Você está na página 1de 7

Insuficiência Renal Crônica

A insuficiência renal crônica é uma diminuição lenta e progressiva da função renal que
acarreta o acúmulo de produtos da degradação metabóli-ca no sangue (azotemia).

A lesão aos rins, causada por muitas doenças,


pode levar a danos irreversíveis.

Causas de Insuficiência Renal Crônica

•Hipertensão arterial
•Obstrução do trato urinário
•Glomerulonefrite
•Alterações renais (p.ex., rim policístico)
•Diabetes mellitus
•Distúrbios auto-imunes (p.ex., lúpus eritematoso sistêmico)

A lesão renal, causada por muitas doenças, pode acarretar danos irreversíveis.

Sintomas

Na insuficiência renal crônica, os sintomas manifestam-se lentamente. Inicialmente, o indi-


víduo é assintomático. A função renal anormal pode ser detectada apenas através de exames
laboratoriais. O indivíduo com uma insuficiên-cia renal leve a moderada pode apresentar
ape-nas sintomas leves, apesar do aumento de uréia, um produto da degradação metabólica,
no san-gue. Neste estágio, o indivíduo pode apresentar uma urgência miccional noturna,
necessitando urinar várias vezes durante a noite (noctúria), pois os rins não conseguem
absorver água da urina para concentrá-la do modo que eles nor-malmente fazem durante à
noite. Conseqüente-mente, os volumes urinários são maiores. Fre-qüentemente, o indivíduo
com insuficiência renal apresenta hipertensão arterial, pois os rins não conseguem eliminar o
excesso de sal e água. A hipertensão arterial pode acarretar um aciden-te vascular cerebral
(derrame cerebral) ou uma insuficiência cardíaca.

À medida que a insuficiência renal progride e ocorre um acúmulo de substâncias tóxicas no


sangue, o indivíduo pode apresentar fadiga, cansaço fácil e comprometimento do estado
mental. À medida que aumenta o acúmulo de substâncias tóxicas, ele pode apresentar
sintomas nervosos e musculares como, por exemplo, espasmos muculares, fraqueza
muscular e câimbras. Além disso, o indivíduo também pode apresentar uma sensação de
formigamento nas extremidades e perder a sensibilidade em certas áreas. Quando a
hipertensão arterial ou as alterações químicas do sangue causam disfunção cerebral, o
indivíduo pode apresentar crises convulsivas. O acúmulo de substâncias tóxicas também
afeta o trato digestivo, causando perda do apetite, náusea, vômito, inflamação do
revestimento da boca (estomatite) e um sabor desagradável na boca. Estes sintomas podem
acarretar desnutrição e perda de peso. Os indivíduos com insuficiência renal avançada
comumente apresentam úlceras e sangramento intestinais. A pele pode apresentar uma
coloração amarelo-acastanhada e, ocasionalmente, a concentração de uréia encontra-se tão
elevada a ponto de ocorrer a cris-talização dessa substância do suor, formando um pó branco
sobre a pele (geada de uréia, uridrose cristalina). Alguns indivíduos com insuficiência renal
crônica apresentam um prurido generalizado muito desconfortável.

Diagnóstico

A insuficiência renal crônica é diagnosticada através de exames de sangue. Tipicamente, o


sangue torna-se moderadamente ácido (acidose). Dois produtos da degradação metabólica,
a uréia e a creatinina, as quais são normalmente filtradas pelos rins, acumulam-se no
sangue. A concentração de cálcio diminui e a de fosfato aumenta. A concentração de
potássio no sangue permanece normal ou aumenta discretamente. Contudo, ela pode tornar-
se perigosamente elevada. O volume urinário tende a permanecer igual (geralmente, 1 a 4
litros por dia), independentemente da quantidade de líquido ingerida. Normalmente, o
indivíduo apresenta uma anemia moderada. A urinálise (análise da urina) pode detectar
muitas alterações, incluindo células e concentrações de sais anormais.

