CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR

SECAGEM DE AÇÚCAR

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR

Índice

1

Introdução

2

Tipos de Secadores

3

Processo de Secagem

4

Temperaturas do Açúcar no Ensaque

5

Considerações Sobre Qualidade do Açúcar no Setor de Secagem e Armazenamento

6

Aletas em Secadores de Açúcar

7 7.1 7.2 7.3 7.4

Dimensionamento de um Secador Tambor Rotativo Balanço de Massa Balanço Entálpico Diâmetro do Secador Comprimento do Secador

1

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR
1 Introdução

A operação de secagem de açúcar em uma usina, consiste basicamente na secagem propriamente dita, pela redução da umidade, e pelo resfriamento simultâneo, a valores que permitam sua armazenagem por períodos mais ou menos longos, sem alteração significativa de suas características.

O açúcar na descarga das centrífugas contém uma umidade de 0,3 a 2,0%, que deve ser reduzida a níveis de 0,1 a 0,4% para açúcar demerara e 0,03 a 0,05% para açúcar cristal.

A temperatura do açúcar na saída do secador deverá ser mantida preferivelmente abaixo de 40°C, para que não ocorra amarelamento e/ou empedramento durante o período de armazenagem.

2

Tipos de Secadores

Os secadores mais utilizados nas usinas brasileiras são do tipo tambor rotativo e vertical de bandejas.

Outros secadores também bastante utilizados:

Roto-Louvre; Tambor rotativo tipo BSH e BMA; Leito fluidizado vibratório.

Secadores mais modernos são:

Multitambores concêntricos FCB; Leito fluidizado fixo (verdadeiro).

Tambor rotativo convencional 2

Tem custo de aquisição relativamente baixo e sua instalação é simples. Consiste de um cilindro rotativo. Normalmente. mas sua eficiência é relativamente baixa se comparada com outros tipos de secadores. através de raspadores. No compartimento central estão instaladas as turbinas que proporcionam uma circulação de ar através das camadas de açúcar. mas também podem ser utilizados dois tambores distintos em série. provido internamente de aletas destinadas a recolher o açúcar e deixá-lo cair repetidamente em forma de cortina. o açúcar é distribuído por raspadores. em contracorrente através de um exaustor. A seguir. é despejado para as bandejas inferiores. Este tipo de equipamento. 3 . Secador vertical de bandejas (turbo-secador) (Figuras 18 e 19) O açúcar é alimentado pela parte superior e descarregado na primeira bandeja. após completar 1 volta. O açúcar depositado sobre as bandejas em camadas de 25 a 35 mm. a secagem e o resfriamento se processam no mesmo tambor. até sair pela parte inferior do secador. A altura de queda é de 180 a 200 mm e. As turbinas giram em sentido contrário às bandejas. isto é.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR É o secador mais utilizado em nossas usinas. montado na horizontal ou ligeiramente inclinado (5 a 7°). enquanto permanecer em repouso. devido a movimentação suave do açúcar no seu interior. evita quebra de cristais mantendo o seu brilho. caindo em bandejas sucessivas. O ar para secagem/resfriamento atravessa o secador normalmente em sentido contrário ao açúcar. o açúcar é revolvido suavemente através de niveladores tipo pente.

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR *Uma combinação comum é a instalação de um resfriador vertical.tipo BSH e BMA (Figuras 21 e 22) É um equipamento muito utilizado em refinarias no exterior. proporcionando um aumento de capacidade com a obtenção de um açúcar mais frio no ensaque. Secador/resfriador tipo leito fluidizado (Figura 23) É uma boa alternativa para adaptação aos secadores existentes. O equipamento pode operar como secador (com ar quente). quando é subdividido em duas zonas distintas . Secador/resfriador Roto-Louvre (Figura 20) Consiste de um tambor rotativo com um cilindro cônico interno provido de venezianas sobre as quais repousa o açúcar que caminha no sentido longitudinal. 4 . operando com ar em contracorrente em ambas as zonas. Os fabricantes deste equipamento garantem uma eficiência duas a três vezes superior ao secador rotativo convencional. O secador BSH consiste de um secador e um resfriador incorporados em um mesmo equipamento. e atualmente em operação em algumas usinas brasileiras. resfriador (ar frio) ou secador/resfriador. precedido de um secador de tambor rotativo. A movimentação do açúcar é suave reduzindo a quebra de cristais. Secador/resfriador a tambor rotativo .de secagem e de resfriamento. O secador BMA também possui zona de secagem e zona de resfriamento sendo a 1ª cocorrente com o ar e a 2ª em contracorrente com o ar.

