Você está na página 1de 19

Paula Ramos angelheadmetal@gmail.com Izabela Jatene Souza izabelajatene@gmail.com

EMO, O FILHO BASTARDO DO PUNK: ANÁLISE ANTROPOLÓGICA DE DOIS ETHUS GRUPAIS EM BELÉM DO PARÁ

RESUMO

Este trabalho analisa o universo de uma tribo urbana chamada emocore, desde a primeira geração do movimento punk até os dias atuais em uma perspectiva pós- moderna. Tem como principal foco os elementos que compõe o verdadeiro sentido de busca da identidade na juventude hoje. Realiza uma análise do preconceito existente em relação á essa tribo, utilizando como metodologia principal a pesquisa de campo baseada em alguns dos principais autores da antropologia e sociologia. A pesquisa durou exatamente dois anos, onde alguns jovens expuseram o porquê de o emocore ser considerado por muitos como a “herança maldita ou o filho bastardo do punk

Palavras Chave: Emocore; Punk; Identidade; Pós-moderna; Juventude; Preconceito

INTRODUÇÃO

A minha pesquisa foi desenvolvida a partir de um tema muito em voga na

sociedade contemporânea, as tribos urbanas na pós-modernidade. O surgimento em

cadeia e a adesão a essas “tribos” se dão como conseqüência da globalização e do crescente individualismo nas grandes metrópoles, á vista das transformações que os mesmos causam na sociedade. O que percebi ao longo do processo de investigação é que, a “perda da identidade pessoal” é vista como uma das justificativas para essa grande onda de grupos diversos. Assim, ao pesquisar movimentos musicais que reúnem em sua maioria, jovens que compartilham gostos, vontades, valores, hábitos e ideologias, pude perceber o crescente processo de “tribalização” que a juventude contemporânea vive.

A pesquisa apresentada tem como objetivo de estudo duas tribos urbanas, os

Punks (sendo que essa foi apenas um estudo de caso) e os Emocores, sendo que a primeira é um enclave para se chegar a segunda que na verdade é uma vertente do movimento punk. Tudo começou pelo final da década de 1970, com o surgimento do

referido movimento, que acabou no início da década de 1980, segundo McCain e

McNeil (1997), com a “massificação” e posteriormente com o fim da banda Sex Pistols.

O trabalho foi realizado no período de 2007 á 2009, quando desenvolvi a

pesquisa pautada com dados primários e secundários. Por meio de levantamento bibliográfico pude contextualizar o objeto no tempo e espaço, tendo a teoria da pós- modernidade como “fio condutor”. A escolha de autores como Jamenson, Lyotard, Featherstone, Baudrillar, Bauman e principalmente Michel Maffesoli; subsidiou a análise realizada.

Para o levantamento dos dados primários desenvolvi a pesquisa de campo, no Shopping Iguatemi (hoje Pátio Belém), na Praça da República, na Praça Santuário (CAN) e nos shows de bandas realizados em algumas boates da cidade- Scorpions e Café com Arte, localizados na Avenida 16 de novembro e Travessa Rui Barbosa. A observação participante foi meu ponto de partida, a que possibilitou mergulhar no universo dos emos e visualizar a construção sócio-cultural e outras tribos, cada inserção aos espaços pesquisados minuciosamente registrados em meu diário de campo. Outra questão que será abordada é em relação ao padrão estético, a mistura com os outros estilos, muitas vezes inaceitáveis. O fato de quererem ser aceitos, pelo amor e não pela agressividade punk tradicional, o “idioma”, a relação com a internet, a sua identidade e a aceitação da mesma, a descoberta da sexualidade ou orientação sexual na adolescência, o relacionamento com os pais e muitas outras situações que o grupo colocou enquanto pesquisado, são questões extremamente relevantes para a pesquisa. Meu objetivo é mostrar que devemos relativizar e compreender as “diferenças” e gostos de cada um, mostrar a importância da identidade entre os membros das tribos urbanas, o que há em comum entre os jovens de hoje e os jovens da década de 1980 e principalmente, no que tange ao preconceito com o grupo estudado, sobretudo com relação á sexualidade. Para isso colocarei nesse trabalho a verdadeira imagem que eles querem passar para a sociedade. Vazios ou não, a minha preocupação é conhecer um universo que para mim é completamente novo, uma vez que não escuto as suas músicas e não sou adepta desse movimento, sendo que desde a minha infância sempre me simpatizei muito com os beangers, considerados os maiores rivais deles, desde a época do “auge” punk, ou seja, não tinha nenhuma relação com eles até a realização desta pesquisa, mas sempre tive a curiosidade de saber o que se passa na cabeça do adolescente de hoje. O que me motivou a fazer a pesquisa sobre essa vertente, não foi só o fato de ser um tema novo na mídia, mas também as questões sociais e culturais que envolvem esses jovens. Quem são eles? A que classes pertencem? A questão da sexualidade que os envolvem, do preconceito que sofrem, não somente de outras tribos, mas também de pessoas que não fazem parte de nenhuma tribo, e também o fato do movimento hardcore não o reconhecerem como uma vertente, considerados por muitos como “o filho bastardo do punk”. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a “moda” Emo emplacou por volta de 2000/2001, em Belém essa “febre” entre os adolescentes começou a ser percebida em 2005, onde muitos jovens que se vestiam com roupas pretas e pintavam os olhos, passaram a ser identificados e muitas vezes confundidos com eles. Hoje é mais fácil fazer uma identificação, uma vez que já existe uma identidade revelada, apesar de poucos ainda negarem a sua condição Emo, sendo que isso acontece mais por medo do preconceito que possa vir diante de alguma revelação. Durante o processo, será mostrado porque eles escolheram esse estilo como “modo de vida”, uma discussão que a priori, parece ser apenas um “assuntinho de um bando de adolescentes que não têm nada o que fazer e que são teleguiados pela mídia”, pode tornar-se um tema interessante, não só para mim, enquanto pesquisadora, como também para a sociedade em geral, inclusive para as pessoas que convivem com esses jovens.

As entrevistas foram fundamentais para ampliar meu conhecimento sobre os emos. Pautadas em um roteiro de questões abertas, realizei um levantamento de quantos jovens tinham no espaço, em seguida fiz uma breve pesquisa quantitativa com aproximadamente cinqüenta pessoas para saber coisas básicas como idade, bairro onde morava, orientação sexual, e por que aderiram ao estilo como modo de vida, para em

seguida realizar uma pesquisa qualitativa de 18 entrevistas com esses jovens que tinham

a faixa etária de 18 á 21 anos. Essa faixa etária compreende a adolescência e parte da juventude, momento de fundamental importância na construção identitária do ser humano.

MATERIAIS E MÉTODOS

Levantamento de todos os grupos emos localizados na cidade de Belém do Pará

e Pesquisa bibliográfica pertinente;

Pesquisa de campo e aplicação dos instrumentos adequados de levantamento de

informações, como entrevistas, aplicação de formulários, Levantamento

histórico da área estudada;

Sistematização dos dados colhidos durante o desenvolvimento da pesquisa.

