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INTRODUÇÃO A ECONOMIA POLÍTICA

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA POLÍTICA

(GUIA DE ESTUDO) GERALDO MEDEIROS DE AGUIAR

Imagem fractal. Fonte Google

Recife, Fevereiro de 2012

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SUMÁRIO I. II. III. IV. V. VI. VII. VIII. IX. X. XI. XII. XIII. XIV. XV. XVI. XVII. XVIII. XIX. XX. 1. 2. 3. 4. APRESENTAÇÃO -- 03 INTRODUÇÃO – 04 PRINCÍOS DO PENSAR COMPLEXO -- 15 LEIS DA ECONOMIA POLÍTICA -- 18 TRABALHO E ALIENAÇÃO -- 21 BENS, MERCADORIAS E MERCADO -- 23 TEORIA DA MAIS VALIA -- 25 VALOR E SUAS TEORIAS -- 27 VALOR E PROCESSO DE TRABALHO -- 30 LÓGICAS DO VALOR -- 32 CAPITAL E CRÉDITO -- 36 EMPRESA CAPITALISTA -- 39 EXCEDENTE ECONÔMICO E ACUMULAÇÃO DE CAPITAL – 42 PROCESSO DE TRABALHO, TECNOCIÊNCIA E SOCIEDADE -- 45 RENDA, LUCRO E INVESTIMENTO -- 54 RELAÇÕES DE TROCA NO COMÉRCIO MUNDIAL -- 56 RODADA DE DOHA-CONFERÊNCIA DE HONG KONG – 63 FETICHE DOS RECURSOS NATURAIS E DOS NOVOS MATERIAIS COMO MERCADORIAS -- 65 DESENVOLVIMENTO/SUBDESENVOLVIMENTO – 67 SINOPSE DA ECONOMIA REAL DE MERCADO -- 72 CONCEITO DE AMBIENTE -- 75 GÊNESE DO MEIO AMBIENTE -- 76 EVOLUÇÃO DO MEIO AMBIENTE -- 77 COLONIZAÇÃO IBÉRICA -- 78 IMPERIALISMO INGLÊS – 80 BIBLIOGRAFIA-- 82 O AUTOR -- 90

“A crítica é a mais alta expressão do ser, a mais alta afirmação de hominidade. No ato de criticar é que surge realmente a pessoa humana, pela qual o homem individual se destaca do homem em geral. (...) O homem se defende da alienação lutando pela preservação da consciência crítica, com a própria consciência crítica". Leôncio Basbaum

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APRESENTAÇÃO Este Guia de Estudos sobre Introdução à Economia Política representa um esforço do Autor no sentido de dotar seus alunos de uma consciência crítica abrangente sobre o conteúdo da disciplina. O Autor tem consciência que não faltam manuais sobre a disciplina, em tela, mas sente neles a ausência de um enfoque ou olhar não linear (não cartesiano) para melhor dotar os discentes de uma perspectiva holística sobre o conteúdo e as categorias apresentadas para a disciplina. Grande parte dos textos foi extraída do Guia de Estudos elaborado para atender a ementa e o conteúdo pedagógico da disciplina Economia Político que o Autor lecionou na Academia Militar de Pernambuco (Paudalho), na Faculdade Boa Viagem e na Faculdade São Miguel. Já pelo sumário o leitor ver que o Autor busca apresentar as categorias fundamentais da Economia Política de tal forma a doar uma lógica seqüencial que permita o discente a contextualizar e desconstruir algumas assertivas apresentadas. O leitor verifica, ainda, que o Autor traz para o mesmo uma visão sistêmica para a disciplina partindo das categorias fundamentais da Economia Política passando, também, pela: tecnociência, sociedade, economia real de mercado. Conclui com o conceito de meio ambiente de forma crítica abrangente. Dessa maneira o Guia tem o propósito de evitar a reação dos alunos aos manuais estrangeiros e importados dos países cêntricos onde os níveis de detalhes desnecessários são inúteis ao aprendizado pelo excesso de especialização dos seus enunciados. Este Guia de Estudo é um prolongamento de outros que o Autor produziu para diferentes disciplinas, ou seja:  Notas sobre metodologia de pesquisa científica. Recife, 2001. 90 p.  Temas sobre epistemologia e ecologia. Recife, 2002. 68 p.  Leituras sobre planejamento estratégico. Recife. 2003. 108 p.  Agenda 21 e desenvolvimento sustentável. (Caminhos e desvios). Recife. Livro Rápido. 2004. 109 p. (2ª edição)  Organizações em rede. O que são como funcionam? Recife, 2006.
150 p.

 Anotações sobre a análise da realidade brasileira contemporânea. Recife 2007. 135 p.  Política de recursos humanos de base local. Recife, 2008. 130 p.  Economia rural e agrícola. Recife, 2010. 167p.  Introdução à economia política. Recife, 2012. 91p. O Autor sentir-se-á honrado em receber críticas e sugestões a este e demais guias de estudo produzidos para seus alunos no e-mail: gmaguiar@yahoo.com. br ou pelos telefones: 81 3465-7718 e 3326-6428. NOTA. Os textos deste Guia de Estudo não foram submetidos à revisão ortográfica e gramatical da língua portuguesa. A redação e linguagem é a coloquial do Autor servindo de apostila para aulas. Todos os autores citados nos textos têm suas obras explicitadas na bibliografia. 3

dos fenômenos e do metabolismo do capital no modo de produção capitalista em seus diferentes vieses. com o efeito estufa. A partir dessa premissa vem o conceito de matéria prima que é uma substância capaz de absorver trabalho humano seja ela renovável (substâncias/produtos vivos da natureza como vegetais e animais) e não renovável (substâncias/produtos inanimadas ou brutas da natureza como são os minérios e elementos químicos). uma atividade produtiva com um objetivo. também. também. Não há que se temer a fraude a partir da alusão das mudanças climáticas ditas antropocêntricas. distribuição e consumo imbricados a natureza. como ação estratégica tecnológica dos relacionamentos humanos na sociedade e com a natureza ou biosfera  Matéria. como mudanças autocriativas ou autodeterminadas das ações induzidas a partir da ação comunicativa humana que se dão nas relações de produção e circulação dos bens econômicos pelo conhecimento reflexivo e pelo metabolismo do capital  Forma. para a exploração. corporificadas em poderosas corporações internacionais imbricadas ao metabolismo rapinante do capital globalizado. Esse medo e terror levam a humanidade às diferentes e pernósticas visões apocalípticas do planeta que apontam cada vez mais. 4 . Na definição supra de economia política está inserta a categoria de bens que podem ser livres (se confunde com recursos naturais que não absorveram trabalho humano) e econômicos (aqueles já oriundos do processo de trabalho humano e que são necessariamente mercadorias). INTRODUÇÃO O Autor considera e conceitua a economia política como padrão em rede de relações de trabalho e de relações sociais de: produção. dos entes humanos. As suas relações na sociedade implicam como na vida. tendendo a uma crise sistêmica e sua correspondente negação. valor de uso. como ação instrumental de fabricação de instrumentos e meios de trabalho que se dão e se realizam nos processos de trabalho e de produção no mundo concreto para atender as necessidades humanas  Sentido ou significado. alienação da nação nas relações de troca no mercado mundial. como apreensão e entendimento das coisas. O trabalho é sempre um processo social que se dá entre os humanos e a natureza e que se materializa em valores (valor. Seu objeto é tão complexo ou similar à própria complexidade da vida que se auto-recria. hoje. em perspectivas de:  Processo. e terceiro os meios que facilitam o processo de trabalho” Bottomore. segundo. “Por isso os elementos do processo de trabalho são três: primeiro o trabalho em si. o(s) objeto(s) sobre os quais o trabalho é realizado. O presente conceito quando criticamente apreendido leva o leitor ao entendimento e o que vem a ser alienação do trabalho e.I. A economia política como ciência humana e exata sintetiza todas as perspectivas do quadrívio ou padrões da vida na terra com o objetivo de atender ilimitadas necessidades humanas com vistas a um cenário de antro política com ilimitados recursos naturais. valor de troca. valor desenvolvimento). difundida mundialmente pelas corporações e estados nacionais com aval do IPCC das Nações Unidas. cada vez maior.

logo. portanto. um bem econômico sujeito ao fetichismo da mercadoria. A atual crise do sistema mudo do capitalismo tem as seguintes causas:  Transformação de tudo em mercadorias  Privatização dos bens livres e da natureza como um todo  Colapso dos sistemas morais e éticos nas diferentes sociedades  Intensificação da queda das margens de lucro e gigantismo de corporações com aumento dos seus poderes  Formação de zonas opacas no próprio sistema do capitalismo  Aceleração da desruralização do mundo  Aprofundamento das crises fiscais dos estados nacionais  Transposição de fronteiras de todos os tipos na caça ao lucro pelas corporações  Intensificação do consumo como ruptura social e das sociedades  Democratização do uso de armamentos a nível planetário com aumento da grande e pequena violência 5 . os recursos naturais. neoimperialista ou sistema mundo do capitalismo que tende a ser superado por outro modo de produção ainda não identificado. as relações de produção e o ambiente em contra ponto a “ladainha” que se prega sobre mudanças climáticas e suas conseqüências no Planeta e da economia política vulgar. no pós–guerra. imperialista-monopolista. social e ideológica. Contrapõe-se a visão antropocêntrica dos fenômenos climático-ambientais pregados pelo IPCC da ONU. O próprio conceito de sistemas mundiais é. Daí assegurar-se que a terra na sua biosfera contempla vários mundos e sociedades.Pelo fato de ter a capacidade de absorver trabalho humano toda e qualquer matéria-prima é uma mercadoria. vive-se a chamada Guerra Fria (1949-1998) passando pela Revolução Mundial das Desilusões de 1968 a partir da qual aquela tendência passa a consolidar-se para a chamada “virada cibernética” o que hoje se chama de globalismo. imperialista em crise. um sinótico histórico da ciência economia política além de várias definições encontradas em manuais de diferentes escolas. Em seguida a Revolução Russa de 1917 abala os alicerceis da formação do sistema e. política. com as concepções do mundo. passando pelas Guerras Napoleônicas (18481870 quando Napoleão sonha em transformar a economia mundo capitalista no sistema mudo do capitalismo cujo contra ponto foi a criação dos estados nacionais). mercantilista. O conhecimento e a sociedade são construções históricas. Não se confundem com o universo natural. mercantilista-colonialista. O presente ensaio tem o propósito de trazer ao leitor uma forma crítica de se analisar a economia política. Nesta Introdução se explicitam. uma demarcação para aferir os efeitos dos modos de produção e das formações: econômica. a tecnologia. com o planeta e menos ainda. também. o sistema mundo do capitalismo tem seu inicio com a Revolução Francesa (1789-1799). Historicamente. Os sistemas mundiais são as articulações intercontinentais ou internacionais com as difusões da revolução demográfica induzidas pelos modos de produção que levam a partilha do mundo entre algumas potências que caracterizaram e caracterizam as seguintes formas no sistema mundial: antigo.

à distribuição e ao consumo das riquezas l) Ciência das leis sociais das atividades econômicas. encontram-se vários epítetos ou conceitos de economia política como. da procura e do valor das mercadorias ou bens econômicos f) Ciência que explica o mercado e nele as mercadorias g) Ciência das leis do mínimo esforço na oferta e procura de mercadorias movidas pelas necessidades próprias e não pela consciência das necessidades recíprocas h) Ciência que estuda as leis características dos modos de produção. historicamente formados e o sistema de distribuição correspondente i) Ciência que se propõe estudar todas as leis das formações socioeconômicas e abranger o desenvolvimento total da humanidade j) Ciência que tem por objeto o conhecimento das leis que presidem à formação. o lucro e o poder. Segundo a historiografia (conceito eurocêntrico). econômica e ambiental  Crises energéticas e ecológicas globais  Mutações dos estados nacionais e formações de megablocos econômicos  Unilateralismo crescente nas decisões internacionais. cujos sentidos são administração. Imigração de indivíduos dos países pobres para os países mais ricos quase sempre em regressão populacional  Aumento das incertezas e da insegurança social. estado. ter escala temporal prolongada ou permanente. são para satisfazer necessidades ou desejos humanos. que significa casa e nomos. em 1615. Política. ser de âmbito global. resultantes dos processos de trabalho e de produção. abordando os problemas da atividade econômica do estado e daí passou a fazer 6 . cidadania. pelos Estados Unidos da América do Norte. economia vem do grego: oikos. O pior da atual crise do sistema mundo do capitalismo é que passa a ter aspectos históricos altamente indesejáveis tais como: ter caráter universal. regra. forma. ter seu modo de evolução rastejante e ser estrutural afetando a totalidade das sociedades e a vida humana no planeta. matéria e sentido. como se viu. cidade. Etimologicamente. vem de pólis. Ressalve-se que a produção e distribuição dos bens econômicos. publicou seu “Traité de l´Economie Politique”. por exemplo: a) Ciência das leis da ordem social e da riqueza b) Ciência das leis que regem as atividades econômicas c) Ciência da escassez d) Ciência social que quantifica o produto e) Ciência das leis da oferta. Economia Política é a ciência das leis imbricadas ao processo de acumulação incessante de capital a partir do processo de produção onde tem lugar o excedente econômico e. particularmente. oriundo dele. com o escritor francês Antoine de Montchrétien que. Nesta Introdução o Autor apresenta o seu conceito de economia política em termos de: processo. governo ou lei. Na literatura. a expressão economia política apareceu no início do século XVII.

posteriormente. Jean Baptiste Say (1767-1832) e John Stuart Mill (1806-1873) tinham como fundamento a investigação das leis naturais que induzem à vida econômica e à permanente busca dos princípios reguladores na livre concorrência. Ver o filme Uma Mente Brilhante ganhador do Oscar de Melhor Filme de 2001. os primeiros a visualizar os fatos econômicos como um conjunto da ciência social na medida em que apontaram as relações necessárias entre a “ordem natural” e as necessidades humanas. o surgimento do termo se deu no mercantilismo fase anterior à época dos fisiocratas: Williams Petty (1623 . E. essencialmente. Dois outros grandes pensadores da escola da economia política clássica foram Thomas Robert Malthus (1766-1834) com a teoria da superpopulação (que levou a ideologia do “Complexo de Herodes” denunciado por Álvaro Vieira Pinto) e David Ricardo (1772-1823). respectivamente. ou seja. do valor trabalho e do comércio mundial. da troca. desconstruída por Nash na sua teoria dos jogos. outro. David Hume (1711-1776) e François Quesnay (1694 -1774). contra os restos das relações feudais de produção. como pensadores Georg Friedrich List (1789-1846). As premissas das teorias da economia política clássica estavam imbricadas à luta das burguesias industriais da época na Europa. e que as necessidades humanas podem ser satisfeitas sem que seja necessário forçar a marcha regular dos fenômenos econômicos. persegue o seu bem-estar individual e nada mais que isso”. as teorias do lucro e da alocação de capital são grandes contribuições de Adam Smith para a economia política como ciência. com a publicação da obra de Adam Smith (1723-1790) “A Riqueza das Nações”. Essa escola. A economia política clássica tem início em 1776. uma teoria do crescimento econômico onde se trata da divisão social do trabalho. Thomas Hodgskin (1787-1869). os neoclássicos e os neoliberais. que teve. que é.1687). O inverso do que prega Smith. os demais integrantes do grupo. e considerava que a vida econômica está sujeita as leis naturais. que foi o escravismo colonial racista contra os negros e os indígenas dos territórios invadidos ou ocupados pelos europeus como foi exemplo o Brasil. os palcos das revoluções: francesa e industrial. desmontou ou desconstruiu a economia moderna neoclássica e neoliberal segundo as quais “o nível máximo de bem-estar social é gerado quando cada indivíduo. Nash com sua teoria dos jogos desmonta essa panacéia do individualismo e da livre concorrência como alicerce fundamental ou central da economia na medida em que ele prova matematicamente que o indivíduo em favor do seu bem-estar não pode e não deve perder de vista o. Não obstante Smith ser considerado o pai da economia clássica John Nash (que em 1994 foi laureado com o Prêmio Nobel de Economia) nas suas descobertas na “Teoria dos jogos” desconstruiu matemática. A fisiocracia (domínio ou governo da natureza) se constituiu na primeira escola de economia política. Outrossim.parte da linguagem corrente tanto na França como na Inglaterra que foram. Também. o alicerce da teoria da economia política até os dias de hoje. Essa foi e é. A não cooperação entre os diferentes jogadores leva os mesmos obterem menor bem-estar do que poderiam. Isso se dava inclusive no mercantilismo e seu rebento. sem dúvida. nas colônias. de forma egoísta. Por seu conteúdo de classe na contradição básica do modo de produção capitalista que 7 . Também. do uso da moeda e das teorias do mercado e do preço. também. Foram os fisiocratas. econômica e politicamente toda a base da economia clássica de Smith. ainda. com teoria da renda da terra. da equipe ou da sociedade. As escolas de economia política conhecidas como clássica e como marxista partem dos estudos publicados pelos fisiocratas.

se dá na relação entre os humanos (força de trabalho) e a natureza (bens livres) de onde se origina o capital (parte do excedente econômico ou do lucro em forma de investimento), surgiu a economia política clássica. Ela serviu para racionalizar e melhor encobrir a exploração dos entes humanos por outros humanos, particularmente, no processo de produção capitalista entre a burguesia e o proletariado com ênfase ao operariado fabril e no mais desvairado hedonismo econômico. Essa foi à razão que levou Karl Marx (1818-1883) a submeter os fisiocratas, mas, principalmente, os economistas clássicos a uma severa crítica não somente do ponto de vista da própria economia política, mas também da filosofia (materialismo dialético e materialismo histórico) e do socialismo científico. Ao criar a teoria da mais valia, ele a explicitava como “o suplemento de tempo de trabalho do operário apropriado pelo capitalista em seu benefício” e demonstrava a diferença entre o preço de custo e o preço de venda a partir do trabalho não-pago seja ele resultante da mais valia absoluta ou da mais valia relativa. A radical crítica de Marx a economia política dos fisiocratas e da escola clássica deu origem à escola da economia política marxista ou marxiana. Os mecanismos de obtenção e de distribuição de mais valia absoluta e de mais valia relativa constituem o fundamento da teoria da acumulação incessante do capital, que é a gênese das forças motrizes do capitalismo consubstanciadas no lucro e no poder. Ainda, segundo Marx, o capitalismo concentra o processo de trabalho em grandes empresas produtivas, o que inevitavelmente conduz à sua associação. Outrossim, a propriedade privada dos meios de produção faz com que as relações entre as atividades individuais, via cooperação e divisão social do trabalho, regulem-se de forma espontânea por força da lei do valor. Esse fato causa o caráter irracional ou anárquico do modo de produção capitalista. O efeito da causa em tela retira qualquer direção consciente da sociedade e conduz o capitalismo a colapsos e guerras sob a forma de crises político-econômicas. Outra importante contribuição de Marx foi à descoberta da taxa de uso decrescente no capitalismo que aponta para a “sociedade descartável” que, hoje, se vivencia. Sem dúvida essa taxa “afeta negativamente as três dimensões fundamentais da produção e do consumo capitalista, a saber: bens e serviços, instalações e maquinaria e a própria força de trabalho”. Meszáros explica como a taxa de uso decrescente no capitalismo leva no modo de produção a “linha de menor resistência do capital configurado no complexo militar industrial enquanto agente todo-poderoso e efetivo no deslocamento das contradições internas do capital”. Dessa forma ele explicita a administração das crises e da autoreprodução destrutiva do capital. A razão da natureza bélica do capitalismo, através de suas crises, produziu nos últimos cem anos nada mais que três grandes conflitos mundiais estando agora, no quarto conflito ou guerra senão vejamos: a) A primeira guerra mundial entre os anos de 1914 e 1918 b) A segunda guerra mundial entre os anos de 1939 e 1945 c) A terceira guerra mundial denominada de guerra fria durou de 1949 até 1991 d) A quarta guerra mundial teve início em 1991 e foi, unilateralmente, declarada pelos EUA em 11 de setembro de 2001 e intensifica a guerra dos ricos contra os pobres, diferentes, portanto, das anteriores onde os pobres buscavam alcançar novos direitos e mais liberdade. Hoje, são milhões de pessoas implorando para serem exploradas pelo capital, e os capitalistas respondem com a mais cruel exclusão e manipulação social. Essa guerra ficou muito bem caracterizada no 8

Encontro Mundial sobre Mudanças Climáticas realizado em dezembro de 2009 em Copenhague. Não há previsão de seu término com a hegemonia do império norteamericano que age de forma unilateral em todos os acontecimentos e eventos internacionais. Haja vista suas recentes intervenções no Afeganistão e no Iraque (neste, inclusive, sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU) e a maneira como, através de Israel, sustenta no Oriente Médio um dos maiores genocídios: étnico, religioso e racial do planeta. A partir da economia política marxista, a burguesia, ainda, na economia mundo do capitalismo adotou a escola da economia política neoclássica ou marginalista e a transformou em neoliberal (após as revoluções mundiais de 1968). Essa é, hoje, a escola cujas disciplinas são ensinadas nas universidades do sistema mundo do capitalismo. Além de Marx e Engels, a economia política marxiana teve outros grandes pensadores como: Bernstein, Rosa Luxemburgo, Bukharim, Lenine, Hilferding, Plekhamov, Kautsky, Mão Tse Tung, Dobb, Baram, Sweeze, Lange , Fidel Castro e, no Brasil, Caio Prado Junior e Florestan Fernandes. Hoje, um dos grandes filósofos e economistas marxista é o húngaro Istvan Meszáros. Em 1945, na pós-segunda guerra mundial, destaca-se a escola da economia política neoclássica ou marginalista com Keynes, Wicksell, Marshall e Walras para, em seguida, na Alemanha, tomar corpo a escola de economia política histórica a partir dos estudos de Menger, Jevons, Wieser e Bohm-Bawerk da escola austríaca. Destacam-se, a partir da escola histórica e da escola austríaca os pensadores da economia política conhecidos como: Pareto, Weber e Sombart. Sob influência da escola marxiana surgiu a teoria do desenvolvimento econômico formulada por Schumpeter, também procedente da escola austríaca. Ainda, na tendência da escola histórica surge a escola institucionalista com Veblen, Mitchell, Commous, e quiçá Robinson e Kalecki. No período da guerra fria, surgem grandes pensadores econômicos como são exemplos: Berle, Means, Mandel, Leontief, Kuznets, Friedman, Myrdal, Galbraith, Sem, Stiglitz e, no Brasil, Celso Furtado, e na Argentina, Prebisch. Contemporaneamente, têm-se vários economistas que receberam o Prêmio Nobel quase todos ligados à economia quantitativa e teoria dos jogos muito divulgados nos Estados Unidos e que vivem e trabalham em suas universidades com destaque para John Nash, Lipsey e Lancaster com o teorema do segundo melhor. Para finalizar esta Introdução o Autor apresenta uma sinopse das Perspectivas frente à crise do sistema mundo do capitalismo na década (20122022) Partindo-se do princípio que a atual crise mundial, iniciada em 2008, do sistema mundo do capitalismo não é somente entendida como econômicofinanceiro, mas sim como um colapso das relações humanas frente ao metabolismo do capital procede-se, a seguir, as seguintes considerações: 1. Que fazer de dentro da própria pobreza? Como utilizar os recursos públicos e naturais para servir de energia primária na luta contra a pobreza? De que forma a organização, participação e capacitação permanente da população poderiam 9

gerar e concentrar energias sociais suficientes para, gradualmente, por em funcionamento múltiplos mercados locais onde possam circular e financiar-se a compra e venda de produtos, serviços e obras gerados com recursos pré-existentes nas próprias áreas de pobreza? 2. Embora, no momento tais perguntas não permitam uma plena e fundamentada resposta, tem o propósito de convocar ao trabalho criativo dos reformadores, administradores e criadores de novas idéias que permitam mudar o status quo ora reinante no Brasil. Em um futuro próximo, ainda sobre inspiração do Governo Lula e, agora do Governo Dilma, o Brasil está implementando novas idéias com vistas a superar os históricos estrangulamentos de seu desenvolvimento com plena cidadania e soberania. Nesse momento, será mais claro que os rígidos programas de ajustes estruturais propiciados pelos órgãos gestores do capitalismo mundial não são suficientes para recompor o tecido social e gerar processos permanentes de desenvolvimento. 3. Provavelmente se chegará ao consenso de que os programas de ajuste estrutural e racionalização administrativa do Estado deverão continuar. Mas, terão que ser acompanhados por programas e projetos desenhados para acelerar, simultaneamente, a transformação econômica das áreas de pobreza comprometendo a ativa participação da sociedade civil, criando novos mercados que mobilizem os fatores abundantes de terra e trabalho, ampliando a riqueza local em benefício direto de seus habitantes. 4. Tais processos certamente demandarão e requererão financiamentos complementares, a serem captados mediante processos de racionalização administrativa de recursos e, também, de tributações especiais sobre os estratos sociais concentradores de renda e detentores de alta renda ou fortunas. 5. A entrada ao mercado interno da população pobre, que se dá hoje via Bolsa Família, criará condições para que no cenário político do Brasil, os partidos mais representativos de seus interesses ampliem, também, sua participação equilibrando as relações entre as classes e estratos sociais. No futuro, não só o capital e as grandes empresas serão necessários para o progresso: social, ambiental, econômico e tecnológico senão, também, as forças das populações de escassos recursos trabalhando para superar suas enormes carências e participando responsável e diretamente, na construção de seus próprios destinos. 6. Até o presente só as pessoas muito conscientizadas do campo religioso e da sociedade civil organizada, dos movimentos comunitários, dos sindicatos, alguns partidos políticos e intelectuais trabalham a favor dos segmentos mais pobres da sociedade. Numerosas pessoas que podiam contribuir na grande cruzada para erradicar a pobreza não puderam fazer pelas restrições ideológicas que dominam o cenário sócio-político que as levam a situação de esmoleo caritativo frente aos sem número de pedintes. 7. O Brasil afortunadamente, nos Governos Lula, continuado por Dilma, está superando sua longa noite ou seu longo inverno no qual o trabalho com as comunidades configurava crime contra a segurança do Estado. Hoje, pelo contrário, já se compreende que as democracias jovens não podem sobreviver se a pobreza não é derrotada e, para isso, se requer a participação solidária de todos os estratos e classes sociais da sociedade. 10

programas e projetos poderem criar uma extraordinária oportunidade para erradicar a pobreza. com novas políticas. Duas conclusões surgem dessa caracterização da pobreza e do processo de exclusão. África e América Latina. 11. pela falta de higiene e salubridade em que vivem focos permanentes de doenças e epidemias. A primeira. aquém do nível de subsistência. hoje. No futuro. 10. mas os benefícios dessa política são apropriados. Fica excluída do processo de aquisição de renda a massa de trabalhadores que percebem como máximo o salário mínimo. sob a vigência dos modelos atuais de política econômica. em última instancia. 11 . De igual modo. reduzam parte dos subsídios ao setor privado empresarial. Não obstante. Nesse panorama.8. Em muitas situações. essa população continuará aumentando até que suas estratégias e práticas de sobrevivência cheguem a travar os processos de intercâmbio dos segmentos de altas e médias rendas. Em condições de desemprego estrutural. cêntricos e imperialistas assistem atônicas a crescente invasão da pobreza procedente da Ásia. o Governo racionalize seus gastos de funcionamento. os estratos sociais de rendas médias e altas ampliarão seus intercâmbios com as sociedades de países desenvolvidos. Envolve como vítimas não só as pessoas de fortuna senão. informações e bens econômicos. basicamente. pelos estratos sociais de rendas mais elevadas. 9. os setores sociais mais privilegiados nos países latinos americanos se sentem cada vez mais ameaçados pela pobreza. principalmente após a primavera árabe. Na medida em que. aqueles delitos chegam já a configurar fatos sociais além de serem fenômenos delituosos de responsabilidade individual. também. estratégias. é que a pobreza e a exclusão devem ser combatidas já. o incremento de produtividade derivado da abertura econômica e da modernização tecnológica e informacional só acrescenta o nível de acumulação do capital. Para a população pobre ou de escassos recursos tais processos significam muito pouco na medida em sua base de sustentação econômica é o salário cada vez mais abaixo do seu nível de subsistência. cada vez mais. as simples famílias da classe média. estratégias. canalizem recursos significativos e investimentos produtivos e de infra-estrutura. e pela violência latente que invade as cidades. mas os segmentos pobres não poderão transformar-se espontaneamente em agentes de negócios para ser incorporados aos fluxos do comércio mundial. Inclui. se amplia a circulação de: capitais. da magnitude do mercado interno com a incorporação dos pobres. a internacionalização da economia representa uma opção necessária na medida em que responde as exigências inexoráveis da revolução tecnológica e da comunicação e organizações vigentes nos centros do capitalismo mundial em sua plena crise sistêmica. se os governos não se decidem a adotar com urgência novas políticas para erradicar a pobreza. A segunda referese a adoção de tais políticas. As sociedades dos países chamados desenvolvidos. programas e projetos que incorporem e visem verdadeiras transformações na qualidade de vida tanto nas suas magnitudes financeiras como em suas formas de participações e administração. Como conseqüência. as remunerações do pessoal técnico especializado de níveis médio e superiores profissionalizados e dos burocratas. Para a população pobre é preciso que os empresários cheguem a perceber e sentir que sua própria sobrevivência depende dos níveis de custos e da produtividade do trabalho ou. tecnologias. sob fortes condicionamentos interno e externo da política econômica.

