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Causas Da Segunda Guerra Mundial

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Causas da Segunda Guerra Mundial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial (Tratado de Versalhes) deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

[editar] Causas subjacentes

Nacionalismo: Uma das causas mais fortes teria sido o nacionalismo, fonte das agressões da Alemanha, Itália e Japão. Os regimes fascistas existentes à época nestes países, foram sendo construídos com base num sentimento nacionalista. Adolf Hitler e o Partido Nazista usaram o sentimento nacionalista, na altura bastante explícito na sociedade alemã ,de maneira eficaz.Na Itália, a ideia da restauração de um Império Romano era atractivo para muitos habitantes desse país. No Japão, o nacionalismo, como sentimento de sentido de dever e honra, dedicado especialmente ao imperador, tinha já séculos de prevalência.

[editar] Causas na Europa

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Tratado de Versalhes: O tratado pode ser visto como a causa mais importante indiretamente para o início da guerra. Culpando apenas a Alemanha e os seus Aliados pela Primeira Guerra Mundial, o tratado impôs, além de intensos pagamentos por parte da Alemanha aos Aliados, aplicando um forte golpe na economia do país e elevando a inflação a índices astronômicos, um irrecuperável sentimento de humilhação para os cidadãos alemães. Primeira Guerra Mundial: Dito pelo então presidente Norte-Americano Woodrow Wilson, como a guerra para acabar com todas as guerras, não acabou sendo bem assim, principalmente para a Alemanha, que buscava meios de se vingar das humilhações sofridas pela derrota. Como disse Winston Churchill, Essa guerra é, de fato, uma continuação da anterior. Lebensraum: A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria Grande Depressão. Política de apaziguamento. Anti-semitismo. Polónia: Principalmente, com relação ao "corredor polonês (ou polaco)".

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Revolução Russa e o Anti-comunismo. Itália: Uma aliança entre a Alemanha e a Itália é um dos objetivos essenciais contidos no Mein Kampf. Os acontecimentos haviam mostrado quão úteis essas duas potências podiam ser uma à outra. A recusa alemã de participar das sanções contra a Itália diminuiu grandemente a eficiência dessas sanções. E agora os dois Estados estavam lutando lado a lado para esmagar o governo republicano da Espanha. E entre o entendimento a respeito da Espanha e a colaboração num âmbito europeu, ia apenas um passo.

[editar] Causas na Ásia
As relações entre os Estados Unidos e o Japão andavam tensas há algum tempo, e o principal ponto de discórdia eram as tentativas japonesas de colocar a China sob o controle do império do sol nascente, por meios bélicos. A Guerra Sino-Japonesa começara em 1937, provocando protestos americanos, visto que os Estados Unidos tinham fortes interesses na China. A recusa do Japão em dar ouvidos a esses protestos moveu o governo americano a declarar um embargo na exportação de certos produtos para o Japão, inclusive petróleo, o que gradualmente reforçou a disputa. Privados de uma importante fonte de combustível, os japoneses tinham duas alternativas: aceitar um acordo humilhante com uma América pretendendo a inviolabilidade da China; ou procurar petróleo em outro lugar, se necessário pela força.

Grande Depressão
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que . Muitos perderam tudo o que tinham. e morrera no mesmo ano. literalmente da noite para o dia. A Grande Depressão. uma das fotos americanas mais famosas da década de 1930. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Califórnia. Assim. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego. foi uma grande depressão econômica que teve início em 1929. desencadeando a Quinta-Feira Negra. grandes somas em dinheiro. O colapso continuou na Segunda-feira negra (o dia 28 de outubro) e Terça-feira negra (o dia 29). causando grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos. as potencias capitalistas foram divididas em dois grandes blocos: o dos vencidos (tendo à frente a Alemanha e a Áustria) e o dos vencedores (Inglaterra. Principais Causas da Segunda Guerra Mundial Após a Primeira Guerra Mundial e a assinatura do Tratado de Versalhes. quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque. a New York Stock Exchange. elevando assim drasticamente as taxas de desemprego. EUA e Itália). pois não conseguiu ampliar seus territórios coloniais. em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. França. que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais. bem como quedas drásticas na produção industrial. preços de ações. mostrando Florence Owens Thompson. em diversos países no mundo. em Nipono. milhares de acionistas perderam. mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de julho do mesmo ano. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931. embora se encontrasse entre os vencedores. ficou numa posição de inferioridade em relação aos outros três. A Itália. março de 1936. quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países. e que persistiu ao longo da década de 1930. Os EUA. também chamada por vezes de Crise de 1929. Assim. Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente. causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de outubro. mãe de sete crianças. interessados apenas nas suas próprias áreas de influência na América Latina e no Pacífico. de 32 anos de idade. O dia 24 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão. por sua vez voltaram à antiga política de isolamento. terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. caíram drasticamente. a Inglaterra e a França dominaram a Liga das Nações (organização mundial.A fotografia Migrant Mother. e em praticamente todo medidor de atividade econômica.

extensamente sobredeterminada pela lógica interna de cada modo de produção específico. pois tanto o comunismo como o fascismo se apresentavam como alternativas para solucionar as dificuldades do período As causas da Segunda Guerra Mundial: os indivíduos e as classes sociais Ernest Mandel Historiador e economista recém-falecido. milhões de conflitos individuais. reforçadas pela Revolução Russa de 1917. como a história das lutas entre as diversas classes sociais e suas frações essenciais. a história é explicada. A crise econômica de 1929 contribuiu de modo decisivo para aprofundar esse confronto. se fossem exclusivamente individuais. em última análise. O período que se seguiu à guerra caracterizou-se por uma imensa luta entre as forças da esquerda (socialistas e comunistas). Esta concepção da história não está baseada na negação da individualidade humana nem no menosprezo pela autonomia individual. tais relações são.tinha como principal objetivo garantir a paz) e passaram a ditar as regras da política européia. e as forças conservadoras. Era professor da Universidade de Bruxelas e foi prisioneiro de um campo de trabalho nazista durante a Guerra. estrutura de caráter ou valores. Deste modo. obrigada a aceitar as humilhantes condições do Tratado de Versalhes. que permite serem vistos como um paralelogramo real de . do completo entendimento do fato de que um número infinito de pressões individuais tende a criar movimentos aleatórios. Para que a história possua um padrão inteligível e não seja uma mera sucessão de fatos desconexos. A Alemanha. foi o grande perdedor da Primeira Guerra. relações de classe. Nas sociedades divididas em classes. escolhas e direções possíveis parecem ter uma lógica determinada. A visão de que a história é configurada basicamente pelas forças sociais resulta. que tiveram sua expressão máxima no nazismo e no fascismo. necessariamente. Deste modo. precisamente. que se auto-anulariam amplamente. A primazia das relações e dos conflitos entre as forças sociais na determinação do curso da história é um dos pressupostos fundamentais do materialismo histórico. aspectos comuns têm de ser descobertos no comportamento dos indivíduos.

