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F U N DA Ç ÃO UNIVERSI D AD E DE BRASÍLIA

R e i t o r

L au r o M o r h y

V i ce -R e it o r

T imoth y M arti n M ulh olland

E D IT O RA UNI VE R SIDADE DE B RA SÍLIA

D ir e t o r

Alexa n dre Li m a

CO N S E LH O EDI T ORIAL

Airton Lugarin h o de L im a Carna r a, Alexandre Lima , E l i zabet h Canc e ll i , Estevão C h aves e l e

Rezende Marti n s , He n ryk S i ewierski , José Maria Gon ç a l v es d e Almeida Júnio r , Moe m a M alh ei r os Pontes. Rein h ar e l t Ado l fo

F u c k , Sérgi o Pa u l o R oua n et e S ylv ia F ich er

,

40 anos

Editora Unlvt!rsidade de Brasílla

I,

Norrn a n Fair c l ough

Discurso e mudança social

C oo r d e na do r a d a tr ad u ç ã o Iza b e l Maga l h ã es

R e vi são t éc n i c a e pr ef á c i o à e d i ção b r as i l e i r a Iza b e l Mag al h ães

EDITORA

E3E:J

UnB

,)

E

qu i p e

e d it o r i a l :

A irto n L u ga rinh o

(Sup e r v i s ã o

e d it o r i a l );

d e

Me n es es ( A c o m p anh a m e nto

Ma r t i ns ,

Ca r l a Ro sa n e

R eja n e A n dr é S ara i va

e di t o r i a l ) :

I z ab e l Maga lh ã e s ,

R. N.

Z ó ri o,

Ma ri a C h ri s tin a

Cé lia M . L . M o t a ,

D i n i z

J a n a í n a L ea l , Sa ndra

el e

d a R o c h a

A

quin o,

Jo sê ni a V i e i r a,

M. e l e Ol i ve ir a (E qui p e d e tr adu ção) ;

Go n ça lv es R o s a s S a l t a r e lli ( Pr e p a r açã o

G il va m J o aq ui m Co s m o e W ilm a

d

e o ri g i n ai s,

r ev i são e Ín di ce ) ;

E u gê n i o Fe l ix B r a g a (E d i t o r ação

e

l e t r ô ni ca) ;

Wag n e r

Soa r es (Ca p a) .

Tí tul o origi na l : D i s c ourse and soc i a l c h an ge

Co pyr i g ht © 199 2 b y N on nan Fa irc l ough Copy ri g h t © 2001 by Editor a U nive rsidad e de B r a s í l i a, pe l a tr a du çã o

Impr esso no B r as il

Di rei tos exc l u sivos para esta edição:

d i t o r a U ni v e r sid ad e

E

S

70

T e ] : ( O x x61 ) 22 6 - 6 874

Fax: ( O xx 61 ) 225 - 5 611

ed itora @ un b . br

CS

3 00-5 0 0

d e Brasília

Q. 0 2 B l o co C N º 78 E d . OK 2º a n d a r

- B r a s í l i a - DF

T

a

c ri t o d a E d it o r a .

od os

os d ir e i tos

res er v a do s.

N e nhuma p a r te de st a pu bl i caç ã o

p o de r á p or es -

s e r

r maze nad a

o u r e pr o du z i d a p or qu a lq u er

m e i o sem a a ut o ri z a ção

Ficha catalogrâfica elaborada pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília

F165

Fairclough, Norrnan Discurso e mudança social / Norman Fairclough;

bel Magalhães, coordenadora da tradução, revisão técnica

l

z a -

e prefácio.

- Brasília : Editora Universidade

de Brasília,

2

00l . 316 p. Tradução de : Discourse and social c h a n ge. ISBN 85 - 2 3 0 - 0 6 14- 1

 

1

. S oc i o lin güí s ti c a .

2 . Análise do discurso.

3. Mudan-

ça social. I . Magalhães,

Izabel. l I . Título.

CDU 801

80 1: 3 0 1

Para minha mãe, e em memória de meu pai.

ou

" n ~

N or m a n F a ir c lough

------------------------=--------------------

r e l a ç ão aos efei to s d e po d er e às p ossibilidades

c onst itu ição

rais a s soc i a d os

I ha 1l 1e nt o. Is s o pode ta m b é m ajuda r a r e lacionar os e nunciad os

ge rais sobr e a .mudança s~c ial e cultural aos me , c~\lli s mos e às m o - da lidad e s pr ec i sa s do s efe i tos da mud ança na pr á tica .

d e r esi s t ê n c ia , à

d os s uj e i tos soc iai s, sej a aos v al o r es soci a i s e cultu-

com o s gê n e r os parti c ul a r es, tal co m o o ac o n se-

Capítulo 3

Teoria s o cia l do d i scu rso "

N es t e c apítul o , a pr es ento um a conc e p ção d e di s cur so e um

qua dr o t e óric o p ar a a an á lise d e discurso qu e se rá elab o rado e

il u s trado no de c orrer do liv r o. Minha aborda ge m é determinada

p elo s obj e tivos e s tabelecidos

disc ur s o orientada lin g üisticam e nt e e o pensame nto social e políti- co re l e vante p a r a o di sc ur s o e a lin g uagem, na f o rma de um quadr o teó ri co qu e s erá ad e quado para u so na p es qui s a cie ntífica social e, especificamente , n o es tud o da mud a n ça soc ial . O s doi s p rim e iro s

c apítul o s identificaram v árias re ali z a çõe s e limita çõ es d o trab a lh o

a nt e rior , e o C apítul o 3 foi e s cr i t o à luz d e t a l di s cu ssão se m se

b a s ear d iretamente aí. Inicio com um a discu s são c i o t e rmo ' di sc u rso', e

e m s e guida anali so o discurso Dum quadro tridim e nsion a l , c o mo

texto , prática discursiva e prática s ocial . Essa s trê s dimensõ e s de análise são discutidas lima a uma, e concluo e stab e lecendo minha abordag e m para a investigação da mudan ç a di s cur s i v a em s ua r e la- çào c om a mudan ç a so cial e cultural.

na In t rodução: r e unir a análise de

D i s cur s o

Qu e ro focalizar a lingua g em e, con s eqü e nt e m e nte, u s o ' di s -

c ur s o ' e m um sentido mais estreito do que os c i e ntis tas sociai s g e-

r alme nte fazem ao se referirem ao uso de lin g uagem falada ou

escrita. Usarei o termo 'discurso '

no qual os lingüistas tra di c i o -

T r a du ç ã o de Izab e l Ma g alhã e s.

' U

N o nn a n Fair c lough

n

a lm e nte

es cr eve m

so br e o ' u so d e lingua ge m ',

pa r o l e (fa l a)

ou

' d ese mpenh o' . N a trad ição in ic iada por Fe rdin a nd d e Sa u ss ur e

ao es tud o s i s t e m á ti-

a fa l a co m o não ace ssíve l

(19 5 9), c o nsid e r a - se

co, po r se r esse n c i a lm e nt e

u sa m u ma lín gua de for m as i m p r ev i s í ve i s,

um a ati v id a d e i n di v idu a l :

d

e aco rd o

os indiví du os co m se u s d e -

j os e s u as inte n ções,

se

um a l an g u e (lín g u a)

qu e é e m si m es ma

sis

r

q

t e m á ti ca

e socia l . Os lin g ü is t as

a p a -

é qu e

d a lín g ua de ve ser um es tud o d o pró -

ness a tr a di ção iden t i f i ca m

d a p osição sa u ss ur e a n a

o l e para ig n o r á -Ia ,

u a l q u er es tudo sist e m á t ico

po i s a i m p lic açã o

prio s i s t e m a,

da lan g u e, e n ão de s eu ' u so' .

A p o sição

de Sa u ssur e

é a t a ca da fi rm e m e nt e

p elos s o ciolin-

Di s curso e mud a nç a

so c i a l

91

vá rias implicações . Pri me iro , implica se r o di sc u rso um m o d o d e

açã o , uma f o rma

e

se nt aç ão . T r ata - se d e um a v i s ã o d o u s o d e lin g u age m qu e se torn o u

tam bé m um m o d o d e repr e -

e m qu e as pesso a s

os o ut ros,

c o m o

p o d e m

ag ir so br e o mun do

e

specialment e

sobre

amiliar , e mbo r a f r e qü en t eme nt e

f

ilo s o f i a lin g üíst i ca Seg und o , i mplica

tura so cial ,

F

e m t er m os ind iv idu a li s t as ,

p e l a

lin g üí s ti c a (Lev in son, 1983).

e p e l a P ra g máti ca

um a r e l ação

ger alment e

dialética e ntr e o d isc ur so

tal r e l ação

e a es tru-

existi n d o m a i s

e nt re a p r át ic a

soc ial

efeit o

gid o p ela e stru tura

e a es trutu ra da p r im eira .

a últim a

Po r o ut ro l a d o,

soc i a l :

é t a nt o um a co n d i ç ã o

o di sc ur so

c om o u m e res t rin-

o s

é mo ld a d o

soc i al

no s entido

ma is a m p l o

e e m todos

g

üi st a s que afirma m ser o u s o

d e lin g uag e m moldad o soc i a lmen t e

nívei s :

pela c la sse

e por outras

r ela ç õe s

soci a is

nível so-

e

n ã o i nd i vidu a l m e nt e .

lin

g uagem é s istem át i ca

E l es

ar g um e ntam

e a cess ív e l ao

qu e a variação

e s t ud o c i e nt ífi co

n o uso de e que

cietário,

pela s r elações

es pecíf i cas

e m um pa r ticulares ,

e m in st i t ui ções

co

v

mo o direit o

01 . 1 a ed u cação,

p or siste m as de c l ass i f ic aç ão ,

ta nto d e n a tur eza

d i sc ur s iva

O s e ve n tos di sc u rs iv os

á ria s norma s e con v e n ções,

o -disc ur s i va,

e assim

por dia nt e.

por

 

aq

uil o qu e o t o rna s i s t e m á ti co

é s u a co r r ela ç ã o co m var i áveis soc iais:

como

a

lí ng u a v a ri a d e acor d o c o m

a n a t u r e z a

da re l ação entre os p ar tici-

e sp e cí -

'.

pan t es e m int e r ações, o tip o d e even t o socia l , os p r o p ós i tos socia i s d as

1984). Isso re - domin an t e

n

present a c laram e nt e um ava n ço na tra di ção sa u ss u rea n a

p essoas na int e ra çâo,

e ass im po r dia nt e (Dow n es ,

m as t e m d u as limit ações

a l i n g ü íst i c a

re g ul ar,

prin cip a i s .

