Porque pretendo deixar registado, o grande património que é o historial da « Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos

». Este livro foi feito com muito carinho, dedicando-o aos que a serviram ao longo dos tempos. Assim também é para aos meus netos, que muito quero : Catarina Sofia e Tiago José

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FICHA TECNICA: Titulo:

SUBSIDIOS PARA A HISTÓRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS E DA SUA BANDA DE MÚSICA

* TEXTO REVISTO E AUMENTADO * Tipo de Livro: editado em On-line Autor: Gameiro, José Editor: José Rodrigues Gameiro Morada: B.º Pinhal da Vila – Rua Padre Cruz, Lote 49 Localidade: Salvaterra de Magos Código Postal: 2120-059 SALVATERRA DE MAGOS * Telem. 918 905 704 e-mail: josergameiro@sapo.pt
Data: Julho 2013

http://www.historiadesalvaterra.blogs.sapo.pt

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O MEU CONTRIBUTO !
Uma exposição documental e fotográfica, sobre os Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, esteve patente na antiga Capela Real, no ano de 2005, durante o período das Festas do Foral. Colaborei em tal evento, disponibilizando o meu arquivo de muitos anos, sobre a instituição e, sua Banda de Música.

A Oferta de um Original Ciente das grandes dificuldades financeiras em que vivia os Bombeiros de Salvaterra, para levar a cabo a construção de um novo quartel, decidi oferecer em 2007, um texto já preparado para uma eventual publicação em livro, afim da instituição obter alguns fundos. Tal trabalho foi entregue, mas continua por publicar. A falta de uma publicação sobre a história da Corporação dos Bombeiros Voluntários, levou-me a, reunir os meus documentos e, mesmo que modestamente, aqui está o meu contributo público – um pequeno historial, da Instituição. Neste livro, lembro, dirigentes, bombeiros e músicos, haverá lugar para os seus benfeitores, sendo justo ficar registado a contribuição do filantropo salvaterrense – Gaspar da Costa Ramalho, pois merece uma referência especial, em jeito de homenagem.

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Os outros, aqui também lhes prestamos a mesma lembrança, sem a divulgação dos seus nomes, pois a memória dos homens, e a falta de documentos provoca sempre injustiças. Mais de três anos são passados, sobre a oferta desse trabalho histórico, e para que não fiquei esquecido em qualquer gaveta, decidi agora publicá-lo em livro, com alguns ajustes, no sistema on-line. Sendo este um trabalho de recolha, durante anos, com uma outra finalidade, inseri-lo na minha Colecção de Apontamentos “Recordar, Também é Reconstruir”, qualquer interessado em aprofundar os seus conhecimentos sobre esta Instituição, que é a Associação Humanitária, com o seu corpo activo de bombeiros voluntários, e da sua banda de música, desde o já distante ano de 1935, encontrar aqui alguma matéria de interesse. Em 2010, publiquei a primeira edição, em PDF, e desde esse ano, além de ser muito procurada, também os bombeiros passaram por algumas mudanças, motivadas por graves crises económicas e diretivas, onde a Banda de Música,com cerca de 70 anos, deixou de existir. Foram acontecimentos que deram origem que fizesse agora uma segunda edição, revendo e aumentando o texto deste livro.

Ano: 2013 José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

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BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS, A DIFERENÇA!
“Sem pretende fazer a função de bombeiro, atrevo-me no entanto a dizer que a solidariedade destes soldados da paz é de uma generosidade sem limites. Torna-se bastante útil caracterizar o espírito humanista destes homens e mulheres, que por este pais fora, se encontram num ALERTA permanente, na defesa e segurança de pessoas e bens de que todos temos responsabilidades. No entanto o conforto dos lares e o direito ao descanso, são princípios que quase todos nós, não abdicamos deles de forma nenhuma, mesmo quando sabemos que eventualmente algum amigo ou conhecido poderá estar em situação de aflição. “O esforço despendido por estes valorosos bombeiros, que numa grande maioria são apanhados em horas de descanso, desconhecendo em muitos casos o que é dormir o que é uma noite normal, sem terem que se levantarem em sobressalto, para atacar um incêndio, em defesa das florestas, e dos bens das populações, ou ajudar a salvar uma vida num acidente. Não é demais realçar o esforço e a dedicação dos bombeiros de Portugal, muito em especial realçar os serviços os serviços prestados pelos bombeiros de Salvaterra, quase sempre sem remunerações. Sem pretender, fazer da função de bombeiro, uma classe especial, atrevome no entanto a dizer que a solidariedade destes “soldados da paz” é de uma generosidade sem limites. Quantas têm sido as criticas muitas vezes feitas, quando a sirene toca e aparecem poucos bombeiros, esquecendo que sobre esses mesmos, tem havido ameaças contra o seu posto de trabalho e algumas vezes concretizam-se. A Juventude, tem um papel fundamental na continuidade dos bombeiros voluntários, além de ser um serviço de grande nobreza, também nos bombeiros encontram uma forma de ocupação saudável e sem vícios. Bem Hajam Soldados da paz!! “
******* Nota do Autor: Retirado do texto, de Joaquim Mário Antão, antigo dirigente dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, publicado no Jornal Vale do Tejo, em 15 de Setembro de 2000

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I A INSTITUIÇÃO!
Associação dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, foi constituída para servir a população de Salvaterra de Magos e seu concelho. Já com uma existência de mais de setenta anos, graves crises “passaram” pelo seu longo percurso que, no entanto sempre foram ultrapassadas, porque homens de boa vontade responderam a esses momentos de grande aflição. A sua história, mesmo que simples, está repleta de situações que, valerá a pena contar, não só pelos actos de grande humanismo, e heroísmo que, fez escola no seu corpo activo, como na área cultural, onde a sua banda, soube estar à altura. Os seus executantes, ainda agora, vêem deliciando o povo, transmitindo a arte da música, tocando obras que, celebrizaram muitos compositores que sendo do passado, são de todos os séculos.

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II
CORPO ACTIVO Naquele ano de 1935, da vizinha vila de Benavente, chegaram os bombeiros para ajudar o povo a combater um incêndio que se arrastava à muitas horas numa arrecadação de palha, pois a pequena carreta, posta ao serviço nesse ano, com rodas de madeira, e com varal ao meio, que servia para dois homens a puxarem, tinha em cima uma bomba de água (tipo cilindro), e um motor, para sugar água, e fazê-la sair em jacto, nuns quantos metros de mangueira. Era material antigo e insuficiênte, apoiado num jogo de escadas de madeira, que sendo pertença do municipio, vinha servindo de combate às chamas, não chegavam para vencer os fogos. Uma meia dúzia de homens, estavam

sempre prontos ao chamamento da autarquia, para combater os incêndios na vila. Eram estes, que compunham o corpo activo dos bombeiros de Salvaterra de Magos. Em casos extremos, ainda se

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usavam, as duas filas; do balde cheio, balde vazio. Trabalho que mobilizava homens, mulheres e jovens, em extensas filas até ao poço mais próximo, chegando muitas vezes a ser usada a água da vala real.

Na vila de Salvaterra, na sua urbanização habitacional predominavam as construções com telha de meia-cana, com infra-estruturas de madeiramento que, estavam sujeitas ao “aliciamento” das ch amas, provocadas pelas chaminés das habitações. Os incêndios, quando aconteciam eram pavorosos, os grandes celeiros e palheiros construídos juntos às habitações, davam azo a isso, e assim nos dizem

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alguns relatos deixados nas páginas destes ou daquele documento que, nos vai servindo de descrição do passado, avivando memórias, mesmo aqueles que destruíram o palácio e o teatro da ópera da vila. Naquele incêndio, em que foi pedido o auxílio dos bombeiros de Benavente, mesmo com a prontidão da sua chegada, levou mais de hora e meia. A sua acção ficou-se pelo rescaldo, ajudando os poucos bombeiros da vila. O povo, socorreu-se mais uma vez do balde. O armazém com palha, estavam perdidos pela acção do fogo e da água, não sendo a desgraça tão grande como se esperava, comentários que se ouvia na gritaria, do povo que ajudava a combater as chamas. Perante aquele quadro impressionante, o Dr. José António Vieira, secundado por José Sabino de Assis e Justiniano Ferreira Estudante, tomaram a iniciativa da criação de uma comissão para a constituição de uma Corporação de Bombeiros Voluntários. O povo aderiu à subscrição pública, levada a cabo, tendo sido apurados, 17.133$50, com a inclusão de uma verba da câmara municipal do valor de 5.000$00. Nasceu assim, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, e muitos jovens passaram a pertencer ao seu corpo activo. Um orçamento para a compra de material e fardamento, dava conta que a despesa seria de 34.600$00, a comissão administrativa da Associação, após vários tentativas para ultrapassar, a falta da restante verba, foi com desgosto que pôs o seu mandato à disposição das entidades oficiais da terra. Para ultrapassar este percalço, deliberou a câmara municipal, sob a presidência de José Luiz Ferreira Roquette, elevar a quantia do município para mais 23.600$00.

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O corpo activo dos bombeiros, depressa encontrou espaço para o seu aquartelamento, num edifício da família Monte Real, na nova Av. José Luís Brito Seabra. De noite, num trabalho árduo e incessante que, durou alguns meses, os membros do corpo activo construíam um pronto-socorro, fruto de um desenho de um deles – António Henriques Alexandre, onde foi aproveitada uma camioneta de carga, sendo assim substituído a carreta. No dia da sua apresentação em cerimónia pública, foi prestada homenagem ao Dr. José Vieira, sendo madrinha da viatura, sua filha, a menina, Maria Alice Rocha Brito Vieira, estando acompanhada das Srªs. D. Ana Ferreira Gomes e D. Maria Adelaide Madeira da Mata, colocou as fitas comemorativas no estandarte da Corporação. Alguns anos passaram, a presença dos voluntários de Salvaterra, quer nos fogos, quer nos serviços de socorro em ambulância, passaram a ser cada vez mais solicitados. Um novo quartel, era uma necessidade premente, Gaspar da Costa Ramalho, no seu espírito de grande benemerência, mandou construir, em terrenos seus, um novo edifício, moderno para a época, oferecendo-o à instituição, onde mais tarde albergou também a Banda de Música, entretanto criada. Alguns comandantes e imediatos, tiveram a generosidade de permanecer durante anos a fio, à frente do corpo activo, como: José Pinto Oliveira e António Narciso “O Toca e Baila”, formando gente que devotadamente ali prestou, o seu voluntariado, dando assim do melhor

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que tinha para com o seu semelhante, num grande espírito de solidariedade, como é timbre do bombeiro. Amiúdas vezes ao longo dos anos a instituição, passou por crises de administração – os seus associados, nem sempre estavam disponíveis para a servir, criando situações difíceis, que eram ultrapassadas, por homens bons, detentores de grande espírito de empenho, pondo assim muito dos seus tempos livres, ao serviço da comunidade.

