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Comitê das Bacias Hidrográficas

REGIÃOMETROPOLITANA DE FORTALEZA

ANA Secretaria dos


Recursos Hídricos - SRH
Governo do Estado do Ceará
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS Banco Mundial

REVISÃO DO PLANO DE
GERENCIAMENTO
DAS ÁGUAS
DAS BACIAS
METROPOLITANAS
Fase 1: Estudos Básicos
e Diagnóstico

Relatório Final
Edição Definitiva

Novembro de 2010
GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
Governador: Cid Ferreira Gomes

SECRETARIA DOS RECURSOS HÍDRICOS


Secretário: Cesar Augusto Pinheiro

COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS


Presidente: Francisco José Coelho Teixeira

Diretoria de Planejamento
João Lúcio Farias de Oliveira

Diretoria Administrativa Financeira


Paulo Henrique Studart Pinho

Diretoria Operações
José Ricardo Dias Adeodato

Este Projeto foi financiado pela Agência Nacional de Águas/ PROÁGUA Nacional

Coordenador dos Projetos Especiais/ PROÁGUA Nacional


Hugo Estênio Rodrigues Bezerra

REVISÃO DO PLANO DE
GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS
DAS BACIAS METROPOLITANAS

FASE 1: ESTUDOS BÁSICOS


E DIAGNÓSTICO

Relatório Final - Edição Definitiva (RFED)


Novembro/2010
ii
APRESENTAÇÃO

iii
APRESENTAÇÃO

Planejamento consiste no processo de preparação de um conjunto de decisões, a serem


tomadas, posteriormente, para que determinados objetivos possam ser atingidos. Nessa visão,
o planejamento é a busca do melhor caminho para se atingir os objetivos. Um plano, por sua
vez, é o documento que materializa, em textos, o planejamento, e viabiliza sua concretização
em termos de ações.

Em consonância com as transformações ocorridas na sociedade brasileira nos últimos trinta


anos, o planejamento na área de recursos hídricos modificou-se, não seguindo mais o modelo
de planejamento racional clássico. O modelo de planejamento brasileiro adotado,
principalmente após a Lei 9.433/97 é o modelo de planejamento político. O Plano, no
contexto da Lei, é um espaço de reflexão com vistas à identificação de conflitos potenciais ou
existentes.

Com esta nova visão, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos – COGERH revisou o
Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas, com a inserção dos
usuários em todo o processo, da formulação do Termo de Referência à elaboração e à
aprovação do Plano.

Na fase de elaboração do Termo de Referência, a COGERH realizou um seminário bacia,


com duração de 1,5 dias, com a participação dos membros titulares e suplentes do Comitê das
Bacias Hidrográficas Metropolitanas – CBH - RMF, além de demais usuários de cada bacia.
Essa estratégia teve por objetivo inserir no Plano as percepções dos usuários dos problemas
locais e de suas soluções, além de fazer com que os mesmos se sentissem comprometidos com
o Plano. Destes eventos foram extraídos os principais problemas e demandas dos comitês, os
quais foram organizados em quatro eixos temáticos, a saber: 1) Balanço Hídrico, 2) Aspectos
Institucionais, 3) Interferências com o Meio Ambiente e 4) Identificação de Conflitos. As
questões levantadas pelos CBHs foram incluídas no Termo de Referência e analisadas em
todo o processo de construção do plano, a fim torná-lo realmente participativo.

Na fase de elaboração do Plano, cada um dos relatórios foi apresentado e debatido com a
equipe de fiscalização e a câmara técnica do CBH e, a cada relatório de fase, era apresentado
ao comitê de bacia. Importantes contribuições foram geradas nestes encontros e incorporadas
ao texto.

Mas engana-se quem pensa que o modelo de planejamento político prescinde de uma sólida e
rica base técnica. Os consensos só têm chance de alcançar bons resultados se a sólida base
técnica não existir. A qualidade de uma decisão em uma sociedade complexa como a de hoje
é diretamente proporcional a qualidade da base informacional e de conhecimento disponível.
Em assim sendo, a construção deste Plano teve duas dimensões: dimensão da política
participativa, que inseriu a visão e os anseios dos usuários na construção do sistema de
gerenciamento de águas e a dimensão técnica, que produziu levantamentos e análises dos
fundamentos técnicos relacionados aos aspectos hídricos e ambientais.

iv
O Plano apresenta o Estudo em três fases, caracterizadas por: a) Estudos Básicos e
Diagnóstico, contendo os estudos de base de hidrologia, os estudos de demanda, o balanço
entre a oferta e a demanda, os estudos ambientais e análise de indicadores, entre outros; b)
Planejamento, que aborda a projeção da oferta e da demanda, medidas não estruturais que
melhorem a eficiência do sistema, avaliação do grau de saturação da bacia e concepção de um
modelo de operação de reservatórios, entre outros. Nestas duas Fases, as demandas do CBH
foram organizadas em um modelo matricial inovador, onde os problemas da bacia, na
percepção do CBH, foram organizados e classificados e elencadas as ações para resolvê-los. E
por fim, c) Programas de Ação, que descrevem os programas necessários para resolver ou
minorar os problemas identificados pelo CBH, abordados nas Fases anteriores.

A COGERH – Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos, na qualidade de agência gestora


das águas do Estado do Ceará, tem o prazer e privilégio de disponibilizar a revisão do Plano
de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas, objeto de intensas discussões com os
usuários da água desta região hidrográfica, e que representa um marco no planejamento
participativo dos recursos hídricos do Estado do Ceará, buscando apresentar soluções para os
anseios e as demandas da Bacia.

Francisco José Coelho Teixeira


Presidente da COGERH

v
EQUIPE DE ELABORAÇÃO

IBI ENGENHARIA  Adahil Pereira de Sena, Analista de Gestão


CONSULTIVA LTDA de Recursos Hídricos da COGERH

Coordenador Geral:  Virgilio César Aires de Freitas, Analista de


Engº Civil Hypérides Pereira de Macedo Gestão de Recursos Hídricos da COGERH
M.Sc. Hidráulica e Recursos Hídricos, USP/UFC.
EQUIPE DE APOIO TÉCNICO
Coordenadora Auxiliar: DA COGERH:
Engª Agrônoma Maria Vilalba Alves de Macedo
Engenheira Agrônoma, UFC. Sede - Fortaleza
 Gianni Peixoto Bezerra Lima, Analista em
Equipe Técnica: Gestão dos Recursos Hídricos

Eng º Civil Iuri José Alves de Macedo  Walt Disney Paulino, Analista em Gestão dos
Engenheiro Civil, UFC Recursos Hídricos

Eng ª Civil Raquel de Azevedo Espíndola  Fernanda Azevedo Benevides, Analista em
Engenheira Civil, UNIFOR Gestão dos Recursos Hídricos

Eng ª Civil Andrea Pereira Cysne  João Silvio Dantas de Morais, Analista em
Doutoranda em Recursos Hídricos, UFC Gestão dos Recursos Hídricos

Eng º Civil Alan Michell Barros Alexandre  Paulo Miranda Pereira, Analista em Gestão
Doutorando em Recursos Hídricos, UFC dos Recursos Hídricos

Eng ª Civil Erika da Justa Gerência Metropolitanas - Fortaleza


Doutoranda em Recursos Hídricos, UFC  Berthyer Peixoto Lima, Analista em Gestão
dos Recursos Hídricos
EngºCivil Marcelo Brauner dos Santos 
M.Sc. Recursos Hídricos, UFC  Márcia Soares Caldas, Analista em Gestão
dos Recursos Hídricos
Arquiteto e Urbanista Levi Teixeira Pinheiro
Gerência do Litoral e Curu - Pentecoste
Economista Francisco Wellington Ribeiro  Marcílio Caetano de Oliveira, Tecnólogo em
M.Sc. em Desenv. e Meio Ambiente - UFC Gestão dos Recursos Hídricos

Bel. Computação Fábio Carlos Sousa Dias  Celineide Nascimento Pinheiro, Analista em
M.Sc. Ciência da Computação - UFC Gestão dos Recursos Hídricos

 Manoel Reginaldo da Silva, Analista em
ACOMPANHAMENTO E Gestão dos Recursos Hídricos
FISCALIZAÇÃO DA COGERH
Gerência do Acaraú e Coreaú - Sobral
Coordenador:
 João Lúcio Farias de Oliveira, Analista de  Vicente Lopes Frota, Engenheiro Civil
Gestão de Recursos Hídricos da COGERH 
 José de Arimatéia Paiva, Analista em Gestão
Membros: dos Recursos Hídricos

 Nelson Neiva de Figueiredo, Analista de  Manuel Bartolomeu Gomes de Almeida,
Gestão de Recursos Hídricos da COGERH Administrador

 Ubirajara Patrício Alvares da Silva, Analista  Adriana Kamylle Prado Pereira, Tecnóloga
de Gestão de Recursos Hídricos da COGERH em Gestão dos Recursos Hídricos

vi
INSTITUIÇÃO TITULAR SUPLENTE
MEMBROS DA CÂMARA Secretaria Municipal de
Sylvana de
TÉCNICA DE INSTRUMENTOS Recursos Hídricos e
Meio Ambiente de
Francisco José de
Sousa - Franzé
Albuquerque
Santana
DE GESTÃO DO CBH-RMF Horizonte
 Gerson Martins Costa Pereira – CAGECE Luiz
Prefeitura Municipal de Luiz Vieira de Alexandre
 João Batista Pontes – Celiba Beberibe França Neto Belém de
 José Ivo Santos Viana – SENGE/CE Oliveira
 Luiz Alexandre Belém de Oliveira – Pref. Secretaria de
Cláudio Hagihara
Francisco
Beberibe Desenvolvimento André
da Silva
Econômico de Cascavel Faustino
 Maria Zita Timbó Araújo – SRH Secretaria de Meio
 Michele Mourão Matos – Ypióca Rômulo de
Ambiente e Controle Raimundo José Reis
Castro Costa
 Nise Sanford Fraga – Unifor Urbano de Fortaleza – Félix
Lima
 Raimundo José Reis Félix – Pref. Fortaleza SEMAM
Secretaria de Meio Francisco
 Selma Lauriano – IBGE Antonio Sílvio
Ambiente e Controle Jaene Alves
 Thomaz Antônio Sidrim Carvalho – Pref. Nunes Costa
Urbano de Maranguape de Andrade
Aquiraz José
Prefeitura Municipal de Luiz Pereira da
Ermeson
Itapiúna Silva’
MEMBROS DO COMITÊ DE Ribeiro Leite
Maria
BACIA HIDROGRÁFICA – RMF Prefeitura Municipal Eric Leandro dos Valdicélia
de Itaitinga Santos Duarte Cavalcante
INSTITUIÇÃO TITULAR SUPLENTE Lopes
EMBRAPA –Empresa Daniely
Prefeitura Municipal de Cecília Daniela C.
Brasileira de Pesquisa Enio Giuliano Girão Barbosa da
Pacatuba Assunção
Agropecuária Silva
Maria Evanir Maria
Fundação Nacional do
Paulo Fernando Aparecida Prefeitura Municipal de Marcos Alberto de Cristina
Indio – FUNAI -
Barbosa da Silva Jonson Maracanau Oliveira Vieira Alencar de
Escritório de Caucaia
Rolon Medeiros
Superintendência Antônio
Inácio José Câmara Municipal de
Estadual do Meio Iran Lopes da Silva Ivanildo dos
Ângela Maria Bessa Crisóstomo Barreira
Ambiente do Ceará - Santos
Prata
SEMACE – Francisco de
DEFESA CIVIL - Prefeitura Municipal de Leila de Souza Assis Castelo
Tereza Odete
Secretaria da Ação Redenção Lopes Branco de
André Luiz Araújo Novaes
Social do Estado do Lima
Correia
Ceará SENGE- Sind. dos Francisco
José Ivo Santos
INCRA – Instituto Silvana Engenheiros no Estado Fontenele
Viana
Nacional de Eunildo Bernardo Maria do Ceará Meira
Colonização e Reforma da Silva Rodrigues Sindicato dos
Francisco de João Ventura
Agrária Silveira Trabalhadores de
Oliveira Lima dos Santos
Empresa de Assistência Carlos Ibaretama -
Técnica e Extensão Manoel Elderi Alberto Associação dos Francisco Massilon
Rural do Ceará – Pimenta de Oliveira Figueiredo Moradores do Japão – Rodrigues Vai mandar
EMATERCE Pinheiro Aquiraz Cavalcante
Fundação Cearense de Conselho dos Municipal
Meteorologia e Ana Lúcia Góes Gilberto para o Francisco
Josafá Martins de
Recursos Hídricos – D’Assumpção Mobus Desenvolvimento Elisiário
Oliveira
FUNCEME Tecnológico Andrade
Instituto Brasileiro de Selma da Silva José (COMDETEC)
Geografia e Estatística – Lauriano dos Vanglésio Conselho Municipal de
IBGE Santos Aguiar Desenvolvimento José Aldeni Maria Zuila
Secretaria dos Sustentável (CMDS) – Marinho de Sousa Teixeira
Maria Zita Timbó Fernando C.
Recursos Hídricos do Pacoti -
Araújo Guedes
Estado do Ceará – SRH Conselho Municipal de
Eleneide Torres Jonas
DNOCS – Departamento Desenvolvimento
Brilhante de Emanoel de
Nacional de Obras Sustentável (CMDS)
Oliveira Freitas
contra as Secas Barreira
Gerência Executiva do Francisco Wagner José Conselho.Regional de
IBAMA no Estado do Dermeval P. de Melo Engenharia, Francisco de
Mailde Carlos do
Ceará Martins Soares Arquitetura e Assis
Rego
Marcelo Colares de Edilson Agronomia do Ceará – Bezerra
Secretaria das Cidades CREA
Oliveira Uchoa Lopes
Secretaria Municipal de Cícero FAEC – Federação da Eduardo
Jorge José Prado
Agricultura, Recursos Thomáz Antonio Efraim Agricultura e Pecuária Queiroz de
Gondim de Oliveira
Hídricos e Meio Sidrim Carvalho Moreira de do Estado do Ceará Miranda
Ambiente de Aquiraz - Figueiredo

vii
INSTITUIÇÃO TITULAR SUPLENTE INSTITUIÇÃO TITULAR SUPLENTE
Federação das Maria do Maria de Lourdes Rosa da Silva
Conselho Indígena
Entidades Carlos Antonio Socorro da Conceição Alves Souza
Comunitárias de Mariano Pereira Barros Fabiano
Paulo Saulo Lucena
Aquiraz (FECOMA) Sbrissa TERMOCEARA LTDA Costa da
Bezerra
Sid. De Água e Meio Silva
Wilson Gomes dos Linaide Silva
Ambiente Do Ceará - Elaine
Santos Crispim FIEC – Federação das
SINDIÁGUA Antônio Renato Cristina de
Indústrias do Estado do
Fundação Terra Samuel Viana da Nádia Helena Lima Aragão Moraes
Ceará
Maranguape Costa Oliveira Pereira
Associação Francisco E. Rafael
Francisco Tomaz Cia. De Água e esgoto Gerson Martins
Comunitária de de Aquino Aguiar
Aquino - Vei do Ceará –CAGECE - Costa Pereira
Fazenda Velha Távora Pereira
Conselho Municipal de Francisca Taveira Juliana NORSA Joana Dar´c Sandra Lúcia
Meio Ambiente – da Silva Filha - Wayss REFRIGERANTES Figueiredo Braga da Silva Lima
CONDEMA - Edna Sugahara
FEPESCE – Federação
Raimundo Félix da Francisco
dos Pescadores do
Rocha José Miranda
Estado do Ceará
Sindicato dos José
Silvanar Soares
Trabalhadores Rurais Sisnando
Pereira
(STR) Aracoiaba - Lima
SINPRECE – Sindicato
dos Trabalhadores Maria Alice
Maria de Fátima
Federais em Saúde e de Moura
Maia Chaves
Previdência no Estado Lima
do Ceará
Rogério
UNIFOR Nise Sanford Fraga
Campos
Judária
GIA - Grupo de Cláudia Maria de
Augusta
Interesse Ambiental Sousa Bezerra
Maia
Francisco
Michele Mourão Fátimo
Aguardente Ypióca
Matos Cavalcante
Jota
Francisco
Associação
Ricardo Sergio Ronier da
Comunitária de Manoel
Jorge de Carvalho Silva
Dias – Redenção
Ferreira
Francisco
MIDOL –LTDA Cássio Leite Ramos Ferreira
Sales
Colônia dos Pescadores Francisco
Ivanildo Barros da
Z 38 –Chorozinho e Gleuson
Silva
Pacajus Carvalho
Colônia dos Pescadores João Marcelo Lima Francisco Ari
Z 07 de Caucaia Martins Silva Vieira
Associação Francisca
Antônio Rufino da
Comunitária de Estevam
Silva
Cajazeiras - Barreira Pereira
Cláudia
Nilton Martins de Roberta de
Colônia Pescador Z 09
Castro Sousa
Fonseca
Associação
Maria do Socorro Eriberto
Comunitária de Poços
Xavier Costa Araújo
(Aracoiaba)
Antonio
Assoc. dos Irrigantes do Paulo César
Carlos da
V. do Acarape Ferreira da Costa
Silva
Celiba Cia.
Agroindustrial Ltda – João Batista Pontes
Cascavel
Laesse Teles
Lara Araújo Lima e
Cervejarias Kaiser S.A. Portela
Silva
Dourado
Colonial Industria de Alberto Targino Maurício
Bebidas Ltda Júnior Câmara
Companhia Brasileira Gustavo Fernandes Aires Maria
de Bebidas – AMBEV Moraes Araújo Melo

viii
CONTEÚDO DO VOLUME

ix
CONTEÚDO DO VOLUME

O presente documento consiste na EDIÇÃO DEFINITIVA DO RELATÓRIO FINAL


(RFED) DA REVISÃO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS DAS
BACIAS METROPOLITANAS, elaborado pela IBI ENGENHARIA CONSULTIVA S/S,
consoante a Solicitação de Propostas SDP-SBQC Nº 01/CEL04/PROÁGUA
NACIONAL/COGERH/CE, que resultou no CONTRATO 029/2009/COGERH, no âmbito do
Acordo de Empréstimo 7420-BR.

Este Volume, denominado FASE 1 - ESTUDOS BÁSICOS E DIAGNÓSTICO, é dividido


em dois blocos. No BLOCO I – PRODUÇÃO DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS (Capítulos 1
a 12), se faz o levantamento dos estudos já realizados na bacia e uma descrição da área –
física e sócio-econômica – com os dados mais atuais publicados pelo Estado. Faz-se ainda a
avaliação dos aqüíferos, das lagoas, das enchentes e das condições hidroambientais da bacia.
Procura-se, além de realizar o balanço hídrico na bacia, avaliar o nível de implementação dos
planos de recursos hídricos na região. Coloca-se uma metodologia para determinação do
impacto da pequena açudagem, o monitoramento analítico dos reservatórios e por fim,
descreve-se potenciais indicadores a serem adotados na bacia. No BLOCO II
(ARTICULAÇÃO POLÍTICA COM O COMITÊ) (Capítulos 13 a 16), faz-se a apresentação
e análise das demandas do CBH, quando da elaboração do Termo de Referência, nos quatro
eixos temáticos – conflitos, vulnerabilidades ambientais, modelo institucional e balanço
hídrico.

Já estão incorporadas ao documento as observações levantadas ao longo de todo o processo de


apresentação e discursão do Plano com a equipe de fiscalização da COGERH e com a Câmara
Técnica do CBH. Ou seja, textos foram acrescentados ou corrigidos, capítulos foram fundidos
ou trocados de ordem (ou ainda de denominação), tudo isso no intuito de tornar o Plano
realmente participativo e o seu texto, mais claro e completo.

Estrutura Original dos Relatórios:

Conforme especificado nos Termos de Referência (TDR), a REVISÃO DO PLANO DE


GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS DAS BACIAS METROPOLITANAS deverá ser
estruturada na apresentação dos seguintes relatórios:

1. Relatórios Técnicos da Fase 1 - Estudos Básicos e Diagnósticos: Esta Fase engloba os


seguintes Relatórios Técnicos Preliminares:

1.1. Relatório de Tarefas RT1: Este relatório engloba as Tarefas 1.1 a 1.6 do TDR.
Primeiramente faz um levantamento dos estudos anteriores, nas áreas de recursos
hídricos e meio ambiente, em âmbito regional, estadual e local; faz a caracterização da
bacia (física, hidroclimatológica e sócio-econômica), avalia seus aqüíferos; apresenta a
evolução cronológica da oferta e demanda d’água na bacia; avalia e apresenta
metodologia para o estudo do impacto da pequena açudagem na bacia e, por fim, faz o
monitoramento analítico dos reservatórios da bacia.

1.2. Relatório de Tarefas RT2: Este relatório engloba as Tarefas 1.7 a 1.12 do TDR.
Primeiramente faz a avaliação das lagoas litorâneas, depois elabora o balanço oferta x
demanda hídrica na bacia. Faz o diagnóstico das enchentes, avalia as condições

x
ambientais da bacia, analisa o modelo institucional e o funcionamento do arcabouço
institucional na área de recursos hídricos da bacia.

1.3. Relatório de Tarefas RT3: Este relatório constitui-se em uma única tarefa, a 1.13,
que faz o levantamento de indicadores ambientais, de gestão de recursos hídricos e
calcula o índice de pobreza da água na bacia.

1.4. Relatório de Tarefas RT4: Este relatório se refere ao BLOCO II


(ARTICULAÇÃO POLÍTICA COM O COMITÊ) da Fase 1 do Plano e engloba as
Tarefas 1.14 a 1.17. Faz a apresentação e análise das demandas do CBH, quando da
elaboração do TDR, nos quatro eixos temáticos – conflitos, vulnerabilidades ambientais,
modelo institucional e balanço hídrico.

1.5. Relatório da Fase 1 – RF1: Este relatório sintetiza os estudos que permitiram
elaborar o diagnóstico e apresentar os resultados dos estudos realizados. Os relatórios de
tarefas RT1 a RT4 são consolidados em um texto único. Descreve ainda o processo de
construção do Plano, a metodologia de planejamento participativo criada pela
COGERH, a agenda de trabalho, principais avanços em busca da inserção do usuário no
processo de planejamento.

2. Relatórios Técnicos da Fase 2 - Planejamento: Esta Fase engloba os seguintes Relatórios


Técnicos Preliminares:

2.1. Relatório de Tarefas RT5: Este relatório engloba as Tarefas 2.1 a 2.4 do TDR.
Elabora projeções da oferta e da demanda, efetua o balanço entre as duas e propõe
procedimentos para outorga

2.2. Relatório de Tarefas RT6: Este relatório engloba as Tarefas 2.5 a 2.8 do TDR.
Faz proposição de medidas não estruturais que melhorem a eficiência do sistema, avalia
o grau de saturação em açudes da bacia, formula metas para indicadores e índices
levantados em tarefas anteriores e faz a concepção de um Modelo de Operação dos
Reservatórios

2.3. Relatório de Tarefas RT7: Este relatório se refere ao BLOCO II


(ARTICULAÇÃO POLÍTICA COM O COMITÊ) da Fase 2 do Plano e engloba as
Tarefas 2.9 a 2.12 do TDR. Apresenta as ações para solucionar os problemas levantados
pelo CBH, quando da elaboração do TDR, nos quatro eixos temáticos – conflitos,
vulnerabilidades ambientais, modelo institucional e balanço hídrico.

2.4. Relatório da Fase 2 – RF2: O relatório de conclusão da Fase 2 deverá discorrer


sobre as ações estruturais e não estruturais propostas. Deverão ser consolidados os
relatórios das tarefas RT5 a RT7.

3. Relatórios Técnicos da Fase 3 – Execução do Planejamento: Esta Fase engloba os


seguintes Relatórios Técnicos Preliminares:

3.1. Relatório de Tarefas RT8: Este relatório engloba as Tarefas 3.1 a 3.8 do TDR.
Elabora um modelo de gestão dos estoques de água na bacia; propõe um programa de
incremento de oferta hídrica; faz a avaliação do custo da água; discorre sobre um
sistema de apoio a decisão e descreve os seguintes programas: Programa de proteção
xi
ambiental dos mananciais, Programa de Monitoramento Analítico dos Reservatórios,
Programa de Formação de uma Base dos Dados das Bacias e Programa de Cadastro de
Usuários

3.2. Relatório de Tarefas RT9: Este relatório se refere ao BLOCO II


(ARTICULAÇÃO POLÍTICA COM O COMITÊ) da Fase 3 do Plano. É formado pelas
tarefas 3.9 a 3.12. Descreve os seguintes programas: Programa com vistas à mediação
dos conflitos identificados pelos CBHs, Programa com vistas a minorar as
vulnerabilidades ambientais identificadas pelos CBHs, Programa com vistas a
solucionar as principais barreiras institucionais, na percepção dos CBHs, para a gestão
integrada dos recursos hídricos e Programa de melhoria da oferta de água na visão dos
CBH.

3.3. Relatório da Fase 3 – RF3: O relatório de conclusão da Fase 3 discorre sobre os


programas de ações a serem implementados para que o planejamento seja executado.
Deverão ser consolidados os relatórios das tarefas RT8 e RT9. As avaliações em termos
de viabilidade técnica, política e financeira deverão constar no texto.

4. Edição Preliminar do Relatório Final (RFEP) – Este relatório consolida as três fases dos
estudos, incluindo as alterações aos relatórios das fases anteriores, sugeridas pela fiscalização.

5. Edição Preliminar do Caderno Síntese (CSEP) – Esse relatório sintetiza o Relatório


Final e será levado a público para dar publicidade aos Planos de Gerenciamento das Águas e
para que as ações propostas sirvam de orientação aos órgãos públicos municipais, estaduais e
federais, aos CBHs e a toda a sociedade. O documento deverá ter no mínimo 100 páginas,
incluindo ilustrações e quadros, nos moldes do documento “Nova Políticas das Águas”.

6. Relatório Final – edição definitiva (RFED) – Após a incorporação das correções à edição
preliminar, a CONSULTORA se obrigará a entregar a versão definitiva do relatório final.

7. Caderno Síntese – edição definitiva (CSED) – Após a incorporação das correções à


edição preliminar, a CONSULTORA se obrigará a entregar a versão definitiva da síntese
executiva.

xii
SUMÁRIO

xiii
FASE 1
ESTUDOS BÁSICOS E DIAGNÓSTICO

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO IV
CONTEÚDO DO VOLUME X
1. LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS ESTUDOS ANTERIORES 36
2. CARACTERIZAÇÃO DA BACIA 46
2.1. Área De Abrangência 46
2.1.1. Nomenclatura: Bacias Metropolitanas versus Região Hidrográfica das
Bacias Metropolitanas 46
2.1.2. Localização 46
2.2. Hidrografia 50
2.3. Clima 56
2.3.1. Cálculos dos Parâmetros Climatológicos 56
2.4. Geologia 65
2.4.1. Litoestratigrafia 65
2.4.2. Áreas com Tradição em Eventos Sísmicos 73
2.4.3. Recursos Minerais 75
2.5. Geomorfologia 79
2.6. Hidrogeologia 82
2.6.1. Domínio Hidrogeológico Cristalino (Fissural) 85
2.6.2. Domínio Hidrogeológico Poroso 87
2.7. Solos 92
2.7.1. Descrição dos Solos 95
2.8. Vegetação 106
2.8.1. Situação das Matas Ciliares 111
2.9. Compartimentação Geoambiental 115
2.9.1. Descrição dos Sistemas Geoambientais 117
2.10. Pluviometria 119
2.10.1. Estações Pluviométricas 119
2.10.2. Regime Pluviométrico 127
2.10.3. Precipitação Média sobre a Bacia 129
2.10.4. As variabilidades da Precipitação na Bacia 130
2.11. Fluviometria 144
2.11.1. Estações Fluviométricas 144

xiv
2.11.2. Dados do PERH (1992) 148
2.11.3. Dados do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias
Metropolitanas (2000) 150
2.12. Caracterização Sócio-Econômica 152
2.12.1. Demografia 152
2.12.2. Abastecimento de Água e Saneamento 156
2.12.3. Economia e Desenvolvimento Humano 158
3. AVALIAÇÃO DOS AQÜÍFEROS - ORGANIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES
DE ESTUDOS ANTERIORES 166
3.1. Reservas, Recursos e Disponibilidade de Águas Subterrâneas 166
3.1.1. Embasamento teórico 166
3.1.2. Os Sistemas Hidrogeológicos 168
3.1.3. As reservas hídricas subterrâneas 169
3.1.4. Disponibilidades de águas subterrâneas 170
3.2. Qualidade Das Águas Subterrâneas 171
3.3. A Região Metropolitana De Fortaleza 172
3.3.1. Sistemas Hidrogelógicos 172
3.3.2. Reservas e Disponibilidades 174
3.3.3. Qualidade das Águas Subterrâneas 175
4. AVALIAÇÃO DAS LAGOAS 180
4.1. O Histórico Da Degradação Dos Corpos Hídricos Na Região Metropolitana
De Fortaleza 180
4.2. Caracterização Das Bacias Hidrográficas De Fortaleza 181
4.2.1. A bacia hidrográfica do rio Cocó 181
4.2.2. A bacia hidrográfica do rio Maranguapinho 181
4.2.3. A bacia da Vertente Maritima 182
4.3. Diagnóstico Das Lagoas 182
4.3.1. Bacia Vertente marítima 185
4.3.2. Bacia do Cocó 191
4.3.3. Bacia do Maranguapinho 210
4.3.4. Lagoas importantes em outros municípios 216
4.4. Considerações Ambientais Sobre As Lagoas 230
5. EVOLUÇÃO DA OFERTA E DA DEMANDA 234
5.1. Base Conceitual 234
5.1.1. Secas: Definições 234
5.1.2. Os Potenciais Hidráulicos Localizado e Móvel 235
5.1.3. Demandas Concentradas e Difusas 238
5.2. Abordagem Da Oferta De Água Nos Planos Anteriores 238

xv
5.2.1. Potencial Hidráulico Móvel 238
5.3. A Evolução da Oferta nas Bacias Metropolitanas 246
5.3.1. Grande Açudagem 247
5.3.2. Águas subterrâneas 249
5.4. Abordagem da Demanda de Água nos Planos Anteriores 249
5.4.1. Demanda Humana 250
5.4.2. Demanda Industrial 255
5.4.3. Demanda de Irrigação 256
5.5. A Evolução da Demanda nas Bacias Metropolitanas 258
6. BALANÇO OFERTA X DEMANDA 262
6.1. Introdução 262
6.2. Disponibilidade 263
6.2.1. Disponibilidade Superficial 263
6.2.2. Disponibilidade Subterrânea 265
6.3. Demanda 265
6.3.1. Demanda Humana 265
6.3.2. Demanda Industrial 266
6.3.3. Demanda para Irrigação 266
6.4. Balanço Hídrico 267
7. DIAGNÓSTICO DAS ENCHENTES 270
7.1. A Problemática Das Enchentes E Inundações Nas Bacias Metropolitanas 270
7.2. Análise Dos Dados Fluviométricos 272
7.3. As Cheias E Inundações De 2009 Nas Bacias Metropolitanas 277
7.4. Medidas De Prevenção A Inundações 286
7.4.1. Tipos de Medidas 286
7.4.2. Medidas de Combate a Inundações nas Bacias Metropolitanas 287
8. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DAS BACIAS
METROPOLITANAS 292
8.1. Uso Atual Do Solo 292
8.1.1. Região Metropolitana 293
8.1.2. Programa SANEAR II 298
8.1.3. Barramento e Dragagem do Rio Maranguapinho 301
8.1.4. Demais usos do recurso hídrico 301
8.1.5. Região da Serra 302
8.1.6. Região do Sertão 304
8.1.7. Região do Litoral 304
8.2. Uso Atual Das Águas 305
8.3. Situação Das Matas Ciliares 306
xvi
8.3.1. Rio Pirangi 306
8.3.2. Rio Choró 307
8.3.3. Rio Uruaú 307
8.3.4. Rio Pacoti 308
8.3.5. Rios Caponga Roseira, Caponga Funda, Catu e Mal-Cozinhado 308
8.3.6. Rio São Gonçalo 308
8.3.7. Sistema Ceará/Maranguape 309
8.3.8. Sistema Cocó/Coaçu 311
8.3.9. Rio Cauhipe 312
8.3.10. Rio Juá 312
8.3.11. Rio Gereraú 312
8.4. Qualidade Da Água 313
8.5. Identificação De Fontes Poluidoras 315
8.6. Identificação De Áreas Degradadas 324
8.6.1. Extração mineral - Areia Branca 328
8.6.2. Extração mineral - Areia Vermelha 329
8.6.3. Extração mineral - Areia Grossa 329
8.6.4. Extração mineral - Argila 330
8.6.5. Extração mineral - Diatomito 331
8.6.6. Extração mineral - Saibro 332
8.6.7. Exploração de Água Mineral 332
8.6.8. Minerais Industriais 333
8.6.9. Pedras Ornamentais 334
8.6.10. Rochas 335
8.6.11. Rochas Britadas 336
8.7. Problemas Ambientais Encontrados Nas Bacias Metropolitanas: 337
8.8. Identificação De Reservas Ecológicas, Áreas De Preservação E Unidades De
Conservação (Existentes E Potenciais) 339
9. IMPACTO DA PEQUENA AÇUDAGEM 348
9.1. Introdução 348
9.2. Diagnóstico 349
9.3. Formulação do problema do impacto cumulativo da construção de
reservatórios 350
9.4. Alternativas Metodologicas 353
9.4.1. Classificação segundo a representação espacial dos parâmetros e
variáveis: Concentrados x Semi-Distribuídos x Distribuídos 355
9.5. Metodologia Proposta 357
10. MONITORAMENTO ANALÍTICO DOS RESERVATÓRIOS 362

xvii
10.1. Açude Acarape Do Meio 364
10.1.1. Evolução dos Níveis 365
10.1.2. Operação do Reservatório 367
10.2. Açude Amanary 367
10.2.1. Evolução dos Níveis 368
10.2.2. Operação do Reservatório 370
10.3. Açude Aracoiaba 371
10.3.1. Evolução dos Níveis 371
10.3.2. Evolução dos Níveis 375
10.3.3. Operação do Reservatório 377
10.4. Açude Catucinzenta 378
10.4.1. Evolução dos Níveis 378
10.4.2. Operação do Reservatório 380
10.5. Açude Cauhipe 381
10.5.1. Evolução dos Níveis 381
10.5.2. Operação do Reservatório 383
10.6. Açude Gavião 384
10.6.1. Evolução dos Níveis 385
10.6.2. Operação do Reservatório 386
10.7. Açude Itapebussu 387
10.7.1. Evolução dos Níveis 388
10.7.2. Operação do Reservatório 390
10.8. Açude Macacos 390
10.9. Açude Malcozinhado 391
10.9.1. Evolução dos Níveis 392
10.9.2. Operação do Reservatório 394
10.10. Açude Pacajus 395
10.10.1. Evolução dos Níveis 396
10.10.2. Operação do Reservatório 397
10.11. Açude Pacoti/Riachão 398
10.11.1. Evolução dos Níveis 399
10.11.2. Operação do Reservatório 403
10.12. Açude Penedo 404
10.12.1. Evolução dos Níveis 404
10.12.2. Operação do Reservatório 406
10.13. Açude Pesqueiro 407
10.14. Açude Pompeu Sobrinho 408
10.14.1. Evolução dos Níveis 408
xviii
10.14.2. Operação do Reservatório 410
10.15. Açude Sítios Novos 411
10.15.1. Evolução dos Níveis 412
10.15.2. Operação do Reservatório 413
10.16. Açude Tijuquinha 414
11. ANÁLISE DO MODELO INSTITUCIONAL 416
11.1. O Modelo Estadual - Histórico 416
11.2. O Funcionamento do Arcabouço Institucional no Estado 421
11.2.1. Competências 421
11.2.2. Modelagem Organizacional 422
11.2.3. Sumário Cronológico da Legislação Estadual Afeta a COGERH 423
11.2.4. Análise dos Principais Aspectos Contemplados nos Diplomas Legais,
que promoveram Fortalecimento Institucional da COGERH 430
11.2.5. Abordagem Crítica 431
11.2.6. Considerações Gerais sobre Conflitos nas Bacias em Função da Oferta
e Demanda 433
11.3. O Comitê de Bacia Hidrográfica das Bacias Metropolitanas (CBH-RMF) 434
11.3.1. O Processo de formação CBH-RMF 434
11.3.2. O Funcionamento do CBH-RMF 436
11.3.3. A Rotatividade das Instituições no CBH-RMF (2003 – 2010) 437
11.3.4. A Participação dos Municípios no CBH 438
11.3.5. A Freqüência das instituições 442
11.4. Instituições na Esfera do Poder Público Municipal Ligadas à Gestão dos
Recursos Hídricos e ao Meio Ambiente na Bacia 448
11.5. Instituições que Gerenciam os Abastecimentos de Água dos Núcleos
Habitacionais com mais de 1.000 habitantes 449
11.5.1. Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE) 449
11.5.2. Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) 450
11.5.3. Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) 450
11.5.4. Sistema Integrado de Saneamento Rural (SISAR) 451
11.6. Atendimento da Demanda Difusa 452
11.6.1. Programa de Abastecimento de Água de Pequenas Comunidades Rurais 452
11.6.2. Projeto São José 453
11.6.3. Perfuração de Poços 454
11.6.4. Dessalinização de Águas de Poços 454
11.6.5. Articulação pelo Semiárido (ASA) 455
12. LEVANTAMENTO DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE
PARA AS BACIAS METROPOLITANAS 458
12.1. Introdução 458
xix
12.2. Indicadores e Índices 459
12.2.1. Principais características de indicadores 459
12.2.2. Principais funções dos indicadores 460
12.3. Modelos Conceituais de Indicadores 462
12.3.1. Estrutura Pressão - Estado - Resposta (PER) 462
12.3.2. Estrutura Força Motriz - Estado - Resposta (F-E-R) 464
12.3.3. Estrutura Pressão - Estado – Efeito – Resposta (PEER) 464
12.3.4. Estrutura Força Motriz - Pressão - Estado - Impacto – Resposta
(FPEIR) 465
12.3.5. Estrutura Pressão - Estado - Impacto – Resposta (PEIR) 466
12.4. Parâmetros e Indicadores 467
12.4.1. Indicadores de Gestão de Recursos Hídricos 467
12.4.2. Geo Cidades - São Paulo 469
12.4.3. Geo Cidades – Ceará (Proposta) 470
12.5. CENÁRIOS DE INDICADORES (PRESSÃO – ESTADO – IMPACTO) 478
12.6. Índice de Pobreza Hídrica 480
13. CONFLITOS IDENTIFICADOS PELO CBH METROPOLITANAS 488
13.1. Organização dos dados 488
13.2. Análise dos conflitos identificados pelo CBH 489
14. O MODELO INSTITUCIONAL NA PERCEPÇÃO DO CBH 510
14.1. Organização de dados sobre Modelo Institucional 510
14.2. Análise das barreiras ao Modelo Institucional identificadas pelo CBH 512
15. VULNERABILIDADES AMBIENTAIS IDENTIFICADAS PELO CBH 514
15.1. Organização de dados sobre poluição hídrica 514
15.2. Análise de dados sobre as vulnerabilidades ambientais identificadas pelo
CBH 517
16. NECESSIDADES DE MELHORIA DA OFERTA DE ÁGUA NA VISÃO
DO CBH 520
16.1. Organização de dados sobre oferta hídrica 520
16.2. Análise de dados sobre as necessidades de incremento de oferta hídrica
identificadas pelo CBH 522
17. BIBLIOGRAFIA 524
ANEXO 528

xx
LISTA DE QUADROS

Quadro 2.1. Municípios das Bacias Metropolitanas 49


Quadro 2.2. Principais Parâmetros Morfológicos das Bacias Metropolitanas 53
Quadro 2.3. Declividade do Rio Principal das Bacias Metropolitanas 54
Quadro 2.4. Características das Estações Meteorológicas das Bacias
Metropolitanas 56
Quadro 2.5. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de
Fortaleza (em ºC) 57
Quadro 2.6. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de
Guaramiranga (em ºC) 57
Quadro 2.7. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de
Morada Nova (em ºC) 58
Quadro 2.8. Umidade Relativa nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e Morada
Nova (em %) 59
Quadro 2.9. Insolação Média nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e Morada
Nova (em horas) 60
Quadro 2.10. Velocidade do Vento nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e
Morada Nova (em m/s) 60
Quadro 2.11. Evaporação média mensal para o tanque classe A nas estações de
Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga (em mm) 61
Quadro 2.12. Evapotranspiração média mensal nas estações de Fortaleza, Morada
Nova e Guaramiranga (em mm) pelo Método de Penman-Monteith 62
Quadro 2.13. Evapotranspiração média mensal nas estações de Fortaleza, Morada
Nova e Guaramiranga (em mm) pelo Método de Penman-Monteith 63
Quadro 2.14. Distribuição dos Sismos no Nordeste, segundo a Magnitude (mb ≥
3,0) 73
Quadro 2.15. Relação dos Sismos com Magnitude mb ≥ 4,0 ocorridos no Estado do
Ceará 74
Quadro 2.16. Valores médios do Aqüífero Dunas em municípios das Bacias
Metropolitanas – CE 91
Quadro 2.17. Estações Pluviométricas das Bacias Metropolitanas 120
Quadro 2.18. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Fortaleza
(Centro), em Fortaleza (código 00338026) 127
Quadro 2.19. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Itapiúna,
em Itapiuna (código 00438032) 127
Quadro 2.20. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Pacoti, em
Pacoti (código 00438036) 127
Quadro 2.21. Características das Precipitações anuais em Fortaleza, Itapiuna e
Maranguape 129
Quadro 2.22. Pluviometria média mensal calculada pelo Método de Thiessen/Malha
para os postos fluviométricos das Bacias Metropolitanas 130
xxi
Quadro 2.23. Pluviometria média mensal calculada pelo Método de Thiessen/Malha
para os postos fluviométricos das Bacias Metropolitanas 130
Quadro 2.24. Estações Fluviométricas das Bacias Metropolitanas 145
Quadro 2.25. Valores das vazões máximas, médias e mínimas mensais das séries
históricas dos cursos d’água que compõem as Bacias Metropolitanas 147
Quadro 2.26. Características das Vazões anuais nas estações de Umarituba Nova
(código 35668000), Sítios Novos (código 35650000), Barra Nova
(código 35740000), Chorozinho (código 35880000), Cristais (código
35950000) e Caio Prado (código 35830000) 148
Quadro 2.27. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para
as estações fluviométricas Sítios Novos (cód. 35650000), Baú (cód.
35760000), Caio Prado (cód. 3583000), Chorozinho (cód. 35880000),
Cristais (cód. 35950000), e Aracoiaba (cód. 35875000) 149
Quadro 2.28. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para
os açudes Amanari, Acarape do Meio, Gavião, Pacoti/Riachão e
Pompeu Sobrinho (Choró) 149
Quadro 2.29. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para
os Açudes Existentes e Projetados das Bacias Metropolitanas 150
Quadro 2.30. População residente nos municípios das Bacias Metropolitanas nos
anos de 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010 154
Quadro 2.31. Porcentagem de domicílios com abastecimento de água e
porcentagem de domicílios com esgotamento sanitário das Bacias
Metropolitanas em 2008 156
Quadro 2.32. Obras de abastecimento do projeto São José nos municípios da Bacia
do Metropolitana no período de 2000 a 2009 158
Quadro 2.33. Dados de PIB total, per capita e setorial, IDH e IDM dos municípios
das Bacias Metropolitanas 159
Quadro 2.34. Dados de pecuária, culturas temporárias, culturas permanentes e
indústria de transformação dos municípios das Bacias Metropolitanas 162
Quadro 3.1. Áreas ocupadas pelas unidades hidrogeológicas nas Bacias
Metropolitanas – CE 168
Quadro 3.2. Parâmetros hidrogeológicos dos sistemas hidrogeológicos nas Bacias
Metropolitanas - CE 169
Quadro 3.3. Reservas de águas subterrâneas nas Bacias Metropolitanas - CE 169
Quadro 3.4. Reservas de águas subterrâneas dos Sistemas Hidrogeológicos Dunas/
Paleodunas e Barreiras nas Bacias Metropolitanas - CE 169
Quadro 3.5. Reservas e recursos explotáveis de água subterrânea no Sistema
Hidrogeológico Dunas/Barreiras em trechos das Bacias
Metropolitanas - CE 170
Quadro 3.6. Reservas e disponibilidades de águas subterrâneas nos municípios de
Pacajus e Chorozinho – RMF, Bacias Metropolitanas - CE 174
Quadro 4.1. Localização da Lagoa do Papicú 185
Quadro 4.2. Analise de Qualidade da água da Lagoa do Papicú 186
xxii
Quadro 4.3. Localização da Lagoa do Mel 190
Quadro 4.4. Localização da Lagoa de Messejana 191
Quadro 4.5. Espelho d'água, profundidade e volume da Lagoa de Messejana 191
Quadro 4.6. Análise Físico-Química da Lagoa de Messejana 193
Quadro 4.7. Localização da Lagoa da Maraponga 194
Quadro 4.8. Espelho d'água, profundidade e volume da Lagoa da Maraponga 194
Quadro 4.9. Analise Fisico-Queimida da agua da Lagoa da Maraponga 195
Quadro 4.10. Localização da Lagoa de Itaperoaba 197
Quadro 4.11. Analise Fisico-Quimica da água da Lagoa de Itaperoaba 197
Quadro 4.12. Localização da Lagoa do Opaia 199
Quadro 4.13. Espelho d'água, profundidade e volume 199
Quadro 4.14. Analise Físico-Química da lagoa do Opaia 200
Quadro 4.15. Localização da Lagoa de Porangabussu 202
Quadro 4.16. Espelho d´água, profundidade e volume da Lagoa de Porangabussu 203
Quadro 4.17. Análise Físico-Quimica da Lagoa de Porangabussu 203
Quadro 4.18. Localização da Lagoa do Passaré 204
Quadro 4.19. Espelho d´água, profundidade e volume da Lagoa do Passaré 204
Quadro 4.20. Análise Físico-Química da Lagoa do Passaré 205
Quadro 4.21. Coordenadas Geográficas da Lagoa 206
Quadro 4.22. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa da Sapiranga-
Precabura 206
Quadro 4.23. Análise físico-química da Lagoa da Sapiranga 207
Quadro 4.24. Coordenadas Geográficas da Lagoa do Jacareí 209
Quadro 4.25. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa do Jacareí 209
Quadro 4.26. Análise físico-química da Lagoa do Jacareí 209
Quadro 4.27. Localização da Lagoa Maria Vieira 210
Quadro 4.28. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa Maria Vieira 210
Quadro 4.29. Análise físico-química da Lagoa Maria Viera 210
Quadro 4.30. Coordenadas Geográficas da Lagoa da Parangaba 210
Quadro 4.31. Espelho d’água, profundidade e volume da lagoa da Parangaba 211
Quadro 4.32. Análise físico-quimica da Lagoa da Parangaba 211
Quadro 4.33. Coordenadas Geográficas 214
Quadro 4.34. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa do Mondubim 214
Quadro 4.35. Qualidade da Água 214
Quadro 4.36. Parâmetros morfométricos do Lagamar do Cauípe - 2002 225
Quadro 5.1. Característica dos Açudes com capacidade K>10hm³ 239
Quadro 5.2. Reservatórios Planejados 240
Quadro 5.3. Característica dos Açudes com capacidade K> 10hm³ 240
xxiii
Quadro 5.4. Característica dos Açudes planejados 241
Quadro 5.5. Característica dos Açudes das Bacias Metropolitanas 241
Quadro 5.6. Característica dos Açudes planejados 242
Quadro 5.7. Disponibilidade hídrica em açudes < 10hm³ 243
Quadro 5.8. Característica dos Açudes em estudo e planejados 243
Quadro 5.9. Potencialidade e disponibilidade de água subterrânea 246
Quadro 5.10. Características dos poços das bacias Metropolitanas 246
Quadro 5.11. Reservatórios construídos ou planejados, com capacidade acima de 10
hm³ 248
Quadro 5.12. Disponibilidade de água subterrânea 249
Quadro 5.13. Demanda Humana 250
Quadro 5.14. Níveis de abastecimento nas sedes municipais em 1990 251
Quadro 5.15. Demanda humana 252
Quadro 5.16. Fontes de abastecimento nas sedes municipais em 2000 252
Quadro 5.17. Fontes de abastecimento dos distritos municipais em 2000 253
Quadro 5.18. Fontes de abastecimento dos distritos municipais em 2000 253
Quadro 5.19. Demanda humana 254
Quadro 5.20. Demanda industrial 255
Quadro 5.21. Demanda industrial 256
Quadro 5.22. Demanda industrial 256
Quadro 5.23. Áreas para irrigação Bloco 2 257
Quadro 5.24. Demanda de irrigação 257
Quadro 5.25. Demanda de irrigação 257
Quadro 5.26. Demanda para irrigação – PLANERH (2005) 257
Quadro 5.27. Evolução da demanda nas Bacias Metropolitanas 258
Quadro 6.1. Reservatórios construídos ou em construção, com capacidade acima
de 10 hm³ 263
Quadro 6.2. Dados de vazão regularizada dos reservatórios das bacias
Metropolitanas 265
Quadro 7.1. Estações Fluviométricas das Bacias Metropolitanas 273
Quadro 7.2. Quadro Demonstrativo dos Municípios Atingidos por Intensas
Precipitações Pluviométricas nas Bacias Metropolitanas 279
Quadro 7.3. Áreas vulneráveis aos desastres decorrentes do excesso de
precipitações pluviométricas nas Bacias Metropolitanas 283
Quadro 8.1. Impactos Sócio-ambientais na Região Metropolitana 302
Quadro 8.2. Estado de eutrofização dos açudes das Bacias Metropolitanas 314
Quadro 8.3. Destino dos resíduos sólidos (lixo) nos municípios das Bacias
Metropolitanas – Censo de 2006 317
Quadro 9.1. Área de espelho de água nas Bacias Metropolitanas 349

xxiv
Quadro 9.2. Parâmetros da Curva de Regressão Volume vs. Área do Espelho
d'Água 358
Quadro 10.1. Açudes monitorados pela Cogerh nas Bacias Metropolitanas 363
Quadro 10.2. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Acarape do
Meio 366
Quadro 10.3. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Acarape do Meio (em m³/s) 367
Quadro 10.4. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Amanary 369
Quadro 10.5. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Amanary (em m³/s) 370
Quadro 10.6. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Aracoiaba 373
Quadro 10.7. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Aracoiaba (em m³/s) 373
Quadro 10.8. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Castro 376
Quadro 10.9. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo do Castro (em m³/s) 377
Quadro 10.10. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Catucinzenta 379
Quadro 10.11. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Catucinzenta (em m³/s) 380
Quadro 10.12. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Cauhipe 383
Quadro 10.13. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Cauhipe (em m³/s) 383
Quadro 10.14. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Gavião 386
Quadro 10.15. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Gavião (em m³/s) 387
Quadro 10.16. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Itapebussu 389
Quadro 10.17. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Itapebussu (em m³/s) 390
Quadro 10.18. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude
Malcozinhado 393
Quadro 10.19. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Malcozinhado (em m³/s) 394
Quadro 10.20. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Pacajus 397
Quadro 10.21. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Pacajus (em m³/s) 398
Quadro 10.22. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Riachão 400
Quadro 10.23. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Pacoti 402
Quadro 10.24. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Pacoti/Riachão (em m³/s) 403
Quadro 10.25. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Penedo 406
Quadro 10.26. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo, Q90) do Penedo (em m³/s) 406
Quadro 10.27. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Pompeu
Sobrinho 410
Quadro 10.28. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Pompeu Sobrinho (em
m³/s) 411
Quadro 10.29. Tabela de freqüências dos níveis atingidos para o Açude Sítios Novos 413
Quadro 10.30. Vazões de Retirada (QDeliberado, QEfetivo) do Sítios Novos (em m³/s) 414
Quadro 11.1. Rotatividade dos membros do Comitê das Bacias Hidrográficas
Metropolitanas 437

xxv
Quadro 11.2. Relação de todas as instituições que participam, ou participaram, do
CBH-RMF (2003 a 2009) 439
Quadro 11.3. Índices de cobertura de água e esgoto atendidos nas Bacias
Metropolitanas 449
Quadro 11.4. Localidades operadas pelo SISAR nas Bacias Metropolitanas 451
Quadro 11.5. Famílias atendidas pelo Projeto São José nos Municípios das Bacias
Metropolitanas 453
Quadro 11.6. Dessalinizadores em funcionamento nas Bacias Metropolitanas 454
Quadro 12.1. Modelos conceituais e sua estrutura de relacionamento 462
Quadro 12.2. Proposta de Indicadores do Estado do Ceará, baseado no Modelo
PEIR 470
Quadro 12.3. Indicadores de Força-Motriz (atividades humanas que geram pressões
sobre os recursos hídricos da bacia) 472
Quadro 12.4. Indicadores de Pressão (ações diretas sobre os recursos hídricos,
resultantes das atividades humanas desenvolvidas na bacia) 473
Quadro 12.5. Indicadores de Estado (situação dos recursos hídricos na bacia, em
termos de qualidade e quantidade) 474
Quadro 12.6. Indicadores de Impacto (conseqüências negativas decorrentes da
situação dos recursos hídricos na bacia) 475
Quadro 12.7. Indicadores de Resposta (ações da sociedade, em face da situação dos
recursos hídricos na bacia) 476
Quadro 12.8. Vínculos entre pobreza, água e saneamento 481
Quadro 12.9. Resumo do nível de exigência do setor hídrico para promoção da
saúde 483
Quadro 13.1. Explicação sobre a Identificação e Classificação dos Conflitos na
visão do CBH 490
Quadro 13.2. Identificação e Classificação dos Conflitos na visão do CBH 491
Quadro 13.3. Tarjetas originalmente consideradas pelo CBH como “Modelo
Institucional”, que foram classificadas como Conflitos 495
Quadro 13.4. Tarjetas originalmente consideradas pelo CBH como
“Vulnerabilidades Ambientais”, que foram classificadas como
Conflitos 501
Quadro 13.5. Tarjetas originalmente consideradas pelo CBH como “Necessidades
de melhoria da oferta de água”, que foram classificadas como
Conflitos 506
Quadro 14.1. Explicação sobre a Identificação e Classificação do Modelo
Institucional na visão do CBH 511
Quadro 14.2. Identificação e Classificação das barreiras ao Modelo Institucional na
visão do CBH 511
Quadro 15.1. Explicação sobre a Identificação e classificação das vulnerabilidades
ambientais na visão do CBH 515

xxvi
Quadro 15.2. Identificação e classificação das vulnerabilidades ambientais/poluição
hídrica na visão do CBH 516
Quadro 16.1. Explicativa: Identificação e classificação das necessidades de
melhoria da oferta de água na visão do CBH 521
Quadro 16.2. Identificação e classificação das necessidades de melhoria da oferta de
água na visão do CBH 521

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de


Guaramiranga (em ºC) Fonte: PERH (1992) 58
Figura 2.2. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de
Fortaleza (em ºC) Fonte: PERH (1992) 58
Figura 2.3. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de
Morada Nova (em ºC) Fonte: PERH (1992) 59
Figura 2.4. Umidade relativa das estações de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga Fonte: PERH (1992) 59
Figura 2.5. Insolação média das estações de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga Fonte: PERH (1992) 60
Figura 2.6. Velocidade média dos ventos das estações de Fortaleza, Morada Nova
e Guaramiranga Fonte: PERH (1992) 61
Figura 2.7. Evaporação média mensal (Tanque Classe A) das estações de
Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga Fonte: PERH (1992) 62
Figura 2.8. Evapotranspiração média da estação de Fortaleza (métodos Penman-
Monteith e Hargreaves) 64
Figura 2.9. Evapotranspiração média da estação de Morada Nova (métodos
Penman-Monteith e Hargreaves) 64
Figura 2.10. Evapotranspiração média da estação de Guramiranga (métodos
Penman-Monteith e Hargreaves) 64
Figura 2.11. Evolução temporal da construção de poços nas Bacias Metropolitanas
- CE 83
Figura 2.12. Profundidade (m) dos poços nas Bacias Metropolitanas – CE 85
Figura 2.13. Nível estático (m) nos poços do Domínio Hidrogeológico Fissural das
Bacias Metropolitanas - CE 86
Figura 2.14. Vazão (m³/h) nos poços do Domínio Hidrogeológico Fissural das
Bacias Metropolitanas - CE 87
Figura 2.15. Figura 2.15. Nível estático (m) nos poços do Sistema Hidrogeológico
Aluvionar das Bacias Metropolitanas – CE 88
Figura 2.16. Vazão (m³/h) nos poços do Sistema Hidrogeológico Aluvionar das
Bacias Metropolitanas – CE 89
Figura 2.17. Nível estático (m) no Sistema Hidrogeológico Dunas - Paleodunas das
Bacias Metropolitanas - CE 90

xxvii
Figura 2.18. Vazão (m³/h) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico Dunas-
Paleodunas das Bacias Metropolitanas – CE 90
Figura 2.19. Nível estático (m) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico
Barreiras das Bacias Metropolitanas – CE 92
Figura 2.20. Vazão (m³/h) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico
Barreiras das Bacias Metropolitanas – CE 92
Figura 2.21. Percentual de postos pluviométricos em operação e desativados nas
Bacias Metropolitanas 119
Figura 2.22. Relação das operadoras dos postos pluviométricos das Bacias
Metropolitanas 119
Figura 2.23. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais do posto
Fortaleza (Centro), em Fortaleza (código 00338026) 128
Figura 2.24. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais do posto Itapiúna,
em Itapiuna (código 00438032) 128
Figura 2.25. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais no posto Pacoti,
em Pacoti (código 00438036) 129
Figura 2.26. Imagens do satélite GOES-12 no canal infravermelho da posição da
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) em 23 de Abril de 2008
(Fonte: NOAA) 131
Figura 2.27. Estimativa da posição média da ZCIT, em MAIO/2005 (Fonte:
CPTEC) 132
Figura 2.28. Imagem do satélite METEOSAT-7 mostrando uma Linha de
Instabilidade no litoral norte do NEB (Fonte: FUNCEME) 133
Figura 2.29. Representação de superfícies frontais, regiões de transição entre
massas de ar diferentes (Fonte: INMET) 134
Figura 2.30. Imagens do satélite METEOSAT no canal infravermelho. Mostrando
a influência de um VCAS na precipitação no Nordeste Brasileiro
(Fonte: FUNCEME) 134
Figura 2.31. Formação de um vórtice ciclônico (B) em altos níveis sobre o
Atlântico sul (1 a 3) e a nebulosidade associada ao sistema na última
fase (4). São indicados o escoamento em 200 mb (linhas cheias), o
eixo dos cavados (linhas tracejadas), a Alta da Bolívia (A) e a posição
da frente fria (linha com triângulos) (Fonte: INMET) 135
Figura 2.32. Imagem do satélite METEOSAT mostrando nebulosidade que está se
deslocando desde a costa da África até o litoral leste do Brasil (Fonte:
FUNCEME) 136
Figura 2.33. Representação dos ventos alísios 137
Figura 2.34. Condições normais de circulação da célula de Walker (Fonte:
CPTEC) 137
Figura 2.35. Caracterização das condições de El Nino (Fonte: CPTEC) 138
Figura 2.36. Efeitos globais do El Niño nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro
(Fonte: CPTEC) 139

xxviii
Figura 2.37. Efeitos globais do El Niño nos meses de junho, julho e Agosto (Fonte:
CPTEC) 139
Figura 2.38. Caracterização das condições de La Nina (Fonte: CPTEC) 140
Figura 2.39. Efeitos globais da La Niña nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro
(Fonte: CPTEC) 140
Figura 2.40. Efeitos globais da La Niña nos meses de junho, julho e agosto (Fonte:
CPTEC) 141
Figura 2.41. Anomalias de TSM em oC (isolinhas) e de precipitação (áreas
hachuradas) para o quadrimestre fevereiro a maio nos anos em que se
observaram: (a) fase positiva; (b) fase negativa do Padrão de Dipolo
sobre o Atlântico Tropical. As isolinhas contínuas representam
valores positivos e as tracejadas, valores negativos. As áreas
hachuradas indicam anomalias positivas (cores vermelhas) e
negativas (cores azuis) de precipitação. As setas indicam o sentido do
gradiente térmico para onde a ZCIT tende a posicionar-se (Fonte:
PLANERH, 2004) 142
Figura 2.42. Distribuição espacial dos desvios de precipitação (x 100) ao longo do
setor norte do NEB. a) para uma composição de anos com ocorrência
de Dipolo Positivo (1951, 1953, 1945, 1956, 1958, 1955, 1966, 1970,
1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983) e b) para uma composição de
anos com ocorrência de Dipolo Negativo (1949, 1964, 1965, 1971,
1972, 1973, 1974, 1977, 1985, 1986 e 1989). Fonte: PLANERH,
2004) 142
Figura 2.43. Movimentação da Zona de Convergência Intertropical em anos de
dipolo positivo do Atlântico, nos meses de fevereiro, março, abril e
maio (Fonte: FUNCEME) 143
Figura 2.44. Movimentação da Zona de Convergência Intertropical em anos de
dipolo negativo do Atlântico, nos meses de fevereiro, março, abril e
maio (Fonte: FUNCEME) 143
Figura 2.45. Relação das operadoras dos postos fluviométricos das Bacias
Metropolitanas 144
Figura 2.46. Vazões Mensais do posto fluviométrico Chorozinho, em Chorozinho
(código 35880000) 148
Figura 2.47. Crescimento Populacional nas Bacias Metropolitanas (1970 a 2010) 152
Figura 2.48. Taxa de Urbanização dos Municípios que compõem as Bacias
Metropolitanas 153
Figura 4.1. Principais impactos ambientais que atingem o Complexo Hídrico
Papicu/Maceió. Despejo de efluentes residenciais, deposição de
resíduos sólidos domésticos, rejeitos de construção civil e canalização
do leito do riacho. Fonte: Silva, 2003. 186
Figura 4.2. Processo de Degradação do Riacho Papicu/Maceió. Fonte: Silva,
2003 188
Figura 4.3. Mapa Batimétrico da Lagoa de Messejana 192
Figura 4.4. Mapa Batimétrico da Lagoa da Maraponga 195

xxix
Figura 4.5. Mapa Batimétrico – Lagoa do Opaia 200
Figura 4.6. Mapa Batimétrico – Lagoa do Porangabussu 202
Figura 4.7. Mapa Batimétrico – Lagoa do Passaré 205
Figura 4.8. Mapa Batimétrico – Lagoa da Parangaba 212
Figura 4.9. Mapa Batimétrico – Lagoa do Mondubim 215
Figura 4.10. Desmatamento na zona de proteção dos recursos hídricos da Lagoa do
Cahuípe. (Fonte : Queiroz, 2003). 226
Figura 4.11. A prática das queimadas às margens da lagoa. (Fonte : Queiroz,
2003). 226
Figura 4.12. Lavagem de roupa na lagoa. (Fonte : Queiroz, 2003). 227
Figura 4.13. A água da lagoa é utilizada na irrigação de espécies frutíferas e
culturas de subsistência. (Fonte: Queiroz, 2003). 227
Figura 5.1. Distribuição espacial dos reservatórios na Bacia, de acordo com
estudos realizados 247
Figura 5.2. Evolução da capacidade de armazenamento nas bacias Metropolitanas 249
Figura 5.3. Evolução das demandas nas Bacias Metropolitanass 259
Figura 6.1. Localização dos principais reservatórios das bacias Metropolitanas 264
Figura 7.1. Ocupação urbana da bacia do Rio Maranguapinho 271
Figura 7.2. Inundação na bacia do Rio Cocó, nas imediações do Aeroporto
Internacional Pinto Martins – Fortaleza 272
Figura 7.3. Localização das estações fluviométricas de Barra Nova, Caio Prado,
Cristais e Umarituba Nova 274
Figura 7.4. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Umarituba Nova 275
Figura 7.5. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Barra Nova 275
Figura 7.6. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Cristais 276
Figura 7.7. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Caio Prado 276
Figura 7.8. Bairro Aerolândia em Fortaleza (07/03/2004) 277
Figura 7.9. Anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de janeiro de
2009 278
Figura 7.10. Anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de abril de
2009 278
Figura 7.11. Áreas urbanas dos municípios com risco de enchentes e inundações
nas Bacias Metropolitanas 284
Figura 7.12. Inundação na sede do município de Ibaretama (maio de 2009) 285
Figura 7.13. Marca deixada pela inundação no município de Horizonte (maio de
2009) 285
Figura 7.14. Ocupação das margens do Rio Maranguapinho antes do PROMURB 287
xxx
Figura 7.15. Faixas de inundação do Rio Maranguapinho com e sem a construção
da Barragem Maracanaú (Fonte: PROMURB – Maranguapinho,
2008) 288
Figura 8.1. Desmatamento do topo da serra para atividades agrícolas no
município de Redenção. (foto tirada em 11/03/2010) 303
Figura 8.2. Transporte e área destinada aos resíduos sólido (Lixão) no município
de Pacajus 307
Figura 8.3. Saída da Estação de Tratamento de Maracanaú 310
Figura 8.4. Percurso a montante da ETE-Maracanaú causando o processo de
eutrofização no rio maranguapinho 310
Figura 8.5. A disposição de lixo na margem do rio maranguapinho e a ocupação
desordenada das casas em área de preservação permanente 311
Figura 8.6. Processo de assoreamento do leito do rio Aracoiaba 330
Figura 8.7. Confecção de tijolos a partir de argila retirada do fundo da lagoa 331
Figura 8.8. Exploração material rochoso 335
Figura 8.9. Manguezal no baixo curso do rio Cocó (próximo a avenida Sebastião
Abreu) Foto ZEE/Labomar – 2006 341
Figura 9.1. Estoques de água nas Bacias Metropolitanas 350
Figura 9.2. Reservatório Isolado e Sistema de Reservatórios 351
Figura 9.3. Classificação dos Modelos Hidrológicos segundo Chow et all (1988) 356
Figura 10.1. Açudes monitorados pela Cogerh nas Bacias Metropolitanas 363
Figura 10.2. Açude Acarape do Meio (Fonte: COGERH) 365
Figura 10.3. Evolução dos níveis atingidos do Açude Acarape do Meio 365
Figura 10.4. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Acarape do Meio 366
Figura 10.5. Curva de níveis de permanência do Açude Acarape do Meio 367
Figura 10.6. Açude Amanary (Fonte: COGERH) 368
Figura 10.7. Evolução dos níveis atingidos do Açude Amanary 368
Figura 10.8. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Amanary 369
Figura 10.9. Curva de níveis de permanência do Açude Amanary 370
Figura 10.10. Vazões de retirada para o Açude Amanary (2001 a 2009) 370
Figura 10.11. Açude Aracoiaba (Fonte: COGERH) 371
Figura 10.12. Evolução dos níveis atingidos do Açude Aracoiaba 372
Figura 10.13. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Aracoiaba 372
Figura 10.14. Curva de níveis de permanência do Açude Aracoiaba Operação do
Reservatório 373
Figura 10.15. Vazões de retirada para o Açude Aracoiaba (2003 a 2009) Açude
Castro 374
Figura 10.16. Açude Castro (Fonte: COGERH) 375
xxxi
Figura 10.17. Evolução dos níveis atingidos do Açude Castro 375
Figura 10.18. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Castro 376
Figura 10.19. Curva de níveis de permanência do Açude Castro 377
Figura 10.20. Vazões de retirada para o Açude Castro (2001 a 2009) 377
Figura 10.21. Açude Catucinzenta (Fonte: COGERH) 378
Figura 10.22. Evolução dos níveis atingidos do Açude Catucinzenta 379
Figura 10.23. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Catucinzenta 379
Figura 10.24. Curva de níveis de permanência do Açude Catucinzenta 380
Figura 10.25. Vazões de retirada para o Açude Catucinzenta (2002 a 2008) 380
Figura 10.26. Açude Cauhipe (Fonte: COGERH) 381
Figura 10.27. Evolução dos níveis atingidos do Açude Cauhipe 382
Figura 10.28. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Cauhipe 382
Figura 10.29. Curva de níveis de permanência do Açude Cauhipe 383
Figura 10.30. Vazões de retirada para o Açude Cauhipe (2001 a 20098) 384
Figura 10.31. Açude Gavião (Fonte: COGERH) 384
Figura 10.32. Evolução dos níveis atingidos do Açude Gavião 385
Figura 10.33. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Gavião 385
Figura 10.34. Curva de níveis de permanência do Açude Gavião 386
Figura 10.35. Vazões de retirada para o Açude Gavião (2001 a 2009) 387
Figura 10.36. Açude Itapebussu (Fonte: COGERH) 388
Figura 10.37. Evolução dos níveis atingidos do Açude Itapebussu 388
Figura 10.38. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Itapebussu 389
Figura 10.39. Curva de níveis de permanência do Açude Itapebussu 389
Figura 10.40. Vazões de retirada para o Açude Itapebussu (2007 a 2009) 390
Figura 10.41. Açude Macacos (Fonte: COGERH) 391
Figura 10.42. Açude Malcozinhado (Fonte: COGERH) 392
Figura 10.43. Evolução dos níveis atingidos do Açude Malcozinhado 392
Figura 10.44. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Malcozinhado 393
Figura 10.45. Curva de níveis de permanência do Açude Malcozinhado 394
Figura 10.46. Vazões de retirada para o Açude Malcozinhado (2003 a 2009) 395
Figura 10.47. Açude Pacajus (Fonte: COGERH) 395
Figura 10.48. Evolução dos níveis atingidos do Açude Pacajus 396

xxxii
Figura 10.49. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Pacajus 396
Figura 10.50. Curva de níveis de permanência do Açude Pacajus 397
Figura 10.51. Vazões de retirada para o Açude Pacajus (2001 a 2009) 398
Figura 10.52. Reservatório Pacoti (Fonte: COGERH) 398
Figura 10.53. Reservatório Riachão (Fonte: COGERH) 399
Figura 10.54. Evolução dos níveis atingidos do Açude Riachão 399
Figura 10.55. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Riachão 400
Figura 10.56. Curva de níveis de permanência do Açude Riachão 401
Figura 10.57. Evolução dos níveis atingidos do Açude Pacoti 401
Figura 10.58. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Pacoti 402
Figura 10.59. Curva de níveis de permanência do Açude Pacoti 403
Figura 10.60. Vazões de retirada para o sistema Pacoti/Riachão (2001 a 2009) 403
Figura 10.61. Açude Penedo (Fonte: COGERH) 404
Figura 10.62. Evolução dos níveis atingidos do Açude Penedo 405
Figura 10.63. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Penedo 405
Figura 10.64. Curva de níveis de permanência do Açude Penedo 406
Figura 10.65. Vazões de retirada para o Açude Penedo (2001 a 2009) 407
Figura 10.66. Açude Pesqueiro (Fonte: COGERH) 407
Figura 10.67. Açude Pompeu Sobrinho (Fonte: COGERH) 408
Figura 10.68. Evolução dos níveis atingidos do Açude Pompeu Sobrinho 409
Figura 10.69. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Pompeu Sobrinho 409
Figura 10.70. Curva de níveis de permanência do Açude Pompeu Sobrinho 410
Figura 10.71. Vazões de retirada para o Açude Pompeu Sobrinho (2004 a 2009) 411
Figura 10.72. Açude Sítios Novos (Fonte: COGERH) 411
Figura 10.73. Evolução dos níveis atingidos do Açude Sítios Novos 412
Figura 10.74. Evolução do volume armazenado (em percentual da capacidade
máxima) do Açude Sítios Novos 412
Figura 10.75. Curva de níveis de permanência do Açude Sítios Novos 413
Figura 10.76. Vazões de retirada para o Açude Sítios Novos (2001 a 2009) 414
Figura 10.77. Açude Pompeu Tijuquinha (Fonte: COGERH) 414
Figura 11.1. 22ª Reunião Ordinária do CBH-RMF, em 29 de setembro de 2009 438
Figura 11.2. Assiduidade dos membros da sociedade civil às reuniões da 1ª Gestão
do CBH-RMF 442
Figura 11.3. Assiduidade dos membros da sociedade civil às reuniões da 2ª Gestão
do CBH-RMF 443
xxxiii
Figura 11.4. Assiduidade dos membros da sociedade civil às reuniões da 3ª Gestão
do CBH-RMF 443
Figura 11.5. Assiduidade dos usuários às reuniões da 1ª Gestão do CBH-RMF 444
Figura 11.6. Assiduidade dos usuários às reuniões da 2ª Gestão do CBH-RMF 444
Figura 11.7. Assiduidade dos usuários às reuniões da 3ª Gestão do CBH-RMF. 445
Figura 11.8. Assiduidade do poder público municipal às reuniões da 1ª Gestão do
CBH-RMF 445
Figura 11.9. Assiduidade do poder público municipal às reuniões da 2ª Gestão do
CBH-RMF 446
Figura 11.10. Assiduidade do poder público municipal às reuniões da 3ª Gestão do
CBH-RMF 446
Figura 11.11. Assiduidade do poder público estadual/federal às reuniões da 1ª
Gestão do CBH-RMF 447
Figura 11.12. Assiduidade do poder público estadual/federal às reuniões da 2ª
Gestão do CBH-RMF 447
Figura 11.13. Assiduidade do poder público estadual/federal às reuniões da 3ª
Gestão do CBH-RMF 448
Figura 12.1. Ciclo de tomada de decisão (Adaptada de Moldan e Bilharz, (1997) 460
Figura 12.2. Pirâmide da informação 461
Figura 12.3. Pirâmide de informação associada ao tipo de utilizador 461
Figura 12.4. Estrutura Pressão - Estado - Resposta (P-E-R) 463
Figura 12.5. Estrutura Pressão - Estado – Efeito - Resposta (P-E-E-R) 465
Figura 12.6. Relacionamento de indicadores no modelo FPEIR. 466
Figura 12.7. Relacionamento de indicadores no modelo FPEIR para a
Industrialização 466
Figura 12.8. Modelo de Indicador PEIR elaborado pelo PNUMA/ONU 467
Figura 12.9. Indicadores de São Paulo tendo como modelo de Indicador PEIR 470

LISTA DE MAPAS
Mapa 2.1. Localização das Bacias Metropolitanas em relação ao Estado do Ceará 47
Mapa 2.2. Divisão Política da Região Hidrográfica das Bacias Metropolitanas 48
Mapa 2.3. Bacias Independentes Formadoras da Região Hidrográfica das Bacias
Metropolitanas 51
Mapa 2.4. Hidrografia das Bacias Metropolitanas 55
Mapa 2.5. Geologia das Bacias Metropolitanas 66
Mapa 2.6. Geomorfologia das Bacias Metropolitanas 80
Mapa 2.7. Hidrogeologia das Bacias Metropolitanas 84
Mapa 2.8. Solos das Bacias Metropolitanas 96
Mapa 2.9. Vegetação das Bacias Metropolitanas 108
Mapa 2.10. Compartimentação Geoambiental das Bacias Metropolitanas 116

xxxiv
1. LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS ESTUDOS ANTERIORES

35
1. LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS ESTUDOS ANTERIORES

Muitos estudos importantes já foram desenvolvidos para a Região Nordeste e para o Estado do
Ceará que envolvem, direta ou indiretamente, as Bacias Metropolitanas. Alguns são tratam
exclusivamente da área em estudo o Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias
Metropolitanas; outros são estudos regionais, que consideram as Bacias Metropolitanas como
parte de um todo; e outros se restringem a pequenas áreas da Bacia. Os estudos mais relevantes
são avaliados, uma vez que constituem um acervo de conhecimento que, certamente, aprimorará
a qualidade dos trabalhos subseqüentes.

Plano Diretor de Recursos Hídricos do Ceará – Plano Zero. Governo do Estado do Ceará
(1983): este documento é uma consolidação de informações mais gerais disponíveis, na época,
sobre os recursos hídricos.

Plano Estadual dos Recursos Hídricos – PERH. SRH (1992): elaborado pela SRH/Consórcio
AGUASOLOS - VBA CONSULTORES - SIRAC. Nele consta o levantamento das condições
hidrológicas do Estado e as propostas de ações a serem desenvolvidas pelos órgãos do SIGERH,
liderados pela Secretaria dos Recursos Hídricos. O plano equaciona o balanço das demandas face
às ofertas, levando em conta as condições de abastecimento das populações e os programas
governamentais. Esse balanço é feito em diversos horizontes temporais, dele resultando as
alternativas de obras e demais ações, cuja programação deve possuir viabilidade
socioeconômica, financeira e ambiental. Além de retratar a situação corrente dos recursos
hídricos, através do inventário da disponibilidade hídrica e das estruturas de reservação, dos usos
e conflitos atuais e potenciais e da definição e análise de áreas críticas, o PERH também
apresenta as diretrizes para outorga do uso da água e dos programas anuais e plurianuais de
estudos, projetos, serviços e obras, com vista ao controle, a recuperação, a proteção e
conservação dos recursos hídricos, objetivando. Os aspectos hidrogeológicos constantes no
PERH colaboraram para o entendimento da ocorrência e características aqüíferas das bacias
hidrográficas estudadas. Ressalta-se, porém, a ausência de uma base hidrogeológica com o
conhecimento de campo, de análises físico-químicas e bacteriológicas, definição de reservas e
potencialidades mais detalhadas e, finalmente, do uso das águas subterrâneas, parâmetros
essenciais para o planejamento e gestão integrada dos recursos hídricos. Está dividido em
Diagnóstico da Situação Atual, Estudos de Base e Planejamento.

Consolidação da Política e dos Programas de Recursos Hídricos do Estado do Ceará –


PLANERH (2005): atualização do Plano Estadual de Recursos Hídricos – PERH (1992), a
partir de Planos de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas e dos Programas da Secretaria dos
Recursos Hídricos. Dividido em Diagnóstico, Planejamento e Formulação de Programas, é um
documento de planejamento estratégico no setor de recursos hídricos do Estado.

Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas – COGERH/VBA (2000):


Tem como objetivos principais avaliar o balanço entre oferta e demanda, apresentando soluções
sob a forma de programa de incremento da oferta hídrica e modelo de gestão de estoques de
água; e o diagnóstico ambiental da região. Foi organizado em três fases: Estudos Básicos e
Diagnóstico, Planejamento e Programação. Em Estudos Básicos e Diagnóstico, encontra-se o
levantamento e o tratamento dos dados básicos, englobando toda a caracterização físico-
ambiental e sócio-econômica da região das Bacias Metropolitanas. O Planejamento abrange o
balanço hídrico, tanto concentrado como distribuído nas Bacias Metropolitanas, determina com
precisão os locais mais afetados nos cenários atual e futuro, bem como avalia as possibilidades e

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alternativas de incremento de oferta para suprir demandas. Por fim, Programação engloba ações
necessárias para atingir o equilíbrio hídrico na região.

Pacto das Águas - Plano Estratégico dos Recursos Hídricos do Ceará. Assembléia
Legislativa do Estado do Ceará e Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos
(2009): é resultado de um processo consensual e participativo que envolveu os representantes
dos núcleos do Pacto das Águas, núcleos de gestão da Companhia de Recursos Hídricos
(COGERH) e dos Comitês de Bacias Hidrográficas em oficinas. O Plano Estratégico dos
Recursos Hídricos do Ceará apresenta um conjunto de programas e subprogramas gerais e por
eixos temáticos e estabelece os compromissos institucionais para implementar o referido. Os
documentos produzidos pelo Pacto das Águas não são apenas técnico-institucionais, mas
resultantes de pactos firmados entre todos os participantes. Além de um documento mais amplo,
foram elaborados ainda, como produtos do Pacto, 11 (onze) Cadernos das Bacias Hidrográficas,
onde estão registrados os resultados dos diálogos efetivados nos municípios e nas bacias
hidrográficas, assim como uma caracterização dos principais aspectos físicos, ambientais, sócio-
ecômicos e de gestão dos recursos hídricos.

Projeto ÁRIDAS. Ministério do Planejamento e Orçamento (1995): O Projeto é resultado de


um amplo esforço de pesquisa sobre a região nordestina que iniciou-se em 1992, como resultante
das discussões ocorridas durante a realização da Conferência Internacional sobre Impactos de
Variações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semi-Áridas (ICID), realizada
em Fortaleza. A partir daí, um trabalho, de grande profundidade, coordenado pelo Ministério do
Planejamento e Orçamento, foi realizado em estreita cooperação com as entidades e pessoas
representativas da sociedade, entre elas, a Fundação Grupo Esquel Brasil. Deste trabalho,
resultaram 50 relatórios técnicos abordando a evolução recente do Nordeste, os seus maiores
problemas e propostas para a reorientação da ação do governo federal na região, por meio da
execução de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para o Nordeste brasileiro.Os
estudos, que cobriram os temas mais relevantes para o desenvolvimento do Nordeste, foram
elaborados a partir de cenários previstos para o futuro, tanto em termos de tendências como
também em relação aos objetivos almejados pela sociedade. Para tanto, um amplo esquema de
consulta com a sociedade foi utilizado em todo o processo, com seminários nos estados, para
aprofundar o conhecimento técnico sobre as condições atuais e futuras de sustentabilidade da
região e a efetividade das políticas de desenvolvimento. Sendo o Nordeste extremamente
vulnerável às secas, especial atenção foi dada ao problema da variabilidade climática e seu efeito
sobre a economia, a população e o meio ambiente. Um dos elementos principais da estratégia
desenvolvida no Projeto Áridas foi a preocupação com a sustentabilidade do desenvolvimento.
Foi a primeira vez que um processo de planejamento incorporou a idéia de sustentabilidade,
recomendada tanto na ICID como na Conferência do Rio, em 1992.

Atlas do Nordeste. ANA (2005): O Atlas Nordeste - Abastecimento Urbano de Água consolida
os resultados de trabalho coordenado pela Agência Nacional de Águas, com intensa cooperação
das Secretarias Estaduais de Recursos Hídricos e acompanhamento do Ministério da Integração
Nacional, Ministério das Cidades e Ministério da Saúde. Foi elaborado com o objetivo de
identificar e propor alternativas técnicas com garantia hídrica para atender as atuais e futuras
demandas por água da população urbana da área de abrangência. O Atlas compreende todos os
09 Estados da Região Nordeste e as bacias dos rios São Francisco, Pardo, Mucuri e
Jequitinhonha, situadas em Minas Gerais. Em princípio, seriam contempladas as sedes
municipais com população urbana superior a 5.000 habitantes, mas os resultados finais englobam
também as localizadas na área de influência de sistemas integrados com população inferior ao
limite inicialmente estabelecido, totalizando mais de 1.300 sedes municipais. É composto de
37
diversos estudos (estimativa de demandas, análise de recursos hídricos superficiais e
subterrâneos, avaliação de sistemas de produção de água, arranjo institucional, etc.) que
culminaram na definição de alternativas técnicas. Como o foco é a garantia da oferta de água, as
alternativas técnicas dizem respeito ao sistema de produção, coincidindo com a parcela do
sistema referente à área de recursos hídricos. As alternativas para as sedes municipais foram
sistematizadas na forma de Relatórios de Identificação de Obras - RIOs, constituídos por um
conjunto de fichas padronizadas que resumem os elementos necessários à caracterização dos
sistemas produtores de água existentes e planejados, incluindo informações técnicas, ambientais
e os custos envolvidos.

Atlas dos Recursos Hídricos Subterrâneos do Ceará: Programa Recenseamento de Fontes


de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará, CPRM (1999): em função da
necessidade urgente de se conhecer o número e as características principais dos poços tubulares
existentes no Ceará, a CPRM – Serviço Geológico do Brasil, Residência de Fortaleza,
desenvolveu um Programa de Recenseamento dos Poços Tubulares do Ceará objetivando o
cadastro exaustivo dos poços armazenando seus dados no SIAGAS, atualmente representando o
maior banco de dados de poços do país. Até o presente momento, é o único trabalho de campo
com cadastro de poços envolvendo praticamente todos os municípios da bacia hidrográfica
estudada. Entre as vantagens deste trabalho, consta a obtenção das coordenadas geográficas da
boca do poço que, posteriormente, auxilia na formação de um Banco de Dados Georeferenciado,
facilitando o uso e atualização do mesmo. Além das características físicas do poço, o projeto
obteve características qualitativas da água com medidas de pH, temperatura e condutividade
elétrica, depois convertida para Sólidos Totais Dissolvidos.

Cadastramento dos Maiores Açudes Públicos e Privados do Ceará, SRH/KL (2002):


Avaliação das disponibilidades hídricas da pequena açudagem no Estado do Ceará, através do
cadastramento de 300 reservatórios, buscando estimar parâmetros que caracterizam os regimes
dos rios formadores; estimar volumes anuais regularizados com garantia de 90%.

Caracterização dos Tabuleiros Pré-Litorâneos do Estado do Ceará. Bezerra, Luiz José


Cruz, LABOMAR/UFC (Dissertação de Mestrado) (2009): Aborda a gênese e evolução dos
tabuleiros, assim como busca novas ferramentas de identificação da unidade geomorfológica.
Analisa com profundidade a Formação Barreira.

Diagnóstico da Carcinicultura no Ceará. SEMACE (2005): Este é um documento rico em


dados e gráficos, além de conter uma série de anexos importantes para o estudo da carcinicultura
e apresenta o diagnóstico da atividade de carcinicultura no Estado do Ceará, que atende ao
mandado de intimação no 300/2004, acompanhado da decisão liminar proferida nos autos da
Ação Civil Pública. Processo no 2003.81.00.0024755-5, promovida pelo Ministério Público
Federal, que trata das atividades de carcinicultura desenvolvidas na Zona Costeira e nos terrenos
de marinha no estado do Ceará. O plano de ação de diagnóstico dos empreendimentos de
carcinicultura foi desmembrado em 6 etapas previstas, a saber: planejamento, levantamento de
dados, trabalho de campo, geoprocessamento (aquisição de imagens, sobrevôo,
georreferenciamento, classificação de imagens, plotagem final dos empreendimentos),
montagem do SIG, integração dos dados de campo (elaboração do diagnóstico baseando nas
fichas de campo). As cartas da base cartográfica foram selecionadas de forma a cobrir todo o
litoral do Estado do Ceará (Leste e Oeste) bem como as Imagens de Satélite. Para o litoral oeste
as bases cartográficas usadas foram aos do Estuário do Rio Acaraú, Mundaú, Coreaú, Itarema,
Ubatuba/Timonha, Cruxati e Trairi: Imagem LANDSAT 7 ETM , órbita 218_62 de 18 de agosto

38
de 2000 e Imagem LANDSAT 7 ETM de 07 de outubro de 1999, Resolução Espacial de 30
metros, Composição Colorida R5G4B3. Base Cartográfica 1:100.000 (IBGE/DSG).

EIA/RIMA Pecém – Companhia Siderúrgica do Pecém: O presente Estudo de Impacto


Ambiental – EIA, se refere à implantação da usina siderúrgica denominada COMPANHIA
SIDERÚRGICA DO PECÉM, a ser implantada em área de 961,00 ha situada no Complexo
Industrial e Portuário do Pecém - CIPP, no município de São Gonçalo do Amarante, Estado do
Ceará.

O empreendimento é de responsabilidade da empresa CSP – COMPANHIA SIDERÚRGICA


DO PECÉM, e contempla a construção de uma planta siderúrgica integrada, adotando-se a
tecnologia da coqueria convencional, para a produção de 3,0 Mta de placas de aço (semi-
acabadas) na 1ª fase, e 6,0 Mta em uma 2ª fase e 250 MW de energia elétrica em cada fase,
totalizando 500 MW na segunda fase.

O Estudo de Impacto Ambiental visa cumprir o que determina a Lei N°. 6.938, de 31 de agosto
de 1981, da Política Nacional do Meio Ambiente e demais dispositivos legais pertinentes.
Elaborado de acordo com as diretrizes da Resolução CONAMA N°. 001/86 e do Termo de
Referência N°. 742/2008-COPAM/NUCAM. Este estudo ambiental se constitui em um elemento
técnico-legal e complementar a documentação necessária à concessão do licenciamento
ambiental da Usina Siderúrgica para a área pleiteada no presente estudo.

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)


está consubstanciado em 3 (três) volumes, compreendendo o Volume I – EIA, o Volume II –
RIMA e Volume III - Anexos.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O projeto objeto deste Estudo de Impacto Ambiental (EIA) tem como denominação
COMPANHIA SIDERÚRGICA DO PECÉM, e será implantado na área do Complexo Industrial
e Portuário do Pecém - CIPP, no município de São Gonçalo do Amarante, no Estado do Ceará,
sendo um empreendimento de interesse da empresa CSP - COMPANHIA SIDERÚRGICA DO
PECÉM. Os sócios do empreendimento são a Dongkuk Steel Mill CO. LTD e a VALE S.A.

O projeto contempla a construção de uma planta siderúrgica integrada, a CSP, no Complexo


Industrial e Portuário Governador Mário Covas, nome oficial Complexo Industrial e Portuário do
Pecém – CIPP, para a produção de 3,0 Mta na 1ª fase e 6,0 Mta na 2ª fase de placas de aço
(semi-acabadas) e 250 MW de energia elétrica em cada fase, totalizando 500 MW na segunda
fase.

