Seminário 2. Troca gasosa e transporte de gases. 1.

Qual a força que rege a difusão de gases entre o ar alveolar e o sangue do capilar e entre o sangueno capilar tecidual e os tecidos? Como essa força se estabelece? A pressão parcial de cada gás (pressão que as moléculas de um determinado gás exercem sobre as superfícies respiratórias em um determinado instante) na mistura de gás respiratório alveolar tende a forçar as moléculas daquele gás para a solução no sangue dos capilares alveolares. As moléculas desse mesmo gás presentes no sangue, também podem escapar do sangue para os alvéolos numa taxa de difusão proporcional a sua pressão parcial. A difusão resultante do gás ocorrerá em direção ao local onde a pressão parcial desse gás for menor, ou seja, se a pressão de oxigênio for menor no sangue capilar do que nos alvéolos (o que normalmente ocorre), a difusão de oxigênio será no sentido do alvéolo para o sangue. A pO2 nos alvéolos é determinada pela taxa de absorção de oxigênio (quanto mais rápido o oxigênio é absorvido, menor a sua pressão parcial nos alvéolos) e pela taxa de entrada de novo oxigênio nos pulmões pelo processo ventilatório (quanto mais rápido o oxigênio é respirado pelos alvéolos, maior a sua pressão parcial nesse compartimento). A pO2 no alvéolo é de 104mmHg, enquanto a pO2 no sangue pulmonar é de 40mmHg. Dessa forma, o oxigênio se difunde do alvéolo para o sangue pulmonar. Durante esse processo, a pO2 sanguínea aumenta até o nível da pO2 do ar alveolar. A pCO2 nos alvéolos é determinada pela excreção de dióxido de carbono (quanto maior a excreção desse gás, maior a sua pressão parcial nos alvéolos) e pela ventilação alveolar (quanto maior a ventilação, menos a sua pressão parcial nos alvéolos). A troca gasosa entre os alvéolos e o sangue pulmonar se dá através das membranas de todas as porções terminais dos pulmões (bronquíolo respiratório, ducto alveolar, átrio e alvéolo). Quando o sangue arterial chega aos tecidos a pO2 é de 95mmHg, pois o sangue pulmonar (com pO2 de 104mmHg) se misturou com o sangue que supriu os tecidos profundos dos pulmões e não foi exposto às trocas gasosas (pO2 de 40mmHg). Entretanto, a pO2 no líquido intersticial que circunda as células teciduais é de 40mmHg. Essa diferença de pressão faz com que o oxigênio difunda-se dos capilares para o líquido intersticial até que a pO 2do sangue capilar fique em torno de 40mmHg. A pO2 tecidual é determinada por um equilíbrio entre: 1)Taxa de transporte de oxigênio do sangue para os tecidos: se o fluxo de sangue através de um tecido aumentar, maiores quantidades de oxigênio são transportados para o tecido, e a pO 2 tecidual torna-se maior. Porém, a pO 2 tecidual só pode aumentar até 95mmHg, que é a pO 2 do sangue capilar. Ao contrário, se o fluxo sanguíneo através de um tecido diminuir, a pO2 tecidual também irá diminuir, pois menores quantidades de oxigênio vão se difundir dos capilares para o líquido intersticial. 2)Taxa de utilização de oxigênio pelos tecidos: se as células usarem mais o oxigênio para o metabolismo, haverá uma redução da pO2 do líquido intersticial e vice-versa. O oxigênio está sempre sendo utilizado pelas células. Portanto, a pO 2 intracelular nas células do tecido periféricos permanece menor do que a pO2 nos capilares periféricos. Além disso, em muitos casos, há uma distância considerável entre os capilares e as células. Portanto, a pO 2intracelular normal varia de 5mmHg até 40mmHg, tendo em média 23mmHg. O consumo de oxigênio pelas células, em geral, produz dióxido de carbono, o que aumenta a pCO2 intracelular. Devido a essa elevada pressão parcial de dióxido de carbono, o CO 2 difunde-se das células teciduais para os capilares tecidual, e