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Autor: Nathan Cazé

Blog: monoergon.wordpress.com
Contato: nhac27@hotmail.com
Versão Bíblica: Almeida Corrigida FIEL edição 2007 (ACF)
Versão 5.5 do artigo. Atualizado em abril/2018.

Os Dízimos em Israel e Ofertas no Novo Testamento


SUMÁRIO
1. O dízimo ANTES da Lei de Moisés ..................................................................................................................................... 2
1.1 Primeira referência ...................................................................................................................................................... 2
1.1.1 Regras de Despojos de Guerra na Lei Mosaica ................................................................................................ 3
1.2 Segunda referência ..................................................................................................................................................... 4
2. Os dízimos DURANTE a Lei de Moisés ............................................................................................................................. 5
2.1 O dízimo do levita ........................................................................................................................................................ 5
2.2 O dízimo das Festas do Senhor ................................................................................................................................. 9
2.3 O dízimo de caridade para os pobres todo terceiro ano ....................................................................................... 11
2.4 Quando Israel começou a dar os dízimos? ............................................................................................................ 16
2.6 A Ordenança de Respigar e Colher ......................................................................................................................... 17
2.7 José e Maria pagaram a oferta dos pobres & Jesus e a Ordenança de Respigar .............................................. 17
2.8 Rei em Israel .............................................................................................................................................................. 18
2.9 O Uso que o Rei Davi fez dos levitas ...................................................................................................................... 18
2.10 O Rei Ezequias restaurou o dízimo, 720 a.C. ....................................................................................................... 19
2.11 Neemias, o contexto de Malaquias ........................................................................................................................ 19
3. Nova Aliança em Cristo ..................................................................................................................................................... 33
4. Considerações finais ......................................................................................................................................................... 46
5. Dicionários, Enciclopédias e Concordâncias Bíblicas definem os dízimos ...................................................................... 50
6. 140 perguntas que os professores de dízimo devem responder, Russell Earl Kelly, PhD. .............................................. 53
7. Teólogos que concordam .................................................................................................................................................. 64
7.1 Citações de teólogos ................................................................................................................................................ 65
Bibliografia............................................................................................................................................................................. 72
Leitura complementar ........................................................................................................................................................... 73
Meus outros artigos e traduções ........................................................................................................................................... 74

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A
viso: Utilizei a versão Almeida Corrigida Fiel da editora Sociedade Bíblica Trinitariana do
Brasil, a mais Fiel ao Texto Massorético e ao Textus Receptus, em Português.

A
viso: Observe as tuas próprias pressuposições a respeito da definição do que pensas ser
o(s) dízimo(s). Pressuposições atrapalham a qualquer um a entender as definições
divinas dos dízimos.

1. O dízimo ANTES da Lei de Moisés


1.1 Primeira referência
A primeira referência Bíblica do dízimo está em Gênesis 14:20 com uma passagem paralela em
Hebreus 7:2. Lembre-se que nesta época a Lei de Moises ainda não existia. Gênesis 14:20 “E bendito
seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de
tudo”. Que dízimo era esse? Hebreus 7:2 responde “Considerai, pois, quão grande era este, a quem
até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”; “dízimos” neste versículo na versão King James
Version e no Texto Recebido é “a décima parte / a tenth part / δεκάτη = dekate”; o contexto os limita
aos despojos da guerra. Leia o capítulo inteiro de Gênesis 14, depois continue – Abrão derrotou os
reis e resgatou a Ló. Foi desta guerra que Abrão deu o dízimo dos despojos do vs.11. O rei de Sodoma
insistiu que Abrão ficasse com os despojos da guerra e devolvesse as pessoas (reféns) que foram
raptadas de Sodoma pelos reis. Abrão respondeu que havia jurado ao SENHOR que não ficaria com
os despojos, Gênesis 14:22-23.
Sabe-se que:
a) esse dízimo de Abrão veio dos despojos da guerra e não de sua própria renda;
b) esse dízimo dos despojos foi dado a Melquisedeque uma única vez;
c) esse dízimo dos despojos não foi dado com base na lei mosaica, pois ela não existia para obrigar
os judeus a darem os quatro (4) dízimos; esse dízimo dos despojos foi dado obrigatoriamente
segundo a lei pré-Mosaica da região que estava em vigor sobre qualquer pessoa tomando posse
de despojos de guerra. (confira The International Standard Bible Encyclopedia na seção 5);
d) como ato de gratidão a Deus por ter concedido a vitória à Abrão, pois Melquisedeque era Rei e
rico, e não precisava de dízimos para se sustentar;
e) Essa é a única vez, em toda a Bíblia, que é relatado que Abrão deu o dízimo dos despojos;
f) Abrão deu o dízimo dos despojos a Melquisedeque e os restantes 90% dos despojos foram
devolvidos ao rei de Sodoma.

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1.1.1 Regras de Despojos de Guerra na Lei Mosaica
Números 31:19-24 Purificação dos soldados e despojos da guerra.
Números 31:25-54 As proporções e divisões dos despojos da guerra.
Números 31:21 “E disse Eleazar, o sacerdote, aos homens da guerra, que foram à peleja: Este é o
estatuto da lei que o SENHOR ordenou a Moisés”.
Números 31:27-28 “27 E divide a presa em duas metades, entre os que se armaram para a peleja,
e saíram à guerra, e toda a congregação. 28 Então para o SENHOR tomarás o tributo dos homens de
guerra, que saíram a esta peleja, de cada quinhentos uma alma, dos homens, e dos bois, e dos
jumentos e das ovelhas”.
Números 31:29-30 “29 Da sua metade o tomareis, e o dareis ao sacerdote Eleazar, para a oferta
alçada do SENHOR. 30 Mas, da metade dos filhos de Israel, tomarás um de cada cinqüenta, um dos
homens, dos bois, dos jumentos, e das ovelhas, e de todos os animais; e os darás aos levitas que
têm cuidado da guarda do tabernáculo do SENHOR”.

Onde Abrão teria aprendido a dizimar dos despojos das guerras? Nos costumes de guerra dos
árabes, o dízimo dos despojos das guerras era dado ao rei ou ao líder do local ou para deuses pagãos;
de acordo com os costumes árabes, os dízimos dos despojos eram 10% (KELLY, 2007). Porém, de
acordo com a Lei Mosaica, o dízimo dos despojos era 1% para os levitas (Números 31:27-28) e 0.1%
para os sacerdotes (Números 31:29-30). Entende-se, portanto, que o estatuto da lei dos despojos
(vs.21) não era o dízimo, ou seja, não era décima parte de colheitas e de rebanhos e gados. O dízimo
existia em outras culturas e era praticado no Egito, Canaã, Mesopotâmia e em outros lugares, e foi
dessas culturas que Abrão aprendeu sobre o dízimo; por isso ele deu o dízimo a Melquisedeque que
era sacerdote-rei de Salém (KELLY, 2007). Outrossim, o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo
Testamento (WALTKE, Bruce K. et al, 1998, p. 1182) diz:

No AT o conceito de dízimo é de considerável importância para a teologia do próprio AT. Como nos
casos de circuncisão (embora a circuncisão de criancinhas não seja documentada fora de Israel),
sacrifícios, restrições alimentares e coisas do gênero, dar o dízimo não era algo restrito a Israel
no antigo Oriente Médio. Isso ocorria entre os egípcios e também entre os mesopotâmios (vejam-
se, e.g., citações da literatura acadiana acerca de dízimos pagos a deuses ou a templos, em CAD
, v. 4, p. 369). 1

Ian M. Duguid, pastor e teólogo presbiteriano, e seus coautores (2006, p. 232) 2 , em seu
comentário do livro de Números, também concordam que os dízimos já existiam fora de Israel: “A

1
CAD refere-se ao The Assyrian Dictionary of the Oriental Institute of the University of Chicago (1956 e ss.).
2
DUGUID, Ian M.; HUGHES, R. Kent (Editor geral). Numbers: God’s presence in the wilderness. Crossway Books:
Wheaton, Illinois, 2006.
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prática de dizimar não era exclusiva para Israel. Em todo o antigo Oriente Próximo, era uma prática
comum para os reis tributarem os seus povos no valor de um dízimo do fruto deles. Frequentemente,
aquela renda destinava-se para sustentar os oficiais reais ou templos”. Outrossim, com relação à
afirmação de que “A prática de dizimar não era exclusiva para Israel”, Duguid et al citam Moshe
Weinfield, “Tithe”, Encyclopedia Judaica (Jerusalem: McMillan, 1971), p. 1156-1159.
Ademais, 1 Samuel 30:20-25 mostra como Davi repartiu os despojos da guerra. Conclui-se,
também, que ele não repartiu os despojos com o uso dos dízimos, ou seja, a décima parte de colheitas
ou rebanhos e gados.

1.2 Segunda referência


A segunda passagem Bíblica do dízimo antes da Lei de Moisés está em:
Gênesis 28:20-22 “20 E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem
que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; 21 E eu em paz tornar à casa de meu pai, o
SENHOR me será por Deus; 22 E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de
tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo”.
Sabe-se que:
a) Jacó fez um voto a Deus propondo cinco (5) condições. Se Deus cumprisse a sua proposta nos
versículos 20-21, Jacó, por sua vez, daria o dízimo de tudo quanto Deus desse a ele.
b) Jacó fez uma proposta condicional do dízimo; portanto, o dízimo foi voluntário e não obrigatório,
como na época da Lei de Moisés em que o dízimo era dado anualmente.
Gênesis 31:38-41 A Bíblia não relata se Jacó de fato deu o dízimo a Deus. Mas se realmente ele
deu o dízimo depois que Deus cumprisse as cinco (5) condições que Jacó propôs, teria sido vinte
anos mais tarde quando Jacó voltou a Canaã. 3 Se houvesse um mandamento para dizimar, não
haveria espaço para Jacó barganhar; mandamentos exigem obediência ao invés de barganhas.
Kelly (2007) faz a seguinte reflexão: se Jacó tivesse dado o dízimo, para quem ele teria entregado
os dízimos sendo que em sua época não existia o templo do SENHOR com os levitas servindo? Como
Abrão, Jacó também estava cercado de culturas pagãs. Será que Jacó entregaria o dízimo a um
templo de um deus pagão?

Resumo: Esses são os dois eventos Bíblicos sobre o dízimo antes da Lei de Moisés. Deus não
requereu nenhum dízimo de Abrão e Jacó. Abrão deu o dízimo dos despojos da guerra uma (1) vez
enquanto que a Bíblia não relata se Jacó dizimou ou não vinte (20) anos depois quando voltou à casa

3
Nota de rodapé da Bíblia de Estudo NVI, 2001, Editora Vida, em relação a Gênesis 33:18, “chegou a salvo. Resposta à
oração de Jacó, feita 20 anos antes (v. 28:21)”.
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de seu pai (Gênesis 33:18). Como afirmam Köstenberger e Croteau (2006, p. 60; colchetes são meus):
“Os “se(s)” de Jacó no contrato desvalorizam de isso[o dízimo] ser uma lei universal. É duvidoso de
que Jacó teria colocado uma condição em alguma coisa que ele cresse ser uma lei de Deus”. 4 Ian
Duguid, pastor e teólogo presbiteriano, et al (2006, p. 235) concordam e afirmam que: “Os patriarcas
não tinham obrigação de entregar 10 por cento de sua renda anual ao Senhor”. 5
Ademais, a quantia de despojos de guerra de acordo com a lei mosaica (Números 31:27-30)
difere da quantia dos despojos que Abrão deu a Melquisedeque (Gênesis 14).

2. Os dízimos DURANTE a Lei de Moisés

2.1 O dízimo do levita


O texto principal sobre os dízimos ordenados por Deus a Moisés está em Números 18. Leia o
capítulo inteiro cuidadosamente.
Números 18:1-7 O serviço, trabalho, cuidados e o cumprimento do sacerdócio pelos sacerdotes e
levitas.
Números 18:8-20 A Porção dos Sacerdotes Levíticos.
Números 18:21-24 A Porção dos levitas.
Números 18:25-32 A oferta alçada para os sacerdotes veio da porção dos levitas.
Números 18:20 “Disse também o SENHOR a Arão: Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio
deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel”.
A tribo de Levi e o sacerdócio levítico não herdaram terras como as demais tribos. O SENHOR
era a sua herança no meio dos demais filhos de Israel.

Números 18:21-24 “21 E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por
herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação. 22 E nunca mais os
filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram.
23 Mas os levitas executarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua
iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma
herança terão, 24 Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta

4
Minha tradução; original diz: "Jacob’s “ifs” in the contract detract from this being a universal law. It is doubtful that Jacob
would have put a condition on something he believed to be a law from God".
5
Minha tradução; original diz: “The patriarchs had no obligation to render 10 percent of their annual income to the Lord”.
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alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel
nenhuma herança terão”.
Em Josué 13:14,33; 14:3-4; 18:7, Deuteronômio 10:6-9;12:12;14:29; 18:1-5, Ezequiel 44:28 e
na passagem acima, Deus deixa claro que todas as tribos de Israel herdaram terras, menos a tribo de
Levi que, por sua vez, serviriam no templo do Senhor. Como os levitas não herdaram terra, israelitas
de todas as demais tribos 6 de Israel davam dízimos para o sustento dos levitas e sacerdotes e também
outros dízimos que estudaremos mais adiante. Isso foi a herança dos levitas.
Deus deu os dízimos aos filhos de Levi em Israel por herança, pois a tribo de Levi não herdou
terras. Deus deu por herança aos levitas os dízimos dos filhos de Israel (Núm. 18:24), dízimos estes
que procedem da terra de Israel (Núm. 18:21). Deus nunca ordenou que gentios dessem os dízimos,
como definidos por Deus em Sua Palavra, e nem ordenou que os dízimos fossem colhidos de terras
fora de Israel ou dados a partir de gados criados em terras alheias.
Números 18:26 “Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos
dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta
alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos”.
“os dízimos dos dízimos” que em inglês é “a tenth part of the tithe” (King James Version) traduz-se
por “uma décima parte do dízimo” e simplesmente significa que os levitas receberiam os dízimos do
povo israelita— os que dizimavam da terra de Israel sementes do campo, frutos das árvores, gados e
rebanhos— e desses dízimos tirariam a décima parte e a daria aos sacerdotes.
Matematicamente, pode-se expressar isso como: os israelitas— os que dizimavam da terra de
Israel as sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— dariam aos levitas 1/10 das
suas colheitas, rebanhos ou gados, e os levitas dariam 1/10 desse dízimo aos sacerdotes. Portanto,
os sacerdotes recebiam 1/100 avos do dízimo do povo. 1/10 equivale a 10% e 1/100 avos equivale a
1%.
Os sacerdotes comeriam os dízimos dos dízimos no Santíssimo Lugar (vs.10) enquanto os
levitas comeriam os dízimos em qualquer lugar (vs.31) menos no Santíssimo Lugar que era destinado
somente para os sacerdotes. Obs.: O Santíssimo Lugar/Santo dos Santos não é o mesmo lugar
chamado de Lugar Santo/Santuário (KELLY, 2007).

Resumo: Os dízimos eram uma ordenança/estatuto (Núm. 18:23; Deut. 12:1) da lei cerimonial
mosaica. Em todo o capítulo, somente os filhos de Israel dariam os dízimos aos levitas, dízimos estes
provenientes somente da terra de Israel e composto de sementes do campo, frutos das árvores, gados

6
somente os judeus (“filhos de Israel”: Nm 18:24; Lv 27:34) que viviam dentro de Israel (“em Israel”: Nm 18:21; “na
terra...de vossos pais”: Dt 12:1) davam os dízimos.
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e rebanhos. Os versículos 20, 23, 24, 26 ordenam que nem os sacerdotes e nem os levitas poderiam
possuir ou herdar propriedades. Apenas os levitas receberiam os dízimos provenientes da terra de
Israel (vs. 21), e, desses dízimos, os sacerdotes receberiam a décima parte, vs.26.
Os dízimos— sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— consistiam-se de
comida e eram comidos: “E o comereis em todo o lugar”, Números 18:31. Versículo 31 está de acordo
com Neemias 10:37b que diz “e os dízimos da nossa terra aos levitas; e que os levitas receberiam os
dízimos em todas as cidades, da nossa lavoura”. Josué 21:9-19 fala sobre as cidades dos levitas. Os
levitas davam o dízimo dos seus dízimos, que recebiam das tribos de Israel, e ofertas alçadas para os
sacerdotes do templo: Neemias 10:38 “E que o sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas quando
estes recebessem os dízimos, e que os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus,
às câmaras da casa do tesouro”, e Neemias 18. O dízimo era o sustento dos levitas e sacerdotes.

*Concernente às cidades dos levitas: Números 35 e Josué 14:4; 21. Confira também 2 Crônicas 31:15-
19, Neemias 10:37-38; 13:10.

Continuando, O dízimo do levita:


 Tanto Números 18 e esta próxima passagem bíblica diz respeito ao dízimo do levita:
Levítico 27:30-34 “30 Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das
árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR. 31 Porém, se alguém das suas dízimas resgatar
alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela. 32 No tocante a todas as dízimas do gado e
do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR. 33 Não se
investigará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se de alguma maneira o trocar, tanto um como
o outro será santo; não serão resgatados. 34 Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a
Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai”.
Deus definiu, claramente, que o dízimo do levita da tribo de Levi era composto da semente do
campo, fruto das árvores, gado e rebanho (vs. 30, 32).
O versículo 30 também nos ensina que os israelitas— os que dizimavam da terra de Israel as
sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— poderiam resgatar a partir das sementes
e frutos, mas não poderiam resgatar dos animais (“não serão regatados”, vs. 34). E o que significava
o resgate juntamente com o acréscimo de sua “quinta parte sobre ela” (vs. 31)? Se por algum motivo
algum israelita não quisesse dar o dízimo em espécie, proveniente das sementes e frutos, ele poderia
substituí-lo por dinheiro acrescentando 20% (“a sua quinta parte sobre ela”, vs. 31).
Cabe aqui a reflexão de Köstenberger e Croteau (2006, p. 62):

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"Se esse dízimo ainda é vinculativo hoje, deveriam os cristãos darem um décimo de
tudo? Se alguém tem um jardim, deveria o mesmo trazer um de cada dez tomates ou
pimentas jalapeños? Se não, deveriam eles darem o valor mais vinte por cento? Se um
cristão for um criador de gado, deveria ele trazer cada décimo animal à igreja no domingo
quando ele dizimar? Essas perguntas revelam a dificuldade em trazer o dízimo para o
período da nova aliança".

Ademais, o versículo 33 refere-se ao dízimo composto de animais. Os animais poderiam ser


bons ou maus, com defeito ou sem defeito, melhor ou pior, em referência aos israelitas dando esse
dízimo aos levitas. Porém, os levitas deveriam dar o melhor dos dízimos dos dízimos aos sacerdotes,
Números 18:29-30.
Aprendemos também que isso era obrigatório para os filhos de Israel. Pois, segundo o versículo
34, Jeová disse que esses são os mandamentos ordenados a Moisés e aos filhos de Israel. Uma vez
que os estatutos e ordenanças dos dízimos foram ordenados aos “filhos de Israel” (Núm 18:24; Lv
27:34) que viviam dentro de Israel (“em Israel”: Nm 18:21; “na terra...de vossos pais”: Dt 12:1), Deus
não ordenou que os dízimos— sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— fossem
dados por parte de gentios e nem que fossem colhidos de terras alheias e nem que os animais fossem
criados em terras alheias.
Portanto, como afirma o presbítero T. David Gordon 7 (itálicos não são meus; colchetes e
negritos são meus):
“O dízimo não era monetário, mas agrário, e ajustado às realidades de pobreza. As pessoas
que tinham menos de dez ovelhas ou bodes não traziam nenhum [ao templo como sendo
dízimo]; elas traziam a “décima”. Assim, embutida na lei estava uma proteção para
aqueles que tinham muito pouco. Se um israelita tivesse apenas oito ovelhas, por
exemplo, nenhuma “décima” ovelha poderia passar debaixo da vara dele, e, portanto,
nenhuma ovelha poderia ser dada aos levitas por parte desse israelita.
Um dízimo monetário não fornece nenhuma tal proteção, e requer um estrito 10% de todos.
[...] Lev. 27:32 No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar
debaixo da vara, cada décimo animal será santo ao SENHOR.
Observe no versículo 32 que se um israelita tivesse apenas sete ou oito ovelhas, ele não
poderia dar nenhuma. Dessa forma, a lei Mosaica estava adequada à realidade de
pobreza
[…] Ironicamente, então, as igrejas cristãs que exigem um estrito dízimo de 10% de seus
membros são menos misericordiosas do que Moisés era”.

7
GORDON, T. David. The Tithe in Biblical-theological Perspective. Disponível em:
<www.tdgordon.net/theology/tithe.doc>.
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A Nova Versão Internacional se expressa com mais clareza, em português, assim (negritos são meus):
“O dízimo dos seus rebanhos, um de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será
consagrado ao Senhor” (Lv 27:32).
Na próxima seção (2.2), outra passagem bíblica ensina outros regulamentos e ordenanças
acerca de outro dízimo, regulamentos e ordenanças estas que fazem parte da lei cerimonial dos
dízimos. Ora, fazendo-se parte dessa lei, essas partes não devem ser separadas e nem praticadas
parcialmente.

2.2 O dízimo das Festas do Senhor


Deuteronômio 12:1-19 e 14:22-29 se trata dos dízimos das Festas do Senhor a cada ano:
Deuteronômio 12:5-6 “Mas o lugar que o SENHOR vosso Deus escolher de todas as vossas
tribos, para ali pôr o seu nome, buscareis, para sua habitação, e ali vireis. E ali trareis os vossos
holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos”. “Ali” refere-se a Jerusalém onde se
realizará todo o restante do versículo. John Gill, o comentarista batista reformado que escreveu
volumes comentando cada versículo de toda a Bíblia e que pregava na mesma igreja de C.H.
Spurgeon, comenta que o lugar que o povo israelita deveria buscar a Deus é Jerusalém: “se entende
que é o templo em Jerusalém, onde o Senhor tomou a Sua morada, e aonde os homens viriam e
buscariam a Ele por meio de oração e súplica por qualquer coisa que eles precisassem [...]”. 8
Futuramente, depois que Israel se dividiu, o norte de Israel criou os seus próprios centros de adoração
em Betel, terra de Dan, e dela resultou-se adoração aos falsos deuses e ídolos, Amós 4:4 (KELLY,
2007).
Em Deuteronômio 12 nos versículos 7, 12 e 18 o Senhor manda os israelitas se regozijarem e
se alegrarem. Vejam que aqui todos comem e se regozijam: o filho, a filha, o servo, a serva e o levita.
Não está se tratando apenas dos levitas, mas do povo também, pois esse segundo dízimo destinava-
se para as Festas do Senhor onde todo o povo se alegraria, Deuteronômio 12:18 “Mas os comerás
perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher o SENHOR teu Deus, tu, e teu filho, e a tua
filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas; e perante o SENHOR
teu Deus te alegrarás em tudo em que puseres a tua mão”.

Deuteronômio 14:22-27 “22 Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua semente, que
cada ano se recolher do campo. 23 E, perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher para ali

8
Minha tradução; original diz: “the temple at Jerusalem is meant, where the Lord took up his dwelling, and whither men
were to come and seek unto him by prayer and supplication for whatsoever they needed”. John Gill’s Exposition of the
Entire Bible, comentário de Deuteronômio 12:4. Disponível como módulo do software TheWord no sítio eletrônico:
<http://www.theword.net/index.php?downloads.modules&group_id=4&o=title&l=english>.
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fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os
primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao SENHOR teu Deus
todos os dias. 24 E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar
longe de ti o lugar que escolher o SENHOR teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o SENHOR
teu Deus te tiver abençoado; 25 Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que
escolher o SENHOR teu Deus; 26 E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por
vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali
perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa; 27 Porém não desampararás o levita que
está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo”.
O versículo 22 diz que os dízimos eram dados a “cada ano”, ou seja, anualmente.
No versículo 23, o lugar onde celebrar-se-ia e alegrar-se-ia ao comer-se dos dízimos era
Jerusalém, pois como comenta John Gill a respeito desse versículo: “Ver Det. 12:5 lá o dízimo de todos
os frutos da terra deveria ser comido; este é o segundo dízimo, conforme o Targum de Jonathan, e
também de acordo com Jarchi, e que é mais particularmente descrito como se vê em seguida”. 9
Essa é mais uma referência do dízimo para as Festas do Senhor onde os israelitas comiam de
seus próprios dízimos. Essa passagem não diz respeito ao dízimo do levita, mas o do povo israelita.
Entretanto, uma vez que os levitas não tinham “herança contigo” (vs. 27), os israelitas deveriam
compartilhar (“não desampararás o levita”, vs. 27) um pouco de seus próprios dízimos (sementes,
frutos e gados) e (bebidas, vs. 26) com os levitas.
A única exceção Bíblica para se dar os dízimos de outra maneira a não ser do produto da terra
(exemplo: frutos da árvore, semente do campo, gado, rebanho etc.) está baseada nos versículos 24-
27; esta passagem estabeleceu a exceção de que se o caminho era muito longo para se levar ou
carregar (“to carry”, KJV) o dízimo até Jerusalém (o lugar que Deus escolheu), o israelita poderia
vendê-lo e converte-lo em dinheiro. Essa é a única exceção para se converter o dízimo em dinheiro.
Desse dinheiro o israelita, detentor de seu próprio dízimo, poderia comprar “tudo o que deseja a tua
alma”, vs. 26. Isso também prova que existia um sistema financeiro, em dinheiro, sem que os dízimos
fossem baseados em dinheiro.
Duguid, pastor e teólogo presbiteriano, et al (2006, p. 233) concordam e afirmam que:

9
Minha tradução; original diz: “See De 12:5 there the tithe of all the fruits of the earth was to be eaten; this is the second
tithe, as the Targum of Jonathan, and so Jarchi, and which is more particularly described as follows:”. John Gill’s
Exposition of the Entire Bible, comentário de Deuteronômio 14:23. Disponível como módulo do software TheWord no sítio
eletrônico: <http://www.theword.net/index.php?downloads.modules&group_id=4&o=title&l=english>.
“Jarchi” refere-se ao RABBI SOLOMON IZCHAKI, o grande erudito e comentador talmúdico e fundador da escola
germano-francesa de exegese bíblica: McClintock, John. Strong, James. Entry for 'Rashi'. Cyclopedia of Biblical,
Theological and Ecclesiastical Literature. Disponível em: <http://www.studylight.org/encyclopedias/tce/r/rashi.html. Harper
& Brothers. New York. 1870>.
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Se o povo vivesse muito longe do santuário em Jerusalém para carregar o dízimo consigo,
eles deveriam convertê-lo em dinheiro e trazer o dinheiro ao templo. Lá, eles deveriam
comprar comida festiva, tal como carne e bebidas alcoólicas, para torná-los capazes a festejar
com estilo na presença do Senhor (Deuteronômio 14:26). 10
Portanto, o dízimo das festas do Senhor era comido anualmente e pertencia ao próprio
proprietário do dízimo. Esse proprietário poderia comer, em Jerusalém, o seu dízimo, ou vendê-lo. Se
vendesse-o, ele deveria comprar qualquer outra comida e/ou bebida, e deveria compartilhar sua
comida e/ou bebida com os seus familiares (“tu e tua casa”, vs. 26) e com os levitas (“não
desampararás o levita”, vs. 27).