Segue-se nesse contexto que certos indivíduos. inclui as necessidades conjunturais dos grupos sociais. tal como ocorreu a partir de 31 de agosto de 1939. seja por possuírem uma percepção mais clara do que os outros das necessidades históricas de sua classe. podem ter influência incomum na história. Por exemplo. Se homens e mulheres fazem a história. a Alemanha nazista. Do mesmo modo. mas exatamente como conseqüência de suas relações sociais. seja por retardarem o reconhecimento dessas necessidades objetivas. Dessa maneira. de modo paradoxal. qualquer tentativa de repor a lógica da produção escravista (como Hitler tentou fazer) só poderá resultar em dificuldades enquanto persistir a tecnologia atual e a propriedade privada. Personalidades excepcionais não podem mudar a tendência secular dos fatos. também atenuam o papel da maioria dos indivíduos na sociedade. essencial. mesmo após ter subjugado toda a Europa. Isto ocorre independentemente de sua vontade ou de suas intenções declaradas. elas podem impor decisões que. Aqueles que negam a primazia das forças sociais na configuração do destino humano. É isto o que acontece na história real.forças. O déspota mais poderoso do mundo não pode escapar às implacáveis demandas da acumulação do capital. um processo que levaria anos. é obvio. entre os grandes movimentos seculares da história e as variações de prazo mais curto no desenvolvimento histórico. Hitler não pretendia reduzir o poder da classe dominante alemã à metade do Reich. na determinação do curso da história. materiais e sociais. a curto prazo. à medida que interpreta erroneamente seus interesses reais ou não prevê as conseqüências objetivas de suas ações. Quando o materialismo histórico afirma a primazia das forças sociais sobre as ações individuais. nem o talento individual nem a sede de poder podem alterar os limites da correlação material (sócio-econômica) de forças. não como super-homens. favoreçam ou contrariem os interesses das forças sociais que supostamente representam. Através de sua influência. dadas as respectivas forças produtivas da Europa capitalista e dos Estados Unidos em 1941. é sempre com uma certa consciência que pode. certas personalidades podem influenciar a história. a não ser que incorporasse com êxito todos os recursos naturais e industriais da União Soviética. Só em circunstâncias nas quais a vasta maioria tenha sido excluída do fazer história. não teria nenhuma chance de vencer uma guerra contra o vasto poder econômico da América do Norte. ser uma falsa consciência. Hitler e as causas da Guerra A distinção. Nos limites globais. poucos "grandes homens" podem ser dotados do poder de configurar eventos. na liderança de movimentos sociais. que resulta da estrutura da propriedade privada e da competição no mundo capitalista. mas essa perda de poder e de território foi precisamente a conseqüência da sucessão de eventos desencadeados pela invasão da . é apenas uma aproximação elementar da relação entre forças sociais e indivíduos na configuração do curso dos acontecimentos. Uma categoria adicional. sujeitas a um número finito de resoluções e conseqüências possíveis. não nega que certos indivíduos podem desempenhar papéis excepcionais.

Daí a necessidade de pilhar as economias adjacentes e procurar escalas continentais de organização industrial. da maioria da classe dominante alemã. é verdade indubitável. Por isso. desejando preservar as estruturas e os valores básicos do regime capitalista: uma linhagem colaboracionista que vai de Ebert a McDonald. já no ano de 1932. cada vez maior. de desencadear a guerra antes que as enormes forças produtivas do capitalismo americano tivessem sido mobilizadas e enquanto a Alemanha ainda desfrutava de certas vantagens em blindados e aeronaves modernas. apesar de seu orgulho cultural e suas tradições de sustentáculo da "lei e da ordem". 2) o ônus do rearmamento maciço conduziu a uma crise financeira mais profunda no capitalismo alemão. Disparada a ação dessa estratégia e iniciado o rearmamento maciço. de Hitler. O fato de que a classe dominante esteve mais ou menos unificada no projeto de modificar agressivamente a divisão mundial do poder econômico não foi certamente acidental. colocar o seu futuro nas mãos de um aventureiro negligente. mas também os Estados Unidos —. tardiamente. em troca. Esses fatos. que procuraram bloquear a suserania alemã sobre a Europa e sua conversão numa potência mundial. As reservas em moeda tinham quase desaparecido e o pagamento de juros sobre a dívida nacional tinha-se tornado um peso insuportável. bem como uma alternância ciclotímica entre indecisão paralisante e hipervoluntarismo. Era impossível continuar com a taxa de militarização sem a integração de recursos materiais adicionais aos estoques quase exauridos. Essas avaliações. foi uma decisão. fundamentalmente. O seu "destino manifesto". para toda a liderança nazista. se a decisão final de ocasionar a Wehrmacht em 1o de setembro de 1939 foi sem dúvida de Hitler. A invasão da Polônia. a tentação. a burguesia escolhe suas lideranças políticas dentro de sua própria classe. foram condicionadas pelas contradições internas do imperialismo alemão. além disso. monomania. enquanto indivíduo. a burguesia tem tentado repetidamente resolver os balanços desfavoráveis do poder de classe recorrendo à liderança parlamentar dos líderes trabalhistas reformistas. a Léon . Naturalmente. comparáveis àquelas dos Estados Unidos ou da União Soviética. Em períodos de crise. oportunismo hábil. a guerra tornou-se virtualmente inevitável devido a dois fatores: 1) o rearmamento reativo dos principais rivais capitalistas da Alemanha — mais imediatamente. a curto prazo. A Alemanha chegou. incluíram uma série de ações que não representavam a única escolha possível para o bloco social-nazista. os círculos principais da classe capitalista alemã tinham decidido — em consideração aos seus interesses conjunturais — que a única saída para a crise econômica da Alemanha era estabelecer a hegemonia sobre a Europa ocidental e central. possuía uma responsabilidade imediata. de maneira surpreendente. o impulso em direção à guerra nasceu das avaliações. para o qual Hitler. portanto. à arena das grandes potências para adquirir um império colonial fora da Europa que correspondesse a sua importância no mercado mundial. acentuadas pelas crises sucessivas de 1919/23 e 1929/32. a Inglaterra. provavelmente não foi acidental o fato de a classe dominante alemã. sob circunstâncias normais. que vinham de fora da Alemanha. Mas também é verdade que. Ela expressou. Por isso.Polônia no dia seguinte. Portanto. as facetas contraditórias de sua personalidade: temeridade. A influência política desproporcional dos junkers — um resultado do fracasso das tentativas do século XIX de uma revolução democrático-burguesa na Alemanha — acentuou os aspectos ousados e arrogantes da política externa alemã e ampliou o suporte para a expansão militar. entretanto. foi interpretado como a busca da reposição de um império na Europa.

Sem essa estrutura mental que tem origem na experiência do trabalho na fábrica e na exploração em larga escala. A psicologia social e a análise marxista A mentalidade de bandido tornou-se característica de certas camadas da sociedade alemã entre 1918 e 1919. desse modo. as greves por parte da pequena burguesia são extremamente raras). centenas de Hitlers e Himmlers em potencial circulando na Alemanha após 1918 — muitos deles com feições ideológicas e de caráter quase idênticas àquelas do futuro Führer. é. e. Na verdade. Trotsky caracterizou de forma competente os aventureiros deste tipo como wildgewordene kleinbürger (pequeno burguês tornado selvagem). em termos de valores tradicionais. Mesmo a monomania de Hitler sobre os judeus pode agora ser vista como uma demência difundida entre os estratos reacionários da sociedade alemã. patrocinar uma autoridade tipo Hitler implica circunstâncias muito excepcionais: uma profunda crise sócio-econômica que produz tensões sociais generalizadas de caráter pré-revolucionário. insistiu corretamente na importância da solidariedade e do auto-sacrifício como características componentes de uma clara mentalidade proletária. muito menos. Wily Brandt e Helmut Schimidt. foi a crise social mais ampla da qual o "tipo Hitler" foi apenas um epifenômeno. as greves e outras ações coletivas do proletariado seriam quase impossíveis (ao contrário. o produto de uma concatenação específica de circunstâncias: a ruína dos pequenos lojistas. havia. a maneira pela qual o Terceiro Reich emergiu do colapso da República de Weimar e pavimentou a estrada para outra guerra mundial foi determinada apenas em certa medida pelos talentos e debilidades particulares de Hitler como político individual. Spaak. no mesmo sentido. mesmo quando expressam uma falsa consciência que distorce ou interpreta incorretamente interesses objetivos. mais especialmente da pequena burguesia. enquanto um tipo de caráter político. as quais medeiam os interesses. literalmente. os estratos declassés de todas as classes sociais. Hitler. Os conceitos de mentalités ou estruturas de sentimento. Clement Attlee e Van Acker. Incomparavelmente mais significativa. em novembro de 1918. Porque ela obteve o endosso das classes dominantes? Primeiro é necessário entender o papel das estruturas mentais coletivas. Assim. a superprodução de acadêmicos etc. a destruição de pequenas organizações financeiras. Para uma classe burguesa poderosa. terminando provisoriamente com François Mitterrand. em termos humanos ou materiais. lançam um grande número de caráteres desesperados com o propósito de "resolver os problemas da nação" indiferentes ao custo. têm uma genealogia independente no pensamento marxista clássico. insistiu sobre o fato de que os trabalhadores.Blum. vivendo nas grandes cidades e labutando nas novas fábricas dos . A psicologia social deve ser uma instância necessária na interpretação marxista do processo histórico e deve elucidar como mentalidades específicas apoderam-se de um dado grupo social. agora tão úteis na história social ou nos estudos culturais. o desemprego em massa da casta dos funcionários públicos. Engels. Sob tais condições de crise excepcional. Kautsky. os receios competitivos anti-semitas de médicos e advogados de poucos clientes. A mentalidade de gângster já era claramente visível na formação dos Freikorps. portanto.