é extremamente difícil avançar. Supõe-se que esse segundo caminho erradique a livre iniciativa em favor da autogestão esta submetida a controles globais que viabilizem várias utopias socialistas incluso com a revisão dos atuais princípios das corporações transnacionais. judiciária. Invasões e colonizações dos novos e velhos continentes a partir do escravismo colonial principalmente dos negros e dos indígenas 1775-1848. mencionar que a nova política para o desenvolvimento do Brasil. Inicio e período de concretização da Revolução Industrial 12 . Stuart Mill. Como reflexão resta. destinada a erradicar a pobreza e aprofundar as reformas: política. Cabe lembrar que o individualismo metodológico de Adam Smith. no MERCOSUL e outros fóruns internacionais. o Autor defende a tese de que a atual crise sistêmica do capitalismo mundial. Finalmente. não pode explicar a atual crise mundial do capitalismo na medida em que ela. Cronologia de acontecimentos importantes no sistema mundo capitalista. a seguir. com êxito. A atual crise mundial do sistema mundo do capitalismo confirma a assertiva de Bernard Shaw segundo a qual “sem compreendermos o capitalismo não podemos compreender a sociedade humana da maneira que ela atualmente existe”. uma cronologia muito sumária de acontecimentos que se deram no sistema mundo capitalista com vistas a induzir o leitor a meditar sobre eles com propósitos de se buscar saída para um novo modo de produção mais humano e mais ecumênico. previdenciária e educacional dentro da política de ajuste estrutural só pode implementar-se no contexto de um amplo consenso político nacional e internacional que possibilite acordos razoáveis no plano de negociações na OMC. em longo prazo. 13. Expansão européia pelo mercantilismo. Esse é o grande desafio e dilema para superá-la na década 2012 a 2022. 1415-1746. Ela prova e constata que a operacionalidade ótima dos mercados (como mão invisível) é apenas uma crença deletéria para resolvê-la. para uma antro política. Bentham. ainda. agora. Apresentam-se. na execução das novas políticas e conservar e manter a vigência das instituições democráticas. envolve a totalidade das relações humanas no planeta. aponta para dois grandes caminhos:  O primeiro é permitir que a livre iniciativa na propriedade privada dos meios de produção leve a humanidade ao seu desastre total ou global com as regras e as premissas do individualismo metodológico como fundamento da economia política global  O segundo aponta para um socialismo de novo tipo com base na propriedade privada autogestionária (em nível global) dos meios de produção voltada para um humanismo concreto ou. agrária. Keynes e seus seguidores. como doutrina econômica. no dizer de MORIN. fiscal. Sem tais acordos.12. 14. no mundo atual. Saltos qualitativos no modo de produção capitalista.

crise da Polônia. Proclamação dos direitos do homem. possuindo artefatos nucleares 1954. Tomada do poder por Mao Tse Tung a frente do Partido Comunista 1948-1949. Fim da URSS e do Tratado de Yalta Fatos que abalaram o sistema mundo capitalista pós Segunda Guerra Mundial 1945. Conflitos localizados da Guerra Fria principalmente na África pelo conturbado processo de descolonização 1950-1953-?. fraternidade e liberdade 1848. Revolução Chinesa. 1 ª Grande Crise Mundial do Capitalismo.1789-1792. Segunda Revolução Francesa 1870-1873. Até hoje existe apenas um armistício sito no paralelo 38 em Pamujon entre as duas Coréias. ofensiva do Tet e reação popular nos EUA. Movimentos revolucionários na Europa. A URSS torna-se potência nuclear. 1 ª Guerra Mundial 1917. revolta racial nos EUA.). O poder emana do povo. Dá-se inicio a Guerra Fria ou 3 ª Guerra Mundial com inúmeros conflitos localizados sob tensão nuclear (Equilíbrio do Terror). Guerra Fria ou 3 ª Guerra Mundial. Revolução Francesa. Bombas atômicas norte americanas sobre Hiroshima e Nagasaki ordenadas por Truman 1945-1948. Inicio da guerra dos ricos contra os pobres pelo metabolismo do capital. Revolução Mundial da Desilusão (Primavera de Praga. Conferência de Yalta e a divisão do mundo 1949-1990. Revolução Cubana e ascensão de Fidel Castro ao Poder 13 . 2 ª Guerra Mundial 1945. hoje. 2 ª Grande Crise Mundial do Capitalismo. Inicio da “virada cibernética” 1989-1990. Recessão Mundial 1939-1945. Os EUA com suas tropas na Coréia do Sul encontram resistência sem controle por parte da Coréia do Norte. Partilha da Indochina 1959. Recessão Mundial e a Guerra Franco-Prussiana 1914-1918. etc. quebra-quebra na França. Revolução Russa 1929-1932. Abolição do feudalismo como modo de produção. Bloqueio de Berlin 1949-1991. Guerra da Coréia. Cria-se o lema igualdade. O equilíbrio do terror nuclear 1968.

Guerra dos Bálcãs (inicio do fim da Yugoslávia). retira o dólar do padrão-ouro desarticulando o Acordo de Breton Woods. no governo Nixon. Fim da URSS e do Tratado de Yalta 1990-2000. Dá-se a unificação do país por Hochimin 1967. 2 º Choque do petróleo. 14 .1959-1975. O processo se intensifica. intensificação dos conflitos hegemônicos na Tríade 2001-? Início da 4 ª Guerra Mundial a partir do ataque da Al-qaeda às torres gêmeas e ao Pentágono nos EUA. uma caricatura de Hitler. crise asiática. Guerra do Vietnam onde os EUA sofrem de fato uma verdadeira derrota militar em campo de batalha após arrasar o país e sua retirada desmoralizada de Saigon. Crise da dívida. Os EUA unilateralmente. com o advento da 3ª Grande Crise Mundial do Capitalismo que teve início em 2008. estouro da bolha imobiliária japonesa. Crise do padrão monetário mundial 1973. A Revolução Iraniana 1980-1988. hoje. Guerra dos seis dias sobre a Palestina (árabes contra judeus) e vitória militar de Israel que perpetua uma situação de apartaid com atrocidades semelhantes as de Hitler na Alemanha nazista 1970-1971. Guerra declarada em discurso de Bush que mais pareceu. 1979. 1 ° Choque do petróleo 1979. Diminuição de tamanho das empresas pela terceirização nas redes corporativas 1989-1990. Inicio da separação militar EUA versus Europa. em nível mundial. Criação da primeira moeda transnacional o euro na União Européia. crise da OTAN.

sinoticamente. Compreende as chamadas “estruturas dissipativas” para a criatividade possível. mecânica e complicada. do sistema mundo do capitalismo. os princípios básicos ou características da teoria da complexidade e o holismo com vistas à contextualização e apreensão da ciência. geralmente. PRINCÍPIOS DO PENSAR COMPLEXO A seguir. Na complexidade pulsa relação própria entre o todo e as partes. Esta autorecria-se por ser capaz de aprender e pensar a partir das famílias que nela estão insertas. complicações. Fala-se. portanto. eólica. o segundo. porém em totalidades complexas. Segundo Demo na “não-linearidade implica. Tudo está conectado. Para maior inteligibilidade de como funcionam essas visões da complexidade ou apreensões em rede. Com a observação dos campos de forças contrárias (impulsoras e restritivas) que pressupõem o devir e o fazer novo imbricados as categorias de: atividade. Esse princípio do pensar complexo embora aceite que toda intervenção ou criação tecnológica que seja linear como parte da realidade.II. A complexidade necessariamente supera o conhecimento disciplinarizado. historicidade e agilidade. Em termos gerais e sinóticos a forma do pensar complexo se caracteriza por ser:  Dinâmica. Mais ainda. Certamente. labirintos. redistribuição não somente do lucro. A luz pode ser vista como matéria e onda dependendo do ponto de vista de quem a observa. particularmente. se apresentam alguns princípios da “teoria da complexidade” para enfatizar as mudanças ou a transposição de paradigmas.  Reconstrutiva. A não-linearidade implica equilíbrio e desequilíbrio que. nos processos sócio-econômicos e nas organizações reticulares apresentam-se. Essa característica do pensar complexo doa sentido a produzir-se algo para além de si mesmo. pois. mas também. O complexo pode provir do simples como este do complexo. onde se podem ver processos que se complicam. A dinâmica da ciência está no fato de que enquanto mais paradigmática ela for. a decomposição das partes desconstrói o todo e é impraticável a partir das partes reconstituírem o todo. Apenas na lógica formal linear 2+2 são iguais a 4. do poder entre os humanos que vivem no planeta. Muito do que parece 15 . É preciso entender que na complexidade da vida na parte está contido o todo. mas não se complexificam”. criatividade. não mais dos processos de produção na organização da empresa convencional. É o modo inovador do vir a ser. são dois reais seu somatório jamais serão 4. com a gestação de novas fontes de energia (biomassa. haja vista que se leva em conta que o primeiro 2 são dois euros e. essa teoria ocupa cada vez mais espaços com a revolução do conhecimento e da informação. leva à substituição do velho pelo novo. mas de uma empresa viva. solar) e da economia do hidrogênio com vistas à substituição dos combustíveis fósseis. muito mais que emaranhados.  Não-linear. de uma empresa ou organização tão complexa como a vida ou como a sociedade humana. da economia política. objetividade. menos cientifica será.

É. Ambivalência diz respeito à processualidade dos fenômenos. Demanda relação de causa e efeito e ambivalência em sua contextualização. O que bem explicita esse fato é o chamado efeito borboleta. A vida não foi criada. Esse mesmo fenômeno pode ter referência a mais valia e à alienação do trabalho. mas certamente. Toda e qualquer realidade está muito além do que aparenta e que se pode verificar. A ambivalência subentende a existência e a simultaneidade de idéias com a mesma intensidade sobre algo ou coisa que se opõem mutuamente. Essa assertiva aponta ou compõe o desafio dialético do conhecimento sobre o cosmo e sobre a vida. É máquina reversível. sofisticada. irreversível e complexo. isto é.igual esconde incomensuráveis diferenças e vice-versa. A reconstrutividade sinaliza sentidos de: autonomia.  Ambigüidade/ambivalência dos fenômenos complexos. A vida não significa uma matéria nova. Sabese. complicada. que o mundo da complexidade é o mundo das incertezas. A natureza não doa sentido e não tem sentido em si.  Intensidade de fenômenos complexos. à ordem e à desordem. É o eterno vir a ser. são capacidades essenciais para a inteligência:  Responder a situações de maneira muito flexível  Tirar vantagens de circunstâncias fortuitas 16 . Argumentar é questionar. ela mesma se reconstrói. É impossível voltar ao passado ou ir ao futuro permanecendo o mesmo. Por isso a ambivalência é a tendência do construtivo no destrutivo e vice-versa com vistas à inovação e a criatividade. na verdade. Sob a alegação que a inteligência humana ser não-linear Pedro Demo. aprendizagem. Mas. É o que se conhece como crise. O máximo que se pode fazer é construir um modelo de aderência à realidade.C. uma nova modalidade de organização da matéria. não sabe errar. Dizia Heráclito em 2000 a. certamente. cita de Hofstardter o seguinte texto: “ninguém sabe por onde passa a linha divisória entre o comportamento não inteligente e o comportamento inteligente.  Processo dialético evolutivo.  Irreversibilidade. O computador não aprende. hoje. reconstrução e reformação. É autocriativa. mas não complexa. admitir a existência de uma linha divisória nítida é provavelmente uma tolice. mas porque é voltada para o que se quer ver. é penetrar no campo de forças que constitui a dinâmica. que: “vive-se com a morte e morre-se com a vida”. Ambigüidade refere-se à estrutura caótica. Aquilo que aparece real é muita das vezes virtual ou cópia. O cérebro humano possui habilidades Reconstrutiva e seletivas que ultrapassam todas as lógicas reversíveis. Qualquer depois é diferente do antes. No caso do direito pode-se aventar que a justiça é cega. O tempo-espaço são dimensões irreversíveis. Nada se repete. apenas age ou reage por causa e efeito. não por ser injusta e imparcial. A irreversibilidade sinaliza o caráter evolutivo e histórico da natureza. em seu livro “Complexidade e aprendizagem”. ou seja. portanto. logo. É não linearidade. aquelas que esvoaçam em um continente causam um ciclone em outro ou o também conhecido efeito dominó.

Sobre o pensar complexo e sistêmico a aluna Mirella Ferraz. mas não a sua organização  Os resultados nem sempre são proporcionais aos esforços iniciais  Os sistemas funcionam melhor por meio de suas ligações mais frágeis  Uma parte so pode ser definida como tal em relação a um todo  Nunca se pode fazer uma coisa isolada  Não há fenômeno de causa única no mundo natural  As propriedades emergentes de um sistema não são redutíveis aos seus componentes  É impossível pensar num sistema sem pensar em seu ambiente ou contexto  Os sistemas não podem ser reduzidos ao meio ambiente e viceversa”. foram enfáticos em afirmar que. em termos de tempo e espaço  Todo sistema reage segundo a sua estrutura  A estrutura de um sistema muda continuamente. apesar das diferenças que possam separá-las  Encontrar diferenças entre situações. em sala de aula. No final de suas apresentações. tomando conceitos anteriores e reordenálos de maneiras novas  Formular idéias que constituem novidades”. Dar sentido a mensagens ambíguas ou contraditórias  Reconhecer a importância relativa de elementos de uma situação  Encontrar similaridades entre situações. nas suas bases de conhecimento o pensar complexo mostrou que:  “Pequenas ações podem levar a grandes resultados (efeitos: borboleta e dominó)  Nem sempre se aprende pela experiência ou repetição  O autoconhecimento se dar com ajuda do outro  Soluções imediatistas podem provocar problemas ainda maiores do que aquele que se tenta resolver  Toda ação produz efeitos colaterais 17 . apesar das que possam uni-las  Sintetizar novos conceitos. (curso de publicidade e propaganda) contextualizou o tema resumindo-o nos seguintes princípios:  “Tudo está ligado a tudo  O mundo natural é constituído de opostos ao mesmo tempo antagônicos e complementares  Toda ação implica uma retro alimentação (feedback)  Toda retro alimentação resulta em novas ações  Vive-se em círculos sistêmicos e dinâmicos de retro alimentação e não em linhas estáticas de causa e efeito imediato  Há que se ter responsabilidade em tudo que se influencia  A retro alimentação pode surgir bem longe da ação inicial. junto com Aristófanes Júnior.

se parecem. e basta descobrirem-nas”. Soluções óbvias em geral causam mais mal do que bem  É possível pensar em termos de conexões. cultural e grupal”. a princípio. se os humanos têm ou não consciência delas e de suas causas e efeitos. É assim que os conflitos das inumeráveis vontades e ações individuais criam no domínio histórico. nada é produzido sem desígnio consciente. um estado inteiramente análogo aos que se encontram na natureza inconsciente. produto de uma atividade anterior. Mas sempre que o acaso parece dominar na superfície. tanto as leis de concomitância como as funcionais podem ser apreendidas e contextualizadas. que dão origem aos modelos e funções econometrias.. têm finalmente conseqüências diferentes das que se pretendia. reflexos adequados das leis da economia. ou ainda. Os objetivos das ações são desejados. os fatores atuantes são exclusivamente homens dotados de consciência.) só raramente se atinge o objetivo colimado.. pelo caráter estocástico ou de se prever as probabilidades (estatísticas) e possibilidades como se apresentam os fatos econômicos. e “leis econômicas”. os meios para realizá-los são insuficientes. III. quando as relações entre os fatos permitem serem mensuráveis quantitativamente por funções matemáticas. como dominado também pelo acaso. que são as fundamentais da economia política. existe uma gama de estudiosos que fazem distinções entre “leis de economia política”.. tem-se conhecimento de três tipos de leis:  Leis causais. e não de eventos isolados  O imediatismo e a inflexibilidade são os primeiros passos para o subdesenvolvimento.” Essa visão marxista é ampliada por Engels. cujas relações se dão sempre com determinado fato como efeito no tempo onde o fato anterior (causa) induz um fato posterior (efeito)  Leis de concomitância. Igualmente. de maneira geral. por formarem estruturas regulares  Leis funcionais. sem fim desejado (. ou seja. corresponder ao objetivo em vista. Segundo Marx “os homens não são livres árbitros de suas forças produtivas – que são à base de toda sua história – porque toda força produtiva é uma força adquirida. na história da sociedade. ou. da seguinte maneira: “. seja ele pessoal. na maioria dos casos. a quase totalidade dos economistas concorda que as leis econômicas são independentes da consciência e da vontade dos humanos. citado por Lange. Na controversa contextualização das leis na economia política. como leis causais. Assim os acontecimentos históricos se apresentam. LEIS DA ECONOMIA POLÍTICA Na economia política. os numerosos objetivos perseguidos se entrecruzam e se contradizem. ou são eles mesmos a priori irrealizáveis. na realidade está sob o império de leis interna ocultas. agindo com reflexão ou com paixão. Não obstante os diferentes enfoques e contextualizações. e perseguindo objetivos determinados. mas os resultados que surgem realmente dessas ações não o são. quando as relações entre dois ou mais fatos surgem ou aparecem constantemente juntas e que são normalmente chamadas de “leis estruturais”.. também. As leis econômicas do comportamento humano ou do entrelaçamento das ações humanas decorrem das necessidades técnicas e materiais no processo de 18 .

etc. Em outras palavras busca-se sempre aumentar a produtividade do trabalho com vistas. ela estuda em primeiro lugar as leis próprias de cada fase da evolução da produção e da troca.. mas sim leis históricas. as do controle do câmbio. em conseqüência. isto é. isto é.) as leis da natureza modificam-se da mesma forma. também. 19 . ao maior obsoletismo da mercadoria e. subutilização crônica. para fins didáticos. No processo dialético da ação recíproca entre os humanos e a natureza que se materializa no processo de produção de bens e serviços. Ainda. como por exemplo. O que se chamam leis econômicas não são leis eternas da natureza. A sua manifestação mais nociva à sociedade está no desemprego em massa pela substituição do trabalho vivo pelo trabalho pretérito (produtividade do trabalho) e intensidade do trabalho nos processos produtivos que leva a criação da força de trabalho supérflua ou ao conhecido desemprego estrutural..produção. Com respeito ao metabolismo do capital há que se levar em conta a lei que estabelece a taxa de uso decrescente no capitalismo. a moeda ouro. da oferta e da procura e da formação dos preços  O terceiro tipo são as leis que resultam da ação da superestrutura sobre as relações econômicas. Essas condições mudam de uma época para outra. explicitar três tipos de leis estudadas pela economia política:  O primeiro são as leis das relações de produção e as correspondentes relações de distribuição onde às ações se limitam pela formação social historicamente definida como é exemplo a lei da formação da taxa de lucro  O segundo trata das leis do comportamento humano e do entrelaçamento das suas relações expressas nas conhecidas leis: do valor. citado por Lange. abrangendo todos os estágios do desenvolvimento social. A economia política. ciclo curto de amortização e ociosidade do capital tanto em nível da empresa quanto da sociedade. as leis que estabelecem o status quo no comércio mundial. o protecionismo alfandegário. as do papel-moeda ou meios de pagamento... as mudanças que se dão na natureza são muito lentas comparadas com as mudanças que se verificam na história da sociedade humana e. “. em transformação constante. a saber:  Bens e serviços  Instalações e maquinarias  A própria força de trabalho. pode-se. Está imbricada a taxa de uso decrescente no capitalismo o que se conhece como obsolescência prematura.. o decréscimo de vida útil da mercadoria ou de suas horas de uso. quando os humanos a partir de estímulos são incitados a realizarem os objetivos da atividade econômica colimada.. trata de matéria histórica. sua maior vendabilidade. as derivadas da ação recíproca da superestrutura.. “a natureza também (. Essa lei do capital afeta negativamente as três dimensões da produção e do consumo no capitalismo. é por esse motivo que as leis econômicas não são de alcance universal. por conseguinte com as condições de modificações de ação das leis econômicas. mas leis históricas que surgem e desaparecem. ou seja.. relativas a níveis definidos de desenvolvimento e desaparecem quando passa para o nível seguinte”. como diz Engels. segundo Engels. Todavia.) percorre uma história efetiva (.”. ou melhor.

20 . já que o impulso capitalista para a expansão da produção não está necessariamente ligado a necessidade humana como tal.Da lei de formação da taxa de uso decrescente no capitalismo resulta a linha de menor resistência do capital que leva a produção destrutiva do capital. mas somente ao imperativo abstrato da ‘realização’ do capital . a doar alto significado ao chamado complexo militar-industrial se transforma no agente todo poderoso das contradições do capital em seu processo de desumanização ou inumanização. No dizer de Meszáros “o resultado positivo dessa interação dialética entre produção e consumo está muito longe de ser seguro. A partir do relacionamento com o estado... pela transformação radical da produção genuinamente orientada para o consumo em destruição”.

máquinas.IV. um caráter social. isto é. O trabalho pode ser:  Abstrato. O trabalho produtivo é aquele que se dá no processo de produção de mercadorias. por isso. vivo e pretérito. político. equivale a uma “fábrica capitalista” com um detalhe que as donas de casa não são assalariadas. ser dotado de conhecimento reflexivo e prospectivo com vistas a produzir bens econômicos e serviços para satisfação de suas necessidades (infinitas). um dispêndio da força de trabalho humana pura e simples. é necessário que se entenda a categoria força de trabalho como “atributo dos seres humanos vivos que são mantidos pelo seu próprio consumo de valores de uso. morto ou passado é aquele dispêndio de energia humana acumulada. isto é.. o trabalho privado que as produziu se torna social. incorporada e materializada nos bens de produção. O trabalho vivo é aquele dispêndio de energia humana que se dá no próprio processo de produção de bens e serviços de forma direta pelo vendedor de força de trabalho. Portanto. ainda. que. é transferido ao produto. isto é. abstrato e concreto. nas organizações empresariais ou não. o ser humano foi e é obrigado a trabalhar. equipamentos. etc. Muitos economistas fazem alusão ao trabalho doméstico como produto da mais valia para o capital na medida em que é uma mercadoria específica ou força de trabalho. no processo de produção. a equalização do trabalho como abstrato só ocorre por meio da troca dos produtos desse trabalho. tanto abstrato quanto concreto. O trabalho tem. Em quaisquer circunstâncias. infra-estrutura. capazes de satisfazer necessidades humanas e econômicas. portanto. quando esse mesmo dispêndio tem utilidade. podendo ser: produtivo e não produtivo. em sua essência. logo essa modalidade de trabalho. Para compreensão da assertiva acima. e o não-produtivo é aquele ligado aos meios de distribuição das mercadorias (serviços) e das atividades institucionaladministrativas. sujeito–objeto–sujeito. alguns dos quais produzidos pelo trabalho doméstico”. “trabalho útil”. 21 . capaz de criar ou de doar valor a quaisquer atividades cujo fim seja transformar um bem livre em um bem econômico  Concreto. o trabalho tem sua gênese no processo econômico de produção de mercadorias (produtos e serviços) pela relação ser humano–coisa–ser humano ou. edificações. uma brutal forma de opressão sobre o gênero feminino. cujo resultado é a criação do valor de uso do bem econômico. Os marxistas enfatizam que só por meio da troca de mercadorias (valor de troca). Essa é a razão de o trabalho. O caráter objetivo de um e do outro é puramente social e. no processo de produção. é historicamente. O trabalho pretérito. TRABALHO E ALIENAÇÃO Por viver em sociedade. doar ao produto seu valor e seu valor de uso desde o seu começo pela intencionalidade de produzi-lo.