RESULTADOS

JUVENTUDE E IDENTIDADE NA ERA PÓS-MODERNA

O termo adolescência surgiu no início do século XX, tornou-se mais evidente a partir da segunda guerra mundial. Para Calligaris (2000), esse é um termo mítico, no

momento que foi compreendido como um dado natural, ordenando normas de funcionamento e regras de expressões, então, juntamente com a infância, a adolescência

é hoje compreendida como uma categoria construída historicamente, considerada como um dos paradigmas da pós-modernidade. Falando em um sentido biológico, a adolescência é um período de transformação

e mudanças físicas ocorridas em cada um de nós, o que seria uma transição entre a

infância e a idade adulta, sendo definida com um período cronológico em nossas vidas. Segundo o IBGE e as Nações Unidas entendem-se jovens os indivíduos entre 15 e anos. Porém, o critério de idade não é o suficiente para definir uma categoria que assumem contornos tão diferentes, não podemos percebê-la como um grupo social homogêneo, pois se agrupam sujeitos que só tem em comum a idade. Segundo Pais (1993), a juventude também é uma categoria socialmente construída, sendo sujeita a modificar-se ao longo do tempo. A segmentarização do curso de vida em sucessivas fases é um produto complexo de construção social. Diariamente, os indivíduos tomam consciência de determinadas características e, se elas afetam um universo considerável desses indivíduos pertencentes a uma geração, são culturalmente incorporadas.

A idade como critério para agrupar pessoas, traz implícito o caráter de transitoriedade. Nesse caso, a juventude continuaria representando uma transição. E ser jovem seria estar em uma condição provisória. Esse modo de ver a juventude como mera transição decorre de uma compreensão da vida adulta como estável em oposição à estabilidade juvenil, fato que não é sustentável nos dias atuais, uma vez que a sociedade contemporânea é marcada pela incerteza, mobilidade, transitoriedade e abertura para mudança.

Stuart Hall (1992) coloca que as velhas identidades, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, essa “crise de identidade” é um processo amplo de mudanças, que está deslocando as estruturas e processos centrais da sociedade moderna. Acredito que essa idéia de Hall sirva também para designar a chamada “crise de identidade” no qual esses conceitos, como infância, adolescência e juventude estão passando. Afirmação bem semelhante à de Melucci, ao falar que os atributos tradicionais da juventude parecem ter se deslocado para além dos limites biológicos, para ser também cultural. Os jovens não jovens só porque tem certa idade, e sim porque seguem certos estilos de consumo ou certos códigos de comportamento e vestimenta. Agora, a adolescência se prolonga muito mais pra lá de suas fronteiras biológicas, e as obrigações para com a vida adulta, são postas para até depois dos vinte e cinco, inclusive dos trinta anos (MELUCCI, 2001, p. 138). Essa colocação de Melucci é algo cada vez mais visível em nossa sociedade contemporânea, percebemos como as pessoas mesmo passando de sua fase adolescente continuam se comportando como tal, porém com outro tipo de responsabilidade. Constroemse famílias muito mais tarde, se sai de casa muito mais tarde. Por um momento pensei que fosse devido à falta de estabilidade, mas fui percebendo que inclusive os que conseguiram se estabilizar tem um pensamento completamente diferente do então cobrado pela sociedade. A identidade é antes de tudo uma aprendizagem constante que liga continuidade e mudança, estabelecendo entre ambas, um processo relacional que distingue e une o indivíduo. Pensando nessas considerações em conjunto com os efeitos de viver num mundo globalizado, é possível pensar que as relações entre adultos e jovens estariam se desprendendo de um controle único, baseado na transmissão da experiência aos mais jovens.

Hoje, as pessoas desempenham uma grande diversidade de experiências, podendo pertencer a uma ou mais coletividades, simultaneamente ou não. O sentido para esse pertencimento, segundo Simmel, não estaria no conteúdo da relação, na satisfação de interesses, mas na própria relação. Ou seja, no campo da sociabilidade, o estar junto, estabelece laços, tem em si mesmo a sua razão de ser. Portanto, se não existe outro interesse além da própria relação para que ela continue existindo, é preciso confiança mútua. Em parte, essa idéia poderia ser associada á grande mobilidade dos agrupamentos juvenis, principalmente as bandas de música que mudam constantemente de integrantes ou até mesmo das próprias tribos urbanas que geralmente se fragmentam.

TRIBOS URBANAS, METÁFORA E PERSONA

Segundo Mangnani (2008), a diferença entre metáfora e categoria é que a primeira traz consigo a denotação e todas as conotações distintivas de seu uso inicial. Por algum desses traços foi escolhida, tornando-se metáfora exatamente nessa transposição: o significado original é aplicado a um novo campo. A vantagem que oferece é poder delimitar um problema para o qual ainda não se tem um enquadramento. Mangnani afirma que ela é usada no lugar de algo, com a intenção de substituí- lo, dá lhe um nome. Evoca contexto original, em vez de estabelecer distinções claras e precisas no contexto presente, o problema, contudo, que acarreta e dá a impressão de escrever, de forma total e acabada, o fenômeno estudado, aceitando-se como dado exatamente aquilo que se quer estudar.

Nesse sentido, é de suma importância que seja colocada o verdadeiro sentido á que esse termo venha designar e saber os sistemas de significações de onde foi tirado, principalmente do sentido original da palavra tribo. Etnologicamente falando, a palavra tribo é conceituada a partir de uma forma de organização de sociedades que constituíram o primeiro e mais significativo objeto de estudo da antropologia, porém, Mangnani (2008) afirma que não deixa de ser sintático um termo usual no estudo das sociedades de pequena escala para descrever fenômenos que ocorrem em sociedades contemporâneas altamente urbanizadas e densamente povoadas. Para ele um dos efeitos dessa metáfora é projetar luz contrastante sobre aquilo que se pretende explicar. Mafesolli (1987) chega a propor que o “tribalismo” ou “neo tribalismo” seja tomado como um novo paradigma, que vem substituir o paradigma do individualismo na compreensão da sociedade contemporânea. As tribos urbanas nesse sentido são constituídas de micro grupos que tem por objetivo estabelecer “redes de amizade” a partir de interesses e afinidades em comum, sendo que essas agregações apresentam uma conformidade de pensamentos, a partir dos símbolos citados anteriormente como pensamento, hábitos e maneiras de se vestir. O movimento punk foi uma das tribos urbanas que mais se fragmentou, principalmente depois do fim da era punk anos setenta, que vai ser visto no próximo capítulo. No começo dos anos oitenta surgiu outro movimento com as mesmas ideologias que o punk, porém com os rifles 1 mais acelerados e outra maneira de se vestir, inspirado mais no vestuário punk americano5, diferente do tradicional punk britânico. Era o hardcore6 e a partir daí surgiram então várias vertentes como: Grindcore,é influência do hardcore com o heavy meta 2 l e alguns setores da cena punk da década de oitenta, mas diferente deste é uma mescla apenas dos aspectos mais extremos de ambos os gêneros; Metalcore, esse estilo já foi incrementado na década de noventa, que consiste basicamente em músicos provenientes da cena hardcore tocando música quase que totalmente baseada também no heavy metal, mas precisamente no thrash 3 metal e death metal. No entanto o metal core é diferenciado do metal por ser em geral musicalmente mais simples, pelos vocais que costumam manter semelhança com o punk e pelas letras influenciadas pela estética e ideologia do hardcore; Crustcore, associado à cultura da segunda geração anarcopunk (ecologia, anarquismo, pró-liberação animal), se assemelha ao grindcore no extremismo, mas a sonoridade é mais lenta e marcada pelas influências metálicas (diferente do grindcore). Ideologicamente é ligado ao estilo de vida dos punks europeus, em grande parte dos moradores de Squats 4 e defensores da participação mínima no sistema. Geralmente, o visual agressivo ainda está presente, mas com algumas inovações, como os dreadlocks 5 e outras misturas de elementos tribais e futuristas. Mafesolli afirma que a humanidade vive um “período empático”, em que predomina a indiferenciação e o perde-se em um “sujeito coletivo”, chamado por ele de “neo-tribalismo” (1987:16). Observando as tribos, também as define como uma “comunidade emocional” ou “nebulosa afetiva” (1987), em oposição ao modelo de organização racional típico da sociedade moderna.