Eixo de Integração Castanhão-Fortaleza. SRH e o Consórcio COBA-VBA-HARZA (2000):


Os estudos de “Atendimento às Demandas Hídricas da Região Metropolitana de Fortaleza”
tratam do projeto de um sistema adutor, denominado “Eixo de Integração Castanhão/RMF”, que
interliga o Açude Castanhão, no Rio Jaguaribe, aos Açudes da RMF (Região Metropolitana de
Fortaleza), com o objetivo principal de complementar o atendimento das demandas hídricas da
RMF. O referido projeto abrange desde o diagnóstico da região de intervenção e o estudo de
viabilidade técnica, econômica e ambiental do Eixo Castanhão/RMF até o detalhamento do
Projeto Básico e Executivo das obras.

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GERCO – Costa Extremo Oeste (IV). SEMACE (2005): O Plano Nacional de Gerenciamento
Costeiro – PNGC, Lei Federal nº. 7.661/88, subordina-se aos princípios da Política Nacional do
Meio Ambiente – PNMA e tem em vista os objetivos desta. O PNGC visará à utilização racional
dos recursos da Zona Costeira, de forma a elevar a qualidade de vida de sua população e a
proteção do patrimônio natural, histórico, étnico e cultural. Dentre os Programas e Projetos
específicos para gestão integrada da zona costeira e marinha, o Brasil dispõe do Programa
Nacional de Gerenciamento Costeiro (GERCO), que trata de operacionalizar o PNGC. Esse
programa de gerenciamento obedece às especificações aos três níveis de esferas governamentais:
federal, estadual e municipal, com suas responsabilidades atinentes à execução das ações
previstas no PNGC e obedecendo as normas dispostas na Constituição Federal e na Lei no
7.661/88. A Zona Costeira, para fins do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro, divide-se em
setores - o setor IV, que engloba a Costa Extremo Oeste: Amontada, Itarema, Acaraú, Cruz,
Jijoca de Jericoacoara, Camocim, Granja, Barroquinha e Chaval (SEMACE, 2005).

Inventário Hidrogeológico Básico do Nordeste, Folha Nº 5 – Fortaleza – SO. Ministério do


Interior/SUDENE (1970): Trata-se do primeiro estudo hidrogeológico de caráter regional
realizado na região Nordeste. O objetivo imediato do trabalho foi inventariar as possibilidades de
águas subterrâneas do Polígono das Secas, coletando todas as informações disponíveis em cerca
de 6.000 poços. A metodologia empregada e a forma de apresentação dos resultados
consagraram este trabalho como a principal fonte de consulta para estudos hidrogeológicos
regionais. Foram definidos valores para reservas e potencialidades dos aqüíferos, além da
caracterização hidroquímica. Os resultados são apresentados em mapas na escala de 1:500.000,
onde estão ilustradas informações sobre a geologia, hidrogeologia, hidrologia de superfície e
hidroquímica. Os cálculos dos recursos hídricos não objetivavam definir disponibilidade, já que
não foi considerado o contexto sócioeconômico e demandas hídricas, o que levaria a conclusões
especificas do aproveitamento de cada aqüífero. Nesta Folha foram desenvolvidos estudos
hidrogeológicos da região, caracterizando os Sistemas Poroso e Cristalino, recargas e exutórios.
Pela abrangência do estudo, dados obtidos e informações geradas constitui, ainda hoje, um dos
trabalhos de referência na área de hidrogeologia necessitando, porém, uma atualização no
cadastramento de poços e de tratamento de dados. A sua importância reside no fato de constituir
um documento de dados objetivos e básicos de grande valor para estudos e explotação das águas
subterrâneas.

Levantamento Exploratório – Reconhecimento de Solos do Estado do Ceará, MA (1973):


executado pela Divisão de Pesquisa Pedológica do Ministério da Agricultura, através dos
Convênios MA/DNPEA-SUDENE/DRN e MA/CONTAP/USAID/ETA - Subprojeto II/I -
Suporte ao Mapeamento Esquemático dos Solos do Nordeste, tendo contado com a participação
de técnico; da Divisão de Agrologia da SUDENE. O trabalho em foco é de caráter generalizado
enquadrando-se no nível Levantamento Exploratório-Reconhecimento de Solos. Tem como
principais objetivos o levantamento dos recursos relativos a solos, visando a confecção da Carta
de Solos do Brasil, conforme as normas seguidas pela Divisão de Pesquisa Pedológica em todo o
território nacional. Objetiva também a identificação e estudo dos solos existentes no Estado,
compreendendo distribuição geográfica e cartografia das áreas por eles ocupadas, além do estudo
das características físicas, químicas e mineralógicas bem como sua classificação.

Plano de Aproveitamento Integrado dos Recursos Hídricos do Nordeste do Brasil – Fase I.


Recursos Hídricos II. Águas de superfícies Potencialidades. Vol. VIII
SUDENE/GEOTÉCNICA (1980): este estudo se constitui na primeira ação concreta para se
estabelecer uma política adequada de águas para o Nordeste. Ainda que muito bem concebido e
desenvolvido, a abordagem, em razão da própria dimensão espacial enfocada, se dá dentro de
40
uma visão macro e regional; os escoamentos superficiais, por exemplo, são avaliados somente a
nível de deflúvio médio anual e a partir de uma metodologia simplificada; o zoneamento
hidrológico, bem como os demais resultados, utiliza a base cartográfica na escala 1:2.500.000;
um dos seus maiores méritos é o de ter tratado, pela primeira vez no Nordeste, do nível de
açudagem existente em todas as suas dimensões, principalmente no que se refere às aguadas e
pequenos açudes; dentro do fim a que se propunha, a restrição que se pode fazer ao PLIRHINE
diz respeito à apresentação do seu Relatório Final, de modo geral estruturado e redigido de uma
forma que dificulta seu manuseio.

Plano de Aproveitamento Integrado dos Recursos Hídricos do Nordeste do Brasil – Fase I.


Águas Subterrâneas, Vol. VII SUDENE/GEOTÉCNICA (1980): o PLIRHINE, no Volume
VII, apresenta uma metodologia para avaliação da potencialidade e disponibilidade de águas
subterrâneas no Nordeste, considerando para o primeiro caso a análise dos estudos existentes,
com base nas entradas, saídas e escoamento subterrâneo de cada sistema aqüífero. O enfoque
mais relevante é dado, todavia, para a avaliação das disponibilidades como estratégia de
planificação regional, levando-se em conta o custo da água bombeada e o benefício derivado do
seu uso. Desta forma, o objetivo é perfeitamente atingido, uma vez que os recursos hídricos são
avaliados de forma integrada, numa mesma ordem de precisão e de um mesmo caráter orientado.
Os resultados são apresentados individualmente para os sistemas aqüíferos sedimentares
regionais e para o sistema cristalino como um todo. No tocante a este último, foi adotado um
modelo probabilístico para a avaliação da potencialidade como fator preponderante da
quantificação da disponibilidade de água subterrânea. Os resultados apresentados são
compatíveis com os objetivos do Plano e podem orientar o desenvolvimento de estudos
específicos. As avaliações de potencialidade são ilustradas através do mapa de escoamento das
águas subterrâneas na escala de 1:2.500.000.

Projeto ORLA, MMA (2006): O Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima (Projeto Orla) é
uma ação conjunta entre o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio de sua Secretaria de
Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (SMCQ), e o Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, no âmbito da sua Secretaria do Patrimônio da União (SPU/MPOG). Suas
ações buscam o ordenamento dos espaços litorâneos sob domínio da União, aproximando as
políticas ambiental e patrimonial, com ampla articulação entre as três esferas de governo e a
sociedade. Os seus objetivos estão baseados nas seguintes diretrizes: Fortalecimento da
capacidade de atuação e articulação de diferentes atores do setor público e privado na gestão
integrada da orla, aperfeiçoando o arcabouço normativo para o ordenamento de uso e ocupação
desse espaço; Desenvolvimento de mecanismos de participação e controle social para sua gestão
integrada e Valorização de ações inovadoras de gestão voltadas ao uso sustentável dos recursos
naturais e da ocupação dos espaços litorâneos. O projeto busca responder a uma série de desafios
como reflexo da fragilidade dos ecossistemas da orla, do crescimento do uso e ocupação de
forma desordenada e irregular, do aumento dos processos erosivos e de fontes contaminantes.
Além disto, visa ainda o estabelecimento de critérios para destinação de usos de bens da União,
visando o uso adequado de áreas públicas, a existência de espaços estratégicos (como portos,
áreas militares) e de recursos naturais protegidos também se configuram em desafios para gestão
da orla brasileira.

Projeto RADAMBRASIL - Levantamento de Recursos Naturais 21, Folha AS. 24


Fortaleza, MME – (1981): é a mais completa publicação regional envolvendo o levantamento
de recursos naturais. Os volumes de interesse para a área correspondem à Folha AS. 24
Fortaleza, definida pela carta cartográfica internacional ao milionésimo. Na parte relacionada ao
potencial dos recursos hídricos foram feitas avaliações de caráter regional. O trabalho foi
41
realizado em escala de 1:250.000 e publicado em escala 1:1.000.000, onde é apresentada uma
metodologia considerando os parâmetros hidrogeológicos associados à hidrologia de superfície
para definição do potencial aqüífero. A resposta é obtida através de matrizes de caracterização,
de determinação e de controle, envolvendo características intrínsecas dos aqüíferos e da bacia
hidrográfica.

Programa Estadual de Irrigação – PEI. DNOCS/DNOS (1988): elaborado sob


responsabilidade da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceara, ele inclui todos os projetos
públicos de irrigação implantados, em implantação e programados para o Ceará. Nele, foram
considerados como metas, além dos projetos planejados pelo Governo do Ceara na época,
aqueles outros em desenvolvimento pelo DNOCS e DNOS, órgãos com os quais foi mantido o
adequado entendimento. Está dividido em Diagnóstico, que apresenta uma identificação, a partir
de um inventário de dados e informações, das condições e perspectivas do emprego da irrigação
nas atividades agrícolas do Estado; e Programa, que contém o Programa Estadual de Irrigação
em si.

Programa PRODETUR I. SETUR (1992): O objetivo básico do Programa é o


desenvolvimento econômico do Estado, elevando o nível de emprego e renda da população a
partir da organização da infra-estrutura, possibilitando o fomento aos investimentos na indústria
do turismo, na agroindústria e no setor de serviços. Na sua primeira etapa o PRODETUR/CE
englobou sete sedes urbanas e oito distritos e localidades, distribuídos nos Municípios de
Itapipoca, Trairí, Paraipaba, Paracuru, São Gonçalo do Amarante, Caucaia e Fortaleza, numa
extensão de mais de 150 quilômetros de litoral, parte do Pólo Ceará Costa do Sol, costa oeste do
Estado. Os recursos do PRODETUR, oriundos de financiamento junto ao Banco Interamericano
de Desenvolvimento BID, com contrapartida do Estado, na sua primeira etapa, foram
empregados na construção de estradas, do Aeroporto Internacional Pinto Martins de Fortaleza e
sua via de acesso, tendo como órgão executor o Departamento de Estradas, Rodovias e
Transportes DERT; na implantação de sistemas de abastecimento dágua e esgotamento sanitário
de todas as sedes municipais e localidades da Região Turística II, tendo como órgão executor a
CAGECE; na proteção ambiental, através do órgão executor da política ambiental do Estado a
Superintendência Estadual do Meio Ambiente - SEMACE e no fortalecimento institucional dos
Órgãos Estaduais e Municipais envolvidos no Programa. Em sua estrutura organizacional, o
PRODETUR foi subdividido nas seguintes componentes: Transportes e Rodovias, Saneamento
Básico, Desenvolvimento Institucional; Meio Ambiente e Proteção Ambiental.

Dentre os projetos e programas do PRODETUR I, encontra-se a Recuperação ambiental de


lagoas, lagamares, praias e dunas onde as ações da componente ambiental do PRODETUR/CE,
sob a responsabilidade da SEMACE, na área de recuperação ambiental, são intervenções de
caráter emergencial, em atendimento às reivindicações das comunidades que encontram-se em
situações de risco ambiental e social, decorrentes de alterações no meio ocasionadas processos
naturais ou por ações de caráter antrópico. Dentro dessa ação também está prevista a elaboração
do Projeto de Recuperação Ambiental do Serrote do Farol de Jericoacoara, área de grande
potencialidade turística que sofreu, ao longo de décadas de exploração inadequada, sérios
impactos negativos que ocasionaram a degradação de parte de seus recursos naturais.

Programa PRODETUR II. SETUR (2005): A segunda fase do Programa de Desenvolvimento


do Turismo no Nordeste - PRODETUR/CE II - tem como principais objetivos: -Dar
sustentabilidade ao turismo no Pólo Turístico Costa do Sol, contribuindo para a melhoria da
qualidade de vida dos municípios beneficiados na primeira fase do Programa (Fortaleza,
Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba, Trairi, Itapipoca,) e nos Municípios de
42
Aquiraz, Jijoca de Jericoacoara e Camocim, que deverão ser beneficiados nesta segunda fase, por
terem sido impactados pelas ações desenvolvidas no PRODETUR I; e melhorar a capacidade de
gestão do turismo pelos governos municipais.

Para alcançar esses objetivos, a segunda etapa do PRODETUR deve, preferencialmente: Apoiar
os investimentos e ações geradoras de renda turística nos Municípios; Assegurar que os
benefícios destes investimentos sejam expandidos para suas populações fixas e Assegurar que os
governos municipais venham a ser capacitados para a gestão eficaz do turismo nos seus
territórios.

Para definir as ações que compunham o PRODETUR II, foi elaborado o Plano de
Desenvolvimento do Turismo Sustentável PDITS, com o objetivo de identificar e priorizar
investimentos direcionados a consolidar o turismo nas áreas que foram objeto do
PRODETUR/NE-I, a partir de: Ações a serem completadas, definidas como aquelas que não
foram terminadas ou executadas nos municípios beneficiados, mas que continuam sendo
necessárias e Ações a serem complementadas, identificadas como prioritárias, em função dos
resultados e impactos do turismo do PRODETUR/NE I no pólo.

Zoneamento Ecológico e Econômico do Litoral, LABOMAR/SEMACE (2006): Analisou o


estado atual de ocupação e conservação da Zona Costeira do Estado do Ceará com a finalidade
de subsidiar diretrizes, parâmetros e procedimentos para ocupação ordenada e manejo
sustentável da terra e recursos naturais destas áreas (elaborado na escala 1:25.000)

Estudos Ambientais (EIA/RIMA, Relatórios de Auditoria, etc) (vários anos): A SEMACE


também disponibiliza para consulta na biblioteca José Guimarães Duque, todos os EIA/RIMA do
Ceará, estando relacionados a seguir, alguns desses estudos realizados referentes a municípios
pertencentes às Bacias Metropolitanas:
− LOTEAMENTO LINO DA SILVEIRA - CAUCAIA - Lino da Silveira Construções
Ltda. GEOPLAN - 1989. 2v.
− CALCÁRIO DO BRASIL - CALCÁRIO - CAUCAIA -/CE –Calcário do Brasil S/A
/GEOPLAN - 1989. 2v
− LOTEAMENTO CAMINHO DO MORRO BRANCO - BEBERIBE - GEOPLAN
Imobiliária Henrique Jorge Ltda., 1989 - 2v
− LOTEAMENTO PARAÍSO DO PARAJURU - BEBERIBE - GEOPLAN - Imobiliária
Henrique Jorge Ltda., 1989. 2v.; 2.ex.
− LOTEAMENTO CHÁCARAS DO LITORAL - CASCAVEL -Imobiliária Henrique
Jorge Ltda./GEOPLAN - 2v.
− LOTEAMENTO ENSEADA DA PRAIA I e II - AQUIRAZ - GEOPLAN - Francisco
Ivens de Sá Dias Branco. 1989.2v
− RODOVIA BR -222 CUMBUCO - CAUCAIA -DAER - AMPLA Engenharia. Fortaleza,
1989 - 2.ex
− PROJETO FINAL DE ENGENHARIA FERROVIA TRANSNORDESTINA - MIN.
DOS TRANSPORTES - GEIPOT - 1988. 1v.
− PROGRAMA DE REABILITAÇÃO DAS ESTRADAS DO CEARÁ - GOV. DO
ESTADO - SETECO/DAER - Fortaleza, CONSPLAN, 1989.

43
− PROGRAMA DE INFRAESTRUTURA BÁSICA DO CEARÁ FORTALEZA.-
Fortaleza, SEPLAN/SDU/IPLANCE -SANEAR - 1992.
− RESIDENCIAL PARQUE ARATURI 2ª ETAPA - CAUCAIA - OMEGA Construção
Industria e Comércio Ltda. Fortaleza, GEOPLAN. 1988. 2v.
− CONJUNTO HABITACIONAL SÃO CRISTOVÃO - FORTALEZA - SDU/COHAB -
Fortaleza, GEOPLAN. 1988. 2v.
− LOTEAMENTO GOLDEN PARK - AQUIRAZ - Lino da Silveira Construções Ltda.
Fortaleza, GEOPLAN. 1990. 2v.; 2.ex.
− GASODUTO FORTALEZA RAMAL M. DIAS BRANCO -
PETROBRÁS/SEGEN/CONPROL - Fortaleza, 1988. 2v.
− CARGAL - CALCÁRIO CANINDÉ - CARCAL - Carcará Comércio Industria .
Fortaleza, GEOPLAN - 1990. 2v.
− 4º ANEL RODOVIÁRIO DE FORTALEZA / Trecho CE-004/Ponte Rio Cocó - DNER -
Fortaleza, SIRAC. 1994.1v mais Anexo.
− SISTEMA DE TRATAMENTO DOS EFLUENTES DO DISTRITO INDUSTRIAL DE
FORTALEZA - LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO. ETE/DI - OD - Ogenis Magno
Brilhante. Fortaleza, 1990.
− EIA / RIMA DUPLICAÇÃO DA PONTE SOBRE O RIO COCÓ , NA AV. ENGº
SANTANA JÚNIOR. Fortaleza SUMOV. Fortaleza, AGUASOLOS. 1991. 1v.
− PROJETO DE RESTAURAÇÃO RODOVIA BR - 222 TRECHO VIAD. ACES. BR.
020 INT. CE - 225 - FORTALEZA - CAUCAIA - SETECO/DAER. Fortaleza,
GEONORTE. 1990.
− AV. SEBASTIÃO DE ABREU - AGUASOLOS
− LOTEAMENTO PARQUE IPANEMA - CAUCAIA - Fortaleza, SETEG - 2v.
− PARQUE MARAPONGA EIA/RIMA. Fortaleza - Deodato Martins e Cia Ltda. -
Fortaleza, GEOPLAN. 1991. 6v. 2ex.
− EIA/RIMA DOS PROLONGAMENTOS DAS AVENIDAS DESEMBARGADOR
MOREIRA E BORGES DE MELO - SUMOV/AGUASOLOS. Out. 1991.
− ATERRO SANITÁRIO METROPOLITANO OESTE DE CAUCAIA - CEARÁ - V.13
AUMEF - Fortaleza, ASTEF/UFC. 1989. l ex.
− EIA/RIMA DO COMPLEXO INDUSTRIAL DO PECÉM NO MUNICÍPIO DE SÃO
GONÇALO DO AMARANTE - SIC/CODECE. Fortaleza: ENGESOFT, jun. 1998.
− RESIDENCIAL VILLA RICA - FORTALEZA - EIA/RIMA - CENPLA - Fortaleza,
ECOPLAN-1992 - v. I -Textos; v. II - Anexos
− PROJETO HABITAR - Maracanaú - 1 Síntese - PROURB-CE/DAA-GEONORTE -
1993
− COMPLEXO TURÍSTICO CUMBUCO/LAGOA DO BANANA/HOTEL SAINT
TROPEZ DES TROPIQUES, CAUCAIA-CE. Ampla Engenharia, 1989. (Substituído
pelo RIMA 217)
− EIA/RIMA DA REGIÃO TURÍSTICA II - PRODETUR - GOVERNO DO ESTADO.
ARC ARQUITETURA E URBANISMO Mar. 1994(v. II out.1993)

44
2. CARACTERIZAÇÃO DA BACIA

45
2. CARACTERIZAÇÃO DA BACIA

2.1. Área De Abrangência

2.1.1. Nomenclatura: Bacias Metropolitanas versus Região Hidrográfica das Bacias


Metropolitanas

Durante a elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos do Ceará – PERH (1992), os


estudos foram divididos em três blocos: dois contemplaram a temática hidrológica e um tratou
do modelo institucional. No PERH, o Estado foi dividido em onze regiões geográficas que
abrangiam: uma única bacia hidrográfica, um conjunto de bacias hidrográficas ou parte de uma
bacia hidrográfica. Essas regiões receberam nomes distintos, de acordo com a ótica do estudo.
No bloco de estudos institucionais, receberam nomes de “Regiões Hidrográficas”; enquanto que
no bloco de hidrologia receberam o nome de “Bacias Hidrográficas”. Essa duplicidade
permanece ainda hoje nos documentos oficiais do SIGERH. Na denominação do presente Plano
foi adotada a terminologia dos estudos hidrológicos. Contudo, foi apresentada a equivalência da
designação do modelo institucional. No decorrer do texto os termos são usados segundo a
conveniência.

2.1.2. Localização

As Bacias Metropolitanas situam-se na porção nordeste do Estado, limitada ao sul pela bacia do
Rio Banabuiú, a leste pela bacia do Rio Jaguaribe, a oeste pela bacia do Rio Curu, e ao norte,
pelo Oceano Atlântico (Mapa 2.1). Abrange uma área de 15.085 km², englobando total ou
parcialmente o território de 40 municípios, com destaque para a Região Metropolitana de
Fortaleza, que abriga cerca de 40% da população estadual. Dos 40 municípios total ou
parcialmente contidos na bacia, somente 31 oficialmente compõem as Bacias Metropolitanas,
conforme o Decreto Nº 26.902/2003, excluindo os municípios de Aracati, Canindé, Fortim,
Morada Nova, Palhano, Paracuru, Pentecoste, Quixadá e Russas.

Recebe a denominação de Bacias Metropolitanas, refletindo a situação de proximidade e


abrangência da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), região de maior densidade
demográfica e principal pólo econômico do Estado do Ceará.

O Mapa 2.2 apresenta o território completo abrangido pela referida bacia, com sua divisão
política, e o Quadro 2.1 apresenta o percentual da área de cada município pertencente à Bacia.

46
Bacia do Coreaú

Bacias Metropolitanas

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Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
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Mapa 2.1:
LOCALIZAÇÃO E ACESSOS
LEGENDA

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Limite do Município

Escala
1:900.000

Projeção Universal Transversa de Mercator


Datum: SAD 69 - Zona:24

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Mapa 2.2:
DIVISÃO POLÍTICA
Quadro 2.1. Municípios das Bacias Metropolitanas
Município Área do Município Pertencente à Bacia (%)
Acarape 100,00
Aquiraz 100,00
Aracoiaba 100,00
Barreira 100,00
Baturité 100,00
Beberibe 100,00
Capistrano 100,00
Cascavel 100,00
Caucaia 100,00
Choro 100,00
Chorozinho 100,00
Eusébio 100,00
Fortaleza 100,00
Guaiúba 100,00
Horizonte 100,00
Itapiúna 100,00
Itaitinga 100,00
Maracanaú 100,00
Ocara 100,00
Pacajus 100,00
Pacatuba 100,00
Pindoretama 100,00
Redenção 100,00
Aracati 8,97
Aratuba 83,40
Canindé 20,10
Fortim 65,61
Guaramiranga 82,24
Ibaretama 87,07
Maranguape 94,03
Morada Nova 22,72
Mulungu 65,04
Pacoti 95,05
Palhano 40,47
Palmácia 94,66
Paracuru 17,80
Pentecoste 29,03
Quixadá 21,82
Russas 14,02
São Gonçalo do Amarante 64,46
Fonte: PACTO DAS ÁGUAS (INESP, 2009)

49
2.2. Hidrografia

Trata-se de um conjunto de bacias hidrográficas independentes que totalizam uma área de


15.085 Km², dos quais 646 km² correspondem ao somatório de faixas FLEDs (escoamento
difuso) descontínuas. O Plano de Gestão das Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000)
identificou 14 bacias independentes (Mapa 2.3), que foram tratadas no PERH (1992) como
sendo 16: São Gonçalo, Gereraú, Cahuípe, Juá, Ceará, Maranguape, Cocó, Coaçu, Pacoti, Catu,
Caponga Funda, Caponga Roseira, Malcozinhado, Choró, Uruaú e Pirangi. A diferença se dá
devido ao PERH (1992) tratar como bacias independentes os sistemas Cocó/Coaçu e
Ceará/Maranguape (o segundo rio é um afluente do primeiro), uma vez as confluências se dão
tão próximas do mar que seus comportamentos são semelhantes ao de bacias independentes.

Em sua maioria, as Bacias Metropolitanas são litorâneas, de pequeno porte e de pouca


representatividade hidrológica, à exceção das bacias São Gonçalo, Pirangi, Choró e Pacoti.
Dessa forma, serão descritas a seguir somente as maiores e mais importantes bacias.
• Bacia do Rio Pacoti
Principal manancial da RMF, nasce na Serra de Baturité, drenando uma área de 1.257,5 km². De
configuração longilínea e rede de drenagem predominantemente dendrítica, o rio Pacoti se
desenvolve no sentido sudoeste/nordeste ao longo de 112,5 km. dos quais o primeiro terço com
declividade acentuada da ordem de 2,0%. Próximo de sua foz, como reflexo do relevo muito
suave que atravessa, sua declividade decresce para cerca de 0,1%. Conta com elevado índice de
compacidade (1,97) e fator de forma reduzido (0,10)

Sem nenhuma afluência significativa pela margem direita, o Pacoti possui dois contribuintes pela
margem esquerda - os riachos Baú e Água Verde. Em seu baixo curso observa-se a presença de
lagoas - perenes e intermitentes. Todos os cursos d'água da bacia são intermitentes; no seu baixo
curso, sofre a influência das marés, apresentando um estuário composto por 160 ha de
manguezais (COGERH, 2000).
• Bacia do Rio Choró
A Bacia do Rio Choró drena uma área de 4750,7 km², sendo a maior dentre as 14 bacias que
compões a Região Hidrográfica em questão. De formato alongado, tem índice de compacidade
elevado (1,94) e reduzido fator de forma de 0,12. É uma das alternativas para o reforço do
sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.

Apresenta relevo movimentado no seu terço inicial, atingindo declividades muito altas na zona
montanhosa das serras do Estevão, da Palha e Conceição, quase na região centro do estado. A
partir da metade do seu curso observa-se o desenvolvimento de um relevo suave de cotas baixas,
resultando numa declividade média inferior a 0,1%. A região centro-norte da bacia abrange uma
grande parte da formação montanhosa da serra de Baturité.

Apresenta poucos afluentes significativos pela margem direita, destacando-se, pela margem
esquerda, apenas os riachos Cangati, Castro e Aracoiaba. Nas proximidades do litoral, o rio
Choro sofre influência das marés, apresentando um pequeno estuário composto por 25 ha de
manguezais.

50
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Escala
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Mapa 2.3:
SUB-BACIAS HIDROGRÁFICAS
• Bacia do Rio Pirangi
A bacia do rio Pirangi é a mais oriental das bacias metropolitanas, drenando uma área de
4.374,1 km². O rio, que se estende por 177,5 km, nasce numa região de pouca altitude e relevo
moderado, sendo a suavidade do relevo uma das maiores características desta bacia. Em cerca de
80% do talvegue a declividade é próxima de 0,05%, sendo que no trecho final ela praticamente
se anula dando lugar a uma região de inúmeras lagoas.
Apresenta uma forma retangular alongada, de largura quase constante (largura média variando de 35
km, no alto e médio curso, a 55 km no baixo curso) com índice de compacidade 1,52 e fator de forma
0,14.
A rede hidrográfica apresenta um padrão do tipo subparalelo, na região do baixo curso, onde
ocorre, ainda, o tipo dendrítico. No médio e baixo curso, as estruturas comandam, de modo
quase completo, o traçado dos rios que se apresentam com um padrão retangular (confluências
formando ângulos retos). A área de domínio do embasamento cristalino mostra-se mais
dissecada do que a sedimentar, apresentando um maior número de rios, demonstrando um
controle da geologia sobre a drenagem.
Com tributários distribuídos de forma homogênea em ambas as margens, não apresenta nenhuma
afluência significativa. Todos os cursos d'água da bacia apresentam caráter intermitente, exceto
próximo ao litoral, onde o rio Pirangi, sofrendo inclusive a influência das marés, formando um
estuário composto por 200 ha de manguezais.
• Sistema Cocó/Coaçu
O rio Cocó drena uma área de 304,6 km², se desenvolvendo no sentido sul/norte por longo trecho
de seu percurso, formando, em direção a foz, uma acentuada curva de sudoeste para leste. Sua
confluência com o rio Coaçu, seu principal afluente, se dá bem próximo ao litoral, fazendo que
estes praticamente apresentem comportamento de bacias independentes.
Com o comprimento do talvegue de 42,5 km, o rio Cocó apresenta uma configuração longilínea,
que se traduz no elevado índice de compacidade (1,60) e fator de forma reduzido (0,17). O rio
Coaçu, por sua vez, se desenvolve ao longo de 32,5 km, drenando uma área de 194,8 km²,
apresentando índices de compacidade de 1,35 e fator de forma de 0,18.
Todos os cursos d'água da bacia apresentam caráter intermitente, permanecendo secos durante a
maior parte do ano, exceto próximo ao litoral, onde os rios Cocó e Coaçu se tornam semi-
perenes. Ocorrem, ainda, em seu baixo e médio curso, a presença de lagoas perenes e
intermitentes, com destaque, no eixo do rio Coaçu, para as lagoas da Precabura, Sapiranga,
Messejana, dos Pássaros e Parnamirim, estas três últimas situadas na malha urbana das cidades
de Fortaleza e Eusébio, respectivamente. Ao longo do rio Cocó, merecem destaque as lagoas da
Maraponga, da Itaoca, do Opaia e do Papicu, e outras de menor porte, todas situadas no núcleo
urbano de Fortaleza. O Cocó sofre influencia das marés, que adentram no seu leito por
aproximadamente 13 km, formando um estuário alongado e estreito, composto por 210 ha de
manguezais.
• Sistema Ceará/Maranguape
O rio Ceará drena uma área de 555,9 km², se desenvolvendo no sentido sudoeste-norte ao longo
de 52,5 km, apresentando índices de compacidade de 1,60 e fator de forma de 0,20.
A exemplo do que ocorre com o Sistema Cocó/Coaçu, o rio Maranguape, único tributário de
significante na bacia, une-se ao rio principal próximo à sua foz, não exercendo muita influência
sobre a fluviometria da bacia como um todo, comportando-se, praticamente, como uma bacia

52
independente. Apresenta uma bacia de contribuição com área de 223,8 km² e comprimento do rio
principal de 37,5 km, resultando num índice de compacidade de 1,82 e fator de forma de 0,16.
Composto por cursos d'água de caráter intermitente, que fluem somente durante a época das
chuvas, o Sistema Ceará/Maranguape apresenta fluviometria semi-perene apenas no trecho do
rio Ceará que sofre a penetração das marés, formando um estuário composto por 640 ha de
vegetação de mangue. No seu baixo curso apresenta inúmeras lagoas, entre as quais se destcam
as lagoas da Parangaba e do Porangabuçu, ambas situadas na malha urbana de Fortaleza.
• Bacia do Rio São Gonçalo
Drenando uma área de 1.332,3 km², a bacia do rio São Gonçalo apresenta forma retangular
longilínea, com o rio se desenvolvendo ao longo de 90,0 km. Tem índice de compacidade igual a
1,68 e fator de forma de 0,16. Não possui afluentes de importância, destacando-se apenas o rio
Anil e o riacho do Amanari, pela margem direita, e os riachos Pau d'Óleo e do Mocó, pela
margem esquerda. Todos os afluentes apresentam caráter intermitente permanecendo secos
durante a maior parte do ano, exceto próximo ao litoral onde o rio São Gonçalo sofre a influência
das marés. Ao longo da bacia surgem diversas lagoas perenes e intermitentes, observando-se na
região de baixo curso, próximo ao litoral, a formação de uma extensa lagoa de caráter perene, a
Lagoa dos Talos.
• Síntese dos Principais Parâmetros
Os principais parâmetros das 16 bacias metropolitanas (sistemas Ceará/Maranguape e
Cocó/Coaçú individualizados) são apresentados nos Quadros 2.2 e 2.3. A hidrografia das bacias
é apresentada no Mapa 2.4.
Quadro 2.2. Principais Parâmetros Morfológicos das Bacias Metropolitanas
Parâmetros
Bacia Área Perímetro Talvegue Índice de Fator de
(km2) (km) (km) Compacidade Forma
São Gonçalo 1.332,3 - 90,0 1,68 0,16
Gereraú 120,2 - 20,0 1,46 0,30
Cahuípe 274,0 85,0 35,0 1,43 0,22
Juá 121,6 50,0 12,5 1,26 0,78
Ceará 555,9 135,0 52,5 1,60 0,20
Maranguape 223,8 97,5 37,5 1,82 0,16
Cocó 304,6 100,0 42,5 1,60 0,17
Coaçu 194,8 67,5 32,5 1,35 0,18
Pacoti 1.257,5 250,0 112,5 1,97 0,10
Catu 155,9 72,5 30,0 1,62 0,17
Caponga Funda 59,4 50,0 22,5 1,81 0,12
Caponga Roseira 69,3 55,0 20,0 1,84 0,17
Malcozinhado 381,8 87,5 37,5 1,25 0,27
Choro 4.750,7 480,0 200,0 1,94 0,12
Uruaú 261,5 82,5 35,0 1,42 0,21
Pirangi 4.374,1 360,0 177,5 1,52 0,14
Fonte: COGERH (2000)

53
Quadro 2.3. Declividade do Rio Principal das Bacias Metropolitanas
Talvegue Intervalos entre Curvas de Níveis
Bacia Rio Principal
(km) Intervalo 1 Intervalo 2 Intervalo 3 Intervalo 4
0 - 80 80 - 640
MSG São Gonçalo 90,0 72,5 17,5
1,10 32,00
0 - 40
MGE Gereraú 20,0 20,0
2,00
0 - 80
MCP Cahuípe 35,0 35,0
2,29
0 - 80
MJU Juá 12,5 12,5
6,40
0 - 80
MCE Ceará 52,5 52,5
1,52
0 - 80 80 - 160
MMA Maranguape 32,5 5,0
2,46 16,00
0 - 80
MCO Cocó 42,5 42,5
1,88
0 - 40
MCC Coaçu 32,5 32,5
1,23
0 - 80 80 - 160 160 - 400 400 - 880
MPA Pacoti 112,5 72,5 7,5 15,0 17,5
1,10 10,67 16,00 27,43
0 - 60
MCA Catu 30,0 30,0
2,00
0 - 40
MCF Caponga Funda 22,5 22,5
1,78
0 - 40
MCR Caponga Roseira 20,0 20,0
2,00
0 - 60
MMZ Malcozinhado 37,5 37,5
1,60
0 - 80 80 - 160 160 - 240 240 - 400
MCH Choró 200,0 102,5 50,0 35,0 12,5
0,78 1,60 2,29 12,80
0 - 40
MUR Uruaú 35,0 35,0
1,14
0 - 80 80 - 160 160 - 200
MPI Pirangi 177,5 140,0 32,5 5,0
0,57 2,46 8,00
Fonte: COGERH (2000)

54
LEGENDA

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Mapa 2.4:
HIDROGRAFIA
2.3. Clima

De modo geral, o clima das Bacias Metropolitanas se apresenta bastante homogêneo; as


variações climáticas registradas são diretamente associadas ao regime pluviométrico e decorrem,
fundamentalmente, das seguintes condições:
− Proximidade do litoral, onde os índices pluviométricos são mais elevados e as
temperaturas mais estáveis;
− Relevo acidentado, onde ocorrem precipitações orográficas que se somam a temperaturas
mais baixas em decorrência da altitude.
O clima predominante é quente e estável, de elevadas temperaturas e reduzidas amplitudes, com
acentuada taxa de insolação, forte poder evaporante e, acima de tudo, com um regime
pluviométrico marcadamente irregular.

Segundo a classificação de Köppen (1931), a área da bacia apresenta três zonas climáticas:

− Aw': clima tropical chuvoso, com estação invernosa ausente e estação chuvosa
concentrada no outono. Apresenta-se predominante na região, ocorrendo nas áreas com
precipitações variando de 1.000 a mais de 1.500 mm anuais;
− Amw': clima tropical chuvoso de monção, com estação chuvosa atrazada para o
outono, em vez do verão. Ocorre nas áreas serranas sujeitas a chuvas orográficas, onde
os índices pluviométricos são superiores a 1.400 mm;
− BSw'h': clima quente e semi-árido, com estação chuvosa atrasada para o outono.
Ocorre no alto/médio cursos das bacias dos rios Choró e Pirangi, onde as precipitações
oscilam entre 700 e 1.000 mm.
Considerando que a área da bacia engloba municípios com climas variando das condições de
litoral até uma transição para o sertão, inclusive com presença de micro-climas de serra,
selecionou-se três estações climatológicas: Fortaleza (litoral), Morada Nova (sertão) e
Guaramiranga (serra); que, juntas, retratam o clima da região em estudo. No estudo foram
analisadas as seguintes grandezas meteorológicas: temperatura, umidade relativa, insolação,
ventos, evaporação do tanque e evapotranspiração potencial.

2.3.1. Cálculos dos Parâmetros Climatológicos

Os principais parâmetros climatológicos são calculados utilizando-se dados de três estações –


Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga - duas pertencentes a municípios parcialmente inseridos na
bacia (Guaramiranga e Morada Nova) e outra pertencente a um município totalmente contido na
bacia (Fortaleza); suas principais características estão contidas no Quadro 2.4. A utilização de três
estações climatológicas diferentes se dá pela variabilidade espacial do clima – Fortaleza, representa o
litoral, Morada Nova, o sertão e Guaramiranga, a serra.
Quadro 2.4. Características das Estações Meteorológicas das Bacias Metropolitanas
Estação Latitude Longitude Altitude (m) Período de Dados
Fortaleza 3°46' 38°32' 26,00 1961-1988
Guaramiranga 4º17' 38º55' 865,00 1961-1988
Morada Nova 6º01' 38º28' 44,00 1978-1987
Fonte: PERH (1992)

56
2.3.1.1. Temperatura

A distribuição temporal das temperaturas diárias mostra pequenas variações para os três pontos
discretos de monitoramento (12:00; 18:00 e 24:00 TMG - Tempo Médio de Greenwich), sendo
tais flutuações processadas, sob uma visão contínua no tempo, com pequenos gradientes.

A temperatura média compensada é obtida por ponderação entre as temperaturas observadas nas
estações meteorológicas T12 e T24 TMG, TMAX e TMIN do dia, pela Equação 2.1 estabelecida pela
OMM (Organização Meteorológica Mundial):

T12 + 2.T24 + TMAX + TMIN


Tcomp =
5

onde:
Tcomp = Temperatura média compensada,
T12 = Temperatura observada às 12:00 TMG,
T24 = Temperatura observada às 24:00 TMG,
TMAX = Temperatura máxima do dia,
TMIN = Temperatura mínima do dia.
Os Quadros 2.5, 2.6 e 2.7 apresentam os valores de temperaturas máximas, mínimas e
compensadas para cada uma das estações. O regime térmico da região é caracterizado por
temperaturas pouco amenas, tendo seus valores máximos variando de 23,3ºC em Guaramiranga
(junho) a 35,8ºC em Morada Nova (outubro e novembro). Considerando os postos
individualmente, observa-se temperaturas relativamente estáveis e de reduzidas amplitudes,
aumentando seus valores máximos a medida que se afasta do litoral - Fortaleza (30,1ºC) e
Morada Nova (33,9ºC).
Quadro 2.5. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de Fortaleza
(em ºC)
Média Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Máxima 30,6 30,2 29,7 29,8 29,8 29,6 29,4 30,0 30,3 30,6 30,8 30,9 30,1
Compensada 27,0 26,7 26,3 26,3 26,0 25,6 25,4 25,9 26,4 26,8 27,0 27,2 26,4
Mínima 24,1 23,8 23,5 23,3 23,0 22,5 22,1 22,5 23,2 23,8 24,0 24,3 23,3
Fonte: PERH(1992)
Quadro 2.6. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de
Guaramiranga (em ºC)
Média Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Máxima 26,0 25,3 24,5 24,4 23,8 23,3 23,8 25,0 26,3 27,0 27,0 26,8 25,3
Compensada 21,1 20,9 20,8 20,8 20,6 19,9 19,7 19,9 20,3 20,8 20,9 21,0 20,6
Mínima 18,2 18,0 18,0 18,1 17,9 17,2 16,7 16,4 16,6 17,1 17,5 17,8 17,5
Fonte: PERH (1992)

57
Quadro 2.7. Temperaturas máximas, minímas e compensadas na estação de Morada Nova
(em ºC)
Média Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Máxima 35,2 33,7 32,7 32,1 32,2 31,9 32,4 33,8 35,1 35,8 35,8 35,5 33,9
Compensada 28,1 27,3 26,8 26,8 26,8 26,1 26,1 26,6 27,4 27,7 28,0 28,1 27,2
Mínima 23,1 22,9 23,0 22,9 22,4 21,1 20,5 20,4 21,4 21,9 22,4 22,7 22,1
Fonte: PERH (1992)

Os valores mínimos ocorrem logo após a quadra chuvosa, nos meses do inverno austral, junho,
julho e agosto, não atingindo temperaturas médias mínimas inferiores a 16ºC. Nesse caso, o
afastamento do litoral parece não ter influência significativa, sendo o principal fator de
diminuição das temperaturas o aumento da elevação do relevo, como ocorre na região de micro-
clima de Guaramiranga (Figuras 2.1, 2.2 e 2.3). A mínima das médias apresenta os valores de
23,3o C em Fortaleza, 22,1oC em Morada Nova e apenas 17,5oC em Guaramiranga.
Tem peraturas m áx im as , m iním as e c om pens adas
Guaram irang a
40,0

35,0
T emp eratu ra (ºC )

30,0

25,0

20,0

15,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Máx ima C ompens ada Mínima

Figura 2.1. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de


Guaramiranga (em ºC) Fonte: PERH (1992)
Tem peraturas máx imas , minímas e c om pens adas
Fortalez a
40,0

35,0
T emperatura (ºC )

30,0

25,0

20,0

15,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Máx ima Compens ada Mínima

Figura 2.2. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de Fortaleza


(em ºC) Fonte: PERH (1992)

58
Temperaturas m áx im as , m iním as e c om pens adas
Morada Nova
40,0

35,0
T emp eratura (ºC )

30,0

25,0

20,0

15,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Máx ima Compens ada Mínima

Figura 2.3. Temperaturas máximas, mínimas e compensadas na estação de Morada Nova


(em ºC) Fonte: PERH (1992)
2.3.1.2. Umidade Relativa
A umidade média anual na região se situa em torno de 77,6%. As variações mensais estão
intimamente relacionadas às irregularidades temporais do regime pluviométrico. Nas três
estações meteorológicas os meses com índices pluviométricos mais elevados - trimestre
março/abril e maio - correspondem também às taxas de umidade mais altas (acima de 75%). O
período menos úmido, em termos gerais, se situa no segundo semestre do ano, nos meses de
agosto a novembro (Quadro 2.8 e Figura 2.4)
Quadro 2.8. Umidade Relativa nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e Morada Nova
(em %)
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Fortaleza 78,0 82,0 85,0 84,0 84,0 81,0 79,0 74,0 73,0 73,0 74,0 75,0 78,5
Guaramiranga 85,0 88,0 92,0 90,0 92,0 90,0 87,0 85,0 83,0 83,0 81,0 83,0 86,6
Morada Nova 64,0 71,0 77,0 79,0 76,0 73,0 67,0 63,0 60,0 60,0 60,0 62,0 67,7
Fonte: PERH (1992).
Um ida de R elativa
Fortalez a, Guaram irang a e Morada Nova
100,0
Um idade R elativa (% )

90,0

80,0

70,0

60,0

50,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Fortalez a Guaramiranga Morada Nova

Figura 2.4. Umidade relativa das estações de Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga
Fonte: PERH (1992)

59
2.3.1.3. Insolação Média

O Quadro 2.9, juntamente com a Figura 2.5, mostram o número médio de horas de exposição
ao sol, e sua distribuição mensal, nas estações meteorológicas de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga. Em escala anual, a insolação na região se situa em torno de 2.587,7 horas, com
Guaramiranga obtendo valores significativamente mais baixos (média de 1.997 horas/ano),
sendo os meses de menor insolação àqueles correspondentes ao período chuvoso, devido à
presença de nebulosidade.
Quadro 2.9. Insolação Média nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e Morada Nova
(em horas)
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total
Fortaleza 227 180 154 166 205 238 264 289 282 291 286 264 2846
Guaramiranga 161 121 99 106 134 151 184 221 210 206 206 198 1997
Morada Nova 243 192 194 206 233 242 264 264 270 286 267 259 2920
Fonte: PERH (1992)

Ins olaç ão Média


Fortaleza, Guaram irang a e Morada Nova
345,0

295,0

245,0
h o ras

195,0

145,0

95,0

45,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Fortalez a Guaramiranga Morada Nova

Figura 2.5. Insolação média das estações de Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga
Fonte: PERH (1992)
2.3.1.4. Ventos

Os valores de velocidade dos ventos que sopram em Guaramiranga são de uma maneira geral e
ao longo do ano, considerados moderados, variando de 1,7 a 2,5m/s. Em contrapartida, Fortaleza
e Morada Nova apresentam ventos mais fortes, com velocidades superiores a 4,0m/s (Quadro
2.10 e Figura 2.6).
Quadro 2.10. Velocidade do Vento nas estações de Fortaleza, Guaramiranga e Morada
Nova (em m/s)
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Fortaleza 3,6 3,1 2,4 2,3 2,8 3,1 3,5 4,4 4,9 4,6 4,5 4,5 3,6
Guaramiranga 1,9 1,7 1,7 1,7 1,9 2,5 2,1 2,2 2,4 2,1 1,9 2 2,0
Morada Nova 3,5 2,8 2,4 2,2 2,4 2,7 3,0 3,5 3,9 4,0 4,1 4,0 3,2
Fonte: PERH (1992)

60
Ins olaç ão Média
345,0
Fortalez a, Guaram irang a e Morada Nova

295,0

245,0
ho ras

195,0

145,0

95,0

45,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Fortalez a Guaramiranga Morada Nova

Figura 2.6. Velocidade média dos ventos das estações de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga Fonte: PERH (1992)
2.3.1.5. Evaporação

A região, de maneira geral, caracteriza-se por altas taxas de evaporação, o que acarreta perdas
significativas das reservas acumuladas e contribuem para o déficit hídrico na bacia. A
evaporação anual média observada em cada localidade foi de 1.639 mm em Fortaleza, 2.476 mm
em Morada Nova e 562 mm em Guaramiranga, distribuída ao longo dos meses segundo o
Quadro 2.11 e a Figura 2.7. Nota-se que a estação de Guaramiranga apresenta uma evaporação
média muito inferior às apresentadas para Fortaleza e Morada Nova, o que é característico do
micro-clima específico no qual esta inserida. O período de estiagem - julho a dezembro -
responde por cerca de 64% do total evaporado anualmente, sendo os meses de setembro, outubro
e novembro os mais críticos.
Quadro 2.11. Evaporação média mensal para o tanque classe A nas estações de Fortaleza,
Morada Nova e Guaramiranga (em mm)
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total

Fortaleza 149,0 109,0 85,0 74,0 85,0 95,0 123,0 173,0 183,0 197,0 185,0 181,0 1639,0

Guaramiranga 51,0 35,0 25,0 25,0 26,0 29,0 40,0 58,0 67,0 70,0 70,0 66,0 562,0

Morada Nova 224,0 177,0 122,0 105,0 122,0 150,0 194,0 261,0 305,0 281,0 272,0 263,0 2476,0
Fonte: PERH (1992)

61
Evaporaç ão m édia m ens al para o tanque c las s e A
Fortalez a, Guaram irang a e Morada Nova
350,0
300,0
E vapo raç ão (mm )

250,0
200,0

150,0
100,0
50,0
0,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Fortalez a Guaramiranga Morada Nova

Figura 2.7. Evaporação média mensal (Tanque Classe A) das estações de Fortaleza,
Morada Nova e Guaramiranga Fonte: PERH (1992)
2.3.1.6. Evapotranspiração Potencial

A evapotranspiração potencial foi estimada para servir de elemento de referência à avaliação das
necessidades hídricas para irrigação. Para estimar a ETP utilizaram-se dois métodos: a fórmula
de Hargreaves e a fórmula de Penman-Monteith. A utilização desses dois métodos foi realizada
por serem estes os mais utilizados e, també, por não existir um consenso de qual destes é o
método adequado.
• ETP - Segundo Hargreaves
A evapotranspiração média foi estimada por meio da equação de Hargreaves, mostrada na
sequência. Esta, fornece a ETP em função da temperatura média compensada, da umidade
relativa do ar e de um coeficiente de correção que depende da latitude do local considerado.

ETP = F . (100 - U)1/2 . 0,158 . (32 + 1,8T )


comp

onde:
F = Fator dependente da latitude (adimensional),
Tcomp = Temperatura média compensada em °C,
U = Umidade relativa do ar (%).
A estimativa da evapotranspiração pelo Método de Hargreaves para as cidades de Fortaleza,
Morada Nova e Guaramiranga são apresentados no Quadro 2.12.
Quadro 2.12. Evapotranspiração média mensal nas estações de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga (em mm) pelo Método de Penman-Monteith
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total
Fortaleza 145,4 123,8 114,7 107,7 119,4 120,6 129,6 135,8 166,2 178,3 167,7 160,9 1669,9
Morada Nova 172,1 142,2 134,5 122,4 129,9 125,7 144,2 174,8 197,7 212,0 206,7 199,0 1961,3
Guaramiranga 100,8 82,0 81,8 79,2 87,4 78,3 85,6 93,9 111,6 107,9 108,3 111,3 1128,1

62
• ETP - Segundo Penman-Monteith
O método de Penman-Monteith foi recomendado pela Food and Agriculture Organization of the
United Nations (FAO) no fórum intitulado "Expert Consultant on Revision of FAO
Methodologies for Crop Water Requirements", realizado em Roma em 1990, o qual tinha como
objetivo revisar a publicação FAO no. 24, publicada nos anos 70 e, considerada até então,
referência internacional e extensamente usada em todo o mundo por profissionais da área de
irrigação.

O Método de Penman-Monteith, recomendado pelo fórum acima citado, foi considerado como
mais preciso para o cálculo da evapotranspiração potencial. Basicamente constitui-se em uma
metodologia baseada no efeito combinado do transporte convectivo das massas de ar e da
radiação líquida. Sua equação é mostrada a seguir:
es − ea
∆ vap ( Rn − G ) + ρ ar .c p ( )
ra
λe .ET pot =
rs
∆ vap + γ (1 + )
ra
onde:
J
λ e = ( 2501 − 2 , 36 T ar ). 1000
Kg . K
se Tar > 0
Tar
es = 6,19780. exp(17,08085.
( 234,174 + Tar )
se Tar ≤ 0
Tar
es = 6,10714. exp( 22,44294 ).
( 272,44 + Tar )
Onde ETpot - evapotranspiração potencial, λe - entalpia da evaporação da água, ∆vap - curva
que descreve a pressão de saturação do vapor d'água, ea - pressão de saturação do vapor, γ -
constante do psicrômetro, rs - bulk resistance resistance, ra - resistência aerodinâmica, Rn -
balanço de radiação, G - fluxo de calor através do solo e Tar - a temperatura do ar (°C).

Pela complexidade dos cálculos envolvidos, a FAO desenvolveu um software, chamado


CROPWAT, o qual entre outras coisas, calcula a evapotranspiração pelo método de Penman-
Monteith, tendo como entrada apenas as temperaturas máximas e mínimas mensais (ou
temperaturas médias mensais), umidade relativa, insolação e velocidade do vento.

A estimativa da evapotranspiração pelo Método de Penman-Monteith para as cidades de


Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga encontram-se apresentados no Quadro 2.13.
Quadro 2.13. Evapotranspiração média mensal nas estações de Fortaleza, Morada Nova e
Guaramiranga (em mm) pelo Método de Penman-Monteith
Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total
Fortaleza 145,4 123,8 114,7 107,7 119,4 120,6 129,6 135,8 166,2 178,3 167,7 160,9 1669,9
Morada Nova 172,1 142,2 134,5 122,4 129,9 125,7 144,2 174,8 197,7 212,0 206,7 199,0 1961,3
Guaramiranga 100,8 82,0 81,8 79,2 87,4 78,3 85,6 93,9 111,6 107,9 108,3 111,3 1128,1

63
Para efeito comparativo são mostrados nas Figuras 2.8, 2.9 e 2.10 a evapotranspiração potencial
calculada pelos dois métodos para as estações de Fortaleza, Morada Nova e Guaramiranga.
Evapotrans piraç ão m édia m ens al
Fortalez a
250,0

200,0
E T P (mm )

150,0

100,0

50,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Hargreav es Penman-Monteith

Figura 2.8. Evapotranspiração média da estação de Fortaleza (métodos Penman-


Monteith e Hargreaves)
Evapotrans piraç ão média mens al
Morada Nova
250

200
E T P (mm)

150

100

50
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Hargreaves P enman-Monteith

Figura 2.9. Evapotranspiração média da estação de Morada Nova (métodos Penman-


Monteith e Hargreaves)
Evapotrans piraç ão m édia m ens al
Guaram irang a
250,0

200,0
E T P (mm )

150,0

100,0

50,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Hargreaves P enman-Monteith

Figura 2.10. Evapotranspiração média da estação de Guramiranga (métodos Penman-


Monteith e Hargreaves)
64
2.4. Geologia

2.4.1. Litoestratigrafia

Geologicamente, o território das Bacias Metropolitanas é composto por dois grandes domínios
litológicos, as coberturas sedimentares cenozóicas representadas pelo Grupo Barreiras,
Coberturas Colúvio-eluviais, Aluviões, Dunas Móveis, Paleodunas e depósitos de praia, e as
rochas pré-cambrianas do embasamento cristalino. Estas últimas representadas,
principalmente, pelos Complexos Gnáissico-Migmatítico e Granitóide-Migmatítico, aparecendo
com menor representatividade o Grupo Ceará, o Complexo Independência, além de Rochas
Plutônicas Granulares, Diques Ácidos e Corpos Vulcânicos Alcalinos (COGERH, 2000).

As bacias dos rios Malcozinhado, Uruaú, Caponga Roseira, Caponga Funda e Catu, bem como
as Faixas Litorâneas de Escoamento Difuso (FLED) desenvolvem-se integralmente sobre rochas
sedimentares. As demais bacias apresentam um predomínio do embasamento cristalino,
constituindo exceção as bacias dos rios Pirangi, Gereraú e Juá, onde há uma certa equidade na
distribuição dos dois domínios litológicos e o Sistema Cocó/Coaçu, onde o embasamento
sedimentar apresenta-se dominante.

O Mapa 2.5 mostra a distribuição, no território das Bacias Metropolitanas, das unidades
geológicas supra-mencionadas, as quais são descritas a seguir.
• Grupo Barreiras (TQb)
O Grupo Barreiras ocorre por toda a região costeira das Bacias Metropolitanas, constituindo uma
faixa grosseiramente paralela à linha da costa. Ocorre capeando em discordância erosiva angular
as rochas do embasamento cristalino, sendo capeado na linha da costa pelo cordão litorâneo de
dunas, através de discordância, e no interior passa transicionalmente, em alguns pontos, para as
Coberturas Colúvio-eluviais indiferenciadas. Afloramentos na linha da praia, formando falésias,
são observados nas praias de Iparana, Diogo e Morro Branco, entre outras.

Apresenta largura variável, chegando a penetrar cerca de 30,0 km em direção ao interior em sua
porção oriental, sendo mais estreito na região situada a leste de São Gonçalo do Amarante,
devido ao pronunciado avanço, em direção ao litoral, do maciço da Serra do Juá. Sua espessura,
também, é bastante variável, fato decorrente do seu relacionamento com a superfície irregular do
embasamento cristalino, aumentando em direção a costa. Apesar de apresentar espessuras
consideráveis, em determinados trechos os vales entalhados pelos principais rios expõe o
cristalino, refletindo, desta forma, um avançado estágio de erosão fluvial em toda a unidade
sedimentar.

Litologicamente a seqüência é representada por arenitos areno-argilosos, de coloração variegada,


com matizes avermelhados, creme ou amarelados. A matriz apresenta material argiloso
caulinítico, com cimento argiloso-ferruginoso, e as vezes, silicoso. A granulação varia de fina a
média com horizontes conglomeráticos e incrustações lateríticas na base. Estes níveis lateríticos
não tem cota definida, estando comumente associados aos níveis de percolação das águas
subterrâneas.

65
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Espelhos d’Água
Rios Margem Dupla
Rios Margem Simples

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.5:
GEOLOGIA
Estruturalmente esta unidade apresenta-se horizontalizada, com estratificação indistinta,
notando-se apenas um paralelismo entre níveis de constituição faciológica diferentes. Nos níveis
de cascalhos, por vezes observa-se um incipiente organização em estruturas cruzadas e paralelas,
bem como aumento de granulometria em direção à base (granodecrescência).

Em algumas áreas, observa-se a ocorrência de fontes de águas no contato desta seqüência com os
sedimentos arenosos de dunas, tendo como exemplo as praias do Iguape, Prainha e das Fontes,
situadas nos municípios de Aquiraz e Beberibe. Tais fontes são originadas pela percolação, sobre
o material argiloso, da água absorvida pelas áreas sobrepostas.
• Cobertura Colúvio-Eluviais (TQc)
As Coberturas Colúvio-eluviais apresentam distribuição irregular na área das Bacias
Metropolitanas, estando representadas por manchas dispersas, assentadas diretamente sobre o
embasamento cristalino, apresentando espessuras nunca superiores a 5 m.

Morfologicamente caracterizam-se como tabuleiros aplainados com suaves ondulações, muitas


vezes rebaixados ao nível da superfície cristalina. A semelhança morfológica com os sedimentos
costeiros dificultam o traçado de um contato definido entre os dois tipos de sedimentos. Assim
sendo, nas áreas mapeadas como representativas das coberturas colúvio-eluviais é possível
encontrar resquícios de sedimentos do Grupo Barreiras.

Segundo BRAGA et al (1981) estes sedimentos são litologicamente constituídos por um material
areno-argiloso alaranjado e/ou avermelhado, de granulação fina a média, ocasionalmente mais
grosseiro, inconsolidado, com horizonte laterizado na base. A matriz é areno-argilosa caulinítica,
com cimento argiloso e/ou ferruginoso. São constituídos por grãos de quartzos imaturos, pouco
desgastados, com ocasionais pontuações de opacas, palhetas de mica e grãos de feldspato em
vias de alteração.

A ausência de estratificação, o caráter arcoseano, a morfoscopia dos grãos de quartzo e a


presença de minerais micáceos e feldspáticos caracterizam estes sedimentos como imaturos e,
por outro lado, sugerem as condições climáticas semi-áridas a que foram submetidos a
desagregação até os tempos atuais.

Nas áreas serranas, BRANDÃO (1995), distinguiu três zonas principais, onde predominam
movimentos com componente gravitacional dominante: zona primária de fornecimento de
clásticos grossos; zona de tálus a meia encosta que representa, ao mesmo tempo, área fonte e de
deposição de detritos, com mistura de material coluvionar de granulação variada, se constituindo
na área mais instável; e zona de deposição final, nas partes mais baixas das encostas, onde
colocam-se cones de dejeção e depósitos de piemonte em condições de estabilidade. Tais
depósitos são, geralmente, inconsolidados, mal classificados, formados por seixos, blocos,
matações, grãos de areia e, às vezes, argilas impuras.
• Paleodunas (Qpd)
Sobrepostos aos sedimentos do Grupo Barreiras, nas regiões das bacias dos rios São Gonçalo,
Gereraú, Cauhipe, Cocó/Coaçu, Pacoti, Catu e Caponga Funda, bem como nas Faixas Litorâneas
de Escoamento Difuso (FLED), ocorrem dunas edafizadas ou paleodunas, formadas por areias
bem selecionadas, de granulação fina a média, quartzosas e/ou quartzo-feldspáticas, raramente
siltosas, com coloração variando de cinza claro e alaranjado no topo a avermelhado na base.

67
Normalmente são constituídas por sedimentos inconsolidados, embora em alguns locais possam
apresentar um certo grau de compactação.

Representam uma geração mais antiga de dunas, caracterizando-se pelo desenvolvimento de


processos pedogenéticos, com a conseqüente fixação de um revestimento vegetal de porte
arbóreo/arbustivo. Morfologicamente exibem feições típicas de dunas parabólicas, com eixos
alinhados segundo a direção E-W, refletindo a predominância dos ventos que sopram do
quadrante Leste. Apresentam espessuras em torno de 15m próximo a linha da costa, podendo
ocorrer valores altimétricos mais elevados. Para o interior apresentam-se rebaixadas quase ao
nível dos tabuleiros pelo constante retrabalhamento dos ventos, com progressiva redução de
espessura e com formas dissipadas em algumas áreas.
• Dunas Móveis (Qd)
As dunas móveis são formadas a partir da acumulação de sedimentos removidos da face de praia
pela deflação eólica. Formam um cordão contínuo disposto paralelamente à linha da costa, com
largura variando de 2 a 3 km e espessuras em torno de 30m. Apresenta-se seccionado em alguns
pontos pelas planícies fluviais e flúvio-marinhas, ou ainda pela projeção até o mar de sedimentos
do Grupo Barreiras, formando falésias, e de promontórios formados por cangas lateríticas (ponta
do Mucuripe), quartzitos (ponta do Iguape) e quartzitos/gnaisses (ponta do Pecém).

Morfologicamente apresentam feições de barcanas, com declives suaves a barlavento, e


inclinações mais acentuadas nas encostas protegidas da ação eólica. Geometrias lineares também
são identificadas. Ocorrem capeando a geração de dunas mais antigas, estando em algumas áreas
assentes diretamente sobre os sedimentos do Grupo Barreiras.

Seus contatos, em relação às formações sotopostas são, em geral, abruptos. Localmente, onde
elevam-se às cotas superiores dos tabuleiros do Grupo Barreiras, ocasionam o soterramento dos
vales costeiros, impedindo que os cursos d'água com descargas deficientes atinjam o oceano pela
obstrução das suas desembocaduras, dando origem assim a uma série de lagoas costeiras.

Litologicamente, são constituídas por areias esbranquiçadas, bem selecionadas, de granulação


fina a média, quartzosas, com grãos de quartzo foscos e arredondados, muitas vezes encerrando
níveis de minerais pesados, principalmente ilmenita. Caracterizam-se pela ausência de vegetação
ou pela fixação de um revestimento pioneiro, o qual detém ou atenua os efeitos da dinâmica
eólica, responsável pela migração das dunas.
• Depósitos Fluvio-Aluvionares e de Mangues (Qa)
Compreendem as faixas alongadas, estreitas e sinuosas depositadas nas calhas dos rios,
dominantemente orientadas segundo NE e NNE, que iniciando-se no interior, alargam-se
paulativamente no sentido da zona litorânea, onde são seccionadas pela linha da costa. As
principais áreas de ocorrências, pela importância geográfica, são as Aluviões dos rios Pirangi,
Choró e Pacoti.

Litologicamente, as Aluviões estão representadas por argilas, areias argilosas, areias puras e
cascalho. As argilas são abundantes, sendo constatadas em todas as calhas de rios, com destaque
para os rios Choró, Pirangi e Pacoti. São argilas detríticas, de boa plasticidade, de cores variadas,
sendo constituídas predominantemente por caulinita. Nos médios cursos, as Aluviões são
constituídas principalmente por areias grossas, puras com seixos e calhaus, enquanto que nos
baixos cursos predominam areias mais impuras, com elevados teores de argila e silte escuro.

68
Manchas de cascalheiras ocorrem, às vezes, intercaladas entre as areias e na superfície dos
terraços laterais, merecendo destaque as cascalheiras do rio Choró.

Nas lagoas costeiras e interiores são depositados sedimentos pelíticos e grande quantidade de
matéria orgânica, sendo comum nas primeiras a ocorrência de diatomito, muitas vezes com
volume suficiente para justificar a sua explotação econômica.

Próximo à costa, sob influência marinha, os sedimentos aluvionares correspondem a vasas


escuras, flúvio-marinhas, onde se misturam materiais pelíticos e matéria orgânica em
decomposição, formando extensos manguezais, alagados na preamar. Destacam-se na região das
Bacias Metropolitanas as áreas de mangues associadas aos rios Ceará, Cocó, Pacoti, Pirangi e
Choró, bem como à lagoas, que por sofrerem a influência da maré, recebem a denominação de
lagamar.
• Depósitos de Praia e Afloramentos Rochosos
Os depósitos de praia formam um cordão contínuo, alongado por toda a extenção da costa, desde
a linha de maré baixa até a base das dunas móveis. São acumulações de areias de granulação
média a grossa, com abundantes restos de conchas, matéria orgânica e minerais pesados, com
predomínio da ilmenita. Pode ocorrer, ocasionalmente, a presença de cascalhos próximo às
desembocaduras dos rios principais.

Ao longo das praias, na faixa situada abaixo da linha de maré alta, observa-se a ocorrência de
alinhamentos rochosos descontínuos, ocupando ora a desembocadura de alguns rios ora as
enseadas, sendo denominados de arenitos de barra e arenitos de praia, respectivamente. Estas
formações rochosas funcionam, muitas vezes, como proteção a determinados setores da costa,
diminuindo a energia das ondas e evitando sua ação erosiva. Ressalta-se que estas unidades não
estão representadas no mapa geológico dado a escala do mapeamento.

Os arenitos de barra, de origem fluvio-marinha, são constituídos por sedimentos grosseiros,


conglomeráticos, com seixos de até 3cm, bem rolados, englobando conchas marinhas recentes,
principalmente de lamelibrânquios, e fragmentos de madeira. A matriz é areno-argilosa, porosa,
de coloração cinza-escuro e o cimento é calcífero. Na área do estudo, as principais ocorrências
estão situadas em Barra Nova (próximo a foz do rio Choró), e em Uruaú. Por sua vez, os arenitos
de praia, de origem marinha, são sedimentos de granulação média a grosseira, de cor clara, em
geral esbranquiçados, constituídos predominantemente de grãos de areia com conspícuos seixos
de quartzo e cimento calcífero. Muitas vezes, porém, as correntes marinhas transportam detritos
de origem fluvial, das barras, até grandes distâncias, os quais dão origem a arenitos escuros com
matriz areno-argilosa. As principais ocorrências de arenitos de praia são verificadas nas praias de
Sabiaguaba, COFECO, Iparana e enseada do Mucuripe, entre outras, sendo que neste último
local, os arenitos diferenciam-se por exibirem um avançado estágio de laterização.
• Complexo Gnáissico-Migmatítico (pEgn-mg)
A associação petrotectônica denominada de Complexo Gnáissico-Migmatítico (LIMA et al, 1980
in BRANDÃO, 1995) representa o embasamento cristalino, com posicionamento no
Proterozóico Inferior. Em termos geográficos é a unidade que ocupa maior área de distribuição
no âmbito do território das Bacias Metropolitanas.

Litologicamente o Complexo Gnáissico-Migmatítico é definido como uma seqüência constituída


de gnaisses variados, em parte migmatizados, freqüentemente intercalados por níveis quartzíticos

69
(q) e carbonáticos (ca). Observa-se o predomínio de biotita-gnaisses com ou sem muscovita,
anfibólio, granada e sillimanita, muitas vezes servindo de encaixante para sheets de leuco-
ortognaisses, pegmatóides e augen-ortognaisses. Subordinadamente ocorrem corpos anfibolíticos
e calcossilicáticos em jazimentos lenticulares de pequenas dimensões, concordantes com o
bandamento gnáissico.

Os migmatitos ocupam grandes extensões na região de ocorrência do Complexo Gnáissico-


Migmatítico, tendo como áreas de predominância representativas as serras do Juá - Conceição -
Camará e o serrote Bico Fino. Os termos migmatíticas mais comuns são os de estrutura
bandada/dobrada, sendo constatados em menor proporção tipos mais evoluídos mostrando
tendência a homogeneização. Os migmatitos ocorrem, em geral, intimamente associados aos
demais litocomponentes da unidade.

Segundo BRANDÃO (op. cit.), a análise globalizada das rochas deste Complexo mostra a
atuação de processos metamórficos e deformacionais, que em escala regional são compatíveis
com a fácies anfibolito, e uma anisotropia estrutural representada por uma foliação resultante de
deformação dúctil ou plástica em regime de cisalhamento simples.
• Complexo Granitóide Migmatítico (pEgr - mg)
Litologicamente esta unidade é composta por granitóides diversos, migmatitos (diatexitos
dominantes) e gnaisses migmatitícos. Ocorre a sudoeste de Fortaleza, abrangendo as regiões de
Maranguape, Pacatuba e porção norte do maciço de Batutité e apresenta forma ovalada, com o
eixo maior alinhado na direção NE-SW.

Do ponto de vista tectônico, o Complexo Granitóide-Migmatítico constitui-se segundo BRAGA


(1981), numa estrutura do tipo "domo gnáisse-granítico" de Salop (1970), também chamada de
"domos gnáissicos manteados" de Eskola (in: Salop op.cit.), ou "domos migmatíticos" de Mehnert
(1972).

Apresenta litotipos foliados na periferia, desde gnaisses e gnaisses migmatizados, até migmatitos
metatexíticos, e núcleos granitóides nas porções centrais. A passagem de uma fácies para outra é
gradual, com perda de foliação dos gnaisses e migmatitos gnáissicos, para estruturas de fluxo e
difusas dos migmatitos diatexíticos, até a homogeneização franca nos núcleos centrais, onde as
rochas se enriquecem de uma blastese potássica, que propicia a formação de litotipos de
composição próxima dos granitos.

Os contatos com as unidades circunjacentes são bruscos quando com os sedimentos do Grupo
Barreiras, que recobrem discordantemente a porção setentrional da área de ocorrência, e
transicionais ou tectônicos, ou eventualmente bruscos, quando em contato com as rochas do
Complexo Gnáissico-Migmatítico. Nos contatos transicionais, ocorre quase sempre uma faixa
marginal onde se observa a mudança de rochas amplamente foliadas para aquelas mais
migmatizadas.
• Grupo Ceará (pEce)
Litologicamente, o Grupo Ceará é formado por uma seqüência ectinítica parametamórfica onde,
na base estão os constituintes de natureza clástica, seguidos de representantes pelíticos, clástico-
pelíticos e o horizonte carbonático no topo.

70
Ocorre como faixas estreitas e alongadas que representam estreitas e alongadas sinclinais,
concordantes com a estrutura regional. Seus contatos com as rochas circundantes são normais,
nítidos e retilíneos. Outra característica desta unidade é o quartzito basal apresentar a morfologia
de cristas alongadas em apenas um dos flancos das sinclinais.

As exposições desta unidade na área das Bacias Metropolitanas estão representadas por duas
regiões: a seqüência que ocorre entre Boqueirão de Cesário e Ibicuitinga, margeando o limite da
bacia do Piranji, formando a serra do Félix, e a situada a sul de Redenção representada pela serra
de Ubirajara, ambas alinhadas segundo a direção NE-SW.

Os clásticos basais, sob a atuação do metamorfismo regional, originaram quartzitos bem


recristalizados, com laminação pronunciada, muscovíticos, de coloração creme amarelada, com
espessuras delgadas, constituindo excessão a ocorrência de Boqueirão de Cesário, onde estes
apresentam-se excepcionalmente mais espessos (10m).

Entre as litologias pelíticas predominam os xistos, de cor cinza-escura, granulação média a


grossa, englobando na base leitos filitosos. Os metassedimentos de origem clástico-pelítica são
os mais espessos, no contexto do Grupo Ceará, sendo representados pelas fácies cianita -
moscovita - biotita -gnaisses - granadíferos, gnaisses quartzo-feldspáticos, moscovita - biotita -
gnaisses e biotita-gnaisses. Na parte superior dos gnaisses, ocupando o topo da seqüência
parametamórfica do Grupo Ceará, ocorre um horizonte carbonático representado por calcário
cristalino. Eventualmente podem ocorrer lentes calcossilicáticas.

Com base nas associações litológicas do Grupo Ceará, verifica-se um quadro mais ou menos
uniforme no que se refere ao grau de metamorfismo, porém separados em fácies de alto
(ocorrência de Redenção) e baixo graus (ocorrência de Boqueirão de Cesário).
• Complexo Independência (pEi)
O Complexo Independência ocorre no setor sudoeste da região estudada, a leste de Choró,
formando a serra do Estevão. Apresenta na sua extremidade ocidental, contato tectônico marcado
por falhamento de empurrão.

Constitui uma seqüência parametamórfica composta basicamente de biotita - gnaisses,


hornblenda-biotita-gnaisses e moscovita-biotita-gnaisses granadíferos, com intercalações de
lentes anfibolíticas e de calcário cristalino.

Os biotita-gnaisses são de coloração cinza clara, com granulação de fina a média, textura
gnáissica, representada por alternância de finos leitos claros e escuros. Os hornblenda-biotita-
gnaisses apresentam coloração cinza esverdeada, granulação fina a média, e constituição
quartzo-feldspática e hornblenda-biotítica, formando rochas compactas, com foliação
proeminente e laminação acentuada. Por sua vez, os moscovitas-biotita-gnaisses granadíferos, de
cor cinza clara, apresentam foliação proeminente, granulação média, com intercalações felsicas e
márficas de espessuras variáveis.
• Rochas Plutônicas Granulares
Na área das Bacias Metropolitans as rochas granulares estão representadas por granitóides (pEg),
que englobam as rochas graníticas, granodioríticas e afins, e gabróides que reúnem dioritos (pEd)
e ultrabasitos (pEud).

71
Os granitóides constituem os corpos plutônicos ácidos, estando distribuídos em várias
ocorrências na área estudada. No setor centro-sul do território das Bacias Metropolitanas ocorre
um corpo granitóide de forma elipsoidal, alinhado segundo a direção NE-SW, representado pela
Serra Azul, cujo contato com o Complexo Gnáissico-Migmatítico é nítido. A borda oriental do
granitóide Serra Azul dista 1,5 km da falha de Senador Pompeu, apresentando indícios de
deformação tectônica, como deslocamentos e quebramentos dos componentes minerais. A rocha
aflorante é leucocrática, maciça, de granulação média a grosseira, sendo formada por quartzo,
feldspato e biotita. Merece destaque, ainda, o corpo granitóide de Itaitinga, constituído por
granito mesocrático, de granulação média, estrutura isotrópica a incipientemente foliada,
encerrando enclaves gnaissificados de composição diorítica.

Encaixando na seqüência do Complexo Gnáissico-Migmatítico, ocorre o corpo ultrábasico


(pEub) do serrote Manoel Gonçalves, próximo à borda oeste da serra de Maranguape. Apresenta
forma elipsoidal, estando alinhado grosseiramente segundo a direção N-S. Trata-se de um
piroxenito, com aspecto maciço, coloração escura e granulação média.

Outra ocorrência de rochas básicas que se destacam na região são os diorítos (pEd),
representados principalmente pela Pedra Aguda, localizada a leste de Capistrano. De formato
elipsóidal, apresenta o eixo maior orientado segundo a direção N-S e concordante com as
estruturas regionais. Litologicamente é composta predominantemente por dioritos, dioritos
gnáissicos e representantes locais de granito gnáissico e aplito. A leste do povoado de Caio
Prado, no município de Itapiúna, constata-se outro corpo básico de forma ovalada, com eixo
maior orientado na direção E-W, o qual apresenta contato transicional com as rochas
encaixantes. De textura homogênea ou gnáissica e granulação média a grossa, apresenta litologia
variada, desde rochas félsicas (leuco-granito) a ultramáficas (espessartito). Observa-se o
predominio da fácies hiperstênio-diorito, com andesina, hiperstênio, biotita, hornblenda básica e
augita.
• Vulcanismo Alcalino (Tal)
A maioria dos corpos vulcânicos alcalinos existentes na região das Bacias Metropolitas, ocorrem
encaixados no Complexo Gnáissico-Migmatítico, constituindo exceção os serrotes Ancuri e
Cararu, os quais encontram-se circundados por sedimentos do Grupo Barreiras. São
representados pelos litotipos classificados como fonolitos, tranquitos, tufos e essexitos,
ocorrendo sob a forma de "diques" ou "necks".

Os "necks" apresentam formato circular a elipsoidal, sendo representados pelos serrotes Preto, Japarara,
Ancuri, Cararu, Salgadinho e Pão de Açúcar, com destaque para os dois últimos por exibirem forma
característica de cones vulcânicos, com presença de diques associados ao corpo central. Os diques de
rocha alcalina, muitos dos quais não podem ser mapeados dado a dimensão reduzida, ocorrem com
maior freqüência concordantes com a estrutura regional, alinhados segundo a direção NE-SW,
preenchendo zonas de fraturamento de tensão das rochas encaixantes.

NASCIMENTO et al (1981) estudaram geocronologicamente as rochas dos serrotes Cararu,


Ancuri, Salgadinho, Japarara e Pão de Açúcar, obtendo datações Rb/Sr e K/Ar que as
posicionavam com idade em torno de 34 milhões de anos. Estudos anteriores mostram que essas
rochas alcalinas representam uma importante fase de reativação da Plataforma Sul-Americana,
vinculadas a zonas de fraqueza que se estenderiam desta região até o arquipélago de Fernando de
Noronha e o Atol das Rocas.

72
• Diques Ácidos (pEda)
São agrupadas nesta unidade todas as rochas tabulares de caráter ácido a hiperácido sob a forma
de diques e veios, geralmente não cartografáveis na escala do mapeamento. São constituídos por
granitos, pegmatitos e veios quartzosos, que apresentam controle estrutural, estando associados
ao preenchimento de fraturas, e, em geral, dispostos discordantemente à foliação regional.
Aparecem com maior evidência cortando as litologias do Complexo Gnáissico-Migmatítico e do
Complexo Granítico-Migmatítico, apresentando espessuras variáveis.

Os diques graníticos são, geralmente, de coloração cinza clara ou creme, com granulação fina a
média, formando matacões quando intemperizados, devido a fraturas subperpendiculares a sua
orientação. Os veios de quartzo, de caráter hiperácido, formam cristas alongadas e finas, de
coloração creme ou branca leitosa, apresentando-se bastante fraturados. Os pegmatitos são
esbranquiçados, aparentemente estéreis, de composição basicamente quartzo-feldspática, com ou
sem presença de muscovita.

2.4.2. Áreas com Tradição em Eventos Sísmicos

A análise do panorama sismotectônico da Região Nordeste revela uma maior concentração de


sismos nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, onde os abalos ocorrem em áreas de rochas
do embasamento e nas áreas próximas ao litoral onde se iniciam as rochas sedimentares das
bacias costeiras. Entretanto, verifica-se que os sismos nordestinos dificilmente atingem
magnitude 5 na escala Richter (Quadro 2.14) (COGERH, 2000).

No Ceará, especificamente, já foram identificadas quatro regiões com tradição em eventos


sísmicos na zona nordeste do estado, todas situadas no território das Bacias Metropolitanas:
Cascavel (Pitombeiras), Ibaretama, Pacajus e Palhano. Dessas regiões, Pacajus foi a que
apresentou eventos de maior magnitude, chegando a atingir em 1980, 5,2 graus na escala Richter
e intensidade VII na escala Mercalli. Foram, também, registrados sismos de magnitudes
significativas nas regiões de Groaíras, Irauçuba, Hidrolândia, Aiuaba e Pereiro, fora da área ora
em estudo. O Quadro 2.15 mostra a relação dos sismos com magnitudes superiores a 4,0 mb
ocorridos no Estado do Ceará (COGERH, 2000).

Quadro 2.14. Distribuição dos Sismos no Nordeste, segundo a Magnitude (mb ≥ 3,0)
Magnitude Anos
dos Sismos 1801/ 1821/ 1841/ 1861/ 1881/ 1901/ 1921/ 1941/ 1961/ 1981/
1820 1840 1860 1880 1900 1920 1940 1960 1980 1996(*)
(mb)
3,0 - - - - - 1 2 3 8 5
3,1 - - - - - - - - 3 5
3,2 - - - 1 - - - - 3 2
3,3 - - - - - 1 - - - 2
3,4 - - - 1 - 1 - - 3 4
3,5 - - 1 - 1 2 - - 6 2
3,6 - - - - - 1 1 - 4 2
3,7 - - - 1 - 3 - - 5 1
3,8 1 - - - - 1 - - 2 5
3,9 - - - - - 2 - 1 7 -
4,0 - - - - - 2 1 - - -
4,1 - - - - - 3 - - 1 -
4,2 - - - - - - - - - -
73
Magnitude Anos
dos Sismos 1801/ 1821/ 1841/ 1861/ 1881/ 1901/ 1921/ 1941/ 1961/ 1981/
1820 1840 1860 1880 1900 1920 1940 1960 1980 1996(*)
(mb)
4,3 - - - - - 1 - - 1 2
4,4 - - - - - - - - - -
4,5 - - - - - 1 - - - -
4,6 - - - - - - - - 1 -
4,7 1 - - - - 1 - - 1 -
4,8 1 - - - - 1 - - - -
4,9 - - - - - - - - - -
5,0 - - - - - - - - - -
5,1 - - - - - - - - - -
5,2 - - - - - - - - 1 -
Fonte: (Berrocal, J. et alli, Sismicidade do Brasil. São Paulo, IAG/USP, 1984., apud COGERH (2000)) (Ferreira, J.M., Sismicidade
do Nordeste do Brasil. Tese de mestrado. São Paulo, IAG/USP, 1983, apud COGERH (2000)) (RBGf, ESB/UNB e CAI/UFRN,
Boletins Sísmicos, apud COGERH (2000))
(*) Excluindo o ano de 1983.

Quadro 2.15. Relação dos Sismos com Magnitude mb ≥ 4,0 ocorridos no Estado do Ceará
Magnitude Intensidade
Localidade Data Observações
(mb) (MMI)
Baturité 02/1903 3,9 - 3 sismos
Baturité 02/1903 4,1 VI 2 sismos
Maranguape 24/11/1919 4,5 IV -
Aracati 14/04/1928 4,0 VI -
5 sismos (janeiro a
Pereiro 1968 3,9-4,5 V-VII
março)
Beberibe 03/1974 - V vários sismos
Ibaretama 12/03/1977 3,9 - -
Pacajus 20/11/1980 5,2 VII -
Cascavel (Pitombeiras) 22/04/1995 3,8 VI -
Fonte: (Ferreira, J.M., Sismicidade no Rio Grande do Norte in Simpósio sobre Sismicidade Atual em João Câmara (RN). Rio de
Janeiro, 1986.p.32-48., apud COGERH (2000)) Defesa Civil do Ceará.

Quanto à ocorrência de eventos sísmicos isolados na área do estudo, há registro de ocorrência de


atividades sísmicas nos municípios de Caucaia, Palmácia, Redenção, Beberibe, Baturité,
Maranguape, Ibaretama, Morada Nova e Aracoiaba.

Tendo, em vista a ocorrência de áreas com tradição em eventos sísmicos na região, torna-se
imperativo por ocasião do planejamento de obras hidraúlicas, especificamente no caso de
reservatórios de grande porte, avaliar os riscos de ocorrência de sismicidade induzida.

74
2.4.3. Recursos Minerais

Segundo o Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000), o


território das Bacias Metropolitanas conta com 460 lavras/depósitos minerais registrados ou
cadastrados por este órgão. Destas, apenas 23,7% são representadas por depósitos minerais, sendo as
demais constituídas por lavras, dos quais 48,7% estão com situação regularizada perante os órgãos
competentes, 39,6% operam de forma clandestina e 11,7% estão desativadas.

Dentre os depósitos minerais com registro de pesquisa no DNPM, merecem destaque os minerais
industriais (calcário-19, grafita-07, mica-05, talco-03, feldspato-03, titânio-03, manganês-01,
ilmenita-01, rutilo-01 e tantalita-01) com 44 requerimentos ao todo; as rochas (granito-12, gnaisse-
07, mármore-02, quartzito-02, sienito-01 e diorito-01), com 27 requerimentos; as pedras ornamentais
com 13 requerimentos, dos quais 92,3% são de quartzo e apenas 7,7% de berilo, e as rochas alcalinas
com 10 requerimentos (fonolito-07 e traquito-03).

As lavras de areia grossa; argila; areia vermelha; minerais industriais, com destaque para o
calcário; areia branca; diatomito; pedra britada e saibro, são as mais representativas. Merece
menção, no entanto, o fato de 87,5% das lavras de diatomito encontrarem-se desativadas face ao
baixo preço alcançado pelo produto no mercado. Com menor representatividade aparecem as
lavras de rochas (gnaisse, granito e grabo, com destaque para o primeiro), água mineral, rochas
alcalinas (fonolito e traquito) e pedras ornamentais (ametista).

Causa preocupação, o fato de 70,7% das lavras de areia grossa e 67,1% das lavras de argila,
principais minérios explotados na região, operarem de forma clandestina, não sendo submetidas
a nenhum controle por parte dos órgãos competentes, o que implica em elevados riscos de
degradação ambiental.