5 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR O secador com leito fluidizado vibratório possui uma tela vibratória sobre a qual caminha o açúcar. acionado por motores concêntricos. No secador leito fluidizado verdadeiro o açúcar caminha sobre uma tela impulsionada pelo fluxo de ar que atravessa a mesma.

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 18 .Secador/Resfriador Vertical com Secador Primário 6 .

Cortes Secador/Resfriador vertical 7 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 19 .

.

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 20 .Secador/Resfriador Roto-Louvre 8 .

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 21 .Instalação 9 .Secador/Resfriador Rotativo Tipo BSH .

Secador/Resfriador Rotativo Tipo BSH 10 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 22 .

CICLONAGEM .BATERIA DE TURBINAS 2 .1 .EXAUSTOR 7 .TRANSPORTADOR P/ALIMENTAÇÃO 4 .TRANSPORTADOR COLETOR 3 .AQUECEDOR DE AR 6 .SECADOR/RESFRIADOR ROTATIVO 5 .

.

RESFRIADOR DE LEITO FLUIDIZADO 6 .SAÍDA DE AÇÚCAR SECO 7 .SECADOR TAMBOR ROTATIVO 3 .SAÍDA DE AÇÚCAR SECO 4 .LINHA DE SAÍDA DE AR Figura 23 .CÂMARA DE LAVAGEM DE PÓ 10 .EXAUSTOR AR QUENTE 9 .VENTILADOR AR QUENTE 8 .COLETOR DE PÓ SECO 11 .AQUECEDOR DE AR 5 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR 1 .ALIMENTAÇÃO AÇÚCAR ÚMIDO 2 .Resfriador de Leito Fluidizado 11 .

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Exaustão de ar Açúcar Coletor de pó Ar seco Açúcar seco e resfriado Ar frio Figura 24 .Multitubular .FCB 12 .Leito Fluidizado BMA Ar frio Secador Ar quente Entrada de Açúcar Resfriador Açúcar Ar Rotação Saída de açúcar Rotação Seção “A-A” Seção “B-B” Figura 25 .

A migração desta umidade é lenta e a sua remoção somente é possível por condicionamento do açúcar até o seu equilíbrio com o ar ambiente. a sua capacidade de absorção de umidade. Normalmente. 13 . A umidade no açúcar é composta de: − Umidade livre ou não ligada: envolve externamente os cristais de açúcar. aumentando assim.03 a 0. produzido por um ventilador de capacidade adequada. O excesso dessa umidade migra por difusão até atingir o equilíbrio com a umidade do ar ambiente. Mais adiante serão simuladas algumas situações encontradas na prática envolvendo os principais parâmetros que regem o processo de secagem de açúcar. A evaporação da água se dá a pressão atmosférica por secagem convectiva. para a qual se necessita de uma determinada quantidade de calor suficiente para transformar o líquido em vapor.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR 3 Processo de Secagem A secagem de açúcar consiste basicamente das etapas de secagem propriamente dita e resfriamento até a temperatura de ensaque por um fluxo de ar. − Umidade interna ou ligada: incorporada internamente ao cristal de açúcar.05% para açúcar cristal. na qual o ar absorve a umidade (na secagem) e o calor contidos no açúcar (no resfriamento). possível de ser removida em secadores até uma umidade residual de 0. não há necessidade de pré-aquecer o ar. pois o próprio açúcar úmido vindo das centrífugas é quente e contém uma quantidade de calor suficiente para evaporar a água e aquecer o fluxo de ar no interior do secador. A umidade do açúcar é removida por evaporação. O pré-aquecimento do ar às vezes é feito em dias de umidade relativa do ar ambiente muito elevada e/ou temperatura ambiente muito baixa.