1 Ritmos sonoros.

2 Considerados como os grandes “rivais” dos punks, são os chamados cabeludos, que também surgiram no final da década de 70, tendo como raízes o blues e o rock psicodélico ou progressivo.

3 No sentido literal significa bater, bem relacionado com o significado da palavra punk.

4 Casas ocupadas.

5 Cabelos semelhantes aos dos rastafáris.

Desse modo, nas tribos o que conta é o fato do “estar junto”, que promove o “sentir junto”, ou seja, é o que é buscado no engajamento á estes grupos, uma experiência estética, segundo uma definição particular de Mafesolli. No período de pesquisa, pude constatar que essa “nebulosa” se dá a partir da visão de quem adere á tribo através do outro e que esse tipo de relacionamento só acontece a partir do que foi mencionado, uma vez que pude perceber que mesmo existindo um espaço, onde todos se encontravam, ainda assim, tinha uma diferença de classe, contradizendo um pouco a perspectiva de Mafesolli. Trata-se de um engajamento que é transitório, resultando em “condensações instantâneas” (1987), frágeis, mas que no seu momento é um objeto de forte envolvimento emocional. A adesão ás tribos é sempre fugaz, não há um objeto concreto para estes encontros que possa assegurar a sua continuidade. É somente redes de amizades pontuais, que são reunidas ritualisticamente com a função exclusiva de reafirmar o sentimento que um dado grupo tem de si mesmo. O interessante em tudo isso, é que o jovem se espelha geralmente em ídolos para poder configurar essas tribos, daí o porquê de persona, pelo fato do querer ser o outro, e isso difere muito do individualismo da modernidade. A denúncia da falência do individualismo e do próprio “social”, no sentido político do termo, também está presente no pensamento de Baudrillard (1985). Na visão dele, vivemos um momento em que o fim social deu lugar ao surgimento das massas e do espetáculo. Ele afirma que a massa expressa certo anonimato, sendo por definição, irrepresentável do ponto de vista político. Porém, as massas contemporâneas produzidas artificialmente pela indústria do consumo e da informação, caracterizam-se justamente por operar uma demanda de sentido incessante. Desta forma, Baudrillard, afirma que as massas são uma engrenagem essencial para o funcionamento do sistema, ainda que ocupem o lugar do espectador. As massas nem sempre aderem ás questões das tribos urbanas, mas nesse sentido, vi que o fato de existir um determinado equilíbrio entre a massa e burguesia, tive por um momento a percepção de que as características, do que para os marxistas

são peculiares á burguesia, está se atrelando as massas, um dos principais causadores de tudo isso é a mídia, então seria um espectador participante, nesse sentido.

A pesquisa de campo feita por Janice Caiafa (1983-1985) sobre o movimento

punk 6 na cidade do Rio de Janeiro pôde de maneira oportuna, oferecer um valioso

material de trabalho sobre o estudo das tribos.

Os puns são jovens entre 15 e 22 anos que se deslocam em bando e não é difícil perceber que estão juntos e algo os une. Não só o visual, mas a atitude; eles têm a inquietude e a dispersão dos grupos sem líder; quando caminham eles se propagam, o bando se expande pelas ruas sem gregarismo, mantendo, contudo a mesma maneira de enfrentar as coisas e as pessoas, num atrevimento tranqüilo e sem revide (CAIAFA, 1985, p. 15).

A transitoriedade e o imediatismo congregam-se em certa apologia do presente

vivida na tribo, não há projetos futuros ou preocupações com o destino das tribos. Á grosso modo, podemo proferir que elas estão à mercê do mercado, então, a segmentação

6 Os punks surgiram no final dos anos 60, nos Estados Unidos, mas obteram ênfase mundial no final de 70, com o aparecimento da banda Ramones e principalmente Sex Pistols, na Inglaterra. O movimento foi considerado um fenômeno na mídia, mas a partir de suas crises, tanto políticas, como musical, enfraqueceu-se e fragmentou-se nos anos seguintes.

de grupos consumidores de gêneros musicais é um dos fatores que tomam parte da formação e difusão da maioria das tribos, como ocorreu com os punks. Ao mesmo tempo, diferentes adereços e vestimentas são associados a vários estilos musicais, tendo função distintiva do bando em relação ao todo da massa e também á outros bandos. No caso dos punks, conforme observou Caiafa (1985) ao final de seu ensaio, á medida em que o rock começou a ganhar um espaço maior na mídia, a identidade punk sempre muito atrelada á musicalidade, como meio de expressão de certa revolta em relação á valores estabelecidos, foi sofrendo reformulações. E essas reformulações me remetem a caracterizar o movimento punk, como uma distinção da pós-modernidade. Essa relação entre as tribos e a sociedade de consumo é bastante complexa. Quando falamos em movimento punk, onde ao mesmo tempo eles veicularam uma mensagem contestatória ao próprio consumo, diferenciando-se de outras tribos, como por exemplo, da new wave. Eles repudiavam o valor dado por outros, á roupas de etiquetas caras existente no mercado da moda. Porém, isso não foi o suficiente para fazer com que o mercado se “aproveitasse” do auge do movimento para com os adolescentes, para fazer do punk, mais um artifício de consumo, criando assim a moda punk, o que veio a acontecer com os emocores agora no ano dois mil. No caso dos punks, eles mesmos utilizavam o recurso da imagem visual e das vestimentas para comunicarem suas posições. É a isso que talvez Baudrillard (1970) se refira quando afirmou que na cultura do consumo os bens materiais não são apenas utilidades, mas tem um valor simbólico, um valor de signo. No caso, signo de diferenciação entre as tribos. Desta forma, as rixas entre tribos diferentes tornam-se cada vez mais constantes, demonstrando que não há um convívio pacífico com as diferenças. Ao contrário, podemos notar que há, na realidade, uma necessidade permanente de confronto como forma de asseguramento da própria existência e continuidade de cada uma das tribos frente á multiplicação infinita de novas tribos, o surgimento do movimento emo veio a partir dessa teoria. No estado de São Paulo, devido á “onda” crescente destas “guerras tribais”, foi inaugurada uma delegacia especializada em apurar casos de crimes associados aos movimentos das tribos. Embora tenha constatado durante a pesquisa que algumas tribos circulam e interagem com outras de forma pacífica, mesmo tendo suas críticas, elas se relacionam formalmente, isso se tratando da cidade de Belém. Levando em conta as transformações nos modos de sociabilidade nas cidades de hoje, cujos modelos são as tribos urbanas, Mafesolli (1987) acredita que caminhamos em direção a uma nova ética: que seria a ética da estética. E que nessa nova ética, o que contam não são os projetos racionais futuros, mas sim a experiência estético-afetiva do presente. Logo, o argumento principal utilizado por Mafesolli (1987) para fundamentar essa ética parece consistir no declínio de uma orientação mais racional baseada em um projeto de vida, em favor de um “estado de coisas” em que “intensidades” e afetos momentâneos são fatores determinantes no modo como o indivíduo situa-se no mundo. Finalizando esse contexto, para o autor a “ética da estética”, é o modo contemporâneo de ordenar-se no mundo. Ela própria constitui-se num fator de favorecimento ao aparecimento das tribos urbanas. Podemos afirmar então, que na “cultura de imagem”, onde se buscam uma completude ilusória através de objetos de consumo, as tribos têm uma função de demarcação e sustentação de identificação, mesmo sendo provisória. Porém, os critérios