Grupo de Bombeiros, junto à primeira viatura . construída Por Francisco Henriques Alexandre

Com o decorrer dos tempos, novas exigências foram criadas à Corporação, dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, com a sua inserção em associações regionais, e nacionais de bombeiros, foram originando a constante renovação de meios e aprendizagem de novas técnicas. Aos seus homens, para combater fogos em plena época estival e, nas calamidades invernosas, são periodicamente ministrados cursos, estando na mesma situação o socorrismo para ambulâncias.

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1936 – Obras do novo Quartel dos Bombeiros Voluntários

A corporação mantinha um número de voluntários, que se renovava constantemente, até porque se compunha na maioria de pedreiros e profissões afins. Ao toque de alarme, num constante bater do sino, largava-se tudo – havia fogo. Quanto ao chamamento da ambulância, o toque era espaçado, até porque os acidentes de trabalho ou de viação eram poucos. Cinco dias para levar um doente de urgência! “Um caso digno de registo, por volta de 1953, andando um menino, na escola primária, acometido de intensas dores na barriga, a profª Natércia Assunção, por intermédio de uma funcionária, chamou o pai, que trabalhava na vila, levando-o ao médico Dr. Joaquim Gomes de Carvalho, O médico, prescreveu-lhe um internamento de urgência no hospital do Rego (Curry Cabral), em Lisboa.

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Era uma sexta-feira, contactado o bombeiro responsável pelas saídas da única ambulância, dos voluntários de Salvaterra, foi recomendada a espera até à próxima terça-feira, dia em que a viatura se deslocava a Lisboa, com outros doentes. O doente, foi internado, naquela unidade hospitalar onde esteve cerca de 15 dias, com um diagnótico “hepatite aguda”. A criança doente, era o autor deste livro.

1950 - Primeira Ambulância dos Bombeiros

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III

UM DIA DE FESTA, UM DIA DE LUTO Mais um aniversário da instituição se comemorava naquele ano de 1968, o dia solarengo de Verão, convidava a um passeio, e o acidente aconteceu, conforme consta na notícia publicada em vários jornais. Uma delas saiu no Século.:
BOMBEIROS DE SALVATERRA MORREM EM ACIDENTE NA RECTA DO CABO

“Ontem, dia 25 de Agosto, dois bombeiros voluntários de Salvaterra de Magos, morreram num grave acidente na estrada recta do cabo. Era dia de aniversário da corporação, e os voluntários após um almoço de confraternização, pensaram dar um passeio, visitando outras corporações; Almeirim, Cartaxo, Azambuja e Benavente. Já de regresso a casa, vindos da Azambuja, a tarde ia alta, na estrada da recta do cabo, sofreram um grave acidente. Do embate, resultou a morte de dois bombeiros, Ezequiel Jorge, o mais velho da corporação, e João Luís Castanheira, natural de Benavente, estabelecido na vila de Salvaterra, com um café junto ao quartel, que colaborava como motorista, quando necessário. Muitos dos

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ocupantes da viaturas ficaram gravemente feridos, e a viatura ficou sem recuperação, segundo se pensa ! “
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* In Jornal “ O século ” 26/8/1968 * O Correspondente – José Gameiro

NOVA VIDA

Tendo os bombeiros, como dogma “VIDA POR VIDA”, a crise instalada, começou a ser sanada, após uma iniciativa, do então presidente da câmara municipal, José Pinto de Figueiredo, que convidou uma nova equipa de dirigentes. O Eng.º Romeu Fortes Pina, tomando conta da corporação, formou uma “comissão administrativa” com Mário Silva Antão e António Viegas, a que mais tarde se juntaram outros. A compra de uma viatura-cisterna, de grande capacidade de armazenamento de água, para incêndios foi encontrada em bom estado numa outra congénere na zona de Lisboa. Um carro para o transporte do corpo activo de voluntários e, um com cisterna de água e uma ambulância, passaram a ser as viaturas do parque automóvel. Era seu comandante, João Roberto da Fonseca. O antigo e degradado material, especialmente o de combate a incêndios, foi lentamente substituído - escadas e mangueiras – a par do trabalho de recuperação do edifício-sede da instituição que, durou alguns meses.

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Uma sirene de grande alcance sonoro, foi instalada, no quartel, ligada por sistema electrico, substituindo assim o velho sinal de pedido de socorros aos bombeiros, como uso dos sinos da igreja matriz da vila, Alarme que vinha de séculos. Uma placa colocada na parede da sua torre, em 1935, ainda lá se encontra. O corpo-activo, foi renovado, com a entrada de pessoal, especialmente de jovens que aderiram à iniciativa. Após este período doloroso, para a história dos bombeiros voluntários de Salvaterra de Magos, com muitas carências, e dificuldades ultrapassadas, os cargos de directores, eleitos em actos eleitorais, passou a ter o seu ciclo normal. Uma placa em pedra, colocada no edifício do quartel, recorda e agradece, ao Eng. Romeu Fortes Pina, a sua colaboração. As Assembleias-Gerais Na já longa vida, da Associação dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, verifica-se uma situação comum a muitas outras instituições. Os associados desinteressam-se pela vida das suas colectividades, não aparecendo, nos seus dias mais nobres - as suas Assembleiasgerais. Por vezes, com o calor e entusiasmo próprio daqueles trabalhos associativos, em que a vida das instituições está em causa, situações existem, em que a intriga e maledicência, se “esforça” por denegrir, o trabalho, de quem se devotou afanosamente em servi-las, em contraste com outras onde é “apetecível”, ouvir louvores pelo zelo empenhado. Veja-se uma Assembleia Geral, realizada em Janeiro de 1960, na sua acta consta a presença, 32 sócios - incluindo os directores, e na sua ordem de trabalhos, discutiu-se a “venda” do alvará da exploração do cinema que era sua pertença. Numa outra, em Dezembro de 1999,

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convocados para se pronunciarem, quanto à actualização dos seus Estatutos - para além dos membros da mesa da Assembleia Geral, composta por: José Manuel da Luz Ferreira, Manuel Luís de Oliveira e Francisco Santos Travessa., estavam os membros da Direcção e Conselho Fiscal, e um punhado de outros sócios:
António Manuel Pires Gomes, Vasco Manique, Mário da Silva Antão, António Carlos Costa Paiva, Carlos Cantador Duarte, José Porfírio Morais, Armando Oliveira, Joaquim Mário Antão, José Rodrigues Gameiro, João Mendes da Silva e Carlos Leonel Duarte.

Em duas outras, mais recentes, até porque se realizavam eleições, por serem actos que, estavam envoltos em polémica, e a coberto da comunicação social, verificou-se a afluência de um número de associados nunca antes registados. No dia 4 de Janeiro de 2001, registou-se a presença de 179 sócios, enquanto um ano depois estiveram a votar cerca de meio milhar sócio. Entre os 494 associados, muitos eram pela primeira vez que estavam presentes num acto eleitoral da instituição, mesmo sendo associados à muitos anos. A causa era motivada por uma grande polémica, entre as duas listas que se apresentaram a eleições. Os festejos de aniversário mesmo que modestos, levaram sempre os dirigentes da associação ao longo da sua existência, a não deixarem de registar aquela data que simboliza o

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“nascimento” da corporação de bombeiros, instituição muito acarinhada pelo povo do concelho.

IV
RECEBER PREMIO, EM TEMPO DE ANIVERSÁRIO No dia da comemoração dos seus 46 anos de vida, muitos dos seus voluntários são galardoados com a medalha de ouro, de duas estrelas, assim nos dá conta a notícia seguinte: “Com dois dias de antecedência, comemorou-se no passado Domingo, o 46º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos. Passando a efeméride no dia 25, a mesma foi antecipada, afim da solenidade do acto se poder comemorar em dia de descanso. Na oportunidade, toda a Direcção presente recebeu um justo galardão que, foi atribuído à corporação – A Medalha de Ouro de duas Estrelas. Em formatura frente ao quartel, na rua 25 de Abril, com o corpo activo, encontravam-se os voluntários da secção de Muge, recentemente criada para servir a população daquela vila e freguesia do concelho.