“o operário se converte em mercadoria tanto mais vil quanto maior é a quantidade de mercadoria que produz. desumanizando-se como parte de sua natureza humana pela falsa consciência de si mesmo. a resumir-se em gastar e recompor sua força de trabalho que foi obrigado a alienar. uma lógica de vencedores x vencidos. “o tempo de trabalho socialmente necessário à produção de qualquer valor de uso sob condições de produção normais em uma determinada sociedade e com o grau médio de habilidade e de intensidade de trabalho predominantes nessa sociedade”.. O ser humano projeta-se e satisfaz-se em seu produto. também. exploradores x explorados. esse processo de alienação do trabalho se expressa por dois modos distintos:  O primeiro. segundo Marx. por natureza livre e consciente. a si próprio. em sua crítica aos clássicos. porque toda coisa é em si mesma outra que ela mesma. A desvalorização do mundo humano cresce em relação direta com a valorização do mundo das coisas”. o ser humano é educado para aceitar o trabalho como essência de sua existência social e não como forma histórica e circunstancial da alienação. porque enfim – e isto vale igualmente para o capitalista – em geral domina o poder inumano”. Afirma. O ser humano não vende apenas sua força de trabalho. Epistemologicamente. Nas palavras de Marx.. o trabalho humano é a principal forma de alienação)  O segundo. pela forma ativa de o ser humano ter que trabalhar (sob esse ângulo. Esse fato transforma sua força de trabalho em mercadoria em contraponto à primitiva propriedade tribal ou comunal onde ela era livre como. Este perde todo o caráter de necessidade humana e a consciência de si. entre a consciência e a consciência em si. entre o objeto e o sujeito”. ainda. ”a economia política oculta à alienação que está na essência do trabalho”. que não é mais seu como não é a sua própria força de trabalho que passa.O conceito de trabalho socialmente necessário é. segundo Marx. em toda sua vida.). passa a ser uma coisa que trabalha e aceita ser educado no trabalho para sua existência. porque o objeto do meu desejo é o bem inacessível de outro e por outra parte. Alienação do trabalho. conquistadores x conquistados. etc. ele. O ser humano. aliena-se ou vendese.) é a oposição entre o em si e o para si. “se manifesta por uma parte porque meu meio de subsistência pertence a outro. “a alienação (. por inteiro tanto pelos processos de trabalho quanto pelo processo de produção de bens e serviços sob a égide do processo de educação que o domestica para a alienação. Todo o processo de alienação do trabalho surge com a invenção ou criação humana da propriedade privada (quando do ponto de vista da ética os humanos perdem sua dignidade na medida em que cria. 22 . À luz desse ponto de vista tanto o trabalho quanto a educação são fatores essenciais do processo de alienação dos humanos. se vê na Amazônia em algumas tribos indígenas. Daí Marx acentuar.

que é o valor que se expande através do processo de produção e da troca. duas delas assumem características especiais:  A primeira é à força de trabalho (geradora de mais valia). O mercado está imbricado à conhecida lei da oferta e da procura. BENS. portanto. a natureza como um todo.). mas.  A segunda é o dinheiro ou moeda. o processo incessante de acumulação de capital. ou. valor de uso e valor de troca. as águas das chuvas. o clima. etc. No âmbito das mercadorias. Os bens podem ser classificados como: bens livres e bens econômicos.V. ou seja. também. quanto pelo trabalho abstrato. ao ciclo de produção-distribuição23     . Já a mercadoria força de trabalho se apresenta na troca em forma de salário. principalmente. Esta pode ser conceituada como a forma que o produto (quando de sua produção) é mediado pela troca e. a família. são mercadorias. ainda. dos serviços e das finanças (títulos. Esta é a essência. que tem o poder de dispor dele e de transferi-lo para outro agente. ações. tem a capacidade de transformar o custo de produção ou valor em preço. valor de uso e valor de troca na medida em que são resultado da intervenção humana na natureza via processo de trabalho com vistas a produzir suas próprias condições materiais de existência. Já os bens econômicos são dotados de valor. como são exemplos: o ar atmosférico. pelo valor de troca. tanto pelo trabalho concreto. o próprio capital se transforma em mercadoria quando tem um preço (a taxa de juros) e é trocado no mercado financeiro. Daí Marx conceituar capital como uma forma da mercadoria-dinheiro que tem fundamento na existência de um sistema de produção de mercadorias e na emergência de forma monetária no valor. os oceanos. estabelece a mediação das diferentes mercadorias no mercado através do preço. Os bens econômicos são também classificados como: Bens de consumo Bens de consumo duráveis Bens de produção ou bens de capital Bens intermediários ou insumos. Os bens livres são aqueles que não têm valor. valor de uso e valor de troca. isto é. Note-se que na conceituação de mercadorias torna-se explícito o próprio conceito de mercado como o lócus onde se procedem as trocas das mercadorias. é propriedade de um agente particular (empresa que é a célula base da atividade econômica). ou seja. Hoje. Claro que esse agente pode ser. não são mercadorias. da empresa e da organização onde se dá não somente o processo de produção. Estas são pela atividade humana dotadas de: valor. pelo trabalho vivo e pelo trabalho pretérito ou material das máquinas. portanto. MERCADORIAS E MERCADO O conceito de bens leva o leitor a meditar que são todas as coisas ou objetos que são úteis e próprios para satisfazerem necessidades humanas. Todo bem econômico é necessário e obrigatoriamente uma mercadoria. etc. que. A mercadoria-dinheiro ou moeda dá origem ao capital.

as sociedades bem-sucedidas reconhecerão e alimentarão em prioridade o virtual e seus portadores vivos. Esta quantidade constitui a demanda solvável por mercadoria”. ou melhor. É notório que a distribuição de renda rege tanto a evolução quanto a retração da oferta e da demanda das mercadorias. Com a chamada “virada cibernética” (anos 1968/70) surge o cibermercado que é mais transparente que o mercado clássico. ou melhor. 34. que convém substituir a noção de consumo pela de coprodução de mercadorias ou de serviços interativos. 2001) “o mercado funciona de tal modo que as empresas são induzidas a produzir cada valor de uso em quantidades não muito diferentes das socialmente necessárias. ele afirma. os conhecimentos tem um ciclo de renovação cada vez mais curto”. ou a virtualização das competências por dispositivos que aumentam a inteligência coletiva. Como a oferta e a demanda não são entidades ou categoria autônomas da economia política o mercado dentro das relações contraditórias entre ambas se torna impotente para ajustar este processo governado por conflitos e incertezas entre as empresas e corporações capitalistas. Segundo Paul Singer (O que é economia? São Paulo. Quanto ao processo de trabalho afirma que “as pessoas não apenas são levados a mudar de profissão em sua vida. como também. mas sua competência. 24 . isto é. também a virtualização do mercado põe em cena a mistura dos gêneros entre o consumo e a produção”.consumo. Assegura. que “o trabalhador contemporâneo tende a vender não mais sua força de trabalho. dois caminhos se abrem aos investimentos para aumentar a eficácia do trabalho: ou a reificação da força de trabalho pela automatização. Assim como a virtualização do texto nos faz assistir a indistinção crescente dos papéis do leitor e o do autor. “os produtos e serviços mais valorizados no novo mercado são interativos. Outro grande paradoxo que se imbrica ao mercado é o do subconsumo e superprodução de bens econômicos que contemporaneamente se manifesta no sistema mundo do capitalismo. das que são desejadas pelos compradores. do mercado e das finanças e do maior mercado do mundo que é o da moeda. em termos econômicos. que pode se atualizar de maneira imprevisível em contextos variáveis”. ainda. Complementa seu raciocínio alegando que “na economia do futuro. uma capacidade continuamente alimentada e melhorada de aprender e inovar. como um todo.” Quanto ao cibermercado. que a produção de valor agregado se desloca para o lado do ‘consumidor’. em nível global. dotados de renda em dinheiro para adquiri-las. Na virtualização da economia. Com efeito. Pierre Lévy (O que é o virtual? São Paulo. Contexto. 2009) trata da desterritorialização da economia. imprevisíveis e contraditórios. Ed. no interior da mesma ‘profissão’. e ela é marcada por conflitos cujos resultados são incertos. Daí a existência das sucessivas crises que envolvem o modo de produção capitalista desde sua gênese até aos dias de hoje. o que significa.

o que no início é valor da força de trabalho ao término é valor produzido por esta força de trabalho em ação. a mercadoria. além de sua remuneração. é apropriado pelo detentor do capital (capitalista). transferidos ao produto. sob condições de abstrato e concreto ou útil. e pelo capital variável expresso pelo salário que o trabalhador recebe na troca ou venda de sua força de trabalho no dito processo. ela própria. pela troca de sua força de trabalho no processo de produção onde o conceito de mais valia ou trabalho não-pago tornase crucial e relevante. sendo humana é criativa por doação do conhecimento reflexivo/prospectivo. por mais justo que se pense que ele seja. Sendo o consumo da força de trabalho o próprio trabalho. toma a forma de lucro. Tanto um como o outro se expressa em dinheiro ou moeda. Tanto o lucro quanto o salário são faces que assumem o trabalho excedente e o trabalho socialmente necessário quando estão sob o jugo do capital. Obtém-se mais valia da diferença entre o valor advindo do trabalho abstrato. Segundo Bottomore. imbricado ao produto. etc. O produto resultante da venda da força de trabalho humana. O sistema em que se inserem não lhes permite possuir outro meio de sobrevivência salvo quando transgridem e apelam para a violência do roubo ou da expropriação de excedentes das pessoas comuns ou daqueles que os escravizam com a ilusão do livre arbítrio de serem livres para trabalhar ou não. “o capital variável é assim chamado porque sua quantidade varia do começo ao fim do processo de produção. Não há. O excedente econômico (sobre trabalho. que é a forma objetificada do trabalho humano. na produção de mercadorias. No modo de produção capitalista. uma troca injusta. A mais valia é a diferença entre esses dois valores: é o valor produzido pelo trabalhador que é apropriado pelo capitalista sem que um equivalente seja dado em troca. em geral. Este é constituído pelo capital constante ou bens de produção. na prática. não são livres para não vender sua força de trabalho. Daí Marx concluir sobre a dupla liberdade que resta ao 25 . em geral. sobre produto. Bottomore em seu “Dicionário do Pensamento Marxista” afirma “os trabalhadores são explorados não em função de uma troca injusta no mercado de trabalho. que é a essência do trabalho não-pago ou da mais valia oriunda do processo de produção de mercadorias e serviços no modo de produção capitalista. os trabalhadores. Ela tem a propriedade específica e única de ser capaz de criar valor. Ela é capaz de produzir um valor adicional jamais pago por um salário. e o valor do capital envolvido em seu processo de produção. mas devido às sua posição de classe que os leva a entrar no processo de produção capitalista no lugar onde a exploração efetivamente ocorre”. TEORIA DA MAIS VALIA Essa teoria se explicita na forma específica pela qual se processa a exploração da força de trabalho sob o modo de produção capitalista onde a “liberdade” da venda da força de trabalho que. já que eles vendem sua força de trabalho pelo valor que ela tem.VI.) advindo do trabalho não-pago (mais valia). no processo de produção. aqui. a força de trabalho tornase. mas o capitalista se apropria dos resultados do trabalho excedente não-pago”.

Já a mais valia relativa é conceituada e explicada pela produtividade do trabalho. Marx. ele mostra a taxa de mais valia ou de exploração à luz do conceito de intensidade do trabalho (aumento. também. Como mais valia absoluta. sobre o trabalho necessário capital variável despendido no mesmo. que é “O capital”. Marx explicita não somente o conceito de mais valia como subdivide ou a diferencia em: mais valia absoluta e mais valia relativa. em uma unidade de tempo. automatização ou robotização no processo de produção de mercadorias. através de sua monumental obra. via mecanização. Esta é expressa pela relação entre o montante ou o somatório do excedente produzido. em geral. ao criar a teoria da mais valia no modo de produção capitalista. substituição de trabalho vivo por trabalho pretérito a partir da inovação tecnológica substitutora de força de trabalho. pela equação: Trabalho excedente Trabalho necessário Horas despendidas pelo trabalho para o capitalista____ Horas despendidas pelo trabalhador para autoconsumo Em sua teoria. no valor total produzido por cada trabalhador. 26 . onde haja necessariamente. chegou a estabelecer a taxa de mais valia. no processo de produção. cujo objetivo é reduzir os custos individuais do capital variável na força de trabalho. por unidade de tempo. ou ainda. sem alteração do montante de trabalho socialmente necessário). do trabalho vivo no processo de produção.trabalhador: “a liberdade de vender sua força de trabalho ou a liberdade de morrer de fome”.

prega uma teoria para os capitalistas. Essa diferença é que faz o valor econômico ser padrão de medida e fundamento científico da economia política. criticada e aperfeiçoada por Marx)  A teoria do valor-utilidade formulada pela escola marginalista de Keynes e seguida pelos neoclássicos. maximizarem os seus proveitos no consumismo e faz à apologética da “sua majestade o consumidor”. dos humanos entre si pelas relações sociais na atividade econômica. O conceito de superestrutura encoberta e conforma as corporações internacionais para a absoluta rapinagem sobre os países 27 . ou seja. Na teoria do valor-trabalho o sentido de valor é doado não pelas relações dos humanos com as coisas ou meio ambiente. É o rei do atual e insustentável consumismo de utilidades e inutilidades econômicas. pela mídia falada. legais e ilegais. assimétricas. como ciência. Em toda atividade econômica de produção. Esse atributo as outras ciências sociais ou humanas não têm. televisiva. nos países chamados desenvolvidos pelas vias da manipulação da vontade do próprio consumidor. o valor utilidade se interessa pela forma como as pessoas experimentam suas necessidades. sim. principalmente. de comparação estatística. de percepção. pelo marketing. cria-se valor que reflete o grau de satisfação ou de atendimento a uma utilidade. de forma sinótica. mas. Por isso. de antagonismo. Essa é a razão que os humanos entre si e o meio ambiente atribuem valor aos objetos e aos serviços na medida em que satisfazem necessidades humanas. desiguais. Galbraith (economista e diplomata Norte americano) em seu livro “O Novo Estado Industrial” cria o conceito de “superestrutura”. cinematográfica e pela Internet. propagandas subliminares e outros procedimentos. Por essa razão. iguais. A probabilidade/possibilidade de quantificação que tem a economia política. de emoções. Pode o leitor indagar sobre o que vem a ser essas duas teorias do valor e quais as suas importâncias? Essa pergunta pode ser respondida. da seguinte maneira. imagem de marcas. pelo tempo de trabalho produtivo (vivo e material) na produção dos bens econômicos. VALOR E SUAS TEORIAS Entre os conflitos teóricos das diferentes escolas da economia política um dos mais importantes é aquele que trata das teorias do valor. Essa polêmica ou conflito apresenta-se pelo fato da economia política diferenciar-se de todas as demais ciências sociais ou humanas pela sua probabilidade e possibilidade de ser quantificada com o cálculo matemático. de cooperação. colocam o consumidor no centro do sistema ou em um pedestal com a apologética da sua soberania. de atitudes. expressam-se de forma qualitativa por relações simétricas. do “mercado sabe de tudo”. Pode-se dizer que a teoria do valor-utilidade parte das relações entre necessidades humanas e os serviços ou objetos que as satisfazem (comportamento subjetivo). etc. São duas fundamentais:  A teoria do valor-trabalho (concepção dos clássicos. isto é. do “rei mercado”.VII. segundo a teoria do valorutilidade. escrita. decorre exatamente da lei do valor seja ela explicada por quaisquer umas das duas teorias.

Em tese a teoria do valor-trabalho trata da transformação de bens livre em bens econômicos. reveladas pela teoria do valor-trabalho que mostra o surgimento do valor a partir da lógica do processo de trabalho no processo de produção. o segredo da sua realização. em conseqüência. mas pela sua doação de sentido. A primeira divisão social do trabalho dá-se. estão imbricadas a outras atividades coletivas. a do valor-trabalho afirma ser ele determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário gasto na produção de cada um deles. O seu valor se expressa pelo produto social da atividade coletiva de toda a sociedade em que vive. como um todo. A teoria do valor-trabalho é histórica e. da propriedade privada dos meios de produção que dá origem aos modos de produção assimétricos. Vale salientar que as duas teorias. Uma análise acurada de ambas as teorias mostra a teoria do valor-utilidade como a-histórica pelo princípio de ser a atividade econômica sempre idêntica. Outrossim. Tanto. Enquanto a do valor-utilidade o entende como somatório de cada um dos bens segundo mudam as preferências. principalmente dialética. Essa objetividade do valor pode ser medida e qualificada. A teoria do valor-trabalho explicita a lógica que regula o processo de produção em cada modo de produção em função da correspondência das forças produtivas com as relações de produção e sua infraestrutura humana.pobres. Para sua lógica todo e qualquer indivíduo que esteja desempregado é porque preferem o ócio à pequena remuneração que pode auferir em atividades outras de baixa remuneração ou biscates. expectativas e gostos. Toda ampliação e amplificação da atividade econômica são. Naquela época os humanos tinham um “dominante” ou líder que poderia ser um homem grande ou um grande homem. portanto. atividades particulares que as pessoas fazem ou produzem. todo trabalho que não é socialmente necessário não tem valor. isto é. A forma como se exprime mascara sua utilidade. têm enfoques diferentes quanto ao produto social. ou seja. não somente por definição. A economia dos países hegemônicos é comprovadamente insustentável. de inutilidades econômicas geradas pelo sistema. O produto do trabalho e sua utilidade não falam da condição de o humano ser escravo ou livre para produzi-lo. A teoria do valor-trabalho parte da idéia da economia ou atividade produtiva ser essencialmente coletiva e jamais individual pelo corte transversal da divisão social do trabalho. Revela. com a criação da agricultura e. 28 . principalmente. Claro que há na economia. Não vêem que a natureza é violentada e que tende a dar respostas indesejáveis pelo consumismo de utilidades e. Essas e outras atitudes inconseqüentes são divulgadas e propaladas pela mídia como se a economia política global fosse capaz de sustentar o consumismo exacerbado dos países cêntricos a custa dos países pobres. que o sujeito é produtor social como indivíduo inserto na divisão social do trabalho nos diferentes modos de produção surgidos na história da humanidade salvo no comunismo primitivo ou tribal onde todos os humanos eram coletores e caçadores sem que houvesse quaisquer divisões sociais de trabalho. no processo civilizatório. logo todo valor é resultado de um trabalho humano. em discussão. no conjunto da humanidade. isso é verdade que um professor ou outro qualquer profissional liberal têm suas funções reconhecidas na medida em que existe outra atividade coletiva decorrente da divisão social do trabalho. sem que haja a extorsão e o saque das economias dos chamados países emergentes periféricos a eles. Tende a justificar a manipulação econômica pelos reflexos condicionados e serve para escamotear e ocultar a exploração do trabalho ou do “homem pelo homem”.

a microeconomia.A categoria econômica de excedente econômico é. O sacrifício de poupar é compensado com uma remuneração que é chamada de taxa de juros. a economia da firma. Sua visão é macroeconômica. Tal procedimento dos defensores do valor-utilidade talvez negue o valor-trabalho com o propósito de escamotear. por exemplo. O mais importante é que a teoria do valor-trabalho explica a evolução do excedente econômico-social pelo incessante crescimento da produtividade do trabalho. negar. Para a teoria do valor-trabalho o excedente social é fixado e medido de acordo com o tipo de sociedade que se analisa. complexa e holística na medida em que trata a economia política como um todo e não pelas suas partes como. ou seja. é essencialmente histórica. 29 . encobrir e difamar a luta de classes. Para a teoria do valor-utilidade é a renúncia do consumo imediato em favor de um consumo futuro denominado poupança. embora a recíproca não seja verdadeira pela bruta incoerência do valor-utilidade que é essencialmente niilista quando defendida pelos seguidores da escola marginalista. enfocada diferentemente por ambas as teorias. a alienação do trabalho e a exploração do capital dos capitalistas sobre os trabalhadores em geral. também. A teoria do valor-trabalho incorpora na sua lógica importantes contribuições da teoria do valor-utilidade sem sacrificar a sua coerência.

É isso que eu analiso. Para melhor explicar os processos de trabalho ou as lógicas da produção busca-se de forma didática explicitar-se o conceito de mais algumas categorias da economia política. e. “É uma forma bem mais desenvolvida e complexa que o valor de uso” no dizer de Fossaert. “o valor de uma mercadoria expressa à forma histórica particular do caráter social do trabalho sob o capitalismo. A produção de mais valia estar no cerne do sistema: qualquer capital que emprega 30 . Outrossim. o capital e a própria dinâmica dos modos de produção pré-capitalistas. o dinheiro. nem o seu conceito podem unificar perfeitamente. entretanto. Através de uma análise mais aprofundada deste último. com toda sua essência. nas sociedades em que a troca não existe ou se dá de maneira muito rudimentar. Sem dúvida. verifico a essa altura que ele é. É o fundamento de toda e qualquer concepção que se ajusta para explicar a produção de mercadorias e. também não a partir do ‘conceito de valor’. no Vietnã e em Cuba. mas uma relação social entre pessoas que assume uma forma material específica sob o capitalismo. ou sejam:  Valor. Parto da mais simples forma social na qual o produto do trabalho na sociedade contemporânea se manifesta. por um lado. as rendas. na forma em que ele aparece.. na Coréia do Norte.VIII. nos diferentes modos de produção. enquanto dispêndio de força de trabalho social. em primeiro lugar. para estar seguro. Este é equalizado ou mediado pelo valor de troca podendo ser trocado em quaisquer transações mercadológicas. O valor não é uma relação técnica. e. que é portadora de valor de troca desse ponto de vista. Ora. principalmente. sem. VALOR E PROCESSOS DE TRABALHO Na visão dialética marxista a teoria do valor-trabalho não só designa os efeitos e as lógicas sociais da produção (pondo em causa toda estrutura econômica da sociedade). Marx faz o seguinte resumo: “não percebo a base de ‘conceitos’ e. portanto aparece como uma propriedade dessa forma”  Valor de uso. É a mais simples forma do valor e que aparece. As lógicas da produção. o valor de uso estar presente em todo e qualquer bem econômico em função da utilidade que cada produto possui. ainda segundo Fossaert “torna-se uma função social ambígua: persegue três fins distintos que nem a sua prática. uma coisa de valor de uso e. no âmbito mundial ou internacional. A produção de objetos úteis. a produção de lucros e a produção de mais valia (que formam) três círculos excêntricos que girariam indefinidamente sem jamais poderem coincidir. segundo Bottomore. como tal. um modo independente de manifestação do valor contido na mercadoria. o valor de uso circula. Em seguida abordo a análise desse valor”. mas também.. Sobre essa categoria. capitalista e socialista de estado em vigor na China. que é a ‘mercadoria’. por outro lado. a quantidade de valor de troca a ele incorporado varia de uma a outra mercadoria qualificando todas indistintamente na medida em que assume um valor que exprime o tempo de trabalho socialmente necessário. interpreta os fenômenos manifestos no mercado. Podem eles ser os preços. em sua forma natura. Sob essa forma cada produto conserva as suas características aparentes. portanto. entretanto. Para Marx. se concretizar como forma propícia à depuração das trocas  Valor de troca. descobri que o valor de troca é apenas uma ‘forma de aparência’. os termos das trocas no âmbito do país e.

quando o valor de troca se realiza. ou economia nacional  Sistema apresentado em e enriquecido pela regulação. (. explícita na seguinte imagem: Uma suficiente coordenação das atividades sociais em jogo    Dinamizar a aplicação da ciência à produção Ajusta a formação da mão de obra às necessidades da produção Regulariza os mercados oferecidos a cada produção singular Não inibida pelos acasos dos mercados Dinâmica dos meios de trabalho m demanda q Dinâmica da organização do trabalho Dinâmica da qualificação do trabalho Produtividade do trabalho Segundo Fossaert “a intensidade do trabalho (que não deve ser confundida com sua duração) é a qualidade do esforço feito em dado tempo. numa produção e com um equipamento determinado (. pela ciência e pela formação do trabalhador.) Designa a qualidade do esforço físico e nervoso exigido do trabalhador. permanecendo iguais os demais fatores.. no conjunto da economia de um país e ir além do horizonte econômico que comanda a produtividade do trabalho. assinalar as formas da organização concreta dos processos de trabalho. ou seja... não é convertida em lucros efetivos. nos diferentes modos de produção. c. “Os capitais empregados na centralização dos capitais (bancos) participam da partilha da mais valia. ainda segundo Fossaert: Trabalho isolado Trabalho coletivo Trabalho coletivo concreto ou oficina  Sistema de trabalhos coletivos organicamente ligados numa mesma empresa ou num mesmo grupo  Sistema dos trabalhos coletivos acima citados (b. Entendidas essas breves considerações pode-se. isto é. agora. na mesma qualidade que os capitais empregados na produção em que essa mais valia se cria”. d) sujeitos ao domínio de um mesmo estado. da mais simples a mais complexa. Mas a mais valia não é realizada. sinoticamente.. Essa abordagem permitiu Fossaert analisar detalhadamente cada um desses processos de trabalho.trabalho assalariado na produção de mercadorias assegura produção como essa. que se possam distribuir ou reinvestir..) A dialética da intensidade e da produtividade do trabalho é mais íntima que aquela que 31 . senão a partir do momento em que as mercadorias são vendidas”.