de pertencimentos á uma determinada tribo, assim como da própria constituição de cada uma, são tão frágeis e descartáveis quanto os objetos de consumo. Desta forma, a categoria da identidade, que remete a uma idéia de unidade e estabilidade, é colocada em cheque, dando lugar ao próprio processo de identificação como um instrumento privilegiado de análise. Por isso Mafesolli (1987) propõe a substituição da lógica da identidade pela lógica da identificação, a qual implica necessariamente uma relação e não uma noção de um indivíduo estável e contínuo. No seu argumento, a identificação diz respeito á “pessoas” (personas), ás máscaras variáveis e, em última instância á imagem de si, sempre em relação ao outro, como foi citado anteriormente. Se as tribos são descritas como grupos sem líderes (Caiafa, 1985), “informais e afetivos” (Mafesolli, 1987), supomos que a concepção de ilusão grupal é muito pertinente á esse tema. Nesse caso, penso que talvez, ao compartilhar emoções e fantasias, abolindo conflitos e diferenças, os membros das tribos urbanas contemporâneas, podem encontrar uma maneira de lidar com o desespero humano, que cada vez mais se acentua com a complexidade de nossa sociedade. Melucci (2001) discute que, nas sociedades complexas, na qual a informação assume a centralidade, as experiências constitutivas do sujeito são cada vez mais permeadas pela tensão entre limite e possibilidade, entre o pleno e o vazio. O “eu” não tem mais uma base sólida de identificação estável, e as seguranças de que necessitamos devem ser construídas por nós mesmos. Autores como Berger (1985), falam dos limites da sociologia clássica para a compreensão dos processos de socialização contemporâneos, pois explicar a socialização por meio de reprodução, pelo qual tudo é interiorizado em posição objetiva, limita e predetermina as ações dos indivíduos. Berger (1999) fala de socialização como um processo de interiorização. Para ele o mundo é internalizado pela criança, mas este processo também ocorre com o adulto cada vez que é iniciado em um novo contexto social. Nesses dois processos, ele define como socialização primária, no primeiro caso e socialização secundária, posteriormente. A sociedade não só controla nossos movimentos como dá forma aos nossos

pensamentos, identidades e emoções e segundo Berger (1999:136)

as paredes de

nosso cárcere já não existiam antes de entrarmos em cena, mas nós a reconstruímos eternamente. Somos aprisionados com nossa própria cooperação”.Com essa frase, ele analisa a socialização como construção social, vivência singular, seja na família, na escola, no trabalho ou em qualquer instituição. Significa movimento, pois segundo ele:

a socialização nunca é total, nem está jamais acabada” (Berger, 1985; 184). Para a juventude contemporânea, o processo de socialização é composto de múltiplas interações, compondo uma trama que ao mesmo tempo abre muitas opções e também muitos limites. Tendo acesso a múltiplas referências culturais, os jovens criam sentidos para as experiências que vivenciam e se constituem como sujeitos a partir destes processos. Seria impossível, então pensar isso em uma lógica determinista, com a socialização a um treino que propicia a interiorização de regras de valores. Freire (1999) dizia que, onde há vida, há o inacabado, e que nossa presença no

mundo não se faz no isolamento, isenta de influências. Nesse sentido, a influência do meio sobre o indivíduo inacabado é um processo relacional e, portanto, não se está somente posicionando “em”, mas em relação “com”. Aprender na relação com o outro, viver em grupo é o grande desafio posto á todos. Os jovens pesquisados se encontram em grupos, mas há um vínculo desses grupos com o espaço social em que estão inseridos. Nessa interação, constroem suas experiências cotidianas, que giram em torno de expressões culturais, em um processo educativo vital para a juventude.

Emancipadas de conteúdos, a sociabilidade para esse autor, é uma forma de convivência com outra liberada da seriedade e das obrigações da vida, transferindo esse caráter mais sério da vida para o jogo simbólico. Como ocorre na arte e o jogo, a sociabilidade existe por si mesma ou para a relação, a interação com o encontro para os jovens, essas formas de sociabilidade parecem responder á suas necessidades de autonomia, liberdade e trocas afetivas. Como parte da socialização dos jovens vem ocorrendo em espaços e tempos variados, com múltiplas referências culturais, é possível pensar os grupos de sociabilidade como articuladores de redes de significados e vivências que, num jogo de relações e interações (re) constroem as identidades juvenis. Para muitos, esse contexto se traduz em apatia, desinteresse e individualismo. Porém hoje, precisamos elaborar outra construção discursiva sobre os jovens, pois a situação juvenil na contemporaneidade constitui-se um fenômeno em curso; é um segmento grande, definido pela afinidade de inserção no mercado de trabalho, escola, construção de projetos de vida e prolongamento do vínculo familiar, finalmente fazem do presente a dimensão privilegiada da existência. Cada vez mais os jovens se vêem obrigados a realizar seus planos de vida sem as referências tradicionais já citadas anteriormente. No entanto, os indivíduos tomam consciência de sua individualidade a partir do olhar do outro, em um processo intersubjetivo em que “seu aparati que tu és para mim(Melucci, 1992). Mas uma vez vemos a presença da persona ,inserida no contexto juvenil, vendo sempre pelo outro. Portanto, quando se fala em identidade juvenil é preciso investigar onde os jovens estão construindo os nexos emocionais, onde e como estão buscando esse reconhecimento intersubjetivo e onde eles estão tomando consciência de sua individualidade, pois nos fazemos no encontro com o outro.

EMO, UMA VERTENTE DO PUNK ROCK

Para quem acha, que o emocore (abreviação de emotional core, ou seja, hardcore emocional, alguma semelhança com o hardcore melódico?) está muito enganado, eles apareceram em meados dos anos oitenta, ano dos mesmos Rites of spring, nas cenas do punk rock de Washington, juntamente com outra banda chamada Embrace, a mesma Rites of spring foram as primeiras bandas a adquirirem esse rótulo, como eu já tinha comentado lá no início do trabalho. Isso tudo aconteceu porque devido justamente a letras de suas músicas serem consideradas poéticase introspectivas demais para o gosto de quem vivia criticando e “xingandoo sistema, isso era contraditório demais para o movimento, porém mesmo assim as letras dessas bandas continuavam sendo politizadas, mas com músicas mais elaboradas e mesclava muito a intensidade do hardcore e com elementos vindos do punk.

Em contrapartida com o hardcore melódico, Sick Boy, o líder do movimento em Belém falou-me também sobre o pop/punk, outro elemento do movimento também bastante confundido com os emos, e assim como acontece em outras vertentes, as denominações, não são apenas em relação á letras de músicas, mas também são voltadas para a melodia das canções. Por isso a confusão em relação á algumas bandas, sempre contestadas se são ou não emos, é o caso da banda paulista CPM22 e da paraense Seqüela. Na segunda metade da década de noventa, a vertente foi adquirindo um novo sentido conforme, foi se distanciando das raízes do hardcore e se aproximando também do pop-rock, a música, assim como a estética foram mudando até chegar à moda emo da