2.3 O dízimo de caridade para os pobres todo terceiro ano


Deuteronômio 14:28-29 e 26:12-13:
“28 Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás
dentro das tuas portas; 29 Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o
estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para
que o SENHOR teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem”.
A cada três anos os dízimos das colheitas eram recolhidos “dentro das tuas portas” e não para
as câmaras do templo. Isso significa que esse dízimo era comido dentro das cidades. Deus não se
esqueceu dos necessitados, pois eles são o estrangeiro (gentio), o órfão, a viúva e até mesmo os
levitas, os quais eram contados com os pobres. Esse grupo de pessoas deveria estar “dentro das tuas
portas” (vs. 29), ou seja, o dízimo não era levado ao templo, mas sim comido nas aldeias e cidades.
Duguid, pastor e teólogo presbiteriano, et al (2006, p. 233) concordam e afirmam que: “No terceiro
ano, entretanto, o povo deveria armazenar a comida dentro de suas próprias cidades para servir como
um recurso a partir do qual satisfar-se-ia as necessidades não apenas dos levitas mas mais geralmente
dos pobres da comunidade (Deuteronômio 14:28, 29)”. 11
Brian Anderson, um pastor batista, em seu estudo escreveu (os colchetes não são meus): 12
“Aqui, somos ensinados a respeito de um terceiro dízimo que é coletado a cada terceiro
ano. Os comentaristas Bíblicos estão divididos quanto a se este é realmente um terceiro

10
Minha tradução; original diz: “If the people lived too far from the sanctuary in Jerusalem to carry the tithe with them, they
were to convert it into money and bring the money to the temple. There they were to buy party fare, such as meat and
alcoholic beverages, to enable them to feast in style in the presence of the Lord (Deuteronomy 14:26)”.
11
Minha tradução; original diz: “In the third year, however, the people were to store up the food within their own towns to act
as a resource from which to meet the needs not only of the Levites but more generally of the poor of the community
(Deuteronomy 14:28, 29)”.
12
ANDERSON, Brian. O dízimo do Velho Testamento, versus o dadivar do Novo Testamento. Disponível em:
<http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComRiquezas/DizimoVT-X-DadivarNT-Anderson.htm>. Artigo original em
inglês: Old Testament Tithing vs. New Testament Giving. Disponível em:
<http://www.solidrock.net/library/anderson/sermons/ot.tithing.vs.nt.giving.php>.
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dízimo, em separado, ou apenas é o segundo dízimo usado de um modo diferente, no
terceiro ano. O historiador judeu Josephus apoia o ponto de vista de que este foi um
terceiro dízimo, em separado. Outros antigos comentaristas judeus têm escrito em apoio
a que é [apenas] o segundo [tipo de] dízimo que, a cada três anos, eram coletados e
usados com outro fim. É impossível se determinar com absoluta certeza quem está certo.
De qualquer modo, o povo judeu tinha sido ordenado a dar pelo menos [10 + 10 =] 20
por cento das suas colheitas e rebanhos, e talvez tanto quanto [10 + 10 + 10/3] = 23.3
por cento! Este dízimo particular bem poderia ser chamado "O Dízimo para os Pobres".
Não devia ser ajuntado em Jerusalém, mas nas aldeias. As pessoas de cada aldeia
deviam trazer uma décima parte de suas colheitas e rebanhos e ajuntar tudo, para prover
para os pobres da aldeia, incluindo os estrangeiros, os órfãos, e as viúvas.
Em muitos aspectos, parece que o dízimo exigido sob a Lei é hoje similar à taxação que
o governo impõe sobre nós. Israel era governado por uma teocracia. Sob ela, o povo era
responsável por prover para os trabalhadores do governo (os sacerdotes e os levitas em
geral), para os dias santificados (festas de alegria ao Senhor), e para os pobres
(estrangeiros, viúvas e órfãos)”.
A minha objeção que os dízimos dos pobres eram um segundo dízimo, ao invés de um
terceiro dízimo, é que não existiriam as Festas do SENHOR de Levítico 23 a cada terceiro ano.
Na Bíblia não há nenhuma referência dizendo que as Festas do SENHOR não eram celebradas
a cada terceiro ano por serem substituídas pelo dízimo dos pobres. Além disso, Deuteronômio
14:22 diz, no contexto do dízimo das festas do Senhor, que o dízimo era colhido a cada ano.
Por isso é seguro concluir que o dízimo dos pobres era um terceiro dízimo dado a cada terceiro
ano.
Köstenberger e Croteau (2006, p. 63) 13 também concordam e afirmam que
“Se o dízimo dos pobres substituiu o dízimo levítico a cada terceiro ano, então como
eram os levitas sustentados naquele ano? Ademais, se o dízimo dos pobres substituiu o
dízimo das festas a cada terceiro ano, os israelitas simplesmente ignoraram as festas
prescritas naqueles anos? Tal teoria cria mais problemas do que a mesma soluciona”.
Não existe na Bíblia nenhum “princípio” que nos manda ensinar e praticar apenas um (1) dos
quatro (4) dízimos, até mesmo porque os quatro dízimos foram estabelecidos como leis cerimoniais e,
por conseguinte, não eram princípios; não existe nenhuma ocorrência na Bíblia na qual os quatro (4)
dízimos são chamados de “princípio”. Deus classificou os dízimos de “decretos” e “ordenanças” (outras

13
Minha tradução; original diz: “If the poor tithe replaced the Levitical tithe every third year, then how were the Levites
sustained that year? Also, if the poor tithe replaced the festival tithe every third year, did the Israelites just ignore the
prescribed feasts in those years? Such a theory creates more problems than it solves.”

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versões bíblicas dizem “estatutos” e “juízos”) em Deuteronômio 12:1 e verso 6 (colchetes e negritos
são ênfase minha): “Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em cumprir na terra que
vos deu o SENHOR Deus de vossos pais, para a possuir todos os dias que viverdes sobre a terra [...]
e levar holocaustos e sacrifícios, dízimos e dádivas especiais, o que em voto tiverem prometido, as
suas ofertas voluntárias e a primeira cria de todos os rebanhos”. Os quatro dízimos são inseparáveis
uns dos outros, pois foi Deus que criou esses estatutos e ordenanças para os reger, e também são
inseparáveis do sacerdócio levítico como bem argumenta Thomas E. Peck em seu artigo “A Obrigação
Moral do Dízimo [The Moral Obligation of the Tithe]”: 14
O dízimo e o sacerdócio: estes são as ideias gêmeas, são os fatos correlatos. Se o
sacerdócio é pela lei, o suporte do sacerdócio deve ser pela lei também. Nada debaixo
de um sistema como esse pode ser deixado às contribuições voluntárias do povo. O
povo não tem nada a ver com a constituição dos sacerdotes, e o povo não terá nada a
ver, a não ser se compelidos, em suportá-los. Os dois métodos, suporte mediante
dízimos que são obrigatórios, e suporte mediante ofertas voluntárias, são, em suas
naturezas, gênios e operações, o oposto um do outro. Um é da natureza de um tributo;
o outro, de uma dádiva gratuita. Um é a expressão de obediência à lei; o outro é a
expressão da liberdade que pertence a um acordo voluntário. Um implica
simplesmente submissão, mais ou menos soturno; o outro é a expressão de confiança
e afeição diante d’Aquele que dispensa as ordenanças do evangelho.

Resumindo, existem quatro tipos de dízimos:


1. O dízimo dos dízimos para os sacerdotes judaicos; este dízimo era entregue a eles por parte dos
levitas – 1%;
2. O dízimo do Levita – 10%;
3. O dízimo das Festas do Senhor – 10%;
4. O dízimo dos Pobres, do qual não apenas os pobres se beneficiavam, mas também os órfãos,
viúvas, estrangeiros, e levitas, os quais eram contados dentre os pobres (Dt 14:28-29 e 26:12-13).
Alguns dizem que se uma pessoa quiser dar esse dízimo em nossos dias, ela pode praticá-lo: uma
vez por ano dividindo por três, pois foi estabelecido para ser dado a cada três anos – 10/3 (3.333%);
ou, se a pessoa não der esse dízimo nos primeiros dois anos, mas apenas a cada terceiro ano, ela
deverá dar 10% desse dízimo. Nesse último caso, ela estaria dando um total de 30% de dízimos a
cada três anos.

14
Minha tradução do artigo inteiro disponível em <https://monoergon.files.wordpress.com/2017/08/a-obrigac3a7c3a3o-moral-do-
dc3adzimo-thomas-e-peck2.pdf>, página 7. Em inglês, The Moral Obligation of the Tithe pode ser acessado aqui:
<http://www.newhopefairfax.org/files/Peck%20on%20Tithe.pdf> ou aqui <http://www.covenanter.org/reformed/2017/8/2/moral-
obligation-of-the-tithe>.
Página 13 de 76
Ademais, Köstenberger e Croteau (2006, p. 63; colchetes são meus) 15 salientam que
Mais importantemente, os sacerdotes, um grupo dentre os levitas, serviram como
mediadores entre Deus e o povo, mas o NT ensina que há somente um mediador “entre
Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tim 2:5). Por esta razão, é profundamente
problemático quando se diz que pastores substituem sacerdotes na igreja do NT, até
porque isso compromete o ensino do NT sobre o sacerdócio de todos os crentes (cf.
Rom 12:1; Heb. 10:22; 1 Ped 2:5, 9; Ap 5:20 [(sic); o certo é 5:10]; 20:6).

Infelizmente em nossos dias, há pregadores e pastores desinformados ou simplesmente


malvados que ensinam aos membros de suas igrejas locais que pastores gentios são ou podem se
tornar levitas ou sacerdotes. Mas levitas nunca foram gentios; os levitas somente eram descendentes
da tribo de Levi. Os sacerdotes levíticos faziam a mediação entre os israelitas e Deus, intercedendo e
oferecendo sacrifícios. Mas não mais, pois Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1 Tim.
2:5). Para os reformadores, o sacerdócio de todos os crentes significou o que afirma a Segunda
Confissão de Fé Helvética, capítulo 18 (colchetes e linhas são meus): 16
“SACERDÓCIO DE TODOS OS CRENTES. Sem dúvida, os apóstolos de Cristo
chamam todos os que creem em Cristo como “sacerdotes”, mas não por causa de algum
ofício, mas porque, todos os fiéis tendo sido feitos reis e sacerdotes, podemos oferecer
sacrifícios espirituais a Deus (Êx 19.6; I Ped 2.9; Ap 1.6). Portanto, o sacerdócio e o
ministério são bastante diferentes um do outro. Pois o sacerdócio, como acabamos de
dizer, é comum a todos os cristãos; não é assim com o ministério. Nem temos abolido o
ministério da Igreja porque temos repudiado o sacerdócio papal da Igreja de Cristo.

SACERDOTES E SACERDÓCIO. Certamente na nova aliança de Cristo não existe mais


qualquer sacerdócio tal como existia entre o povo antigo; o qual tinha uma unção
externa, trajes santos e muitíssimas cerimônias que eram tipos de Cristo, quem aboliu
todos eles[os tipos] pela Sua vinda e cumprimento deles[os tipos]. Mas Ele mesmo
permanece o único Sacerdote para sempre, e para não detrairmos qualquer coisa d'Ele,
não transmitimos o nome de sacerdote a qualquer ministro. Pois o próprio Senhor não

15
Minha tradução; original diz: “More importantly, the priests, a group within the Levites, served as mediators between
God and people, yet the NT teaches that there is only one mediator “between God and people, the man Christ Jesus”
(1 Tim 2:5). For this reason it is deeply problematic when pastors are said to replace priests in the NT church, not least
because this compromises the NT teaching on the priesthood of all believers (cf. Rom 12:1; Heb 10:22; 1 Pet 2:5, 9;
Rev 5:20; 20:6)”.
16
Minha tradução; Fonte: <https://www.ccel.org/creeds/helvetic.htm>. Uma tradução em português de toda a Segunda
Confissão Helvética inteira em português pode ser acessada em:
<www.monergismo.com/textos/credos/confissao_helvetica.htm>.

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nomeou quaisquer sacerdotes na Igreja do Novo Testamento os quais, tendo recebido
autoridade do sufragâneo, podem diariamente oferecer o sacrifício, isto é, a própria
carne e sangue do Senhor, pelos vivos e mortos, mas ministros os quais podem ensinar
e administrar os sacramentos”.

Em suma, a palavra “dízimo”, ou “décima parte”, dentro do contexto bíblico, não significa “10%
de qualquer coisa”, mas sim o que Deus definiu em Sua Palavra, a saber:
(a). dízimo do levita – este somente poderia ser proveniente “do campo, da semente do campo, do
fruto das árvores” (Lv 27:30) e “do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara” (Lv 27:32).
Além disso, o dízimo do levita deveria ser somente proveniente de dentro da terra de Israel (“em
Israel”, Nm. 18:21; “na terra...de vossos pais”, Dt 12:1. Compare Dt 12:1 com Dt 12:6).
O único povo que foi ordenado a participar dessas ordenanças cerimoniais de dízimos foram os
israelitas: “os dízimos dos filhos de Israel” (Nm. 18:24) e “Estes são os mandamentos que o Senhor
ordenou a Moisés, para os filhos de Israel” (Lv. 27:34). Mas existe uma explicação para isso, a saber:
“E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que
executam, o ministério da tenda da congregação” (Números 18:21). “Todos os dízimos” inclui o dízimo
do levita, o dízimo dos dízimos, o dízimo das festas do Senhor e o dízimo para os pobres a cada três
anos.
Os israelitas também podiam resgatar das sementes e dos frutos, mas não poderiam resgatar
dos animais (“não serão regatados”, Lv 27:34). Se por algum motivo algum israelita não quisesse dar
o dízimo em espécie, proveniente das sementes e frutos, ele poderia substituí-lo por dinheiro
acrescentando 20% (“a sua quinta parte sobre ela”, Lv. 27:31);

(b). dízimo dos dízimos para os sacerdotes – este significa que os levitas receberiam os dízimos dos
israelitas— os que dizimassem, de dentro da terra de Israel, as sementes do campo, os frutos das
árvores, os gados e rebanhos— e desses dízimos os levitas tirariam a décima parte e a daria aos
sacerdotes (Nm 18:26; Ne 10:38);

(c). dízimo das festas do Senhor – este era comido anualmente (“cada ano”, Dt. 14:22) e pertencia ao
próprio proprietário do dízimo. Esse proprietário poderia comer, em Jerusalém, o seu dízimo, ou vendê-
lo. Se vendesse-o, ele deveria comprar qualquer outra comida e/ou bebida, e deveria compartilhar a
sua comida e/ou bebida com os
seus familiares (“tu e tua casa”, Dt. 14:26; “vossos servos, e as vossas servas”, Dt 12:12) e com os
levitas (“não desampararás o levita”, Dt. 14:27). Assim como o dízimo dos levitas, o dízimo das festas

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do Senhor era praticado apenas por parte dos israelitas;

(d). dízimo dos pobres – este era praticado a cada três anos, era proveniente das colheitas dos
israelitas e era recolhido “dentro das tuas portas” (Dt. 14:28). Isso significa que esse dízimo não
destinava-se às câmaras do templo, mas era comido dentro das cidades em Israel por parte dos
pobres, órfãos, viúvas, estrangeiros, e levitas também (Dt. 14:29).

2.4 Quando Israel começou a dar os dízimos?


Deuteronômio 12:1 “Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em cumprir na terra que
vos deu o SENHOR Deus de vossos pais, para a possuir todos os dias que viverdes sobre a terra”.
Israel começou a dar os dízimos quando eles chegaram à terra prometida, Canaã.
Levíticos 27:30 diz na KJV e no Texto Massorético do Velho Testamento, no começo do
versículo, uma parte que é omitida em muitas outras versões Bíblicas: “And all the tithe of the land”
que significa “E todas as dízimas da terra”; depois se segue o restante do versículo. A parte final de
Levíticos 27:30 diz que as “dízimas santas são ao SENHOR”. Elas são ‘santas’ porque são colhidas de
dentro da terra prometida, a terra de Canaã, que também é chamada de Terra Santa do Senhor. Por
isso todos os dízimos— sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— sempre vieram
das terras de Israel e nunca de alguma terra dos gentios. Com relação ao local de onde os dízimos
seriam colhidos ou criados, John Owen concorda e comenta que: “pois os judeus julgam, e isso
corretamente, que a lei de dizimação lícita não estendeu-se para além dos limites da terra de Canaã,
uma evidência suficiente que ela[a lei de dizimar] era positiva e cerimonial”. 17

2.5 O ano do Descanso e o ano do Jubileu


Êxodo 23:10-11 “10 Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos; 11 Mas ao
sétimo a dispensarás e deixarás descansar, para que possam comer os pobres do teu povo, e da
sobra comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival”.
A cada sete anos não se davam os dízimos, pois ninguém recolheria os frutos de suas terras a
fim de que os pobres de Israel e os animais os comessem.

17
Minha tradução em que os colchetes são ênfase minha. Original em inglês diz: “for the Jews do judge, and that rightly,
that the law of legal tithing extended not itself beyond the bounds of the land of Canaan, a sufficient evidence that it was
positive and ceremonial”. OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376.
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Levítico 25:11-12 “ 11 O ano qüinquagésimo vos será jubileu; não semeareis nem colhereis o que
nele nascer de si mesmo, nem nele vindimareis as uvas das separações,12 Porque jubileu é, santo
será para vós; a novidade do campo comereis”.
Nestas duas passagens (Êxodo 23:10-11 e Levítico 25:11-12), os levitas e os pobres poderiam
comer livremente com os donos das terras ou fazendas.
Não conheço ninguém que seja consistente em sua interpretação bíblica acerca desse assunto
a ponto de cumprir, em obediência, o ano do descanso e o ano do jubileu, ficando, assim, sem dar
e/ou receber os quatro (4) dízimos, embora seja possível que tal pessoa exista.

2.6 A Ordenança de Respigar e Colher


Levítico 19:9-10 “9 Quando também fizerdes a colheita da vossa terra, o canto do teu campo não
segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega. 10 Semelhantemente não
rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao
estrangeiro. Eu sou o SENHOR vosso Deus”.
Deus ordenou uma Lei para os donos de terras e fazendas tendo cuidado com os pobres e
estrangeiros. O canto dos campos e as espigas e bagos caídos eram destinados aos pobres e
estrangeiros. Confira, também, Levítico 23:22 e Deuteronômio 24:19-21.

2.7 José e Maria pagaram a oferta dos pobres & Jesus e a Ordenança de Respigar
Acerca de Deus cuidando e ajudando os pobres: Êxodo 23:6; Levítico 12:6-8; 14:21; 19:9-10;
23:22; 25:35-38; 27:8; Deuteronômio 15:7-8; 23:25; 24:12-13, 15, 19-21; Provérbios 31:9.

Lucas 2:22-24 “22 E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram
a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor 23 (Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo
o macho primogênito será consagrado ao Senhor); 24 E para darem a oferta segundo o disposto na
lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos”.
Compare Lucas 2:22-24 com Levítico 12:8 a seguir:
Levítico 12:8 “Mas, se em sua mão não houver recursos para um cordeiro, então tomará duas
rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para a propiciação do pecado; assim o
sacerdote por ela fará expiação, e será limpa”.
José e Maria não qualificavam para dar dízimos, pois não eram donos de terras ou de fazendas
a fim de dizimarem das sementes do campo, dos frutos das árvores, dos gados e rebanhos. José e
Maria não tinham recursos para comprar um cordeiro, pois eram pobres. Por isso ofereceram um par
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de rolas ou dois pombinhos. Por isso também Jesus não dizimava, pois era carpinteiro e nem os seus
discípulos que eram pescadores, em sua maioria, pois carpinteiros e pescadores não são donos de
terras e fazendas para colherem frutos das suas próprias árvores e/ou para dizimarem “um de cada
dez animais que passem debaixo da vara do pastor” (Lv. 27:32). Jesus e seus discípulos se
beneficiaram da Ordenança de Respigar em Mateus 12:1-12, Marcos 2:23-24 e Lucas 6:1-2. Ademais,
observe a seguinte passagem bíblica:
Lucas 6:1 “E aconteceu que, no segundo sábado após o primeiro, passou pelas searas, e os
seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam” em
observância à Deuteronômio 23:25 “Quando entrares na seara do teu próximo, com a tua mão
arrancarás as espigas; porém não porás a foice na seara do teu próximo”.
Interessante que os fariseus não reprovaram Jesus e seus discípulos por colherem espigas das
searas dos outros, mas de o fazerem num sábado. Jesus e seus discípulos colheram e imediatamente
comeram as espigas. Ou seja, eles NÃO deram o dízimo do que colheram, e os fariseus não os
reprovaram por não terem dado o dízimo. A explicação disso é que os pobres NÃO eram ordenados
na Lei mosaica a darem os dízimos aos levitas. Esse é outro fato Bíblico de que Jesus e os seus
discípulos eram contados entre os pobres e de acordo com a Lei mosaica qualificavam para serem
beneficiados pela Lei de Respigar e Colher.

2.8 Rei em Israel


1 Samuel 8:7, 10-17. Os dízimos eram dados para os servos e oficiais do Rei de Israel. Os dízimos
viraram taxas para o Rei além de suas funções originais (KELLY, 2007).

2.9 O Uso que o Rei Davi fez dos levitas


1 Crônicas 23:2-4; 26:26-32. Davi tomou controle dos levitas que recebem os dízimos do povo e até
os usou como oficiais e juízes, 1 Cr 23:4. Com certeza, dos dízimos que os levitas recebiam, certa
quantia era dada ao governo do Rei (KELLY, 2007).
1 Crônicas 24 – O Rei Davi mudou a organização dos levitas. Os levitas serviam em 24 divisões,
cada um servindo por uma semana de cada vez, ou duas semanas por ano (KELLY, 2007).
Durante a construção do templo, Davi dividiu os 38.000 levitas assim: 24.000 supervisores de
construção, 6.000 oficiais e juízes, 4.000 porteiros e 4.000 músicos. Muitos pensam que os levitas
viviam nos templos, mas eles tinham muitos cargos debaixo da autoridade do rei. Os levitas, como
líderes políticos debaixo do Rei, serviam também “para todos os negócios de Deus, e para todos os

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negócios do rei”, 1 Crônicas 23:32. Os dízimos viraram taxas para o Rei além de suas funções originais
(KELLY, 2007).

2.10 O Rei Ezequias restaurou o dízimo, 720 a.C.


2 Crônicas 31
2 Crônicas 31:6 “E os filhos de Israel e de Judá, que habitavam nas cidades de Judá, também
trouxeram dízimos dos bois e das ovelhas, e dízimos das coisas dedicadas que foram consagradas
ao SENHOR seu Deus; e fizeram muitos montões”.
2 Crônicas 31:15-19 “15 E debaixo das suas ordens estavam Éden, Miniamim, Jesua, Semaías,
Amarias e Secanias, nas cidades dos sacerdotes, para distribuírem com fidelidade a seus irmãos,
segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos grandes; 16 Exceto os que estavam
contados pelas genealogias dos homens, da idade de três anos para cima, a todos os que entravam
na casa do SENHOR, para a obra de cada dia no seu dia, pelo seu ministério nas suas guardas,
segundo as suas turmas. 17 Quanto ao registro dos sacerdotes foi ele feito segundo as suas famílias,
e o dos levitas, da idade de vinte anos para cima, foi feito segundo as suas guardas nas suas turmas;
18 Como também conforme às genealogias, com todas as suas crianças, suas mulheres, e seus filhos,
e suas filhas, por toda a congregação. Porque com fidelidade estes se santificavam nas coisas
consagradas. 19 Também dentre os filhos de Arão, os sacerdotes, que estavam nos campos dos
arrabaldes das suas cidades, em cada cidade, havia homens que foram designados pelos seus
nomes para distribuírem as porções a todo o homem entre os sacerdotes e a todos os que estavam
contados entre os levitas”.
Os levitas e sacerdotes moravam em cidades designadas para eles. Eles viajavam para Jerusalém
para servir no templo cada um de acordo com seu agendamento/curso/turmas como em Números
35:2; 2 Crônicas 31:15-19; Neemias 10:37, 38; 11:20; 12:28,44,47; 13:10.