a guerra dos ricos contra os pobres. gratuitas oferecidas pelo estado ou por ele subsidiada. de qualidade e intensidade médias. Assim a lógica do valor de troca impele ao aumento incessante da produtividade do trabalho”. Essa é a razão pela qual a burguesia coloca. Fossaert mostra que “o tempo de trabalho socialmente necessário. Contemporaneamente. em geral. desde a origem. hoje. A regulação e regulamentação desse processo não têm preço observável pelo dono do capital na medida em que aquelas formações são. como um todo. se definirá como o tempo do trabalho vivo. È sabido que não há relação entre os impostos pagos pelos capitalistas e os ganhos da produtividade e da intensidade do trabalho que eles obtêm das atividades sociais estranhas à produção e que os impostos financiam. segundo 32 . Através dela qualifica e renova os meios e instrumentos de trabalho (cuja obsolescência é cada vez maior na sua utilidade) e cada vez mais modernos e revolucionários. hoje privatizada pelo sistema mundial de patentes. Contribui para esse fato a formação técnica e científica de minorias da população e a ciência. sem dúvida. Na lógica de valor de uso tem-se que a eficácia do trabalho é o resultado de sua duração e intensidade e a produção dotada de pequena variação na produtividade do trabalho. Por conseguinte. LÓGICAS DO VALOR Retomando as lógicas do processo de produção e dos processos de trabalho inclusive da eficiência do trabalho definida pela intensidade versus produtividade do trabalho procede-se. a produtividade do trabalho que. Em conseqüência há um aumento cada vez maior da exclusão social ou substituição do trabalho vivo pelo trabalho pretérito pela via da valorização do capital em detrimento do trabalho humano (trabalho vivo).une esses dois fatores à duração do trabalho e a separação analítica desses diversos fatores corta necessariamente uma unidade viva”. entra em progresso rápido. centralizado e concentrado). no sistema mundo do capitalismo. do valor de troca e do valor desenvolvimento conforme conceitua Fossaert. passa a valer os movimentos de resistência internacional para fazer frente à rapina dos detentores do capital financeiro na medida em que os sindicatos pouco ou nada influenciam na contradição trabalho (descartável e local) versus capital (mundializado. em forma de síntese. divulgada e apregoada com o epíteto de competitividade. Na prática o custo da formação técnica-científica resulta de impostos resultantes da mais valia de todos os demais trabalhadores. O ascenso do movimento operário acaba por impor o teto da duração do trabalho e por conter mais ou menos a intensificação do trabalho. No dizer de Fossaert “a rentabilidade econômica e a oportunidade política limitam o domínio que o capital pode conquistar numa sociedade dada. as lógicas do valor de uso. Dessa maneira a lógica do valor de troca encobre aquilo que promove a força produtiva do trabalho social no mundo contemporâneo. Já na lógica do valor de troca que é competidora e abrangente atinge tanto a duração e intensidade do trabalho quanto a sua produtividade. cinicamente. IX. via capitalistas de toda ordem com os ganhos da produtividade do trabalho. todo o movimento sindical na contramão da história. Do ponto de vista da análise do metabolismo do capital tal fenômeno leva. a nível mundial. que é posto em ação. que determina o valor de troca de um produto qualquer. acaba por tornar-se o principal senão o único fator de crescimento da produção.

acompanha-se necessariamente de um efeito em retorno. A tomada em conta sistemática. nenhuma atividade social é totalmente estranha à produção dos valores de uso – bens e serviços – que valor desenvolvimento libera de valor de troca e ressenta sobre seu objeto primordial”. tecnologicamente adaptada modifica. Após afirmar que “a humanidade sairá da lógica do valor. benéfico para a formação: valor desenvolvimento ajuda a explicitar as adaptações que a produção e as demais atividades sociais devem sofrer para que a formação consiga qualificar melhor os homens”. procede-se. o valor de troca une um quantum de trabalho e um conjunto de qualidades sociais médias que distinguem o trabalho socialmente necessário em termos de sua quantidade e do seu qualificativo. Portanto. uma organização do trabalho de eficácia média. a eficácia da força produtiva social. a máquina cuja idade. isto é. por saltos qualitativos. porque cada inovação científica. sua aptidão para produzir mais. A ciência e a tecnologia como as mais sólidas formas de geração de riquezas. pesquisa e regulação  Indução da produção de valor de uso quando nos períodos de crise ou quando a produção de valor de troca estabiliza ou regride. a suposição de “que a 33 .entre o capital e o trabalho é a de cada um dos capitalistas com os seus trabalhadores”. a produção perde as suas fronteiras. e que se aplica a objetos e meios de trabalho que são por sua vez de qualidade média. O corolário político dessa lógica é. na lógica do valor desenvolvimento.fundamental . A formação aparece. como outro ramo da produção que assegura. dessa função produtiva da formação. por saltos descontínuos. Para finalizar esses breves comentários sobre a lógica do valor. quando nenhuma coerção e nenhum cálculo serão mais necessários para garantir a produção de tudo àquilo de que ela tiver necessidade” ele assegura: “na lógica de valor desenvolvimento. agora. produzir melhor e produzir novos valores de uso. em valor desenvolvimento. caracteriza e põe em discussão essa modalidade de valor em acréscimo àquelas contextualizadas por Marx. o ajustamento da oferta de mão de obra às necessidades de todos os ramos da produção e de todas as demais atividades sociais. Toda essa lógica confirma a assertiva de Marx segundo a qual “a relação geral. apresentadas. Para ele o valor desenvolvimento é uma síntese das três lógicas do valor. segundo ele. A rigor. por um movimento contínuo. aqui. o que assegura. Ele conceitua. Progresso que se opera por saltos qualitativos. ele apresenta a seguinte lógica para o valor de troca: Valorização do capital ao qual a produção está subordinada  Impedimento à extensão dos trabalhadores efetiva pelo sistema capitalista. aparecem na lógica do valor desenvolvimento “como principal ramo da produção. o custo que resta amortizar e os desempenhos podem ser considerados como médios na produção em tela”. Em resumo. por exemplo. Essa modalidade de valor incorpora o tempo de trabalho socialmente necessário efetivamente pago pelo capitalista e efetivamente gasto no conjunto da sociedade. segundo ele. o progresso dos demais ramos. a contextualização sobre o que vem a ser valor desenvolvimento e sua lógica no pensamento de Fossaert. ao prolongamento da jornada do trabalho e à intensificação do trabalho  Aumento incessante da produtividade do trabalho e aumento da mais valia relativa no total da produção  Aumento das forças produtivas sociais ou do capital social básico via formação.

A produção define-se como. Produtos reais Prestação de trabalho VT Valor de Troca Mercadorias Mais-valia VD Valor de Desenvolvimento Produto social Excedente socialmente regido Crescimento canalizado Forte dependência da natureza.. moderar o uso dos recursos escassos.. Vale lembrar que na sua contextualização sobre a lógica do valor desenvolvimento ele explicita que ela não implica no fim da exploração do homem pelo homem ou da alienação do trabalho. pelo consumismo nas sociedades chamadas desenvolvidas com maciças produções de lixo. com as três lógicas do valor e. entulhos e resíduos e pela poluição desenfreada e descontrolada..... Especula ou teoriza que a hipótese de valor desenvolvimento está imbricada aos modos de produção estatal-capitalista e estatal-socialista. domesticação e degradação da natureza Circunscrito pelas informações recebidas pelos preços mercantis e pelos impostos Produção de lucros Produção de lucros Segundo a forma uniformizante do mercado Ampliado à tomada em consideração de todos os custos expostos em todas as atividades sociais Produção proporcionada de valores de uso (bens e serviços) Produção proporcionada de valores de uso (bens e serviços) Segundo uma regulação coordenadora de formas 34 . com a síntese de suas pesquisas sobre os modos de produção com suas respectivas lógicas do valor... o segundo. O horizonte econômico é.sociedade se organize de modo que possa escolher a parte das atividades dos homens que é preciso dedicar – ou sacrificar – à produção e que. ainda. Fossaert entende que. organizarem a produção de sucedâneos apropriados. “pertence à lógica de valor desenvolvimento controlar esses riscos. em particular contra sua biosfera. isto é.. Explicita. crescimento nulo ou fraco e aleatório Delimitado pelos ciclos naturais ou bélicas Produção de produtos materiais Produção de produtos materiais Segundo grande variedade de formas não- Crescimento explosivo assinalado por crises. Apenas inaugura ou aponta para essa possibilidade não fazendo dela uma necessidade na medida em que a exploração está imbricada ao próprio metabolismo do capital.. reorganizar a relação entre a sociedade e a natureza. O primeiro. uma vez feita a escolha.. O excedente ou sobretrabalho manifesta-se sob forma de. que o valor desenvolvimento é uma hipótese que inspira a definição e conceituação da teoria do valor-trabalho às formas fundamentais das relações de propriedade. uma organização conveniente se esforce por maximizar a eficácia do tempo de trabalho dedicado à produção”... A capacidade de desenvolvimento econômico assinala-se por. Nos debates sobre a exaustão dos recursos naturais pela violência que se comete contra a natureza. Para melhor ilustra o conjunto de suas idéias apresenta-se dois quadros sinóticos por ele elaborados. conter e eliminar as poluições”. As trocas organizadas. AS TRÊS LÓGICAS DO VALOR VU Valor de Uso O valor se concretiza em. O trabalho apresentase como.. desvio das necessidades.

Legenda: VU – Lógica do valor de uso VU–VT – Transição de VU a VT VT – Lógica do valor de troca VT–VD – Transição de VT A VD 35 .mercantis variáveis MODOS DE PRODUÇÃO E SUAS LÓGICAS DO VALOR VU VU-VT VT VT-VD MP1 MP2 MP3 MP4 MP5 MP6 MP7 MP8 O O O O O O O O MP9 MP10 MP11 MP12 MP13 MP14 MP15 MP16 VU VU-VT VT VT-VD O O O O VD .Lógica do valor de desenvolvimento. O O O O Convenções: MP1 – Comunitário MP2 – Tributário MP3 – Antigo MP4 – Camponês MP5 – Artesanal MP6– Capitalista mercantil MP7 – Escravista MP8 – Servil MP9 – Latifundiário MP10 – Capitalista MP11 – Cooperativo MP12-Estatalcapitalista MP13 – “Colonial” MP14-Escravista concentracionário MP15 – Estatal socialista MP16 – Novo modo de produção socialista.

o capital pode. capital é um bem econômico que pode gerar um fluxo de renda para seu dono. o capital é uma relação coercitiva que aparece como coisa.X.) o capital não é uma coisa. segundo ele. sob condições históricas específicas da sociedade capitalista. devem se tornar inteligíveis em termos das determinações material-estruturais das quais emergem as várias possibilidades de intervenção pessoal no processo de reprodução social”. e não meramente um direito de controle legalmente codificado. Daí se considerar a terra ou propriedade fundiária. Ainda. bem como. na economia política vulgar. ainda em sua vulgaridade.. Em resumo. pertencente a uma formação histórica particular da sociedade. aplicação financeira.3 cap. Essa é a razão de em sua obra “O capital v. ser caracterizado como capital constante e capital variável. o direito de exercer controle sobre a produção e a distribuição seja ‘constitucionalmente’ atribuído a um número limitado de indivíduos. junto com as modalidades concretas de sua superação. A expressão. pode ser entendida como qualquer bem de qualquer natureza que possa ser usado como fonte de renda. mas uma relação de produção definida. pagamento de juros e ou participação no lucro. seja ela mercadoria ou dinheiro. CAPITAL E CRÉDITO Em sua forma mais vulgar. XLVIII” Marx afirmar: “(. Isto é verdadeiro independentemente do fato que. Na forma de dinheiro compreende a mais valia (trabalho não-pago) acumulados no passado histórico dos modos de produção e apropriados pelos capitalistas no presente. “a questão da dominação do capital sobre o trabalho. taxa de retorno. Ainda. investimento. que se configura em uma coisa e lhe empresta um . na lógica de Marx. Confunde-se com: riqueza. Em “Para além do capital” Meszáros diz que “na realidade o capital é. etc. como por exemplo:  Capital fixo  Capital circulante  Capital comercial  Capital industrial  Capital agrário  Capital mercantil  Capital financeiro  Capital volátil ou capital especulativo  Capital fictício. essencialmente um modo de controle. ele próprio. na forma de direitos hereditários de propriedades bem protegidas pelo Estado”. um conhecimento especializado como capital humano.. para entender-se o que vem a ser mais valia e a composição orgânica do capital. uma casa como capital. são conhecidos muitos epítetos de capital. que é a relação entre o capital constante sobre o capital variável somado a mais valia. O capital não é uma coisa. do ponto de vista de Marx. Independentemente dos epítetos supracitados. mas uma relação social que toma forma de coisa no processo de produção onde se reproduz.

também. e sobretudo. por isso. Não são apenas os produtos dos trabalhadores transformados em forças independentes – produtos que dominam e compram de seus produtores – mas também. que o imposto ou o tributo precedem a moeda antes mesmo dela mediatizar o valor de troca das mercadorias. sempre foi compulsoriamente recolhido da . o Banco Central criou o Sistema Especial de Liquidação e Custódia . de um dos fatores de um processo de produção social historicamente produzido”. portanto.SELIC com o objetivo de tornar transparente e segura a negociação dos chamados títulos públicos. uma parte fixa das receitas tributárias de um país.. A moeda está ligada ao crédito. (.. Estamos. em virtude dessa antítese no capital. se apresenta como um recolhimento compulsório que é sempre seguido de despesa. Quando o devedor paga por algo. as forças sociais e a (. O crédito é. Para melhor inteligibilidade vale. que é parte da mais valia que surge no uso do dinheiro para o processo de acumulação incessante do capital. diante de uma determinada forma social. o vendedor ou detentor de dinheiro ou outra mercadoria concede um crédito a um comprador. Note-se que nos sistemas modernos de crédito os débitos podem se compensar uns aos outros sem a presença ou intervenção do dinheiro. estabelecem um valor de capital para ela em relação à taxa de juros sobre empréstimos. e. à primeira vista muito mística. Ambas as categorias articulam a estrutura econômica da sociedade pela circulação do valor do qual são os principais instrumentos.) forma desse trabalho. que se apresentam aos trabalhadores como propriedades de seus produtos. Reduz os custos de manutenção do valor do dinheiro e acelera a rotação do capital. Sabe-se. que se confronta com a força de trabalho viva enquanto produto e condições de trabalho tornados independentes dessa mesma força de trabalho. e ambos estabelecem uma nova relação. após a criação das cidades.. transferindo dinheiro. em 1979. dos feudos e dos estados nacionais.. No Brasil. os mercados financeiros tratam à dívida pública como se fosse um investimento produtivo. moeda e sua relação com o estado. que são personificados. Pelo crédito cedido por um vendedor de mercadoria (dinheiro) a um comprador. aqui.caráter social específico. nessa mercadoria. A SELIC identifica a taxa de juros que reflete a média de remuneração dos títulos federais negociados com os bancos ou sistema financeiro. tem-se.) São os meios de produção monopolizados por certo setor da sociedade. que não corresponde a um investimento de capital e representa. estabelece-se na relação credordevedor a categoria de juro. pois a substituição do dinheiro na circulação de mercadorias e na transferência de valor. Determinadas formas o crédito se confunde com o que se convencionou chamar de capital fictício. O imposto ou tributo. apenas. no caso. fazerem-se breves considerações do que vem a ser imposto. como credor e devedor até que a promessa de pagamento seja cumprida. Outrossim. Outro exemplo de capital fictício é a dívida pública. como é sabido. Já o crédito é a promessa de pagamento futuro de um tomador de moeda pela cessão de uma capacidade de compra de uma pessoa ou organização que disponha ou empreste dinheiro. em todas as épocas. Nesse caso. seu papel de meio de pagamento. no mercado. O imposto e o tributo por ser um conjunto de recursos que. que são as ações das empresas compradas e vendidas nas bolsas de valores.

nutre o estado que se torna o principal redistribuidor da chamada renda nacional. Foi pela multiplicação das trocas que a moeda passou a desempenhar o papel de equivalente universal em todas as relações de trocas e assumiu a forma dinheiro do valor. . O acompanhamento do crédito pelo capital mercantil. com a junção da moeda com o crédito. implicou no aparecimento de um novo poder social que é o banco e. o imposto ou tributo. conseqüentemente. Por essa razão a moeda passou a ser o mais líquido dos títulos financeiros. ainda. recolhido pelo sistema fiscal. Naquelas sociedades onde prevaleceu ou. via moedas. Essa é a razão pela qual a receita e a despesa fiscal são os principais instrumentos dos estados para ajustar a economia nacional. o sistema financeiro para equilibrar dívidas por créditos entre as empresas e as pessoas.sociedade. prevalece à troca de mercadorias.

expresso em unidades monetárias. São dotados de atitudes e comportamentos ativos que crescem a partir da inovação .XI. de uma forma sistemática. portanto. Assim. comercial. realiza a total comensurabilidade dos meios e dos fins da atividade econômica a partir da empresa que. em sua complexidade. a uma atividade de criação de excedentes. vai se expressar na principal força motriz do capitalismo. EMPRESA CAPITALISTA Ao consultar um bom dicionário certamente se encontra um conceito de que empresa é. comprar e vender bens econômicos. contém em si. o empresário e a empresa não se adaptam passivamente ao mercado e às regras e leis pré-estabelecidas. a empresa tem sua gênese no processo histórico da evolução humana. civil. sob sua absoluta responsabilidade. vale doar sentido ao termo empresário que pode ser definido como aquele ente humano (ou grupo de entes humanos) que a partir da riqueza ou de capitais seus ou emprestados. toda natureza e essência do modo de produção capitalista na medida em que tem imbricado o processo de produção de bens econômicos (riquezas) ou de serviços. nela totalmente mensurável. Essa é a razão pela qual a racionalidade da empresa capitalista tem um caráter privado e não-social quando não serve a quaisquer objetivos que envolvem a totalidade da atividade econômica da sociedade. Por isso mesmo Lange aponta que: “a tendência para uma economia de pilhagem de força de trabalho e das riquezas naturais resulta do fato de a empresa capitalista não ter em conta a necessidade social da produção. para gerar excedentes. o que é a conseqüência do caráter específico das relações de produção capitalistas”. em geral. por ser complexa. anteriormente. a empresa é a célula base da atividade econômica e. do ponto de vista da economia política. Igualmente. Assume os riscos de seus atos e. toma decisões de produzir.) A empresa capitalista distingue-se pelo fato de os meios materiais que possibilitam a atividade criadora de excedentes (os meios de produção. Por força metabólica do capital. nem da força de trabalho. é o dono do lucro ou prejuízo advindo da atividade que se dá na empresa. que acontece a necessidade de acumulação incessante de capital a partir da impiedosa necessidade da maximização e da otimização do lucro que a leva à categoria do poder muita das vezes do hedonismo econômico. Viu-se. É na atividade econômica da empresa. Na forma como se conceitua a empresa. os meios de distribuição ou todos os outros meios que prestam serviços) constituírem propriedade privada de uma pessoa ou de um grupo de pessoas (os capitalistas) que ajustam trabalhadores assalariados”. (. empreendimento para realização de um objetivo. ou organização econômica. Sem dúvida. nem das riquezas naturais.. logo está inserta no princípio da racionalidade metabólica do capital. como forma de uma atividade econômica com vistas a gerar ou criar excedentes.. que é o lucro. Segundo Lange. “a empresa é um conjunto de humanos que se entregam. constituída para explorar determinado ramo ou negócio a oferecer ao mercado bens ou serviços econômicos. que o modo de produção capitalista transforma a mercadoria força de trabalho em elemento de preço de custo (valor).

O conceito de riqueza está imbricado ao de utilidade na medida em que todo bem econômico (oriundo do processo de produção empresarial) é realizado para atender necessidades humanas ou econômicas segundo os marginalistas.. da técnica contábil. do controle.. os seguintes epítetos para a empresa capitalista: Capital aberto Capital fechado Economia mista Estatal Multinacional Transnacional Pública Prestadora de serviços Sem fins lucrativos Fantasma Individual Limitada Anônima Cooperativa Sociedade comandita simples Sociedade capital indústria Sociedade comandita por ações Sociedade economia mista Sociedade civil sem fins lucrativos Fundação de direto privado Sociedade civil comunitária Estrangeira Física Laranja. dos atos de participação.. o planejamento estratégico é muito necessário e aplicado na empresa capitalista. Dificilmente. em conseqüência. mas uma criação de utilidade”. Vale advertir ao leitor ou ao pesquisador que o tratamento disciplinar ou compartimentalizado da empresa levou-a para campos do pensamento linear ou cartesiano. Também. da engenharia de produção. É tratada de forma estanque e nãosistêmica pela microeconomia (teoria da firma) ou da economia da empresa sob o ponto de vista da ciência da administração. dos sociólogos e dos juristas. É na empresa que se dá o processo de produção e de acumulação incessante de capital e. da diferenciação dos produtos. não é em absoluto uma criação de matéria. Nesse contexto foi que Say concluiu que “a palavra produção em economia política. A utilidade é. medida pelo valor de troca ou pelo preço da mercadoria. entre outros. etc. portanto. da pressão sobre a clientela. dos psicólogos. para se realizarem no lucro e no poder que movem o sistema do capital. a empresa (célula base da atividade econômica) não é tratada à luz da economia política. o ledor ainda encontra. Voltando ao dicionário. tem-se um estudo que trate da empresa .                        tecnológica. Hoje. o conhecimento da natureza da riqueza e do capital.

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capitalista de forma a se ver nela a totalidade do sistema mundo capitalista ou do metabolismo do capital a partir de suas contradições, particularmente daquelas referentes à: Produção e consumo Produção e distribuição Produção e controle. A empresa é a entidade que transforma dinheiro em capital nos circuitos: dinheiro–mercadoria–dinheiro e, ainda, mercadoria–dinheiro– mercadoria, onde a mercadoria força de trabalho está sendo vendida em troca de salário. Na qualidade de empresa transnacional, a partir da revolução mundial de 1968, o vínculo existente entre os detentores do capital da empresa e o estado, que defendem seus interesses, no sistema mundo do capitalismo, a internacionalização do capital tem como resultado a ambigüidade da nacionalidade dos capitais. Seus interesses se tornam tão complexos que inviabilizam, ou desconstroem o estado nacional. É na empresa capitalista que se realiza ou se reifica a alienação do trabalho. No seu livro “As conexões ocultas, São Paulo, Cultrix” 2002, Fritjof Capra, tratando das metáforas da administração das organizações, distingue cinco importantes segmentos das empresas modernas: primeiro, a empresa como máquina voltada para a eficiência e o controle do capital via lucro e poder; segundo, a empresa como organismo para o desenvolvimento e a adaptação; terceiro, a empresa como cérebro, isto é, dotada de aprendizagem organizativa; quarto, a empresa como cultura, ou seja, imbuída de valores, crenças e ética, e, quinto, a empresa como sistema de governança frente aos conflitos de interesses (lucro e poder). Em seus estudos sobre os segmentos supracitados, Capra conclui por sugerir “que para superar a crise os administradores precisam mudar suas prioridades, de administrar empresas a fim de otimizar o capital para administrar empresas a fim de otimizar pessoas”.