atualidade, que difere em alguns sentidos do punk original. Mas, é claro que toda essa “mudança” se deu também por conta da mídia, principalmente da rede MTV, sendo que a primeira vez que vi essa diferença foi assistindo aos vídeos clips que passavam na mesma. Sempre via os videos clips do Rites Of spring, por exemplo, mas pra mim era rock como outro qualquer. Uma das características que pude perceber nessa tribo é a não afirmação, apesar da maioria não se ter mais problemas, muitos ainda insistem em negar que são emos, justamente por causa do preconceito extremo que a tribo sofre, ou realmente não são mesmo, estão ali só por uma questão de “modismo”, uma vez que quase todos os adolescentes que eu vejo na rua se caracterizam fisicamente como os emos, apesar de muitos realmente não fazerem parte do movimento. Existe também uma relação muito grande entre os emos e os otakus, sendo que os componentes dessa tribo são jovens fãs de mangás 7 e animes 8 . Os heróis japoneses são bem diferentes dos americanos, não somente se tratando de idade, uma vez que os heróis japoneses são mais jovens, como também na questão física, principalmente porque os japoneses têm um estilo bastante andrógeno bem parecido com os emos. Todas essas caracterizações tornaram-se bastante evidentes, inclusive no Brasil, onde existem bandas que até hoje negam o rótulo de emos, tudo bem que algumas têm caracterizações semelhantes ao estilo tradicional do hardcore, mas as letras de suas músicas se deparam com o mesmo estilo emotivo, mas eles sempre vão negar, assim como o NX Zero e Fresno, esses, inclusive nas características físicas são muito emos, sendo uma das bandas nacionais mais apreciadas pelo grupo, como já mencionado anteriormente. Posso afirmar que os emos, são tribos urbanas, com comportamento bem parecido com as demais tribos que foram pesquisadas, tanto por Caifa( 1985), como por Souza(1997) e com traços comuns apresentados á todo adolescente: andam em grupo, existe a nebulosa afetiva apresentada por Mafesolli ( 1987), onde a principal rede de comunicação, hoje, é a internet, principalmente os sites de relacionamentos, ORKUT e MSN. São nas comunidades de Orkut relacionadas á grupos emos que eles começaram a interligarem seus relacionamentos, diferente das outras décadas, onde a principal rede de comunicação eram as cartas escritas para as Fanzines. Inclusive, algumas comunidades de ORKUT, foram feitas com o único objetivo de ridicularizar a tribo, falando mal e contestando a sexualidade dos emos, assim como vídeos no site Youtube, o mais conhecido deles é um intitulado de “Confissões de um emo”. A grande diferença entre os emos e as outras vertentes do punk/hardore é que eles são aceitos pelo amor, tendo como uma forma radical de reação contra os desencantos deles, enquanto se opõem pela agressividade. Em virtude disso é inevitável que haja uma comparação com os hippies dos anos sessenta, no sentido de que os hippies também praticavam a livre expressão de sentimentos, aliás, uma sentimentalidade um tanto quanto que exagerada pela mídia, pelo menos, se falarmos dos emos belenenses, pois quando fui ao encontro deles, mostraram se jovens como outro qualquer, só o que chamava atenção, no sentido de “parecer” diferente era a maneira como se vestiam, mas isso é notável em qualquer tribo urbana e essa comparação com os hippies e a sentimentalidade foi deixado bem claro pelo líder da banda quando questionei o que fez seguir o movimento:

Escolhi ser emo, porque tem haver com o sentimento, saca, sou um cara que curti sentimentalidade, e acho bacana isso, prego o amor, a paz, a gente se considerada como um estio que demos o nome de new hippie, porque

7 Revista em quadrinhos japonesa.

8 Desenhos japoneses que não são necessariamente infantis.

pregamos a paz e o amor, só muda mesmo a maneira como nós nos vestimos (Sick boy -19 anos-2009).

Assim como os berços de aparição dessa tribo na mídia foram, como sempre as cidades do sudeste do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde pude constatar,

através de informações de revistas, jornais e também pela internet (foi muito importante a colaboração de pessoas de outros estados para poder fazer uma leve comparação entre

as tribos desse eixo, com as da minha cidade), isso tudo a partir do início dos anos 2000.

Lembro que a primeira reportagem foi em um jornal da de uma rede nacional de televisão que passa lá pelas treze horas, falando que alguns Shoppings Center da cidade

de São Paulo, tinham colocado umas placas onde diziam “PROIBIDO O ESTACIONAMENTO DE EMOS!”, acho que foi a partir daí que o começou a surgir o interesse pelo estudo do grupo. Em uma reportagem lida no jornal O LIBERAL, o jornalista Vladimir Cunha compara os emos com “os cavaleiros templários durante a Cruzada Albigense”, porque para ele a mídia só fala coisas negativas em relação á vertente:

Assim como os pobres cavaleiros de Cristo-que na época foram acusados pelo Vaticano de profanar a cruz, cuspir em imagens de cristo e cultuar um demônio com asa de morcego e pernas de bode chamado Baphomet tudo o que você possa imaginar de bizarro e chocante já foi dito sobre movimento. (Vladimir Cunha-Jornal O LIBERAL-2006)

Essa afirmação do jornalista me fez pensar também, no preconceito sofrido pelos

punks, inclusive o que foi relatado no trabalho de Santos Filho (2002), onde ele fala que

o grupo que ficava na praça da Bandeira era bastante perseguido pela polícia,

principalmente, porque os moradores não aceitavam a maneira de ser deles, e partir de suas roupas ou gestos os confundiam com bandidos, pichadores e com membros de gangues, é uma simples diferença de preconceito, mas parece que a maneira de como o emo é visto é muito pior de que como o punk era visto, e parece que os próprios punks

se vangloriam por terem sofrido esses tipo de preconceito, uma vez que o maior “problema” do comportamento emo é a sexualidade que os envolve.

TODO MUNDO ODEIA OS EMOS!

Eu poderia ter tudo para odiá-los, uma vez que a tribo urbana em que mais fui ligada durante a minha adolescência foi “a galera do metal”, confesso que chego a me sentir muito bem, hoje, mesmo não sendo mais adolescente, quando vem alguém e diz:

Tu tens uma cara de heavy!”, ou poderia falar sobre os bangers 9 , devido a minha ligação, mas não, quis falar de algo que é odiado por tudo e por todos, mas por quê? Poderia ser igual á todo mundo que os odeias, mas confesso que não poderia ter

antipatia ou não por esse grupo, se sinceramente não os conhecia á não ser pelos vídeos clips da MTV, por isso então, tive o interesse nessa pesquisa, não me importando com

as críticas ou do que os outros iam falar ou pensar, mas resolver tentar descobrir que mal esses meninos fizeram pra todo mundo odiá-los. Então fui á Praça da República e ver de perto tudo o que se passava por lá com esses meninos, e saber um pouco do grupo que segundo o líder Sick Boy, surgiu por volta de 2003, mas só começou a ganhar força dois anos mais tarde, onde os adolescentes até então tinham receio de mostrar a sociedade quem eles eram,

9 Pessoas que gostam de heavy metal, também chamados de headbangers. Que significa bater cabeça.

começaram então a assumir sua identidade emo. Antes de ir de fato á praça, o primeiro rapaz a ser entrevistado é um aluno do colégio NPI, que na época (o meu primeiro contato foi em outubro de 2007) estava com quinze anos e cursava a oitava série do turno da tarde, ele tinha me falado que adquiriu ao movimento, primeiramente pelo estilo e pela música, no momento da entrevista, este se identificou como emo, porém foi devido somente pelo gosto musical, até porque, quando fomos á escola dele, o mesmo não estava caracterizado, enquanto que os demais, mesmo com o uniforme escolar, ainda tinham algumas características de acessórios emos.

Antes eu era empolgado, agora eu não sou não, gosto da música, porque gosto do hardcore, não preciso me vestir pra dizer que sou emo, pra mim esse estilo de se vestir é moda, logo, vai passar, nem vai ter mais, mas a música

vai ficar

(E.