Quanto à distribuição geográfica das lavras/depósitos minerais no território das Bacias


Metropolitanas, esta apresenta a seguinte configuração:
− Água Mineral - As sete fontes, todas regularizadas, distribuem-se pelos municípios de
Fortaleza, com registros na Bacia do Cocó/Coaçu (02) e FLED (01); Pacoti e Eusébio, na
Bacia do Pacoti com uma fonte cada; Aquiraz na Bacia do Catu (01); e Guaramiranga na
Bacia do Choró, onde há o registro de uma explotação de água potável de mesa. Os
depósitos minerais ocorrem nos municípios e Aquiraz (01), na Bacia do Malcozinhado; e
Pacajus (02) e Guaramiranga (01), na Bacia do Choró. Estão relacionadas aos aquíferos
costeiros (Dunas) e a meios fraturados do Complexo Gnáissico-Migmatítico;
− Areia - Ocorrem em diversos pontos ao longo do território das Bacias Metropolitanas,
formando concentrações econômicas nas planícies aluvionares dos principais eixos de
drenagem (rios Choró, São Gonçalo, Pacoti, Ceará e Cocó) e de alguns tributários, nos
depósitos eólicos (dunas antigas e recentes) nos domínios do Grupo Barreiras. Os
jazimentos aluvionares são constituídos e areias variando de fina a grossa, com coloração
creme a acinzentada, enquanto que nas dunas apresentam granulometria fina a siltosa,
bem selecionadas, com cor esbranquiçada nas dunas recentes e avermelhada na
paleodunas. As areias do Grupo Barreiras, também, apresentam coloração avermelhada.
Quanto à tipologia, são classificadas como areias branca, vermelha e grossa cujas
distribuições no território das bacias é a seguinte:
• Areia Branca: As 31 estrações identificadas, encontram-se distribuídas pelos municípios
de Fortaleza, com 8 lavras regularizadas e duas clandestinas na Bacia do Cocó/Coaçu;

75
Eusébio, com seis lavras regularizadas e duas clandestinas, todas situadas na Bacia do
Cocó/Coaçu; e Caucaia, com 7 lavras regularizadas e duas clandestinas na Bacia do
Ceará/Maranguape, duas lavras clandestinas na Bacia do Cauhipe e uma lavra, também,
clandestina na FLED; ƒ Areia Vermelha: As 38 estrações, todas regularizadas,
distribuem-se pelos municípios de Aracoiaba (16) e Choró (11) na Bacia do Choró;
Caucaia (01) e Pentecoste (02) na Bacia do São Gonçalo; Fortaleza com duas
explorações na Bacia do Cocó/Coaçu e outra na FLED; Chorozinho na Bacia do Pirangi
com três explorações, além de Horizonte na Bacia do Malcozinhado, e Caucaia na Bacia
do Cauhipe, com uma exploração cada;
• Areia Grossa: As 65 extrações clandestinas estão distribuídas pelos municípios de
Aquiraz (09), Guaiúba (03) e Itaitinga (01) na Bacia do Pacoti; Maracanaú (06) e
Pacatuba (03) na Bacia do Cocó/Coaçu; Caucaia, com 13 lavras na Bacia do
Ceará/Maranguape, 09 na Bacia do São Gonçalo e 08 na do Cauhipe; e Aquiraz, onde
ocorrem 11 lavras na Bacia do Catu e duas na FLED. As lavras com situação
regularizada, por sua vez, ocorrem nos municípios de Cascavel (06) e Beberibe (01) na
Bacia do Choró; São Gonçalo do Amarante (03), Maranguape (06) e Caucaia (01) na
Bacia do São Gonçalo; Pacatuba (02) e Aquiraz (01) na Bacia do Cocó/Coaçu; Aquiraz
(03) e Guaiúba (01) na Bacia do Pacoti; Caucaia e Fortaleza, com uma lavra cada, na
Bacia do Ceará/Maranguape e Aquiraz com uma lavra na FLED;
− Argila - Ocorre em abundância na maioria das planícies aluvionares dos principais eixos
de drenagem da região, notadamente nos rios Pirangi, Choró, Pacoti, São Gonçalo e
Cauhipe, bem como no entorno de diversas lagoas. Predominam as argilas de cor creme-
avermelhada, constituídas, principalmente, por argilo-minerais do grupo caulinita, as
quais são utilizadas na indústria da cerâmica vermelha. A grande maioria das lavras de
argila são praticadas de forma clandestina, estando distribuídas pelas bacias dos rios
Pacoti, com 10 explotações informais em Guaiúba e seis em Aquiraz; Cocó/Coaçu, com
duas extrações clandestinas no Eusébio, duas em Maracanaú, além dos municípios de
Fortaleza e Aquiraz com uma extração irregular cada; Ceará/Maranguape com cinco
lavras em Caucaia, uma lavra em Fortaleza e outra em Maracanaú; São Gonçalo que
apresenta cinco lavras clandestinas em Caucaia, e duas em Maranguape. Além destas, o
município de Caucaia conta com cinco explotações irregulares na Bacia do Cauhipe, três
na Bacia do Juá e uma na do Gereraú, enquanto que o município de Aquiraz conta com
quatro lavras informais na Bacia do Catu. Minerações paralisadas são observadas nos
municípios de Aquiraz com duas lavras abandonadas na bacia do Cocó/Coaçu, uma na do
Pacoti e outra na FLED, e Caucaia com uma lavra desativada na Bacia do São Gonçalo.
As lavras com situação regularizada distribuem-se pelos municípios de Aquiraz, onde
constata-se sete lavras dispostas nas bacias do Cocó/Coaçu, Caponga Roseira, FLED e
Pacoti, esta última bacia com quatro explotações; Beberibe e Cascavel na Bacia do Choró
com duas lavras cada; Fortaleza, Maracanaú e Pacatuba, na Bacia do Cocó/Coaçu, com
quatro lavras, das quais 50,0% estão locadas neste último município; e São Gonçalo e
Caucaia na Bacia do São Gonçalo, com quatro lavras ao todo, das quais três estão
situadas no território da primeira bacia. Os depósitos de argila, por sua vez, estão
distribuídos pelas bacias do Cocó/Coaçu, com Fortaleza e Aquiraz contando com um
depósito cada e Pacatuba com dois; Choró e Catu com um único depósito cada,
registrados nos municípios de Beberibe e Aquiraz, respectivamente, e FLED com o
registro de dois depósitos de argila em Aquiraz;
− Saibro ou piçarra - A maioria das lavras (82,3%) localizam-se na Bacia do Cocó/Coaçu,
estando as clandestinas situadas nos municípios de Eusébio, com duas lavras, e no de
76
Pacatuba com três lavras, enquanto que as regularizadas ocorrem nos municípios de
Fortaleza (07), Itaitinga (01) e Pacatuba (01). A Bacia do Pacoti conta com duas lavras
operando de forma clandestina no município de Aquiraz, e as bacias do
Ceará/Maranguape e FLED, com uma única lavra, ambas localizadas no município de
Caucaia, sendo uma regularizada e a outra clandestina. As ocorrências de piçarra estão
geralmente associadas aos sedimentos do Grupo Barreiras;
− Pedra britada - Envolve vários tipos petrográficos como granitos, migmatitos e gnaisses
diversos. Com ocorrência concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza, as pedreiras
localizam-se em área de excelentes exposições, em relevos serranos ou colinosos, tais
como na serra de Maranguape e no serrote de Itaitinga, entre outros. As lavras
regularizadas distribuem-se pelos municípios de Caucaia (01), Maracanaú (01) e
Maranguape (03), na Bacia do Ceará/Maranguape; Itaitinga (01) e Pacatuba (02) na Bacia
do Cocó/Coaçu; Itaitinga na Bacia na Bacia do Pacoti com seis lavras, e Caucaia com
duas lavras na Bacia do Juá e três na Bacia do Cauhipe. Operando clandestinamente,
foram identificadas três lavras em Itaitinga, na Bacia do Pacoti, e uma em Maranguape,
na Bacia do Ceará/Maranguape;
− Diatomito - São comuns nas lagoas e córregos próximos à linha da costa, tendo utilização
na fabricação artesanal de tijolos e na produção de filtrantes, isolantes e cargas
industriais. A desordenada expansão urbana da Região Metropolitana de Fortaleza tem
provocado o aterramento de várias lagoas que, muitas vezes, encerram significativas
reservas desta substância. Os depósitos minerais desta substância com registro no DNPM
estão restritos a três ocorrências no município de Beberibe na FLED. As três lavras em
atividade, todas regularizadas, estão distribuídas pelos municípios de Pacajus na Bacia do
Choró e Paracuru e Aquiraz, na FLED, com uma lavra cada. Por sua vez, as lavras
abandonadas ocorrem nos municípios de Aquiraz, distribuídas pelas bacias do Catu (01),
Caponga Roseira (01) e FLED (07), e Caucaia, nas bacias do Cauhipe e Juá com uma
lavra cada, Ceará/Maranguape com duas e FLED com seis lavras paralisadas;
− Rochas Alcalinas - Englobam os traquitos, cujas ocorrências concentram-se na localidade
de Sítios Novos, em Caucaia, e os fonolitos que ocorrem sob a forma de necks vulcânicos
e diques, nos municípios de Caucaia, Eusébio e Itaitinga, estando associados aos serrotes
Japarara, Preto, Salgadinho, Poção, Pão de Açúcar, Cararu, Ancuri e a Serra das Danças.
Os fonolitos são utilizados como brita e na indústria cimenteira, por conterem uma
considerável quantidade de matérias fundentes. Dois depósitos de traquitos e a lavra
regularizada ocorrem no território da Bacia do São Gonçalo, sendo constatado, ainda, um
depósito desta substância no município de Acarape, na Bacia do Pacoti. Por sua vez, os
depósitos de fonolitos todos situados no município de Caucaia, estão distribuídos pelas
bacias do Ceará/Maranguape (02), Cauhipe (01) e São Gonçalo (04), enquanto que as três
lavras, todas regularizadas, ocorrem nas bacias do Cocó/Coaçu, sendo uma em Itaitinga e
a outra no Eusébio, e do Pacoti com uma lavra no Eusébio;
− Pedras Ornamentais - Englobam ocorrências de quartzo, berilo e ametista, as quais
ocorrem encravadas em veios pegmatíticos com formas, tipos e dimensões variadas, e em
veios que se formam por instrusões silicosas em zonas fissuradas das rochas pré-
existentes como é o caso das ametistas. A maioria dos depósitos de quartzo (80,0%), ou
seja, 12 ocorrências, estão vinculadas à área pegmatítica de Itapiúna, na Bacia do Choró,
e os outros três ocorrem no município de Beberibe, na Bacia do Pirangi. O único depósito
de berilo com registro no DNPM está locado no município de Beberibe, na Bacia do

77
Pirangi, enquanto que a lavra de ametista, cuja explotação encontra-se regularizada,
ocorre no município de Cascavel, na Bacia do Choró;
− Minerais Industriais (calcário) - Com produção destinada basicamente para a fabricação
de cal, cimento, tinta, corretivos do solo e carbonato de cálcio natural, tem suas áreas de
lavras ativas, todas regularizadas, distribuídas pelos municípios de Acarape (04) e
Redenção (07), na Bacia do Pacoti. Áreas com atividades minerárias paralisadas são
verificadas nos municípios de Maranguape (04), na Bacia do São Gonçalo; Pacatuba
(01), na Bacia do Pacoti; e Caucaia, onde se constata a presença de lavras abandonadas
nas bacias dos rios Ceará/ Maranguape (02), Cauhipe (02) e São Gonçalo (03). Os
depósitos minerais com registro no DNPM distribuem-se pelos municípios de Acarape
(04) e Redenção (13) na Bacia do Pacoti, bem como em Caucaia, na Bacia do
Ceará/Maranguape, e Choró, na bacia homônima com um depósito cada;
− Minerais Industriais (Caulim, Talco e Manganês) - O caulim, com produção voltada,
principalmente, para a fabricação de azulejos e cerâmica conta com duas lavras
regularizadas, situadas nos municípios de Cascavel e Guaramiranga, na Bacia do Choró.
O talco com uma lavra clandestina e duas desativadas no município de Guaiúba (Bacia
do Pacoti), conta, ainda, com uma lavra regularizada e um depósito mineral em Baturité
(Bacia do Choró), e com dois depósitos em Caucaia (Bacia do Ceará/Maranguape). O
manganês, por sua vez, conta com duas lavras regularizadas no município de Ocara, na
Bacia do Pirangi, e com um depósito mineral com requerimento de pesquisa em Guaiúba,
na Bacia do Pacoti;
− Minerais Industriais (Feldspato, Grafita, Rutilo, Tantalita e Titânio) - Os depósitos
minerais dessas substâncias encontram-se distribuídos pelos territórios das bacias do
Pacoti, com um depósito de rutilo em Acarape; do Choró com três depósitos de feldspato,
sendo dois em Itapiúna e um em Guaramiranga, e sete de grafita em Itapiúna; e do
Pirangi, com um depósito de tantalita em Ocara. O titânio com ocorrências restritas ao
município de Paracuru, conta com um depósito na Bacia do São Gonçalo e os outros dois
na FLED;
− Minerais Industriais (Mica e Ilmenita) - As extrações de mica na Bacia do Pirangi são
efetuadas através de duas lavras garimpeiras no município de Cascavel, e uma lavra
regularizada em Ocara, ocorrendo, ainda, um depósito mineral desta substância em
Cascavel. Constata-se, também, uma lavra regularizada de mica em Cascavel, na Bacia
do Choró. A ilmenita conta com apenas uma lavra regularizada no município de Caucaia,
na Bacia do Cauhipe, e um depósito em Paracuru, Bacia do São Gonçalo; Rochas
(Quartzito, Migmatito, Diorito, Mármore e Sienito) - Os depósitos minerais dessas
substâncias com requerimentos de pesquisa junto ao DNPM distribuem-se pelas bacias
do Choró, que conta com uma ocorrência de migmatito em Itapiúna e outra de sienito em
Chorozinho; São Gonçalo, com dois depósitos de quartzito, um de diorito e um de
migmatito, todos locados no município de São Gonçalo do Amarante; e Pacoti, com dois
depósitos de mármore em Redenção;
− Rochas (Granitos, Gnaisses e Gabros) - As minerações destes tipos de rochas distribuem-
se pelos municípios de Caucaia, na Bacia do Cauhipe, onde constata-se a presença de
duas lavras clandestinas de gnaisse; Cascavel, na Bacia do Malcozinhado, também com
uma lavra clandestina de gnaisse; Maranguape e Itaitinga, na Bacia do Pacoti, com uma
lavra de gnaisse cada, estando a primeira com situação regularizada e a outra desativada;
Aracoiaba, com duas explotações de granito na Bacia do Pirangi, ambas com situação
regularizada e Chorozinho, na Bacia do Choró, com uma lavra regularizada de gabro.
78
Quanto aos depósitos minerais, São Gonçalo do Amarante conta com três depósitos de
granito na Bacia do São Gonçalo; Caucaia conta com quatro ocorrências de gnaisse na
Bacia do Cauhipe e outras duas na Bacia do Sistema Ceará/Maranguape, enquanto que
Maranguape conta com um depósito degnaisse na Bacia do Ceará/Maranguape. Os
depósitos de granito, por sua vez, distribuem-se pelos municípios de Redenção e
Guaiúba, na Bacia do Pacoti, com uma ocorrência cada; São Gonçalo do Amarante, na
Bacia do São Gonçalo com quatro ocorrências; Itapiúna e Chorozinho, na Bacia do
Choró, com um depósito cada, e Caucaia, na Bacia do Juá, também, com apenas um
depósito com requerimento de licença no DNPM (COGERH, 2000).
2.5. Geomorfologia

A compartimentação do relevo do território das Bacias Metropolitanas é representada, basicamente,


por cinco domínios geomorfológicos: Planície Litorânea, Glacis Pré-Litorâneos dissecados em
interflúvios tabulares, Depressão Sertaneja, e Maciços Residuais, cujos limites são estabelecidos com
base na homogeneidade das formas de relevo, posicionamento altimétrico, estrutura geológica,
atividade tectônica, bem como nas características do solo e vegetação.

Apresenta-se a seguir uma breve descrição dos diferentes domínios geomorfológicos que ocorrem no
território das Bacias Metropolitanas, cuja distribuição pode ser visualizada Mapa 2.6.
• Planície Litorânea
Compreende os campos de dunas, as praias e as planícies flúvio-marinhas. As dunas formam
cordões quase contínuos que acompanham paralelamente a linha de costa, sendo interrompidos,
vez ou outra, por planícies fluviais e flúvio-marinhas, por falésias, ou ainda por promontórios
constituídos por litologias mais resistentes (pontas do Mucuripe e do Pecém). As dunas móveis
ou recentes são caracterizadas pela ausência de vegetação e ocorrem mais próximo à linha de
praia, onde a ação dos ventos é mais intensa. Podem também apresentar um recobrimento
vegetal pioneiro, que detém ou atenua os efeitos da deflação eólica, tornando-as fixas ou semi-
fixas. Quanto a morfologia, geralmente esses corpos apresentam feições de barcana, e em forma
de meia lua, com declives suaves a barlavento, contrastando com inclinações mais acentuadas
das encostas protegidas da ação dos ventos. Geometrias lineares também são identificadas para
esses depósitos.

As falésias são formadas por camadas argilosas do Grupo Barreiras na base, capeadas por
sedimentos eólicos variados, que se projetam até a linha da praia, aparecendo como exemplos
mais notáveis as falésias das praias do Morro Branco e das Fontes. No contato das duas
unidades, emergem pequenas fontes d'água perenes que abastecem as populações locais. O
trabalho de solapamento das falésias pelas ondas é bem significativo em vários trechos da costa,
cujas escarpas festonadas só ficam inteiramente expostas durante a baixa-mar.

A retaguarda das dunas recentes, especificamente nas bacias do São Gonçalo, Gereraú, Cauhipe,
Catu, Caponga Funda e FLED, observam-se gerações de dunas mais antigas, alcançando alturas
superiores a 10m, as quais apresentam desenvolvimento de processos pedogenéticos, resultando na
fixação de um revestimento vegetal de maior porte. Morfologicamente, exibem feições típicas de
dunas parabólicas, com eixos alinhados aproximadamente segundo a direção E-W, refletindo a
predominância dos ventos que sopram do quadrante Leste. Para o interior, mostram-se rebaixadas ao
nível dos tabuleiros pré-litorâneos (Grupo Barreiras), apresentando formas dissipadas em algumas
áreas.

79
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Espelhos d’Água
Rios Margem Dupla
Rios Margem Simples

Escala
1:900.000

Projeção Universal Transversa de Mercator


Datum: SAD 69 - Zona:24

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.6:
GEOMORFOLOGIA
Os campos de dunas são responsáveis pelo barramento de algumas drenagens que possuem
descargas deficientes, provocando a obstrução dos vales costeiros, impedindo assim que os
cursos d’água atinjam diretamente o oceano, resultando na formação a montante, de típicas
lagoas de barragem, ou desviando com frequência as embocaduras em relação ao curso original
para o mar.
As praias formam um depósito contínuo, alongado por toda a extensão da costa, desde a linha de
maré baixa até a base das dunas móveis. Observa-se a presença de beach rocks aflorando em
diversos trechos da costa (praias do Ideal, Iguape e Sucatinga, entre outras), ao longo das zonas
de estirâncio e de arrebentação, os quais funcionam como barreiras naturais, protegendo as praias
dos efeitos da erosão marinha.
A linha da costa é via de regra retificada, sendo identificados dois setores onde as feições
litorâneas são dotadas de maior homogeneidade: no setor a leste da ponta do Mucuripe, observa-
se um litoral retilinizado e com direção SSE-NNO, sendo a ponta do Iguape o único acidente a
interromper a retificação, sem contudo mudar a direção da costa. As dunas ocupam
extensivamente a área, provocando em determinados pontos o represamento das águas e a
formação de pequenas lagoas. Da ponta do Mucuripe para oeste, o litoral tem direção SE-NO,
com amplas enseadas e presença de dunas que penetram para o interior ocupando faixas de até 4
km. A drenagem tem o fluxo dificultado, divagando através de canais sinuosos sendo,
ocasionalmente, obstruída formando lagoas à retaguarda das dunas.
As planícies flúvio-marinhas são ambientes formados pela deposição de sedimentos
dominantemente argilosos e ricos em matéria orgânica, onde se desenvolve a vegetação de
mangue, sendo caracterizadas pela ação conjunta de processos continentais e marinhos. No
território das Bacias Metropolitanas, as planícies flúvio-marinhas estão associadas aos rios
Ceará/Maranguape, Cocó/Coaçu, Pacoti, Choró e Pirangi, e a algumas lagoas costeiras que
apresentam contato temporários com o mar sendo denominados de "lagamar".
• Glacis Pré-Litorâneos
Os glacis pré-litorâneos são formados pelos sedimentos pertencentes ao Grupo Barreiras, que
distribuem-se como uma faixa de largura variável que acompanha a linha de costa por trás dos
depósitos eólicos antigos e atuais. Formam relevos tabulares, dissecados por vales alongados e
de fundo chato, com cotas altimétricas baixas e suave inclinação em direção ao mar, sendo
conhecido como tabuleiros. Na costa, apresentam-se cobertos pelos cordões de areias, e no
interior limitam-se por uma linha de escarpa de contorno extremamente irregular, com desníveis
pequenos em relação a depressão periférica.
Constata-se a presença de testemunhos isolados da faixa principal dos tabuleiros, recortados pela
erosão fluvial. Originalmente formavam uma superfície contínua, bem mais ampla que os limites
atuais, elaborada a partir da coalescência de leques colúvios-eluviais, numa época em que o nível do
mar era mais baixo do que o atual, permitindo o recobrimento de uma extensa plataforma.
Nesta unidade as associações de solos são caracterizadas pela dominância de Podzólicos
Vermelho Amarelos e Areias Quartzosas, recobertos por vegetação secundária de porte arbóreo-
arbustivo.
As planícies fluviais são, dentre as áreas de acumulação, as que abrigam as melhores condições de
solo para exploração agrícola e de disponibilidade hídrica, constituindo-se, portanto, em zonas de
diferenciação geo-ambiental no contexto dos sertões semi-áridos. Na região do embasamento

81
cristalino, os cursos d’água formam depósitos aluvionares estreitos, enquanto sobre a zona pré-
litorânea, à medida em que entalham os sedimentos do Grupo Barreiras, as faixas de acumulação
tornam-se mais expressivas. No território das bacias ora em estudo, destacam-se as planícies fluviais
dos rios Pirangi, Choró e Pacoti, como as mais significativas.
• Depressão Sertaneja
Este domínio geomorfológico é o que ocupa maior extensão de área no âmbito do território das
Bacias Metropolitanas, constituindo exceção as bacias do Catu, Caponga Funda, Caponga
Roseira, Malcozinhado, Uruaú e FLED, as quais se desenvolvem exclusivamente sobre o
embasamento sedimentar. Corresponde a uma superfície de aplainamento, desenvolvida sobre as
rochas cristalinas, onde o trabalho erosivo truncou indistintamente variados tipos litológicos. A
morfologia da Depressão Sertaneja é representada por extensas rampas pedimentadas que se
iniciam na base dos maciços residuais e se inclinam suavemente em direção aos fundos de vales
e ao litoral. Verifica-se a predominância de uma topografia plana ou levemente ondulada.
As associações dos solos são bastante diversificadas, normalmente rasos ou medianamente
profundos, com grande incidência de afloramentos rochosos e pavimentos detríticos. A
vegetação é típica dos sertões semi-áridos, onde predomina a caatinga, com seus padrões
fisionômicos e florísticos heterogêneos.
• Maciços Residuais
A monotonia das formas planas a suavemente onduladas da Depressão Sertaneja, vez por outra é
interrompida pela forte ruptura de declive das serras e morros residuais. Esses relevos são
constituídos, dominantemente por rochas granitíco-migmatíticas e gnáissicas e foram formados a
partir da erosão diferencial que rebaixou as áreas circundantes, de constituição litológica
gnáissica e migmática menos resistente. Apresentam-se dissecados em feições de colinas, relevos
tabulares e em forma de inselbergs.
No território das Bacias Metropolitanas destacam-se as serras de Baturité, Maranguape,
Aratanha/Pacatuba, Juá/Conceição e Camará, que atingem níveis altimétricos da ordem de 350 a
800m. Elas caracterizam-se por apresentar condições de umidade bastante elevadas nas vertentes
voltadas para o mar, onde o intemperismo químico é predominante, favorecendo o
desenvolvimento de solos do tipo Podzólico Vermelho Amarelo, que sustentam uma cobertura
vegetal de grande porte, formada por floresta plúvio-nebular (matas úmidas). A serra de
Aratanha dentre todas os outros maciços residuais é o que preserva maior extensão de floresta
nativa. Nos setores de sotavento, as condições ambientais são mais agressivas, sendo o
intemperismo físico o principal processo modelador da paisagem. Nessas vertentes secas,
observa-se o desenvolvimento de uma vegetação arbórea, intermediária entre a caatinga e a
floresta plúvio-nebular (matas secas). As outras elevações, de menor representatividade espacial
e altimétrica, possuem condições ambientais que se assemelham mais com as características
físicas das superfícies rebaixadas do sertão, sendo denominadas de serras secas.

2.6. Hidrogeologia

A caracterização hidrogeológica será realizada a partir dos dados e informações secundárias


constantes em documentos diversos constantes no Capítulo 1 (Levantamento e análise dos
estudos anteriores), não tendo sido realizados levantamentos de campo.
Em termos regionais, nas Bacias Metropolitanas podem ser definidos quatro (04) Sistemas
Hidrogeológicos representados pelos Aluviões, Dunas/Paleodunas, Barreiras e rochas do
82
Embasamento Precambriano que podem, no geral, ser também posicionados como Domínios
Hidrogeológicos, ou seja, Domínio Poroso Clástico (Aluviões, Dunas/Paleodunas e Barreiras) e
Fissural (Embasamento Pré-Cambriano representado pelas rochas do Complexo Gnáissico,
Migmatítico e Corpos Igneos).
As Dunas/Paleodunas constituem um único sistema hidrogeológico, geralmente aqüífero, em
função das características litológicas e hidrodinâmicas similares, impossibilitando uma nítida
distinção em nível regional.
Neste Projeto foi utilizado o Arquivo de Dados gerado para o Projeto “Pacto das Águas”
(INESP, 2009) que possui 17.964 poços, sendo 16.019 tubulares e 1.945 escavados (cacimbas),
além de 05 fontes naturais. Ressalta-se que o referido cadastro foi composto a partir dos dados
do SIAGAS – Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (CPRM-REFO), FUNCEME,
SOHIDRA, COGERH, DNOCS, FUNASA, SDR e empresas privadas.
A definição dos domínios hidrogeológicos a partir do conhecimento dos aspectos geológicos,
associados à distribuição dos poços, é visualizada no Mapa 2.7 onde se percebe nitidamente a
concentração de poços nos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza, particularmente
em Fortaleza, e com a maior distribuição espacial no eixo costeiro São Gonçalo do Amarante –
Cascavel e ao longo do eixo Norte – Sul (Fortaleza – Ocara).
A análise da evolução da construção de poços (Figura 2.11) mostra que, predominantemente,
esta prática evoluiu a partir da década de 70, crescendo a partir da década de 80. Isto é explicável
pela consolidação dos aspectos qualitativos das águas subterrâneas perante o usuário, associados
ao custo da obra de captação e a necessidade causada pelos momentos de escassez hídrica
decorrentes dos fatores climáticos e redução da oferta hídrica pelos órgãos responsáveis em
períodos críticos.
Apesar do cadastro possuir 17.964 poços, sendo 1.945 escavados, também comumente
denominados “amazonas”, 6.528 não possuem dados referente ao ano de construção. Porém,
pelos dados expostos e conhecidos, e a julgar pela evolução dos métodos de perfuração e
investimentos na construção de poços tubulares, acredita-se que o quadro mantém-se
independente da ausência deste número de dados ausentes.

Figura 2.11. Evolução temporal da construção de poços nas Bacias Metropolitanas - CE

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GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
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Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.7: SISTEMAS HIDROLÓGICOS


E DISTRIBUIÇÃO DE POÇOS
Os dados de distribuição de poços por município nas Bacias Metropolitanas, segundo
CORDEIRO et al., 2009 (in INESP, 2009), mostram que Fortaleza é o que detém o maior
número (50,67%) (9.104 poços, sendo 8.097 tubulares e 1.007 escavados), seguido de Caucaia
(11,64%) (2.020 poços, sendo 1.774 tubulares e 246 escavados) e Aquiraz (7,60%) (1.367
poços, sendo 1.243 tubulares e 124 escavados), todos inseridos na Região Metropolitana de
Fortaleza.

Quanto à profundidade dos poços, 77,78% daqueles cadastrados possuem este dado. A Figura 2.12
mostra que existe uma predominância de poços tubulares com profundidade superior a 50m (37%) –
classificados como “Poços Profundos”, seguidos de poços de 21 a 50m (36%) – “Poços
Medianamente Profundos” e, finalmente, poços com profundidades inferiores a 20m (27%) – “Poços
Rasos”. Ressalta-se que, aqui, não foram considerados os poços denominados de “escavados”,
construídos manualmente e geralmente com profundidades inferiores a 20m.

A predominância de poços tubulares com profundidades inferiores a 50m (63%) pode ser explicada
pelo significativo número de poços existente em Fortaleza e faixa costeira, onde predomina o
Domínio Hidrogeológico Poroso Clástico, com um nível estático freático (Profundidade inferior a
15m) e pequena cobertura clástica sedimentar, geralmente inferior a 50m.

Figura 2.12. Profundidade (m) dos poços nas Bacias Metropolitanas – CE

2.6.1. Domínio Hidrogeológico Cristalino (Fissural)


Nas Bacias Metropolitanas o embasamento cristalino domina espacialmente (63%) e é
representado, predominantemente, por um Complexo Gnáissico-Migmatítico e rochas graníticas.
Regionalmente, este meio possui fraca vocação aqüífera e esta característica irá influenciar
sensivelmente nas vazões dos poços locados neste meio, quando os melhores locais para a
locação de poços são condicionados pela existência de zonas cisalhadas, com fraturas abertas e
associadas, preferencialmente, a reservatórios hídricos superficiais que poderão constituir fontes
de recarga. É comum se observar a associação do cristalino com áreas de planícies fluviais e
flúvio-marinhas, e nessas regiões a existência de carnaubais é um forte indicativo da existência
de águas subterrâneas salinas.

85
Normalmente, os poços tubulares construídos neste contexto possuem profundidades variáveis
de 30 a 80m, predominando de 50 a 60m. Pelos dados do cadastro de poços se observam poços
com profundidades acima de 60m, chegando a ultrapassar 100m, e tais obras podem ser
resultados de perfurações que atravessam o Barreiras e adentram ao Cristalino, sendo tal
processo praticado quando não se conhece as características de subsuperfície ou quando se
perfura para captar água de fraturas mais profundas detectadas por estudos geofísicos.
CORDEIRO et al., 2009 (in INESP, 2009) mostram que a análise dos dados de 3.008 poços
tubulares neste contexto revelam que, em relação à profundidade, 94,22% dos poços têm esta
informação, refletindo uma média de 56,60m e 55,54% dos poços possuem profundidade maior
ou igual a 60m.
O nível estático oscila, predominantemente, entre 5,1 e 10,0m (35,4%), seguido dos intervalos de
valores inferiores a 5,0m (32%) e de 10,1 a 15,0m (18,8%) resultando, desta forma, na
caracterização de um nível estático freático (inferior a 15m) predominando com 86,2%
(Figura 2.13). Observa-se que o nível estático nos poços escavados predomina a profundidades
inferiores a 5,0m (83,2%) e, em sua totalidade nos dados apresentados, situa-se até 15,0m de
profundidade, ou seja, com comportamento maior similar aos dos poços tubulares.

Figura 2.13. Nível estático (m) nos poços do Domínio Hidrogeológico Fissural das Bacias
Metropolitanas - CE
Em relação às vazões neste sistema hidrogeológico, CORDEIRO et al., 2009 (Op. Cit.) mostram
que em 74,2% (2.232) dos poços tubulares avaliados a vazão média é de 2,9 m³/h, enquanto que
as vazões superiores a 2,0 m³/h ocorrem em 50,5% dos poços e, aquelas inferiores a 0,50 m³/h
em 16,4%.

Na Figura 2.14 observa-se que a vazão inferior a 3,0 m³/h predomina em 70,2% dos poços e
somente em 29,8% deles supera tal valor, alcançando valores acima de 7,0 m³/h em 9,6% deles.
Tais valores são compatíveis àqueles observados no Sistema Hidrogeológico Cristalino cearense,
ressaltando-se o fato de que, em função de maior índice pluviométrico associado a faixa costeira,
existe a probabilidade de maior recarga, otimizando o percentual de vazões acima de 3,0 m³/h
comparativamente ao sertão central cearense.

86
Figura 2.14. Vazão (m³/h) nos poços do Domínio Hidrogeológico Fissural das Bacias
Metropolitanas - CE
No âmbito da Região Metropolitana de Fortaleza - RMF, CAVALCANTE (1998) mostrou que
os poços tubulares neste contexto possuíam profundidades variáveis de 30,0 a 80,0m,
predominando de 50,0 a 60,0m. O nível estático ocorria, predominantemente, entre 0,7 e 15,0m
(96,3%), com mínimo de 0,7m, máximo de 47,0 m e média de 6,0 m. As vazões predominantes
ocorriam geralmente abaixo de 2,0 m3/h, com máxima de 22,6 m3/h, e a capacidade específica
era normalmente inferior a 1,0 [(m3/h)/m].

2.6.2. Domínio Hidrogeológico Poroso

O Domínio Hidrogeológico Poroso será subdividido no âmbito das Bacias Metropolitanas em


Sistemas Hidrogeológicos Aluvionar (Aluviões), Dunas-Paleodunas e Barreiras, termos
representativos dos sedimentos clásticos que ocupam predominantemente a área do projeto.

Infelizmente, o Arquivo de Poços utilizado não possui a compartimentação do Domínio


Hidrogeológico Poroso em Sistemas Hidrogeológicos, individualizando os poços construídos nas
Dunas-Paleodunas e Barreiras. Inúmeras vezes este trabalho exige o conhecimento detalhado do
perfil técnico-construtivo do poço, nem sempre apresentado pelas empresas e muito menos existente
nos arquivos de poços do cotidiano. É extremamente comum a perfuração atravessar mais de um
sistema, particularmente porque o perfurador visa a obtenção de melhores vazões para o cliente e,
assim, o poço passa a captar água de dois ou mais aqüíferos.

Dos 12.911 poços cadastrados neste domínio, 72,6% possuem informações sobre profundidade,
com uma média de 37,6 m, ressaltando-se que 86,6% deles têm profundidade máxima de 60,0 m.
Deste total de poços, 41,5% possuem dados para vazão, refletindo a média de 3,74 m³/h, sendo
que em 58,3% dos casos a vazão é superior a 2,0 m³/h (CORDEIRO et al., 2009 (in INESP,
2009).
2.6.2.1. Sistema Hidrogeológico Aluvionar

As planícies fluviais ocupam as bordas de drenagens diversas existentes nas Bacias


Metropolitanas, quase sempre com pequenas espessuras do pacote clástico e caracterizadas pela
variação de níveis de sedimentos, onde a energia de transporte e a rocha-fonte fazem com que
coexistam desde a argila até matacões, predominando as frações argila, silte e areia,

87
freqüentemente intercalados com níveis orgânicos oriundos da migração de partículas das zonas
de mangue.
As aluviões não são praticamente utilizadas para captação de água subterrânea nas Bacias
Metropolitanas, particularmente na RMF, salvo exceções em comunidades ribeirinhas que as
utilizam através de cacimbas. Nos municípios de Fortaleza e Maracanaú, as águas subterrâneas
das aluviões dos rios Cocó e Maranguapinho estão seriamente comprometidas pela poluição
derivada de esgotos domésticos e industriais, raramente permitindo a utilização de suas águas
para fins de consumo humano.
Constituem aqüíferos livres, com espessuras de sedimentos oscilando de poucos a até 15 metros
e nível estático sub-aflorante, geralmente inferior a 5,0m (Figura 2.15), não existindo dados
hidrodinâmicos no âmbito das Metropolitanas.
CORDEIRO et al., 2009 (in INESP, 2009), através da análise dos dados de 100 poços no
ambiente aluvionar, mostram que a profundidade média dos poços é de 6,8m, sendo que 99%
deles não alcançam os 10m e que somente 26% têm dados de vazão, revelando vazão média de
9,6 m³/h, mas ressaltando que em 88,5% dos poços a vazão é superior a 3,1 m³/h (Figura 2.16).

Figura 2.15. Figura 2.15. Nível estático (m) nos poços do Sistema Hidrogeológico
Aluvionar das Bacias Metropolitanas – CE

88
Figura 2.16. Vazão (m³/h) nos poços do Sistema Hidrogeológico Aluvionar das Bacias
Metropolitanas – CE
2.6.2.2. Sistema Hidrogeológico Dunas/Paleodunas

Ocupa pequenas áreas bordejando a orla costeira, adentrando um pouco mais ao continente nos
setores central - município de Fortaleza, e a oeste - município de São Gonçalo do Amarante,
formando campos morfologicamente homogêneos, recortados ocasionalmente pela rede de
drenagem e possibilitando a existência de lagoas interdunares.
É composto por pacotes de areias pouco consolidadas e extremamente homogêneas, finas a
médias, com diâmetro efetivo predominando entre 0,15 a 0,25 mm e espessuras oscilando, no
geral, entre 10 a 25m. Ocasionalmente ocorrem intercalações de níveis síltico-argilosos a
argilosos oriundos da própria variação da energia de deposição dos clásticos, e a presença de
intercalações de argilas orgânicas, de tonalidades escuras. No geral, repousam sobre os
sedimentos do Sistema Hidrogeológico Barreiras ou sobre manchas aluvionares.
Este sistema é representado por um aqüífero livre, com espessuras saturadas oscilando de poucos
a até 10,0m, apresentando um nível estático normalmente freático, sub-aflorante nas áreas de
descarga, predominando as profundidades até 5,0m (Figura 2.17). Possui como característica
básica uma dupla função hidrogeológica, refletida no funcionamento do sistema como aqüífero
principal e aqüífero de transferência do potencial hídrico para unidades sotopostas, a exemplo do
Barreiras.

89
Figura 2.17. Nível estático (m) no Sistema Hidrogeológico Dunas - Paleodunas das Bacias
Metropolitanas - CE
Em termos de vazões, constitui o melhor potencial hidrogeológico das Bacias Metropolitanas,
predominando vazões acima de 3,0 m³/h (48,8%) e, destas, 29,3% acima de 7,0 m³/h
(Figura 2.18).

Figura 2.18. Vazão (m³/h) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico Dunas-
Paleodunas das Bacias Metropolitanas – CE
As características hidrodinâmicas médias obtidas através de testes de aqüíferos e de produção
para diversos campos de Dunas/Paleodunas operados pela CAGECE constam no Quadro 2.16.
Refletem aspectos relacionados as variações litológicas, que denotam a maior ou menor presença
de níveis síltico-argilosos e variação da espessura saturada (CAMPOS & MENEZES, 1982).

90
Quadro 2.16. Valores médios do Aqüífero Dunas em municípios das Bacias
Metropolitanas – CE
N0 de Q K (m/s) x
Local Município T (m2/h) ho (m)
Testes (m3/h) 10-4
Cocó Fortaleza 135 6,0 2,50 6,98 7,7
Pecém Pecém 22 2,4 1,40 3,88 7,7
S. Gonçalo S. Gonçalo 09 8,7 1,00 4,32 12,0
Beberibe Beberibe 62 2,4 0,73 2,37 9,0
Fonte: Campos & Menezes, 1982 (apud COGERH, 2000)
Legenda: Q – Vazão do poço; K – Condutividade hidráulica; T – Transmissividade; ho – Espessura saturada.

CAVALCANTE (1998) mostra que as águas deste sistema hidrogeológico na RMF são captadas
por poços tubulares rasos com profundidades inferiores a 20,0m, que produzem vazão média de
6,0 m3/h podendo alcançar, localmente, até 15 m3/h. Estudos hidrogeológicos através de
sondagens prospectivas realizados para a CAGECE nos campos de dunas da Abreulândia –
Fortaleza objetivando a explotação de água potável para abastecimento público, revelaram uma
espessura média de sedimentos de 11,0m e espessura saturada oscilando de 4,3 a 9,3m, e os
poços (Profundidade média de 11,6m) construídos demonstram uma elevada vocação aqüífera
para este sistema, com vazão média de 9,3 m3/h, máxima de 13,0 e mínima de 5,9 m3/h,
refletindo valores elevados para o campo de Abreulândia, comparativamente ao do Cocó (vazão
média de 6,0 m3/h) - município de Fortaleza, ou a outros campos dunares próximos a RMF, a
exemplo de Pecém e Beberibe, ambos com vazão média de 2,4 m3/h (PLANAT, 1978 e 1984).

2.6.2.3. Sistema Hidrogeológico Barreiras

O Sistema Hidrogeológico Barreiras possui espessuras normalmente inferiores a 60,0m,


predominando de 40,0 a 50,0m, apresentando uma expressiva variação litológica representada por
intercalações de níveis arenosos, sílticos e síltico-argilosos que refletem diferentes condutividades
hidráulicas, tanto vertical quanto horizontalmente. Localmente constitui um aqüífero livre, com
características regionais de semi-confinamento em função dos níveis silto-argilosos.

O nível estático encontrado nos poços tubulares é predominantemente freático, inferior a 15,0m
(88,8%), com mínimo de 1,0 m e máximo de 35,0 m, enquanto nos poços escavados
predominam (70,5%) valores inferiores a 5,0m (Figura 2.19). Suas águas são captadas por poços
com profundidades predominando entre 40,0 – 60,0m e diâmetro de 6”.

As vazões predominantes são inferiores a 3,0 m3/h (60,4%), porém, localmente, podem
apresentar vazões bem superiores, chegando a 17,0 m3/h (Figura 2.20). Existem poços secos
neste contexto, em função dos níveis extremamente síltico-argilosos que ocorrem no sistema
(CAVALCANTE, 1998).

91
Figura 2.19. Nível estático (m) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico Barreiras
das Bacias Metropolitanas – CE

Figura 2.20. Vazão (m³/h) nos poços tubulares do Sistema Hidrogeológico Barreiras das
Bacias Metropolitanas – CE
Em projeto desenvolvido na Região Metropolitana, BIANCHI et al. (1984) estimaram para
a condutividade hidráulica um valor de 1,8 x 10 -6 m/s, refletindo mais as características de
um aqüitarde. CAVALCANTE (1998) estimou em 15,0m a espessura média saturada deste
sistema hidrogeológico, mostrando que o nível estático das águas subterrâneas ocorriam
predominantemente a profundidades inferiores a 15,0m (90,8%) (mínima de 1,0m, máxima
de 35,0m e média de 8,6m), sendo captadas por poços tubulares de 40,0 a 60,0m de
profundidade que produziam vazões predominantes inferiores a 2,0 m 3/h (40,5%), com
média de 2,8 m3/h.

2.7. Solos

O Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000) descreveu os


solos das bacias metropolitanas, baseando-se nos trabalhos existentes que serviram de fontes dos
dados, listados a seguir:
− SEARA – Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária, Zoneamento Agrícola do Estado
do Ceará, 1982;
− PROJETO RADAM, Levantamento de Recursos Naturais 1973;
92
− MA/DNPEA – SUDENE/DRN, Levantamento Exploratório – Reconhecimento de Solos
do Estado do Ceará, 1973;
− SRH - Secretária dos Recursos Hídricos, Programa Estadual de Irrigação, 1988;
− FUNCATE – Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco para o Nordeste
Setentrional, Estudos de Inserção Regional, Análise Prospectiva da Irrigação – VBA
Consultores, 1998.
Segundo COGERH (2000), o trabalho proposto seria de caráter generalista enquadrando-se
tecnicamente no nível de levantamento compilatório de solos. Objetivava, também, a identificação e
estudo dos solos existentes nas Bacias Metropolitanas, compreendendo a distribuição das áreas, um
estudo sintético das principais características, bem como sua classificação.

Tendo em vista o nível generalista do mapeamento, deve-se ressaltar, que é de se esperar obter
do mesmo, uma visão global dos diversos solos existentes nas Bacias Metropolitanas, elemento
básico essencial para planejamentos regionais, escolha de áreas prioritárias que justifiquem
levantamentos de solos mais detalhados e seleção de áreas para implementação de projetos
agrícolas. Não deveria ser considerado, portanto, como a solução final do processo de
identificação de solos de glebas específicas, constituídas por pequenas propriedades.

Os delineamentos das unidades de mapeamento estão precisos na medida em que o nível dos
diversos estudos consultados permite, em função da escala empregada e do alcance dos detalhes
utilizados nos trabalhos, elaborados por diferentes entidades. Há que se considerar que em zona
de clima semi-árido é muito grande a heterogeneidade, complexidade no arranjamento e variação
dos solos dentro de uma pequena área. Em razão disso, é relativamente alto o grau de inclusões
dentro de cada uma das unidades de mapeamento, ocorrendo em alguns casos inclusões de
manchas de solos de relativo potencial agrícola no âmbito de unidades de solos com baixíssimo
ou nenhum potencial agrícola. O inverso também ocorre, com inclusões de solos sem nenhum
potencial agrícola no interior de unidades de mapeamento com elevado potencial para
exploração agrícola.

Baseando-se nessas premissas, pode-se considerar que na análise dos diversos estudos de
solos, em quaisquer níveis, para quantificação das áreas destinadas à exploração com
agricultura irrigada, bem como, de outras atividades interligadas à irrigação, é importante
observar os mais diferentes conceitos e parâmetros emitidos pela Pedologia para que se possa
alcançar resultados, senão reais, mas que possam retratar valores estimativos aproximados.

A legenda de identificação dos solos predominantes nas áreas das Bacias Metropolitanas tem um
caráter eminentemente generalizado em função do tipo de mapeamento executado (levantamento
a nível de reconhecimento), do arranjo intrincado dos solos nas associações e da presença de
inclusões não facilmente detectáveis no âmbito da unidade de mapeamento.

Levando em conta esses aspectos, a legenda de solos foi elaborada formando unidades de
mapeamento constituídas por até quatro componentes ou tipos de solos. A composição das
associações de solos foi elaborada da seguinte maneira: em primeiro lugar figura o componente
de maior importância sob o ponto de vista de extensão, seguindo em ordem decrescente,
respectivamente, o segundo, o terceiro e o ultimo componente. Em função do primeiro
componente, as associações são enquadradas nas diferentes classes de solos.

93
As principais unidades de mapeamento com potencial são listadas a seguir:

− LVe – LATOSSOLO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO podzólico A fraco e


moderado textura arenosa/média, fase caatinga hipoxerófila relevo plano;
− LAd – LATOSSOLO AMARELO DISTRÓFICO podzólico A fraco textura
arenosa/média, fase caatinga hipoxerófila;
− PVa – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO ÁLICO Tb abrúptico
textura arenosa/média + AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS, ambos A fraco, fase
caatinga hipoxerófila relevo plano e suave ondulado;
− PVd3 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
textura arenosa/média + REGOSSOLO DISTRÓFICO com fragipan, ambos A fraco, fase
caatinga hipoxerófila relevo plano e suave ondulado;
− PVd4 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
abrúptico textura arenosa/média + AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS, ambos A
fraco, fase caatinga hiperxerófila relevo plano e suave ondulado;
− PVd5 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
textura arenosa/argilosa, + PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
abrúptico plíntico textura arenosa/argilosa, ambos A moderado, fase floresta/caatinga
relevo plano e suave ondulado;
− PVd6 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
textura argilosa, fase floresta subcaducifolia e floresta/caatinga + PODZÓLICO
VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO abrúptico plíntico textura arenosa/argilosa e
média, fase floresta subcaducifolia e floresta/caatinga + PODZÓLICO VERMELHO
AMARELO EUTRÓFICO Tb textura argilosa, fase floresta subcaducifolia + AREIAS
QUARTZOSAS DISTRÓFICAS fase floresta/caatinga, todos A fraco e moderado fase
relevo plano e suave ondulado;
− PVd8 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO DISTRÓFICO Tb
abrúptico plíntico textura arenosa/argilosa + LATOSSOL VERMELHO AMARELO
DISTRÓFICO textura média + PODZÓLICO ACINZENTADO DISTRÓFICO Tb com
fragipan textura média + AREIAS QUARTZOSAS, todas A fraco e moderado, fase
caatinga hipoxerófila e floresta/caatinga relevo plano e suave ondulado;
− PE3 – PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO Tb A moderado textura
média/argilosa, fase floresta caducifolia relevo plano e suave ondulado;
− PE7 – PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO Tb A moderado textura
média/argilosa, fase caatinga hipoxerófila relevo suave ondulado;
− PE11 – PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO Tb abrúptico A fraco e
moderado textura arenosa/argilosa, fase caatinga hipoxerófila relevo plano e suave
ondulado;
− PE15 – PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO Tb latossólico A fraco
textura média/argilosa, fase floresta caducifolia relevo plano e suave ondulado;
− PE17 – Associação de: PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO Tb
relevo plano e suave ondulado + PODZÓLICO VERMELHO AMARELO EUTRÓFICO

94
Tb latossólico relevo plano, ambos A moderado textura média/argilosa, fase floresta
caducifólia;
− Ae1 – SOLOS ALUVIAIS EUTRÓFICOS A moderado textura indiscriminada, fase
floresta caducifolia de várzea relevo plano;
− Ae2 – SOLOS ALUVIAIS EUTRÓFICOS A moderado textura siltosa/média, fase
floresta ciliar de carnaúba e caatinga hiperxerófila de várzea relevo plano;
− Ae3 – SOLOS ALUVIAIS EUTRÓFICOS A fraco e moderado textura indiscriminada,
fase caatinga hipoxerófila de várzea relevo plano;
− Ae4 – Associação de: SOLOS ALUVIAIS EUTRÓFICOS textura indiscriminada +
SOLONETZ SOLODIZADO textura arenosa/média, ambos A fraco, fase caatinga
hiperxerófila de várzea e floresta ciliar de carnaúba relevo plano e suave ondulado;
− AQd1 – AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS A fraco, fase floresta caducifólia;
− AQd2 – AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS A fraco, fase floresta litorânea relevo
plano e suave ondulado;
− AQd3 – AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS A fraco, fase caatinga hipoxerófila
relevo plano e suave ondulado;
− AQd5 – Associação de: AREIAS QUARTZOSAS DISTRÓFICAS A moderado, fase
caatinga hipoxerófila + PODZÓLICO VERMELHO DISTRÓFICO Tb abrúptico plíntico
A fraco textura arenosa/média, fase floresta/caatinga + PODZÓLICO VERMELHO
AMARELO DISTRÓFICO Tb A fraco textura arenosa/média, fase floresta/caatinga,
todos relevo plano e suave ondulado.
2.7.1. Descrição dos Solos

O conhecimento dos solos constitui uma das principais bases nos programas de planejamento
territorial, tornando possível a implementação de ações voltadas para o desenvolvimento da
agricultura irrigada, bem como de técnicas de manejo e conservação dos solos e aumento da
produtividade agrícola. Assim sendo, apresenta-se a seguir uma breve descrição das principais
características dos grandes grupos de solos predominantes no território das Bacias
Metropolitanas, cuja distribuição pode ser visualizada no Mapa 2.8.
• Podzólico Vermelho Amarelo Eutrófico
Ocupam terrenos de relevo variado desde plano até montanhoso e originados a partir de
materiais distintos. São bem desenvolvidos, as vezes rasos, com horizonte B textural, argila de
atividade baixa, média a baixa acidez, e fertilidade natural média a alta. Via de regra são solos
moderadamente drenados, não raro imperfeitamente a bem drenados, com os solos rasos ou com
plinthite apresentando drenagem moderada ou imperfeita.

O horizonte A, frequentemente moderado, possui textura arenosa a franco-argilo-arenosa e


tonalidade bruna a acizentada. A transição para o horizonte B pode ser gradual ou abrupta, sendo
este textural (argiloso), apresentando uma cerosidade variável e a coloração vai desde bruna até
avermelhada. De um modo geral esses solos possuem elevado potencial agrícola, dependendo da
disponibilidade hídrica e das condições de relevo. Dentro dessa unidade ocorrem as variações
cascalhento ou com cascalho, abrúptico e plíntico.

95
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Escala
1:900.000

Projeção Universal Transversa de Mercator


Datum: SAD 69 - Zona:24

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.8:
SOLOS
Com relação ao uso agrícola atual estes solos são, nas áreas onde predomina relevo menos
movimentado, bastante utilizados com milho, feijão, mandioca, algodão e pecuária extensiva.
Para o aproveitamento racional com agricultura, estes solos exigem práticas de conservação
simples nas áreas de relevo suave ondulado e de maior complexidade a medida que o relevo vai
se tornando mais movimentado. Práticas simples de adubação podem ser necessárias. Na maior
parte das áreas ocupadas por estes solos a principal limitação é a falta d'água.

O relevo plano e suave ondulado, que ocorre nos solo potencialmente irrigáveis, favorece o uso
intensivo de máquinas agrícolas, porém cuidados devem ser adotados no que se refere ao tipo de
maquinário e a intensidade das práticas agrícolas, particularmente nos solos com textura
superficial leve, para evitar a ocorrência de erosão.
• Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico
Ocorrem predominatemente na zona pré-litorânea, em relevo plano a suavemente ondulado, ou
na região da serra do Baturité, em relevo forte ondulado a montanhoso. São profundos,
geralmente bem drenados (exceto os de caráter plíntico, que são de moderada a imperfeitamente
drenados), ácidos a moderadamente ácidos, porosos a muito porosos, e de textura variando de
arenosa/média a argilosa. A coloração é muita variada, indo desde tonalidades vermelho-
amareladas até bruno-acizentadas.

O horizonte A mostra-se fraco a moderadamente desenvolvido, com textura arenosa ou média. A


passagem para o horizonte B pode ser difusa ou abrupta, e este exibe coloração entre amarela e
vermelha, sendo que em solos com plintita mostra-se variegado, com abundantes mosqueados. A
textura é argilosa ou média. Dentro desta unidade, destacam-se os tipos abrúptico e plíntico.
Apresentam baixa fertilidade natural e forte acidez, recomendando-se o uso de fertilizantes e a
correção do pH. O uso intensivo de maquinários agrícolas nos solos com textura superficial leve
deve ser evitado, para evitar o desencadeamento de processos erosivos.

Os solos que integram este grupo apresentam-se cultivados com culturas variadas, sobressaindo-
se milho, feijão, mandioca e cajueiro, além se áreas com pastagens naturais destinadas a criação
da pecuária extensiva. Constitui importante limitação ao uso agrícola, além da baixa fertilidade
natural, o longo período de estiagem e a irregularidade na distribuição das precipitações
pluviométricas.
• Podzólico Vermelho Amarelo Álico
Esta classe compreende solos com horizonte B textural, não hidromórficos, com argila de
atividade baixa. São solos, em geral, fortemente ácidos e de baixa fertilidade natural.
Apresentam perfis bem diferenciados, sendo normalmente profundos a muito profundos, com
textura arenosa no horizonte A e média no horizonte B. Apresentam saturação com alumínio
superior a 50% e teor de alumínio extraível superior a 0,3 mE. As cores variam entre vermelho
amarelado e amarelo avermelhado, apresentando estrutura fraca, sendo porosos a muito porosos
e bem a acentuadamente drenados.

Quanto ao uso agrícola verifica-se que o uso destes solos restringem-se às culturas de
subsistência (mandioca, milho e feijão) e pequenos plantios de algodão, destacando-se,
entretanto, como principal cultura o cajueiro. As maiores limitações ao uso agrícola decorre da
baixa fertilidade natural e da forte acidez, sendo necessário, portanto, o uso de corretivos em
quantidades elevadas por hectare. São favorecidos pelo relevo plano a suave ondulado que

97
proporciona totais condições ao uso de máquinas agrícolas. A irregularidade na distribuição das
precipitações pluviométricas constitui, também, forte empecilho ao seu uso agrícola.
• Podzólico Acinzentado
Compreende solos Podzólicos, de coloração acinzentada (predominância do bruno), saturação de
bases baixa e com fragipan. São, portanto, solos com B textural, distróficos, argila de atividade
baixa, fortemente ácidos, fertilidade natural baixa e moderadamente drenados. Apresentam perfis
profundos e bem diferenciados, textura média e o horizonte A apresenta-se fraco ou moderado.

No uso atual destes solos destaca-se a cultura do cajueiro, e em pequena proporção cultivos de
mandioca, milho e feijão. As principais limitações ao uso agrícola decorrem da baixa fertilidade
natural e da acidez elevada, sendo necessário o uso de fertilizantes químicos e orgânicos, bem
como de corretivos para o seu aproveitamento racional. Apresentam regulares condições físicas
que, aliadas às boas condições de relevo (plano a suave ondulado), favorecem ao manejo e a
motomecanização das áreas. São solos com potencial mediano para a agricultura irrigada.
• Areias Quartzosas Distróficas
Distribuem-se na faixa litorânea e pré-litorânea, com maior área de incidência nas bacias do
Pirangi, Choró, Uruaú, Malcozinhado, Caponga Roseira, Caponga Funda e Catu, estando por
vezes associadas as Areias Quartzosas Marinhas e Podzólicos Vermelho Amarelo, ambos
distróficos. São solos profundos a muito profundos, com sequência de horizontes A-C,
excessivamente drenados, forte a moderadamente ácidos, com coloração variando de vermelha
até branca, sendo freqüente as tonalidades amareladas.

Quanto ao uso agrícola atual, estes solos apesar de apresentarem limitações físicas, baixa
fertilidade natural e textura arenosa, são muito aproveitados com a cultura do cajueiro e culturas
de subsistência como a mandioca, milho e feijão. Nas áreas não cultivadas é comum a prática de
uma pecuária extensiva aproveitando para isso a própria vegetação natural.

São solos de fertilidade natural muito baixa, pobres em macro e micronutrientes, ácidos a muito
ácidos, necessitando de fortes doses de calagens para corrigir a acidez, apresentando porém
relevo propicio à mecanização. O aproveitamento agrícola racional destes solos requer doses
elevadas de adubações, inclusive com micronutrientes, que devem ser aplicados de forma
parcelada, em face da textura arenosa dos solos. As adubações orgânicas são muito indicadas.
Apesar das fortes limitações físicas, estes solos poderão ser irrigados apresentando boas
produtividades, quando corrigidas suas deficiências. Prestam-se principalmente para culturas
irrigadas de cajueiro, coqueiro, melão, melancia e mandioca, utilizando-se irrigação localizada
ou microaspersão.
• Areias Quartzosas Marinhas Distróficas
Situam-se na planície litorânea (campos de dunas), constituindo uma estreita faixa que
acompanha paralelamente a linha de costa. São solos de fertilidade muito baixa, profundos a
muito profundos, excessivamente drenados, distróficos e ácidos.

Em geral, o horizonte A é fracamente desenvolvido, de textura arenosa e coloração cinza-escura


a muito escura. Nas áreas mais próximas do mar, onde a ação dos ventos é mais intensa, este
horizonte pode estar ausente. O horizonte C, com características semelhantes ao A, exibe
coloração mais clara, geralmente cinza-clara a bruno-amarelada. São solos que apresentam, sob
vários aspectos, limitações fortes ou muito fortes para o uso agrícola. Não são cultivados.
98
• Planossol e Planossol Solódico
Esses solos ocupam áreas consideráveis nas bacias do Pirangi, Choró, Ceará/Maranguape,
Cauhipe e São Gonçalo, sendo normalmente relacionados ao relevo plano da superfície
pediplanada (Depressão Sertaneja), estando desenvolvidos sobre os litotipos da seqüência
gnáissico-migmatítica. Freqüentemente estão associados a solos halomórficos (Solonetz
Solodizado) e Litólicos Eutróficos. São moderadamente profundos a rasos, moderadamente
ácidos a praticamente neutros, bastante susceptíveis à erosão, imperfeitamente drenados e de
baixa permeabilidade, sofrendo encharcamento durante os períodos chuvosos e fendilhamento
nas épocas secas. As cores dominantes variam de bruno-acinzentado a bruno-escuro, mostrando
também mosqueados e/ou cores de redução devido à drenagem imperfeita. Apresentam teores
elevados de sódio nos horizontes subsuperficiais.

O horizonte A é predominantemente fraco, podendo às vezes ser moderado e com textura


arenosa, enquanto o horizonte B é textural, com argila de alta atividade e de estrutura moderada
a forte. Os fatores limitantes à utilização agrícola são: estrutura colunar ou prismática, soma de
bases trocáveis alta, baixa profundidade efetiva, elevada saturação de sódio, susceptibilidade à
erosão, excesso de água nos períodos chuvosos e ressecamento nas estações secas, com o
horizonte B apresentando condições físicas pouco favoráveis à penetração de raízes. São
fortemente limitados pela falta d'água.

Atualmente a exploração destes solos centra-se no extrativismo da carnaúba, além da pecuária


extensiva suplementada com pastagens naturais. São aproveitados, também, em pequena escala,
com cultura de subsistência.

Do ponto de vista do potencial para exploração com agricultura irrigada, são solos de muito
baixo ou nenhum potencial. O seu aproveitamento preferencial é dirigido para a pecuária com a
implantação e intensificação da utilização de novas forrageiras, introdução do sistema de
capineiras, bem como o emprego de reservas de forragens para o período seco.
• Solonetz Solodizado
Compreende solos halomórficos com horizonte B solonétzico ou nátrico, distinguindo-se por
possuir estrutura colunar ou prismática, e alto teor de sódio nos horizontes subsuperficiais. São
solos rasos a pouco profundos, imperfeitamente a mal drenados e bastante susceptíveis à erosão.

Apresentam mudança textural abrupta do horizonte A para o B. O horizonte A é fraco com


textura arenosa, enquanto que o B possui textura geralmente argilosa. Apresentam cores
acinzentadas e presença de mosqueados ou coloração variegada.

Quimicamente apresentam reação moderada a ligeiramente ácida no horizonte A e neutra a


alcalina nos horizontes subsuperficiais, os quais apresentam, também, elevados valores para
somas de bases trocáveis, saturação de bases e saturação com sódio trocável, principalmente no
horizonte C.

Situam-se em áreas de relevo plano que acompanham os principais eixos de drenagem das bacias
do Pirangi, Uruaú, Choró, Pacoti, Ceará/Maranguape, Cauhipe e São Gonçalo, onde predomina a
vegetação do tipo caatinga hiperxerófila, ocorrendo em menor escala a floresta ciliar de carnaúba
e os campos xerófilos.

99
Apresentam como restrição ao uso agrícola o elevado teor de sódio trocável nos horizontes
subsuperficiais, além de condições físicas muito desfavoráveis ao manejo, grande
susceptibilidade à erosão e escassez d’água no período seco. A exemplo do que ocorre com os
Planossolos Solódicos apresentam, também, problemas de estrutura colunar ou prismática no
horizonte B, soma de bases trocáveis elevadas, baixa profundidade efetiva e encharcamento
durante os períodos chuvosos, e ressecamento/fendilhamento nos períodos de estiagem.

A exploração dos carnaubais nativos constitui o seu aproveitamento mais econômico. Nas áreas
onde o horizonte A é mais espesso observa-se o cultivo do algodão arbóreo, cultura tolerante a
teores médios de sódio, no entanto há fortes limitações quanto ao impedimento à mecanização.
Atualmente a maior parte destes solos não é cultivada, sendo aproveitada com pecuária
extensiva. Verifica-se, também a exploração de pequenos cultivos de subsistência.

Do ponto de vista do potencial para exploração com agricultura irrigada, são solos de muito
baixo ou nenhum potencial. O seu aproveitamento preferencial é dirigido para pecuária com a
implantação e intensificação da utilização de novas forrageiras, introdução do sistema de
capineiras, bem como, o emprego de reservas de forragens para o período seco.
• Solonchak Solonétzico
São solos halomórficos, pouco diferenciados, intermediários para Solonetz, com elevados teores
em sódio trocável, condutividade elétrica do extrato de saturação muito elevada podendo
alcançar valores acima de 200 mmhos nos primeiros centímetros durante o período chuvoso . Em
grande parte são moderadamente alcalinos. São encontrados em áreas baixas (várzeas),
influenciado pelas águas do mar, e derivados de sedimentos fluviais recentes (Holoceno), desde
argilosos até arenosos.

Apresentam seqüência de horizontes ou camadas A e C, com a camada C podendo ser gleyzada


ou não. O horizonte A pouco espesso é, normalmente, seguido de camadas estratificadas (IIC ou
IIC1 , IIIC2 e IVC3 ou IVC3g). Quando não existe o horizonte A formado, encontra-se uma
camada superficial de pouca espessura, resultante de sedimentação bem recente. Por vezes,
encontra-se na camada superficial ou no horizonte A, cristais de sais em forma de agulhas,
misturados à estrutura granular. O horizonte A, quando existente ou quando em forma de
camada, apresenta cores do bruno escuro ao bruno acinzentado e estrutura maciça ou fraca,
pequena, granular . As camadas (C) subjacentes tem coloração variando desde o bruno
amarelado ao bruno acinzentado, ou até mesmo cores bem mais acinzentadas.

Não se prestam para o uso agrícola, em face da elevada salinidade e difícil manejo, requerendo
vultosos investimentos afim de que possam ser dessalinilizados, e isso seria, também,
complicado, em decorrência do clima, visto que a evaporação, na maior parte das áreas, supera a
precipitação pluviométrica.
• Solos Indiscriminados de Mangue
Compreende solos halomórficos indiscriminados, alagados, que se distribuem nas partes baixas
da orla marítima sob influência das marés e com vegetação característica denominada
manguesais. Na área das Bacias Metropolitanas ocorrem nas regiões de baixo curso dos rios
Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó/Coaçu, Ceará/Maranguape e São Gonçalo. Englobam,
principalmente, os Solonchak e os Solos Gley Thiomórficos ou Solos Ácidos Sulfatados.

100
Os Solonchak são solos halomórficos com altos teores de sais diversos, pouco diferenciados, que
apresentam normalmente um horizonte sálico. Os solos Gley Thiomórficos apresentam
horizontes gley, e contem teores de sulfatos e/ou enxofre elementar suficientemente elevados,
podendo causar grande acidificação quando oxidados (após serem drenados), tornando o pH do
solo extremamente baixo. Os Solos Indiscriminados de Mangues são, portanto, solos gleyzados,
não ou muito pouco desenvolvidos, mal a muito mal drenados, com alto conteúdo em sais
provenientes da água do mar e de compostos de enxofre que se formam nestas áreas
sedimentares de baixadas salinizadas .

De uma maneira geral não possuem diferenciação de horizontes, exceto nas áreas marginais,
onde verifica-se o desenvolvimento de um horizonte A. Apresentam textura variável desde argila
até areia. Ocorrem nas desembocaduras de rios, margens de lagoas (lagamares) e partes baixas
da orla marítima sob influência das marés, onde a diminuição da corrente de água favorece a
deposição de sedimentos finos de natureza argilo-siltosa, argilosa e arenosa, em mistura com
detritos orgânicos, ocorrendo, também, material mineral de natureza arenosa . Não possuem
nenhum potencial agrícola, encontrando-se encobertos pela vegetação natural de mangues.
• Solos Aluviais
Constituídos por solos provenientes de deposições fluviais que apresentam apenas um horizonte
superficial A ou Ap, ao qual seguem-se camadas estratificadas sem relação genética entre si, de
composição e granulometria distinta e sem disposição preferencial. São de fertilidade natural
alta, com drenagem moderada a imperfeita, sem problemas de erosão, mas com riscos periódicos
de inundação. São moderadamente profundos a muito profundos. Ocupam as partes de cotas
mais baixas da região, em relevo plano a suave ondulado, possuindo maior expressão geográfica
quando ocorrem ao longo dos rios Pirangi, Choró e Pacoti.

O horizonte A ou Ap é pouco espesso com coloração variando do bruno ao bruno escuro


passando pelas cores mais acinzentadas tipo bruno acinzentado escuro e bruno acinzentado
muito escuro. As texturas são variadas desde arenosas até argilosas; as estrutura é fraca ou
moderada, maciça, blocos angulares e granular. As camadas subjacentes mostram textura que
varia de arenosa, argilosa e até siltosa, com cores normalmente brunadas e mosqueado, por
vezes, abundante nos solos de drenagem mais deficientes. Quanto às propriedades químicas,
apresentam reação desde moderadamente ácida até alcalina, argila de atividade alta, baixa
saturação de alumínio e alta saturação de bases.

São solos de grande potencialidade para a agricultura, não sofrendo maiores restrições ao seu
uso, devendo ser cultivados intensivamente. A principal limitação ao uso agrícola decorre da
falta d’água, face às insuficientes precipitações pluviométricas nas áreas semi-áridas. Há
limitações ao uso de maquinaria agrícola, principalmente nos solos argilosos imperfeitamente
drenados. Além disso, as áreas destes solos estão sujeitas aos riscos de inundações periódicas.

Nas áreas secas, há necessidade de irrigação e drenagem, as quais devem ser conduzidas
rigorosamente de maneira racional, a fim de evitar os riscos de salinização dos solos, haja vista
que os teores de sódio em algumas áreas são significativos.

Nas áreas de ocorrência destes solos, nota-se um aproveitamento agrícola intensivo, em face da
situação que ocupam, ou seja, várzeas de áreas semi-áridas. As culturas encontradas são:
capineira, algodão, milho, feijão, arroz e fruticultura diversificada. O aproveitamento da
carnaubeira no extrativismo vegetal é muito intenso nestas áreas. A fertilidade normalmente alta,
associada ao relevo plano, sem problemas de erosão, propiciam a estes solos condições que
101
permitem uma exploração agrícola intensiva com irrigação, apresentando perspectivas de boa
produtividade e rentabilidade.
• Bruno Não Cálcico
Ocupam extensas áreas de relevo plano a suave ondulado, nos domínios da Depressão Sertaneja,
onde predominam rochas gnáissico-migmatíticas. Normalmente encontram-se associados com
solos Litólicos Eutróficos e Planossolos Solódicos. São rasos ou moderadamente profundos, de
alta fertilidade natural, moderado a imperfeitamente drenados, ácidos a praticamente neutros e
com grande quantidade de minerais primários no perfil. Caracterizam-se, também, pela freqüente
presença de pedregosidade superficial, constituída por calhaus ou matacões caracterizando
aparentemente um pavimento desértico. A erosão laminar nestes solos, muitas vezes chega a ser
severa ou até em sulcos repetidos.

Apresentam horizonte A fraco a moderado, de textura arenosa ou média e coloração bruna


(marrom), enquanto o horizonte B possui estrutura moderada forte, textura argilosa a média e
coloração avermelhada. Dentro deste grupo, há uma variedade vértico que contém teores mais
elevados de minerais de argila do grupo montmorilonita, estrutura prismática e grau de
consistência extremamente duro quando seco.

Em sua maior parte, estes solos são utilizados com pecuária extensiva em meio à vegetação
natural. As culturas mais comumente encontradas são as de algodão, milho e feijão, entre outras
mais freqüentes. Apresentam fortes limitações ao uso agrícola, em particular, à agricultura
irrigada, face aos inúmeros fatores impeditivos: longos períodos de estiagem com distribuição
irregular das precipitações pluviométricas, forte susceptibilidade à erosão, relevo normalmente
movimentado, presença de calhaus ou matações na superfície dos solos, e não raro, a ocorrência
de halomorfia principalmente no horizonte Bt. A utilização com pecuária parece ser a mais
indicada, a partir de pastagens naturais melhoradas, plantio de palma forrageira ou capineiras
irrigadas naquelas áreas que apresentam melhores condições físicas. Quanto às culturas de
subsistência, em regime de sequeiro, deve-se desenvolver variedades de ciclo bem curto que
possam produzir boas colheitas no curto período de chuvas.
• Litólico Eutrófico e Distrófico
São solos pouco desenvolvidos, não hidromórficos, rasos a muito rasos. Apresentam seqüência
de horizonte A - R, onde o horizonte A encontra-se assente diretamente sobre a rocha, ou sobre
materiais primários e blocos de rocha semi-intemperizados (A - C - R). Pode-se verificar em
alguns perfis a formação de um horizonte B incipiente. O horizonte A apresenta-se fraco a
moderado com textura arenosa, média argilosa ou siltosa, normalmente com fase pedregosa e
rochosa, podendo ser eutróficos ou distróficos. Possuem drenagem moderada a acentuada, e são
bastante susceptíveis à erosão, face a sua reduzida espessura.

Apresentam fortes limitações no que se refere à deficiência d’água no período seco e à difícil
mecanização, em face da pequena profundidade dos solos e da pedregosidade/rochosidade
superficial, não se prestando ao uso agrícola.

São geralmente destinados à pecuária extensiva, sendo necessário a introdução de pastagens


artificiais e fazer reserva de forragens para o período seco. Atualmente constata-se nas áreas
onde o horizonte A é mais espesso, pequenos cultivos de subsistência.

102
• Latossol Vermelho Amarelo Eutrófico
Apresentam o horizonte B latossólico, não hidromórficos, possuindo uma dominância das
frações areia e/ou argila e teores de silte normalmente baixos, em decorrência do estágio
avançado de intemperização dos solos. São muito porosos, muito friáveis ou friáveis quando
úmidos, bem a fortemente drenados, normalmente bastante resistentes à erosão em decorrência
da baixa mobilidade da fração argila, do alto grau de floculação e da grande porosidade e
permeabilidade. A coloração varia do vermelho ao amarelo passando por todas as gamas
intermediárias. Apresentam-se, normalmente, muito lixiviados e bastante intemperizados, com
predomínio de sesquióxidos e argila 1:1, quase sempre caulinita, na fração mineral coloidal. São
solos com alta saturação de bases, horizonte A moderado ou fraco e textura arenosa ou média.

São utilizados com pecuária extensiva em meio à vegetação natural, sendo freqüente o plantio de
culturas de subsistência (milho, feijão e mandioca). Constata-se, também, cultivos de algodão e
cajueiro . São, portanto, solos de boas condições físicas com relevo, em sua maior parte, plano a
suave ondulado, muito favorável ao manejo de máquinas agrícolas. Além disso, apresentam
fertilidade natural média, e alumínio trocável praticamente ausente do complexo sortivo,
dispensando quase sempre o uso de calagem. Todavia são limitados fortemente pela falta d’água
em decorrência das baixas precipitações pluviométricas, requerem para o seu uso racional a
adoção de irrigação e de adubações complementares.
• Latossol Amarelo Distrófico
Compreende solos com horizonte B latossólico, não hidromórficos, com predominância das
frações areia e/ou argila com baixos teores de silte, em decorrência do estágio avançado de
intemperização dos solos. São profundos a muito profundos, predominando as transições difusas
e graduais entre os horizontes, de textura arenosa e média, bem a acentuadamente drenados,
susceptíveis à erosão, porosos a muito porosos e muito friáveis. A coloração varia de vermelho
ao amarelo ou ao bruno forte, sendo muito lixiviados e bastante intemperizados, com predomínio
de sesquióxidos e argila do grupo 1:1, normalmente caulinita, na fração mineral coloidal. Estes
solos, são em geral ácidos, com baixa saturação de bases.

O horizonte A apresenta-se freqüentemente fraco e de textura arenosa. A textura do horizonte B é


predominantemente média. Quanto ao uso agrícola, são muito cultivados com culturas de subsistência
(mandioca, feijão e milho) e cajueiro. As maiores limitações ao uso agrícola estão relacionadas à
deficiência de água provocada por um período longo de estiagem; à fertilidade natural, em geral baixa,
exigindo calagens para correção da acidez, e fertilizações químicas e orgânicas para reduzir esta
deficiência e aumentar a produtividade. Podem mostrar alta susceptibilidade à erosão, em função de
sua textura superficial e estrutura física, que favorecem os processos erosivos, quando ocorrem,
principalmente, em relevo com topografia mais movimentada.
• Brunizem Avermelhado
Compreende solos com horizonte B textural, não hidromórficos, argila de atividade alta, horizonte A
erodido, alta soma de bases trocáveis e elevada saturação de bases. Caracteristicamente possuem
nítida diferenciação de horizontes, apresentando grande contraste entre o horizonte A escuro erodido
e o horizonte B de coloração bruno avermelhado a bruno amarelado escuro, freqüentemente com
película de material coloidal (cerosidade) entre os elementos estruturais. São moderadamente
profundos, raramente rasos, moderadamente drenados, bastante susceptíveis à erosão, e com regular
quantidade de minerais primários facilmente decomponíveis no perfil. Apresentam elevada
potencialidade agrícola .
103
Atualmente estes solos são cultivados com algodão, milho e feijão, estando, também, voltados
para a pecuária extensiva. São solos de alta fertilidade natural, moderadamente ácidos a neutros,
com alumínio trocável baixo ou ausente, dispensando normalmente o uso de calagem. As
principais limitações ao uso agrícola decorrem da escassez de água e da susceptibilidade à
erosão, principalmente nas áreas de relevo ondulado, forte ondulado e montanhoso. Pelos fatores
limitantes apresentados, estes solos não são indicados para irrigação, prestando-se mais
comumente para uma agricultura de sequeiro racional, pecuária extensiva ou conservação do seu
habitat natural com a manutenção da fauna e da flora.
• Vertissolo
Compreende solos AC, argilosos a muito argilosos, com alto conteúdo de argila 2:1 (grupo da
montmorilonita), que provoca expansões e contrações da massa do solo, aparecimento de
“slikensides” nos horizontes subsuperficiais e fendilhamento dos solos na época seca, podendo
ou não apresentar microrelevo constituído por “gilgai“. Durante a época chuvosa tornam-se
encharcados, muito plásticos e muito pegajosos, em decorrência da drenagem imperfeita, com
lenta a muito lenta permeabilidade, sendo portanto solos bastante susceptíveis à erosão, apesar de
normalmente apresentarem relevo plano a suave ondulado.

Possuem elevada soma de bases trocáveis, alta saturação de bases, pouco profundos, reação
praticamente neutra ou moderadamente alcalina, imperfeitamente ou mal drenados. A contração
e expansão que se processa no interior dos perfis provoca o deslizamento da massa do solo,
formando superfícies lustrosas, alisadas e estriadas (slikensides), que são inclinadas em relação
ao prumo do perfil. Durante a época seca dá-se a contração da massa do solo, resultando no
aparecimento de fendas que atingem até a superfície e danificam o sistema radicular das plantas.
Através das fendas, materiais da superfície chegam até as partes mais profundas dos perfis. Por
outro lado, no início da época chuvosa dá-se a expansão do solo e os materiais de baixo são
pressionados, podendo eventualmente, serem expelidos para a superfície. Verifica-se, assim, um
verdadeiro auto-revolvimento nestes solos.

Quanto à morfologia, estes solos apresentam seqüência de horizontes A e C. O horizonte A é


fraco a moderado, textura argilosa ou muito argilosa, cores escuras, estrutura em blocos
angulares e subangulares, com fraco grau de desenvolvimento e tamanho variando de pequeno a
grande, raramente prismática. O horizonte C apresenta textura argilosa e muito argilosa, com
cores predominantemente escuras, podendo ou não apresentar mosqueado, estrutura prismática,
fraca ou fortemente desenvolvida, média a grande, com presença característica de “slikenside”,
nítido, moderado ou fortemente desenvolvido.

Atualmente estes solos são mais utilizados com cultura do algodão, constatando-se, também, cultivos
de milho, arroz e raramente feijão. As áreas não cultivadas são utilizadas com pecuária extensiva em
meio à vegetação natural. São solos de elevado potencial agrícola, apresentando, entretanto, no que
diz respeito à irrigação, problemas relacionados com as suas condições físicas, presença de
pedregosidade superficial e não raramente na massa do solo, riscos de halomorfização e de erosão.
São também, em grande parte, limitados fortemente pela escassez de recursos hídricos. Podem ser
explorados intensivamente com pecuária extensiva em meio a pastagens naturais melhoradas ou
capineiras nas áreas que apresentam melhores condições físicas.
• Regossolo Eutrófico
Compreende solos AC, muito arenosos, pouco desenvolvidos (muitas vezes com cascalho ou
cascalhamento), medianamente profundos ou profundos, em geral, com fragipan, apresentando
104
médio a elevados teores de minerais primários facilmente intemperizáveis. O fragipan destes
solos está presente na maioria dos perfis, geralmente situado sobre a rocha subjacente. Constata-
se, também, a presença de fragipan incipiente, em início de formação.

De um modo geral o fragipan apresenta mosqueado, e estrutura tipicamente maciça. As cores


mais freqüentes são bruno claro acinzentado e bruno amarelo claro. São solos cuja drenagem está
em função da profundidade onde se encontra o fragipan e a rocha, podendo variar desde
moderada até excessiva.

Embora possuindo pequenas extensões, estes solos são bastante utilizados com diversas culturas
de subsistência (mandioca, milho, feijão) e com plantios de algodão, cajueiro e mamona. São
bastante utilizados com pecuária extensiva em meio a pastagens nativas. O cultivo racional
destes solos requer, mesmo em regime de sequeiro, controle rigoroso da erosão, bem como
adubações químicas e, principalmente, orgânicas que supram as deficiências de fósforo e
nitrogênio. Deve-se ter em vista também, a forte carência d’água em decorrência do longo
período seco e da irregularidade na distribuição das precipitações pluviométricas. Pelos inúmeros
fatores limitantes apresentados estes solos podem ser considerados como não detentores de
potencial para agricultura irrigada.
• Laterita Hidromórfica
Compreende solos minerais, imperfeitamente drenados, que se caracterizam por apresentar
plinthite (situada imediatamente abaixo do horizonte A), coincidindo com os horizontes Bt e C
(Btpl e Cpl). O plinthite é de coloração variegada, com predomínio de cores avermelhadas e
acinzentadas. São moderadamente a fortemente ácidos, ricos em sesquióxidos e pobres em
matéria orgânica, com dominância de argilas cauliníticas e de minerais de quartzo. São em geral
de baixa fertilidade natural.

O horizonte A é maciço ou com estrutura fraca, de coloração normalmente bruno escuro ou


bruno acinzentado com teores baixos a médios de matéria orgânica. O horizonte Btpl é, em geral,
espesso e tem suas características determinadas pela presença de plinthite,
destacando-se a coloração variegada, estrutura pouco desenvolvida e acentuada compactação
quando seco. As características morfológicas do horizonte Cpl são semelhantes às do Btpl,
diferenciadas essencialmente pelo maior desenvolvimento do plinthite, decréscimos nos teores
de argila e maior quantidade de material semi-intemperizado na massa do solo.

Em decorrência de sua baixa fertilidade natural e más condições físicas, estes solos são raramente
cultivados, sendo aproveitados muito precariamente com pecuária extensiva em meio à vegetação
natural de caatinga. Constata-se, também, o uso incipiente com pequenas lavouras de subsistência
(milho, feijão e mandioca), nas áreas onde o horizonte A se apresenta mais espesso.

São solos bastante susceptíveis à erosão, com horizonte Btpl muito compactado e de baixa
permeabilidade, o que dificulta a penetração das raízes. Além disso são solos de baixa fertilidade
natural e com acentuada acidez. Se cultivados necessitam praticamente de uma recuperação,
envolvendo subsolagem, drenagem e métodos de conservação de solos, além de adubações e
calagens a fim de se obter um solo com algumas condições favoráveis para serem utilizados
racionalmente com agricultura. Em termos de agricultura irrigada estes solos podem ser
considerados como solos de potencial nulo.

105
• Afloramentos de Rocha
Os Afloramentos de Rocha são tipos de terrenos representados por exposições de diferentes tipos
de rochas, brandas ou duras, nuas ou com reduzidas porções de materiais detríticos grosseiros
não consolidados, formando misturas de fragmentos provenientes da desagregação das rochas
com material ferroso, especificamente não classificáveis como solos.

Constituem associações principalmente com os Solos Litólicos e ocorrem, também, como


inclusões em áreas de outros solos. Estes afloramentos de rochas ocorrem principalmente na
zona semi-árida, formando inselbergues e cristas com encostas íngremes, relevo forte ondulado e
montanhoso. Nas superfícies suave onduladas e onduladas, os Afloramentos de Rocha são,
também, encontrados. Estas exposições de rochas são nuas ou apresentam vegetação rala e baixa,
constituindo formações rupestres xerófilas, onde são mais encontrados os representantes das
bromeliáceas, cactáceas, velosiáceas, apocináceas e outras.

2.8. Vegetação

A cobertura vegetal do território das Bacias Metropolitanas é predominantemente constituída


pela caatinga arbustiva densa, a qual se encontra geralmente associada ao domínio do
embasamento cristalino. Nas áreas serranas das regiões de alto curso dos rios Pirangi e Choró
constata-se a presença da caatinga de porte arbóreo, enquanto que na região periférica ao açude
Pompeu Sobrinho ocorre a caatinga arbustiva aberta.

Nos tabuleiros arenosos do Grupo Barreiras, ocupando a região de baixo curso das bacias ocorre a
vegetação de tabuleiros, a qual apresenta-se substituída em grandes extensões de áreas por cultivos
de cajueiro. Na zona praiana, observa-se sobre o cordão de dunas a ocorrência de um capeamento
gramíneo e de várias espécies herbáceas que agem como elementos fixadores se distribuindo de
forma bastante irregular na área. As paleodunas, por sua vez, exibem uma vegetação de porte
arbóreo, sendo representativas nas regiões do Pecém e Iguape.

Nas regiões de baixo/médio curso das bacias dos rios Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó/Coaçu,
Ceará/Maranguape, Cauhipe e São Gonçalo são verificadas nas várzeas dos eixos principais de
drenagem a presença de densos carnaubais. Nas baixadas litorâneas que sofrem a influência das
marés pode ser detectada a presença de manguezais, estando os principais associados aos rios
Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó/Coaçu e Ceará/Maranguape. Os manguezais do rio São Gonçalo
estão praticamente erradicados.

Às regiões serranas de Maranguape, Aratanha, Baturité e Juá/Conceição ostentam nos setores


mais elevados uma vegetação exuberante de porte arbóreo denominada matas úmidas. Ocupando
os níveis inferiores dos citados relevos cristalinos, e portanto, a retaguarda da floresta citada,
encontra-se as matas secas. Esta última formação vegetal recobre, ainda, relevos cristalinos mais
baixo denominados serrotes.

Apresenta-se a seguir uma breve descrição das diferentes tipologias vegetais que ocorrem no
território das Bacias Metropolitanas, cuja distribuição pode ser visualizada no Mapa 2.9.
• Floresta Subperenifólia Tropical Plúvio-Nebular (Matas Úmidas)
Localiza-se nos setores mais elevados das serras de Maranguape, Baturité, Aratanha, Juá e
Conceição. A altitude e a exposição aos ventos úmidos, que favorecem as chuvas orográficas,
são os principais fatores que condicionam a instalação desse ecossistema. As condições de
106
acentuada umidade nas vertentes de barlavento (voltadas para o oceano) determinam a formação
de solos profundos, da classe Podzólico Vermelho Amarelo, favorecendo a fixação desse
revestimento vegetal de grande porte.

Sua composição florística caracteriza-se por árvores que alcançam até 30 m, com espécies que
conservam 75 a 100% das folhas durante o ano. Dentre as espécies dominantes nessa unidade,
destacam-se: babaçu (Orbignya martiana), potumuju (Centrolobium robustum), jatobá
(Himenaea courbaril), tuturubá (Lucuna grandiflora), piroá (Basiloxylom brasiliensis) etc.
• Floresta Subcaducifólia Tropical Pluvial (Matas Secas)
Recobre os níveis inferiores (meia encosta) e vertentes de sotavento dos relevos acima citados,
assim como dos serrotes que se distribuem no território das Bacias Metropolitanas. Ocorre em
setores de declividade média a alta, com solos rasos, do tipo Litólico, onde os afloramentos
rochosos são frequentes e a temperatura é mais elevada do que no ambiente da floresta úmida.
Essas características são mais marcantes nas encostas voltadas para oeste (sotavento), onde o
intemperismo físico é o principal processo modelador da paisagem.

Trata-se de uma cobertura vegetal de porte arbóreo, intermediária entre floresta úmida e caatinga
que circunda esses relevos. A maioria das espécies apresenta queda de folhas nos períodos de
estiagem. Destaca-se, entre outras, as seguintes espécies: angico (Anadenanthera macrocarpa),
aroeira (Astronium urundeuva), Gonçalo Alves (Astronium fraxinifolium), mulungu (Erythrina
velutina) e sipaúba (Thiloa glancocarpa).

Essas áreas têm sido exploradas agricolamente, embora haja restrições de uso devido aos riscos
de erosão. Em conseqüência dos desmatamentos, alguns setores das vertentes secas estão sendo
amplamente ocupados pela vegetação de caatinga, a qual já atinge níveis topográficos elevados.
• Complexo Vegetacional Litorâneo (Vegetação dos Tabuleiros)
Os tabuleiros litorâneos têm como característica apresentar uma vegetação densa, de porte
médio, além de contar com sub-bosque e com um estrato herbáceo periódico. Predominam as
espécies Guettarda angelica (angélica), Dioclea Sclerocarpa (mucunã de batata), Bauhinia
forticata (mororó), Chicocca racemosa (cainca), Helicteres heptandra (saca-rolhas), Andira sp
(angelim) e Ouratea fieldingiana (batiputá), entre outros.

Esporadicamente pode ser encontrado em alguns setores um padrão de vegetação que apresenta
similaridades com o cerrado. Tal semelhança pode ser identificada não só pela fisionomia da
vegetação, mas também pela presença de espécies peculiares a esse tipo de vegetação, algumas
delas representando formas variantes e outras sem correspondentes no cerrado, embora com
adaptações equivalentes de natureza escleromorfa. As principais espécies encontradas neste
ambiente são: Curatella americana (lixeira), Anacardium occidentale (cajueiro),
Stryphnodendron coriaceum (barbatimão), Anacardium humile (cajuí), entre outros.

107
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Escala
1:900.000

Projeção Universal Transversa de Mercator


Datum: SAD 69 - Zona:24

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.9:
VEGETAÇÃO
O conjunto vegetacional dos tabuleiros não se apresenta homogêneo, principalmente quando se
analisa o padrão fisionômico da vegetação. São constatadas duas feições distintas de plantas
lenhosas, compreendendo vegetação subperenifolia e vegetação caducifolia. Esta última
ocorrendo nas áreas mais afastadas do litoral, em decorrência da maior semi-aridez do clima
regional, apresentando uma maior penetração de espécies da caatinga. São comuns as espécies:
Caesalpinia ferrea (jucá), Mimosa acustistipula (jurema preta), Jatropha pohliana (pinhão bravo),
Cereus jamacaru (mandacaru), Croton hemiargyreus (marmeleiro) e Combretum leprosum
(mofumbo).
• Complexo Vegetacional Litorâneo (Manguezais)
A cajucultura tem sido a principal atividade agrícola nessas áreas e, juntamente com outras
formas de ocupação, tem provocado modificações significativas na cobertura vegetal primária.
Os mangues são ecossistemas formados, principalmente, nas áreas estuarinas ou de planícies
flúvio-marinhas, que se caracterizam pela mistura de água doce e água salgada. São, portanto,
ambientes mistos criados pela atuação conjunta de processos continentais e marinhos, os quais
proporcionam a deposição de sedimentos sílticos-argilosos, muito ricos em matéria orgânica e
que sustentam a vegetação típica dos mangues, denominada manguezais. Sua distribuição
estende-se, também, para montante dessas áreas, acompanhando os cursos d’água até onde se faz
sentir os efeitos da penetração das marés, e formam faixas de transição com as florestas
ribeirinhas. No território das Bacias Metropolitanas, os principais manguezais estão associados
aos rios Ceará/Maranguape, Cocó/Coaçu, Pacoti, Choró e Pirangi. Os manguezais do rio São
Gonçalo foram praticamente erradicados.

Sua composição florística é representada pelas seguintes espécies arbóreas: mangue vermelho
(Rhizophora mangle), mangue branco (Laguncularia racemosa), mangue siriúba (Avicennia
shaueriana), mangue canoé (Avicennia nitida) e o mangue de botão (Conocarpus erecta). Além
das árvores, os mangues abrigam grande variedades de plantas epífitas (que se apoiam em
outras), como bromélias, orquídeas e samambaias, assim com líquens, que se fixam nas copas,
formando o estrato superior dos manguezais. Por outro lado, as raízes e os troncos são
intensamente ocupados por algas marinhas.