XII. EXCEDENTE ECONÔMICO E ACUMULAÇÃO DE CAPITAL De maneira geral, na economia vulgar, entende-se como excedente econômico a parte da produção que não é absorvida pelos custos ou gastos necessários à mesma daí os conceitos de imput e output (entradas e saídas de insumos de produção) dados pelos economistas norte-americanos ao processo de produção de mercadorias. Do ponto de vista da escola neoclássica ou marginalista o excedente econômico identifica-se como poupança ou todo e qualquer rendimento recebido por uma entidade (família, empresa, governo) que não é consumido. Segundo Keynes, o montante de rendimento em relação às necessidades normais de consumo é o elemento básico e essencial para explicar a poupança. Do ponto de vista da economia política marxiana, o excedente econômico é o resultado do sobre trabalho ou sobre produto oriundo da mais valia no processo de produção de mercadorias, dai as utilizações possíveis da mais valia em produtiva e não-produtiva. As formas de aumentar o excedente econômico se dão, pois, pela produção:  De mais valia absoluta, quando aumenta o montante de trabalho humano gasto durante o ano sem se aumentar o salário ou pela intensidade do trabalho  De mais valia relativa pela existência da produtividade do trabalho, ou seja, inovação tecnológica no processo de produção de tal forma que haja substituição de trabalho vivo por trabalho pretérito para a confecção de determinado produto por hora de trabalho. Essa foi à razão de Marx ter conceituado a taxa de exploração pela proporção entre o trabalho vivo (capital variável. A mais valia (mv) dada pelo quociente mv/v, que explica a mais valia absoluta, pela intensidade do trabalho ou mais valia relativa, pela produtividade do trabalho. Vale salientar que o capitalismo não suporta um excedente econômico “excessivo”, sob pena de promover conflitos bélicos mundiais na medida em que necessita de investimentos destrutivos através de corridas armamentistas para sustentação dos países hegemônicos ou capitalistas chamados adiantados. Já a acumulação incessante de capital é o processo pelo qual uma parte do excedente econômico é convertida em novo capital que se soma ao estoque anterior de que a sociedade é possuidora, ampliando sua capacidade de produção. Na prática da economia política, existem duas abordagens sobre a acumulação de capital: a primeira é a marxista, que coloca a acumulação do capital em duas partes da mais valia, isto é: a mais valia consumida oriunda do capital variável e a mais valia acumulada, que se dá com a reprodução ampliada do capital. Segundo Rosa Luxemburgo, envolve dentro do sistema do capital parte não-capitalista, como são os gastos militares, que não são produtivos, mas criam a demanda necessária a mais valia acumulada se realize. A segunda abordagem é a marginalista, que depende de dois fatores: da eficiência marginal do capital e da taxa de juros, entendendo-se o primeiro fator como perspectivo de rendimento de investimento novo que se

localiza num acréscimo ao estoque de capital já existente. Já o juro passa pela renda auferida com o grau de risco que o crédito ou empréstimo implica. Daí Keynes deduzir que o investidor ou acumulador de capital sempre compra a eficiência marginal do capital (renda almejada) com a taxa de juros desprovida de riscos para seu investimento. No que toca à empregabilidade oriunda do processo de produção incessante de capital, Marx conclui: “o mecanismo da produção capitalista e de acumulação adapta continuamente esse número (de trabalhadores) e essas necessidades (de expansão de capital). O começo desse ajustamento é a criação de uma superpopulação relativa ou de um exército industrial de reserva, e o fim a miséria de camadas cada vez maiores do exército ativo e o peso morto do pauperismo”. Comprova essa assertiva de Marx a forte exclusão social, hoje, promovida pelas empresas transnacionais e vivida assimetricamente por todos os cidadãos do mundo, principalmente nos países pobres. Igualmente, tanto na abordagem marxista quanto na marginalista keynesiana, o estado joga um dos mais importantes papéis no processo de acumulação incessante de capital na medida em que no sistema mundo do capitalismo é ele que regula o nível da acumulação e da empregabilidade do sistema. É o estado que mediante gastos não-reprodutivos faz com que a mais valia não consumida pela empresa capitalista seja realizada e convertida em mais capital regulando inclusive quem deve dela se apropriar. As políticas econômicas: cambial, fiscal, monetária, salarial e de juros servem para tal fim. No Brasil, por exemplo, são os banqueiros e especuladores de toda ordem, os privilegiados pela política econômica, em contraponto aos trabalhadores de todos os matizes (público, privada e da economia social). A política econômica do estado e do governo brasileiro é uma das que mais induzem à concentração de renda, no planeta, com as ações da cleptocracia (corruptos de todos os matizes) e a formação de bolsões de privilégios sob a égide dos plutocratas e forte estrutura burocrata no estado nacional. Vale lembrar, ainda nesses breves comentários sobre a acumulação incessante de capital, a necessária contextualização das três atuais tendências seculares que limitam a taxa de lucro e, conseqüentemente o processo de acumulação de capital. A primeira está na tendência secular do aumento do nível do salário real a nível mundial cujo corolário é os constantes e intensificados deslocamentos das empresas das áreas de altos para as de baixos salários, agravadas pela acelerada desruralização do mundo que limita, em muito, o processo de acumulação de capital. A segunda trata das aquisições e beneficiamento dos insumos ou materiais implicando nas “externalização dos custos” oriundos da questão ecológica que compromete a saúde da biosfera e restringe, cada vez mais, a depredação da natureza e, em conseqüência, o processo de acumulação de capital pelo aumento dos custos ambientais. A terceira situa-se na questão fiscal, particularmente nos processos de tributação. Esta obriga os estados nacionais aumentarem os gastos sociais para se legitimarem ou não perante a sociedade e melhor controlar as chamadas “classes perigosas” na tentativa de aumentarem a democratização do mundo. Esse fato necessária e obrigatoriamente, implica em mais

Estas apontam para a fase terminal do sistema mundo do capitalismo na medida em que bate de frente com suas forças motrizes que são o lucro e o poder. São essas tendências seculares que dão origem a inúmeras formas que de maneira sistemática. limitam o metabolismo do capital e entravam o seu processo incessante de acumulação dando origem a constante e complexas crises. em conseqüência.reivindicações e maiores custos sociais e. . sérias limitações ao processo de acumulação de capital.

entre si. O primeiro (fazer bem) quando aprovado pelo consenso geral como vantajoso tende a resistir às inovações tecnológicas que visam melhorar seus resultados e. econômica e social. assume um caráter de inércia da técnica. desenvolvimento. Toda técnica revela-se por meios de ensaios de erros e acertos nos quais a imaginação dialoga com o real ou realidade. dessa forma. proporcionando outro nível de existência. inventivo e mais perfeito de fazer bem e de fazer novo. A técnica é o fazer bem e o fazer novo no propósito de se produzir ou se manipular alguma coisa ou. pois. Já o fazer novo (know-how) é sempre um caráter revolucionário de mudança por ser criativo e inventivo no processo tecnológico acumulativo da qualidade do trabalho humano. os conceitos e as reflexões dos seguintes tópicos ou epítetos imbricados a tecnociência: . ainda. invenção e criação do novo. a técnica altera os modos de: produzir. revelam a natureza de processo do desenvolvimento científico e técnico que levam a infinitude de todo e qualquer recurso natural para atender infinitas necessidades humanas. até que. política. Os novos materiais se contrapõem a toda e qualquer idéia de finitude e esgotamento do recurso natural mesmo quando considerado não renovável como é o caso dos hidrocarbonatos. acumulativa e não apenas quantitativa para a obtenção e transformação indispensável de um bem livre em um bem econômico. é. Em todo momento o desenvolvimento científico e tecnológico afetam o processo de trabalho humano existente e sobre ele depositam o modo novo inovador. As leis da termodinâmica continuam em sua plenitude no planeta com referência a qualquer recurso natural tanto como bem livre quanto como bem econômico mesmo com todo seu fetiche na aparência e essência.XIII. Dessa forma. ambiental. PROCESSO DE TRABALHO. TECNOCIÊNCIA E SOCIEDADE A essência da técnica e sua natureza de processo lhe são conferidas pela acumulação qualitativa do trabalho humano no processo de traqbalho. inovação. A técnica é de natureza qualitativa. Esse fato remete o leitor para entender e apreender ao que vem a ser a infinitude de todo e qualquer recurso natural em seu processo de transformação de bem livre para bem econômico mesmo quando se trata de novos materiais oriundos do desenvolvimento das ciências e das tecnologias. tensão e contradição a inteligência pelo seu conhecimento prospectivo capta nova propriedade do real ou nova possibilidade de agir até então desconhecida. no curso desse confronto. distribuir e consumir mercadorias. Não há justificativas científicas e tecnológicas para as afirmações correntes de que o planeta está sobre utilizado e saturado pelas atividades humanas. A luz deste capítulo se desenvolve e se conecta. A técnica tem dois caracteres: um de fazer bem e outro de fazer novo. A técnica é sempre a criação do novo a partir do velho ou antigo. de transformar um bem livre em um bem econômico. Essa sedimentação histórica do processo de trabalho distinto qualitativamente e superpostas como escamas e camadas.

que só o gênero Homo possui. são os pontos ou referências que diferenciam o ser humano da sua natureza animal na qual está inserto. apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos.1. do atual para o virtual. encontrando-se sempre em vias de se transformar. um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje". É a razão e a essência do conhecimento humano reflexivo/prospectivo e noológicos. a religião são vetores de virtualização que nos fizeram abandonar a presença muito antes da informatização e das redes digitais. podem ser vistas como virtualização do humano. na medida em que é o único ser vivo que projeta sua ação com vistas à resolução de suas contradições com a natureza. coerente e em conexões recíprocas. contradição ou luta dos contrários. destacadas uma das outras e independentes. ainda. mas como um complexo de processos em que as coisas. ainda. Segundo Engels a dialética é a "grande idéia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas. São quatro as leis da dialética:     Ação recíproca. Sua essência no processo de humanização está nas seguintes virtualidades semióticas imbricada à cultura:  Linguagem  Técnica  Sociedade (contrato social. isto é. unidade polar ou "tudo se relaciona" Mudança dialética. Estas virtualidades ou significados são os elementos essenciais que conformaram e. sócioesfera e noosfera) que dotam os humanos de consciência crítica e raciocínio complexo do conhecimento do real e do virtual. Essas virtualidades. as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos. conformam os processos de evolução e hominização do gênero animal Homo sapiens sapiens desde sua gênese até aos nossos dias. Conhecimentos: reflexivos e prospectivos. mas como um todo unido. como atributos únicos dos humanos. do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro. Para a dialética. ou seja. mas em movimento: nenhuma coisa está "acabada". passam por uma mudança ininterrupta de devir e decadência. 2. atualização daqueles fenômenos de virtualidades ou. desenvolver. a memória. 1994) que a imaginação. Paris. como técnicas cibernética. Michel Serres afirma em seu livro Atlas (Julliard. Por suas leis a dialética afirmam que as coisas não existem isoladas. Entende-se que o virtual tem como negação dialética o atual. Talvez pela complexidade do fenômeno. evoluir. o fim de um processo é sempre o começo de outro. . a passagem de um problema para outro problema. na aparência estáveis. o conhecimento. Conexões dialéticas e sistêmicas na antroposfera (psicosfera. violência)  Arte. as idéias. Segundo ela. É a atualização que se opõe ou se torna o antônimo da virtualização no real/realidade. em que finalmente. negação da negação ou "tudo se transforma" Passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa Interpenetração dos contrários.

Sociedade (forças produtivas. Pela faculdade tecnicopoética. percepção e representação de conhecimento”. comunicação. incapazes de tornarem sua a racionalidade a que obedecem”. A tecnociência é parte da superestrutura da sociedade. os membros de que é dotado. Graças a elas altera a natureza. instrução. Outrossim. animal ou máquina) que a recebe. de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa. significado. constitui uma propriedade inerente à ação humana sobre o mundo e exprime por essência a qualidade do homem. 2 volumes. No dizer de Álvaro Vieira Pinto em sua obra “Conceito de Tecnologia” (Rio de Janeiro. por invenção e construção para outros corpos. de um modo geral. de qualquer tipo. No processo de comunicação em que está envolvido algum tipo de aparato técnico que intermedia os locutores. No que se refere à comunicação humana a Wikipédia conceitua a como um processo que envolve a troca de informações. Informação. diz-se que há uma comunicação mediada. naquilo que toca as suas forças motrizes. segundo reza a Wikipédia. estímulo. padrão. Hoje. do uso quotidiano ao técnico. Estes símbolos são então transmitidos e reinterpretados pelo receptor. é. portanto. Genericamente.) “a técnica. pode levar a total mudança no metabolismo da vida e do capital.3. o homem se afirma como ser pensante não em caráter abstrato. 2005. O . 1. a fala. que combinam comunicação de massa e comunicação pessoal e comunicação horizontal. é interessante pensar também em novos processos de comunicação. mas porque pensa segundo as leis da realidade. segundo o pensar e o conceito de Gregory Bateson. e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Informação enquanto conceito carrega uma diversidade de significados. ainda. que se apodera subjetivamente das conexões lógicas existentes entre os corpos e os fatos da realidade e as transfere. em todo o processo biológico. relações de produção e superestrutura noológica) é o ponto de partida para apreensão da tecnociência e da sociedade em toda sua complexidade. Superpõe-se definitivamente aos animais brutos. com uma espacialidade de ação imediatamente superior à que caberia aos seus instrumentos inatos. como ideologia e está inserida na noologia. Também. que englobam as redes colaborativas e os sistemas híbridos. pode ser vista. lucro e poder. as máquinas. Para a Semiótica. Está envolvida neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face-a-face. identificada à invenção da máquina. conhecimento. Contraponto.328p. mensagens enviadas utilizando a rede global de telecomunicações. a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional. 4. controle. manipulação e organização de dados. da compreensão da sociedade contemporânea a partir da “virada cibernética” entendida esta não como parte da ideologia que prega a chamada “era tecnológica” como apologia do sistema mundo capitalista e sua rapacidade através das corporações. O estudo da Comunicação é amplo e sua aplicação é ainda maior. forma. o único ser vivo. o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. “Informação é o resultado do processamento. “a diferença que faz a diferença”. ou através de gestos com as mãos. portanto. o conceito de informação está intimamente ligado às noções de restrição. via tecnociência sobre os povos do planeta desapropriados dos fabulosos engenhos cibernéticos e robóticos atuais. dados.

a partir de novos materiais. mas. largamente usadas pelas corporações transnacionais. políticos e sociais configurados na não classe no dizer de André Gorz em “Adeus ao Proletariado para além do Socialismo” (Rio de Janeiro. televisiva e INTERNET). A esse respeito comenta Alvaro Vieira Pinto “os animais inferiores não produzem. 1987) 6. 5. incluindo formas de agir e pensar. Esta é mediada pela sociedade a que os humanos pertencem. Natureza humana que se fundamenta na existência dos humanos na biosfera com seus respectivos prolongamentos no reino da antroposfera. nações. por um objetivo mediato a transformação da sociedade e a humanização da existência que acontece pelo seu papel político. (Morin) ou ainda. isto é. às chantagens e fraudes ideológicas (neomalthussianas via neoliberalismo) que primam em dizer que o planeta está sobre utilizado e que não há lugar para os pobres que devem ser evitados (em sua gestação) ou exterminados quando a ela sobrevivem. e ciberespaço são as forças motrizes da “virada cibernética” para o processo de acumulação incessante do capital e manipular a sociedade não somente pela formação de opinião. se envolve em uma visão antro política no dizer de Morin.) No homem. Esse fetichismo leva as pessoas não somente a ilusões e delírios à noosfera. (. portanto. O controle da natureza pelos entes humanos envolve as relações entre cultura e materialidade pelo processo de trabalho social que é histórico e. ainda.) A fórmula que a natureza . O ser humano é a origem de finalidades na ação transformadora no planeta. Tal recurso foi a posse de um sistema nervoso suficientemente desenvolvido para elaborar na forma de idéias abstratas e universaisd. mas também.. que todos os seres humanos têm em comum” (Wikipédia). Vieira Pinto como complexo de Herodes) e o extermínio dos pobres como está explícito na estratégia do Relatório Lugano... étnicos. Isto os obriga a se envolverem na trama das contradições dialéticas de ordem intra e inter-humanas nos diferentes conflitos sejam eles: culturais. religiosos. de classes sociais. O animal humano foi dotado do recurso de que necessita para resolver por si as suas contradições com o meio. A antro política (Morin) ou possibilidades de ações criativas representa o discurso de articulação e de inclusão da inclusão social usando-se a tecnociência contemporânea ou os saberes: científicos tecnológicos. raciais. A natureza produz para eles tudo quanto necessitam. da conversão do desconhecido em conhecido. Haja vista o ressurgimento e adoção pelos estados nacionais de doutrinas ultra-reacionárias que pregam radical controle de natalidades (cognominada por A.. Forense-Universitária. Comunicação via mídias (falada. dotado de sentido. (. escrita. principalmente.termo comunicação também é usado no sentido de transportes (por exemplo. pelo entretenimento e propagandas subliminares. como “conjunto de características descritas pela filosofia. o reflexo da realidade. cessou o patrocínio direto da natureza. Fetichismos dos recursos naturais. tornando-se capaz de comandar a produção dos meios de vencer as dificuldades. que os tornam infinitos como são as necessidades humanas. A própria consciência humana é sabedora de que só da natureza pode emanar e advir os bens que lhe oferecerão a infinitude dos recursos naturais para uma vida humanizada feliz quando. tribos. a comunicação entre duas cidades através de trens). etc.

O objetivo era elaborar uma máquina capaz de localizar o avião. . sócioesfera e noosfera) que são partes da biosfera em toda sua plenitude e que. astecas e incas antes da sua destruição ou do seu extermínio pelos europeus colonizadores (espanhóis e ingleses) 8. teoria matemática dos jogos. da: automação. mas apenas quatro anos mais tarde a teoria é batizada por Wiener com o nome de cibernética. no entanto. incumbiu a tarefa de estudar a possibilidade de regular automaticamente o tiro da artilharia antiaérea. Foi na procura de uma resolução para o caso. que é o homem. e.) Somente o homem é um animal que produz. por sua vez. Tal hipótese leva o pensar ingênuo a induzir.(. foi investí-lo da função de produtor.encontrou para realizar o tipo qualitativamente superior de animal. à “Revolução Informacional-Bio-Molecular-Digital” que se encontra em plena infância em seu processo evolutivo nas sociedades humanas. em nada. também. teoria dos sistemas. Ver a história dos maias. prever qual o caminho que seguia. Esta avaliação cândida da antroposfera (psicosfera. Esta trata.. Na tecnociência da cibernética insere-se a Informática da dominação e a informática da libertação na dualidade do seu uso na INTERNET ou ciberespaço nas sociedades humanas. O nascimento da cibernética como ciência. teoria da informação. Neste atributo encerra-se a essência de sua realidade” (Contra-capa do livro O Conceito de Tecnologia. controlo e mecânica estatística. quando na sua cultura afirmam existir: uma cultura muitas naturezas em contraponto ao ponto-de-vista ocidental da existência de uma natureza e muitas culturas. está. Inteligência artificial a partir de uma robótica que se supõe que já pensa. especialmente do Brasil. Consagra-se como tecnociência a partir dos anos 1968-1970. Humanidade natural como atributo da evolução do gênero animal Homo sapiens sapiens na terra e que se diferencia de entes humanos já extintos e dos (futuros) geneticamente modificados ou recombinados pela biotecnologia e pela robótica que venham a existir como evolução natural da técnica. cada vez mais. que os investigadores se aperceberam da unidade essencial entre os problemas relacionados com a comunicação. Contraponto. técnica dos computadores. Em 1943 é publicado um artigo por Wiener. V. quer na máquina quer no ser vivo. ainda. teoria dos algoritmos e da regulação 9. Rio de Janeiro. Cibernética como ciência da informação e da computação digital e “virada cibernética” a partir da Revolução Mundial de 1968-1970 leva a humanidade à Revolução do Conhecimento e da Informação ou. I. ao propalado “obsoletismo dos entes humanos” e a modificação de sua natureza na biosfera. durante a segunda guerra mundial. prever as reações. a quem o governo norte-americano. Este paradoxo convida o leitor a um novo enfoque para análise do processo de ocidentalização do mundo frente a humanidade natural.. Vale se refletir sobre o Paradoxo existente na cultura dos indígenas da América Latina e. segundo a Wikipédia. A informática é uma das ramificações da ciência cibernética. 7. simulações e estratégia do piloto. associado aos trabalhos de Norbert Wiener juntamente com outros investigadores (nomeadamente Arturo Rosenblueth professor na Universidade de Havard). Rosenblueth e Bigelow que expõe a nova teoria. 2005).

instrumentos e meios para solucionar dificuldades e problemas vividos pelos humanos. na aliança capital global com . com vistas à criação ou invenção de Cyborgs. e. A dimensão da realidade virtual vê os seres vivos como um “software”. A sua própria existência constituir solução final de problemas humanos. ou como um design no seu plano molecular ou elementos mínimos de informações genéticas e de DNA. (Cybernetics Organisms) e. A última é a INTERNET ou ciberespaço. não tem procedência científica à probabilidade e a possibilidade do ente humano se tornar obsoleto nas sociedades humanas. mas pode vir a ser uma possibilidade cujas conseqüências não se têm a mínima idéia de sentido para o bem ou para o mal de tal tecnologia ou mutação. Logo. de uma vida silícica proveniente da possibilidade de vir haver replicação ou autopoiese (tecnopoiese) de Nano Robôs quando usados em entes vivos de vida carbônica com replicações autocriativas em base silícica. mas pelo contrário. vegetais. na qualidade da produção de artefatos. Realmente tal evento não é uma probabilidade. quiçá.nega o processo de sua evolução. seres inanimados e às máquinas. não percebida por muitos à primeira vista. Dimensão virtual da realidade versus dimensão da realidade virtual. por isso. da máquina ou ferramenta mais simples até a da técnica da máquina ou ferramenta mais complicada indica que toda e qualquer máquina/ferramenta produzida pelo ser humano constitui uma mediação entre ele e a natureza com o fim de estabelecer sobre a relação entre tal extremo outra relação de segundo grau. Já a vida artificial. com as máquinas eletro-eletrônico e robôs. em muito. ainda. não conquistados pelos humanos 10. Note-se que a nanotecnologia tem amplo uso na medicina humana e na veterinária. O “software” que faz parte da primeira dimensão participa dos reinos dos animais. Uma análise heurística relativa à criação da técnica. Lembre-se que as máquinas. Obsolescência do humano pela velocidade das informações que tornam os seres humanos cada vez mais dependentes e “simbióticos” com as máquinas insertas na estratégia de aceleração total que teve início no nazismo e no estalinismo nos anos 30 e 50 do século XX. por mais sofisticadas e complicadas que sejam jamais terão problemas pelo fato de não serem capazes de terem consciência e de doarem sentido. Talvez. no entanto contendo a essência e a razão de ser da criação das máquinas. aparentemente. caso aconteça. a saber. A falsa “simbiose entre ser humana-máquina”. a ligação pelo vínculo do trabalho. se acelera com as máquinas cibernéticas e robóticas no devir da evolução das sociedades humanas sem que. Os Recursos genéticos e DNA como informação. entre um ser humano e os seus semelhantes. seja útil para a conquista de outros astros celestes do sistema solar e outros ambientes terrestres inóspitos ou não. Esta é uma das razões de a cibernética ser sempre a tecnociência criada e aperfeiçoada pelos humanos para auxiliar. Foram e serão sempre objetos do sujeito humano 11. Esse conceito é de uma ingenuidade ímpar na medida em que é sabido que o sistema nervoso central dos humanos projeta a técnica como parte da essência da sua natureza humana que se realiza no processo de trabalho social. sem a menor dúvida. torne os humanos obsoletos em sua essência e criatividade com vistas as suas contradições com a natureza e seu controle sobre ela. reafirma-o como um dado revolucionário na tecnociência. em banco de dados digitais.

somente boas perguntas”. tempestades. sim é que deveria ser objeto de sérias preocupações da ONU. Contrariamente ao possível. Como Virtual (fenômeno com potencial ainda não realizado) pode e deve ser estudada a luz da Semiótica peirceana que se preocupa com os fenômenos do universo. um acontecimento. contemporaneamente. Mesmo com tal perspectiva e horizonte objetivo é. mudanças climáticas radicais em grandes e pequenas escalas. Ed. mas sim ao atual. estático e já construído. do campo religioso e dos estados nacionais como um todo. É comprovado que no processo de hominização do animal Homo sapiens o desenvolvimento da técnica sempre criou essa apropriação de futuro a partir da virtualização da realidade mesmo sem se ter consciência de sua atualização. PHL. Segundo Pierre Lévy em “O que é o Virtual?” (São Paulo.tecnociência para maximização de lucro e poder nas grandes corporações transnacionais capitalistas. realizado em caráter secreto para fins bélicos. abreviação de “Hight Frequency Active Auroral Reseaarch Programm” (Programa Ativo de Alta Freqüência para a Pesquisa da Aurora Boreal). em 22 de maio de 1978. o virtual é como o complexo problemático. é de alta periculosidade para o planeta e para a humanidade na medida em que se torna possível não somente provocar: terremotos. 12. “capaz de trazer o pior ou o melhor” da tecnociência cujo “novo desafio é o da incerteza: não há boas previsões. Este Projeto. O HAARD. o nó de tendências ou de forças que acompanham uma situação. 13. Ele é muito mais nocivo. furacões e outras calamidades e desastres em determinados territórios. sem dúvida. um objeto ou uma entidade qualquer. o capital mais importante. insertos ou não. assim como. Norte Americano. (São Paulo. detentoras dos estados nacionais. secas. publicado em Le Nouvel Observateur. Mudanças climáticas e a fraude do efeito estufa a partir da equivocada eliminação do gás da vida vegetal CO² (dióxido de carbono) que é o responsável através da fotossíntese pela produção de oxigênio que é o gás necessário a vida animal no planeta. 34. Essa fraude visa esconder efeitos muito mais deletérios da questão climática que são as ondas eletromagnéticas Shumann desenvolvidas pelo Projeto Norte Americano HAARD. por demais improváveis que venham a ser um flagelo da técnica como preconizam os intelectuais e midiáticos detentores da consciência singela. a formação de uma sociedade profundamente diferente. nos megablocos econômicos de integração ou de livre comércio) são. já naquela época. catastrófico e pernicioso do que a badalada fraude do efeito estufa. e que chama um processo de resolução: a atualização”. Já o Relatório Lugano é o libelo ou tratado da . Relatório Nora-Minc (INFORMÁTICA: QUAL SOCIEDADE?) redigido por Simon Nora e Alain Minc. 2008). Note-se que é muito comum se ler ou ouvir afirmações do tipo apropriação do futuro e dimensão virtual da realidade com a tecnização da vida pela tecnociência e sua correspondente apropriação pelas corporações capitalistas que tomaram e controlam os estados nacionais e o desenvolvimento técnico e científico no planeta. 1996) “o virtual não se opõe ao real. Ver detalhes no livro de Kurt G. que mostra. Bluchel intitulado “A Fraude do Efeito-Estufa”. Nada justifica que o ente humano venha pela técnociência abdicar de continuar sua eterna luta de mitigar e resolver sua contradição fundamental com a natureza e o cosmo. (hoje.