Como a Insuficiência Renal Crônica Afeta o Sangue

• Aumento das concentrações de uréia e de creatinina


• Anemia
• Aumento da acidez do sangue (acidose)
• Diminuição da concentração de cálcio
• Aumento da concentração de fosfato
• Aumento da concentração de paratôrmonio
• Diminuição da concentração de vitamina D
• Concentração de potássio normal ou discretamente aumentada

Prognóstico e Tratamento

A insuficiência renal crônica geralmente piora independentemente do tratamento e, quando


não tratada, é fatal. A diálise ou o transplante renal podem salvar a vida do indivíduo.
As condições que causam insuficiência renal devem ser corrigidas o mais rapidamente
possível. Essas ações incluem a a correção dos desequilíbrios de sódio, de água e ácido-
básicos, a remoção de substâncias tóxicas dos rins, o tratamento da insuficiência cardíaca,
da hiperten-são arterial, das infecções da concentração sangüínea elevada de potássio
(hipercalemia) ou de cálcio (hipercalcemia) e de qualquer obstrução do fluxo urinário.

Uma especial atenção à dieta ajuda no controle da acidose e das concentrações elevadas de
potássio e de fosfato no sangue. Uma dieta pobre em proteínas (0,4 a 0,8 g por quilo de
peso corpóreo ideal) pode retardar a velocidade da progressão da insuficiência renal crônica
à insuficiência renal terminal, para a qual é necessária a instituição da diálise ou a realização
de um transplante renal. Comparados com os não diabéticos os indivíduos diabéticos
normalmente necessitam de um desses tratamentos mais precocemente. Quando a dieta é
rigorosamente limitada ou quando a diálise é iniciada, é recomendável a administração de
uma suplementação vitamínica contendo vitaminas do grupo B e vitamina C.

Comum nos indivíduos com insuficiência renal crônica, a concentração elevada de


triglicerídeos no sangue aumenta o risco de complicações (p.ex., acidentes vasculares
cerebrais e infarto do miocárdio). Medicamentos, como o genfibrozil, podem ser utilizados
com o objetivo de reduzir a concentração de triglicerídeos, embora ainda não tenham sido
publicadas pesquisas demonstrando que essas drogas reduzem as complicações
cardiovasculares.
Durante a insuficiência renal, as alterações da sede normalmente determinam o consumo de
água. Ocasionalmente, para evitar que a concentração de sódio no sangue torne-se muito
baixa, o consumo de água deve ser limitado. A ingestão de sal (sódio) normalmente não é
limitada, exceto quando existe edema (acúmulo de líquido nos tecidos) ou hipertensão
arterial. Os alimentos muito ricos em potássio (p.ex., substitutos do sal) devem ser evitados
e os alimentos ricos em potássio não devem ser consumidos em excesso. Uma concentração
elevada de potássio (hipercalemia) no sangue é perigosa, pois ela aumenta o risco de
arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) de parada cardíaca. Quando a concentração
de potássio torna-se excessivamente elevada, drogas como o sulfonato de polistireno sódico
podem ligar-se ao potássio, fazendo com que ele seja excretado nas fezes. No entanto, a
diálise de emergência pode ser necessária.

A formação dos ossos pode ser comprometida quando determinadas condições persistem
durante um longo período. Essas condições incluem a baixa concentração de calcitriol (um
derivado da vitamina D), o consumo escasso e a má absorção de cálcio e as concentrações
elevadas de fosfato e do hormônio da paratireóide (paratormônio) no sangue. A
concentração de fosfato no sangue é controlada através da restrição do consumo de
alimentos ricos em fósforo (p.ex., produtos laticínios, fígado, legumes, nozes e a maioria dos
refrigerantes). Os medicamentos orais que ligam o fosfato como, por exemplo, o carbonato
de cálcio, o acetato de cálcio e o hidróxido de alumínio (um antiácido comum), também
podem ser úteis.

A anemia é causada pela incapacidade dos rins de produzir quantidades suficientes de eritro-
poietina (um hormônio que estimula a produção de eritrócitos). A anemia responde
lentamente à epoetina, uma droga injetável. As transfusões de sangue somente são
realizadas quando a anemia é intensa ou sintomática. O médico também investiga outras
causas de anemia, particularmente as deficiências dietéticas de nutrientes como, por
exemplo, de ferro, de ácido fólico (folato) e de vitamina B12, ou o excesso de alumínio no
organismo.

A tendência ao sangramento na insuficiência renal crônica pode ser temporariamente supri-


mida por transfusões de eritrócitos (hemácias, glóbulos vermelhos) ou de plaquetas ou por
medicamentos (p.ex., desmopressina ou estrógenos). Este tratamento pode ser necessário
após uma lesão ou antes de um procedimento cirúrgico ou de uma extração dentária.
Os sintomas da insuficiência cardíaca, a qual é mais comumente devida à retenção excessiva
de sódio e de água, melhoram com a redução da ingestão de sódo com os alimentos. Os
diuréticos (p.ex., furosemida, bumetanida e torsemida) também podem ser eficazes, mesmo
quando a função renal é ruim. Elevações moderadas ou graves da pressão arterial são
tratadas com medicamentos anti-hipertensivos usuais para prevenir o comprometimento das
funções cardíaca e renal.