Pr ime i-

i cos va r iam

f

e m s u a d etermin aç ã o

es trutu ra l

seg und o o domínio

soc i a l par t icu lar

O U o q u a dr o i ns titu cio n a l

em q u e são ge r a d os .

Por

o utro lad o , o d iscu r so

é social m e n te

cons ti t u t i vo.

A qu i es t á a im-

p o rtânc i a d a d i scussão

d e Fo u ca ult

so b re a for m ação di sc ur s i v a

d e

r

o, a ê n fase t e nd e a ser u n il a t e r a l

sobre c o m o a l í n gua varia

segun-

j e t os ,

ob

s uj eito s

e conceitos.

O d i sc u rso cont r ib u i

para a co n s -

o u •

d

o fato r es

s o c i a i s,

o qu e s u gere a ex i s t ê n c i a

d e t ipos d e su j e ito

tituição

de todas

as dimensões

da es tru tura

socia l

q u e , dir e t a

social , d e r e l ações

soci a i s

e e l e s itu ação

b asta n te

in d e pe n dentes

do

indiretame n te,

o moldam

e o restrin gem:

SL l "S próprias

no rm as

como t a m bé m

re l ações , i de n t i da d e s

é u ma pr ática ,

lh e são s u b j ace n tes.

O disc u rso

e ins t i t uições

e

u

so el e li ng ua ge m , e a exc lu são d a possi b i li dade

de o

u so ele l in-

conve n ções,

q u e

g

u age m r ealm e nt e co n t ri b uir

pa r a s u a co n stituição,

reprodução e

não apenas

de r e -

,

mud a n ç a . Se gund o, as ' va r iáveis

sociais ' q ue são co n sidera d as

como

prese ntação d o mundo,

mas d e s i g n ific a ção do m un do, co n s titui n-

corr e la cio n a da s

a var i áveis lin g ü íst i cas

são aspectos d as sit ua ções

d

o e co n s truin do

o m und o em sig n if i cado.

 
 

soc i a i s

d e u s o lin g ü ístico

r e l a t iva m e n te

s u perfi c iai s ,

a l ém d e n ão

Po demos di sti n g ui r

t rês aspec t os

d os e f eitos cons t r u tivos

do

have r u ma compr ee n são

gem po de m s er det e rmin a d as

de qu e as p rop r ie d ades

em u m sen ti do

do u so de lingua -

d

isc ur s o. O d iscurso

c ontribui,

em p ri meiro

l ugar, para a c o nstru-

mais global pela es-

ç

ã o do q ue v ariavelmen t e

é r e fe r ido como 'ident i dades

socia i s'

e

 

tru

tu ra so cial em um n í v e l mai s p r of u nd o - as relações s o c i ais

'posições de suj eito'

pa r a os

'sujeitos '

soc i a i s

e os t i p o s de 'eu '

e

ntr e as c l as s es

e o ut r o s gr up os,

modos e m q u e as i n sti tuições

so -

(v

er Henrique s

et al ., 198 4 ; Weedon,

1 9 87) . Deve mo s,

contudo ,

c

i a i s são a rti c ulad as

n a fo rm açã o

social , e a ssim por diante - e po-

recordar a dis c u ssão

d e Fo ucau l t

sobre ess a q u es t ão

no Ca p í tulo

2

d

e m c o nt rib ui r p ar a r e pr od u zi -I " e transf o r m á -Ia.

 

e

a s min has o b servações a í qu a nto à ênf a se na pos i ção co n s t r u t i-

 

A

o

u s ar o te rm o

' di scurso'

,

p r opo nh o

co n s i derar

o u so de

v

i s t a. S egund o,

o d i scurso

c o nt r i b ui

p ar a co n s t ru i r

as rel ações

l

in g ua ge m como fo rm a

d e p r át i ca soc i a l e não - c o m o ativíd"de

pu-

so

cia i s

entr e as pessoas .

E, te rc e ir o,

o di sc u rso co ntrib ui

e crença .

p a ra a

ramerue jndividual

o u r ef l ex o

 

de va ri áveis

s i t u a cio n a i s.

Isso t e m '

c

o n s tru ç ão d e sistemas

de co n hec im e n to

Esses t rês e f ei -

N or man F a i rc l o ugh

to s c o rr es pond em

dim e n sões

e a

d e sen t i d o que coex i s t e m e i nt e r age rn em t o d o di sc ur s o - o

r esp ec ti va me n t e

a t r ês fun ç ões da lin g ua ge m

q

u e d e n o mina rei

a s f un ções d a lin g u age m

"identitária ', ' r e l ac i o n a ! '

e

'i d eac i o n a l ' .

A f un ção i de n t it á ria re l acio n a-se

a os m o d os

ais a s ide n t i dacles

qu

relac io n al

a c o m o as

s o c i ais são est a b e l ec i d a s no di sc ur s o ,

pe l o s a fun ção

rel açõe s s oci a i s e ntr e os p a rticip a ntes

ur so são representad a s

c

dos pelos

q ua is os t extos

e n eg oc ia da s , s i g nifi ca m

c i o d i s - ao s mo -

a fun ção ideacional o mu ndo

e seus p r oc essos ,

e n t i dades e r e l ações. As f un çõe s i d e n titária e r e lac i o n a l s ão

reu

tam b ém di s ti ng u e

acr

plan o ou r e l eg ada s

n idas

por Hall id ay (1978) co m o a função interpess oa l .

um a f u n ç ão

' t ext u al '

a minh a lista: i s s o

qu e pode

Ha lliday

s e r ut i lme nt e

e scen ta da

o ma d a s

m o

d iz resp e i to a co m o a s i nform ações

a um plan o sec und á rio ,

c om o nova s, s e i e cio n a du s

d e u m texto se l i ga m

socia l 'fo r a '

a

s ã o tr azi d a s ao pr imei ro

t

co

part es prece d entes do t exto .

c omo da d as

ou a pr ese nt a d a s

'tópic o '

o u 'tema ',

e como pa r tes

e seguintes

do texto , e à s itu ação

A prát ica di scur siv a

é co n sti tu t i va

ta n to d e man e ira

c on ve n-

c i o nal co mo cria ti va:

tidad es soc iai s, r e l ações soci a i s , si s t e m as d e co nhecim e nt o

co m o é , mas t a mb ém co n trib ui

i

es tão no centro de um s i s t e m a

t ên ci a e d a du rab il id ade

d

trans fo rm ações

c

o n tri b u i par a repr odu z ir

pa r a tra n sfo rm á- I a .

e aluno s

d

e as rela ç ões

a socie d a d e (iden-

e c r e n ça)

Po r e x emp l o.

a s

d e nti dades

d e p r ofesso res

e nt re e l as , q u e

da co n s i s - e n o ex t erio r

e ed u cação , d epe nd e m

d e fa l a no inter i o r

P or ém,

de p a dr ões

essas rel a ções

par a s ua rep rodu ção .

e l as estão ab er t as

n o d i sc u rso:

a

qu e pod e m o ri g in ar - se p a r c i a lme n te

n

a f al a d a s al a d e a ula , d o p arqu in h o,

da sa l a d os pr ofessore s ,

do

d

e bat e ed u cac i o n a l ,

e ass im po r di a nt e .

É i mport ante se ja c o n s id er ada

q

u e a re l ação

co m o dialética

entr e d isc u r s o

e estrutu ra

social i n -

p ara evitar o s e rros d e ênfase

d

e v i d a; d e um l a d o, na d e t er mina ção

socia l do disc u rso

e , de ou tro ,

n

a c on s tru ç ão

do so cial no d iscur so.

No prime iro

c a so . o di sc u rso

é

m e r o refl e x o

d e uma r ea lid a d e

socia l m ais p rofu nd a ;

no ú ltimo,

o

d i sc u rso é r e pr ese n t ad o

i d ea l iz ad a r ne nt e

co m o fo nt e

d o social .

O ú lti mo

ênfa se nas p r o pri e d a d es

t e mpor ã n e o s .

ta l vez s e j a o erro ma i s im e d i ata mente

co n s t i t u t ivas

d o disc ur s o

Vam os t o mar um exempl o

per i go s o , em d eb a tes

d ada a

cou - p a r a ver co mo es se e r ro

D

is cu rs o e m ud a n ça

s o c i a l

pod e se r e vita d o s em pô r em risco o pri n c ípi o

c o n s t i tut ivo .