. Contraponto. vivemos com o cognome.) “A sentença política. de “virada cibernética”. os interesses e os procedimentos que movem a mentalidade e a ação dos dirigentes das nações hegemônicas e seus cúmplices nas regiões indefesas” (. aparecem os epítetos de além do humano. Segundo ele “a teoria e a prática do controle da natalidade. vem eternamente criando confusos epítetos e. Na prática o Relatório Lugano serve de Guia para as ações que Álvaro Vieira Pinto (Ver O Conceito de Tecnologia.. a Nanotecnologia imbricada ao reino dos estudos do átomo representa uma das mais revolucionárias tecnologias. São Paulo. principal imposição atualmente feitos pelos centros imperialistas aos povos subdesenvolvidos e colonizados enquadram-se numa forma de concepção e de comportamento políticos a que julgamos caber. também. impõe a pena da imolação dos nascituros é ditada pela potência imperialista como punição pela culpa atual das populações pobres de se multiplicarem ‘excessivamente’. ao dito Relatório. aponta para “o fim dos empregos” segundo o “futurologista” norte americano Jeremy Rifkin (ver o Fim dos Empregos. porque nos parece resumir num conceito único. a ética. psicologia. na edição em português analisado e apresentado com todo rigor crítico pela cientista Susan George e publicado em São Paulo pela Editora Boitempo. o estado de espírito. O ‘complexo de Herodes’ define-se pelo horror aos recém-nascidos. v. 2005) apelidou de “Complexo de Herodes”. o nome de “complexo de Herodes”. ainda.504. transhumano e pós-humano que são conceitos de caracteres difusos e cândidos oriundos das ciências: antropologia. à infância. Também. em decorrência. Agora. associada a: .inviabilidade da população excluída no processo de globalização do capitalismo via Tecnociência. Escolhemos o nome em alusão ao mito bíblico da matança dos inocentes. ao hedonismo político-econômico das corporações. as que pedirão contas às gerações adultas da forma de sociedade que organizaram para a mocidade”. Para isso. em 2002. hoje. de onde surgirão as multidões jovens cada vez mais numerosas e reivindicadoras de amanhã. biologia molecular e biotecnologia na tecnociência das sociedades. em muito. Makron Books. Na prática tais conceitos são estigmas da consciência ingênua numa tentativa de macular o conceito de técnica como parte da essência humana no processo de acumulação qualitativa do trabalho para resolver sua contradição básica com a natureza e o cosmo. facilmente memorizável. que sob o esburacado véu de concentração científica. Revolução molecular-digital no processo de trabalho com reconfiguração e obsoletismo de muito dos processos de trabalho e doação de ênfase ao trabalho técnico-científico para inovação tecnológica com vistas à produtividade do trabalho e à intensidade de produção levam a competitividade e. usando técnicas da ciência quântica. I p. as “eras tecnológicas” e não apenas a que. reflete mais um sentimento que uma crítica a realidade social vigente no sistema mundo capitalista. É a capacidade potencial de se criar coisas a partir do menor. sociologia. 14. também. Está. O Relatório Lugano foi publicado na França em 1999 e apresentado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2002. Rio de Janeiro. sem dúvida. Ainda. mas na verdade visa a servir de meio preventivo contra a proliferação de uma próxima geração de jovens reclamadores. Tal maneira de pensar. 1995). com justeza. Nele se encontra toda a “lógica de extermínio” inserto no processo da globalização segundo análise de Laymert Garcia dos Santos na apresentação que fez.

aufere grandes benefícios para a humanidade . principalmente. Apropriação da vida pelo sistema privado de propriedades intelectuais e de patenteamentos das criações e das descobertas científicas.medicina. ainda. Hoje. pelo Departamento de Estado dos EUA. Mesmo esse fato de destruição ou obliteração em massa da vida. que de forma coercitiva faz valer as usurpações e a rapacidade das corporações sobre os países pobres do mundo. Constitui-se. também. pela bomba. robótica e engenharia dos materiais 15. na maior aberração jurídica internacional sobre a tecnociência sob a égide ou controle das corporações transnacionais capitalistas em seu domínio político-econômicas no planeta. biologia. pela ONU e. não invalida a necessidade de se desprezar ou de se abdicar da tecnologia nuclear que. química. Todo o aparato sistêmico de saques pela lei internacional de patentes é protegido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). ciência da computação. tal fato. a rapina se dá pela pirataria dos países hegemônicos sobre a biodiversidade dos países pobres via processos de transformações dos genes e do DNA da matéria viva nas grandes universidades e laboratórios dos países centricos por meio de:  Combinação  Recombinação  Regenciação  Reconfiguração 16. eletrônica. Sociedade pós-catastrófica oriunda da tecnociência desenvolvida no Século XX que levou a construção da bomba nuclear. de uma família cibernética sobre as cinzas da antiga e destruída família nuclear-compulsória-patriarcalista. física. testada na segunda guerra mundial (1945) em cidades japonesas e do atual processo de globalização do capital que leva a geração de populações de não-pessoas sociais e.

XIV. e a renda absoluta. e juro. No que diz respeito à categoria de lucro. que é a conta resultante do agrupamento de todos os lucros contábeis. pagos por elas. têm-se os epítetos de:  Lucros suspensos ou forma de reserva  Lucro cessante de onde podem resultar perdas e danos com inexecução de obrigações  Lucros e perdas. das gratificações. Enquanto a marginalista vê o ponto de vista do empresário. destacando-se duas principais: a primeira. diferentes contextualizações. a escola marginalista sobre o assunto faz uma leitura completamente divergente da escola marxista. Ainda. RENDA. que criou a teoria da renda. Para tanto. nessa contextualização. e a segunda. Igualmente. renda fundiária. bem como de outras ciências como são exemplos o direito e as ciências contábeis. da aplicação financeira. que é a chamada compensação ao capitalista. enquanto a renda diferencial estava imbricada à concorrência entre capitais. II e III. Na contabilidade social tem-se a renda nacional. a marxista estuda a repartição pelo foco do produto socialmente necessário e excedente social. o lucro se divide em lucro bruto. (saldo líquido do que uma nação produz em bens e serviços) e renda per capita. deduzem-se da renda nacional os lucros não-distribuídos das sociedades: anônimas e limitadas e dos impostos de renda. como a estrutura básica de sua repartição. Para Marx. a renda absoluta deriva da concorrência entre setores da economia na formação do valor e dos preços de produção. (repartição da renda nacional pelo número de habitantes) e a renda pessoal ou remanescente da renda nacional distribuída aos indivíduos. LUCRO E INVESTIMENTO Renda do ponto de vista da economia política é a parte do produto da terra que se paga a seu proprietário. também. a escola clássica. trata das seguintes categorias: salário. das pensões. dos emolumentos. que compreende fundo de amortização e prêmio de seguro e lucro líquido. e da remuneração de diversos serviços. lucro. dos salários ou ordenados. renda é o resultado monetário das propriedades urbanas. Renda não é sinônimo de patrimônio e pode ser confundida com lucro. rurais dadas em aluguel de exploração comercial e industrial. dentro do setor fundiário. O primeiro economista a tratar desse assunto foi David Ricardo. Em termos de repartição de renda. que distingue a renda diferencial I. pelos tratadistas de direito comercial e de contabilidade. contribuição à previdência social. pelas diferentes leituras realizadas pelas distintas escolas da economia política. muito controvertida a partir dos pontos de vista das diferentes escolas da economia política. posteriormente criticada e revista por Marx. esta possui. Na esfera fiscal. . que é uma categoria de natureza econômica bastante diferente e. Essa divergência leva a questão da repartição da renda para o campo mais da ideologia do que da economia política. No primeiro tipo de contextualização. também. dos subsídios.

É uma categoria de amplo uso na economia como nas finanças tanto nacionais quanto internacionais. é igual ao consumo mais investimento. em troca do serviço com que contribui para criação desse produto”  A de Marx que imbrica o lucro a mais valia ou maneira específica assume a exploração sob o capitalismo. ainda. o investimento pode ser entendido como líquido quando equivale à formação de capital. que vulgarmente a população confunde investimento com aplicações financeiras em bancos de crédito e de fomento. podem-se evidenciar pelo menos duas leituras principais:  A de Say que afirma ser o lucro a “parte que cada produtor ganha do valor do produto criado. confunde-se com poupança que é precisamente a parte não-consumida do redito total. segundo os marginalistas. em que o excedente toma a forma de lucro. Na concepção marginalista de Keynes o “investimento é a parte não consumida do redito total de uma comunidade”. . mas principalmente. e público quando o governo constrói a infraestrutura econômica (capital social básico ou economia externas) ou cria empresas estatais. e a exploração resulta do fato de os produtores de mercadorias produzirem em produto líquido que pode ser vendido por mais do que recebem como salário. a visão de Say é mecanicista.Já do ponto de vista da economia política. Também. O redito ou ingresso total. reducionista e determinista enquanto a de Marx é complexa e pode ser apreendida não somente pela lógica dialética. O conceito de investimento leva o leitor a imaginar a aplicação de capital em processos produtivos de bens ou serviços. pela teoria dos sistemas ou da complexidade. Na prática. ou seja. Note-se.

surge à teoria das vantagens comparativas que reza o mito de quanto maior a vantagem. o comércio natural da economia mundo do capitalismo em grande parte no Século XIX se orienta pela teoria das vantagens comparativas de Smith. a especialização apenas nos ramos em que suas vantagens relativas fossem maiores lhe traria mais vantagens do que a auto-suficiência econômica”. mas também nos países desenvolvidos e hegemônicos. a partir da teoria formulada por Prebisch e Celso Furtado. ainda que para tanto tivesse que importar mercadorias por um valor mais alto de que lhe custaria fabricá-los”. tanto menor o custo da mercadoria. O próprio Ricardo.XV. Praticamente. no aprimoramento dessa teoria. O aparecimento. Ricardo afirmava “mesmo que se um país tivesse grandes vantagens naturais e adquiridas em todas as esferas de produções. Nela se imbricam as chamadas vantagens naturais como as vantagens adquiridas que provinham de determinadas especializações em linhas de produção manufatureiras e industriais. que prescreviam: exportar o máximo e importar o mínimo de mercadorias de forma a ter uma balança comercial superavitária. a teoria das trocas desiguais. Na medida em que o conceito de riqueza. Claro que todas essas doutrinas tinham como objeto a acumulação de capital nos países cêntricos da Europa à custa do saque das colônias das Américas. também. totalmente. A crítica da CEPAL passa a tomar importância não somente nos países periféricos. a partir do Século XVI. No pós 2º guerra mundial. David Ricardo aprimorou a teoria das vantagens comparativas “ao demonstrar que cada país deveria especializar-se na produção das mercadorias em que tivesse maiores vantagens relativas. nela introduziu uma divisão internacional do trabalho pelas especializações advindas da revolução industrial. (Citado Paul Singer). formulada por Raul Prebisch e desenvolvida por Celso Furtado. Tanto isso é verdade que o economista francês Emanuel reformula a teoria das vantagens comparativas contrapondo a ela outra teoria. RELAÇÕES DE TROCA NO COMÉRCIO MUNDIAL Com a expansão européia por meio das invasões nos novos e velhos continentes. a teoria das vantagens comparativas até então sem contraponto. agora. da África e da Ásia. Segundo Singer. os termos de intercâmbio têm que determinar para os países em que os custos de produção . surge. Entretanto. criaram-se as doutrinas mercantilistas. a das trocas desiguais. do livro de Adam Smith. numa economia capitalista internacional em que os capitais se transferem facilmente de um país para o outro. na CEPAL (Comissão Econômica para América Latina) organismo da ONU. mostra “que. “A riqueza das nações”. devidamente aperfeiçoada por Ricardo que. que contrariou. a teoria da deteriorização dos termos de intercâmbio em relação aos países periféricos ou subdesenvolvidos. para aquele pensador é obter os bens de uso necessário ao consumo da população com o menor esforço ou gasto de tempo de trabalho humano. em 1776. introduziu o chamado padrão-ouro para combinar o livre câmbio com equilíbrio da balança comercial de todos os países. desequilibrando as vantagens naturais em favor das vantagens adquiridas. aperfeiçoada por Emanuel. A grande novidade da teoria de Smith é a negação da importância de acumulação de tesouros de metais preciosos para a acumulação de capital.

Durante toda a chamada guerra fria (1949 a 1990) os debates não somente no âmbito das Nações Unidas aumentaram. Esta explicita a exploração dos ricos sobre os pobres. fluem. as contradições das crises:  Ecológica mundial  Demográfica intra e internacional  Da sobrevivência humana em termos de alimentação. suas contradições quanto a:  Produção versus consumo  Produção versus controle  Produção versus circulação de bens e serviços aprofundando. mas. . levando-os ao propalado conflito Norte x Sul. ou melhor. Nesse imbróglio. entre o centro do sistema e os novos bárbaros. nos países periféricos. profissão. por conta da rigidez da divisão internacional do trabalho. que. a inflação. estende-se na rodada de Doha da OMC. tendem a manter e sustentar. via processo de globalização econômica. Ver diagrama a seguir. no sistema mundo capitalista. é inevitável primar pelos objetivos nacionais permanentes apresentados no diagrama formulado por Ênio Labatut em seu livro “Política de comércio exterior”. como por exemplo: o energético. as dívidas impagáveis. ainda hoje. a exclusão social. finalmente. a miséria.(com particular ênfase no salário) tendem a cair em relação aos parceiros de intercâmbio”. publicado pela Editora Aduaneiras. não somente nos próprios países hegemônicos. informação e ao lazer  Política econômica que além de envolver as contradições do sistema mundo do capitalismo o encaminha para problemas cruciais. emprego e cultura  De liberdade social quanto à: mobilidade. Defendendo a construção de um Brasil grande de incluídos. iniciativa. e a reversão ou a reinvenção dos estados nacionais nos chamados blocos econômicos e. a pobreza. Isso a partir dos termos de intercâmbio em nível mundial que. principalmente. Evoluiu a partir do acordo mundial do GATT (General Agrement on Tariffs and Trade) antecessor da OMC (Organização Mundial do Comércio) para ampliação do conceito da divisão internacional do trabalho até chegar-se ao que se convencionou chamar de Política do Status Quo. a recessão. saúde. o desemprego ou o fim do emprego. junto com o FMI e o BIRD. cada vez mais. habitação e saneamento  Da afirmação social em termos de educação. o que se pode chamar de quarta guerra mundial.

Iniciativas do Do vista da Regulamentar Estado acredita-se . para o Brasil.AVALIAÇÃO ESTRATÉGICA PERMANENTE Análise dos Fatores Políticos Psicossociais Econômicos Militares Síntese: Premissas Básicas Conceito Estratégico Nacional Diretrizes Governamentais Estratégia Política Estratégica Econômica Estratégia Psicossocial Estratégia Militar COMÉRCIO EXTERIOR Premissas Específicas Estratégica de Comércio Exterior Política de Comércio Exterior ASPECTOS Comercial ponto deFinanceiro Política de Comércio e Administrativo Exterior.

demográficos e ecológicos brasileiros no âmbito de negociações nacionais e mundiais. sem valor agregado  Isenção de impostos à importação de insumos básicos e produtos industrializados sem similar nacional . Nele além da economia privada competitiva do capitalismo (excluidora de força de trabalho) há que se constituir uma forte economia pública estatal ou não capaz de mediar os efeitos da exclusão social em benefício de outra economia socialcomunitária com viés de incluir as pessoas marginalizadas pelas economias privadas competitivas capitalistas com vistas a erradicar as assimetrias de renda entre as pessoas e entre os espaços dinâmicos e letárgicos do Brasil c) Rodadas de negócios no âmbito da OMC e dos blocos econômicos devem seguir rigorosamente o sentido hoje doado pelo Itamaraty nas negociações internacionais. de buscar os seguintes objetivos:  Definir estratégias iniciando com um planejamento estratégico situacional a partir do conhecimento pleno de seus objetivos nacionais permanentes e da integração da América do Sul  Ter perfeito conhecimento dos campos a ser conquistados. que têm altíssima produtividade e competitividade b) Os problemas econômicos. agora. sociais. em junho de 2004. particularmente nordestinos. dos africanos com vistas à expansão do comércio Sul-Sul  Levantar com detalhes o “portfólio” dos produtos e serviços de que dispõe possíveis de serem negociados e trocados no comércio mundial  Buscar o conhecimento amplo e adequado dos mercados compradores e da capacidade de reação e retaliação dos países cêntricos como. para o Brasil. fazendo um levantamento das necessidades para alcançar os objetivos explícitos nas estratégias do planejamento situacional  Envidar conhecimento amplo e perfeito das necessidades dos países cêntricos do G7 e da Comunidade Européia. Uma boa política de comércio exterior. Sob essa ótica. Eles têm a ver com um modelo autônomo de desenvolvimento sustentável. na cidade de São Paulo. deve o Brasil adotar uma política de comércio exterior inteligente e autônoma capaz. fazem os Estados Unidos com as exportações dos crustáceos brasileiros. por exemplo. particularmente naquilo que foi discutido e que obteve consenso na UNCTAD XI. dos países emergentes e subdesenvolvidos. particularmente.Do ponto de vista da política de comércio exterior para o Brasil acredita-se que o leitor pode e deve produzir conhecimentos nos seguintes pontos de análises com vistas à construção de sua base de conhecimento: a) Sociedade brasileira no quadro do sistema mundo do capitalismo. o que. poderia obedecer aos seguintes requisitos:  Isenção de impostos às exportações de produtos industrializados. principalmente de alta tecnologia  Baixas taxações dos produtos do agronegócio e agropastoril exceto madeiras de lei  Altas taxações e altos impostos na exportação de produtos minerais estratégicos.

cabe aos brasileiros desenvolver sua criatividade. É sabido que tanto o Ministério da Fazenda quanto o Banco Central e o sistema financeiro são geridos de fora para dentro. É possível que a atual política econômica nacional seja. o centro hegemônico do sistema mundo do capitalismo cria e aplica uma nova e sofisticada modalidade de colonialismo sobre as nações periféricas do sistema. em matéria de comércio exterior. e taxas e impostos reduzidos às importações de bens de capital ou de produção sem similar nacional. BIRD e OMC é a unilateralidade dos Estados Unidos aos países emergentes e pobres do planeta são insustentáveis e tão brutais quanto o tão propalado terrorismo ora existente no mundo. o BIRD e a OMC. Essa é a razão da existência da política de juros extorsivos que alimenta uma dívida interna e externa incômoda e que drena as energias e a mais valia de toda a nação para os especuladores. FMI. um reflexo e um espectro do terrorismo de estado imposto pelos nortes americanos ao chamado mundo livre. trabalho e capital). à luz do chamado e propalado “mercado”. pelo centro hegemônico do sistema mundo do capitalismo. pela exclusão social que lhe é imposta de fora para dentro. Ao impor ao mundo a privatização de dado conhecimento. essa ordem ou desordem mundial imposta pelo sistema mundo do capitalismo via G7. mas também. pelas patentes. em sua política econômica: Proceder a uma auditoria em suas dívidas interna e externa  Produzir mais e melhor  Reduzir custos de produção em seu sistema produtor de mercadorias para exportação ao tempo que deve consolidar uma forte  . da ciência e da tecnologia. não somente de sua força de trabalho. Eles. Portanto. Cabe ao Brasil. e da criatividade dos brasileiros com vistas a mitigar e anular a forma mais cruel de dominação e exploração dos países cêntricos sobre os países pobres. Altas taxações e altos impostos sobre importações de manufaturados. Sem dúvida. capitaneado pelo FMI. além daquelas preconizados por Smith (natureza. a ciência e a tecnologia como fatores de produção no processo de acumulação incessante de capital. apenas. Há que se ter criatividade e coragem para modificar essa situação neocolonial que faz dos brasileiros um povo prostituído ou possuído em sua essência pela alienação. sejam eles estrangeiros ou nacionais. ditam o sentido da economia nacional frontalmente contra as necessidades da maioria absoluta da população brasileira. da tecnologia. Aqueles colocam o conhecimento. inclusive da vida. sua ciência e suas tecnologias com vistas a romper com as amarras do centro hegemônico que controlam e submetem aos seus interesses as organizações internacionais a partir de suas empresas transnacionais que fazem rapacidade generalizada sobre os países pobres. de toda ordem. Tudo isso sem ferir os princípios já acordados na OMC e com o MERCOSUL d) Desenvolvimento da ciência. tal e qual aconteceram no passado pelo velho e desmoralizado colonialismo e) Aspectos da economia brasileira com vistas ao comércio mundial descansam no rompimento dos grilhões que entravam sua política econômica nacional e a atrelam aos interesses alienígenas em vez de terem um caráter libertador de seu povo.

Deve. do Pacto Amazônico. também. o Brasil e os demais países da América do Sul devem contrapor-se aos interesses neocolonialistas dos EUA/Canadá. também. particularmente dos Estados Unidos. reformada e atualizada de forma democrática pelas universidades brasileiras e entidades públicas e privadas vinculadas ao setor. Para tanto. No plano acadêmico. da ampliação do MERCOSUL e da rodada de Doha da OMC b) A legislação brasileira de comércio exterior necessita ser contextualizada. em particular. a erradicação dos subsídios agrícolas em um tempo não-superior a dez anos. no espaço aéreo nacional e na plataforma submarina. de todos os países.economia pública e uma economia social comunitária voltada para seu mercado interno e a inclusão social  Abastecer o mercado interno sem as formas assimétricas ora existentes e exportar todos os excedentes  Continuar com a política de substituição importações de bens de produção  Escapar das pressões norte-americanas sobre o acordo de patentes e da ALCA nos termos por eles colocados f) Necessidade de se programar e implementar o planejamento estratégico situacional com vistas à totalidade nacional e. levando de reboque. bem como da América do Sul. nas negociações. quiçá. os submarinos atômicas e sofisticadas tecnologias aeroespaciais com vistas a sua soberania na Amazônia (com suas riquezas de água. em junho de 2004 na cidade de São Paulo . para os países da América do Sul e. dos minerais. deve o Brasil desenvolver sua astrofísica com veículos lançadores de satélites. ao comércio mundial do Brasil em contraponto à propalada e divulgada “mão invisível do mercado”. da América Latina. da União Européia e do Japão. da flora. semelhantes aos da União Européia. da fauna. Quanto à ALCA. Quanto a esse tema. há que se tratar dos seguintes aspectos referentes à Política brasileira de comércio exterior: a) Contextualização das teorias e da política de comércio exterior. deve ser tema constante do MERCOSUL e. cujo objetivo é perpetuar a política do status quo dos países hegemônicos no comércio mundial. particularmente da teoria do status quo empregadas e praticadas pelos países desenvolvidos. há que se buscar. Deve ser revista e a ela contrapor-se outra com vistas a incorporar novos paradigmas oriundos da UNCTAD XI. fortalecer o MERCOSUL e o comércio SUL-SUL conforme foi amplamente discutido no âmbito da UNCTAD XI. principalmente nióbio). o México a partir do NAFTA d) A OMC e a política brasileira de comércio exterior. inclusive antes de ser votada pelo Congresso Nacional c) O MERCOSUL e as negociações com o ALCA devem obedecer aos princípios de integração. A defesa e o uso do aqüífero Guarani.

os mais prósperos a consumir estarão no Sul. Esses não nos exigem concessões em propriedade intelectual em investimento como condição para o que é de nosso interesse mútuo: explorar a complementaridade de nossas economias. etc. e as novas medidas de um possível acordo no âmbito da OMC. na Europa. 12% em 20 anos. o comércio e o desenvolvimento dos países pobres. . com o crescimento dos países asiáticos (China. . na Itália. em São Paulo. em geral. . ou seja. Em 2001. Desde os anos de 1980. 90% dos jovens. Segundo Ricúpero (quando Secretário Geral da UNCTAD. que em matéria de Política de comércio exterior. essa tendência vai acentuar-se pelos próximos anos não pelo fato de que “os ricos vão ficar menos ricos. nossos sócios no G3 ou no G20... os EUA que continuam a crescer ainda graças a perto de 1 milhão de imigrantes legais ou não por ano.).. que não nos exigem que vendamos a alma”. É tempo de olhar mais para os parceiros do Sul. No plano prático vale lembrar. dá-se inicio a uma tendência de reversão do processo de controle dos países cêntricos que naquele ano consumiam 69% das exportações dos países periféricos ou em desenvolvimento. Índia. onde o chamado mercado livre serve apenas ao domínio e ao controle dos países cêntricos sobre os países periféricos todos os negócios se dão de forma monopolizada como negação do mercado livre. Sob esse aspecto.. na Espanha. quase ficção científica. Em outras palavras. vai encolher uma população que já está próxima a saturação ao nível de consumo. em artigo na Folha de São Paulo 7/12/03). O comércio Sul-Sul parecia promessa para o futuro.e) A UNCTAD... ele é realidade com potencial que começa somente ser arranhado. Coréia do Sul. são gentes como a gente. Em poucas décadas. . há que se fortalecerem os consensos obtidos por ocasião da UNCTAD XI. aquela proporção caía para 57%. O declínio demográfico no Japão. Hoje. mas porque inelutavelmente estão ficando menos numerosos. ao ledor.

Coréia do Sul. pilhagem ou confisco de renda dos países pobres. os subsídios oficiais praticados pela União Européia e os Estados Unidos ultrapassam a US $ 50 bilhões por ano o que implica uma incomensurável pilhagem à economia dos países pobres. nos anos 80 e 90 do século passado. ainda. o GATT foi transformado em Organização Mundial do Comércio (OMC). Hoje. No reboque da rodada. agricultura e serviços. além de prevalecer à política do status quo nas relações comerciais mundiais. Dentro desse contexto. entram em jogo. com uma conseqüente redução das tarifas dos bens industrializados. ao tempo em que resistem a abrir seus mercados agrícolas. teve início a rodada de Doha onde estão em jogo os seguintes interesses:  Estados Unidos e União Européia forçam os países em desenvolvimento a abrir mais seus mercados para os produtos de suas empresas transnacionais e se negam a abrir seus mercados e põem barreiras aos produtos agrícolas (que eles fortemente subsidiam) aos países em desenvolvimento. China e outros países em desenvolvimento) liderados pelo Brasil. A partir daquela rodada. as negociações sobre o setor serviço. exigem dos países pobres que abram mais seus mercados a seus bens industriais e de serviços  Países em desenvolvimento mais pobres. houve verdadeira capitulação dos países periféricos em relação às suas reivindicações frente aos países hegemônicos que pela via de um acordo comercial injusto praticaram e. Índia. por eles praticados. pela primeira vez. que a partir dos resquícios do período colonial têm acesso “privilegiado” aos mercados dos países colonialistas e ricos por meio de cotas e que temem concorrer com outros países caso percam essas “esmolas ou privilégios”  Países que têm grande produção agrícola e economia aberta como Austrália. África do Sul. os países desenvolvidos aumentaram seus subsídios aos produtores agrícolas tanto no lado da produção quanto no da circulação dos bens produzidos pelos chamados países em via de desenvolvimento. quer o fim dos subsídios praticados pelos países ricos e o corte das tarifas que dificultam o acesso de bens agrícolas aos mercados dos ricos  Países ricos superprotecionistas como Japão. São dois pesos e duas medidas contra os pobres. Frente a esses conflitos de interesse. Suíça e Noruega que protegem seus subsídios e altas tarifas.XVI. Nova Zelândia e Chile que defendem abertura em todos os setores: indústrias. praticam um incomensurável saque. em muito. ano de 2012. Na medida em que os países . RODADA DE DOHA DA OMC/CONFERÊNCIA DE HONG KONG Na rodada do Uruguai. que resultam na pilhagem supradita  G 20 (Brasil.

contribuir para tal fim pelos danos causados às economias da: União Européia. o G 20. Também a União Européia. O incomensurável conflito de interesses chegou ao ápice na Conferência de Hong Kong.desenvolvidos pressionam os países em desenvolvimento para abrir seus mercados. Sem dúvida. foi marcada uma data para o fim dos subsídios europeus. como já aconteceu com o GATT. que sobreviveu ao mais duro teste de resistência nas negociações em que pesem algumas ambigüidades e vacilações. em contraponto. que foi bom para o G 20 liderado pelo Brasil. mesmo com posições ambíguas. comemorou a data de 2013 na medida em que ia ao encontro do tempo necessário a sua pretendida reforma na Política Agrícola Comum. como aconteceu na rodada do Uruguai. em muito. . A rodada foi uma oportunidade para reescreverem-se as normas do injusto sistema de comércio mundial onde os países ricos mantêm tarifas altíssimas e acochantes sobre os bens produzidos pelos países pobres. estes. ano de 2013. jamais desintegração ou capitulação como era comum acontecer em evento desse porte. Estados Unidos e Japão. Para isso a evolução da crise iniciada em 2008 pode. foram essas as negociações de soma zero da Conferência de Hong Kong. ou seja. fortemente pressionada e desgastada na Conferência. o destaque foi a eficiente e eficaz liderança do Brasil no G 20. porém. na Conferência de Hong Kong da rodada de Doha. tentam proteger-se e colocar os serviços como trunfo ou moeda de troca para negociar o fim dos subsídios aos produtos agrícolas. O debate e as negociações continuarão e a tendência é de os países pobres conseguirem um melhor acordo ou a OMC entrará em profunda crise institucional/mundial. em dezembro de 2005. O máximo que se conseguiu foi uma negociação de soma zero. fez valer a assertiva de que é melhor terminar a Conferência sem acordo do que se firmar ou sucumbir a um novo acordo ruim e lesivo aos interesses dos povos pobres do mundo. Dessa forma. Em todo o embate nas negociações. liderado pelo Brasil. porém sem quaisquer avanços no comércio internacional.

