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n o v a a p o s t i l a - 2011.2

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Comuncicação Empresaraial II

Professor: Armando Sermarini

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Índice
Noções básicas de argumentação e sua interseção com a comunicação empresarial Estrutura da argumentação ( a opinião e o fato )............................................................. 03 Métodos Indutivo e Dedutivo.............................. ............................................................ 08 Silogismo. ....................................................................................................................... 10 Vícios de raciocínio........................................................................................................ 12 Comunicação Informativa e Persuasiva..........................................................................1 6

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Noções Básicas de Argumentação e sua Interseção com a Comunicação Empresarial. Estrutura da Argumentação (a opinião e o fato).
Fatos não se discutem: opiniões, sim. Mas que é fato? É a coisa feita, verificada e observada. Mas convém não confundir fato com indício. Os fatos observados levam ou podem levar à certeza absoluta; os indícios nos permitem apenas inferências de certeza relativa, pois expressam somente probabilidade ou possibilidade. Inferir é concluir, é deduzir pelo raciocínio apoiado apenas em indícios. Dizer, por exemplo, que ³Fulano é ladrão, porque, de repente, começou a ostentar um padrão de vida que seu salário ou suas conhecidas fontes de renda não lhe poderiam jamais proporcionar´, é inferir, é deduzir pelo raciocínio a partir de certos indícios. O que se declara a respeito desse fulano é possível, é mesmo provável, mas não é certo porque não é provado. É evidente que o grau de probabilidade das inferências varia com as circunstâncias: há inferências extremamente prováveis e inferências extremamente improváveis. É extremamente provável que no verão chova com mais intensidade do que no inverno: mas é improvável que a precipitação pluvial no mês de janeiro deste ano seja maior do que a do mês de janeiro do ano próximo. É o maior ou menor grau de probabilidade que condiciona o nosso comportamento diário e o nosso juízo em face das coisas e pessoas. Se o céu está carregado de nuvens densas que obscurecem o Sol, é provável que chova: levo o guarda-chuva. Se o professor, que, durante anos, nunca faltou a uma aula, deixou de comparecer hoje, é provável que esteja doente: vamos visitá-lo ou telefonar-lhe. Se um aluno, durante a prova, se comunica com um dos colegas ou parece consultar caderno de notas sob a carteira, é provável que esteja colando: tomemos-lhe a prova e demos-lhe zero. Não obstante: pode não chover, o professor pode estar viajando, o aluno pode estar apenas pedindo ao colega que o espere após a prova, ou o caderno consultado pode não conter nenhuma relação com a matéria da prova. Nossa reação ou comportamento em face desses indícios foi de uma pura inferência: daí, os enganos em que verificamos ter incorrido, quando nos defrontamos com os fatos: não choveu (e o guarda-chuva se revela o trambolho ridículo que é em dia de Sol), o professor não está doente (e a nossa visita ou telefonema podem significar perda de tempo, se bem que não lastimável) e o aluno não estava colando (a punição foi injusta). Agimos por presunção, porque inferimos, baseados apenas em indícios. Posso provar que a água congela a 0oC basta servir-me do termômetro. O congelamento é um fato que pode ser verificado, testado, medido. Por isso prova. Pode-se provar que Fulano matou Beltrano: o fato foi testemunhado por pessoas dignas de crédito e o exame de balística provou que a bala, encontrada no corpo da vítima, foi indiscutivelmente disparada pela arma em que o acusado deixara suas impressões digitais. Mas não pode provar que o acusado tinha, realmente, a intenção de matar, pois os elementos disponíveis € como, por exemplo, saber a quem aproveitaria a eliminação da vítima € constitui apenas indícios, e não fatos ponderáveis e mensuráveis. Indícios podem persuadir, mas não provam. São argumentos persuasivos capaz de levar os jurados a presumir que o acusado é o criminoso; mas o grau de certeza desse julgamento é muito relativo: a sentença será possivelmente, mas não certamente justa. 3

meu irmão está muito triste porque minha mãe jogou todos os seus brinquedos no lixo. se eu lhe disser que minha mãe fez o mesmo com minhas bonecas. Se cabe ou não cabe. 4 . ou até menos. como a menina foi capaz de ³tirar´ (inferir) uma conclusão rapidamente a partir da resposta dada pela avó: o processo do seu pensamento (não dito nas palavras. porque já sabidas). realizam. isto é. na relação que foi estabelecida entre as informações anteriores e entre elas e a própria conclusão. Veja-se este exemplo relatado por uma professora a partir de uma conversa de uma menina de quatro anos com sua avó. Não é possível separar um do outro. a partir de conhecimentos anteriores que já temos e a partir de certas relações que estabelecemos entre tais conhecimentos. É um processo que realizamos com muita frequência no nosso dia-a-dia. por isso. para morar com ela. quando utilizamos palavras para expressar esta forma de pensamento. Nós ³tiramos´. ou não. Isto é. o que temos é um argumento: o raciocínio é o processo mental. se é descabida. como sabido antes. Este processo de pensar pelo qual ³tiramos´. pensando. Os dois ocorrem juntos.Raciocínio é um processo de pensar pelo qual nós conseguimos obter novas informações. também. é chamado de premissa (pre-missa significa pré-posto. ou inferimos conclusões (que são as novas informações) a partir de algo já posto como sabido antes e a partir de relações que estabelecemos entre elementos deste algo já sabido. Ou é o processo do pensar através do qual nós conseguimos obter novos conhecimentos. O que está posto. Na verdade. neste caso. E é por isso que podemos observar a ocorrência de raciocínios/argumentos nas crianças. podemos avaliar se a conclusão inferida cabe. nós iremos até aí e vamos trazer seu irmão para morar conosco. Raciocinar. então. ou obtemos novas informações ³de dentro´ das relações de informações anteriores.. mas nelas implicado) foi o seguinte: se minha avó vai levar meu irmão para morar com ela porque minha mãe jogou seus brinquedos no lixo. E aí entra nosso papel de educadores com vontade de ajudar crianças e jovens a pensar melhor: podemos avaliar se o raciocínio/argumento foi válido ou não válido. Menina: Vovó. por telefone: Menina: Vovó. se decorre ou não decorre das relações estabelecidas. é processo de ³tirar´ ou inferir conclusões. Avó: Mas que coisa! Está bem! Quando seu avô chegar. e o argumento é este processo enquanto falado. ou. sabe de uma coisa também? A minha mãe jogou todas as minhas bonecas no lixo!. É fácil averiguar. logo e outras). afirmações já postas antes. portanto. jovens e adultos. a partir de certas informações que já temos. É um processo que crianças de quatro anos. Podemos avaliar se a conclusão é cabível. podemos perceber se estão raciocinando/argumentando. ela me levará. chama-se processo de inferência. Ao utilizarem as palavras ³então´ e suas similares (como: portanto..

as mais urgentes a serem ³cuidadas´ educacionalmente sejam estas: Ser capaz de produzir bons juízos. relatando-as de algum modo. Já comentamos o suficiente a seu respeito acima. relações parte-todo. relações sintáticas. verificar se têm alguma relação entre si. Mas também são úteis. ao mesmo tempo. Convém lembrar. tentar. Isto deve ser estimulado. de que: pensar é fazer associações e pensar criativamente é fazer associações novas e diferentes. relações espaciais. mais estreito. pensar/afirmar alguma outra coisa que daí decorra? As brincadeiras de associar palavras com palavras. testar novas relações. relações sociais. estimular o estabelecimento e relações entre afirmações / juízos: isto é. especialmente. provocando-os. mas talvez. Pense-se. especialmente a estabelecer relações entre ideias. especialmente quando se pede às crianças e aos jovens que digam a razão pela qual estão associando palavras ou frases entre si. Nas atividades de leitura e interpretação de textos. Se tiverem. Os jogos e as brincadeiras são fertilíssimos em desafios. isto é. são muito úteis neste sentido. relações temporais. seja com textos nas aulas de Língua Portuguesa. etc. relações de igualdade. Mas é importante. tanto para a constatação de relações que estão dadas (e nem sempre tão ³visíveis´). tendo duas. três ou mais afirmações.Em constatando que o raciocínio/argumento não foi válido. e. a partir daí. de diferença. em todas as situações nas quais é exigido que se ³tire conclusões´. isto é. ou não afirmando. frases com frases. Auxiliar em tudo isso é estar auxiliando no desenvolvimento de habilidades que favorecem o desempenho de raciocinar bem. Temos que estimular crianças e jovens a estabelecer os mais variados tipos de relações entre coisas e coisas. de semelhança. seja com literatura infantil. mas possíveis (hipotéticas). supor. ser capaz de produzir afirmações bem sustentadas por boas razões. de argumentar bem. é importante que se peça aos alunos que estabeleçam relações entre os vários textos ou entre passagens dos mesmos. a afirmação de Lipman. Teremos. Não só: temos que incentivar nossos educandos a p ensar relações novas. quanto para imaginar. Um bom caminho para a produção de bons juízos/boas afirmações. relações de reciprocidade. etc. Esta é a habilidade básica que permite o raciocinar. obviamente. também. etc. relações de transitividade. que auxiliar nesta avaliação e auxiliar quanto à melhor forma de estabelecer as relações entre as premissas o que implica auxiliar na avaliação do que cada premissa está afirmando. de situações com situações. é o da realização de boas investigações. aqui. etc. para que avaliem se ela procede ou não procede. Ser capaz de inferir. nas aulas das mais diversas disciplinas. Tais habilidades são várias. mais largo. ou que sejam feitas inferências. relações não existentes. Pense-se nas mais variadas situações 5 . menor. se ela cabe ou não cabe. é possível. de fatos com fatos. etc). relações semânticas. foram indicadas acima. ou. de ³tirar´ conclusões. as brincadeiras que exigem associações ou relações de coisas com coisas. Ser capaz de estabelecer relações adequadas entre ideias e. As habilidades necessárias para tal. neste sentido. nos mais diversos jogos e brincadeiras. situações e situações. Os tipos de relações possíveis são os mais variados: relações de grau (maior. relações de número. entre juízos. relações de gênero. fatos e fatos. podemos pedir à criança e ao jovem que explicite melhor como chegou a tal conclusão. relações de causa/efeito.

buscando o que está implícito. sendo afirmado que pobre é pobre. com textos das mais variadas obras literárias. não apenas isso: é fundamental que o educador saiba avaliar se o educando está sabendo inferir. Juca está fazendo Pós graduação. porque é preguiçoso. eles se tornam ³professores´ uns dos outros. Na proposta da ³Comunidade de Investigação´ pede-se ao grupo que ofereça as ³dicas´. Quando os próprios alunos estão empenhados em ³prestar atenção´ às conclusões uns dos outros e em avaliar se as conclusões procedem ou não procedem. Trata-se de ser capaz de ³ler nas entrelinhas´. sempre. Há outra habilidade muito útil. isto é. caso não o esteja sabendo. Juca leciona na Faculdade Paz e Amor. não tem vontade. não´. há sempre um campo fértil de possibilidades para estimular o processo de ³tirar conclusões´. tanto para a vida. Mas. quanto para o desenvolvimento do raciocínio: trata-se da habilidade de identificar ou perceber pressuposições subjacentes. pois podemos pensar em enunciados típicos da oralidade. o descaso. aí. que todos estejam sempre atentos para oferecer dicas uns aos outros. Juca estudou na Alemanha. ao trabalhar com Literatura Infantil. Juca é professor. 1) Reduza o grupo de orações abaixo num só período: a) Juca é jovem. Com isso. trabalha-se a leitura e a produção de textos (ainda que pequenos) e mostra-lhe que alterações podem e devem ser feitas quando se está elaborando um enunciado. e saiba provocá-lo. E. a falta de vontade não geram riquezas. ele não pode fazer o trabalho. não é cuidadoso? É possível inferir isso do que está sendo afirmado? É possível fazer muitos exercícios. Estaria. mas não inferindo por ele. o uso da pontuação e a possível mudança / manutenção de sentido. ou de inferir o que está ³sendo dito´. Atividades práticas: O primeiro bloco de exercícios apresenta três atividades nas quais você precisará perceber os elos coesivos do texto. como ³Não. com textos das diversas disciplinas curriculares. Daí a presença de tantos pobres em nossa sociedade.nas diversas disciplinas curriculares: não só na Matemática (em que a utilização de inferências é tão frequente). No exercício (2) também é possível mostrar as alterações que fazemos dependendo do contexto. quando se afirma algo. R____________________________________________________________________ __ ____ ____________________________________________________________________ __ ____ 6 . Veja-se esta afirmação: A preguiça. aqui. dando-lhe dicas. mas em todas. de acordo com os efeitos de sentido que se pretende. ou não. Na verdade eles se tornam mediadores educacionais uns dos outros. todos aprendem muito mais. a necessidade de repetir / omitir elementos. Não só: na utilização de histórias. de forma mais ou menos escondida. etc.

b) O menino é esperto. O menino foi à polícia. O menino estava nervoso. O menino viu o assassinato. O menino relatou o que viu. R± ______________________________________________________________________ ____ 7 . R± ______________________________________________________________________ ___ ______________________________________________________________________ ____ 2) Introduza a partícula negativa na frase ELE PODE FAZER O TRABALHO. em todas as posições que importem diferença de sentido: R______________________________________________ ________________________ ____ ____________________________________________________ __________________ ____ __________________________________________________________ ____________ ____ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __ ______ ______________________________________________________________________ ______ ______________________________________________________________________ ______ ______________________________________________________________________ ______ 3) Elimine a repetição dos "quês" encontrada nos períodos abaixo: a) A testemunha afirma que não percebeu que a vítima que estava caída no chão estava morta.

enfatiza-se a morfossintaxe. a circunstância de ação do verbo: meio Eu venho de navio. __________________ 8 . usando corretamente o verbo relacionar. Eu venho ____________ janeiro. _______________ Eu venho __________ Semana Santa. mais especificamente regência e concordância. de tal forma que este seja o único verbo da nova oração: a) Fizeram a relação entre um tópico e outro. na frente. R± ______________________________________________________________________ ____ e) Isto tem a ver com o seu trabalho? R± ______________________________________________________________________ ____ 2) Complete com a preposição adequada e escreva. R± ______________________________________________________________________ ____ d) Façamos uma lista completa dos funcionários deste setor. R± ______________________________________________________________________ ____ No segundo bloco de exercícios. _______________ Eu venho ________________ medo. _______________ Eu venho _________________ meu irmãozinho. mantendo a flexão verbal e transformando o adjetivo em advérbio ou substituindo-o por um pronome. _______________________ Eu venho _____________________ receber o dinheiro.________________________________ ______________________________________ ____ b) São estes os estudos que fiz depois que terminei o curso. ao usar apenas o verbo relacionar na resposta. 1) Reescreva os períodos abaixo. no primeiro exercício. R± ______________________________________________________________________ ____ b) Fiz a lista dos contribuintes marcando a respectiva situação de cada um R± ______________________________________________________________________ ____ c) Esta questão tem semelhança com a outra. O objetivo é fazer com que os alunos identifiquem as relações sintáticas entre os termos e as implicações semânticas decorrentes dessas relações. o aluno deverá perceber que precisará alterar a frase (d) para ³Relacionemos completamente » todos os funcionários deste setor´ . Por exemplo.

a ideia é fazer com que você perceba as relações de concordância nominal e verbal e as alterações necessárias ao substituir clorofila por clorofila e inhame. ______________________ 3) Indique a que termo se refere cada forma adjetiva: Na verdade. (Folha de São Paulo. 73). p. retardaria o envelhecimento. revitalizaria o cérebro. De uns tempos para cá. no entanto. se temos alguns resultados positivos. 10 » 4 » 2002. folha e frutos. substitua ³clorofila´ por ³clorofila e inhame´ e reescreva o texto fazendo as adaptações necessárias em outros elementos do texto. diminuiria a depressão. sua causa principal deve ser o mau funcionamento provisório dos mecanismos recessivos acionados pelo governo para conter as importações nos níveis desejados. R± ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ 9 .Eu venho _________________________ São Paulo. evitaria a ressaca e ± pasme ± até ajudaria no tratamento de doenças como o câncer e a AIDS. 20 / 03 / 84) R± ____________________________________________________________________ __ ____ ____________________________________________________________________ __ ____ 4) Da mesma forma. (Veja. Ela limparia a corrente sanguínea. fortaleceria o sistema imunológico. No texto acima. os ³naturebas´ começaram a divulgar que a clorofila é capaz de operar verdadeiro milagre também nos corpinhos que não têm caule. no exercício a seguir.

odos = caminho) é o caminho através do qual se chega a um fim ou objetivo. uma direção. Distinguem-se primordialmente dois tipos de operações mentais na busca da verdade. métodos que constituem o que se costuma chamar de modus sciendi. por isso. sem desobedecer às leis imutáveis do conhecimento. Quando se diz que alguém não tem método de trabalho. um rumo.) É nesse sentido que Aristóteles e Sto. desperdiça esforço e energia. Mostrar como uma conclusão é tirada da experiência sensível. existem ainda os métodos particulares de algumas ciências. Tomás ensinam que nós temos somente dois meios de adquirir a ciência. é proceder por via dedutiva ou silogística (resolutio formalis). o Silogismo. em outras palavras. que procede a partir das verdades universais. a saber. e tirando materialmente sua origem da realidade singular e concreta percebida pelos sentidos´. vale dizer. é o conjunto dos meios ou processos empregados pelo espírito humano para a investigação. ou. refaz e não realiza a contento os propósitos colimados. dois métodos fundamentais de raciocínio: a indução (que vai do particular para o geral) e a dedução (que parte do geral para o particular): ³Mostrar como uma conclusão deriva de verdades universais já conhecidas. perde tempo.. Método implica. Além disso. a classificação e a definição. que procede a partir dos dados singulares.____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ ____________________________________________________________________ __ ___ _________________________ ___________________________________________ __ ___ MÉTODOS INDUTIVO E DEDUTIVO Em linguagem vulgar. que também contribuem para a descoberta e comprovação da verdade. a descoberta e a comprovação da verdade. (. em que a indução e a dedução. Do ponto de vista da Lógica. regularmente seguido nas operações mentais. assim. desfaz. Assim se pode 10 . quer-se dar a entender que os meios de que se serve para realizar determinada tarefa não são os mais adequados nem os mais eficazes. resolver uma conclusão nos fatos dos quais nosso espírito a extrai como de uma matéria (resolutio materialis) é proceder por via indutiva. Etimologicamente.. modo(s) de saber: a análise. Mas há outros métodos. por assim dizer subsidiários ou não fundamentais. e a Indução. método é a melhor maneira de fazer as coisas. a síntese. método (meta = através de. dependendo formalmente todo o nosso conhecimento dos primeiros princípios evidentes por si mesmos. faz. adaptam o seu processo à natureza variável da realidade.

Joaquim Carapuça é inelegível. de um antecedente que une dois termos a um terceiro. um silogismo. o que se fez. quer dizer. da seguinte forma: Todo candidato condenado por fraude é inelegível: ora. sejam monografias ou ensaios mais alentados ² procure primeiro saber o que há. pelo dedutivo.. pode ajudar o estudante a fazer uma ideia do que é o método indutivo. sem o saber talvez. candidato a presidente do Grêmio nas eleições do ano passado. que é uma ³argumentação na qual. discuta-os e conclua. Parte do efeito para a causa. o que se diz. colha os dados. a reforma agrária? Sobre a vida nas favelas? Sobre a conveniência ou inutilidade dos exames orais? Se pretende fazer trabalhos dessa ordem ² sejam dissertações breves. enfim. Eis alguns fatos a serem observados. princípio. Como raciocinará o eleitor consciente antes de depositar seu voto na urna? Raciocinará pelo método dedutivo. lei. da generalização para a especificação. partimos dos fatos particulares para a generalização. do desconhecido para o conhecido. ³armando´ . Método Dedutivo Se. Pela indução. à norma. analisados. analise-os. partimos da observação e análise dos fatos. o mesmo Joaquim Carapuça teve a coragem. observe os fatos. normativo etc. É um raciocínio a posteriori. classifique-os. É método a priori: da causa para o efeito. como se diz. O método foi indutivo: chegou-se à conclusão . para chegarmos à conclusão. ficou provado o seu crime. Aberto inquérito. comparativo. histórico. o que é. Em outros termos: o processo mental busca a verdade partindo de dados particulares conhecidos para princípios de ordem geral desconhecidos. ³caminhamos´ em sentido inverso: do geral para o particular. Das três proposições que constituem o silogismo. infere-se um consequente que une esses dois termos entre si´. Método Indutivo O que já dissemos a respeito da generalização e da especificação. Silogismo A expressão formal do método dedutivo é o silogismo.Joaquim Carapuça fraudou realmente as atas ² pela análise dos fatos revelados durante o inquérito. Joaquim Carapuça foi condenado por fraude: logo. de candidatar-se novamente ao mesmo cargo nas eleições deste ano. o que se faz. específicos. as duas primeiras chamam-se 11 . foi acusado de fraudar as atas de votação. regra. à generalização. da validade das declarações e dos fatos. Ora.. concretos.dizer que cada ciência tem seu método próprio: demonstrativo. a desfaçatez. confrontados antes de se chegar a uma conclusão: O estudante quer fazer um trabalho sobre. Ilustremos: o aluno Joaquim Carapuça. O seu raciocínio ³se resolverá´. pelo método indutivo.

do fato de ter igrejas não se segue necessariamente. J. que a premissa maior é verdadeira. tentaria ou conseguiria convencer-nos de que o Rio de Janeiro é uma cidade só porque tem igrejas. pois sua característica é a universalidade. quer dizer. processados e condenados pelos mesmos motivos. e a última. armando um silogismo como o seguinte: Toda cidade tem igrejas. O fato de nenhum candidato acusado de fraude dever ser eleito é uma premissa verdadeira? Sem dúvida. J. se as duas premissas. é bom político. e verdadeiro. logo. dessa espécie de silogismo muita gente se serve a todo momento. E a menor? Sê-lo-á? Ficou provado que sim. ora. é um indivíduo hábil. de se ter verificado que outros candidatos nas mesmas condições sujeitos à mesma acusação. no qual se manipularam fatos. portanto.premissas. ora. principalmente. quanto aos seus aspectos formais. J. é hábil. a premissa maior deve ser universal: todo ou nenhum. menor. Todo indivíduo hábil é bom político. é também verdadeira. logo. C. sofismando enfim. a conclusão. se revelaram maus representantes ou maus presidentes de grêmios ou assembleias. pela experiência. isto é. em são juízo. Mas como se chegou a essa conclusão? Pelo método indutivo. Além disso. J. também o forem. A primeira premissa diz-se maior. C. armando maliciosamente. pela observação de um número suficiente de casos ou fatos. ele é uma coisa e outra: válido e verdadeiro. o Rio de Janeiro é uma cidade. O silogismo pode ser válido. não se pode concluir obrigatoriamente que o Rio é uma cidade: pode haver cidades que não tenham igrejas. 12 . função para a qual se exige. é mineiro. Admitamos. de exemplos. o Rio de Janeiro tem igrejas. Todo mineiro é hábil. assim como pode haver igrejas onde não existam cidades. Não pode ser alguns. a segunda. No entanto. que delas decorre naturalmente. integridade moral. o eleitor consciente não vota no Joaquim Carapuça. Se as duas premissas são verdadeiras. uma série de silogismos do tipo non sequitur. condição indispensável ao silogismo verdadeiro. C. seu cabo eleitoral poderá tentar convencer-nos da conveniência da sua eleição. Vejamos. através do inquérito. conclusão. Por conseguinte. Esse é o termo médio. mas. ora. logo. Mas entre ambas deve haver uma ideia (ou termo) comum: condenado por fraude (no sujeito da primeira e no predicado da segunda). Defendendo a candidatura de Joaquim Carapuça. Por quê? Porque a conclusão só pode ser verdadeira. Esse silogismo traz no bojo um sofisma do tipo non sequitur (³que não se segue´). enfim. falaciosamente. por descuido ou por malícia. quanto à matéria. Ninguém. No exemplo dado. Silogismo do tipo non sequitur. ou ser uma coisa sem ser outra. não apenas competência. C.

J. em outras palavras: não podem servir como premissas. ou adjunto equivalente: Todos os professores devem saber um pouco de psicologia. não constituem princípios ou normas de que se possam tirar conclusões logicamente aceitáveis. portanto. você é professor.poderá não obter sucesso se seu discurso contiver vícios de raciocínio. revela o propósito de conduzir ao erro o interlocutor. é bom político. se. Mesmo um excelente profissional de Direito . tabus. é (será) bom administrador. na medida em que encontra os ingredientes lógicos e psicológicos que a vão informando. VÍCIOS DE RACIOCÍNIO O relacionamento entre as ideias que formam os vários enunciados deve interligá-las de tal modo que construam um caminho pelo qual a mente do leitor transite cada vez mais interessada e receptiva. logo. Epiquirema :premissas munidas de prova . generalizações falsas.cuja tarefa é conquistar pela palavra os jurados . entre o permanente e o eventual. que pode ser falacioso ou não. C. tautologias. que se caracteriza por ter uma ou ambas as premissas seguidas ou munidas de prova. porque o contato com mentalidades em formação exige deles certa capacidade de compreender o comportamento e as reações dos jovens para melhor orientá-los e educá-los. porém. a menos que o raciocínio seja vicioso. superstições. É o que a lógica chama de polissilogismo. é. preconceitos não funcionam como argumentos válidos. satisfazendo e conquistando. Pura presunção. ora. Como a base da coerência está no relacionamento entre as ideias. chamase falácia. e assim sucessivamente. Temos aí uma série de silogismos em que a conclusão do primeiro serve de bas à e premissa maior do segundo. a conclusão do segundo passa a ser a da maior do terceiro. Eis alguns dos mais graves vícios de raciocínio: 13 . pois incide num sofisma de non sequitur: o fato de ser indivíduo hábil não implica necessariamente a qualidade de bom político. é denominado paralogismo.. Convém. ali é que descobriremos os vícios que poderiam tornar ineficaz o discurso: confusão entre o geral e o particular.. quer dizer acompanhadas de uma proposição causal ou explicativa. da mesma forma como ser bom político não significa que alguém seja ou venha a ser bom administrador. evitar o emprego de silogismos desse tipo ou não se deixar iludir por eles. precisa saber um pouco de psicologia. C. J. Quando o vício de raciocínio é intencional.Todo bom político é bom administrador. decorre da ignorância ou imperícia de quem fala. Ora. etc. no caso. logo. e presunções. Outro tipo de silogismo também muito comum na vida prática é o chamado epiquirema.

Veja só: minha vizinha do apartamento 16 já atropelou duas pessoas.´ ³Nosso concorrente vendeu mais. porque ela é boa mesmo.´ ³Você não pode garantir que esse relógio é bom.´ 4. Conclusão não-decorrente. de forma viciada.Tautologia. Consiste en repetir uma ideia. Quadro Ilustrativo de Tautologias Elo de ligação Acabamento final Certeza absoluta Quantia exata Nos dias 8. como indica a lista a seguir. porque vendemos menos.´ ³Sabe por que seu carro bateu contra o poste? Porque é um carro nacional. Generalização falsa. Ex. A tautologia é um dos vícios de linguagem.´ 3.´ 2. porque tem capa vermelha.: Fato Encarar de frente Multidão de pessoas Amanhecer o dia Criação nova Retornar de novo Empréstimo temporário Surpresa inesperada Escolha opcional Planejar antecipadamente Abertura inaugural Continua a permanecer A última versão definitiva Possivelmente poderá ocorrer Comparecer em pessoa Gritar bem alto Propriedade característica Demasiadamente excessivo A seu critério pessoal Exceder em muito ³Minha escola é ótima. mas com o mesmo sen tido. com palavras diferentes.1. O exemplo clássico é o famoso subir para cima ou descer para baixo. Meu primo tinha um da mesma marca.: ³O romance que comprei é obra excelente. 9 e 10.:³Mulher não sabe mesmo dirigir automóvel. Mas há outros. inclusive Como prêmio extra Juntamente com Expressamente proibido Em duas metades iguais Sintomas indicativos Há anos atrás Vereador da cidade Outra alternativa Detalhes minuciosos A razão é porque Anexo junto à carta De sua livre escolha Superávit positivo Todos foram unânimes Conviver junto Ex. Ex. 14 . e não prestava. Falsa analogia.

ele é o assaltante. logo. resultam de um processo de raciocínio dedutivo ou indutivo? R-____________________________________________________________________ c) Quando se aplica um princípio (teoria.____________________________________________________________________ e) Mas.´ ³No ano passado.) antes da principal e lhe acrescentar uma vírgula. ao fazer a sua redação. você é rico. fiz a prova com caneta esferográfica verde e fui aprovado. você é católico. logo. Neste ano. logo.____________________________________________________________________ d) Se você observar a pontuação adotada em relação às orações adverbiais antepostas à principal e concluir que elas vêm sempre seguidas de vírgula. se o processo utilizado foi de indução ou dedução: a) Ao longo da história da humanidade.´ Atividades práticas: 1) Reconheça. você é diplomado por faculdade de filosofia. logo. vou usar novamente caneta esferográfica verde. logo. você tem automóvel. o processo de raciocínio é dedutivo ou indutivo? R. você é brasileiro. se. generalizações. regras. isto é. ora. logo. Tal fato nos permite dizer que o homem é mortal. com F o(s) falso(s) e com dois VV o(s) válido(s) e verdadeiro(s): a) Alguns brasileiros são católicos. ( d) Todo aluno de escola superior tem curso fundamental completo. o indivíduo que a polícia prendeu como suspeito também portava chapéu branco.Ex. raciocinou por? R. você tem curso fundamental completo. ora. você é aluno da Faculdade de Direito. regra) a um caso particular. serei aprovado. teorias. tem sido verificado que. nos textos abaixo. você é católico.: ³O marginal que assaltou a joalheria usava chapéu branco. mais cedo ou mais tarde. ora. ora. todos os homens acabam morrendo.. você é brasileiro. ( ) e) Somente os ricos têm automóvel.____________________________________________________________________ 2) Assinale com um V o(s) silogismo(s) válido (s). partindo do mais geral para o mais específico: a) Êxodo ( ) versículo ( ) Antigo Testamento ( ) livro ( ) Pentateuco 15 . ( ) ) c) Alguns professores secundários são diplomados por faculdade de filosofia. você puser uma oração concessiva (embora.____________________________________________________________________ b) As leis científicas. você é professor secundário. seu raciocínio foi? R. Não houve até agora nenhuma exceção. R. normas. ( ) 3) Reordenar os termos regressivamente.. princípio. Ora. ora. enfim.( ) b) Todo brasileiro é católico.

a) ³Carro preto dá azar. (b) para conclusão não-decorrente. com certeza.´ ( j) ³A datilógrafa é eficiente. Ele é gordo. utilizando (a) para generalização falsa.´ ( ) e) ³Aquele profissional de vendas não terá sucesso em nossa firma: o terno dele é amarelo. bom patrão. é o carro do criminoso. foi ele que colocou a bomba no carro. vimos aquele mecânico fugindo das imediações.´ ( ) h) ³O jornal fez sucesso. Tem olhos azuis. você anda desviando dinheiro da firma.´ ( ) d)³O automóvel que atropelou e matou o mendigo na BR. ) ) ) b) Direito Penal ( ) furto ( ) ciência social ( ) Direito Público ( crime ( ) Direito ( ) Direito Nacional ( ) ciência ( ). as provas de Física serão feitas também na quarta-feira. d) Planeta ( ) Ásia ( ) Tóquio ( ) Galáxia ( ) continente ( Universo ( ) Japão ( ) Terra ( ) Sistema Solar ( ). (d) para falsa analogia. logo.´ ( ) g) ³Seu saldo bancário é superior ao salário que você recebe. Meu colega tinha um e morreu num desastre. Neste ano.´ ( ) b) ³O candidato merece aprovação no vestibular. o carro apreendido pela polícia também tem a mesma característica.´ ( ) c) ³Fiz as provas de Física numa quarta-feira e fui bem-sucedido.116 tinha o pára-choque da cor do veículo. cabelos loiros e sabe nadar muito bem. logo. 4) Aponte os vícios de raciocínio nas frases que seguem. anda calmamente. logo. vou também ter o mesmo sucesso.´ ( ) Comunicação Informativa e Persuasiva A ARGUMENTATIVIDADE NA COMUNICAÇÃO INFORMATIVA Introdução. (e) para raciocínio correto. c) Parte Especial ( ) capítulo ( ) parágrafo ( artigo ( ) livro ( ) inciso ( ) título ( ) seção ( ) alínea ( ) código ( ). Por isso. (c) para tautologia.( ) capítulo ( ) Bíblia ( ). Ora.´ ( ) ) i) ³O novo chefe é. 16 . porque teve bom êxito.´ ( ) f) ³Cinco minutos depois que a bomba explodiu. porque tem dedos ágeis.

no seu dia-a-dia. preocuparam-se mais com a língua em geral do que com as situações de comunicação que são provocad pela as divergência de opiniões. representado por (Ducrot. saber ouvi-lo. etc. Pode-se também convencer através da sedução. Sendo assim. sempre se perguntaram tradicionalmente se a argumentação possui estratégias que permitem chegar à verdade ou provar a falsidade. foi alterado pelas situações de manipulação da palavra e das consciências oriundas das técnicas de comunicação do século XX e com o poder da mídia faz-se necessário uma maior reflexão sobre a argumentação oposta à manipulação das massas. definindo a argumentação como o ³estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão das pessoas às teses que são apresentadas para seu assentimento. de opiniões que são argumentadas e não verdades ou erros. primeiramente. que seja cidadã. Como exemplo de sedução. vencer junto com o outro. por exemplo. O homem. mas ao ato de argumentar como. como um objeto de um programa de ensino. tendo como base a ética. onde há um conjunto de meios que permitem transformar uma afirmação em um fato estabelecido sem contestação. o convencimento através da propaganda. convencer. Assim.Várias são as possibilidades de comunicação que possuem como objetivo obter que uma pessoa. assumir o conceito de que um raciocínio pode convencer sem ser cálculo. Para que este ato de convencer aconteça. os mais diversos meios são utilizados e um deles é chamado de argumentação. entender suas necessidades e se sensibilizar com suas emoções. Os primeiros. é confrontado com vários episódios de argumentação. Outros meios de convencer procuram utilizar a razão ou a demonstração. hoje. Mas na verdade pouco importa se a mensagem é verdadeira ou falsa. Já os literatos se preocuparam com a argumentação com uma finalidade mais estética. O ato de convencer é usado como uma alternativa contrária ao uso da violência física. seria a atitude dos políticos ou as figuras de estilo que deixam o discurso mais agradável e embelezável. p. (Perelman. um público ou um auditório tenham um determinado comportamento ou que aceitem uma opinião específica. Estas comunicações estão presentes em situações cotidianas tanto da vida privada quanto da pro fissional. (ibid. os linguistas. pois se trata. já que o orador utiliza meios mais suaves de convencimento. andando ao seu lado. uma vez que a argumentação é exposta. pode ser rigoroso sem ser científico. construindo um saber espontâneo e empírico que faz parte da cultura básica que todos podem adquirir por imitação.´. 5) O exercício de uma boa argumentação. O estudo da argumentação foi feito por muito tempo por filósofos e por especialistas literários da linguagem. a não ser que seja contrário a algum fato anteriormente relatado. anúncio. várias formações em comunicação não são nada além de um aprendizado de processos que visam a colocar o outro em uma espécie de armadilha mental da qual ele sairá apenas se adotar a ação ou a opinião que lhe são propostas. Por outro lado. É também saber persuadir. às vezes. Uma nova visão de argumentação se deve ao fato de um filósofo do direito. 1970). Argumentação Argumentar é. na maior parte dos casos. preocupar-se em ver o outro por inteiro. reportagem. 1988). isto é. Isto porque se pode conseguir de alguém uma resposta que não seja atribuída à força em si. argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: 17 .

com o outro. Segundo estes autores. mas o objeto da argumentação evoluiu mais rápido que a teoria. ter uma linguagem comum ao auditório para que se fala. a asserção final ou a conclusão. parte de um julgamento e tenta descobrir implicações específicas que a levam a três proposições: a premissa maior. ordenar ideias. mostrar a diferença entre convencer e persuadir. Na verdade. argumentar pressupõe que o indivíduo que se envolve na argumentação reconheça que ele faz parte de uma relação de comunicação e que se recuse a fazer uso de meios a qualquer preço para conseguir a eficácia de uma proposta. justificá-las e relacioná-las ente si. Como já se observou acima. pois não se argumenta contra a evidência. Embasada nas teorias de Aristóteles. já que é necessário construir ideias e não uma realidade. é importante ter um contato positivo com o auditório. nesta concepção é fazer algo por meio do auxílio divino. dos modos de comunicação e dos exemplos escolhidos. a argumentação pertenceu por um longo tempo à Retórica. através da evolução da linguagem. agir de forma ética. segundo.primeiro. argumentar é uma operação delicada. A origem desta está ligada à preposição ³per´ (por meio de) e a ³Suada´ (deusa romana da persuasão). tornando-a assim um matéria viva. buscar capturar o ouvinte. e algumas asserções intermediárias A argumentação pode ser através de indução ou dedução. mas de modo cooperativo e construtivo. 1970: 5). O discurso argumentativo foi caracterizado de maneira intradiscursiva por suas diferentes formas estruturais. É construir algo no terreno das emoções. traduzindo uma verdade dentro da verdade do outro. a premissa menor e a conclusão. ou seja. Este efeito foi colocado em primeiro plano pela definição neoclássica de (Perelman & Olbrechts-Tyteca. este é o escopo básico da argumentação. e de maneira extra discursiva pelo efeito perlocucionário ao qual estaria vinculado. para quem ³o objeto da teoria da argumentação é o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou ampliar a adesão dos espíritos às teses que se apresentam ao seu assentimento´. é 18 . ou melhor. Assim. principalmente. é falar à razão do outro. seduzi-lo e tentar persuadi-lo em alguma convicção. isto é. deve-se argumentar com o outro de forma honesta e transparente para que haja maior credibilidade nos propósitos. argumentar é a arte de gerenciar informações. demonstrando ou provando alguma asserção. Para uma boa condição de argumentação é necessário ter definidos vários aspectos como: uma tese e saber para que tipo de problema essa tese é resposta. agora. Convencer é saber gerenciar informações. mas sim através de técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão das pessoas às teses que se lhe apresentam ao assentimento. argumentar é a arte de convencer e persuadir. convencer o outro de alguma coisa no plano das ideias e persuadi-lo no plano das emoções. é falar à emoção do outro. Argumentar. Entre os elementos da lógica argumentativa há alguns que são básicos como: a asserção inicial ou a premissa. levando-o a fazer alguma coisa que se deseja que ele faça. Cabe. Já persuadir é gerenciar relação. convencer e persuadir. e. É saber integrar-se ao universo do outro para se obter aquilo que se quer. A primeira começa dos fatos até chegar a um modelo e a segunda. Desta forma. é construir algo no campo das ideias.

em função da cultura. o assunto de que falam) e discursivo (maneiras de dizer). As hierarquias de valores variam de pessoa para pessoa. Porém. a persuasão acrescentaria à convicção a força necessária que é a única que conduziria à ação. como parâmetros ou códigos implícitos sobre o modo de funcionamento das situações de comunicação e sobre os discursos prováveis em cada tipo de situação entre os parceiros. ou seja. o auditório particular. Conforme (Perelman. Contratos de comunicação funcional são. sendo portanto. o auditório universal que é um conjunto de pessoas sobre as quais não se tem controle das variáveis. enquanto que convencer é uma primeira fase. chamado de contrato de comunicação. em dois ³eus´ e dois ³tus´: o Eu-comunicante. o essencial é persuadir. respectivamente. para se descobrir a hierarquia de valores do outro é necessário descobrir a intensidade de adesão a valores diferentes que sinalizam uma escolha hierárquica. Ele só é válido se os dois parceiros se submeterem mentalmente a certas condições discursivas que lhes permitam identificarem-se como verdadeiros parceiros de troca. 1994: 35) que todo ato de comunicação social supõe um contrato. todo ato de linguagem realiza-se dentro de um tipo específico de relação contratual implicitamente reconhecido pelos sujeitos e que define. da ordem do imaginário social. Persuadir refere-se à possibilidade de fazer com que o outro aceite as suas conclusões como verdadeiras. aspectos ligados aos planos situacional (a identidade dos parceiros. o Tu-interpretante e o Tu-destinatário. É preciso ressaltar que parceiros (emissor e receptor) são na concepção do autor desdobrados. Perelman (1996: 22) define auditório como ³conjunto daqueles que o orador quer influenciar com sua argumentação. Aquele que quer persuadir deve saber previamente quais são os verdadeiros valores de seu interlocutor ou do grupo que forma o seu auditório. mas como ele os hierarquiza. seus objetivos.´. Quando se consegue persuadir alguém. O contrato é um quadro de reconhecimento no qual se inscrevem os parceiros para que se estabeleça a troca e a intercompreensão. das ideologias e da própria história pessoal. Na realidade. O auditório é o conjunto de pessoas que se quer convencer e persuadir. Assim. o Euenunciador. Para (Charaudeau. este realiza aquilo que se deseja. Pode-se dizer com (Charaudeau. Desta forma. O auditório.´ Persuadir é mais que convencer. ao mesmo tempo em que reconhecem a validade do ato de comunicação. abalar a alma para que o ouvinte aja em conformidade com a convicção que lhe foi comunicada. um conjunto de pessoas cujas variáveis pode-se controlar. Este pode ser dividido em dois tipos: primeiro. O eu-comunicante e o Tu19 . 2004: 374) ³a persuasão pode ser vista como o produto dos processos gerais de influência. Para ele.tentar sensibilizar o outro para agir. Contrato de comunicação. assim. por um lado. o que caracteriza um auditório não são os valores que o mesmo admite. segundo. 1997: 59). a eficácia das técnicas e de um argumento é sempre dependente do auditório que se tem e que se quer persuadir.

em seguida para lhes mostrar que a nova opinião proposta está de acordo com esta nova visão das coisas. O termo argumento ainda é usado para designar. O contrato de comunicação. pode se discutir sem parar na análise de um texto sobre qual é o tipo de argumento que está presente. o conjunto constituído pelo argumento e seu conteúdo particular. permitindo que esta nova apresentação seja aceitável. b) a curiosidade ± o gosto pela exploração. Pode-se também constatar que se certos argumentos são próximos uns dos outros a ponto de se ter confusão e que existem grandes famílias de argumentos que se diferenciam pela essência do raciocínio que eles utilizam. de um espaço de restrições que constitui as condições que não podem ser infringidas pelos parceiros. sob pena de não haver a comunicação. definido através destes sujeitos. A dinâmica argumentativa. O primeiro objetivo de um argumento é modificar o contexto de recepção do auditório para a introdução de uma opinião. A aceitação desta 20 . Em suma. dirigir-se ao outro. A dinâmica da comunicação possui duas etapas. com isto a curiosidade nos levará a examinar com boa vontade uma nova maneira de ver as coisas ainda não vistas. do circuito externo do ato de linguagem e o Eu-enunciador e o Tu-destinatário são entidades do discurso. mas cada um destes termos define uma forma específica na qual uma opinião defendida pode ser de certa forma encaixada. do circuito interno do mesmo ato. Isto requer que se veja cada auditório como único e individual. na linguagem corrente. com identidade psicossocial seres do ³fazer´. isto é. às vezes. a saber: a) a ressonância ± a argumentação que se apoia em valores é um exemplo dos efeitos da ressonância. uma nova apresentação dos fatos pode entrar em ressonância com a nossa visão mais geral do mundo. e um espaço de estratégias que compreende os diferentes tipos de configurações discursivas de que o sujeito comunicante dispõe para satisfazer as condições do contrato e atingir seus objetivos comunicativos. o desejo de mudança levará a se admitir uma apresentação particular dos fatos e a examinar suas consequências. c) o interesse ± o interesse pode ser um formidável vetor de aceitação de uma visão de mundo que se poderia avaliar como algo que seria conveniente. propor-lhe boas razões para ser convencido a partilhar de uma opinião. A primeira visa construir um real comum ao orador e ao auditório e a segunda se apoiará para construir um vínculo entre este acordo e a opinião proposta. tudo está em tudo e. argumento ad hominem ou argumento pelo exemplo. seres do ³dizer´. formando um duplo gatilho argumentativo que designa o que parece ser o aspecto essencial desta dinâmica. Os moldes argumentativos possuem vários nomes como argumento quase lógico. Existem três razões para se aderir a uma opinião. Argumentar é comunicar.interpretante são pessoas reais. Assim se dirige aos outros para que eles mudem sua visão das coisas. compõe-se então. tornando a argumentação em arte muito delicada.