Quando os tratamentos iniciais da insuficiência renal deixam de ser eficazes, o médico deve
aventar a instituição da diálise prolongada ou o transplante renal.

Diálise

A diálise é o processo de remoção de produtos da degradação metabólica e do excesso de


água do organismo.

Existem dois métodos de diálise: a hemodiálise e a diálise peritoneal. Na hemodiálise, o


sangue é removido do corpo e bombeado até um aparelho que retira as substâncias tóxicas
do organismo e, em seguida, retorna o sangue purificado ao indivíduo. A quantidade total de
líquido retornado pode ser ajustada.

Na diálise peritoneal, é realizada a infusão no interior da cavidade abdominal de um líquido


contendo uma mistura especial de glicose e sais que retira as substâncias tóxicas dos
tecidos. Em seguida, o líquido é retirado da cavidade abdominal e descartado. Para a
remoção de uma maior ou uma menor quantidade de líquido do organismo, a quantidade de
glicose pode ser ajustada.

Razões para a Diálise

Os médicos decidem iniciar a diálise quando a insuficiência renal causa encefalopatia urêmica
(disfunção cerebral), pericardite (inflamação do pericárdio, o saco que envolve o coração),
acidose (acidez elevada do sangue) não responsiva a outros tratamentos, insuficiência
cardía-ca ou uma concentração muito elevada de potássio no sangue (hipercalemia). Em
geral, os sintomas da disfunção cerebral causada pela insuficiência renal são revertidos pela
diálise em alguns dias, ou, raramente, em até 2 semanas.

Muitos médicos utilizam a diálise preventivamente na insuficiência renal aguda quando o


débito urinário é baixo e continuam os tratamentos até os exames de sangue indicarem a
restauração da função renal. Para a insuficiência renal crônica, a diálise pode ser iniciada
quando os exames indicarem que os rins não estão removendo adequadamente os produtos
da degradação metabólica ou quando o indivíduo não consegue mais realizar as atividades
quotidianas.

A freqüência da diálise varia de acordo com o nível da função renal remanescente. No


entanto, a maioria dos indivíduos necessita de 2 a 3 sessões de diálise por semana. Um
programa de diálise eficaz permite ao indivíduo levar uma vida razoavelmente normal, a
manter uma dieta razoável, uma contagem de eritrócitos aceitável, uma pressão arterial
normal e não desenvolver qualquer lesão nervosa. A diálise pode ser utilizada como
tratamento de longo prazo para a insuficiência renal crônica ou como uma medida paliativa
antes de um transplante renal. Para a insuficiência renal aguda, a diálise pode ser necessária
por apenas alguns dias ou semanas, até a função renal ser restaurada.
A diálise também pode ser utilizada para remover certas drogas ou venenos do corpo. Fre-
qüentemente, os indivíduos sobrevivem a envenenamentos quando é instituída
imediatamente a assistência ventilatória e cardíaca enquanto o veneno está sendo removido.

Problemas

Os indivíduos submetidos à diálise necessitam de dietas e medicamentos especiais. Devido à