93

A re l a -

ç

ã o entre p ais e filh os n a famí l ia ,

a d e t e rmina ç ã o

da s p os i çõ e s

de

'

m

ãe ', ' pa i ' e 'fi l ho(a) ' q u e s ã o s oc i a l m e nt e di s p o ní ve i s , co m o

tamb ém a l oca l ização

r eza d a f a mília e d o l a r s ã o t o d as co n s titu í d a s

cu rso, co mo res ult a d os c umul a t ivos ( e d e fa to co ntr adi t ó ri os)

p

levar f a c ilm e nt e

soc i a l co m o a fa mília s i m pl esme nt e

soas. E ntre t an t o ,

q

f amí lia c om o i ns titu içã o

va

q u e fo r a m e l as p r ó p rias c on st it u ídas n o di s cur so , m a s r e i f i ca d as

ex i s t e nt es

c om p rátic as concre t as, r e la ç õ es e id e ntidades

d

e i ndivíd u os

r e a i s n essas p os i ções,

p

ar c ia l m e nt e

a n a tu- no d is-

d

e

r ocessos compl exos e diver s o s d e conv ersa e es c r i ta. I sso p o d eria

à co n c lu sã o

id ea l is t a

d e qu e r e a l id ad e s

d o mund o

e m a n a m qu e j un t as

d as ca b eça s d a s pes -

p a r a b l o- com a

h á t r ê s r essalva s

as p essoas

con t r i b u e m são se m pre co n fr ont a d as

re al (em um co nju n t o li mita do d e fo rm as

u ear i sso . Pr im ei r o ,

r i a nt es )

e

m i nstitui ções

e prá t ica s . S e g und o ,

o s efei t os co n s tituti vos

d o d is -

c

u rso atu am con ju ga d os

c o m os de o ut ras p r át i cas ,

co m o a dis tr i -

bui ção

c

ba

d as r e strições da det e rmina ção

d e t aref a s d o m és ti cas ,

(p or exe mp lo ,

o vest u ário

e aspectos

afetivos c i o

o tra -

om po r tam e n to

qu em é emo t ivo) .

Te r ce iro ,

lh o c o n sti tu t ivo

do disc u rso necessa r iame nt e

dialética

se r e al i za de ntr o

p e la s est rutu-

d o d isc u rso

r

a s socia i s

(que, nes s e caso , i n c l u e m

a r ealid ade

das estru t u ras

da

famí l ia, mas a s ul tr a passam)

e , co m o argumentar e i

a s eg u ir ,

no

in

tuição di sc u rsi va d a s ocieda d e

n

m

tando - s e

t erior d e relações

as cab e ças

e lu tas de p oder pa rticu l a r es.

ma s d e u m a p rátic a

Ass im ,

a cons t i -

não ema n a de um l i vre j ogo d e idéia s

social

q ue e stá f i r -

or i en-

das pe ssoas,

emente enra i z a d a e m es trutur as soc ia is ma t e r iais , c onc r etas ,

para e l as .

U

m a p e rsp e ctiva

dialética tam b ém é um corr e t i v o n ecess ário

a

ma ê nfase i ndevida na det e rmin a ção

u

es

d o di sc ur so pel as es trutura s,

e n o rm a s),

como t a m-

t r u tu ras di s cursiva s (códigos , convençõ es

bém por es t rut u r a s não-discursivas.

Desse

ponto de vista , a c apaci -

d ade da p alavra ' di scurso'

de referi r- se à s es tr uturas

de c o nvenção

que subjaze m aos ev e n tos discursivos

prios e v e nto s, é uma ambigüidad e

to

por ex empl o, pe l a abordagem

r e ais , as s im

fe l i z . m e sm o

O e s tr u turali s m o

s de vista po ssa ge r a r con f u s ã o .

d e P ê cheux descrita

como aos pró -

1)

se d e outro s p o n -

(r e pr ese ntado . no C ap í t ulo

t rata a p r ática discursiva

e o ev e n t o d iscursivo

c o m o m e ro s exe m -

'1 1 1

Norma n Fairc l ough

pi o s d e e struturas discursivas, que são elas próprias represe ntadas

como unitárias e fixas . C o n s idera a prática discursiva em t e rmo s

e le um modelo de causalidade m e cânica (e , portanto , p essi mista). A perspectiva dialética considera a prática e o evento contraditórios

Di

sc ur s o e mud a n ça

s oc i a l

9 5

d e lut a. A r ' um nture i a s e g uir qu e o co n c e ito d e h c ' c lll o ni a, de

l ram sci , r rn e ce um quadr o f rutífe ro par a é\ c o n e ituaçâo e a in v e s-

ti g a ç ão da s dim e n sões p o lítica s e id e o l ó g i ca s da pr á tic a di s c ur s i va .

E m lugar de di ze r que tip os d e di sc ur s o p a rti c ular es t ê m va l o-

em luta , com uma relação complexa e variável com as e struturas , as quais manifestam apenas uma fixidez temporária , parcial e con- traditória .

A prática social tem várias orientações - econômica , política. cultural, ideológica - , e o discurso pode estar implicado em todas elas , sem que se possa redu z ir qualquer uma dessas orientações elo discurso. Por exemplo , há várias maneiras em que se pode dizer que O discurso é um modo de prática econômica: o discurso figura em proporções variáveis como um constituinte da prática econô - mica de natureza basicamente não-discursiva, C0l110a construção ele pontes ou a produção de máquinas de lavar roupa ; há formas de prática econômica que são de natureza basicamente d i scursi va , como a bolsa de valores , o jornalismo ou a produ ç ão de novelas para a televisão . Além di sso, a ord e m sociolin g üísti c a de uma so - ciedade pode ser e struturada pelo menos parc i almente como um mercado onde os texto s são produzidos , distribuídos e con s umidos

e

res políticos e ideol ó gico s in e r e nt e s , dire i qu e dife r e nt e s tip os d e

discurso em diferente s domínio s o u a mbie nt e s in s titu c i o nais p o - dem vir a ser ' investido s ' p o lític a e id e o l og i c ame nt e ( F row , 1 98 5) de formas particulares. I ss o s i g nifi c a qu e os tipo s d e discurso po - dem também ser envolvido s e l e di l e r e nt es maneiras - podem ser 'reinvestidos'. (Dar ei um exe mplo 110 fim d es t e capítulo , no item "Mudança discursiva " .) Uma questão razoav e lme nte important e é como c onc e b e mos as convenções e as norma s discursivas subjacent es aos e ventos discur - sivos. Já fiz alusão à concepção estruturalista de que há conjuntos ou códigos bem definidos que são simplesmente concreti zados 110S eventos discursivos. Isso se estende a uma concep ç ão dos domínios sociolingüístico s con s tituídos por um conjunto e le tais códigos em di s tribuição comple mentar , de tal modo que cada um t e nha suas própria s fun ç õe s, s itua ções e condições d e ad e qu aç ão qu e s e jam claramente dernarcada s d e o utro s . ( Critiquei c o n ce p ç õ e s d e varia -

como ' mercadorias ' (em ' indústrias culturais ' : Bourdieu , 1982).

ç

ã o socioling ü í sti ca b ase ad as no conceito d e ' ad e qu aç ão ' e m F air -

Mas é o discurso como modo de prática política e ideológica

c

lou g h , no pr e l o b . ) A b o rd a g e ns dessa natur ez a d e lin e i a m v aria ç ão

que está mais ligado às preocupaçõe s deste livro. O di s cur s o como

s

i

s t e mática em comunidade s de fala segundo conjunt os d e variáveis

práti c a polít i ca estabelece , mant é m e tran sf orma a s relações de

s

o

ciais, incluindo o ambi e nt e (por exe mplo , s ala d e aula , parqui-

p o der e as entidades c ol e tiva s ( c lass e s , bloco s, comunid a d es, g ru- pos) entre as quais exi s t e m r e la ç ões de pod e r . O di s cur s o c omo prática ideológica constitui , naturaliza, mant é m e transf o rma o s significados do mundo de posi ç õ e s diversas na s r e l a çõ es d e pod e r .

C omo implicam ess a s palavras, a prática políti c a e a id e ológica

nho , sala de pro fe s so r es e a ssemblé ia s ão di fe r e nt es ambi e nt es e s - colares) , tipo s d e ativ i dad e , propósito social (por exe mplo , e n s ino , trabalho de pesquisa o u tes te numa sala d e aula) e f alant e (por

e xemplo , professor(a) em oposição a aluno(a)). N essa c oncep ç ã o ,

o código é pr i m á rio,

e um c o njunto de c ódi g o s é s imp lesmente

uma da outra, pois a ideologia s ã o os s igni-

fic a dos gerados em relações de poder como d i m e nsão do exe rcício do poder e da luta pelo poder . Assim, a prática po l ítica é a c atego - ria superior . Além di s so , o discu r so como prática polític a é não

não são independentes

uma soma de sua s partes . Uma posição mai s frutífera para a orie ntação hi s tóri c a da mu- dança discursiva n e ste livro é a dos analistas de discurso franceses que sugerem qu e o 'inte r c liscurso' , a compl e xa c onfigura ç ão inter -

apenas um local de lut a de pod e r , mas também um marc o delimi ta -

d

e pendente de forma ç õ es c 1iscursivas , tem prima z ia s obre a s parte s

dor na luta de poder: a pr á tica discursiva recorre a conven ç ões q u e

e

as propr i edades qu e nã o s ão previsívei s das partes (v er a discu ss ão

natur al izam r e la ç õ es d e pod e r

e i d e ologia s particul a r e s e as p r ó -

d

e P ê cheu x no Capítulo 1). Além disso , o interdisc ur s o é a e ntid a -

pria s convençõ es, e o s modo s e m que se arti c ulam s ão um f o c o

de e s trutural qu e s ubj az ao s e ve ntos di s cursi v o s e n ão a f ormaç ã o

(

I

ind i v idual

ou o código :

Norman Fa ircl o u gh

mui t os eventos

d i scursivos

m a nifest a m

uma

or i entação para configuraçõ e s de elementos do código e para

seus

limites, p a ra que se possa consi derar

como regra o evento d i s -

cu

mativa

o

'ba t e - papo'

entreten i mento e desempenho (ver T olson, 1990 , p a ra uma an á l i se

d

discurso ' de pref erênci a

ra m ent e os tipos Vamos usar

e não código ou a ( f alarei da natu -

reza d e sses e lementos a seguir). C ontrariam e n t e a abordagens basea - das em teorias da adequação , onde se su p õe uma relação ú nica e

constante d e comp l ementariclade

formação

que combinam elemento s

r sivo existente

(mas esp e cial)

construído

da concretizaç ã o

seria 'gêneros

nor -

de um ú ni co código .