Assim. se levar em consideração o conceito dos indivíduos cujos problemas se deseja modificar. O argumento de testemunho. O enquadramento do real dita a ordem do mundo e propõe que a partilhemos. portanto. 21 . enfrentando mas o -o. Segundo Breton (1999). será invenção. reenquadramento. expectativas e hipóteses. Os argumentos de reenquadramento serão divididos em três categorias: A definição. confere ao orador uma autoridade segura que fundamenta este argumento de testemunho. O reenquadramento ± o reenquadramento não ataca o problema. moral. Ele se apoia na partilha a priori de valores ou de crenças ou. por causa do seu status de pressupostos e. Distinguir-se-ão três tipos de raciocínio de autoridade. um valor de uso no interior de sua própria economia de pensamento. pois fazem parte de um ser comum que constitui as bases da cultura e que as formas segundo as quais os indivíduos de um grupo vivem em um mesmo mundo. então.referência apresentaria para o auditório um interesse. combinação. 1993: 159) define -os como argumentos coercitivos e mostra seu caráter manipulador. Assim. Dois casos são pertinentes: ou o orador apoia o enquadramento sobre a sua própria autoridade ou ele convoca uma autoridade externa à sua pessoa. O argumento da experiência é menos baseado em sua competência efetiva no domínio em que o orador se exprime. porque a pessoa que o descreve tem a autoridade para fazê-lo. Os valores e os pontos de vista possuem em comum o fato de serem hierarquias. à incerteza do acordo dos interlocutores sobre sua verdade. através de outros ângulos. A Experiência. há duas técnicas bem relevantes em relação à argumentação: enquadramento do real e vínculos. Valores e pontos de vista ± os valores comuns constituem uma base importante para desenvolver uma argumentação. isto é. A afirmação pela autoridade ± O real descrito é o real aceitável. Já os pontos de vista segundo (Robrieux. Enquadramento do real. contorna de outra forma. um reenquadramento só tem validade se considerar as opiniões. o enquadramento se divide em: afirmação pela autoridade. em resumo. profissional ou técnica que vai legitimar o olhar sobre o real que deriva dela. O fato de estar em um acontecimento. A competência ± O argumento de competência supõe que haja previamente uma competência científica. valores e pontos de vista e reenquadramento.

a) Argumentos quase-lógicos ± os argumentos quase-lógicos usam um raciocínio próximo do raciocínio científico e isto que os torna difíceis de se distinguirem da demonstração. é muito observado numa sequência de argumentação. A dissociação ± o argumento por dissociação permite que se quebre a unidade de noções muito dogmáticas e induz uma melhor flexibilidade para se mover no real. Apresentação. A associação e a dissociação. pois quando usado para convencer. b) Argumentos de reciprocidade ± trata-se de uma regra de justiça. Comparar consiste em tecer um vínculo entre duas realidades. onde os indivíduos de uma mesma classe devem ser tratados da mesma forma. Os vínculos podem ser feitos por analogia ou dedução. colocando-as em relação de maneira aceitável e produzindo através deste fato uma transferência de qualidade de uma realidade para a outra.Definir para o ser humano. c) Metáfora ± a metáfora é uma elipse da analogia e só é um argumento quando serve para convencer ou é colocada a serviço da defesa de uma tese ou de uma opinião. de uma amplificação. Vínculos. de uma qualificação. atualmente. O vínculo pela analogia pode ser feito através de três argumentos: a) Comparação ± a comparação é frequentemente usada na vida cotidiana para argumentar. A dedução. 22 . O uso da analogia é um vínculo menos garantido que a dedução. mas mais poderoso devido à convicção que provoca como resposta. A analogia. é um mola-mestra de reenquadramento. O emprego de uma definição e a tentativa de impô-la como quadro de referência para avaliar o real não implica em que não existam outras definições possíveis. A apresentação pode ser através de uma descrição. A associação ± a similitude entre os fatos ou abordagens possibilita que existam comunidades de pensamentos de mesma natureza. b) Exemplo ± o exemplo é bem diferente de uma comparação. já que implica em certa criação.

(. Ex-economista chefe do Banco Mundial e diplomado pelas universidades de Cambridge e de Oxford. 3. A argumentação necessita de bases éticas como a liberdade de adesão à opinião proposta.³Pretendo voltar ao Brasil para investir nas possibilidades de produção de energias limpas.Existe tecnologia disponível para cultivar biocombustíveis em terras inférteis? Stern. ANÁLISE DO CORPUS. o entrevistado mostra que possui a competência para falar sobre o assunto através de sua experiência profissional e de sua formação acadêmica. que na verdade. moral ou profissional que vai legitimar o olhar sobre o real que deriva dela. economista inglês.. Stern lançou mão de modernos modelos econômicos.c) O argumento causal ± consiste em transformar a opinião que se quer manter em uma causa ou em um efeito de alguma coisa sobre a qual exista um acordo. já se encontra o argumento da autoridade através da apresentação da competência do entrevistado. Entrevista com Nicholas Stern. chefe do serviço econômico do governo de seu país. do que em uma prática efetiva no domínio em que o orador se exprime. Aqui. 2. 4. são opiniões. No exemplo acima. O Brasil também está pensando e agindo na questão do desmatamento da Amazônia. O fato de o economista ter estado presente a estes debates. 1.Logo abaixo desta mesma resposta o entrevistado apresenta o enquadramento do argumento da autoridade feito pela experiência para complementar o assunto..O enquadramento através da crença e dos valores está presente na resposta abaixo: Veja ± O que é preciso fazer? 23 . Foi uma visita muito produtiva.Essa tecnologia está quase disponível. à autenticidade dos argumentos usados e à relatividade das idéias que se defende. técnica. com o título ³O alerta global´ feita pelo repórter Diego Escosteguy. no caso.. O argumento da competência supõe que haja previamente uma competência científica.Na introdução da entrevista.. confere-lhe uma autoridade que fundamenta o argumento de testemunho.O enquadramento da autoridade pelo testemunho pode ser observado no fragmento da resposta abaixo: Veja. Stern. o economista possui a experiência de conhecer as ações do Brasil e pretende voltar para aprender mais. da Revista Veja (08/11/06).´ O argumento da experiência é menos baseado em uma competência. recebeu há dezesseis meses uma tarefa colossal: medir o impacto do aquecimento global na economia mundial. suspeita de ser teórica. porque o país tem se mostrado original nessa área. observe: O inglês Nicholas Stern.) Estive no Brasil em abril deste ano e participei de debates interessantes sobre o uso de menos carbono na economia.

que se beneficiaria do fim do desmatamento. cabe ao país. da acumulação de detalhes.A presença do reenquadramento pelo argumento da apresentação/amplificação é observado abaixo no seguinte fragmento: Veja ± Por que os países pobres serão mais atingidos pelas mudanças climáticas? Stern ± Por várias razões. já que apenas um país polui quase a metade. mas ele prefere negar e 24 .) Mas o resto do mundo. a partir de uma noção que remete habitualmente a um único universo. sozinho. Nesses lugares. 7. Claro que precisamos que os Estados Unidos se conscientizem da necessidade de diminuir as emissões de gases poluentes. sobretudo a partir do binário ³aparênciarealidade´ que ³constitui o protótipo de toda dissociação nocional. os países pobres dispõem de menos dinheiro para investir em formas de se proteger contra os efeitos do aquecimento global. Porém. por uma questão de soberania e.O reenquadramento do real pelo argumento da dissociação das noções é um método que. deveria ajudar os países que estão fazendo esforços para cessar o desmatamento. há menos dinheiro para gastar em infra-estrutura e na adaptação necessária para protegê-los. Neste caso. porque o país saberá bem melhor do que qualquer estrangeiro o que fazer. 5. o provável seria uma resposta afirmativa. se começarmos a investigar seriamente em tecnologias limpas. não implicando que existam outras definições possíveis.. em segundo. permite ³quebrá-lo´ e gerar dois universos distintos. A apresentação através da amplificação é feita com a insistência para ressaltar a repetição. determinar sua forma de trabalhar. da acentuação de certas passagens.Stern ± O certo é que. E isso por duas razões.´ Veja ± O esforço global para reduzir a emissão de gases poluentes pode prescindir do apoio dos Estados Unidos. E terceiro. setor mais vulnerável às mudanças climáticas que sofreremos. e acho que as atitudes e as idéias dos americanos começam a mudar. porque são os mais quentes. O economista aqui apresenta uma resposta que foge à esperada. sugerida por David Miliband.Outro fator é a limitação das atividades econômicas desses países. que são responsáveis por 36 % das emissões? Stern ± Não. Eles estão desenvolvendo iniciativas significativas na Califórnia e em importantes cidades do nordeste. É onde estão os países mais pobres. Perelman (1970) vê este procedimento como um argumento essencialmente filosófico. o economista foi apresentando várias situações para confirmar a sua resposta. por azar geográfico. ressaltando assim o valor do comprometimento com este objetivo. Em primeiro lugar. Países mais pobres têm economia centrada em atividades agrícolas. Nesta resposta há um apelo para que se utilize um meio considerado melhor para a vida do meio ambiente.O reenquadramento através da definição apresenta uma tentativa de impor a definição como quadro de referência para avaliar o real. por volta de 2050 atingiremos um patamar de menor agressão ao meio ambiente.. 6. Uma é a geografia: os países mais próximos do Equador sofrerão duramente. secretário do Meio Ambiente do governo britânico? Stern ± (. Veja ± O que o senhor achou da proposta de ³internacionalizar´ a Amazônia.

depois amenizar a afirmativa através de sua opinião, realçando a mudança da atitude dos Estados Unidos. Os argumentos por vínculos podem ser de natureza análoga ou dedutiva. Deduz-se que uma opinião parte da realidade assim enquadrada, ou se propõe que a realidade enquadrada constitui um dos termos de uma analogia. O uso da analogia constitui o vínculo que a argumentação tece entre a opinião e o contexto de recepção. 8Observe-se o exemplo abaixo:

Veja ± O senhor está otimista quanto à perspectiva de conservação da Floresta Amazônica? Stern ± (...) Essa pressão permanente junto com o papel do país no desenvolvimento de biocombustíveis e o esforço para proteger as florestas, faz do Brasil um ator extremamente importante na luta pela diminuição das emissões de gases poluentes. Neste exemplo, o entrevistado utiliza o argumento dedutivo da onipotência para mostrar a responsabilidade do Brasil para o assunto tratado. Este argumento supõe que o Brasil ainda não tenha pensado que a convocação de seu poder o obriga a aceitar uma tese com a qual ele não estaria necessariamente de acordo. 9- O vínculo dedutivo de reciprocidade trata-se de uma regra de justiça, de natureza puramente formal segundo a qual ³os seres de uma mesma categoria essencial devem ser tratados da mesma maneira´ (Perelman, 1988, p. 80). Veja ± Dentro de quanto tempo o mundo começará a sentir os efeitos do aquecimento global? Stern ± Dentro de quarenta a cinquenta anos sentiremos o impacto do que já fizemos contra o planeta. São efeitos que aparecerão na forma de desastres naturais, como secas, enchentes e furacões progressivamente mais intensos. Não importa o que fizermos agora, esses efeitos serão sentidos, eles já são inevitáveis. A reciprocidade existe na medida em que se deduz que quanto maior o problema, maior será a consequência. Isto é, o que o ser humano fizer ao planeta, ele devolverá ao ser humano. 10- O argumento pertencente ao vínculo analógico está presente na comparação abaixo: Stern ± O Brasil tem grandes áreas de terra pobre, assim como a Ásia Central e a América do Norte. Comparar consiste em tecer um vínculo entre duas realidades, colocando-as em relação de maneira aceitável e produzindo através deste fato uma transferência de qualidades de uma realidade para outra. 11- Já no trecho abaixo, percebe-se uma analogia através do argumento do exemplo.

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Stern ± Apesar de não terem apoiado o Tratado de Kioto, os Estados Unidos estão começando a mudar. E não são os únicos. A Índia e a China também estão mudando. Na China já foram definidas fortes metas de eficiência no uso de energia. O uso do exemplo para convencer é freqüente, pois se observa que muitas vezes a pessoa está à procura de um exemplo para justificar a sua argumentação. No fragmento acima, a Índia e a China estão seguindo o exemplo dos Estados Unidos em relação à mudança. A função argumentativa consiste em analisar o funcionamento de um texto cujo objetivo é convencer de uma opinião. Para isto, é preciso verificar se o texto em questão é realmente argumentativo e depois identificar os grandes argumentos usados bem como seu encadeamento. No texto da revista Veja, as respostas dadas pelo economista Nicholas Stern possuem o objetivo de convencer o leitor de que o problema do aquecimento global é grave e que isto afetará seriamente o Brasil. Não há presença de figuras de estilo, pelo contrário, o entrevistado trabalha muito com dados científicos baseados em estatísticas e exemplos. ³Se deixarmos as coisas tal como estão hoje, o planeta vai perder entre 5 % e 20 % do PIB mundial. Estamos falando, portanto, de perdas que podem chegar a cerca de 7 trilhões de dólares.´ Nas respostas está presente um grande número de argumentos diferentes, já demonstrados anteriormente como os enquadramentos e os vínculos. A entrevista se dirige aos cidadãos do Brasil, precisamente, aos políticos e empresários que precisam mudar o comportamento em relação ao meio ambiente. ³Não falta tanto tempo assim. Pode acontecer durante a vida de nossos filhos e netos. Temos de agir fortemente nos próximos vinte anos para reduzir os riscos de que isso aconteça.´

ARGUMENTAÇÃO.
Sabemos que todo texto parte de um produtor/emissor que pretende persuadir o seu leitor/receptor, usando, para tal propósito, vários recursos da natureza lógica e linguística que levem o leitor a crer no que o texto diz e a fazer o que ele propõe. A esses recursos chamamos procedimentos argumentativos.

Recursos argumentativos.
Um dos mais importantes desses procedimentos é a unidade textual, isto é, o texto deve tratar de um só assunto que será o seu objeto central. Um texto repleto de informações desencontradas torna-se dispersivo, ininteligível. Isso não significa que não haja variedade, desde que essa variedade explore a mesma matéria, ou seja, inicie, desenvolva e termine dentro do mesmo tema central. Outro recurso importante é a comprovação das teses defendidas com citações e referências a autores e/ou textos autorizados, que darão maior peso e validade às afirmações feitas. É o recurso que se costuma chamar argumento de autoridade. 26

Os recursos de natureza lógica não poderão ser desprezados. Através do raciocínio e da razão estabelecem-se correlações lógicas entre as partes do texto, apontando as causas e os efeitos das alternativas produzidas. Isso dará consistência ao texto, ligando os seus segmentos e aumentando a sua força persuasiva. Não esqueçamos ainda que idéias gerais e abstratas terão maior força se puderem vir acompanhadas de dados da realidade observável, de exemplos concretos adequados, que darão confiabilidade ao que for afirmado. Ao tratarmos de temas polêmicos, que apresentem versões divergentes, é importante a refutação de argumentos contrários . Deve-se expor com clareza as objeções conhecidas e contra-argumentar solidamente. Esses são alguns recursos que podem ser explorados pelo produtor do texto para tentar persuadir o leitor.

Atividades práticas:
1) As frases dos seguintes parágrafos estão desordenadas. Confira-lhes uma seqüência, numerando-as convenientemente: a) ( ) E, caso se pretenda a promessa feita, em 1955, pelo então Ministro dos Transportes, Bernardo Mattarella, de dotar Roma de um metrô tão extenso quanto os de Paris ou de Londres, a cerimônia não se dará antes de 150 anos.( ) E isso já terá sido uma façanha, pois a inauguração de todo o sistema, tal como foi replanejado em 1962, não ocorrerá nos próximos cinquenta anos. ( ) Nesse ritmo, foram construídos, nos últimos doze anos, apenas 14 quilômetros de linhas, o que permite prever a inauguração da totalidade das duas primeiras linhas para dentro de dois ou três anos.( ) Por enquanto, a escavação de seus túneis avança a uma velocidade bem mais modesta ² 1200 metros por ano.( ) Quando ficar pronto, o metrô de Roma correrá a 50 quilômetros horários, em média. b) ( ) Calor é uma modalidade de energia que nos causa as sensações de quente e de frio.( ) Quando um corpo é aquecido, diz-se que sua temperatura se eleva. ( ) Essas sensações são interdependentes do estado de aquecimento dos corpos.( ) Quandoum corpo é resfriado, diz-se que sua temperatura baixa. ( )A grandeza que representa esse estado de aquecimento é a temperatura.( ) Avaliam-se as temperaturas, aproveitando-se o fenômeno calor-dilatação.

Comunicação informativa e persuasiva. PERSUASÃO E ARGUMENTAÇÃO.
Em geral, quem toma a palavra não quer apenas comunicar alguma coisa. Quer persuadir outro. Quer convencê-lo de que está certo ou de que suas razões são melhores (ou simplesmente boas) e interferir na ação do outro. Muitas vezes, pretende vender uma ideia, imagem, um estilo de vida.

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Ingedore G. São Paulo: Cortez. 1996. outro subjetivo e ideológico. a intenção de tal forma que faça esse leitor consumir certo produto ou assumir determinada ideia como verdadeiros e únicos. ao passo que o segundo leva a inferências que podem levar esse auditório ² ou parte dele ² à adesão aos argumentos apresentados´. (KOCH. Villaça Koch sobre o ato de persuadir: ³Enquanto o ato de convencer se dirige unicamente à razão. por meio de argumentos plausíveis ou verossímeis. o sentimento do(s) interlocutor(es). o ato de persuadir. pois. Nelas. objetivo. dirigindo-se. Em outras palavras. temporal e particular (são bons exemplos o discurso político. Observe o que diz a estudiosa da linguagem Ingedore G. mas vender ideias e modos de viver. temporal. subjetivo. através de um raciocínio estritamente lógico e por meio de provas objetivas. é necessário passar pelo convencimento. assim. como ocorre no raciocínio matemático). na propaganda. nos enlatados da TV. há uma intenção de interferir na vontade e na ação do interlocutor que se deseja atingir. somos bombardeados pelo discurso persuasivo na política. outro muitas vezes subliminar. capaz de atingir um ³auditório universal´. Nos dias de hoje. basta uma boa fórmula de ³venda´. a um ³auditório particular´: o primeiro conduz a certezas. meios econômicos. o anúncio publicitário e qualquer discurso que queira interferir em nossa vontade e em nossa ação).) Ingedore Koch explica o ato de persuadir comparando-o com o ato de convencer: enquanto o segundo é lógico. um claro. elas procuram atingir as pessoas em sua vontade e ação. nas telenovelas. Na prática. 4.Para tanto. Uma definição e um exemplo. Argumentação e linguagem. expor conceitos ou apresentar histórias. subjetivo. A separação feita pela autora. objetivo. o primeiro é ideológico. Villaça. ed. para que a persuasão surta efeito. 28 . sendo. Veja na tira de humor apresentada a seguir um exemplo claro de persuasão. é didática porque evidencia a existência de dois níveis de ³convencimento´: um lógico. Essas produções vêm carregadas de ideologia: não desejam apenas mostrar produtos . pois. não há apenas o desejo de convencer o leitor. é difícil desvincular o ato de convencer do ato de persuadir. o consumidor ou o cidadão de que um produto ou uma idéia são bons. e tem caráter ideológico. que quase sempre se resume na utilização de uma argumentação convincente e de uma linguagem competente e adequada ao interlocutor. possuindo caráter puramente demonstrativo e atemporal (as conclusões decorrem naturalmente das premissas. procura atingir a vontade. na persuasão. Explica ainda que. no entanto. atemporal e universal (o melhor exemplo é o do raciocínio matemático). por sua vez.

29 . mas sem voz fora de seus domínios domésticos. após ingerir o alimento. essa expressão sempre foi utilizada para a mulher dona-de-casa. ou as funções das pessoas. sem dar trabalho e sem desejar intrometer-se no mundo masculino. Observe. um discurso persuasivo. Partindo do conhecimento das fantasias de Calvin. subjetivo (os argumentos apresentados são de ordem subjetiva: o pai os escolheu por saber que influiriam na vontade do filho) e particular(os argumentos são eficazes apenas naquela situação específica). y o pai sabe que um argumento convencional do tipo ³coma que tem vitaminas´ ou ³coma porque isso é bom para a saúde´ não funcionaria para o ³público´ que deve ser ³convencido´ (o filho). Calvin acredita que algo está realmente acontecendo com ele (³Estou me sentindo estranho. tempo-(o ato se dá num momento específico da vida do pai e do filho). uma forma de fazê-la desejar continuar ali. é ideológico (ideia de que é preciso ingerir aquele alimento). utiliza. Na tira em questão um efeito psicológico tão completo que. Não apresenta motivos lógicos para que o filho compreenda a necessidade de tal alimento.. O ato de persuadir. y o pai apresenta um argumento que atende a essas expectativas. 1986. sim. pois apresenta o alimento fundamentado no conhecimento das expectativas do filho. dita ³rainha´ no lar. Ora. São Paulo: Circo Editorial. y o pai interfere na vontade do filho (este come o alimento). na tira.´). Observe as características do discurso persuasivo posto em prática pelo pai nesta tira: y o pai deseja ³vender´ a idéia de que aquele alimento é bom.) O vocabulário que se escolhe para designar as coisas. Outros recursos de persuasão: Leia a tira a seguir: (CIÇA. a resposta às mulheres que reivindicam participação e melhores condições na sociedade.(WATTERSON. monstros e animais falantes). Uma forma de mantê-la feliz e ³importante´ onde sempre esteve. Bill. explorando o universo e os valores do interlocutor€ no caso. 7 mar 2000) O pai pretende convencer o filho a comer um alimento do qual não gosta. Quando bem arquitetado. capaz de interferir na vontade e na ação do garoto. A admiração de que elas estejam reivindicando num congresso é acompanhada pela expressão ³rainha do lar´. y o pai conhece as fantasias do filho em relação a um mundo criado por sua imaginação (com mutantes. Calvin. na tira que você acabou de ler.. pode ser um momento de persuasão. Pagando o pato. o ato persuasivo atinge profundamente o interlocutor. Calvin O Estado de S Pau/o. A persuasão é bem-sucedida. o pai apresenta ao filho um argumento mais do que convincente.

. 5 abr. não procurou apresentar provas. Quando se fala em ³enxugamento da máquina administrativa´. Nesse caso. com toda a carga negativa que conhecemos hoje e que muitos conheciam na época. aceitam-se bem certos termos amenos para designar realidades não tão amenas. nacional-socialismo. depoimentos. está-se usando uma expressão delicada para a temida ³dispensa de pessoal´.. a expressão remete-se à situação anterior. sua utilização sempre fez parte de um discurso persuasivo. mas se impôs pela força. em certa altura. Um exemplo: o partido nazista nasceu com o nome Nationalsozialist. a contestação. Em reportagem sobre emprego e horas de trabalho. Repare como isso se manifesta na prática. Da abreviação nazi mais o sufixo-ismo formou-se nazismo. que mostra uma situação nova. autoritariamente. etc.O uso dessa expressão sempre pretendeu provocar determinadas reações emocionais nas mulheres que se dedicavam aos serviços domésticos: sentimentos de satisfação e plenitude que tais serviços por si não trariam. já desnudava o verdadeiro significado de sua ideologia. Já se disse que a persuasão é um dos muitos frutos da sociedade democrática grega. a reengenharia . [as empresas] adotaram a prática do melhor resultado ao menor custo possível. dados. sem permitir diálogo. A persuasão ² democracia e autoritarismo. O mesmo ocorre com a palavra ³reengenharia´. de ³felicidade´ e silêncio. (grifo dos autores) Enfim. Alguns exemplos atuais. na sua argumentação. a revista Veja. porque não têm o impacto da casa dos 2 ou dos 100 reais? Na área econômica. a terceirização. muito conhecidos nossos. Mais uma vez. Não houve persuasão. 2000.. o ³apelido´ do partido. Instauraram-se o downsizing. De 30 . no entanto.processos que levam à redução de pessoal´. exemplos. trata-se de palavras que vendem uma imagem limpa e tranquila ² indolor ² de uma situação na verdade dolorosa para o trabalhador. o nome com o qual se denomina a mulher serve para colocá-la no lugar em que se deseja que ela fique. Há muitas outras situações em que o vocabulário é utilizado com o objetivo de ³dourar a pílula´ e influenciar ideologicamente um determinado interlocutor ou público. que nada mais são do que formas de persuasão. (Veja. também podem ser citados. Nessa tira. Na área das vendas quem nunca foi atraído por preços do tipo R$ 1. diz o seguinte: ³Lançadas numa competição feroz.99 ou R$ 99. Isso significa que o tal fulano. Portanto. em que as mulheres organizam-se para reivindicar algumas coisas. Observe a diferença que há entre dizer nacional-socialismo e nazismo! A propaganda política com o nome original certamente criou adeptos incautos e desinformados. temos uma figura de linguagem ² eufemismo ² sendo trabalhada como recurso persuasivo.99. Com certeza você já ouviu o trocadilho ³Fulano apelou para um argumento de força e não a força do argumento!´.

é preciso atentar a duas condições fundamentais: a situação em que se produz o discurso e a intencionalidade. Mas o discurso persuasivo se tinge de cores autoritárias se não permitir a intervenção do outro. pois vêm sempre 31 . Um discurso de intimidação que pode ser utilizado em qualquer situação em que haja fortes e fracos. apesar de autoritário. No entanto. a mulher. está na boca do político que exige: ³Vote em mim!´ ou que tenta mostrar. ela mostra um contexto de dominação do mais fraco pelo mais forte. principalmente se essa força é amparada.) Embora haja dois personagens nessa tira. se a intenção de seu autor for a dominação ou a manutenção do poder. essa tira é um pouco antiga e muitas coisas mudaram de lá para cá. autorizada pela sociedade. Pense bem!´ .Não há um diálogo. há um monólogo. não conte comigo pra divorciar´. paternalmente. Fala e não permite réplica. Nessa tira ocorre um tipo de persuasão muito comum entre desiguais: a persuasão pela força e pelo poder autorizado. O discurso autoritário torna-se persuasivo na medida em que não deixa alternativa a quem se vê submetido pela força do outro. o livre consentimento é um jogo democrático. apenas um fala: o homem. que está certo: ³Você pode até considerar as promessas de Fulano boas. a troca de argumentos com a intenção de obter adesão. 1986. A conjunção condicional (se) atenua o tom operativo. Ele demonstra saber de antemão que as coisas funcionam dessa maneira. o discurso se reveste de um certo tom de conselho: ³se você fizer besteira. Por isso. São Paulo: Circo Editorial. está falando em seu nome. O outro personagem. pois por trás do conselho há a experiência paterna pairando sobre a experiência do filho. Pagando o pato.fato o diálogo. (CIÇA. E. mas a intimidação é indiscutível. Quando o homem diz: ³Te mato. Felizmente. sou absolvido e pronto´. O discurso autoritário está nas palavras do pai que impede o filho de fazer algo e até do pai que aconselha o filho a não fazer algo. ³Fica avisada´ . mas está aludindo claramente a um mundo regido por leis que permitirão homem matar uma mulher.É isso que entendemos ao ler a tira e é isso que a cartunista quer criticar. mas depois vai se arrepender. encontra-se nas palavras do chantagista e do tirano. pode achar que ele está dizendo a verdade. de uma forma mais drástica. Pode até votar nele. alego motivo de paixão. alegar motivo de paixão e ser absolvido. No caso dessa tira. apenas ouve e é assim que ela deve permanecer: ouvindo e aceitando o que lhe é dito. porque os argumentos e a realidade conhecida pelos dois são suficientes para mostrar que não se trata de um conselho e sim de um desejo que exige ser cumprido.

agindo sobre seus desejos mais profundos. podemos apresentar em lugar de destaque.. etc. mas acenando com a perspectiva do arrependimento ou inferioridade em relação a outros consumidores.´).. metáforas. todo cidadão é visto como um consumidor em potencial. o coração não sente´). lazer. y criação de trocadilhos. que não deixam opção ao espectador: ³Não perca esta oportunidade. Os objetivos: vender o produto. belos homens. As imagens das propagandas. manipuladores da vontade do consumidor. apropriaram-se de forma tão eficiente do discurso persuasivo que hoje persuasão e propaganda tornaram-se praticamente sinônimos. Ligue já! As primeiras cinqüenta pessoas que ligarem ganharão. São. nem sempre se utiliza de argumentos em sua forma clássica.acompanhadas de promessa de castigo físico ou moral. criar necessidades. famílias felizes. que prometem beleza. mais racional (motivos. exemplos). hipérboles. por isso. etc. Sem promessa de castigo físico ou moral. ou ainda prometendo o paraíso aqui na Terra. sucesso. não esfrega roupa. em linhas gerais. yalusão ao mundo conhecido do público-alvo (uma certa marca de sabão em pó diz que apresenta ³gente que não faz´ ² não passa horas na lavanderia. a linguagem da propaganda. fazendo referência a um programa chamado ³Gente que faz´. Apela para formas mais sutis. que prenunciam grandes aventuras. eufemismos.). são de carros magníficos. enraizar hábitos. os anúncios procuram criar necessidades. que vão desde a 32 . autoritários. etc. de paisagens maravilhosas. uma marca de esponja de lavar louça que promete acabar com a sujeira e também com as bactérias diz: ³O que os olhos não veem ela extermina´. Para as agências de propaganda. Para conseguir persuadir. numa referência ao dito popular ³O que os olhos não veem. induzindo as pessoas a acreditarem que são infelizes se não adquirirem determinado bem de consumo. yemprego do modo imperativo dos verbos. como isso se dá em relação à linguagem verbal e à imagem. São técnicas de envolvimento. na maior parte das vezes. chegar à dependência. observamos a utilização de recursos como: y figuras de linguagem (comparações. Sob uma aparência de descontração e brincadeira. de belas mulheres. razões. Na linguagem. utilizando várias linguagens para pôr em prática seu discurso persuasivo.². Assim. metonímias. A persuasão e a propaganda. um modo autoritário de expressão (basta ver as insistentes propagandas de telemarketing. A propaganda normalmente trabalha com as expectativas do público ao qual se dirige. jogos de palavras. fotografados dos ângulos que mais os valorizam. o discurso persuasivo da propaganda. Veremos aqui. felicidade. portanto.

assim. etc.. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2. Atividades práticas: 1) Às vezes. Fulano recomenda. o desejado secretamente pelo consumidor). atletas. mas. Os argumentos abaixo podem ser recusados por várias razões: ( 1 ) a premissa não é verdadeira. e você?). o fino. ³o nº1´ etc. globalizações (³9 em cada 10 usam . comunicadores. ( 3 ) a premissa não é suficiente para a conclusão. comparações com países do chamado Primeiro Mundo). que soa familiar ² e as pessoas acreditam no que lhes é familiar). acabou por se transformar numa das formas mais agudas de dominação. as letras exóticas k. o elegante. R-____________________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______ 4. uma conclusão é fruto de uma série de premissas. consomem tal produto. Assim. Os argumentos e recursos persuasivos se revestem. Os alunos devem usar cadernos de papel reciclado. não dizem nada: ³isso é que é . ³o mais rico´. Escreva nos parênteses o número correspondente a cada caso. passando pela criatividade na construção de seus textos (as pessoas apreciam o que é criativo. bem-humorado. o saboroso.utilização de uma linguagem muito próxima da utilizada pelo consumidor (uso do padrão coloquial. w e y.As provas de múltipla escolha devem ser proibidas. recusamos a conclusão tirada da(s) premissa(s). ³raro prazer´. ³o mais vendido´.. etc. de generalidades (expressões que parecem dizer tudo. entre outros. 1.). 33 . na verdade. O parlamentarismo deve ser implantado no Brasil. ( 2 ) a conclusão não é uma decorrência lógica da premissa. justamente por estar em jogo o interesse econômico. Devemos comprar sempre carros nacionais. a propaganda comercial. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Em muitos casos. inteligente) até as mais diversas formas de sedução (o belo. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 3.³segundo o especialista Fulano estrangeirismos (marcas e rótulos usando palavras estrangeiras.). mais de você em você´. filha da democracia capitalista. o agradável. Indique duas premissas de cada conclusão dada a seguir. argumento de autoridade (³o Dr. transferência de prestígio (artistas.

Muitos pivetes assaltam nos grandes centros. Em todos os casos a seguir. por isso devemos evitá-las. Deve ser permitida a presença de camelôs nas ruas. por isso considero aconselhável que se reveja a lei de proteção ao menor. ( ) 3. O Ibope indica que o candidato X terá mais de cinquenta por cento dos votos de todos os eleitores. por isso acho urgente uma revisão no sistema ortográfico. ( ) 4. ( ) 5. ( ) 4) As inferências são de dois tipos: indutivas (do particular para o geral) e dedutivas (do geral para o particular). O governo Brizola construiu muitas escolas. A empresa não paga devidamente aos funcionários. ( ) 2.O livro sobre a vida e a obra de Nélson Rodrigues é muito grosso e caro. É muito melhor gastar quinhentos dólares nos Estados Unidos do que no Nordeste. Os camelôs vendem mais barato. Uma pesquisa demonstrou que as águas das praias cearenses estão poluídas. ( 7. 1. O povo deve votar com o PCB. 1. Bermuda não é traje indecente. verifique se elas são fruto de generalização (G). As máquinas de escrever custam cada vez mais caro. por isso os aviões para Miami estão cheios. ( ) 9. Devemos copiar as leis americanas. ( 4. temos inferências indutivas.1. ( ) 3. Tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Classifique as premissas dos argumentos a seguir de acordo com esses três tipos. Os camelôs apresentam deficiências físicas. Os alunos têm que apelar para a cola. ( ) 2. relação de causa / efeito (C) ou analogia (A). Os camelôs devem ser protegidos. Os alunos acham a prova muito difícil. A ortografia da língua portuguesa é de difícil aprendizagem. ( ) 6. ( ) 5. ( ) 8. Devemos escrever com canetas esferográficas. ( ) 3) As premissas de um raciocínio são normalmente de três tipos: fatos(F). O PCB protege o povo contra a exploração. julgamentos (J) ou testemunhos de autoridade (T). Os alunos deviam ser proibidos de usar bermuda nos colégios. O analfabetismo decresceu no Governo Brizola. por isso acho perda de tempo votar em qualquer outro. por isso 34 ) ) . Os funcionários da empresa devem entrar em greve.

que são muito preguiçosos e festeiros. Os marinheiros têm uma namorada em cada porto. seu pai! ( ) força 5. Medindo grupos de cidadãos brasileiros de várias partes do país. por isso as mulheres devem evitar casar-se com eles. ( ) 4. classificando-as de acordo com o código: 1 ) círculo vicioso ( 6) generalização excessiva 2 ) estatística tendenciosa ( 7 ) estereótipo 3 ) fuga do assunto ( 8 ) simplificação exagerada 4 ) argumento autoritário ( 9 ) falsa analogia 5 ) confusão causa / efeito 1. Eu não acredito que você esteja me dizendo essas coisas.deve vender pouco. ( ) 4. sentem dor e prazer. como os seres humanos. Machado de Assis é. Os animais também amam. Os restaurantes estão fazendo como as lojas de roupas. ( ) 2. por isso estão vendendo mais. ( ) 5) Leia o texto e responda às perguntas: Contam que um soldado vivia sempre bêbado. Virou-se para o soldado e disse: € Veja. ( ) 35 . pôs. Collor foi eleito por mais de cinquenta por cento dos eleitores. e morrem. no mesmo copo. sem dúvida. uma gema de ovo e o resultado foi uma goma asquerosa. já que nenhum outro entre nós conseguiu igualar-se a ele. Por que falar de crueldade quando se defendem? ( ) 5. inferimos que os nordestinos são mais baixos que os sulistas. Não é conveniente instalarmos uma fábrica na Bahia pois certamente teremos problemas com os operários. Todos os problemas do mundo desapareceriam se os homens se dedicassem mais à religião.Um dia. mostroulhe um copo onde colocou cachaça. o melhor escritor da literatura brasileira. ( ) 3. ( ) 3. oferecendo pratos a preços mais baratos. o sargento o chamou. em seguida. o que lhe dava política para resistir a pressões. eu. soldado. o que você pretende fazer? € Nunca mais vou comer ovo! 1) Que tipo de inferência indutiva foi usada pelo sargento? R-__________________ __________________________________________________ 2) Por que a inferência surpreendeu? R-____________________________________________________________________ 3) Analise os raciocínios a seguir e identifique as possíveis falhas. o que acontece com seu estômago quando você bebe! Depois de ver isso. ( ) 2.

6 e que setenta por cento dos alunos não conseguiram atingi-la. a) Transcreva a tese de Vergílio Ferreira. de modo geral. Os professores são diferentes de qualquer outro tipo de gente do planeta. 58. como ser vivo que é. (FERREIRA. As notas de dez estudantes nas provas foram 94. A própria língua. Vergílio. mas não podemos obrigá-lo a beber. 60. A língua mastiga e joga fora inúmeros arranjos de frases e vocábulos. [.( ) 10.] Ora. 62. decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar. não há nada que o professor possa fazer. Portugueses não são bons em matemática.( ) 7. Mas também é quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens de uma perspectiva adulta e no entanto todo o adulto cumpre o que julga seu dever. Em defesa da língua.6. a afirmação básica que o autor aceita como verdadeira e defende nesse trecho.. ( ) 8. Foi decepcionante! ( ) 9. 66. Embora haja oito portugueses em cada dez alunos do curso. Mas fixar no antigo a norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo. 1. uma tarefa ambígua e até certo ponto inútil. 61. podemos levar o camelo até a água. isto é. 36 . o choque ou oposição situam-se normalmente na linha divisória do novo e do antigo. Se os estudantes não querem estudar. ela absorve e integra a seu modo de ser. Eu tenho dificuldades no aprendizado de língua estrangeira. ln: Estão a assassinar o português! (trecho adaptado). no que se refere à língua.. as quatro maiores notas são de brasileiros e as quatro piores. todos os membros da minha família apresentam o mesmo problema. 64. Outros. de portugueses.(Unicamp-SP) Defender a língua é. R-_____________ _______________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Transcreva o argumento no qual o autor se baseia para defender sua tese. pois parece que nunca se preocupam com o dinheiro que recebem por seu trabalho. Uma análise dos resultados mostra que a média foi de 63. 59. até o limite das origens da língua. R±_______________________________________________ _____________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Texto para as questões de 1 a 4. 56.( ) Argumentação e persuasão nos exames. Afinal de contas.

conheceu uma espécie de paraíso urbano.´ 1)(PUC-SP) Assinale a alternativa correspondente ao tema em torno do qual se organiza o discurso apresentado: a) O paraíso urbano e a máquina. discutíamos nela. dá mais importância a ela do que a si próprio.³No meio da década de 20. então. na rua. nada de pedestres desprotegidos e desmotorizados para retardar o refluxo¶. cedeu seu espaço à máquina. d) A utilização do espaço pelo homem depende de sua ação com o mundo. b) O homem. as pessoas comparavam a rua de então com a de sua juventude. quando pressionado. A perspectiva desse novo homem no carro gerou uma nova concepção de rua. µDeixar nossa casa significava que. caminhar pelas grandes avenidas europeias era sair para ser expulso da rua pelo tráfego. 2) (PUC-SP) O texto defende a tese de que: a) O homem. b) O homem e o espaço urbano. no passado. enquanto os cavalos e veículos passavam suavemente . d) O homem antigo e o moderno. e o homem sobreviveu a esse tipo de mudança. Depois de esquivar-se e lutar contra o tráfego. dizem as pessoas quando fazem referência a essa época. no mundo moderno.A rua era. descobriu um novo ser e deu novo ritmo a todos os seus atos. o espaço que acolhia os homens. ³A rua nos pertencia: cantávamos nela. ³Foi como se o mundo tivesse subitamente enlouquecido´. b) O homem. no texto. pouco tempo antes.Acontece que esse idílio terminou. alia-se às forças adversas e incorpora-se ao seu poder. e) A modernidade e o poder da máquina. 3) (PUC) ³O homem da rua incorporou-se ao novo poder. tornandose o homem no carro. Chocadas e desorientadas. O homem da rua incorporou-se ao novo poder. uma vez cruzada a soleira da porta. c) O tráfego no mundo moderno. pelo andar de automóvel nas grandes avenidas. mas corrompeu-o e dele foi expulso. que passou a orientar os planejamentos urbanos daí por diante. aliando-se à máquina. que lhes permitia se moverem à vontade. tornando-se o homem no carro. portanto. c) A integração perfeita do homem à rua antiga foi abandonada quando ele se 37 . homens.´ Essa afirmação foi utilizada. nós estávamos em perigo e podíamos ser mortos pelos carros que passavam. por esse motivo. animais e veículos coexistiam pacificamente em uma espécie de paraíso urbano. acabou identificando ±se por inteiro com as forças que o estavam pressionando . para demonstrar que: a) O homem tornou-se moderno quando trocou o andar a pé. c) O mundo moderno só admite pessoas que sabem operar as máquinas com perícia. em um ritmo que podia acolher tanto as discussões quanto a música . as ruas passaram a pertencer ao tráfego. e) O homem. os especialistas ² ³nada de pessoas exceto as que operam as máquinas. O homem sentia-se diretamente ameaçado e vulnerável. ³ Numa rua verdadeiramente moderna´ € diziam. quando o automóvel tinha feito sua aparição com força total.

e) Dissertativo. 4) (PUC-SP) Observando-se o tipo de composição do texto. francês. O acesso à universalidade do debate filosófico pressupunha assim o domínio de uma multiplicidade de línguas. o ensino da filosofia e o acesso da população em geral à filosofia foram sempre encarados de modo muito elitista. O filósofo expressa ainda que de modo singular a voz de um Homem. com elementos descritivos e dissertativos. no ensino superior. TIPOS DE CONECTORES E MARCADORES ARGUMENTATIVOS A argumentação faz parte da linguagem na medida em que desejamos . gerando. No corpus. Em alguns casos. excelentes traduções. A grande maioria dos leitores e amantes da filosofia contentava com comentários em português sobre obras escritas noutras línguas. A filosofia dirige-se a todos os homens e não a nenhum em particular. agora. Ainda há bem pouco tempo. com exclusão de argumentos. por vezes. Em Portugal. c) Descritivo. d) O carro deu ao homem novas perspectivas de vida. Todas as traduções eram encaradas como traições ao espírito e à letra da obra. Universalismo. os operadores e conectores encontrados no artigo ³Universalismo´. um tipo de urbanização que protege o pedestre. inclusive. quando falamos ou escrevemos. etc). Exigência a que só poderiam aspirar em teoria um grupo muito restrito de poliglotas.identificou por inteiro com a máquina. tinham quase sempre que ser feitos na língua usada pelos respectivos autores (grego. alemão e outras línguas pouco faladas entre nós. Tudo isto apesar de existirem em português. Observaremos. surgem com freqüência obras em latim. com exclusão de argumentos. Nos próprios manuais escolares do ensino secundário. grifamos esses conectores. por exemplo. russo. latim. Compreender o pensamento de um filósofo implicou sempre a exigência de uma renúncia ainda que temporária ao português. os textos que os alunos tinham que comentar. A coesão seqüencial apresenta palavras que atuam especificamente na junção dos elementos do discurso. com elementos narrativos e descritivos. cujo acesso lhes era vedado na sua língua materna. persuadir nosso interlocutor. conclui-se que ele é: a) Dissertativo. deteminando o modo pelo qual se conectam as porções que se sucedem. com exclusão de descrições. chega-se a fazer referências bibliográficas de manuscritos apenas acessíveis em recônditos arquivos no estrangeiro. inglês. Nas bibliografias que são indicadas para os alunos que iniciam os seus estudos por volta dos 15 anos. ainda hoje é corrente este pressuposto. 38 . ou de edições raríssimas no mercado internacional. Já os operadores argumentaivos são responsáveis pela sinalização da argumentação. d) Narrativo. b) Narrativo.

mas um modo singular de entender o saber como um instrumento de poder. (Carlos Fontes) Operadores Argumentativos introduz um argumento a Ainda favor marca de oposição ainda que orienta no sentido da Apenas negação marca de oposição apesar de liga elementos de duas ou E mais escalas orientadas no mesmo sentido marca de oposição Mas orienta no sentido da Pouco afirmação Por exemplo ajusta e esclarece a afirmação anterior e Conectores Argumentativos coesão sequencial por junção relação de restrição relação de alternância que ou para relação de mediação Articulação sintática de oposição: Esse tipo de articulação se faz por meio de dois processos: a coordenação adversativa e a subordinação concessiva. no entanto. que traduz não o conceito de universalização da filosofia o tornar acessível a todas as grandes questões da humanidade-. Resquícios de uma tradição elitista e profundamente antidemocrática que ainda percorre muitas universidades portuguesas e que só recentemente se tem vindo a esbater. continuarem a não existirem traduções acessíveis de muitos dos grandes clássicos da filosofia. mas as jóias ainda não foram recuperadas. entretanto. contudo.Chegamos ao ponto. contudo. 39 . entretanto as jóias ainda não foram recuperadas. porém. O texto anterior poderia ter uma versão como: A polícia conseguiu prender todos os ladrões. Estamos perante uma prática. no entanto. todavia. A coordenação adversativa implica a utilização dos articuladores: mas. é possível utilizar todos os outros articuladores: porém. de numa língua falada por mais de 215 milhões de pessoas em todo o mundo. No lugar do mas. entretanto. todavia. Tomemos como ponto de partida um texto simples: A polícia conseguiu prender todos os ladrões.