Os manguezais constituem ecossistemas complexos e frágeis, que desempenham importantes


funções ambientais tanto do ponto de vista físico quanto biológico e são susceptíveis a profundas
alterações em suas características, quando submetidos à ocupação e exploração dos seus
recursos. São áreas importantes para a reprodução de um grande número de espécies de peixes,
crustáceos e moluscos de valor econômico para o homem, servindo também, como abrigo para
reprodução, alimentação e descanso de aves aquáticas. Por outro lado, funcionam como filtros
naturais, retendo os sedimentos oriundos das áreas erodidas, bem como poluentes. Fornecem,
ainda, ao longo dos rios, proteção contra as enchentes, diminuindo a força das inundações e
preservando os campos agricultáveis adjacentes. São considerados áreas de preservação
permanente.
• Complexo Vegetacional Litorâneo (Vegetação de Dunas)
Nos campos de dunas, as áreas localizadas mais próximas do mar caracterizam-se por vegetação
pioneira, onde predominam gramíneas e várias espécies rasteiras que atuam como agentes
fixadores contra a deflação eólica. Como espécies mais representivas, destacam-se: salsa-da-
praia (Ipomoea pes-caprae), bredo-da-praia (Iresine portulacoides), capim-da-praia (Paspalum
vaginatum), cipó-da-praia (Remirea marítima) e oró (Phaseolus ponduratus), além de arbustivas
como o murici (Byrsonima cericea).
109
As dunas edafizadas ou em processo de edafização, onde desenvolveu-se um perfil de solo,
situam-se à retarguada dos campos de dunas móveis e apresentam um revestimento vegetal de
porte arbóreo, caracterizado por espécies que ocorrem em outras unidades fito-ecológicas. Os
principais representantes de sua flora são: joão-mole (Pisonia tormentosa), jucá (Caesalpinia
ferrea), juazeiro (Zizyphus joazeiro), pau d’arco roxo (Tabebuia avellanede), tatajuba
(Chloroflora tinctoria) e cajueiro (Anacardium occidentale). São consideradas áreas de
preservação permanente, tendo ocorrência nas bacias do São Gonçalo, Gereraú, Cauhipe, Catu,
Caponga Funda e nas Faixas Litorâneas de Escoamento Difuso (FLED).
• Cerrado
Registra-se manchas deste tipo de vegetação ocorrendo sobre os tabuleiros litorâneos, a oeste das
cidades de Cascavel e Caucaia, nas bacias do Malcozinhado e Juá/Ceará, respectivamente. Ilhada
pela vegetação de tabuleiros que se apresenta heterogêna face a penetração de espécies da
caatinga, esta mancha atesta o saldo florístico de uma antiga cobertura vegetal que ao longo do
tempo sofreu modificações na dependência das alterações climáticas e consequentemente,
pedológicas. As espécies de caatinga já invadem a área de cerrado em diferentes proporções.
Fisionomicamente o cerrado é constituído de um de estrato arbóreo, com indivíduos isolados ou
em grupos e um estrato herbáceo de gramíneas e dicotiledôneas. Entre as espécies de cerrado
encontram-se: lixeira (Curatella americana), carvoeiro (Callisthene fasciculata), cajuí
(Anacardium microcarpum) e faveiro(Dimorphandra gardneriana), entre outras.
• Floresta Caducifólia Espinhosa (Caatinga Arbórea, Caatinga Arbustiva Densa,
Caatinga Arbustiva Aberta)
Ocupa uma porção considerável do território das Bacias Metropolitanas, associando-se aos
domínios dos terrenos cristalinos da Depressão Sertaneja, onde a deficiência hídrica é a
característica mais marcante, juntamente com solos de pouca profundidade, freqüentemente
revestidos por pavimentos detríticos (seixos). Constitui a vegetação típica dos sertões
nordestinos, ostentando padrões fisionômicos e florísticos heterogêneos, e faixas de transição
para outras unidades fito-ecológicas. Apresenta espécies arbóreas e arbustivas, podendo ser
densa ou aberta, refletindo as relações mútuas entre os componentes do meio físico, tais como:
relevo, tipo de rocha, tipo de solo e grau de umidade.

Encontra-se bastante descaracterizada, tanto pela interferência antrópica, através da agricultura,


pecuária e retirada de lenha, como pela incidência de períodos críticos de estiagem acentuada. A
degradação da caatinga arbórea determina a maior expansão das espécies arbustivas, reduzindo a
diversidade da flora e modificando o equilíbrio ecológico. Tendo em vista os fatores limitantes
para a atividade agrícola (clima, profundidade do solo, pedregosidade superficial, deficiência
hídrica e erosão), tem-se praticado nesses ambientes uma agricultura nômade, em que, após dois
ou três anos, a área é abandonada, favorecendo o aparecimento de uma vegetação secundária
(capoeira) que não oferece nenhuma proteção ao solo e não possui nenhum valor econômico.

A caatinga arbustiva tem porte mais baixo do que a arbórea, com caules retorcidos e espinhosos,
perdendo a folhagem nas estações secas. A exemplo da caatinga arbórea, a densidade maior ou
menor dos indivíduos determina a fisionomia do conjunto, que pode ser classificado como
caatinga arbustiva densa e caatinga arbustiva aberta. As espécies mais representativas são:
jurema (Mimosa hostile), catingueira (Caesalpina bracteosa), sabiá (Mimosa caesalpinifolia),
marmeleiro (Croton sonderianus) e mandacaru (Cereus jamacaru).

110
• Floresta Mista Dicótilo-Palmácea (Matas Ciliares e Lacustres)
As planície fluviais são áreas que apresentam boas condições hídricas e solos férteis,
favorecendo a instalação de uma cobertura vegetal, cuja fisionomia de mata galeria ou ciliar,
dominada por carnaubais, contrasta com a vegetação caducifolia e de baixo porte dos interflúvios
sertanejos. A principal espécie que habita esses ecossistemas é a carnaúba (Copernicea cerifera),
que normalmente ocorre associada ao mulungu (Erythrina velutina), juazeiro (Zizyphus
joazeiro), oiticica (Licania rigida) e ingá-bravo (Lonchocarpus sericeus), além de espécies
arbustivas e trepadeiras. No território das Bacias Metropolitanas destacam-se as matas ciliares ou
florestas ribeirinhas relacionadas às planícies dos rios São Gonçalo, Ceará, Cocó, Pacoti, Choró,
Pirangi e outros menores.

Da mesma forma, as áreas de acumulação inundáveis (depressões de pequenos desníveis que


acumulam água de chuva) e as áreas em torno de lagoas e reservatórios d’água artificiais, que se
caracterizam pela presença do lençol freático sub-aflorante, também suportam uma vegetação
arbórea com palmeiras e um estrato rasteiro formado por gramíneas, denominada de floresta
lacustre.

2.8.1. Situação das Matas Ciliares

Com base no mapeamento das matas ciliares dos rios principais das 14 bacias hidrográficas que
compõem as Bacias Metropolitanas, excetuando-se aí as Faixas Litorâneas de Escoamento
Difuso (FLED), foram analisados pela COGERH (2000) os níveis de degradação impostos as
suas faixas de proteção, as quais funcionam como um filtro contra o aporte de sedimentos e
poluentes a estes cursos d'água. Os rios Maranguape e Coaçu, por desaguarem no rio principal
próximo ao oceano, formando praticamente bacias independentes, foram também inclusos na
análise, a qual englobará assim 16 cursos d'água, a saber: rios Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó,
Coaçu, Ceará, Maranguape, São Gonçalo, Cauhipe, Gereraú, Juá, Caponga Funda, Caponga
Roseira, Catu e Uruaú.

Foram analisadas tanto a continuidade como a compacidade da mata ciliar preservada ao longo
dos rios e verificados os tipos de uso do solo próximo às margens, identificando as áreas mais
críticas. Foram verificadas, ainda, as condições das faixas de proteção dos açudes de grande
porte que encontram-se posicionados ao longo dos rios analisados. Ressalta-se, no entanto, que a
análise efetuada apresenta um cunho qualitativo. Apresenta-se a seguir uma descrição sucinta das
condições em que se encontravam as matas ciliares dos rios analisados quando da realização do
Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000).
• Rio Pirangi
O rio Pirangi apresenta na região de alto e médio curso sua mata ciliar representada por pequenas
manchas descontínuas. As áreas com culturas agrícolas e antropizadas não apresentam-se muito
significativas, sendo observado ao longo do traçado do rio o predomínio da vegetação de
caatinga arbustiva, que avança até a sua calha.

Embora as nascentes dos riachos formadores do rio Pirangi apresentem-se relativamente


preservadas, observa-se próximo à região das cabeceiras do rio o predomínio de áreas
antropizadas ou com cultivos agrícolas.

No seu baixo curso a mata ciliar de carnaúbas forma uma larga faixa compacta, que se estende
por cerca de 30 km até o manguezal na região litorânea, adentrando, ainda, ao longo do riacho
111
Umburanas, um dos seus principais tributários. Entre esta área e o Canal do Trabalhador
observa-se o predomínio da vegetação de caatinga em meio a áreas antropizadas ou com cultivos
agrícolas.
• Rio Choró
As nascentes dos riachos formadores do rio Choró apresentam sua cobertura vegetal
relativamente preservada, sendo esta composta predominantemente pela caatinga de porte
arbustivo. Na área de entorno do açude Pompeu Sobrinho observa-se a degradação imposta pelas
atividades antrópicas, estando apenas cerca de 30,0 % do seu perímetro com a vegetação da faixa
de proteção preservada.

No trecho compreendido entre os açudes Pompeu Sobrinho e Pacajus, observa-se ao longo do rio
Choró o predomínio de áreas agrícolas e antropizadas, sendo constatado inclusive o uso de
irrigação difusa em duas áreas. Neste trecho a mata ciliar apresenta-se praticamente erradicada,
podendo ser visualizado apenas pequenas manchas esparsas.

A faixa de proteção do açude Pacajus apresenta-se na sua quase totalidade preservada, sendo
composta predominantemente por vegetação de porte arbustivo, havendo ainda, manchas com
vegetação de porte arbóreo. As áreas degradadas apresentam-se representativas apenas nas
imediações de Pacajus e Chorozinho, cidades cujos crescimentos das malhas urbanas vem se
processando em direção ao referido reservatório.

No trecho a jusante do açude Pacajus a mata ciliar de carnaúbas apresenta-se preservada


formando uma larga faixa compacta próximo a área litorânea, que vai se estreitando a medida
que se aproxima do açude Pacajus, apresentando-se pouco densa e entremeada pela vegetação de
caatinga.
• Rio Uruaú
O rio Uruaú apresenta sua mata ciliar composta por vegetação de porte arbóreo quase totalmente
preservada. Observa-se na área de entorno da Lagoa de Uruaú a substituição deste padrão
fitofisionômico, havendo aí um predomínio de espécies arbustivas. Observa-se a ocupação da
faixa de proteção da referida lagoa por chácaras, onde prevalece o cultivo de fruteiras, sendo as
áreas antropizadas mais significativas na sua margem esquerda, não tendo sido possível, no
entanto, a sua representação gráfica no mapa de uso atual dos solos, dado a escala adotada.
• Rio Pacoti
O rio Pacoti apresenta na região de alto curso, mais especificamente na Serra de Baturité, sua
mata ciliar relativamente preservada, composta por vegetação de porte arbóreo, sendo
observadas apenas pequenas áreas antropizadas e uma com irrigação difusa imediatamente a
jusante do açude Engenheiro Gudin.

No trecho compreendido entre as cidades de Redenção e Acarape observa-se a substituição da


mata ciliar por cultivos agrícolas irrigados. Entre Acarape e o Sistema Pacoti/Riachão a
fitofisionomia da mata ciliar passa a ter um padrão arbustivo, sendo observado pequenas
manchas esparsas de área antropizadas.

A faixa de proteção do Sistema Pacoti/Riachão apresenta-se preservada, composta na sua maior


parte por vegetação de porte arbóreo, sendo observado, também, o padrão arbustivo, As áreas

112
degradadas são pouco significativas não tendo sido possível o seu mapeamento na escala adotada
no mapa de uso atual do solo.

Imediatamente a jusante do açude Pacoti observa-se uma mancha de área antropizada, a partir da
qual o padrão da mata ciliar vai se alternando, ora prevalecendo vegetação de porte arbóreo, ora
arbustivo até as imediações da cidade de Aquiraz. Na área de entorno do núcleo urbano de
Aquiraz observa-se uma extensa área antropizada que se estende até as imediações do manguezal
do rio Pacoti.
• Rios Caponga Roseira, Caponga Funda, Catu e Mal-Cozinhado
Os rios Caponga Roseira, Caponga Funda, Catu e Mal-Cozinhado apresentam suas matas ciliares
compostas por vegetação de porte arbustivo, preservadas ao longo da quase totalidade da
extensão dos seus talvegues.

Áreas antropizadas mais significativas são observadas nas cabeceiras dos rios Mal-Cozinhado e
Catu e na área de entorno da Lagoa da Encantada, na Bacia do Catu, principalmente na sua
margem esquerda.
• Rio São Gonçalo
As nascentes dos riachos formadores do Rio São Gonçalo apresentam sua cobertura vegetal
preservada, sendo observado o predomínio de espécies arbóreas. No trecho compreendido entre a
região da Serra de Baturité e o açude Sítios Novos, o Rio São Gonçalo tem sua mata ciliar
composta predominantemente pela caatinga arbustiva, que avança até suas margens. Constata-se,
no entanto, a presença de grande manchas de áreas antropizadas próximo a confluência com o
riacho do Amanari e na área a montante do açude Sítios Novos.

A faixa de proteção do açude Sítios Novos apresenta-se preservada, sendo composta


predominantemente pela vegetação de caatinga arbustiva, ocorrendo, também, uma mancha
significativa de caatinga arbórea em sua margem esquerda. As áreas degradadas mais
significativas são observadas no trecho final do reservatório. Imediatamente a jusante do açude
Sítios Novos a mata ciliar do rio São Gonçalo apresenta-se substituída por cultivos agrícolas e
áreas antropizadas por cerca de 13 km.

Estendendo-se da área a montante da Lagoa dos Talos até um pouco depois da confluência com
o Riacho do Meio, a mata ciliar de carnaúbas forma uma estreita faixa compacta, relativamente
preservada.

A faixa de proteção da Lagoa dos Talos, por sua vez, apresenta-se substituída em grandes
extensões de área, por culturas agrícolas e áreas antropizadas, principalmente na porção norte de
sua margem esquerda. No restante da área, observa-se o predomínio da vegetação de porte
arbustivo na margem direita e arbóreo na margem esquerda. A vegetação de mangue outrora
existente na região da referida lagoa foi erradicada após a execução de sucessivos barramentos
ao longo do corpo da lagoa, os quais alteraram o seu regime hídrico.

113
• Sistema Ceará/Maranguape
Embora as nascentes dos riachos formadores do Rio Ceará apresentem-se preservadas, observa-
se na região de suas cabeceiras a presença de extensas áreas degradadas, cuja vegetação
apresenta-se substituída por cultivos agrícolas ou áreas antropizadas, com destaque para as áreas
de entorno dos açudes Ipueiras e Bom Princípio.

No restante do traçado do rio, a mata ciliar é composta por vegetação de porte arbustivo
relativamente preservada, passando a apresentar porte arbóreo na região de influência da Serra
do Juá. A partir daí uma estreita faixa de mata ciliar de carnaúbas se estende até o manguezal na
região litorânea.

O Rio Maranguape, por sua vez, tem a cobertura vegetal de suas nascentes preservada, sendo
composta por vegetação de porte arbóreo. Ao longo do seu traçado a mata ciliar apresenta
alternância do predomínio de vegetação de porte arbóreo e arbustivo, situação que se altera após
o rio adentrar a cidade de Fortaleza. A partir deste ponto sua mata ciliar apresenta-se
praticamente erradicada, sendo substituída por áreas urbanizadas, ocorrendo apenas em pequenas
manchas bastante dispersas.
• Sistema Cocó/Coaçu
O Rio Cocó tem a cobertura vegetal da sua nascente, na serra de Pacatuba, relativamente
preservada, sendo observado o predomínio de espécies de porte arbóreo. A faixa de proteção do
açude Gavião apresenta-se composta em sua quase totalidade por vegetação arbórea, estando as
áreas antropizadas restritas a uma pequena mancha na sua margem direita, e a área
imediatamente a jusante do reservatório.

Após adentrar o território da cidade de Fortaleza, o rio Cocó tem sua mata ciliar substituída por
áreas urbanizadas, podendo ser observado ao longo do seu percurso apenas pequenas manchas
esparsas bastantes degradadas.

A mata ciliar do rio Coaçu, por sua vez, apresenta ao longo do seu traçado o predomínio de
vegetação de porte arbóreo. Constata-se, ainda, a presença significativa de áreas onde a
vegetação arbustiva apresenta-se dominante, principalmente, na sua margem direita. Áreas
antropizadas são observadas, apenas na região de alto curso, próximo às cabeceiras do rio.

As faixas de proteção da lagoa da Precabura é composta por vegetação de porte arbustivo, a qual
apresenta-se substituída em diversos pontos por cultivos agrícolas e áreas antropizadas, sendo
constatado em seu entorno a presença de sítios e chácaras.

No trecho compreendido entre a lagoa da Precabura e o manguezal do rio Cocó, a mata ciliar
apresenta-se bastante degradada, sendo substituída em diversos pontos por áreas antropizadas.
• Rio Cauhipe
A região de alto curso do rio Cauhipe apresenta sua mata ciliar composta por vegetação de porte
arbóreo, estando as áreas de nascentes bem protegidas. Na faixa de proteção do açude Cauhipe
pode ser constatada a presença de vegetação de porte arbóreo relativamente preservada na
margem esquerda, enquanto que na outra margem predomina as espécies arbustivas.

A mata ciliar de carnaúba se estende por cerca de 15 km a partir do lagamar do Cauhipe,


formando uma faixa estreita e compacta. Na área de entorno do lagamar do Cauhipe a presença
114
de áreas antropizadas é bastante significativa, sendo constatado, também, pequenos cultivos
agrícolas dispersos. Na porção norte de sua margem esquerda observa-se o avanço da vegetação
de porte arbóreo até o corpo da lagoa. Situação semelhante ocorre na porção sul da margem
esquerda, sendo neste caso a vegetação de porte arbustivo.
• Rio Juá
A mata ciliar do rio Juá apresenta-se relativamente preservada, sendo observado o predomínio de
vegetação de porte arbóreo no seu alto e médio curso. A cobertura vegetal de sua nascente,
posicionada na serra do Juá, apresenta-se conservada.

Na área de entorno da lagoa do Poço, por sua vez, predomina a vegetação de porte arbustivo, a
qual apresenta-se substituída em diversos pontos por áreas antropizadas e cultivos agrícolas,
tendo-se constatado o avanço da área urbana da localidade de Icaraí em sua direção, já existindo
algumas casas às margens da lagoa.
• Rio Gereraú
A mata ciliar apresenta-se em boas condições na maior parte do seu traçado, sendo composta por
vegetação de porte arbustivo. A presença de áreas antropizadas apresenta-se mais significativa ao
sul do lagamar Gereraú e no seu baixo curso próximo ao limite com os campos de dunas.

2.9. Compartimentação Geoambiental

A análise integrada da paisagem e dos componentes geoecológicos (geologia, geomorfologia,


hidrologia, clima, solos e fitoecologia) que compõem o potencial natural e a exploração
biológica derivada, realizada pela Fundação Cearense de Meteorologia - Funceme, mostra como
se encontram os sistemas ambientais nesta região (Mapa 2.10).

A compartimentação geoambiental das Bacia Metropolitanas foi estabelecida seguindo os


critérios de Bertrand (1969), e apresenta os seguintes sistemas ambientais:
− Cristais Residuais e Agrupamento de Inserbergs;
− Glacis de Acumulação Pré-Litorâneo e Interiores;
− Planície Litorânea;
− Planície Ribeirinha;
− Serras Secas e Vertentes Sub-Úmidas;
− Serras Úmidas e Serras Pré-Litorâneas;
− Sertões Centro-Ocidentais;
− Sertões Ocidentais e dos Pés-de-serra do Planalto da Ibiapaba;
− Sertões Setentrionais Pré-Litorâneos.

115
LEGENDA

Sede Municipal

Limite do Município

Escala
1:800.000

Projeção Universal Transversa de Mercator


Datum: SAD 69 - Zona:24

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ
COMPANHIA DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS

Revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias


Metropolitanas e Elaboração dos Planos de Gerenciamento das
Águas das Bacias do Litoral, Acaraú e Coreaú, no Estado do Ceará
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos –
PROÁGUA Nacional

Mapa 2.10:
COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL
2.9.1. Descrição dos Sistemas Geoambientais
• Cristais Residuais e Agrupamento de Inserbergs
Apresenta litotipos variados do complexo cristalino com dominância de rochas mais resistentes
ao trabalho da erosão. Feições aguçadas de relevo e morros residuais oriundos da erosão
diferencial com áreas submetidas à morfogênese e mecânica. Solos predominando os neossolos
litólicos e afloramentos de rocha. Área de clima semi-árido com drenagem de padrão dendrítico,
rios intermitentes, vegetação de caatinga arbustiva e rupestre. Trata-se de ambientes de transição
com tendência à instabilidade. Aparecem na forma de manchas na porção central e sul da bacia,
na região do sertão semi-árido.
• Glacis de Acumulação Pré-Litorâneo e Interiores (Tabuleiros Areno-Argilosos)
O sub-sistema de tabuleiros areno-argilosos ocorre sobre a Formação Faceira com a presença de
conglomerados na base, arenitos, siltitos e sedimentos variegados areno-argilosos de cores
vermelho-amarelas. Rampas de acumulação com caimento topográfico suave dissecados em níveis
colinosos e interflúvios tabulares. Solos predominando os argissolos vermelho-amarelos, latossolos
amarelos e argissolos acinzentados. Área de climas sub-úmido e semi-árido com drenagens de
padrões subdendríticos e paralelos, rios intermitentes, vegetação de tabuleiros e carrasco. Tem
como principais usos as culturas permanentes e comerciais, e pastagem. Trata-se de um ambiente
estável, situado na porção norte da bacia, estendendo-se por uma espessa faixa litorânea.
• Planície Litorânea
− Faixa de praia, terraço o marinho, campo de dunas móveis e paleodunas
Esse sub-sistema apresenta sedimentos marinhos e eólicos com areias finas e grosseiras,contendo
níveis de minerais pesados e eventuais ocorrências de rochas de praia (“beach rocks”) e afloramentos
pontuais do cristalino. Faixa praial com superfície arenosa de acumulação marinha, níveis
escalonados de terraços e campo de dunas móveis e ocorrências de promotórios. Solos
predominando os neossolos e quartzarênicos. Área de climas úmido, sub-úmido e semi-árido com
formação de lagoas freáticas, vegetação pioneira psamófila. Tem como principal uso o extrativismo
vegetal. Trata-se de um ambiente fortemente instável, restrito a faixa de praia da bacia.
• Planície Flúvio Marinha
Sub-sistema que apresenta sedimentos flúvio-marinhos argilo arenosos, mal selecionados e ricos
em matéria orgânica. Áreas de acumulação complexas periodicamente inundáveis com depósitos
continentais e acréscimos de sedimentos marinhos. Solos predominando os gleissolos. Área de
climas úmido e sub-úmido com estuários e drenagem de padrão anastomótico, fluxo lento do
escoamento fluvial fortemente influenciado pela preamar, vegetação de mangues. Tem como
principais usos o extrativismo, pesca artesanal e aqüicultura. Trata-se de um ambiente de
transição com tendência à instabilidade, ocorrendo na foz dos rios Aracatiaçu e Cruxati.
• Planície Ribeirinha (Planície Lacustre, Flúvio-Lacustre e Áreas de Acumulação
Inundáveis)
Esses sub-sistemas ocorrem sobre sedimentos lagunares areno-argilosos, moderadamente a mal
selecionados e sedimentos coluviais areno-argilosos, moderadamente a mal selecionados. Faixas
de acumulação de sedimentos areno-argilosos, bordejando lagoas e áreas aplainadas com ou sem
cobertura arenosa, sujeitas a inundações periódicas. Solos predominando os neossolos flúvicos,
planossolos háplicos e nátricos e neossolos quartzarênicos. Área de clima sub-úmido com
117
presença de lagoas costeiras, vegetação de várzea com carnaubais. Tem como principais usos o
agroextrativismo, extrativismo mineral e pecuária. Trata-se de um ambiente de transição com
tendência à instabilidade. Aparecem na forma de manchas na porção central e sul da bacia, na
região do sertão semi-árido.
• Serras Secas e Vertentes Sub-Úmidas
Apresenta litotipos variados do complexo cristalino pré-cambriano e suítes magmáticas fortemente
deformados por falhamentos e dobramentos pretéritos. Superfícies serranas interiores ou encostas de
sotavento das serranas úmidas, com vertentes íngremes e dissecadas em cristais, lombadas, colinas e
interflúvios semi-tabulares intercalados por vales em V e em U. Solos predominando os argissolos
vermelho-amarelos, neossolos litóticos, chernossolos, afloramentos rochosos e neossolos flúvicos.
Área de clima semi-árido com drenagem de padrão dendrítico, rios intermitentes, vegetação de mata
seca, com o agroextrativismo como principal uso. Trata-se de um ambiente de transição com
tendência à instabilidade, ocorrendo na porção centro-leste da bacia.
• Serras Úmidas e Serras Pré-Litorâneas
Apresenta litotipos variados do complexo cristalino pré-cambriano deformados por tectonismo.
Superfícies serranas ou encostas de barlaventos forte a mediamente dissecadas em feições de
cristas, colinas e lombadas, intercaladas por vales em V. Solos predominando os argissolos
vermelho-amarelos, neossolos litóticos e neossolos flúvicos. Área de climas úmido e sub-úmido
com drenagem de padrão dendrítico, rios intermitentes ou semi-perenizados, vegetação de mata
úmida/sub-úmida. Tem como principais usos a horticultura, fruticultura e agroextrativismo.
Trata-se de um ambiente de transição com tendência de dinâmica ambiental regressiva,
ocorrendo na serra de Uruburetama.
• Sertões Centro-Ocidentais (Sertões de Boa Viagem, Quixeramobim e Canindé)
Apresenta litotipos variados do Complexo Nordestino, com setores alongados de rochas do
Complexo Itatira. Superfície pediplanada parcialmente dissecada em colinas rasas intercaladas
por planícies fluviais que recobrem vales de fundos planos. Solos predominando os luvissolos
crômicos, planossolos háplicos, neossolos litólicos e neossolos flúvicos. Área de clima semi-
árido com drenagem de padrão dendrítico, rios intermitentes, vegetação de caatinga arbustiva.
Tem como principais usos a pecuária extensiva e o extrativismo vegetal. Trata-se de um
ambiente de transição com tendência à instabilidade, ocorrendo em uma área muito pequena na
divisa com a Bacia do Curu.
• Sertões Ocidentais e dos Pés-de-Serra do Planalto da Ibiapaba
Apresenta litotipos variados do Complexo Nordestino. Superfície pediplanada a parcialmente
dissecada em largos interflúvios tabulares separados por vales fundos planos, relevos colinosos
rasos em áreas mais fortemente dissecadas. Solos predominando os luvissolos crômicos,
planossolos háplicos, argissolos, neossolos litólicos e neossolos flúvicos. Área de clima semi-
árido com drenagem de padrão subdendrítico, rios intermitentes, vegetação de caatinga
arbustiva. Tem como principais usos a pecuária extensiva e o agroextrativismo. Trata-se de um
ambiente de transição com tendência de dinâmica regressiva, ocorrendo na porção sul da bacia,
na fronteira entre as bacias do Curu e Acaraú.
• Sertões Setentrionais Pré-Litorâneos (Sertões do Centro-Norte)
Apresenta litotipos variados do Complexo Nordestino com migmatitos e gnaisses. Superfície
pediplanada com pedimentos parcialmente dissecados intercalados por planícies fluviais. Solos
118
predominando os planossolos háplicos, planossolos nátricos, argissolos, neossolos litólicos e
neossolos flúvicos. Área de clima sub-úmido a semi-árido com drenagem de padrão
subdendrítico, rios intermitentes, vegetação de caatinga arbustiva. Tem como principais usos a
pecuária extensiva e o agroextrativismo. Trata-se de um ambiente de transição, ocorrendo em
uma grande área do alto e médio curso da bacia.

2.10. Pluviometria

2.10.1. Estações Pluviométricas

Segundo dados da Agência Nacional de Águas - ANA (HidroWeb), as Bacias Metropolitanas


apresentam um total de 139 postos pluviométricos dentro de seus limites (Quadro 2.17), dos
quais 115 (83%) estão em operação e os demais já se encontram desativados, como mostra a
Figura 2.21. Com relação à titularidade das estações, a maioria (69%) pertence à FUNCEME e
as demais se distribuem entre o DNOCS (11%), a SUDENE (10%), ANA (6%) e INMET (4%),
como mostra a Figura 2.22.

17%

A TIV A DA S

DES A TIV A DA S

83%

Figura 2.21. Percentual de postos pluviométricos em operação e desativados nas Bacias


Metropolitanas
6% 11%
4%

10%

69%
DNOC S INMET S UDENE FUNC EME A NA

Figura 2.22. Relação das operadoras dos postos pluviométricos das Bacias Metropolitanas

119
Quadro 2.17. Estações Pluviométricas das Bacias Metropolitanas
Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora
Acarape 00438051 2882458-DNOCS Acarape -04:13:00 -038:42:00 FUNCEME FUNCEME
Berra Bode - Ets 00338047 Aquiraz -03:55:44 -038:23:36 FUNCEME FUNCEME
Ideal 00438096 Aracoiaba -04:25:29 -038:40:24 ANA CPRM
Aracoiaba 00438009 2882735-DNOCS Aracoiaba -04:22:00 -038:48:00 FUNCEME FUNCEME
Ideal 00438115 Aracoiaba -04:19:00 -038:41:00 FUNCEME FUNCEME
Arraial 00438097 Aracoiaba -04:22:44 -038:48:23 ANA CPRM
Vazantes 00438062 Aracoiaba -04:19:00 -038:41:00 FUNCEME DESATIVADA
Curupira 00438023 2892089 Aracoiaba -04:32:00 -038:34:00 SUDENE DESATIVADA
Passagem Funda 00438041 2892044 Aracoiaba -04:30:00 -038:47:00 SUDENE DESATIVADA
Vazantes 00438049 2882862 Aracoiaba -04:25:00 -038:41:00 FUNCEME FUNCEME
Vila Pedra Branca 00438063 Aracoiaba -04:30:00 -038:49:00 FUNCEME FUNCEME
Ideal 00438102 Aracoiaba -04:25:00 -038:40:00 DNOCS DESATIVADA
Pai João 00439042 Aratuba -04:26:00 -039:04:00 FUNCEME FUNCEME
Aratuba 00439018 2881895-DNOCS Aratuba -04:25:00 -039:03:00 FUNCEME FUNCEME
Barreira 00438064 Barreira -04:17:00 -038:38:00 FUNCEME FUNCEME
São José 00438065 Barreira -04:17:00 -038:37:00 FUNCEME FUNCEME
Baturité 00438010 2882626 Baturité -04:20:00 -038:52:00 FUNCEME FUNCEME
Beberibe 00438067 Beberibe -04:13:00 -038:07:00 FUNCEME FUNCEME
Serra do Felix 00438066 Beberibe -04:31:00 -038:11:00 FUNCEME FUNCEME
Sítio Forquilha - Cogerh 00438106 Beberibe -04:35:00 -038:02:00 FUNCEME FUNCEME
Itapeim 00438099 Beberibe -04:21:19 -038:07:00 ANA CPRM
Itapeim 00438033 2883679 Beberibe -04:21:00 -038:07:00 FUNCEME FUNCEME
Continua...
120
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Boqueirão do Cesário 00438015 2893165 Beberibe -04:35:00 -038:13:00 FUNCEME FUNCEME
Paripueira 00437018 Beberibe -04:22:22 -037:55:28 FUNCEME FUNCEME
Lagoa Funda 00438068 Beberibe -04:16:00 -038:02:00 FUNCEME FUNCEME
Targinos 00439046 Canindé -04:38:00 -039:14:00 FUNCEME FUNCEME
Esperança 00439049 Canindé -04:42:00 -039:19:00 FUNCEME FUNCEME
Riachão 00438044 2892012 Capistrano -04:31:00 -038:57:00 DNOCS DESATIVADA
Capistrano 00438053 Capistrano -04:28:00 -038:54:00 FUNCEME FUNCEME
Açude Jaguaracu 00338023 Cascavel -04:10:00 -038:15:00 DNOCS DNOCS
Cristais 00438012 Cascavel -04:29:00 -038:21:00 FUNCEME FUNCEME
Cristais 00438022 2893031 Cascavel -04:29:59 -038:21:40 ANA CPRM
Guanaces 00438016 Cascavel -04:09:00 -038:19:00 FUNCEME FUNCEME
Cristais 00438019 2883256 Cascavel -04:29:00 -038:21:00 DNOCS DESATIVADA
Angicos 00438002 2883435 Cascavel -04:13:00 -038:20:00 SUDENE DESATIVADA
Cascavel 00438110 Cascavel -04:08:00 -038:14:00 FUNCEME FUNCEME
Pitombeiras 00438042 2883836 Cascavel -04:26:00 -038:20:00 DNOCS DNOCS
Bom Princípio 00338012 2872925 Caucaia -03:58:00 -038:53:00 SUDENE DESATIVADA
Bom Princípio 00338033 Caucaia -03:57:00 -038:53:00 FUNCEME FUNCEME
Caucaia 00338009 2872473 Caucaia -03:45:00 -038:41:00 FUNCEME FUNCEME
Fazenda Tio Cosme 00338045 Caucaia -03:41:00 -038:54:00 FUNCEME FUNCEME
Guararu 00338006 2872435 Caucaia -03:43:00 -038:50:00 SUDENE DESATIVADA
Icaraí 00338031 Caucaia -03:40:00 -038:40:00 FUNCEME FUNCEME
Continua...

121
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Lagoa da Serra 00338028 Caucaia -03:49:00 -038:57:00 FUNCEME FUNCEME
Pitombeira 00338030 Caucaia -03:38:00 -038:47:00 FUNCEME FUNCEME
Primavera 00338032 Caucaia -03:42:00 -038:49:00 FUNCEME FUNCEME
Sítios Novos 00338029 Caucaia -03:45:00 -038:55:00 FUNCEME FUNCEME
Sítios Novos 00338013 2872409 Caucaia -03:44:00 -038:58:00 SUDENE DESATIVADA
Sítios Novos de Cima 00339005 2872602 Caucaia -03:49:00 -039:00:00 SUDENE DESATIVADA
Tucunduba 00338027 Caucaia -03:52:00 -038:45:00 FUNCEME FUNCEME
Choro 00439054 Choro -04:51:00 -039:16:00 FUNCEME FUNCEME
Caicarinha 00439055 Choro -04:40:00 -039:15:00 FUNCEME FUNCEME
Patos dos Liberatos 00438018 Chorozinho -04:17:00 -038:31:00 FUNCEME FUNCEME
Chorozinho 00438103 Chorozinho -04:18:00 -038:30:00 FUNCEME FUNCEME
Chorozinho 00438021 2883605 Chorozinho -04:18:08 -038:29:49 ANA CPRM
Eusébio 00338034 Eusébio -03:54:00 -038:30:00 FUNCEME FUNCEME
Jacauna 00338021 Eusébio -03:58:00 -038:19:00 DNOCS DNOCS
Sítio Estrela Dalva 00338046 Eusébio -03:54:00 -038:27:00 FUNCEME FUNCEME
Castelão 00338037 Fortaleza -03:49:00 -038:32:00 FUNCEME FUNCEME
Parque Ecológico do Coco 00338036 Fortaleza -03:44:00 -038:29:00 FUNCEME FUNCEME
Messejana 00338039 Fortaleza -03:50:00 -038:28:00 FUNCEME FUNCEME
Fortaleza 00338000 2872594 Fortaleza -03:46:00 -038:36:00 INMET INMET
Aeroporto (Fortaleza) 00338018 2872597 Fortaleza -03:46:00 -038:31:00 FUNCEME FUNCEME
Fortaleza (Pinto Martins) (Sbfz) 00338020 82398 Fortaleza -03:46:00 -038:31:00 DEPV DEPV
Continua...

122
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Fortaleza - UFCE 00338024 82396 Fortaleza -03:44:00 -038:33:00 INMET DESATIVADA
Pici 00338001 Fortaleza -03:45:00 -038:35:00 FUNCEME FUNCEME
Fund.Ma.Nilva (Água Fria) 00338038 Fortaleza -03:47:00 -038:28:00 FUNCEME FUNCEME
Fortaleza Centro 00338026 2872496 Fortaleza -03:44:00 -038:33:00 SUDENE DESATIVADA
Mondubim 00338025 422 Fortaleza -03:50:00 -038:34:00 INMET DESATIVADA
Fortaleza (FAB) 00338042 82916 Fortaleza -03:51:00 -038:25:00 INMET INMET
Mondubim 00338003 2872684 Fortaleza -03:48:59 -038:34:45 FUNCEME FUNCEME
Funceme 00338048 Fortaleza -03:44:00 -038:34:00 FUNCEME FUNCEME
Parquelândia 00338050 Fortaleza -03:44:00 -038:34:00 FUNCEME FUNCEME
Carrapateira 00438113 Guaiuba -04:09:14 -038:43:33 FUNCEME FUNCEME
Guaiuba 00438111 Guaiuba -04:02:00 -038:38:00 FUNCEME FUNCEME
Água Verde 438108,0 Guaiuba -04:39:00 -038:40:00 FUNCEME FUNCEME
Guaramiranga 00439040 2882511 Guaramiranga -04:15:00 -038:57:00 INMET INMET
Guaramiranga 00438100 Guaramiranga -04:16:00 -038:56:00 FUNCEME FUNCEME
Horizonte 00438069 Horizonte -04:06:00 -038:29:00 FUNCEME FUNCEME
Pirangi 00438070 Ibaretama -04:41:00 -038:41:00 FUNCEME FUNCEME
Ibaretama 00438071 Ibaretama -04:49:00 -038:49:00 FUNCEME FUNCEME
Itaitinga 00338040 Itaitinga -03:57:00 -038:31:00 FUNCEME FUNCEME
Caio Prado 00438073 2892307 Itapiuna -04:39:00 -038:56:00 FUNCEME FUNCEME
Caio Prado 00438017 2892308 Itapiuna -04:39:00 -038:58:00 FUNCEME FUNCEME
Continua...

123
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Itapiuna 00438032 2892111 Itapiuna -04:35:00 -038:57:00 FUNCEME FUNCEME
Itapiuna 00438054 Itapiuna -04:34:00 -038:55:00 DNOCS DNOCS
Caio Prado 00438061 Itapiuna -04:39:18 -038:56:37 ANA CPRM
Novo Maracanau 00338053 Maracanau -03:51:42 -038:37:24 FUNCEME FUNCEME
Maracanau 00338005 Maracanau -03:54:00 -038:38:00 FUNCEME FUNCEME
São Vicente (Ponte BR-020) 00338043 Maranguape -03:59:56 -038:56:39 ANA DESATIVADA
Jubaia 00438034 2882161 Maranguape -04:03:00 -038:42:00 SUDENE DESATIVADA
Açude Amanary 00438056 Maranguape -04:01:00 -038:53:00 FUNCEME FUNCEME
Itapebussu 00438031 2882018 Maranguape -04:01:00 -038:56:00 FUNCEME FUNCEME
Columinjuba 00438020 2882035 Maranguape -04:01:00 -038:50:00 DNOCS DESATIVADA
Ladeira Grande 00338044 Maranguape -03:58:00 -038:43:00 FUNCEME FUNCEME
Maranguape 00338016 2872766 Maranguape -03:54:00 -038:40:00 FUNCEME FUNCEME
Trapiá 00338011 2872945 Maranguape -03:58:00 -038:47:00 SUDENE DESATIVADA
Tanques 00438047 2882146 Maranguape -04:05:00 -038:47:00 SUDENE DESATIVADA
Aruaru 00438080 Morada Nova -04:34:00 -038:21:00 FUNCEME FUNCEME
Boa Água 00438014 2892679 Morada Nova -04:50:00 -038:37:00 FUNCEME FUNCEME
Patos 00438079 Morada Nova -04:41:00 -038:24:00 FUNCEME FUNCEME
Boa Água 00438081 Morada Nova -04:46:00 -038:30:00 FUNCEME FUNCEME
Mulungu 00439008 2882601 Mulungu -04:18:00 -038:59:00 FUNCEME FUNCEME
Arisco dos Marianos 00438087 Ocara -04:39:00 -038:33:00 FUNCEME FUNCEME
Curupira 00438082 Ocara -04:32:00 -038:33:00 FUNCEME FUNCEME
Continua...

124
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Ocara 00438084 Ocara -04:29:00 -038:36:00 FUNCEME FUNCEME
Sereno De Cima 00438085 Ocara -04:31:00 -038:37:00 FUNCEME FUNCEME
Novo Horizonte 00438086 Ocara -04:28:00 -038:33:00 FUNCEME FUNCEME
Fazenda Nova Cioma 00438107 Ocara -04:29:33 -038:33:20 FUNCEME FUNCEME
Serragem 00438083 Ocara -04:27:00 -038:30:00 FUNCEME FUNCEME
Pacajus 00438101 Pacajus -04:11:00 -038:28:00 FUNCEME FUNCEME
Itaipaba 00438088 Pacajus -04:10:00 -038:35:00 FUNCEME FUNCEME
Açude Riachão 00438008 2882188 Pacatuba -04:04:00 -038:34:00 DNOCS DESATIVADA
Guaiuba 00438028 2882076 Pacatuba -04:09:14 -038:43:33 FUNCEME FUNCEME
Água Verde 00438001 2882362 Pacatuba -04:10:00 -038:42:00 DNOCS DESATIVADA
Pacatuba 00338002 2872978 Pacatuba -03:59:00 -038:37:00 FUNCEME FUNCEME
Baú 00438011 2882268 Pacatuba -04:07:18 -038:34:34 ANA CPRM
Escola Luiza Teodoro 00338052 Pacatuba -03:52:14 -038:36:34 FUNCEME FUNCEME
Pacoti 00438036 2882415 Pacoti -04:13:00 -038:55:00 FUNCEME FUNCEME
Gado 00438027 2882321 Palmácia -04:09:00 -038:54:00 SUDENE DESATIVADA
Sítio Bica 00438038 2882331 Palmácia -04:09:00 -038:51:00 FUNCEME FUNCEME
Palmácia 00438114 Palmácia -04:09:00 -038:50:00 FUNCEME FUNCEME
Casa De Pedra 00339068 Pentecoste -03:45:00 -039:04:00 FUNCEME FUNCEME
Comunidade Lemos 00339065 Pentecoste -03:54:00 -039:00:00 FUNCEME FUNCEME
Progresso 00339027 2871596 Pentecoste -03:47:00 -039:02:00 SUDENE DESATIVADA
Pindoretama 00438089 Pindoretama -04:03:00 -038:20:00 FUNCEME FUNCEME
Continua...

125
Continuação...

Estação Código Código Adicional Municipio Latitude Longitude Respons. Operadora


Açude Pompeu Sobrinho 00439025 2891677 Quixadá -04:48:00 -039:07:00 DNOCS FUNCEME
Dom Maurício 00439036 2891876 Quixadá -04:50:00 -039:09:00 FUNCEME FUNCEME
Fazenda Feijão 00439024 2891168 Quixadá -04:34:00 -039:10:00 DNOCS DNOCS
Olho D'água 00438035 2892531 Quixadá -04:45:00 -038:51:00 DNOCS DNOCS
Várzea Nova 00438055 2892527 Quixadá -04:45:00 -038:52:00 FUNCEME FUNCEME
Açude Acarapé do Meio 00438005 2882339 Redenção -04:11:00 -038:49:00 DNOCS DNOCS
Antônio Diogo 00438003 2882648 Redenção -04:19:00 -038:45:00 DNOCS DNOCS
Antônio Diogo 00438112 Redenção -04:19:00 -038:45:00 FUNCEME FUNCEME
Redenção 00438095 Redenção -04:12:00 -038:49:00 FUNCEME FUNCEME
Sítio Livramento 00438116 Redenção -04:13:00 -038:43:00 FUNCEME FUNCEME
Umarituba Nova 00338014 2872305 São Gonçalo do Amarante -03:40:14 -038:58:57 ANA CPRM
Umarituba 00338015 2872305 São Gonçalo do Amarante -03:40:00 -038:59:00 SUDENE DESATIVADA
Pecem 00338041 São Gonçalo do Amarante -03:33:00 -038:50:00 FUNCEME FUNCEME
São Gonçalo do Amarante 00338008 2872207 São Gonçalo do Amarante -03:35:00 -038:58:00 FUNCEME FUNCEME
Fonte: ANA (site-2/12/2009)

126
2.10.2. Regime Pluviométrico

Os estudos pluviométricos, a seguir, visam basicamente apresentar o regime de chuvas a nível


mensal e anual nas Bacias Metropolitanas. Para a análise foram selecionados três postos
pluviométricos o de Fortaleza (código 00338026), o de Itapiuna (código 00438032) e o de Pacoti
(código 00438036). Estimou-se os valores médios, máximos e mínimos mensais, visualizados
nos Quadros 2.18, 2.19 e 2.20, e nos hietogramas das Figuras 2.23, 2.24 e 2.25.
Quadro 2.18. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Fortaleza
(Centro), em Fortaleza (código 00338026)
Pluviosidade Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Máxima 440,9 545,2 656,5 757,2 633,9 427,3 309,6 114,8 59,0 44,3 110,1 226,5

Média 97,2 177,1 305,1 326,0 217,2 115,7 60,5 16,4 16,1 10,7 11,7 30,7

Mínima 3,6 0,0 32,0 51,5 31,3 4,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Fonte: SUDENE (1990)

Quadro 2.19. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Itapiúna, em


Itapiuna (código 00438032)
Pluviosidade Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Máxima 339,7 284,0 652,0 522,7 395,5 161,5 103,8 57,0 35,8 18,3 25,8 75,9

Média 66,5 117,6 203,1 169,2 136,6 52,5 25,4 5,3 3,0 2,8 3,0 18,5

Mínima 0,0 7,7 26,3 3,0 9,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Fonte: SUDENE (1990)

Quadro 2.20. Pluviosidades máximas, mínimas e médias (mm) no posto Pacoti, em Pacoti
(código 00438036)
Pluviosidade Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Máxima 563,8 520,5 629,6 661,6 505,4 410,5 256,0 147,6 111,0 124,1 124,1 197,7

Média 126,3 197,1 309,9 269,8 231,9 139,0 83,0 38,3 28,6 35,5 32,0 53,9

Mínima 7,4 31,0 6,5 62,5 43,8 12,4 4,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Fonte: SUDENE (1990)

No posto de Fortaleza, representativo da região litorânea, a precipitação média anual é de


1.399,0 mm, com desvio padrão de 481,7 mm. O maior valor precipitado foi de 2.898,8 mm e o
menor, de 679,8 mm. O coeficiente de variação é de 34,4 %, portanto muito alto.

127
P re c ip itaç ão Mé d ia Me n s al
Fo rtale z a

800,0
700,0
P rec ip itaç ão (m m)

600,0
500,0
400,0
300,0
200,0
100,0
0,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez

Máx ima Média Mínima

Figura 2.23. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais do posto Fortaleza


(Centro), em Fortaleza (código 00338026)
A precipitação média anual de 807,8 mm e desvio padrão de 323,6 mm, foram os valores
observados no posto de Itapiúna, que retrata bem a região semi-árida; sendo o maior valor
precipitado 1.853,8 mm e o menor, 168,9 mm. O coeficiente de variação é de 40,1%, o mais
elevado dos postos analisados.

P re c ip itaç ão Mé d ia Me n s al
Itap iú n a
800,0
700,0
P rec ip itaç ão (m m)

600,0

500,0
400,0
300,0
200,0
100,0

0,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez
Máx ima Média Mínima

Figura 2.24. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais do posto Itapiúna, em


Itapiuna (código 00438032)
Na da região de serra, reproduzida pelas informações do posto de Pacoti, a precipitação média
anual é de 1.530,0 mm e o desvio padrão de 457,6 mm; 2.620,0 mm foi o maior valor precipitado
e o menor, de 475,7 mm. O coeficiente de variação de 29,9 %, abaixo do obtido para o posto de
Fortaleza, mas ainda elevado.

128
P re c ip itaç ão Mé d ia Me n s al
Guaram irang a

800,0
700,0
600,0
Prec ip itaç ão (m m)

500,0
400,0
300,0
200,0
100,0
0,0
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez
Máx ima Média Mínima

Figura 2.25. Precipitações Máximas, Médias e Mínimas mensais no posto Pacoti, em Pacoti
(código 00438036)
As principais estatísticas das séries anuais de Fortaleza, Itapiúna e Pacoti são mostrados no
Quadro 2.21.
Quadro 2.21. Características das Precipitações anuais em Fortaleza, Itapiuna e
Maranguape
Discriminação Fortaleza Itapiuna Pacoti

Média (mm) 1399,0 807,8 1530,0

Desvio Padrão (mm) 481,7 323,6 457,6

Coef. de variação (%) 34,4 40,1 29,9

Precip. Máxima (mm) 2898,8 1853,8 2620,0

Precip. Mínima (mm) 679,8 168,9 475,7


Fonte: SUDENE (1990)

2.10.3. Precipitação Média sobre a Bacia

Devido a precipitação, pela própria natureza do fenômeno, não ocorrer de modo uniforme sobre
toda a bacia, é necessário calcular a altura média precipitada. Uma maneira de calcular essa
altura média é utilizando o consagrado Método de Thiessen. Este método pode ser usado para
aparelhos não uniformemente distribuídos, uma vez que o mesmo pondera os valores obtidos em
cada posto por sua zona de influência. O PERH (1992) utilizou o Método de Thiessen para as
principais estações fluviométricas e açudes do Estado. Para as Bacias Metropolitanas, o PERH
apresenta dados para 6 estaçoes fluviométricas e 5 açudes (Quadros 2.22 e 2.23).

129
Quadro 2.22. Pluviometria média mensal calculada pelo Método de Thiessen/Malha para
os postos fluviométricos das Bacias Metropolitanas
Posto Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total

Pacoti/
87,80 165,00 272,40 265,40 159,50 75,90 33,50 8,90 8,90 9,90 10,40 32,30 1130,00
Riachão

Pompeu
67,80 114,00 183,60 176,20 120,40 57,00 29,90 8,00 2,70 3,10 7,30 21,60 791,70
Sobrinho

Gavião 92,00 175,80 284,70 289,60 173,70 85,50 36,80 9,10 10,90 11,80 11,10 37,30 1218,30

Aracape
95,70 170,00 283,40 270,40 186,30 102,00 55,40 18,80 18,80 21,30 20,50 42,00 1284,80
do Meio

Amanary 79,6 150,8 254,8 254,7 139,,5 54,3 24,7 7,2 7,0 6,1 7,8 24,4 1010,9
Fonte: PERH (1992)
Quadro 2.23. Pluviometria média mensal calculada pelo Método de Thiessen/Malha para
os postos fluviométricos das Bacias Metropolitanas
Posto Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total

Sítios
71,3 134,3 249,6 230,9 134,5 55,6 26,4 5,9 5,2 4,7 5,6 26,9 950,9
Novos

Baú 98,3 182,4 287,8 276,7 173,1 85,0 37,0 12,9 14,0 12,1 17,1 38,5 1234,9

Caio Prado 65,2 15,4 188,0 178,4 115,0 55,5 25,5 6,4 2,0 3,1 7,1 21,5 783,0

Aracoiaba 96,7 176,4 279,7 276,6 198,5 115,8 62,5 23,2 17,5 18,6 20,7 43,0 1329,2

Chorozinho 71,3 130,4 213,2 199,6 136,4 67,1 30,4 7,9 3,9 5,5 8,6 26,3 900,7

Cristais 75,4 134,8 210,5 179,0 107,5 48,5 18,1 5,5 2,6 6,7 11,7 30,9 831,3
Fonte: PERH (1992)

2.10.4. As variabilidades da Precipitação na Bacia

Nas duas últimas décadas houve um avanço significativo no entendimento da variabilidade


climática do setor norte do NEB, onde as Bacias Metropolitanasl se situam. Grande número de
pesquisas científicas, utilizando-se de análises observacionais auxiliadas com técnicas
estatísticas, investigou os mecanismos físicos responsáveis por esta variabilidade pluviométrica.
Os resultados evidenciaram que tais anomalias pluviométricas possuem escala espacial muito
maior do que a escala local, e que estão fortemente relacionadas com padrões atmosféricos e
oceânicos de grande escala que se processam (conjuntamente ou não) sobre os Oceanos Pacífico
e Atlântico Tropicais.

130
2.10.4.1. Sistemas Atmosféricos Atuantes

O curso sazonal da precipitação na maior parte das Bacias Metropolitanas é caracterizado pela
sua concentração em poucos meses, o que torna a estação chuvosa bem definida. Apresenta
máxima precipitação durante março e abril, coincidente com a posição mais sul da ZCIT e com o
aparecimento de Linhas de Instabilidade.

No período de fevereiro a maio outros sistemas atmosféricos atuam no sentido de contribuir ou


inibir as chuvas, tais como: Vórtices Ciclônicos de Ar Superior (VCAS); Frentes Frias e Linhas
de Instabilidade. As Bacias Metropolitanas também recebe, em alguns anos, chuvas de junho a
agosto, ocasionadas por um sistema atmosférico denominado Ondas de Leste.
• Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)
Reconhece-se como principal mecanismo organizador de convecção nas Bacias Metropolitanas a
ZCIT. Esta zona é um verdadeiro cinturão de baixa pressão formado sobre os oceanos
equatoriais e é assim denominada por se tratar da faixa para onde os ventos alísios dos dois
Hemisférios convergem, constituindo uma banda de grande convecção, altos índices de
precipitação e movimento ascendente. Ela se aproxima de sua forma quase linear sobre o Oceano
Atlântico (Figura 2.26), onde se apresenta, geralmente, como uma faixa latitudinal bem definida
de nebulosidade, onde interagem entre si a Zona de Confluência dos Alísios (ZCA), o Cavado
Equatorial, a zona máxima Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e a banda de máxima
cobertura de nuvens convectivas, não necessariamente a uma mesma latitude, mas muito
próximos uns dos outros.

Figura 2.26. Imagens do satélite GOES-12 no canal infravermelho da posição da Zona de


Convergência Intertropical (ZCIT) em 23 de Abril de 2008 (Fonte: NOAA)

A verdade é que o conjunto acima, como um todo, tem um deslocamento meridional durante o
ano, podendo a ZCIT ser representada pelo deslocamento de apenas um dos elementos
integrantes, devido à alta correlação existentes entre eles. É comum considerar o deslocamento
da banda de máxima cobertura de nuvens como representativo do movimento da ZCIT
(Figura 2.27).

131
Figura 2.27. Estimativa da posição média da ZCIT, em MAIO/2005 (Fonte: CPTEC)
Era de se esperar que a ZCIT se situasse sobre o Equador, porém, devido a maior parte dos
continentes se encontrar no Hemisfério Norte (HN) e a cobertura de gelo ser maior na Antártica,
a faixa de água do mar e ar mais aquecidos se localiza não no Equador geográfico, mas ao norte
dele, no chamado Equador Meteorológico, região esta onde a ZCIT permanece grande parte do
ano. Ela se desloca na direção meridional, entre 14º N e 2º S de latitude, seguindo, com certo
atraso, o movimento intra-anual do sul.

As variações sazonais da precipitação no setor norte do Nordeste parecem estar intimamente


ligadas às oscilações latitudinais da ZCIT sobre o Atlântico, sendo a estação chuvosa coincidente
com a posição mais ao sul que a ZCIT atinge durante os meses de março a abril. A medida que
essa começa o seu retorno para o HN, atingindo sua máxima posição norte em agosto e
setembro, o ar ascende sobre a ZCIT e descende sobre o Atlântico Subtropical Sul, criando
condições pouco propícias à formação e nuvens sobre a região (estação seca).
• Linha de Instabilidade (LI)
As brisas marítimas e terrestres são circulações locais que ocorrem em resposta ao gradiente
horizontal de pressão que, por sua vez, é provocado pelo contraste de temperatura diário entre
oceano e continente. Uma das características da brisa marítima consiste na formação de uma
linha de Cumulonimbus (Cbs) ao longo do extremo norte-nordeste da América do Sul, que pode
se propagar como uma LI, ocasionando chuvas nas áreas anteriores do continente (Figura 2.28);
o grau de penetração pode ser maior que 100 km, dependendo do escoamento de grande escala.
Este desenvolvimento ao longo da costa sofre variação sazonal tanto na localização como na
freqüência de aparecimento. Variações na intensidade também ocorrem no decorrer do ano.

132
Figura 2.28. Imagem do satélite METEOSAT-7 mostrando uma Linha de Instabilidade no
litoral norte do NEB (Fonte: FUNCEME)
Os fenômenos de grande escala reforçaram ou inibem os efeitos provocados pelas circulações
locais. Uma série de distúrbios de escala sinótica (1000 a 7000km) influenciam diretamente
essas circulações no sentido de aumentar (ou diminuir) suas atividades. Entre estes sistemas
podemos criar o deslocamento de massa de ar frio para regiões mais quentes formando zonas
frontais e a mudança sazonal de ar frio para regiões mais quentes formando zonas frontais e a
mudança sazonal do escoamento atmosférico nos centros de pressão e da posição da ZCIT. As
LIs são mais freqüentes durante a primavera, embora as mais intensas ocorram, durante o verão e
outono, quase sempre associadas à intensa atividade convectiva da ZCIT. Nos meses em que não
há desenvolvimento da linha convectiva na costa da bacia, a ZCIT está deslocada para a sua
posição mais ao norte ou há forte convergência na parte oeste do continente produzindo
movimento subsidente e ausência de precipitação na costa da bacia.

Embora o desenvolvimento das LIs associadas à brisa marítima sejam dependentes da


localização e intensidade de sistemas sinóticos, tal atividade convectiva pode, em alguns casos,
formar-se isoladamente sob influência apenas da diferença de aquecimento superficial diurno.
• Frentes Frias
Zonas frontais, sistemas frontais, ou simplesmente frentes são regiões de descontinuidade
térmica separando duas massas de ar de características diferentes. São, em geral, delgadas zonas
de transição entre uma massa de ar quente (menos densa) e uma de ar frio (mais densa). O
deslocamento relativo das massas de ar é que define a denominação; frente fria, por exemplo, é
aquela no qual o ar frio proveniente de altas e médias latitudes avança em direção ao ar quente,
empurrando para cima, provocando sua ascensão e posterior condensação (Figura 2.29).

133
Figura 2.29. Representação de superfícies frontais, regiões de transição entre massas de ar
diferentes (Fonte: INMET)
A penetração de sistemas frontais nas Bacias Metropolitanas ocasiona esporadicamente,
principalmente em sua porção sul, e atinge seu máximo nos meses de dezembro e janeiro.
• Vórtices Ciclônicos de Ar Superior (VCAS)
As estações chuvosas das Bacias Metropolitanasque, climatologicamente apresenta os máximos
em março-abril e maio-junho, respectivamente, são influenciadas, além de outros, por vários
sistemas meteorológicos transientes que atuam como forçantes para organizar a convecção
nessas regiões. Um desses sistemas é o VCAS (Figura 2.30).

Figura 2.30. Imagens do satélite METEOSAT no canal infravermelho. Mostrando a


influência de um VCAS na precipitação no Nordeste Brasileiro (Fonte:
FUNCEME)
Esses vórtices formam-se sobre o Atlântico Sul principalmente durante o verão do HS (sendo
janeiro o mês de atividade máxima) e adentram freqüentemente nas áreas continentais próximas
a salvador (13º S, 38º W) tendo um efeito pronunciando na atividade convectiva sobre o NEB.
Os VCAS geralmente se concentram entre 25º – 45º W e 10º – 25º S, região correspondendo ao
eixo médio do cavado de 200 hPa sobre o Atlântico durante o verão do HS.

As “baixas frias da alta troposfera” (ou VCAS) constituem sistemas de baixa pressão, cuja
circulação ciclônica fechada caracteriza-se por baixas temperaturas em seu centro (com
movimento subsidente de ar seco e frio) e temperaturas mais elevadas em suas bordas (com
movimento ascendente de ar quente e úmido) com relação às características de tempo

134
relacionadas a estes sistemas, observam-se condições de céu claro nas regiões localizadas abaixo
de seu centro e tempo chuvoso nas regiões abaixo de sua periferia. Em geral as partes sul e
central do NEB apresentam diminuição de nebulosidade à medida que o vértice se move para a
costa; a parte norte, por sua vez, experimenta um aumento de nebulosidade associada a chuvas
fortes.

Os mecanismos de formação dos VCAS de origem tropical não são totalmente conhecidos. No
entanto, Kousky e Gan (1981) sugerem que a penetração de sistemas frontais, devido a forte
advecção quente que os procede, induzem a formação dos VCAS, especialmente nas baixas e
médias latitudes. Esta advecção amplifica a crista de nível superior, e conseqüentemente o
cavado a leste formando, em ultima instância, um vórtice ciclônico sobre o Atlântico
(Figura 2.31).

Figura 2.31. Formação de um vórtice ciclônico (B) em altos níveis sobre o Atlântico sul (1 a
3) e a nebulosidade associada ao sistema na última fase (4). São indicados o
escoamento em 200 mb (linhas cheias), o eixo dos cavados (linhas tracejadas),
a Alta da Bolívia (A) e a posição da frente fria (linha com triângulos) (Fonte:
INMET)
• Ondas de Leste
É o principal responsável pela produção de chuvas na porção oriental das Bacias Metropolitanas
durante os meses de maio e junho. Os mecanismos associados à produção da precipitação neste
setor da bacia parecem ser os agrupamentos convectivos detectadas por Yamazaki e Rao (1977)
sobre o Atlântico Tropical Sul. A periodicidade associada a esses distúrbios foi de vários dias,
com uma velocidade média de propagação de cerca de 10 m/s (10º longitude por 1 dia).

Estas perturbações, conhecidas como “Ondas de Leste” (Figura 2.32) são semelhantes as que se
propagam no HN. A situação no Atlântico Sul é, entretanto, distinta daquela, vez que em
nenhuma estação do ano as perturbações se desenvolvem em ciclones ou mesmo em intensas
perturbações tropicais.

135
Ainda segundo Yamazaki and Rao (1977), estes distúrbios originam-se na costa da África e
deslocam-se até a costa brasileira (Figura 2.22); em alguns casos aparecem até mesmo adentrar
um pouco sobre o continente sul-americano. Outra observação feita é que, ratificando estudos
feitos por Wallace, estes “Distúrbios de leste” surgem somente durante o inverno do HS, período
coincidente com a estação do setor leste do NEB.

Figura 2.32. Imagem do satélite METEOSAT mostrando nebulosidade que está se


deslocando desde a costa da África até o litoral leste do Brasil (Fonte:
FUNCEME)
2.10.4.2. As Variações Inter-Anuais

Os dois modos de variabilidade oceano-atmosfera de grande escala que controlam a


variabilidade interanual da precipitação sobre a região, isto é, definem a qualidade da estação
chuvosa (se a mesma é normal, abaixo ou acima do normal), são os fenômenos: El
Niño/Oscilação Sul (ENOS) observado sobre o Pacífico Tropical, e o Padrão de Dipolo
observado sobre o Atlântico Tropical.
• El Niño/Oscilação Sul - ENOS
Pensava-se, inicialmente, que o fenômeno El Niño era restrito à costa do Peru e Equador,
caracterizado por Temperaturas da Superfície do Mar (TSMs) mais altas nas águas costeiras
daqueles dois países e de menor abundância de peixes, motivo para a suspensão da pesca e para
que então pudessem se dedicar à manutenção dos barcos e conserto das redes (Xavier, 1997). A
designação El Niño (uma referência ao Menino Jesus) era originariamente empregada pelos
pescadores locais para designar o período, em geral, iniciando próximo ao Natal, com duração de
alguns meses.

Sabe-se hoje que as condições que indicam a presença do fenômeno El Niño são o
enfraquecimento dos ventos alísios e o aumento da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no
Oceano Pacífico Equatorial Leste. Como conseqüência, ocorre uma diminuição das águas mais
frias que afloram próximo à costa oeste da América do Sul. Os Ventos Alísios são originados do
movimento de rotação da Terra, e se situam próximos à Linha do Equador, para onde
136
convergem. Estes ventos sopram de sudeste para noroeste, no hemisfério sul; e de nordeste para
sudoeste, no hemisfério norte. Sua área de atuação limita-se entre os paralelos 30º N e 30º S. A
Figura 2.33 mostra uma representação dos ventos alísios.

Figura 2.33. Representação dos ventos alísios


A Oscilação Sul funciona como um balanço de massa atmosférica de grande escala, envolvendo
trocas de ar entre os hemisférios leste e oeste, centradas nas latitudes tropicais e subtropicais,
sendo que os centros de ação localizam-se sobre a Indonésia e no Oceano Pacífico Tropical Sul.

Esses centros de ação estão ligados por uma célula de circulação de grande escala no sentido
zonal, isto é, leste-oeste (denominada “Célula de Walker” por Bjerknes, em 1969), com ramo
ascendente no Pacífico oeste e ramo subsidente no Pacífico leste, como mostra a Figura 2.34.

Figura 2.34. Condições normais de circulação da célula de Walker (Fonte: CPTEC)


Em condições normais, observam-se águas superficiais relativamente mais frias no Pacífico
Equatorial Leste, junto à costa oeste da América do Sul, e relativamente mais aquecidas no
Pacífico Equatorial Oeste, próximo à costa australiana e região da Indonésia. Os ventos alísios
sopram de leste para oeste favorecendo a ressurgência próximo à costa oeste da América do Sul.

A maioria dos estudos que abordaram os impactos do ciclo do ENOS sobre o clima do setor
norte do Nordeste (e também em diversas regiões do globo) tem sido muito mais direcionada
para a relação à sua fase quente (episódios El Niño). As interações oceano-atmosfera observadas
durante a manifestação dos episódios El Niño sobre o Pacífico Tropical desencadeiam mudanças
na circulação geral da atmosfera, tanto na Célula de Walker como na Célula de Hadley

137
(circulação atmosférica de grande escala no sentido meridional, com ramo ascendente sobre os
trópicos e ramo subsidente sobre as latitudes subtropicais).

As secas no setor norte do Nordeste são um reflexo das mudanças na circulação atmosférica de
grande escala sobre os trópicos, particularmente na Célula de Walker, devido ao efeito El Niño,
que passa a apresentar o ramo subsidente sobre o Atlântico Equatorial Norte (Kousky et
al.(1984) e Kayano et al.(1988))

A Figura 2.35 é mostrada, esquematicamente, a circulação atmosférica de grande escala


modificada em associação às condições de El Niño, onde nota-se, na região do Pacífico centro-
leste, águas mais quentes do que o normal e ramo de ar ascendente com formação de nuvens
convectivas profundas.

Figura 2.35. Caracterização das condições de El Nino (Fonte: CPTEC)


O ramo de ar ascendente (subindo sobre o Pacífico centro-leste) deve descer em algum lugar
(obedecendo à lei de continuidade de massa), o que ocorre sobre a região norte da Austrália e
Indonésia (no Pacífico ocidental) e, ainda, sobre o Atlântico Equatorial Norte, atingindo o setor
oriental da Amazônia e setor norte do Nordeste Brasileiro – NEB (que engloba principalmente o
Estado do Ceará).

O ramo de ar descendente inibe a formação de nuvens e, conseqüentemente, tem-se a


manifestação de chuvas abaixo do normal nessas regiões. Em geral, os anos com ocorrências de
chuvas deficientes no setor norte do Nordeste Brasileiro, onde se localiza aa Baciaa
Metropolitanas, estão associados a eventos ENOS, especialmente quando estes foram bem
configurados (exemplo: 1957/1958, 1982/1983), entretanto nem sempre todo fenômeno ENOS
observado foi responsável por secas ou chuvas deficientes na região. Ou seja, há outras variáveis
envolvidas no controle da pluviosidade no norte do NEB; como, por exemplo, as que ocorrem na
Bacia do Oceano Atlântico Tropical.

Apesar de os numerosos estudos sobre os padrões anômalos da circulação atmosférica e


precipitação sobre algumas regiões da América do Sul terem associado esses padrões às TSMs
anômalas no Pacífico Equatorial (associadas aos eventos ENOS), alguns trabalhos consideraram,
no entanto, que o efeito desse fenômeno não explica totalmente os padrões climáticos anômalos
observados sobre o setor norte do NEB.

As Figuras 2.36 e 2.37 mostram os efeitos globais do El Niño no clima do Planeta, para dois
períodos do ano.
138
Figura 2.36. Efeitos globais do El Niño nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (Fonte:
CPTEC)

Figura 2.37. Efeitos globais do El Niño nos meses de junho, julho e Agosto (Fonte:
CPTEC)
• La Niña
A La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao El
Niño, e que se caracteriza por um resfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano
Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas
nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima
devido à La Niña.

As condições que indicam a presença do Fenômeno La Niña estão associadas à intensificação


dos ventos alísios e ao declínio da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Pacífico
Equatorial Leste. As águas adjacentes à costa oeste da América do Sul tornam-se ainda mais
frias devido à intensificação do movimento de ressurgência.

139
Devido à maior intensidade dos ventos alísios, as águas mais quentes irão ficar represadas mais a
oeste do que o normal. Águas mais quentes geram evaporação e, conseqüentemente, movimentos
ascendentes, que, por sua vez, geram nuvens de chuva; a célula de Walker, em anos de La Nina,
fica mais alongada que o normal. A região com grande quantidade de chuvas é do nordeste do
Oceano Índico a oeste do Oceano Pacífico, passando pela Indonésia. A região com movimentos
descendentes da célula de Walker é no Pacífico Equatorial Central e Oriental (Figura 2.38). É
importante ressaltar que tais movimentos descendentes da célula de Walker no Pacífico
Equatorial Oriental ficam mais intensos que o normal o que inibe, e muito, a formação de nuvens
de chuva.

Figura 2.38. Caracterização das condições de La Nina (Fonte: CPTEC)


Até agora, os episódios La Niña vêm apresentando freqüência de 2 a 7 anos, e em menor
quantidade que o El Niño, durante as últimas décadas. Os episódios La Niña têm apresentados
períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que
2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do
mar (TSM), em anos de La Nina, têm apresentado desvios menores que em anos de El Niño.
Enquanto se observa anomalias de até 4, 5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em
anos de La Nina, as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média.

As Figuras 2.39 e 2.40 mostram os efeitos globais da La Niña no clima para dois períodos do
ano.

Figura 2.39. Efeitos globais da La Niña nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (Fonte:
CPTEC)

140
Figura 2.40. Efeitos globais da La Niña nos meses de junho, julho e agosto (Fonte:
CPTEC)
• Dipolo de Temperatura e Pressão
Segundo Hastenrath e Heller (1977) e Kousky et al (1984) o fenômeno não explica totalmente os
padrões climáticos anômalos observados sobre o setor norte do NEB. Várias análises de
correlações indicaram que o ENOS explica somente em torno de 10% da variabilidade da
precipitação sobre o NEB.

Nos meses do outono austral (março, abril e maio), período coincidente com a estação chuvosa
do setor norte do NEB, o modo de variabilidade oceano-atmosfera de grande escala dominante
sobre a Bacia do Atlântico Tropical é o conhecido Padrão de Dipolo do Atlântico (Hastenrath e
Heller, 1977; Moura e Shukla, 1981; Servain e Legler, 1986; Nobre, 1993; Nobre e Shukla,
1996; Wagner, 1996; Uvo et al., 1997).

O Padrão de Dipolo caracteriza-se pela manifestação simultânea de anomalias de TSM


configurando-se espacialmente com sinais opostos sobre as Bacias Norte e Sul do Atlântico
Tropical. Esse padrão térmico inverso gera, conseqüentemente, o aparecimento de um gradiente
térmico meridional e inter-hemisférico sobre o Atlântico Equatorial (Wagner, 1996), o qual
exerce influências no deslocamento norte-sul da ZCIT (Hastenrath & Greichscar, 1993; Nobre,
1993; Nobre e Shukla, 1996), que constitui-se no principal sistema meteorológico indutor de
chuvas na região do semi-árido no período da estação chuvosa (Hastenrath, 1990).

Com base nisso, a SRH – através da FUNCEME – implementou o projeto PIRATA (Pilot
Research Moored Array in the Tropical Atlantic), a partir dos meados de 1997, como parte
integrante de um programa de pesquisa oceanográfica internacional, financiado pelo Brasil,
França e Estados Unidos. A rede PIRATA consiste numa série de 12 bóias, semelhante à
existente no Oceano Pacífico (instaladas para estudar o fenômeno ENOS), situadas no Oceano
Atlântico Tropical, entre os Paralelos 15°N e 20°S. Têm por finalidade efetuar medições
oceânicas (temperatura, salinidade e pressão) da superfície até 500 m de profundidade, e
atmosféricas (direção e velocidade do vento, temperatura e umidade do ar, precipitação e
radiação solar).

A Figura 2.41 apresenta como as fases do Padrão de Dipolo controlam o posicionamento da


banda de nebulosidade e precipitação associada à ZCIT. O eixo principal da ZCIT tende a
posicionar-se, preferencialmente, sobre a região para onde está direcionado o gradiente térmico.
141
Por exemplo, na fase positiva do Dipolo (anomalias positivas de TSM na Bacia Norte e
negativas na Bacia Sul), o gradiente térmico aponta para o Hemisfério Norte.

Figura 2.41. Anomalias de TSM em oC (isolinhas) e de precipitação (áreas hachuradas)


para o quadrimestre fevereiro a maio nos anos em que se observaram: (a)
fase positiva; (b) fase negativa do Padrão de Dipolo sobre o Atlântico
Tropical. As isolinhas contínuas representam valores positivos e as
tracejadas, valores negativos. As áreas hachuradas indicam anomalias
positivas (cores vermelhas) e negativas (cores azuis) de precipitação. As setas
indicam o sentido do gradiente térmico para onde a ZCIT tende a posicionar-
se (Fonte: PLANERH, 2004)
A Figura 2.42 mostra as características espaciais da distribuição pluviométrica no setor norte do
NEB em anos de ocorrência de Dipolos Positivo e Negativo. Nota-se a ocorrência de um
predomínio de desvios negativos (positivos) ao longo da região nos anos de ocorrência da fase
positiva (negativa) do Dipolo de TSM no Atlântico Tropical, consistente com o esquema
mostrado nas Figuras 2.42a e 2.42b.

Figura 2.42. Distribuição espacial dos desvios de precipitação (x 100) ao longo do setor
norte do NEB. a) para uma composição de anos com ocorrência de Dipolo
Positivo (1951, 1953, 1945, 1956, 1958, 1955, 1966, 1970, 1978, 1979, 1980,
1981, 1982 e 1983) e b) para uma composição de anos com ocorrência de
Dipolo Negativo (1949, 1964, 1965, 1971, 1972, 1973, 1974, 1977, 1985, 1986 e
1989). Fonte: PLANERH, 2004)

142
As Figuras 2.43 e 2.44 apresentam, ilustrativamente, os efeitos dos dipolos positivos e
negativos, sobre a posição da ZCIT. nos meses de fevereiro a maio.

Figura 2.43. Movimentação da Zona de Convergência Intertropical em anos de dipolo


positivo do Atlântico, nos meses de fevereiro, março, abril e maio
(Fonte: FUNCEME)

Figura 2.44. Movimentação da Zona de Convergência Intertropical em anos de dipolo


negativo do Atlântico, nos meses de fevereiro, março, abril e maio
(Fonte: FUNCEME)

143
2.11. Fluviometria

São três as fontes de dados de fluviometria nas Bacias Metropolitanasl: os da Agência Nacional
de Águas (ANA), os gerados pelos PERH (CEARÁ,1992) e os gerados pelo Plano de
Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000).

2.11.1. Estações Fluviométricas

Segundo cadastro da ANA (HidroWeb), as Bacias Metropolitanas contam com 23 estações


fluviométricas, das quais 15 (65%) em operação. Os postos fluviométricos existentes estão
relacionados no Quadro 2.24. Com relação à titularidade das estações, a maioria (48%) pertence
à ANA e as demais se distribuem entre a ANA (39%) e o DNOCS (15%), COGERH (43%) e o
DNOCS (9%), como mostra a Figura 2.45.

9%

48%

43%

DNOC S C OGERH ANA

Figura 2.45. Relação das operadoras dos postos fluviométricos das Bacias Metropolitanas

Após uma análise criteriosa dos dados obtidos junto a ANA, constatou-se que apenas seis das 23
estações fluviométricas catalogadas como ativas reúne dados que permitem obter séries de
vazões. Além da simples ausência de dados, outras causas contribuem decisivamente para tal
situação, como: a existência de medições de cotas médias diárias sem que exista a curva-chave
correspondente, ou medições de descarga que possibilitem sua obtenção no período observado de
cotas; ou a existência de medições de descarga que possibilitam a obtenção da curva-chave,
porém sem que haja registros de cotas médias diárias que permitam a obtenção de séries de
vazões (PERH, 1992)

Todos os seis postos fluviométricos que apresentam dados aproveitáveis para as bacias
pertencem a ANA, estando dois deles (Chorozinho e Sítios Novos) desativados, com o restante
sendo operado pela CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Estes postos
consistem em estações fluviométricas básicas, de operação regular com duas leituras diárias de
régua, as 7 e 17h. Os dados são apresentados na forma de vazões diárias em m³/s (médias
diárias), monitorando os rios São Gonçalo, e Choró, com duas estações cada, e os rios Pacoti e
Pirangi, com uma estação cada.

144
Quadro 2.24. Estações Fluviométricas das Bacias Metropolitanas
Estação Código Rio ou Riacho Municipio Latitude Longitude Responsável Operadora
Aracoiaba 35875000 Aracoiaba Aracoiaba -04:22:00 -038:49:00 DNOCS DESATIVADA
Arraial 35871000 Aracoiaba Aracoiaba -04:22:41 -038:48:25 ANA CPRM
Ideal 35832000 Choro Aracoiaba -04:25:30 -038:40:39 ANA CPRM
Labirinto 35870000 Aracoiaba Baturité -04:18:00 -038:57:00 SUDENE DESATIVADA
Itapeim 35900000 Pirangi Beberibe -04:21:11 -038:07:04 ANA CPRM
Cristais 35950000 Pirangi Cascavel -04:29:59 -038:21:40 ANA CPRM
Açude Cauhipe 35721000 Cahuipê Caucaia -03:43:52 -038:51:38 COGERH COGERH
Açude Sítios Novos 35651000 São Gonçalo Caucaia -03:44:56 -038:57:26 COGERH COGERH
Campo Grande 35630000 Ceará Caucaia -03:45:43 -038:41:04 ANA CPRM
Chorozinho 35880000 Choro Chorozinho -04:18:00 -038:29:00 ANA DESATIVADA
Açude Riachão 35780000 Riachão Itaitinga -04:05:00 -038:34:00 COGERH COGERH
Caio Prado 3583000 Choro Itapiuna -04:37:27 -038:54:36 ANA CPRM
Açude Castro 35840000 Castro Itapiuna -04:34:25 -038:57:51 COGERH COGERH
Açude Penedo 35700000 Pacoti Maranguape -03:58:11 -038:44:43 COGERH COGERH
Açude Amanari 35605000 Amanari Maranguape -04:02:00 -038:50:00 COGERH COGERH
Sâo Vicente
35640000 São Gonçalo Maranguape -03:59:54 -038:56:30 ANA CPRM
(Ponte Br-020)
Açude Pacajus 35890000 Choro Pacajus -04:13:48 -038:23:12 COGERH COGERH
Açude Gavião 35710000 Coco Pacatuba -03:54:59 -038:33:34 COGERH COGERH
Baú 35760000 Bau Pacatuba -04:07:00 -038:40:00 SUDENE DESATIVADA
Continua...
145
Continuação...

Estação Código Rio ou Riacho Municipio Latitude Longitude Responsável Operadora


Pompéu Sobrinho 35800000 Choro Palhano -04:49:00 -039:07:00 SUDENE DESATIVADA
Açude Pompeu Sobrinho 35801000 Choro Quixadá -04:48:00 -039:07:00 COGERH COGERH
Acarapé 35745000 Pacoti Redenção -04:14:00 -038:42:00 DNOCS DESATIVADA
Açude Acarapé do Meio 35730000 Pacoti Redenção -04:11:00 -038:48:00 COGERH COGERH
Barra Nova 35740000 Pacoti Redenção -04:11:36 -038:46:47 ANA CPRM
Umarituba - Ponte 35669000 São Gonçalo São Gonçalo do Amarante -03:39:00 -038:59:00 SUDENE DESATIVADA
Sítios Novos 35650000 São Gonçalo São Gonçalo do Amarante -03:44:59 -038:57:18 ANA DESATIVADA
Umarituba Nova 35668000 São Gonçalo São Gonçalo do Amarante -03:40:14 -038:58:57 ANA CPRM
Fonte: ANA (site-2/12/2009)

146
O comportamento dos deflúvios em todas as seis estações é muito semelhante, de maneira
que, entre os meses de março e maio de cada ano, ocorrem vazões bastante elevadas, muito
superiores à média anual. Porém, entre junho e dezembro, observa-se o desaparecimento
parcial ou total do escoamento superficial, decorrente da estiagem, sendo que em janeiro e
fevereiro costuma ocorrer uma pequena recuperação de vazões, em decorrência do início das
precipitações na região.

Com base nos dados fluviométricos, é possível quantificar as vazões máximas, médias e
mínimas mensais, das estações das Bacias Metropolitanas (Quadro 2.25). Para facilitar a
visualização do comportamento dos deflúvios da bacia, a Figura 2.46 apresenta os
histogramas do posto Chorozinho, em Chorozinho (código 35880000).
Quadro 2.25. Valores das vazões máximas, médias e mínimas mensais das séries
históricas dos cursos d’água que compõem as Bacias Metropolitanas
Vazões Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Posto Umarituba Nova, em São Gonçalo do Amarante (código 35668000)
Máxima 1,22 4,70 28,09 35,35 24,82 6,19 1,75 0,27 0,03 0,00 0,00 0,20
Média 0,11 1,73 4,22 8,68 4,40 1,24 0,53 0,09 0,01 0,00 0,00 0,01
Mínima 0,00 0,46 0,69 1,66 0,80 0,34 0,18 0,02 0,00 0,00 0,00 0,00
Posto Sítios Novos, em São Gonçalo do Amarante (código 35650000)
Máxima 4,33 8,46 52,74 57,68 34,53 5,83 1,91 0,26 0,01 0,00 0,00 0,13
Média 0,07 1,90 7,83 8,14 5,26 1,44 0,50 0,21 0,00 0,00 0,00 0,00
Mínima 0,00 0,62 1,94 1,26 0,82 0,47 0,25 0,11 0,00 0,00 0,00 0,00
Posto Barra Nova, em Redenção (código 35740000)
Máxima 3,62 3,70 14,00 45,15 25,16 16,21 5,84 2,60 0,96 0,93 0,91 0,91
Média 0,79 1,04 2,50 6,16 4,04 2,82 1,57 0,95 0,67 0,73 0,67 0,68
Mínima 0,42 0,46 0,63 1,40 1,41 1,01 0,70 0,54 0,48 0,60 0,45 0,48
Posto Chorozinho, em Chorozinho (código 35880000)
Máxima 16,60 41,27 125,31 184,55 180,09 77,96 32,00 4,61 1,84 1,10 0,90 1,96
Média 2,86 9,05 32,21 54,01 50,40 17,75 8,28 2,30 1,01 0,60 0,39 0,61
Mínima 0,15 1,56 4,18 13,09 11,23 5,19 3,26 1,22 0,54 0,29 0,18 0,15
Posto Cristais, em Cascavel (código 35950000)
Máxima 9,25 21,16 57,28 89,18 83,44 21,38 5,30 1,18 0,27 0,02 0,0035 0,05
Média 1,27 3,80 13,23 25,49 20,49 4,47 0,81 0,29 0,19 0,01 0,00 0,00
Mínima 0,00 0,64 0,88 4,05 2,68 1,32 0,10 0,04 0,11 0,00 0,00 0,00
Posto Caio Prado, em Itapiúna (código 35830000)
Máxima 13,03 17,76 61,72 114,62 87,64 17,08 3,71 0,89 0,13 0,08 0,45 0,54
Média 1,79 2,27 8,42 16,79 11,17 2,09 0,69 0,24 0,06 0,06 0,10 0,11
Mínima 0,05 0,14 0,60 1,48 1,19 0,35 0,14 0,10 0,03 0,03 0,05 0,05
Fonte: ANA (site-02/12/2009)

147
V az õe s Me ns ais
C horoz inho
200,00
180,00
160,00
v az ão (m³/s )

140,00
120,00
100,00
80,00
60,00
40,00
20,00
0,00
J an Fev Mar A br Mai J un J ul A go S et Out Nov Dez
Máx ima Média Mínima

Figura 2.46. Vazões Mensais do posto fluviométrico Chorozinho, em Chorozinho


(código 35880000)
As vazões médias anuais escoadas variam entre 1,93 m³/s (posto Barra Nova) e 17,28 m³/s
(posto Chorozinho). Os coeficientes de variação variam entre 1,53 (posto Chorozinho) e 0,77
(posto Barra Nova), que foi o único posto que apresentou CV menor que 1, típico do Semi-
Árido nordestino. Transformando as vazões médias em lâminas, obtêm-se valores variando
entre de 75,49 mm/ano (posto Caio Prado) e 296,31 (posto Sítios Novos), que quando
comparados com suas respectivas precipitações médias, encontram-se coeficientes de
escoamento variando entre 8,87% (posto Cristais) e 28,91% (posto Sítios Novos), como
mostra o Quadro 2.26.
Quadro 2.26. Características das Vazões anuais nas estações de Umarituba Nova (código
35668000), Sítios Novos (código 35650000), Barra Nova (código
35740000), Chorozinho (código 35880000), Cristais (código 35950000) e
Caio Prado (código 35830000)
Umarituba Sítios Barra Caio
Discriminação Chorozinho Cristais
Nova Novos Nova Prado
Média (m³/s) 2,21 4,11 1,93 17,28 7,62 4,27
Desvio Padrão (m³/s) 2,74 5,26 1,50 26,45 11,04 5,01
Coef. de variação 1,2 1,3 0,8 1,5 1,4 1,2
Vazão máxima (m³/s) 10,00 17,24 6,02 121,52 44,91 20,73
Vazão mínima (m³/s) 0,06 0,01 0,17 0,24 0,03 0,02
Lâmina (mm) 146,94 296,31 187,02 132,23 118,04 75,49
Precipitação (mm)* 1025,00 1025,00 1062,00 796,00 1331,00 822,40
Coeficiente de Escoamento (%) 14,34 28,91 17,61 16,61 8,87 9,18
Fonte: ANA/*FUNCEME

2.11.2. Dados do PERH (1992)

Em função da inexistência ou precariedade dos dados fluviométricos efetivamente medidos


nas Bacias Metropolitanas, o PERH (1992) empregou o modelo de simulação hidrológica
chuva x deflúvio MODHAC. O estudo baseou-se na geração de séries históricas de deflúvios
de longa duração para estações fluviométricas e açudes existentes de maior porte (> 10 hm³),
e a definição de expressões de regionalização do deflúvio médio, para todo o Ceará. O
148
MODHAC se fundamenta na simulação de três reservatórios representando os recursos
superficiais, subsuperficiais e subterrâneos, através de um balanço de massa a nível diário, sua
estrutura é composta por 12 parâmetros, dos quais, pelo menos 7, são parâmetros de
calibragem.

O processo de calibragem do MODHAC para as estações fluviométricas realizado pelo PERH


foi muito prejudicado devido à má qualidade dos dados fluviométricos, onde somente para
uma parcela das estações estudadas, se obteve ajustamentos satisfatórios.

Para as Bacias Metropolitanas, o PERH apresenta lâminas geradas para seis estações
fluviométricas e cinco açudes, cujos parâmetros estão apresentados nos Quadro 2.27 e 2.28.
Quadro 2.27. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para as
estações fluviométricas Sítios Novos (cód. 35650000), Baú (cód. 35760000),
Caio Prado (cód. 3583000), Chorozinho (cód. 35880000), Cristais (cód.
35950000), e Aracoiaba (cód. 35875000)
Pluviometria
Estação Rio Barrado Série Deflúvio (mm) Coef. Esc. (%)
(mm)
Sítios Novos São Gonçalo 12/88 950,9 309,6 32,56
Baú Baú 12/88 1234,9 193,1 15,64
Caio Prado Choró 12/88 783,0 55,5 7,09
Chorozinho Choró 12/88 900,0 134,1 14,90
Cristais Pirangi 12/88 831,3 123,3 14,83
Aracoiaba Aracoiaba 12/88 1329,2 253,7 19,09
Fonte: PERH (1992)

Quadro 2.28. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para os
açudes Amanari, Acarape do Meio, Gavião, Pacoti/Riachão e Pompeu
Sobrinho (Choró)
Pluviometria Deflúvio Coef.
Açude Rio Barrado* Série
(mm) (mm) Esc. (%)
Amanari Pocinhos 1922/88 1010,9 362,5 35,86
Aracape do Meio Pacoti 1922/88 1284,8 228,5 17,78
Gavião Cocó 1912/88 1218,3 263,4 21,62
Pacoti / Riacão Pacoti 1922/88 1130 174,4 15,43
Pompeu Sobrinho
Choró 1912/88 791,7 112,1 14,16
(Choró)
Fonte: PERH (1992)/SRH (10/01/2010)*

Apesar de controlarem áreas diferentes das Bacias Metropolitanas, podemos comparar os


valores de coeficiente de escoamento dos deflúvios gerados para os açudes e estações
fluviométricas das sub-bacias dos rios São Gonçalo, Pirangi, Pacoti e Choró, com o mesmo
parâmetro encontrado para as séries históricas medidas.

