-conhecidas queimaduras solares. 2. ● Função sensitiva. líquidos ou sólidos quentes. profundidade.4. são lesões raras. produzindo dor severa. Quanto às Causas .

as áreas nos bordos das lesões de terceiro grau podem apresentar queimaduras menos profundas. de cor esbranquiçada. de aspecto carbonizado. Geralmente não são dolorosas. ou então pretas. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 83 . com aspecto de couro. As lesões são secas. de segundo grau. portanto bastante dolorosas. porque destroem as terminações nervosas.chegam ao tecido subcutâneo.

O resultado obtido é aproximado. a cabeça a 9% e a área genital a 1 %. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 84 .3. face. é um dado importante para determinar a gravidade da lesão e o tratamento a ser instituído. Queimaduras que envolvam as vias aéreas são também bastante graves. As crianças pequenas apresentam.4. utilizar como medida a mão da vítima. cada membro inferior a 18%. 2.5%. mas suficiente para uso prático. pés e genitais. cada membro superior corresponde a 9% da superfície corporal. como mãos. cada membro inferior a 13. tanto no local do acidente quanto no hospital. Certas áreas. Utiliza-se para esse cálculo a "regra dos nove".2. as partes ventral e dorsal do tronco correspondem a 18% cada. cabeça maior que a dos adultos. assim correspondendo a 18% da superfície corporal. que corresponde a aproximadamente 1 % da área da superfície corporal. são consideradas críticas. No adulto. ou a porcentagem da área da superfície corporal queimada. Para avaliar a extensão de queimaduras menores. proporcionalmente. Quanto à Extensão A extensão da queimadura. Quanto à Localização Queimaduras variam de gravidade de acordo com a localização.

Quanto à Gravidade Sete fatores são usados para determinar a gravidade da queimadura: • • • • • • • Profundidade. porque o ar não é bom condutor de calor. que se aplica a qualquer situação. Cuidar com as chamas. podendo levar à obstrução das superiores. 4) Promover o resfriamento da lesão e de fragmentos de roupas ou substâncias. 2) Remover a vítima do ambiente hostil. 2. Presença de lesões associadas (outros traumatismos).). Idade da vítima (crianças e idosos têm maior risco). freqüentemente. Presença de lesão pulmonar por inalação. Considerar o grande queimado como um politraumatizado. Passo “A” Queimaduras que envolvam vias aéreas são graves. A extensão e gravidade da queimadura das vias aéreas podem ser subestimadas na avaliação inicial. Queimaduras por vapores aquecidos podem atingir vias aéreas inferiores. face e genitália). a fumaça e o risco de explosões e desabamentos. Particularidades no Atendimento A primeira preocupação da equipe é com a sua própria segurança.5.6. insuficiência renal etc. como asfalto. 3) Remover roupas que não estejam aderidas a seu corpo. Após interromper o processo de queimadura. na seguinte seqüência: 1) Extinguir as chamas sobre a vítima ou suas roupas. 2. Doenças preexistentes (Diabetes mellitus. mas devendo ser reforçada ao atender vítimas de queimaduras em ambientes hostis. O segundo passo no atendimento à vítima é a interrupção do processo de queimadura.2. As vítimas podem Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 85 .7. Extensão (pela regra dos nove). os gases tóxicos. inclusive porque. Envolvimento de áreas críticas (mãos. porque a obstrução das vias aéreas não se manifesta no momento. proceder ao atendimento segundo o A-B-C-D-E. Atendimento ao Queimado O atendimento inicial de queimados segue a mesma seqüência do atendimento a vítima de outras formas de trauma. aderidos ao corpo do queimado. mas se desenvolve gradualmente à medida que aumenta o edema dos tecidos lesados. pés. existem outras lesões associadas. enquanto as produzidas por calor seco normalmente atingem apenas as vias aéreas superiores.

