P. 1
APBac_11

APBac_11

|Views: 33.442|Likes:
Publicado porPedro Ormonde

More info:

Published by: Pedro Ormonde on Mar 30, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/01/2015

pdf

text

original

Dentre os bacilos Gram negativos serão enfatizados a família Enterobacteriaceae (Fermentadores de
Glicose) e os bacilos Gram negativos não fermentadores de glicose (BGNNF).
A identificação e diferenciação dos gêneros e espécies de BGN são diferenciadas com base na
presença ou não de diferentes enzimas codificadas pelo material genético dos cromossomos
bacterianos. Estas enzimas participam do metabolismo bacteriano em diversas vias, que podem ser
detectadas por meio de cultura contendo substratos com os quais estas enzimas podem reagir,
detectando a utilização do substrato ou a presença de produtos metabólicos em específico,
visualizados por substâncias indicadoras.

9.2.1-ENTEROBACTÉRIAS

As enterobactérias possuem características em comum que definem a família Enterobacteriaceae,
tais como: fermentam a glicose com ou sem produção de gás, são aeróbios e anaeróbios
facultativos, a maioria reduz nitrato a nitrito, são catalase positiva, a maioria é oxidase negativa e
podem ser móveis por flagelos peritríqueos ou imóveis.
Podem ser utilizadas técnicas de identificação manual, semi-automatizada e automatizada.

Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.

47

**Provas de identificação manual

CITRATO

Finalidade

Verificar se as bactérias são capazes de utilizar o citrato como única fonte de carbono.

Procedimento

Com auxílio de alça ou agulha de repique estéril estriar 03 a 04 colônias na superfície do tubo de
meio citrato. Identificar e incubar o tubo a 35±2°C em estufa por 24h.

Interpretação

Crescimento bacteriano e/ou mudança de cor para azul intenso → Reação Positiva
Ausência de crescimento bacteriano, cor inalterada → Reação Negativa.

FENILALANINA (FENIL)

Finalidade

Verificar se as bactérias são capazes de degradar o aminoácido fenilalanina através da enzima
fenilalanina desaminase, tendo como produto final da reação o ácido fenilpirúvico.
O ácido fenilpirúvico é detectado com adição do Cloreto férrico 10% (indicador da reação).
Somente os gêneros: Proteus, Morganella e Providencia possuem a enzima fenilalanina desaminase.

Procedimento

Com auxílio de alça ou agulha de repique estéril estriar 03 a 04 colônias na superfície do tubo de
meio citrato. Identificar e incubar o tubo a 35±2°C em estufa por 24h.
Após 24h de incubação adicionar o cloreto férrico 10%.

Interpretação

Coloração verde musgo na superfície do fenil, após adição do cloreto férrico → Reação Positiva.
Ausência de coloração verde musgo, após adição do cloreto férrico 10% → Reação Negativa.

LISINA

Finalidade

Verificar a capacidade das bactérias de descarboxilar o aminoácido lisina em amina, resultando em
alcalinidade do meio de cultura lisina; bem como verificar a motilidade bacteriana e a visualização
do indol (produto final da descarboxilação do aminoácido triptofano) detectado com a adição do
reativo de Ehrlich ou Kovacs.

Procedimento

Com auxílio de alça ou agulha de repique estéril inocular 03 a 04 colônias por picada central no
tubo do meio lisina. Identificar e incubar o tubo a 35±2°C em estufa por 24h.
Após 24h de incubação interpretar as reações metabólicas.

Interpretação

# Descarboxilação da lisina
Teste (+): Lisina com coloração roxa
Teste (−): Lisina com coloração amarela

# Motilidade bacteriana
Crescimento além da picada (turvação do meio lisina). Motilidade POSITIVA.
Crescimento somente na picada (meio lisina límpido). Motilidade NEGATIVA.

Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.

48

# Produção de indol
Adicionar o reativo de Ehrlich ou Kovacs e observar a reação.
Teste (+): formação de anel róseo na superfície do meio, após adição do reativo Ehrlich.
Teste (−): formação de anel amarelado na superfície do meio, após adição do reativo Ehrlich.