Na sub-bacia do Rio São Gonçalo, temos as séries históricas de deflúvios medidos para duas
estações (Umarituba Nova e Sítios Novos) e séries geradas para uma estação fluviométrica
(Sítios Novos) e um açude (Amanari). As séries históricas do Umarituba Nova e Sítios Novos
apresentam, respectivamente, coeficientes de escoamento iguais a 14,34 e 28,91%, enquanto
as séries geradas para açude Amanari e para o posto de Sítios Novo apresentaram,
respectivamente, 35,86 e 32,56%, valores bem mais elevados que os efetivamente medidos.
149
Na sub-bacia do Rio Choró, temos as séries históricas de deflúvios medidos para duas
estações (Chorozinho e Caio Prado) e séries geradas para três estações fluviométricas
(Chorozinho, Caio Prado e Aracoiaba) e um açude (Pompeu Sobrinho). As séries históricas do
Chorozinho e Caio Prado apresentam, respectivamente, coeficientes de escoamento iguais a
16,61 e 9,18%. As séries geradas para açude Pompeu Sobrinho (Choró) apresentam 14,16% e
para os postos de Chorozinho, Caio Prado e Aracoiaba apresentaram, respectivamente,
14,90%, 7,09% e 19,09%.

No caso específico, dos postos Chorozinho e Caio Prado, que dispõe tanto de dados medidos quanto
de dados gerados apresentam coeficiente de escoamento de mesma ordem de grandeza.
Na sub-bacia do Rio Pacoti, tem-se a série histórica de deflúvios medidos para uma estação
(Barra Nova) e séries geradas para dois açudes (Pacoti/Riachão e Acarape do Meio). A série
histórica de Barra Nova apresenta coeficiente de escoamento de 17,6%; enquanto as séries
geradas para os açudes Pacoti/Riachão e Acarape do Meio apresentaram, respectivamente,
17,78 e 15,43%. Os valores do PERH são, portanto, também bastante próximos dos medidos.
A sub-bacia do Rio Pirangi apresenta a séries históricas de deflúvios medidos e gerados para a
estação de Cristais. A série histórica do posto Cristais apresenta coeficiente de escoamento de
8,8; enquanto a série gerada apresentaram 14,83%.
Dentro do conjunto de dados fluviométricos apresentados para as Bacias Metropolitanas, ainda tem-
se duas séries de vazões geradas pelo PERH, uma para a estação fluviométrica de Baú e outra para o
açude Gavião, ambos na sub-bacia do Cocó/Coaçu, porém não são apresentados dados medidos
para esta sub-bacia, dificultando uma análise mais criteriosa dos dados gerados.

2.11.3. Dados do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000)

No referido estudo, também foi utlizado o MODHAC como o modelo para a geração das
vazões afluentes aos reservatórios das Bacias Metropolitanas. Para as Bacias Metropolitanas,
o Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas apresenta lâminas geradas
para 25 açudes, cujos parâmetros estão apresentados no Quadro 2.29.
Quadro 2.29. Síntese dos parâmetros médios anuais para os deflúvios gerados para os
Açudes Existentes e Projetados das Bacias Metropolitanas
Açude Rio Barrado Série Pluv (mm) Deflúvio (mm) Coef. Esc. (%) CV
Acarape do Meio Pacoti 1912/1996 1275,9 419,8 32,9 0,7
Amanari Rch. do Recanto 1922/1996 1120,8 322,9 28,8 0,8
Amarelas Cór. do Camará 1939/1996 1023,6 261,3 25,5 1,0
Anil Riacho Anil 1962/1996 896,1 173,8 19,4 0,9
Antônio de
- 1912/1996 787,5 125,5 15,9 1,3
Medeiros
Aracoiaba Aracoiaba 1912/1996 1113,7 118,2 10,6 1,3
Batente Pirangi 1919/1966 796,9 99,9 12,5 1,3
Castro Castro 1912/1996 936,2 152,9 16,3 1,2
Catu Rch. Catu 1912/1996 1149,0 304,6 26,5 1,0
Cauhipe Rch. Cauhipe 1962/1996 1092,7 222,3 20,3 0,8
Continua...

150
Continuação...

Açude Rio Barrado Série Pluv (mm) Deflúvio (mm) Coef. Esc. (%) CV
Ceará Ceará 1912/1996 1124,9 320,2 28,5 0,9
Choró Choró 1912/1996 829,7 82,8 10,0 1,3
Choró-Limão Choró 1932/1996 745,2 76,7 10,3 1,3
Feijão Rch. Feijão 1962/1996 808,0 108,7 13,5 1,4
Gameleiras Rch. Candeias 1912/1996 1294,6 484,2 37,4 0,8
Gavião Cocó 1912/1996 1297,7 399,0 30,7 0,9
Germinal Pacoti 1912/1996 1308,5 434,3 33,2 0,7
Itapebuçu São Gonçalo 1922/1996 1161,9 312,0 26,9 0,7
Macacos Rch. Macacos 1962/1996 812,1 109,3 13,5 1,4
Rch. Mal-
Mal-Cozinhado 1912/1996 1181,2 339,3 28,7 0,9
Cozinhado
Pacajus Choró 1912/1996 864,9 108,2 12,5 1,2
Pacoti-Riachão Pacoti 1912/1996 1128,2 242,8 21,5 0,9
Pesqueiro Rch. Lagoa Nova 1912/1996 1264,1 377,3 29,8 1,0
Pirangi - 1919/1966 809,0 101,3 12,5 1,3
Sítios Novos São Gonçalo 1922/1996 975,7 231,0 23,7 0,9
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas(2000)

Na bacia do Rio Choró existem dados para sete açudes (Aracoiaba, Castro, Choró, Pacajus,
Choró-Limão, Gameleiras e Pesqueiro), cujos coeficientes de escoamento assumem valores
entre 10,0% (Choró) e 37,4% (Gameleiras), este último relativamente alto. Já para as estações
de Chorozinho (cód. 35880000) e Caio Prado (cód. 35830000), que estão localizadas na
mesma bacia, os coeficientes assumiram, respectivamente, 16,6 e 9,2%.

Na sub-bacia do Rio São Gonçalo tem-se dados para quatro açudes (Amanari, Anil, Sítios
Novos e Itapebuçu), cujos coeficientes de escoamento assumem valores entre 19,4% (Anil) e
28,8% (Amanari). Já para as estações de Umarituba Nova (cód. 35668000) e Sítios Novos
(cód. 35650000), que estão localizadas na mesma bacia, os coeficientes assumiram,
respectivamente, 14,3 e 28,9%. Quando comparamos os dados gerados para esta bacia pelo
PERH (1992), para açudes e estações fluviométricas, com os gerados pelo Plano de
Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000), vê-se que os dados gerados pelo
PERH são consideravelmente mais elevados, passando de 28,8 para 35,9% no caso do açude
Amanari. Observa-se ainda um coeficiente de variação de 0,8, relativamente baixo para a
região.

Para a sub-bacia do Rio Pacoti, tem-se dados para três açudes (Acarape do Meio, Germinal e
o sistema Pacoti/Riachão), cujos coeficientes de escoamento são, respectivamente, 32,9%,
33,2% e 21,5. Já para a estação de Barra Nova (cód. 35740000), que está localizada na mesma
bacia, o coeficiente de escoamento encontrado foi de 17,6%. O PERH (1992) apresenta dados
gerados para o Pacoti/Riachão, que se comparados com os dados obtidos para o mesmo açude
pelo Plano das Bacias Metropolitanas (2000), mostram uma diferença cerca de 6%.

A sub-bacia do Rio Pirangi apresenta dados gerados para cinco açudes (Amarelas, Batente,
Feijão, Macacos e Pirangi), cujos coeficientes de escoamento assumem valores entre 12,5%
151
(Batente e Pirangi) e 25,5% (Amarelas). Já para a estação de Cristais (cód. 35950000), que
está localizada na mesma bacia, o coeficiente encontrado foi bem inferior, igual a 8,9%.

Não há dados fluviométricos gerados pelo PERH (1992) ou medidos pelas estaçoes para as
sub-bacias do Ceará/Maranguape, Cocó/Coaçu, Malcozinhado, Cauhipe e Catu, dificultando a
obtenção dos coeficientes de escoamento de sete dos 25 reservatórios apresentados no Plano
de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000).

2.12. Caracterização Sócio-Econômica

2.12.1. Demografia

2.12.1.1. Evolução da População e Distribuição Geográfica

Nesse item, e nos demais itens da caracterização sócio-econômica, serão análisados os 40


municípios contidos total ou parcialmente nas Bacias Metropolitanas, até mesmo os que
oficialmente , segundo o Decreto Nº 26.902/2003, não fazem parte da Bacia, com o intuito de obter
um retrato mais abrangente da região. De acordo com o IBGE, esses 40 municípios, apresentavam
uma população total no ano de 2000, em torno de 3.736.526 habitantes, dos quais 3.300.007
(88,3%) seriam residentes de áreas urbanas e 474.296 (11,7%) de áreas rurais.

A participação populacional no estado apresentou significativo aumento quando se compara os


dados do censo de 2000 com o censo de 1970, aumentando de 32,9 % para 50,3 % da população
estadual. Isso só vem confirmar o posto de Fortaleza, e região metropolitana, como principal
centro urbano do Estado.

Quando se analisa sob a ótica do conjunto regional, nota-se que a população total aumentou mais
de 200% durante os últimos 30 anos, uma marca impressionante. De um contingente populacional
de 1.436.565 hab. em 1970, passou a apresentar 3.736.526 hab., segundo dados do censo de 2000
(IBGE) (Figura 2.47). A população dos municípios das Bacias Metropolitanas deve passar dos
3.736.526 habitantes (censo demográfico 2000) para 4.532.777 hab. em 2010. Aqueles
municípios com elevada TGCA (Taxa Geométrica de Crescimento Anual) e população expressiva
devem receber atenção especial, devido aos conseqüentes incrementos de demanda por água,
como Caucaia, Eusébio e Horizonte.

Nú m e r o d e Hab itan te s
Bac ias Me tr o po litan as
50,0
P opulaç ão (100.000 hab.)

40,0

30,0

20,0

10,0

0,0
1970 1980 1991 2000 2010

an o

Figura 2.47. Crescimento Populacional nas Bacias Metropolitanas (1970 a 2010)

152
De forma geral, deve crescer o número de municípios com mais de 50.000 hab. dentro das
Bacias Metropolitanas, passando dos atuais 12 para 14, em contraponto aos municípios de até
50.000 habitantes, que passarão de 28 para 26. Os cinco municípios mais populosos são:
Fortaleza (2.141.402 habitantes), Caucaia (250.479), Maracanaú (179.732), Maranguape
(88.135) e Quixadá (69.654), perfazem 73,0% da população das Bacias Metropolitanas
(2.729.402), ou seja, quase 3/4 do total. Destaca-se Fortaleza, a cidade mais populosa, que
apresenta uma densidade demográfica igual a 6.854,68 hab/km².
Quanto à taxa de urbanização, verificou-se nas últimas décadas um processo semelhante de outros
grandes centros, ou seja, além do crescimento populacional da região, verificou-se também um
aumento da taxa de urbanização. A Figura 2.48 apresenta as taxas de urbanização nas Bacias
Metropolitanas.
Evo lu ç ão da T axa d e Urb aniz aç ão
Bac ias Me tr opolitanas
100,0
90,0
taxa de urbaniz aç ão

80,0
70,0
60,0
(% )

50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
1970 1980 1991 2000 2010

ano

Figura 2.48. Taxa de Urbanização dos Municípios que compõem as Bacias


Metropolitanas
O Quadro 2.30 apresenta as populações dos municípios que compõem as Bacias
Metropolitanas obtida pelos censos demográficos de 1970, 1980, 1991 e 2000 além da
projeção para 2010.

153
Quadro 2.30. População residente nos municípios das Bacias Metropolitanas nos anos de 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010
População de 1970 População de 1980 População de 1991 População de 2000 População de 2010
Município
Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total
Acarape - - - - - - 5.383 4.808 10.191 7.025 5.902 12.927 8.957 7.189 16.147
Aquiraz 3.579 28.928 32.507 37.752 7.359 45.111 40.772 5.533 46.305 54.682 5.787 60.469 71.051 6.086 77.137
Aracoiaba 5.005 28.897 33.902 4.989 30.264 35.253 10.478 12.030 22.508 12.205 11.859 24.064 11.658 14.237 25.895
Barreira - - - - - - 3.341 11.418 14.759 6.375 10.649 17.024 9.945 9.744 19.689
Baturité 8.804 13.416 22.220 12.377 12.083 24.460 16.199 10.948 27.147 20.846 9.015 29.861 26.314 6.740 33.055
Beberibe 4.659 24.714 29.373 5.796 29.678 35.474 10.520 26.281 36.801 19.697 22.646 42.343 30.496 18.368 48.865
Capistrano 1.772 10.796 12.568 3.038 12.116 15.154 4.459 11.100 15.559 5.252 10.578 15.830 6.185 9.964 16.149
Cascavel 10.307 28.721 39.028 36.967 10.701 47.668 37.093 9.414 46.507 47.453 47.453 57.129 59.644 9.984 69.629
Caucaia 11.184 43.570 54.754 73.331 20.777 94.108 147.601 17.498 165.099 226.088 24.391 250.479 318.450 32.503 350.952
Choro - - - - - - - - - 2.849 9.152 12.001 4.589 8.840 13.430
Chorozinho - - - - - - 4.299 11.193 15.492 9.469 9.238 18.707 15.553 6.937 22.490
Eusébio - - - - - - 20.410 - 20.410 31.500 - 31.500 44.550 0 44.550
Fortaleza 827.628 30.352 857.980 1.307.611 - 1.307.611 1.768.637 - 1.768.637 2.141.402 - 2.141.402 2.580.063 0 2.580.063
Guaiúba - - - - - - 10.048 7.514 17.562 15.611 4.273 19.884 22.157 459 22.616
Horizonte - - - - - - 10.786 7.497 18.283 28.122 5.668 33.790 48.523 3.516 52.038
Itapiúna 3.014 10.810 13.824 3.454 9.771 13.225 4.966 7.888 12.854 7.684 8.592 16.276 10.882 9.420 20.303
Itaitinga - - - - - - - - - 26.546 2.671 29.217 34.517 2.280 36.798
Maracanaú - - - - - - 156.410 741 157.151 179.170 562 179.732 205.953 351 206.305
Ocara - - - - - - 5.182 14.646 19.828 6.372 15.212 21.584 7.772 15.878 23.650
Pacajus 8.730 24.605 33.335 23.937 23.039 46.976 22.650 9.150 31.800 34.301 9.769 44.070 48.012 10.497 58.509

154
População de 1970 População de 1980 População de 1991 População de 2000 População de 2010
Município
Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total
Pacatuba 9.092 22.824 31.916 24.809 17.301 42.110 53.626 6.522 60.148 47.028 4.668 51.696 62.531 6.020 68.551
Pindoretama - - - - - - 4.185 8.257 12.442 6.818 8.133 14.951 9.916 7.987 17.904
Redenção 9.250 28.419 37.669 12.104 30.543 42.647 10.718 12.039 22.757 12.787 12.206 24.993 15.222 12.403 27.624
Aracati - - - - - - 33.990 26.697 60.687 39.179 22.008 61.187 48.257 24.851 73.108
Aratuba 10.558 850 9.708 1.070 11.360 12.430 1.510 9.068 10.578 2.157 10.202 12.359 2.918 11.536 14.455
Canindé 12.068 38.584 50.652 19.347 38.833 58.180 30.115 31.712 61.827 39.573 30.028 69.601 50.703 28.046 78.749
Fortim - - - - - - - - - 8.610 3.456 12.066 15.771 838 14.933
Guaramiranga 689 5.723 6.412 694 4.732 5.426 1.572 3.721 5.293 2.330 3.384 5.714 3.222 2.987 6.209
Ibaretama - - - - - - 2.004 9.249 11.253 3.366 9.195 12.561 4.969 9.131 14.100
Maranguape 24.063 35.559 59.622 57.966 33.160 91.126 51.954 19.751 71.705 65.268 22.867 88.135 80.936 26.534 107.469
Morada Nova - - - - - - 26.499 32.413 58.912 33.869 30.531 64.400 42.542 28.316 70.858
Mulungu 1.328 7.054 8.382 1.329 6.099 7.428 3.023 4.819 7.842 3.715 5.182 8.897 4.529 5.609 10.138
Pacoti 1.860 9.413 11.273 2.057 8.133 10.190 3.179 6.921 10.100 3.809 7.120 10.929 4.550 7.354 11.905
Palhano - - - - - - 3.525 4.421 7.946 4.259 3.907 8.166 5.123 3.302 8.425
Palmácia 2.518 8.777 11.295 3.110 7.280 10.390 3.725 6.511 10.236 4.417 5.442 9.859 5.231 4.184 9.415
Paracuru 6.447 18.075 24.522 9.048 19.555 28.603 11.147 9.795 20.942 16.673 10.868 27.541 23.176 12.131 35.307
Pentecoste 10.648 23.972 34.620 12.551 19.581 32.132 16.591 15.661 32.252 19.212 13.388 32.600 22.296 10.713 33.010
Quixadá - - - - - - 39.404 32.820 72.224 46.888 22.766 69.654 57.307 22.016 79.324
Russas - - - - - - 27.055 19.511 46.566 35.323 21.997 57.320 45.053 24.922 69.975
S. Gonçalo do
4.971 16.032 21.003 7.110 17.570 24.680 17.999 11.287 29.286 22.077 13.531 35.608 26.876 16.172 43.048
Amarante
Fonte: PERH(1982)/IPECE(2009)

155
2.12.2. Abastecimento de Água e Saneamento

Segundo o Anuário Estatístico do Ceará 2009 (IPECE), banco de dados oficial do Estado do
Ceará, o percentual de domicílios atendidos nas Bacias Metropolitanas, em 2008, pela rede de
abastecimento de água varia de 43,05% em Guaramiranga, a 98,63% em Aratuba, atingindo o
percentual de cerca de 90% para toda a região. Já o número de domicílios servidos por rede de
coleta de esgotos é preocupante. Dos 40 municípios que compõem a bacia, 10 não dispõem de
nenhum tipo de rede de esgoto, com o restante dos municípios atingindo valores de taxa de
cobertura entre 0,11% (Pacajus) e 72,74% (Pacoti), não abrangendo nem 30% da população
total da região (Quadro 2.31).
Quadro 2.31. Porcentagem de domicílios com abastecimento de água e porcentagem de
domicílios com esgotamento sanitário das Bacias Metropolitanas em 2008
Taxa de Cobertura Urbana (%)
Município Abastecimento Esgotamento
de Água Sanitário
Acarape 97,51 52,44
Aquiraz 47,24 22,74
Aracati 95,42 3,50
Aracoiaba 76,84 0,00
Aratuba 98,63 42,77
Barreira 85,68 11,70
Baturité 94,42 4,75
Beberibe 60,32 31,14
Canindé 98,02 24,20
Capistrano 92,13 0,00
Cascavel 72,07 3,34
Caucaia 93,02 9,86
Choró 76,21 0,00
Chorozinho 59,44 0,00
Eusébio 84,22 18,27
Fortaleza 97,62 51,68
Fortim 63,45 0,00
Guaiúba 77,89 26,40
Guaramiranga 43,05 35,21
Horizonte 83,97 2,17
Ibaretama 53,47 0,00
Continua...

156
Continuação...

Taxa de Cobertura Urbana (%)


Município Abastecimento Esgotamento
de Água Sanitário
Itaitinga 92,09 3,51
Itapiúna 98,59 0,00
Maracanaú 77,76 17,28
Maranguape 77,35 5,70
Morada Nova 91,17 3,68
Mulungu 98,46 15,75
Ocara 65,34 17,90
Pacajus 89,76 0,11
Pacatuba 28,53 6,40
Pacoti 97,11 72,74
Palhano 83,83 0,00
Palmácia 88,67 27,40
Paracuru 86,97 33,62
Pentecoste 98,55 0,00
Pindoretama 32,44 0,00
Quixadá 86,14 14,51
Redenção 88,75 5,20
Russas 92,84 36,34
São Gonçalo do Amarante 75,59 18,91
Fonte: IPECE - Anuário Estatístico do Ceará 2009

Quanto ao abastecimento das comunidades rurais e até distritais, os dados disponíveis são do
Projeto São José, conforme o Quadro 2.32, que mostra a construção e instalação de
119 sistemas de abastecimento, com ligações domiciliares ou com chafarizes, que atendem a
9.959 famílias, agrupadas em núcleos urbanos que variam de 27 a 288 famílias. Estas ações
são executadas pela Sohidra e pela Cagece com contrapartida de 10% da comunidade e estão
sendo administradas de diversas formas. Há que considerar que muitos municípios da Bacia
não estão enquadrados no semi-árido, por conseguinte, não são beneficiados pelo Projeto São
José.

157
Quadro 2.32. Obras de abastecimento do projeto São José nos municípios da Bacia
do Metropolitana no período de 2000 a 2009
Município Nº de Obras Nº de Famílias Atendidas
Acarape 1 114
Aracoiaba 10 1.706
Aratuba 1 49
Barreira 14 695
Baturité 1 153
Capistrano 10 725
Caucaia 12 928
Choró 8 506
Chorozinho 3 304
Horizonte 4 338
Ibaretama 9 608
Itapiuna 9 1.038
Maranguape 4 396
Mulungu 6 271
Ocara 13 993
Pacoti 4 360
Palmácia 6 485
Redenção 3 290
Total 118 9.959
Fonte: SDA, julho de 2009

2.12.3. Economia e Desenvolvimento Humano

As Bacias Metropolitanas não constituem uma região homogênea, do ponto de vista as


condições sócio-econômicas às quais está exposta sua população. A composição setorial do
PIB e PIB per capita da região mostra que as disparidades intra-regionais são significativas: o
coeficiente de variação dos produtos por habitantes dos municípios situa-se acima de 68%. Os
maiores valores de PIB ocorreram para os municípios de Fortaleza, Maracanaú e Caucaia, no
entanto, as maiores rendas per capita estão com os municípios de Eusébio, Maracanaú e
Horizonte.

O setor terciário (comércio e serviços) responde por cerca de 71% PIB gerado nas Bacias
Metropolitanas, seguido pelo setor industrial e a agropecuária, que respondem, respectivamente,
por aproximadamente 26% e 2% do PIB da região. Em 21 dos 40 municípios o PIB gerado pela
agropecuária superou o do setor industrial, mas, em contrapartida, em 29 municípios dos 40
municípios o PIB gerado pelas industrias superou a agropecuária, com destaque para Eusébio,
Horizonte, Maracanaú e Pacatuba onde as industrias representam mais de 50% do PIB, superando
assim o PIB gerado pelo setor terciário.
158
Um índice muito utilizado para verificar a condição sócia econômica da população regional é
o IDH, inferido pela ONU, representa um interessante referencial. Pela sua constituição não
oferece uma visão mais focal de determinada comunidade e não reflete, em curto prazo, os
impactos de um grande investimento econômico em uma micro região. As bases de cálculo do
IDH, refere-se aos índices educacionais, longevidade e renda. Este índice varia de 0 a 1 e
quanto mais próximo de 1, melhor a situação da população do município. Na região
hidrográfca Metropolitana, o IDH está variando de 0,623 em Itapiúna, a 0,884 em Eusébio.

Outro indicador também muito importante é o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM),


desenvolvido e calculado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE),
tem como objetivo mensurar os níveis de desenvolvimento alcançados pelos municípios
cearenses. Utiliza-se um conjunto de trinta indicadores abrangendo quatro grupos, a saber:
fisiográfcos, fundiários e agrícolas; demográficos e econômicos; infra-estrutura de apoio e sociais.
Em termos de desenvolvimento municipal, o IDM está variando de 2,33 em Ibaretama, para
100,00 em Eusébio.

É importante destacar que na região hidrográfica das bacias Metropolitanas o desenvolvimento


mais expressivo (Quadro 2.33), está concentrado principalmente em Fortaleza e sua região
metropolitana (Maracanaú, Eusébio e Caucaia), na região litorânea da bacia.
Quadro 2.33. Dados de PIB total, per capita e setorial, IDH e IDM dos municípios das
Bacias Metropolitanas
PIB total a PIB por setor % 2006
preços de PIB per
IDH IDM
Município mercado capita
2000 2006
(R$ mil) - (R$ 1,00) Agropecuária Indústria Serviços
2006
Acarape 37.012 2.476 9,13 23,23 67,64 0,733 28,23
Aquiraz 372.227 5.247 8,65 39,34 52,01 0,726 53,44
Aracati 378.640 5.514 15,75 27,97 56,28 0,672 47,96
Aracoiaba 68.817 2.729 21,5 9,59 68,91 0,672 16,33
Aratuba 47.308 3.459 42,72 5,91 51,38 0,713 5,91
Barreira 52.031 2.783 29,16 10,51 60,34 0,726 17,71
Baturité 92.111 2.902 15,36 10,05 74,59 0,742 26,59
Beberibe 152.174 3.277 24,9 11,31 63,8 0,71 17,9
Canindé 223.087 2.961 18,6 10,05 71,36 0,634 30,72
Capistrano 42.747 2.611 25,37 8,43 66,19 0,724 11,76
Cascavel 302.168 4.703 8,71 36,93 54,36 0,718 51,34
Caucaia 1.358.955 4.334 2,44 29,86 67,7 0,677 45,66
Choró 28.582 2.214 21,58 8,69 69,73 0,725 3,73
Chorozinho 57.794 2.741 18,87 10,36 70,77 0,791 15,1
Eusébio 660.151 16.630 1,21 64,94 33,85 0,884 100

159
PIB total a PIB por setor % 2006
preços de PIB per
IDH IDM
Município mercado capita
2000 2006
(R$ mil) - (R$ 1,00) Agropecuária Indústria Serviços
2006
Fortaleza 22.537.716 9.325 0,2 20,14 79,66 0,722 99,79
Fortim 48.451 3.494 26,72 14,1 59,18 0,633 38,14
Guaiúba 52.077 2.411 13,74 12,89 73,37 0,732 36,5
Guaramiranga 22.965 3.812 28,65 17,4 53,95 0,751 18,05
Horizonte 529.637 11.704 4,44 59,82 35,74 0,669 94,46
Ibaretama 36.284 2.682 27,58 8,26 64,16 0,698 2,33
Itaitinga 88.027 2.862 3.44 21.19 75.38 0.680 36.46
Itapiúna 44.577 2.398 22,46 9,53 68,01 0,623 16,25
Maracanaú 2.381.473 12.124 0,13 58,02 41,85 0,787 94,08
Maranguape 534.014 5.325 4,8 43,81 51,39 0,708 51,22
Morada Nova 243.215 3.553 18,16 27,53 54,3 0,67 33,89
Mulungu 29.189 3.016 40,94 7,6 51,46 0,687 17,92
Ocara 54.596 2.386 24,73 8,77 66,5 0,775 8,55
Pacajus 364.284 6.855 6,81 46,83 46,36 0,843 63,43
Pacatuba 369.614 5.931 1,53 52,22 46,25 0,728 46,36
Pacoti 36.119 3.129 30,83 10,62 58,55 0,729 10,22
Palhano 22.774 2.734 25,95 9,43 64,62 0,649 30,4
Palmácia 23.011 2.402 20,45 12,7 66,86 0,735 13,76
Paracuru 157.655 4.863 13,05 43,79 43,16 0,641 37,96
Pentecoste 96.414 2.934 14,08 16,61 69,31 0,635 33,42
Pindoretama 47.616 2.716 21,88 12,88 65,24 0,75 18,84
Quixadá 258.337 3.412 15,21 10,64 74,16 0,673 45,63
Redenção 95.125 3.570 9,7 28,5 61,8 0,737 40,36
Russas 347.204 5.320 8,91 23,7 67,4 0,698 45,64
São Gonçalo do
142.172 3.530 16,19 18,45 65,36 0,733 36,46
Amarante
Fonte: IPECE - Anuário Estatístico do Ceará 2009 (PIB setorial 2006, IDH 2000 e IDM 2006).

Os dados do Quadro 2.34, que representam o setor agropecuário e a indústria de


transformação (unidade local), vêm reforçar o que foi comentado acerca da formação da
economia da região, mostrando a convergência do desenvolvimento para algumas cidades que
polarizam os negócios e serviços no seu entorno.

160
Considerando que essa região hidrográfica apresenta ambientes de litoral, serra e sertão, não
há do ponto de vista da agropecuária e da agricultura temporária e permanente, grandes
produções que suportem os elevados consumos desses produtos, especialmente na RMF. Os
números revelam razoáveis rebanhos bovino, caprino e ovino, na região formada pelos
municípios de Morada Nova e Quixadá. Em compensação, a indústria de transformação
apresenta uma grande concentração em torno de Fortaleza, Maracanaú e Caucaia.

Entre as culturas permanentes destacam-se a produção de côco-da-baía, que ocorre


principalmente nos municípios costeiros como Beberibe e Cascavel, a banana, que ocorre
principalmente nas regiões serranas de Baturité e Pacoti, e a castanha de caju que ocorre de
maneira mais dispersa em praticamente toda a região.

Já para a agricultura temporária, observa-se uma certa dispersão, ocorrendo as melhores


produções de feijão e milho, nos municípios de Canindé e Quixadá, enquanto as melhores
produções de mandioca ocorrem em Pacajus, São Gonçalo do Amarante e Beberibe. Quanto
ao cultivo de cana-de-açúcar, aparece somente em 33 dos 40 municípios estudados, sendo o
município de Paracuru um grande produtor segundo o IBGE.

161
Quadro 2.34. Dados de pecuária, culturas temporárias, culturas permanentes e indústria de transformação dos municípios das Bacias
Metropolitanas
Agricultura Temporária Agricultura Permanente Pecuária (cabeças)
Indústria de
Município Cana-de-açucar Feijão Mandioca Milho Banana Cast. de cajú Coco-da-baía Transformação
Bovino Caprino Ovino (UM)
(ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (mil frutos)
Acarape 58.176 356 2.100 642 215 180 120 2.381 141 451 32
Aquiraz 75.350 343 1.800 245 97 820 8.935 10.665 1.450 4.960 107
Aracati 2.400 1.104 7.200 2.280 714 3.563 1.687 7.509 5.068 14.545 -
Aracoiaba 864 1.115 840 4.316 230 2.020 1.165 10.961 864 2.697 18
Aratuba 5.928 756 410 1.004 13.000 58 58 3.152 761 553 5
Barreira 309 802 9.360 842 33 4.196 174 4.540 218 827 31
Baturité 12.000 364 640 7.800 16.800 540 355 6.973 632 852 38
Beberibe 20.900 1.900 19.800 2.450 174 7.316 14.247 11.297 6.664 14.260 52
Canindé 6.235 13.126 475 21.376 740 80 464 33.646 15.235 23.238 -
Capistrano 572 1.291 236 7.813 4.550 461 120 4.753 439 962 6
Cascavel 52.325 768 7.200 900 686 5.794 9.848 9.464 1.325 10.155 118
Caucaia 32.813 570 2.000 1.280 6.228 1.431 7.983 21.030 6.038 9.599 510
Choro - 880 120 2.955 15 16 14 14.200 4.820 11.800 1
Chorozinho 116 381 7.200 376 16 5.655 300 5.699 758 1.580 23
Eusébio 5.280 46 400 41 20 240 364 3.500 320 1.080 250
Fortaleza 1.267 7 265 7 250 16 143 2.800 73 1.350 8701

162
Agricultura Temporária Agricultura Permanente Pecuária (cabeças) Indústria de
Município Cana-de-açucar Feijão Mandioca Milho Banana Cast. de cajú Coco-da-baía Transformação
Bovino Caprino Ovino (UM)
(ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (mil frutos)
Fortim - 468 8.500 1.080 - 843 726 1.640 1.425 2.080 -
Guaiúba 9.840 419 5.950 875 1.518 20 460 3.245 249 872 19
Guaramiranga 286 95 24 165 6.440 1 - 923 78 211 4
Horizonte 4.725 486 7.200 355 - 1.518 1.352 3.275 700 1.190 91
Ibaretama - 2.451 1.000 4.352 15 360 7 13.560 4.780 12.990 8
Itaitinga - 168 800 202 360 47 79 3.820 172 700 46
Itapiúna 1.640 1.469 7.500 5.493 76 140 115 7.606 2.771 6.408 13
Maracanaú 21.894 24 450 52 357 8 54 1.520 291 155 588
Maranguape 14.009 421 12.200 885 9.548 31 490 21.032 948 4.388 213
Morada Nova - 6.744 2.025 3.200 768 1.334 37 53.970 16.282 48.815 -
Mulungu 850 468 39 847 17.600 9 226 917 97 39 5
Ocara 322 2.525 2.040 3.359 26 5.763 42 8.548 1.588 5.068 14
Pacajus 2.475 203 36.000 346 108 4.784 878 5.340 400 1.700 136
Pacatuba 3.050 122 450 217 2.341 34 2.038 3.748 239 1.295 71
Pacoti 1.920 70 72 598 18.560 4 23 3.531 410 113 12
Palhano - 672 7.440 750 - 2.907 - 3.070 5.600 5.715 -
Palmácia 5.000 133 13 672 11.900 6 39 2.870 102 2.065 2
Paracuru 194.700 1.026 13.722 821 82 208 6.342 5.513 216 2.036 -

163
Agricultura Temporária Agricultura Permanente Pecuária (cabeças)
Indústria de
Município Cana-de-açucar Feijão Mandioca Milho Banana Cast. de cajú Coco-da-baía Transformação
Bovino Caprino Ovino (UM)
(ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (ton./ano) (mil frutos)
Pentecoste 504 725 440 784 1.320 179 1.598 16.156 15.462 20.325 -
Pindoretama 73.100 120 800 91 42 314 1.459 4.025 95 769 27
Quixadá - 3.592 1.000 9.972 75 496 125 54.460 9.200 38.800 -
Redenção 18.565 653 3.500 1.332 15.562 403 54 2.201 78 154 18
Russas 1.200 1.604 9.000 2.040 5.307 1.492 825 20.093 20.825 34.300 -
São Gonçalo
93.636 1.164 21.887 1.013 108 2.084 4.522 9.339 5.140 8.460 50
do Amarante
Fonte: IBGE – Cidades, Produção Agrícola Municipal 2008; Produção da Pecuária Municipal 2008; Pácto das Águas 2009

164
3. AVALIAÇÃO DOS AQÜÍFEROS - ORGANIZAÇÃO DE
INFORMAÇÕES DE ESTUDOS ANTERIORES

165
3. AVALIAÇÃO DOS AQÜÍFEROS - ORGANIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE
ESTUDOS ANTERIORES

3.1. Reservas, Recursos e Disponibilidade de Águas Subterrâneas

3.1.1. Embasamento teórico

Parâmetros como precipitação pluviométrica, tipo de aqüífero, espessura saturada do meio,


transmissividade, gradiente hidráulico, coeficiente de condutividade hidráulica e qualidade da
água, dentre outros, influenciam no cálculo de reservas das águas subterrâneas.

O conhecimento sobre as reservas hídricas subterrâneas é importante para qualquer projeto de


planejamento e gestão integrada dos recursos hídricos. O planejamento dos recursos hídricos
deve considerar o uso integrado das reservas, recursos e disponibilidades de água, associados
a caracterização socioeconômica, qualidade hídrica, ocupação do meio físico, uso e proteção
(CAVALCANTE, 1998).

Os volumes hídricos armazenados nos sistemas aqüíferos representam as reservas e podem ser
avaliadas segundo um ponto de vista natural ou utilitário. Tradicionalmente, estas reservas são
classificadas como renováveis (dinâmicas ou reguladoras) e não renováveis (permanentes ou
geológicas), sendo as reservas totais a resultante da somatória das duas.

3.1.1.1. Reservas Renováveis (Rr)

São representadas pelo volume hídrico armazenado entre os níveis de flutuação máximo e
mínimo dos aqüíferos livres, que participa do ciclo hidrológico em uma escala de tempo
anual, interanual ou sazonal estando, desta forma, em constante movimento. Existem várias
maneiras de se realizar o cálculo destas reservas, sendo as mais comuns (CAVALCANTE,
1998):

1º) Cálculo da Vazão de Escoamento Natural (VEN): sob condições de equilíbrio natural
representa a recarga anual efetiva do sistema aqüífero, expressa por VEN = T.i.L, onde
T = transmissividade hidráulica (L2T-1), i = gradiente hidráulico e L= comprimento da frente
de escoamento (L).

Este método é recomendado e empregado no cálculo das reservas hídricas subterrâneas com a
utilização de mapas potenciométricos e testes de bombeamento.

2º) Hidrograma de Escoamento Superficial: os cálculos são realizados a partir das curvas de
recessão, no trecho correspondente à restituição do excesso infiltrado no meio poroso.
A restituição das reservas hídricas somente inicia-se quando toda a água superficial é escoada,
ou seja, no período de estiagem (COSTA, 1997).

3º) Método Volumétrico: tem por base a oscilação (∆h) do nível estático nos aqüíferos livres,
sendo expressa por Rr = A. ∆h. ∆e, onde A = área de ocorrência do aqüífero (L2),
∆h = variação do nível estático (L) e, ηe = porosidade efetiva (adimensional) para aqüíferos
livres ou S = Coeficiente de armazenamento para aqüíferos confinados a semi-confinados.

166
3.1.1.2. Reservas Permanentes (Rp)

Estas reservas representam o volume de água subterrânea que participa do ciclo hidrológico
em uma escala de tempo plurianual, centenária ou milenar, correspondendo aos volumes
estocados abaixo do limite inferior de flutuação sazonal do nível de saturação dos aqüíferos
livres ou dos níveis potenciométricos dos aqüíferos confinados (CAVALCANTE, 1998).

As reservas permanentes são calculadas pelo método volumétrico utilizando-se as seguintes


fórmulas: Rp = A. ho. ηe, onde A = área de ocorrência do sistema aqüífero (L2),
ho = espessura saturada (L), e ηe = porosidade efetiva (adimensional) no caso de sistema
livre. No caso do sistema aqüífero confinado, as reservas permanentes são calculadas pela
somatória de Rp = A. ho. ηe mais o volume armazenado sob pressão dado pela equação
Rp =A. ho. S, onde S = coeficiente de armazenamento.

3.1.1.3. Recursos explotáveis (Re) ou Potencialidade Aqüífera (P)

Os recursos explotáveis de água subterrânea representam os volumes que podem ser


utilizados das reservas naturais, em função das reservas renováveis (reguladoras) ou dos
meios técnico-financeiros de que se disponha, ou seja, da variável de decisão que leva em
consideração outros objetivos e fatores limitantes, a exemplo da taxa de renovabilidade
natural (CAVALCANTE, op. Cit.).

Em princípio, para que não haja comprometimento do aqüífero, é recomendável a explotação


do volume correspondente à recarga, ou seja, a reserva reguladora do aqüífero sem provocar
qualquer depleção nas reservas permanentes. Porém, dentro de uma visão sistêmica, o uso
depende fundamentalmente do conhecimento técnico das reservas, com monitoramento em
tempo real, integrado a evolução da demanda.

COSTA (1997) define recursos explotáveis (reservas explotáveis) como sendo “aqueles que
estão disponíveis sem que haja comprometimento do aqüífero nem do meio ambiente”,
associando-os com as disponibilidades hídricas do sistema aqüífero, resultando no
dimensionamento da potencialidade aqüífera. Admite, ainda, que sem prejuízo para o
aqüífero, se possa explotar toda a reserva renovável (Rr) e mais uma parcela da reserva
permanente (Rp), que representem no período de 50 anos um valor de 30% das reservas.
Assim, os recursos explotáveis, ou potencialidade aqüífera são definidos como sendo:
P = Rr + (i . Rp), onde P – Potencialidade aqüífera, Rr – Reserva renovável, i – Percentual
da reserva permanente a ser utilizado (%) (0,006) e, Rp – Reserva permanente.

3.1.1.4. Disponibilidade

Além da utilização de termos como “reservas” e “potencialidades” aqüíferas, o termo


denominado de “disponibilidade” vem sendo empregado comumente nos trabalhos sobre
planejamento e gestão das águas subterrâneas.

A disponibilidade refere-se ao volume que pode ser explotado sem risco de exaustão do
sistema aqüífero (COSTA, op.cit.), podendo ser subdividida nos seguintes tipos:
(a) disponibilidade potencial do aqüífero; (b) disponibilidade instalada (efetiva) dos poços, e;
(c) disponibilidade instalável dos poços.

167
O termo “Disponibilidade Potencial do Aqüífero” é sinônimo de “Recursos Explotáveis”, a
“Disponibilidade Instalada (Efetiva) dos Poços“ corresponde ao volume de água subterrânea
que pode ser captado a partir das obras instaladas, adotando-se a vazão máxima permissível
de cada poço em regime de bombeamento contínuo, e a “Disponibilidade Instalável dos
Poços” representa o volume de água subterrânea que poderá ser bombeado pelos poços
paralisados, passíveis de entrarem em funcionamento.

3.1.2. Os Sistemas Hidrogeológicos

Em termos regionais, nas Bacias Metropolitanas podem ser definidos quatro (04) Sistemas
Hidrogeológicos representados pelas Aluviões, Dunas/Paleodunas, Barreiras e Cristalino
(Fissural). As Dunas/Paleodunas constituem um único sistema hidrogeológico, geralmente
aqüífero, em função das características litológicas e hidrodinâmicas similares,
impossibilitando uma nítida distinção em nível regional.

Neste Projeto foi utilizado o Arquivo de Dados gerado para o Projeto “Pacto das Águas” (INESP,
2009) que possui 17.964 poços, sendo 16.019 tubulares e 1.945 escavados (cacimbas).

Nas Bacias Metropolitanas os sistemas hidrogeológicos ocupam áreas diversas, com


predomínio do Cristalino seguido do Barreiras. A precipitação pluviométrica média anual
nesta bacia oscila de 707 mm (Palhano) a 1.558 mm (Pacoti) com média, obtida entre
36 municípios, de 1.100 mm/ano (INESP, 2009). Isto significa que, sobre as Bacias
Metropolitanas (15.085 km²) precipita um volume hídrico de 16,59 x 109 m3 ao ano e, a
depender dos coeficientes de infiltração e da porosidade efetiva de cada sistema
hidrogeológico, a recarga será efetiva e diferenciada. Porém, deve ser ressaltado que o
Sistema Cristalino (Fissural) não pode ser generalizado como aqüífero, tendo em vista seu
comportamento anisotrópico e heterogêneo, possuindo permeabilidade e porosidade primárias
praticamente nulas.

As áreas e os parâmetros hidrodinâmicos para as unidades hidrogeológicas foram obtidos do Plano


Estadual dos Recursos Hídricos (CEARÁ, 1992 in COGERH, 2000) (Quadros 3.1 e 3.2), onde se
observam valores mais elevados para o Sistema Dunas/Paleodunas, reflexo da boa seleção
granulométrica, arredondamento e esfericidade, além de significantes espessuras saturadas.
Quadro 3.1. Áreas ocupadas pelas unidades hidrogeológicas nas Bacias
Metropolitanas – CE
Unidade Hidrogeológica Área (km²)
Aluviões 378
Dunas 221
Coberturas Indiferenciadas 300
Barreiras 4.305
Cristalino 9.879
TOTAL 15.083
Fonte: CEARÁ, 1992

168
Quadro 3.2. Parâmetros hidrogeológicos dos sistemas hidrogeológicos nas Bacias
Metropolitanas - CE
Parâmetros
Sistema Hidrogeológico
T (m2/s) K (m/s) U
Aluvionar 2,0 x 10-1 1,6 x 10-4 10-1
Dunas 2,0 x 10-1 2,0 x 10-4 1,0 x 10-1
Barreiras 2,0 x 10-3 4,0 x 10-5 1,0 x 10-2
Cristalino - 1,0 x 10-7 4,0 x 10-3
Fonte: PERH (CEARÁ, 1992)
LEGENDA:
T – Coeficiente de Transmissividade;
K – Coeficiente de condutividade hidráulica;
U – Coeficiente de restituição.

3.1.3. As reservas hídricas subterrâneas

No PERH (CEARÁ, 1992) foram calculadas as reservas permanentes e explotáveis de águas


subterrâneas (Quadro 3.3), sendo que as aluviões representam a única unidade
hidrogeológica para a qual foram calculadas as reservas isoladamente, função direta de sua
ocorrência restrita a bacia. Todas as outras unidades tiveram suas reservas calculadas no bloco
de bacias hidrográficas composto das Metropolitanas, Acaraú, Coreaú, Litoral, Curu e
Parnaíba. Ressalta-se que foram utilizados 4.751 poços e, destes, 4.290 possuem dados de
vazão onde, destes, somente Fortaleza possui 2.314 poços.

No Contrato nº 09 PROGERIRH-CE-SRH-98 – PILOTO (COGERH, 1998) procedeu-se os


estudos referentes aos “Aspectos Hidrogeológicos da Região Costeira das Bacias
Metropolitanas do Estado do Ceará”. A área delimitada para o estudo possui 3.396 km² tendo
20 km de largura e ocupando toda a faixa costeira das Bacias Metropolitanas. Foram
realizados os cálculos das reservas permanentes e renováveis para os Sistemas
Hidrogeológicos Dunas-Paleodunas e Barreiras conforme exposto no Quadro 3.4.
Quadro 3.3. Reservas de águas subterrâneas nas Bacias Metropolitanas - CE
Reservas
Área
Sistema Hidrogeológico 2 Permanentes Renováveis Explotáveis
(km ) 3 3
(m ) (m /ano) (m3/ano)
Bacias Metropolitanas - 2.202 x 109 - 378 x 109
6
Aluviões 378 87 x 10 - 21 x 106
Fonte: PERH (CEARÁ, 1992)

Quadro 3.4. Reservas de águas subterrâneas dos Sistemas Hidrogeológicos Dunas/


Paleodunas e Barreiras nas Bacias Metropolitanas - CE
Reservas
Sistema Hidrogeológico Área (km2)
Permanentes (m3) Renováveis (m3/ano)
6
Dunas/Paleodunas 370 355 x 10 83 x 106
Barreiras 2.344 1,7 x 109 58,6 x 106
9
TOTAL 2.714 2,05 X 10 141,6
Fonte: COGERH, 1998

169
O Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas (COGERH, 2000) trabalhou
os Sistemas Dunas e Barreiras como um único sistema hidrogeológico (Dunas/Barreiras),
utilizando 4.603 poços, dos quais considerou 2.244 poços com vazão. Os estudos foram
focados apenas nas áreas próximas da Região Metropolitana de Fortaleza, mais precisamente
nos trechos de Aquiraz/Pindoretama (216 km²) e Pecém/Caucaia (81 km²) onde foram
calculadas as reservas permanentes, renováveis e explotáveis (Quadro 3.5).
Quadro 3.5. Reservas e recursos explotáveis de água subterrânea no Sistema
Hidrogeológico Dunas/Barreiras em trechos das Bacias
Metropolitanas - CE
Reserva Renovável
Reservas Reserva Explotável
Trecho (95% de garantia)
Permanentes (103 m³)
(103 m³/ano) (L/s) (109 m³/ano) (L/s)

Aquiraz/Pindoretama 726,3 10 317 10,5 340

Pecém/Caucaia 214,2 7 222 10,5 340

TOTAL 940,5 17 539 21 680


Fonte: COGERH, 2000

3.1.4. Disponibilidades de águas subterrâneas

3.1.4.1. Disponibilidade Efetiva

No Projeto Pacto das Águas (INESP, 2009) foi utilizado o cadastro de poços até 2006 (16.019
poços tubulares e 1.945 escavados (cacimbas)) que refletiu uma disponibilidade efetiva
instalada, bombeando-se 8h ao dia, de 91,9 milhões de m3/ano, distribuídos da seguinte
forma: Domínio Poroso Clástico (6.647 poços) com 72,6 milhões de m3/ano, Domínio Poroso
Aluvionar (26 poços) com 0,7 milhões de m3/ano e Domínio Cristalino Fissural (2.231 poços)
com 18,6 milhões de m3/ano.

No Contrato n0 09 PROGERIRH-CE-SRH-98 – PILOTO (COGERH, 1998) realizado na


faixa costeira das Bacias Metropolitanas (3.396 km2) estimou-se a existência de 2.500 poços
tubulares rasos sendo bombeados com uma vazão média de 1,5 m³/h e 2.000 poços tubulares
com vazão média de 3,0 m³/h, que bombeando 6 horas ao dia resultou em uma
disponibilidade efetiva instalada de 21,3 x 106 m³/ano, ou seja, 15% das reservas renováveis
calculadas para os Sistemas Dunas-Paleodunas e Barreiras e a 0,97% das reservas totais
calculadas neste projeto, demonstrando que somente uma parte ínfima deste recurso é captado
através dos poços das Bacias Metropolitanas.

Independentemente dos cálculos efetuados nos diferentes projetos executados, onde foram
utilizados diferentes parâmetros hidrogeológicos, diferentes tempos de bombeamento e
diferentes números de poços em operação ou a serem instalados, observa-se que a
disponibilidade efetiva máxima obtida (91,9 milhões de m³/ano – INESP, 2009) representa
somente 0,02% das reservas explotáveis estimadas no PERH (CEARÁ. 1992).

170
O fluxo da água em subsuperfície se processa de modo muito lento. Os tempos de residência
das águas nos aqüíferos são da ordem de dezenas de anos e, em alguns casos, se atinge a
centenas e, até mesmo, milhares de anos, o que permite dizer que a água subterrânea pode ser
um recurso mineral esgotável à escala da vida humana. Assim, o conceito de esgotabilidade
do recurso hídrico está intrinsicamente a renovabilidade, ou seja, a velocidade de recarga
hídrica subterrânea.

Assim, é recomendável que o planejamento de utilização dos sistemas aqüíferos considere os


potenciais de renovabilidade, a integração com o meio hidro-ambiental, a capacidade de
regeneração das águas servidas que retornam ao manancial em apreço e, principalmente, o
limite de intervenção humana que não deve ultrapassar o aceitável pelas condições inerentes
ao meio local.

3.2. Qualidade Das Águas Subterrâneas

O planejamento dos recursos hídricos deve considerar o uso integrado das reservas, recursos e
disponibilidades de água, associados a qualidade hídrica, ocupação do meio físico, uso e
proteção (CAVALCANTE, 1998). O monitoramento dos corpos hídricos é fundamental para
o discernimento de qualquer situação no decorrer de planejamento e gestão das águas.

A saúde das pessoas está diretamente associada à qualidade da água consumida. Segundo a
ONU (Agenda 21, 1992), 80% das doenças dos países em desenvolvimento são veiculadas
através de água contaminada. Daí ser extremamente importante o conhecimento da qualidade
das águas de uma região, particularmente urbana, através de análises qualitativas, que se
constitui num mecanismo para caracterizá-las quanto à composição química, potabilidade e
direcionamento de usos.

A ausência de saneamento básico compromete a qualidade natural das águas subterrâneas,


sendo comum atualmente se diagnosticar o íon nitrato acima dos limites permissíveis pela
Portaria N0 518 de 25 de março de 2004 (10 mg/L N-NO3 = 45 mg/L NO3), principalmente
nos aqüíferos freáticos, muito comum nas Bacias Metroplitanas e, particularmente, em sua
faixa costeira. Isto é extremamente preocupante, a partir do conhecimento dos problemas
causados por este elemento para a população infantil inferior a 90 dias de vida advindos da
metahemoglobinemia (doença azul), potencialmente fatal para crianças desta faixa etária.

A ausência de saneamento básico leva a população a utilizar-se de fossas sépticas, que em


função da oscilação sazonal do nível freático podem transformar-se em fossas negras. Neste
caso, a função depuradora do sistema aqüífero passa a ser mínima, ou sequer existir. Para
áreas que possuem um nível estático raso (freático), as águas subterrâneas podem sofrer os
impactos desta carga poluente.

Outra fonte potencial de poluição das águas subterrâneas são os aterros sanitários, na grande
maioria das vezes sendo simplesmente lixões. O chorume oriundo dos mesmos migra para
águas superficiais e subterrâneas e, no geral, as águas captadas pelas comunidades periféricas
encontram-se poluídas (CAVALCANTE, 1998). Existe o risco efetivo de poluição das águas
pelo chorume oriundos de lixões e aterros sanitários e faltam, no geral, estudos técnicos
específicos para avaliar os impactos poluidores. À medida que ocorre o desenvolvimento e a
urbanização da região circunvizinha por condomínios residenciais, favelas e conjuntos
populares, associado a prática de captação de água subterrânea por cacimbas e poços
tubulares, aumenta a necessidade de um diagnóstico das condições qualitativas das águas e
171
dos processos de interações entre águas superficiais e subterrâneas e, se necessário, a
implementação de medidas preventivas ou corretivas.

Um poço tubular é uma obra de engenharia hidrogeológica, requerendo para a sua construção
um projeto técnico, onde o conhecimento hidrogeológico local é de extrema importância para
fundamentar sua construção, e esta quando realizada sem critérios técnicos favorece a
poluição das águas subterrâneas.

Há pelo menos três décadas, o problema de poluição das águas subterrâneas a partir dos
postos de serviços (postos de combustíveis) tornou-se de caráter mundial, particularmente
desenvolvido nos Estados Unidos em meados dos anos 70 quando foram diagnosticados
centenas de casos. Os tanques subterrâneos armazenadores de combustíveis se constituem em
risco potencial, muitas vezes efetivo, de poluição para as águas subterrâneas, particularmente
pelas quantidades estocadas e pela dispersão espacial das fontes e dos produtos estocados.

Os cemitérios, quando mal localizados, constitui um risco potencial de contaminação das


águas subterrâneas por micro-organismos que proliferam durante a decomposição dos corpos,
e elementos químicos diversos. No geral, a localização dos cemitérios nem sempre obedece
projetos fundamentados em estudos geológicos e hidrogeológicos. Os organismos mais
susceptíveis a transmitirem doenças via meio hídrico são Clostridium (tétano, gangrena
gasosa, toxi-infecção alimentar), Mycobacterium (tuberculose), as enterobactérias Salmonella
typhi (febre tifóide), Salmonella paratyphi (febre paratifóide), Shigella (disenteria bacilar) e o
vírus da hepatite A.

O problema associado a intrusão salina é comumente citada nos estudos hidrogeológicos em


faixas costeiras. Porém, deve ser ressaltado que, para que exista efetivamente a intrusão de
águas do mar, é necessária a quebra do equilíbrio da relação água doce e água do mar, o que
normalmente acontece quando se tem super-explotação de água subterrânea na faixa costeira
associada comumente ao uso e ocupação desordenado do solo, levando a impactos hidro-
ambientais. Este quadro já pode ser observado em setores da faixa costeira das Bacias
Metropolitanas, a exemplo da faixa costeira de Fortaleza, particularmente onde está situada a
rede hoteleira (trecho praia de Iracema – Náutico – Mucuripe) e Abreulândia (Fortaleza)
aonde as concentrações de cloretos chegam a ultrapassar 2.000 mgL-1, limite bem superior ao
estabelecido para consumo humano pela Portaria n0 518 – 2004 do Ministério da Saúde (250
mgL-1).

Nos Sistemas Dunas-Paleodunas e Barreiras predominam águas de boa qualidade físico-


química, com exceções de concentrações pontuais de cloretos acima da permitida pela
Portaria n. 518 – 2004 do Ministério da Saúde (250 mgL-1). É relativamente comum se
observar valores de Sólidos Totais Dissolvidos – STD acima de 1.000 mgL-1 nas águas do
Sistema Cristalino Fissural, dificultando seu aproveitamento para fins de consumo humano.

3.3. A Região Metropolitana De Fortaleza

3.3.1. Sistemas Hidrogelógicos

Na Região Metropolitana de Fortaleza - RMF existem quatro (04) sistemas aqüíferos,


representados pelas Aluviões, Dunas/Paleodunas, Barreiras e Cristalino. As
Dunas/Paleodunas constituem um sistema aqüífero único, em função das características
litológicas e hidrodinâmicas similares, impossibilitando uma nítida distinção a nível regional.

172
Aluviões: As aluviões não são praticamente utilizadas para captação de água na RMF, salvo
exceções em comunidades ribeirinhas que as utilizam através de cacimbas. Nos municípios de
Fortaleza e Maracanaú, as águas subterrâneas das aluviões dos rios Cocó e Maranguapinho
estão seriamente comprometidas pela poluição derivada de esgotos domésticos e industriais,
não permitindo atualmente nenhum tipo de utilização.
A recarga provém da precipitação pluviométrica, dos rios influentes e das águas subterrâneas
das Dunas/Paleodunas e Barreiras. Como exutórios tem-se a evapotranspiração e a própria
drenagem, em épocas de verão. No inverno, é muito comum as faixas aluvionares serem
cobertas por água dos rios, pelo extravasamento destes.
Dunas/Paleodunas: Bordejam a orla costeira da RMF, com largura média de 2,5 km,
adentrando um pouco mais ao continente nos setores central - município de Fortaleza, e a
leste - município de Aquiraz.
É composto por areias pouco consolidadas e extremamente homogêneas, finas a médias, com
diâmetro efetivo predominando entre 0,15 a 0,25 mm e espessuras entre 10 - 25 metros.
Ocasionalmente ocorrem intercalações de níveis síltico-argilosos a argilosos, oriundos da
própria variação da energia de deposição dos clásticos, e a presença de intercalações de
argilas orgânicas, de tonalidades escuras, a exemplo do que existe em Abreulândia e Cocó.
Indiscutivelmente constitui o melhor potencial hidrogeológico da área estudada,
representando um aqüífero livre. Possui como característica básica uma dupla função
hidrogeológica, refletida no funcionamento do sistema como aqüífero principal e aqüífero de
transferência do potencial hídrico para unidades sotopostas, a exemplo do Barreiras.
As características de espessura saturada, condutividade hidráulica e transmissividade para o
sistema dunas em Abreulândia (Fortaleza) são representadas pelos valores médios de 6,13m, 7
x 10-4 m/s e 9,7 m²/h, respectivamente.
O fluxo das águas subterrâneas das Dunas/Paleodunas se processa, predominantemente, para
o mar onde são observadas fontes difusas ao longo da costa, lagoas interdunares e zonas
aluvionares pertencentes as Bacias Metropolitanas. Porém, as maiores perdas d’água do
aqüífero são por conseqüência da intensa evapotranspiração, associada a um nível estático
sub-aflorante. A recarga é eminentemente pluviométrica, salvo exceções causadas por
drenagens influentes.
Barreiras: O Barreiras possui espessuras normalmente inferiores a 60 metros, predominando
de 40 a 50 metros. Apresenta expressiva variação litológica, representada por intercalações de
níveis arenosos, sílticos e síltico-argilosos que refletem diferentes condutividades hidráulicas,
tanto vertical quanto horizontalmente.
Localmente constitui um aqüífero livre, com características regionais de semi-confinamento
em função dos níveis silto-argilosos, tendo como fatores de recarga a precipitação
pluviométrica, as drenagens influentes que percolam o contexto, as lagoas interdunares e o
Sistema Dunas/Paleodunas que funciona com dupla função (aqüífero e unidade de
transferência de água).
Como exutórios tem-se a rede de drenagem efluente, lagoas, evapotranspiração e, ainda, o
meio cristalino sotoposto, desde que fraturado e com características que permitam a
circulação e o armazenamento d’água.

173
Cristalino: Este meio possui fraca vocação aqüífera e as melhores áreas são condicionadas
pela existência de zonas cisalhadas, com fraturas abertas e associadas, muitas vezes, a
reservatórios superficiais d´água que constituem fontes de recarga.
A alimentação ocorre da contribuição pluviométrica, drenagens e espelhos d’água (lagoas e
açudes) associados a fraturamentos, e das unidades aqüíferas sobrepostas, a exemplo do
Barreiras e aluviões. Os exutórios são representados por drenagens efluentes e pela
evapotranspiração.

3.3.2. Reservas e Disponibilidades

No Plano de Aproveitamento dos Recursos Hídricos na Região Metropolitana de Fortaleza


(AUMEF, 1984) utilizou-se 550 poços tubulares e as reservas exploráveis estimadas foram:
Sistema Cristalino com 0,93 milhões de m³/ano; Barreiras com 340,8 milhões de m³/ano e, as
Dunas-Paleodunas com 55 milhões de m3/ano.
CAVALCANTE (1998) utilizando dados de área (A = 184,7 km²), variação do nível estático
(∆h = 1,5m) e porosidade efetiva (ηe = 15%), estimou para as reservas renováveis do Sistema
Dunas/Paleodunas um volume de 41,5 milhões de m3/ano Considerando a espessura média
saturada (b) de 6,4 m, a reserva permanente obtida para este sistema foi de
177,3 milhões de m³.

Utilizando dados de área (A = 615 km²), variação de nível estático (∆h = 0,5m) e porosidade
efetiva (ηe = 5%), CAVALCANTE (op. Cit.) obteve para as reservas renováveis do Sistema
Barreiras um volume de 15,3 milhões de m³/ano. Considerando-se uma espessura média
saturada (b) de 15m, estimou para as reservas permanentes um volume de 461 milhões de m³.
DIAS (2004) estimou as reservas e disponibilidades de águas subterrâneas para os municípios
de Pacajus e Chorozinho (532 km²) expostos no Quadro 3.6. Ressalta-se que, à época dos
estudos de CAVALCANTE (1998), estes dois municípios ainda não pertenciam a RMF.
Quadro 3.6. Reservas e disponibilidades de águas subterrâneas nos municípios de
Pacajus e Chorozinho – RMF, Bacias Metropolitanas - CE
Reservas
Sistema Área
Renováveis
Hidrogeológico (km2) Permanentes (m3) Totais (m3)
(m3/ano)
Aluvionar 34,3 172.872 12 x 106 12,17 x 106
Barreiras 320,4 43,27 x 106 112 x 106 155,27 x 106
3
Potencialidades (m /ano)
Aluvionar 89.282
Barreiras 43,94 x 106
Disponibilidades
Potencial Efetiva Instalada (m3/ano) – Tb = 6h/dia
3
(m ) 129 poços
Aluvionar 4,1 x 106
819.279
Barreiras 40 x 106
Fonte: DIAS, 2004
Legenda:
Tb – Tempo de bombeamento.

174
3.3.3. Qualidade das Águas Subterrâneas

As águas da RMF são predominantemente cloretadas sódicas, tendendo secundariamente a


mistas, não existindo grande diferenciação entre os sistemas aqüíferos, observando-se a
seguinte relação entre cations e ânions: Cl > HCO3 > SO4 e Na > Ca > Mg , refletindo a
predominância de cloretos e sódio, associados à proximidade do mar, existindo uma variação
significativa da potabilidade, oscilando de “boa” a “não potável”, marcada
predominantemente pela variação das concentrações de cloretos (CAVALCANTE, 1998).

No Sistema Dunas/Paleodunas e Barreiras predominam águas de boa qualidade físico-


química, com exceção de concentrações pontuais de cloretos acima da máxima recomendada
pelos padrões da Organização Mundial de Saúde - OMS (200 mg/L), observadas na bateria de
poços da Abreulândia e na orla costeira de Fortaleza.

Para o cristalino, existem elevadas concentrações de cloretos (80 a 4.500 mg/L) e uma
qualidade das águas que situa-se predominantemente entre “passável” e “não potável”. No
cristalino é comum se ter concentrações de STD entre 500 e 2.000 mg/L, em conseqüência da
elevada concentração de cloretos.

Nos padrões de potabilidade da OMS, a concentração máxima recomendada para o íon ferro é
de 0,3 mg/L. Na área, ele ocorre com teores acima de 1,0 mg/L em fontes pontuais na orla
costeira da Grande Fortaleza, destacando-se Abreulândia onde alcança 7,4 mg/L. A origem
deste elemento a nível de RMF é muito discutível, particularmente por ser incompatível com
a mineralogia dos litotipos.

Foram cadastradas 1.073 análises bacteriológicas (1986 a 1995) das águas de poços tubulares
na RMF. Destas, utilizou-se 421 análises correspondentes ao período de 1990 a 1995, e
percebe-se que, em média, 74% detectam poluição por coliformes fecais nas águas
subterrâneas, predominando a bactéria Escherichia coli (68%) (CAVALCANTE, op. Cit.).

Estas análises refletem a contaminação bacteriológica das águas subterrâneas, particularmente


em níveis freáticos (nível estático inferior a 15 metros) e a fragilidade dos sistemas
hidrogeológicos perante os impactos antrópicos, particularmente causados pela ausência de
saneamento básico e fossas sépticas e/ou negras.

A elevada concentração de nitrato (até 79,7 mg/L) na área urbana de Fortaleza demostra que é
necessário a aplicação de técnicas de tratamento d´água. A presença do nitrato acima de 45
mg/L N pode causar a metahemoglobinemia (cianose ou doença azul), que em casos extremos
pode ser fatal para crianças recém nascidas.

As análises bacteriológicas das águas dos poços tubulares mostram que existe o risco efetivo
de poluição por coliformes fecais. Assim, em função das doenças de veiculação hídrica
provocadas pela existência de determinadas bactérias e/ou vírus, é recomendável adotar-se a
análise completa da água a ser utilizada, a fim de que se possa, a partir daí, estabelecer
métodos preventivos e/ou corretivos para se garantir a potabilidade deste recurso.

175
Na faixa costeira das Bacias Metropolitanas, o risco de poluição derivado da intrusão da
cunha salina é potencial, sendo efetivo em termos locais, particularmente nas áreas onde
existem baterias de poços tubulares rasos localizados sobre Dunas/Paleodunas, quando
operados sem um controle rígido dos parâmetros recomendados pelos estudos
hidrogeológicos, e na orla costeira onde existem poços operados de modo aleatório por
condomínios e rede hoteleira.

Estas situações são encontradas nas baterias de poços do Cocó (Parque do Cocó, Fortaleza) e
da Abreulândia (Praia da COFECO, Fortaleza), e por toda a orla costeira de Fortaleza
(Fortaleza, Porto das Dunas), Caucaia (Icaraí, Tabuba, Cumbuco e Lagoa do Banana) e
Aquiraz (Prainha, Iguape).

ARAÚJO & LEAL (1990) e CAVALCANTE et al. (1990) mostram que existe o risco de
poluição por intrusão salina na faixa costeira de Fortaleza, no extremo noroeste e entre o
Mucuripe e a Praia de Iracema. Pelas análises cadastradas por CAVALCANTE (1998),
observa-se que na zona costeira de Fortaleza existem pontos críticos em que as concentrações
de cloretos alcançam até 2.080 mg/L, denotando a influência da intrusão salina.

Estima-se que aproximadamente de 60 a 70% das águas de Fortaleza estejam poluídas por
coliformes fecais. O problema maior em nível de RMF, é que não se sabe a que velocidade
ocorre a migração das bactérias patogênicas e dos vírus, muito menos quais as distâncias que
podem atingir, reflexo da vida útil desses contaminantes nas águas subterrâneas e do contexto
hidrogeológico.

Apesar de existir na RMF 309 lagoas, 426 açudes e uma boa rede de drenagem
(CAVALCANTE, 1998), não existe um aproveitamento hídrico da maioria dos espelhos
d´água e de nenhuma drenagem. Inúmeras lagoas de Fortaleza e grande parte dos rios/riachos
encontram-se poluídos por esgotos doméstico e industrial, podendo comprometer as águas
subterrâneas. Assim como o rio Cocó, as águas do rio Maranguapinho e seus afluentes
representam um dos mais sérios problemas em termos de poluição hídrica dos cursos d´água
de Fortaleza, agravado pelo fato de possuir sua bacia drenante em área urbana de grande
concentração industrial.

Na RMF a disposição de rejeitos sólidos ocorre clandestinamente nos terrenos baldios e nas
áreas marginais às redes de drenagem e, formalmente, nos Aterros Metropolitano Oeste
(Caucaia) e Metropolitano Sul (Maracanaú), sendo que o primeiro recebe, em média, entre
3.000 a 4.000 toneladas/dia. O Lixão de Jangurussu. (Fortaleza) está desativado há mais de 10
anos.

Existe o risco efetivo de poluição das águas pelo chorume e faltam estudos técnicos
específicos para avaliar os impactos poluidores. Na medida em que ocorre o desenvolvimento
e a urbanização da região circunvizinha por condomínios residenciais, favelas e conjuntos
populares, associado à prática de captação de água subterrânea por cacimbas e poços
tubulares, aumenta a necessidade de um diagnóstico das condições qualitativas das águas e
dos processos de interações entre águas superficiais e subterrâneas e, se necessário, a
implementação de medidas preventivas ou corretivas.

176
Na RMF existiam, até 1998, em torno de 15 cemitérios, com Fortaleza possuindo seis (6)
deles (40 %). O principal problema está associado com a localização dos cemitérios nas áreas
costeiras, a exemplo do que ocorre em Fortaleza com o cemitério de São João Batista, situado
sobre o Sistema Hidrogeológico Dunas/Paleodunas, onde o nível estático é sub-aflorante em
níveis arenosos, com porosidade e condutividade hidráulica que facilitam a migração de
elementos contaminantes.

A explotação de água subterrânea por poços tubulares e cacimbas nas áreas adjacentes ao
cemitério é efetiva. O risco de contaminação é potencial e esta situação necessita de trabalhos
específicos a fim de caracterizar a situação hidro-ambiental existente.

O poço passa a constituir um risco potencial de condutor de cargas poluentes a partir do


momento em que não são aplicados os critérios técnicos que a obra requer. Inúmeras vezes
não existem projetos técnicos, apesar de existir, localmente, um risco efetivo de poluição.

177
178
4. AVALIAÇÃO DAS LAGOAS

179
4. AVALIAÇÃO DAS LAGOAS

O diagnóstico das lagoas abrangerá a região litorânea das Bacias Metropolitanas,


principalmente as lagoas localizadas na cidade de Fortaleza, foco contensor de muita
degradação ambiental e muitas vezes resultado das nascentes contaminadas em outros
municípios. Além de Fortaleza, outras lagoas pesquisadas foram ressaltadas neste trabalho,
pela importância de preservação ambiental e cultural.

Pode-se afirmar que a cidade constitui uma das maiores alterações da paisagem produzidas
pelo homem, através da dinâmica da própria natureza, através do jogo de relações de forças
naturais, sócio-econômicas e culturais. O processo de urbanização desordenada em Fortaleza
é um fenômeno irreversível. O quadro urbano vem se agravando pela concentração da
população na capital, decorrente da fuga do campo com conseqüente agressão ao meio
ambiente.

Diversas lagoas estão em franco processo de desaparecimento em Fortaleza. Algumas já


desapareceram totalmente seja por aterramento com fins de especulação imobiliária ou por
aterramento para construção de barracos e favelas, reflexo de um modelo econômico e
habitacional caótico. Outras, estão em acelerado processo de extinção ou apresentam sinais de
diminuição da superfície da lâmina d'água.

4.1. O Histórico Da Degradação Dos Corpos Hídricos Na Região Metropolitana De


Fortaleza

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) tem diversos cursos fluviais de pequeno porte e
intermitentes. Considerando a demanda industrial e urbana da região Metropolitana, esses
cursos assumem um papel fundamental. No entanto, a ocupação indiscriminada e criminosa
ao longo da rede de drenagem vem se tornando cada vez mais intensa, principalmente pela
proliferação de favelas nas margens dos cursos e mananciais d’água que banham a área
urbana. Por isso, é fundamental uma avaliação das lagoas dentro do estudo do plano de bacia.

Até o início do Século XX, a população de Fortaleza usava as águas dos rios, riachos, lagoas e
açudes da cidade e o fazia com relativa segurança. Não existia sistema de abastecimento
d'água e a população usufruía das águas desses mananciais diretamente, sem nenhum
tratamento.

A partir de 1927, parte da população passou a ser abastecida com um sistema de água tratada
utilizando o açude Acarape. Em 1960, esse sistema se encontrava deficiente devido ao
crescimento populacional. Somente em 1981, passou a funcionar o sistema Pacoti-Riachão;
com o problema do abastecimento d'água parcialmente resolvido, os mananciais que existiam,
como as lagoas, foram aos poucos sendo esquecidos pela população e pelos orgãos
competentes. Muitas familias transformaram seus poços ou cacimbões em esgotos, em
depósitos de lixo, receptores dos dejetos residenciais.

As lagoas passaram também por este processo de degradação, passando a receber despejos
industriais, hospitalares e os esgotos dos conjuntos habitacianais "in natura". O crescimento
desordenado da cidade de Fortaleza e os fluxos migratórios levaram muitas famílias a
apossarem-se de áreas inadequadas, como margens dos mananciais e das lagoas.

180
4.2. Caracterização Das Bacias Hidrográficas De Fortaleza

O município de Fortaleza, com uma área de 336 km2, possui quatro bacias, dentre as quais se
destacam a três maiores: a bacia do rio Cocó, com 215,9 Km2; a bacia do rio Maranguapinho,
com 96,5 Km2 e a bacia da vertente marítima com 23,6 Km2.

4.2.1. A bacia hidrográfica do rio Cocó

Localiza-se a leste do município de Fortaleza, nasce na vertente oriental da serra da Aratanha


no município de Pacatuba. Desde as suas nascentes em Pacatuba até seu estuário em
Fortaleza, adquire diversas denominações, iniciando com o nome de riacho Pacatuba, na serra
da Aratanha, após os primeiros quilômetros e já recebendo contribuições troca o nome para
riacho Gavião, quando então alimenta um dos reservatórios que abastece a região
metropolitana de Fortaleza e após o encontro com o riacho Timbó passa a se chamar Cocó.
Em seu percurso, ao longo dos segmentos com várias denominações, o rio drena cerca de
60 % das águas da Região Metropolitana de Fortaleza.

Os mananciais que compõem a bacia do rio Cocó são conformados por 6 sub-bacias,
onde os principais macrodrenantes são os rios Cocó, Coaçu, os canais do Tauape, Jardim
América e Aguanambi. O rio Cocó desenvolve-se totalmente em seu leito natural,
alimentado por riachos e grandes talvegues. Extende-se na direção SW-NE por longo
trecho de seu percurso, formando em direção à foz uma acentuada curva para o leste e
após receber em seu trecho final o rio Coaçu deságua no Atlântico, junto à barra do
Cocó na praia do Futuro.

O rio Cocó sofre o efeito do movimento de subida e descida das marés que penetram até
13 Km de sua foz. Possui várias ramificações tendo em média 30 afluentes, 16 açudes e
36 lagoas, muitas delas totalmente desaparecidas. Atualmente, com a criação do Parque do
Cocó a área encontra-se preservada o que torna possível um controle mais efetivo do uso do
solo nas margens do rio.

4.2.2. A bacia hidrográfica do rio Maranguapinho

Situada a oeste do município de Fortaleza apresenta como principais componentes os rios


Maranguapinho, Ceará, e as lagoas da Parangaba, Mondubim, do Sítio Urubu e o Açude
Santo Anastácio (PICI).

O rio principal possui extensão de 34 km, sendo os seus 15,5 últimos quilômetros na área
urbana de Fortaleza. Esta bacia corresponde a 28,7% do total deste município.

O rio Maranguapinho nasce na serra de Maranguape, penetra em Fortaleza a altura do Parque


Alto Alegre, percorrendo o distrito industrial de Mondubim, recebe o nome de rio Siqueira,
cruza a BR 222 sob a ponte próximo ao Frigorífico de Fortaleza na fronteira dos municípios
de Fortaleza e Caucaia, desaguando em seguida no rio Ceará.

O rio Maranguapinho é o principal afluente do rio Ceará onde deságua a 5 Km de sua foz, é a
segunda bacia hidrográfica de Fortaleza por sua extensão. A bacia do Maranguapinho possui
um sistema de microdrenagem conformado por uma malha de pequenos talvegues naturais e
construídos nos leitos das vias, normalmente sem nenhum tratamento. O sistema artificial
bastante reduzido, apresenta-se canalizado em galerias subterrâneas, com uma malha de

181
bueiros interligando o sistema superficial às galerias. Esta bacia localiza-se em uma zona
predominantemente residencial, apresenta certa homogeneização quanto a população que
habita às suas margens, famílias de classe de renda baixa, e uma elevada densidade
demográfica. As margens destes mananciais hídricos foram ocupadas indevidamente e
assoreadas pela deposição de lixo.

4.2.3. A bacia da Vertente Maritima

Corresponde à faixa de dunas localizada entre as bacias do Maranguapinho e do Cocó, com


topografia favorável ao escoamento das águas para o mar, seja diretamente ou através de
riachos. Situada em área limitrofe do Oceano Atlântico, esta bacia está inserida totalmente na
zona urbana de Fortaleza.

A bacia da Vertente Marítima ocupa apenas 7 % da área do município de Fortaleza, portanto a


menor área das 3 bacias hidrográficas. Possuindo a maior concentração populacional, esta
bacia hídrica é predominantemente residencial, onde estão localizados os bairros da Aldeota,
Mucuripe, Meireles, Iracema, Moura Brasil, Farias Brito, Centro e parte do Benfica, Joaquim
Távora, Jacarecanga, Pirambu e Cocó.

Por se tratar de uma área de grande densidade populacional, os conflitos entre a urbanização e
o meio natural são imensos. Ocorre uma ocupação generalizada na área, com invasões dos
caminhos preferenciais das águas, sendo este fato e própria especulação imobiliária
responsáveis pelo aterrramento dos riachos e das lagoas de Fortaleza.

A deposição do lixo nas margens dos rios desta bacia e o lançamento de esgotos na rede de
drenagem são fatores que comprometem a hidrografia pela redução da capacidade de vazão e
pelos problemas decorrentes da poluição.

Apresentando em sua maioria drenagem direta para o oceano, os rios que compõem a bacia da
Vertente Marítima formam 7 sub-bacias cujos principais mananciais são: lagoa do Mel
(em processo de extinção), riacho Jacarecanga, riacho Pajeú, riacho Maceió e o riacho Papicu
que forma a lagoa do mesmo nome.

Fortaleza possuia rios com grande potencial hídrico, uma rica rede de drenagem e um
número considerável de lagoas. O que se vem constatando ao longo dos tempos é uma
perda destes mananciais e, sobretudo das lagoas através de aterros e conseqüente
construção nestas áreas.

4.3. Diagnóstico Das Lagoas

Analisa-se a seguir a situação sócio-econômica das populações residentes às margens das


lagoas, associada aos aspectos ambientais das lagoas da região costeira do município de
Fortaleza. As lagoas abordadas neste item, são as que se seguem, agrupadas nas suas bacias
hidrográficas correspondentes:
• Bacia da Vertente Marítima
− Lagoa do Papicu;
− Lagoa do Mel.

182
• Bacia do Cocó
− Lagoa de Messejana;
− Lagua da Maraponga;
− Lagoa da Itaperoaba (Garibaldi);
− Lagoa da Pedra (Jangurussu);
− Lagoa do Opaia;
− Lagoa do Porangabussu;
− Lagoa do Passaré;
− Lagoa da Sapiranga-Precabura;
− Lagoa da Boa Vista;
− Lagoa do Jacareí;
− Lagoa Maria Vieira.
• Bacia do Maranguapinho
− Lagoa da Parangaba;
− Lagoa do Sítio Urubu (J. Macêdo);
− Lagoa do Mondubim;
− Lagoa do Genibaú - Açude Santo Anastácio (Agronomia).
As lagoas citadas acima têm sofrido modificações nas suas condições naturais, ocasionadas,
principalmente, pelas atividades antrópicas associadas ao uso e ocupação inadequados do
solo, que de uma maneira ou outra, se refletem sobre os recursos hídricos.

Algumas das modificações são causadas pelo assoreamento de suas margens, resultante do
desmatamento para construção de estradas, residências e atividades agrícolas. A prática do
turismo na zona costeira faz com que os recursos hídricos ali existentes, recebam uma maior
carga de resíduos orgânicos e inorgânicos que se intensificam nos períodos de férias e
feriados prolongados.

O lançamento desses resíduos pode ocasionar profundas modificações no manancial, refletindo-se


sobre a flora e fauna aquática, podendo levar a um desequilíbrio no ecossistema, trazendo com isso
prejuízos econômicos e sociais a todos que se beneficiam desse recurso natural.

O excesso de matéria orgânica, proveniente do lançamento de dejetos de origem animal e humana,


desencadeia o processo de eutrofização que consiste no enriquecimento da água em compostos
nutritivos, especialmente nitrogênio e fósforo, que tornam as algas e outros microvegetais
superabundantes. Este processo, normalmente de ação vagarosa, pode evoluir transformando a
lagoa em charco ou brejo, e ao final, assume condições terrestres e desaparece.

Quanto aos recursos pesqueiros nas lagoas citadas eles são abundantes no aspecto qualitativo,
apresentando um bom número de espécies economicamente exploráveis. Quanto ao aspecto
quantitativo o volume da captura de peixe nas lagoas de Fortaleza é pequeno em relação ao
volume e a lâmina d'água dos principais reservatórios. Em muitos casos o produto da pesca é

183
irrisório ou mesmo inexistente devido às péssimas condições ambientais em que se encontra a
maior parte das lagoas de Fortaleza.

Além dos peixes encontram-se caranguejos, siris, camarões e algumas espécies de animais
que vivem em "habitat" aquático como frango d'água, rãs, sapos, algumas espécies de répteis
como calango, lagartixa e muitas cobras, destacando-se a jararaca, a cascavel, a preta, a verde,
a capim e a papa-ovos.

Encontra-se também vários mamíferos como rato, catita, guabiru, soim e preá. Todos eles são
encontrados nas áreas encharcadas e aterradas dos leitos das lagoas, constituindo uma ameaça
à saúde dos moradores. Os répteis e mamíferos se beneficiam, na maioria dos casos, do
acúmulo de lixo e detritos nas margens que lhes proporcionam alimento e abrigo onde se
protegem da ação dos predadores de maior porte ou do próprio homem.

A área lagunar mais ameaçada por estas espécies de animais é a lagoa do Mel, onde a
presença de lixo, detritos e dejetos dos esgotos que deságuam nesta área, ocasiona a
proliferação de ratos e baratas que importunam os moradores da região. Na lagoa do Mel as
residencias estão localizadas muito próximas ao leito da água.

As lagoas são de uma importância fundamental no equilíbrio ecológico de nossa capital,


influenciando diretamente no seu microclima.

O aumento da pavimentação com asfalto impermeabilizando o solo urbano, as alterações do


balanço hídrico e o comprometimento do potencial hídrico termina transformando a cidade
numa "ilha de calor".

As lagoas neste processo de envelhecimento vão perdendo sua capacidade de influenciar no clima e
as condições climáticas locais vão acelerar o processo de evaporação das lagoas. Pode-se observar
alguns processos de degradação que vêm ameaçando os ambientes lacustres de Fortaleza.

Dada a ausência de um programa de proteção e preservação das lagoas, elas são facilmente
extintas por aterramento (principalmente as de menor porte) e facilmente atingidas pela
especulação imobiliária que se extende além das lagoas para as várzeas, baixios, córregos e
riachos que são intensamente destruídos pelas edificações urbanas.

As lagoas de forma geral têm uma série de funções ecológicas no meio ambiente, além das
funções sócio-econômicas. Ecologicamente elas diminuem o superaquecimento do ar
atmosférico, captam águas pluviais por estarem localizadas em níveis de base, diminuem os
transtornos provocados pelas inundações nas áreas urbanizadas, compõem a paisagem natural,
além de serem "habitat" de inúmeras espécies da fauna e da flora.

Socialmente as lagoas geram diversas atividades, sendo algumas de cunho extritamente social
e outras econômicas, como a pesca, a irrigação, a lavagem de roupas, a navegação esportiva, o
lazer e a recreação.

As lagoas de Fortaleza estão em sua maioria localizadas na planície litorânea e nos tabuleiros
pre-litorâneos, fixados geologicamente sobre o cristalino. As áreas das lagoas, em sua
maioria, correspondem às áreas mais deprimidas dos tabuleiros pré-litorâneos, que tem
proporcionado a acumulação de sedimentos sobre a formação barreiras. Os tabuleiros pré-
litorâneos situam-se à retaguarda das dunas, fazendo contato com a depressão sertaneja,
pedendo penetrar a uma média de 40 km para o interior.

184
Os solos que se formam nas regiões das lagoas de Fortaleza são normalmente de dois tipos: os
hidromórficos e os aluviais. Os solos hidromórficos se formam em ambientes saturados de
água, onde o perfil adquire aspectos característicos devido ao fenômeno da oxidação e
redução particularmente intensas.

Os solos aluviais ocorrem nas planícies aluviais, associados a solos hidromórficos, tendo em
comum com estes a saturação hídrica do material durante o ano todo ou parte dele, devido a
presença do lençol freático à pequena profundidade. São pouco desenvolvidos e derivados de
sedimentos não consolidados depositados nas várzeas sob as mais variadas condições.

O aterramento de qualquer lagoa para expandir a ocupação residencial significa um erro


técnico, pois o lençol freático alto na área compromete a drenagem de águas pluviais e da rede
de esgotos, além de modificar, irreversivelmente, a composição da fauna e da flora que
perderão seus "habitats" naturais.

Outra conseqüência resultante dos aterramentos das lagoas de nossa cidade são as freqüentes
inundações ocasionadas pelas chuvas mais fortes, que alagam ruas e casas, num fenômeno
inevitável pois a ausência das lagoas representa a perda de um enorme volume receptor de
águas pluviais.

A destruição destes espaços naturais tem obrigado os governos estadual e municipal gastar
quantias consideráveis com obras de alargamento e prolongamento de galerias pluviais que
possam dar vazão ao fluxo d'água das chuvas, que são particularmente fortes na quadra
invernosa de janeiro a abril.

Nas Lagoas do Município de Fortaleza, há estudos batimétricos e laudos fisico-químicos e


bacteriológicos realizados no ano de 2007 em uma parceria da Prefeitura de Fortaleza –
Labomar – LIAMAR. Esse estudo, que gerou um mapeamento batimétrico e a emissão de
boletins periódicos sobre a balneabilidade, constitui-se em um marco histórico no processo de
reordenamento das lagoas de Fortaleza.

A seguir, uma descrição detalhada das lagoas por bacias hidrográficas dentro do município de
Fortaleza, responsável pela abrangência do maior número de lagoas dentro das Bacias
Metropolitanas.

4.3.1. Bacia Vertente marítima


• Lagoa do Papicu
A lagoa do Papicu está circundada por dunas semi-fixas, com vegetação predominantemente
constituida por murici. Estas dunas estão sendo ocupadas por construções, normalmente casas
de médio e grande portes. Em relação à sua lâmina d'água a lagoa do Papicu pode ser
considerada de pequeno porte em relação com as demais lagoas de Fortaleza. Sua localização
está descrita no Quadro 4.1.
Quadro 4.1. Localização da Lagoa do Papicú
Coordenadas Geográficas
Entrada do tributário principal Centro Sangradouro
3º44’578’’S/38º27’965’’ W 3º44’479’’S/38º28’055’’ W 3º44’345’’S/38º28’130’’ W

185
A qualidade da bacia foi analisada pela Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF), através da
Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano (SEMAM) – Labomar/UFC no Relatório do
Mapeamento Batimétrico – 2007 e os resultados são mostrados no Quadro 4.2.
Quadro 4.2. Analise de Qualidade da água da Lagoa do Papicú
Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT – Média de Ec – CTT – Ec –
Final
NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 3670 2296 500 400 Imprópria
aos sábados
Fonte: SEMAN-PMF/LABOMAR-UFC (2007)

Do ponto de vista ambiental, a lagoa e os riachos têm sido objeto de questionamento no que
diz respeito as degradações que ocorrem ao longo dos seus cursos e margens. Essas agressões
são normalmente verificadas através de vários fatores, tais como: ocupação urbana
desordenada, lançamentos de efluentes domésticos e industrializados, resíduos sólidos,
destacando-se material de construção civil e canalização de alguns trechos em áreas
urbanizadas (Figura 4.1). Todos esses elementos interferem de forma marcante na vazão e no
equilíbrio hídrico do sistema como um todo, provocando inundações das áreas adjacentes em
épocas invernosas.

Figura 4.1. Principais impactos ambientais que atingem o Complexo Hídrico


Papicu/Maceió. Despejo de efluentes residenciais, deposição de resíduos
sólidos domésticos, rejeitos de construção civil e canalização do leito do
riacho. Fonte: Silva, 2003.

186
Segundo o estudo de SILVA (2003), a lagoa do Papicu com 18 hectares de área total e
urbanizada há aproximadamente cinco anos, sofre com a especulação imobiliária e descaso do
poder público. Nos últimos anos, casas de alvenaria e casebres de madeira vem sendo
construídos, invadindo as suas margens, além da ação de caçambeiros que despejam entulhos
dentro da lagoa, contribuindo para o processo de assoreamento e redução do espelho d’água
da lagoa.

De acordo com Bianchi et al (1984), boa parte das águas que alimentam a lagoa do Papicu,
são provenientes do aqüífero dunas/paleodunas de idade terciária que aflora na base das dunas
do Papicu, provavelmente, próximo ao contato com a Formação Barreiras. Um dos aspectos
ambientais considerado de caráter negativo, foi a construção de uma via que passa sobre parte
da planície aluvial da lagoa, o que afetará o equilíbrio hídrico e até mesmo microclima da
área.

Os problemas ambientais que ocorrem no complexo hídrico Papicu/Maceió tem sua origem na
ocupação urbana sem considerar as limitações do meio físico. Tendo como principais vetores
de degradação ambiental a intensa favelização emergente em suas margens, associada as
obras de engenharia mal planejadas, refletindo no assoreamento dos leitos e freqüentes
estrangulamentos dos cursos de água, bem como na poluição das águas superficiais pelo
lançamento direto de resíduos líquidos e sólidos ocasionado pela falta de um sistema de
saneamento básico eficiente e coleta regular de lixo.