não podem diretamente dar forma às transformações sociais envolvendo milhões de seres humanos. ciganos. étnicas e mesmo gastronômicas. comprova tanto uma práxis de resistência cultural como a manutenção de mentalités características. em última análise. tribos de todo o mundo etc — apegam-se tenazmente às tradições lingüísticas. ou mais. dirigida por Horkheimer. Podem apenas criar potenciais ou disposições para tais desenvolvimentos. palestinos.anos 1880 e 1890. senão opostos. A maneira pela qual grupos especialmente oprimidos — judeus. No caso da famosa análise da Escola de Frankfurt sobre o sucesso do hitlerismo. porém. esse tradicionalismo defensivo pode ser repentinamente revertido em favor da assimilação quase fanática e mesmo da superidentificação com a cidadania recentemente adquirida ou do status nacional. o tema central é a suposta ambigüidade das estruturas autoritárias na sociedade alemã. nos anos 30. afinal. Mas esse tipo de estrutura mental geralmente persiste apenas enquanto o meio social básico é composto pela pequena burguesia pobre. Ao mesmo tempo. mesmo não estando ele em condições de investigar sua precisa natureza. idéias. Paixões individuais e impulsos inconscientes. porém podem ser notadas tendências contemporâneas entre os elementos da jovem burguesia negra dos Estados Unidos ou entre os segmentos anglófilos da classe média indiana expatriada. O fracasso fundamental desta ambiciosa reconstrução tem origem menos na interrogação de Freud do que na sua apropriação mecânica do marxismo. Trotsky. determinam o desenvolvimento histórico. as quais. sido enfatizado por Engels meio século antes. do que ideologias espontâneas e disposições inconscientes. havia sido simpático aos esforços da psicologia profunda em teorizar a origem e a dinâmica daqueles impulsos. Quando a ampla emergência do capitalismo irrompe nas antigas estruturas da opressão nacional ou étnica — mesmo se a discriminação mesquinha e o preconceito sobrevivem —. as quais fortalecem a identidade e o respeito próprio contra a extensa violência e indignidade. Que linha de desenvolvimento ou ação será efetivamente empreendida não pode ser prevista pela análise desses próprios impulsos inconscientes. Não apenas classes mas também grupos étnicos podem manifestar estruturas mentais coletivas distintas. A real debilidade da Escola de Frankfurt foi sua incapacidade em compreender os elos de mediação cruciais na dialética da infra-estrutura e superestrutura. A Escola de Frankfurt. Mas como pode esta análise sócio-psicológica (nós preferiríamos dizer sócio-individual) fornecer uma explicação para fatos como a habilidade da mesma classe trabalhadora . os resultados históricos reais dependem das lutas sócio-políticas concretas. tentou amplamente desenvolver uma psicologia social através da síntese de idéias de Marx e Freud. é muito mais provável que tais paixões criem disposições para desenvolvimentos completamente diferentes. religiosas. O exemplo clássico dessa transformação ocorreu no século XIX no seio da burguesia judia assimilacionista da Europa ocidental. O papel dos impulsos inconscientes no comportamento social do homem havia. As atitudes admiravelmente não conformistas e antiautoritárias da nova classe trabalhadora alemã para com o regime de Bismarck — especialmente a que foi revelada pela resistência maciça à lei Anti-Socialista (Sozialistemgesetz) — confirmaram a emergência de uma nova mentalité. por sua vez. estratégias e restrições materiais tanto quanto. negros. por mais que determinem a personalidade. as quais envolvem não apenas processos inconscientes mas também conscientes. formam a primeira classe na moderna sociedade alemã que escapou à estreita perspectiva conformista. Mais propriamente.

do que nos anos anteriores a 1933! Mais uma vez. Em segundo lugar. limitam a esfera autônoma do fator individual. No caso da queda da III República. de fato. com exceção de alguns deputados comunistas que haviam sido privados de seus direitos civis pela sua oposição à "falsa Guerra". foi um parlamento supostamente de "ala esquerda" que decidiu. necessitam de talentos de natureza específica. Depois da derrota do corpo principal das forças francesas em maio-junho de 1940. "a sorte das nações depende freqüentemente dos acidentes de segundo grau". Como isso pode ser explicado? A ascensão de Pétain não foi de maneira alguma a conseqüência inevitável da vitória dos tanques alemães. alguns ou mais indivíduos que personificam esses talentos estão disponíveis como candidatos para se tornarem os novos líderes de seu partido. nem suas frustrações sexuais menos marcantes nas décadas que precederam 1920. substituir a República pelo État français de Pétain. quer dizer. Plekhanov e o papel dos "grandes homens" na história A teoria marxista dos clássicos acerca do papel do indivíduo na história foi esboçada por Plekhanov em seu famoso ensaio que leva o mesmo título. Geralmente. um tipo particular de liderança. as classes sociais. como Hegel insinuou. ter tido sucesso. Sob tais condições e. as peculiaridades pessoais dos indivíduos podem influenciar o tipo de organização e de liderança de classe que estão disponíveis. mas somente a usurpação da . A história da Segunda Guerra Mundial fornece amplas ilustrações da perspicácia das teses de Plekhanov. embora a infra-estrutura das relações de produção imponha certos limites materiais sobre a luta de classes. o texto de 1898 de Plekhanov é.alemã. em momentos de crise. especialmente. em desencadear a greve geral mais bem sucedida na história contra o golpe de Von Kapp-Von Luttwitz? Certamente sua formação não tinha sido menos autoritária. nos pontos históricos decisivos ou nos momentos de crise. por esmagadora maioria. essas tentativas de reduzir o peso decisivo das forças sociais na determinação da história realmente suavizam o papel das idéias e das personalidades muito mais do que faz o materialismo histórico clássico. em 1920. Embora freqüentemente associado a um marxismo reducionista. nós podemos entender como os indivíduos com talentos ou inclinações particulares podem sobressair-se por si próprios. mas esses "acidentes" estão entrelaçados com correlações particulares de forças sociais e materiais as quais. que fracassou na greve contra Hitler em 1933. em troca. uma análise notavelmente sutil e atualizada. apesar dos aspectos instintivos ou infantilizados da psique humana. Ele desenvolve a tese básica de que. classe ou nação. Somente quando esta dimensão da vontade racional é admitida no complexo paralelogramo de causação histórica. o caminho através do qual são na verdade expressos tais limites se dá sempre na forma de uma refração através dos papéis particulares das organizações de massa e de suas lideranças. pouco mais que uma década antes. outras linhas de ação eram facilmente concebíveis. Primeiro. Os marxistas entendem que. as pessoas podem compreender as exigências de sua situação histórica e agir de forma amplamente congruente com seus interesses objetivos. Plekhanov ainda acrescenta dois pontos. nesses momentos. paradoxalmente. as personalidades políticas que conduziram a França à capitulação em 1940 haviam sido todas elas amplamente eleitas em 1936.