com o ambiente mais seco. possui uma umidade de equilíbrio. O açúcar cristal. Por estas razões é importante que o cozimento e a cristalização sejam conduzidos de forma correta. por ser lenta. pode causar problemas posteriores. Se o ar ambiente se tornar mais úmido. como qualquer outro material natural ou não. como empedramento durante o armazenamento e dificuldades no manuseio a granel. de acordo com a umidade relativa do ar. quando não absorve nem fornece água para o ambiente. Verificou-se que esta umidade sempre é mais elevada em cristais conglomerados e cristais contendo açúcares redutores na película superficial. o açúcar se tornará mais seco fornecendo água ao ambiente. A migração desta umidade ligada. O açúcar cristal pode ser considerado em equilíbrio com o ar ambiente.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR − Umidade oclusa ou inerente: contida no interior do cristal na forma de oclusões em forma de “bolsas de mel” que somente poderão ser removidas ou por moagem ou por dissolução. Uma curva característica para açúcar cristal está representada na Figura 24. 14 . o açúcar absorverá água aumentando sua umidade e no caso inverso.

a) Efeito da Temperatura 15 . da sua pureza. temperatura e no caso do açúcar.Curva Típica de Umidade do Açúcar em Relação à Umidade Relativa do Ar As curvas de equilíbrio de umidade. são características não só do material propriamente dito.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 24 . mas também da sua granulometria. também chamadas de isotermas de adsorção.

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR b) Efeito da Pureza c) Efeito da Granulometria Figura 25 .Curvas de Equilíbrio de Umidade em Função de: a) Temperatura. c) Granulometria 16 . b) Pureza.

4 Temperaturas do Açúcar no Ensaque 17 . é enviado a um sistema de recuperação de pó (a úmido e/ou a seco).CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR É imprescindível que o açúcar. após secagem e resfriamento é enviado para o ensaque. Figura 26 . carregado de pó de açúcar. após secagem. A incidência do amarelamento é minimizada à temperatura de ensaque abaixo de 40°C como é mostrado na Figura 26 a seguir. seja resfriado imediatamente a uma temperatura próxima à do ar ambiente e removido o excesso de umidade livre. e o ar servido. o açúcar entrará em equilíbrio com o ambiente permitindo que seja ensacado e armazenado convenientemente sem apresentar problemas posteriores de empedramento e amarelamento. Desta forma.Variação da Reflectância do Açúcar Cristal com a Temperatura O açúcar.

:Temperatura de alimentaçao: 95° C  ∆t = 55° C Temperatura de ensaque : 40° C  A condição acima não é possível de ser alcançada na maioria dos secadores. ~ Ex.: Produção de 10. Os principais fatores que acarretam temperaturas muito elevadas no ensaque são: Instalações subdimensionadas − Produções de açúcar acima da capacidade de projeto do equipamento. 18 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR O açúcar armazenado a uma temperatura acima de 40°C tem a tendência de amarelar e se aglomerar com o tempo.muito elevada! − Necessidade de redução de temperatura maior que a de projeto.000 sacos/dia: • Temperatura entrada : 70°C • Temperatura saída : 40°C O mesmo secador operando com 10. Ex. para uma determinada capacidade.000 sacos/dia: • Temperatura entrada : 70°C • Temperatura saída : 52°C . o açúcar deveria ser alimentado no máximo à uma temperatura de 70°C.000 sacos/dia em secador de 6. Secador operando com 6. Portanto para um t de projeto do secador = 30°C. em prejuízo à sua qualidade.000 sacos/dia.

19 secador rotativo deficiente devido à .0 m/s a secagem é deficiente e acima de 1. dependendo das temperaturas do ar e umidade do açúcar desejado no ensaque. Ex. a menos que o secador seja alimentado a temperaturas mais baixas.5 m/s. • Bica de alimentação do açúcar.5 m/s o arraste de açúcar é elevado. • Válvula da moega de "caroços" aberta.: Com velocidade do ar = 0. o tempo de retenção é diretamente proporcional ao comprimento do tambor e inversamente proporcional ao n° de rotações e à inclinação do tambor. − Entradas de ar falso Exemplos de entrada de ar falso: • Vedação corpo do cilindro do secador rotativo com moega de ensaque. No secador rotativo. da ordem de 55° a 60°C.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Instalações operando inadequadamente − Vazão de ar insuficiente Em secador rotativo a velocidade do ar no seu interior deve se situar entre 1. − Cascateamento do açúcar no interior do distribuição e geometria das aletas. − Tempo de retenção insuficiente Valor recomendado: 5 a 10 min.6 m/s o secador poderá estar operando abaixo de sua capacidade sendo difícil resfriar o açúcar a temperaturas abaixo de 40°C. abaixo de 1.0 e 1.