A eutrofização pode provocar o desaparecimento de um lago ou lagoa como um todo, pois em


decorrência desse processo e do assoreamento, aumenta a cumulação de matérias e de
vegetação, e o manancial se torna cada vez mais raso, até vir a desaparecer, sendo que essa
tendência de desaparecimento, muitas vezes, é irreversível, porém, extremamente lenta, sendo
o processo acelerado através da interferência antrópica.

A lagoa do Papicu, segundo Sales (1993), é um reservatório interdunar que se desenvolve


perenemente em uma área de aproximadamente 1,5 km, tendo uma forma alongada,
apresentando 640m de comprimento e 145m de largura e alimenta em caráter perene um
pequeno curso d’água, o riacho Papicu.

De acordo com levantamentos realizados pela Defesa Civil do Estado, em janeiro de 2003,
setenta e três famílias residiam as margens da lagoa do Papicu. As famílias foram cadastradas
para posteriormente serem transferidas para conjuntos habitacionais, no entanto, nos últimos
meses a ocupação cresceu e existia aproximadamente cento e cinqüenta residências.

Atualmente, o que se observa é uma crescente redução do espelho d’água da lagoa em função
de processos erosivos e de assoreamento e do crescimento excessivo de uma vegetação
aquática tipo aguapé (Eichhornia crassipes). Estudos realizados por Branco et al (1991),
demonstram que o espelho d’água desta lagoa estava praticamente descoberto (Figura 4.2),
enquanto que em 1993, segundo Sales, 40% da lagoa já estava encoberta por esse tipo de
vegetação.

187
Figura 4.2. Processo de Degradação do Riacho Papicu/Maceió.
Fonte: Silva, 2003
O riacho Maceió, em particular, tem constituído motivo de várias polêmicas por parte de
associações que se preocupam com a preservação do meio ambiente, veiculadas em matérias
jornalísticas da imprensa local. A área é de proteção ambiental, mas está tomada pelo lixo, as
calçadas destruídas pela erosão e toda a urbanização comprometida.

Esse corpo hídrico corta os bairros do Papicu, Varjota e parte do Mucuripe e pelo menos 80%
do riacho está canalizado e outros 20% que correm livres estão poluídos.

O trecho onde há a confluência dos riachos Papicu e Maceió caracteriza-se como um ponto
crítico em termos de degradação ambiental e no que diz respeito ao aspecto paisagístico, pois
além do acúmulo de lixo, existe a presença marcante de resíduos sólidos misturados com
material sedimentar acobertado por vegetação invasora no local.

As dunas localizadas no litoral desta área, denominadas de dunas do Papicu e do Gengibre,


com o avanço rápido da construção imobiliária mudaram por completo seu comportamento
dinâmico. A maioria das dunas que era móvel passou a ser fixada de maneira forçada,
ocupadas por residências.

A área correspondente à atual Cidade 2000, até o final da década de 60, era área dunar e
lagunar. Para construção deste bairro as dunas foram aplainadas, houve uma mudança
violenta da topografia local e as lagoas pequenas e temporárias foram aterradas. Durante este
processo pelo menos duas lagoas desapareceram nesta área: a lagoa Grande e a lagoa Murici.

188
Os efeitos desta agressão irracional do homem contra a natureza são sentidos durante as
grandes chuvas que provocaram durante muitos anos fortes inundações na Cidade 2000. Este
problema só foi sanado com a construção de galerias pluviais ligando este bairro ao rio Cocó.

Verificou-se que a construção de residências, conjuntos habitacionais, imóveis comerciais e


das vias de acesso descaracterizou a drenagem de muitos bairros da cidade através da
construção de valas e valetas, que muitas vezes conduzem suas águas a bacias ou sub-bacias
diferentes das originais. Pode-se constatar que estas modificações bruscas do ambiente, na
maioria das vezes de iniciativa privada, obrigam posteriormente o poder público a realizar
obras de saneamento que poderiam ter sido evitadas.

As dunas do Papicu ainda preservadas, que vão da proximidade das Cervejarias Brama até o
bairro do Castelo Encantado, mantêm uma relação estreita com a lagoa. Elas margeiam a
lagoa e os riachos que ali passam, alimentando-os com água e sedimentos responsáveis pelo
seu assoreamento. O ciclo natural de alimentação foi quebrado e a resposta é uma acumulação
de areia irregular e dispersa. Segundo relato da população local o mês de agosto apresenta a
maior velocidade de erosão eólica, associada, obviamente, a uma maior velocidade dos
ventos.

Alocou-se nas proximidades da lagoa uma favela, que não dispõe de infraestrutura de
saneamento básico, como água encanada e rede de esgotos. Deste modo, a população
ribeirinha se utiliza da água da lagoa para uso doméstico, como lavagem de roupa e banho. Os
dejetos líquidos e sólidos, caracterizados pelas águas utilizadas e pelo lixo doméstico, são,
respectivamente, lançados diretamente na lagoa e depositados em suas margens.

A paisagem que se apresenta na lagoa com mansões sobre as dunas e favelas em sua margem
é característica de um estágio avançado de degradação ambiental que tem como causa, no
primeiro caso, a especulação imobiliária e no segundo, conseqüência do grave quadro social
brasileiro.

A lavagem de roupa e a pesca artesanal com linha e tarrafa na lagoa, constituem atividades
importantes para a subsistência de parte da população da favela. Os principais peixes
pescados na lagoa são o Cará e a Traíra, muitas vezes os únicos alimentos para muitas
famílias.

Quanto ao nível sócio-econômico das populações existe um contraste. Enquanto que nas
dunas e avenidas próximas à lagoa predominam as moradias de luxo, nas margens existe uma
favela, localizada na faixa de 1ª categoria que é área de preservação permanente. Estes dois
tipos de moradias contribuem para a poluição da lagoa e do lençol freático, através dos
dejetos e detritos das favelas e das ligações de esgotos clandestinos nas galerias pluviais.

O nível de renda dos moradores das margens da lagoa é muito baixo, passando raramente de
2 salários mínimos por mês. As famílias são numerosas, contendo em média de 4 a 7 pessoas
por moradia. O nível de escolaridade também é bastante baixo, sendo em sua maioria de
analfabetos ou possuidores de curso de 1º grau incompleto. As crianças em idade escolar
freqüentam escola pública.

O bairro é relativamente bem servido pela rede de serviços públicos, como escolas, hospitais e
transporte coletivo. As maiores carências são a ausência de esgotos domésticos em parte das
residências e a segurança pública.

189
• Lagoa do Mel – Bacia da Vertente Marítima
Trata-se de uma pequena lagoa com aproximadamente 140 m de comprimento por 40 m de
largura, localizada nas proximidades das avenidas Dr. Theberge e Presidente Castelo Branco,
que a divide em duas partes. As fontes de alimentação da lagoa são as chuvas e os esgotos.
(Quadro 4.3)
Quadro 4.3. Localização da Lagoa do Mel
Coordenadas Geográficas

Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal

3º44’578’’S/38º27’965’’ W 3º44’479’’S/38º28’055’’ W 3º44’345’’S/38º28’130’’ W


Fonte: SEMAN-PMF/LABOMAR-UFC (2007)

A lagoa do Mel hoje se encontra totalmente coberta pela vegetação aquática composta
predominantemente por água-pés, num indicativo de excesso de matéria orgânica em suas
águas. A origem deste poluente é o lançamento de esgotos domésticos e industriais em suas
águas, proveniente das indústrias e residências localizadas nas proximidades.

A lagoa do Mel é de difícil acesso, pois se encontra cercada por muros e residências, passando
a fazer parte dos quintais das casas adjacentes, onde seus moradores ponderam entre
reclamações ou elogios a relativa privacidade desta coleção d'água. Para alguns, os muros
servem de proteção contra a ação dos marginais e para outros é visto exatamente como o
contrário, os muros servem de abrigo e esconderijo para a atuação de gangues e bandidos.

Apesar de ser a menor lagoa visitada pela equipe de estudo, constatou-se ser esta uma das
mais problemáticas. Pode-se observar que a lagoa serve de depósito de lixo das residências
adjacentes, serve também de depósito de dejetos de condomínios e indústrias da região.

O acúmulo de lixo, de poluentes orgânicos e industriais e a proliferação da vegetação


sobrenadante na lagoa, cria um ambiente extremamente propício ao desenvolvimento de
diversos insetos (moscas, mosquitos, muriçocas e pernilongos) e de ratos, guabirus e cobras.
Como consequência, a população adjacente à lagoa se queixa do mau cheiro, da presença dos
insetos e outros animais, de doenças de pele e respiratórias. Com o aparecimento das
primeiras chuvas da quadra invernosa aparecem doenças como a dengue e a cólera.

Quantos aos aspectos sócio-econômicos esta lagoa está situada num bairro pobre, constituído
principalmente de famílias de baixa renda. O bairro possui casas de alvenaria de pequeno e
médio porte, algumas favelas e indústrias.

Várias ruas são pavimentadas, possuindo rede de água encanada e sistema de esgoto do tipo
fossa sépticas nas residências. O sistema de saúde pública do bairro é bastante deficitário,
assim como o sistema de coleta de lixo que funciona de maneira irregular.

As famílias são geralmente numerosas possuindo renda familiar entre 1 e 4 salários mínimos.
Os moradores trabalham como operários das fábricas, na construção civil, são pequenos
comerciantes ou sem emprego fixo (biscateiros). O nível de escolaridade é baixo, embora
alguns possuam primeiro grau completo.

190
O bairro possui uma associação de moradores que reivindica melhorias para a comunidade.
Apesar disso, não existe centro social urbano ou comunitário nem posto de saúde nas
proximidades. A população reclama principalmente da proliferação de ratos e insetos vindos
da lagoa. Sendo uma área bastante industrializada, os habitantes sofrem com a poluição
atmosférica, que causa doenças respiratórias principalmente nas crianças.

É necessário também a limpeza e recuperação da lagoa através da retirada do lixo e do


excesso de vegetação, pois os dejetos de esgotos industriais e de um condomínio das
proximidades, bem como o lixo proveniente das residências adjacentes à lagoa, vêm aterrando
aos poucos o que ainda resta deste corpo hídrico.

4.3.2. Bacia do Cocó


• Lagoa de Messejana
Considerada de grande porte, a lagoa de Messejana localiza-se no bairro do mesmo nome,
cercada por avenidas, residências, sítios, restaurantes, bares, mercearias e um clube recreativo.

A lagoa de Messejana é alimentada principalmente pelas águas das chuvas, que convergem
em direção a ela, formando uma das maiores sub-bacias de Fortaleza. Ela também recebe
água de uma outra lagoa de menor porte, localizada em propriedade particular denominada de
Sítio Danilo Pinto.

As suas coordenadas de localização estão descritas no Quadro 4.4.


Quadro 4.4. Localização da Lagoa de Messejana
Coordenadas Geográficas

Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal

3°48’255’’S/38°30’529" W 3°48’187’’S/38°30’526” W 3°48’142’’S/38°30’510" W

O Quadro 4.5 complementa o Quadro 4.4 ao descrever outros dados espelho d'água e
profundidade, importantes informações que caracterizam a lagoa e auxiliam na definição do
melhor tipo de uso para este sistema hídrico.
Quadro 4.5. Espelho d'água, profundidade e volume da Lagoa de Messejana
Espelho
Nº de Pontos Perím Profundidade
Ref. das Data de D’água
etro Vol. m3
Malhas Coleta
(m)
Total /ha 1(ha) 2(m2) Méd. Máx. Mín.

O15, P15 01/11/06 2.633 78 33,70 33,70 2.607 2,86 4,88 0,62 865.785

191
A profundidade da lagoa pode ser mostrada na Figura 4.3 através da batimetria da Lagoa de
Messejana. A batimetria é a medição da profundidade dos oceanos, lagos, lagoas e rios são
expressas cartograficamente por curvas batimétricas que unem pontos da mesma
profundidade com eqüidistâncias verticais, à semelhança das curvas de nível topográfico. Na
Figura 4.3 o tom de azul mais escuro demonstra onde está localizada a maior profundidade
da lagoa.

Figura 4.3. Mapa Batimétrico da Lagoa de Messejana

No Quadro 4.6 é feito uma análise da qualidade da água no período de um mês entre
novembro de 2009 a dezembro de 2009, essa análise enquadrou a Lagoa de Messejana como
imprópria para banho.

192
Quadro 4.6. Análise Físico-Química da Lagoa de Messejana
Padrões
Concentração Concentração
CTT – Ec – Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec –
NMP/ NMP/ Final
– NMP/100mL NMP/100mL
100mL 100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 513 246 500 400 Imprópria
aos sábados

A utilização da lagoa é bastante variada e sua importância é muito grande para a região. Além
da pesca, que se desenvolve de modo bastante regular e intenso, existe cultivo de alguns
produtos como: macaxeira, milho, feijão, tomate, banana, coco e capim. O cultivo destes
produtos se desenvolve nos sítios localizados às margens da lagoa.

A atividade pesqueira é desenvolvida pelos moradores locais e provenientes de outros bairros,


que utilizam anzol, tarrafa, pequenas redes de arrasto ou de espera.

A pesca é realizada nas margens ou nas áreas mais profundas da lagoa, com o auxílio de bóias
plásticas ou pequenas embarcações. O número de pescadores que utilizam a lagoa varia de
20 a 30 por dia. Os principais produtos pescados são: pequenos camarões, siris, cará, tilápia e
tucunaré. Para muitos pescadores a lagoa constitui a única fonte de alimentação e renda para a
família.

Apesar de uma boa atividade agrícola e pesqueira a lagoa da Messejana apresenta a cada dia
índices maiores de poluição, que podem prejudicar ou mesmo, a longo prazo, inviabilizar
estas atividade.

Observou-se que lixo é despejado às suas margens, apesar de haver um serviço urbano de coleta
regular e eficiente. Constatou-se a presença de fezes humanas e animais nas margens e na água,
além de dejetos sólidos como: plásticos, madeira e pneus de automóveis, que são lançados pela
população ou carreados pelas águas das galerias pluviais.

As margens da lagoa, na avenida Frei Cirilo está localizado um restaurante que esta
contribuindo para a poluição da Lagoa. Neste caso, para lagoas que tenham afluxo de água
poluída ameaçando a qualidade de suas águas, a medida mais efetiva é provavelmente a
construção de uma estação de tratamento de esgotos e/ou desviar águas servidas ou efluentes
tratados para fora de suas áreas de captação.

Esta medida deve ser adotada com urgência na Lagoa de Messejana, uma vez que não é
observado nenhum sistema de tratamento dos efluentes que são lançados na lagoa e a região
não está contemplada com rede pública coletora de esgotos.

Desenvolvem-se também às margens da lagoa atividades de lavagem de roupa, animais e


veículos, além da presença de barracas que abrigam famílias vindas do interior do estado, que
também contribuem para o agravamento das condições ambientais. Faz-se necessário a
instalação de rede de drenagem pluvual e de esgoto, além de um programa eficiente de
educação ambiental.

193
A lagoa também tem uma finalidade de lazer e recreação, com crianças e adultos
utilizando suas águas para a natação ou prática de esportes náuticos. Infelizmente os
equipamentos existentes na região são mal cuidados ou destruídos pela própria
população.

A análise sócio-econômica da região é bastante complexa, pois a área de influência da lagoa é


bastante grande.

A população ribeirinha tem nível de renda médio, mas o nível sócio-econômico dos que pescam é
baixo. Deste modo, encontramos uma parcela da população local que tem renda acima de 5
salários mínimos por mês, onde os filhos estudam em escolas particulares, possuem automóvel,
têm acesso aos serviços médicos através de planos de saúde e moram em residência própria. Outra
parte da população possui renda entre 2 e 5 salários, os filhos estudando em escolas públicas, não
possuem automóvel, dependem do sistema público de saúde e poucos moram em casas próprias.
Para completar o contraste, os pescadores e pequenos cultivadores da região vivem praticamente
na miséria, morando em favelas localizadas em bairros próximos, sem água, esgoto, ou serviços
de educação e saúde de qualidade.
• Lagoa da Maraponga – Bacia do Cocó
Localiza-se na microbacia B-3.4 e tem uma área de 45.000 m², sendo que o riacho percorre
uma extensão de 4,32 km, indo formar a Lagoa Seca com 11.500 m². Depois se encaminha na
direção do Campus Universitário do Itaperi até encontrar-se na microbacia B-3.3, com o
sangradouro do Açude José Pires, cuja área é de 32,7 hectares (espelho líquido na cota 15).
O riacho, então, alimenta uma pequena lagoa que se liga a outro pequeno açude, formando
mais duas áreas de acumulação até encontrarem-se com o Açude Uirapuru, na microbacia
B-3.6. No Quadro 4.7 descreve-se as coordenadas geograficas e no Quadro 4.8 o espelho,
profundidade e volume.
Quadro 4.7. Localização da Lagoa da Maraponga
Coordenadas Geográficas

Entrada do Tributário
Centro Sangradouro
Principal

3°46’140’’S/38°34’090’’ W 3°33’977’’S/38°46’085’’ W 3°45’870’’S/38°33’932’’ W

Quadro 4.8. Espelho d'água, profundidade e volume da Lagoa da Maraponga


Nº de Espelho
Ref. Profundidade
Pontos D’água
Data de Perím. Vol.
das
Coleta (m) m³
Méd.

Máx.

Mín.
Tota

(m2)
(ha)
/ha

Malhas
1

2
l

K8, K9,
31/08/2006 1.601 150 10,70 1.070 1.769 1,74 3,90 0,38 134.050
L8

194
Para complementar os dados do Quadro 4.9, a Figura 4.4 mostra a batimetria da Lagoa da
Maraponga.

Figura 4.4. Mapa Batimétrico da Lagoa da Maraponga


Segundo diagnóstico do Inventário Ambiental de Fortaleza, a Lagoa da Maraponga conta
também com algumas áreas tomadas por igarapés. Apenas ela apresentou amostra de acordo
com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 20/86 para águas Classe 2,
atualmente a resolução do Conama que regula essa classificação é a 357/2005.
Quadro 4.9. Analise Fisico-Queimida da agua da Lagoa da Maraponga
Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT – Média de Ec – CTT – Ec – Final
NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 aos 291 163 500 400 Imprópria
sábados
A lagoa da Maraponga, localizada no bairro do mesmo nome é margeada pela Av. Godofredo
Maciel, por residências, sítios e um conjunto habitacional; podendo ser considerada de médio
porte, a lagoa da Maraponga já foi palco de grandes manifestações em sua defesa, quando os

195
moradores locais e grupos de ecologistas se uniram para impedir a construção de um polo de
lazer particular, que destruiria uma área verde considerável em volta deste corpo hídrico.
Outra fonte de protesto foi a construção de um conjunto habitacional em sua margem, que era
um empreendimento particular.
As margens da lagoa da Maraponga apresentam paisagens bastantes diferentes. Uma parte
possui uma vegetação densa, rica em árvores de grande porte como coqueiros, mangueiras e
cajueiros, associadas a vegetação de mata de médio porte e rasteiras, formando uma paisagem
de um verde exuberante. Outra parte, apresenta sítios, residências e um conjunto habitacional,
onde a presença do homem provocou mudanças na vegetação original, sendo esta menos
densa, apresentando apenas algumas árvores de grande porte bastante esparçadas. A última
paisagem apresentada nas margens é composta de uma grande avenida, empresas de grande
porte e residências, onde a ação antrópica modificou completamente a paisagem natural, que
foi inteiramente substituída pelos imóveis.
A lagoa da Maraponga apresenta uma área de aproximadamente 45.000 m2, alimentada por
águas pluviais de escoamento superficial e de galerias, esgotos e pelos riachos Mondubim e
Maraponga. O riacho Maraponga apresenta uma extensão de 4,2 Km, alimentando também a
lagoa Uirapurú no bairro do Itaperí.
Os maiores problemas ambientais da lagoa da Maraponga são os esgotos de residências e de
estabelecimentos comerciais que correm a céu aberto e a especulação imobiliária que muito
contribuiu para a modificação da paisagem e a destruição de "habitats" naturais de plantas e
animais.
A população residente apresenta-se estratificada em todos os níveis da pirâmide social,
apresentando desde famílias muito pobres até às de classe média alta.
A maior parte da população deste bairro conta com postos de saúde, centro comunitário,
escolas públicas e privadas, água encanada, transporte coletivo e coleta de lixo regular. A
grande necessidade do bairro é a implantação da rede de coleta de esgotos.
Na margem Oeste da lagoa encontra-se uma pequena favela, bastante carente dos
serviços públicos básicos, necessários a uma condição de vida razoável. Nesta área as
residências não possuem água encanada e existe canal de esgoto que passa entre os
barracos e pequenas casas.
Apesar da presença de esgotos que lançam dejetos constantemente nesta lagoa, suas águas são
utilizadas para a lavagem de roupa e animais, lazer e recreação das crianças.
Desenvolve-se também em suas águas atividade de pesca artesanal com a utilização de linha e
tarrafa. As águas da lagoa também são utilizadas para irrigação de pequenas hortas nos sítios
e residências adjacentes.
• Lagoa da Itaperoaba (Garibaldi) – Bacia do Cocó
A lagoa de Itaperoaba, também denominada de lagoa Garibaldi, locacaliza-se no bairro da
Serrinha, na região sudoeste de Fortaleza. Veja no Quadro 4.10 sua localização.

196
Quadro 4.10. Localização da Lagoa de Itaperoaba
Coordenadas Geográficas

Entrada do Tributário Principal Centro Sangradouro

3°48’298’’S/38°34’603’’ W 3°48’220’’S/38°34’801’’ W 3°48’191’’S/38°34’868’’ W

Até 1965, quando foi aprovado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza o loteamento da área, a
lagoa de Itaperoaba era um espaço público para onde convergiam as ruas localizadas em suas
imediações.

A partir desta data deu-se início ao processo de ocupação deste espaço territorial, quer através
dos lotes, quer através de ocupações em áres públicas e privadas. De acordo com o
depoimento dos moradores, até o início da década de 70 havia poucos habitantes e nesta
época teve início a disputa entre os ocupantes e os que se diziam proprietários dos terrenos.

O aumento do número de famílias sem tetos foi crescendo, sendo necessário construir suas
moradias, normalmente barracos, em áreas próximas. Estas famílias, no processo de
ocupação, devastaram a vegetação e construíram seus casebres à margem da lagoa.

A comunidade de Garibaldi assentou-se numa área alagadiça próxima a lagoa, sendo logo em
seguida isolada desta pela construção de um muro em sua volta. Este muro tornou privada
uma área pública da lagoa, situada entre as vias: Avenida Dedé Brasil, Avenida Justo Araújo,
Rua Pe. Nóbrega e Rua Benjamin Franklin. Sua construção se deu em 1977, sob protestos
dos moradores locais que se utilizavam da água, não apenas como meio de subsistência
através da pesca e pequena agricultura, como também para a lavagem de roupa, espaço de
lazer e recreação. Em virtude da apropriação indevida da lagoa, parte da população foi
obrigada a procurar outro meio de subsistência e lazer.

Devido a construção do muro, a circulação da água de alimentação e a sangria da lagoa


passaram a ser feitas através de fendas na parte inferior deste. Em 1990 o muro caiu
exatamente na área do sangradouro, ficando a população livre para entrar novamente na
área.

No entanto, a lagoa atualmente apresenta elevados índices de poluição, com esgotos sendo
lançados em suas águas e em pleno processo de eutrofização. A água da lagoa encontra-se
quase totalmente coberta pela vegetação aquática, que impede a penetração da luz
dificultando a realização da fotossíntese e conseqüentemente baixando a sua produção
primária. As conseqüências disso são as ausências de algas verdes ou as diminuições. O
Quadro 4.11 confirma a poluição da lagoa.
Quadro 4.11. Analise Fisico-Quimica da água da Lagoa de Itaperoaba
Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT – Média de Ec – CTT – Ec – Final
NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 aos 412 296 500 400 Imprópria
sábados

197
Devido às suas características geomorfológicas as áreas ocupadas por aluviões possuem nível
hidrostático na faixa de 20 a 40 cm, o que torna bastante insalubres as condições habitacionais
da população que reside nas proximidades destes terrenos. No período chuvoso há completa
saturação do aqüífero e afloramento do lençol freático, aumentando a vazão das águas da
lagoa de Itaperoaba e um escoamento superficial que provoca inundações.

O problema das inundações se agrava ainda mais quando o escoamento do riacho do bairro é
estrangulado em dois pontos, pela construção mal calculada de dois bueiros, que represam as
águas na rua Américo Vespúcio e na Avenida Bernardo Manuel.

A lagoa é margeada pela comunidade Garibalbi, com população em sua maioria proveniente
do interior do Estado. Esta população vive em condições precárias de sobrevivência, com
nível de renda baixíssimo (máximo de 2 salários mínimos por mês). De acordo com o
levantamento realizado, a maioria da comunidade vive em casas de 1 a 3 cômodos, sem
banheiro, sem fossas e metade da área residencial sofre inundações no período chuvoso.

A drenagem da área com construção de canais minimizaria os problemas das inundações e


melhoraria a condição de vida da população.

A comunidade não possui água encanada nem esgoto doméstico; falta eletricidade na maioria
das residências; não há sistema de coleta regular de lixo, nem postos de saúde e escolas públicas.

As conseqüências deste grave quadro social são a proliferação de ratos e insetos, mau cheiro e
um ambiente propício à proliferação de doenças, principalmente as bronco-pneumonares e as
afecções de pele.

O quadro das condições de saúde é bastante precário, sendo as doenças encontradas


tipicamente associadas à pobreza, causadas pela fome e falta de higiene.

Esta situação é agravada pelo alto índice de desemprego, sendo os poucos empregados
trabalhadores do ramo da construção civil ou fiandeiros das fábricas de rede do bairro.

Normalmente estes trabalhadores não possuem carteira assinada, os que os tornam ainda mais
vulneráveis e sem nenhuma proteção social ou trabalhista.
• Lagoa da Pedra (Jangurussu) – Bacia do Cocó
Localizada no bairro do Jangurussu a lagoa da Pedra situa-se às margens da avenida
Perimetral, entre os conjuntos habitacionais São Cristóvão e João Paulo II.

Caracteriza-se por ser uma lagoa de pequeno porte, alimentada pelo açude Jangurussu e pelas
águas de chuvas.

A vegetação em suas margens é predominantemente composta de plantas rasteiras com carnaúbas


esparsas. Na faixa de 1ª categoria da lagoa a vegetação foi cortada e a população retira areia, para
vender aos depósitos de material para construção, surgindo na área enormes buracos.

A lagoa está bastante poluída, pois além dos esgotos domésticos existe um esgoto industrial de uma
fábrica de beneficiamento de óleo de castanha de caju que lança resíduos nesta área. O problema se
agrava com o lançamento de lixo nas margens da lagoa, feito por habitantes da região.

198
Apesar da poluição a lagoa ainda possui peixes, como (traíra e o cará). A população utiliza
água da lagoa para banho, lavagem de roupa e animais, além de ser utilizada como lazer pelos
moradores próximos.

Quanto ao nível sócio-econômico dos moradores, a grande maioria recebe menos de 1 salário
mínimo por mês, estando algumas famílias em situação de miséria, sem perceberem às vezes
o necessário para garantir a alimentação.

Na maioria das moradias não existe água encanada, banheiro ou esgotos sanitários. A falta de infra-
estrutura de saneamento é responsável pelo aparecimento de doenças de pele, dengue e cólera.

Os serviços públicos são bastante deficientes, pois inexiste coleta de lixo regular, escolas
públicas, postos de saúde e delegacia de polícia. Os únicos serviços existentes são o de
transporte coletivo e, em algumas casos, rede de fornecimento de energia elétrica.
• Lagoa do Opaia – Bacia do Cocó
A lagoa do Opaia localiza-se no bairro Vila União (Quadro 4.12). Possui um espelho de água
de 109.000 m2, portanto é considerada de grande porte. Suas margens acham-se parcialmente
preservadas pela implantação do Parque do Opaia, que por falta de manutenção encontra-se
em processo de destruição.
Quadro 4.12. Localização da Lagoa do Opaia
Coordenadas Geográficas
Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal
3°46’337’’S/38°31’88 2’’W 3°46’237’’S/38°31’820’’W 3°46’163’’S/38°31’731’’ W
Tem um espelho d’água, estimado em relação a cota 12, de 10,96 ha. As margens acham-se,
parcialmente, preservadas pela implantação do Parque do Opaia. Juntamente com o seu riacho
sangradouro, drena as águas superficiais da microbacia B-1.5 para o Riacho do Tauape. (veja
Quadro 4.13).
Quadro 4.13. Espelho d'água, profundidade e volume
Nº de Espelho
Profundidade
Pontos D’água
Ref. das Data de Perím. Vol.
m3
2(m2)

Malhas Coleta (m)


Total

1(ha)

Méd.

Máx.

Mín.
/ha

I12, J12 13/09/2006 1.096 100 11,00 1.100 1.455 1,90 3,10 0,37 209.630

Do lado oposto ao Parque do Opaia, a faixa de preservação foi invadida, observando-se


edificações residenciais em alvenaria. O resto da margem da lagoa está ocupada por pequenas
residências que formam uma favela.

Às margens da lagoa a vegetação é pobre em quantidade e qualidade, devido ao processo de


ocupação desta área que foi descaracterizada pela substituição da paisagem natural por
edificações. A lagoa não apresenta sinais de eutrofização, no entanto, foi considerada
imprópria no enquadramento final (Quadro 4.14).
199
Quadro 4.14. Analise Físico-Química da lagoa do Opaia
Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec – CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 21447 15485 500 400 Imprópria
aos sábados
A lagoa é alimentada pelas águas de chuvas e pequenos riachos, recebendo também esgotos
domésticos. Na Figura 4.5 é mostrado a batimetria da lagoa do Opaia.

Figura 4.5. Mapa Batimétrico – Lagoa do Opaia


As atividades econômicas desenvolvidas na área da lagoa do Opaia são muitas. Entre elas as
principais são a pesca, lavagem de roupa, comércio, pequenas indústrias e retirada de água.

A pesca é praticada por moradores locais e de outros bairros, que utilizam anzol, tarrafa, galão
ou pequenas redes de arrasto, sendo pescado principalmente cará, tilápia e traira. O produto da
pesca serve de alimento para a população de baixa renda, mas não constitui uma atividade
econômica das mais produtivas.

200
O comércio local se caracteriza pelo exagerado número de pequenas mercearias e bares,
normalmente localizados na via pavimentada que margeia grande parte da lagoa. As
atividades industriais são representadas por uma lavanderia, uma metalúrgica e algumas
fábricas de redes.

A água da lagoa também é utilizada para a lavagem de roupas e animais, para o banho e
recreação dos que se utilizam do Parque do Opaia e retirada em caminhões pipa a serviço da
Prefeitura Municipal de Fortaleza, com a finalidade de aguar as plantas e os canteiros de
praças e vias públicas da cidade.

O nível sócio-econômico dos moradores fica entre baixo e médio, predominando a população
de renda mais baixa. As famílias possuem em média de 3 a 6 pessoas, sendo que de 1 a 2
trabalham, percebendo quantias que, em conjunto, dificilmente ultrapassam 2 salários
mínimos mensais. A exceção é, normalmente, dos comerciantes que chegam a perceber até 5
salários mínimos por mês. As principais atividades profissionais dos moradores são:
empregados domésticos, autônomos, pedreiros e serventes de pedreiros. Grande parte deles
não possui carteira assinada pelos patrões.

A maioria da população mora em casa própria, fruto da ocupação, feitas de alvenaria. Os


filhos pequenos e adolescentes estudam em escolas públicas e em alguns casos freqüentam o
Centro Social Urbano Presidente Médici.

Um dos maiores problemas da área é a ausência de rede de esgotos, que obriga a construção
de fossas sépticas nas residências ou, em muitos casos, o aparecimento de esgotos a céu
aberto pelo lançamento direto dos dejetos nas ruas. Outro problema apresentado pelos
entrevistados é falta de segurança, principalmente no período da noite, nas imediações do
Parque do Opaia.

O bairro é bem servido em transporte coletivo, mas o estado de conservação das vias públicas
é bastante precário.
• Lagoa do Porangabussu
A lagoa de Porangabussu localiza-se no bairro do mesmo nome, tendo uma superfície de
aproximadamente 70.000 m2 a qual se encontra praticamente coberta pela vegetação aquática.

No mapa batimétrico (Figura 4.6), percebe-se que a profundidade da lagoa é muito pequena.
A lagoa de Porangabussu tem vários trechos com perigos à navegação, como bancos de areia,
tocos de madeira e pedaços de concreto.

201
Figura 4.6. Mapa Batimétrico – Lagoa do Porangabussu
O transdutor do ecossonda fica posicionado a 10 cm abaixo do casco da embarcação e
qualquer esbarro pode prejudicar a coleta, assim como danificá-lo. Devido às pressões, aos
anseios e à necessidade de complementar as informações sobre esta lagoa, por causa das
freqüentes mortandades ou extermínios dos peixes, ocorridas três vezes em 2006 e uma já em
2007, reconsideramos e realizamos o estudo de suas profundidades.

No mapa desta lagoa evidencia-se a presença de vários bancos de areia em frente às entradas
das galerias pluviais, o que indica a origem externa dos sedimentos. É importante que se
complemente, no mapa aqui apresentado, o posicionamento em coordenadas UTM de cada
entrada, assim como verificar as vazões e a qualidade da água em todos os corpos hídricos
estudados.

No Quadro 4.15, temos a localização exata da Lagoa de Porangabussu.


Quadro 4.15. Localização da Lagoa de Porangabussu
Coordenadas Geográficas
Entrada do tributário principal Centro Sangradouro
3°44’610’’S/38°33’127’’ W 3°44’673’’S/38°33’002’’ W 3°44’639’’S/38°32’856’’ W

202
E no Quadro 4.16, demonstra-se o espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa do
Porangabussu.
Quadro 4.16. Espelho d´água, profundidade e volume da Lagoa de Porangabussu
Nº de Espelho
Profundidade
Ref. das Data de Pontos D’água Perim.
Vol. m3
Malhas Coleta (m)
Total /ha 1(ha) 2(m2) Méd. Máx. Mín.

F10 16/03/07 2.002 203 9,85 985 1.465 1,84 4,21 0,37 155.170

Nas margens encontram-se entulhos, aterros e edificações consolidadas como colégios,


depósitos, comércios e residências que desrespeitam a faixa de preservação ambiental.

Trata-se de uma lagoa com alto índice de poluição, pois recebe, entre outros, esgotos sem
tratamento adequado, do centro de saúde de Porangabussu, que inclui as instalações dos
cursos de Medicina, Odontologia e Enfermagem, Hospital das Clínicas e Maternidade Escola
Assis Chateaubrian, todos pertencentes a Universidade Federal do Ceará, além do Hemoce e
do Hospital São José de doenças contagiosas. O resultado dessa poluição pode-se observar no
enquadramento que foi dado a esta lagoa (Quadro 4.17).
Quadro 4.17. Análise Físico-Quimica da Lagoa de Porangabussu
Padrões
Concentração Concentração
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec –
CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL
NMP/100mL NMP/100mL

28/nov/09 a
26/dez/09 3732 2637 500 400 Imprópria
aos sábados

O sistema de alimentação da lagoa é predominantemente pluvial. A lagoa também é


alimentada pelas águas do Açude Santo Anastácio, sangrando para um riacho que deságua
posteriormente no rio Cocó.

A matéria orgânica lançada nesta lagoa pelos esgotos dos diversos órgãos ligados às
atividades de saúde, constitui um excesso de alimento às plantas aquáticas, que se
desenvolvem numa velocidade muito grande. Sem a limitação natural de alimento, que
impediria sua explosão, ocorre a completa cobertura da lagoa pela vegetação. O excesso de
vegetação, por sua vez, impede a penetração da luz, diminuindo o processo de fotossíntese. A
diminuição da fotossíntese acarreta uma baixa na oferta de algas verdes e conseqüentemente
uma diminuição do teor de oxigênio na água. A conseqüência destes fatos é um
empobrecimento global da lagoa, em algas, peixes, moluscos e crustáceos.

As atividades de pesca e recreação já não são mais possíveis nesta lagoa. O estado atual de
poluição que contribui para a cobertura da água pela vegetação impede qualquer tentativa. A
única atividade que ainda utiliza água da lagoa é a agricultura, caracterizada por pequenos

203
cultivos, normalmente de bananeiras, coqueiros ou hortas caseiras, que tem como finalidade
exclusiva o consumo próprio.

Outras conseqüências da poluição da lagoa de Porangabussu são o aparecimento de odores


fétidos, insetos e ratos, além das doenças características de área sem saneamento básico, como
alergias, verminoses, disenteria, afecções de pele, dengue e cólera.

O nível sócio-econômico dos moradores desta área é de médio a baixo. As famílias são
numerosas, moram em casas de alvenaria, possuem televisão, rádio, água encanada e em
alguns casos são servidas por esgotos. As ruas são normalmente pavimentadas ou calçadas.
O sistema de transporte coletivo e a coleta de lixo são regulares, sendo o bairro muito bem
servido em serviços de saúde.

As maiores solicitações da população se voltam para dois aspectos: a despoluição e


urbanização da lagoa, bem como a presença de policiamento eficiente no bairro.
• Lagoa do Passaré
A lagoa do Passaré localiza-se próximo ao estádio Castelão, no bairro do mesmo nome.
Trata-se de uma pequena lagoa, situada em terreno particular, que possui sistema de
alimentação pluvial e um olho d'água. Veja sua localização no Quadro 4.18.
Quadro 4.18. Localização da Lagoa do Passaré
Coordenadas Geográficas

Entrada do tributário principal Centro Sangradouro

3º48’545’’S/38º31’826’’W 3º48’485’’S/38º31’782’’W 3º48’377’’S/38º31’712’’W

E no Quadro 4.19 detalhes do número de pontos averiguados na lagoa, o espelho d’água,a


profundidade e o volume.
Quadro 4.19. Espelho d´água, profundidade e volume da Lagoa do Passaré
Nº de Espelho
Profundidade
Ref. das Data de Pontos D’água Perim. Vol.
Malhas Coleta (m) m3
Total /ha 1(ha) 2(m2) Méd. Máx. Mín.

M12, N12 19/12/06 1.019 161 1.213 1,90 3,60 0,41 63.940

A lagoa do Passaré apresenta em suas margens ora uma vegetação rasteira composta de
arbustos e capim, ora uma vegetação rasteira acompanhada de árvores de grande porte como
mangueiras, coqueiros e cajueiros.

Para complementar o Quadro 4.20 que mostra a profundidade da Lagoa do Passaré, a


Figura 4.7 mostra a batimetria dessa lagoa.

204
Figura 4.7. Mapa Batimétrico – Lagoa do Passaré
Na análise da qualidade da água, o resultado é o que se segue (Tabela 4.20).

Quadro 4.20. Análise Físico-Química da Lagoa do Passaré


Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec – CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 13590 6525 500 400 Imprópria
aos sábados

205
As únicas construções nas margens da lagoa são as duas casas que compõem o sítio do
proprietário e, na margem oposta, as instalações do centro administrativo do Banco do
Nordeste do Brasil.

A lagoa encontra-se bem preservada, sem sinais de poluição em suas águas ou de devastação
em suas margens. Segundo o morador da propriedade, não há despejo de esgotos ou lixo na
lagoa. A água apresenta-se límpida, sem sinais de eutrofização ou poluição por matéria
orgânica.

Quanto à utilização da lagoa, ela está restrita ao proprietário do terreno, à família do morador
e aos pescadores artesanais que se dirigem à lagoa. São praticadas atividades de pesca com
anzol e tarrafa onde são pescados principalmente a traira, piau, cangati e cará. Pratica-se
também a agricultura na sua vazante, onde planta-se feijão, milho, batata e capim.

Quanto ao levantamento das informações sócio-econômicas dos habitantes da área ele se


resumiu a única família que mora na propriedade, composta por 10 pessoas. Os adultos
possuem apenas o 1º grau incompleto, as crianças estudam em escolas públicas. A renda
familiar é de 3 salários mínimos por mês, composta de 1 salário pago pelo proprietário do
sítio e o restante obtido dos produtos do cultivo da terra e da pesca na lagoa. O proprietário
utiliza o sítio apenas para lazer, nos finais de semana.
• Lagoa da Sapiranga-Precabura – Bacia do Cocó
O complexo hídrico das lagoas Sapiranga e Precabura localizam-se em uma zona composta
por áreas dos municípios de Fortaleza e Euzébio. Trata-se de um grande complexo com área
de espelho d'água da ordem de 3.600.000 m2, o maior da faixa litorânea de Fortaleza. Veja
suas coordenadas geográficas no Quadro 4.21.
Quadro 4.21. Coordenadas Geográficas da Lagoa
Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal

3°49’490’’S/38°29’780’’ W 3°49’630’’S/38°29’977’’ W 3°49’860’’S/38°29’820’’ W

Juntamente com o trecho do Rio Coaçu, a montante, constitui o sistema macrodrenante da sub
bacia B-6. Apenas metade de seu espelho d’água, cuja área é de 2.960.000 m², localiza-se no
Município de Fortaleza, estando o restante no Eusébio. Veja outros detalhes das
características desta lagoa no Quadro 4.22.
Quadro 4.22. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa da Sapiranga-
Precabura
Nº de Espelho
Ref. das Data de Perim. Profundidade Vol.
Pontos D’água
Malhas Coleta (m) m3
Total /ha 1(ha) 2(m2) Méd. Máx. Mín.
L18, L19,
19/12/06 42,30 4.230 4.419 1,00 423.950
M18, M19

206
Na Lagoa da Sapiranga, no dia da coleta o equipamento, frequentemente falhou devido às
baixas profundidades sempre inferiores a um metro, que prejudicou a continuação das coletas.
Para determinação de seu volume foi utilizada a mesma metodologia da profundidade média,
descrita anteriormente.

Próximo ao limite sul do município, na margem esquerda do rio, encontram-se alguns


pequenos riachos sangradouros da Lagoa do Palmirim, do Açude Guarani II e do
Açude Antonio da Costa, cujas extensões e áreas são respectivamente, 0,8, 0,4 e 1,37 Km e
32.500, 58.000 e 31.800 m².

A Lagoa Sapiranga apresentou alto índice de turbidez devido ao excesso de matéria orgânica
(algas e similares) em suspensão; sua amostra apresentou Coliformes Fecais em desacordo
com os padrões estabelecidos pela resolução CONAMA N° 20/86 para águas Classe 2. Já a
Lagoa de Messejana apresentou sua amostra em acordo. Veja a análise físico-quimica da
Lagoa da Sapiranga na Quadro 4.23.
Quadro 4.23. Análise físico-química da Lagoa da Sapiranga
Padrões
Concentração Concentração
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec –
CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL
NMP/100mL NMP/100mL

28/nov/09 a
26/dez/09 879 514 500 400 Imprópria
aos sábados

A Lagoa da Precabura e o Açude Coaçu apresentaram amostras em desacordos com os


padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 20/86 para águas Classe 2.

A paisagem natural apresenta-se pouco degradada ou modificada pela ação antrópica, com um
grande resevatório de acumulação de água. A lagoa apresenta grande parte de sua margem
bem conservada, com vegetação nativa composta de grandes árvores frutíferas como
cajueiros, mangueiras e coqueiros, associados a bosques naturais.

Em uma de suas margens possui uma pequena comunidade com poucas casas e um campo de
futebol, sítios e casas de veraneio.

A lagoa da Sapiranga é alimentada pelo rio Sabiaguaba, águas de chuvas e recebe água do
mar durante os períodos de maré alta. Poucos esgotos são lançados em suas águas, o que
garante ainda um nivel de poluição baixo e uma boa utilização dos recursos hídricos.

Em 1991, o Governo do Estado baixou decreto aumentando sua área da faixa de proteção
ambiental de 1ª categoria, com o objetivo de disciplinar o parcelamento e o uso do solo da
região, de modo a permitir uma ocupação racional, sem a desfiguração dos valores naturais e
ambientais.

Ainda é baixa a densidade populacional desta região, porém em processo de urbanização. Este
fato se deve ao grande potencial paisagístico que a zona possui, por sua proximidade a faixa
de praias e a expansão da cidade de Fortaleza em direção a sua zona leste.

207
As atividades econômicas desenvolvidas na área são: indústrias de rede, engarrafadora de
água mineral, indústria de sabão, cultivos de cana, milho, feijão, capim e batata, e a pesca
artesanal com anzol, tarrafa e galão. Os principais recursos pesqueiros são o cará, traira,
sauna, camarão e siri.

Os outros usos da água da lagoa são a lavagem de roupa, animais e veículos, e as atividades
de lazer como banho e prática de esportes náuticos em geral.

O nível sócio econômico dos habitantes ribeirinhos é de médio a baixo. As famílias são
compostas em média de 3 a 6 pessoas, sendo que somente 1 a 2 trabalham, percebendo em
média 1 a 3 salários mínimos por mês. A grande maioria trabalha sem carteira assinada, em
atividades ligadas a construção civil e empregos domésticos como cozinheiras, lavadeiras,
jardineiros e vigias.

Quase todos os habitantes moram em casas próprias em alvenaria. Poucos possuem água
encanada e eletricidade. A maioria tem fossas sépticas para coleta de dejetos, dado a ausência
de rede de coleta de esgotos. O bairro possui telefone público comunitário, coleta de lixo,
escola pública, sistema de transporte coletivo e posto de saúde. Entretanto não possui
hospitais públicos.

Os moradores não dispõem de centro comunitário ou social urbano, apenas uma associação
comunitária na localidade denominada de Barro Duro.
• Lagoa da Boa Vista – Bacia do Cocó
A lagoa da Boa Vista está localizada no bairro do Dias Macedo, próxima ao estádio Castelão.
Trata-se de uma pequena lagoa cercada por favelas, originadas pela ocupação das terras,
estando atualmente em processo acelerado de desaparecimento.

A lagoa da Boa Vista teve uma redução brusca em seu volume d'água, devido à abertura de
um canal de sangradouro que baixou significativamente o nível da água. Associado à redução
do nível da água, a lagoa sofre um processo intenso de eutrofização que tende a levá-la ao
desaparecimento.

Atualmente a lagoa da Boa Vista encontra-se completamente coberta por vegetação aquática
ou tomada por mato e capim. Esta sua nova condição inviabiliza seu uso para pesca, lavagem
de roupa ou qualquer atividade agrícola.

Localizada numa região bastante pobre, desassistida, a população não dispõe dos serviços
públicos básicos necessários a uma vida saudável.

Nesta localidade não há saneamento básico, ou seja, não possui rede de água tratada nem rede
de esgotos públicos. Os moradores também não dispõem de postos de saúde ou hospitais
públicos.

O bairro não possui centro comunitário ou social urbano e as escolas públicas são distantes
das moradias. Os únicos serviços disponíveis são o transporte coletivo e o telefone público
comunitário.

As famílias são normalmente numerosas, com renda de 1 a 3 salários mínimos mensais e com
baixo nível de escolaridade.

208
A população apresenta as doenças características das regiões pobres que não possuem
infraestrutura de saneamento básico, como desinteria, verminoses, dengue e cólera.
• Lagoa Jacareí – Bacia do Cocó
A lagoa do Jacareí fica localizada na Cidade dos Funcionários, conforme as coordenadas
descritas no Quadro 4.24.
Quadro 4.24. Coordenadas Geográficas da Lagoa do Jacareí
Entrada do
Centro Sangradouro
Tributário Principal

3°48’058’’S/38°27’387’’ W 3°48’209’’S/38°27’800’’ W 3°47’089’’S/38°27’576’’ W

Os dados do levantamento batimétrico da lagoa do Jacareí estão mostradas no Quadro 4.25.


Quadro 4.25. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa do Jacareí
Nº de Espelho
Profundidade
Pontos D’água
Ref. das Data de Perim. Vol.
Malhas Coleta (m) m3
2(m2)
Total

1(ha)

Méd.

Máx.

Mín.
/ha

L16 e M16 23/08/06 1,5109 544 1,20 18.131

Segundo o diagnóstico do Inventário Ambiental de Fortaleza, há uma baixa taxa de oxigênio


dissolvido provavelmente devido à baixa recarga de água e acúmulo de algas em
decomposição, que absorvem o oxigênio da água. E, apresentou em sua amostra Coliformes
Fecais em desacordo com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 20/86 para
águas Classe 2. Veja o Quadro 4.26.
Quadro 4.26. Análise físico-química da Lagoa do Jacareí
Padrões
Concentração Concentração
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec – CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL

28/nov/09 a
26/dez/09 2868 1925 500 400 Imprópria
aos sábados

• Lagoa Maria Vieira – Bacia do Cocó


A Lagoa Maria Vieira, próxima ao Castelão, apesar de estar no programa de monitoramento
da Prefeitura de Fortaleza, não tem muitos dados por ter uma área de espelho de água inferior
a 3 ha (hectares) e pouca profundidade. (Quadro 4.27)

209
Quadro 4.27. Localização da Lagoa Maria Vieira
Coordenadas Geográficas
Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal
3°47’010’’S/38°33’120’’ W 3°46’981’’S/38°33’090’’ W 3°46’971’’S/38°33’052’’ W

Os dados do levantamento batimétrico da lagoa estão descritos no Quadro 4.28.


Quadro 4.28. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa Maria Vieira
Nº de Espelho
Profundidade
Pontos D’água
Data
Ref. das Perim. Vol.
de
Malhas (m) m3

2(m2)
Total

1(ha)

Méd.

Máx.

Mín.
/ha

Coleta

M14 2,9922 774 1,00 29.922

Quadro 4.29. Análise físico-química da Lagoa Maria Viera


Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec – CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
28/nov/09 a
26/dez/09 445 319 500 400 Imprópria
aos sábados
4.3.3. Bacia do Maranguapinho
• Lagoa da Parangaba
Esta lagoa possui seu espelho líquido com uma extensão superficial de 30,32ha, quando
referido à cota 17m. Foi urbanizada através do Decreto Estadual nº 25.276/98. Veja sua
localização no Quadro 4.30.
Quadro 4.30. Coordenadas Geográficas da Lagoa da Parangaba
Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal

3°46’337’’S/38°31’882’’ W 3°46’237’’S/38°31’820’’ W 3°46’163’’S/38°31’731’’ W

210
Tem cerca de 2,62 km de extensão, num percurso em que se encontra parte canalizada a céu
aberto e parte correndo ao natural, indo alimentar o Açude da Agronomia. Nasce na Lagoa de
Parangaba, que tem uma superfície d’água de 303.200 m². O sistema faz parte da sub-bacia
C-3 e abrange os Bairros Parangaba, Jóquei Clube, em parte, Demócrito Rocha,
Pan Americano e Pici. Veja no Quadro 4.31 complementos de sua caracterização.
Quadro 4.31. Espelho d’água, profundidade e volume da lagoa da Parangaba
Nº de Espelho
Profundidade
Pontos D’água
Ref. das Data de Perim. Vol.
Malhas Coleta (m) m3

2(m2)
Total

1(ha)

Méd.

Máx.

Mín.
I8, I9, J8,
13/09/06 2.064 /ha
51 40,70 4.070 2.700 2,77 4,92 0,52 1.190.000
J9

A lagoa da Parangaba caracteriza-se por ser um reservatório de água perene, que recebe, além
das águas pluviais, córregos, riachos e esgotos. O resultado da análise físico-quimica deste
corpo hídrico é descrito no Quadro 4.32 e o levantamento batimétrico pode ser vistos na
Figura 4.8.

Quadro 4.32. Análise físico-quimica da Lagoa da Parangaba


Padrões
Concentração Concentração
Enquad.
Período Média de CTT Média de Ec –
CTT – Ec – Final
– NMP/100mL NMP/100mL
NMP/100mL NMP/100mL

28/nov/09 a
26/dez/09 2396 1188 500 400 Imprópria
aos sábados

211
Figura 4.8. Mapa Batimétrico – Lagoa da Parangaba
As margens da lagoa da Parangaba estão bastante modificadas pela ação antrópica, rodeada de
avenidas, residências, comércio, indústrias, hospitais, praças e um polo de lazer em péssimas
condições de uso e conservação. Nesta área também se desenvolve o comércio da feira dos
pássaros e implantação de um sistema de compra e venda de veículos usados, que tem
contribuido para o acúmulo de lixo nas margens da lagoa.

As águas da lagoa apresentam usos diversificados como a pesca artesanal, pequenos cultivos,
lavagem de roupa e animais, lazer e recreação por parte da população.

Os diversos usos da lagoa estão comprometidos por problemas de poluição e aterramentos que
vêm, a cada dia, se agravando. Os problemas mais importantes são os decorrentes da
ocupação urbana, através dos esgotos domésticos, industriais e hospitalares que lançam
dejetos sem o devido tratamento em suas águas.

Os moradores da região têm nível sócio-econômico de médio a baixo, embora não se


apresente o surgimento de favelas nas redondezas da lagoa. As famílias tem número médio de
4 a 6 pessoas, que recebem em média de 3 a 5 salários mínimos por mês. Quanto ao nível de
escolaridade encontramos desde analfabetos até moradores com curso superior.

212
O bairro possui água tratada e encanada, eletricidade, postos de saúde, hospitais, escolas
públicas e particulares, coleta regular de lixo e sistema de transporte coletivo. As grandes
carências são a falta de uma rede de esgotamento sanitário, um policiamento mais eficiente e
a má conservação do pólo de lazer da lagoa da Parangaba.

Os principais recursos hídricos superficiais estão representados pela lagoa de Parangaba e


riacho Sangradouro que deságua no açude da Agronomia, localizado dentro do Campus do
Pici. Na porção oeste do açude, observa-se mata ciliar exuberante, enquanto na porção leste
esta já foi erradicada e substituída por capeamentos gramíneo/herbáceo, além de algumas
árvores esparsas. O riacho Sangradouro também apresenta mata ciliar degradada e, como o
açude, também apresenta sinais de poluição.

A lagoa Parangaba, por não estar inserida dentro de área de acesso restrito, encontra-se
ameaçada pelo avanço da ocupação antrópica, poluição de suas águas e degradação da mata
ciliar. As suas faixas de proteção encontram-se ocupadas por habitações da população baixa
renda e mata ciliar erradicada e substituída por vegetação de porte arbóreo, capeamentos
gramíneos/herbáceos e junco. Parte de seu leito é interceptado pela Av. Carneiro de
Mendonça e cercado por habitações. O riacho Sangradouro se desenvolve por galerias e
canais até o açude da Agronomia.

Não foi constatada a presença de indústrias com potencial poluidor.

As faixas de 1a e 2a categorias estão mais preservadas dentro do Campus do Pici em virtude


do tipo de ocupação antrópica que se instalou no local. As faixas de proteção dos recursos
hídricos da lagoa da Parangaba foram invadidas por construções de baixa renda e ocupadas de
forma desordenada. A ocupação dessas faixas impossibilita os usos previstos pela lei.
• Lagoa do Sítio Urubu (J. Macêdo) – Bacia do Maranguapinho
A lagoa do Sítio Urubu (lagoa Urubu) recebe duas outras denominações populares: lagoa J.
Macêdo, pois está em terreno particular que pertence a este grupo empresarial e lagoa do
Álvaro Weyne, bairro em que se encontra localizada.

A lagoa Urubu está completamente descaracterizada, apresentando em suas margens


residências, comércios e indústrias. Como se encontra em propriedade particular, esta lagoa
foi completamente murada, que descaracteriza ainda mais a paisagem local. O acesso à lagoa
é permitido aos moradores da região.

A lagoa encontra-se bastante poluída por dejetos de várias indústrias entre elas da área têxtil,
metalúrgica e lavanderias industriais. Existe também o lançamento de dejetos de esgotos
domésticos provenientes das favelas dos arredores, desprovidas de saneamento básico.

Os poluentes orgânicos lançados na lagoa provocam a aparecimento de uma densa cobertura


vegetal composta de plantas aquáticas, predominantemente de água-pés. O excesso de
poluentes na água e a cobertura vegetal da lagoa impedem sua utilização para a pesca,
lavagem de roupa e atividades recreativas. Hoje a água da lagoa é usada somente para aguar
uma plantação de capim, que abastece algumas vacarias.

As conseqüências deste complexo quadro de poluição e degradação ambiental já são por


demais conhecidos: proliferação de insetos, ratos, guabirus e cobras; aparecimento de doenças
de pele, alergias, verminoses, dengue e cólera; odores fétidos.
213
Às margens de seus muros, vive uma população pobre, carente de infra-estrutura básica, como
água encanada, rede de esgotos, segurança pública, postos de saúde ou hospitais, boas escolas,
ruas pavimentadas e coleta de lixo regular.

O nível sócio-econômico da população é baixo, com renda média inferior a 3 salários


mínimos mensais. Em sua grande maioria são famílias de operários das indústrias do bairro,
pedreiros e serventes de pedreiros, pequenos comerciantes ou desempregados. O nível de
escolaridade é baixo, sendo muitos analfabetos ou portadores de curso de 1º grau incompleto.
• Lagoa do Mondubim – Bacia do Maranguapinho
A Lagoa do Mondubim situa-se no bairro Manuel Sátiro numa região que apresenta ainda
uma paisagem natural abundante. Toda cercada por uma via local pouco movimentada, a
lagoa mantém uma elevada integridade natural e sua área de margem encontra-se ocupada por
habitações. A sua localização está descrita no Quadro 4.33.
Quadro 4.33. Coordenadas Geográficas
Entrada do tributário
Centro Sangradouro
principal

3°49’521’’S/38°33’730’’ W 3°49’341’’S/38°33’406’’ W 3°49’523’’S/38°33’583’’ W

Situado à direita do Rio Maranguapinho, este riacho, que possui vários minúsculos afluentes,
mede 1,2Km de extensão e liga a Lagoa do Mondubim ao rio. O riacho e a lagoa são os
elementos macrodrenantes da sub-bacia C-6. A lagoa tem uma área de 103.100 m², estando
localizada no Bairro Mondubim, e preservada conforme Decreto Estadual nº 25276/98. No
Quadro 4.34 há os dados de profundidade, espelho d’água e volume da lagoa.
Quadro 4.34. Espelho d’água, profundidade e volume da Lagoa do Mondubim
Nº de Espelho
Profundidade
Pontos D’água
Ref. das Data de Perim. Vol.
Malhas Coleta (m) m3
2(m2)
Total

1(ha)

Méd.

Máx.

Mín.
/ha

M7, M8 13/09/06 2.087 135 15,45 1.545 1.782 2,11 3,93 0,50 286.810

No que diz respeito a qualidade da água, está descrito no Quadro 3.35.


Quadro 4.35. Qualidade da Água
Concentração Concentração Padrões
Enquad.
Período Média de CTT – Média de Ec – CTT – Ec – Final
NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL NMP/100mL
2009
(28/11 a 377 170 500 400 Própria
26/12)

A Lagoa do Mondubim apresenta Coliformes Fecais em desacordo com os padrões


estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 20/86 para águas Classe 2.

214
Os terrenos de entorno são de dimensões amplas, sendo alguns ainda não ocupados. Veja
Figura 4.9. Verifica-se também o uso residencial unifamiliar como predominante, numa
região com variadas áreas verdes não urbanizadas. O local em que está inserida a lagoa, no
entanto, apresenta um tratamento urbanístico em estado de degradação, com o mato crescente
e ocupando as áreas das calçadas (utilizadas por diversos moradores para o cooper).

Figura 4.9. Mapa Batimétrico – Lagoa do Mondubim


O recurso apresenta, de maneira geral, uma boa qualidade ambiental. Observou-se também a
atividade de pesca no local, que apresenta ainda variadas potencialidades ambientais: natural,
urbanística, paisagística e de lazer. A vegetação do seu entorno caracteriza-se pela exótica e
tabuleiro litorâneo. Histórico legislação específica: Decreto estadual No 25.276/98 - Área
preservada.
• Lagoa do Genibaú
A Lagoa do Genibaú, que recebe as águas oriundas do açude da Agronomia, posicionada fora
da sub-bacia que juntamente com seu riacho sangradouro definem o limite sul. Ambos
tiveram suas matas ciliares erradicadas e substituídas por capeamentos gramíneo/herbáceo. As
suas faixas de proteção encontram-se ocupadas por habitações de baixa renda. Em
conseqüência, encontram-se poluídos devido ao aporte de efluentes sanitários das áreas não
saneadas nas suas imediações.

As indústrias também contribuem para a poluição dos mananciais superficiais visto que a
maioria não efetua o tratamento de seus efluentes. As faixas de preservação são ocupadas, em
sua maioria, por população de baixa renda. O adensamento e a falta/deficiência do
saneamento ocasionam a poluição e o assoreamento dos corpos d'água, além disso,
impossibilitam os usos pré-estabelecidos pela lei Estadual no 10.147, de 1o de dezembro de
1977, que reza sobre o disciplinamento do uso do solo para a proteção dos recursos hídricos
da Região Metropolitana de Fortaleza.

215
4.3.4. Lagoas importantes em outros municípios

São consideradas, no Município de Maracanaú, área de proteção permanente as lagoas: Lagoa


do Mingau, Lagoa do Acaracuzinho; Lagoa do Maracanaú; Lagoa da Pajuçara; Lagoa do Jari;
Lagoa do Jaçanaú; Lagoa Japaba; Lagoa Raposa onde fazem parte das sub bacias do
Maranguapinho e Cocó.
• Lagoa do Mingau
Dessas lagoas, apenas a lagoa do Mingau existe um estudo feito sobre a qualidade da água. Já
foram realizadas diversas limpezas na mesma. Porém, fontes potenciais de poluição, entre elas
esgotos domésticos e da própria estação de tratamento da GAGECE continuam.

As suas Coordenadas Geográficas são: Latitude: 3o50´19.72” s Longitude :38o 35`19.50 w

A lagoa é abastecida pelo sangradouro da Lagoa do Acaracuzinho no período chuvoso que


ocorre entre março e maio do ano. Recebe efluentes líquidos não tratados com coloração e
odor característico de esgotos domésticos. Detectamos infiltrações de efluentes líquidos
poluentes na margem esquerda (Sul) da lagoa e na margem direita (Norte) da lagoa. Ocorre
total ausência de vegetação nativa da mata ciliar de sua área de APP. A região possui a fauna
que faz parte do corredor ecológico no qual permite a comunicação entre as demais lagoas do
município. No entanto, observa-se uma forte degradação de sua fauna e flora.

Apresentando processo de assoreamento, com uma camada de aproximadamente 50cm de


lodo ou lama. A composição física desse assoreamento é predominantemente formada pelo
material, proveniente de efluentes domésticos caracterizados como argiloso.

A fauna local da lagoa apresenta um domínio de espécies da Caatinga, mesmo sendo uma
região pré-litorânea. É importante ressaltar que Maracanaú, apresenta uma pluviometria ímpar
em todo o litoral cearense, com índice de 1.350 mm/ anual, que é um dos fatores
significativos para a complexidade biológica do ecossistema.

A lagoa possuía uma fauna bastante diversificada do ponto de vista ecológico, devido sua
importância de ter a função de fornecer um corredor ecológico para avifauna muito
significativa. Com a expansão demográfica do município, houve um migração ou extinção de
algumas espécies raras como o Socó boi (Butorides striatus), a Garça (Egretta sulphurantes) e
outras. As espécies encontradas foram catalogadas através do levantamento fisiológico
realizada no período de dois dias no ecossistema, ou seja, na área total da lagoa.

A análise bacteriológica observou-se uma grande quantidade de Coliformes Termotolerantes


em desacordo com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA n.º 357/05, isto é, o
padrão é de 1000 Coliformes Termotolerantes em 100ml de água e foi apresentado uma
quantidade de 16.000 Coliformes Termotolerantes em 100 ml de água.

A análise orgânica, a Demanda Bioquímica de oxigênio – DBO, obteve resultado de


20,2 mg/LO2 e seu valor máximo permitido é de < 5 mg/LO2. Isto implica que há um
esgotamento de oxigênio dissolvido na água, podendo produzir asfixia a grande número de
animais aquáticos.

216
Segundo a Resolução CONAMA N.º 357/2005, a lagoa do Mingau está na categoria
considerada imprópria, pois não atende aos critérios estabelecidos para águas próprias; valor
obtido foi excedido de um limite de 1000 Coliformes Termotolerantes por 100 ml de água.

A toponímia do lugar: papa de qualquer farinha – mingau e é de origem Tupi – Guarani. A


lagoa do Mingau fica localizada na Av. Contorno Norte, Conjunto Industrial, e pela Rua: J e
N: Loteamento Esplanada do Mondubim. A área da lagoa é de aproximadamente 44.803 m²,
com exceção um Bosque vizinho com dimensões de 20.449 m². A sua profundidade é em
torno de 1,85m. A estimativa do espelho d´água total em torno é de 40.900 m2 Os moradores
das proximidades são dos bairros Conjunto Industrial e Esplanada do Mondubim, de todas as
faixas etárias, com predomínio de usuários de menor poder econômico. O grau de
contaminação da Lagoa diz que é considerada imprópria para a balneabilidade.
• Lagoa do Acaracuzinho
A lagoa do Acaracuzinho atualmente encontra-se com boas condições para a balneabilidade,
tendo em vista que ela está localizada ao norte do Distrito Industrial. Inspeções feitas por
técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Fortaleza (SEMAM), não constataram
lançamentos de efluente industriais. Tem sua formação a partir de grandes precipitações do
período chuvoso, no qual é drenada pelo seu sangradouro que irá alimentar a lagoa do
Mingau.

A Mata ciliar existe apenas em alguns pontos de suas margens, sendo o restante coberto por
vegetação do tipo herbácea, gramínea. Houve uma supressão de sua proteção ciliar bastante
considerável. Não há registro de processo erosivo nas margens e nem lançamento de
poluentes como também não ocorre assoreamento. Possui fauna tipicamente da Caatinga e
exótica, no qual faz parte do corredor ecológico das lagoas que permite uma a comunicação
entre as demais lagoas da região.

A vegetação ciliar da Lagoa do Acaracuzinho encontra-se bastante degradada, mas com


alguns trechos se apresenta conservado. No caso específico desse manancial foram
encontradas bosques de extrato arbustivos de pau marfim, saboneteira. Existem apenas alguns
exemplares da flora local num lado da margem direita da lagoa pela rua oriente, sendo que o
restante coberto por extrato herbáceo.

Foram encontradas no levantamento de campo vários exemplares da vegetação do tipo


arbórea no qual podemos citar vinte e cinco espécies e treze espécies do extrato herbácea
totalizando duzentos e onze espécies.

A fauna da lagoa do Acaracuzinho praticamente são as mesmas encontradas em outros


ecossistemas da região, são típica da Caatinga. Como a lagoa faz parte do corredor ecológico
da avifauna maracanauense muito significativa e bastante diversificada com algumas espécies
consideradas raras como o Socó-boi, o Carão, Martim pescador e outras. Foram identificadas
várias espécies da avifauna maracanauense.

O nome da lagoa do Acaracuzinho é de origem Tupi – Guarani. Ela fica localizada na


Av. Parque Norte I e II, e pela Av. Senador Virgílio Távora e pelo Anel Viário. A sua área é
de aproximadamente 1322018,2m², profundidade em torno de 2,5 m e volume da água de
37,800m³ e Coordenadas Geográficas: Latitude:3o50´45.45” S Longitude: 38o 35´43.09” O.

217
O perfil dos usuários da lagoa é de moradores do bairro do Conjunto Industrial e adjacentes,
pescadores de todas as faixas etárias, com predomínio de usuários de menor poder econômico.
• Lagoa de Maracanaú
A lagoa de Maracanaú localiza-se na área central do município e ocupa uma área aproximada
de 60.000 m2. A avenida Pe. José Holanda do Vale (CE 251) importante eixo de ligação com
Maranguape situa-se na sua margem leste separando a lagoa da área central. Coordenadas
Geográficas Latitude : 3° 52' 42.14”S Longitude: 38° 37' 41. 71”W. O grau de contaminação
da lagoa foi considerado imprópria para a balneabilidade.

A toponimia do lugar significa "onde as maracanãs bebem água" e sua origem também é Tupi
– Guarani. Sua profundidade gira em torno de 1,85m. Os usuários do açude são moradores
dos bairros Piratininga, Colônia Antônio Justa, são usuários de todas as faixas etárias, com
predomínio de usuários de menor poder econômico.

A lagoa de Maracanaú historicamente é a mais importante, pelo seu valor histórico, ecológico
e paisagístico, pois é um recurso hídrico natural que está localizado no coração da cidade.

Em 1970, às suas margens foi construído as primeiras edificações e lá existiam uma vegetação
ciliar exuberante com diversidade da fauna e flora muito significativa. Seu nome surgiu em
virtude de inúmeras aves maracanãs virem a beber suas águas desse recurso natural, elas
migravam das altitudes serranas para o corredor ecológico. Maracanaú é então um município
privilegiado por ser repleto de lagoas, açudes e rios com características de suma importância
para os maracanauenses.

A lagoa de Maracanaú tem sua formação a partir de grandes precipitações chuvosas. Ela
recebe efluentes líquidos não tratados do tipo doméstico, há mais de cinqüenta anos
proveniente do mercado público central e residências localizadas no centro da cidade e em
suas margens, desrespeitando assim a lei orgânica municipal e código florestal.

Ao norte da lagoa existem construções irregulares desobedecendo o artigo 2º do Código


Florestal – Lei nº 4.777/65, e a Leia Orgânica municipal, segundo o Art. 177 no que diz
respeito a APP – Área de Preservação Permanente.

A mata ciliar foi quase totalmente suprimida, identificando apenas alguns exemplares da
vegetação nativa no qual podemos citar: o Mulungu (Eritrina velutina Linn.), a Cajazeira
(Genipapo americana Linn.), a Oiticica, o Juazeiro (Ziziphus joazeiro Mart), o Jucá
(Ceaselpina ferrea) e uma espécie já extinta o Ipê amarelo(Tapebuia terracifolia).

A mata ciliar é a proteção de qualquer recurso natural, porque ela retém a quantidade de água
da chuva que entra em contato com o solo evitando o processo erosivo e assoreamento.

As matas ciliares também atuam como um filtro para eventuais produtos químicos,
fertilizantes e agrotóxicos. No entanto, no caso específico das matas ciliares da lagoa de
Maracanaú, ela foi praticamente erradicada, devido o processo de urbanização desordenado
que houve em suas margens. Existem apenas alguns exemplares da flora local ao lado da
margem direita da lagoa pela rua oriente, sendo que o restante coberto por extrato herbáceo.

A vegetação é de domínio de espécies da Caatinga, mesmo sendo uma região pré-litorânea. É


importante ressaltar que as margens da lagoa de Maracanaú, por volta de 1870, ocorreram às
218
primeiras ações antrópicas, ou seja, o recurso natural começou a sofrer impactos ambientais a
centenas de anos atrás, influindo também na extinção de espécies como a Arara maracanã.

No entanto, a lagoa possuía uma fauna bastante diversificada do ponto de vista ecológico,
devido sua importância de ter a função de fornecer um corredor ecológico para avifauna
muito significativa. Com a expansão demográfica do município, houve um migração ou
extinção de algumas espécies vegetais como a cajazeira (Spondia lutea Linn), exemplares
raros como o Socó boi (Butorides striatus), o Carão, dentre outras.
• Lagoa da Pajuçara
A origem do nome também é Tupi – Guarani. A sua dimensão é de aproximadamente
593.153,3m², profundidade em torno de 2,85m. Os frequentadores da lagoa são moradores
dos bairros Piratininga, Colônia Antônio Justa, são usuários de todas as faixas etárias, cm
predomínio de usuários de menor poder econômico. As Coordenadas Geográficas: Latitude:
3°51'27.73'S e Longitude: 38°35'45.71' O. O grau de Contaminação da Lagoa é regular.

A lagoa da Pajuçara é em termos de vegetação conservada apesar de está localizada no centro


do distrito industrial de Maracanaú. Ela possui um valor ecológico e paisagístico, pois foram
identificadas neste recurso hídrico várias espécies da fauna como o Carão, Socó-boi
(Butorides striatus), Garça branca (Egretta thula), a Jaçanã (Jaçana jaçana), alguns répteis
como a Iguana, um tipo de camaleão, calangos da Caatinga, etc. Não há construções de
residências em suas margens, não existe processo erosivo, mas a mesma possui construções
irregulares nas suas margens ou seja em Área de Proteção Permanente.

Existe uma vegetação ciliar exuberante com diversidade da fauna e flora muito significativa.
Seu nome surgiu em virtude da doação das terras feita pelo então Pajé da Aldeia Nova ao
Cacique Paju da tribo indígena da época. A lagoa de Pajuçara também faz parte do corredor
ecológico como todas as outras lagoas.

A lagoa da Pajuçara tem sua formação a partir de grandes precipitações chuvosas. Ela recebe
efluentes pluviais do tipo industrial não tratado de várias empresas, ocorre também lavagens
em suas margens desrespeitando a lei orgânica municipal e o código florestal.

Ao norte da lagoa existem construções irregulares desobedecendo o artigo 2º do Código


Florestal – Lei nº 4.777/65, e a Leia Orgânica municipal Artigo 177 – no que diz respeito a
APP – Área de Preservação Permanente.

A mata ciliar existe, mas uma parte dela foi totalmente suprimida, contudo foi identificado
alguns exemplares da vegetação nativa no qual podemos citar: o Mulungu (Eritrina velutina
Linn.), a Cajazeira (Genipapo americana Linn.), a Oiticica, o Juazeiro (Ziziphus joazeiro
Mart.), o Jucá (Ceaselpina ferrea) e uma espécie já extinta o Ipê amarelo (Tapebuia
terracifoli).

O Distrito Industrial se instalou-se nas margens da lagoa. A parte da mata ciliar ainda
presente, retém a água da chuva que entra em contato com o solo, evitando o processo erosivo
e assoreamento. No caso específico das matas ciliares da lagoa da Pajuçara, ela ajuda a
amenizar o clima muito quente devido as emissões de gases lançado pela as chaminés das
empresas do Distrito Industrial. As vegetações ciliares também atuam como um filtro para
eventuais produtos químicos, fertilizantes e agrotóxicos.

219
Existem apenas alguns exemplares da flora local num lado da margem direita da lagoa pela
rua oriente, sendo que o restante coberto por extrato herbáceo.
• Lagoa Jaçanaú
Este manancial é citado nos escritos sobre a sesmaria no século XVIII da história do Ceará
(Bezerra, 1918), portanto, é patrimônio cultural do Estado. Jaçanaú é um bairro do município
de Maracanaú, localizado ao lado nascente da serra da Taquara. O topônimo Jaçanaú vem
doTupi Guarani e significa lagoa onde os maracanãs bebem. O nome deste bairro faz uma
lusão a lagoa situada no seu território, a lagoa do Jaçanaú que desagua no riacho Taboqueira.
É um local rico em história, pois neste território habitavam direfentes tribos indígenas, dentres
as quais a dos Jaçanaú. Apartir de 1649 até 1654, os holandeses estiveram presentes neste
local, pois ficava no caminho para as minas de pratas na serra da Taquara.

A lagoa Jaçanaú é a que apresenta as maiores ações antrópicas devido a especulação


imobiliária com construções feitas dentro de sua Área de Preservação Permanente (APP).
• Lagoa Encantada
A terra ocupada tradicionalmente por estes indios tem extensao de 1.731 ha e perímetro
20km, aproximadamente, estando inserida no municipio de Aquiraz, no Estado do Ceara. O
local é conhecido na região como Lagoa Encantada, onde mora a maioria das famílias
indígenas.

Os índios Jenipapo Kaninde estão situados na área litorânea leste do município de Aquiraz.
Seus limites são: ao norte Fortaleza; a noroeste Messejana; a oeste Pacatuba, ao sul Pacajus; a
sudeste Cascavel; a leste e nordeste o Oceano Atlântico.

As duas vias principais de acesso a Aquiraz sao a BR 116 e a CE 004. A Terra indígena
Lagoa Encantada dista uns 21 km de Aquiraz. A distancia da Lagoa Encantada até Fortaleza é
estimada em 51 km.

Desde a década de 70, os índios da tribo Jenipapo-Kanindé habitam na aldeia da Lagoa


Encantada no município de Aquiraz. No entanto, somente em 1997, a FUNAI fez um estudo
na Lagoa da Encantada, e os antropólogos fizeram o reconhecimento da terra e dos índios
Jenipao-Kanindé.

Em 2004, o Governo Federal publicou o relatório final do reconhecimento da terra dos


Jenipapo-Kanind (Diário Oficial da União nº 159, de 18 de agosto de 2004).

O nome Jenipapo-Kanindé é porque na aldeia tem muito jenipapeiro brabo e tinha uma
igrejinha que as pessoas chamavam de canindezinho, sendo muitos índios devotos de São
Francisco, daí vem o nome Jenipapo-Kanindé.

A Lagoa Encantada é utilizada para consumo humano, dessedentação animal e algumas


culturas de subsistência dos índios. Além disso, a Ypióca, com a permissão da Cacique
Pequena, responsável por essa tribo, retira água da lagoa para irrigar a cana e fazer a a própria
cachaça.

220
• Lagoa do Uruaú
A Lagoa de Uruaú está situada no Município de Beberibe, litoral leste do Estado do Ceará,
distante de Fortaleza 90 Km. O acesso a lagoa, partindo da capital cearense é feito pela CE
040 indo até a localidade de Beberibe onde, pela mesma rodovia e por vias secundárias, se
chega às comunidades que vivem na beira da lagoa.

Seus afluentes formam uma pequena bacia situada entre as bacias do Rio Choró e do Pirangi.
Esta pequena bacia está inserida no conjunto de bacias denominadas Bacias Metropolitanas de
Fortaleza.

Constitui-se um dos maiores reservatórios de água doce de origem natural do Estado do


Ceará. Compreende uma área de 4,73 Km2 e é considerada zona de proteção dos recursos
hídricos da APA da Lagoa de Uruaú. Esta lagoa é formada pelo represamento dos córregos do
Pântano e do Moreira pela formação de dunas.

A transposição das águas do Rio Pirangi para a Lagoa do Uruaú faz parte do Plano Estadual
dos Recursos Hídricos e da política de integração de bacias que vem sendo implementada
pelo Estado do Ceará juntamente com o Ministério da Integração Nacional.

O sistema Pirangi/Uruaú tem finalidades múltiplas, uma vez que abrange o abastecimento
humano de três núcleos urbanos – Itapeim, Arataca e Andreza -, além de permitir a integração
rio/lagoa, viabilizando o desenvolvimento sustentável do importante pólo turístico da Lagoa
do Uruaú e das áreas circunvizinhas.

Gomes (1998) realizou um estudo limnológico da Lagoa de Uruaú, localizada no litoral leste
do Ceará. A lagoa foi classificada como pequena e de profundidade média a rasa. Seu
sedimento foi classificado como mineral. A salinidade teve pouca variação ao longo do ano.
As precipitações contribuíram para o aumento da concentração de nutrientes. Quanto ao pH,
as águas foram classificadas como ácidas. Toda a coluna d’água manteve-se oxigenada e
transparência variou com a concentração do material em suspensão. Para os valores de
matéria orgânica no sedimento que variaram de 0,45 a 4,00 %, com média de 2,39 %.

A rede de drenagem desta bacia tem sua montante situada nas proximidades da Serra do
Bento, Município de Cascavel, onde nasce o Córrego Cajueiro que ao se encontrar com o
Córrego Muriti recebe a denominação de Córrego do Pântano que se estende até a lagoa.

Em torno delas existem 5 comunidades que se utilizam da lagoa para sua sobrevivência. Suas
principais atividades econômicas são: a pesca, a agricultura de subsistência, turismo e o
artesanato.

Devido a especulação imobiliária e o turismo descontrolado, na década de 90 a lagoa passou


por fortes impactos ambientais. Em conseqüência disso, a lagoa se encontra hoje poluída,
levando a população a utilizar a água subterrânea para seu consumo. O Uso de ocupação do
solo, este tem sido degradante principalmente por parte das casas de veraneio que são
construídas de forma irregular desobedecendo ao Código Florestal que define 100m de
preservação das margens para o caso da referida lagoa.

221
Na região da lagoa a população nativa está organizada em comunidades como as do cumbe,
carrapicho, caetano, cutia e ponta d’água. Cada comunidade é composta por uma associação
de moradores e uma pequena escola geralmente até a alfabetização ou o primário.

As casas de veraneio estão situadas às margens da lagoa e na praia interferindo diretamente


nas atividades econômicas da região. Elas geram emprego de caseiros para alguns nativos da
área, o que tem reduzido as atividades tradicionais, que ficam limitadas assim às atividades de
pesca e de agricultura de vazante. Em algumas localidades, as casas de veraneio dificultam o
acesso dos nativos à lagoa, o que tem causado impactos de ordem social.
• Lagoa Paripueira
Localizada no Município de Beberibe, no litoral Leste do estado do Ceará. A área está
limitada pelas barras dos rios Choró e Pirangi e pela CE-040, incluídas na carta topográfica
SB. 24-X-A-III do Ministério do Exército, Diretoria de Serviço Geográfico.

A área estudada abrange a Lagoa de Paripueira com 2,1km2 e a Lagoa do Sal em torno de 1,4
km2.

Na planície costeira do estado do Ceará, o ecossistema lagunar tem presença importante; suas
áreas variam de poucos metros quadrados até quilômetros quadrados.

O acesso partindo de Fortaleza é realizado pela CE-040 que corta a área em estudo pela
porção sudoeste entre a sede do Município de Beberibe e a ponte sobre o Rio Pirangi.

Os sedimentos das lagoas de Paripueira e do Sal apresentam baixo teor de matéria orgânica. A
média na Lagoa de Paripueira não ultrapassa 0,6% e na Lagoa do Sal 0,5% do peso seco,
sendo considerados sedimentos do tipo mineral, pois estão todos abaixo de 10% do peso seco.

Os teores de Nitrogênio Total são muito baixos nas duas lagoas, não ultrapassando 0,12% na
Lagoa de Paripueira e 0,28% na Lagoa do Sal. Este baixo teor nos sedimentos pode ocasionar
uma diminuição do N (Nitrogênio) na coluna d’água tornando-se fator limitante na produção
primária desses ecossistemas. Nas lagoas de Paripueira e do Sal, há matéria orgânica bem
decomposta e ambiente bem evoluído, já que os valores encontrados foram bem baixos, não
ultrapassando 9 na Lagoa de Paripueira e 16 na Lagoa do Sal. De acordo com Marius (1984),
valores da relação C/N entre 10 e 20, indicam uma matéria orgânica bem evoluída
(degradada).

No município de Caucaia, também é destacado algumas lagoas.


• Lagoa do Banana
A lagoa do Banana está localizada no Município de Caucaia – coordenadas (3º10’50’’ S e
38º41’56’’ W), numa região de grandes atrativos naturais. O acesso é feito através da BR –
222 ou pela Via Estruturante.

O acesso às margens da lagoa do Banana é praticamente, privativo, pois os limites das


propriedades que a margeia são contínuos, não existindo acessos livres. Em toda a extensão
da lagoa, há muros ou cercas separando e privando os terrenos da estrada até o início da lagoa.
O acesso livre é feito através de um restaurante existente na margem da lagoa.

222
A Lagoa do Banana está inserida em terrenos sedimentares representados pela Formação
Barreira e campos dunares. Sua área de entorno não é convenientemente preservada,
favorecendo a ocupação irregular. É uma lagoa pós-dunar integrante das Bacias
Metropolitanas, tendo como principal fonte de recarga a água subterrânea contida nas dunas,
razão por que o ecossistema como um todo deve ser preservado e monitorizado.

A lagoa apresenta espelho d’água de porte médio e forma bastante distinta, que, conforme
análise morfométrica realizada a partir de dados topográficos, é de aproximadamente 98,3ha
com perímetro de 13,2 km.

Observando dois braços afluentes que apontam para um corpo superficial dominante, além de
uma porção desmembrada com ligação superficial estreita com corpo principal. As dimensões
máximas são: 1,7 km de comprimento e 1,2 de largura.

A vegetação aquática já está bastante descaracterizada. No entanto a vegetação predominante


é de espécies arbóreas arbustivas, com ocorrência de espécies arbóreas, cactáceas, orquídeas e
lianas. A flora natural é substituída por práticas paisagísticas ou atividades agrícolas
realizadas pelos moradores. Na margem da lagoa, verificam-se algumas macrófitas dispersas,
como: junco, lentilha, salvínia, salsa, dentre outras.

Em relação às ações antrópicas, pode ser facilmente observado: aterramento das margens,
edificações em áreas impróprias, desmonte de dunas e áreas de lanchas, jet-skis e pequenas
embarcações. A pesca artesanal também é praticada pelas famílias ribeirinhas.

A forma desordenada como o complexo hídrico da Lagoa do banana, ocupada ao longo dos
anos compromete significativamente a qualidade de suas águas, dificultando uma ação mais
efetiva no que diz respeito à conservação.
• Lagoa do Cauipe
O lagamar do Cauipe está localizado ao oeste do Município de Caucaia (3º35’26``S e
38º46’49``W), a 35km de Fortaleza. É um complexo hídrico de grande beleza cênica com
localização privilegiada. O acesso é feito pela CE 085 (via Estruturante).

O lagamar é todo cercado por um coqueiral e por dunas com vegetação nativa. O acesso às
margens do complexo hídrico é fácil, pois apresenta baixa taxa de ocupação. A Taxa
pluviométrica média anual está próxima de 1200mm/ano.

O Lagamar é uma Área de Proteção Ambiental (APA) que possui um Comitê Gestor
presidido pelo seu órgão gestor, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE)
de acordo com o Decreto n° 24.957 de 05/06/98.

A criação desta área de preservação tem como objetivos específicos: proteger as comunidades
bióticas nativas, as nascentes dos rios, vertentes e solos; garantir a conservação de
remanescentes de mata aluvial, dos leitos naturais das águas pluviais e das reservas hídricas e
ordenar o turismo ecológico, as atividades científicas, culturais e econômicas compatíveis
com a conservação ambiental.

Apesar de sua denominação “Lagamar” que nos leva a imaginar que sua água tem uma alta
concentração em sais, sua água é doce. A lagoa em estudo, por sua profundidade, recebe
contribuição do lençol freático e dos reservatórios dunares. Sua área esta compreendida na
223
primeira etapa do Projeto PRODETUR e localiza-se próximo à região onde está sendo
implantado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

O Lagamar do Cauipe também está inserido na zona dos tabuleiros pré-litorâneos e faz parte
da bacia hidrográfica do rio Cauipe, que apresenta uma área de 297 km2.

A barra do lagamar apresenta aspectos de planície fluvial, não apresentando área de mangue.
Mostra espelho d’água de porte elevado e forma bastante distinta, que conforme análise
morfométrica realizada a partir de dados topográficos, é de, aproximadamente, 647,9ha com
perímetro circundante em torno de 31,69km.

O lagamar possui espelho d’água em grande parte contínuo, sem significativas divisões
quanto a sua morfologia. A dimensão máxima de comprimento é 8,5km e 2,4km de largura.

O complexo recebe água do mar, água do rio Cauipe e de seus afluentes e parte das águas
provindas do lençol das dunas. Pode ser dividido em duas regiões: antes e depois da ponte. A
área antes da ponte apresenta características estuarinas, e na região depois da ponde verifica-
se a maior ação d’água doce proveniente do rio.

Durante o período de estiagem, o contato entre as duas regiões do lagamar apresenta-se com
pouca água formando apenas um canal no leito maior do rio. Este canal encontra-se envolto
de uma vegetação arbustiva e de herbáceas semi-aquáticas, formando uma pequena mata-
galeria dentro do leito do rio já bastante assoreado.

A primeira baia do lagamar apresenta-se sob forte influencia marinha e encontra-se biota
estuarina. Nas suas margens, verifica-se uma pequena formação de manguezal e campos
dunares. Quanto à vegetação destaca-se muricí, guajiru, cajazeiro, cactos. As principais aves
presentes na região são tetéu, andorinha-do-rio, maçarico e sabiá da praia.

Na área que liga as duas principais baias do lagamar, observa-se grande área assoreada,
composta de espécies florística semi-aquáticas, como: mangue-botão, junco, lentilha, salvinia
e salsa.

A segunda baia recebe água doce do rio Cauipe e de seus efluentes. Esta região encontra-se
encoberta por carnaúbas. A área encontra-se inundada em vazão das atividades antrópicas e a
do assoreamento do rio. Nesta região, observa-se o predomínio de peixes, moluscos e aves
lacustres.

A área do complexo hídrico do lagamar do Cauipe apresenta ocupação incipiente, o que o


resguarda quanto à poluição ambiental. Vale ressaltar a substituição da vegetação nativa da
margem direita por culturas de subsistência e espécies frutíferas além da retirada da cobertura
vegetal das dunas.

Na barra do Cauipe, verifica-se o uso de barracas e a presença de turistas durante todo o ano.
Na outra parte, observa-se médios latifúndios com cultivo de árvores frutíferas e criação de
caprinos e suínos. O uso predominante é a recreação de caráter primário, pesca artesanal,
funcionando ainda como atração turítica para fins balneários.

No Estudo Ambiental (EIA/RIMA do Pecém), o zoneamento das lagoas interdunares


apresenta geralmente os seguintes compartimentos: zona limnética, zona intertidal e zona

224
ecótona. Em decorrência de essas lagoas serem normalmente intermitentes, não favorece a
formação de macrófitas aquáticas e, por conseqüente, de zonas bênticas e flutuantes, salvo em
algumas raras lagoas contidas na região.