é então transportado pelo sangue para os pulmões. Nos pulmões ele de difunde (também por uma diferença de pressão parcial) dos capilares pulmonares para os alvéolos e é expirado. A difusão do dióxido de carbono se dá sempre do sentido contrário da difusão do oxigênio. Entretanto, a difusão do primeiro gás é cerca de 20 vezes mais rápido que a difusão do segundo gás. Dessa forma, as diferenças de pressão necessárias para causar a difusão do CO2 são bem menores que as diferenças de pressão necessárias para causar a difusão do O2. As pressões de CO2 são aproximadamente as seguintes: 1)pCO2 intracelular de 46mmHg e pCO2 intersticial de 45mmHg (diferença de 1mmHg) 2)pCO2 do sangue arterial que entra nos tecidos de 40mmHg e pCO2 do sangue venoso que deixa os tecidos de 45mmHg. 3)pCO2 do sangue que entra nos capilares pulmonares de 45mmHg e pCO2 do ar alveolar de 40mmHg (diferença de 5mmHg). A pCO2 intersticial é pela taxa do metabolismo tecidual (aumenta a taxa, aumenta a pCO 2 intracelular e viceversa) e pelo fluxo sanguíneo (aumenta o fluxo, diminui a pCO 2 intracelular e vice-versa). 2. O que é membrana respiratória ou membrana pulmonar? Onde ela se localiza? Como é constituída? Membrana respiratória é o conjunto de membranas que revestem toda a unidade respiratória (bronquíolo respiratório, ducto alveolar, átrio e alvéolo). Ela é constituída de:

pois se a espessura aumenta. V A /Q=0: nesse caso. A membrana respiratória possui uma área superficial de aproximadamente 70m2 em um adulto normal do sexo masculino. até mesmo em condições de repouso. mas a área superficial total da membrana respiratória geralmente diminui em até cinco vezes devido à perda das paredes dos alvéolos). 3.Quando VA é normal e Q=0. Quais os fatores que alteram a velocidade de difusão dos gases através da membrana respiratória?Explique de que maneira o enfisema e o edema pulmonar alteram a troca gasosa. da distância da difusão (d) e do peso molecular do gás (PM). 3) Uma membrana basal epitelial 4) Um espaço intersticial fino entre o epitélio alveolar e a membrana capilar 5) Uma membrana basal capilar que em muitos locais funde-se com a membrana basal do epitélio alveolar. é a razão V A/Q. por doenças pulmonares que causam fibrose dos pulmões. Quanto maior essa diferença. etc. 3) O coeficiente de difusão dos gás na substância da membrana: depende da diferença de pressão parcial entre as extremidades da membrana respiratória (¨P). da área de corte transversal da membrana respiratória (A). nos dois compartimentos (sangue e alvéolo). de acordo com a fórmula:     D   4 )A diferença de pressão parcial do gás entre os dois lados da membrana: ou seja. 2) A área superficial da membrana respiratória: pode diminuir devido à remoção total de um pulmão (diminui a área superficial total à metade do normal). 6) A membrana endotelial capilar. O que é relação ventilação/perfusão? Qual o significado dessa relação para a troca gasosa? É a relação entre a ventilação alveolar (VA) e a perfusão (Q) de sangue que chega a esses alvéolos através dos capilares pulmonares. Quando a área superficial total da membrana respiratória diminui a cerca de um terç o a um quarto do tamanho normal. permitindo que as trocas gasosas aconteçam de maneira tão rápida. ou seja. o ar nos alvéolos entra em equilíbrio com o ar inspirado umidificado. da solubilidade do gás (S). 