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Nestes festejos, honraram com a sua presença, os bombeiros vizinhos de Benavente. Feita continência aos visitantes: Presidente da Federação Distrital de Santarém e conselheiro da Inspecção do Serviço Nacional de Bombeiros e ao presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal. O presidente da Direcção, Dr. José Gameiro dos Santos, deu início às cerimónias, começando por fazer um breve historial da associação, finalizando dizendo que os actuais dirigentes, tiveram como especial prioridade “arrumar a casa”, o que em parte já estava conseguido. Fez severas criticas aos CTT, pois à muito estava requisitada uma nova linha de telefone, e até à data não tinham obtido resposta daquela empresa. O Comandante, Sr. Carlos Leonel Duarte, informou que os bombeiros de Salvaterra, durante o último ano, prestaram entre outros serviços, 7909 horas de ambulância, 93 assistências a acidente de viação, acudiram a 33 acidentes de trabalho, estiveram presentes em 8 fogos de habitação, socorreram 71 parturientes, foram chamados a combater 3 fogos em searas, tendo as viaturas percorridos cerca de 10.110 km. Usando de seguida a palavra, o presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Santarém, deu os parabéns à Associação Humanitária de Salvaterra de Magos, através da sua direcção. Com um contacto assíduo com estes, teve ensejo de verificar o dinamismo e carolice que,

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manifestavam nos desejos de conseguirem mais e melhor para os seus bombeiros, assim era seu dever registá-lo publicamente, disse. Seguidamente, o presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, depois de salientar o que este ano se vem passando em todo o país, onde os pinhais e florestas, estão em chamas, vitimas na sua maior parte de mãos criminosas, segundo se está a apurar, é de ver a presença dos bombeiros que não regateando esforços e sacrifícios, ali chegam a andar dias a fio. Mais disse: A minha presença em Salvaterra de Magos, deve-se ao facto da sua Corporação de Bombeiros, ter sido galardoada com a “MEDALHA DE OURO DE DUAS ESTRELAS” – prémio instituído a nível nacional e, este ano ser a escolhida com tal distinção honorífica que, certamente enriquecerá o seu historial. De seguida com a ajuda do comandante do corpo activo, colocou tão significativo galardão, no estandarte da instituição. O último orador da cerimónia, foi o Dr. Alexandre António Monteiro, ali presente na qualidade de vice-presidente da câmara municipal, destacando o trabalho feito por esta direcção, especialmente com a criação de uma secção de bombeiros voluntários, na vila e freguesia de Muge. A finalizar a cerimónia, foram distribuídos os diplomas atribuídos pela Cruz Vermelha Portuguesa, aos bombeiros que dias antes tinham terminado um curso de socorrismo, ministrado naquela instituição de solidariedade. Fechou a cerimónia, o Padre, José Diogo, pároco da freguesia, benzendo duas viaturas; um Jeep e uma ambulância com a matrícula, NO-74-61. O primeiro veículo, recebeu o nome “Bombeiros Fundadores”, estando presentes a representá-los e foram padrinhos, os ex-voluntários, José Teodoro Amaro, os irmãos; Sebastião e Augusto Cabaço, João Feleciano Gil e João Miguel Oliveira (João Capadão). A segunda viatura, recebeu o nome “António Pedro Ferreira”, antigo comandante estando presentes, sua viúva e filhos.

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23/08/1981 * Reportagem de: José Gameiro
Primeiro quartel dos Bombeiros de Salvaterra de Magos

1951 -Bombeiros – Guarda de Honra em frente aos Paços do Concelho, na cerimónia da inauguração da rede domiciliária de água á Vila

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1966 – Desfile na Avenida, Festas dos Foiros e do Fandango

UM NOVO TEMPO NA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS ! Os tempos eram outros! A época da benemerência passou, até porque o homem moderno, é diferente, está distanciado e pouco afectivo na solidarização para com a comunidade onde vive. Passou a exigir dos poderes públicos a resolução das suas necessidades básicas, deixou de praticar a filantropia para com os seus semelhantes mais necessitados. UM SONHO, UM NOVO QUARTEL Construir, um novo edifício para quartel-sede, foi o lema da direcção eleita para o mandato – 1999/2000 “As velhas instalações à muito se tornaram insuficientes para a prestação dos socorros que a população do concelho merece ”, Joaquim Mário Antão, foi o porta-voz deste desejo, e com grande empenho, deu inicio ao processo, logo seguindo com um projecto que deu entrada em muitas secretarias oficiais, e a homologação da construção foi concedida e comparticipada. Entre as várias entidades, foi a câmara municipal, e a Associação dos Bombeiros, que mais se responsabilizaram em suportar os custos da obra, assim foi noticiado na comunicação social. Também foi lema destes dirigentes recuperar a boa relação entre a direcção eos bombeiros, dignificando assim a Instituição.

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A direcção não se ficou pelo apaziguamento do mal estar que reinava no corpo activo, continuou na ideia da construção de um novo aquartelamento, em terrenos que sendo públicos, conseguiu uma parcela, na chamada zona desportiva, o apoio às populações do concelho estavam nos seus planos humanitários.
PROJECTO PARA UM NOVO EDIFICIO DOS BOMBEIROS
CONCURSO PÚBLICO:

Nos jornais foi publicada a notícia do acordo que foi possível encontrar entre o executivo camarário, e os membros da direcção, a nível institucional, já que o relacionamento existente tinha um clima de alguma crispação, que a comunicação social da região, servia para constantemente publicar, os pontos de vista sobre vários assuntos, em que a discórdia era mais latente. A DETENÇÃO POLICIAL DOS SEUS DIRIGENTES Novas eleições, novos dirigentes eleitos, uma queixa deu entrada em tribunal, contra os que tinham deixado de gerir a Instituição, incluindo o seu comandante, por suspeitas de irregularidades praticadas. Um inquérito policial, “pouco transparente”, aberto em 2002, por denúncia daquela nova direcção, onde o “peculato, apropriação ilegítima, favorecimento pessoal e económico” foram as causas apuradas.

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Dia 23 de Maio de 2004, era dia de grande festa na vila, os bombeiros que fazem parte da FANFARRA, tinham convidado outras de todo o país, que actuavam perante a população num grande desfile pelas ruas de Salvaterra de Magos, que duraria algumas horas

Desenhos/alçados do novo Quatel dos Bombeiros

Manhã cedo, a polícia deteve o comandante dos bombeiros, Carlos Leonel Duarte, à porta do Quartel, e ao longo do dia mais dois antigos dirigentes; Joaquim Mário Silva Antão e José Gameiro dos Santos, também foram alvos de mandato de prisão. A comunicação social

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escrita e televisiva, estava em peso na vila de Salvaterra de Magos, para registar o acontecimento que, foi alvo de noticiário durante o dia, especialmente nos telejornais. O desfile das Fanfarras, foi “amputado”, pois os representantes de Salvaterra, deixaram de participar, magoados que estavão a viver aquele momento. O jornal Correio da Manhã, publicava no dia seguinte, uma foto do momento exacto da detenção, de Carlos Leonel, junto ao quartel dos bombeiros.

Saída do tribunal, dos dirigentes dos bombeiros

Meses mais tarde, o tribunal de Benavente, não lhes imputou quaisquer responsabilidades no processo de que eram acusados, pelo que o mesmo foi arquivado. A população sabendo do sucedido, logo tomou partido das pessoas detidas, pois sabiam que eram pessoas impolutas, que muito se tinham dedicado à causa dos bombeiros. A ira do seu desagrado não foi

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esquecido, logo na primeira oportunidade de eleições não lhes deu o seu aval.

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ANÚNCIO DO CONCURSO:

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* Recortes de Jornais *

NOTICIAS DE SALVATERRA !
Acidente Salvaterra de Magos, hoje, dia 4, pelas 9,30 horas, na ocasião em que a Corporação dos Bombeiros Voluntários desta vila se dirigia para o local onde costuma fazer os seus exercícios, encontrava-se parado, na avenida do Calvário; um carro de bois, pertencente a Luiz Roquette (Herdeiros). Sobre o carro encontrava-se uma criança de 7 anos. Os bois assustaram-se por qualquer motivo e fugiram em louca correria, levando atrelado o carro que levava a pobre criança. Graças à rápida intervenção de alguns bombeiros que seguiram correndo atrás do carro, e em especial o voluntário, Sebastião Augusto Cabaço, que conseguiu saltar, para dentro do veiculo, a criança foi salva de um desastre, pois já se preparava para saltar para a estrada. Os bois só pararam a grande

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distância desta vila. Era de maior justiça que o bombeiro, Sebastião Cabaço fosse louvado, obtendo, assim o prémio da sua nobre acção – Correspondente: Nota: Mais tarde, em 1990 – O autor destas linhas, depois de vários contactos, recebeu a informação, junto do Sr. Gastão Caçador Aleluia, nascido em 1936 – era ele a criança que em 1943, foi alvo da notícia publicado no jornal “ O Século” Ecos de Salvaterra ! Sob a direcção dos Bombeiros desta vila, constituída actualmente pelos senhores; Carlos Eugénio Machado das Neves, Presidente; Evaristo Filipe Andrade, Vice-Presidente; José Virgolino Torroais, 1º-secretário, e o Prof. Jorge Assunção; Tesoureiro, reuniram-se na semana anterior todos os corpos directivos desta prestimosa Associação, tendo deliberado fazer a aquisição de uma nova ambulância, a gasóleo. Para este fim, vão contactar com determinadas entidades oficiais e particulares, está também nos seus orizontes, realizar durante o ano várias competições desportivas, em vista à angariação de fundos indispensáveis para tão útil e importante melhoramento.
In –Jornal Aurora do Ribatejo * José Gameiro – 12.5.1973

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VI
PARA QUANDO UMA RUA PARA GASPAR DA COSTA RAMALHO

“No passado dia 20 de Outubro, de 1998, mais um aniversário passou da data do seu nascimento. Quase sempre, nunca, ou tardiamente, as pessoas sabem ser agradecidas porque os preconceitos ultrapassam os desejos. Na população de Salvaterra de Magos, ainda existe uma geração que, conheceu e, beneficiou da benemerência de Gaspar da Costa Ramalho, homem que soube distribuir muito dos haveres que tinha, pelos pobres seus concidadãos. Depois de alguns anos a “pesquisar” as várias formas da sua benemerência, sobressaem, as instituições da sua terra, as mais contempladas. “Gaspar Ramalho, nasceu em Salvaterra de Magos no dia 20 de Outubro de 1868, filho de José de Sousa Ramalho e de Joaquina Victória. Ao longo de uma vida de 94 anos, foi um grande lavrador, com propriedades nos concelhos de Azambuja, Vila Franca, Benavente e Salvaterra, a sua imensa riqueza foi gerida com benemerência humilde. Quando do terramoto de 1909, onde as populações de Samora Correia, Benavente e