O tratamento consiste na administração de oxigênio na maior concentração possível. o que só se obtém com a entubação endotraqueal. maior a quantidade de hemoglobina ligada ao monóxido(carboxiemoglobina) e. é importante identificar os sinais de queimadura das vias aéreas antes que se desenvolva a obstrução. Quanto maior a quantidade de monóxido de carbono inalada. em vítimas inconscientes. Os sintomas variam de acordo com o grau da intoxicação. outras lesões potencialmente graves são as causadas por inalação de fumaça e a intoxicação por monóxido de carbono. ● Faringe avermelhada e edemaciada. menor a quantidade de hemoglobina ligada ao oxigênio(oxiemoglobina). . indo desde náuseas e cefaléia intensa até confusão. inconsciência e. podendo causar lesão química dos brônquios e alvéolos pulmonares. ● História de confinamento em ambiente incendiário ou explosivo. portanto. Por isso. severa. . . causa a morte. ● Queimadura das sobrancelhas e vibrissas nasais. inodoro. ● Depósito de fuligem na orofaringe. . óbito. explosivos ou se a vítima apresenta alteração do nível de consciência. A diminuição da oxiemoglobina leva à hipóxia tecidual que. Ele não causa lesão direta às vias aéreas ou ao pulmão. sinal nem sempre presente. 1) Inalação de fumaça e subprodutos da combustão: Partículas inaladas com a fumaça e certos subprodutos resultantes da combustão incompleta de combustíveis atingem as vias aéreas inferiores e os pulmões. finalmente. Suspeite sempre que isso possa ter ocorrido se há história de confinamento em ambientes incendiários. ● Escarro com resíduos carbonáceos. Isso significa que ele se liga mais fácil e firmemente à hemoglobina que o oxigênio. de preferência a 100%. Passo “B” Além da queimadura das vias aéreas. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 86 . A pele se apresenta em tom vermelho cereja. ● Queimaduras faciais. 2) Intoxicação por monóxido de carbono: O monóxido de carbono é um gás incolor. mas possui afinidade com a hemoglobina 200 vezes maior que a do oxigênio. .necessitar de entubação endotraqueal antes que uma obstrução severa a impeça. Sinais de alerta: .

relógios ou quaisquer outros objetos da região atingida. devido à formação de edema. para alívio da dor. mas não apertados. 2. pode ter outras lesões além da queimadura. usar água limpa. pulseiras. considerando sempre o mecanismo do trauma. Não esquecer o princípio de que o queimado é um politraumatizado e. quando usados. na sua ausência. porque a pele queimada perde a capacidade de auxiliar na regulação da temperatura corporal. Quando houver hemorragia associada. com soro fisiológico. frios. Os curativos devem ser espessos e firmes. Um detalhe importante é retirar anéis. porque o desenvolvimento do edema traz risco de estrangulamento do membro e conseqüente isquemia. frios. podem ser utilizados curativos úmidos. Nas queimaduras de pequena extensão. Não remover roupas firmemente aderidas nem romper bolhas. que se desenvolve gradualmente. Nas queimaduras extensas. feita de acordo com o cálculo da extensão da queimadura. O uso do soro fisiológico é recomendado para evitar a contaminação da ferida. Funções dos curativos nas queimaduras: . .8. . usar curativos compressivos habituais. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 87 . em vez de tentar aplicar grandes curativos. O quadro de choque precoce. pode levar a hipotermia. não devem cobrir mais que 10% da superfície corporal. lsso pode levar a choque hipovolêmico (não-hemorrágico). Uma medida simples para o combate à dor. ● Evitar a perda de calor. ● Diminuir ● Diminuir a dor. secos. de lesões associadas. Quando a extensão da queimadura for muito grande.Curativos Somente realizar os curativos após completar a abordagem inicial da vítima pelo A-B-C-D-E. é preferível envolver ou cobrir a vítima com lençóis limpos. é um curativo corretamente realizado. normalmente se deve a outras lesões associadas com hemorragia. ficando a vítima suscetível à perda de calor.Passo “C” O grande queimado perde fluido através das áreas queimadas. portanto. a contaminação. Cuidados com a Queimadura . entretanto. Freqüentemente a dor causada pelas queimaduras é severa e requer administração de analgésicos endovenosos para seu alívio. Passo “D” Não se esquecer de que alterações da consciência podem ser devidas à hipóxia ou à intoxicação por monóxido de carbono. além. Os queimados graves necessitam de reposição de fluidos intravenosos. levando à hipovolemia. é claro. o uso de curativos úmidos. logo após a queimadura.