minimizando assim ou até eliminando o vapor na lavagem. O ideal seria vapor a 5 kg/cm2 saturado. Com aletas circulares o recobrimento atingido é praticamente total. Ex. 150° .: Com a utilização de superaquecido (~ 300°C). promovendo assim o contato intenso entre ar e açúcar. obtém-se uma temperatura de ~ 270°C. Temperaturas do açúcar muito elevadas na alimentação do secador São diversas as causas que resultam em temperaturas elevadas na alimentação do secador/saída das centrífugas: − Temperaturas elevadas do vapor na lavagem do açúcar nas centrífugas. 20 .180°C. otimizando a eficiência térmica do secador. tendo-se observado uma melhoria nas condições de secagem/resfriamento do açúcar em comparação com outros tipos de aletas. o contato do ar com o açúcar ficará prejudicado. Com um recobrimento parcial. vapor de 21 kg/cm2.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Ideal é o recobrimento total da secção transversal do secador formando uma cortina uniforme de açúcar. reduzido a 10 kg/cm2. ainda excessivamente elevada. havendo formação de caminhos preferenciais para o ar. de por exemplo 40%. verificou-se que o tempo de lavagem com vapor deve ser o mínimo possível limitado a no máximo 1 min. − Tempos de lavagem com vapor excessivamente longos nas centrífugas Para evitar temperaturas muito elevadas do açúcar nas centrífugas. Uma boa opção seria a utilização de água superaquecida para a lavagem do açúcar.

exige operação eficiente do secador de açúcar. caso contrário. 21 .0% 0.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Açúcar muito seco na alimentação do secador A evaporação da água contida no açúcar. Este fenômeno é chamado de resfriamento evaporativo. acima de 1.0% o manuseio do açúcar se torna mais problemático. Uma umidade elevada do açúcar quente na saída das centrífugas. com determinado teor de umidade em equilíbrio com o ar ambiente a uma determinada umidade relativa. o açúcar pode não atingir a umidade necessária no ensaque.Redução de Temperatura do Açúcar em Função do Evaporativo (Cálculo) Resfriamento Umidade do açúcar 1. 5 Considerações Sobre Qualidade do Açúcar no Setor de Secagem e Armazenamento Condicionamento do açúcar . provoca na retirada de uma quantidade razoável de calor do mesmo.0%.5% a 1.3% Abaixamento da temperatura pela evaporação da água 25°C 17°C 8°C 5°C A faixa ideal de umidade do açúcar após centrifugação é 0. Tabela 13 .5% 0.é definido como sendo um açúcar.5% 1. em função do calor latente de vaporização da água (550 kcal/kg água).

Agitação mecânica em vácuos tende a minimizar a formação de conglomerados. a fim de remover o excesso de umidade tanto interna como externa aos cristais. A finalidade do condicionamento é obter um açúcar com características de fluir livremente sem tendência de empedramento durante a armazenagem. durante determinado período. Nas usinas brasileiras o açúcar ainda não é submetido a um condicionamento. a 22 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Condicionamento do açúcar geralmente é conduzido pela passagem de ar através do açúcar com uma umidade relativa entre 30 e 50% e 25 a 35°C. Se torna mais difícil atingir um bom condicionamento. Portanto. se a cristalização foi mal conduzida durante o cozimento. Por este motivo. principalmente com formação de elevado teor de conglomerados. é primordial que as massas cozidas estejam praticamente isentas de conglomerados. o que pode tornar problemático o seu armazenamento em silos grandes por um período relativamente extenso.

isto devido às condições climáticas rigorosas. o teor de umidade do cristal em equilíbrio com o ambiente é função da sua pureza e da umidade relativa do ar. que cada cristal após centrifugação é envolvido por uma película muito delgada de xarope de alta pureza.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR tendência nas usinas é secar e resfriar o açúcar o mais próximo possível das condições de equilíbrio. cristais conglomerados são mais "higroscópicos" do que um conjunto de cristais isolados e bem formados.000 a 80. Normalmente a alimentação do açúcar é feita no topo do silo e a descarga é feita pelo fundo por roscas transportadoras ou parte por gravidade e parte por roscas. Se a pressão de vapor do ar for maior que a pressão de vapor da película de xarope. Por esta razão. Na maioria das usinas no exterior. − Temperatura ambiente. próximo portanto. com sistema de condicionamento de ar. horizontal com fundo inclinado. à temperatura Já foi mencionado anteriormente. e que o comportamento do cristal em relação ao ambiente depende dessa película. o açúcar absorverá umidade do ar até chegar ao equilíbrio. 23 . Existem várias formas geométricas de silos como cilíndrico vertical. ou seja: − Umidade do açúcar correspondente ao equilíbrio com uma umidade relativa do ar abaixo de 60%. isolamento térmico e aquecimento térmico na parede. tipo domo. normalmente todo o açúcar produzido é armazenado em silos com capacidade para armazenamento de 10. ou seja. A presença de impurezas no interior do cristal diminui sua pressão de vapor e resulta em um açúcar mais higroscópio.000t cada. do açúcar abaixo de 40°C para evitar amarelamento. preferivelmente abaixo de 35°C.