O que é interessante é que esses outros articuladores são móveis, dentro da oração em que estão, ao contrário do mas, que tem uma posição fixa, no início dela. Uma sequência como: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias mas ainda não foram recuperadas. é flagrantemente malformada. Outras sequências, utilizando um articulador como entretanto, em qualquer posição, serão perfeitamente bem-formadas: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas. A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram, entretanto, recuperadas. A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram recuperadas, entretanto. Esse fato se deve a que, no português antigo, esses outros articuladores eram apenas advérbios que só apareciam, inicialmente, junto ao articulador mas, com o propósito de acrescentar a ele uma força ilocucional adicional. No português antigo, dizia-se: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, mas, porém, as jóias ainda não foram recuperadas. Decorrido algum tempo, em função da contiguidade sintática, essas palavras, como porém, contudo, entretanto etc., que tinham uma função puramente ilocucional, passaram a adquirir também o significado de oposição. Dessa maneira, passaram a poder, sozinhas, desempenhar o papel de conectores. Mas, como eram advérbios, e os advérbios podem, geralmente, ocupar qualquer lugar em uma sentença (podemos dizer Hoje houve festa no clube ou Houve, hoje, festa no clube, por exemplo), tais articuladores, apesar da mudança de status, continuaram a ter a liberdade sintática de advérbios. Mesmo hoje em dia, é perfeitamente possível utilizar estes elementos acrescentados ao articulador mas: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, mas as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas. Neste caso, a palavra mas funciona sintaticamente como articulador sintático de oposição e a palavra entretanto, apenas como um reforço ilocucional. O segundo processo de realização da articulação sintática de oposição acontece, como dissemos, por meio da subordinação concessiva, utilizando articuladores como: embora, muito embora, ainda que, conquanto, posto que, que são conjunções ou locuções conjuntivas concessivas, e também apesar de, a respeito de, não obstante, que são locuções prepositivas. Vejamos uma versão do texto anterior, utilizando a subordinação concessiva. 40

Embora a polícia tenha conseguido prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram recuperadas. Quando fazemos uso da coordenação adversativa, obviamente, faz um encaminhamento argumentativo contrário ao da oração anterior, frustrando, assim, a expectativa do destinatário. Imaginemos que um funcionário de uma empresa tenha solicitado suas férias ao Departamento de Pessoal do funcionário e passando por lá, ouça do funcionário encarregado a seguinte sentença: ² Fizemos o possível para conseguir as suas férias... Até esse momento, ele não sabe se conseguiu ou não as férias. A conclusão tanto pode ser no sentido de encaminhamento favorável por meio de uma sequência como: . . . portanto, você poderá entrar em férias a partir do dia 13. ou de encaminhamento desfavorável, frustrando sua expectativa, por meio de uma sequência como: . . . mas você não poderá ter suas férias ainda neste ano, por motivo de força maior. Vejamos agora o efeito da utilização da subordinação concessiva. Imaginemos aquele mesmo funcionário, passando pelo Departamento de Pessoal e ouvindo a seguinte sentença: Embora tenhamos feito o possível para conseguir as suas férias... Imediatamente, mesmo sem ter ainda ouvido a sequência da mensa gem, ele já estará sabendo que essa seqüência fará um encaminhamento contrário àquilo que está posto na sentença introduzida por embora. A continuação: . . . você não poderá ter suas férias ainda, neste ano, por motivo de força maior. confirmará, apenas, aquilo que já foi ³telegrafado´ pela oração concessiva. Podemos dizer que a articulação sintática de oposição utilizando a subordinação concessiva tem um efeito de modalização, uma vez que prepara, com antecipação, o destinatário, para uma conclusão contrária ao inicialmente esperado.

Articulação sintática de causa.
Os principais articuladores sintáticos de causa são: Conjunções e locuções conjuntivas: porque, pois, como, por isso que, já que, visto que, uma vez que; Preposições e locuções prepositivas: por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em consequência de, por motivo de, por razões de. Tomemos como ponto de partida o seguinte texto: 41

Não fui até Roma porque estava com pressa de regressar ao Brasil. Poderemos perceber que, utilizando as conjunções e locuções conjuntivas, o verbo se mantém em seu tempo finito. Utilizando, entretanto, as locuções prepositivas, o verbo da oração assume a forma do infinitivo: Não fui até Roma, em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil. Na articulação sintática de causa, a oração causal pode preceder a oração principal: Porque estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. Em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. É interessante notar que a conjunção como só tem valor causal quando é feita essa inversão. Enquanto a seqüência: Como estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma. é perfeitamente bem-formada, uma outra, utilizando o como, mas sem a inversão, não o será: Não fui até Roma, como estava com pressa de regressar ao Brasil. O contrário acontece com a conjunção pois. Ela só pode ser utilizada quando não há inversão: Não fui até Roma, pois estava com pressa de regressar ao Brasil. Invertendo, com essa conjunção, teremos uma sequência malformada: Pois estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma.

Articulação sintática de condição.
O principal articulador sintático de condição é o se. E o único que leva o verbo ao futuro do subjuntivo, quando a oração principal está no futuro do presente ou no presente do indicativo com valor de futuro: Se você viajar hoje à noite, poderá descansar mais amanhã. Se você viajar hoje à noite, pode descansar mais amanhã. Os outros articuladores são: caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que. Esses outros articuladores, na mesma condição, levam o verbo da oração que introduzem ao presente do subjuntivo: Caso você viaje hoje à noite, poderá descansar mais amanhã. A menos que e a não ser que incorporam a marca de negação de uma oração 42

Assim. por exemplo. A conjunção pois só se emprega depois do verbo. Algumas destas conjunções. Seqüências. sua moto com maior segurança. de modo que usará sua moto com maior segurança. com o objetivo de angariar mais votos. Já uma sequência como: Os salários precisam subir com o objetivo de haver uma recuperação do mercado consumidor. vai errar. Se utilizarmos a menos que. na oração principal. Uma seqüência como: Se você não prestar atenção. Os principais articuladores de conclusão são logo. com o propósito de. fica menos aceitável. estes outros articuladores se utilizam em situação em que. então. só se empregam antes do verbo. sua moto com maior segurança. Normalmente. teremos: A menos que você preste atenção. Articulação sintática de fim. entretanto. com o intuito de. por isso.condicional. com a condicional negativa iniciada pelo articulador se. assim. de modo que. em vista disso. A maneira mais comum de manifestar finalidade é utilizando a preposição para. Esses articuladores somente se aplicam em orações condicionais negativas. uma sequência textual como: Ricardo promoveu Carlos. destacam-se: a fim de. portanto. como logo. onde o não fica sendo desnecessário. com a intenção de. Entre os outros articuladores de finalidade. por isso. haja uma construção agentiva. Articulação sintática de conclusão. Seqüências textuais como as seguintes serão bem-formadas: Agnaldo comprou um capacete. com o fito de. É perfeitamente aceitável. usará. manifesta a negação por intermédio do advérbio não. portanto têm a propriedade de cancelar o advérbio não. Agnaldo comprou um capacete. logo só poderá viajar de carro. pois. Os salários precisam subir para haver uma recuperação do mercado consumidor. com o objetivo de. por conseguinte. em sequências como: Os salários precisam subir para que haja uma recuperação do mercado consumidor. que inverterem a ordem dos articuladores ou serão malformadas ou terão outros sentidos: 43 . usará. Sidney vendeu sua moto prateada. vai errar. de modo que. As outras podem ser empregadas antes ou depois do verbo. pois (posposto ao verbo). Agnaldo comprou um capacete.

é possível estabelecer uma articulação sintática sem usar especificamente os articuladores. logo devemos ter sempre coragem e confiança em nosso próprio esforço. desta vez. você poderá descansar amanhã. R-______________________________________________________ ______________ 4) Redija novas versões do texto abaixo. R-____________________________________________________________________ 3) Redija novas versões do texto abaixo. utilizando os articuladores sintáticos de conclusão: Aquele que sobe por favor deixa sempre rastro de humilhação. utilizando-se. não fui até Roma. preparados para o combate. Articulação sintática de fim: Ricardo promoveu Carlos. Em muitos dos casos anteriores. sua moto com maior segurança. mas os navios de Barroso já estavam a caminho. pois usará sua moto com maior segurança. utilizando os articuladores sintáticos de fim: O imperador não lhe prestou inteiro crédito à narração e ordenou-lhe que expedisse para São Cristóvão dois batalhões de primeira linha. R .Agnaldo comprou um capacete. porque a Polícia Federal estava sem os formulários e sem os impressos. Agnaldo comprou um capacete. Exemplos: Articulação sintática de causa: Estando com pressa de regressar ao Brasil. R±____________________________________________________________________ 44 .___________________________________________________________________ 2) Utilizando o texto básico do exercício anterior. objetivando angariar mais votos. dos articuladores de oposição por subordinação concessiva. Articulação sintática de condição: Viajando hoje. bastando para tanto deixar o verbo da oração subordinada no gerúndio. utilizando os articuladores sintáticos de causa: Não consegui tirar meu passaporte nesta semana. usará de modo que. a fim de reforçar-lhe a guarda dos paços. Atividades práticas: 1) Redija novas versões do texto abaixo. redija novas versões dele. R-__________________________________________________________________ 5) Redija novas versões do texto abaixo. utilizando os articuladores sintáticos de oposição (coordenação adversativa) em várias posições dentro da sentença em que aparecem. A esquadra paraguaia largou de Humaitá à meia-noite.

os clientes. Existem estudos indicando a veracidade dessa afirmativa. A Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES). é indiscutível que as boas decisões empresariais resultem de decisões éticas. formou-se em Harvard em 1979. também se beneficia deste movimento. como um todo. os sócios. Ter padrões éticos significa ter bons negócios a longo prazo. Hoje.A Importância da Ética nas Organizações. As organizações necessitam investir continuamente no desenvolvimento de seus funcionários por meio da educação. Os escândalos da Enron e outras companhias dos Estados Unidos mostraram que esquecer-se da ética pode ser um mau negócio. os fornecedores. São freqüentes as queixas sobre a falta de ética na sociedade. a Ética na Atividade Empresarial. 45 . pode desenvolver mecanismos para contribuir para a satisfação dos funcionários. Uma empresa é considerada ética se cumprir com todos os compromissos éticos que tiver. Nos Estados Unidos. Um dos campos mais carentes. A sociedade contemporânea está resgatando comportamentos que possibilitem o cultivo de relações éticas. se adotar uma postura ética como estratégia de negócios. na indústria e até mesmo nos meios esportivos. Nas universidades e escolas brasileiras. Percebe-se. Para a vertente que busca o Bem Comum pautado na Ética. Seus valores. executivos e teóricos em administração de empresas voltaram a se debruçar sobre as questões éticas. o governo e a sociedade como um todo. a Harvard Business School está mais cautelosa na seleção de seus alunos. no que diz respeito à aplicação da ética é o do trabalho e exercício profissional. culturais e religiosos. na política. desde a sua fundação em 1986. nota-se uma modificação gradativa nos currículos com a inclusão e ênfase ao estudo da ética. A famosa escola de negócios passou a incluir um questionário de ética na prova aplicada aos candidatos a uma vaga no curso MBA. ou seja. cada um dos estudantes aprovados é entrevistado individualmente. Estão envolvidos nesse grupo. os funcionários. Jeffrey Skilling. rumos e expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamentos e seu desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã. a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamento mais ético no mundo dos negócios para poder sobreviver e. fundações também estão desenvolvendo estudos em ética organizacional. obviamente. após o escândalo envolvendo a Enron. claramente. as empresas e organizações reagem a situações de curto prazo. Na maioria das vezes. agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela. contudo. atua em quatro grandes vertentes que visam a mobilizar a sociedade civil brasileira na busca do Bem Comum: o Balanço Social. o Diálogo Social e a Formação de Novas Alianças. na Atividade Empresarial. Além disso. A sociedade. A maior parte das organizações independentemente do porte. Por esta razão. obter vantagens competitivas. O ex-diretor geral da Enron.

onde todos estão dispostos a dar de si para a realização das tarefas. Nas atuais economias nacionais e globais. não medem esforços para a 46 . A reputação das empresas e organizações é um fator primário nas relações comerciais. sobretudo após a edição de leis que visam à defesa de interesses coletivos. Sem dúvida. dificultando o estabelecimento de parcerias. sob a perspectiva de seu público mais próximo. Os líderes empresariais descobriram que a ética passou a ser um fator que agrega valor à imagem da empresa. Da mesma forma que o indivíduo é analisado pelos seus atos. Os valores ao seu redor passam a fazer parte delas e elas vêem o cliente como alguém a quem devem o melhor produto ou serviço possível. quer estas digam respeito à publicidade. com a adoção de padrões éticos para suas organizações. se a empresa quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial. acionistas. concluiu que as empresas norteamericanas que renderam dividendos por cem anos ou mais. fornecedores. Assim. responsabilidade social. ao desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas aos recursos humanos. Nessa dimensão ética. como executivos. no sentido de respeito ao meio ambiente. etc. A integridade e o desempenho não são extremidades opostas de um contínuo. onde as tradições de fidelidade e cuidado são marcantes. Ética Empresarial. as práticas empresariais dos administradores afetam a imagem da empresa para qual trabalham. as empresas (que são formadas por indivíduos) passaram a ter sua conduta mais controlada e analisada. qualidade do produto. formais ou informais. entre os empresários. empregados. eram exatamente aquelas que viam na ética uma de suas maiores prioridades. fala-se em empresa cidadã. entre outros. honestidade.O Center for Ethics da Universidade do Arizona. em termos de projeção de seus valores para o exterior. as pessoas trabalham em um nível mais elevado. eficiência do serviço. Quando as pessoas trabalham para uma organização que acreditam ser justa. realização de algum benefício para a comunidade. cada vez mais comum hoje em dia. distinguem-se dois grandes planos de ação que são propostos como desafio às organizações: de um lado. transparência. os integrantes dessas organizações serão analisados através do comportamento e das ações por eles praticadas. De outro lado. tendo como base um conjunto de princípios e valores. colaboradores. Bons negócios dependem essencialmente do desenvolvimento e manutenção de relações de longo prazo e falhas éticas levam as empresas a perderem clientes e fornecedores importantes. Eis a razão da crescente preocupação. respeito ao consumidor. incentivo ao trabalho voluntário. A credibilidade de uma instituição é o reflexo da prática efetiva de valores como a integridade. será importante manter uma sólida reputação de comportamento ético.

capacitam líderes que percorrem os estabelecimentos da organização incentivando o desenvolvimento de um clima ético. por parte de todos os seus colaboradores. destroem uma imagem que consumiu anos para ser conquistada. deparamos com pessoas ou entidades comerciais que em seu discurso. Adquirem a consciência de que a ética nasce de um imperativo. empregados desmotivados. entre outros. a empresa que desenvolve programas de ética. A Construção do Texto Escrito como Ferramenta Básica no Processo Comunicacional. implantam códigos de ética. cientes de que. são exemplos desses ônus. resultados.criação de um sistema que assegure um modo ético de operar. Nessa perspectiva. daqueles princípios e valores. tenacidade. as empresas que se utilizam de todos estes instrumentos. conquistam um clima muito favorável à assimilação. qualidade e eficiência de produtos e serviços. atualmente. Multas elevadas. fraude interna. compreensão. prudência. além de outras ações. reclamando coerência entre os princípios defendidos e as atitudes tomadas. elegem princípios e valores que são levantados como baluartes da organização. Por essa razão muitas empresas de respeito empreendem um esforço organizado. exigência. Para tanto. São muito pesados os ônus impostos às empresas que. quebra da rotina normal. além de outros valores típicos de empresa. com valores pessoais. justiça. Com efeito. excelente fator de competitividade. que emerge de uma convicção interior. preocupando-se com a criação e desenvolvimento de clima ético no ambiente de trabalho. perda da confiança na reputação da empresa. O TEXTO E SUA COERÊNCIA. Frequentemente. Sob a proteção desses postulados. cooperação. afirmam uma coisa. idealizam programas (hoje em dia programas virtuais) de treinamento para seus executivos e empregados. agregada à sua imagem. na prática. 47 . criam comitês de ética. mas. a integridade nos negócios exige profissionais altamente capazes de compaginar princípios pessoais e valores empresariais. tais como: honestidade. a fim de encorajar a conduta ética entre seus empregados. em apenas um dia. que pouco a pouco vão se disseminando por toda a organização. despreocupadas com a ética. É perfeitamente plausível e absolutamente necessário aliar lucros. fazem o contrário do que apregoam. Daí o motivo de muitas empresas terem adotado elevados padrões pessoais de conduta para seleção de seus empregados. terá. Procedimentos de Coesão. sempre respeitando a filosofia da organização e os princípios do direito. enfrentam situações que muitas vezes. produtividade.

se revelou mais promissora a editoras de livros do que para a Rede Globo. com inicial maiúscula. a coesão se manifesta no plano da superfície do texto. 44 mil domicílios só na Grande São Paulo. Nos últimos três meses. isto é . devemos sempre estar atentos à coerência. Ao produzirmos nossos textos. A adaptação televisiva de Os Maias. houve um estouro: alcançou a marca dos 40 mil livros vendidos. antes de a minissérie a mesma obra vendia míseros 3 mil exemplares por ano.nº 3. etc.Quando alguém. segundo o Ibope. percebe que ele não funciona. nas relações linguísticas (emprego de conectivos. Nesse caso. ou seja. l8 fev. 2001) 1) O termo ibope aparece três vezes no texto: no título. o mercado editorial agradece a ótima audiência. não há adequação entre o discurso e a realidade dos fatos ² o discurso é incoerente. sinônimos. mal tem chegado aos 15 com a exibição da minissérie. perderemos a credibilidade e a confiança do leitor. Já nas livrarias. coesão e coerência são complementares na construção de sentido dos textos. grafado com inicial minúscula: no corpo da matéria. compra o produto e. advérbios. a perda da confiança e da credibilidade ocorre porque se diz uma coisa e se faz outra. Caso contrário. Afinal. motivado por um anúncio publicitário que exalta as qualidades de um medicamento para emagrecer. depois de usá-lo. Um grande ibope nas livrarias. (Tudo o que eu quero. sente-se lesado e não mais confia na empresa que o forneceu. pois percebe que foi vítima de uma propaganda enganosa. Está certo que um ponto de audiência na TV representa. A emissora que no horário ultrapassa facilmente os 20 pontos no Ibope em São Paulo. do encadeamento das ideias.). a) Que é Ibope? R±____________________________________________________________________ b) Em que sentido a palavra ibope é utilizada no título da matéria? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Apesar de constituírem fenômenos distintos. do escritor português Eça de Queiroz. pronomes. Mesmo assim. Enquanto a coerência se manifesta no plano do conteúdo. os resultados surpreenderam. 48 .

. R±____________________________________________________________________ 49 . O emprego desse adjetivo é coerente? Justifique. Quais são esses universos e que palavras o utiliza para retomá-lo? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) A coerência resulta. Essa amarração é realizada com o emprego dos elementos de coesão. entre outras coisas. R-____________________________________________________________________ 3) A afirmação de que ³a adaptação televisiva de Os Maias [.] se revelou mais promissora para as editoras de livros do que para a Rede Globo ´ encontra justificativa coerente no texto? Justifique.. elementos linguísticos que operam essa amarração. o autor utiliza o adjetivo míseros para caracterizar o número de exemplares do livro vendidos. a palavra emissora retoma um termo anteriormente expresso. no texto.a) No texto. Destaque. Qual? R-______________________________________________________ ______________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O termo Os Maias é retomado em dois universos distintos. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Ao referir-se à vendagem do livro Os Maias antes da apresentação da minissérie pela TV Globo. de uma perfeita amarração dos diversos segmentos que compõem o texto.

e: a) Descubra qual é o total de domicílios da Grande São Paulo considerado pelo Ibope. o mercado editorial agradece a audiência da minissérie? R-__________________________________________________________ __________ 50 . R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Faça uma estimativa do número total de telespectadores que assistiu à minissérie Os Maias. a Globo perdeu audiência no horário. além das contidas no texto. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 8) Por que. Use essa informação. aproximadamente quantos domicílios da Grande São Paulo deixaram de sintonizar a emissora no horário da minissérie? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __________________________ __________________________________________ ____________________________________________________________________ 6) Se os dados apresentados no texto demonstram que a audiência da minissérie ficou abaixo da que costumava ocorrer no horário. quando o Ibope divulga uma audiência de 20 pontos para certo programa na Grande São Paulo. é coerente o emprego do adjetivo ótima na última frase do texto para caracterizar a audiência? R-___________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 7) Os pontos do Ibope são pontos percentuais. com a exibição da minissérie Os Maias. embora abaixo da média do horário. isso significa que 20% dos domicílios da região estão sintonizados no programa. Levando em conta os dados fornecidos pelo texto. Isto é.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ __________________________________ __________________________________ 5) Segundo o texto.

para guardar a coerência o texto deve apresentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade. na esquina em que ficava. discordar. explicar. Observe o texto que segue: Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. o texto também não é uma simples sucessão de frases. pois o frio era tanto que chegou a nevar ´. o exemplo acima poderia fazer sentido. A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmentos textuais: cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte. No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a realidade ³normal´ pré conhecida. Sabemos que.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ COERÊNCIA TEXTUAL. Uma afirmação como: ³Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão. O Texto: Produção de Leitura e Escrita. Um dia. temos um texto em que há coerência. divertir. ordenar. por sua vez. convencer. formando uma cadeia em que todos eles estejam harmonicamente concatenados. Ao ler uma frase como ³No verão passado. o contexto seria a ³anormalidade´ e prevaleceria a coerência interna da narrativa. A coerência é também resultante da adequação entre o que se diz e o contexto extraverbal (aquilo que o texto faz referência. Quando isso ocorre. em Fortaleza não neva. mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores. Ele era tão fraquinho.´ é coerente. ainda mais no verão! Claro que. inserido numa narrativa ficcional fantástica. na medida em que a frase inicial (Foi um verdadeiro milagre!) instrui o tom para a anormalidade do fato narrado. considerada uma realidade ³normal´. que. dando coerência ao texto ² nesse caso. Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras. um motorista. influindo sobre eles. percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realidade e o que se relata. que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de amendoim. o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. quando estivemos na capital do Ceará. 51 . não pudemos aproveitar a praia. que precisa ser conhecido pelo receptor). será pressuposto para o(s) que lhe suceder(em). perde-se a coerência textual. ou seja. Fortaleza. Quando há quebra nessa concatenação ou quando um segmento textual está em contradição com um anterior. Produzimos textos porque pretendemos informar.

mais simples de perceber. quando uma criança lhe corta a frente. Mas nem todos explicitam de maneira clara em que consiste essa coerência. salvou-lhe a vida. Se. Assim. é incoerente relatar. como conseguiu carregar um homem corpulento até o carro? Quando se fala em redação. Um texto coerente é um conjunto harmônico. competência. é claro que esse outro deixou de possuí-lo. Assim. sanção. não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais. perdeu a direção. que era um homem corpulento. e como se pode consegui-la. 2) coerência figurativa. Correu para o carro e tirou de lá o motorista. depois de ser brecado. a posterior depende da anterior. Constitui. de uma redação escolar. sobre a qual tanto se insiste. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. uma incoerência narrativa relatar uma ação realizada por um sujeito que não tinha competência para realizá-la. O menino não pensou duas vezes. portanto. nada ilógico. a fase em que esse alguém adquire um poder ou um saber para realizar aquilo que ele quer ou deve. vamos lembrar que manipulação é a fase em que alguém é induzido a querer ou dever realizar uma ação. Sabemos que a estrutura narrativa tem quatro fases distintas:(manipulação. sempre se aponta a coerência das ideias como uma qualidade indispensável para qualquer tipo de texto. nada desconexo. Resumidamente. Coerência deve ser entendida como unidade do texto. competência. em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante. apresenta uma incoerência: se o menino era tão fraco que quase não podia carregar a cesta de amendoins. a fase em que se recebe a recompensa ou o castigo por aquilo que se realizou. performance e sanção). por exemplo. por exemplo. que para imediatamente. nada contraditório. parou um carro e levou o homem para o hospital. Todos os elementos do texto devem ser coerentes.que vinha em alta velocidade. para mostrar o que é coerência. a fase em que de fato se realiza a ação. um sujeito só pode fazer alguma coisa (performance) se souber ou puder fazê-la (competência). Outros casos de incoerência narrativa podem ocorrer. Assim. No texto coerente. numa certa altura da narrativa. Coerência narrativa. Esse texto. performance. Carregou-o até a calçada. Essas quatro fases se pressupõem. isto é. Vamos mostrar apenas três dos níveis em que a coerência deve ser observada: 1) coerência narrativa. Vamos partir de exemplos de incoerências. um personagem adquire um objeto de outro. É incoerente narrar uma história em que alguém está descendo uma ladeira num carro sem freios. que roubaram de uma senhora um 52 . 3) coerência argumentativa.

valiosíssimo colar de pérolas e, numa passagem posterior, sem dizer que ela o tenha recuperado, referir-se ao mesmo colar envolvendo o pescoço da mesma senhora numa recepção de gala. Um outro tipo de incoerência narrativa pode ocorrer em relação à caracterização dos personagens e às ações atribuídas a eles. No percurso da narrativa, os personagens são descritos como possuidores de certas qualidades (alto, baixo, frágil, forte), atribuem-se a eles certos estados de alma (colérico, corajoso, tímido, introvertido, apático, combativo). Essas qualidades e estados de alma podem combinar-se ou repelir-se, alguns comportamentos dos personagens são compatíveis ou incompatíveis com determinados traços de sua personalidade. A preocupação com a coerência e a unidade do texto pressupõe que se conjuguem apropriadamente esses elementos. Se na narrativa aparecem indicadores de que um personagem é tímido, frágil e introvertido, seria incoerente atribuir a esse mesmo personagem o papel de líder e agitador dos foliões por ocasião de uma festa pública. Obviamente, a incoerência deixaria de existir se algum dado novo justificasse a transformação do referido personagem. Uma bebedeira, por exemplo, poderia desencadear essa mudança. Muitos outros casos de incoerência desse tipo podem ser apontados. Dizer, por exemplo, que um personagem foi a uma partida de futebol, sem nenhum entusiasmo, pois já esperava ver um mau jogo, e, posteriormente, afirmar que esse mesmo personagem saiu do estádio decepcionado com o mau futebol apresentado é incoerente. Quem não espera nada, não pode decepcionar-se. É incoerente ainda dizer que alguém é totalmente indiferente em relação a uma pessoa e caiu em prantos quando soube que ela casou-se e viajou para o exterior. As incoerências podem ser utilizadas para mostrar a dupla face de um mesmo personagem, mas esse expediente precisa ficar esclarecido de algum modo no decorrer do texto.

Coerência figurativa.
Suponhamos que se deseje figurativizar o tema ³despreocupação´. Podem-se usar figuras como ³pessoas deitadas à beira de uma piscina´, ³drinques gelados´, ³passeios pelos µshoppings¶´. Não caberia, no entanto, na figurativização desse tema, a utilização de figuras como ³pessoas indo apressadas para o trabalho´, ³fábricas funcionando a pleno vapor´. Por coerência figurativa entende-se a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que mantêm entre si. As várias figuras que ocorrem num texto devem articular-se de maneira coerente para constituir um único bloco temático. A ruptura dessa coerência pode produzir efeitos desconcertantes. Todas as figuras que pertencem ao mesmo tema devem pertencer ao mesmo universo de significado.

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Suponhamos, a título de exemplo, que se pretenda figurativizar o tema do requinte e da sofisticação para caracterizar um certo personagem. Para ser coerente, é necessário que todas as figuras encaminhem para o tema do requinte. Pode-se citar, ao descrever sua casa: a lareira, o tapete persa, os cristais da Boêmia, a porcelana de Sèvres, o doberman ressonando no tapete, um quadro de Portinari e outras figuras do mesmo campo de significado. Constituiria incoerência figurativa gritante incluir nesse conjunto de elementos Agnaldo Timóteo cantando num CD um bolero sentimentalóide. Essa ruptura se justificaria se a intenção fosse o humor, a piada, a ridicularização, ou mostrar o paradoxo de que o requinte é apenas exterior. Sem essas intenções definidas de denunciar o paradoxo ou de ridicularizar, as figuras pertencentes a um mesmo tema devem articular-se harmoniosamente. Um último exemplo. Suponhamos que se queira mostrar a vida no Pólo Norte. Podemse para isso usar figuras como ³neve´, ³pessoas vestidas com roupas de pele´, ³renas´, ³trenós´. Não se podem, porém, utilizar figuras como ³palmeiras´, ³cactos´, ³camelos´, ³estradas poeirentas´.

Coerência argumentativa.
Quando se defende o ponto de vista de que o homem deve buscar o amor e a amizade, não se pode dizer em seguida que não se deve confiar em ninguém e que por isso é melhor viver isolado. Num esquema de argumentação, joga-se com certos pressupostos ou certos dados e deles se fazem inferências ou se tiram conclusões que estejam verdadeiramente implicados nos elementos lançados como base do raciocínio que se quer montar. Se os pressupostos ou os dados de base não permitem tirar as conclusões que foram tiradas, comete-se a incoerência de nível argumentativo. Se o texto parte da premissa de que todos são iguais perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem obrigadas a pagar imposto de renda. O argumentador pode até defender essas regalias, mas não pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei. Assim também é incoerente defender ponto de vista contrário a qualquer tipo de violência e ser favorável à pena de morte, a não ser que não se considere a ação de matar como uma ação violenta.

A ambiguidade.
A ambiguidade ocorre quando não se atenta para o fato de que uma construção frásica possibilita mais de um entendimento. Na maior parte das vezes, escreve-se sem perceber que a estrutura se tornou ambígua. Observe a seguinte frase: O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho. 54

Para quem redigiu a frase, com certeza, a ideia é clara; mas, para quem a lê, não há como saber o que de fato se deseja comunicar. Quem viajará para Belém? Da forma como a frase está redigida, não é possível afirmar se será Ronaldo, a equipe ou o coordenador. Um procedimento eficaz para evitar ambiguidades é a releitura e a revisão de tudo o que se escreve. Tal hábito não só evitará que erros grosseiros acabem passando , mas também permitirá que o texto ganhe em precisão vocabular e clareza nas opções sintáticas. Como resolver a ambiguidade citada acima? O problema está no uso do pronome relativo QUE sem uma delimitação concreta do seu antecedente.

O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho.
Sendo Ronaldo o antecedente, a mensagem é que ele viajará para Belém.

O coordenador da equipe de Ronaldo, apresentou as diretrizes do trabalho.

que viajará para a filial de Belé m,

Sendo a equipe o antecedente, a mensagem é de que ela viajará para Belém.

O coordenador da equipe de Ronaldo, que viajará para a filial de Belém, apresentou as diretrizes do trabalho.
Sendo o coordenador o antecedente, a mansagem é que ele viajará para Belém. Dessa forma, embora o pronome QUE esteja na preferência de uso dos pronomes relativos, não convém usá-lo em caso de ambiguidade, devendo-se optar pela forma equivalente O QUAL e suas flexões. Vale lembrar que não se devem usar indistintamente as formas com marca de gênero e número do pronome relativo, reservando-se para serem aplicadas nos casos de possíveis ambiguidades. Veja o exemplo a seguir:

O coordenador de Maria, que viajou ontem, já enviou os relatórios.
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já enviou os relatórios.No caso acima. já enviou os relatórios. O coordenador de Maria . em função anafórica. que viajará para a filial de Belém. A coordenadora de Maria. nem sempre é possível resolver a ambiguidade apenas substituindo o pronome relativo QUE. fica claro que quem viajará será toda a equipe. a ambiguidade também não se resolve. o qual viajou ontem. a ambiguidade não se resolve. a relatórios. é preciso igualmente especificar a quem o pronome relativo se refere. então. A coordenadora de Maria. esta. se não houvesse oposição de gênero. a qual viajou ontem. uma vez que se continua sem saber quem viajou para Belém. a qual viajará para a filial de Belém. Ao se substiuir o QUE por O QUAL. já enviou os Assim. apresentou as diretrizes do trabalho. Há. apresentou as diretrizes do trabalho. aqu ela. viajou ontem. já enviou os relatórios. se a coordenadora ou Maria. já enviou os relatórios. A coordenadora de Maria. não resta dúvida de que foi Maria quem viajou. Ao substituir o QUE por A QUAL. 56 . a qual viajou ontem. basta substituir o pronome relativo QUE por O QUAL (se se desejar dizer que quem viajou foi o coordenador) ou por A QUAL (se se desejar dizer que quem viajou foi Maria). não resta dúvida de que foi a coordenadora quem viajou. Repare que a ambiguidade se mantém. viajou ontem. O coordenador de Maria. três possibilidades de redação para dar fim à ambiguidade: O coordenador da equipe de Ronaldo. Contudo. a qual. Vejamos a frase anterior: O coordenador da equipe de Ronaldo. por exemplo. Assim. No caso acima. Nesse caso. Com o uso de A QUAL. se o coordenador ou Ronaldo. pois continua-se sem saber quem enviou os relatórios. é preciso especificar a quem o pronome relativo se refere. qual. a substituição do QUE por O QUAL / A QUAL não solucionaria o problema. utilizando os pronomes ESTE e AQUELE e suas flexões. Nesse caso.

Atividades práticas: 1) Elimine a ambiguidade das frases a seguir: a) A máquina da seção. que precisavam ser cadastrados. realizando alterações. fica claro que quem viajará será o coordenador. Com o uso de O QUAL. viajará para a filial de Belém. resolver a falta de clareza.O coordenador da equipe de Ronaldo. fica claro que quem viajará será Ronaldo. R±__________________________________ __________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ d) Os amigos de Mariana. Entretanto. 57 . R-____________________________________________________________________ ______________________________ ______________________________________ ___________________________________________________________________ c) As secretárias das repartições. é provável que se prefira reescrever a frase a acrescentar eleme ntos apositivos para eliminar a ambiguidade. que foram informadas. Com o uso de O QUAL. viajará para a filial de Belém. Em alguns casos. este. chegarão amanhã. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Os relatórios dos funcionários. foi comprada recentemente. adicionando-se o pronome AQUELE. adicionando-se o pronome ESTE. que se encontra paralisada. enviaram os documentos necessários. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Outro caso comum de ambiguidade ocorre com o pronome SEU. aquele. O coordenador da equipe de Ronaldo. daí a necessidade de conhecer bem as possibilidades de evitá-la. apresentou as diretrizes do trabalho. continham informações importantes a respeito da negociação. O tio de Pedro pediu a Paulo que encomendasse seus remédios. apresentou as diretrizes do trabalho. isso não será possível em todas as situações. Observe a frase a seguir e procure . a quem entregamos o livro. o qual. o qual.

choveu muito. Aquela. portanto. constituídas por raciocínios inválidos de natureza dedutiva ( ou seja. quando se constroem os argumentos para comprovar as idéias num texto. os bueiros entopem. que pode simular veracidade no discurso.) O erro pode. ³ainda que cometamos um número infinito de erros. diferenciando-a do sofisma. na verdade. O bueiro está entupido. de modo a evitar a ambiguidade. sendo resultado de uma argumentação mal formada. fruto de um erro. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ As falácias. Exemplo: Se chover muito. Entende-se por falácia um raciocínio falso. Vejamos os tipos de falácia: 1) Falácia da afirmação do consequente : De premissas possivelmente verdadeiras. Logo. só há. Outro problema bastante grave na composição textual ocorre quando a argumentação se torna incoerente pelo uso de falácias. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Antes que apresentasse seus papéis. Em seu livro Comunicação em Prosa Moderna.(Haverá certamente uma terceira maneira de errar: raciocinando mal com dados falsos. a) O pai disse ao filho que não se esquecesse de seus documentos.De quem são os remédios? Do tio? De Pedro? De Paulo? R±_____________________________________________________ _______________ ____________________________________________________________________ 3) A partir das soluções encontradas no exercício anterior. caindo no pensamento falacioso . duas maneiras de errar: raciocinando mal com dados corretos ou raciocinando bem com dados falsos. corrija as frases a seguir. Para Garcia. quando ocorre erro por se ter apreciado erroneamente a matéria (os fatos). ocorre involuntariamente. 58 . quando ocorre erro resultante de um vício de forma). mesmo que o raciocínio pareça coerente. Muitas vezes. tira-se uma conclusão falsa. Othon Moacir Garcia aponta a natureza da falácia.´ As falácias podem ser formais. e podem ser materiais. resultar de um vício de forma ± raciocinar mal com dados corretos ± ou de matéria ± raciocinar bem com dados falsos. Este ocorre voluntariamente. contudo. ignorando as demais possibilidades. quando se deseja propositalmente induzir o interlocutor a um pensamento enganoso. Sérgio disse a Marcos que sua vaga estava garantida. peca-se pelo desvio do foco argumentativo. do ponto de vista lógico.

Exemplo: É falso que toda criança mente. não choveu muito. por causarem impacto. Exemplo: Depois de ir ao cinema. quando se afirma a mesma ideia com outras palavras.. Logo. O problema do falso axioma reside em criar máximas e frases feitas. é desnecessário comprovar por demonstração. as pessoas tomarem para si explicações a partir do que aconteceu a outrem. pode levar a uma conclusão imperfeita. 7) Falácia de ignorância da questão : Quando se deixa que a emoção. pai de família. Exemplo: A andorinha voa. ela teve uma crise de apendicite. Exemplo: Se chover muito. ou seja. negando-se a primeira premissa. fugindo aos fatos. ao raciocínio objetivo. os bueiros entopem. Exemplo: Temperar carne de porco na hora de assar não dá bons resultados.. no dia-a-dia. vou usar óculos. 6) Falácia do acidental : Ocorre quando se confunde o acidental com o essencial e vice-versa. pois é um homem trabalhador. 8) Falácia da ignorância da causa : Quando se toma qualquer circunstância acidental como causa de um fato. o cinema causa apendicite. Se eu tiver dor de cabeça. 10) Falsos axiomas: Por axioma entende-se um princípio de demonstração desnecessária. Quando se diz que o todo é maior que a parte. marido dedicado. não se respeitam as leis de oposição. acabam servindo de um raciocínio com verdade aparente. temperar carne de porco é inútil. Exemplo: Investir na Bolsa de Valores é perigoso porque é imprevisível e arriscado. não são respeitadas as leis da oposição. Exemplo: A verdade sai da boca das crianças. para apelar a algo que comova ou irrite o interlocutor. por ser evidente. É comum. Essa máxima pode ser empregada 59 . Logo. cumpridor de seus deveres civis. a paixão e até mesmo a veemência desloquem a atenção do assunto. Exemplo: Meu vizinho costumava ter dores de cabeça. Depois que começou a usar óculos. 9) Falsa analogia : Como a analogia é uma semelhança. O bueiro não está entupido. nunca mais sentiu nada. Exemplo: O réu não merece ser condenado por homicídio. Logo. nenhuma criança mente. 3) Falácia de conversão : Neste caso. 4) Falácia de oposição : Como no caso anterior. Logo. tudo o que voa é andorinha.2) Falácia da negação do antecedente : Semelhante à anterior. 5) Raciocínio circular (círculo vicioso) ou petição de princípios : Quando se apresenta a própria declaração como prova dela. gerando uma conclusão falsa. que. Logo.

na língua oral. e carente Paralelismo Sintático e Semântico. Em regra. deve-se procurar manter o paralelismo semântico. Os termos que se relacionam mantêm paralelismo semântico. e. na língua escrita. ou Queríamos duas modificações: que a data de entrega fosse antecipada e que o orçamento fosse revisto. se for apresentada como irrefutável de demonstração. para evitar um discurso falacioso. Mais precisamente é o estudo dos morfemas. aqui. Entendendo: 1) Sintaxe ± estudo de uma língua examinada como sistema de meios de expressão. não apontar elementos incongruentes como adição ou oposição. assim se se focaliza apenas a significação externa das palavras concentrada no radical. Pode-se acrescentar o estudo dos traços fônicos. e da grafia correspondente. Assim. ou seja. Da mesma forma. a leitura do texto. Trataremos. mas não sintático. deve-se reescrever a frase de uma das maniras a seguir: Queríamos duas modificações: a antecipação da data de entrega e a revisão do orçamento. ou morfologia. Sempre deve haver correlação sintática e semântica entre termos que se somam ou se opõem num texto. que é DETERMINADO). da necessidade de se manter o paralelismo sintático e semântico. 2) Semântica ± estudo da significação das formas linguísticas. Observe a frase a seguir: A administração de empresas se apresenta hoje como uma boa opção de carreira porque há excelente remuneração no mercado e porque seu pai 60 . Ou se mantém a estrutura nominal ou a estrutura oracional.para manipular a verdade. Observe a frase a seguir: Queríamos duas modalidades: a antecipação da data de entrega e que o orçamento fosse revisto. que permitem a apreensão linguística pela distinção acústica dos elementos enunciados. e dos processos de estruturação do sintagma (conjunto binário em que um elemento DETERMINANTE cria um elo de subordinação com outro elemento.

mas coerentes. Cuidado para não construir falácias! a) Votamos em candidatos honestos porque ___________________________________ e ___________________________________ b) Escolhemos dois comportamentos que você precisa adotar: ____________________ __________________ e ___________________________________ 2) Complete as frases a seguir com argumentos sólidos. Observe: Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar Um homem vai devagar. unidas por ³e´. violência. fome. Um cachorro vai devagar Um burro vai devagar Devagar.) Como o paralelismo semântico não é mantido. mas que não são coerentes. Atividades práticas: 1) Complete as frases a seguir com dois elementos. O novo milênio começa mal! Texto de abertura de um grande telejornal.. Repare que ocorre um paralelismo sintático. guerras. bem como textos que apresentam mecanismos de coesão. observando os paralelismos sintático e semântico. Mas o paralelismo semântico não é mantido. não serve de justificativa para a carreira de administrador de empresas ser uma boa opção.sempre gostou de finanças. pois são construídas duas orações causais. 61 . Corrupção. A coesão textual é elemento facilitador para a compreensão do texto. o que não ocorre com a segunda. A primeira justificativa constitui um verdadeiro argumento para afirmativa anterior. ( O fato de seu pai sempre ter gostado de finanças. Podemos ter textos desprovidos de elementos de coesão. criminalidade. as janelas olham. não-falaciosos: a) É necessário diminuir as horas de improdutividade na empresa porque ____________ _______________________ _______________________________________________ b) Nunca nadamos duas vezes nas mesmas águas de um mesmo rio porque __________ _____________________________________________________________________ c) É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço destinado a ele porque _________ ____________________________________________________________________ COERÊNCIA E COESÃO. mas é a coerência que lhe dá sentido.. facilmente se cai num raciocínio falacioso.

como. Se. dos conceitos. mas da própria concatenação das ideias apresentadas na argumentação. estabelecendo um tipo de relação entre as duas orações. opiniões. pois como vimos as pessoas têm ² felizmente ² opiniões diferentes sobre um mesmo tema. pois não há relação de adversidade pelo fato de o time não ter jogado bem e o de ter perdido. o texto é incoerente. mas a coerência textual ou seja. por exemplo. descritivos ou dissertativos. ed. Na produção de textos dissertativos. Poesia completa & prosa. por exemplo. Já em: O time não jogou bem. não poderemos apresentar como conclusão que o Banco do Brasil deva ser imediatamente privatizado. exemplos. O que importa nesse caso não é a tese em si.Êta vida besta. Coerência dissertativa. Carlos Drummond de. Enquanto a coesão se manifesta no plano linguístico. expusermos argumentos. o que dispensa os elementos coesivos. meu Deus. muitas vezes discutimos assuntos polêmicos. No entanto. Tanto o texto de abertura do telejornal como o poema de Carlos Drummond de Andrade são estruturados a partir de enumerações. o sentido dos textos deve-se à coerência global. tornando o texto incoerente. sejam eles narrativos. em que estão presentes convicções de natureza étnica e religiosa que variam de indivíduo para indivíduo. nas relações semânticas e gramaticais entre as partes do texto. pois tal conclusão estaria em contradição com os pressupostos apresentados. a coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que foi anteriormente apresentado. Portanto. num texto dissertativo. Nesse tipo de texto. dados. 1967. a fim de defender determinada ideia ou questionar determinado assunto. dermos exemplos e dados contrários à privatização de empresas estatais. Rio de Janeiro: José Aguilar. a legalização do aborto. a coerência se manifesta no plano das ideias. sempre haverá pessoas que discordarão dela. mas perdeu. temos a conjunção mas funcionando como importante elemento coesivo. A coerência deve estar presente em todos os tipos de texto. a pena de morte. Na dissertação apresentamos argumentos. a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação. Atividades práticas: Textos para as questões 1 e 2: 62 . ou seja. que decorre da situação de comunicação (telejornal) e do gênero textual (poesia). No entanto. ANDRADE. qualquer que seja a tese que defendamos. 3a.