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Salvaterra de Magos sentiram os seus efeitos devastadores mais de perto, logo a mão amiga de Costa Ramalho se manifestou dizendo presente. O seu grande “martírio” eram sempre os necessitados, especialmente as crianças. Para tornar realidade um sonho da população Salvaterriana, em 1912 acompanhado de um outro lavrador, Francisco Ferreira Lino, construiu o edifício que viria a servir de hospital e, o ofertou à Misericórdia local. No entanto, e porque os Invernos eram rigorosos e devastadores, a classe rural sofria na carne essa tremenda calamidade, no ano de 1900, construiu uma grande adega e armazéns, aproveitando as ruínas do que foi o Palácio das Damas, situado no actual Largo dos Combatentes. Espaço, que para além do tempo da construção, serviu durante muitos anos como local para muitos postos de trabalho. Quando da construção da Praça de Toiros em 1920, a “Comissão Construtora” se debatia com dificuldades financeiras para concretizar o que esperava ser uma realidade, logo um “anónimo” suportou os valores, em falta, realizando assim os desejos daqueles que estavam empenhados na construção do belo edifício tauromáquico, qu e hoje Salvaterra tem à entrada da vila. Não ficou por aqui o seu apoio, pois quando do ciclone de 15 de Fevereiro de 1941, logo construiu bancadas em cimento, tendo o Conde de Monte Real –Jorge de Melo e Faro - e sua esposa, suportado a reconstrução das paredes da praça. Com o seu coração sempre preocupado com o bem estar dos desprotegidos da sorte, o campo cultural foi enriquecido com a construção de um cineteatro, nos anos 20, tendo para tal transformado alguns dos seus celeiros que possuía na Rua Machado Santos. Depois da obra concluída ofertou-a aos Bombeiros Voluntários de Salvaterra,

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situação mais tarde também acontecida, com a construção do edifício do quartel. Continuando a pugnar pelo bem-estar da população, nunca esquecendo os mais necessitados, em 1935 cria a “Casa do Povo de Salvaterra de Magos”, onde tomou lugar de Presidente da Comissão organizadora e, depois da sua legalização foi Presidente da Assembleiageral. Para o efeito cedeu uma sua casa na Rua Cândido Reis, junto ao solar da família Roquette e, ofereceu à Instituição durante anos o valor de renda, que na altura era de 600$00 anuais. Como a sua maneira de estar na vida era de grande descrição, teve sempre a humildade de nunca estar presente aos festejos inaugurativos, onde a sua mão bafejou os necessitados. A presença da sua benemerência aparecia quando se apercebia das dificuldades das instituições da terra; que o diga a Santa Casa de Misericórdia e, os Bombeiros, entre outras tantas, sempre que nos fechos das contas as várias gerências estavam em apuros com saldos
negativos, logo um “anónimo” repunha as importâncias em falta. Aos cortejos de oferendas promovidos pela Misericórdia, que na década de 1950 ainda se realizavam, Gaspar Ramalho, assumia a sua responsabilidade de cidadão salvaterrense, ofertando grandes quantidades de produtos agrícolas para o respectivo leilão de angariação de fundos. Faleceu a 13 de Junho de 1962, na terra que o viu nascer, Salvaterra de Magos. Agora que se registam 130 anos do seu nascimento, e 36 após o seu falecimento, parece-me chegada a hora de deixar-mos de ser ingratos. As instituições à muito já prestaram o seu reconhecimento, as autarquias locais – câmara e junta de freguesia, continuam a ignorá-lo! Vamos colocar a sua identificação naquela rua que, recebeu oficialmente o seu nome, pois. a melhor forma de homenagear, é lembrá-lo perpetuando o seu nome! (*)

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In – Jornal Vale do Tejo * 1998 * José Gameiro
**** (*) – Depois de tanta insistência do autor, em 2005, finalmente foi atribuído o nome de Gaspar da Costa Ramalho, a uma rua, que vai da Rua Padre Cruz e termina em frente às instalações da Misericórdia de Salvaterra de Magos.

VII
A FANFARRA DOS BOMBEIROS Desde o início da corporação, em 1935, um terno de clarins ajustava-se à representação da instituição, com seu estandarte, nos dias festivos. Com o decorrer dos anos, por volta de 1948, chegou a existir mais de uma dúzia, que tocavam: clarins, tambores e caixas. Uma ou outra vez, a crise era notória, por falta de componentes, porque os ensaios requeriam muitas horas de grande dedicação. Em 1968, um jovem bombeiro, Vítor Soares (Vítor Diogo), que no exército tinha pertencido a uma das suas fanfarras, teimava em recrutar camaradas para aquela prática e, à noite nos treinos, era ele o fio de ligação com os ensaiados. Em 2001, eram poucos, Joaquim Carvalho, José Narciso, Vítor Diogo e Luís Silva, eram os seus grandes entusiastas Um ano houve, pela saída do 1º de Dezembro, que o músico do bombo grande, depois de tantas “marteladas”, o rebentou num dos lados,

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passando a fazer o esforço de tocar no lado que estava disponível. Este grupo, não parou, e em Setembro de 2003, fizeram um grande ensaio pelas ruas de Salvaterra de Magos, disso dei conta nas páginas do jornal o Mirante. A FANFARRA DOS BOMBEIROS, ESTÁ DE VOLTA! “No passado dia 13, a noite estava quente, mas calma, os telejorna is mostravam-nos medonhos incêndios, que lavravam no país, especialmente em Mafra – os bombeiro, esses soldados da paz, andavam lá. Aqui, ao longe, sons de grandes tambores, entrou-nos por casa dentro, o povo veio à rua, era a Fanfarra dos Bombeiros da nossa terra, que estava de volta. Depois da última vez, que tocou num 1º de Dezembro, já lá vão uns meses, voltava agora mais alegre, com mais energia, a nova Fanfarra, composta por um grupo de cerca de 40 elementos, onde entre os jovens se viam meninas e crianças, no seu primeiro ensaio, animavam as ruas da vila de Salvaterra. Os tambores, as caixas e os clarins, tocavam já em grande harmonia, neste preparar para o dia da apresentação pública, espero seja breve, e nos “envaideça” deles, do muito brilho e enriquecimento, que certamente vêm dar à sua “nossa” corporação – os bombeiros voluntários de Salvaterra de Magos. Porque a Fanfarra, está de volta, o povo da terra, certamente os vai apoiar, e eles merecem-no Aqui dou conta, da imensa alegria, que foi ver aquela “rapaziada” que não desiste.” Como eles marchavam, foi bom de ver !
In) – Jornal “O Mirante”

* José Gameiro

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O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 2006 Uma tradição comemorada nesta terra, conhecida pelo menos desde o século XIX, o primeiro de Dezembro era lembrado por um grupo de músicos que, percorria as ruas da vila, tocando o “Hino da Restauração” pela madrugada daquele dia, até o sol nascer – Depois era dia de trabalho!

Mais tarde, a Banda de Música dos Bombeiros, disso se encarregou sozinha até ao aparecimento da Fanfarra, que também começou a fazêlo. No ano que agora findou, serviu para que seis meninas tocassem pela primeira vez em público, pois marchavam garbosamente pelas ruas da vila, fazendo parte dos 21 jovens elementos que, engrossavam agora a Banda de Música. Como sempre foi tocando o “Hino da Restauração”.

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Um grande entusiasta, Diamantino Jacob, dedicado dirigente, também os teve à sua porta e, uma música especial, foi tocada para António Armando Sousa Pinheiro, como retribuição do apoio que presta, desde há anos, à banda, especialmente, neste dia 1º de Dezembro. Foram dois momentos muito bonitos! Naquele grupo de jovens músicos, lá continuavam a marchar e tocar, dois “sobreviventes” de uma outra geração mais antiga; Manuel Sebastião Catarino, Manuel Travessa e Hernâni Arroz Damásio, sob a direcção do maestro; Luís Silva. Umas horas antes, ainda era noite, já a Fanfarra dos Bombeiros, alegrava as ruas da vila, com um enorme cortejo de participantes, onde se via a juventude, mesmo crianças que tocavam os seus tambores. Os clarins davam o mote !

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VIII
GRUPOS MUSICAIS EM SALVATERRA DE MAGOS

O CORETO Sabe-se que 1883, quando do primeiro arranjo do jardim, no largo público em frente à Câmara Municipal, e que passou a chamar-se “Dr.Oliveira Feijão”, algumas vozes chamaram a atenção para a construção de um coreto, onde os vários grupos musicais existentes na vila, ali pudessem tocar, aos domingos e dias festivos. Quando de outras obras, em 1892, naquele espaço, foi satisfeita tal pretensão com a construção de um pequeno coreto em alvenaria, tendo sido feito um igual na freguesia de Mugue, junto da Igreja da vila. Depois da implantação da República, os grupos musicais foram desaparecendo, ficando tal diversão, muitos anos depois ficado a cargo da nova Banda dos Bombeiros. Recebendo aquele jardim em 1957, uma nova urbanização, desapareceu o coreto e foi construído um outro móvel em madeira. Este, agora era usado amiúdas

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vezes no Largo dos Combatentes, sendo constantemente cedido a outros municipios vizinhos, indo mesmo ao Montijo (1), até que desapareceu.

(1) O autor, quando menino, acompanhava seu pai José Gameiro Cantante (funcionário da

câmara) e o Carpinteiro; José Luis das Neves, na instalação deste Coreto em Madeira, nos vários locais onde era requisitado.

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1940 - Praça da República – Jardim com Coreto

IX
COMO NASCEU A BANDA DE MÚSICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS

Naquele ano de 1965, João Pereira (Jope), estava mais uma vez, de visita a Salvaterra de Magos e, como habitualmente procurou-me para saber novidades da nossa terra ! Aproveitou, fazendo-me a oferta das suas memórias, um trabalho sobre a origem da Banda de Música, solicitando-me com grande empenho que as divulga-se, para conhecimento das gerações vindouras. Tínhamos na altura, no já desaparecido jornal “Aurora do Ribatejo”, semanário, um espaço nas suas colunas, e dias depois o texto sobre a origem da Banda de Música dos Bombeiros de Salvaterra de Magos.