atitude que o colocou em minoria e o conduziu — contrariando completamente sua natureza — a renunciar. Mas. Tivesse ele chamado Reynaud de volta. tornou mais fácil o êxito de tal manobra. como já observamos. Paul Reynaud havia sido considerado um político obstinado e violento. "Nós precisamos é de Pétain" foi o grito de guerra da extrema-direita desde 1936.democracia francesa por Pétain correspondeu aos instintos majoritários da classe dominante francesa. Como realmente aconteceu. a III República teria sobrevivido por mais tempo. é difícil negar que essa reversão radical das normas e hábitos comportamentais de centenas de políticos — seis ou sete dos quais desempenharam papéis decisivos na tragicomédia — pôde somente ocorrer porque estava de acordo com . Em segundo lugar. tinha de estar disposta a enterrar a constituição da III República. Contudo. 1937 e vinha fazendo intrigas contra a República. Isso também permitiu uma sublimação ideológica da derrota. No entanto. e a tendência geral se tornou hegemônica dentro da classe dominante. muitos dos parlamentares de "esquerda" de 1936). o Presidente da República teve de recorrer a um defensor aberto do regime autoritário — neste caso. inábil. como resultado da derrota atordoante e inesperada das tropas aliadas. todas essas condições foram cumpridas sem hesitação quando surgiu uma necessidade social. até então o presidente Lebrun era de modo geral visto como uma pessoa completamente sem importância. na atávica restauração cultural de Vichy. três condições políticas foram absolutamente essenciais. Paralelamente. que estava determinada a usar a derrota para reparar os reveses e as humilhações da vitória da Frente Popular e da revolta trabalhista de 1936. ele se permitiu ser manobrado numa ambígua votação de gabinete em que pedia não um armistício. Laval estava disponível para essa operação desde. o último gabinete parlamentar dirigido por Paul Reynaud teve de renunciar sem resistência. Charles Maurras. Sob circunstâncias normais. em vez de convocar Pétain. freneticamente. com uma vontade e obstinação totalmente contrárias à sua natureza e possivelmente com a cumplicidade de Reynaud. com seu slogan "Trabalho. Entretanto. esta insignificância decidiu a crucial reviravolta dos eventos de 26 de junho de 1940. mas apenas condições para um armistício com a Alemanha. Na verdade. a maioria do Parlamento. Para ocorrer a transição de uma democracia parlamentar decadente para uma ditadura militar bonapartista aberta. chamou une divine surprise. mesmo que o velho Marechal fosse bastante popular — especialmente entre as celebridades burguesas — sua atuação parlamentar foi limitada antes de maio de 1940. Até o fim de maio de 1940. Também é verdade que a completa desmoralização de muitos parlamentares em junho de 1940. hábil em manipular gabinetes e deputados. ele impôs a ditadura de Pétain. Família. escolha o mais estúpido". sem vontade própria. Em terceiro lugar. senadores e deputados juntos. pelo menos. Pátria". No entanto. ainda que sua repentina candidatura como Primeiro-ministro fosse apoiada por uma maioria esmagadora de deputados e senadores (incluindo. o Marechal Pétain — para formar um novo governo. Primeiro. orquestrados por aquele mestre de intrigas e chantagem. Pétain foi o mecanismo que permitiu a ela alcançar o que seu mais talentoso e reacionário ideólogo. tal reversão radical do balanço de forças sociais e políticas entre trabalho e capital teria sido impossível na França. Pierre Laval. que tinha sido escolhido apenas por sua posição honorária e porque sua personalidade correspondia ao famoso dito de Clemenceau: "se você quer um Presidente.

as necessidades coletivas e desejos conscientes da maioria da burguesia francesa. Alguns o consideraram pró-fascista. através de um diplomático coup de main. Uma conjuntura simétrica. outros mais tarde o condenaram como um simpatizante comunista. como principal ponto decisivo na Guerra. tendo a sua disposição forças desprezíveis. era salvar tanto o capitalismo francês como um Estado burguês independente (e o Império) diante de um balanço de forças muito desfavorável vis-à-vis tanto à classe trabalhadora francesa (armada. Charles De Gaulle e seus colaboradores mais próximos. quando chegou para assinar a rendição incondicional da Wehrmacht em 1945. estavam providencialmente disponíveis para empreender esta operação de salvamento. como chefe de um governo de coalizão incluindo o Partido Trabalhista. Em junho de 1944. ele permaneceu marginalizado. No entanto. enquanto suas virtudes não corresponderam às necessidades autodefinidas da burguesia francesa. julgou corretamente as necessidades do capitalismo francês (e. os Aliados ainda estavam prontos para impor uma ocupação militar à França. o problema para a maioria dos capitalistas franceses. Para aquela classe. não teve outro comentário a fazer ao Comando Aliado reunido do que a exclamação: "Mas como. não apenas na França. Roosevelt — o consumado corretor de ações na história americana moderna — ridicularizava com freqüência De Gaulle e suas pretensões de vanglória. Mas. Churchill indubitavelmente incorporou a decisão inabalável da classe dominante britânica e da larga maioria do povo inglês em não capitular à Alemanha sob quaisquer circunstâncias. mas oposta. em vez de partir de uma análise das atividades das forças sociais mais amplas. ao romantizar seus atributos pessoais. Uma mudança radical do pessoal político e das alianças estava novamente na ordem do dia. internacional) e obteve êxito ao estabelecer. mas derrotar as conquistas reformistas do movimento trabalhista francês. se admiradora ou crítica dos prévios papéis históricos de Churchill. normalmente astuto. Mesmo um político e juiz de renome. que a teria conduzido provavelmente a uma guerra civil ao estilo grego ou pior. tem sido quase unânime em elogiar sua mudança para Downing Street. com uma mente brilhante e uma vontade de ferro superior à maioria de sua classe. A historiografia tradicional. antes dos franceses também?" Certamente De Gaulle era uma personalidade excepcional. O caso de Churchill fornece outro tipo de corroboração para a visão de Plekhanov da relação entre personalidades decisivas e as exigências do domínio de classe. 10. Aí. profundamente desacreditados aos olhos das massas por sua colaboração com os nazistas. a maioria dos historiadores burgueses fracassou no teste do exemplo comparativo. naturalmente. um regime parlamentar renascido. era imperativo não apenas trocar de lado no meio da Guerra. De Gaulle. incorporando a Resistência Comunista. A questão central não é quais . aparentemente miraculosa. como resultado do avanço da Resistência) como às autoridades anglo-saxônicas. surgiu quando a classe dominante francesa defrontou-se com a iminência de um desembarque dos Aliados. O arrogante e inepto Marechal-de-campo Keitel. considerado meio louco e um aventureiro perigoso. mas no resto da Europa. Que ela tenha tido êxito foi uma surpresa para muitos contemporâneos acostumados aos líderes franceses pusilânimes. como Franklin D. Novos "homens predestinados".