inapetência e à perda de proteínas durante a diálise peritoneal, eles geralmente necessitam
de uma dieta relativamente rica em proteínas (aproximadamente 0,1 g de proteínas por
quilo de peso corpóreo ideal por dia). Para os indivíduos submetidos à hemodiálise, o
consumo de sódio e de potássio deve ser limitado a 2 g de cada por dia. O consumo de
alimentos ricos em fósforo também deverá ser limitado. A ingestão diária de líquidos será
limitada apenas para aqueles que apresentam uma concentração sérica de sódio
persistentemente baixa ou que vem diminuindo progressivamente. É importante controlar o
peso do indivíduo diariamente e um ganho de peso excessivo entre as sessões de
hemodiálise sugere um consumo excessivo de líquidos. Para os indivíduos submetidos à
diálise peritoneal, as restrições de potássio (4 gramas diários) e de sódio (3 a 4 gramas
diários) são menos rigorosas.
Para repor os nutrientes perdidos durante a diálise, o indivíduo deve tomar suplementos
polivitamínicos e de ferro. No entanto, os indivíduos submetidos à diálise e que recebem
mui-tas transfusões sangüíneas freqüentemente apresentam um excesso de ferro, pois o
sangue contém uma grande quantidade desse mineral. Conseqüentemente, eles não devem
tomar su-plementos de ferro. Podem ser administrados hormônios (p.ex., testosterona ou
eritropoietina) para estimular a produção de eritrócitos. As substâncias que ligam o fosfato
(p.ex., carbonato de cálcio ou acetato de cálcio) são administradas para remover o excesso
de fosfato.
A concentração baixa de cálcio no sangue ou a doença óssea causada pelo
hiperparatireoidismo grave podem ser tratadas com o calcitriol (uma forma de vitamina D) e
a suplementação de cálcio.
A hipertensão arterial é comum entre os indivíduos com insuficiência renal. Este problema
pode ser controlado em aproximadamente 50% dos indivíduos com a simples remoção de
uma quantidade suficiente de líquido durante a diálise. Os outros 50% podem necessitar de
me-dicamentos antihipertensivos.
Para os indivíduos submetidos à diálise crônica, os tratamentos regulares os mantêm vivos.
Contudo, a diálise freqüentemente causa estresse, pois os tratamentos são contínuos e
realizados várias vezes por semana, durando várias horas.
Os indivíduos submetidos à diálise podem sofrer perdas em todos os aspectos de suas vidas.
A possibilidade da perda da independência pode ser particularmente angustiante. Esses
indivíduos dependem da equipe de tratamento. Os indivíduos submetidos à hemodiálise
organizar o transporte regular aos centros de diálise, pois devem ter um acesso ininterrupto
a esse tipo de tratamento. As sessões de diálise, freqüentemente programadas de acordo
com a conveniência de terceiros, influencia o esquema de trabalho, de estudo ou de
atividades de lazer do indivíduo. A manutenção de um emprego regular pode ser impossível.
Os indivíduos em diálise podem necessitar de auxílio da comunidade para enfrentar o alto
custo dos tratamentos, dos medicamentos, das dietas especiais e do transporte. Os adultos
idosos submetidos à diálise podem tornar-se mais dependentes de seus filhos ou podem ser
incapazes de viver sozinhos. Freqüentemente, os papéis e responsabilidades familiares
estabelecidos devem ser modificados para se adequarem à rotina da diálise, o que causa
estresse e sentimentos de culpa e de inadequação.
Os indivíduos submetidos à diálise também enfrentam perdas e alterações estressantes da
imagem e das funções orgânicas. As crianças cujo crescimento foi comprometido podem
sentir-se isoladas e diferentes de seus companheiros. As questões relacionadas à identidade,
à independência e à imagem corpórea enfrentadas pelos adultos jovens e pelos adolescentes
podem tornar-se mais complicadas devido à diálise.

Como conseqüência dessas perdas, muitas pessoas submetidas à diálise tornam-se


deprimidas e ansiosas. Não obstante, a maioria dos indivíduos consegue adaptar-se à diálise.
Como os indivíduos submetidos à diálise (e a equipe de tratamento) enfrentam essas
questões afeta não apenas o seu ajuste social, mas também a sua sobrevida a longo prazo.
Geralmente, os problemas psicológicos e sociais diminuem quando os programas de diálise
estimulam o indivíduo a ser independente e a retomar seus interesses anteriores.
Freqüentemente, o aconselhamento psicológico e social para a depressão, para os distúrbios
comportamentais e os assuntos envolvendo perdas ou ajustes ajuda tanto as famílias quanto
as pessoas que estão sendo submetidas à diálise. Esses serviços são fornecidos por
assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras. Muitos centros de diálise oferecem auxílio
psicológico e social.

HEMODIÁLISE

A hemodiálise, um procedimento no qual o sangue é removido do corpo e circulado através


de um aparelho externo (denominado dialisador), exige o acesso repetido à corrente
sangüínea. Uma fístula arteriovenosa (conexão artificial entre uma artéria e uma veia) é
criada cirurgicamente para facilitar o acesso.