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“Todas as bandas de música, por mais modestas que sejam, têm a sua história; porém, porque a Banda dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos se relaciona com uma das mais interessantes passagens dos meus tempos de rapaz, julgo conveniente e interessante esta narrativa, para que os antigos não esqueçam e os novos conheçam, como de um grupo de modestos e simples rapazes, nasceu uma obra digna da corporação e da terra a que pertence. Nesse tempo ainda Salvaterra não gozava dos benefícios da luz eléctrica, sendo os locais de mais movimento iluminados por candeeiros a gás calcário. Numa noite de Agosto, à luz de um desses velhos candeeiros colocado à esquina da rua Direita, sentados num poial de

uma das portas do estabelecimento do Sr. Pedro dos Santos, um grupo de rapazes discutia: não assuntos de futebol, como certamente hoje fariam, mas a forma de conseguir organizar algo de útil e agradável, ao seu espírito e a terra que lhes serviu de berço.

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Pensavam uns em formar um grupo folclórico; outros num grupo cénico; outros ainda, alvitravam a formação de um grupo coral. Todas estas ideias, eram discutidas sob inúmeras h ipóteses, arrastando-se até bastante tarde. Já passava da meia-noite, quando me assaltou o cérebro uma feliz ideia. Haviam uns antigos executantes de bandas de música outrora existentes na vila que conservavam ainda em seu poder velhos instrumentos, como relíquia do passado, alguns dos quais eu conhecia, o que me levou a ter o seguinte desabafo: Éh, rapaziada, se fossemos pedir alguns desses velhos instrumentos que se encontram em poder dos músicos antigos para fazer a surpresa de tocarmos o Hino da Restauração no dia 1 de Dezembro ? Todos concordaram com esta ideia, ficando desde logo combinado ir no dia seguinte, falar aos antigos músicos, expondo-lhes as nossas intenções. No outro dia, à hora do almoço, já se encontravam na nossa posse alguns instrumentos: o Cornetim do Manuel Caetano Doutor, o Contrabaixo do João Borrego, o Barítono do velho Sebastiana, o Saxofone, do Roberto Serra, enfim tudo o que fora possível descobrir ! Começaram então a fervilhar os comentários, como não podia deixar de ser; favoráveis uns, desfavoráveis outros. Havia quem nos

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encorajasse a prosseguir, indicando até alguns benéficos pormenores e, havia os que não acreditavam em rapazes – detractores sempre existiram – dizendo a quem lhes abordava o assunto: - Vocês ainda acreditam em qualquer coisa feita por rapazes? Tenham mas é juízo, eles não conseguem nada !... Entretanto a notícia espalhava-se por toda a localidade e, a rapaziada salvaterrense, tomando conhecimento desta resolução, acorria ao nosso encontro inscrevendo-se com entusiasmo numa já então longa lista de candidatos a futuros filarmónicos. No grupo existia um elemento que já conhecia muito bem a música, era o “Zé Carlos” - José Carlos Augusto Cabaço - foram dele as primeiras lições de solfejo recebidas. Embora a intenção inicial fosse resumida apenas ao Hino tocado pelos seis ou sete iniciadores de tão genial ideia, a verdade é que em poucos dias já se encontravam inscritos uns 38 rapazes desejosos de tocarem quaisquer instrumentos.

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Começou então um verdadeiro assalto ao velho instrumental, elucidados por alguns velhotes, especialmente pelos que sempre acreditaram no êxito do nosso empreendimento, descobrimos: Bombardinos, Clarinetes, Saxofones, Trombones, Trompas, etc. Alguns deixaram de ver a luz do dia à dezenas de anos, em consequência de que se encontravam lindamente “ornamentados” com enormes teias de aranha e bonitas manchas verdes. Um Contrabaixo, que me veio parar às mãos, para limpar, tinha dentro um ninho com oito inocentes ratinhos! Para conseguir tirar dele algum som, tive de o lavar com sete panelas de água quente e cerca de dois quilos de potassa. Isto prova bem o estado em que se encontravam alguns desgraçados instrumentos, cujo estado de conservação era igual ou parecido, originando a todas tarefas idênticas ao meu. Depois de tudo isto à força de entusiásticas canseiras, começaram as primeiras lições que, como não podia deixar de ser, tiveram início nas respectivas escalas, tiradas com muitos assopros e algumas bochechas. O solfejo ministrado a cada executante foi apenas o indispensável para compreender o Hino da Restauração, pois faltavam só 3 meses e de qualquer maneira o grupo sairia a tocar. Os que já conheciam algumas notinhas de música ensinavam os outros, facilitando assim a tarefa do incansável “Zé Carlos” que por ser o mais habilitado, era na altura o nosso “Maestro”.

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Algumas semanas antes do ambicionado dia, já todos – ou quase todos – sabiam tocar o hino, embora a maioria o fizesse de ouvido, porquanto o solfejo tornava-se difícil e complicado em tão pouco tempo. Já então alguns dos incrédulos, reparando na azafama da rapaziada, começaram a acreditar na possibilidade de se poder organizar qualquer coisa de jeito, tal não era o louco entusiasmo com que a mocidade se entregava ao seu sonho! Agora não era apenas o desejo de tocar o Hino da Restauração, não senhor; havia já uma ambição mais forte, a de poder formar uma filarmónica, preenchendo uma falta existente há dezenas de anos! Praticamente os dias de descanso não existiam: o tempo passava-se velozmente e era necessário que o grupo saísse o melhor possível, ainda mesmo que a maioria tocasse de ouvido. Todos os dias se ensaiava e muitas vezes ouvi ralhar minha mãe: - Oh rapaz, tu não tens assento para nada; mal chegas a casa, jantas à pressa e sais, parece que andas maluco com o diabo da música, ora esta! E era verdade, ela tinha razão coitada, como quase sempre a têm todas as mães que advertem os filhos quando lhes notam quaisquer anormalidade. Eu andava numa autêntica loucura; quase que não comia e trazia os lábios vermelhos e inchados devido ao bocal do contrabaixo: era este o instrumento que eu tocava. O Jacinto Hipólito, o “Lagarto”, comprometera-se a tocá-lo mas, ao ver o estado como o pobre instrumento saíra do sótão da casa do João Borrego, cheio de teias de aranha, de manchas negras, e com um fofinho

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ninho de ratitos dentro da campânula, não quis tocar nele; foi então que o levei para casa e o lavei, como já disse. Para melhor poder afinar o conjunto, começámos a compreender que seria necessário o auxilio de alguém mais velho e de mais competência, pois a boa vontade e os conhecimentos do “Zé Carlos” não eram já suficientes. Conhecedor desta nossa intenção, o Sr. Roberto Júnior, (vulgo Roberto da Ferradora), músico competente e homem já de certa idade, ofereceu os seus préstimos como orientador e ensaiador, não desdenhando pôr a sua calva rodeada de cabelos brancos ao serviço dum grupo de irrequietos rapazes, cujas idades se cifravam entre os quinze e os vinte e três anos. Num amplo celeiro da Companhia das Lezírias que, para o efeito nos emprestaram, começaram os ensaios sobre a nova orientação. Tocando e marchando horas sem fim, nunca houve entre o numeroso grupo um queixume, um desânimo, ou qualquer sinal de aversão. Na noite que antecedeu o dia 1º de Dezembro desse ano, nenhum de nós dormiu em casa. O grande benemérito, Sr. Gaspar da Costa Ramalho, pôs à nossa disposição uma casa, nesse tempo ainda desabitada, para nela passarmos essa noite e onde organizámos uma ceia, finda a qual ninguém mais dormiu: as horas pareciam ter o dobro dos minutos o que, na ânsia de ver chegar a madrugada, dava a todos a ilusão de horas mais compridas. Um foguete, logo seguido de um morteiro, ambos

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lançados pelo velho empregado da Câmara, Sr. Vitorino (dos Candeeiros), deu a indicação de que eram já cinco horas da manhã. Faltava a penas uma hora para que o sonho de toda a rapaziada se tornasse realidade! Às cinco e meia, cada um com o seu instrumento debaixo do braço, todo o grupo se dirigiu para o Largo da Câmara Municipal, em cuja frente se tocaria pela primeira vez. Todos formados, a postos, esperámos que o relógio da torre da Igreja Matriz, desse as seis badaladas. Logo que a primeira ecoou, rompeu o Hino da Restauração, tocado (?) por trinta e tal rapazes cheios de alegria por verem enfim satisfeita a sua ambição. Muito povo se aglomerou também em frente aos paços do concelho e, ao verificarem a alegria, o entusiasmo, e até a comoção daqueles endiabrados rapazes, não puderam conter-se e em muitas faces se viram lágrimas de comovida satisfação. A todas a ruas, travessas e becos, foi levado o “Hino da Restauração”, tocado repetidas vezes, entre o estalejar dos foguetes, a vozearia do rapazio, o ladrar dos cães e o cantar dos galos que, habituadas habituados a serem só deles os únicos sons ouvidos àquela hora, pareciam cantar de maneira diferente, certamente irritados por notarem que algo de estranho tirava a primazia do despertar da “Aurora” naquele dia. À medida que o grupo avançava ia engrossando a comitiva de admiradores, pois à nossa passagem não havia quem resistisse ao desejo de se levantar e seguir atrás da música. Ao meio-dia, repetiu-se

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as voltas, o mesmo sucedendo à noite: Salvaterra, encontrava-se então entusiasmadíssima com a proeza dos seus moços, cujo feito mais parecia um sonho que uma realidade! Terminada a tarefa daquele dia, alguém lembrou a conveniência em continuarmos, aproveitando o entusiasmo inicial para a formação de uma filarmónica na terra, preconizando até uma reunião para discutir o assunto. Durante um jantar de homenagem preparado para o efeito, ficou combinado a formação do agrupamento que a partir daquele momento passou a denominar-se GRUPO MUSICAL SALVATERRENSE, ficando o Sr Roberto Júnior, como director artístico. Alugou-se um celeiro onde foram montadas as respectivas instalações e, aproveitando a boa vontade de muitos amigos, foi lançada uma pequena cotização mensal que, juntamente com o produto de algumas festas, nomeadamente bailes, servia para suprir as despesas. Embora o grupo musical, fosse formado com grande entusiasmo e ficasse sob a orientação de boas vontades, a sua existência foi curta (cerca de um ano apenas), e pouco brilhante porquanto não começou da melhor maneira. Conforme já lhes contei, a grande maioria dos componentes não sabia solfejar, pelo que não haveria muito a esperar do seu valor como filarmónicos: a prova é que durante um ano conseguiram apenas ensaiar e tocar duas marchas bastantes simples. Começaram então a aparecer algumas discordâncias, pela forma decorria a orientação do agrupamento, pois alguns, com justificada

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razão, insistiam para que fossem ministradas lições de solfejo aos executantes antes de serem postos à estante. O senhor Justiniano Ferreira Estudante, saudoso comandante dos bombeiros voluntários, notando talvez os pontos de discórdia existentes na rapaziada, pediu a comparência dos principais obreiros do Musical no seu gabinete, a quem expôs, com palavras bastante elucidativas, as vantagens que adviriam da transferência do Grupo para aquela Corporação. Como nem todos concordassem com a referida transferência, havendo até alguns que afirmavam não querer entregar à Corporação dos Bombeiros uma obra que tanto trabalho dera, ficou deliberado efectuar-se uma reunião entre todos, onde cada um, por escrutínio secreto, se manifestaria consoante a sua vontade, resolvendo assim o futuro da música em Salvaterra.