Enquanto isso. da Rede Globo. ³banho de desatenção´ . sob a tempestade. sob uma tempestade. sobre as quais colocavam bastante catchup. se esquece da continuidade. exibidas segunda em ³Porto dos Milagres´. batatas fritas. Que banho de desatenção! Esse continuista bem que poderia tomar uma ducha fria para acordar.Paulo. mostram que a Globo. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 63 . Folha de S. estão praticamente secas. Leu no jornal que seu amigo havia entrado na faculdade e acordou bem cedo.³Secador dos milagres´ estraga cena de chuva. Cena 2: A chuva para. a) Naquela manhã. embora seus cabelos ainda estejam molhados. como que por milagre. O homem se vai. apesar de investir em tecnologia para dar realismo à tempestade no mar. encharcada. encharcado. Sua tarefa será apontá-la e explicá-la. um grupo musical cantava música sertaneja e pagode.1) 1) O texto faz referência às incoerências ocorridas na apresentação de um capítulo da novela Porto dos Milagres. O paletó de Félix já está seco. crianças comemoravam um aniversário com hambúrgueres. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Com que intenção a autora empregou as expressões ³secador dos milagres ´. Na mesa ao lado. selavam o acordo. ³ducha fria´ ? R-____________________________________________________________________ 3) Os textos seguintes apresentam algum tipo de incoerência. em voz baixa. e Félix se molha de novo. (CROITOR. Seu capataz chega no guarda-chuva e. cumprimentando-o. em um elegante e caro restaurante em que era o preferido dos altos executivos de empresas do ramo de telecomunicações. Enquanto empresários. As cenas. Já as longas madeixas de Lívia. Novo milagre. Cena 1: Félix (Antonio Fagundes) está no cais. Paulo ligou para o amigo. que estava no mar. Aponte essas incoerências. 2001. Cláudia. R-____________________________________________________________________ ___________________________________________________ _________________ b) A reunião para o acerto da venda das ações ocorreu num jantar. o rosto e a roupa de Félix ficam secos. 25 fev. Lívia (Flávia Alessandra) está no mar revolto.

É o que se pode observar em seus romances regionais. pois sua obra não só é a vida urbana do Rio de Janeiro. R-____________________________________________________________________ 64 . já que conselhos não interessam para mim pois sei cuidar da minha vida.´ R-____________________________________________________________________ _____________________________________________________ _______________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) ³ Pela manhã.Paulo. Era uma carta em branco e não liguei para os conselhos. Garfield. 30 mar. a)³Pela tarde chegou uma carta a mim endereçada. recebi uma carta repleta de conselhos. em branco. só ganhei uma folha em branco. Dentro só tinha uma folha.´ R-____________________________________________________________________ _________________________________ ___________________________________ 4) A tira seguinte retrata mais uma cena do atribulado cotidiano de Jon e seu guloso Gato Garfield. 2000. Jim. R-___________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Nos textos seguintes há algum tipo de incoerência. um dos maiores escritores brasileiros.c) Machado de Assis é.´ R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) ³Eu não ganhei nenhum presente. DAVIS. O envelope não tinha nada dentro. a) Explique em que está centrado o humor da tira. como também tem por cenário outras regiões do país. sem dúvida. Aponte-a e comente-a. Folha de S. abri-a correndo sem nem tomar fôlego. meu retrato de pôster e um CD dos Beatles. estava vazio.

____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O texto falado por Jon é gramaticalmente coeso? Por quê? R-____________________________________________________________________ _______________________________________ _____________________________ ____________________________________________________________________ c) Sem alterar a estrutura gramatical. substitua a conjunção portanto por outra coordenativa. não nos perdemos por entre os enunciados que o constituem. Como se pode observar. Essas relações de sentido são manifestadas sobretudo por certa categoria de palavras. mas das relações de sentido que existem entre eles. os enunciados desse texto não estão amontoados caoticamente. Diz-se. É sabido ainda que a população escrava era recrutada principalmente entre prisioneiros de guerra. foi necessário encontrar outra forma de manter inalterada essa população. R-____________________________________________________________________ Coesão textual (1. percebe-se que há conexão entre cada uma das partes. observe-se o texto que vem a seguir: É sabido que o sistema do Império Romano dependia da escravidão. A coesão de um texto. Com efeito. isto é. A essa conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto dá-se o nome de coesão. Sua função no texto é exatamente a de pôr em evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. que um texto tem coesão quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si. quando há concatenação entre eles. Em vista disso. é possível perceber a conexão existente entre os vários segmentos de um texto e compreender que todos estão interligados entre si. a conexão entre os vários enunciados obviamente não é fruto do acaso. sobretudo para a produção agrícola. nem perdemos a noção de conjunto.) Quando lemos com atenção um texto bem construído. as quais são chamadas conectivos ou elementos de coesão. Como o sistema não podia prescindir da mão-de-obra escrava. de modo a tornar a fala de Jon mais coerente. mas estritamente interligados entre si: ao se ler. A título de exemplificação do que foi dito. 65 . a pacificação das fronteiras fez diminuir consideravelmente a população escrava. pois.

que. que manifesta uma outra relação causal. num texto. de. para que. ela. pode-se observar a função de alguns desses elementos de coesão.) serve para dar continuidade ao que foi dito anteriormente e acrescentar um outro dado: que o recrutamento de escravos era feito junto dos prisioneiros de guerra. é constituído de várias orações. O período composto. para que as boas condições de vida sejam preservadas. os pronomes: ele. por. Para dar ideia da importância desses elementos na construção das frases e do texto.. quando. ou. se não estiverem estruturadas com coesão. esse. para. aí. devem abandonar a cidade. quando não. incompreensível. produzem um sentido obscuro.. é a conjunção se). etc. O uso inadequado sempre tem efeitos perturbadores.. e a oração principal é: devem abandonar a cidade. O uso adequado desses elementos de coesão confere ao texto e contribui consideravelmente para a expressão clara das idéias. que. assumem a função de conectivo ou de elemento de coesão: as preposições: a. assim.No caso do texto citado acima. no caso. lá. O período que segue é plenamente compreensível porque os elementos de coesão estão bem empregados: Se estas indústrias são poluentes. 66 . A coesão no período composto. que indica a finalidade que se quer atingir com a expulsão das indústrias poluentes (o conectivo é a conjunção para que). de acordo com as regras do sistema linguístico. embora. tornando certas passagens incompreensíveis. A palavra ainda no primeiro parágrafo (³ É sabido ainda que ´. isto é: foi necessário encontrar outra forma de fornecimento de escravos porque o sistema não podia prescindir deles. com. e. mas. vamos comentar sua funcionalidade em algumas situações concretas da língua e mostrar como o seu mau emprego pode perturbar a compreensão. seu. aquele. o qual. depois da oração principal segue uma terceira oração. sua. São várias as palavras que. que estabelece uma relação de implicação causal entre o dado anterior e o que vem a seguir: a pacificação das fronteiras diminui o fornecimento de escravos porque estes eram recrutados principalmente entre os prisioneiros de guerra. os advérbios: aqui. este. as conjunções: que. como o nome indica. Esse período consta de três orações. etc. antes da principal vem uma oração que estabelece a condição que vai determinar a obrigação de as indústrias abandonarem a cidade (o conectivo. O terceiro parágrafo inicia-se pelo conectivo como. O segundo parágrafo inicia-se com a expressão em vista disso.

devemos ter claro o que pretendemos dizer e. Ora. Um argumento cínico. uma vez que seu pai se opusera à realização. nas suas redações. uma vez escrito o enunciado. no entanto. (1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. a quarta à terceira. TEXTO COMENTADO. Não é raro. 4) que se trava entre as grandes potências: oração subordinada adjetiva. é cínica e improcedente. 2) que tenta mostrar a todos: oração subordinada adjetiva. já que é ele que determina a direção que se pretende dar ao texto. (4) Cínica porque a sonegação. que nesse caso se pratica.Muitas vezes. é ele que manifesta as diferentes relações entre os enunciados. A segunda oração está subordinada àquela que seria a primeira. A escrita não exige que os períodos sejam longos e complexos. No segundo período. começou uma sucessão de inserções e ³esqueceu-se´ de desenvolver a ideia principal. Ao dizer que todo o desejo de que os amigos viessem à sua festa desaparecera. a invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. os alunos constroem períodos incompreensíveis. A primeira oração está incompleta. O aluno colocou o termo a que se refere a segunda oração. a terceira é subordinada à segunda. todos sabemos que uma oração subordinada pressupõe a presença de uma principal. (2) Como pretexto. Basta usar a intuição linguística que todos os falantes possuem e reler o que se escreveu. só ocorrem orações subordinadas. ocorrerem períodos desprovidos da oração principal. referindo-se ao termo homem. mas que sejam completos e que as partes estejam absolutamente conectadas entre si. Ao escrever. Falta-lhe o predicado. (3) Como argumento. 3) que a corrida armamentista é uma loucura: oração subordinada substantiva objetiva direta. graves porque o período fica incompreensível. não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que 67 . Para evitar deslizes como o apontado. No primeiro período temos: 1) o homem. A escolha do conectivo adequado é importante. por descuidarem dos princípios de coesão. não é preciso analisar sintaticamente cada período que se constrói. por exemplo. devemos avaliar se o que foi escrito corresponde àquilo que queríamos dizer. como nos exemplos que seguem: O homem que tenta mostrar a todos que a corrida armamentista que se trava entre as grandes potências é uma loucura. preocupado com verificar se tem sentido aquilo que acabou de ser redigido.

uma falsa justificativa usada em proveito próprio. por exemplo. Por uma razão prática. Observe-se que o produtor do texto começa a desautorizar esse argumento ao considerá-lo um ³confortável pretexto´.os que vivem de salário. essa justificativa é insuperável e tem aparência de elevado espírito cívico. isto é. até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. é cínica e improcedente. vamos fazer o comentário dos vários argumentos tomando por base cada um dos períodos que compõem o texto: 1º período: Expõe o argumento que os sonegadores invocam para não pagar impostos: eles alegam que não os pagam porque o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores desonestos e incompetentes. o enunciador expõe a causa pela qual considera cínico o argumento: é cínico porque a sonegação não é substituída por outro tipo de contribuição que atenda à necessidade de recursos do Estado. João Baptista. 68 . uma hipocrisia.atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários. 25 set. mas não deixa de ser. sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento. reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. estimula-os à prepotência e ao arbítrio. longe de fazer melhores os maus governos. 3º período: O conectivo ³no entanto´ (de caráter adversativo) introduz uma argumentação contrária ao que se admite no período anterior: a justificativa para sonegar impostos. (9) É muito cômodo. é preciso pagar. 2º período: O enunciador admite que. (5) Ora. ( VILLELA. (6) E sem serviços públicos essenciais. 5º período: O conectivo ³ora´ dá início a uma argumentação que se manifesta contrária à ideia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos. 4º período: Através do conectivo ³porque´. como pretexto (falsa razão). não há transportes. não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação. Veja. não têm como dela fugir . no fundo. 1985) O produtor desse texto procura desmontar o argumento dos sonegadores de impostos que não os pagam sob a alegação de que os administradores do dinheiro público são incompetentes e desonestos. (8) Antes. 6º período: O conectivo ³e´ introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior. como argumento. mesmo querendo. além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda. sejam eles bem ou mal administrados. não há escolas ou hospitais.

que liga a oração ³É muito cômodo´ à oração ³não deixa de ser uma hipocrisia´. o conectivo ³além de´ introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação: ela agrava a carga tributária dos que. Como se vê. estimula-os à prepotência e ao arbítrio. Retire o ponto final e estabeleça entre eles o tipo de relação que lhe parecer compatível. usando para isso os elementos de coesão adequados. apresentamos alguns segmentos de discurso separados por ponto final. 9º período: O conectivo ³mas´ (adversativo). 8º período: O conectivo ³antes´. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 2) Uma seca desoladora assolou a região sul. não têm como fugir dela. de outro. 10º período: O conectivo ³ ou ´ inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita: é hipocrisia reclamar do mau uso de um dinheiro para o qual nossa colaboração foi abaixo daquilo que devia ser.7º período: Depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico. O motivo da improcedência vem expresso por uma oração causal iniciada pelo conectivo ³porque : a justificativa para sonegar é improcedente porque a sonegação. ao invés de contribuir para melhorar os maus governos. como os assalariados. O conectivo ³até mesmo´ dá início a um argumento que reforça essa necessidade. imediatamente brota a vegetação. o enunciador passa a demonstrar que é também improcedente. que inicia o período. significa ³ao contrário´ e introduz um argumento a favor da necessidade de pagar impostos. é cômodo reclamar contra o mau uso do dinheiro público. os períodos compostos bem estruturados e os conectores usados de maneira adequada dão coesão ao texto e consistência à argumentação. principal celeiro do pais. 1) O solo do nordeste é muito seco e aparentemente árido. Quando caem as chuvas. estabelece uma relação de contradição entre as duas passagens: de um lado. o que já foi afirmado no terceiro período. R-____________________________________________________________________ ______________________________________________________ ______________ 69 . No mesmo período. Vai faltar alimento e os preços vão disparar. Atividades práticas: Questões de 1 a 4: Nas questões de 1 a 4. isso não passa de hipocrisia quando não se colaborou com a arrecadação desse dinheiro.

da palavra que estabelece a conexão. Procure descobrir a razão dessa impropriedade de uso e substituir a forma errada pela correta. R-____________________________________________________________________ 70 . R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) O trânsito em São Paulo ficou completamente paralisado dia 15. como se não existisse perigo algum.____________________________________________________________________ 3) Inverta a posição dos segmentos contidos na questão 2 e use o conectivo apropriado: Vai faltar alimento e os preços vão disparar. despreocupadas. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Questões 5 a 8: As questões de 5 a 8 apresentam problemas de coesão por causa do mau uso do conectivo. das 14 às 18 horas. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 7) Talvez seja adiado o jogo entre Botafogo e Flamengo. principal celeiro do país. 5) Em São Paulo já não chove há mais de dois meses. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 6) As pessoas caminham pelas ruas. Uma seca desoladora assolou a região sul. apesar de que já se pense em racionamento de água e energia elétrica. pois o estado do gramado do Maracanã não é dos piores. A palavra ou expressão conectiva inadequada vem em destaque. Fortíssimas chuvas inundaram a cidade. isto é. mas o policial continua folgadamente tomando o seu café no bar.

Dessa forma. presta-se para manifestar uma relação de contradição: usado entre dois enunciados ou entre dois segmentos do texto.____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 8) Uma boa parte das crianças mora muito longe. Ao escrever. dando continuidade à anterior. cada elemento de coesão manifesta um tipo de relação distinta. portanto. já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. ao redigir. condição. Muitas pessoas. aí. porque. finalidade. não atentam para as diferentes relações que os elementos de coesão manifestam e acabam empregando-os mal. 71 . dessa forma. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Coesão textual (2). Seria descabido permutar o porém pelo porque. ora. assim. porém chega a exportar certos produtos agrícolas. para criar relações entre segmentos do discurso tais como: então. Observe-se o exemplo que segue: Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura. mas. por exemplo. embora e tantas outras. já que. estabelecem entre elas um certo tipo de relação semântica: causa. vai à escola com fome. O que se coloca como mais importante no uso desses elementos de coesão é que cada um deles tem um valor típico. 1) O papel dos elementos de coesão. isto é. contradição. conclusão. Além de ligarem partes do discurso. criando. manifesta que um contraria o outro. daí. vamos ainda tratar da coesão do texto e do uso dos elementos linguísticos adequados para estabelecer conexões entre os vários enunciados do texto. com efeito. No caso. onde ocorre o grande número de desistências. com isso. Consideramos como elementos de coesão todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos. De fato. O porém. a exportação de produtos agrícolas não pode ser vista como a causa de Israel ter um solo árido. que serve para indicar causa. etc. deve-se ter o cuidado de usar o elemento apropriado para exprimir o tipo de relação que se quer estabelecer. Nesta lição. faz sentido o uso do porém. paradoxos semânticos.

Vejamos. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes. as relações que alguns elementos de coesão estabelecem: a) Assim. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos. Mas. Muitos jornais fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos. retificações ou desenvolvimentos do que foi dito anteriormente. entre outras coisas. portanto. d) Aliás. A coesão do texto é afetada quando se usa o elemento de coesão inadequado. Por isso seu uso é apropriado. como se fosse desnecessário. são formas linguísticas portadoras de significado e exatamente por isso não se prestam para ser usadas sem critério. confirmar ou ilustrar o que se disse antes. Pelo contrário. O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. constitui pura repetição e deve ser evitada. ao dizer: Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar o segmento introduzido pelo e não adiciona nenhuma informação nova. Contudo e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre 72 . Ao dizer: Este trator serve para arar a terra e para fazer colheitas o e introduz um segmento que acrescenta uma informação nova. ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer. apresentado como acréscimo. Se não acrescentar nada.Esses elementos não são formas vazias que podem ser substituídas entre si. Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. de um uso inadequado. justamente para dar o golpe final no argumento contrário. O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. Trata-se. isto é. Porém. Além do Mais. de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade. ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer. para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão. f) Mas. indica uma progressão semântica que adiciona. b) E: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes. Além disso: introduzem um argumento decisivo. a título de exemplo. sem nenhuma consequência. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar. c) Ainda: serve. Além de Tudo. Ou seja. Quer dizer. Em outras palavras: introduzem esclarecimentos. Assim. e) Isto é. desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. acrescenta algum dado novo.

olhos de longo alcance e asas para voar. Às vezes. no entanto. a moradia. até. mas é capaz. outros. até mesmo do futuro e da morte. o mas passa a estabelecer uma relação de contradição entre ser mulher e ser capaz.dois enunciados ou dois segmentos do texto. pelo menos. no mínimo. h) Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. Choveu na semana passada. a liberdade. Para encerrar essas considerações sobre o uso dos elementos de coesão. não resolveram o problema das injustiças. Exemplo: Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis. com esses relatores. por exemplo. pressupõe-se que as mulheres não sejam capazes. sem negar as possíveis objeções. convém dizer que. afirma-se uma desvantagem maior. segmentos que não se opõem. usualmente. Alguns. Pode-se conseguir. a oposição se faz entre significados implícitos no texto. como ao menos. se não houver. pés velozes como o raio. o alimento e a saúde. mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência. Como se nota. Como se nota. vamos resolver o problema da fome. Quer ser dono de bens materiais. situam-na no plano mais baixo. até mesmo. O homem é ambicioso. no mínimo. situam alguma coisa no topo da escala. da ciência. ou. Sirva de exemplo uma passagem como esta: Ela é mulher. mas não o suficiente para se começar o plantio. g) Embora. Não se podem ligar. não são vistos como contraditórios. a cultura. às vezes. Nos dois casos. Ainda que. um efeito de humor ou de ironia ou revelar preconceitos estabelecendo-se uma relação de contradição entre dois segmentos que. O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição. deixa o enunciado descabido. 73 . Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento. cria-se o paradoxo semântico provocando determinados efeitos de sentido. ou É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer. afirma-se um ponto de vista contrário. como mesmo. que. Observe-se o exemplo: Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso. Essa relação revela humor ou preconceito do enunciador. do próprio semelhante. Mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão.

por exemplo. acima. é preciso tomar cuidado para que o leitor perceba claramente a que termo se refere o elemento anafórico. Anafórico. são muito diferentes. por exemplo: A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou descordo com o PMDB. O uso do pronome relativo pode também provocar ambiguidade. O termo este retoma o nome próprio ³ Renato ´. como. Observe o trecho que segue: José e Renato. dessa feita. como na frase que segue: Via ao longe o sol e a floresta. esse. No caso. São anafóricos. genericamente. ou também para antecipar termos que virão depois. apela-se para outras formas de construção da frase. ³ Este ´ e ³ aquele ´ são chamados anafóricos. sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. que tingia a paisagem com suas variadas cores. 2) A retomada ou a antecipação de termos. onde. aquele é explosivo. atrás). este é calmo. Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário. Na escrita. o pronome que pode estar se referindo a sol ou a floresta. o que toma? 74 . Quando um elemento anafórico está empregado num contexto tal que pode referir-se a dois termos antecedentes distintos. Outros exemplos de ambiguidade: Encha seu filho de bolachas! E prefira Aymoré! O garçom pergunta a um sujeito que entra no bar: O senhor. etc. Para desfazer a ambiguidade. cujo). advérbios e expressões adverbiais (então. os pronomes demonstrativos (este. aquele).É claro que o uso desses paradoxos deve ser feito com cuidado e dentro de um contexto que não dê margem a ambiguidades. apesar de serem gêmeos. isso provoca ambiguidade e constitui uma ruptura de coesão. No caso. o qual. enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra ³ José ´. pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto. Por exemplo. os pronomes relativos (que.

diz o garçom . Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para combater doenças de fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional. Maria Tereza Fraga no seu livro sobre redação no vestibular: Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da sinceridade de quem as escreveu. de ter casa na praia. A indústria farmacêutica de menor porte e importância retira 80% de seu faturamento da venda ³livre´ de seus produtos . aos sábados. os resultados podem ser danosos. Cerca de 40% das vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a pessoas que se automedicam. É o que ocorre nesta frase. fascinação pelo mundo maravilhoso das drogas ³novas´ ou simplesmente para tentar manter a juventude. uma cervejinha com os amigos. remédio para combater minha dor nas costas e. bom! Vamos ver. Acho que o senhor não me entendeu . Os leigos sempre se medicaram por conta própria. o médico tem o dever de alertar a população para os perigos ocultos em cada remédio. necessariamente. 75 . Ah.. só um pouco chateado porque o meu time perdeu. das vendas realizadas sem receita médica.. Como se vê.isto é.. O que eu quero saber é o que o senhor quer para beber! Diz o garçom já irritado. não. o salário aqui é muito baixo. o enunciado fica desconexo porque o pronome o qual não recupera antecedente algum. TEXTO COMENTADO Um arriscado esporte nacional. citada pela Profa. Acredito que a maioria das pessoas se automedica por sugestão de amigos.Ele responde: Eu tomo uma vitamina pela manhã.o que eu perguntei é o que o senhor gostaria! Ah. sem que. leitura. Diante desse quadro.. Há frases das redações escolares em que simplesmente não há coesão nenhuma... que é que você tem? Eu? Nada. mas esse problema jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente. estou me sentindo sozinho. faça junto com essas advertências uma sugestão para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas médicas. bom! Eu gostaria de ser rico. já que de médico e louco todos temos um pouco. Qualquer que seja a causa. de viajar bastante.

Se se dissesse ³de médico e louco todos temos pouco´. Um dia. que um simples resfriado ou uma gripe banal leve um brasileiro a ingerir doses insuficientes ou inadequadas de antibióticos fortíssimos.coloca um argumento mais forte em favor do que foi dito: os leigos sempre se automedicam. Linha 22: tudo isso . Linha 2: um pouco .indica a exclusão de um fato que poderia constituir um argumento contrário ao que se afirmou anteriormente. vitamina C. - Linha 2: mas .é um anafórico e um afirmador de totalidade universal. cujo antecedente é pessoas.introduz uma justificativa para o que se disse na oração anterior. Retoma os elementos citados no contexto imediatamente anterior: todos os elementos da ³bomba´ para cortar a gripe são perigosos. 76 . mas hoje se automedicam mais. Linha 15: ou . Linha 1: já que . - Linhas 2 e 3: tão. este não funcionará. .tudo isso sem saber dos riscos que corre pela entrada súbita destes produtos na sua circulação. reservados para infecções graves e com indicação precisa. Há uma oposição de intensidade entre as duas orações. 1985) No comentário deste texto. Linha 19: E . Embora se trate de um comparativo de igualdade.marca uma relação de alternância (e/ou): todos os elementos podem ocorrer. . Como a finalidade desta lição é o estudo dos elementos coesivos. para cortar a gripe pela raiz? Com isso. Linha 7: isto é .introduz uma interrogação retórica que retoma a argumentação desenvolvida anteriormente. o advérbio jamais nega a existência dessa igualdade e põe à mostra o fato de que o fenômeno hoje é mais preocupante do que era antes.liga dois atributos que ocorrem simultaneamente. cálcio. a orientação seria no sentido da restrição da propriedade.É comum. Quem age assim está ensinando bactérias a se tornarem resistentes a antibióticos.orienta no sentido da afirmação da propriedade. (MEDEIROS. Opõe-se a pouco.é um marcador de comparação: o fenômeno da automedicação jamais foi tão preocupante como o é atualmente. vamos nos limitar à análise do uso de alguns conectivos e anafóricos. como . Veja. - Linha 6: que . Linha 10: sem que . produtos aromáticos . por exemplo. 18 dez. quando realmente precisar do remédio. - Linha 1: e . embora não simultaneamente. É evidente que este comentário estudará então apenas um aspecto do texto. Geraldo.é um anafórico.introduz uma explicação a respeito do que é a venda ³livre´ dos produtos farmacêuticos. seu objetivo se cumpre em nossos comentários. E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega a uma farmácia e pede ao rapaz do balcão que lhe aplique uma ³bomba´ na veia. poderá receber na corrente sanguínea soluções de glicose.

a caneta estourou e o chiclete grudou? Não desanime. _________________a seda. Alguns segredos podem sanar. ______________________ cuidados precisam ser considerados. ____________ por acaso. 77 . por exemplo. estes e muitos outros problemas de manchas! O primeiro passo é identificar o tipo de sujeira. Uma boa dica para os marinheiros de primeira viagem é nunca passar a ferro uma roupa que já foi usada pelo menos uma vez. pó de giz branco. e que sirvam de conectores de coesão para os períodos e parágrafos. várias técnicas bem caseiras para eliminar manchas. 2) Transforme o par de períodos simples em composto. ou solucionar problemas que atormentam as donas-de-casa ___________________________.Releia o texto e observe que uma consistente coesão textual é um poderoso expediente de argumentação. algodão entre outros _____________________ não se escolha o removedor errado. A remoção da mancha deve ser efetuada antes da lavagem. seda. O molho sujou. deve ser usada ____________________ em roupa branca. _______________________ o tecido-linho. adequadamente. farinha de trigo e mata-borrão) podem ser utilizados em qualquer tipo de roupa. Existem. houver alguma sujeira no tecido. ____________________________. por completo. que roupas de tecido muito fino ou delicado não fiquem expostas diretamente ao sol ___________________________ estão secando. Os solventes não devem ser usados em tecidos finos. Da mesma forma. Sugere-se. ____________ podem alterar a cor do tecido ___________ os descolorantes tipo amônia. A água sanitária. esta ficará impregnada e dificilmente será removida. 5-7-92) que ± como ± se ± para que ± porque ± dessa forma ± por outro lado ± já ± apenas ± por isso ± quando ± outros ± assim como ± pois ± portanto. utilizando-se das expressões indicadas abaixo. ________________________________. na costura interna ou em uma amostra do tecido. ______________________não estragam nem tampouco alteram a cor do tecido. removedores absorventes (talco. água oxigenada e sanitária devem ser aplicados com bastante cautela. utilizando conjunções ou pronomes relativos adequados. livros como Sebastiana Quebra -Galhos estão sempre esgotados nas prateleiras das livrarias. lã. prevenindo um erro ou até a danificação de toda a peça. ácido acético. é indispensável ____________ se faça um teste. (City News. Atividades práticas: 1) Preencha os espaços do texto. __________________________. ATENÇÃO: Nenhuma se repete e nem é omitida! Manchas podem ser eliminadas.

a) A atual seleção brasileira começou a temporada com problemas.________________________________________________ ____________________ i) O filho agora está viajando. a) O homem trabalha. R-____________________________________________________________________ 78 . R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) O diretor é capaz de engolir sapos. R-____________________________________________________________________ d) O jardim é bonito. R-____________________________________________________________________ b) O colégio é grande. R. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ g) Fomos ao jardim. Estudei nesse colégio. Através do jardim vê-se o mar. O projeto do engenheiro foi premiado. O homem é feliz. O diretor não perdoa desaforos. usando para isso os elementos de coesão adequados. R-____________________________________________________________________ j) O engenheiro é muito competente. R-________________________________________________ ____________________ c) Eu vi o rapaz. R-____________________________________________________________________ f)Essa empresa de comunicação foi premiada. Nos canteiros do jardim havia belas flores. morreu. O pai do rapaz é famoso. Na reunião. Retire o ponto e estabeleça entre eles o tipo de relação que lhe parecer compatível.Modelo: O pássaro morreu. discutiu-se a candidatura. R-____________________________________________________________________ h) Estive na reunião. O pássaro que vi. A menina gosta do rapaz. Eu vi o pássaro. R-____________________________________________________________________ 3) Seguem discursos separados por ponto final. A mãe não deixa de pensar no filho. O jornal da empresa deu a grande notícia. O técnico Luís Felipe precisará de muita competência para resolvê-los. R-____________________________________________________________________ e) O rapaz é dentista.

De repente. O incêndio alcançou toda a costa leste da Austrália. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Leia o texto que segue e responda às questões propostas: João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina. R-____________________________________________________________________ i) Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casa em Sydney. No verão. Ao olhar de mais perto. sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua casa.c) As pessoas não dispensam um bronzeado. Na noite em que completava trinta anos. na Austrália. O do meio não tem "papas na línguas. as pessoas expõem-se ao sol. cuja frente dava para o leste. entretanto observou que o cavalo era manco. R-____________________________________________________________________ e) Seleção de vôlei vence Estados Unidos. até o horizonte. As árvores e as folhagens não o permitiam ver distintamente. uma planície coberta de areia. que sempre atrasava. Um incêndio atingiu suas casas. A outra metade faz regime". O sol traz malefícios à pele. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ d) Ninguém acreditava. desmontou imediatamente. Guilherme. ao ver seu pai. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ j) Para ganhar um bronzeado irresistível. As pessoas esquecem-se disso. Ela fará uma viagem ao redor do mundo. Desde o pé da colina. lançando-se nos 79 . não havia dado sinal de vida. João. todos sabem dos prejuízos que o sol traz à pele. viu um cavalo que descia para a sua casa. se espalhava em todas as direções. e em todo esse tempo. olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. chegou pontualmente. que há vinte anos tinha partido para alistar-se no exército. R-__________________________________ __________________________________ f) Meu filho mais velho é diplomata. Seleção está fora da final. R-____________________________________________________________________ h) "Metade da humanidade passa fome. Ela. correu até ele.´ R-____________________________________________________________________ g) Ela tem muitos dólares. verificou que o cavalheiro era seu filho Guilherme.

numeral. R-____________________________________________________________________ e) Apesar de aparentemente bem-redigido. sentado à frente de sua casa? R-_____________________________________ _______________________________ y João está completando trinta. o filho que retorna saíra de casa havia vinte anos para alistar-se no exército. Apud Ingedore G. o texto apresenta sérios problemas de coerência. o que o torna inadequado. (Texto cedido pela professora Mary Kato. 32-33) a) Observe se o autor emprega adequadamente sinais de pontuação. 1995. Levando em conta os tipos de incoerência do texto. no qual uma palavra (substantivo. o que João olhava. Portanto. Texto e Coerência.seus braços e começando a chorar. qual é a idade do filho? Levante hipóteses: que idade aproximadamente deve ter João? R-____________________________________________________________________ _____________________________________ _______________________________ d)João morava numa colina. diante de um cenário desértico. A fim de constatar os problemas de coerência do texto. Que elementos do texto contrariam essa informação? R-____________________________________________________________________ e) O texto em estudo foi produzido numa situação escolar. No entanto. ed.p. No entanto. 4a. Em seguida. R-____________________________________________________________________ c) Dois exemplos de marcadores temporais que dão ideia de sequência dos fatos. responda: y A cena narrada ocorre à noite (³Na noite em que completava trinta anos´). R±____________________________________________________________________ __________________________________________________________ __________ b) Além do domínio vocabular e sintático da língua.Travaglia. o texto também apresenta marcas de coesão. São Paulo: Cortez. etc. se o texto apresenta vocabulário e construções cultas ou raras.) retome um termo já expresso. pronome. Villaça e Luiz C. R-____________________________________________________________________ d) Um conector que estabeleça uma relação de oposição entre duas idéias. responda: y Considerando que pessoas com mais anos de escolaridade geralmente apresentam menos problemas de incoerência. Destaque do texto: Um exemplo de coesão. levante hipóteses: que idade é provável que o autor do texto tenha? R-____________________________________________________________________ 80 . conclua: o autor do texto demonstra ter domínio da linguagem escrita ou não? Justifique sua resposta com elementos do texto.

qual deve ser o tipo de produção a que se refere a parte verbal do anúncio R c) Levando em conta o tipo de público da revista. Rio de Janeiro. Mas se deram mal: levaram minha carteira com R 100. Estava na Rua dos Andradas quando dois rapazes me ameaçaram. Após o assalto.00 e um relógio. o texto pode ser considerado coerente Por quê Rd) O anúncio não deseja vender diretamente um produto. como. O que o anúncio então deseja promover R6) Imagine a seguinte situação: m senhor é assaltado por dois rapazes na Rua dos Andradas. com armas. gasolina ou outros derivados do petróleo.00 e meu 81 . E DEREÇADA A PÚBLICO NIVERSITÁRIO A PET OB Á BATE UM NOVO RE ORDE DE PRODUÇÃO E NÃO É DE PETRÓLEO ) Relacione a parte visual com a parte verbal do anúncio: a) A montagem das imagens sugere alguns tipos de manifestação artística Quais R b) Com base nas imagens. dizendo ser um assalto. a vítima vai à polícia prestar queixa e faz um dos seguintes relatos ao delegado: I. Os assaltantes levam uma carteira com R 100.y A que causas podemos at ibui al umas dessas i coerências R REV STA BRAVO! . por exemplo.

ideias e impressões de quem faz a paráfrase. E agora. por meio de uma linguagem mais longa. inclui outras ideias. a paráfrase repousa sobre o texto-base. ameaçando-me. recurso muito utilizado para efeito estético na literatura moderna. condensando-o de maneira direta e imperativa. uma vez que desenvolve o poder de síntese. não posso construir um enunciado que permita dupla interpretação. por exemplo. Esse fato está ligado à situação em que diz algo e à finalidade com que se diz.00. no entanto. Estando armado. levaram meu relógio e minha carteira. sempre se conservam basicamente as ideias do texto original. O leitor deverá fazer uma leitura cuidadosa e atenta e. Considerando as informações a respeito do assalto e do contexto em que enunciados teriam sido produzidos. acrescentando aspectos relevantes de uma opinião pessoal ou acercando-se de críticas bem fundamentadas. que resultam em diferentes tipos de textos: aqueles que permitem uma única interpretação e aqueles que permitem várias interpretações. E então temos um outro componente importante na construção dos textos: a intenção. R-____________________________________________________________________ Paráfrase. desejo criticar um determinado dado da realidade ou expressar sentimentos em textos poéticos e dos de humor. há diferentes níveis de elaboração. Quem produz o texto usa determinados recursos com a intenção de produzir efeitos. A intenção do produtor do texto. Se. doutor. quando o professor. alongando-se em função do propósito de ser mais didático. 82 . a partir daí. faz uma paráfrase. II.Fui vítima de um assalto na Rua dos Andradas. Portanto. o que vou fazer? III. Paráfrase é a reprodução explicativa de um texto ou de unidade de um texto.Estava na Rua dos Andradas quando dois rapazes armados. Consiste em um excelente exercício de redação. obriguei rapazes a me darem um relógio e uma carteira com R$ 100.relógio. Na paráfrase. Na escola. Parafrasear consiste em transcrever. clareza e precisão vocabular. reafirmar e/ou esclarecer o tema central do texto apresentado. Acrescenta-se o fato de possibilitar um diálogo intertextual. Como você pode perceber.00. as ideias centrais de um texto. responda: dois esses a) Qual dos enunciados é aparentemente mais coerente com os fatos e com o contexto? R-____________________________________________________________________ b) Qual dos enunciados parece ser o mais absurdo? Por quê? R-____________________________________________________________________ c) Indique a incoerência existente no enunciado que não foi mencionado nos itens anteriores. Se eu quero dar uma ordem ou transmitir um conceito. ao comentar um texto. O que se inclui são comentários. com novas palavras. com R$ 100.

dependendo da situação em que se encontre. Armazém Progresso de São Paulo. em situação de fala ou de escrita. Toda cheia de feridas.E fechou os olhos para se ver no palacete mais caro da Avenida Paulista. Olhou muito para o Santo Antônio de Pádua col Jesù Bambino bem no meio da parede amarela. Todo falante tem um certo conceito sobre que linguagem usar. do lado de lá do sujeito que fala há um sujeito que ouve e atribui significados (compreende. Percebeu tudo. quase encostou o nariz dele no dela. Esses interlocutores. Ele ficou com uma perna fora da coberta. Isso significa que todo texto tem um interlocutor. ( MACHADO. Dona Bianca pôs o Dino na caminha de ferro. também. Olhou muito para o Dino que dormia de boca aberta. 1997. saiu e voltou com meio litro de Chianti Ruffino. ele se cala ou se inibe se esse domínio não existe. Hesitou. Perguntou por perguntar: € Arranjou? Natale segurou-a pelas orelhas. € Diga se eu tenho cara de trouxa! Deu na Dona Bianca um empurrão contente da vida. corrige. ao contrário. ele é dirigido a alguém e na sua presença se constitui. antecipa. Saiu de novo. formula hipóteses. Brás. ou escrito.Rio de Janeiro: Imago.Os interlocutores e a situação. E trouxe meia Pretinha. Por isso. Mais uma vez olhou muito para o Dino que mudara de posição. A mulher olhou para ele. Parou. A compreensão do texto dito. retruca. Numa conversa. muitas vezes se dá por causa dos elementos situacionais que o cercam. Então o Natale entrou assobiando a Tosca. Por isso utiliza um registro formal em situação formal e um registro mais livre em situação menos informal. Do lado de lá de um texto escrito também há um sujeito-leitor que atribui significados e interage com o texto. notamos que a linguagem é desenvolta quando o sujeito tem o domínio da situação e. deu um soco na cômoda. Ou seja. utilizam a modalidade da língua mais adequada à comunicação. como o texto que você irá ler a seguir. O interlocutor e a situação determinam o tipo de texto e de linguagem que o sujeito utiliza. deu uma volta sobre os calcanhares. Dona Bianca deitou-se sem apagar a luz. Antônio de Alcântara. Olhou para a garrafa. Bexiga e Barra Funda.). ) Atividades práticas: 1) Por que ela teria feito aquela pergunta? 83 . modifica etc.

outras ficam subentendidas. sem prejuízo do significado. a releitura deve levar-nos a uma hipótese. Algumas palavras são ditas.). Leia a tira de humor a seguir: 84 . porque eu sou muito esperto!´. sem o termo que completaria seu significado (Arranjou ³a compra´ ou ³o negócio´ ou ³o comprador´. porque há uma situação que o sustenta.R-____________________________________________________________________ 2) O contexto mostra que ela observou a situação antes de fazer aquela pergunta. Por isso. a frase constituída apenas pelo verbo (³Arranjou?´).. a mulher e nós compreendemos: ³Sim. mas se sabe. A situação nos indica esse significado. as palavras ditas pelo marido foram: ³Diga se eu tenho cara de trouxa!´. No texto anterior. Existe também o implícito propriamente dito: é o significado subjacente. Esse é outro traço importante do ato de comunicação: a economia. aquele que não se diz. Que situação é essa? R-______________________________________________________________ ______ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 3) Qual o significado da resposta do marido? R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Que elementos dos dois últimos parágrafos confirmam a hipótese inicial? (Ou não confirmam? Se não. R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Implicitude. sob pena de considerar o texto € ou a leitura € incoerente). foi suficiente para que entendêssemos o que a mulher queria dizer. A economia é a propriedade pela qual podemos usar um mínimo de palavras sem que isso prejudique o ato comunicativo. Assim. notamos que a situação é um elemento fundamental para apreensão de certos significados.. que deverá ser confirmada. Nós inferimos que o casal estava à espera da condição de um negócio que lhes traria alguma vantagem.

A situação é muito clara: o filho está saindo para a prova do vestibular; a mãe € no seu papel de mãe € verifica com ele o material que deve levar. Observe o diálogo dos dois: a comunicação é perfeita com um mínimo de palavras. A mãe não precisa dizer: ³E a borracha, você está levando?´; nem o filho: ³ Opa! Esqueci a borracha!´. Será excessivo. O que não é necessário dizer fica subentendido e a comunicação é perfeita. Essa é uma característica muito forte dos diálogos. Note também o recurso utilizado para produzir humor. A expressão ³esquecer a cabeça´, que tem sentido figurado, é usada no sentido próprio: a formiguinha realmente está sem cabeça e volta para buscá-la. Além disso, há a sequência de coisas que podem ser esquecidas (lápis, caneta, identidade, borracha) junto com uma que não pode (a cabeça). Colocá-la na sequência é jogar com o conhecimento de mundo do leitor: todos sabem seu significado, daí o humor.