15anos-outubro, 2007)

O primeiro ponto de encontro realmente se deu no Shopping Iguatemi, hoje denominado de Pátio Belém, mas precisamente no Play da loja Visão, nesse período era lá a “concentração” emo, interessante ressaltar que esse espaço é um lugar onde se concentra a lanchonete, o fliperama e os brinquedos eletrônicos, algo que para mim, pareceu bastante infantil, ou seja, adolescentes que se encontravam em um local predestinado ás crianças, confrontando com o lado infanto-juvenil. Esses encontros aconteciam sempre por volta das dezesseis horas, sempre aos sábados e logo em seguida, a partir das dezoitos horas o grupo então seguia em direção á Praça da República. Onde eles se concentravam para tocar e conversar e também se unificar e quando isso acontecia, eles se dirigiam para a Avenida Governador José Malcher, na esquina com a Assis de Vasconcelos, apenas por uma questão de disfarce, uma vez que

a Praça estava sendo bastante vigiada pelos guardas municipais e como a maioria era

menor de idade, não permitido que se concentrassem álcool e fumo na Praça, por isso eles ficavam na esquina para poder esconder o que iriam consumir durante o tempo que

fossem ficar por ali. Nesse primeiro período em que fui fazer a pesquisa á dois anos atrás, entrevistei

cerca de 10 adolescente que freqüentavam esse ambiente e que tinham em média a idade entre treze a dezenove anos, claro que com o passar do tempo fui descobrindo que tinha gente bem mais nova por ali. A primeira coisa que me veio á cabeça nesse período foi falar em drogas, principalmente pela idade deles, mas justamente por causa disso, foi criado um impasse para falar nesse assunto, porém o consumo de cigarro e álcool era bastante visível, nenhum deles confessou usar outro tipo de drogas que não fosse às referidas; cigarro e bebida. “Consumimos só as legais. Acho que esse papo de droga

existe em qualquer lugar, não importa se o cara é roqueiro, pagodeiro

vai

existir, seja o ambiente que for, o estilo que for…”( Sickboy-17 anos-2007). Essa comparação com as outras tribos me remete a pensar que os adolescentes são cientes do uso de drogas e do preconceito existente não somente para eles, como também com as demais tribos que estão ligadas ao rock, sendo que para a sociedade esse estilo sempre foi considerado de péssimo exemplo para os jovens, principalmente devido ao lema apresentado nos anos sessenta que tinha como enfoque principal a frase:

“Sexo, drogas e rock n roll”. Apesar de ter iniciado a minha pesquisa em 2007, o grupo já existia desde 2005,

e segundo o líder Sick Boy, na época compreendia em apenas sete pessoas, em 2007 tinha aproximadamente cinqüenta e agora em 2009 eram aproximadamente mais de cem pessoas, no início, a pesquisa ia ser somente na Praça da República, mas com o passar do tempo percebi que esse não era o único espaço freqüentado pelo grupo, sendo que as sextas feiras eles sempre se encontravam na Praça Santuário, localizada na Avenida

Sempre

Nazaré, o fato deles irem pra lá é justamente a ocorrência de suas escolas ficarem próxima ao local.

O líder Sick Boy, estava sempre disposto a ajudar. Foi um rapaz que pelo fato de

ser um dos mais antigos do grupo, deu para perceber a sua transformação adolescente

gradualmente. Esse jovem estuda em uma escola pública da cidade está terminando o ensino médio, tem 19 anos, foi o único do grupo que disse ter a orientação hétero sexual, os outros sendo meninos, se identificaram homossexuais e as meninas na sua maioria bissexual. Sick Boy é guitarrista e back vocal de uma banda emo chamada Linkage, desde 2006. Ele não pretende estudar em universidade ou faculdade porque pretende se dedicar somente á carreira de músico, e segundo ele os seus pais hoje tentam aceitar sem problemas a sua condição emo.

Antes eles falavam um pouco, das minhas roupas, mas hoje não ligam muito não, meus pais até me influenciam porque são ligados á música, na juventude ouvia Lad Zapellin, Beatles e outros sons, então foi fácil pra eles entenderem. (Sick Boy 19

anos-2009)

Fiz toda essa pesquisa, com base para o método comparativo, primeiro, para não virar um trabalho vago, e também para não chegar completamente desenformada em campo, sendo que como já tinha experiência como “tribalista”, achava que sabia muito bem com que estava me dando, mas enfim, quando cheguei lá, percebi que não era bem assim, principalmente, quando perguntava do histórico do movimento e de questões políticas, muitos nem sabiam o que era o anarquismo, apenas eram emos, como se as coisas tinham começado ali, nada de dialético, apenas ali, como fez a pesquisa de Malinowiski (2000), no Kula, para ele começa a partir daquele momento, não interessando o histórico da sociedade estudada, mas para mim era impossível, até porque a pesquisa ficaria sem sentido. Sick Boy era o único que parecia ser realmente emo, desde o início da pesquisa, aliás, talvez tenha sido por isso que ele é tão respeitado entre todos, inclusive no meio de outros bandos, tudo que tinha pesquisado, ele tinha conhecimento, e até mesmo, os outros membros sempre me indicavam á ele para conversar, sabia que não estava ali sem propósito, tinha um ideal, e foi interessante a maneira como ele se tornou a “figura pública” do movimento. Quem me deu essa informação foi um rapaz que toca em uma banda hardcore:

No início ele não curtia muito não, as pessoas ficavam no pé dele, puxando o

Qualquer coisa era ele quem respondia pelo grupo, como é até hoje, ele

não gostava disso, cansou de reclamar, mas depois acabou se acostumando. Agora ele chega, faz questão de falar com todo mundo, e a chegada dele

sempre esperada

saco

(A.22anos-07-2009)

O papel das meninas dentro do movimento também era de uma diferenciação

muito grande do que foi relatado por Caifa (1985), no movimento punk, e até mesmo entre os bangers, onde prevalece um determinado machismo, a separação de gênero sempre foi muito visível, no caso dos emos, isso não foi visto por mim, até porque, o tratamento deles com as garotas eram de uma maneira bastante igualitária, o que não acontece entre punks e bangers, uma vez que as garotas precisam desconstruir a sua feminilidade para poder obter determinado “respeito” dos rapazes, isso é possível ver também no relato de Caifa e também na minha vivência em tribos urbanas. Porém, ainda existe preconceito pela parte deles em relação ás meninas que ainda mantém o visual antigo, no caso dos emos, não existe essa desconstrução, as meninas além de andar lado a lado com os garotos, mantém relacionamento afetivo somente entre eles ou elas, sim porque o índice de bissexualidade entre as meninas

também é bastante notável. O que difere mais uma vez do punk rock tradicional e dos

bangers, além das relações serem somente hétero afetivas, eles sempre desprezavam as moças que faziam parte do seu grupo, geralmente namoravam garotas patricinhas que gostavam de meninos de bandas, conhecidas como groups 10 , ou seja, desprezando as moças que realmente tinha algo em comum com eles, o que acontece até hoje. Vejo isso como disputa de gênero mesmo, eles não querem ao seu lado alguém que pode debater dos mesmos assuntos do que eles que não sejam seres do mesmo sexo.

E sem dúvida tava certa, ali tinha de tudo um pouco, todas as tribos, mas uma

vez no mesmo ambiente, porém, não teve como notar a separação de classe nesse mesmo ambiente, era como se a “mancha” estivesse ali, mas com notáveis divisões, pelo menos pra mim. Lá fora estavam os mais radicais, uma “galera” levou bastante bebida e Sick Boy, também já estava por lá, nesse dia também conheci outro estilo, denominado de cyber gotic, era algo que realmente não sei descrever, a princípio achei que era uma garota, mas depois vieram me dizer que era um garoto, algo totalmente andrógeno, mas achei melhor não ficar muito olhando pra ele, não podia me

desconcentrar dos emos, e eles estavam lá e foi justamente neles que vi essa divisão de classe que me remete a contrastar um pouco com a “nebulosa afetiva”.