o que aumenta a severidade da lesão. por exemplo. As substâncias cáusticas na forma de pó. Queimaduras Químicas As queimaduras químicas ocorrem por contato da pele com substâncias cáusticas. porque a água em pequena quantidade reage com certas substâncias e produz calor. Proteja-se também durante o procedimento. porque aqueles penetram mais profundamente nos tecidos. como soda cáustica. não usar substâncias neutralizantes. as queimaduras por álcalis são mais graves que as causadas por ácidos. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 88 .9. Retirar roupas e sapatos da vítima enquanto proceder à irrigação. Iniciar a irrigação copiosa imediatamente. Só irrigar as queimaduras produzidas por pó se as lesões já estiverem úmidas. somente com água corrente ou soro fisiológico. O princípio básico do tratamento consiste em irrigar a área queimada para retirada de toda substância cáustica. porque pode haver acúmulo de líquido com uma concentração de substância cáustica suficiente para produzir queimaduras. devem ser retiradas por escovação. Sempre que possível. que continua a reagir enquanto permanecer em contato com os tecidos. evitar que o líquido da irrigação escorra por áreas não-queimadas.2. Normalmente. A simples utilização de compressas úmidas pode agravar a lesão.

Exemplo: uma pessoa pode tocar um cabo energizado. Se tocar o solo com o pé. a maioria dos metais e os seres vivos. A terra molhada funciona como um condutor. a madeira seca. a condutividade varia de tecido para tecido. desde que com esta se estabeleça um circuito. Alta tensão e baixa tensão são expressões usadas para designar. São condutores a água. sendo tão maior quanto maior o teor de água tecidual. Conceitos Básicos A eletricidade é uma forma de energia (corrente elétrica) que pode fluir entre dois pontos. intencionalmente. respectivamente. se houver um caminho completo para que se processe o fluxo (circuito). a pele úmida torna-se boa condutora. um acidente envolvendo uma delas pode transferir a corrente elétrica às demais. Eletroplessão é o termo técnico apropriado para designar a morte ocorrida em conseqüência de descarga elétrica acidental. A terra tem sempre carga elétrica nula em relação a qualquer fonte de energia elétrica e. ou seja. Por exemplo: o raio é uma descarga elétrica que cruza o ar (embora este seja um isolante). é maior no sangue. geralmente como penalidade judiciária. Se este é interrompido em qualquer ponto por um material não-condutor (isolante). Em outras palavras. Assim. com o que se completa o circuito. Entretanto. A palavra eletrocução refere-se ao ato de matar alguém. os plásticos. São isolantes o ar seco. desde que a tensão ou voltagem entre os dois pontos seja muito grande. se estiver de pé sobre uma superfície isolante. Nestes. ela sempre funciona como um enorme receptor de corrente elétrica. estabelecerá com seu próprio corpo um circuito entre a fonte de eletricidade e a terra e sofrerá a corrente elétrica através de seu corpo. A corrente elétrica flui com maior facilidade através de materiais específicos (condutores). voltagens acima de 220 V (alta tensão) e igualou abaixo de 220 V (baixa tensão). nos músculos e nos nervos que nos ossos e na pele. por isso. a corrente elétrica ainda assim poderá fluir. por meio de choque elétrico. desde que um deles esteja mais carregado de energia elétrica que o outro. quando várias pessoas estão trabalhando com uma fonte de energia elétrica em região molhada pela chuva. quando se estabelece grande diferença de carga elétrica entre duas nuvens ou entre uma nuvem e a terra. sem sofrer qualquer descarga elétrica. Se entre os dois pontos considerados não existir um condutor adequado. Qualquer fonte de eletricidade tende a se descarregar na terra. Por exemplo: o fluxo de eletricidade que alimenta um aparelho eletrodoméstico só se processa quando o aparelho é ligado. desde que entre eles exista uma diferença de potencial elétrico (voltagem ou tensão).CAPITULO – 13 ACIDENTES POR ELETRICIDADE 1. A "afinidade" que a eletricidade tem pela terra explica o efeito protetor do aterramento de fontes de eletricidade: o fluxo de energia tende a se estabelecer pelo aterramento. o fluxo da eletricidade não se processa. poupando a pessoa de uma descarga às vezes fatal. Na produção da corrente elétrica há dispositivos que geram correntes que sempre fluem num mesmo sentido (corrente contínua) e outros que produzem Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 89 .