O Tópico Frasal.
O tópico frasal é a ideia central de um texto, a que se agregam ideias secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e coerentemente decorrentes dela. Faz-se necessário observar, no entanto, que esse conceito corresponde ao parágrafo considerado como padrão, pois, na prática, poderão aparecer diferentes tipos de estruturação, dependendo da natureza do assunto e sua complexidade, do gênero de composição, do propósito e da competência do autor, tanto quanto da espécie de leitor a quem o texto se destina. Leia com atenção as observações a esse respeito, feitas sobre os fragmentos a seguir, adaptadas de Othon M. Garcia: ³Estávamos em plena seca. Amanhecia. Um crepúsculo fulvo alumiava a terra com a claridade de um incêndio ao longe. A pretidão da noite esmaecia. Já começava a se individualizar o contorno da floresta, a silhueta das montanhas ao longe. A luz foi pouco a pouco tornando-a mais viva. No oriente assomou o Sol, sem nuvens que lhe vetassem o disco. Parecia uma brasa, 85

uma esfera candente, suspensa no horizonte, vista da ramaria seca das árvores. A floresta completamente despida, nua, somente esqueletos negros, tendo na fímbria aceso o facho que a incendiou, era uma eloquência trágica! Amanhecia, e não se ouvia o trinado de uma ave, o zumbir de inseto! Reinava o silêncio das coisas mortas. Como manifestação da vida percebiam-se os gemidos do gado, na agonia da fome, o crocitar dos urubus nas carniças.´
(Rodolfo Teófilo)

Esse é um trecho descritivo. O núcleo do parágrafo de descrição deve ser um quadro, isto é, um fragmento de paisagem ou ambiente num determinado instante, visto de determinada perspectiva. Já que o núcleo do primeiro trecho acima é o amanhecer, todas as frases do grupo deveriam constituir um só parágrafo, admitindo-se apenas que a primeira linha se isolasse das demais como uma espécie de introdução colocada em realce para enunciar o aspecto geral da paisagem. O segundo grupo de frases correspondem realmente a um parágrafo, pois seu núcleo já não é o amanhecer, mas a floresta despida, localizada mais de perto, com outra perspectiva. O trecho final deveria ter todas as frases grupadas no mesmo parágrafo já que o núcleo volta a ser o amanhecer.

Efeitos obtidos a partir dos grupamentos de frases.
Dando ao primeiro trecho aquela disposição tipográfica em pequenos blocos, o autor fracionou o que já era um fragmento de paisagem, separando das ideias secundárias correlatas à frase-núcleo de amanhecer, cuja característica principal é a mudança das cores e luzes ² crepúsculo fulvo; claridade de incêndio; pretidão da noite; luz mais viva; assomo do sol; ausência de nuvens ² e o delinear-se gradativo do perfil da paisagem ² contorno da floresta; silhueta das montanhas; ramaria seca das árvores. O segundo grupo demonstra, traduz, a repercussão emotiva da paisagem e não a impressão visual, como na primeira parte. Finalmente, o último grupo de frases demonstra que o propósito do autor é traduzir agora as impressões predominantemente auditivas ² trinado; zumbir; silêncio; gemidos; crocitar. Pode-se, dessa maneira, perceber que não é apenas a ideia-núcleo que justifica a paragrafação, mas também a perspectiva em que se coloca o autor.

ESTRUTURA PADRÃO DE UM PARÁGRAFO.
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INTRODUÇÃO: ² Representada, na maioria dos casos, por um ou dois períodos curtos iniciais, em que se expressa a ideia-núcleo de modo sintético (tópico frasal). DESENVOLVIMENTO: CONCLUSÃO: ² Explanação da ideia central.

€ Mais rara, principalmente em parágrafos menores ou em que a ideia central não apresenta maior complexidade.

Ex. Dizem as pessoas ligadas ao estudo da Ecologia que são incalculáveis os danos que o homem vem causando ao meio ambiente. (tópico frasal) O desmatamento de grandes extensões de terra, transformando-as em verdadeiras regiões desérticas, os efeitos nocivos da poluição e a matança indiscriminada de muitas espécies são apenas alguns aspectos a serem mencionados. (desenvolvimento) Os que se preocupam com a sobrevivência e o bem-estar das futuras gerações temem que a ambição desmedida do homem acabe por tornar esta terra inabitável. (conclusão).

Como desenvolver o parágrafo.
A ideia principal de um parágrafo terá de ser desenvolvida, ou seja, dever-se-á fazer a explanação dessa ideia: ³O lançamento de uma caixa com três CDs abre os festejos pelos noventa anos de Carmem Miranda. Os discos reúnem as melhores gravações da primeira fase da cantora, cujo talento foi prejudicado pela imagem extravagante de ³Pequena Notável´, com suas bananas e seus abacaxis. Além dos CDs, Carmem será lembrada em eventos no Rio e em Salvador.´ (O Globo, 23/1/1998, fl. 1) A ideia-núcleo (tópico frasal) se encontra na primeira frase: o lançamento de uma caixa... O desenvolvimento dessa ideia-núcleo vem a seguir: os discos reúnem as melhores gravações... A seguir, apresentamos as principais formas de desenvolvimento de um parágrafo, segundo lição de Othon Moacir Garcia ( Comunicação em Prosa Moderna). 1Enumeração ou descrição de detalhes. O desenvolvimento por enumeração ou descrição de detalhes é dos mais comuns. Ocorre de preferência quando há tópico frasal inicial explícito. Ex.: Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. (tópico frasal) Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes; as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d¶água passavam ruidosamente a todo instante, abalando os prédios e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas[calças] arregaçadas, invadiam sem cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes. Em certos pontos não se encontrava viva alma na rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar, ou andavam no ganho. (desenvolvimento) 87

que inunda o espaço com luz e calor. sendo a semelhança apenas parcial (há outras enormes diferenças entre o Sol e uma bola de fogo). do que. O desenvolvimento de parágrafo pela apresentação de razões é extremamente comum. mais completa. baseia-se na semelhança entre ideias ou coisas. procurando explicar o desconhecido pelo conhecido. se temos lenha. sensíveis. Iniciação à ciência. substituídos. que é como uma enorme bola incandescente. é. Assim. em essência. Suas formas habituais são o contraste (baseado nas semelhanças). 2Confronto. as justificativas em que se assenta a explanação de determinada ideia se disfarçam sob várias formas. Na comparação. tanto. A antítese é. que também faz parte dessa classe. as paredes. apesar de sabermos produzir aqui tanto luz como calor. às vezes. Mas a madeira que usamos veio de árvores. de tão quente que é. as semelhanças são reais. por expressões equivalentes (certos verbos como ³parecer´. Processo muito comum e muito eficaz de desenvolvimento é o que consiste em estabelecer confronto entre ideias. porque. é uma analogia: tenta-se explicar o desconhecido (Sol) pelo conhecido (bola incandescente). o que nos é estranho pelo familiar. por isso. seres. quanto à forma. as razões. 3- Analogia e Comparação. é porque a luz do Sol tornou possível o crescimento das florestas. o estranho pelo familiar. tem grande valor didático. observe-se o processo analógico adotado pelo autor do seguinte trecho: O Sol é muitíssimo maior do que a Terra. São detalhes que tornam mais viva a generalização. p135) Sol tão quente. se tenta explicar o desconhecido pelo conhecido. coisas. ³assemelhar-se´: ³Esta casa parece um forno. em que entram normalmente os chamados conectivos de comparação (tão. Realmente podemos acender uma fogueira para obtermos luz e calor. uma oposição entre ideias isoladas. como. as folhas etc. tal qual). não raro. ³lembrar´. as semelhanças são apenas imaginárias. e as plantas não podem viver sem luz. ³dar uma ideia´. Para dar à criança uma ideia do que é o Sol como fonte de calor. de preferência. uma comparação. e está ainda tão quente que é como uma enorme bola incandescente. mas.´). Nós aqui na Terra não poderíamos passar muito tempo sem a luz e o calor que nos vêm do Sol. expressa no tópico frasal (em itálico) e desenvolvida ou especificada através dos pormenores: as pedras. Note-se a ideia núcleo. Por meio dela. expressas numa forma verbal própria. 4- Razões e Consequências. (Oswaldo Frota Pessoa. os lampiões.É um parágrafo descritivo bastante bom. fatos ou fenômenos. e o paralelo( que se assenta nas semelhanças). os motivos. A analogia é uma semelhança parcial que sugere uma semelhança oculta. A analogia. Na analogia. nem todas explicitamente 88 .

extraído de trabalho de aluno.) (ANDRADE. se bem que seja um penar jubiloso (tópico frasal). alargando e aprofundando a exposição das ideias: ³De várias espécies são as condições susceptíveis de influir sobre a literatura. muitas vezes. Os problemas aparecem-lhe em cardume. No seguinte trecho.). 6- Divisão e Explanação de Ideias em Cadeia. em virtude de todo o sofrimento alheio preocupá-la e (em virtude de ) não distinguir gente de bicho. Daí. amendoeira). as causas históricas ou políticas. sem indicá-las expressamente como tais: É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo. mas também porque lhe evita o enfado e o desvia do vício e do crime. Explico-me. com detalhes ou exemplos. quando tem de agir. Há uma declaração inicial (tópico frasal) fundamentada por duas razões seguintes: o sofrimento alheio que a preocupa. se o autor não a fundamentasse. política etc. que a torna feliz. sem recurso. mas. é nesta última que gosta de militar. discutindo cada uma de per si. Podemos mencionar quatro ordens principais de condições desse gênero: geográficas. constituída pela primeira oração (que é o tópico frasal) seria inócua ou gratuita. as razões são indicadas de maneira explícita: Tanto do ponto de vista individual quanto social. A rigor. A seguir. Carlos Drummond de. não a desenvolvesse. só fenômenos físicos ou fatos têm causa. Não distingue entre gente e bicho. e uma só. Todo sofrimento alheio a preocupa e acende nela o facho da ação. não só porque dignifica o homem e o provê do indispensável à sua subsistência. As ideias se vão desenrolando.. Atos e atitudes apresentam consequências. O autor divide a ideia-núcleo em duas ou mais partes..´ 5- Causação e Motivação. porque evidentemente óbvia. como verdade reconhecida por todos. Fatos ou fenômenos têm efeitos. biológicas. além das ciências sociais ou humanas (sociologia. história. para o bem dos animais. o autor define as consequências: ³os problemas aparecem-lhe em cardume. confundindo-se. umas com apoio em outras. Carlos Drummond de Andrade apresenta no trecho abaixo uma série de razões ou explicações para a sua declaração inicial. o trabalho é uma necessidade. e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa (. apresentando-lhe as razões na série das orações explicativas seguintes. A declaração inicial. 89 . A palavra causa serve para explicar fatos da área das ciências exatas e também da área das ciências naturais ou físico -químicas. e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas. como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens.introduzidas por partículas explicativas ou causais. Fal a. razões ou explicações. os atos ou atitudes do homem têm motivos.

psicológicas e sociológicas. ele parava o riso no meio e virava o avesso do pano. Veiga) A descrição representa cenas. Descrição. assume um aspecto de sucessão de fatos: é uma narração. seu modo de pensar.A narração se caracteriza pelo ambiente que serve de cenário. pelos personagens que se sucedem. exemplos e confrontos ou paralelos. Pode envolver a descrição de detalhes. desmanchada ao vento crespo que à noite regressa ao mar. pessoas. aos poucos. andar.C. Geralmente. Narração.). Na sua origem (que remonta ao século V a. dureza etc. Na descrição de pessoas.´ (José de Alencar) O texto acima se caracteriza pela ação que. Dissertação. sons. seus gestos. os traços fisionômicos. sabores. mostrando seus traços característicos. paisagens. utilizamos palavras ou expressões que impressionam os sentidos: cores. o autor desenvolve cada uma dessas condições. pessoas etc. 90 . consistia num conjunto de técnicas destinadas a regrar a organização do discurso. Quando alguém lhe dizia alguma coisa que não caía bem.. é comum aparecerem descrições de paisagens.´ (José J. ³Peri lançou um olhar de desespero para as margens que se destacam a alguma distância sobre a corrente plácida do rio. seu caráter. ³Visto de baixo. procura-se focalizar a maneira de vestir. É muito comum na exposição didática: ³A retórica ou arte de bem falar não é muito prestigiada atualmente. cheiros. mas espinhento por dentro. maciez. suas palavras.´ A seguir. segundo os objetivos a serem atingidos. 7- Definição. o arvoredo é renda verde de luar.´ MODALIDADES DE COMPOSIÇÃO. A Pátria. impeliu-a para a terra com toda a força do remo que fendeu a água rapidamente. Era um meio de chegar ao domínio da arte verbal.´ (Cecília Meireles) ³Geminiano era um preto risonho. manso por fora. Quebrou o laço que prendia a canoa. objetos. Numa narração.

razões etc. decidimos organizar o estudo da pontuação tomando como ponto de partida a sintaxe. Uma frase é um conjunto de elementos linguísticos organizados capaz de satisfazer uma necessidade comunicativa. A natureza nem sempre estabelece diferenças entre territórios que confinam. assim. cuja vida se perpetua em uma história. argumentos. em grande parte. Você perceberá. basta observar alguém que está se comunicando em voz alta: você vai notar que essa pessoa controla os recursos vocais mencionados a fim de que suas frases se articulem significativamente . devemos nos basear na organização sintática e significativa das frases escritas e não nas pausas e na melodia das frases faladas. Na língua escrita.³É certa porção de terra onde soam as palavras de um idioma e persistem os hábitos. a melodia e até mesmo os silêncios. esses conjuntos se estruturam em sequências cuja ordenação é feita. que o conhecimento da organização sintática da língua portuguesa é um poderoso instrumento para se alcançar uma pontuação correta e eficiente. Utilizam-se palavras de conteúdo abstrato. as tradições. Dessa forma. O patriotismo é a dedicação a tudo que diz com a sorte do país natal e deve ser sincero como uma religião. O aprendizado do uso dos sinais de pontuação está ligado à percepção de seu papel organizador da língua escrita. reforçando as afirmações. Podem aparecer narrativas ou descrições como ilustração. Numa dissertação. (Coelho Neto). Isso significa que não se aprende a usar sinais de pontuação partindo do pressuposto de que eles representam na escrita as pausas e melodias da língua falada. as frases faladas e os recursos vocais que as organizam constroem os textos falados. mas a denominação varia e essa variante é que. Esses sinais são conhecidos como sinais de pontuação e desempenham na língua escrita papel semelhante ao dos elementos vocais da língua falada: participam da organização das frases na construção dos textos escritos. Por isso. Na língua falada. dando lugar a um sistema de sinais visuais que com eles mantêm alguma correspondência. ensinar. por recursos vocais como a entoação. Como já dissemos. para aprender a usar os sinais de pontuação. não se procura narrar fatos nem há descrição de pessoas. Tudo se baseia em ideias. o culto e a lei de um povo. entoações e melodias participam da organização lógica dos textos falados. as pausas. os elementos vocais da linguagem desaparecem. efetivamente. 91 . lugares ou objetos. O objetivo é convencer. tanto que a flora e fauna de país viça e prolífera no que lhe fica contíguo. assumimos um caráter pessoal. Considerando tudo isso. expor. Na dissertação. As frases e a pontuação. sem esquecer os pontos de vista que outras pessoas tenham. estabelece a separação. Para perceber como esses elementos sonoros participam da organização na linguagem falada. esses sinais participam da organização lógica do texto escrito da mesma forma que as pausas.

foi salvo pelo ratinho.´ j) Para isolar orações adjetivas explicativas: Ex: O casal de pretos. a ignorância. liam. a miséria.qualquer. que mandava na casa. rei dos animais.´ ³E os negros aplaudiram e a turminha pegou o passo. a vírgula aparece quase sempre. e) Em expressões repetidas: Ex: ³Meus olhos andavam mais longe do que nunca. Tem coisa mais obscena do que a guerra?´ (Madonna) d) Para separar termos que vêm na ordem inversa. independentes de mim e liam. Vírgula. fui olhando a paisagem. a caminho do sertão. agitavam-se em direção a Madalena. na ordem direta da frase. é usada geralmente: a) Para isolar o vocativo: Ex: Esta pomada. não trabalhava.´ i) Para separar orações intercaladas: Ex: ³A religião. meus amigos. os sinais que delimitam as frases no campo gráfico do papel. a seguir. como o adjunto adverbial deslocado: Ex: Pela janelinha. 4 de março de 2002. o ódio. 92 . l) Para separar orações adverbiais que iniciam o período: Ex: Quando pôde entender tudo. houver termo com vários núcleos. é muito mais necessária nas repúblicas do que nas monarquias. insistia ele. g) Para indicar supressão de palavra ou palavras (elipse): Ex: ³Os espelhos são usados para ver o rosto. nem fechados nem abertos. começou a fazer perguntas indiscretas. é ideal para combate aos mosquitos. a vírgula será utilizada para separá-los: Ex: ³A obscenidade existe e está bem diante de nossas caras.´ f) Nas datas: Rio de Janeiro. c) Quando.Veremos. . a arte.´ h) Para separar orações coordenadas assindéticas ou sindéticas: Obs. voavam.: Se os sujeitos são diferentes. Marca uma pausa de curta duração e serve para separar termos de uma oração (período simples) ou orações de um período composto. É o racismo. discriminação sexual. Entre os elementos de uma oração. liam o que jamais esteve escrito na solidão do tempo e sem qualquer esperança. Ex: ³As minhas mãos tremiam. b) Para separar certos apostos: Ex: Diz a fábula que o leão. para ver a alma.

c) o alto valor da matéria-prima. aquelas pessoas reivindicavam seus direitos. os insensíveis burocratas. b) a carência de mão-de-obra.: Jamais use ponto e vírgula dentro de uma oração. a) ponto final . Ponto.é utilizado para indicar o fim de uma frase declarativa: Ex: ³A vida é a arte do encontro. João da Silva. b) Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos: Ex: Considerando: a) a alta taxa de juros. Ex: Com razão. o nome do jornalista não está expresso. Nessa frase.: O advogado do jornalista. c) Para separar vários itens de uma exposição ordenada: Ex:´Fui olhando a paisagem pela janelinha. A presença ou não desse sinal de pontuação. d) as dificuldades de se obter financiamento. o nome do advogado é que não vem expresso. a) Usado em certas orações coordenadas que já apresentem vírgula em seu interior. interferirá no sentido da frase. preocupado em saber: 1) de onde a conhecia. requereu ao Superior Tribunal de Justiça revogação da prisão temporária de seu cliente.A Vírgula e o Sentido da Frase. a ausência das vírgulas indica que João da Silva é o nome do jornalista. porém. 2) se devia ceder-lhe o lugar. ou que tenham certa extensão. embora haja muito desencontro pela vida. No primeiro exemplo. Já no segundo exemplo. mesmo antes de saber de quem se tratava. além de ser fundamental para determinar a função sintática exercida por um termo. Lembre-se: ele só pode separar uma oração de outra. O advogado do jornalista João da Silva requereu ao Superior Tribunal de Justiça revogação da prisão temporária de seu cliente. deram atenção a elas. Ponto e Vírgula.Veja: Ex. Nessa frase. O emprego da vírgula está condicionado a razões de ordem sintática.´ b) ponto de interrogação ² é o sinal que indica o fim de uma frase interrogativa direta: 93 . resolvemos não aceitar a empreitada. a presença das vírgulas indica que João da Silva é o nome do advogado do jornalista. em tempo algum. Obs.

. Como um texto é um conjunto articulado de frases..: Depois de um longo silêncio. que o sucesso desse trabalho de construção depende também da qualidade individual de cada uma das frases que. Na representação gráfica dos diálogos. tente observar a construção de suas frases: cada uma delas é uma unidade de sentido? A organização da frase em períodos foi feita satisfatoriamente. assim ninguém mais será prejudicado. Ex: Quê? ! De novo?! Não suporto mais isso!!! Representação Gráfica dos Diálogos. você pode controlar criticamente seu trabalho de leitor e redator. Sabendo que a frase é uma unidade de sentido que se pode organizar em orações. Quando 94 . A frase deve ser curta. c) ponto de exclamação ² é o sinal que indica o fim de frases exclamativas ou optativas (as que expressam desejo): Ex: Que pessoa esperta você é! Que Deus te acompanhe! Obs. ou seja. utiliza-se o ponto final: Ex: Quero saber por que você não colabora. há verbos a partir dos quais se ordenam os demais elementos? Essas mesmas perguntas devem ser constantemente feitas quando é você quem redige. utilizam-se os dois-pontos ( : ) e os travessões (²): Ex. oração e período podem ser bastante úteis para a interpretação e produção de textos.Ex: Até quando os brasileiros vão se negar a entender que miséria e desenvolvimento são inconciliáveis? Nas interrogativas indiretas.: ² É melhor esquecer tudo. É nesse ponto que os conceitos estudados neste capítulo se tornam úteis. isso significa que entre essas frases há algo mais do que uma simples sequência ² há um constante jogo de referências mútuas e vamos continuar a estudá-los. ele disse: ² É melhor esquecer tudo. (. Conceitos básicos com frase. Não telegráfica. constroem o texto. Leia as recomendações do Manual de redação e estilo de O Globo e perceba como os profissionais do texto adotam esse procedimento para controlar a qualidade do trabalho. ² É melhor esquecer tudo ² disse ele. ² É melhor ² concordei. Frases e Produção de Textos.) Construir uma frase é trabalho de pedreiro: cada tijolo apoia o que lhe é posto em cima e nenhum deve atrapalhar a harmonia do conjunto. no entanto.: É comum como recurso enfático a repetição do ponto de exclamação ou sua combinação com o ponto de interrogação. disse ele. Também se podem empregar vírgulas no lugar dos travessões intermediários: Ex. depois de um breve silêncio. organizadas. Se estiver encontrando dificuldades ao ler um texto. É importante perceber. mas permitindo ao leitor assimilar uma ideia ou um fato de cada vez.

falas ou pensamentos de personagens em textos narrativos. em palavras ou expressões que não pertençam à língua culta para realçá-las (gírias. assinalam modulação de natureza emocional (dúvida. Travessão. Por vezes. faz-se um muro. Aquele cantor de ³country´ só usa ³playback´. são utilizadas para permitir que o leitor complemente um pensamento que ficou suspenso. Ex: ³Estava gamado.´ Aspas.´ O passageiro ficou ³vidrado´ na jovem loira. tristeza. neologismos). Diz Thomas Mann em A Montanha Mágica: ³ Todo caminho que trilhamos pela primeira vez.. ou quando se quer dar início ou citação de outrem. Não quer ir?¶ ´ Respondo à saudação com esta fórmula sem sentido: €Tudo bem? Reticências. São usadas para isolar uma citação textual. teve como padre uma .. é muito mais longo e difícil do que o mesmo caminho quando já o conhecemos. achando graça ² mas eu acho que você não está me reconhecendo. derradeira conversa. São utilizados quando se vai iniciar uma sequência que explica.. Seu uso é constante em textos narrativos nos quais personagens dialogam: Ex: ²Tudo bem ² diz ela. daí a dor de cotovelo que o consumia. hesitação. discrimina ou desenvolve uma ideia anterior. hoje vou ao Jirau. E agora?´ ³Antes de partir. nostalgia). Marcam uma sensível suspensão da melodia da frase.. estrangeirismos. com a consequ suspensão da melodia da frase. cólera. fica-se com uma pilha de tijolos. o cobrador dá aqueles gritos que chateiam todo mundo: µVamos chegando pra frente! Tem lugar na frente! Não acumula aqui atrás!¶ ´ ³E eu logo comuniquei. identifica. a) serve para indicar que alguém fala de viva voz (discurso direto). Ex: ³No Morro da Viúva. 95 . Em geral.se trabalha direito. como quem não quer nada: µAliás. Ex.. As reticências marcam uma interrupção da sequência lógica do enunciado. quando não há noção do equilíbrio e continuidade. Mas tinha sido há tanto tempo. Dois Pontos. mas ela parece que preferia casar com um belga.

³O que nos falta quase sempre são os olhos que possam e queiram ver ² olhos que saibam abrir-se ao esplendor de Deus!´ Parênteses. ou para enfatizá-las: Ex: Machado de Assis ² grande romancista brasileiro ² também escreveu contos. indique-a claramente com duas barras oblíquas ( // ). substituindo duas vírgulas... ponto e outros) e efetuando a paragrafação devida. Anteposto a uma palavra. a) O mais importante de todos os sinais é a palavra sem a qual não seria possível a convivência humana e a própria sociedade inexistiria dada a impossibilidade de intercâmbio linguístico sem esse extraordinário suporte desapareceria a cosmovisão que o homem tem das coisas e nem se chegaria ao desenvolvimento com a ausência do código linguístico oral ou escrito sem ideias ou conceitos seria possível existir cultura progresso e civilização óbvio é que não pois as palavras são o sustentáculo de toda essa gigantesca arquitetura chamada civilização quando se destruiu a Biblioteca da Alexandria o mundo chorou mas por quê será preciso responder b) A ideia de que a violência provém da má índole dos indivíduos que a praticam é bastante generalizada ouvem-se com bastante frequência grupos de cidadãos que exigem maior eficiência da polícia e até mesmo a intervenção do Exército como forma de garantir a segurança dos indivíduos e de seu patrimônio mais raras são as vozes que se levantam para denunciar uma sociedade hipócrita em que aqueles que posam como pais de família exemplares se transformam em exterminadores sem escrúpulos assim que seguram o volante de um automóvel saliente-se que nesse caso a culpa é atribuída à neurose do trânsito das grandes cidades e não à má índole individual 96 . fora despesas miúdas com automóveis. serve para indicar que ela é hipotética. pontoe-vírgula. São usados para intercalar qualquer indicação.. indica lacuna ou omissão de trecho numa citação ou transcrição. Quando repetido três vezes[***]. Atividades práticas: 1) Pontue os textos seguintes... não documentada. explicação ou comentários acessórios: Ex: ³Aborrecido. aporrinhado.b) para isolar palavras ou frases. gorjetas etc) e embarquei vinte e quatro horas depois. Não é necessário reescrever o texto.´ (Graciliano Ramos) Asterisco. Ex: A notícia foi divulgada pelo jornal*. Sinal tipográfico em forma de estrela ( * ). recorri a um bacharel (trezentos mil-réis. que indica uma remissão (encaminhamento do leitor para outra parte do texto) ou chamada para citação. É um tal de Dr*** *Mevitevendo é título de obra literária. utilizando os sinais gráficos adequados ( vírgula. Se houver paragrafação.

Há casos em que elas simplesmente não deverão ser usadas. d) Andam lado a lado nas calçadas e ruas trabalhadores e malandros e policiais e pessoas sem teto e vendedores ambulantes. b) Têm progredido muito os agricultores que investem nas culturas voltadas consumo interno. Os atletas. ao c) Foram deixados de lado os antigos ressentimentos as rusgas medíocres a estupidez mútua. 97 . a) O irracional e exagerado investimento em rodovias ridiculamente planejadas virou poeira com algumas horas de chuva. 1) Seres humanos animais e vegetais sofrem com a poluição. Muitos espíritos. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ b) Muitos espíritos sem dúvida passarão a duvidar. i) Acorde menino e vá ver a vida lá fora! j) Sob aquelas velhas árvores ali perto do poço repousam muitos dos meus sonhos. 3) Explique a diferença de sentido entre as frases de cada um dos pares seguintes: a) O policial neurótico sacou a arma. R±____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ c) Os atletas desnutridos deixaram o clube. passarão a duvidar. e) Pedro ou Paulo será o novo líder do grupo. sem dúvida. O policial. h) O Brasil país que via seus jovens como garantia de um grande futuro parece optar por simplesmente eliminar boa parte desses jovens. g) Desiludido rasguei minha ficha de filiação ao partido. deixaram o clube. sacou a arma. desnutridos.c) Há efetivamente um conjunto de brasileiros que se comportam como se as leis não lhes dissessem respeito o convívio social não passa de uma forma de lhes satisfazer os desejos as obrigações inerentes a qualquer forma de sociedade pertencem exclusivamente aos outros seria importante saber o que efetivamente produzem esses indivíduos para o bem da comunidade são eles seres verdadeiramente sociais a resposta a essa pergunta pode dar início à redescoberta da noção de bem-comum 2) Empregue as vírgulas necessárias à organização das frases. neurótico.

a) O retirante. p. R-______________________ _____________________________________________ 6) Justifique o uso das vírgulas nas frases abaixo. realizada no Rio. R-___________________________________________________________________ c) O mercúrio. a) De uma janela enxergava-se o mar. possui muitas utilidades. 1999. espeto de pau. 31. R ±______________________________ _____________________________________ ___________________________________________________________________ As relações entre textos. imensas planícies verdes. explique o porquê de o autor têlas usado em ³ambientalistas´. set. nosso irmão nordestino. R-_________________________________________________________ __________ b) Era uma casa com dois dormitórios. uma sala. vestuário e trabalho condigno. R-___________________________________________________________________ 7) Justifique os sinais de pontuação presentes nas frases abaixo.todos enfim sabiam de sua história e não haviam preparado a mínima homenagem. cozinha e banheiro. desejam controlar a Amazônia. R-___________________________________________________________________ d) Rapazes. Observe os trechos que seguem: Do que a terra mais garrida 98 . em julho de 1992). há muito. 30. R±____________________________________________________________________ b) Os nossos desejos são mínimos: uma casa para morar. alimentação. vamos ao trabalho! R-___________________________________________________________________ e) Casa de ferreiro.R-____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 4) Leia abaixo o fragmento extraído de Caros Amigos. aqueles dois que conversaram em voz baixa. no. metal líquido. Os Estados Unidos. mas nunca as encontra. Não foi por outra razão que ³ambientalistas´ americanos iniciaram um movimento para declarar a Amazônia área de interesse mundial (essa questão foi a pauta não oficial da Eco-92.´ Justifique o emprego dos travessões na passagem acima. . R ± ___________________________________________________________________ 5) ³Os colegas ² o equilibrista. desce em busca de melhores condições de vida. De acordo com as possibilidades de emprego das aspas. da outra.

pois pressupõe que o leitor compartilhe com ele um mesmo conjunto de informações a respeito das obras que compõem um determinado universo cultural. a exaltação ufanista da natureza brasileira. isso é feito de maneira explícita. contestar e deformar alguns dos sentidos do texto citado. duas finalidades distintas: a) para reafirmar alguns dos sentidos do texto citado.Teus risonhos. Quando um texto de caráter científico cita outros textos. colocados no princípio desta lição. Para ele. Os dados a respeito dos textos literários. para polemizar com ele. Nossa vida mais amores. Como o de Gonçalves Dias é anterior aos dois primeiros. parafraseiam versos de Gonçalves Dias. temos uma paródia. O texto citado vem entre aspas e em nota indica-se o autor e o livro donde se extraiu a citação. Os dois primeiros citam o texto de Gonçalves Dias. basicamente. são necessários. enquanto o de Murilo Mendes encaixa-se no segundo.´ (Hino Nacional Brasileiro) Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. históricos. no teu seio. b) para inverter. pois pretendem ridicularizar o nacionalismo exaltado que pode ser lido no poema gonçalvino. Voltemos aos três textos colocados no princípio. o que ocorre é que estes fazem alusão àquele. (MENDES. mitológicos. o Hino Nacional enquadra-se no primeiro caso. nossa pátria é sempre mais e melhor do que os outros lugares. Com muita frequência um texto retoma passagens de outro. a esse diálogo entre textos dá-se o nome de intertextualidade. (DIAS. mais amores. Num texto literário. Em relação ao texto de Gonçalves Dias. Nossas várzeas têm mais flores. Canção do exílio) Nosso céu tem mais estrelas. Gonçalves. Os versos do Hino Nacional. Canção do exílio) Os três textos são semelhantes. Quando um texto cita outro invertendo seu sentido. Entre elas. Um texto cita outro com. ou seja. um poeta ou romancista não indica o autor e a obra donde retira as passagens citadas. A essa citação de um texto por outro. Já os versos de Murilo Mendes citam Gonçalves Dias com intenção oposta. para compreensão global de um texto. a citação de outros textos é implícita. os de Murilo Mendes 99 . Os versos do Hino Nacional retomam o texto de Gonçalves Dias para reafirmar esse sentido de exaltação da natureza brasileira. muitas vezes. Nossos bosques têm mais vida.O poema de Gonçalves Dias possui muitas virtualidades de sentido. Murilo. lindos campos têm mais flores. ³Nossos bosques têm mais vida´ ³Nossa vida.

In:€ Poesias (1925-1965). de maneira mais completa o sentido dos textos. principalmente daquelas obras que constituem as grandes fontes da literatura universal. No entanto. A percepção das relações intertextuais. Ao contrário. cubistas. Não gorjeiam como lá. a vegetação e o reino animal. que começa com a seguinte estrofe: Minha terra tem palmeiras.parodiam-nos. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Quanto mais se lê. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista. do seu acervo de conhecimentos literários e de outras manifestações culturais.5) Tomando-se os dois versos iniciais isolados do contexto. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! (MENDES. os sargentos do exército são monistas. Eu morro sufocado em terra estrangeira. a leitura dos outros versos do texto desautoriza essa hipótese de leitura.Rio de Janeiro: J. depende do repertório do leitor. os elementos estrangeiros presentes em µµminha terra¶¶. Canção do exílio. Onde canta o sabiá: As aves. Olympio. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. que aqui gorjeiam. já que ³macieiras¶¶ e ³gaturamos´ representam. TEXTO COMENTADO. As contradições presentes no solo pátrio não têm um valor positivo. que pode ser lida no poema homônimo de Gonçalves Dias. das referências de um texto a outro. Por isso cada livro que se lê torna maior a capacidade de apreender. O solo pátrio abriga elementos provindos de outras terras. respectivamente. e ³Califórnia¶¶ e Veneza. o que se repete ao longo do texto são contradições que não concorrem para enaltecer 100 . Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza.1959. mais se amplia a competência para apreender o diálogo que os textos travam entre si por meio de referências.p. Poemas. Essa hipótese interpretativa pode parecer plausível. pode-se pensar que o poema de Murilo vai fazer uma apologia do caráter universalista e cosmopolita da brasilidade. citações e alusões. seguindo a linha de glorificação da terra pátria. Murilo. Daí a importância da leitura. os filósofos são polacos vendendo a prestações.

1-2) nem a cultura (v.10-11). em Murilo. mas para ridicularizá-la. O poeta admite que alguma verdade há nas afirmações românticas (v. percebe-se que a cultura brasileira é postiça e abriga uma série de contradições: ² µµos poetas são pretos¶¶ (elementos de condição social inferiorizada e oprimida) ² ³que vivem em torres de ametista´ alienados num mundo idealizado. ³Veneza´. Analisando os diferentes versos. Ao se relacionarem. espaço desvalorizado. elas obedecem a alguns princípios: um deles é a concordância. ² µµos sargentos do exército são monistas. O poeta mostra que nem a natureza (v. ao mesmo tempo. desnaturada a ponto de parecer estrangeira(v. Termina o poema desejando ter contato com coisas genuinamente brasileiras. µµGioconda¶¶. 12-13). Seu texto não parafraseia o texto de Gonçalves Dias. Registro Culto da Língua Portuguesa Sintaxe de Concordância Na elaboração da frase. mas instaura uma visão oposta a dele. O poeta critica com mordacidade a invasão da pátria por elementos estrangeiros. é um país estrangeiro. representados por ³Califórnia´. Seu desejo é. estabelece uma polêmica com ele. mas ironizaa. que não apresenta as mazelas do mundo real: (trata-se de uma referência irônica ao Simbolismo e. vê-a de maneira crítica. mas mostra que a prodigalidade da natureza brasileira não é acessível à maioria da população (v. Em Gonçalves Dias. as palavras relacionam-se umas com as outras. cubistas¶¶(os que têm a função de garantir a segurança do território têm pretensões de incursionar por teorias filosóficas e estéticas). Seu texto. um lamento. a Cruz e Souza). a terra do exílio.ufanisticamente a brasilidade. Essas diferenças manifestam-se a partir da constituição do espaço do exílio. não celebra ufanisticamente a pátria. 14). o exílio é sua própria terra. µµcubistas´. uma mistura de elementos advindos de vários países. µµmonistas¶¶. diferentemente do poema gonçalvino. ridiculariza a oratória repetitiva dos políticos. ² ³os filósofos são polacos vendendo a prestações´ (os amigos da sabedoria são prostituídos ² polaca é termo designativo de prostituta ² pela venalidade barata).3-9) têm um caráter genuinamente brasileiro. Ao identificar oradores e pernilongos como os que atrapalham o sono. pois o poeta sabe que ele não se tornará realidade. O Brasil é uma miscelânea. principalmente. O texto de Murilo cita Gonçalves Dias com intenções paródicas. 101 .

Temos de decidir pelo caminho e pela vida mais tranquila.concordam com o substantivo mais próximo. O substantivo vai para o plural sem que se repita o artigo antes de cada adjetivo. o adjetivo concorda geralmente com o mais próximo. artigo adjetivo substantivo masculino masculino masculino singular singular singular Tanto o artigo quanto o adjetivo ± ambos adjuntos adnominais ± concordam com o gênero (masculino) e o número (singular) do substantivo. Concordância do Adjetivo (na função de adjunto adnominal) com o Substantivo a) O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. verbo 1ª pessoa do singular O verbo concorda com o sujeito em pessoa ± primeira ± e em número ± singular. A distância.ir para o masculino plural. o cruzeiro abençoava os que chegavam e os que partiam. c) Mais de um adjetivo referindo-se a um só substantivo. A remessa e o destinatário francês estavam detidos na alfândega. 102 . Ex.concordância verbal. Há dois tipos de concordância: .´ (Antônio Torres) b) Um só adjetivo referindo-se a mais de um substantivo de gênero ou número diferentes.concordância nominal e . sujeito predicado Eu saí cedo. a mulher e o mar calmos pareciam uma pintura. Ex. ³Braços abertos para a estrada amarela e suarenta que ia e vinha. O vaqueiro e a moça apaixonados fugiram pelo sertão afora. Endurecido o cimento e a cal. Quando vem após os substantivos.: Os antigos postes e luminárias foram reconduzidos ao museu.: Conheci os líderes africano e americano que lutavam contra o preconceito racial. nada podemos fazer. o adjetivo pode: . As populações mineira e sulista participaram da feira de gado.Exemplos: O pequeno garoto perambulava pela cidade. Quando vem antes dos substantivos. .

Ex. Quando o predicativo aparece após o sujeito.ir para o masculino plural. podem ocorrer as seguintes concordâncias. .: Os meus olhos permaneciam embaçados pela névoa. O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples.se os substantivos são de gênero diferentes.: A pulseira e o anel eram dourados como os cabelos. o predicativo toma a forma masculina plural. Estava aflito o homem e a mulher. . o predicativo toma a forma plural no gênero dos substantivos. Ex. As malas e as sacolas estavam pesadas.O substantivo fica no singular e se repete o artigo antes de cada adjetivo. Concordância do Adjetivo (em função predicativa) com o Sujeito . Estavam aflitos o homem e a mulher. podem ocorrer as seguintes concordâncias. A população mineira e a sulista participaram da feira de gado.: Sua Alteza ficou revoltada com os jornalistas. Quando um sujeito é constituído de pronome de tratamento.: Conheci o líder africano e o americano que lutavam contra o preconceito racial. Ex.: O ódio e o amor pareciam idênticos. Quando o predicativo aparece antes do sujeito constituído de substantivos de gêneros diferentes. predicativo do sujeito Ela sorria satisfeita. O teatrólogo e a contista ficaram surpresos com o prêmio. a) Predicativo e sujeito simples. predicativo do sujeito b) Predicativo e sujeito composto.: São italianos a revista e o jornal. .se os substantivos do sujeito composto são do mesmo gênero. (com referência a um deputado) 103 . (com referência a uma princesa) Sua Excelência é desonesto com o povo. é comum concordar o predicativo com o sexo da pessoa a quem se refere.: É italiana a revista e o jornal.concordar com o substantivos mais próximo. Ex. Ex. Ex. c) Predicativo e sujeito representado por pronomes de tratamento. . Ex.

mas um dia o serão. A segunda e terceira séries foram à excursão. Concordância do Pronome com o Substantivo a) O pronome concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.o substantivo irá para o plural se aparecer antes dos numerais.: Os andares primeiro e segundo do edifício foram danificados. Ex. Ex.o substantivo fica no singular ou vai para o plural se os numerais forem precedidos de artigo. com os quais brigou. b) Quando mais de um numeral ordinal se referir a um mesmo substantivo: . Ex. O proprietário alugou a casa.: É uma hora. Ex. vai para o plural.: Agressões e tapas. Observação: Com o numeral um (uma) o substantivo fica no singular e. . b) Se o pronome se referir a mais de um substantivo de gêneros diferentes. Ex. Ex.: O primeiro e o segundo andar do edifício foram danificados. Consideraram satisfeitas as moças e os rapazes.o substantivo irá para o plural se não houver repetição do artigo. Reencontrou os antigos vizinhos e suas filhas. . vai para o masculino plural.Observação: Consideraram os rapazes e as moças satisfeitos. apenas uma funcionária falou. na reunião. Observação: O pronome demonstrativo o pode aparecer invariável em construção como: As condições humanas ainda não são iguais. apenas duas mulheres.: Poucos homens acreditavam que aquelas medidas fossem justas. Ex. Consideraram satisfeitos as moças e os rapazes.: Havia. As séries segunda e terceira foram à excursão. recebera-os sem saber o porquê. 104 . mas antes a reformou. São três horas da madrugada. com os demais. Na festa de despedida.: O primeiro e segundo andares do edifício foram danificados. Concordância do Numeral com o Substantivo a) Os numerais cardinais que sofrem flexões de gênero concordam com o substantivo a que se referem. O primeiro e o segundo andares do edifício foram danificados.

Concordância do Particípio com o Substantivo O particípio concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: . Observações: 1ª ± Quando o particípio se refere a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes. segue a fotocópia da Carteira de Identidade. .Muito obrigado ± disse ele. essas expressões ficam invariáveis. Todos haviam anotado as reclamações.: Os alunos mesmos organizaram o trabalho. Terminadas as entrevistas. Mesmo ± Próprio ± Incluso ± Anexo ± Obrigado ± Quite Essas palavras concordam.nas orações reduzidas.: Foram anotadas as reclamações do dia. Estou quite com as minha dívidas. estão os comentários do livro. toma a forma masculina plural.com sujeito sem elemento determinante. todos se retiraram. Ex. 105 . É boa a plantação de erva-cidreira para espantar formigas. Ex. essas expressões concordam com ele em gênero e número. Ex. os desejos e as esperanças foram aumentados. geralmente. Anexos à página 7. É bom plantação de erva-cidreira para espantar formigas.na voz passiva.Muito obrigada ± respondeu ela.: Dado o sinal. Ex. Ex. É necessário segurança para se viver bem.: Seriam precisos vários conferencistas. É necessária a tua denúncia no tribunal. . . É proibida a entrada de animais. (voz passiva) 2ª ± O particípio não varia quando forma tempo composto. Anexa ao requerimento.: É preciso álcool para limpar a mesa.: Com a notícia. . os políticos saíram. Elas próprias decidiram a questão. com o nome a que se referem.com sujeito acompanhado de elemento determinante. Foi encontrado o corpo do rapaz.: Ninguém havia anotado as reclamações. É proibido entrada de pessoas estranhas neste setor. Ex. Ex. Declaro ter recebido inclusa a escritura do imóvel. Concordância Nominal: Outros Casos É preciso ± É necessário ± É bom ± É proibido Com expressões desse tipo podem ocorrer duas construções: .

caro. os policiais ficam alerta. Os carros caros são mais sofisticados.: Os carros custam caro. O dinheiro inflacionado desaparece a olhos vistos. . Ex. Ex. Ex. Ex.: Todos concordaram. Trata-se de pseudo-especialistas. longe. Ex. Fiquei a sós por um longo tempo. Nos movimentos grevistas. A expressão a sós é invariável. ficando invariável. 106 . Bastante . verbo advérbio A melancia estava meio estragada.: Fizeram bastantes perguntas sobre o assunto. Meia adjetivo substantivo melancia estava estragada. numeral substantivo Era meio-dia e meia.: Na classe há menos moças do que rapazes.: Perguntaram bastante sobre o assunto. numeral Observação: Ocorre o mesmo com: muito.como advérbio equivale a somente. só eles não.: Ficaram a sós por um longo tempo. Menos ± Alerta ± Pseudo ± A Olhos Vistos São invariáveis.advérbios.Meio Essas palavras podem aparecer como: . sofrendo variações. Só ± A Sós A palavra só pode aparecer como advérbio ou como adjetivo: . sendo variável. pouco. ficando invariáveis. Ex.Estamos quites com as nossas obrigações. Andamos por longes terras.adjetivo ou numeral fracionário ± no caso de meio ± .: As crianças permaneciam sós. Ex.como adjetivo equivale a sozinho. advérbio adjetivo . Os alunos moram longe da escola.