Um exemplo

misto s ',

de dois ou mais gêneros,

tais como

em shows da televi s ão , que é parte conversação e parte

E nt r etan to, usarei o t ermo f oucault i a no

a interd i scurso, porqu e

sug e r e

'ordem de mais c l a -

de configur a ção q ue tenho em mente .

o termo ma i s frouxo 'e l emento '

o ' b ate - papo').

para as part e s de uma ordem de discurso

en t re os ele m en t os ,

suponho que

a

re l ação

pode ser ou t orna r - se

contr a ditória.

O s lim ites

e n tre os

e

l emen t os

podem ser li n ha s d e te n s ão. T o mem - se,

por ex e mplo,

a s

dive r s a s p osições d e suj e i t o d e u m i nd i víduo n os di f erentes a m bien t es

e atividades de um a i nstituição,

na f o rmação de modalidades enuncia t iv a s,

em termos da dispersão

cio sujeito

segundo FoucauIt (ve r ,

no Capítulo

2 , o item " A formação

de modal id ades

enu n ciativas " ) .

É possível

que os limites e n tre os amb i entes

e as práti cas

sejam tão

naturalizados

que essas po s içõ es

d e s ujeito

sejam vividas

c om o

complementares.

Em d ifer e nte s ci r cunst â n c i as soc iais, o s m es m o s

limites poderiam tornar-se foco d e con t estação

de suj e ito e prát i cas discursiva s ass ocia das a eles

considerad a s

que as n a r r ativ as da e xpe riência

sociais , sejam ' adequa d as'

s ã o , m as não a seçõ es destinad a s

ou

m as n ã o e m outro p o d e m torna r- s e

e luta , e a s pos içõe s

p od e riam

se r

contraditór i a s.

Por exem pl o ,

p

ró p ri a,

os a l u n o s podem aceitar

d ial etos

à d i s c us -

a o e nsino ou ao trab alh o escrito ;

e m s e u s pr ó prio s

a seç õe s d a s aul a s des tin ada s

entre o que é pe rmiti do

, a i n da ,

as contrad iç õe s

e m u m l ug a r

p la taf or ma de luta para m u da r

1

1

o

s limi t e s

ent r e a dis c ussã o,

o ensino e a e scrita . E m pr i m e iro

l u-

g

ar, a acei taç ão de n a r r ativ as

de e x p er i ên ci a

p e s s o a l , m e smo e m um a

p

a r t e e str i tamente

de limi ta d a

d a a tivi d a d e

da s a la de aula, pode s e r

u

m a s o luçã o res u l t ante

de l u tas a n t e r i o r es pa ra aí in cluí - Ia .

I i sc ur s o ( ' I t lUd : l n ç n s Ci::::HI:

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9 7

t

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' IIH ' H ' 1 11' 1 11' 1 11 1 11, 1 1 1 1 1 1 1 ' , V II I I "

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luta s ,

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d e lu ta s par a r e d e f iu ii

para es t e nd e r

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por exe m pl o ,

pai/mãe-filhor .'.

a ) e s u as c onvençoe s

s

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nt r e ami g os n a viz i n h ança

o u v i c e - ve r sa,

O s r e s ul tad o s

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e nt r e t a i . s do ml Jl lOS p od e m

se u s

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da r eldçclO fes -

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- den s d e d i SC ur s o

I

di

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I

-. I S CUISI . ivas cr. à c r eJaça o

di

. la ç õe s

.

a s propne

1

ou estenc er a s t e c

e na rua à e sc ola.

~

·1

de tai s l ut as sao r e articu

-

ent r e e lem e ntos

-

a ço es

n a s 0 1

t an t o da s relações

.

, co mo a da escola , c om o das re I a ç oes - en . tre ord en s

s OC . le t a / n . a .

Co n s e c juen t eme n t e,

ur so loca is n a ordem de discurs o

t

/

I am oem er

l'

i tr e 'I S o rd e n s

.

c r ,

te i orte s

o s lim ites

entre o s ele m en tos

( como

c e

I ti-

.

o u I e a I

1 ' -

s curs o loca i s) podem va ri ar e nt r e re c l t lvdme n

di

.

.

.

v a mente fraco s (ve r Bern s te i n ,

ção atu a l: os el e mento s

o

.

pode m

19

8

1) d

.,

I

.

. ,

epe n

r

.

t'

dendo de sua artrcu a

1 fi i d os

os e bem c e I J l I

.

,

. la t ó r l' l

c

c

I

que t e n l O

di

t

a

m e Jan e c

um

,

s er c esc on IIlU .

e em en o s da lut a ai . ( leu

~

,

sa o cons

u p odem s e r pouco ní ti dos e m a l d ef inidos.

N

e m se deve supor qu e e s se s .

Um a cons e qüê nci a

i

e

r

e

h

co nv e nçõ e s

c

se ria . um estilo . d e e ns i no

n t e rnamente .

,

I

( 1

de

.

. A e o s s e j a rn hornogeu

.

m m en t e é q ue o s nov o s e l e m en t os

e d e finição

de l i m i t es

tituídos

t

i g os Portanto , e m es mo

.

I

ent re os e l emen t os

an 1

l emen t o pod e s e r hete r og ê n e o

eter ogene i d ad e

on t radição

hi st ór ic a são a lt a ment e . no element o ,

pr

-

o fessore s

.

em s u a ong e m ,

qu e essa

n ão se ja s entu . 1 a c omo

.

natura iza as , po -

di

em con lçoes

I

·

d

fam i lia r que c onsis

tal q uanc o as

c

J'

. omo

ser sentJc a C (

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11 ' 10 .

el os

Um e xen

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1

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·1

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lIen - i e s

f f e r e n t es

. e I eSI los t as es t r ut u ra

te na e x \) lor a çao

.

.

iad a s

( , .

E s ' se it

de uma roti n a d e p e rgunt as

.

dos alu n os

i n f o r m aç õ e s sen t i d . o

p re

.

-

J

d

para ob t er /

nao e quan d o u s a d o por p r ofes s or e s alun os mediante a s ol ici ta ç ão

nece s sa r iame . nt e

e t e i mu L

de uma

e m teJl1 . 1 0 S

s a o s

/ si t o de d ar ore e n , . c •

com o p rop o :

· 1 '·

( e 111 o rrn a ç c

.

.ôe s

.,

d mas po e . sei t el

.

- on c eit 1 de i n v e stll l 1 en

(

s or dens

as

d

e

cheio dessa ma neira. S e aplica r mos

s

.

o c on c e i

e ca s o , pod e - se

dizer que os e l e mentos ,

1 ,

di o 'urs o ISC '

-

' ) lI

N orm a n F a i r c l ough

l oc ai s e as orden s d e dis c ur so so ci e tárias são na pr á ti ca p o t e n c ial-

m e nt e estruturadas d e m a n e ir a co ntraditória e , d esse m o d o, est ão

a b erta s para t e r o s in ves t i m e nt os p o l í tico s e id eo l ó g ic o s co m o fo co

d e di s put a em lut as p a ra des iu v e s ti- Ios ou reinvest i - l os.

r e fi r o pod e m se r mu i t o var i áv e is e m

t e rm os d e uma ' e sca l a '.

po nd e r a um a co m p r ee n são co n v e n cio nal d e um c ó di go o u ' r e g i s -

t ro' intei rament e d e se n vo l v id o (H allida y , 1978 ) , um bloco d e

var i a nt es em ní ve i s di feren t e s c o m pa dr ões f o n o l óg i cos di s t i nt os , vocab ul ário , p adr õ e s g r a m a t ica i s , r eg r as de to m a d a de turn o , e as-

s i m por dia n t e . Exe m p l os d e ta i s c a sos são o d i s cu rso d e sessões

de bi n go ou d e l e il ões d e g ad o . E m o ut ros c asos, co ntud o, as var iá ve i s são em escala m e no r: sis t e m as d e t omada d e turn o pa r ti c ular e s ,

voca b u lá r ios qu e incorp o ram es q ue m a s de cl ass i fic a ç ão pa r ticul a - res, r o t ei ros de gên eros co m o re l atos de c rimes ou nar r a t ivas or ai s,

co nju n t os de conven ç õ es d e p o l idez, e a ss i m p or d i a n te . U m p o nto

e ntr e as o r dens d e discurso é a c ri s t a li zação de t a is

de oposiç ã o

e l e m entos e m b loc os re l at i vamente du ráveis. Vo u suger ir (Ca p ítu l o 4 ,

i t e m " Interdisc ur siv i da d e " ) um p equeno nú mero d e tipos d i fere n-

tes de e l e m entos: gê n e r os , es til os , tipos de a ti v id ad e e disc u rsos.