Na hemodiálise, o sangue do paciente flui através de um tubo conectado à fístula


arteriovenosa (AV) e é bombeado até o dialisador. A heparina (uma droga que impede a
coagulação) é utilizada durante a diálise para evitar a coagulação do sangue no interior do
dialisador. No interior do dialisador, uma membrana artificial porosa separa o sangue de um
líquido (dialisado), o qual possui uma composição química similar dos líquidos corpóreos
normais. A pressão no compartimento da membrana onde se encontra o dialisado é mais
baixa que a do compartimento onde se encontra o sangue, permitindo a filtração do líquido,
de produtos da degradação metabólica e de substâncias tóxicas presentes no sangue através
da membrana para o interior do dialisado. No entanto, as células sangüíneas e as proteínas
maiores são muito grandes para serem filtradas através dos pequenos poros da membrana.
O sangue dialisado (purificado) é em seguida retornado ao corpo do indivíduo.

Os dialisadores possuem tamanhos e graus de eficácia diferentes. As unidades mais


modernas são muito eficazes, permitindo que o sangue flua com mais rapidez e abreviando o
tempo da diálise. Por exemplo, as unidades modernas exigem 2 a 3 horas diárias de diálise,
3 vezes por semana, em comparação com uma mais antiga que exige 3 a 5 horas diárias, 3
vezes por semana. Para permanecerem saudáveis, a maioria dos indivíduos com insuficiência
renal crônica necessita de hemodiálise 3 vezes por semana.

Possíveis Complicações da Hemodiálise


Complicação Causa

Bactérias ou substâncias causadoras de febre (pirógenos) na corrente


Febre
sangüínea Dialisado superaquecido

Reação alérgica com risco de vida


Alergia a alguma substância no aparelho
(anafilaxia)

Baixa pressão arterial Remoção de líquido em excesso

Ritmos cardíacos anormais Níveis sangüíneos anormais de potássio e outras substâncias

Êmbolo de ar Ar que entra no sangue, na máquina

Sangramento no intestino, cérebro,


Uso de heparina para evitar coagulação no aparelho
olhos ou abdome

DIÁLISE PERITONEAL

Na diálise peritoneal, o peritôneo (membrana que reveste o abdômen e os órgãos


abdominais) funciona como um filtro permeável. Esta membrana possui uma grande área
superficial e uma rica rede de vasos sangüíneos. As substâncias presentes no sangue podem
ser facilmente filtradas através do peritôneo para o interior da cavidade abdominal quando as
condições forem adequadas. É realizada a infusão do líquido através de um cateter inserido
através da parede abdominal até o espaço peritoneal no interior do abdômen. Para permitir a
passagem dos produtos da degradação metabólica presentes no sangue para o interior do
líquido, este deve permanecer um tempo suficiente no interior do abdômen. Em seguida, o
líquido é drenado, descartado e substituído por um líquido novo.
Normalmente, é utilizado um cateter de borracha de silicone macia ou de poliuretano poroso,
pois esses materiais permitem o fluxo suave do líquido e é improvável que causem lesões. O
cateter temporário pode ser passado à beira do leito e o cateter permanente deve ser
passado em uma sala cirúrgica. Um tipo de cateter permanente forma uma vedação com a
pele e pode ser tampado quando não estiver sendo utilizado.

São utilizadas várias técnicas de diálise peritoneal. Na técnica mais simples, a diálise
peritoneal manual intermitente, as bolsas que contêm o líquido são aquecidas até a
temperatura corpórea. A seguir, o líquido é infundido no interior da cavidade peritoneal
durante 10 minutos, sendo mantido na cavidade durante 60 a 90 minutos e, a seguir, ele é
drenado durante um período de10 a 20 minutos. O tratamento completo pode levar doze
horas. Esta técnica é utilizada sobretudo no tratamento da insuficiência renal aguda.

A diálise peritoneal intermitente com ciclagem automatizada pode ser realizada em


casa pelo próprio indivíduo, eliminando a necessidade de atenção constante de pessoal
especializado. Um aparelho com relógio automático bombeia automaticamente o líquido e o
drena da cavidade peritoneal. Normalmente, os indivíduos ajustam o dispositivo de ciclagem
no momento de dormir para que a diálise seja realizada durante o sono. Esses tratamentos
devem ser realizados 6 a 7 noites por semana.