(oferecido) d) Pai e filha pareciam _______________________ . (série) q) Os ________________________ quarto e quinto estão danificados. Ela deixou as portas o mais bem fechadas possível. As costuras eram as mais perfeitas possíveis.invariável. fazendo a devida concordância. (péssimo) f) Procuravam demonstrar carinho e afeição ________________________ (materno) g) A vegetação rasteira e o cacto estavam _______________ pelo sol escaldante. Ex. o afeto e a emoção eram ______________ com dificuldade. . Nós fazíamos trabalhos os mais completos possíveis. (seco) h) O sorriso. quando usada em expressões superlativas com o artigo no singular. (desgostoso) e) No teatro eles ficaram com _____________________ lugar e companhia.: Para participar daquela festa. 107 . Para participar daquela festa. encontrei-_________ abandonados. quando o artigo dessas expressões aparece no plural. e a casa de máquinas ________________________ pelo empregado-modelo. (cuidado) j) Encontramos o professor e a diretora ________________________ a organizar afesta beneficente. (aprovado) o) O nono e o décimo _____________________ do prédio estão desocupados. (o) 2) Identifique e corrija as frases que apresentam concordância inadequada. Ex. Substantivos ligados por Ou Com substantivos de gêneros diferentes ligados por ou. o curral. Recebemos o menor número de informações possível. Ex. (passado) l) As rádios e os jornais que comunicaram a notícia __________________ continuavam ________________________ . o adjetivo pode: . era necessário o uso de camisa ou vestido brancos. (demonstrado) i) Conhecemos o pasto.: As notícias que trouxe são as melhores possíveis. Atividades práticas: 1) Complete as frases com as palavras dos parênteses. (andar) p) A primeira e a segunda _______________ do Ensino Médio sairão mais cedo. esqueceu-se da mulher que o abandonou.(amarelado) b) O Bixiga e a Barra Funda são ____________________________ . (disposto) k) __________________ os meses. (andar) r) Meninos e meninas.: O candidato tentou obter o maior número de votos possível. Ex.concordar com o substantivo mais próximo.invariável. (populoso) c) Os festejos e as procissões são __________________ ao santo do dia.Possível A palavra possível pode aparecer: .: Para participar daquela festa. (proibido ± censurado) m) Um e outro jornal apresentaram os culpados e as vítimas_____________________ (entrevistado) n) Os bons políticos sentiram-se vitoriosos quando viram____________________ a lei e o regulamento para punição dos sonegadores de impostos. .tomar a forma masculina plural. era necessário o uso de vestido ou camisa branca. a) O honesto calabrês da quitanda não quis vender os limões ___________. era necessário o uso de camisa ou vestido branco.

apaixonadíssima.: A sinceridade e a franqueza é uma virtude rara.´ sujeito simples Tu a expulsarias de casa? sujeito simples Desapareceram no meio da mata os fugitivos. (ou marcavam) .se os núcleos aparecerem em sequência gradativa. sujeito composto b) Admite-se também o verbo no singular: . com toda a sua gordura. R ± ______________________ d) A namorada falava consigo mesmo. R ± ______________________ Concordância Verbal: casos gerais Com sujeito simples O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. R ± ______________________ g) O primeiro e o segundo aluno desta fileira irão ao quadro.a) Eu mesmo faço isso ± disse a garota.: A falta de companhia. R ± ______________________ b) O pintor brasileiro e o argentino expuseram seus quadros juntos. a coceira. R ± ______________________ c) Muito obrigada ± disse o rapaz à moça. R ± ______________________ f) As casas e os sobrados antigos foram tombados pelo governo. Ex. Ex. sujeito simples Com Sujeito Composto Anteposto ao Verbo a) O verbo vai para o plural. a angústia levou-o ao bar.: ³Chico Bóia. (ou levaram-no) A picada. fazia misérias. estando o sujeito antes ou depois do verbo. Ex: Ouro Preto e Mariana são cidades marcadas pela antiga mineração. a solidão. Ex. onde se embriagou. R ± ______________________ e) Os escritores português e espanhol tiveram suas obras traduzidas para o inglês. (ou deixaram-na) 108 . sujeito composto A secretária e o diretor chegaram pontualmente.se os núcleos forem sinônimos ou formados de palavras de um mesmo conjunto significativo. o mal-estar deixou-a nervosa. (ou são) A casmurrice e a sisudez marcava o rosto do velho senhor.

a mulher é fundamental na mudança da sociedade. 109 . Pedro. Ex. Com Sujeito Composto Posposto ao Verbo a) O verbo vai para o plural. A boiada do fazendeiro seguia seu caminho. lápis.se os núcleos se referirem à mesma pessoa ou coisa. Ex.: Papel. Com Sujeito Composto de Pessoas Diferentes O verbo vai para o plural na pessoa que prevalecer: .: Eu. beiço caído. Paulo.: O cidadão brasileiro. mora a viúva e seus três filhos. Valdete e eu fotografamos tudo naquele passeio. vivem no trapiche o Gato e o Pedro Bala.: Tu e ele fareis o trabalho.c) O verbo ficará no singular: . Tu e Maria recebereis a indenização. nada. borracha. sujeito composto b) Admite-se também a concordância do verbo com o núcleo mais próximo. Ex. Cara feia. Ex. Atiramos a pedra você e eu. nada me fará mudar de ideia. . As boiadas do fazendeiro seguiam seu caminho. a mãe. Deus e tu sois testemunhas. o eleitor espera leis sociais mais justas.: Em um ano ocorreu a condenação do irmão e a perda da esposa.: Na obra Capitães de Areia. Ex. caneta. sujeito composto Cambaleavam na rua Romeu dos Prazeres e Maria das Dores. Os cardumes escaparam da rede. Ex.: O cardume escapou da rede. Ex. . ninguém me dirá o que devo fazer. A dona de casa. de Jorge Amado. José. o verbo concordará com ele. Com Sujeito Representado por um Coletivo a) Quando o sujeito é formado de um coletivo. ninguém. tu e ele faremos a proposta ao professor.a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª.a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª. Nesta casa.se os núcleos aparecerem resumidos por tudo. tudo era instrumento de trabalho do escritor.

concordando com o coletivo. Ex.de preferência.: As Minas Gerais possuem excelentes escritores.: O bando de andorinhas contrastava com o céu azul.b) Quando o sujeito é formado de um coletivo singular seguido de adjunto adnominal plural.: O bando de andorinhas contrastavam com o céu azul. 110 . o verbo concordará em número e pessoa com o antecedente desse pronome. Os Estados Unidos são uma grande potência. . Ex. mas suas montanhas aproximam o homem do infinito. A equipe de cinegrafistas deixaram a televisão. podem ocorrer as seguintes construções: . Ex.: Fui eu que paguei a conta.: Minas Gerais não possui mar. Com o Sujeito Constituído pelos Pronomes Relativos Que e Quem a) Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo que. Ex. Um grupo de mães acompanharam o protesto dos estudantes. sob protesto. o verbo vai para a 3ª pessoa. Observação: Quando se trata de títulos de obras.para dar ênfase ao adjunto adnominal.: Vossa Excelência entrou em conflito com os parlamentares? Vossas Excelências entraram em conflito com os parlamentares? Vossa Senhoria se enganou na remessa de mercadoria? Vossas Senhoria se enganaram na remessa de mercadoria? Com Sujeito Constituído de Nomes Próprios que só Têm Plural Quando o sujeito é formado de um nome próprio plural. admite-se o plural ou o singular. As Minas de Prata já foi adaptada como novela de televisão. o verbo vai para o plural.se o nome for precedido de artigo. sob protesto. Campinas é um rico município paulista. o verbo fica no singular. admitem-se duas concordâncias: . o verbo fica no singular. Um grupo de mães acompanhou o protesto dos estudantes. Com Sujeito Constituído de Pronomes de Tratamento Quando o sujeito for constituído por um pronome de tratamento. Ex.: Os Lusíadas são (é) um grande poema que conta a história de Portugal.se o nome não for precedido de artigo. admite-se o verbo no plural. . Ex. Ex. A equipe de cinegrafistas deixou a televisão.

o verbo irá para o plural se os infinitivos aparecerem determinados. poderão ocorrer as seguintes concordâncias: . Ex. O trabalhar e o descansar são direitos de qualquer pessoa. Fomos nós quem pagamos a conta. 111 . Ex.: Não adianta vocês ficarem na fila do leite. Foram eles que pagaram a conta. o verbo fica na 3ª pessoa do singular. oração sujeito da oração principal principal Com Sujeito Constituído de Infinitivos Quando os núcleos de um sujeito forem constituídos de infinitivos. analisar os problemas é tão normal como respirar. Lutar. Fomos nós quem pagou a conta. Com Sujeito Oracional Se o sujeito for representado por uma oração. reivindicar.Foste tu que pagaste a conta.: Fui quem paguei a conta. Observação: Na língua popular. o verbo irá para a 3ª pessoa do singular. b) Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo quem. 1ª oração 2ª oração Ex. Ex. Ex.: Conversar e discutir é necessário para nosso amadurecimento. é comum o verbo concordar com o antecedente desse pronome.: O conversar e o discutir são necessários para nosso amadurecimento. oração sujeito da oração principal principal 1ª oração 2ª oração Decidiu-se todos saírem mais cedo. Fomos nós que pagamos a conta. quando o pronome relativo quem aparece como sujeito.: Fui eu quem pagou a conta.o verbo poderá ficar no singular se os infinitivos não aparecerem determinados. .

Ex. Até agora não foi solicitada a passagem ou as passagens aéreas. Ex.o verbo ficará no singular sempre que houver ideia de exclusão . .: A mulher com os filhos menores conseguiu a pensão alimentar. . Ex. o barulho do grilo ou o do vento na folha aumentavam a insônia de Anita.: José ou eu casarei com Cláudia.: O pedreiro com o marceneiro não terminaram o serviço a tempo. por nada. Observação: Admite-se o verbo no singular quando se quer enfatizar o primeiro elemento do sujeito. Ex. O técnico com mais dois preparadores físicos pediram demissão. Ex. o verbo irá para o plural. poderão ocorrer as seguintes concordâncias: .o verbo concordará com o núcleo mais próximo se os núcleos representarem pessoas diferentes ou se houver ideia de retificação.: Analisou-se o plano de reforma agrária.Com Núcleos do Sujeito Ligados por Ou Quando os núcleos do sujeito forem ligados pela conjunção ou.o verbo irá para o plural se não houver ideia de exclusão. verbo transitivo direto sujeito Analisaram-se os planos de reforma agrária. concorda com o seu sujeito. O velho senhor com sua filha reagiu contra o motorista de táxi. No silêncio da noite. verbo transitivo sujeito 112 . O excesso de trabalho ou o excesso de ginástica provocam dores. José ou Gilberto casará com Cláudia. O marginal ou os marginais arrebentaram a porta da escola.: A bebida ou o fumo prejudicam a saúde. Verbo com o Pronome Se Apassivador Quando o verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto aparece apassivado pelo pronome se. verbo transitivo sujeito direto Do lado de fora ouvia-se os gemidos do doente.: O ministro do Trabalho ou da Justiça anunciará a nova lei. Ex. Com Núcleos do Sujeito Ligados por Com Quando os núcleos do sujeito forem ligados por com.

verbo sujeito transitivo direto e indireto Entregaram-se flores à mulher.: Hoje. Ex.o verbo vai. c) Um dos que. de preferência.direto Do lado de fora ouviam-se os gemidos do doente. Sempre uma ou outra levava a mãe ao médico. adjunto adverbial de lugar muito em Peruíbe.. adjunto adjunto adverbial adverbial de lugar de intensidade Com Sujeito Formado por Expressões a) Um ou outro ± o verbo fica no singular. ao plural. nem.: Um e outro esculpiam a madeira na porta. Precisa-se de homens e mulheres corajosos. uma das que ± o verbo vai. de preferência. verbo transitivo sujeito direto Entregou-se uma flor à mulher. verbo sujeito transitivo direto e indireto Verbo com Pronome Se (índice de indeterminação do sujeito) O verbo fica na 3ª pessoa do singular quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se com verbo transitivo indireto e verbo intransitivo... nem um nem outro. Nem um nem outro quiseram pedir desculpas. Ex. um ou outro viaja a Brasília. 113 .: ? sujeito indeterminado ? sujeito indeterminado ?_______ sujeito indeterminado verbo objeto indireto transitivo indireto Assiste-se verbo transitivo indireto Descansa-se verbo intransitivo a belos espetáculos objeto indireto no Carnaval carioca. para o plural. Uma ou outra redação merecia críticas. uma e outra expunham os dentes contentes.nem. Ex.. Nem a miséria nem a orfandade o abateram.. Depois do lanche. b) Um e outro.

Mais de cem pessoas morreram no incêndio da Vila Socó. a maioria de) ± o verbo fica. Ex. 114 . no singular. ficando na 3ª pessoa do plural. Com Sujeito Formado por Número Percentual a) O verbo poderá concordar com o numeral ou com o termo a que se refere a a porcentagem.: A maior parte dos pesquisadores precisa de mais verbas.: Um por cento dos coveiros recebeu aumento salarial. . muitas vezes. O tradutor é dos que menos aparecem e mais trabalham.: Mais de um tenista representou o Brasil nas Olimpíadas. Ex. f) Quais de vós. Uma porção de alunos faltou à aula hoje. Ex. com o verbo no plural.: Quais de vós sois humildes? Quantos de nós lutamos por melhores dias? Alguns de nós telefonamos à polícia. d) Mais de. quantos de nós.: Quais de vós são humildes? Quantos de nós lutaram por melhores dias? Alguns de nós telefonaram à polícia.: Algum de nós telefonou à polícia. e) A maior parte de (ou uma porção de.o verbo concorda com o pronome indefinido ou interrogativo. A maioria dos casos de infecção ocorre por falta de saneamento básico. menos de ± o verbo concorda com o numeral que segue a expressão. Muitos de nós assistiram à partida de vôlei. alguns de nós ± admitem as seguintes concordâncias: . concordando com o substantivo plural que as segue. Observação: Essas expressões aparecem. Ex. Ex.o verbo concorda com o pronome pessoal. de preferência. Ex. Observação: Se o pronome indefinido estiver no singular.Ex. grande parte de. Ex. Grande número de empresários nem se preocupou com as notícias.: A maior parte dos professores sentem necessidade de bons livros. o verbo ficará na 3ª pessoa do singular. Muitos de nós assistimos à partida de vôlei.: Eu era uma das que mais brincavam na escola. A editora parecia uma das que mais pagavam direitos autorais.

: Deu uma hora no relógio da matriz. Sobrar.: Falta uma semana para terminar a competição.o verbo haver pode variar. Aqueles 30% de lucro obtido desapareceram. com a qual devem concordar. sujeito Concordância dos Verbos Faltar. Ex. se este aparecer com determinantes. sujeito Naquele momento soavam oito horas. Ex: Os 87% da produção de arroz foram vendidas. A não ser que sejam usadas outras palavras como sujeito. Ex.: Deu cinco horas o relógio da matriz.: Haja vista aos ladrões de colarinho branco. Bastar Esses verbos concordam com o sujeito. sujeito Observação: Esses verbos podem ter outra palavra como sujeito. 87% da produção de arroz foi vendida. 115 .a expressão fica invariável. Ex. esses verbos concordam com o número de horas.Um por cento dos coveiros receberam aumento salarial.(= por exemplo) . Bater. Concordância da Expressão Haja Vista Com a expressão haja vista podem ocorrer as seguintes construções: . Ex. (= atente-se) Haja vista os ladrões de colarinho branco. b) O verbo concordará com o numeral.: Hajam vista os ladrões de colarinho branco. 87% da produção de arroz foram vendidas. Soar Na indicação de horas. (=vejam-se) Concordância dos Verbos Dar. que normalmente é o sujeito. Ex. sujeito Batiam dez horas e os bóias-frias abriam suas marmitas sob o sol forte.

: Tem gente nova no pedaço. o dinheiro para a condução. Tem dias que a gente se sente. ora concorda com o predicativo. (auxiliar) Começou a haver cambalachos no jogo. Observações: 1ª ± Quando acompanhado de verbo auxiliar. No Nordeste.: Choviam salivas da boca de Mariquita.: Não havia. Ex. Havia três anos que Sílvia se mudara para a França. Ex. sujeito Basta uma palavra sua para que tudo se resolva. Relampejavam contentes os olhos do menino diante da vitrina. não pode haver borrões. Ex. sujeito Concordância dos Verbos Impessoais Por não possuírem sujeito. apenas. Ex. 116 . Ex. impessoal. mas na minha geou. Faz cinco anos que nos separamos. no lugar de haver ou existir.: Deverá haver feiras de artesanato nas férias. em outros jardins. Destacam-se os seguintes casos: a) Se o sujeito e o predicativo forem representados por nomes de coisa (abstrata ou concreta) e um deles estiver no plural. sujeito Sobrou-me. os verbos impessoais ficam na 3ª pessoa do singular.sujeito Faltam quinze minutos para as duas horas. Concordância do Verbo Ser O verbo ser ora concorda com o sujeito. (auxiliar) 2ª ± Os verbos que exprimem fenômenos da natureza podem deixar de ser impessoais quando empregados em sentido figurado. o verbo concordará com o que estiver no plural. Choveu na sua horta. (auxiliar) Na prova. 3ª ± Na língua popular é comum o uso do verbo ter. As vozes trovejavam nos meus ouvidos.: Essas dores são o meu sofrimento. flores tão belas. o verbo impessoal transmite ao auxiliar a sua impessoalidade. faz invernos amenos.

tudo eram quinquilharias. o verbo concordará. Ex. isso.: As crianças abandonadas e os trabalhadores desempregados não somos nós. Ex. Ex. No meu setor. com o predicativo. Ex.A compra são uns retalhos coloridos. Observação: Nesse caso. Muitas vitórias eram o meu sonho.: Naquela loja.: Minha vaidade são os meus filhos. admite-se a concordância no singular quando se deseja fazer prevalecer um elemento sobre o outro.: A vida é ilusões. Aquilo eram cobras venenosas disfarçadas de gente. Você era os meus sonhos. Ex. No amor. O parlamentar sempre ausente sois vós. de preferência. o. b) Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) refere-se a pessoa. o verbo concordará com ela. Observação: Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) representados por pronomes pessoais. 117 . eu sou o chefe. com este concordará o verbo. aquilo. Minhas alegrias é esta criança.: Eu não sou ele. isto) ± e o predicativo estiver no plural. Ele não é eu. nem tudo são alegrias. c) Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) for pronome pessoal. d) Se o sujeito for representado por pronomes neutros ± sem flexão de gênero e de número (tudo. o verbo concordará com o pronome sujeito.

o verbo ser ficará no singular. menos de. h) Se o predicativo for o pronome demonstrativo o. concordando com a ideia implícita de dia.: Hoje é dia 2 de agosto. O mais são pérolas atiradas aos porcos. Nessa região. Eram 23 de abril quando partimos no navio. quantidade e for seguido de palavras ou expressões como muito. dias e distância. Ex.: Cinco quilos é pouco. Ex. Ex.: O restante eram verduras murchas. Trezentos reais pela passagem é muito.: É uma hora. Seis litros de álcool é menos do que precisamos.´ (Fernando Pessoa) e) Como impessoal na indicação de horas.O que machuca bastante são as agressões verbais. Ex. concordando com o numeral. Da praia até nossa casa. Ex. Observação: Pode ocorrer também o verbo no singular concordando com o pronome..: Dores é o que não sinto. São oito e quinze da noite. a maioria da população eleitora são mulheres. Oito metros de elástico é mais do que pedi. mais de etc. g) Se o sujeito for representado por palavra ou expressão de sentido coletivo ou partitivo e o predicativo estiver no plural. o verbo ser concorda com o numeral. são cinco quarteirões. . Ex. sem a palavra dia explícita. f) Se o sujeito indicar peso. o verbo ser fica no singular. medida. mesmo o sujeito estando no plural. Ex. pouco. O resto foram cenas de terror. . Ex.no plural. Observação: Na indicação de dia.: ³E tudo é chuvas que orvalham.no singular.no singular. Cartas amorosas e anônimas era o que mais escreviam.: Hoje é 2 de agosto. concordando com a palavra dia explícita. Concordância do Verbo Parecer a) O verbo parecer antes do infinitivo admite duas concordâncias: 118 . o verbo ser admite as seguintes concordâncias: .: Hoje são 2 de agosto. o verbo ser concordará com o predicativo. O vento e a brisa é o que os alimentam.

II ± Os núcleos do sujeito forma sequência gradativa.__________________ g) O trabalho e a atividade profissional levava-o ao cansaço. (Gostava-se ± Gostavam-se . as pessoas de casa parecia emudecer. R .varia o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. carregava ± carregavam ) d) Enquanto ele __________________ banho.. III ± Os núcleos do sujeito referem-se à mesma pessoa. Ex. As cenas do palhaço parecia alegrarem a criançada. As cenas do palhaço pareciam alegrar acriançada.) Suas palavras pareceu que eram lamentos. de acordo com o quadro abaixo: I ± Os núcleos do sujeito são sinônimos. R .__________________ d) Poeta.: As paredes parece que têm ouvidos. a) Jornalista e professor trabalhava nos três períodos do dia. b) O verbo parecer fica no singular com oração desenvolvida. (tomava ± tomavam . As pescarias pareciam dar vida nova ao meu pai.: Com a falta de notícias. R . R.: Com a falta de notícias. (comeu ± comeram) c) __________________ .) Seus olhos parecia que guardavam todos os segredos do mundo.__________________ b) A fraqueza. (Parecia que seus olhos guardavam todos os segredos do mundo.__________________ 119 . (Parece que as paredes têm ouvidos.não varia o verbo parecer e flexiona-se o infinitivo.__________________ c) A bondade e a benevolência não era sua qualidade. nada.desaparecem) b) Um bando de pardais _________________ as sementesda horta. o desmaio aconteceu de repente. telefonou ± telefonaram) 2) Leia as orações e justifique a concordância do verbo com o sujeito composto anteposto. pintor e cirurgião plástico fazia as coisas com perfeição. ninguém. IV ± Os núcleos aparecem resumidos por tudo.) Atividades práticas: 1) Complete os espaços com as formas verbais adequadas: a) Sempre __________________os carimbos da secretaria. a tontura. R .__________________ f) Menina e mulher reunia inocência e amadurecimento. (desaparece . Ex. mas __________________ o casal mágoas desde o começo do casamento. . (Pareceu que suas palavras eram lamentos. As pescarias parecia darem vida nova ao meu pai. Ex. as pessoas de casa pareciam emudecer. e) R . __________________ um homem e uma mulher.

__________________ i) Pedreiro e vigia noturno não descansava nunca. R .__________________ d) Eu e você compraremos os ingressos amanhã.__________________ 3) Justifique a concordância verbal. R .__________________ e) Deviam haver mais voluntários para trabalhar na alfabetização de adultos. a) Vende-se casas. R . R . ninguém percebeu a criança saindo. R .__________________ f) Podiam ser duas da madrugada quando houve os acidentes na usina nuclear. R . os avós. R .__________________ b) Incomodava-lhe a gritaria do vizinho e os ensaios daquela banda. (necessitar ± presente do indicativo) b) __________________ -se fugirem os pássaros no inverno.__________________ g) Eu e tu compreenderás que isso é um bom sinal dos tempos.__________________ h) Ali.__________________ i) Cercavam o ministro uma dezena de jornalistas. R . a) Elogiou-se a atitude do delegado e a rapidez dos bombeiros. de acordo com o quadro abaixo: I ± Concordância com o núcleo do sujeito mais próximo. sorri pintadas de rosa as paredes da escola. R . Maria e Miro jantareis comigo. R . R . R .__________________ j) A vitória do time era seus sonhos. (ver ± pretérito imperfeito do indicativo) 120 . R .h) Os pais. R .__________________ d) Pagam-se os carnês de Imposto Predial em dia. R . R .__________________ c) Aspiram-se a bons cursos de veterinária.__________________ b) Precisa-se de vendedores com experiência.__________________ e) A cada palavra do policial vinha a resposta do comerciante e a ira das testemunhas. R . II ± Concordância com a pessoa que tiver prevalência.__________________ 4) Identifique as frases que apresentam concordância verbal inadequada e corrija-as.__________________ c) Tu.__________________ 5) Complete as frases com os verbos dos parênteses no tempo pedido: a) Não só a área rural mas também a área urbana __________________ de mudanças. os vizinhos.

Isso faz Jackson passar a ser vítima do abuso. Colocada depois de dois nomes (denúncias e abuso). ³Fui na praia´). como estabelecer relações entre palavras. ( ser ± presente do indicativo) e) ____________________ -se os atores quando foram aplaudidos. muitas emissoras de televisão falavam das ³denúncias de abuso sexual contra Michael Jackson´. seria necessário aproximar a preposição contra do termo que efetivamente a rege ± denúncia. (ser .se de homens e mulheres corajosos. que expressem efetivamente o sentido desejado. que sejam corretas. por estar mais próxima de abuso.c) Maria ___________________ suas alegrias. (aguentar . o verbo ir rege as preposições a e para: ³Fui ao cinema´ ³Ele foi para a Grécia´. Você sabe que o verbo gostar rege a preposição de (gostar de alguém ou de algo). Surgiria a construção ³as denúncias contra Michael Jackson de abuso sexual´. para criar frases que não sejam ambíguas. é a esse termo que a preposição parece ligar-se. formal. Para que a frase fosse clara e fiel ao sentido pretendido. ou seja. Na língua culta. no Brasil. (precisar . A diferença entre o uso culto. Você percebe o que ocorre nessa construção? A frase é. Outro aspecto que deve ser considerado é a mudança de significado que pode resultar das diferentes relações que se estabelecem entre um mesmo verbo e seus complementos: 121 .pretérito imperfeito do indicativo) j) Quantos dentre vós _________________ os lucros? (repartir . que o verbo concordar rege com (concordar com alguém ou algo). que o verbo confiar rege em (confiar em alguém ou algo). Ao noticiar o fato. E o verbo ir? No dia-a-dia. (curvar-se ± pretérito perfeito do indicativo) f) ____________________ . Na verdade. é muito comum ³ir em algum lugar´ (³Fui no cinema´. É disso que se ocupa a regência.pretérito perfeito do indicativo) i) Nenhum de nós ___________________ mais aquela ladainha. Jackson pode passar a vítima. (ordenar ± pretérito perfeito do indicativo) h) Fostes vós que ______________________ do zelador do prédio? (reclamar .´ O termo regente da preposição contra passaria a ser feitas.presente do indicativo) g) Quando achávamos que a guerra estava próxima do final. um famoso cantor americano (Michael Jackson) foi acusado de assediar sexualmente menores de idade. Regência Verbal A regência verbal se ocupa do estudo da relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).pretérito imperfeito do indicativo) d) As saudades da pátria ____o que amargura os exilados. ambígua. Outra solução seria ³as denúncias de abuso sexual feitas contra Michael Jackson. De réu. a preposição contra pode relacionar-se a qualquer dos dois termos. Vossa Excelência _________________ novos bombardeios. e o coloquial é um dos principais objetivos do estudo da regência.presente do indicativo) Sintaxe de Regência Introdução Há algum tempo atrás. no mínimo.

Não se devem usar como complemento desses verbos os pronomes lhe. no entanto. Ele deve chegar a Brasília no próximo sábado. significa ³causar agrado ou prazer´. Para estudar a regência verbal. destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. as preposições usadas para indicar direção ou destino são a e para.: Amo aquele rapaz. / Amam-no. Verbos intransitivos Os verbos intransitivos não possuem complementos. Isso significa que não exigem preposição para o estabelecimento da relação de regência. No segundo (³A mãe agrada ao filho´). as. Ele deve amar aquela mulher. a. 122 . Ex. Esses pronomes podem assumir as formas lo. Na língua culta. / Ele deve amá-la. Você verá a transitividade mais frequente ou mais problemática dos vários verbos estudados. os verbos são agrupados de acordo com sua transitividade. foram reunidos os verbo cujas mudanças de transitividade estão relacionadas com mudanças de significado. s ou z) ou no. agradar significa ³acariciar´. Lembre-se de que a transitividade não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas em diferentes frases. la. Chegar e ir ±são. / Amo-a. nas (após formas terminadas em sons nasais). las (após formas verbais terminadas em r.: Cheguei a Roma num domingo de Carnaval Fomos a Siena. No primeiro caso (³A mãe agrada o filho´). Verbos transitivos diretos Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos diretos. ³satisfazer´. lhes. normalmente. São transitivos diretos. Amo aquela moça. / Amo-o. acompanhados de adjuntos adverbiais de lugar. Os pronomes pessoais do caso oblíquo da terceira pessoa que atuam como objetos diretos são o. na. esses verbos funcionam exatamente como o verbo amar: Ex. Num último grupo. É importante. nos. ³contentar´. los.³agradar alguém´ é diferente de ³agradar a alguém´. os. Ronaldo foi para a Espanha. Amam aquele rapaz. entre outros: abandonar abençoar aborrecer abraçar acompanhar acusar admirar adorar alegrar ameaçar amolar amparar auxiliar castigar condenar conhecer alegrar convidar defender eleger estimar humilhar namorar ouvir prejudicar prezar proteger respeitar socorrer suportar ver visitar Na língua culta.

Não se deve dizer. Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria. portanto. Consistir. que tem complemento introduzido pela preposição em. Com os objetos indiretos que não representam pessoas. que têm complemento introduzido pela preposição a. Obedecer e desobedecer.Os pronomes lhe. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são lhe. para substituir pessoas. Os brasileiros desobedecem aos sinais de trânsito. (= prejudicaram sua carreira) Verbos transitivos indiretos Os verbos transitivos indiretos são complementados por objetos indiretos. ela) em lugar dos pronomes átonos lhe. Ex. os. a.: Obedeço ao código de trânsito. (= beijar seu rosto) Prejudicaram-lhe a carreira. pode-se usar lhe ou a ele/ela: ³Obedeço ao mestre / Obedeço-lhe / Obedeço a ele´. lhes. R ± ___________________________________________________________________ d) Vamos enviar estes pacotes de arroz aos flagelados.: Quero beijar-lhe o rosto. só se pode usar a ele/ela: ³Obedeço ao código / Obedeço a ele. lhes só acompanham esses verbos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais). Para substituir o que não for pessoa. que têm complemento introduzido pela preposição com. Não se devem usar os pronomes o. São verbos transitivos indiretos. Ex. 123 .´ Atividades práticas: 1) Faça a substituição dos termos destacados nas frases seguintes pelos pronomes oblíquos átonos apropriados: a) Não desejo incomodar aqueles rapazes.: A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para todos. para substituir uma pessoa que funcione como complemento desses verbos. Ex. R ± ___________________________________________________________________ e) Vamos enviar estes pacotes de arroz aos flagelados. ³antipatizei-me com ela´ ou ³simpatizei-me com ela´. usam-se os pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele. Esses verbos não são pronominais. R ± ___________________________________________________________________ c) Você não deve prejudicar os alunos. Isso significa que esses verbos exigem uma preposição para o estabelecimento da relação de regência. R ± ___________________________________________________________________ b) É preciso ajudar as crianças de rua. lhes. entre outros: Antipatizar e simpatizar. as como complementos de verbos transitivos indiretos. Ex. Observe que.: Antipatizo com aquela apresentadora. Lembre-se de que os verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva ± as poucas exceções serão apontadas a seguir. R ± ___________________________________________________________________ f) Ele gostaria de namorar Sílvia.

Alguns deles são: abdicar (de) acreditar (em) almejar (por) ansiar (por) anteceder (a) atender (a) atentar (em. minha vida não é mais a mesma.R ± ___________________________________________________________________ g) Espero poder alegrar os amigos. querida: eu lhe amo muito. R ± __________________ _________________________________________________ h) Prezo muito aquele professor. R ± ___________________________________________________________________ f) Que Deus lhe proteja. sem que isso implique alteração de sentido. R ± ___________________________________________________________________ b) Desde que lhe vi. tudo vai dar certo. a) Fique tranquila. R ± ___________________________________________________________________ d) O marginal urbano não obedece sinal vermelho. R ± ___________________________________________________________________ 2) Em cada item você encontrará uma frase típica da linguagem coloquial de várias regiões do Brasil. R ± _____________________ ______________________________________________ c) Não me simpatizo muito com esta tese. R ± ___________________________________________________________________ i) Por que você não obedece a seus pais? R ± ________________________________________________________ ___________ j) A comissão não respondeu aos inscritos no concurso. R ± ___________________________________________________________________ h) Ela já parou de lhe amolar? R ± ___________________________________________________________________ i) Faço questão de lhe abraçar. Adapte cada uma dessas frases à regência verbal da língua culta. R ± ____________________________________ _______________________________ g) Se Deus lhe amparar. para) cogitar (de.em) consentir (em) deparar (com) desdenhar (de) gozar (de) necessitar (de) preceder (de) precisar (de) presidir (a) renunciar (a) satisfazer (a) versar (sobre) 124 . R ± ___________________________________________________________________ e)Não pude responder o bilhete que você me mandou. R ± ___________________________________________________________________ Verbos indiferentemente transitivos diretos ou indiretos Alguns verbos podem ser usados como transitivos diretos ou transitivos indiretos.

Lembre que nada acontece por acaso. hoje restrita à língua literária. Merecem destaque. Informar. é usado com objeto indireto de pessoa e objeto que indica a coisa a ser lembrada. / Esqueci-me do livro. Observe.: Agradeci o presente. Paguei minhas contas. notar.: Agradeço aos ouvintes a audiência.Também podem ser usados como transitivos diretos ou transitivos indiretos os verbos esquecer e lembrar. (= não me saem da memória. / Perdoei-a. (= não me vem à lembrança) Lembrar. Nesse caso. É importante notar que. / Perdoei-lhe. Não esquecemos suas palavras. Perdoei a ofensa.: Esqueci o livro. / Paguei-as. a pessoa deve sempre aparecer como objeto indireto. Informe os clientes dos novos preços. pagar. Paguei o débito ao cobrador. Não lembro nada. mesmo que na frase não haja objeto direto. que apresentam objeto direto para coisa e objeto indireto de pessoa. / Não me lembro de nada. Ex. Agradeço aos eleitores que confiaram em mim. Verbos transitivos diretos e indiretos Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um objeto indireto. perdoar. no sentido de ³advertir. fazer recordar´. / Não se esqueça dos amigos. há um detalhe importante: quando transitivos indiretos. Observe. (ou sobre os novos preços) 125 . / Não nos esquecemos de suas palavras. esses verbos são pronominais. Ex. / Paguei-lhes. Paguei aos meus credores.: Informe os novos preços aos clientes. / Agradeci-o. / Lembre-se de que nada acontece por acaso. nesse grupo: Agradecer. com esses verbos. Ex. mas não me lembra a data de seu aniversário. não me caem no esquecimento) Desculpe-me. Perdoei ao agressor.: Não me esquecem aqueles beijos que trocamos. Esses verbos também apresentam uma outra possibilidade de construção. porém. Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.: A empresa não paga aos funcionários desde setembro. Agradeço a você. que apresenta objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa. O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado. Observe as formas corretas de usá-los: Ex.: Lembrei a todos que tudo ainda estava por fazer. Observe. / Agradeço-lhe. Ex. Já perdoei aos que me acusaram. Não esqueça os amigos. ou vice versa: Ex. Ex.

R ± _________________ __________________________________________________ c) Ele se antipatizou comigo depois que lhe neguei apoio. Atividades práticas: 1) Substitua os termos destacados pelo pronome pessoal oblíquo átono apropriado: a) Não deixe de pagar as contas. R ± ___________________________________________________________________ e)³Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. ³Prefiro um asno que me carregue a um cavalo que me derrube. podem-se obter as construções: Ex.Quando se utilizam pronomes como complementos. quando um dos complementos desse verbo é oracional. R ± ___________________________________________________________________ b) Nunca esqueci do que passamos juntos. Informe-os dos novos preços. certificar. Povo civilizado prefere democracia à ditadura. A ênfase jê é dada pelo prefixo existente no verbo(pre). R ± ___________________________________________________________________ 2) Observe a regência verbal empregada nas frases seguintes.: Prefiro trem a ônibus. / Informe-lhes os novos preços.´ (Raul Seixas) R ± ________________________________________________________________ ___ ___________________________________________________________________ Verbos cuja mudança de transitividade implica mudança de significado 126 . a) Lembro sempre de você. (ou sobre eles) No período composto. Informe os clientes de que os preços não são mais os mesmos. deve ser usado sem termos intensificadores como muito. / Informe -lhes que os preços não são mais os mesmos. Faça as alterações necessárias para torná-las adequadas ao padrão culto da língua portuguesa. R ± ___________________________________________________________________ b) O banco não paga aos empregados desde maio. mil vezes.: Informe os clientes que os preços não são mais os mesmos.: Informe-os aos clientes.´ Esse verbo. notificar. prevenir. um milhão de vezes. cientificar. R ± ___________________________________________________________________ c) Sempre se encontra um jeito de perdoar aos empresários inadimplentes. R ± ___________________________________________________________________ d) Prefiro mil vezes ficar aqui do sair e enfrentar filas. Ex. Ex. R ± ___________________________________________________________________ d) Não perdoarei essa atitude grosseira. / Informe que os -os preços não são mais os mesmos. que na língua culta deve apresentar objeto indireto introduzido pela preposição a. Preferir. na língua culta. antes. / Informe-os deles. A mesma regência de informar cabe a avisar. valem as mesmas orientações.

: O cantor não agradou aos presentes. ³pretender´. no sentido de ³ver´.: O médico se negou a assistir os idosos. No sentido de ³ver´. não se aceita essa construção.: Não assisti o jogo. no sentido de ³fazer carinho´. Ex. 127 . ³estar presente a´ ou ³caber´. ³residir´. O médico se negou a assistir-lhes. As empresas de saúde negam-se a assisti-los. ³inalar´. / Não assisti a elas. Nesse caso. é transitivo direto. Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. Ex.: Quem não fuma muitas vezes é obrigado a aspirar a fumaça dos cigarros de quem se acha dono do mundo. Ex. No sentido de ³desejar´. Em textos literários. ³almejar´. rege complemento introduzido pela preposição a. é transitivo direto. Agradar. é transitivo indireto. No sentido ³causar agrado a´. ³inspirar´. ³satisfazer´. O cantor não lhes agradou. Quem não fuma muitas vezes é obrigado a aspirá-la. Veja a seguir os principais. / Exigir qualidade é um direito que lhe assiste. portanto não se pode dizer: ³O jogo foi assistido por mil pessoas. ³presenciar´. Não se deve usar lhe ou lhes como objeto indireto desse verbo. ³prestar assistência´. é transitivo indireto e rege a preposição a. deve-se optar pela construção ativa: ³Apenas mil pessoas assistiram ao jogo. Ex. esse verbo é usado como transitivo direto.: Assisti a um ótimo filme. no sentido de ³sorver´. no primeiro apresenta objeto indireto de coisa. Observe. ³acariciar´. Ex. Exigir qualidade é um direito que assiste ao consumidor. Não assisti às ultimas sessões.´ No padrão formal. é intransitivo e normalmente vem acompanhado de adjunto adverbial de lugar introduzido pela preposição em. / Assisti a ele. no segundo. Aspirar. / Sempre o agrada quando o revê.: Os brasileiros sensíveis aspiramos a um país mais justo. Convém lembrar que não se pode fazer a passiva de verbos transitivos indiretos.: As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. ³prestar assistência a´. Os brasileiros sensíveis aspiramos a ele. No padrão culto. / Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo. Na linguagem corrente do Brasil. pode aparecer com o sentido de ³morar´. Assistir. no sentido de ³ajudar´.´ Alguns autores admitem que esse verbo seja usado como transitivo indireto com o sentido de ³ajudar´. ³pertencer´. Nos dois casos. Ex.Há verbos cujas modificações de transitividade produzem mudanças de significado. é transitivo direto.: Sempre agrada o filho quando o revê. Ex. de pessoa. Ex. é transitivo indireto e rege complemento introduzido pela preposição a. ³ser agradável a´. ³presenciar´.

Ex.Ex. vá chamar sua prima. em que o verbo custar pode significar ³demorar´ ou ³ter dificuldade´ e apresenta como sujeito uma pessoa. Se você estranhou essas construções. e sim a coisa. custa para ti. é transitivo indireto e rege a preposição a. Ex. ³estimar´. devem-se utilizar construções em que surja objeto indireto de pessoa: ³Custou a Zico chutar´ (= Custou-lhe chutar) e ³Custou-me entender o problema´. No Brasil. Observe. ³trazer como consequência´. Na língua culta. é transitivo direto. Ex. no sentido de ³mirar´. é transitivo direto. No sentido de ³embirrar´. lembre-se de que você não diz ³Quanto tu custas para acordar mais cedo?´. Bruges ou Toledo. Ex. meu amor. no sentido de ³ser custoso´. é acordar mais cedo que te custa.: Quero muito aos meus amigos. tem como sujeito uma oração subordinada substantiva reduzida.: Qualquer pessoa sensível gostaria de assistir em Siena. ³ter vontade de´. ³provocar´.: Acabaram implicando o ex-ministro em atividades criminosas. é transitivo indireto e rege a preposição com. 128 . dizendo o nome em voz alta´. no sentido de ³ter como consequência´. ³ser penoso´. esse verbo é sistematicamente usado com a preposição em (³Sua decisão implica em cancelar o projeto´. Ex. Querer.: Ainda me custa aceitar sua ausência. é transitivo direto. na linguagem cotidiana. Despede-se o filho que muito lhe quer. vá chamá-la. Chamar. no sentido de ³convocar´. Custou-lhe entender a regência do verbo custar. ³acarretar´. ³amar´. mas você não ouviu. Custar. Custou-nos encontrar sua casa. o fato: não és tu que custas para acordar mais cedo. ³comprometer´. essas construções em que custar apresenta sujeito indicativo de pessoa são rejeitadas.: Sua decisão implicou o cancelamento do projeto. mas você não ouviu. Quero muitos beijos. No sentido de ³ter afeição´. Chamei você várias vezes.: Sua sogra implica muito com você? No sentido de ³envolver´. ³ter implicância´.: Por gentileza.: Queremos um país melhor. / Por favor. são comuns construções como: ³Zico custou a chutar´ ou ³Custei para entender o problema´. no sentido de ³desejar´. Em seu lugar. ³cobiçar´. Sua decisão implicou cancelar o projeto. Visar. Nenhum dicionário admite essa construção no padrão culto. Ex. ³solicitar a atenção ou a presença de. e sim ³O que te custa acordar mais cedo?´. No Brasil. ³rubricar´. Note que o sujeito de custar não é pessoa. ³apontar´ ou ³pôr visto´. Implicar. / Chamei-o várias vezes. Ex. é transitivo direto. ³ser difícil´. é transitivo direto e indireto. Recessão implica desemprego.

é transitivo indireto e rege a preposição a. ³O restaurante que eu comia no tempo da faculdade foi fechado. não entre... Os países a que fui são ricos. quando empregadas no padrão coloquial: O cargo que aspiro. devem-se evitar construções como: Ao toque da campainha.´ Essas construções devem ser corrigidas para: A rua em que moro é esburacada. ³Os países que eu fui são ricos. indica que você gosta de comer tijolos. são condenáveis construções como: ³A rua que eu moro é esburacada. Por isso. indica que.´. (aspirar) R .___________________________________________________________________ d) Ele fez tudo para satisfazer o inexorável sogro que Deus lhe deu. Li o livro e gostei dele. toalhas. não se deve atribuir a verbos de regências diferentes um mesmo complemento. Em seu lugar.Ex. ³O cargo que eu aspiro é muito disputado. O gerente não quis visar o cheque. Observações: 1ª ± Na língua formal falada e escrita. nem saia dele.________________________________ ___________________________________ c) Não é recomendável acariciar cães violentos. Só um projeto que vise à eliminação dos vergonhosos contrastes sociais pode levar o Brasil à verdadeira modernidade..´. Note o que acontece particularmente nas últimas frases. Assim.: O caçador visou o corpo do animal.: O ensino deve visar ao progresso social. não entre no trem. O filme a que assisti é italiano. ³O filme que assisti é italiano. nem saia do trem. (agradar) R .___________________________________________________________________ b) Almejo um futuro melhor para o povo do meu país. ³ter como objetivo´. é preciso manter a regência determinada pelo verbo quando seu complemento ou modificador é um pronome relativo. (agradar) 129 . Li e gostei do livro. O restaurante em que eu comia no tempo da faculdade foi fechado. É o único amortecedor em que confio.´. você sentirá o cheiro do cargo. ³É o único amortecedor que eu confio. no máximo. No sentido de ³ter em vista´. no padrão culto. Atividades práticas: 1) Substitua as palavras destacadas pela forma apropriada do verbo entre parênteses: a) Nunca sorvi perfume tão agradável. ³ter como meta´.´. O cargo a que aspiro é muito disputado. mesas. (aspirar) R . Ex.´. O restaurante que eu comia. devem ser usadas estruturas como: Ao toque da campainha. 2ª ± Não se deve esquecer que..