Embora esses mecanismos de seleção sejam nacionalmente específicos. novamente. de forma similar. a qual se tinha tornado uma prioridade política mais elevada que a tentativa de derrotar a competição alemã. e politicamente em 1931/35. Prosseguindo sob este aspecto. A burguesia francesa tinha-se tornado derrotista de modo crescente. nem derrotada. a burguesia inglesa não estava nem desmoralizada. fez diferença. certos aspectos comuns . por sólidas razões materiais. De fato. profetizou Churchill corretamente num discurso secreto na Câmara dos Comuns. desde que a Inglaterra pudesse vencer a crise imediata. o deserto havia sido preenchido com milhões de pessoas. junto com a matéria-prima e a mão-de-obra do Império. a diferença real entre a situação britânica e a francesa era menos suas condições militares do que as predisposições de suas classes dominantes. economicamente em 1926. Ela já havia reprimido seu próprio movimento trabalhista. mesmo que por um lado destruída nas Ardenas. Com certeza. Através de uma abrupta virada de eventos e de necessidades sociais. distinguiram De Gaulle de Pétain). uma significativa reserva aérea e um Império Colonial intacto. após ter sido considerado durante anos uma figura independente e ultrapassada. uma ampla esquadra na África do Norte — mais forte do que a que os ingleses tinham à sua disposição —. a França. Por outro lado.acidentes de biografia fizeram de Churchill um indivíduo mais decisivo do que Chamberlain (ou. Churchill —. os mais informados observadores — incluindo o Embaixador americano Joseph Kennedy — consideraram a posição britânica como basicamente desesperançada. a elite britânica estava convencida de que a ajuda eventual dos Estados Unidos. sua posição mundial (mesmo se rapidamente sendo ultrapassada pelos Estados Unidos) era ainda mais forte do que a da Alemanha. ela estava obcecada principalmente em conter sua própria classe trabalhadora. De Gaulle. mas o futuro pareceu amplamente garantido. em junho de 1940. enfrentaremos a vitória em três anos". fazia da guerra contínua contra a Alemanha uma estratégia realista. o fato de que as Forças Armadas francesas tivessem acabado de sofrer uma derrota humilhante. Além disso. Ela havia-se mostrado econômica e militarmente incompetente para garantir o sistema de Versalhes na presença do rearmamento e da expansão agressiva da Alemanha. com uma análise mais precisa dos vários mecanismos de escolha e promoção de pessoal político dentro de diferentes classes sociais. Aí está por que. é necessário ampliar o conceito de Plekhanov de "disponibilidade socialmente determinada". Entretanto. O momento era dramático e cheio de perigos. Ao mesmo tempo. "Se nós resistirmos por três meses. ainda possuía uma frota não derrotada (a segunda maior da Europa). ele pôde ser repentinamente ressuscitado como o deus ex-machina de sua classe. uma voz clamando no deserto. A seleção social das lideranças Para se entender esses vários exemplos de seleção de liderança em crise — Pétain. E Churchill foi a escolha quase ideal para fortalecer a decisão inglesa até que os americanos entraram na Guerra. embora a hegemonia de Hitler sobre a Europa tenha comprometido claramente o Império Britânico. enquanto os britânicos foram capazes de evacuar a maior parte de seu exército derrotado para sua fortaleza insular. Mas. mas por que Churchill foi capaz de reunir a maioria de sua classe e o povo em torno de si enquanto De Gaulle permaneceu uma figura isolada na França.

ou fatos exteriores podem todos desempenhar papéis na orientação da escolha pessoal. como ministros. em geral. As classes dominantes raramente permitirão que pessoas ascendam a posições do poder central sem que elas tenham dado garantia prévia de que defenderão. O que atrai uma classe média ou um indivíduo abastado a seguir uma carreira política em vez de profissões liberais ou de negócios? A ambição pessoal. Além disso. presidentes ou ditadores. o processo de seleção envolve testes de vida e morte de força de vontade. ou os seus principais representantes. de precaução e astúcia. Por esta razão. é a divisão funcional do trabalho dentro da classe capitalista. e de suas fileiras reduzidas alguns continuarão a sobreviver aos testes finais de seleção política. dessa elite. as fileiras políticas são selecionadas para que apenas poucos milhares de candidatos seletos sejam enfeitados e promovidos para os níveis de autoridade e poder nacionais. Mas o processo de seleção não é de forma alguma puramente negativo. mais freqüentemente do que se supõe. Naturalmente. Comparada com a vida da classes desocupada — a aristocracia —. as qualidades necessárias em tempos de prosperidade e em tempos de crise. empresários e políticos profissionais surgem lado a lado como fluxos separados de carreira dentro do estrato burguês. A habilidade para entender e articular as necessidades coletivas de classe é vital. Em condições extraordinárias ou de extrema riqueza. Por essa razão. Qualidades positivas têm de ser selecionadas e testadas antes que a classe. embora pela via do círculo dos militares ligados ao ambiente burguês ou aristocrático. de forma responsável. apenas aquela parte da burguesia que não atua diretamente como empresária será capaz. as quais qualificam candidatos para a .podem ser notados entre a burguesia moderna. Mesmo os ditadores militares devem passar pelo crivo do processo de seleção de sua própria classe. muitos luminares locais ou demagogos (pense em Enoch Powell na Inglaterra) jamais chegarão ao topo da estrutura de poder racional. são diferentes. assim como a correspondente capacidade para julgar as relações de força e para formular táticas de acordo com algum plano estratégico. a tradição de família. Habitualmente. o que freqüentemente aparece como força da convicção ideológica é ainda mais o peso da circunstância social e da pressão dos pares. através dessas redes de seleção social (como o famoso "gabinete não-oficial" de patrocinadores ricos de Ronald Reagan). porém. o negócio do lucro é uma profissão extraordinariamente absorvente. O ponto inicial. ou desejará. Do mesmo modo. entre um terço e a metade encontrará algum sucesso nos cargos públicos. a convicção ideológica. Afora isso. as estruturas existentes de propriedade e de acumulação. Nos níveis mais elevados do poder político. primeirosministros. o fracasso em outros campos. pode ocorrer uma união pessoal entre os altos capitalistas financeiros e o topo do aparelho de Estado. Mas isto é uma exceção à regra. aceite uma pessoa como candidato à liderança nacional. Combinações particulares de habilidades. Mais tipicamente. na paz e na guerra. as pressões e circunstâncias sociais pesam decisivamente sobre as disposições individuais. naturalmente. A função da hierarquia de poder é precisamente sua habilidade de eliminar candidatos erráticos ou indignos de confiança. optar por carreiras políticas. os indivíduos são recrutados por grupos iguais ou nomeados pelos superiores para iniciar carreiras políticas ou para ser responsáveis por cargos públicos.

que influenciam a história através de sua práxis individual. o homem certo (ou. no tempo certo. normalmente. "rede de panelinhas" e similares é completamente suficiente. Nenhuma lei automática assegura que uma classe social escolha a liderança que ela precisa. socialmente relevantes. podem na verdade desqualificá-los para o comando em uma outra situação transformada. persiste o caso de que o processo de seleção da liderança é irresistivelmente social e específico de classe. Contudo. em grande parte. Deste modo. a forma real na qual o processo de seleção ocorreu torna quase inevitável que. Y ou Z para posições elevadas. Geralmente a burguesia escolherá aquele que melhor preencha o que ela considera ser as necessidades prioritárias do momento. pode cometer erros na escolha dos "homens predestinados". Mais propriamente. o que torna inevitável uma margem de erro no processo de liderança. impossibilitando um cálculo exato das conseqüências da ação. nada além de instituições sociais. apenas o fazem em virtude de características as quais são primariamente formadas pela sociedade. agrupamentos. a mulher) geralmente será encontrado no lugar certo. salons. haja sempre no mínimo quatro ou cinco líderes centrais disponíveis para implantar soluções completamente diferentes. após todas essas qualificações e esclarecimentos serem admitidos. Além disso.liderança em uma conjuntura. os altos monopolistas — ou alguma rede mais ampla de poder de intermediários dentro da classe dominante — estabelecem barreiras suficientes e testes preliminares para assegurar que os defensores dos interesses da classe dominante que sejam "fracos de caráter" ou "indignos de confiança" não passarão o limiar do poder de Estado. A verdadeira plasticidade das disposições biológicas ou psicológicas significa que uma personalidade individual formada definitivamente apenas emerge após muitas forças ambientais terem operado para preencher certos potenciais enquanto anulam outros. à medida que ignoram o fato de que indivíduos importantes. Mas ambas as aproximações são insatisfatórias. . A burguesia. ocasionalmente. isto tem sido traduzido numa contraposição entre fatores biológicos e sociais. Nenhuma coletividade pode sempre ser totalmente consciente da totalidade dos seus interesses de forma completamente objetiva. há sempre certa discrepância entre os interesses de classe a curto e longo prazos. em última análise. A Escola de Sociobiologia e a Escola de Psico-história têm desafiado a capacidade do materialismo histórico em explicar a mudança histórica de uma maneira compreensiva. Os substratos biológicos ou instintivos das personalidades apenas criam potenciais os quais estão abertos a uma variedade de desenvolvimentos que depende de contextos sociais mais amplos. Sob essas circunstâncias. Além disso. B ou C. se devido à sua própria práxis política sempre altera a situação em certa medida. o papel dos grupos informais. Nenhuma teoria de conspiração é necessária para entender como isso funciona. o peso tremendo dos interesses privados remove qualquer congruência automática ou completa entre os motivos privados e os interesses de classe. Não é uma questão de altos monopolistas escolherem X. em cada país dado. as quais moldam o indivíduo politicamente relevante através de sucessivos estágios de sua biografia. Mais recentemente. E essas forças ambientais são. na sociedade burguesa. O problema do papel do indivíduo na história tem sido freqüentemente formulado de uma maneira que contrapõe o indivíduo ao grupo social. ao invés de A.