2.11 Neemias, o contexto de Malaquias


Neemias 10, 12 e 13 é o contexto para Malaquias (KELLY, 2007; KÖSTENBERGER e
CROTEAU, 2006).
Neemias 10: 18
10:35 Primícias da terra Para a câmara do Templo Para sacerdotes
10:36 Primogênitos do rebanho/gado Para a câmara do Templo Para sacerdotes
10:37a Primícias de massa, mosto e azeite Para a câmara do Templo Para sacerdotes
10:38 Os dízimos dos dízimos Para a câmara do Templo Para sacerdotes

18
Reproduzido e adaptado do livro: KELLY, Russel. Should the church teach tithing?: A theologians conclusion about a
taboo doctrine. Lincoln: iUniverse, Inc., 2007, p. 107.
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10:37b Dízimo do levita Para cidades levíticas Para os levitas

Outra referência ao dízimo é:


Neemias 12:44 “Também no mesmo dia se nomearam homens sobre as câmaras, dos tesouros, das
ofertas alçadas, das primícias, dos dízimos, para ajuntarem nelas, dos campos das cidades, as partes
da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judá estava alegre por causa dos sacerdotes e
dos levitas que assistiam ali”.
Veja que o propósito dos dízimos era a sustentação da tribo de Levi. Tanto as ofertas quanto os
dízimos eram partes da lei para os sacerdotes e levitas. Os cristãos não estão debaixo da lei
cerimonial 19 (e nem civil 20) de Israel.
Muitas pessoas erroneamente acreditam que os dízimos eram as primícias. Mas observe que
as ofertas, primícias e dízimos (plural) são mencionados num único versículo e eram destinados “para
os sacerdotes e para os levitas”. A palavra “dízimo” em seus contextos bíblicos não significa somente
“décima parte”, mas sim a décima parte proveniente “do campo, da semente do campo, do fruto das
árvores” (Lv 27:30) e “do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara” (Lv 27:32), e tudo
isso apenas proveniente de dentro da terra de Israel (“em Israel”, Nm. 18:21; “na terra...de vossos
pais”, Dt 12:1. Compare Dt. 12:1 com Dt. 12:6). Além disso, a passagem de Levítico 27:32 nos ajuda
a entender que os dízimos e primícias são diferentes um do outro: “O dízimo dos seus rebanhos, um
de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será consagrado ao Senhor”. De acordo
com essa passagem, era o primeiro animal ou o décimo animal que passava debaixo da vara do pastor
a fim de ser entregue aos levitas? Veja, então, que primícias e dízimos não são a mesma coisa.
Ademais, em Neemias 13:5–12, vemos que os levitas não estavam recebendo a porção (os
dízimos) para o seu sustento, pois estavam sendo roubados por parte dos sacerdotes.

Malaquias 1:1 “Peso da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias”.
Este livro traz uma palavra dura que é, biblicamente e historicamente, direcionada para Israel,
“contra Israel” (vs. 1). A Bíblia deixa isso bem claro no versículo acima.
Malaquias 1:6 “O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha
honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó
sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?”.
“Vós” em Malaquias se refere aos sacerdotes, “ó sacerdotes”. É importante ler Malaquias
entendendo o seu contexto para não interpretar as Escrituras de forma pessoal.

19
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3).
20
As leis civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além
do que exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
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Malaquias 1:7-8 Deus repreende os sacerdotes por terem oferecido ofertas imundas e não aceitáveis
a Deus. Vs.10, Deus não aceitou as suas ofertas.
Malaquias 2:1-9 se refere aos sacerdotes.
Malaquias 2:1 “Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós”.
Mais uma vez, “vós” se refere aos sacerdotes. É o primeiro versículo deste segundo capítulo.
Com certeza a mensagem desse capítulo será sobre os sacerdotes.
Malaquias 2:2 “Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu
nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas
bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração”.
Novamente, Deus tem amaldiçoado os sacerdotes.
Malaquias 2:3 Deus se expressa com ira contra os sacerdotes por não honrarem a Deus.
Malaquias 2:4-6 Deus fala bem do Seu servo Levi dizendo que ele guardou a Sua aliança com
Deus. E em seguida, no próximo versículo, Deus diz como deve ser a vida e atitude do sacerdote
diante do fato que, ao contrário de Levi, os sacerdotes quebraram as suas alianças com Deus. Ou
seja, mais uma referência de que Malaquias escreve contra os sacerdotes:
Malaquias 2:7 explica como os sacerdotes deveriam proceder, pois é através deles que as
pessoas, o povo, devem buscar conhecer as leis do Senhor e se converterem da iniquidade. Se esse
versículo diz como os sacerdotes devem proceder, é porque eles não estavam procedendo
corretamente (KELLY, 2007). Leia o próximo versículo.
Malaquias 2:8 “Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei;
corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos”.
“Vós”, os sacerdotes, “vos desviastes do caminho”, ou seja, da aliança de Levi que quebraram e
corromperam. Também, como resultado, fazendo o povo tropeçar na Lei, pois os sacerdotes deveriam
ser um exemplo de santidade e obediência a Deus diante do povo israelita.
Malaquias 2:9 “Por isso também eu vos fiz desprezíveis, e indignos diante de todo o povo,
visto que não guardastes os meus caminhos, mas fizestes acepção de pessoas na lei”.
“Diante do povo” estavam os sacerdotes, os quais por Deus foram feitos desprezíveis e indignos por
corromperem e transgredirem a aliança de Levi. Vejam que os sacerdotes e o povo são mencionados
no mesmo versículo, mas não foi o povo que fora feito desprezível; o “vos” refere-se aos sacerdotes,
assim como em todos os versículos anteriores até o momento. Toda a leitura até agora aponta que
foram os sacerdotes que não guardaram os caminhos do Senhor.
Malaquias 2:10 Como em Mal 2:8-9, os sacerdotes profanaram a aliança dos seus pais quando
corromperam a aliança de Levi não guardando os caminhos do Senhor.

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Malaquias 3:1-6 O SENHOR responde a Malaquias 2:17 “onde está o Deus do juízo?”. Dentro
do contexto, Deus irá fazer juízo e purificação começando no Seu templo (vs.3:1) e, por conseguinte,
com os sacerdotes que servem no templo. Depois da interpretação contextual, podemos, então,
entender que Mal. 3:1 profeticamente refere-se a João o batista e a Jesus Cristo. Os filhos de Levi
serão purificados e refinados e trarão ofertas em justiça ao SENHOR, Mal. 3:3. Deus fará justiça
começando com os sacerdotes em Seu templo porque eles quebraram a aliança de Levi e fizeram
muitos israelitas tropeçarem na Lei, Mal. 2:8. Por isso o povo andava errante diante de Deus.
Essa corrupção dos sacerdotes e levitas está no contexto de Esdras capítulos 9-10 e Neemias
13:8-13, 29-30. Neemias 13:29 “Lembra-te deles, Deus meu, pois contaminaram o sacerdócio,
como também a aliança do sacerdócio e dos levitas”. John Gill, comentarista e teólogo batista
reformado, comentou a respeito do início desse versículo, “Lembra-te deles, Deus meu”, dizendo: “Os
sacerdotes, e puni-los: porque eles têm pervertido o sacerdócio ao casarem-se com esposas
estranhas, e ao tornar a si mesmos impróprios para oficiar nela[a aliança]:”. 21
Em Esdras e Neemias, aprendemos que os sacerdotes e os levitas casaram com mulheres de
outras culturas e nações. Veja Esdras 9:1-2.
Malaquias 3:7 “Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os
guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós
dizeis: Em que havemos de tornar?”.
“Vossos pais” se refere aos sacerdotes que se desviaram dos estatutos/ordenanças de Deus e fizeram
o povo tropeçar. Não se refere aos gentios e muito menos a Igreja debaixo da Nova Aliança. As
ordenanças/estatutos são as leis mosaicas cerimoniais de adoração (KELLY, 2007). “Meus
estatutos/ordenanças” se referem pelo menos ao texto principal dos dízimos, os quais são
ordenanças/estatutos: Números 18, mas também aos demais textos Bíblicos.
É negligência ensinar a dizimar a partir de Mal 3:8-10 e ignorar Números 18, Levíticos 27,
Deuteronômio 12 e 14, Neemias 10, 12, 13, e Malaquias 1-2 e 3:1-7. Sem a definição Bíblica dos
dízimos, de acordo com essas passagens, e sem quase nenhum contexto do livro de Malaquias, o
dízimo é ensinado erroneamente, muitas vezes, em nossos dias.
Deus responde à pergunta dos sacerdotes nos próximos versículos:
Malaquias 3:8-12 “8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te
roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais,
sim, toda esta nação. 10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na

21
Minha tradução. Ver comentário de John Gill disponível em: <http://www.biblestudytools.com/commentaries/gills-
exposition-of-the-bible/nehemiah-13-29.html>.

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minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as
janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a
recolherdes. 11 E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa
terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. 12 E todas as nações
vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos
Exércitos”.
Em Malaquias 3:8, Deus começa respondendo a pergunta do versículo anterior. Portanto, não
ignore o contexto de Malaquias 1-3. Deus fala especificamente aos sacerdotes e talvez, mas com
muito menos apoio Bíblico e contextual, em segundo lugar, à nação de Israel, mas nunca aos gentios
nesse contexto. Pois, conforme KELLY (2007, p. 101; colchetes são meus) explica:
(1) sendo que Deus claramente COMEÇOU a falar aos sacerdotes em [Mal.] 1:6, (2)
enfaticamente continuou a falar com os sacerdotes em [Mal.] 2:1, (3) deve ainda estar falando
aos sacerdotes a respeito de seus altares em [Mal.] 2:13, (4) está claramente ainda falando a
eles de [Mal.] 2:17 até 3:4, ENTÃO (5) Deus está especificamente falando aos sacerdotes em
[Mal.] 3:8! Eu pergunto: Quando que Deus PAROU de falar aos sacerdotes?
“O ônus da prova deve cair sobre aqueles que afirmam que Deus tem inesperadamente mudado a
Sua audiência dos sacerdotes para o povo” (KELLY, 2007, p. 101) diante do contexto inteiro de
Malaquias.
Compare agora Neemias 10:37-38 e 12:44, 47 com 13:4-5 e 10-11. Neemias 13:10 “Também
entendi que os quinhões dos levitas não se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que
faziam a obra, tinham fugido cada um para a sua terra”. Portanto, é claro que os sacerdotes roubaram
os dízimos dos levitas não lhes dando-os, de modo que os levitas tiveram que fugir “cada um para sua
terra”, isto é, para as cidades dos levitas, para sobreviverem de suas fazendas ou de agricultura.
Os sacerdotes roubaram a Deus nos dízimos e nas ofertas também. Nos ‘dízimos’ está no plural
porque são no mínimo quatro tipos de dízimo que existia. Também os sacerdotes da tribo de Levi
roubavam a Deus nas ‘ofertas’. Quais são as ofertas no Velho Testamento? Leia Levíticos 1-5. Isso
muda o sistema de hoje, não é mesmo? Como os crentes irão fazer para dar essas ofertas? Matarão
animais? Ou farão da oferta uma lei? Vemos também que o devorador não é satanás, mas
locustas/acridídeos que destruiriam os frutos da terra de Israel (vs.11 “vossa terra”) e do campo
(KELLY, 2007). No versículo 11, “mantimento” em hebraico é “‫ = טֶּ ֶרף‬tereph”, que significa “comida” e
em inglês, na King James Version, é “meat”.
Os dízimos que eram entregues no templo em Jerusalém eram guardados nas câmaras da casa
do tesouro. Neemias 10:37-38 revela que a maioria dos dízimos eram entregues para os levitas em
suas cidades, as cidades levíticas. Somente um pouco era entregue diretamente ao templo em
Jerusalém quando cada levita, em sua semana de serviço, viajava das cidades levíticas à Jerusalém
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levando consigo a parte do dízimo para os sacerdotes. Sobre as cidades levíticas, confira Josué 20 e
21, Números 35 e 2 Crônicas 31:19.

Malaquias 3:8 (continuação)


Voltando novamente para Malaquias 3:8, precisamos levar em conta que nem todos os
israelitas davam os dízimos, pois os dízimos eram provenientes da atividade agropecuária. Os
israelitas que não trabalhavam com a atividade agropecuária também estavam pecando com relação
a sua desobediência às ofertas veterotestamentárias, especificamente as que eram obrigatórias
(falarei disso logo abaixo). Há várias passagens bíblicas sobre dinheiro sendo usado para fins diversos:
na compra de escravos (Gên. 17:12), compra de terra (Gên. 23:15), pagamentos de multas e
restituições (Êx. 28), bebidas fortes/alcoólicas (Deut. 14:26), entre outras. Deus nunca mandou os
israelitas darem a décima parte do dinheiro obtido dessas transações financeiras. Os israelitas, mesmo
os que não davam dízimos da atividade agropecuária, deveriam honrar a Deus com seus bens (Prov.
3:9), sendo a quantidade, de comida e/ou dinheiro a ser contribuído como oferta voluntária, uma
questão de decisão pessoal.
Levando em consideração o contexto de Neemias 10, 12 e 13 e Malaquias 1 até 3:7, o “vós”
em Malaquias 3:8 são os sacerdotes levíticos como objeto principal da repreensão de Deus. Os
sacerdotes pecaram e fizeram, por meio de seus maus exemplos, os israelitas se desviarem de Deus
e pecarem contra Ele. Devemos fazer a seguinte distinção a respeito dos dois tipos de israelitas (nesse
contexto bíblico) para melhor entendermos como os israelitas pecaram: havia os israelitas que
qualificavam-se para darem a décima parte do produto agropecuário, e havia também os israelitas que
não qualificavam-se para darem a décima parte do produto agropecuário.
• Os israelitas que qualificavam-se 22 para darem a décima parte do produto agropecuário também
estavam roubando tanto nos dízimos quanto nas ofertas veterotestamentárias, especificamente as
ofertas que eram obrigatórias, a saber, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa (ver explicação
abaixo);
• Os demais israelitas que não qualificavam-se 23 para darem a décima parte do produto agropecuário
estavam roubando a Deus somente nas ofertas veterotestamentárias, especificamente as ofertas
que eram obrigatórias, a saber, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa (ver explicação abaixo);
o Há cinco tipos principais de ofertas veterotestamentárias:

22
Ver pontos (a), (b), (c) e (d) nas páginas 15-16
23
Ver pontos (a), (b), (c) e (d) nas páginas 15-16
Página 24 de 76
(1) Oferta de holocausto (Lev. 1:3-17; 6:8-13; 8-21; 16:24) - A oferta de holocausto era dada por
parte dos “filhos de Israel” (Lev. 1:2) de forma voluntária (“de sua própria vontade”, Lev. 1:3), ob-
servando-se a lei (Lev. 6:9) de que o holocausto deveria consistir de gados (Lev. 1:3), ovelhas ou
cabras (Lev. 1:10), aves como rolas ou pombinhos (Lev. 1:14). A oferta de holocausto era queimada
“toda a noite até pela manhã”, no altar, por parte de Arão e seu filhos (Lev. 6:8-13). Quanto à
esfolação, a pele/couro não podia ser queimada porque pertencia ao sacerdote (Lev. 1:6; 7:8);

(2) Oferta de cereal, também conhecida como oferta de alimentos (Lev. 2; 6:14-23) era acompa-
nhada por uma oferta de libação (Núm. 15:4-5) - Em Levítico 2:1a, a expressão “quando alguma
pessoa oferecer” indica que essa oferta era voluntária, assim como explica John Gill, dizendo:
“Ou, “quando uma alma”, e a qual Onkelos traduz por “um homem”, assim cha-
mado da sua parte mais nobre; e, como dizem os judeus, essa palavra é usada
porque o minchá, ou oferta de alimentos a qual é falada aqui, era uma oferta vo-
luntária, e era oferecida de todo o coração e alma; e alguém que oferecesse dessa
maneira, era como se a pessoa oferecesse a sua alma ao Senhor (s): havia algu-
mas ofertas de alimentos as quais eram designadas e fixadas em certos dias, e
eram obrigadas a serem oferecidas, como na ocasião do sacrifício diário, da con-
sagração dos sacerdotes, do mover do feixe etc. Êxodo 29:40 mas isso era uma
oferta voluntária. (s) Jarchi, Aben Ezra, & Baal Hatturim, in loc”. 24
Matthew Poole, em seu comentário sobre Levítico 2:1, afirma que: “A respeito das ofertas-de-
alimentos voluntários...”, concordando com a análise de John Gill. Matthew Poole também comen-
tou sobre as primícias em Lev. 2:14 dizendo, “Ou seja, de sua própria vontade; pois havia outras
primícias, e isso de vários tipos, as quais foram prescritas, e o tempo, qualidade, e proporção delas
designadas por Deus. Ver Levítico 23:10”; 25

(3) Oferta de sacrifício pacífico, ou oferta de sacrifício de paz (Lev. 3; 7:11-34) – Matthew Henry
explica que as ofertas pacíficas:
“diziam respeito a Deus como um benfeitor às Suas criaturas, e quem dá todas as coisas a nós; e,
portanto, elas eram divididas entre o altar, o sacerdote e o proprietário. Paz significa: 1. Reconcili-
ação, concórdia e comunhão. E, portanto, elas eram chamadas de ofertas pacíficas porque nelas
Deus e Seu povo, pois, festejavam juntos como sinal de amizade”. 26 A lei da oferta de sacrifício
pacífico (Lev. 7:11) estabeleceu subtipos de ofertas, bem como os rituais de como ofertá-las: oferta

24
Minha tradução. Disponível em: <http://biblehub.com/commentaries/gill/leviticus/2.htm>.
25
Minha tradução. Disponível em: <http://biblehub.com/commentaries/poole/leviticus/2.htm>.
26
Minha tradução. Disponível em: <http://biblehub.com/commentaries/mhcw/leviticus/3.htm>.
Página 25 de 76
de ação de graças (também chamada de oferta de gratidão; 7:12), oferta de voto e oferta volun-
tária (7:16) e oferta movida (7:30). O ofertar da oferta de sacrifício pacífico era um ato voluntário
que deveria seguir o ritual de preparação e oferecimento descritos em Levítico capítulo 7;

(4) Oferta pelo pecado, também conhecido como oferta de purificação - era oferecida para expiar
o pecado cometido por ignorância (Lev. 4:2-3, 20) por parte do sacerdote (v. 1-12), por parte de
toda a congregação (v. 13-21), do líder/príncipe (v. 22-26), ou de um indivíduo (v. 27). Portanto, a
oferta pelo pecado era obrigatória quando a pessoa pecasse, devendo o seu oferecimento seguir
os rituais prescritos;

(5) Oferta pela culpa (Lev. 5:14-19; 6:1-7; 7:1-6). Matthew Henry explica que:
“Este capítulo, e parte do próximo, diz respeito à oferta pela culpa. A diferença
entre essa oferta e a oferta pelo pecado não baseia-se tanto nos próprios sacrifí-
cios, e nem na gestão destes, como nas ocasiões do ofertar deles. Ambas as
ofertas destinavam-se a fazer expiação pelo pecado; mas aquela[oferta pela
culpa] era mais geral, sendo aplicada a alguns casos. Observe o que é dito aqui:
I. Com relação às transgressões[culpas]. Se um homem pecar, 1. Ao esconder
seu conhecimento, quando este for convocado (v. 1). 2. Ao tocar numa coisa
imunda (v. 2, 3). 3. Ao jurar (v. 4). 4. Ao desviar as coisas sagradas (v. 14-16). 5.
Em qualquer pecado de enfermidade (v. 17-19). Há alguns outros casos nos quais
essas ofertas deveriam ser ofertadas (cap. 6:2-4; 14:12; 19:21; Núm. 6:12). II.
Com relação às ofertas pela culpa: 1. Do rebanho (v. 5, 6). 2. Das aves (v. 7-10).
3. Da farinha (v. 11-13; mas principalmente um carneiro sem defeito (v. 15,
etc))”. 27
Portanto, a oferta pela culpa era obrigatória quando a pessoa pecasse, devendo o seu
oferecimento seguir os rituais prescritos.

Isso nos ajuda a melhor entender o “vós” (Mal. 3:8) e a expressão “toda esta nação” (Mal. 3:9).
O “vós” e “toda esta nação” significa que todos os israelitas roubavam a Deus, mas não de forma igual.
Somente os que qualificavam-se para dar o dízimo do levita, das festas do Senhor e dos pobres a
cada três anos podiam entregar os dízimos, os quais estavam roubando a Deus tanto nestes dízimos
quanto nas ofertas pelo pecado e pela culpa. Os demais israelitas que não qualificavam-se para dar a

27
Minha tradução. Disponível em: <http://biblehub.com/commentaries/mhcw/leviticus/5.htm>.
Página 26 de 76
décima parte do produto agropecuário também estavam roubando a Deus, mas somente nas ofertas
pelo pecado e pela culpa.
Malaquias 3:9 – O apostolo Paulo em Gálatas, capítulo 3, fala sobre a maldição da lei. Ele cita
em Gal 3:10 a passagem de Deuteronômio 27:26. Gálatas 3:12 “Ora, a lei não é da fé; mas o homem,
que fizer estas coisas, por elas viverá”. Os dízimos são da lei cerimonial para a nação de Israel. 28 Por
isso Deus diz, “toda esta nação”.
Malaquias 3:10 – Köstenberger e Croteau (2006, p. 69) comentam que “Malaquias não
menciona essa prova em termos universais, mas limita-a à situação atual por meio da frase “fazei
prova de mim nisto” no meio de Mal. 3:10. A expressão “nisto” provavelmente refere-se à situação
atual”. 29 Quando Deus diz “fazei prova de mim nisto”, Ele não fala isso a todos universalmente.
Ademais, em Mal. 3:10-11 e Det. 28 tanto as maldições quanto as bênçãos tinham
características agropecuárias, assim como os quatro dízimos que sempre eram provenientes da
atividade agropecuária, a qual era proveniente de dentro da terra de Israel.
Brian Anderson, um pastor batista, também comentou em seu estudo sobre Malaquias 3:8-12
dizendo (os colchetes, itálicos e negritos não são meus): 30
3:8 Este verso nos diz que quando um homem retém seus dízimos ele está roubando, na
realidade, a Deus. Isto porque ele está retendo algo que não lhe pertence, antes é propriedade
de Deus. [4] Sob o Velho Pacto, o dízimo era mandatório, portanto retê-lo era se tornar um
ladrão. Note também que Deus diz que o povo o estava roubando em dízimoS. Ele não disse no
"dízimo", mas sim nos "dízimoS" (plural). Estes "dízimos” têm que se referir aos diferentes
dízimos requeridos do povo de Deus (o Dízimo para o levita, o Dízimo para as Festas ao Senhor,
e o Dízimo para os Pobres). Adicionalmente, observe que Deus não está condenando o reter
apenas dos dízimos, mas também das ofertas. Estas, sem dúvida, referem-se às ofertas
especificadas em Levíticos 1-5, tais como a oferta queimada [holocausto], a oferta dos manjares,
a oferta de paz, a oferta pelos pecados, e a oferta pelas culpas. Todas estas ofertas eram
constituídas, principalmente, de sacrifícios de animais. O suprimento de comida e mantimento
para os levitas era provido, em grande parte, através destes sacrifícios de animais, dos quais os
levitas eram permitidos participar [comendo-os], em certos casos. Uma importante pergunta
emerge a este ponto. Por que é que reconhecemos que o sacrifício de animais não é coisa para

28
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3).
29
Minha tradução; original diz: “Malachi does not state this testing in universal terms but limits it to the current situation by
the phrase “test me now in this” in the middle of Mal 3:10. The expression “in this” most likely refers to the current
situation”.
30
ANDERSON, Brian. O dízimo do Velho Testamento, versus o dadivar do Novo Testamento. Disponível em:
<http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComRiquezas/DizimoVT-X-DadivarNT-Anderson.htm>. Original em inglês: Old
Testament Tithing vs. New Testament Giving. Disponível em:
<http://www.solidrock.net/library/anderson/sermons/ot.tithing.vs.nt.giving.php>.
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o Novo Pacto, mas dizemos que o dízimo o é? Se estivéssemos sob a obrigação de pagar
dízimos hoje, então, certamente, ainda estaríamos obrigados a oferecer sacrifícios de animais.
Deus amarrou um ao outro (os dízimos e os sacrifícios), e disse que Seu povo O estava roubando
por reter a ambos. Não podemos decidir "pegar e escolher" qual dos dois ofereceremos a Deus,
hoje. Das duas uma: [a] estamos sob a obrigação de oferecer ambos, tanto dízimos como ofertas
de animais (sacrifícios), ou [b] ambos [dízimo e sacrifício] têm sido abolidos pela ab-rogação da
Lei Mosaica [relativa às leis cerimoniais e civis].