Jamais explicam o mercado como tese. A simplicidade do fetichismo da mercadoria faz dele um ponto de partida e uma boa referência para a análise das relações não econômicas. polímeros. circulação e consumo de bens econômicos. “o fetichismo da mercadoria é o exemplo mais simples e universal do modo pelo qual as formas econômicas do capitalismo ocultam as relações sociais a elas subjacentes. materiais magnéticos. Sua análise estabelece uma dicotomia entre aparência e realidade ocultada (sem que a primeira seja necessariamente falsa) que pode ser levada para a análise da ideologia: discute relações sociais vividas como sob a forma de relações entre mercadorias ou coisas. Segundo ele “as relações que ligam o trabalho de um indivíduo com o trabalho dos outros aparecem. membranas. a reificação do mercado e de sua propalada mão invisível segundo a teoria de Smith adotada por Keynes e os neoclássicos. é tido como fonte de lucro. por exemplo. como. Em decorrência dos problemas climáticos que hoje se dão no planeta o futuro aponta para o desenvolvimento de materiais “inteligentes” que possam prever e mitigarem ameaças de terremotos e intempéries climáticas e ambientais de toda ordem. semicondutores. cerâmicas. Segundo Bottomore. A revolução científica e tecnológica. Todos os novos materiais criados pelos humanos são recursos tipos bens econômicos com qualidades superiores as matérias primas que lhes dão origem e possui amplas aplicações nas esferas de produção. ligas. biopreabsorvíveis. Dessa forma a ele se aplica plenamente a teoria do fetichismo da mercadoria desenvolvida por Marx. quando o capital. ainda. valor de uso e valor de troca o que o torna necessária e obrigatoriamente uma mercadoria. mas como o que realmente são: relações materiais entre pessoas e relações entre coisas”. Essa assertiva deixa claro que todo o fetichismo do recurso natural está imbricado. etc. não como relações sociais direta entre indivíduos em seu trabalho. FETICHE DOS RECURSOS NATURAIS E DOS NOVOS MATERIAIS COMO MERCADORIAS Como foi visto todo o recurso natural como bem econômico é dotado de: valor. a negação e a negação da negação (síntese) no processo da lógica dialética. como quer que seja entendido. o monopólio como antítese e o estado como a síntese do “deus mercado”. já produziu mais de 50.000 tipos de novos materiais e aponta para cenários de aumento exponencial nos grupos de: metais. fibras. e não a mais valia. . A supra dita revolução ao penetrar no átomo leva os humanos a mover. materiais “inteligentes”.XVII. em outras palavras: a tese. compósitos. o que tem aplicação na teoria da reificação e da alienação”. entender e controlar desde átomos individuais até agrupamentos de átomos para sua engenharia de novos materiais no mundo dos elementos químicos que formam as substâncias. materiais bioinertes.

venha apelando para os mais terríveis meios de destruição em massa a partir de armas altamente sofisticadas científica e tecnicamente. nações. O planeta certamente voltaria a ter paisagem semelhante aquelas que existiram entre 200 e 60 milhões de anos atrás quando. dotado de sentido. da conversão do desconhecido em conhecido. raciais. tribos. portanto. hoje. de fotossínteses em laboratórios como hoje fazem naturalmente todos os vegetais. . O controle da natureza pelos entes humanos envolve as relações entre cultura e materialidade pelo processo de trabalho social que é histórico e. isto é. ainda. étnicos. de classes sociais. “a finalidade última do homem é a criação racional do próprio homem. existiram os dinossauros e outras formas de vida sem a existência dos primatas que evoluíram para o gênero humano a cerca de 6 milhões de anos. O ser humano é a origem de finalidades na ação transformadora no planeta. Isto os obriga a se envolverem na trama das contradições dialéticas de ordem intra e inter-humanas nos diferentes conflitos sejam eles: culturais. Segundo Vieira Pinto. etc. também. A esse fim é que serve o conhecimento científico produzido pela consciência crítica da realidade e pela compreensão dialética da necessidade de criação de uma sociedade que permita ao homem atingir a plenitude de sua humanização”. Toda essa assertiva reforça a tese de que a natureza é desprovida de doar sentido as demais formas de vida que. pode apenas alterar algumas situações climáticas de forma local e muito restrita. aqui. se envolve em uma visão antro política no dizer de Morin. hoje. Mesmo que para isso o metabolismo do capital. em sua obra Ciência e Existência. Esta é mediada pela sociedade a que os humanos pertencem. Muito dessas armas são para chantagear e fraudar a humanidade na medida em que não podem ser usadas por terem em si o poder de destruição da própria humanidade indo ao encontro das teses apocalípticas muito divulgadas pelo campo religioso. se aplica aos interesses das corporações internacionais nas questões das mudanças climáticas globais sob patrocínio das Nações Unidas e levadas aos estados nacionais inclusive com um discurso de desenvolvimento sustentável. como ela. O que se sabe e pode ser comprovada é a tese de que a ausência dos humanos no planeta levaria. em curto espaço de tempo (máximo de 50 mil anos). por um objetivo mediato a transformação da sociedade e a humanização da existência que acontece pelo seu papel político. age sob o princípio de causa e efeito sem absoluta intencionalidade fazendo-a ser muito mais caótica do que já é. A própria consciência humana é sabedora de que só da natureza pode emanar e advir os bens que lhe oferecerão a infinitude dos recursos naturais para uma vida humanizada feliz quando. a natureza a se recompor e reconstituir-se totalmente destruindo toda e qualquer obra humana na terra. Vale lembrar que o ser humano com toda sua revolução científicotecnológica não tem a mínima possibilidade de alterar ou modificar o clima global do planeta salvo em uma hecatombe atômica onde o próprio ente humano será extinto na terra. As células de hidrogênio ampliam em muito as possibilidades de futuramente termos uma economia energética tão limpa quanto à das hidrelétricas a partir de hidrogênio sem ainda ampliar e falar do uso da energia termo nuclear.No campo da biotecnologia e da produção energética não tarda a produção econômica de energia solar por células fotovoltaicas e. O ser humano. Esse terror. no sistema mundo do capitalismo. religiosos.

. mocambos. no sistema mundo do capitalismo. manifesta-se segundo:  Desordem nas cotações do comércio das matérias-primas ou “commodities” em cadeias econômicas de empresas com profunda exclusão social e exploração dos países pobres  Relações monetárias artificiais. tal como foi aceito. contém nele e provoca subdesenvolvimento”. FMI. seus estados nacionais e das organizações internacionais. bem como. agora. DESENVOLVIMENTO/SUBDESENVOLVIMENTO Considerando as oscilações das crises e não-crises da economia política mundial. fechamentos de fronteiras e guerras localizadas que se manifestam sob as óticas: ora de racismo. impõem fome e miséria a 80% da população mundial de forma a beneficiar 20% da mesma população  Desruralização do mundo altamente perversa em favor de uma vida urbana em guetos. simultaneamente. Conselho de Segurança da ONU. (OMC. por eles controlados.XVIII. favelas. inclusive de crianças. por corporações em todos os seus matizes do trabalho até mesmo escravista em pleno Século XXI e da crescente e incontrolável produção de lixo provocada pelo metabolismo do capital nas corporações e externalizadas para as populações  Concorrência monopolista ou desigual no mercado mundial onde os países hegemônicos através de suas corporações. BIRD. etc. com duas ou mais vertentes sob a base de uma política econômica hegemônica/imperialista  Acumulação incessante de capital a custa da depredação da natureza (biomas e ecossistemas). cortiços ou assentamentos subnormais com péssimas ou inumanas qualidades de vida e com violência social de toda ordem. O próprio sentido da palavra desenvolvimento. precárias e desreguladas de forma a ser um desastroso cassino global sob a égide de uma seletiva plutocracia imbricada às corporações e ao capital financeiro  Surgimento de máfias sob epítetos de corporações que mutilam as sociedades de todos os países em todos os continentes a partir da hedonística caça ao lucro e ao poder liderado por uma poderosa cleptocracia corporativista  Perturbações sistêmicas no metabolismo do capital que levam aos bloqueios. descartáveis ou não. suas regulamentações e desregulamentações sob os epítetos de “progresso/recessão” ou de “desenvolvimento/subdesenvolvimento” o mercado entre os países. da exploração hiperintensiva da mão de obra. ora religiosa e ora étnica ou.). A partir desses pressupostos é que no entender dos autores o cientista Edgar Morin mostra que “o problema do desenvolvimento depara-se diretamente com o problema cultural/civilizacional e o problema ecológico.

o nascer e o morrer estão doravante no campo político. em breve se arrisca a ser normatizada por um poder político que disponha do poder de manipular o poder de manipulação. da comunidade. Assim. A noção de subdesenvolvimento é um produto pobre e abstrato da noção pobre e abstrata de desenvolvimento”. é uma concepção redutora. portanto. O terceiro mundo continua a sofrer a exploração econômica. masculino. mas sofre também a cegueira. inclusive a humana. Quando há guerras civis ou desastres naturais. o subdesenvolvimento moral e intelectual do mundo desenvolvido”. ou seja: “de um lado. filho. A política. psíquicos e morais. a noção de desenvolvimento se apresenta gravemente subdesenvolvida. da solidariedade. que tende a confirmar a chamada hipótese 20/80. As perturbações que afetam as noções de pai. nas desigualdades humanas do sistema mundo capitalista. em que o crescimento econômico é o motor necessário e suficiente de todos os desenvolvimentos sociais. Do outro. A noção de ser humano. do destino humano. Por isso. Considera Morin que na nova problemática política fora da insensatez da ideologia desenvolvimento/subdesenvolvimento “o viver. ao desequilíbrio explícito no clivar Norte/Sul. Com uma análise. no sistema mundo capitalista. o pensamento limitado. as bifurcações e as oscilações imprevistas da realidade histórica têm levado renomados economistas e cientistas a condicionar seu ponto de vista a uma . Esta leva a concretizar. as turbulências. é um mito global no qual as sociedades industrializadas atingem o bem-estar. uma total e absoluta incapacidade de conceber um futuro para a humanidade em termos de “antro política” que vem a ser uma política do ente humano com vistas a tratar a biosfera em sua multidimensionalidade de problemas. Morin mostra que no após guerra ou nos últimos 60 anos (voltados para a ideologia do desenvolvimento e subdesenvolvimento o capitalismo levou o planeta. Morin antever na “antro política” que o devir do ser humano “traz em si o problema filosófico.” Confirmando a “tragédia do desenvolvimento” Morin mostra os dois aspectos fundamentais do desenvolvimento. reduzem suas desigualdades extremas e dispensam aos indivíduos o máximo de felicidade que uma sociedade pode dispensar. no sentido da vida. reclamam normas políticas. O mundo desenvolvido destrói seus excedentes agrícolas. mãe. da cultura. se vê de fato levada a assumir o destino e o devir do ente humano assim como do planeta”. Para tanto. a ajuda filantrópica momentânea é devorada por parasitas burocráticos ou políticos interessados em negócios. doravante politizado. tornado modificável por manipulações. põe suas terras em pousio enquanto fomes e miséria se multiplicam no mundo pobre. o que havia de fundamental na organização da família e da sociedade. isto é.Em sua contextualização ou desconstrução da categoria de desenvolvimento Morin mostra que a partir dos anos de 1945 (pós 2ª Guerra Mundial) surge como panacéia imbricada a categoria de desenvolvimento a tríade “ciência-técnica-indústria” como uma ideologia acoplada ou atrelada à noção positivista de “progresso”. “as grandes potências conservam o monopólio da alta tecnologia e se aproximam até mesmo do poder cognitivo e manipulador do capital genético das espécies vivas. Em sua crítica a cegueira da ideologia do desenvolvimento e do subdesenvolvimento Morin mostra que as incertezas. das finalidades humanas. Essa concepção tecno-econômica ignora os problemas humanos da identidade. feminino.

a obsessão dietética e a obsessão com a forma fisica multiplicam os temores narcísicos e os caprichos alimentares sustentam o culto dispendioso das vitaminas e dos oligo-elementos. os indivíduos. portanto. A crítica de Morin tem muita procedência o que leva os leitores e discentes a desconstruirem muitas das assertivas. portanto. segundo Morin. Ela julga perceber a natureza profunda da realidade numa concepção que a torna cega à natureza complexa dessa realidade”. ou seja: “o possível é impossível e vivemos num mundo impossível em que é impossível atingir a solução possível”. A bibelomania se conjuga com a bugingangomania”. Sobre o papel do estado-nação. neles existentes. Conclui. Ele subordina o ente humano produtor ao ser humano consumidor e este ao produto vendido no mercado monopolizado que por sua vez fomenta as orças libidinais. no Brasil. a autenticidade. muito capazes de adaptar o progresso técnico aos humanos. a tez pura. a saúde.interpretação economicista da história. cada vez menos controladas. Eles percorrem as vitrines. maníoaco pelo prestígio. os antiquários. tem sistematicamente apontado os desvios dos econocratas na sua coluna Sextante na revista Carta Capital. embora seja demasiado grande para se ocupar dos problemas singulares concretos de seus cidadãos”. na competição técnico-econômica entre os países e. O consumo desregrado torna-se super-consumo insaciável que alterna com curas de privação. a beleza. os mercados de pulgas. Ainda. o técnico-econômico se torna um problema político permanente. É. Segundo ele. de êxito. da ciência e das idéias enfraquecendo o papel democrático vital às soluções dos conflitos. de progresso. As classes sociais subordinadas nos estados-nação são “cada vez mais incapazes de salvaguardar as identidades culturais que são provinciais e . que “os econocratas. Com essa assertiva augura-se aos discentes e leitores possam entender o metabolismo do capital que tem imbricado em si o espírito de competição. Também Antônio Delfim Neto. ambivalência. não é legível de maneira evidente nos fatos. nesta desconstrução do desenvolvimento/subdesenvolvimento vale lembrar que Morin mostra que sobrepor o técnico-econômico ao político é pura ingenuidade. Essa agitação econômico-social mercadológica é. ele se tornou demasiado pequeno para se ocupar dos grandes problemas agora planetários. não é senão nossa idéia de realidade depende também da aposta” e não refletindo a realidade concreta apenas a traduz “de um modo que pode ser errôneo”. o que permite ao alunado criar suas próprias idéias sobre os modelos de aderência àquilo que se denomina ou se imagina ser realidade. Entre os ricos o consumo se torna histérico. os grandes magazines. especialmente. e desenvolve o hedonismo a um nível tal a dissolver toda e qualquer possibilidade de solidariedade humana. “superfícial e se apodera dos indivíduos assim que escapam às coerções escravizantes do trabalho. da ordem e da desordem ou simplesmente da teoria do caos. da técnica. Morin é enfático em afirmar que “se tornou bastante forte para destruir maciçamente humanos e sociedades. Esta é regida pelos princípios da incerteza. principalmente. não conseguem imaginar soluções novas de reorganização do trabalho e de repartição da riqueza”. A economia “ignora os acidentes. em conjunturas de depressão ou crise. Dessa forma. no processo de circulação das mercadorias. a realidade “não é feita só de imediato. a loucura humana. as paixões. envolvendo os vieses das ideologias.

. o juiz responsável pelo caso declarou. era estabelecida uma jurisprudência através da qual. uma camisa ou uma bolsa que foi confeccionada através do trabalho escravo de uma inocente que não tem futuro. “Corporações são consideradas como pessoas perante a lei. inclusive à eles próprios”. Para o leitor ter idéia do que vem a ser corporação vale transcrever. Isso significa que. no final o que importa. a contextualização da dileta aluna Marluce de Castro Acosta (Curso de Publicidade e Propaganda) sobre o documentário canadense “The Corporation” dirigido por Mark Achbar e Jennifer Abbott com roteiro de Joel Bakan apresentado em sala de aula. produzir mais consumo e vender mais sonhos. a limitação de seu poder absoluto de vida e de morte sobre etnias e sobre os indivíduos”.se defendem justamente exigindo a diminuição dos poderes do Estado”. ‘a corporação ré é um indivíduo que goza das premissas da 14a Emenda da Constituição dos Estados Unidos. o fato de milhões de crianças ingerirem leite podre e estragado e ninguém fazer nada.. o que.. enfrentou nos tribunais a Southern Pacific Railroad. perante as leis Norte Americanas. a qualquer pessoa sob sua jurisdição. até porque estão tão concentrados em seus próprios problemas que se esquecem que isso afeta a todos. Podem comprar. No veredicto. Diferentemente de mim ou de você. . Sua principal razão de ser é a obtenção de lucro. falido e. alugar. igual proteção perante a lei’. é a satisfação da usar um tênis. “É lógico que o documentário nos mostra uma mídia que só está preocupada em lucros e em vender. incorporar patrimônio e tantas outras ações que as pessoas físicas realizam durante suas existências nesse planeta. Estamos legando para as próximas gerações de habitantes da Terra um mundo destruído. e quando alguém tenta. corporações poderiam considerar-se como indivíduos”. capitalizar ganhos. porque no mundo em que vivemos não importa quem somos e sim o quanto ganhamos. acionar judicialmente. tampouco alma. vender e vender. A citada aluna assim resume sua contextualização: “O filme. sofrer perdas.. não importando-se com nada exceto bater metas. Achei o documentário excelente sim. “A superação do Estado-nação não é sua liquidação. sem maiores explicações. poderosa companhia de estradas de ferro. “O que mais me impressiona nesse documentário é a nossa impotência diante de tudo isso. mesmo que isso se oponha ao bem estar comum de toda a coletividade humana”. “O documentário mostra os rumos da vida nesse planeta ao gerenciarmos de forma irresponsável e inconseqüente os recursos que por aqui existem. de fato é uma corporação. não ao menos um futuro no mínimo decente”. para finalizar. Tudo se deu início em 1886. que proíbe ao Estado que este negue. mas sua integração em associações mais amplas. também não importa se uma menina de nove anos trabalha por prato de comida. vender. não têm corpo físico definido e. doente ou até mesmo morto”. é obrigado a se calar. em sua argumentação. quando o condado de Santa Clara. só acho uma pena que a maioria dos jovens de hoje pouco se preocupem com isso. nos EUA. ou documentário descreve. a partir daquele momento. .

em alto e bom tom. e me mostra que a publícidade também pode servir para algo bom e positivo. questiona como seria se o mundo inteiro fosse privatizado. ou guerras. como o ataque terrorista ao World Trade Center. impotente para mudar qualquer ação da empresa onde trabalha. pode sim servir como um alerta. e assistir algo assim é realmente libertador para mim. alimentos. de um destacado consultor do mercado financeiro. Outro depoimento. atesta que graves crises.“Eu sou uma pessoa positiva e que acredita ainda em mudanças. o documentário mostra também os dois lados de uma mesma moeda. pois. água. é possível que eu não tivesse consciência da dimensão desse problema. idéia essa que já existe”. pois foi através da publicidade que tivemos acesso a esse tipo de material. “Gostaria de destacar que a certa altura do documentário um alto executivo de uma multinacional se diz. como aquelas que são travadas no Oriente Médio. sempre preocupei-me com o fato das grandes corporações serem tão dominantes como são. mas isso já me preocupava. me certifica do que quero fazer. petróleo. É lógico que mesmo antes de assistir ao documentário em questão. indústria bélica. Isso é o fim”! . mesmo considerando que muitas das práticas contrariam seus princípios e filosofia de vida. são um ótimo negócio para os investidores que apostam suas fichas diariamente em ouro.

empresas e governo que fazem investimentos. Em outras palavras em situação de monopólios e monopsônios não existe mercado livre (lócus onde se dão as trocas de mercadorias e serviços) e a negação do monopólio/monopsônio se dá pelo estado/governo. principalmente. famílias. O desenvolvimento de uma intricada rede de intermediários financeiros de uma espantosa variedade de ‘ativos’ . dos empregos e da renda pela procura efetiva. . Seus postulados estão voltados aos níveis das atividades econômicas. Autarquia ligada à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Não obstante. Do ponto de vista dialético o mercado é a tese. hoje. Seus postulados estão nas teses de os mercados equilibrarem a livre concorrência do ponto de vista das necessidades dos consumidores. etc. fortemente monopolizados por corporações mundiais que ditam os preços e o sentido das políticas e das economias os estados . etc. surge em 1936. SINÓPSE DA ECONOMIA REAL DE MERCADO Durante a 2ª Grande Crise Mundial do Capitalismo. na prática. depósitos em bancos. Esta é composta pelas compras dos: consumidores. – destina-se antes de mais nada a partilhar riscos (ao menos subjetivamente) para o operador individual”. No caso brasileiro essa negação da negação se opera através do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. nos anos 30 do Século XX.XIX. A macroeconomia tem seu objeto na economia nacional como totalidade. É adotada nas escolas econômicas.nações ou países. “A jogatina muita vezes desenfreadas nas bolsas de valores e nos demais mercados financeiro reflete o caráter aleatório das decisões econômicas. mão de obra e capitais. Está imbricada ao princípio da concorrência perfeita dos mercados mesmo sabendo que não passa de um mito na medida em que todo processo de produção e circulação de bens e serviços estão. chamada procura agregada. quotas de fundos de muito tipos. A microeconomia tem como objeto o comportamento individual do consumidor e da empresa ou firma. o monopólio a antítese (negação) e o estado à síntese (negação da negação).. debêntures. o poder persuasivo das corporações mundiais torna a missão da citada Autarquia inócuo. marginalista e neoclássica. também. uma doutrina formulada por Keynes que teve e tem forte impacto sobre a teoria econômica (Economia Política) dividindo-a em dois importantes segmentos: a Microeconomia e a Macroeconomia. serviços. Segundo Singer o investimento no modo de produção capitalista é uma atividade arriscada como se fosse um jogo de azar. títulos públicos.ações. Refuta toda e qualquer intervenção do estado/governo em quaisquer atividades dos mercados sejam eles de produção de mercadorias. títulos privados.

assim como. . pela suas simplicidades. Esta é uma metodologia da macroeconomia para registrar e quantificar os agregados macroeconômicos de forma coerente e sistemática de todos os fluxos circulares de renda e de produção. menor ou maior que as necessidades sociais. Estados Unidos e Japão. Também. Na macroeconomia é indispensável o conhecimento e uso de modelos econômicos. e que está muito longe de ser solucionada. financiamento. todo ativo é igual ao passivo. na União Européia. região ou bloco econômico. acumulação e comércio. para cada crédito corresponder um débito. geração de renda. ou seja. necessariamente em termos contábeis. ainda. podem ser contabilizadas pelas entradas e saídas dispensando as partidas dobradas. ou ainda. consumo. na América do Norte. Desde as técnicas da contabilidade de uma unidade empresarial até as técnicas ou método da contabilidade nacional ou social prevalece o paradigma de que “tudo que entra deve e tudo que sai tem haver”. Por ser parte integrante da teoria macroeconômica a contabilidade nacional ou social é indispensável para as análises dos fenômenos macroeconômicos em todos seus processos de certezas e incertezas. De modo geral a contabilidade nacional ou social está imbricada a base estrutural e funcional dos modelos macroeconômicos. acumulação e relação comercial e monetária entre países podem e devem ser quantificados e avaliados pelo método e técnicas da contabilidade. Frente aos ambientes de incertezas dos mercados do sistema mundo do capitalismo onde todas as empresas atuam enquanto produzem e distribuem mercadorias. principalmente. consumo. Na contabilidade por partidas simples (usadas em nível pessoal e doméstico) as contas. Como o processo do circulo se rege por conflitos e manifestações contraditórias para atender as necessidades sociais dos valores de uso das mercadorias produzidas e comercializadas para a população do país torna-se imprescindível a presença do estado/governo como regulador do mercado. É importante explicitar que na contabilidade nacional ou social existem procedimentos metodológicos que evitam duplicação de lançamentos nas contas contábeis que venham falsear as informações que as consolidam no sistema de contas da contabilidade nacional ou social. os fundamentos das partidas dobradas para as análises das contas contábeis desde uma Unidade Empresarial até a de um país. Há desconhecimento se as ofertas globais dos valores de uso de seus bens econômicos são igual. os somatórios das contas implicam na identidade de que. Em virtude das incertezas e da anarquia da produçãocirculação-consumo das mercadorias a regulação das trocas deste circulo se dá pela Lei da oferta e da procura. Todo circuito econômico de: produção. Nessas identidades prevalecem. Exemplo disso é atual crise que teve início em 2008.Esses riscos e conflitos têm como resultados no sistema mundo capitalistas de que uma crise financeira leva necessariamente a uma crise maior no sistema econômico como um todo. o processo contábil obedece a princípios de que em todos os fluxos circulares de renda existe a lógica da identidade entre produto. PNL=RNL=DNL. renda e despesa. Em outras palavras significa dizer que em contabilidade nacional ou social PIB=RIB=DIB. das contas que tratam do sistema da contabilidade nacional ou social de um dado país. isto é.