Pode se r i lumi na d o r , n es t e po nt o, re l e rn b r a r um a c it ação de

Fo u cault (Cap ítul o 2 , it em "A formação d os ob j etos") , ao refer i r-

s e às r egras d e f or m ação de ob j e t os n a p s icopato l o g i a . A s 'r e l a -

Os e l e m e nt o s a qu e m e

Há c a sos e m qu e p o d e m

par e cer corres-

D

i sc u rso e mu da n ça

so c i a l

99

da p r á tica discu rsi va . N esse se n t ido , as o r de n s d e d isc urso po d e m

ser co n s ider a d as c o m o face t as di sc ur s i vas das orden s soc i ais , c uj a

art i c ula ç ão e rearticulação inte rna t ê m a m esma natu r e za.

A té ag or a o foco es t á p rincip a lme nt e no qu e t or n a o discurso

sem e lhante a o utras fo rmas d e p rá tica so cia l . Agora , preciso contra- balan ç ar , tratand o d a q u es t ão sob r e o qu e t o rn a a prá t ica di sc ur siva espe cifi ca m e nt e di sc ur s i va. P a r t e da r es p os t a es t á ev id e nt e m ente

n a l in g ua g em: a p rá tica di sc ur siv a m a n ifes t a - se e m fo r m a l i n g ü ís-

d o qu e referire i c om o ' t ex t os ', u sa nd o ' tex t o' n o

t

s entido amp l o d e Ha llid ay, l i n g u age m fa l a d a e e s c rit a (Ha lJi e l ay ,

1978). A pr á tica soc i al ( p o l í t ica , id e ol ógica , e t c . ) é u ma d i men são cio e v e n to di scursivo, d a mes m a forma qu e o tex t o .

ic a , n a f o r m a

Mas i sso n ã o é su f i c i e nt e . Ess as dua s dime n sões são m ediada s

p or um a t e rce ira qu e exami n a o di s cur s o espec i f i came nte c om o

p r á tica d iscur siva. 'P r áti ca di sc u rsiva' a qu i n ão se op õ e a ' pr á t ica social': a p ri m eir a é um a fo r ma p arti c ular da úl tim a . E m a l g un s

casos , a p r ática soc i a l po d e se r i n teira m e nt e cons t i t uí d a p e l a pr á ti- ca disc u rsiva , e n q u an t o e m o ut ros po d e envolver uma m escla de

p r ática di scu rsi v a e n âo- d isc u rsiva. A a n á lise d e u m disc u rso p ar ti-

cu l a r c o m o exe m plo d e práti ca d i sc ur siva focaliza os processos de

prod u ção, d istr i b ui ção e co n s u mo tex tu a l . Todos esse s processo s

são soci a i s e exige m r efe r ê ncia aos ambie nt es e con ô micos , polí-

ções ' i dentifica d as po r Fo u ca ul t , que fo r am adotadas no d i scur s o

t

icos e ins t it u c i onais particulares n os q uais o di s cur s o é ge r ado.

psiq ui átrico pa r a pro p icia r a forma ç ão d os 'objeto s ' a qu e se r e f e -

A

pro du ção e o co n s umo s ão de natu r eza par c ialmente sociocogn i t i va ,

re, poc l em ser i n terp r eta d a s c o m o relações entr e e l e m e n t os di s cur -

que e n volvem p r o c es s os cog n i t ivos de produ ç ão e inte rpre tação

sivos de d ifer e nt es esca l as: 'p l anos de e s p e c ifi c a ç ão ' e 'plano s e l e

textu al q u e são bas e ados n as es t rutu ras e na s con v en ç ões soc i ais

caracterizaçã o ps i cológ i ca' s ão , n o mí n imo , parcia lm e n t e con s ti-

tuídos p or voc abul ár i os , e n q u an t o o ' i nt e r r ogatór i o j udic i a l ' e o

' qu es tio n ári o mé d ico' são e l e m e ntos d i scursivo s d e tipo g e n é rico (sobre gênero, ver Ca p ít ul o 4, item "I nt erdiscur s ividad e " ) . E nt r e- tanto, no t e - se qu e não são apenas e l e m ent o s discu r sivo s . A inves- tigação p ol i c ia l , o exame c l ínico, a r ec lu s ão terapêutica e a prisã o pod e m t . e r co m pone n tes d iscursivos , ma s nã o são pe r s e entida d es

di s cur s iva s ,

mútua do di s cur s ivo e do n â o-di s cursivo nas co ndi ções est r utu r a i s

A s descr i ç ões de Fo uca u l t r essal tam a imbricação

inter i o r iza d as ( d aí o prefixo ' socio - '). N a explic a ção d esses p r ocessos socioc o gni t i v os, u ma preocupacão é e specific a r (os e lem e nt os d) as o rd e n s ele d iscurso (como t ambé m o u tro s recursos sociais , deno mi n ad os ' r ec ur sos e l os memb r os' ) e m q u e se baseiam a pro - dução e a int e r pre t ação cios senti d os e c omo isso ocorre . A p r eocu - paç ão central é esta b elecer co ne x õe s explanatórias en t re os m o d o s de or gani z a ção e i n ter pretação t extu al (norma t ivos, inova tivos ,

e t c.) , c o mo os t ex t os são p r od u zid os , d i strib u ídos e consumidos em um sen tido mais amp l o , e a n a tu reza da prática s ocial em ter-

10 0

Norm a n F a i r c lough

mos d e sua " re l ação com as estruturas e as l u tas s ocia i s. Nâo s e pode nem re c on s truir o proces s o de pro d u ç ão n e m ex p l icar o pro -

cess o d e int e rpr e tação s impl e sm e nte por r e f e r ê ncia ao s t ex to s : e l e s são r es p e cti va m e nte tra ç o s e pi s ta s des ses proc essos e não p o d e m

s e r pr o duzid os n e m int e rpretad os se m o s r e c u r sos d os m e mbro s .

Uma f orm a d e li g ar a ê nfase na pr á tica di scu r si va e no s proc ess o s de p r odução, dist r ibuiç ã o e co n sumo tex t ual ao próprio t e xto é fo c a l i- zar a int e rte x t u a lida de d o últ i m o: ve r o it e m "P r á ti c a d i scu rs iva ", a seg u i r .

A c o nc e p ção tridim e n s i o n a l do di scur s o é r e pr ese nt a d a dia-

g ram a ti c am e nt e na F i g ur a 3 . 1 . É uma t e nt a ti v a de r e unir tr ê s tradi-

ç õ es a na l íti cas , c ad a um a da s qua i s é indi s p e nsáv e l na an á li s e d e discu rs o. Es sas são a tradição d e aná l ise t ex tual e lin g üísti ca d e ta - lhad a na L in g üí s tica , a tradiç ão macr osso ciol óg i ca d e análi s e da

práti c a s oci a l e m r e l ação às e s trut u r a s soci a is e a t r adi ção i n te r- pr e t a ti va ou m i c r ossocio l óg i ca d e co n s id era r a prá t ica s ocia l co mo alg um a co i sa q u e a s p es soa s pr o du zem ativ a m e n t e e e nt e n d e m co m base em p roce dim e n tos d e s e n so c omum p a r til h a do s . Ace it o a afirm a ç ão int e rpretat i v a s e gundo a qual d e v e mos te n t ar com p r e en -

d e r co mo o s membro s d a s comuni d ad e s

mund os ' ord e n a d o s ' ou ' e x pli cáv e i s' . E nt e nd o

pro c es sos s oci o c o gniti v os na pr á ti ca di scu rs i va d e v a ser p a r cia l - ment e de dic a d a a e s se o bj e ti vo ( e mb o r a f a ç a s u g est ões a seg u ir d e qu e e l a apre se nt a dim e n sões ' m ac ro ' e ' mi c r o ' ) . E nt r e t ant o , arg u- ment a ria qu e , ao pr o du z i re m s e u mun do , a s p r áti c as d os m e mb r o s são m o ldada s , d e f o rm a in co n sc i e nt e , por e str ut ura s s oc iais , r e l a -

ç õ es de pod e r e pe l a n a tur e za d a p rá t i c a s ocia l e m que est ão e n -

volv id os ,

e l a

so ciai s p r o du ze m seu s

qu e a análise

d e

c uj o s m a r co s d e li m it a d o r e s

v ão sempr e

al é m

p

r od u ç ã o d e s e nti d o s. Ass im , se u s

pr o ce dim e n to s e s u as p rá t i c a s

p

od e m s e r in ve s tido s p o l ít ica e i d e ologi ca m e n t e, p o d e ndo s e r p o -

s ic i o n a do s po r e les como sujeito s ( e 'me mb ro s ' ) .

tamb é m qu e a pr á tica d os mem bro s te m r esu l t a dos e e fei t o s s ob r e

a s es t rut ura s s oci a is , a s r e l a ç õ es s oc i ais e as lut a s s o ci ai s, do s qu ai s o u tra v ez e l e s ge ra lm ent e não tê m co n sci ê n cia. E, fi n a lm e n- te , arg u me nt ari a qu e o s pró p ri os p ro c edim e nto s qu e os membro s

Argum e nt a r ia

D

i s cu r so e m u da n ç a

s oc i a l

1 0 1

u sam são heter ogê neos e con t raditório s e cont es tad o s e m luta s d e n a-

tur eza p a rcialme n t e disc ur s i va . A parte , d o pr o ced i m e nto qu e tra ta

da aná l i s e text u a l po d e s er d e nom in ada ' d esc riç ão ', e as parte s qu e

t ratam d a análi se d a p r á tica c l i s cur s iv a e da a nális e d a prátic a soc ial da q u a l o di sc ur so fa z parte pod e m se r d e n o min a da s ' inter pr e ta-

ç ão ' . ( S obre e ss a di s t i n ç ã o, ve r C a pí tulo 6 , " C onc lu s ão ". )

TE X TO

PRÁTICA D IS CU R S IV A ( p r odução, d i stribui çã o , consumo)

PR ÁT I C A SOC I AL

F I Gl I R / \ 3. 1 C on ce p ç ão tridim e n s ion a l

Discurso como tex t o

do di s curso

"

"

Por r a z õ es q u e se t o r na r ã o c l a r a s m ais t ar d e , r ea l m e nt e nunca

s e fal a so bre a s p ec to s d e u m t e x to se m r e f e r ê ncia à produ ç ã o e/o u

 

I ()

Norman F a ir c lough

Di sc urs o e mudan ça

s oci a l

 

10 3

;, int e rpr e t a ç ã o

[ e x tu a l .