3:9 Aqui, somos ditos que, como o povo de Israel estava retendo os dízimos e ofertas,
conseqüentemente estava amaldiçoado com uma maldição. Note que o verso não diz "Com
maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda a humanidade." Ao contrário,
diz "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação." Se
dizimar fosse um mandamento moral e eterno para todos os povos de todos os tempos, então
todos estes estariam sob maldição. Mas nosso texto somente diz que é toda nação de Israel que
estava sob a maldição. Agora, o que é interessante sobre esta "maldição" é que, em
Deuteronômio 28, somos ditos que se Israel, sob a Lei Judaica, desobedecesse os mandamentos
de Deus, então a nação seria amaldiçoada. Note os seguintes textos: Deuteronômio 28:18
"Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e as crias das tuas vacas, e das tuas ovelhas.
23 E os teus céus, que estão sobre a cabeça, serão de bronze; e a terra que está debaixo de ti,
será de ferro. 24 O SENHOR dará por chuva sobre a tua terra, pó e poeira; dos céus descerá
sobre ti, até que pereças. 38 Lançarás muita semente ao campo; porém colherás pouco, porque
o gafanhoto a consumirá. 39 Plantarás vinhas, e cultivarás; porém não beberás vinho, nem
colherás as uvas; porque o bicho as colherá. 40 Em todos os termos terás oliveiras; porém não
te ungirás com azeite; porque a azeitona cairá da tua oliveira. E todas estas maldições virão
sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído; porquanto não ouviste
à voz do SENHOR teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos,
que te tem ordenado;" (Dt 28:18, 23-24, 38-40, 45). Nestes versos, Deus adverte que, se o Seu
povo desobedecesse Seus mandamentos e estatutos, então as ceifas deles falhariam, as chuvas
não viriam, as colheitas seriam pequenas, a locusta [tipo de grilos ou gafanhotos] consumiria a
comida, e o fruto das árvores falharia.

3:10 Nesta passagem, Deus fala da "casa do tesouro". Com base em Neemias 12:44, sabemos
que isto se refere às câmaras no Templo, postas à parte e designadas para guardar os dízimos
dados pelo povo para o sustento dos sacerdotes [e a todos os demais levitas]. Não existe sequer
um fiapo de evidência [Bíblica] de que devemos associar estas "casas do tesouro" aos prédios
das igrejas para os quais os crentes do Novo Pacto devem trazer seus dinheiros. Ademais, a
razão pela qual Israel devia trazer todos os dízimos para dentro da casa do tesouro era que

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houvesse [bastante] alimento na casa de Deus. Deus estava interessado em que os levitas
tivessem comida para comer. Este era o propósito daqueles dízimos que eram trazidos para o
Templo de Deus. Somos ditos, também, que se o povo de Deus fosse fiel em trazer seus dízimos
para a casa do tesouro, Deus abriria as janelas do céu e derramaria para eles uma bênção até
que transbordasse. Isto sem dúvidas refere-se à promessa de Deus de trazer abundantes chuvas
para produzir a bênção de uma transbordante ceifa.

3:11 Neste verso, Deus promete que se Israel trouxer os dízimoS [e as ofertaS], Ele repreenderá
o devorador para que não destrua o fruto da terra. Sem dúvidas, o "devorador" é uma referência
às locustas que Deus adverte que virão sobre os campos de Israel se o povo falhar em trazer o
dízimo (Dt 28:38; vide acima).

3:12 Neste verso, Deus graciosamente promete que, se Israel for obediente no dar os seus
dízimoS e ofertaS, todas as nações a chamarão abençoada. É interessante que Deus não
apenas advertiu Israel de que seria amaldiçoada se desobedecesse a Lei Mosaica, mas também
prometeu que seria abençoada se a obedecesse. Note estes textos, "1 ¶ E será que, se ouvires
a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que
eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. 2 E todas
estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do SENHOR teu Deus;
(Dt 28:1-2). 4 Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais; e as
crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. 8 O SENHOR mandará que a bênção [esteja] contigo
nos teus celeiros, e em tudo o que puseres a tua mão; e te abençoará na terra que te der o
SENHOR teu Deus. 11 E o SENHOR te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, e no
fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo, sobre a terra que o SENHOR jurou a teus pais te
dar. 12 O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo,
e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não
tomarás emprestado." (Dt 28:1-2, 4, 8, 11-12). Aqui, Deus prometeu abençoar Israel
materialmente, se ela fosse obediente. A promessa inclui abundantes colheitas, copiosas chuvas,
e grandes aumentos nas manadas e nos rebanhos.

Portanto, é minha convicção que as bênçãos e maldições escritas em Malaquias 3:8-12 referem-
se às bênçãos materiais que Deus prometeu a Israel, se ela obedecesse seus mandamentos e
estatutos. Dizimar foi um destes mandamentos.

Portanto, que podemos concluir sobre o dízimo, sob a Lei Mosaica? Penso que, com segurança,
podemos concluir que o dízimo não tinha nada a ver com o dar dinheiro regularmente, numa
base semanal ou mensal, mas, ao contrário, tinha a ver com a adoração a Deus conforme

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ordenada no tempo do Velho Pacto. O mandamento para dizimar, tal como os mandamentos
para não comer camarão nem ostras, tornou-se obsoleto e foi colocado de lado, pela inauguração
do Novo Pacto, na morte de Cristo. O dízimo foi o sistema de impostos e taxas ordenado por
Deus sob o sistema teocrático do Velho Testamento.

Se alguém deseja dizimar realmente [literalmente] de acordo com as Escrituras, teria que fazer
o seguinte:
1) Deixar seu trabalho e comprar uma terrinha, de modo que possa criar seu gado e plantar e
colher [grãos, verduras e frutas].
2) Encontrar algum descendente de Leví, para sustentá-lo [e este a um descendente do levita
Arão (que realmente seja sacerdote, no Templo, em Jerusalém)].
3) Usar suas colheitas para observar as festas religiosas do Velho Testamento (tais como Páscoa,
Pães Asmos, Pentecostes, Tabernáculos) [quando, como e onde Deus ordenou. Literalmente];
4) Começar por dar pelo menos 20 por cento de todas as suas colheitas e rebanhos a Deus; e
5) Esperar que [com toda certeza] Deus amaldiçoe sua nação [em oposição ao próprio crente]
com [grande] insuficiência material, se ela for infiel, ou a abençoe com [grande] abundância
material, se for fiel.

[4] Nota do Tradutor: Arrisquemo-nos a ser repetitivos, para que ninguém perca algum aspecto
da verdade -- O Velho Testamento fala de vários tipos de dízimos:
- Todos os israelitas davam um dízimo de suas rendas anuais, aos levitas (Lev 27:30-33; Nu
18:21-24; 2Cr 31:4-12; Ne 10:37; 12:44; 13:5; Ml 3:8-12), para alimentação e sustento deles (não
para o Templo!); davam a si mesmos outro dízimo das suas rendas anuais, deleitando-se ao
comerem e descansarem e alegrarem-se, em gozoso "acampamento - férias - festa - adoração",
que só podia ser em Jerusalém (Dt 12:6-7,11-21; 14:22-27); e, a cada 3 anos, davam aos pobres
outro dízimo das suas rendas, para que se deleitassem ao comerem e descansarem e alegrarem-
se aonde quer que morassem (Dt 14:28-29; 26:12).
- Os levitas davam aos sacerdotes (que eram levitas descendentes de Arão) o dízimo do dízimo
que tinham recebido (Nu 18:26-29; Ne 10:38-39; 12:44; 13:5,12; Ml 3:8-12).
- Ag 2:9-11 não tem nada a ver com nenhum destes tipos de dízimo e sim com ofertas para a
reconstrução do Templo. Há analogia entre cada crente neotestamentário e o Templo, mas não
há nenhuma analogia entre o Templo e os prédios de uma igreja local.

O teólogo reformado Herman Witsius, em sua grande e clássica obra sobre a teologia do pacto,
defende que (negritos são ênfase minha): 31

31
Trecho original em inglês diz: “L. Whenever this shall come to pass, it is plain that the ancient ceremonies cannot possibly
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“L. Quando quer que isso vier a acontecer, é claro que as cerimonias antigas não
podem possivelmente ser observadas por todos os sujeitos do Messias. Pois como é
possível a realização de votos e dízimos, a apresentação do primogênito, a observação
da páscoa, pentecostes e festa de tabernáculos— as quais estavam confinadas ao
lugar, o qual Deus escolhera— devessem ser vinculantes naqueles os quais encontram-
se a uma grande distância da Judeia? E como podem homens, os quais habitam nas
partes mais longínquas da terra, virem à Jerusalém, para oferecerem sacrifício por todo
pecado, e toda poluição, a fim de evitar a maldição? Como podem mulheres, as quais
acabaram de dar à luz, realizarem uma longa jornada como tal, e apresentarem a si
mesmas no lugar escolhido por Deus, para realizar as ofertas ordenadas? Onde poder-
se-ia encontrar tantas bestas, tantos sacerdotes, tantos altares, suficientes para todos
os sacrifícios? Qual extensão de país, muito menos de cidade, poderia ser grande o
suficiente para conter tais números? […]”.
Vemos que para Herman Witsius os dízimos (plural) faziam parte das “cerimonias antigas”, isto é, das
cerimonias instituídas pela lei cerimonial veterotestamentária de Moisés. Witsius, assim como John
Owen, também entendia que os dízimos, inter alia, estavam confinados à terra de Israel, não podendo
a décima parte de animais ou frutos ou sementes serem provenientes de terras gentílicas. Assim, já
que os dízimos estavam confinados à terra de Israel, estes apenas poderiam ser entregues lá. Além
disso, a expressão “todos os sacrifícios” inclui os sacrifícios de cada um de cada dez animais que
passavam debaixo da vara do pastor (Lv. 27:32) a fim de ser sacrificado e comido por parte dos levitas
e sacerdotes (com relação à décima parte dos levitas e dos dízimos dos dízimos dos sacerdotes,
respectivamente) e por parte do povo israelita (com relação aos dízimos das festas do Senhor e do
dízimo para os pobres a cada três anos).
Portanto, lembremos que Malaquias era um profeta e, como tal, a função dele era mostrar ao
povo e aos líderes religiosos que a lei de Moisés estava sendo transgredida. Por isso, e por outras
razões, Malaquias mencionou os dízimos (no plural) e ofertas. Os aspectos definidores (o que, como,
quando, onde e por parte de quem) desses dízimos são frequentemente torcidos e alterados por parte
de muitos pregadores em nossos dias; uns com motivos malignos e outros simplesmente por falta de
conhecimento. Lembremos, outra vez, que Malaquias era profeta e como tal deveria mostrar aos

be observed by all the subjects of the Messiah. For how is it possible the paying of vows and tithes, the presenting the first-
born, the observation of the passover, pentecost and feast of tabernacles, which were confined to the place, which God had
chosen, should be binding on those who are to be at a great distance from Judea? And how can men, who dwell in the
outermost parts of the earth, come to Jerusalem, to offer sacrifice for every sin, and every pollution, in order to avoid the
curse? How could women, newly delivered, undertake so long a journey, and present themselves in the place chosen by
God, to perform the offerings commanded? Where could so many beasts, so many priests, so many altars be found,
sufficient for all the sacrifices? What extent of country, much less town, could be large enough to hold such numbers?”.
WITSIUS, Herman. The economy of the covenants between God and man. Capítulo XIV, parágrafo L. Disponível em:
<https://www.monergism.com/thethreshold/sdg/witsius/covenants_p.pdf>.
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israelitas as leis de Moisés, as quais eles estavam transgredindo. Consequentemente, esses dízimos
que Malaquias menciona são exatamente os dízimos que Deus estabeleceu e definiu nas leis de
Moisés, leis estas as quais já haviam sido dadas aos israelitas: “do campo, da semente do campo, do
fruto das árvores” (Lv 27:30) e “do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara” (Lv 27:32).
Nenhum de nós tem autoridade para modificar os aspectos dos quatro dízimos como definidos por
Deus em Sua Palavra. A desobediência às leis de Deus resultaria em maldições específicas e a
obediência em bênçãos (Dt. 28), maldições e bênçãos estas que tinham características agropecuárias.
É negligência às Escrituras ensinar a dizimar a partir de Malaquias 3:8-10 e, ao mesmo tempo,
ignorar e omitir as passagens de Números 18, Levíticos 27, Deuteronômio 12 e 14, Neemias 10-13,
Malaquias 1-2 e 3:1-7, e as ofertas veterotestamentárias descritas em Levítico. Sem a definição bíblica
dos quatro dízimos, de acordo com as passagens acima, sem quase nenhum contexto do livro de
Malaquias e sem o contexto das ofertas veterotestamentárias, o tema sobre dízimos é ensinado
erroneamente, pois cria-se uma nova definição a qual contradiz os aspectos (ver pontos (a), (b), (c) e
(d)) que Deus definiu e estabeleceu em Sua Palavra.

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3. Nova Aliança em Cristo
A obra editada pelo grande teólogo presbiteriano, Bruce M. Metzger, afirma: “O Novo
Testamento em nenhum lugar explicitamente requer a prática do dízimo para manter um
ministério ou lugar de assembleia”. 32 O texto original diz: “The New Testament nowhere
explicitly requires tithing to maintain a ministry or a place of assembly” (Bruce M. Metzger
and Michael D. Coogan, Oxford Companion to the Bible, 1993, p. 745).

F. F. Bruce, um grande teólogo presbiteriano, afirmou: “Cada cristão deve chegar a uma
decisão conscienciosa a respeito desse assunto diante de Deus, e não contentar-se em
submeter-se às declarações dogmáticas dos outros; e será surpreendente se a graça
não o impelir a dar proporção maior do que a lei alguma vez demandou”. 33 O texto
original diz: “Each Christian must come to a conscientious decision on this subject before
God, and not be content to submit to the dogmatic statements of others; and it will be
surprising if grace does not impel him to give a larger proportion than ever the law
demanded” (Frederick Fyvie Bruce, Answers to Questions, 1978, p. 243).

O presbítero T. David Gordon 34 explica que a seguinte citação pertence a um documento-estudo


escrito pelos eclesiologístas Thomas E. Peck e Stuart Robinson ao “Presbitério de Baltimore, e [que
foi] aprovado pela Assembleia Geral em 1854”, o qual reprovou o dízimo, no sentido de 10% como
sendo universalmente obrigatório, e adotou a seguinte postura (itálicos não são ênfase minha;
colchetes são ênfase minha): 35
Então, sob o evangelho, o ponto sobre o qual o nosso “livre arbítrio” [voluntariedade]
deve ser exercido é, não quanto ao dadivar, mas quanto à quantia. Deus não tem dito,
“Dê-me um décimo, ou um vigésimo, ou um centésimo, ou um milionésimo”; e é
presunção para qualquer homem dizer a outro, ou para o tribunal eclesiástico dizer aos
membros sob o seu cuidado: “Você deve dar uma proporção tal e tal”. É uma questão
entre Deus e a própria consciência do homem. Ele deve “contribuir conforme Deus tem
prosperado-o”, e da medida da prosperidade dele outro homem não tem direito de julgar,
pois este [último] não consegue conhecer a condição das circunstâncias daquele, nem
quanto já tem sido contribuído, ou é habitualmente contribuído, sob a injunção solene
de que “a mão esquerda não saberá o que a mão direita faz”.

32
Minha própria tradução.
33
Minha própria tradução.
34
GORDON, T. David. The Tithe in Biblical-theological Perspective. Disponível em:
<www.tdgordon.net/theology/tithe.doc>.
35
Minha tradução. Ver original em inglês: o capítulo “Address on the subject of systematic beneficence” (The Miscellanies
of Thomas E. Peck. Richmond: Presbyterian Committee of Publication, 1895. vol. 1, p. 141), disponível em
<https://archive.org/details/miscellaniesofre01peck>.
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Isso é um ponto fundamental para evitar confusão a respeito da relação entre dadivar e quantia.
A nossa voluntariedade, como igreja, não refere-se ao dadivar, mas sim a quanto dadivar. Esses dois
grandes eclesiologístas presbiterianos concordam que os cristãos devem contribuir; eles discordam
que contribuição financeira deva ser fixada num valor fixo, ou percentual mínimo, pois o homem deve
contribuir “conforme a sua prosperidade” (1 Cor. 16:2). Ora, uma vez que é conforme a prosperidade
particular de um indivíduo, já não se pode estabelecer um valor percentual universal obrigatório, pois
isso contradiria “conforme a sua prosperidade”.

Versículos neotestamentários

A insistência em “provar” a continuação do dízimo— geralmente apenas um dízimo, omitindo-


se os demais dízimos e seus regulamentos— a partir da epístola aos Hebreus, tem sido uma estratégia
por parte de certas pessoas. Por isso, examinemos os versículos-chave sobre os dízimos no livro de
Hebreus a fim de sermos como os bereanos (Atos 17:11) que examinavam as escrituras.

Dois dos maiores comentaristas bíblicos do século XX foram o William Hendriksen e o Simon
Kistemaker, ambos teólogos presbiterianos. Seus comentários de todos os livros neotestamentários
estão entre os melhores comentários reformados. Em seu comentário da epístola aos Hebreus, Simon
Kistemaker (2003, p. 270) faz considerações doutrinárias referentes a Hb. 7:1-10 e afirma que:

No Novo Testamento, Jesus ensina que “o trabalhador é digno de seu salário” (Lc 10.7);
Paulo repete essa regra tanto indiretamente quanto diretamente quando ele escreve
sobre o auxílio financeiro daqueles que proclamam o evangelho (1Co 9.14; 1Tm
5.17,18). O Novo Testamento, no entanto, não apresenta imposições específicas sobre
o dízimo.

Semelhantemente, John Owen, um anglicano, puritano e grande teólogo inglês que escreveu
vários volumes sobre a epístola aos Hebreus, comenta com relação à menção do dízimo em Hebreus
7:2 que: “Se o procedimento legal estrito de dizimar for pretendido, não pode ser provado a partir
desse texto, nem a partir de qualquer caso antes da lei; pois Abraão deu somente o décimo dos
despojos, os quais não eram aptos por lei a serem dizimados” (1855, p. 325). 36 É pecado e falta de
temor a Deus mentir aos fiéis leigos dizendo que o texto de Hebreus 7:2 ensina e/ou ordena aos
cristãos a contribuírem exatamente ou um mínimo de 10% de suas rendas, pois o escritor de Hebreus

36
Minha tradução. Os itálicos não são meus. Original em inglês diz: “If the strict legal course of tithing be intended, it cannot
be proved from this text, nor from any other instance before the law; for Abraham gave only the tenth of the spoils, which
were not tithable by law”.
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7:4 escreve sob a inspiração do Espírito Santo de Deus que Abraão entregou o dízimo dos despojos
da guerra a Melquisedeque. John Gill, o grande teólogo e comentarista batista reformado, também
entende que “a décima parte de tudo” (Hb. 7:2) foi a décima parte dos despojos dos inimigos de
Abraão: 37
A quem também Abraão deu o dízimo de tudo,... […] apenas dos despojos do inimigo,
como em Heb. 7:4 que não é nenhuma prova de qualquer obrigação aos homens para
pagarem dízimos agora a qualquer ordem de homens; pois isso foi um ato voluntário, e
não o que qualquer lei obrigava a fazer; o mesmo foi dado apenas uma vez, e não
constantemente, ou a cada ano; era dos despojos do inimigo, e não de sua própria
substância, ou da colheita da terra; nem era para a manutenção de Melquisedeque, um
sacerdote, o qual também era um rei, e era ricamente sustentado; mas para testificar a
sua gratidão a Deus, pela vitória obtida, e a sua reverência de, e sujeição ao sacerdote
de Deus.

Ora, vejamos mais versículos que tratam desse assunto:


Hebreus 7:5 “E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de
tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão”.
Indiscutivelmente é esclarecido o fato de que são os levitas da tribo de Levi que receberam de
Deus uma ordem segundo a lei (cerimonial) de tomarem o dízimo do povo israelita— não todos eles,
mas os que qualificavam-se para entregar a décima parte das sementes do campo, dos frutos das
árvores, dos gados e rebanhos (Lv. 27:30, 32). John Gill também declara que “a lei” em Heb. 7:5 refere-
se à “a lei cerimonial” (the cerimonial law, em inglês). 38 Quem não fosse um judeu da tribo de Levi,
não podia tomar os dízimos que a eles eram entregues por parte dos israelitas— não todos eles, mas
os que qualificavam-se para dizimar das sementes do campo, dos frutos das árvores, dos gados e
rebanhos (Lv. 27:30, 32). Os quatro (4) dízimos não eram voluntários, mas sim obrigatórios, pois os
dízimos eram a herança da tribo de Levi diante do fato de que eles não herdaram nenhuma terra dentro
das fronteiras de Israel. Os cristãos hoje não são filhos da tribo de Levi e, por conseguinte, não estão
submetidos ao sacerdócio levítico e nem às suas leis cerimoniais. 39

37
Minha tradução; linhas e colchetes são ênfase minha. Comentário de John Gill, sobre Hebreus 7:2, disponível em
<http://biblehub.com/commentaries/gill/hebrews/7.htm>.
38
Minha tradução. Comentário de John Gill, sobre Hebreus 7:5, disponível em
<http://biblehub.com/commentaries/gill/hebrews/7.htm>.
39
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as
leis civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do
que exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
Página 35 de 76
Hebreus 7:8 “E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem
se testifica que vive”. 40
De acordo com a exegese de John Owen, os advérbios “aqui” e “ali” geralmente referem-se a
um lugar. Owen, e outros teólogos que ele consultou, acreditam que o advérbio “aqui” refere-se a
(colchetes são ênfase minha):
“Jerusalém, a sede do sacerdócio levítico, e a terra de Canaã, a qual, unicamente, era
dizimável de acordo com a lei; pois os judeus julgam, e isso corretamente, que a lei de
dizimação lícita não estendeu-se para além dos limites da terra de Canaã, uma evidência
suficiente que ela[a lei de dizimar] era positiva e cerimonial”. 41
Com relação ao advérbio “ali”, Owen comenta (colchetes são ênfase minha):
“Mas a verdade é, se ὧδε, “aqui”, significa um lugar certo e determinado, isso[“aqui”] em
oposição a ἐκεῖ, “ali”, tem que ser Salém, onde Melquisedeque morava; onde, posterior-
mente, não era apenas dizimável, como dentro dos limites de Canaã, mas mais prova-
velmente era a própria Jerusalém, como temos declarado”. 42
Owen, tendo feito a sua exegese, conclui que: ““Aqui” é no caso do sacerdócio levítico; e “ali” diz
respeito ao caso de Melquisedeque, como declarado, Gen. xiv”. 43
Além disso, a expressão “recebem dízimos” é dita a respeito de “o único tipo somente, isto é,
os sacerdotes levíticos,—eles receberam dízimos”. 44 Owen não comete o erro de associar sacerdotes
levíticos aos pastores/ministros, ou de afirmar que os pastores/ministros substituíram os sacerdotes
levíticos. Acerca disso, eu já discorri anteriormente quanto à Segunda Confissão de Fé Helvética,
capítulo 18. Owen também comenta sobre o tempo verbal da expressão “receber dízimos” (colchetes
são ênfase minha):

40
A versão bíblica de Hb. 7:8 que John Owen usou em sua obra, diz: “And here men verily that die receive tithes; but
there he of whom it is witnessed that he liveth”.
41
Minha tradução em que os colchetes são ênfase minha. Original em inglês diz: “[…] Jerusalem, the seat of the Levitical
priesthood, and the land of Canaan, which alone was tithable according to the law; for the Jews do judge, and that rightly,
that the law of legal tithing extended not itself beyond the bounds of the land of Canaan, a sufficient evidence that it was
positive and ceremonial”. OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376.
42
Minha tradução em que os colchetes são ênfase minha. Original em inglês diz: “But the truth is, if ὧδε, “here,” signifies
a certain and determinate place, that opposed in ἐκεῖ, “there,” must be Salem, where Melchisedec dwelt; which was not only
afterwards tithable, as within the bounds of Canaan, but most probably was Jerusalem itself, as we have declared”. OWEN,
John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376.
43
Minha tradução. Original em inglês diz: ““Here,” is in the case of the Levitical priesthood; and “there” respects the case
of Melchisedec, as stated, Gen. xiv”. OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855,
p. 376.
44
Minha tradução. Original em inglês diz: “It is expressed of the one sort only, namely, the Levitical priests—they received
tithes”. OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376.