Tem sido recomendadas por diversos autores da literatura especializada. instalados em locais aonde o açúcar seco flui livremente. ensaque etc. Medidas para redução de pontos pretos − Isolar transportadores de açúcar. removível para limpeza. − Evitar queda de gotas de mel ou massa sobre o açúcar centrifugado. pela eliminação de vazamentos nas centrífugas. Nota-se que na maioria das vezes as aletas retas e aletas retangulares com ou sem ranhuras no seu comprimento não tem capacidade de recobrir a secção transversal do secador inteiramente. saída do secador. podem ser removidos com razoável eficiência nos separadores magnéticos.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR O material de construção utilizado é aço carbono ou concreto armado. as aletas circulares que proporcionam um íntimo contato ar-partículas em secadores rotativos. através de coberturas apropriadas. Separador de partículas magnéticas As partículas magnéticas presentes em maior ou menor quantidade no açúcar e que tem origem na corrosão dos equipamentos (ferrugem). Em alguns casos é recomendada a instalação de filtros na entrada do secador. 6 Aletas em Secadores de Açúcar São encontrados diversos tipos de aletas em secadores de açúcar. O equipamento mais utilizado é a grade imantada. alimentação de peneiras vibratórias. tamanho e quantidade. 24 . para evitar depósitos de partículas em suspensão no ar sobre o açúcar. − Prever captação de ar limpo utilizado no secador de açúcar. variando sua geometria. por exemplo.

CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Em Usinas de açúcar. as primeiras seções são providas de: 1 seção de aletas planas e perpendiculares ao corpo do secador e inclinadas de 45° a 60° para um transporte rápido de açúcar ainda úmido para o interior do secador. diâmetro e comprimento do secador. As aletas ao longo do secador são divididas em seções e tem inclinação de 20° em relação ao eixo do secador. As partículas quando caem da extremidade da aleta. impedindo que haja um transporte pelo fundo do tambor antes de ter entrado em contato com o ar - depende portanto. O tamanho e forma das aletas devem ser suficientes para assegurar o transporte de açúcar através do movimento de cascateamento. Os critérios de dimensionamento destas aletas são baseados nos seguintes aspectos: A cortina de açúcar deve abranger eficientemente toda a seção transversal do secador . devem ser distribuídas tão espalhadamente quanto possível. rotação. as aletas deste tipo tem demonstrado uma melhoria sensível na eficiência do secador sem prejuízo algum à qualidade do produto. O número de aletas dispostas na periferia do tambor deve ser suficiente para impedir passagem excessivamente grande do ar ou a ocorrência de curto-circuito normalmente 24 aletas na seção transversal do secador. 25 . da produção adotada. 1 ou 2 seções de aletas circulares com inclinação de 35°. Para evitar acúmulo de açúcar úmido na alimentação do secador.adota-se 95%.

000 sacos/dia.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Figura 27 . Dados do projeto Produção de açúcar: 340 sacos/h (50 kg/saco) 26 .Aletas Circulares para Secador de Tambor Rotativo 7 Dimensionamento de um Secador Tambor Rotativo A seguir será desenvolvido o dimensionamento de um secador rotativo convencional para 8.