Troup-Jazz ”Os Persistentes”

Setenta por cento da rapaziada, mais ou menos, se manifestou favorável à dissolução do Grupo Musical, cuja resolução encheu de júbilo o Sr. Justiniano, porque viu possível formar o que tanto

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entusiasticamente idealizara – uma banda de música dentro da corporação que tanto adorava. Se havia elementos orgulhosos da sua obra, satisfeitos por pertencerem ao número dos que tornaram possível a formação de um grupo musical em Salvaterra, eu era dos mais entusiastas, tanto mais que me pertencia, além dos outros, a honra da iniciativa. Todavia não concordava com a existência do agrupamento dentro daquela orientação, por me parecer impossível a sua manutenção sem ordem e sem preparação artística, o que equivaleria a um bom cavalo
sem pernas, um bom relógio sem ponteiros, etc..

Daquele dissolvido grupo nunca Salvaterra poderia esperar quais quer acções que a dignificassem. Os que me acompanharam nestas passagens poderão justificar a minha razão ! Que se poderia esperar de músicos (?) sem saberem solfejar? Alguns, quando se lhes dizia que os instrumentos deveriam dar lugar ao solfejo por uns tempos, respondiam de mau humor: Solfejo para quê? Isto a poder do tempo toca-se; vocês nunca ouviram dizer que água mole em pedra dura tanto bate até que fura?... Por discordar destas disparatadas opiniões, perdi a amizade de alguns amigos, inclusivamente a do próprio Zé Carlos Cabaço que até então fora um dos mais dedicados! Como a consciência me diz ainda hoje que procedi de forma a não ter de arrepender-me, sinto satisfação por ter também contribuído para a formação da Banda dos Bombeiros.

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Não julguem, que foi fácil organizar devidamente a banda dentro da Corporação dos Bombeiros; algumas dificuldades surgiram de princípio, pois lá também havia quem pretendesse fazer caminhar o conjunto tal como entrara, com músicos artificiais, levando ainda mais um ano, talvez, a encontrar o verdadeiro caminho. Foi então que a respectiva direcção, dando crédito às nossas insistências, o maestro e compositor, António Paulo Cordeiro, para formar a futura banda, o que todos encheu de entusiasmo e esperança, dada a sua reconhecida competência. Este senhor, depois de observar individualmente todo o conjunto, ordenou que alguns colocassem os respectivos instrumentos na prateleira, sendo durante algumas semanas substituídos pelos livros de solfejo, passando em seguida diversas lições, exercitando cada um no seu instrumento. O entusiasmo recrudesceu, registando-se a entrada de um bom número de aprendizes, e quando pela primeira vez, depois desta orientação, os salvaterrenses viram e ouviram o novo conjunto, já não lhe chamaram o “Grupo dos Rapazes”, como anteriormente, mas sim a nossa Banda dos Bombeiros!... Embora sem grandes aspirações, a “minha” Banda – como orgulhosamente lhe chamo – tem vindo a caminhar através dos tempos, umas vezes melhor outras pior, como sucede com todas, até mesmo algumas com grandes aspirações, mas sempre afinadinha e gritando “presente” em todos os festejos que a sua terra realize.” “Esta é a história, da banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, contada por quem viveu as suas primeiras alegrias e tristezas, sempre animado do mais sincero desejo de contribuir para

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algo de útil à sua terra. A vida, esse “fantasma” que nos encaminha para onde quer, obriga-me a viver longe de Salvaterra; porém isso não obsta a que siga apaixonadamente o seu rodar, interessando-me por tudo que lhe diz respeito, e muito especialmente pela sua Banda, de cujo caminhar me informo sempre que a visite.”
O documento, tinha agora divulgação pública, nos jornais, no entanto João Pereira, distribuiu alguns exemplares por amigos de longa data. Uns meses depois, o Henrique da Graça, que foi durante muitos anos carteiro na vila, e também um dos que iniciaram aquela aventura, encontrou-me e disse-me: “ Olha, que naquela história da Banda, do João Pereira, falta-lhe lá uns permeares. Eu, um dia conto-te ! “ * Joaquim Conceição Damásio (Joaquim Pé-leve), e muitos outros também me deram alguns dados da (sua) banda, com outros pontos de vista, quanto ao aparecimento, da que viria a ser a Banda de Música dos bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos (*)

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(*) – José Henrique Serra da Graça, filho de Henrique da Graça, antigo carteiro e músico, distribuiu em Dezembro de 2004, uma brochura, onde contava a versão do pai, sobre a origem da Banda de Música.

A OUTRA VERSÃO Para ser comparada uma outra versão, do aparecimento da Banda de Música dos Bombeiros, não deixei de ter a tentação de aqui transcrever o manuscrito, de Henrique da Graça, usado no livro editado pelo seu filho – José Henrique Serra da Graça, em 2004, e que desde já nos penetênciamos pelo atrevimento, sem a devida anuência. “Entendo ser conveniente dar a idea mais exacta e ao mesmo tempo estar em desacordo como a forma apresentada, pelo nosso amigo João Pereira (Jope) a formação da Banda de Música, na qual estive e vivi totalmente por dentro, aliáso Jope também esteve como fundador. Antes de nascer a Banda, existia um Jaz-Bande, nome que se dava aos conjuntos musicias da época com o nome de os “Persistentes”, que a nosso pedido, o sr. Roberto Fonseca Júnior, nos indicou como sendo o mais adequado, faziam parte deste conjunto, José Carlos Augusto Cabaço (Clarinete), que nos ensinou o solfejo e depois o orientador do grupo, José Miguel Travessa (Trompete), Henrique da Graça (Sax-alto), Francisco Henriques da Fonseca (Bandola-Banjo), Jacinto Hipólito (Bandolim), José Luis Serra Borrego (Banjo), Raúl Moreira Torroais (Bateria), João Pereira (Bandola-viola), mais tarde Rui Cordeiro (Trompete) e alguns destes elementos chegaram a atingir alguma experiência. Não amigo João Pereira, não estávamos no poial do sr. Pedro dos Santos a discutir o que deviamos fazer, Grupo Coral? Cénico? Folclore?

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Então tinhamos o nosso Jaz-Band, e estavamos a inventar coisas para passar–mos o tempo ? a nossa casa de ensaios do Grupo era-nos cedida pelo Francisco Fonseca (Vassoura) que também tocava no grupo, casa-arrecadação que dava para a rua d`água, era ali, que passávamos tôdas as noites praticando, e estávamos nós no poial a tentar descobrir o que fazer fazer? à meia-noite? Ter-se-á esquecidoo nosso conterraneo esquecido que também fazia parte do grupo? A sua versão não é exacta, dando a entender de que até aquela data, (noite) nada havia, existia èste grupo musical e daqui a formação do Grupo Músical Salvaterrense, esta a verdade núa e crúa, por muito que pese ao nosso amigo João Pereira, creio mesmo se tentar visionar o que afirmo. É pessoa suficiente inteligente para reconhecer que houve alguma confusão. Agora um pouco maid e história da Banda, tivemos alguns ensaios num celeiro na rua atrás da Igreja, sob a regência do sr. Roberto Júnior, depois alugámos um celeiro na av. Vicente Lucas de Aguiar, ( hoje Dr. Roberto F. da Fonseca) onde se davam bailes para amgariar fundos, sendo (os Persistentes) o nosso Jaz-Band, já integrados no Grupo Músical Salvaterrense que abrilhantava estes bailes, depois o que é conhecido, transferência para os Bombeiros, o qual passou a chamar-se Banda dos Bombeiros Voluntários, ainda tivemos em princípio como regente o sr. prof. Manuel Duarte Assunção, mas as suas habilitações musicias não eram suficiente, viria então o competente Maestro António Paulo Cordeiro, natural de Salvaterra. Pela primeira vez que a Banda oficialmente saía a tocar em 1941, numa corrida de touros, depois da restauração da Praça, danificada pelo ciclone, tivemos conhecimento de que estava um senhor como hospede em casa do sr. Conde Monte Real, encarregado de ovir o Hino a Internacional? * Hino da Carta, que na época era proíbido tocal em

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Portugal, alguém de Salvaterra denúnciou a Banda, de que ensaiava esse hino para o dia da corrida, os tais detractores, por ciúme ou inveja e mais, para desvirtuar o competente Paulo Cordeiro etc. Etc. Bem isto é outra história. O certo é que estava tudo e na hora para a saída da Banda, enquanto se aguardava a chegada do sr. encarregado de ouvir o Hino, à última hora, o sr. Paulo Cordeiro (Maestro) com a sua competência, pegou num lápis e começa a fazer cortes, riscando, aqui, riscando ali, nas partes essenciais do Hino, para que não fossem ouvidas a parte melódica, no meu caso, diz-me, finge que tocas, queria dizer, nem uma nota, não teve o mesmo brilho, mas foi o suficiente para passar o exame. Ainda hoje acredito que esse sr. não foi vencido, convencido sim, pela forma em que o Hino foi camuflado. Finda a inspecção ? os parabéns para a Banda onde a frase curta, podem tocar. Salvaterra de Magos 12-12-88 Henrique da Graça “ O SEU PERCURSO! Desde aquele já longínquo ano de 1938, esta casa, por via da cultura musical, foi uma escola de virtudes, não só pelo companheirismo ali

encontrado, como pelas dezenas de mestres que, ali passaram e, souberem incutir nos jovens alunos, o respeito por esta sublime arte que é a música. Envelheceu, teve uma vida com alguns percalços, que muitas vezes foram de “agonia”, mas sempre foram ultrapassados, apareciam alguns carolas prontos a dirigi-la.
A ESCOLA DE MÚSICA

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A sua escola funcionava, a juventude aderia e, todos os anos saia uma fornada de músicos, uns ingressavam no agrupamento e aprendiam a marchar, outros seguiam caminhos diferentes, iam mais enriquecidos – a cultura musical – era agora sua companheira.