Intensidade da corrente: diretamente proporcional à voltagem ou tensão (quanto maior a tensão. por exemplo. Exemplo: uma pessoa molhada está sujeita a um acidente mais grave e até fatal. a lesão é limitada aos dedos envolvidos. Efeitos da corrente elétrica sobre o organismo: . maior o efeito. Duração da corrente: Quanto maior a duração. Natureza da corrente: a corrente alternada é mais danosa que uma contínua de mesma intensidade.1. . Não existe fonte de eletricidade absolutamente inócua. aquecendo-o e produzindo temperaturas de até dez mil graus centígrados). Mesmo a baixa voltagem que alimenta as residências pode provocar um acidente fatal numa pessoa cuja resistência à eletricidade esteja diminuída. porque produz contrações musculares tetânicas que impedem a vítima de escapar do circuito e provocam sudorese. por estar com o corpo molhado. o que permite a uma corrente mais intensa circular por ela. ● Queimaduras ● Fibrilação ventricular (choque de baixa voltagem) ● Parada cardiopulmonar ● Fraturas Queimaduras Por arco voltaico: podem ser observadas na superfície corporal exposta a um arco voltaico (quando um acidente estabelece uma voltagem tão intensa que a corrente elétrica flui pelo próprio ar. maior a corrente que circula no circuito) e inversamente proporcional à resistência oferecida pelo circuito (quanto maior a resistência. . maior a lesão. ou seja. Ocorre carbonização da pele e dos tecidos subjacentes. mesmo num acidente com baixa voltagem. porque a resistência de seu corpo diminui. Circuito percorrido no corpo: exemplo: no circuito de um a outro dedo da mesma mão. esta diminui a resistência da pele e aumenta o fluxo da corrente pelo corpo. Efeitos da Corrente Elétrica Sobre o Organismo Os efeitos produzidos dependem de vários fatores: • Condutividade: dos tecidos corporais. • • • • 2. No circuito entre a mão esquerda e os pés.correntes que alternam seu sentido (corrente alternada). 2. embora possa chegar à amputação. . a passagem da mesma corrente pelo coração pode determinar gravíssima fibrilação ventricular. menor a corrente). Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 90 .

Se há risco real de incêndio. Se as vítimas estiverem dentro de veículo em contato com um cabo energizado.Por chama: o aquecimento produzido pelo arco voltaico chega a incendiar as roupas da vítima. Iniciar e manter a RCP se forem constatadas parada cardíaca ou fibrilação ventricular (os sinais são os mesmos: ausência de pulso arterial). porque pode haver fratura de coluna. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 91 . orientá-Ias para que lá permaneçam até a chegada dos técnicos da companhia de energia elétrica. justificando a manutenção da RCP por pelo menos quatro horas. encontram-se tecidos necrosados. que podem ser pouco impressionantes. Desligar a chave geral nos ambientes domiciliares e industriais. A fibrilação ventricular tem que ser tratada com desfibrilação. Chamar a companhia de energia elétrica nos acidentes em via pública. conforme o caso. há registros de recuperação bem mais tardia. Instituir duas vias venosas. Abordagem secundária: curativos estéreis nas queimaduras. 3. ao longo de todo o trajeto da corrente. Observam-se áreas de queimadura nos pontos de entrada e saída da corrente elétrica. embora a recuperação ocorra em 30 minutos na maioria dos casos. Abordagem primária: garantir via aérea com controle cervical. deverá dispor de Unidade de Queimados e Unidade de Terapia Intensiva. Atendimento Garantir a própria segurança e dos demais presentes na cena: não tocar na vítima antes de se certificar de que o circuito já tenha sido interrompido. e a RCP prolongada. quedas e colisões da vítima arremessada contra anteparos rígidos. especialmente músculos e vasos sangüíneos. A necrose de vasos leva a fenômenos trombóticos nas áreas irrigadas pelos vasos necrosados (necroses a distância do trajeto). Remoção para o hospital apropriado: este. desabamento ou explosão. • Por carbonização direta: a corrente percorrendo os tecidos corporais promove seu aquecimento ao ponto de coagulação e necrose. porque. orientá-Ias para saltar do veículo sem estabelecer contato simultâneo com a terra. imobilização dos membros com fraturas suspeitas ou diagnosticadas. Entretanto. porque a vítima pode evoluir para choque hipovolêmico decorrente da perda rápida de líquidos para as áreas de necrose tecidual e pelas superfícies queimadas. Fraturas Produzidas por espasmos musculares severos.