R . procure associar esses nomes entre si ou aos verbos cognatos.___________________________________________________________________ b) Custamos para enxergar o óbvio. nesses casos.___________________________________________________________________ f) Não deixo de ver os filmes de Giuseppe Tornatore. Além disso.R . Você vai encontrar. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. de . a seguir. por exemplo.___________________________________________________________________ _____________________________________________________ ______________ _ ____________________________________________________________________ f) O juiz procedeu o exame dos documentos entregues pela testemunha. (assistir) R . (assistir) R . com obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a: obedecer a algo / a alguém.___________________________________________________________________ Regência Nominal Regência nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo. R .___________________________________________________________________ 2) Observe a regência verbal das frases seguintes e faça as modificações necessárias para que se tornem adequadas ao padrão culto da língua portuguesa: a) Ele custou para perceber o que estava acontecendo. por devoção a.___________________________________________________________________ e) Os melhores médicos foram convocados para cuidar do paciente. por 130 medo a.___________________________________________________________________ c) Custei para notar a encrenca que eu me meti. No estudo da regência nominal.___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ g)Esse é um direito que pertence a todos nós. R . É o que ocorre. R . Substantivos admiração a. obedientemente a algo / a alguém. obediência a algo / a alguém. para com. é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. obediência a algo / a alguém. adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esses nomes. conhecer o regime dos nomes cognatos. vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que regem. R . diretor do memorável Cinema Paradiso.___________________________________________________________________ d) Cidadania implica em direitos e deveres. (assistir) R . Conhecer o regime de um verbo significa. R .___________________________________________________________________ e) As atuais condições do sistema escolar público implicarão em maior evasão de alunos a curto e médio prazo. Observe-os atentamente e compare o uso indicado com o uso que você tem feito.

para com. ( e não ³consiste nos´) Atividades práticas : 131 . por apto a. (e não ³das noções´) A questão consiste em os brasileiros adotarem posturas mais críticas e menos individualistas em relação ao Estado. em. com. (e não ³deles participarem´) É hora de as noções de civilização contaminarem as mentes e gestos dos brasileiros. por hábil em habituado a idêntico a impróprio para indeciso em insensível a liberal com natural de necessário a nocivo a paralelo a semelhante a sensível a sito em suspeito de vazio de Advérbios longe de perto de Os advérbios terminados em mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a. Observação: Quando o complemento de um nome ou verbo tiver a forma de oração reduzida de infinitivo. Ex. por atentados a. para compatível com contemporâneo a. de análogo a ansioso de. de passível de preferível a prejudicial a prestes a contíguo a contrário a curioso de. afinal. contra bacharel em capacidade de. relativa a. para ávido de benéfico a capaz de. introduz toda a oração. com afável a. para fácil de fanático por favorável a propício a próximo a. para com agradável a alheio a. que Adjetivos acessível a acostumado a . relativamente a.: Existe a possibilidade de eles participarem. de. para. em. para. de relacionado com relativo a satisfeito com. para descontente com desejoso de diferente de entendido em equivalente a escasso de essencial a. sobre horror a impaciência com obediência a ojeriza a. não se deve fazer a contração da preposição com o eventual sujeito desse infinitivo ± a preposição. paralelamente a. e não apenas o sujeito dela. de parco em. por generoso com grato a. É bom lembrar que o sujeito jamais é introduzido por preposição. para doutor em dúvida a cerca de.aversão a. por proeminência sobre respeito a.

____________________________________________________________________ e) O povo está desejoso que se encontre uma saída para a crise atual.____________________________________________________________________ g)São crianças cujo futuro muita gente é insensível. j) A aprovação dessa lei é fundamental __________________ a proteção de mananciais.____________________________________________________________________ b) Está acostumado que eu lhe telefone todos os domingos pela manhã. 2) É preciso acrescentar uma preposição a cada uma das frases seguintes para que se tornem adequadas ao padrão culto da língua portuguesa. Ex. 132 . R . cuja presença estávamos habituado. Verificar a existência de uma preposição é. Faça esse acréscimo. com o pronome demonstrativo a(s). ³fusão´.: Conheço a diretora. antes de mais nada. com a inicial dos pronomes aquele(s). a) Não há oposição que ele entre no grupo. f) Não tenho devoção ___________________ futebol. é o nome que se dá à fusão de duas vogais idênticas. a fusão das vogais idênticas é assinalada na escrita por um acento grave.____________________________________________________________________ f) Era um pequeno cão. i) Tenho admiração ________________ todos os que defendem seus direitos. R . O uso apropriado do acento grave. apl car os i conhecimentos de regência verbal e nominal que você acaba de obter. ou acento indicador da crase.____________________________________________________________________ O Uso do Acento Indicativo de Crase Crase é palavra de origem grega e significa ³mistura´. R .____________________________________________________________________ d) Fui contrário que incluíssem meu nome num manifesto de apoio ao atual prefeito. b) Tenho profunda aversão ________________________ ególatras. depende essencialmente da compreensão desse fenômeno. Nos estudos de língua portuguesa. R . Refiro-me à diretora. e) Existem muitos novos-ricos que ainda têm dúvidas _______________ utilidade dos estudos linguísticos. g) Seu medo ______________ opressão é maior que sua obediência ___________ velhos dogmas. eleito pelo povo. R .________________________________________ ____________________________ c) Estou ansioso que esse problema seja resolvido logo.1) Complete adequadamente as frases seguintes: a) Não é possível viver em sociedade sem respeito _____________d ireitos dos outros. h) A ditadura é um verdadeiro atentado ______________ dignidade humana. aquilo e com o a do relativo a qual(as quais). Em todos esses casos. c) Ainda hoje minha ojeriza ____________certas atitudes preconceituosas causa frenesi. não teve capacidade ________ governar o país satisfatoriamente. R . Aprender a colocar o acento consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. Tem particular importância a crase da preposição a com o artigo feminino a(s). d) Aquele moleque mimado. R . aquela(s).

A crase obviamente não ocorre diante de palavras que não podem ser precedidas de artigo feminino. Não basta provar que existe a preposição a.: Disponho-me a colaborar. Se surgir a forma ao. portanto a crase é possível. Assisti a jogos memoráveis. em.: Conheço o diretor. O primeiro deles consiste em colocar um termo masculino de mesma natureza no lugar do termo feminino a respeito do qual se tem dúvida. ± Gosto de você. desde que o termo seguinte seja feminino e admita o artigo definido feminino a ou um dos pronomes já especificados. Disse a mim. Optou por gritar. Penso em você. ou seja. Começou a gritar. ± Gosta de gritar. Não se esqueça de que é preciso olhar para os dois lados. Pôs-se a gritar. Parabéns a você. Insiste em gritar. Note que o que vem a seguir consiste na aplicação prática dos conceitos e dos expedientes estudados. Tome muito cuidado com esses ³macetes´. por).dos verbos: Ex. 133 . se não surgirem as formas da(s). a nenhuma pessoa aqui presente. Se essas preposições não se contraírem com o artigo. Começou a chorar.No primeiro caso. Ex.: Refiro-me a você. portanto não existe preposição e não pode ocorrer crase. É preciso provar que existem os dois. ou pela(s). podem-se utilizar dois expedientes práticos. / Prefiro a tela da direita à da esquerda. Fui a pé. Refiro-me a Vossa Excelência. não haverá crase. Quero falar a todos. .dos substantivos masculinos: Ex. Refiro-me ao diretor. Ex. na(s). Outro recurso prático é substituir o termo regente da preposição a por um que seja outra preposição (de. Você vai ver agora alguns casos em que são comuns as dúvidas relativas ao emprego do acento indicador de crase. Isso não interessa a ninguém. Prefiro o quadro da direita ao da esquerda. o verbo é transitivo direto (conhecer algo ou alguém). / Refiro-me à diretora.da maioria dos pronomes: Ex.: Tenho fogão a gás. Para verificar a existência de um artigo feminino ou de um pronome demonstrativo após uma preposição a.: Mostre a ela. É o caso: . . No segundo caso. Apaixonei-me por você. o verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou alguém) e rege a preposição a. ou que existe artigo a. ocorrerá crase antes do termo feminino. Cheguei a insistir. Não compro a prazo. / Conheço a diretora. a poucas pessoas.

por exemplo.a essas poucas pessoas. Os poucos casos de pronomes que admitem artigo podem ser facilmente detectados pela aplicação dos métodos descritos há pouco. por exemplo. Vou à Itália. (casa designa a residência de quem fala ou escreve). / Refiro-me ao meu velho amigo. Para que ocorra crase. / Estou em casa. Tome cuidado! Não se esqueça de verificar os dois lados.: Estou me referindo à mesma pessoa. Observe com atenção o comportamento das palavras casa e terra nestas expressões. a crase. o a é preposição . / Vim de Florença.: Vou à Bahia. A tripulação do cargueiro desceu a terra. 134 . estados. / Estou na Bahia. Ex. e os substantivos estão sendo usados em sentido genérico.: Refiro-me a minha velha amiga. O prêmio só foi concedido a cantoras estrangeiras. países. É um assunto relativo a jornalistas especializados. Ex. / Venho de casa.: A pesquisa não se refere a mulheres casadas. / A aeromoça está na terra de seus pais. / Vim da Itália. . Ex. deve-se fazer a verificação da ocorrência da crase por meio da troca do termo regente. Você está se referindo a secretárias? Você está se referindo às secretárias desta empresa? Com as expressões adverbiais de lugar formadas por nomes de cidades. No caso de ³Visitei a Itália´. / Refiro-me a meu velho amigo. / Estou na deslumbrante Florença. / Vim da Bahia. já que visitar é verbo transitivo direto. Nesses casos. a qualquer pessoa.: Cheguei a casa. o acento grave será optativo. não há crase. é preciso que o termo anterior peça a preposição a. Ex. (terra se opõe à noção de ³estar em alto-mar´) A aeromoça chegou à terra de seus pais. / Venho da casa do diretor.de palavras femininas no plural precedidas de um a: Ex. ocorrerá então. (ao senhor Sílvio) Atenção! Antes dos possessivos. Vou à deslumbrante Florença. se o termo antecedente reger a preposição a. / A tripulação do cargueiro está em terra. (ao próprio Luís) Informo o preço à senhora Sílvia. passam a ser precedidos do artigo as. Vou a Florença. O estudo não se aplica às pessoas de que estávamos falando. (ao mesmo homem) à própria Luísa.: O estudo não se aplica a pessoas de índole nervosa. / Vim da deslumbrante Florença. / Estou em Florença. / Estou na casa do diretor. Quando são usados em sentido específico. Portanto. o artigo definido é optativo. Compare as frases seguintes: Ex. é garantia apenas de que existe artigo antes de Itália. Refiro-me à minha velha amiga. / Estou na Itália. Não basta constatar que surge da ou na antes de Itália. Cheguei à casa do diretor. Isso não é garantia de acento indicador de crase.

/ Vou até o colégio. / Enviei a proposta a Sílvio de Araújo. Ex. Pedimos arroz à (moda) grega. A ocorrência da crase com os pronomes aquele(s).: corpo a corpo lado a lado passo a passo dia a dia A crase é facultativa diante dos nomes próprios femininos e após a preposição até que antecede substantivos femininos. Ex.O acento indicador de crase é usado nas expressões adverbiais. às últimas conseqüências. Fui até as últimas consequências. Estarei lá daqui a uma hora.: Enviei as flores a Sílvia. desde que o termo antecedente reja preposição a. Ex. / Fui até os últimos motivos. Ex. aquela(s) e aquilo depende apenas da verificação da presença da preposição que antecede esses pronomes. à escola. / ao Pedro. / aos últimos motivos.: à meia noite às duas horas à uma hora às três e quarenta Não confunda com as indicações não especificadas. Basta usar expressões formadas por palavras masculinas. A crase não ocorrerá se o nome de pessoa for usado em situação formal.: Isso acontece a qualquer hora. Fez referências elogiosas a Clarice Lispector. 135 . Ex. ou se se tratar de personalidade pública.: Enviei a proposta a Sílvia de Araújo. Nesses casos. que pode estar subentendida. à tarde à noite à direita às claras às escondidas à toa à beça à esquerda às vezes às ocultas à chave à escuta à deriva às avessas às moscas à revelia à luz à larga às ordens às turras à beira de à sombra de à exceção de à força de à frente de à imitação de à procura de à semelhança de à proporção que à medida que Incluem-se nessas expressões as indicações de horas especificadas. Vou até a escola. nas locuções prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. / ao colégio. Não ocorre crase nas expressões formadas por palavras femininas repetidas. Merece destaque a expressão à moda de. / Fez referências elogiosas a Machado de Assis. não se usa artigo. / Enviei as flores a Pedro. à Sílvia. Atrevia-se a escrever à (moda de) Drummond.: cara a cara gota a gota face a face frente a frente É fácil perceber por quê. Ex.: Pedimos uma pizza à moda da casa. Ex.

Dificuldades Mais Frequentes da Língua Portuguesa. Estou fora de moda. O mesmo expediente deve ser usado para detectar a crase com os pronomes a qual e as quais. g) O atendimento a pacientes conveniados está suspenso. m) Diga as pessoas que me procurarem que tive de sair. b) Enviei dinheiro a estas instituições beneficentes. q) Fui a Teresina e depois a Fortaleza. c) Nunca disse nada a respeito disso. r) Fui a Natal das praias inesquecíveis. Sua proposta é semelhante à dele. 136 .: Perguntei à que chegar primeiro. h) Não há mais nada a fazer.: Veja aquele monumento. s) Finalmente. não assisto a novelas e não aspiro a grandes posses. aquilo. Ex. / O professor ao qual devo meu aprendizado já se aposentou. f) Não nego minha contribuição a cultura brasileira. j) Diga a Sua Excelência que não tenho nada a acrescentar as palavras que já disse. Refiro-me àquele jardim.: A professora à qual devo meu aprendizado já se aposentou. i) Direi a vocês o que sei. Muitas das alunas às quais ele dedicou seus estudos estiveram presentes à homenagem de ontem. e) O governador nada pode fazer a curto prazo. àquela praça. àquilo. n) Vamos a sua casa ou a minha? o) Vamos a Bahia ou a Santa Catarina nas próximas férias? p) Fui a Europa e depois a Ásia. v) Fui a velha casa onde passei minha infância. / Muitos dos alunos aos quais ele dedicou seus estudos estiveram presentes à homenagem de ontem. k)Transmita a cada um dos presentes as instruções necessárias a continuidade da sessão. u) Os pescadores queriam chegar a terra antes do anoitecer. Ex. aquela praça. chegamos a Florianópolis das quarenta e duas praias.Ex. d) Sempre evitei comprar a crédito. ver é transitivo direto: não há preposição referir-se é transitivo indireto: e rege a preposição a A crase com o demonstrativo a(s) é detectável pelo expediente da substituição do termo regido feminino por um termo regido masculino. / Perguntei ao que chegar primeiro. / Sua projeto é semelhante ao dele. Atividades práticas: 1) Coloque o acento indicador de crase quando for necessário: a) Comunique nossos preços as empresas interessadas. l) Não vou a festas. t) Cheguei a casa tarde da noite ontem.

: Onde você se esconde? Onde você vai estudar no próximo ano? ‡aonde .: Abaixo o orador! 2) advérbio = embaixo. ‡ mais . ³por qual motivo´: Ex. ³entretanto´: Ex. ‡ porquê . Não pude comparecer porque estava doente.³contudo´. ‡ onde . porque é perigoso. c) Mas / mais. em categoria inferior.: Não entendi o porquê da sua desatenção.: Ele é o cidadão mais eminente daquele estado.: Estudou muito para o vestibular. depois. Ex. d) Abaixo ± a baixo. Ex.é pronome ou advérbio de intensidade: Ex. b) Onde / aonde . Pegue lá abaixo. b) A baixo ± contrário a ³de alto´.é conjunção adversativa .: Ainda não terminou? Por quê? Você ainda tem coragem de perguntar por quê? Ninguém sabe explicar por quê. Ex.no final de frase interrogativa ou não. ‡ porque . 137 .a) Por que / porque / por quê / porquê.usado com verbos estáticos. o que permitirá vir acompanhado normalmente de uma palavra determinante (artigo).quando funciona como conjunção explicativa. ‡ mas. Tem como oposição o pronome donde. ‡ por que .: Não vá . direção ou aproximação. grito de indignação ou reprovação. os pais. causal e finalidade (de uso pouco comum na linguagem atual ). Ex.: Por que você partiu tão depressa? Não se sabe por que foram feitas tantas mudanças.: Queres chegar aonde? Aonde vais tão tarde? Não sei aonde ir. que exprimem estado ou permanência.empregado com verbos que indicam movimento. Não foi difícil encontrar o porquê da briga. Ex. Não mintas porque não te julguem. Ex. que significa afastamento. a) Abaixo: 1) interjeição.: Abaixo de Deus. equivalendo a ³porém´ .representa um substantivo.usado no início de frases interrogativas e quando subentende as palavras: ³por qual razão´. mas não obteve aprovação. ‡ por quê . Ex.

4) De preferência. Ex. 138 . Ex.: Rasgou as roupas de alto a baixo. d) Acima / A cima. com a finalidade de. Ex. Ex. Ex.: Falamos acerca de futebol. d) Há cerca de ± existe aproximadamente. Ex. 1) Atrás. parentesco. 5) Afora / A fora. afinidade. 5) De cima (interjeição). Ex. Ex. A fora ± com a ideia de ³para fora´. falo cerca de duas horas. por cima. b) Cerca de ± durante.Ex. Ex. 2) Em grau ou categoria superior. a) Acerca de ± a respeito de. sobre.: Nas minhas aulas. aproximadamente. Alasão! b) A cima ± contrário a ³de baixo´.: Todos irão. c) Acerca de / Cerca de / A cerca de / Há cerca de. o reino de Deus. exceto. 4) Afim / A fim de. c) A cerca de ± ideia de distância. b) A fim de ± com o propósito de.: Costurou a roupa de baixo a cima.: Pela vida a fora.: Fiquei a cerca de três metros de distância. com o objetivo de. Ex. 3) Em graduação superior a. a) Acima. a paz do espírito. de lugar superior. a) Afim ± semelhança. Ex.: Há cerca de mil alunos lá fora. acima de tudo. Ex.: Eia! Acima. Ex.: São duas pessoas afins.: Muito acima dos bens materiais. à excessão de.: Buscamos.: Estudou a fim de passar no vestibular. a) Afora ± o mesmo que ³fora´. Ex.: De quinze anos acima.: Exemplo citado acima. afora você.

b) À parte ± locução adverbial = de lado. Estava à toa na vida. sem-cerimônia. Ex. 7) À-toa / À toa. b) Abaixo assinado ± quem assina abaixo. Ex. Ex. Ex.: Os alunos entregaram o abaixo-assinado ao diretor.: Nós.: Chame os demais alunos. Ex. porém.: Poderia falar. Ex.: Não aparte os animais. os abaixo assinados. tal à-vontade que se dirige aos subalternos.: Isso será marcado à parte. a) À-toa ± locução adjetiva = ordinário. Ex.: O orador recebeu um aparte. 139 . a) Aparte. 10) Contudo / Com tudo.: Ele é um homem à-toa. 9) Abaixo-assinado / Abaixo assinado.6) Aparte / À parrte.: Não parece chefe. e ele ficou com tudo. Comi à vontade. b) À toa ± locução adverbial = ao acaso. Ex. reclamamaos tal situação.: Fique à vontade. negligentemente. sem razão. sem valor. a) Demais: 1) Pronome indefinido = outros. a) Abaixo-assinado ± documento. 1) Verbo = separar. 11) Demais / De mais. Ex. b) À vontade ± locução adverbial = sem preocupação. contudo preferi ficar calado.: Fui embora. 2) Substantivo ± interrupção. sem rumo.: Ele fala demais. Sirva-se à vontade. a) À-vontade ± substantivo = descuido. todavia.: Ele é um homem que reclama à toa. despresível. Ex. Ex. Ex. b) Com tudo ± preposição + pronome = total. 8) À-vontade / À vontade. Ex. Não me agrada esse à-vontade com que você fala. a) Contudo ± não obstante. 2) Advérbio de intensidade = excessivamente.

Não tem nada de mais sair mais cedo. b) Dia a dia ± locução adverbial = dia por dia. 13) Dia-a-dia / Dia a dia. b) De mais ± locução adjetiva = muito. Ex. f) Ao invés de ± ao contrário de. a) Devagar ± lentamente.: Comi pão de mais.: Enfim vocês chegaram. a) Em vez de ± em lugar de. 14) Em vez de / Ao invés de.: Devagar se vai ao longe. saía dela. Ex. por quanto. Ex. Ex.: O dia-a-dia é que preocupa. Ex. Ex.: Em quanto tempo você vai? Em quanto pode ficar o conserto do meu carro? 17) Malcriado / Mal criado. a) Malcriado ± sem educação.: Demais.: Chofer malcriado. Ex.3) Palavra continuativa = além disso. quem trabalhou fui eu. a) Dia-a-dia ± substantivo. 12) Devagar / De vagar. 15) Enfim / Em fim. Ex. Ex. 140 . finalmente. Ex. b) Mal criado ± tratado mal. Ex.: Ele está em fim de carreira. a) Enfim ± afinal.: Em lugar de comprar um sítio. b) Em quanto ± preposição + pronome = qual.: Ao invés de entrar em sala.: Tu dormes. b) De vagar ± de descanso. a) Enquanto ± conjunção = ao passo que. enquanto ele trabalha.: Toco meu contrabaixo nas horas de vagar. Ex. 16) Enquanto / Em quanto.: Fazemos tarefas dia a dia. Ex. sem pressa. comprou três. b) Em fim ± no fim.

5) Caso contrário. 2) Casacão.: Estudei muito. 2) Pronome + advérbio. capa.: Não me amoles senão eu grito.Ex. porquanto o tempo voa.: Se não pagas. Ex. Ex. a) Sobretudo: 1) Especialmente. Ex. senão defendeu-me.: Não só me ajudou. 20) Sobretudo / Sobre tudo.: Ela não tem um senão de que possa falar. senão não passarás no concurso. b) Por quanto ± designa quantidade.: Apresso-me. Ex. 2) Mas também.: É um cafezal mal criado.: Estude. 3) Palavra de exclusão = exceto. principalmente.: O frio nos obrigou a usar sobretudo. devo recorrer? 4)Depois de palavra negativa ou como segundo elemento dos pares aditivos não ou senão.: O que se não deve dizer... b) Senão. 18) Porquanto / Por quanto. Se não = não se. Ex. Não só me ajudou. Ninguém te viu. b) Sobre tudo ± a respeito de tudo. sobretudo porque estou querendo passar no colégio. Ex. Ex. não só. a) Porquanto ± conjunção = visto que. senão todos já saberiam.: A quem. senão procuraria um médico. senão a meu pai. Ex. 141 . não entras. a) Se não: 1) Conjunção + advérbio = caso não. Ex. preço. senão também me hospedou. Por quanto venderam a casa? 19) Se não / Senão. Nada me dói. Ex.senão (também). 1) Substantivo = defeito. Ex.: Não sei por quanto tempo posso contar com sua ajuda.

você queria que não houvesse um _______ d) __________________ele chegou tarde você também acha que pode chegar? e) Os caminhos __________________passamos refletem nossa existência. Atividades práticas: 1) Complete as lacunas com a forma adequada do porquê: a) __________________você na pensa em ir embora? b) Queria saber __________________você quis ir embora. e ainda sem entender porquê. passamos a vida tendo boas ideias e não as compartilhando. __________________? j) O motivo ___________________você não veio mais cedo não ficou claro para nós. infelizmente.: Eles conversavam sobre tudo. Ex. concordo com tudo isso.: As minhas ideias vão ao encontro das suas. 2) Ao encontro de (=aproximação).: O barco estava ao nível do mar. em busca do por quê. Cuidado com as seguintes expressões: 1) Ao nível de (= à mesma altura). assim. vão de encontro às suas. eu lecionava língua inglesa. e não através a. Por que sabemos algo que aparentemente poucos sabem devemos ficar calados? Porque temos tanta insegurança é o que queremos saber. entre tantos. i) Você não veio mais cedo. A princípio. g) ___________ _______você não disse que viria mais cedo? h) Ele queria saber ______________você não veio mais cedo. de uma hora para outra.: A luz do sol passou através da vidraça. Isso foi resolvido em nível de hierarquia. leciono língua portuguesa. c) Antes de entender__________________. As minhas ideias. Ex. Em nível de (=hierarquia). e. 4) Através de. Porquê. De encontro a (= posição contrária). estando de posse das ideias criativas. tememos que nolas roubem.Ex. E. 2) Corrija os porquês do texto a seguir: Todos se perguntam porque divulgar suas ideias é perigoso. secamos nossa fonte. 3) Em princípio (= em geral).: Em princípio. Ex. f) Ele disse__________________. morrendo de cabeça oca porquê fomos cabeças-ocas. Só use através de. A princípio (= no início). 142 . Ex. Através a. agora. foi escolhido.

com suas variadas funções. y Sempre vale o bom senso no momento da elaboração do texto. 2 ± Seleção vocabular: y A cordialidade ± e não a intimidade ± se expressa de imediato pela seleção das palavras utilizadas na comunicação empresarial. quanto no universo das comunicações externas com clientes e fornecedores. A Comunicação na Empresa. y A urgência é uma situação cotidiana nas empresas. 3 ± Vocativos e formas de tratamento: y Mesmo com toda a simplificação que ocorreu na comunicação empresarial nas últimas décadas. nota-se que o ³e-mail´ acabou assumindo vários papéis no dia-a-dia institucional. Recomenda-se. não podendo a comunicação 143 . 4 ± A urgência: y Normalmente. enfaticamente. y A intimidade é exclusiva das relações pessoais não-profissionais. Assim. y O uso adequado das formas de tratamento delimita o grau de profissionalismo da empresa. simples. Com o adevento da Internet e a otimização da comunicação nos ambientes empresariais. que sejam observados os traços característicos a seg uir: 1 ± Cordialidade versus intimidade: y Ser cordial na comunicação empresarial não significa criar laços de afetividade ou romper relações hierárquicas. igualmente observáveis em outras formas de comunicação escrita ou oral. Em função disso. a mensagem eletrônica pode vir a ser usada tanto no universo das comunicações mais informais.__________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ A Comunicação Oral e Escrita no Contexto Organizacional. y Sem a necessidade de rebuscamento. O "e-mail´ na comunicação. ainda há um protocolo a ser seguido. y Pressa significa falta de planejamento. o texto deve ser claro. objetivo e educado. tanto interna quanto externamente. como ao se convidar um colega de trabalho para um almoço. culpa-se a pressa pelos erros cometidos nas comunidades das empresas. é importante que o profissional que usa o ³email´ como ferramenta de trabalho observe suas particularidades.

ou V. promotores. deve usar -se Sua Excelência. Vossa Magneficência ou Magnífico Reitor Vossa Senhoria V.M.Sas. prefeitos. A respeito das formas de tratamento. deve-se usar Vossa Excelência. Entretanto. V. Usado para Desembargadores da Justiça. Juízes de direito. ministros de Estado. Reitor V.Sa. estaduais e municipais. se a fala se referir à autoridade. No caso de abreviaturas no plural. vereadores. Reitores de universidades Diretores de autarquias federais. chefes da Casa Civil e da Casa Militar.as. mas não for endereçada a ela.Exa.escrita se furtar de manter a qualidade mesmo nessas situações. Autoridades civis Formas de tratamento Vossa Excelência Abreviatura V. Usado para Presidente da República. senadores da República. M. Vejamos algumas formas de tratamento e com que pessoas devemos ser usadas. Portanto. Outras patentes militares. Exemplo: Vossas Senhorias ± V. por exemplo. o uso de Vossa ou Sua nesses casos. Atualmente. prefere-se não colocar o ³a´ sobrescrito nas abreviaturas. Atentese igualmente para as formas abreviadas. sucintamente. Sua designa a pessoa de quem se fala (a terceira pessoa do discurso).S. deputados federais e estaduais. curadores.Exa. Vossa designa a pessoa com quem se fala (a segunda pessoa do discurso). M. Autoridades judiciárias Formas de Tratamento Vossa Excelência Meritíssimo Juiz Abreviatura V.Exa. vale lembrar.Sa. governadores. cônsules. . ao se dirigir a uma autoridade. Autoridades eclesiásticas 144 Usado para Oficiais generais (até coronel). embaixadores. flexione apenas o segundo elemento. Juiz Autoridades militares Formas de Tratamento Vossa Excelência Vossa Senhoria Abreviatura V.

S. V. Comendadores Professores. Revma. R -________________________________________________________________ ___ b) Iniciou-se a campanha contra desinteria infantil. atribuídos à ³pressa´ na comunicação. superiores de conventos. Outras formas de tratamento Forma de Tratamento Vossa Senhoria Doutor Comendador Professor Abreviaturas V.Ema. V. a) Temos de enviar os relatórios para o acessoramento parlamentar. Usado para Papa. Ema. V. Usado para Dom e funcionários graduados. Com. Usado para Reis e imperadores.Sa. V. Abades. Autoridades monárquicas Forma de Tratamento Vossa Majestade Vossa Alteza Abreviaturas V. R -_____________________________________________________ ______________ d) A campanha procura aumentar a alto-estima dos funcionários. possivelmente. V. R -___________________________________________________________________ 145 . Atividade prática: 1) Corrija as frases a seguir. Revma.Forma de Tratamento Vossa Santidade Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima Vossa Eminência Reverendíssima ou Vossa Excelência Reverendíssima Vossa Reverendíssima Abreviatura V. R -___________________________________________________________________ c) O anúncio das novas medidas gerou um reboliço entre os acionistas. outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral. Dr. Revma. Ema. Príncipes. Cardeais.A.M. Prof. Doutores. R -___________________________________________________________________ e) As informações foram registradas em áudio-visual. que apresentam erros de grafia. Arcebispos e bispos.

o texto pode facilmente alcançar seu objetivo. O rebuscamento na comunicação no âmbito institucional esbarra em dois entraves à eficácia: o texto pode levar a crer que o emissor é pedante. no âmbito da comunicação empresarial. à definição prévia dos objetivos do texto e à precisão das ideias. Nesse caso. Outra grande qualidade da comunicação escrita é a objetividade. y Buscar a precisão vocabular. sem gerar ambiguidade. tais princípios funcionam como meta a ser alcançada em qualquer modadlidade textual. não basta pensar o texto apenas como seu emissor. servindo de base à eficácia. os princípios que norteiam as decisões se baseiam nos conceitos de eficácia e eficiência. Para garantir a clareza de um texto. Pode-se estabelecer a eficácia como a segurança de que a mensagem alcançará seu propósito. observando se o que se quis dizer foi 146 . ou pode resultar em mau entendimento. Em vez de esperar que seu interlocutor naturalmente entenda suas ideias. a terceira qualidade da comunicação escrita. gerando uma rejeição natural à ideia exposta. vale lembrar que uma mensagem bastante eficiente não implica que ela seja automaticamente eficaz. Qualidades da Comunicação. A objetividade de um texto começa por sua clareza. Na administração moderna. Clareza e objetividade são sinais de eficiência do texto. Uma das grandes qualidades da comunicação escrita é a clareza. pois a eficácia está condicionada essencialmente à adequação e à delimitação da mensagem. Um texto obscuro ou rebuscado deixa o leitor inseguro. com o objetivo de garantir a eficácia da comunicação. Também vale dizer que. Repare que ³slogans¶. a eficiência da comunicação reside na opção por frases curtas. frases de advertência ou comando costumam ser curtos. Uma mensagem pouco eficiente pode prejudicar sua eficácia. y Articular logicamente as palavras. é necessário: y Construir frases curtas e objetivas. multiplicidade de interpretações ou mal-entendidos. As frases curtas tendem a ser mais facilmente fixadas pelo leitor. y Evitar rebuscamento. objetiva e sucinta corresponde à sua eficiência. sem referência a pensamentos ou dados que possam afastar o leitor do cerne do texto.Qualidades de uma Comunicação Eficaz. Entretanto. Com clareza e objetividade. é importante ficar atento à recepção dele. Entretanto. é melhor perguntar o que ele compreendeu. destruindo todo o objetivo da comunicação. A estruturação do texto de forma clara. aliada à delimitação precisa do assunto. sem condições de responder prontamente ao que é solicitado.

entendido perfeitamente. os antigos modelos de redação comercial pouco têm validade hoje. Para a composição de ³e-mails´. A velocidade trouxe a ³pressa´. R -___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2) Redija um e-mail para um superior solicitando o agendamento de uma reunião para discutir problemas levantados no projeto que você lidera. sem perder a característica de correção gramatical ou discursiva. ambos terão a certeza de que estão se referindo à mesma ideia. o ³e-mail´ não deixa de ter igualmente sua forma apropriada. que depende igualmente de uma sólida estrutura gramatical. Parafraseando o que seu interlocutor disse. Na verdade. 3 ± Se o ³e-mail´ for externo. simples e objetivas. buscando atender à necessidade de prontidão no entendimento e na resposta ao que é comunicado. 2 ± Se o ³e-mail´ for interno. Não se esqueça das quatro qualidades da comunicação escrita. refaça a comunicação de outra forma. entrou-se no campo da coerência e da coesão textuais. e ela é a grande vilã das falhas de comuncação. objetivo. há grandes chances de se alcançar a fluência. 4 ± Como correspondência. sabe-se que se há pressa. R ±___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ O ³e-mail´ e as escritas organizacionais. é porque há falhas estruturais no planejamento ou falta de competência linguística discursiva para que o texto seja fluente. Em outras palavras. Atividades práticas: 1) Redija um e-mail para um funcionário da empresa destacando sua atuação em algum projeto recém-implantado e parabenizando-o pela iniciativa. Busque as quatro qualidades da comunicação escrita. é importante seguir estas recomendações: 1 ± Construa frases curtas. A quarta qualidade da comunicação escrita é sua fluência. e sua comunicação é eficaz. é bom lembrar que toda a formalidade deve ser mantida. Caso contrário. sua estética. 147 . eliminando todos os possíveis ruídos na comunicação. Se um texto é claro. O ³e-mail´. Sua estrutura se modificou bastante. pode ganhar um caráter de ³bilhete´. Tal procedimento vale também quando se recebe uma mensagem. Com a necessidade de uma comunicação eficiente e eficaz.

para que não se vá longe demais na informalidade. Vamos. então. Porém. A comunicação por ³e-mail´ vem sendo feita de maneira desordenada e desestruturada. ainda decidiram que os ³e mails´ devem ser absolutamente descontraídos e abusam da linguagem chula e vulgar. com a finalidade de racionalizar e padronizar a redação das comunicações oficiais. Uns mandam mensagens como se fossem cartas comerciais. Tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da administração pública entre si e também com particulares. O ³e-mail´ vem sendo tão maltratado que muitos profissisonais afirmam que. depois. nem sequer dão conta ao trabalho de ³abrir´ as mensagens. inadequadas à comunicação no ambiente de trabalho. simplesmente excluem sem ler porque ³já sabem o que vem lá´. resultou a Instrução Normativa nº 4. muitas vezes. foi elaborado. Especialmente. estudar a nova padronização do ofício ± correspondência externa ± e. o Manual de Redação da Presidência da República. A partir do trabalho dessa comissão. dos ³sites´ de conversação da Internet. a do memorando ± correspondência interna ± dos órgãos públicos. finalmente. 148 . para que se considere o uso de linguagem polida e adequada ao meio de trabalho. inclusive para assuntos sérios e importantes. para que não se leve para o ³e-mail´ a excessiva descontração e informalidade. No serviço público. Desse estudo. Outros mandam cartas comerciais como se fossem simples memorandos. em 1992. As recomendações a seguir são muito mais uma tentativa de ³profissinializar´ o uso desse meio eletrônico de comunicação escrita. Ofício. que têm regras próprias. Dependendo do emissor. para que se obtenha o melhor proveito possível. para que se respeite o tratamento. e. foi criada pela Presidência da República uma comissão que visava à uniformização e à simplificação das normas de redação de atos e comunicações oficiais. Forma de correspondência oficial trocada entre chefes ou dirigentes de hierarquia equivalente ou enviada a alguém de hierarquia superior à daquele que assina. não se podia.5 ± Ao lado da estética e da maior ou menor formalidade. de 6 de março de 1992. em 1991. A Correspondência Oficial. às vezes até desrespeitosa. Uniformização da Correspondência Oficial. Outros. está o que se convencionou chamar de ³netiqueta´. que visa a consolidar aquelas normas e torná-las obrigatórias no âmbito federal. falar em unidade dos padrões de correspondências relacionadas aos atos administrativos oficiais. até pouco tempo atrás.

.... ........................................................... O destinatário e o endereçamento ficam sempre na primeira página........... com o fecho e a assinatira...................................................................................................... .......... ... há muita diferença em relação aos ofícios que vemos normalmente..... ........................................................................... À Secretaria da Receita Federal do Estado do Rio de Janeiro Av.......................................................................................................................................................................... como este.................. a continuação se dará na página seguinte.... ........ utilizando-se do padrão culto da língua..................... ........................... de 2000.................... ......... 2 ................................... ............................................. Nome Cargo do signatário Como se pode observar................................................................................. pois cada secretaria........................................ .... cria os seus modelos................................. Atenciosamente.... ....................... Senhor Cargo do destinatário.. ...... .................................................................. ...................... ............................... Continuação do ofício: 2/2 ............................................................................................................... ............................................................................................................................. Presidente Antonio Carlos. ..................................................... 4 ........................................ Modelo de Ofício: Ofício nº 1 / sigla do setor Rio de Janeiro.......................................... estadual ou municipal..... A linguafem deve ser formal sem ser rebuscada.............................................Circula entre agentes públicos ou entre um agente público e um particular... pois ³ as comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todos e qualquer cidadão brasileiro´ (Manual de Redação da Presidência da República)........................................................................................... .... ...................................................................... ... 356 Rio de Janeiro ± RJ 20020-010 Observação: quando o ofício tiver mais de uma página.....de.......................................................... . ......................................................... ......... o que contraria a disposição federal de padronizar os documentos oficiais................................ 149 ....... ...... ..................................................... .................................................. 3 .......... A finalidade é informar com o máximo de clareza e precisão.................... ........................................................................ .............

nº 123 01010 ± São Paulo/SP A IN nº 4/92 diz textualmente que ³fica abolido o uso do tratamento Digníssimo (. e 2 ± Atenciosamente ± para autoridades da mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. As principais observações são: Não há mais o ano junto à numeração do ofíciio. Os fechos.. inclusive o Presidente da República.. que devem estar centralizados na folha. é seguida de ponto. 150 . Há ainda uma observação muito interessante sobre o uso do já convencional título doutor: ³Acresecente-se que doutor não é forma de tratamento e. pois ³a dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público.Respeitosamente ± para autoridades superiores. sendo desnecessária a sua repetida evocação´.)´ . terá a seguinte forma: Excelentíssimo Senhor Fulano de Tal Juiz de Direito da 10ª Vara Cível Rua ABC.A recomendação é a de que se passe agora a empregar esta padronização recomendada pela Secretaria de Adminstração Federal. Quando ao destinatário não se empregar o tratamento de Exclência. título acadêmico. O vocativo segue a seguinte formalização: Senhor + Cargo (em maiúscula) do destinatário. ³fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. Quanto ao endereçamento no envelope. e deve-se alinhar o começo do parágrafo pelo primeiro. sim. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor´. Exemplo: Senhor Chefe da Divisão de Serviços Gerais. O primeiro parágrafo e o último (que é o fecho) não são numeradods. A numeração dos outros parágrafos é feita a 2. se as comunicações forem dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência. Há ponto final após a data. Seu emprego deve restringir-se a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado´. nº 789 023401 ± Rio de Janeiro/RJ Conforme o texto da IN já citada. é necessário dirigirse a ele como Vossa Senhoria. O assunto é facultativo. e o endereçamento ficará assim: Senhor Eduardo Maia Secretário Municipal de Saúde Rua XYZ. Não deve ser usado indiscriminadamente. foram simplificados e uniformizados da seguinte forma: 1.5 cm da margem esquerda da folha.

3 . portanto. Para evitar desnecessário aumento no número de comunicação e de papel. Atenciosamente. Memorando oficial. apenas. obrigatoriamente. Chefe do Departamento de Administração Assunto: Adminstração.O sinal de pontuação que se segue ao fecho é. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela raiz e pela simpliciade de procedimentos burocráticos. Observações: Na numeração do documento não consta o ano. solicito a Vossa Senhoria verificar a possiblidade de que sejam instalados três microcomputadores neste Departamento. Modelo de memorando oficial: Memorando nº 19/DJ Ao Sr. sobretudo. acrescento. A data deve figurar na mesma linha do número e da identificação do memorando. por fim. de uma forma de comunicação eminentemente interna. O assunto esclarece o teor da comunicação. Trata-se. Quanto a programas. Sem descer a mais detalhes técnicos. já foi mencionado na numeração e virá explícito na assinatura. que a informatização dos trabalhos deste Departamento ensejará uma mais racional distribuição de tarefas entre os servidores e. O destinatário no memorando é mencionado pelo cargo que ocupa. que podem estar hierarquicamente em um mesmo nível ou em nível diferente. haveria necessidade de dois tipos: um ³processador de textos´ e outro ³gerenciador de banco de dados´. Instalação de microcomputadores Nos termos do ³Plano Geral de Informatização´. 151 . O memorando é uma modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão. a vírgula. Nome Cargo do signatário Em 12 de abril de 2000. que o ideal seria que o equipamento fosse dotado de ³disco rígido´ e de monitor padrão ³EGA´. os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento. Consta o órgão de origem. Quanto ao emissor. 2 . tal como já vimos no ofício. Sua principal característica é a agilidade. uma melhoria na qualidade dos serviços prestados. Devo mencionar.

no sentido de adequar as normas da correspondência à realidade da tramitação de informações em cada organização. O fecho também segue a mesma normatização que o ofício. pois se insere na realidade de um mercado competitivo em que todas as nuances de comprtamento adquirem sentido: a comunicação empresarial é a responsável pela imagem da organização perante seu público . ele segue o mesmo padrão que o ofício. Denteado ± com espaços na margem esquerda e na abertura de parágrafos. A carta moderna sofreu muita influência dos modelos americanos. até que. não só um meio de comunicação. devemos considerar que o correio eletrônico tornou-se o meio pelo qual são veiculadas as mensagens. por causa das aberturas de parágrafos. Disposição dos elementos Além disso. conforme o quadro a seguir: Estilo Antes Prolixo ± uso e abuso de vocabulário mais sofisticado. A correspondeência empresarial é. no final da década de 80. subterfúgios. As mudanças mais importantes nos documentos empresariais das empresas privadas relacionam-se ao estilo da linguagem e à disposição dos elementos. há um cuidado cada vez maior para compatibilizar a eficiência da me nsagem com a sua forma. hoje em dia. A correspondência empresarial trem sofrido modificações ao longo do tempo ± tanto em relação à forma quanto ao estilo da linguagem ± impostas pelo dinamismo exigido pelas organizações modernas. Ela é um instrumento de marketing. e a utilização do papel tornou-se cada vez mais rara. 152 . de seus valores e de seu fluxograma.clichês. Isso tem provocado adaptações que variam de empresa para empresa. o modelo que vigorava entre nós era o chamado denteado. em função de sua cultura interna. Bloco± uma única margem vertical do lado esquerdo. Assim.Em relação ao texto. No início da década de 60. Agora Objetivo ± apresntação das informações necessárias com clareza. interno ou externo. A Carta. essa estética sofreu variações. Com a influência norte americana. A Correspondência Empresarial Moderna. tanto na forma quanto no etilo. foi assimilado totalmente o estilo em bloco.