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[...] “Eles recebem dízimos”, [está] no presente do indicativo. Mas pode ser dito: não
havia ninguém que naquela época recebia-os, ou pelo menos “de jure” poderia recebê-
los, visto que a lei de dizimar tinha sido abolida. Portanto, uma enálage pode ser permi-
tida aqui a respeito do presente do indicativo por aquilo que era passado; “recebem”,
isto é, “recebiam” enquanto a lei estava em vigor. […] O apóstolo admite, ou assume,
que o sistema mosaico de adoração não foi continuado, e argumenta, naquela admis-
são, quanto à necessidade de sua abolição iminente. 45

Hebreus 7:12 “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”.
O sacerdócio mudou já que Cristo trouxe uma Nova Aliança para nós mediante a Sua morte na
cruz. Por conseguinte, também muda-se a Lei. Essa mudança é a total abolição do sacerdócio levítico
e das leis mosaicas cerimoniais e civis. 46 O véu no Templo que era da espessura de um punho de um
homem se rasgou de cima para baixo e o sangue do cordeiro pascal foi substituído pelo sangue de
Jesus. Simon Kistemaker (2003, p. 275) também entende que “Com seu sacrifício único e válido para
sempre, Cristo cumpriu a lei e tornou o sacerdócio levítico obsoleto”.
Outrossim, F.F. Bruce, um grande teólogo presbiteriano e reformado, comenta que a palavra
“mudança” não implica meramente uma mudança, mas também ab-rogação. 47 Ademais, segue-se
minha tradução de um trecho da obra de John Gill o qual afirma que o sacerdócio levítico foi “totalmente
abolido” (utterly abolished, em inglês) e “legitimamente ab-rogado” (of right abrogated, em inglês): 48
Pois o sacerdócio sendo mudado,... Não trasladado de uma tribo, família, ou ordem,
para outra, mas totalmente abolido; pois, embora este seja chamado de um sacerdócio
perpétuo, contudo isso deve ser entendido com uma limitação, como a palavra
“perpétuo” frequentemente o é, como referindo-se a coisas sob aquela dispensação;
pois nada é mais seguro de que o mesmo está abolido: o sacerdócio foi legitimamente
ab-rogado na morte de Cristo, e o mesmo o está agora de fato; desde a destruição de
Jerusalém, o sacrifício tem cessado, e os filhos de Israel tem vivido muitos dias sem
um[um sacrifício], e sem um éfode. E os próprios judeus reconhecem que o sumo

45
Minha tradução; colchetes são ênfase minha. Original em inglês diz: “They do receive tithes, in the present tense. But it
may be said, there was none that then did so, or at least "de jure" could do so, seeing the law of tithing was abolished.
Wherefore an enallage may be allowed here of the present time for that which was past; "they do," that is, ''they did so"
whilst the law was in force.” e “the apostle admits, or takes it for granted, that the Mosaical system of worship was yet
continued, and argueth on that concession unto the necessity of its approaching abolition.” OWEN, John. An Exposition of
the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376-377.
46
Ibidem.
47
BRUCE, F. F. The Epistle to the Hebrews (The New International Commentary on the New Testament). Grand Rapids,
Michigan: Eerdmans, 1985, nota de rodapé 39, p. 143.
48
Minha tradução, em que os colchetes e linhas são ênfase minha. Comentário de John Gill, sobre Hebreus 7:12,
disponível em <http://biblehub.com/commentaries/gill/hebrews/7.htm>.
Página 37 de 76
sacerdócio cessaria no futuro {m}, e do qual eles dizem que Azarias, filho de Odede,
profetizou em 2Crônicas 15:3.

Necessariamente se faz também mudança da lei; não a lei moral, que existia antes
do sacerdócio de Arão, nem tampouco eles[lei moral e sacerdócio] ficam de pé e caem
juntos; ademais, isso[lei moral] ainda permanece, pois ela é perfeita, e não pode ser
anulada por qualquer outra; nem tampouco ela está posta de lado por parte do
sacerdócio de Cristo: embora exista um sentido em que a lei esteja abolida; como ela
é nas mãos de Moisés; como ela é um pacto de obras; quanto à justificação por meio
dela; e quanto a sua maldição e condenação àqueles que são de Cristo; contudo, ela
ainda permanece nas mãos de Cristo, e como uma regra de vida e conduta; e é útil, e
continua assim em muitos aspectos: mas ou a lei judicial; não aquela parte da lei que
está fundamentada em justiça e equidade, e era um meio de guardar a lei moral, pois
esta[última] ainda subsiste; mas aquela que foi dada aos judeus como judeus, e
algumas partes as quais dependiam do sacerdócio, e assim cessaram com ele; como
as leis a respeito de as cidades de refúgio, suscitação de descendência a um irmão
falecido, preservação de heranças nas famílias, e julgamento e determinação de
controvérsias: ou melhor, a lei cerimonial, a qual era senão uma sombra de coisas
boas vindouras, e foi dada por um tempo; e ela[lei cerimonial] dizia respeito ao
sacerdócio, e foi anulada por parte do sacerdócio de Cristo; [...]
{m} Vajikra Rabba, sect. 19. fol. 160. 4.

Ainda quanto à relação de dízimos e sacerdócio levítico, segue-se alguns trechos do artigo “A
Obrigação Moral do Dízimo” (The Moral Obligation of the Tithe) de Thomas E. Peck, teólogo
presbiteriano, em que ele demonstra que dízimo e o sacerdócio levítico são inseparáveis (confira o
artigo completo dele para uma argumentação mais completa e exaustiva): 49
O dízimo e o sacerdócio: estes são as ideias gêmeas, são os fatos correlatos. Se o
sacerdócio é pela lei, o suporte do sacerdócio deve ser pela lei também. Nada debaixo
de um sistema como esse pode ser deixado às contribuições voluntárias do povo. O
povo não tem nada a ver com a constituição dos sacerdotes, e o povo não terá nada a
ver, a não ser se compelidos, em suportá-los. Os dois métodos, suporte mediante
dízimos que são obrigatórios, e suporte mediante ofertas voluntárias, são, em suas
naturezas, gênios e operações, o oposto um do outro. Um é da natureza de um tributo;
o outro, de uma dádiva gratuita. Um é a expressão de obediência à lei; o outro é a

49
Minha tradução do artigo inteiro disponível em <https://monoergon.files.wordpress.com/2017/08/a-obrigac3a7c3a3o-
moral-do-dc3adzimo-thomas-e-peck2.pdf>, página 7. Em inglês, The Moral Obligation of the Tithe pode ser acessado
aqui: <http://www.newhopefairfax.org/files/Peck%20on%20Tithe.pdf> ou aqui
<http://www.covenanter.org/reformed/2017/8/2/moral-obligation-of-the-tithe>.
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expressão da liberdade que pertence a um acordo voluntário. Um implica
simplesmente submissão, mais ou menos soturno; o outro é a expressão de confiança
e afeição diante d’Aquele que dispensa as ordenanças do evangelho.

Matthew Poole, outro grande teólogo puritano, também comenta a respeito da abolição do
sacerdócio levítico e da lei cerimonial: 50
Pois o sacerdócio sendo mudado: porque refere-se à expiração da ordem aarônica,
a que esses hebreus não estavam agora vinculados, pois que um sacerdócio e lei
melhores encheriam o espaço deles na igreja. O sacerdócio levítico foi mudado e
abolido para abrir caminho para isso; Deus preparando aquilo para continuar por um
tempo, e em seguida para expirar, quando ocorresse a verdade tornando-o perfeito.

Necessariamente se faz também mudança da lei; a mutação do sacerdócio


indispensavelmente requer a mudança da lei, i.e., a dispensação legal do pacto da
graça, [...] Isso foi feito necessário pelo decreto de Deus, o qual determinou que ambos
o sacerdócio e a lei deveriam expirar juntos, e consequentemente cumpriu-o. Pois
quando Cristo, o Sumo Sacerdote do evangelho, tinha em sua pessoa e obra
aperfeiçoado tudo isso no céu, ele elimina aquela ordem de sacerdócio, abole a lei,
espalha as pessoas as quais se apegariam a isso; demole o templo e a cidade aos
quais ele confinou a administração, assim como todos os planos e esforços dos judeus,
ou de cristãos apóstatas, para reparar, ou para restaurar isso, têm sido ineficaz até
hoje.

Hebreus 7:18 “Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e
inutilidade”.
No sacerdócio de Jesus, todas as leis cerimoniais do sacerdócio levítico foram abolidas e são
fracas e inúteis. 51 A Bíblia de Estudo de Genebra de 1599 [The 1599 Geneva Study Bible], 52 em inglês,
contém uma nota de rodapé em Hebreus 7:18 que não existe na versão em português da Bíblia de
Estudo de Genebra. Primeiro, vejamos o versículo em inglês como consta na 1599 Geneva Study
Bible:

50
Minha tradução; colchetes e linhas são ênfase minha. Comentário de Matthew Pool, sobre Hebreus 7:12, disponível
em <http://biblehub.com/commentaries/poole/hebrews/7.htm>.
51
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as
leis civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do
que exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
52
A 1599 Geneva Study Bible está disponível no seguinte sítio de teologia reformada: <http://www.apuritansmind.com/wp-
content/uploads/PDF/GenevaBiblePatriotEdition.pdf>. Esta citação encontra-se na p. 1266.
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1
“18 For the 2commandment that went afore, is disannulled, because of the
weakness thereof, and unprofitableness”.
Segundo, vejamos a nota de rodapé desse versículo:
“7:18 1Again, that no man might object that the last Priesthood was added to make a
perfect one, by the coupling of them both together, he proveth that the first was abrogated
by the latter as unprofitable, and that by the nature of them both. For how could those
corporal and transitory things sanctify us, either of themselves, or being joined with
another?
2The ceremonial law”.
Segue-se a minha tradução desta nota de rodapé, pois a Bíblia de Estudo de Genebra, na edição
brasileira, não a traduziu (colchetes são meus):
“7:18 1De novo, para que nenhum homem possa objetar que o último Sacerdócio foi
acrescentado para fazer um [sacerdócio] perfeito, pelo acoplamento de ambos deles
juntos, ele [o escritor de Hebreus] prova que o primeiro foi ab-rogado pelo último como
sendo inútil, e isso por meio da natureza delas ambas. Pois como poderia aquelas coisas
corpóreas e transitórias nos santificar, seja de si mesmas, ou sendo juntadas com outras?
2A lei cerimonial.”.
Hebreus 7:18, na edição brasileira, diz: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por
causa de sua fraqueza e inutilidade”. A “anterior ordenança”, de acordo com a nota de rodapé da
edição de 1599 da Bíblia de Estudo de Genebra, é a lei cerimonial. Uma tradução mais precisamente
feita com base na Geneva Study Bible de 1599 seria: “Pois o mandamento anterior é anulado por
causa de sua fraqueza e inutilidade”.

Do mesmo modo, John Gill comenta a respeito desse versículo: 53


Porque há verdadeiramente uma anulação do mandamento,.... Não a lei moral; [...]
mas a lei cerimonial é referida, a qual é o mandamento a respeito do sacerdócio levítico,
e é chamado de carnal, e é inclusivo de muitos outros, e, o qual distingue aquela
dispensação da do evangelho: e isso[anulação do mandamento] pode ser dito ser

precedente; com relação ao tempo, sendo antes do estado do evangelho, ou a exibição


do novo pacto da graça; e com respeito ao uso, como um tipo ou sombra de coisas boas
vindouras; e como era um aio precedente, e levando ao conhecimento de verdades
evangélicas: e isso está agora anulado, ab-rogado, e feito nulo; a parede de separação é
destruída, e abolida a lei dos mandamentos contida nas ordenanças:

53
Minha tradução; colchetes e linhas são ênfase minha. Comentário de John Gill, sobre Hebreus 7:18, disponível em
<http://biblehub.com/commentaries/gill/hebrews/7.htm>.
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por causa da sua fraqueza e inutilidade; a lei cerimonial era fraca; ela não podia expiar
ou reparar pelo pecado, aos olhos de Deus; ela não podia remover a culpa do pecado da
consciência, mas havia ainda uma lembrança da mesma; nem tampouco podia purificar
da imundície do pecado; tudo o que ela poderia fazer era expiar pecado de forma típica,
e santificar externamente à purificação da carne; e toda a virtude que ela tinha era devida
a Cristo, a quem prefigurava; e portanto, sendo cumprida n’Ele, ela cessou: e ela era
“inútil”; não antes da vinda de Cristo, pois naquela época ela era uma sombra, um tipo,
um aio, e tinha a sua utilidade; mas desde a Sua vinda, quem é o corpo e substância
dela, é inútil ser juntada a Ele; e não é de nenhum serviço no assunto de salvação; e não
é outra coisa senão um julgo pesado de escravidão; sim, [ela] é o que torna Cristo inútil
e de nenhum efeito, quando submete-se [à lei cerimonial] como de forma forçada, e como
necessária para a salvação; e por causa dessas coisas, ela está abolida e feita nulo e
sem efeito. Os judeus, embora eles sejam asseveradores vigorosos da inalterabilidade
de lei de Moisés, no entanto por vezes são obrigados a reconhecerem a ab-rogação da
lei cerimonial nos tempos do Messias; o mandamento, eles dizem {r}, significando isso,
cessará no futuro; e de novo,
“todos os sacrifícios cessarão no estado futuro, ou no tempo que virá, (i.e. os tempos do
Messias,) exceto o sacrifício de louvor {s}.”
{r} T. Bab. Nidda, fol. 61. 2. {s} Vajikra Rabba, scct. 9. fol. 153. 1. & sect. 27. fol. 168. 4.

Mateus 23:23 “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o
cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer
estas coisas, e não omitir aquelas”.
Tanto o dízimo quanto o juízo, misericórdia e fé fazem parte da lei, segundo Jesus.
Jesus cumpriu a lei perfeitamente e estabeleceu princípios mais profundos como perdoar e
amar o seu próximo, abolindo o “olho por olho e dente por dente” etc. Jesus deu mais importância em
praticar juízo, misericórdia e fé do que os dízimos. Ele, como judeu, sob a lei de Moisés obedecia à
lei. Mas, Jesus era carpinteiro (Marcos 6:2-3) e, por essa razão, não qualificava-Se nos regulamentos
e ordenanças dos dízimos (Lv 27:30, 32)— que definiu os dízimos como sendo provenientes da terra
de Israel e compostos de sementes do campo, frutos das árvores, gados e rebanhos— para dar a
décima parte da colheita ou do rebanho/gado, pois carpinteiros não colhem e nem plantam e nem
criam gados. Confira também a Ordenança de Respigar e Colher (seções 2.6 e 2.7).
Como já estudamos a fundo sobre a estrutura, divinamente estabelecida, dos quatros dízimos
no Velho Testamento, entendemos agora o porquê de os escribas e fariseus dizimarem a hortelã, o
endro e o cominho. Pois até essa passagem confirma tudo o que estudamos até agora, isto é, que os
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dízimos eram sempre colheitas e animais (Lev. 27:30, 32), ou seja, eram comidos. Duguid et al (2006,
p. 235; negritos são ênfase minha) afirmam que: 54
Nem a lei de dízimo continuou a vigorar nos tempos do Novo Testamento. Para ter-
se certeza, Jesus elogiou os fariseus por dizimarem os seus temperos em Mateus 23:23.
Algumas pessoas citam isso como evidência de uma obrigação contínua aos cristãos
para dizimar. Mas, temos que reconhecer que Jesus estava numa posição interina com
respeito à aliança mosaica. Durante os dias de seu ministério terreno, a aliança mosaica
estava em vigor, embora a mesma estava prestes a ser substituída. Em precisamente da
mesma forma, Jesus também pagou o imposto do templo (Mateus 17:24-27), embora
ninguém argumentaria que isso é uma obrigação contínua aos cristãos.
Ademais, se o texto de Mateus 23:23 for usado para sustentar que Jesus ensinava aos gentios
a darem os dízimos no Novo Testamento, 55 então Mateus 5:23-24 e 8:4 também deveriam ser
obedecidos por parte dos cristãos, levando em consideração que aquela oferta referia-se a animais
que seriam sacrificados no altar. E também que os dízimos dos cristãos devem ser do que produzem
e colhem no campo, pois nessa passagem os escribas e fariseus colheram hortelã, endro e cominho.
Jesus nunca mandou um gentio oferecer sacrifícios como em Mateus 8:4.

Lucas 18:18-23 - Nessa passagem Jesus manda o jovem rico vender tudo o que tem e dar aos
pobres. Jesus não mandou o jovem dar o dízimo de sua venda para os levitas e depois dar o restante
aos pobres. Jesus fez assim porque Ele conhecia as escrituras que ordenava, como estatuto da lei
mosaica cerimonial, a dar os dízimos das colheitas e dos rebanhos (Lv 27:30, 32). O jovem rico não
qualificava na lei cerimonial para dar os dízimos, pois não trabalhava com colheitas e nem com
rebanhos para dar os dízimos desses alimentos. Por isso venderia tudo e diretamente os daria aos
pobres.

54
Original em inglês, diz: “Nor did the tithe law continue in force into New Testament times. To be sure, Jesus commended
the Pharisees for tithing their spices in Matthew 23:23. Some people cite that as evidence of a continuing obligation on
Christians to tithe. Yet we have to recognize that Jesus stood in an interim position with respect to the Mosaic covenant.
During the days of his earthly ministry, the Mosaic covenant was still in force, though it was about to be superseded. In
precisely the same way, Jesus also paid the temple tax (Matthew 17:24-27), though no one would argue that this is a
continuing obligation on Christians.” (DUGUID, Ian M; HUGHES, R. Kent, 2006, p. 235)”.
55
É comumente divulgado que Jesus ensinou a dar o dízimo (no singular). Supondo que os que ensinam isso almejam ser
cuidadosos no ensinamento das Escrituras, inclusive dos dízimos, deve-se ensinar, ao invés disso, que Jesus era
conhecedor de todas as leis cerimoniais e, por conseguinte, ensinou a dar os dízimos (plural, isto é, todos os quatro dízimos
juntamente com todas as demais ordenanças regulamentárias, definidas por Deus, no Velho Testamento). É seguro crer
que Jesus ensinou as leis cerimoniais por completo, sem parcialidades, pois por que Jesus desobedeceria a Lei, ou a
ensinaria parcialmente, ao ensinar a entrega de apenas um (1) dízimo, omitindo os demais dízimos e as suas ordenanças
e regulamentos? Jesus certamente ensinava no templo que os regulamentos e ordenanças dos quatro dízimos deveriam
ser cumpridas integralmente, sem parcialidades, pois, tratando-se da lei, “quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em
apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (Tg. 2:10).
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Além dessas ordenanças de dizimar segundo a lei cerimonial de Moisés, passagens como
Êxodo 25:2 e 1 Crônicas 29:9 nos mostram que as pessoas ofertavam uma quantidade de acordo
como seu coração e com alegria diante dos eventos, respectivamente.

O apóstolo Paulo fala de contribuições e coletas com características de voluntariedade,


prontidão de vontade, generosidade e amor, mas não menciona nada sobre nenhum dos quatros
dízimos e nem estabelece uma contribuição mínima percentual e nem universal:
1 Coríntios 16:1-2 “1 Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o
mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. 2 No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de
parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando
eu chegar”.
O apóstolo Paulo não estabeleceu um mínimo percentual universal; do contrário, a igreja
deveria ajuntar a coleta na medida que pudessem e conforme a situação financeira e material de cada
membro (“conforme a sua prosperidade”).
Outrossim, os cristãos da Macedônia eram muito pobres (2 Cor. 8:2), contudo, foram
‘generosos’. Essa palavra, nesse contexto, é melhor compreendida à luz do próximo versículo que diz
que eles deram ‘voluntariamente’ (2 Cor. 8:3) “na medida de suas posses” e “acima delas”. Ou seja,
o dadivar dos cristãos deve ser praticado segundo a medida deles, não segundo uma medida universal
(e.g. 10% como mínimo); se alguém quisesse, poder-se-ia dar acima de sua própria medida, contanto
que fosse ‘voluntariamente’ (v.3). Ademais, 2 Cor. 8:12 diz “Porque, se há prontidão de vontade, será
aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem”. Outra vez, o dadivar é segundo
o que a pessoa tem, podendo isso variar de pessoa para pessoa e de circunstância para circunstância.
O apóstolo Paulo escreveu essas coisas não em forma de mandamento: “Não digo isto como quem
manda, mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor” (2 Cor. 8:8). João
Calvino comenta sobre 2 Cor. 8:8 afirmando que “[...] mas, verdade é também que nenhuma passagem
há em que nos defina a soma [...]”. 56

2 Coríntios 9:6-7 “6 E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que
semeia em abundância, em abundância ceifará. 7 Cada um contribua segundo propôs no seu
coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria”.
Outra vez, a contribuição de cada um deve ser segundo a quantia que cada um propôs no seu próprio
coração, além de que deve ser com alegria. Deus examina o nosso coração para ver se ofertamos

56
Comentário ao Novo Testamento 2 Cor. 8:8 (apud LEITE, Túlio César Costa. O Dízimo. [sem página]). Disponível no
sítio Monergismo de teologia reformada: <http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/o-dizimo_tulio.pdf>.
Página 43 de 76
com alegria ou não. O Novo Testamento nos ensina a ofertar e dadivar com alegria, ou em sacrifício
(mas também com alegria) como a pobre viúva em Marcos 12:41-44. O apóstolo Paulo não argumenta
a partir de uma contribuição proveniente de uma coletividade, mas a expressão “cada um” (2 Cor. 9:7)
indica que é o indivíduo quem escolhe a quantia para ofertá-la com alegria.

Com relação à passagem de Filipenses 4:15-18, o presbítero Túlio César Costa Leite explica
que “Paulo usa a figura dos sacrifícios vetero-testamentários com relação às ofertas: as ofertas dos
filipenses foram, diante de Deus, “como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus”. 57
Lembremo-nos que os dízimos eram animais, além de colheitas, e eram sacrificados e comidos pelos
levitas e sacerdotes (Lv. 27:30, 32).

Ademais, o apóstolo Paulo deixa claro que os pastores e mestres (Gl. 6:6; cf. 2 Tess. 5:12)
devem ser sustentados, seja por comida e/ou dinheiro, pois estes têm direito de comer e beber (1 Cor.
9:4). Outrossim, mui claramente, Paulo ensina que “Assim ordenou também o Senhor aos que
anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Cor. 9:14). Ou seja, os pastores e mestres são
dignos de serem sustentados financeiramente pela igreja. Quanto a isso, o presbítero Túlio Cesar
Costa Leite concorda que: “Porém não há referência a dízimos”, 58 isto é, à obrigatoriedade quanto a
quantia exata ou mínima de 10%.

Romanos 6:14 “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas
debaixo da graça”.

Os cristãos não estão debaixo da lei cerimonial (que incluía os quatro dízimos juntamente
com as ordenanças e regulações) e nem debaixo da lei civil israelita. 59

Romanos 10:4 “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê”.
A lei (cerimonial e civil) chegou ao fim. 60 Matthew Poole também comenta assim: 61
Porque Cristo é o fim da lei para justiça de todo aquele que crê.
Ele prova que os judeus eram ignorantes a respeito da justiça de Deus, porque eles eram
ignorantes a respeito de Cristo, o verdadeiro

57
“O Dízimo”, disponível no sítio Monergismo, de teologia reformada:
<http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/o-dizimo_tulio.pdf>.
58
O dízimo. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/o-dizimo_tulio.pdf>.
59
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as leis
civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do que
exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
60
Ibidem.
61
Minha tradução. “q. d.” é uma abreviação em latim que significa “todo dia” (quaque die]). Comentário de Matthew
Poole, disponível em <http://biblehub.com/commentaries/poole/romans/10.htm>.
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fim da lei. Cristo é o fim da lei: q. d. A lei foi dada para este fim: que os pecadores sendo
por meio dela trazidos ao conhecimento de seus pecados, e do estado perdido e
condenado, por essa razão, deveriam correr para Cristo e sua justiça para refúgio; ver
Gálatas 3:19, 24. Ou então: Cristo é o fim da lei; i.e. a perfeição e consumação dela. A
palavra é tomada neste sentido: 1 Timóteo 1:5. Ele aperfeiçoou a lei cerimonial, como
sendo a substância por meio da qual todas as cerimonias da lei eram sombras; todas
elas referiram-se a Ele como o escopo e fim delas. Ele aperfeiçoou também a lei moral,
parcialmente por Sua obediência ativa, cumprindo toda a justiça dela, parcialmente por
sua obediência passiva, carregando a maldição e punição da lei, as quais eram devidas
a nós. Tudo o que a lei exigiu que fizéssemos ou sofrêssemos, ele tem aperfeiçoado ela
em nosso favor.

Efésios 2:14-15 “14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a
parede de separação que estava no meio, 15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem,
fazendo a paz”.
As ordenanças dos quatro dízimos foram desfeitas, “desfez...a lei dos mandamentos”, inclusive
das demais leis cerimoniais e civis. 62 Mas, devemos obedecer às leis morais de Deus.

2 Coríntios 3:6 “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não
da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”.
Podemos ser ministros de um Novo Testamento, de uma Nova Aliança, e não da letra, ou
seja, da lei cerimonial e civil. 63
Por fim, a respeito dos símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil, as confissões de fé
Belga, o Catecismo de Heidelberg, os Cânones de Dort, a Confissão de Westminster, e os Catecismos
Maior e Breve de Westminster, não estabelecem o valor exato, ou mínimo, de 10% aos cristãos. Aliás,
nesses símbolos de fé não se encontra qualquer menção aos quatro dízimos do sacerdócio levítico-
cerimonial que já está abolido. 64 Outrossim, a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 não
menciona nada acerca dos quatro dízimos e nem sobre a obrigatoriedade de contribuição
correspondente ao valor exato, ou mínimo, de 10% por parte de cristãos. 65

62
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as
leis civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do
que exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
63
Ibidem.
64
Ibidem.
65
Confissão de Fé de Batista de Londres de 1689. Disponível em:
<http://www.teologia.org.br/estudos/confissao_batista.pdf>.
Página 45 de 76
4. Considerações finais

A
viso: se o leitor não tiver lido desde o início deste estudo, mas, ao invés, tiver saltado do
início deste estudo à estas considerações finais, creio que será difícil para o leitor julgar
esse assunto retamente, inclusive, difícil de julgar retamente os argumentos que o autor
deste estudo apresentou a respeito desse assunto. Sugiro que leia da primeira página
até ao final deste estudo para não cometer equívocos de interpretação e para não atribuir,
erroneamente, interpretações não defendidas por parte do autor deste artigo.