produzindo personalidades que correspondem às necessidades das classes sociais ou de suas frações principais. moldando talentos e disposições em certas direções e não em outras. por exemplo. finalmente. Hitler teve de sofrer críticas severas do seu próprio e relativamente pequeno partido. associações de empregados. Reconhecer esta especificidade histórica da individualidade formada socialmente é apenas admitir um fato empiricamente demonstrável e cientificamente visível e que não necessariamente requer um julgamento de valor. à medida que elas "internalizam" os valores básicos que correspondem à estrutura e aos interesses daquela ordem. Além disso. e em vários pontos ele esteve à beira de perder o controle sobre o seu próprio partido para personalidades como Röhm. e assim por diante. É um truísmo que nenhum indivíduo pode escapar à influência destas instituições poderosas. Mas os marxistas certamente formulam julgamentos e têm tradicionalmente afirmado que uma sociedade na qual o domínio do homo homini lupus prevalece. feudalismo ou socialismo — este impulso primordial pode formar personalidades completamente diferentes com valorizações de auto-estima radicalmente diferentes. o período mais difícil de sua carreira política. uma vez que atingiu o poder instalando padrões de crueldade. Mas em estruturas sociais fundamentalmente diferentes — comunalismo tribal. Elas são. em outras palavras. essas instituições incluem a família nuclear patriarcal. as poderosas fontes do conformismo social. sem dúvida. e é contenda específica do materialismo histórico que elas exercem a influência decisiva na formação da liderança social. e mesmo contrários à natureza humana. antes. As lições que ele aprendeu durante sua luta implacável pela liderança determinaram seu modus operandi. oportunismo e falsidade. corporações. as quais seletivamente promovem candidatos promissores (partidos. do que uma sociedade na qual as relações básicas de produção estabelecem a cooperação voluntária e a solidariedade consciente como valores sociais centrais. Numa sociedade baseada numa produção socializada e democratizada. a fim de estabelecer sua inquestionável autoridade no microcosmo do futuro Terceiro Reich. Isto não é porque a necessidade de auto-afirmação teria sido suprimida. agressivas e destrutivas. a matriz particular das organizações partisans. ela se expressaria através de um sistema inteiramente diferente de comportamento social: competição pela excelência em habilidade artística ou atlética. competição por servir à comunidade sem expectativa de recompensas materiais ou de poder. o impulso para a riqueza e o poder se tornariam socialmente irracionais. as várias instituições estatais através das quais o indivíduo busca o poder e. a direita era uma verdadeira floresta de führers imaginários. Elas geram personalidades que asseguram a defesa e a reprodução de uma ordem social dada. Para o nacionalista alemão.Na sociedade burguesa. todas essas instituições tendem a canalizar o impulso humano básico para a auto-afirmação (Lustprinzip) no sentido da competição individual para a riqueza privada e o poder. Os cavaleiros brancos do apocalipse Impressiona o fato de que os historiadores têm-se inclinado a desvalorizar ou ignorar o processo de seleção institucional na ascensão de Hitler ao poder. produzirá personalidades mais alienadas. competição pelo reconhecimento social. redes de poder. . Muito antes de seu sucesso eleitoral em 1930. Estes anos iniciais foram. entre os quais Hitler era inicialmente apenas primus inter pares. etc). na sociedade burguesa. o sistema de educação (incluindo a instituição religiosa e outros aparelhos ideológicos).

Longe de ser um gângster de nascença. em 1943. Suas funções de curta duração como figuras nacionais decisivas foram o resultado de circunstâncias excepcionais que temporariamente dotaram instituições decorativas com poderes de emergência. quando se evidenciou que a Força Aérea americana poderia destruir as bases urbano-industriais do capitalismo japonês e que não mais havia qualquer possibilidade séria para uma paz negociada. aumentando sua voz através do rádio. impôs a paz sobre os líderes militares intransigentes. Hitler estava inclinado a uma carreira medíocre em arquitetura ou arte. o Imperador — aconselhado por Tsugeru Yoshida e seu círculo de políticos burgueses — habilmente manobrou os teimosos militares para uma capitulação incondicional. enquanto Hiroito. Mas. Repentinamente. ao invés de procurá-la no ambiente social da direita alemã pós-Versalhes. eles não foram capazes de agir contra o seu apelo "divino". ele foi uma figura decorativa. foi facilmente manobrado por seus auxiliares: o Monarca fantoche Vitório Emanuel III e o Marechal Badoclio. Tendo legitimado o militarismo japonês através do culto à divindade do Imperador. mas como um escultor que martela continuamente os blocos de mármore. durante vinte anos. o italiano e o japonês. um mestre da intriga e do frio exercício do poder. foram cúmplices servis do Duce. O Rei e o Marechal. o Imperador Hiroito havia sido um símbolo passivo para o grupo militar que governou o Japão desde meados dos anos 30. colocada em pânico pela Invasão Aliada. A derrota de Mussolini. que nunca se intrometeu nos negócios de Estado ou impôs seus pontos de vista. Mussolini. literalmente. que despojou o líder fascista do seu poder e suporte social. o outrora "Todo-poderoso Duce" foi preso por um punhado de carabineiros. promovendo o Rei de fantoche supino a conspirador principal. foi porque lutou pela conquista da liderança durante uma década numa organização quase clássica de gângsters — o Partido Nazista —.Procurar a origem desses traços na primeira biografia de Hitler. refugiou-se em seu tradicional papel cerimonial. incapaz de mobilizar mesmo algumas centenas de seguidores para defender uma ditadura que havia durado vinte anos! Assim também. de capturar os indivíduos. a fim de . apanhando-os numa contradição político-ideológica inextricável. As necessidades coletivas da burguesia italiana permitiram que a instituição da monarquia (bem como a repentinamente revivida liderança coletiva do Partido Fascista) se reativasse virtualmente de um dia para outro. mas a reversão dramática das fortunas da classe dominante italiana. a transformação de figuras decorativas em detentores do poder foi somente temporária. foi transformado de mera figura decorativa no líder político da classe dominante. Vitório Emanuel e sua dinastia inteira foram rapidamente banidos de cena. não como as aranhas capturam as moscas em sua teia. distorce a verdadeira seqüência de eventos. é outro exemplo impressionante de como forças sociais mais amplas são capazes. Frente à unanimidade da classe dominante italiana. Se ele se tornou o gângster-mestre do século XX. Nos dois casos. totalmente ofuscados por sua inteligência e força de vontade. Não foi nenhum reservatório insuspeito de gênio ou de resolução que lhes permitiu depor Mussolini. Ele. sob a clemência de McArthur. Por tradição. sob circunstâncias imprevisíveis. que não era diferente de organizações como a Máfia da Sicília e dos Estados Unidos.