4. etc. portanto. a troca gasosa através da membrana fica significativamente comprometida. maior será a difusão.Quando VA é normal e Q é normal: nos alvéolos. na qual os alvéolos são gradualmente destruídos. como dito anteriormente. Os fatores que alteram a velocidade de difusão dos gases através da membrana respiratória são: 1) A espessura da membrana respiratória: pode aumentar devido à presença de edema (aumento de líquido) no espaço intersticial da membrana e nos alvéolos. enquanto outras áreas contam com excelente fluxo sanguíneo. respectivamente. a distância que os gás terá que percorrer para atravessá-la será maior. Essas duas variáveis.Quando VA=0 e Q é normal. A quantidade total de sangue nos capilares pulmonares é de 60 a 140 milímetros. diferença entre pressão parcial do gás nos alvéolos e pressão parcial do gás no sangue dos capilares pulmonares. .1) Uma camada de líquido revestindo o alvéolo e contendo surfactante que diminui a tensão superficial do líquido alveolar. devido a um enfisema pulmonar (doença crônica. A taxa de difusão dos gases através da membrana é inversamente proporcional a sua espessura. mas pouca ou nenhuma ventilação. determinam a pO2 e a pCO2 nos alvéolos. VA /Q=infinito: nesse caso. ou seja. as pressões parciais desses gases serão de 40mmHg e 45mmHg. pO 2 será de 104mmHg e pCO2 será que 40mmHg. Qualquer fator que aumente a espessura mais de duas ou três vezes acima do normal pode interferir significativamente com a troca respiratória normal dos gases. as novas câmaras alveolares são muito maiores do que os alvéolos originais. . que tem pO 2de 149mmHg e pCO2 de 0mmHg. Estas serão as pressões parciais dessas gases no alvéolo nessa situação. algumas áreas dos pulmões são bem ventiladas mas não tem quase nenhum fluxo sanguíneo. Assim. 2) O epitélio alveolar composto de células epiteliais finas. . . o ar nos alvéolos entra em equilíbrio com o oxigênio e dióxido de carbono no sangue venoso que chega aos pulmões. Mesmo em condições fisiológicas normais (até certo ponto) e especialmente em muitas doenças pulmonares. uma pequena quantidade de sangue fica espalhada sobre uma superfície tão grande.

Quando a pO2 é alta. Quando VA/Q estiver acima do normal. significa de V A é grande e Q é baixo. 15 gramas de hemoglobina em 100mililitros de sangue conseguem combinar-se com um total de mais ou menos 20 mililitros de oxigênio (20 vo lumes percentuais se a hemoglobina estiver 100% saturada. . o oxigênio é liberado da hemoglobina. como nos capilares pulmonares. o oxigênio liga-se a hemoglobina.Quando VA/Q estiver abaixo do normal. Essa curva de saturação da hemoglobina mostra que há um aumento progressivo na porcentagem de hemoglobina ligada ao oxigênio à medida que a pO2 do sangue aumenta. Nesse caso. Assim. há muito mais oxigênio disponível nos alvéolos do que pode ser transportado para fora dos alvéolos pelo sangue circulante. uma fração do sangue venoso que atravessa os capilares pulmonares não se torna oxigenado. o que é denominado percentual de saturação da hemoglobina. Essa é a quantidade máxima de oxigênio que consegue combinar-se com a hemoglobina no sangue. diz-se que a ventilação desses alvéolos é desperdiçada. Portanto. A molécula de oxigênio combina-se frouxamente e de maneira reversível com a porção heme da hemoglobina. Qual o comportamento da curva desaturação da hemoglobina quando o pH está ácido ou básico? Justifique sua resposta. O conceito de especo morto fisiológico é essa ventilação desperdiçada somada a ventilação das áreas do espaço morto anatômico. Esta fração é denominada sangue desviado. mas quando apO2 é baixa. Descreva a curva de saturação da hemoglobina com oxigênio. O conceito de desvio fisiológico é o sangue desviado somado ao sangue que flui através dos vasos brônquicos em vez de através dos capilares alveolares (normalmente 2% do DC). 5. Em uma pessoa normal. há ventilação inadequada para prover o oxigênio necessário para oxigenar completamente o sangue que flui através dos capilares pulmonares. como nos capilares teciduais.