7% : 0.ar na saída) de 10 a 15°C.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Temperatura de descarga na centrífuga Temperatura de entrada no secador Umidade entrada secador Umidade saída secador Temperatura de saída no secador : 75°C : 70°C : 0.0% de umidade 16.662 kg/h Quantidade de água no açúcar − Alimentação a 0. possível em secadores rotativos.1 Balanço de massa 7. 60% de umidade relativa e 700 mmHg.5 kg/h) 7.1. a vazão mássica de ar seco necessário deverá ser no mínimo igual à vazão mássica de açúcar.1.7 g água/kg aç. seco Para uma redução de temperatura do açúcar de 30°C ou mais e para uma aproximação de temperatura (temperatura do açúcar na entrada .7% umidade − Ensaque a 0. durante secagem (117 kg/h . de ar seco na entrada 17.9 g água/kg ar seco. Considerando o ar entrando em contracorrente a 25°C. ou 12.030 kg/h ou 27 .1 Umidade no açúcar Quantidade de açúcar no ensaque a 0.2 Umidade no ar 117 kg/h 5 kg/h 112 kg/h 6.03% : 40°C 7. teremos: Quant.03% umidade − Água evap.

de calor do açúcar (entalpia) − Alimentação 466.3 kcal/kg aç.662 x 0.608 kcal/h Quant.2.2 Balanço entálpico 7.9 g água/kg ar seco 332 kg/h 19.4 kcal/kg x 112 kg/h) 65.662 kg/h x 0.393 x 37.5 g água/kg ar seco 7.1 Quantidade de calor do açúcar Quant. seco 7.584 kcal/h (16.238 kcal/h (466.738 + 65.2.5) − Calor latente de evaporação (583.0 kcal/kg°C x 70°C) − Ensaque 245.5 + 5 x 1.(245.608)) 9.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR 16.584 .000 m3/h Quant.2 Quantidade de calor do ar (entalpia) Quantidade de calor no ar 28 . de água no ar − Entrada (carta psicométrica) − Saída (220 kg/h + 112 kg/h) 220 kg/h 12. de calor cedido pelo açúcar 155.0 x 37.738 kcal/h (16.393 kcal/kg°C x 70°C + 117 kg/h x 1.

770 kcal/h 6.000 kg ar seco/h) − Saída − Perdas térmicas 248.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR − Entrada (25°C.3 Características do ar na saída do secador Condições do ar na saída do secador: Umidade absoluta Entalpia : 19.7% Vazão de ar na saída: 17.5 m/s o arraste de açúcar fino pela corrente de ar será elevado.0 a 1.3 Diâmetro do secador O diâmetro do secador será calculado de acordo com a velocidade do ar no seu interior que deverá estar na faixa de 1.927 kcal/h 0.57.1°C 7.5 m/s.57 kcal/kg ar seco 12.2.770 m3/h Aproximação de temperatura: [Temperatura do açúcar na entrada] . 60%UR) 105. Acima de 1.21 kcal/kg ar seco (14.0 kcal/kg ar seco x 17.5 kcal/kg ar seco Pela carta psicométrica teremos: Temperatura Umidade relativa : 57°C : 15.9 = 12.080 kcal/h 14.76 kcal/kg ar seco 7. 29 .[Temperatura do ar na saída] = 70 .7 g água/kg ar seco : 14.

770 π x 3.2 4 = 2. Adotando: Rotação do secador .x 10 min 60 min/h -----------------------------. Tempo de retenção .10 min (varia de 5 a 10 min para açúcar).26 7. 2.600 4 2 17.= 3.4 rpm. Dsec = π D sec x 3. Quantidade e tamanho de aletas suficientes para reter 10% do volume do secador em açúcar sem formar camada de açúcar no fundo do secador.3 m3 850 kg/m3 30 .CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Considerando 1.2 m/s. seu tamanho e quantidade. teremos: Vsec = 1.662 kg/h ----------------. além da inclinação do secador.600 x 1. Densidade aparente do açúcar .4 Comprimento do secador Não é muito simples calcular o comprimento útil de um secador e que deverá operar em condições definidas. pois depende da geometria das aletas.850 kg/m3. Calcula-se: Volume de açúcar no interior do secador 16. rotação e tempo de retenção do açúcar.

3 L = 6. 31 . quando indicada pelo fabricante. a capacidade nominal do secador.CENTRIFUGAÇÃO E SECAGEM DE AÇÚCAR Comprimento do secador considerando 10% do volume do secador em açúcar: x 2.L = 8. é conveniente adotar um comprimento maior .0 m.262 ----------. deveria corresponder àquela que garante um resfriamento do açúcar de no mínimo 30°C.x L x 0.2 m 4 Como a vazão mássica de açúcar através do secador não é totalmente contínua e constante. pois depende do sincronismo de operação das centrífugas e da quantidade de centrífugas em funcionamento além de outros fatores. Geralmente.1 = 3.

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