Por cau s a d essa sobr e p os i ç ão ,

a di v i são do s

 

i ca nte'

f

(ve r S au s sur e ,

1959). S au ss ur e

e o utr os

n a t r ad i ç ã o

lin-

t

óp i cos a n a lítico s

en tr e an á li se

t ex tual e análise

da práti c a

di scur -

g

üí s tica e n fa ti z arn

a natu re z a ' arbitrári a'

d o s igno , a co n ce p ç ã o

d e

s

iv a ( e também

e ntr e as atividad es

analíticas d e de s criç ã o

e i nt e r-

que não h á um a base

m o t i vada

ou r ac i o nal

pa r a co mbin a r

um

pr

e tação)

não é n í t i d a .

Onde o s a s pectos

formais

dos t e xt os

são

significante

pa r ticular com um signi f i c ad o

particular.

Co ntra

is s o ,

mais d e stacados,

os tópicos

são a í incluídos ;

onde os pro ce s s os

abordag e n s

crítica s da anál ise de discurso

d e fend e m

qu e o s sigilos

produt i vo s e int e rpr e t a tivos

s

ã o mai s desta c ad os,

o s t ó picos

sã o

s

bin a r s i g nificant es

ã o socialme nt e

motiv a do s ,

i s t o é , qu e

h á r az õe s s o c i ais

p ara co m-

a s i g ni f i c ad o s

parti c ul ares.

i n c luíd os

n a an á li se

d

a prática di scur s iva ,

m es m o q ue e n vo l va m

parti c ul ares

( Ag r a -

a

s p e ct os f ormai s dos t ex t os . O qu e proponh o n essa s du as c ate -

d

eço a G unth e r K r ess a di s cu ss ão

d esse ass unt o . )

Po d e se r um a

g

o ri as

é u m quad ro

a n a l í tic o

o u u m m o d e l o

a mplo; ex plicações

qu es t ã o d e voca bul á ri o

- ' t e rr o ri s ta '

e ' I u ta d o r p e l a I ib e rd a d e '

são

s

el e t ivas m a i s d e t a lh a d as ser ã o e n co ntr a da s

É u m a hip ó t ese de trab a lh o

as

p ect o

tex tual é po t enc i a lment e

n os c ap ítul os

4 e 5 . tip o d e d e di sc u r - é p o r s i

sen s ata s u por qu e qualq ue r

sig ni f i c ati vo n a a náli s e

A análise lin g ü íst ica

o . Isso cria um a gra nd e dificuldad e .

s

m e sm a um a esfera co mplexa

t ipo s e t éc nic a s

pora m uito s

e às v ez es ba s t a nt e

d e a n á l ise .

E mb o r a

técnic a qu e in co r-

um a e xp e riê n c ia

o mbin açõ e s co nt ras taut es

c

t

g

ni

r as t e

e nt re

d e s i g n if i c an te

mo t i va d o

e s i g nific a do ,

e o CC lIl-

d e

e la s é soc i a lm e n te

- o u um a qu e s tã o

r a m á tic a (ve j a e xe mpl os a segu ir ) , ou

za ção lin g üí st i c a .

o utra s dim e n sões

da or ga-

s

Outra di s tinção i m port a nt e

em r e la ç ã o a o s i g ni f i c ad o

ignif i ca do

p o t e n c ial

d

e u m t ex t o e s ua in t e rp re t aç ã o .

é e nt re o Os texto s

prévi a e m l in g üí s t ica,

e m pr in cípi o ,

po ssa

se r pr é -requi sito

p ara

são f e itos d e for ma s às qu a i s a pr á t ic a di sc ur s iv a

pass ad a , co nd e n-

fazer

a n á li s e

d e d iscur so,

n a ve rd a d e

a a n á lise

d e di sc ur so

é

s

ad a e m c on v e n ç õ es ,

dot a d e s i g ni f i c ad o

po t e n c ial . O s i g nific ad o

um a a ti v id a d e multidísciplinar

e não

se p ode ex i g ir um a gr and e e x -

peri ê n cia lin g üí st i ca

qu e nã o se po de ex i g i r e xperi ê n c i a

pr év i a

d e seu s p rat ica nt es ,

d o m es m o

m o d o

prév ia e m socio l o g ia,

o qu e pr e t e ndo

p s i co l o - fa ze r é: (1)

gia ou p o lít i c a .

ofer e c e r ,

propósit o d e dar a os l ei t o res um map a da ár ea e m g rand e esca la;

(2) id e nti fi car ,

de 4 a 6 , as pecto s ment e produt ivos

p

r ê n c ia s para os qu e dese j e m

tant o qu a nt o

N ess a s c ircun stân c ia s,

n es te c apítul o , um quadr o a nalític o

par a an á lise mai s d e talh a da

a na l í tic o s na a náli se

t e rm os téc ni cos

sel ecio n a d os d e d iscur so;

muito ger al qu e t e m o

nos c apítu l os

e ilu str a çã o

qu e p a r ece m se r espec ial -

(3) a b o lir

e (4) fo rn ec e r

refe-

d e a n á lis e.

ossíve l

e j arg ã o p r oibi ti vos;

seguir li n h as p a rticul a r es

A l g um as da s ca t ego ria s n o qu ad r o d e an á l ise t e x tu a l a se g uir

são o ri e ntadas apa r e nt e m e nt e

o u t r as apa r e nt e m e nt e

ta

nam s i m ult a n e ament e

N a t erm in o l og ia de g rande part e d a lingüí s t i c a e da serniótica do

sécul o XX , an al i s am- se

m a i s l o n g a s de t e x t o qu e c on s i s t e m

co m um a forma , o u d e um 'sig ni f i ca d o' c omb i n a d o c o m um 'sig ni-

p a r a fo rm as l i n g ü íst ica s ,

p a ra os se n tid os.

e nqu a nt o E nt re t a nt o .

s

ã o o ri e nt adas

l d i sti n ção

é ilu só ri a,

p orque ao a n a li sar

tex t os s empr e se ex ami -

questões d e forma e q u es t ões d e sig nifi ca do .

's ign os' ,

is to é, p ala vr a s

ou se qü ê n c ias ,

d e um sig ni f i ca do combin a d o

p

o t e n c ial d e um a f orm a é g e r a lm e nt e h e te r ogê n eo , um co mpl exo

d

e s i g nifica d os d i v e r sos , so br e p osto s e a l g um a s v eze s co ntr a-

ditó rios (v e r Fa ir c lou g h ,

ge

1990a),

d e forma

qu e os t e xto s

s ã o e m

ral alt a m e nt e a rnbi va l e nt es

e a b er t os

a múltipla s

i nt e rpr e t açõ e s .

O

s i nt é rpre t es

ge ralm e nt e r ed u ze m essa arnbivalência

m

e diant e

o pç ã o p or um se ntido p a r t ic ul a r ,

p o t e n c i a l c o n -

o u um p e q u e no

junto de sen t i d os alt e rn a t iv o s.

U ma v ez qu e te nham os

e m m e nt e a

d epe nd ê n c i a qu e o s enti do te m d a int e r pr e tação , p o d emos u sa r

'se ntid o '

t a nt o p ara os p ote n c i ais

da s fo r mas

co m o para os s e n t i -

d

os atr i bu ído s n a int e rpr e t ação. A a n á li se tex tu a l p o d e s e r o r gan i zad a e m qu atro i t e n s : 'v oca-

b

ul á rio ',

'g r a m á ti c a ',

' co es ão '

e 'e strutura

t ex t ua l ' .

E s s es

i te n s

po d e m se r i m agi n a d os

e m e s cala ascende n te:

o voca bul ário

t ra t a

p

r in c ip alm e n te

das pal av ra s i nd iv iduai s ,

a gramática das pal avras

c

ombinad as e m o r açõ es e fr a ses , a c o e s ão t r ata da l igaçã o e n t r e

o

zac ionais

tros iten s p r in c ip a i s

na a náli se d a p r á t i ca disc ur s i va , e mb ora cert am e nt e

pec t o s f or mais

raçõe s

e f r ases e a estrutur a

t e xtual t r at a d as propr ieda d es

o rg a n i - tr ês o u-

m as

envo l vam as - i sto é , o s t i p o s

d e lar g a esc a l a d os t ex tos. A l é m di sso , di st in g o

q ue não se rã o u sa d os

n a aná l ise

d os t ex t os: a ' forç a '

d os e nun c i ados ,

t ext ual ,

I (lll-

Norm a n F a ir c lough

e l e a to s de fa Ja (pr o me ssa s,

tituídos ; a ' co e rên c ia '

to s . Reunido s, esses set e iten s constituem

t ex tual qu e abran ge

também a s pr o pri e d a d es

p

e did os, am e a ç a s,

e tc. ) por e les co n s -

dos t e x -

dos t ex tos; e a ' interte xtualidad e'

um quadr o para a análise

co mo

a spe cto s d e sua produ ç ão e interpreta ção

fo rmai s do s t ex t os .

pl

es'

A unidad e principal da gramáti c a

é a ora çã o,

o u ' o ração

sim-

- p or exe mpl o,

a m a n c hete

de j o rnal "G orba c h e v

redu z

()

i

.

