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Teste de Associação de Palavras

Introdução
O Teste de Associação de Palavras foi um instrumento utilizado por Jung no
início do século, especialmente quando ele se encontrava no Hospital
Mental Burgholzli (Clínica Psiquiátrica da Universidade de Zurique). O
método é constituído por cem palavras que segundo ele “... foram
escolhidas e ordenadas de tal forma a atingirem todos os complexos que
ocorrem na prática”1.
Através deste estudo, em 1902 e 1903, Jung desenvolve o conceito de
complexos de tonalidade afetiva, conceito que foi revisto ao longo de sua
carreira. Naquele momento, tal conceito era entendido como sendo um
conjunto de sentimentos estranhos ou dolorosos, desconhecidos do
indivíduo e gerados por motivos pessoais, portanto, entendidos como
patológicos. Estas idéias começaram a mudar quando Jung percebeu que o
ego é mais um dos complexos existentes, sendo aquele que aglomera as
idéias a respeito da identidade do indivíduo, comportando-se como centro
da consciência. Jung passou a ver os complexos como necessários e
constituintes da psique de qualquer indivíduo, tendo o poder de
impulsionador a vida psicológica.

Estudo de Associação de Palavras


Inicialmente, o experimentador solicita à pessoa que, a partir da palavra-
estímulo, que é falada, a pessoa diga a primeira palavra que lhe vier à
cabeça (faça uma associação) no menor tempo possível.
Neste momento é medido o tempo de reação da pessoa, ou seja, quanto
tempo ela demorou a iniciar a verbalização da palavra. Feito isso com as
cem palavras passa-se à segunda fase do experimento, na qual é pedido
que a pessoa repita corretamente a palavra dita como resposta. Nessas
duas etapas inicia-se a observação dos indicadores de complexos –
repetição da palavra-estímulo, reprodução incorreta, tempo de reação alto,
má compreensão da palavra-estímulo, gagueira – que mostram a presença
de um complexo associado a essa palavra.
Na última fase é feita uma discussão na qual se pede para a pessoa fazer
mais associações (amplificar) com eventos da vida ou outras palavras que
aparecem ligadas a um complexo.
O método de associação de palavras mais do que uma evocação de pares
de palavras isoladas diz respeito a uma situação atual da psique da
pessoa em questão, na qual a palavra-estímulo traz à tona uma situação a
ela vinculada. Provavelmente a atitude dirigida à determinada palavra-
estímulo é idêntica àquela atitude que a pessoa tem na vida real. Segundo
Jung: “Certas palavras-estímulos designam ações, situações ou coisas em
que a pessoa experimental não conseguiria pensar e agir com segurança e
1
Carl Gustav JUNG, Estudos Experimentais, p. 454.
2

presteza nem na vida real; o mesmo acontece no experimento de


associações” 2.
Aplicação do Teste de Associação de Palavras
A aplicação é feita com o examinador e o sujeito sentados frente a frente
em uma mesa. Como instrumentos têm-se: a lista de palavras-estímulo ou
palavras indutoras, caneta ou lápis e cronômetro.
Instrução: o sujeito é instruído pelo examinador da seguinte forma: “Eu
direi a você as cem palavras desta lista, separadamente, uma após a
outra e a sua tarefa é associar a cada palavra, tão logo quanto possa, a
primeira palavra que lhe vier à cabeça. Você deverá responder, sempre
que possível com uma única palavra e eu medirei o tempo que você levará
até dar a sua resposta”. O examinador deverá ter certeza que a instrução
foi bem compreendida.
Experimento: o examinador lê as palavras indutoras de uma forma clara,
uma após a outra numa voz audível, mas não excessivamente alta. Ao
pronunciar a primeira vogal tônica da palavra indutora ele dispara o
cronômetro e o interrompe no momento em que o sujeito pronunciar a
primeira sílaba de sua resposta. Anota após a palavra indutora o tempo
transcorrido. Esse tempo é medido em quintos de segundo. Após o tempo
de reação anota a resposta, o texto completo da resposta do sujeito. Após
ter completado a lista de cem palavras o experimentador dá uma nova
instrução. Ele repete o experimento visando descobrir se o sujeito se
lembra das respostas anteriormente dadas. Neste momento é importante
deixar claro que não há mensuração do tempo, para que o sujeito possa
ter o tempo que quiser para se lembrar das respostas originais. Essa parte
é conhecida como “reprodução do experimento”. O examinador registra a
reprodução correta das palavras com um sinal +, ou um sinal - no caso de
falha na lembrança. Onde houver uma reprodução errada, registra essa
nova resposta errada na coluna apropriada.
Discussão: a discussão inicia-se com o examinador perguntando ao sujeito
se durante o experimento ele teve consciência de qualquer tipo de
perturbação ou dificuldade em proferir a resposta desejada; e também se
ele sabe em quais lugares do experimento (quais palavras indutoras) ele
teve alguma inibição em responder rápida e espontaneamente quando a
resposta lhe apareceu na cabeça.
Avaliação dos Resultados: o critério mais importante para a avaliação é o
tempo de reação. É utilizada a “média provável” introduzida por Kraepelin,
obtida da seguinte forma: registrados os tempos de reação das palavras
indutoras de 1 até 50, em ordem crescente. A média será encontrada
entre o 25o e o 26o tempo de reação. Repete-se esse processo com os
tempos de reação da 51a ao 100a. Assim se obtém a média provável para
a segunda parte do experimento.