deste modo. era uma personalidade "hamletiana" que. em nenhum dos casos foi necessário iniciativa ou habilidade pessoal extraordinária: preferivelmente. ou cortar as linhas telefônicas entre o ministério de Goebbels e a casamata de Hitler em Rastenburg. ao contrário dos casos italiano e . por muitos anos. Ainda mais que nos casos japonês. Havia. ao contrário. apoderar-se do controle do sistema de telecomunicações de Berlim. foram expostos à Força Aérea Aliada. de fato. os soviéticos estavam ainda além do Vístula e é impossível dizer que seqüência de eventos poderia ter seguido o sucesso do seu golpe — se teriam ou não tido êxito em apelar para o anticomunismo para dividir o Bloco Aliado. sem falar no major Remer. alternativamente. Incomparavelmente mais importante é a diferença na situação objetiva que os conspiradores alemães enfrentaram. italiano ou francês. foi logrado e manobrado pelo diabólico Goebbels (auxiliado pela admiração pessoal do major Remer pelo Führer)? É evidente que não. a opinião de que Beck. as redes de poder tradicional — ao redor do Conde Acquarone em Roma. sem auxílio. Por volta de 1944. o verdadeiro líder dos conspiradores. O General Ludwig Beck foi. Hiroito ou Goebbels. Quando. o exército ainda não havia sido vencido. Carl Goerdeler. Além disso. Por quê? Deveria alguém aceitar explicações convencionais de que a conspiração sofreu um colapso devido a uma contingência técnica — a colocação errada da bomba de Stauffenberg — ou. Mesmo este planejador hábil e experiente fracassou miseravelmente até em assegurar regras elementares do coup d’état tais como ocupar as estações de rádio. Por quê? Teria ele repentinamente perdido sua ousadia? É difícil crer numa análise do fracasso do golpe que recai sobre as fraquezas pessoais do General Beck ou de seu parceiro político. um desejo unânime da burguesia de seguir uma trajetória de ação clara. Na Itália e no Japão. o exército tinha sido derrotado e os centros urbanos.salvar os aparelhos de Estado da destruição iminente. Havia apenas um caminho aberto para a classe dominante: terminar a Guerra imediata e incondicionalmente. Mas. uma operação de salvamento ainda mais ambiciosa foi tentada após o Desembarque dos Aliados na Normandia. Ele foi um planejador soberbo que. a sobrevivência absoluta de amplas seções da classe dominante alemã — sobretudo a elite prussiana — estava em risco. Na Alemanha. enquanto a Guerra estava obviamente perdida. o Chefe do Estado-Maior. Ele ainda possuía vastos recursos materiais e humanos para sustentar sua capacidade de luta por muitos meses. no caso. comparada com a posição dos conspiradores italianos de 1943 ou com o círculo social do Imperador do Japão durante o verão de 1945. aparece como Gulliver entre os liliputianos. sua ação foi um fracasso. Na Alemanha. o major de Leipzig. Além disso. tornou-se claro para a maioria dos líderes financeiros e industriais alemães — sobretudo para as dinastias junkers prussianas — que a guerra estava perdida e o Reich seria desmantelado a menos que o avanço do Exército Vermelho fosse detido por uma paz separada com os americanos. os conspiradores militares se lançaram contra Hitler em 20 de julho de 1944. e ao redor do Príncipe Kanoye e do Marquês Kido em Tóquio — foram mobilizadas para juntas tecer intrigas sob a vigilância cuidadosa da classe dominante. comparado com Vitório Emanuel. vacilando no momento crucial. responsável não apenas pelo rearmamento eficaz do Reich. mas também pela idealização de muitas das primeiras vitórias militares.

o golpe teria tido êxito em horas. e Ludwing Emminger. não foi o caráter "hamletiano" do General Beck que sentenciou o golpe. a classe dominante alemã enfrentava um perigo particularmente ameaçador: não apenas a perda de parte de seu poder e de sua riqueza. altos funcionários do Ministério Nazista de Negócios Econômicos (sob a proteção de um dos líderes da SS) estavam pacientemente preparando um plano para uma Alemanha pós-guerra integrada a uma economia internacionalmente aberta. a classe capitalista alemã. que era. Enquanto Beck. mas a expropriação e a destruição de sua posição de classe pelo Exército Vermelho. como os italianos fizeram com o Rei e Badoglio.japonês (ou dos primeiros exemplos da França e da Inglaterra). mas as hesitações da totalidade da classe dominante alemã. mudaram sua trajetória em 180 graus. Deve-se ainda observar que o terror nazista. mas. teria dividido o seu Exército e assegurado a guerra civil ou um colapso da linha de frente. Stauffenberg e seus associados estavam preparando o seu golpe. antes. Se o EstadoMaior alemão tivesse apoiado Beck. foi porque compreendeu que. destruiu o potencial que ainda restava aos setores da classe trabalhadora alemã para intervir como força . Não foi o indivíduo que causou o desastre da classe. Nessas condições específicas. o qual ainda desfrutava de imenso prestígio entre as classes médias. Dessa forma. A hierarquia do Partido Nazista tinha-se tornado profundamente desacreditada e poucas pessoas se teriam levantado para defendê-lo contra o Exército. além dos efeitos do arrasador bombardeio dos Aliados. quando se tornou necessário para a sobrevivência de sua classe. Como resultado dessas diferenças estratégicas. outros duvidavam se valia a pena correr o risco do colapso da linha de frente sem garantias prévias dos Aliados. estava dividida quanto à avaliação se os americanos e os ingleses aceitariam um acordo separado. Enquanto alguns clamavam a imediata destituição de Hitler e a capitulação aos americanos. Este último bloco era a maioria. Enquanto eles haviam colaborado com os nazistas durante uma década. baseada em livres movimentos do capital e em um marco conversível — isto é. a qual assegurou a liquidação dos junkers e a perda de quase a metade do Reich alemão. Suas maquinações hábeis contrastaram com o fracasso da Conspiração de Julho. Foi esta divisão — resultante do dilema objetivo do imperialismo alemão no verão de 1944 — que explica a vacilação fatal que levou ao fracasso do golpe. por sua vez. Mas há um epílogo para esse incidente que coloca o destino dos conspiradores do 20 de julho dentro de uma perspectiva irônica. ou ambos. desencadeado por Himmler após o fracasso do golpe. por mais que fizesse. Embora estivesse unida contra qualquer capitulação aos soviéticos e completamente convencida de que algum tipo de capitulação aos aliados anglo-saxões era a alternativa preferida. estava profundamente dividida quanto aos rumos a serem tomados. Se o anteriormente resoluto Beck vacilou no momento decisivo. a classe que impediu o indivíduo de agir com êxito. um reflexo das contradições objetivas e confusões reais. o Exército e o aparelho de Estado ficaram totalmente divididos. Os arquitetos desta visão — compreendida posteriormente como o "milagre da República Federal"— não foram outros a não ser Ludwig Erhard. Havia uma profunda diferença de opinião sobre esta questão nos círculos burgueses alemães. Goerdeler. futuro Presidente do Bundesbank. uma ruptura completa com todas as práticas autárquicas comerciais e financeiras do Terceiro Reich. o futuro Chanceler. em contraste com a italiana ou a japonesa.