Dis c urso e mud a nça

s o cial

105

agente ( e ntr e par ê nte ses) , p o rque e l e é d es conh ec id o,

co nh ec id o,

julgad o irre l e vant e,

ou t a lve z para deix ar vaga a agê nc ia

e , co n se -

qüentemente ,

c

1

ge

a re s ponsabilidade.

int e r e s sa nt e

A abordag e m da lingü ís tica

qu a nto à g r a máti ca

( F owle r

d e Lee ch , De u c har

c ríti-

e t a i . ,

e H o o-

a é p a rticularm e nt e

9 79 ; K r ess e H o d ge,

nraad

1 9 79) . O trabalho

(198 2 ) é uma int r odu ç ão

a c e ssív e l à g ramáti c a ,

e Hallid a y

. ( 198 5) faz uma apr es ent aç ão

mai s a van ç ada

d e um a f orm a d e g ra-

p

reço d o exérci t o

ve rm e lho " .

O s princip a i s e l e m e nt os d as or a ções

m

á tic a

p articularm e nt e útil à a náli se

d e di sc ur so .

 

g

e r a lm e nt e são c h a mad os ' grup os' o u 's inta g mas' - p o r ex empl o,

O 'v o ca bul á ri o'

p o d e s e r inv es ti g ad o

d e muita s man ei r as,

e os

'o e xér c ito v e rm e lh o',

'

redu z

o p re ço ' .

As or a çõe s

c

o mentá r io s

aqui e no C apítulo 6 s ã o muito se l e t i vos. Um p o nto

pa r a fo rmar o ra ç õ es

compl exas. M e u s c o m e ntári os

s e c ombinam aqui se re s trin-

 

qu e pr ec i s a se r esclare c ido

é qu e t e m val o r li mi t a d o

co n ce b e r

uma

g

ir ão a cert os asp ec t os

d a o ra ção .

l

í n g u a

co m um v oc abul á rio

qu e é d oc um e ntado

' no ' dici o n á ri o,

To d a ora ç ão é multifun c ion a l e, a ss im, tod a ora ção é uma

porqu e muitos v ocabulári os

s obr e po s t os

e e m co mp e t iç ã o

co r-

c

o mbin ação de si g nificados id e ac io nai s, interpe s soais

(id e nti t á rios

re

s pondendo

aos di f erent e s d o mínios, institui ções,

p r ática s, valor es e

e

r el aci onai s)

e t ex tuai s

(ve r o it e m

" Di scurso",

ante riorm e nt e) .

As

p

e r s p ec tiva s.

O s t e rm os w ordin g, I ' Ie x i ca li z a çã o ' e 'sig n if ic aç ã o'

p

ess o as f aze m e sco lha s

so br e o m o d e l o

e a es t r utura

d e s ua s o ra-

(so br e

i ss o e o utr os as p ec t os

d o v oc abul á ri o ,

ve r K r ess e Ho d g e ,

ções qu e r es ultam

e m e scolhas s obr e o s ig n i f icado

( e a c o n s tru ç ão )

1

9 7 9; M e y , 19 85) c aptam

i sso m e lh o r

d o qu e ' vo ca bul á rio ',

por-

d

e id e n t idad es

so c iais ,

r e laçõ es soci ais

e conh e cim e nto

e cr e n ç a .

qu

e

impl i cam pro ces s os de l ex ic a li zaç ã o

(s i g ni f ic aç ão )

do mundo

Il

us tr arei com a m a n c h e t e

de j o rn a l a nt e ri o r .

E m t e rmo s d o

sig ni f i-

q

u e

oco rre m dif e r e nt e m e n te

e m t e mpo s e é p ocas

di fere nt es

e pa r a

cad o id eacio n a l ,

a o ra ção é tr a n s iti va :

s i g nifi ca um

proc esso

d e um

 

indi v ídu o

p a r t i c ul a r ag i ndo f i s icam e nte

(n o te- se a m e táfo r a )

so br e

grup os d e p esso a s dif e r e nt es. Um fo co de an á li se r e c ai so br e a s l ex ic a l iza ç ões

s

u a s i g nificân c i a

p o líti ca e id eo l óg i ca,

so b re qu estões,

alte rna t iv as

e

uma ent i dad e.

Pod e ríam os muito bem v e r aqui um inv es tim e nto

tai s co m o a

i

eve nt os - p or e xemplo , "A Uni ão Sov i é t ica r e du z a s F or ças A rma-

d eo l óg i co

di fe rent e

e l e o utr as

f o rma s

d e s i g nifi ca r

os m es m os

r e l ex icali zaçâo

'

soc iai s

' d os

d o mínios da ex p e ri ê n cia

C0 l11 0 p ar t e d e l u t as

e p o líti c a s

(é b e m con h ecido

o exe m plo d e relexicalização

elas ", ou " O e xér c ito

so viéti c o

d esist e

das c inco

d i visões" .

E m

d

e 't e r rorist as'

como ' lut a d o r es

p e l a l i b e rd a d e'

ou vi ce-ve rs a) ,

o u

t

e rm os d o s i g nific a do int er p esso al ,

a o ra ção é d e clar a tiva

(o p os t a

à

C0 l11 0 ce rto s d o mínios

são ma i s in te n s i va m e n te

l ex i ca l izados

d o

int

se

autor( a ) - l e it o r(

c

essas as dua s posições

há um a s p ecto com o ge ralm en te

sobre e l e e seu s at os.

da em passiva,

tema: "O preço d o ex ér c it o v erme l ho

Outra possibili d ade

e r roga ti va ,

o u imp e r a ti v a )

e co n té m

u m a form a ve r ba l

au toritár i o.

d o p r e- A relação

são

nt e d o indi c ati vo

qu e é c at ego ri c a me n te

a) aq ui é ent re a l g u é m di z en do

e a l g u é m

qu e recebe

o q ue es t á a co nt e -

a in fo r mação;

e nd o e m te rm os seg ur os

d

te x tu a l :

e s uj eito est a b e l ec id as 'Gorb ach ev'

n a oração. Te r ce iro ,

é o t óp i co o u tema d a oração,

par t e d a or ação :

o ar t i go é

oc o rr e com a pr i m e ir a

'o pr e ço

ofereci da

P o r o utr o l a d o , se a oração fosse t r ansfor ma-

d o exército

verme l ho '

passa ria

a se r o

é reduzido ( p or G or bachev) " .

pela passiva

é o a pa gamen t o

d o

ue o utros .

q

co

m

r

pa

m

p

Ou tr o

f oco é o se nti do

d a s pa l av r as

d a pa l av r a ,

par ti c ul a r mente d entro de lutas

parti c u la r es

d a s de uma

mo os se n t id os

a is amplas:

e l aç õ es

l av r a

e t á f ora,

e nt r a m e m di s puta

qu er o su ge rir

que a s estruturações

ent r e as pa l av r as

e das r e l ações

en tr e os s entidos

s ã o fo rm as de h egemon i a.

so b re a i m pli cação e s obr e o c o n f li to

Um terceiro

foco recai sobre a

de metáforas

po l ítica

e ideo l ógica

arti cu l are s

e ntr e m e t á fo ras

a lt e r n at i v as.

Ao co n side r a r -se a 'coesão' (ver Ha ll iday e Hasa n , 1976:

Ha lli clay , 1985), estamos concebendo

como as o r ações

são ligadas

I O termo wo r d in g significa a criação de palavras (N. da T . ).

I( '"

Norm a n Fairc l oug h

e m frases e CO ~ 110 a s f rase s,

unidad es m a ior es nos t ex t os. Obtém - se a li gaç ão d e v ária s man e ira s :

m e diante

repetição

diante ; m e diant e

s

por sua v ez , sã o liga das

de um campo semâ ntico

próximos ,

para formar

comu m ,

a

e a s sim por

e

o uso de vocabulár i o

de palavras ,

o u so de si n ôni m os

uma va r i e dade

d e mecan i s m os

arti go s d ef in i do s, demon s trativ os,

d e r efe rência

ub s titui ção

( pronom es,

elip se

d

e palavra s r e p et id as,

e a ssim por diante) ;

m e diant e

o u s o d e co n-

F oca l i z ar

jun ç ões ,

tai s co mo ' portanto ',

'e ntr e t a n to ' ,

' e ' e ' mas ' .

a

coesão

é um pa s so

para o qu e Fo u ca u lt

r efe r e

c omo " v á rio s

qu

e ma s r e tóric os

o s qu a i s g rup os d e en u nciad os

es - pod e m

ser co m b inad os

s eg undo (c om o

s ã o li ga d as

d esc ri ções ,

d e du ções , d ef ini-

 

ções, c u ja s u c e ssã o cara c t e ri za

Ca pítulo

s

te

tai s vari açõe s co mo ev idência s

a arquit e tur a d e conc e i tos" ) .

d e um t e xt o) " ( v e r , no

e

2 , o i tem "A f orma ç ão

Ess es e squ e mas

e u s asp e ctos particulares ,

x t o s ,

c omo a e strutura ar g um e nt a tiva

e é inte r es sante

dos ex pl ora r

v ariam e ntre o s tipo s d e di s c u rso ,

de diferent es

mod o s d e ra c ionali-

dad e e modifi caç ões

no s m o do s d e racionalidad e,

à m e dida

qu e

mudam as práticas di s cursivas.