A demanda de bandas emos em Belém está crescendo também, além da banda

de Sick Boy existem também outras bandas que fazem bastante sucesso entre o grupo, inclusive sendo muito mencionadas por eles são elas; Os seminovos, Havana, Sincera e Ágape. A confusão gerada em torno da sexualidade dos emos é muito grande, muitos dos meninos e meninas que conversaram comigo, continuavam afirmando que determinadas pessoas usam o grupo para afirmar a sua orientação sexual: “não sou gay, sou emo”, e isso foi visto de uma forma bastante clara no decorrer da pesquisa, porque alguns jovens se misturavam ali, no mesmo espaço que eles, poderiam até se vestir como eles, mas não eram e praticamente todos se diziam homossexuais

Sou o que quero ser, se me der vontade de ficar com meninas, fico. Se não, fico

Não, nunca fiquei com meninos que não são emos,

porque pra gente fica mais fácil, ficar com os meninos que nem a gente é bem mais compreensível (B.15 anos-2009).

com meninos, sem problema nenhum

O grupo afirmou para mim que o principal motivo deles se encontrarem aos fins

de semana no centro da cidade como, eles mesmos falavam á diversão e a música: “A gente vem aqui pra se divertir mesmo, curtir o som” (R-16 anos-2008). Grande parte dos jovens conheceu-se também a partir de sites de relacionamentos como ORKUT e MSN, bem parecido com os punks da década de oitenta, a diferença era que eles se correspondiam por cartas e cartas de revistas, mas a comunicação se dava também sempre a partir desses “laços musicais”. Os jovens chegam tanto á República como ao Santuário, sempre a partir das dezoito horas e geralmente saem por volta das vinte e duas horas, isso dependendo da idade, os maiores ás vezes chegavam a dormir por lá e emendavam com o domingo e apesar deles já admitirem serem emocore, ainda existem alguns que mesmo andando com eles e se vestindo como eles, continuam a negar que fazem parte do grupo, e quando falei do futuro da tribo, eles foram rápido à resposta, inclusive na comparação que constantemente é feita deles com a new wave

Pra mim, o emo vai ficar, e nós não somos a new wave dos anos dois mil, porque o

10 Fãs

emo já existe desde a década de oitenta, nós já estamos na terceira geração emo, a única diferença é a estética e o nome, que antes era chamado de pop-punk, mas o emo vai ficar por muito tempo sim.(SickBoy-17 anos-2007)

Essa frase foi dita em outubro de dois mil e sete, estou em novembro de dois mil

e nove e o grupo que no início da pesquisa tinha aproximadamente umas cinqüenta

pessoas, hoje já passa de cem e muitos estão desde o início, com a desistência apenas de um, por sinal a primeira pessoa que entrevistei talvez essa fala do líder do grupo pode realmente ser um fato, no qual aconteceu com outros movimentos que existem até hoje, inclusive o punk que, apesar de não está com a mesma força dos anos passados continua existindo, só que agora dividido em vertentes, porque as sociabilidades pós-modernas são assim, sempre se dividindo, sempre se renovando, um dia, quem sabe pode aparecer

o filho do emo?

É que realmente está acontecendo, porque tive o conhecimento nos últimos dias

de pesquisa que já existem duas vertentes emos, denominadas de Fram uk e Screamo, ou seja, mas uma vez como acontece sempre no mundo pós-moderno acontece fragmentação e o filho bastardo do punk já gerou outros filhos e assim sucessivamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O tema abordado para o trabalho surgiu de uma matéria chamada Sociologia da Infância e Adolescência, na época queria um tema que fosse voltado para o rock e pretendia falar do movimento hardcore, já estava com a pesquisa quase certa, quando a professora que ministrava a matéria pediu para a turma fazer um artigo sobre temas voltados para a infância e adolescência, então escolhi falar sobre emos, pelo fato deles fazerem parte da vertente mais jovem do punk/hardcore. O trabalho, que na época era feito por mim e mais duas amigas de faculdade, acabou para elas, mas pra mim tornou se interessantíssimo, uma vez que descobrir que a partir desses jovens podia descobrir coisas novas, inclusive pra mim, headbanger desde a infância. Durante esses dois anos de convivência foi o que mais fiz com esses jovens, aprender, aprendi a entendê-los e que ser emo, não é a pior coisa do mundo, sendo quem quase todos de alguma forma estavam sempre ali, querendo me ajudar a passar para o meu estudo o verdadeiro sentido de ser emo, meninos e meninas tão odiados e oprimidos por boa parte da sociedade. Sendo que as comparações com alguns movimentos, inclusive com o seu próprio “pai” o punk são inevitáveis. Percebi em determinado momento, onde algumas pessoas do movimento falavam com certa tristeza do movimento que mais os reprimiam, e muitos respondiam além dos bangers, os punks, mas como diria Sickboy, que me pareceu ser um emo bastante consciente, quando me falava que aqueles punks que os oprimem, para eles não são os verdadeiros punks, porque a ideologia punk é a favor de uma vida sem nenhum tipo de preconceito ou opressão, diferente desses que oprimem os emos, principalmente por causa de sua sexualidade.

É interessante falar nessa questão, porque nas décadas anteriores época do auge

punk, eles também sofriam opressão, porque eram vistos como marginais rebeldes, e muitos discriminam os emos por ter deixado essa rebeldia de lado para assumir sua sexualidade e afetuosidade, pelo menos. Todos esses fatores fizeram com que eu desconstruísse essa idéia de rebeldia que é passada pelo senso comum. A década de oitenta era pós-ditadura, os jovens estavam sufocados com toda aquela censura imposta pelos militares e sabemos que os jovens de alguma forma têm que mostrar a sua rebeldia, polemizar e muitas vezes, falar de forma escrachada as mazelas do sistema.

Estamos nos anos dois mil, os fatores históricos são outros, a ditadura já se foi. Hoje, você pode falar mal do governo, ou seja, lá o que for que nada vai acontecer. Ninguém vai correr o risco de ser preso ou coisa parecida, porque a liberdade de expressão é uma realidade atualmente, as coisas vão se transformando com o tempo, um sentido um tanto quanto dialético, então as pessoas, sobretudo os jovens procuram outras formas de chocar a sociedade, por mais que não seja perceptível para muitos, é essa a maneira que os jovens encontraram para demonstrar rebeldia. Bem parecida, aliás, com a maneira hippie dos anos 70 de ser, pelo menos nesse sentido, a diferença a meu ver não é tanto a estética, até mesmo pela faixa etária, haja vista que os adolescentes estão descobrindo a sua sexualidade cada vez mais nova e isso provoca de certa forma, revolta na sociedade, ou seja, é essa a rebeldia que pelo menos a maioria não percebe, mas eu percebi no emos, porque é dessa forma que eles querem chocar, inclusive nas entrevistas finais, onde eles já desinibidos falavam a sua orientação sexual, diferente no início em que a maioria preferia deixar subtendido. Os jovens colocaram em questão o significado de pertencerem a uma tribo urbana e achei interessante a resposta de um dos entrevistados quando perguntei o verdadeiro significado de ser emo: “Emo é isso cara, é diversão, é a galera se reunir, a gente não é um monte de chorão, como falam por ai, a gente só tem sentimento, é só isso” (Sickboy-17 anos).

E a principal diversão que faz com que os emos se sociabilizem em seus pontos

de encontro, é o gosto musical, porque no momento de encontro, a música é considerada

o principal motivo para os jovens se agregarem não somente na Praça, como em todos os outros pontos de encontro. Vi também que a amizade da maioria só acontece naquele período de encontro, mesmo assim a relação de afetuosidade continua no decorrer da semana. Percebi também, que muitos não são emos por questão de identidade ou ideologia, se vestem como emos, apenas por uma questão de modismo, isso faz com que aumente a indústria de consumo para a “moda emo”. Porém, independente de qualquer questão levantada, o emocore é uma prova de que o homem pós-moderno busca,

sobretudo, a felicidade o bem estar, a partir de uma sociabilidade, por mais que tenha crises, no caso dos emos, seria a melancolia, que o tanto os caracteriza, porém esse mal estar melancólico, pode se transformar em algo prazeroso, no momento em que há uma aglutinação “tribal” entre esses jovens, em seus respectivos “pontos de encontros”.