Caracterizou-se pela exaltação da força. da guerra e do nacionalismo. a guerra provocou a maior crise que o sistema capitalista conhecera até então: a crise de 1929. que transformaram profundamente a história da Europa. criado por Mussolini. Com suas pregações totalitárias.autônoma para terminar a Guerra. A recuperação dos Estados Unidos se deu com a adoção do New Deal. embora dentro de um Estado de território menor. permitiu à classe dominante alemã emergir 20 anos depois com maior poder industrial e financeiro do que antes. que transformou os norte-americanos nos principais fornecedores de armas e munições para os países da Tríplice Entente e seus aliados. . A situação social de fome. o socialismo e o marxismo. facilitou a ascensão de Hitler. miséria e desemprego. agrupava elementos de várias tendências políticas. o único que enriqueceu. A crise mundial de 1929. as frágeis democracias de alguns países europeus foram substituídas por regimes políticos de extrema-direita. Na segunda década do século XX. Na Alemanha de pós-guerra. Mussolini conseguiu convencer os grandes capitalistas. que durante o governo do ditador Stalin atingiu um grau de repressão e violência jamais visto na história da Europa. O rumo preparado por Erhard e Emminger. caracterizada pelo intervencionismo estatal. notadamente a bélica. O maciço afluxo de mais de 10 milhões de refugiados da Prússia oriental e outros territórios alemães perdidos criou um imenso exército industrial de reserva que manteve os salários baixos durante 15 anos e preservou as altas taxas de lucros originariamente geradas pela redistribuição da renda entre as classes. principalmente devido ao crescimento extraordinário de sua produção industrial. a nova política econômica do presidente Roosevelt. e negava o racionalismo. operários e a classe média. foi causada por uma crise de superprodução e pela falta de interesse dos grandes capitalistas em avaliar os efeitos da crescente produção agroindustrial norte-americana. Não poderia haver ilustração mais convincente de como a astúcia da história funciona através da apropriação dos talentos individuais pelas necessidades de classe. Do ponto de vista econômico. a inflação e o desemprego reduziam à miséria camponeses. como o fascismo e o nazismo. da violência. criou em algumas nações européias as condições necessárias para a implantação das ditaduras de direita e de esquerda. rejeitava a democracia. com exceção dos Estados Unidos. na ditadura nazista. de que o fascismo seria a melhor solução para o crescimento nacional e para a neutralização dos movimentos operários. implantou-se na Rússia um regime totalitário de esquerda. O fascismo. iniciada com a quebra da Bolsa de Nova York. o liberalismo. dentro dos limites de um dado modo de produção. Essa situação. homens de negócios e industriais italianos. Segunda Guerra Mundial O PERÍODO ENTRE GUERRAS Como consequência da 1ª Guerra Mundial. a guerra arruinou até os países vitoriosos. bem como as constantes crises econômicas e políticas do pós-guerra. patrocinado pelo imperialismo americano e tolerado inicialmente por Stalin. que prometia ao povo desesperado salvar o país dos efeitos da guerra. De maneira geral. somada ao fato de o governo se mostrar incapaz de solucionar os problemas nacionais.

Dinamarca. implantado por Hitler. As anexações da Áustria e da Tchecoslováquia pela Alemanha prenunciavam a eclosão da guerra. Holanda. em qualquer lugar do mundo onde foram instalados. foram recuando para suas fronteiras até a rendição final. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL A paz humilhante e revanchista imposta no Congresso de Versalhes aos derrotados na 1ª Guerra Mundial foi. a tortura e a repressão física e psicológica foram métodos aplicados tanto por regimes totalitários de direita quanto de esquerda. a União Soviética. Em síntese. apresentou a singularidade da crença de que os alemães pertenciam a uma raça superior e do particular racismo contra os judeus. que temiam as reformas sociais e políticas do governo republicano. os exércitos nazistas. os Estados Unidos entraram na guerra ao lado dos seus aliados tradicionais. as nações européias reiniciam suas políticas de alianças político-militares. França e Inglaterra. iniciada 20 anos depois. a crise de 1929. que insistiu em continuar a guerra. o mundo pós-guerra é cheio de conflitos e divergências entre os povos. Podemos citar ainda. a violência. que finalmente teve início quando os exércitos de Hitler invadiram a Polônia. além das mesmas características gerais do fascismo. que dirige a administra todos os meios de produção. a implantação dos regimes totalitários de direita e de esquerda e os interesses imperialistas e expansionistas de algumas das grandes potências mundiais. começou a supremacia dos exércitos soviéticos sobre as tropas alemães. A ascensão do franquismo na Espanha se deu depois de uma sangrenta guerra civil entre as forças populares e as conservadoras da Falange. Bélgica. uma das causas da 2ª Guerra Mundial. sem dúvida. Em 1941. quando os aliados iniciaram a grande ofensiva para libertar a França. A entrada dos Estados Unidos na guerra e o fim da neutralidade soviética começaram a inverter tal situação. que visa à obtenção de lucro. a corrida armamentista e acordos de não-agressão. Pelo contrário. PANORAMA DO MUNDO PÓS-GUERRA Após a 2ª Guerra Mundial o mundo foi dividido em dois grandes blocos: o capitalista e o socialista. As vitórias alemães nos primeiros anos de guerra e a ocupação nazista de países como França. como a Alemanha. quebrando o acordo de não-agressão e neutralidade assinado por Hitler e Stalin em 1939. que já sofriam sucessivas derrotas na frente oriental para os soviéticos. principalmente pelos alemães e italianos. o assassinato. A partir de 1943. No mundo socialista a economia é planificada e controlada pelo Estado. No período entre guerras. A partir do famoso Dia D. que não foram respeitados. o Japão. foi bombardeado pelos norte-americanos. a Itália e outras. . depois da vitória da União Soviética na Batalha de Stalingrado. existe a possibilidade de mobilidade social.O nazismo. causas determinantes do segundo conflito mundial. em Maio de 1945. o operariado para sobreviver vende a sua força de trabalho e a produção é organizada pelo capitalista. Grécia. Noruega. que lançaram bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui. a burguesia capitalista é dona dos meios de produção. A desejada paz mundial não foi alcançada após 1945. O Japão. Iugoslávia e outros geravam a crença de que Hitler poderia dominar o mundo. O Japão finalmente assinou sua rendição em Setembro de 1945. No mundo capitalista a propriedade privada é intocável. e a Alemanha invadiu a União Soviética.

A reação norte-americana. urânio e carvão. devido ao fim do mito racista de superioridade do homem branco. esta última motivada pela pretensão soviética de instalar bases de lançamento de mísseis em Cuba. a minoria branca dirigente da África do Sul impôs um regime segregacionista. O expansionismo soviético no pós-guerra resultou na sovietização dos países do Leste europeu. a África do Sul é uma exceção. em 1955. Depois de um período de declínio no final dos anos 50. em que as oligarquias latifundiárias dominam a política e o latifúndio é responsável por profundas desigualdades sociais. uma guerra ideológica na qual cada uma delas procura ampliar sua área de influência.As disputas pela liderança mundial entre as duas superpotências – União Soviética e Estados Unidos – geraram a Guerra Fria. a economia é controlada pelo Estado. A Guerra Fria foi causada pelo expansionismo soviético do Leste europeu. conhecidas respectivamente por perestroika e glasnost. A concentração da riqueza nas mãos de poucos e a miséria das massas camponesas e urbanas geram constantes crises políticas e tornam a América Latina receptiva às ideologias estrangeiras. No contexto pobre e miserável da quase-totalidade dos países africanos. nascendo daí o chamado Terceiro Mundo. Na Conferência de Bandung. Em vários países da América Latina predominam as multinacionais e as economias desnacionalizadas. os meios de produção foram estatizados e a direção política acabou nas mãos dos partidos comunistas. A frágil estabilidade da paz mundial é constantemente ameaçada por conflitos armados e divergências entre vários povos. pela Doutrina Truman e pelo Plano Marshall. onde os governos se submeteram à orientação da União Soviética. à crescente consciência nacionalista dos povos daqueles continentes e à luta pelo direito de autogoverno e autodeterminação defendidos pela ONU. Porém. com o bloqueio naval da ilha. as tensões mundiais aumentaram no início dos anos 60 com a construção do muro de Berlim e a crise dos mísseis. ouro. cujo exemplo maior são as rivalidades entre árabes e judeus. fez os soviéticos recuarem. A estrutura política do Leste europeu foi profundamente afetada com a ascensão de Gorbatchev ao poder na União Soviética e com o conjunto de suas reformas econômicas e políticas. com base no falso mito da inferioridade biológica do negro. no Oriente Médio. A 2ª Guerra Mundial trouxe também como consequência a descolonização da África e da Ásia. os países participantes não aceitaram a divisão do mundo em dois blocos . Nos países da América Latina predominam a dependência econômica em relação às grandes potências capitalistas e uma estrutura produtiva basicamente agrária. . É o país mais industrializado de todo o continente africano e o mais rico pelas suas minas de diamante. conhecido como apartheid.

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