Com relação ao argumento “O dízimo existia antes da Lei”, nenhuma das duas referências
bíblicas do dízimo antes da Lei Mosaica ordena alguém a dar o dízimo das colheitas, dos rebanhos e
nem dos despojos. Abrão e Jacó deram por motivos diferentes um do outro e sem Deus ter pedido ou
ordenado.
a. Abrão – deu dízimo dos despojos uma única vez (“[...] o patriarca Abraão deu os dízimos
dos despojos”, Heb. 7:4) e os outros 90% dos despojos foram devolvidos ao rei de Sodoma (Gn 14:21-
24). A lei mosaica não existia para obrigar Abrão ou os judeus a darem os dízimos das colheitas e
rebanhos (Lv. 27:30, 32). De acordo com a lei Mosaica, o dízimo dos despojos era 1% para os levitas
(Núm. 31:27-28) e 0.1% para os sacerdotes (Núm. 31:29-30). Portanto, a quantia de despojos de
guerra de acordo com a lei mosaica difere da quantia dos despojos que Abrão deu a Melquisedeque.
b. Jacó – a Bíblia não diz se ele deu o dízimo que havia barganhado com Deus caso as suas
cinco (5) condições fossem cumpridas em primeiro lugar (Gn 28:20-22). Se houvesse um mandamento
para dizimar, não haveria espaço para Jacó barganhar; mandamentos exigem obediência ao invés de
barganhas.
É popular o argumento de que “Temos que devolver 10% da nossa renda a Deus”. Mas não há
na lei cerimonial mosaica apenas um único dízimo, mas sim quatro dízimos:
a. O dízimo do Levita – 10% (Nm 18; Lv 27:30-34);
b. O dízimo das Festas do Senhor – 10% (Dt 12:1-19 e 14:22-29);
c. O dízimo dos Pobres, dos quais não apenas os pobres se beneficiavam, mas também
os órfãos, viúvas, estrangeiros, e levitas, os quais eram contados dentre os pobres (Dt 14:28-
29 e 26:12-13). Conforme as leis cerimoniais, os pobres não davam dízimos, mas, do contrário,
recebiam dízimos. Em nossos dias, se uma pessoa quiser dar esse dízimo, ela pode praticá-lo:
uma vez por ano dividindo por três, pois foi estabelecido para ser dado a cada três anos – 10/3
(3.333%); ou, se a pessoa não der esse dízimo nos primeiros dois anos, mas apenas a cada
terceiro ano, ela deverá dar 10% desse dízimo. Nesse último caso, ela estaria dando um total
de 30% de dízimos;
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d. Os dízimos dos dízimos – Nm 18:26.
Por exemplo, a soma dos três primeiros dízimos citados acima equivale a mais de 20%. Quem quiser
continuar a dizimar, conforme estabelece as leis cerimoniais do Antigo Testamento, é natural e
importante que isso seja feito com consistência interpretativa e prática, mediante a ‘devolução’ dos
outros dízimos também. É essencial crer e obedecer a todos os detalhes que Deus estabeleceu para
reger a prática dos quatro dízimos, os quais estão contidos nas leis cerimonias mosaicas e são
divinamente definidos e estabelecidos como sendo plantações (Lv 27:30), gados e rebanhos (Lv
27:32) provenientes de dentro da terra de Israel (Nm. 18:21; Dt. 12:1).
Os quatro dízimos são aquilo que Deus, em Sua Palavra, diz que são. Assim, com relação ao
argumento popular de que “Todo cristão tem a obrigação de dizimar”, o Velho Testamento mui
claramente e diretamente, longe de uma linguagem enigmática, estabeleceu que somente os judeus
(“filhos de Israel”: Nm 18:24; Lv 27:34) que viviam dentro da terra de Israel (“em Israel”: Nm 18:21; “na
terra...de vossos pais”: Dt 12:1) e que trabalhavam com plantações (Lv 27:30), gados e rebanhos (Lv
27:32) podiam dar os dízimos dessas plantações e desses animais.
Muitas pessoas nos dias atuais ensinam erroneamente que “todo o povo de Israel entregava os
dízimos”. Mas tal declaração não está de acordo com as quatros definições divinamente inspiradas
para cada um dos quatro dízimos, pois: o dízimo dos levitas somente poderia ser proveniente “do
campo, da semente do campo, do fruto das árvores” (Lv 27:30) e “do gado e do rebanho, tudo o que
passar debaixo da vara” (Lv 27:32), sendo que estes campos, plantações e animais somente poderiam
ser provenientes de dentro da terra de Israel (“em Israel”, Nm. 18:21; “na terra...de vossos pais”: Dt
12:1; compare Dt 12:1 com Dt 12:6). Além disso, o único povo que foi ordenado a participar dessas
ordenanças cerimoniais de dízimos foram os israelitas: “os dízimos dos filhos de Israel” (Nm. 18:24) e
“Estes são os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel” (Lv. 27:34). Os
israelitas também podiam resgatar das sementes e dos frutos, mas não poderiam resgatar dos animais
(“não serão regatados”, Lv 27:34). Se por algum motivo algum israelita não quisesse dar o dízimo em
espécie, proveniente das sementes e frutos, ele poderia substituí-lo por dinheiro acrescentando 20%
(“a sua quinta parte sobre ela”, Lv. 27:31); o dízimo dos dízimos para os sacerdotes significa que os
levitas receberiam os dízimos dos israelitas que dizimassem de dentro da terra de Israel as sementes
do campo, os frutos das árvores, os gados e rebanhos— e desses dízimos os levitas tirariam a décima
parte e a daria aos sacerdotes (Nm 18:26; Ne 10:38); o dízimo das festas do Senhor era comido,
anualmente (“cada ano”, Dt. 14:22), e pertencia ao próprio proprietário do dízimo. Esse proprietário
poderia comer, em Jerusalém, o seu dízimo, ou vendê-lo. Se vendesse-o, ele deveria comprar qualquer
outra comida e/ou bebida, e deveria compartilhar a sua comida e/ou bebida com os seus familiares
(“tu e tua casa”, Dt. 14:26; “vossos servos, e as vossas servas”, Dt 12:12) e com os levitas (“não
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desampararás o levita”, Dt. 14:27). Assim como o dízimo dos levitas, o dízimo das festas do Senhor
era praticado apenas por parte dos israelitas; o dízimo dos pobres era praticado a cada três anos, era
proveniente das colheitas dos israelitas e era recolhido “dentro das tuas portas” (Dt. 14:28). Isso
significa que esse dízimo não destinava-se às câmaras do templo, mas era comido dentro das cidades
em Israel por parte dos pobres, órfãos, viúvas, estrangeiros, e levitas também (Dt. 14:29).
Com relação à ideia de que “Jesus dava o dízimo!”, a Bíblia ensina que Jesus veio cumprir a
Lei e os profetas (Mat. 5:17). Por isso, Jesus obedecia à lei cerimonial a qual estabeleceu quem
qualificava-se para dar os dízimos, a saber: fazendeiros responsáveis por dar a décima parte das
sementes do campo e dos frutos das árvores e os pecuaristas que separavam um de cada dez animais
que passavam debaixo da vara (Lv. 27:30, 32; cf. versão NVI). Jesus era carpinteiro (Marcos 6:3) e,
por isso, não entregava nenhum dos quatro dízimos, pois carpinteiros não plantam sementes nos
campos, nem colhem frutos e nem criam gados. Ademais, conforme Levítico 2:22-24 e 12:8, vemos
que José e Maria não qualificavam para dar dízimos, pois não eram donos de terras ou de fazendas
ou de rebanhos. Eles não tinham recursos (dinheiro) para comprar um cordeiro, pois eram pobres.
Por isso, ofereceram um par de rolas ou dois pombinhos. Ademais, Jesus e seus discípulos se
beneficiaram da Ordenança de Respigar em Mateus 12:1-12, Marcos 2:23-24 e Lucas 6:1-2.
Dizer que não devemos praticar o sistema cerimonial levítico, 66 composto por quatro dízimos e
várias ordenanças que detalhadamente regulamentam a prática desses quatro dízimos, não significa
que o cristão não deve contribuir financeiramente à sua igreja local, pois todos os cristãos são
mordomos de Deus e, como tais, devem ajudar financeiramente a manter a obra de Deus. Inclusive,
os pastores e mestres são dignos de serem sustentados financeiramente pela igreja. O apóstolo Paulo
nos ensina que a nossa contribuição deve ter características de ‘o que puder’ e ‘conforme a sua
prosperidade’ (1 Cor. 16:2), ‘generosidade’ (2 Cor. 8:2), ‘voluntariedade’ e ‘na medida de suas posses’
(2 Cor. 8:3), ‘prontidão de vontade’ e ‘segundo o que tem, e não segundo o que não tem’ (2 Cor. 8:12),
‘amor’ (2 Cor. 8:8), e ‘segundo propôs no seu coração’ (2 Cor. 9:7).
Não devemos viver de acordo com a lei cerimonial (nem, inclusive, como subponto disso,
conforme as ordenanças obrigatórias aos levitas que inclui os quatro dízimos) ou a lei civil, pois ambas
foram ab-rogadas; 67 devemos compreender e aceitar que a Bíblia ensina que os quatro dízimos são a
herança que Deus deu à tribo de Levi (Núm. 18:20-21, 23-24) juntamente com todos os regulamentos
e ordenanças que Ele estabeleceu para reger a sua prática. Por conseguinte, não creio, com base
nas Escrituras (Velho e Novo Testamentos)― e não sou a única pessoa da vertente teológica

66
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as leis
civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do que
exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
67
Ibidem.
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reformada quanto a essa questão 68― que a contribuição financeira dos cristãos às suas igrejas locais
devem corresponder exatamente a 10%, ou a um mínimo de 10%; as nossas contribuições financeiras
podem corresponder a menos de 10%, podem ser exatamente 10%, e podem ser mais de 10%. E,
quanto a isso, mantenho a mesma interpretação reformada―que não é nova e nem recente― à
exemplo dos seguintes teólogos reformados, sejam eles presbiterianos, puritanos ou batistas
reformados: Bruce Metzger, F. F. Bruce, Thomas E. Peck, James Montgomery Boice, Ulrico Zwíglio,
Jack J. Peterson, Charles Haddon Spurgeon, John Owen, John Bunyan, John Gill, Matthew Henry, B.
B. Warfield, Ian M. Duguid, T. David Gordon e Túlio Cesar Costa Leite. Assim, se no mínimo, ou
exatamente, 10% fosse um valor universal e obrigatoriamente imposto sobre todos os cristãos de
todas as classes e circunstâncias existenciais, tal imposição poderia contradizer “o que puder” e
“conforme a sua prosperidade” (1 Cor. 16:2), poderia contradizer “segundo o que qualquer tem, e não
segundo o que não tem” (2 Cor. 8:12), poderia contradizer a “generosidade” (2 Cor. 8:2), poderia
contradizer a “voluntariedade” e “na medida de suas posses” (2 Cor. 8:3), e poderia contradizer
“segundo propôs no seu coração” (2 Cor. 9:7).
Os símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil não estabelecem o valor exato, ou mínimo,
de 10% aos cristãos e nem mencionam os quatro dízimos do sacerdócio levítico-cerimonial que já
está abolido. 69 Outra confissão reformada, a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, também
não menciona nada acerca dos quatro dízimos e nem sobre a obrigatoriedade de contribuição
correspondente ao valor exato, ou mínimo, de 10% por parte de cristãos.
A obra do Senhor Jesus continuará sendo mantida com nossas contribuições financeiras
sistemáticas (o que demonstra planejamento), conforme a prosperidade de cada um
(proporcionalidade), com generosidade, voluntariedade (sob a graça), alegria e amor, pois somos
mordomos de Deus, mesmo que seja, em certos momentos de nossas vidas, um sacrifício como o da
viúva.

“Alguém pode pregar um culto inteiro lendo um versículo, ou pode pregar o culto inteiro lendo todos
os versículos” – Nathan Cazé

68
Ver as citações de Bruce Metzger, F. F. Bruce, Thomas E. Peck, James Montgomery Boice, Ulrico Zwíglio, Charles Haddon
Spurgeon, John Owen, John Bunyan, Matthew Henry, B. B. Warfield, T. David Gordon e Túlio Cesar Costa Leite, etc. Confira
as páginas 47-53. Ademais, confira os artigos dos autores reformados e presbiterianos na seção da Leitura Complementar
(p. 54).
69
As leis cerimoniais “estão todas abrogadas sob o Novo Testamento” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.3) e as leis
civis “deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir, e que agora não obrigam além do que
exige a sua eqüidade geral” (Confissão de fé de Westminster, cap. 19.4).
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5. Dicionários, Enciclopédias e Concordâncias Bíblicas definem os
dízimos
Traduzidos por Nathan Cazé

5.1 Easton’s Bible Dictionary:

Dízimo

“...Não pode ser afirmado que a lei do Velho Testamento dos dízimos é obrigatório para a Igreja
Cristã...”

“Todo judeu [que fosse dono de gados, tendo no mínimo dez, e de plantações] era exigido pela lei
levítica a pagar três dízimos de sua propriedade (1) um dízimo para os levitas; (2) um para o uso do
templo e das grandes festas; e (3) um para os pobres da terra” (colchetes são meus).

Tradução: Nathan Cazé

5.2 Smith’s Bible Dictionary

Dízimo ou décimo,
a proporção de propriedade devotado a usos religiosos desde tempos primitivos. Instâncias do uso
dos dízimos são encontradas antes da designação dos dízimos levíticos debaixo da lei. Na história
bíblica, as duas instâncias proeminentes são—

Abrão apresentando o décimo de toda a sua propriedade, ou melhor, dos espólios de sua vitória, a
Melquisedeque (Gn 14:20; Hb 7:2, 6).
Jacó, depois de sua visão em Luz, devotando um décimo de toda a sua propriedade a Deus, caso ele
voltasse para casa em segurança (Gn 28:22). O primeiro decreto da lei em relação ao dízimo é a
declaração de que o dízimo deveria ser pago em espécie, ou, se redimido, com a adição de um-quinto
de seu valor (Lv 27:30-33). Esse décimo é ordenado a ser atribuído aos levitas como uma recompensa
do seu serviço, e é ordenado ainda que eles mesmos deverão dedicar ao Senhor um décimo desses
recibos, que deve ser devotado à manutenção do sumo sacerdote (Nm 18:21-28). Essa legislação é

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modificada ou estendida no livro de Deuteronômio, i.e. de trinta e oito a quarenta anos mais tarde.
Ordenanças são dadas às pessoas—
Para trazerem seus dízimos, juntamente com seus votos e outras ofertas e primeiros frutos, ao centro
encolhido de adoração, a metrópoles, lá para ser comido em celebração festiva na companhia com
seus filhos seus servos e os levitas (12:5-18).
Toda produção do solo deveria ser dizimada toda e esses dízimos com os primogênitos do rebanho e
manada deveriam ser comidos na metrópole.
Mas em caso de distância, permissão é concedido para converter o produto em dinheiro, o qual deve
ser levado ao lugar designado, e lá exposto na compra de comida para uma celebração festiva, no
qual o levita é, por ordem especial, a ser incluído (14:22-27).
Então segue-se a direção que no final de três anos todo o dízimo daquele ano deve ser ajuntado e
posto “dentre os portões” e que um festival será realizado do qual o estrangeiro, o órfão e a viúva
juntos com o levita, devem participar. Ibid. (Dt 5:28, 29)
Por fim, é ordenado que depois de levar o dízimo a cada terceiro ano, “que é o ano de dizimar”, uma
declaração justificativa deve ser feita por todo Israelita que o mesmo fez o seu melhor para cumprir o
mandamento divino (26:12-14). De tudo isso nós resumimos— (1) Que um décimo de todo o produto
do solo deveria ser designado para a manutenção do levitas. (2) Que acerca disso os levitas deveriam
dedicar um décimo a Deus para o uso do sumo sacerdote. (3) Que o dízimo, em toda probabilidade
um segundo dízimo, deveria ser aplicado a propósitos festivais. (4) Que em cada terceiro ano, ou esse
dízimo festivo ou um terceiro décimo deveria ser comido na companhia com os pobres e os levitas.
Tradução: Nathan Cazé

5.3 Dicionário Rei Tiago [King James Dictionary]

Dízimo
A décima parte; 1/10.
Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR;
santas são ao SENHOR. (Levítico 27:30)

Tradução: Nathan Cazé

5.4 Nave’s Topical Bible [Concordância Bíblica]


Pago por Abraão a Melquisedeque
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Gênesis 14:20; Hebreus 7:2-6

Jacó faz voto de um décimo de toda a sua propriedade a Deus


Gênesis 28:22

Leis Mosaicas instituindo


Levíticos 27:30-33; Números 18:21-24; Deuteronômio 12:6-7, 17-19; 14:22-29; 26:12-15

Costumes relacionados à
Neemias 10:37-38; Amós 4:4; Hebreus 7:5-9

O dízimo dos dízimos para os sacerdotes


Números 18:26; Neemias 10:38

Estocados no templo
Neemias 10:38-39; 12:44; 13:5, 12; 2 Crônicas 31:11-12; Malaquias 3:10

Pagamentos de, resumiu no reinado de Ezequias


2 Crônicas 31:5-10

Durante Neemias
Neemias 13:12

Retido
Neemias 13:10; Malaquias 3:8

Costumeiro em tempos mais tarde


Mateus 23:23; Lucas 11:42; 18:12

Observado por idólatras


Amós 4:4-5

Tradução: Nathan Cazé

5.5 The International Standard Bible Encyclopedia

Dízimo

Tith (ma`aser; dekate):

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“O costume de dar a décima parte dos produtos da terra e dos espólios da guerra à sacerdotes e reis
(1 Macabeus 10:31; 11:35; 1 Samuel 8:15, 17) era muito antigo entre a maioria das nações. Que os
judeus tinham esse costume muito antes da instituição da Lei Mosaica é mostrada por Gênesis 14:17-
20 (compare Hebreus 7:4) e Gênesis 28:22. Muitos críticos asseguram que essas duas passagens
são antigas e só refletem a prática antiga da nação; mas o pagamento dos dízimos é tão antigo e
profundamente enraizado na história da raça humana que parece muito mais simples e mais natural
acreditar que entre os judeus a prática estava em existência muito antes do tempo de Moisés”.

Tradução: Nathan Cazé

6. 140 perguntas que os professores de dízimo devem responder,


Russell Earl Kelly, PhD.
Perguntas originais: http://www.tithing-russkelly.com/id149.html
Traduzido por Nathan Cazé

1. De acordo com Gênesis 14:11-16, eram os despojos da guerra que Abraão recebeu
dízimos santos da terra santa de Deus? Eles seriam dízimos “santos” na Lei?

2. De acordo com Gênesis 14:18-20 e Hebreus 7:14, a Bíblia diz que Abraão deu dízimos
voluntariamente dos despojos da guerra para o Sacerdote e Rei Melquisedeque?

3. De acordo com Números 31:21-30, quanto era a porcentagem que os estatutos da Lei
para Israel posteriormente vieram a ser requerido dos despojos da guerra?

4. Porque Abraão dizimou 10% dos despojos quando a Lei depois requereu muito menos?

5. De Gênesis 14:20-21, poderia existir outra lei ou tradição da Arábia envolvida? Sim, Não,
Talvez. Faça uma pesquisa profunda sobre isto.

6. Seria o dízimo de Abraão aceito como dízimo santo para entrar/ser entregado no
Templo?

7. Com que frequência Abraão dizimava?

8. É Abraão um exemplo de dizimar propriedade pessoal e dizimar regularmente?

9. É o exemplo de Abraão de dar 90% para o rei de Sodoma um exemplo para os Cristãos
seguirem?

10. De Gênesis 20 e 21, é possível que Abraão também pagou dízimos para o Sacerdote e
Rei Abimeleque dos Filisteus para entrar no sistema do Templo?

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11. Em referência a Gênesis 28:20-22, o dízimo de Jacó de Haran seria aceito como um
dízimo santo para entrar no sistema do Templo?

12. Em referência a Gênesis 28:20-22, devemos nós seguir o exemplo de Jacó e somente
dizimar depois que Deus cumprir as nossas condições?

13. De acordo com Gênesis 28:20, era o dízimo de Jacó um voto voluntário ou um
mandamento de Deus?

14. É Jacó um exemplo de dizimar para os Cristãos seguirem?

15. Quão comum era dinheiro, ouro, prata, pedras preciosas e siclos/shekels em Gênesis?

16. De acordo com Gênesis 13:2 e 20:16, tinha Abraão muito dinheiro?

17. Era o dinheiro essencial para a rotina de adoração no Santuário? Resposta: “dinheiro” e
“shekel” ocorrem 32 vezes em Êxodos e Levíticos para a adoração.

18. É honesto ensinar que os dízimos somente eram alimentos porque dinheiro não era
comum?

19. De acordo com Êxodos 19:5-6, dizimar era parte do “plano original” de Deus antes do
incidente da vaca de ouro?

20. De acordo com Levíticos 25:3-7, nenhum dízimo de alimento poderia ser dado a cada
sétimo ano. Porque isso é ignorado pelas igrejas hoje?

21. De acordo com Levíticos 25:12-13, nenhum dízimo de alimento poderia ser tomado a
cada 50 anos. Porque isso é ignorado nas igrejas hoje?

22. De acordo com Levíticos 27:30, 32 (e 16 outros textos), os dízimos eram somente
alimento da terra de Israel e rebanhos dentro da terra santa de Deus, Israel. A onde na Bíblia –
mais de 1400 anos de Levíticos até Malaquias – são os dízimos definidos com renda ou dinheiro?

23. De acordo com Levíticos 27:30, 32, o dízimo era o décimo da colheita total e o décimo
animal. Já que a palavra “dízimo” significa “décimo”, quando que o significado mudou para
“primeiro” na Bíblia?

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24. De acordo com Levíticos 27:34, o dízimo não era o “melhor”. Onde na Bíblia o primeiro
dízimo completo se torna o “melhor”?

25. De acordo com Levíticos 27:34, o dízimo era parte da Lei dada somente para o Israel
nacional como uma aliança única/sem igual. Quando que gentios, pagãos ou a Igreja foram
ordenados a dizimar na Bíblia?

26. Já que somente os fazendeiros e pastores/boiadeiros que moravam dentro de Israel


produziam dízimos, onde se encontra o princípio que diz que todos eram obrigados a começar
os seus níveis de dádivas em 10%?

27. Onde que a Bíblia ensina que rendas não derivadas de alimentos eram dizimadas e que
carpinteiros como Jesus, pescadores como Pedro, fabricantes de tendas como Paulo e
comerciantes dizimavam?

28. Deus ordenou os pagãos a dizimarem?

29. Israel teria aceitado os dízimos dos pagãos ou das terras pagãs?

30. Embora Salmos 24:1 diz “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles
que nele habitam”, isto não foi dito como uma razão para coletar dízimos de pagão e das terras
fora de Israel. Porque isso é verdade?

31. Porque os Cristãos não observam todas as outras coisas chamadas de “santo (a)” e
“santíssimo” em Levíticos?

32. A onde na Bíblia estão as palavras exatas da ordenança e estatuto de dizimar? Resposta:
Números 18.

33. Quais são as diferenças entre dízimos e as primícias? Compare Levíticos 27:30-34;
Números 18:13-18, 20-24; Deuteronômio 26:1-4; Neemias 10:35-37; Provérbios 3:9.

34. Onde estão os dízimos equiparados com as primícias/primeiros-frutos na Bíblia?

35. Não eram as primícias ofertas simbólicas muito pequenas da primeira colheita?

36. Os levitas do Velho Testamento que receberam os primeiros dízimos inteiros foram
meramente servos dos sacerdotes e mais tarde trabalhadores políticos. Como é esse princípio
observado hoje?

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37. Os levitas do Velho Testamento deram a melhor décima de seus dízimos para os
sacerdotes, só um por cento do total. Como é este princípio observado hoje?

38. Sacerdotes e levitas do Velho Testamento que receberam os dízimos não eram
permitidos serem donos ou herdarem propriedades. Porque este princípio não é observado hoje
(Números 18:20, 23)?

39. Os dízimos do Velho Testamento nunca foram usados em trabalhos de missões para
evangelizar os pagãos. Qual princípio Bíblico autoriza os dízimos para missões hoje?

40. De acordo com Deuteronômio 12 e 14:23-26 os dízimos das festas deveriam ser comidos
nas ruas. Porque esse princípio é ignorado pelas igrejas hoje?

41. De acordo com Deuteronômio 14:16, alguns dízimos das festas poderiam ser vendidos
para comprar fortes bebidas alcoólatras. Porque esse princípio é ignorado pelas igrejas hoje?

42. De acordo com Deuteronômio 26:12-13, todo terceiro ano o dízimo era separado para os
pobres. Porque esse princípio é ignorado hoje?

43. De acordo com Deuteronômio 26:12-13, os levitas foram incluídos dentre os pobres, os
estrangeiros, órfãos e viúvas. Isto significa que os levitas e Sacerdotes seriam contados entre os
pobres?

44. Onde que a Bíblia diz que os pobres eram obrigados a dizimarem?

45. Muitos levitas do Velho Testamento que receberam o primeiro dízimo inteiro foram servos
políticos do Rei, 1 Crônicas capítulos 23-26. Porque este princípio é ignorado hoje?