O clima, ao longo do ano, altera enormemente a fitofisionomia dos ambientes lacustres.


Assim, ao longo da estação chuvosa, verifica-se uma maior biodiversidade de espécies, em
decorrência do incremento d'água, ocasionando uma grande proliferação de algas dulcícolas e
fazendo com que todo esse ambiente se renove. Ao passo que, no período seco, as lagoas
secam por completo, levando a migração de sua fauna paludícola, ou seja, gênero de répteis
anfíbios, como por exemplo a família do sapo.

Para Queiroz 2003, avaliando as profundidades da lagoa, obtidas no mês de outubro de 2001,
foram observados os seguintes parâmetros (Quadro 4.36):
Quadro 4.36. Parâmetros morfométricos do Lagamar do Cauípe - 2002
Parâmetros Informações
2
Área Superfícial (A) – km 6,68
Volume (V) – m3 12.726.205,22
Profundidade Média (Zm) – m 1,90
Profundidade Máxima (Z) – m 4,50
Comprimento (X) – km 6,00
Largura Média (Ym) – km 1,10
Largura Máxima (Y) – m 2,50
Perímetro (P) – km 33,03
O Lagamar possui uma área de 6,68 km2 e a profundidade máxima encontrada foi 4,5 m. De
acordo com a classificação proposta por Schäffer (1988;1992), a lagoa do Cauípe, com área
superficial de 6,68 km2 e profundidade máxima de 4,5 m, enquadra-se no grupo 2, com
pequena área superficial e profundidade máxima média.

Lagamar do Cauípe, durante o período de estudo (ano 2002 e 2003), comportou-se como um
ecossistema bastante eutrofizado.

De acordo com o zoneamento ambiental realizado pela SEMACE, a APA é constituída por 3
zonas. A zona de proteção dos recursos hídricos (ZPRH) corresponde a 100 metros ao redor
da lagoa, desde o seu nível mais alto medido horizontalmente em faixa marginal. Esta área é
estabelecida pela Resolução n° 004/85 do CONAMA de 18 de setembro de 1985, pois a lagoa
está localizada em área rural e possuí mais de 20 hectares de superfície.

Esta zona (ZPRH) possui uma área de 997,97 ha. A zona de proteção ambiental (ZPA)
corresponde às áreas onde estão as dunas móveis e fixas, com uma área de 183,44 ha. A zona
de uso extensivo (ZUE), possui uma área de 702,6879 ha e corresponde a área do entorno da
lagoa onde se encontram os tabuleiros. Estas áreas são estáveis e podem ser usadas para
agricultura, construção de casas etc. Na Figura 4.10, pode-se observar a retirada da vegetação
na zona de proteção dos recursos hídricos.

225
Figura 4.10. Desmatamento na zona de proteção dos recursos hídricos da Lagoa do
Cahuípe. (Fonte : Queiroz, 2003).
A Figura 4.11 mostra que a preparação do terreno se deu através de queimadas, prática
comum em nosso Estado. Deve-se lembrar que a retirada da vegetação das margens da lagoa
acelera o processo de assoreamento desse recurso hídrico, ocasionando um espraiamento das
águas para os terrenos mais baixos da planície flúvio-lacustre, aumentando a área do espelho
d’água da lagoa e, conseqüentemente, reduzindo as áreas destinadas ao uso extensivo.

Figura 4.11. A prática das queimadas às margens da lagoa. (Fonte : Queiroz, 2003).

Quanto à prática náutica, por ser uma APA foi estabelecia uma norma que não permite o uso
de embarcações motorizadas. Esta medida foi adotada uma vez que a população ribeirinha
atribuiu à diminuição de peixes ao uso de Jet Ski, prática que era comum na região. A
passagem de água pelas turbinas dos motores dos Jet Ski, poderia causar a morte de vários
organismos aquáticos que ali vivem, como por exemplo, os alevinos. Com a morte desses
organismos, iria faltar alimento para os peixes maiores, ocasionando diminuição na produção
pesqueira. Atualmente, os barcos utilizados pelos pescadores são movidos a remo, evitando
contaminação da água por óleos e graxas.

226
Nas proximidades da lagoa, encontram-se algumas barracas que funcionam, principalmente,
nos finais de semana. As águas da lagoa são bastante utilizadas pela população ribeirinha para
diversas como lavagem de roupas (Figura 4.12).

Figura 4.12. Lavagem de roupa na lagoa. (Fonte : Queiroz, 2003).


Foi também observado o uso da lagoa para irrigação de vegetação frutífera e algumas culturas
de subsistência (Figura 4.13).

Figura 4.13. A água da lagoa é utilizada na irrigação de espécies frutíferas e culturas de


subsistência. (Fonte: Queiroz, 2003).

• Lagoa do Pecém
A lagoa do pecém está localizada no município de São Gonçalo do Amarante (3º73’21``S e
38º49’27``W). Fica a 31 km de Fortaleza. O acesso é feito pela BR 222 ou pela via
Estruturante. Pertence à Bacia Metropolitana e localiza-se entre dunas. A lagoa é de uso
privativo para fins de abastecimento humano. Na área existe uma estação de tratamento de
água operada pela CAGECE, que abastece o distrito de Pecém. A área se encontra cercada
para evitar o acesso de animais ou ações antrópicas poluidoras.

227
Situa-se nos sedimentos dos grupos Barreira, Praiana e aluvional, além do complexo
cristalino. A lagoa está inserida numa localidade que apresenta formações morfológicas de
faixa litorânea planícies fluviomarinhas e campos dunares. Além disso, é abastecida pela água
proveniente do lençol freático.

Apresenta espelho d’água de porte pequeno, medindo, aproximadamente, 4,91ha e perímetro


em torno de 0,95km conforme dados topográficos. As dimensões máximas de comprimento e
largura são respectivamente 0,34km e 0,21km.

A mobilidade das dunas vem modificando as características naturais da lagoa em relação à


extensão e ao volume d’água. A vegetação aquática é pouco desenvolvida, ocupando uma
pequena parcela do seu espelho d’água.

O complexo hídrico da lagoa do Pecém tem atrativo natural, além da própria lagoa, como por
exemplo, as dunas móveis e fixas nas porções norte, leste e sul da lagoa, aliada à proximidade
da praia. A maioria das edificações é formada por casas de veraneio, onde pode ser observada
a substituição da vegetação natural para espécies frutíferas e ornamentais.

O principal agravante do desequilíbrio ambiental pelo qual a lagoa vinha passando referia-se a
processos naturais causados pela migração de dunas e que vinham provocando seu
assoreamento e consequentemente, diminuindo o espelho d’água.

Por solicitação da comunidade e da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, a


SEMACE, pelo PRODETUR/CE, desenvolveu o Projeto de Contenção de Dunas, visando à
proteção do manancial.

Logo após o complexo dunar, podem-se observar diversas lagoas perenes denominadas de
lagoas pós-dunares. Sua água é oriunda da infiltração das dunas circunvizinhas, as quais
funcionam como um grande filtro, absorvendo e retendo no seu subsolo a água ali acumulada
durante o período chuvoso, a qual se infiltra até a Formação Barreiras logo abaixo das dunas.
Essa água tende a escoar pelas dunas até atingir a planície dos tabuleiros pré-litorâneos,
formando os Ambientes Lacustres Pós-Dunares.
• Lagoa das Cobras
A Lagoa das Cobras localiza-se no Município de São Gonçalo do Amarante, nas coordenadas
3º31’48``S e 38º54’07``W, a 65km de Fortaleza. O acesso é fácil, podendo ser feito através da
CE 085(via Estruturante), BR 222 e a partir de Caucaia, seguindo pela CE 121. Junto à lagoa
encontra-se uma unidade simplificada de tratamento d’água da CAGECE.

A unidade está inserida nos tabuleiros pré-litorâneo, situados entre as dunas. Aloja-se em
terrenos representados por formações Barreira e campos dunares. Este complexo hédrico é
contituido por ambientes fluviolacustres compostos de duas lagoas que se juntam no período
chuvoso, mas na época de estio, apresentam-se praticamente isoladas.

Ligadas por apenas uma linha de drenagem a área de entorno da lagoa caracteriza-se por
apresentar dunas móveis que avançam no sentido oeste, sobre as dunas fixas e sobre a lagoa.
As dunas fixas formam uma barreira natural de proteção retardando o avanço das dunas
móveis sobre a lagoa. Faz parte da bBacia Metropolitana e tem como principal fonte de
recarga a água subterrânea contida nas dunas, razão por que o ecossistema como um todo
deve ser preservado e monitorado.
228
A Lagoa das Cobras apresenta espelho d’água de porte pequeno, de aproximadamente 16,8ha
e perímetro em torno de 4,18km. A dimensão máxima de comprimento é 1,05km e largura de
0,48km.

Apresenta-se relativamente preservada, apesar da ação antrópica local. Observam-se cultivos


de subsistência em suas margens, árvores frutíferas, principalmente coqueiros e cajueiros e
também a criação de suínos. A lagoa encontra-se formada por um conjunto de 3 pequenas
lagoas, as quais se interligam durante o período chuvoso. As principais macrófitas da região
de influência são: junco, salsa, jitirana e malícia, dentre outras.

Com relação às fontes poluidoras, observa-se apenas algumas fossas sépticas a distâncias
seguras da cota de cheias máximas da lagoa. As atividades agrícolas, existentes são de
subsistência, sem utilização de defensivos agrícolas, existindo também um estábulo de
pequenas dimensões com cavalos utilizados para lazer. As fontes poluidoras do manancial não
comprometem o consumo humano pelo fato da captação d’água ser subterrânea por meio de
poços tabulares e em razão das características de uso e ocupação local.
• Lagamar dos Talos
O lagamar dos Talos localiza-se no Município de São Gonçalo do Amarante, no distrito de
Siupé, (3º35’08``S e 38º56’45``W) e está situado na bacia hidrográfica do rio São Gonçalo.
Fica a 31 km de Fortaleza e pertence às Bacias Metropolitanas. O acesso é feito através da
BR 222 ou pela Estruturante. Apresenta grande potencial paisagístico e atividade turística.

A origem do lagamar dos Talos está ligada ao barramento do rio São Gonçalo, que provocou
o alagamento do leito natural, provocando o surgimento das áreas de maior espelho d’água do
lagamar. A área onde está inserido é a formação por planícies e tabuleiros e planície fluvial.

O lagamar dos Talos apresenta espelho d’água de porte elevado, 546,87ha, conforme dados
topográficos, com perímetro em torno de 63,12km. As dimensões máximas de comprimento e
largura são, respectivamente, 14,58km e 2,3km.

Nas proximidades de sua foz, corre uma área de mangue, enquanto que, no restante de sua
planície, observa-se o domínio da várzea de carnaubeira, a qual se encontra margeada pela
caatinga e, provavelmente em decorrência da salinidade, praticamente inexistem macrófitas
bênticas ou flutuantes neste lagamar.

O ambiente da várzea e da caatinga, ao longo do lagamar encontra-se preservado, contendo


diversas espécies florísticas, tais como: sabiá, marmeleiro, croata, jurema, juazeiro,
mandacaru. Na área de várzea, vê-se o domínio da carnaúba.

O lagamar dos Talos está localizado principalmente em área rural, onde a ocupação no
entorno é incipiente. Vale ressaltar que durante a época de chuva, são carreados pelo rio
dejetos proveniente das cidades e povoados vizinhos, interferindo na qualidade da água.
Também pode ser observado o desmatamento nas margens do lagamar cuja madeira é usada
como lenha.

Os principais tipos de degradação verificadas nas suas proximidades são os desmatamentos


indiscriminados para plantio de culturas de subsistência e frutíferas, especulação imobiliária e
o uso e a ocupação desordenada.

229
É utilizado principalmente para fins de balneabilidade, pesca esportiva e de subsistência e
dessedentação de animais, sendo utilizado para consumo humano.

4.4. Considerações Ambientais Sobre As Lagoas

Há várias considerações interessantes no Relatório do Mapeamento Batimétrico feito pela


Prefeitura de Fortaleza em parceria com o Lagamar em 2007 que podem ser adotadas no uso
racional e sustentável de todas as lagoas da Região Metropolitana de Fortaleza. São elas:
− As lagoas podem se tornar um lugar com usuários conscientes da necessidade do uso
racional da lagoa para fins de lazer, como a prática de esportes náuticos, pesca
esportiva, entre outras atividades.
− Sugerimos a divulgação dos mapas batimétricos ao redor de cada lagoa, como forma
de esclarecimento para a população usuária.
− As coordenadas geográficas de todos os pontos de entrada de efluentes das lagoas
devem ser obtidas e incorporadas aos mapas batimétricos.
− Os corpos hídricos de Fortaleza precisam ser bem cuidados e fiscalizados para a
manutenção dos seus padrões de qualidade;
− É preciso buscar a integração com o Comitê das Bacias Hidrográficas da Região
Metropolitana de Fortaleza com vista a implantar ações efetivas para a utilização e
proteção dos recursos hídricos.
− O Ministério Público deve acompanhar a aplicação do direito ambiental para agilizar
os processos de desapropriação das APP’s ocupadas irregularmente por comércios e
residências.
− Discutir com o Ministério Público a aplicação dos instrumentos penais, civis e
administrativos para a proteção do meio ambiente na Região Metropolitana.
− O monitoramento da qualidade físico-química e bacteriológica é fundamental para a
gestão das águas, assim como a identificação e erradicação de fontes potenciais de
poluição.
− A rede pluvial, assim como a rede sanitária de esgoto no entorno das lagoas devem ser
urgentemente, inspecionadas, avaliadas e reestruturadas pela SEMAM e a CAGECE
para manutenção das sustentabilidade das lagoas.
− Lançamento de esgoto, seja por rede clandestina e/ou inadequada, deve ser denunciado
ao Ministério Público, para que se proceda a uma punição dura, exemplar e definitiva
aos infratores, pois acima de tudo, além do crime ambiental, é também um problema
de saúde pública, acarretando uma série de doenças tendo a água como seu maior
vetor.
− É necessário o estudo sobre a determinação da quantidade (cubagem) de matéria
orgânica em decomposição presente na maioria dos corpos hídricos. Este estudo
deverá indicar qual o volume de material a ser retirado e qual método mais adequado -
dragagem, filtragem etc.
− Realizar estudo dos impactos ambientais causados por uma eventual dragagem nos
corpos hídricos locais, assim como outras formas de eliminar o substrato que forma a
camada oxigênio das lagoas.

230
− Seria importante identificar e quantificar as principais espécies de peixes e crustáceos
existentes nas lagoas com importância ambiental, social e econômica.
− Em relação às profundidades, vários corpos hídricos urbanos de Fortaleza têm
excelentes condições para uso aqüícola, porém estudos mais detalhados devem ser
realizados sobre a capacidade de suporte, biomassa econômica e a sustentável.
− Os pescadores devem ser organizados, cadastrados e capacitados para o uso racional
das lagoas e para a pesca responsável.
− É preciso incentivar cursos técnicos, de graduação e pós-graduação que visem
pesquisas sobre o uso racional dos recursos hídricos urbanos com potencial para pesca,
agricultura, turismo, esportes náuticos e a gestão através da participação dos usuários.

231
232
5. EVOLUÇÃO DA OFERTA E DA DEMANDA

233
5. EVOLUÇÃO DA OFERTA E DA DEMANDA

Este capítulo trata do histórico da oferta e da demanda de água nas Bacias Metropolitanas,
visando fornecer subsídios para o entendimento da sua evolução.

Para tanto, o capítulo apresenta, em sua primeira parte, alguns conceitos associados as secas e
ao potencial hidráulico, e suas relações, de forma a permitir um melhor entendimento dos
estudos apresentados.

Na segunda parte é feita uma apresentação de estudos anteriores, de forma a permitir a análise
da evolução da oferta de água nessas Bacias e, na terceira e última parte são apresentados os
dados referentes a evolução da demanda, com base nos mesmos estudos.

Para as Bacias Metropolitanas, informações advindas de quatro estudos realizados


anteriormente foram utilizadas como referência para o desenvolvimento do presente trabalho.
São eles:
− Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH (1992);
− Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas (2000);
− Plano Estadual de Recursos Hídricos – PLANERH (2005)
− Pacto das Águas (2009).
No PERH (1992), as Bacias Metropolitanas foi estudada como fazendo parte de um bloco de
seis bacias, quais sejam: Acaraú, Coreaú, Curu, Litoral, Metropolitanas e Poti.

5.1. Base Conceitual

5.1.1. Secas: Definições

O conceito de seca está intimamente relacionado ao ponto de vista do observador. Embora a


causa primária das secas resida na insuficiência ou irregularidade das precipitações pluviais,
existe uma seqüência de causas e efeitos que vão desencadeando vários “tipos de seca”, como
exemplo pode-se citar a seca climatológica que é causa primária ou elemento que desencadeia
o processo da seca e que traz como conseqüências a seca hidrológica, com diminuição dos
escoamentos nos cursos d'água e/ou no sobreuso das disponibilidades e a seca edáfica que,
por sua vez, limitando as condições de vida no campo, induz a uma “seca” social. Alguns
conceitos são apresentados a seguir:
− Seca Climatológica - refere-se à ocorrência, em um dado espaço e tempo, de uma
deficiência no total de chuvas em relação aos padrões normais que determinaram as
necessidades. Esse tipo de seca tem causas naturais da circulação global da atmosfera
e pode resultar em redução na produção agrícola e no fornecimento de água para
cidades e outros usos;
− Seca Hidrológica - a seca hidrológica, ou de suprimento de águas, pode ser entendida
como a insuficiência de águas nos rios ou reservatórios para atendimento das
demandas de águas já estabelecidas em uma dada região. Essa seca pode ser causada
por uma seqüência de anos com deficiência no escoamento superficial ou, também,
por um mau gerenciamento dos recursos hídricos acumulados nos açudes. O resultado

234
desse tipo de seca é o racionamento, ou colapso, em sistemas de abastecimento d’água
das cidades ou das áreas de irrigação;
− Seca Edáfica - tem como causas básicas a insuficiência ou distribuição irregular das
chuvas e pode ser identificada como uma deficiência da umidade, em termos do
sistema radicular das plantas, que resulta em considerável redução da produção
agrícola. Esse tipo de seca, associado à agricultura de sequeiro, é a que maiores
impactos causa no Nordeste Semi-Árido. Os efeitos são severas perdas econômicas e
grandes transtornos sociais;
− Seca Social - caracteriza-se pela falta de condições sócio-econômicas das populações
atingidas, principalmente, pela seca edáfica, visto que os camponeses da agricultura de
sequeiro não dispõem de reservas financeiras que lhes permitam sobreviver durante a
ocorrência da seca. Desta forma, ocorrem grandes transtornos sociais tais como: fome,
migração, desagregação das famílias, etc.
Segundo ÁRIDAS (1995), as características das estações chuvosas de 1991 a 1994 no
Nordeste podem ser tomadas como exemplo para os diversos tipos de seca. Em 1991 ocorreu,
em grande parte do território do Nordeste Semi-Árido, pluviosidade bem abaixo da média. A
Região foi atingida por secas climatológica e edáfica; contudo as reservas em água,
acumuladas nos grandes reservatórios foram suficientes para atender as demandas durante o
ano de 1991. Em 1992, com a repetição da seca climatológica, começaram os primeiros
problemas de seca hidrológica. A cidade de Recife foi a primeira grande cidade atingida,
tendo sido submetida a um racionamento no abastecimento de água. Em 1993, a grande
maioria dos pequenos açudes do Semi Árido secou e os grandes açudes atingiram níveis
críticos. Em maio de 1993, a cidade de Fortaleza, com seus 1,5 milhão de habitantes, à época,
chegou a um colapso no sistema de abastecimento de águas por três meses.

A estação chuvosa no ano de 1994 foi, de todo, peculiar. No geral, as precipitações pluviais
atingiram valores acima da média. O litoral Nordestino foi privilegiado por uma estação chuvosa
bastante prolongada. No Sertão Cearense, especialmente no Alto Jaguaribe, as chuvas ocorreram
em quantidade suficiente para a produção agrícola. Não ocorreu seca climatológica ou edáfica.
Contudo, como essas chuvas ocorreram, predominantemente, com baixa intensidade e
distribuídas em um longo intervalo de tempo, resultaram em um escoamento superficial muito
baixo. Esse fato, aliado à situação crítica em que se encontravam os reservatórios levaram a um
ano de baixa disponibilidade de águas (seca hidrológica).

5.1.2. Os Potenciais Hidráulicos Localizado e Móvel

Considerando-se uma região hidrográfica como um sistema que é alimentado pelas


precipitação pluviais, em termos médios, o balanço hídrico desta região pode ser representado
por:
P = ( ES + Et ) + ( R + I p ) (1)
Onde:
− P representa a precipitação pluvial média na bacia;
− Es, a evaporação a partir da superfície do solo, das superfícies dos vegetais e dos
planos de águas livres;

235
− Et representa a parte da infiltração que fica retida nas camadas superficiais do solo e é
evapotranspirada;
− Ip representa a parte da percolação profunda que alimenta o lençol freático; e
− R representa o escoamento superficial que forma os riachos e rios.
O conjunto (Es + Et), denominado Potencial Hidráulico Localizado ou Fixo, só pode ser
utilizado no local onde acontece a precipitação. Por outro lado, o conjunto (R + Ip),
denominado Potencial Hidráulico Móvel, representa a parte das águas que se movimenta e
pode ser utilizada em local diverso daquele onde aconteceu a chuva (ÁRIDAS, 1995).

O conhecimento de como ocorrem as chuvas e de como se dividem entre potencial localizado


e potencial móvel é de grande importância para o entendimento da seca e da vulnerabilidade
de uma dada região a esse fenômeno. Há uma relação intrínseca entre o potencial hidráulico e
móvel e os conceitos de seca: a seca edáfica dá-se no domínio do Potencial Hidráulico
Localizado, enquanto a seca hidrológica dá-se no domínio do Potencial Hidráulico Móvel.

5.1.2.1. Seca no potencial hidráulico localizado: seca edáfica

O potencial hidráulico localizado consiste na parte da precipitação pluvial que, contra a ação
da gravidade, fica retida nas camadas superficiais do solo, no nível do sistema radicular das
culturas, sob a forma de umidade. Esse potencial só pode ser utilizado através do processo de
sucção das raízes, vencendo as forças que mantêm as águas nos vazios do solo.

Analisando-se a evolução do teor de umidade no solo ao longo da uma estação de chuvas,


nota-se que existem períodos em que o mesmo mantém valores acima do ponto de
murchamento, alternando com períodos onde apresenta valores igual ou abaixo desse teor de
umidade. Dessa maneira, para gerenciar o potencial hidráulico localizado é importante que se
conheça, pelo menos no sentido estatístico, datas de início e durações dos períodos úmidos. O
conhecimento desses períodos irá permitir a melhor seleção das culturas e datas de plantio que
a eles se adaptem. Quanto mais eficiente for o gerenciamento, menores serão os efeitos
negativos dos períodos deficitários ou secas.

Considera-se que ocorreu uma seca edáfica, em determinado ano, para um cultivo de uma
certa duração do ciclo vegetativo (DCV), quando o espaço de tempo em que o solo mantém
continuamente água à disposição das culturas é inferior a DCV.

A freqüência de ocorrência de secas pode ser estimada pelo conceito de Ciclo Máximo Anual
Contínuo de Umidade - CMACU (Campos, Studart e Lima, 1994; Campos, 1983; Campos e
Lima; 1992). O CMACU representa o número máximo de dias, em um dado ano, no qual o
solo mantém, no nível do sistema radicular das culturas, o teor de umidade acima do ponto de
murcha permanente. O CMACU é uma variável aleatória que pode ser estimada através do
balanço hídrico do solo, em locais onde se disponha de séries de chuvas diárias de durações
suficientemente longas.
• Determinação do Ciclo Máximo Anual Contínuo de Umidade (CMACU)
Executando-se, em um dado ano hidrológico, o balanço diário de umidade no solo, obtém-se
uma série de períodos contínuos de dias onde o solo se mantém úmido alternado por períodos
de solo seco. Define-se Ciclo Máximo Anual Contínuo de Umidade como a duração em dias

236
do maior período do ano em que o solo mantém, continuamente, umidade disponível para as
culturas. O CMACU pode ser pensado como um indicador do período mais apropriado para o
cultivo de culturas de inverno.
• Conceito de Inverno/Seca Agrícola
Diz-se que em um dado ano ocorreu uma seca agrícola para uma cultura de duração do ciclo
vegetativo DCV em um solo de capacidade de retenção S se, naquele ano, a duração do Ciclo
Máximo de Umidade for inferior ao ciclo vegetativo da cultura considerada. Caso contrário
diz-se que ocorreu um "inverno." Isto é:

INVERNO  CMACU ≥ DCV;

SECA  CMACU < DCV.

5.1.2.2. Seca no potencial hidráulico móvel

Os rios, segundo os seus regimes de escoamento podem ser classificados em perenes,


intermitentes e efêmeros. Os perenes são aqueles que apresentam escoamento durante o ano
todo, todos os anos; os intermitentes são os que escoam durante a parte do ano em que
ocorrem as chuvas; os efêmeros são aqueles de pequeno porte, nos quais o escoamento é
limitado e só acontece imediatamente após as chuvas.

Nos rios perenes as secas ocorrem e são estudadas a partir do regime de vazões mínimas, para
períodos decendiais, semanais ou outro número de dias. A demanda nesses rios estabelece-se
em função desse regime de vazões mínimas. Os reservatórios superficiais são introduzidos
como forma de elevar esses valores de vazões mínimas.

Nos rios intermitentes, em condições naturais, pouca demanda pode ser estabelecida. As
águas remanescentes da estação úmida para a estação seca resumem-se àquelas armazenadas
nos pacotes aluviais. Nas regiões com substrato cristalino, onde as disponibilidades hídricas
ficam restritas às reservas acumuladas nos pacotes aluviais, somente a construção de
reservatórios superficiais plurianuais permitem o atendimento de demandas significativas.
Nessas regiões, a seca passa a ser uma decorrência de um sobreuso ou mau uso dos açudes ou
de sequências de anos secos não previstas quando do estabelecimento das regras de operação
dos reservatórios.

Os rios efêmeros, por sua pequena importância, não permitem em suas margens que se
estabeleçam demandas expressivas. A ocupação dessas áreas com atividades consumidoras de
água só é justificável, no sentido econômico, caso haja um potencial que justifique a
importação de água de bacias vizinhas. Nessas regiões, a seca passa a ser uma condição
crônica (anual) ou ocorre como decorrência de secas na região exportadora de água.

Outro aspecto a ser considerado quando se deseja quantificar a disponibilidade é a demanda, a


qual pode ser abordada em termos de demanda concentrada e de demanda difusa.

237
5.1.3. Demandas Concentradas e Difusas

As demandas concentradas referem-se aos usos consuntivos predominantes, quais sejam:


demandas humanas, industriais e de irrigação. No caso da demanda humana são consideradas
as cidades, as sedes e os distritos, com população superior a um mil habitantes.

As demandas difusas englobam as demandas rurais, abastecidas principalmente por açudes


de pequeno porte, poços e/ou cisternas, além da demanda para dessedentação de animais.

5.2. Abordagem Da Oferta De Água Nos Planos Anteriores

Embora o estudo da oferta hídrica possa ser realizado em termos de Potencial Fixo e Potencial
Móvel, como visto no item 4.1.2, os estudos realizados nas bacias Metropolitanas
consideraram somente o Potencial Móvel. Desta forma, por não se possuírem dados
suficientes para realização de diagnóstico sobre o Potencial Hidráulico Fixo desta Bacia, este
Plano seguirá a mesma metodologia dos demais e considerará apenas a oferta de água
referente ao Potencial Hidráulico Móvel.

5.2.1. Potencial Hidráulico Móvel

Neste item serão consideradas as informações da oferta de água para as bacias Metropolitanas
no que se refere às águas superficiais e às águas subterrâneas. No caso da oferta de água
superficial serão apresentadas as metodologias adotadas por cada um dos estudos realizados
nesta Bacia, citados anteriormente (Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH (1992);
Plano Estadual de Recursos Hídricos – PLANERH (2005) e Pacto das Águas (2009)). Para a
oferta subterrânea serão também tratadas as informações disponíveis nos estudos citados.

5.2.1.1. Oferta de Água Superficial

A oferta de água superficial pode ser trabalhada em termos de capacidade de acumulação


decorrente do armazenamento em reservatórios, com diversas capacidades de acumulação, e
em cisternas.

Segundo o PERH (1992) os reservatórios podem ser classificados, segundo a sua capacidade
hidráulica em:
− Aguada (volume inferior a 0,10 hm³);
− Muito pequenos (0,10 ≤V<1,00 hm³);
− Pequenos (1,00≤V<3,00 hm³);
− Médios (3,00≤V<10,00 hm³);
− Grandes (10,00 ≤V<50,00 hm³);
− Muito grandes (V≥50,00 hm³).
Já o Decreto Lei Estadual n º 23.068, de 11 de fevereiro de 1994, reformula esta classificação
em seu artigo 3º, considerando os açudes em relação ao volume hidráulico acumulável em:
− Micro (até 0,5 hm³);

238
− Pequeno (acima de 0,5 hm³ até 7,5 hm³);
− Médio (acima de 7,5 hm³ até 75 hm³);
− Grande (entre 75 hm³ e 750 hm³);
− Macro (acima de 750 hm³).
Neste documento, a análise da oferta de água superficial seguirá a classificação de 1992,
utilizando a nomenclatura, Grande, Média e Pequena Açudagem, de acordo com os dados
obtidos nos vários estudos.

Grande Açudagem - AÇUDES ≥ 10hm³

a) Plano Estadual de Recursos Hídricos (1992)

Para o cálculo da oferta hídrica superficial o PERH (1992) dividiu os reservatórios em dois
grupos, os grandes açudes ou açudes de grande porte (K≥10hm³) e os de médio e pequeno
porte (K≤ 10hm³). Para o cálculo das vazões regularizadas pelos reservatórios de grande
porte, foram gerados deflúvios afluentes aos mesmos, utilizando-se um modelo chuva-
deflúvio do tipo concentrado no espaço - Modelo Hidrológico Autocalibrável (MODHAC).
Os dados foram tratados seguindo a metodologia tradicional de Balanço Hídrico, tendo sido
utilizado, de forma geral, o período de 1912 a 1988 para geração das vazões regularizadas.
Foi considerada uma garantia de 75 e 90% para o cálculo das vazões regularizadas (Q75 e
Q90), por serem as mais utilizadas no planejamento dos recursos hídricos.

O Quadro 5.1 apresenta as características dos açudes de grande porte das Bacias
Metropolitanas e suas respectivas vazões, de acordo com o PERH (1992).
Quadro 5.1. Característica dos Açudes com capacidade K>10hm³
Capacidade
Nome do açude Q75 (m3/s) Q90 (m3/s)
(hm³)
Amanary I 11,30 0,30 0,20
Acarape do Meio 34,00 0,93 0,59
Pompeu Sobrinho (Choro Limão) 143,00 0,41 0,10
Gavião 54,00 1,00 0,58
Pacoti/Riachão 457,00 6,45 4,42
Fonte: PERH (1992)
No cálculo das vazões para o açude Pompeu Sobrinho foi utilizada uma série de dados de um
período de 77 anos, para o Amanary I, de 61 anos e para os demais, Acarape do Meio,
Gavião, Pacoti/Riachão, séries de 67 anos.

Devido à importância e a complexa configuração da Região Metropolitana de Fortaleza


(RMF), a simulação das vazões regularizadas para esta área ocorreu de forma diferenciada,
tendo sido desenvolvido um modelo específico para trabalhá-la.

O PERH (1992) constatou que as bacias Metropolitanas necessitavam de perenização,


principalmente para solucionar a situação crítica de abastecimento d’água de Fortaleza,
Caucaia e Maracanaú devido à diminuta quantidade de reservatórios de grande porte.
Recomendava a construção de três novos reservatórios, os quais são listados com suas
respectivas capacidades no Quadro 5.2.

239
Quadro 5.2. Reservatórios Planejados
Nome do Açude Capacidade (hm3)
Sítios Novos 75,82
Choró 480,00
Aracoiaba 175,00
TOTAL 730,82
Fonte: PERH (1992)

− b) Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas


No Plano de Gerenciamento de Águas das Metropolitanas, da mesma forma que no PERH
(1992), foram utilizados reservatórios com capacidade superior a 10 hm³, capazes de permitir
a transferência de parte do volume armazenado em determinado ano, para anos subseqüentes,
satisfazendo às demandas e outros usos consuntivos.

Para geração das vazões afluentes destes reservatórios, o Plano utilizou o programa
MODHAC e calculou, por meio da simulação da operação dos reservatórios, vazões para
níveis de garantia de 90%, 99% e 99,9%, por entender que, para fins hidroagrícolasna região
Nordeste adota-se o valor de 90% e para fins de abastecimento humano, 99% e 99,9%.

O Quadro 5.3 apresenta os 13 reservatórios maiores que 10 hm³ utilizados neste estudo.
Quadro 5.3. Característica dos Açudes com capacidade K> 10hm³
Nome do açude Capacidade (hm³) Qreg (m3/s)
Acarape do Meio 33,30 *0,814
Amanary I 11,30 *0,080
Antônio de Medeiros 30,13 0,072
Batente 28,19 *0,001
Castro 63,9 0,086
Catu-Cinzenta 33,19 0,242
Cauhipe 12,19 0,286
Pompeu Sobrinho (Choró-Limão) 143,00 *0,199
Gavião 29,50 **0,366
Malcozinhado 34,60 *0,423
Pacajus 240,00 **0,002
Pacoti-Riachão 420,60 **0,004
Sítios Novos 123,20 0,287
TOTAL 1.203,40 0,937
* Vazão com 99% de garantia, ** Vazão com 99,9% de garantia
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas

Objetivando atender demandas futuras, em um cenário de longo prazo, o Plano de


Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000) cita a necessidade da construção
de novos reservatórios, apresentados no Quadro 5.4.

Os estudos referentes aos açudes planejados demonstraram que mesmo com a sua construção,
ainda haverá déficit na oferta de água para estas Bacias, necessitando-se, assim, da
transferência de água de outras bacias para suprir este déficit.

240
Quadro 5.4. Característica dos Açudes planejados
Nome do Açude Capacidade (hm³)
Anil 15,00
Aracoiaba 175,00
Ceará 30,00
Choro 480,00
das Amarelas 15,00
Feijão 10,00
Itapebussu 29,19
TOTAL 754,19
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas

c) Plano Estadual de Recursos Hídricos 2005

Para elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos – PLANERH (2005) foram


utilizadas as informações de trabalhos técnicos desenvolvidos para as bacias hidrográficas
estaduais. No caso das Bacias Metropolitanas utilizaram-se os dados do Plano de
Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas.

Para o cálculo da oferta hídrica referente à grande açudagem, no cenário correspondente ao


ano 2000, o PLANERH (2005), utiliza 13 reservatórios, cujas características são apresentadas
no Quadro 5.5.
Quadro 5.5. Característica dos Açudes das Bacias Metropolitanas
Capacidade Vazão
Reservatório
(hm³) Q90 (m3/s)
Acarape do Meio 31,50 1,42
Amanary I 11,01 0,17
Aracoiaba 170,7 2,70
Acarape do Meio 31,50 0,15
Batente 52,70 0,37
Castro 63,90 0,61
Catucinzenta 27,13 0,21
Cauhipe 12,00 0,26
Pompeu Sobrinho (Choro-Limão) 143,00 0,40
Gavião 32,90 0,62
Malcozinhado 37,84 0,49
Pacajus 240,00 3,28
Pacoti-Riachão 426,95 5,40
Sítios Novos 126,00 1,70
TOTAL 1.375,63 17,63
Fonte: PLANERH (2005)

241
No que se refere às ações a serem realizadas no âmbito da grande açudagem, o PLANERH
(2005) cita que, mesmo considerando-se a implantação, até o ano 2020, dos cinco
reservatórios planejados, apresentados no Quadro 5.6, não haverá um incremento
significativo na oferta hídrica desta Bacia, além disso, não existem outras alternativas para a
construção de grandes barragens nesta área. Desta forma também sugere a interligação de
bacias.
Quadro 5.6. Característica dos Açudes planejados
Nome do açude Capacidade (hm³) Q90 (m3/s)
Amarelas 48,29 0,29
Anil 23,4 0,16
Ceará 51,58 1,00
Feijão 35,88 0,42
Macacos I 12,37 0,07
TOTAL 171,52 1,94
Fonte: PLANERH (2005)

No PLANERH (2005) foram apresentadas estimativas de valores adicionais para vazão


regularizada de alerta: Q90+, para a hipótese do reservatório regularizar, em 90% do tempo, a
vazão prevista Q90, em 8% do tempo regularizar metade da vazão Q90, e em 2% do tempo
aceitar o esvaziamento total da reserva.

d) Pacto das Águas

Por se tratar de uma compilação das informações mais atuais disponíveis em diversos estudos,
o qual visa apresentar a situação dos recursos hídricos no estado do Ceará, o Pacto das Águas
não traz novos dados. Desta forma, este trabalho apresenta, para a oferta da água nas bacias
Metropolitanas, as mesmas informações disponíveis no PLANERH (2005).

Pequena e Média Açudagem - AÇUDES ≤ 10hm³

a) Plano Estadual de Recursos Hídricos 1992

Quanto à disponibilidade oriunda dos açudes com capacidade inferior a 10 hm³, o PERH
(1992) cita que, apesar do reduzido poder de regularização destes reservatórios, eles foram
considerados no estudo devido à grande importância relacionada à sua característica espacial,
em especial, ao seu caráter difuso.

O Plano cita que para esta Bacia as necessidades mais relevantes ocorrem, principalmente, nas
imediações de Fortaleza, em direção às Serras, onde, existe uma demanda excessivamente
concentrada da população humana e das atividades agrícolas, apesar do grande número de
pequenos reservatórios.

A simulação de operação destes reservatórios foi realizada utilizando-se uma estimativa de


disponibilidade associada, tendo em vista não ser possível trabalhá-los individualmente.

Para os açudes menores que 10 hm³ que não dispõem de projeto ou qualquer dado sobre sua
capacidade, o volume foi estimado através de processos metodológicos os quais se
fundamentam na regionalização de relações de transformações de área de espelhos d’água em
242
volume, obtido de estudos realizados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos
Hídricos - FUNCEME e denominados Monitoramento.

A metodologia aplicada para estimar estes volumes seguiu várias etapas, iniciando com a
catalogação de cadastros de informações sobre a açudagem, utilizando as cartas 1:100.000,
desenvolvidas pela Divisão do Serviço Geográfico e Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste – DSG/SUDENE, na determinação da ordem dos cursos dos rios barrados e
medidas de área, perímetro, declividade e comprimento do talvegue principal.

Os resultados dos estudos determinaram uma capacidade de reservação para esta fração dos
açudes de de 185,42 hm³. O Quadro 5.7 mostra a quantidade e divisão em classes por
capacidade de reservação destes açudes.
Quadro 5.7. Disponibilidade hídrica em açudes < 10hm³
Volume Acumulado
Classes Intervalos (m3) Total (hm3)
(X106 m3)
5
Aguada 0 → 1x10 8,47
1x105 → 3x105 33,65
Muito Pequeno 3x105 → 5x105 27,33
185,42
5x105 → 1x106 45,26
6 6
Pequeno 1x10 → 3x10 40,81
Médio 3x106 → 1x107 29,91
Fonte: PERH (1992)

b) Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas (2000)

O Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000) apresenta, para as
bacias Metropolitanas, um total de 693 açudes com capacidade inferior a 10 hm³, totalizando
um volume de acumulação estimado em 274,00 hm³.

Este Plano apresenta em seu planejamento, a necessidade da construção de quatro


reservatórios com capacidade inferior a 10 hm³ , visando o aproveitamento local. São eles:
Gameleira, Germinal, Macacos e Pesqueiro, apresentados no Quadro 5.8.
Quadro 5.8. Característica dos Açudes em estudo e planejados
Nome do açude Capacidade (hm³)
Gameleira 5,00
Germinal 5,00
Macanos 7,50
Pesqueiros 7,20
TOTAL 24,70
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000)
O Plano cita que os pequenos e médios açudes possuem grande importância na satisfação das
demandas no balanço hídrico distribuído, favorecendo a distribuição espacial da água
acumulada nas Bacias, por outro lado, exercem uma grande influência negativa na vazão
garantida dos grandes reservatórios.

243
c) Plano Estadual de Recursos Hídricos 2005

O PLANERH (2005) não considerou a oferta de água decorrente dos reservatórios com
capacidade inferior a 10 hm³.

Este Plano cita que reservatórios com capacidade de acumulação inferior a 10 hm³ não
constituem reserva interanual, pois, na ocorrência de anos secos consecutivos, estes
reservatórios não conseguem suprir a demanda, por isso não são computados no estudo de
disponibilidade hídrica. O referido estudo ressalta ainda que estes reservatórios possuem
como principal função a acumulação de volumes de água após a estação chuvosa, para
utilização na estação seca do mesmo ano para abastecer a população rural e a dessedentação
de animais.

d) Pacto das Águas

Baseado no PLANERH (2005), o qual consistia no mais recente estudo, o Pacto das Águas
também não aborda, em sua compilação, a oferta hídrica para reservatórios com capacidade
inferior a 10 hm³.

5.2.1.2. Cisternas

Apesar de entender que à parcela captada por cisternas é importante principalmente para a
população difusa, esta não foi incluída nos cálculos referentes à oferta em nenhum dos
estudos. Isso se deve ao fato de que poucas são as informações sobre estes sistemas em termos
de localização e capacidade.

De acordo com o PERH (1992), este volume é insignificante no contexto do trabalho e no


cálculo do Balanço Hídrico, ressalva, porém, sua importância em muitos casos.

Foi realizada uma coleta de dados sobre as cisternas existentes nas Bacias do Estado no
âmbito do Pacto das Águas, no entanto, tais dados são insuficientes para o cálculo da
disponibilidade, visto a deficiência das informações existentes.

5.2.1.3. Oferta de Água Subterrânea

No que se refere à oferta de água subterrânea, os quatro estudos apresentam as informações


descritas a seguir.

Plano Estadual de Recursos Hídricos 1992

O PERH (1992) trabalhou os estudos de águas subterrâneas de forma a quantificar a


potencialidade e estabelecer a reserva explotável dos aqüíferos.

Conforme descrito anteriormente, este Plano não analisa as Bacias Metropolitanas


isoladamente, mas inserida em um Bloco com mais cinco Bacias (Acaraú, Coreaú, Curu,
Litoral e Poti).

244
Este estudo gerou suas informações baseadas em Unidades de Balanço (UB), que se referem
ao espaço físico resultante do cruzamento entre município, bacia hidrográfica e rede de
drenagem interna, resultando em informações em nível de município.

Para o PERH (1992), o cômputo das informações para a Bacia não são trabalhadas em termos
de área hidrográfica, mas sim como resultado da soma das informações disponíveis para a
área total dos municípios que a compõem, mesmo que esta área não esteja inserida na bacia.

Este Plano apresenta os valores calculados para as reservas permanentes (Rp) e explotáveis
(Re) de águas subterrâneas. Para as reservas explotáveis os cálculos foram realizados em
função das características físicas de cada sistema hidrogeológico que compõe a área,
representando somente uma parcela (10 a 25%) do volume hídrico total existente, de modo a
não impactar os aqüíferos com a retirada desta água. Para as reservas permanentes foi obtido
o valor de 2.289,00 hm³ e Reservas Subterrâneas Explotáveis 399,00 hm³/ano.

Verificando-se os municípios pertencentes à Bacia, o estudo estima o número médio de poços


a ela pertencente, o qual totaliza 4.751 poços, destes, 4.290 possuem dados de vazão.

O município de Fortaleza apresenta a maior concentração de poços da Bacia, com um total de


2.534 poços, destes, 2.314 com vazão.

As ações de planejamento sugerem programas de monitoramento e recuperação de poços e de


perfuração de novos poços. Para a perfuração são mostradas tabelas de planejamento das
intervenções para ano normal e para ano seco.

Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas

O Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas utilizou dados da Companhia


de Abastecimento de Água e Esgoto - CAGECE, da Fundação Nacional de Saúde – FNS e do
Cadastro de Poços da Companhia de Pesquisa dos Recursos Minerais – CPRM para obter
informações sobre as disponibilidades subterrâneas nestas Bacias.

O cadastro da CPRM dispunha de informação sobre a existência de 4.603 poços localizados


nos municípios que fazem parte dessas Bacias, dos quais 1.524 possuíam dados de vazão.
Deste total, apenas 908 foram de interesse do estudo.

Devido à necessidade de ampliação da disponibilidade destes dados de vazão, o Plano adotou


valores médios de vazão, num raio de 2 km, para cada um daqueles poços detectados como
sem vazão, elevando para 2.244 o número de poços do estudo.

Para este Plano ficou estabelecido que os trabalhos realizados se concentrariam nas regiões
sedimentares Dunas e Barreiras, devido a alguns empecilhos para se trabalhar as reservas
subterrâneas da região cristalina, bem como devido a limitações financeiras relativas aos
serviços de campo.

Os estudos foram focados apenas nas áreas próximas da região metropolitana de Fortaleza,
mais precisamente nas localidades de Pindoretama e Pecém, que são chamadas
respectivamente de Aquiraz/Pindoretama e Pecém/Caucaia, as quais estão caracterizadas no
Quadro 5.9.

245
Quadro 5.9. Potencialidade e disponibilidade de água subterrânea
Reservas Reserva Renovável Reserva Explotável
Área Permanentes (95% de garantia)
(hm³) (hm³/ano) (l/s) (hm³/ano) (l/s)
Aquiraz/Pindoretama 726,3 10 317 10,5 340
Pecem/Caucaia 214,2 7 222 10,5 340
TOTAL 940,5 17 539 21 680
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas
Plano Estadual de Recursos Hídricos (2005)

Para o cálculo da oferta hídrica subterrânea, o PLANERH (2005) utilizou a Disponibilidade


Instalada de Água Subterrânea, conceituada como: volume anual passível de explotação
através das obras de captação existentes, com base na vazão máxima de explotação ou vazão
ótima e com um regime de bombeamento de 24 horas diárias, em todos os dias do ano.

Baseado na disponibilidade instalada no ano 2000 o Plano registrou a existência de


2.244 poços com disponibilidade instalada de 5,45 hm³/ano.

Pacto das Águas

Para o cálculo do balanço hídrico das bacias Metropolitanas o trabalho do Pacto das Águas
fez uso da disponibilidade de água subterrânea, para tanto, foram quantificadas e
caracterizadas as captações de água na Bacia, geradas a partir da sistematização do cadastro
dos pontos d’água obtidos na CPRM e nos cadastros de poços da FUNCEME, SOHIDRA,
COGERH, DNOCS, FUNASA, SDA e empresas privadas, até o ano de 2006.

Este trabalho detectou a existência de 16.019 pontos d’água, sendo: 1.043 poços tubulares,
45 poços amazonas e 8 fontes naturais, captando água tanto em rochas sedimentares quanto
cristalinas. O Quadro 5.10 detalha as principais características dos poços da Bacia.
Quadro 5.10. Características dos poços das bacias Metropolitanas
Aquíferos Vazão média (m3/h) Poços com dados de vazão Disponibilidade efetiva (hm³/ano)
Porosos 3,74 6.647 72,59
Aluviais 9,62 26 0,73
Fissurais 2,86 2.231 18,63
TOTAL 91,95
Fonte: Pacto das Águas, 2009

5.3. A Evolução da Oferta nas Bacias Metropolitanas

A evolução da oferta nas bacias Metropolitanas é analisada sob a ótica dos grandes
reservatórios e das águas subterrâneas, por serem estes os principais sistemas de oferta de
água trabalhados nos estudos.

246
5.3.1. Grande Açudagem

Para a oferta superficial observa-se no volume Planejamento do PERH (1992) o registro da


necessidade da construção do Açude Castanhão o qual supriria a demanda das Bacias
Metropolitanas, juntamente com mais três reservatórios planejados, Sítios Novos, Choró e
Aracoiaba. Destes dois reservatórios foram construídos, o Sítios Novos em 1999 e o
Aracoiaba em 2002.

O Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas ratifica a necessidade da


construção do açude Choró e apresenta mais cinco reservatórios construídos nestas Bacias, os
quais não haviam sido planejados pelo PERH (1992), são eles: Pacajus (1993), Castro (1997),
Batente (1998), Catucinzenta e Malcozinhado (2002).

Observando-se a Figura 5.1 é possível verificar que a distribuição espacial dos reservatórios
nesta Bacia não contemplava grande parte do seu território. Com os oito novos reservatórios
construídos, até o ano de 2002, a configuração do sistema melhorou, mas, segundo o Plano de
Gerenciamento de Água das Bacias Metropolitanas mesmo assim a oferta de água não é
suficiente para estas Bacias.

PERH (1992) Plano de Gestão de Águas das Bacias Metropolitanas (2000),


PLANERH (2005) e Pacto das Águas (2009)

Figura 5.1. Distribuição espacial dos reservatórios na Bacia, de acordo com estudos
realizados

O PLANERH (2005) também apresenta uma relação de cinco reservatórios planejados,


necessários ao equilíbrio da oferta-demanda destas Bacias. São eles: Amarelas, Anil, Ceará,
Feijão, Macacos I.

O Quadro 5.11 mostra a evolução na construção de açudes nas bacias Metropolitanas,


segundo os estudos utilizados neste trabalho.

247
Quadro 5.11. Reservatórios construídos ou planejados, com capacidade acima de 10 hm³
Plano de Gerenciamento
PLANERH (2005) Capacidade
PERH (1992) de Água das Bacias
Pacto das Águas (hm³)
Metropolitanas
Amanary I Amanary I Amanary I 11,01
Acarape do Meio Acarape do Meio Acarape do Meio 31,50
Pompeu Sobrinho Pompeu Sobrinho Pompeu Sobrinho
(Choró) (Choró) (Choró) 143,00
Gavião Gavião Gavião 32,90
Pacoti- Riachão Pacoti- Riachão Pacoti- Riachão 426,95
Catu-Cinzenta Catu-Cinzenta 27,13
Cauhipe Cauhipe 12,00
Castro Castro 63,90
Pacajus Pacajus 240,00
Malcozinhado Malcozinhado 37,84
Antônio de Medeiros 30,13
Batente Batente 52,70
*Sítios Novos Sítios Novos Sítios Novos 126,00
*Aracoiaba *Aracoiaba Aracoiaba 170,70
*Choró *Choró
*Anil *Anil
*Ceará *Ceará
*das Amarelas *das Amarelas
*Feijão *Feijão
*Itapebussu
*Macacos I
* Reservatórios planejados
Obs: Apesar de ter sido utilizado no balanço para o Plano de Gerenciamneto de Água das Bacias Metropolitanas, o açude
Antônio de Medeiros, não é contemplado em nenhum dos outros estudos.

A capacidade de acumulação superficial cresceu passando de 645,36 hm³, segundo PERH


(1992) para 1.375,63 hm³ (excluindo-se o açude Antônio de Medeiros) (PLANERH, 2005),
como pode ser verificado na Figura 5.2. Desta forma a oferta superficial que era de 5,89 m³/s
passou a ser de 17,63 m³/s.

Torna-se importante salientar que até o ano 2000 o Sistema Pacoti-Riachão-Pacajus importava
água da bacia do Jaguaribe, através do Canal do Trabalhador, para suprir a demanda da região
metropolitana. A partir do ano de 2001 as bacias Metropolitanas não mais necessitaram desta
importação por apresentar um aporte de água favorável, especialmente quando da finalização
do açude Aracoiaba em 2002, hoje considerado um açude estratégico para esta Bacia. O Canal
do Trabalhador passa, assim a atender prioritariamente as populações dos diversos distritos ao
longo do seu traçado, algumas sedes municipais e assentamentos de trabalhadores rurais, bem
como a possibilitar o incremento da agricultura familiar e das áreas irrigadas.

248
2000,0

Capacidade de Armazenamento (hm³)


1750,0
1500,0
1250,0
1000,0
750,0
500,0
250,0
0,0
PERH (1992) PLANO PLANERH (2004) PACTO DAS ÁGUAS ( 2009)
METROPOLITANAS(2000)

Figura 5.2. Evolução da capacidade de armazenamento nas bacias Metropolitanas

5.3.2. Águas subterrâneas

Analisando-se os estudos disponíveis, verifica-se que houve um crescimento da


disponibilidade de água subterrânea, decorrente do crescimento do número de poços
perfurados. Por outro lado, observa-se que muitos destes poços estão abandonados e/ou
desativados, necessitando de manutenção.

A evolução da oferta de água subterrânea, com base nos dados dos vários estudos, pode ser
observada no Quadro 5.12.
Quadro 5.12. Disponibilidade de água subterrânea
Plano de
PERH Gerenciamento das PLANERH Pacto das
Plano
(1992) Baias (2005) Águas
Metropolitanas
No. Poços 4.751 4.603 2.935 16.019
Disponibilidade (hm³/ano) 72,70 - 5,45 91,95
Q média (m³/h) cristalino 2,06 - - -
Q média (m³/h) sedimentar 6,31 - - -

5.4. Abordagem da Demanda de Água nos Planos Anteriores

Com a finalidade de se avaliar, em termos macro, o nível de comprometimento das


disponibilidades hídricas, os planos trabalharam as informações referentes à demanda
classificando-as, de modo geral, em três categorias: demanda humana, demanda industrial e
demanda para irrigação.

A demanda animal, embora não considerada no cômputo do balanço hídricos, à exceção do


PERH (1992), possui dados disponíveis em muitos dos estudos analisados.

249
5.4.1. Demanda Humana
• Plano Estadual de Recursos Hídricos (1992)
Nos estudos realizados pelo PERH (1992), a demanda humana foi dividida em demanda
humana urbana, concentrada e difusa, e demanda urbana rural.

Para o cálculo da demanda humana urbana e rural, foram utilizados os dados censitários de
1990 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trabalhados por município.
Considerou-se um consumo per capita variando 150 a 200 l/dia, para a demanda humana
concentrada, em função da dimensão da cidade em termos populacionais (P), da seguinte
forma:
150 l/dia para P < 2.000 hab;

175 l/dia para 2.000 hab < P < 100.000 hab;

200 l/dia para ....................P > 100.000 hab.

Para a demanda humana rural foi considerado um consumo per capita de 100 l/dia. Desta
forma, as demandas humanas resultantes para as bacias Metropolitanas perfizeram um total de
177,24 hm³/ano para o ano 1990 (PERH, 1992).

O PERH (1992) utiliza para o estudo da projeção da demanda modelos específicos para as
demandas humana urbana, humana rural e animal e ressalta que o crescimento da população
rural consiste em uma estimativa bastante complexa tendo sido utilizado um método logístico
para sua definição. O estudo utilizou, para o cálculo da demanda da população urbana, a
mesma base metodológica, porém, com algumas modificações.

O Plano também apresenta as projeções para os anos de 2000, 2010 e 2020, como mostrado
no Quadro 5.13.
Quadro 5.13. Demanda Humana
Ano 1990 2000 2010 2020

Demanda Humana (hm³/ano) 177,24 260,69 354,96 510,89


Fonte: PERH (1992)
No que se refere à demanda animal, para o ano de 1990 foi estimado o valor de 5,57 hm³/ano
e para taxa de crescimento anual, adotada para as projeções futuras, o valor de 1,18%. Os
valores projetados foram de 6,29 hm³/ano para 2000; 7,08 hm³/ano para 2010 e 7,96 hm³/ano
para 2020.

No que diz respeito aos níveis de abastecimento das sedes populacionais e localidades com
mais de 1.000 habitantes o PERH (1992) apresenta informações apenas sobre as sedes, as
quais são mostradas no Quadro 5.14.

250
Quadro 5.14. Níveis de abastecimento nas sedes municipais em 1990
Município Ano Normal (%) Ano Seco (%) Fonte
Acarape 100,0 100,0 Tomada do Rio
Aquiraz 66,7 9,6 Lagoa do Catu
Aracoiaba 13,9 4,2 1 Poço
Aratuba 0 0 -
Barreira 0 0 -
Baturité 5,3 1,6 Aç. Tijuquinha
Beberibe 28,5 28,5 Lagoa Uberaba
Capistrano 95,3 35,7 Aç. Teimoso
Cascavel 9,2 9,2 5 Poços
Caucaia 25 12,5
Chorozinho 0 0 -
Eusébio 6,7 6,7 -
Fortaleza 69,1 34,5 -
Guaramiranga 100 66,1 1 Poço
Guaiuba 53,3 26,6 Aç. Acarape do Meio
Horizonte 0 0 -
Ibaretama 0 0 -
Itapiúna 65,7 65,7 Aç. Curupaiti
Maracanaú 7,9 3,9 -
Maranguape 2 0 Aç. Penedo 01
Mulungu 0 0 -
Ocara 0 0 -
Pacajus 9,4 9,4 6 Poços
Pacatuba 64,5 32,2 Aç. Acarape Do Meio
Pacoti 93,8 28,1 4 Poços
Palmácia 12,1 12,1 1 Fonte
Paracuru 18 18 Lagoa Grande
Pindoretama 0 0 -
Redenção 100 100 Tomada do Rio
São Gonçalo do Amarante 58 58 5 Poços
Fonte: PERH (1992)

• Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000)


O Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas (2000)considerou um
consumo per capita, variando de 145 a 230 l/dia, para a demanda humana concentrada, em
função da dimensão da cidade em termos populacionais (P), da seguinte forma:
145 l/dia para P < 5.000 hab;

158 l/dia para 5.000 hab < P < 20.000 hab;

172 l/dia para 20.000 hab < P < 100.000 hab;

230 l/dia para P > 100.000 hab.

251
Para esta demanda o Plano apresenta um valor de 242,69 hm³/ano. As demandas futuras,
apresentadas no Quadro 5.15, foram calculadas e projetadas conjuntamente para os diversos
municípios das Bacias.
Quadro 5.15. Demanda humana
Ano 2000 2010 2020

Demanda Humana
242,69 298,07 375,51
(hm³/ano)
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas
O Plano cita que a o abastecimento humano da Região Metropolitana de Fortaleza, das
cidades circunvizinhas e, atualmente, do Complexo Portuário do Pecém, compromete a
disponibilidade hídrica superficial e reduz drasticamente o provável aproveitamento dos solos
agricultáveis e da água para irrigação, a partir destas reservas hídricas.

O Plano das Bacias Metropolitanas (2000) apresenta informações sobre as fontes de


abastecimento das sedes populacionais e localidades com mais de 1.000 habitantes conforme
mostrado nos Quadros 5.16 e 5.17.
Quadro 5.16. Fontes de abastecimento nas sedes municipais em 2000
Município Fonte
Acarape Aç. Acarape do Meio
Aquiraz Lagoa do Catu
Aracoiaba 01 Poço (30 m3/h)
Aratuba 5 Poços
Barreira Aç. Acarape do Meio
Baturité Aç. Tijuquinha
Beberibe Lagoa Uberaba
Capistrano Aç. Teimoso (4 hm3)
Choró Aç. Pompeu Sobrinho
Guaiúba Aç. Acarape do Meio
Guaramiranga 02 Poços (18 m3/h)
Ibaretama Poço (4,80 m3/h )
Itapiúna Aç. Castro
Mulungu Poços (330 m3/h)
Ocara Aç. Castro
Pacoti 04 Poços (36 m3/h)
Palmácia 03 Fontes (12 m3/h)
Pindoretama Lagoa do Tapúio
Redenção Rio Pacoti

252
Quadro 5.17. Fontes de abastecimento dos distritos municipais em 2000
Município Distritos Fonte
Aquiraz - -
Aracati - -
Aracoiaba Ideal Aç. Castro
Barreira Córrego -
Baturité Boa Vista Poço (4 m3 / h)
Beberibe Itapeim -
Canindé Esperança -
Choró Barbada -
Fortim Campestre -
Aç. Acarape do Meio
Guaiúba Agua Verde
Aç. Ranco Leite
Guaramiranga Pernambuquinho -
Ibaretama Nova Vida -
Itapiúna Caio Prado Aç. Castro
Morada Nova Aruaru Aç. Batente
Arisco Dos
Ocara -
Marianos
Pacoti Colina -
Palmácia Gado -
Quixadá California -
Redenção Antônio Diogo A. Acarape do Meio
O Plano informa que na região em estudo estão sendo atendidas com sistema de
abastecimento d'água 29 sedes municipais e 4 distritos, totalizando assim, 33 localidades, das
quais 97,0% são operados pela CAGECE e 3,0%, o correspondente a apenas uma sede
municipal, tem como órgão operador o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) em
convênio com a prefeitura e apoio técnico da Fundação Nacional de Saúde (FNS). Foram
identificadas três sedes municipais sem sistema de abastecimento d'água, mas que já contam
com obras de implantação do sistema em andamento - Eusébio, Ocara e Ibaretama. Como
apresentado no Quadro 5.18.
Quadro 5.18. Fontes de abastecimento dos distritos municipais em 2000
Cidade/Localidade Ativas Índice de Cobertura
Acarape 79,30
Aquiraz 21,40
Aracoiaba 74,60
Aratuba 103,80*
Barreira 110,30*
Baturité 92,40
Beberibe 67,90
Capistrano 91,20
Cascavel 23,20
Caponga (Cascavel) 47,80
Caucaia 49,00
Continua...

253
Continuação...

Cidade/Localidade Ativas Índice de Cobertura


Choro 94,80
Chorozinho 40,20
Fortaleza 110,10*
Guaiúba 92,30
Guaramiranga 156,20*
Horizonte 3,10
Itaitinga 61,30
Itapiúna 92,40
Itans (Itapiúna) 92,40
Maracanaú 16,90
Maraguape 79,80
Mulungu 77,90
Pacajus 39,70
Pacatuba 112,00*
Pacoti 95,20
Palmácia 88,40
Pindoretama 78,90
Redenção 71,70
São Gonçalo do Amarante 74,00
Croatá (São Gonçalo do Amarante) 81,00
Pecém (São Gonçalo do Amarante) 79,00
Índices superiores a 100%, bem como outros muito elevados, resultam da discordância entre a área urbana oficial, IBGE, e
aquela real que ultrapassa esta demarcação.
Fonte: Plano de Gestão de Águas das Bacias Metropolitanas (2000)

Plano Estadual de Recursos Hídricos (2005)

No Plano Estadual de Recursos Hídricos, para o cálculo do balanço concentrado foi utilizada
a demanda humana urbana. As demandas referentes a população rural difusa e a
dessedentação animal, que também é considerada como demanda difusa, não foram
computadas no cálculo do balanço, por entender que são supridas pelos açudes com
capacidade é inferior a 10 milhões de metros cúbicos ou por poços.

No Quadro 5.19 são apresentados os valores de demanda humana e suas projeções.


Quadro 5.19. Demanda humana
Ano 2000 2010 2020
Demanda Humana (hm³/ano) 235,80 287,70 365,00
Fonte: PLANERH (2005)

Este estudo não disponibiliza informações sobre os níveis de abastecimento das sedes e
localidades com menos de um mil habitantes.

254
Pacto das Águas

Na compilação das informações sobre demanda humana, o Pacto das Águas utilizou os dados
apresentados pelo PLANERH (2005).

Informações mais detalhadas sobre abastecimento das sedes e localidades com mais de um
mil habitantes, não foram trabalhadas pelo Pacto.

5.4.2. Demanda Industrial

Plano Estadual de Recursos Hídricos (1992)

Para as bacias Metropolitanas, o PERH (1992), estimou valores da demanda industrial para os
anos de 1990, 2000, 2010 e 2020. A demanda utilizada no estudo, do ano de 1990, foi
avaliada em 110,00 hm³/ano e projeções foram trabalhadas para os anos de 2000; 2010 e
2020, como mostrados n Quadro 5.20.
Quadro 5.20. Demanda industrial
Demanda (hm³/ano) 2000 2010 2020
Indústria 169,16 229,61 320,98
Fonte: PERH (1992)
O setor Industrial tem maior destaque na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), na qual
se localizam 56% das indústrias instaladas no Estado. Predominam, em geral, as indústrias de
transformação de produtos de minerais não metálicos, com exceção da capital, onde se detecta
um ligeiro predomínio das unidades têxteis.

O abastecimento d’água para a indústria é extremamente importante, principalmente em


termos de volume, pois a instalação de parques industriais depende de sua viabilidade.

Discute-se também, a implantação de vários empreendimentos, destacando a SINDOR


(siderurgia) e a extração de minérios de Itataia. Eles demandam volumes hídricos importantes,
exigindo compatibilização com outros usos dos recursos.

As informações são disponibilizadas no PERH (1992) para cada um dos municípios que compõem
as Bacias.

Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas

No que diz respeito à indústria, o Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias


Metropolitanas cita que as demandas industriais, em sua grande maioria, encontram-se ligadas
às sedes municipais, condicionando dessa forma sua locação às Unidades de Balanço (UB’s)
que contêm estas sedes.

Ocorrem exceções a essa concentração industrial nas sedes municipais no Distrito Industrial
de Maracanaú, entre Fortaleza e Caucaia e no Complexo Portuário do Pecém.

As demandas de turismo foram totalizadas juntamente com a demanda Industrial, nas


respectivas unidades de balanço, para efeito de cálculo de balanço. Geralmente estas
demandas encontram-se localizadas fora das sedes municipais como, por exemplo, nos
municípios de Cascavel, Aquiraz e Caucaia.
255
A demanda industrial para esta Bacia é apresentada, neste Plano, equivalente 117,65 hm³/ano,
para o ano de 1997/98. O estudo coloca que existe uma enorme discrepância entre os níveis de
atividade industrial nas bacias Metropolitanas em relação ao restante do Estado.

A seguir, no Quadro 5.21, estão apresentados os valores projetados para demanda industrial
na Bacia.
Quadro 5.21. Demanda industrial
Ano 2000 2010 2020
Demanda Indústria (hm³/ano) 152,10 216,49 264,65
Fonte: Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas

Plano Estadual de Recursos Hídricos (2005)

Os dados utilizados no PLANERH (2005) são oriundos da projeção obtida do Plano das
Bacias Metropolitanas (2000). A demanda industrial para esta Bacia é estimada neste Plano
como equivalente a 152,10 hm³/ano. O estudo ressalta que existe uma enorme discrepância
entre os níveis de atividade industrial identificado para as bacias Metropolitanas quando
comparados ao restante do Estado.

No Quadro 5.22, estão apresentados os valores projetados para demanda industrial nas
Bacias.
Quadro 5.22. Demanda industrial
Ano 2000 2010 2020
Demanda Indústria (hm³/ano) 152,10 216,49 264,65
Fonte: PLANERH (2005)

Pacto das Águas

Os dados utilizados neste trabalho foram os mesmos apresentados no PLANERH (2005).

5.4.3. Demanda de Irrigação

Plano Estadual de Recursos Hídricos (1992)

De acordo com o PERH (1992), a demanda de irrigação varia de acordo com o tamanho e o
tipo do projeto. No caso da irrigação em projetos governamentais, a demanda para o Bloco
formado pelas bacias do Acaraú, Coreaú, Litoral, Metropolitanas e Poti é de
18.000 m³/ha/ano; e na irrigação particular, em áreas superiores a 50 ha, esta demanda
diminui, sendo da ordem de 8.000 m³/ha/ano. Para a demanda difusa o estudo estima um
coeficiente de 4.500 m³/ha/ano. Uma vez que os perímetros Irrigados públicos são maiores que
os privados, não foram consideradas divisão entre eles, também não se considerou divisão de
áreas irrigadas para cada bacia, havendo apenas em conjunto para o Bloco 2. Abaixo, no Quadro
5.23, tem-se as áreas implantadas e a implantar do Bloco 2.

256
Quadro 5.23. Áreas para irrigação Bloco 2
Área (ha)
Tipo de Irrigação
Implantada A Implantar
Pequena Irrigação 6.500
6.770
Média Irrigação 3.100
Grande Irrigação 3.930 36.030
Fonte: PERH (1992)
No PERH (1992), a demanda para irrigação nas bacias Metropolitanas é trabalhada
utilizando-se informações referentes aos municípios que a formam, e não com base nos
limites de sua bacia hidrográfica. Apresenta um valor de demanda de 34,10 hm³/ano para a
irrigação, no ano de 1990. As projeções para cenários futuros são apresentados no
Quadro 5.24.
Quadro 5.24. Demanda de irrigação
Ano 2000 2010 2020
Demanda Indústria (hm³/ano) 99,71 99,71 99,71
Fonte: PERH (1992)
Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas

O Plano de Gerenciamento de Águas das Bacias Metropolitanas cita que devido as


características físicas e econômicas destas Bacias a atividade agrícola não impõe grandes
demandas de irrigação, ao contrário de outras bacias do estado do Ceará

O Quadro 5.25 apresenta os dados referentes as demandas de irrigação nos anos de 2000,
2010 e 2020.
Quadro 5.25. Demanda de irrigação
Ano 2000 2010 2020
Área (ha) 1.234,48 8.545,30 10.645,34
Demanda de Irrigação (hm³/ano) 20,39 136,53 175,99

Plano Estadual de Recursos Hídricos (2005)

No PLANERH (2005) a demanda hídrica e sua projeção foram apresentadas para irrigação
através de duas abordagens distintas: perímetros públicos irrigados e áreas de irrigação
privadas, como tratado no Quadro 5.26.
Quadro 5.26. Demanda para irrigação – PLANERH (2005)
% Hídrica dos
Área Irrigada a ser Área total irrigada Demanda Hídrica
PPI em relação ao
Perímetros implementada (ha) (ha) (hm3/ano)
Estado
2000 2010 2020 2000 2010 2020 2000 2010 2020 2000 2010 2020
Público irrigados 105 1.036 72 105 1.141 1.213 1,99 21,58 22,94 0,27 1,18 0,69
Irrigação Privada 1.136 7.581 2.502 1.136 8.717 11.219 21,495 164,94 212,281 11,66 20,93 18,74
Total 23,48 186,52 235,221 11,93 22,11 19,43
Fonte: PLANERH (2005)

257
Pacto das Águas

O Pacto das Águas utilizou para a demanda de irrigação os valores disponibilizados pelo
PLANERH (2005)

5.5. A Evolução da Demanda nas Bacias Metropolitanas

A evolução da demanda nas bacias Metropolitanas foi verificada em relação à demanda


humana, industrial e de irrigação, por terem sido estas demandas trabalhadas pelos estudos
analisados.

O PERH (1992) levou em consideração os limites dos municípios que compõem a bacia
hidrográfica para a análise das ofertas e demandas de água. De forma diferente, os outros
planos consideraram os limites da própria bacia hidrográfica. Verifica-se que alguns valores
de demanda obtidos pelo PERH (1992) são divergentes dos demais estudos analisados, em
especial para irrigação.

No Quadro 5.27 e Figura 5.3, pode-se observar os resultados para a demanda nos quatro
estudos trabalhados.

Nota-se que as atividades relacionadas à irrigação são as que menos demandam água, em
virtude da sua diminuta área em relação à área das Bacias.

A indústria se concentra especialmente nesta região do Estado bem como os setores


produtivos, o que atrai a população, aumentando, assim, a demanda humana do Ceará.
Quadro 5.27. Evolução da demanda nas Bacias Metropolitanas
Plano das Bacias
PERH PLANERH Pacto das
Estudo Metropolitanas
(1992) (2005) Águas (2009)
(2000)
Demanda Humana (hm³/ano) 177,24 242,69 235,80 235,80
Demanda Irrigação (hm³/ano) 34,10 20,39 23,48 23,48
Demanda Industrial
110,00 117,65 152,10 152,10
(hm³/ano)
TOTAL 321,34 380,73 411,38 411,38
Fonte: PERH(1992), Estudo de Viabilidade do Eixo de Integração da Ibiapaba (2000), PLANERH
(2005) e Pacto das Águas (2009)

258
500

400
Volume (hm³/ano)

300

200

100

0
PERH (1992) Plano das Bacias PLANERH (2004) Pacto das Águas
Metropolitanas
Demanda Humana Demanda Irrigação
Demanda Industrial TOTAL

Figura 5.3. Evolução das demandas nas Bacias Metropolitanass

259
260
6. BALANÇO OFERTA X DEMANDA

261
6. BALANÇO OFERTA X DEMANDA

6.1. Introdução

Para a realização eficaz da gestão e do planejamento dos recursos hídricos de uma bacia faz-
se necessário o conhecimento dos processos físicos que ocorrem na área, da dinâmica do ciclo
hidrológico e do consumo de água pelos usuários. Ou seja, uma estimativa de toda a água que
entra e que sai do sistema. O Balanço hídrico pode ser tratado em termos de potencialidade,
disponibilidade hídrica, capacidade de armazenamento e demanda.

A potencialidade corresponde ao total de água precipitada na região, isto é, a vazão natural


média anual que é gerada ou medida em alguns pontos da Bacia utilizando-se postos ou
estações hidrométricas. Campos et al. (1997) citam que deste total precipitado, parte
corresponde ao potencial hidráulico móvel e parte ao potencial hidráulico localizado,
definidos no capítulo 4 deste estudo.

A parcela da potencialidade efetivamente aproveitada pelo homem por meio de ações de


intervenção representa o que se pode chamar de disponibilidade. As disponibilidades podem
ser resultado de intervenções superficiais ou subterrâneas.

A disponibilidade superficial corresponde ao maior percentual do potencial fluvial que pode


estar disponível por meio de reservatórios, os quais são construídos de acordo com as
características topográficas da região, pode-se dizer, desta forma que a disponibilidade
superficial representa a capacidade de armazenamento da bacia.

Para as águas subterrâneas, a disponibilidade refere-se ao volume de água que pode ser
explotado sem risco de exaustão do sistema aqüífero (COSTA, 1997), equivale portanto à
diferença entre a disponibilidade potencial e as demandas naturais, inclusive a evaporação.

Analisando-se as necessidades do sistema, isto é a quantidade de água exigida para as


atividades na área da bacia, tem-se a demanda e, portanto, o aporte de água que sai do
sistema. De posse desses dados e das informações sobre a quantidade de água que entra na
bacia hidrográfica é possível realizar o cálculo do balanço hídrico.

O presente capítulo apresenta o Balanço Hídrico das bacias Metropolitanas para a situação
atual de oferta e demanda. Para este estudo é utilizada a disponibilidade de água acumulada
nos reservatórios, contemplando a infra-estrutura hídrica existente e em implantação e as
demandas humana, industrial e de irrigação.

Como nos Planos de Recursos Hídricos que contemplaram esta Bacia e que analisados e
compilados no Capítulo 4 - Plano Estadual de Recursos Hídricos - PERH (1992); Estudo de
Viabilidade do Eixo da Ibiapaba (2000); Plano Estadual de Recursos Hídricos - PLANERH
(2005) e Pacto das Águas (2009) - os dados disponíveis permitem que seja trabalhado
somente o potencial hidráulico móvel, tendo em vista que são deficientes e, por vezes
inexistentes, as informações relacionadas ao potencial hidráulico fixo.

Seguindo-se a metodologia apresentada nesses Planos analisados, foram utilizados os


reservatórios com capacidade superior a 10 hm³ para a cômputo da disponibilidade superficial
e a captação de água por meio de poços instalados e em uso para cálculo da disponibilidade
subterrânea.
262
No que se refere as demandas, somente a demanda concentrada foi contemplada nos cálculos,
tendo em vista que poucas são as informações sobre as demandas difusas no estado do Ceará.

6.2. Disponibilidade

O estudo da disponibilidade hídrica é elemento primordial para apoiar e nortear o melhor


aproveitamento dos recursos hídricos de uma Bacia. A disponibilidade pode ser trabalhada em
termos de disponibilidade superficial e subterrânea.

6.2.1. Disponibilidade Superficial

O cálculo da disponibilidade superficial atual, para as Bacias Metropolitanas, foi realizado


utilizando-se o estudo de oferta hídrica referente aos reservatórios de maior porte (Quadro
6.1), capacidade superior a 10 hm³, por serem estes reservatórios capazes de transferir parte
do seu volume acumulado em determinado ano, para anos subseqüentes, o que o caracteriza
como um reservatório interanual.
Quadro 6.1. Reservatórios construídos ou em construção, com capacidade acima
de 10 hm³

Reservatórios Município Ano de Construção Capacidade

Amanary I Maranguape 1921 11.010.000


Acarape do Meio Redenção 1924 31.500.000
Pompeu Sobrinho (Choró) Cjoró 1934 143.000.000
Gavião Pacatuba 1973 32.900.000
Pacoti- Riachão Horizonte 1981 380.000.000
Catu-Cinzenta Aquiraz 2002 27.130.000
Cauhipe Caucaia 1999 12.000.000
Castro Itapiúna 1997 63.900.000
Pacajus Pacajus 1993 240.000.000
Malcozinhado Cascavel 2002 37.840.000
Batente Morada Nova 1998 28.900.000
Sítios Novos Caucaia 1999 126.000.000
Aracoiaba Aracoiaba 2002 170.700.000
Macacos Ibaretama 2007 10.320.337
Fonte: COGERH, 2009

A distribuição espacial dos reservatórios possui forte influência do programa de açudagem


iniciado pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), este programa
tinha como proposta de solução para a escassez de água no semi-árido a construção de infra-
estrutura de armazenamento. A Figura 6.1 mostra como estão dispostos os principais
reservatórios interanuais desta Bacia.

263
Figura 6.1. Localização dos principais reservatórios das bacias Metropolitanas

Os Planos de gerenciamento tem adotado para o cálculo de disponibilidade, vazões


regularizadas com 90% de garantia (Q90). Tais vazões são obtidas a partir da simulação de
séries históricas ou por meio de modelos chuva-deflúvio.

Para os reservatórios trabalhados, foram coletadas e compiladas as informações de vazão


disponíveis nos estudos analisados e descritos no Capítulo 4. O Quadro 6.2 apresenta os
valores do Q90 para estes reservatórios.

Além dos reservatórios, as bacias Metropolitanas são atendidas pelas águas provenientes da
transposição de bacias, através do Canal do Trabalhador, com a capacidade de adução
máxima de 5m³/s, segundo PLANERH (2005).

264
Quadro 6.2. Dados de vazão regularizada dos reservatórios das bacias Metropolitanas
Reservatórios Q90 (m³/s)
Amanary I 0,17
Aracoiaba 2,70
Acarape do Meio 0,15
Pompeu Sobrinho (Choró) 0,40
Gavião 0,62
Pacoti- Riachão 5,40
Catu-Cinzenta 0,21
Cauhipe 0,26
Castro 0,61
Pacajus 3,28
Malcozinhado 0,49
Macacos 0,10
Batente 0,37
Sítios Novos 1,70
Fonte: SRH, 2010.

6.2.2. Disponibilidade Subterrânea

No que diz respeito a disponibilidade subterrânea atual foram utilizados os dados disponíveis
no Projeto “Pacto das Águas” (INESP, 2009), por se tratar das informações mais recentes
compiladas e consolidadas sobre poços no Estado.

Através da utilização de 17.624 poços bombeando 8 horas/dia verifica-se que a


disponibilidade instalada nas Bacias Metropolitanas é de 91,9 milhões de m³/ano ou 2,914
m³/s, sendo para o Domínio Poroso Clástico (6.647 poços) 72,6 milhões de m³/ano, para o
Domínio Poroso Aluvionar (100 poços) 0,70 milhões de m³/ano e para o Domínio Cristalino
Fissural (2.231 poços) com 18,6 milhões de m³/ano.

6.3. Demanda

Os múltiplos usos da água podem ser classificados inicialmente em consuntivos


(abastecimento humano, animal, irrigação, indústria, psicultura e carcinicultura) e não-
consuntivos (geração de energia e navegação). Em vista dos dados analisados e do que se tem
disponível, neste estudo foram considerados apenas os usos consuntivas referentes às
demadas humana, industrial e de irrigação.

6.3.1. Demanda Humana

Para a demanda humana foram utilizados os dados disponíveis no cadastro de outorga da


COGERH (2010) referentes a demanda concedida para abastecimento humano no ano 2010.

Esta demanda, como citado anteriormente, não inclui as demandas difusas (dessedentação
animal, população rural e população urbana de localidades com menos de mil habitantes),
nem cenários de demandas de usos do tipo não-consuntivos (exemplo geração de energia,
pesca e recreação).

265
As bacias Metropolitanas concentram elevada porção da população, principalmente na capital,
Fortaleza, que é o grande pólo econômico do estado do Ceará.

O cadastro de outorgas válidas no ano 2010, da COGERH, apresenta uma demanda de


371,463 hm³/ano, ou 11,779 m³/s, de água para o abastecimento humano nas Bacias
Metropolitanas.

6.3.2. Demanda Industrial

A compatibilização das informações disponíveis nos Planos de Recursos Hídricos, abordados


no Capítulo 4, demonstra que são poucas as informações sobre a projeção da indústria nesta
Bacia. O PLANERH (2005) cita a não existência de um prognóstico para anos futuros no que
diz respeito a atividade industrial.

Devido às políticas de industrialização do Estado estas Bacias se destacam pelo grande


desenvolvimento de parques industriais, principalmente em Fortaleza, São Gonçalo do
Amarante (Pecém), Caucaia e Maracanaú.

Utilizou-se, para compor os cálculos do balanço hídrico, para o caso da demanda industrial os
valores do cadastro de outorga da COGERH para o ano 2010, os quais correspondem ao valor
de 118,827 hm³/ano ou 3,768 m³/s para a demanda industrial.

6.3.3. Demanda para Irrigação

Para a demanda referente a irrigação o PLANERH (2005) cita que, no caso dos perímetros
públicos, o Cenário 2010 foi trabalhado segundo estudos realizados, à época de sua execução,
pela Secretaria da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (SEAGRI), onde a implantação
de novos perímetros dependeria fundamentalmente da implantação da infra-estrutura
projetada, citada no Capítulo 4 do documento, a qual incrementaria os valores de oferta
hídrica. Estas informações serviram de base para o desenvolvimento deste Plano tendo em
vista não haver no Estado um estudo consolidado para a irrigação pública a longo prazo. No
caso da irrigação privada o PLANERH (2005) trabalhou as projeções utilizando uma taxa de
crescimento anual constante.

São poucos os projetos de irrigação públicos nesta Bacia, somente existindo perímetros
públicos estaduais e perímetros privados.

No entanto, parte da infraestrutura hídrica planejada pelo PLANERH (2005) para o Cenário
2010 não se concretizou. Segundo dados do cadastro de outorga da COGERH (2010), há uma
necessidade de 55,377 hm³/ano ou 1,756 m³/s de água para atendimento à demanda de
irrigação.

266
6.4. Balanço Hídrico

Contrapondo-se os valores de disponibilidade e de demanda, entrada e saída de água do


sistema, obteve-se um valor superavitário de 2,071 m³/s. Há que se lembrar que a oferta, neste
caso, reflete uma situação climática favorável, deste modo, o sistema apresenta boa situação
quanto ao aporte de água. Além da oferta das Bacias que compõem as bacias Metropolitanas,
ocorre, também, a importação de água da Bacia do Jaguaribe, por meio do Canal do
Trabalhador, o qual aduz 5 m³/s, segundo os Planos de Bacias, aumentando o superávit para
7,071 m³/s.

Os dados referentes às entradas no sistema resultam em 24,374 sendo 16,46 m³/s das águas
superficiais de reservatórios com 90% de garantia, 5,00 m³/s de águas de transposições,
atendendo, principalmente a irrigação ao longo do Canal do Trabalhador e o abastecimento
das comunidades próximas, e 2,914 m³/s do bombeamento de 8h/dia dos poços existentes
nestas Bacias.

Para as demandas referentes ao abastecimento, a indústria e a irrigação, tem-se uma


necessidade de 545,667 hm³/ano, o que corresponde a uma demanda total de 17,303 m³/s.

267
268
7. DIAGNÓSTICO DAS ENCHENTES

269
7. DIAGNÓSTICO DAS ENCHENTES

O escoamento superficial pode produzir inundações quando as águas dos rios e riachos saem
do leito de escoamento devido à falta de capacidade de transporte do mesmo, ocupando áreas
das várzeas. Estes eventos podem ser dar pelo comportamento natural dos rios (enchentes) ou
por ações antrópicas, processos estes que podem ocorrer isoladamente ou combinados
entre si.

Quando ocorrem precipitações de grande intensidade e o solo não tem capacidade de infiltrar
na mesma taxa, grande parte do volume de água escoa para o sistema de drenagem, superando
sua capacidade natural de escoamento. O excesso do volume que não consegue ser drenado
ocupa a várzea, inundando-a de acordo com a topografia das áreas próximas ao rio. Essas
enchentes ocorrem pelo processo natural, no qual o rio escoa pelo seu leito maior. Algumas
condições naturais afetam em maior ou menor grau a ocorrência de enchentes: forma da bacia,
relevo, cobertura vegetal, tipo de precipitação, entre outras.

Dependendo do grau de ocupação das áreas ribeirinhas pela população, as quais se


configuram em áreas de risco, os impactos podem ser devastadores, notadamente quando a
freqüência das inundações é baixa. Desprezando o risco, a população aumenta
significativamente o investimento e o adensamento das áreas inundáveis. Estas situações se
dão, em geral, devido às seguintes ações:
− nenhuma restrição quanto ao loteamento de áreas sujeitas à inundação (leito maior do
rio). A seqüência de anos sem enchentes é razão suficiente para loteamento das
referidas áreas pelo setor imobiliário;
− invasão de áreas ribeirinhas, pertencentes ao poder público, pela população de baixa
renda; e
− ocupação das áreas de risco médio, atingidas com uma freqüência menor, mas quando
o são, sofrem prejuízos significativos.
7.1. A Problemática Das Enchentes E Inundações Nas Bacias Metropolitanas

Dentre as áreas com riscos de inundações observadas no território das Bacias Metropolitanas
constata-se maior expressividade na Região Metropolitana de Fortaleza, onde a ocupação
indiscriminada ao longo da rede de drenagem tem se tornado cada vez mais intensa,
principalmente pela proliferação de favelas nas margens dos cursos d'água que banham a área
urbana (Figura 7.1). Esse processo de ocupação se mostra crescente e tem contribuído
significativamente para exacerbar a incidência das enchentes, através do assoreamento dos
cursos d'água causado pela remoção da cobertura vegetal marginal e pelo lançamento de lixo
e outros dejetos nesses ambientes.

270
Figura 7.1. Ocupação urbana da bacia do Rio Maranguapinho
As enchentes contribuem para agravar ainda mais a situação das comunidades localizadas em
áreas de risco, favorecendo o aumento dos índices de doenças, principalmente aquelas de
veiculação hídrica, acarretando problemas de saúde pública.

À exceção das bacias dos sistemas Ceará/Maranguape e Cocó/Coaçu (Figura 7.2), que geram
problemas à população ribeirinha em virtude de enchentes periódicas não foi detectada a
ocorrência de alagamentos significativos de áreas urbanizadas nas demais bacias da região
estudada.

271
a)

b)

Figura 7.2. Inundação na bacia do Rio Cocó, nas imediações do Aeroporto


Internacional Pinto Martins – Fortaleza
7.2. Análise Dos Dados Fluviométricos

De acordo com o Capítulo 2, as Bacias Metropolitanas contam com 23 estações


fluviométricas cadastradas no banco de dados HIDROWEB da Agência Nacional de Água –
ANA. O PERH (1992), quando da análise destas estações, concluiu que apenas 6 das 35
reúnem dados que permitem obter séries de vazões, seja pela simples ausência de dados ou
por outras causas que contribuem decisivamente para tal situação, como: a existência de

272
medições de cotas médias diárias sem que exista a curva-chave correspondente, ou medições
de descarga que possibilitem sua obtenção no período observado de cotas; ou a existência de
medições de descarga que possibilitam a obtenção da curva-chave, porém sem que haja
registros de cotas médias diárias que permitam a obtenção de séries de vazões.

Os seis postos fluviométricos que apresentam dados aproveitáveis para a bacia pertencem a
ANA (Quadro 7.1), estando dois deles (Sítios Novos e Corozinho) desativados, com o
restante sendo operado pela CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais.
Quadro 7.1. Estações Fluviométricas das Bacias Metropolitanas
Rio ou
Estação Código Município Latitude Longitude Respons. Operadora
Riacho
Barra Nova 35740000 Pacoti Redenção -04:11:36 -038:46:47 ANA CPRM
Caio Prado 3583000 Choro Itapiuna -04:37:27 -038:54:36 ANA CPRM
Chorozinho 35880000 Choro Chorozinho -04:18:00 -038:29:00 ANA Desativada
Cristais 35950000 Pirangi Cascavel -04:29:59 -038:21:40 ANA CPRM
São São Gonçalo
Sítios Novos 35650000 -03:44:59 -038:57:18 ANA Desativada
Gonçalo do Amarante
Umarituba São São Gonçalo
35668000 -03:40:14 -038:58:57 ANA CPRM
Nova Gonçalo do Amarante
Fonte: ANA (site-2/12/2009)

A localização das estações ativas pode ser observada na Figura 7.3.

Estes postos consistem em estações fluviométricas básicas, de operação regular com duas
leituras diárias de régua, as 7 e 17h. Os dados são apresentados na forma de vazões diárias em
m³/s (médias diárias), monitorando os rios São Gonçalo, e Choró, com duas estações cada, e
os rios Pacoti e Pirangi, com uma estação cada.

As Figuras 7.4 a 7.7 apresentam os valores dos volumes totais anuais escoados durante o
semestre da estação úmida (janeiro a junho) para as estações fluviométricas de Barra Nova,
Caio Prado, Cristais e Umarituba Nova.