. Só na carta com pontuação aberta ele será dispensável. vocativo e fecho. combinado so setor ou à abreviatura da espécie do documento: 657. Pode aparecer isolado. a não ser no envelope. Eis algumas variações de como se pode esruturar o destinatário: À facultativo Petróleo Brasileiro S. ponto final. Em relação à data no meio do texto. Depois da data. não se coloca o endereço do destinatário. SETRE ± 657. Nome do mês em minúscula. pode-se optar por escrevê-la com dois dígitos ou com um só para dia e mês: Em resposta a sua carta de 03-5-2004 ou Em resposta a sua carta de 3-5-04. Data: Dia sem o zero à esquerda: Porto Alegre. No ano.Nº de expedição. tem sido posto à esquerda. ou 153 . SETRE/ 657. Por tradição. A única situação em que será pertinente o uso do endereço no próprio corpo da carta será no caso de envelopes janelados.PETROBRAS Observe o uso do ³a´ com acento grave. esse recurso não foi bem aceito. inclusive a letra inicial: São Paulo. 3 de maio de 2000. 1º de janeiro de 2004. sempre que ficar subentendida a palavra empresa. portanto. Destinatário # endereçamento. não aconselhamos o seu uso. Pontuação aberta é um recurso norte-amerciano que consiste em não se colocar nenhum sinal de pontuação em três elementos: data.A. mesmo se tratando de letra maiúscula. não há ponto nem espaço depois do milhar. mas também pode-se colocá-lo à direita. por uma questão de lógica: por que a pessoa que recebe a correspondência precisa saber de seu próprio endereço? É claro que caberá a cada empresa organizar os seus arquivos de forma a associar o destinatário a seu endereço. para facilitar o arquivamento. Na carta moderna. Em nossa cultura.

Sua Carta-Proposta nº 22 Vocativo: Uma vez que o vocativo. À Petróleo Brasileiro S. ± PETROBRAS Setor de Treinamento At. ela recebe a carta e a direciona a quem de direito. ou seja. como o próprio nome indica. quando uma terceira pessoa estiver envolvida na transmissão da informação. O certo é: Assunto: Instalação de microcomputadores. nunca poderá vir ao final do texto. porque não estamos redigindo em língua inglesa. ele deve concordar em gênero e número com este. embora seja o que mais encontramos. At. em que a palavra é attention. ±não. A referência diz respeito ao número do documento mencionado enquanto o assunto se refere ao tema que será tratado na correspondência. Referência # Assunto. é errado: Referência: Instalação de microcomputadores. At.A. Pode vir junto ao destinatário ou logo abaixo: À Petróleo Brasileiro S. significando atenção. ou A/C? Att. Quando houver a necessidade de colocar o assunto e a referência.A. a melhor solução será: Assunto: Instalação de microcomputadores. Veja os exemplos: À Sul América Capitalização Setor de Treinamento Prezados Senhores.Ao facultativo Banco do Brasil S.A.: Sra. Eliana de Sousa Observação: A abreviatura At. ± é a única abreviatura possível dentro da carta.: Sra. A/C ± este código deve ser utilizado somente no envelope. Eliana de Sousa 154 . ± PETROBRAS Setor de Treinamento At. pois nesse caso significaria ³atenciosamente´. trata de uma invocação ao destinatário. Assim. Agência Centro ou ainda À facultativo Sul América Capitalização Setor de Treinamento E quando se quiser dirigir a correspondência a uma pessoa específica? Usa-se Att..

Usava-se. o mais lógico é colocar o nome do documento citado ou a quantidade dos documentos incluídos. O memorando é o instrumento empresarial para as comunicações de caráter rotineiro. A separação dos parágrafos fica demonstrada por um espaço maior entre uma linha e outra. Não se deve deixar de registrar o nome de quem está assinando. saber se os documentos estão de acordo. Nome e cargo/função: Modernamente não se coloca mais a linha para a anteposição da assinatura. Observe que até mesmo o fecho ³Atenciosamente´ vem alinhado na mesma margem esquerda. pois basta clicar o ícone ³justificar´. a inclusão de outros documentos. Em muitas cartas é oportuno usar o vocativo personalizado quando se deseja fazer um apelo mais direto e que contenha maior força de venda. por determinação da IN nº 4/92. embora não se tenha esse costume. pois a pessoa teria de ler todo o texto para . pois todos são capazes de assinar de forma correta independentemente da linha. 155 . Texto: O texto inica-se sempre sem abertura de parágrafo e não é mais imprescindível o alinhamento pela margem direita (conforme IN nº 133/82). a distinção entre memorando e comunicação interna. de forma simplificada. até pouco tempo atrás. É importante ressaltar que não se antepõe o título ao nome do signatário. pois a assinatura é sempre de uma pessoa e não de um setor ou divisão: Anexos: A palavra anexo no canto esquerdo da carta tem a finalidade de apontar. depois do vocativo. sendo esta usada em um fluxo descendente (da diretoria ou gerência para os demais funcionários) e aquele para o fluxo horizontal ou ascendente.Prezada Senhora.(Como veremos mais adiante. Convém observarmos que o uso dos dois-pontos. Portanto. anexos: Comunicado AMB nº 7 Tabela de Honorários Médicos ou anexos: 2 Memorando ou comunicação interna. usa-se a vírgula. É importante ressaltar que. Como ela tem por objetivo a conferência dos documentos inclusos. o nome virá em letras maiúsculas). não faz sentido o uso já disseminado da expressão os citados. embora depois do incremento do uso dos computadores seja mais usual esse alinhamento. estaria correto do ponto de vista gramatical. só depois. constante do Manual de Redação da Presidência da República. embora não recomendado. nos ofícios.

não estar alinhada. o mais comum é usá-lo. Essa orientação é válida inclusive para o último parágrafo. em muitas empresas. pode ser discriminado o setor ao qual a carta está sendo enviada. Em relação à margem direita. As instruções que se seguem devem ser repassadas a todos os funcionários. Modelo de carta: Ct 23 ± DIVIRH Rio de Janeiro. O mais consagrado pelo uso é ³Saudações´ ou ³Abraços´. ela pode. Registre-se que a entrada de cada parágrafo já deixou de existir e a separação entre parágrafos é feita por um espaçamento a mais. começando-se com a data só terminando com a assinatura. 156 . Entretanto. É importante ressaltar que essa correspondência interna já está . Não deve haver nehum elemento do lado direito. no correio eletrônico. Flávio de Castro Assunto: Padrão Datilográfico Prezado Senhor. a menos que o envelope seja janelado. sendo o memorando ou o comunicado interno usados de forma ampla para todos os fluxos de comunicação. conforme instrução de 1982. à excessão da padronização recomendada para o ofício e para o memorando das repartições públicas. cuja tendência é resumir-se na palavra ³atenciosamente´. um de memorando sintético e outro de memorando (ou comunicação interna) mais extenso. porém. não há mais essa distinção. porém.A. Fecho: Não é preciso colocar o fecho formal. À Empresa Tal S. At. a partir dos anos 90. a tendência é manter o alinhamento. Porém. ele pode ser mais descontraído. A única margm aceita. 6 de março de 2004. Observe-se que não se usa mais colocar o endereço do destinatário no corpo da carta. clicando-se no ícone ³justificar´. responsáveis pela manutenção de imagem de modernidade da Empresa.Hoje em dia. Introdução: O texto pode ser iniciado sem o vocativo (pois este já estará presente no destinatário).: Dr. é a da esquerda. Modelos: Apresentaremos a seguir um modelo básico de carta moderna. estabelecida pelo correio eletrônico. com o uso do com putador cada vez mais desseminado. Esta carta ilustra o preenchimento das novas correspondências das empresas.

7 ± Toda carta deve vir assinada por alguém que possa ser identificado. 4 ± Não se coloca o endereço na folha da carta. Encaminhamos. 3 ± O mês vem com inicial minúscula. Gostaria que você me desse seus comentários. desejamos sucesso. Atenciosmante. Estou enviando os dados colhidos entre as secretárias da Empresa. Com a informatização dos escritórios. que vem com a sigla do departamento. Miriam Gold. Essa reformulação faz parte do processo de modernização que estamos implantando e trará implicações tanto na agilidade das tomadas de decisão internas quanto na melhoria de qualidade da relação com o cliente. 5 de maio de 2000. 6 ± Não há abertura de parágrafos.Esperando que as novas normas reflitam o espírito de modernidade da Empresa. Modelo de memorando extenso: TIMBRE DA EMPRESA MEMO nº23/GEREC Porto Alegre. contudo. veja a seguir um dos modelos mais utilizados em papel. Quanto ao memomorando de assuntos rotineiros. os novos padrões de correspondência interna e externa que serão utilizados por nossa Empresa. 2 ± A data vem à esquerda. assim como todo o resto do texto. anexos. Grato. 157 . só no envelope. Modelo de memorando sintético: Antonio. Prezados Gerentes. visando à elaboração do Manual da Secretária. 5 ± Não se usa o pronome senhorita. muitas empresas utilizam só o correio eletrônico para tais mensagens. e fecha-se com o ponto final. Obesrve: 1 ± Não é citado o ano junto à numeração da carta.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE VITÓRIA At.: Sr. Fulano de Tal. Fernando Matos Ass. Aplicação: Vamos modernizar a carta a seguir. são os senhores: CARLOS JOSÉ DA SILVA e JURANDIR DE SOUSA. Solicitamos.Esclarecemos que cada novo padrão encontra sua aplicação detalhada. consequência dos estudos laborados pela consultoria externa em conjunto com nossos colaboradores internos. a divulgação para todos os setores com a recomendação de utilização imediata. Fernando Matos Ref. então.: suas cartas 113/03 1 117/03 ± reunião 22 ABR 03 Prezado senhor Informamos que o Sr. tanto nos aspectos formais quanto no texto. Em relação à solicitação de um coordenador para o projeto ³TURISMO ESPETACULAR´. pois estará acompanhando a comitiva do Governo do Estado ao Chile. Assim. Antonio Moura Brasil. Atenciosamente. Estaremos enviando dois representantes para a reunião referenciada. 18 de abril de 2003. Agradecemos sua colaboração. Paulo Garcia Júnior não poderá estar presente à reunião de 22 de abril do corrente. Paulo Garcia Júnior Presidente Carta corrigida: D/VPES ± 43 Rio de Janeiro. 158 .: suas cartas 113/03 1 117/03 ± reunião 22-4-03 Prezado Senhor. Informamos que o Sr. Sem mais para o momento. Paulo Garcia Júnior estará acompanhando a comitiva do Governo do Estado ao Chile. enviaremos dois representantes: os senhores Carlos José da Silva e Jurandir de Sousa. esclarecemos que para este prezado evento estaremos indicando o sr. Atenciosamente. fazendo as modificações necessárias. Ct ± 43/03 ± D/VPES 18 de Abril de 2003 ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE VITÓRIA A/C: Sr.

em virtude de problemas de saúde. Comentário 2: é aconselhável deixar sete espaços entre o destinatário e o texto. venho requerer o trancamento de sua matrícula.T. Exemplo 2: Senhor Diretor da Faculdade de Economia da UFRJ: Eu.D. 159 . 1) Requerimento. aluna regularmente matriculada no segundo semestre de Economia desta Universidade. Definição: Instrumento pelo qual se solicita algo a uma autoridade.Em relação à solicitação de um coordenador para o projeto ³TURISMO ESPETACULAR´. Comentário 3: os fechos do requerimento são bem específicos: Por extenso Nestes Termos. (ou) Espera Deferimento. Atenciosamente. indicamos o Sr. P. E. em virtude de problemas de saúde. Comentário 1: muitas vezes o requerimento traz a citação do amparo legal do pedido.D. Antonio Moura Brasil. P.T. onde será redigido o despacho. Características Materiais do Requerimento. Pede Deferimento. N.D. Data Assinatura Abreviados N. Nair de Sousa.T. N. aluna regularmente matriculada no segundo semestre de Economia desta Universidade. Paulo Garcia Presidente A Correspondência Oficial. (ou) Exemplo 1: Senhor Diretor da Faculdade de Economia da UFRJ: Nair de Sousa. venho requerer o trancamento de sua matrícula.

......... realizado em São Paulo. Antonio Flores a quantia de R$5. Exemplo 1: RECIBO Recebi da empresa TOP EVENTOS a quantia de R$150.... portador do RG nº ... ... pelo presente instrumento de procuração constitui 160 ... de minha propriedade.00 (cinco mil reais) e o restante será pago em três parcelas de R$50.... O preço total é de R$155....(cidade) .. Rio de Janeiro........ 350.. .. Comentário: só terá validade legal se a assinatura vier com firma reconhecida.. CPF n º..............(nome) ... .... Rio de Janeiro. ... Miriam Gold Exemplo 2: RECIBO Recebi do Sr... .... residente na ................00 (cento e cinquenta e cinco mil reais).........(estado civil) . Rio de Janeiro...(nacionalidade) .(profissão) ....... ...000....D......... 15 de novembro e 15 de dezembro de 2000... Augusto Toledo de Barros 3) Procuração: Definição: é um documento em que uma pessoa passa a outra autorização para tratar ou agir em seu nome.....00 (cinquenta mil reais) nos dias 15 de outubro.... situado à Rua das Laranjeiras.. Laranjeiras........ Definição: documento em que se declara o recebimento de algo ou de alguma quantia....00 (cento e cinquenta reais) referente ao valor da diária relativa ao seminário Comunicação Empresarial Escrita..............000. .P............000...... em 28 de novembro de 2001.(estado)..00 (cinco mil reais) como sinal de compra do apartamento 504.............. ..... 30 de novembro de 2001...000.. Comentário: a quantia pode vir em destaque no lado esquerdo do documento... 10 de setembro de 2000. Data Assinatura 2) Recibo................. dos quais foram pagos os presentes R$5.. Exemplo: Texto-base para qualquer procuração particular PROCURAÇÃO .......

...................................... talões de cheques Banco X....... American Express..................................... Exemplo 3: DECLARAÇÃO À PRAÇA ........ . ......................................(cidade) .. (cidade) .................. ainda......... CIC............... CPF nº.. Local e data ...... não havendo nada que possa desaboná-lo.. realizar todos os atos necessários para esse fim.................. civil) ........ que o referido empregado................................................................ bem como os cartões Credicard....... no mesmo dia.................... podendo.................. exerceu sua função a contento.............................................. ..................... Cartão Banco 24 Horas...(assinatura) ........................ Exemplo 2: DECLARAÇÃO Declaramos que o Sr.............. Ocorrência registrada em ............................... portador da Carteira de Trabalho nº............................................................... declaro que me foram furtados em ...(estado) ........... Local e data ................. comunico que não me responsabilizo por cheques emitidos nem pelo mau uso dos documentos............... ............................ para .............. .... exercendo a função de ............................... durante o tempo em que aqui trabalhou............. de 20..... ....Texto específico Fecho fixo e nomeia seu bastante procurador ... (nacionalidade) .................. CNH................. para tanto................................... RG... a.................. (dia) ...............(nome) ... .................... Informamos........... ........... Fulano de Tal.. firma reconhecida 4) Declaração: Definição: declaração é um depoimento.......... ............................. portador do RG nº ....HOMÔNIMO 161 ..................... Exemplo 1: DECLARAÇÃO Eu.................................................. ........................................ nº ........................... Assim.. . B. ................(profissão) .......................... agência Y..........................................(est................................./..................... da série...... ................../.. foi nosso funcionário no período de ........................ ......... .... (mês) ... residente à ..........................O......

.. o receptor deve ter a impressão de que o texto foi redigido especialmente para ele.............. Comentário: numa carta do tipo circular... Exemplo: ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA....... b) Fixação da nova remuneração dos membros do Conselho......... para a reestruturação dos cargos do Conselho de Administração........ brasileiro.... casado.. Álvaro de Sá Presidente do Conselho Administrativo 6) Circular............. ... .......... o nome do destinatário é citado explicitamente no vocativo.. reproduzida em muitos exemplares............ de um homônimo a quem desconhece e com o qual não tem parentesco....... ............. e do CIC . Acionistas para participarem da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA que será realizada em 26 de janeiro de 2002. Definição: a circular carateriza-se como uma comunicação (carta.. portador do RG............../.. às 15 horas.. na sede social da Empresa. São Paulo.. à Av.. é dirigida a muitas pessoas ou a um órgão. ...... Exemplo: 162 ...... a fim de deliberarem sobre os seguintes assuntos: a) Alteração do artigo 12 do Estatuto Social. CONVOCAÇÃO..... .. ./.. que sempre primou pela retidão de suas ações e pontualidades nos pagamentos de sua responsabilidade........ residente em apartamento próprio à Rua ........de20..... não se referem a sua pessoa. 2º) Que quaisquer irregularidades surgidas por meio de certidões obtidas nos Cartórios de Protestos..... Convocamos os Srs.............. nascido aos .... e sim administrativo............ . 567. filho de .... Definição: a convocação é uma espécie de convite em que não há cunho social... tratando-se....... .............. São Paulo..João da Silva. Copacabana........... nesses casos........ aposentado. manifesto ou ofício) que....... C01. João da Silva 5) Convocação. nesta Capital. nos Distribuidores do Poder Judiciário do Rio de Janeiro e da Justiça Federal.. declara à praça e a quem possa interessar o seguinte: 1º) Que não se referem a sua pessoa a emissão de cheques sem fundos divulgados em aviso do Banco Bradesco............ Em muitos casos...... 4 de janeiro de 2002........de...... e de ..... nesta cidade.

noticiar. Comentário: o aviso. Obrigada. Exemplo de aviso na empresa particular: 163 . cientificar.Prezado Advogado. em que se informa algo de maneira bem informal. com a informatização dos escritórios. Comentário: hoje em dia. Preciso que você me dê uma conferida nos números do relatório que deixei em sua mesa. Paulo Renato de Almeida Diretor-Presidente 7) Bilhete. que trata especificamente do assunto. Atenciosamente. Nossa empresa desenvolve suas atividades de tratamento da informação na área jurídica e conta com a experiência de mais de 15 anos. Com este número promocional da revista. Teresa 8) Aviso ou comunicado. Para assinatura posterior da revista Língua Jurídica. convidar. dispomos de uma Central de Consultas que oferece orientações para os nossos assinantes sobre a melhor redação de determinado trecho de documento ou petição. tem características muito diferentes do aviso presente na adminstração pública. estamos lhe oferecendo promocionalmente nossa revista bimestral Língua Jurídica. Temos a certeza de que nosso trabalho propiciará habilidades e informações adicionais a seu desenvolvimento profissional. ele é muitas vezes substituído pelo correio eletrônico. Definição: é um comunicado formal que serve para ordenar. Cuidado: quando for escrito em papel. é necessário o uso do bom senso: não esquecer a boa educação e a gramática! Exemplo: Ana. basta ligar para (21) 2244-5566. colocamos a sua disposição uma consulta gratuita a nossa Central de Consultas durante o próximo período de três meses. prevenir. Além de informes periódicos sobre questões de linguagem na área jurídica. Basta mencionar o código encontrado na capa de sua revista e imediatamente será oferecida a informação desejada. Característica básica: texto breve e linguagem clara. na empresa particular. Definição: é um texto simples e breve. Por ocasião de sua formatura.

. Comentário: o atestado e a declaração são documentos semelhantes... bem como para a correta estruturação da frase........... . de 20..(assinatura)........ não havendo nenhuma particularidade que os distinga. atesto que conheço.......... selecionar e expressar informações geradas por vários emissores com a maior fidelidade e clareza possíveis................. que certifica......... 10) Ata......2001....... Departamento de Aquisição 9) Atestado....... assembleia ou convenção... ........ .. torna pública a alteração da data-limite para entrega das propostas relativas à Tomada de Preços TP............ um documento firmado por uma autoridade em favor de alguém.. Definição: é o regime escrito do que se passa ou do que se passou numa reunião. .... DAQ...... assegura. pois há tempo para reflexão e análise das informações.. G. Comentário: é um dos documentos mais difíceis de ser elaborado em virtude da necessidade de interpretar..... 2 ± Ficam mantidas as demais cindições do Aviso de Licitação.. Requisito fundamental o redator de ata: analisar as informações expostas e saber distinguir as ideias principais e as secundárias................... digna de toda confiança e que nada existe que possa desaboná-la. de .... demonstra alguma coisa que interessa a outrem... Quando o texto é realizado posteriormente.......... no dia 20/11/2001.... publicado no Diário Oficial da União.. há ....AVISO O Departamento de Pessoal informa que as cestas de Natal de todos os empregados estarão disponíveis a partir do dia 18 de dezembro..A....... (..... Por ser expressão de verdade.. 164 ............ no Grêmio......... .. .......... Exemplo: ATESTADO DE IDONEIDADE MORAL Eu..........) anos e que é pessoa de alto conceito.. afirma......... Definição: atestado é uma declaração...... Exemplo de aviso na administração pública: AVISO DE ALTERAÇÃO 1 ± FURNAS Centrais Elétricas S.... para o dia 23-01-2002.....096....... firmo o presente atestado... Característica principal: a expressão das ocorrências da reunião de forma clara e precisa. é mais fácil de ser elaborado..................... (nome).. (profissão).

nº 82 ± São Paulo . mês. Assim reunidos.Elementos básicos: Dia. Antonio de Sousa. Exemplo: Em tempo: na linha onde se lê ³bata´. na sede da Rua dos Mananciais. Em caso de erro: Nos casos de erros constatados no momento de redigi-la. Identificação do presidente e do secretário. Relação e identificação das pessoas presentes. sob a presidência do Sr. que. recorre à expressão ³em -se tempo´. São Paulo. observa-se a tendência de modernizar as atas de forma que elas fiquem bem mais legíveis.SP Pauta: 1 ± Análise do relatório da Consultoria Dédalo. lida e achada conforme. leia-se ³pata´. conforme infra-assinados. depois de comentar os relatórios da Consultoria Dédalo sobre a necessidade de melhorias no Atendimento ao Cliente. 5 de fevereiro de 2002. deliberarm sobre a liberação de verbas para o treinamento da qualidade profissional daquele setor. emprega-se a partícula corretiva ³digo´. foi encerrada a reunião.. Nada mais havendo a tratar. 165 . Exemplo de ata tradicional: ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA Aos cinco dias do mês de fevereiro de 2002. vai ser assinada por todos os presente. Exemplo de ata moderna: ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA Data: 05-2-2002 Hora: 14 horas Local: na Rua dos Mananciais. Ordem do dia ou pauta. ano e hora da reunião. estando presentes todos os seus membros. para secretário. que é colocada após o texto. Local da reunião. nº 82 ± São Paulo. João Ângelo. Quando o erro for notado após a redação de toda a ata. que convidou a mim.A. Observação: Hoje em dia. os senhores diretores. reuniu-se a Diretoria da Jalento Industrial S. Ficou resolvido também que cada Diretor efetuará uma previsão orçamentária sobre sua disponibilidade financeira para tal treinamento e o assunto será discutido na próxima reunião semanal de diretoria. lavrando-se a presente Ata. Fecho. às 14 horas.

Germano Bracht Diretor Financeiro ± Sra. Neide Gomes. para secretariar os trabalhos. Síndico foram aprovadas. Presentes: Presidente ± Sr. José Ribeiro (Cob. 4) ASSUNTOS GERAIS. Assinatura dos presentes: ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ Exemplo de ata tradicional de condomínio: ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO BARROS SÁ. Procedeu-se à leitura do Edital de Convocação. No segundo item. representante da HOUSE & QUALITY. Sueli (aptº 601). foi reeleito por unanimidade para o cargo de síndico o Sr. Sandra Vieira (aptº 301). por não ter havido número legal de concôminos presentes às vinte horas em primeira concocação . 5 de fevereiro de 2002. Deliberações: 1 ± Cada Diretor efetuará uma previsão orçamentária sobre sua disponibilidade financeira para a realização de treinamentos visando à melhoria no Atendimento ao Cliente. PRESTAÇÃO DE CONTAS . aceitando. 2 ± As verbas disponíveis para os treinamentos e um cronograma de treinamento serão discutidos na próxima reunião semanal da Diretoria. previamente convocados por Edital distribuído aos interessados. as contas do Sr. Marcos Nascimento (aptº 303) e Sra. Aos vinte e dois dias do mês de março do ano de dois mil e dois. Clarice Sá Considerações: 1 ± Há necessidade real de melhoria do Atendimento ao Cliente. ELEIÇÃO DE SÍNDICO E CONSELHO CONSULTIVO. REALIZADA NO DIA 22 DE MARÇO DE 2002. por unanimidade. Antonio de Sousa Diretor Adminstrativo ± Sr. reuniram-se em Assembleia Geral Ordinária às vinte horas e trinta minutos em segunda e última convocação os Srs. Passou-se ao primeiro item. João Ângelo Diretor de Produção e Comercialização ± Sr. 3) PREVISÃO ORÇAMENT RIA. para. não se registrando nehuma reclamação ou impugnação. Aberta a sessão foi indicada para presidir os trabalhos a Sra. situado à Rua Santa Clara nº 333. nesta cidade. que. mediante protocolo e/ou correspondência postal. 2) ELEIÇÃO DE SÍNDICO E CONSELHO CONSULTIVO. Sra. 2 ± Há necessidade de verbas para a realização de treinamento. 166 . São Paulo. e. no próprio prédio deliberarem sobre a seguinte Ordem do Dia: 1) PRESTAÇÃO DE CONTAS. convidou a Sra. Condôminos do Edifício BARROS S .2 ± Deliberação sobre a liberação de verbas para treinamento do Setor de Atendimento ao Cliente. Regina Melo (aptº 906). Dr.02) e para compor o Conselho Consultivo foram eleitos os condôminos: SandraVieira (aptº 301 ± Presidente do Conselho).

Definição: o acordo é um ajuste. 4) O Sr.. Presidente.. 5) Foi solicitado que sejam lixadas e pintadas as portas dos elevadores. trezentos e sessenta reais). uma convenção de regras que servem às partes. perfazendo um reajuste na atual receita de 26... No quarto e último item. foi apresntado ao plenário um estudo orçamentário. Nada mais havendo a ser tratado. a Sra. bem como do furado. Síndico providenciará o conserto do barabará entupido na gragem. fica estipulado o seguinte: a) de segunda a sexta-feira os empregados terão seus horários prorrogados em uma hora 167 .360. Síndico poderá repassar para a conta do condomínio na House & Quality a verba da caderneta de Poupança do BANERJ. bem como que seja retirado o entulho...Finalizando este item.. Síndico. estabelecida nesta cidade.. Ainda neste item. de outro.. No terceiro item... mantendo a mesma receita líquida no valor de R$7..00 (nove mil. 2) Os condôminos presentes solicitam aos moradores que seja feita uma manutenção nos aparelhos de ar-condicionado.. ficou deliberado. Exemplo: ACORDO Pelo presente acordo de trabalho. a qual segue assinada por mim e pela Sra.. trezentos e oitenta e cinco reais e dois centavos) rateados pela fração ideal de cada unidade. foram abordados os seguintes assuntos:1) Foi solicitado que a House & Quality comunique ao procurador da unidade 902 o dano causado na caixa do telefone do nono andar.. fica a adminstração ora eleita empossada por um período de um ano. 6) Será colocado borrachão no elevador de serviço e corrimão nas escadas. eu. PREVISÃO ORÇAMENT RIA. proveniente de obras realizadas em seu apartamento..385. celebrado entre a firma .02 (sete mil.74%. Colocada a matéria em votação.. PRESIDENTE: SANDRA VIEIRA SECRETÁRIA: NEIDE GOMES 11) Acordo.. 7) Foi informado que a unidade 1005 joga lixo pela janela..... à . independentemente de aprovação de assembleia... da garagem.. . secretária.... e seus empregados abaixo assinados. foi decidido por unanimidade não reajustar a cota condominial. Síndico informou que está negociando o contrato com a empresa de elevadores no valor de R$780. Rio de Janeiro.. lavrei a presente ata.. 22 de março de 2002.. que o Sr. Ficou também aprovado por unanimidade que o Sr.00 (setecentos e oitenta reais) ... de 23 de março de 1999... identificando a unidade. poderá reajustar a cota condominial quando julgar necessário. Presidente deu por encerrados os trabalhos. num prazo de três dias úteis.. como também que seja verificado um local para colocação do escaninho. por unanimidade... caso contrário o condomínio tomará as medidas necessárias. de um lado. dos quais. para evitar gotejamento irregular.... com o Conselho Consultivo. 3) O Sr... quando houver necessidade de cobrir o saldo devedor. o qual consignava uma receita no valor de R$9.. até o percentual de 30% (trinta por cento). o que é proibido conforme a Lei nº 2749. .. ASSUNTOS GERAIS. conforme papel encontrado por moradores no lixo..

15 de maio de 2001. mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países. Cabo Verde. No Brasil. Por exemplo: a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro). Mudanças no alfabeto O alfabeto passa a ter 26 letras. playboy. E. portanto. William. Angola. Guiné-Bissau. w e y. W (watt).Moçambique e. de maneira objetiva. Como o documento oficial do Acordo não é claro em vários aspectos. que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua. São Paulo. restringe-se à língua escrita. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. de 18 de abril de 1995. b) o presente contrato poderá ser denunciado por quaisquer das partes mediante aviso prévio de 15 (quinze) dias. sem preocupação com questões teóricas. O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z As letras k. perante as testemunhas infra-assinadas. kg (quilograma). são usadas em várias situações. não afetando nenhum aspecto da língua falada. Kafka. yang. kung fu. elaboramos um roteiro com o que foi possível estabelecer objetivamente sobre as novas regras. Foram reintroduzidas as letras k. Esse Acordo é meramente ortográfico. 168 . por Timor Leste. w e y. playground. a) os empregados perceberão o acréscimo de 10% (dez por cento) sobre o valor da hora normal durante a hora suplementar de trabalho. Brasil. São Tomé e Príncipe. Esperamos que este guia sirva de orientação básica para aqueles que desejam resolver rapidamente suas dúvidas sobre as mudanças introduzidas na ortografia brasileira. Testemunhas: Assinatura do representante dos trabalhadores Assinatura do representante da empresa Assinatura dos trabalhadores GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA Saiba o que mudou na ortografia brasileira Douglas Tufano Acordo Ortográfico O objetivo deste guia é expor ao leitor. em 16 de dezembro de 1990. posteriormente. yin. windsurf.diária. kafkiano. b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show. firmam o presente contrato em 3(três) vias do mesmo teor. assinado em Lisboa. as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. como ambas as partes de pleno acordo. kaiser. por Portugal. o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54.

Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Como era agüentar argüir bilíngüe cinqüenta delinqüente eloqüente ensangüentado eqüestre freqüente lingüeta lingüiça qüinqüênio sagüi seqüência seqüestro tranqüilo Como fica aguentar arguir bilíngue cinquenta delinquente eloquente ensanguentado equestre frequente lingueta linguiça quinquênio sagui sequência sequestro tranquilo Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Como era Como fica alcalóide al-ca-loi-de alcatéia al-ca-tei-a andróide an-droi-de apóia (verbo apoiar) a-poi-a apóio (verbo apoiar) a-poi-o asteróide as-te-roi-de bóia boi -a celulóide ce-lu-loi-de clarabóia cla -ra-boi-a colméia col-mei-a Coréia Co-rei-a debilóide de-bi-loi-de epopéia e-po-pei-a estóico es -toi-co estréia es -trei-a estréio (verbo estrear) es-trei-o geléia ge -lei-a 169 . que. Mudanças nas regras de acentuação 1 . mülleriano. sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue. Exemplos: Müller.Trema Não se usa mais o trema (¨). qui. gui.

não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. óis. heróis. Nas palavras paroxítonas. Piauí. Esse gato tem pelos brancos. 170 . Ele para o carro. ói. troféus. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para.heróico idéia jibóia jóia odisséia paranóia paranóico platéia tramóia he-roi-co i -dei-a ji -boi-a joi -a o-dis-sei-a pa-ra-noi-a pa-ra-noi-co pla-tei-a tra -moi-a Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. herói. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis. tuiuiús. péla(s)/ pêlo(s)/pelo(s). Ele gosta de jogar polo. éus. 3 . 2 . Como era Como fica abençôo abençoo crêem (verbo crer) creem dêem (verbo dar) deem dôo (verbo doar) doo enjôo enjoo lêem (verbo ler) leem magôo (verbo magoar) magoo perdôo (verbo perdoar) perdoo povôo (verbo povoar) povoo vêem (verbo ver) veem vôos voos zôo zoo 4 . Comi uma pera. Exemplos: tuiuiú. Como era Como fica Ele pára o carro. troféu. Assim. o acento permanece. Ele foi ao polo Norte. Comi uma pêra. pólo(s) / polo(s) e pêra / pera. pela(s). Como era Como fica baiúca baiuca bocaiúva bocaiuva cauíla cauila feiúra feiura Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s). Ele foi ao pólo Norte. Exemplos: papéis. Ele gosta de jogar pólo. Esse gato tem pêlos brancos. éu.

delinquir etc. apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns. do presente do subjuntivo e também do imperativo. advir etc. ‡ verbo delinquir: delinquo. / Eles intervêm em todas as aulas. como aguar. enxáguas. delinque. enxaguam. Uso do hífen Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. / Eles convêm aos estudantes. a pronúncia mais corrente é a primeira. essas formas devem ser acentuadas. enxágues. enxaguas. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo). enxague. Atenção: no Brasil. Pode é a forma do presente do indicativo. reter. delínquas. ‡ verbo delinquir: delínquo. / Eles têm dois carros. Ele convém aos estudantes. ‡Permanece o acento diferencial em pôr/por. Exemplos: ‡ verbo enxaguar: enxáguo. ‡ É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma / fôrma. Ele mantém a palavra. 171 . convir. intervir.Atenção: ‡ Permanece o acento diferencial em pôde/pode. quar e quir. delinquas. enxagua. b) se forem pronunciadas com u tônico. delínquam. Mas. assim como de seus derivados (manter. delinquem. Ele detém o poder. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar. conter. delinques. como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos. delínque. deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): ‡ verbo enxaguar: enxaguo. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim. desaguar. Por é preposição. o uso do acento deixa a frase mais clara. Em alguns casos. / Eles detêm o poder. averiguar. assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo. delínqua. delinquam. enxágue. delínquem. para facilitar a compreensão dos leitores. deter. delinqua. enxágua. na 3ª pessoa do singular. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo. Exemplo: Ontem. apaziguar. (eles) arguem. 6 . Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis. enxaguar. Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos. / Eles mantêm a palavra. isto é. ele não pôde sair mais cedo. Ele vem de Sorocaba. Ele intervém em todas as aulas. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo? 5 . mas hoje ele pode. na 3ª pessoa do singular. enxaguem. essas formas deixam de ser acentuadas. / Eles vêm de Sorocaba. Pôr é verbo. obliquar. enxáguam. delínques. Exemplos: Ele tem dois carros.). enxagues. enxáguem. aquela com a e i tônicos. do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir. (ele) argui. ‡Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir.

pan. extra. inter. além. multi. super. 1 . aquém. 2 . Com prefixos. semi. neo. cooperar. cooperação. tele. retro. circum. como: aero. pluri. coocupante etc. entre. intra. proto. mesmo quando este se inicia por o: coobrigar. ante. pseudo. hiper. 3 . geo. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. ex. coordenar. supra. contra. arqui. macro. Exemplos: aeroespacial agroindustrial anteontem antiaéreo antieducativo autoaprendizagem autoescola autoestrada autoinstrução coautor coedição extraescolar infraestrutura plurianual semiaberto semianalfabeto semiesférico semiopaco Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento. auto. eletro. Exemplos: anti-higiênico anti-histórico co-herdeiro macro-história mini-hotel proto-história sobre-humano super-homem ultra-humano Exceção: subumano (nesse caso. agro. pré. vice etc. infra. mini. micro. a palavra humano perde o h). cooptar. sobre. ultra. sub. anti. coobrigação. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. pós. co. usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos. Exemplos: anteprojeto antipedagógico autopeça 172 . hidro. pró.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. vice-almirante etc. Nesse caso. Quando o prefixo termina por vogal. Exemplos: antirrábico antirracismo antirreligioso antirrugas antissocial biorritmo contrarregra contrassenso cosseno infrassom microssistema minissaia multissecular neorrealismo neossimbolista semirreta ultrarresistente. ultrassom 5 .autoproteção coprodução geopolítica microcomputador pseudoprofessor semicírculo semideus seminovo ultramoderno Atenção: com o prefixo vice. Exemplos: vice-rei. duplicam-se essas letras. 4 . usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico anti-imperialista anti-inflacionário anti-inflamatório auto-observação contra-almirante contra-atacar contra-ataque micro-ondas micro-ônibus semi-internato semi-interno 173 . usa-se sempre o hífen.

intermunicipal. ‡ Com o prefixo sub. pré.6 . Exemplos: hiperacidez hiperativo interescolar interestadual interestelar interestudantil superamigo superaquecimento supereconômico superexigente superinteressante superotimismo 8 . além. Com os prefixos ex. usa-se sempre o hífen. superproteção. Exemplos: hipermercado. Exemplos: além-mar além-túmulo aquém-mar ex-aluno ex-diretor ex-hospedeiro ex-prefeito ex-presidente pós-graduação pré-história pré-vestibular pró-europeu 174 . aquém. Quando o prefixo termina por consoante. não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. ‡ Com os prefixos circum e pan. n e vogal: circum-navegação. usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m. pós. usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: subregião. Exemplos: hiper-requintado inter-racial inter-regional sub-bibliotecário super-racista super-reacionário super-resistente super-romântico Atenção: ‡ Nos demais casos não se usa o hífen. superinteressante. usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. pan-americano etc. Quando o prefixo termina por consoante. sem. recém. sub-raça etc. pró. 7 .

micro-ondas. subumanidade. ‡ Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto. Exemplos: Na cidade. Exemplos: girassol madressilva mandachuva paraquedas paraquedista pontapé 12 . mas encadeamentos vocabulares. 2 . super-homem.recém-casado recém-nascido sem-terra 9 . ele deve ser repetido na linha seguinte. Outros casos: 1 . usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r subregião. 10 . ‡ Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal. O diretor recebeu os ex-alunos. ‡ Sem hífen diante de vogal: interestadual. formando não propriamente vocábulos. Para clareza gráfica. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam. Resumo Emprego do hífen com prefixos Regra básica Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico. Exemplos: amoré-guaçu. capim-açu. anajá-mirim. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano. ‡ Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque. ‡ Sem hífen diante de r e s. se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen. Prefixo terminado em vogal: ‡ Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola. Observações 1 . Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. superinteressante. guaçu e mirim. eixo Rio-São Paulo. Dobram-se essas letras: antirracismo. antiaéreo. antissocial. conta--se que ele foi viajar. ultrassom. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu. 11 . semicírculo. sub-raça etc. Com o prefixo sub. Exemplos: ponte Rio-Niterói. supersônico. Prefixo terminado em consoante: ‡ Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional. 175 . sub-bibliotecário.

A implantação das regras desse Acordo. As dúvidas que porventura existirem após a leitura do Guia Prático da Nova Ortografia certamente serão resolvidas com a publicação de um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). aquém. 4) GARCIA. pontapé. Linguística Textual: introdução. pró. 2005. 4 . M. Guiné-Bissau. como está previsto no Acordo. Cabo Verde. recém-casado. paraquedista etc. 2) FÁVERO. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento. 5) GOLD. lança o Guia Prático da Nova Ortografia. é um passo importante em direção à criação de uma ortografia unificada para o português. cooptar. Comunicação nos Textos. Ingedore G. prévestibular. São Tomé e Príncipe. São Paulo: Contexto. Com os prefixos ex. Editora Melhoramentos agosto de 2008 Bibliografia Básica: 1) DISCINI. a ser usada por todos os países que tenham o português como língua oficial: Portugal. 6 . Angola. Villaça. aquém-mar.2. pré. 7) _______________________. Competência em Comunicação Organizacional Escrita. A. Linguagem Corporal no Trabalho. cooperar. A Coerência Textual. vice-almirante etc. Rio de Janeiro: FVG. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. paraquedas. L. sem. além. Argumentação e Linguagem. Com o prefixo vice. usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m. Com os prefixos circum e pan. de maneira clara e objetiva. A Editora Melhoramentos. recém. 3 . pós. as alterações introduzidas na ortografia do português pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990). Rio de 176 . além-mar. Este guia não tem por objetivo elucidar pontos controversos e subjetivos do Acordo. sempre preocupada em auxiliar os estudantes brasileiros no seu aprendizado e crescimento pessoal. mandachuva. Comunicação em Prosa Moderna. São Paulo: Contexto.2001. Octaviano. coocupante etc. 5 . & KOCK. Ingedore G. Norma. mesmo quando este se inicia por o: coobrigação. Othon Moacir. madressilva. São Paulo:Pearson. usa-se sempre o hífen: ex-aluno. 6) KOCK. pró-europeu. São Paulo: Nobel. coordenar. Brasil. 1996. pós-graduação. 1993. Moçambique e Timor Leste. que mostra. 8) NETO. 2005.redação Empresarial. sem-terra. como girassol. 1990.1996. n e vogal: circum-navegação. pan-americano etc. prevista para acontecer no Brasil a partir de janeiro de 2009. 3) FURNHAM. São Paulo: Contexto. Miriam. mas acreditamos que será um valioso instrumento para o rápido entendimento das mudanças na ortografia da variante brasileira. Villaça. cooperação. usa-se sempre o hífen: vice-rei.L. São Paulo: Cortez.

Literatura e Redação. 12) CUNHA. Curso de Gramática Aplicada aos Textos. 3ª edição. Antônio Carlos (Coord. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2004. 1ª edição. 2001. 26) PASCHOALIN. Do Texto ao Texto: curso prático de leitura e redação. Linguagem. 17) INFANTE. São Paulo: Martins Fontes. 1993. 18) VANOYE. 25) LEME. Rio de Janeiro: FGV. 5ª edição. Entender e Redigir um Texto. Como Ler. 11) ABREU.A. 2007. 1987. 1ª edição. Rio de Janeiro: Nova Friburgo. São Paulo: Scipione. Redação em Construção. Petrópolis: Vozes. São Paulo: FTD.) Roteiro de redação: Lendo e Argumentando. Celso & CINTRA. Curso de Redação. 1998. São Paulo: Moderna. Dicionário de Linguística e Gramática: referente à Língua Portuguesa.. 13) FAULSTICH. Leonardo. 2ª edição. São Paulo: Ática. Pasquale Cipro & INFANTE. Adir de Souza. Neuza Terezinha. Lições de Texto: Leitura e Redação. 2001. 1997. Porto Alegre: Sagra S. Tratado de Argumentação. 1999. Rio de Janeiro: Lucerna. Usos da Linguagem: problemas e técnicas na produção oral e Escrita. Nova Gramática do Português Contemporâneo. de J. 20) NETO. Evanildo. Volnyr & MOTTA. 1996. 1996. Comunicação na Empresa. 14) FIORIN. 22) FIORIN. Joaquim Mattoso Camara. São Paulo: Ática. 2001. 2ª edição. Francisco Platão. 9) PERELMAN. 23) JUNIOR. Português Contemporâneo. 1985. Cahim. 1ª edição. Gramática da Língua Portuguesa. José Luiz & SAVIOLI. Gramática: teoria e exercícios. Francisco Platão. Ulisses. Francis. Lindley. Maria Aparecida & SPADOTO. 24) CARNEIRO. 6ª edição. Enilde L. 21) BECHARA. Para Entender o Texto. 2003. 16) INFANTE.Janeiro: Qualitymark. 2000. Ulisses. Antônio Soares. 10) TEIXEIRA. São Paulo: Ática. Ulisses. São Paulo: Scipione. Rio de Janeiro: Vozes. São Paulo: Martins Fontes. Agostinho Dias. 1998. 6ª edição. Odilson Soares. 2007. São Paulo: Scipione. 2003. José Luiz & SAVIOLI. São Paulo: Scipione. São Paulo: Scipione. Nova edição. 19) SANTOS. 26ª edição. 7ª edição. 15) VIANA. 177 .

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