RUGAI

Finalidade

Verificam se as bactérias são capazes de: fermentar glicose e lactose, produzir gás e H2S (gás
sulfídrico), degradar uréia e o aminoácido triptofano. Todas estas informações são visualizadas nas
bases inferior e superior do tubo Rugai.

Procedimento

Com auxílio de alça ou agulha de repique estéril inocular 03 a 04 colônias por picada central até o
final do tubo e ao chegar à superfície do meio Rugai realizar estrias. Identificar e incubar o tubo a
35±2°C em estufa por 24h. Após 24h de incubação interpretar as reações metabólicas.

Interpretação

Na Base Inferior do Tubo Rugai
→ Fermentação da Glicose
Teste (+): base inferior do rugai amarela = bactéria fermentadora de glicose.
Teste (−): base inferior do rugai inalterada (verde) = bactéria não fermentadora de glicose.

→ Produção de Gás
Teste (+): bolhas na base inferior do tubo rugai.
Teste (-): ausência de bolhas na base inferior do rugai.

→ Produção de H2S (gás sulfídrico)
Teste (+): Base inferior do rugai com coloração negra.
Teste (−): Ausência de coloração negra na base inferior do rugai.

→ Degradação da Uréia
Teste (+): base inferior do rugai azul = bactéria degrada uréia pela ação enzima urease.
Teste (−): base inferior do rugai sem a coloração azul = bactéria não degrada uréia.

Na Base Superior do Tubo Rugai
→ Fermentação da sacarose
Teste (+): base superior do rugai amarela = bactéria fermentadora de sacarose.
Teste (−): base superior do rugai inalterada (verde) = bactéria não fermenta sacarose.

→ Degradação do aminoácido Triptofano
Através da enzima L-triptofano desaminase na base superior do meio de cultura Rugai.
Teste (+): coloração verde musgo ou acastanhada no ápice do Rugai.
Teste (−): ausência de coloração verde musgo ou acastanhada no ápice do Rugai.

**Provas de identificação semi-automatizada (Kit comercial)

Existem atualmente vários painéis comerciais de identificação para as enterobactérias, deste modo
será citada apenas o painel padronizado pela rotina do setor de microbiologia do LEAC-HGU. O
painel é constituído de 25 provas que estarão descritas em ANEXOS.

Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.

49

GUIA SIMPLIFICADO

Para Provas Manuais de Identificação Bioquímica de Algumas Enterobactérias.

Proteus spp → H2S (+) / Cor negra na base inferior do Rugai.

Fenil (+)

Cor base superior tubo Morganella spp → Uréia (+) / Cor azul na base inferior do Rugai.

Verde musgo.

Providencia spp →Glicose (+)/Cor amarela na base inferior do Rugai.

Salmonella spp Lisina (+) / Cor roxa no tubo do meio lisina.
Indol (–) / Ausência halo róseo na lisina.

Fenil (–)
Cor base superior inalterada.

H2S (+) Edwardsiella tarda Lisina (+)
Cor base inferior Negra. Indol (+) / Presença de halo rósea na lisina.

Citrobacter spp Lisina (–)
Indol (+)

Citrato (+) Klebsiella spp → Motilidade (–)

Fenil (–) Cor Azul base superior
H2S (−) do tubo de meio. Enterobacter spp → Motilidade (+)

Cor da base superior
Inalterada.

Escherichia coli Lisina (+)
Citrato (−) Indol (+)
Cor Verde base superior
do tubo de meio. Shigella spp Lisina (–)
Indol (–)

OBS: Nos casos em que as provas manuais de identificação não determinam as espécies das
enterobactérias deve-se utilizar o painel comercial, descrito em ANEXOS.

Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.

50

**Provas de identificação automatizada (Equipamentos)
Atualmente não são realizadas na rotina do setor de microbiologia clínica do LEAC-HGU.

Identificação complementar das enterobactérias causadoras de infecções, isoladas na
coprocultura.

É realizada com sorotipos comerciais (SoroKit-PROBAC®) para Salmonella spp, Shigella spp. e
Escherichia coli clássica e invasora.

