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CHECKLIST FOR AUTISM IN TODDLERS

S. Baron-Cohen
J. Allen
Gillberg

CHAT
Adaptação: Associação Portuguesa para Protecção aos Deficientes Autistas

O CHAT (Checklist for Autism in Toddlers) é um instrumento de avaliação construído por S. Baron-Cohen;
J. Allen e C. Gillberg (1992), com o objectivo de despistar, aos 18 meses de idade, crianças com
perturbações da relação e comunicação do espectro autista.

Os autores pretendiam um instrumento de fácil e rápida aplicação, que pudesse ser usado por Clínicos
Gerais ou "Visitadoras Domiciliárias", não especificamente treinados para o diagnóstico do autismo.

As avaliações desenvolvimentais de rotina contemplam habitualmente o desenvolvimento motor, perceptivo


e intelectual, mas são omissas na avaliação do desenvolvimento social e da comunicação, falha que
poderá ser suprida com a aplicação deste instrumento.

INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR
o CHAT é constituído por duas partes. A Parte A que corresponde ao questionário dirigido aos pais, e a
Parte B que corresponde ao registo de observação clínica da criança.

PARTE A - O Questionário aos Pais é composto por 9 perguntas que avaliam cada uma delas,
respectivamente, uma das seguintes áreas desenvolvimentais:

AI. - jogo "violento" de contacto A2. - interesse


social
A3. - desenvolvimento motor A4. - jogo social
A5. - jogo de faz de conta
A6. - apontar proto-imperativo (apontar para pedir ou exigir que lhe dêem uma coisa determinada)
A7. - apontar proto-declarativo (apontar para mostrar ou partilhar interesse por alguma coisa)
A8. - jogo funcional
A9. - atenção partilhada

A ordem das perguntas foi designada de forma a evitar respostas Sim e Não enviesadas, misturando áreas
em que se previam anomalias com áreas de previsível normalidade. Das 9 perguntas, é previsível que as
crianças com autismo apresentem anomalias e dificuldades relativamente às perguntas A2., A4., A5., A7.,
A8. e A9., pelo que poderíamos dizer que estas perguntas têm maior especificidade para um diagnóstico
de autismo. Já relativamente às perguntas AI. (jogo de contacto), A3. (desenvolvimento motor), A6.
(apontar proto-imperativo) e A8. (jogo funcional) é possível que muitas das crianças com autismo não
apresentem alterações. É ainda de referir que as crianças com grande atraso mental falharão as perguntas
A3. e A8 ..

PARTE B - O Registo de Observação Clínica foi introduzido para permitir que o Clínico possa comparar
a informação fornecida pelos pais com os resultados da observação do comportamento actual da criança.
É composto por 5 itens:

BI. e B2. - registam a interacção social da criança.


B3. - avalia o jogo de faz de conta. Corresponde à pergunta A5.
B4. - avalia o apontar proto-declarativo. Corresponde à pergunta A 7.

B5. - para despistar atraso mental (aos 18 meses, uma criança com um normal desenvolvimento será
capaz de construir uma torre de 2 - 3 cubos).

Os itens Bl., B2., B3. e B4. avaliam aspectos que terão grande probabilidade de estar comprometidos nas
crianças com autismo.

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Quando interpretamos os resultados do Questionário aos Pais e do Registo de Observação Clínica


devemos focar a nossa atenção nas áreas abaixo referenciadas já que são elas que mais especificamente
se encontram comprometidas em crianças com perturbações da relação e da comunicação.

ÁREAS POTENCIALMENTE COMPROMETIDAS:

1) interesse social (A2., Bl. e B2.)


2) jogo social (A4.)
3) jogo de faz de conta (A5. e B3.)
4) apontar proto-declarativo (A7. e B4.)
5) atenção partilhada (A9.)

SINAIS DE ALARME AOS 18 MESES:

ausência de interesse social


a) ausência de jogo social
b) ausência de jogo de faz de conta
c) ausência de apontar proto-declarativo
d) ausência de atenção partilhada

Segundo os autores do CHAT, quando aos 18 meses uma criança falha em dois ou mais dos cinco
aspectos considerados, ou seja, se apresenta dois ou mais do que designamos por sinais de alarme,
teremos um forte indicador da existência de uma perturbação da relação e da comunicação ou de um
diagnóstico de autismo.