E para se chegar á esses pontos de encontros, deve haver uma característica

comum, onde no caso dos emos, não somente têm em comum, a maneira de pensar e se vestir como também a música, sendo que muitos me falaram que esse era o principal motivo dos encontros. Música, que, aliás, é muito mal vista por outros estilos “tribalistas” voltado para o rock, que consideram a música de estilo emo, como algo medíocre e fora dos padrões estipulados por roqueiros, uma vez que estes gostam de demonstrar um lado machista e sem sentimentalismo, e o fato dos emos aderirem em suas letras de música a introspectividade, incomoda muito as outras vertentes “tribalistas”. Todas essas situações mostram que a cidade de Belém, está se transformando em um grande cenário pós-moderno, apesar de não ter constatado durante a pesquisa o que Mafesolli (1997) apresenta, quando fala que a “nebulosa afetuosa” se dá somente por

uma questão de encontro de pares, independente de qualquer preconceito. Uma vez que, mesmo não existindo preconceito dentro do movimento, observei claramente a separação de classes entre os membros do grupo.

E essa situação ficou clara, quando fiz o levantamento quantitativo, constatei que

os adolescentes que moravam em bairros de classe média alta, como Nazaré, Umarizal e

Batista Campos e estudavam em escolas particulares tradicionais e da mesma classe, nunca ficavam próximos dos meninos e meninas que moravam em bairros distantes e de periferia, como: Satélite, Marambaia, Coqueiro, Icoaraci e que estudavam em escola pública ou em escola particular de origem particular popular, como o Colégio Impacto, onde as maiorias dos emos entrevistados estudavam, mesmo tendo a “mancha” e a rede de sociabilidade no mesmo local. Isso só era perceptível para quem estava de vendo essa movimentação de fora, porque para quem os observava atentamente, conseguia notar essas diferenças e separação. Constatei também que essa “perda de identidade” tão relacionada à pós-modernidade,m foi presenciada para mim de forma contraditória, porque não só os emos, outros grupos estão se sociabilizando justamente para mostrar a sua identidade á sociedade, ou apenas se encontrar em uma identidade, o que me remete a eterna busca da identidade procurada pela juventude. Nesse contexto, percebi que é a diferença entre a juventude moderna é pós-moderna, é que a segunda mescla vários elementos como acontece com os emos, os quais misturam vários estilos para a sua composição, afirmando assim a sua identidade emo, talvez, por isso o que se denominam modernistas, não reconhecerem a pós-modernidade, porque ainda vivem em um mundo determinista e puro. Os emos gostam de misturar os estilos, no intuito de criar uma própria identidade, mesclando e se espelhando no outro, nesse caso, os seus ídolos de bandas, os heróis de Animes e Mangás e muitos outros “personagens”, tidos como verdadeiros exemplos de vida, mesmo que seja apenas no padrão estético. Então, a pós-modernidade, pode ser vista de forma bastante clara em grupos “tribais”, porém, asociedade em geral possui mesmo que, sejam pequenas características, como a reação de alguns pais dos entrevistados, que no início, sentiam preconceito, porém, hoje, aceitam a condição de seus filhos. Por mais que esses elementos, sejam constatados em pequenas parcelas, como foi dito anteriormente. Nota e que paulatinamente esse “Estado de mente” está cada vez mais visível na sociedade, mesmo os que negam, possuem características pós-modernas. Por isso, finalizo esse trabalho, com uma frase que utilizei no primeiro capitulo, com todas as suas contestações: só não vê a pós-modernidade, ou suas características, quem não quer.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUDRILLAR, J. (1970). A sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Ed . Elfos, 1985. BAUDRILLAR, J. (1978). A sombra da maioria silenciosa- o fim do social e o surgimento das massas. São Paulo, Brasiliense, 1985. BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido. Sobre a fragilidade dos laços humanos. Editora. Jorge Zahar, 2007 BERGER, Peter. A construção social da realidade. Petrópolis: Ed. Vozes, 1985 BERGER, Peter. Perspectivas Sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Ed. Vozes, 1999. CAIAFA, Janice. O Movimento punk na cidade- a invasão dos bandos sub. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. CALLIGARIS, C. A adolescência. São Paulo: Publifolha, 2000. FEATHESTONE, Mike. Cultura de consumo e Pós-modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995. FILHO, Geovan Afonso Santos. Movimentos contra culturais- punks e hip-hop em Belém: a importância da contracultura na construção de um pensamento crítico. Trabalho de Conclusão de Curso, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal, Belém/ orientadora: Carmen Izabel Rodrigues, 2002. FREDRIC, Jamenson. Pós-modernismo- A lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ed . Ática, 1991. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários á prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1999. FROTA, Ana Maria Monte Coelho. Diferentes concepções da infância e adolescência: a importância da historicidade para a sua construção. Estudo e pesquisa- psicologia. v. 7: Rio de Janeiro, 2007. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. São Paulo: Ed.DP &A,

2007.

LIMA, Raymundo. Para entender o pós-modernismo. São Paulo: Revista Espaço

Acadêmico nº 35, 2004. LYOTARD, Jean- François. A condição Pós-Moderna. Lisboa: Dom Quixote,

LDA,1984.

MAFESOLI, Michel. Notas sobre Pós-modernidade- o lugar faz o elo. Rio de Janeiro: Ed. Atlântica, 2004. MAFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos- o declínio do individualismo nas sociedades de massa. Rio de Janeiro: Forense, 1987.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro- notas para uma etnografia urbana. São Paulo: Revista digital de Antropologia- Os urbanitas, 2005. MAGNANI, José Guilherme Cantor. Tribos Urbanas: metáfora ou categoria? São Paulo: Revista digital de antropologia- Os urbanitas, 2008.

O kula. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Editora.

MALINOWSKI , Bronislaw

Ática, 2000. MARSHALL, Berman. Tudo que é sólido desmancha no ar- A aventura da modernidade. São Paulo: Ed. Companhia da Letras, 2005. MEAD, Margaret. Sexo e temperamento. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1979. MELUCCI, Alberto. A invenção do presente: movimentos sociais nas sociedades complexas. Rio de Janeiro. Ed. Vozes, 2001. MELUCCI, Alberto. O jogo do eu: a mudança de si mesmo na sociedade globalizada. Ed. Feltinelli, 1992.

PAIS, José Machado. Culturas juvenis. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda,

1993.

SIMMEL, Georg. Sociabilidade: um exemplo de sociologia pura e formal. Evaristo Morais Filho (org): Simmel. São Paulo: Ática, 1983. SOUZA, Izabela Jatene. “Tribos Urbanas” em Belém: drag queens- rainhas ou dragões? 246 f. Dissertação (mestrado)- Curso de Mestrado em Antropologia, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém/orientadora:

Maria Ângela D'Incao, 1997. SPOSITO, Marília. Considerações Sobre a tematização do social da juventude no Brasil. Revista Brasileira de Educação nº 5-6 São Paulo: ANPED. WILLI, Bolle. A fisiognomia da metrópole moderna. São Paulo: Ed. EDUSP, 1994 MCNEIL, Legs-MCCAIN, Gillian. PLEASE KILL ME. RS: L&PM, 2007.

SITES CITADOS

www.angelfire.com/pe2/sxc/hardcore

www.scielo.br/scielo.php?

www.aguaforte.com/antropologia/magnani1.html

http://www.ibge.gov.br//home/