 
 

'

E strutura t e xt u a l ' tamb é m di z re s p e ito

do s

t

ex t os e es p eci f i c am e nt e

a a s p e ct os s uperi o r es

à 'arquit e tura ' d e p l a nejam e nto

d e

di

ferent es

t i po s de t e xt o : p o r ex e mplo ,

a s maneira s

e a o rd e m e m

que os e l e mentos

ou os epi só dios

s ão combinado s

para c onstituir

po li c i al no jorn a l , ou um a entrev ist a

uma

reportagem

para e mpreg o .

T ais

conve n ções de estrut u ra ç ão pod e m

amp l iar a p e r ce pçã o

do s sis -

t e m a s d e conhe c im e nto

s

çõ e s dos t ip os d e texto. Como

int e r e ssados

e c r e n ça e d os pr e ssup os t os so br e as r e lações

qu e estã o e mbutid os

su ge r e m e ss e s e xe mplo s, e stamo s

na s co n ve n-

oc iais

e a s id e nt i dad es

s o c iai s

na e stru tu ra do monó l ogo e do di á l o go . O último env o l ve

o

s s is t ema s

de t o m ada d e turn o e a s c o nv e n ções

d e org a ni z a ç ã o

d a

tr

o ca d e tu r n o s do f alant e ,

c o m o tamb é m as co n ve n ções

p a ra

a br ir

e

f echar e ntrevi s tas ou conv e r s a s.

Pr ática discursi v a

A prática di s cursiv a,

como indiqu e i anteriorm e n te,

e consumo

e n vol ve

text u al, e a n a ture -

proces s o s de produção , d i str i bu i ção

Di sc urso e mudan ça

so c i a l

107

za d es s es proc ess o s v aria e ntr e dif e r e nte s

acordo c o m fator es sociai s .

de formas particula r es em cont e xtos sociais es pecíficos:

de jornal é produ z i do mediante rotin as comple x a s de n a tu rez a

cole tiv a

m e nt e em se u s dif e rent es es tá g i os d e prod u çã o - n o a ce sso a font es ,

da s agê n cia s

um a rt igo

t

i po s

d e di sc ur so

d e

P o r ex emplo,

o s t e xtos são produ z id os

es tã o

e nvol v ido s va riav e l-

de n o tí c ia ,

na tran sfo rma -

por um g rupo cujo s m e mbro s

tai s c o m o na s r e portag e n s

n a

p r i m e i r a ver s ão d e u m a r e p o rta ge m , n a d e c i s ão s o br e o l oc al d o

ção dessa s f o n tes (freqü e ntem e n t e

e

l as próprias

j á s ão t ex tos)

jornal

v

s obr e proc esso s di s cu r s ivo s ).

t e xtual '

é mai s complicado do qu e pod e par ece r . É produtivo d es con s truir

oCa ) pr o dut o r/a)

pad as p e l a m es m a p esso a ou p o r p esso a s di f er e nt es . G o ff rnan

(19 81:

qu e rea l m e nt e realiz a os s on s o u a s marca s no pap e l ; 'autor(a) ' ,

aq

e m qu e o con ce i to

e m qu e e ntra a r e p o rta ge m

e na e di ç ã o d e t a l hada

da r e porta g e m

(v e r

an D ijk , J 988 , para uma di sc u ss ão

Há outra s maneira s

u e l e /a)

e m u m co njunt o

14 4) s ug e r e

uma dis t in ção

qu e reú n e a s pal av ra s

e mai s ge ra l m e nt e

d e ' produtor/a)

d e p os i ções ,

qu e p o d e m s e r oc u -

a pes s oa

e nt re ' animad o r/a) ",

e é r es pon s á v e l

p e lo t e x t o; e 'prin -

cipal ', aqu e l e / a )

arti gos d e j o rna l , há uma ambi g üidad e

c u ja p os i ç ão é r e pr ese ntad a

n

p e la s pala v r a s .

E m

a r e la çã o

e ntr e e ss a s po si -

çõ

es : f req ü e n t e m e nt e,

o princip a l

é uma 'f ont e'

f ora do jorn a l ,

ma s

algumas rep o rtag e n s

não d e i x am

iss o c l aro e dão a impres s ã o

d e

qu

e o prin c ipa l

é o jor n al

(o ( a) e dit o r ( a )

ou um(a ) j o rnali s t a) ;

e os

t ex t os de auto ri a co l e ti v a mu i t a s v ez es são esc rito s co m o s e f osse m

as s inado s

ses s e ria oCa) an im ado r (a)).

(q u e n a m e lhor da s h i pót e -

por um( a ) único/a) j o rnalista

(V e ja um e x e mplo

e m F airclough ,

198 8 b.)

Os tex t os

tamb é m

sã o c o n s umid o s

di f e r e nt e m e nt e

e m co m o tip o c o m o

CO I 1-

d e

tex t os s o c iai s di ve r sos.

t

minuc i oso

com o s modo s d e interpr e ta ç ão di s ponív e i s - p o r e xe mp l o , g e r al -

ment e não se lêem r e c e it as c o mo t ex t os es t é ti cos ou a rtigo s aca- dêmi cos como t ex to s r e t ó rico s , e mb o r a ambos os t i po s d e l e i tur a

se j am pos s ív e is . O c onsumo, com o a pr o duç ã o , pod e s e r in d i v idu a l

ou cole t ivo:

I ss o t e m a ve r p a r c i al m e nt e

qu e n e l e s

se a pli c a

rabalh o

inte rpr e t a tivo

(tais de ou t ras c oi sa s) e

exa m e

ou a t e n ção di vidida com a r e ali z a ção

compare

c ar tas de amor com re g i st ro s

a d m ini s tr a t ivo s .

11111

Norman F a irclough

Al g un s textos (entrevistas

c io s , transcr i tos , preservados, relidos; outros (publi cidade

oficiais , grand e s poemas )

são r e gistra- não soli-

citada , conversas

casuai s )

não s ão regi s trados ,

mas trans i tório s

e

esquecidos.

A lguns t e xtos (di s cursos

p o lít i cos , livros-te x to)

são

transformado s em outr o s te x to s. A s in s tituiç õe s po s su e m rotina s

específica s para o ' pr o c ess am e nto

é tran sf ormada em um registro m é dico

compilar e s tatísticas médicas (ver, no C apítulo 4 , o item " Inter- textualidad e e transformações", para uma discu ss ão de ta i s ' ca-

deia s intert ex tuai s' ) .

vari ávei s d e n a ture z a ex tradi scur s i v a ,

Algun s t e xt os co ndu ze m a g u e rra s ou à d es trui ç ão d e arma s nu c l e a-

res ; outros l e vam as p ess oas a p e rd e r o e mpreg o o u a obt ê - l o; outro s

ainda modifi c am

m é dica para

' de t e xt os : uma c o nsulta

qu e pod e s e r us a d o

A lém di sso, o s t e xto s apr ese ntam

c

o m o tamb é m

re s ultado s

di s cur s i v a.

as atitud e s , a s cr e nças ou a s prática s das pes s oas.

ca-

sual pertence apena s ao conte x t o im e diato de s ituação e m que

ocorr e - , enqu a nto outr os têm di s tribui ção complexa . T e x t os pro-

p or l í d e re s

int e rnacional

rent es domíni os i nstitucionais ,

du

Alguns tex t os têm distribuiç ã o

simples

- uma conv e rsa

z id os

po lític os

o u t ex t os

re lati vos

à n egoc i aç ã o

d e arma s s ão di s tri b u í do s

e m uma v arie dad e d e dife-

c a e la um do s quais possui padrões

próprios e le c o nsumo e rotinas próprias par a a reprodução e

rec e b e m uma

versão transf ormada e l e um di s cur s o pronunc i ad o p o r That c h e r ou

G o rb a ch e v , v e rsão qu e é c o n s umid a seg und o h á bitos e rotin as

particulares d e recep ç ã o. Pr o dut o r es e m o r ga ni z a ções

com o d e partam e nto s

par s ua distribui ç ão , tran sf orma ç ão

tor es múltiplo s. P odem a ntecipar n ã o a p e n as os ' r ec e pt o re s'

a qu e m o t ex t o s e diri ge

(

d os e nt re os l e it o r es)

mas s ão i n c lu í-

tran s -

form a ção d e textos. Por e xemplo , os tel es pectaelor es

sofis tic a da s ,

d o go v e rno , produ zem

tex t os de form a a antec i-

l e i-

e con s u m o , e n e l e s c on s t r o em

(aq u e l es

dir e tam e nt e) , m as t a m bé m os 'o u v intes '

(aq u e les q u e não co n s t itu em

aqu e l es

a qu e m o t ex t o n ão se dir ige dire t ame n t e,

e ' d est in a t á ri os'

pa

r t e do s l eitores

'of i ciais',

mas são conhec i dos

c omo

co n s umid o -

res d e f ato (p o r e xempl o,

os of i cia is soviéticos/

são d e s t in atá rio s

e m co mun ic a çõ es

en t re os g ov e rn o s da O r ga ni zação e l o T ra tado do

- ? Tr a t a - se d e of i c i a i s da ex- Uni ã o So v i é ti c a ( N. d a T . ) .

Discur s o e mudan ça

s oci a l

109

Atlântico Norte/ O TAN) .

oc upada d e f orma múltipl a.

E c ada uma d e s s a s

posições

pod e

se r

C omo indiqu e i ant e riorm e nt e,

h á dim e n sõe s 'sociocogn iti v a s

es p e cíf icas d e p r odu ç ão e int e rpreta ção

n a i nt er - r e la çã o