desloca a curva para a esquerda. a hemoglobina está 97% saturada. Efeito Bohr: o desvio da curva para a direita em resposta a aumentos no dióxido de carbono e nos íons hidrogênio no sangue tem um efeito significativo de intensificar a liberação de oxigênio do sangue para os tecidos e intensificar a oxigenação do sangue nos pulmões.nos capilares teciduais. formando ácido carbônico (H2CO3).nos capilares pulmonares. Portanto.:Nas hemácias. Quando o sangue passa através dos capilares teciduais. há uma enzima chamada de anidrase carbônica que catalisa a reação entre CO2 e água. Depois. forçando o oxigênio para fora da hemoglobina. .Normalmente. e um aumento no pH do sangue. Uma pequena porção do dióxido de carbono é transportada no estado dissolvido para os pulmões. diminuindo a concentração de íons hidrogênios. descolando a curva para cima e para a esquerda. Em condições normais de repouso. Esses efeitos deslocam a curva de dissociação para direita e para baixo. Essa combinação de dióxido de carbono e hemoglobina é uma reação reversível que ocorre com um elo fraco. 70% do dióxido de carbono é transportado na forma de HCO3. 6. cerca de 5 mililitros de oxigênio são transportados dos pulmões para os tecidos a cada 100 mililitros de fluxo sanguíneo. formando o composto carbaminoemoglobina (CO2Hbg). o dióxido de carbono inicia uma série de reações químicas e físicas quase instantâneas. no sangue dos capilares pulmonares. essa quantidade é reduzida em média para 14. .4 mililitros (pO 2 de 40mmHg.4 mililitros de oxigênio por 100 mililitros de sangue. hemoglobina 75% saturada). na forma de HCO3-.durante exercício físico intenso? O músculo em exercício libera grandes quantidades de CO2 e outros ácidos. de maneira que o dióxido de carbono é facilment e liberado para os alvéolos. aumentando a concentração de íons hidrogênio no sangue dos capilares musculares que promovem uma maior liberação de oxigênio para os músculos (íons hidrogênio reagem com a hemoglobina estabilizando a sua forma tensa. a quantidade de oxigênio que se liga à hemoglobina a qualquer pO2 alveolar torna-se consideravelmente maior. sob condições normais. a qual tem pouca afinidade pelo oxigênio). ainda na hemácia. pCO2 aumenta. Explique como é o transporte de CO2 no sangue. Ao entrar nos capilares dos tecidos. Assim. esse ácido carbônico se dissocia em íons hidrogênio e íons bicarbonato (H + e HCO3-). Quando o sangue torna-se mais ácido. (?) 7. carregando 19. O que garante a saturação da hemoglobina com oxigênio. . a curva de saturação da hemoglobina desloca-se para a direita. aumentando também a concentração de ácido carbônico (H2CO3) e íons hidrogênio. O sangue chegará aos pulmões com uma pCO2elevada. Outra parte do dióxido de carbono reage com a própria molécula de hemoglobina. pCO2 diminui. uma média de 4 mililitros de dióxido de carbono é transportada dos tecidos para os pulmões em cada 100 mililitros de sangue. fazendo com haja uma maior difusão de CO2 para os alvéolos e permitindo a captação de quantidades extras de oxigênio dos alvéolos. Os íons hidrogênio combinam-se com a hemoglobina nas hemácias e os íons bicarbonato saem da hemácia para o plasma através de uma proteína carreadora de bicarbonato-cloreto que troca um íon bicarbonato por um íon cloreto.

Circulação Brônquica e Shunt arteriovenoso (implicações sobre a pO2nas veias pulmonares) . Circulação Pulmonar (Características e efeito da gravidade) 9.8.

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