Depois de muitos anos em que o entusiasmo era tanto que, levou à constituição de grupo teatral, a que foi dado o nome:
GRUPO DRAMATICO DA BANDA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS.

Este agrupamento levou à cena, no então teatro-cine, dos Bombeiros, uma peça em três actos, da autoria Salvador Marques, cujo nome e situação focava a vida dos CAMPINOS, ensaiada por Ruy Andrade. (Parodiantes de Lisboa), naturais desta terra. O êxito foi tal, que ouve necessidade de o representar, pelo menos mais uma vez, para a população de Salvaterra de Magos, a par de outras em terras vizinhas.

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A presença da Banda, era solicitada para estar presente em tudo quanto eram festas populares e cerimónias oficiais, os concertos proliferavam. Inicia-se uma grave crise no meio da filarmónica que, levou alguns anos a debelar, foi por volta de 1976, a revolução dos cravos, ainda ditava que, se fizessem alguns “retoques”no antigo funcionamento das instituições. Um grupo de 6 jovens dirigentes, com alguns dos antigos músicos que regressaram, muitos pertenceram à sua “raiz”, já tinham deixado a estante – dando-lhe novo “folgo” como dirigentes. Do grupo mais antigo, persistiam em continuar: António Travessa, Ezequiel Inácio, Manuel Joaquim Travessa, José Luís Borrego, Fernando Santos, Luís Gonçalves, Emílio Coelho, Florentino Viana, Manuel Sebastião Catarino, Fortunato Ferreira e, alguns mais que a memória dos registos teimam em esconder. No ano de 1970, a banda de música dos bombeiros, tinha a dirigi-la o muito saudoso mestre, Mendes Soldado, exímio sabedor da arte, de Bethoven e Josephe Verdi. Um grupo de jovens meninas, desejou aprender música, e o mestre, após um acordo com elas disse: Saberão música, e até tocar um instrumento ! Mas gostaria de vê-las, a tocar na banda de música dos bombeiros voluntários de Salvaterra de Magos.

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Nesse mesmo ano, de 1970, em dia festivo, o primeiro grupo de jovens músicos sai, e o povo viu-os marchar e tocar, pelas ruas de Salvaterra de Magos. Em algumas faces, correram lágrimas, a banda dos bombeiros, era uma das iniciadoras deste novo feito, em que as mulheres, passaram a tocar nas bandas de Música de Bombeiros e Filarmónicas de Portugal. Pena nossa, não poder encontrar registos de todos os directores que, se empenharam e viveram a vida da Banda de Música dos Bombeiros, ao longo da sua existência. Mas dos primeiros, não deixamos de registar, o nome de Pedro dos Santos, que conhecemos, e ainda anda de boca em boca !.

Notas de Reportagem, na Comunicação Social ! A BANDA DE MUSICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS COMEMORA O SEU 43º ANIVERSÁRIO NA IGREJA MATRIZ Na comemoração do seu 43º aniversário, a banda de música dos bombeiros voluntários de Salvaterra, deu no passado dia 6 de Novembro, um concerto, na Igreja matriz, onde um vasto programa foi atentamente apreciado por um público que, a encheu por completo.

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“Entre a assistência, notava-se a presença de grande número de visitantes que, vieram expressamente da Azambuja, afim de assistirem ao espectáculo musical. A banda apresentou-se ao público, reforçada com elementos da Filarmónica da vila da Azambuja que, também trouxe para a actuarem a presença simpática de um Coro de crianças (Infantil), num total de 60 vozes. Devido a ser inédito nesta vila, um concerto na Igreja Matriz, o mesmo era aguardado com uma certa expectativa, pois os sons ali produzidos patentearam bem a presença dos 110 executantes (Coro e Músicos), até porque as condições acústicas, serviram os fins em vista.

A abrir a sessão, o director, João António Hipólito, em breves palavras, disse dos anseios e potencialidades da banda de música dos bombeiros e, num comovente apelo aos ex-executantes que, por motivos

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diversos se tinham afastado que regressassem, a banda precisava de todos. Também dirigiu a palavra aos pais e encarregados de algumas instituições, que encaminhassem as crianças ao encontro da música, pois a banda de música é uma escola de arte e, os compensaria no enriquecimento da sua cultura. Incluídos no vasto programa, foram executadas as peças: Dr. Vieira de Carvalho, Camélia, No Jardim dum Templo Chinês, Canções e Cantigas, Dallas, Coimbra, Baile dos Passarinhos, Hino da Alegria, Aleluia e Coro dos Escravos “Nabucco”

Antes de finalizar o concerto, foi anunciado à assistência que, mais um músico iria abandonar a banda, o executante – José Luiz Serra Borrego, após uma permanência de 43 anos, motivos de saúde o impediam de continuar. A assistência, que enchia por completo aquele templo religioso, de pé atribuiu-lhe demorada salva de palmas.

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O José Luís Borrego, levantando-se comovido, e com as lágrimas nos olhos, agradeceu!,, Naquele momento, verificou-se que, valeu a pena tantos anos de dedicação à “nossa” Banda de Música. A terminar o espectáculo, o Coro e Banda, cantaram e tocaram o “CORO DOS ESCRAVOS”, com a assistência envolvida numa prolongada ovação, pedindo uma repetição. Este encontro, foi um reatar de tradições, onde os povos de Salvaterra e Azambuja, fizeram lembrar, outros encontros que, aconteceram nos primeiros anos do século.
In 6/ Novembro/ 1982 * José Gameiro

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ACTUAÇÃO NO ESTRANGEIRO E NA TV DO LUXAMBURGO Quando convidadas por um grupo de emigrantes de Salvaterra, que trabalhavam no Luxemburgo, foram até àquele país e aturam num Jardim público e, num programa de televisão dedicado aos portugueses

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Também quando da geminação entre o povo de Salvaterra de Magos e, de Valkansuaard, actuaram na Holanda, pois foi celebrado um acto de grande amizade, pois já séc. XIII, vinham para Salvaterra de Magos, como Falcoeiros. Houve festejos nas duas localidades, pois mais tarde os holandeses vieram retribuir a visita. O MEIO SÉCULO DA BANDA Estiveram presentes, naquele dia festivo do ano de 1989, os poucos músicos fundadores da banda de música, a receber as medalhas comemorativas. Mário da Silva Antão, Joaquim da Conceição Damásio e Carlos da Costa Paiva, foram acompanhados por uns quantos, como: António Travessa, Fernando Santos, Ezequiel Inácio, executantes que já “marcavam presença” há muitos anos na banda e, receberam também tão merecida homenagem. No local, em frente ao edifício-sede dos bombeiros, muito público assistia aquele acto comemorativo e, enquanto eu, tomava notas para a notícia, vejo em sítio de grande descrição, um homem já de idade avançada, com o lenço limpando uma lágrima rebelde, manifestava assim, a grande alegria de todos, A banda de música, já tinha 50 anos, Era o João Pereira !

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O Maestro João Teofilo - Com alunos em dia de saía oficial

OS DIRECTORES DA BANDA ! Pena nossa não poder, aqui fazer justa e merecida identificação de todos os dirigentes, que passaram pela banda de música. Ao longo dos tempos, mas sendo parcos os registos, disso nos impedem, mesmo assim não ficará mal, em lembrar: Pedro dos Santos, Eurico dos Santos Santana Lobo, João António Pinto Oliveira, Carlos Cantador Duarte, João Hipólito Viegas e outros

Borrego, Alexandre Varanda da Cunha, José Martins dos Santos, José Manuel Cabaço, João Almeida da Silva, José Teodoro Amaro, Manuel

AS CRISES!

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Durante a sua existência, periodicamente, a banda de música, tem sofrido algumas crises, quer de dirigentes, quer de executantes. Em 1970, inicia-se um novo e grave período de vida naquela Banda de Música que, levou alguns anos a debelar e, só em 1976, foi totalmente sanada, após um grupo de 6 jovens dirigentes, com alguns dos antigos músicos que regressaram. Muitos que pertenceram à sua “raiz”, já a tinham deixado, a morte e a velhice, eram algumas das causas de tão mau momento, que agora passava a banda. Dos mais antigos, persistiam em continuar: António

Travessa, Ezequiel Inácio, Manuel Joaquim Travessa, Manuel Sebastião Catarino, Hernâni Arroz Damásio, com mais um pequeno punhado de
novos executantes que entretanto se tinham preparado na escola musical da instituição.

O jovem músico Luis Andrade, fazendo continência a D. Dinis

A finalizar este Apontamento, não seria justo deixar de registar a dedicação e empenho, até mesmo sacrifício, no sector da cultura musical, em Salvaterra de Magos, Diamantino Jacob, que nos últimos

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anos, desenvolveu, grandes esforços, para manter bem alto o espírito de cultura, da Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, através dos ensaios semanais e respectiva escola de música.