46. No Velho Testamento o primeiro e melhor dízimo era dado ao Rei, 1 Samuel 8:14-17.
Porque esse princípio é ignorado hoje?

47. Onde os levitas e Sacerdotes moravam na maior parte do tempo? Confira Josué 20-21,
Números 35 e 1 Crônicas 6.

48. Com que frequência os levitas e Sacerdotes serviam no Templo? Veja 1 Crônicas 28:13,
21; 2 Crônicas 8:14; 23:8; 31:2,15-19; 35:4,5,10; Neemias 11:30; 12:24; Lucas 1:5-9.

49. Já que 98% dos levitas e sacerdotes não estavam trabalhando no Templo na maior parte
do tempo, porque Deus falaria em Malaquias 3:10 para as pessoas trazer todos os dízimos para

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o Templo quando 98% do dos dízimos eram precisos para comida em outros lugares? Ele não
disse para as pessoas e sim para “vós” se referindo aos sacerdotes.

50. A maldição do dízimo era parte de qual aliança/concerto? Ver Neemias 10:29;
Deuteronômio 28:12, 21-22; Gálatas 3:10-13.

51. De acordo com Neemias 13:5-10, quem era culpado de roubar a porção do dízimo dos
levitas?

52. De acordo com Neemias 10:37b, onde eram as pessoas ordenadas a levarem os
dízimos? Porque esse texto é ignorado hoje?

53. De acordo com Neemias 10:38, onde estavam localizados os sacerdotes quando eles
recebiam os dízimos? Porque é esse texto ignorado hoje?

54. De acordo com Malaquias 1:6-14, quem era culpado de roubar os votos dos dízimos?

55. Quem foi amaldiçoado em Malaquias 1:14?

56. Quem foi amaldiçoado três vezes em Malaquias 2:2?

57. Quem está questionando Deus em Malaquias 2:17?

58. A quem está Deus respondendo em Malaquias 3:1-5?

59. São os sacerdotes também “filhos de Jacó” em Malaquias 3:6-7?

60. Não poderia Malaquias 3:8 está se referindo aos sacerdotes roubando pela terceira vez?

61. “Maldição” está se referindo aos sacerdotes quatro vezes em Malaquias 1:14 e 2:2. É
possível que Deus ainda esteja amaldiçoando os sacerdotes em Malaquias 3:9 em vez de
repente ter piedade deles?

62. O pronome “vós” se refere aos sacerdotes de Malaquias 1:6 até 3:5?

63. Há evidências concretas que Deus mudou a Sua audiência [a quem Ele se referiu] dos
sacerdotes para o povo em Malaquias 3:6-7?

64. Mudou Deus de amaldiçoar os sacerdotes para ter piedade deles em Malaquias 3:8-10?
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65. Sendo que “vós” até agora esteve se referindo aos sacerdotes e sendo que Neemias
10:37 prova que o povo trouxe os seus dízimos para as cidades dos levitas, então seria razoável
concluir que “vós” em Malaquias 3:10 também se refere aos sacerdotes de Neemias 10:38?

66. Novamente de acordo com Neemias 10:37, onde era a maior parte dos dízimos
necessário e armazenado?

67. De acordo com Neemias 13:5-10, que tamanho tinha a câmara de armazenamento no
Templo?

68. Poderia o Templo conter todos os dízimos da nação no tempo de Salomão ou no tempo
de Neemias?

69. É possível que a ideia da “câmara” do Templo ter sido entendido mal/incorretamente?

70. 2 Crônicas 31:15-19 descreve Ezequias mudando o local dos dízimos que estavam nas
ruas para as cidades levíticas. É possível que ele errou dizendo para o povo trazer todos os
dízimos para o templo?

71. A igreja primitiva se encontrava em secreto nas catacumbas e cemitérios por mais de
200 anos depois do Calvário. Eles não tinham prédios para chamarem de “câmaras”. Porque que
a igreja moderna usa o termo “dízimo das câmaras”?

72. O Templo do Velho Testamento foi substituído, não por uma construção, mas por um
corpo de indivíduos crentes. Porque que a igreja moderna ignora isso e ensina que os dízimos
devem ser levados ao prédio da igreja como substituição do Templo?

73. Mateus 5:19-48 se refere a todos os mandamentos da Lei que são mais de 600. Porque
Mateus 5:17-18 é somente usado para argumentar que o dízimo ainda é válido? O texto é
autodestrutivo para esse argumento.

74. Jesus (um carpinteiro), Pedro (um pescador) e Paulo (fabricador de tendas) qualificariam
como pagadores de dízimos de acordo com a Lei?

75. Como você explica Mateus 5:19?

76. Não obriga Mateus 5:19 a guardar todos os mais de 600 mandamentos da Lei?

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77. De acordo com Mateus 12:1-2, Jesus e seus discípulos colheram alimentos no Dia do
Sábado? Foram eles acusados de não dizimarem? Por quê?

78. De acordo com Marcos 12:42-44, uma viúva deu moedas no Templo. Estava ela
dizimando ou dando uma oferta voluntária?

79. As tendas de Paulo vieram das terras pagãs e a sua renda das vendas das tendas. A sua
renda debaixo da Lei se qualifica para dizimar?

80. De acordo com Mateus 23:2, quem eram os reconhecidos interpretes da Lei?

81. De acordo com Mateus 23:2-3, porque que Jesus disse aos seus discípulos judeus que
obedecessem aos escribas e Fariseus?

82. De acordo com Mateus 23:2-4, a adição de ervas e especiarias mudou a lei do dízimo
para fardos pesados?

83. A Lei ordenava os dízimos das especiarias e ervas do jardim?

84. Porque Jesus mandou os seus discípulos judeus darem o dízimo das especiarias e ervas
do jardim?

85. Em Mateus 8:4, porque Jesus mandou os judeus que Ele curou que se apresentasse aos
sacerdotes?

86. Porque que Jesus NÃO mandou os seus discípulos Gentios dizimarem no sistema do
Templo?

87. Jesus mandou os seus discípulos darem o dízimo para o sistema do Templo?

88. Para quem a palavra “vós” se refere em Mateus 23:23?

89. Quais são as palavras em Mateus 23:23 que descreve o seu contexto? Resposta: “da
lei”.

90. É Mateus 23:23 um mandamento do Velho Testamento ou um mandamento do Novo


Testamento?

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91. Porque que Jesus mandou o jovem rico e Zaqueu darem os seus dinheiros para os
pobres em vez de dar como dízimo para o sistema do Templo?

92. Os pastores hoje permitem que os evangelistas que visitam suas igrejas preguem para
a congregação que devem “vender tudo o que tens e dá-o aos pobres”?

93. Porque os pastores hoje não mandam os membros de suas igrejas a dizimarem as
especiarias do jardim como Jesus mandou?

94. De acordo com Lucas 22:20, quando que terminou Velho Testamento e quando que
começou o Novo Testamento?

95. De acordo com Atos 2:42-47 e 4:32-35, Deus ordenou que os discípulos
compartilhassem comumente ou compartilhassem tudo igualmente?

96. De acordo com Atos 2:42-47 e 4:32-35, os discípulos estavam dizimando para os líderes
da igreja ou compartilharam tudo igualmente?

97. De acordo com Atos 2:46, a igreja primitiva se retirava para não adorar no Templo?

98. De acordo com Atos 15:10, argumentou Pedro contra o jugo da Lei sendo imposto nos
Cristãos Gentios?

99. De acordo com Atos 15:19-20, Tiago concordou com Pedro?

100. De acordo com Atos 20:29-35, está Paulo sustentando a si mesmo na maior parte do
tempo?

101. De acordo com Atos 20:35, Paulo esperava que os anciãos da igreja seguissem o seu
exemplo?

102. De acordo com Atos 20:35, a quem Jesus mandou trabalhar e dar ao fraco?

103. De acordo com Atos 21:20, os Cristãos judeus em Jerusalém ainda estavam “zelosos da
Lei”?

104. De acordo com Atos 21:20, pode alguém concluir que os judeus Cristãos em Jerusalém
ainda estavam pagando dízimos para o sistema do Templo?

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105. De acordo com 1 Coríntios 9:7-14, a vocação dos soldados, pastores de ovelhas,
fazendeiros, debulhadores, servos/administradores do templo e os que anunciam o evangelho
operam em diferentes princípios de suporte?

106. Comparando 1 Coríntios 9:13 com Números 18 e Levíticos, os servos do templo eram
sustentados através dos dízimos, ofertas, votos, presentes voluntários, porções de sacrifícios e
muitas outras fontes?

107. Comparando 1 Coríntios 9:13 com Números 18 e Levíticos, o dízimo era somente uma
“coisa do templo”?

108. Em referência a 1 Coríntios 9:14, “assim também” (“da mesma forma”) ordena os que
anunciam o evangelho a serem suportados [no sentido de mantimentos] por todo tipo de suporte
usado para os servos do templo?

109. Em referência a 1 Coríntios 9:14, “assim também” ordenou os que anunciam o evangelho
a serem suportados pelos ‘princípios do evangelho’ de graça e fé “da mesma forma” como as
seis vocações anteriores estiveram suportadas pelos seus próprios princípios?

110. Em referência a 1 Coríntios 9:14, seria desonesto ensinar que 9:13 somente se refere ao
dízimo? Não ensina o texto muitas coisas que destruiria o argumento do dízimo?

111. De acordo com 1 Coríntios 9:12, 15-19, aceitou Paulo os dízimos como salário?

112. Comparando 1 Coríntios 9:14 com 9:12, 15-19, se Jesus tivesse ordenado o dízimo para
suporte dos que anunciam o evangelho, não estaria Paulo desobedecendo aquele ordem?

113. De acordo com 2 Coríntios 3:10, quanta glória o Velho Testamento tem em comparação
com o Novo Testamento?

114. A onde está o dízimo repetido para a Igreja nos termos do Novo Concerto da graça e fé?

115. De acordo com 1 Pedro 2:9-10, foi o sacerdócio do Velho Testamento substituído pelos
líderes da igreja ou por todos os crentes?

116. Em referência a 1 Pedro 2:9-10, como que o “sacerdócio real” afeta o dízimo?

117. Eram os profetas não-levitas do Velho Testamento suportados pelos dízimos?

118. Eram os rabinos do Velho e Novo testamentos suportados pelos dízimos?

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119. São os pastores e anciãos do Novo Testamento suportados semelhantemente aos
sacerdotes, profetas ou rabinos do Velho Testamento?

120. É 1 Timóteo 5:1-20, uma discussão de disciplina ou de salário pastoral?

121. De acordo com 1 Timóteo 5:8, são as necessidades essenciais da família mais
importante que o suporte/manutenção da igreja?

122. Como pode 1 Timóteo 5:8 ser verdade se os primeiros 10% da renda deverá ser dado à
igreja?

123. A “dupla honra” em 1 Timóteo 5:17 se refere ao “duplo cuidado na disciplina” ou “duplo
salário”?

124. De acordo com 1 Timóteo 6:6-11, os que anunciam o evangelho devem pensar ser
melhor financeiramente do que a maioria?

125. De acordo com Hebreus 7:5, deu a Lei autoridade aos sacerdotes para receberem
dízimos?

126. Foram os sacerdotes do Velho Testamento também reis?

127. De acordo com Hebreus 7:11 e Salmos 110:4, o Messias seria um sacerdote-rei?

128. De acordo com Hebreus 7:11-12, precisou-se de uma mudança na Lei em referência à
profecia que o Messias seria um sacerdote-rei?

129. De acordo com Hebreus, capítulos de 5-7, o Melquisedeque do Velho Testamento


qualificaria para ser sacerdote debaixo da Lei?

130. De acordo com Hebreus 7:13-17, Jesus foi qualificado para ser um sacerdote debaixo
da Lei?

131. De acordo com Hebreus 7:18, como que a Lei que ordenava o dízimo para sustento do
sacerdócio Levítico em 7:5 “mudou” em 7:12?

132. De acordo com Hebreus 7:12,18, por que foi a Lei que ordenava o dízimo para o suporte
do sacerdócio Levítico “ab-rogado” ou “cancelado”?

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133. De acordo com Hebreus 7:16-28, foi o rei-sacerdócio do Messias para ser baseado em
princípios morais-eternos?

134. O dízimo existia em muitas nações muito antes da época de Abraão e essas nações
praticavam idolatria, sacrifícios de crianças e prostituição no templo. Pode o fato de o dízimo
existir antes da Lei, fazê-lo um princípio eternamente moral?

135. De acordo com todo o livro de Levíticos, como pode o dízimo ser retido com um princípio
“santo” e quase tudo mais em Levíticos que é chamado de “santo” e “santíssimo” ser descartado?

136. De acordo com Hebreus 8:6-13, o “o mais excelente ministério” de Cristo substituiu o
Velho Concerto nas pedras e papéis com o Novo Concerto nos corações. Sabe o Cristão, que é
nova criatura, em seu coração que ele/ela deve dar um dízimo de 10 por cento para suporte da
igreja?

137. De acordo com 2 Coríntios 8 e 9, sabe-se instintivamente o Cristão nascido de novo


sobre dar: voluntariamente, sacrificialmente, generosamente, alegremente, não como
mandamento, regularmente e motivado por amor a Deus e amor as almas perdidas?

138. De acordo com 2 Coríntios 8:12-15, qual é o princípio de “igualdade” de doação/dádiva?

139. De acordo com 2 Coríntios 3:10-18, qual princípio de doação tem a benção do Espírito
Santo?

140. Deveria a maior parte dos Cristãos afluentes diminuir seus estilos de vida para darem
mais para promover o evangelho?

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7. Teólogos que concordam
“Alguns Teólogos e historiadores que concordam” [que a quantia a ser contribuída voluntariamente à
igreja local é escolhida pelo indivíduo], compilado por Dr. Russell Kelly:
http://www.tithing-russkelly.com/id2.html

Estes não ensinam os dízimos:


Craig Blomberg, Geoffrey W. Bromiley, F. F. Bruce, Lewis Sperry Chafer; James Darby, Alfred
Edersheim, Walter Elwell, Everett F. Harrison, Carl F. Henry, C. H. Lenski, Zola Levitt, John
MacArthur, J. Vernon McGee, Bruce Metzger, Moody Bible Institute, Mike Oppenheimer, John Owen,
Dwight Pentecost, John Piper, Charles Ryrie, Thomas R. Schreiner, C. I. Scofield, Charles H.
Spurgeon, Charles Swindoll, Merrill Unger, e Spiros Zodhiates.
[Josephus, também].

Oponentes dos dízimos na história compilado por Dr. David Croteau, Liberty University, You Mean I
Don’t Have to Tithe?, p. 271-292. Disponível em: < http://www.tithing.com/blog/tithing-opponents-
throughout-history/ > Acesso em: 2012.

Clement of Rome 100 John Gill 1771 Baptist


Didache 100 John Wesley 1791
Justin Martyr 165 BAPTISTS IN AMERICA 1800s
Tertullian 230 Adam Clarke 1832 Baptist
Origen 255 Charles Buck 1833
Cyprian 258 J C Philpot 1835 Baptist
Waldenses 1150+- Charles H Spurgeon 1832 Baptist
Thomas Aquinas 1275 Parsons Cooke 1850
John Wycliff 1384 Samuel Harris 1850
John Huss 1415 Edward A Lawrence 1850
German Peasants 1520 John Peter Lange 1876
Anabaptists 1525 Henry William Clark 1891 Engllish
Erasmus 1536 S H Kellogg 1891
Otto Brumfels 1534 G Campbell Morgan 1898 Congregational
Martin Luther 1546 Albert Vail 1913 Baptist
Philip Melanchthon 1560 Frank Fox 1913
Separatists Amsterdam 1603 David MaConaughy 11918 Episcopal
John Smythe 1609 Baptist William Pettingill 1932
John Robinson 1610 John Harvey Grime 1934 Baptist
English Parliament 1650+- John T Mueller 1934 Lutheran
Puritans & Pilgrims Mass 1650+- H E Dana 1937 Bapt Historian
John Cotton 1652 Puritan R C H LENSKI 1946 Lutheran
Roger Williams 1636 Baptist Lewis Sperry Chafer 1948 DTS Foundeer
Little Parliament 1653 W E Vine 1949
Oliver Cromwell 1658 James F Rand 1953
John Milton 1658 Puritan Francis Pieper 1953 Lutheran
Particular Baptists 1660 Ray Stedman 1951
John Owen 1680 Baptist L L McR 1955 Catholic
Francis Turretin 1687 Paul Leonard Stagg 1958 Baptist
John Bunyan 1688 Baptist Hiley H Ward 1958 Baptist
Quakers 1768 Roy T Cowles 1958

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Elizabeth P Tilton 1958 Jerome Smith 1992
R C Rein 1958 Lutheran CRAIG BLOMBERG 1993 Denver Seminary
Robert A Baker 1959 Bapt Historian J Duncan M Derrett 1993
Wick Bromall 1960 Walter Kaiser Jr 1994 Gordon-Cromwell
John Byron Evans 1960 Moises Silva 1994
Norman Tenpas 1967 Benny D Prince 1995
James Edward Anderson 1967 Brian K Morley 1996
Alfred Martin 1968 Linda L Belleville 1996
CHARLES C RYRIE 1969 DTS Ron Rhodes 1997
Jerry Horner 1972 S Baptist Ernest L Martin 1997
Pieter Verhoef 1974 Michael Webb 1998
Dennis Wretlind 1975 R Johnston 1999
Jack J Peterson 1978 Pres Mark Snoeberger 2000 Baptist
Donald Kraybill 1978 Stuart Murray 2000 Eng
Jon Zens 1979 Baptist George W Greene 2000
Richard Cunningham 1979 S Bapt Old Line Primitive Baptists 2000
Gary Frieson 1980 Jaime Cardinal Sin 2000 Cath Archbishop
JOHN MACARTHUR 1982-2000 RUSSELL EARL KELLY 2001 Baptist
Paul Fink 1982 Jonathan Kitchcart 2001
George Monroe Castillo 1982 Frank Viola 2002
Tony Badillo 1984 George Barna 2002
James M Boice 1986 Michael Morrison 2002
Michael E Oliver 1986 Rest Elliott Miller 2003
W Clyde Tilley 1987 Matthew Narramore 2004
Scott Collier 1987 David Alan Black 2004 Baptist SEBTS
Ronald M Campbell 1987 Andreas Kostenberger 2007 Baptist SEBTS
R E O White 1988 Danny Akin 2007 Baptist SEBTS
William McDonald 1989 Mark Driscoll 2008
Charles Swindoll 1990 Dallas Seminary Roman Catholic Church
Rhodes Thompson 1990 Jehovah’s Witnesses
J VERNON MCGEE 1999 New Worldwide Church of God

7.1 Citações de teólogos

A obra editada por Bruce M. Metzger, teólogo presbiteriano que é uma das maiores autoridades
da crítica textual do Novo Testamento, afirma:
“O Novo Testamento em nenhum lugar explicitamente requer a prática do dízimo para
manter um ministério ou lugar de assembleia”. 70 O texto original diz: “The New Testament
nowhere explicitly requires tithing to maintain a ministry or a place of assembly” (Bruce M.
Metzger and Michael D. Coogan, Oxford Companion to the Bible, 1993, p. 745).

F. F. Bruce, um grande teólogo presbiteriano, afirmou:


“Cada cristão deve chegar a uma decisão conscienciosa a respeito desse assunto diante
de Deus, e não contentar-se em submeter-se às declarações dogmáticas dos outros; e será
surpreendente se a graça não o impelir a dar proporção maior do que a lei alguma vez

70
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demandou”. 71 O texto original diz: “Each Christian must come to a conscientious decision on
this subject before God, and not be content to submit to the dogmatic statements of others;
and it will be surprising if grace does not impel him to give a larger proportion than ever the
law demanded” (Frederick Fyvie Bruce, Answers to Questions, 1978, p. 243).
Outra citação de F. F. Bruce afirma (colchetes e negritos são meus):
“Os princípios do dadivar cristão são claramente estabelecidos nas epístolas à igreja de
Corinto (1 Cor. 16:1, 2; 2 Cor. 8-9). Esses [princípios] não excluem o dízimo como uma base
conveniente para o dadivar proporcional, nem esses [princípios] limitam alguém ao
dízimo”. 72 O texto original diz: “The principles of Christian giving are clearly set forth in the
epistles to the Corinthian church (1 Cor 16:1, 2; 2 Cor 8-9). They do not exclude the tithe as
a convenient basis for proportionate giving, nor do they limit one to the tithe” (Frederick
Fyvie Bruce, The Spreading Flame, 1958, p. 192).
Portanto, para F. F. Bruce, os princípios do dadivar cristão não excluem, e nem impedem, uma
pessoa de contribuir um valor correspondente a 10%; e os princípios do dadivar cristão não limitam a
contribuição de uma pessoa ao valor correspondente a 10%. Assim, uma vez que a contribuição
financeira não é limitada, o dadivar cristão pode corresponder a menos de 10%, a exatamente 10%,
ou a mais de 10%.

A Wycliffe Bible Dictionary of Theology [Dicionário Bíblico Wycliffe de Teologia]― em que um


dos editores, Carl F. Henry, foi um grande teólogo presbiteriano― afirma que a lei de dizimar, assim
como a lei da circuncisão, não podem ser validadas no Novo Testamento (colchetes e negritos são
meus):
“O silêncio dos escritores do N.T., particularmente Paulo, a respeito da validade presente
do dízimo pode ser explicada somente na base de que a dispensação da graça não tem
mais lugar para uma lei de dizimar assim como essa [dispensação da graça] não tem
[lugar] para uma lei de circuncisão”. 73 O texto original diz: “The silence of the N.T. writers,
particularly Paul, regarding the present validity of the tithe can be explained only on the
ground that the dispensation of grace has no more place for a law of tithing than it has
for a law on circumcision” (HARRISON, Everett F., BROMILEY, Geoffrey W., HENRY, Carl
F. Henry, editors. Wycliffe Dictionary of Theology, Orig. Baker’s Dictionary, 1960 (Peabody:
Hendrickson, 1999), s.v. “tithe.” APUD KELLY, 2007, p. 173).

John Owen, um puritano e grande teólogo inglês, escreveu (colchetes e negritos são meus):
“[...] não é um apelo seguro para muitos insistirem nisso [o apelo], de que os dízimos são
devidos e divinos, como eles dizem,─ isto é, mediante a vinculação da lei de Deus,─ agora
sob o evangelho. . . . A lei exata de dizimar não está confirmada no evangelho . . . é
impossível que qualquer uma determinada regra seja prescrita a todas as pessoas”. 74 O
texto original diz: “[…] it is no safe plea for many to insist on, that tithes are due and divine,
as they speak,- that is, by a binding law of God,- now under the gospel. . . . The precise law

71
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72
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73
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74
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of tithing is not confirmed in the gospel . . . it is impossible any one certain rule should
be prescribed unto all persons” (Works, vol. 21, pp. 324, 325). 75

John Owen também comenta que: “pois os judeus julgam, e isso corretamente, que a lei de
dizimação lícita não estendeu-se para além dos limites da terra de Canaã, uma evidência
suficiente que ela[a lei de dizimar] era positiva e cerimonial”. Original em inglês diz: “for
the Jews do judge, and that rightly, that the law of legal tithing extended not itself beyond the
bounds of the land of Canaan, a sufficient evidence that it was positive and ceremonial”.
(OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Vol. 5, ed. Goold, 1855, p. 376).

B. B. Warfield (1851-1921), um grande teólogo reformado, escreveu (negritos, colchetes e


itálicos são meus):
“O Dr. Witherow mui admiravelmente diz com palavras que fariam-nos bem a ponderar:
‘Quando nos é dito por parte de céticos que estamos obrigados, pela Bíblia, a pagar dízimos,
a executar o idólatra e blasfemador, a matar o transgressor-do-Sabbath e a bruxa, a nossa
resposta é que o decreto apostólico liberta completamente dessas e todas as outras
peculiaridades da economia judaica antiga. Essas [peculiaridades] não são nomes dentre
as exceções, e portanto, não são de força vinculante nos crentes gentílicos (p. 193)’”. 76
Em inglês: “Dr Witherow most admirably says in words which it would do us good to ponder:
‘When told by sceptics that we are bound by the Bible to pay tithes, to execute the idolater
and blasphemer, to put the Sabbath-breaker and witch to death, our answer is that the
apostolic decree sets entirely free from these and all other peculiarities of the old Jewish
economy. They are not names among the exceptions, and therefore are of no biding force
upon the Gentile believers (p.193)'” (Benjamin Breckinridge Warfield, The Presbiterian
Review, vol. 10, p. 332; 1888).