2. Envolve três fases: • Gravidez: da concepção ao trabalho de parto • Parto: período durante o qual a criança e a placenta são expelidos do corpo da mãe para o mundo exterior. • Pós-parto (puerpério): período no qual os órgãos de reprodução restauram suas condições e tamanhos primitivos. O espaço preenchido pelo líquido amniótico (bolsa amniótica) é freqüentemente chamado de bolsa d'água. 2. durando aproximadamente seis semanas. Estruturas Próprias da Gravidez São formadas somente na gestação. ela mede cerca de 20 cm de diâmetro e 2. Assim como uma árvore emite raízes que agregam entre si certa porção de terra. ● Manter a temperatura fetal (isolante térmico). algumas intercorrências podem ameaçar a vida da mãe e/ou da criança. Placenta No terceiro mês de gestação. ● Limpar o canal do parto (quando as membranas se rompem). lavando-o e lubrificando-o. parto prematuro e abortamento. No final da gravidez. socorristas podem ser acionados para assistir ao trabalho de parto normal.1. de modo a faciliar o nascimento.CAPÍTULO – 14 ASSISTÊNCIA AO PARTO 1. movendo-se e flutuando. em forma de prato. Funções mais Importantes do Líquido Amniótico: Proteger o feto contra pancadas. Âmnio (Bolsa D'água): Saco fino e transparente que mantém o feto suspenso no líquido amniótico. 2. 2. Isso justifica prepará-Ios para atuar nas emergências obstétricas: parto normal. escorregadia e brilhante. Definições Obstetrícia – É a especialidade médica que cuida da gestante desde a fecundação até o puerpério (pós-parto).1. ● ● 2. assim também os ramos projetados pela estrutura destinada a nutrir o feto se 92 Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência . Este saco é limitado por uma membrana macia. Permitir liberdade de movimentos ao feto.5 cm de espessura. Nela é que a criança fica. Emergência Obstétrica No decurso da gravidez.3. desencadeado na via pública. ● Ajudar a alargar o canal vaginal no trabalho de parto. configurando situações de emergência que exijam a intervenção do socorrista. 1. juntamente com o feto. que é uma estrutura carnosa. Além disso. outra importante estrutura estará formada: a placenta.

2)Período expulsivo. denominada geléia de Wartton. A presença do “sinal” (saída do tampão muco-sangüinolento). formando a placenta. o transporte deve ser interrompido e o parto realizado. Contém duas artérias e uma veia de grosso calibre. gelatinosa. Cuidados: a) Tranqüilizar a gestante b) Observar as características das contrações (freqüência. A placenta a termo pesa cerca de meio quilo. órgão que supre o feto de alimentos e oxigênio.apropriam de fina camada do leito uterino. d) Preparar o transporte. Ele tem mais ou menos 50 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro.Fig. Estas contrações destinam-se a dilatar o canal de expulsão (canal do parto) e não a expelir o feto. Cordão Umbilical A placenta e a criança estão conectadas por meio do cordão umbilical. preferencialmente deitada pelo lado esquerdo do corpo. 1 . Caracteriza-se por 3 períodos distintos: 1)Período de dilatação. Ligado ao centro da placenta. Período de Expulsão Se no entanto já puder ser visualizado o alto da cabeça do bebê no canal do parto.1. O parto de emergência pode ocorrer em qualquer lugar. Parto Parto normal – processo pelo qual a criança é expelida do corpo da mãe pelo útero. o cordão vai até a parede abdominal da criança.sucessivas contrações dilatam o colo do útero. Encorajar para que ela respire de forma ofegante durante as contrações (respiração de cachorrinho cansado). 3.4. Período de Dilatação As contrações uterinas são reconhecidas pela dor tipo cólica e endurecimento do abdome da gestante. 3. num taxi. na rua. 3)Período de dequitação. enroladas uma sobre a outra e protegidas contra a pressão por uma substância transparente. 2. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 93 .2. num carro. em casa. duração e intensidade). com as pernas flexionadas. etc.quando a dilatação está completa. azul-esbranquiçada. preparando-se para o nascimento. associado a fortes contrações. c) Insistir para a gestante não fazer força durante as contrações nesta fase. De superfície macia e brilhante. já se visualizando o alto da cabeça do bebê na vagina. como as raízes e a terra nutrem a planta. A parturiente vai fazer força espontaneamente. onde penetra (umbigo). referindo uma “necessidade de evacuar” e a “bolsa d’água” se rompe. Nestes casos.caracteriza-se pela expulsão da placenta após o nascimento do bebê. sugere que o trabalho de parto está desenvolvendo-se rapidamente. deixa ver grande número de vasos sanguíneos. você tem uma vida em suas mãos.Útero gravídico. 3.