2
Ibid., p. 457.
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Considera-se qualquer aumento no tempo de reação por 2/5 de segundo


ou mais como um sintoma de uma dificuldade, que deve ter perturbado o
curso normal do processo que liga estímulo e resposta.

Indicadores de Complexos
Tempo de reação prolongado: todo o tempo que seja igual a dois ou mais
quintos de segundo acima da média provável na série.
Reprodução incorreta ou escassa.
Perseveração – inclui todas as repercussões da emoção produzidas pela
palavra indutora e que continuam a se manifestar na resposta seguinte,
quer seja por produzirem um prolongado tempo de reação, quer seja pelo
fato da própria resposta estar relacionada à palavra indutora precedente.
Falha – o sujeito é incapaz de produzir qualquer reação verbal à palavra
indutora, indicando um tipo de “micro-efeito de estupor emocional”.
Registra-se “falha” quando esperamos 200/5 de segundo sem obter
qualquer resposta verbal.
Repetição da palavra indutora - freqüentemente o sujeito repete a palavra
indutora para si próprio antes de ser capaz de formular a resposta. É uma
forma do sujeito ganhar tempo quando uma resposta espontânea foi
inibida.
Escutar mal ou não compreender a palavra indutora - uma forma de
distúrbio, que pode ser interpretado como uma “ação falha” (um tipo de
ato falho).
Reações mímicas ou pantomímicas acompanhando a resposta -
interjeições, exclamações, gagueira, dentre outras, pode ser entendido em
termos de uma ação somática. Representam um tipo de alarme que o
sujeito dá.
Lapsos de Linguagem.
Respostas sem sentido - na grande maioria dos casos existe uma
correlação entre o significado da palavra indutora e a resposta. Onde essa
relação falta, podemos supor que estamos lidando com uma reação
defensiva, que existe alguma razão que impede o sujeito de assimilar o
significado da palavra indutora.
Respostas sonoras - o sujeito não tenta considerar o significado da palavra
indutora, mas simplesmente pega seu conteúdo fonético e replica
imediatamente com uma resposta fonética similar. Resposta que rimam
com a palavra indutora ou a completam podem ser enquadradas aqui.
Respostas “Mediatas” - a reação imediata é substituída pela “mediata”
(emendas).
Resposta com a forma de várias palavras ou de uma sentença completa -
tais reações mostram claramente que o sujeito foi incapaz de cumprir com
as instruções dadas no início. Tal loquacidade desnecessária seria
interpretada como um sinal de certa dissimulação em consideração à
resposta.
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Resposta dada em língua estrangeira - supõe-se que trocar uma palavra


por uma equivalente em outra língua (tradução) não representa uma
resposta imediata.
Estereótipos - são respostas que se repetem em diferentes lugares no
curso do experimento. Freqüentemente significa que o sujeito reage com
uma palavra que permanece pronta, à mão, com intuito de cobrir uma
reação imediata.
Deflexão que excede a média provável no experimento psico-galvânico.
Contração na amplitude respiratória do tórax - registrado quando um
pneumatógrafo é empregado.

Teste de Associação de Palavras

Número Palavra Tempo de Resposta Reprodução Indicadores


Indutora Reação Correta Complexos
1 Cabeça
2 Verde
3 Água
4 Cantar
5 Morte

6 Homem
7 Navio
8 Contar
9 Janela
10 Virgem
11 Mesa
12 Perguntar
13 Vila
14 Frio
15 Animal
16 Dançar
17 Mar
5

18 Doente
19 Orgulho
20 Igreja
21 Tinta
22 Ruim

23 Agulha
24 Nadar
25 Viagem

26 Azul
27 Samba
28 Errar
29 Pão
30 Rico
31 Árvore
32 Caminhar
33 Pena
34 Amarelo
35 Montanha
36 Surpresa
37 Sal
38 Novo
39 Moral
40 Falar
41 Dinheiro
42 Morrer
43 Pão
44 Despreza
r
45 Dedo
46 Caro
6

47 Gato
48 Cair
49 Livro
50 Comunhã
o
51 Sapo
52 Separar
53 Fome
54 Livro
55 Criança
56 Cuidar
57 Lápis
58 Triste
59 Herói
60 Casar
61 Casa
62 Querido
63 Vidro
64 Brigar
65 Pele
66 Grande
67 Relação
68 Pintar
69 Parte
70 Velho
71 Flor
72 Bater
73 Alma
74 Praia
75 Família
76 Lavar
7

77 Vaca
78 Guia
79 Sorte
80 Mentir
81 Sofrer
82 Estreito
83 Irmão
84 Temer
85 Mulher
86 Falso
87 Angústia
88 Beijar
89 Sete
90 Puro
91 Porta
92 Votar
93 Noiva
94 Contente
95 Cruz
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100 Promessa