BIRD. economia do turismo.particularmente. . economia dos transportes. Talvez essa seja a razão de nas faculdades a disciplina economia política ser lecionada por distintos segmentos das já comentadas macroeconomia e microeconomia. naquilo que trata da monopolização-monopisonização no supra citado circulo. Não é a toa que previsões do Banco Central. fragmentação e segmentação da ciência economia política leva o discente a uma visão parcial. economia agrícola ou rural. FAO. Dessa forma surgem disciplinas altamente especializadas. fiscais. monetárias. cambiais e de importação/exportação. economia industrial. economia fiscal. etc. OMC e tantas outras entidades tangenciam ou passam longe das realidades econômicas sociais das unidades territoriais analisadas. etc. Para tal propósito o estado-governo regula o processo por políticas: salariais. PNUD. economia do comércio interior e exterior. Essa disciplinização. etc. FMI. segmentadas e fragmentadas tais como: economia monetária. muita das vezes ingênua causadora da cegueira acadêmica das organizações de ensino.. economia industrial.

Tem cada vez mais uma ação condicionante ou mesmo determinante sobre o corpo.. clima. Tradicionalmente. O termo ambiente. ou seja. Assim. a consciência e a práxis dos seres humanos componentes privilegiados desta realidade. além do relevo. a igreja. Assim. como o ar.XX. políticas. ao afirmar que o meio globalmente considerado é constituído tanto por elementos materiais de ordem física ou biológica quanto econômicos e culturais. países. os animais. Considera-se que os seres humanos. A literatura dominante enfatiza apenas a história ecológica da Terra. deixando de lado o papel crescente da reinvenção social do natural (Florit. pois não leva em conta uma dimensão real para milhões de seres humanos: a dimensão espiritual de grande impacto sobre a realidade concreta. as empresas e outras instituições e organizações fazem parte do ambiente. etc. a partir da tecnociência. Ai incluídas as estruturas mentais dos grupos humanos que participam das diferentes. as rochas. moral e estética. vai buscar em Josué de Castro (1964). o meio é o suporte da humanidade constituído por todos os seus componentes. material. civilizações. a água. ou seja. exercem ações diferenciadas sobre a estabilidade ou . participantes de estruturas públicas e privadas. sociais. histórico-cultural. Geórgia estão de acordo com esta concepção de meio. em Tbilisi. vegetação. por exemplo. 2004). neste trabalho. uma realidade constituída por elementos visíveis e invisíveis em interação constante entre si estabelecendo uma dinâmica de extrema complexidade. os fundamentos filosóficos de sua definição. Ou seja. CONCEITO DE AMBIENTE Este capítulo resulta de uma síntese de um curso de pós-graduação patrocinado pela Cátedra Jose Marti do Centro de Educação da UFPE sob a Coordenação do Professor Docente Doutor Vantuil Barroso Filho. os vegetais. fauna e solo. uma natureza que estaria sendo recriada por alguns seres humanos para a acumulação privada de capital. considera o meio ambiente em sua totalidade. Esta concepção é reducionista ao considerar de maneira explícita ou implícita. gêneros e idades. em seus aspectos naturais e criados pelos seres humanos abrangendo as dimensões econômicas. ambiente representa uma totalidade constituída pela interação de quatro dimensões da realidade: física. a escola. a recomendação n2 de Tbilisi. apenas as dimensões físicas e biológicas como constitutivas do ambiente ou do meio ambiente. No caso dos seres humanos. regiões. a família. classes sociais. As recomendações emanadas da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em 1977. biológica. Esta definição ainda pode ser considerada como redutora. social e psicológica. Em seus princípios básicos. o termo ambiente é definido como o conjunto de elementos bióticos e abióticos que permite a vida de uma espécie.

) e o outro constituído pela natureza e a sociedade também em todas as suas dimensões e sistemas. pois este aspecto poderá condicionar um tipo de comportamento em relação ao ambiente mais próximo. numa sociedade capitalista avançada. 1. No caso do ocupante deve ser levado em conta até a situação do morador. As transformações da matéria. a atmosfera. O poder de compra influencia no tipo de alimentação. Cada uma tem uma dinâmica própria. o ambiente não é o mesmo para pessoas que tenham rendimentos profundamente diferenciados. pode se considerar ambiente como o produto do poder aquisitivo que permite percepções e assim relações diferenciadas com o meio em que vive. físicas. deve se levar em conta. de acordo com a posição que ocupam nas diversas estruturas das sociedades. epifenômenos do processo histórico de acumulação de capital. notadamente ocidentais.equilíbrio do meio e são atingidos diferentemente pelos problemas ambientais e sociais. a hidrosfera. consubstanciando um relacionamento diferenciado com o ambiente que geograficamente compartilha com milhões de pessoas em permanente processo de recriação. se a mesma está situada em frente ao mar. Dessa maneira. a antroposfera. isto é. a litosfera ou geosfera. Em resumo. No caso de organismos fala-se em metabolismo embora seja necessário enfatizar que algo semelhante ocorre também com todas as formas materiais. em todas as atividades do ser humano. estão cada vez mais sendo conduzidas pelas decisões tomadas pelas elites da humanidade. De uma maneira extrema. se proprietário ou não. ou seja. que afeta e é afetada pela dinâmica das demais. no caso do Recife. antes comandadas por uma força natural. potencialidade da matéria estelar originária. cada camada foi formando à seguinte que interfere sobre a que lhe deu origem e prepara o advento de uma sucessora. diariamente aparecem novos materiais e novas recombinações orgânicas. com o uso crescente da ciência e da tecnologia. preservacionista. interna. de confronto e de colaboração. a biosfera. alguns elementos do clima e até a própria paisagem se diferenciam. ambiente ou meio ambiente pode ser aqui definido como o conjunto formado pelas relações dialéticas. no consumo. no transporte. a sociosfera e a noosfera. de ação e retroação. emocionais. intelectuais. todas as outras características ligadas ao sítio e situação do imóvel. no vestuário. a umidade. pois dependendo da altura a temperatura. de antagonismo e de complementação. Se a residência tem ou não condicionadores de ar. indiferente ou mesmo predatório. isto é além das características arquitetônicas. Em tese. se está voltada para o nascente ou o poente. que são incorporados ao conjunto de . embora convivam na mesma cidade ou até no mesmo bairro ou edifício. Estabelecidas entre o indivíduo (e suas dimensões constitutivas. Estas estão utilizando novas e mais eficazes formas de organização do espaço em benefício próprio. GÊNESE DO MEIO AMBIENTE O meio ambiente atual é fruto de transformações históricas da matéria estelar a partir do resfriamento da Terra que constituiu sucessivamente. ou nos córregos e alagados. própria. no lazer. Se no caso de apartamento em qual andar se situa. religiosas. na poluição. etc. Iniciando pela residência. a litosfera. enfim. A partir de uma massa incandescente inicial. além dos aspetos de porte e acabamento da moradia.

para criar a história da nação. o imperialismo e a globalização são etapas da recriação do meio ambiente mundial. por exemplo. a partir de decisões tomadas nos sucessivos centros hegemônicos do sistema-mundo capitalista. biológico. violado. a história da região por ele saqueada. 38). se constituem de elementos invariantes universais (embora também variem em escala temporal mais lenta) e de elementos que variam de época para época. 2. Ao contrário. os centros das forças estruturantes do ambiente estão cada vez mais concentrados em certas forças sociais que eventualmente podem se disseminar paisagisticamente. Assim definida." Frantz Fanon (1979. ibérico. social e psicológico. A ocidentalização. a formação dos estados nacionais e a colaboração da filosofia iluminista e da ideologia liberal . aproveitando-se das prerrogativas de flexibilidade espacial que hoje o poder assegura a seus detentores. um ambiente central e outro periférico: metrópole e colônia. europeu ocidental e norte-americano. sobretudo a conquista da América no século XV  A partir da revolução industrial européia do século XVIII.elementos do meio ambiente. Estão a serviço de uma política de ocidentalização do mundo que cobre praticamente todos os espectros da realidade. portanto. A história que escreve não é. a natureza e a natureza humana. sujeito a fluxos e refluxos. toda a região do que hoje é o Oriente Médio. a história da pilhagem. Outros indicam as cruzadas que a partir do século XI pretendiam estender a fé cristã para os povos islâmicos. A imobilidade a que está condenado o colonizado só pode ter fim se o colonizado se dispuser a pôr termo à história da colonização. os elementos reitores. alterando a evolução dita natural. é a existência de uma crescente periferização do centro sem que haja uma correspondente centralização da periferia. Estas novas ferramentas de alteração da realidade não são politicamente neutras. processo de expansão da cultura ocidental para o resto do mundo é o principal mecanismo de recriação do ambiente incluindo as pessoas que dele participam. Alguns historiadores datam o seu início com a ação de Paulo de levar o cristianismo para. embora haja manchas cinzentas de interpenetração. pg. Historicamente. principalmente americano. a expansão do modelo ocidental de sociedade é muito antiga e dirige a recriação de acordo com os interesses e possibilidades das elites de cada época. A tendência atual. países desenvolvidos e subdesenvolvidos. EVOLUÇÃO DO MEIO AMBIENTE. No entanto. E porque se refere constantemente à história de sua metrópole. constituiu-se um modelo dicotômico. “O colonizador faz a história e sabe que a faz. Este processo. mas a história de sua nação no território explorado. centrais e periféricos. As conseqüências desses arranjos projetam-se no nível físico. O colonialismo. a história da descolonização. indica de modo claro que ele é aqui o prolongamento dessa metrópole. se acelerou em três momentos nos últimos séculos:  A partir das grandes navegações.

hoje o excluído. com uma religião. dos eslavos. mas o todo é maior do que a soma das partes. a Europa. Esse processo de conquista ofusca a figura do oponente. o conservadorismo. e de elites enxameadas e subalternas de todas as demais civilizações (Huntington. com uma raça. instrumento da produção econômica. internos como o feudalismo. hoje é mais uma noção ideológica. "se aceitarmos a pertinência desse conceito de Ocidente como unidade fundamental subjacente a toda uma série de fenômenos que se desdobrou na história. com um sistema econômico ou modo de produção. do poder . helênica e cristã. como o bolchevismo soviético e os movimentos de libertação nacional dos países periféricos. Segundo Latouche (1996. bio e noopolítica do que geográfica. dividido em duas categorias. Assim a essência do Ocidente tem a ver com uma entidade geográfica.45). com uma filosofia. a branca. transformado em subalterno. a ideologia da globalização. Hoje. geo. a história da América Latina pode ser dividida em três etapas: colonialismo. mas contam com contribuições diversas dos latinos. pg. não podemos captá-la senão em seu movimento". Uma interna. o absolutismo. de brancos honorários como os japoneses e coreanos do sul. o capitalismo. 3. Culturalmente o Ocidente é uma amálgama constituída por três dimensões principais: judaica. dos judeus. As ambas são negadas protagonizo sócio histórico. imperialismo e globalização. Atualmente o comando está nas elites anglo-saxão. que deve ser identificada em sua singularidade e permanente superação. a mais guerreira da história. é o modelo dominante em todo o mundo onde se materializa em maior ou menor grau de acordo com o processo histórico de implantação em cada país. Após a Guerra Fria. o iluminismo. sua imensa contribuição ao processo de ocidentalização que hoje atinge seu ápice e como tal incapaz de desenvolver um projeto alternativo de civilização. e externos. Para seus adeptos. Cada etapa amplia a dominação ocidental para todos os setores da natureza e da sociedade através do uso crescente do saber. apenas ligeiramente beneficiadas com as migalhas da conquista e a externa. segundo algumas abordagens clássicas. conforme as épocas. não só considera que este é o melhor sistema de sociedade como o único a ser seguido pela humanidade em sua permanente rota de aperfeiçoamento. a cristandade. dos germanos. Face às transformações sofridas. Tratase de uma cultura. Após derrotar todos os inimigos. o advento da globalização e de sua ideologia o neoliberalismo. COLONIZAÇÃO IBÉRICA De acordo com o enfoque da ocidentalização do mundo e conseqüente recriação do meio ambiente. 1996). as populações não ocidentais. Suas colunas principais podem ser identificadas às margens do Atlântico Norte. por exemplo. o neoliberalismo. Os contornos de seu espaço geográfico são mais ou menos precisos. o Oriente. constituída pelas massas do próprio ocidente. como a de Said (1990). em grande parte resultante das migrações das áreas conquistadas. Europa Ocidental e América do Norte. o nazi-fascismo e a social democracia.

denunciam as atrocidades dos conquistadores. Os séculos iniciais da colonização marcaram profundamente a América desde o ponto de vista demográfico. tamarindo. biológica e social. processo histórico comandado pelas coroas ibéricas e executado por figuras privadas. cujas atividades se projetaram na paisagem através dos fortes. ) mas esse povo novo. o tifo e o sarampo que mataram milhões de americanos e continuam matando até hoje. Novas espécies vegetais. porque nunca passou de uma aviltada força de trabalho a serviço de interesses externos e de uma elite que atua apenas como representante local desses mesmos interesses" (Santos. canela. pimenta do reino. laranja. carambola. a colonização criou um povo desenraizado sem cultura própria. limão. Assim. do negro africano arrancado à sua tribo e exportado para o Novo Mundo como escravo e do camponês europeu arrancado à sua gleba e transformado em aventureiro.. melancia. "formou-se a partir da deculturação e desterritorialização de suas três matrizes étnicas: do índio.. camufladas por uma pretensa missão evangelizadora. as que não interessam aos laboratórios farmacêuticos como a malária e a tuberculose entre outras. O velho colonialismo marcava uma divisão muito clara entre dominadores e dominada ficando esta etapa do chamado processo civilizatório famoso por sua crueldade que resultou em degradação humana e mesmo extinção de etnias. coqueiro. arroz. ( . testemunha ocular da história. hoje a forma mais expressiva de dominação. gengibre. militares e missionários. Citando Darcy Ribeiro. Milhões de seres humanos foram mortos diretamente pela ação da superioridade bélica européia e ou pela modificação no meio ambiente o que incluiu a adoção de novas práticas sociais. desde os primórdios da colonização os ambientes de todos os continentes passaram a ser crescentemente alterados em graus diferenciados em todas as dimensões. As obras de Frei Bartolomeu de Las Casas (1474-1566). dividindo-se o botim percentualmente entre as partes beneficiadas. banana. cada um atuando em sua área e reforçando o projeto de dominação. das feitorias e das missões. uva. é 'povo que não existe para si'. jaca. A América foi invadida por hordas sequiosas de riquezas. animal e mineral os colonizadores passaram a produzir riqueza para exportação como o açúcar e outras culturas. Moendo e fundindo as matrizes originais em uma entidade étnica nova. figo. Segundo Latouche esta etapa da recriação do ambiente. A partir do extrativismo vegetal.político e militar e do significado cultural. tangerina. como cultural. Do ponto de vista ecológico. fruta-pão. física. cravo.2003 pg. inclui-a cada dia novos setores da realidade. arrancado à sua comunidade tradicional. lima. O genocídio se estendeu pela transmissão de doenças para as quais o nativo não tinha defesa apropriada como a malária. animais e de microorganismos foram introduzidas e novas organizações sociais e objetivos econômicos determinados para os nativos. trigo. Laymert Garcia diz que o povo brasileiro. aveia. e à sua própria terra. LG. de cerca de três séculos. ambiental e psicológico. a varíola. sem tradições. . feijão. melão. teve como característica os três M: mercadores. sem laços com a terra. algodão. café. os portugueses promoveram uma profunda alteração na biodiversidade brasileira introduzindo espécies exóticas como: cana-de-açúcar. A organização do espaço periférico físico e social ou desorganização se vista do ângulo das populações nativas. 29). através das chamadas doenças negligenciadas. manga.

IMPERIALISMO INGLÊS A partir do século XVIII na Europa uma nova organização da sociedade facilitou a concentração da riqueza e do poder em grupos sociais restritos. Algumas doenças contagiosas foram combatidas. padrões de vida diferenciados de acordo com a maior ou menor permanência dos frutos do progresso material nessas áreas. culminando com a eclosão da I Guerra Mundial entre 1914 e 1918. inclusive microorganismos patógenos. nozes. amoras. em 1885. pinha. Nas primeiras décadas do século XIX quase todas as nações americanas conseguiram se livrar do velho colonialismo. tudo pode ser dito sobre o imperialismo dos séculos XIX e XX. de origem americana. com repercussões positivas sobre o crescimento demográfico. O aspecto mais notório desta fase é dado pela dimensão econômica através da qual as sociedades tradicionais se transformaram em países subdesenvolvidos e passaram a exportar matérias-primas e produtos primários . Na dimensão política. O fim do velho colonialismo não significou o fim do colonialismo. pela construção de estradas de ferro e de portos para escoamento da riqueza produzida. A conquista territorial pura e simples. A industrialização gerou a urbanização provocando novas demandas que o ambiente europeu não tinha condições de satisfazer. sobretudo pelo comando arbitrário das coroas ibéricas sobre as terras e os habitantes do além-mar. o velho colonialismo se caracterizou. maçã. Apesar da tentativa de harmonizar os apetites das burguesias européias na Conferência de Berlim em 1885. talvez as mais susceptíveis de contaminar as populações metropolitanas. Novas matérias-primas foram solicitadas pelo voraz sistema produtivo industrial e o crescimento demográfico europeu necessitou de crescentes fontes de alimentos que passaram a ser desenvolvidos em outros continentes. O mesmo ocorreu no que respeita os animais e a microflora e fauna. continuada entre 1939 e 1945 (pela Segunda Guerra) e pela Guerra Fria concluída em 1991. além da concessão de serviços públicos às empresas estrangeiras. aperfeiçoou o sistema de tal maneira que o dominado não percebe a dominação em que vive e enaltece a liberdade que julga possuir. Sua paisagem se transformou pela ampliação das minas e das "plantations" já iniciadas anteriormente. graviola e uma serie interminável de outras plantas inclusive medicinais. Mas a partir da Conferência de Berlim. 4. esta fase histórica ampliou e aprofundou os conflitos existentes. pêra. uma nova divisão do mundo se iniciou. menos tratar-se de um processo pacífico. cada um de acordo com a realidade encontrada pelos ocidentais em seu processo de expansão mundial. Neste período histórico que vai de 1889 a 1945. sapoti. pelo contrário. o sistema de concessões e o protetorado. com a redivisão do continente africano pelas potências européias. pêssego. Três formas principais de relacionamento da Europa com os povos de outros continentes podem ser identificadas a partir de então.inhame. O exemplo da fase histórica anterior. por conseguinte. o Brasil passou a ser auto-administrado de acordo com as diretrizes da Europa. romã. Vale ressaltar que após 1492 os barcos europeus iniciaram a diversificação dos ecossistemas de outros continentes ao levar para estes lugares representantes da fauna e flora. Muitos bairros das cidades periféricas foram saneados para abrigar as camadas dirigentes. O embate com as culturas nativas gerou paisagens diferenciadas e.

Paris. porém escrever a história das mentalidades para percebemos que ele é a maior conquista de todos os tempos. é importante não desprezar o papel inovador e estimulador do crescimento econômico e do desenvolvimento representado pelas guerras internas européias que se propagaram pelo mundo. acabando por sobrar apenas um. Maurel. Após a Segunda Guerra.) Os brancos passaram para os bastidores. o saque colonial e o comércio desigual enriqueceram a Europa e seu herdeiro os Estados Unidos que não cessam de inovar em suas relações com o resto do mundo. principalmente na década de 60. desviadas em beneficio de populações estrangeiras. Em síntese. Basta. mas novas relações de dominação foram estabelecidas inclusive em países que heroicamente obtiveram sua independência pela força da insurreição. O comércio desigual estabelecido entre as elites associadas escondia o domínio do saber de um dos pólos do sistema sobre o outro. afinal ganha pelo projeto liberal de sociedade agora transformado em neoliberal na era da globalização. Nesse sentido. A obra-prima do colonialismo é a farsa da descolonização(. Analisando-se a história como uma luta pelo controle da riqueza mundial pode-se considerar que as chamadas guerras mundiais são na verdade três batalhas de uma só guerra pelo controle do mundo. o colonialismo é um fracasso. mas continuam sendo os produtores do espetáculo" C. Robert Laffont. março de 2012 . "Se escrevemos a história das batalhas... Eis o histórico do subdesenvolvimento: crescimento demográfico acelerado e não acesso às riquezas produzidas. 1985. Exotisme colonial. Recife.e importar produtos industrializados dos países desenvolvidos estabelecendose a primeira divisão internacional do trabalho. os Estados Unidos após a Guerra Fria. A cada guerra "mundial" o número de protagonistas principais diminuía. muitas das antigas colônias passaram a ser juridicamente independentes de suas metrópoles.

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Tem seus diplomas revalidados: o de Engenharia Econômica como Economista na Universidade Federal da Paraíba e o de Mestre em Administração de Empresas na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Em diferentes ocasiões foi Consultor da FAO. Política fundiária no Nordeste (Massangana. OEA. Têm publicado mais de 75 ensaios e trabalhos científicos incluindo-se entre eles: relatórios técnicos e trabalhos em equipe. é Professor Universitário (dá aulas em cursos de pós-graduação. (Livro Rápido. Foi ativista estudantil. É autor dos livros: Agenda 21 e desenvolvimento sustentável. Habilitado pelo CORECON sob o nº 777. Eslováquia. no Brasil e. participou da UNCTAD XI (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento) em São Paulo.O AUTOR Geraldo Medeiros de Aguiar. UFPB. 1984). 1985) e. BID e IICA através de contratos específicos e temporários. ainda na República Tcheca. Segurança alimentar e biocombustíveis. 1990). Aspectos gerais da agropecuária do Nordeste (volume 3 da Série Projeto Nordeste. e Nicarágua. Participou do quadro técnico e trabalhou como Consultor em grandes empresas e ONGs. Foi co-autor de vários planos diretores setoriais e urbanos nos estados do Nordeste e. 1971). 2008). e conferencista em mais de 50 eventos em várias universidades brasileiras e professor convidado em mais de 20 cursos de pós-graduação. Apreciação e sugestões de políticas. Possui longa experiência nos setores: público. Políticas econômicas setoriais e desigualdades regionais. (Caminhos e desvios). No momento. desenvolvimento local e integração regional (Ed. particularmente na “Primavera de Praga”. 2004). cursos de graduação . 2003). 2004). 1984). de EIAs e RIMAs de diferentes barragens para o DNOCS. (Ed. Polônia. Engenheiro Econômico e Mestre em Engenharia e Administração de Empresas pela Escola Superior de Economia de Praga (República Tcheca). 2007). Foi agricultor (premiado pelo INCRA como agricultor modelo no município de Gravatá por duas vezes) e fez parte do quadro de técnicos e de dirigentes da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) durante 22 anos. SUDENE. Agenda 21 de Igarassu (FADURPE. também. UFPB. Agenda 21 do Estado de Pernambuco (SECTMA. Agenda 21 do Ipojuca (FADURPE/SEDETMA. Tem obras publicadas em co-autoria ou não. (UFPEPIMES/ SUDENE / IPEA. Em junho de 2004. co-autor das obras: Estudo de problemas brasileiros (UFPE. Agriculturas no Nordeste. patrocinada pela Faculdade Boa Viagem. 2006) e Turismo. (Vozes. privado e da economia social.

Como Coordenador Técnico do CENTRU (Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural) capacitou e coordenou a assistência técnica a 32 comunidades nos sertões do: Pajeú. Foi relator de temas: nas Agendas 21 de Pernambuco e dos municípios do Ipojuca e de Igarassu. muito em particular. Moxotó. Professor da Faculdade Boa Viagem e da Faculdade São Miguel. É Consultor Autônomo e da FADURPE (para elaboração de agendas 21.br . Atende pelo telefones (081) 3326-6428. nos estados da Região Nordeste da qual é grande conhecedor transdisciplinar.superior e de especialização profissional) em diferentes organizações de ensino.com. cujo site é: www.org. Conferencista e palestrante em seminários ou oficinas de trabalho (workshop) no Brasil. planos diretores e planejamento estratégico). Itaparica e São Francisco pelo CRÉDITO FUNDIÁRIO/FUNTEPE e elaborou projetos para o PCPR/PROJETO RENASCER financiado pelo BIRD e Ministério do Desenvolvimento Agrário.br Tem curriculum vitae detalhado no sistema LATES do CNPQ. É Analista de Tecnologia e Inovação da Secretaria de Ciência.cnpq. Tecnologia (SECTEC). 3465-7718 celular (081) 99728025 e pelo e-mail gmaguiar@yahoo.

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Filósofo e Cientista do Povo Brasileiro Paulo Freire. Pedagogo. Visionário e Revolucionário Brasileiro e Sul Americano. Economista e Historiador Brasileiro Leôncio Basbaun. a minha esposa Mauriceia Marta Wanderley de Aguiar aos meus netos Thaís. Agricultora Brasileira Francisco Julião. buscam construir um BRASIL GRANDE COM INCLUSÃO SOCIAL. Revolucionário e Comunista Brasileiro Osvaldo Orlando da Costa. exemplos de vida e de amor ao Povo Brasileiro que. Historiador e Ativista Marxista Brasileiro Celso Furtado. Dedico. no seu dia-a-dia. Tiago e Lucas. a todos aqueles e aquelas que. Milena. Guerrilheiro Brasileiro Margarida Maria Alves. George Emílio. Renomado Espírita Brasileiro Darcy Ribeiro. Professor e Educador do povo Brasileiro Gregório Bezerra. dedico o trabalho a meus filhos Eugênio. Ativista Político e Intelectual Brasileiro Florestan Fernandes. Arcebispo Brasileiro (Olinda e Recife) Francisco Cândido Xavier. independentemente. Entre os vivos. Humanista e Cientista Brasileiro Miguel Arraes. Político Brasileiro e Governador Abreu e Lima. foram os PROFETAS DO POVO BRASILEIRO. Andrei e Ian Victor ao meu Genro Fabrício Azevedo e aos colegas Vantuil Barroso Filho. Ao Presidente LULA. Político e Marxista Brasileiro Josué de Castro. Sociólogo. Líder Camponês e Político Brasileiro Francisco (Chico) Mendes. também. Todos eles. Antropólogo e Cientista do Povo Brasileiro Álvaro Vieira Pinto. .DEDICATÓRIAS Este trabalho é dedicado à memória de: Don Helder Câmara. de suas formas de lutas e ações. na certeza de a esperança vencer o medo e de ele conformar uma ÉPOCA HISTÓRICA NACIONAL mais significativa que as marcadas pelos grandes presidentes já falecidos: GETÚLIO e JUSCELINO. Ambientalista Brasileiro Caio Prado Júnior.

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