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), teólogo e pastor batista reformado, escreveu


(colchetes e negritos são meus):
“Mas você não está sob um sistema semelhante aquele pelo qual os judeus eram
obrigados a pagar dízimos aos sacerdotes. Se houvesse qualquer regra como tal no
Evangelho, isso destruiria a beleza do dadivar espontâneo e removeria todo florescimento
do fruto da sua liberalidade! Não existe lei para me dizer o que devo dar ao meu pai no
aniversário dele. Não há regra estabelecida em qualquer livro para decidir qual presente um
marido deve dar a sua esposa, nem qual símbolo de afeição deveríamos conceder aos
outros os quais amamos. Não, o presente deve ser um [presente] gratuito, ou esse
[presente] tem perdido toda a sua doçura”. 77 Em inglês: “But you are not under a system
similar to that by which the Jews were obliged to pay tithes to the priests. If there were
any such rule laid down in the Gospel, it would destroy the beauty of spontaneous giving
and take away all the bloom from the fruit of your liberality! There is no law to tell me what I
should give my father on his birthday. There is no rule laid down in any law book to decide
what present a husband should give to his wife, nor what token of affection we should bestow
75
“The New Testament Tithe?”. Disponível em: <http://thirdmill.org/answers/answer.asp/file/43275>. ThirdMill é um
ministério cristão reformado.
76
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77
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upon others whom we love. No, the gift must be a free one, or it has lost all its sweetness”
(Christ’s Poverty, Our Riches. Sermão 2716. April 18, 1880). 78

David Croteau afirma que:


“Os proponentes dos dízimos normalmente fracassam em reconhecer que dizimar é uma
parte integral do sistema sacrificial veterotestamentário que tem sido, de uma vez por todas,
realizada em Cristo. Hebreus, Rom. 10:4, e Mateus 5:17-20 todos apontam para essa
realidade. Isto pode ser a melhor razão pela qual o dizimar não é ordenado na era do novo
pacto: foi cumprido em Cristo”. 79 Em inglês: “Tithing proponents typically fail to recognize
that tithing is an integral part of the Old Testament sacrificial system that has been once and
for all fulfilled in Christ. Hebrews, Rom 10:4, and Matthew 5:17-20 all point to this reality.
This may be the best reason why tithing is not commanded in the new covenant era: it was
fulfilled in Christ” (A Biblical and Theological Analysis of Tithing, 2005, p. 270). 80

John Bunyan (1628-1688), puritano e autor do livro O Peregrino, escreveu:


“... esse pagar dos dízimos era cerimonial, o qual veio e foi-se com o sacerdócio típico”. 81
Em inglês: “… this paying of tithes was ceremonial, such as came in and went out with the
typical priesthood” (The Works of John Bunyan, 1861, p. 224). 82

Martinho Lutero (1483-1546) escreveu (colchetes não são meus; negritos são meus):
“Mas os outros mandamentos de Moisés, os que não são [implantados em todos os homens]
por natureza, os gentios não guardam. Nem esses pertencem aos gentios, tal como o
dízimo...”. 83 Em inglês: “But the other commandments of Moses, which are not [implanted
in all men] by nature, the Gentiles do not hold. Nor do these pertain to the Gentiles, such
as the tithe” (How Christians Should Regard Moses; Agosto 27, 1525). 84

Franz August Otto Pieper, um teólogo luterano, escreveu (negritos e colchetes são meus): “Nós
professores luteranos deploramos e reprovamos, como pecado, o fato inegável que os
cristãos neotestamentários fazem uso de sua libertação do dízimo veterotestamentário para
desculpar a sua indolência quanto ao contribuir para os propósitos da Igreja, particularmente
para missões. Ademais, Lutero reprovou esse pecado. Mas sabemos também que a Igreja
Cristã nunca ordena onde a Escritura não ordena. A obrigação de pagar o dízimo tem
sido abolido no Novo Testamento. Enquanto a Escritura do Novo Testamento inculca essa
obrigação de dadivar generosa e incansável, a mesma [a Escritura do Novo Testamento]
deixa a quantidade exata e os detalhes das contribuições ao discernimento e
liberdade cristãos”. Em inglês: “We Lutheran professors deplore and reprove as sin the
undeniable fact that New Testament Christians make use of their deliverance from the Old

78
Disponível em: <http://www.spurgeongems.org/vols46-48/chs2716.pdf>.
79
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80
Minha tradução.
81
Minha tradução.
82
Disponível em:
<https://books.google.com.br/books?id=UFsJAAAAQAAJ&pg=PA224&redir_esc=y#v=snippet&q=paying%20of%20tithes
&f=false>.
83
Minha tradução
84
Disponível em: <http://www.martinluthersermons.com/Luther_How_Christians_Moses.pdf>, página 7.
Página 68 de 76
Testament tithe to excuse their indolence in contributing for the purposes of the Church,
particularly for missions. Also Luther reproved this sin. But we also know that the Christian
Church never commands where Scripture does not command. The obligation to pay the
tithe has been abolished in the New Testament. While the New Testament Scripture
inculcates that obligation of generous and untiring giving, it leaves the exact amount and
the details of the contributions to Christian insight and freedom” (PIEPER, Francis.
Christian Dogmatics, vol. 3, tradução de Walter W. F. Albrecht. St. Louis: Concordia, 1953,
p. 50).

Matthew Henry (1662-1714), teólogo, pastor e comentarista reformado, escreveu (negritos e


colchetes são meus):
“A décima [parte] é uma proporção muito adequada a ser devotada a Deus e empregada
para Ele, no entanto, conforme as circunstâncias variam, a décima [parte] pode ser mais
ou menos, ao passo que Deus nos prospera...”. 85 Em inglês: “The tenth is a very fit
proportion to be devoted to God and employed for him, though, as circumstances vary, it
may be more or less, as God prospers us…” (Matthew Henry’s Commentary on the Whole
Bible. Gênesis 28, versos 16-22). 86

Russell Earl Kelly, teólogo batista, escreveu:


“Este livro apoia plenamente tal dadivar como uma oferta-voluntária e uma resposta de fé
do coração motivado por amor e pelo Espírito Santo. Entretanto, o autor está igualmente
convencido de que pregar um dez por cento obrigatório (o chamado dízimo) da renda bruta,
independentemente das circunstâncias, não tem base bíblica e causa mais danos do que
bem ao corpo de Cristo”. 87 Em inglês: “This book fully supports such giving as a freewill-
offering and a faith response from the heart motivated by love and the Holy Spirit. However,
the author is equally convinced that preaching a mandatory ten percent (so-called tithe) of
gross income, regardless of circumstances, is unscriptural and causes more harm than good
to the body of Christ” (KELLY, 2007, p. 1).

John MacArthur Jr. afirma que“… os cristãos não estão sob obrigação de dar uma quantia
específica à obra do seu Pai celestial. Em nenhuma de suas formas o dízimo ou quaisquer
outros impostos do Velho Testamento aplicam-se aos cristãos” (Commentary on the Book
of Romans 9-16. Moody Bible Institute, p. 233).
O teólogo e pastor John MacArthur Jr. explica isso, também, em seu artigo intitulado “Deus
requer que eu dê o dízimo de tudo quanto ganho?”, disponível no sítio Monergismo de teologia
reformada: <http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/dizimo_mac.htm>.

R. C. Sproul, pastor e teólogo presbiteriano, escreveu: “Em nenhum lugar o Novo Testamento
especificamente requer o dizimar para os cristãos . . . O Novo Testamento não nos dá uma
instrução específica sobre dizimar . . . não temos uma diretriz específica no Novo Testamento
de porcentagens”. Original em inglês, diz: “Nowhere does the New Testament specifically
require tithing for Christians . . . The New Testament does not give us a specific instruction about
tithing . . . we have no specific guideline in the New Testament of percentages.” R.C. Sproul,

85
Minha tradução.
86
Disponível em: <http://www.biblestudytools.com/commentaries/matthew-henry-complete/genesis/28.html>.
87
Minha tradução.
Página 69 de 76
"What about Tithing?," Tabletalk, vol. 3, number 5, 1979, p. 10. In: This is My Beloved Son, Hear
Him. ZENS, Jon. Searching Together. Summer-Winter 1997, Vol. 25:1,2,3. páginas 89-93.
[página 65 do PDF], disponível em:
<http://resources.grantedministries.org/article/this_is_my_beloved_son_hear_him_j_zens.pdf>.

James Montgomery Boice, teólogo e pastor presbiteriano, escreveu que (negritos são meus):
“Ás vezes nos períodos de perguntas-e-respostas sou perguntado se cristãos nos dias de
hoje são obrigados a dizimar. Suspeito que o perguntante queira saber quão pouco ele deve
contribuir às causas cristãs e quanto ele pode guardar para si mesmo. Respondo com o
que creio ser uma declaração adequada do caso, isto é, que o dízimo era uma regulação
veterotestamentária concebida para o suporte de uma classe particular de pessoas.
O dízimo não foi transferido para o Novo Testamento. Em nenhum lugar no Novo
Testamento os crentes são instruídos a darem um décimo específico ou qualquer
outra proporção de sua renda aos projetos cristãos”. 88 Em inglês: “Sometimes in
question-and-answer periods I am asked whether Christians today are obliged to tithe. I
suspect the questioner wants to know how little he must give to Christian causes and how
much he can keep for himself. I reply with what I believe to be a proper statement of the
case, namely, that the tithe was an Old Testament regulation designed for the support
of a particular class of people. It was not carried over into the New Testament.
Nowhere in the New Testament are believers instructed to give a specific tenth or any
other proportion of their income to Christian projects” (BOICE, James Montgomery. The
Minor Prophets: Two Volumes Complete in One Edition (Grand Rapids: Kregel, 1986), vol
2, p. 255).

Ulrico Zwíglio (ou Zwinglio) foi um dos principais líderes da Reforma Protestante. Earle Cairns
relata que (negritos são meus): “Zwinglio levantou a primeira bandeira da Reforma quando declarou
que os dízimos pagos pelos fiéis não eram exigência divina, sendo, pois, o seu pagamento uma
questão de voluntariedade. Isto abalou as bases financeiras do sistema romano” (CAIRNS, Earle E.
A Reforma na Suiça. 2ed. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 245)

The 1599 Geneva Study Bible 89 [A Bíblia de Estudo de Genebra de 1599], em inglês, contém
uma nota de rodapé em Hebreus 7:18 que não existe na versão em português da Bíblia de Estudo de
Genebra. Primeiro, vejamos o versículo em inglês como consta na 1599 Geneva Study Bible:
“18 1For the 2commandment that went afore, is disannulled, because of the weakness thereof, and
unprofitableness”. Segundo, vejamos a nota de rodapé desse versículo:
“7:18 1 Again, that no man might object that the last Priesthood was added to make a
perfect one, by the coupling of them both together, he proveth that the first was abrogated
by the latter as unprofitable, and that by the nature of them both. For how could those
corporal and transitory things sanctify us, either of themselves, or being joined with
another?
2 The ceremonial law”.

88
Minha tradução.
89
A 1599 Geneva Study Bible está disponível no seguinte sítio de teologia reformada: <http://www.apuritansmind.com/wp-
content/uploads/PDF/GenevaBiblePatriotEdition.pdf>. Esta citação encontra-se na p. 1266.
Página 70 de 76
Segue-se minha tradução desta nota de rodapé, pois a Bíblia de Estudo de Genebra, na edição
brasileira, não a traduziu (colchetes são meus):
“7:18 1 De novo, para que nenhum homem possa objetar que o último Sacerdócio foi
acrescentado para fazer um [sacerdócio] perfeito, pelo acoplamento de ambos deles
juntos, ele [o escritor de Hebreus] prova que o primeiro foi ab-rogado pelo último como
sendo inútil, e isso por meio da natureza delas ambas. Pois como poderia aquelas coisas
corpóreas e transitórias nos santificar, seja de si mesmas, ou sendo juntadas com outras?
2 A lei cerimonial.”.

Hebreus 7:18, na edição brasileira, diz: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por
causa de sua fraqueza e inutilidade”. A “anterior ordenança”, de acordo com a nota de rodapé da
edição de 1599 da Geneva Study Bible, é a lei cerimonial. Uma tradução mais precisamente feita com
base na Geneva Study Bible de 1599 seria: “Pois o mandamento anterior é anulado por causa de sua
fraqueza e inutilidade”.

João Calvino também manifestou-se sobre esse assunto. Veja a análise do presbítero Túlio
Cesar Costa Leite, da Igreja Reformada Presbiteriana de Maricá, em seu artigo intitulado “O Dízimo”,
disponível no sítio Monergismo de teologia reformada:
<http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/o-dizimo_tulio.pdf>.

“A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não
posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha
consciência não é nem correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa
fazer. Que Deus me ajude. Amém.” - Martinho Lutero

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Bibliografia
ANDERSON, Brian. O dízimo do Velho Testamento, versus o dadivar do Novo Testamento. Disponível em:
<http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComRiquezas/DizimoVT-X-DadivarNT-Anderson.htm>. Acesso em:
Julho de 2011. [Esse autor é batista.]

BRUCE, F. F. The Epistle to the Hebrews (The New International Commentary on the New Testament). Grand
Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985. [Esse autor era presbiteriano]

DUGUID, Ian M.; HUGHES, R. Kent (Editor geral). Numbers: God’s presence in the wilderness. Crossway
Books: Wheaton, Illinois, 2006. [Ian Duguid é presbiteriano.]

EASTON, Matthew George. "Entry for Tithe". "Easton's Bible Dictionary".

"Entry for 'Tithe'". Dictionary of Words from the King James Bible. . New York, N.Y., 1999.

GILL, John. John Gill's Exposition of the Bible. Disponível em:


<http://www.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/>. [Esse autor era batista
reformado]

GORDON, T. David. The Tithe in Biblical-theological Perspective. Disponível em:


<www.tdgordon.net/theology/tithe.doc>. [Esse autor é presbiteriano]

KELLY, Russell. Should the church teach tithing?: A theologians conclusion about a taboo doctrine. Lincoln:
iUniverse, Inc., 2007, 288p. Disponível em: <http://www.truthforfree.com/files/PDF/REK-Tithing3.pdf>. [Esse
autor é batista.]

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: exposição de Hebreus. Editora Cultura Cristã, 2003.
Tradução: Marcelo Tolentino. [Esse autor era presbiteriano]

KÖSTENBERGER, Andreas J.; CROTEAU, David A.. Will a Man Rob God?” (Malachi 3:8): a Study of Tithing
in the Old and New Testaments. Bulletin For Biblical Research, [s.l.], 16.1, p.53-77, primavera de 2006.
Disponível em: <https://www.ibr-bbr.org/files/bbr/BBR_2006a_04-Kostengerger_Croteau.pdf>. Acesso em: 04
set. 2017. [Ambos os autores são batistas]

LEITE, Túlio Cesar Costa. O dízimo. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/o-


dizimo_tulio.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2016. [Esse autor é presbiteriano.]

NAVE, Orville J. "Entry for 'Tithes'". "Nave's Topical Bible". . 1896.

OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. Edinburgh, vol. 5, edição W. H. Goold,
1855. [Esse autor era puritano e anglicano]

PECK, Thomas E. A Obrigação Moral do Dízimo. 2017. Tradução: Nathan Cazé. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2017/08/a-obrigac3a7c3a3o-moral-do-dc3adzimo-thomas-e-
peck2.pdf>.
The Moral Obligation of the Tithe. In: The Miscellanies of Thomas E. Peck. Richmond: Presbyterian Committee
of Publication, 1895. vol. 1, pp. 146-57. Disponível em: <https://archive.org/details/miscellaniesofre01peck>.
Acesso em: 10 ago. 2016. The Moral Obligation of the Tithe também pode ser acessado aqui:
<http://www.newhopefairfax.org/files/Peck%20on%20Tithe.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2016. [Esse autor era
presbiteriano.]

POOLE, Matthew. Matthew Pool’s Commentary. Disponível em <http://biblehub.com/commentaries/poole/>.


[Esse autor era presbiteriano e puritano]

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ORR, James, M.A., D.D. General Editor. "Entry for 'TITHE'". "International Standard Bible Encyclopedia". 1915.

SMITH, William, Dr. "Entry for 'Tithe or tenth,'". "Smith's Bible Dictionary". . 1901.

WALTKE, Bruce K.; HARRIS, R. Laird (org.); ARCHER JR., Gleason L. Dicionário Internacional de Teologia do
Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1182. Tradução: Márcio Loureiro Redondo, Luiz Alberto T.
Sayão, e Carlos Osvaldo C. Pinto.

Leitura complementar
CROTEAU, David. You Mean I Don’t Have to Tithe? A Deconstruction of Tithing and a Reconstruction of Post-
Tithe Giving. Pickwick Publications, 2010, 396p. [mais completa obra sobre este tema que encontrei; ele é
protestante, mas não reformado].

PETERSON, Jack J. “Tithing No!”, In: The Presbyterian Guardian. vol. 47, No 9, outubro, 1978, p. 8-9.
Disponível no sítio oficial da denominação Orthodox Presbyterian Church (OPC) em:
<http://www.opc.org/cfh/guardian/Volume_47/1978-10.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2016. [O Rev. Jack era pastor
da Bethel Orthodox Presbyterian Church, Carson, North Dakota].

The 1599 Geneva Study Bible: Patriot’s Edition. White Hall: Tolle Lege Press, 2010. Disponível em:
<http://www.apuritansmind.com/wp-content/uploads/PDF/GenevaBiblePatriotEdition.pdf>.

MACARTHUR, John. Deus requer que eu dê o dízimo de tudo quanto ganho?. Disponível em:
<http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/dizimo_mac.htm>.

BRITO, Frank. Dízimo. É para hoje?. Disponível em:


<http://reformaquepassa.blogspot.com.br/2013/07/dizimo-e-pra-hoje.html>. [Esse autor é presbiteriano.]

URCNA[United Reformed Churches in North America]. Appendix 3: Biblical Principles of Tithing & Giving.
Disponível em:
<https://www.urcna.org/urcna/Missions/ChurchPlantingManual/How%20to%20Plant%20a%20Reformed%20C
hurch.pdf>.

KUIPER, Dale H. Tithe. Disponível em: <http://www.prca.org/resources/worship-devotional/word-


studies/item/1737-tithe>. [Dale Kuiper foi Pastor presbiteriano da denominação Protestant Reformed Churches
in America - PRCA]

CLARK, R. Scott. A oferta é um elemento, uma circunstância, ou nenhum desses?. 2018. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/02/a-oferta-c3a9-um-elemento-uma-circunstc3a2ncia-ou-
nenhum-desses_-r-scott-clark-traduc3a7c3a3o-nathan-cazc3a9.pdf>. Tradução: Nathan Cazé

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Meus outros artigos e traduções
Artigos
CAZÉ, Nathan. Arrebatamento Parcial e Punição Dispensacional (COMPILAÇÃO). Disponível em:
<https://pt.scribd.com/doc/260950164/COMPILACAO-Arrebatamento-Parcial-e-Punicao-Dispensacional-Walvoord-
Pentecost-Ryrie-Nathan-Caze>. Em inglês: <https://pt.scribd.com/doc/262114578/Partial-Rapture-and-Dispensational-
Punishment-Nathan-Caze>.

CAZÉ, Nathan. Dispensacionalismo à Luz da Bíblia: Israel e a Igreja. Disponível em:


<https://pt.scribd.com/doc/294375275/Dispensacionalismo-a-Luz-Da-Biblia-Israel-e-a-Igreja-v-1-3-2>.

CAZÉ, Nathan. Os dízimos em Israel e Ofertas no Novo Testamento. Disponível em:


<https://monoergon.files.wordpress.com/2012/12/os-dizimos-em-israel-e-ofertas-no-novo-testamento-v5-5.pdf>.

CAZÉ, Nathan. Reavaliando o endurecimento do coração de Faraó. Disponível em:


<https://pt.scribd.com/doc/195676009/Reavaliando-o-endurecimento-do-coracao-de-Farao>.

CAZÉ, Nathan. Uma resposta à predestinação segundo o Lourenço Gonzalez. Disponível em:
<https://pt.scribd.com/doc/117067133/Uma-resposta-a-predestinacao-segundo-o-Lourenco-Gonzalez>. [Refuto a
interpretação arminiana da predestinação como defendida pelo Lourenço].

Traduções
KOK, Daniel. Os salmodistas exclusivos cantam os salmos?. 2018. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/04/os-salmodistas-exclusivos-cantam-os-salmos_-rev-daniel-kok.pdf>.
Tradução: Nathan Cazé.

BARTH, Paul J. Salmos, Hinos, e Cânticos Espirituais. 2018. Disponível em:


<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/03/salmos-hinos-e-cc3a2nticos-espirituais-purelypresbyterian.pdf>.
Tradução: Nathan Cazé.

BARTH, Paul J. Uma defesa concisa para a Salmodia Exclusiva. 2018. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/03/uma-defesa-concisa-para-a-salmodia-exclusiva-purelypresbyterian-
com2.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

CLARK, R. Scott. Furto, Cobiça e Propriedade Privada. 2018. Disponível em:


<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/02/furto-cobic3a7a-e-propriedade-privada-r-scott-clark1.pdf >. Tradução:
Nathan Cazé.

CLARK, R. Scott. A oferta é um elemento, uma circunstância, ou nenhum desses?. 2018. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/02/a-oferta-c3a9-um-elemento-uma-circunstc3a2ncia-ou-nenhum-desses_-
r-scott-clark-traduc3a7c3a3o-nathan-cazc3a9.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

NORTH, Gary. Sociedade ou Estado. 2018. Disponível em: <https://monoergon.files.wordpress.com/2018/01/sociedade-


ou-estado-in_by-this-standard-gary-north1.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

DEMAR, Gary. O MEME E A MENTIRA DE QUE “JESUS ERA UM SOCIALISTA”. 2018. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2018/01/o-meme-e-a-mentira-de-que-e2809cjesus-era-um-socialistae2809d-
gary-demar.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

DEMAR, Gary. EXISTEM MARXISTAS NA TUA IGREJA PRONTOS PARA ROUBAREM DO TEU BOLSO EM NOME DE
JESUS. 2018. Disponível em: <https://monoergon.files.wordpress.com/2018/01/existem-marxistas-na-tua-igreja-prontos-
para-roubarem-do-teu-bolso-em-nome-de-jesus-gary-demar.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

SMITH, Trey. O Estado é um mal inerente. 2018. Disponível em: <https://monoergon.files.wordpress.com/2018/01/o-


estado-c3a9-um-mal-inerente-trey-smith.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

RUSHDOONY, R. J. Planejamento. 2017. Disponível em: <https://monoergon.files.wordpress.com/2017/12/planejamento-


r-j-rushdoony-traduc3a7c3a3o-nathan-cazc3a9.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.

Página 74 de 76
RUSHDOONY, Mark. R. O Porquê de Confrontarmos o Estatismo. 2017. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2017/12/o-porquc3aa-de-confrontarmos-o-estatismo-traduc3a7c3a3o-nathan-
cazc3a9.pdf>. Tradução: Nathan Cazé.
MAURO, Philip. O Evangelho do Reino. 2ª ed. 2017. 120 p. Tradução: Nathan Cazé. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2016/10/o-evangelho-do-reino-philip-mauro-2ed-traduc3a7c3a3o-nathan-
cazc3a92.pdf>.

PECK, Thomas E. A Obrigação Moral do Dízimo. 2017. Tradução: Nathan Cazé. Disponível em:
<https://monoergon.files.wordpress.com/2017/08/a-obrigac3a7c3a3o-moral-do-dc3adzimo-thomas-e-peck2.pdf>.

LINDSLEY, Art. Atos 2-5 ensina o socialismo?. 2017. Disponível em:


<https://monoergon.files.wordpress.com/2017/09/atos_2-5_ensina_o_socialismo_-art_lindsley1.pdf>. Tradução: Nathan
Cazé.

2 Coríntios 5:14-15 Tradução do Comentário Baker. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/156413424/2-Corintios-5-


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GUNN, Grover. Dispensacionalismo: Uma Crítica Abreviada - Grover Gunn. Disponível em:
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SLICK, Matt. Existem Absolutos ou tudo é relativo? - Matt Slick. Disponível em:
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Livre Arbítrio vs. Livre Agência. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/221911469/Livre-Arbitrio-vs-Livre-Agencia>.


Tradução: Nathan Cazé.

HENDRYX, John. Falácias lógicas bíblicas dos Sinergistas. Disponível em:


<https://pt.scribd.com/doc/156295484/Falacias-logicas-biblicas-dos-Sinergistas>. Tradução: Nathan Cazé.

SLICK, Matt. O que é Relativismo? - Matt Slick. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/122241128/O-que-e-


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SLICK Matt. Refutando o Relativismo - Matt Slick. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/121726190/Refutando-o-


Relativismo-Matt-Slick>. Tradução: Nathan Cazé.

RYLE, J.C. Religião Evangélica extraído de Knots United - J.C. Ryle. Disponível em:
<https://pt.scribd.com/doc/121723085/Religiao-Evangelica-extraido-de-Knots-United-J-C-Ryle>. Trad. Nathan Cazé.

RYLE, J.C. Você está lutando? J.C. Ryle. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/137256511/Voce-esta-lutando-J-C-
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<http://www.napec.org/apologetica/e-jesus-simplesmente-um-reconto-da-mitologia-de-osiris/>. Tradução: Nathan Cazé.

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WALLACE, J. Warner. É o relato da primeira visão de Joseph Smith confiável?. Disponível em:
<http://www.napec.org/heresiologia/e-o-relato-da-primeira-visao-de-joseph-smith-confiavel/>. Tradução: Nathan Cazé.

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WALLACE, J. Warner. Heresia e Ortodoxia. Disponível em: <http://www.napec.org/apologetica/heresia-e-ortodoxia/>.
Tradução: Nathan Cazé.

KOUKL, Greg. Como alcançar alguém que não é do tipo de Deus. Disponível em:
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Tradução: Nathan Cazé.

KOUKL, Greg. Há uma Verdade Absoluta?. Disponível em: <http://www.napec.org/apologetica/ha-uma-verdade-


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WALLACE, J. Warner. Como eram as pessoas salvas antes de Cristo?. Disponível em:
<http://www.napec.org/apologetica/como-eram-as-pessoas-salvas-antes-de-cristo/>. Tradução: Nathan Cazé.

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