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CONCURSO NACIONAL DE BANDAS MUSICAIS CIVIS A FNAT – Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, realizou entre 1968 e 1971, o II concurso Nacional de Bandas Civis. Os concertos decorreram em várias cidades do país, sendo o seu apuramento sido feito por categorias e eliminatórias. A Bande dos Bombeiros de Salvaterra de Magos, tendo participado, apresentou 33 executantes, e passando a 1ª eliminatória, em 4º lugar, com 218 pontos, ficou-se na 2ª eliminatória, com o 5º lugar, com 179 pontos. LOUVORES O músico, Luís António de Almeida, saxofone-tenor, foi louvado, pelo seu espírito de sacrifício, invulgar dedicação e alto sentido de responsabilidade que revelou, apresentando-se no Teatro Garcia de Rezende (Évora), em maca, com uma perna engessada. A BANDA DOS BOMBEIROS ACABOU! Em 2011, uma persistente e grave crise finaceira, que se vinha instalando nos bombeiros, teve grandes reprecursões no bom funcionamento da Banda, o que levou a maioria dos componentes desta, a optarem por

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fundar uma Filarmónica na vila, deixando assim de existir a banda de música dos bombeiros voluntários de Salvaterra de Magos. *************

X
O TEATRO-CINE DOS BOMBEIROS Na necessidade de uma sala própria, para teatro e cinema, em Salvaterra de Magos, o benemérito, Gaspar Costa Ramalho, por volta de 1925, mandou construir num seu celeiro, na antiga rua de S. Paulo (Rua Machado Santos), um edifício com todos os requisitos da época, que se adapta-se à representação teatral e à projecção de filmes, oferecendo-o aos Bombeiros Voluntários da terra, para fins de poder angariar mais receitas para a Instituição. Ali se representaram vários espectáculos de teatro, que depois de saírem de cena em Lisboa, começavam a percorrer o país. Ao longo da sua existência, o Teatro-Cine, teve vários interessados na sua exploração comercial, para além dos seus proprietários, os bombeiros, sendo mecânico da máquina de projectar os filmes, o jovem Hélio Mendes da Silva. Mais tarde, no dobrar do séc. XX, um empresário de Marinhais, Joaquim Martins Madeira, já com um cinema instalado naquela povoação, durante anos explorou esta actividade, em Salvaterra de Magos, sendo o maquinista Ezequiel Inácio. Nos dias quentes de Verão, utilizava um largo espaço, numa

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propriedade da família Henriques Lino, na rua João Gomes, onde funcionava a “Esplanada do Cinema”.

1950 -O Cine-Teatro dos Bombeiros, na Rua Machado Santos

Nos intervalos, o bar era no Café Progresso, com acesso por uma pequena porta. Foi num destes anos que, ali se construiu um novo ecrã de grandes dimensões, numa parede de tijolo e reboco de cimento, pintado a branco pois tinha chegado o formato Cinemascópio, era uma nova forma de visionar filmes, uma sociedade, entre Anselmo Goulão e Horácio Costa, funcionários da Raret, também explorou o Cine-Teatro, dos bombeiros. A firma Manuel Vieira Lopes & Filhos, Sucrs, por volta de 1959, estando interessada neste campo empresarial, inicia a construção de uma nova sala de espectáculos, “Conde dos Arcos”, as conversações com os

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bombeiros, para celebrar um contrato de cedência anual de todo o material existente no Cine – Teatro Salvaterrense, além do respectivo alvará, pelo preço de quarenta mil escudos, e o compromisso da receita anual de uma sessão de cinema, em dia de comemoração de anos. Estando a máquina de projectar e outros acessórios do Cine-Teatro Salvaterrense, já obsoletos, comprometeu-se a comprar novos aparelhos para a projecção dos filmes. A Direcção dos Bombeiros, reunida para deliberar o aluguer das responsabilidades para os novos interessados, veio a verificar que, não existia nenhum Alvará de exploração em nome dos Bombeiros, para exibição de filmes. Na documentação existente, na Instituição, apenas um licenciamento provisório, estava registado através da autorização do Governo Civil de Santarém. Verificou-se assim, que o seu cinema, nunca possuiu a autorização definitiva por meio de um Alvará, documento necessário à época para a exploração daquele ramo de actividade. Perante aquela situação, avançou a firma Vieira Lopes, na legalização de uma sala de espectáculos, em Salvaterra de Magos, na sua propriedade, na rua Heróis de Chaves, e a população não ficou privada da exibição de filmes, sendo inaugurada em 31 de Maio de 1959, com o filme “Os Miseráveis”, com os actores principais: Jean Gabin e Daniele Delome.

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INDICE: I - A INSTITUIÇÃO II– CORPO ACTIVO III – UM DIA DE FESTA, UM DIA DE LUTO IV - RECEBER PREMIO EM TEMPO DE ANIVERSÁRIO V –RECORTES DE JORNAIS V – UM NOVO TEMPO NA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VI UMA RUA PARA GASPAR DA COSTA RAMALHO VII – A FANFARRA DOS BOMBEIROS VIII – GRUPOS MUSICAIS – O CORETO IX – COMO NASCEU A BANDA DE MÚSICA DOS BOMBEIROS

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X – TEATRO-CINE DOS BOMBEIROS BIBLIOGRAFIA USADA: * Revista: A Hora – 1936 * Jornal Aurora do Ribatejo *Jornal O Ribatejo * Jornal Correio da Manhã *Jornal Vale do Tejo * História da Origem da Banda de Música, dos Bombeiros de Salvaterra de Magos, Autor; João Pereira – (Jope) *A Origem da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos: * Colecção Recordar, Também é Reconstruir – Autor: José Gameiro

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INDICE DAS FOTOS USADOS, SEM LEGENDA: Fotos da Capa: * Bombeiro, Silvério Damásio, apagando um incêndio no Pinhal dos Mouros (Vale Queimado) * Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos * Pág. 5 – 1935, Carreta para Incêndios, * Pág. 6 -1935, Comissão Fundadora * Primeiro corpo activo dos bombeiros voluntários, junto da sede na Av. José Luis Brito Seabra * Pág. 8 – Justiniano Ferreira Estudante, um dos fundadores e 1º comandante dos bombeiros.de Salvaterra de Magos * Pág. 18 – Comandante, Carlos Leonel Duarte * Pág. 28 -Gaspar da Costa Ramalho, Benemérito * Pág. 31 - Fanfarra, Dezembro de 2006 *Pág 37- 1951, A Banda de Música, nas Festas de São Brás (Barrosa-Benavente) * 1ª Fila: Pedro dos Santos (Director), Sr. Silva (Maestro da Banda), Porfírio Monteiro e Arsénio Lamarosa (Músicos-Aprendizes) * 1º Plano: Carlos da Costa Paiva, Luís António Almeida, Manuel Alberto Ferreira Júlio, Francisco Mendes, João Felgueiras Tomaz, António Francisco Cantador, António Neves Travessa e João Inácio * 2º Plano: Luís Cantador (Acompanhante, pai de António Cantador), Fernando dos Santos, José Maria Neves Faro, António Germano, Músico da PSP, Fernando Luís das Neves e Músico da PSP * 3º Plano: Joaquim Viegas, Músico da PSP, Carlos Nunes Cardoso, Eurico Santos Borrego, Manuel da Graça, Carlos

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dos Santos Borrego, Manuel Felgueiras Tomaz e Francisco Henriques da Fonseca.

* Pág. 38 - Nas Festas da Glória do Ribatejo, na Frente: Maestro, Luís Almeida, José Neves Faro e Luís Gonçalves – s/d *Pág. 40 - 1972, Banda de Música: 1º Plano: Mendes Soldado (Maestro), João Ferreira Inácio, Manuela Faz-Cordas, Vitória do Peso, Adelaide Ventura, Florência Aleluia e o menino Rui Manuel 2º Plano: João Almeida da Silva (Director), José Luís Borrego, Manuel Travessa, Odília Paiva, Conceição Soares, Conceição Paiva, Luís Almeida, Luís F. Gonçalves, José Martins dos Santos (Director) 3º Plano: Eurico Borrego (Director), Luis Palma, José Joaquim Freitas, Ana Maria Viana, António Francisco Cantador (de Bigode) 4º Plano: Ezequiel Jorge, Henrique da Graça, José Maria Neves Faro (Baguinho), Ezequiel Inácio, Carlos Costa Paiva, João Maquilão, Carlos Borrego, Manuel da Graça, Fernando dos Santos, António Neves Travessa, Florentino Caniço e Fernando Luís das Neves (Ciranda). Pág. 45 - 1938 - Grupo Jaz “ Os Persistentes” Da Esquerda para a Direita: José Luis Borrego, Jacinto Hipólito, Francisco Henriques da Fonseca, João Gomes Castanheiro, Raúl Moreira Toerroais, João Pereira, José Carlos Augusto Cabaço, José Miguel Travessa, Henrique da Graça * Mascote; Anibal Dias (filho de Augusto da Silva; o Augusto Cócó)

*Pág. 53 - 1985, Janeiro * 1º Plano: João Maquilão, Ana Maria Viana, Florência Aleluia, Adelaide Ventura da Silva, Manuela FazCordas e João Inácio * 2º Plano: Odília Paiva, Conceição Paiva, Cecília Soares, Mendes Soldado (Maestro) e Luísa Almeida * Nota: Os músicos em 1º plano, apresentaram-se em público, ano 1972, e os no 2º Plano apresentaram-se em 1970. No Publico presente na

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retaguarda, João Oliveira (João da Companhia) Luís Cantador (Pai do músico António Francisco Cantador) e António Lagarto *Pág. 56 – 43 anos da Banda, com o Maestro João Teófilo, tocando na Igreja Matriz, acompanhada do Coro Infantil da Banda de Música da Azambuja * Neste dia o músico José Luís Borrego, anunciou a sua saída da banda depois de muitos anos pertencer à mesma. *Pág. 57 - 1985, Um grupo de novos músicos, saídos da escola da banda dos bombeiros *Pág. 60 A Bande Música, renovada, que participou no Festival da EDP * Estiveram presentes: Sociedade Filarmónica Instrução Recreativa Carregueira” Vitória”, Sociedade Filarmónica União Samorense, Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos e Banda Marcial de Almeirim.

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