273
Figura 7.3. Localização das estações fluviométricas de Barra Nova, Caio Prado, Cristais e Umarituba Nova

274
Figura 7.4. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Umarituba Nova

Figura 7.5. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Barra Nova

275
Figura 7.6. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Cristais

Figura 7.7. Volume escoado durante a estação úmida (janeiro – junho) na estação
fluviométrica de Caio Prado
Estão destacados em vermelho, nas Figuras 7.4 a 7.7, os anos de 1974, 1985, 1986 e 2009,
que, de maneira geral, apresentaram os maiores volumes escoados para os anos avaliados.
Tratam-se de anos reconhecidamente extremos, onde, em alguns casos, os volumes escoados
foram mais de 6 vezes superiores à média histórica, e causaram grandes prejuízos.

Entretanto, em se tratando de Semi-Árido, o volume total escoado no primeiro semestre do


ano não responde sozinho pelos estragos causados pelas terríveis enchentes que se originam,
invariavelmente, das chuvas intensas. Se assim o fosse, o ano de 2004 (circulado em verde) –
célebre pelos inúmeros arrombamentos de açudes em todo o Nordeste – não ocuparia uma
modesta oitava posição dentre os mais chuvosos nos postos Barra Nova, Caio Prado e
276
Umarituba Nova (Cristais não apresenta dados para 2004). Pelo contrário, no que se refere ao
volume total escoado (no primeiro semestre do ano), é considerado um ano “normal” ou
levemente acima da média, com valores variando de 116% (Umatituba Nova) a 264%
(Caio Prado). Nesse ano houve uma concentração das chuvas durante curtos espaços de tempo
– dias - principalmente durante os meses de janeiro e fevereiro, encontrando o solo saturado e
ocasionando grandes picos de cheia.

O aumento da ação impermeabilização do solo devido à urbanização, principalmente na RMF


agravam o perigo das cheias, causando inundações. Chuvas que outrora causavam pouco ou
nenhum estrago, atualmente podem ocasionar grandes riscos e prejuízos (Figura 7.8).

Figura 7.8. Bairro Aerolândia em Fortaleza (07/03/2004)


Quando se combina condições meteorológicas extremas com a alta taxa de urbanização
apresentada atualmente, o resultado são inundações de grandes proporções, como a que
ocorreu em 2009. Por se tratar de um caso extremo e recente, esse evento será analisado mais
detalhadamente no item seguinte.

7.3. As Cheias E Inundações De 2009 Nas Bacias Metropolitanas

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia – FUNCEME, duas situações distintas de


anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) marcaram a evolução térmica dos
oceanos Pacífico e Atlântico Tropicais no ano de 2009.

Em janeiro de 2009, uma situação típica de La Niña predominava no Pacífico Tropical


(Figura 7.9), com águas mais frias que o normal (indicado na cor azul), enquanto no
Atlântico, predominavam anomalias positivas (cor laranja) no setor norte da bacia, e em torno
da média, abaixo do Equador (cor branca). Nos meses de março, abril e maio, representados
por março na Figura 7.10, a condição de La Niña, no Pacífico Tropical, desintensificou-se.
Entretanto, no Atlântico tropical, a situação térmica evoluiu para um quadro associado à
ocorrência de chuvas mais intensas no Nordeste do Brasil, com anomalias positivas de TSM
(representado na cor laranja) no setor sul da bacia, e negativas (azul) a/em torno da média
(branco) no setor norte desta, característica que persistiu até maio de 2009. Essas

277
características térmicas foram responsáveis pela descida e localização da Zona de
Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o norte da região Nordeste, causando chuvas
intensas nessa região, a qual se encontra inserida as Bacias Metropolitanas.

Figura 7.9. Anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de janeiro de 2009


Fonte: www.funceme.br

Figura 7.10. Anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de abril de 2009


Fonte: www.funceme.br

Como resultado desse panorama meteorológico, o Ceará enfrentou um dos anos mais
chuvosos de sua história, onde diversos de seus rios atingiram níveis não registrados desde
1974. Segundo dados da Defesa Civil, em todo o Estado, quase 600 mil pessoas foram
afetadas pelas enchentes, contabilizando 4.933 desabrigados , 16.259 desalojados e 20 1 2

mortos. As Bacias Metropolitanas contabilizaram 949 desabrigados, 3.682 desalojados e 4


mortos, afetando 170.571 pessoas, como mostra o Quadro 7.2.

1
Desabrigado - Desalojado ou pessoa cuja habitação foi afetada por dano ou ameaça de dano e que necessita de abrigo provido pelo Sistema.
2
Desalojado - Pessoa que foi obrigada a abandonar temporária ou definitivamente sua habitação, em função de evacuações preventivas,
destruição ou avaria grave, decorrentes do desastre, e que, não necessariamente, carece de abrigo provido pelo Sistema.

278
Quadro 7.2. Quadro Demonstrativo dos Municípios Atingidos por Intensas
Precipitações Pluviométricas nas Bacias Metropolitanas
Feridos Residências Nº de
P SE ou Desabr Desaloja
Município Mortos Danifica Pessoas
(mm) ECP Leves Graves Destruídas igados dos
das Afetadas
Aquiraz 1886 SE
Aracoiaba 1017 SE
Aratuba 1390 SE 2 13 9265
Barreira 1320 SE 38 4 96 9881
Beberibe 1658 SE 25 120
Canindé 1135 SE 1 779 36 130 180 22330
Capistrano 941 SE 64 14 82 766 8321
Cascavel 2263 SE 4 13 10 77 105 876
Caucaia 1761 20 400 20 80 1100
Choro 856 SE 35 9 32 170 4123
Chorozinho 1353 SE 7 5 5 194 3645
Eusébio 1760 SE
Fortaleza 1722 3 93 15 296 39596
Fortim 1672 SE
Guaramiranga 1645 SE
Horizonte 1664 SE 240
Ibaretama 860 SE 110 15 60 440 4324
Itapiúna 864 SE 55 10 30 55 2576
Maranguape 1509 20
Morada Nova 799 SE 1 989 6 58 888 10355
Mulungu 1268 SE 30
Ocara 1326 SE 3595
Pacajus 1671 SE 8200
Pacoti 1656 SE 2 580 85 0 3015
Palhano 1165 SE 120 3500
Palmacia 1775 SE 45 54 216 179 6806
Paracuru 1753 50 15 20 300 420
Pentecoste 1310 SE 3541
Pindoretama 2012 SE
Quixadá 536 SE 17600
Redenção 1517 SE 4
Russas 1111 SE 2 13 18 5050
S. G. do
1626 SE 115 96 59 2038
Amarante
Total 29 4 26 - 3441 407 949 3682 170571
Fonte: COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL - CEDEC (10/07/2009)

279
De acordo com algumas visitas a campo, complementadas com os Relatórios de Avaliação de
Danos (AVADAN) feitos pela Defesa Civil, os municípios mais atingidos pelas enchentes nas
Bacias Metropolitanas no ano de 2009, com as respectivas causas das enchentes, são as que se
seguem:
• Aracati
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1.574,0 mm, 86% acima da
média histórica do município para o período, que é de 845.0 mm, quadro agravado pela pela
abertura das comportas do Açude Castanhão e pelo deficiente sistema de drenagem da zona
urbana do município.
• Aratuba
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1.281 mm, de modo mais intenso
em maio, cujas chuvas totalizaram 448 mm, 45% da média prevista para o mês, que é de 308
mm, quadro agravado pela ocorrência do grande volume hídrico, em municípios localizados a
montante da região, saturação do solo, conseqüentes deslizamentos e processos erosivos.
• Cascavel
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 2.223 mm, 99 % acima da média
histórica para o período, que é de 1.116 mm, em especial nos meses de abril e maio, agravado
pela sangria e o arrombamento de açudes, bem como, a cheia do Rio Choró, cuja calha
alterada ficou 1 metro acima da calha normal que é de 1.50 metros e demais riachos que
banham o município.
• Choró
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 752 mm, 59 % da média
histórica do município para o período, que é de 444 mm, em especial entre os dias 24 e 25 de
abril, agravado pela sangria do Açude Pompeu Sobrinho, e o arrombamento de outros açudes.
Tais episódios causaram a cheia dos rios Caiçarinha e Cangati, cujas calhas atingiram em
média 2,10 metros acima de suas calhas normais.
• Chorozinho
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 984 mm, 58 % acima da média
histórica do município para o período, que é de 571.6 mm, situação agravada pela cheia do
Rio Choro, cuja calha ficou 2.47 metros acima da calha normal, que é de 2.60 metros.
• Fortaleza
A Guarda Municipal de Fortaleza e a Defesa Civil elaboraram em 2009 um mapeamento
completo com os bairros envolvidos com as áreas de risco, bem como as famílias que
poderiam ser atingidas pelos desastres. Para preparar a cidade e prevenir alagamentos, a
Coordenadoria Municipal da Defesa Civil elaborou o mapeamento descrito acima, vistoriou
150 canais para limpeza, além de açudes, lagoas e rios para serem executadas pelas
Secretarias Executivas Regionais (SERs). Nas visitas são observados assoreamento,
vegetação, entulho, lixo e principalmente as ocupações irregulares.

280
Em 2009, a Prefeitura de Fortaleza erradicou três áreas de risco: Lagoa da Zeza, Vila
Cazumba e Lagoa do Jacareí, totalizando 1.126 famílias que foram transferidas para a Vila
Maria Tomázia no Jangurussu.
• Horizonte
Intensas e freqüentes precipitações pluviométricas registradas no decorrer da quadra chuvosa
2009, que até o momento totalizam 1.663,6 mm, o que representa 65.9 % acima da média
histórica prevista para o período que é de 1.002,6 mm.
• Mulungu
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1.164 mm, 35,7 % acima da
média prevista para o período, que é de 858 mm, concentradas no mês de maio, quadro
agravado pela ocorrência de grande volume hídrico em municípios localizados à montante da
região na bacia, saturação do solo e conseqüentes deslizamentos e processos erosivos.
• Itapiúna
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 864.0 mm, 18 % acima média
prevista para o período, que é de 732,0 mm, quadro agravado pela ocorrência de chuvas
intensas em curto espaço de tempo a montante do município, ocasionando a sangria
simultânea e o arrombamento de açudes, bem como a saturação do solo.
• Ibaretama
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1028.1 mm, 43.3 % acima da
média histórica do prevista para o período, que é de 717.6 mm, quadro agravado pela
ocorrência de chuvas intensas, concentradas em poucos dias no mês de maio, no município e
nas áreas a montante do município na bacia, situação agravada pela sangria e arrombamento
de açudes, bem como pela cheia do Rio Pirangi.
• Pacajus
Intensas e freqüentes precipitações pluviométricas registradas no decorrer da quadra chuvosa
2009, que até o momento totalizam 1.618,8 mm, o que representa 132.6 % acima da média
histórica prevista para o período que é de 695.9 mm, tendo como complicador a ocorrência de
chuvas intensas em municípios localizados a montante do município, bem como, saturação do
solo, sangria de açudes e cheia dos riachos que banham o município.

Em Umari a comunidade ficou isolada por 60 dias. Lá há uma ponte prestes a cair, foi
interditada. Aldeia Park recebe sangria do açude Cacimbão.
• Pacoti
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1.565 mm, 36,4% acima da
média histórica prevista para o período que é de 1.147.7 mm, de modo mais intenso no mês de
maio, quadro agravado pela ocorrência de fortes chuvas em municípios situados à montante
na bacia, bem como, saturação do solo, conseqüentes deslizamentos, cheia do rio Pacoti e
demais riachos que banham a região.

281
• Pindoretama
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1977.0 mm, 140,7 % da média
histórica do município para o período, que é de 821.4 mm, quadro agravado pela ocorrência
de chuvas intensas em curto espaço de tempo, ocasionando a cheia dos riachos Caponga
Funda e Mal cozinhado.
• Redenção
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1516.7 mm, 66,3 % acima da
média prevista para o período, que é de 912.1 mm, concentradas no mês de maio, quadro
agravado pela ocorrência de grande volume hídrico em municípios localizados à montante da
região na bacia, a conseqüente saturação do solo com ocorrência de deslizamentos.
• São Gonçalo do Amarante
Chuvas intensas em curto espaço de tempo, com um total de 1.590.2 mm, 76,9 % acima da
média histórica do município para o período, que é de 899.0 mm, quadro agravado pela
ocorrência de chuvas intensas em curto espaço de tempo, ocasionando a sangria e o
rompimento de açudes, bem como a cheia dos Rios Mocó, São Gonçalo e Curu.
• Principais Áreas de Risco
Dentre as áreas com riscos de inundações nas Bacias Metropolitanas constata-se maior
expressividade na Região Metropolitana de Fortaleza, onde se destacam as seguintes áreas
críticas: Lagoa do Zeza, Lagoa do Tijolo, Lagoa do Gengibre, Baixada Itaperi, Ancuri, Lagoa
do Gavião, Boa Vista e Parque São Miguel, na Bacia do Cocó/Coaçu; e Ilha Dourada, João
XXIII, Genibaú, Autran Nunes, Granja Portugal, Bom Jardim e Canindezinho, na Bacia do
Ceará/Maranguape.

Nas bacias do Cauhipe e Uruaú observa-se a ocorrência de alagamentos nos trechos de


montante do Lagamar do Cauhipe e da Lagoa de Uruaú, respectivamente. O trecho de
alagamento na Bacia do Uruaú estende-se por cerca de 10,0 km pelos córregos do Moreira e
do Cajueiro, contribuintes da lagoa. Os trechos de inundação nas bacias do Pacoti e Choró
restringem-se às regiões de baixo curso, em áreas de mangue situadas próximo à foz.

Dentre as bacias com áreas rurais sujeitas a inundações periódicas, aponta-se a Bacia do
Pirangi como aquela que apresenta maiores trechos inundáveis ao longo do percurso do rio
principal e de alguns tributários. Esses trechos correspondem à área de entorno do manguezal
existente na região de baixo curso, que vai da foz até a localidade de Várzea da Serra e em seu
tributário, riacho Umburanas, até as localidades de Tingui e Umburanas; à região de médio
curso do rio principal, estendendo-se das proximidades da comunidade de Quinxinxé, no
encontro do rio Pirangi com o riacho Feijão, até a localidade de Santa Clara, no encontro com
o riacho dos Macacos; um pequeno trecho na localidade de Pirangi; trechos dos riachos São
Paulo e Boa Vista; trechos do Riacho Cipó até a localidade do Cedro; e pequenos trechos do
rio principal até a localidade de Oriente.

282
O Quadro 7.3 apresenta as áreas com maior risco de enchentes, segundo a Defesa Civil,
dentro das Bacias Metropolitanas que não fazem parte da RMF.
Quadro 7.3. Áreas vulneráveis aos desastres decorrentes do excesso de precipitações
pluviométricas nas Bacias Metropolitanas
Município Áreas de Risco
Bairros N. S. de Lourdes, N. S. de Fátima, Centro, Farias Brito, Campo
Verde, Várzea da Matriz, Aterro, Córrego da Priscila, Beira Rio e Distritos
Aracati
Sede Rural, Córrego dos Fernandes, Sta. Tereza, Cabreiro, Barreira dos
Vianas e Cacimba Funda.
Aratuba Toda Área do Distrito Pai João
Bairros Jardim Primavera, Parque Juarez Queiroz e Distritos Caponga,
Cascavel
Cristais, Jacaré, Ocara e Pitombeiras
Zona Urbana, Ruas Sebastião Brasilino de Freitas, José Baltazar Filho e
Choró
Distritos Barbada, Caiçarinha, Maravilha e Monte Castelo
Bairros Centro, Requeijão e Distritos Cedro, Triangulo, Campestre, Patos dos
Chorozinho
Liberatos e Timbaúba dos Marinheiros
Bairros Planalto Horizonte, Diadema, Mal Cozinhado, Gameleira, Centro,
Horizonte
Mangueira, Lagoinha e Distritos Aningas, Dourado e Queimadas
Mulungu Distrito Sede Rural
Itapiúna Bairros Centro e Distritos Caio Prado, Itans e Palmatória
Ibaretama Distritos Pedra e Cal, Oiticica, Nova Vida, Pirangi e Sede Rural
Pacajus Distritos Itaipaba e Pascoal
Pindoretama Distrito Sede Rural
Redenção Distritos Antonio Diogo, Barra Nova, Faisca e Guassi
São Gonçalo Bairros Centro, Parque Olaria, Passagem e Distritos Umarituba, Croatá,
do Amarante Taba, Serrote
Fonte: DEFESA CIVIL

A Figura 7.11 apresenta as áreas urbanizadas dos municípios com risco de enchentes e
inundações nas Bacias Metropolitanas.

283
Figura 7.11. Áreas urbanas dos municípios com risco de enchentes e inundações nas Bacias Metropolitanas

284
As Figuras 7.12 e 7.13 apresentam as inundações decorrentes das chuvas de 2009 nos
município de Ibaretama e Horizonte, respectivamente.

Figura 7.12. Inundação na sede do município de Ibaretama (maio de 2009)

Figura 7.13. Marca deixada pela inundação no município de Horizonte (maio de 2009)

285
7.4. Medidas De Prevenção A Inundações

As medidas de prevenção a inundações podem ser divididas em medidas estruturais e não-


estruturais, que, dificilmente, estão dissociadas.

7.4.1. Tipos de Medidas

7.4.1.1. Medidas Estruturais

As medidas estruturais são medidas essencialmente construtivas, que envolvem


planejamentos de longo prazo, as quais modificam o sistema fluvial. Entretanto, necessitam
da devida aprovação por parte dos órgãos governamentais, o que por sua vez depende da
contratação de empresas de projeto e construção, requerendo grandes volumes de recursos
financeiros, além da formalização de procedimentos de operação e manutenção. Dentre
algumas medidas de caráter estrutural, pode-se citar a construção de açudes com a finalidade
para amortecimento de cheias, diques de proteção, canalização, construção de bacias do tipo
sedimentação, que tem por finalidade evitar o assoreamento do córrego e canais a jusante, e
que requer constante manutenção. As medidas estruturais, além de envolver grande
quantidade de recursos, resolvem somente problemas específicos e localizados

7.4.1.2. Medidas Não-Estruturais

As medidas não-estruturais defendem a melhor convivência da população com as enchentes e,


ao contrário das estruturais, não envolvem grandes somas de dinheiro, podendo ser
implementadas por associações, indivíduos ou empresas privadas. As medidas não-estruturais
tendem a ser mais adequadas a áreas rurais e de caráter preventivo, enquanto as estruturais
tendem a ser mais adequadas a áreas urbanas e são de caráter mitigatório. Dentre elas, pode-se
citar: evacuação temporária da região afetada, zoneamento da área da várzea, previsão,
sistema de alerta, aumento da capacidade de escoamento do canal (dragagem), controle do uso
do solo, controle de erosão e reflorestamento.

No caso específico do zoneamento, este é baseado no mapeamento das áreas de inundação


dentro da delimitação das maiores cheias registradas. Dentro dessa faixa, são definidas áreas
de acordo com o risco e com a capacidade hidráulica de interferir nas cotas de cheia a
montante e a jusante. A regulamentação depende das características de escoamento,
topografia e tipo de ocupação dessas faixas. O zoneamento é incorporado pelo Plano Diretor
Urbano da cidade e regulamentado por legislação municipal específica ou pelo Código de
Obras. Para as áreas já ocupadas, o zoneamento pode estabelecer um programa de
transferência da população e/ou convivência com os eventos mais freqüentes.

Na área de inundação, não deve ser permitida qualquer ocupação. Entre essa área e os limites
da planície de inundação, podem ser permitidos usos que resultem em baixas taxas de
ocupação, tais como: parques, áreas de esportes, áreas de preservação, vias de transporte que
possam ser fechadas temporariamente, construções com estruturas abertas para suportar as
inundações; culturas agrícolas, etc.

O sistema de alerta tem a função de prevenir com antecedência de curto prazo, reduzindo os
prejuízos, pela remoção, dentro da antecipação permitida. Além disso, o sistema de alerta é
fundamental para os eventos que atingem raramente as cotas maiores, quando as pessoas
sentem-se seguras.

286
Uma questão fundamental para que estas medidas não-estruturais tenham sua eficácia é a
educação ambiental, pois a participação da comunidade como um todo poderá mudar os
hábitos da população permanentemente. É preciso ter claro que o lixo jogado nas ruas, diante
de uma chuva forte são os primeiros a serem carreados e entupirem bueiros, galerias e canais,
dificultando e até impedindo o escoamento das águas, agravando os efeitos da cheia nas
populações que ocupam as áreas de perigo.

7.4.2. Medidas de Combate a Inundações nas Bacias Metropolitanas

Por ser a maior e mais densamente ocupada área da bacia, a Região Metropolitana de
Fortaleza (RMF) também é a região onde os efeitos das enchentes são mais críticos. Dessa
forma, as medidas de combate a inundações da bacia têm como principais alvos as bacias dos
rios Cocó e Maranguapinho, que são dois principais eixos macrodrenantes da RMF.

Dentre os principais projetos de combate a enchentes na RMF, destaca-se o Projeto de


Melhorias Urbana e Ambiental do Rio Maranguapinho – PROMURB Maranguapinho. Este
projeto visa atender a população de baixa renda afetada pelas cheias do Rio Maranguapinho,
realocando e abrigando as famílias em locais adequados. (Figura 7.14).

Figura 7.14. Ocupação das margens do Rio Maranguapinho antes do PROMURB


O Promurb Maranguapinho irá beneficiar diretamente 4.985 famílias. Deste total, 3.480 serão
transferidas para 8 conjuntos habitacionais em construção; 752 farão permuta e 753 receberão
indenizações.

São apartamentos de 43 metros quadrados construídos próximas as áreas hoje ocupadas pelas
famílias ribeirinhas, mas longe das faixas de risco. Em Fortaleza, serão construídas
576 unidades no Oscar Araripe, 336 unidades no Jardim Fluminense, com 1.536 unidades no
Açude da Viúva I, 492 unidades no Açude da Viúva II e 200 unidades em terreno a ser

287
definido. Ainda serão construídas mais 108 unidades em Maracanaú, 132 unidades em Santo
Sátiro e 100 unidades em Maranguape.

Além da realocação das famílias residentes nas áreas de risco, o Promurb Maranguapinho
também prevê a dragagem do Rio Maranguapinho, a construção da Barragem Maranguapinho
de Controle de Cheias, a construção de vias de delimitação das faixas de preservação do rio e
a urbanização das áreas remanescentes ao longo da faixa de preservação.

A dragagem do Rio Maranguapinho percorrerá um trecho de aproximadamente 23.516,91m,


entre a favela Ilha Dourada (no Bairro Quintino Cunha em Fortaleza), até a soleira da futura
Barragem Maranguapinho (em Maracanaú). Esse procedimento se faz necessário devido à
presença de bancos de terra e entulho formado pelo lançamento desordenado de lixo no leito
do Maranguapinho e erosão das suas margens devido à inexistência de mata ciliar e, até
mesmo, retirada proposital de areia do leito do rio para fins de mineração irregular. O volume
global dos serviços de dragagem está estimado em 408.782,72 m³.

A construção de uma barragem no leito do rio em Maracanaú vai permitir o controle das cheias e
reduzir o alcance dos alagamentos. O reservatório de 9.350.000 m³ permitirá reter a água e
liberá-la aos poucos, diminuindo o risco de enchentes. O projeto utilizou um período de retorno de
20 anos (TR =20 anos) para avaliação da faixa de inundação marginal do Rio Maranguapinho e
estimativa da população atingida pela cheia (PROMURB – Maranguapinho, 2008) (Figura 7.15).

Figura 7.15. Faixas de inundação do Rio Maranguapinho com e sem a construção da


Barragem Maracanaú (Fonte: PROMURB – Maranguapinho, 2008)
Ainda dentro do projeto, um calçadão com equipamentos de lazer vai demarcar a área de
proteção do rio e evitar uma nova ocupação das margens. Da Av. Mister Hull ao município de
Maracanaú, o calçadão terá 23 quilômetros. Para todo o PROMURB Maranguapinho, que está
dividido em 5 trechos, serão investidos um total de 315 milhões de reais, provenientes do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Tesouro do Estado.

288
Na sub-bacia do Rio Cocó também está prevista a implementação de um projeto de combate a
inundações - o Projeto de Melhorias Urbana e Ambiental do Rio Cocó – PROMURB Cocó
(Governo do Estado do Ceará/Secretaria das Cidades, 2008). Assim como o PROMURB
Maranguapinho, este projeto visa atender a população de baixa renda afetada pelas cheias do
Rio Cocó, realocando e abrigando as famílias em locais adequados, além de um conjunto de
ações estruturais e não estruturais na área da habitação popular e no saneamento ambiental
destacando-se a proposição de um novo modelo de gestão e convivência com as cheias
urbanas.

O PROMURB Cocó prevê para o Rio Cocó a construção de uma barragem de controle de
cheias e na dragagem da calha principal do rio, no boqueirão localizado junto à ETE do
Conjunto Palmeiras, adjacente à CHESF. No projeto do reservatório de 8,41 hm³, utilizou-se
um período de retorno de 20 anos (TR=20 anos) para avaliação da faixa de inundação
marginal do Rio Cocó e estimativa da população atingida pela cheia.

Quanto aos serviços de dragagem do Rio Cocó, o objetivo é a desobstrução do fluxo da água
de drenagem que escoa pela sua calha principal e pelo Canal da Aerolândia, o qual recebe as
águas dos canais das avenidas Aguanambi e Eduardo Girão, ampliando e recuperando a
profundidade útil destas calhas fluviais e artificiais, devido ao assoreamento provocado pelo
carreamento de areia e pelo lançamento de detritos e lixo nas calhas dos mesmos, os quais
tiveram sua altura útil de lâmina d’água reduzida, provocando transbordamentos e inundações
nas áreas adjacentes por ocasião das chuvas. O volume total de dragagem previsto é de
488.260,31 m³.

No total serão beneficiadas, aproximadamente 16.610 famílias, das quais 888 famílias serão
beneficiadas diretamente com novas habitações, através do Programa PREURBIS da
Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Para todo o PROMURB Cocó serão investidos cerca de R$ 76 milhões, onde


aproximadamente R$ 57 milhões serão provenientes do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e R$ 19 milhões do Tesouro do Estado.

Outra medida não-estrutural de combate a enchentes na bacia, é o sistema de previsão de


chuvas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), que na
cidade de Fortaleza, dispõe de um radar meteorológico do tipo Doppler X com alcance de 30,
60 e 120 km para acompanhar a formação e o deslocamento de tempestades, com o objetivo,
entre outros, de acionar a defesa civil.

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290
8. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DA
BACIA METROPOLITANA

291
8. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DAS BACIAS
METROPOLITANAS

A avaliação ambiental da bacia se caracteriza por uma leitura dos diversos aspectos que
compõem o meio ambiente, resultando no retrato do uso que se faz do espaço físico da bacia.

Para avaliar as condições ambientais na bacia, os aspectos abordados serão: uso atual do solo,
uso das águas, situação das matas ciliares, qualidade da água, identificação das fontes
poluidoras, identificação das reservas ecológicas, áreas de preservação, unidades de
conservação (existentes e potenciais) e identificação de áreas degradadas.

A avaliação ambiental deve ser concebida antes de tudo como um instrumento preventivo de
política pública e só se torna eficiente quando se constituir num elemento de auxílio à decisão,
uma ferramenta de planejamento e concepção de projetos para que se efetive um
desenvolvimento sustentável.

8.1. Uso Atual Do Solo

Os aspectos a serem estudados envolvem principalmente as áreas mais próximas ao canal


fluvial, devido sua importância para o funcionamento da bacia hidrográfica e alterações da
dinâmica ecológica no panorama sócio-ambiental.

O método de abordagem adotado é o sistêmico, uma vez que considera a paisagem como
resultante da combinação dinâmica de elementos físicos, biológicos e antrópicos, os quais
reagem dialeticamente uns sobre os outros.

As Bacias Metropolitanas abrangem 31 municípios e estes, podem ser dividos em 4 regiões


geográficas, com características semelhantes. São elas: Região da Serra abrangendo os
municípios de Aratuba, Mulungu, Guaramiranga, Pacoti, Palmácia, Baturité, Barreira,
Redenção e Acarape. Região do Sertão abrangendo os municípios de Aracoiaba, Itapiúna,
Ibaretama, Ocara, Choró e Capistrano. A Região do Litoral abrangendo os municípios de
Aquiraz, Pindoretama, Eusébio, Cascavel e Beberibe e a Região Metropolitana abrangendo
Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Maracanaú, Pacatuba, Maranguape, Itaitinga,
Guaiúba, Horizonte, Pacajus e Chorozinho.

Ainda de um modo geral, a maior parte do território das Bacias Metropolitanas estão
assentados no embasamento cristalino, cobertos predominantemente, por uma vegetação de
caatinga arbustiva densa, sendo bastante comum a presença de campos de macegas e
capoeiras, em substituição a vegetação de maior porte erradicada.

As atividades agrícolas estão bastante reduzidas e localizadas, apresentando um predomínio


de cultivos de subsistência (milho, feijão e mandioca) e capineiras, em função da baixa
disponibilidade de água, fruto da irregularidade das chuvas, aliado a baixa vocação para
recursos hídricos subterrâneos.

Além disso, não há reposição de nutrientes dos solos, pois as áreas de pequena produção são
exploras até a exaustão, após isso, são entregues aos fatores diagenéticos do solo, para sua
gradual e lenta reconstituição ou continuam sendo exploradas com culturas menos exigentes
em termos de fertilidade, mesmo assim com baixo rendimento. O mais comum, no entanto, é
a incorporação de novas áreas ao processo produtivo para, por sua vez, sofrerem o mesmo

292
desgaste. É o predomínio da chamada agricultura itinerante. Vale observar que esse tipo de
agricultura é responsável em grande parte pelo intenso desmatamento provocado na região.

A prática da agricultura de vazantes, ao longo dos cursos e mananciais d´água é bastante


difundida na região, com estes apresentando suas matas ciliares em grande parte degradadas
ou substituídas por cultivos agrícolas.

O Estado do Ceará, numa construção conjunta entre vários órgãos públicos, elaborou uma
minuta de Decreto sobre vazantes para ordenar o uso dos açudes públicos. A minuta já foi
aprovada pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CONERH), contudo, antes de ser
repassada para a Procuradoria Geral do Estado (PGE), foi encaminhada à SEMACE, para
análise e considerações.

Tendo em vista que o uso racional das áreas de vazantes dos reservatórios públicos estaduais
representa uma importante e tradicional alternativa de subsistência dos agricultores da região
do semiárido do nordeste brasileiro, o Governo entendeu que era necessário estabelecer
normas e critérios para o uso das vazantes, visando o seu aproveitamento racional,
contribuindo para o sustento das famílias beneficiadas e garantindo a preservação dos
recursos hídricos.

Serão beneficiários para o cultivo de vazantes os agricultores familiares e os desapropriados


com áreas remanescentes, sendo a autorização de caráter intransferível. É importante ressaltar
que neste Decreto, a exploração das vazantes terá como requisito a existência da Comissão
Gestora do respectivo reservatório que deverá acompanhar a atividade; além disso, a
solicitação de exploração das vazantes será encaminhada a Secretaria dos Recursos Hídricos
(SRH), a qual deverá conter um Plano de Uso Racional das Vazantes, previamente aprovado
pela EMATERCE, elaborado com a participação dos beneficiários.

O objetivo com estas medidas é evitar o uso irracional das vazantes, sem controle do poder
público e dos sistemas de gestão criados para o monitoramento dos recursos hídricos.

8.1.1. Região Metropolitana

O conjunto de Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) representa


um dos sistemas hídricos mais importantes do Estado do Ceará, em virtude do seu parque
industrial e por concentrar uma população aproximada de 3,5 milhões de habitantes, além de
conter a maioria dos órgãos administrativos do Estado e da União, das universidades, a maior
parte da produção urbana e industrial e as sedes dos principais movimentos sociais.

O desenvolvimento industrial é praticamente restrito à Região Metropolitana, embora


algumas indústrias associadas ao agronegócio localizem-se em algumas outras regiões.

Nas regiões de médio/baixo curso das bacias do Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó/Coaçu,
Cauhipe, São Gonçalo e Ceará/Maranguape são observados nas várzeas dos eixos principais,
extensos carnaubais explorados economicamente pela população local. Essas áreas, por
sofrerem constantes alagamentos durante o período chuvoso, apresentam restrições para a
agricultura, aliado ainda, ao fato de comportarem solos com elevados teores de sódio nos
horizontes subsuperficiais. Apesar dessas restrições, verifica-se a exploração de pequenos
cultivos de subsistência.

293
Nas baixadas litorâneas, atingidas pela influência das marés, encontram-se os manguezais,
atualmente mais expressivos na desembocadura dos rios Ceará/Maranguape, Cocó/Coaçu,
Pacoti e Pirangi, ocorrendo em menor proporção no rio Choró. O manguezal do rio São
Gonçalo encontra-se praticamente erradicado. Verifica-se, ainda, a presença de vegetação de
mangue associada a lagunas e pequenos estuários, como é o caso das lagunas do Iguape e do
Barro Preto, em Aquiraz e do riacho das Guaribas, em São Gonçalo do Amarante.

As áreas de manguezais dos rios Ceará/Maranguape e Cocó/Coaçu exibem alterações de


profundidade variável em seu aspecto original, decorrentes, principalmente, de intervenções
antrópicas provocadas pelo acelerado processo de urbanização (desmatamentos, aterramentos,
lançamentos de resíduos sólidos e líquidos, etc.). A atividade salineira, também, tem
contribuindo para a degradação dos manguezais, sendo constatada a presença de salinas nas
regiões próximas as desembocaduras dos rios Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó/Coaçu e
Ceará/Maranguape, a grande maioria desativada.

Nos tabuleiros arenosos do Grupo Barreiras, que ocorrem na zona pré-litorânea, o conjunto
vegetacional apresenta-se diversificado, principalmente quando analisado do ponto de vista
fitofisionômico. Ocupando a maior extensão deste ecossistema observa-se a vegetação de
tabuleiros propriamente dita, ora constituída de arbustos pouco adensados, ora formada de
agrupamentos arbustivos.

Na região de tabuleiros são observadas extensas áreas ocupadas com cajueirais, com destaque
para as regiões de Chorozinho e Pacajus. Apresentando menor representatividade aparecem
plantios de capineiras, coqueirais, cana-de-açúcar e pequenos cultivos de subsistência (milho,
feijão e mandioca).

A cajucultura concentra-se nas manchas próximas à fronteira de Pacajus, para onde é dirigida
a produção.

Os aqüíferos da faixa litorânea, nos campos de dunas e que abastecem as localidades da orla
marítima (Iparana, Pacheco, Icaraí, Tabuba e Cumbuco) estão sendo comprometidos pela
ocupação urbana que vem reduzido consideravelmente a taxa de infiltração e diminuindo o
volume de recarga destes recursos hídricos. Além disso, devido à inexistência de esgotamento
sanitário há uma proliferação de fossas negras que permitem a contaminação desses
mananciais.

Em um território com um ambiente natural muito rico e diverso, que flui da praia ao sertão e
inclui as serras, cada caso merece destaque e correta apropriação, para uma definição de
diretrizes visando a conservação do patrimônio ambiental e dos recursos naturais,
principalmente agora, quando grandes intervenções estão sendo feitas no Município como a
implantação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém e a construção da ponte sobre o
Rio Ceará.

Normalmente as atividades portuárias e industriais são responsáveis pela degradação do meio


ambiente e motivadoras da formação de grandes núcleos de favelas no seu entorno. Assim, os
empreendimentos que se instalarão no Complexo Industrial e Portuário do Pecém serão
responsáveis pela produção de um grande volume de resíduos industriais que poderá
comprometer inclusive o Lagamar do Cauípe, devido a sua proximidade com o porto.

294
Esta constatação recomenda o estabelecimento de prioridades na execução de um plano
diretor para a região, visando prevenir e coibir a ocorrência destes processos de degradação do
ambiente, mesmo porque esta área tem grande valor ambiental e turístico.

Será necessário, o quanto antes, definir os espaços para o desenvolvimento industrial e para as
áreas de moradia, antecipando uma ocupação desordenada. De toda forma está previsto, à
Oeste do Parque, uma área com a função de filtro biológico, formada por vegetação nativa e
exótica, com o objetivo de absorver e/ou dissipar os gases produzidos pelas indústrias que lá
se instalarão.

Com a construção da ponte sobre o Rio Ceará já se observam tendências para um incremento
da ocupação urbana na faixa litorânea, principalmente no trecho situado entre os Rios Ceará e
Icaraí, aumentando o uso residencial e trazendo todos os problemas provenientes de uma
urbanização, principalmente se ela for feita sem controle como: problemas de tráfego,
poluição, aumento do volume de lixo, entre outros.

No rio Cocó, ao ritmo desses processos, as formações de favelas dispõem as casas ao longo
do curso do rio, ocupando a planície de inundação de costas para o leito fluvial, com a visão
do rio distinguindo seus quintais e com as suas partes frontais voltadas para as ruas que
margeiam determinados trechos do seu curso.

Em meio às paisagens ribeirinhas menosprezadas pelo mercado especulativo imobiliário, as


populações alijadas das forças produtivas no campo e excluídas do mercado formal nas
cidades, sem meios financeiros para uma inserção urbana cidadã e atenção do Estado, se
apropriam de um espaço fluvial para solucionar seus problemas de moradia.

É nesse ambiente que a chuva se precipita em áreas urbanas, a exemplo do que ocorre no
entorno do rio Cocó, caindo sistematicamente sobre superfícies impermeabilizadas, escoando
para bueiros, quando existem, e, finalmente, atingindo os rios. A maior parte do território da
bacia não dispõe de rede de esgotamento sanitário e o sistema de drenagem é extremamente
precário.

A infiltração dificultada provoca a freqüente ocorrência de inundações nas chuvas de maior


intensidade. No litoral urbanizado, os efeitos da maré alta, em especial nas marés de sizígia,
elevam o nível das águas na região próxima à costa, dificultando o escoamento natural e
agravando os efeitos das chuvas intensas. Fenômenos com essas características ocorrem com
regularidade nas bacias da Região Metropolitana de Fortaleza.

A área total de drenagem da bacia é de aproximados 513,84 km², atravessando os municípios


de Pacatuba, Maranguape, Maracanaú, Itaitinga, Aquiraz, Eusébio e Fortaleza. Dentre esses
municípios, Fortaleza apresenta maior área de drenagem, com 66,42% do seu território — ou
38,66% da área total da bacia do rio Cocó.

O Rio possui a maior bacia de Fortaleza, drenando suas porções leste, sul e central; incorpora
o açude Gavião que, somado aos açudes do rio Pacoti e ao açude Pacajus, construído no rio
Choró, forma o sistema de mananciais voltado para o abastecimento d’água de Fortaleza e
outras cidades da RMF. Sua grande APA (Área de Preservação Ambiental) se inicia na sua
foz e se prolonga até o fim do terço inferior do seu percurso.

O projeto básico de dragagem do rio Cocó foi definido como uma obra complementar
necessária ao manejo de águas pluviais nesta bacia hidrográfica. O objetivo essencial é o de

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minimizar os efeitos adversos das enchentes que afetam diretamente os aglomerados
formados por milhares de famílias habitantes de suas margens e áreas de entorno.

A região metropolitana de Fortaleza ainda sofre com o constante êxodo rural, inchando a
cidade, sem infra-estrutura suficiente para atender a população demandante.

Os migrantes ingressam no espaço urbano enfrentando novamente a concentração fundiária da


terra, que também se estabelece nas cidades, quase sempre especulativamente, como reserva
de valor. Ocorre, então, a intensificação dos processos de ocupação e de formação de novos
aglomerados caracterizados como favelas.

O rio Maranguapinho apresenta uma calha fluvial menor bastante assoreada pelo transporte de
sedimentos oriundo das erosões que ocorrem ao longo de sua bacia hidrográfica e planície de
inundação.

O rio sofre intensamente, principalmente no seu médio curso, com a exploração da atividade
mineradora clandestina. A retirada de areia para fins de construção civil é feita de forma
predatória com desbancamento do leito do rio atingindo extensas áreas, com a formação de
“cavernas de exploração” constatadas no município de Maracanaú, mais precisamente na
Fazenda Raposo, uma área de preservação constituída pelo Parque Botânico administrado
pela Universidade Federal do Ceará.

O transporte de sedimentos é realizado pelo fluxo natural do rio Maranguapinho durante a


quadra invernosa. Durante a época da estiagem, devido à inexistência de fluxo de base
permanente, não ocorre acentuado transporte de sedimentos ao longo do rio, pois a vazão é
limitada à vazão efluente dos esgotos tratados na ETE da CAGECE do Distrito Industrial de
Maracanaú e de outros efluentes de menor monta.

Os principais impactos causados por inundações que ocorrem nas planícies fluviais
impermeabilizadas, se refletem nas perdas materiais e humanas, na interrupção de atividade
econômica e social nas áreas inundadas, na contaminação da água pelo despejo de esgotos e
resíduos sólidos domiciliares e industriais, além de inundação de depósitos de material tóxico
e estações de tratamento que acarreta as doenças de veiculação hídrica: leptospirose e cólera,
entre inúmeras enfermidades.

Trata-se de um fato comum nas cidades brasileiras onde as bacias fluviais passam pelas
seqüelas das caóticas ocupações urbanas, a freqüente utilização dos rios para despejo de
efluentes e de ligações clandestinas não tratadas nas redes de águas pluviais — o que
ocasiona, em situações de inundação, contato direto da população com a água contaminada e
misturada ao esgoto. O desastre é agravado pelo depósito de lixo em que se convertem as
planícies fluviais.

O caráter de recorrência anual das chuvas é um fator decorrente principalmente da ocupação


desordenada não somente das áreas de preservação dos rios, mas também das planícies de
inundação.

Na RMF, o fenômeno das ocupações com a conseqüente urbanização sem planejamento,


cresceu e a frágil política habitacional não consegue dar vencimento de tanta demanda. Há
também à acomodação diante da questão urbana e social.

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No rio Maranguapinho, ao ritmo desses processos, as formações de favelas dispõem as casas
ao longo do curso do rio, ocupando a planície de inundação de costas para o leito fluvial, com
a visão do rio distinguindo seus quintais e com as suas partes frontais voltadas para as ruas
que margeiam o curso.

Em meio às paisagens ribeirinhas, alijadas do mercado especulativo imobiliário e excluídas


do mercado formal nas cidades, sem meios financeiros para uma inserção urbana cidadã, a
população se apropria de um espaço fluvial para solucionar seus problemas de moradia.

É nesse ambiente que a chuva se precipita em áreas urbanas, a exemplo do entorno do rio
Maranguapinho, caindo sistematicamente sobre superfícies impermeabilizadas, escoando para
bueiros, quando existem, e, finalmente, atingindo os rios. A infiltração dificultada provoca a
freqüente ocorrência de inundações nas chuvas de maior intensidade. No litoral urbanizado,
os efeitos da maré alta, em especial nas marés de sizígia, elevam o nível das águas na região
próxima à costa, dificultando o escoamento natural e agravando os efeitos das chuvas
intensas.

Na RMF, são ostensivamente prejudicados os municípios atingidos nos períodos chuvosos


pelas inundações que igualmente ocorrem na bacia do rio Maranguapinho, ocasionando
tragédias que forçam ao desabrigo milhares de famílias, freqüentemente provocando sua ruína
material e perdas em vidas humanas.

Dessa forma, observa-se que os impactos ambientais provocados pela expansão urbana na
área afetam a água, o solo, o ar, as plantas, os animais aquáticos e terrestres e o ser humano.

A Secretaria das Cidades do Estado do Ceará, em parceria com o Governo Federal, iniciou em
2008 o Projeto de Urbanização do rio Maranguapinho.

O projeto básico de dragagem do rio Maranguapinho é uma obra complementar necessária ao


Manejo de Águas Pluviais nesta bacia hidrográfica. O objetivo essencial é o de minimizar os
efeitos adversos das enchentes que afetam diretamente os aglomerados formados por milhares
de famílias habitantes de suas margens e áreas de entorno.

Nesse projeto está previsto a construção de redes de esgotamento sanitário nas áreas
adjacentes ao rio Maranguapinho; remanejamento das populações ribeirinhas residente nas
áreas de risco; urbanização das margens dos rios Maranguapinho e Cocó.

A realização dos serviços de dragagem no rio Maranguapinho, de acordo com a Secretaria das
Cidades, é essencial no conjunto das obras que visam a reversão dos desastres ambientais
decorrentes das inundações no período chuvoso, e para a melhoria, em amplo espectro, da
qualidade de vida da população situada à jusante do empreendimento da Barragem
Maracanaú.

A dragagem está indissociavelmente articulada, do mesmo modo que o barramento, às ações


de reassentamento das populações das “áreas de risco”, urbanização com vias paralelas às
margens do rio Maranguapinho, dotadas de equipamentos de lazer, saneamento, além da
recomposição da mata ciliar no contraponto ao assoreamento do leito fluvial. Sem essa
estrutura de intervenção, a dragagem não terá o mesmo significado ou produzirá os resultados
duradouros previstos no contexto do seu planejamento.

297
Assim apresentada e compreendida em articulação com um conjunto de ações, a dragagem à
jusante da Barragem Maracanaú apresentaria uma finalidade essencialmente sócio-ambiental.
Pois, para as populações aí localizadas, importaria em especial a melhoria da qualidade das
águas que, nos períodos chuvosos, atravessam diversas comunidades ribeirinhas localizadas
nos municípios de Maracanaú, Caucaia e Fortaleza, requerendo melhorias nos setores de
saúde e de saneamento básico.

Desse modo, a concepção do projeto tenderia a incidir sobre a racionalidade dos orçamentos
públicos, examinada sob a ótica dos gastos que não chegam sequer a remediar situações
trágicas ocasionadas pelas enchentes e inundações nas áreas urbanas.

Esta racionalidade seria aqui influenciada pela ótica social da saúde preventiva, mediante a
profilaxia de terríveis doenças, além da possível melhoria sanitária dos espaços beneficiados
com a obra, entre outras conseqüências estruturais esperadas.

Enfim, essa concepção tende a destacar uma mudança de atitude na intervenção do Estado,
que desse modo romperia com o modelo tradicional de inação e cumplicidade diante de
problemas que se desenvolveram ao longo de décadas, a exemplo do grave processo de
ocupação das bacias fluviais das regiões metropolitanas e do uso dos rios e mananciais como
mero depósito de efluentes, ocasionando inúmeras e perversas fraturas ambientais e sociais
com graves repercussões sobre expressivos contingentes populacionais.

8.1.2. Programa SANEAR II

No EIA/RIMA do Programa de Infra-Estrutura Básica em Saneamento do Estado do Ceará –


para o Programa SANEAR II/2002, elaborado pelo IEPRO, apresenta como síntese ambiental,
o intenso processo de urbanização, ocorrido nos últimos anos, associado ao desenvolvimento
industrial da Região Metropolitana de Fortaleza e ao êxodo rural, que ocorre com mais
intensidade a cada período de seca, tem trazido inúmeros problemas relacionados ao uso e
ocupação do solo, que se refletem num quadro de degradação e queda da qualidade ambiental
da bacia.

Verifica-se que as maiores indústrias do Estado concentram-se na RMF, principalmente nos


municípios de Fortaleza, Maracanaú e Caucaia.

Em 1991 cerca de 64,45% das indústrias estavam instaladas na RMF e 57,54% em Fortaleza.
O parque industrial é composto basicamente de indústria extrativa mineral, transformação e
construção civil.

Esses dados comprovam a influência das indústrias na dinâmica da bacia hidrográfica.


Ressalta-se, ainda, a especulação imobiliária, tem contribuído de forma significativa para o
agravamento da situação ambiental, através da ocupação desordenada, tanto nas áreas urbanas
quanto na faixa costeira.

A ocupação urbana das várzeas tem constituído uma das principais causas antrópicas das
cheias, que extrapolam os limites das planícies fluviais, ocasionando enchentes nas cidades.

Outro fator determinante para a manifestação de enchentes é o desmatamento com


conseqüente assoreamento do leito dos cursos d’água.

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São constatadas áreas com riscos de inundações periódicas nas sub-bacias do Cauípe,
Ceará/Maranguape, Cocó/Coaçu, Pacoti, Choro, Uruaú e Pirangi.

Dentre as áreas com risco de alagamentos, constata-se maior expressividade na RMF, onde a
ocupação indiscriminada ao longo da rede de drenagem tem se tornado cada vez mais intensa,
principalmente pela proliferação de favelas nas margens dos cursos e mananciais que banham
a área urbana.

Em Fortaleza, apesar dos investimentos já realizados, a deficiência do sistema de drenagem


urbana, associada aos fatores já mencionados anteriormente, têm contribuído
significativamente para o aumento da incidência das enchentes.

As lagoas, ao longo dos médios e baixos cursos das Bacias Metropolitanas, e seus entornos
exibem profundas alterações decorrentes principalmente de intervenções antrópicas, tais como
desmatamentos, aterros, lançamentos de resíduos sólidos e líquidos, além de ocupação
clandestina. A situação é preocupante, principalmente em Fortaleza, que apresenta lagoas com
redução do espelho d’água e o desaparecimento de outras.

As dunas são ecossistemas ocupados desordenadamente pela população, comprometendo o


seu equilíbrio. Tal situação pode ser verificada principalmente em Fortaleza e Caucaia.

Outro aspecto ambiental relacionado à questão hídrica da bacia refere-se aos riscos de
salinização das águas represadas, com base na ocorrência de solos do tipo Planossolos
Solódicos e/ou Solodizados, índices de evaporação elevados aliado à proximidade do litoral.
Esse risco torna-se bastante significativo no território das bacias do Pirangi, Uruaú, Choró,
Pacoti, Cauípe e São Gonçalo.

Pelas próprias características físicas e econômicas, as Bacias Metropolitanas não impõem


grandes demandas de irrigação para a atividade agrícola. Em geral, a atividade agrícola está
associada a trechos de rios perenizados ou a área de entorno dos reservatórios, utilizando
técnica pouco eficiente e com elevado consumo de água.

No interior da bacia, as atividades agropecuárias vêm determinando o desmatamento de


formações vegetais primárias, além do comprometimento da qualidade da água devido ao uso
de agrotóxicos e perdas de solos.

As regiões serranas de Maranguape, Aratanha, Baturité e Juá/Conceição, apresentam suas


matas úmidas sendo substituídas por plantios de milho, feijão, banana e café. Em
conseqüência do intenso desmatamento e do uso inadequado do solo, essas áreas são
propensas a processos erosivos.

Nas regiões das dunas e paleodunas a retirada da cobertura vegetal ocorre em função de
cultivos de subsistência (milho, feijão, mandioca), retirada de areia e urbanização
desordenada da costa (casas de veraneio), contribuindo para a interrupção do transporte de
sedimentos e a instalação de processos erosivos costeiros, como já verificado em Peçém e
Taíba, São Gonçalo do Amarante e Morro Branco em Beberibe.

Nas várzeas dos principais rios, onde encontram-se extensivos carnaubais explorados pela
população local, verifica-se a exploração de pequenos cultivos de subsistência.

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Nas baixadas litorâneas, atingidas pela influência das marés, encontram-se os manguezais que
constituem ecossistemas complexos e frágeis, que desempenham importantes funções
ambientais. Esses ecossistemas exibem profundas degradações, em conseqüência
principalmente do crescimento das cidades, que requerem desmatamentos e aterros dentre
outros fatores. O manguezal do rio São Gonçalo encontra-se praticamente erradicado.

Ressalta-se que a atividade salineira, desenvolvida em algumas regiões, também contribui


para a degradação dos manguezais.

Os tabuleiros litorâneos são áreas que vêm apresentando profundas modificações em sua
cobertura vegetal em decorrência do cultivo do caju e formas inadequadas de ocupação.

Essas formações vegetais encontram-se bastante descaracterizadas em função da abertura de


pastos, retirada de lenha e pelos longos períodos de seca, reduzindo a diversidade da flora e
alterando o equilíbrio ecológico.

O lançamento de resíduos líquidos domésticos, industriais e hospitalares nos solos, formando


esgotos a céu aberto, ou sua canalização direta para cursos e mananciais hídricos, seu
tratamento prévio é outro fator de degradação do meio ambiente da bacia.

As águas subterrâneas também são alvos da possibilidade de contaminação pelos líquidos


percolados em depósitos de lixo (chorume) e os efluentes de fossas infiltrados no solo.

O predomínio de fossas no território da bacia, aliada à falta de infra-estrutura sanitária, vem


contribuindo para a poluição dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

Estes últimos apresentam-se mais suceptíveis à degradação nas regiões de baixo curso da
bacia, dado principalmente a localização dos núcleos urbanos em áreas de embasamento
sedimentar.

Outro aspecto observado em vários municípios da bacia é a reduzida ocorrência de áreas


verdes urbanas, representadas pelas unidades de conservação, praças e arborização pública.

As Bacias Metropolitanas, apesar de apresentar diversidade de problemas ambientais,


dispõem de condições naturais peculiares que favorecem a expansão de várias atividades,
notadamente o turismo.

No litoral, como principais atrativos naturais, destacam-se as praias do Presídio, Iguape, Barro
Preto, Batoque, Prainha e Porto das Dunas, no município de Aquiraz; Cumbuco, Icaraí,
Pacheco, Iparana, Dois Coqueiros, Cauípe e Tatuba, em Caucaia; o Parque Botânico do Ceará
às margens da CE-090, no trecho Fortaleza-Caucaia e a Lagoa da Banana.

No município de Maranguape tem como atrativo natural o Pico da Rajada, muito procurado
para a prática de vôo livre.

Já em Pacatuba oferece como atrativos naturais a Bica das Andréas, localizada no sopé a
Serra da Aratanha, no leito do rio Pacatuba e o Recanto do Bispo, conjunto formado por um
rio com três pequenas represas.

300
As constatações feitas sobre os aspectos ambientais da bacia demonstram existir problemas,
comprometendo os ecossistemas, mas grande potencialidade para promover um
desenvolvimento sustentável.

Nesse contexto, o Programa SANEAR II, tem como finalidade a apliação da bacia e sua infra-
estrutura, que permitirá minimizar e erradicar problemas ambientais, principalmente
decorrentes da falta de saneamento básico, contribuindo para melhorar a qualidade de vida da
população.

8.1.3. Barramento e Dragagem do Rio Maranguapinho

Outro ponto de interferência ambiental é a construção da Barragem Maracanaú, que torna


necessário a eliminação das sub-habitações das comunidades de risco que se encontram
dentro da calha menor do rio Maranguapinho; em caso contrário, a dragagem será ineficaz e a
execução dos próprios serviços ficará comprometida.

A dragagem do rio Maranguapinho é uma ação complementar (de limpeza e aprofundamento


da calha fluvial) à obra estrutural do reservatório para controle do fluxo hídrico (controle de
cheia), voltada para a mitigação das seqüelas das enchentes à jusante, em seu baixo curso,
sobre as populações ribeirinhas.

Com a dragagem (e posterior recuperação da mata ciliar no curso fluvial assoreado) é


valorizada a possibilidade de aproveitamento dos recursos hídricos, propiciando-se outros
usos, a exemplo da irrigação, da pesca ou do lazer, que mereceriam amplo e oportuno exame.

8.1.4. Demais usos do recurso hídrico

No que se refere à irrigação, é possível o exame de um plano de desenvolvimento para as


terras agricultáveis localizadas à jusante do barramento. Neste caso, a Agricultura Urbana,
mencionada adiante como uma das alternativas econômicas em desenvolvimento na RMF,
especialmente quanto à abordagem dos problemas de abastecimento e geração de emprego e
renda das populações envolvidas.

No caso da atividade pesqueira, que consiste na Planície Fluvial do rio Maranguapinho, numa
estratégia natural de sobrevivência na área de influência indireta ao barramento e de
influência direta à dragagem, é possível inclusive admitir-se seu incremento, além das
espécies naturais, com o fomento às espécies aclimatadas à região, destacando-se as que
admitem maior crescimento populacional e são mais comuns ou apreciadas pelos ribeirinhos.

O Rio Maranguapinho controla uma bacia hidrográfica com área de 215 Km² e tem
aproximadamente 40,27 km de extensão em leito fluvial, sendo precisamente 48,8 Km desde
a foz no Rio Ceará até a nascente mais distante na serra de Maranguape. Seu desenvolvimento
atravessa os municípios de Maranguape, Maracanaú, Caucaia e Fortaleza, por isso a
importância fundamental desse projeto.

Nas áreas das bacias do Cauhipe e do Gereraú, o Governo do Estado vem se empenhando no
sentido de atrair para o Distrito Industrial/Portuário do Pecém indústrias de base, geradoras de
matérias-primas. Desta forma, foi fomentada a implantação de três indústrias âncoras que
desencadearão a industrialização do complexo: a usina termelétrica; a refinaria de petróleo,
ambas situadas na bacia do Cauhipe, e a siderúrgica, que será construída na Bacia do Gereraú.

301
A refinaria e a siderúrgica deverão ancorar, respectivamente, os pólos petroquímico e metal-
mecânico da região com efeitos multiplicadores sobre toda a economia.

Entre outros efeitos, se busca ainda repercussões de ordem sócio-econômicas, com novos
investimentos que, nessa expectativa sistêmica, apresentem reflexos positivos na atividade
produtiva e na geração de empregos.

No Quadro 8.1, pode-se observar os impactos sócio-ambientais que tem sido causados na
região Metropolitana.
Quadro 8.1. Impactos Sócio-ambientais na Região Metropolitana
Impactos sócio-ambientais
Impactos Sociais Impactos Ambientais
Aumento do contingente populacional Alteração da paisagem natural
Aumento da criminalidade Alteração da ecodinâmica costeira
Insegurança da população local Prejuízo para o setor agrícola
Importação de doenças Alteração na forma de ocupação e uso da área
Choque cultural Aceleração dos processos erosivos
Conflitos sociais Alteração da qualidade das águas e do ar
Modificação na estrutura imobiliária local Assoreamentos
Alteração na dinâmica das feições
Aumento da demanda de imóveis
geomorfológicas
Processo acelerado de urbanização Alteração da linha da costa
Alteração da rotina da comunidade,
Alteração da biota marinha
rompendo tradições
Aumento do volume do lixo Perda da qualidade de vida da fauna aquática
Incremento do setor terciário Alteração do ecossistema de manguezal
Aumento significativo do fluxo de veículos Poluição indiscriminada dos cursos de água

8.1.5. Região da Serra

As regiões serranas de Maranguape, Aratanha, Baturité e Juá/Conceição, caracterizadas pelo


ecossistema de matas úmidas, ostentam uma vegetação arbórea exuberante em função da
topografia e das altas declividades, que propiciam impedimentos às atividades agropastoris e
ao extrativismo. Evidencia-se, no entanto, nas faixas de gradiente moderado o
desenvolvimento de agricultura rudimentar de sequeiro, com o plantio de milho, feijão,
banana e café, notadamente pelas boas características químicas do solo, estando esta última
cultura presente apenas na região serrana de Baturité, sendo adotado no seu cultivo o
sombreamento com o ingá.

Nos relevos de meia encosta e vertentes de sotavento de tais serras, assim como nos serrotes
que se distribuem ao longo da área das Bacias Metropolitanas, a vegetação de mata seca

302
apresenta sinais de degradação. Essas áreas tem sido exploradas agricolamente, embora haja
restrições de uso devido aos riscos de erosão. (Figura 8.1)

Figura 8.1. Desmatamento do topo da serra para atividades agrícolas no município de


Redenção. (foto tirada em 11/03/2010)
Em conseqüência dos desmatamentos, alguns setores das vertentes secas estão sendo
amplamente tomados pela vegetação de caatinga, a qual já atinge níveis topográficos
elevados. O crescimento desordenado dos núcleos urbanos existentes nas serras também vem
contribuindo para a degradação das suas coberturas vegetais.

Em Acarape, as faixas aluviais são estreitas e predominantemente restritas à calha do Rio


Pacoti. Os solos aluvionais apresentam fertilidade natural de média a alta, grande
potencialidade agrícola, sendo que na área, a vegetação natural foi largamente substituída por
atividade agrícola, cedendo lugar ao cultivo da cana-de-açúcar e da bananeira.

O Município convive harmoniosamente com as agriculturas de sequeiro e irrigada, voltadas


notadamente, para a produção de grãos, cana-de-açúcar, mandioca e frutas tropicais.

A cana-de-açúcar praticamente ocupa toda a área de aluvião localizada às margens do Rio


Pacoti. Praticamente toda a produção de cana-de-açúcar é absorvida pelas três grandes
destilarias existentes em Acarape que são Chave de Ouro, Ypióca e Douradinha. A agricultura
irrigada é explorada nos melhores solos do município, tendo a cana-de-açúcar como a
principal lavoura.

A mandioca localiza-se nas manchas de solos, nos limites com Barreiras, cuja produção é
comercializada nos municípios vizinhos da região da serra.

As cadeias do agronegócio da cana-de-açúcar, de grãos, de frutas tropicais, de leite, carnes


bovina, caprina, ovina e de pescado, além de mel de abelha, são consideradas atividades
estratégicas no âmbito de Acarape, na medida em que os produtores rurais, já são dotados de

303
considerável experiência e tradição com tais explorações, além das potencialidades edafo-
climáticas existentes nesse município.

A estrutura fundiária prevalecente sugere o desenvolvimento de uma pecuária em escala


familiar, centrando-se na bovinocultura leiteira e animais de pequeno porte, com vistas à
produção de reprodutores (machos e fêmeas). Nas propriedades rurais detentoras de cana-de-
açúcar a engorda bovina em confinamento é estimulada.

É possível também fomentar a piscicultura e a apicultura através de uma organização de


produtores na região de Acarape. As comunidades de Pau Branco, Tamanduá, Poço Escuro e
Mamoeiro, que contam respectivamente com os reservatórios de Façola, Salgado, Poço
Escuro II e Hipólito, poderiam ser estimuladas a produção, além das localidades de Lagoa dos
Veados e Amargoso.

8.1.6. Região do Sertão

As Bacias Metropolitanas, ao inverso do observado no Jaguaribe, não se caracteriza pela


marcante tradição na atividade agrícola irrigada, sendo predominantemente uma área mais
urbana. Nesse sentido, inexistem grandes perímetros de irrigação.

A irrigação é pouco difundida, estando associada, em geral, a trechos de rios perenizados ou a


área de entorno de reservatórios, tendo como principal obstáculo ao seu desenvolvimento a
escassez de recursos hídricos durante o período seco. Além disso, essa prática encontra-se
centrada, geralmente, a utilização de técnicas de irrigação pouco eficientes e com elevado
consumo de água, sendo a irrigação difusa desenvolvida através de aspersão por canhão
hidráulico e métodos gravitários. A irrigação pública encontra-se associada aos perímetros
Choró Limão (35,9 ha) no município de Choró e Califórnia (69,0 ha) em Quixadá.

A pecuária apresenta-se como a atividade predominante desta região, sendo praticada de


forma extensiva, em meio a vegetação de caatinga, com a alimentação do gado sendo
suplementada com o plantio de capineiras. A abertura de pastos pela atividade pecuária,
aliado ao extrativismo da lenha e do carvão vegetal, também, contribuem para o crescente
desmatamento da caatinga.

8.1.7. Região do Litoral

Ao longo do Canal do Trabalhador, na região de Beberibe, observa-se o cultivo de caju em


regime de sequeiro e irrigado. Além disso, constata-se a captação d'água no canal para a
irrigação de melão, capineiras, sorgo, pequenos cultivos de milho, feijão e mandioca, bem
como de outras culturas perenes. Verificou-se, também, que a população periférica ao canal
capta água deste para alimentação artificial dos sistemas lacustre marginais, com riscos de
desencadeamento de processo erosivos no ponto de entrada da água nos sistemas e de
salinização dos solos pela elevação do lençol freático.

São identificadas, ainda, ao longo do percurso do canal, áreas que apresentam propensão a
instabilidade dos taludes de corte e desencadeamento de processos erosivos, com conseqüente
assoreamento da secção hidráulica do canal e do sistema de drenagem, causados pela
sedimentação do material desagregado. Esses processos geralmente se manifestam em função
de fatores como tipologia das rochas, topografia, nível de degradação da cobertura vegetal
periférica, clima (ação eólica ou pluvial) e a intervenção antrópica.

304
A proliferação de vegetação invasora nos taludes internos do canal é bastante comum, tendo
sido constatado, também, a presença de vegetação aquática, que inclui plantas emergentes,
plantas flutuantes, plantas submersas e algas, tanto na barragem vertedoura de Itaiçaba como
no próprio canal adutor. Embora este trecho se situe fora do território das Bacias
Metropolitanas, a presença das plantas pode interferir na operação do canal, dado a
possibilidade de redução do fluxo d'água e de obstrução de sifões e outras infra-estruturas.
Além disso, caso essas plantas sejam tóxicas podem vir a influir na qualidade da água
aduzida.

8.2. Uso Atual Das Águas

As Bacias Metropolitanas tem o sistema mais complexo de gerenciamento dos recursos


hídricos, os quais são feitos pela Gerência Metropolitana da Companhia de Gestão dos
Recursos Hídricos (COGERH). Através da COGERH, são monitorados 18 açudes, 3 canais
de transposição de água, 14 estações de bombeamento, 12 adutoras. Nessa operação dos
reservatórios, 135 km de rios são perenizados.

A região abriga o mais importante centro consumidor de água que é a Região Metropolitana
de Fortaleza onde se pode destacar o sistema de integração das bacias para o atendimento da
população e quando houver necessidade, importar água de outras bacias hidrográficas,
principalmente as transposições Jaguaribe/ RMF através do Canal do Trabalhador e do Eixão
das Águas.

A oferta de água superficial é feita por um sistema de reservatórios monitorados pela


COGERH destacando-se os principais: Pacoti com 380hm3; Pacajus com 240hm3; Pompeu
Sobrinho (Choró) com 143hm3; Riachão com 46,9hm3; Gavião com 29,5hm3; Acarape do
Meio com 31,5hm3; Sítios Novos com 123,2hm3 e Aracoiaba com 170,7hm3. Todo o sistema
regulariza uma vazão da ordem de 14,50m3/s com 90% de garantia.

O conjunto de Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) representa


um dos sistemas hídricos mais importantes do Estado do Ceará, em virtude do seu parque
industrial e por concentrar uma população de aproximadamente 3,5 milhões de habitantes,
além de conter a maioria dos órgãos administrativos do Estado e da União, das universidades,
a maior parte da produção urbana e industrial e as sedes dos principais movimentos sociais.

O sistema que atende a RMF é composto pelo açude Pacajus com vazão bombeada pelo Canal
Ererê para o açude Pacoti-Riachão que, mantido em cota conveniente, alimenta o açude
Gavião através de um túnel que se liga a um canal. Imediatamente a jusante desse reservatório
localiza-se a Estação de Tratamento de Água (ETA) responsável pelo suprimento de água
tratada à RMF.

A operação desse sistema condiciona-se ainda a tomadas de decisão quanto à


qualidade das águas importadas do açude Pacajus, e à necessidade de manter o açude Gavião
praticamente cheio, dada a necessidade de manutenção de uma cota mínima que garanta o
suprimento gravitário da ETA-Gavião.

Essa última imposição à operação do sistema integrado de reservatórios da RMF revela-se


extremamente inconveniente para um conjunto de mananciais já insuficientes para o nível de
comprometimento da demanda que tem de atender, pois se sujeita à evaporação de grande
área de espelho d’água e permite a sangria de praticamente todo o deflúvio da bacia do açude
Gavião.

305
As condições do sistema exposto definem a integração entre os reservatórios,
resultando que dentre os açudes que o compõem a única operação conjunta ainda possível
reside no bombeamento das reservas do açude Pacajus para o açude Pacoti-Riachão,
verificando a existência, ou não, de efeito sinergético nessa transferência.

No sentido de proporcionar a maior segurança hídrica possível, de forma a atender a toda a


demanda da RMF, o sistema é interligado não somente entre sub-bacias, mas principalmente
na interligação com outras bacias hidrográficas, tais como a Bacia do Baixo / Médio
Jaguaribe e Banabuiú.

Essa vinculação do sistema às Sub-bacias do Baixo e Médio Jaguaribe, mediante o Canal do


Trabalhador e o Eixão das Águas, torna a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) uma
usuária das águas derivadas, especialmente, dos reservatórios de Orós, Pedras Brancas,
Banabuiú e Castanhão.

A demanda hídrica é crescente em relação à oferta, principalmente durante os períodos


críticos. Esta realidade gera conflitos pelo uso das águas nestes mananciais, exigindo uma
gestão feita com um cuidadoso planejamento quanto às transposições de águas do rio
Jaguaribe e uma criteriosa análise do impacto desta vazão na demanda da referida Bacia.

8.3. Situação Das Matas Ciliares

Com base no mapeamento das matas ciliares dos rios principais das 14 bacias hidrográficas
que compõem as Bacias Metropolitanas, excetuando-se aí as Faixas Litorâneas de
Escoamento Difuso (FLED), foram analisados os níveis de degradação impostos as suas
faixas de proteção, as quais funcionam como um filtro contra o aporte de sedimentos e
poluentes a estes cursos d'água. Os rios Maranguape e Coaçu por desaguarem no rio principal
próximo ao oceano, formando praticamente bacias independentes, foram também inclusos na
análise, a qual englobará assim 16 cursos d'água, a saber: rios Pirangi, Choró, Pacoti, Cocó,
Coaçu, Ceará, Maranguape, São Gonçalo, Cauhipe, Gereraú, Juá, Caponga Funda, Caponga
Roseira, Catu e Uruaú.

Foram analisadas tanto a continuidade como a compacidade da mata ciliar preservada ao


longo dos rios e verificados os tipos de uso do solo próximo às margens, identificando as
áreas mais críticas. Foram verificadas, ainda, as condições das faixas de proteção dos açudes
de grande porte que se encontram posicionados ao longo dos rios analisados. Ressalta-se, no
entanto, que a análise efetuada apresenta um cunho qualitativo. Apresenta-se a seguir uma
descrição sucinta das condições em que se encontram as matas ciliares dos rios analisados.

8.3.1. Rio Pirangi

O rio apresenta na região de alto e médio curso sua mata ciliar representada por pequenas
manchas descontínuas. As áreas com culturas agrícolas e antropizadas não se apresentam
muito significativas, sendo observado ao longo do traçado do rio o predomínio da vegetação
de caatinga arbustiva, que avança até a sua calha.

Embora as nascentes dos riachos formadores do rio Pirangi apresentem-se relativamente


preservadas, observa-se próximo à região das cabeceiras do rio o predomínio de áreas
antropizadas ou com cultivos agrícolas e bastante antropizadas com o desenvolvimento da
carcinicultura próximo a sua foz.

306
No seu baixo curso a mata ciliar de carnaúbas forma uma larga faixa compacta, que se estende
por cerca de 30 km até o manguezal na região litorânea, adentrando, ainda, ao longo do riacho
Umburanas, um dos seus principais tributários. Entre esta área e o Canal do Trabalhador
observa-se o predomínio da vegetação de caatinga em meio a áreas antropizadas ou com
cultivos agrícolas.

8.3.2. Rio Choró

As nascentes dos riachos formadores do rio Choró apresentam sua cobertura vegetal
relativamente preservada, sendo esta composta predominantemente pela caatinga de porte
arbustivo. Na área de entorno do açude Pompeu Sobrinho observa-se a degradação imposta
pelas atividades antrópicas.

No trecho compreendido entre os açudes Pompeu Sobrinho e Pacajus, observa-se ao longo do


rio Choró o predomínio de áreas agrícolas e antropizadas, sendo constatado inclusive o uso de
irrigação difusa. A mata ciliar apresenta-se praticamente erradicada, podendo ser visualizado
apenas pequenas manchas esparsas.

Segundo informações da Gerência Metropolitana da COGERH, responsável pela operação


dos açudes das Bacias Metropolitanas, a faixa de proteção do açude Pacajus apresenta boa
parte preservada, sendo composta predominantemente por vegetação de porte arbustivo,
havendo ainda, manchas com vegetação de porte arbóreo.

As áreas degradadas apresentam-se representativas nas imediações de Pacajus e Chorozinho,


cidades cujos crescimentos das malhas urbanas vem se processando em direção ao referido
reservatório. Na Figura 8.2 lixão de Pacajus.

Figura 8.2. Transporte e área destinada aos resíduos sólido (Lixão) no município de
Pacajus
8.3.3. Rio Uruaú

O rio Uruaú apresenta sua mata ciliar composta por vegetação de porte arbóreo quase
totalmente preservada. Observa-se na área de entorno da Lagoa de Uruaú a substituição deste
padrão fitofisionômico, havendo aí um predomínio de espécies arbustivas. Observa-se a
ocupação da faixa de proteção da referida lagoa por chácaras, onde prevalece o cultivo de
fruteiras, sendo consideradas áreas antropizadas.

307
8.3.4. Rio Pacoti

O rio Pacoti apresenta na região de alto curso, mais especificamente na Serra de Baturité, sua
mata ciliar relativamente preservada, composta por vegetação de porte arbóreo, sendo
observadas apenas pequenas áreas antropizadas e uma com irrigação difusa imediatamente a
jusante do açude Engenheiro Gudin (Acarape do Meio).

No trecho compreendido entre as cidades de Redenção e Acarape observa-se a substituição da


mata ciliar por cultivos agrícolas irrigados. Entre Acarape e o Sistema Pacoti/Riachão a
fitofisionomia da mata ciliar passa a ter um padrão arbustivo, sendo observado pequenas
manchas esparsas de área antropizadas.

A faixa de proteção do Sistema Pacoti/Riachão apresenta-se preservada, composta na sua


maior parte por vegetação de porte arbóreo, sendo observado, também, o padrão arbustivo, é
preciso ressaltar que as áreas degradadas são menores que as áreas preservadas.

Imediatamente a jusante do açude Pacoti observa-se uma mancha de área antropizada, a partir
da qual o padrão da mata ciliar vai se alternando, ora prevalecendo vegetação de porte
arbóreo, ora arbustivo até as imediações da cidade de Aquiraz. Na área de entorno do núcleo
urbano de Aquiraz observa-se uma extensa área antropizada que se estende até as imediações
do manguezal do rio Pacoti.

8.3.5. Rios Caponga Roseira, Caponga Funda, Catu e Mal-Cozinhado

Os rios Caponga Roseira, Caponga Funda, Catu e Mal-Cozinhado apresentam suas matas
ciliares compostas por vegetação de porte arbustivo, relativamente preservadas ao longo da
quase totalidade da extensão dos seus talvegues.

Áreas antropizadas mais significativas são observadas nas cabeceiras dos rios MalCozinhado
e Catu e na área de entorno da Lagoa da Encantada, na Bacia do Catu, principalmente na sua
margem esquerda.

8.3.6. Rio São Gonçalo

As nascentes dos riachos formadores do Rio São Gonçalo apresentam sua cobertura vegetal
preservada, sendo observado o predomínio de espécies arbóreas. No trecho compreendido
entre a região da Serra de Baturité e o açude Sítios Novos, o Rio São Gonçalo tem sua mata
ciliar composta predominantemente pela caatinga arbustiva, que avança até suas margens.
Constata-se, no entanto, a presença de grandes manchas de áreas antropizadas próximo a
confluência com o riacho do Amanari e na área a montante do açude Sítios Novos.

A faixa de proteção do açude Sítios Novos apresenta-se preservada, sendo composta


predominantemente pela vegetação de caatinga arbustiva, ocorrendo, também, uma mancha
significativa de caatinga arbórea em sua margem esquerda. As áreas degradadas mais
significativas são observadas no trecho final do reservatório. Imediatamente a jusante do
açude Sítios Novos a mata ciliar do rio São Gonçalo apresentase substituída por cultivos
agrícolas e áreas antropizadas por cerca de 13 km.

Estendendo-se da área a montante da Lagoa dos Talos até um pouco depois da confluência
com o Riacho do Meio, a mata ciliar de carnaúbas forma uma estreita faixa compacta,
relativamente preservada.

308
A faixa de proteção da Lagoa dos Talos, por sua vez, apresenta-se substituída em grandes
extensões de área, por culturas agrícolas e áreas antropizadas, principalmente na porção norte
de sua margem esquerda. No restante da área, observa-se o predomínio da vegetação de porte
arbustivo na margem direita e arbóreo na margem esquerda. A vegetação de mangue outrora
existente na região da referida lagoa foi erradicada após a execução de sucessivos
barramentos ao longo do corpo da lagoa, os quais alteraram o seu regime hídrico.

8.3.7. Sistema Ceará/Maranguape

Embora as nascentes dos riachos formadores do Rio Ceará apresentem-se preservadas,


observa-se na região de suas cabeceiras a presença de extensas áreas degradadas, cuja
vegetação apresenta-se substituída por cultivos agrícolas ou áreas antropizadas, com destaque
para as áreas de entorno dos açudes Ipueiras e Bom Princípio.

No restante do traçado do rio, a mata ciliar é composta por vegetação de porte arbustivo
relativamente preservada, passando a apresentar porte arbóreo na região de influência da Serra
do Juá. A partir daí uma estreita faixa de mata ciliar de carnaúbas se estende até o manguezal
na região litorânea.

O Rio Maranguape, por sua vez, tem a cobertura vegetal de suas nascentes preservada, sendo
composta por vegetação de porte arbóreo. Ao longo do seu traçado a mata ciliar apresenta
alternância do predomínio de vegetação de porte arbóreo e arbustivo, situação que se altera
após o rio adentrar a cidade de Fortaleza. A partir deste ponto sua mata ciliar apresenta-se
praticamente erradicada, sendo substituída por áreas urbanizadas, ocorrendo apenas em
pequenas manchas bastante dispersas.

O crescente êxodo rural cearense vem povoando boa parte das várzeas da capital, aumentando
as áreas de risco ambiental com ameaças progressivas de possíveis enchentes e desabamentos.
Ao longo do rio Maranguapinho, observa-se comunidades sujeitas às constantes inundações,
especialmente durante o período chuvoso. O assoreamento do rio, associado ao descaso
quanto ao destino do resíduo sólido, vêm provocando constantes inundações durante a estação
chuvosa.

O rio Maranguapinho apresenta em diversos momentos problemas ambientais de diversas


naturezas, a exemplo da poluição, desmatamentos de suas margens, assoreamento, dentre
outros. O leito do rio encontra-se praticamente todo assoreado em decorrência da substituição
da mata ciliar. Sua profundidade raramente ultrapassa os 2,0 (dois) metros, recebendo água de
diversos canais da região, de tubulações clandestinas de efluentes domésticos.

Praticamente inexiste mata ciliar ao longo do rio Maranguapinho, substituída por outras
espécies introduzidas pelo homem. No entanto, é possível ainda observar alguns exemplares
dispersos: Licania rigida (oiticica), Zyziphus joazeiro (juazeiro); Erithrina velatina
(mulungo); Cecropia sp (torém), Anacardium occidentale (cajueiro), entre algumas espécies,
inclusive as que possuem caráter caducifólio e folhas pequenas.

Os pontos críticos do Rio Maranguapinho começam a partir de Maracanaú, onde há o despejo


dos efluentes da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do Distrito Industrial de
Maracanaú, Figura 8.3. Esta situação degradante foi visitada pelo Comitê das Bacias
Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (CBH-RMF) em 2006.

309
Figura 8.3. Saída da Estação de Tratamento de Maracanaú
E logo depois da saída da ETE, pode-se observar a continuação do rio com estágios
avançados de eutrofização (Figura 8.4).

Figura 8.4. Percurso a montante da ETE-Maracanaú causando o processo de


eutrofização no rio maranguapinho
Esta situação piora progressivamente à medida que atravessa a cidade de Fortaleza devido à
ocupação desordenada das margens do rio pela população ribeirinha, como se pode perceber
no bairro Siqueira, Figura 8.5.

310
Figura 8.5. A disposição de lixo na margem do rio maranguapinho e a ocupação
desordenada das casas em área de preservação permanente
8.3.8. Sistema Cocó/Coaçu

O Rio Cocó tem a cobertura vegetal da sua nascente, na serra de Pacatuba, relativamente
preservada, sendo observado o predomínio de espécies de porte arbóreo. A faixa de proteção
do açude Gavião apresenta-se composta em sua quase totalidade por vegetação arbórea,
estando às áreas antropizadas restritas a uma pequena mancha na sua margem direita, e a área
imediatamente a jusante do reservatório.

Após adentrar o território da cidade de Fortaleza, o rio Cocó tem sua mata ciliar substituído
por áreas urbanizadas, podendo ser observado ao longo do seu percurso, pequenas manchas
esparsas bastantes degradadas.

A mata ciliar do rio Coaçu, por sua vez, apresenta ao longo do seu traçado o predomínio de
vegetação de porte arbóreo. Constata-se, ainda, a presença significativa de áreas onde a
vegetação arbustiva apresenta-se dominante, principalmente, na sua margem direita. Áreas
antropizadas são observadas, apenas na região de alto curso, próximo às cabeceiras do rio.

As faixas de proteção da lagoa da Precabura é composta por vegetação de porte arbustivo, a


qual apresenta-se substituída em diversos pontos por cultivos agrícolas e áreas antropizadas,
sendo constatado em seu entorno a presença de sítios e chácaras.

No trecho compreendido entre a lagoa da Precabura e o manguezal do rio Cocó, a mata ciliar
apresenta-se bastante degradada, sendo substituída em diversos pontos por áreas antropizadas.

Como resultado da vigorosa ação antrópica, o rio Cocó tem uma destacada importância no
sistema de drenagem metropolitano, recebendo descargas de esgotos do maior sistema de
drenagem de Fortaleza, formado pelos canais do Jardim América, Eduardo Girão e da avenida
Aguanambi.

O rio Cocó sofre, portanto, forte impacto ambiental com a ocupação da população ribeirinha
ao longo de suas margens. Outro agravante ambiental é a presença do “lixão” desativado do

311
Jangurussu, antigo depósito dos resíduos sólidos de Fortaleza: localizado às suas margens,
contribui para a poluição de suas águas pelo chorume residual dos vários milhões de toneladas
ali depositados.

Segundo a Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, a maior parte das doenças endêmicas,
como a esquistossomose e a dengue, resultam de más condições sanitárias nos aglomerados
urbanos e rurais, especialmente devido a destinação final inadequada dos resíduos sólidos
formando os lixões tal como são popularmente conhecidas as áreas de despejo de lixo sem
planejamento, controle e manejo adequados.

8.3.9. Rio Cauhipe

A região de alto curso do rio Cauhipe apresenta sua mata ciliar composta por vegetação de
porte arbóreo, estando às áreas de nascentes bem protegidas. Na faixa de proteção do açude
Cauhipe pode ser constatada a presença de vegetação de porte arbóreo relativamente
preservado na margem esquerda, enquanto que na outra margem predomina as espécies
arbustivas.

A mata ciliar de carnaúba se estende por cerca de 15 km a partir do lagamar do Cauhipe,


formando uma faixa estreita e compacta. Na área de entorno do lagamar do Cauhipe a
presença de áreas antropizadas é bastante significativa, sendo constatado, também, pequenos
cultivos agrícolas dispersos. Na porção norte de sua margem esquerda observa-se o avanço da
vegetação de porte arbóreo até o corpo da lagoa. Situação semelhante ocorre na porção sul da
margem esquerda, sendo neste caso a vegetação de porte arbustivo.

8.3.10. Rio Juá

A mata ciliar do rio Juá apresenta-se relativamente preservada, sendo observado o predomínio
de vegetação de porte arbóreo no seu alto e médio curso. A cobertura vegetal de sua nascente,
posicionada na serra do Juá, apresenta-se conservada.

Na área de entorno da lagoa do Poço, por sua vez, predomina a vegetação de porte arbustivo,
a qual apresenta-se substituída em diversos pontos por áreas antropizadas e cultivos agrícolas,
tendo-se constatado o avanço da área urbana da localidade de Icaraí em sua direção, já
existindo algumas casas às margens da lagoa.

8.3.11. Rio Gereraú

A mata ciliar apresenta-se em boas condições na maior parte do seu traçado, sendo composta
por vegetação de porte arbustivo. A presença de áreas antropizadas apresenta-se mais
significativa ao sul do lagamar Gereraú e no seu baixo curso próximo ao limite com os
campos de dunas.

A Mata Galeria encontra-se totalmente substituída por espécies exóticas e frutíferas, além de
forrageiras. Entretanto, encontra-se ainda alguns remanescestes da mata original: Mimosa
pigra (calumbi), Chrysobalanus icaco (guajiru), Byrsonima sp (murici), entre outros. Essa
mata cumpre o papel de dificultar o processo erosivo dos taludes e, em conseqüência, o
assoreamento do rio.

As Várzeas/Mata Ciliar normalmente encontram-se nas margens dos ambientes lóticos


(corpos d'água em movimento), assentadas nas planícies onde periodicamente podem ficar

312
inundados. A mata ciliar aloja uma vegetação de porte mediano, podendo chegar aos oito
metros de altura, cujas copas são bastante esgalhadas. Nas planícies, nos setores mais
alagados, observa-se o predomínio de Copernicea prunifera (carnaúba), formando os campos
de várzea.

A recuperação e manutenção da mata ciliar no ambiente ribeirinho são importantes na


preservação da fauna local, pois algumas espécies, as quais se refugiam neste ambiente, já se
encontram ameaçadas de extinção. É fundamental a elaboração de um programa de
monitoramento da fauna em toda a região, com o fito de constatar a real dimensão da sua
biodiversidade, acompanhando-a durante um período mínimo de cinco anos consecutivos,
mediante a coleta e sistematização de dados que serviriam como ferramentas de gestão ambiental.

8.4. Qualidade Da Água

Para analisar a qualidade da água com relação aos açudes do Estado do Ceará, a COGERH
utiliza como base principal o estado de eutrofização dos açudes.

O termo eutrófico vem do grego, onde "eu" significa bom e "trophein", nutrir. Assim,
eutrófico no sentido literal significa "bem nutrido", sendo a eutrofização um processo que
resulta no incremento da concentração de nutrientes nos ambientes aquáticos, principalmente
do fósforo e do nitrogênio, os quais são essenciais para o crescimento do fitoplâncton
(microalgas e cianobactérias) e de macrófitas (plantas aquáticas). Estes dois grupos de
organismos, quando em crescimento excessivo, dificultam a utilização da água para fins
múltiplos, em especial para o abastecimento humano e a dessedentação animal.

O Índice de Estado Trófico (IET) é utilizado para possibilitar a classificação dos corpos
d’água em níveis de trofia (ou níveis tróficos), ou seja, este índice avalia a qualidade de água
quanto ao enriquecimento por nutrientes.

Cada açude do estado do Ceará, monitorado pela COGERH, é avaliado, pelo menos, duas
vezes ao ano para o IET.

Segundo o Boletim Informativo da Rede de Monitoramento da Qualidade da Água, elaborado


pela Gerência de Desenvolvimento Operacional (GEDOP) da COGERH em dezembro de
2008, os dados de todos os açudes são, apresentados em um mapa indicativo do estado
trófico. O IET tem sido calculado levando-se em conta os resultados de fósforo total e de
clorofila e, em muitos casos, a contagem de cianobactérias serve para reforçar ou não estes
resultados, representando mais um suporte para esta classificação.

Avaliou um total de 126 açudes, apresentando os seguintes percentuais de classificação: 5%


dos açudes como oligotróficos; 24%, mesotróficos; 61%, eutróficos; e 10% como
hipereutróficos. Apesar de o percentual de açudes eutrofizados ser muito expressivo, é
necessário observar que cerca de 63% destes dados representam o estado da qualidade da
água no período seco. Este, de forma geral, é marcado pela piora da qualidade da água em
função da diminuição da disponibilidade hídrica, ocorrendo concentração dos materiais que
degradam a qualidade das águas.

Nas Bacias Metropolitanas, especificamente, segundo o mesmo Boletim Informativo da


GEDOP (2008), o estado de eutrofização de cada açude está descrito no Quadro 8.2.

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Quadro 8.2. Estado de eutrofização dos açudes das Bacias Metropolitanas
Açude Estado Trófico
Acarape do Meio Eutrófica
Amanary Eutrófica
Aracoiaba Mesotrófica
Castro Eutrófica
Cahuípe Eutrófica
Catucinzenta Eutrófica
Gavião Eutrófica
Itapebussu -
Macacos -
Malcozinhado Eutrófica
Pacajus Mesotrófica
Pacoti Eutrófica
Penedo Eutrófica
Pesqueiro -
Pompeu Sobrinho Hipereutrófica
Riachão Eutrófica
Sítios Novos Eutrófica
Tijuquinha -
Portanto, pode-se observar pelo quadro acima, que nas Bacias Metropolitanas, a situação de
todos os açudes é preocupante. O que está em melhor situação é o Aracoiaba por ainda estar
em estado mesotrófico e a pior situação é o do açude Pompeu Sobrinho – hipereutrófico.

Com relação às praias de Fortaleza, estas já são monitoradas pela SEMACE há mais de dez
anos, com uma rede amostral de 22 pontos distribuídos ao longo dos 25 Km de costa.

Na qualidade das praias, a SEMACE divulga um boletim semanal, classificando as praias


próprias e impróprias para banho. A praia é considerada imprópria quando não são atendidos
os critérios estabelecidos para águas próprias, quando o valor obtido na última amostragem
for superior a 2.5