• • • • • • • • • • • • Depois que a criança estiver respirando. Cortar com tesoura entre os nós. em direção à placenta. Prever espaço para acolher o bebê. que roda espontaneamente em direção a uma das pernas da mãe. voltar a atenção para a mãe. mas delicadamente.Prepare-se para o auxílio ao parto e realize os seguintes procedimentos: • • • Lavar muito bem as mãos e braços. com a cabeça levemente mais baixa que o corpo. Esperar que o bebê venha sozinho. fazer um nó duplo bem firme mais ou menos a 15 cm de distância de onde o cordão se une ao bebê. manter o bebê aquecido. com compressas de gaze. pois o resto do corpo vem rapidamente. Deixar que o processo do parto seja natural. iniciar manobras de reanimação. Esfregar as costas do bebê com sua mão para estimular a respiração se ele não chorar e respirar imediatamente após o nascimento. a cabeça da criança é normalmente liberada com a face voltada para baixo. Mantê-la deitada sobre o lado esquerdo Quando a criança começa a respirar. de maneira confortável. Se possível utilize luvas esterilizadas. para que ele respire e não caia. No parto normal. Solicitar ajuda especializada ou transportar rapidamente para o hospital. Segurar com firmeza. Deixar a parturiente deitada. fazer um segundo nó mais ou menos a 3 cm de distância. NÃO BATER NA CRIANÇA. concentrar a atenção no cordão umbilical. deitado de lado. Limpar suavemente a boca e o nariz do bebê. Sustentar a cabeça do bebê sem puxar. Depois de expelida a cabeça as contrações continuam até a passagem dos ombros. não interferir em nada que não seja absolutamente necessário. Continuar segurando. Amarrar o cordão com uma tira limpa de algodão ou barbante. Caso não respire. mantendo a cabeça em nível mais baixo que o corpo. Esperar que isto aconteça antes de segurar a cabeça com uma de suas mãos. assegurar-se de apertar bem o nó para evitar hemorragia. com os joelhos flexionados e as pernas afastadas. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 94 . Evitar que o rosto do bebê entre em contato com líquidos ou qualquer coisa que dificulte a respiração. Lembrar-se de que o bebê é escorregadio.

Normalmente ela aparece em até 30 minutos. sentindo o útero como uma massa dura. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 95 . logo abaixo do umbigo. Introduzir um tecido limpo entre a pernas da mãe e orientar para que as feche. Com a mão sobre o abdome da mãe. Período de Dequitação Esperar que a placenta saia do útero da mãe naturalmente. fazer massagem por alguns segundos para que ele se contraia e diminua o sangramento.• • • • 3. Encaminhar mãe e criança ao hospital. Junto vem de um a dois copos de sangue. sem puxá-la.3.

D. M. Rio de Janeiro. 1998 ( no prelo). 2006. Manual do Atendimento Pré-hospitalar.M. SIATE.. CABRAL. SIATE/CBPR. B. 3 ed. F. 1 ed.ATENDIMENTO PRÉHOSPITALAR. Serpentes. M.F. REDONDO. Curso ASU – Agentes de Socorros de Urgência 96 .F. 2000.K. SP. OLIVEIRA. E. 1997. Escorpiões e Aranhas. OLIVEIRA. et al. B. Curitiba. Brasil.T – TRAUMA . SIATE .REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Curso de Socorrista 2006 Categoria Oficiais. L. Corpo de Bombeiros da PMPR. São Paulo. Editora Atheneu. S. M. M. PAROLIN. Instituto Butantan. B. Curitiba: Imprensa Oficial do Estado do Paraná. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar e Suporte Básico de Vida. VALLE. V. GUIMARÃES. Coordenação de Desenvolvimento de Recursos Humanos. B. Curitiba. Manual Agentes de Socorros Urgentes.

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