Na diálise peritoneal contínua ambulatorial, o líquido é mantido no interior da cavidade


abdominal durante intervalos extremamente longos. Comumente, o líquido é drenado e
reposto 4 a 5 vezes ao dia. Os líquidos são acondicionados em bolsas flexíveis de cloreto de
polivinila, as quais podem ser dobradas quando vazias, colocadas entre as vestimentas e
utilizadas em drenagens subseqüentes, sem que haja necessidade de desconexão do cateter.
Normalmente, o indivíduo realiza 3 trocas de líquidos durante o dia, em intervalos de 4 horas
ou mais. Cada troca leva 30 a 45 minutos. Uma troca mais demorada (8 a 12 horas) é
realizada à noite, durante o sono.

Uma outra técnica, a diálise peritoneal contínua auxiliada por um dispositivo de


ciclagem, utiliza um dispositivo de ciclagem automática para realizar trocas curtas à noite,
durante o sono, enquanto que as trocas mais longas são realizadas durante o dia, sem o
dispositivo de ciclagem. Esta técnica minimiza o número de trocas durante o dia, mas ela
impede a mobilidade durante a noite por causa do grande porte do equipamento.

Comparação Entre Hemodiálise e Diálise Peritoneal

Quando os rins falham, os produtos da Através da membrana, o líquido, os


degradação metabólica e o excesso de água produtos da degradação metabólica e as
podem ser removidos do sangue através da substâncias tóxicas presentes no sangue
hemodiálise ou da diálise peritoneal. Na são filtrados para o dialisador. O sangue
hemodiálise, o sangue é removido do corpo purificado retorna ao corpo da pessoa.
e circulado através de um aparelho Na diálise peritoneal, um cateter é inserido
denominado dialisador, o qual realiza a sua através de pequena incisão na parede
filtração. Na diálise peritoneal, o peritôneo, abdominal até o espaço peritoneal. O
uma membrana existente no abdômen, é dialisado drena através da ação da força da
utilizado como filtro. gravidade ou é bombeado através de um
Na hemodiálise, uma fístula arteriovenosa cateter, sendo mantido no espaço peritoenal
(conexão entre uma artéria e uma veia) é durante um período suficiente para permitir
criada cirurgicamente para facilitar a a filtragem dos produtos da degradação
remoção e o retorno do sangue. O sangue metabólica presentes no sangue para o
flui para o dialisador através de um tubo dialisado. Em seguida, o dialisado é
conectado à fístula. No interior do dialisador, drenado, descartado e substituído.
uma membrana artificial separa o sangue de
um líquido (dialisado) similar aos líquidos
corpóreos normais.
Complicações

Embora muitos indivíduos sejam submetidos à diálise peritoneal durante anos sem qualquer
problema, complicações podem ocorrer. O sangramento pode ocorrer no local onde o cateter
foi passado ou no interior da cavidade abdominal ou um órgão interno pode ser perfurado
durante a instalação de um cateter. Pode ocorrer extravasamento de líquido em torno do ca-
teter ou para o interior da parede abdominal. O fluxo do líquido pode ser bloqueado por
coágulos ou outros resíduos.

No entanto, a complicação mais grave da diálise peritoneal é a infecção. Ela pode envolver o
peritôneo, a pele da região onde o cateter foi passado ou a área em torno do cateter,
causando a formação de um abcesso. Normalmente, a infecção ocorre devido a uma falha na
técnica de assepsia durante alguma parte da diálise. Comumente, os antibióticos conseguem
combater a infecção. Quando isto não ocorre, pode ser necessária a retirada do cateter até o
desaparecimento da infecção.

Outros problemas podem associar-se à diálise. A concentração baixa de albumina no sangue


(hipoalbuminemia) é comum. As complicações mais raras incluem a esclerose peritoneal
(cica-trização do peritôneo) que acarreta uma uma obstrução parcial do intestino delgado, o
hipotireoidismo (concentração baixa do hormônio tireoidiano) e crises convulsivas. A
hiperglicemia (concentração elevada de glicose no sangue) também é rara, exceto em
pacientes diabéticos. Aproximadamente 10% dos pacientes apresentam hérnias abdominais
e inguinais.

Os indivíduos submetidos à diálise peritoneal podem apresentar uma propensão à


constipação, a qual interfere na drenagem do cateter. Conseqüentemente, eles podem
necessitar de laxantes e de emolientes fecais.
Geralmente, a diálise peritoneal não é realizada em indivíduos que apresentam infecções da
parede abdominal, conexões anormais entre o tórax e o abdômen, um enxerto artificial de
vaso sangüíneo recém-instalado no abdômen ou uma ferida abdominal recente.