Procedimento

Adicionar ao tubo de rugai da bactéria a ser testada 0,5 ml (500µL) de solução de salina estéril,
homogeneizando bem para obter uma suspensão bem concentrada.
Em placa de fundo escuro, realiza-se a reação:
Colocando 50 μl da suspensão bacteriológica a ser testada nas áreas da placa;
Adiciona-se, em cada reação, o soro correspondente, homogeneizando com bastão de plástico;
Agitar a placa de reação por 2 minutos (agitador de Kline ou manualmente com movimentos
giratórios);
Após término de 2 minutos, observar se há presença de grumos de aglutinação, o que indica
positividade da reação.

Não Esquecer

Dentro da família Enterobacteriaceae, encontram-se espécies bacterianas relacionadas
bioquimicamente, mas divididas em subgrupos por critérios sorológicos, de acordo com a presença
de antígenos, tais como:
Ag somático (O)
Ag flagelar (H)
Ag Capsular (K)
Em atividades de rotina de bacteriologia clínica a confirmação é feita apenas para bactérias de
importância patogênica e epidemiológica em gastroenterites como:

# Salmonella spp: utilizando sorotipos para pesquisa de antígeno somático (O) e flagelar (H).

#Shigella spp; utilizando sorotipos específicos somente para o antígeno (O) de cada espécie desse
microrganismo (S. sonnei, S. flexneri, S. dysenteriae e S. boydii).

# Escherichia coli
Enteropatogênicas (EPEC) e Enteroinvasoras (EIEC) utilizando sorotipos para antígenos (O) e (H).
As EPEC são móveis isoladas em coproculturas de crianças até 2 anos de idade e pesquisadas com
soro polivalente A, B e C. Já as EIEC são imóveis, isolada de pacientes adultos, com uso de soros
polivalentes A e B.

Principais Síndromes Infecciosas causadas pelas Enterobactérias

Abscessos, Pneumonia, Meningites, Septicemias, infecções de feridas, trato urinário e
gastrointestinal.
Dentre as enterobactérias as que atualmente predominam nas Infecções Relacionadas Assistência
Saúde (IRAS) são: Escherichia coli, Klebsiella spp. e Enterobacter spp.

Importante

Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software
http://www.foxitsoftware.com For evaluation only.

51

9.2.2-BACILOS GRAM NEGATIVOS NÃO FERMENTADORES DE GLICOSE – BGNÑF

São bactérias incapazes de utilizar carboidratos (principalmente glicose) como fonte de energia
através da fermentação, degradando-os pela via oxidativa. A maioria dos BGNÑF são móveis e
oxidase positiva.
Possuem como habitat natural o meio ambiente, sendo encontrados na água e solo.
As amostras oriundas do meio ambiente hospitalar são frequentemente isoladas de respiradores,
cateteres de sucção, antissépticos, soros, etc.
Dentre os principais gêneros causadores de infecções em seres humanos, destacam-se:

Pseudomonas spp.;
Acinetobacter spp.;
Complexo Burkholderia;
Stenotrophomonas sp.;
Chryseobacterium spp.

Principais Síndromes Infecciosas causadas pelos BGNÑF

Abscessos, Pneumonia por Ventilação Mecânica, Meningites, Septicemias, Infecções de feridas e
trato urinário pela utilização de sondas.

Devido à baixa atividade metabólica, em relação às Enterobactérias, a identificação
bioquímica torna-se mais complexa, portanto as características morfológicas, macroscópicas e
microscópicas são ferramentas auxiliares fundamentais durante o processo de identificação.

As provas de identificação das espécies de BGNÑF foram padronizadas de forma manual e semi-
automatizada (Kit comercial) pelo setor de microbiologia do LEAC-HGU.
Dentre as provas manuais, o Rugai é o teste que presume a não fermentação da glicose pela via
fermentativa, pois a base inferior do tubo de rugai apresenta-se inalterado (verde). Então se deve
utilizar o kit comercial (Kit NFII-Probac®) para identificar as espécies de BGNÑF, descritas em
ANEXOS.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->